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Aprenda Farmacologia Em Uma Semana

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Aprenda Farmacologia Em Uma Semana

notas:
5/5 (1 nota)
Duração:
464 páginas
4 horas
Lançados:
13 de jun. de 2020
Formato:
Livro

Descrição

Descubra o método mais eficaz e rápido para aprender todo o extenso assunto de FARMACOLOGIA. Junte-se ao grupo formado por milhares de estudantes e profissionais que já atingiram sua meta em apenas uma semana com a simples leitura deste trabalho completo e essencial.

Lançados:
13 de jun. de 2020
Formato:
Livro

Sobre o autor

Autor de dos Libros con tapa: Manual Básico de Farmacología y 200 Ideas para Mejorar la Rentabilidad de tu Farmacia, una publicación en la revista Alimentación, Equipos y Tecnología: La histamina en las distintas etapas de fabricación de conservas de atún y seis Ebooks: Disruptores Endocrinos, La Salud no es un Negocio, Obesidad Infantil. Rista. Respuesta Insuficientemente Adecuada, Vivir sin Cáncer, Ser Mayor sin Edad y Predisposición a Ser Homosexual.Posee tres licenciaturas (Farmacia, Ciencias Químicas, Ciencia y Tecnología de los Alimentos) y experiencia en los departamentos de Calidad, Producción y Ventas.


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Aprenda Farmacologia Em Uma Semana - Carlos Herrero Carcedo

1. Sistema Nervoso Autônomo.

O sistema nervoso periférico possui os seguintes elementos: sistema nervoso autônomo, nervos eferentes somáticos que inervam o músculo esquelético e nervos aferentes somáticos e viscerais.

O sistema nervoso autônomo, inconscientemente, regula muitas funções viscerais: metabolismo energético, contração e relaxamento da musculatura lisa vascular e visceral, frequência cardíaca, secreções, etc.

A atividade do sistema nervoso autônomo é transmitida através dos nervos periféricos autônomos, embora seu controle e integração sejam realizados nos centros nervosos do sistema nervoso central.

O sistema nervoso autônomo é constituído morfologicamente por o sistema nervoso simpático, o sistema nervoso parassimpático e o sistema nervoso entérico.

Dos centros nervosos do sistema nervoso simpático, eferências simpáticas ou fibras pré-ganglionares partem para os gânglios simpáticos pré-vertebrais e paravertebrais, dos quais as fibras pós-ganglionares de longa distância partem para inervar os órgãos e tecidos-alvo.

Dos centros nervosos do sistema nervoso parassimpático, as longas fibras eferentes pré-ganglionares partem para os gânglios parassimpáticos, que geralmente estão localizados perto ou dentro do órgão efetor inervado pelas fibras pós-ganglionares.

O sistema nervoso simpático e o sistema nervoso parassimpático também possuem fibras aferentes que transmitem a estimulação dolorosa dos diferentes órgãos.

A principal diferença entre as vias eferentes autônomas e as vías eferentes somáticas é que as vias autônomas têm dois neurônios em série, e as vias somáticas só um neurónio motor que liga o sistema nervoso central com a fibra do músculo esquelético.

Todas as fibras motoras que saem do sistema nervoso central, ou seja, todas as fibras pré-ganglionares simpáticas e parassimpáticas, liberam o neurotransmissor acetilcolina, que realiza a transmissão por interação com os receptores colinérgicos nicotínicos.

Todas as fibras pós-ganglionares parassimpáticas e algumas fibras pós-ganglionares simpáticas liberam o neurotransmissor acetilcolina, que realiza a transmissão, desta vez, por interação com os receptores colinérgicos muscarínicos.

A maioria das fibras pós-ganglionares simpáticas libera noradrenalina, que atua nos receptores adrenérgicos α ou β. A exceção são as glândulas sudoríparas, onde a acetilcolina atua nos receptores colinérgicos muscarínicos.

Os sistemas nervosos simpático e parassimpático exercem efeitos opostos no controle da freqüência cardíaca, no músculo liso gastrointestinal, ecc., mas não em outras situações como a secreção das glândulas salivares.

A atividade simpática é aumentada em casos extremos de estresse (luta, fuga, ecc.), aumentando a freqüência e a contratilidade cardíaca, enquanto a atividade parassimpática predomina durante o repouso. Ambas exercem um controle fisiológico contínuo de órgãos e processos metabólicos em condições usuais.

Vários neurotransmissores (cotransmissão) são liberados na transmissão nervosa e a resposta será o resultado de várias interações dos cotransmissores envolvidos com seus correspondentes receptores.

