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A nova face da emigração internacional no Brasil

A nova face da emigração internacional no Brasil

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A nova face da emigração internacional no Brasil

Duração:
751 páginas
9 horas
Lançados:
20 de dez. de 2021
ISBN:
9788528306125
Formato:
Livro

Descrição

A nova face da emigração internacional no Brasil é uma importante contribuição ao levantamento dos fluxos migratórios, seus volumes e origens, ressaltando particularmente os casos "clássicos" como EUA, Canadá, Japão, América do Sul e Mercosul, até os chamados novos destinos da emigração brasileira recente (século XXI), especialmente Portugal, Itália, Irlanda, Espanha e França, com a particularidade de uma migração mais qualificada que os demais fluxos anteriores e a chamada emigração feminina.
Lançados:
20 de dez. de 2021
ISBN:
9788528306125
Formato:
Livro

Sobre o autor


Amostra do livro

A nova face da emigração internacional no Brasil - EDUC – Editora da PUC-SP

Capa

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO

Reitora: Maria Amalia Pie Abib Andery

EDITORA DA PUC-SP

Direção: José Luiz Goldfarb

Conselho Editorial

Maria Amalia Pie Abib Andery (Presidente)

Ana Mercês Bahia Bock

Claudia Maria Costin

José Luiz Goldfarb

José Rodolpho Perazzolo

Marcelo Perine

Maria Carmelita Yazbek

Maria Lucia Santaella Braga

Matthias Grenzer

Oswaldo Henrique Duek Marques

Frontispício

© Lucia Bógus e Rosana Baeninger. Foi feito o depósito legal.

Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Reitora Nadir Gouvêa Kfouri / PUC-SP

A nova face da emigração internacional no Brasil / orgs. Lucia Bógus, Rosana Baeninger. - São Paulo : EDUC, 2018.

    1. Recurso on-line: ePub

Disponível no formato impresso: >A nova face da emigração internacional no Brasil / orgs. Lucia Bógus, Rosana Baeninger. - São Paulo : EDUC, 2018.. ISBN 978-85-283-0582-1.

Disponível para ler em: todas as mídias eletrônicas.

Acesso restrito: http://pucsp.br/educ

    ISBN 978-85-283-0612-5

   1. Migração - Política governamental. 2. Brasil - Migração - Política governamental. 3. Brasileiros - Países estrangeiros. 4. Imigrantes - Condições sociais. 5. Características nacionais. I. Bógus, Lucia. II. Baeninger, Rosana.

CDD 325

325.81

305.869981

155.8

EDUC – Editora da PUC-SP

Direção

José Luiz Goldfarb

Produção Editorial

Sonia Montone

Preparação

Siméia Mello

Revisão

Otacílio Nunes

Editoração Eletrônica

Gabriel Moraes

Waldir Alves

Capa

Mirian Perez

www.mirianperez.com.br

Administração e Vendas

Ronaldo Decicino

Produção do ebook

Waldir Alves

Revisão técnica do ebook

Gabriel Moraes

Rua Monte Alegre, 984 – sala S16

CEP 05014-901 – São Paulo – SP

Tel./Fax: (11) 3670-8085 e 3670-8558

E-mail: educ@pucsp.br – Site: www.pucsp.br/educ

Prefácio


Maria do Rosário Rolfsen Salles

Do perfil eminentemente imigrantista que caracterizou o Brasil praticamente desde os primórdios da colonização, acentuando-se no século XIX, sobretudo a partir das décadas finais até as primeiras do século XX, o País tem assistido, a partir dos anos 1980, a um crescente movimento emigrantista em direção aos países mais desenvolvidos da América, Europa e Japão, particularmente, além das chamadas migrações fronteiriças. Tendo passado por período fortemente restritivo com o Governo Vargas e a política de cotas para a entrada de imigrantes, assistiu-se, no pós-Segunda Guerra Mundial, a uma retomada das políticas imigratórias, dessa vez com a participação de organismos internacionais de apoio, que mudaram o caráter das políticas migratórias e seu perfil. No Brasil, as entradas, em número muito mais reduzido do que no período da Grande Imigração, reduzem-se enormemente na década de 1950, para voltar a subir na de 1960, com a entrada de coreanos e chineses, até os recentes fluxos de latino-americanos a partir dos anos 1980, coincidindo, então, com a emigração de brasileiros.

Nesse sentido, a presente publicação da Educ – Editora da PUC-SP, A nova face da emigração internacional no Brasil, por iniciativa das pesquisadoras Lucia Bógus e Rosana Baeninger, que há muito têm se dedicado ao tema das migrações transnacionais, representa, de fato, uma atualização necessária das contribuições dos estudos até aqui realizados, além dos principais fluxos, sobretudo com o movimento de diversificação dos destinos que caracterizou a passagem do século XX ao XXI, em função de diferentes fatores internacionais, entre os quais, as restrições impostas por alguns países.

Além disso, o livro – composto por especialistas no tema, não apenas brasileiros, mas originários dos países que constituíram os principais destinos emigratórios – é uma importante contribuição no levantamento dos fluxos, dos seus volumes e origens, ressaltando, de modo particular, os casos clássicos como EUA, Canadá, Japão, América do Sul e Mercosul, até os chamados novos destinos da emigração brasileira recente (século XXI), especialmente Portugal, Itália, Irlanda, Espanha e França, com a particularidade de uma migração mais qualificada que os demais fluxos anteriores e a chamada emigração feminina.

