Aproveite milhões de e-books, audiolivros, revistas e muito mais, com uma avaliação gratuita

Apenas $11.99 por mês após o período de teste gratuito. Cancele quando quiser.

INTRODUÇÃO AO DEPARTAMENTO FISCAL
INTRODUÇÃO AO DEPARTAMENTO FISCAL
INTRODUÇÃO AO DEPARTAMENTO FISCAL
E-book604 páginas6 horas

INTRODUÇÃO AO DEPARTAMENTO FISCAL

Nota: 0 de 5 estrelas

()

Sobre este e-book

O Departamento Fiscal é uma área dentro da contabilidade responsável pela escrituração de documentos fiscais, cálculo de tributos, suporte tributário e entrega de declarações da pessoa jurídica. Aprenda tudo sobre as atribuições do setor com foco nos mais recentes dispositivos legais do ordenamento jurídico brasileiro e seja mais um profissional da área.
IdiomaPortuguês
Data de lançamento16 de dez. de 2021
ISBN9786500049145
INTRODUÇÃO AO DEPARTAMENTO FISCAL
Ler a amostra

Relacionado a INTRODUÇÃO AO DEPARTAMENTO FISCAL

Livros relacionados

Artigos relacionados

Avaliações de INTRODUÇÃO AO DEPARTAMENTO FISCAL

Nota: 0 de 5 estrelas
0 notas

0 avaliação0 avaliação

O que você achou?

Toque para dar uma nota

    Pré-visualização do livro

    INTRODUÇÃO AO DEPARTAMENTO FISCAL - Thanure Raposo

    THANURE RAPOSO

    INTRODUÇÃO AO DEPARTAMENTO FISCAL

    Copyright ©2020 – Todos os direitos reservados a:

    Thanure Raposo

    ISBN: 978-65-00-04914-5

    O autor

    A obra a seguir é destinada a contadores, profissionais que atuam e também aqueles que desejam atuar na área de Departamento Fiscal, dentro do universo das ciências contábeis.

    Trata-se de uma síntese de todas as rotinas e obrigações dos contadores e escritórios de contabilidade junto ao Departamento Fiscal.

    Como toda obra do gênero, o conteúdo a seguir está sujeito à defasagem por força das alterações tributárias no ordenamento jurídico brasileiro nos âmbitos federal, estadual e municipal.

    Recomenda-se sempre estudo e cautela ao tratar de assuntos relacionados a tributação, códigos e dispositivos legais.

    Os nomes de empresas e estabelecimentos utilizados na obra não têm qualquer relação com pessoas jurídicas reais.

    Boa leitura!

    SUMÁRIO:

    CAPÍTULO 1 – DEPARTAMENTO FISCAL, CNPJ, REGIMES TRIBUTÁRIOS, TIPOS DE DOCUMENTOS FISCAIS13

    Tipos de documentos fiscais20

    CAPÍTULO 2 – ALÍQUOTAS DO ICMS, SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA24

    Segmentos de mercadorias - ST26

    CAPÍTULO 3 – ESCRITURAÇÃO FISCAL, CFOP DE ENTRADA36

    CFOP de entrada: operações internas38

    CFOP de entrada: operações interestaduais64

    CFOP de entrada: operações para o exterior89

    CAPÍTULO 4 – ESCRITURAÇÃO FISCAL, CFOP DE SAÍDA96

    CFOP de saída: operações internas96

    CFOP de saída: operações interestaduais127

    CFOP de saída: operações para o exterior158

    CAPÍTULO 5 – CST, CSOSN, CST A PARTIR DE 01/01/2022, NCM166

    CRT e CST até 31/12/2021166

    CRT e CSOSN até 31/12/2021176

    CRT E CST a partir de 2022184

    NCM193

    CAPÍTULO 6 – REGIMES DE TRIBUTAÇÃO: SIMPLES NACIONAL195

    CAPÍTULO 7 – REGIMES DE TRIBUTAÇÃO: LUCRO PRESUMIDO E LUCRO REAL. CÁLCULO DE TRIBUTOS FEDERAIS231

    CST PIS e COFINS (saídas)232

    CST PIS e COFINS (entradas)233

    Percentuais de presunção Lucro Presumido235

    Cálculo de tributos federais – Lucro Presumido237

    Adicional de IRPJ241

    Lucro Real245

    Cálculo PIS e COFINS – Lucro Real246

    Cálculo IRPJ e CSLL – Lucro Real250

    CAPÍTULO 8 – IPI (IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS)252

    CAPÍTULO 9 – ISS – IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS271

    Serviços sujeitos ao ISS271

    CAPÍTULO 10 - IRRF (IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE) E CSRF (CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS RETIDAS NA FONTE)298

