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Jovens Sarados - Padre Léo, SCJ.

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Jovens Sarados - Padre Léo

Jovens sarados

Gosto muito da expressão jovens sarados, até porque sarado é uma palavra extremamente jovem. E quando falamos em jovem, logo pensamos em alguém saudável, cheio de vida, forte, inquieto, agitado, cheio de idéias e ideais. Ao unir as duas expressões, temos uma definição bonita para jovens e, ao mesmo tempo, um lindo ideal de vida. O jovem precisa querer ser sarado. Hoje em dia existe uma grande preocupação com a saúde física. O jovem é capaz de passar ho
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Gosto muito da expressão jovens sarados, até porque sarado é uma palavra extremamente jovem. E quando falamos em jovem, logo pensamos em alguém saudável, cheio de vida, forte, inquieto, agitado, cheio de idéias e ideais. Ao unir as duas expressões, temos uma definição bonita para jovens e, ao mesmo tempo, um lindo ideal de vida. O jovem precisa querer ser sarado. Hoje em dia existe uma grande preocupação com a saúde física. O jovem é capaz de passar ho

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Jovens sarados

Gosto muito da expressão jovens sarados, até porque sarado é uma palavra extremamente jovem. E quando falamos em jovem, logo pensamos em alguém saudável, cheio de vida, forte, inquieto, agitado, cheio de idéias e ideais. Ao unir as duas expressões, temos uma definição bonita para jovens e, ao mesmo tempo, um lindo ideal de vida. O jovem precisa querer ser sarado. Hoje em dia existe uma grande preocupação com a saúde física. O jovem é capaz de passar horas nas academias, fazer exercícios várias vezes ao dia, descobrir alimentos concentrados e ricos em vitaminas. Tudo isso para ter um corpo sarado, bonito, cheio de músculos e sem as terríveis gorduras localizadas – as vezes no corpo inteiro. O jovem quer ser sarado, só que não basta essa preocupação com o físico, pois, ao lado dele vemos jovens machucados nos seus relacionamentos, com sua dimensão afetiva estragada. O relacionamento familiar é o melhor reflexo dessa doença afetiva. Mas ela se evidencia também nos relacionamentos amorosos. O namoro de muitos jovens não passa de uma permissão para transar. Falta crescimento, diálogo, partilha. É preciso ajudar a sarar essa dimensão, até porque uma das conseqüências mais terríveis dos estragos da dimensão psíquica está na dependência química. Por isso reservo um bom espaço para tratar desse tema. O jovem pode ser sarado. Aqui entra a dimensão espiritual. Sem essa dimensão é impossível alguém abandonar um vício, por menor que seja. Somente um coração alimentado pela fé verdadeira pode tornar-se coração sarado. Sem a Experiência de Deus, tudo não passa de teoria, como vai nos lembrar João Paulo II. A partir de textos bíblicos selecionados, propomos uma reflexão sobre a vida espiritual, tentando assim ajudar nossos jovens nessa difícil tarefa.

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Jovens sarados traz ainda um esquema sobre as principais e mais conhecidas drogas. Nosso objetivo é ajudar os jovens, mas também seus pais e formadores. O flagelo das drogas é real, mas temos testemunhado a possibilidade de uma vida nova para muitos jovens que decidiram parar com seu consumo. O último capítulo do livro traz testemunhos de filhos e filhas de Bethânia, mostrando que é possível uma vida plena, longe das drogas e perto de Deus.

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Restauração!

Portanto, eis o que digo e conjuro no Senhor: não persistais em viver como os pagãos, Que andam à mercê de suas idéias frívolas. Têm o entendimento obscurecido. Sua ignorância e o endurecimento do seu coração mantêm-nos afastados da vida de Deus. Indolentes, entregaram-se à dissolução, à prática apaixonada de toda espécie de impureza. Vós, porém, não foi por isso que se tornastes discípulos de Cristo, se é que o ouvistes e dele aprendestes, como convém à verdade em Jesus. Renunciai à vida passada, despojai-vos do homem velho, corrompido pelas concupiscências enganadoras. Renovai sem cessar o sentimento da vossa alma, e revesti-vos do homem novo, criado à imagem de Deus, em verdadeira justiça e santidade (Ef 4,17-22). Os versículos 17 a 19 fazem uma descrição do mundo que vivemos, da nossa juventude que está com o coração obscurecido, com a inteligência fechada, aquela juventude vestida de preto, de cinza, de marrom escuro, não é só a cor, mas essa filosofia, o pensamento que está por trás disso. Juventude que se diz cristã e celebra o dia das bruxas. Jovens que se dizem cristãos, mas quando vão a uma festinha fumam um baseadinho, bebem, cheiram um carreiro de cocaína. Está na hora de ser diferente. Se querem de fato ser esses jovens construtores desse novo céu e dessa nova terra devem renunciar a vida passada, tanto se for boa ou ruim, entregar o seu passado ao senhorio de Jesus. Devem despojar-se do homem velho corrompido pelas concupiscências enganadoras. Despojar é tirar as vestes, é ficar nu. E renovai sem cessar o sentimento da vossa alma, e revesti-vos do homem novo, criado à imagem de Deus, não à imagem do encardido. Você tem uma marca, a marca de uma pertença, em verdadeira justiça e santidade. Como fazer isso? Como fazer para renunciar a vida passada? Como eu faço para renovar sem cessar os sentimentos da minha alma? É por isso que Deus está convocando a juventude. Pois quando o Espírito Santo quis renovar a igreja, quis renova-la por todos lados. Começou com a eleição do Papa João XXIII. Quando morreu Pio XII todos focaram pensando em quem seria o novo papa. E quem foi o novo papa? Um colono, o patriarca de Veneza que adorava andar de chinelo de dedo e descalço. Os jornais da época diziam que a igreja iria ter um papa de transição. Foi eleito João XXIII. Mas esse homem tinha uma grande abertura do coração ao Espírito Santo. E Deus tinha escolhido esse homem para

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transformar a história da igreja. E João VII já chegou no Vaticano abrindo janelas. Um dia ele estava numa sala e abriu uma janela enorme, chegou um auxiliar e disse que não podia abrir aquela janela senão o ar contaminado com o pecado do mundo iria entrar, e ele disse que a igreja precisava de ares novos e convocou o Concílio Vaticano II. Vocês imaginem aquela cerimônia de abertura do Concílio Vaticano II, cardeais e bispos do mundo inteiro vestidos a caráter com aquelas vestes especiais. E o papa entra sorrindo e abanando a mão, pegou o microfone e disse: “Meus irmãos do episcopado do mundo inteiro peçamos a Deus a graça da nossa conversão”. Quando ele falou isso teve bispo que desmaiou, teve bispo que se levantou e saiu dali. “Como é que esse papa vem falar para nós bispos, sucessores dos apóstolos que nós precisamos nos converter, a conversão é para o judeu, para o pagão, e não para nós”. E infelizmente muitos bispos não aceitaram pois acharam que era renovação demais. A igreja começava a se renovar de cima para baixo, mas o Espírito Santo diz que não quer só assim. Em 1966 um pequeno grupo de uns trinta jovens universitários, reunidos para refletir a Palavra de Deus, e essa é a força do jovem. Juventude essa é a arma de vocês para vencerem o mundo, essa comunhão com a Palavra de Deus. E esses jovens ao refletirem a Palavra começaram a se perguntar: “O que está acontecendo? Se Jesus é o mesmo ontem, hoje e sempre e o Espírito Santo é o mesmo por que não estão acontecendo hoje os prodígios de Pentecostes? E na convocação do Vaticano II o Papa João XXIII fez uma oração que a igreja reza a cada ano no domingo de Pentecostes: “Que se renove no povo cristão, hoje, os prodígios de um novo Pentecostes”. E os jovens chegaram a conclusão que se havia um erro, o erro estava em nós cristãos. Se reuniram em grupinhos, colocaram a mão um na cabeça do outro e começaram a pedir e a experimentar esse furor do Espírito Santo, essa restauração do Espírito Santo. É para esse momento da história em que o ser humano está sendo vilipendiado pelo inimigo, e que a dignidade da pessoa humana está jogada lá em baixo pelo pecado, e que os grandes meios de comunicação a serviço do encardido estão cada vez mais mostrando o corpo, e o corpo a partir do pecado, que o Senhor está convocando essa juventude para que proclamem o senhorio de Jesus Cristo a partir da vida, a partir de uma experiência profunda de deixar-se conduzir pelo Espírito Santo.

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É esse renovai sem cessar. Renovar sem cessar os sentimentos da vossa alma. Essa cura interior, essa restauração interior. E como é que isso se faz na prática? Efésios 4, 25-32: Por isso, renunciai a mentira. Fale cada um a seu próximo a verdade, pois somos membros uns dos outros. O encardido tem uma pedagogia que se faz em três etapas. A primeira etapa: ele sempre nos dá alívio imediato. Segunda etapa: sedução. A primeira etapa é a minhoca, a segunda é o anzol, e a terceira é puxar para fora. O salário do pecado é a morte. Esses três passos do encardido na nossa vida tem um fio condutor que unifica, e chama-se mentira. Você já observou que na raiz de todo pecado está uma mentira, por menor que ela seja. O jovem quando começa a entrar na droga, começa a viver na mentira. O marido quando começa a ser infiel entra na mentira. Mentir é você manter segredo com o encardido. Por isso que João 8, 32-33: Conheceis a verdade e a verdade vos libertará. Diante do imperador que pergunta o que é a verdade, Jesus se apresenta e diz: “Eu sou a verdade”. E em João 14, 6: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”. Ou numa tradução fiel ao originas: “Eu sou o único caminho que verdadeiramente conduz à vida” Todos os outros caminhos conduzem à morte. Renunciai à mentira, às pequenas mentiras. Jovem, quando você começa a entrar no caminho da mentira, você está abrindo uma grande porta para a ação do inimigo. E a Palavra continua, versículo 26: Mesmo em cólera, não pequeis. Não se ponha o sol sobre o vosso ressentimento. Não deis lugar ao demônio. Não deis entrada ao encardido. Sabe o que isso quer dizer? Que somos humanos e temos momentos de fraqueza, onde ficamos com raiva, nos irritamos. Até Jesus se irritou. Mas mesmo nesses momentos você não pode pecar. Mas de que jeito? Eu posso me irritar com um irmão, mas não posso pecar com ele. E o que é pecar nesse sentido? É falar mal, é gritar, brigar, agredir fisicamente. Se existir cólera, que o sol não se ponha sobre o vosso ressentimento. O que é ressentimento? É ficar murmurando no nosso coração aquele sentimento, é ficar ruminando as coisas. Sabe qual é o pecado mais grave que a gente comete? Estragar a imagem do outro. Se tem um pecado que o encardido adora é esse, falar mal do outro. Uma vez um grande santo teve uma visão do inferno. A entrada do inferno era um corredor enorme feito de um tapete vermelho, e ele era juntado, eram várias pecinhas costuradas. A entrada do inferno era feita de língua de cristãos linguarudos e fofoqueiros. Será que a sua estava lá?

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O encardido tem algumas ferramentas em suas mãos, uma delas é a lente de aumento. Quando você olha para o defeito de alguém, sem você perceber ele coloca a lente na sua frente. E quando você olha para os seus defeitos, ele vira a lente e você vê pequenininho. O inimigo entra em nossos corações quando nós falamos mal um do outro. Você pode ter certeza, quando você for comentar o defeito de alguém, você nunca está sozinho. É a entrada do encardido, por isso que São Paulo diz: “Não deis entrada ao encardido”. Como as pessoas gostam de fazer fofoca. Não tem nada a ver com a sua vida. Como se destrói a honra, a moral de uma pessoa. Cristão tem que ser diferente. Não tem arma que possa destruir mais do que a fofoca. Eu não acredito que uma pessoa que é realmente batizada no Espírito Santo possa fazer fofocas. Porque quem ora em línguas não pode usar a língua para fazer fofocas. É isso que destrói. E vocês jovens cristãos renovados tem a obrigação de serem diferentes. Eu vou ensinar um segredo a vocês: Mateus 16. Jesus estava lá, e de repente chega Pedro com uma conversinha furada para cima de Jesus: “Eu não vou deixar o Senhor ir porque o Senhor vai sofrer”. E o que Jesus falou para ele? Afasta-te de mim Satanás. Quando vier alguém com briguinha, fofoquinha, olhe para ele e diga Mateus 16. Não deis entrada ao demônio. E o pecado da fofoca não tem volta. Sujeito foi se confessar porque ele tinha feito uma fofoca muito grande contra uma pessoa. _ Padre, eu estou arrependido por ter falado mal daquela moça, eu que inventei aquela história. Eu queria reparar o meu erro, eu queria que o senhor me desse uma penitência. _ A penitência é muito simples, O Senhor pega uma pombinha, mata, e vai andando por uma estrada longa, a cada passo que der, arranque uma pena e jogue para cima. Depois de três dias o homem apareceu: _ Padre, graças a Deus terminei a minha penitência. _ Não terminou não, essa foi a primeira parte, agora tem a segunda. _ E qual é a segunda. _ E senhor volta e coloca cada pena no lugar novamente. _ Ah padre, mas não tem jeito não.

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_ O que você fez com essa moça foi a mesma coisa. Tem gente que paga para pegar. Pega o telefone e usa para fofocar, gasta para pecar. Paga mais para fazer fofoca do que de dízimo. Paga dízimo para o encardido. O Senhor quer um exército de jovens que renunciem a mentira. Jovens que não se deixem levar pelo encardido. Efésios 4, 28-30: Quem era ladrão não torne a roubar, antes trabalhe seriamente por realizar o bem com as suas próprias mãos, para ter com o que socorrer os necessitados. Nenhuma palavra má saia da sua boca, mas só a que for útil para a edificação, sempre que for possível, e benfazeja aos que ouvem. Não contristais o Espírito Santo de Deus, com o qual estais selados para o dia da Redenção. Tem gente que acha que por ser carismático, por estar batizado no Espírito Santo, está no céu, não precisa fazer mais nada. São Paulo nos dá exemplos do dia-a-dia. O nosso selo para a vida eterna é o Espírito Santo, e a gente o entristece quando palavras más saem da nossa boca: fofocas, calúnias, palavrões. Não me conformo em ver no relacionamento familiar, como irmãos se tratam, jovens que não tem coragem de dar um beijo no pai, um beijo na mãe e dizer que os ama. Eu acredito na civilização do amor, eu acredito nesse mundo novo. Mas para isso é preciso que a gente se una nessa luta contra o encardido. Efésios 4, 31: Toda amargura, ira, indignação, gritaria, e calúnia sejam desterradas do meio de vós, bem como toda malícia. O que é desterrar? É porque aquilo está enterrado. Quando eu era moleque lá no Biguá, o serviço que eu mais gostava de ajudar o papai a fazer era plantar mandioca. Papai já ia logo cedo para o serviço capinava, fazia a cova. Eu chegava da aula, e jogava a rama na cova. Coisa mais fácil. Mas era meu serviço também desterrar a mandioca, arrancar. E aí era dureza! Porque quando planta é pequena, mas quando colhe chega a pesar dois ou três quilos a mandioca. O demônio quando pega uma ira, calúnia, amargura, malícia, ele planta no coração da gente e reproduz igual mandioca. E isso vai se alastrando, chega a virar doença física, vira câncer. Isso precisa ser desterrado. E como isso é

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possível? Versículo 32: Antes, sejam uns com os outros bondosos e compassivos. Perdoai-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou, em Cristo. O que é compassivo? É andar no mesmo passo. Uma mulher chegou em casa depois do desfile de Sete de Setembro onde 5300 alunos das escolas desfilaram. O marido perguntou: _ Como foi o desfile? _ Foi uma beleza, mas só o Juninho marchou certo. Com 5300 alunos desfilando, só o menininho dela marchava certo. Na hora que Juninho batia o pé esquerdo todos os outros erravam e batiam o pé direito. Às vezes nós somos esse Juninho, achamos que é a gente que está marchando certo e todo mundo está errado. Compassivo é você andar no passo do outro, é você ter mais caridade. Se o outro vai mais devagar, eu vou mais devagar com ele. É não julgar ninguém. Para isso tudo acontecer, precisamos viver o evangelho. E viver e o Evangelho é perdoar os outros, assim como Deus nos perdoou. Esse é o segredo. E para isso é importante não fazermos uma imagem de nós mesmos elevada demais. “Ah padre, eu não consigo perdoar”. O que é perdoar? Amar por inteiro. Deixe o Espírito Santo arrancar do seu coração toda raiz de mágoa e de ressentimento.

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Jovem light

O Salmo 90 nos fala da necessidade da confiança em Deus para aqueles que procuram de fato refúgio no Altíssimo. E esse Deus nos liberta do laço do caçador. São Pedro vai radicalizar isso na sua primeira carta, que nos fala de um modo muito concreto sobre essa nossa luta contra o inimigo e sobre nossa busca de santidade. Por isso ele começa no capítulo um, que Deus na sua infinita misericórdia, pela ressurreição de Jesus, nos chama a uma viva esperança, a uma herança que não se corrompe, não se contamina. Isso tem que constituir a nossa alegria, apesar de todas as aflições que passamos ou deixamos de passar. Isso acontece em Jesus Cristo, o nosso refúgio é o Senhor, o nosso Salvador é o Senhor, Sem Jesus não somos nada, sem Jesus estamos completamente perdidos. Enquanto não nos convencemos disso, enquanto estamos colocando a esperança da nossa felicidade, da nossa alegria, de todo o nosso ser, seja lá em quem for, não atingimos a esta experiência. Uma das pedagogias do encardido é mostrar que a vida é fácil. “Fácil, extremamente fácil...”. Ser cristão é difícil, extremamente difícil... É isso que Pedro vai nos falar. Para que vivamos essa santidade, essa salvação: Cingi, portanto, os rins do vosso espírito, sede sóbrios e colocai toda vossa esperança na graça que vos será dada no dia em que Jesus Cristo aparecer. À maneira de filhos obedientes, já não vos amoldeis aos desejos que tínheis antes, no tempo da vossa ignorância. A exemplo da santidade daquele que vos chamou, sede também vós santos em todas as vossas ações. Ele usa uma analogia, quando se cinge o rim para proteger o corpo na hora de ir para a guerra. Então devemos cingir os rins do nosso espírito. Ou seja, nós nos preocupamos tanto em proteger o corpo, mas está na hora de proteger o espírito. Para isso, sede sóbrios. Sobriedade, eu não dependo de nenhuma droga, eu não dependo do cigarro, eu não dependo da bebida. Eu sou sóbrio em relação ao sexo. O que quer dizer ser sóbrio em relação ao sexo? Viver a sexualidade no meu estado de vida. Como jovem eu vou viver a minha sexualidade na castidade consagrada, ou o que é chamado ao matrimônio vai viver essa sexualidade segundo a sua vocação. Sobriedade é equilíbrio, é temperança.

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“À maneira de filhos obedientes...”. Obediência vem de ouvir. A quem estou ouvindo? “... já não vos amoldeis nos desejos que tínheis antes, no tempo em que eras anta”. A quem nós estamos nos amoldando, nos modelando? “sede vós também santos em todas as vossas ações”. Eu não tenho dúvida que esse é o grande desafio para nós. O que significa essa santidade, esse desafio, um jovem santo? Um jovem sarado, que não está contaminado pelos laços do caçador, pelas artimanhas do encardido. Há hoje uma filosofia moderna, de que tudo na vida é fácil, tudo é light. A descoberta dos produtos light e diet foram uma maravilha. Por exemplo, para uma pessoa diabética, que não pode usar açúcar, para uma pessoa que tem uma disfunção hormonal, que não pode entrar em contato com nenhum alimento que tenha açúcar. Mas hoje virou sinônimo para todos que querem emagrecer sem fazer esforço. E light não é para gordo emagrecer, é para magro não engordar. Então inventaram tudo light, cola light, cigarro light, doce light, manteiga light, pão light, tudo light. E o que significa light? Fácil. O light significa duas coisas: primeiro é que não se vai às causas dos problemas, segundo é que não se assumem as conseqüências das coisas da vida. Por trás disso há uma filosofia que diz que podemos comer a vontade que não engorda. O que é uma ilusão, porque a pessoa só e gorda porque come demais ou por distúrbios do organismo. O light vai virando uma hipocrisia. Um sujeito vai à churrascaria, come picanha, mas só bebe coca light. Então cria-se essa mentalidade do light, onde você não precisa analisar as causas, você não precisa fazer esforço, não existe conseqüência. Mas é triste, pois estamos criando uma sociedade light, onde você pode fazer tudo e não tem conseqüência nenhuma, onde abandona-se ao destino. Existe literatura light, sexualidade light, existe um estilo de vida light, que é o estilo de vida que o encardido gosta, pois ele vai seduzindo e enganando. E a pessoa que entra nessa vida light não pensa mais em palavras fortes que servem para quem quer ser cristão. Essas palavras são: renúncia, penitência, sacrifício. O que é a Nova Era? A Nova Era é a religião light, não é a religião onde você tem que se converter ao evangelho, mas converte o evangelho a você, faz a leitura que quer do evangelho. “Eu sou católico, mas do meu jeito”. Do seu jeito até o encardido pode ser católico. O estilo da vida light vai gerando uma sociedade sem esforço, vamos nos acostumando a não fazer mais esforço. “Eu vou á igreja quando eu quero, eu

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sou o centro, quando eu tenho algum problema eu vou, eu vou e exijo”. Mas nós estamos criando uma raça de jovem light, fraco, que desiste diante de qualquer problema. Quando tem algum problema o light já tem a solução, fuma uma maconha, cheira um carreiro de cocaína. A família light é aquela que não tem raízes, que não tem causas, não tem conseqüências, que ninguém provoca nada, que não há diálogo, que não há questionamento. O mundo vai criando um deus light. O deus da Nova Era é light. Vocês não pensem que a Nova Era está preocupada em criar uma religião própria, ela quer entrar em todas as religiões, inclusive, dentro da Renovação Carismática Católica, nós já temos muitos carismáticos light, que não tem a coragem da renúncia. E é preciso dizer não, ou então vamos nos amoldando pelo mundo. Por isso que na nossa fé a salvação ainda continua tendo um símbolo, os judeus acharam uma loucura. Mas Paulo vai dizer que aquilo que pra vocês é loucura, para nós é salvação. O nosso Cristo passa pela cruz. E Jesus disse isso: “Você quer ser meu discípulo?”. Se você disser sim, Jesus complementa: “Então tome cada dia a sua cruz e segui-me”. Viver para o Senhor, é morrer para o Senhor. É sair do egoísmo. Por que tantas comunidades carismáticas acabaram? Porque o light sai da experiência da comunidade para experiência da comodidade. Comunidade exige a renúncia do “eu”, exige esquecer-me de mim mesmo, exige ser filho obediente ao meu superior, ao coordenador da minha casa. É obedecer mesmo quando a ordem que ele dá é contra os meus princípios. Comodidade é quando eu não estou mais satisfeito, eu vou embora e acabou. Isso é o inferno! Quando eu falo em comunidade não estou falando só de Bethânia ou da Canção Nova, que é imensa. Eu estou falando da sua comunidade igreja, na sua comunidade família. Quantas famílias estão destruídas porque deixaram de ser comunidade para ser comodidade. Hoje queremos coisas cômodos, onde cada um vai montando o seu cantinho, e ao invés de fazer a casa da família, tem que fazer a casa da fami-ilha, onde cada um é uma ilha. Um quartinho é uma ilha, o outro quartinho é uma ilha. O filho chega com a cara feia, bate as portas, tranca a porta do quarto dele e lá ninguém entra. Tem mãe que não pode entrar no quarto do filho. Lá ele tem sua TV, e para alimentar sua sexualidade light, coloca um vídeo pornô, as revistas pornôs, e fuma o baseado dele. E a mãe diz: “Ele é assim mesmo, ao menos não incomoda”. Comodidade é só não incomodar. Comunidade, incomoda, sim.

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Quando Deus nos chama a uma comunidade, ele nos chama para que coloquemos em comum nossos dons, e também chama para que essa comunidade venha nos curar. A comunidade é sempre um lugar de cura. O matrimônio é uma comunidade de vida e de amor. No matrimônio light a definição seria comodidade de morte e de desamor. Porque gera morte, desamor, mágoa, ressentimento. Família que não se ama, que não se curte, não se abraça, porque cada um criou o seu mundinho, cada um está na sua ilha. E depois vai na igreja, reza em línguas e pede para Deus mudar a sua vida. Deus muda, mas tem que cada dia pegar a sua cruz e seguir Jesus. Significa renúncia. Por que fazemos em todas as missas de Primeira Eucaristia, de Crisma a renúncia ao demônio? Por que isso é tão forte? Isso é doutrina da Igreja Católica. Porque ele está como um leão pronto para dar o bote. Mas o encardido é inteligente, ele não nos enfrenta, ele fica rondando, e a pessoa vai se acostumando com o pecado. O encardido tem muita paciência. O encardido vai rondando, ele tem calma, ele joga a isca e fica te esperando. Ele está vendo qual é o seu ponto fraco, qual é a sua área mais light. Pode ser um trauma, uma mágoa, um pecado, uma irritação. Outra técnica dele é fazer você acreditar que ele está te ajudando. O cara estava na BMW conversível do pai e de repente veio um velhinho numa Rural e bateu na BMW. _ Olha o que você fez, esse carro custa 150 mil dólares. _ Calma, vocês jovens são muito impulsivos. O velhinho foi na Rural, pegou um litro: _ Toma, uma cachacinha para você acalmar. Ele tomou. _ Está mais calmo para a gente conversar? Depois que tomou uns cinco goles: _ Está mais calmo agora? _ Estou. _ Então senta para a gente conversar. Olha só, nós chamamos a polícia, faz o teste do bafômetro e vê quem tem a razão.

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É o encardido, ele vai seduzindo, nos deixa inebriados, Por isso temos que ser sóbrios, como diz a Palavra. E o que é ser sóbrio? É discernir. Por isso a palavra diz: Não vos embriagueis com o vinho, mas com o Espírito Santo de Deus. Essa sobriedade significa perceber como o mundo está tentando me seduzir. A sociedade light tem um conjunto de sedução: a música, essa música que só fala da sensualidade; a moda, principalmente para as mulheres, aquela moda sensual para mostrar o corpo; televisão, só passa pecado, em todas as novelas têm famílias desfeitas, filhos largados, um transa com outro e tudo isso é normal. Então cria-se o sexo light, transa com camisinha. E qual é a solução para isso? Revesti-vos do nosso Senhor Jesus Cristo, despir-se do homem velho. Despir desse pecado, dessa pornografia, porque a pessoa vai perdendo a dignidade do ser humano, de obra prima modelada por Deus, e vai sendo amoldado pelo encardido. A pessoa vai entrando na comodidade, no estilo de vida light, e quando chega o problema chuta. “Tira da minha frente”. Tudo se resolve. Assim como a roupa que estraga é jogada fora, o copinho do café, usa e joga fora, é descartável, cria-se os relacionamentos light, amizades light, que não tem profundidade nenhuma, quando tem um problema não supera, não pára para conversar, porque parar exige renúncia. A grande teologia do deus light é essa: substitua. Não está sendo legal para você? Substitua. A pessoa quando vai ficando light não consegue ver televisão sem ter o controle remoto na mão. Ela vê tudo, mas não vê nada, não se aprofunda em nada. A literatura é light. O que esse livro mudou na sua vida? Nada. Na literatura light, as pessoas se alimentam para terem conversas light, pois como não tem coragem de falar de si mesmas, como não abrem o coração, como não vivem a intimidade de uma comunidade, mas precisam viver na exterioridade da comodidade para criar aparências. Esses são os grandes livros da Nova Era, de auto-ajuda, que não comprometem. É diferente de eu ler um trecho da bíblia , que me faz pensar no que eu tenho que renunciar para a minha vida dar certo. O que eu preciso mudar? Faça um jejum de televisão. Em muitos casos é mais fácil tirar um jovem da droga do que um jovem do vício da televisão. Nós já tivemos casos de jovens que não quiseram mais ficar em Bethânia quando descobriram que lá não podia ter televisão no quarto, que não pode ter som no quarto. Muitos são mais viciados na televisão do que na droga. Mas por que é importante assistir

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esses programas que distorcem a visão da igreja, de Deus e da vida? Para alimentar conversas light. Pense na última festa que você foi. O que conversaram? Sobre a vida dos outros ou do personagem da novela. Na vida light você fica falando da vida alheia, para não precisar falar da sua, abrir o seu coração e dizer como está a sua vida, o que você precisa mudar. Você vai reproduzindo atitudes light, onde não tem mais compromisso, não tem mais garra, não tem luta. E quando vem o problema, a cruz, o tiramos fora com as drogas, com o álcool. Quantos pais são tão viciados quanto os filhos? O pai viciado no álcool, no jogo, a mãe viciada na novela, em remédios. Muitos têm o vício do trabalho, são pessoas irrealizadas, pessoas que não têm relacionamento nenhum, que ficam na fábrica, no escritório, só para não ficar com a família. Um dos grandes reflexos da sociedade light: a família que não tem diálogo. Vamos criando a religião light, que não nos compromete. A que o seu batismo compromete você? Mudar de vida, conversão, colocar-se de fato sobre a única proteção, de Deus. O meu refúgio tem que ser no Altíssimo e não nas drogas, na pornografia, na prostituição, na televisão. Não existe remédio mágico. Não existem remédios químicos para problemas que não são químicos, que são espirituais. E a grande doença do mundo moderno está no coração frio, que não ama, que está despedaçado. Então, criam-se emoções falsas para você não viver emoções verdadeiras. A pessoa vai ver o filme e chora. Brigam por quê? Você vê homens em estádios de futebol, brigando por causa de um time. Porque cria uma emoção que não é nossa. Um vez eu estava em Paris, estava no táxi, indo para o aeroporto. E passamos em frente ao estádio de futebol da França, e o taxista disse que nesse estádio eles ganharam de nós a grande Copa da França. Eu disse que não, e ele repetiu, não mais em francês, agora em espanhol. Continuei dizendo que não. E ele insistiu e eu continuei negando: “Não, eu não joguei”. Como é que eu perdi, eu não joguei. Por que eu vou viver uma emoção que não tem a ver com a minha vida? A sociedade light cria emoções light, onde você sofre por um time de futebol, briga por causa de um time de futebol. Que me importa se um time perder uma partida de futebol. Eu não quero é perder a minha vida. De que adianta o ser humano ganhar o mundo inteiro e vir a perder a vida eterna. Na sociedade light está acontecendo isso. Você é um vitorioso para o mundo, você usa a roupa da moda, tem um cargo importante, tem um corpo todo sarado. Você se preocupa muito com o seu corpo. E a sua alma? O seu

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coração? Está cheio de cicatrizes, está frio, está machucado. Onde você está se refugiando? Antigamente no Carnaval o povo usava máscaras. Na sociedade light as pessoas usam máscaras todos os dias. As famílias estão mascaradas e mascarando o amor. Antigamente no carnaval se usava fantasia. Hoje se usa fantasia todos os dias. Tira essa máscara, essa fantasia, você nasceu para ser feliz. A vida é tão curta. Que te interessa que as pessoas olhem para você, e o elogiem, e você vive a custa e a cata desses elogios. E as pessoas enganam você dizendo que você é o centro. É a mesma coisa que terapia de vida passada, todas as pessoas já foram rei, rainha, príncipe e princesa, ninguém nunca foi faxineiro, pobre, nada. Caia na real! Tire as máscaras e deixa Deus trabalhar no seu coração e fazer de você uma pessoa nova. Você tem todas as condições que precisa para ser feliz. Nada nem ninguém que está fora de você pode faze-lo feliz. A felicidade brota de dentro, na medida em que eu tenho coragem de tirar as minhas máscaras, de sair desse mundo light, de não me amoldar mais a ele, de sair dessas fami-ilhas, na medida que eu tenho a coragem de passar da comodidade para a comunidade, para a renúncia, para o sacrifício, para a penitência quando preciso for. Para conseguir as coisas com luta, com trabalho. Hoje a vida ficou tão fácil, aperta-se um botão e resolve-se tudo. As pessoas têm tempo de sobra e estão usando esse tempo para quê? Fofoca, mentira, calúnia, pra criar mágoa, para ler essas revistas que não valem nada, para ver essas novelas que não valem nada. Tudo isso é light. Mas esse light com o tempo vira inferno. Porque o salário do pecado é a morte.

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Jovens Restaurados

Depositários de tais promessas, caríssimos, purifiquemo-nos de toda imundície da carne e do espírito, realizando plenamente nossa santificação no temor a Deus (2Cor 7,1).. Na bíblia, a palavra santo é sempre sinônimo de saudável. Santo, portanto, significa sarado. Jovens sarados, o mundo precisa de um exército de jovens sarados, santificados, que não se contentem mais com coisas pequenas. Quem pensa pequeno, realiza pequeno. Jovens chamados a um projeto muito grande. Só que os jovens se sentem lá em baixo, pequenininhos. Uma linda princesa passeava pelos jardins do seu belo palácio, quando de repente cruzou os olhos num maravilhoso anfíbio, aquela pele toda enrugada e aquele papo estufado. E o sapo começou a conversar com ela. _ Como vai o senhor sapo? _ Eu não sou sapo, foi uma fada malvada que me transformou em sapo, na verdade eu sou um príncipe. E enquanto eu não achar uma princesa que tenha a coragem de me levar para casa, cuidar de mim, me amar durante três dias, e ao terceiro dia me dar um beijo, eu não volto a ser príncipe. A princesa o pôs numa bolsa e quando chegou em casa todos comentavam: _ Coitada, não arrumou casamento, olha só, ficou doida da cabeça, levar um sapo para casa. Depois de três dias, a princesa deu um beijo na boca do sapo. E o sapo se transformou num príncipe muito bonito. Todos se impressionam nessa história com o sapo que virou príncipe, mas eu me impressiono mesmo é com a princesa que beijou o sapo. A princesa que teve a coragem de levar esse sapo para casa. Todos nós somos príncipes e princesas porque somos filhos do rei. Mas ao longo da nossa vida encontramos a bruxa do encardido, que através dos nossos pecados vai nos transformando no sapo. Pisado pelas drogas, pela violência, pela prostituição. Jovens sapos que estão no fundo do poço, no brejo do egoísmo, no brejo da falta de diálogo, na falta de ternura, comendo as moscas.

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O encardido quer nos transformar, príncipes e princesas, em sapos, sujos, que não tem dignidade, que é olhado pelas pessoas com nojo, porque é um bicho repugnante. Quantas vezes olhamos para nós mesmos e nos sentimos um sapo no brejo? Frio feito um sapo, aquele coração frio, que parece que não tem sentimento, que parece que está sempre para baixo, sendo pisoteado. Não experimentamos essa plenitude de santificação, de saúde física, psíquica e espiritual. Jesus não só foi capaz de levar o sapo para casa três dias, mas ficou conosco durante trinta e três anos. E ficou três dias embaixo da terra, para com sua morte na cruz nos abraçar, nos beijar com seu perdão e restaurar esse príncipe que está machucado pela bruxa do encardido. Então podemos entender o que é amor. Amar não é gostar um do outro, isso é a coisa mais fácil que existe. Amar é transformar, é olhar o outro e ver além daquilo que está estampado na sua própria aparência. E Jesus nos transforma porque nos enxerga além dessas aparências. Jesus não nos enxerga do jeito que nós nos enxergamos e nem do jeito que as pessoas nos enxergam, Ele olha para nós e enxerga aquilo que nós podemos nos tornar na medida que somos amados e experimentamos o seu amor. Quando Jesus olhou para Simão, no coração dele, e viu nele uma pedra, e o chamou de pedra, rocha, em cima da qual seria edificada a sua igreja. E no que Pedro se transformou? Numa pedra firme, sobre a qual é edificada essa igreja. Quando nós nos deixamos levar pelo encardido, ele vai nos sujando, pisoteando, e passamos a não nos enxergarmos mais como imagem e semelhança de Deus. Mas a refletir a imagem e semelhança dele. E por isso vamos perdendo o sentido da vida, vamos perdendo a alegria, a paz, a serenidade. Vamos nos transformando nesse sapo. Hoje Jesus quer começar essa restauração, essa obra de cura, de santificação. Santo também significa separado. “Eu faço hoje novas todas as coisas. Todas as coisas velhas da sua vida, eu quero faze-las novas.” Mas esse mundo novo, deve ser feito com homens e mulheres novos, com o coração novo, curado. Temos que nos libertar de todas as nossas imundícies, do físico e do espírito. Na Palavra, Paulo já está nos aludindo a necessidade da cura interior, a necessidade de deixar o Espírito Santo arrancar de nós o que o encardido vai colocando.

