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Alvenarias

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  • 1. Finalidade das alvenarias e principais exigências
  • 2.1 - ALVENARIAS EXTERIORES
  • 2.2 - ALVENARIAS INTERIORES
  • 3.1 - ANÁLISE DO PROJECTO E PREPARAÇÃO PARA OBRA
  • 3.2 - INFLUÊNCIA DA PROGRAMAÇÃO DA EXECUÇÃO DAS ALVENARIAS NO PLANO DA
  • 3.3.1.1 – CARACTERÍSTICAS ESSENCIAIS DOS TIJOLOS CERÂMICOS:
  • 3.3.1.2 – VANTAGENS
  • 3.3.2 – CORRECTA EXECUÇÃO DE ALVENARIA DE TIJOLOS CERÂMICOS
  • 3.4.1 – TIPOS DE ARGAMASSAS
  • 3.4.2 - ESPECIFICAÇÕES QUE AS ARGAMASSAS DEVEM VERIFICAR
  • 3.5.1 - BLOCO DE BETÃO ESTRUTURAL
  • 3.5.2 - BLOCO DE BETÃO DE VEDAÇÃO
  • 3.5.3 - BLOCO CERÂMICO DE VEDAÇÃO
  • 3.5.4 - TIJOLO CERÂMICO MACIÇO
  • 3.5.5 - BLOCO SILICO-CALCÁREO
  • 3.5.6 – PERPIANHO
  • 3.5.7 – ACESSÓRIOS E ARMADURAS PARA ALVENARIAS
  • 3.5.8 - VANTAGENS DA UTILIZAÇÃO DO BETÃO ARMADO EM ALVENARIAS
  • 3.5.9 – MÃO-DE-OBRA
  • 3.6 – EQUIPAMENTOS PARA EXECUÇÃO DE ALVENARIAS
  • 3.8.1 - PROCEDIMENTOS DA RECEPÇÃO DOS MATERIAIS EM OBRA POR PARTE DA
  • 4.1.1 - ESTADO FRESCO
  • 4.1.2 - ESTADO ENDURECIDO
  • 5.1 - TAREFAS PRELIMINARES
  • 5.2 - TIPOS DE TIJOLOS MAIS USADOS NAS CONSTRUÇÕES EM PORTUGAL
  • 5.3.1 - CLASSIFICAÇÃO DO TIPO DE PAREDES (QUANTO À SUA FORMA DE
  • 5.3.2.1. ALVENARIA DE PEDRA
  • 5.3.2.2 – ALVENARIA DE TIJOLO CERÂMICO
  • 5.3.2.3 – ALVENARIA DE BLOCO CERÂMICO MACIÇO
  • 5.3.2.4 – ALVENARIA DE BLOCO CERÂMICO FURADOS
  • 5.3.2.5 - ALVENARIA DE BLOCOS AGLOMERADOS COM CIMENTO
  • 5.3.3.1 - PAREDE RESISTENTE DE ALVENARIA
  • 5.3.3.2 - PAREDE NÃO RESISTENTE DE ALVENARIA
  • 5.3.4.1 - MARCAÇÃO E 1ª FIADA
  • 5.3.4.2 - MARCAÇÃO EM ALTURA E NIVELAMENTO
  • 5.3.4.3.1 - MOLHAGEM PRÉVIA
  • 5.3.4.3.2 - JUNTAS E APARELHO
  • 5.3.4.3.3 – ASSENTAMENTO
  • 5.3.4.3.4.1 – ASSENTAMENTOS TRADICIONAIS E ESPECIAIS DE TIJOLOS MACIÇOS
  • 5.3.4.3.4.2 – TIPOS DE AMARRAÇÕES EM TIJOLOS
  • 5.3.4.3.5 - CORRECÇÃO DO POSICIONAMENTO
  • 5.3.4.3.6 - CUNHAIS
  • 5.3.4.3.7 – CALAFETAGEM OU ENCUNHAMENTO DAS PAREDES
  • 5.3.4.3.8 - VERIFICAÇÃO DO LEVANTAMENTO DE PAREDES
  • 5.3.4.4.1 – PAREDES DUPLAS
  • 5.3.4.4.2 – ANOMALIAS EM CAIXAS-DE-AR DE PAREDES DUPLAS
  • 5.3.4.5 - PAREDES EM PAVIMENTO TÉRREO OU EM CONTACTO COM O TERRENO
  • 5.3.4.6 - VÃOS E CORTE DE TIJOLO
  • 5.3.4.7 – ABERTURAS
  • 5.3.4.8 - ROÇOS PARA ALOJAMENTO DE CABOS E TUBAGENS
  • 5.3.4.9 – LINTÉIS
  • 5.3.5 – REVESTIMENTOS
  • 5.4.1.1 - MATERIAIS RÍGIDOS
  • 5.4.1.2. MATERIAIS FLEXÍVEIS
  • 5.4.1.3. MATERIAIS A GRANEL
  • 5.4.1.4 – VENTILAÇÃO DAS PAREDES DUPLAS
  • 5.4.2 - REVESTIMENTO DOS LINTÉIS
  • 5.5.1 – POSSÍVEIS PATOLOGIAS
  • 5.5.2 – CAUSAS PARA AS PATOLOGIAS
  • 5.5.3 – SOLUÇÕES PARA AS POSSÍVEIS PATOLOGIAS
  • 5.6.1 - ENQUADRAMENTO GERAL
  • 5.6.2 - RISCOS E CORRESPONDENTES ACÇÕES DE PREVENÇÃO
  • 5.6.3 - RISCOS RELATIVOS ÀS CONDIÇÕES DE TRABALHO
  • 5.7 - NORMAS

Alvenarias

Condições Técnicas de Execução

Série MATERIAIS

Versão provisória joão guerra martins 2009 (não revista)

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

Alvenarias  
A importância histórica da alvenaria, deve-se sobretudo ao facto de ser o principal material estrutural responsável pela habitabilidade dos abrigos construídos pelo homem e de ser a principal estrutura dos edifícios ao longo de 4000 anos de civilização. Desde o passado que a construção de abrigos permanentes para os humanos, evoluindo progressivamente até aos edifícios de hoje em dia, anda na maior parte das civilizações interligada sobretudo à alvenaria.

Sabemos que os edifícios são espaços habitáveis, concebidos e realizados fundamentalmente de acordo com exigências e tecnologias variáveis com os utentes, as épocas, os locais e os materiais disponíveis.

A subdivisão, ou mais simplesmente o “desmonte” de um edifício, pode ser feito de várias maneiras, sendo habitual considerar dois tópicos:

1. A subdivisão em órgãos, por analogia com o corpo humano, sendo esta divisão única estrutura, envolvente, compartimentação interior, instalações e divisões exteriores;

2. A subdivisão em componentes, desempenhando cada um deles uma ou mais funções: suportar, separar, isolar, etc. Sendo neste caso possível imaginar várias subdivisões em componentes.

As exigências dos utilizadores para as construções são variáveis com enumeras características, no entanto, as realizações construtivas humanas são a síntese de três critérios (engenharia, economia e estética), com importância relativa variável em diferentes obras, sendo no entanto a estética o elemento distintivo dos abrigos humanos do dos animais.

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Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

Definição de alvenaria Apresentam-se várias definições sobre este tema: •

As alvenarias são elementos discretos construídos de pedras ou blocos, naturais ou artificiais, ligadas entre si de modo estável pela combinação de juntas e interposição de argamassa ou somente por um desses meios;

Alvenaria é o termo que designa as paredes executadas com pedra, tijolo ou blocos de cimento e que, travados em sobreposição por meio de argamassas, servem para a execução de edifícios.

Alvenaria é o sistema construtivo de paredes e muros, ou obras semelhantes, executadas com pedras naturais, tijolos ou blocos unidos entre si com ou sem argamassa de ligação, em fiadas horizontais ou em camadas parecidas, que se repetem sobrepondo-se umas sobre as outras, formando um conjunto rígido e coeso.

Alvenaria é o conjunto de materiais pétreos, naturais ou artificiais, unidos entre si por meio de uma argamassa

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Estas redes implicam espaços mais amplos nas paredes interiores. sem que o sistema tradicional de construção tenha sido adoptado para o efeito. Das soluções tradicionais passámos à necessidade de prever instalações telefónicas em todos os compartimentos. redes de aquecimentos. Alvenarias 4 . serão refechados com argamassas sujeitas a processos de fissuração. iluminação decorativa e aumento do número de instalações sanitárias. assiste-se à sua demolição para a abertura de roços que posteriormente. várias tomadas por compartimento. bem como a quantidade dos aparelhos de comando ou de utilização no interior das habitações. de música ambiente. Após a execução das alvenarias interiores. habitualmente em tijolo.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II Introdução Nos últimos anos os traçados das redes internas das instalações técnicas aumentaram significativamente.

Durabilidade e facilidade de manutenção. vedações e protecção. Segurança ao fogo. Estabilidade. Proteger contra acções do meio externo. Segurança ao contacto. Estanquidade à água e ao ar. Finalidade das alvenarias e principais exigências Divisão. Alvenarias 5 . Estrutural: paredes que recebem esforços verticais (lajes e coberturas em construções não estruturadas) e horizontais (empuxo de terra). Resistência mecânica. Estética. Economia de facilidade construção. Isolamento acústico. Isolamento térmico.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II 1.

1 . no geral. deixando-se uma caixa-de-ar de 5cm.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II 2 – Tipos de alvenarias 2.ALVENARIAS EXTERIORES A espessura das paredes exteriores deve ser definida com muito rigor tendo em conta diversos condicionantes. Fig. nomeadamente no que diz respeito. à estrutura. isolamento térmico e ás caixas de estore.Caixa de estore Apesar da definição da espessura das paredes depender das condições particulares do projecto. 1 . as paredes exteriores são constituídas pelos seguintes elementos: Parede dupla. cujas dimensões variam de caso para caso (figura 1 ). Alvenarias 6 . com tijolo 30x20x15cm ou 30x20x11cm a aplicar pelo exterior e 30x20x11cm no interior. a qual deverá ser preenchida com um isolamento térmico – normalmente de 3 cm (figura 2).

