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Florbela Espanca de A a Z: Poemas de A a Z

Florbela Espanca de A a Z: Poemas de A a Z

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Florbela Espanca de A a Z: Poemas de A a Z

Duração:
286 páginas
1 hora
Lançados:
Jul 2, 2021
ISBN:
9786589868354
Formato:
Livro

Descrição

FLOBELA ESPANCA DE A a Z reúne mais de 250 poemas da autora. A autora ocupa um lugar próprio e de destaque nas literaturas de língua portuguesa. Ao enfrentar na vida e em seus versos os desafios colocados no caminho da mulher que luta por sua emancipação, a autora viu levantar-se contra si a ira do conservadorismo patriarcal, em face do qual não recuou um milímetro em suas convicções libertárias.
Porém a autora o fez sem realizar concessões também aos modismos de época, apoiando-se na tradição literária em língua portuguesa, à qual se associou para universalizar seus pontos de vista, suas ideias literárias e seus sentimentos de poeta, de mulher e de cidadã em plena posse de seu destino e de seu corpo.

Naturalmente, ser assim, tem seu custo, que, para ela, significou ver publicados em vida apenas seu Livro de Mágoas (1919) e "Livro de Sóror Saudade" (1923), com a exígua tiragem de 200 exemplares cada qual. Sua epopeia trágica em Portugal, semelha-se à de Augusto dos Anjos, que, completamente ignorado em vida, tornou-se, após a morte, um dos poetas mais lidos e cultuados no Brasil no século XX.
No formato clássico do soneto, que praticou com abundância e virtuosismo, a autora encontrou o meio de expressão exato para registrar suas emoções particularíssimas, que no entanto teve pronta acolhida nos leitores da época e nos que se foram somando à sua obra ao longo das décadas subsequentes.
Porém a autora também cultivou em sua seara de versos as formas populares das cantigas, dos madrigais e do fado, gênero tão português e tão ligado ao povo sofrido do campo. A um vocabulário preciso, quando assim o quis, Florbela Espanca articulou palavras, perífrases e frases cuja sonoridade e ritmo despertam sentimentos fortes e mesmo lancinantes. No primeiro poema, um soneto, que abre esta Antologia ele indaga:
"Quem fez os homens e deu vida aos lobos?"

O verso é claro, enxuto e exato, sem prolixidade de adjetivos ou advérbios; no entanto, homens e lobos na mesma frase interrogativa não deixa de implicar uma imagem em que amor, predação e crueldade estão cabalmente associados. A metáfora ganharia "status" de hipérbole, caso ignorássemos a condição da mulher no mundo atual e ainda mais no mundo em que a poeta viveu, de inícios do século XX.
Lançados:
Jul 2, 2021
ISBN:
9786589868354
Formato:
Livro

Sobre o autor


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Amostra do livro

Florbela Espanca de A a Z - Florbela Espanca

Copyright 2021 Editora Serra Azul Ltda.

Edição, Organização e Apresentação

Jeosafá Fernandez Gonçalves

Capa e ilustração interna

Maria Emília Novaes

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

Câmara Brasileira do Livro (CBL), SP, Brasil

Espanca, Floberla

1ª. ed. digital.

Florbela Espanca de A a Z

Antologia Poética

Coleção Poemas de A a Z

São Paulo

Editora Serra Azul Ltda, 2021.

ISBN: 978-65-89868-35-4

1. Poesia portuguesa I. Título

CDD – B869

Índice para catálogo sistemático:

1. Poesia portuguesa B869

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CEP 05075-010.

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FLORBELA ESPANCA DE A a Z

Antologia Poética

Florbela_Mini

Coleção Poemas de A a Z

Editora Serra Azul

São Paulo

2021

Nota do Editor

Os poemas de Flobela Espanca desta Antologia foram coligidos do conjunto da obra da autora e estão aqui dispostos em ordem alfabética para facilitar a consulta do leitor. Ao final de cada um deles é citado o livro-fonte.

