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Sociolinguística Interacional:: perspectivas inspiradoras e desdobramentos contemporâneos

Sociolinguística Interacional:: perspectivas inspiradoras e desdobramentos contemporâneos

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Sociolinguística Interacional:: perspectivas inspiradoras e desdobramentos contemporâneos

Duração:
439 páginas
6 horas
Lançados:
15 de set. de 2020
ISBN:
9786586464221
Formato:
Livro

Descrição

Reunindo nove textos que traçam o percurso da construção do campo da sociolinguística interacional, este livro tem sua estruturação em três seções que mostram já sua primeira qualidade: o equilíbrio entre a fundação do campo, seu processo de consolidação e sua abertura para a incorporação, como objetos de análise, de fenômenos contemporâneos.

A sociolinguística interacional, como discute a organizadora em sua lúcida e densa introdução, é um campo vocacionado para a interdisciplinaridade já desde sua fundação, derivada do encontro entre linguística, antropologia e sociologia personificado pelo trabalho conjunto de Erving Goffman, Dell Hymes e John Gumperz. Desse encontro, saem fortalecidos dois princípios que servem como alicerces da área: a indissociabilidade intelectual entre os estudos da linguagem e os estudos da sociedade e da cultura e a importância da articulação entre os níveis micro e macro da vida social (construindo assim pontes que permitem observar a política em ação no cotidiano).

Este tipo de iniciativa é extremamente bem-vinda, na medida em que a acoplagem entre o trabalho de tradução — realizado aqui por um grupo de pesquisadores brasileiros — e o esforço intelectual de seleção e apresentação de textos clássicos e contemporâneos têm um duplo resultado: facultar o acesso aos textos e, não apenas em decorrência, mas principalmente, concorrer para a própria consolidação do campo no Brasil.

Os estudos da Linguagem, aqui, se encontram com as Ciências Sociais, colocando em xeque a artificialidade de sua separação nos desenhos institucionais. É por essa razão que este volume interessará a diversas áreas: Linguística, Antropologia e Sociologia, por seu posicionamento disciplinar; Comunicação, Psicologia e Filosofia, por suas afinidades intelectuais; e Educação e Direito, pelas possibilidades de aplicação de sua conceituação a um sem-fim de dramas e dilemas contemporâneos em diversos contextos, como a sala de aula e os múltiplos espaços do universo legal.

MARIA CLAUDIA COELHO
Instituto de Ciências Sociais – ICS/UERJ
Lançados:
15 de set. de 2020
ISBN:
9786586464221
Formato:
Livro


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Amostra do livro

Sociolinguística Interacional: - Branca Falabella Fabrício

Ao meu pai, João, in memoriam, por sua aptidão para a alegria e fascinação genuína com as insignificâncias cotidianas.

AGRADECIMENTOS

A ideia desta obra surgiu de um convite de Maria Claudia Coelho, no início de 2014, para a elaboração de um projeto de livro que reunisse textos na área da Sociolinguística Interacional ainda sem tradução para o português. Entre essa situação inspiradora inicial e a sua concretização em 2020, vivi um período de profundo luto pelo falecimento repentino de meu pai, grande amigo, a quem dedico este livro. Foi preciso tempo para transvalorar a dor em memória alegre. Por alguns anos, assim, este projeto ocupou um lugar secundário nas minhas atividades de pesquisa, até ser retomado.

Para elaborá-lo, contei com o apoio de inúmeras pessoas. O incentivo de meu companheiro, familiares, amigos e amigas me ajudou a prosseguir. As conversas com Ricardo Frenzel, meu leitor-crítico improvisado, também me auxiliaram a manter o foco.

Da mesma forma, o amparo incondicional de colegas do PIPGLA, programa de pós-graduação no qual atuo, me reergueu. Em especial, agradeço o imenso afeto de Luiz Paulo da Moita-Lopes e Marlene Soares dos Santos. Ele me deu segurança e fez toda a diferença na transformação do meu desassossego. O carinho de vocês nunca me abandona. Quero também expressar minha gratidão ao Paulo Gago, pelo aconchego da amizade, e à Maria Claudia, por me ouvir, me aconselhar e me ajudar a lidar com a aflição. Sua indicação da leitura de Freud, Luto e Melancolia, foi muito importante.

Além disso, devo meus sinceros agradecimentos ao grupo de tradutores/as, colegas queridos/as, que abraçou o projeto com entusiasmo e aceitou dividir comigo o trabalho de tradução. Sem a colaboração de vocês e o respeito pelo meu abatimento, eu teria desistido. Obrigada pela paciência, pelo tempo de espera, e, sobretudo, pela qualidade do trabalho que realizaram.