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No dia em que aquela bruxa encardida transformou o príncipe em sapo, ela pensou: “Quem vai olhar para um sapo?”. Quando o encardido olhou para nós com aquele ciúme, aquela inveja, porque nós somos filhos do rei e vamos herdar esse reino, ele pensou no que ele iria nos transformar. E ele foi nos transformando numa imagem e semelhança dele mesmo, imagem e semelhança do pecado. E não é que o filho primogênito do rei teve coragem de se fazer igual a nós, e mesmo não tendo pecado, assumiu as conseqüências, foi capaz de ser doido feito a princesa que levou o sapo para casa. Jesus, para nos levar para a casa dele, veio morar em nossa casa. Ele fez muito mais que a princesa que levou o sapo para viver na casa dela. Ele foi o príncipe que morou na casa do sapo, para ensinar cada um de nós que não somos sapos, que estamos acreditando nisso, estamos acreditando nesse mundo que nos ensina que valemos pelo que temos. Que você jovem, vale pela moda, pela roupa. Você vale porque Deus ama você do jeito que você que é. Você não é esse sapo. Deixa vir à tona o príncipe, a princesa que é você. Por que o encardido não gosta quando alguém se confessa? Porque ele não pode mais jogar na sua cara que você é pecador. O encardido gosta de jogar a nossa cara no pecado, por isso ele não gosta de confissão, de cura interior. E essa é a grande arma: o coração novo. O Senhor quer curar o nosso coração, ele quer um exército de jovens sarados, curados, restaurados. De jovens que não se deixam dominar, de jovens que descobrem o seu valor. Não a partir da roupa e do carro que têm, dos lugares que freqüentam, mas a partir de uma experiência única que não podemos explicar, a não ser que façamos essa experiência. Pelo pecado, somos piores do que esse sapo. O pecado vai nos embrejando, vais nos jogando na lama. E você mesmo não se ama mais, e quem não se ama não consegue amar ninguém, porque você vai tendo uma imagem distorcida de si mesmo. E essa também é uma tática do encardido. A maior raiva do encardido é porque Deus criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança, ele não se conforma com isso. “Como um homem que veio do barro, do pó, vai ser agora imagem e semelhança de Deus?”. Eu acredito que essa foi a hora da rebelião do encardido, ele não se conformou. Porque Gênesis capítulo um nos conta que o projeto de Deus para o ser humano é de príncipes e princesas. É como um casal que fica grávido e começa a fazer o enxoval para o primeiro filho que vai nascer, e vai comprando as roupinhas, o bercinho, as chupetinhas, vai decorando o quarto do neném, e a mãe vibra com cada sinal que o bebê dá. A bíblia fala que Deus fez a mesma coisa, seis

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vezes fala dessa vibração, “e Deus viu que tudo era bom”. E pelo tamanho do enxoval podemos ver que Deus ama muito. E ele já imagina o príncipe e a princesa, sua imagem e semelhança, vivendo nesse mundo, experimentando seu amor, pois é para isso que fomos criados. E quando tudo está pronto há um momento solene, a narrativa diz: “faça-se isso, faça-se aquilo”, e Deus convoca a Santíssima Trindade, o versículo 26 mostra o Pai, o Filho e o Espírito Santo reunidos: “façamos o ser humano à nossa imagem e semelhança”. Por isso eu não acredito nessa história de reencarnação. Deus não trabalha com lixo reciclado.Você é clone de Deus. Como vai aproveitar alma velha em corpo novo? Eu sou único! E o meu dedão prova isso, porque tem seis bilhões de pessoas no mundo e nunca vai existir alguém que tenha um dedão igual ao meu. O seu pai e a sua mãe, quando tiveram aquela relação sexual, o seu pai jogou dentro da sua mãe, mais ou menos cento e cinqüenta milhões de espermatozóides. Deus é exagerado! Você foi realmente escolhido por Deus. Uma menina uma vez, chegou no colégio chorando, porque tinha ouvido uma discussão entre o pai e a mãe, onde o pai revelou que não tinha desejado ter aquela filha. E ela chegou no colégio segunda-feira muito triste. Veio falar comigo: _ Eu descobri uma coisa terrível! Eu não fui desejada por meus pais. _ Filha, grande novidade! Vou contar um segredo para você, ninguém foi. O seu pai e a sua mãe podem até ter desejado ter um filho, mas não você. Tanto que quando a mulher está grávida, fala que ela está esperando um bebê. Porque a única coisa a fazer é esperar. Quem faz é Deus, é a mão dele que está ali. Que coisa linda o Salmo 138: Tu oh Senhor me teceste no seio da minha mãe. Em Florianópolis tem muitas daquelas mulheres rendeiras, e conversam com a gente fazendo renda numa rapidez só. E vai nascendo aquela renda. Você foi tecido no seio de sua mãe. Você foi escolhido a dedo por Deus, para ser único no mundo. Agora, imaginem o encardido vendo tudo isso, a raiva dele. Ele pensa: “Eu vou deformar essa imagem e semelhança de Deus”. Porque o encardido não pode atingir a Deus, ele está infinitamente abaixo de Deus. Não pense que no fim do mundo vai ter uma luta entre o bem e o mal.

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Então como o encardido não pode atingir a Deus, ele atinge você e eu. O pecado vai deixando a pessoa feia. Eu vejo meus filhos quando chegam em Bethânia drogados, chegam feios de dar dó. E essa é a tristeza de Deus, porque quando o encardido deforma uma pessoa, e ela chega feia pelo pecado, o encardido chega para Deus e diz: “Olha a sua imagem e semelhança!”. Por isso São Paulo escrevendo aos Colossenses e a nós, no capítulo três fala assim: Portanto, se ressuscitastes com o Cristo, buscai as coisas do alto. Tu que fostes beijados pelo príncipe, filho do rei que virou rei também, deves buscar as coisas de Deus e não ficar preso ás coisas da terra, às coisas do brejo. A vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, vossa vida, aparecer, então também vós apareceis com ela na glória. O encardido não quer que você reflita a glória de Deus, ele quer que você reflita o pecado. Refletir é igual ao que o espelho faz, devolve a imagem. A pessoa que olha para você têm que ver Deus. Mortificai, pois, os vossos membros no que tem de terreno: a devassidão, a impureza, as paixões, os maus desejos, a cobiça, que é uma idolatria. Dessas coisas provêm a ira de Deus. Outrora também vós assim vivíeis, mergulhados como estáveis nesses vícios. Se para jogar tênis o rapaz largou do seu vício, e nós que queremos entrar nessa batalha? Nós fomos convocados por Deus, não para apenas um joguinho, mas para uma grande batalha. Agora, porém, deixai de lado todas estas coisas: maldade, palavras torpes da vossa boca, nem vos enganeis uns aos outros. Vós vos despistes do homem velho com os seus vícios, e vos revestistes do novo. É uma nova veste, é a veste do príncipe. Pelo encardido, nós nos vestimos a veste do sapo. ... que se vai restaurando constantemente à imagem daquele que o criou, até atingir o perfeito conhecimento. O Espírito Santo vai restaurando constantemente até atingir o perfeito conhecimento. Jesus é o modelo, e o encardido quer destruir. Há um determinado momento em nossa vida que temos que dizer: “Eu não sou sapo, eu sou filho do rei”. Como seria fácil, bastaria falarmos isso, mas acontece que o encardido é astuto, é enganador. Ele pega a verdade e mostra como se você mentira, e depois pega a mentira do pecado e diz que ali que está a verdade. E o jovem acredita. Ele é o pai da mentira. Ele vai enganando aos poucos. Um rapaz tinha fama de bobo. Os amigos já sabiam disso, e todos os lugares que ele ia, eles colocavam uma nota de cem reais em uma mesa e uma nota de dez reais em outra. E diziam:

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_ Silvano, escolhe! E ele pegava a de dez. E eles faziam isso sempre. Um dia sua mãe dele ficou sabendo da história e perguntou: _ Meu filho, o que é isso? Você é bobo? Não sabe contar? _ Se eu pegar a nota de cem eles param de brincar comigo. O encardido é assim, ele vai enganando a pessoa. É igual pescar, quando aparece a minhoca, os peixes brigam por ela, e o peixe que pega ainda mostra a língua para os outros. Só que dentro da minhoca tem o anzol, e ele não vê porque o fio é de náilon. O encardido faz isso conosco, vai dando o que a gente gosta sempre na hora, ele é o pai das soluções imediatas, por isso ele é o pai da Nova Era. A Nova Era, essa religião que está se fundamentando no mundo, exalta a mais valia do ser humano, o poder da mente, vidas passadas. É tudo na hora, aperta um botão e resolve qualquer problema, por isso está se criando uma raça de gente fraca. Depois vem a sedução, a pessoa fica presa, o peixe está com fome e aparece a minhoca, mas junto vem o anzol. Pode ter certeza, que tudo que o encardido nos dá vem o anzol junto. Essa é a segunda característica da pedagogia do encardido, você se torna dependente, escravo. É igual a droga, na hora é um a beleza, alívio imediato. Depois vem o anzol, dependência. Você se torna escravo do pecado. E a terceira, Romanos 6,23: O salário do pecado é a morte. E é triste ver tantos jovens morrendo pela droga, pela falta de amor, de carinho, de abraço. Olhamos e vemos uma juventude inteira que parecem um bando de sapo. E o encardido fica alegre, porque ele seduz pela mentira, é a falsa liberdade que gera solidão.

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Canalize seus desejos para Deus

Então o Senhor Deus perguntou a Caim: por que andas irritado e com o rosto abatido? Não é verdade que se fizeres o bem andarás de cabeça erguida? E se fizeres o mal não estará o pecado espreitando-te a porta? A ti vai seu desejo, mas tu deves domina-lo (Gn 4,6-7). É o próprio Deus que vem ao encontro de Caim. Já ouvimos na palavra de Deus sobre a desobediência de Adão e Eva, desobediência que foi curada na obediência de Jesus e de Maria. Maria é a nova Eva que com seu sim, a sua obediência consagra sua liberdade inteira para Deus. Jesus é o novo Adão, e esse novo Adão que é Jesus não é pura e simplesmente um Adão como o primeiro, criado. Mais é o próprio Deus que se faz criatura. Enquanto o primeiro Adão é o ser humano que diz não a Deus, Jesus é o novo Adão, o protótipo, o modelo de homem perfeito que diz sim para Deus. E essa palavra de Deus a Caim, vem muito além daquilo que experimentamos. Quem de nós não experimenta de vez em quanto estar desanimado? Vem aquela sensação de estar culpando as pessoas. Por que eu estou triste? Por que eu fico nervoso? Por que eu fico cabisbaixo? Tentamos encontrar justificativas, tentando pôr a culpa nos outros. O próprio Deus disse a Caim, que o segredo, a raiz desse abatimento, desse desânimo, dessa depressão, dessa angústia, tem nome: o desejo que não foi dominado. O pecado entra em nossa vida como um desejo, é uma inclinação do nosso coração. Nenhum de nós, está e nem estará imune a esses desejos. Deus não tira os nossos desejos. Por isso rezamos, para Deus nos dar força para canalizarmos os desejos. Os desejos não são errados. Por que os desejos podem se tornar pecado? Porque o encardido vai na essência da nossa vida, quer ir no cerne da nossa vida, mas ele não pode, porque isso é um dogma da nossa fé, que no cerne da nossa vida está Deus, pois o ser humano é imagem e semelhança de Deus por mais errado que esteja. O encardido então consegue trabalhar o meu desejo, canalizando-o para áreas erradas. São desejos bons. Vamos tomar como exemplo o desejo sexual, em que São Paulo disse muito claro para nós, antes de dizer que tudo é permitido e nem tudo convêm, que um dos grandes obstáculos para se chegar no céu é a sexualidade estragada. Lá ele citava o adultério, libertinagem, devassidão e a sodomia. Portanto envolvendo todas as áreas possíveis de pecado sexuais. Esse é o único pecado que aparece em todas as listas de pecado na Bíblia que são obstáculos para se chegar no céu. O desejo sexual não é pecado. A

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sexualidade humana é o carinho, a marca registrada de Deus. O meu corpo pertence ao Espírito Santo, é o instrumento do Espírito Santo para dominar a natureza, dominar o pecado. Não ao contrário. Pelo pecado, meu corpo passa a ser instrumento da natureza para dominar o espírito. Esse desejo foi Deus quem colocou em nós. Esse desejo sexual, não é só no sentido de procriação. Pois os padres, por exemplo, que não tem filhos gerados de suas carnes, para onde vai ser canalizado o desejo sexual, o desejo da vida? Para o ministério, para a vida plena que se pode gerar no espírito e não só na carne. Na verdade, o desejo sexual é o grande desejo de vida que Deus colocou em nós, portanto nada e nem ninguém vai tirá-lo. Um detalhe muito importante que a Bíblia no capítulo treze de Daniel faz questão de deixar claro é que o desejo permanece no ser humano desde que nasce até alguns minutos depois da morte. Dizem que a tentação morre após quatro minutos e quinze após a morte aproximadamente. Suzana, a mulher de Joaquim era uma menina lindíssima. O marido Joaquim tinha um bosque maravilhoso, aonde ela ia todos os dias passear. Onde tem bosque corre o risco de ter emboscada. Não foi lá no bosque que Adão e Eva foram dar o passeio? Suzana ia tranqüilamente, quando chegava a hora do almoço e todo mundo ia embora do palácio, ela pegava duas empregadas, mandava fechar o jardim e ficava passeando, ali ela gostava de tomar o seu banho. E diz que tinham dois juízes, que iam lá para julgar a vida dos outros, esse é o perigo, quando julgamos a vida dos outros, e os dois eram doidos por Suzana. Daniel diz que eles alimentavam um desejo muito grande por ela, que eles não contavam um para o outro. Quando o pecado pega um desejo meu, ele tem que ficar escondendo, você tem que proteger e você não pode contar. Eles alimentavam um desejo pela Suzana e não contavam um para o outro e ficavam de olho nela, tanto que sabiam que ela gostava de passear no bosque a hora do almoço. Quando era a hora de ir embora, os dois se despediam e fingiam que iam embora e ficavam escondidos olhando Suzana. Uma cera vez, os dois se despediram e quando voltaram, um escondido do outro, se esbarraram atrás da árvore. Então tiveram que explicar um para o outro, mas ao invés de se arrependerem, colocaram mais lenha na fogueira. O desejo deles já estava tão grande, tão envelhecido, que os dois combinaram de arranjar um jeito de ficar olhando Suzana. Naquele dia, com muito calor, Suzana resolveu tomar banho, fechou o portão e mandou suas empregadas buscarem suas coisas para o banho, pensando que não havia ninguém no bosque, enquanto as duas foram buscar suas coisas, os dois encurralaram Suzana, e falaram

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abertamente: nós dois temos desejos por você há muito tempo, e queremos manter relações com você. Suzana disse que não, pois era uma mulher casada. Eles disseram que ela não tinha escolha, pois eles eram dois, eram juízes, pessoas respeitadas, eram fortes, ou você aceita, ou nós dois vamos denunciar você. Em quem você acha que eles vão acreditar? Quando atendemos pessoas, principalmente pessoas com trauma sérios de sexualidade na infância, criança que foi estuprada, ou que foi viciada pelo pai, pela mãe, pelo irmão, pelo tio, professor, por gente adulta, uma das coisas que essa pessoa adulta usa é que é mais velho que ela e ninguém vai acreditar nela, aí se cresce com o medo, não tem coragem de trazer à tona. É o argumento que os dois juízes falaram para Suzana: “você está sem escolhas Suzana”. Ela então diz que realmente está perdida, ninguém vai acreditar nela. Pelo outro lado ela pensa que não pode cometer esse pecado. Precisamos de mais Suzanas dentro das meninas e dentro dos rapazes. Que tenham a coragem de dizer não, eu não posso pecar, não posso deixar esse desejo me dominar. Ela disse que ia correr o risco, mesmo sabendo que ia ser condenada à morte, mas ela disse que sabia que ia estar no coração de Deus. Essa decisão de Suzana fez ela começasse a berrar. Muitas vezes, para não cairmos no pecado temos que começar a berrar, a gritar para o pai, para a mãe, para o irmão da comunidade: “me ajuda, pois eu estou com um desejo errado dentro de mim, não só desejo sexual, não só drogas, não só cigarro, mas existem desejos de mágoa, de ódio, de ressentimento. Aqui não está falando somente de desejo sexual, tanto que no texto de Caim fala de inveja, o que levou Caim a matar Abel foi a inveja. Deus falou isso de forma tão grave para Caim, porque não podemos imaginar o fruto que pode dar uma bobagem, fruto de uma inveja, de um pensamento errado. Em 2001 o mundo viveu uma tragédia, que nunca passou na cabeça de ninguém, que um grupo de terroristas ataca de forma brutal em Nova York o Word Traid Center, o maior centro da economia norte-americana e da economia Judaica do mundo. Onde começou isso? Lê na Bíblia que você vai encontrar. No trauma, na raiva de uma mulher. Quando o anjo disse para Abraão que ele ia ser pai e ele não acreditou, Sara também não acreditou, ela já era velha. Para cumprir a palavra do anjo, Sara pegou sua empregada Agar e entregou para Abraão para que ele a engravidasse, e assim ele pudesse ser pai. Agar obedeceu, ela era uma escrava, e isso era um costume normal, aliás, a mulher que desse a empregada, o filho era como se fosse dela, tanto que Raquel e Lia fazem a mesma coisa com Israel. Então Abraão se uniu a Agar e ela ficou grávida. No que a Agar ficou grávida, e começou a aparecer a

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barriga, o trauma que Sara vinha cultivando durante muitos anos veio à tona. Sara tinha uma grande mágoa de não ter filhos. Isso na época estéril quer dizer amaldiçoada por Deus. Em analisar Agar com a barriga, aquilo era uma ofensa para Sara. E essa ofensa cresceu tanto, tornou-se tão insuportável que quando nasceu a criança, Sara não quis mais ver a criança na sua frente. Sara que tinha dado Agar para Abraão, chega para ele e pede para ele mandar Agar embora junto com seu filho. Abraão mandou a escrava e o filho Ismael. Ismael é o pai dos ismaelitas, que são aqueles que deram origem ao povo Islâmico. Então, aquilo que aconteceu a quatro, cinco mil anos atrás, entre duas mulheres, uma briga familiar, uma inveja, provocou a morte de tanta gente em Nova York, a morte de tantas pessoas no Afeganistão, a morte de tantas pessoas na Terra Santa, onde está a origem deste conflito. Povos irmão, filhos de Abraão estão brigando por Jerusalém. Porque Jerusalém é a capital da fé Cristã, da fé Islâmica, da fé Judaica. Eles afirmam que são filhos de Abraão mais não entendem por que. Porque Sara não resolveu um problema interior, já era uma mulher de mais idade avançada, portanto segue a mesma lógica do desejo que não é trabalhado de forma correta. O desejo de ser mãe era um desejo lindo e maravilhoso, mais não como ela tinha o transformado. Pela inveja, a atitude de Agar torna-se uma ameaça para ela, e o ódio que cresceu no coração dela resultou na desgraça que o mundo inteiro assistiu. Se você tiver a coragem de viver o desejo do seu coração todo para Deus, você também pode tornar-se uma semente de Deus para o mundo. Você tem a liberdade de escolha: ou você quer ser uma semente de Deus para o mundo, ou você quer ser uma semente do encardido para o mundo. Deuteronômio capítulo onze, trinta, Eclesiástico capítulo quinze. Diante de ti eu ponho a vida e a morte, escolha. Sara escolheu a morte, estamos colhendo até hoje e vamos colher muito mais ainda dessa morte, ou podemos tomar como exemplo São Francisco de Assis que sonhou e acreditou em seu sonho, e foi um grande instrumento de paz para o mundo. Assim, tantas meninas sonharam o sonho de Francisco e tiveram a coragem de acreditar que era possível ser semente de paz. Em Assis, tinha a parte mais baixa e a parte mais alta. Na parte mais baixa ficava a pequena cidade de Assis. Na parte mais alta que era imensa, era um precipício de pedra. Quando os criminosos eram condenados pela justiça italiana à morte, os condenados eram jogados daquele precipício, aquele buraco era chamado de buraco do inferno. Francisco nunca aceitou aquilo, tinha uma revolta interior, pois ele queria ser instrumento de paz. Com quarenta e quatro anos, poucos dias antes de

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morrer, Francisco fez com que os irmãos lhe prestassem um juramento. Francisco disse que quando ele morresse queria ser sepultado no buraco do inferno. Porque dizia ele, que se há alguém para ser jogado naquele buraco, teria que ser ele. Assim que morreu seus irmão cumpriram a promessa. Cavaram um buraco de seis metros na rocha, para que ninguém roubasse o corpo de Francisco. No dia seguinte a morte de Francisco, o Papa mandou um legado à Assis com uma missão Pontifícia. Ele foi comprar aquele terreno, onde estava sepultado Francisco de Assis. No dia após a morte de Francisco, o buraco do inferno, transformou-se na semente de céu. Semente de céu que está dando fruto oitocentos anos depois. O Papa, há pouco tempo esteve com mais de duzentas pessoas, mais de oitenta religiões do mundo estiveram reunidos na cidade de Assis, rezando pela paz. Entende o que é o desejo? Dois exemplos de dois fatos recentes, que estão um ligado ao outro, porque o Papa convocou esta reunião de paz exatamente para ser a palavra oficial da igreja, contra a barbaridade que o mundo está vivendo. Por isso, a decisão que você tomar hoje, pode ser semente de uma nova geração. De uma nova geração para Deus, de instrumentos de paz, de jovens, de adultos, de idosos, não interessa a idade que você tem, hoje é o primeiro dia do resto de sua vida, a única idade que você tem é hoje, o ontem não volta e o amanhã você não sabe se vem. Desapega-se do ontem, o ontem não volta e você não tem amanhã, você não sabe se vem, você tem hoje, hoje quem sabe seja muito, você tem agora. Se você tem um desejo, que seja um desejo de usar drogas, louvado seja Deus por este desejo, na verdade seu desejo não é de drogas, o seu grande desejo é de perder-se em Deus, é fazer uma viagem sem volta em Deus. Muitas vezes depois de um dia inteiro atendendo meus filhos e filhas, eu vou tarde da noite na capela rezar, e muitas vezes eu retomo meu dia. Eu fico um dia inteiro atendendo meninos, conversando com as meninas, escutando a história deles. Muitas vezes, ao rever a história deles, eu peço a Jesus a graça de ter um desejo tão grande do teu amor, como um dia esses meus meninos tiveram de droga. Eu quero ter tanta vontade, tanto desejo, igual a esse desejo que leva um filho a sair de madrugada, correr risco, a enfrentar ruas e avenidas escuras, perigosas, á subir morros para buscar drogas. Se você tem esse desejo de droga, o tempo inteiro você está pensando em droga, não mecha no seu desejo, mecha na meta, no objetivo do seu desejo. Na verdade não é droga, você tem um desejo de Deus, então canalize para Deus, vá atrás de Deus, não injete cocaína mais injete Jesus Cristo, pois não tem outro jeito. Você tem esse desejo, desejo sexual dia e noite na sua cabeça, você pensa

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sexo, você respira sexo, principalmente você jovem, quando você é jovem o organismo está o tempo todo funcionando. Você que tem o desejo profundo por ela, que você tem o desejo profundo por ele, você tem o desejo profundo lésbico, um desejo homossexual, ou você deseja o corpo de alguém, não mecha no seu desejo, só mude o alvo do seu desejo. Passe a desejar dia e noite o corpo e o sangue de Jesus Cristo, porque esse pode trazer vida para você, esse muda sua vida. O desejo é de Deus, mais como eu não canalizei minha vida para buscar Deus meu desejo torna-se um pecado, e é por isso que quando a pessoa entra em um pecado, ela cai em todos. Mas é porque você tem muito desejo de Deus, e por mais que você pecar, nunca o pecado vai satisfazer o desejo. É por isso que pecamos muito, porque o pecado não satisfaz. No meu livro Viver Com HIV, onde eu falo a questão da droga, do álcool, do cigarro, da luta contra os vícios, tem um testemunho da Maria, uma mulher que tem o vírus do HIV que pertence à comunidade Bethânia e dá um testemunho de Deus. Neste livro eu procuro mostrar como nós precisamos aprender a canalizar os desejos do nosso coração, os desejos da nossa vida para meta em Deus. No livro falo de diálogos que eu tive com garotos e garotas de programa, mais principalmente com garotos, pois eu estava junto ao Ministério da Saúde fazendo um trabalho das doenças sexualmente transmissíveis, foi possível ter mais contatos com rapazes. Em algumas entrevistas, rapazes me contam que muitas vezes vão para uma chácara com um grupo de rapazes, onde sabem que tem um quilo de cocaína, de maconha e outras drogas, isso são empresários, gente rica que convida seus amigos. Homens que chegam lá na sexta à noite e contratam grupos musicais que muitas vezes são famosos, eles têm dinheiro para isso. Aqueles rapazes vão ganhando droga e vão mantendo relações com eles, há homens que chegam a manter relações com muitos durante um final de semana. Que bebem garrafas de vinho, de wisky, de cerveja, fumam muitos cigarros, assistem filmes de todos os gostos possíveis, telões que eles tem espalhados por essas chácaras. Assistem coisas absurdas, disparates. Isso porque temos dentro de nós, um desejo insaciável, e esse desejo insaciável que temos dentro de nós é de Deus, mais como não canalizamos o nosso desejo, o nosso corpo, a nossa inteligência, nosso dinheiro, nosso coração, nossa sexualidade, como não canalizamos isso para Deus, vamos ficar atrás das coisas, sem nos satisfazer. Por isso que o pecado vai dominado, porque por mais que você fizer, nunca a pessoa vai estar satisfeita.

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Por isso que a pessoa começa a transar com o namorado, pensando que é normal. Depois casa e vem a infidelidade, começa sair com amantes, com outras mulheres, com outros homens e aí começa a troca de casais, já teve todos os tipos de relações, e pega o corpo da pessoa e usa de todos os tipos imagináveis, de bestificação, o corpo templo do Espírito Santo, usado de forma mais pornográfica, mais absurda, mais bestificada, mais animalesca possível e não satisfaz. Precisa levar filmes pornográficos para sua casa, precisa comprar revistas, começa a comprar apetrechos sexuais. Tem uma feira que roda o Brasil inteiro, uma feira sexual, com várias empresas, e movimenta milhares de dólares por ano, onde as pessoas vão, casais de namorados, marido e mulher, homens, mulheres, vão comprar, pênis de borracha, bonecas infláveis, filmes, apetrechos sexuais, objetos para se fazer sadomazoquismo, e nunca estão satisfeitos. A pessoa procura coisas e mais coisas para se satisfazerem, e nada a satisfaz. Porque tem um desejo, que no fundo é desejo de Deus. Esse desejo que você sente no seu corpo, é desejo do corpo de Cristo. Este desejo que você sente de estar inteiro nesta viagem que a droga leva, é no fundo o desejo que está dentro de nós e que foi o próprio Deus que semeou. Ele nos fez, soprou sobre nós o espírito, nos modelou em Jesus e depois colocou dentro de nós o mesmo sangue que Jesus. Ao nos fazer, Deus deixou a sua marca digital em nós, e a marca digital de Deus é o céu, cada um de nós tem um grande desejo de céu, que nada nem ninguém no mundo pode nos saciar, por isso vamos estar nessa busca, querendo mais e mais. Mesma coisa é com o dinheiro. São Paulo diz que a ganância, que o ladrão, que o consumista não pode entrar no céu, porque ele vai ficar buscando e não vai se saciar nunca, vai ficar buscando dinheiro e mais dinheiro, a pessoa não vai se saciar nunca. A pessoa que é viciada em comprar roupa, nunca vai estar satisfeita, vai querer cada vez mais, quer o modelo novo, de todas as cores e nunca vai estar saciada. Começa a mexer na sua casa, comprar móveis, geladeira nova, fogão que aperta o botão e acende sozinho, limpa o forno sozinho, o microondas que fala a hora que o peru já esta pronto, o feijão já está cozido e etc. E nunca está saciado. Prova disso, é o dono da fábrica de televisão. Ele sempre quer uma diferente, nunca está satisfeito. Porque dentro do seu coração tem uma semente, e essa semente é semente do céu. Você foi feito para o céu, o seu corpo inteiro foi feito para Deus, você tem semente de céu na unha do seu pé, na ponta do seu cabelo, em cada poro do seu corpo, você tem marca de céu, carimbo do céu, semente do céu. Por isso você pode sempre buscar, eu preciso de mais e mais.

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Quando esse processo não me sacia, eu preciso ir atrás de novidade. O ser humano nunca vai ficar satisfeito, ele sempre vai atrás de novidade. Ele quer conhecer lugares novos, ele quer conhecer pessoas novas, ele quer ter roupas novas. Abre o armário, tem lá trinta calças e fala: “não sei qual que eu visto”. Dez pares de sapato: “não sei qual que eu calço”. E não está satisfeito, e fala: “não quero mais, já enjoei”. Quando você vai estar saciado? Detalhe, não adianta pedir para Deus lhe saciar com o que você tem, ele não vai fazer. Por que não? Porque esse desejo, quem colocou em você foi Deus. Esse desejo é semente de Deus. Lá no céu tem um ímã, no seu coração tem um ímã, seu coração está sempre sendo puxado pelo coração de Deus dia e noite, por isso que às vezes até sonhamos com essas coisas. Deus não vai tirar esse desejo, cabe a você canalizar o seus desejos, as suas potencialidades, os seus dons, os seus talentos, você canaliza isso para essa meta. Quando você canaliza isso para essa meta, então não tem obstáculos. Mas você tem que saber que você tem essa meta.. Essa também é a nossa missão. O que acontece conosco? Sentimos dentro de nós um pequeno riacho, um desejo, e vamos cavoucando o riacho, e quando eu vejo que tenho um desejo, eu começo a cavoucar, a ficar maior, vai misturando o riacho com o que eu vou cavoucando e vai virando lodo, e vai vindo sujeira, e eu vou vivendo ali dentro, porque acho que a minha vida é aquele desejo que eu achei, aquele riacho pequeno que eu achei. Quantas vezes estamos perdidos nesse riacho e ficamos cavoucando? Nós nos perdemos por pouca coisa, pega o seu desejo, ele é o braço de um rio e canalize para o grande mar, e vai juntando os outros rios que você encontra pela vida. Vá juntando as goteiras da vida, vai juntando a água das chuvas, as águas das minas, as águas que as pessoas jogam em você, e quando você estiver um rio bem grande você vai ver que pode vir alguém e cuspir em você, alguém pode ir lá e fazer xixi no rio, e ele não se ofende, aquilo não o ofende, coisa pequena não ofende quem sabe onde vai, você precisa saber onde ir. Você tem esse rio dentro de você. O dia que você nasceu para Deus foi derramado na sua cabeça água. E o Padre disse: “Te batizo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Você tem uma marca, você é importante, você é bom, você tem uma meta, que é chegar no grande mar. O rio tem vida, e é por isso que fazem uma mureta para segurá-lo, naquela hora ele se acalma, vai juntando forças e ultrapassa. Se coloca um cano muito pequeno que ele não pode passar, ele se concentra, e vai entrando no cano aos poucos, e passa. Porque o grande objetivo do rio é chegar ao mar, e ele se canaliza para

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lá, e cada vez que encontra a desordem à sua frente, faz uma desordem maior. Se o rio é tão importante, por que tem tanta enchente? Enchente nunca é culpa do rio. O que causa enchente? Cada um chupa uma bala, joga o papel fora, pega a garrafa d’água e joga no chão, fuma o cigarro, joga a ponta no chão, depois dá um vento e joga isso tudo para os bueiros, e vai entupindo, além disso, cortamos as matas e não plantamos mais, porque a ganância vai destruindo tudo e porque é meu e eu não penso nos outros. A natureza não tem outro jeito, ela faz um barulhão para ver se acordamos, e nem assim nós acordamos. A mesma coisa acontece na sua vida, você vai entupindo seu coração, entupindo o espírito, quando você vai entupindo o seu desejo com essas sujeiras, mágoa, ódio, pornografia, cigarro, droga, cocaína, mentira. Eu vou entupindo com tudo isso, e quando vem uma chuva maior, e ela vem, Jesus disse que a chuva viria. Mateus 7, 24 diz que a chuva vai cair, construa sua casa firme. Jesus disse, virá vento, virão enxurradas. Não adianta dizer para Deus que você não quer a chuva, ele disse que o seu amor é irrevogável, e essa chuva precisa vir para ver se lava o seu coração, é a chuva do Espírito Santo que vem para anunciar o novo tempo, o sol vai brilhar, mas precisa dessa chuva para lavar, regar, para fazer fecundar a semente. Quando eu vou entupindo meu coração, sujando meu coração, quando chega a hora de uma chuva, a hora de um problema, de uma dificuldade, a enchente me inunda, e as casinhas que eu construí vão caindo. Quando passa na televisão, observe aquelas casas pobres construídas na beira do barranco. Todas as casinhas pobres que você construir na beira do seu coração também vão cair. Não adianta ser uma casa bonita que você fez, aquela casa que você fez na encosta do seu coração, construiu ali uma casa para alguém, aquela pessoa que está morando lá, ela não pode morar lá. Deus está dizendo para você que ela não pode morar lá, ela não pode ser hóspede do seu coração. Se você constrói dentro do seu coração barracos e favelas para o encardido morar, ele aceita morar em qualquer lugar, qualquer maloca, você pode construir isso porque a hora que vir enchente tudo isso vai cair, vai cair porque o seu coração tem dono, você tem que construir algo que não vai destruir. Essa é uma viagem sem volta. Nós começamos a experimentar a felicidade quando temos a certeza e podemos dizer para Deus: O mar é Deus e o barco sou eu, eu quero me perder nesse mar, me empurra Senhor, me impulsiona Senhor, sopra-me com o vento do Espírito Santo,

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sopra-me Senhor para minha meta que é o mar, eu quero me perder nesse mar, eu quero canalizar todos os desejos do meu coração, todos os desejos que eu venho combatendo achando que era pecado e que eu sei que não são pecados. Quero canalizar meu desejo sexual, afetivo, meu desejo de droga, meu desejo de viagem, eu sei que esses desejos estão dentro de mim porque o Senhor os colocou em meu coração para que me direcione para ti, Senhor. Eu quero entrar nessa viagem sem volta, sei que minha vida não era e nem será, eu sei que minha vida é, e mesmo que eu queira não tem como voltar mais, eu não quero mais voltar ao pecado. Eu quero experimentar esse mundo de amor, eu quero navegar no amor de Deus.

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Jovens com o coração curado

Propôs-lhes Jesus uma parábola para mostrar que é necessário orar sempre sem jamais deixar de fazê-lo. “Havia em certa cidade um juiz que não termia a Deus, nem respeitava pessoa alguma. Na mesma cidade vivia também uma viúva que vinha com freqüência à sua presença para dizer-lhe: Faze-me justiça contra o meu adversário. Ele, porém, por muito tempo não o quis. Por fim refletiu consigo: Eu não temo a Deus nem respeito os homens; todavia, porque esta viúva me importuna, far-lhe-ei justiça, se não ela não cessará de me molestar”. Prosseguiu o Senhor: “Ouvis o que diz esse juiz injusto? Por acaso não fará Deus justiça a seus escolhidos, que estão clamando por ele dia e noite? Porventura tardará em socorrê-los? Digo-vos que em breve lhes fará justiça. Mas, quando vier o filho do homem, acaso achará fé sobre a terra?”(Lc 18,1-8).

Tanto o livro da Sabedoria capítulos 18 e 19, quanto o capítulo 18 de São Lucas nos falam de duas realidades absolutamente fundamentais para a nossa cura interior. E essas duas realidades são: a perseverança na oração e o alimento da nossa fé. Por isso o evangelho termina fazendo uma pergunta: “Quando voltar, o filho do homem ainda vai encontrar fé sobre a terra?”. O que é fé? Hebreus 11, 1 define fé: Fé é o fundamento da esperança e a certeza daquilo que não se vê. Por que vivemos num mundo desesperançado? Porque falta alimentar a fé. “Fé é a certeza da esperança. E emendando Romanos 5, 5: A esperança não decepciona. Porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. E o grande exemplo que nos dá o livro da sabedoria é de fato um exemplo fabuloso: “A abertura do Mar Vermelho”. Já encontraram tantas explicações para essa passagem de Êxodo 14. Havia um jovem recém convertido que fez uma experiência de oração. Ficava lendo e se maravilhando com a bíblia, mas o pai dele era um sujeito racional demais. Então ele ficava no quarto louvando: _ Obrigado Pai, aleluia, que maravilha... _ Filho o que você está lendo? _ Que Deus criou o homem e a mulher...

