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Tarefas Domésticas na perspectiva de adolescentes

Tarefas Domésticas na perspectiva de adolescentes

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rotina, psicologia do desenvolvimento, atividades domésticas
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AS TAREFAS DOMÉSTICAS NA PERSPECTIVA DE ADOLESCENTES DE BAIXA RENDA

Mayara Barbosa Sindeaux Lima*, Abraão Roberto Fonseca*, Daniela Castro dos Reis, Danielle Santos de Miranda*, Eric Campos Alvarenga, Lorena Ribeiro dos Santos, Karina Helaine Lima Coelho, Rosana Maria Freitas de Lemos, Tatyane Souza Ramos*, Fernando Augusto Ramos Pontes** Mayarasindeaux@yahoo.com.br Trabalho financiado parcialmente pelo PIBIC/CNPq

As tarefas domésticas entendidas como o exercício de tarefas em sua própria casa e para sua própria família, sem que haja remuneração, torna-as uma temática privilegiada para estudos de interação social no grupo familiar, pois podem permitir acesso à cultura íntima da família e às práticas culturais, como diferenciação de gênero e aquisição de papéis. A atribuição de atividades domésticas às crianças e adolescentes parece constituir-se em uma estratégia de socialização, particularmente, em famílias de baixa renda onde a sobrevivência do grupo familiar está intrínseco as relações de trabalho (Antill, J.k. Goodnow, J. J. Graeme Russell, G; Cotton, S. 1996; Bastos, 2001; Cohen, 200; Goodnow, 1988). Segundo Bastos (2002) e Goodnown (1989)a participação das crianças na execução das tarefas de casa seria uma importante via de socializá-las na família como membro efetivo e atuante, pois o sentimento de pertencer a família seria fortalecido à medida que a criança assume uma responsabilidade diante dos demais membros, contribuindo com a sobrevivência grupo familiar, além do compartilhando de normas, valores e objetivos. As justificativas parentais, apontadas na literatura, para o direcionamento de atividades domésticas aos filhos seriam: aquisição de responsabilidade e autonomia, valorização e/ou habituação ao trabalho, restringir o tempo despendido fora de casa (Write e Brinkerhoff (1981). Entretanto as pesquisas apresentam escassos indicativos sobre os sentidos, crenças e valores de crianças e adolescentes envoltas nestas atividades, assim, o objetivo desta pesquisa foi fazer um levantamento das tarefas domésticas de adolescente de baixa-renda e, apreender idéias e emoções destes em relação a realização das mesmas.

METODOLOGIA
Fase quantitativa
Participantes: 50 adolescentes (25 de cada sexo) de 12 a 15 anos de idade, moradores de uma periferia da cidade de Belém do Pará. Local: próxima às residências dos participantes. Instrumentos: questionários semi-estruturados (Sócio-demográfico, Rotina e Tarefas domésticas. Procedimento: aplicação individual dos questionários.

Fase qualitativa
Participantes: 8 adolescentes baixa renda que participaram da 1ª fase da pesquisa (3 do sexo masculino e 5 do sexo feminino) Local: uma das salas de uma uma creche localizada na comunidade. Instrumentos: roteiro do Grupo Focal (G.F) Procedimento: 2 sessões de Grupo Focal (G.F)

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Percentual

100

100

100 100 88 72 72

96 76

100 80 60 40 20 0
0 1 ,2
11,2

Percentual

Percentual

80 60 40 20 0
Atividades direcionada a s i

69

80 60 40 20 0

0 3,7 5,4
4,8

44

67,1

58,5

31

1 8,9

27,6 0 0 0 0

F M

F Sim
Familiares

M

F Não
Mãe Pai

M

Figura 1. Percentual de atividades domésticas direcionadas a si outros membros familiares

Atividades direcionadas aos outros

e aos

Arrumação/ Cuidado Atividades Alimentação limpeza exteriores Figura 2. Percentual de participantes que executam, no mínimo, uma tarefa das

Outros

categorias de atividades domésticas.

Figura 3. Porcentagem de atividades domésticas em que os participantes eram ou não auxiliados.

