Antonio Carlos Banzato A.

Santos Rafael Lopes Sousa

Sociologia

ApReSentAção
É com satisfação que a Unisa Digital oferece a você, aluno(a), esta apostila de Sociologia, parte integrante de um conjunto de materiais de pesquisa voltado ao aprendizado dinâmico e autônomo que a educação a distância exige. O principal objetivo desta apostila é propiciar aos(às) alunos(as) uma apresentação do conteúdo básico da disciplina. A Unisa Digital oferece outras formas de solidificar seu aprendizado, por meio de recursos multidisciplinares, como chats, fóruns, aulas web, material de apoio e e-mail. Para enriquecer o seu aprendizado, você ainda pode contar com a Biblioteca Virtual: www.unisa.br, a Biblioteca Central da Unisa, juntamente às bibliotecas setoriais, que fornecem acervo digital e impresso, bem como acesso a redes de informação e documentação. Nesse contexto, os recursos disponíveis e necessários para apoiá-lo(a) no seu estudo são o suplemento que a Unisa Digital oferece, tornando seu aprendizado eficiente e prazeroso, concorrendo para uma formação completa, na qual o conteúdo aprendido influencia sua vida profissional e pessoal. A Unisa Digital é assim para você: Universidade a qualquer hora e em qualquer lugar! Unisa Digital

SUMÁRIo
IntRoDUção............................................................................................................................................... 5 1 IntRoDUção À SoCIoLoGIA ..................................................................................................... 7
1.1 O Nascimento da Sociologia .......................................................................................................................................7 1.2 O Contexto do Pensamento Positivista...................................................................................................................8 1.3 Os Fundamentos do Positivismo ...............................................................................................................................8 1.4 Estratificação da Sociedade Positivista ...................................................................................................................9 2.1 A Objetividade do Fato Social..................................................................................................................................14 2.2 A Consciência Coletiva ...............................................................................................................................................14 2.3 A Escola de Frankfurt...................................................................................................................................................15 2.4 A Indústria Cultural .....................................................................................................................................................15 2.5 Cultura de Massa...........................................................................................................................................................16 2.6 Resumo do Capítulo ....................................................................................................................................................17 2.7 Atividades Propostas...................................................................................................................................................18

2 A SoCIoLoGIA De DURKHeIM .................................................................................................. 13

3 eSCoLAS SoCIoLÓGICAS ............................................................................................................. 19
3.1 Escola Sociológica Europeia .....................................................................................................................................19 3.2 Sociologia Alemã: a Contribuição de Max Weber ...........................................................................................21 3.3 Resumo do Capítulo ...................................................................................................................................................22 3.4 Atividades Propostas...................................................................................................................................................22 4.1 Resumo do Capítulo ....................................................................................................................................................24 4.2 Atividades Propostas...................................................................................................................................................24

4 A SoCIeDADe SoB UMA peRSpeCtIVA HIStÓRICA .................................................. 23 5 KARL MARX e A HIStÓRIA DA eXpLoRAção Do HoMeM.................................. 25
5.1 O Método do Pensamento Marxista .....................................................................................................................26 5.2 A Práxis .............................................................................................................................................................................26 5.3 A Mais-Valia .....................................................................................................................................................................27 5.4 Modos de Produção ....................................................................................................................................................28 5.5 Resumo do Capítulo ....................................................................................................................................................30 5.6 Atividades Propostas...................................................................................................................................................30

6 ConCeItoS De SoCIoLoGIA ...................................................................................................... 31
6.1 Estrutura Social ..............................................................................................................................................................31 6.2 Status e Papéis ...............................................................................................................................................................32 6.3 Relações Sociais.............................................................................................................................................................32 6.4 Grupos ..............................................................................................................................................................................33 6.5 Fenômenos Sociais ......................................................................................................................................................34 6.6 Relações Sociais.............................................................................................................................................................35 6.7 Fim ou Objetivos da Sociologia ..............................................................................................................................35 6.8 Teoria Sociológica Geral .............................................................................................................................................36

6.9 Teorias Sociológicas Especiais .................................................................................................................................38 6.10 Pesquisas Sociológicas Concretas .......................................................................................................................38 6.11 Leis Sociais ....................................................................................................................................................................38 6.12 Processo Social ............................................................................................................................................................40 6.13 Teoria do Indivíduo Social.......................................................................................................................................40 6.14 Fato Social .....................................................................................................................................................................41 6.15 Ideologia........................................................................................................................................................................42 6.16 Alienação .......................................................................................................................................................................42 6.17 Resumo do Capítulo .................................................................................................................................................44 6.18 Atividades Propostas ................................................................................................................................................44

7 GLoBALIZAção

............................................................................................................................... 45 7.1 Histórico ...........................................................................................................................................................................45 7.2 Globalização e/ou Mundialização ..........................................................................................................................46 7.3 Meio Ambiente ..............................................................................................................................................................48 7.4 Resumo do Capítulo ....................................................................................................................................................50 7.5 Atividades Propostas...................................................................................................................................................50

8 ConSIDeRAçÕeS FInAIS ............................................................................................................... 51 ReSpoStAS CoMentADAS DAS AtIVIDADeS pRopoStAS ..................................... 53 ReFeRÊnCIAS ............................................................................................................................................. 55

IntRoDUção
Caro(a) aluno(a), Bem-vindo(a) a esta nova modalidade de aprendizado. A Sociologia possui uma quantidade enorme de pensadores. O objetivo geral de nosso estudo é problematizar e confrontar as ideias, conceitos e teorias de alguns importantes pensadores que contribuíram para a afirmação da Ciência Sociológica. Esperamos, dessa maneira, fornecer a você um panorama do pensamento sociológico desde o seu surgimento até os nossos dias. Esta apostila e a disciplina, como um todo, buscam detalhar o contexto em que surgiu a disciplina Sociologia e o legado que ela deixou para o mundo contemporâneo, repercutida na obra de seus principais teóricos: Comte, Durkheim, Weber e Marx. Em seguida, analisaremos o desdobramento dos conceitos das obras de cada um desses pensadores. A importância, a influência e que tipo de interferência exerceu no modo de ser, pensar e agir do homem contemporâneo. Nesse sentido, a apostila está organizada de forma a promover sempre um debate sobre, e com, os autores, além de mostrar as transformações metodológicas e teóricas que as mesmas sofreram ao longo do tempo. O assunto por ela abordado tem, assim, uma relevante importância para a compressão das relações humanas em diferentes momentos históricos. Desde o século XIX, quando o projeto de sociedade burguesa estava sendo engendrado, até o início do século XXI, quando esse projeto foi definitivamente consolidado, nós temos o auxílio teórico dos mais diferentes segmentos da sociologia para pensar relações e o convívio do homem em sociedade. Nesse percurso, as contribuições de Augusto Comte, buscando fundamentar a importância da técnica e da ciência nos primórdios do mundo urbano-industrial, foram fundamentais. Em seguida, as análises críticas que Karl Marx faz desse mundo urbano-industrial apontam para uma nova conformação social: a hegemonia burguesa. Max Weber é outro importante autor que procura também estender o alcance das análises sobre o mundo burguês. Introduz, assim, no campo sociológico uma análise inovadora que relaciona o desenvolvimento do capitalismo à religião protestante. Émile Durkheim é outro importante autor que, com suas análises sobre os fenômenos dos fatos sociais, lançou luz também para uma melhor compreensão das relações do homem em sociedade. O estudo aprofundado desses autores subsidiará as nossas investigações sobre os temas mais urgentes do mundo contemporâneo, como, por exemplo, o neoliberalismo e suas consequências humanas e econômicas. Será um prazer acompanhá-lo ao longo desse percurso. Esperamos que, ao final dele, você seja um cidadão mais pleno de seus direitos e mais consciente de seus deveres, só assim construiremos uma sociedade mais plural e democrática onde a diversidade e as diferenças sociais, étnicas, culturais e religiosas serão respeitadas. Atenciosamente, Antonio Carlos Banzato A. Santos Rafael Lopes de Sousa

