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Uma Graça Sutil: Família O'Donovan

Uma Graça Sutil: Família O'Donovan

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Uma Graça Sutil: Família O'Donovan

Duração:
566 páginas
7 horas
Lançados:
Jun 7, 2020
ISBN:
9781071551042
Formato:
Livro

Descrição

Filadélfia, 1896. Na sequência de “Apenas por nome”, “Uma graça sutil” continua a rica e pouco convencional família O’Donovan enquanto eles se aproximam do nascimento de um novo século. Aos 19 anos, Kathleen (a filha mais velha) ainda está solteira e sem pretendentes. Temendo virar solteirona, sua impaciência faz com que ela acabe se apaixonando pelo primeiro homem que se interessou, o filho gentil e belo do chefe de polícia local. Mas será que sua impulsividade vai impedi-la de conhecer seu verdadeiro amor? Eventos perturbadores trazem uma nuvem negra para sua vida, que ameaça a vida feliz que ela tanto deseja ter. Dr. Luke Peterson, novo médico da família, também causou uma boa impressão em Kathleen. Sua afeição por ela faz com que ele tenha revelações surpreendentes: sobre Kathleen, sobre seu trabalho e, mais importante, sobre si mesmo. Will, o filho mais velho, acredita Deus deseja que ele siga a vocação religiosa. Eventualmente, porém, ele descobre um segredo sobre seu passado que faz com que embarque em uma peregrinação a Roma.

Embora “Uma graça sutil” seja continuação de “Apenas por nome”, cada livro pode ser lido de forma independente um do outro.

Lançados:
Jun 7, 2020
ISBN:
9781071551042
Formato:
Livro

Sobre o autor


Amostra do livro

Uma Graça Sutil - Ellen Gable

Dedicatória

À minha mãe, que sempre me fez rir

Elizabeth May Gable Power

Betti

1934 - 2007

e meu pai, um autor aspirante

Francis Henry Gable Jr.

Frank

1928 - 1978

––––––––

Santa Agnes, virgem e mártir

Rogai por nós

"Encubra então meu rosto tão inspecionado

Para que uma graça tão sutil e cintilante

Vibre longe demais para mim..."

Algo num dia de verão

Emily Dickinson

Tudo é graça.

Santa Thérèse de Liseux

1

2:03 a.m.

16 de agosto de 1896

A primeira reação de Kathleen Emma O’Donovan ao entrar no quarto da mulher dando a luz foi se encolher, olhar com desconfiança e suspirar, tudo ao mesmo tempo. O grunhido e as lamentações vinham, por acaso, da boca de sua pudica mãe, conhecida da alta sociedade como Caroline O’Donovan. 

O segundo pensamento da garota de dezenove anos, consciente de que ela já tinha irmãos demais e ainda nenhuma irmã, era Por favor, Deus, permita que seja uma menina.

Ela segurou a mão trêmula de sua mãe e a apertou quando a mulher grunhiu frente a uma contração dolorosa. A boca de sua mãe enrugou enquanto ela lutava para continuar em silêncio.

O pai de Kathleen, formalmente conhecido como David John O’Donovan, proprietário da O’Donovan Mercantile, tinha passado as últimas horas andando de um lado para o outro. Ele cumpria à risca as ordens de sua esposa de ficar tão presente no parto quanto era permitido a um homem, um espectador que apenas era notado por seus passos pesados no corredor.

A Sra. McHugh, a parteira, era uma mulher alta com cabelo grisalho amarrado para trás. Ela respondeu de forma padrão para a pergunta ocasional de Papa. Sim, Sr. O’Donovan, ela está bem, apenas tendo um filho.

Mama, força, grite. Berre, se isso ajudar.

A mãe de Kathleen balançou sua cabeça e se encolheu; seus olhos verdes se estreitaram e as unhas apertaram na mão de sua filha.

A jovem soltou a mão de sua mãe por alguns instantes para secar a testa da mulher com um pano frio. O brilho leve da luminária a óleo iluminou os numerosos fios de cabelos brancos na cabeça de sua mãe.

Sra. McHugh se ajoelhou na frente da cama entre as pernas da mulher que dava à luz. As mangas da mulher estavam enroladas e suas mãos posicionadas a frente de Mama como se estivesse prestes a segurar uma bola.

Empurre só mais um pouco, Sra. O’Donovan.

O coração de Kathleen se acelerou, excitado. Uma nova pessoinha estava prestes a estrear no mundo!

Vamos, Srta. Caroline, o bebê está quase conosco. Empurre. Jane, uma mulher de meia idade e empregada de longos anos da família, gritou. Kathleen nunca tinha ouvido a empregada, cujo tom de voz era normalmente calmo e agradável, falar de forma tão vigorosa. Só já conseguimos ver a cabeça, só mais um empurrão!

Kathleen esticou o pescoço e assistiu sua mãe empurrar a criança para fora do seu corpo e para as mãos da parteira. Kathleen segurou sua respiração quando o bebê de cabelos escuros começou a resmungar. A Sra. McHugh cortou o cordão umbilical e informou, É uma menina, Sra. O’Donovan.

Esplendido! Uma irmã. Eu finalmente tenho uma irmã!

O bebê chorou com gemidos agudos enquanto a parteira o entregava para Jane, que a esfregou, limpou e envolveu a criança em um pano limpo.

