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Direito Ambiental na Constituição Federal de 1988 - 2

Direito Ambiental na Constituição Federal de 1988 - 2

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Capítulo VI VI - DO MEIO AMBIENTE (ART. 225) Art. 225.

Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. § 1º - Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao poder público: I - preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas; II - preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético; III - definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção; IV - exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade; V - controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente; VI - promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente; VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade. § 2º - Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente degradado, de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público competente, na forma da lei. § 3º - As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados. § 4º - A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal MatoGrossense e a Zona Costeira são patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma da

Constituição Federal

lei, dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais. § 5º - São indisponíveis as terras devolutas ou arrecadadas pelos Estados, por ações discriminatórias, necessárias à proteção dos ecossistemas naturais. § 6º - As usinas que operem com reator nuclear deverão ter sua localização definida em lei federal, sem o que não poderão ser instaladas. OBSERVAÇOES: O Caput do artigo 225 traz a Norma Princípio, a Norma Matriz. O meio ambiente é um Direito Coletivo, bem de uso comum do povo. O meio ambiente deve estar ecologicamente equilibrado. O meio ambiente ecologicamente equilibrado é essencial a sadia qualidade de vida. É imposição constitucional a defesa e preservação ambiental. Pensamos nas gerações futuras (indicativo de Direito Difuso). A Constituição reconhece a existência de impactos ambientais na mineração. Garante a mineração, mas determina a recuperação ambiental. A Constituição estabelece três níveis de responsabilidade – Administrativa, Penal e Civil – pelo dano ambiental. Define e protege alguns biomas encontrados no Brasil alçando-os à condição de Patrimônio Nacional. Torna indisponíveis as terras devolutas ou arrecadadas quando necessárias à proteção dos ecossistemas naturais. Exige a edição de Lei Federal para instalação de usinas que operem com reator nuclear, tornando esta discussão nacional. Terras Devolutas: 1) Terras públicas compreendidas nas faixas de fronteira dos Territórios e do Distrito Federal e as que não são aplicadas a qualquer uso público, federal, estadual ou municipal, ou que não se encontram, por título legítimo, na posse, ou domínio particular de alguém. 2) Terras públicas dominicais, ou incorporadas ao patrimônio da União e dos Estados, quando situadas dentro de suas fronteiras. saberjuridico.com.br

Art. 20. São bens da União: I - os que atualmente lhe pertencem e os que lhe vierem a ser atribuídos; II - as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e construções militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental, definidas em lei; III - os lagos, rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seu domínio, ou que banhem mais de um Estado, sirvam de limites com outros países, ou se estendam a território estrangeiro ou dele provenham, bem como os terrenos marginais e as praias fluviais; IV as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com outros países; as praias marítimas; as ilhas oceânicas e as costeiras, excluídas, destas, as que contenham a sede de Municípios, exceto aquelas áreas afetadas ao serviço público e a unidade ambiental federal, e as referidas no art. 26, II; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 46, de 2005) V - os recursos naturais da plataforma continental e da zona econômica exclusiva; VI - o mar territorial; VII - os terrenos de marinha e seus acrescidos; VIII - os potenciais de energia hidráulica; IX - os recursos minerais, inclusive os do subsolo; X - as cavidades naturais subterrâneas e os sítios arqueológicos e pré-históricos; XI - as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios. § 1º - É assegurada, nos termos da lei, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, bem como a órgãos da administração direta da União, participação no resultado da exploração de petróleo ou gás natural, de recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica e de outros recursos minerais no respectivo território, plataforma continental, mar territorial ou zona econômica exclusiva, ou compensação financeira por essa exploração. § 2º - A faixa de até cento e cinqüenta quilômetros de largura, ao longo das fronteiras terrestres, designada como faixa de fronteira, é considerada fundamental para defesa do território nacional, e sua ocupação e utilização serão reguladas em lei. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Art. 26. Incluem-se entre os bens dos Estados:

