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Entre a Rússia e a União Europeia
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E-book211 páginas2 horas

Entre a Rússia e a União Europeia

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Sobre este e-book

Com o colapso da União Soviética em 1991, os países bálticos – Estônia, Letônia e Lituânia – deram início aos seus respectivos processos de restauração da independência, o que gerou a necessidade de se reposicionarem no sistema internacional do pós-Guerra Fria.
IdiomaPortuguês
Data de lançamento17 de jul. de 2020
ISBN9786586034776
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    Entre a Rússia e a União Europeia - Erica Simone Almeida Resende

    Editora Appris Ltda.

    1ª Edição - Copyright© 2018 dos autores

    Direitos de Edição Reservados à Editora Appris Ltda.

    Nenhuma parte desta obra poderá ser utilizada indevidamente, sem estar de acordo com a Lei nº 9.610/98.

    Se incorreções forem encontradas, serão de exclusiva responsabilidade de seus organizadores.

    Foi feito o Depósito Legal na Fundação Biblioteca Nacional, de acordo com as Leis nºs 10.994, de 14/12/2004 e 12.192, de 14/01/2010.

    COMITÊ CIENTÍFICO DA COLEÇÃO CIÊNCIAS SOCIAIS

    AGRADECIMENTOS

    A autora Graziela Dumard gostaria de agradecer:

    Ao CNPq pela bolsa de mestrado, cujos recursos financeiros possibilitaram as pesquisas que levaram a este livro.

    Aos pais, Alaide e Claudio, pelo apoio, compreensão e esforço para a conclusão desta jornada.

    A special thanks to Marko and Tally Maegi, Kaupo and Thea Kant, Triin Tarendi, Ave Roots, Ele Paju and Grete Lepa, for all the support given during her time in Estonia.

    A autora Erica Resende gostaria de agradecer:

    À Faperj, pelos recursos fornecidos no âmbito do programa Jovem Cientista do Nosso Estado, que possibilitaram o financiamento desta obra.

    Aos colegas do Iuperj, que lutaram para a criação do novo Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política (PPGSP).

    À Dovile Budryte, cujo incentivo alargou nosso interesse pelos países bálticos e pela Rússia.

    Finalmente, as autoras gostariam de expressar seus sinceros agradecimentos ao Prof. Dr. Francisco Carlos Teixeira da Silva, que ofereceu seu tempo e erudição para produzir o prefácio a esta obra.

    PREFÁCIO

    Uma região estratégica negligenciada: o Báltico

    O livro ora apresentado pelas professoras Graziela Dumard da Silva e Erica Simone Almeida Resende dedica-se a trazer à luz uma região estratégica de grande relevância – e para usar uma expressão clássica da geopolítica, uma área-pivô – das relações internacionais. Sem a visibilidade de outras regiões quentes, como Taiwan, Criméia, Coréia do Norte, Palestina ou o mar do Sul da China, o Báltico – com suas três unidades nacionais – desempenhou ao longo da história (em especial a partir de 1919) um papel central nas crises diplomáticas europeias.

    Após um congelamento do status quo, entre 1945 e 1989, embora de forma alguma transformado em silêncio, a crise da URSS, abriu mais uma vez caminho para o protagonismo dos três estados bálticos para a cena política mundial.

    Depois dos momentos de relaxamento estratégico da Era Yeltsin (1991-1999), a ascensão de Vladimir Putin ao poder (com seu pendant Dimitri Medvedev) denunciou a uma mudança em larga escala, baseada na adoção de uma nova doutrina geopolítica – decorrente do fracasso da noção de Exterior Próximo – aliado ao retorno em força do poderio econômico e militar da Federação Russa.

    Os Anos Bush, 2001-2009, marcados por forte inépcia, e a nova estratégia de Barack Obama de desengajamento do Oriente Médio (Afeganistão, Iraque, Líbia) em favor de uma forte presença na Ásia-Pacífico, permitiram, em larga medida, ou ao menos facilitaram os esforços de renascimento da Rússia como uma potência de relevante no cenário mundial, inclusive com capacidade de projeção de força sobre seus vizinhos.

    Tal situação foi sentida, como seria natural, desde logo e com clareza – mesmo levando em conta o caráter subjetivo de todo risco de ameaça – pelos antigos países membros do Pacto de Varsóvia e, muito especialmente, aqueles que foram ocupados e englobados na ex-URSS.

    Assim, a Letônia, Lituânia e Estônia viram-se, de forma bastante repentina, expostos a um risco de segurança e tomadas de sentimento de ameaça que desde 1989 não parecia tão presente.

    A publicação do livro de Dumard e Resende é, dessa forma de extrema atualidade por vir, exatamente, dar conta dessa brecha estratégica aberta bem no flanco oriental da Otan, num momento em que a organização passa por uma crise de identidade, e objetivos, e os Estados Unidos estavam redefinindo seus objetivos estratégicos.