A base da resposta efetora está na interação com os receptores pós-sinápticos, embora a interação com os receptores pré-sinápticos também seja importante e pode causar uma modulação positiva ou negativa sobre a atividade do neurónio.

Alguns neurotransmissores desempenham uma função moduladora ou reguladora da transmissão, pois atuam na liberação de outros cotransmissores.

Os neurotransmissores agem diretamente e, além disso, podem regular a liberação pré-sináptica do transmissor e a excitabilidade neuronal (ambas as ações são exemplos de neuromodulação em que o mediador químico aumenta ou diminui a eficácia da transmissão sináptica sem participar diretamente como transmissor).

Os cotransmissores mais proeminentes são o óxido nítrico e o peptídeo intestinal vasoativo (parassimpáticos), o ATP e o neuropeptídeo Y (simpáticos). Além destes, há muitas outras substâncias: prostaglandinas, adenosina, dopamina, GABA, 5-hidroxitriptamina, peptídeos opióides, endocanabinóides, etc.

Os efeitos opostos dos sistemas simpático e parassimpático não se devem apenas aos efeitos opostos dos dois neurotransmissores, mas também à inibição da liberação de acetilcolina exercida pela noradrenalina nas terminações parassimpáticas ou à inibição da liberação de noradrenalina pela acetilcolina.

Existem drogas que atuam seletivamente como agonistas ou antagonistas nos receptores pré-sinápticos e pós-sinápticos do sistemas noradrenérgico e do sistema colinérgico.

A droga antagonista de um dos dois sistemas, adrenérgico (simpático) ou colinérgico (parassimpático), favorecerá a expressão do outro no órgão que recebe a inervação dos dois sistemas nervosos autônomos com ações opostas.

As terminações colinérgicas e noradrenérgicas respondem à acetilcolina e noradrenalina, bem como a outras substâncias liberadas como cotransmissores, sintetizadas e armazenadas nos neurônios do sistema nervoso autônomo que estão localizados no sistema nervoso central e nos gânglios.

Se mais de um neurotransmissor ou neuromodulador são liberados em conjunto, cada um dos quais interage com receptores específicos, o efeito obtido é o resultado das ações de cada um deles em seus receptores pré-sinápticos ou pós-sinápticos.

Impulsos adrenérgicos (efeito simpático) no nó sinusal do coração causam aumento da freqüencia cardíaca (receptor β1).

Impulsos colinérgicos (efeito parassimpático) no nó sinusal do coração diminuen a freqüencia cardíaca.

Impulsos adrenérgicos (efeito simpático) no átrio do coração aumentam a contratilidade cardíaca (receptor β1), enquanto impulsos colinérgicos (efeito parassimpático) reduzem a contratilidade cardíaca.

Impulsos adrenérgicos (efeito simpático) no nódulo atrioventricular do coração causam aumento da automaticidade e velocidade de condução (receptor β1), enquanto impulsos colinérgicos (efeito parassimpático) diminuem a velocidade de condução e induzem bloqueio atrioventricular.

Nas arteríolas e veias, os impulsos adrenérgicos (efeito simpático) causam constrição (receptores α1, α2) e dilatação (receptor β2), enquanto os impulsos colinérgicos (efeito parassimpático) têm pouco efeito, exceto a dilatação das glândulas salivares e tecido erétil.

No pulmão, os impulsos adrenérgicos (efeito simpático) induzem a broncodilatação pelo relaxamento do músculo traqueobrônquico (receptor β2), enquanto os impulsos colinérgicos (efeito parassimpático) causam broncoconstrição e aumento da secreção.

No trato digestivo, os impulsos adrenérgicos diminuem a motilidade intestinal e induzem a contração do esfíncter, enquanto os impulsos colinérgicos aumentam a motilidade intestinal, relaxam os esfíncteres e estimulam a secreção.

Na bexiga, os impulsos adrenérgicos induzem contração esfincteriana ou retenção urinária (receptor α1) e relaxamento do detrusor (receptor β2), enquanto os impulsos colinérgicos causam intensa contração detrusora e relaxamento do esfíncter.

Nos órgãos sexuais masculinos, os impulsos adrenérgicos (efeito simpático) estão envolvidos na ejaculação (receptor α1) e os impulsos colinérgicos (efeito parassimpático) na ereção.

No útero, os impulsos adrenérgicos (efeito simpático) causam relaxamento intenso (receptor β2) ou contração (receptor α1).

