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Noutra Vida
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E-book268 páginas3 horas

Noutra Vida

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Sobre este e-book

“Quando a vires, saberás.”
Lark percebe o que o pai quis dizer na noite em que conhece Erin.
A donzela mais formosa que já viu na vida.
É amor à primeira vista, mas o pai de Erin tem outros planos para a filha.
Não permitirá que esta se case com um plebeu como Lark, e avisa Lark para se manter afastado.
Quando o pai de Erin descobre que Erin e Lark o ignoraram, recorre a medidas mais severas, e Lark dá consigo amaldiçoado para toda a eternidade.
A única forma de quebrar a maldição é com um beijo de Erin, mas a própria maldição faz com que seja quase impossível para Lark aproximar-se de Erin nesta vida ou na próxima, quanto mais conseguir que a jovem o beije.
Lark acaba por desistir e por se resignar a uma vida sem Erin.
Mas o universo não pode ser contrariado e ninguém pode virar as costas a uma maldição.
Gerações depois, Lark encontra a reencarnação de Erin.
Ou será que encontra?
A pessoa que este julga ser Erin sabe o segredo dele e consegue enganá-lo de forma a que a aceite como Erin por um motivo que Lark nunca poderia ter imaginado.
Descobrirá Lark a verdade e encontrará a verdadeira reencarnação de Erin?
Será que ficarão finalmente juntos e será que sobreviverão aos desafios que lhes voltarão a ser lançados, mesmo que consigam finalmente vencer a maldição e ficar juntos?

IdiomaPortuguês
EditoraBadPress
Data de lançamento6 de set. de 2021
ISBN9781667412467
Noutra Vida
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Autor

Francois Keyser

Francois wanted to be an author since he first learned to read. He returned to his childhood dream after leaving a successful corporate career and has since authored over thirty titles across a variety of genres. He currently lives in Bali, Indonesia where he shares his time between his family and his writing.

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    Noutra Vida - Francois Keyser

    PARTE I

    Capítulo 1

    Quando a vires, saberás...

    Quando a viu, as palavras do pai ecoaram-lhe na mente.

    Uns longos cachos loiros desciam aos caracóis até ao lado do rosto dela e os seus olhos azuis mantiveram-no cativo no instante em que foram ao encontro dos dele. Tinha o narizinho e as bochechas polvilhados de sardas, e o seu radiante sorriso acabava numas covinhas. Tinha um ótimo porte, como a realeza, embora viesse de uma família humilde. Tinha uma postura reta, régia, até, à medida que se movia e cumprimentava os convidados.

    Os olhos dela detiveram-se quando encontraram os dele, e ele soube neste instante que ela o tinha visto e que estava a avaliá-lo. O olhar dela moveu-se para lá do seu, mas tudo o que foi preciso foi uma pequena hesitação. O olhar dela regressou e foi novamente ao encontro do dele. Ele sorriu-lhe e ela sorriu de volta.

    Soube naquele instante que ela estaria recetiva a falar com ele, e estava certo de que ela tinha gostado do que tinha visto, embora soubesse que ele estava para lá do alcance dela. Ou melhor, ela estava fora do alcance dele.

    Não passava de um rapaz de condição humilde, que tinha conseguido entrar no baile por meios questionáveis. A rapariga fixou brevemente o olhar em alguém através dele, antes de o mover rapidamente de volta à pessoa dele, repetidamente, de volta ao ponto onde ele se deteve imóvel, hipnotizado pela sua beleza, à medida que ela se aproximou dele.

    Enquanto se foi aproximando dele, voltou-se para a assistente e mandou-a tratar de um recado. Depois, alcançou-o e parou, olhando para ele enquanto lhe oferecia a mão.

    Ele corou e fez uma vénia, depois recebeu a mão dela na sua e depositou no dorso desta um suave beijo, ao mesmo tempo que a olhava nos olhos.

    Boa noite. É uma honra conhecer-vos, senhora minha.

    A honra é minha, respondeu ela tão diplomaticamente quanto conseguiu. Posso saber o vosso nome e de onde vindes?

    Chamo-me Lark, respondeu o rapaz enquanto corou e puxou o longo cabelo loiro e encaracolado para trás.

    Lark?, perguntou a rapariga. Lark como a ave ou é uma brincadeira?

    Estava a meter-se com ele, e ele corou ainda mais ao sentir suores frios a irromperem-lhe da fronte.