Para cobrir aspectos tão abrangentes da questão emigratória, os textos foram agrupados em quatro temas principais: Contribuição internacional ao estudo da emigração brasileira; Atualização dos principais fluxos emigratórios iniciados nas últimas décadas do século XX; Novos destinos da emigração brasileira no século XXI e Temas emergentes, que cumprem o papel de levantar a emergência de fluxos de retornados para o Brasil, além de discutir as implicações da experiência dos haitianos no Brasil, e as principais fontes de dados, limites e possibilidades no estudo dos processos migratórios.

Maria do Rosário Rolfsen Salles. Graduada em Ciências Sociais pela Unesp, pós-graduada em Ciências Sociais pela USP, doutora em Ciências Sociais – Sociologia pela Unesp e pós-doutora em Sociologia Urbana junto à École des Hautes Études en Sciences Sociales. Foi docente e pesquisadora na Faculdade de Ciências e Letras da Unesp, onde se aposentou em 1991. Atualmente é docente e pesquisadora junto à Universidade Anhembi Morumbi SP.

Apresentação


Lucia Bógus

Rosana Baeninger

A compreensão das migrações internacionais de e para o Brasil, nos últimos trinta anos, envolve movimentos migratórios de saídas de brasileiros e de entrada de imigrantes internacionais, compondo processos migratórios transnacionais.

Desde meados de 1980, o País assiste à emigração com destino aos países do Norte e ao Japão, além da migração fronteiriça para o Paraguai nos anos 1970. Estimava-se em quase três milhões de brasileiros e brasileiras vivendo no exterior até o ano 2000 (MRE, 2008). A virada do século XX para o XXI reforça as tendências da emigração brasileira, tanto pelo volume, quanto pelas especificidades: ampliação dos destinos migratórios – em função das fortes restrições na política imigratória, em especial dos Estados Unidos –, retorno, etapas migratórias. Assim, a emigração internacional do Brasil ganha novas direções e sentidos.

A evolução do número de brasileiros e brasileiras residentes no exterior, de acordo com as estimativas do Ministério das Relações Exteriores (MRE)¹, aponta oscilações em seu volume. Importante salientar que os dados apresentados pelo MRE são estimados a partir de relatórios enviados anualmente pelos Consulados e pelas Embaixadas do Brasil no exterior, identificando o número de residentes em suas respectivas jurisdições. Contudo, excetua-se o caso do Japão, onde praticamente toda a comunidade brasileira está regularizada e computada em estatísticas oficiais, o que facilita a coleta de dados e sua precisão. Para o restante do mundo, é necessário considerar que parte expressiva da emigração brasileira possa estar em situação migratória não documentada, tornando-a invisível e com dificuldades para se submeter a sondagens e censos ou para matricular-se nas repartições consulares, tornando as estimativas, por vezes, imprecisas.

Em 2008, as estimativas variavam entre 2.059.623 a 3.735.826 pessoas; no ano de 2009, eram 3.040.993; em 2011, 3.122.813; em 2012, 2.547.079; em 2013, 2.801.243; em 2014, 3.105.922; e em 2015, último ano com informação disponível, 3.083.255. Esses dados possibilitam apreender que, nos anos de crise econômica – 2008/2011 e 2014/2015 –, houve a tendência de aumento no número de brasileiros e brasileiras residindo no exterior, ao passo que os anos de crescimento do emprego no Brasil – 2012/2013 – registraram a diminuição nesse volume. Embora outros fatores possam estar relacionados à decisão de migrar, o fato é que a dinâmica da economia nacional ainda se revela como causa importante para a explicação do fenômeno emigratório, que potencializa a saída ou retorno de brasileiros e brasileiras para o País.

A análise dos destinos da emigração no período 2008-2015 aponta o crescimento da comunidade brasileira em países como a Alemanha, onde, em 2008, a comunidade brasileira era de 46.209, passando, em 2015, para 85.272 pessoas; a França, que teve um aumento de 30 mil para 70 mil brasileiros residentes; e a Suíça, com aumento de 60 mil para 81 mil. Em outros países europeus, como Portugal, Espanha e Itália, onde a crise econômica nos últimos anos tem imprimido nova dinâmica ao mercado de trabalho, houve a diminuição no volume de brasileiros e brasileiras. A comunidade brasileira em Portugal era de 160 mil pessoas, passando para 116 mil; na Espanha era de 150 mil caindo para 86 mil; e na Itália passou de 132 mil para 72 mil. No Reino Unido também houve redução no número de 300 mil, em 2008, para 120 mil em 2015.

A emigração para o Japão totaliza 310.751 brasileiros e brasileiras, em 2008, passando para 170.229 em 2015. Destacam-se aqui os dados fornecidos pelas informações referentes ao Japão: entre 2008-2014, retornaram ao Brasil cerca de 42,04% dos brasileiros ali residentes, número expressivo e que demonstra que a permanência naquele país se tornou mais difícil após a crise internacional. Não foi registrada, até o momento, uma retomada marcante da emigração para o Japão, que foi um dos principais destinos de brasileiros para o exterior em décadas passadas.

No caso da comunidade brasileira nos Estados Unidos, o volume se mantém em patamares bastante próximos entre 2008-2015: 1.490 mil e 1.410 mil, respectivamente, evidenciando um fluxo mais consolidado e com características possivelmente distintas, em função da temporalidade dessa emigração ser mais antiga ante os novos destinos.

