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Experimentando e aprendendo: formação docente  em Ciências Biológicas
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E-book382 páginas3 horas

Experimentando e aprendendo: formação docente em Ciências Biológicas

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Sobre este e-book

Como se apresenta a formação prática dos professores egressos das universidades nos cursos de licenciatura? Partindo dessa questão, surgiu a ideia de fazer esse livro. O livro teve como objetivo mostrar as experimentações científicas durante a formação inicial docente de futuros professores de Ciências Biológicas. Os projetos de pesquisa foram orientados por professor qualificado e possibilitou aos alunos a alcançar outro nível de ensino para aplicar as experiências e conhecimentos adquiridos no exercício de professor e prosseguir na carreira acadêmica, para atuar na educação básica e na educação superior. O livro está dividido em seis capítulos que relatam de forma acadêmico científica os relatos da experimentação científica de temáticas inerentes à formação biológica de discentes durante a formação inicial da carreira docente dos alunos do Curso de Ciências Biológicas da Universidade Estadual de Alagoas.
IdiomaPortuguês
Data de lançamento15 de set. de 2018
ISBN9788582458129
Experimentando e aprendendo: formação docente  em Ciências Biológicas
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    Experimentando e aprendendo - Rubens Pessoa de Barros

    REFERÊNCIAS

    CAPÍTULO 1

    Manejo e ação predatória de espécies de joaninhas sobre o pulgão e mosca branca na couve (Brassica oleracea L. var. acephala, Brassicaceae)

    DIEGO JORGE DA SILVA

    RESUMO

    Objetivou-se avaliar a ação predatória de espécies de joaninhas (Coleoptera: Coccinelidae) sobre o pulgão (Brevicoryne brassicae L.) e ninfa de mosca branca (Bemisia tabaci Genn.) e o uso do extrato de noni (Morinda citrifolia L., Rubiaceae) sobre o pulgão da couve. A couve (Brassica oleracea L. var. acephala) é uma hortaliça pertencente à família Brassicaceae e que vem sendo muito estudada por possui grandes propriedades nutracêuticas, contudo sua produção vem sendo limitada por ataque de pragas, o uso de extratos aquosos e insetos da ordem coleopetera vem demosntrado uma boa alternativa para o controle de insetos-praga na cultura. O experimento foi conduzindo nas dependências da Universidade Estadual de Alagoas – UNEAL, Arapiraca Campus I e em campo (Horta orgânica dois irmãos). A variedade usada como estudo foi a Brassica oleracea L., tanto em ambiente fechado e aberto. Para os bioensaios em banacada de laboratório foram utilizada o extrato de noni (Morinda citrifolia L), ação predatória de espécies joaninhas sobre o pulgão e ninfas mosca branca. A pesquisa foi conduzida de outubro/2016 a julho de 2018. O delineamento estatístico para a bioatividade da M. citrifolia foi inteiramente casualizado com quatro tratamentos (concentrações: H2O - controle, 1,0 mg/L, 2,0 mg/L, 3,0 mg/L) e cinco repetições. O monitoramente da couve em campo se deu a partir de 90 dias após o plantio em uma área de 1,0 ha, com a couve cultivada em fileiras de 25 m de comprimento e 1,2 m de largura entre linha. Desenvolveu-se em casa de vegetação com o cultivo da couve em vasos com quatro tratamentos e 20 repetições, para a manutenção de ninfas de mosca branca e em laboratório foi realizado os bioensaios. Em bancada de laboratório, no qual as joaninhas foram capturadas e acondicionadas em uma arena. Para a analise da ação inseticida do noni foi feito o cálculo de E%, utilizou-se a fórmula de Abbott (1925): E% = (T – Tr/T) * 100. Com relação à análise estatística do experimento em campo (joaninhas versus pulgão) foi feita através do modelo de regressão linear para verificar as correlações lineares entre predador e presa, utilizando o programa Action da Estatcamp (2014). Outras analises foram através do da regressão linear no programa Excel. O extrato aquoso do noni apresentou 93,5% na concentração 2,0 mg/L na mortalidade dos afídeos. A ação predatória da joaninha Coleomegilla maculata DeGeer, 1775 (Coleoptera, Coccinellidae) em campo foi de 70% e em laboratório os resultados foram semelhantes 71%. A joaninha Delphastus davidsoni apresentou ótimo predação nas ninfas de mosca branca, com R²= 0,70 (70%) dessa forma o percentual da população adulta foi de 27%. Infere-se que o controle de insetos-praga sobre o efeito inseticida do extrato de noni é eficiente no controle do pulgão da couve, da mesma forma a evidência que as espécies de joaninhas apresentam uma predação forte sobre os afídeos e as ninfas de mosca branca.