Sua mãe relaxou contra os travesseiros elevados, seu cabelo úmido e vermelho grudado em seu rosto e testa. Ela... está bem?

Sim, Sra. O’Donovan. Ela está bem... Uma garotinha pequena, mas tudo bem. Uma bela menininha.

Com os olhos arregalados, Kathleen olhou para sua irmã. Ela mal conseguia respirar frente à maravilha dessa nova vida. Era difícil entender que essa pequena criaturinha não existia há nove meses atrás.

Batidas frenéticas na porta e a voz de seu pai fizeram Kathleen reprimir um sorriso. Minha esposa está bem? Posso entrar?

Um momento, Sr. O’Donovan. Sua esposa está quase...

Nesse momento, seu pai abriu a porta sem esperar por permissão. Kathleen se levantou e o cumprimentou com um abraço. Você finalmente tem outra filha, Papa!

Graças a Deus. Como está Mama? ele murmurou, inclinando sua cabeça para o lado para avaliar sua esposa do outro lado do quarto.

Ótimo. Venha, fique ao lado dela.

A Sra. McHugh colocou uma bacia à frente da cama da mãe e ajudou a retirar a placenta, grande e ensanguentada.

O pai de Kathleen, um homem melindroso, piscou e se virou. Kathleen colocou sua mão nas costas dele e o direcionou para o lado da cama. Ele beijou a testa de sua esposa, então se abaixou para se sentar na borda da cama dela. Seu cabelo crespo e salpicado estava desgrenhado. Sua mãe olhou admirada para seu pai; ele afagava o rosto de sua mãe.

Srta. O’Donovan?

Kathleen virou sua cabeça na direção da parteira. Sim, Sra. McHugh?

Me ajude a determinar se a placenta está intacta. Se algo dela não tiver saído, pode trazer infecções ou outras doenças.

Kathleen se afastou de seus pais e se ajoelhou ao lado da parteira. A garota tinha se esquecido que tinha dito para a Sra. McHugh que iria para a Ingersoll Training School for Nurses em setembro.

Não há motivos para você não começar a treinar agora, com sua irmãzinha.

Claro.

A parteira segurou a placenta e a espalhou numa bandeja de metal. Foi isso que nutriu sua irmã por nove meses. Kathleen tinha admiração dessa parte importante do processo de nascimento.

Você acha que tem algo faltando?

Na prática, Kathleen não tinha certeza, então deu um chute educado. Não?

Correto.

Você gostaria de segurar sua irmãzinha? Jane perguntou.

Kathleen olhou para sua mãe, suas sobrancelhas se levantaram e seu sorriso se abriu.

Você pode segurá-la primeiro, Kathleen. Já a carreguei por nove meses.

Kathleen se sentou na poltrona no pé da cama e a Sra. McHugh gentilmente colocou a bebê em seus braços. Ela segurou cuidadosamente sua irmã; ela era tão pequena, talvez pesasse menos de três quilos. Ela assentiu e olhou admirada para o mais belo bebê que já tinha visto – com seu cabelo escuro, rosto pequeno e redondo e olhos profundos, a criança era tão diferente de Kathleen, com seus cabelos loiros e olhos verdes. Sua irmã recém-nascida tentava agora colocar seu punho dentro de sua boca.

Mama, Papa, que nome vocês escolheram?

Nós escolhemos Maureen, a mãe respondeu, versão gaélica de Maria.

Kathleen assentiu. E seu nome do meio?

Caroline, o pai respondeu, com uma pequena reverência.

Mama, ela é extraordinária. Ela é o bebê mais lindo que eu já vi!

Papa sussurrou, Sua afilhada é a adorável, não é, Kat?

Sim, ela... Kathleen olhou para o pai e então para a mãe. Minha... afilhada?

A mãe assentiu. Nós queremos que você seja a guardiã espiritual de sua irmã.

Por um momento, Kathleen ficou sem palavras, e então disse, Que maravilhoso!

Então você aceita? a mãe perguntou.

Claro que eu aceito!

É hora da Srta. Maureen ser amamentada. Jane esticou seus braços. Kathleen colocou a criança no colo da empregada, que a colocou nos braços da mãe. Kathleen e seu pai foram, então, guiados para fora por Jane, que declarou, É chamado trabalho de parto por uma razão... Srta. Caroline precisa descansar.

Mas eu ainda não segurei minha filha.

Jane riu. Não, com certeza não, Sr. David. Mas eu vou atrás de você quando ela tiver terminado de mamar.

Eu não vou dormir, ele respondeu.

No corredor, Kathleen abraçou o pai novamente.

Você consegue acreditar nisso? Uma menina, uma filha?

Não, não consigo, Kat, embora eu esteja agradecido por sua mãe e a bebê estarem bem.

E eu tive a oportunidade de estudar a placenta. Mesmo Mama não fez isso.

Você está animada para começar a faculdade?

Sim, eu acho que estou. Eu sei que quero ajudar os outros, especialmente as crianças, e realmente acho a área médica fascinante.

Seu pai assentiu e sorriu.

Ela não é uma garota afortunada por ter nascido nessa família?

Seu pai levantou uma sobrancelha. Você acha?

