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Jonathan Edwards Para Todos

Jonathan Edwards Para Todos

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Jonathan Edwards Para Todos

Duração:
231 páginas
2 horas
Lançados:
30 de jul. de 2021
ISBN:
9786586173444
Formato:
Livro

Descrição

Considerado um dos maiores pensadores e mais importantes teólogos da fé cristã, Jonathan Edwards (1703-1758) foi também figura central do Primeiro Grande Despertamento e um pastor apaixonado. Lutou com algumas das mais inquietantes questões da vida cristã: Deus está no controle do mundo? Qual é o nosso lugar no plano divino? E a questão mais importante de seu tempo: como entender a relação entre a experiência espiritual e o pensamento racional?

Fácil de ler e bem-humorado, "Jonathan Edwards para Todos" mostra a vida, o ministério e também o pensamento e a teologia de Edwards, bem como explora seus temas e contribuições únicas para a teologia reformada e o cristianismo.
Lançados:
30 de jul. de 2021
ISBN:
9786586173444
Formato:
Livro

Sobre o autor


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CAPÍTULO 1

O jovem Edwards

Descobrindo a beleza divina (mesmo nas aranhas)

IMAGINE ENCONTRAR-SE com o jovem Jonathan Edwards. Como seria conhecê-lo quando criança, crescendo com o pai, a mãe e as irmãs em East Windsor, Connecticut? Teríamos apreciado a oportunidade de estudar com aquele adolescente em Yale? Teríamos reconhecido sua inteligência que começava a despontar? Ou, se fôssemos paroquianos sob seu primeiro pastorado, em uma igreja presbiteriana na cidade de Nova York, teríamos per­cebido alguma indicação de que nosso pastor se tornaria talvez o maior teólogo da história americana? Na verdade, se tivéssemos conhecido Edwards em algum desses lugares, poderíamos não ter previsto o que o futuro lhe reservaria, mas provavelmente teríamos percebido rapidamente que ele era um jovem intenso e sério que não gostava de conversas triviais. Fisicamente, aquele jovem era magricela e desengonçado: alto (provavelmente uma característica herdada da mãe) e bastante magro (resultado de severas restrições alimentares que ele impôs a si mesmo para que pudesse passar menos tempo comendo e mais tempo estudando e orando).

Sua personalidade poderia não ter nos conquistado. Primeiro, ele se preocupava com sua salvação quase ao ponto de obsessão. Desde muito cedo, Edwards esteve profundamente aflito com o estado de sua alma e tinha a expectativa de que iria para o inferno, mesmo depois de se comprometer com o ministério. Em segundo lugar, ele não era apenas o garoto-propaganda da ansiedade puritana, como também suas habilidades sociais sempre foram questionáveis. Embora fosse o primeiro da turma na faculdade, não era nada popular entre os colegas. Vários deles o desprezavam por seu temperamento distante e sério, e ele, por sua vez, os criticava pelo comportamento juvenil que lhe interrompia os estudos. Com frequência ele era visto como um jovem que estava deslocado na companhia de outros jovens. A juventude, ao que parece, não combinava com Edwards. Mas suas experiências juvenis estabeleceram os padrões que orientariam a considerável influência que exerceu posteriormente.