    Toda a gente me pergunta sempre isso, respondeu ele em voz baixa. Ele ainda estava a segurar a mão dela, e ela retirou-a por fim.

    Ela sorriu, De onde vindes?

    C... Cage, senhora minha, gaguejou ele.

    Os olhos dela semicerraram-se então, enquanto se perguntou se ele estava a gozar. Decidiu que não, e um pequeno sorriso atravessou-lhe o rosto, revelando uns belos dentes por trás dos belos e suaves lábios.

    A ave abandonou o ninho, então?, perguntou ela.

    Lark não conseguiu controlar-se, e a resposta saiu-lhe da boca antes de poder sequer travá-la, Que ave não abandonaria o ninho para vir ao encontro de alguém tão encantador como vós, senhora minha?

    Foi então a vez de a donzela corar, enquanto se esforçou para esconder o sorriso. E estou a ver que também chilreia, brincou ela, e depois acrescentou, Fico-vos grata pelo elogio.

    Se vos aprouver, senhora minha, talvez possamos falar lá fora, no terraço, se tiverdes um instante?

    Ela hesitou por um momento. Talvez, sim. Mas tenho mais pessoas para cumprimentar, portanto, se por acaso der com o terraço, procurarei certamente por vós, Lark.

    E depois desapareceu, movendo-se tão graciosamente como sempre por entre a multidão, e cumprimentado os convidados que os pais dela tinham convidado para o baile da noite.

    Lark observou-a até já não a conseguir ver claramente, e depois encaminhou-se para o exterior, onde vagueou entre os outros convidados que estavam no terraço. À medida que o fez, não conseguiu evitar entreouvir pedaços da conversa de discussões de outro convidado. Mas ele não estava interessado. Tinha a cabeça noutro lado, pois estava encantado.

    Tinha vindo à festa hoje à noite com um propósito, e precisava de o cumprir, senão, muito provavelmente depois não viveria para contar a história e ver esta donzela novamente depois desta noite.

    Lark era pouco mais que um vulgar carteirista, e a sua presença aqui, esta noite, tinha sido combinada para que este pudesse roubar algo ao pai da donzela. Nunca a tinha visto antes, mas, quando a viu, soube que seria ela.

    O pai dele tinha-lhe dito que seria assim, quando ainda era vivo. Quando a vires, saberás. Porém, o pai dele estava a falar-lhe de outro assunto relacionado com as mulheres. Estava a falar sobre como um homem sabe, ao ver a mulher pela primeira vez, que é com ela que há de se casar. Amor à primeira vista. Lark nunca acreditara nisto. Até a ter visto, há alguns minutos. Foi então que soube. Soube que tinha visto a donzela com quem casaria. E tinha de roubar o pai da mesma donzela. Só esperava que ela não o visse e que não fosse apanhado. Não queria arruinar as hipóteses que poderia ter com ela.

    Claro, disse para consigo. Nesta vida, nunca nada é fácil. Quer a donzela o visse a roubar o pai dela, seria difícil o suficiente chegar ao ponto de ter permissão para namorar com ela, quanto mais para pedir a mão dela em casamento. Não fazia ideia de como faria isto, mas sabia que o faria.

    Reparou que o pai dela estava na sala, e abriu caminho até ele, movendo-se lentamente, e certificando-se de que não atraía as atenções para si. Quando estava perto o suficiente, decidiu o que faria e agiu imediatamente, antes que perdesse a coragem.

    Aproximou-se do pai dela e, depois fingiu tropeçar e chocar com o mesmo. Neste instante, conseguiu duas coisas. Desprendeu o relógio do pai dela, que lhe caiu do pulso para o chão, enquanto Lark aliviava o pai dela do dinheiro que tinha no bolso do casaco, antes de também cair no chão.

    O pai dela virou-se e olhou para o rapaz que tinha caído a seus pés, e inclinou-se, para o ajudar. Lark tomou a mão dele e levantou-se.

    Fico-vos grato pela gentileza, meu senhor, disse ele, fazendo uma ligeira vénia. Sou um tolo desajeitado. Peço-vos perdão por ter ido contra vós.

    O pai da donzela, que se tratava de Eugene Grayston, segundo o tinham informado, olhou para Lark sem que o seu rosto revelasse emoção. Não tem importância, rapaz. Ainda bem que ninguém se magoou.

    Agradeço-vos, meu senhor. E, mais uma vez, peço desculpa.

    Eugene acenou e sorriu com desdém. Quando se começou a afastar, Lark apontou para o chão, Senhor, isto é vosso?

