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Apostila de Legislacao Aduaneira

Apostila de Legislacao Aduaneira

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Apostila de Legislação Aduaneira

João Fernando de Moraes Sanches

AULA 01

1. Introdução Histórica do Comércio. A palavra comércio advém do latim cumercium, que deu origem à palavra mercari, que significa “comprar para vender”, isto é, o ato da mercancia. Determinar o exato momento em que o comércio surgiu na história da humanidade, constitui-se numa missão impossível de ser realizada, entretanto, pode-se afirmar que a troca de bens naturais foi o marco inicial do mercantilismo, ainda que de maneira rudimentar. Essa transação direta de mercadorias denomina-se “escambo”, que nada mais é do que uma permuta, onde cada um dos interessados oferece um bem ou prestação de serviços em troca de receber da parte contrária, determinado produto ou mesmo, uma contraprestação de trabalho. Há inúmeros relatos históricos sobre a atividade do escambo na humanidade, o próprio rei Salomão ao edificar seu palácio contou como auxílio de Hirão rei de Tiro, o qual forneceu as madeiras necessárias (cedro) para o revestimento interior da obra, em troca, recebeu trigos e óleos. Este relato do Antigo Testamento (Reis I, 5, 1-11), nada mais foi do que uma operação pactuada na permuta de mercadorias, se constituindo na transação denominada escambo.

Quando Hirão, rei de Tiro, soube que Salomão fora ungido rei em lugar de seu pai, enviou-lhe os seus servos, pois Hirão fora sempre amigo de Davi.2. Salomão, de seu lado, mandou a Hirão a mensagem seguinte: 3.Sabes que Davi, meu pai, não pôde edificar um templo em nome do Senhor seu Deus, por causa das guerras que teve de sustentar até o dia em que o Senhor pôs os seus inimigos sob a planta de seus pés.4. Agora, porém, o Senhor deume paz de todos os lados: não há mais inimigos nem calamidades. 5. Por isso penso em edificar um templo em nome do Senhor, meu Deus. O Senhor, com efeito, falara disso a Davi, meu pai, nestes termos: Teu filho, que eu farei sentar em teu lugar no trono, este edificará um templo em meu nome.6. Dá ordem, pois, aos teus servos, que me cortem cedros do Líbano. Meus operários trabalharão com os teus, e pagarei a estes o salário que

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pedires, pois sabes que não há ninguém entre nós que saiba cortar árvores como os sidônios.7. Hirão, ouvindo a mensagem de Salomão, encheu-se de grande alegria, e disse: Bendito seja o Senhor, que deu a Davi um filho cheio de sabedoria para governar esse grande povo! 8.Em seguida, mandou responder a Salomão: Recebi tua mensagem. Farei tudo o que desejas acerca das madeiras de cedro e de cipreste. 9.Meus servos as descerão do Líbano até o mar, e dali as farei conduzir em jangadas até o lugar que me designares. Ali as desatarão, e tu as mandarás receber. De teu lado, corresponderás aos meus desejos, fornecendo víveres à minha casa. 10. Hirão deu, pois, a Salomão, tanta madeira de cedro e de cipreste quanta ele quis. 11. E Salomão deu-lhe vinte mil coros de trigo para o sustento de sua casa, bem como vinte coros de óleo bruto.

O escambo que como vimos se funda na troca direta e voluntária, foi com o passar dos tempos sendo suprido pela forma da troca indireta de produtos ou serviços, modalidade na qual um sujeito adquire certa mercadoria através de um bem pretendido por todos, conhecido como Moeda-Mercadoria. Na antiguidade, algumas mercadorias, pela sua utilidade, passaram a ser mais cobiçadas do que outras, como foi o caso do gado, pois apresentava vantagens de locomoção própria, reprodução e prestação de serviços. O sal, também teve seu papel como mercadoria valiosa de permuta em razão da sua difícil obtenção e principalmente porque era muito utilizado na conservação de alimentos. Na época, este condimento de considerável valor, também foi utilizado como meio de pagamento dos soldados romanos, tanto é que o vocábulo “salário” provém do latim salarium que por sua vez se origina da palavra sal. Com o passar dos tempos, essas mercadorias se tornaram impróprias para as transações comerciais, devido às instabilidades de seus valores, pelo fato de não serem fracionáveis e por serem facilmente perecíveis, não permitindo o acúmulo de riquezas. Nesse momento, surge o metal, que mesmo em seu estado natural, constituiu-se como o principal produto da mercancia, em razão da sua durabilidade, beleza e raridade. Ferguson, em sua obra sobre “Ascensão do Dinheiro” esclarece a importância e os motivos nos quais as sociedades adotaram os metais como matéria prima principal para fabricação das moedas:
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João Fernando de Moraes Sanches

É costume dizer que o dinheiro é um meio de troca, que tem a vantagem de eliminar as ineficiências do escambo, uma unidade de valor, que facilita a avaliação e o cálculo, e um recipiente de valor, que permite que as transações econômicas sejam produzidas durante longos períodos e também a despeito das distâncias geográficas. Para desempenhar todas essas funções da melhor maneira, o dinheiro tem que estar disponível, e ser durável, fungível, portátil e confiável. Como preenchem a maioria desses critérios, ao longo dos milênios os metais, como o ouro, prata e bronze foram considerados como a matéria-prima monetária ideal (FERGUSON, Niall, A Ascensão do Dinheiro, A História Financeira do Mundo. Editora Planeta do Brasil, São Paulo, 2009. p. 28).

Nesse sentido, as atividades da oferta e da procura por mercadorias ou serviços, foram facilitadas com o uso da moeda ou dinheiro através da troca indireta, fato que colaborou na ascensão e no desenvolvimento do comércio nos dias de hoje.

2. A regulação do comércio interno A multiplicidade de indivíduos indubitavelmente ocasiona a interação entre os partícipes deste denominado grupo social, em contrapartida, o comportamento humano nem sempre é movido num objetivo comum. Quando presente o impasse, o ser humano em busca de sua pretensão procura de certa forma, excluir os desejos de seu concorrente, para isso, no momento em que o diálogo não se mostra uma ferramenta eficaz de solução de interesses, muitos recorrem historicamente à agressão, seja ela moral ou até mesmo física. Os conflitos interpessoais são características próprias dos inúmeros tipos de sociedade, pode-se afirmar que não há vida coletiva desprovida de conflitos internos. É o que nos ensina Antonio Bento Betioli, ao afirmar que o conflito social é, senão o maior, um dos maiores desafios a ser vencido:

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mais se sujeita a novas formas de conflito. por exemplo. mais uma vez. 5ª edição. e com ela. 1995. das regras de trato social e posteriormente nas civilizações mais avançadas por meio das leis que. são os “instrumentos de controle social”: a Religião. editora Letras & Letras – São Paulo. 1995. assim. Introdução ao Estudo do Direito. não haveria vida coletiva se não houvesse algum meio de regular esse choque de interesses individuais. E os meios de que se serve a sociedade para regular a conduta de seus membros nas relações com os demais. A lei persegue a humanidade desde os seus tempos mais remotos. a Moral. Antonio Bento. (BETIOLI. e quanto mais esta se desenvolve. vêm se aperfeiçoando de acordo com as necessidades de seus integrantes. as Regras de Trato Social e o Direito. criou-se uma forma de controle social visando à harmonia da vida em sociedade. dentre as inúmeras leis criadas pelo ser humano para regulação dos conflitos Página 4 . certamente um dos seus maiores desafios (BETIOLI. se não o maior. Esse instrumento de controle social se fez presente através da religião. Se os conflitos pessoais fazem parte da história da humanidade desde os tempos mais remotos. destacam-se os valiosos ensinamentos de Antonio Bento Betioli: Esse processo de regulamentação da conduta em sociedade recebeu o nome de “controle social”. 21). 5ª edição. para dirimir que cada indivíduo procedesse de acordo com anseios particulares em detrimento da pretensão dos demais. sem dúvida foi o fomento para o sucesso das relações pessoais. p. Antonio Bento. editora Letras & Letras – São Paulo. nesse sentido. tornando-se a convivência. 20). p.Apostila de Legislação Aduaneira João Fernando de Moraes Sanches Em relação aos conflitos eles são fenômenos naturais a qualquer sociedade. Nesse sentido. A função primordial de qualquer lei é de regrar o comportamento dos indivíduos para um convívio social de bem estar coletivo. Introdução ao Estudo do Direito.