Gostaria ainda de salientar meu reconhecimento pelo incentivo que algumas professoras, mesmo sem sabê-lo, deram à execução deste trabalho, pois são parte significativa da minha formação docente. Como aluna de mestrado, fui introduzida à área da Sociolinguística Interacional (SI) por Branca Telles Ribeiro, a quem sou grata pelo conhecimento partilhado com tanta maestria e pela escritura do generoso prefácio. Depois, já como aluna de doutorado, tive a oportunidade de aprofundar os fundamentos da SI em cursos, discussões e grupos de estudo na PUC-Rio com Liliana Cabral Bastos, minha orientadora, Maria das Graças Dias Pereira e Maria do Carmo Leite de Oliveira, especialistas na área a quem carinhosamente chamo de meninas da PUC.

E não posso deixar de manifestar minha eterna divída com o Núcleo de Estudos em Discursos e Sociedade (NUDeS) do qual faço parte. O estímulo propiciado pelas discussões sobre alguns dos textos e autores aqui incluídos foi de grande valia. Sublinho, particularmente, o diálogo constante com Luiz Paulo da Moita-Lopes, meu interlocutor-parceiro acadêmico de todas as horas, e o conjunto de discentes com quem troquei ideias em múltiplas disciplinas e reuniões de pesquisa.

Finalmente, três formas de apoio institucional tornaram possível esta publicação: o auxílio financeiro recebido pelo Programa Interdisciplinar de Linguística Aplicada (PIPGLA); a bolsa de produtividade em pesquisa concedida pelo CNPq (Processos 307157/2013-0 e 302935/2017-7); e a licença de Capacitação Docente aprovada pela Faculdade de Letras da UFRJ, no período de agosto a outubro de 2019.

SUMÁRIO

Prefácio

BRANCA TELLES RIBEIRO

Apresentação

BRANCA FALABELLA FABRÍCIO

RAÍZES TEÓRICAS E FONTES INSPIRADORAS DA SOCIOLINGUÍSTICA INTERACIONAL

Para uma etnografia da comunicação

DELL HYMES

Sobre o Método Sociolinguístico Interacional

JOHN J. GUMPERZ

A ordem interacional

ERVING GOFFMAN

DESENVOLVIMENTO DA SOCIOLINGUÍSTICA INTERACIONAL

Etnografia da Fala: por uma linguística da práxis

ALESSANDRO DURANTI

Microanálise Etnográfica

FREDERICK ERICKSON

Etnografia linguística neohymesiana no Reino Unido

BEN RAMPTON

DESDOBRAMENTOS CONTEMPORÂNEOS

Gumperz e justiça social

MONICA HELLER

Indexicalidades de línguas em contato em tempos de globalização: diálogos com o legado de John Gumperz

JAMES COLLINS

Goffman e globalização: enquadres de participação e projeções escalares espaçotemporais em contextos multilíngues de base migratória

JAMES COLLINS  •  STEF SLEMBROUK

REFERÊNCIAS DAS TRADUÇÕES

CRÉDITOS

PREFÁCIO

BRANCA TELLES RIBEIRO

Na linguagem e na comunicação nada é estático. Esse é o ponto de partida para o/a analista do discurso no viés da Sociolinguística Interacional. Em qualquer comunicação opera-se a partir da possibilidade, da variabilidade e do acaso. Nem as estruturas sociais e históricas — inseridas em dinâmicas complexas próprias — funcionam na fixação do sujeito ou no seu condicionamento. As relações sociais costuradas no discurso e na interação serão sempre construídas, sustentadas, desestabilizadas ou transformadas na política da vida diária e suas atividades corriqueiras (Falabella Fabrício, neste volume).

O livro Sociolinguística Interacional. Perspectivas Inspiradoras & Desdobramentos Contemporâneos, organizado pela professora Branca Falabella Fabrício, traz ao público leitor brasileiro uma riquíssima coletânea de textos teóricos, metodológicos e analíticos voltados para o complexo fenômeno da comunicação e da linguagem humana. O convite feito ao leitor/a é o de investigar o paradigma interacional, o que significa abraçar o fenômeno da comunicação e da linguagem como algo extremamente complexo, dinâmico, fluido e muitas vezes imprevisível, pois deriva de entendimentos linguísticos, sociais e culturais.