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metafísicas e as crenças do senso comum por meio cias humanas a primeira tentativa verdadeiramen. Zeus. Vejamos então as suas principais contribuições. Na Idade Média. dadas. como Augusto Comte. relacionados a um princípio teológico que cingia a liberdade do indivíduo. o homem inaugura uma nova fase do pensamento crítico e estabelece novos parâmetros para explicar os fenômenos sociais. O objetivo deste curso é oferecer ao aluno elementos para a compreensão de alguns dos conceitos criados por esses autores. por sua vez. Esses quatro pensadores são considerados os principais representantes da Sociologia Clássica. Podemos entrever nessa afirmação certo distanciamento das questões mitológicas e o aprofundamento das reflexões contra a interferência divina sobre a vida e o cotidiano do homem. em interpretações teológicas. realidade social. isto é. aproveitando-se do capital cultural das gerações anteriores. em seguida. As primeiras tentativas de compreender a ação humana esbarraram-se. neste capítulo abordaremos o tema do positivismo e a sua importância para as ciências humanas. A Sociologia é uma ciência da observação. oferecer um status científico para essa nova maneira de pensar as relações humanas. era quem mantinha a ordem do mundo moral e físico. senhor dos homens e dos deuses. Tempos depois. Nessa nova conjuntura. Vico afirma que a sociedade subordina-se a leis definidas. até então. os homens vêm refletindo e tentando compreender o comportamento de seus semelhantes. Émile Durkheim. a sociedade é que o corrompe”. emprestando a estes um caráter verdadeiramente científico. visto que as explicações para todas as mazelas sociais estavam fundamentadas no discurso da vontade “divina”. O fundamental agora era organizar para. os acontecimentos sociais estavam. Seus métodos pretendiam substituir as explicações O principal representante do positivismo Unisa | Educação a Distância | www. Em sua obra O Contrato Social afirma: “O homem nasce puro.unisa. para os gregos.1 O Nascimento da Sociologia Pode-se dizer que o positivismo foi nas ciên. De tal sorte que no século XVIII.das quais o homem buscava. estabelecem critérios mais objetivos para investigar os fenômenos sociais. As bases para a constituição do pensamento sociológico estavam. todavia. portanto. Durante milhares de anos. Assim.1 IntRoDUção À SoCIoLoGIA Caro(a) aluno(a). Esperamos que ao final dele você compreenda a importância desse sistema de pensamento para a afirmação das ciências humanas e a influência que exerceu sobre a organização das sociedades ocidentais. Rousseau estabelece que o homem é um ser social. merece destaque Giambattista Vico. que podem ser descobertas pelo estudo e pela observação objetiva. Nessa obra.br 7 . que fez o homem avançar no caminho da ciência. Essa preocupação intensificar-se-ia no século XIX. que escreve a obra: A Nova Ciência. quando autores. Em outras palavras. Jean-Jacques Rousseau reconhece que a sociedade tem uma influência decisiva sobre a vida do indivíduo. Em seguida. aliás. Max Weber e Karl Marx. Foi essa inquietação. mitológicas e muitas vezes fantasiosas. os fenômenos “sociais” tinham uma base de explicação mitológica. explicar a te sistematizada de conhecer a realidade social. 1. Obviamente que o homem sempre buscou escapar desses pensamentos totalizantes. Entre outras contribuições. pretendemos verificar os desdobramentos desses conceitos e a interferência que eles exercem na organização da sociedade contemporânea. afirma: “o mundo social é obra do homem”.

que impôs o uso da ciência e da técnica como metas para a nova sociedade. o segundo. De acordo com esse princípio. A ideia de ordem está. O positivismo representa. Tornou-se discípulo de Saint-Simon. É imporcação da experiência mediante a razão. particularmente das biológicas e fisiológicas do século XIX. Com esses princípios rigidamente seguidos. a ciência é o único conhecimento possível para a humanidade. 1. considerada por ele uma religião. o progresso uma reação contra o idealismo. o principal deles. numa família católica e monarquista. a primeira metade do século XIX.br . Pode-se dizer que a filosofia de Comte deO idealismo. a filosofia é o estudo dos processos pelos qual a realidade deriva dos princípios constitutivos do espírito. sendo o atual. A diferença funda. passa a ser com. isto é. o trabalho e a relibatido e o positivismo é que primeiro leva esse gião. isto é. Este último representava o apogeu do progresso da humanidade. sociedade alcançaria. quer limitar-se à experiência imediata. a família. da qual era o seu principal pregador.como a propriedade. Estudou em Paris.mente uma disciplina para a sociedade. ciências naturais. Saiba mais Para os idealistas. outro metafísico e finalmente o positivo. políticas e econômicas jamais vistas.3 Os Fundamentos do Positivismo Comte estabelece no livro Curso de Filosofia Positiva os três princípios básicos do estado positivista. De acordo com sua filosofia política. o posi. Para Comte. neste caso. Entre os principais idealistas podemos destacar: Schelling e Hegel. Comte nasceu na França. assomental entre idealismo e positivismo é a seguinte: ciada à ideia de hierarquia. pela concepção do cientificismo. a combate adiante. e testemunhou os turbulentos tempos da era napoleônica. O primeiro estágio está relacionado à maneira de a humanidade explicar o mundo. Devotou seus estudos à filosofia positivista. de quem sofreu enorme influência.cumentos oficiais. modificações sociais. ou seja. que gera consequenteo primeiro procura uma interpretação. uma unifi. na Escola Politécnica. então. uma explicação que sempre provinha dos mitos e das crenças religiosas. provocando. que passam. 1.2 O Contexto do Pensamento Positivista O século XVIII havia consagrado o poder da burguesia. sendo o mundo o produto de um movimento do pensamento. agora. a história da humanidade era composta por três estados: um teológico. a vida da humanidade compreende em três estágios. ao contrário. talvez esteja aí uma das explicações para sua concepção de mundo. o entendimento da história se dá por meio de doAlém de ser uma reação contra o idealismo. pensamento predominante até fende alguns princípios consagrados da sociedade. tante dizer que. a sociologia era a ciência mais profunda e a que mais contribuições poderia oferecer para a humanidade. da ciência e da técnica. para Comte ou para o positivismo. segundo Comte. Santos e Rafael Lopes Sousa foi Augusto Comte (1798-1857). A consagração desse novo saber. Esse estágio é chamado de teológico e Comte assim o descreve: 8 Unisa | Educação a Distância | www. assim.unisa.e a ordem. isto é.Antonio Carlos Banzato A. aquele no qual vivia Comte. a história só se explica e se tivismo é ainda tributário do grande progresso das justifica com a visão predominante de sua época. leva para um novo entendimento das questões humanas.

concebidas como capazes de engendrar por elas próprias todos os fenômenos observados”.Sociologia No estágio teológico. à formação de um sistema social mais ou menos fixo e rígido.4 Estratificação da Sociedade Positivista Dicionário Estratificação é o processo social que leva à superposição de camadas sociais. p. as causas primeiras e finais de todos os efeitos que o tocam. como. o útil frente ao inútil. [. a saber: sacramentos para os membros de sua sociedade. até outros grupos mais complexos. as mulheres estão condenadas à inferioridade. mas sem fundamentação científica. 9). A vida da humanidade passa agora a ser explicada pela razão em contraponto às explicações mitológicas e religiosas das fases anteriores. ensinar. então. é claro. (COMTE. a segurança frente à insegurança.. são os maiores sacerdotes da humanidade. de estados. dito metafísico. O positivismo representa. p. comerciantes. o político. Essa classe é composta pelos segmentos que controlam os meios de produção: banqueiros. o espírito humano. uma espécie de conselheiros para arbitrar as causas do estado positivista. portanto. Nessa ordem social. o preciso frente ao vago. o espírito humano dirige essencialmente suas investigações para a natureza intima dos seres.Vejamos alguns deles: nos 28 anos. para esse pensamento. Finalmente o estado positivo é o terceiro estágio e é marcado pelo triunfo da ciência. b) Iniciação. aliás. o homem só pode existir como membro de outros grupos. pois só com essa idade ala) Apresentação. sempre colocados em escala hierárquica. passa da educação materna à ins35 anos e exercem a função superior de trução sacerdotal. 1973.. apresenta os fenômenos como ação direta e contínua de agentes sobrenaturais. pelas leis irrevogáveis da natureza. graças ao uso bem combinado do raciocínio e da observação. (RIBEIRO JR. renuncia de procurar a origem e o destino do universo. desde o familiar. 1. Para o positivismo. a) Os aspirantes: estes precisam ter ao me. o relativo frente ao absoluto. Ela está dividida em três dade. a classe dos sacer.sociedade. os agentes sobrenaturais são substituídos por forças abstratas. é assim descrito: “No fundo nada mais é que a modificação geral do primeiro. fabricantes. por exemplo. quando a família apresencançam a cultura enciclopédica exigida ta o recém-nascido. No estado positivo. são investidos de maior autoridade. quando a criança. com catorze b) Os vigários: estes precisam ter ao menos anos. 1987. reconhecendo a impossibilidade de obter noções absolutas. O patriciado é a classe detentora do poder temporal. a humanidade é formada só de homens.unisa. O segundo estágio. o real frente ao quimérico.] para preocupar-se unicamente em descobrir. O positivismo combate também a sociedade individualista e liberal. c) Os sacerdotes: precisam ter uma idade superior aos 42 anos. isto é. Ao se apresentar como a religião da humanidotes é a mais importante. nessa Na sociedade positivista. pelo estado positivista. o positivismo defende a existência de nove classes. numa palavra para o conhecimento absoluto. que é núcleo fundador de toda sociedade. Unisa | Educação a Distância | www.br 9 . classes ou castas. divulgando que o homem como individualidade não existe. suas leis efetivas que regem a vida humana”. Os banqueiros. 18). uma cresça em Deus.