450. restando apenas às regulamentações sobre o comércio marítimo. na Babilônia. entrou em vigor o primeiro código comercial brasileiro. advinda do código francês napoleônico. foi parcialmente revogado pelo código civil que adotou a teoria da atividade empresarial. Em 1850. No Brasil. criou-se leis que disciplinam os mecanismos do pacto comercial. Certamente que na tratativa do comércio. Portanto. promulgada em 1808 pelo príncipe regente de Portugal Dom João de Bragança (documento que autorizava as aberturas dos portos brasileiros para o comércio exterior entre países parceiros de Portugal). estava regulamentada as atividades internas da mercancia brasileira. pois o fenômeno da globalização se faz presente desde 1.Apostila de Legislação Aduaneira João Fernando de Moraes Sanches individuais temos a famosa lei de talião. assim como os demais interesses peculiares de uma sociedade. Os primeiros surgimentos de uma regulação comercial por meio de leis datam de 1850 e 1750 antes de Cristo com o Código de Hamurabi. ocasiona também. somente através da Carta Régia. é que surgem as primeiras manifestações sobre uma legislação comercial. Cignacco. Em 2002. Para combater a injustiça e regulamentar os atos da troca seja na forma direta ou indireta. conflitos entre os partícipes dessa relação. muito bem destaca o início desse período histórico da interação do comércio intercontinental: A mercantilista. momento em que as grandes nações européias colonizaram os continentes americanos graças à tecnologia da navegação. faltava dirimir as questões quanto ao comércio exterior. Uma vez que a relação do direito comercial interno encontrava-se devidamente formalizada. o código comercial brasileiro. fundada no princípio “olho por olho. Página 5 . que compreende o período de 1450 até 1850 e teve sua expansão marcada no continente europeu pelas grandes navegações e descobertas e pelas colonizações dos continentes americanos e africanos. baseando-se na teoria dos atos do comércio. dente por dente”.

10). Saraiva-São Paulo. Fundamentos de Comércio Internacional. Sem dúvida que o estabelecimento das rotas atlânticas se concretizou numa ferramenta de riqueza para os países navegantes. por isso foram tão importantes e revolucionárias as suas conseqüências. Comércio Exterior Teoria e Gestão. principalmente pela implantação de um novo modelo de produção baseado num sistema Página 6 . na fonte principal de acumulação de riqueza (RODRIGUES. a fabricação de bens era direcionada às pretensões do colonizador. 2ª edição. às relações exteriores do comércio é marcada inicialmente pela política colonial. Altas – São Paulo.Colônia destaca-se mais uma vez. Nesse sentido. o domínio do oceano atlântico surge como um marco da Revolução Comercial. 2010. tabaco e demais especiarias. Nesse sentido. Waldemar. 2009. a economia nacional assim como toda e qualquer colônia. paubrasil. Rodrigues põe em relevo às necessidades dos europeus em captar novos recursos para suprir os anseios do então mercado capitalista: A conquista do Atlântico corresponde às necessidades da época. nos séculos XVI e XVII. O Atlântico transformou-se na mola propulsora do desenvolvimento capitalista. era organizada de acordo com os interesses da metrópole. p. nesta época. a econômica mercantilista brasileira ingressou basicamente no comércio exterior com as atividades de exportação de açúcar. no nosso caso. Assim. p.Apostila de Legislação Aduaneira João Fernando de Moraes Sanches (CIGNACCO Bruno Roque. Portugal. marcando o período com a denominação de Revolução Comercial. os ensinamentos de Rodrigues: Um bom exemplo da política colonial mercantilista pode ser observado pelo fluxo comercial entre Brasil colonial e a metrópole. No Brasil. 01). Nesse período a produção brasileira de açúcar superou o que era produzido pelas ilhas portuguesas no Atlântico até então. se desprezado qualquer necessidade econômica interna. Quanto à questão do comércio exterior na era do Brasil .

Altas – São Paulo. em que a “escala de produção e de investimento no trabalho escravo. AULA 02 Página 7 . Portanto. Waldemar. 2ª edição. pois as transações com mercado exterior através das trocas internacionais quer pela importação ou pela exportação se constituem na base do crescimento de qualquer nação. p. iniciava suas atividades para atender as carências do mercado consumidor estrangeiro. o comércio interno brasileiro. Comércio Exterior Teoria e Gestão.Apostila de Legislação Aduaneira João Fernando de Moraes Sanches empresarial. 2010. bens de capital e facilidades de transporte aumentou de forma tão marcante” a produtividade agrícola (RODRIGUES. 21).

O comércio exterior e a regulação das transações aduaneiras O comércio exterior é impulsionado por diversos fatores. 2ª edição. Waldemar Rodrigues. Altas – São Paulo. ferramenta indispensável para o fomento das operações internacionais: O comércio internacional decorre primeiramente das diferenças existentes entre os diversos países. Visando à inserção do País no mercado internacional. desde a busca por recursos naturais até a tecnologia necessária para produção de bens ou produtos. tanto que em meados dos anos 80 e 90. a redução da alíquota do importo de importação. p. por exemplo. a transação internacional provém da abundância ou da falta de recursos. o comércio brasileiro vem sofrendo nas ultimas décadas um intenso processo de reformas econômicas.1 A queda do protecionismo brasileiro A participação no mercado internacional é de grande importância para qualquer país. eis que a transação externa contribui para a circulação de capitais e conseqüentemente para o desenvolvimento econômico. é impossível assegurar que um país contém ou até mesmo produz todos os meios necessários para suprir as carências internas. Página 8 . a economia nacional aderiu à abertura comercial através de uma implantação de uma nova política de comércio exterior como. do clima. com a costumeira lucidez ressalta que o comércio exterior se baseia nas diferenças contidas entre os países. Comércio exterior. da mão de obra especializada. (RODRIGUES. do capital. desde os subdesenvolvidos como também para os mais economicamente favorecidos. 3. Assim. 2010. que buscam completar suas necessidades internas com produtos e serviços de outras regiões do planeta onde ocorrem com ambulância.Apostila de Legislação Aduaneira João Fernando de Moraes Sanches 3. 21). etc. Nesse sentido. Waldemar.

modalidade política que apregoa o reconhecimento das trocas livres. Mesmo o Brasil tendo abandonado o protecionismo exacerbado que constituía um verdadeiro comércio internacional desleal. ainda não se pode dizer que em sentido contrário. ensejou grandes dificuldades para as empresas nacionais. 2011. a utilização indiscriminada de barreiras tarifárias. um desequilíbrio na balança comercial. por ter sido um processo muito rápido. as empresas não foram devidamente preparadas. em grande parte. pois estas não se encontravam aptas para a concorrência dos produtos estrangeiros: É exatamente importante lembrar que. Com a abertura do comércio interno. e conseqüentemente a prática costumeira dos “termos de troca” (relação entre os preços das importações e exportações). teve seu fim como visto nas décadas passadas. não estavam devidamente preparadas para enfrentar a concorrência dos produtos importados. pois ainda constitui o modelo brasileiro o uso de barreiras econômicas. principalmente com financiamentos suficientes e a custo competitivo para adequação e aprimoramento de seu parque industrial (VIEIRA. tais como. regulamentos e portarias. Importação Práticas. 17). adotou o Livre-cambismo. pois diante da abolição do sistema protecionista. através dos decretos. Rotinas e Procedimentos. casou inicialmente. A defesa do mercado interno brasileiro fundou-se basicamente nas já conhecidas medidas protecionistas. p.Apostila de Legislação Aduaneira João Fernando de Moraes Sanches Aquiles Vieira destaca em sua obra que no início a quebra do protecionismo brasileiro. fato que certamente promovia os baixos preços de produtos importados. A interferência estatal no tocante ao controle das operações do comércio internacional atuando de forma regulatória ou até mesmo como agente econômico. Aduaneiras – São Paulo. as empresas brasileiras. A relação comercial entre países em condições econômicas diferenciadas. Nesse sentido. se contrapõe a uma operação Página 9 . sem a interferência do Estado nas transações internacionais. a empresa nacional encontrava-se com níveis de produção e tecnologia inferiores aos países estrangeiros. como inicialmente foi o caso do Brasil. quando do início da abertura da economia. Aquiles. 4ª edição.

a famosa N. Comércio Internacional Esquematizado. 2 A regulação das transações aduaneiras Assim. o primeiro grande desafio seria superar o desequilíbrio causado pelos termos de troca. Regulamentado por decretos e normas surgiu pela primeira vez em 1985. ficara tão perfeita que o governo que o Governo resolveu adotá-la. criou-se uma legislação especifica consolidada num texto denominado de Regulamento Aduaneiro. em 2009 foi editado o Decreto nº 6.759 que incorporou a já existente estrutura do RA/02. (fonte: http://www. Vale ressaltar que a busca por uma legislação aduaneira remota desde os tempos do império.fazenda. certo de que o Brasil ingressara de vez no mercado internacional e que as transações estrangeiras exigiam esforços significativos das autoridades públicas para controlar a crescente entrada e saída de mercadorias. Por fim. 3. 48).receita. momento em que no Brasil foi concebido o diploma normativo aduaneiro mais antigo da história brasileira. Posteriormente.gov. Nesse sentido. acrescentando a disciplina de leis esparsas e novos acordos internacionais celebrados pelo País. chegando até nossos dias com o nome de Nova Consolidação das Leis das Alfândegas e Mesas de Rendas.M. Página 10 .C.asp). argumenta que os “termos de troca” e suas conseqüências. De acordo com alguns relatos.br/Memoria/aduana/evolucao/default.L. 2012. entretanto.A. vigorando por aproximadamente dezessete anos quando em 26 de dezembro de 2002 surge um novo RA através do Decreto nº 4. Saraiva – SP. trata-se da “Nova Consolidação das Leis Alfândegas e Mesas de Renda” datado do ano de 1894. essa consolidação fora feita por um funcionário aduaneiro para seu uso pessoal. ela foi atualizada. Roberto. são objetivos a serem suplantados pelo livre-cambismo Para o livre-cambismo.Apostila de Legislação Aduaneira João Fernando de Moraes Sanches justa apregoada pelo liberalismo. p.A.R. especialmente nas relações entre países desenvolvidos e em desenvolvimentos (CAPARROZ. Caparroz.543 de 26 de dezembro daquele mesmo ano.