Os destinos migratórios da emigração brasileira atingiram 138 países em 2015 contra 112 em 2008. Os dez países, em 2015, com maiores volumes de emigrantes ali residentes foram: Estados Unidos (1.410.000), Paraguai (332.042), Japão (170.229), Reino Unido (120.000), Portugal (116.271), Espanha (86.691), Alemanha (85.272), Suíça (81.000), Itália (72.000) e França (70.000). A emigração do Brasil para a África, em 2015, totalizou 25.387 pessoas; para a América Central e Caribe, 5.046; para a América do Norte, 1.467.000; para a América do Sul, 553.040; para a Ásia, 191.967; para a Europa, 750.983; para a Oceania, 47.310; e, para o Oriente Médio/Ásia, 47.422 brasileiros e brasileiras.

Esse grande movimento emigratório fez com que o Brasil tivesse, ao longo das últimas décadas, cidadãos espalhados por todo o mundo, desafiando todas as adversidades encontradas no exterior e até mesmo os riscos presentes na travessia de algumas fronteiras. As causas dessa emigração se assentam, do lado brasileiro, no contexto de crise econômica no País, na impossibilidade das migrações internas garantirem a mobilidade social e nas novas demandas por empregos qualificados; do lado do cenário internacional, nos processos de reestruturação da economia global, na nova informalidade advinda de cadeias globais de produção, na flexibilização das relações de trabalho e na mão de obra imigrante internacional que acompanha processos mais amplos da divisão internacional do trabalho. O Brasil se insere na rota das migrações internacionais transnacionais e, portanto, as explicações analíticas das causas da emigração de brasileiros e brasileiras se articulam com processos que ocorrem fora das fronteiras nacionais. A emigração brasileira compõe, também, o mercado global do trabalho imigrante.

Nesse contexto, este livro traz contribuições e estudos acerca do processo emigratório do Brasil nos últimos trinta anos. Está divido em quatro partes: Contribuição internacional ao estudo da emigração brasileira; Atualização dos principais fluxos emigratórios iniciados nas últimas décadas do século XX; Novos destinos da emigração brasileira no século XXI; e Temas emergentes.

Na primeira parte, as análises de especialistas internacionais trazem os temas da identidade, como revela o texto de Margolis; da governança migratória no América do Sul, de Mármora; da política migratória para brasileiros em Portugal, de Silva e Malheiros, e das novas correntes e contracorrentes entre Brasil e Portugal, de Peixoto.

A atualização de fluxos emigratórios, que tiveram seu início a partir de 1980, no Brasil, é retomada na segunda parte do livro, a partir dos fluxos de brasileiros e brasileiras para o Mercosul, no texto de Baeninger e Bógus; das migrações de Governador Valadares para os Estados Unidos, de Siqueira; de brasileiros nos Estados Unidos, de Rodrigues e Barbosa; da identidade de brasileiros no Japão, de Kawamura; do fluxo emigratório para o Canadá e sua política migratória, com os textos de Fraga e de Sega.

A terceira parte contempla os novos destinos da emigração de brasileiros e brasileiras e suas diferentes dimensões, com os textos de Assis e de Ennes e Ramos com análises sobre a presença brasileira em Portugal; de Félix de Sousa sobre a emigração das brasileiras na Itália; de Marchetti sobre a emigração para a Irlanda; de Schuler e Brito Dias sobre as repercussões para mães e filho no caso da migração feminina; de Laureano Assis sobre as emigrações para a Espanha e de Almeida para a França.

Como temas emergentes para o estudo da emigração brasileira é fundamental que se considere a questão dos retornados, discutida nos textos de Véras e Frutuoso e de Silva e Fernandes; da imigração haitiana, de Silva; e a importância de utilização de bases e informações para o acompanhamento e monitoramento da emigração internacional do Brasil no século XXI, de Peres.

O conjunto dos temas reunidos nesta coletânea representa parte da diversidade de situações, destinos, explicações e dimensões da emigração brasileira. Pretende-se que tais análises incentivem a ampliação do diálogo e da produção científica, com vistas ao maior conhecimento do fenômeno e das políticas a ele direcionadas.


Nota

1. Dados disponíveis no site do Ministério das Relações Exteriores. Disponível em: . Acesso: 26 ago 2017.

Sumário


Prefácio

Maria do Rosário Rolfsen Salles

Apresentação

Lucia Bógus

Rosana Baeninger

CONTRIBUIÇÃO INTERNACIONAL AO ESTUDO DA EMIGRAÇÃO BRASILEIRA

O que é ser brasileiro na emigração

Maxine L. Margolis

El proceso de gobernanza migratoria en América del Sur en el siglo XXI

Lelio Mármora

A política migratória portuguesa e os cidadãos brasileiros: migrantes com tratamento privilegiado ou simples nacionais de um país terceiro?