I - as águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes e em depósito, ressalvadas, neste caso, na forma da lei, as decorrentes de obras da União; II - as áreas, nas ilhas oceânicas e costeiras, que estiverem no seu domínio, excluídas aquelas sob domínio da União, Municípios ou terceiros; III - as ilhas fluviais e lacustres não pertencentes à União; IV - as terras devolutas não compreendidas entre as da União. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios: VI - proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas; VII - preservar as florestas, a fauna e a flora. Parágrafo único. Leis complementares fixarão normas para a cooperação entre a União e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, tendo em vista o equilíbrio do desenvolvimento e do bem-estar em âmbito nacional. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre: VI - florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do solo e dos recursos naturais, proteção do meio ambiente e controle da poluição; VII - proteção ao patrimônio histórico, cultural, artístico, turístico e paisagístico; VIII - responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico; § 1º - No âmbito da legislação concorrente, a competência da União limitar-se-á a estabelecer normas gerais. § 2º - A competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência suplementar dos Estados. § 3º - Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados exercerão a competência legislativa plena, para atender a suas peculiaridades.

§ 4º - A superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende a eficácia da lei estadual, no que lhe for contrário. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre: IV - águas, energia, informática, telecomunicações e radiodifusão; XII - jazidas, minas, outros recursos minerais e metalurgia; XIV - populações indígenas; XXVI - atividades nucleares de qualquer natureza. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: III - função social da propriedade; VI - defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Art. 182. A política de desenvolvimento urbano, executada pelo Poder Público municipal, conforme diretrizes gerais fixadas em lei, tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes. § 1º - O plano diretor, aprovado pela Câmara Municipal, obrigatório para cidades com mais de vinte mil habitantes, é o instrumento básico da política de desenvolvimento e de expansão urbana. § 2º - A propriedade urbana cumpre sua função social quando atende às exigências fundamentais de ordenação da cidade expressas no plano diretor. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

Art. 186. A função social é cumprida quando a propriedade rural atende, simultaneamente, segundo critérios e graus de exigência estabelecidos em lei, aos seguintes requisitos: I - aproveitamento racional e adequado; II - utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente; III - observância das disposições que regulam as relações de trabalho; IV - exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e dos trabalhadores. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

Cidadania e Meio Ambiente: Estudo Prévio de Impacto ambiental. Informação Ambiental.

A nossa Constituição também é chamada de Constituição Cidadã, vez que ao instituir um Estado Democrático de Direito garante ao cidadão a participação na esfera pública, garantindo também o acesso à informação, erigindo constitucionalmente o princípio da publicidade dos atos da administração pública. Nesta seara o art. 225 em seu parágrafo 1º, inciso IV, consagra a exigência do Estudo Prévio de Impacto Ambiental para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, na forma da lei, a que se dará publicidade. A necessidade de previamente se estudar os impactos é de fundamental importância na gestão ambiental, vez que, conhecidos tais impactos, poderá o poder público interferir no planejamento da atividade, de modo a tentar minimizá-los, daí a necessidade de estudar os impactos e fazê-lo previamente. Mas o comando constitucional fala em “na forma da lei”. Mas qual lei? Antes mesmo da entrada em vigor do texto constitucional, o Decreto n. 88.351/83 (art. 18, §1º) determinou ao Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) que fixasse os critérios básicos e as diretrizes gerais para estudos de impacto ambiental para fins de licenciamento de obras e atividades. A Resolução n. 01/1986 do CONAMA tratou dessa matéria. Compreende-se como Impacto Ambiental qualquer deterioração do meio ambiente que decorre de atividade humana. A Resolução n. 1/86 do CONAMA, em seu art. 1º, considera Impacto Ambiental “qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que direta ou indiretamente afetam: I – a saúde, a segurança e o bem-estar da população; II – as atividades sociais e econômicas; III – a biota; IV – as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; V – a qualidade dos recursos ambientais”. O art. 2º da Resolução n. 1/86 do CONAMA estabelece um rol exemplificativo de atividades modificadoras do meio ambiente que dependem obrigatoriamente da elaboração do estudo de impacto ambiental para seu licenciamento como estradas de rodagem com duas ou mais faixas de rolamento, ferrovias, oleodutos, gasodutos, minerodutos, troncos coletores e emissários de esgotos sanitários e linhas de transmissão de energia elétrica, acima de 230KV. Já em seu art. 5º a Resolução 01/86 assevera que: Artigo 5º - O estudo de impacto ambiental, além de atender a legislação, em especial os princípios e objetivos expressos na Lei de Política Nacional do ambiente, obedecerá às seguintes diretrizes gerais: I - Contemplar todas as alternativas tecnológicas e de localização de projeto, confrontando-as com a hipótese de não execução do projeto;