Apresentado em três sequências claramente demarcadas no volume, os textos de abertura, agora já tidos como clássicos no campo dos estudos interacionais, propõem teorias sociais e linguísticas que transformaram radicalmente modelos tradicionais mais estáticos de comunicação; introduzem a centralidade da construção do significado em situação interacional como o lócus de pesquisa, não se tratando mais, portanto, da produção de significado por parte do falante, ou mesmo de sua compreensão por parte da ouvinte, mas sim do que ocorre de fato na coconstrução do significado entre todos os participantes, inclusive aqueles que só participam indiretamente; problematizam a noção de papéis sociais e conversacionais dos/as participantes (interessando-se pelos vários traços sociolinguísticos e culturais que são evocados na performance interacional); e investigam detalhadamente a noção de ratificação (indexadora de poder) nas relações interacionais (quem ratifica quem, de que forma e por quê). Dessa forma, a Sociolinguística Interacional emerge no âmbito das ciências sociais voltada para a comunicação, advogando o olhar para a inserção da linguagem na conversa cotidiana, privilegiando a fala em todas as suas modalidades, e quaisquer outras informações semióticas a ela veiculada. Central nos textos contemplados neste volume é a noção de contexto, o aqui e agora de uma interação, sua fluidez e dinâmica, segundo Erving Goffman, bem como os processos sutis de contextualização sinalizados pelos participantes, segundo John Gumperz, como também o estudo da linguagem enquanto fenômeno social e cultural, defendido por Dell Hymes, propondo o que Falabella Fabrício denominou uma linguística das práticas interacionais.

O segundo conjunto de textos aprofunda as teorias propostas, esclarecendo e ampliando problemáticas analíticas, que pressupõem a inserção do indivíduo no grupo, o que Erving Goffman denominou de encontro social, lócus onde os participantes cocontroem um sistema sutil de ratificação de si e do outro. Esse relevante jogo interacional de ratificação possui regras culturais implícitas em que afloram o poder, a camaradagem, a inconstância, a mudança, o imprevisível. Tal como nos alerta Alessandro Duranti (neste volume), as práticas performativas de construção do discurso são constitutivas e transformadoras do mundo social. Os autores selecionados no volume reconhecem de forma clara os desafios propostos pelo novo paradigma da sociolinguística (Frederic Erickson alerta para a natureza multifacetada e incompleta dos processos comunicativos; Ben Rampton discute a tensão do olhar etnográfico frente aos postulados linguísticos), refinando conceitos e melhor qualificando metodologias de pesquisa. Aspectos sociolinguísticos advindos dos ditos jogos de linguagem, a valorização da performance ordinária nas falas do dia a dia, as ações linguísticas e sociais improvisadas, a multidimensionalidade da ação comunicativa são valorizadas, bem como fatores complicadores próprios da fala em interação, tais como o confronto, a tensão, a cumplicidade e o conluio, a mudança e a inconstância. Estuda-se a variabilidade e a diversidade; não cabe a procura do homogêneo ou do universal, mas sim o esforço de se retratar o particular e específico de um encontro social.

Finalmente, os textos contemporâneos, contemplados na terceira parte do livro apresentam estudos inseridos em uma modernidade fluida, transitória, digital e hipercomunicativa, operando simultaneamente em múltiplos contextos (virtuais e presenciais, orais e escritos, e por vezes bidialetais e multilíngues). Os estudos reafirmam de forma clara a pertinência da Sociolinguística Interacional para a pesquisa em contextos comunicativos complexos. E frisam a necessidade dos estudos etnográficos e históricos para uma melhor contextualização dos dados orais/audiovisuais/escritos. Enquanto reafirmam a interação face a face como lócus de pesquisa, observam criticamente os posicionamentos e papéis sociais dos participantes (de que tipo de interação se está tratando e como as diferenças e/ou desigualdades sociais devem ser analisadas? — indaga Monica Heller). Nesse sentido, problematizam e ampliam algumas teorias expostas na primeira parte do volume. De fato, entender que recursos sociolinguísticos e estratégias discursivas estão presentes em uma dada interação pressupõe também um entendimento de que tais recursos são distribuídos de forma desigual, seja pela diferença de classe social, seja pelo mero acesso a certos recursos discursivos, ou mesmo pela própria qualidade da (ou falta de) competência comunicativa dos participantes. Acresce a essa problemática a intensa mobilidade social da era contemporânea, os deslocamentos migratórios e a aceleração gerada pelos avanços tecnológicos que certamente impulsionaram uma mudança no grau ou escala de complexidade da vida social retratados em cada um desses textos.

Conforme atesta Falabella Fabrício, a sociolinguística já nasce interdisciplinar. E certamente o desenvolvimento das teorias sociolinguísticas discutidas neste volume amplia e refina o seu compromisso com a interdisciplinaridade. Advém de inúmeros cruzamentos e interseções próprias do esforço de se entender a fala, a língua e a comunicação, não como uma abstração, mas sim como sistemas linguísticos (fonético, morfológico, sintático, semântico, pragmático) inseridos em sistemas sociais e culturais altamente complexos. Não foi à toa que Gregory Bateson, há mais de meio século, elaborou a teoria dos enquadres comunicativos a partir de observações de natureza etnográfica dos jogos de comunicação (intenção e efeito), tanto entre símios (no zoológico de São Francisco) como entre pacientes psiquiátricos (quando indagava: trata-se de uma brincadeira ou de uma disputa?). Bateson, advindo da antropologia cultural, propôs a teoria dos enquadres psicológicos na comunicação, teoria posteriormente desenvolvida na linguística, sociologia, psicologia e psiquiatria. Igualmente, a seleção de autores contemplados no presente volume representa (e dialoga com) vários campos disciplinares (entendidos como singularidades ou regiões, segundo Bernstein), os enriquecendo e problematizando, conforme aponta a organizadora.

