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Da alma ao corpo físico
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Da alma ao corpo físico

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Sobre este e-book

Da Alma ao corpo físico é uma obra que visa continuar a discussão sobre a fisiologia transdimensional, tema tratado por dr. Décio em seu primeiro livro. Ao aprofundar essa questão, o autor expande a discussão sob os pontos de vista fisiológico, filosófico e espiritual – incluindo algumas proposições e hipóteses elaboradas por ele, dentro dos aspectos estruturais e funcionais da chamada "interface físico-etérica". As ideias aqui apresentadas não são afirmações ou verdades indiscutíveis, e sim propostas que devem ser discutidas e refletidas. Em razão disso, alguns especialistas contribuíram com textos, apresentados ao final, que permitem o enriquecimento do conteúdo e o alargamento do horizonte do leitor. O autor parte da base filosófica eminentemente espírita para desenvolver suas hipóteses, mas sem se tornar doutrinador, mantendo a racionalidade e observando a diversidade de possibilidades a serem consideradas em cada um dos estudos desenvolvidos no decorrer da obra.Certo de que este livro apenas inicia o assunto em toda a sua complexidade ainda insuspeita, Décio Iandoli Júnior traz ao profissional da saúde, bem como ao leigo interessado, modelos teóricos que dão mais um passo no iniciático trabalho de construção de um conhecimento que descortinará a medicina do futuro e o entendimento integral do ser humano. O tempo e a ciência julgarão a validade de sua contribuição.
IdiomaPortuguês
Data de lançamento24 de jun. de 2020
ISBN9786586740028
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    Da alma ao corpo físico - Décio Iandoli Júnior

    autor.

    Para começarmos, faz-se necessário relembrar alguns dos conhecimentos básicos de biologia celular, abordando aspectos inerentes à sua origem e diferenciação. Dentro desse raciocínio, iniciamos tentando definir célula com a definição mais básica que encontramos: célula é a unidade que constitui os seres vivos. Tal definição nos parece um tanto vaga e até mesmo incompleta, visto que referir-se à célula como unidade, sem um esclarecimento maior, é um pouco estranho em um tempo em que foram desvendados os mecanismos atômicos e energéticos dos seres vivos, pois há algum tempo se fala do DNA (ácido desoxirribonucleico) como a unidade molecular da vida.

    Outros autores definiriam célula como a menor porção de matéria viva dotada de autoduplicação independente. No entanto, tomando por base esta última definição, estaríamos vinculando a célula à capacidade de reproduzir-se, o que não ocorre com aquelas altamente diferenciadas, como os neurônios, por exemplo.

    Por essas razões, talvez a melhor maneira de definir célula seria dizer que se trata de uma unidade estrutural básica dos seres vivos que se compõe de numerosas partes. Percebemos assim que, apesar de a maioria das pessoas ter uma noção bastante clara do que é célula, há dificuldades em se encontrar uma definição precisa, que satisfaça todos os aspectos desse pequeno e complexo mecanismo estruturador dos seres que habitam o planeta. Tais unidades podem constituir um ser vivo por si só ou agrupar-se em tecidos e/ou órgãos para constituir organismos mais complexos e desenvolvidos, acumulando funções e capacidades.

    O autor espiritual André Luiz (1958, cap. 5), em Evolução em dois mundos, descreveu as células da seguinte forma:

    Animálculos infinitesimais, que se revelam domesticados e ordeiros na colmeia orgânica, assumem formas diferentes, segundo a posição dos indivíduos e a natureza dos tecidos em que se agrupam, obedecendo ao pensamento simples ou complexo que lhes comanda a existência (grifos nossos).

    Apesar das discussões apresentadas a respeito da definição de célula, os vírus² seriam a forma mais primitiva de vida que conhecemos, constituídos apenas de duas porções, sendo a primeira de ácidos nucleicos (RNA ou DNA), que trazem o seu material genético, envolto pela segunda parte, qual seja, uma cápsula, que, além de abrigar a primeira, permite que o vírus se acople a uma célula completa e possa inocular sua informação genética e usá-la na realização das suas próprias funções. Em última análise, o vírus é um parasita celular obrigatório, pois sua constituição não o capacita a exercer nenhuma função, nem mesmo a reprodução.

    A segunda forma mais rudimentar de vida são as rickettsias, que também são células incompletas e, por consequência, parasitas celulares obrigatórios. Rickettsias possuem DNA e RNA – ao contrário dos vírus, que contêm apenas um ou outro – assim como uma parte das organelas para sua produção enzimática e uma membrana semipermeável, por meio da qual fazem trocas com o meio.