    Eugene parou e virou-se para trás, para onde Lark estava a apontar. Lark inclinou-se e apanhou o objeto para o qual tinha apontado. Era um relógio. Um relógio muito dispendioso.

    Sim, é meu, de facto, disse Eugene, franzindo as sobrancelhas.

    Lark estendeu-lho, Bom, aí o tem, senhor.

    Eugene tirou-o da mão de Lark e examinou-o antes de o prender novamente ao pulso. Agradeço-lhe, meu jovem.

    Não tem de quê, meu senhor. Ainda bem que não se partiu.

    Deveras, respondeu Eugene, enquanto examinava o relógio novamente. Convencido de que o relógio estava a trabalhar, olhou para Lark, assimilando as suas roupas, ao mesmo tempo. O seu olhar carregado estava fixo na testa dele. O rapaz estava bem vestido, mas as vestes dele não eram do melhor material. Longe disso. A festa era sobretudo para pessoas abastadas, mas havia, claro, a possibilidade de que algumas pessoas menos afortunadas também tivessem sido convidadas. Quer pelos criados, ou na qualidade de convidados dos convidados que tinham vindo ao baile de hoje à noite.

    Decidiu deixar o rapaz ir. Parecia ser simpático e honesto. Se me dás licença, disse Eugene educadamente, à medida que se virou e começou a falar com outros convidados.

    Lark abriu caminho em direção ao terraço, onde encontrou umas sombras e começou rapidamente a contar o dinheiro que tinha roubado a Eugene. Era uma fortuna! A sua sorte parecia estar finalmente a mudar. Eram mais de 100 libras! Sentou-se num muro baixo, levantou o pé esquerdo e posou-o sobre o joelho direito. Abriu o buraco na sola do sapato e empurrou o dinheiro para dentro. Ninguém o encontraria ali.

    No entanto, o seu entusiasmo foi efémero. O dinheiro não era para ele. Tinha de dar a maior parte a um homem a quem precisava de pagar uma dívida. Tão depressa vem como vai, suspirou ele, ao pensar nisto.

    ––––––––

    Então, Lark, quanto conseguistes?, perguntou a voz de uma donzela.

    O sangue gelou-se-lhe nas veias. Nesta festa, só uma donzela sabia o nome dele. A donzela que Lark conhecera lá dentro. A donzela. Aquela com quem ele ia casar. Mas ela sabia que Lark tinha roubado dinheiro ao pai dela. Sentiu-se a ficar vermelho na escuridão, à medida que ela contornou o arbusto atrás do qual ele estava sentado.

    Não podia mentir a esta donzela. Não se se queria casar com ela.

    Levantou-se à pressa e olhou para ela. Eu... Perdoai-me. Eu não tive intenção de...

    A donzela riu-se afavelmente, Claro que tivestes intenção, Lark. Eu vi-vos. Planeastes tudo e a execução foi excelente.

    OK, mas perdoai-me. Eu vou devolvê-lo. Esperai, deixai-me tirá-lo do...

    A donzela riu-se novamente. O seu riso era afável, alegre, despreocupado e belo.

    Esquecei isso, Lark. Precisais mais do dinheiro do que nós.

    Sim... Mas..., arrastou-se a voz de Lark.

    A donzela aproximou-se mais, Mas o quê?, perguntou ela, olhando-o nos olhos.

    Nunca quis que me vísseis como um ladrão. Estou a tentar deixar de ser ladrão. Quero ser melhor...

    Nunca quisestes que eu vos visse como um ladrão? Porquê?, perguntou a donzela.

    Porque... porque, depois ficarias desapontada e nunca quererias sair comigo.

    Ela sentiu-se tentada a desatar a rir perante o absurdo do que Lark tinha acabado de lhe dizer, mas temperou a alegria e refreou-a. Se se risse, não seria outra coisa que não cruel.

    Queríeis que eu saísse convosco?, perguntou ela, e com a surpresa estampada no rosto.

    Ficaria honrado. Daria tudo para sair convosco, senhora minha, disse Lark.

    Nem sequer sabeis o meu nome, respondeu a donzela.

    Ah... Sim... Perdoai-me a minha falta de educação, senhora minha. Poderíeis fazer a gentileza de partilhar o vosso nome comigo? Lark sentiu-se a corar novamente.

    A donzela aproximou-se dele e agora estava parada à sua frente. O cheiro dela deixou-o inebriado à medida que inspirou profundamente, inalando tanto do mesmo quanto conseguiu.