João Carlos Jarochinski Silva

Jorge Macaísta Malheiros

Novas correntes e contracorrentes atlânticas: as migrações do Brasil para Portugal nas últimas décadas

João Peixoto

ATUALIZAÇÃO DOS PRINCIPAIS FLUXOS EMIGRATÓRIOS INICIADOS NAS ÚLTIMAS DÉCADAS DO SÉCULO XX

Emigração brasileira no Mercosul

Rosana Baeninger

Lucia Bógus

Histórico das migrações de Governador Valadares para os Estados Unidos

Sueli Siqueira

Fazendo a América contemporaneamente: a imigração como caminho para o desenvolvimento

Viviane Mozine Rodrigues

Identidades e transitoriedade na migração de brasileiros para o Japão

Lili Kawamura

Política de imigração do Canadá:diversificação étnica e integração econômica

Marcus Vinicius Fraga

Canadá em quatro tempos: o fluxo migratório de brasileiros para Toronto

Rodrigo Fessel Sega

NOVOS DESTINOS DA EMIGRAÇÃO BRASILEIRA NO SÉCULO XXI

Emigrantes brasileiros/as em mobilidade na virada do século XX para o século XXI – a diversificação dos destinos

Gláucia de Oliveira Assis

A presença brasileira em Portugal: interculturalismo e consumo cultural

Marcelo Ennes

Natalia Ramos

Emoções no processo migratório de brasileiras na Itália

Isabela Cabral Félix de Sousa

Brasileiros qualificados na Irlanda: a busca pela reconstrução de cidadania

Eliane Marchetti

Migração feminina: um estudo das repercussões na vida das mães e dos filhos

Flavia de Maria Gomes Schuler

Cristina Maria de Souza Brito Dias

Por que Badajoz?

Maria Aparecida Laureano Assis

Imigrantes brasileiros na França e seus projetos de retorno

Gisele Maria Ribeiro de Almeida

TEMAS EMERGENTES

Retornados: desafios de brasileiros de volta a São Paulo

Maura Pardini Bicudo Véras

Suzane Caroline Gil Frutuoso

A emigração para Portugal e o retorno

Romerito Valeriano da Silva

Duval Fernandes

Haitianos no Brasil

Sidney A. da Silva

Conhecendo a emigração: fontes de dados, limites e possibilidades

Roberta Peres

Sobre os autores

CONTRIBUIÇÃO INTERNACIONAL AO ESTUDO DA EMIGRAÇÃO BRASILEIRA

O que é ser brasileiro na emigração


Maxine L. Margolis

Anos atrás o antropólogo Darcy Ribeiro (1995) escreveu, o povo brasileiro se vê como único, como singular. Isso explica como é difícil para os brasileiros aceitar a inclusão de qualquer outro grupo étnico ou cultural. Os brasileiros insistem em manter sua identidade única em muitas dimensões, tanto no Brasil quanto no exterior. Então, o que significa ser brasileiro, ou mais precisamente, o que significa ser um imigrante brasileiro morando fora do Brasil?

Uma questão que afeta a resposta é sua invisibilidade, o não reconhecimento dos brasileiros como um grupo nacional ou étnico distinto em muitos dos países onde eles vivem (Margolis, 2009). Como acontece nos EUA, isso ocorre no discurso comum quando os brasileiros são normalmente confundidos com ou incluidos em categorias culturais já existentes. Uma segunda questão que afeta a caracterização dos brasileiros no exterior é a profunda ignorância sobre o Brasil e, também, infelizmente os EUA estarem na frente aqui. Além disso, foi apenas nas últimas três décadas que os brasileiros se tornaram imigrantes; sua condição de estrangeiros é uma experiência nova para eles.

Em termos simples, para muitos brasileiros, a novidade de ser estrangeiro é desconfortável. Eles ainda não sabem como querem se identificar ou como querem que os outros os identifiquem fora de sua pátria amada. Brasileiro se torna uma categoria marcante no contexto da migração internacional porque levanta questões de identidade com as quais não tiveram nenhuma experiência prévia. As identidades são situacionais, e ser brasileiro no Brasil tem um significado diferente de ser brasileiro nos Estados Unidos, na Europa ou no Japão. Nos EUA, como em outros lugares, essa é uma identidade imposta pela sociedade que recebe. Uma vez que eles chegam pela primeira vez, são muito mais propensos a se identificar por nacionalidade do que por categorias étnicas locais (Jones-Correa e Leal, 1998).

Então, exatamente como os brasileiros nos Estados Unidos se veem em termos de categorias raciais e étnicas impostas? Quem sou eu?, muitos deles perguntam. Aqui no Brasil a identidade nacional brasileira é simplesmente presumida; é algo abstrato que raramente é expresso, já que as pessoas ao redor no dia a dia geralmente são brasileiras. Mas nos EUA a primeira coisa que aprendem a dizer é Nós não falamos espanhol!. O fato é que a maioria dos americanos acha que o português é a língua falada apenas em Portugal, não no Brasil (Davis, 1997).

A segunda coisa que eles aprendem a dizer é: Nós não somos hispanos!. Os brasileiros são latino-americanos, mas eles não se encaixam perfeitamente na concepção comum dos americanos do que significa esse termo. A maioria dos americanos não diferencia a língua e a cultura de imigrantes de várias nações latino-americanas. Como o ex-presidente americano Ronald Reagan declarou na década de 1980, quando retornou de uma viagem à América Latina: Você ficaria surpreso. Eles são todos países individuais. A América Latina muitas vezes é retratada nos EUA como uma única cultura arbitrariamente dividida em diferentes nações. Portanto, a maioria dos americanos não percebe que o Brasil é diferente linguisticamente e culturalmente do resto da América Latina.

Recentemente Donald Trump causou um clamor entre os falantes de espanhol nos EUA quando se referiu aos imigrantes do México como prostitutas e estupradores que estão trazendo drogas para o país. Muitos brasileiros não são ofendidos por comentários de Donald Trump sobre latinos porque não acham que seus comentários desagradáveis se referem a eles. Ele está falando sobre uma população que veem como o outro (Romero, 2015).