d) Destinação. por meio das quais o homem buscava. o positivismo teve uma importância decisiva no Império e na instalação da República. a nossa bandeira. Santos e Rafael Lopes Sousa c) Admissão. como proposto por Comte. o positivismo como religião da humanidade. condenado.” Pode-se dizer que o positivismo foi nas ciências humanas a primeira tentativa verdadeiramente sistematizada de conhecer a realidade social.De qualquer forma. o grupo de jovens republicanos defendia o fim da escravidão e uma nova forma de governo. um grupo que desprezava o movimento da religião da humanidade e defendia apenas a metodologia científica de observação. porém. Esse grupo foi fortemente influenciado pelo pensamento positivista.5 Resumo do Capítulo Caro(a) aluno(a). Esse segundo grupo constituirá a base do movimento republicano aglutinado em torno do jovem oficial Benjamin Constant.Antonio Carlos Banzato A. influenciando a ideologia da nova sociedade. Ou seja. 1. 1987.br . re. neste capítulo observamos que a Sociologia é observação. diferentemente dos princípios rígidos do positivismo. está pronto para servir a humanidade. sua primeira manifestação social acontece anos mais tarde. O positivismo enfrenta. Multimídia Mais elementos sobre essa discussão ver João Ribeiro Jr. perpetuou suas marcas na vida e no cotidiano do homem brasileiro. momento em que recebe principal dessas marcas está registrada em nosso símbolo maior. já Ordem e Progresso. o positivismo teve uma importância decisiva no Império e na instalação da República. Seus métodos pretendiam substituir as explicações metafísicas e as crenças do senso comum. na Faculdade de Medicina da Bahia. sobretudo na exaltação de uma sociedade industrial baseada na tecnologia e na ciência.unisa. Saiba mais No Brasil. Contudo. e) Casamento. 10 Unisa | Educação a Distância | www. No Brasil. experimentação e comparação proposta por Comte. com seu dos sacerdotes o seu ofício. instituindo uma nova ordem social baseada nos princípios burgueses. por outro lado. explicar a realidade social. O que é positivismo. isto é. mostra de maneira inquestionáque no estado positivista o celibato é vel o quanto a doutrina positivista influenciou os nossos republicanos. defendiam os preceitos democráti- Liderado por Benjamim Constant. Inicialmente o positivismo brasileiro é composto por dois grupos: um defendendo. quando cos do liberalismo constitucional norte-americano. sacramento obrigatório. Giambattista Vico afirma que a sociedade subordina-se a leis definidas e que: “o mundo social é obra do homem. Suas primeiras manifestações em território nacional acorreram em 1844 na academia. sendo que a tribuindo tudo que recebeu dela. havia. influenciando a ideologia da nova sociedade. a resistência de um grupo de republicanos que. até então. aos vinte e um anos.. reflexão a fim de compreender o comportamento de seus semelhantes.

br 11 . Unisa | Educação a Distância | www.Sociologia 1.unisa.6 Atividades Propostas 1. Cite e comente dois sacramentos do positivismo. Quais as diferenças fundamentais entre o idealismo e o positivismo? 2.

os costumes. entre patrão e empregado. faz é um fato social. para ser um fato social tem de entre burguesia e proletariado. o ritual do banho. é algo que já estava lá antes e que continua depois e que não dá margem a escolhas.Durkheim é a generalidade. independentemente de suas vontades individuais. ou seja. como as regras morais. aquilo que se nhecida como questão social. ou seja. o fato social é experimentado pelo indivíduo como uma realidade independente dele. as contra. Multimídia Mais elementos sobre as características do fato social consultar o livro Sociologia – introdução à ciência da sociedade. por exemplo. além disso. e conflitos decorrentes da oposição entre o capital por exemplo. ficava proibido formalmente o ensino da religião. A primeira delas é a coerção social. Essa força manifesta-se. quando o indivíduo adota determinado idioma. pensam ou fazem. Isto é. as disputas repete em todos os indivíduos. são exteriores aos indivíduos e líticas e sociais balizavam o seu tempo. nem tudo que uma pessoa e o trabalho. exteobjetos de intervenção dos estudos sociológicos. Portanto. Buscou sempre definir com precisão o objeto. as preocupações da sociedade e da Sociologia de sua época. vale dizer. seriam doravante atender a três características: generalidade. independentemente da sua vontade e escolha. de Cristina Costa. que instituiu o divórcio em seu território. isto é. as leis. Para Durkheim. os rituais e as práticas burocráticas. levando-os a aceitar as regras da sociedade em que vivem. Uma A terceira característica apontada por repercussão decisiva dessas contradições ficou co. Durkheim reuniu um grupo de colaboradores que se esforçaram para emancipar a sociologia das demais teorias sobre a sociedade e constituí-la como disciplina rigorosamente científica. ou seja. Não é algo que seja imposto especificamente a alguém. que ele não criou e não pode rejeitar. os fatos sociais são atravessados por três características fundamentais. A segunda característica dos fatos sociais é que eles existem e atuam sobre os indivíduos independentemente de sua vontade ou de sua adesão Ao mesmo tempo em que essas questões po. rioridade e coercitividade. o que as pessoas No final do século XIX. Nessa mesma época. assim. o método e as aplicações dessa nova ciência. o ensino público tornou-se gratuito e obrigatório para todos dos 6 aos 13 anos. a força que os fatos exercem sobre os indivíduos.br 13 . Unisa | Educação a Distância | www.existem antes da chegada do indivíduo na sociedições do trabalho traziam também preocupações dade. sentem. De acordo com suas análises. ou quando se submete a um código de leis.consciente. elegeu os fatos sociais como o principal objeto da sociologia.unisa. Respondendo. Na década de 1880. é um comportamento estabelecido pela sociedade. O vazio correspondente à ausência do ensino de religião na escola pública tenta-se preencher com uma pregação patriótica representada pela que ficou conhecida como “Instrução Moral e Cívica”. continuadas para sua militância intelectual. de 1997. por exemplo. a França aprovou a chamada Lei Naquet.2 A SoCIoLoGIA De DURKHeIM David Émile Durkheim presenciou em sua juventude uma série de acontecimentos que marcou decisivamente a sua vida e sua obra.

agir. Temos assim. por isso. portanto. o grupo educativo (escola) e o grupo religioso (igreja). Procurando garantir à Sociologia um método tão eficiente quanto o desenvolvido pelas ciências naturais. Sentenciava. sem a intimidade verificada no primeiro. como a família e os vizinhos. assim. ele adota uma outra postura. ou seja. combina elementos do primeiro e do segundo grupo e cria outros rituais de pertencimento para sua identidade social. Durkheim desenvolve métodos para fugir do “senso comum”. pois é aquele onde os contatos pessoais são mais constantes. por exemplo. julgar e. Segundo Durkheim. o sociólogo precisa deixar de lado seus valores e sentimentos pessoais em relação ao acontecimento a ser estudado. também chamado de intermediário. padronizando o comportamento. Trata-se de um conjunto de ideias que nos permite interpretar a realidade. Um exemplo são as coletividades juvenis. ao tripudiar sobre um juiz no estádio de futebol. que analisava de maneira superficial a realidade social. pois em cada fase ou etapa de sua vida ele busca apoio de um determinado grupo. encontramos elementos para compreendermos melhor os grupos sociais que estão distribuídos na sociedade. 2. A consciência coletiva inibe e controla os impulsos do indivíduo na sociedade. Saiba mais Chamamos senso comum ao conhecimento adquirido por tradição.Antonio Carlos Banzato A. é um fato social. Da infância até a maturidade. pois agora ele responde sozinho por seus atos. da consciência coletiva.1 A Objetividade do Fato Social A etapa seguinte dos estudos de Durkheim foi definir o método de conhecimento da Sociologia. Santos e Rafael Lopes Sousa Com essa caracterização que Durkheim faz dos fatos sociais. “reprovável” ou “criminoso”. Entre os muitos desdobramentos que as re- 14 Unisa | Educação a Distância | www. isto é. em certo sentido. definindo. apesar de ser resultado de razões particulares. pois só assim alcançaria a objetividade de sua análise. revela o “tipo psíquico da sociedade”. apresenta em todas as sociedades características comuns e certa regularidade e. o grupo familial (família). bem como um corpo de valores que nos ajuda a avaliar. por exemplo. Por exemplo. O suicídio. responsabilizado. o indivíduo só o faz porque está protegido por uma consciência coletiva. o terceiro grupo. o segundo grupo é chamado de secundário e manifesta-se na igreja e no trabalho e é geralmente constituído por uma rede de relações mais complexa em que os contatos são mais formais. o que numa sociedade é considerado “imoral”. 2. o indivíduo participa de vários grupos sociais. Mas a consciência coletiva pode servir também de máscara para o indivíduo esconder sua personalidade no jogo do teatro social. O primeiro pode ser definido como grupo primário.2 A Consciência Coletiva A consciência coletiva está espalhada pela sociedade e.br . Quando sai do estádio e vai embora sozinho para sua casa sem a proteção do grupo. que o impede de ser prontamente identificado.unisa. herdado dos antepassados e ao qual acrescentamos os resultados da experiência vivida na coletividade a que pertencemos. que para compreender os fatos sociais o cientista precisa ter visão ampla e identificar os acontecimentos que apresentavam características exteriores comuns na sociedade.