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_ Filho, isso é sentido figurativo. Não é do jeito que está escrito aí não! Depois de um tempo o filho está louvando novamente: _ Oh aleluia, glória ao Senhor! _ O que você está lendo agora? _ Estou lendo Êxodo 14, onde diz que Moisés atravessou o Mar Vermelho a pé enxuto. _ Oh filho, isso é exagero de quem escreve. Que mar coisa nenhuma, isso aí era um córrego de nada, não batia nem na canela da pessoa. _ Ah, não é mar? Ele continuou lendo: _ Agora é milagre pai. _ Onde está o milagre? _ Pois nesse córrego de nada afogou cavalo, cavaleiro, o exército inteiro do faraó. Quando não temos fé, justificamos. Por isso Moisés foi modelo de fé. Você já se colocou no lugar dele? Moisés andando com aquele povo e atrás aquele exército. De repente, na frente deles o mar. E agora o que fazer? Se Moisés fosse contornar o mar correndo na praia, os cavalos correm mais rápido na areia e iriam alcança-los, e voltar não dava. Se você estivesse no lugar de Moisés? Moisés não teve nem tempo de rezar. Isso é fé! Fé é abandonar-se nas mãos de Deus. Você imagine se Moisés fosse rezar nervoso do jeito que ele estava, olhava para trás e via o exército se aproximando cada vez mais, e ele era gago: “Senhor qui-qui-qui arrr-arrr...”. Estava morto desse jeito. Mas Moisés não era gago das pernas, ele entrou no mar, e o povo entrou atrás. E Deus quando viu aquilo falou: “Meu eu do céu, essa anta vai matar meu povo!”. E não teve outro jeito, Deus abriu o mar e Moisés passou. Fé é ter essa coragem. É por isso que não tem milagres na vida de muitos, porque não dão esse passo. Fé é o fundamento da esperança, é a certeza antecipada, ela faz enxergar aquilo que ninguém enxerga. Fé é eu ter coragem de me abandonar inteiro nas mãos de Jesus. Fé é eu declarar Deus como o absoluto da sua vida. E diante desse absoluto, tudo mais é relativo, tudo mais só tem valor se relacionado a Deus. Essa fé se alimenta por uma comunhão contínua com o Senhor. O Evangelho começou dizendo: “Jesus contou uma parábola para mostrar-lhes a

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necessidade de orar em todas as circunstâncias e sem nunca desanimar”. Aqui está o segredo. Qual é o segredo para não desanimar? Orai sem cessar. E esse segredo já foi repetido na Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses 5,16: Vivei sempre contentes. O ser humano nasceu para ser feliz. E como é possível viver sempre contente? Orai sem cessar. Orar é estar em comunhão com Deus, e é por isso que nós precisamos dessa fé carismática, essa fé que nos faz dar passos, e passos corajosos. E por isso que é preciso ter coragem de ser Doido de Deus (DDD), fazer loucuras por Deus, ser considerado doido em relação ao mundo, mas é isso que nos impulsiona a fé. Você já viu como você tem fé humana profunda? Você acredita até em quem você não conhece. Você faz longas trajetórias de ônibus e nem conhece o motorista. Você confia até no seu sapato, coloca-o sem olhar se dentro não tem nenhum escorpião prontinho para nos picar. Isso é fé humana, entregamos nossas vidas nas mãos de homens. Você confia no homem e não confia em Deus. E por quê? Porque você não alimenta uma comunhão profunda com Ele na oração. Você não está deixando Ele entrar no seu coração. A oração é essa comunhão profunda onde eu entro no coração de Deus e deixo Deus entrar no meu coração, transformando meu coração. Sabe por que isso não acontece? Porque nós somos uma raça de gente fraca. Por que os casamentos não dão certo hoje em dia. Casam, ficam dois ou três anos juntos e já separam. Por que as pessoas desistem de tudo? Começar é fácil, perseverar é graça de Deus. E sem Deus ninguém persevera em nada, nem em casamento e nem em vocação nenhuma. Mas essa experiência de Deus tem que ser feita a cada dia, o cristão cada dia precisa ser batizado no Espírito Santo. E a Palavra diz para nós: “Se você perseverar na oração, você nunca mais vai ficar desanimado”. O que é desanimado? É estar sem ânimo e ânimo é alma. Mas uma vez Deus olha para nós e diz: “Dai-me almas”. E para dar-lhe almas, muitas almas deste Brasil que precisam serem convertidas à Palavra, é preciso que você dê a sua, o seu coração e a sua vida e dizer: “Eu quero fazer essa experiência, eu quero deixar Deus cuidar da minha vida. Eu confio em quem eu não conheço, as pessoas falam e eu acredito, e eu não confio em Deus porque eu não tenho intimidade à Palavra”. Então qualquer palavra do mundo nos leva e nos afunda. Onde está aquela experiência linda que você fez? Um sujeito pediu um emprego em uma construtora que estava fazendo estrada. Era um portuguesinho novo, não sabia muita coisa. E perguntaram:

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_ O que você sabe fazer? _ Eu faço de tudo, eu não sei fazer muita coisa, mas eu faço de tudo. _ Então o senhor vai fazer um serviço muito importante para nós, o senhor vai pintar o asfalto. _ Pintar o asfalto? _ Sim, no asfalto tem que ser feita aquela faixa amarela, que é fundamental. Porque se você não pintar direito pode ser responsável por muitos acidentes. Tem que ter a mão firme e atenção. O senhor consegue isso? _ Claro, eu sou inteligente! No primeiro dia o engenheiro ficou impressionado, ele pintou cem metros. No segundo dia ele teve uma queda de rendimento. No terceiro dia piorou mais ainda. No quarto e quinto dia de serviço ele estava pintando apenas vinte metros. O engenheiro disse: _ O senhor é burro mesmo. Esse é um caso único na história, porque todas as pessoas com o tempo vão pegando prática e o rendimento vai aumentando. _ Burro não, me respeite. Pode saber que eu estou trabalhando muito. _ Então, como o senhor explica que cada dia que passa o senhor pinta menos. _ Eu que sou burro é. Se o senhor ficar observando vai ver que cada dia eu vou ficando mais longe da lata de tinta. Leva a lata junto. Onde ficou a sua lata? Marido e mulher se casam e Deus dá de presente o Espírito Santo. Mas tem casal que está com a caixa desse presente fechada até hoje. Onde ficou a lata? “Ah, eu fiz a minha experiência de oração, eu chorei tanto, num retiro, aquilo me tocou”. E depois disso? Não adianta, sua lata ficou lá atrás, tem que trazer a lata cada dia. Perseverança na oração. Mais do que carregar essa lata junto, a perseverança na oração nos leva a uma comunhão pessoal, íntima e profunda, progressiva e diária com o Senhor. Sem essa perseverança, não importa se você já engoliu o Espírito Santo com pena e tudo, você vai cair. Na vida espiritual ninguém ganha diploma, nós somos eternos aprendizes. No dia em que você pensa que agora está bem, agora já sabe tudo, aí você começa a cair. É cada dia deixar o Senhor ir curando nosso coração. E o Senhor faz isso através de pessoas. Vocês acham que Moisés era um homem pronto? Não, Moisés fez uma longa caminhada, morreu com cento e vinte anos; Ele teve sérios problemas na

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infância. Moisés teve que ter uma cura interior muito linda, ele foi abandonado pela mãe dentro de um balainho, foi criado pela filha do faraó, tinha um temperamento terrível, quando viu dois colegas brigando, matou um. Moisés era um homem adúltero, mandou sua mulher Séfora ficar com o sogro e pegou uma israelita mais nova. Mas Moisés cresceu em Deus, ele deixou o Senhor ver a sua fraqueza, ele sabia que precisava estar em comunhão com Deus, e por isso que quando ele estava lá em cima do monte com o braço erguido o povo de Deus vencia. Se o seu coração está com o braço erguido pro céu, na luta do dia-a-dia você também vai ser vitorioso como Moisés. Não interessa se você é gago. Aliás, Moisés achava que Deus iria curar a gagueira dele, mas Deus mandou seu irmão falar no seu lugar. Era um homem fraco. Onde estava a força de Moisés? Na oração. Na verdade, a força de Moisés estava em dois lugares: na oração e na humildade. Moisés era um homem humilde demais, seu sogro Getro foi lhe visitar, e ele o acolhe, faz uma festa para o sogro, começa a testemunhar o que Deus fez na vida dele. E Getro que era pagão se converte e manda fazer uma festa para Deus. No dia seguinte da conversão de Getro ele já diz para Moisés que o que ele estava fazendo era errado. Você tem que criar ministérios e distribuir as funções, onde um depende do outro. Aqui está um grande segredo da cura interior, pois ninguém no mundo tem o dom de fazer cura interior por si mesmo. Deus usa o outro para me curar, e Deus usou Getro para curar Moisés. O seu coração precisa dos mesmos cuidados que o seu corpo. Nós somos materialistas demais, nos preocupamos com o corpo e esquecemos o coração. Qual é a proteção que o coração precisa? Você não pode estar jogando no seu coração essa podridão do pecado, comida do encardido. Você tem que cuidar dos olhos e do coração, com o que vê e com o que escuta, para não poluir o seu coração. O seu coração precisa de repouso, Santo Agostinho dizia que o coração só pode repousar o dia em que encontrar Deus. A televisão do encardido só põe bobagem na cabeça do jovem, é preciso colocar uma roupa nele, não podemos deixar ele exposto a esse vento de pornografia e violência. Um dia eu estava no aeroporto e tinha uma fila enorme na livraria para comprar a revista Playboy com a Tiazinha na capa. Eu entrei na livraria e peguei a Folha de São Paulo. A moça perguntou se eu não iria levar a Playboy. Eu disse a ela que quando estou com fome não fico vendo foto de comida, só

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aumenta a fome, não serve para mais nada. O que vai alimentar em você uma revista dessa? Você dorme com aquilo e o seu inconsciente vai trabalhando a noite inteira só com imagem de sexo. Então vem a masturbação, e vira um vício. Eu queria ver o Ministério da Saúde vir explicar que o jovem que se masturba acaba condicionando o prazer à dimensão física do órgão, e por isso o dia que casar não vai conseguir oferecer o prazer santo que Deus colocou. Eles querem ver os nossos jovens mortos, pisoteados, drogados pela prostituição e pela pornografia. Mas não basta proteger o coração para impedir que entre coisas negativas. O coração precisa desses dois cuidados fundamentais: alimento e banho. E nós não temos outro alimento senão a Palavra de Deus. Ela é útil para instruir, é ela que cura o nosso coração. A Palavra de Deus que nos traz Jesus que nos dá o pão da vida. E católico não tem desculpa, pois tem onde se alimentar, é na Eucaristia. Católico se alimenta na Palavra. E esse alimento tem que ser diário. Você come todos os dias, a pessoa que não se alimenta direito vai ficando fraca, doente. Quando você não alimentar o seu coração com a Palavra de Deus, com o perdão de Deus e com o pão da vida que é a Eucaristia, você vai ficando raquítico, você vais ficando fraco. Com o que você está alimentando o coração? Talvez você esteja alimentando o coração com novela. Tem gente aqui que não perde um capítulo da novela. Isso é coisa do encardido. Mas não é capaz de ler um capítulo da bíblia. “Ah padre, a bíblia é muito difícil!”. É claro, você não lê. Um dia eu cheguei na minha casa, estava de férias, e minha sobrinha Daniele que tinha sete anos estava comigo. Peguei uma revista, dessas de novela e perguntei o que era. Ela me explicou tudo sobre a novela porque assiste todos os dias. Talvez por isso você não sabe explicar nada da bíblia. Se você quer ser perseverante não tem outro jeito, todos os dias você tem que levar a lata de tinta com você, você terá que ler todos os dias a Palavra de Deus. Você tem tempo para tudo, menos tempo para alimentar o seu coração com a Palavra de Deus. E por último, o seu coração precisa de banho. E existe o banho de regeneração do Espírito Santo. Em Apocalipse 21 Deus fala do novo céu e da nova terra, quando fala que tudo vai ser novo. “Eis que faço novas todas as coisas”. Em seguida diz que vai nos dar de beber da água da vida. Essa água que é para lavar o nosso coração. O coração que não toma banho, fede. Você já deve ter percebido uma pessoa com o coração fedido, talvez você esteja com o coração fedido. Quando o coração está fedendo a pessoa está sempre

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amarga, triste, reclamando da vida. A pessoa é impura, gosta de brigar, ofender o outro, vive fazendo fofoca. É aquela que não se controla diante do álcool, da maconha. A pessoa com o coração fedido não consegue ser fiel ao seu namoro, ter pureza um com outro, dar um abraço no pai ou na mãe. Não consegue nem dizer que ama o pai, que ama a mãe. E talvez você já experimentou esse fedor no seu coração. Se você está percebendo que o seu coração está fedendo, que te o afasta até mesmo das pessoas mais queridas, só tem um jeito: a água viva do Espírito Santo. É ela que pode lavar. É esse banho que nós precisamos, esse banho de regeneração, que o Senhor está prometendo a sua igreja. Porque esse Senhor que quer fazer essa obra nova diz: “Eu quero lavar o seu coração, e eu tenho tanta vontade de lavar o seu coração, que quando na cruz rasgaram o meu eu deixei sair dele sangue que é a Eucaristia, que vai alimentar o Sangue da nova e eterna aliança, mas eu deixei também sair água, e essa água que flui do coração de Jesus é aquela que ele berrou para nós em João 7, 37-39: Quem tem sede vem a mim e beba e do seu interior jorrarão rios de água viva. Jovens sarados chamados a profetizar, predestinados a criar essa terra nova, esse céu novo, vinde a mim eu quero dar a vocês um coração novo, eu quero derramar sobre vocês essa água viva do Espírito Santo. Basta você abrir o coração.

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Em Jesus a cura e a restauração

A condição fundamental para que aconteça, para que se realize a cura interior é através de uma experiência pessoal de Jesus em nossa vida. A Palavra de Deus quer nos questionar até que ponto Jesus é de fato o Senhor de nossa vida. Se não for assim, nós corremos o risco de fazer a mesma coisa que os fariseus fizeram. Quando percebemos a imbecilidade que está no coração humano ao se deixar conduzir pelo pecado, e isso São Paulo escreveu aos Efésios, que o ser humano quando tem um entendimento obscurecido fica cego para as graças de Deus. E é difícil entender como é possível, pois os fariseus conheciam a bíblia de cor, eles estavam ali ao lado de Jesus, mas ao invés de olharem para Jesus, olharem o coração, e apresentar o coração ferido e machucado para Jesus eles ficaram olhando as atitudes dos apóstolos. E porque Jesus retoma um texto do Antigo Testamento conhecidíssimo? Quando Davi entrou no templo e comeu o pão da preposição, esse pão que só podia ser comido pelos sacerdotes. É porque os fariseus estavam se baseando na bíblia para condenar os discípulos do Senhor e o Senhor dos discípulos. Às vezes fazemos perguntas para aprender e outras vezes para ofender. A pergunta que os fariseus fizeram não era para aprender alguma coisa, era para cobrar. “Por que fazeis o que não é permitido no sábado?” Jesus teve uma vontade de os chamar de antas. Eles usaram o conhecimento bíblico que tinham para questionar as atitudes dos discípulos. É isso que o encardido vai fazendo conosco. Se você observar principalmente na bíblia Ave Maria, nós temos aí a conclusão à primeira parte da Carta aos Coríntios. São Paulo escreveu a Carta aos Coríntios para resolver alguns problemas sérios. E também para ensinar a comunidade de Corinto como viver em Cristo Jesus, como viver o senhorio de Jesus. Às vezes até nos perguntamos por que ele coloca isso como primeiro problema, se tinham problemas mais graves. No capítulo cinco de Coríntios, Paulo vai tratar de imoralidades seriíssimas. Ele vai tratar do problema do celibato, do matrimônio no capítulo sete, vai falar dos carismas no capítulo doze. E vai ter um capítulo inteirinho para o hino ao amor, e o hino à caridade. Quantos temas espetaculares Paulo tinha para trabalhar com os Coríntios, e no entanto, ele gasta os primeiros quatros capítulos dessa Carta para falar, em uma linguagem muito honesta e sincera, como nos disse no capítulo três, que infelizmente não podia ainda dar alimentos sólidos porque nós não passávamos de crianças na vida espiritual.

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Paulo gasta esses quatro primeiros capítulos de uma carta onde ele tinha conteúdos seriíssimos a serem tratados para falar das divisões e das brigas que existem na comunidade. Por que será que Paulo coloca esses quatro capítulos voltados para esse tema? Talvez Paulo soubesse bem, e até por experiência própria que, quando nós não temos o coração curado, todo o resto como carismas, celibato, ou matrimônio, a crença na ressurreição, e até o discurso maravilhoso do amor não passam de palavras furadas, porque tudo isso vai por água abaixo. Paulo chama nossa atenção, do mesmo jeito que Jesus está fazendo para que possamos olhar para o centro e não para a periferia. Os fariseus conheciam a Palavra de Deus, tinham Jesus pertinho. E o que faltava para eles? Tirar a trave que tinham no olho. Por isso Jesus vai ter as palavras mais duras do evangelho para os fariseus, também por isso que farisaísmo virou sinônimo de máscaras, de hipocrisia. Porque quando a pessoa tem o coração mascarado, ou quando vivemos na hipocrisia, nós não temos o nosso coração curado. Porque a exemplo daqueles fariseus, nós temos a força da Palavra em nossa vida, temos Jesus realmente presente, e que coisa interessante, porque as duas coisas atribuídas no Evangelho são as duas coisas que São João mais repete como fonte da vida que Jesus é para nós. Se você pegar o evangelho de São João do começo ao fim, você vai perceber duas fontes de vida que Jesus nos dá. A primeira grande fonte de vida é a Palavra. “Tu tens palavras de vida eterna”. E a segunda fonte de vida que Jesus repete seis ou sete vezes no capitulo seis de São João: “Eu sou o pão da vida”. E São Paulo vai retomar essa temática da eucaristia no capítulo onze de Coríntios que é uma das frases que mais nos faz arrepiar diante da Palavra. No capítulo onze de Coríntios, Paulo nos diz: “Vocês vivem muito mal a Eucaristia, por isso há tantas pessoas doentes, há tantas pessoas que sofrem e há tantas pessoas que morrem”. Podemos aí perceber a seriedade da temática que Paulo aborda na Carta aos Coríntios e o peso que ele dá a esses quatro primeiros capítulos. No capitulo 11,17ss de Coríntios ele nos fala da celebração da Eucaristia, aquilo que ele recebeu do Senhor ele nos transmite, no versículo vinte e sete ele começa dizendo assim: “Portanto, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpável do corpo e do sangue do Senhor”. No versículo vinte e oito Paulo individualiza a questão. “Que cada um examine a si mesmo, e assim coma desse pão e beba deste cálice. Aquele que o come e o bebe sem distinguir o corpo do Senhor, come e

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bebe a sua própria condenação. Esta é a razão por que entre vós há muitos adoentados e fracos, e muitos mortos. Paulo faz questão de mostrar muito claro que cada um de nós deve examinar a si. Porque enquanto ficamos olhando os defeitos dos outros ou enquanto estamos com a trave no olho, ficamos olhando o cisco no olho do outro... Os problemas mais fáceis de resolver são os problemas dos outros. E quando é que eu posso comer desse pão? Depois do exame de consciência. Talvez seja por isso que cada missa tem três exames de consciência, que são: primeiro no ato penitencial, no cordeiro de Deus, e depois no Senhor eu não sou digno. É está temática toda que Paulo trabalha, a atualização do senhorio de Jesus. A Carta aos Romanos para os cristãos que estavam na Europa em Roma, a Carta aos Coríntios para aqueles que estavam naquela região portuária, uma cidade de muitas comunidades com carismas fabulosos. Paulo escreveu três Cartas para os cristãos de Corinto, duas nós temos e a terceira se perdeu. Paulo deu uma doutrina muito grande a essa comunidade, mas a base que segura essa doutrina e que vai voltar depois no capítulo onze, é a vida em comunidade. Paulo ainda retoma: “Se apliquei tudo isso a mim e Apolo foi por vossa causa, para que por meio de nós aprendais a não ultrapassais o que está escrito e que não vos ensoberbeçais tomando partido um a favor de outro e um contra o outro.” Com certeza Jesus reproduz para nós hoje o puxão de orelhas que deu aos fariseus. Eles tinham a Palavra, e eles tinham Jesus, mas ao invés de olhar para a Palavra e para Jesus, eles olharam para aquilo que eles julgavam ser defeitos nos apóstolos. E por isso tentaram ofender Jesus, e dar um jeito de achar alguma coisa estragada. E é essa a dinâmica do encardido em nossa vida, em nossa família e em nossa comunidade. O encardido trabalha em nós um princípio que podemos chamar de menos valia, e para nos confundir também o princípio de mais valia. Naquilo que nos somos à imagem e semelhança de Deus o encardido nos reduz, e naquilo que nós deveríamos reconhecer a fraqueza, ele incha o nosso coração de orgulho e de prepotência. Então ao invés de olharmos para Jesus e dizer: “Jesus cura a minha vida, eu preciso dessa restauração, eu preciso dessa transformação”, eu fico olhando para as atitudes das outras pessoas, condenando-as e comentando. Paulo está nos dizendo na dinâmica que ele usa nessa Carta aos Coríntios, que enquanto nós não resolvermos o seriíssimo problema da divisão na comunidade, da divisão na família, o evangelho não chega ao coração das pessoas. E isso que Paulo nos fala de modo tão prático, Jesus também nos falou, Jesus também rezou, quando em João 17, 21-23, Jesus rezando dizia: “Pai que eles sejam um, a fim de que, o mundo creia que tu me enviaste”. Nós sabemos que no evangelho de São

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João crer em Jesus significa salvar-se. Sabemos que um sexto da humanidade não crê em Jesus e talvez um quinto da humanidade não conheça Jesus. Hoje tantas guerras, tantas misérias e desgraças porque as pessoas não conhecem Jesus. E as pessoas que não conhecem Jesus precisam da minha e da sua vida para ter um encontro pessoal com Jesus. Veja a nossa responsabilidade, porque a partir da criação do ser humano, Deus nunca mais agiu diretamente na história, e essa é uma lei espiritual irrevogável porque foi Deus que determinou. Deus age no mundo através do ser humano, e aqui tem uma coisa terrível. Você sabia que o encardido por ser espírito também não tem nenhum poder de agir no mundo? O encardido por ser espiritual não pode agir no mundo material, pois são duas realidades que não combinam. O único jeito do encardido agir no mundo é através das pessoas. Por isso ele nos quer, e por isso São Paulo diz que a natureza geme, espera ansiosamente a libertação dos filhos de Deus. O único jeito do mal atingir o mundo é através do ser humano, não tem outro jeito, é impossível, porque o próprio Deus estabeleceu o ser humano como lugar do seu encontro com a criação. O único ser na natureza criado pelo desejo próprio do criador, com um objetivo próprio que contém em si a matéria do mundo e o Espírito de Deus, feito com o pó do mundo, o ser humano recebeu o sopro divino, no ser humano há um encontro do material mundano com o espiritual, com o divino. Por isso, o único jeito de Deus agir na natureza é através do ser humano. O mais terrível é que o único jeito do demônio agir no mundo também é através do ser humano. Por isso ele tem que nos seduzir, e por isso tem que alargar os seus caminhos. Quando nós falamos mal um do outro, quando nós fazemos fofocas, quando nós brigamos e criamos divisões na nossa comunidade nós estamos nos colocando como instrumentos do encardido para que ele aja no mundo. E isso vai se alastrando, porque quando o encardido entra no coração de uma família ele entra através de um vício. Por que nós precisamos tanto da cura interior? Porque a cura interior é um processo pelo qual eu vou tirando os entulhos do meu coração. São Paulo nos fala na Carta aos Efésios 4,27: “Não deis entrada ao demônio, que o sol não se ponha sobre o vosso ressentimento. Mesmo em cólera, não pequeis”. Por que São Pedro diz que o encardido fica como um leão, e fica nos rondando esperando a hora de dar o bote? Porque sem a minha autorização ele não pode agir. Enquanto Jesus respeita nossa liberdade, o encardido não respeita,

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porque ele não tem liberdade, ele entra em nossa vida pela menor fresta que encontrar. E uma das principais portas de entrada dele na história humana é através do coração ferido e machucado pela mágoa, pelo ressentimento. Por isso a necessidade da cura interior e a necessidade de nos colocarmos diante do Senhor Eucarístico e suplicar a cura e a restauração de nosso coração, porque enquanto houver essas entradas, esses túneis subterrâneos que não percebemos, mas o encardido se aproveita e pode entrar na vida de uma família através do vício do pai. O pai tem o vício do alcoolismo, começa a beber, só ele tem o vício, talvez ainda nem seja pecado o vício dele. Começou por uma desilusão, por um erro, ou por uma brincadeira. Eu tenho um filho em Bethânia que trabalhava no mato com o pai, quando chegava em casa o pai tomava, dava um traguinho, não sabia que ele tinha pré-disposição para essa doença. Depois viciou, estragou e destruiu a família inteira. Começa por qualquer bobagem, se torna vício e aquele vício começa a crescer, e o encardido começa a agir, porque ele só consegue agir na família através de uma pessoa. Se nós não olharmos para Jesus, vamos acabar como os fariseus. Quando cultivamos o ressentimento, a mágoa, o desamor e a fofoca nós estamos abrindo um espaço imenso no nosso coração, e a família ou a comunidade começa a enfraquecer. Hoje a Palavra de Deus quer ir no cerne de um problema muito sério. As feridas interiores que trazemos dentro do coração acabam se tornando máscaras e auto-suficiência. São Paulo não tem medo de dizer: “O que importa se eu seja transformado em um lixo, escória da humanidade”, São Paulo está nos dando lição como ele e os apóstolos conseguiram fazer. “Insultados abençoamos, perseguidos suportamos, caluniados consolamos”. Quem de nós pode dizer isso? Quem de nós quando foi insultado abençoou? O único jeito de vencer o mal é com o bem, não tem outro jeito não. Sabe quando ficamos tristes quando falam de nós? Quando é verdade, principalmente se for uma verdade que estamos tentando esconder. Se você ficou triste quando alguém que falou mal de você, é porque era verdade, e uma verdade que você estava tentando esconder em seu coração talvez já há muito tempo, e que está lhe fazendo um grande mal. Hoje eu quero dizer a você: “não esconda mais, mostre para Jesus”. O mundo está com urgência absoluta de acreditar em Jesus, sem Jesus não tem outra saída. Precisamos saber que de alguma forma podemos contribuir para que esse mundo imenso seja curado, seja restaurado, seja tocado. Não podemos por isso ir acumulando sujeiras em nosso coração. Será que eu conseguiria fazer esse exercício tão pequenininho que Paulo nos escreve.

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Nós, estultos por causa de Cristo; e vós, sábios em Cristo! Nós, fracos; e vós, fortes! Vós, honrados; e nós desprezados! Até esta hora padecemos fome, sede e nudez. Somos esbofeteados, somos errantes, fatigamo-nos, trabalhando com as nossas próprias mãos. Insultados, abençoamos; perseguidos, suportamos; caluniados, consolamos! Chegamos a ser como o lixo do mundo, a escória de todos até agora...(1Cor 4,10-13). Por quê? Que força é essa que nos leva a aceitar essa humilhação? Será que estamos dispostos a nos prostrar diante do Senhor para fazer essa oração de cura interior? Eu penso que muitos de nós não estamos, eu penso que muitos de nós vamos até Jesus igual ao jovem rico. “Senhor, o que fazer para ser feliz, para ser um jovem sarado?”. Na verdade queremos que Jesus ponha a mão em nossa cabeça e resolva os nossos problemas. Mas isso Jesus não faz, Jesus não vai resolver nenhum problema nosso. “Entregue seu problema para Jesus, que ele resolve”. É mentira! Ele não resolve, ele dará forças, garras e coragem pra você arregaçar as mangas e resolver. Essa é a diferença da cura interior. Essa é a marca do jovem sarado. Mas, se a pessoa vive na oração da lamúria, que é a oração de louvor ao encardido. Isso acontece quando a pessoa começa a reclamar: “Ah, padre eu sofro tanto, por que será que tudo dá errado na minha vida? Padre, por que será que ninguém gosta de mim?” Dá vontade de dizer pra pessoa pra morrer de uma vez. Mas a pessoa não quer morrer, ela quer é atazanar a vida das outras pessoas, quer chamar a atenção, se fazer de vítima, é coração ferido e machucado. Os fariseus estavam querendo provocar Jesus, mas foi Jesus que os provocou quando os chamou para que olhassem para si. E nós, para quem estamos olhando? Será que eu consigo de fato olhar para esse Jesus e dizer: “Senhor o problema está em mim”. Enquanto nós ficarmos elegendo os culpados dos nossos problemas, nós não os resolvemos. Não tenha medo de tirar a máscara diante de Deus, de dizer: “Senhor eu estou aqui”. Mas para isso é preciso ter um motivo muito grande que me leve a ter essa coragem de arrancar as minhas máscaras. E esse motivo é querer ter esse encontro pessoal com Jesus. Eu quero que Jesus Cristo seja o único Senhor da minha vida. E é preciso tomar uma decisão, a decisão de deixar Jesus ser o centro da minha vida. Muitas vezes nós nos acostumamos com os pecados e acabamos amando os nossos pecados. Quantos de nós estamos guardando pecados no coração há anos, desde pequenininhos, e vamos cultivando porque não temos coragem de expor o pecado diante do Senhor. Aí vamos caindo no farisaísmo, vemos defeitos em

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todo mundo, apontamos as falhas em todas as pessoas, mas não temos a coragem de dobrar nossos joelhos no chão e dizer o que Paulo disse: “Já não sou eu que vive, é Cristo quem vive em mim”. Ou será que precisamos dizer: “Senhor, já não sou eu que vive, é a mágoa que vive em mim, é o ressentimento quem vive em mim”. Por que você se torna tantas vezes uma pessoa tão fraca, que qualquer coisinha já é suficiente pra deixar você abatido? Por que será que nos irritamos com tanta facilidade? Eu tenho certeza se estamos nos irritando com muita facilidade é porque estamos no pecado, e achamos que o problema está no outro, aí qualquer barulho ou atitude do outro já nos irrita. Porque não temos a coragem de reconhecer: Senhor, eu sou um pecador, eu acreditei nessas bobagens que o mundo ensina, que as pessoas valem por aquilo que elas têm. Quando Jesus no sermão da montanha manda que se olhe para as aves do céu, e para os lírios do campo, ele diz valeis muito mais que os pássaros. O valor de cada um de nós não vem de fora, nada nem ninguém que vem de fora pode dar ou tirar nosso valor. Se eu pegar uma nota de cem dólares e perguntar para um grupo de pessoas quem gostaria de ganhar essa nota, todos iriam levantar o braço, Mas se eu amassar bem essa nota e perguntar novamente não mudaria nada, todos iriam querer do mesmo jeito. Mas eu amassei a nota, pisei e dobrei a nota. Quanto ela vale? Precisamos saber que nenhuma amassada, nenhuma pisoteada do mundo vai tirar o seu valor de filho e filha de Deus. Pode ser que hoje eu seja uma nota remendada, mofada, suja ou estragada, e está na hora de dar um brilho. Mas se eu não sei o valor que eu tenho, quem é que vai me dar valor? O nosso valor vem do Senhor que hoje nos chama, o filho do Homem que é Senhor do sábado significa: “olhe para o essencial, eu estou aqui”. Às vezes ficamos pensando: “Como pode aquelas pessoas, viveram fisicamente com Jesus, estavam do lado de Jesus, mas não deixaram Jesus tocar seu coração, voltaram para casa com suas enfermidades? Era uma multidão de pessoas, mais de cinco mil pessoas, somente uma mulher tocou o Senhor e foi curada, a hemorroíssa em Lucas 8, 43. Não basta ir a um acampamento, não basta fazer uma experiência, é preciso desmascarar o coração, é preciso deixar Deus botar a mão em nosso coração, é preciso deixar Deus arrancar de nosso peito as sujeiras que nós e nossos pecados estamos acumulando ao longo de tanto tempo. Enquanto nós não tivermos essa coragem de lançar-nos no Senhor... Tantas vezes temos Jesus

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Cristo em nossas mãos, mas será que acreditamos que é Jesus Cristo verdadeiramente que está naquela hóstia? Se eu acredito nisso a minha vida tem que mudar, eu não posso mais continuar vivendo na angústia, na tristeza, na depressão, na mentira e na mágoa. E o que impede que eu tenha esse encontro pessoal com o Senhor que vem até mim? Essa barreira da hipocrisia, essa mágoa que eu guardei em meu coração, essa falta de perdão, se eu não estou decidido a perdoar. Ah, essa é uma decisão difícil, e é difícil porque depende só de você e de mais ninguém. Por que São Paulo se apresenta pisoteado, como esse lixo, quem é que pode ofender um lixo? E foi o que Jesus Cristo fez por nós. Ah, como nós estamos atrás de um Cristo do sermão da montanha. “Bem aventurados os puros de coração, porque verão a Deus; bem aventurados os que choram, porque serão consolados”. Mas lá no final ele diz: “Bem aventurados, quando forem caluniados e perseguidos por causa do meu nome”. Essa perseguição nós não queremos. Imaginem se hoje os cristãos fossem condenados pelo simples fato de ser cristão. Você seria condenado? Não porque usa um crucifixo ou uma camiseta. Mas o seu jeito de viver condenaria você? Sabem o que dói em nosso coração? É saber que muitos de nós permaneceríamos intactos, porque ninguém ia notar. Lá em seu trabalho alguém nota que você é cristão? O jeito de você andar na rua, as pessoas notam que você é cristão? O jeito que você ama, qual é sua diferença em casa? O seu jeito de tratar as pessoas? Enquanto não formos pessoas de corações curados, enquanto continuarmos com os melindres, vamos ser pessoas pessimistas, negativistas que só sabem reclamar da vida e ficar atrás de uma orações que emocionam, igual beijaflor de flor em flor. “Ah, se eu publicar um pedacinho do Salmo 38 no jornal da minha cidade, eu vou receber uma cura. Ah, se eu rezar uma frase do Salmo 90, tudo ira se resolver em minha vida. Ah, se eu ler aquele trecho nove dias seguidos, Deus resolve tudo em minha vida”. O encardido rezou o Salmo 90 pra Jesus, e Jesus enxotou ele lã de cima do morro. Está na Palavra, ele rezou o Salmo 90, ele sabia a bíblia, mas Jesus o expulsou. Igual os fariseus sabiam. O encardido também esteve próximo de Jesus. Mas sabem qual é o grande drama dos fariseus, do encardido e dos cristãos que ainda não foram curados? É que quando eles chegam perto de Jesus, não chegam para falar do seu coração, da sua enfermidade, eles vão para falar e olhar os defeitos das outras pessoas. Ah, isso é triste. “Pai que eles sejam um, a fim de que o mundo creia”.

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A primeira comunidade cristã que partilhava tudo, que tinha tudo em comum, que perseveravam na doutrina dos Apóstolos, na fração do pão, e nas orações. Os homens e as mulheres curados pelo Espírito Santo. Os homens e as mulheres que experimentaram a vida plena de Jesus, viveram e transmitiram a possibilidade de viver em família e em comunidade, que se amam e que se perdoam. E é essa graça que precisamos pedir hoje, e começar hoje a nossa cura interior. Coloque no coração de Jesus, a área de sua vida que precisa mais ser curada hoje. Mas pense também qual é o preço que você verdadeiramente está disposto a pagar. Jesus estava vendo nosso coração, Deus nos conhece, nós podemos até conseguir enganar as pessoas, mas Deus nós não conseguimos enganar. O que eu estou disposto? Quanto eu estou disposto hoje a dar do meu coração, e que área do meu coração eu quero verdadeiramente permitir que a graça de Deus cure, restaure, transforme e liberte pelo poder do Espírito Santo. Será que o amor que eu tenho dentro do meu coração por Jesus é grande o suficiente para levar-me a entregar toda a minha vida, ou eu estou guardando os meus bens, o meu dinheiro, o meu tempo, a minha inteligência, porque eu quero comprar aquele carro, ou aquela obra de arte. E estou deixando passar, como os fariseus, o Senhor da vida que passa por mim. Hoje eu não quero deixar passar essa graça, hoje eu quero tomar posse dessa graça, como se fosse a minha primeira Eucaristia, e como se fosse a última. Eu quero colocar o meu coração no teu coração Senhor, mas quero também colocar o coração de muitas pessoas espalhadas mundo afora. Mas principalmente aqueles bilhões de seres humano que nessa hora sequer estão pensando em Deus. Os bilhões de seres humanos que nesse momento estão mergulhados no pecado, os bilhões de seres humanos que nesse momento estão afastados da graça. Quero pedir pelas milhares de pessoas que nesse momento estão nos hospitais, nas cadeias, nos prostíbulos. Naquelas milhares de pessoas que nesse momento estão praticando aborto. Eu quero pensar em meu compromisso para tudo isso, em saber que esta lista hoje está no coração de Jesus, pode chegar ao coração dessas pessoas e pode mudar o rumo da história. Eu quero pedir também para que nosso país seja independente, independente das drogas, da prostituição, independente da violência, da corrupção e da mentira. Independentes das angústias e depressões que invadem milhares de corações de irmãos e irmãs nossos espalhados por esse país. Eu quero convidar você hoje na sua doação a fazer uma experiência e perceber o quanto você é capaz de se empenhar reino. Pelo Senhor da história, que é Senhor do sábado, e quer ser Senhor da minha e da sua vida.