A identidade brasileira significa coisas muito diferentes dentro e fora do Brasil. Tipicamente, aqui no Brasil, o ponto de referência de uma pessoa não é sua nacionalidade, e sim sua cidade, o estado onde mora ou sua classe econômica. Porém, mesmo que a identidade nacional no próprio país seja algo subentendido e pouco notado, no exterior, a pessoa é classificada como estrangeira de uma terra distante e exótica.

Então, como é a identidade brasileira constituída nos EUA? O antropólogo Frederick Barth (1998) chamou a etnicidade uma forma de organização social. De acordo com Barth, não é a cultura compartilhada que define o grupo, e sim as diferenças entre esse grupo e os outros. Essa observação nos ajuda a entender a construção da identidade entre os brasileiros-fora-do-Brasil. Sua identidade é construída, em parte, de algo que chamamos de uma perspectiva nós não somos como eles. Foi possível notar isso primeiro entre os brasileiros em Nova York e isso foi observado também por pesquisadores estudando comunidades brasileiras em Massachusetts, Flórida e na California. Nós não somos como eles se refere tanto à classe econômica quanto à etnicidade. O outro pode ser outro grupo de imigrantes, geralmente os hispanos. Isto é, o falante de espanhol ou descendente de falantes de espanhol, um termo raramente usado aqui no Brasil (Margolis, 1994; Sales, 1999; Fleischer, 2002; Resende, 2009; Beserra, 2003).

Nos EUA a rejeição de uma identidade hispano não se limita aos brasileiros. Imigrantes da Argentina e do Chile são mais relutantes em abraçar um rótulo hispânico ou latino do que os imigrantes do México e da América Central. Da mesma forma, muitos imigrantes peruanos nos EUA, em particular os membros das classes média e média alta, são relutantes em se identificar como hispanos ou latinos. Também uma pesquisa nacional dos adultos hispânicos nos EUA descobriu que os termos latino e hispano não são totalmente abraçados mesmo por hispânicos próprios. A maioria (51%) se identificou com o país de sua família de origem, com apenas 24% dizendo que preferiam uma etiqueta pan-étnica (Marrow, 2004; Paerregaard, 2005; Taylor, Lopez, Hunter e Velasco, 2012).

A classe social é uma questão importante, mas é problemática na construção da identidade do imigrante brasileiro porque o americano não diferencia os imigrantes brasileiros segundo a classe social, o nível de educação ou a ocupação anterior. Então o brasileiro nos EUA se esforça para usar os símbolos de língua e cultura, como também comportamento, para se distinguir de outros considerados menos elevados na hierarquia social, especialmente os hispanos. A classe social e a etnicidade às vezes se reúnem nas tentativas dos brasileiros de se distinguirem de outros novos grupos de imigrantes.

Em seu estudo de faxineiras brasileiras em Boston, Fleischer (2002) conta que as brasileiras destacam sua identidade étnica elogiando sua própria ética de trabalho e se comparando favoravelmente com a ética de mulheres hispanas fazendo o mesmo trabalho. As brasileiras, segundo elas, trabalham mais, são mais confiáveis e mais caprichosas em seu trabalho do que as hispanas. Ao serem extremamente cuidadosas, as faxineiras brasileiras tentam corrigir o desentendimento cultural comum entre os americanos de que todas as faxineiras são pessoas simples e sem educação. Ou, como disse um imigrante, "A única maneira de mostrar quem você é, se não sabe falar inglês, a única maneira de se expressar é através do seu trabalho". Nessa construção, os brasileiros são um povo tão trabalhador que, a partir do momento em que uma família americana contrata uma faxineira brasileira, nunca ficará satisfeita com uma de outra nacionalidade

Não é surpreendente que tais desentendimentos culturais sejam particularmente comuns na área do trabalho doméstico. O serviço doméstico é especialmente difícil para os imigrantes brasileiros por causa de seu baixo status no Brasil. Esse tipo de emprego, mais do que qualquer outro, é antitético à vida e à experiência pessoal do brasileiro no Brasil. O brasileiro recém-chegado nos EUA entra nesse setor doméstico e rapidamente perde sua identidade social anterior (Margolis, 1990). Essa disjunção entre as raízes sociais e a realidade atual fornece um cursinho em mobilidade descendente, algo que o brasileiro tenta mediar ao se apresentar como sendo superior ao imigrante comum.

Entretanto, o brasileiro nos EUA às vezes sente uma identificação com outros latino-americanos em termos de semelhanças culturais – comida e música, por exemplo, – uma afinidade que raramente ou nunca ele sente no Brasil. Isso é fato especialmente em cidades como Miami com grandes populações latino-americanas. Lá brasileiros podem ir a um restaurante de fast food frequentado por hispanos e comem seu arroz com feijão familiar. O sul da Flórida também é desejável por causa da relativa facilidade de se comunicar em portunhol, uma mistura de português e espanhol. Alguns brasileiros dizem que se sentem mais em casa no sul da Flórida do que em outras partes dos EUA por causa da latinidade predominante da região. Para alguns, viver na Flórida fornece uma nova lente através da qual eles percebem a sua própria identidade. Ou, como disse um brasileiro em Miami, "Nós viemos à Flórida e descobrimos que somos latinos" (Oliveira, 2003 apud Resende, 2002, p. 3).