    Dessa maneira, acredita-se que tanto os vírus quanto as rickettsias devem ter surgido de células completas degeneradas que, em algum ponto de sua evolução, perderam parte de sua informação genética, pois, sendo parasitas obrigatórios, vírus e rickettsias não poderiam existir sem o seu hospedeiro. Podemos considerá-los alterações das formas mais primitivas de células que surgiram no planeta, mas que, por conta de mutações, se tornaram incompletas (Figura 1).

    Figura 1 – Esquema representando um vírus e sua ação como parasita celular, inoculando seu material genético na célula hospedeira

    Quanto às células completas, é possível observar dois tipos fundamentais:

    • Procariontes (pro = primeiro, prévio; cario = núcleo) – são mais primitivas e caracterizam-se pela pobreza de membranas. Por não serem dotadas de núcleo celular delimitado, nelas, os cromossomos estão incluídos no citoplasma.

    • Eucariontes (eu = verdadeiro, próprio; cario = núcleo) – apresentam núcleo individualizado por uma membrana, onde estão contidas as informações genéticas.

    A célula procarionte mais conhecida e estudada é a Escherichia coli (Figura 2), uma bactéria muito comum que apresenta, basicamente, uma membrana citoplasmática envolta por uma parede proteica, que lhe confere proteção, e citoplasma, onde estão inseridas todas as suas organelas e seu material genético. Nessas células, não ocorrem subdivisões em compartimentos intracelulares, como observamos nas células eucariontes.

    Figura 2 – Esquema da E. coli, exemplo de célula procarionte

    A célula eucarionte tem uma estrutura mais complexa, com mais membranas e subdivisões citoplasmáticas, mas sua principal característica é a individualização do núcleo (Figura 3).

    Figura 3 – Exemplo de célula eucarionte, que apresenta núcleo individualizado

    Quando analisamos a escala evolutiva dos seres do nosso planeta, constatamos a dicotomia entre os reinos animal e vegetal, aparentemente distintos. Porém, se observarmos os chamados zoófitos, veremos que são animais-plantas, ou seja, seres microscópicos que possuem características de ambos os reinos, mostrando-se como uma ponte de ligação evolutiva, ou melhor, um ponto de partida comum para as duas formas de vida: animal e vegetal.

    Dos animais mais primitivos aos vertebrados, existe um longo caminho filogenético. No entanto, conseguimos ligar, de alguma forma, uma espécie com seu elo imediato na escala evolutiva (como o homem e o chimpanzé, por exemplo). Assim como em uma corrente, acabamos por unir uma ponta à outra, elo a elo, terminando por relacionar todas as formas de vida do planeta como um conjunto de seres em evolução que, apesar de estarem em diferentes pontos de desenvolvimento e de haver certas ausências dessa continuidade³, seguem as mesmas regras impostas pelas leis naturais que regem o planeta.

    O homem, assim como todas as outras formas de vida do planeta, está totalmente inserido nesse contexto. Dessa forma, resta esclarecermos que dentro desse raciocínio evolutivo não pode haver geração espontânea, a não ser para seres muito primitivos em ambientes igualmente primitivos. Usamos aqui a expressão geração espontânea com o único objetivo de especificar o início da primeira forma de vida em um ambiente abiótico.

    Seja qual for o conceito ou a visão utilizada, devemos admitir esse começo, apesar de ser um assunto bastante polêmico entre os cientistas. É importante discutir a expressão segundo outras visões filosóficas mais ou menos ortodoxas, uma vez que o próprio conceito científico de vida ainda não está estabelecido pela biologia.

    Mesmo não sendo considerado texto científico pela ciência atual, é oportuno citar o filósofo francês Allan Kardec (1995, cap. VI), que explica em A gênese, obra escrita no século XIX, o seguinte:

    Muito importa que nos compenetremos dessa noção: que a matéria cósmica primitiva era revestida, não só das leis que asseguram a estabilidade dos mundos, mas ainda do princípio vital universal que forma gerações espontâneas sobre cada mundo, à medida que se manifestam as condições da existência sucessiva dos seres, quando soa a hora da aparição dos filhos da vida, durante o período criador (grifo nosso).