    Tabela progressiva308

    CAPÍTULO 11 - CST PIS E COFINS, CÁLCULO PIS COFINS – LUCRO REAL312

    Imunidade de PIS e COFINS312

    Isenção de PIS e COFINS313

    Isenção da COFINS314

    Substituição Tributária de PIS e COFINS315

    Não incidência de PIS e COFINS315

    Alíquota zero de PIS e COFINS316

    Suspensão de PIS e COFINS316

    Incidência monofásica de PIS e COFINS316

    CAPÍTULO 12 – MEI (MICROEMPREENDEDOR INDIVIDUAL)330

    CAPÍTULO 13 – DECLARAÇÕES DA PESSOA JURÍDICA341

    Declarações municipais342

    Declarações estaduais – Sintegra342

    Declarações estaduais – DeSTDA346

    Declarações federais – EFD ICMS IPI351

    Declarações federais – EFD Contribuições354

    Declarações federais – DCTF361

    Declarações federais – EFD REINF365

    Declarações federais – DIRF371

    Declarações federais – DMED379

    Declarações federais – DME381

    Declarações federais – ECD385

    Declarações federais – ECF386

    CAPÍTULO 14 - DECLARAÇÃO DO IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA (DIRPF)390

    Ficha: Identificação do contribuinte400

    Ficha: Dependentes403

    Ficha: Alimentandos405

    Ficha: Rendimentos tributáveis recebidos de PJ407

    Ficha: Rendimentos tributáveis recebidos de PF/exterior409

    Ficha: Rendimentos isentos e não tributáveis422

    Ficha: Rendimentos sujeitos à tributação exclusiva/definitiva448

    Ficha: Rendimentos tributáveis de PJ (Imposto com exigibilidade suspensa)450

    Ficha: Rendimentos recebidos acumuladamente450

    Ficha: Imposto pago/retido454

    Ficha: Pagamentos efetuados456

    Ficha: Doações efetuadas460

    Ficha: Doações diretamente na declaração461

    Ficha: Bens e direitos461

    Ficha: Dívidas e ônus reais469

    Ficha: Espólio471

    Ficha: Doações a partidos políticos e candidatos a cargos eletivos471

    Ficha: Atividade rural471

    Ficha: Ganhos de capital473

    Ficha: Renda variável473

    CAPÍTULO 15 – SUFRAMA475

    Zona Franca de Manaus (ZFM)475

    Amazônia Ocidental (AO)476

    Áreas de Livre Comércio (ALC)476

    ICMS – Zona Franca de Manaus477

    ICMS – Áreas de Livre Comércio479

    ICMS – Amazônia Ocidental480

    IPI – Zona Franca de Manaus480

    IPI – Áreas de Livre Comércio483

    IPI – Amazônia Ocidental495

    PIS e COFINS – Zona Franca de Manaus (ZFM) e Áreas de Livre Comércio (ALC)497

    CAPÍTULO 16 – EMISSÃO DA NOTA FISCAL ELETRÔNICA (MODELO 55)503

    CAPÍTULO 17 – PERGUNTAS E RESPOSTAS520

    Perguntas frequentes520

    Tabela de conversão CFOP para codificação de entradas531

    CAPÍTULO 1

    DEPARTAMENTO FISCAL – CNPJ, REGIMES TRIBUTÁRIOS, TIPOS DE DOCUMENTOS FISCAIS

    O primeiro ponto a se destacar sobre o Departamento Fiscal é a sua competência. Afinal, o que um profissional de Departamento Fiscal faz? Onde ele atua? Qual sua importância e relevância? Quais suas obrigações?

    O Departamento Fiscal é uma área dentro da contabilidade, responsável por escriturar documentos fiscais, calcular tributos e entregar declarações da pessoa jurídica ao fisco.

    Quando falamos em contabilidade é importante saber que ela se subdivide em pelo menos quatro departamentos. São eles: Departamento Contábil, Departamento Fiscal, Departamento Pessoal e Departamento Processual.

    O Departamento Contábil fica responsável por escriturar todo e qualquer documento de uma determinada empresa. Ele reúne as informações de receitas (faturamento) da empresa, suas despesas, quanto ela pagou de tributos, quanto pagou a seus fornecedores, quanto recebeu de seus clientes, quanto pagou a seus funcionários, qual o saldo de caixa e do banco, quanto renderam suas aplicações financeiras etc. O Departamento Contábil é um livro de tudo aquilo que movimenta valores dentro da empresa, desde a despesa do pão dos funcionários até o saldo de suas contas bancárias. Nesse departamento cada saldo fica registrado em uma conta contábil específica. As contas são representadas por códigos numéricos e descrição. A própria Receita Federal disponibiliza um plano de contas referencial para os contribuintes e, conforme a necessidade de cada empresa, cria-se novas contas. Exemplos:

    1.01.01.01.00 – Caixa

    1.01.01.02.00 – Bancos

    1.01.03.01.00 – Estoques

    1.01.03.01.01 – Mercadorias para revenda

    O Departamento Pessoal trabalha com folhas de pagamento e funcionários, ou seja, esse setor tem como principais atribuições: recrutamento e registro de funcionários, elaboração de contrato de trabalho, contrato de experiência, anotações em carteira de trabalho, emissão de folhas de pagamento, emissão de recibos de férias, definição de jornada de trabalho, rescisão de contrato de trabalho, emissão de tributos para o empregador, suporte à legislação trabalhista tanto para o empregado quanto para o empregador, entre outras diversas funções concernentes.