Eu acho. Boa noite, Papa. Ela beijou a bochecha dele e se virou na direção de seu quarto.

Kat?

Ela se virou. Sim?

Estou muito orgulhoso de você ter ficado lá, com a sua mãe.

Não precisa. Eu quis estar lá. Por que você não pode ficar lá com Mama?

A parteira e Jane acham que eu iria ficar no caminho.

Você estava preocupado com Mama?

Eu estava. Ela quase morreu depois de dar à luz a John. Eu não sei o que eu faria se ela... Bom, não vamos falar dessas coisas.

Mama foi muito bem, Papa.

Sim, ela foi. Boa noite, Kat.

Boa noite.

***

William O’Donovan, com seus dezessete anos, se inclinou contra a porta de seu quarto para ouvir o que seu pai e irmã conversavam no corredor. Ele tinha passado as últimas duas horas rezando enquanto via seu pai andando de um lado para o outro no corredor, e ouvia os gemidos abafados de sua mãe. Kat tinha torcido por uma irmã por anos. Quando ele ouviu filha, ele começou a rir. Uma garota! Extraordinário!

Seu irmão, John, de dezesseis anos, se mexeu da cama ao lado da janela. Apague a luz. Eu estou tentando dormir.

Will se sentou ao lado da cama do seu irmão e deu um tapinha nas costas de John. Nós temos uma nova irmã.

John esfregou seus olhos e então os abriu. Sério?

Sim.

Mama está bem?

Acho que sim.

Bom. Ele se sentou, esfregou os olhos novamente e bocejou. Por que você não está dormindo?

Estava rezando.

Ah. Rezando novamente. Por que você precisa rezar toda hora?

Me dá paz. Eu gosto de rezar.

John se sentou na beirada da cama, suas pernas balançando. Você acha que nós podemos ver o bebê?

Não tenho certeza. Você gostaria?

Sim, embora eu ache que nós devêssemos deixar Mama descansar. Afinal, é, John olhou para o relógio na cornija, 2 e 40 da manhã.

Sim, é melhor esperarmos até amanhã, Will concordou. Eu me pergunto com quem ela se parece.

Hmmm... Os olhos do seu irmão estavam voltando a se fechar. Eu espero que você apague essa luz logo.

Em alguns instantes.

Jon se virou e foi dormir.

Will se ajoelhou em sua cama e recitou em voz baixa uma reza em agradecimento. Obrigado, Pai Todo-Poderoso, pela chegada segura de minha irmã. Ele fez o sinal da cruz, então desligou a luminária, sua mente se revirando com uma miríade de pensamentos. Em poucas semanas, ele entraria para seu último ano da escola secundária e em breve teria que decidir onde ele faria faculdade. Ele deitou sua cabeça contra o travesseiro.

Apesar do ronco de seu irmão na outra cama, Will desfrutava compartilhar o quarto com ele. A maior parte das crianças de classe alta gostavam da luxúria de ter seus próprios espaços privados ou quartos, mas desde que ele se lembrava ele compartilhava o quarto com John. A medida que crescia, John parecia como sua outra metade. Talvez porque os dois carregassem uma semelhança marcante com seu pai. As pessoas muitas vezes confundiam os dois como gêmeos. De fato, eles eram os gêmeos irlandeses, em parte por terem nascido no mesmo ano – ele em Fevereiro, John em Dezembro. Apesar disso, eles eram sutilmente diferentes entre si. O queixo de Will tinha uma covinha; a de John, não. Will conseguia cantar afinado, John não conseguia. Will era mais extrovertido; John era menos.

Will relaxou contra o travesseiro, se perguntando o que seu sono traria. Seus sonhos geralmente eram uma confusão de bobagens. Ocasionalmente, porém, ele sonhava com uma bela mulher de cabelos escuros. Ele podia visualizar seu rosto de forma clara, mesmo quando estava acordado. O mais estranho era que esse sonho sempre era o mesmo: a mulher tentaria se aproximar para abraçá-lo, Will andaria na direção dela e ela desapareceria.

Ao fechar seus olhos, o último pensamento claro que ele teve antes de dormir foi, Pai Eterno, obrigado por minha família.

2

Eu testemunhei a chegada de outro ser humano ao mundo.

A cabeça de Kathleen afundou no travesseiro de penas enquanto ela olhava para cima. Sua luminária, como sempre, tinha uma chama leve e projetava um pequeno círculo amarelo e branco no teto. Desde que se conhecia por gente, Kathleen não gostava da escuridão que acompanhava a noite. Ela se sentia mais segura quando havia uma luz por perto, mesmo que fraca. Se ela acordasse e a luminária tivesse apagado, ela sentia como se estivesse sufocando. Quando a luz voltasse, ela voltava a respirar novamente. Era tolice ter medo do escuro; ainda assim, o medo continuava.

Ela virava de um lado para o outro enquanto o sono fugia dela. Como seria possível dormir depois de tudo que ela tinha presenciado?

Embora ela esperasse ansiosa para ir para a faculdade, ela desejava que não estar casada não a tivesse obrigado a escolher uma faculdade. Ela teria estar casada agora, mas até o momento nenhum solteiro elegível – ou, ao menos, nenhum que Kathleen tivesse aprovado – tinha parecido ter interesse real.