F- A gente acha chato [tarefas domésticas] agora quando a gente é criança, que a gente quer ser livre, sair pra onde quiser, quando chegar lá na frente não. M- É chato mais eu me incomodo de ver uma coisa fora do lugar (...) aí eu vou lá e arrumo (...) Aí chega um peidado [irmão] lá e desarruma (...). Eles [irmãos] fala que eu sou mulher, por que eu faço as coisas em casa (...). Ele [irmão] não faz nada em casa e vai pra rua e aprende esses negócio, ele fuma... não sei o que, ele bebe (...) ficar em casa e me chama de mulher e se ficar na rua vão me chamar de ladrão (...). M- Eu já acho que quem deveria fazer [tarefas domésticas] era a minha irmã mais velha, eles são mais velhos mesmos, tem que cuidar dos menores, M- (...) acho errado colocar os pais para fazerem [tarefas domésticas] por causa que... eles já tem que trabalhar pra dá pra gente o pão de cada dia(...) quando eles eram crianças eles passaram por tudo que a gente passou. F- (...) [mãe] diz que eu sou muito preguiçosa, mas eu não acho assim, eu faço tudo lá em casa (...) aí ela vem querer me bater aí eu fico triste (...) ela faz assim por que ela sofreu (...) então ela quer que eu tenha tudo o que ela não teve, só que eu acho que ela quer ser um pouco revoltada, acho que é por isso que ela fala assim da gente. F- Eu é o jeito fazer tudo lá em casa, minha mãe sai, meu pai vai trabalhar, mamãe trabalha também ela só chega noite (...). Porque eu sei as minhas obrigações também. F- Lá em casa a mamãe não manda por que eu já sei o que eu tenho que fazer, quando eu era pequena ela mandava (...).

Os dados indicam que:

M- (...) a gente tem que aprender desde cedo,(...) já pensou se tá desempregado e os pais morrem (...) se não aprendeu na infância como é que vai aprender na idade adulta?

 As tarefas domésticas realizadas estão voltadas ao bem estar da família e, apesar de ambos os sexos realizarem todas as categorias de tarefas domésticas, aquelas que permitem maior exploração dos espaços exteriores à casa são realizadas mais pelo sexo masculino, o que pode implicar em diferentes experiências de socialização;  A atribuição de tarefas segue critérios de gênero e ordem de nascimento e o conflito entre os irmãos parece depender se a divisão de tarefas é percebida ou não como justa;  A mãe foi a principal referência nas tarefas caseiras, os sentimentos em relação a ela foram ambivalentes: injustiça/tristeza x solidariedade/compreensão;  Para os participantes a prática das atividades do lar permite a democracia doméstica, a sobrevivência do grupo familiar não é de responsabilidade exclusiva dos pais, “cada um tem sua parte”;  Os participantes parecem assimilar as tarefas domésticas como uma tarefa desenvolvimental que é própria à infância, uma estratégia pedagógica de aprendizado/habituação ao trabalho e que evita a marginalidade e comportamentos de risco e, promove benefícios desenvolvimentais (aquisição de autonomia e responsabilidade);
* Bolsista de iniciação científica – CNPq ** Bolsista de produtividade – CNPq

REFERÊNCIAS:

Antill, J. K., Goodnow, J. J. Graeme Russell, G; Cotton, S. (1996). The influence of parents and family contest on children’s involvemente in household tasks. Sex Roles: A Journal of Research, vol.34, n 3-4, p. 215. Bastos, A. C. S. (2002). O trabalho como estratégia de socialização na infância. Veritati. Vol. 2, n. 2, p. 209. Bastos, A. C. S. (2001). Modos de Partilhar: A criança e o cotidiano da família. Taubaté: Cabral Editora Universitária. Cohen, R. (2001). Children’s contribution to household labour in three sociocultural contexts: A Southern Indian Village, a Norwegian town and a Canadian City Internatiol Journal of Comparative Sociology, p. 353. Goodnow, J.J. (1989). Work in households: an overview and three studies. Em D. Ironmonger (Ed.) Households work. Sydney: Allen and Unwin. Goodnow, J.J.(1988). Chidren’s Household Works: Its Nature and Functions. Psychological Bulletin. vol. 103 (1), p. 5. White, L.K., & Brinkerhoff, D.B. (1981). Children's work in the family: Its significance and meaning. Journal of Marriage and the Family, 43, 789-798.

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