Se tivéssemos dado a Edwards uma chance, entretanto, certamente teríamos notado seu intelecto fascinante e sua curiosidade insaciável. Ele entregou-se às muitas áreas de novos conhecimentos que surgiram na iluminada era do século 18. Ele ficou fascinado com as novas teorias do filósofo inglês John Locke a respeito de como a mente processa ideias, começando com as percepções dos sentidos, e com as ideias inovadoras do matemático e físico inglês Isaac Newton. O jovem Edwards leu tudo, ou, pelo menos, tudo o que pôde encontrar enquanto vivia longe dos centros intelectuais do Iluminismo europeu. Se um livro importante atravessou o Atlântico e ficou a seu alcance, Jonathan provavelmente o devorou. Apesar de seus amplos interesses, entretanto, ele não via as novas ideias como meras novidades a serem apreciadas: eram ferramentas a serem usadas para entender melhor a natureza do universo de Deus e, particularmente, o relacionamento de Deus com a humanidade. Portanto, embora lesse com entusiasmo sobre ciência natural (chamada de filosofia natural em sua época) e exercitasse habilidades científicas para explorar os mistérios do mundo natural, esses exercícios serviam a propósitos religiosos. E, enquanto lia os mais recentes artigos europeus e britânicos sobre física, filosofia moral e a natureza do conhecimento humano, ele usava essas novas percepções para defender a teologia de sua herança puritana contra os desafios modernos. Intelectualmente, Edwards sempre permaneceu fiel às raízes calvinistas e ao etos puritano.

COMEÇOS

Foi provavelmente precipitado dizer, logo depois que Jonathan Edwards nasceu, em outubro de 1703, que, ao crescer, ele se tor­naria um ministro. Seu pai, Timothy Edwards, era pastor, e sua mãe, Esther Stoddard Edwards, era filha do renomado ministro Solomon Stoddard, de Northampton, Massachusetts. Timothy e Esther Edwards tiveram onze (onze!) filhos, dos quais Jonathan foi o único menino. E, uma vez que não havia ministras na Nova Inglaterra colonial, Jonathan era o único que poderia dar continuidade à herança ministerial em ambos os ramos da casa Edwards-Stoddard. Isso não quer dizer que a fé e o ministério de Edwards carecessem de influências femininas. Longe disso. Com a mãe e dez irmãs, Jonathan e o pai estavam em grande desvan­tagem numérica em casa! Mais importante do que isso era o fato de que sua mãe, Esther, era bem conhecida e respeitada pelos dons como professora e por suas percepções espirituais. Jonathan cresceu vendo a mãe ensinar em sua casa, tanto crianças quanto adultos. Regularmente, mulheres da igreja se reuniam com ela para conversar sobre assuntos religiosos, reuniões que ela lide­rou por muitos anos. Por meio da mãe e das irmãs, o garoto teve exemplos poderosos de piedade feminina próximos de si. Como resultado, quando mais tarde escreveu sobre avivamentos e ex­periências religiosas, usou com frequência exemplos femininos.¹

A influência do pai de Jonathan equipara-se à da mãe. Quando o menino tinha 9 anos, foi a pregação de avivamento do pai que lhe despertou o interesse pela salvação e acendeu a ansiedade sobre sua posição perante Deus. Nesse ponto, o jovem Jonathan orava cinco vezes por dia, dedicando-se a buscar a vontade de Deus. Ele se juntou a outros meninos em reuniões secretas de oração. Ele e seus amigos construíram uma barraca em um pântano, em um lugar muito secreto e reservado, para um lugar de oração². Ao que parece, a espiritualidade foi uma espécie de aventura para Edwards. Nesse caso, ele não foi o único assim no século 18. Do outro lado do Atlântico, John Wesley e seu irmão, Charles, se juntariam a amigos na formação de um clube santo, que lançou as sementes para o movimento metodista. Como no caso dos jovens Wesley, as reuniões de oração juvenis não aliviaram completamente a mente de Edwards quanto a sua situação eterna. Seus episódios de empolgação religiosa seriam seguidos por períodos de depressão em que ele duvidava da própria sinceridade. Escrevendo posteriormente em sua Personal Narrative [Narrativa pessoal], que é uma combinação de declaração autobiográfica e guia de espiritualidade, Edwards lembra que suas afeições religiosas da infância pareciam vívidas às vezes, mas também facilmente murchavamno decorrer do tempo, minhas convicções e afeições se esfriavam, e ele voltava a pecar.³ Mais tarde, em suas Afeições Religiosas, Edwards iria compor uma lista de testes para determinar se os sentimentos religiosos eram legítimos. Ele percebeu que as afeições da infância teriam falhado nesses testes, em parte por causa de sua inconstância.