    Está aí colocada a diferença entre o orgânico e o inorgânico: o princípio vital, percebido, mas não entendido ou admitido pela biologia, do qual nos ocuparemos mais adiante neste livro.

    Origem e evolução das células

    Admite-se que as primeiras células surgidas na Terra foram as procariotas, há cerca de três bilhões de anos, no início do período pré-cambriano. A constituição atmosférica da época ainda é discutida pelos cientistas, mas acredita-se que era composta de vapor de água, amônia, metano, hidrogênio, sulfeto de hidrogênio e gás carbônico. O oxigênio livre só teria aparecido muito tempo depois, graças à atividade fotossintética, na qual células autotróficas produzem sua própria energia a partir da luz solar, cujo resíduo é o oxigênio liberado na atmosfera.

    Muito antes das primeiras células aparecerem no planeta, grandes massas líquidas, ricas em substâncias muito simples, teriam surgido. Sob a ação do calor do Sol e da eletricidade, oriunda de constantes tempestades e raios, elas deram origem a substâncias contendo carbono em sua formação molecular, chamadas de compostos orgânicos. Stanley L. Miller (1953) estudou tais teorias e desenvolveu um modelo que busca reproduzir a produção de compostos orgânicos de acordo com as condições atmosféricas da Terra no período pré-cambriano (Figura 4).

    Figura 4 – Aparelho idealizado por Stanley L. Miller (1953)

    Observando a Figura 4, podemos perceber, à esquerda, um balão na parte inferior, no qual se produzia vapor de água, e uma torneira na parte superior, pela qual se introduzia metano, amônia, hidrogênio e gás carbônico. A mistura, ao passar pelo balão localizado na parte superior, à direita, era submetida a fagulhas elétricas, para, seguindo o processo de condensação, tornar-se líquida no condensador e poder ser recolhida pela torneira localizada à direita, na parte inferior do aparelho.

    O produto do aparelho de Miller continha substâncias orgânicas diversas, inclusive aminoácidos, moléculas básicas que compõem as proteínas. No entanto, para passarmos de compostos orgânicos a proteínas ou ácidos nucleicos, que são compostos extremamente complexos, existe um grande hiato de conhecimento. Mesmo hoje, as proteínas apenas são obtidas por síntese celular, o que significa que o homem, do alto de sua sabedoria e tecnologia, ainda não é capaz de gerar compostos orgânicos complexos a partir de substâncias inorgânicas, pois não é capaz de manipular o princípio vital, como afirmou Kardec.

    No livro O clamor da vida, a dra. Marlene Nobre (2000, p. 72) resume bem tal fato: [...] e nunca ninguém conseguiu recriar, em condições prebióticas, nem de perto, nem de longe, um único componente da célula viva.

    Cientistas que seguem o paradigma materialista levantam a hipótese de que tais compostos teriam sido criados por acaso ou por acidente, gerando a síntese chamada de abiótica. O acaso é uma hipótese científica válida ou é a negação da causa? A vida teria surgido na Terra por acidente? Qual seria a probabilidade de esse fenômeno ter ocorrido aleatoriamente? Sistemas de altíssima complexidade poderiam surgir do caos?

    No livro Deus e a ciência: em direção ao metarrealismo, Guitton, Bogdanov e Bogdanov (1992, p. 49) nos informam que:

    Tomemos um caso concreto: uma célula viva é composta de uns vinte aminoácidos que formam uma cadeia compacta. A função destes aminoácidos depende, por sua vez, de cerca de duas mil enzimas específicas. Continuando o mesmo raciocínio, os biólogos foram levados a calcular que a probabilidade de que um milhar de enzimas diferentes se aproxime de um modo ordenado até formar uma célula viva (ao longo de uma evolução de muitos bilhões de anos) é da ordem de 10¹⁰⁰⁰ contra um.

    Em termos práticos, isso quer dizer que não há nenhuma possibilidade de a vida ser obra do acaso. Buscando uma explicação que seja ao menos possível, chama-nos a atenção a necessidade da existência prévia de uma inteligência, de uma força anentrópica⁴, capaz de levar esses elementos básicos a se ordenarem inicialmente em coacervados (micelas orgânicas) e, posteriormente, em células, visto que até mesmo as mais rudimentares são altamente complexas para terem surgido aleatoriamente do caos e da desordem.