Comércio Exterior & Despacho Aduaneiro. no Código Tributário Brasileiro. Paulo.137). 4ª edição. p. a título definitivo ou não” (RODRIGUES. 2ª edição. conclui-se que a legislação aduaneira no Brasil compreende a Constituição Federal nos artigos correlatos.Apostila de Legislação Aduaneira João Fernando de Moraes Sanches Nesse sentido. 21). p. AULA 03 Página 11 . Assim. Altas – São Paulo. nas portarias da Secretaria do Comércio Exterior e principalmente no já citado Regulamento Aduaneiro. de acordo com os conceitos acima expostos. em território nacional. Waldemar. 2010. o conceito de legislação aduaneira segundo Rodrigues é “o conjunto de normas de controle e fiscalização de mercadorias procedentes do exterior ou a ele destinadas. Comércio exterior. legislação aduaneira se compõe de todas as leis e regulamentos que digam respeito aos tributos sobre o comércio exterior e às normas referentes aos controles sobre a entrada e saída de mercadorias no território nacional (WERNECK. 2009. Editora Juruá-Curitiba. Para Werneck.

2 e completado pelo art. 2011. editora Aduaneiras – São Paulo. O Território Aduaneiro O conceito de território aduaneiro é definido pelo art. para fins de jurisdição dos serviços aduaneiros. Assim. 160). Uma vez definido o conceito sobre território aduaneiro. 4ª edição. em “Zona Primária” e “Zona Secundária” (BIZELLI. constituída pelas seguintes áreas demarcadas pela autoridade aduaneira local: Página 12 . a jurisdição aduaneira é aplicada em toda área geográfica do território aduaneiro. destacam-se os ensinamentos de Bizelli quanto ao conceito de território aduaneiro O território aduaneiro compreende todo o território nacional. 49). Art. sem qualquer distinção. Sistemática Administrativa. p. Art. 3 ambos do R. Samir. editora Aduaneiras . Importação.A. dividido-se ainda em zonas primárias e secundárias. Para Keedi. zonas estas que se submeterão aos ditames da jurisdição aduaneira. imprescindível também é a identificação exata da denominada jurisdição. Nesse sentido. A B C do Comércio Exterior. 2011. 2o O território aduaneiro compreende todo o território nacional.a zona primária. p. como visto. estende-se a qualquer parte do país (KEEDI. João Batista. território aduaneiro corresponde toda área geográfica nacional onde se realizam as transações de importações e exportações típicas do comércio internacional O território aduaneiro do Brasil compreende todo o território nacional e a ele estende-se a jurisdição dos serviços aduaneiro.São Paulo. Cambial e Fiscal. estando dividido. entende-se que o território aduaneiro abrange toda região brasileira.Apostila de Legislação Aduaneira João Fernando de Moraes Sanches 4. representado pelas denominadas zonas primárias e secundárias. 3o A jurisdição dos serviços aduaneiros estende-se por todo o território aduaneiro e abrange: I . Eis que. Isto quer dizer que o controle das mercadorias importadas ou aquelas por exportar.

deverá ser ouvido o órgão ou empresa a que esteja afeta a administração do local a ser alfandegado. § 2o Na orla marítima. zonas de vigilância aduaneira.Apostila de Legislação Aduaneira João Fernando de Moraes Sanches a) a área terrestre ou aquática. propícios à realização de operações clandestinas de carga e descarga de mercadorias. e II . pois. seja protegida por obstáculos que impeçam o acesso indiscriminado de veículos. referidas no art. e a veículos não utilizados em serviço. § 3o A autoridade aduaneira poderá exigir que a zona primária. 3 do R. II . que compreende os pontos de fronteira alfandegados.A “jurisdição”.ser geral em relação à orla marítima ou à faixa de fronteira. pessoas ou animais ficarão sujeitas às exigências fiscais. ainda que parte dele fique fora da área demarcada. a demarcação da zona de vigilância aduaneira levará em conta. § 4o A autoridade aduaneira poderá estabelecer. as zonas de processamento de exportação. além de outras circunstâncias de interesse fiscal. proibições e restrições que forem estabelecidas § 1o O ato que demarcar a zona de vigilância aduaneira poderá: I . que compreende a parte restante do território aduaneiro. pessoas ou animais. constituem zona primária § 2o Para a demarcação da zona primária. restrições à entrada de pessoas que ali não exerçam atividades profissionais. 4. nela incluídas as águas territoriais e o espaço aéreo. entende-se por Página 13 . b) a área terrestre.a zona secundária. § 1o Para efeito de controle aduaneiro.estabelecer medidas específicas para determinado local. em locais e recintos alfandegados. Art. 4o O Ministro de Estado da Fazenda poderá demarcar. constitui-se num grave erro conceitual. ou parte dela. nos aeroportos alfandegados. a existência de portos ou ancoradouros naturais. e c) a área terrestre.2 Da jurisdição Primeiramente cabe esclarecer que a palavra empregada no art. § 5o A jurisdição dos serviços aduaneiros estende-se ainda às Áreas de Controle Integrado criadas em regiões limítrofes dos países integrantes do Mercosul com o Brasil. na orla marítima ou na faixa de fronteira. contínua ou descontínua. ou específico em relação a determinados segmentos delas. e III .ter vigência temporária. 534. nos portos alfandegados. § 3o Compreende-se na zona de vigilância aduaneira a totalidade do Município atravessado pela linha de demarcação. nas quais a permanência de mercadorias ou a sua circulação e a de veículos.

119). como erroneamente dispõe o Regulamento Aduaneiro em vários preceitos” (FOLLONI.A.3 do R. Vol. assim sendo. entende-se por Página 14 . jurisdição. sendo o Estado detentor do Poder Judiciário. pág. Ed. em sua obra destaca com clareza a questão da jurisdição aduaneira Conclui-se que a Aduana não exerce propriamente “jurisdição” sobre todo o território nacional. fiscalizar. Ed. Nesse sentido. Segundo Marcus Vinicius Rios Gonçalves. mediante o preenchimento de suas condições. 22ª edição. editora Saraiva – São Paulo. a competência aduaneira ou jurisdição como descrito no art. Sergio Pinto Martins quanto ao assunto clarifica que “jurisdição é o poder que o juiz tem de dizer o direito nos casos concretos a ele submetidos. Isso acontece mediante processo e o exercício da jurisdição” (SABBAG. 2005. citando Cleide Previtalli Cais quanto ao ingresso ao Poder Judiciário esclarece que O acesso à justiça é princípio que “configura a explosão máxima do Estado de Direito. jurisdição “É uma das funções do Estado. Deste modo. a Administração Aduana não detém a função jurisdicional e sim apenas “competência” para regular. p. na verdade deve ser interpretada para o nosso estudo como “competência”. jurisdição é tarefa privativa do Poder Judiciário. lançar e arrecadar tributos no território aduaneiro. (Direito Processual do Trabalho. p. Atlas. 2011. visando a aplicação da norma e a conseqüente solução dos conflitos. pois está investido desse poder pelo Estado”. Sabbag. Saraiva. ou seja. editora Dialética – São Paulo. o qual procura a resolução dos conflitos de interesse aplicando-se a lei as caso concreto. outorgando o exercício do direito de ação. 85). Portanto. (Novo Curso de Direito Processual Civil. uma vez esclarecido que terminologia adotada erroneamente pelo Regulamento Aduaneiro. Folloni. julgando o conflito de interesses e aplicando a lei. Manual de Direito Trbutário. que se substitui às partes na solução dos conflitos de interesse”. André Parmo.46). Eduardo. somente a ele cabe prestar a tutela jurisdicional. pág.Apostila de Legislação Aduaneira João Fernando de Moraes Sanches jurisdição a atividade desempenhada pelo Estado através do Poder Judiciário. Tributação Sobre o Comércio Exterior. 01. Dessa forma. 1090).

Samir. 4. armazenagem e despacho (art. através de um porto seco. e por onde saem aquelas exportadas para outros países (KEEDI. na verdade é a área na qual se submete ao controle aduaneiro com presença permanente do fisco. trata-se de locais onde se constituíram uma Alfândega pela autoridade aduaneira. Assim como na zona primária. a zona secundária para que possa promover legalmente à movimentação. ou seja. aeroportos ou pontos de fronteiras alfandegados. assim entendido como a totalidade do território nacional dividido em zonas primárias e secundárias. 4ª edição.Apostila de Legislação Aduaneira João Fernando de Moraes Sanches todo o território aduaneiro. somente os portos. p. Página 15 .3 Zona Primária A zona primária compõe-se dos portos.9. aeroportos e zonas de fronteiras. aquela composta pelo restante do território nacional não abrangido pela zona primária dos portos. deverá ser declarada antes como recinto alfandegado pela autoridade aduaneira competente. os portos secos. em rega. a zona primária é aquela por onde entram no território nacional as mercadorias estrangeiras importadas pelo país. De acordo com Keedi. localizados na zona secundária. tudo mediante o devido controle aduaneiro.A). armazenagem e despacho aduaneiro de mercadorias e de bagagem. é o ambiente onde também são executadas operações de movimentação. editora Aduaneiras – São Paulo. 49). Portos secos são recintos alfandegados de uso público. 4. todos devidamente alfandegados. além de constituírem pontos de concentração de mercadorias. aeroportos e pontos de fronteira alfandegados poderão proceder a entrada ou a saída de mercadorias provenientes do exterior ou a ele destinadas. Dessa forma. A B C do Comércio Exterior. por exemplo.4 Zona Secundária Entende-se por zona secundária. 2011. R.