O relógio do corredor bateu três e quinze. Seus irmãos mais novos não tinham acordado durante a noite – Mama tinha se mantido bem quieta durante todo o parto – mas durante a manhã todos os seus irmãos ficariam excitados em descobrir que agora eles tinham uma nova irmã.

Depois de cinco irmãos, parecia que ter uma irmã era um sonho impossível. Por um momento, Kathleen pensou em sua própria vocação, confiante de que seria se casar e ser mãe. Sua festa no último ano, quando ela tinha dezoito anos, tinha sido um sucesso tremendo. Por que, então, ela não estava casada ainda? Duas de suas amigas no colégio já tinham se casado. Kathleen estava começando a achar que ela se tornaria – os céus perdoem – uma solteirona.

Era essencial que Kathleen conhecesse seu futuro marido imediatamente para evitar esse destino terrível. Quanto ao aspecto da maternidade em sua vocação, Kathleen duvidava que ela teria algum tipo de tolerância a dor como sua mãe obviamente possuía, ainda mais depois de ter visto em primeira mão tudo que acontecia com uma mulher durante o processo de parto.

Afastando o pensamento de sua mente, Kathleen se lembrou de como foi segurar sua irmã pela primeira vez. Ela tinha muito a compartilhar com a pequena Maureen: ela era muito, muito agradecida por ter nascido nessa família, especialmente abençoada por ter pais que, apesar de sua riqueza, raramente se rendiam aos desejos das crianças, eram firmes quando precisavam ser e eram devotados, amorosos e gentis.

Eles a valorizavam tanto quanto valorizavam seus irmãos, como ficava claro quando a permitiram que se inscrevesse numa faculdade.

Kathleen aumentou o brilho da luminária, se levantou da cama e foi até sua escrivaninha. Ela procurou por seu diário dentro da gaveta superior.

Na frente do livro ela mantinha o retrato de sua mãe com seu verdadeiro pai, irmão do Papa, Liam, no casamento dele com sua mãe. Mama tinha dado a foto para ela quando ela fizera doze anos, explicando que seu primeiro marido tinha morrido e que ela tinha se casado com seu irmão. Ao longo dos anos, ela descobriu que Liam era um homem bom, devoto, que tinha morrido em um acidente de carruagem antes de Kathleen nascer. Olhando para o rosto dele, ela concluiu que ele era um homem belo, com cabelo claro, um traço que Kathleen obviamente tinha herdado dele. Mama disse a ela que quando ela era bebê, seu cabelo loiro era praticamente branco.

Kathleen concluiu que seu pai verdadeiro e Papa não pareciam de fato parentes, embora sua mãe dissesse que a voz dos dois irmãos era idêntica. Kathleen desejava ser capaz de ouvir a voz de Liam, ao invés de apenas ver seu rosto nessa foto.

Ela pegou uma caneta, a molhou na tinta e começou a escrever em seu diário:

16 de agosto de 1896

Esse é o dia mais feliz da minha vida! Eu sou oficialmente uma irmã mais velha... de novo! Maureen Caroline O’Donovan chegou ao mundo hoje, ou devo dizer, essa madrugada, já que ela nasceu às duas da manhã. Eu sou a única filha dos O’Donovan a saber dessa informação maravilhosa. E ainda mais maravilhoso: Eu vou ser madrinha de Maureen! Estou tão feliz com essa notícia! Quem eles vão pedir para ser o padrinho?

Durante o parto, Mama gemeu e grunhiu. Ela estava morrendo de dor, mas finalmente o bebê saiu. Eu nem consigo imaginar quão dolorido deve ser empurrar um bebê para fora de si.

Ela levantou o pequeno santinho que usava como marca-páginas, uma imagem de Santa Agnes segurando um cordeiro, duas pombas voando por perto. Santa Agnes, onde está o meu amor? Por favor, me traga ele logo!

Depois de ler sua história inspiradora alguns anos antes, Santa Agnes, virgem e mártir, tinha se tornado a santa favorita de Kathleen. No século catorze, a virgindade de Agnes tinha sido preservada apesar da jovem santa ter sido despida e levada para um bordel para ser violada por um grupo de homens. A santa foi salvada quando muitos dos homens foram incapazes de seguir com tal ato. O homem que queria forçá-la a se casar com ele foi cegado. Ela eventualmente foi martirizada.

Kathleen folheou as últimas notas no diário até chegar no dia 20 de janeiro do último ano, na noite do dia da festa de Santa Agnes, onde ela tinha escrito uma reza em forma de poesia para a santa.

20 de janeiro de 1895

Boa Santa Agnes, faça sua boa ação

E envie para mim o dono do meu coração

E mostre-me o que é tamanha alegria

De passar a noite em sua companhia.

Naquele dia em janeiro, um ano e meio antes, ela tinha recitado aquela reza e então finalmente dormido. De fato, ela tinha sonhado com um homem.

Seu rosto era borrado como uma pintura impressionista, exceto por um pequeno detalhe. O homem se inclinava para beijá-la, mas seus lábios apenas tocavam os dela gentilmente. Imediatamente Kathleen soube que aquele seria seu amado. Ela não podia explicar como, mas ela podia dizer que seu coração era puro e verdadeiro e bom. De repente, o homem tinha desaparecido e em seu lugar aparecera um colibri azul e verde voando sobre ela. Como ela reconheceria seu amado se ela não podia ver seu rosto? 