    Já o Departamento Processual fica responsável pelo registro e abertura de empresas, alteração de dados como nome, capital, sócios, endereço, atividade, nome fantasia etc. Esse setor também é responsável por solicitar a baixa (fim da atividade) na Receita Federal, entre outras atribuições atípicas como controle de certidões, cadastros bancários etc.

    Por fim, temos o Departamento Fiscal, que é o foco da presente obra. Ele fica responsável por escriturar os documentos fiscais (notas fiscais, cupons fiscais, conhecimentos de transporte etc.), calcular os tributos (impostos, contribuições etc.) a pagar, entregar declarações da pessoa jurídica (declarações exigidas pelo fisco) e dar suporte fiscal e tributário sempre com foco na legislação vigente.

    O Departamento Fiscal irá trabalhar principalmente com empresas, ou seja, pessoas jurídicas.

    Toda empresa, para atuar, precisa possuir o CNPJ. O CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica) é um código de quatorze dígitos que identifica um determinado estabelecimento.

    Caro(a) leitor (a), quanto eu utilizar a palavra empresa estarei me referindo a uma empresa como um todo, ou seja, matriz + suas filiais. Quando eu utilizar a palavra estabelecimento estarei me referindo não necessariamente a uma empresa, mas a um estabelecimento, que pode ser uma filial, por exemplo.

    Então o CNPJ identifica um determinado estabelecimento, ou seja, quando uma empresa abre filiais, por exemplo, cada uma dessas filiais precisa possuir seu próprio CNPJ. Veja exemplo de um CNPJ de um estabelecimento matriz:

    CNPJ: 15.473.275/0001-26

    O CNPJ de uma matriz possui exatamente este formato demonstrado acima. Temos oito dígitos antes da barra que formam a raiz do CNPJ e que identificam a empresa. Os primeiros quatro dígitos após a barra identificam o estabelecimento, ou seja, se trata-se da matriz ou de uma filial e, sendo uma filial, qual filial é. Os dois dígitos restantes formam o dígito verificador que são resultado de uma equação com os dígitos anteriores.

    Note que os primeiros quatro números depois da barra no CNPJ acima são 0001. Isso significa que esse CNPJ representa o primeiro estabelecimento de uma determinada empresa, ou seja, trata-se do estabelecimento Matriz.

    Se essa empresa abrir uma filial, por exemplo, a raiz do CNPJ mantêm-se a mesma e, os quatro primeiros dígitos após a barra serão 0002. Exemplo de CNPJ de filial:

    CNPJ: 15.473.275/0002-41

    Veja que a raiz (oito primeiros dígitos) são os mesmos e os quatro primeiros dígitos após a barra indicam que esse é o segundo estabelecimento de uma empresa, ou seja, trata-se da filial 1.

    Isso mesmo! Pode parecer um pouco confuso no começo. O estabelecimento matriz é identificado com 0001. A filial 1 então será identificada com 0002. A filial 2 será identificada com 0003 e assim por diante.

    Suponhamos que nos deparemos com o seguinte CNPJ:

    CNPJ: 12.771.293/0075-14

    Note que os quatro primeiros dígitos após a barra são 0075. Isso indica que se trata da filial 74 de determinada empresa, pois esse é o 75º (septuagésimo quinto) estabelecimento dela.

    O CNPJ de filiais sempre terá a mesma raiz (oito primeiros dígitos) que o estabelecimento matriz. Tratando-se de empresas diferentes, obviamente, todo o CNPJ será diferente.

    Então, quando uma pessoa física ou um grupo de pessoas decide abrir uma empresa, o primeiro passo é procurar um contador ou um escritório de contabilidade para providenciar o registro. O registro pode acontecer na Junta Comercial do estado em questão ou em cartório, dependendo da atividade da empresa.

    O Departamento Processual então irá providenciar o registro do ato de constituição e solicitará o CNPJ por meio da página da Receita Federal do Brasil, na internet.

    Tratando-se de empresa industrial, comercial, transportadora, prestadora de serviços de comunicação e telecomunicação, fornecedora de energia elétrica, entre outras, deverá possuir também a Inscrição Estadual.

    A Inscrição Estadual tem basicamente a mesma finalidade do CNPJ, porém, é um cadastro estadual, ou seja, específico de cada estado que identifica um determinado estabelecimento em determinado estado. Para cada estado, haverá um formato diferente de inscrição estadual. Veja exemplos:

    CNPJ: 15.473.275/0001-26

    Inscrição Estadual: 001.082.553.0079

    A inscrição estadual acima é de um hipotético estabelecimento situado no estado de Minas Gerais. Se estivesse localizado em São Paulo, por exemplo, a inscrição teria apenas doze dígitos. Assim:

    Inscrição estadual: 413.299.771.110

    Apesar de cada estado possuir uma quantidade de dígitos para definir a inscrição estadual, esse assunto não é muito relevante para nossos estudos.

    Além da inscrição estadual, que é uma obrigação de empresas que trabalham com circulação de mercadorias, além das prestadoras de serviço de transporte, prestadores de serviço de comunicação e telecomunicação, distribuidora de energia elétrica, entre outras atividades, as empresas também são obrigadas a possuir a inscrição municipal.

