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Vozes do fronte: Considerações sobre o irromper da covid-19 na Itália
Vozes do fronte: Considerações sobre o irromper da covid-19 na Itália
Vozes do fronte: Considerações sobre o irromper da covid-19 na Itália
E-book86 páginas53 minutos

Vozes do fronte: Considerações sobre o irromper da covid-19 na Itália

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Sobre este e-book

O artigo do filósofo Giorgio Agamben publicado pelo jornal Il Manifesto em fevereiro deste ano,
no irromper da Covid-19 na Itália, é o fio condutor desta seleta de textos de diversos veículos da
imprensa italiana, que traz vozes favoráveis e contrárias à leitura que Agamben faz o estado de
exceção instituído, considerando-o uma urgência imotivada.
No entanto, mais do que apenas debater o perigo ínsito de que essa imposição da limitação da
liberdade dos cidadãos possa se tornar um instrumento governamental normal, Vozes do fronte
apresenta um panorama amplo de discussões que, embora concentradas no âmbito italiano,
perpassa questões relativas a economia, saúde mental, xenofobia assim como ao legado da
pandemia para as relações humanas no mundo todo.
IdiomaPortuguês
Data de lançamento4 de jun. de 2020
ISBN9786586683288
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    Vozes do fronte - Davide Grasso

    Ibid.

    O estado de exceção provocado por uma urgência imotivada

    Giorgio Agamben

    Publicado no jornal Il Manifesto em 26 fev. 2020

    Diante das frenéticas, irracionais e totalmente imotivadas medidas de emergência para uma suposta epidemia provocada pelo coronavírus, é preciso começar pela declaração oficial do CNS,¹ segundo a qual «não há epidemia de Sars-CoV-2 na Itália».

    E não só isso. Em todo caso «a infecção, pelos dados epidemiológicos hoje disponíveis sobre dezenas de milhares de casos, causa sintomas brandos/moderados (um tipo de gripe) em 80-90% dos casos. Em 10-15%, pode se desenvolver uma pneumonia, cujo decurso é benigno na maioria absoluta. Estima-se que apenas 4% dos pacientes necessitem de hospitalização em terapia intensiva».

    Se essa é a situação real, por que a mídia e as autoridades estão se esforçando para difundir um clima de pânico, provocando um verdadeiro estado de exceção, com graves limitações aos deslocamentos e uma suspensão do funcionamento normal das condições de vida e de trabalho em regiões inteiras?

    Dois fatores podem contribuir para explicar um comportamento tão desproporcional.

    Em primeiro lugar, manifesta-se, mais uma vez, a tendência crescente de usar o estado de exceção como paradigma normal de governo. O decreto-lei imediatamente aprovado pelo governo «por razões de higiene e de segurança pública» de fato é determinado por uma verdadeira militarização «dos municípios e das áreas onde há confirmação de ao menos uma pessoa contaminada cuja fonte de transmissão é desconhecida, ou, ainda, onde há um caso que não pode ser atribuído a uma pessoa proveniente de uma área já afetada pelo contágio do vírus».

    Uma fórmula tão vaga e indeterminada permitirá estender rapidamente o estado de exceção para todas as regiões, pois é quase impossível que outros casos não ocorram em outros lugares.

    Consideremos as graves limitações da liberdade previstas pelo decreto:

    1) proibição de afastamento do município ou da área em questão por todos os indivíduos presentes no município ou na área;

    2) proibição de acesso ao município ou à área em questão;

    3) suspensão de manifestações ou iniciativas de qualquer natureza, de eventos e de qualquer espécie de reunião em um lugar público ou privado, mesmo de caráter cultural, lúdico, esportivo e religioso, sejam eles desenvolvidos em lugares fechados ou abertos ao público;

    4) suspensão dos serviços educacionais infantis e das escolas de qualquer tipo e grau, bem como da frequência de atividades escolares e de ensino superior, exceto atividades formativas desenvolvidas a distância;

    5) suspensão dos serviços de abertura ao público de museus e outros institutos e locais de cultura referidos no artigo 101 do Código dos Bens Culturais e Paisagísticos, nos termos do Decreto Legislativo, de 22 de janeiro de 2004, no 42, bem como da eficácia das disposições regulamentares sobre o acesso livre e gratuito a tais institutos e

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