Nacionalidade e etiquetas étnicas não são necessariamente exclusivas, ou seja, os brasileiros podem se identificar como brasileiros e ainda aceitar, pelo menos para algumas finalidades, uma etiqueta latino ou hispano. Mas, na maioria dos casos, os brasileiros não fazem isso. Em vez disso, eles afirmam a sua identidade nacional, apesar de qualquer pressão para adotar uma rubrica pan-étnica. Essa rejeição da identidade hispano é mais pronunciada na primeira geração de imigrantes brasileiros nos EUA. A pesquisa sugere que é mais fácil para os jovens da segunda geração declarar sua latinidade em contextos onde é vantajoso fazer isso (Menezes 2000 apud Martes, 2007, pp. 243-250; Marrow, 2004).

Finalmente, onde raça e aparência física se encaixam na complexa questão da identidade brasileira nos EUA? Apesar de tudo, os brasileiros vêm de um país onde pessoas de cor são a maioria e onde o mito do Brasil como um paraíso racial ainda existe em alguns lugares. Eles, então, viajam para um país onde existe um simples sistema racial branco-preto e onde a "one-drop rule – regra de uma gota só – ainda prevalece. Em termos de raça, a maioria dos imigrantes brasileiros se descreve como brancos apesar de nos EUA logo aprenderem, por causa da regra de uma gota só, que nem todos os americanos os veem assim (como brancos). Na verdade, quando perguntados sobre sua identidade racial, muitos brasileiros preferem a categoria outro no censo americano, que tem um sentido multirracial e dá a eles uma oportunidade de evitar os rótulos latino e hispano. Além disso, a categoria outro se aproxima mais da ideologia nacional predominante no Brasil de que os brasileiros são de fato uma mistura de todas as raças" (Margolis, 2008 e 2013; Martes, 2007 e 2010).

Como é a identidade brasileira em outros lugares? Vou escrever sobre identidade brasileira em Portugal e no Japão, onde tem sido bem pesquisada. Enquanto os brasileiros são invisíveis nos EUA, isso não é verdade em Portugal. A etnicidade brasileira é imediatamente óbvia por meio da fala. Às vezes os brasileiros são louvados em Portugal, em outras vezes menosprezados. Assim, apesar de laços históricos entre o Brasil e Portugal, os imigrantes brasileiros nem sempre têm a competência cultural para serem acolhidos na classe média portuguesa, mesmo quando eles são educados e vêm da classe média da sociedade brasileira. Desse modo, eles têm de lidar com estereótipos comuns do que ser brasileiro significa em Portugal; que em muitos casos os classificam veem como exóticos, associando-os a samba, futebol, sexualidade e miscigenação (Machado, 2003; Beleli, 2010; Padilla, 2007; Padilla, Selister e Fernandes 2010; Torresan, 2007).

Então, os brasileiros não são nem invisíveis em Portugal, como nos EUA, nem confundidos com outros grupos de imigrantes. Sua distinção é evidente assim que abrem a boca porque os seus sotaques e vocabulário os identificam como brasileiros. Eles não fazem parte de uma massa indiferenciada de latinos, como são nos EUA e em outros lugares. Isso não significa que a maioria dos brasileiros quer se integrar na sociedade portuguesa na medida em que perdem a sua própria identidade nacional distinta. Eles parecem resistir a comportamentos e atitudes que colocam o seu sentimento de ser brasileiro em risco. Adolescentes brasileiros que vivem em Portugal, por exemplo, tentam manter seus sotaques brasileiros e padrões de fala e sua ginga brasileira, um sinal de seu desejo de permanecer distintos de seus contemporâneos portugueses. Ligada ao esforço para preservar a identidade brasileira é a desaprovação por muitos brasileiros do que veem como um lado reservado e triste do português. Tão diferente de suas próprias tradições culturais vibrantes (Torresan, 2006).

Finalmente, vamos dar uma olhada na identidade brasileira no Japão. A experiência brasileira no Japão é resumida assim por Angelo Ishi, um jornalista nipo-brasileiro: O nosso hardware é japonês, mas o nosso software é brasileiro (apud Wehrfritz e Takayama, 2000, p. 29). Ou, como os japoneses dizem: "Eles se parecem conosco, mas eles certamente não agem como nós!. No Brasil nikkeijin são vistos como japoneses e em muitos casos nikkejin também se veem como japoneses, não como brasileiros. Mas, no Japão eles são vistos como brasileiros. Tendo crescido como japoneses no Brasil, a fria recepção que recebem no Japão prejudica o senso de sua identidade cultural. Quando eles emigram para o Japão, seu orgulho étnico cai quando eles percebem que são considerados e são tratados como inferiores aos japoneses reais". Para escapar dessa imagem estigmatizada, muitos se definem como estrangeiros no Japão, como brasileiros, e não como nikkeijin (Ishi, 2003; Tsuda, 2003; Yamanaka, 1997).

Muitos nikkeijin sentem uma profunda afinidade com o Brasil como uma sociedade multicultural e multirracial. Mas eles também têm uma ligação sentimental com o Japão, já que a maioria dos nikkeijin foi criada em famílias que enfatizaram sua ascendência japonesa e que valorizavam coisas japonesas. Embora a maioria nunca tenha visitado o Japão antes de emigrar para lá, ainda mantêm um senso japonês de si mesmos através da comida que comem, das festas que celebram e, para alguns, das aulas de japonês a que assistem (Linger, 2001).