    A inscrição municipal é um número que identifica um estabelecimento dentro de um determinado município e é obrigatória para toda e qualquer pessoa jurídica.

    Então, em relação às inscrições, temos que o CNPJ e a Inscrição Municipal são obrigatórias para todas as empresas/estabelecimentos, sem exceção. Já a Inscrição Estadual é isenta para empresas exclusivamente prestadoras de serviços sujeitos ao ISS (Imposto sobre Serviços), como clínicas médicas, advocacias, corretoras de seguros, transportadoras unicamente de âmbito municipal, agências de viagens, administradoras, escritórios de contabilidade, assessorias etc.

    Então, para saber se a empresa deverá ou não possuir a inscrição estadual, é necessário analisar primeiro sua atividade.

    Além das três inscrições citadas, todas os estabelecimentos são obrigados a possuir o Alvará de Licença para Localização e/ou Funcionamento, exceto disposição em contrário da Prefeitura do município. O Alvará é concedido pela Prefeitura Municipal que avalia se o estabelecimento atende às normas da legislação municipal. Se o estabelecimento não atender às normas, a prefeitura orienta o contribuinte sobre como proceder para obter o Alvará.

    Por fim, temos o AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros), que é um documento emitido pelo Corpo de Bombeiros que atesta que um determinado estabelecimento está de acordo com as normas de segurança e prevenção de incêndios. Alguns estabelecimentos podem ser dispensados do AVCB dependendo da legislação local.

    Somente depois de obter todos os registros, a empresa poderá iniciar suas atividades. Depois do registro, o responsável pela pessoa jurídica deverá, juntamente com seu contador/contabilista, definir o regime de tributação da mesma.

    Regime de tributação é basicamente a forma como uma determinada empresa pagará seus impostos/tributos. Atualmente, no Brasil, temos três regimes de tributação principais. São eles:

    SIMPLES NACIONAL: regime de tributação voltado às micro e pequenas empresas com faturamento anual de até R$ 4.800.000,00 (Quatro milhões e oitocentos mil reais);

    LUCRO PRESUMIDO: regime voltado para empresas prestadoras de serviço, principalmente serviços de profissão legalmente regulamentada (médicos, dentistas, advogados etc.), empresas com movimentação mais robusta e empresas na situação em que o Simples Nacional não seja uma boa opção;

    LUCRO REAL: regime voltado para empresas médias e grandes, empresas de factoring, bancos, empresas do ramo financeiro, sociedades de crédito imobiliário e empresas que possuam despesas elevadas em relação ao seu faturamento.

    Você deve estar se perguntando: como é feito o cálculo de impostos/tributos de uma empresa? Bom, isso vai depender do regime escolhido por ela.

    No Simples Nacional, as empresas são tributadas com base em suas receitas (faturamento bruto). O faturamento bruto é obtido através dos documentos fiscais emitidos em determinado mês. Toda e qualquer transação que um estabelecimento faz exige a emissão de um documento fiscal. Exemplos:

    A empresa Pinta o Sete Confecções Ltda vendeu mercadorias para a empresa V & M Comércio de Roupas Ltda. Sendo assim, a empresa Pinta o Sete Confecções irá emitir uma nota fiscal de venda. Essa nota fiscal irá acobertar essa transação e entrará no cômputo do faturamento.

    A empresa Rapidão Transportes Ltda prestou serviços de transporte de cargas para a empresa Souza Siderúrgica Ltda. Sendo assim, a empresa Rapidão Transportes irá emitir um conhecimento de transporte para acobertar essa operação e o valor entrará no cômputo de seu faturamento.

    Assim como toda operação precisa ter um documento fiscal equivalente, cada tipo de operação exige um determinado documento fiscal. Os mais comuns são a Nota Fiscal Eletrônica (modelo 55), a Nota Fiscal de Consumidor Eletrônica (modelo 65), o Conhecimento de Transporte Eletrônico (modelo 57), o Cupom Fiscal (modelo 2D – em processo de extinção), a Nota Fiscal de Venda a Consumidor (modelo 02 – em processo de extinção) e a Nota Fiscal Manual (modelo 01).

    Veja a lista completa:

    Cada um desses documentos serve para acobertar determinadas transações. Alguns deles estão em processo de extinção, ou seja, estão caindo em desuso. É o caso dos documentos fiscais manuais e aqueles emitidos por processamento de dados que estão sendo substituídos por documentos eletrônicos.

    Um dos casos é o da Nota Fiscal Manual (modelo 1) que foi substituída pela Nota Fiscal Eletrônica (modelo 55). Já se foi a época em que as empresas preenchiam notas fiscais de forma manual em blocos, utilizando canetas e carbonos. Atualmente a emissão se dá por meio de softwares de forma eletrônica. Apesar de ter caído em desuso, a Nota Fiscal modelo 1 (manual) ainda resiste, pois, para determinadas situações, ela ainda tem validade significativa, como, por exemplo, as vendas efetuadas fora do estabelecimento. Ainda assim, a tendência é que esse tipo de documento fiscal seja cada vez menos utilizado.