surge um grupo de teóricos em Frankfurt na Alemanha. ainda. Marcuse e Horkheimer. Impulsionada pelo incessante desenvolvimento da tecnologia e a inevitável popularização dos aparelhos eletroeletrônicos. entre outros – caracterizavam-se por serem mais acadêmicos. esses teóricos começaram a analisar de forma crítica o que eles denominaram de “Indústria Cultural”.3 A Escola de Frankfurt Denominada teoria crítica. sobretudo a partir das primeiras décadas do século XX. A Alemanha vivendo a crise do pós-guerra. os quais trouxeram contri- buições para se pensar os caminhos da sociedade contemporânea.br 15 . na análise das temáticas novas que as dinâmicas sociais da época configuravam – o totalitarismo. entre outros – numa preocupação com a superestrutu- ra ideológica e a cultura. Marcuse e Horkheimer. A juventude deixa.4 A Indústria Cultural Com o avanço tecnológico e industrial. perder de vista todo o contexto histórico no qual os estudos de Frankfurt se desenvolvem. a indústria cultural ampliou a participação e a interferência do indivíduo – principalmente dos jovens – no meio circundante. A identidade da Teoria Crítica liga-se à utilização dos pressupostos marxistas e de alguns elementos da psicanálise. Preocupados com a postura e interferência dos meios de comunicação na sociedade. envolvidos com uma concepção teórica global da sociedade e nitidamente influenciados por Marx e Freud. 2. e. a indústria cultural. mas que. Saiba mais Para Morin. os meios de comunicação reorganizaram sua produção artística e cultural. apresentou-se como um contraponto às simplificações que determinadas correntes sociológicas vinham fazendo dos estudos da sociedade. que o século XX trouxe novos meios de sociabilidade e integração social – o rádio. os mais próximos a este tema seriam aqueles relativos à indústria cultural – marcados pelo enfoque da manipulação do agente social. a indústria fonográfica etc. de receptora.unisa. utilizando as novas linguagens do marketing. suas manifestações ganham notoriedade. Essas novas técnicas logo serão incorporadas pelos jovens como forma mais cotidiana de interferência em um mundo social para eles amplificado. da imprensa. entre os vários assuntos abordados por essa Escola. tornando decisivas suas influências sobre a vida da juventude. assim. Pode-se dizer. Walter Benjamim.Sociologia flexões de Durkheim abriram para os estudos sociológicos. sob o ponto de vista mercadológico. que começava a se firmar. então. não se pode dizer que o tema dessa corrente seja apenas os meios de comunicação de massa. a Revolução Russa vitoriosa. Tudo isso incidia de forma decisiva nas ideias dos jovens judeus marxistas Adorno. do rádio. o cinema. o movimento operário alemão rechaçado. Edgar Morin (1969) chama esse fenômeno de Terceira Cultura. 2. a Terceira Cultura é decorrência do boom tecnológico que o mundo viveu depois da Segunda Guerra Mundial e que levou a uma popularização do cinema. e o nazismo. mais o crescimento econômico e urbanístico. Unisa | Educação a Distância | www. Os principais investigadores da Escola de Frankfurt – Adorno. da televisão etc. Em meio a esse processo. Assim. ela passa a criadora de uma nova maneira de ser e viver. merecem destaque aqueles derivados da escola de Frankfurt. –. Não se pode. de ser apenas receptora de cultura.

Os defensores da cultura de massa acreditam que esta surge espontaneamente das próprias massas em ressonância com a arte popular.br .unisa. Morin.. de seus consumidores” (ADORNO. em seu livro. que passam a investir seu tempo livre em diversão e lazer. seu objetivo não está voltado para a educação e a cultura em si. por Theodor Adorno. As praças já não lhes são suficientes. enquanto a indústria cultural diferencia-se totalmente. da desestruturação acolá. Waldenyr Caldas. 1969. conceitua a cultura de massa dessa forma: A cultura de massa consiste na produção industrial de um universo muito grande de produtos que abrangem setores como moda. que no decorrer dos anos 50 articula-se em torno de novos referenciais (principalmente cinema e música rock’n roll) para granjear uma posição de destaque na sociedade. agora eles querem o cinema. ele possibilitou um aumento da demanda de empregos e. que o fulcro do que era uma subcultura juvenil cedesse espaço para o surgimento de uma ampla cultura juvenil. Foi no compasso dessa terceira cultura. aceleram em contrapartida as reivindicações dos adolescentes que não se satisfazem com a semi-liberdade adquirida e fazem crescer sua contestação a propósito de um mundo adulto cada vez menos semelhante ao deles. motocicleta. tudo o que envolve a vida do homem contemporâneo [ . p. 16 Unisa | Educação a Distância | www. portanto. A aquisição de relativa autonomia monetária (dinheiro para o gasto diário dado pelos pais nas sociedades avançadas e. “A indústria cultural é a integração deliberada. incluindo os esportes. pois vem atribuída de vários elementos. para substituir a expressão “Cultura de Massa”. o lazer no sentido mais amplo. Edgar Morin. por isso. 140).] . eles querem visibilidade e atenção. Santos e Rafael Lopes Sousa Essa nova configuração cultural da juventude ganha vulto. as lanchonetes. que.5 Cultura de Massa O termo ‘Indústria Cultural’ foi utilizado pela primeira vez em 1947. 1978. alerta que: O desenvolvimento dessa cultura está ligado a uma conquista da autonomia dos adolescentes no seio da família e da sociedade. automóvel) e lhes permitirá viver sua vida autônoma no lazer e pelo lazer. 2. toca-discos e mesmo violão). de maneira mais específica no pós-guerra devido ao aquecimento ocorrido no setor industrial. enfim. conceituando um novo estilo e qualidade. dinheiro para o diário conservado pelos adolescentes que ganham a vida e entregam o que ganham aos pais) e de relativa liberdade no seio da família (o que nos conduz ao problema da liberalização aqui. 83). a partir do alto. enfim. A prioridade da Indústria Cultural é explorar o gosto popular. alhures. 1986.. ao analisar os problemas comportamentais dos jovens numa sociedade pautada pela massificação cultural. levou mais recursos financeiros para um número cada vez maior de famílias. O que todo cidadão precisa saber sobre cultura.. possibilitou o surgimento de uma cultura de massas na sociedade moderna. mas para a obtenção de lucro. estimulado pelo aumento do poder aquisitivo e pelo tempo livre. e não os anseios do povo. da família) permitem aos adolescentes adquirir material que lhes insuflará sua cultura (transistor. p. essa vida. a literatura.Antonio Carlos Banzato A. a música. Essa cultura. ao analisar essas novas características da sociedade moderna. p. (MORIN. pois esta induz ao engodo de que são satisfeitos os interesses dos detentores dos veículos de comunicação de massa. concomitantemente. (CALDAS. combinada com a popularização das novas técnicas de integração social. a imprensa escrita e falada.. que lhes dá sua liberdade de fuga e de encontro (bicicleta. pondera que a ampliação do tempo de lazer. 287). Temos aí uma nova problematização no cenário juvenil. cria espaços específicos para suas reuniões. o cinema.