    A baixa percepção de Washington, até quase o último ano de Governo Obama, sobre a extensão e implicações para a segurança internacional e a proteção de vidas na área do Mediterrâneo, Sul/Centro da Europa e do próprio Oriente Médio, decorrentes da crise síria, deveu-se muito provavelmente a outras crises simultâneas que ocuparam, e ainda ocupam, a atenção do país, em especial a questão coreana e o crescimento do poderio chinês, no Mar do Sul da China. A virada diplomática americana sob a administração Obama, visando fechar os dois ferrolhos das potências euroasiáticas, Rússia e China Popular, voltou-se, de um lado para o Mediterrâneo via aliança com a Turquia – que acabou falhando – e, por outro, num estreitamento estratégico com Japão e Índia – que também se mostrou incapaz de deter Pyongyang.

    Com esses intentos os americanos desenvolveram políticas mais focadas na Periferia da Europa (em especial Ucrânia/Criméia), visando conter um renascimento russo e na região da Ásia-Pacífico/Oriente Médio, e na Ásia, desta feita contra a Coréia do Norte e China, perdendo o momento decisivo no próprio Oriente Médio. De certa forma estava claro o reconhecimento americano em agir musculosamente em vários teatros diversos e concomitantes.

    No caso do Báltico, a Otan começou a ser convocada, em especial a Grã-Bretanha, a assumir responsabilidades cada vez maiores. O que, de qualquer forma, não é nada fácil no momento em que se negocia o Brexit e seus custos políticos e econômicos. Da mesma forma, a emergência da administração Trump, em 2017, e sua forma de lidar com a União Europeia, e em especial com a Alemanha, cria ainda mais dificuldades na região.

    De qualquer forma, sob Trump, a Ásia-Pacífico tornou-se sob (na esteira da Administração de Obama) naquilo que a literatura especializada norte-americana definira como "Obama´s pivot areas" numa agora Trump’s pivot areas, deixando claro que após sucessivos governos americanos, a China Popular passava do status de parceiro estratégico para adversário estratégico e, mesmo, risco estratégico, consolidando a atual revolução estratégico-diplomática norte-americana, com uma notável vitória dos grupos e lobbies de apoio do PacCom – o comando militar norte-americano no Oceano Pacífico sobre o CentCom, o comando militar no Oriente Médio/Ásia Central – causa fundamental da grande oposição do Senado americano ao Presidente Trump.

    As crises que nos referimos, por sua relevância no cenário mundial – Báltico, Criméia, Coréia do Norte – e possíveis imbricamentos com a situação na Síria e Iraque, representaram, e representam neste momento, uma superposição de situações críticas para as quais os Estados Unidos não mais possuem uma resposta decisiva, chegando muitas vezes a oscilar entre uma diplomacia do grito guerreira até a inação. Tal situação causa um profundo mal-estar nos países diretamente envolvidos numa área considerada, ou sentida, como alto risco: Polônia e Países Bálticos nesse momento sentem a mais profunda insegurança em relação ao alcance e valor das garantias americanas.

    No Caso da Ucrânia/Criméia, explicitou-se o erro de avaliação da diplomacia americana e dos países da linha de frente na política de contenção da nova Federação Russa (Polônia/Lituânia/Letônia/Estônia/Romênia e República Tcheca), alimentada por um passado brutal e forte sentimento antirusso. Os setores dominantes na diplomacia da Otan viram uma última oportunidade de empurrar os russos para o mais longe possível da Europa (a política de roll-back) alimentando as expectativas dos setores mais conservadores e militaristas da Otan em avançar na direção da região ‘core’ da Rússia. Bases militares, armas antimísseis e armamento nuclear de médio alcance foram instalados na Polônia, exercícios militares foram realizados no Mar Báltico e tropas posicionadas na Polônia e Países Bálticos, junto à fronteira russa; a Romênia acolheu bases para o Escudo Antimísseis dos Estados Unidos, o que contrária os Acordos de Moscou de 1997¹.

    Todo esse movimento, seguida das sanções e bloqueios à Rússia decorrentes do conflito ucraniano – culminando na Anexação da Crimeia por Moscou –, desde 2014, levaram os russos a acreditar que os Estados Unidos vinham a desenvolver uma nova política ofensiva na Europa e cercamento, como nos tempos da Guerra Fria.

