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Tratamento térmico dos metais – Da teoria à prática
Tratamento térmico dos metais – Da teoria à prática
Tratamento térmico dos metais – Da teoria à prática
E-book321 páginas2 horas

Tratamento térmico dos metais – Da teoria à prática

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Sobre este e-book

Rico em exemplos, este livro aborda a tecnologia que embasa as transformações de microestruturas dos metais e as técnicas aplicadas na prática para a operacionalização dessa importante etapa produtiva. As alterações das características dos diversos tipos de metais são relevantes para atender a diferentes solicitações mecânicas requeridas em projetos de peças que fazem parte de equipamentos compostos de materiais metálicos. Em linguagem simples e preservando a profundidade técnica necessária, o livro é voltado a estudantes e profissionais de diversos níveis de formação e atuação.
IdiomaPortuguês
Data de lançamento2 de jul. de 2018
ISBN9788553400645
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    Livro bom e direto. Poderia ter umas tabelas para consulta ao final do livro, principalmente sobre os tipos de aço, suas classificações e características.

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Tratamento térmico dos metais – Da teoria à prática - SENAI-SP Editora

1. Introdução

São comuns no meio metalúrgico discussões calorosas a respeito da origem de determinado defeito; por vezes, internamente, envolvendo setores dentro da cadeia produtiva da empresa, ou externamente, envolvendo cliente e fornecedor de tratamento térmico, sendo que, neste segundo caso, as questões envolvidas vão além de fatores econômicos.

O fato é que os tratamentos termofísicos (ou, simplesmente, tratamento térmico) e os termoquímicos não dependem somente dos fatores explicados pela metalurgia física, mas também de todo aparato envolvido no controle e fornecimento de calor e na retirada dele, das condições e da qualidade da liga utilizada e, ainda, da influência humana, principalmente em processos menos automatizados.

Antes da abordagem sobre os tratamentos térmicos propriamente ditos, alguns conceitos de metalurgia física serão vistos para ajudar na compreensão dos fenômenos que ocorrerão durante as fases de aquecimento, manutenção em temperatura e resfriamento sobre as instalações de tratamento térmico e também alguns problemas relacionados aos materiais.

O estudo dos aços será o ponto de partida, pois estes representam a maior parcela dos produtos ou peças que são submetidos aos tratamentos térmicos. Dada a importância e diversidade dos aços disponíveis no mercado, será feito um estudo detalhado dos aços-ferramenta e dos aços inoxidáveis. Em tratamentos termoquímicos, boretação, nitretação e cementação, com suas variáveis nitrocarbonetação e carbonitretação. Em seguida, os ferros fundidos e as ligas não ferrosas, com destaque para as de alumínio.

Por fim, serão abordados temas relacionados à segurança nas operações de tratamento térmico, citando exemplos de cuidados e medidas para a preservação dos equipamentos, das instalações e principalmente daqueles que estão diretamente envolvidos com o ambiente fabril onde o tratamento térmico é realizado.

2. Diagrama ferro-carbono (aços)

Por definição, aços são ligas de ferro e carbono, com teor máximo de carbono em torno de 2%. Os aços, quando submetidos a diferentes condições de aquecimento e resfriamento, dão origem a diferentes estruturas e, por consequência, propriedades bastante distintas. Para que o controle dessas variáveis dê origem a diferentes estruturas, as quais determinarão as propriedades desejadas, é necessário o conhecimento do diagrama de equilíbrio de fases da liga ferro-carbono, que define a composição e a temperatura em que estas fases são estáveis.

Existem dois tipos de diagramas Fe-C: o diagrama Fe-C estável, que mostra o equilíbrio entre o ferro e a grafita; e o diagrama Fe-Fe3C, metaestável, que apresenta o equilíbrio entre o ferro e a cementita (Fe3C). Uma vez que as velocidades de resfriamento vigentes no processamento dos aços são elevadas em relação às condições de equilíbrio, o diagrama empregado como ferramenta para o estudo de aços-carbono é o diagrama Fe-Fe3C, apresentado na Figura 2.1, até o teor de 2,2% de carbono.

Figura 2.1. Diagrama Fe-Fe3C.

