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TDA/ TDAH: Sintomas, diagnósticos e tratamento - crianças e adultos

TDA/ TDAH: Sintomas, diagnósticos e tratamento - crianças e adultos

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TDA/ TDAH: Sintomas, diagnósticos e tratamento - crianças e adultos

Duração:
353 páginas
4 horas
Editora:
Lançados:
15 de out. de 2005
ISBN:
9786558000044
Formato:
Livro

Descrição

É constrangedor, isso é inegável. O filho, tão amado e esperado, não se porta bem em lugar algum e (ou) não consegue se concentrar em nenhuma atividade por mais de alguns minutos. Shoppings, supermercados e casas de amigos são locais proibidos: o excesso de movimentação dessas crianças necessita de uma atenção constantes para que não se machuquem ou não machuquem os outros. Antes de jogar a toalha e decretar: "Este menino não tem jeito", atenção! Ele pode ser vítima de um distúrbio que atinge cerca de 5% das crianças. E o melhor: o problema pode ser contornado.

Uma criança que age dessa maneira altera completamente a rotina de todos a sua volta: pais, avós, professores, amigos e outros parentes sentem-se impotentes diante de um quadro assim. E não é só isso : ela será um adulto com dificuldades. Mas o que fazer quando broncas, castigos, privações, conversas e conselhos são inúteis? Em um primeiro momento, o pequeno deve ser avaliado por um especialista. Caso seja diagnosticado que se trata de TDA (Transtorno de Déficit de Atenção) ou de TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) – os principais distúrbios psicológicos em crianças – é, hora de tratá-lo. Tratar, sim. Com medicamentos, se necessário, pois estamos falando de uma doença que atinge, segundo estudos realizados, 5% da população infantil.
Editora:
Lançados:
15 de out. de 2005
ISBN:
9786558000044
Formato:
Livro

Sobre o autor


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Amostra do livro

TDA/ TDAH - Thomas W. Phelan

E.)

Parte I

O Que É TDA?

1

Impacto

O Transtorno de Déficit de Atenção altera drasticamente a vida familiar. As famílias com uma ou mais crianças com TDA experimentam diferenças fundamentais em sua vida cotidiana, com as quais outras famílias não têm de lidar. Há mais tensão e mais discussão. A competição entre irmãos é terrível e interminável. O barulho é constante. A hora do jantar nem sempre é divertida, e comer fora pode se tornar algo impraticável. Em vez de despreocupadas e alegres, as férias tornam-se experiências infelizes. Parece que o que se fez foi trocar uma prisão (o carro) por outra (o quarto de hotel). Conflitos matrimoniais são seriamente exacerbados; o divórcio e a separação são comuns. Os pais sentem-se desencorajados e algumas vezes deprimidos; os irmãos sentem-se constrangidos, negligenciados e enraivecidos.

Isso não é jeito de criança alguma crescer. Isso também não é jeito de uma família viver, mas há milhões de famílias com crianças portadoras de TDA que vivem dessa forma – dia após dia. E todos os membros da família são afetados.

Muitas vezes esquecemos que a primeira pessoa a ser seriamente ferida pela entrada de uma criança com TDA na família não é a própria criança. Ela é pequena demais para saber o que está acontecendo. Normalmente também não é o pai, pois está trabalhando fora de casa com pessoas que são – ao menos se espera – sãs. A primeira pessoa a ser seriamente afetada é a mãe.

Mãe

"Doutor Eric, o senhor precisa me ajudar com meu filho. Ele tem apenas 4 anos, mas já foi expulso de duas pré-escolas – e isso não é nem metade do problema. Dizem que ele é agressivo demais com as outras crianças. Ele as empurra e às vezes bate nelas. Afirmam que Edu faz muito barulho e sempre quer que as coisas sejam do jeito dele. Ele não segue as regras.

Eu odeio dizer isso, mas eles estão certos. Ele é do mesmo jeito em casa. Tortura a irmãzinha o tempo todo. Às vezes, chega a ser malvado! Fazer com que vá para a cama é o mesmo que começar a Terceira Guerra Mundial.