Como o único filho homem da família em uma sociedade liderada principalmente por homens, Jonathan recebeu atenção especial do pai, que o preparou para o ministério treinando-o no verdadeiro estudo da conversão, uma disciplina intelectual profundamente séria na cultura puritana. E em uma cultura que levava a sério a conversão, o pai de Jonathan era mais sério do que a maioria. Timothy Edwards passou incontáveis horas dissecando as experiências de conversão de seus paroquianos, tentando discernir se eram realmente legítimas. Esse era um assunto sério para os puritanos, porque eles sabiam que Satanás poderia gerar experiências religiosas falsas e enganar o confiante religioso e conduzi-lo para o inferno. Com o pai, portanto, Jonathan aprendeu a mecânica da conversão.

Jonathan também aprendeu com o pai que uma carreira ministerial não era apenas vital no que diz respeito à eternidade, mas também carregava muito prestígio terreno. Ao contrário de hoje, quando a medicina e a lei são mais elogiadas, os ministros da época de Edwards eram os homens mais respeitados da cidade. Eles eram tipicamente intelectuais, com mais formação acadêmica que seus pares e ganhavam salários que refletiam sua posição respeitada.

Para avaliar o importante papel do ministro na Nova Inglaterra colonial, precisamos considerar o poder da pregação puritana. Hoje, muitos protestantes tradicionais pensam na pregação como uma forma de comunicação religiosa, proferida na igreja por um ministro, geralmente uma vez por semana, com a maioria dos sermões não durando mais do que trinta minutos. Com essa visão da pregação em mente, imagine como era na Nova Inglaterra puritana, em que os ministros geralmente pregavam três vezes por semana, com sermões que duravam até duas horas. Mesmo os mais devotos fiéis da igreja hoje provavelmente gastam menos tempo em adoração do que lendo jornais, assistindo televisão e ouvindo rádio. Mas, na Nova Inglaterra puritana, a pregação servia a muitos dos propósitos que encontramos na mídia e em outras reuniões sociais. Falando em termos atuais, o sermão puri­tano era mais dominante do que qualquer forma de comunicação agora, incluindo televisão e internet. Os puritanos recorriam aos sermões em busca de instruções confiáveis sobre política, cultura e as notícias do dia. Houve sermões especiais para quase todas as ocasiões. Além da adoração semanal, os ministros pregavam em dias de eleição, dias de ação de graças e dias de jejum. Havia ser­mões de artilharia para inspirar os soldados a caminho do campo de batalha, e os puritanos assistiam até sermões de execução, que alertavam sobre o julgamento e rogavam por arrependimento à sombra da forca. O pregador, portanto, tinha uma impressionante autoridade não apenas para a igreja, mas também para a cidade.⁵ Era essa a autoridade que o jovem Jonathan observou no pai e no púlpito, e esse foi o tipo de autoridade e de respeito que ele mais tarde esperou dos próprios paroquianos. Como veremos, o maduro Jonathan Edwards enfrentaria decepções que o jovem Edwards nunca imaginou.

Com essa visão otimista do ministério em mente, Edwards começou sua preparação formal aos 13 anos, frequentando a Collegiate School de Connecticut em seu campus de Wethersfield, e três anos depois mudando-se para New Haven, depois que a escola foi reorganizada como Yale College. Nos estágios iniciais de sua formação, Yale era a alternativa conservadora a Harvard, que muitos habitantes da Nova Inglaterra acreditavam ter-se desviado para uma direção teologicamente liberal, longe de seu início puritano.