Branca Falabella Fabrício nos presenteia com um livro de excelência acadêmica que reúne textos seminais e críticos, e que em muito contribuem para as pesquisas nas áreas da linguística e da comunicação, bem como nas áreas correlatas da antropologia, sociologia e história. E, como nos alertava Erving Goffman com certa malícia, uma vez cruzada a ponte entre os estudos da fala e os da conduta social, nos tornaremos todos por demais ocupados para voltar atrás.

O prefácio permaneceria deveras incompleto caso não registrasse o exímio trabalho desenvolvido na seleção primorosa dos textos apresentados, o esforço hercúleo de organizar e supervisionar um volume desta qualidade (que exige a cessão de direitos autorais, seleção de tradutores, inúmeras revisões de texto e padronização, entre outros processos). Enquanto leitores, resta-nos um grande apreço pela feliz consecução desta estimada obra que, sem dúvida, permanecerá como referência nas ciências humanas e sociais no Brasil.

APRESENTAÇÃO

BRANCA FALABELLA FABRÍCIO

Muitos que falam sobre a fala, emudeciam

Quando o polegar implacável do Chomsky racionalista

Esmagava qualquer antecedente -ista

Behaviorista, estruturalista; se contorciam, se enraiveciam;

A interação social foi desprestigiada, e

Com cansaço e lapsos de memória identificada.

Agora, todos concordam, até os mais dogmáticos,

Devemos ser ao menos um pouco pragmáticos;

Mas felizes os poucos que, no início dos anos sessenta em Berkeley,

Viram nitidamente a situação negligenciada,

Por inteiro, viram que até a fala estava presa em si mesma no seu cerne

Até que fosse compartilhada, e a algo mais entreleçada,

Ela mesma uma modalidade estratégica,

Enquadrada, inseparável da solidariedade

De seres humanos interacionais.

DELL HYMES, On First Looking into a Manuscript by Goffman

[ TRADUÇÃO DA AUTORA ]

Início dos anos sessenta, século XX. Preocupações com o estudo do código, da sintaxe e de elementos gramaticais universais ocupavam o centro do pensamento linguístico no mundo anglo-saxão. Na esteira do movimento racionalista-gerativista chomskyano, a Linguística investia na exploração de estruturas e elementos comuns a todas as línguas da humanidade em busca de modelos de gramática autônomos (Duranti, 2001). Essa postura desconsiderava as dimensões sociológicas e culturais da linguagem, pois, segundo a perspectiva disciplinar então em voga, as fronteiras entre linguagem e sociedade eram bem delineadas por campos de conhecimento reconhecidos. Entretanto, parâmetros territoriais demarcando centros de autoridade epistêmica não reinavam soberanos. Nesse mesmo período, por exemplo, na Universidade da Califórnia, em Berkeley, três prestigiados pensadores, trabalhavam de maneira integrada, aproximando os campos da Linguística, Antropologia e Sociologia. Dell Hymes e John Joseph Gumperz, linguistas e antropólogos, e Erving Goffman, sociólogo, se engajavam, precursoramente, na aproximação de ações linguísticas e sociedade¹. Ao partilharem o entendimento de que a linguagem não pode ser separada da vida social, exerciam influência mútua, produzindo estudos pioneiros sobre a relação entre processos linguísticos situados e processos macrossociológicos.

O vanguardismo dessa abordagem que concebe a inseparabilidade de acontecimentos linguísticos e sociais pode ser apreciado na citação acima. Trata-se de um poema escrito por Dell Hymes (1984) em homenagem a Erving Goffman, um pouco antes do falecimento deste último. Ele resume o forte vínculo construído por esses acadêmicos e o foco de pesquisa por eles partilhado. Tomando como ponto de partida uma dimensão pragmática, e voltando a atenção para o nível desprezado pela linguística de Chomsky, ou seja, o uso da linguagem, esses colegas propuseram que tanto a fala como os significados que ela faz circular são fenômenos públicos, variáveis, atrelados a contextos emergentes, e, por isso mesmo, não universalizáveis. Tampouco são a expressão de processos cognitivos individuais ou privados, pois se entrelaçam a vozes e repertórios socioculturais. Assim, o fenômeno comunicativo é por eles abordado como sendo eminentemente interacional, uma vez que envolve contato entre pessoas, textos, contextos, crenças e valores. Essa perspectiva reivindicava para a interação uma posição de centralidade nos estudos da linguagem, devendo ser considerada por inteiro na análise da fala. Segundo ela, a atenção ao fenômeno interacional é indispensável para a compreensão da complexa situação social produzida na comunicação face a face.