    A teoria da ordem implícita, que aborda a origem planejada da vida, é defendida pelo dr. Michael Behe, bioquímico da Universidade de Lehigh da Pensilvânia, nos Estados Unidos, e por físicos como David Bohm e Jean Guitton. Muito tempo antes (em 1857), porém, Allan Kardec (1994b) apresentou essas ideias nas questões n. 43 a 45 de O livro dos Espíritos.

    Retomando nossa linha de pensamento, poderíamos dizer que as células mais primitivas provavelmente seriam procariontes, autotróficas e anaeróbicas, pois, de outra maneira, não sobreviveriam no provável ambiente terrestre de então. Elas iniciaram a vida no planeta e a produção de energia a partir da luz solar, no oceano primitivo, e isso foi modificando a atmosfera terrestre e as condições para o desenvolvimento de outras formas de vida.

    É possível fazer uma comparação hipotética dessa célula-mãe do planeta com as algas cianofíceas, pois são seres unicelulares, procariontes e autotróficos, capazes de armazenar a energia produzida por meio de substâncias simples e luz solar em ligações químicas e, nesse processo, liberar oxigênio (Figura 5).

    Figura 5 – Esquema representativo de uma alga cianofícea

    A partir do surgimento de pigmentos capazes de sensibilizarem-se devido às radiações solares, como a clorofila, passamos a ter a fotossíntese, e, como resultado de tal processo, o oxigênio se acumulou na atmosfera. Os raios ultravioleta (RUV) romperam as moléculas de O2 presentes na atmosfera, fazendo com que se recombinassem, e formaram o Ozônio (O3), ocasionando, por consequência, a diminuição da temperatura do planeta, o que proporcionou condições para o surgimento de células aeróbicas.

    Em A gênese, Allan Kardec (1995) argumenta que toda e qualquer substância existente no planeta Terra e, até onde sabemos, no Universo, por mais variada e complexa que possa ser, não passa de um rearranjo dos elementos principais e elementares do nosso Universo, pois são esses elementos que formam, indistintamente, gases, fluidos ou sólidos, sejam eles minerais, vegetais ou animais. Esse pensamento está em concordância com as teorias de Miller e de Lavoisier.

    De acordo com fatores circunstanciais, como temperatura, umidade, energia cinética das moléculas, correntes elétricas e muitos outros, em determinada situação e tempo, os elementos básicos promoveriam combinações específicas e proporcionadas entre os elementos principais (oxigênio, azoto, hidrogênio, carbono, cloro, iodo, flúor, enxofre, fósforo e todos os metais) ou até entre compostos pré-formados e, portanto, mais complexos. Processos sucessivos de combinações e arranjos dados pelas condições existentes promoveriam a criação da matéria como conhecemos, mas isso não seria possível sem algum planejamento ou instrução, pois ainda aqui é necessária a presença de uma causa inteligente, uma instrução inteligente e intencionada, afinal todo efeito inteligente tem uma causa inteligente.

    Os compostos inorgânicos, muito bem estudados pela química, unem-se por afinidade, de acordo com as condições do meio, e, a cada rearranjo, perdem suas características individuais e assumem uma nova característica própria do composto que se criou, ou seja, os elementos que o criaram deixam de existir. Esse processo é análogo ao exposto anteriormente, pois os elementos combinados deixam de ser uma coisa e passam a ser outra.

    O produto pode apresentar resultados muito diferentes, não apenas por conta da variação dos elementos que se associam, mas também pelas condições em que essa associação ocorre, pelas energias envolvidas e pela estrutura que ela assume. Podemos exemplificar tal pensamento tomando o exemplo da água. Composta por hidrogênio e oxigênio, gases invisíveis e inodoros, que se unem na proporção de 2:1 por afinidade, a água assume características físicas totalmente diferentes, conforme as circunstâncias térmicas, podendo se apresentar nos estados gasoso, líquido ou sólido. Temos ainda o exemplo do carbono: dependendo do seu arranjo estrutural, ele pode se apresentar como grafite ou como diamante, materiais bastante distintos no que tange às suas propriedades físicas.

    Dessa maneira, notamos a infinidade de possibilidades que temos na criação de novos compostos, se considerarmos a variação dos seus elementos e as condições em que são formados. A partir daí, visualizamos a possibilidade da gênese de toda a sorte de compostos do nosso mundo tangível, do inorgânico ao orgânico, do mineral ao animal. No entanto, haveria um princípio especial ausente nos compostos inorgânicos e presente na matéria orgânica, o princípio vital, que se expressa como fluido vital. A química pode decompor e recompor os elementos inorgânicos, bem como decompor o elemento orgânico em inorgânico, mas ainda não conseguiu compor nem mesmo a mais simples proteína, indício da existência de um fator desconhecido capaz de tornar possível tal tipo de estruturação.