Parede dupla Nas condições referidas a parede terá a espessura final de 35cm no limpo. sendo desejável a drenagem das caleiras para o exterior através de furos e tubos colocados na alvenaria exterior.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II Fig. Alvenarias 7 . Nas paredes expostas a Norte e decorrente do estudo do comportamento térmico. Na parte inferior da caixa-de-ar deverá ser executado uma caleira para recolha de eventuais águas provenientes de infiltrações ou de condensações. Recentemente foram introduzidas no mercado soluções de isolamento da caixa-de-ar através da projecção de poliestireno sobre a face interior da alvenaria exterior. 2 . poderá ser utilizada uma solução do tipo indicado na (figura 3).

a espessura das paredes separadoras e confinantes dos compartimentos que possuam tubagens de instalações especiais.Parede dupla exposta a Norte 2.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II Fig. A quantidade de roços é em número tão elevado que obriga à quase total reconstrução das paredes já executadas (figuras 4 e 5). tais como as cozinhas e as instalações sanitárias. deverão ser estudadas com muito rigor.ALVENARIAS INTERIORES Devido á necessidade de embeber as redes nas paredes interiores.2 . uma vez que as espessuras habitualmente apresentadas são insuficientes. Alvenarias 8 . 3 .

Alvenarias 9 . é a possibilidade das mesmas serem perfuradas pelos futuros utilizadores das habitações. Fixação dos batentes das portas. decorrentes da sua adequação funcional. 4 e 5 – Parede com roços Deverá ser estudada a compatibilização sistemática entre os projectos de arquitectura e das redes de esgotos.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II Fig. Fixação de móveis de cozinha. Colocação de toalheiros. Neste contexto destacam-se como frequentes as perfurações de tubagens nas situações seguintes: Instalações de esquentadores e de caldeiras mural. e que foi agravado pelo acréscimo das redes internas. de águas e eléctricas. tendo como objectivo garantir uma adequada espessura das paredes para comportarem as diferentes tubagens. Um dos aspectos relevantes a ter em conta. para evitar o seu encosto nas paredes.

quando se compara com sistemas com características acústicas equivalentes ao tijolo. Devido ao elevado número de redes e ao reduzido espaço para a sua passagem é recomendável a definição de critérios na instalação. permitindo um compromisso entre as novas exigências e soluções mais adequadas. também as divisórias leves irão ocupar o seu espaço. com destaque para as obras de reabilitação urbana. tendo em conta o exposto e. A questão que se coloca é ainda de custo. À semelhança do que se verifica noutros países da Europa desde há muitos anos.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II Fixação de candeeiros. Alvenarias 10 . tem vindo a ser introduzidos sistemas de divisórias interiores com revestimento a placas de gesso. em Portugal. a posterior comunicação aos utilizadores das fracções. tal como já sucede com os tectos falsos. mas. inevitavelmente.

Alvenarias 11 . Definição de equipas de trabalho e sua qualificação. armazenamento. em cada caso. Avaliação das exigências logísticas (aquisição de materiais. manutenção de equipamentos. (execução da estrutura. adaptados. acessórios especiais e equipamentos).). instalações técnicas. acabamentos. Avaliação dos meios necessários (mão-de-obra. Definição dos instrumentos de previsão e controlo da produtividade e custos.1 . Programação da sequência e duração das diversas tarefas (cronograma).). etc. Os principais aspectos a considerar no planeamento da execução das alvenarias são os seguintes: Quantificação global dos trabalhos. nomeadamente. ao volume e complexidade da obra. transporte e elevação.ANÁLISE DO PROJECTO E PREPARAÇÃO PARA OBRA O planeamento e a programação da execução de alvenarias devem obedecer aos mesmos princípios aplicados a outras actividades.Organização dos trabalhos 3.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II 3 . materiais. Definição de procedimentos de controlo de qualidade. etc.

depois do 6º para o 4º e assim sucessivamente. O revestimento só deverá ser efectuado no fim da construção integral das alvenarias. têm deformações imediatas sob a acção do seu próprio peso e dos elementos construtivos que suportam.INFLUÊNCIA OBRA DA PROGRAMAÇÃO DA EXECUÇÃO DAS ALVENARIAS NO PLANO DA Recomenda-se que se retarde o início das alvenarias e que se aguarde algum tempo ate à execução dos revestimentos. isto é. devido: À deformabilidade das estruturas sob acção das cargas. além destas deformações têm também.2 . começando do 3º para o 1º. porque o fecho superior destas – no remate à viga ou piso superior. de cima para baixo. quando todos os Alvenarias 12 . recomendando-se em alternativa a construção de piso sim. Recomenda-se ainda que nenhuma alvenaria seja fechada antes de decorridos 14 dias após a execução da última fiada. Uma alternativa é elevar as alvenarias conforme os pisos são concluídos. piso não. impossível. As alvenarias só deverão ser executadas depois de terminada a estrutura e por ordem inversa. mas deixando um espaço entre última fiada e o tecto (ou viga). Esta prática é em geral. por exemplo – só deve ser feito quando todas as alvenarias estiverem executadas ou pelo menos 50% destas. deformações posteriores a médio e longo prazo. À retracção das estruturas e das paredes.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II 3. As estruturas em geral e em particular as de betão armado. que virá a ser preenchida. e de preferência de cima para baixo. ou ainda.

/s. Som "claro" quando percutido. por exemplo). de modo que a carga estrutural nunca assente nas paredes. Fig. 3.3 – Materiais utilizados para execução de alvenarias 3.3. por uma argamassa deformável (à base de gesso.1 – CARACTERÍSTICAS ESSENCIAIS DOS TIJOLOS CERÂMICOS: Regularidade na forma e dimensões.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II pisos estiverem concluídos. Alvenarias 13 .1.3.1 – TIJOLOS CERÂMICOS 3. 6 e 7 – Exemplos de alternativas à execução das alvenarias a partir do último para o 1º Piso (X – alvenarias a executar depois da estrutura concluída). Arestas vivas e cantos resistentes.

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II Resistência suficiente para resistir esforços de compressão Ausência de fendas e cavidades. Homogeneidade da massa e cor uniforme. prumo e nível. a primeira fiada com argamassa e com o auxílio de linha. Aspectos mais uniformes. Facilidade no corte.2 – VANTAGENS Menor peso por unidade de volume. Nas extremidades da parede suspendem-se prumadas de guia. Pouca porosidade (baixa absorção). executando os cantos e. Executar todas as fiadas. 3.3. seguindo um fio de nylon nivelado de acordo com as prumadas-guia das extremidades. vertical. Economia de mão-de-obra. Economia de argamassa. Melhores isolantes térmicos e acústicos.4 – ARGAMASSAS Alvenarias 14 . controlando com o prumo e assentando os tijolos alternados. esquadro.3.2 – CORRECTA EXECUÇÃO DE ALVENARIA DE TIJOLOS CERÂMICOS Efectuar a "marcação" das paredes com base na planta baixa (arquitectónica) da edificação.1. Uma parede bem executada é plana. 3. arestas e cantos mais fortes. sem ondulações e necessita de pouca espessura de argamassa de revestimento 3. Diminuem a propagação da humidade. logo após.

Alvenarias 15 .1 – TIPOS DE ARGAMASSAS O projectista deverá seleccionar o tipo de argamassa em função dos requisitos mecânicos da alvenaria. maior retenção de água e adesão (aumentando a resistência à penetração da água). do tipo de material que a constitui. Para que se mantenha a trabalhabilidade deve-se acrescentar cal apagada ou plastificante. pelo menos. Uma vez que estas argamassas são em geral demasiado ricas para o assentamento de alvenarias. uma vez que asseguram a sua trabalhabilidade. Argamassas de cimento e cal – o emprego da cal apagada. As argamassas podem ser de duas origens. o ajuste da resistência pretendida não é fácil. Argamassas de cimento com aditivos plastificantes – os plastificantes. torna-se necessário reduzir a quantidade de ligante. conferem às argamassas maior trabalhabilidade. da exposição da fachada. uma vez que para dosagens fracas de cimento. as argamassas tornam-se “ásperas” e pouco trabalháveis. em substituição de parte do cimento Portland.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II 3. as argamassas pré-doseadas devem respeitar as condições constantes da norma “EN998-2”. introdutores de ar nas misturas de cimento e areia. De modo a que as argamassas possuam uma razoável trabalhabilidade torna-se necessária uma proporção de ligante e areia de. assim como um rápido desenvolvimento das suas características. 1:3. Argamassas pré-doseadas em fábrica e argamassas executadas em obra. são alternativas à adição da cal em argamassas fracas. Contudo. de reduzida espessura e leves. Segundo o “Eurocódigo 6”.4. da possibilidade da exposição ao gelo e das propriedades inerentes à sua composição. Segundo este documento as argamassas são de 3 tipos: de uso geral. Debate-se agora as características mais relevantes das diferentes argamassas: Argamassas de cimento – as argamassas de cimento Portland permitem resistências mecânicas elevadas.

Em geral não devem ser empregadas depois de uma hora de fabrico. As argamassas não devem ser utilizadas.5 – TIPOS DE BLOCOS E TIJOLOS MAIS UTILIZADOS 3. após se ter iniciado a presa. de endurecimento e de aceleramento ou retardamento da presa. Permite que as instalações eléctricas e hidráulicas fiquem embutidas já na fase de levantamento da alvenaria.2 . salvo nos casos de utilização de retardadores de presa.BLOCO DE BETÃO DE VEDAÇÃO Alvenarias 16 .5. 3. podendo ainda conter aditivos ou adjuvantes que lhes conferem propriedades hidrófugas.2 .ESPECIFICAÇÕES QUE AS ARGAMASSAS DEVEM VERIFICAR Sinteticamente.1 . não absorventes e que não provoquem a segregação dos materiais.5. 3.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II 3. são: As argamassas hidráulicas correntes são constituídas por uma mistura de ligantes. O seu fabrico pode ser por processos mecânicos ou manuais. inerte e água. Depois de fabricadas as argamassas deverão ser levadas para os locais de aplicação com o auxílio de meios de transporte limpos.4.BLOCO DE BETÃO ESTRUTURAL Aplicação em alvenaria estrutural armada e parcialmente armada. sendo contudo preferível a utilização de meios mecânicos.