No olho, os impulsos adrenérgicos (efeito simpático) causam contração do músculo radial da íris (midríase ou dilatação da pupila) e os impulsos colinérgicos (efeito parassimpático) geram contração do músculo liso do esfíncter da íris (miose ou diminuição do tamanho da pupila).

Nas glândulas salivares e lacrimais, os impulsos adrenérgicos (efeito simpático) causam secreção (receptor α1) e os impulsos colinérgicos (efeito parassimpático) uma secreção muito mais intensa.

2. Transmissão Colinérgica.

A neurotransmissão colinérgica realizada pela acetilcolina no sistema nervoso vegetativo compreende sinapses de todas as fibras pré-ganglionares simpáticas e parassimpáticas (a acetilcolina atua nos receptores colinérgicos nicotínicos), a junção neuroefetiva de todas as fibras pós-ganglionares parassimpáticas (a acetilcolina atua nos receptores colinérgicos musculoesqueléticos) e a transmissão realizada por algumas fibras pós-ganglionares simpáticas (a acetilcolina também atua nos receptores colinérgicos muscarínicos).

As ações muscarínicas da acetilcolina (ACh) são devidas à sua liberação nas terminações parassimpáticas pós-ganglionares, exceto nos vasos sanguíneos e nas glândulas sudoríparas.

La acetilcolina reduz a pressão arterial indiretamente por meio de vasodilatação generalizada, embora a maioria dos vasos sanguíneos não tenha inervação parassimpática. La acetilcolina age nas células endoteliais vasculares através da liberação de óxido nítrico, sendo este responsável pelo relaxamento da musculatura lisa.

La acetilcolina estimula a secreção das glândulas sudoríparas inervadas por fibras colinérgicas simpáticas.

A eficacia da neurotransmissão requer que o neurotransmissor seja rapidamente removido do espaço sináptico, o que é alcançado graças às enzimas colinesterásicas.

A acetilcolina liberada na fenda sináptica pode ser rapidamente hidrolisada pela acetilcolinesterase no espaço intersináptico ou sai da fenda sináptica e é hidrolisada pela butirilcolinesterase ou exerce sua ação interagindo com seus receptores colinérgicos nos diferentes órgãos.

Os receptores colinérgicos são de dois tipos: os receptores nicotínicos (são parte de um canal iônico cuja abertura eles controlam) e os receptores muscarínicos (associados a proteínas G).

Existem três subtipos de receptores nicotínicos: o muscular (encontrado na membrana da placa motora), o neuronal periférico (presente na membrana das células ganglionares simpáticas e parassimpáticas) e o neuronal central (em várias áreas do sistema nervoso central).

Existem cinco subtipos de receptores muscarínicos: M1 (encontrado nos neurônios ganglionares), M2 (presente no coração), M3 (nas células secretoras, células do músculo liso e células do endotélio vascular), M4 (encontrado nos neurônios ganglionares, vasos deferentes e útero), M5 (no cérebro).

A nicotina imita as respostas causadas pela excitação das fibras pré-ganglionares simpáticas e parassimpáticas, enquanto a muscarina imita as respostas induzidas pela excitação das fibras pós-ganglionares parassimpáticas, de modo que os receptores responsáveis pelas respostas do primeiro tipo foram denominados nicotínicos e os receptores que geraram as do segundo tipo muscarínicos.

Os efeitos muscarínicos produzidos pela acetilcolina (velocidade de condução diminuída) são cancelados após a administração de uma pequena dose de atropina (antagonista muscarínico). Uma dose mais alta de acetilcolina, ainda sob a influência da atropina, induziria um aumento na pressão sanguínea por estimulação dos gânglios simpáticos (vasoconstrição), seguido de um aumento secundário pela liberação de adrenalina na glândula adrenal (efeitos nicotínicos muito semelhantes aos produzidos pela nicotina).

Os agonistas muscarínicos (parassimpaticomiméticos) ou agonistas colinérgicos de ação muscarínica direta são: ésteres da colina (acetilcolina, metacolina, carbacol e betanecol), alcalóides naturais (muscarina, pilocarpina e arecolina) y de síntese (oxotremorina e xanomelina).

No sistema cardiovascular, la acetilcolina reduz a freqüência cardíaca e a velocidade de condução, diminui a força da contração cardíaca (atrial), reduz o débito cardíaco e causa uma diminuição acentuada da pressão arterial, bem como a dilatação arteriolar (efeito mediado por óxido nítrico).

Metacolina, carbacol, betanecol e pilocarpina causam aumento da atividade secretora e peristáltica do trato digestivo e relaxamento dos esfíncteres (aparecem fezes diarreicas e cãibras).

