NEGÓCIO EDUCAÇÃO

REFLETINDO SOBRE AS EMPRESAS DO SÉCULO 21

Por Mariana Branco

COMO GERENCIAR CORRETAMENTE O TEMPO

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uais as novas configurações das empresas do século 21? Para o professor Júlio César Donadone, do Departamento de Engenharia de Produção (DEP) da UFSCar, e um dos organizadores do livro As centralidades e as fronteiras das empresas do século 21 (Editora EdUSC), a mudança que se evidencia está relacionada à concepção financeira de empresa, com as aquisições e fusões decorrentes da entrada de fundos de investimentos como proprietários e gestores de grupos educacionais. Para Donadone, a constituição de grupos educacionais com atuação nacional lembra muito o ocorrido com a padronização e concentração de outros setores econômicos, bem como a chegada de fundos de investimento como proprietários dessas empresas, na implantação e difusão da concepção financeira dessas instituições. “Entretanto, não podemos desconsiderar os capitais específicos presentes, que alteram a velocidade e as possibilidades de mudanças, em especial na questão do ensino superior”, analisa. Ele explica que a entrada de grupos financeiros como proprietários de grupos educacionais/universidades tende a aprofundar um processo que já se evidenciava na tentativa de padronização e redução de custos. “Se antes as dificuldades de faculdades e escolas ‘isoladas’ em competir com grupos educacionais se caracterizava pelo ganho de escala, agora se aprofunda com a ênfase financeira, de aquisição e fusão dos negócios, e das dificuldades dos gestores em entender e competir sobre essa nova lógica empresarial.”
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oje em dia, grande parte dos profissionais sofre com a sensação de “falta de tempo”. Segundo Marco Antônio Furtado, mestre em Educação e em Psicopedagogia e autor de A metáfora do tempo (Qualitymark), na realidade competitiva do mundo moderno, os líderes sofrem uma grande pressão de diferentes atividades. Veja as dicas de Furtado para o gestor melhor administrar seu tempo. Planejar e agendar compromissos Tudo começa com a definição clara do que é mais importante para nós e quais são nossos objetivos dentro de diferentes horizontes de tempo. Depois, verificam-se quais ações devem ser feitas para atingir esses objetivos – quando serão realizadas e por quem. Parte-se, ainda, para a organização da sua agenda. Aprender a dizer “não” Este é um dos grandes segredos da efetividade pessoal e em grupo. Diga sim ao que verdadeiramente quer e aprenderá a dizer não sem efeitos colaterais. Delegar tarefas Sem delegação não há evolução. Se não aprendermos a delegar, a organização não consegue crescer com efetividade e nossa qualidade de vida pode ser seriamente prejudicada. Planejar reuniões produtivas Toda boa reunião deve ter uma agenda antecipada, encaminhada antes a todos os participantes, e também uma ata bem objetiva a ser entregue aos participantes após a reunião, se possível. Você utiliza bem o seu tempo? Faça o teste de autoconsciência respondendo com sinceridade as perguntas a seguir: 1) Quais as coisas mais importantes para você? 2) Quais são seus principais objetivos? 3) Você atingiu seus objetivos nesta semana, neste mês, neste ano? 4) Como está a sua qualidade de vida? 5) Como está a sua saúde? 6) Como está a sua efetividade? 7) Você quer mudar para melhor usando o tempo que tem de forma mais eficiente, vivendo mais tempo e com mais disposição? 8) Você quer aprender a gerenciar sua atuação no tempo que tem para usá-lo melhor e viver melhor sua vida?