Ela deixou o diário aberto sobre a escrivaninha. Próximo da parede perto da janela estava seu baú de esperanças cheio de peças de linho e outros itens que ela usaria quando se casasse. Em breve, ela esperava. A luz leve da luminária fez com que o fundo amarelo de seu papel de parede parecesse como um âmbar quente e a frente rosada como o vinho.

A lua estava cheia, a noite clara. Quando ela se inclinou contra o batente da janela, ela viu as estrelas no céu da noite, brilhando contra um pano azul-escuro. Tudo estava em silêncio, exceto por alguns grilos cantando abaixo dela.

A casa dos O’Donovans ficava fora da cidade e Kathleen agradecia que eles não vivessem em uma propriedade na Filadélfia ou em Germantown. Embora ela gostasse de certos aspectos da vida na cidade, ela era muito barulhenta, empoeirada e claustrofóbica.

As imagens do nascimento de Maureen voltavam a passar em sua cabeça. Quando Tim nascera, quase cinco anos antes, Kathleen tinha catorze anos e ouvido os sons angustiados de sua mãe. Sua imaginação tinha conjurado todo tipo de imagens amedrontadoras. Era menos horrível estar presente no nascimento do que apenas escutá-lo, motivo pelo qual ela achava que seu pai deveria estar dentro do quarto também.

Com um suspiro, Kathleen colocou seu roupão e desceu as escadas do fundo até a cozinha do porão. Ela ouviu vozes, então um riso abafado. Na parte de baixo dos degraus, ela viu que seu pai estava sentado na mesa no meio da grande cozinha. Jane estava parada ao lado dele, suas mãos em sua cintura. Uma grande luminária ao lado do forno iluminava a área. Além do forno estava a despensa e outra escada que ia para o saguão e a escada principal.

Não está conseguindo dormir, Kat? Seu pai ainda estava vestido com seu terno. Ele se levantou quando ela se aproximou da mesa.

Não, não consigo.

Jane também estava vestindo suas roupas de trabalho – uma blusa branca e cinza e uma saia cinza – embora já tivesse tirado sua touca. Ela era uma mulher encorpada, com cabelo branco e castanho puxado para trás e que mostrava seu rosto ligeiramente enrugado. A empregada tinha uma alma boa, que sempre sorria e fazia com que Kathleen sempre quisesse a ter por perto. Jane falava de seu falecido marido, Kip, um antigo empregado dos O’Donovan, com grande afeição.

Venha se sentar ao meu lado, Kat. Seu pai deu um tapinha na cadeira ao lado dele. Um sorriso tomava conta de sua boca.

Jane olhava para a mesa sob a grande janela onde vinte fracos de conserva de beterraba estavam alinhados de ponta a ponta da mesa como sentinelas guardando um forte. Eu deveria levar esses frascos para a despensa, ela disse, mas eu quero esperar até amanhã, se você não se importar, Sr. David. Ainda não consegui fazer isso porque a Srta. Caroline entrou em trabalho de parto.

Deixe isso para amanhã. Esses frascos não vão a lugar nenhum.

Não, mas se um daqueles garotos bater na mesa, haverá uma bela bagunça vermelha para limpar.

Sim, mas o garoto responsável será quem vai limpar.

Jane assentiu. Se não tem mais nada que eu possa fazer, Sr. David, eu vou dormir. Haverá uma entrega de gelo as sete da manhã.

Claro, Jane. A empregada deu um tapinha nas costas de Kathleen, então subiu rapidamente as escadas.

Você estava preocupado hoje à noite, Papa.

Estava tão na cara assim?

Ela assentiu e se inclinou para perto. Mama passou por isso diversas vezes.

Eu sei, mas...

Eu estava rezando, Papa.

Obrigado, Kat. Estou aliviado, para dizer o mínimo.

Papa?

Hmmm?

Por que os homens não podem estar presentes durante o nascimento?

A Sra. McHugh e Jane queriam ajudar a sua mãe sem que eu estivesse no caminho.

Eu tenho certeza de que você se manteria fora do caminho.

Sem dúvida.

Eles se sentaram em silêncio. Papa era um homem belo, mesmo com quase 42 anos, com seu rosto finamente esculpido e seu cabelo castanho acinzentado ondulado. Sua gentileza, sua fé devotada e sua devoção a sua família faziam dele um homem mais do que especial. Ela sorriu orgulhosa quando se lembrou de quando, aos seis anos de idade, tinha dito que se casaria com Papa. Sua mãe tinha rido. Garotinhas não podem se casar com seus pais, querida.

O bebê é extraordinário, Papa.

Eu sei. Deus abençoou sua mãe e eu muitas vezes.

E... Eu estou honrada de ser a madrinha de Maureen!

Seu pai sorriu, então piscou para ela.

Papa?

Sim?

Me diga, quem vocês vão pedir para ser o padrinho?

Will.

Maravilhoso! Isso vai significar muito para Will.

Sua mãe e eu estamos muito orgulhosos de você e Will. Vocês dois levam sua fé de forma séria e constantemente ajudam na casa.

Você tem sido o pai mais gentil e amoroso de todos.