A arte e a ciência do tratamento térmico dos aços são baseadas na existência da fase austenítica, presente no diagrama Fe-C. O controle da transformação da fase austenítica em outras fases é a responsável pela obtenção de variadas estruturas e propriedades dos aços, graças às diversas formas alotrópicas que o ferro pode apresentar em diferentes temperaturas. Como forma alotrópica, devemos entender as diversas formas geométricas que o cristal pode tomar, sendo que, para o estudo dos tratamentos térmicos dos aços, as principais são a forma cúbica de corpo centrado (CCC), também nomeada de ferrita ou ferro alfa; e a forma cúbica de face centrada (CFC), conhecida também como austenita ou ferro gama, ambas mostradas na Figura 2.2.

Figura 2.2. Austenita (CFC) e ferrita (CCC).

A adição de carbono no ferro produz mudanças importantes nas fases e no equilíbrio destas. Diferenças na capacidade da ferrita e da austenita em acomodar o carbono resulta na formação da cementita (Fe3C), que apresenta um reticulado ortorrômbico, com 12 átomos de ferro e 4 átomos de carbono, localizados nos interstícios dos átomos de ferro (Figura 2.3). A cementita assume diferentes formas, arranjos e tamanhos, e, junto à ferrita, contribui para a formação de diferentes estruturas encontradas nos aços. As várias formas da cementita dependerão diretamente da velocidade de solidificação, do histórico térmico a que foi submetido ou mesmo do tratamento térmico aplicado. A estrutura cristalina da cementita e da ferrita e as soluções sólidas da austenita serão discutidas a seguir, ao passo que a manipulação dessas fases para obtenção de microestruturas que interessarão às diferentes aplicações serão estudadas ao longo dos próximos capítulos.

Figura 2.3. Cementita – TCC.

Como se pode deduzir, os três tipos de reticulados apresentam diferentes propriedades: os dois primeiros apresentam elevada ductilidade, enquanto a cementita é extremamente dura com ductilidade praticamente nula.

Além do carbono, diferentes elementos podem ser encontrados ou adicionados ao aço, seja na forma de impurezas ou intencionalmente visando incrementar determinada propriedade. Na presença de outros elementos, a ponto de o limite de solubilidade desse elemento ser superado, outras fases, além das já vistas, podem ser formadas; por exemplo, pequenas adições de cromo numa liga ferro-carbono a 890 ºC mantêm a estrutura cementita (M3C), teores mais elevados de cromo formam o carboneto complexo de M7C3 e teores mais elevados ainda produzem o carboneto complexo M23C6.

Alguns elementos de liga são estabilizadores da austenita (diz-se que são elementos gamagênicos), como manganês e níquel, por exemplo; alguns são estabilizadores da ferrita (elementos alfagênicos), como silício, cromo e nióbio; e outros são fortes formadores de carbonetos, como vanádio, titânio, nióbio, molibdênio, tungstênio e cromo (se presentes em teores elevados). Ferrita ou austenita estabilizadas terão seus campos expandidos, o que é facilmente verificado pelas alterações sofridas no diagrama Fe-C.

A Figura 2.4 mostra as alterações sofridas pelo campo austenítico para diferentes elementos de liga adicionados ao aço.

Figura 2.4. Alterações sofridas no diagrama Fe-C com a adição de elementos de liga.

As três temperaturas críticas que mais interessam no tratamento térmico dos aços são definidas no diagrama Fe-C por:

•A 1 – corresponde à linha fronteiriça entre os campos ferrita-cementita e austenita-ferrita ou austenita-cementita.

•A 3 – corresponde à linha que separa o campo ferrita-austenita do campo austenítico.

•A cm – corresponde à linha entre o campo cementita-austenita e o campo austenítico.

As temperaturas delimitadas por essas linhas são válidas para condições de equilíbrio, que correspondem a condições extremamente lentas de resfriamento ou aquecimento, pois as transformações que ocorrem são por difusão. Taxas maiores de aquecimento deslocam as linhas ligeiramente para cima (a linha A3 passa a ser denominada Ac3 e a linha Acm passa a ser chamada de Accm); ao passo que, no resfriamento, o deslocamento se dá para baixo e as novas denominações para as linhas A3 e Acm passam a ser Ar3 e Arcm, respectivamente. Contudo a pequena diferença observada entre as linhas não afeta na prática o tratamento térmico a ser realizado.