Apesar dessas raízes culturais e ancestrais, após a mudança para o Japão, a identidade japonesa que a maioria tinha quando vivia no Brasil começa a desaparecer. Em vez de se tornarem mais japoneses, eles se tornam mais brasileiros. Eles começam a ter um sentido muito mais forte de sua própria linhagem brasileira no Japão do que tinham no Brasil, por causa das poucas relações sociais que têm com japoneses, permanecendo isolados de muitas esferas da vida japonesa e, daí, começando a enfatizar e comemorar marcadores de identidade brasileira, como o samba, ao qual a maioria era indiferente no Brasil (Roth, 2002).

Essa série de acontecimentos foi, talvez, tão surpreendente para os japoneses como foi para o nikkeijin. Apesar de tudo, os nikkeijins são de descendência japonesa e compartilham características físicas e nomes étnicos com japoneses nativos. Como tal, poucos japoneses duvidam que essas pessoas de ascendência japonesa sejam facilmente capazes de adotar normas e valores japoneses, o que não é constatado. Exemplo disso são as reclamações dos japoneses acerca dos blocos de apartamentos onde os nikkeijins vivem: que tocam música bem alto; que não sabem reciclar corretamente e, pior ainda, que eles namoram na rua (Koyama, 1998; Tsuda, 2003).

Além disso, ao contrário dos americanos e europeus, os brasileiros são pouco respeitados pelos japoneses, pois eles vieram de um país que é visto como uma terra tropical subdesenvolvida. Tambem porque a maioria não fala japonês e tem baixo status social como trabalhadores não qualificados. Em suma, são tratados como segunda classe ou japoneses defeituosos (Linger, 1997).

Como resultado da sensação indesejável de não se encaixar na sociedade japonesa, muitos nikkeijin começam a adotar um comportamento abertamente brasileiro: usam roupas verde e amarelo, dançam em defiles de carnaval, muitos, pela primeira vez em suas vidas, falam português bem alto em público. Dadas as dificuldades da vida para os nikkeijin no Japão, restaurantes brasileiros e similares locais de reunião étnica servem como um farol verde e amarelo de boas-vindas. Esses lugares têm um estilo casual que os nipo-brasileiros contrastam com a formalidade de locais japoneses. Em tais lugares, os nikkeijin podem se sentir confortavéis se comportando como brasileiros. Em suma, muitos nikkeijin estão profundamente angustiados com a ironia de serem considerados japoneses no Brasil e, uma vez que estão no Japão, descobrirem as profundas diferenças entre eles e os japoneses nativos (Tsuda, 2003; Linger, 1997).

Mas sua angústia também vem de outras mudanças no status. Depois de serem vistos de forma positiva no Brasil por causa de sua herança japonesa, eles se tornam indesejáveis no Japão por causa de suas raízes brasileiras. Enquanto eram de classe média no Brasil, transformam-se em uma subclasse desprezada, com empregos de baixo nível no Japão (Rocha, 2014).

O que tudo isso significa para o futuro dos imigrantes brasileiros, especificamente nos EUA? Vemos duas possibilidades. Os brasileiros vão continuar a rejeitar a pan-ética com a designação latino e hispano, o que diminui sua capacidade de se relacionar solidariamente com outros imigrantes da América Latina, o que reduz sua influência política. Se isso acontecer, os brasileiros-americanos podem criar uma identidade cultural e política separada. Além disso, dado o fenótipo necessário, muitos imigrantes brasileiros e seus descendentes podem eventualmente se tornar brancos, como os irlandeses, italianos e judeus fizeram antes deles (Marcus, 2008; Brodkin, 1998).

Mas também é possível que, se os brasileiros permanecerem nos EUA, na segunda geraçãos e nas seguintes, eles acabem aceitando o rótulo americano e, inclusive, acharem a designação latino ou hispano menos problemática do que no passado. Se isso acontecer, eles podem acabar se unindo com uma população latino-americana maior e mais diversificada (Sales, 2007).

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El proceso de gobernanza migratoria en América del Sur en el siglo XXI

(Desarrollo humano, libre movilidad, ciudadanía ampliada y participación de la sociedad civil)


Lelio Mármora

Las políticas de migraciones internacionales en América del Sur se iniciaron a principios del presente siglo con una perspectiva generalizada de asimilación de las mismas a una concepción de seguridad nacional, en los países que venían de recientes dictaduras militares, o bien de costo-beneficio laboral en sus versiones más aperturistas.

En el transcurso de este siglo, comienza gradualmente a desarrollarse un proceso que tiene como elementos del carácter sustantivo por lo menos cuatro características: el principio de desarrollo humano del migrante; el avance de la libre circulación y residencia de las personas; el desarrollo del concepto de ciudadanía ampliada para los nacionales en el exterior; y el protagonismo de la sociedad civil como actor de peso en la definición, desarrollo y evaluación de las políticas públicas de migraciones.

El principio del desarrollo humano del migrante engloba tanto el respeto a los derechos humanos de la persona migrante, como el apoyo y reconocimiento del aporte socio cultural del migrante al lugar de acogida.

En ese sentido el proceso consultivo de la Conferencia Suramericana de Migraciones (CSM) que en su desarrollo, desde 1999, ha ido construyendo un consenso intergubernamental alrededor del desarrollo humano de las migraciones como objetivo principal de las políticas en este campo.

En materia de libre circulación y residencia de las personas, a partir de una larga tradición de convenios bilaterales que fueron facilitando la circulación de los nacionales entre los países de la región, es en los espacios de integración subregional donde se presentan los pasos más concretos.