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destacam-se mais uma vez os ensinamentos de Keedi Área alfandegada significa estar autorizada pelo órgão competente. A B C do Comércio Exterior. 2009. 4ª edição. p. sob seu controle.A. de modo a concentrar e otimizar a fiscalização aduaneira” (WERNECK. é o que dispõe o art. a RFB – Secretaria da Receita Federal do Brasil. aeroportos e pontos de fronteira alfandegados poderá efetuar-se a entrada ou a saída de mercadorias procedentes do exterior ou a ele destinadas. Comércio Exterior & Despacho Aduaneiro. 2011. trata-se das zonas primárias e secundárias do território aduaneiro. Nesse sentido. Página 17 .. pela autoridade competente. Conclui-se. Samir. do Ministério da Fazenda.8 do R. Editora Juruá-Curitiba. Em outras palavras. Paulo. armazenagem e despacho de mercadorias proveniente do exterior. é o local onde deve ser realizado o trabalho aduaneiro de controle fiscal de mercadorias. 4ª edição. editora Aduaneiras – São Paulo. Art. e. desde que é claro. de mercadorias estrangeiras importadas e entradas no país e aquelas desnacionalizadas e prontas para a exportação. à guarda.Apostila de Legislação Aduaneira João Fernando de Moraes Sanches 5. acontecerão somente nos ambientes declarados pela autoridade aduaneira como recintos alfandegados. Recintos Alfandegados O recinto alfandegado ou também conhecido como “área alfandegada”. portanto. ou a ele destinado. Também tem a responsabilidade de proceder ao ato de nacionalização e desnacionalização das mercadorias (KEEDI. De acordo Werneck “. 8o Somente nos portos. que as tratativas de entrada no território aduaneiro de mercadorias oriundas de países estrangeiros. 50). também o controle aduaneiro da movimentação.. se constituem em recinto alfandegado ou área alfandegada. tanto a zona primária como a secundária.140). ambiente onde ocorrerão as transações de importação e exportação típicas do comércio exterior. significa o lugar competente onde se realizará os atos aduaneiros de fiscalização da autoridade competente. reconhecidos como tal. p. saída de produtos nacionais com destino ao mercado externo. Assim. bem como.

86). movimentação. também. armazenagem e despacho de bens procedentes do exterior ou a ele destinados (inclusive sob regime aduaneiro especial). sob controle aduaneiro. encontram-se. 9 do R. editora Dialética – São Paulo. não se aplicam em relação à exportação ou importação de mercadorias conduzidas por linhas de transmissão ou dutos. na zona primária ou na zona secundária. inclusive sob regime aduaneiro especial. art 9. Art. quanto à questão do alfandegamento da zona primária e secundária contida no art. desde que como anteriormente exposto. devidamente alfandegados. Mas esses recintos alfandegados podem ser instalados. recintos alfandegados para que nesses locais sejam realizados. I. em zona primária. Tributação Sobre o Comércio Exterior. ou a ele destinados. bagagem de viajantes procedentes do exterior ou a ele destinados e remessas postais internacionais (RA.mercadorias procedentes do exterior. nas zonas primárias e secundárias. efetuem-se somente nos recintos alfandegados tais como portos. ou a ele destinadas.Apostila de Legislação Aduaneira João Fernando de Moraes Sanches Esses locais autorizados a movimentar. 5. André Parmo. p. bagagens de passageiros e remessas postais. e III . ainda.8 do Regulamento Aduaneiro determine que a entrada ou a saída de mercadorias procedentes do exterior ou a ele destinadas. mercadorias.1 Importações. provenientes ao país estrangeiro (art. Página 18 . 9o Os recintos alfandegados serão assim declarados pela autoridade aduaneira competente. movimentação.A Na zona primária podem ser instalados. a fim de que neles possam ocorrer. em zona secundárias (FOLLONI. Parágrafo único. 8. Oportuno também são os dizeres de Folloni. parágrafo único do R. exportações e conferência aduaneira em ambientes não alfandegados Muito embora o caput do art. recintos destinados à instalação de lojas francas. portanto. armazenagem e despacho aduaneiro de: I . II . despachar. armazenar. aeroportos e pontos de fronteiras. Poderão ainda ser alfandegados. 2005.A). caput.remessas postais internacionais. II e III).bagagem de viajantes procedentes do exterior. sob controle aduaneiro.

A conferência aduaneira poderá ocorrer em outros locais que não alfandegados mediante prévio consentimento da autoridade aduaneira competente ou ainda no estabelecimento do importador. (art.no estabelecimento do importador: a) em ato de fiscalização. ligados ao exterior.excepcionalmente. ou b) como complementação da iniciada na zona primária. O disposto no caput não se aplica à importação e à exportação de mercadorias conduzidas por linhas de transmissão ou por dutos. como na hipótese de fiscalização ou na complementação iniciada anteriormente em zona primária.0 DOS ÓRGÃOS INTERVENIENTES O processo de importação e exportação exige do militante do comércio exterior compreensão das funções e atividades principais das entidades Página 19 . Parágrafo único. 565. poderá ser feita: I .Apostila de Legislação Aduaneira João Fernando de Moraes Sanches Art.§ 1o A conferência aduaneira. observadas as regras de controle estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. II . 8o Somente nos portos. quando realizada na zona secundária. Não obstante as transações de mercadorias conduzidas por linhas de transmissão ou dutos.A. aeroportos e pontos de fronteira alfandegados poderá efetuar-se a entrada ou a saída de mercadorias procedentes do exterior ou a ele destinadas. quando na hipótese da conferência aduaneira. parágrafo único. § 2o A Secretaria da Receita Federal do Brasil estabelecerá termos e condições para a realização da conferência aduaneira em recinto não-alfandegado de zona secundária. A conferência aduaneira poderá ser realizada na zona primária ou na zona secundária. em outros locais. ou III . na forma do inciso III do § 1o AULA 05 6.em recintos alfandegados. mediante prévia anuência da autoridade aduaneira. Art. inciso II e III do R. também não se aplicará a regra do caput do art 8.). 565.

tendo como competência além da área internacional a política de desenvolvimento da indústria brasileira. Página 20 . são mais de 300. A B C do Comércio Exterior. um Ministério próprio ou autônomo que centralize as tratativas de comércio exterior. 6. Diante do considerável número de entidades administrativas descentralizadas e relacionadas com o Comércio Exterior. é o principal órgão de atuação em matéria de comércio exterior. cada um com seus interesses próprios. editora Aduaneiras – São Paulo. é o ministério responsável pelas decisões e execução das diretrizes políticas de comércio. Em nível nacional. 34). Assim. p. entre outras. a gestão nacional aduaneira se desenvolve por áreas de competências. Política Fiscal.1 Ministério do Desenvolvimento. estudar-se-ão apenas os principais órgãos intervenientes. Quanto ao tema em questão. distribuídos por diversos ministérios. como Política de Comércio Exterior. atualmente está atrelado ao Ministério do Desenvolvimento e Industria (MDIC). 4ª edição. Samir. é quase incompreensível a permanência da situação sem uma centralização que dite rumos únicos ao comércio exterior brasileiro (KEEDI. por exemplo. e que segundo sempre divulgado pela grande imprensa e comentado dentro da área. importante destacar a narrativa de KEEDI: Considerando a grande quantidade de órgãos envolvidos no nosso comércio exterior. 2011. Política Financeira. Políticas Bilaterais de Relações Internacionais. Vale ressaltar que o principal órgão brasileiro sobre comércio internacional. Assim. exercendo sua função por meio da Secretaria de Comércio Exterior. tanto no âmbito nacional como também na seara internacional. Indústria e Comércio Exterior Conhecido pela sigla MDIC.Apostila de Legislação Aduaneira João Fernando de Moraes Sanches administrativas aduaneiras. pois há dezenas de órgãos que mantêm relações e funções com atividades de exportação e importação desprovidas de um órgão supremo e aglutinador como. o comércio exterior brasileiro é descentralizado.