5.5 . Também conhecidos como blocos de betão celular autoclavados. 3.BLOCO CERÂMICO DE VEDAÇÃO Deve-se procurar a modulação dos vãos. 3. Este é feito de cimento endurecido ao ar sem qualquer cozedura em forno.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II Para fechamento de vãos em prédios estruturados. Dimensões mais encontradas (cm): 9x19x19 e 9x19x29. apesar de ser mais fácil o corte neste tipo de bloco. e é usado para construção de paredes de fundações.3 . muros não de suporte e divisórias de distribuição Alvenarias 17 . curadas em autoclaves.4 .6 – PERPIANHO Bloco paralelepipédico que é.BLOCO SILICO-CALCÁREO Empregado como bloco estrutural ou de vedação.5. 3. Devem ser observados os vãos entre vigas e pilares. de modo a propor vãos modulados em função das dimensões dos blocos.5. Os tijolos maciços também são usados em alvenaria aparente. Devido às suas dimensões.TIJOLO CERÂMICO MACIÇO Empregado geralmente para alvenaria de vedação ou como estrutural para casas térreas. apenas utilizado por razões económicas em construção de casas individuais.5. 3. Mistura de cal e areia silicosa. hoje em dia. com vapor e alta pressão e temperatura. paredes de suporte. interiores e exteriores. Dimensões (cm): 5x10x20 aproximadamente. a produtividade da mão-de-obra na execução dos serviços é mais baixa.

8 .5. etc. devem ter uma protecção que assegure durabilidade contra corrosão. de fixação aos pilares. Este deverá ser protegido por pintura betuminosa ou por pintura de cromato de zinco (que deverá permanecer intacta durante o assentamento do acessório). obriga a que não exista contacto directo entre estes materiais e outros elementos em aço. As “BS5628”. é usual o emprego de armaduras e acessórios em aço inoxidável (AISI 314 ou AISI 316). Contudo. variando o diâmetro dos varões principais entre 4mm e 5mm. ocorrerá corrosão de origem galvânica. e ao corte dessas alvenarias.VANTAGENS DA UTILIZAÇÃO DO BETÃO ARMADO EM ALVENARIAS O betão armado é um material: Alvenarias 18 .. recorre-se em geral à galvanização quando os materiais são ferrosos. tais como o cobre ou o alumínio. em função do tipo de materiais que constituem os acessórios de fixação. Podem ser empregues no fabrico dos acessórios outros metais não ferrosos. não só da acção da humidade e das argamassas. As armaduras são normalmente comercializadas em forma de varões isolados ou em forma de treliça. o mesmo já não se passa com o alumínio. A introdução de armaduras nas juntas horizontais das alvenarias possibilitam o aumento da ductilidade e as capacidades resistentes à tracção. Em situações de maior agressividade do meio ambiente. com uma micragem suficiente para os defender. enquanto o cobre não é corroído pelo betão ou pelas argamassas ainda frescas. Se tal acontecer.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II 3. definem as características de protecção mínimas a que os mesmos deverão obedecer. são em geral. 3. mas também da eventual dobragem quando manuseados em obra. Para essa protecção.7 – ACESSÓRIOS E ARMADURAS PARA ALVENARIAS As armaduras para alvenarias e os acessórios usados para a execução de ancoragens de paredes. para além da resistência mecânica necessária. O emprego do cobre ou do alumínio. metálicos e.5. à flexão.

Devem ser especificados requisitos para a mão-de-obra que não sejam menos exigentes que as recomendações da ENV 1996-1-1. Categoria B ou Categoria C. 3. mas pelo contrário. o que consiste em ser uma vantagem em relação aos outros materiais. de Categoria A. O nível de execução deve ser especificado como sendo. Resistente às intempéries – Desde que o betão tenha sido bem executado (compacidade) e que as armaduras tenham sido dispostas a uma distância suficiente. é dependente do tempo pois se o incêndio durar muito tempo.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II Económico – A associação do aço e do betão permite resistir aos esforços de tracção e compressão. 3.5. Resistente ao fogo – O betão armado resiste relativamente bem aos incêndios da violência média.9 – MÃO-DE-OBRA Todos os trabalhos devem ser executados por pessoal devidamente qualificado e experiente. o betão armado resiste às intempéries sem a necessidade de manutenção. O empreiteiro deverá empregar pessoal devidamente qualificado e experiente para a direcção da obra. Utilização maleável – O betão armado presta-se a todas as formas possíveis de acordo com a confecção das cofragens.6 – EQUIPAMENTOS PARA EXECUÇÃO DE ALVENARIAS Alvenarias 19 . este corre o risco de se desmoronar. em ordem decrescente.

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II 3. se apresentam a uniformidade desejada e se não sofreram qualquer deterioração durante o transporte.8.7 – RECEPÇÃO E ARMAZENAMENTO DOS MATERIAIS EM OBRA A recepção dos materiais em obra destina-se a garantir e verificar se estes corresponde às exigências de projecto. Alvenarias 20 .

procedendo sempre que possível a uma análise granulométrica das mesmas (como se refere no parágrafo referente ao fabrico das argamassas). confirmando ainda que a produção dispõe da necessária certificação. são os seguintes: Verificação da integridade dos sacos de cimento (e outros ligantes) e de eventuais sinais de humidade que possam constituir indícios de que se deu o início da hidratação. etc. Os limites de aceitação devem corresponder aos que estiverem definidos na normalização aplicável e ás exigências estabelecidas no caderno de encargos do projecto.1 . Em obras especiais ou de maior envergadura podem estabelecer-se procedimentos laborais. no que diz respeito á qualidade e condições em que se encontra os materiais. necessários á execução de determinada obra. Verificação do aspecto do tijolo e de eventuais defeitos aparentes. Verificação da presença de ramos. Verificação do prazo de validade e da documentação técnica de produtos deterioráveis (adjuvantes.PROCEDIMENTOS FISCALIZAÇÃO DA RECEPÇÃO DOS MATERIAIS EM OBRA POR PARTE DA Os procedimentos normais por parte da fiscalização. 3.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II O controlo em obra é sobretudo visual e diz respeito às principais características dos materiais. folhas ou outros materiais indesejáveis (como por exemplo.8. argilas) nas areias.) bem como a integridade das suas embalagens. Alvenarias 21 .

os tijolos deverão ser protegidos da sujidade e não ficarem em contacto com solos húmidos e poluentes. apenas nas faces laterais No caso dos tijolos furados. protegido com filme plástico.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II Fig.Embalagem de tijolo em obra. Alvenarias 22 . ao serem armazenados no estaleiro. 8 .

a capacidade de unir os vários blocos ou tijolos. estas devem cumprir também as seguintes condições: As argamassas de assentamento das alvenarias serão realizadas com Cimento Portland Normal (CPN) e areia. ao traço 1:5. A sua aplicação deve respeitar sempre as indicações do fabricante e deverão estar adequadas aos diferentes tipos de trabalho. cal e areia. Depois de efectuados os testes. aos desempenhos das argamassas nos critérios acima referidos. À sua aderência.Fabrico das argamassas de assentamento As argamassas de assentamento têm como principais funções. temos que efectuar um estudo ás argamassas quanto: À sua capacidade de resistência à flexão e à compressão. À sua capacidade de retenção de água. ou ao traço 1:5:5 de CPN. Á trabalhabilidade. a distribuição uniforme das cargas verticais. a absorção de deformações. Para garantir estes desempenhos.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II 4 . a resistência a esforços laterais e a selagem das juntas contra a entrada de águas. As possíveis retracções. Alvenarias 23 . Ao seu módulo de elasticidade.

Deverá. assentes sobre um estrado com boa ventilação. após o seu fabrico. As argamassas devem ser utilizadas antes do início de presa.1 .VERIFICAÇÃO E CONTROLO DAS ARGAMASSAS 4. 4. tijolo ou betão estrutural. A espessura das massas de assentamento. de alvenarias de pedra. É de ter em atenção que na evolução de uma argamassa. existir um cuidado especial no aprovisionamento dos ligantes hidráulicos.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II A espessura dos leitos e juntas não deverá ser superior a 0.ESTADO FRESCO Alvenarias 24 . Se o fornecimento destes for em sacos. Os trabalhos de assentamento têm baixos consumos de argamassa (cerca de 10 a 15 litros de argamassa por m2 de alvenaria). para que não haja qualquer contaminação destes produtos. estas deverão estar convenientemente separadas e deve evitar-se qualquer tipo de contaminação.04m. Deve garantir-se que a pressão exercida sobre os sacos que ficarem debaixo não seja excessiva.1 . pelo que se deve considerar pequenos volumes. No caso de duas areias diferentes. Igualmente deve garantir-se que os adjuvantes se mantenham nos recipientes vindos de fábrica.01 m. um período de presa.02m e superiores a 0. estes deverão ser armazenados num espaço fechado. Deverá existir um especial cuidado no aprovisionamento das matérias-primas. também.1. e um posterior período de endurecimento. temos um período dormente. são variáveis de acordo com as peças mas nunca inferiores a 0. com o respectivo início e fim.

será difícil de aplicar e tornar-se mais porosa do que o desejável.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II O estado fresco de uma argamassa define-se pela sua trabalhabilidade.ESTADO ENDURECIDO Deverá proceder-se a uma recolha. que nos permite uma boa avaliação da trabalhabilidade de uma determinada argamassa. Uma argamassa que não possua boa trabalhabilidade. Determinação do módulo de elasticidade (dinâmico).2 . nomeadamente no que diz respeito á: Resistência à flexão. Alvenarias 25 . Resistência à compressão.1. Existe um aparelho de laboratório. a chamada mesa de espalhamento. Arranque (pull-off). Retracção. sendo esta a primeira característica e a introdutora de todas as outras. (flow-test). para fazer uma escolha racional dos produtos mais adequados. 4.