Carbacol e betanecol favorecem a micção, contraindo seletivamente o detrusor e relaxando o esfíncter da bexiga urinária.

Os agonistas muscarínicos (parassimpaticomiméticos) induzem uma broncoconstrição acentuada, um aumento na secreção na traquéia e nos brônquios, e uma redução da pressão intraocular, uma vez que contraem o músculo liso do esfíncter da íris (miose ou diminuição do tamanho da pupila) e o músculo ciliar.

Pilocarpina (principalmente), arecolina e muscarina causam sudorese profusa, salivação significativa e um excesso de lágrima.

O cloreto de betanecol é usado na retenção urinária (incluindo após a cirurgia), retenção gástrica e distensão abdominal pós-operatória.

O cloridrato de pilocarpina é usado no tratamento da xerostomia (boca seca) alertando para uma possível diminuição da acuidade visual, e no glaucoma crônico e agudo.

Os antagonistas colinérgicos muscarínicos (parassimpaticolíticos) são: atropina, hioscina (escopolamina), homatropina, benzotropina, metescopolamina, butilescopolamina, ipratrópio, tiotrópio, tróspio, otilônio, pinaverium, tropicamida, dicicloverina, tolterodina, trimebutina, pirenzepina, telenzepina, tripitamina, darifenacina e solifenacina.

Os antagonistas colinérgicos muscarínicos (parassimpaticolíticos) inibem as glândulas salivares, lacrimais, brônquicas e do suor (causam uma secura intensa da boca) e causam dilatação pupilar ou midríase (param de responder à luz) e paralisia da acomodação ou cicloplegia devido ao relaxamento do músculo ciliar, dificultando a visão de perto.

Altas doses de atropina reduzem a motilidade gastrointestinal de maneira incompleta (drogas seletivas M3 em desenvolvimento), enquanto a pirenzepina inibe a secreção gástrica sem afetar outros sistemas (seletividade M1).

Os antagonistas colinérgicos muscarínicos (parassimpaticolíticos) relaxam a musculatura brônquica e reduzem a secreção das glândulas mucosas nasal, faringolaríngea, traqueal e brônquica. Dessa forma, evitam a broncoconstrição reflexa (anestesia), mas não a induzida por mediadores locais (asma).

Altas doses de atropina produzem excitação do sistema nervoso central (nervosismo, irritabilidade, desorientação, alucinações e delirium) e, em caso de intoxicação, esses efeitos centrais são revertidos com fisostigmina (anticolinesterásico que cancela o bloqueio dos receptores colinérgicos muscarínicos da acetilcolna).

A hioscina (escopolamina) em doses terapêuticas produz uma sedação notável e é usada como anticinético e antiemético, pois bloqueia a transmissão colinérgica nos núcleos vestibulares.

Os antagonistas colinérgicos muscarínicos (parassimpaticolíticos) afetam o sistema extrapiramidal e reduzem os efeitos colaterais de muitos antipsicóticos, de modo que são aplicados na terapia antiparkinsoniana.

A oxibutinina (adesivos transdérmicos de liberação controlada para evitar reações colaterais) e a tolterodina (menos efeitos colaterais) são usadas no tratamento da bexiga hiperativa, bem como tróspio e antagonistas seletivos de M3: darifenacina e solifenacina. Por sua vez, o tróspio também é usado no tratamento da incontinência urinária na bexiga instável devido à instabilidade do detrusor (cautela em idosos com hipertrofia prostática, uma vez que todos esses medicamentos geralmente precipitam uma retenção urinária).

A fim de produzir midríase, cicloplegia ou ambos os efeitos (irite aguda, iridociclite, queratite, exame da retina e fundo do olho), tropicamida (de curta duração) e ciclopentolato (ação prolongada) são usadas. Em pacientes com predisposição, eles podem desencadear um ataque de glaucoma agudo.

Atropina e escopolamina são usadas em medicação pré-anestésica para prevenir reflexos cardiovasculares vagais e reduzir broncoconstrição e hipersecreção traqueobrônquica, salivar e lacrimal.

Os antagonistas colinérgicos muscarínicos (parassimpaticolíticos) são indicados nos espasmos da musculatura lisa digestiva para facilitar a endoscopia e radiologia gastrointestinal, bem como espasmolíticos na síndrome do intestino irritável ou na diverticulose do cólon.

A atropina é útil em certos casos de bloqueio atrioventricular ou bradicardia de origem vagal, bem como um antídoto contra agentes colinérgicos e inibidores da colinesterase.