2011.2 Secretaria do Comércio Exterior A Secex (secretaria do Comércio Exterior) é um órgão pertencente ao Ministério do Desenvolvimento. 15 do Decreto Lei nº 7. orientar e supervisionar a execução de políticas e programas de operacionalização de comércio exterior e estabelecer as normas necessárias à sua implementação. nos termos do art. IV . planejamento.096/2010. supervisão. cabe a Secex: Art.Apostila de Legislação Aduaneira João Fernando de Moraes Sanches Criado em 1999. À Secretaria de Comércio Exterior compete: I . cabe ainda à Secex a proposta de articulação do instrumento aduaneiro aos objetivos gerais da política de comércio exterior. 15. de transportes e fretes e de promoção comercial. bem como propor Página 21 . cuja principal função é assessorar o MDIC na condução das políticas de comércio exterior. Assim. Editora Método – São Paulo. 193). também desempenha mecanismos de defesa comercial e participação em negociações internacionais relativas ao comércio exterior. Indústria e Comércio Exterior. orientação.planejar. inclusive no que diz respeito à estipulação das alíquotas do imposto de importação e dos regimes de origem preferenciais (CABRAL. III . de seguro. de financiamento. II . controle e avaliação das atividades de comércio exterior de acordo com as diretrizes da Câmera de Comércio Exterior e do próprio MDIC.formular propostas de políticas e programas de comércio exterior e estabelecer normas necessárias à sua implementação. de recuperação de créditos à exportação. Como bem salienta Cabral: Além da proposição de políticas e diretrizes.propor diretrizes que articulem o emprego do instrumento aduaneiro com os objetivos gerais de política de comércio exterior.propor medidas de políticas fiscal e cambial. 6. Jorge Luis. p. observadas as competências de outros órgãos. Comércio Internacional para Concursos. Considerada como um órgão estratégico é responsável pela normatização.

XI . Página 22 . XV . V . entidades e organismos nacionais e internacionais para promover a defesa da indústria brasileira.orientar a indústria brasileira com relação a barreiras comerciais externas aos produtos brasileiros.SISCOMEX. IX .participar das negociações de atos internacionais relacionados com o comércio de bens e serviços. observadas as competências de outros órgãos.decidir sobre a abertura de investigação da existência de práticas elisivas que frustrem a cobrança de medidas antidumping e compensatórias. previstas em acordos multilaterais. VI .articular-se com outros órgãos governamentais. controlar.administrar. desenvolver e normatizar o Sistema Integrado de Comércio Exterior .formular a política de informações de comércio exterior e implementar sistemática de tratamento e divulgação dessas informações.implementar os mecanismos de defesa comercial. XIII . bem como sobre a prorrogação do prazo da investigação e o seu encerramento sem a aplicação de medidas. XIV . hemisférico.apoiar o exportador submetido a investigações de defesa comercial no exterior. inclusive preferenciais. regional e bilateral. XII .Apostila de Legislação Aduaneira João Fernando de Moraes Sanches alíquotas para o imposto de importação e suas alterações e regimes de origem preferenciais e não preferenciais. X .regulamentar os procedimentos relativos às investigações de defesa comercial. bem como sobre a prorrogação do prazo da investigação e o seu encerramento sem extensão da medida. nos âmbitos multilateral. regionais ou bilaterais. VIII .decidir sobre a aceitação de compromissos de preço previstos nos acordos multilaterais. compensatórias e de salvaguardas.decidir sobre a abertura de investigações e revisões relativas à aplicação de medidas antidumping. regionais ou bilaterais na área de defesa comercial. VII .

Tem como objetivo principal coordenar o desenvolvimento.promover iniciativas destinadas à difusão da cultura exportadora. XVIII . é o departamento operacional da Secex e também o mais antigo e importante no que se refere a controle aduaneiro. Departamento de planejamento e desenvolvimento do comércio exterior (DEPLA) e o Departamento de Normas e Competitividade no Comércio Exterior (DENOC). a saber: Departamento de Comércio Exterior (DECEX). Por fim. Departamento de Defesa Comercial (DECOM).dirigir e orientar a execução do Programa de Desenvolvimento do Comércio Exterior e da Cultura Exportadora. 6. além disso.2. XXI . XXII assessorar e coordenar e a participação Exterior do no Ministério Comitê do de Desenvolvimento.participar do Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional.articular-se com entidades e organismos nacionais e internacionais para a realização de treinamentos.elaborar e divulgar as estatísticas de comércio exterior. Departamento de Negociações Internacionais (DEINT). inclusive a balança comercial brasileira. estudos. Indústria Comércio Financiamento e Garantia das Exportações. XX . XIX .1 Departamento de Comércio Exterior O DECEX.I).Apostila de Legislação Aduaneira João Fernando de Moraes Sanches XVI . registros de exportação Página 23 . analisa e delibera sobre as questões de licenças de importação (L. a implementação e a administração do Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX). a Secex encontra-se dividida em 05 grandes departamentos. simplificação e consolidação da legislação de comércio exterior e expedir atos normativos para a sua execução. eventos e outras atividades voltadas para o desenvolvimento do comércio exterior. ressalvadas as competências de outros órgãos. no Comitê de Avaliação de Créditos ao Exterior e na Comissão de Programação Financeira do Programa de Financiamento às Exportações. bem como ações e projetos voltados para a promoção e o desenvolvimento do comércio exterior. XVII .propor medidas de aperfeiçoamento.

16. aponta entre tantas. 338. referentes à área de atuação do Departamento. III . as principais atividades do DECEX: Entre diversas funções. Registros de Vendas. classificação. participar de atividades e implementar ações de comércio exterior relacionadas com acordos internacionais que envolvam comercialização de produtos ou setores específicos.desenvolver.coordenar o desenvolvimento. respeitadas as competências das repartições aduaneiras. os atos concessórios do Drawback quanto a isenção e suspensão. São Paulo. 2012. II . executar.16 do já citado Decreto nº.acompanhar. V . nas modalidades de isenção e suspensão. Roberto. CAPARROZ. com a costumeira clareza. drawback. Assim. p. a implementação e a administração de módulos operacionais do Sistema Integrado de Comércio Exterior - Página 24 . acompanhamentos ou não da participação dos demais órgãos de governo.Apostila de Legislação Aduaneira João Fernando de Moraes Sanches (R. Registros de Operações de Crédito e Atos Concessórios de Drawback. conforme o art. bens usados. qualidades e tipos. compete ao DECEX: Art. 7. nas operações que envolvam regimes aduaneiros especiais e atípicos. executar e acompanhar políticas e programas de operacionalização do comércio exterior. pesos.analisar e deliberar sobre Licenças de Importação. Comércio Internacional Esquematizado.E).096/2010. o que inclui a concessão de praticamente todos os atos administrativos necessários para os despachos de importação e exportação. medidas. bem como. diretamente ou em articulação com outros órgãos governamentais. Editora Saraiva. Ao Departamento de Operações de Comércio Exterior compete: I .). cabe ao DECEX a administração do módulo não tributário do SISCOMEX. Registros de Exportação. declarados nas operações de exportação e importação.desenvolver. administrar e acompanhar mecanismos de operacionalização do comércio exterior e seus sistemas operacionais. VI . como nos casos de licenciamento não automático (CAPARROZ. similaridade e acordos de importação com a participação de empresas nacionais.fiscalizar preços. IV .

desenvolver atividades relacionadas ao comércio exterior e participar das negociações junto a organismos internacionais.participar das negociações de tratados internacionais de comércio de bens e serviços. compreendendo: a) avaliações setoriais de comércio exterior e sua interdependência com o comércio interno. b) criação e aperfeiçoamento de sistemas de padronização. e IX . nos âmbitos multilateral. II . regional e bilateral. assim como coordenar a atuação dos demais órgãos anuentes de comércio exterior visando à harmonização e operacionalização de procedimentos de licenciamento de operações cursadas naquele ambiente.participar de reuniões em órgãos colegiados em assuntos técnicos setoriais de comércio exterior. Ao Departamento de Negociações Internacionais compete: I . III . hemisférico.representar o Ministério nas reuniões de coordenação do SISCOMEX. que também tem a incumbência de participar das tratativas acerca da Tarifa Externa Comum do MERCOSUL.2 Departamento de Negociações Internacionais Os tratados comerciais internacionais assinados pelo Brasil são coordenados pelo DEINT.promover estudos e iniciativas internas destinados ao apoio. c) evolução de comercialização de produtos e mercados estratégicos para o comércio exterior brasileiro com base em parâmetros de competitividade setorial e disponibilidades mundiais. informação e orientação da participação brasileira em negociações internacionais relativas ao comércio exterior. VII .elaborar estudos.2. Art. 6. d) apresentar sugestões de aperfeiçoamentos de legislação de comércio exterior. e de eventos nacionais e internacionais relacionados ao comércio exterior brasileiro. VIII . Página 25 .Apostila de Legislação Aduaneira João Fernando de Moraes Sanches SISCOMEX no âmbito do Ministério. 17. classificação e fiscalização dos produtos exportáveis. em coordenação com outros órgãos governamentais.

