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Considerações acerca dos métodos dedutivo e indutivo

Considerações acerca dos métodos dedutivo e indutivo

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Publicado porJorge Henrique
Algumas considerações que faço acerca dos métodos dedutivo e indutivo.
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Published by: Jorge Henrique on Jan 13, 2009
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CONSIDERAÇÕES ACERCA DOS MÉTODOS DEDUTIVO E INDUTIVO

Jorge Henrique Vieira Santos Segundo Gil (1999), método é “um conjunto de procedimentos intelectuais e técnicos” necessário à investigação científica. Como o conhecimento científico fundamenta-se na razão, precisa ser sistemático, a fim de que possa ser testado e comprovado por outros membros da comunidade científica, daí a necessidade do método. Dentre os métodos consolidados da pesquisa científica estão o dedutivo e o indutivo (GIL,1999; LAKATOS; MARCONI, 1993). De maneira sucinta, farei a seguir considerações sobre as bases lógicas desses métodos. O método dedutivo, de base racionalista (Descartes, Spinoza, Leibniz), pressupõe que apenas a razão pode conduzir ao conhecimento verdadeiro. Partindo de princípios reconhecidos como verdadeiros e inquestionáveis (premissa maior), o pesquisador estabelece relações com uma proposição particular (premissa menor) para, a partir de raciocínio lógico, chegar à verdade daquilo que propõe (conclusão). Segundo Torres (2008), embora encontre larga aplicação em ciências como a Física e a Matemática, algumas objeções já foram apresentadas ao método dedutivo. Uma delas é a de que o raciocínio dedutivo é tautológico e, portanto, permite concluir de maneiras diferentes a mesma afirmação, sem acrescentar informação ao que já se sabia. Um exemplo clássico é o silogismo abaixo: Todo homem é mortal Sócrates é homem Logo, Sócrates é mortal. Ora, no momento em que se aceita a verdade da proposição de que todo homem seja mortal (premissa maior) a afirmação de que Sócrates é mortal (premissa menor) nada acrescenta ao raciocínio, uma vez que a verdade da conclusão já se encontrava implícita no princípio geral a partir do qual se elabora o raciocínio. Além disso, dependendo verdade das premissas definidas, o raciocínio pode induzir a erro, como no caso a seguir: Todo homem se locomove sobre duas pernas Jorge Henrique é homem Logo, Jorge Henrique se locomove sobre duas pernas.

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Embora o raciocínio acima apresente validade, ou seja, seu processo lógico, segundo a teoria, esteja correto, não corresponde a uma realidade, pois Jorge Henrique é paraplégico (cadeirante), não representa, portanto, uma verdade. O método indutivo percorre o caminho inverso, partindo do particular, por meio da observação criteriosa dos fenômenos concretos da realidade e das relações existentes entre eles, para se chegar à generalização. Como se baseia na experiência (foi proposto pelos empiristas: Bacon, Hobbes, Locke e Hume), desconsidera verdades pré-concebidas. Apesar da grande aceitação desse método, para Neto (2002), ao contrário da dedução, a indução não nos fornece a certeza das conclusões verdadeiras, apenas a probabilidade, pois “no caso das inferências dedutivas, a verdade das premissas acarreta a verdade das conclusões”, mas “nas inferências indutivas isso não ocorre”, por exemplo: Júlio se locomove sobre duas pernas, Pedro se locomove sobre duas pernas, Augusto se locomove sobre duas pernas, Francisco se locomove sobre duas pernas, Joaquim se locomove sobre duas pernas, Ora, Júlio, Pedro, Augusto, Francisco e Joaquim são homens Logo, (todos) os homens se locomovem sobre duas pernas. Embora as constatações decorrentes da observação criteriosa dos fenômenos concretos e suas relações sejam verdadeiras, a indução conduziu a uma conclusão falsa, pois se desconhecia o caso particular de Jorge Henrique. Talvez levados por um raciocínio indutivo como esse, boa parte dos arquitetos brasileiros elaborem seus projetos sem os requisitos mínimos de acessibilidade para os portadores de necessidades especiais locomotivas. É interessante observar que mesmo o método utilizado pelo pesquisador pode ser alvo da pesquisa científica e ter de se submeter a testes para a verificação de sua validade. Isso acontece pelo caráter que tem a ciência de ser sistemática e verificável. “O conhecimento científico deve ser justificado e é sempre passível de revisão, desde que se possa provar sua inexatidão” (Neto, 2002, p. 04). Graças a isso, é que Karl Popper em “A lógica da investigação científica”, de 1935, fez críticas ao método indutivo e introduziu na ciência o critério da falseabilidade, segundo o qual “uma teoria científica deve implicar a possibilidade de sua contradição: as teorias que não admitem sua possível negação pela experiência não seriam científicas” (Neto, 2002, p.72). Assim Popper introduziu as bases do método hipotético-dedutivo cuja fundamentação está bem sintetizada por Kaplan (1972, p. 12):