esta toma conta praticamente de todo o mercado. O consumidor da cultura de massa faz a leitura. notamos que. shows. de música regional. fazendo valer os conceitos e o poder da ideologia dominante. festivais. o “calypso” paraense e. preocupados com a interferência dos meios de comunicação na sociedade. como tomar banho. seja na política. No campo da música foram reinventados: a lambada. Durkheim procurou emancipar a sociologia das demais teorias e constituí-la como disciplina científica. e pode até ser difundida nos espaços típicos dos segmentos da cultura de massa. aqui no Brasil. b) Identificar quais as repercussões sociais desse consumo e as informações ideológicas e políticas da cultura de massa. são exteriores aos indivíduos e existem antes da chegada do indivíduo na sociedade. ocupam os mesmos espaços.6 Resumo do Capítulo Caro(a) aluno(a). presenciaram-se nos últimos anos. pois jamais abre questões. podemos destacar dois aspectos importantes da cultura de massa: a) Saber a quem são dirigidos seus produtos. sua vivência. inclusive. 2. apesar de serem produtos culturais de natureza diferente. seja em qualquer outra atividade profissional. 1979. ou seja. pois abrange desde as manifestações folclóricas até as manifestações de contexto urbano. ou seja. decodifica a mensagem de acordo com seu interesse.unisa. Além de destacar outros locais com penetração restrita. não tem a ver com a cultura popular. Os teóricos em Frankfurt. a força que os fatos exercem sobre os indivíduos. apenas vulgariza ou repete conceitos estabelecidos nas camadas superiores da sociedade. o samba e o pagode. como: casas noturnas. está presente também na recepção. o funk carioca. Em se tratando da música popular. no final do século XIX. pois a cultura de massa tem por meta a fantasia e o consumo compulsivo. então. A terceira é a generalidade. por exemplo. vários fenômenos criados pela indústria cultural. portanto. A segunda característica dos fatos sociais é que eles existem e atuam sobre os indivíduos independentemente de sua vontade.Sociologia A cultura de massa. como a “Aeróbica do Senhor”. p. Em se tratando da persuasão de consumo. boates. bastante difundida pelo padre Marcelo Rossi. A primeira delas é a coerção social. A cultura popular. Diante disso. Não há. o forró eletrônico. que são realizados nos bairros da periferia das grandes cidades. “reprovável” ou “criminoso”. 56). no sentido de pensar os caminhos da sociedade contemporânea. que recebem influências das culturas de massa e de elite. de elite ou popular. Durkheim levantou a ideia da consciência coletiva que busca revelar o “tipo psíquico da sociedade”. Os fatos sociais são atravessados por três características fundamentais. por este ser um veículo de grande influência e penetração na classe trabalhadora periférica. pois as produções culturais de massa. Ela apropria-se dos meios de comunicação – sobretudo do rádio. Os meios de comunicação de massa têm um forte poder a curto prazo para construir ou destruir a imagem de um ídolo popular. definindo. Unisa | Educação a Distância | www. sua expectativa. A cultura de massa é conservadora. músicas religiosas. uma dominação e um controle rígido por parte dos meios de comunicação. elegeu os fatos sociais como o principal objeto da sociologia. O mesmo trouxe contribuições da escola de Frankfurt. o que numa sociedade é considerado “imoral”. é produzida a partir das manifestações das classes populares. começaram a analisar de forma crítica o que eles denominaram de “Indústria Cultural”.br 17 . (CALDAS. circos. A espetacularização dos produtos culturais não se encontra apenas nos conteúdos ou nos meios de comunicação. o “axé music”. portanto. aquilo que se repete em todos os indivíduos. a música sertaneja.

7 Atividades Propostas 1. Faça um breve comentário do contexto histórico em que foi criada a Escola de Frankfurt. Santos e Rafael Lopes Sousa 2. como o fato social participa da vida do indivíduo? 2. Na Perspectiva de Durkheim. 18 Unisa | Educação a Distância | www.br .unisa.Antonio Carlos Banzato A.

Umberto Eco faz críticas aos “integraWarhol. Roy Lichtennstein e Richard Hamilton (pró. Chistian Metz. Faz crítica ao modelo funcionalista – Escola norte-americana e aos Frankfurtianos – Escola Alemã. 94). por meio de estudos feitos em centros Em consequência disso.unisa. peças publicitárias.3 eSCoLAS SoCIoLÓGICAS 3. criado Os produtos culturais veiculados pelos meios em 1960 no interior da Escola Prática de Altos Esde comunicação de massa passaram. no início da tudos e dirigido Por Georges Friedman”. que sacralizaram. em Apocalípticos e universitários ou por obras de artistas como Andy Integrados1. Roland Barthes. a críhistórias em quadrinhos e estrelas de cinema). como Roland Barthes. Jean Baudrillard. a receber atenção da intelectu. Edgar Morin. diversos teóricos europeus lançaram-se a estudar e analisar o conteúdo das mensagens da cultura de massa. em peças publicitárias. Essa visão da comunicação e da cultura de massa era compartilhada por intelectuais franceses ou que desenvolviam suas pesquisas na França. Esses intelectuais tinham em comum uma postura crítica – mas não preconceituosa – em relação a esses produtos culturais e utilizavam os princípios da semiologia e aplicavam a análise estrutural em seus trabalhos.dos” (funcionalistas) pela passividade com que se ceres do movimento da Pop Art. transformando-os em ícones da sa sem realmente analisá-la”. “Seus trabalhos teóricos passaram a ser publicados a partir de 1968 na revista Communnications e editados pelo Centro de estudos da comunicação de Massa (CECMAS). (SANTOS. 2003. entre outros. Todos divergiam tanto das posturas funcionalistas quanto das frankfurtianas. surge na Itália e na França um grupo de pesquisadores que penetraram nos estudos de comunicação de massa pelo viés da mensagem. 93). Tratava-se de um grupo de estruturalistas. Jean Baudrillard. formado por Umberto Eco. Edgar Morin. apontava a utilização de “conceitos-fetiche (massa.br 19 . p. histórias em quadrinhos e “estrelas de cinema pela pop art” (SANTOS. Umberto Eco parte do pressuposto de que a cultura de massa é a cultura do homem contemporâneo e aponta o momento histórico de seu aparecimento “no momento em que a presença das mas- Principal obra publicada por Umberto Eco. 1 indústria cultura)”. p. Suas tica de Eco estava centrada no “pessimismo diante obras exploraram o potencial formal dos signos da da sociedade de massa por negar a cultura de mascultura de massa. Quanto à teoria crítica de Frankfurt. por parte das duas teorias. para fazer proposições de maneira genérica sobre “um fenômeno complexo como a cultura de massa”. Nesse contexto. de massa”. década de 1960.2003. artísticos.1 Escola Sociológica Europeia Na década de 1960. entre outros. utilizando a técnica da análise de conteúdo. alidade. Dessa maneira. Julia Kristeva. Unisa | Educação a Distância | www. e pelo italiano Umberto Eco. colocavam “diante das questões relativas à cultura em seus trabalhos artísticos. Seus estudos estavam centrados no entorno dos meios acadêmicos. Eco arte.

A sociedade não pode ser conhecida a partir de indivíduos e grupos isolados. 2003. 94). p. o efeito volta à cau. histórias. a cultura massificada pressupõe “o único terreno de troca e de comunicação para a classe [. 2003. Seu conteúdo é produzido dor.] a nova camada de assalariados” (WOLF. Eco complementa que a cultura de massa passa a ser “uma definição de ordem”. O paradigma da separação.). A solidariedade é constituinte dessa sociedade. Esse diálogo contém em a linguagem dos produtos culturais que seu interior a ética do consumo. fundamentais dos produtos da cultura de produção e consumo. p. 22).. Outro expoente dessa Escola é Edgar Morin. por exemplo. símbolos.) distribui relatos.] um diálogo desigual. Nesse viés moriniano. Nesse viés. onde o efeito é. com um sim ou com um não. Assim. para ele. paradigmas são estruturas de pensamento que comandam nosso discurso de maneira inconsciente. os indivíduos produA única maneira de salvaguardar a liberzem a sociedade. se torna o fenômeno mais evidente de um contexto histórico” (ECO apud SANTOS. 1962. p. 1992. na cultura de massa põem em comunicação os difevisão de Umberto Eco.. hierarquia. com sua cultura e sua linguagem: o comunidade e solidariedade. 18). p. p. a lei fundamental veiculam as capacidades receptivas da média do público. que consome. esses valores da Os meios de comunicação de massa. (MORIN. no interior de cada membro. E.”. p. que dizem respeito à vida prática e ao imaginário coletivo. na vida associada. Edgar Morin assim a define: para agradar o público. 94). O consumidor – o espectador – responde apenas com reações pavlovianas. uma “identidade dos valores de consumo”. [. uma vez que esta vai adquirindo valores cada vez maiores da classe anterior. para além da diversidade de “prestígio. é um sistema constituído de valores. acompanhando e apreciando seu objeto de estudos”. Eco manifesta seu pensamento e afirma que nem mesmo os frankfurtianos como críticos da cultura de massa poderiam estar fora da abrangência dela. do objeto do conhecimento e ficou cada vez mais difícil de se estabeleDesde então. desde a Renascença.. a priori. nessa abordagem. ajustam o gosto e rentes estratos sociais. a transmissão etc. 1983. (SANTOS. constituindo-se em material de evasão. compondo uma dimensão simbólica que permite aos indivíduos se localizarem no grupo. é demarcada uma zona comum. 1999. exprime-se através de uma linguagem. Ainda. A produção (o jornal. 103). e é isso que dá uma reaindivíduo é produto e produtor ao mesmo tempo lidade de existência a uma sociedade com(WOLF.unisa. 1999). que expõe o da solidariedade para o equilíbrio e a sobrevivência caráter retroativo do sistema.. Assim. reina. 39 apud WOLF. mas pode também informar e educar.Antonio Carlos Banzato A. um diálogo entre o prolixo e um mudo. causa. o filme.tinuidade dialógica entre o produtor e o consumidade em série. que identificou dois métodos de estudar a cultura na sociedade: o da “totalidade que encerra o fenômeno em suas interdependências e inclui o próprio pesquisador no sistema de relações” (SANTOS. A cultura. as características da cultura de massa é do mercado e sua dinâmica. p. imagens e mitos. É necessário juntar as partes ao todo e o todo às partes. (MORIN. Separou-se o sujeito do conhecimento. que determinam o sucesso ou o insucesso. 1999.br . 103). e o método “autocrítico – em que o pesquisador despe-se de preconceitos. Morin elaborou outras ideias cer ligações. Edgar Morin também destaca o valor desse modo: a ideia de circularidade. no mundo ocidental (mágica/lógica. mas ela própria retroage sobre dade é que haja o sentimento vivido de os indivíduos. conversações etc. sobretudo. 20 Unisa | Educação a Distância | www. Para ele. a sociedade de consumo é um substrato da cultura de massa: é o novo público plexa.de uma dada cultura: sa e a causalidade circula em espiral. Outra de suas contribuições é quanto ao estudo dos paradigmas. Dessa maneira. Santos e Rafael Lopes Sousa sas. Sobre essa dinâmica ou conmassa são a efemeridade e a reprodutibili. ao mesmo tempo. Para Morin. arte/ciência etc.