é necessário realizar diversas verificações preliminares: Verificar o estado da estrutura (geometria. entramos na fase de execução da alvenaria. propriamente dita. Verificar a necessidade de uma reparação pontual da estrutura. e se decorreram 3 dias após a eventual reparação. sendo a execução de alvenarias tem três etapas principais: Alvenarias 26 . Verificar se foram executadas todas as tarefas antecedentes previstas no plano de obra.TAREFAS PRELIMINARES Antes de se iniciar a execução das paredes de alvenaria.1 . Verificar se existem ferros de espera na estrutura para ligação das alvenarias (se estiverem previstos em projecto).Assentamento de tijolos 5. desempeno e alinhamentos). Verificar a limpeza e nivelamento dos pavimentos. Verificar se as peças de betão armado foram chapiscadas e se decorreram pelo menos 3 dias após essa operação. cujas tarefas e etapas são descritas nas alíneas seguinte. Verificar se estão implementadas as medidas de segurança colectivas necessárias à execução das alvenarias.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II 5 . Depois de se ter efectuado todas as verificações descritas anteriormente.

2 . 5. Estas tarefas devem ser intercaladas com diversos procedimentos de verificação e controlo.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II A marcação da primeira fiada.TIPOS DE TIJOLOS MAIS USADOS NAS CONSTRUÇÕES EM PORTUGAL Alvenarias 27 . A elevação da parede. Fecho (ou fixação).

e com ou sem junta longitudinal (existência de junta vertical preenchida no comprimento do bloco e localizada a meia espessura.3. Paredes duplas: Actualmente muito utilizadas na construção. podendo ser com junta horizontal continua ou descontinua na espessura da parede.3 – PAREDES DE ALVENARIA 5. e são classificadas como podendo ser: Paredes simples: São constituídas por um único pano de alvenaria. 9 – Formas e medidas dos tijolos mais usados em alvenarias 5.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II Fig. Paredes de face à vista: São constituídas por um ou dois tipos de unidades de alvenaria.CLASSIFICAÇÃO CONSTITUIÇÃO ) DO TIPO DE PAREDES (QUANTO À SUA FORMA DE As paredes podem ser classificadas pela sua forma de constituição de acordo com o EC6.1 . são constituídas por dois panos de alvenaria separados por caixa-de-ar e podendo ter ligadores metálicos de fixação de distância entre panos. Paredes compostas ou dois panos: Alvenarias 28 . em que o acabamento final de uma ou de ambas as faces é assegurado pelo próprio bloco.

Fig.1. ALVENARIA DE PEDRA Alvenarias 29 .3. Neste tipo de parede. é usual a fixação do pano de alvenaria ao pano de betão através de fixadores adequados.CLASSIFICAÇÃO CONSTITUEM) DO TIPO DE PAREDES (QUANTO AOS MATERIAIS QUE AS 5.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II São constituídas. por mais do que um material unidos entre si por argamassa podendo essa ligação ser reforçada por meio de ligador metálico. no sentido da sua espessura. Parede-cortina: É um tipo de parede constituído por dois panos.2. 10 .2 .3.Ilustração dos tipos de paredes atrás referidos 5. sendo um em alvenaria e outro em betão armado ou similar.

bem como.2 – ALVENARIA DE TIJOLO CERÂMICO Confeccionadas com blocos cerâmicos maciços ou furados. bem como. 5. permitem a saída de água pelos intervalos entre as pedras. areia e saibro. A argamassa destinada à alvenaria de pedra deve garantir a união das pedras. muros de arrimo e paredes. a alvenaria de blocos maciços aparentes. silos enterrados. cisternas para armazenamento d’ água. que no caso de não levarem argamassas. depende do tipo de tijolo. o consumo de argamassa para assentamento. fossas sépticas. O traço indicado como normal para alvenaria de pedra é 1:4 de cimento e areia grossa ou 1:2:2 de cimento. das suas dimensões e da forma de assentamento. nesse caso sempre argamassada. em que se haja necessidade de melhores características de resistência. É muito usada em muros de contenção de terra (muros de arrimo).3. revestimento de poços.2. Em edificações residências. sendo Alvenarias 30 .4 – ALVENARIA DE BLOCO CERÂMICO FURADOS São constituídas por paredes executadas com blocos cerâmicos furados que proporcionam paredes mais económicas.3. mantendo a mesma resistência das aglomeradas. A alvenaria de pedra pode também ser de pedra aparelhada. O consumo de tijolo por m² de alvenaria. devido exigir mão-de-obra especializada e cara. de agradável visual. por apresentarem custo inferior ao do maciço. permite a obtenção de composições arquitectónicas de ambientes rústicos. sendo menos usada.2.3 – ALVENARIA DE BLOCO CERÂMICO MACIÇO São indicados para fundações em baldrames.2.3. externas ou internas. são as mais utilizadas nas construções de um modo geral.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II A alvenaria de pedras pode ser de pedra bruta com ou sem argamassa. 5. 5. possuindo geralmente a forma de paralelepípedo e chamadas de alvenaria de cantaria.

1 . ou de contenção.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II maiores e mais leves. 5. Paredes armadas: São normalmente definidas como paredes principais (ou parede mestra) destinadas a resistir a esforços verticais e horizontais.ALVENARIA DE BLOCOS AGLOMERADOS COM CIMENTO A alvenaria de blocos de concreto quando ao aspecto económico. pode-se comparar aos tijolos cerâmicos furados.5 . possibilitando com isso rapidez na execução. constituída pela solidarização. rectilínea ou curvilínea. podem dispor-se de armaduras verticais (através de furação vertical nos blocos preenchidos posteriormente com argamassa ou em alinhamentos verticais de células para colocação de armaduras especificas envolvidas em argamassa) e/ou de armaduras horizontais (embutidas na argamassa de assentamento de fiadas de blocos e destinadas para o efeito).2. dependendo da região. De acordo com a função estrutural que desempenham. o emboço como revestimento.3. de um conjunto de elementos resistentes (unidades de alvenaria) e que podem integrar elementos de reforço de outra natureza (varões metálicos. 5. Alvenarias 31 . se desejarmos. dispensando até. Na sua constituição. propiciam maior rapidez de execução. ligadores ou outros).3. ou soluções mistas. confinadas.3. Estes blocos são mais resistentes e maiores que os cerâmicos. por meio de um ligante (argamassa).3 .3. devido ao ar que permanece aprisionado no interior dos seus furos. as paredes podem ser classificadas como paredes armadas.CLASSIFICAÇÃO DA FUNÇÃO ESTRUTURAL DE PAREDES 5. Os blocos furados têm também um bom comportamento quanto ao isolamento térmico e acústico.PAREDE RESISTENTE DE ALVENARIA Define-se como sendo uma componente estrutural contínua vertical. não armadas.

Estes elementos de confinamento são executados em simultâneo com a alvenaria podendo ser embutidos no interior da alvenaria ou executados com recurso a cofragem ficando com faces de acabamento à vista. horizontais e verticais.3. É frequente a execução de cintas armadas no topo de cada painel de parede com o objectivo de garantir a ligação entre as paredes e as lajes que nelas se apoiam.2 . É viável a solução mista de paredes confinadas reforçadas com armaduras especificas colocadas nas juntas horizontais e/ou nas juntas verticais de assentamento. Paredes de contenção Devem garantir a resistência à flexão bem como suportar acções verticais provenientes do peso de paredes ou de lajes superiores. 5.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II Neste tipo de paredes a colocação de armaduras é feita através de uma distribuição uniforme.PAREDE NÃO RESISTENTE DE ALVENARIA Alvenarias 32 . Paredes confinadas: São normalmente concebidas com funções de resistência conjunta do pano de alvenaria e de elementos armados de confinamento. Paredes não armadas: Têm normalmente uma definição de contraventamento das paredes principais. Nestas paredes a colocação de armaduras de confinamento é feita através de alinhamentos espaçados.3. não tendo por isso uma distribuição homogénea conforme se verifica nas paredes armadas. podendo ser dimensionadas para resistir a acções horizontais no seu próprio plano.

etc. Na realização desta marcação (em planta). aplica-se uma fina camada de argamassa de cimento e areia (com largura compatível com a espessura da parede a marcar). duas vezes. Para estruturas de alvenaria. na mesma fiada. perpendicularmente à face da parede. 5. no caso de o tijolo ser assente com a sua menor dimensão. estas paredes devem desempenhar uma função similar devendo no entanto assegurar-se limites geométricos para caracterização da sua esbelteza e garantia de suporte do seu próprio peso. (largura ou comprimento).MARCAÇÃO E 1ª FIADA Depois de se ter verificado (ou corrigido) o nivelamento do pavimento (térreo ou elevado).LEVANTAMENTO DE PAREDES EM ZONA CORRENTE A espessura da alvenaria é definida pela dimensão do tijolo.4 .3. com uma régua de 2 metros. alçados e cortes).3. a meia vez e a uma vez. na qual é implantada em primeiro lugar os ângulos (geralmente esquadrias). têm sido vulgarmente utilizadas paredes simples como elemento de definição de divisórias interiores e de enchimento de estruturas reticuladas de betão armado ou mesmo de estruturas metálicas. Assim. A combinação do posicionamento de dois tijolos. em função deste posicionamento.1 . paredes a um quarto de vez. 5. Alvenarias 33 . e de seguida os alinhamentos rectos (ou curvos) e a localização das aberturas (estas têm uma tolerância de + 5 mm). medida perpendicularmente ao paramento vertical da parede. as paredes podem designar-se.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II Até hoje. marca-se as paredes de acordo com o projecto de execução (plantas. no que se refere á espessura em.4. conduz a paredes de uma vez e meia.