As temperaturas críticas são determinadas experimentalmente para as diversas ligas de aço, porém Andrews (1965, p. 721-727) desenvolveu uma fórmula para calcular as temperaturas críticas de Ac3 e Ac1, que leva em consideração os elementos de liga:

Ac3 = 910 – 203√C – 15,2Ni + 44,7Si + 104V + 31,5Mo + 13,1W

Ac1 = 723 – 10,7Mn – 16,9Ni + 29,1Si + 16,9Cr + 290As + 6,38W

Observações:

1. Substituir os valores dos elementos pela porcentagem desses elementos na liga.

2. O resultado da equação é expresso em graus Celsius.

3. Para grande parte das ligas comercialmente disponíveis no mercado, os próprios fabricantes indicam em seus catálogos as temperaturas de tratamento ou as principais literaturas trazem os valores, como os manuais da ASM Metals Handbook, entre outros.

3. Microestruturas dos aços

As microestruturas formadas durante os tratamentos térmicos dos aços podem ser originadas a partir de transformações difusionais (transformações que ocorrem no estado sólido e dependem tanto do tempo quanto da temperatura) ou não difusionais (transformações no estado sólido que dependem fundamentalmente da temperatura).

3.1. Perlita, ferrita e cementita

Dentre as transformações difusionais que ocorrem, a que mais importa é a transformação eutetoide, na qual uma fase sólida se decompõe em duas outras fases totalmente diferentes. A reação eutetoide tem como característica principal a formação lamelar e, no caso dos aços, são lamelas de ferrita e cementita que se alternam, dando origem à chamada estrutura perlítica, conforme mostra a Figura 3.1.

Figura 3.1. Microestrutura perlítica (eutetoide).

A fase surgida a partir da reação eutetoide nos aços tem composição definida, ocorre a 727 ºC e é reversiva, podendo ser expressa pela equação:

γ α (0,02%C) + Fe3C (6,67%C)

Nos aços eutetoides (C = 0,77%), a partir do resfriamento do campo austenítico, atingindo a temperatura de 727 °C, a austenita se decompõe em cementita e ferrita, formando a estrutura conhecida por perlita. Forma-se, então, uma microestrutura com 100% de perlita. Essa transformação pode ser acompanhada na Figura 3.2.

Figura 3.2. Decomposição da austenita – resfriamento de um aço eutetoide.

Para os aços hipoeutetoides (C < 0,77%), a decomposição da austenita começa a ocorrer ao atingir a linha A3, formando certa quantidade de ferrita. Resfriando até 727 °C, a austenita restante (que não se transformou em ferrita) se decompõe, formando a perlita. Dessa forma, a estrutura final observada neste aço será de núcleos de perlita envoltos por grãos de ferrita, como mostra a Figura 3.3. A Figura 3.4 ilustra esta transformação.

Figura 3.3. Microestrutura de aço hipoeutetoide, ferrita (áreas claras) e perlita.

Figura 3.4. Análise do resfriamento de um aço hipoeutetoide.

No caso dos aços hipereutetoides (C > 0,77%), resfriando-se até a linha Acm, a formação de cementita ocorre até atingir a temperatura de 727 °C, na qual a austenita restante se transforma em perlita. A estrutura final será formada por núcleos de perlita rodeados de cementita, conforme exemplificado na Figura 3.5.

Figura 3.5. Aço hipereutetoide, grãos de perlita envolvidos pela cementita.

O mecanismo ilustrando a transformação da austenita em perlita e cementita em aço hipereutetoide pode ser visto na Figura 3.6.

Figura 3.6. Análise do resfriamento de um aço hipereutetoide.

A porcentagem da perlita aumenta com o teor de carbono, atinge seu valor máximo, ou seja, 100%, com 0,77% de carbono, a partir do qual volta a diminuir, como podemos ver na Figura 3.7.

Figura 3.7. Variação do teor de perlita em função da porcentagem de C.

É importante destacar que a ferrita até agora mencionada assume duas morfologias: ferrita pró-eutetoide, cuja formação dá-se a partir do resfriamento lento da austenita entre 910 ºC e 727 ºC, e ferrita eutetoide (forma lamelar), ao atingir 727 ºC.