    Palavras-chaves: Entomologia. Monitoramento Integrado de Pragas. Olericultura.

    1 INTRODUÇÃO

    No mercado de hortaliças existem algumas variedades de couve produzidas e comercializadas, as que estão em produção no Brasil, são aquelas mais adaptadas às condições edafoclimáticas, a Brassica oleracea se divide em tipos: Brassica oleracea var. acephala: a couve manteiga; Brassica oleracea var. capitata: o repolho, a couve vermelha, a couve de Milão; Brassica oleracea var. botytris: a couve-flor; Brassica oleracea var. italica: a couve-brócolis; Brassica oleracea var. gemmifera: a couve de Bruxelas; Brassica oleracea var. gongylodes: a couve-rábano e a Brassica oleracea var. alboglabra: a couve chinesa Kairan, Gai-lohn (PARANÁ, 2017).

    A couve manteiga da Geórgia (Brassica oleracea L. var. acephala) é uma hortaliça pertencente à família Brassicaceae, arbustiva anual ou bienal, cujo consumo no Brasil tem aumentado devido às novas pesquisas de suas propriedades nutricêuticas e maneiras de utilização na culinária brasileira (CAMARGO FILHO e CAMARGO, 2009). A família Brassicaceae possui aproximadamente 4.000 espécies e cerca de 400 gêneros, encontra-se dentre aquelas com maior número de espécies do grupo das dicotiledôneas (KOCH et al., 2001).

    Apesar das brassicáceas se adaptarem a várias condições abióticas adversas, sua produção pode ser limitada por ataque de pragas, tendo como a principal a traça-das-crucíferas, Plutella xylostella, (Lepidoptera: Plutellidae) além de outros insetos como os pulgões, Brevicoryne brassicae (L.) (Hemiptera: Aphididae); mosca branca, Bemisia tabaci (Genn.) (Hemiptera: Aleyrodidae); lagarta-rosca, Agrotis ípsilon (Lepidoptera: Noctuidae); curuquerê-da-couve, Ascia monuste orseis Latr. (Lepidoptera: Pieridae) (GALLO et al., 2002).

    O pulgão Brevicoryne brassicae L. (Hemiptera: Aphididae) é reconhecido como uma importante praga de Brassicaceae, incluindo o repolho Brassica oleracea var. capitata. As injúrias causadas por esses insetos são sucção de seiva, introdução de toxinas e transmissão de viroses (Collier e Finch, 2007). Verifica-se que as populações destes insetos são reguladas por diversos fatores bióticos e abióticos. Dentre os bióticos estão os inimigos naturais e a própria planta hospedeira (BERNAYS & CHAPMAN, 1994; SPERIDIÃO et al., 2011).

    O pulgão é um inseto polífago de grande importância econômica devido aos danos diretos ocasionados pela contínua sucção de seiva o que provoca e enfraquecimento das plantas, levando a parte da folha atacada a crescer menos que a parte não atacada, além das folhas ficarem muito deformadas. Este inseto provoca também dados indiretos, pois atua como vetor de mais de 120 fitopatógenos (KASPROWICZ et al., 2008).

    O controle do pulgão é feito principalmente por aplicações de inseticidas sintéticos, porém seu uso indiscriminado pode causar problemas de natureza econômica, ecológica e ambiental devido à presença de resíduos nos alimentos, efeitos prejudiciais sobre os inimigos naturais e seleção de populações de insetos resistentes (BOIÇA JUNIOR et al., 2011). Colocando a couve entre os oito produtos agrícolas com maior residual de pesticida (ANVISA, 2011).

    Uma das pragas causadoras de grandes perdas em todas as culturas é o pulgão, pequeno inseto sugador de seiva. Naturalmente, algumas espécies de joaninhas, como a, Cycloneda sanguinea, Eriopis connexa e Hippodamia convergens, são responsáveis pelo controle dessa praga, que consiste em seu hábito alimentar principal (SALVADORI, 2006).