Obrigado, Kat. Cada vez que uma nova criança nasce, eu acho que Deus está me dando uma nova oportunidade para ser um pai melhor.

Eu não acho que poderia haver um pai melhor do que você.

David baixou sua cabeça, então se inclinou contra a mesa e segurou as mãos dela com as dele. É uma pena que Lee – Liam, seu... pai – nunca tenha conhecido você.

Kathleen não sabia ao certo como responder àquilo, então continuou em silêncio.

E que você nunca tenha conhecido ele. Ele parou. Vocês se parecem muito em muitas formas.

Sério?

Sim. Ele inclinou sua cabeça na direção dela. Então, o que você está achando de ter um novo irmão?

Eu estou adorando, Papa. Estou especialmente feliz que agora eu tenho uma irmã. Eu não posso acreditar nisso!

É mais uma pessoinha para ajudar a cuidar.

Não me importo. Ela piscou. "Ao menos, em geral.

David empurrou sua cadeira para trás e se levantou. Ele beijou o topo da cabeça dela. Eu vou tentar dormir. Missa de manhã.

Eu sei. Vou aproveitar o silêncio por algum tempo.

Um bem raro.

Sim.

Os passos de seu pai na escada de trás eram pesados, mas diminuíram a medida que ele se afastava. Fechando seus olhos, ela se perguntou como seria estar casada e ter sua própria família. Esse momento chegaria logo?

Kathleen subiu as escadas, passou rapidamente no banheiro e então foi para cama, esperando pegar no sono por algumas horas antes do nascer do sol.

3

Apesar de ter ido dormir tarde, Will acordou cedo. Ele se ajoelhou ao lado de sua cama e recitou silenciosamente as orações da manhã, uma dedicada especialmente a sua mais nova irmã. Se levantando, ele se abençoou e foi até a janela, tomando cuidado para não acordar seu irmão, que ainda roncava. O sol estava quase nascendo, mostrando o brilho laranja no carvalho caído na frente da casa, suas folhas verdes balançando com a brisa quente. Will adorava essa vista, uma que ele tinha acordado para ver quase todos os dias de sua vida. Ele continuou na janela até que o sol já se mostrava completamente no horizonte, então voltou para sua escrivaninha e abriu sua bíblia. Depois de ler por um alguns instantes, ele se levantou e foi para o corredor. Ele não conseguia ouvir nenhum som de sua nova irmã, mas estava ansioso para conhecê-la. Quando todos estariam acordados?

***

Kathleen acordou com a gritaria deliciosa de seus irmãos mais novos, Tim, de cinco anos, e Kevin, de dez. Eles riam e gritavam enquanto batiam na porta de Kathleen.

Kat, Kat, nós temos uma irmãzinha, nós temos uma irmãzinha!

Ela se sentou, esticou a mão enquanto bocejava e olhou para o relógio na cornija. Sete da manhã. Ela resmungou enquanto tirava sua toca de dormir. Ela teria adorado dormir por mais uma horinha. Nessa manhã, seu quarto era uma explosão do amarelo vindo do sol radiante que passava entre as cortinas e atingia o papel de parede rosa e amarelo.

Sim, sim, eu sei, meninos. Ela abriu a porta para encontrar Kev e Tim saltando na frente dela. Eles estavam ainda vestindo seus roupões, embora, em sua excitação, o vestuário estivesse quase saindo pelos ombros. Parecia que fora ontem que Kev e Tim eram bebês. Kev tinha o cabelo escuro como seus irmãos mais velhos, Will e John, enquanto Tim e Pat tinham o cabelo castanho claro.

Papa disse que nós poderíamos vê-la agora! Vamos, todos estão lá. Nós estamos esperando por você!

Muito bem.

Kathleen se juntou a seus irmãos mais novos no corredor e mais para frente pode ver os mais velhos, Will, John e Pat, parados fora do quarto de seus pais. Pat, com 13 anos, tinha quase a mesma altura que Will e John, e era muito mais alto do que Kathleen, que tinha parado em um metro e meio.  

Tim e Kevin agarraram as mãos dela e a puxaram na direção dos irmãos. O topo da cabeça de Kevin agora tocava nos ombros de Kathleen.

Quando os mais novos se aproximaram dos mais velhos, Will se virou. Acordou finalmente, Kat? Ele levantou a sobrancelha e sorriu.

Eu estive acordada boa parte da noite, seu bobo.

Me lembre de perguntar os detalhes.

Me lembre de não dizer. É privado, Will.

Seus olhos se arregalaram como se ele não tivesse notado que um nascimento era um assunto íntimo. Acho que você está certa.

Kat, você finalmente tem uma irmã, John disse.

Já não era sem tempo. Estive esperando por esse momento por minha vida inteira!

Pat colocou seu braço ao redor do ombro dela. Kathleen achava difícil acreditar que ele já estava quase tão alto quanto Will e John.

Com quem ela se parece, Kat? Sua voz falou e começou a soar mais profunda.

Ela se parece com papa, cabelo escuro, mas magra. Você vai ver com seus próprios olhos daqui a pouco.

A boca de Pat se virou para formar um sorriso leve. Quando Patrick sorria, ele fazia com que Kathleen se lembrasse de John e Will, apesar de ter os cabelos castanho-claros e os olhos verdes de mama.