A valorização das práticas interacionais configurou um campo de estudos conhecido como Sociolinguística Interacional (SI), construído, desde sua gênese, no diálogo interdisciplinar. A sua abertura e permeabilidade em relação a diferentes saberes é responsável por um modo de produzir conhecimento sociolinguístico que influenciou, e ainda influencia, uma legião de pesquisadores/as. Derivada desse projeto interacionista, que tem em Hymes, Gumperz e Goffman figuras fundadoras, a SI e suas particularidades já foram apresentadas ao público brasileiro em duas coletâneas. A primeira, organizada por Branca T. Ribeiro e Pedro M. Garcez (2002)², compila textos seminais publicados entre 1960 e 1980, os quais, em seu conjunto, reconstroem fundamentos teóricos, metodológicos e analíticos fulcrais na área. Parte dessas ideias também está presente nas obras aqui incluídas. A segunda, de Maria Claudia Coelho (2013), reúne textos sociológicos consagrados que ajudaram a forjar o pensamento interacionista de muitos teóricos/as do século XX, no campo das humanidades em geral.

Operando um descentramento da tradicional antinomia indivíduo/sociedade da sociologia, os/as pensadores/as agrupados/as nos referidos volumes caracterizam as relações interpessoais cotidianas e as macroformações sociais como esferas de ação entretecidas. O presente livro oferece uma visão complementar a essas duas obras. Seu objetivo é fornecer um panorama da SI, partindo de Dell Hymes, John Gumperz e Erving Goffman — tomados como paladinos de um ímpeto sociolinguístico nos estudos de linguagem — para, em seguida, explorar tanto o desenvolvimento de suas ideias por outros/as pesquisadores/as quanto os seus desdobramentos na contemporaneidade. Nove trabalhos compõem esse percurso, organizado em três partes.

Em um primeiro bloco, há três textos clássicos, indicativos das raizes teóricas e fontes inspiradoras da SI, autorados por Hymes, Gumperz e Goffman. Colocados lado a lado, eles constrõem um nexo entre linguística, antropologia e teoria social, propondo uma perspectiva interdisciplinar que, ao transgredir linhas divisórias nas Ciências Humanas, desafia abordagens dogmáticas da comunicação. Eles apresentam também as articulações iniciais de um pensamento microssociológico complexo que abala o modelo bilateral de diálogo presente no paradigmático circuito da fala saussuriano no qual um falante e um ouvinte idealizados interagem em um vácuo social, protegidos de interferências contextuais.

Logo depois, uma segunda seção inclui três autores centrais na consolidação teórico-analítica dos estudos de linguagem em sociedade.

Por último, outros três trabalhos registram desenvolvimentos e recontextualizações contemporâneas do horizonte investigativo introduzido nas seções anteriores.

Na elaboração de tal trajeto, elegi como norte o seguinte aspecto: a interpenetração de experiências de sentido localmente situadas e configurações institucionais mais amplas. O mote da indissociabilidade micro-macro percorre todos os textos selecionados e guia a exposição a seguir. Seu propósito é a projeção de um mapa geral do volume.

Raízes teóricas e fontes inspiradoras da Sociolinguística Interacional

Três trabalhos iniciais introduzem conceitos-chave para a SI, deslocando o foco dos estudos linguísticos da linguagem como sistema formal para os modos de ação coletiva na comunicação cotidiana. Em seu conjunto, advogam a centralidade da linguagem e da interação face a face na vida humana.

Em Para uma etnografia da comunicação, Dell Hymes elege o evento comunicativo como metáfora da experiência inteligível, sugerindo que o estudo antropológico da organização social de um grupo de pessoas implica o escrutínio de suas técnicas habitualizadas de comunicação. Para ele, tanto antropólogos quanto sociólogos têm um inevitável encontro marcado com a linguagem em suas incursões no campo e em suas considerações sobre a natureza de cultura e sociedade (Hymes, 1972). É sua convicção de que há um vínculo intrínseco entre comportamento social, linguagem, contexto e atividades humanas. Em decorrência dessa percepção, o autor aponta a necessidade de atenção etnográfica à economia comunicativa geral na análise dos fenômenos sociais e culturais de comunidades específicas, atentando para uma série de fatores, tais como os tipos de participantes, os recursos e convenções compartilhadas, estilos, atitudes e contexto, entre outros. Para Hymes, observar e descrever práticas linguísticas significa simultaneamente examinar práticas socioculturais.