    Esse princípio vital é próprio do arranjo orgânico, entretanto não sabemos se repousa em toda a matéria ou se é retirado do meio para a destinação do composto. Provavelmente, é derivado de um todo, o que possibilita conjecturar sua existência, visto que seus efeitos são notáveis. Seria o fluido vital⁵, portanto, mais um dos fatores circunstanciais que determinam a formação da matéria animalizada, ou viva, de qualquer grau evolutivo.

    Conforme o pensamento de Kardec (1995) em A gênese, no princípio do planeta só existiam os elementos volatilizados. Estes foram reagindo por suas afinidades de acordo com as condições que surgiam no planeta, criando outras situações que geravam novas associações, até que apareceram as primeiras formas de vida, que, apesar de primitivas, eram extremamente complexas se comparadas aos elementos orgânicos primários que lhes deram origem.

    Em A caminho da luz, Emmanuel (1939, p. 22-23, grifo nosso) explica:

    Viu-se, então, descer sobre a Terra, das amplidões dos espaços ilimitados, uma nuvem de forças cósmicas que envolveu o imenso laboratório planetário em repouso. Daí a algum tempo, na crosta solidificada do planeta, como no fundo dos oceanos, podia-se observar a existência de um elemento viscoso que cobria toda a Terra. Estavam dados os primeiros passos no caminho da vida organizada.

    Seria esse elemento viscoso o veículo que continha o fluido vital necessário para iniciar a vida no planeta? Os elementos inorgânicos foram, finalmente, levados às condições necessárias para receber aquele que oferece a base de manifestação da vida: o fluido vital. No mesmo livro, encontramos a confirmação: Dizíamos que uma camada de matéria gelatinosa envolvera o orbe terreno em seus mais íntimos contornos. Essa matéria, amorfa e viscosa, era o celeiro sagrado das sementes da vida (Emmanuel, 1939, p. 26).

    Cabem neste momento alguns questionamentos:

    • Será que esse caminho tão longo e tão complexo, dependente de tantos fatores e oportunidades altamente específicas, ocorreu aleatoriamente?

    • Se a vida é um fator ocasional, por que ainda não conseguimos recriá-la utilizando o enorme cabedal científico acumulado?

    • Seria lógico e racional aceitar a hipótese do acaso ou seria o caso de formular uma nova hipótese, dentro de um novo paradigma, que aceite a existência anterior de uma inteligência organizativa?

    • Por que não podemos aceitar o conceito de Deus como uma hipótese científica válida, visto que é uma maneira plausível de atribuir um conceito de origem e causa primária para tudo o que experimentamos em vida e conhecemos do Universo?

    Parece-nos muito mais anticientífico negar do que aceitar a existência de uma força criadora. Estamos falando de ciência, mas também de religião, ambas oriundas da filosofia, ou seja, do pensamento humano. O avanço científico nos remete cada vez mais ao conceito da inteligência suprema; falar de Deus em textos científicos torna-se cada vez mais comum, e esta é a tendência natural, uma vez que estamos transcendendo o conhecimento do plano físico. Os materialistas que rejeitam de maneira preconceituosa tal abordagem estão agindo da mesma forma que aqueles que rejeitaram o pensamento de Galileu e Giordano Bruno.

    Diferenciação celular

    A diferenciação celular consiste na especialização de certas células em uma função específica que elas vão exercer no organismo do qual fazem parte, assim como uma pessoa se especializa em uma profissão para servir à comunidade onde vive. Essa diferenciação celular ocorre desde o desenvolvimento embrionário, pois, à medida que se multiplicam, as células se diferenciam para formar um organismo pluricelular complexo e capaz de diversas funções e habilidades. É a ontogênese. Se observarmos um organismo pronto, é possível notar a existência de células totalmente diferentes, como o adipócito (célula gordurosa) e o neurônio (célula nervosa), sendo que ambas têm exatamente a mesma carga genética e a mesma célula de origem: o zigoto.

    Com base nessa informação, seria de se supor que, se desenvolvêssemos em laboratório uma cultura celular a partir de uma célula-mãe totipotente (com 100% de potencialidade e 0% de diferenciação), como no blastômero, por exemplo, geraríamos um organismo completo e estruturado baseado nas informações contidas no seu genoma. No entanto, isso não acontece, pois o resultado de tal cultura é uma massa disforme de células idênticas à original.