    Segundo Rodrigues (2012), os insetos denominados popularmente como joaninhas são coleópteros da família Coccinellidae. Aproximadamente 5.000 espécies desses besourinhos são conhecidas no mundo. A maioria dessas espécies é predadora e se alimentam de pulgões, cochonilhas, psilídeos, moças-brancas, ácaros, ovos e larvas de coleopteros e lepidopteros, há ainda uma pequena porcentagem que se alimenta de pólen néctar. No Brasil, as principias espécies de joaninhas predadoras são Cycloneda sanguínea (L.) e Hippodamia convergens (RODRIGUES et al., 2013).

    O uso de plantas no controle de insetos tem sido largamente utilizado com efeitos significativos. Ultimamente o uso de inseticidas naturais como o extrato de folha de Morinda citrifolia L. é promissor como bom larvicida atividade contra o mosquito vetor Anopheles stephensi (Diptera: Culicidae), Aedes aegypti (Diptera: Culicidae) e Culex quinquefasciatus (Diptera: Culicidae). Esta alternativa é uma nova abordagem ecológica para o controle de programas vetorial (KOVENDAN et al., 2012).

    O uso de extratos aquosos e etanólicos podem ser indicados como uma forma alternativa viável para o controle da traça do tomateiro, especialmente para os pequenos produtores (NAVARRO-SILVA et al., 2009).

    Estudar insetos-praga se torna necessário para o planejamento integrado no controle de pragas, conhecendo o comportamento do inseto, torna-se mais fácil a tomada de decisão para a montagem de estratégias para o controle.

    Conhecer a planta hospedeira e o seu desenvolvimento tanto em campo quanto em ambientes fechados, é importante para verificar o estabelecimento da população do inseto-praga nos dois sistemas de cultivo. O controle de pragas em uma produção de alimentos de forma natural, com a utilização dos predadores da família Coccinellidae, com ênfase as espécies estudadas mostraram-se uma eficiente ferramenta para manter a população de pulgões em nível baixo.

    O uso de bioinseticidas produzidos por extratos de diversas plantas é uma maneira eficaz para o controle dessas populações do inseto-praga, evitando-se ou diminuindo-se consideravelmente o uso de agrotóxicos, melhorando-se assim o equilíbrio ambiental e a qualidade social de vida da população.

    Este estudo partiu da hipótese que o uso do extrato do noni (Morinda Citrifolia L.) e a ação predatória de espécies de joaninhas são eficientes para o controle do pulgão (Brevicoryne brassicea L.) e a mosca branca (Bemisia tabaci Genn) na couve.

    E objetivou avaliar a ação predatória de espécies de joaninhas (Coleoptera: Coccinelidae) sobre o pulgão (Brevicoryne brassicae L.) e ninfa de mosca branca (Bemisia tabaci Genn.) e o uso do extrato de noni (Morinda citrifolia L.) sobre o pulgão da couve.

    4 REVISÃO DE LITERATURA

    4.1 Cultivo de hortaliças

    A relevância da Agricultura enquanto atividade econômica é cada vez mais reconhecida por sua importância social. Além de fornecer diversas fontes de fibras, vitaminas e minerais, geram emprego e renda, especialmente para o segmento da agricultura familiar. E é neste modelo de produção, que podemos, através de princípios agroecológicos, alcançarmos um desenvolvimento mais harmonioso, com maior diversidade produtiva, qualidade dos produtos, economia mais justa, relações de respeito e confiança, cadeias curtas e identidade local (GAZOLLA e SCHNEIDER, 2017).

    A produção orgânica deve: ofertar produtos saudáveis, isentos de contaminantes que coloquem em risco a saúde do produtor, trabalhador ou do meio ambiente; preservar a diversidade biológica dos ecossistemas naturais; utilizar boas práticas de manuseio e processamento que mantenham a integridade orgânica do produto; adotar técnicas que contemplem o uso saudável do solo, da água e do ar; preservar o bem-estar dos animais, assegurando que o manejo produtivo lhes permita viver livre de dor, sofrimento ou angústia, em um ambiente em que possam comportar-se naturalmente, compreendendo movimentação, territorialidade, alimentação, descanso e ritual reprodutivo; incrementar meios que favoreçam o desenvolvimento e o equilíbrio da atividade biológica do solo bem como a sua fertilidade em longo prazo (BRASIL, 2013)