Em um duplo posicionamento crítico, à etnografia de base estruturalista e à linguística chomskyniana, ele propõe a etnografia da comunicação como procedimento metodológico na abordagem de grupos sociais e de suas práticas de produção de sentido. Essa proposta se orienta por uma visão de linguagem com foco na diversidade de usos linguísticos em determinadas circunstâncias, e não em abstrações descontextualizadas. A variabilidade, largamente inexplorada por etnógrafos e linguistas, é, assim, tomada como regra, e não como exceção ou desvio. Para o pensador, estruturas e padrões linguísticos de um determinado grupo não são inatos ou individuais, nem tampouco determinantes de condutas comunicativas. Ao contrário, emergem em diferentes relações sociais e eventos de comunicação, que incluem a fala e outros canais — por exemplo, o escrito ou o imagético. Analisá-las requer o exame da totalidade dos atos de fala.

Dessa postura decorrem três fenômenos logicamente articulados. Por um lado, o modelo diádico emissor-receptor é abalado, pois Hymes atrela o processo comunicacional tanto ao trânsito de ideias e textos pela comunidade quanto à interpretação — elementos que intervêm nas práticas de significação. Consequentemente, partilhar o mesmo código deixa de ser condição suficiente para o entendimento mútuo, já que os repertórios de regras e valores que circulam por ambientes interacionais também influenciam os processos interpretativos. O mesmo se aplica aos modos de circulação. O deslocamento de textos impressos, televisuais ou digitais, por exemplo, interfere nas possibilidades de projeção de sentidos. Finalmente, a relação entre intenção e função comunicativas deixa de ser direta e transparente, movendo-se ao longo do encontro social. A motilidade faz do diálogo entre propósito comunicativo e ação comunicativa um jogo sempre instável e inconcluso. Por tais razões, o emprego de signos, sua forma e sua função na comunicação têm que ser observados em seu fluxo, no momento a momento da interação. Tal perspectiva pragmática convoca a atenção para a prática comunicacional em movimento, em meio a múltiplas incertezas. Nas palavras do próprio Hymes, esse desafio da indeterminação dos signos e suas funções é um touro a ser encarado de frente por pesquisadores/as — empreitada cuja complexidade demanda conhecimento interdisciplinar.

Na verdade, ao propor a extensão da gramática para o nível pragmático da ação, Hymes atribui protagonismo tanto ao estudo empírico de sistemas de signos inseridos em contextos de uso como à perspectiva dos participantes do evento comunicativo. Priorizando recursos e convenções partilhados pelos/as próprios/as usuários/as da linguagem, o estudioso valoriza um tipo de conhecimento intersubjetivo. Prestigia, assim, a associação das hipóteses éticas do/a etnógrafo/a e modelos caseiros, ou seja, teorizações êmicas, produzidas na própria comunidade estudada. Esse partilhamento de autoridade epistêmica com vozes, muitas vezes, silenciadas e marginalizadas pelo conhecimento acadêmico tem desdobramentos aplicados importantes, sobretudo no âmbito da justiça social (cf. Sherzer; Johnstone; Marcellino, 2010). Pode, por exemplo, expor práticas de opressão, preconceito ou subalternização. Pode também conferir legitimidade a outras formas de vida que habitam regiões periféricas em relação aos centros normativos de raça, gênero, sexualidade e etnia.

O prisma hymesiano dos limites porosos entre linguagem e sociedade estabelece uma relação de vínculo entre eventos de fala localizados e a ecologia comunicativa de uma comunidade. É nesse espaço de interação transfronteiriço que participantes, agindo em conjunto, se influenciam mutuamente na busca de níveis de compreensão. Os/As integrantes de um determinado grupo social são socializados/as em modos culturais e comunicativos específicos, constituindo, assim, um repertório social habitual nos diversos eventos de fala do qual participam. O background social se faz presente nas microinterações cotidianas, gerando algum grau de previsibilidade, mesmo que provisório. A consideração pragmática do emprego ordinário das palavras, tomada por tanto tempo como sendo marginal à ciência linguística, foi valorizada por Dell Hymes em inúmeras publicações, nas quais advoga o entendimento de que a linguagem, mais do que um fenômeno cognitivo-mental, é um fenômenos social. Algumas delas incluem a parceria com John Gumperz (cf. Gumperz; Hymes, 1972).

Enquanto Hymes delineou o campo geral da pesquisa sociolinguística, Gumperz ocupou-se mais detidamente da análise de práticas interacionais concretas e do desenvolvimento de um modo sociolinguístico de investigação (Rampton, 2017). Em Sobre o método sociolinguístico interacional, ele articula as principais premissas teórico-analíticas da SI. O texto é programático e delineia o modus operandi desse campo de estudos. Tais aspectos justificam sua inclusão nesta seção.