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Os caixotes das drogas

Aproximaram-se de Jesus os publicanos e os pecadores para ouvi-lo. Os fariseus e os escribas murmuravam: “Este homem recebe e come com pessoas de má vida!” Então lhes propôs a seguinte parábola: “Um homem tinha dois filhos. O mais moço disse a seu pai: Meu pai, dá-me a parte da herança que me toca. O pai então repartiu entre eles os haveres. Poucos dias depois, ajuntando tudo que lhe pertencia, partiu o filho mais moço para um país muito distante, e lá dissipou a sua fortuna, vivendo dissolutamente. Depois de ter esbanjado tudo, sobreveio àquela região uma grande fome e ele começou a passar penúria. Foi pôr-se a serviço de um dos habitantes daquela região, que o mandou para os seus campos guardar os porcos. Desejava ele fartar-se das vagens que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. “Entrou então em si e refletiu: Quantos empregados há na casa de meu pai que tem pão em abundância... e eu, aqui, estou a morrer de fome! (Lc 15,1-3.11-17).

Nesse, e nos próximos capítulos vamos refletir sobre assuntos muito sérios, de modo especial o problema das drogas, da dependência que está afundando e levando nossos jovens. Esse menino do evangelho é você, sou eu, somos cada um de nós no nosso maior e mais profundo desejo: “Eu quero ser feliz”. E essa é a grande vocação do ser humano, pois é para isso que nós somos criados. Deus criou a cada um de nós a sua imagem e semelhança, portando criou-nos para que sejamos felizes. E esse menino queria ser feliz, ele não estava feliz na casa de seu pai, ao menos achava que não estava. E ele pensava: “Quando eu serei feliz?”, como todo jovem pensa. Ele achava que não era feliz porque não tinha todo dinheiro que queria ter para gastar, para comprar aquela roupa que ele tanto desejava, para fazer aquela festa que queria fazer. E ele achava que não era feliz porque tinha o pai que representava a lei, a norma, a obediência. E ele queria ser livre, queria ser dono do seu nariz. Ele queria ser feliz.

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Aqui nos vemos as três grandes aspirações da felicidade humana. A felicidade do ter, a felicidade do poder, a felicidade da liberdade, do prazer. O possuir, o poder e o prazer, os três Ps que derrubam de modo especial nossos jovens. Esse menino pensou: “Eu quero ir para um lugar distante, onde não existam normas e leis”. E agora ele estava feliz, tinha dinheiro, e fez uma ruptura tão grande com o pai que não se contentou em pedir algum dinheiro ou uma mesada, pediu a própria herança. E quando ganhamos herança? Quando o pai morre. É como se ele dissesse ao pai: “Pai, para mim você está morto”. Machucou o pai, e ele foi embora feliz, alegre, ele tinha dinheiro, liberdade, podia fazer aquilo que ele bem entendesse. E vai para esse país distante e a vida vira uma festa. Muito sexo, muita droga, muito rock in roll. Aquela liberdade absoluta, ninguém para perturbar, ninguém para encher a paciência. Eu agora sou feliz. É assim que o encardido continua fazendo. O encardido é o pai da mentira, quando Adão e Eva viviam no paraíso ele também foi lá perturbá-los: “Isso aqui não é felicidade não, felicidade é você ser livre, você pode ser igual a Deus, você pode ser o seu próprio Deus”. E foi enganando, até que o ser humano acreditou. O encardido também enganou esse menino e continua enganando milhares de jovens. Porque ele sabe a força que o jovem sarado tem. A única força humana capaz de mudar o mundo são os jovens. Mas o jovem é igual ao touro, não sabe a força que tem. Se o touro soubesse que é forte, ninguém punha canga nele. Se o leão pensasse que era mais forte do que o homem, alguém o colocaria numa jaula? O encardido está enganado os jovens. O encardido para poder agir no mundo tem que prender o jovem, mas para prender a sua prática continua sendo a mesma: seduzir. Fazendo a pessoa pensar que é livre, quando ela está presa. Eu nasci no dia em que papai e mamãe faziam dez anos de casados, e eu fui o nono filho. Morava na roça, mamãe não tinha babá. Imaginem lá no Biguá, casa pequena, sem luz elétrica, sem água encanada. Como mamãe cuidava daquela pilha toda? Mamãe era inteligente, pediu ao papai para fazer um caixote de madeira, forrou o caixote com colchão de palha e colocava nós lá dentro. Mamãe lavava roupa e puxava o caixote, e nós estávamos lá dentro. Mamãe ia costurar, puxava o caixote. De vez em quando jogava uns bolos de fubá lá dentro. Então, para mamãe poder trabalhar e pensar, nos colocava dentro do caixote.

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O encardido resolveu copiar mamãe. Ele pensou assim: “A dona Nazaré para poder trabalhar, coloca as crianças no caixote”. Então ele reuniu a turma de encardidinho e falou: _ Nós vamos ter que fazer assim com o jovem, se nós queremos mandar no mundo precisamos encaixotar os jovens. O outro encardido disse: _ Os filhos da dona Nazaré, quando crescerem vão sair do caixote. Você acha que os jovens, que já são grandes, vão ficar dentro do caixote? _ Antes de encaixotar os jovens, nós vamos por na cabeça dele, que é dentro do caixote que ele é livre. _ A tática é boa! _ Dá certo, deu certo com Adão e Eva. Deu certo com aquele menino de Lucas 15. Vamos colocar os jovens no caixote. Por isso o encardido e todos aqueles que trabalham a seu serviço, que infelizmente hoje é uma turma, o serviço deles é fazer caixotes para prenderem os jovens. O caixote da moda, por exemplo. Por que a moda muda tanto? Porque o jovem tem que achar que ele vale pela roupa que veste, não é pelo corpo que tem. O jovem tem que começar a perder a autoestima, ele tem que ficar se comparando, ele olha para outro e fala: “Nossa, o outro tem roupa melhor, tem carro melhor, e eu sou feio”. A coisa que o encardido mais gosta é quando o jovem chega no espelho e diz que é feio. O encardido olha para Deus e diz: “Olha lá sua imagem e semelhança”. Porque o encardido não pode atingir Deus, então ele tenta atingir sua imagem e semelhança, que somos nós. E tenta atingir como? Deformando, enfeiando a gente. Então, no caixote da droga o jovem começa a pensar que não vale nada, a não ser que esteja bem vestido, com aquela roupa, com aquela marca. É por isso que a Nova Era investe até em marca de roupas. A Nova Era é o jeito novo que o encardido usa para apresentar o pecado sempre velho. Os meios de comunicação social são usados como caixotes. Para pregar o sexo livre, a prostituição, a violência. Vê se você acha em um filme ou em uma novela um jovem que trabalha, um jovem honesto, um jovem sério, um jovem que reza, um jovem que namora direito. É tudo fútil. O jovem só pensa em comer, ir para o shopping e transar. O encardido tem uma paciência medonha, ele vai devagarinho, vai seduzindo.

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O caixote da música hoje. Não sei como determinados grupos musicais, determinadas músicas fazem sucesso. Isso é uma vergonha para nós. Só tem moças peladas, rebolando, com o mesmo ritmo. Mas as nossas crianças já estão sendo encaixotadinhas. O caixote do sexo livre, que prega o que bem entende. E o grande e terrível caixote que junta todos eles, o caixote que amarra todos eles, que também é o prego que vai pregando todos eles, é a arma número um do encardido hoje para destruir, para despersonalizar, para enfeiar o nosso jovem, é a droga. O jovem não sabe a força que tem, com essa força, com esse entusiasmo, o jovem pode mudar o mundo. E no entanto, em nenhum setor da sociedade temos jovens. Só de 14 a 25 anos de idade, representam vinte por cento da população brasileira. Onde estão os jovens na política, na economia, nas decisões. Isso é vitória do encardido. O encardido sabe que é preciso destruir o jovem, o jovem precisa acreditar que ele não vale nada, que a beleza e a força dele vêm de fora. Da roupa, do dinheiro, do carro, da droga. E o jovem vai entrando nesses caixotes, porque tem o desejo desse menino, quer ser feliz. No fundo do nosso coração, diariamente a gente repete: “Eu quero ser feliz!”, consciente ou inconscientemente. A sociedade hoje está criando uma raça de jovens fracos, derrotados. Crianças fracas e derrotadas. No Brasil, fala-se que tem dezesseis milhões que hoje são dependentes químicos, desde a maconha, até a pior de todas as drogas, a mais terrível, a que mais destrói o álcool. Acho que o álcool é hoje a arma número um do encardido. É por aí que começa a seduzir os jovens. Porque o álcool pode atingir desde o jovem da classe mais alta, com as bebidas mais caras, até o jovem da classe mais baixa, com as bebidas mais baratas. O Brasil tem a bebida destilada mais barata do mundo. Aí o governo devia de criar impostos, devia de ser uma fortuna um litro de cachaça. Mas esse grupos que estão a serviço do encardido, fazem produzir a cachaça barata. Que destrói, que despersonaliza, que mata famílias inteiras. Começa já a matar a criança, quando o pai é alcoólatra, a criança nunca pode chegar perto do pai e quando chega é aquele bafo medonho, e ele não consegue falar. Como é triste ver um alcoólatra caído. Mas como é que começa isso? Às vezes até dentro de casa. Tudo quanto é festinha, e às vezes até festinha de igreja, tem bebida alcoólica. “Ah, que tem demais uma cervejinha?”. Eu acho que é por isso que Deus não abençoa muito as festas de igreja, porque não tem competência de se fazer uma festa onde a alegria

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vem única e exclusivamente de Deus. Nós temos salões comunitários que foram construídos a poder de brigas porque vendia cerveja, vendia cachaça. E por isso hoje esses salões estão todos cheios de teias de aranha. É preciso que a igreja comece a pensar no problema que é uma doença desde 1957, reconhecida pela OMS como doença grave. Um pobre não encontra quem lhe dê um prato de comida, mas encontra alguém que lhe pague um gole de cachaça. Hoje é preciso que jovens cristãos, televisões cristãs, comecem a fazer uma campanha contra o álcool. Para dizer para os donos de botecos: “Existe jeito sério e honesto de ganhar dinheiro!”. E eu digo isso por experiência própria, porque eu sempre gostei de ganhar dinheiro. E eu sei que não é fácil dizer não. Eu perdi um irmão com 43 anos de idade, um pai de família que deixou três filhos. Dodô era mais forte do que eu, quando foi sepultado tinha uns trinta e poucos quilos. Não era ele. A gente olhava para aquele corpo deformado e dizia: “Não pode ser ele, moreno do olho verde, lindo”. Que vitória do encardido! Mas graças a Deus nos últimos dias de vida ele se encontrou com Deus, pude lhe dar o sacramento da unção dos enfermos, enquanto ainda estava lúcido. Mas é terrível ver um homem de quarenta e poucos anos ser destruído, sugado pelo encardido. E começa quando? Tem gente que pega a chupeta do neném e molha na caipirinha ou no quentão e dá para a criança. Eu fico imaginando esse batalhão de jovens que estão a serviço do tráfico de drogas, a serviço da vida. Ajudando a injetor Jesus Cristo na veia e no coração de cada jovem, branca por branca, injeta a Eucaristia, que é vida. São Paulo já dizia que o salário do pecado é a morte. E essa é a tática do encardido, vai seduzindo, no começo é gostoso. Por que a gente peca? Porque é bom. Se o Papa dissesse que agora mudou, nada do que era pecado, agora é pecado. Pecado agora é dar martelada na ponta do dedo ou sentar numa chapa quente, ninguém iria pecar mais. E o encardido sabe disso, então ele troca a verdade de Deus pela mentira. Ele pinta o pecado como uma coisa boa. Então o jovem toma uma cervejinha na festinha e fica alegre. Eu sou completamente contra o qualquer tipo de bebida que tenha álcool. Se têm milhões de pessoas morrendo por causa disso não pode ser bom. Então o encardido pinta o pecado. Na hora dá prazer, na hora dá alegria. Por isso o encardido apareceu como se fosse uma serpente, uma cobra, ficava escondida no mato só observando qual é o ponto fraco de Adão e Eva. Vocês

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acham que a cobra pegou uma fruta e chegou de surpresa? Óbvio que não. Ela foi observando que Eva olhava para aquela árvore e achava bonita. Então veio e ofereceu. Ao mesmo tempo a bíblia quer nos mostrar que o pecado nos torna infantis. Qualquer criança sabe que cobra não fala. Mas quando a pessoa vai se deixando seduzir, vai prendendo. O salário do pecado é a morte. É igual a rã, que é o animal que consegue pular as maiores alturas em relação ao seu corpo, ela consegue pular cem vezes o tamanho do seu corpo. Mas o que a rã mais gosta? Água. Você coloca uma rã dentro de uma panela com água sem assustá-la, ela fica lá dentro. Depois acenda o fogo, ela vai se adaptando ao calor, a água ferve e ela morre. Como a rã é burra! Podia ter pulado, ela consegue pular muito longe. O encardido faz assim com a gente, ele vai esquentando a água aos poucos, e vamos nos acostumando. É igual traficante, que chega e abraça, aparece sempre como uma pessoa muito simpática, amiga, os primeiros baseados sempre são de graça. Eu fumei maconha dos doze até quase vinte anos de idade, e foi assim. Menino da roça, vem para a cidade, meio bobo, e vem aquele amigão bacana. Fuma uma vez, gosta, fuma outra, gosta. Daqui a pouco, mesmo que você não goste mais, você já é um dependente, está amarrado, a água já está esquentando, você já tem necessidade dessa água, e a água vai esquentando, esquentando e mata. Vai enfeiando a pessoa. Eu vejo meus filhos, quando chegam em nossas casas, eles têm uma marca, são feios e fedidos. É isso que o pecado faz com a pessoa, primeiro é festa, “mas sobreveio sobre aquela região um plano econômico e o menino entrou na penúria. E ele encontrou somente um serviço para cuidar de porcos, e não podia se quer comer a lavagem dos porcos”. Quando vemos na rua um jovem drogado, uma menina prostituída, que não tem mais o que comer, todos cheios de feridas, podemos nos lembrar dessa passagem, o menino estava fedendo a porco. Eu já recebi vários desses meninos e meninas fedendo a porco. O pecado vai deformando a pessoa, e uma pessoa dessa é a grande gargalhada do encardido. Ele olha para Deus e diz: “Olha aí a sua imagem e semelhança!”. E ele vibra. Porque o encardido não pode fazer nada contra Deus, e ele tem pressa porque ele sabe que o único tempo que ele tem é esse. Ele seduz o jovem, acaba com o jovem e assim, acaba com a família. O jovem começa a se drogar, o pai joga a culpa na mãe, a mãe joga a culpa no pai, mas o pai e a mãe são drogados também. Em muitos casos, o pai bebe todos os dias, é alcoólatra, a mãe é viciada em antidepressivo. Então o encardido dá uma solução e os pais começam a culpar os

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amigos do filho. Pai e mãe que tem medo das amizades do filho é porque não tem segurança do amor que deu. Estamos criando uma raça de gente fraca, que diante de qualquer obstáculo desiste, cai. Mas os que esperam no Senhor renovarão as suas forças. Mesmo você que já se sente velho, vai ganhar asas e olhos como os dá águia, e vai enxergar longe. Aquilo que os olhos humanos não conseguem sequer imaginar, Deus tem guardado e revela para aqueles que o encontram e o experimentam. A nossa luta é contra o encardido. O encardido apresenta o pecado como uma coisa boa, e o jovem vai perdendo a pureza, vai perdendo o carinho, vai entrando nesse abismo do pecado, vai se deixando seduzir, e chega o momento que não consegue mais viver sem o pecado. E esse menino fedendo a porco, despersonalizado, somos cada um de nós. Está na hora de darmos o melhor de nossas vidas para Deus. E a hora que termos essa coragem, o amor vencerá. E foi o amor que venceu na experiência desse jovem também. Quando ele estava lá no buraco, no fundo do poço, do que ele se lembrou? Do amor e da fartura do pai. E se não olharmos para essa dinâmica do amor que vence, do amor que é mais forte, nós não chegaremos a esse abraço do pai. Por isso é preciso levarmos os jovens a fazerem uma experiência do amor de Deus, uma experiência profunda. Padre Dehon, o fundador da minha congregação dizia: “ A grande causa dos grandes males da sociedade está na recusa do amor de Deus”. Não é tanto a experiência de amar a Deus, a experiência mais forte ainda é saber que eu sou amado por Deus. Que eu tenho um Deus que me entende, um Deus que me atende, que compreende toda a minha fraqueza, um Deus que me ama. Eu sou imagem e semelhança de Deus, eu não sou anta, eu não sou imagem do encardido, eu não vou deixar-me destruir. É o que eu digo aos pais: Ame verdadeiramente seus filhos, levem seus filhos a fazerem realmente uma experiência do amor de Deus. Porque pode até ser que ele se perca, como esse menino se perdeu, mas ele voltará. Cada um de nós precisa experimentar o amor de Deus. Eu tenho um Deus que me ama, que cuida de mim. Olhai as aves do céu, os lírios do campo. Deus cuida de mim vinte e quatro horas por dia, se eu estou no pecado, na vitória ou na derrota, Deus está cuidando de mim. Se não existisse mais ninguém no mundo Deus iria me amar igual, pois Deus não sabe amar de outra maneira, amor eterno, esse é o amor de Deus. E o mundo precisa saber disso. E vai saber como? Através de nós. O encardido vai tentar nos seduzir

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sempre, mas se nós temos a certeza do amor de Deus, esse amor de Deus nos faz voltar, a certeza desse amor, de um pai que está de braços abertos me esperando. Na casa de meu pai tem tanta coisa boa. Entrou em si e disse: “Eu vou voltar”. Que você também possa entrar agora dentro de si e dizer: “Eu vou voltar, vou voltar para o abraço de meu pai”.

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JOVEM PAPAGAIO

O jovem está sempre buscando a felicidade. Tudo que ele faz, inclusive as coisas erradas é reflexo de sua busca pela felicidade. Muitas vezes, se busca no lugar errado é por ignorância ou porque se deixou seduzir pelo encardido. A história de cada jovem é como a história daquela senhora que resolveu comprar um animal de estimação. A mulher tinha ficado viúva e sua vida era um grande vazio. Não tinha ninguém com quem partilhar vida e transmitir e receber carinho. Por isso resolveu arrumar um animal, que poderia ser uma linda companhia. Assim, se aprontou e foi visitar as lojas que vendem animais. Olhou para cada animal em exposição e ficou triste. Cachorro ela não queria porque late muito, gato solta pêlos, passarinho canta, faz arruaças. Logo, para sua tristeza, não encontrou nenhum animal que pudesse ser companhia. Quanto já estava saindo da loja viu num pequeno poleiro um lindo papagaio. A mulher ficou impressionada pela beleza do papagaio. - Ele fala - Fala muito. Inclusive sabe um pouco de inglês e de espanhol. - E quanto custa esse belíssimo animal? - Este maravilhoso papagaio está com uma promoção especial. Custa somente dois mil reais. - Dois mil reais num papagaio? O senhor está maluco. Não compro de jeito nenhum.

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Assim, voltou para sua casa sem o animal de estimação. Na cama, não conseguia pegar no sono. O papagaio era bonito demais. Depois, imagine como será maravilhoso conversar com ele todos os dias. O que adianta eu economizar dois mil reais e viver sozinha, sem ninguém. Meu marido economizou tanto e acabou morrendo tão cedo. Amanhã eu vou voltar naquela loja e comprar o papagaio. Dito e feito, no dia seguinte, bem de manhã, ela se arrumou toda e foi em busca do seu papagaio. Já levou o cheque pronto. O dono da loja logo a reconheceu e a convidou para um cafezinho. - Obrigada. Eu vim por causa do Papagaio. Fico feliz em ver que ainda não foi vendido. - Que bom que a senhora perceber o valor dessa rara ave. Um papagaio desses, por dois mil e quinhentos reais é barato demais. - Dois mil e quinhentos? - É. A senhora deve ter visto nos jornais a queda do dólar. Com isso o preço de tudo sobre. - Mas eu já trouxe o cheque pronto. Se não for por dois mil, como falamos ontem, não levarei o papagaio. - Bem, como a senhora é freguesa antiga, já que esteve ontem aqui, vou darlhe um fabuloso desconto de quinhentos reais. Por dois mil o papagaio é da senhora.

A mulher não se continha de tanta alegria. Agora tudo será diferente. Terá com quem conversar, além de se entreter limpando sua gaiola, preparandolhe alimento e brincando com seu bichinho tão lindo. Na manhã seguinte a primeira coisa que fez ao levantar foi ver seu animal. - Bom dia, louro. Você dormiu bem?

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Mas o papagaio não lhe respondeu nada. Ficou calado, olhando de um jeito esquisito para a mulher. Ela telefonou ao dono da loja reclamando que o papagaio não falava nada. - A senhora o instalou num lugar apropriado? - Ora, coloquei-o dentro de uma gaiola... - Gaiola? A senhora acha que ele vai falar alguma coisa, trancafiado numa gaiolinha de quinta categoria? O papagaio precisa de um viveiro amplo, onde ele tenha espaço para voar, brincar e escolher o lugar de sua predileção. - E onde eu encontro um viveiro assim? - Por acaso tenho aqui um último exemplar de viveiro próprio para papagaios. Se a senhora se interessar, mando entregar em sua casa. - E quanto custa esse viveiro? - Está em promoção, custa apenas oitocentos reais. - Que absurdo! Como pode ser tão caro? - Aí está o problema. Esse tipo de animal não pode ficar num receptáculo comum. Precisa ser tela de titânio e a madeira é de lei. - Tudo bem. Manda o viveiro que eu pago para o rapaz que o trouxer.

Dia seguinte ela corre ao belo viveiro, já instalado no canto da sala, e cumprimenta seu amigo emplumado. - Bom dia, louro. Você dormiu bem?

Mas, nada do papagaio falar. A mulher ficou muito triste e telefonou para o dono da loja

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- O papagaio não fala nada, nem ao meu bom dia ele respondeu. - Não é possível! A senhora o colocou em um excelente viveiro. Por acaso eu cheguei a lhe falar sobre a necessidade de se colocar uma escada especial no centro do viveiro? - Escada? O senhor não me falou nada sobre isso. - Foi um lapso de minha parte. Peço desculpas mas é fundamental colocar a escada no centro do viveiro, assim o papagaio pode subir e descer os degraus, como se tivesse na natureza, subindo e descendo pelos galhos das árvores. Por sinal tenho aqui uma em titânio, de excelente qualidade e com o assento em mogno. É uma beleza e custa somente duzentos reais. - Quem está na chuva é para se molhar. Manda a escada.

Manhã seguinte. - Bom dia louro! Gostou da escada nova?

Nada do papagaio falar. Mais um telefonema para o dono da loja. - Meu senhor já fazem 3 dias que o papagaio está comigo e ele não falou uma palavra sequer. - A senhora adaptou o balanço para ele? Sim, porque sem o balanço ele não vai falar. O balanço reproduz o balançar dos galhos das árvores. Ele se sente em casa. Agora, é fundamental não colocar um balanço qualquer. Precisa ser em titânio, senão é possível que ao bicar o balanço, se não for de material bom, ele machuque suas cordas vocais. Ai que nunca mais vai falar... - Como o senhor deve ter um balanço ai, em promoção, manda-me um. Foi instalado o balanço. Ela dormiu ansiosa. Na manhã seguinte correu para perto do viveiro e mais uma vez cumprimentou o papagaio. Mas nada dele

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falar. Ele olhava para ela, e ficava mudo. Outro telefonema para o dono da loja. - A senhora por acaso colocou um espelho dentro do viveiro? O espelho faz com que ele vendo-se pensa que é outro papagaio, com isso ele puxa conversa e logo está tagarelando que é uma maravilha. Agora é importante que o espelho seja de boa qualidade. Não pode ser côncavo e nem convexo, do contrário o papagaio olha e vendo a imagem deformada, pensará que é uma arara ou uma tiriva. Ele não fala com arara e nem com tiriva. Coisa de papagaio. - O senhor pode me mandar o espelho da promoção que eu acerto as contas aqui. Tudo pronto! O viveiro estava completo: balanço, escada e espelho. Agora era impossível que o papagaio não falasse. De madrugada a mulher acorda estabanada. Não é que o papagaio estava falando, na sala. Ela correu ao encontro do bicho e ainda deu tempo de ouvir, repetidamente, suas últimas palavras. O papagaio morreu. A mulher ficou desesperada. Tanto investimento. Tanta esperança. Quando amanheceu o dia telefonou para o dono da loja contanto a desgraça acontecida. O homem não acreditava que o papagaio havia morrido. - E ele não falou nada? - Falou sim. Ainda deu tempo de ouvir, repetidas vezes: naquela loja, não vende comida. Comida. Comida. Louro quer comida...

A história do papagaio é imagem da nossa busca por felicidade. O mundo ensina que a felicidade vem de fora. Por isso tantos jovens machucados e feridos. A Gaiola representa o ter: Casa, carro do ano, ter cada vez mais, consumismo que consome. Acontece que nunca teremos tudo que inventam para nossa

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felicidade. Aqui o que vale é a troca e o essencial é viver o novo. Ser fiel é ser ultrapassado. O mundo moderno sabe o preço das coisas, mas não sabe o seu valor. O importante é ter cada vez mais. Cria-se necessidades, mas não cria vínculos com nada e com ninguém. O homem moderno não sabe consertar. Estragou, joga fora. Troca-se. O novo é sempre melhor. Vive-se me mansões, lindas gaiolas, só que sem nenhuma liberdade. Tudo cercado, tudo cheio de grades. O carro é blindado, mas o coração é ferido e machucado. Jovens entregues ao domínio do ter, vão deixando de ser sarados para se tornarem escravos das coisas. É hora de uma transformação radical. O mais importante não é a gaiola, é quem está dentro dela. A Escada representa o poder. Cada um quer subir mais do que os outros. Se preciso, usa-se o outro como escada. Interessa chegar no topo da escada social. Quanto mais alto, mais amado, mas feliz, mais rodeado de amigos. Os relacionamentos são puramente interesseiros. Interessa o status, os títulos, os falsos elogios. Vive-se entre a necessidade de aprovação social. Teme-se a reprovação. Com isso vem as traições, mentiras, politicagem, falsas amizades, investimentos – esperando sempre o retorno, a recompensa. O poder corrompe. Cada um quer ser mais do que o outro. Se for preciso faz-se de tudo para derrubar o outro. Nasce o ciúme e inveja. Os relacionamentos são passageiros, vende-se por qualquer preço. Se preciso vamos subir nos outros, diminuir as pessoas para crescer aos olhos do mundo. O Balanço representa o prazer. É conseqüência de uma vida light. Busca-se o prazer pelo prazer. Sem conseqüências. Interessa gozar a vida, não importando com as conseqüências dos seus atos. Sexo, drogas, conforto, passatempo, bingos, festas, são balanços que me reanimam. Só não quero nada que me incomode. Por isso quando se sente incomodado recorre-se aos remédios, à TV, ao álcool, à internet. O balanço prepara para a fuga da vida. Com isso nasce essa raça de gente fraca, absolutamente oposta ao jovem sarado que luta por seus objetivos. No balanço confunde-se alegria com bem estar. A alegria não depende de fatores exteriores. A pessoa pode estar doente, numa cama com câncer, e ser feliz. Claro, não sente bem estar. Muito pelo contrário. A dor causa mal estar, mas não tira a felicidade. A dor passa, os valores permanecem.

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O Espelho evidencia a sociedade das aparências. A pessoa aprende a olhar somente para si mesma. Não vê mais ninguém. Azar dos outros. Eu quero ser feliz e tudo farei para tirar de minha caminhada qualquer coisa ou pessoa que me atrapalhe. A pessoa não enxerga o outro lado. O espelho quando encardido reflete uma imagem feia, deturpada, deformada. O espelho reflete o determinismo do eu. Eu sou o centro. Evidencia também a era do descartável. Como as coisas são descartáveis, também descarto as pessoas que se interponham em meu caminho. No determinismo do eu, o que interessa é a imagem que se passa. Daí a busca exagerada pela cirurgia plástica, implante de silicone e outras atitudes que só afetam o exterior, a superficialidade da vida. Viver o espelho e viver porta a fora. Não cria vínculos nem com a própria família. A comida representa a busca pelo essencial. Quem não tem um ideal, vive de idéias. É preciso buscar o essencial. Enquanto nos preocupamos com a gaiola, a escada, o balanço e o espelho, deixamos de lado o essencial. Morremos a mingua no meio de tanta fartura. Quantos milionários passam fome. Não de comida material. Essa o dinheiro compra. Mas da comida essencial, a eucaristia, o amor, a ternura, o diálogo familiar. Receber e buscar a comida essencial é não se contentar com o mínimo, com as sobras do mundo. Tudo isso que buscamos pode até ser bom e necessário – gaiola, balanço, escada e espelho. É preciso aprender a usá-los como meios. Eles serão sempre meios e nunca a realização de nossos ideais. São coadjuvantes que não podem ser colocados como protagonistas de nossa vida. Quando buscados com o fim em si mesmos, são geradores de escravidão e morte. É preciso ter uma escala de valores. A felicidade não vem de fora. Nada, nem ninguém, fora de mim pode me fazer feliz.

O Mundo as Drogas

Sabemos que este é um dos maiores problemas do mundo moderno. E quando falamos mundo, não estamos usando só uma “força de expressão”

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para evidenciar ainda mais o problema. Não é só um superlativo! De fato, o mundo todo está sofrendo as terríveis conseqüências desta praga de final de século e início do novo milênio. Diante deste problemas surgem muitos questionamentos e algumas pistas de solução. Neste capítulo procuraremos apresentar, sucintamente, alguns aspectos relacionados à dependência química. A dependência química é a oitava causa de solicitação de internação hospitalar, revela a Organização Mundial da Saúde (OMS). Dados da mesma fonte apontam a doença como responsável por 64% dos homicídios, 39% dos estupros, 80% dos suicídios, 60% dos casos de agressão a crianças, de 35% a 64% dos acidentes de trânsito e como o terceiro motivo para afastamento do trabalho. O abuso de substâncias psicoativas causa danos de proporções alarmantes e a Medicina se desdobra para conter o avanço dessa tragédia. A dependência química é catalogada pela OMS como doença fatal e primária, ou seja, não é decorrente de nenhuma outra. Apenas um pequeno número de dependentes tenta e consegue deixar as drogas permanentemente. O uso de drogas, apesar das sensações de prazer e alívio proporcionadas, sempre resulta em consequências negativas. O dependente químico é um escravo da droga. Apesar do empenho da Medicina, não existe fórmula mágica para tratar a dependência química. Por isso é preciso que a pessoa queira mudar de vida e esteja disposta a deixar as drogas. Portanto, parte de uma decisão pessoal, o que nem sempre é fácil. O uso de drogas é uma tentativa de não sentir a dor existencial, uma maneira de não pensar, de não sofrer. É fuga! Para se livrar deste mundo terrível é preciso aprender a esperar, a abrir mão do desejo, a ter autodisciplina, a pedir ajuda, a melhorar a auto-estima e a modificar o vocabulário para evitar a apologia às drogas e a se afastar dos ambientes que estimulem o uso. O uso de drogas é resultante da não aceitação de si; na relação pessoa-droga não há lugar para o semelhante. O dependente químico volta a usar drogas quando, consciente ou inconscientemente, não consegue criar novas saídas em situações de crise, seja em momentos de triunfo ou de fracasso. Por isso é preciso aprender a trabalhar para descobrir novas possibilidades de existir fora da droga. O primeiro e principal sintoma da dependência é a negação (nunca assume que é dependente). Daí a necessidade de se quebrar os mecanismos de

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defesa. O dependente precisa concluir que é impotente diante da droga e que sua vida se tornou ingovernável. Este é o primeiro momento para a cura. Em segundo lugar é preciso convencer de que é possível mudar. A partir daí é preciso estimular esta decisão e ajudar no empenho pela mudança. Neste processo é muito importante compartilhar a vida com alguém de extrema confiança. Para o dependente é muito difícil confiar em alguém, pois ele não confia nem em si mesmo. A OMS reconhece também a co-dependência. Significa que quem convive com o usuário de drogas torna-se emocionalmente instável, sofre de insônia, enxaqueca e gastrite. A droga do familiar é o próprio dependente químico. Em Bethânia valorizamos muito o contato com a natureza, pois esta harmonia ajuda na busca da auto-estima perdida. A restauração precisa ser física, mental, emocional e espiritual. Por que não fazemos uso de remédios? Infelizmente, os remédios usados para combater a ansiedade e a depressão são contra indicados porque também provocam dependência. Acaba sendo somente a substituição de uma droga ilícita por uma droga lícita. Entre os muitos questionamentos que nos fazem, destacamos: Porque os jovens se drogam? Que mecanismos são acionados em sua vida para que se inclinem ao vício? Que forças interiores se juntam para levar o dependente químico a essa condição? Apresentamos aqui algumas tentativas de respostas: Curiosidade – este é o motivo primeiro: saber como é, em que consiste, o que se sente. Pressão do grupo – os que se recusam a entrar no jogo logo são tachados de atrasados, retrógrados.... Está na moda e é fácil – modas contagiam mais do que infecções. É preciso ter muita personalidade e um ambiente de muita proteção para não se deixar levar por essa corrente. Satisfação – o mundo da droga significa para o jovem a satisfação de uma sede de aventuras, da necessidade de novas experiências: o desejo de ver tudo, olhar tudo, se meter em todos os assuntos. Na verdade é como se o jovem quisesse nos dizer: “Quero viver intensamente, experimentar

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sensações novas e intensas”. É um afã desordenado de mergulhar em todos os cantos da vida. Desejo de escapar de si próprio – abandonar-se numa passividade que repudia tudo o que significa esforço e responsabilidade. Estamos criando cada vez mais uma raça de gente fraca. Facilmente desistimos diante de qualquer problema ou obstáculo. Fuga e Protesto – a droga é sempre fuga. Dá-se, então, uma reação contra os adultos e a sociedade que estes criaram – racionalista, baseada no sucesso e no dinheiro, burocratizada, montada sobre o consumo, muito afastada dos valores, especialmente, do espiritual. Não se agradando desta sociedade o jovem quer fugir para outra que não tenha os mesmos problemas. Assim se inicia a fuga em direção aos paraísos artificiais que a droga promete. Estimulado pela crítica aos mais velhos, o jovem busca uma nova liberdade que em médio prazo, termina numa sugestiva prisão na qual ele vai ficando fechado – física, psíquica, social e espiritualmente. Fuga e protesto são duas notas-chave para compreender o mecanismo de funcionamento da dependência química. Quem se droga, no fundo, está se rejeitando a se conformar com o mundo e quer outro melhor. Desaprova uma realidade que considera uma prisão. E aqui cabem três observações importantes: a moral interpretada como hipocrisia, a felicidade como auto-engano e a vida como uma questão de ter e acumular. Isso é o que eles acabam captando e é, na verdade, a mensagem que estes jovens transmitem. Reação ao Vazio Espiritual – Uma das grandes causas da dependência química, senão a maior, é o vazio espiritual. No mais profundo do coração humano está, como nos lembrava S. Agostinho, um grande desejo de Deus: O coração humano está inquieto até o dia em que repousar em Deus. Na grande viagem das drogas se esconde um desejo de Deus e uma forma pervertida de mística, pulando a ascética e tudo o que dela deriva(sacrifícios, jejum, oração, penitência...). A sede de infinito que todos trazemos dentro de nós se satisfaz mediante a chave ilusória da droga. A droga é uma místicafalsa num mundo materialista, hedonista(só quer o prazer) e de consumo. Por isso podemos dizer que a droga acentua o vazio de nossa sociedade, a falta de consistência em alguma coisa mais sólida e que seja capaz de preencher tantas lacunas no coração do homem. Fugir da Dor – a droga permite afastar a dor e o sofrimento, desterrar os sentimentos de fracasso e frustração – pelo menos momentaneamente. O dependente químico fugiu da luta, só quer saber de sensações vazias e

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baratas e que não leva a compromisso nenhum. Por isso também que é tão difícil viver na sobriedade. De vez em quando a casa cai! Diante de situações negativas, problemas ou dificuldades, infelizmente muitos caem. O caminho mais rápido é também o mais frágil e volúvel. E o resultado é que a droga acaba lhe montando uma armadilha: pensar que essa fuga das contrariedades é duradoura. Aos poucos isso significa a perda da liberdade interior e a submissão a um dono fanático e devorador. É a dependência. Falsa Liberdade – A verdadeira liberdade tem somente um objetivo: o bem. E o bem é aquilo capaz de saciar a mais profunda sede do coração humano. A falsa liberdade das drogas gera uma paixão inútil, totalitária e descomprometida. Uma armadilha. Nela se esconde a busca do processo de identidade pessoal. Dependência – Uma vez instalada a droga de maneira mais ou menos estável, as motivações mudam. Com a droga se combate o tédio e a falta de um projeto de vida coerente e realista. O jovem vai sendo dominado por esse “Deus” mágico e maravilhoso que conserta tudo na hora, mas que depois manda uma fatura imensa: a dependência e a tolerância. Dependente, não consegue mais ficar sem as drogas (maconha, cocaína, álcool, cigarro, etc...) do contrário, é comum experimentar a síndrome da abstinência. A dependência é a progressiva adaptação (física, psíquica, espiritual) da pessoa, de tal forma que em pouco tempo se torna escrava destas drogas. No plano biológico, segundo os especialistas no assunto, esta progressiva dependência tem uma base metabólica, que é chamado de protesto celular. A tolerância aparece numa fase posterior e consiste na necessidade de ir incrementando progressivamente a dose para produzir os efeitos do princípio. Escravidão – a dependência acaba gerando a escravidão. O usuário torna-se prisioneiro da droga. O que antes significava liberdade, agora é escravidão. E a droga é um feitor tirano. A escravidão se caracteriza por um estado de ânimo que expressa uma contínua avidez, um terrível desejo, uma paixão incontrolável, um impulso irracional e incoerente. É a contínua busca do nada. No entanto, a partir da nossa experiência e também de muitos estudos modernos, o que na verdade o dependente químico está procurando é acabar com a rotina quotidiana, e, mesmo sem saber, voltar-se para o infinito. Como já afirmamos, a dependência química é a expressão permanente da busca inconsciente de Deus.