    Um exemplo de documento fiscal que já está extinto é o Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas (modelo 08) que foi substituído pelo Conhecimento de Transporte Eletrônico (modelo 57). E aqui segue o mesmo caso do exemplo anterior. Antigamente as empresas emitiam conhecimentos de transporte de forma manual ou por meio de processamento de dados e, atualmente, essa emissão é totalmente eletrônica. Então, as transportadoras de cargas em transporte intermunicipal, interestadual e internacional emitem o Conhecimento de Transporte Eletrônico (modelo 57) para acobertar suas operações.

    Outro exemplo relevante é o Cupom Fiscal (modelo 2D) e a Nota Fiscal de Venda a Consumidor (modelo 2). Ambos estão sendo substituídos pelo Cupom Fiscal Eletrônico (modelos 59 e 60) e/ou pela Nota Fiscal de Consumidor Eletrônica (modelo 65). Cada estado define que tipo de documento eletrônico deverá ser adotado para as vendas varejistas realizadas a consumidor final.

    Para ficar mais fácil de entender, vamos a alguns exemplos:

    Nota Fiscal Eletrônica (modelo 55): serve para acobertar revenda de mercadorias, venda de produto acabado (produtos industrializados), remessas, bonificações, trocas de mercadorias, devolução de mercadorias e qualquer outra transação envolvendo mercadorias.

    Conhecimento de Transporte Eletrônico (modelo 57): serve para acobertar o serviço de transporte de cargas intermunicipal, interestadual e internacional. Obs.: esse documento não deve ser utilizado no transporte municipal (feito dentro do município), pois esse transporte é tributado pelo ISS (Imposto Sobre Serviços) e deverá ser acobertado através de Nota Fiscal de Serviços.

    Nota Fiscal de Consumidor Eletrônica (modelo 65), Cupom Fiscal Eletrônico (modelos 59 e 60): servem para o comércio varejista, destinado a consumidor final. Como exemplo temos lojas de roupas, lojas de calçados, supermercados, lanchonetes, restaurantes, lojas de brinquedos, sorveterias, farmácias, mecânicas automotivas, padarias, postos de gasolina, mercearias etc. Essas empresas realizam a venda direto ao consumidor. Sendo assim, devem emitir algum desses documentos citados. Vale lembrar que ainda encontramos no Brasil o Cupom Fiscal (modelo 2D), que é o cupom comum emitido por processamento de dados e que deve cair em desuso total nos próximos anos e a Nota Fiscal de venda a consumidor (modelo 02) que também está gradualmente sendo extinta.

    Agora que você já tem noção do que é preciso para o funcionamento de uma empresa e quais são os tipos de documentos fiscais, está na hora de iniciarmos o estudo sobre ICMS, Substituição Tributária e fiscalização. Veremos esses assuntos no capítulo 2.

    CAPÍTULO 2

    ALÍQUOTAS DO ICMS, SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA

    A principal rotina do Departamento Fiscal é a escrituração de documentos fiscais. Basicamente as empresas emitem seus documentos fiscais para todas as suas operações, enviam esses documentos para a contabilidade e o Departamento Fiscal escritura e registra esses documentos em um determinado software.

    Mas para que serve essa escrituração? Ela serve para calcular os tributos e também para cumprir obrigações acessórias exigidas pelo fisco, ou seja, a entrega de declarações.

    Então não basta que a empresa emita seus documentos fiscais e pague seus tributos. Ela precisa prestar contas à Receita Federal, Secretaria de Estado de Fazenda e Prefeitura Municipal. Essa prestação de contas é feita por meio das declarações da pessoa jurídica.

    As declarações visam informar ao fisco quais foram as operações realizadas pelas empresas, quanto faturaram, quais tributos devidos, quanto compraram etc. Através dessa prestação de contas, o fisco verifica se o contribuinte em questão praticou alguma irregularidade tributária, ou seja, que afete os cofres públicos. O exemplo de irregularidade mais comum é a sonegação de impostos/tributos.

    Sonegação é a omissão de receitas, ou seja, a omissão de faturamento. Se o contribuinte fatura, mas não emite documento fiscal equivalente, ele está sonegando, está cometendo um crime tributário. Esse crime é passível de multa ou reclusão, dependendo do caso.

    Que os impostos no Brasil são pesados, todo mundo já sabe. Muitos empresários omitem suas receitas com o intuito de obter vantagem sobre seus concorrentes e pagar menos impostos.

    Porém, a sonegação é um ciclo vicioso que apenas prejudica. O empresário sonega. Posteriormente, o dinheiro arrecadado pelo governo não é suficiente para suprir as necessidades do país. Então o governo cria novos impostos ou aumenta os já existentes.

    É claro que aqui caberia uma longa discussão sobre a má administração dos recursos públicos, mas não vamos debater sobre isso.

    Você deve estar se perguntando: e se as empresas simplesmente sonegarem e decidirem não pagar os tributos? É aí que entram as declarações da pessoa jurídica. Através delas o fisco consegue identificar essas disparidades nas transações das empresas.