A questão crucial para Gumperz é o modo como indivíduos operam com as palavras e outros signos. Nesse texto, essa preocupação se desenvolve a partir de três pontos: os objetivos comunicativos dos falantes, suas interpretações compartilhadas e a fusão de forças interacionais e sociais em práticas comunicativas. Adotando, como Hymes, o evento de fala como unidade de análise, Gumperz considera o emprego de uma multiplicidade de recursos na negociação de sentidos em diversos ambientes interacionais. Para abordar tal fenômeno, é preciso considerar a diversidade e variabilidade de usos e localizar nos/nas próprios/as participantes e em suas performances quais definições do evento de fala estão emergindo na interação. Esse tipo de formulação problematiza a noção de contexto pré-configurado em favor da ideia de processos contínuos de contextualização. Processos dessa natureza não são explicáveis pela gramática ou por significados denotativos. Eles mobilizam uma rede de expectativas socioculturais que operam na projeção de contextos. Gumperz denomina inferência conversacional as atividades interpretativas de interactantes. Para ele, o que está em jogo em situações comunicativas é a operação simultânea de comunicação e metacomunicação, pois uma série de valores ideológicos culturalmente específicos produzem toda sorte de pressuposições sobre modos de falar e condutas interacionais apropriadas.

Tais regras e juízos socioculturais influenciam a atribuição de intenções comunicativas aos/às interlocutore/as, e sua avaliação. Entretanto, a SI não parte do pressuposto de que os recursos comunicativos são compartilhados por todos/as na interação. Pelo contrário, examina mal-entendidos advindos do conflito entre conhecimentos de mundo diversos que ocasionam processos de contextualização divergentes. Nessas situações, expectativas de cooperação são frustradas, o que impõe a alteração e negociação de premissas interpretativas no curso do evento de fala. Gumperz pondera, entretanto, que nem sempre esse intercâmbio ocorre, pois a diversidade de repertórios pode afetar a compreensão mútua de forma negativa, muitas vezes com prejuízo para uma das partes. A partir da análise detalhada de trocas interculturais, como entrevistas de trabalho nas quais indivíduos têm suposições discrepantes sobre o evento em andamento, Gumperz traz visibilidade para os processos inferenciais, atentando para uma série de pistas de contextualização, cuja função é indicial. Elas consistem em sinais metapragmáticos que coocorrem com sinais lexicais e gramaticais na construção de compreensão inferencial. Entre uma multiplicidade de elementos contextualizadores, verbais e não verbais, Gumperz destaca a alternância de código, produção fonética, prosódia e sinais paralinguísticos como marcadores importantes. Eles indexam a relação entre signos em uso e repertórios de normas socioculturais.

Ao conferir um papel indispensável à indexicalidade na produção e compreensão de sentidos, o autor ressalta a reflexividade como característica da comunicação humana e refuta compreensões meramente denotativas ou proposicionais da linguagem. A ideia de que há muito mais em jogo nos processos comunicacionais do que a transmissão e decodificação de mensagens opera um giro epistêmico importante na sociolinguística, como bem destaca Ben Rampton (2017, p. 4), ao comentar a ubiquidade da dimensão indexical proposta por Gumperz:

A linguagem é vista como pervasivamente indexical, continuamente apontando para pessoas, práticas, contextos, objetos e ideias que nunca são explicitamente expressas e, de acordo com o que Erickson denomina uma virada copernicana na perspectiva sociolinguística (2011, p. 399)³, o contexto deixa de ser o ponto de referência relativamente estático, exterior e determinante tradicionalmente adicionado à análise linguística como uma reflexão posteriori.

Gumperz está ciente de que a análise simultânea dos níveis pragmático e metapragmático envolve uma série de ambiguidades inerentes aos processos inferenciais. O nível de indeterminabilidade contextual é grande, já que todo o ambiente interacional se movimenta à medida que os/as interlocutores/as respondem semioticamente às sinalizações mútuas. Dessa forma, o trabalho de detecção de diferenças nas práticas de produção-interpretação de sentidos demanda a observação etnográfica, escuta alerta e atenção às pressuposições em jogo. Para assim proceder, é preciso ir além do encontro local e considerar as ideologias sociais que interferem no processo interpretativo. Em outras palavras, torna-se necessário atentar para a totalidade da ecologia comunicativa, ou seja, para a complexa negociação de macrorregras sociais em determinadas circunstâncias de contextualização. Do diálogo macro-micro, a significação emerge na e através da própria performance de interagentes que podem conformar-se ou não, de modo mais ou menos consciente, a normas e padrões aprendidos ao longo de processos de socialização. Esse tipo de compreensão tem implicações éticas significativas. Por um lado, pode facilitar interações entre prestadores de serviço social e de saúde em ambientes culturalmente e etnicamente diversos. Por outro, pode propiciar um trânsito mais flexível e menos ingênuo entre as ordens interacional e institucional, incrementando as possibilidades de transformação de contextos adversos. Cadeias de repetição podem ser interrompidas, por exemplo, e novas regras de ação podem ser criadas.