II - Identificar e avaliar sistematicamente os impactos ambientais gerados nas fases de implantação e operação da atividade; III - Definir os limites da área geográfica a ser direta ou indiretamente afetada pelos impactos, denominada área de influência do projeto, considerando, em todos os casos, a bacia hidrográfica na qual se localiza; IV - Considerar os planos e programas governamentais, propostos e em implantação na área de influência do projeto, e sua compatibilidade. Percebemos que a Resolução CONAMA 01/86 traz uma séria de exigências que devem ser cumpridas pelo empreendedor quando da elaboração do estudo. O estudo passa a ser então, o motivo determinante para a concessão da licença ambiental ao empreendimento. Ou seja, alteradas as condições encontradas no Estudo, devem ser alterados os termos da licença. A Resolução CONAMA 01/86 foi recepcionada pela Constituição, dentro da competência regulamentadora atribuída ao CONAMA pelo arts. 6º, II e 8º da Lei 6938/81, que trata da Política Nacional de Meio Ambiente. Portanto, o texto “na forma da lei” contido na constituição refere-se à Lei da Política Nacional de Meio Ambiente (Lei 6938/81) que remete ao CONAMA. Desta forma, o estudo de impacto ambiental torna-se um grande instrumento de gestão ambiental, na medida em que necessário para o diagnóstico dos impactos de qualquer obra ou empreendimento no intuito de reduzir tais impactos. A Publicidade prevista no texto constitucional é princípio atinente a todos os atos da administração pública, mas temos uma exigência de que se dê publicidade aos Estudos de Impacto Ambiental. Infelizmente a legislação prevê uma publicação em jornal de grande circulação de que o referido empreendimento apresentou os estudos e que os mesmos encontram-se à disposição dos interessados no órgão ambiental competente. Outra forma de publicidade é a realização de audiência pública, prevista em alguns processos de licenciamento ambiental, em que o empreendedor deve apresentar os Estudos de Impacto Ambiental. O Princípio da Informação Ambiental assevera que todas as decisões tomadas pelo gestor do bem ambiental devem ser publicizadas, de modo que os cidadãos possam ser cientificados de seu teor, bem como possam tomar partido, através dos remédios jurídicos próprios, de eventual decisão que lhes traga prejuízo.