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As Drogas do Mundo

Segundo os especialistas, 28 séculos antes de Cristo, o imperador chinês Shen Nung incentivava o cultivo da Cannabis satiu L. Buscando alívio para suas dores e até por buscas espirituais, parece que os ser humano sempre fez uso de drogas. No entanto, o uso por vício ou puro prazer não era tão comum. Hoje a dependência química já é considerada uma doença social epidêmica. A toxicomania, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é um estado de intoxicação periódica ou crônica, prejudicial ao indivíduo e nociva à sociedade, causada pelo uso exagerado e repetido de determinada droga, seja ela natural ou sintética. Seus efeitos mais prejudiciais são o de destruir a vontade e despersonalizar o indivíduo. A mesma OMS define droga como “qualquer substância que, introduzida no organismo possa modificar uma ou mais de suas funções”. As drogas aí compreendidas são as que, além de acarretarem a dependência química, provocam desvios de conduta, despertam compulsão ao seu uso de forma contínua ou periódica e são usadas tanto para provocar efeitos específicos, como para neutralizar os fenômenos desagradáveis, despertados pela sua abstinência. As drogas alucinógenas causam transformações e modificações de personalidade, as quais, muitas vezes, nunca mais regridem. Os efeitos das drogas não são exatamente iguais para todas as pessoas e nem para a mesma pessoa em todas as ocasiões, ainda que a dose seja idêntica. As reações variam de acordo com vários fatores: a personalidade do usuário; suas condições fisiológicas e psíquicas; sua experiência anterior com a droga; as propriedades da droga; a dosagem utilizada; a forma de consumo da substância e o próprio ambiente em que o uso ocorre. Sem nenhuma exceção, todas as drogas predispõem o usuário à adoção de outras drogas, cada vez mais perigosas, depois de jogar o dependente no mundo irreal, com a perda de interesse pelas coisas comuns e belas da vida e pelos seus entes queridos. O uso de drogas provoca a alienação, e neste sentido, alienar é delegar aos outros o domínio sobre nossa pessoa.

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Para que possamos conhecer melhor o mundo em que vive nossos(as) filhos(as), apresentaremos, resumidamente, as características, os efeitos e as principais consequências do uso das drogas. Tóxicos - É uma substância capaz de intoxicar o organismo, isto é, provocar reações graves, senão mortais. É tudo aquilo pertencente a, ou da natureza de, um veneno. Entorpecentes - É toda droga capaz de provocar o entorpecimento ou torpor (diminuição das atividades gerais do organismo). De um modo geral, estas drogas pertencem ao grupo dos narcóticos. Narcóticos - Substâncias que provocam hipnose (sono) e analgésica (combate à dor). O principal grupo é o representado pelos apiáceos, isto é, o ópio, os seus alcalóides e os derivados semi-sintéticos e sintéticos (obtidos em laboratório). Tolerância – É o nome dado ao processo pelo qual o organismo vai se acostumando com a droga tendo necessidade de aumentar as doses para obter o efeito inicial. Alcalóides - São substâncias químicas que contem nitrogênio e se encontram nas plantas. Acham-se amplamente distribuídos pela natureza. Podem ser extraídos das folhas, sementes, raízes e até da casca de vários tipos de plantas. Os alcalóides são ou podem ser transformados em venenos mortais. Entre seus derivados temos a cicuta (veneno com o qual Sócrates cometeu o suicídio); os venenos que os índios colocam na ponta das flechas, etc... Anfetaminas - São drogas estimulantes do Sistema Nervoso Central, que despertam também inapetência e afugentam o sono. Por isso são usadas no tratamento do estresse e da obesidade. Atualmente são muito usadas por atletas em dias de competição e por aqueles que precisam fazer atividades noturnas e não podem ou não conseguem dormir (motoristas de caminhão, estudantes em véspera de provas, etc...). Pode ser ingerida ou injetada. O uso de anfetaminas pode provocar: excitação, hiperatividade, irritabilidade, agitação, ansiedade, euforia, tremor, tonteira, reflexos hiperativos, aumento da sudorese, dilatação das pupilas, brilho incomum nos olhos e insônia. Seu uso prolongado pode gerar: agressividade, alucinações, pânico, hepatite, psicose, marcas de agulhas no corpo, perda de apetite, convulsões, deformações no feto, paranóia em relação a pessoas e situações e até a morte por overdose.

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Alucinógenos - Substâncias que provocam distorções e irregularidades na atividade mental. Podem produzir alucinações, como a maconha, a mescalina, a heroína, etc... Barbitúrico - Composto químico orgânico usado como sedativo, como hipnótico ou como auxiliar na anestesia. Seu uso pode provocar: sonolência, irritabilidade e agitação, agressividade, euforia, depressão, comportamento irracional, confusão, fala arrastada, risadas, andas cambaleando, distúrbios de coordenação, reflexos reprimidos, aumento da sudorese e contração das pupilas. Quando misturado com álcool normalmente é fatal. Como pode ser usado por via oral ou injeção, causa imediata dependência física, além de convulsão, inconsciência, hepatite e AIDS por compartilhar seringas, morte por privação ou por overdose. Quando se priva um viciado de seu uso é comum acontecer irritabilidade, agitação, ansiedade, alucinações, tremor, tonteira, insônia, náusea, vômito, espasmos abdominais e convulsão. Dopamina - Substância que estimula a atividade física e mental. Doping - Conhecido também por “dopagem”, é a administração ilícita de uma droga (no inglês dope) estimulante com vistas a suprimir temporariamente a fadiga, aumentar ou diminuir a velocidade, melhorar ou piorar a atuação (de animal ou esportista) Psicotrópicos - Em sentido amplo, o termo abrange todas as substâncias, ou princípios, que tem capacidade de atuar sobre o cérebro. São substâncias que afetam os processos mentais e emocionais, modificando a atividade psíquica e o comportamento. Entre os mais conhecidos e usados como tóxicos temos o ópio, o haxixe e a folha da coca. Neste sentido, todas as drogas conhecidas são psicotrópicos e podem ser classificadas em três grandes grupos: Alucinógenos – Maconha, LSD, Mescalina, PCP, Cogumelos ... Psicoanalépticos – Cocaína, Anfetaminas, Anorexigênicos (moderadores de apetite), Xantinas (cafeína, teobromina, teofilina). São também chamados de estimulantes ( Crack, Merla, Herbal, Ecstasy/Efedrina, etc...). Psicodélicos – Narcóticos ou Opiáceos ( Ópio, Morfina, Codeína, Heroína, Mepiridina, Metadona), Hipnosedativos ( Barbitúricos, Sedativos, Remédios de combate à ansiedade, convulsão e que induzem ao sono e o Álcool), Ansiolíticos ( Diazepan, Oxazepan, Lorazepan, e outros sedativos ou similares aos Barbitúricos); Inalantes ou Solventes.

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Cogumelos - Pode ser comido ou dissolvido em chás para ser bebido. Não é tão fraco e nem tão esquecido como parece. Seus principais efeitos: aumento da pressão arterial, perda de líquido no corpo, náuseas, alucinações. Muitos dos usuários costumam cultivá-lo em fundos de quintais. Tem efeito semelhante ao Chá de Lírio e outras plantas ou parasitas. Aliás, o chá de lírio é classificado como um anti-colinérgico (ao lado do Trombeteno, Saia Branca e medicamentos para o mal de Parkinson ou similares). O uso como alucinógeno pode causar confusões mentais, delírios e alucinações que podem durar várias horas, até dias. Podem causar também danos na pele, febre e aceleração dos batimentos cardíacos. É preciso ter muito cuidado com estes medicamentos. Em relação às plantas, elas podem ser facilmente encontras em jardins e hortos Ópio - Pasta obtida da cápsula de uma planta chamada papoula, por meio de incisões, quando ainda está verde. A papoula é uma flor vermelha, de quatro pétalas grandes e bases maculadas de preto, que formam uma cruz no fundo da grande tala corolar. Na medicina o ópio é usado como sedativo. Seu uso medicinal é extremamente benéfico, mas usado de forma errada, como droga, provoca males que vão da degeneração física à loucura e até à morte. A opiomania (vício de fumar ou comer ópio) era freqüente entre os chineses, que o fumava em cachimbos apropriados. O ópio, que pode ser fumado ou ingerido, provoca sonolência, ansiedade, euforia, depressão, fala arrastada, distúrbios de coordenação, reflexos deprimidos, contração das pupilas, perda do apetite e prisão de ventre. Sua dependência física e psicológica é das mais graves. Normalmente provoca síndrome da abstinência, manifestando-se através dos seguintes sintomas: tremor, aumento da sudorese, dilatação das pupilas, lacrimejamento e coriza, insônia, náusea, vômito e espasmos abdominais. Morfina – O nome vem de Morpheu – deus do sono na mitologia grega – É um medicamento usado para aliviar dores intensas e no tratamento de vários outros problemas médicos. Algumas pessoas usam morfina pela sensação de felicidade que isso lhes traz. A morfina torna suportável a dor intensa e faz desaparecer a dor moderada. A morfina é extraída do ópio, e a heroína é produzida a partir da morfina. São similares, no entanto a heroína é mais ativa e o ópio tem efeitos menos acentuados. A morfina, usada por via oral ou por injeção, produz os mesmos efeitos da heroína Heroína - É um medicamento derivado da morfina, substância química ativa do ópio. Como a morfina, a heroína alivia a dor e provoca o sono. Mas por sem mais forte e mais capaz de formar o hábito do que a morfina, não é mais

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empregada com fins médicos. Seu uso, que pode ser via oral, por injeção, inalação ou fumo, provoca sonolência, ansiedade, euforia, fala arrastada, distúrbios de coordenação, reflexos deprimidos, contração das pupilas, perda do apetite e prisão de ventre. O uso prolongado, além de uma dependência física terrível, provoca convulsão, inconsciência, hepatite e morte por overdose. Alguns sintomas de sua privação: irritabilidade e agitação, ansiedade, depressão, pânico, confusão, tremor, aumento da sudorese, dilatação das pupilas, lacrimejamento e coriza, insônia, náusea, vômito, espasmos abdominais e diarréia. PCP - Este alucinógeno é conhecido por muitos outros nomes: pó de anjo, ozônio, combustível de foguete, pílula da paz, tranqüilizador de elefantes.... É consumido oralmente, inalado, fumado ou injetado. Em pouco tempo produz alucinações, comprometimento da coordenação motora, incapacidade de sentir dor física, ataques respiratórios, depressão, ansiedade, desorientação, medo, pânico, paranóia, comportamento agressivo e violento, aumento da exposição às moléstias infecto-contagiosas por uso de seringas: HIV, Hepatite, etc... O PCP muitas vezes é adicionado à maconha com ou sem o prévio conhecimento dos usuários, para turbinar a droga, já que ajuda a aumentar o THC. LSD - É uma das drogas mais perigosas, pela gravidade das desordens mentais que desperta, pelos seus efeitos tardios, que podem surgir meses após a cessação do uso da droga, e ainda pelos acidentes fatais que pode ocasionar. O ácido lisérgico dietilamida é um alucinógeno, cujo uso pode não só determinar o aparecimento de alucinações, mas desencadear um quadro psicótico. Seu uso altera completamente a pessoa. Os efeitos físicos mais comuns são a dilatação pupilar, enrubescimento facial, apatia, taquicardia, aumento da temperatura e da pressão arterial e até possível lesão dos cromossomos. Na esfera psíquica, ocorrem desordens diversas: Distorção da noção de tempo e espaço, confusão dos sentidos, alterações do esquema corporal, conflitos emocionais, passagem súbita da alegria para a tristeza. Seus usuários experienciam as viagens psicodélicas (maravilhosas... ou catastróficas...). Seu uso teve grande difusão porque diziam que aumentava a criatividade e despertava sensações artísticas. Nenhum destes fatos foram comprovados pela ciência. As alucinações e distorções causadas pela pastilha de LSD pode durar de algumas horas a um dia. Inalantes ou Drogas voláteis - São produtos químicos cujos vapores são inalados ou cheirados: gasolina, cola de sapateiro, thinners, etc. Seu uso prejudica a visão, assim como a capacidade de memória e raciocínio, gerando

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ainda má coordenação motora. O uso prolongado pode gerar lesões do cérebro, do fígado, dos pulmões e da medula óssea, além do risco de convulsões e morte súbita. Entre os Inalantes se destaca o antigo (e ainda muito usado) Lança-Perfume, que, ao ser inalado, o éter contido em sua fórmula entra na circulação sanguínea e leva o cérebro a funcionar mais lentamente. O efeito de cada inalada dura em média dois minutos. O usuário fica mais desinibido e sofre alterações visuais e auditivas. Causa tontura, desmaios e pode até provocar parada cardíaca. Maconha - A maconha é uma droga preparada com folhas secas e hastes florais do cânhamo-índico. Ela contém 421 componentes químicos, na maioria tóxicos. O fumo da maconha produz o dobro do alcatrão do cigarro comum. A maconha pode ser fumada, inalada ou ingerida oralmente. Não é errado dizer que a pessoa está “cheirando” maconha. Seu princípio ativo, o THC, interfere na região do sistema nervoso responsável pelo controle das emoções e da memória de curto prazo. Seu uso provoca relaxamento muscular e perda de reflexos entre duas a quatro horas. A maconha afeta os neurônios pois provoca a perda do equilíbrio daqueles que são responsáveis pelas emoções, memória e discernimento. THC – Tetrahidrocanabinol – é a principal substância química encontrada no cânhamo (cannabis sativa). Uma das regiões do cérebro que contém muitos receptores de THC é o hipocampo, que processa a memória, que, ao recebelo, vai ficando enfraquecida. Muitos questionam sobre os efeitos da maconha. Falam até na descriminalização do seu uso. De fato, existe um grupo de estudiosos que nega suas ações euforizantes e tóxicas. Este grupo baseia-se principalmente no fato de que a maconha, fumada ou ingerida, não provoca a dependência química, já que seu usuário não sofre da “síndrome de abstinência”. Dizem que seus efeitos são mais de ordem psicológica. Atualmente, a grande maioria dos estudiosos e especialistas do assunto afirma que a maconha tem realmente ações, inclusive alucinatórias, sobre o Sistema Nervoso Central, podendo provocar a perda da noção de tempo e do espaço e modificando as percepções. O seu uso prolongado, pode produzir perturbações mentais; a pessoa intoxicada, durante a fase alucinatória, estaria mais inclinada a cometer atos anti-sociais, com alterações graves de comportamento. No entanto, no sentido farmacológico, ela é classificada como alucinógeno e não como um entorpecente.

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Alguns efeitos mais comuns: sonolência, excitação e hiperatividade, irritabilidade e agitação, ansiedade, euforia, depressão, alucinações, pânico, risadas, aumento do apetite, cheiro forte (que lembra o de folhas doces e queimadas), desinteresse pelo aspecto físico e atitude egocêntrica. Os vasos sanguíneos dilatados fazem com que a parte branca dos olhos fique avermelhadas. O uso da maconha pode acelerar os batimentos cardíacos chegando a 160 por minuto, mais do que o dobro do batimento normal. As sensações de pânico podem ser acompanhadas de suor, boca seca ou dificuldades respiratórias. Na medida que prossegue no consumo, a pessoa abandona os amigos “caretas” e passa a conviver com outros consumidores da droga. Pode ocorrer também: perda de interesse por pessoas e valores antes importantes; dificuldades de memória, de solução de problemas e de coordenação muscular; dificuldade de aprender coisas novas; distúrbios pulmonares; dano ao sistema imunológico e reprodutor, assim como ao coração; podendo ter ainda efeito adverso sobre o feto ainda no útero materno. Cocaína - É um dos Alcalóides extraídos das folhas da coca. Ela alivia a fadiga e dá uma sensação de bem-estar. Esta sensação de bem estar é conseqüente do seguinte processo de sua atuação no cérebro humano: Para gerar as funções cerebrais como o pensamento, as emoções e a fala, os neurônios estimulam-se mutuamente secretando fluidos químicos chamados neurotransmissores. Os neurotransmissores preenchem lacunas entre um neurônio e seus vizinhos, permitindo que os impulsos nervosos trafeguem pelo cérebro. Em condições normais os neurônios sugam o excesso de neurotransmissores para manter a estimulação cerebral sob controle. Com a cocaína as moléculas da droga entopem as cavidades dos neurônios, que não conseguem sugar os neurotransmissores. A concentração de tais fluidos aumenta e a atividade cerebral se acelera, criando a sensação de maior pique e melhor raciocínio. A cocaína pode ser inalada, injetada ou fumada. Produz excitação, hiperatividade, irritabilidade, agitação, ansiedade, euforia, alucinações, loquacidade (tagarelice), reflexos hiperativos, dilatação das pupilas, perda do apetite e insônia. O uso prolongado pode provocar: agressividade, depressão, tremor, prisão de ventre, convulsão, hepatite, psicose, marcas de agulhas no corpo, dano às vias nasais e aos pulmões, deformações no feto e morte por

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overdose. Seu efeito pode durar até cerca de uma hora, variando muito de pessoa para pessoa e até mesmo da “pureza” da droga. Crack e Merla - Versão barata da pasta de cocaína, vendida especialmente para as camadas mais pobres da população. Apresentada em pedras que se quebram quando fumadas num cachimbo (por isso o nome crack – o barulho que faz quando aspirada; mas também é um sinônimo para queda ou baixa em inglês). Por ser aquecido pelo fogo do cachimbo (muitas vezes improvisados) seu efeito é terrível. Em cerca de 15 segundos (é só contar até 15), já atinge o cérebro e causa fissura. As consequências são as mesmas da cocaína porém, mais intensas e graves. O Crack é uma forma barata da cocaína, por isso é bastante difundido e popularizado. Está entre as drogas de mais algo índice de dependência. A Merla, mais comum nas regiões CentroOeste e Norte do País, tem os riscos adicionais das impurezas e contaminantes presentes na preparação grosseira. Ecstasy - Comercializado em comprimidos e conhecido como a droga do amor, é fruto da mistura do estimulante anfetamina com um alucinógeno. Destinado especialmente aos frequentadores de casas noturnas, seus ingredientes são conhecidos há muitas décadas. Nova e surpreendente é a modificação feita na droga pelos químicos do narcotráfico. Desenvolvida em 1914 para ser usada como psicoterapia de pacientes com traumas de abuso sexual na infância e no alívio da dor em doentes terminais de câncer, a substância ressurgiu no final da década de 80 como a “droga do amor” ou simplesmente “E”. A anfetamina serve de combustível para a maratona das casas noturnas ou raves (festas que começam na madrugada e só terminam no meio da tarde). As luzes estroboscópicas e o ritmo eletrônico favorecem o efeito alucinógeno da droga, que produz excitação e favorece distorções de imagem e de som. Seu efeito dura cerca de 12 horas. Seus perigos além da dependência: taquicardia, desidratação, elevação da temperatura corporal e depressão. Ice - Depois do Ecstasy, chegou a vez do Ice (gelo em inglês) uma droga que estimula o sistema nervoso central, fazendo com que o cérebro seja inundado por dopamina e serotonina. É o aditivo dos internautas adolescentes e aficionados por videogame. Vendido sob a forma de pedras de cristais transparentes, o ice pode ser dissolvido em bebidas, fumado e até mesmo injetado na veia. Vinte minutos e... o coração dispara. A pressão arterial sobe. As pupilas dilatam. O cérebro é inundado por substâncias relacionadas à sensação de bem-estar. Tem-se a impressão de que o corpo é um poço de energia. O raciocínio parece mais rápido. Os reflexos motores, mais aguçados.

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A luz vinda do monitor (videogame nos computadores) incrementa a dança cerebral. Cansaço, o usuário não sente nenhum. Nem depois de doze horas ininterruptas na frente da máquina. O Ice é também chamado de droga virtual, mas é uma aventura perigosa, pois pode gerar depressão, convulsões, degeneração das células cerebrais, aumento da pressão sanguínea, provocando a convulsões e até à morte por parada cardíaca. Infelizmente é um droga que infernizou a Europa no verão de 1999 e agora chegou ao Brasil. É vendida especialmente em lojas de videogame e nos salões de fliperama. O Ice visa os internautas e jogadores de videogame. Isto mostra como os narcotraficantes estão sofisticando sua ousadia. É a nova estratégia dos traficantes – condicionar o consumo de entorpecentes a determinadas atividades. O ice é uma versão mais potente das antigas anfetaminas (bolinhas, rebite). Agora aparecem mais concentradas, por isso tem a forma de cristais. O ice é uma espécie de crack sintético e pode ser tão devastador quanto ele. Os grandes produtores do Ice são a China, Tailândia e Filipinas e chegou a Europa passando pela Rússia. No Brasil, entra via Paraguai. O preço baixo, cerca de U$ 1 (um dólar) a pedrinha, causa grande preocupação. Versão Turbinada - No esforço para conquistar novos consumidores, os traficantes estão conseguindo alterar a composição até dos entorpecentes naturais. Há cerca de vinte anos, um cigarro de maconha continha apenas 3% de THC, o princípio ativo da erva. Hoje, graças a novas técnicas de plantio e manipulação genética, a quantidade de THC chega a 14%. Algumas versões, como o Skank, contém até 33% da substância e podem provocar alucinações. Outra droga que ganha nova roupagem é o LSD. Descoberto por acaso por um químico do laboratório farmacêutico da Bayer, foi usado em experiências da NASA, a agência espacial americana. O ácido lisérgico, imaginava-se, poderia evitar o enjôo que acometia os astronautas em ambientes de gravidade zero. Não funcionou. Acabou servindo como droga. Hoje o LSD vem acrescido de grandes doses de anfetamina. São nestes aditivos como o Ice, Skank, Ecstasy, e outros similares que os traficantes apostam o futuro de seus negócios. As drogas sintéticas podem ser produzidas por uma única pessoa, em um laboratório de fundo de quintal. Ao contrário da maconha e da coca dispensam plantações, mão de obra arriscada no plantio, colheita, processamento e transporte de matéria prima... Por isso nos Estados Unidos, na Ásia e em alguns países da Europa (Inglaterra, Holanda, Dinamarca, Espanha....), assiste-se a uma explosão no consumo de aditivos sintéticos. No Japão, 90% da droga apreendida é de anfetaminas. Na Coréia o ice ocupa o segundo lugar na lista da preferência dos dependentes. Oito em cada dez

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laboratórios desbaratados pela polícia americana fabricam as pedras estimulantes. Em 1998, durante a Assembléia Geral da ONU realizada em Nova York, decretou-se que até 2008 todas as drogas naturais e semi-sintéticas deverão ser erradicadas do mercado global. Depois, então, se investirá contra as sintéticas. Até lá, com certeza, os narcotraficantes têm tempo suficiente para inventar e lançar um sem-número de novos entorpecentes. O narcotráfico está se adaptando rapidamente a esta tendência. Em pouco tempo as drogas sintéticas dominarão o mercado. Para os traficantes elas são muito mais rentáveis e seguras do que as naturais. Para se ter uma idéia, de janeiro a agosto deste ano já foram apreendidas, somente na cidade de São Paulo, 18 000 pedras de crack e 20 000 pastilhas de ecstasy. Se as autoridades brasileiras até hoje têm dificuldades para encontrar enormes plantações de maconha no sertão nordestino (polígono da maconha), imagine-se o problema que será combater as fabriquetas clandestinas de onde saem essas novas substâncias. Por tudo isso não temos dúvida. Nosso trabalho vai muito além de lutar contra as drogas. Nunca vamos acabar com as drogas do mundo. Precisamos, cada vez mais, nos especializarmos em acolher cada um que vem até nós, como ao próprio Cristo, e ajudar cada um, como o próprio Cristo fez, a encontrar um caminho novo para a sua vida, preenchendo seus vazios e enchendo-se de esperança e vida. Drogas Emergentes - O consumo começou discretamente entre os adeptos da malhação mais pesada. Agora, os suplementos dietéticos de origem norteamericana Ripped Fuel e Xenadrine, que contêm efedrina, além dos comprimidos da própria substância, invadiram as casas noturnas e as Raves e viraram combustíveis da noite. Os usuários, tanto das academias quanto das casas noturnas, buscam a euforia e o aumento de estímulo provocados por esses produtos. A ação da efedrina aumenta o metabolismo do organismo, o que por sua vez acelera e queima calorias (daí sua venda como produto dietético). A efedrina age no sistema nervoso central e provoca uma descarga de adrenalina. Entre as reações que isso causa, está o aumento dos batimentos cardíacos e da pressão arterial, o que provoca uma sobrecarga no sistema cardiovascular.

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O uso da efedrina pode desencadear quadros depressivos, de ansiedade e de pânico; estimula o metabolismo e, como consequência disso, aumenta a queima de gorduras e mascara o cansaço, proporcionando sensação de euforia; pode provocar dependência comportamental (a pessoa apenas se sente animada se consumir a efedrina), hipertensão e até derrame e infarto. Infelizmente é muito fácil adquirir o produto que vem em forma de cápsulas, comprimidos e até chicletes. Na noite, ocorre freqüentemente a mistura com álcool e com aditivos, como o ecstasy. Muitas outras drogas novas estão pipocando cada vez mais no mercado mundial. A própria ONU no seu Informe Mundial sobre Drogas, publicado no ano 2000, assegura que o consumo de drogas tradicionais, como cocaína e maconha, diminuiu na década de 90. Por outro lado, o consumo de drogas sintéticas cresceu. Estima-se que o número de usuários de drogas sintéticas chegue a 29 milhões, contra 14 milhões da tradicional cocaína, cuja produção mundial caiu cerca de 20%. A droga mais utilizada continua sendo a maconha, com um número estimado de 144 milhões de usuários em todo o mundo. Como surgem drogas novas, todos os dias, a pouca informação a respeito do uso e do efeito delas, os usuários estão se arriscando cada vez mais: não há conhecimento preciso sobre as substancias e seus efeitos, e as conseqüências de seu uso indiscriminado podem ser fatais. Special K – É um pó branco, similar à cocaína, encontrado na forma líquida injetável,é convertido em pó e comercializado em papelotes. A ketamina é, em geral, aspirada, mas também costuma ser misturada com tabaco ou com maconha e fumada. O Special K, Hidroclorido de Ketamina, é um depressor do sistema nervoso central e anestésico geral de ação rápida. Possui propriedades sedativas, hipnóticas, analgésicas e alucinógenas. É comercializado em geral como anestésico para uso tanto em humanos quanto em animais. Seus Efeitos: alucinações profundas e duradouras, com distorções visuais e perda das noções de tempo e espaço. Outros efeitos relatados são delírios, perda do controle motor, distúrbios respiratórios potencialmente letais, convulsões, vômitos quando misturado com álcool e sensação de sair do corpo. Riscos: em pequenas doses, pode elevar a pressão cardíaca e, em doses elevadas ou contínuas, provoca perda de consciência e parada respiratória. O

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uso freqüente também pode induzir neuroses e distúrbios mentais graves. A substância cria elevado grau de dependência. Como o Special K é muito semelhante à cocaína, as pessoas tendem a inalar a mesma quantidade. E isso é muito perigoso, porque basta um décimo do produto para provocar efeito similar ao da cocaína. Por isso mesmo, o Special K e o GHB causam dependência muito rapidamente. GHB – Gamahidroxibutirato, um sedativo-hipnótico depressor do sistema nervoso central. É encontrado na forma de liquido translúcido, pó branco, tabletes ou cápsulas. Apesar de ter sabor salgado, é freqüentemente diluído em bebidas e torna-se imperceptível. Geralmente é fabricado de modo caseiro, com base em receitas e kits comprados via internet. Efeitos – Combinado com álcool pode provocar náuseas e dificuldade de respirar. Entre os efeitos colaterais foram relatados insônia, ansiedade, tremores e transpiração excessiva. Riscos – Doses maiores provocam coma temporário, espasmos musculares e perda de consciência. Quando misturado com álcool, pode provocar parada respiratória. O uso regular acarreta dependência física.

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Jovens Sarados - Padre Léo Palavras do Papa João Paulo II

O valor do homem e sua liberdade

Queremos enfrentar juntos o pavoroso fenômeno da droga. E a experiência daqueles que, seguindo sua própria vocação, se tem dedicado a atender e resgatar o dependente químico, indica-nos que o alarmismo frente a esse problema se torna sempre inócuo e que uma atitude simplista e apressada não pode chegar ao funda de tão complexa questão. Que fazer então? É o que nos perguntamos. E perguntamos também a todos os homens e mulheres de boa vontade, especialmente aos jovens, que são os mais afetados por esse flagelo; a seus pais, a seus instrutores, a seus educadores, aos governantes de todas as nações. Em primeiro lugar, achamos que vale a pena todo esforço no sentido de conhecer o rapaz e a moça que caíram nas garras da droga. Conhecer o indivíduo, a pessoa, o filho de Deus que padece, que se afastou muitas vezes da fé que antes professava e também de sua família, dos amigos e companheiros naturais, para afundar-se neste inferno. Precisamos penetrar com amor nesse mundo interior, rico e complexo, chamado cultura juvenil, no modo como ele ocorre nos corações de nossos jovens. E, uma vez dado esse passo, podemos planejar, com toda a humildade necessária, um novo processo, um novo resgate que consiga levar aquele que havia se extraviado ao descobrimento dou redescobrimento da própria dignidade humana, perdida na doença e no vício. Nós, cristãos, estamos acostumados aos ensinamentos de nosso Mestre Jesus; por meio de sua doutrina, aprendemos claramente o que a humanidade intuiu de muitas maneiras: que o homem é a imagem de Deus; que a natureza do homem reflete essa imagem pela vontade amorosa do Criador; que essa imagem não se apaga nunca; que o mal, qualquer que seja seu nome, a droga, neste caso, nunca chegará a eliminar essa marca, por mais que a desfigure, inclusive aos próprios olhos daquele que caiu, vítima de seus atos contrários à lei de Deus, ou da maldade dos outros homens. A certeza que nos move é muito simples, mas poderosa: no irmão está Jesus Cristo, cujo mandamento principal é o amor que sempre salva, sempre liberta e que demonstra ser amor precisamente quando assim procede. Além disso, é imprescindível ajudar o dependente químico para que ele comprometa todas as suas forças num trabalho grande, magnífico... Deus confia em nós porque somos obra de suas mãos. Assim, o dependente químico deve ressuscitar em si mesmo os recursos pessoais que a droga havia sepultado. Da morte à vida: é o caminho da Páscoa, como não podia deixar de ser, nos que se declaram discípulos daquele que padeceu voluntariamente a morte e depois ressuscitou, traçando uma parábola que todo homem e toda mulher devem seguir, com os infinitos matizes da pessoa que se decide a permitir esta grande ação do espírito de Deus em si mesmo. 80
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Jovens Sarados - Padre Léo O potencial de toda alma deve desenvolver-se; todos somos chamados a crescer, inclusive aquele que foi tomado pela droga. E este só poderá fazê-lo mediante a reativação dos mecanismos da vontade, essa faculdade da alma que às vezes parece ter abandonado o homem do nosso século. Sobre uma base de confiança nas possibilidades humanas de avançar e alcançar os mais elevados objetivos (a própria santidade, que é a restauração desta imagem divina em sua última perfeição manifestada em Jesus), o dependente químico pode erguer-se e caminhar de novo, servir de novo, viver de novo. E voltamos a dizer: ninguém pode superar a atrofia íntima da droga, se não se apresentarem a seus olhos ideais seguros e nobres. Que desafio se apresenta para todos nós, meus caros amigos! Pois aquilo que para nós está declarado na lição evangélica e na própria vida do Senhor, necessita não só de palavras que o difundam, mas de compromissos concretos que o viabilizem, que o tornem possível e, mais ainda, que o façam atraente, arrebatador, como o ideal mais seguro e mais nobre, encarnado na divina pessoa de Cristo. A experiência de muitos que trabalham com o dependente químico fala-nos claramente da importância, da primazia da fé e de sua dinâmica na restauração dessas vítimas muitas vezes inocentes. Trata-se então de impor as próprias crenças àqueles que se pretende salvar? De modo algum, mas devemos destacar que, na raiz do problema, concretizado na existência de milhares de dependentes químicos em nossa sociedades, se encontra a ausência e também a negação da fé e da conduta que dela emana e nela encontra forças para o grande, e muitas vezes penoso, caminho da vida. Assim, pois, fica claro que só pela árdua via do autoconhecimento se chega geralmente a uma restauração verdadeira do dependente químico. Muitas pessoas foram levadas desse modo à plenitude de sua liberdade. É um patrimônio precioso do qual não devemos nos descuidar e que nos permite formular uma idéia mais coerente sobre as motivações do dependente químico e sobre as inúmeras causas e efeitos da dependência. Se não conduzirmos, de acordo com a responsabilidade que nos cabe, se não procurarmos conduzir os jovens a esse autêntico conhecimento de si mesmos e de suas enormes potencialidades, não poderemos nos surpreender se eles procurarem fazê-lo por si mesmos e errarem o caminho. Na alma jovem, o enigma da existência humana, ansiado neste mundo, mas disponível no céu, arde com a máxima intensidade; contudo, a possibilidade de dar uma resposta a esses pedidos costuma ser mínima. Os jovens demonstram que buscam mestre e modelos. Por acaso não seremos responsáveis por haver nas sociedades e nas comunidades apenas fantoches, quando se pede inspiração para crescer e ser melhores? O trabalho com dependentes químicos nos levou a demolir muitos velhos preconceitos e impulsionou reformas legais notáveis em numerosos países afetados pelo consumo de narcóticos. Destaca-te especialmente a tendência atual de se estabelecer diferença entre o consumidor de drogas e o delinquente, pois a prática demonstra que o dependente químico não é, muitas vezes, mais do que uma peça no jogo fatal de xadrez, entre os terríveis interesses que o transcendem e ignoram. 81
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Jovens Sarados - Padre Léo Como já dissemos, comprovou-se, acima de tudo, a possibilidade de restauração, que importa uma autêntica redenção dessa pesada escravidão. E quero destacar dois aspectos principais: que foi demonstrado que é possível – ainda que não seja uma tarefa simples – recuperar os dependentes químicos com métodos que excluem rigorosamente qualquer concessão ao emprego de substâncias narcotizantes, legais e ilegais, com caráter substitutivo; e finalmente que, em todo esse processo, é fundamental a presença de uma comunidade como ponto de encontro, de reencontro do homem consigo mesmo e com o próximo e também como ponto de partida para uma vida saudável e livre. E não poderia ser de outro modo, quando sabemos que a família padece uma crise profunda e que as crianças e adolescentes carecem, em muitos lugares, do sustento afetivo e moral que lhes permita amadurecer de acordo com as imagens positivas de um pai e uma mãe, dispostos a permitir e favores o crescimento de seus filhos. A droga, já dissemos, chama a atenção para uma problemática mais profunda, mais generalizada, que tudo abarca em nossa civilização. Seremos capazes de extrair todas as consequências, de realizar o exame de consciência que os mais velhos exigem de nós, de tomar as resoluções que a dimensão do fenômeno nos está reclamando?