11 . padieira dos vãos e pelo pé-direito da parede. quer por utilização de uma régua ou por um riscador de aço. Fig. recorre-se ao uso das “fasquias” nas quais são marcadas as fiadas de tijolo a realizar. A ortogonalidade das paredes pode ser verificada com um esquadro rígido. O “cordel” esticado entre fasquias permite uma constante verificação do nivelamento pretendido das juntas horizontais.MARCAÇÃO EM ALTURA E NIVELAMENTO Realizada a 1ª fiada.2 .Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II Os ângulos são geralmente marcados com o assentamento de 2 tijolos. Esta divisão em altura. sendo esta condicionada pela altura dos peitoris das janelas. a sistemática Alvenarias 34 . que também visa minimizar o número de fiadas a realizar com tijolos cortados.3. e não deve apresentar desvios superiores a 2 mm/m. torna-se necessária a marcação em altura da parede de modo a garantir a horizontalidade das fiadas e a verticalidade do paramento. a partir dos quais são traçados os restantes alinhamentos no pavimento.Marcação e 1ª fiada de paredes simples no interior 5.4. e com o auxílio do fio-de-prumo. quer este seja efectuado por "batimento" de um fio pigmentado bem esticado. é realizada por tentativas sucessivas com a fita ou com o compasso. Para tal.

Alvenarias 35 . Esta por sua vez. Este procedimento facilita e melhora os tempos de execução. Fig.3.3 . 5.4. (não dispensa o uso do nível e do fio de prumo) e garante ainda a correcta interligação das fiadas na junção de duas paredes. torna-se desagregável.1 .Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II verificação da verticalidade do pano da parede. num dia de trabalho não deve ser executada uma altura superior a 1. devem ser molhados. Verificação de aprumo a alinhamento de uma parede.4. antes de serem assentes. Quando não é efectuada uma molhagem previa aos tijolos. sem a água necessária.MOLHAGEM PRÉVIA Os tijolos.ELEVAÇÃO DA PAREDE 5.60 m de parede. Face ao peso próprio da alvenaria e ao ritmo de presa da argamassa. o que corresponde a cerca de 4 fiadas por período de trabalho (meio dia).3.3. em vez de adquirir a dureza necessária. estes absorvem parte da água da amassadura da argamassa.12.

excepto se especificado de outro modo. 5.3. A porosidade excessiva. Fig.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II A melhor aderência entre os tijolos e a argamassa obtêm-se com teores médios. em geral.13 . As juntas devem ter espessura e aparência uniformes.JUNTAS E APARELHO As juntas devem ser executadas tal como especificado no projecto. drenagem ou assentamento por faixas (juntas descontínuas). como se referiu.2 . sendo recomendado o uso de retentores de água nas argamassas de assentamento.4. Alvenarias 36 . porque pode retirar água em excesso da argamassa. as faces contíguas das unidades de alvenaria devem ser firmemente encostadas. para qualquer espessura de parede. para ventilação. também é prejudicial. obriga à molhagem prévia (de reparar o excesso de argamassa na base dos tijolos). Quando especificado. deve ser realizado de modo que as juntas verticais e horizontais (no caso de paredes com espessura superior a uma vez) fiquem desencontradas a pelo menos 1/3 do comprimento do tijolo (“matar a junta”). Quando for especificado que as juntas transversais não são preenchidas. que seria necessária para as reacções de hidratação.3.Aspecto da capacidade de absorção do tijolo que. O assentamento de tijolos. por exemplo. as juntas podem permanecer abertas.

14 – Juntas de argamassa A forma do acabamento das juntas pode influenciar na qualidade e na durabilidade das alvenarias.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II As juntas. entre muitos outros problemas.3 – ASSENTAMENTO O assentamento de tijolos deve verificar as seguintes condições: Alvenarias 37 . retenção de poeira.3.Exemplo de juntas 5. devem ser realizadas com argamassas pouco consistentes. com espessura final de cerca de 10 mm.3. estática. de modo a preencher completamente o intervalo entre os tijolos. Figura15 . as juntas recomendadas (R) inclusivamente algumas não recomendadas.4. são ilustradas mais abaixo. formação de musgo. 1.5cm 1 cm Fig. pois podem causar problemas graves como infiltração de humidade. Os tipos de juntas mais frequentes.

esfregado e percutido pelo maço (ou cabo da colher) de modo a que a argamassa possa refluir pelas juntas. dependendo do ritmo de aplicação e das condições climatéricas. criando o leito de assentamento. de cada vez. O espalhamento da argamassa na junta horizontal. Com o tempo seco severo é preferível a aplicação da argamassa tijolo a tijolo. de modo a recolher a argamassa em excesso que reflui das juntas. O tijolo deve ser ligeiramente carregado. para evitar a sua dessecação precoce e a diminuição de trabalhabilidade. Durante o assentamento. Esta argamassa excedente é imediatamente retirada da face do tijolo (raspada com a colher) e aproveitada para o assentamento do tijolo seguinte.3. o desempeno dessa superfície.4 – PROCESSOS DE ASSENTAMENTO DE TIJOLOS MACIÇOS Alvenarias 38 . deve ser permanentemente controlado o acabamento das juntas na face oposta à face de trabalho do operário. Pode abranger. garantindo. o comprimento de um ou mais tijolos. O fecho superior das paredes contra a laje ou viga deve ser feito alguns dias depois (como já referido).Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II Cada tijolo deve ser assente sobre o leito de argamassa colocada na fia inferior (junta horizontal) levando no seu topo uma “chapada” de argamassa distribuída à colher (junta vertical). deste modo. 5.4.3. Após cada dia de trabalho as paredes devem ser protegidas com filme plástico para evitar uma secagem demasiado rápida ou para as resguardar da chuva.

16 – Métodos para assentamento de tijolos maciços 5.4.1 – ASSENTAMENTOS TRADICIONAIS E ESPECIAIS DE TIJOLOS MACIÇOS a chato 1/2 vez a chato 1 vez Ajuste Fileira ímpar em planta Para paredes de 22 a 25 cm de espessura Ajuste Fileira par em planta Fig.17 – Ajuste normal de tijolos maciços Alvenarias 39 .4.3.3.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II Argamassa aplicada no tijolo com a colher Argamassa rebatida com a colher Argamassa abundante 1º método 2º método Fig.

19 – Ajuste francês de tijolos maciços Alvenarias 40 . 18 – Ajuste inglês ou gótico de tijolos maciços Fileira ímpar em planta Para paredes de 34 a 38 cm de espessura Ajuste francês Fileira par em planta Fig.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II Fileira ímpar em planta Para paredes de 22 a 25 cm de espessura Ajuste inglês ou gótico Fileira par em planta Fig.

4.4.3. 20 – Ajuste inglês ou gótico de tijolos maciços Fiada par Fiada ímpar Para pilares de 25x25 cm Fiada par Fiada ímpar Para pilares de 38x38 cm Fiada par Fiada ímpar Para pilares de 50x50 cm Ajuste de pilares de tijolos maciços Fig.2 – TIPOS DE AMARRAÇÕES EM TIJOLOS Alvenarias 41 .Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II Fileira ímpar em planta Para paredes de 34 a 38 cm de espessura Fileira par em planta Ajuste inglês ou gótico Fig. 21 – Ajuste em pilares para tijolos maciços 5.3.

Os esquemas também são válidos para outros tipos de tijolos cerâmicos ou blocos de concreto.parede de 1/2 vez Cruzamento . nas figuras. A seguir. são mostrados os tipos de amarrações mais comuns para tijolos maciços ou de dois furos. 22 – Tipos de amarrações Alvenarias 42 .parede de 1/2 vez 2ª fiada 1ª fiada Parede de meia vez em paredes de uma vez Fig.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II Consideram-se alvenarias amarradas as que apresentam juntas verticais descontínuas. 1ª fiada 2ª fiada 1ª fiada 2ª fiada Em T .

23 – Amarrações em cantos Parede de espelho (cutelo) Parede de meio tijolo Parede de um tijolo Parede de um tijolo e meio Fig.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II 2ª fiada 1ª fiada Parede de meia vez 1ª fiada 2ª fiada Canto em parede de meia vez 2ª fiada 1ª fiada Parede de uma vez 2ª fiada 1ª fiada Canto em parede de uma vez Fig. 24 – Tipos de paredes Alvenarias 43 .

para permitir um adequado travamento. podem aplicar-se grampos metálicos na junta horizontal de forma a ligar as duas paredes. Quando se pretender uma maior rigidez da ligação. é fundamental que o tijolo não fique com furos voltados para o exterior. ao alto (furação na vertical) cortado para as dimensões convenientes.3. pode usar-se o tijolo furado corrente. mas sempre devidamente travado.). resistência à passagem da água. A tentativa de bascular o tijolo em torno do seu eixo longitudinal. para obter a verticalidade. ombreiras e outras extremidades de parede em contacto com o exterior.3. Alvenarias 44 .Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II 5. ou eventual percussão acidental depois do assentamento.4. Nos cunhais. usando-se para tal meio tijolo ou três quartos de tijolo para se conseguir o desencontro vertical das juntas.4. deve ser corrigido mediante o levantamento do tijolo. retirando completamente a argamassa das juntas e tornando a executar a operação com argamassa fresca.6 .CUNHAIS Nos cunhais e ângulos das paredes deverá existir um cuidado especial de modo que os tijolos fiquem bem travados entre si. etc. conduzem com frequência ao abaulamento transversal da junta da argamassa. isolamento térmico e acústico. 5. reduzindo o desempenho da junta (resistência. Na ausência de tijolos de formato especial para estas situações. como nos resultantes cruzamentos de paredes é muito vantajoso que as fiadas das duas direcções estejam niveladas.CORRECÇÃO DO POSICIONAMENTO Qualquer erro no posicionamento inicial do tijolo que não possa ser corrigido com ligeira percussão.5 . Nos cunhais das paredes de fachada.3.3.