Por essa razão.Sociologia 3. a ordem social submete os indivíduos como força exterior a eles. Economia e Sociedade (obra póstuma) e A ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. difundiu para o mundo uma outra possibilidade de sistema político. a França. Assim. fizeram com que as primeiras escolas sociológicas fossem fortemente influenciadas pela adaptação dos princípios e da metodologia dessas ciências à realidade social. significado e especificidade. de uma justificativa subUnisa | Educação a Distância | www. cada sujeito age levado por um motivo que é dado pela tradição. Paralelamente a esses acontecimentos.dos alemães com a sociedade fundamentam-se de cificidade e importância próprias. por sua vez. Para a sociologia positivista. obrigando seus pensadores a um esforço interpretativo da diversidade social. impulsionadas pela indústria e pelo desenvolvimento tecnológico. A Inglaterra foi a sede do desenvolvimento industrial. A sua abordagem diferia da de Marx (que utilizou o materialismo dialético como método para explicar a evolução histórica das relações de produção e das forças produtivas). Suas principais obras foram: Artigos Reunidos de Teoria da Ciência. Assim.unisa. cial. espe.br 21 . A França e a Inglaterra contribuíram decisivamente para a consolidação do pensamento burguês. Mas o ponto de modo diferente daquelas preocupações encontrapartida da sociologia de Weber não estava nas enti. em decorrência de sua descentralização política. Max Weber (1864-1920) participou da comissão redatora da Constituição da República de Weimar. o homem passou a ter. um dos fundadores da Sociologia e dos estudos comparados sobre cultura e religião. Na Alemanha. isto é. o núcleo da análise social consistia na interdependência entre religião. a conduta humana dotada de sentido. Saiba mais A República de Weimar foi instaurada na Alemanha logo após a Primeira Guerra Mundial. economia e sociedade. junto com Karl Marx e Émile Durkheim. as preocupações Cada formação social adquiriu. o pensamento burguês organiza-se tardiamente. dades coletivas. enquanto indivíduo. na teoria weberiana. não existe oposição entre indivíduo e sociedade: as normas sociais só se tornam concretas quando se manifestam em cada indivíduo sob a forma de motivação. o desenvolvimento da indústria e a expansão marítima e comercial colocaram esses países em contato com outras culturas e outras sociedades. para Weber. Contrastava igualmente com as propostas de Durkheim (que considerava ser a religião a chave para entender as relações entre o indivíduo e a sociedade). O sucesso alcançado pelas ciências físicas e biológicas.das nas sociedades francesa e inglesa. prejudicando o desenvolvimenSegundo Weber. cada indivíduo age levado to e a modernização da sociedade. Para Weber. ao contrário. estabelecendo relações entre formações políticas e crenças religiosas. que só vai ser por motivos que resultam da influência da tradi. Sua maior influência nos ramos especializados da sociologia foi no estudo das religiões. jetivamente elaborada.concretizada na etapa do capitalismo concorrenção. dos interesses racionais e da emotividade. tendo como sistema de governo o modelo parlamentarista democrático.2 Sociologia Alemã: a Contribuição de Max Weber Weber é considerado. O Presidente da República nomeava um chanceler que seria responsável pelo Poder Executivo. grupos ou instituições. Nos séculos XVII e XVIII. É ele que dá sentido à sua ação social: estabelece a conexão entre o motivo da ação. a ação propriamente dita e seus efeitos. Seu objeto de investigação é a ação social. Para Weber. disciplinas às quais deu um impulso decisivo. no século XIX.

Antonio Carlos Banzato A. a sociedade de consumo é um substrato da cultura de massa: é o novo público que consome. Para Weber.3 Resumo do Capítulo Caro(a) aluno(a). entre outros. Por qual motivo o pensamento burguês organizou-se na Alemanha tardiamente? 22 Unisa | Educação a Distância | www. economia e sociedade. Marx utilizou o materialismo dialético como método para explicar a evolução histórica das relações de produção e das forças produtivas.br . o núcleo da análise social consistia na interdependência entre religião.4 Atividades Propostas 1. Roland Barthes. Karl Marx e Émile Durkheim são considerados os fundadores da Sociologia e dos estudos comparados sobre cultura e religião. Surge nesse momento na Itália e na França estudos referentes à análise de conteúdo dos meios de comunicação de massa. Jean Baudrillard. 2. como Umberto Eco. Localize o campo de maior influência nos ramos especializados da sociologia de Max Weber. Edgar Morin. Para Morin. Durkheim considerava ser a religião a chave para entender as relações entre o indivíduo e a sociedade.unisa. realizados por um grupo de estruturalistas. Santos e Rafael Lopes Sousa 3. nesse período. Weber. 3.

da investigação do comportamento subjetivo. segundo o qual a Em seu conhecido ensaio A Ética Protestante e Ciência devia explicar o fenômeno social a partir o Espírito do Capitalismo (1904-1905). orientando-se dência ao racionalismo econômico. especialmente a sua vertente calvinista. é por um costume ou um hábito arraigado. Para Weber. mas não são a criados para o ensino especializado e para o traba. do conjunto das ações individuais. A partir desses pressupostos. Weber estabeo caráter obreiro do protestantismo deixava-o cada vez mais ligado aos problemas mundanos. nas famílias protestantes. só existe ação social estava. independentemente do êxito desse valor na realidade. ao passo que mais. senvolvimento do capitalismo. sua concepção de sociologia era abrangente e partia do conceito de conduta social. Essa era a ideia central comum ao conjunto de douNos conceitos de ação social e definição de trinas conhecidas tradicionalmente como seus diferentes tipos. Weber argumenta só aí. De quando o indivíduo tenta estabelecer algum tipo acordo com seu raciocínio. os filhos eram tos que explicam a realidade social. Para ele. Estas são todo o protestantismo carregava uma proeminente ten. c) Racional com relação a valores: determinada pela crença consciente num valor Saiba mais considerado importante. Portanto. a partir de suas ações com os decatolicismo o distanciava do mundo. o resultado dessa ação permite estabelecer parâmetros para descobrir os sentidos da ação humana. Estes são conceipor isso. as investigações sociológicas do conjunto de ações individuais. que nha porque haviam surgido no âmbito ocidental. e normas sociais como exteriores aos indivíduos.tipo de ação que o indivíduo pratica. a natureza ascética do de comunicação. conclusões se uma ou outra proposição é verdadeira. Para Weber.unisa. ausente no catolicismo. Weber não analisa as regras racionalismo.br 23 .realidade social: lho fabril. os indivíduos agem motivados por uma tradição. por sua vez. Assim. e vincula o indivíduo a seus atos. fenômenos culturais que iriam assumir um que a sociedade pode ser compreendida a partir significado e uma validade universais. optando sempre por atividades mais adequadas à obtenção do lucro. Unisa | Educação a Distância | www. constantemente associado ao sucesso econômico b) Ação afetiva: aquela determinada por e à racionalização da sociedade ocidental e do deafetos ou estados sentimentais. Por isso o protesa) Ação tradicional: aquela determinada tantismo. O racionalismo é a corrente filosófica que iniciou com a definição do raciocínio. que é d) Racional com relação a fins: determinada a operação mental. Essa tendência pela ação de outros. Talvez leceu quatro tipos de ação social. Este pelo cálculo racional que coloca fins e orusa uma ou mais proposições para extrair ganiza os meios necessários. Weber expu. discursiva e lógica. falsa ou provável.4 A SoCIeDADe SoB UMA peRSpeCtIVA HIStÓRICA só eram possíveis quando se utilizavam de uma multiplicidade de casos individuais. as normas e regras sociais são o resultado Para Weber.