Apresentação

Florbela Espanca ocupa um lugar próprio e de destaque nas literaturas de língua portuguesa. Ao enfrentar na vida e em seus versos os desafios situados no caminho da mulher que luta por sua própria emancipação, a autora viu levantar-se contra si a ira do conservadorismo patriarcal, em face do qual não recuou um milímetro em suas convicções libertárias — ela que, nascida no ambiemte político de uma monarquia decadente, foi criada no seio de uma família republicana, assimilanndo seus valores.

Porém a autora o fez sem realizar concessões também aos modismos de época, apoiando-se na tradição literária em língua portuguesa, à qual se associou para universalizar seus pontos de vista, suas ideias literárias e seus sentimentos de poeta, de mulher e de cidadã em plena posse de seu destino e de seu corpo.

Naturalmente, ser assim, teve seu custo, que, para ela, significou ver publicados em vida apenas seu Livro de Mágoas (1919) e seu Livro de Sóror Saudade (1923), com a exíguas tiragens de 200 exemplares cada qual. Sua saga trágica em Portugal semelha-se às de Augusto dos Anjos e Cruz e Sousa no Brasil, os quais, solenemente ignorados em vida, tornaram-se, após a morte, poetas dos mais lidos e cultuados em terras brasileiras.

No formato clássico do soneto, que praticou com abundância e virtuosismo, a autora encontrou o meio de expressão exato para registrar suas emoções particularíssimas, que no entanto tiveram parca acolhida nos leitores da época, mas crescente, ao longo dos das décadas subsequentes à sua morte.

A autora também cultivou em sua seara de versos as formas populares das cantigas, das quadras e do fado, gênero tão português e tão ligado ao povo sofrido do campo. A um vocabulário preciso, quando assim o quis, Florbela Espanca articulou palavras, perífrases e frases cuja sonoridade e ritmo despertam sentimentos fortes e mesmo lancinantes. No primeiro poema que abre esta Antologia, um soneto, ela indaga:

Quem fez os homens e deu vida aos lobos?

O verso é claro, enxuto e exato, em termos sintáticos, sem inversões ou prolixidade de adjetivos ou advérbios; no entanto, homens e lobos na mesma frase interrogativa não deixa de implicar uma imagem em que sexualidade, predação e crueldade estão intrinsecamente associadas. A metáfora ganharia status de hipérbole, caso se ignorasse a condição da mulher no mundo de quando a poeta viveu, de inícios do século XX, e do tempo atual, muito distante da igualdade e da justiça.

A natureza forte e potente dos versos de Florbela Espanca é uma contundente reação estética a um meio hostil, elaborada com o rigor da artesã esmerada em seu ofício, a qual, ao não abrir mão de sua condição de mulher, ao mesmo tempo não abriu mão de expor a que dramas e tragédias as mulheres estão sujeitas sob o império do patriarcado, agravado em Portugal pela onda conseradora que sucede à derrubada do regime parlamentar, em maio de 1926, que abre caminho à instauração posterior da ditatura salazarista, que durará atá a Revolução dos Cravos, em 25 de abril de 1974. O exagero, assim, não está na linguagem, mas nos próprios dramas representados — eles, sim, calamitosos.

No entanto, longe da poeta encarar o sexo masculino como alvo de execração: ela ama seus amantes com paixão, dedica-lhes versos enamorados, ora singelos, como uma pastora, ora explícitos, de exaltação amorosa, de entrega sincera e total, em conformidade com o ideário feminista que praticou na poesia e na vida, em meio à carolice religiosa que servirá de base política à ditadura salazarista por mais de quarenta anos.

É essa poeta e intelectual corajosa que o leitor encontrará nas páginas a seguir — que fala com igual franqueza para homens e mulheres, tangendo sua lira, sentimental como um fado.

O editor

?