Assim. compras governamentais. VII .OMC.estudar e propor alterações na Tarifa Externa Comum . de Normas e Disciplinas Comerciais. Nomenclatura e Classificação de Mercadorias.coordenar.Apostila de Legislação Aduaneira João Fernando de Moraes Sanches IV . internamente.CCM.NCM.3 Departamento de planejamento e desenvolvimento do comércio exterior O DEPLA constitui-se num departamento com funções específicas de coleta. Nesse sentido. bem como no Comitê de Regras de Origem da Organização Mundial do Comércio . meio ambiente relacionado ao comércio. acompanhando as negociações do Comitê Técnico de Regras de Origem da Organização Mundial das Aduanas .SGPC. o Sistema Geral de Preferências . bem como os regulamentos de origem dos acordos comerciais firmados pelo Brasil e dos sistemas preferenciais autônomos concedidos ao Brasil. e X . V .coordenar a participação do Brasil nas negociações internacionais referentes a regimes de origem preferenciais e os procedimentos relacionados a estes.TEC e na Nomenclatura Comum do Mercosul . 6. de Tarifas. com vistas a compatibilizar as negociações internacionais para o desenvolvimento do comércio exterior brasileiro. VI . destacam-se novamente os ensinamentos de CAPARROZ: O DEPLA é responsável pelo desenvolvimento de estudos estatísticos sobre mercados e atua como agente de crescimento das exportações com a Página 26 . análise de dados ou informações destinados ao desenvolvimento do comércio externo brasileiro. no Brasil. barreiras não-tarifárias e solução de controvérsias. da Comissão de Comércio do Mercosul .administrar. os Comitês Técnicos nº 01.promover articulação com órgãos do governo e do setor privado. os trabalhos de preparação da participação brasileira nas negociações tarifárias e não-tarifárias em acordos internacionais e opinar sobre a extensão e retirada de concessões.SGP e o Sistema Global de Preferências Comerciais . IX .OMA e prestando auxílio aos setores interessados. política de concorrência relacionada ao comércio. regime de origem. o levantamento estatístico respectivo as operações de importação e exportação tem por objetivo auxiliar as decisões governamentais quanto à questão da denominada “balança comercial”. no âmbito da Secretaria. VIII .2. e nº 03. comércio eletrônico.participar e apoiar as negociações internacionais relacionadas a bens e serviços.coordenar.

VII . 341). IX . São Paulo. 19. desenvolver e gerenciar o Sistema de Análise de Informações de Comércio Exterior.gerenciar sistemas de consultas. Página 27 . V . XI . analisar. 2012. através do artigo 19. III .manter e coordenar a Rede Nacional de Agentes de Comércio Exterior. VI . relaciona a competência do Departamento de Planejamento e Desenvolvimento do Comércio Exterior: Art. VIII .participar e acompanhar. Roberto. p. bem como elaborar e divulgar a balança comercial brasileira. Comércio Internacional Esquematizado.propor. bem como propor a celebração de convênios. Editora Saraiva. em articulação com órgãos e entidades de direito público ou privado. em fóruns e comitês nacionais e internacionais.Apostila de Legislação Aduaneira João Fernando de Moraes Sanches elaboração de produtos e serviços destinados aos empresários brasileiros. II . nacionais e internacionais. coordenar e implementar ações e programas visando ao desenvolvimento do comércio exterior brasileiro e da cultura exportadora. IV . setores e mercados estratégicos para o comércio exterior brasileiro.planejar e executar programas de capacitação em comércio exterior com ênfase nas micro. pequenas e médias empresas. assessorar e acompanhar o planejamento.formular propostas de aperfeiçoamento da legislação em matéria relacionada ao comércio exterior. O Decreto Lei nº 7.elaborar e editar o material técnico para orientação da atividade de comércio exterior. sistematizar e disseminar dados e informações estatísticas de comércio exterior.096 de 2010.planejar. Ao Departamento de Planejamento e Desenvolvimento do Comércio Exterior compete: I . Atua também na capacitação de pequenas e médias empresas. a formulação e a execução das políticas e programas de comércio exterior. X . análise e divulgação de informações de comércio exterior.coletar. por meio de programas e informações com a análise de setores potenciais e mercados estratégicos (CAPARROZ.elaborar estudos. publicações e informações sobre produtos.manter. acordos ou ajustes semelhantes para a implementação dessas ações e programas. os assuntos relacionados com as estatísticas e o desenvolvimento do comércio exterior.

editora Aduaneiras – São Paulo. IV . Samir. Ao Departamento de Normas e Competitividade no Comércio Exterior compete: I . VII . A B C do Comércio Exterior. Art. p. VI . as principais atribuições do DENOC constituem-se também no financiamento e seguros às exportações. III . eventos e outras atividades voltadas para o desenvolvimento do comércio exterior. no âmbito da Secretaria de Comércio Exterior. 6.estabelecer normas e procedimentos necessários à implementação de políticas e programas de operacionalização do comércio exterior. nas parcerias.implementar diretrizes setoriais de comércio exterior e decisões provenientes de acordos internacionais e de legislação nacional.2. na internacionalização de empresas. e participar de eventos nacionais e internacionais. ações sobre o Acordo de Facilitação ao Comércio em curso junto à OMC. 4ª edição. 36). na administração do benefício fiscal de redução a zero da alíquota do IR.executar os serviços de Secretaria-Executiva do Grupo de Facilitação de Comércio da CAMEX.coordenar e implementar a Rede de Centros de Informações de Comércio Exterior. 20. e XIII .propor a articulação com entidades e organismos nacionais e internacionais para a realização de treinamentos. no pagamento de despesas com promoção comercial de produtos brasileiros no exterior (Sistemas de Registros de Informações de Promoção – Sisprom).coordenar.coordenar a atuação dos agentes externos autorizados a processar operações de comércio exterior. e na logística (KEEDI. bem como examinar pedidos de inscrição. estudos.coordenar. nas normas.Apostila de Legislação Aduaneira João Fernando de Moraes Sanches XII .manter e atualizar o Cadastro de Exportadores e Importadores da Secretaria de Comércio Exterior. também coordena as atividades respectivas aos acordos de facilitação e procedimentos de licenciamento de importação na seara da OMC (Organização Mundial do Comércio). Segundo KEEDI. Página 28 . além disso. o DENOC é responsável por normas e procedimentos operacionais do comércio exterior. V . 2011. II .4 Departamento de Normas e competitividade no Comércio Exterior É o mais novo departamento da SECEX. ações referente ao Acordo sobre Procedimentos de Licenciamento de Importação junto à OMC. no âmbito do Ministério.

tributário. XIII . inclusive o acompanhamento e supervisão de processos instaurados no exterior contra empresas brasileiras. Página 29 .5 Departamento de Defesa Comercial As atividades de combate ao comércio desleal quanto a empresas e produtos são coordenadas pelo DECOM. XI . VIII . comissionamento e logística de produtos brasileiros.acompanhar as diretrizes para a política de crédito e financiamento às exportações. vinculadas a operações de exportação. dando-lhes assistências e assessoria quando cabível. especialmente do PROEX. bem como do Seguro de Crédito à Exportação.participar das reuniões do Comitê de Avaliação de Créditos ao Exterior.PROEX pertinentes a aspectos comerciais. propor e acompanhar o registro no SISCOMEX de informações de despesas no exterior. do Comitê de Financiamento e Garantia das Exportações.Apostila de Legislação Aduaneira João Fernando de Moraes Sanches atualização e cancelamento de Registro de Empresas Comerciais Exportadoras constituídas nos termos da legislação específica.administrar o benefício fiscal de redução a zero da alíquota do Imposto de Renda no pagamento de despesas com promoção comercial. e XVII . 6. administrar e aperfeiçoar o Sistema de Registro de Informações de Promoção.planejar ações orientadas para a logística de comércio exterior. XIV . e da Comissão de Programação Financeira do Programa de Financiamento às Exportações. XII . IX . no exterior. órgão competente para as questões de defesa comercial. Portanto.planejar.desenvolver.promover o aperfeiçoamento da legislação de comércio exterior.formular propostas para aumento da competitividade internacional do produto brasileiro.examinar e apurar prática de fraudes no comércio exterior e propor aplicação de penalidades. buscando a preservação da livre concorrência o DECOM elabora pareceres técnicos que servirão de base para as tomadas de decisões da CAMEX. especialmente de âmbito burocrático.opinar sobre normas para o Programa de Financiamento às Exportações .2. XV . X . financeiro ou logístico. XVI .

com vistas à defesa da produção doméstica. Página 30 . com vistas a subsidiar a definição da posição brasileira. V .elaborar as notificações sobre medidas de defesa comercial previstas em acordos internacionais.examinar a procedência e o mérito de petições. 4ª edição. regionais e bilaterais pertinentes à aplicação de medidas de defesa comercial. e apoio ao exportador (KEEDI. II .Apostila de Legislação Aduaneira João Fernando de Moraes Sanches KEEDI. VI . de subsídios e de salvaguardas.acompanhar as negociações internacionais referentes a acordos multilaterais. mediante processo administrativo. regionais ou bilaterais.examinar a conveniência e o mérito de propostas de compromissos de preço previstos nos acordos multilaterais. p.propor a aplicação de medidas antidumping. previstas em acordos multilaterais. VII .examinar a procedência e o mérito de petições de abertura de investigações e revisões de dumping.propor a abertura e conduzir investigações e revisões. regionais ou bilaterais. regionais ou bilaterais na área de defesa comercial. compensatórias e de salvaguardas. inclusive as preferenciais. bem como a partes. Ao Departamento de Defesa Comercial compete: I . 2011. III . editora Aduaneiras – São Paulo. bem como propor a abertura e conduzir investigação sobre a existência de práticas elisivas que frustrem a cobrança de medidas antidumping e compensatórias.propor a extensão a terceiros países. compensatórias e de salvaguardas. IX . previstas em acordos multilaterais. bem como formular propostas a respeito. propondo regulamentação dos procedimentos relativos às investigações de defesa comercial. previstas em acordos multilaterais.participar das consultas e negociações internacionais relativas à defesa comercial. inclusive as preferenciais. IV . peças e componentes dos produtos objeto de medidas antidumping e compensatórias vigentes. A B C do Comércio Exterior. X .propor a regulamentação dos procedimentos relativos às investigações de defesa comercial. sobre a aplicação de medidas antidumping. 18. regionais ou bilaterais. Art. Samir. inclusive as preferenciais. VIII . esclarece que o DECOM atua mediante processo administrativo e aplicação de medidas antidumping. 36).