    Vamos a um exemplo:

    Suponhamos que a empresa X comprou no mês de janeiro R$ 100.000,00 em mercadoria para revenda. E, dentro do mesmo mês, ela faturou (vendeu) R$ 30.000,00. Depois, no mês de fevereiro, ela comprou R$ 150.000,00 em mercadoria para revenda e vendeu R$ 40.000,00. No mês de março ela comprou mais R$ 80.000,00 e vendeu R$ 20.000,00.

    A disparidade aqui fica clara. A empresa está comprando muito mais do que vende, ou seja, provavelmente está sonegando. Quando o Departamento Fiscal envia as declarações para o fisco e este percebe indícios de conduta criminosa, o órgão fiscalizador emite um Auto de Infração e cobra os valores sonegados do contribuinte com acréscimo de multas, que muitas vezes, podem ser bem pesadas.

    Justamente por conta da sonegação, principalmente do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e prestação de Serviços de transporte interestadual e intermunicipal e comunicação), o fisco cobra o ICMS de forma antecipada, ou seja, o que deveria ser pago no momento da venda, passa a ser pago no momento da entrada. A isso damos o nome de SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA.

    Para combater a sonegação do ICMS, os Estados da Federação optam por cobrar o ICMS de forma antecipada, no momento da entrada do produto ao invés de cobrar o ICMS no momento da saída. Isso acontece muito com produtos como combustíveis, cigarros, autopeças, materiais de construção, bebidas alcoólicas, materiais elétricos, produtos alimentícios, medicamentos etc.

    Cada estado da federação define quais produtos estão ou não sujeitos à Substituição Tributária em seu território. No entanto, eles precisam obedecer ao Convênio ICMS 92/2015 e suas atualizações, que define quais produtos podem ser incluídos no regime de substituição tributária.

    Veja o Anexo I do Convênio ICMS 92/2015 que define quais produtos podem ser tributados por ST (Substituição Tributária), ou seja, podem ter o ICMS cobrado no momento da entrada.

    ANEXO I

    SEGMENTOS DE MERCADORIAS

    01. Autopeças.

    02. Bebidas alcoólicas, exceto cerveja e chope.

    03. Cervejas, chopes, refrigerantes, águas e outras bebidas.

    04. Cigarros e outros produtos derivados do fumo.

    05. Cimentos.

    06. Combustíveis e lubrificantes.

    07. Energia elétrica.

    08. Ferramentas.

    09. Lâmpadas, reatores e starter.

    10. Materiais de construção e congêneres.

    11. Materiais de limpeza.

    12. Materiais elétricos.

    13. Medicamentos de uso humano e outros produtos farmacêuticos para uso humano ou veterinário.

    14. Papéis, plásticos, produtos cerâmicos e vidros.

    15. REVOGADO.

    16. Pneumáticos, câmaras de ar e protetores de borracha.

    17. Produtos alimentícios.

    18. REVOGADO.

    19. Produtos de papelaria.

    20. Produtos de perfumaria e de higiene pessoal e cosméticos.

    21. Produtos eletrônicos, eletroeletrônicos e eletrodomésticos.

    22. Rações para animais domésticos.

    23. Sorvetes e preparados para fabricação de sorvetes em máquinas.

    24. Tintas e vernizes.

    25. Veículos automotores.

    26. Veículos de duas e três rodas motorizados.

    27. REVOGADO.

    28. Venda de mercadorias pelo sistema porta a porta.

    Os produtos listados são aqueles que vão estar sujeitos ao recolhimento antecipado do ICMS, ou seja, no momento da entrada da mercadoria. Não necessariamente todos eles vão estar nessa condição. Cada Estado define suas regras.

    Antes de você saber como funciona o cálculo do ICMS por Substituição Tributária, é necessário primeiro entender como funciona o cálculo do ICMS no sistema normal de tributação, ou seja, sem substituição tributária, situação em que o ICMS é pago no momento da saída do produto.

    Cada estado da federação possui uma alíquota (percentual) de ICMS que varia de 17% a 18%, podendo chegar a 20% por conta de um adicional de combate à pobreza cobrado por alguns estados e para alguns produtos específicos em outros.

    Essas alíquotas de 17% e 18% representam os percentuais da regra geral do ICMS dentro de cada estado. Isso significa que, se um determinado produto não está sujeito à ST, não possui nenhum tipo de norma específica em relação à sua tributação, ele será tributado a alíquota de 17% a 18% de ICMS. É bom frisar que as alíquotas podem variar muito. As alíquotas de 17% a 18% representam a regra geral de cada estado.

    Veja a seguir a alíquota interna de tributação do ICMS de cada estado (regra geral):

    Acre: 17%.

    Alagoas: 17% + 1% de Fundo Estadual de Combate e Erradicação da Pobreza (FECOEP), totalizando 18%.

    Amazonas: 18%.

    Amapá: 18%.

    Bahia: 18%.

    Ceará: 18%.

    Distrito Federal: 18%.

    Espírito Santo: 17%.

    Goiás: 17%.

    Maranhão: 18%.

    Mato Grosso: 17%.

    Mato Grosso do Sul: 17%.

    Minas Gerais: 18%.

    Pará: 17%.

    Paraíba: 18%.

    Paraná: 18%.