Um terrível perigo para jovens e adolescentes

No mundo inteiro, especialmente nos países de maior desenvolvimento tecnológico, a droga converteu-se, em nossos dias, numa peste que faz estragos. Suas manifestações assumem rasgos cruéis e, se a profundidade e as dimensões do fenômeno impressionam o círculo observador, impressionam muito mais àquele que descobre nelas o sintoma de uma complexa crise, de cuja resolução depende talvez a própria sorte da humanidade, tal como a conhecemos. É verdade que, há muito tempo, os estudiosos já nos tinham advertido de que o flagelo se estenderia; mas muitos de nós tendíamos a pensar, talvez com excessiva comodidade de nossa parte, que seus consumidores, traficantes e vítimas iriam manter-se longe, em outras latitudes... Tem sido, frequentemente, um amargo despertar o de alguns que, com justo horror, com indignação, com incredulidade, com protestos mais ou menos autênticos de ignorância e inocência, puderam constatar na própria sociedade e mesmo na própria família, a presença do dependente químico. A crônica mundial refere-se assiduamente a episódios trágicos, nos quais vidas jovens, talentosas, das quais a sociedade esperava muito em matéria de criatividade, são de repente truncadas por doses fatais de barbitúricos; e, quase sempre, sob uma obscura história há um relato de dependência e degradação que nem sempre é bem esclarecido junto à opinião pública, a ponto de algumas dessas pobres vítimas acabarem por converter-se em verdadeiros objetos de culto para certos setores da sociedade consumista. Enfim, a condenação do fato não parece suficientemente profunda e sincera; não se destacam, claramente, quais foram as causas dessas más condutas e, 82
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Jovens Sarados - Padre Léo em nome de interesses desconhecidos, consegue-se, com o mito da morte, uma justificativa factual do consumo de drogas. É preciso recordar que o homem necessita de modelos para construir sua personalidade. E, quando os tipos que se apresentam para sua identificação são estes, isto é, essas miseráveis baixas de guerra sórdida do vicio, pobre será a construção... Meditemos no caso do rapaz cujo ídolo, um cantor popular, caiu vítima da heroína; ele, que havia estruturado sua existência em torno dessa figura dourada, com pés de barro, que sentirá ou como poderá continuar desenvolvendo-se, quando seu modelo foi derrubado e agora ameaça arrastá-lo atrás de si? Não devemos esquecer que essa assoladora epidemia possui ramificações muito amplas e não se circunscreve a este ou àquele setor social ou cultural. Nem também os países menos adiantados se encontram livres dela, ocorrendo inclusive o sinistro fato de que algumas nações subdesenvolvidas dependem – mesmo que só ilegalmente e às costas das autoridades locais (é o que supõe a comunidade internacional) -, em grande parte, do comércio das drogas para a subsistência de setores importantíssimos de sua população. Porém, por trás disso, encontramos, perfeitamente estruturado, um mercado nefasto que ultrapassa as nações e mesmo os continentes, assunto de que tratarei mais adiante. Por ora, é suficiente manter-nos precavidos, já que continua crescendo o perigo para os jovens e para os adolescentes; as implicações venenosas do rio subterrâneo e suas conexões com a delinquência e a péssima vida são tais e tantas que constituem um dos principais fatores da decadência das gerações. Volto, pois, a chamar a atenção sobre aquela forma de vida elevadamente humana a que aspiramos e que havemos de saber propor com atrativos aos nossos jovens. Não podemos e não devemos tapar seus olhos frente às realidades degradantes e degradadas da vida, que se ligam ao consumo de drogas, dele surgem, ou o antecipam e promovem. Mas é nossa obrigação fazer todo o possível para promover a formação dos jovens dentro dos moldes da virtude, sempre utilizando a linguagem cristã mais tradicional, para ensiná-los a fugir e evitar as ocasiões propícias. Enorme é também a tarefa dos próprios jovens nesse terreno: não há melhor apóstolo da juventude do que o próprio jovem. A virtude e a fuga do pecado devem adquirir, graças à sua capacidade de criação e resposta diante de novos estímulos, muitas formas também atraentes. E isto vale especialmente para os jovens que seguem mais de perto a Cristo, convocados a tornar presentes em seu meio as exigências do Evangelho. Eles são os encarregados de abrir novas perspectivas que se oponham à vida corrupta – mas que a superem – com propostas de vida nova, de vida em Cristo. Sintetizo meu estado de ânimo com duas palavras: sinto pesar e preocupação. Pesar pelos jovens que perdem tudo e se perdem a si mesmos com a droga, privando-nos também para sempre de riquezas só a eles confiadas por Deus.

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Jovens Sarados - Padre Léo Preocupação pelo futuro que estamos forjando ou, melhor, deixando que exploradores carentes, em todos os modos, de dignidade e de honra forjem em seu proveito egoísta e, em última instância, homicida. Os ensinamentos de Jesus postulam a entrega generosa e consciente da própria vida. A droga implica, ao contrário, a confirmação do mais egoísta dos desenlaces que pode ocorrer a uma existência humana: o suicídio. Muitas são as angústias que perseguem o homem neste fim de milênio. E os jovens padecem-nas terrivelmente, ao intuir que a tarefa do século vindouro poderá talvez superar suas energias, agora abundantes. Logo eles, que são um projeto futuro; logo eles, a quem pertence o futuro, temem o que há de vir... Eu mesmo já tentei dissipar esse horror paralisante numa carta que recentemente dirigi aos jovens e às jovens do mundo; nela me propus repetir de muitos modos, a renovar, a atualizar as palavras de Jesus a seus discípulos: “Não tenham medo”! Essa é a mensagem serena do Evangelho. Pois é precisamente a sua luz que devemos ver: a palavra de Cristo se nos apresenta como luz aos olhos da alma. É justamente a falta dessa luz que determina o temor do jovem e da jovem de hoje. Eles temem o mundo que vão herdar, agravado por pesada hipoteca: o perigo da guerra nuclear, a imensa desigualdade econômica entre os povos, a contaminação do meio ambiente, a decadência da moral.... Eles temem uma responsabilidade que parece exceder as forças humanas. Eles temem as consequências de erros, dos quais são agora importantes testemunhas, mas para cuja custosa reparação futuramente serão convocados. E, diante desse quadro, muitos preferem escapar, espreitando a hora iminente da verdade que aguarda sua geração. Sexo, violência, divertimentos, superficialidade são alguns dos nomes dessa força. Queremos, porém, nos ocupar da droga. E a tudo isso respondemos com uma só frase: chegou a hora de procurar Jesus Cristo. Mais ainda, de deixar-se encontrar por ele. Somente ele é o caminho, a verdade e a vida. Sua luz exigirá de nós uma grande mudança... Isto significa que já passamos da primeira atração, talvez não completamente profunda, que sobre nós exerce a personalidade do Salvador, o Mestre que, durante algum tempo, seduziu os hippies da década de 70, da mesma forma que, em seu tempo, atraiu inúmeros seguidores que acreditavam ver nele e em seu poder de fazer milagres, uma solução para suas necessidades materiais. Agora estamos perto de um chamado radical à mudança, para que nos convertamos em uma nova criatura, segundo Deus e sua lei, chamada Evangelho. Pois eu digo então aos nossos jovens, tentados às vezes até o limite de suas resistências: venham para o Senhor, venham com ele sem medo, por mais pesada que seja a carga sobre seus ombros, por mais obscura que seja a angústia, por mais enraizado que esteja em vocês o pecado, se por qualquer desgraça vocês tiveram se afastado da vontade amorosa de Deus Pai. Venham a Cristo! Ele não nos lança no rosto nossas culpas: Jesus nos purifica e nos salva, convidando-nos a uma intimidade maior com ele em seu Reino, já iniciado na Terra. 84
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Jovens Sarados - Padre Léo Num sentido misterioso, ele precisa de nós; ele precisa de mãos jovens que estendam sua ação para salvar do abismo os que já caíram ou estão prestes a cair, por mais profundo que esse abismo pareça.

A droga e a opinião pública

Sabemos como é grande, hoje em dia, a importância da opinião pública; ela influi poderosamente em inumeráveis fatos que afetam a todos nós, modificando para o bem ou para o mal nosso presente e condicionando nossa capacidade de determinar o futuro. Nisto desempenham, e vão continuar desempenhando no futuro, destacada atuação os diversos meios de comunicação social; alguns deles, especialmente os mais aptos a penetrar na consciência pública com uma mensagem positiva – penso especialmente na televisão e em todo o seu imenso potencial educativo, são os responsáveis pela parte central da batalha que devemos encarar em conjunto, para que as energias não se dispersem nem se oponham ocasionalmente. Quero elogiar os que colaboram com suas idéias, capitais e esforços, aos que elaboram programas jornalísticos ou mesmo de simples entretenimento, com a finalidade de fortalecer a imagem da família e a importância da saúde: eles constituem uma ferramenta preciosa nessa luta. Dentro desse contexto, desejo colocar em primeiro plano o grande espaço que a delicada matéria oferece aos meios de comunicação social católicos. A eles também envio meu melhor incentivo, já que nesse campo da técnica moderna devem os cristãos demonstrar atualmente a sagacidade que recomenda o Senhor em seu Evangelho, tornando-se assim luz e sal. Não posso também deixar de mencionar o papel que compete à escola católica na tenaz batalha contra a droga. Uma consciência bem formada desde o princípio do processo educativo terá sempre mais elementos para defender-se e responder efetivamente aos desafios da vida: tomara sejam muitas as iniciativas nesse sentido, dentro das fileiras de educadores que professam a fé em Cristo. Porém agora perguntamos: O que devemos comunicar? A opinião pública deve sentir-se favorecida e fortalecida na reedificação – quando for necessário – de uma mentalidade que apóie a saúde em todas as suas formas, que não só repila a droga e facilite a restauração de suas vítimas, fins em si mesmos muito louváveis, mas que vá tornando o vício progressivamente impossível. Não nos esqueçamos, nem por um momento, de que a droga encontra aliados entre nós, com nossa complacência e covardia, e se alimenta nos males estruturais de nossa sociedade, que respondem simetricamente a recônditas falhas de uma cultura humana profundamente secularizada e, paradoxalmente, profundamente afastada do verdadeiro valor do homem e do mundo que o rodeia e sustenta. Sim, os objetivos são enormes e nossas forças parecem escassas... Por isso, refiro-me novamente ao “Não tenham medo”!, dito pelo Senhor ressuscitado: não, nossas forças não são tão poucas como estamos tentados 85
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Jovens Sarados - Padre Léo a supor! O bem é poderoso e difuso: saibamos pois reforçá-lo ao máximo e demonstremos que, felizmente, chegou ao fim aquela época de cansaço dos bons, uma vez denunciada profeticamente pelo grande papa Pio XII.

Cremos na Ressurreição da Carne

Diz a tradição cristã que o pecado se introduz no homem e na criação e opera uma desordem. Desde então o homem, que deseja ver Deus, sem dúvida dele se afasta, pois secretamente o inveja e se volta contra seus planos. Esta desordem reflete-se em cada um de nós; o apóstolo Paulo – referindo-se aos fins da revelação divina – destaca que a “carne” e o “espírito” se opõem e entram em guerra; a primeira busca seu próprio interesse; o segundo, a glória de Deus que, em última instância, é o bem do homem, sua plenitude, sua realização. A simples experiência nos ensina que a carne, isto é, aquilo que no homem é transitório, passa e, ao passar, deixa um sabor de frustração e amargura; o espírito, por sua vez, dá a vida, como ensina Jesus. Em vista disso, a fé cristã descobre o mais profundo aspecto da dignidade humana, chamada não para suprimir o que nela se desfaz, mas para superá-lo, numa síntese que hoje obscuramente vemos, mas cuja glória imortal brilha para sempre no rosto transfigurado de Cristo, o qual, havendo assumido nossa carne, a ofereceu em sacrifício tão perfeito que mereceu entrar com ela no santuário de Deus. Cremos, pois, na ressurreição da carne, dessa carne que todos nós somos feitos, que agora se encontra tão angustiada, com tanta falta de sentido, tão ferida pela contradição que fundamenta a coexistência de seus nobres desejos e seus baixos apetites. Por isso, repetimos que o homem tem necessidade extrema de saber se vale à pena viver, nascer, lutar, sofrer e morrer; se tem algum valor comprometerse com um ideal superior aos interesses materiais e contingentes; numa palavra, se há um porquê que justifique sua existência terrena. E aqui nossa fé articula a esperança da ressurreição de toda carne: os ideais puramente humanos e terrenos como o amor, a família, a sociedade, a pátria, a ciência e a arte, mesmo quando tem uma importância fundamental na formação do homem, nem sempre – por vários motivos contingentes – conseguem dar um significado completo e definitivo à existência. A luz da transcendência e da revelação cristã é necessária. O ensinamento da Igreja, apoiada na palavra indefectível de Cristo, dá uma resposta iluminada e segura aos que a interrogam sobre o sentido da vida, ensinando a construí-la sobre a rocha da certeza doutrinal e sobre a força moral que provém da oração e dos sacramentos. A convicção serena da imortalidade da alma, da futura ressurreição dos corpos e da responsabilidade eterna dos próprios atos é também o método mais seguro para prevenir o terrível mal do pecado, de qualquer pecado, de todo desvio de amor a Deus e ao próximo; e também dos males que hoje nos assaltam, neste fim do século XX da era cristã, inclusive o mal da droga e de seu consumo. 86
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Jovens Sarados - Padre Léo Quando a Igreja reconhece não ter soluções técnicas imediatas para os problemas que nos afetam, cômodas receitas, aptas a superar as armadilhas do mal em suas formas atuais, temporais, sociais... isto quer dizer que não conta, nem deseja contar, com respostas simplistas para aquilo que é, em si mesmo, enormemente complexo, essencial, que compromete a responsabilidade e a sagrada liberdade do ser humano.. A todos os que me lêem, peço: ouçam a voz de Cristo, tal como é pregada pela Igreja de Cristo. Pode soar muito exigente, falando de disciplinar uma carne rebelde e obedecer espiritualmente à lei eterna de Deus; mas essa dureza, à qual Paulo VI chamou de “especialista em humanidade”, é um método didático que nada mais é do que o reverso da promessa que a Igreja recebeu pelo encargo gravíssimo de pregá-la a todos em todas as épocas. Temos de reconhecer: o caminho que nos salva é tortuoso e íngreme, mas nos leva à casa de Deus. Não nos esqueçamos, não se esqueçam, não deixem de lado nenhum daqueles que querem bem ao ser humano.

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Jovens Sarados - Padre Léo O amor vence

Lázaro caiu doente em Bethânia, onde estavam Maria e sua irmã Marta. Maria era quem ungira o Senhor com o óleo perfumado e lhe enxugara os pés com os seus cabelos. E Lázaro que estava enfermo, era seu irmão. Suas irmãs mandaram, pois, dizer a Jesus: “Senhor, aquele que tu amas está enfermo.” A estas palavras, disse-lhes Jesus: “Esta enfermidade não causará a morte, mas tem por finalidade a glória de Deus. Por ela será glorificado o Filho de Deus.” Ora Jesus amava Marta, Maria, sua irmã e Lázaro. Mas, embora tivesse ouvido que ele estava enfermo, demorou-se ainda dois dias no mesmo lugar. Depois, disse a seus discípulos: “Voltemos para a Judéia”. Mestre, responderam eles, há pouco os Judeus te queriam apedrejar, e voltas para lá ”Jesus respondeu: “Não são doze as horas do dia? Quem caminha de dia não tropeça, porque vê a luz desse mundo. Mas quem anda de noite tropeça, porque lhe falta a luz.” Depois destas palavras, ele acrescentou: “Lázaro, nosso amigo, dorme, mas vou despertá-lo.” Disseram-lhe os seus discípulos: “Senhor, se ele dorme, há de sarar.” Jesus, entretanto, falara de sua morte, mas eles pensavam que falasse do sono como tal. Então Jesus lhes declarou abertamente: “Lázaro morreu. Alegro-me por vossa causa, por não ter estado lá, para que creiais. Mas vamos a ele.” A isso Tomé, chamado Dídimo, disse aos seus condiscípulos: “Vamos também nós, para morrermos com ele.” A chegada de Jesus, já havia quatro dias que Lázaro estava no sepulcro.

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Jovens Sarados - Padre Léo Ora, Bethânia distava de Jerusalém cerca de cinco quilômetros. Muitos Judeus tinham vindo a Marta e Maria, para lhes apresentar as condolências pela morte de seu irmão. Mal soube Marta da vinda de Jesus, saiu-lhe ao encontro. Maria, porém, estava sentada em casa. Marta disse a Jesus: “Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido! Mas sei também, agora, que tudo o que pedires a Deus, Deus te concederá.” Disselhe Jesus: “teu irmão ressurgirá.” Respondeu-lhe Marta: “Sei que há de ressurgir na ressurreição no último dia.” Disse-lhe Jesus: “Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, jamais morrerá. Crês nisto?” Respondeu-lhe ela: “Sim, Senhor. Eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, aquele que devia vir ao mundo.” A essas palavras, ela foi chamar sua irmã Maria, dizendo-lhe baixinho: “O mestre está aí e te chama.” Apenas ela o ouviu, levantou-se imediatamente e foi ao encontro dele. Os Judeus que estavam com ela em casa, em visita de pêsames, ao verem Maria levantar-se depressa e sair, seguiram-na, crendo que ela ia ao sepulcro para ali chorar. Quando, porém, Maria chegou onde Jesus estava e o viu, lançou-se aos seus pés e disse-lhe: “Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido!” Ao vê-la chorar assim, como também todos os judeus que a acompanhavam, Jesus ficou intensamente comovido em espírito. E, sob o impulso de profunda emoção, perguntou: “Onde o pusestes?” Responderam-lhe: “Senhor, vinde ver.” Jesus pôs-se a chorar. Observaram por isso os judeus: “Vede como ele o amava!” Mas alguns deles disseram: “Não podia ele, que abriu os olhos do cego de nascença, fazer com que este não morresse?”

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Jovens Sarados - Padre Léo Tomado, novamente, de profunda emoção, Jesus foi ao sepulcro. Era uma gruta, coberta por uma pedra, Jesus ordenou: “Tirai a pedra.” Disse-lhe Marta, irmã do morto: “Senhor, já cheira mal, pois há quatro dias que ele está aí...” Respondeu-lhe Jesus: “Não te disse eu: Se creres, verás a glória de Deus?” Tiraram , pois, a pedra. Levantando Jesus os olhos ao alto, disse: “Pai, rendo-te graças, porque me ouviste. Eu bem sei que sempre me ouves, mas falo assim por causa do povo que está em roda, para que creiam que tu me enviaste. Depois destas palavras, exclamou em alta voz: “Lázaro, vem para fora!” E o morto saiu, tendo os pés e as mãos ligadas com faixas, e o rosto coberto por um sudário. Ordenou então Jesus: “Desligai-o e deixai-o ir.” (Jo,11-1-44) A narrativa da ressurreição de Lázaro, no capítulo onze do evangelho de São João é a maior narrativa de milagres em todo o evangelho, e é muito interessante que o evangelho de São João é o evangelho mais teológico de todos. São João não escreveu o evangelho para contar a história de Jesus, ele não se preocupou com fatos cronológicos, refletiu e meditou durante aproximadamente sessenta anos, já que Jesus morreu no ano trinta, e ele escreveu o evangelho pelo ano noventa. Ele ficou sessenta anos meditando, rezando, assimilando, aprofundando e sintetizando o evangelho. É por isso que São João faz um resumo de toda história da salvação. O evangelho de João começa em Gênese capítulo 1, pois é a mesma palavra “No princípio era Deus”, e São João começa “No princípio, e o verbo se fez homem e habitou entre nós”. Nesse evangelho teológico e refletido, cada fato é um grande sinal, e além disso. cada sinal é um paradigma, e um paradigma significa que o que aconteceu com ele, pode acontecer também conosco, então é muito interessante que no evangelho mais teológico de todos, a maior narrativa de um milagre na bíblia, nos evidencia exatamente o lado humano, e o lado divino de Jesus. Os outros evangelistas vão fazendo pesquisas. São Marcos por exemplo, começa com o batismo de Jesus, e conta dali para a frente. São Mateus um pouco posterior a Marcos já faz uma reflexão sobre o nascimento de Jesus. E São Lucas que é posterior a São Mateus, volta no anúncio do nascimento de Jesus, vai na genealogia de Jesus. São João vai ao princípio, por isso que ele escreve no Apocalipse que Jesus é o “Alfa e o Omega, o principio e o fim”. Então cada sinal é absolutamente importante. Temos aqui a revelação de que Jesus é Deus. E ao mesmo tempo concomitantemente, temos a grande revelação do coração humano de Jesus. Esse trecho belíssimo da ressurreição de Lázaro merece ser lido, meditado e aprofundado. E essa palavra de Deus mexeu muito com minha vida, a partir da experiência que eu vivo na comunidade Bethânia, comunidade que Deus 90
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Jovens Sarados - Padre Léo me chamou a fundar. Nessa comunidade nós acolhemos jovens usuários de drogas, meninas prostituídas, menores abandonados, soropositivos, alcoólatras e todos aqueles que Deus nos manda. Por que Bethânia? Penso que somente a leitura desse trecho já nos esclarece muito. Bethânia, esse lugarejo na entrada oriental de Jerusalém, quem vai da Galiléia para a Judéia antes de chegar em Jerusalém passa em Bethânia. Bethânia era a casa dos amigos de Jesus, e que amizade profunda, pois esse trechinho do evangelho nos mostra o quanto o Senhor amava Lázaro, Marta e Maria. Naquele tempo não existia meios de comunicação, não havia telefone celular, desse modo, Marta, Maria, e Lázaro não sabiam quando Jesus vinha para ficar em sua casa, já que lá Jesus freqüentemente passava alguns dias ali, então se supõe que lá em Bethânia tinha sempre um quartinho, arrumado, preparado, esperando Jesus que chegaria a qualquer momento. Essa é a primeira dimensão do nosso carisma: acolher a cada um que vem até nós, porque nele nos vem o próprio Jesus Cristo. Por isso além de um quartinho pronto nas nossas casas, nós nos esforçamos também para ter quarto dentro do nosso coração para acolher esses que o Senhor nos envia. Eu sei que o grande desafio é a gente reconhecer o rosto de Cristo nos olhos avermelhado de um jovem drogado, no coração ferido e machucado de um soropositivo, mas é o Senhor mesmo que nos disse: “O que fizerdes ao menor de meus irmãos, é a mim que estás fazendo”. Esse grande carisma que o Senhor nos deu, deve tornar-se o grande carisma do mundo moderno, porque estamos vivendo um grande drama, que é o drama das drogas. E quando falamos drogas, não estamos excluindo o álcool, ou outra qualquer, são todas elas. E é essa uma das grandes armas que o encardido usa para nos despersonalizar, sabemos também que o salário do pecado é a morte, e sabemos que este caminho da dependência química é o caminho que nos leva à morte, e por isso destrói, por isso acaba despersonalizando e vai crucificando de modo especial os nossos adolescentes e jovens. Nossos jovens estão hoje no sepulcro das drogas, no sepulcro da prostituição e do HIV. E muitas vezes, diante da imensidão dos problemas, nós somos como os amigos judeus que estavam visitando Marta e Maria. E quando Maria saiu para ir ao encontro de Jesus, eles foram atrás pensando que ela iria chorar lá no sepulcro mais uma vez. É tão fácil achar gente que se une para chorar desgraça. No mundo onde os grandes meios de comunicação adoram dar notícias ruins, no mundo onde esses meios a serviço do encardido são ressaltados para as pessoas viverem reclamando, porque o encardido detesta que louvemos e bendigamos ao Senhor. Por isso está cheio de judeus chorões nas nossas famílias, porque é muito fácil quando acontece um problema com um jovem, reunir os vizinhos, os tios e tias para comentar: “Coitado, que pena, eu não sabia”. Já viu como o povo adora enterro? Conversa de enterro é praticamente sempre a mesma: “Descansou, olha a cara dele, parece que ele morreu sorrindo”. Outra conversa que se torna interessante é saber quem sofre mais: - Ah comadre, meu marido é tão ruim, ele bebe uma garrafa de cachaça todos os dias. - O meu é pior, bebe um litro por dia.

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Jovens Sarados - Padre Léo O encardido adora essas coisas, e assim os judeus foram lá para prestar condolências. Quando olhamos os problemas com os olhos humanos a partir da visão do encardido, que vai nos dando através dessas imagens distorcidas da realidade, nós não enxergamos outra alternativa senão a de se conformar. Mas Jesus não veio para aumentar o choro, porque o choro de Jesus não é lamúria, o choro de Jesus significa solidariedade, é a capacidade de chorar com os que choram. O choro de Jesus significa que ele desse ao nosso nível, que vem até nós. “O Verbo de Deus se fez carne e habitou entre nós” Ou como nos lembra São Paulo na Carta aos Filipenses: “Sendo ele de condição Divina, torno-se humano, e depois tornou-se escravo e escravo obediente até a morte, e morte de cruz. O choro de Jesus significa que Deus está conosco, nós não estamos sozinhos, significa que o nosso Deus não é um Deus longe, não é um Deus distante, o nosso Deus está próximo e caminha conosco. Quando Jesus chega, ele não vem para aumentar a lamúria, ele vem para mostrar um sentido novo para a vida, ele vem para gritar a Lázaro, e quer também gritar aos Lázaros da sociedade moderna, aos Lázaros que estão nos túmulos das drogas, no túmulo do HIV e no túmulo do alcoolismo: “Lázaro vem para fora”. E esse é o grito de Deus hoje para nós. Existe uma saída, e essa saída não é aquela que os meios de comunicação apresentam, nem aquela apresentada pelo Ministério da Saúde que distribuem camisinha como solução para o problema da AIDS, e para o problema das drogas, a troca de seringas novas por seringas usadas. Quando nós arregaçamos as mangas, acreditamos e rompemos com o louvor ao encardido que é a oração da lamúria, nós também nos tornamos agentes dessa vida nova... Hoje, Jesus nos diz: “Eu sou a ressurreição e a vida, aquele que crer em mim jamais morrerá.” Jesus diz: “Eu sou a ressurreição e a vida”. Não me interessa se você é soropositivo, não me interessa se você está baqueando cocaína na sua veia, não me interessa se você está fumando oito ou quinze pedras de crack em uma semana, “Eu sou a ressurreição e a vida, se creres verás a glória de Deus”. E isso precisa ser dito para mãe, para pai, pra todas essas famílias que estão perdidas, que estão entregando os pontos, que estão se decepcionando e cruzando os braços em uma grande oração de lamúria. Jesus diz: “Eu sou a ressurreição e a vida”. Mas sabe porque muitas vezes não acontecem milagres em nossa vida? É porque nós não temos coragem de fazer a nossa parte. Podemos observar na bíblia, o milagre nunca é uma ação isolada de Deus, exige sempre a participação humana. A encarnação do verbo é Divina, mas foi preciso Maria dizer “Sim, eis aqui a serva do Senhor”. Deus abriu o Mar Vermelho, mas foi preciso que Moisés tivesse a coragem de entrar no mar, Moisés não ficou na praia rezando. Moisés era gago, o gago nervoso fica ainda mais gago. Imagine se ele olhasse para trás, visse aquele batalhão todo vindo a cavalo, e ele a pé. O que aconteceria se ele parasse para rezar, morreriam todos. Mas ele entrou no mar, e quando Deus viu Moisés entrando no mar, falou: “Meu Deus do céu, se eu não abrir o mar essa anta vai matar meu povo”. O milagre é resposta, e aqui também Jesus gritou: “Lázaro, vem para fora” Mas foi preciso que alguém tirasse a pedra. Se Jesus tinha poder de fazer voltar a vida um morto, ele não tinha poder de fazer aquele morto atravessar aquela pedra? Se ele ressuscitado atravessava 92
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Jovens Sarados - Padre Léo paredes, então por que ele diz para Marta, Maria e seus amigos: “Tirai a pedra”? Jesus fez o milagre, mas quem tirou a pedra não foi ele. Marta até falou: “Ah, Senhor, não vai dar, já está fedendo.” O pecado fede, e eu falo isso em meu livro Cure seu coração, se não lava o coração, ele fede, igual ao corpo, assim como o corpo precisa de banho todos os dias, o coração precisa ser lavado todo dia na água viva do Espírito Santo. O alcoolismo é um tipo de fedor do coração, e existem muitos tipos de fedores. Pessoas que vivem sempre xingando, reclamando da vida, brigando, discutindo: “Não tem mais jeito, tem que se conformar, é a vontade de Deus”. Isso é conversa do encardido, não vontade de Deus? Como podemos dizer que as doenças, as desgraças e a morte são vontade de Deus, se o nosso Deus é o Deus da vida? O encardido é terrível, além dele fazer o mal, ainda tenta jogar a culpa em Deus. Marta e Maria estavam assim: “Ah Senhor, se o Senhor estivesse aqui, meu irmão não teria morrido! Agora não tem mais jeito, já fazem quatro dias, já está até fedendo, não tem mais saída”. Existe saída sim, e o milagre é a resposta de Deus, quando nós temos a coragem de arregaçar as mangas e tirar as pedras. Por isso que Bethânia não é um centro de recuperação, e não é uma comunidade terapêutica. Bethânia é uma casa de acolhimento, nosso carisma é acolher, e a recuperação que nós almejamos é fruto do acolhimento que nós praticamos. É esse o grande drama, as pessoas não se sentem acolhidas. Lá em Brusque, quando pensamos em fazer uma capela no colégio São Luiz, a Juscélia que era diretora de patrimônio da nossa comunidade e engenheira projetou também uma capela em forma de um abraço. Porque no coração de Jesus Deus abraça a humanidade, e como a marca de nossa capela era um abraço, o abraço era também a marca de nossas celebrações; começávamos a missa sempre com um abraço, também na hora da paz, e terminava com um abraço. O mundo tem medo de ser abraçado, tem famílias que tem medo de se abraçar. Pai precisa abraçar filho, e filho precisa abraçar pai, irmãos também precisam se abraçar e beijar. Um dia eu recebi uma carta muito linda, de uma senhora evangélica luterana que me escrevia dizendo assim: “Padre Léo, há muitos anos eu vivia na depressão e tomava vários remédios todos os dias. Um dia conversando com o pastor de minha igreja, ele pediu que eu fosse lhe procurar. Como eu fiquei com vergonha de lhe procurar, eu fui a sua missa, lá na capelinha, eu nem precisei falar com você, porque eu fui curada em sua missa, pois uma senhora negra me recebeu com um abraço tão maravilhoso que naquele abraço eu senti Deus me abraçando, e tanta era minha felicidade que eu cheguei em casa joguei fora todos aqueles remédios que eu tomava.” Nós precisamos ter coragem de dar esse abraço, acabar com essa frieza. Como vocês imaginam que Marta, Maria e Lázaro recebiam Jesus quando ele chegava em Bethânia? Maria gostava de se sentar aos pés de Jesus, pois ela lavou os pés dele com lágrimas, com beijos e com perfume, e secou com os cabelos. Que coisa maravilhosa, e hoje o mundo têm medo de se abraçar, tem medo um do outro, e isso está acontecendo dentro de casa, pais e filhos que não se abraçam; pais e filhos que perderam o cheiro um do outro.