Júlio César Donadone aponta a dificuldade dos gestores em entender a nova lógica empresarial

Marco Antônio Furtado: “Se não aprendermos a delegar, a organização não consegue crescer com efetividade”

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GESTÃO Educacional® abril de 2012

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A IMPORTÂNCIA DA CULTURA DE SEGURANÇA NAS ESCOLAS

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e não disseminarmos a cultura de segurança, acabamos por agir sempre reativamente, ou seja, tratamos o ápice quando o problema está na base”. É o que afirma a pedagoga Yara Regina Gonçalves Dias, consultora em segurança com MBA em Gestão Estratégica de Segurança Empresarial. Na entrevista a seguir, Yara aborda o problema da sensação de segurança nas instituições de ensino e explica por que toda a comunidade escolar precisa estar envolvida neste assunto. Gestão Educacional: É frequente a escola ter a ilusão de que está segura, quando na verdade não está? Yara Regina Gonçalves Dias: Sim. Sensação de segurança é o que mais temos hoje nas instituições de ensino. As pessoas ainda não sabem a maneira correta de adquirir produtos e serviços de segurança. Além disso, não agem preventivamente. Para que se tenha realmente segurança em instituições de ensino é preciso que se realize um Diagnóstico de Segurança/ Análise de Riscos para que sejam indicados equipamentos, procedimentos e treinamentos adequados à instituição. Somente um consultor especialista em segurança poderá elaborar este documento. O gestor de segurança também não pode ser selecionado somente por histórico profissional. A formação acadêmica em curso de graduação na área da segurança e cursos complementares de atualização são importantes. Planejar estrategicamente em segurança é fundamental. Com planejamento, temos segurança; com a falta dele, temos sensação de segurança. É necessário que tenhamos planejamento estratégico, tático, técnico e operacional. Gestão Educacional: A rotina escolar pode ser um problema para a segurança? Por quê? Yara Regina: Pode sim ser um problema pela falta de procedimentos elaborados para aquela instituição ou procedimentos que não sejam rigorosamente seguidos. Segurança é um

processo no qual todos do empreendimento devem estar envolvidos. É claro que sempre teremos alguns que destoam deste pensamento, mas quando a maioria tem como prioridade a manutenção da segurança com vistas à manutenção do bem-estar da comunidade, fica mais fácil organizarmos o dia a dia seguro na instituição de ensino. Muitas vezes são os próprios funcionários da instituição que, não seguindo o elaborado no manual de procedimentos, acabam por colocar em risco os demais. Quando falo de descumprimento de procedimentos não falo só de casos extremos, como um atentado, por exemplo; falo até em coisas mais simples que muitas vezes passam despercebidas. Um exemplo é a segurança das crianças nos estacionamentos das escolas. Um corpo de segurança eficiente, que segue normas e procedimentos e faz treinamentos periodicamente, melhora e muito a eficiência nos atos rotineiros, pois em segurança eu costumo dizer que a repetição leva à perfeição ou bem próximo a ela. Gestão Educacional: Como fazer com que professores, coordenadores e diretores estejam sempre atentos à segurança? Yara Regina: É necessário cursos, treinamentos e reciclagem visando conhecer um pouco mais o que é esta “cultura de segurança” em instituições de ensino e por que é tão importante disseminá-la. As pessoas não têm esse “olhar da segurança”, mas isto é necessário, pois se todos prestam atenção nos atos dos alunos, têm este olhar atento, e diminuem as situações de riscos no ambiente escolar. Vale lembrar que este “olhar atento”, além de minimizar riscos, previne a instituição de ensino de ser ré em ações de danos morais, livrando-

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Yara Regina Gonçalves Dias: “planejar estrategicamente em segurança é fundamental”

-a ainda da mácula na imagem da instituição por ocasião de uma situação de crise que se torne pública. Gestão Educacional: Por que a instituição precisa desenvolver e disseminar a cultura de segurança? Yara Regina: É necessário que todos façam parte do processo, por que quando todos ou pelo menos a maioria segue na mesma direção com ações preventivas, respeitando regras e limites, não temos necessidade de ações reativas que, na maioria das vezes, resultam em danos ou vítimas. Quando falo em respeito às regras não falo ao respeito “cego” e sim respeito pela reflexão, por entender que todos nós somos responsáveis por uma sociedade melhor. Costumo dizer que quando o assunto é segurança, 90% é prevenção e 10%, risco, quando tomamos os devidos cuidados. Se não disseminamos a cultura de segurança, acabamos por agir sempre reativamente, ou seja, tratamos o ápice quando o problema está na base. Na próxima edição:
Como disseminar a cultura de segurança e check list para as escolas verificarem se estão realmente seguras.

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