Tudo – eu realmente quero dizer tudo – é uma dificuldade. Ele não aceita um não como resposta. Quando quer algo, tem de ser AGORA! Isso é normal? Não pode ser normal. O que estou fazendo de errado?

Eduardo sempre foi bonito como um anjinho, mas era um bebê difícil. Dormia e comia aos trancos e barrancos. Nunca parecia contente ou feliz. Ele ainda é bonito como um anjo. Quero dizer, quem vê se engana, porque ele é uma criança terrível. Ele nunca pára de se mexer. Nunca pára de fazer barulho.

O que fiz de errado? Acho que eu nunca soube segurá-lo direito ou algo assim. Acho que eu estava muito nervosa quando ele veio da maternidade para casa. Eu não tenho dúvidas de que isso é o que minha mãe – e provavelmente meu marido – acha. Quero dizer, ele foi meu primeiro filho e tudo para mim, mas não acho que fui tão ruim. Eu não sou burra. Não sou uma pessoa limitada, mas devo ter feito algo errado. Isso não está certo. Meu marido não tem tanto problema com ele. Nenhum dos primos dele é desse jeito – pelo menos que eu saiba. Tive uma boa gravidez e, honestamente, queria muito tê-lo, mas nunca sonhei que seria dessa maneira.

Não dá para continuar desse jeito. É por isso que vim vê-lo. Nós estamos ficando malucos."

Pai

A estrada estende-se até onde a vista alcança, atravessando a zona rural da cidade. A casa ainda está a 140 quilômetros de distância, e Jim sente que sua sanidade não vai durar tanto tempo. As crianças estão se preparando para outra briga no banco de trás do carro. Marcos, de 4 anos, que sempre foi uma criança difícil, está prestes a provocar sua irmã, Maria, pela milionésima vez durante a viagem. Dez minutos atrás, Jim quase perdeu o controle do carro ao virar-se para bater no filho.

A previsível briga começa. Maria grita e chora; parece que ela tem uma mancha de sangue na bochecha. Já chega! Em um movimento brusco, Jim joga o carro para o acostamento. A mulher, assustada, grita com ele pela imprudência. Ele não se importa: nesse momento tudo o que ele quer é matar a criança. Jim sai do carro e abre a porta de trás com tudo. Marcos agora está quieto – aterrorizado pela expressão insana que vê nos olhos do pai. A mãe grita: Jim, pelo amor de Deus, não faça isso!

O garoto é puxado para fora do carro. Ele bate a cabeça na porta ao sair e começa a chorar. Carros e caminhões passam a toda. Jim arrasta o pequeno monstrinho pelo gramado abaixo, batendo nele com toda a força e berrando a plenos pulmões quanto ele está cansado e como isso agora vai acabar de uma vez por todas.

Ouve-se um ruído súbito de freada atrás deles e um carro pára. Um homem bravo sai do carro, gritando: Mas que diabo você está fazendo com essa criança? O Bom Samaritano chegou. Jim diz ao recém-chegado onde ele pode enfiar suas boas intenções. No carro, a mãe e Maria soluçam.

Irmãos

"Meu irmão mais novo, Eduardo, me deixa tão nervoso que dá vontade de gritar. Ele nunca cala a boca e, quando não está falando ou gritando, está fazendo barulho de qualquer jeito. Ele deixa meus pais loucos metade do tempo, e ninguém sabe o que fazer com ele. O Eduardo normalmente consegue fazer as coisas do jeito dele porque atormenta meus pais até que façam o que ele quer. Eu não faço isso, porque me sinto mal – principalmente por causa da minha mãe –, e isso não é justo.

O Eduardo mexe nas minhas coisas o tempo todo. Eu conto para meus pais, mas eles não fazem nada. Eu quero um cadeado na porta de meu armário. Por que não posso ter a porcaria do cadeado e guardar a chave comigo? Minha mãe e meu pai podem ter uma chave reserva se quiserem. Isso não é justo também.