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Jovens Sarados - Padre Léo Quem já trabalhou na roça e possuía algumas vacas, sabe que quando nascia um bezerrinho tinha que colocar ele para mamar, para a vaca soltar o leite. Se o bezerrinho morresse a vaca secava o leite. Então papai tirava o couro do bezerrinho morto, prendia a cabeça da vaca num canzil, para ela não olhar para trás, colocava outro bezerro para mamar com o couro do bezerrinho morto por cima, a vaca sentia o cheiro do filho e soltava o leite. Mas hoje, nas famílias está faltando o leite do amor da alegria da vida, por falta do cheiro do pai, cheiro da mãe, cheiro do abraço e falta do cheiro do amor de Deus. Hoje nosso Deus nos chama a ter essa coragem do absurdo, hoje ele quer gritar: “Lázaro vem para fora, saia do túmulo da droga, do egoísmo, do túmulo da mentira, do egoísmo e do pecado”. Mas também chama a cada um de nós para sermos aqueles que devemos tirar as pedras. E a segunda missão nossa, que está no final do evangelho: “Desligai-o e deixai-o ir”. Por isso a nossa casa é uma casa de acolhimento. Qualquer droga afeta o físico, o psíquico e o espiritual. Os três motivos do nosso acolhimento: Marta, Maria e Lázaro. Em Marta nós descobrimos a importância de servir o Senhor, e a dimensão do serviço, Marta é aquela que servia o Senhor. E em Marta nós descobrimos a dimensão do trabalho na comunidade, a importância do trabalho, porque os jovens aprendem aí fora a doutrina da facilidade, do roubo, pois para ter droga ele rouba, ele mata, então ele precisa descobrir pelo trabalho a transformar a terra. O ser humano nasceu para transformar o mundo, não para ser essa raça de gente fraca que está se criando. Não vos conformeis com esse mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, da vossa mente e do vosso coração (Rom 12,2). Mas em Marta nós descobrimos também aquilo que Jesus lhe disse: “Marta, Marta, tu te inquietas com tantas coisas”. Em Marta nós descobrimos essa dimensão de buscar somente o necessário. “Olhai as aves do céu, e os lírios dos campos”, por isso que nosso recanto é hoje um mini zoológico. Nós temos muitos animais, desde macaquinhos, coelhos, galinhas de raça, peixe, cabritos, cachorros. É muito importante esse contato com a natureza, com as flores, e com as plantas, porque a partir do momento que a pessoa começa a cuidar de uma planta ou de um bichinho, pouco a pouco começa a cuidar de si mesma, pois essa é uma característica que o jovem que usa drogas esquece, ele vende as roupas para poder comprar drogas, ele já não faz mais a barba, ele não corta mais o cabelo, não escova mais os dentes e por isso os dentes chegam até a cair. Quando eles começam a cuidar das coisas, começam a se preocupar consigo, e quando a gente ama a gente cuida da gente, tem que acordar e ficar bonito, alegre. Como fala Pe Jonas: “O coração é nosso, mas a cara pertence aos outros”. E quando começamos a cuidar de nós, nos preocupamos também em cuidar dos outros, aí começa essa terapia do abraço, do carinho e da ternura. Com Maria de Bethânia, nós descobrimos a dimensão da oração, sentar aos pés do mestre. Sem oração, sem a dimensão espiritual, não existe nenhuma recuperação. Na Itália, o governo criou uma clínica fabulosa, uma das melhores clínicas de recuperação de usuários de drogas da Itália, aparelhagens fabulosos, tudo que for preciso tem lá. Tudo que Bethânia não tem, porque Bethânia não cobra nenhum valor em dinheiro, além de não cobrar, mesmo se a pessoa for rica ela não pode pagar. 94
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Jovens Sarados - Padre Léo Um dia chegou um doutor lá e disse: “O senhor fala quanto custa padre, porque eu posso pagar, eu tenho muito dinheiro.” Eu falei: “Não, o senhor não pode pagar, o senhor sabe quanto custa o nosso carinho, o nosso amor e a nossa vida de orações que vamos dar ao seu filho? Dinheiro nenhum no mundo paga, se pagasse seu filho não estava aqui”. Bethânia além de não cobrar, não aceita pagamento. Bethânia aceita e vive de doações, e tem um monte de gente pobre, e que ganha pouco, mas todo mês tira fielmente aquele pouquinho e deposita em nossa conta. Bethânia nasceu pedindo ajuda de um real por pessoa e graças a Deus até hoje tem pessoas que são fiéis a esse um real, é assim que Bethânia vive, nós vivemos da providência de Deus. Deus cuida de nós para que possamos cuidar de seus filhos marginalizados, destruídos e soropositivos. Nenhum de nós, que somos consagrados em Bethânia temos algum tipo de ordenado. Temos um casal de consagrados que foi recuperado na comunidade, que veio para a comunidade como drogados, já usavam drogas há dezesseis anos, cocaína injetável, guardavam drogas em casa como forma de pagamento para os traficantes. O apartamento deles era um depósito em Itajaí, que é a cidade que tem a triste estatística de ser a campeã nacional e até mundial de jovens soropositivos. Santa Catarina tem as três primeiras cidades campeãs: Itajaí, Balneário Camboriú e Florianópolis. Infelizmente, nós temos um dado interessante lá, que talvez seja do mundo inteiro, porque nem na Holanda onde tem no mês de novembro o grande festival da maconha, nem na Suíça onde existe um espaço livre para usar drogas, tem tantos contaminados em função da droga como em nossa região no sul do Brasil. E esse casal foi para a comunidade e encontrou Deus, mudou radicalmente a vida. Acabaram se consagrando e foram assumir a comunidade de Curitiba. Estavam em Curitiba quando o Sueco, nosso menino foi acometido de uma doença muito grave, e foi com muita tristeza e dor que recebemos a noticia de que ele tinha um câncer maligno na papila. Todos nós estávamos preocupados como iríamos fazer para pagarmos as despesas médicas e hospitalares. Eu levei o Sueco a Brusque, os médicos atenderam sem cobrar nada. Ele voltou a Curitiba para fazer a cirurgia, mas precisaria muito dinheiro para fazer uma cirurgia tão delicada, uma senhora de Curitiba me convidou para um jantar para tentar descobrir um jeito de conseguir o dinheiro. Eu falei para ela que se for preciso vendemos a caminhonete que eu uso, vamos ter que dar um jeito. Mas, o médico que o atendeu, ficou tão impressionado com o testemunho do Sueco, que se motivou a arrumar hospital de primeira, um dos melhores do Paraná, médico, anestesista, tudo sem precisar pagar nenhum centavo. Deus cuida de nós, e cuida mesmo. Um dia eu cheguei na comunidade e a superiora veio me falar: “Léo, hoje não temos óleo nem batata”, e foi para a capela rezar. Isso era quatro horas da tarde, quando era cinco horas da tarde chegou um senhor, abriu o porta malas do carro, e tirou uma caixa de óleo e dois sacos de batatas. Como será que ele descobriu? Então eu sempre acredito que Deus manda, às vezes fica retido nas mãos de algumas pessoas que acham que é delas e guardam, mas Deus manda. O milagre sempre acontece, mas alguém precisa tirar as pedras. Com Lázaro nós percebemos essa dimensão da afetividade, a dimensão física da droga, nós olhamos através de Marta, e em Maria a dimensão espiritual, e com os 95
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Jovens Sarados - Padre Léo três irmãos nós procuramos viver Bethânia e ser Bethânia um para o outro. Acolher a cada um que vem até nós como se fosse o próprio Cristo, e de fato é o próprio Cristo. Eu tenho feito um grande desafio, eu duvido que um casal que reze o terço todos os dias, venha a ter um dia um filho drogado. Faça esse desafio. Eu duvido ainda que um filho ou uma filha que são abraçados todos os dias pelos seus pais, vão um dia se viciar em drogas. Porque no dia em que o filho fumar maconha pela primeira vez, na hora de dar um beijo o pai vai sentir o cheiro da droga que fica grudado no cabelo por mais de doze horas. E se isso acontecer, como já aconteceu, e tenho como experiência em Bethânia, aqueles que os pais e os irmãos estão juntos mostrando apoio, esses tem mais facilidade de deixar o vício. Por isso que Bethânia não afasta da convivência familiar, todos os domingos das quatorze às dezessete horas é espaço para visita na comunidade. Esse contato é preciso ser mantido, pois os jovens precisam de abraço, de carinho e do convívio do pai e da mãe. Em Bethânia tem três leis: A primeira é acolher a cada um com um abraço, todo dia de manhã na oração e na oração da noite, antes de dormir, em Bethânia a coisa que a gente mais faz é se abraçar. Certo dia uns pedreiros foram lá trabalhar, chegaram mais cedo, e nós depois da oração, na hora do café estávamos todos nos abraçando e beijando, homem beijando homem, eles ficaram um pouco desconfiados, pois não conheciam nosso modo de viver. Teve um padrasto de um menino que foi lá, quando o menino chegou deu um abraço e falou: “Oh paizão“ Aí ele falou para o menino: “Olha, tome cuidado, porque esses padres, não cobram nada, tudo de graça e ainda ficam abraçando e beijando assim desse jeito, eu não sei não”. Eles têm medo de serem abraçados e de beijar. É interessante, porque quando vão a um jogo de futebol e o time faz um gol, abraçam até os estranhos que estão no lado. A segunda norma de Bethânia é não discutir nunca. Eu tenho uma grande certeza e você também pode chegar a essa conclusão, que não existe nenhuma solução, para nenhum problema seja ele qual for, que brote de uma discussão. Só as antas discutem. Quando há discussão só há derrotados. Por que marido e mulher discutem? Por bobagem. Meus pais fizeram mais de cinqüenta anos de casados, mas nunca nenhum dos filhos ouviu os dois discutirem. Eu aprendi isso em casa, a minha casa foi a primeira Bethânia para mim. Porque nossa família era pobre, mas quando chegava alguém pedindo esmola ou comida, mamãe nunca punha comida naquela lata suja deles, não. Arrumava a mesa e punha ele pra sentar à mesa e comia aquilo que a gente comia. Em Bethânia é assim, todos somos iguais, o padre, os consagrados, o filho que chegou há um ano ou o que chegou hoje. Todos sentam-se igual, comem igual, todos são irmão. O mundo precisa aprender a ser irmão, a ver Jesus no irmão. E a nossa terceira dimensão é “acolher a cada um como se fosse o próprio Cristo”. Isso é fundamental, pois passamos a ver o outro com os olhos de Jesus, e amar é fazer vir à tona o melhor que o outro tem, é fazer emergir a personalidade humana. Era isso que Jesus fazia, quando as pessoas se encontravam com ele. Com Jesus elas descobriam o melhor. Zaqueu, por exemplo, aquele baixinho, safado, e ladrão. Coitado do Zaqueu. Vocês já pararam para imaginar como era o Zaqueu quando ele era jovem? Talvez viesse de sua infância o trauma 96
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Jovens Sarados - Padre Léo de Zaqueu, porque ele era pequenininho, magrinho e feio, imagine quantos apelidos ele devia ter, “toquinho de amarar bode”, “estacionamento de sapo”. E para os Judeus ainda hoje a figura mais importante é o homem. A mulher para os judeus é um ser de segunda categoria, tanto que eles rezam todos os dias até hoje: “Eu te louvo Javé por ter nascido judeu, e te louvo por não ter nascido mulher”. Imagine Zaqueu, um homem feio daquele jeito, acho que Zaqueu pensava que nunca iria ser nada na vida. Então Zaqueu deve ter pensado: “Se eu começar a roubar, e ter muito dinheiro eles vão gostar de mim e me respeitar, e assim ele fez”. Mas um dia Zaqueu tomou coragem e subiu na árvore e ficou esperando Jesus. Quando Jesus disse: “Desce Zaqueu”, ele deve ter caído. E teve aquele encontro maravilho com Jesus, porque Jesus devolveu a Zaqueu o melhor que ele tinha. Também aquela Samaritana, devia ser uma viúva muito linda, pois já tinha ficado viúva cinco vezes e ainda arrumou marido. Tem algumas mulheres por aí que não consegue arrumar nem um, a Samaritana arrumou cinco, mas não era feliz. Jesus transformou essa mulher de prostituída para uma evangelizadora. Quando amamos de verdade ajudamos a transformar, porque “O amor vence” e é isso que Jesus veio falar em Bethânia. “Ah Senhor, já faz quatro dias ele já deve está fedendo. Mas Jesus olha e diz: “O amor vence”, até mesmo quando tudo parece perdido, Jesus é a solução para todos os problemas de todas as pessoas e de todos os tempos, porque ele é o mesmo ontem, hoje e sempre. E ele quer ter esse encontro com cada um de nós. Bethânia é um grande convite a cada um de nós, um convite a acreditar na vida. Em Bethânia tem alguns jovens consagrados, e eu fico imaginando esses jovens que largaram tudo e estão vivendo em Bethânia da providência de Deus, ajudando a acolher, ajudando a evangelizar e ajudando anunciar Jesus. Eu fico imaginando um exército de jovens que tem a coragem de sair por ai dizendo: “O amor vence”, o amor vence o ódio, vence a depressão, o amor vence as drogas, o amor vence a prostituição e o homossexualismo, não existe passado, mesmo quando o pecado já está fedendo, e talvez hoje você se sinta assim, aquele caixote que você se meteu, ele foi se transformando em um sepulcro de pedra, de aço, e você não consegue sair. Hoje Jesus chega para você, e grita, berra o seu nome e diz: “Vem para fora, venha para a vida”, “Desperta, tu que dormes, outrora erres trevas”. Talvez esse outrora foi ontem, talvez esse outrora foi essa noite, que você saiu escondido para fumar um baseado, talvez o outrora tenha sido essa noite que você cometeu um grave pecado. Mas Jesus está dizendo que outrora eras trevas, nas hoje sois luz do Senhor. “Comportai-vos como filhos da luz”. Deixe ascender essa chama da luz de Deus. Mas é preciso ter a coragem de romper com esses túmulos todos, romper com o passado e entregar esse passado a Deus. Mesmo que seu coração esteja encardido, não tenha medo de pedir: “Senhor, lava o meu coração, restaura-me de novo”. Ainda que seus pecados estejam vermelhos escarlates, ficarão brancos como a neve, porque nosso Deus é um Deus que nos ama, e Deus quer visitar Bethânia, especialmente a Bethânia do seu coração. Além de viver Bethânia a nossa vocação é ser e ter um coração Bethânia. Em um mundo de tantas tristezas, num mundo de tanto egoísmo, é preciso termos coragem de ser testemunha da ternura do coração do nosso Deus, testemunhas do abraço desse Deus. O mundo precisa 97
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Jovens Sarados - Padre Léo de esperança, de jovens que olhem para frente sem medo do futuro, e que não estejam presos ao passado. De jovens que tenham a coragem de dizer: “com Deus nós podemos e vamos vencer. “O amor vence” porque Deus nos ama. Na véspera de Páscoa, a professora pediu aos alunos que cada um fizesse um desenho sobre a Páscoa. E cada aluno fez um desenho. Um desenhou um ovo e escreveu uma frase assim: “Como a vida está escondida no ovo, a vida de Deus está escondida na Páscoa e se revela”. Outra criança desenhou um coelhinho e escreveu: “a fertilidade do coelho é como a vida nova que Jesus nos trás”. E assim teve vários desenhos. Mas teve uma criança que fez uma cruz vazia, toda colorida, a professora pegou o desenho daquela cruz colorida e perguntou para criança: “você não escreveu nada e sua cruz também está vazia?” Ela disse: eu escrevi atrás. A professora virou a folha e atrás da folha estava escrito: “Quem ri por ultimo ri melhor”.

Testemunhos

Na introdução falávamos de testemunho de pessoas que passaram pela experiência das drogas e que hoje, porque estão perto de Deus, estão vivendo a abstinência completa. Na escolha desses testemunhos, tomamos dois cuidados fundamentais. Primeiro: só apresentamos testemunhos de pessoas que vivem conosco há bastante tempo. Não queremos testemunhos fogo-de-palha, de jovem que largou das drogas há um mês ou poucos dias. Sabemos que a abstinência para um dependente é algo difícil. Por isso as recaídas são comuns. Logo, ao escolhermos pessoas que já moram conosco há alguns anos, estamos procurando evitar esse tipo de testemunho, mais comum do que se pensa, de gente que deixa as drogas hoje e amanhã saem pregando, isto quando não resolvem abrir uma casa de recuperação, porque se acham preparados e abalizados. Segundo: Procuramos testemunhos de pessoas normais, sem cair para a tragédia. Evitamos todo e qualquer forma de remexer no passado para descrever, nos mínimos detalhes, o que viveu e o que sofreu. Quando nossos filhos e filhas falam do passado é em vista de um presente, sarado e também de um sarado futuro. Não queremos mexer com emoções baratas. Queremos ajudar outros que passam pela mesma experiência. Por fim vocês encontrarão entre os testemunhos, pessoas que nunca foram dependentes, mas que tiveram a coragem de deixar tudo para se fazer dependente, vivendo com e como os dependentes. São jovens e casais que um dia se sentiram chamados a viver em Bethânia e que com o tempo acabaram se consagrando. O melhor exemplo disso é o primeiro testemunho que apresentamos, do casal Ideraldo e Margarida. Eles nunca foram usuários de drogas ilegais, mas sentiram o chamado de Deus para viver em comunidade e ajudar os dependentes. Eles estão comigo desde a fundação da comunidade Bethânia, são meus co-fundadores. Já se vão onze anos que o casal e agora seus quatro filhos, vivem conosco, do nosso jeito, dependendo de Deus e testemunhando a alegria de pertencer a Deus. 98
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Jovens Sarados - Padre Léo O testemunho segue um esquema muito simples. Perguntamos a eles: 1. O que trouxe você para Bethânia? 2. Como era sua vida antes de Bethânia? 3. Como é sua vida em Bethânia? 4. Uma mensagem para os jovens. Cada pessoa ou casal era livre dentro desse esquema. Espero que esses testemunhos ajudem você a crescer em Deus e, quem sabe, a responder ao chamado que Deus está lhe fazendo. Beijo e paz, Pe. Léo scj

Ideraldo e Margarida Nosso desejo por Bethânia nasceu na Capela do Espírito Santo, no Colégio São Luiz, em Brusque-SC, onde Pe. Léo era diretor. Mas o desejo de ajudar os dependentes e marginalizados já estava em nosso coração, pois participávamos de um grupo de jovens no próprio colégio e ali já acontecia o atendimento de muitos que nos procuravam para pedir ajuda. Mesmo sem saber, já tínhamos um coração Bethânia, pois algumas vezes acolhemos um jovem dependente em nossa casa. Ele era de uma cidade vizinha. Várias vezes fomos a sua casa, para com nossa presença mostrar o quanto ele era amado por Deus. Em uma missa na Capela, Pe. Léo falou do desejo que Deus colocava em seu coração de arrumar um lugar para acolher jovens dependentes e marginalizados, no mesmo instante sentimos o chamado de Deus e foi nesse dia que demos o nosso SIM. Tínhamos certeza que era a voz de Deus nos chamando. Até se concretizar o sonho, fomos rezando e pedindo a Deus que fosse preparando nosso coração. Tínhamos uma vida estável, trabalho, casa própria, automóvel e como família vivíamos muito bem com nossos dois filhos. Em nossa comunidade animávamos a liturgia da missa e também éramos catequistas. Participávamos da animação litúrgica também na Capela do Espírito Santo. Procurávamos viver nossa vida intensamente, cada momento dando sempre o melhor em nosso trabalho, mas sabíamos que não havia mais sentido o estilo de vida que tínhamos pois era muito forte em nosso íntimo o desejo de consagrarmos nossa vida aos irmãos. Foi um tempo de espera e preparação pois era algo novo, mas nunca tivemos medo cada vez que o Léo falava de Bethânia, sonhávamos junto, estávamos já vivendo Bethânia mesmo sem ela existir no material mas já existia espiritual porque Deus através da oração ia conduzindo toda nossa história. Até o dia em que conseguimos o terreno e com isso nosso coração se alegrou porque depois de algum tempo de espera o nosso desejo estava se realizando de forma maravilhosa. Depois disso se realizou a primeira missa no terreno e em seguida a construção da primeira casa. O nosso sim, sabemos que não tem nenhum mérito nosso, mas foi somente a Graça de Deus agindo em nós. Nosso carisma é exigente, pois temos a missão de acolher o próprio Cristo que vem até nós. Procurarmos dar o nosso melhor para cada filho(a), sabemos que cada um vem porque chegou ao fundo do poço e perdeu família, dignidade, amor próprio... Com nosso jeito de ser, de agir, de falar e de se fazer presente cada momento na vida deles queremos mostrar que são 99
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Jovens Sarados - Padre Léo amados e queridos, e que vale a pena lutar por uma vida nova e que é possível ser feliz. Somos educadores e com isso vamos direcionando suas vidas, dialogando, corrigindo, mostrando que é possível construir uma nova história. Procuramos mostrar para nossos filhos(as) o valor das coisas simples porque Deus se revela na simplicidade do nosso dia a dia. Na beleza de uma flor, no cuidado com os animais, no abraço sincero, numa palavra amiga. Deus se revela para nós de uma maneira muito concreta. Aqui tudo fala de Deus. Colocamos aquilo que somos e que temos a serviço do outro, porque não nos pertencemos mais, somos instrumentos nas mãos de Deus. Nosso desejo é sempre nos deixarmos guiar por Deus, estarmos atentos à sua vontade, pois sabemos que nossa missão é restaurar vidas, e que temos uma grande responsabilidade, pois cada um que vem até nós nos foi confiado por Deus. Queremos que aqueles que nos são confiados sejam como Jesus lá em Bethânia. Que encontrem em nós descanso, carinho e amizade verdadeira. E esta é a graça que pedimos todos os dias: que Jesus nos dê um coração Bethânia. A você jovem, queremos dizer que vale a pena ser diferente, não tenha medo de ser autêntico. Viva com intensidade este momento de sua vida, procure valorizar cada momento, saboreie as pessoas que convivem com você, famílias, amigos. Divirta-se com responsabilidade sabendo que todos que estão a sua volta são imagem e semelhança de Deus. Procure evitar situações e pessoas que são sinais de morte, valorize seu corpo, sua saúde. Não estrague sua juventude. Como filho de Deus, você é livre, não se deixe escravizar por tudo aquilo que é apresentado pelos meios de comunicação que com programas e comerciais que procuram escravizar. Você é fruto de suas escolhas, por isso você é convidado a escolher a vida.

Paulo César

Reler a historia pessoal. Uma arte que aprendi em Bethânia. Reler significa olhar novamente por dentro, compreender e interpretar os acontecimentos. Isso mesmo! Aprendi em Bethânia a olhar a minha vida por dentro, na sua interioridade, interpretá-la à luz da Palavra inspiradora de Deus. Assim, é que me encontro diante desse computador, provocado novamente a retomar minha história e perceber os milagres acontecidos, cada lição aprendida, os encontros e desencontros próprios da vida comunitária. Não estou alimentado por nenhuma forma de saudosismo ingênuo, ou por um sentimentalismo qualquer, pelo contrário, a verdade que carrego e guardo no coração é que Jesus Cristo em Bethânia minha vida transformou. Digo isso não para desmerecer tudo que vivi no seminário, antes de vir para Bethânia, pois sem falsa modéstia, sempre fui um rapaz muito sério quanto a minha vocação, sabia de onde tinha saído e onde pretendia chegar. O que mais queria era ser padre, e sempre fiz o melhor durante minha caminhada seminarística. Certo dia, me vi ali, diante de uma doença grave, parece que as possibilidades estavam fugindo (que imaturidade, vivemos às vezes como se tivéssemos o controle total da vida) passando por mim sem poder fazer nada. Fui muito amado e querido, não fiquei um momento sequer sozinho: um telefonema, 100
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Jovens Sarados - Padre Léo uma palavra, uma companhia... Nunca tive só! Todos em Bethânia rezavam por mim, pediam minha cura, fui e continuo sendo muito amado. Bethânia tem me ensinado muito a amar. Todos nós temos alguém que acaba sendo nosso referencial, uma forma de modelo inspirador de vida. Não tenho vergonha em dizer que nosso fundador, Pe. Léo sempre foi para mim esse modelo, alguém que pelo seu modo de viver e sua visão da vida me provocou a não parar na planície, a buscar as coisas do alto, a olhar além dos montes, vislumbrar o inefável. Em todos esses anos de comunidade, quase dez, passei por muitas crises: afetiva, vocacional, existencial – quantas vezes pensei em sair... hoje quando penso em Bethânia não a vejo como um lugar geográfico, onde moram algumas pessoas. Não! Para mim Bethânia é muito mais que isso: uma proposta de vida! Uma forma de viver a radicalidade evangélica inspirada pelo Espírito Santo! Uma pedagogia de vida! Um jeito concreto de acolher o Cristo que vem no rosto de cada menino e menina. Por isso luto sempre para tê-la no coração, assim, onde quer que eu vá ou esteja, sou sempre Bethânia, nada pode tira-la de mim, assim minha vida será um testemunho desta proposta que nos ensina a viver o céu aqui e agora. Minha história foi sempre marcada por grandes decisões – sair de casa e ir para o seminário, depois de doze anos deixar o projeto de ser padre, vir para Bethânia, construir uma família. Em Bethânia fui aprendendo a perceber a mão de Deus em todos esses momentos. Nunca estive desamparado. A mediocridade sempre foi um dos meus medos, Bethânia é esse lugar que me desinstala, me provoca a buscar o essencial, a sonhar grande, a vencer o egoísmo, a viver o amor, aperfeiçoar a arte de conviver. É muito bom estar aqui! Em Bethânia pude, não como projeto puramente pessoal, mais acolhido por todos, efetivar muitos dos meus sonhos. Não tenho dúvidas de que os que ouvem minhas canções conseguem perceber que a fonte de toda minha inspiração é aqui, lugar: do cultivo de amigos sinceros que nos acolhem, onde podemos viver sem máscaras; do perdão constante na convivência, na dura caminhada rumo ao céu: das histórias de meninos e meninas que os livros não contam; da casa de portas abertas para receber o filho que volta; escola que me fez e faz aprendiz, que me ensinou a chorar, a sorrir, a acreditar sempre nas pessoas; a saborear a presença de cada irmão; a buscar o essencial da vida, buscar o alto; de confiança no sopro suave de Deus; de ver Jesus Cristo no rosto desfigurado de tantas Marias, Martas...; cultivar a certeza de um dia quem foi amado, volta sempre aquele que primeiro amou; que me ensinou a rezar sempre a vida e ter no coração a certeza de ser amado, mesmo na dor. Não é um lugar apenas de inspiração para as canções, mais inspirado pela misericórdia de Deus. Certa vez uma pessoa dizia que esperava o dia que não precisasse ter mais Bethânia, alimentando o desejo de que todas as drogas se acabassem e não tivéssemos mais meninos e meninas dependentes. Valeu a boa intenção. Só que ele não havia, ainda, entendido que em Bethânia as drogas são um de nossos pequenos problemas. “Não é aquilo que entra que torna impuro, mas o que sai do coração humano”. Bethânia é um lugar de encontro com o Senhor. E quem não precisa encontra-lo? Para mim Bethânia é isso, lugar de encontros... 101
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Jovens Sarados - Padre Léo Em meu dia a dia tenho procurado realizar esse encontro libertador. Não é fácil caminhar sozinho! O que me move, muitas vezes, é a certeza de que tenho uma comunidade que reza por mim, e cuida de mim. Não alimento o ideal de uma comunidade perfeita, se assim fosse, não teríamos comunidades. Sou mais um peregrino que não quer trilhar sozinho os caminhos e descobri que ser feliz e ver o outro feliz.

Ana Paula Krisanovski

A principio, o que me trouxe para Bethânia foi a vontade de servir a Deus de maneira mais intensa e específica. Até então, sem saber para que carisma Deus me chamava. Certo dia, um colega me convidou para conhecer o Recanto Bethânia, em Guarapuava, PR. Para minha surpresa, ou melhor para alegria do meu coração, quando cheguei, fiquei encantada, era tudo que eu queria. Me senti acolhida, me identifiquei muito, e acima de tudo, percebi que ali Deus poderia me usar. Com o passar do tempo, fiquei alguns dias na casa mãe em São João Batista, SC. A experiência foi maravilhosa. Aquilo que já era um encanto, se tornou um verdadeiro amor. Deus falou muito comigo através da natureza, dos filhos e filhas de Bethânia, das crianças, da organização, do trabalho, da oração, dos consagrados e de tudo que Bethânia proporcionara naquela semana. Para surpresa maior ainda, percebi e entendi que não era Bethânia que precisava de mim, mas, eu é que precisava de Bethânia... Tive a oportunidade de participar de um retiro de cura interior, ali entendi mais ainda que na verdade, o meu coração estava tão ferido e machucado, que Deus na sua misericórdia e amor, escolheu Bethânia para me restaurar. Entretanto, amor não é só sentimento, amor é decisão! Em virtude disso, não consegui mais ficar longe desse amor, decidi fazer uma experiência maior, o meu coração batia mais forte por esse carisma, a ponto de me sentir muito bem, além de me sentir muito feliz. Contudo, se faço uma releitura da minha vida, percebo que, o que me trouxe para Bethânia foi a minha própria história, história que não é diferente da de ninguém, muito menos a de um dependente químico, pois como ele eu precisava curar o meu coração! Posso dizer que antes de bethânia, tinha uma vida relativamente normal. Estudava, trabalhava, desde criança, uma vida engajada nos trabalhos da igreja, uma família não perfeita, porém maravilhosa, uma educação ótima, pais que fizeram de tudo para me dar o melhor estudo, para preparar para a vida,cultivava bons relacionamentos, amigos... Externamente não faltava nada. Externamente porque internamente, não me sentia totalmente realizada. Com treze anos comecei a participar dos retiros da renovação carismática, seminários de vida no espírito... me sentia muito bem servindo a Deus nos grupos de oração,grupos de jovens de teatro... sempre quando via alguns jovens mais fragilizados pelos vícios, sentia vontade de ajudar de alguma maneira, muitas vezes me procuravam para desabafar, pedir conselhos, até desesperados entregar droga, por não querer usar mais, etc... No entanto, quando passei no vestibular, me afastei quase que totalmente da igreja, até mais tarde, nem missa aos domingos, quanto mais missas diárias como estava acostumada... 102
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Jovens Sarados - Padre Léo Como já ouvi alguém dizer, longe de Deus somos capazes de fazer qualquer coisa até machucar o Seu coração com os nossos pecados. Neste período namorava. Vivi uma paixão louca, aponto de me entregar e viver um relacionamento totalmente desregrado. E como todo relacionamento errado e desenfreado, trouxe suas consequências. Vivendo uma sexualidade errada, tudo pode acontecer... inclusive uma gravidez. Foi assim comigo. Engravidei com 19 anos. Foi uma bomba no início. Mas depois a graça superabundou. Pois desde relacionamento que não deu certo, surgiu um fruto maravilhoso, pequenino, mas que se tornou grande suficiente para impulsionar a retomar a vida, encarar a realidade, e principalmente voltar a ficar perto de Deus. Perto de Deus tudo ganha sentido, até os maiores obstáculos podem ser vencidos, inclusive os interiores, que na maioria das vezes são muito maiores que os exteriores. Inserida novamente na Igreja, sentia a vontade de me doar inteiramente a Deus, mais sem saber direito como. Pois achava que comunidade era lugar de pessoas perfeitas, equilibradas em todas as áreas. Não era para mim, até conhecer uma que me ensinou a ser eu, mesmo fraca e limitada, mas, acima de tudo, confiante no chamado e na graça de Deus. Minha vida em Bethânia é em primeiro lugar um presente de Deus. É uma vida de compromisso, uma resposta ao amor de Deus e ao seu chamado. É um constante aprendizado. Uma vida preenchida, desafiadora, intensa, exigente e, acima de tudo, com um sentido, uma meta. Viver em Bethânia, não tem como descrever, é um mistério, que, assim como a fé, não pode ser explicado, mas vivenciada. Esse mistério que me compromete como consagrada a viver e praticar o evangelho. Não distante, mas muito próximo, no dia a dia, nas situações corriqueiras... É uma vida que me chama a ser responsável, a buscar dar o meu melhor, a ser melhor para o outro, a responder bem esse chamado. É uma escola cuja professora não sou eu, mas sim, cada um daqueles que constantemente me desafiam a ser diferente, e dar testemunho, principalmente nas pequenas coisas, a levar a sério a minha consagração. Aqui redescobri muitos valores, que me ensinam a ver e enxergar que quem perde, ganha... Só me sinto preenchida porque me sinto acolhida, amada e feliz. Aqui posso viver as três dimensões do ser humano de maneira intensa: a espiritual, do meu compromisso com Deus, na maneira de rezar própria de Bethânia; a psico-afetiva no bom relacionamento para com todos, aprendendo a amar, até aqueles que não tenho vontade, a viver bem em família, a ser um referencial, a acolher cada filho desfigurado pelos vícios, a abraçar, a cuidar e, na medida do possível estar junto com cada um que precisar. A dimensão física me favorece a buscar a fazer as coisas bem feitas, com dedicação, não é fazer por fazer, por obrigação, em tudo que faço preciso fazer da melhor maneira possível, preciso dar o meu melhor não importando o trabalho, mas sim como faço. Em Bethânia tenho um lar, tenho um pai como referencial, um esposo que ensina a amar, um filho especial, um irmão singular, sem contar os demais filhos e filhas do coração, que me desafiam a perseverar, outros são aqueles ombros sempre prontos para desabafar, sem falar que aqui não me falta nada. Viver em Bethânia é saborear a vida em todos os sentidos. É viver 103
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Jovens Sarados - Padre Léo aprendendo a tirar as arestas do coração e ter o coração aberto, sem limite, para a necessidade do irmão. Jovem, ser santo é ser sarado e não alienado. É saborear a vida sem perder a salvação. É cultivar amizades, principalmente a dos irmãos. É ter compromisso consigo e para com Deus, sem nunca desprezar os filhos seus. É saber que é unicamente dependente de Deus. Não ser auto-suficiente demais sem precisar da ajuda dos pais. É encarar a vida de frente, sem olhar para trás, mas sempre olhar para o alto e ver que o único que pode nos equilibrar está à direita do Pai.

Edjan Hélio Rosa

O que me trouxe para bethânia foi a minha dependência química. A droga tirou minha família, meus estudos, meus amigos verdadeiros, minha alegria, os meus sonhos, meus projetos, minhas metas e como se não bastasse tirou também minha dignidade. Pois a droga constrói um mundo totalmente sem valores, em tudo no agir, no falar e até mesmo no pensar. Filho de pais separados também em consequência de uma droga, o álcool, mas mesmo tendo um lar dividido tive uma boa educação. O que me levou a este mundo obscuro foi a curiosidade, a vontade de ser livre e diferente. Daí pra frente posso definir que foi como uma escada, mas não uma escada que sobe, mas uma escada que desce... cigarro, maconha, cocaína,crack e em pouco tempo eu estava deformado pela droga e suas consequências. A primeira vez que ouvi falar de Bethânia dei risada e disse que eu não precisava, que eu era homem suficiente para largar sozinho. Mas minha avó Nadir 83 anos, mulher de oração não desistiu. Plantou a semente que me fez parar para pensar . E grande foi o desespero quando vi que sozinho não conseguiria, várias tentativas mas todas frustradas, até quebrar meu orgulho e admitir que estava derrotado e sem vida. Só então pedi ajuda! Cheguei em bethânia em novembro de dois mil apenas para dar um tempo. Mas bethânia era diferente, o padre era diferente e pela primeira vez em minha vida me senti livre... Fui acolhido de braços abertos sem qualquer pergunta sobre o meu passado. O que importa era dali para frente. E minha conversão foi um processo, como uma escada só que agora subindo dia após dia. Senti no meu coração que também precisava ajudar, fazer alguma coisa. Manifestei a vontade de consagrar minha vida a Deus, fiz um longo período de formação e me consagrei. Vivi um dos melhores momentos de minha vida. Deus me reservou muito mais, ele veio em minha vida por inteiro, para curar todas as áreas: o físico, o espiritual e o psico-afetivo. Para completar minha felicidade em Bethânia, em 15 de janeiro de 2006 me casei com uma mulher maravilhosa, Ana Paula Krisanovski, consagrada da comunidade, fruto de uma amizade bonita e verdadeira. Vivi um namoro e um noivado diferente de tudo que já havia experimentado. Um tempo de espera, de conhecimento, de oração, diálogo, um tempo maravilhoso que Bethânia nos proporcionou e proporciona a cada dia, servindo a Deus de maneira livre e aprendendo cada dia como devo caminhar. 104
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Jovens Sarados - Padre Léo Já estive em lugares com muitas luzes... Luzes de todas as cores e tamanhos. Luzes que piscavam e giravam, mas que não iluminavam. Jovem, uma só luz brilha, Jesus, luz que nunca que apaga. Luz que é capaz de fazer qualquer coisa para nos fazer enxergar. Capaz de iluminar sua vida, principalmente o seu caminhar.

Betão, Cris e Júlia

Em 2000 fizemos o nosso primeiro retiro na Canção Nova, no qual o Pe. Léo fez varias pregações que nos tocaram profundamente. Suas pregações sempre mostram um Deus simples que age em nossa vida, nas pequenas coisas, e de maneira concreta, motivando-nos mudanças em nossas atitudes. Tivemos a oportunidade de outros encontros com a presença do Pe. Léo, até que recebemos um convite de um casal amigo para participarmos de um retiro sobre sexualidade na comunidade Bethânia. Antes do casamento tivemos experiências que marcaram negativamente a nossa sexualidade. Estávamos atravessando uma crise nessa área. Iniciávamos uma caminhada na Igreja e os maus hábitos adquiridos em nossa juventude e que estimulavam nosso relacionamento sexual já não cabiam mais: como o uso de drogas e a pornografia. Assim, estávamos aprendendo a nos relacionar, saímos da libertinagem, onde tudo era permitido para a obtenção do prazer e caímos no tabu, onde nada era permitido. E este era exatamente o tema abordado nesse primeiro retiro que fizemos em Bethânia: o ato sexual no matrimônio é maravilhoso, é desejado e abençoado por Deus, nenhuma parte do nosso corpo é feia ou não pode ser tocada desde que haja diálogo, transparência, respeito e carinho entre o casal. Foi bastante positivo e esclarecedor para nossa relação: na sexualidade devemos buscar o equilíbrio. Esse retiro foi, sem dúvida, um marco em nossa vida conjugal. A partir desse retiro iniciamos uma convivência prazerosa com os membros da comunidade, Pe. Léo, consagrados e filhos. Vivemos em vários outros retiros. Chegamos a vir cinco vezes em um ano para fazer retiros. Os laços foram se estreitando cada vez mais. Como já éramos amigos da comunidade pedimos para passar alguns dias no recanto, sem ser em época de retiro. E nos foi permitido. Foi muito gostoso poder viver a realidade de Bethânia. Nossa vida em São Paulo também era bem gostosa. Tínhamos uma estabilidade financeira e éramos bem sucedidos em nossas profissões. Com freqüência viajávamos aos finais de semana para o interior ou para a praia. Sempre sentimos prazer em estar em maior contato com a natureza. Nossa convivência em família era e ainda é muito gostosa. Somos bastante unidos. Em 1998 iniciamos uma caminhada mais intensa na igreja e estávamos engajados em movimentos para casais e jovens em nossa paróquia, além de buscar um aprofundamento em retiros como em Bethânia e na Canção Nova. Mesmo sendo boa, sentíamos necessidade de nos doarmos ainda mais a Deus, vivendo em comunidade. Nossa vida em Bethânia é maravilhosa e desafiante. Maravilhosa porque vivemos em um lugar lindo, repleto de flores e de animais, porque podemos 105
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Jovens Sarados - Padre Léo desfrutar da natureza e isso nos alegra bastante. Poder caminhar pelas trilhas de Bethânia, respirar ar puro (para nós que vivíamos em São Paulo, então...), acordar com o galo cantando, ouvir o canto dos pássaros, conviver com os cachorros, contemplar o nascer o pôr do sol, diariamente, é um privilégio. Maravilhosa porque temos a oportunidade de diariamente acordar e iniciar nosso dia em oração comunitária. Agradecer a providencia, em comunidade, antes das refeições e celebrar a Eucaristia, além dos momentos de Adoração e Intercessão semanais. Essas atividades nos possibilitam maior intimidade com Deus... Maravilhosa porque podemos nos dar ao luxo de ter um horário reservado para o esporte, três vezes por semana, além dos finais de semana... Maravilhosa e desafiante porque podemos crescer na vida fraterna, aprendendo a partilhar a vida, aprendendo a conviver com meninos e meninas que para o mundo não tinham mais jeito, pois eram dependentes químicos, marginalizados, prostituídos, soropositivos e perceber como através do amor e do acolhimento era possível ajuda-los no resgate da auto estima e do sentido da vida. Realmente nos apaixonamos por Bethânia e pelo jeito simples e é a concreto com que a comunidade idealizada e orientada pelo Pe. Léo lida com esses filhos, como são chamados. Continuamos nosso namoro com a comunidade e todas as vezes que voltávamos para São Paulo ficava aquela sensação do jovem rico. Não tínhamos coragem de largar os nossos bens e viver exclusivamente para Deus. E sentíamos ansiosos até a próxima vinda para Bethânia. Partilhávamos com o Léo sobre o chamado para uma consagração e ele sempre nos dizia que tínhamos que continuar namorando, vivendo Bethânia e que as coisas iriam fluindo. E assim, fizemos. Foi quando no retiro Rezando a Vida, em janeiro de 2005, decidimos fazer uma experiência de um ano na comunidade. Um passo adiante, o noivado. Passamos o ano de 2005 com muita alegria por nossa decisão, e quanto mais falávamos sobre Bethânia, a certeza de que era a decisão correta tomava conta do nosso coração. Conversamos com nossos familiares, com nossa filha, Julia, com nossos companheiros de trabalho e viabilizamos nossa vinda. Mesmo achando que éramos malucos, todos apoiaram a nossa decisão, pois já vivíamos nosso engajamento na igreja e todos sabiam do nosso desejo de nos doarmos cada vez mais para Deus em uma vida comunitária. Apesar dos apegos, tudo foi bastante tranqüilo e bem planejado. Em 10 de janeiro de 2006, colocamos nossa bagagem no carro (menos a Filó, nossa cachorrinha), e viemos muito felizes e confiantes para São João Batista, onde fomos muito bem acolhidos com os irmãos respeitando e crescendo, com as diferenças, sendo tolerantes com as limitações do irmão, aprendendo a perdoar e a pedir perdão, aprendendo ver o lado bom das coisas, das pessoas e das situações, abraçando muito e aprendendo a esperar em Deus... Maravilhosa e desafiante porque servimos em diferentes trabalhos e assim aprendemos a descobrir nossos talentos (ou não), procurando exercitar a gratuidade em nossa ações (como esperamos recompensa...) desafiante na vivência nas normas e regras da comunidade e na fidelidade e perseverança em nossos propósitos... desafiante, pois por mais que mergulhemos nesse mistério da dependência química, não compreendemos como a droga pode 106
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Jovens Sarados - Padre Léo ser tão poderosa na vida de filhos tão especiais e amados a ponto de muitas vezes de superar todo o imenso desejo que eles tem de viver sem elas... Desafiante porque aprendemos a rezar e saborear cada momento do nosso dia, sendo ele bom ou ruim. Aprendemos a viver intensamente o nosso presente, que é um presente que Deus nos dá para desfrutarmos da melhor maneira possível... Não se engane achando que as drogas vão resolver suas carências e seus problemas, elas parecem ser o caminho mais rápido, além de não resolve-los, poderá desencadear uma dependência química, destruindo seus planos e tornando escravo, capaz de fazer qualquer coisa para obtê-la. O caminho verdadeiro é estreito, exige renúncia, mudança de postura, determinação, perseverança, mais a certeza de que você se sentirá realizado e feliz compensa todo o esforço. Curta sua família, desfrute a vida de uma maneira saudável, ouça música, cante, dance, contemple a natureza, curta os animais, fale com Deus, saboreie sua vida e não tenha vergonha de ser diferente.