-Figura 26 e 27 – Encunhamento de parede Alvenarias 45 . é impossível montar a divisória para que esta chegue ao tecto.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II Fig.7 – CALAFETAGEM OU ENCUNHAMENTO DAS PAREDES Sejam quais forem as dimensões dos tijolos utilizados. Nesse caso.Cunhal mal executado e esquema do princípio para uma correcta execução. 5. tal operação designa-se por calafetagem ou encunhamento das paredes (Figura 24) e que consiste em tapar esse espaço com gesso.3. 25 .3. a calafetagem feita apenas de gesso irá originar o risco de fendilhação quando este começar a adquirir presa. Se o espaço entre a parte superior da divisória e o tecto for muito grande.4. Ficará sempre um espaço vazio que necessita de ser ocupado. será necessário incorporar bocados de tijolos ou gravilha com junção de cimento.

que é uma argamassa pronta.VERIFICAÇÃO DO LEVANTAMENTO DE PAREDES Terminada a execução de cada pano de parede é necessário proceder ás seguintes verificações: Alinhamento da parede com as paredes confinantes do mesmo piso e com a estrutura. ocupando o espaço vazio.3. Figura 28 – Encunhamento com cimento expansor 5. cujo adicionamento de água permite sua expansão. Dimensão das juntas horizontais (tolerância da ordem de 3mm).Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II A prática anterior. em particular nas fachadas. Alvenarias 46 . Aspecto geral das juntas (sem rebarbas. Uma delas é a utilização de cimento expansor. contudo. sem irregularidades e com espaçamento regular).8 . à base de cimento.3. tem sido substituída pelo uso de novos materiais e também técnicas que oferecem melhor rendimento.4. Alinhamento com as paredes dos outros pisos.

Existem numerosos tipos de paredes duplas. e conduzi-las ao exterior. Os tubos de drenagem devem recolher as águas do fundo da caleira. que deve ter a inclinação e impermeabilização adequadas. com as seguintes particularidades: A primeira operação corresponde à marcação dos 2 panos de alvenaria a que se segue a execução da 18 fiada interior.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II Completo preenchimento das juntas verticais de ligação à estrutura de betão armado. A presença de uma caixa-de-ar fornece à parede qualidades de isolamento térmico e de luta contra a humidade. com uma saliência em relação ao revestimento final não inferior a 15mm.4. Face à eventual Alvenarias 47 . aprumo). com aplicação de tubos de drenagem (em plástico) salientes para o exterior (espaçados em cerca de 2 metros). A seguir executa-se a meia cana ou caleira que remata o fundo da caixa-de-ar e assentase a 18 fiada exterior. Confirmação das características necessárias à aplicação do revestimento previsto (porosidade.4.3. Devem ser adoptadas as mesmas medidas e precauções descritas para as paredes simples.1 – PAREDES DUPLAS As paredes duplas são definidas como duas paredes separadas por uma caixa de ar. 5. embora essa técina seja sobretudo utilizada no caso dos tijolos maciços e furados ou numa solução mista que recorre à utilização de ambos os tipos de tijolos. paredes essas que são de alvenaria e compostas por elementos cuja espessura bruta é superior a 10cm e inferior ou igual a 20cm. rugosidade.

sem que estes atinjam a caldeira. depois de executada a parede exterior e limpa a caixa-dear. suspensa. para posterior alinhamento por corte. 29 .Parede dupla com placas isolantes encostadas ao pano interior Alvenarias 48 . para se poder proceder à limpeza: Protecção da caldeira com forra de papel. Fig. Utilização de uma régua horizontal. Execução da parede interior.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II incerteza relativa à espessura dos revestimentos. com a largura da caixa-de-ar. a retirar posteriormente por aberturas provisórias na 1ª ou 2ª fiada exteriores. que vai recolher os restos de argamassa que caem na caixa-de-ar. No caso de paredes duplas envolventes deverá sempre recordar-se o facto de que a face da parede resultante é mais “cuidada” do lado que o operário está a trabalhar. de encontro ao isolante térmico rígido contínuo que protege a caixa-de-ar. A execução das paredes duplas devem ter em conta os seguintes aspectos. ficando bem aprumada deste lado e com algumas irregularidades do outro. os tubos devem ficar mais compridos.

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II Fig.31 e 32 . 30 – Caixa-de-ar com isolante. obstruídas e com isolante mal posicionado (situações não recomendadas) Figs.Caldeira do fundo da caixa-de-ar Alvenarias 49 .Tubos de drenagem da caixa de ar Fig. 33 .

com eventual contacto entre as “rebarbas” de argamassa das juntas de assentamento dos 2 panos. que contactem com o terreno.5 .PAREDES EM PAVIMENTO TÉRREO OU EM CONTACTO COM O TERRENO As paredes de alvenaria devem ser assentes sobre base rígida e indeformável no tempo. sem a posterior limpeza.4. (iv) largura insuficiente ou excessiva. 5. quando construídas sobre o terreno.3. (iii) obstrução da caleira resultante da acumulação de detritos durante a construção. ou outros elementos do betão armado. em particular quando o nível freático é elevado ou existem condições favoráveis à infiltração no solo junto às paredes.4.4. e de eventuais lintéis de reforço quando executadas sobre pavimento térreo. (ii) inexistência de caleira ou deficiente execução da mesma (superfície não alisada.4. devem ser impermeabilizadas em todas as superfícies em contacto com o terreno. Esta barreira deve ser colocada numa das primeiras fiadas acima do terreno. devem ser objecto da colocação de uma barreira contra a humidade ascensional. 5. falta de curvatura e pendente para os tubos de drenagem). sua inadequação ou colocação deficiente. razão pela qual é necessário a criação de lintéis ou sapatas contínuas. As paredes em contacto com o terreno ou com sapatas. As paredes enterradas.3. (v) inexistência de tubos de drenagem.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II 5.VÃOS E CORTE DE TIJOLO Alvenarias 50 .6 .2 – ANOMALIAS EM CAIXAS-DE-AR DE PAREDES DUPLAS A caixa-de-ar de paredes duplas apresenta frequentemente diversas anomalias que impedem o seu adequado desempenho: (i) irregularidade das superfícies.3.

O contorno vertical dos vãos (ombreiras) é portanto uma zona a ser executada com especial cuidado.3. se não formada por um lintel de betão. Alvenarias 51 . ao mesmo tempo que terão de ser rigidamente fixadas. permitindo o total desempeno da face de corte. para além da necessidade de respeitar formas adequadas. há que prever a concentração de cargas transmitidas pelos lintéis ou arcos de ressalva desses vãos. isto é. deve constituir a última junta vertical interior e não a ligação ou extremidade. como ainda têm de ser “aliviadas” e protegidas contra qualquer hipótese de transmissão de cargas.4. evitando posteriores demolições ou enchimentos. Quer na ligação às estruturas de betão armado. quer nos vãos.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II O corte de tijolo pode ser feito manualmente com pequenos golpes de martelo ou por meios mecânicos (serra circular com arrefecimento a água). quer seja ou não guarnecida com cantaria. A verga. Na execução de vãos devem usar-se moldes ou pré-aros indeformáveis que permitam a execução da parede nas dimensões exactas.7 – ABERTURAS Quando é necessário interromper a parede de alvenaria para dar lugar a vãos de porta ou janela. deverá ser protegida por um arco de alvenaria. deve cuidar-se ainda mais do travamento e da rigidez do conjunto. Há também que ter em conta que as cantarias de guarnecimento não só não participam na resistência da parede. mais rentáveis e com menor desperdício de material. o topo cortado deve ficar voltado para o interior da parede. porquanto. aliviado também da verga de cantaria. 5.

Simultaneamente. com a preparação da alvenaria para os receber. sem deteriorar os tijolos e juntas confinantes.4. o contacto directo com as pedras. De novo se vão acrescentando fiadas de alvenaria até se atingir a altura desejada. O planeamento dos traçados e a sua marcação devem ser rigorosos e a abertura limitada ao mínimo indispensável. Alvenarias 52 . os cuidados terão de ser ainda maiores e a ordem de execução de trabalhos terá de obedecer a fases que garantam o bom comportamento dos elementos intervenientes e a conveniente rigidez. Em paredes de espessura reduzida deve evitar-se a execução de roços.ROÇOS PARA ALOJAMENTO DE CABOS E TUBAGENS As tubagens embutidas nas paredes só deverão ser executadas aquelas que estão previstas no projecto. Os arcos começam ainda antes de se iniciar a volta. evitando-se no entanto. É nessa altura que se colocam os moldes (cimbres) de madeira. 5. em particular se não forem verticais. guarnece-se o cimbre com as aduelas do arco até 1/3 da altura total. acompanhando-se com as fiadas de alvenaria bastantes para garantia da estabilidade das aduelas assentes. tão robustos quanto necessários para suportar o peso da argola resistente antes de receber a pedra de fecho. incluindo as zonas de cruzamento e atravessamento. assentam-se as restantes aduelas rematando com a pedra de fecho. A argamassa entre as pedras da aduela deve ser a mínima necessária a um aperto equilibrado. encastrando e acompanhando bem esta alvenaria contra a aduela do arco. de ambos os lados.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II Quando sobre os vãos devam existir arcos para ficarem à vista ou não.8 . e ainda simultaneamente.3. Depois disto.

janelas e porta-janelas). enquanto na parte inferior obriga a trabalhar à tracção. e como nós sabemos. todavia. os riscos de fissuração por retracção. cargas essas que na parte superior da viga obrigam esta a trabalhar à flexão. Os linteis suportam: O peso da parte de alvenaria situada por cima deles. mais do que um alvéolo do tijolo.9 – LINTÉIS Os lintéis são vigas com fraca capacidade para suportar cargas e ficam situados por cima das aberturas praticadas nas paredes (portas. Alvenarias 53 . o betão trabalha mal à tracção logo este levar armaduras que ajudam a resistir aos esforços de tracção. 5. se possível.Abertura de roços com diferentes graus de danos. 34.3. tendo o cuidado. Figs. 35 e 36 .4.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II Em qualquer parede. devido ao facto de os linteis serem vigas que recebem cargas. mas hoje em dia estes são feitos normalmente de betão armado. de recobrir convenientemente as tubagens para evitar a fissuração do revestimento posterior. Antigamente os linteis eram feitos de madeira ou pedra. consequentemente. Quando é necessário abrir roços de maior dimensão. pode ser útil preencher o roço com argamassa e pequenos fragmentos de tijolo. os roços não devem afectar. reduzindo a quantidade da primeira e.