    O meu nome é Erin. Teria todo o gosto em sair convosco.

    "A sério?", perguntou Lark, incrédulo.

    "Por que não? Acho-vos interessante. Muito mais do que os homens aborrecidos que o meu pai traz para casa, para me visitarem.

    Sinto-me lisonjeado. Verdadeiramente lisonjeado, senhora minha, disse Lark. Mas vosso pai permiti-lo-ia? Era uma pergunta que Lark não queria fazer, e muito menos saber a resposta. Já tinha decidido que ia casar com esta donzela.

    Enquanto ali estavam, alguém chamou o nome de Erin.

    Erin!

    Erin olhou rapidamente em volta, mas a árvore atrás da qual se encontravam obstruiu-lhe a visão. Porém, Erin conhecia a voz. Era o pai dela.

    Olhou para trás, para Lark, com pânico no olhar e, naquele instante, tomou uma decisão. Ergueu as mãos e puxou a cara de Lark contra a dela. Os seus lábios encontraram os dele, e os olhos dele arregalaram-se de choque e surpresa. Passou só um momento até Lark responder e beijá-la de volta, erguendo as mãos para a agarrar.

    As suas línguas encontraram-se e exploraram-se voraz e apressadamente, à medida que a respiração deles acelerou, fazendo-os parecer dois cavalos que tinham acabado uma corrida árdua.

    Depois, sem mais nem menos, Erin afastou-se. Tocou ao de leve nos lábios com a mão. Fico-vos grata. Gostaria de voltar a ver-vos, disse ela, e depois desapareceu.

    Sim, meu pai, disse ela, ao contornar a árvore.

    Ah, aí estás tu, disse Eugene ao vê-la.

    Erin subiu as escadas e parou diante do pai.

    O que estás a fazer aqui no meio da escuridão?, perguntou  Eugene, preocupado.

    Nada, meu pai. Está uma noite tão encantadora, e um céu tão limpo, que quis ver as estrelas. Veem-se melhor na escuridão do que à luz do terraço.

    Eugene acenou. Quero apresentar-te o Harold, disse ele.

    Erin ofereceu-lhe a mão e Harold aceitou-a. Beijou-lhe a mão e disse, É um prazer conhecer-vos, senhora minha.

    Também é um prazer para mim, respondeu Erin enquanto retirava a mão.

    Lark saiu das sombras da árvore, esperando não ser detetado, mas Eugene viu o movimento e semicerrou os olhos ao perceber que Lark emergira do mesmo local onde Erin tinha estado. "Que estava ele a fazer com a Erin nas sombras?", perguntou-se Eugene. Reconheceu o rapaz como sendo o mesmo que chocara com ele anteriormente.

    Com licença, disse Eugene. Deixou Erin e Harold e fez sinal a um guarda. O guarda movimentou-se rapidamente, para alcançar Eugene.

    Sim, meu senhor, disse ele, à espera das ordens.

    Eugene apontou para Lark, que estava a dirigir-se para as portas de saída. Aquele rapaz, vestido como um homem pobre. Quero-o capturado e preso com o mínimo de tumulto. Leva-o para as masmorras. Vai, imediatamente!

    O guarda afastou-se tão rapidamente quanto pôde, seguindo Lark.

    Erin não sabia o que o pai tinha dito ao guarda, mas temia que tivesse alguma coisa a ver com Lark - embora não o tivesse visto a sair da sombra da árvore onde o tinha beijado.

    Capítulo 2

    Algumas pessoas acreditam na fatalidade. Outras chamam-lhe destino. Outras ainda gostam de acreditar que é algo sobre o qual não temos controlo, ao passo que outras parecem acreditar que todos nós criamos o nosso destino. Era nestas questões que Lark refletia repetidamente muitos anos depois, ao arrepender-se dos acontecimentos postos em marcha naquela noite. Os acontecimentos de uma noite criaram um percurso para o futuro, séculos antes.

    Lark pensava que tinha conseguido. Pensava que não tinha sido visto quando abandonou o seu lugar atrás da árvore e se dirigiu para a saída. A noite foi um sucesso em todos os sentidos, pensou ele. E acabara em beleza com um beijo que nunca poderia ter imaginado receber da donzela com quem jurou que casaria. Queria voltar a vê-la antes de se ir embora, mas duvidou de que isto fosse possível. Não sabia como e quando a voltaria a ver novamente, mas sabia que envidaria todos os esforços para tal.