Os anos de faculdade de Jonathan foram intelectualmente fantásticos e socialmente miseráveis. Ele se destacou nos estudos e se tornou o orador oficial da turma, em parte porque trabalhava e não se divertia – ao contrário de alguns colegas que jogavam cartas, praguejavam, passavam horas caminhando à noite e ocasionalmente praticavam algum vandalismo bobo. Jonathan ficou horrorizado. Ele puniu os colegas por esse comportamento e denunciou suas atividades às autoridades escolares. Por isso, não era exatamente popular, mas não se importava muito. Havia grande quantidade de livros para ler! No entanto, Jonathan con­tinuou a lutar contra suas ansiedades espirituais, que às vezes o faziam sentir-se infeliz e quase desesperançado.

UM PADRÃO BÍBLICO DE COMPORTAMENTO

Aos 19 anos, enquanto trabalhava em seu mestrado em Yale, Edwards tornou-se pastor substituto de uma congregação pres­biteriana na cidade de Nova York. Durante esse tempo, ele começou a fazer anotações em muitos cadernos, incluindo suas agora inestimáveis Miscellanies [Miscelâneas], nos quais registrou reflexões sobre muitos tópicos. Ele serviu em Nova York por oito meses e estava continuamente estupefato com as maravilhas da cidade grande. Pela primeira vez, esse garoto do interior da Nova Inglaterra entrou em contato com grande número de culturas e religiões. Um de seus vizinhos, por exemplo, era um judeu, a quem ele mais tarde chamou, curiosamente, de a pessoa mais devota que já havia conhecido.

Durante esta primeira nomeação ministerial, o Edwards de 19 anos, continuando a lutar com sua fé, ansiava encontrar um exemplo de piedade devota. As ansiedades quanto ao estado de sua alma não haviam diminuído, e ele lidou com elas começando um diário, uma tradição puritana de longa data. Os puritanos escreviam diários quase tanto quanto liam as Escrituras, visto que os usavam para se avaliar à luz dos padrões que encontravam na Bíblia.

Em seu diário, especialmente quando comparado aos escritos por contemporâneos, Edwards revela muito sobre o que pensava sobre seu lugar no mundo. Considere outro diário bem conhecido daquela época: o de Benjamin Franklin. Franklin e Edwards foram pensadores brilhantes que adotaram formas modernas de pensar, mas o fizeram de formas muito diferentes. Enquanto Edwards se tornou um mestre teólogo segundo a tradição reformada, Franklin se tornou um deísta que mal considerava a teologia e se concentrava em atividades intelectuais mais práticas, como ciência e política. No entanto, os dois tinham um gene introspec­tivo: ambos mantinham diários e avaliavam a si mesmos e a seu comportamento por compará-los a padrões específicos. Franklin e Edwards muitas vezes concordavam com os princípios básicos para viver uma vida adequada, mas de modo geral discordavam sobre por que alguém deveria viver, acima de tudo, de acordo com certos padrões! Por exemplo: considere Pobre Richard, o grande personagem de Franklin, e seu famoso conselho: Dormir cedo e acordar cedo torna o homem saudável, rico e sábio. Compare isso com a razão que Edwards deu para ser um madrugador: é porque Cristo recomendou levantar-se de manhã cedo quando ressuscitou da sepultura muito cedo⁸. Que exemplo maravilhoso de como Edwards moldou sua mente em todos os aspectos se­gundo princípios bíblicos, mesmo nos mínimos detalhes da vida! Embora ambos os homens valorizassem o início do dia, Franklin o fazia por motivos práticos (acordar cedo gera boa saúde e sabedoria, sem mencionar a lucratividade), enquanto Edwards o fazia por motivos bíblicos (acordar cedo era uma pequena forma de comemorar a ressurreição).

A partir de seu diário, Edwards elaborou uma lista de regras para a vida que registrou em um caderno chamado Resoluções. E, como Franklin, ele manteve um acompanhamento de quão bem seguia as resoluções. Sempre preciso, prometeu trabalhar como um contador com foco espiritual, mantendo um registro mensal de quando violava as

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