    Souza e Resende (2006), afirmam que embora os agricultores orgânicos não utilizem agrotóxicos ou fertilizantes sintéticos, o conceito de produção orgânica é bem mais amplo do que isso: os métodos de controle desenvolvidos para a agricultura orgânica são modernos, projetados em um sofisticado e complexo sistema de técnicas agronômicas cujo objetivo principal não é apenas a exploração econômica imediata, mas a manutenção dessa atividade produtiva durante um longo período, preservando o agroecossistema estável e autossustentável.

    A Agricultura Familiar tem dinâmica e características distintas quando comparada a não familiar: nela, a gestão da propriedade é compartilhada pela família e a atividade agropecuária é a principal fonte de renda. Além disso, ainda de acordo com o autor, o agricultor familiar tem uma relação particular com a terra, seu local de trabalho e moradia, sendo a diversidade produtiva uma das características mais marcantes desse setor (BRASIL, 2018).

    Com isso o consumo de hortaliças tem aumentado de forma significativa nos últimos anos. A população está cada vez mais consciente dos benefícios desses alimentos e tem buscado uma dieta mais balanceada, rica e saudável. Consequentemente aumentam as responsabilidades e os desafios dos produtores rurais que precisam, cada vez mais, incrementar a sua produtividade e, ao mesmo tempo, dispor de ferramentas de controle de pragas e doenças compatíveis com sistemas sustentáveis de produção, de modo que possam garantir a segurança alimentar do consumidor e promover o crescimento do setor produtivo (MONTEZANO e PEIL, 2006).

    Fontes de vitaminas, sais minerais e fibras, substâncias essenciais ao organismo humano, as hortaliças auxiliam a digestão e favorecem o funcionamento de diversos órgãos sendo, por isso, consideradas protetoras da saúde, devendo ser consumidas diariamente (Filgueira, 2003). Também conhecidas popularmente como verduras e legumes, as hortaliças ainda são ricas em compostos bioativos, protetores contra doenças crônico-degenerativas. Como possuem baixo teor energético, o hábito de consumir esses alimentos auxilia no controle e na prevenção da obesidade e, indiretamente, nos diversos riscos associados a esta (LANA e TAVARES, 2010).

    Diversas propriedades nutracêuticas das hortaliças têm sido evidenciadas por pesquisas recentes. É possível citar as presenças do licopeno no tomate; da alicina, no alho; da quercetina na cebola e da sulforafane em brócolis (MACHADO, 2008).

    Segundo Vilela (2012) monitorando alguns dados relativos à evolução da produção de hortaliças no Brasil entre os anos 2000 e 2011, relatou que a área destinada passou de 799 para 809 mil hectares; a produção saltou de 14.685 para 19.235 mil toneladas; a produtividade evoluiu de 86 para 101 t/ha.

    A produção de hortaliças é uma atividade quase sempre presente em pequenas propriedades familiares, seja como atividade de subsistência ou com a finalidade da comercialização do excedente agrícola em pequena escala. Atualmente o consumo de hortaliças tem aumentado devido à maior conscientização da população em busca de uma dieta alimentar mais rica e saudável (TELLES, 2016).

    4.2 Cultura da couve manteiga (Brassica oleracea L. var. acephala, Brassicaceae)

    A couve manteiga (Brassica oleracea var. acephala) faz parte de aproximadamente 3.200 espécies inseridas em cerca de 350 gêneros da família Brassicaceae, que são cultivadas durante todo o ano em sistemas de consórcio ou em monocultivo (BEVILACQUA, 2011; MARTINS, 2011).

    Essa hortaliça é também conhecida como couve-comum, é originária do continente Europeu. Seu consumo vem aumentando de maneira gradativa devido, provavelmente, às novas maneiras de utilização na culinária e às recentes descobertas da ciência quanto às suas propriedades nutricionais e medicinais (TRANI et al., 2015).

    A família Brassicaceae contém aproximadamente 3.700 espécies, no entanto, apenas cerca de 20 são normalmente consumidas, sendo que muitas variedades contêm níveis suficientes de vitamina A, C, K e ácido fólico para atender a ingestão diária recomendada, além de ser boa fonte de fibras (CAMPBELL et al., 2012).