    No entanto, Lark acreditava que estava safo, portanto, quando um guarda o mandou parar na porta principal, ficou surpreendido. Perguntou-se imediatamente se alguém o tinha visto roubar Eugene. Era a única coisa em que conseguia pensar. Tinha sido visto por alguém, e agora seria preso.

    Vem comigo, disse o guarda. O guarda levou-o pelo braço, desde a saída até ao pátio. Não faças uma cena, rapaz, senão as coisas vão ser piores para ti.

    O guarda agarrou-o com firmeza, magoando-o, e Lark não teve escolha senão acompanhar o guarda, que não mostrava sinais de desistir de lhe agarrar o braço. O guarda conduziu-o à volta do lado do imenso castelo, e chamou outro guarda, que se juntou a eles e que agarrou o outro braço de Lark. Conduziram Lark por entre uma arcada e por umas escadas a descer. Quando chegaram ao fundo, Lark apercebeu-se, pela luz ténue das tochas dos guardas, de que estavam nas masmorras.

    Que vem a ser isto? Por que estou aqui?, perguntou Lark à medida que o empurraram para dentro de uma cela. Fecharam a porta, que emitiu um som metálico, e trancaram-na.

    O nosso amo quer falar contigo, disse um dos guardas. Depois, desapareceram.

    Eugene acenou enquanto o guarda lhe sussurrou ao ouvido o que acontecera. Acenou e depois continuou a falar com o convidado, enquanto um pequeno sorriso lhe puxou os cantos da boca. Eugene continuou a confraternizar com os convidados até todos se terem ido embora, e só depois se encaminhou para as masmorras.

    Os guardas destrancaram a cela e deixaram-no entrar. Seguindo as instruções de Eugene, trancaram novamente a cela e deixaram tochas no corredor, para que houvesse luz suficiente.

    Lark levantou-se e ficou a observar à medida que Eugene se aproximou. Eugene percebera que o rapaz estava assustado.

    Senhor, por favor dizei-me por que razão estou aqui. Se cometi um erro, farei o meu melhor para o corrigir.

    Eugene parou diante de Lark e estudou-o.

    Como te chamas?

    Lark, senhor.

    De onde és?

    Cage, senhor.

    Eugene sorriu perante a imagética que o nome do rapaz e a cidade de onde vinha criaram na mente dele. Deveras apropriado, pensou ele.

    Estiveste com a senhora Erin esta noite, não é verdade?

    Lark não sabia o que dizer. Acenou após uma breve hesitação, Estive com ela por um momento, senhor.

    Porquê?, perguntou Eugene.

    Ela é uma donzela verdadeiramente excecional, senhor. Se dissesse que não me sinto atraído por ela, estaria a mentir.

    Eugene sorriu. Não foi um sorriso agradável. Foi antes um sorriso triste, um sorriso que representava deceção, reprovação, desagrado, desprezo e muito mais.

    E crês que ela partilha a mesma opinião a teu respeito?

    Lark sabia que podia estar a pisar um terreno perigoso. Não lhe perguntei, senhor, respondeu ele.

    Eugene acenou. Então vou dar-te notícias dececionantes, meu jovem rapaz. A senhora Erin está destinada a outra pessoa. Alguém que pode prover às necessidades dela, dar-lhe um lar e mantê-la a viver no conforto a que está habituada. Isto, seguramente, é algo que não podes fazer. Não é verdade?

    Lark lambeu os lábios nervosamente, Por favor, senhor. Eu farei qualquer coisa pela donzela. Se eu pudesse ao menos ter a oportunidade me apresentar à donzela, talvez ela pudesse dizer-me se gostaria de me dar uma oportunidade. Com a sua bênção, senhor, eu podia ajudá-lo no seu negócio. Eu aprendo depressa e prometo que trabalharei arduamente.

    Eugene levantou a mão enquanto abanava a cabeça. Serias então uma sanguessuga. Um parasita a sugar-me dinheiro para sustentar a minha filha?

    Imploro-vos, senhor. Faria o meu melhor, honestamente. Aprenderei e acrescentarei mais valor ao seu negócio do que alguma vez poderíeis imaginar. Serei digno. Eu sou digno.

    A expressão de Eugene endureceu. "Digno? Tu nem sabes o significado da palavra, parece-me. Nunca serás digno. Não és bem-vindo na minha casa e não te quero voltar a ver aqui novamente, nunca mais. Se te voltar a apanhar na minha propriedade, farei com que te

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