A criação desta câmara foi uma tentativa de responder as rápidas transformações crescimento do setor externo brasileiro. trata-se de um órgão integrante do Conselho do Governo. da Pecuária e do Abastecimento. do Desenvolvimento. nenhuma medida que afete o comércio exterior brasileiro pode ser editada sem discussão prévia da Câmara.acompanhar as investigações de defesa comercial abertas por terceiros países contra as exportações brasileiras e prestar assistência à defesa do exportador.elaborar material técnico para orientação e divulgação dos mecanismos de defesa comercial. além dos Ministros Chefe da Casa Civil da Presidência da República. XIII . e XVI . em articulação com outros órgãos governamentais e o setor privado. Indústria e Comércio Exterior. do Orçamento e da Gestão e do Desenvolvimento Agrário.fazer o levantamento permanente das restrições às exportações brasileiras e recomendações para seu tratamento em nível externo e interno. Criada em 1995. XV . das Relações Exteriores. composta por um conselho de ministros dos ministérios do Estado.3 Câmara de Comércio Exterior Conhecida como CAMEX. Atualmente. ligado a Presidência da República com objetivos de formular.acompanhar e participar dos procedimentos de solução de controvérsias referentes a medidas de defesa comercial. 6. bem como formular propostas a respeito. XIV .orientar o setor produtivo nacional com relação a barreiras comerciais externas. Página 31 . da Agricultura. a CAMEX é composta como vimos.Apostila de Legislação Aduaneira João Fernando de Moraes Sanches XI . adotar. implementar e coordenar políticas e atividades respectivas ao comércio exterior de bens e serviços. por um Conselho de Ministros e uma Secretaria Executiva.formular propostas aos outros órgãos governamentais a fim de implementar ações em defesa da indústria brasileira. limitando demasiadamente o processo decisório no comércio exterior. XII . eis que se configura numa entidade de deliberação e instância final. no âmbito multilateral. que sempre fora tratada de forma isolada por cada um dos Ministérios do país. É considerada a mais importante em termos de comércio exterior no Brasil. regional e bilateral. inclusive o turismo. do Planejamento. da Fazenda. com vistas a subsidiar a definição de proposta brasileira.

III .definir.definir diretrizes e procedimentos relativos à implementação da política de comércio exterior visando à inserção competitiva do Brasil na economia internacional. b) habilitação e credenciamento de empresas para a prática de comércio exterior. 2o Compete à CAMEX.coordenar e orientar as ações dos órgãos que possuem competências na área de comércio exterior.Apostila de Legislação Aduaneira João Fernando de Moraes Sanches A importância da CAMEX é destacada pelo professor CAPARROZ No Brasil. de decreto ou de portaria ministerial. São Paulo.732 de 2003 estabelece as competências da CAMEX Art. em especial propostas de projetos de lei de iniciativa do Poder Executivo. respectivamente. § 2o São excluídas das disposições deste Decreto as matérias relativas à regulação dos mercados financeiro e cambial de competência do Conselho Monetário Nacional e do Banco Central do Brasil. para os seguintes temas. Comércio Internacional Esquematizado. p. a CAMEX será previamente consultada sobre matérias relevantes relacionadas ao comércio exterior. 333). II . Art. tanto de mercadorias como de serviços (CAPARROZ. do Conselho de Governo. tem por objetivo a formulação. diretrizes e orientações sobre normas e procedimentos. ainda que consistam em atos de outros órgãos federais.CAMEX. no âmbito das atividades de exportação e importação. O Decreto Lei 4. a instância máxima do comércio exterior é representada pela Câmera do Comércio Exterior (CAMEX). § 1o Para atender o disposto no caput. Roberto. adoção. dentre outros atos necessários à consecução dos objetivos da política de comércio exterior: I . c) nomenclatura de mercadoria. 1o A Câmara de Comércio Exterior . Editora Saraiva. incluindo o turismo. 2012. implementação e a coordenação de políticas e atividades relativas ao comércio exterior de bens e serviços. enquanto diversos órgãos da estrutura do governo federal cuidam da administração aduaneira e tributária das importações e exportações. observada a reserva legal: a) racionalização e simplificação do sistema administrativo. Página 32 .

fixar direitos antidumping e compensatórios. X . V .orientar a política aduaneira. portuários.fixar diretrizes e coordenar as políticas de promoção de mercadorias e de serviços no exterior e de informação comercial.fixar as alíquotas do imposto de exportação. de natureza bilateral. f) marcação e rotulagem de mercadorias. de 21 de novembro de 1966. XVIII . 4o da Lei no 9. XI . XVII .fixar diretrizes para a política de financiamento das exportações de bens e de serviços. de transporte e de turismo. XIII . de 19 de setembro de 1984.578. e salvaguardas. XIV . XII . bem como para a cobertura dos riscos de operações a prazo.019. VI . no Decreto-Lei no 63.162. IV . inclusive as relativas ao seguro de crédito às exportações. visando à sua adaptação aos objetivos da política de comércio exterior e ao aprimoramento da concorrência. provisórios ou definitivos.244. respeitadas as condições estabelecidas no Decreto-Lei no 1.homologar o compromisso previsto no art.estabelecer diretrizes e procedimentos para investigações relativas a práticas desleais de comércio exterior. com vistas ao incremento das exportações e da prestação desses serviços a usuários oriundos do exterior.estabelecer as diretrizes para as negociações de acordos e convênios relativos ao comércio exterior. VIII . IX . e g) regras de origem e procedência de mercadorias. regional ou multilateral. XVI .definir diretrizes para a aplicação das receitas oriundas da cobrança dos direitos de que trata o inciso XV deste artigo. de 14 de agosto de 1957.decidir sobre a suspensão da exigibilidade dos direitos provisórios. e Página 33 . aeroportuários. aeroportuários e de fronteiras.opinar sobre política de frete e transportes internacionais. e no Decreto-Lei no 2. VII . de 11 de outubro de 1977.fixar as alíquotas do imposto de importação. XV .estabelecer diretrizes e medidas dirigidas à simplificação e racionalização do comércio exterior. observada a competência específica do Ministério da Fazenda. atendidas as condições e os limites estabelecidos na Lei no 3. de 30 de março de 1995. e) classificação e padronização de produtos.Apostila de Legislação Aduaneira João Fernando de Moraes Sanches d) conceituação de exportação e importação.orientar políticas de incentivo à melhoria dos serviços portuários.formular diretrizes básicas da política tarifária na importação e exportação.

a Nomenclatura Comum do MERCOSUL de que trata o Decreto no 2. IX e X.MERCOSUL. 6.4 Secretaria da Receita Federal O controle do comércio exterior.o papel do comércio exterior como instrumento indispensável para promover o crescimento da economia nacional e para o aumento da produtividade e da qualidade dos bens produzidos no País. Art. sem prejuízo das competências do Banco Central do Brasil e do Conselho Monetário Nacional. de investimento nacional no exterior e de transferência de tecnologia. ou alteração. de 12 de novembro de 1997. Página 34 .ALADI. III .SENEUROPA. no Grupo Interministerial de Trabalho sobre Comércio Internacional de Mercadorias e Serviços . na Seção Nacional para as Negociações MERCOSUL .GICI. fica sujeita à prévia aprovação da CAMEX. § 1o Na implementação da política de comércio exterior. e IV . b) no MERCOSUL. V. e na Seção Nacional do MERCOSUL. por parte dos órgãos da Administração Federal. 237 da Constituição.os compromissos internacionais firmados pelo País. 237 da Constituição. de exigência administrativa.SENALCA.376.Apostila de Legislação Aduaneira João Fernando de Moraes Sanches XIX . IV. e observado o disposto no art.as políticas de investimento estrangeiro. em particular: a) na Organização Mundial do Comércio .as competências de coordenação atribuídas ao Ministério das Relações Exteriores no âmbito da promoção comercial e da representação do Governo na Seção Nacional de Coordenação dos Assuntos relativos à ALCA . É um órgão que pertence ao governo federal e abrange as unidades dos portos. e c) na Associação Latino-Americana de Integração . 3o A instituição. § 3o No exercício das competências constantes dos incisos II.alterar. na forma estabelecida nos atos decisórios do Mercado Comum do Sul . II . regional ou multilateralmente. registro. controle direto e indireto sobre operações de comércio exterior. o controle aduaneiro brasileiro é exercido atualmente pela Secretaria da Receita Federal. que complementam a política de comércio exterior. ou mais precisamente. § 2o A CAMEX proporá as medidas que considerar pertinentes para proteger os interesses comerciais brasileiros nas relações comerciais com países que descumprirem acordos firmados bilateral. a CAMEX deverá ter presente: I . a CAMEX observará o disposto no art.OMC.União Européia .