    A couve desenvolve-se melhor em regiões de clima ameno, é resistente a geadas e tem boa tolerância ao calor, possibilitando o seu cultivo em regiões mais quentes durante todo o ano (Junior e Venzon, 2007). São amplamente cultivadas no mundo, ocupando lugar relevante na olericultura do Centro-Sul do Brasil (Filgueira, 2008). Entretanto, o elevado uso de inseticidas tem colocado a couve entre os produtos agrícolas com maior residual de pesticida (ANVISA, 2016).

    As plantas de couve apresentam caule ereto, com altura variando de 40 a 120 cm na fase adulta, é que produzem diversos rebentos e folhas lisas com variações em tons de verde distribuídas ao redor do caule. Como o próprio nome da variedade ‘acephala’ indica não forma cabeça, sendo a cultivar Manteiga a mais produzida no Brasil, e que vem aumentado sua participação nos mercados em todo o mundo (FILGUEIRA, 2008).

    O consumo da couve ocorre in natura ou processadas, estando entre as hortaliças de maior consumo no mercado nacional, apresentando características organolépticas e nutrientes como vitaminas A, B1, B2, C, D, E, K, minerais, como cálcio e ferro, fibras e proteínas (BEVILACQUA, 2011).

    Esta cultura tem importância em grande parte do território nacional, com maiores concentrações de cultivos em cinturões verdes próximos de capitais e nas regiões serranas, sendo cultivada tanto pela agricultura familiar quanto por grandes produtores de hortaliças (SILVA et al., 2011; ARAGÃO et al., 2013).

    4.3 Insetos-praga da couve

    Um dos problemas que chama a atenção na cultura da couve é ataque de insetos-praga que limita consideravelmente a produção (VILLAS BÔAS, 2005).

    Dentre as pragas que assolam esta família estão descritos aqui os lepidópteros, como a traça-das-crucíferas, Plutella xylostella L. (Lepidoptera: Plutellidae) o curuquerê-da-couve, Ascia monuste orseis (Latreille, 1819) (Lepidoptera: Pieridae) a broca-da-couve, Hellula phidilealis (Walker, 1859) (Lepidoptera: Pyraustidae); e a falsa-medideira, Pseudoplusia includens (Walker) (Lepidoptera: Noctuidae). Além destas são mencionadas hemípteras como a mosca-branca Bemisia tabaci (Gennadius) (Hemiptera: Aleyrodidae) e afídios (Brevicoryne brassicae L. e Myzus persicae Sulzer), a díptera Liriomyza huidobrensis (Blanchard) (Diptera: Agromyzidae) a lagarta-das-folhas Spodoptera eridania (Cramer) (Lepidoptera: Noctuidae) (HOLTZ, et al., 2015).

    Com relação às doenças fitossanitárias causadas por agentes fitopatogênicos, destacam-se a hérnia-das-crucíferas (Plasmodiophora brassicae), a podridão-negra (Xanthomonas campestris pv. campestris), a podridão-mole (Erwinia carotovora subsp. carotovora) e o nematoide-das-galhas (Meloidogyne sp.) (MARINGONI, 2005; REIS, 2009; PEREIRA et al., 2013).

    Entre as principais pragas que atacam a couve-manteiga no Brasil destacam-se os pulgões Brevicoryne brassicae (Hemiptera: Aphidadae) e Myzus persicae (Carvalho et al., 2008). Outra praga que traz dados diretos e indiretos a planta e que se se destaca é a mosca branca (Bemisia tabaci Genn.) biótipo B (Hemiptera: Aleyrodidae), cujos adultos e ninfas sugam a seiva das plantas durante o processo de alimentação, injetando toxinas e podendo provocar alterações fisiológicas, como o branqueamento do caule (VILLAS BÔAS, 2005).

    4.4 Pragas-chave na cultura da couve

    4.4.1 Afídeos da couve (Pulgões)

    Os afídeos, popularmente conhecidos como pulgões, são fitófagos e sugadores de seiva do floema, pertencentes à Ordem Hemiptera, Subordem Sternorrhyncha. A família Aphididae faz parte de Aphidoidea, juntamente com as famílias Phylloxeridae e Adelgidae (BLACKMAN e EASTOP, 2007).