    Assim, qual seria a força inteligente que diferencia de maneira ordenada e precisa as células com a mesma carga genética, levando a diferenciações tão pronunciadas? Seria novamente o acaso? Quando fazemos um clone por transferência de núcleo e temos sucesso na constituição de um novo indivíduo, o que mudou da situação anterior, na qual pegamos a célula totipotente e tentamos a cultura? O que mudou foi o citoplasma de uma célula adulta emprestada, por meio do qual se expressará o modelo organizador biológico; podemos fazer uma analogia com um computador usado, no qual colocamos um HD (Hard Disc) novo com um novo conjunto de softwares, como veremos mais à frente neste livro.

    Em termos gerais, admite-se que a diferenciação celular é o conjunto de processos que transforma a célula embrionária em uma célula especializada. Podemos dizer, portanto, que o que ocorre é um controle de expressão gênica, que acreditamos ser procedente do citoplasma e que tende a especificar a morfologia e a fisiologia celular a partir de um controle externo à célula, mas que se utiliza das informações disponíveis no seu núcleo (software). Desse modo, supõe-se que o caminho para a especialização celular é o controle da expressão gênica (supressão ou ativação de genes específicos), visto que existe uma representação completa dos genes em todas as células do organismo, como existia na célula-mãe.

    Aqui, novamente, podemos levantar algumas questões:

    • Como ocorre esse controle de expressão gênica?

    • Qual é a força inteligente e organizativa que comanda esse processo?

    • Como essa força age?

    A epigenética, assunto que abordaremos oportunamente, explica muito, mas não é capaz de esclarecer tudo sobre essa questão. O que ocorre, provavelmente, é uma orientação dada pelos campos eletromagnéticos gerados por aquilo que Kardec chamou de Perispírito, Hernani Guimarães Andrade, de Modelo Organizador Biológico, e Rupert Sheldrake, de Campo Morfogenético. Ou seja, o corpo espiritual ou energético traduz a orientação do princípio inteligente que o organiza, isto é, da Alma ou do princípio inteligente individualizado.

    O perispírito do indivíduo vai moldando a massa celular disforme e determina a sua diferenciação. É como a ação do cinzel sobre a pedra, que permite que a ideia do artista se transforme em escultura. Vejamos o que diz André Luiz (1958, cap. II, p. 30) no livro Evolução em dois mundos:

    São os centros vitais fulcros energéticos que, sob a direção automática da Alma, imprimem às células a especialização extrema [...]. Essas células que obedecem às ordens do Espírito, diferenciando-se e adaptando-se às condições por ele criadas, procedem do elemento primitivo, comum, de que todos provimos em laboriosa marcha no decurso dos milênios, [...].

    Qualquer outra tentativa materialista de explicar tal fenômeno esbarra no procustianismo, como definiu o professor Hernani Guimarães Andrade (1997), no primeiro capítulo do livro Saúde e Espiritismo. Ele relembra a figura mitológica do saqueador grego Procusta (Procustes ou Procusto) que, após despojar suas vítimas, as levava à sua caverna, onde mantinha um leito de ferro: se a vítima fosse maior que o leito, ele cortava as pernas dela de forma a caber exatamente no espaço, e se fosse menor, esticava seu corpo por meio de tração para que ocupasse toda a cama.

    Não devemos adaptar o fenômeno à explicação, mas, sim, encontrar a explicação para ele. A visão espiritualista e o Espiritismo não se contrapõem ao materialismo, pois caminham juntos no campo dos fenômenos materiais, estudando seus mecanismos. No entanto, a visão materialista não se permite aceitar o que não for material e tangível, recorrendo às explicações procustianas, que tentam adaptar as verdades às suas explicações sem dar explicações suficientes aos fenômenos observados. Na visão espiritualista, os horizontes se alargam, abre-se um mundo novo e cheio de motivos de pesquisa e exploração científica.

    O sobrenatural não existe, pois se Deus, considerado aqui como perfeito, deu origem às leis da natureza, estas são, consequentemente, perfeitas e, portanto, eternas e imutáveis. Dessa forma, nada, a não ser Deus, poderia estar acima delas. O que existe é a ignorância parcial ou total dessas leis, e isso gera medo no homem orgulhoso, que passa a negar a existência do que não conhece ou não sabe explicar. No fundo, o homem continua agindo como agia nos primórdios da sua evolução: chamando de mágica, temendo ou negando tudo o que não compreende.