Em outras condições de resfriamento, como uma têmpera, por exemplo, a ferrita pode se formar a partir de temperaturas mais baixas e, com isso, passa a apresentar outra morfologia, com destaque para a ferrita de Widmanstätten ou acicular (Figura 3.8a).

As quatro morfologias que a ferrita pode adquirir são:

•Cristais nucleados no contorno de grão da austenita formados a temperaturas mais altas, 800 °C – 850 °C, que têm interfaces curvas com a austenita, com formato equiaxial ou lenticular.

•Lamelas ou ripas de Widmanstätten, que são nucleadas nos limites de grão austeníticos, mas crescem com planos bem definidos.

•Cristais nucleados no interior dos grãos da austenita, apresentando formato equiaxial.

•Lamelas intragranulares semelhantes às ripas de Widmanstätten, mas que nucleiam exclusivamente no interior dos grãos de austenita.

Figura 3.8. Comparação entre duas morfologias da ferrita (áreas claras) em um aço com 0,2% C.

A classificação dos cristais nucleados de cementita a diferentes temperaturas é igual à da ferrita, citada anteriormente. O desenvolvimento inicial é de grãos equiaxiais nos contornos de grão (cementita pró-eutetoide) e, com a diminuição da temperatura, favorece-se o crescimento de cementita na forma de lamelas ou ripas (cementita eutetoide).

Mudanças significativas na velocidade de resfriamento da ferrita, por exemplo, apresentam mudanças morfológicas significativas e têm suas propriedades alteradas, como a ferrita acicular (forma de agulhas).

Quando o aço apresenta teores mais elevados de carbono, as mudanças morfológicas apresentadas pela austenita no resfriamento rápido são muito mais significativas, com a formação de uma nova estrutura denominada martensita.

3.2. Martensita

A martensita (Figura 3.9), nome originário de seu descobridor, o alemão metalurgista Adolf Martens, é utilizada para designar uma microestrutura dura, formada no resfriamento rápido dos aços, podendo ser encontrada em algumas ligas não ferrosas como Cu-Al e Au-Cd e é tida como uma das mais importantes descobertas tecnológicas da história.

Figura 3.9. Martensita.

Nos sistemas Fe-C, para os aços e suas ligas, a transformação da austenita origina a martensita, num processo não difusional, mantendo a mesma composição da austenita, com até 2% de carbono. Com o resfriamento rápido, a solubilidade do carbono na estrutura CCC é fortemente afetada, formando uma solução sólida supersaturada, que provoca uma distorção neste reticulado, o qual assume outra geometria, a tetragonal de corpo centrado (TCC). A martensita apresenta uma única fase formada nos aços (que também pode ocorrer nos ferros fundidos), com estrutura cristalina e composição química própria, além de ter uma interface bem definida com outras fases. Porém, é metaestável, ou seja, tende a voltar para um estado estável ou de equilíbrio ao longo do tempo ou quando um agente externo atuar, como, por exemplo, a temperatura, e é exatamente o que ocorre quando a martensita é reaquecida. Os átomos de carbono aprisionados no cristal TCC ganham mobilidade e se difundem, formando carbonetos. O resultado desse alívio da estrutura tetragonal é a decomposição da martensita em uma mistura de ferrita e cementita.

Do ponto de vista morfológico, a martensita pode se apresentar na forma de ripas e placas ou em uma mistura de ambas. Essa morfologia será definida pelo teor de carbono, como pode ser visto na Figura 3.10. Aços com teores de carbono até 0,6% tendem a formar uma martensita por ripas; entre 0,6% e 1%, uma mistura de ripas e placas; e acima de 1%, apenas por placas.

Figura 3.10. Relação entre o teor de carbono e o tipo de martensita formada.

3.3. Austenita

A austenita é encontrada em temperatura ambiente em alguns aços inoxidáveis austeníticos e duplex (ferrita + austenita), ou em aços que sofreram têmpera. Muitas vezes, por motivos relacionados principalmente à composição química, não tiveram sua transformação totalmente completada, restando certa porcentagem em temperatura ambiente (austenita retida). Nesse segundo caso, ela se apresentará juntamente à martensita (Figura 3.11).

Figura 3.11. Mistura de martensita e austenita retida (áreas claras).

3.4. Bainita

A formação da bainita ocorre por um processo misto, envolvendo difusão, como nas

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