    Na figura 1 o pulgão Brevicoryne brassicae L. (Hemiptera: Aphididae) é uma importante praga da família Brassicaceae, incluindo o repolho Brassica oleracea var. capitata. As injúrias causadas por esses insetos são sucção de seiva, introdução de toxinas e transmissão de viroses (COLLIER e FINCH, 2007). Os pulgões, na fase adulta, têm o seu comprimento entre 1,5 a 2,5 mm com coloração variando de acordo com a espécie, condições de ambiente e tamanho da colônia; com variação de tons de verde, rosa, amarelo e preto (LIU & SPARKS JR, 2011).

    O formato é piriforme, podendo ter adultos ápteros ou alados (Pereira et al., 2009). As fêmeas se reproduzem por partenogênese gerando ninfas ápteras (BLACKMAN e EASTOP, 2007). Possuem uma elevada capacidade de reprodução, podendo produzir 50-100 ninfas/fêmea (PEREIRA et al., 2009; LIU e SPARKS JR., 2011).

    A ocorrência dos afídeos é registrada em diversas regiões e habitats, com distribuição geográfica ampla (Völkl et al., 2007). As espécies-praga que causam injúrias nas brássicas: L. erysimi, M. persicae, B. brassicae, Aphis gossypii Glover (DEWAR, 2007; LIU & SPARKS JR., 2011).

    Os danos causados pelos afídeos em crucíferas são diretos e indiretos. Os diretos são provocados pela sucção contínua da seiva nos tecidos do floema, provocando a deficiência nutricional das plantas, os indiretos ocorrem com a picada do inseto, que favorece a inoculação de vírus causadores de moléstias. Além disso, a introdução de toxinas pode ocasionar má formação dos tecidos foliares e, em casos de alta infestação, podem causar a mortalidade de plantas jovens (GALLO et al., 2002).

    Figura 1. Pulgão da couve (Brevicoryne brassicae L., Hemíptera: Aphididae)

    Fonte: (Silva, 2018)

    Segundo Oliveira et al. (2009) os prejuízos provocados pelos pulgões são relacionados à limitação da fotossíntese pela presença da fumagina, recobrindo o honeydew, substância com grande teor de açúcares excretado pelos pulgões, e nos casos mais sérios, por meio da transmissão de mais de dez vírus e viroides, dentre estas, o vírus do anel negro da couve e mosaico da couve flor, rabanete e nabo.

    4.4.2 Bemisia tabaci (Genn. 1889)

    A Bemisia tabaci (Gennadius) (Hemiptera: Aleyrodidae) é um das mais importantes pragas agrícolas em todo o mundo e pode causar danos às culturas por alimentação direta e devido à sua eficiência transmissão de vírus (CHEN et al., 2016).

    O ataque de insetos-praga limita consideravelmente a produção nas lavouras. Dentre as espécies que atacam a cultura, destaca-se a mosca branca (Bemisia tabaci Genn.) biótipo B (Hemíptera: Aleyrodidae), cujos adultos e ninfas sugam a seiva das plantas durante o processo de alimentação, injetando toxinas e podendo provocar alterações fisiológicas, como o branqueamento do caule (VILLAS BÔAS, 2005).

    Em adição, a mosca-branca atua como vetora de importantes vírus letais para inúmeras plantas de interesse agrícola (Polston et al., 2014). O método mais utilizado no manejo de populações de mosca-branca ainda é o controle químico, através de pulverização com inseticidas (MUSA e REN, 2005).

    Vale ressaltar que o uso indiscriminado de inseticidas sintéticos inviabiliza a adoção de outras táticas de manejo onera os custos de produção, causa desequilíbrio ao meio ambiente, além de permitir a rápida seleção de indivíduos resistentes aos inseticidas (SILVA et al., 2009).

    Além dos danos decorrentes de alimentação, o excremento açucarado (honeydew) depositado sobre as estruturas vegetais favorece a ocorrência de fumagina (fungo Capnodium sp) que prejudica o processo de fotossíntese e reduz a produtividade das plantas (Inbar e Gerling, 2008). Embora não existam relatos de patógenos transmitidos pela mosca para a couve, este inseto é considerado um dos principais vetores de vírus para plantas de importância agrícola (POLSTON et al., 2014).

    Segundo Gallo et al.

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