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"... o cientista, através de uma combinação de observação cuidadosa, hábeis antecipações e intuição científica, alcança um conjunto de postulados que governam os fenômenos pelos quais está interessado, daí deduz ele as conseqüências por meio de experimentação e, dessa maneira, refuta os postulados, substituindo-os, quando necessário por outros e assim prossegue". (KAPLAN, A. A conduta na pesquisa: metodologia para as ciências do comportamento. 1972, p. 12.) Diante do exposto, é possível perceber que o conhecimento científico não é algo plenamente previsível com roteiros de procedimentos definidos e infalíveis. A pesquisa científica será sempre busca e investigação. Da mesma forma, os procedimentos intelectuais e técnicos que estão à disposição do pesquisador devem ser selecionados segundo critérios específicos e condições materiais da própria pesquisa. Para Silva e Menezes (2001) o ideal é que o pesquisador empregue “métodos, e não um método em particular, que ampliem as possibilidades de análise e obtenção de respostas para o problema proposto na pesquisa”.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas, 1999. In SILVA, E. L. da e MENEZES, E. M. Metodologia da pesquisa e elaboração de dissertação. 3ª Ed. Revisada e atualizada. Florianópolis: Laboratório de Ensino à Distância da UFSC, 2001. [online] Disponível na internet via WWW. URL: http://projetos.inf.ufsc.br/arquivos/Metodologia%20da%20Pesquisa%203a%20 edicao.pdf. Acesso em 30 de outubro de 2008, às 18:22:34. KAPLAN, A. A conduta na pesquisa: metodologia para as ciências do comportamento. São Paulo: Herder, 1972. in TORRES, J. Método dedutivo VS método indutivo. [online] Disponível na internet via WWW. URL: http://precodosistema.blogspot.com/search?q=dedutivo+e+indutivo. Acesso em 30 de outubro de 2008, às 17:38:12. LAKATOS, E. M. e MARCONI, M. de A. Fundamentos de metodologia científica. São Paulo: Atlas, 1993. In SILVA, E. L. da e MENEZES, E. M. Metodologia da pesquisa e elaboração de dissertação. 3ª Ed. Revisada e atualizada. Florianópolis: Laboratório de Ensino à Distância da UFSC, 2001. [online] Disponível na internet via WWW. URL: http://projetos.inf.ufsc.br/arquivos/Metodologia%20da%20Pesquisa%203a%20 edicao.pdf. Acesso em 30 de outubro de 2008, às 18:22:34. NETO, J. A. M. Metodologia científica na era da informática. São Paulo: Saraiva, 2002. SILVA, E. L. da e MENEZES, E. M. Metodologia da pesquisa e elaboração de dissertação. 3ª Ed. Revisada e atualizada. Florianópolis: Laboratório de Ensino à Distância da UFSC, 2001. [online] Disponível na internet via WWW. URL: http://projetos.inf.ufsc.br/arquivos/Metodologia%20da%20Pesquisa%203a%20 edicao.pdf. Acesso em 30 de outubro de 2008, às 18:22:34. TORRES, J. Método dedutivo VS método indutivo. [online] Disponível na internet via WWW. URL: http://precodosistema.blogspot.com/search?q=dedutivo+e+indutivo. Acesso em 30 de outubro de 2008, às 17:38:12. Jorge Henrique Vieira Santos – página 3

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