    Pernambuco: 18%.

    Piauí: 18%.

    Rio Grande do Norte: 18%.

    Rio Grande do Sul: 18%.

    Rio de Janeiro: 18% + 2% de Fundo Estadual de Combate à Pobreza (FECP), totalizando 20%.

    Rondônia: 17,5%.

    Roraima: 17%.

    Santa Catarina: 17%.

    São Paulo: 18%.

    Sergipe: 18%.

    Tocantins: 18%.

    Agora que você já sabe quais são as alíquotas do ICMS em cada estado brasileiro, veja como funciona a apuração desse imposto de forma hipotética.

    Suponhamos que a empresa X localizada no estado de São Paulo adquiriu R$ 100.000,00 em mercadorias para revenda em determinado mês e dentro do próprio estado. Sendo assim, a empresa X terá um crédito de ICMS sobre essas aquisições. O crédito será calculado utilizando a alíquota interna do ICMS do estado de São Paulo. Logo, temos:

    Crédito de ICMS: 100.000,00 x 18% = 18.000,00.

    Perceba então que o crédito de ICMS da empresa X nesse hipotético mês foi de R$ 18.000,00. Agora temos que calcular o débito de ICMS dentro do mesmo período.

    Suponhamos que a empresa X vendeu R$ 150.000,00 em mercadorias dentro desse mesmo mês. O débito do ICMS também será calculado multiplicando as saídas pela alíquota interna do ICMS do estado de São Paulo. Logo, temos:

    Débito de ICMS: 150.000,00 x 18% = 27.000,00.

    Note que a empresa X teve um débito de ICMS no valor de R$ 27.000,00 e um crédito de ICMS no valor de R$ 18.000,00.

    ICMS a pagar: 27.000,00 – 18.000,00 = 9.000,00.

    Logo, o ICMS final a pagar da empresa X para o período em questão será de R$ 9.000,00.

    É importante que você saiba, caro(a) leitor(a), que o exemplo de apuração do ICMS acima só é aplicável às empresas NÃO OPTANTES PELO SIMPLES NACIONAL. As empresas que farão essa apuração serão aquelas com movimentação mais robusta e/ou aquelas que, por algum motivo, optaram por não se enquadrarem no regime do Simples Nacional.

    A apuração demonstrada também não levou em conta a substituição tributária, ou seja, é como se a empresa X trabalhasse apenas com produtos não sujeitos à ST, como, por exemplo, peças do vestuário.

    Quando o produto está sujeito à ST do ICMS, a apuração muda, pois o contribuinte irá pagar o ICMS no momento da entrada da mercadoria e não no momento da saída/venda. Então, utilizando o mesmo exemplo, teríamos primeiro que saber qual é a MVA (Margem de Valor Agregado) ou IVA (Índice de Valor Adicional) definido para aquela determinada mercadoria pelo estado.

    Como dito anteriormente, quando se trata de ST, cada estado estipula suas regras. Sendo assim, cada estado também estipula qual é a margem a ser utilizada para o cálculo do ICMS de forma antecipada.

    Suponhamos que o estado de São Paulo tenha definido que o produto que a empresa X vende tenha uma margem de 50%. O cálculo do ICMS-ST funciona da seguinte maneira:

    [(Valor total da operação + MVA/IVA) x Alíquota ICMS] – Crédito ICMS (Valor Operação x Alíquota ICMS).

    Sendo assim, teríamos o seguinte:

    Compras: 100.000,00.

    MVA definido pelo estado: 50%.

    Alíquota do ICMS: 18%.

    Cálculo do ICMS-ST:

    [(100.000,00 + 50%) x 18%] – 18.000,00 (100.000,00 x 18%)

    (150.000,00 x 18%) – 18.000,00

    27.000,00 – 18.000,00 = 9.000,00

    Perceba que a empresa X pagou os mesmos R$ 9.000,00 de ICMS que pagaria se fosse devido pelas vendas, porém, ela pagou o imposto no momento da entrada, de forma antecipada. Isso é a substituição tributária.

    Então, como a empresa X foi obrigada a pagar o ICMS de forma antecipada, já no momento da compra, ela não irá mais pagar esse imposto quando revender os produtos.

    Tributar produtos por meio da Substituição Tributária é apenas uma das várias atitudes tomadas pelo fisco para combater a sonegação de impostos. Para impedir que os contribuintes soneguem, o fisco ainda avalia: o estoque da empresa (se está muito alto ou muito baixo), se o valor declarado de vendas está consonante com o valor declarado de compras, se o contribuinte utilizou as alíquotas corretas para cálculo dos tributos, quanto a empresa possui no caixa e no banco e se esse valor é suficiente para acobertar as transações da empresa, se todos os documentos fiscais recebidos foram declarados etc.

    Atualmente no Brasil, o fisco está bastante implacável com contribuintes sonegadores. Não é raro acompanhar notícias envolvendo empresários presos por fraude e sonegação. Exatamente por isso os documentos fiscais estão ficando cada vez mais eletrônicos.