Prevenção e reparação do dano ambiental: Responsabilidade civil por danos ao meio ambiente.
O Estudo de Impacto Ambiental, se elaborado previamente, é um importante instrumento de gestão ambiental e de prevenção de danos, vez que identificando as possíveis conseqüências da obra ou empreendimento, poderão ser tomadas medidas concretas para redução ou mesmo eliminação do dano. O Princípio da Prevenção no Direito Ambiental assevera que, uma vez conhecidos os danos provocados por uma obra ou empreendimento, devem ser tomadas todas as medidas necessárias para eliminar este dano, ou mesmo reduzir, mitigar, minimizar o seu impacto. Esta é uma forma de prevenção do dano e do próprio impacto ambiental. Porém a definição de dano ambiental confunde-se com a definição de poluição, trazida pela lei 6938/81, em seu art. 3º: Art. 3º - Para os fins previstos nesta Lei, entende-se por: (...) II - degradação da qualidade ambiental, a alteração adversa das características do meio ambiente; III - poluição, a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou indiretamente: a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população; b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; c) afetem desfavoravelmente a biota; d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente; e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos. OBS.: Biota é o conjunto de seres vivos de um ecossistema, o que inclui a flora, a fauna, os fungos e outros grupos de organismos. A Lei 6938/81, que instituiu a Política Nacional do Meio Ambiente, tenta mudar o foco de toda a legislação anterior que tratava eventuais danos aos recursos naturais de forma repressiva, trazendo a idéia de prevenção como um novo norte. Porém, uma vez ineficaz a prevenção, necessária é a reparação dos danos causados, além da punição dos responsáveis. E nesta seara de reparação dos danos a Lei 6938/81 é inovadora, ao trazer a responsabilidade OBJETIVA do causador do dano ambiental. A regra do art. 14, § 1º traz a responsabilidade independente de culpa. Veja: § 1º - Sem obstar a aplicação das penalidades previstas neste artigo, é o poluidor obrigado, independentemente da existência de culpa, a indenizar ou reparar os danos causados ao meio ambiente e a terceiros, afetados por sua atividade. O Ministério Público da União e dos Estados terá legitimidade para propor ação de responsabilidade civil e criminal, por danos causados ao meio ambiente.

Tal regra veio repetida no § 3º do art. 225 da Constituição Federal, que estabelece sanções penais e administrativas para condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente, independentemente da obrigação de reparar os danos causados: § 3º - As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados. A Constituição consagrou a responsabilidade civil objetiva por dano ao meio ambiente, bastando o dano e o nexo causal, sem qualquer aferição de culpa ou dolo, no que tange à reparação dos danos. Este importante instrumento na preservação ambiental faz com que o responsável pela poluição seja responsabilizado pela reparação. Outrossim, o §4º do art. 72 da Lei 9605/98 (Lei de Crimes Ambientais) combinado com os arts. 139 e 140, I do Decreto 6514/2008 autorizam que as multas aplicadas em função da responsabilidade administrativa sejam convertidas em reparação do dano causado, trazendo um estímulo para que o poluidor efetue a reparação. No mesmo sentido, a Lei 9605/98 prevê que a extinção de punibilidade dos crimes de menor potencial ofensivo em que tenham sido aplicados dispositivos substitutivos da pena privativa de liberdade, previsto na Lei 9099/95 (Juizados Especiais), dependerá de laudo de constatação de reparação do dano ambiental. Ou seja, para ter direito à substituição da pena privativa de liberdade, deverá o infrator comprovar que reparou o dano ambiental causado. Considerações Finais Caros alunos, encerramos aqui uma breve introdução dos temas tratados na Unidade I. Lembro que deve ser consultada a bibliografia sugerida no Plano de Ensino, para maior aprofundamento. Fique à vontade para criticar e perguntar no correio acadêmico, bem como para consultar outras obras sobre o tema para que possamos dialogar. Podemos também iniciar a Atividade I, que vale 06 (seis) pontos. Maiores informações poderão ser obtidas em “Atividade Abertas” ou no “Cronograma”. Lembro mais uma vez, que estou à disposição de vocês no “Correio Acadêmico”. Um cordial abraço a todos, e bons estudos. Prof. Anaximandro Lourenço Azevedo Feres. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