Meu irmão é divertido, mas não sempre. Ele tem mais energia do que todos nós juntos. Se um amigo vem me visitar, ele não o deixa quieto. Minha mãe me disse uma vez: ‘Por que não o deixa brincar com vocês?’ Tive vontade de matá-la por dizer isso. Está brincando?! Então, eu não convido mais meus amigos para vir me visitar tanto quanto antes. O Edu se comporta de uma maneira tão estúpida que fico constrangido por ele ser meu irmão.

Eu gostaria de poder sair de férias, em uma viagem bem longa, só com minha mãe e meu pai, sem o Eduardo. Ia ser tão divertido! Na verdade, acho que poder passar um tempo com meus pais à noite já bastaria. No entanto, essa é a hora do dever de casa – três horas inteiras de guerra. Eu coloco meus tampões de ouvido, calo a boca e faço minha lição. Por que ele não faz a dele? Minha mãe tentou me dizer que ele tem um problema chamado Déficit de Atenção ou algo do tipo. Por que ela fica dando desculpas? Eu sei qual é o problema dele – o Edu é preguiçoso e é um pirralho! Algumas vezes me sinto mal de não gostar do meu próprio irmão."

O Casal Feliz

Bob e Sandra entram nervosos no restaurante com a filha de 4 anos, Janie. Ela é bonita e se mostra curiosa, falante e charmosa para a jovem garçonete, que também é agradável e atenciosa. Seus pais começam a relaxar um pouco, pensando: Talvez dessa vez tudo corra bem. Mesmo assim, eles pedem, como sempre, um prato que possa sair bem rápido. Janie quer um cachorro-quente, mas o restaurante só tem o tamanho-família. Sandra sabe que a filha não vai conseguir comer tudo e sugere um hambúrguer.

Janie tem um ataque histérico. Ela grita CACHORRO-QUENTE! seis vezes a plenos pulmões. Então ela dá um puxão na toalha, derramando a água e fazendo com que os talheres caiam no chão. Outras pessoas começam a lançar olhares críticos, que são familiares para esses pais. Os olhares parecem dizer: Qual é o problema com vocês?, Por que não conseguem controlar essa criança? e Por que não vão comer em outro lugar? Sem dizer nada, Bob pega Janie no colo de maneira rude e vai para o carro. Sandra continua sentada ali – já sem fome –, tentando decidir se deve ou não cancelar o pedido.

A Adorável Lunática

"Sra. Collins, a Sara está indo tão bem quanto no ano passado. Ela é uma gracinha! Ela não causa nenhum problema, sabe, e é tão meiga. É como se ela não estivesse nem aí boa parte do tempo. A senhora sabe, é como se ela vivesse no mundo da lua. Algumas vezes estamos fazendo um projeto de classe e ela não está conosco. Fica olhando pela janela ou mexendo com algo em sua mesa. Não quero deixá-la constrangida fazendo uma pergunta, porque realmente acho que ela não seria capaz de responder.

Acredito que ela deva ser um pouquinho lenta para aprender, mas que seja apenas por causa de sua imaturidade. Ela tenta, embora eu não possa dizer que ela se esforce para valer. Sara parece ser capaz de fazer isso com afinco por períodos curtos, e então sai pela tangente de novo. Como a senhora sabe, muitas lições dela não são completadas. Procuro não ser muito dura com a Sara. Quero dizer, não há como deixar de gostar dessa garota nem um pouco. Ela não é petulante nem briguenta. Sempre tenta fazer o que peço, embora tenha a tendência de ficar tagarelando com as coleguinhas. Isso é normal.

Ela não é nem um pouco como o Eduardo quando ele foi meu aluno. Sem ofensa, mas, como a senhora sabe, o Edu era uma criança bem mais difícil. Às vezes acho que deveria ter feito uma avaliação com o irmão mais velho dela, mas não com a Sara. Ela é uma criança adorável.

Ela vai conseguir se acertar, espero. Só precisa de mais tempo para amadurecer."