    Os americanos e seus aliados, interessados em empurrar a fronteira da Otan e da União Europeia para Leste o mais possível, adentraram na área geopolítica considerada, desde 1991, pelos russos de Exterior Próximo, os ex-estados da extinta URSS. Ao fazerem isso provocaram uma forte reação em Moscou.²

    Buscava-se, por meio da integração da Ucrânia, com a União Europeia, desconhecendo a hipersensibilidade de Moscou em relação aos territórios que definiu, desde os tempos de Boris Yeltsin, com o Exterior Próximo, avançar numa política de roll-back dos russos³. Tais medidas acabaram por gerar uma imensa e complexa crise na própria Europa, na qual os países bálticos, tal qual em 1939, tornaram-se protagonistas involuntários⁴. Nesse caso, os Estados Unidos e alguns países da OTAN, Grã-Bretanha à frente, consideraram propício o momento para avançar na política de roll-back contra o poder russo, empurrando-os para os confins euroasiáticos. Houve aqui um segundo erro de avaliação, que resultou num contragolpe russo (não era esperada a rápida reação de Moscou): de um lado, uma intervenção mais ou menos camuflada na Crimeia – considerada pelos russos como a adesão da República da Crimeia e da Cidade Federal de Sebastopol, por um tratado assinado em 14 de janeiro de 2014 (quase 97% da população é russa) e um apoio discreto à população russa de Lugansk e Donetsk na Ucrânia, desestabilizando assim o projeto de incorporação da Ucrânia à OTAN e a UE – o que poderia vir a se tornar um modus operandi a ser repetido em outros ex-territórios soviéticos!

    Ao mesmo tempo, numa série de encontros em 2016, o presidente russo desaconselhava a Finlândia a abandonar seu estatuto de neutralidade e aderir à Otan.

    Dessa crise, ainda em curso no momento, resultou o mais forte estremecimento das relações Otan-Rússia desde o fim da Guerra Fria e o colapso da URSS em 1991, com o rompimento das relações Otan-Rússia e uma série de bloqueios e contra bloqueios econômicos que custam caríssimo aos países envolvidos, tanto da Europa, quanto a própria Rússia – isso em plena crise econômica mundial⁵. A resolução do conflito ucraniano entrou, então, em paralisia, com a incapacidade de Kiev em reverter suas tremendas perdas territoriais e da Rússia fazer o Ocidente aceitar o fait accompli. As Conversações de Minsk (iniciadas em 5 de setembro 2014) – nas quais se tornaria clara a indispensável presença de Moscou, ao lado dos interessados. Sob a supervisão da Alemanha e França – dois países fortemente prejudicados com as sanções antirussas e interessados na segurança da Europa – conseguiu-se um status quo precário, pontilhado de escaramuças e que deveriam resultar numa reforma da Constituição ucraniana. No entanto, Kiev mostra-se sem capacidade para fazer tais reformas e ainda aposta numa solução militar.

    A crise resultou, também, no isolamento russo na própria Europa. Daí emergiria a necessidade de exercitar força e astúcia diplomática em outro terreno, de forma compensatória. A incapacidade do Ocidente em consumar uma ação decisiva na Ucrânia, levando a mais uma guerra larval, junto às áreas consideradas vitais do Exterior Próximo russo, demonstrou que a avaliação de pouca monta do poder russo pós-soviético (e pós-Yeltsin) estava severamente equivocado⁶.

    Desenvolve-se, assim, hoje em plena Europa um cenário de competição estratégica, corrida armamentista e desconfiança, ao lado do perigoso jogo de mudança de mapas. Entender a história da Região Báltica, a longa e sinuosa trajetória dos seus países – história pontilhada de tragédias – é uma tarefa árdua enfrentada com maestria por Graziela Dumard da Silva e Erica Simone Almeida Resende.

    Trata-se, pois, de uma obra indispensável, única na sua temática, para compreensão dos complexos jogos geoestratégicos contemporâneos.

    Francisco Carlos Teixeira Da Silva

    Professor titular de História Moderna e Contemporânea/UFRJ

    Professor emérito de Estratégia Internacional da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército/Ice-me

    Ex-assessor de Estratégia Internacional do Ministério da Defesa

    Prêmio Jabuti 2014

    Sumário

    INTRODUÇÃO

    AS RELAÇÕES INTERNACIONAIS E AS IDENTIDADES

    1.1 UMA NOVA ALTERNATIVA EM RELAÇÕES INTERNACIONAIS

    1.1.1 O estudo das identidades

    1.1.2 O que é identidade?

    1.2 OS ELEMENTOS DO PROCESSSO DE FORMAÇÃO DE IDENTIDADES

    1.2.1 A questão dos discursos na formação das identidades

    1.2.2 Memória e trauma no processo de formação das identidades

    1.3 POLÍTICA EXTERNA E IDENTIDADES

    1.4 SEGURANÇA E IDENTIDADE

    A HISTÓRIA E A ORIGEM DOS PAÍSES BÁLTICOS

    2.1 A ORIGEM DO TERMO BÁLTICO

    2.2 BREVE HISTÓRICO ANTERIOR À PRIMEIRA INDEPENDÊNCIA

    2.3 O MOVIMENTADO SÉCULO XX: DA PRIMEIRA INDEPENDÊNCIA À RESTAURAÇÃO DAS INDEPENDÊNCIAS

    2.3.1 O novo período de ocupação: os países bálticos e a União Europeia (1944-1985)

    2.3.2 O caminho báltico e a restauração

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