eles estão carregados de sentimentos e emoções. O estudo e a pesquisa devem. os indivíduos agem motivados por uma tradição que nos permite estabelecer parâmetros para descobrir os sentidos da ação humana. o que contagia as intervenções do cientista. Quem escreveu e do que trata a obra A ética protestante e o espírito do capitalismo? 2. Weber propôs um instrumento de análise denominado por ele de tipo ideal.1 Resumo do Capítulo Caro(a) aluno(a). Partindo de pressupostos do estudo das mais distintas manifestações culturais. ou seja. segundo Weber. 4. assim. impossível ao cientista agir com total imparcialidade dos fatos. Weber estabeleceu quatro tipos de ação social. 4. impondo. O autor argumenta ainda que a sociedade pode ser compreendida a partir do conjunto das ações individuais. portanto.br . como propunha Durkheim. impossível ao cientista agir com total imparcialidade dos fatos como propunha Durkheim. portanto. Weber argumenta que o cientista age influenciado pelo seu tempo.unisa. Os fatos sociais não são coisas. ser conduzidos com objetividade em suas análises. sendo. Weber argumenta que o cientista age influenciado pelo seu tempo. de qualquer maneira.2 Atividades Propostas 1. o capitalismo ocidental constitui um tipo ideal de capitalismo por ser uma organização econômica racional voltada para o trabalho livre e para o lucro independentemente de sua localização.Antonio Carlos Banzato A. Santos e Rafael Lopes Sousa Outra particularidade da sociologia de Weber é que ele rejeita a maioria das proposições positivistas. 24 Unisa | Educação a Distância | www. limites para as crenças e ideias pessoais. Indique e explique dois. evitando uma tomada de posição pessoal do pesquisador frente ao fato estudado. sendo. o protestantismo carregava uma proeminente tendência ao racionalismo econômico. Na busca de uma melhor adequação para as análises dos fatos sociais. Outra particularidade da sociologia de Weber é que ele rejeita a maioria das proposições positivistas. Nesse sentido. Para Weber. o cientista constrói um modelo com os traços característicos dessa ou daquela manifestação e elege um tipo ideal para suas análises.

seu companheiro de ideias. o método dialético. Pode referir-se a uma cidade ou a um mundo. Para Marx. mais-valia. onde conheceu Friedrich Engels (1820-1895). Em 1842.br 25 . para implantá-lo na sociedade. Saiba mais ‘Utopia’ tem como significado mais comum a ideia de civilização ideal. para os quais aponta soluções racionais em contraposição às alternativas metafísicas. Charles Fourier (17721837) e Robert Owen (1771-1858). suas contradições e seus problemas. implantando. O marxismo surgiu com a sociedade moderna. Tratava-se. com a grande indústria e com o proletariado industrial. Aparece como a concepção de mundo que expressa esse mundo moderno. Com essa formulação. os três desconsideravam a necessidade da luta política entre as classes sociais e o papel revolucionário do proletariado na realização dessa transição. Nos três sistemas elaborados. Suas principais obras são: O Manifesto do Partido Comunista. com o exemplo. Esse trabalho tomou a atenção de Marx até o final da vida e resultou na maior parte de sua obra teórica. Marx produziu obras de filosofia. de descobrir um sistema novo e perfeito de ordem social. Em 1845. de quem Marx absorveu e aplicou de modo peculiar.5 KARL MARX e A HIStÓRIA DA eXpLoRAção Do HoMeM Karl Marx (1818-1883) nasceu na cidade de Treves. sobretudo com Saint-Simon (1760-1825). o império da razão e da justiça eterna. foi expulso da França. em interpretar o mundo. sendo possível. Podemos apontar algumas influências básicas no desenvolvimento do pensamento de Marx. queria antes de tudo transformá-lo. mas reprovava o “utopismo” de suas propostas de mudança social. Essa trajetória é marcada pelo desenvolvimento de conceitos importantes. ideologia valor. Com o objetivo de entender o capitalismo. sendo possível tanto no futuro quanto no presente. há toda a crítica da obra dos economistas clássicos ingleses. em particular Adam Smith e David Ricardo. escreveu com Engels O manifesto do Partido Comunista. Também significativo foi seu contato com o pensamento socialista francês e inglês do século XIX. mudou-se para Paris. da competição e da influência da propriedade privada. trabalho. economia e sociologia. como alienação. Em primeiro lugar. Marx destacava o pioneirismo desses críticos da sociedade burguesa. por isso. Finalmente. Estabeleceu-se em Londres a partir de 1848 e lá deu continuidade aos seus estudos. vindo de fora. Foi inventada por Thomas More. na Alemanha. deslocando-se para Bruxelas e lá participando da recém-fundada liga dos comunistas. mediante experiências que servissem de modelo. por meio da propaganda e. Não se limitou. havia a eliminação do individualismo. coloca-se a leitura crítica da filosofia de Hegel. assim. mercadoria. Em 1848. A palavra significa literalmente “não lugar” ou “lugar que não existe”. infraestrutura e práxis Unisa | Educação a Distância | www. servindo de título para uma de suas obras por volta de 1516.unisa. A ideologia Alemã e O capital. porém. as três teorias desenvolvidas tinham por traço comum o desejo de impor de uma só vez uma transformação social total. O utopismo é um modo absurdamente otimista de ver as coisas do jeito que gostaríamos que elas fossem.

Marx concebe a práxis como atividade humana prático-crítica. aliás esse é.unisa. no esforço de refletir as ideias e valores da classe dominante. para servir aos fins associados à satisfação das necessidades do gênero humano. pois o homem se autoproduz à medida que transforma a natureza pelo trabalho. de consciência social.uma estrutura ideológica repercutida nas formas da pela base econômica. que parte do objetivo para o subjetivo. pois. passando a ser o elemento central do materialismo histórico. assim. segundo Marx. Por esses mecatransformar matérias-primas e fontes de energia nismos.ideologicamente e seus valores de vida passam a lação do homem com a natureza. a infraestrutura engloba a re. Por exemplo. que é representada pelo estado que repercute as ideias manidade desde os primórdios. Para Marx não existe uma “natureza humana” idêntica em todo tempo e lugar. Para Marx. Marx chama essa ação humana. O existir humano decorre do agir. feita pelos homens. as relações dos homens entre si e o desenvolvimento das forças produtivas. mas foi por intermédio do pensador alemão Karl Marx que tal conceito.br . mas busca conhecida como manufatura e substituiu a fase dotambém transformá-lo. Condiciona. não a partir das condições que desejariam. É composto também por veis. os agentes daquela sociedade fizeram uma mudança na técnica: com as mesmas matérias-primas e ferramentas que usavam os artesãos individualmente. produzir a própria existência.2 A Práxis Atenção O conceito de práxis é muito anterior à filosofia marxista. Assim. A realidade social é. com raízes no pensamento de Aristóteles. 5. a arte e as leis. Assim. que é constituí. mas a partir da herança deixada pelas gerações passadas.1 O Método do Pensamento Marxista É um pensamento materialista. 26 Unisa | Educação a Distância | www. Santos e Rafael Lopes Sousa 5. O segundo nível é chamado de superestrutumo. se aprofundou. a sociedade estrutura-se em ní. a educação.da classe dominante. então. no século XVIII.Antonio Carlos Banzato A. que busca nas intervenções humanas e em suas contradições as explicações para a sociedade.méstica da produção. cada grande etapa do desenvolvimento das forças produtivas corresponde a uma forma diferente de organização da sociedade. religião. O trabalho é um projeto humano e como tal depende da consciência que antecipa a ação humana pelo pensamento. que é um pensamento damente por cada artesão. A natureza só adquire sentido para o homem à medida que é modificada por ele. que até então era feita separaPode-se dizer. porém. Essa nova técnica ficou que não se limita a interpretar o mundo. agruparam operários em grandes oficinas. não havia nenhuma descrição nem explicação científica da divisão social que acompanhava a hu. A história é. de transformar a realidade. O primeiro é a infraestrutura. progressivamente. obra dos próprios homens. de práxis. isto é. É um pensamento dialético. entre as quais se destacam: a o aspecto fundamental de toda sociedade. Até o advento do marxis. a classe dominada acaba sendo sujeitada em riqueza. A realidade é o campo de ação do homem.ra e é constituído de uma base jurídico-política. que nasce da relação entre o homem e a natureza. onde cada grupo fazia uma parte da produção total.