    2 Nem todos os biólogos consideram os vírus como forma de vida.

    3 Desenvolveremos esse assunto quando formos abordar os saltos da cadeia evolutiva.

    4 Entropia é o grau de desordem de um sistema, sendo assim anentropia é o grau de ordem e organização de um sistema.

    5 Cabe aqui ressaltar que, na conceituação que utilizamos neste texto, princípio vital não é a mesma coisa que fluido vital, sendo que o primeiro não é material, e sim derivado do mesmo princípio constituinte da Alma, conforme discutiremos oportunamente.

    Este capítulo tratará da fisiologia das células excitáveis, mais especificamente dos neurônios, explicando com certo grau de detalhamento seus mecanismos básicos de funcionamento. Para o leitor que não é especialista na área biológica, a leitura pode se tornar uma tarefa complexa, por isso, caso sinta dificuldade, recomendo que passe para o próximo capítulo e retorne quando ou se achar necessário o entendimento do seu conteúdo.

    Introdução à fisiologia básica

    Para iniciarmos, é importante apresentar os conceitos básicos de homeostase e meio interno, que são importantes para o entendimento de toda a fisiologia. Homeostase foi definida pelo fisiologista norte-americano Walter Bradford Cannon (1871-1945) como a manutenção constante das condições do meio interno, ou seja, é o equilíbrio que se traduz no bom funcionamento orgânico e que é, comumente, entendido como o estado de saúde física. Já o conceito de meio interno foi construído pelo médico e fisiologista francês Claude Bernard (1813-1878) e refere-se ao meio em que estão inseridas todas as células do corpo; é o ambiente ou hábitat das células que constituem um organismo pluricelular.

    Fisiologia, por sua vez, é a parte da biologia que estuda as funções orgânicas, seus mecanismos e sistemas de controle para a manutenção da homeostase. Para entender e estudar o funcionamento de uma estrutura ou de estruturas associadas, é primordial que tenhamos conhecimento, o mais profundo possível, da conformação e da constituição dessa(s) estrutura(s). O entendimento da forma e da constituição das estruturas biológicas está a cargo da morfologia (macroscópica, no caso de estudos anatômicos, e microscópica, no caso de estudos histológicos), enquanto o estudo de seu funcionamento fica a cargo da fisiologia. O primeiro passo entende a forma, e o segundo garante a compreensão da função de tais estruturas.

    A compreensão da fisiologia humana está muito avançada. Hoje conhecemos minúcias do funcionamento sistêmico, celular e molecular de todos os órgãos e tecidos. Com base nessas informações, podemos entender suas alterações, manifestadas em forma de doenças e/ou disfunções, sejam suas causas conhecidas ou não – a isso chamamos fisiopatologia. Quando nos embrenhamos no estudo detalhado dos mecanismos fisiológicos no nível molecular, percebemos mais claramente a existência do ser transdimensional e iniciamos a descoberta e a análise das porções etéreas do ser, construindo teorias e hipóteses, respondendo a perguntas que a ciência, até então, não foi capaz nem ao menos de formular.

    Seja comprovando a eficácia da acupuntura, da homeopatia e/ou das terapias chamadas fluídicas, seja estudando os porquês das falhas de métodos alopáticos e cirúrgicos ou observando fenômenos mediúnicos e outras formas de estados alterados de consciência, muitas vezes chamados de paranormais, o homem vai mudando o paradigma da ciência vigente. Amplia-se, assim, seu campo de pesquisa ao chamado plano espiritual, admitindo-se a existência de dimensões ainda não mensuráveis do ser, das quais podemos perceber a influência ou interferência nas estruturas físicas.

    A necessidade de mudança de paradigma não significa a negação da ciência vigente nem de suas descobertas. Esse tipo de atitude é incoerente e irracional, assim como teimar em não evoluir nossas possibilidades de pesquisa por limitação do método empregado, insistindo em manter uma ferramenta de estudo inadequada para a nova ordem de fenômenos que pedem nossa atenção. Faz-se necessário estabelecer um novo método que viabilize tais pesquisas com a mesma segurança com a qual o paradigma materialista nos trouxe até o nível de conhecimento que desfrutamos neste momento.