Quem fez ao sapo o leito carmesim

De rosas desfolhadas à noitinha?

E quem vestiu de monja a andorinha,

E perfumou as sombras do jardim?

Quem cinzelou estrelas no jasmim?

Quem deu esses cabelos de rainha

Ao girassol? Quem fez o mar? E a minha

Alma a sangrar? Quem me criou a mim?

Quem fez os homens e deu vida aos lobos?

Santa Tereza em místicos arroubos?

Os monstros? E os profetas? E o luar?

Quem nos deu asas para andar de rastros?

Quem nos deu olhos para ver os astros?

— Sem nos dar braços para os alcançar?

Charneca em flor

?!

Se as tuas mãos divinas folhearem

As páginas de luto uma por uma

Deste meu livro humilde; se pousarem

Esses teus claros olhos como espuma

Nos meus versos d’amor, se docemente

Tua boca os beijar, lendo-os, um dia;

Se o teu sorrir pairar suavemente

Nessas palavras minhas d’agonia,

Repara e vê! Sob essas mãos benditas,

Sob esses olhos teus, sob essa boca,

Hão de pairar carícias infinitas!

Eu atirei minh’alma como um rito

Às trevas desse livro, assim, ó louca!

A noite atira sóis ao infinito!...

O livro dele

A Anto!

Poeta da saudade, ó meu poeta qu’rido

Que a morte arrebatou em seu sorrir fatal,

Ao escrever o Só pensaste enternecido

Que era o mais triste livro deste Portugal,

Pensaste nos que liam esse teu missal,

Tua bíblia de dor, teu chorar sentido

Temeste que esse altar pudesse fazer mal

Aos que comungam nele a soluçar contigo!

Ó Anto! Eu adoro os teus estranhos versos,

Soluços que eu uni e que senti dispersos

Por todo o livro triste! Achei teu coração...

Amo-te como não te quis nunca ninguém,

Como se eu fosse, ó Anto, a tua própria mãe

Beijando-te já frio no fundo do caixão!

Trocando olhares

A doida

A Noite passa, noivando.

Caem ondas de luar.

Lá passa a doida cantando

Num suspiro doce e brando

Que mais parece chorar!

Dizem que foi pela morte

D’alguém, que muito lhe quis,

Que endoideceu. Triste sorte!

Que dor tão triste e tão forte!

Como um doido é infeliz!

Desde que ela endoideceu,

(Que triste vida, que mágoa!)

Pobrezinha, olhando o céu,

Chama o noivo que morreu

Com os olhos rasos d’água!

E a noite passa, noivando.

Passa noivando o luar:

"Num suspiro doce e brando,

Pobre doida vai cantando

Que esse teu canto, é chorar!"

Trocando olhares

A esta hora

A esta hora branda d’amargura,

A esta hora triste em que o luar

Anda chorando, Ó minha desventura

Onde estás tu? Onde anda o teu olhar?

A noite é calma e triste... a murmurar

Anda o vento, de leve, na doçura

Ideal do aveludado ar

Onde estrelas palpitam... Noite escura

Dize-me onde ele está o meu amor,

Onde o vosso luar o vai beijar,

Onde as vossas estrelas com fulgor

Do seu brilho de fogo o vão cobrir!

Dize-me onde ele está!... Talvez a olhar

A mesma noite linda a refulgir...

O livro dele

À guerra!

Fala o canhão. Estala o riso da metralha

Os clarins muito ao longe tocam a reunir.

O Deus da guerra ri nos campos de batalha

E tu, ó Pátria, ergues-te a sorrir!

Vestes alva cota bordada e rosicleres

Desfraldas a bandeira rubra dos combates,

Levas no heroico seio a alma das mulheres

E ergue-se contigo a alma de teus vates!

Levanta-se do túmulo a voz dos teus heróis,

Cintila em tua fronte o brilho desses sóis,

Até o

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