Os medicamentos que estimulam a neurotransmissão ganglionar atuam seletivamente nos receptores nicotínicos e podem ser de origem natural, como nicotina e lobelina (usados na cessação do tabagismo), ou de origem sintética, como dimetilfenilpiperazínio e tetrametilamônio.

A nicotina produz inicialmente uma estimulação dos ganglios, que gera uma mistura complexa de ações simpáticas e parassimpáticas (aumento da pressão arterial, aumento das secreções brônquicas, salivares e de suor, taquicardia, tremores, estimulação da respiração, náuseas, etc.), embora esses efeitos estimulantes, em muitos casos, sejam seguidos por depressão.

Os bloqueadores ganglionares (hexametônio, trimetafan e mecamilamina) deixaram de ser utilizados devido aos inúmeros e complexos efeitos que produziam: hipotensão, inibição das secreções, redução do tônus e da motilidade gastrointestinal, problemas ao urinar, etc.

Os bloqueadores neuromusculares não-despolarizantes (tubocurarina, alcurônio, atracúrio, cisatracúrio, mivacúrio, doxacúrio, pancurônio, vecurônio, rocurônio, pipecurônio e rapacurônio) atuam como antagonistas competitivos, uma vez que o bloqueio neuromuscular que produzem é revertido após o aumento da acetilcolina na placa motora (pela adição direta de acetilcolina ou, indiretamente, pela administração de agentes anticolinesterásicos).

Os bloqueadores neuromusculares não-despolarizantes são usados na indução do relaxamento muscular em longo prazo na anestesia, nas crises presentes no tétano ou para facilitar a ventilação mecânica quando necessário. Inicialmente, os músculos extrínsecos dos olhos e os músculos faciais estão paralisados; os de membros, pescoço, tronco, músculos intercostais e diafragma são seguidos, sendo os músculos respiratórios os primeiros a se recuperar.

Cisatracúrio, doxacúrio, pipecurônio e vecurônio carecem de efeitos cardiovasculares e não aumentam a liberação de histamina, enquanto pancurônio, rapacurônio e rocurônio produzem taquicardia.

Os bloqueadores neuromusculares despolarizantes (decametônio e suxametônio) agem como agonistas dos receptores nicotínicos da placa motora terminal, da mesma forma que a acetilcolina, embora a diferença seja que o decametônio (em desuso debido ao seu efeito prolongado) e o suxametônio (succinilcolina) não são metabolizados pela acetilcolinesterase e permanecem na placa terminal por tempo suficiente para que a despolarização sustentada induza a perda de excitabilidade elétrica e ocorra o bloqueio neuromuscular.

O suxametônio (succinilcolina) produz um relaxamento intenso de 3-5 minutos de duração com recuperação espontânea, e é usado na intubação endotraqueal, procedimentos de curto prazo (luxações), convulsões induzidas por medicamentos e terapia eletroconvulsiva.

Os bloqueadores neuromusculares despolarizantes provocam bradicardia, perda de potássio muscular que induz hipercalemia, o aumento do potássio extracelular pode causar parada cardíaca em situações de doença hepática, queimaduras, lesões com denervação muscular, etc., aumento da pressão intraocular e paralisia prolongada em pacientes com deficiência de colinesterases plasmáticas ou uso de anticolinesterásicos.

A administração concomitante de suxametônio e halotano (anestésico inalatório) pode causar hipertermia maligna (distúrbio idiossincrático caracterizado por um espasmo muscular intenso com um aumento elevado da temperatura corporal que pode causar a morte), combatida com o medicamento dantroleno, uma vez que inibe a contração muscular, impedindo a saída de Ca²+ do retículo sarcoplasmático.

A transmissão neuromuscular pode ser bloqueada com medicamentos de ação pré-sináptica que interferem na síntese de acetilcolina (hemicolínio e trietilcolina) ou que inibem la liberação de acetilcolina (toxina botulínica: usada no tratamento de blefarospasmo, espasmo hemifacial, estrabismo e torticolite espasmódico, vesamicol, β-bungarotoxina e toxina tetânica).

Os medicamentos inibidores da colinesterase ou anticolinesterásicos (edrofônio, ambenônio, fisostigmina, neostigmina, piridostigmina, rivastigmina, diflos, paratião, ecotiopato, galantamina e donepezil) favorecem a transmissão colinérgica, pois impedem a inativação da acetilcolina, inibindo a ação dos dois tipos de colinesterases que hidrolisam a acetilcolina (acetilcolinesterase e butirilcolinesterase).