3. 5. fluída e rica em cimento.5 – REVESTIMENTOS As camadas que constituem o revestimento são: Crespido (chapisco) – Tem como finalidade assegurar a aderência do revestimento ao suporte. dependendo do caso. Camada de base (emboço) – Finalidade de garantir a impermeabilização e a regularidade das paredes.COLOCAÇÃO DE MATERIAIS DE ISOLAMENTO TÉRMICO 5. Camada de acabamento (reboco) – Finalidade essencial é o aspecto estético.ISOLAMENTO TÉRMICO NA CAIXA-DE-AR Alvenarias 54 . (Espessura entre 5mm a 10mm). e esta deve ser rugosa.50 m) cuja altura não ultrapasse os 20 cm Os linteis das baías de maiores dimensões: feitas de vigas e cuja altura é maior do que a amplitude (exemplo: porta de garagem) Podemos igualmente distinguir os linteis isolados e os linteis em série caso em que estão ligados uns aos outros.4. 5. Podemos distinguir lintéis como: Os linteis de pequena amplitude (amplitude inferior a 1.4 .1 .Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II O peso de parte do pavimento.

Em geral a Alvenarias 55 . A colocação das placas rígidas do isolamento deve ser coordenadas com sequência de operações da execução das alvenarias. uma reduzida absorção de humidade (uma vez que em geral não está garantida a total estanquidade da parede exterior. etc. encostadas à parede interior (com uma caixa de ar livre remanescente de 2 a 7 cm) e cobrir toda a sua superfície.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II Para reforçar o isolamento e o valor do coeficiente K. Se o material isolante contiver um para-vapor é importante que este último fique bem posicionado.4. que os fluxos de vapor de água que atravessam a parede podem ser significativos e que a resistência térmica diminui com o aumento do teor de humidade). é a parede interior que é erguida em primeiro lugar e o isolante mantido em posição através de uma rede de nylon encostada à parede. coloca-se entre duas paredes um isolante que poderá ser composto por placas de poliestireno. uma vez que inviabiliza. cria-se uma caixa-de-ar entre o isolante e a parede exterior. de modo a impedir fenómenos de conservação entre as suas duas faces. lã de vidro. o levantamento simultâneo dos 2 panos de parede (exterior e interior). As placas devem constituir uma barreira contínua sem juntas verticais ou horizontais abertas entre elas. As placas de isolamento térmico devem estar aprumadas. de preferência. Se a parede estiver exposta à chuva.MATERIAIS RÍGIDOS A colocação deste tipo de placas na caixa-de-ar de uma parede dupla deve obedecer às seguintes exigências gerais: O material deve ser imputrescível e indeformável (nas condições de aplicação e de serviço) e apresentar. 5. por exemplo. Esse ecrã anti-vapor deverá ser sempre colocado no interior da construção.1 .1. Nesse caso.

com um batente (anilha) de posicionamento do isolante. ligados ou não à parede exterior. com eventual ajuste através de rosca. à qual se segue a elevação do plano exterior. quer às eventuais condensações devidas à difusão do vapor de água proveniente do interior do edifício. As placas de material isolante não hidrófilo podem ser aplicadas entre os dois panos de parede sem caixa-de-ar. Utilização de espaçadores metálicos ou de plástico. previamente fixados nas juntas da parede exterior e que serão posteriormente inseridos nas juntas horizontais a construir depois da colocação do isolante. Para manter as placas de isolamento térmico afastadas da parede exterior terá de se utilizar um dos seguintes processos: Atravessamento do isolamento pelos grampos de ligação das duas paredes. Verifica-se todavia que a contribuição da caixa-de-ar remanesce (com largura mínima livre de 2cm) traz significativas vantagens do ponto de vista da prevenção de problemas ligados à humidade. quer no que respeita às infiltrações exteriores.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II marcação da 2ª fiada dos 2 planos de parede e à execução da caldeira de drenagem. Utilização de calços fabricados no local (eventualmente a partir de tiras de isolante excedente) colocados à placa pela face exterior. Alvenarias 56 .

Exemplos da utilização de placas de isolamento térmico na caixa-dear. isto é. A utilização de materiais de isolamento térmico flexíveis sem caixa de ar. devem ser aplicados depois de construída a parede interior. 5. mas está limitada.4. com densidade compatível com a sua flexibilidade e resistência mecânica. MATERIAIS FLEXÍVEIS Condicionantes de fixação em zona corrente: Os materiais flexíveis devem ser fixados por pontos à parede interior.2.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II Figs. pela elevada capacidade da absorção de água destas mantas e pela fragilização da parede exterior nos pontos de fixação. Para uma correcta colocação e garantia do cumprimento das diversas exigências já definidas para os isolamentos em placas. que poderão constituir zonas preferências para a entrada de água. 39 e 40 . obriga à construção da parede exterior em último lugar. Alvenarias 57 . 38. 37. poderia permitir a construção posterior da parede interior. em geral. a partir de andaimes exteriores e com maiores dificuldades na limpeza final da caldeira da caixa de ar. o que obriga a inverter a ordem do processo de construção.1. fixados ao pano exterior da parede.

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5.4.1.3. MATERIAIS A GRANEL

É necessário garantir o total preenchimento da caixa-de-ar, sem vazios ou zonas de diferente compacidade (o que é particularmente difícil em paredes com aberturas ou outros elementos singulares).

È igualmente necessário garantir que o material não sofre qualquer compactação ou adensamento natural com o tempo, que provoque a diminuição do volume que ocupa na caixa-de-ar;

O material deve ser imputrescível, não absorvente e insensível à água;

A face exterior do pano exterior deve ser impermeável à água mas permeável ao vapor de água;

Deve ser garantida a drenagem do fundo da caixa-de-ar, apesar de totalmente preenchida com material granular, mas impedindo que os grânulos de isolante saiam ou obstruam os tubos de drenagem.

5.4.1.4 – VENTILAÇÃO DAS PAREDES DUPLAS

A ventilação nas paredes duplas não é obrigatória mas continua a ser aconselhada para permitir uma secagem mais rápida da parede externa. Criam-se orifícios protegidos na parte superior e inferior da parede.

5.4.2 - REVESTIMENTO DOS LINTÉIS

É importante falar no revestimento exterior dos linteis, pois esse revestimento permite evitar os pontos térmicos e o risco do aparecimento de fissuras no revestimento exterior. Esse revestimento far-se-á com pedras de 5cm ou blocos especiais em forma de U e serve
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de cofragem para os linteis. O material a utilizar deverá ser obrigatoriamente da mesma natureza que o das paredes (terra-cota, perpianhos, etc.)

5.5 – PATOLOGIAS EM ALVENARIAS

5.5.1 – POSSÍVEIS PATOLOGIAS

As patologias mais frequentes relacionam-se com a humidade que pode ser proveniente:

a) Do solo (eflorescências junto ao chão);

b) Por infiltração (manchas de água);

c) Por condensação (fungos ou bolores);

d) Também é frequente em alvenarias verificar-se o aparecimento de fissuras. Estas podem ter diversas designações em função da sua abertura, podendo identificar-se como:

Microfissuras: quando a largura é inferior a 0,2mm;

Fissuras: quando a fissura varia entre 0,2 e 2mm;

Fendas ou gretas: quando a largura é superior a 2mm.

As fissuras podem ainda ser superficiais - quando só afectam o revestimento – ou profundas – quando a sua extensão atinge os elementos estruturais.

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Fig. 41 – Alvenaria com manchas de água

Juntas de argamassa de dimensão inexplicável

Humidade na construção

Eflorescências
Alvenarias

Condensações, fungos e bolores.
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• O apoio deficiente das paredes para correcção das pontes térmicas. minimizar. frequentemente. • Devido é rotura nas impermeabilizações. Estas anomalias resultam do facto de haver movimentos naturais de expansão ou contracção . podem estar relacionadas com razões de natureza estrutural ou à presença de água e à acção dos agentes climatéricos. pelo menos.2 – CAUSAS PARA AS PATOLOGIAS As causas das anomalias são de natureza muito diversa. esmagamento localizado e destacamento de revestimentos. de forma directa ou através de elementos construtivos porosos. As assimetrias de resistência térmica das fachadas conduzem ao fenómeno conhecido por “pontes térmicas” cujo efeito se impõe evitar ou. As causas para as patologias referidas anteriormente são as seguintes: • Humidade ascensional.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II 5. das canalizações de águas e esgotos ou do entupimento das tubagens. a fenómenos de fissuração.que estão total ou parcialmente impedidos. • Retracção devido á secagem rápida dos materiais. ou deficiências estruturais do edifício. ocorre um fenómeno de ascensão capilar da água. Quando as paredes de alvenaria ou betão contactam com solos húmidos. execução defeituosa. • A inexistência de juntas de expansão/contracção (vulgarmente conhecidas como “juntas de dilatação”) nas paredes de alvenaria de extensão considerável conduz. e que se traduz Alvenarias 61 .resultantes de variações de teor de humidade ou temperatura .5. • Deficiente isolamento térmico das paredes. acção térmica. por ausência ou inadequação das referidas juntas.