    Quando uma empresa realiza uma venda e vai despachar as mercadorias para seu cliente, ela é obrigada a emitir a nota fiscal de venda. Se ela não o fizer, vai ter vários problemas como:

    1º - impossibilidade de transporte da mercadoria, ou seja, nenhuma transportadora pode transportar mercadorias sem a nota fiscal, pois, se parada num posto de fiscalização sem o documento fiscal, tanto o remetente quanto a transportadora poderão ser autuados;

    2º - outro embaraço será o fato de que aqueles produtos vendidos vão continuar constando no estoque da empresa, pois, se a nota fiscal de venda não for emitida, para todos os efeitos, aqueles produtos não foram vendidos, logo, ainda estão no estoque da empresa. Se o fisco detectar que o estoque de um estabelecimento está mais alto do que o normal, certamente irá iniciar uma investigação mais apurada para pegar um possível sonegador;

    3º - o cliente, aquele contribuinte que está adquirindo a mercadoria, também vai ficar desacobertado, ou seja, sem a nota fiscal de compra. Se ele não tem a nota fiscal de compra, como então irá revender esses produtos se eles nem ao menos entraram na empresa? O fisco consegue identificar quando um contribuinte está vendendo algo que ele nunca chegou a comprar. É como se uma empresa de repente vendesse cinco computadores, porém, nunca houve nota fiscal de compra desses computadores. Certamente será autuado;

    4º - se a venda for realizada sem documento fiscal no varejo, por exemplo, e com pagamento realizado por meio de cartão de débito ou crédito, o fisco também ficará sabendo. Sempre que um estabelecimento realiza uma venda cujo pagamento foi feito com cartões, o fisco já detecta os valores. Então se o contribuinte não emitir o documento fiscal, obviamente será autuado. A venda feita com cartões de crédito ou débito é um dos maiores motivos de autuações no Brasil.

    Então veja que, mesmo que um estabelecimento queira sonegar, muitas vezes, acabará pagando um preço muito alto pelo crime tributário, podendo o responsável pela empresa até ser preso dependendo do caso.

    Então o fisco fechou o cerco sobre as empresas. A sonegação vem caindo cada vez mais justamente por causa da fiscalização pesada feita através das declarações enviadas. Quem fica responsável pela entrega dessas declarações é o Departamento Fiscal.

    Voltando a falar sobre o ICMS, é importante saber que a alíquota interna nos estados nem sempre vai corresponder àquelas listadas anteriormente de 17%, 17,5% e 18%.

    Cada estado define também, quais são as alíquotas internas do ICMS dos seus produtos. Elas podem variar de 7% a 35%. Vejamos exemplos:

    1 - A alíquota do ICMS do produto teclado para computadores no estado de São Paulo é de 12%. Lembre-se que a alíquota geral do ICMS no estado de São Paulo é 18%, porém, esse produto específico é tributado nesse estado a 12%.

    2 - A alíquota do ICMS para o produto gasolina automotiva no estado de Santa Catarina é de 25%. Lembre-se que a alíquota geral do ICMS no estado de Santa Catarina é de 17%, porém, esse produto específico é tributado nesse estado a 25%.

    3 - A alíquota do ICMS do produto arroz no estado da Bahia é de 7%. Lembre-se que a alíquota geral do ICMS no estado da Bahia é de 18%, porém, esse produto específico é tributado nesse estado a 7%.

    Então veja que, saber a alíquota interna geral do ICMS de cada estado nem de longe torna você um expert em tributação. Cada produto pode possuir uma alíquota de ICMS diferente.

    Geralmente funciona assim: cada estado divulga uma lista de produtos que possuem alíquotas diferenciadas. Tomemos por base o estado de Minas Gerais.

    Então o Estado de Minas Gerais divulga através de dispositivos legais quais produtos possuem tributação diferenciada, ou seja, quais são as alíquotas de cada um. Aqueles produtos que não configuram na lista dos que possuem alíquotas diferenciadas caem na regra geral, portanto, são tributados a 18% (alíquota do ICMS em MG).

    Sendo assim, o profissional de Departamento Fiscal precisa fazer muita pesquisa para saber como se dá a tributação do ICMS em diversas situações com produtos dos mais variados. É altamente recomendado ter apoio de uma revista/editora tributária como a COAD e a ECONET.

    Essas empresas auxiliam principalmente os contadores com as mais diversas dúvidas envolvendo o Departamento Fiscal, Contábil, Pessoal e Processual. Ao invés de perder tempo procurando informações no Google ou lendo legislação o tempo todo, o profissional de Departamento Fiscal pode – e deve – ter apoio tributário-fiscal. Isso garante mais rapidez para a solução de questões no ambiente de trabalho.

    Agora que você já tem noção das alíquotas de ICMS e de como funciona a substituição tributária, é hora de iniciarmos o estudo da escrita fiscal e o CFOP (Código Fiscal de Operações e Prestações) no capitulo 3.

    CAPÍTULO 3

    ESCRITURAÇÃO FISCAL, CFOP DE ENTRADA

    A escrituração fiscal é uma das principais atribuições do Departamento Fiscal. Através dela, pode-se determinar o faturamento da empresa e os tributos a

    Está gostando da amostra?
    Página 1 de 1