Os medicamentos anticolinesterásicos aumentam e prolongam a ação da acetilcolina liberada nas terminações motoras, o que permite a ligação repetida do neurotransmisor com receptores nicotínicos e a restauração da transmissão sináptica quando os receptores são bloqueados por um antagonista competitivo ou por anticorpos (miastenia gravis).

Os medicamentos inibidores da colinesterase (anticolinesterásicos) provocam miose e contração do músculo ciliar (bloqueio da acomodação e dificuldade em focar na visão de perto), aumento da atividade peristáltica e estimulação da secreção gástrica, bradicardia e hipotensão arterial, aumento do tônus bronquíolo e hipersecreção traqueobrônquica.

O edrofônio é uma anticolinesterásico de ação rápida (segundos) e curta duração, usado na paralisia motora após anestesia devido a bloqueadores neuromusculares não-despolarizantes, no diagnóstico de miastenia gravis, uma doença autoimune caracterizada por fraqueza acentuada do músculo estriado (no caso em que fosse, a melhora seria repentina), e para resolver a dúvida entre crise miastênica e crise colinérgica (resolverá a primeira e piorará a segunda).

O tratamento da miastenia gravis é realizado con neostigmina, piridostigmina ou ambenônio.

Alguns medicamentos anticolinesterásicos que atravessam a barreira hematoencefálica (donepezil, rivastigmina e galantamina) são utilizados no tratamento da doença de Alzheimer, pois aumentam a atividade colinérgica e melhoram a função cognitiva.

3. Transmissão Noradrenérgica.

Na transmissão noradrenérgica participam três catecolaminas naturais: dopamina, noradrenalina e adrenalina, que formam três ligações seguidas na síntese de catecolaminas (requer a atividade de quatro enzimas que nem sempre são encontradas juntas em todas as células).

As vesículas sinápticas contidas nas varicosidades dos neurônios noradrenérgicos periféricos (simpáticos pós-ganglionares) são o local de síntese, armazenamento e liberação de noradrenalina, e de co-lançamento de outros mediadores como ATP e neuropeptídeo Y.

A concentração de noradrenalina nas vesículas é muito alta e é mantida graças ao transportador vesicular de monoaminas e à formação do complexo NA-ATP-cromogranina A que impede sua saída. O estímulo nervoso provoca a despolarização da membrana da terminação nervosa, abrindo seus canais de cálcio. Como conseqüência da entrada de Ca²+, inicia-se a liberação de noradrenalina (se houver), DBH, ATP e cromogranina A.

As duas primeiras enzimas que metabolizam as catecolaminas, localizam-se intracelularmente (a recaptação na célula é necessária para sua degradação), estão bem distribuídas por todo o corpo, incluindo o cerebro, e são catecol-O-metiltransferase (COMT) e monoaminoxidase (MAO).

A captação celular do neurotransmissor pode ser: neuronal (as terminações nervosas capturam 75% da noradrenalina recém-liberada, reciclando-a e podendo ser liberada novamente pelo estímulo nervoso) e extraneuronal (importante para a adrenalina, onde as células vizinhas não neuronais capturam catecolaminas que não são armazenadas, mas são subsequentemente metabolizadas pela MAO ou pela COMT).

Os receptores adrenérgicos são estruturas moleculares seletivas das catecolaminas adrenalina (epinefrina) e noradrenalina (norepinefrina). Dependendo da resposta obtida, em vários órgãos, às catecolaminas naturais y à sintética isoprenalina (isoproterenol), os receptores adrenérgicos são classificados em duas classes, α e β, com dois subtipos α1, α2 (cada um com três subtipos adicionais) e três subtipos β1, β2 e β3, classificados de acordo com a ordem de potência dos agonistas ou a existência de antagonistas seletivos.

Receptores α1-adrenérgicos (NA> A >> ISO): vasoconstrição, aumento da pressão arterial, a contração do músculo radial do íris (midríase) e dos esfíncteres digestivos e da bexiga, a glicogenólise (hiperglicemia) e a secreção das glândulas salivares e sudoríparas.

Receptores α2-adrenérgico (A> NA >> ISO): a inibição da liberação de neurotransmissores (hipotensão arterial), agregação plaquetária e inibição da secreção de insulina (hiperglicemia).

Receptores β1-adrenérgicos (ISO> NA> A): aumento da freqüência e contratilidade cardíaca, aumento da automaticidade e velocidade de condução.

Receptores β2-adrenérgicos (ISO> A> NA): broncodilatação, a vasodilatação, o relaxamento do músculo liso visceral (digestivo, do útero, do detrusor da bexiga, etc.), tremores musculares e glicogenólise hepática.