Temas de Direito Ambiental Texto sobre os princípios de Direito Ambiental Autor: Prof. Anaximandro Lourenço Azevedo Feres Os princípios
Podemos dizer que os “Princípios” no direito são os pilares, as bases do ordenamento. Eles traçam as orientações, as diretrizes que devem ser seguidas por todo o Direito. Segundo Celso Antônio Bandeira de Mello: “Princípio é, por definição, mandamento nuclear de um sistema, verdadeiro alicerce dele, disposição fundamental que se irradia sobre diferentes normas, compondo-lhes o espírito e servindo de critério para a sua exata compreensão e inteligência, exatamente por definir a lógica e a racionalidade do sistema normativo, no que lhe confere a tônica e lhe dá sentido harmônico. É o conhecimento dos princípios que preside a intelecção das diferentes partes componentes do todo unitário que há por nome sistema jurídico positivo”. (Curso de Direito Administrativo. 8ªEd. São Paulo: Malheiros Editores, 1996, p.545) Ou seja, os Princípios são fundamentos de uma ordem jurídica. Servem de base para a construção de uma norma, para sua interpretação e para a sua integração junto a outras normas jurídicas. No direito ambiental existem princípios que fundamentam a produção das normas e também a sua aplicação pelo poder público. Vamos a alguns deles, que julgamos mais importantes: Princípio do Direito Humano Fundamental: O direito ao meio ambiente protegido é um direito difuso, já que pertence a todos e é um direito humano fundamental, consagrado nos Princípios 1 e 2 da Declaração de Estocolmo, a seguir: Princípio 1: O homem tem o direito fundamental à liberdade, à igualdade e ao desfrute de condições de vida adequadas em um meio ambiente de qualidade tal que lhe permita levar uma vida digna e gozar de bem-estar, tendo a solene obrigação de proteger e melhorar o meio ambiente para as gerações presentes e futuras. A este respeito, as políticas que promovem ou perpetuam o apartheid, a segregação racial, a discriminação, a opressão colonial e outras formas de opressão e de dominação estrangeira são condenadas e devem ser eliminadas. Princípio 2: Os recursos naturais da terra incluídos o ar, a água, a terra, a flora e a fauna e especialmente amostras representativas dos ecossistemas naturais devem ser preservados em benefício das gerações presentes e futuras, mediante uma cuidadosa planificação ou ordenamento. Ou seja, o Direito ao Meio Ambiente Ecologicamente Equilibrado é um direito fundamental de todo ser humano. A nossa Constituição de 1988 consagrou tal direito no Brasil no seu art. 225, ao declarar que todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, tornando-o um típico direito fundamental de terceira geração. Princípio da Precaução:

Estabelece a vedação de intervenções no meio ambiente, salvo se houver a certeza que as alterações não causarão reações adversas, já que nem sempre a ciência pode oferecer à sociedade respostas conclusivas sobre a inocuidade de determinados procedimentos. Ou seja, a falta de certeza cientifica sobre determinado impacto não deve servir de base para a autorização de obras ou empreendimentos causadores de potencial degradação ambiental. Se não se tem certeza do que ocorrerá, melhor não deixar que ocorra. Respaldado no princípio da precaução, o Princípio da Obrigatoriedade da avaliação prévia em obras potencialmente danosas ao meio ambiente surgiu com o escopo de limitar as obras que irão degradar de qualquer forma o meio ambiente, permitindo somente a efetivação daqueles empreendimentos essenciais para o desenvolvimento econômico e social da coletividade e que não comprometam demasiadamente o meio ambiente, seja por ter menor impacto ambiental ou porque o empreendedor irá adotar medidas que irão compensar tal degradação. Princípio da Prevenção: Sua aplicação se dá nos casos em que os impactos ambientais já são conhecidos, restando certo a obrigatoriedade do licenciamento ambiental e do estudo de impacto ambiental (EIA), estes uns dos principais instrumentos de proteção ao meio ambiente. O Princípio da Prevenção assevera que, conhecidos os impactos, devem ser tomadas todas as medidas possíveis a fim de mitigar (abrandar, diminuir), limitar, minimizar estes impactos, como forma de garantir o equilíbrio ambiental. Apesar de terem como base pontos distintos, tanto o princípio da precaução quanto ao princípio da prevenção estão consubstanciados na Constituição Brasileira, que exige estudo prévio de impacto ambiental para obras ou atividades potencialmente poluidoras, conforme o inciso IV do §1º do art. 225 da CRFB/88: § 1º - Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao poder público: IV - exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade. Internacionalmente o princípio da precaução encontra-se inserido nos Princípios 15 e 17 da Declaração do Rio de Janeiro, que expressam o seguinte: Princípio 15: de modo a proteger o meio ambiente, o princípio da precaução deve ser amplamente observado pelos Estados, de acordo com suas capacidades. Quando houver ameaça de danos sérios ou irreversíveis, ausência de absoluta certeza científica não deve ser utilizada como razão para postergar medidas eficazes e economicamente viáveis para prevenir a degradação ambiental. Princípio 17: a avaliação do impacto ambiental, como instrumento internacional, deve ser empreendida para as atividades planejadas que possam vir a ter impacto negativo considerável sobre o meio ambiente, e que dependam de uma decisão de autoridade nacional competente. Princípios do Usuário Pagador e do Poluidor Pagador:

Consubstanciados na Rio/92 princípio 16, Art. 4º, VIII da Lei 6.938/81 (PNMA), Lei dos recursos hídricos e CR/88 artigo 225. Todas estas legislações levam em conta que os recursos ambientais são escassos, portanto, sua produção e consumo geram reflexos ora resultando sua degradação, ora resultando sua escassez. Além do mais, ao utilizar gratuitamente um recurso ambiental está se gerando um enriquecimento ilícito, pois como o meio ambiente é um bem que pertence a todos, boa parte da comunidade nem utiliza um determinado recurso ou se utiliza, o faz em menor escala. O Princípio do Usuário Pagador estabelece que quem utiliza o recurso ambiental deve suportar seus custos, sem que essa cobrança resulte na imposição taxas abusivas. Então, não há que se falar em Poder Público ou terceiros suportando esses custos, mas somente naqueles que dele se beneficiaram. O Princípio do Poluidor Pagador obriga quem poluiu a pagar pela poluição causada ou que pode ser causada. Princípio da Intervenção Estatal Obrigatória: Já vimos que o meio ambiente pertence a todos. Portanto, o gestor da coisa pública é o Estado, que é quem deve tentar compatibilizar os interesses de toda a sociedade, especialmente quando falamos em desenvolvimento sustentável. Decorre daí que o Estado deve sempre – e obrigatoriamente – participar dos processos decisórios e fazer valer a legislação no que tange aos empreendimentos potencialmente causadores de degradação ambiental. Princípio da Participação: Decorre também da idéia de que o Meio Ambiente pertence a todos. Se o meio ambiente equilibrado é um bem de uso comum do povo, necessário portanto que as decisões sobre a busca do desenvolvimento sustentável e a preservação da qualidade ambiental passem pelo crivo da sociedade. Tal princípio assevera que a sociedade deve ser chamada a participar das tomadas de decisão sobre a gestão ambiental. Portanto, subsidia a composição de órgãos colegiados paritários (compostos por representantes do governo e da sociedade) como os Conselhos Nacional de Meio Ambiente (CONAMA) e Estadual de Meio Ambiente (COPAM), bem como os eventuais conselhos municipais de meio ambiente. Tais conselhos, têm caráter deliberativo acerca da concessão ou não da licença ambiental, e possuem entre seus membros representantes dos diversos segmentos sociais, o que garante, ainda que em tese e parcialmente, a participação de parcela da sociedade nas decisões. Caro(a) aluno(a), finalizamos aqui os princípios. Sugiro a leitura da bibliografia recomendada sobre os mesmos. Caso você queira, leia sobre outros princípios tratados na doutrina, pois conforme dissemos no início, iríamos abordar somente alguns deles.

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