    O fato de admitirmos a existência de componentes energéticos não mensuráveis no ser humano permite o estudo da porção do homem que existe em uma dimensão diferente da explorada até agora – ao que chamamos de fisiologia transdimensional. Cabe a esse ramo da fisiologia estabelecer os sistemas e mecanismos que relacionam o homem físico, tão bem conhecido, e o homem etéreo, a começar por tentar descrever suas estruturas de relacionamento, a anatomia transdimensional, para entender seu funcionamento.

    Como supraexplicado, entendendo a fisiologia humana, passamos a compreender os mecanismos geradores das doenças, e assim chegamos à área da medicina que denominamos fisiopatologia. Nessa nova fase, ao compreendermos os mecanismos da fisiologia transdimensional, entenderemos a fisiopatologia transdimensional e damos mais um passo na direção da causa primária de todas as doenças e aflições do homem: os desvios e desequilíbrios do eu ou as doenças da alma. Esse caminho foi iniciado pela psicologia, mas, assim como no caso da medicina, ainda é preciso ampliar os horizontes de percepção e análise do ser humano.

    Antes de iniciarmos as discussões referentes à fisiologia humana em suas relações físico-espirituais, cumpre-nos introduzir algumas ideias e conceitos que formam a base deste trabalho, assim como algumas convenções que estabelecemos com intuito didático, mesmo que às vezes não encontrem um eco perfeito na literatura consultada.

    Conceitos preliminares em neurofisiologia básica

    Os neurônios são as principais células do sistema nervoso e são altamente especializados em gerar e conduzir impulsos eletroquímicos por serem capazes de alterar as condições basais da membrana celular, modificando sua permeabilidade a dois importantíssimos elementos iônicos do meio interno: o sódio (Na+) e o potássio (K+). Essa alteração provoca um movimento desses dois elementos carregados com cargas elétricas positivas e, portanto, desencadeia uma corrente iônica, que vai se propagando em todas as direções da célula em questão.

    Neste capítulo, tentaremos compreender o mais profundamente possível como se dão esses fenômenos fisiológicos. Para isso, apresentaremos algumas informações iniciais.

    Os íons são uma espécie química com uma determinada carga elétrica, geralmente um átomo ou uma molécula que perdeu ou ganhou elétrons. Íons com cargas negativas são chamados ânions, enquanto íons com carga positiva são denominados cátions.

    No caso citado anteriormente, sódio e potássio têm carga positiva (cátions), por isso seus símbolos têm o sinal de mais acima da letra que os representa. Outro importante cátion presente em diversas funções fisiológicas é o cálcio (Ca++), que tem duas cargas positivas. Os ânions mais importantes do organismo humano são o cloreto (Cl-), os fosfatos (PO4³-) e as proteínas.

    Outro importante conceito que deve ser esclarecido é o de potencial elétrico, que pode ser definido como a capacidade de um corpo energizado realizar trabalho, atraindo ou repelindo outras cargas elétricas. De maneira bem simplificada, poderíamos dizer que um potencial elétrico é gerado quando existem dois polos capazes de promover movimento de cargas entre si, ou seja, que permitem a passagem de uma corrente elétrica.

    A osmose e a difusão são as leis responsáveis pelo movimento de substâncias sólidas e líquidas por meio da membrana celular. Seu objetivo é buscar a manutenção do equilíbrio entre os dois lados da membrana, para isso, podem agir de maneira concomitante.

    A osmose refere-se ao movimento de água, o solvente biológico, que vai do lado da membrana celular que estiver mais diluído para o lado que estiver mais concentrado, desde que, é claro, essa membrana permita a passagem da água (princípio da permeabilidade). Já a difusão é o movimento de determinado soluto por intermédio da membrana, e seu sentido é do meio mais concentrado para o menos concentrado, desde que a membrana assim o permita (princípio da condutância).

    Repare que, apesar de osmose e difusão serem opostas em seus sentidos, elas seguem o mesmo princípio do equilíbrio. A osmose permite a movimentação da água do lado onde ela é mais abundante para o lado onde ela é menos abundante (em relação à quantidade de soluto), e a difusão busca esse equilíbrio pela movimentação de determinada molécula ou íon, a partir do lado em que há maior concentração para o lado em que a concentração é menor. Dessa maneira, se uma membrana for permeável à água (solvente) e ao soluto, bem como houver uma diferença de concentração entre os dois lados, ocorrerão os movimentos de água e de soluto ao mesmo tempo, mas em sentidos opostos, até que as concentrações se igualem.

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