A Professora de Sorte

Meados do verão, mais de 30 graus e são apenas 2h45. A aula não acaba até 3h15. Hoje a Sra. Simpson vai ter de chamar de novo os pais de Eduardo porque ele praticamente não fez nenhuma lição. Ficou sem fazer nada quase o dia todo, e o fato de o ar-condicionado estar quebrado tornou as coisas consideravelmente piores. Todas as crianças estavam mais inquietas, e Eduardo queria observar cada movimento que cada uma delas fazia.

Uma tarefa impossível, mas ele tentou. No entanto, não tentou fazer sua lição de matemática nem de gramática. E pela enésima vez neste ano ele simplesmente não conseguiu trabalhar em pequenos grupos sem irritar todos os colegas; então, a Sra. Simpson teve de tirá-lo do lugar. O psicólogo disse a ela que o colocasse na frente da sala, sozinho, o que então o deixou isolado – a única criança na sala que não estava em um grupo de quatro. Em que isso pode contribuir para sua auto-estima?

A Sra. Simpson pensava que os alunos da quarta série eram mais fáceis de lidar. Ela tentou tudo o que achava que poderia funcionar: conversar com Edu a sós, dar mais reforço positivo, avaliações diárias, reuniões com os pais. Algumas coisas ajudaram por um tempo – por uns poucos dias talvez, mas então...

O diretor, Sr. Pedro, está sempre pressionando-a para chamar os pais. Que bem isso fará? Além disso, a atitude deles na última reunião de pais e mestres foi sem dúvida hostil, e a Sra. Simpson sentiu-se como se estivesse sendo acusada de ser a responsável pela atitude, pelo mau desempenho e pelo mau comportamento de Edu. O garoto é bastante agradável quando se está a sós com ele, mas na classe é um verdadeiro monstrinho. A Sra. Simpson sente pena da professora de quinta série que pegar o Eduardo no ano que vem. Ao menos não há nenhuma chance de que ele vá repetir de ano!

O Personagem Principal

"A escola é tão chata! O principal cultivo agrícola na Birmânia é...? Cara, geografia é horrível! O principal cultivo agrícola na Birmânia tem de ser de jujuba. É isso! Não, provavelmente é de alga marinha. Quem se importa em saber qual é o idiota do principal cultivo agrícola dessa porcaria de Birmânia?

Ei! Espera um minuto! Há duas pessoas no mundo que podem se importar com essa pergunta incrivelmente importante: minha professora, a Sra. Simpson, e minha Irmã Mais Velha Perfeita, que só tira nota 10, sempre faz tudo certo e sempre me provoca quando meus pais não estão olhando. Eu a odeio. Espera até ela descobrir o que coloquei na sua cama antes de vir para a escola hoje de manhã – aquilo vai dar um jeito nela para sempre! Então, é claro, ela vai contar para minha mãe, vai chorar e ter um ataque e contar para meu pai quando ele chegar em casa, e ele provavelmente vai me bater antes mesmo de seu primeiro drinque. Mas mesmo assim... acho que vai valer a pena.

Não é nem hora do almoço ainda. Vamos lá, Birmânia, cultivo agrícola. Pense, seu bobo! Quem inventou essa porcaria?! Além dessa droga ser chata, a Sra. Simpson não deixa a gente nem se mexer. Uma vez ela colocou um barbante em volta de mim e da minha cadeira e me disse que eu pegaria uma suspensão se saísse dali. Então, é claro, eu tive de sair – ninguém faz isso comigo... Tive de ir para a sala do diretor; mas o velho até que é bem legal – pelo menos foi na maioria das vezes em que o vi.

Birmânia... Será que consigo terminar essa lição idiota antes do almoço, para não ter de levá-la para casa e ficar sentado na mesa da cozinha por horas com minha mãe me irritando e a Dona Perfeição podendo assistir à televisão e rir da minha cara?

Estou com fome. O almoço vai ser ótimo e depois disso tem o recreio, em que nenhuma autoridade proíbe você de ficar andando para lá e para cá. Incrível, são todos tão bonzinhos. Posso acabar topando com aquele garoto que sempre coloca as outras crianças atrás de mim. Eu bati nele a semana passada, mas não ajudou muito...