do aquecimento interior e do reforço de isolamento térmico. Alvenarias 62 . com teor decrescente de ligante para o exterior. Para cumprir a sua acção contra a humidade deve ter capacidade de drenagem das águas infiltradas e da condensação resultante da migração de vapor de água do interior para o exterior. o vento e a chuva e a preparação do suporte são condições essenciais para o sucesso do reboco. A protecção contra o calor. contribui para a resistência térmica da parede. Devem evitar-se argamassas muito ricas em cimento. Os rebocos hidráulicos tradicionais para revestimento de fachada estão bem descritos na bibliografia técnica nacional e têm vantagem em ser executados em 2 ou 3 camadas. é muito grande a probabilidade de condensação na face fria do isolante na caixa-de-ar (com a sua eventual deterioração e redução da resistência térmica) ou na face exterior da parede. O fenómeno das condensações superficiais interiores. Em complemento. por vezes. Uma fraca ventilação da caixa-de-ar contribui eficazmente para a desejável secagem da parede. através da parede. mero receio do envelhecimento da parede ou correcção de anomalias. sob a tinta. para melhorar a sua resistência e diminuir a fissuração. Caso isso não aconteça. formando bolsas de água de dimensão significativa. • Preparação e aplicação inadequadas de rebocos hidráulicos tradicionais. Uma das funções principais da caixa-de-ar das paredes duplas é a protecção do interior da habitação contra a acção da água da chuva. é um fenómeno complexo cuja solução passa sempre pela conjugação da ventilação (e/ou redução da produção de vapor de água). Para prevenção de futura fissuração.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II numa perda de energia significativa e na formação de condensações superficiais internas com consequente formação de fungos e bolores. à aplicação de tintas de elevada elasticidade e estanquidade à água (em geral designadas por “membranas”) mas é imperioso garantir que sejam permeáveis ao vapor de água e não tenham o efeito de barreiras pára-vapor. • Erros na utilização de pinturas impermeáveis. quantidade excessiva de água de amassadura e areias com elevados módulos de finura. recorre-se. • Deficiente execução da caixa-de-ar de paredes duplas.

somando e por vezes aumentado os seus desempenhos individuais em aspectos relativos à estabilidade. a uma significativa tensão interna da alvenaria. por ausência ou inadequação das referidas juntas.As paredes duplas são concebidas. uma vez impedidos. com uma densidade de 2 a 3 grampos/m2. consequentemente. esmagamento localizado e destacamento de revestimentos. etc. a uma deformação imposta e. vão equivaler. ao comportamento térmico. em geral. para funcionar em conjunto. • Protecção inadequada contra a humidade ascensional .resultantes de variações de teor de humidade ou temperatura . à protecção contra a humidade. em termos mecânicos. facilidade de fixação e pingadeira intercalar. ocorre um fenómeno de ascensão capilar da água. Para que o grampeamento seja eficaz e não acarrete anomalias inesperadas. exige-se um grampeamento entre os 2 panos. A situação é agravada se os materiais apresentarem movimentos irreversíveis significativos.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II • Movimento de assentamento das fundações. na direcção horizontal. Para que tal aconteça. • Juntas de dilatação inadequadas . com maior expressão. Estes movimentos.A inexistência de juntas de expansão/contracção (vulgarmente conhecidas como “juntas de dilatação”) nas paredes de alvenaria de extensão considerável conduz. a fenómenos de fissuração. Alvenarias 63 . em termos de efeito mecânico. os grampos devem apresentar resistência e mecânica adequada e durabilidade. • Ausência de grampeamento em paredes duplas . de forma directa ou através de elementos construtivos porosos. frequentemente. Estas anomalias resultam do facto de haver movimentos naturais de expansão ou contracção . e falta de resistência adequada dos lintéis superiores ou de arcos de descarga. em geral. que pode conduzir a esforços de flexão excessivos e fissuras verticais.Quando as paredes de alvenaria ou betão contactam com solos húmidos.que estão total ou parcialmente impedidos.

pelo que a sua interacção com o suporte (incluindo caixa-de-ar. Recordese que o revestimento cerâmico de fachadas não deve ser considerado um revestimento de estanquidade. mas também à fissuração das paredes de suporte.No que diz respeito às infiltrações. elas são devidas frequentemente à deficiente pormenorização e execução de remates e capeamentos. 42 – Alvenaria exterior sem caixa-de-ar (não evita infiltrações de água) Alvenarias 64 . quando existe. junto à base das paredes do piso térreo. Imagens das patologias: Fig. • Aplicação inadequada de revestimentos cerâmicos . em geral. (iv) descolamento de revestimentos cerâmicos ou equivalentes. (iii) manchas nos revestimentos interiores na faixa referida. (ii) degradação da tinta e dos revestimentos (rebocos ou estuques) numa faixa de altura variável.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II Este fenómeno tem consequências conhecidas e de difícil solução: (i) acumulação de sais visíveis na superfície da parede. e respectiva drenagem) são fundamentais para um equilíbrio dinâmico do teor de humidade da parede ao longo do ano sem redução significativa do seu desempenho.

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II 5. 43 – Fenda numa alvenaria Alvenarias 65 . por retracção. Fig. b) Reparar a rotura. Nos casos mais graves pode ser necessário proceder ao reforço da estrutura. as soluções encontradas são as seguintes: a) Drenar a água junto á parede e impregnar a parede com produtos impermeabilizantes. a solução passa pela limpeza da fissura e aplicação de produtos adequados disponíveis no mercado. c) Ventilação dos locais assim como prever um bom isolamento térmico na envolvente exterior dos edifícios.3 – SOLUÇÕES PARA AS POSSÍVEIS PATOLOGIAS Para encontrar a solução adequada é necessário em primeiro lugar identificar a causa. d) Nos casos mais simples motivados por exemplo.5. No que diz respeito as causas referidas anteriormente. desobstruindo entupimentos ou executar paredes duplas.

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II 5.6 . Alvenarias 66 .6. 5. A execução destas paredes aumenta as condições de comodidade e segurança e constitui.MEDIDAS DE SEGURANÇA NA EXECUÇÃO DE ALVENARIAS. Estes diversos planos devem fazer parte de um documento que reúne todas as informações e indicações relevantes em matéria de segurança e saúde (Plano de Segurança e Saúde do Empreendimento). deve proceder-se ao fecho vertical do edifício por intermédio das paredes – assentes sobre as lajes – que constituem a envolvente exterior.1 . 5. plano de inspecções e o plano de registo de acidentes e índices de sinistralidade.3 .ENQUADRAMENTO GERAL É necessário levar a cabo um conjunto de acções destinadas à prevenção e protecção dos trabalhadores.2 .6.RISCOS RELATIVOS ÀS CONDIÇÕES DE TRABALHO São obrigatórios os equipamentos de protecção individual e devem ser utilizados em todas as circunstâncias.6. As acções a em prender para a prevenção de riscos compreendem a preparação de um conjunto de planos a nível do empreendimento: o plano de prevenção de riscos. dispensando a utilização de guarda-corpos e rodapés. uma medida de protecção colectiva contra os riscos de queda em altura e queda de objectos. 5. através da diminuição da probabilidade de ocorrência e da atenuação dos efeitos dos acidentes que possam vir a ocorrer. ela própria.RISCOS E CORRESPONDENTES ACÇÕES DE PREVENÇÃO Após a realização da estrutura.

Execução de rodapé nos guardaQueda de objectos corpos. courettes).Riscos associados às condições gerais de trabalho na execução de alvenarias e consequentes medidas de protecção aplicáveis. Derrube da parede por perda de estabilidade Colocação de escoras ou cunhas de madeira até fixação definitiva. Alvenarias 67 . Faseamento da execução em altura para elementos de grande dimensão. Execução de passadeiras com Utilização de capacete de protecção (EPO)*. Montagem extensão. Riscos Medidas de protecção Colectivas Individuais Utilização de guarda-corpos. (por exemplo padieiras). nas Utilização de cinto de segurança bordaduras das lajes dos pisos e Queda em altura aberturas neles existentes (vãos. de redes de grande Queda ao mesmo nível Limpeza do estaleiro e arrumação dos materiais e equipamentos. Delimitação das zonas de circulação. cobertura de protecção. Utilização de botas de palmilha e biqueira de aço(EPO). Execução adequada de andaimes e plataformas de trabalho. Calçado de sola anti-derrapante. caixas de elevadores. Colocação de uma rede de protecção na periferia do edifício.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II Quadro 1 . Correcta utilização da escada de mão.

7 .NORMAS Antigamente as construções e a sua concepção estrutural eram puramente intuitivas.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II Intempéries e Insolação Execução de coberturas protecção. Esta situação encontra-se agora profundamente alterada com a entrada de normas que regulamentam o projecto e a execução de edifícios em alvenaria resistente. A filosofia preconizada no Euro código 6 (EC6) e 8 (EC8) estabelecem um quadro avançado e completo para o projecto das estruturas de alvenaria dos diversos tipos. * EPO (Equipamento de protecção obrigatório) 5. Duas das normas criadas e com maior relevância para o dimensionamento das estruturas de alvenaria são a EC6 e a EC8. Estas visam o dimensionamento de estruturas de alvenaria e de acessórios de ligação consiste na garantia de condições de durabilidade e na verificação de condições de resistência dos estados limites durante a sua execução e utilização pelo período de vida útil do edifício. desfavoráveis (chuva. Utilização de equipamento de protecção adequado (vestuário). Suspensão dos trabalhos em condições climatéricas vento forte). Alvenarias 68 . contrastando com as técnicas actuais de construção caracterizadas e reguladas por normas.

Melo. MATANA. ALVENARIA ESTRUTURAL: APLICAÇÃO A UM CASO DE ESTUDO. Lourenço. Fontes. Hipólito (2002). LIDEL. Sérgio. João. SOUSA. Hipólito (2003). Edições CETOP.Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II BIBLIOGRAFIA ALVES. Vítor Abrantes. Manual de Alvenaria. Paulo (2008). ALVENARIAS EM PORTUGAL SITUAÇÃO ACTUAL E PERSPECTIVAS FUTURAS. Porto. Patologia em paredes: causas e soluções. Alvenarias 69 . Michel (2005). Paredes exteriores de edifícios em pano simples. Gouveia. Mendes da Silva (2007). SOUSA. Porto.

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