Aquí, tanto la tradición de convenios bilaterales, como el avance en los proceso de integración regional (Comunidad Andina, Mercosur, y Unasur) constituyen un marco fundamental en la conformación de espacios donde la libre movilidad de las personas se convierte en el factor social más importante de estos acuerdos.

En cuanto al reconocimiento de ciudadanía ampliada para los nacionales en el exterior, la aplicación del mismo constituye uno de los avances de las políticas migratorias en América del Sur. En este reconocimiento se incluyen tanto los programas de vinculación con los emigrados, como los de retorno al país de origen.

En este tema, ha tenido incidencia en las actuales políticas el hecho de que países tradicionalmente receptoras de inmigrantes, tales como Argentina, Brasil y Venezuela, se hayan trasformado en las últimas décadas en países de emigración.

Este hecho ha modificado las políticas de gobiernos que solo se concebían como receptores de inmigrantes, incluyendo atención al nacional en el exterior.

Las diferentes políticas y programas señalados anteriormente se han ido desarrollando con la cada vez más activa participación de la sociedad civil.

Esta participación ha transformado la modalidad de Gobernabilidad estrictamente referida a las respuestas gubernamentales frente al fenómeno, en una Gobernanza en la cual la sociedad civil se constituye en un actor presente y privilegiado en las políticas migratorias.

Los citados elementos deben ser analizados como parte de un proceso que abarca la región, pero que tiene diferentes avances de acuerdo a las características de cada uno de los países, y en algunos casos fuertes resistencias tanto desde los marcos normativos, como de gestiones migratorias aún asumidas desde perspectivas securitistas.

De acuerdo a lo señalado en los elementos del carácter sustantivo de las políticas de migraciones internacionales, por lo menos cuatro características pueden destacarse en la región en el transcurso de este siglo:

El desarrollo humano del migrante

El migrante como sujeto de derecho es reconocido en sus derechos civiles (de ciudadanía nacional); de derechos políticos; de derechos sociales (de sanidad, educación, vivienda y proyección social); y de los llamados Derechos colectivos en los cuales se incluyen el reconocimiento de la diversidad cultural y social.

Pero el reconocimiento y efectivo cumplimiento de los derechos humanos son condición necesaria pero no suficiente para el desarrollo humano de las migraciones. Este último incluye otras dimensiones que hacen tanto al potencial de participación del migrante, como a la función proactiva de los gobiernos y de la sociedad civil para que la inclusión sea posible.

El desarrollo humano del migrante respondería al concepto de Ciudadanía activa a partir de la cual el migrante participa en la construcción de una identidad comunitaria.

El migrante como actor social, y la sociedad como estructura dinámica que se transforma permanentemente aceptando los aportes de todos los que conviven en su espacio.

La aceptación y especialmente el reconocimiento del papel de las migraciones en las estructuras social, económica y cultural de la sociedad receptora es un elemento básico de la inclusión de la persona migrante.

Es este reconocimiento, que implica también el desarrollo pleno de la autonomía de cada persona dentro de la sociedad receptora, el que permite ir más allá de una adquisición de derechos, y ubicar al migrante como actor social con capacidad de transformación de la sociedad en que habita.

La revalorización de su contribución a la construcción colectiva de la sociedad de acogida y a los procesos de integración entre diferentes naciones permite ampliar la perspectiva de sujeto de derecho a actor social proactivo.

No se trata solo de estar con los otros, se trata de estar entre los otros (Subiratis; Alfama e Obadors, 2009).

Es esta posibilidad una de las cuestiones básicas que permiten pasar del ejercicio de los derechos humanos a la construcción del desarrollo humano.

Las últimas dos décadas presentan un perfil de políticas públicas de migraciones en América del Sur caracterizado básicamente por el respeto de los derechos y el desarrollo humano de los migrantes.

Hay diversos elementos que pueden contribuir a la explicación de esta perspectiva regional.

En primer lugar, para varios países de la región la inmigración no es algo externo, sino un componente intrínseco de las conciencias colectivas nacionales.

A la inversa de la tesis mantenida por Huntington sobre la construcción de la sociedad de los Estados Unidos de Norteamérica, formada inicialmente por colonos portadores del credo anglo protestante, a la que luego llegaron los inmigrantes como el condimento que se agrega a la sopa" (Huntington, 2004), en el caso de algunos de los países estudiados – especialmente el Cono Sur – las migraciones constituyen un elemento constitutivo de la nacionalidad.

En la mayoría de los países de la región, el concepto de ser una sociedad de migrantes determina un respeto básico a esa condición. El estar contra el migrante – por lo menos públicamente – constituiría una negación a las propias raíces de la nacionalidad.

Esto explicaría en última instancia por qué en ninguno de los países de la región las políticas migratorias forman parte del discurso político. Las políticas de migraciones internacionales son consideradas y aplicadas como políticas de Estado y no constituyen el patrimonio de ninguna fuerza política.

Otra cuestión que incide en la perspectiva de derechos de las políticas migratorias actuales es la de que gran parte delos países mencionados pasaron por dictaduras militares que gobernaron basadas en la doctrina de Seguridad Nacional. En esta doctrina el inmigrante se transformó en un permanente sospechoso subversivo.

El retorno a la democracia determino una revalorización de los derechos humanos de todas las minorías, incluidos los migrantes, y un rechazo a cualquier tipo de interpretación que vinculaba seguridad con migraciones.

Esta concepción es otra diferenciación

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