Esta cadeira tem uma lasca aqui... Ops, a Sra. Simpson está olhando para mim. Ela sabe que eu não estou prestando atenção de novo na minha lição, assim como todos os outros bons garotos e garotas. ‘Você está conosco hoje, Eduardo?’ ‘Você está prestando atenção na nossa tarefa hoje, Eduardo?’ Se a tarefa é nossa, por que ela mesma não faz? Melhor parecer que estou fazendo alguma coisa. Abaixar a cabeça, olhar para o papel, mexer a mão. Ai, meu Deus, cadê meu lápis?... Puxa, como sou idiota!

Não, não sou, não. Uma vez me disseram que consegui 125 em um teste de QI. O pior é que mesmo tendo 125 de qualquer coisa só consigo tirar zeros. Zero quer dizer Burro. Besta. Nada. Cretino. Meu pai também tirava zeros quando era pequeno. Então por que ele fica gritando comigo o tempo todo?

Ainda faltam dez minutos até a hora da comida. CULTIVOS AGRÍCOLAS NA BIRMÂNIA. Dez longos minutos. Não dá para agüentar. Quando ficar mais velho, vou ser motorista de caminhão. Você senta naquele banco bem alto e tem de ficar sempre em movimento. É ótimo. E vou levar minha irmã menor comigo. A Sara não é tão ruim e também não é nenhum prodígio na escola. Ela não arruma tanta confusão quanto eu, mas a professora a chama de ‘lunática’ às vezes. Um menino ouviu isso e começou a chamá-la de ‘Sara Lunática’ no recreio; então eu o empurrei e o fiz prometer que calaria a boca. Os garotos aqui da minha escola são todos uns babacas.

Aquela besta atrás de mim está estourando bola de chiclete de novo. Isso me deixa louco! Parece que alguém está mastigando sucrilho dentro da minha orelha. Daí ela vai começar a tagarelar com a bobona do lado, mas elas nunca se dão mal. É que elas são garotas. Acharam muito engraçado no outro dia quando a gente tinha uma prova de matemática e eu nem sabia. É culpa delas! Se eu fizesse as coisas que elas fazem, a Sra. Simpson pegaria no meu pé mais depressa que um relâmpago.

Oh, meu Deus, ela está aqui! Esses sapatos do lado da minha mesa são dela. Eu nem a vi chegando. Encostou em mim e eu nem percebi – em que eu estava pensando? De novo, não... Estamos irritados, professora? Bem, pessoal, devido a dificuldades técnicas que escapam ao nosso controle, o horário de almoço será adiado indefinidamente..."

O Personagem Principal: 20 Anos Depois

"Esse cara não parece tão esnobe quanto a maioria dos meus clientes, mas ele não fala muito. Provavelmente acha que não sou tão bom quanto ele ou algo assim. Alguns deles não dizem uma palavra – e então se fingem de mortos quando você chega ao aeroporto e eles têm de dar gorjeta. Não dá nem para comprar um maço de cigarros com o que alguns desses convencidos dão. Esses figurões, altos executivos.

Os últimos empregos que tive pagavam uma miséria. Não é à toa que meu cartão de crédito estourou. Se nesta porcaria de país eles realmente pagassem o que você vale... mas minha mulher não quer nem ouvir falar disso. Não, não, não. Prefere me encher com esse papo de voltar para a escola, para que ela possa voltar a ter o estilo de vida a que estava acostumada na casa do pai dela. Pelo menos dirigir este táxi é melhor do que ficar naquele apartamento com ela e aquele moleque maluco...

O pai dela é um idiota. Acha que não sou bom o bastante para ela. Talvez um diploma de faculdade fizesse ele calar a boca, mas a idéia de voltar para a escola me deixa doido. Eu tentei. Um ano e meio de puro inferno. Eles fazem de tudo para tornar as coisas o mais chatas possível.

Lá vem aquele chato do meu encarregado me chamando pelo rádio de novo. ‘Onde você está, Eduardo?’ ‘Por que está demorando tanto?’ Por que ele não vem para a rua para ver como é lidar com esses maníacos no trânsito?