Receptores β3-adrenérgicos (ISO> NA = A): termogênese e lipólise.

A seletividade não é absoluta e, embora se pretenda encontrar agonistas β2-seletivos broncodilatadores que não afetam o coração ou antagonistas β1-seletivos que exercem um bloqueio cardíaco eficaz sem os efeitos broncoconstritores indesejados, sempre haverá uma seletividade relativa.

Os agonistas dos receptores adrenérgicos (simpaticomiméticos) são: adrenalina, noradrenalina, isoprenalina, dobutamina, dopamina, prenalterol, ibopamina, metoxamina, fenilefrina, orciprenalina, hexoprenalina, nafazolina, metaraminol, fenilpropanolamina, etilefrina, cirazolina, oximetazolina, tetrizolina, fenoxazolina, tramazolina, xilometazolina, clonidina, apraclonidina, brimonidina, medetomidina, xilazina, fenoterol, salbutamol, terbutalina, bambuterol, formoterol, procaterol, indacaterol, salmeterol, rimiterol, ritodrina, isoetarina, efedrina, metilfenidato, fenfluramina, metanfetamina, etc.

A adrenalina é um agonista potente dos receptores adrenérgicos β (predominante) y α que aumenta a freqüência cardíaca (efeito cronotrópico), a velocidade de condução e a força de contração (efeito inotrópico) devido à sua ação β1. Em doses baixas, produz vasodilatação (ação β2), mas em doses mais altas predomina a vasoconstrição devido à ativação α vascular, elevando a pressão arterial e aparecendo taquicardia.

Outros efeitos farmacológicos destacados da adrenalina são: broncodilatação (ação β2), contração do músculo radial da íris e conseqüente midríase (ação α), relaxamento do músculo liso visceral (digestivo: β, útero: β2, detrusor: β) e diminuição da secreção de insulina que favorece o aparecimento de hiperglicemia (ação α2).

A adrenalina é de escolha no choque anafilático e é usada na parada cardíaca quando os métodos físicos falham e na anestesia local, associada aos anestésicos locais, para aumentar seu efeito.

A noradrenalina é um agonista potente dos receptores adrenérgicos α1, com atividade β1 cardíaca e sem ação β2, que produz uma vasoconstrição intensa, un aumento da resistência periférica e um aumento da freqüência cardíaca e contratilidade, mas a hipertensão gerada frequentemente causa bradicardia reflexa. Seus efeitos farmacológicos são semelhantes aos da adrenalina, embora apareçam em altas doses.

A noradrenalina é usada como agente vasopressor e inotrópico no choque refratário à dopamina, na hipotensão após a remoção do feocromocitoma e no choque endotóxico.

A isoprenalina é um agonista quase exclusivo dos receptores adrenérgicos β1 e β2 que estimula o coração e provoca vasodilatação, aumentando a pressão sistólica e diminuindo a diastólica. Como resultado, é obtida uma diminuição da pressão arterial que pode ser grave se o estado circulatório não for satisfatório ou se o volume minuto for baixo. Também, produz dilatação brônquica, redução do tônus e motilidade do trato gastrointestinal e inibição da contração uterina. É usado em choque com vasoconstrição.

Dobutamina e prenalterol são estimulantes cardíacos β1-seletivos usados em choque cardiogênico e séptico sem hipotensão (agentes inotrópicos).

A dopamina, em doses baixas, induz vasodilatação devido à estimulação dos receptores D1, por isso é usada para controlar a hipertensão arterial ou para aliviar a insuficiência cardíaca congestiva. Em altas doses, a frequência e contratilidade cardíacas aumentam graças à sua atividade nos receptores β1-adrenérgicos e, em doses ainda maiores, causa vasoconstrição, pois atua nos receptores α1-adrenérgicos, por isso é utilizada no choque refratário à expansão do volume e na hipotensão associada ao choque séptico.

Fenilefrina, nafazolina, fenilpropanolamina, etilefrina, cirazolina, oximetazolina, tetrizolina, fenoxazolina, xilometazolina e tramazolina são simpaticomiméticos que estimulam preferencialmente os receptores α1-adrenérgicos, causando vasoconstrição intensa e aumento da pressão arterial com bradicardia reflexa frequente. São usados topicamente na congestão nasal (não mais de três dias seguidos para evitar como possível reação adversa a congestão de rebote por vasodilatação). A fenilefrina também é utilizada como midriático na exploração da retina.

A clonidina é um agonista seletivo dos receptores α2-adrenérgicos com atividade vasoconstritora local, mas que, sistemicamente, produz hipotensão paradoxal, razão pela qual é utilizada em certos casos de hipertensão arterial. Apraclonidina e brimonidina são simpaticomiméticos α2 seletivos utilizados para reduzir a pressão intraocular.