A porta se abriu. No rosto de Papa tinha um sorriso tão aberto que Kathleen tinha certeza de que ele ia de orelha a orelha.

Todos estão presentes? Seu pai foi de filho em filho, contando. Kat, Will, John, Pat, Kev, Tim, é, todos estão aqui. Hora de conhecer a bebê Maureen. A mãe de vocês acabou de alimentar ela e Jane está vestindo.

Posso segurá-la, Papa? Por favorzinho, Papa? Tim pediu. Eu quero segurar a Mo-rim primeiro.

Os olhos de seu pai brilharam. Tim, você será o primeiro a segurar a bebê Mo. Enquanto ele encaminhava as crianças para dentro do quarto, o pai piscou para Kathleen porque ela tinha sido a primeira pessoa a segurar a bebê, antes mesmo dos pais. Ela respondeu a piscada de olho com um sorriso.

Kathleen não podia acreditar na transformação de sua mãe, de alguém suada, vermelha e exausta para alguém fresca, radiante e descansada. De fato ela era uma belíssima mulher.

As crianças se alternavam na grande cadeira ao lado da cama de seus pais e faziam festas para a nova bebê. Mo dormia enquanto seus irmãos eram apresentados a ela. Todavia, quando foi a vez de Kathleen, sua irmãzinha abriu seus olhos. Nós já nos conhecemos. Eu sou sua irmã mais velha, Kathleen, mas você pode me chamar de Kat, já que todos por aqui me chamam assim. Ela beijou os cabelos escuros de Maureen, que tinham cheiro de sabão para bebês.

Will se inclinou e sussurrou. Kat, você vai ensinar nossa querida irmã como se defender de seus terríveis irmãos?

As sobrancelhas de Kathleen se ergueram. Mas o que raios você quer dizer, Will?

Ele levantou o braço e apontou para a pequena cicatriz perto de seu cotovelo.

Rindo, ela respondeu, Ah, isso. Eu não mordo você ou John há anos.

É verdade... E eu admito que nós fomos grosseiros com você, mas por favor, aquilo doeu!

Você não me soltava, e estava me machucando... eu fiz o que eu tinha que fazer.

Sim, fez.

Kat? Ela se virou para e encontrou seu pai se inclinando para falar com ela. Certifique-se de que seus irmãos mais novos estarão com uma roupa apropriada para a missa dessa manhã. Sua mãe e o bebê vão ficar em casa.  

Claro, Papa.

***

Usando um vestido de algodão verde claro com luvas e um chapéu que combinavam, Kathleen foi com seus dois irmãos mais novos até a enorme carruagem e esperou até que Jesse, o empregado, chegasse para ajudar todos a entrarem. Enquanto ela esperava, ela admirou a casa que sempre achou tão linda. A casa dos O’Donovan era uma mansão de pedras cinza com dois pilares de mármore branco; as persianas verde escuras estavam abertas nesse dia quente de verão. Grades de ferro forjado e uma pequena varanda levavam a um espaçoso saguão interno. Arbustos podados e lírios rosas e laranjas pintavam o fundo da imponente casa.

Como a família não caberia numa única carruagem, Will e John pegaram a Columbus, uma carruagem de dois lugares. Kathleen, Papa, Tim, Kev e Pat foram na Cabriolet, dirigida por Jesse. Homem de poucas palavras, Jesse era um nativo americano não muito mais velho do que Kathleen. Ele era um homem gentil, que nunca reclamava de trabalhar duro. Seus cabelos compridos eram presos num rabo de cavalo e ele vestia botas de mocassim de couro marrom. Ele tinha passado a viver com a família e servir a eles depois que Jim Fraser, empregado de longa data, tinha falecido após um ataque cardíaco.

O teto da carruagem tinha sido removido nesse dia confortável e brilhante e Kathleen levantava sua cabeça para aproveitar o calor em seu rosto. Apesar do sol radiante, o balanço leve da carruagem fazia com que seu pai tivesse dificuldade de manter seus olhos abertos. Ao lado dela, Tim e Kevin estavam trocando bolas de gude. Pat tinha ficado no cobiçado lugar ao lado de Jesse.

Papa ergueu sua cabeça e olhou para a paisagem, suas pálpebras pesadas. Ele finalmente fez contato visual e Kathleen piscou para ele. Papa riu.

Também estou cansada, Papa.

Você é bem mais nova do que eu.

Ela encolheu os ombros. A excitação de Kathleen em relação ao nascimento era mais forte do que seu cansaço. Ela não conseguia ficar parada; queria mesmo era gritar a todo mundo eu tenho uma nova irmã! 

A carruagem parou em frente à igreja de São Vicente de Paulo, que tinha sido a paróquia deles nos últimos cinco anos. Eles iam, ocasionalmente, à missa na basílica de São Pedro e São Paulo, na Filadélfia, mas essa igreja era mais próxima da casa deles e Papa queria que seus filhos tivessem a experiência da vida de fé em uma paróquia menor. De fato, São Vicente era menos grandiosa do que a catedral, mas, numa primeira vista, sua arquitetura e pilares inspirados no renascimento italiano faziam com que ela se parecesse mais com uma biblioteca europeia do que com uma igreja.

Seu pai desceu da carruagem primeiro e então ajudou Kathleen a sair. Will, John e Jesse ajudaram as demais crianças.