Mexa-se, vagabundo! Se você não estivesse tão ocupado falando nessa porcaria de telefone e tentando mostrar para todo mundo quanto é importante, saberia por onde andar!

Esse cara é mesmo uma matraca – só sabe dizer isso. Como um idiota desses conseguiu uma casa como a dele? Vai ver, ganhou na loteria. Ou, quem sabe, foi o papai que comprou para ele. Vou contar, o que eu preciso fazer é..."

2

Sintomas

O Transtorno de Déficit de Atenção tem recebido muitos nomes ao longo dos anos. Doença de Still e Distúrbio de Impulso foram tentativas iniciais de descrever crianças excessivamente ativas e impulsivas. Mais tarde, os termos Lesão Mínima do Cérebro e Disfunção Cerebral Mínima assustaram para valer muitos pais. A esses seguiu-se a expressão Reação Hipercinética da Infância, que se concentrava no sintoma mais óbvio do problema, o excesso de atividade.

O nome Transtorno de Déficit de Atenção surgiu pela primeira vez em 1980, no assim chamado DSM-III (sigla em inglês para o Manual Diagnóstico e Estatístico dos Distúrbios Mentais, Terceira Edição). Essa nova definição deixava claro que o ponto central do problema era a dificuldade de se concentrar e manter a atenção.

Segundo o DSM-III, havia dois tipos de TDA: o TDA com hiperatividade e o TDA sem hiperatividade. Ambos os tipos envolviam a dificuldade de atenção, mas as crianças que se enquadravam no TDA com hiperatividade eram excessivamente ativas, impulsivas e comportavam-se muitas vezes de maneira destrutiva e bem na sua cara. Os portadores normalmente eram do sexo masculino. As crianças portadoras de TDA sem hiperatividade também apresentavam problemas para se concentrar e manter a atenção, mas normalmente tinham um jeito meigo de ser e apresentavam poucas evidências de problemas comportamentais. Algumas pessoas referiam-se a esse segundo tipo como a síndrome do adorável lunático e os portadores eram, freqüentemente, do sexo feminino. O DSM-III também reconhecia que as crianças com TDA muitas vezes se transformavam em adultos com TDA e, em função disso, o termo TDA, Tipo Residual foi incluído.

O DSM-III foi revisto em 1987 e os resultados da nova edição, a DSM-III-R, eram um tanto controversos. Algumas pessoas achavam que na descrição do TDA apresentada no DSM-III a ênfase na hiperatividade e nos sintomas impulsivos havia sido excessivamente diminuída e, assim, no DSM-III-R o nome do distúrbio foi alterado para a expressão um tanto desastrada de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Por meio dessa mudança, reconhecia-se o fato de que tanto a desatenção quanto a inquietação estavam freqüentemente envolvidas no distúrbio. No entanto, a descrição do TDAH no DSM-III-R infelizmente eliminou o subtipo TDA sem hiperatividade. Em seu lugar, fazia-se referência a um Tipo Indiferenciado de TDA, uma espécie de categoria guardachuva que abarcava tudo aquilo que não se encaixava claramente na classificação TDA.

Esse problema foi remediado no DSM-IV, mas a desastrada expressão TDAH foi mantida. O TDA sem hiperatividade reapareceu como Tipo Predominantemente Desatento, uma correção bastante necessária, mas que, ainda assim, nos deixava na desconfortável posição de ter um TDAH sem H. O resultado foi o surgimento de algumas confusões com relação à terminologia. TDAH continua sendo o termo tecnicamente correto, mas muitas pessoas (inclusive eu mesmo) ainda preferem o termo original, TDA.

Neste capítulo, vamos examinar o TDA de três pontos de vista: A) o TDA segundo o DSM-IV; B) a convivência com o TDA; e C) o TDA como um problema basicamente de autocontrole.

A. Os Critérios do DSM-IV

O DSM-IV representa efetivamente

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O que as pessoas acham de TDA/ TDAH

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