Fenoterol, salbutamol, terbutalina, bambuterol, formoterol, procaterol, indacaterol e salmeterol são agonistas β2-adrenérgicos seletivos que induzem broncodilatação, portanto são utilizados no tratamento da asma e da DPOC, bem como em crises de broncoespasmo.

A ritodrina é um agonista seletivo dos receptores β2-adrenérgicos, usado como medicamento de escolha para inibir as contrações uterinas na gravidez a termo (salbutamol e terbutalina também são utilizados).

A efedrina, agonista adrenérgico de ação mista que ativa diretamente os receptores adrenérgicos α e β, é utilizada, em associação com outras drogas, como broncodilatador (via sistêmica) ou descongestionante (via tópica).

Os antagonistas dos receptores α-adrenérgicos são: fenoxibenzamina, fentolamina, tolazolina, doxazosina, prazosina, trimazosina, terazosina, alfuzosina, silodosina, indoramina, tamsulosina, ioimbina, uradipilo, corinantina, cetanserina, dibenamina, mirtazapina, idazoxan, efaroxan, di-hidroergotamina, ergotamina, labetalol, carvedilol, etc.

O bloqueio da atividade α1-adrenérgica causa hipotensão e taquicardia reflexa, enquanto o antagonismo α2 induz um aumento na liberação de noradrenalina e serotonina (potencial efeito antidepressivo) e promove vasodilatação (ação anti-hipertensiva).

Os antagonistas dos receptores α-adrenérgicos produzem o fenômeno chamado inversão da resposta à adrenalina, pois ao bloquear a ação α1, sua atividade β2 vasodilatadora é mantida (com noradrenalina, seu efeito hipertensivo não é revertido, mas é reduzido ou inibido).

Prazosina, doxazosina e terazosina são antagonistas seletivos dos receptores α1-adrenérgicos que induzem vasodilatação e pressão arterial mais baixa com menos taquicardia que os antagonistas não seletivos, enquanto alfuzosina, silodosina e tamsulosina são bloqueadores seletivos dos receptores α1A-adrenérgicos bem representados no trato urinário inferior; portanto são de escolha em pacientes com adenoma prostático e hipertensão arterial. Todos produzem um efeito hipotensivo marcado de primeira dose, são usados em pacientes hipertensos com diabetes e dislipidemias, pois melhoram essas alterações metabólicas, e reduzem os sintomas obstrutivos e irritativos da hipertrofia benigna da próstata.

A fenoxibenzamina é um antagonista irreversível não seletivo dos receptores α1 e α2 adrenérgicos (também antagonista dos receptores dopaminérgicos, H1, serotoninérgicos e colinérgicos muscarínicos) usado no tratamento dos sintomas de feocromocitoma e em crises hipertensivas por simpaticomiméticos.

A fentolamina é um antagonista não seletivo dos receptores α1 e α2 adrenérgicos utilizado na prevenção e controle das crises hipertensivas por feocromocitoma, embora sua ação vasodilatadora seja acompanhada de taquicardia.

Di-hidroergotamina e ergotamina são agonistas parciais dos receptores α-adrenérgicos (α-bloqueadores em situações de estimulação simpática, ao mesmo tempo que produzem vasoconstrição intensa e duradoura com pressão arterial elevada), ou seja, antagonizam a vasoconstrição gerada por altas concentrações de noradrenalina e serotonina e, ao mesmo tempo, causam vasoconstrição nas artérias do território muscular, artérias coronárias e vasos extracranianos, sendo utilizadas em crises agudas de enxaqueca que não cedem com analgésicos menores.

Labetalol (utilizado nas crises hipertensivas) e carvedilol (usado na insuficiência cardíaca) são bloqueadores dos receptores α1 e β adrenérgicos.

Outros antagonistas seletivos dos receptores α2-adrenérgicos são a ioimbina (usada em certas formas de disfunção sexual masculina) e a mirtazapina (utilizada como antidepressivo).

Os antagonistas dos receptores β-adrenérgicos (Beta-bloqueadores) reduzem a freqüência cardíaca, a velocidade de condução do nódulo atrioventricular, a força de contração e o débito cardíaco, além de ter un efeito hipotensor acentuado e grande eficácia antiarrítmica.

Em pacientes diabéticos, os beta-bloqueadores atrasam a recuperação da glicose no sangue após uma injeção de insulina e aumentam a probabilidade de hipoglicemia

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