Kathleen pegou a mão de Tim e andou atrás de seu pai em direção a igreja, seguidos pelos demais irmãos. Dentro, seu pai e os irmãos tiraram seus chapéus.

A família se dirigiu para a frente e, depois, ao segundo banco da direita. Cada um se ajoelhou. John foi primeiro, seguido de Kathleen, que se ajoelhou e agradeceu a Deus por sua irmãzinha. Will se ajoelhou ao lado dela.

A missa começou com o hino A fé de nossos pais.

O padre fez o sinal da cruz. "In Nómine Patris et Fílii et Spíritus Sancti."

Após rezas em latim e leituras das escrituras em inglês, o Padre Morrisey foi até a frente começou a falar. O padre de cabelos brancos possuía rugas profundas, uma mandíbula saliente e olhos gentis.

John a cutucou e cochichou. Hei, Kat, o filho do chefe de polícia, Karl, está aqui.

Kathleen se esticou e olhou de forma indiscreta por cima de seu ombro. Karl Wagner estava olhando para a frente e prestando atenção no Pe. Morrisey.

Ele esteve olhando pra você desde que entramos.

As sobrancelhas de Kathleen se ergueram. Verdade? Ele não está olhando agora.

Ela olhou novamente para o banco do chefe Wagner. Perto do chefe de polícia de meia idade estava o jovem Karl Wagner, um homem mais charmoso que ela já havia visto. Quando ele tinha se tornado tão belo? A última vez que ela o tinha visto tinha sido há cerca de sete anos atrás, antes de ele ir para o colégio interno. Karl agora estava alto, com cabelos escuros e ondulados, olhos pretos e uma pele bronzeada.

Enquanto ela o observava, ele olhou para ela, mantendo seu olhar por mais tempo do que o necessário. Ele tinha acabado de piscar? Ela engastou. Envergonhada, ela se virou para frente.

Ele ficou nervoso, John sussurrou.

Pare, John. Apesar dos próprios protestos, ela estava curiosa com o Sr. Wagner.

Eu ouvi dizer que ele é problemático.

Você não deveria dar ouvidos a fofocas.

Shhh, Kat, Will disse, baixo. Esse é o sagrado sacrifício da missa, não um encontro social.

Ela fez uma careta para John. Ele encolheu os ombros.

Para Kathleen, era difícil prestar atenção. Não ajudava muito que o Sr. Wagner ficasse a observando.  

Quando a missa acabou, sua família se dirigiu para a porta.

Sr. O’Donovan? O chefe de polícia Wagner chamou David quando eles estavam chegando à entrada.

Sim, chefe Wagner?

Ouvi dizer que deveria congratulá-lo.

Sim, o mais novo membro de nossa família nasceu essa manhã, em torno das duas da manhã.

O chefe de polícia Wagner balançou as mãos do pai dela.

Kathleen sempre admirara o chefe Wagner. Ele sempre fora um homem de recursos, um homem de alta classe que, apesar da herança que recebera de seus pais, tinha servido a comunidade como um oficial da polícia por muitos anos. Ele tinha se tornado chefe de polícia no último ano. Como seu filho, era um homem alto e de ombros largos, mas com cabelo já grisalho e uma barriga que sugeria que ele bebia e comia em excesso.

Sr. O’Donovan, acredito que não viu meu filho, Karl, por muitos anos.

David sorriu e ofereceu sua mão. Não, de fato não vi. Bom dia, Sr. Wagner.

O prazer é todo meu, sr. O’Donovan, o jovem disse. Kathleen achou a forma de agir do rapaz muito agradável e sua voz profunda e masculina.

David deu um passo ao lado para permitir que Kathleen viesse até eles. E eu posso apresentar minha filha, Srta. Kathleen O’Donovan.

Karl Wagner assentiu e sorriu. O coração dela batia em seu peito e sua pele ficou quente de vergonha.

Por um momento, parecia que não havia mais ninguém ali. Kathleen ofereceu um sorrido tímido.

Srta. O’Donovan, estou encantado de vê-la novamente após todos esses anos. Ele se virou para o pai dela. Sr. O’Donovan, eu fiquei admirando sua bela filha desde que ela chegou aqui essa manhã.

Tim puxou o casaco de Papa. Billy está me esperando lá na frente. Eu quero falar para ele da minha irmãzinha.

Um momento, Tim. Sim, bem, você... – seu pai foi interrompido por outra felicitação. Parabéns, Sr. O’Donovan, um homem de meia idade disse.

"Sim, obrigado. Seu pai tocou os ombros dela para partirem.  

Antes de Kathleen se virar, ela ainda lançou a Karl Wagner um sorriso tímido, enquanto permitia que seu pai a escoltasse pela nave da igreja. Atrás dela, Kathleen sentia que os olhos do jovem Sr. Wagner estavam nela e seu coração pulava em seu peito.

Do lado de fora, sob o ar quente de agosto, a família O’Donovan respondia diversas questões dos demais paroquianos.

Como ela é?

A Sra. O’Donovan está bem?

Seu pai respondia às perguntas de forma polida, embora Kathleen pudesse dizer que ele estava distraído. Kathleen também estava de alguma forma distraída e num relance rápido pode dizer que

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