Adriana

O que me trouxe para Bethânia foi a vontade de viver em comunidade, ter um encontro mais profundo com o Senhor. A minha vida antes de Bethânia era muito vazia, onde eu buscava me realizar nas coisas supérfluas do mundo, muitas vezes abafando os projetos de Deus em minha vida. Minha vida hoje é uma vida plena da graça de Deus, onde a cada dia ele transforma o meu coração fazendo de mim uma pessoa renovada. Hoje, casada, à espera do meu primeiro filho, percebo a grandiosidade de ser família restaurada e a importância desse valor na vida de nossos jovens. Falo aos jovens de hoje que cada vez mais tenham sede de Deus, mais possam busca-lo de maneira sadia, para que nunca percam a esperança de um mundo melhor para todos.

Márcio

O que me trouxe para Bethânia foi a necessidade de buscar uma vida nova em função de minha dependência química. A minha antes era uma vida de escravidão, onde eu buscava a felicidade nas drogas, da prostituição, nas ilusões do mundo, de alguma forma buscando alimentar meu coração com os falsos valores do mundo. Pela graça de Deus hoje a minha vida é uma vida nova, onde Deus me chama a testemunhar as maravilhas que ele vem fazendo em mim através do carisma Bethânia.

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Jovens Sarados - Padre Léo Hoje como consagrado, casado com Adriana, falo aos jovens que estão no mundo das drogas, prostituição, etc, que vale a pena buscar essa vida nova em Cristo.

Loreci

Apesar de morar perto de São João Batista eu nunca tinha ouvido falar de Bethânia, mais com o envolvimento que tive com as drogas, me levaram a procurar ajuda para me restaurar. Então me falaram da comunidade. No principio o desejo era de ficar nove meses, mais o amor que recebi de Jesus, nesse lugar, me cativou de uma forma excepcional, tanto é que estou aqui até hoje. Para ser bem sincero, desde a minha pré-adolescência eu me sentia diferente dos outros garotos, de uma forma geral, na maneira de falar, pensar e agir. Quando fiz 17 anos tive o primeiro contato com as drogas, cocaína, dois anos mais tarde fiquei viciado em Crack. Mas, na verdade, da pré-adolescência até aos 21 anos com a droga ou sem droga, sempre senti um vazio dentro de mim. É até difícil explicar porque tinha um bom emprego, tinha até bons amigos, gostava de ir à Igreja, mas por outro lado vivia também afundado no pecado, por uma sexualidade estragada, com o coração cheio de ódio, rancor, angústia, com muitos complexos de inferioridade, até mesmo por não aceitar a forma como eu vivia, ou seja, de um jeito ou de outro eu não era feliz. Em Bethânia sou muito feliz, de verdade, não significa que vivemos isentos de dificuldades, não é isso. Mas a alegria de se entregar por inteiro para Jesus e também poder fazer parte da restauração de outras pessoas, não há nada nem ninguém no mundo que possa retribuir essa alegria. Sem contar que aqui sou amado e acolhido, como sou. Ganhei um pai de verdade, Pe. Léo, o maior responsável pela minha cura e restauração. Ele é o pai que não tive, também ganhei vários irmãos, que me ajudam a ser mais feliz e melhor todos os dias. Sou muito grato a Deus pela comunidade fazer parte da minha vida e por hoje poder dizer que aqui é minha casa. Sabemos que o mundo oferece muitos caminhos, principalmente para nós jovens. Por isso precisamos escolher os melhores, mas também nunca podemos nos esquecer do essencial em nossa vida, Deus. Porque independente dos caminhos que decidimos seguir, sejam eles bons ou ruins, se não tiver Deus, sempre vai existir um grande vazio dentro de nós. Porque o nosso coração é jovem, aventureiro, quer sempre o novo, e só Deus pode nos preencher e nos fazer felizes. Vamos ser jovens inteligentes e com Jesus, fazer um mundo melhor.

Juliana 108
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Jovens Sarados - Padre Léo No primeiro momento procurei Bethânia por reconhecer que sozinha não conseguiria mais me libertar da dependência química. Quando ouvi falar de Bethânia, logo identifiquei que era o que eu precisava, independente da distância, procurei o acolhimento em Bethânia, onde vivo a mais de quatro anos. Hoje, por toda a experiência vivida na comunidade, percebo o quanto minha vida era vazia e sem motivação. Existe dentro de todo ser humano uma sede infinita de Deus, que só ele pode preencher e saciar. Comigo não poderia ser diferente. Buscava inconscientemente preencher com as drogas e outros meios desregrados, o espaço que somente Deus pode ocupar. Por isso não era feliz. Em Bethânia descobri que existe uma razão maior pela qual posso viver, esperar e gastar-me. Sou feliz porque aprendi o valor da fraternidade, da união, do acolhimento de Deus, na pessoa de cada irmão. Hoje, sou uma pessoa realizada em Deus, porque aprendi a buscar as coisas do Alto, o que realmente vale a pena e permanece. Que os jovens nunca esqueçam que foram feitos de Deus e para Deus, são imagem e semelhança dele. Não permitam que aconteça como aconteceu com o servo mau (Mt 24,45-51), quando o servo se cansou de esperar o patrão que demorava a retornar, ele se esqueceu de que era servo, começou a beber e a bater nos empregados. Que os jovens não se esqueçam nunca que são de Deus e que essa vida nunca terá sentido se não vivermos para ele. A espera dele. Penso que a grande mensagem é essa: buscai as coisas do Alto. Sendo assim, descobrimos a grande razão pela qual queremos lutar e viver.

Tártari

Vim para Bethânia por causa do desespero e a falta de perspectiva. Não sabendo mais o que fazer, e me sentindo impotente diante da doença, incrédulo com tratamentos à base de medicamentos, ouvi o conselho de minha irmã a respeito de uma casa de acolhimento, e mesmo não acreditando, desesperado e fugindo da morte certa. Realmente, o que eu vivia não era vida. Estive em ascensão até a bebida ter domínio sobre mim, depois disso para adequar o cotidiano ao meu coro já limitado pelo vício, fui cedendo espaço, de convívio familiar, trabalho, lazer, ao consumo e a ressaca. Já não me alimentava com regularidade e perdia o interesse por tudo, não tinha hora para beber estando em casa. Minha filha olhava para mim e chorava, sem saber o que dizer ou fazer, chorava junto, como que querendo que ela com três anos, entendesse que o pai precisava beber. Todos me condenavam por eu ser fraco diante do vício, de não pensar na família e todo tipo de acusação, mas ninguém sabia indicar o caminho, e quanto maior as críticas, mais eu procurava a companhia do álcool. Não é nada gostoso mas faz bem lembrar o inferno que era minha vida, pois, com isso, cada vez mais reforço a vontade de não mais viver aquilo. Vida desordenada, família destruída, descrédito pessoal, convívio com a escória humana, que o vicio arranca de dentro de nós, meu Deus, a sensação de 109
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Jovens Sarados - Padre Léo fundo de poço é tão terrível que não sei se é difícil ou inconscientemente não queremos lembrar com precisão tudo que passamos. Cheguei a comunidade não acreditando em nada, pois era uma casa de acolhimento, não de recuperação. Nunca foi fácil, mas o convívio nos permite retirarmos as máscaras todas, especialmente a máscara que impedia de vermos nossos próprios defeitos. Hoje eu deito sabendo quem sou. O desregramento causado pelo vício, causa-nos sonhos mirabolantes. Ai não existe projetos, nada, apenas utopia. Mas o dia a dia de Bethânia foi lapidando o homem velho com muita dor foi saindo a mentira, a vaidade, superficialidade, e mais um cem número de defeitos de caráter, mas o interessante para mim foi que ao encarar as dores das podas, eu tinha a certeza que após as dores viria a compensação, não material, mas família reestruturada. Três filhos que Deus me deu, a possibilidade de conhecer pessoas que só me fizeram crescer e entender que tudo que o mundo oferece, eu também tenho aqui, só que mais puro, natural, de cara com Deus. Hoje olho o rastro que deixei desde 28 de março de 2000, em Bethânia e vejo que no resto de minha vida não produzi tanto, e descobri o quanto fui corajoso, pois Bethânia é para homens e mulheres fortes, que realmente desejam mudar de vida. Bethânia é uma inspiração de Deus, levada a termo pelo pai Léo, que pode mudar nossa vida, basta aceitarmos que só em Deus tudo é possível. Aceita? Você pode. Eu consegui.

José Gentil

De cara eu posso dizer que o que me trouxe para Bethânia foi a necessidade de ser amado, digo isso hoje, porque antes eu pensava que tinha vindo por causa da doença e da dependência. Hoje, percebo claramente que o que vim buscar aqui foi amor. Imagine alguém vivendo 17 anos nas drogas, na prostituição e no submundo, sendo que nos últimos quatro anos sem receber um abraço, sempre sendo evitado, lembrado sempre como um exemplo a não ser seguido. Imagine alguém sem referencia nenhuma... Sem ninguém a quem confiar, sem ninguém a quem chamar de amigo, cheio de complexos de culpa, inferioridade, rancor, sentimento de vingança, revolta, etc. Não, não foi a droga que me trouxe para Bethânia. Hoje percebo que embora conscientemente eu tivesse desistido de mim, inconscientemente eu clamava por cuidados, por carinho, por uma palavra amiga. Precisava de alguém que me dissesse que eu era amado, porque a primeira coisa que a droga fez foi me desumanizar, e eu precisava, urgentemente, voltar a ser humano. Na mais completa marginalidade, quando não estava internado em algum lugar, pedindo ou praticando alguns pequenos furtos para manter meu vício. Mas posso dizer que o meu maior sofrimento não era o fato de estar na rua, nem sequer o fato de minha família não acreditar mais em mim, isso eu resolvia, me drogando, mas, o que acabava comigo era o fato de saber que eu não tinha mais jeito, eu já tinha acreditado nisso e tinha parado de lutar. Entre uma viagem e outra (lombra) naqueles pequenos espaços de lucidez eu me pegava dizendo para mim mesmo: eu nunca vou ser alguém, nunca vou 110
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Jovens Sarados - Padre Léo dar certo. As pessoas e as situações já tinham me convencido disso, e não há coisa mais terrível na face da terra de não encontrarmos mais motivos para lutar, não há coisa mais terrível do que perder a capacidade de sonhar. E como se não bastasse, em 2002 eu descobri que era soropositivo e, em função disso, vivi mergulhado também num terrível complexo de culpa e autocondenação. Eu simplesmente não conseguia ver horizontes, não conseguia ver uma saída para aquela situação. Costumo dizer que eu era a hemorroíssa às avessas, porque ela, mesmo sofrendo todo tipo de marginalização, nunca parou de lutar pela cura, eu tinha desistido. Sendo assim, ver alguém passar para o outro lado da rua para não cruzar comigo, ou fechar imediatamente a porta do carro ao me aproximar, para mim era a coisa mais normal do mundo. Afinal de contas, quem era eu? ... Um drogado, um contaminado. E era nessa situação que eu vivia, sobretudo nos últimos quatro anos, antes de vir para Bethânia. Costumo dizer que sou o homem mais feliz da face da terra. E não digo isso de brincadeirinha. É verdade! É fato. Hoje, em Bethânia eu sou uma pessoa absolutamente realizada. Não a realização estática de ter chegado a um determinado ponto, não.... Mas a realização de morar no lugar que eu amo. A realização de finalmente ter encontrado um sentido para a minha vida. Tenho a graça de ter assumido Bethânia como a minha casa e nada me dá maior orgulho de que dizer que ou filho de Bethânia. Aqui no meu recanto costumo receber meus filhos com um abraço e olhando bem nos olhos deles, dizer com toda a força do meu coração: dessa vez vai dar certo, você vai ser muito feliz aqui. Só posso dizer isso porque pude experienciar essa verdade. Minha vida aqui está muito longe de ser enfadonha ou rotineira. Muito pelo contrário. Nenhum dia é igual ao outro. Tive a graça de aprender a saborear cada momento, de valorizar cada situação, cada gesto, sobretudo aqueles aparentemente simples e banais. Aqui eu, de fato, sinto o toque de Deus, na Eucaristia diária, no abraço que é único e irrepetível, na delicadeza da asa da borboleta, nos rostinhos lambuzados das crianças, nos olhos avermelhados de quem chega pedindo ajuda... Sim, é verdade. Deus está aqui. Ah, eu ia me esquecendo dizer que sou um sonhador, não um sonho alienante ou alienado, não. Mas sonho em voltar a estudar, em escrever lindas histórias de amor... Nossa, como é bom a gente ter uma meta, como é bom a gente ter uma causa que realmente vale a pena viver. Aqui em casa tem várias lagoas, pego-me muitas vezes sentado na beirada delas, apreciando o deslizar dos peixes e o nadar dos gansos, e converso com Deus: Meu Deus.... como sou feliz. Com muita delicadeza, sem que eu percebesse, tu fostes curando todas as minhas feridas, meus complexos, meus traumas, minhas culpas... Sem eu perceber tu curastes o meu coração, e assim, de coração curado e sorrindo muito, sonhando, mas com os pés no chão, acolhendo com um abraço cada filho e filha que Deus me envia, falando que tem jeito, celebrando cada minuto, cada gesto, cada situação e sendo o homem mais feliz de toda a terra, é o que é a minha vida em Bethânia. 111
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Jovens Sarados - Padre Léo Gosto de lembrar aos jovens aqui de casa da força que carregam dentro de si, dessa força dinamizante que, se bem direcionada é capaz de mudar o mundo e como o inimigo das nossas almas sabe disso, inventou mil e um artifícios para tirar a sua atenção e um deles é exatamente as drogas, o sexo errado, etc.... Para você que é jovem e gosta de emoções fortes eu te digo que a melhor viagem é a lucidez. Não existe coisa mais gostosa na terra do que ser careta... De que estar careta. Ser careta significa ser senhor de si, ser dono de seus atos, não ser escravo absolutamente de nada. Não, você não precisa usar droga nenhuma para potencializar sua coragem, ou para protestar. Lembrese que a força está contigo, o relógio do tempo está a teu favor, aproveite cada minuto desse tempo lindo. Aproveite tua força para ajudar quem precisa. Aproveite tua juventude para estudar, sonhar, namorar, servir, tomar sorvete, andar de bicicleta, rezar, sorrir. Jesus é jovem, você gosta de causas? Alie-se a ele e lute com ele pela causa de todos os tempos: a libertação do homem. Você gosta de levantar bandeiras? Alie-se a ele e levante a única bandeira que realmente vale a pena: a bandeira da paz, do perdão, do amor que é capaz de quebrar as amarras do ódio, da intolerância, da injustiça social. Acredite em você. Jesus acredita em você, o céu acredita em você, e permita-me partilhar um segredo, Jesus é o único suficiente porque só ele pode preencher os teus vazios e realizar os teus anseios e te dar a liberdade que tu tanto clamas: a liberdade de filho de Deus, amado, querido e desejado muito antes da fundação de todos os tempos.

Ana Luiza

Em momentos de crise, chegamos a um ponto em que sentimos a necessidade de valores e quando penso no que me trouxe a Bethânia percebo hoje que até então pouco a pouco ia perdendo esses valores. Progressivamente atribuía importância a determinados aspectos de minha vida que só geravam possessividade e egoísmo. A consequência é que permanecia dominada por atrações e desejos limitados como as drogas, paixões e consumo. Mas como é possível preencher o ilimitado como que é limitado? Uma criança órfã sente-se insegura e indesejada. Sem valores, sentia-me igual: tudo o que eu fazia era motivado pelo desejo de me sentir aceita e amada. Parecia que tinha tudo e ao mesmo tempo que não tinha nada. E embora não fosse uma contumaz usuária de drogas e vivesse o que era normal para os parâmetros do meio em que vivia, a cada dia me escravizava mais e mais às influências externas, potencializando minhas fraquezas e defeitos. Como que por perder a conexão com a única fonte eterna de amor, eu tomasse suporte de fontes temporárias, coisas e pessoas. O resultado é que eu permanecia sedenta de amor verdadeiro, ainda que fosse uma gota. Sem esse amor, continuava a vagar em angústia, buscando... 112
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Jovens Sarados - Padre Léo Vivendo na superficialidade nada era o suficiente em meu coração. Reinava a sensação de ter cada vez menos. “No entanto, uma só coisa é necessária; Maria escolheu a boa parte, que lhe não será tirada” (Lc 10,42). Viver em Bethânia, para mim é escolher a melhor parte. É viver aquilo que da vida não me será tirado. É trazer enlevo aquilo que parecia tão prosaico. Enquanto eu permanecia presa à superficialidade tudo o que hoje eu vivo e faço parecia-me comum e sem atrativos. No entanto, a experiência da vida plena, resgata a alegria da simplicidade. E quanto mais interiorizo o valor da simplicidade, mais consigo me libertar de pensamentos árduos e complicados, que me levam a vagar em território inútil e criam necessidades artificiais. Acordar cedo, orar,trabalhar, apreciar as pequenas coisas da vida,conviver com tantas coisas com intensidade com tantas pessoas diferentes e assumir as consequências dessa intensidade. Assistir a cada momento do desenvolvimento dos meus dois filhos, partilhar as refeições com tranqüilidade são exercícios de simplicidade que a vida em Bethânia me proporciona diariamente. E a dinâmica da simplicidade é maravilhosa, pois desenvolve em nós uma nova generosidade que é mais do que oferecer dinheiro ou posses materiais. É dar de si – acolhimento, amizade, paciência. Com delicadeza e abertura. A simplicidade nos ensina a ser claros e honestos em relação às nossas necessidades e promovem em nós a verdadeira independência e liberdade. “E sereis verdadeiramente livres” (Jo 8,36). Penso que nenhuma palavra seduz mais o jovem do que a liberdade. A liberdade sempre fascinou o jovem. O jovem sempre aspira à liberdade, porque ela promove uma experiência de liberação e uma sensação de não ter limites. Porem, nossa cultura propaga a falsa idéia de que liberdade é o ilimitado, poder para fazer o que quero, quando quero e para quem eu quero. E, ainda mais, a cultura nos reduz a consumidores que somente desejam ter o que querem, quando querem e com querer. Penso que nesse conceito errôneo de liberdade propagada e arraigada em nossa cultura, é que habita a maioria das nossas frustrações. O jovem precisa ampliar seu campo de visão para além daquilo que lhe é oferecido para entender que a verdadeira liberdade é a liberação das escravidões, criadas a partir de apegos do eu e seus sentidos; aos outros e as posses. E assim refletir uma natureza mais amável e menos dependente: seja ela das drogas, das coisas, das pessoas, ou de qualquer outra corrente que possa aprisioná-lo.

Daniel e Carla

Quando Deus pensou Bethânia, de certa forma nos enxergou lá, não no sentido de que a Comunidade não existiria sem nós. Bem a contrário, éramos nos que necessitaríamos de Bethânia. 113
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Jovens Sarados - Padre Léo E ao fazermos uma releitura de nossa história dentro da ótica do chamado, percebemos claramente o germe desse carisma do acolhimento, que, uma vez fecundados em nosso coração, antes de termos nascido veio desabrochar no desenrolar de nossa vida. Fomos criados dentro de um ambiente religioso, de famílias religiosas. Quando crianças estudávamos numa escola católica onde fomos também catequizados. Na pré-adolescência participávamos de um grupo de adolescentes. Como para a grande maioria dos jovens, tivemos as oportunidades de experimentar as várias sugestões atrativas a nossa juventude: estudo, amizade, namoro, sexo, festas e drogas. Como um jovem manterá pura a sua vida? Sendo fiel à vossa Palavra (cf. Sl 119), sendo assim passamos nossa juventude aproveitando o tempo livre entre trabalhos, estudos e família, nos dedicávamos à evangelização através das músicas e pregações nas escolas, encontros de final de semana, missa, podemos até dizer, educados para os valores do sagrado. E foi assim que estreitando os laços de amizade com esse Deus amor, amadurecemos nossa fé, e foi assim também , que estreitamos o laço de um sentimento apaixonado de um pelo outro que nos levou aos altares no dia 02 de dezembro de 2000. A participação assídua no grupo de oração, e de jovens, movia o nosso coração numa agitação inquieta. O grupo era realizado na capela de nosso bairro, onde mais tarde seria o trampolim para chegar em Bethânia. Nesse grupo nos chamava a atenção a forte presença de meninos e meninas usuários de drogas que ao som da música, nas batidas das palmas, e na alegria estampada no rosto daqueles que animavam aquele grupo despertava a curiosidade ou como não dizer, a sede de Deus que como nós também trazíamos. Alguns até nos procuravam para partilhar no final das reuniões, para nos pedir socorro e sem conhecimento profundo dessa doença destruidora e marginalizadora, buscávamos, através do diálogo indicar um novo caminho e como palavra final aquele insistente convite, volta no próximo encontro, o que era difícil acontecer. Não foram poucas as vezes que ao final da reunião saiamos dali mesmo pelas ruas e praças com violão nos ombros e o terço nas mãos. E uma esperança enorme de reencontrar as ovelhas perdidas. Não demorava muito e logo avistávamos um “grupinho de jovens” que, escondidos nas sombras da noite, e somente se identificavam pelas inebriantes conversas e gritarias ou pela brasa acesa. Por ali ficávamos na expectativa de lucrarmos alguns deles. Quando chegávamos em casa rezávamos por aqueles que não sabiam o que fazer de sua vida e por vezes nos perguntávamos. Porque a preocupação com essas pessoas que nem conhecemos e nem fazem parte de nossa vida? Mal sabíamos nós, que atrás dessas e outras perguntas transcendia uma vocação, um chamado. Sobre a orientação de amigos e irmãos, descobrimos que havia um padre que em sua comunidade trabalhava com pessoas vítimas das drogas e que poderia de forma concreta nos ajudar a discernir aquelas perguntas que no 114
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Jovens Sarados - Padre Léo silêncio do nosso coração gritavam sem cessar, e nos desinstalavam de nossas certezas e exigindo-nos respostas. E Deus nos falou. Foi uma conversa curta com o Pe. Léo, que, sem meias palavras nos disse: sai de tua terra e vai para onde o Senhor lhe mostrar. Um profeta não é aceito em sua pátria. Foi suficiente para nos devolver a paz, e ao mesmo tempo, provocou-nos a fazermos a experiência na Comunidade Bethânia. Revelava-se assim para nós o grande chamado do Senhor, que passava no mar de nossa história, e como a Pedro, André e Tiago, nos chamava a seguilo, para fazer de nós um casal de pescadores de homens, especialmente de filhos e filhas afogados no mar das drogas. Ainda estando em lua de mel, acolhemos o irrevogável chamado daquele que desde sempre nos chamou e viemos para fazer uma experiência que, a principio, seriam três meses. Isso já faz cinco anos. Com quatro meses de comunidade nos foi trazido um menino com apenas 10 anos, que os pais não tinham condições de cuidar e ficamos responsáveis por ele. Foi o primeiro marco de outros que Deus nos enviaria. Era um grande treinamento para todos os filhos e filhos que, doravante iríamos acolher. Sem contar também que o Senhor nos presenteou com dois filhos lindos, Daelton e Daelen. É impossível não sentir aquela mesma emoção e ação de Jesus que ao ver aquela multidão sentiu compaixão, porque pareciam ovelhas sem pastor. Assim são nossos filhos acolhidos que chegam até nossa casa com os olhos avermelhados pelas drogas ou pelas lágrimas, dizendo que ao buscar tudo na droga, tudo perdeu e por isso, perdeu-se. Mas em Bethânia não ficamos perdidos, somos todos resgatados por Jesus, na dignidade de ser humano. Nossa vida como consagrados tem sido um contínuo e constante presenciar milagres. Sem exagerar, podemos dizer que Bethânia é o céu antecipado. Quando vivemos em comunidade, partilhando a vida com alegria, deixando vir a tona o melhor de nós, sem medo, sem preconceito, com nossas fragilidades e limitações já estamos vivenciando a realidade do céu. Somos gratos a Deus por tanto amor para conosco. Agradecemos em especial nosso querido pai, Pe. Léo, por todo carinho, atenção e paciência para conosco, nos ensinando cada dia, a sermos melhores. Pedimos a Deus que cada dia mais e mais suscite vocações no meio de nossa juventude. Que abençoe cada um que dá o seu sim todos os dias, vivendo na doação e na dedicação ao próximo. E a todos os jovens, especialmente os marginalizados no meio da sociedade, que saibam que Deus os amou tanto que fez nascer Bethânia no seio da humanidade, para vocês. Não tenham medo de revolucionar a sua história, independente do que tenha vivido no passado, pois Jesus Cristo grita hoje para você que está no sepulcro das drogas ou prostituição, vem para fora, vem para a vida! Somos felizes por viver em Bethânia e nos sentir assim, necessitados desse amor misericordioso do Pai, quanto mais achamos que estamos ajudando é que somos ajudados. Estando em Bethânia temos a certeza de que nunca vamos estar prontos porque a cada dia aprendemos algo novo. 115
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Jovens Sarados - Padre Léo

Tatiana

Eu não era diferente da maioria dos jovens que acham que as coisas de Deus são muito radicais e difíceis de se viver. Nunca experimentei nenhum tipo de drogas. Apenas gostava de viver os prazeres passageiros deste mundo... Vivia na superficialidade e no consumismo, buscando ser feliz com as coisas de fora, mas nunca me satisfazia. Graças as orações insistentes de minha mãe, comecei lentamente a caminhada. Não queria compromisso com Deus, muito menos abrir mão das minhas vontades, sonhos e seguranças... queria segui-lo do meu jeito, nas minhas condições e em precisar passar pela porta estreita. Nunca imaginei servir a Deus. Com o tempo fui me aproximando mais Dele e conhecendo sua palavra – retiros, missas ... – Meu coração ficava inquieto e perturbado, me sentia morna e não tinha força para mudar. Em 1999 fiz meu primeiro retiro em Bethânia. Durante o retiro que falava do amor de Deus me senti no colo do próprio Jesus, especialmente no momento da confissão. Tive um encontro pessoal com o Senhor! A partir daquele dia comecei a perceber mudanças. Não consegui mais ficar longe de Bethânia. Nos rostos daqueles filhos sofridos contemplava o olhar do próprio Jesus. Comecei a rezar perguntando o que Ele queria de mim. Com isso a sede de Deus crescia e as coisas, antes tão importantes, perdiam o sentido e tornavam-se vazias. Já não me encontrava mais naquele mundo consumista, cheio de interesses egoístas, onde as pessoas se mascaravam e eram escravas. Ninguém se preocupava com santidade e salvação. Queria fazer algo que pudesse ajudar o reino de Deus. Não conseguia mais viver pensando só em mim. Me compadecia vendo muitos sofrendo com as injustiças, a falta de amor, o ódio... Em abril de 2001, participei do retiro de Semana Santa em Bethânia e fui muito tocada. No final me despedi com sensação de estar deixando a minha própria casa. Era como se já fizesse parte daquela família. Sai querendo ardentemente me doar em Bethânia. Esse era o chamado de Deus. Era o meu lugar, pois sentia a necessidade de estar ali me consumindo, doando meu amor, minha atenção e meu tempo. Fui para a casa determinada a voltar. Na semana seguinte escrevi uma carta e fui entrega-la ao Paulo César. No final dizia: quero gastar, o meu tempo, a minha vida nessa obra. Quero ser testemunha do amor de Deus, quero ser Bethânia! Deus fecundou meu coração com o carisma de Bethânia. Aquilo que parecia impossível tornou-se uma feliz realidade. Eu que não queria compromisso e radicalidade recebi de presente o dom precioso da entrega radical no celibato. Em Bethânia posso tocar o próprio Cristo que chega ferido e machucado necessitando do meu amor e acolhimento. Nessa experiência percebo 116
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Jovens Sarados - Padre Léo concretamente quanto Deus é louco de amor por nós. Não se importa com nosso pecado, Ele não desiste de nenhum de seus filhos. Vendo nossos filhos e filhas cheios de dons e talentos, com tanta sede do infinito, sendo restaurados dia após dia, meu coração se enche de entusiasmo e força para continuar. Não esqueço do dia, no começo de minha caminhada, que perguntei para meu pai, Pe. Léo, como poderia ajudar aqueles filhos, sendo que não tinha nenhuma experiência com drogas e vícios. Ele respondeu: Amando. Você tem que amar, só amar. Hoje compreendo que a única força capaz de mudar uma pessoa é o amor. É por isso que peço a Deus a graça de me transformar em amor, ser amor. A você jovem, que perdeu o sentido de sua vida, ou que ainda não o encontrou, ame, ame sem medidas. Deus é amor, nos diz São João e só o amor pode transformar, só o amor pode construir.

Douglas

Fui usuário de drogas durante cinco anos, nesse tempo perdi grande parte de minha adolescência e juventude, vivendo sem sentido, sem metas ou sonhos. Além de todo prejuízo físico que a droga traz, tem também o lado afetivo e espiritual, que ficou bem comprometido. Devido a essa vida inconseqüente que eu levava, nunca tinha tempo para Deus e para a família. Meu relacionamento com eles era de mentiras e interesses. Além disso, meu caráter foi bem mal formado, tanto que comecei a cometer pequenos furtos e num desses que começou o meu processo de conversão e restauração. Foi quando furtei o mercado onde trabalhava e fui preso em flagrante. A noite que passei na cadeia me serviu para refletir bastante no que estava se transformando a minha vida, e ainda posso ver os olhos inchados de minha mãe, de tanto chorar, e da noite mal dormida. E naquela manhã tomei a firme resolução de mudar de vida, dizendo para minha mãe e para mim mesmo: essa é a última decepção que dou para a senhora. A partir daí começamos a procurar ajuda encontrando em Bethânia o acolhimento e a ajuda que necessitava. E foi na manhã de 25 de dezembro de 1999 que Jesus, sendo o aniversariante, me presenteou com uma vaga no recanto da cidade de Curitiba. Em Bethânia Deus tem me curado não apenas da dependência química, bem como de todos os motivos e consequências do meu vicio, traumas, complexos, magoas, medos, como já foi dito. A droga é a ponta do iceberg. Os problemas interiores são bem maiores e difíceis de se tratar. Posso afirmar, com certeza, que Deus tem sido muito generoso comigo e a vida que tenho levado em Bethânia ao longo desses anos é bem melhor do que eu esperava e sonhava. Em Bethânia tenho todas as condições para ser feliz, tenho amigos, sinto com muito mais intensidade a presença de Deus em minha vida através das pequenas grandes coisas que ele realiza em mim e através de mim na comunidade, estou em constante processo de conversão, 117
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Jovens Sarados - Padre Léo amado, recebo e procuro dar carinho dentro das minhas limitações, sem falar nos presentes que recebo todos os dias, que são os filhos, através de suas partilhas me revelam e confiam seus corações e a própria vida. Termino emprestando as palavras de Almir Sater, que canta: cada um de nós compõe a sua história, cada ser em si carrega o dom de ser capaz..., essa é uma grande verdade que nos leva a tomar consciência de nossa responsabilidade como seres humanos. Então, mãos a obra, vamos bem escrever nossa história para conquistarmos nossa felicidade e a daqueles que conosco vivem.

Sandro

O que me trouxe para Bethânia, foi sem dúvida nenhuma a necessidade de mudar de vida, pois do jeito que me encontrava não dava mais. Estive preso por trafico, por alguns meses. Estava certo que permaneceria por doze anos na prisão. Então, um dia recebi a visita de um amigo que me fez uma proposta. Ele é advogado e me disse que se mudasse de vida conseguira me tirar da cadeia. Eu aceitei, saí da prisão mas não da escravidão das drogas. Queria parar, mas não conseguia. E minha consciência me acusava toda vez que me drogava. O compromisso que fiz com meu amigo advogado foi, talvez, o principal motivo que me trouxe a Bethânia. Antes de Bethânia, praticamente, eu só vegetava, pois já estava nas drogas há muito tempo. Foram 26 anos de dependência, e tudo o que eu fazia girava em torno das drogas. Durante o dia, fumava maconha, a noite bebia e cheirava ou injetava cocaína. Não tinha bons relacionamentos, vivia com medo de ser preso novamente, ou de encontrar com alguém para quem devesse dinheiro, era terrível, vivia sem paz. Meu pai não confiava mais em mim e isso me preocupava muito, pois pela educação que recebi de meus pais, aprendi a ama-los, e quando se perde a confiança de quem se ama, é terrível. Perde-se a paz. A gente fica como que sem chão, aéreo, e por causa das drogas, literalmente aéreo. Havia perdido totalmente o sentido da vida, eu que amava tanto a vida, a natureza, as pessoas, vi tudo isso se acabar por causa dos meus vícios. Era terrível. Em Bethânia, tenho vida plena, paz e alegria. Como consagrado Deus me deu a oportunidade, através da comunidade, de rever minha história e construir uma vida nova, hoje eu sou diferente do que eu era. É verdade. Mas, quem encontrou a paz, que só Deus nos dá, através de uma vida reta, de ajuda mútua, onde há perdão e amor. Apesar de não viver mais com minha família, hoje eles não saem mais do meu coração, pois Deus me ensinou a ama-los de verdade, e isto é recíproco. Jovem, não se deixe enganar pelas falsas alegrias que a bebida, cigarro, e drogas em geral podem proporcionar. Seja você mesmo. Procure viver em paz com as coisas simples da vida, valorize sua família, faça boas amizades, seja verdadeiro com seus familiares, e se possível freqüente uma igreja, pois Deus me salvou de muitas desgraças. Me tirou do fundo do poço e, com 118
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Jovens Sarados - Padre Léo certeza, se você estiver com Ele, muita coisa de ruim pode ser evitada antes de acontecer. Eu não sabia o quanto Deus é importante. Hoje posso lhes falar que ele é o que tem de mais importante em minha vida e eu não o troco por nada. Tenha fé. Vale a pena estar em Deus.

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