se atestada a regularidade fiscal do interessado. e IV .A. esteiras rolantes ou similares. ao alfandegamento de recintos de zona primária e de zona secundária. atos normativos para a implementação do disposto neste Capítulo. inclusive unidades de fiscalização e pósdespacho. § 3o O alfandegamento poderá abranger a totalidade ou parte da área dos portos e dos aeroportos. no âmbito de sua competência. ligados a estes por tubulações. instaladas em caráter permanente. zonas primárias e secundárias do território aduaneiro. III . § 5o O alfandegamento de que trata o § 4o é subordinado à comprovação do direito de construção e de uso das tubulações. e o cumprimento das condições fixadas em contrato. ou seja. o alfandegamento poderá ser efetivado somente após a conclusão do devido procedimento licitatório pelo órgão competente. ainda. naqueles locais considerados alfandegados.depois de atendidas as condições de instalação do órgão de fiscalização aduaneira e de infra-estrutura indispensável à segurança fiscal. esteiras rolantes ou similares. 13. Quando se fala em “controle aduaneiro”. CAPARROZ.se o interessado assumir a condição de fiel depositário da mercadoria sob sua guarda. O alfandegamento desses locais se dá através da Receita Federal. § 2o Em se tratando de permissão ou concessão de serviços públicos. parágrafo 6 do R. para armazenamento de produtos a granel.Apostila de Legislação Aduaneira João Fernando de Moraes Sanches aeroportos e pontos de fronteiras alfandegados. clarifica com louvor o conceito de “alfandegamento” Página 35 .13. ser alfandegados silos ou tanques. O alfandegamento de portos. aeroportos e pontos de fronteira somente poderá ser efetivado: I . e ao cumprimento do disposto no caput. § 6o Compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil declarar o alfandegamento a que se refere este artigo e editar. no que couber. § 4o Poderão. § 1o O disposto no caput aplica-se. significa dizer sobre a fiscalização de entradas e saídas de mercadorias. conforme preceitua o art. II .se houver disponibilidade de recursos humanos e materiais. em sua obra Comércio Internacional Esquematizado. localizados em áreas contíguas a porto organizado ou instalações portuárias. Art.

descarga. diretamente subordinado ao Ministro da Fazenda. mas também nas questões da arrecadação dos tributos internos. assim entendidas outras entidades e fundos. controlar e avaliar as atividades de administração tributária federal e aduaneira.planejar.RFB. em áreas específicas. tem por finalidade: I . Página 36 . ressaltam-se os dizeres de KEEDI É a RFB que controla as entradas e saídas de mercadorias. editora Aduaneiras – São Paulo. A B C do Comércio Exterior. na forma da legislação em vigor. transferência. 4ª edição. armazenagem. supervisionar. 1º A Secretaria da Receita Federal do Brasil . II . em caráter permanente. 587. executar. 2011. Importante ressaltar que a atuação da Receita Federal não recai somente no controle aduaneiro e no alfandegamento de recintos especializados. sempre sob controle da Receita Federal. transbordo ou trânsito de mercadorias importadas ou exportadas. inclusive as relativas às contribuições sociais destinadas ao financiamento da seguridade social e às contribuições devidas a terceiros. matéria a ser estudada mais adiante com maior profundidade.Apostila de Legislação Aduaneira João Fernando de Moraes Sanches Alfandegamento é ato administrativo que autoriza. aeroportos e zonas de fronteira. 41). bem como realiza a cobrança dos impostos devidos nessas operações e autoriza a sua nacionalização e desnacionalização (KEEDI. o trânsito de veículos em trajeto internacional. coordenar. Nesse sentido. órgão específico singular.propor medidas de aperfeiçoamento e regulamentação e a consolidação da legislação tributária federal. pelo seu estatuto através da portaria n. de 21 de dezembro de 2010 elaborada pelo Ministério da Fazenda Art. Samir. a movimentação de passageiros procedentes do exterior ou a ele destinados e as operações de carga. A competência da Receita federal é estabelecida no artigo 1. p. como portos. nos locais alfandegados estabelecidos para isso.

para permuta de informações. XIV .propor medidas destinadas a compatibilizar a receita a ser arrecadada com os valores previstos na programação financeira federal. VII . coordenar e executar os serviços de fiscalização.preparar e julgar. processos administrativos de determinação e exigência de créditos tributários e de reconhecimento de direitos creditórios. e de educação fiscal. bem como coordenar e consolidar as previsões das demais receitas federais. XII . aduaneira. entre o fisco e o contribuinte. das isenções tributárias e dos incentivos ou estímulos fiscais. VIII .acompanhar a execução das políticas tributária e aduaneira e estudar seus efeitos sociais e econômicos. para subsidiar a elaboração da proposta orçamentária da União. dirigir. desenvolvimento de sistemas compartilhados e realização de operações conjuntas. inclusive disciplinar a entrega de declarações. Página 37 . em instância única.realizar estudos para subsidiar a formulação da política tributária e estabelecer política de informações econômico-fiscais e implementar sistemática de coleta. orientar.celebrar convênios com órgãos e entidades da administração pública e entidades de direito público ou privado. de custeio previdenciário e correlata.Apostila de Legislação Aduaneira João Fernando de Moraes Sanches III . lançamento. V . ressalvada a competência de outros órgãos que também tratam da matéria. IX .estabelecer obrigações tributárias acessórias. XI . supervisionar. X . arrecadação e controle dos tributos e demais receitas da União sob sua administração. tratamento e divulgação dessas informações. em primeira instância. XIII . VI . o acompanhamento. cobrança.interpretar e aplicar a legislação tributária.realizar a previsão. bem assim preparar e divulgar informações tributárias e aduaneiras. racionalização de atividades.preparar e julgar. relativos aos tributos por ela administrados.promover atividades de cooperação e integração entre as administrações tributárias do País.estimar e quantificar a renúncia de receitas administradas e avaliar os efeitos das reduções de alíquotas. a análise e o ' controle das receitas sob sua administração. IV . editando os atos normativos e as instruções necessárias à sua execução.planejar. processos administrativos de aplicação de pena de perdimento de mercadorias e valores e de multa a transportador de passageiros ou de carga em viagem doméstica ou internacional que transportar mercadoria sujeita à pena de perdimento.

supervisionar. XIX .orientar. e à lavagem e ocultação de bens. XXIV . para realização de estudos. inclusive no que diz respeito a alfandegamento de áreas e recintos. fiscalização e controle aduaneiros. tratados e convênios internacionais pertinentes à matéria tributária e aduaneira. coordenar e executar as atividades relacionadas com nomenclatura. supervisionar. de 17 de dezembro de 1975. avaliar e normatizar o Sistema Integrado de Comércio Exterior . XVI .planejar. em estreita colaboração com a Secretaria de Política Econômica e com a Secretaria de Acompanhamento Página 38 . coordenar e realizar as atividades de repressão ao contrabando. congressos e eventos semelhantes. controlar. supervisionar.realizar e disseminar estudos e estatísticas econômico-tributários e relativos à matéria de comércio exterior. ressalvadas as competências de outros órgãos. observada a competência específica de outros órgãos. coordenar e executar os serviços de administração.gerir o Fundo Especial de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento das Atividades de Fiscalização .SISCOMEX.elaborar proposta de atualização do plano de custeio da seguridade social. orientar.dirigir. supervisionar e coordenar as atividades de produção e disseminação de informações estratégicas na área de sua competência. classificação fiscal e econômica e origem de mercadorias.437. à prevenção e ao combate às fraudes e práticas delituosas. ressalvadas as competências do Comitê Brasileiro de Nomenclatura. e XXV .dirigir. conferências técnicas. orientar.UNDAF. inclusive representando o País em reuniões internacionais sobre a matéria.articular-se com órgãos.dirigir. direitos e valores. XXII . orientar. XVII . em especial as destinadas ao gerenciamento de riscos ou à utilização por órgãos e entidades participantes de operações conjuntas. econômico-previdenciário e de comércio exterior. visando à qualidade e fidedignidade das informações. entidades e organismos nacionais. coordenar e executar o controle do valor aduaneiro e de preços de transferência de mercadorias importadas ou exportadas. internacionais e estrangeiros que atuem no campo econômico-tributário. no âmbito da administração tributária federal e aduaneira. XXIII . XVIII . à contrafação e pirataria e ao tráfico ilícito de entorpecentes e de drogas afins. a que se refere o Decreto-Lei nº 1.administrar. ao descaminho. XX . em articulação com os demais órgãos envolvidos. XXI .negociar e participar da implementação de acordos.Apostila de Legislação Aduaneira João Fernando de Moraes Sanches XV .

4ª edição. Comércio Internacional Esquematizado. Editora Método – São Paulo. Editora Saraiva. 2012. São Paulo. 2011. 2005. (KEEDI. A B C do Comércio Exterior.) (FOLLONI. 193). Comércio Internacional para Concursos. p. (CAPARROZ. p. Roberto. editora Aduaneiras – São Paulo. 338. 34). Jorge Luis. Samir.Apostila de Legislação Aduaneira João Fernando de Moraes Sanches Econômico. p. p. (CABRAL. editora Dialética – São Paulo. DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL Página 39 . visando aprimorar os estudos e as políticas públicas a seu cargo. 86). Tributação Sobre o Comércio Exterior. André Parmo. 2011.

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