Embora a metodologia sociointeracional explorada no texto gumperziano descreva procedimentos para a análise da fluidez interacional, ela também investe na identificação de algum grau de estabilidade nos processos interpretativos. O faz, entretanto, reconhecendo a diversidade e as ambiguidades que permeiam qualquer esforço analítico. Desse modo, é possível dizer que, assim como Hymes, Gumperz não estabelece uma relação direta entre performance comunicativa e estrutura social, pois ambas nunca se encontrariam em estado de repouso. Tal orientação analítica gera uma contradição. Como captar o fluxo contínuo sem interrompê-lo?

Erving Goffman adota uma posição instigadora, que pode ser tomada como resposta a tal indagação. Desprendendo-se do olhar tradicional da sociologia para as macroestruturas sociais, o pensador volta sua atenção para o que as pessoas fazem ao empregar a linguagem cotidianamente em situações interacionais. Tratando do que denominou de a situação negligenciada no campo sociológico, Goffman invoca a ordem interacional como domínio analiticamente viável (Goffman, 1998/1964). Nesse deslocamento, o autor comete, por assim dizer, uma dupla irreverência. Por um lado, reivindica a atenção das ciências sociais para os indivíduos que formam a sociedade, apostando no exame de suas (inter)ações como um meio de examinar a sociedade historicamente. Por outro, recomenda cautela na projeção de qualquer nexo entre esses dois níveis (o interacional e o estrutural), pois não haveria coincidência ou correspondência entre eles.

Esse posicionamento está presente em toda a obra do sociólogo, mas aparece de forma contundente no ensaio A ordem interacional. A publicação é, na verdade, uma conferência preparada por Erving Goffman quando era presidente da Associação de Sociologia dos Estados Unidos da América (American Sociological Association), em 1982. O texto, inicialmente concebido para ser lido em voz alta, não chegou a ser apresentado, tendo sido publicado postumamente como artigo (apenas alguns meses após o falecimento do autor), em sua versão escrita original, sem edição. Vários pontos de interesse motivaram a sua inclusão nesta antologia. Primeiramente, o sociólogo trata do aspecto preponderante de sua pesquisa, qual seja a micro ordem social que regula o contato e entrosamento de indivíduos, quando estão na presença imediata uns dos outros. Priorizando a situação interacional como unidade de análise, Goffman também discute os rituais sociais que geram alguma forma de padronização de comportamentos verbais e corporais. A ritualização é um conjunto de arranjos possíveis que, entretanto, está sempre em risco. Tal insegurança tem a ver com a definição goffmaniana de ordem — outro conceito central em seu pensamento.

Ordem é um domínio de atividade, um jogo comunicativo orientado por regras e convenções. Em estado de copresença, conhecimentos, arranjos interacionais e recursos utilizados pelos/as interlocutores/as colocam em contato corpos e seus apetrechos. A situação é de fricção discursiva, qualificada por Goffman em Frame Analysis (Goffman, 1974, p. 498-499) como pilha de dejetos (refuse heap) ou amontoado de entulhos estruturais (structural midden). As metáforas aludem à série de resíduos socioculturais que precipitam na interação, reivindicando dos/as participantes processos de ratificação mútua, que podem ocorrer ou não. Daí decorre sua percepção de que mal-entendidos, ambiguidades, contradições e breves (ou longas!) confusões sejam recorrentes em trocas comunicativas. Consequentemente, a vulnerabilidade seria a condição permanente dos encontros face a face. Os lances que interagentes fazem no jogo interacional não garantem efeitos de sentido, pois são sempre suscetíveis a contingências agudas. Os acasos lhes são inerentes. Sob esse ângulo, dogmas em relação a contratos ou consensos sociais — ou mesmo o princípio da cooperação conversacional (Grice, 1975) — são perturbados.

A situação de instabilidade, característica da relação entre pessoas, requer a observação cuidadosa dos detalhes da interação social, pois eles assinalam tanto a pressuposição de normas (convenções públicas extrassituacionais) quanto as possibilidades de sua violação. A simultaneidade de regras e transgressão, em configurações interacionais emergentes, leva Goffman a argumentar que o confronto é a marca de nossa experiência de sentido no mundo — experiência não facilmente classificável ou padronizável. Como sucedâneo, a ideia de flutuação se aplicaria a toda lógica taxonômica da sociologia tradicional, impedindo, por exemplo, a fixação de indivíduos em posições ou categorias sociais estanques (de gênero, de classe, de raça etc.). Classificações desse tipo domesticam a diversidade (Agha, 2007). O alerta goffmaniano a seus pares é: o mundo social está sempre em movimento e abordá-lo solicita, em um só gesto, encarar a incerteza e abandonar formulações teleológicas ou causais. A sugestão implica, assim, outra episteme. Além de questionar sistematizações ou

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