o lucro do proprietário da fábrica de linho. e que é apropriado pelo capitalista.br 27 . (HUBERMAN. Como vendeu sua força de trabalho ao capitalista.3 A Mais-Valia Para Marx. que o paga pelo trabalho realizado. Ocorre que o pagamento nunca corresponde ao tempo trabalhado. portanto. se o operário gastou quatro horas para fazer uma cadeira. isto é. Essas 4 horas de trabalho não pagas constituem a mais-valia. de mercadorias. O capital. o cachecol que a vovó faz para o próprio uso).). serão iguais apenas ao necessário a sua manutenção. (CHAUÍ. Através do conceito da mais-valia. que cada hora de trabalho equivale a R$ 2. 4 horas de trabalho que não foram pagas. Marx sistematizou essas reflexões em sua obra máxima. p.o dono dos meios de produção. Porém.00. que é o preço de seu tempo trabalho. ape- sar de estarem incluídas no preço final da mercadoria. a comercialização do produto.) o produtor da mercadoria recebe um salário. Marx demonstrou que o capitalismo baseia-se na exploração do trabalho. Isso significa que apenas parte do dia de trabalho o trabalhador estará trabalhando para si. Suponhamos que o preço desses produtos no mercado seja de R$ 16. É a fonte do lucro. a mercadoria não é um valor de uso e um valor de troca qualquer. Analisando as consequências da mais-valia para a vida do trabalhador. A diferença entre o que o trabalhador recebe de salário e o valor da mercadoria que produz é a mais-valia.00. Chama-se mais-valia. as outras duas horas ficam para o capitalista. O trabalhador não possui os meios de produção (terras. a soma necessária para mantê-lo vivo. tudo no sistema capitalista está vinculado à produção de mercadoria. precisa necessariamente vender seu trabalho para sobreviver. que passa a trabalhar para o capitalista num regime de trabalho aparentemente livre. Mas esse total que recebe o trabalhador pode produzir em parte de um dia de trabalho. o capitalista lhe paga apenas duas. 1972. mas que tem por objetivo o valor de troca. fábricas etc. Como o operário não detém os meios de produção nem é dono das matérias-primas. como o de qualquer mercadoria..valia. Suponhamos. Chauí (1984) argumenta: O preço da mercadoria no comércio é uma aparência. p. os trabalhadores precisem de 8 horas de trabalho. Há. por exemplo. O valor de sua força de trabalho. 50-51). 232-233).Sociologia 5. todo produto por ele criado pertence ao capitalista. para fabricar um metro de linho e para extrair um quilo de ferro. então. mas sim R$ 8. Diremos. O capitalista compra essa mercadoria. que pertencem ao capitalista. isto é. A origem do capital. 1984. pois este é também uma mercadoria. a força de trabalho do operário. dos juros. isto é. portanto. Como verificamos anteriormente e que agora exemplificaremos com outra ordem de pensamento: O sistema capitalista se ocupa da produção de artigos para a venda. quando vamos verificar qual é o salário desses trabalhadores. portanto. é o total necessário a sua reprodução – no caso. A mais-valia fica com o empregador . Formam seu capital.as rendas das classes que são proprietárias. portanto. Graças à mais. mas um valor capitalista. é o trabalho não pago. O valor de uma mercadoria é determinado pelo tempo de trabalho socialmente encerrado na sua produção.00. A mais-valia é também a medida da exploração do trabalhador no sistema capitalista. Unisa | Educação a Distância | www. Os salários que lhe são pagos. O resto do dia ele está trabalhando para o patrão. (.. descobrimos que não recebem R$ 16. onde analisa detalhadamente o funcionamento do sistema capitalista e mostra como suas próprias contradições produziriam a sua crise estrutural. que. pois a determinação do valor dessa mercadoria depende do tempo de trabalho de sua produção e esse tempo o dos demais trabalhadores que tornaram possível a fabricação dessa mercadoria. ferramentas.unisa. aquilo que o operário cria além do valor de sua força de trabalho.00. Mercadoria é tudo aquilo que é produzido não tendo em vista o valor de uso (por exemplo. das rendas . então.

A abelha. ou seja. porque assim seus lucros também aumentam.br . sobretudo. uma baixa no rendimento. do trabalho capitalista. ele utiliza-se da mais-valia. Marx pergunta: o que diferencia o trabalho do mais brilhante arquiteto do trabalho da abelha? A diferença está. significa aquilo que vem antes. Portanto. 5. porém. seja ela física ou mental. Há que se considerar. logo. para isso. O conhecimento a priori se complementa com o conhecimento a posteriori. limites históricos – porque. ao colapso do sistema capitalista. Para fazer isso. o que irá produzindo um esgotamento intensivo. A esse respeito. segundo Marx. possa continuar trabalhando muito tempo mais. Era o método mais utilizado no começo do capitalismo. da qual resultam bens de consumo para a humanidade. o trabalho de um feirante que vende frutas não exige aprendi- zagem anterior: ele é capaz de executá-lo por meio da imitação. este não existe. do latim. Karl Marx afirmou alhures que foi o trabalho o primeiro responsável pela educação do homem. a classe operária também se desenvolveu. mais-valia absoluta. a classe operária foi conseguindo reduzir a jornada de trabalho.Antonio Carlos Banzato A. Santos e Rafael Lopes Sousa Ao patrão o que interessa é o aumento constante da mais-valia. o patrão teve de lançar mão de outras formas para fazer com que o operário produzisse mais.unisa. no projeto. incentivando a produtividade etc. 28 Unisa | Educação a Distância | www. o que não interessa ao patrão. a exploração do trabalhador não decorre do fato de o patrão ser bom ou mau. por efeito da tendência decrescente da taxa de lucro. se organizou e começou a lutar contra a exploração capitalista. Sem ela. de modo que depois de o operário ter produzido o valor equivalente ao de sua força de trabalho. porque ele não aumenta seus gastos nem em máquinas nem em locais. que consiste no pensamento dedutivo. o que vem depois como resultado da experiência. O trabalho do arquiteto e do engenheiro oferece a concepção de uma forma para o objeto que se quer produzir. reduzindo o tempo de trabalho necessário (mais-valia relativa) sem reduzir a jornada de trabalho: introduzindo máquinas mais modernas. ou seja. essa forma de obter maior quantidade de mais-valia é muito conveniente ao capitalista. Então. que o peso de cada atividade é diferente. Existem limites para isso: limites físicos – porque se o operário trabalha durante muito tempo. não pode descansar o suficiente para refazer sua força de trabalho na forma devida. que constitui a verdadeira essência do capitalismo. o capitalista usa algumas formas básicas: aumentando ao máximo a jornada de trabalho. e sim da lógica do sistema: para o empresário vencer a concorrência entre os demais produtores e obter lucros para novos investimentos. Trabalho é toda atividade desenvolvida pelo homem. Através de árduas lutas. Mas a exploração do trabalho acabaria por levar. à medida que o capitalismo foi se desenvolvendo. faz tudo pela intuição sem projeto concebido a priori. apesar de exigir um mínimo de esforço mental. Dicionário A priori. O trabalho do operário da construção civil é mais manual. segundo ele. obrigando o capitalista a buscar outras medidas para aumentar a mais-valia. Mas não se pode prolongar indefinidamente a jornada de trabalho. e consegue um rendimento muito maior da força de trabalho. o arquiteto ao executar qualquer projeto o concebe antes em sua imaginação. É uma expressão filosófica que designa uma etapa para se chegar ao conhecimento. Trabalho aqui compreendido como a atividade manual e intelectual que visa produzir bens de serviços para o uso diário do homem. por exemplo. diferentemente. Há ainda o trabalho que é feito por imitação.4 Modelos de Produção A mais-valia só existe no mundo do trabalho.

A burguesia luta para conservar os privilégios e o proletariado para tomar o poder da burguesia. não eram escravos. Apesar disso. Essas duas classes. por isso. as terras pertenciam ao Estado. Nessa sociedade. O Estado egípcio. Durante toda a sua história. a oposição proprietários e não proprietários. O modo de produção capitalista institui o trabalho assalariado. proprietários e não proprietáminado pelos Faraós. O modo de produção primitivo indica uma formação econômica ainda pouco estruturada. O modo de produção feudal predominou na as relações socioculturais da sociedade socialista. A comunidade primitiva foi a primeira forma de organização humana. eles são obrigados a vender a força de trabalho para o capitalista. mas esteve presente também no Brasil e nos EUA durante o período colonial. Nesse modo de produção. não há separação entre proprietários (os donos dos meios de produção) e não proO modo de produção asiático predominou prietários (todos aqueles que têm apenas a força no Egito antigo. Eles cultivavam um pedaço de terra cedido pelo senhor e em troca pagavam impostos. senhores versus servos. as terras. que Estado é quem administra e distribui a produção. que paga pelos serviços prestados2.entre ricos e pobres. A burguesia possui as fábricas.unisa. portanto. então. Pode-se dizer. As relações de produção na sociedade escravista eram relações de domínio e de oposição senhor versus escravo. Tinha como característica a propriedade coletiva e não havia. isto é. a terra era o principal meio de produção e não existia Estado. os bancos. pois o servo não era propriedade do senhor. Nesse modo de trabalho para tirar o sustento de suas vidas). na China e na Índia. já temos a presença do Estado. O modo de produção escravista predominou na Antiguidade. Como os trabalhadores não são proprietários dos meios de produção. o homem transformou e foi transformado pela natureza.br 29 . não há separação interesses e conveniências. O escravo era considerado uma coisa. os meios de transporte. suas relações de produção estão ancoradas na propriedade privada e no domínio dos meios de produção pela burguesia. No modo de produção socialista. ideologia e mais-valia da presente apostila. incluindo aí os escravos.Sociologia A humanidade passou por diversas fases de desenvolvimento de produção. a burguesia e o proletariado. nem servos. Nas sociedades escravistas. ele é livre para negociar com o capitalista o trabalho de seu interesse. do. não podia ser negociado como uma mercadoria. e controlava a produção e a distribuía segundo seus não há divisão de classes. isto é. O trabalhador não é obrigado a ficar sempre no mesmo emprego. podia ser vendido como uma ferramenta ou um animal. que um sentimento de igualdade permeia conhecido desse modo de produção. a finalidade da sociedade socialista é a satisfação completa das necessidades materiais e culturais da população. eram propriedade do senhor. Apesar disso. isto é. Europa Ocidental do século VI ao século XVI. 2 Obviamente que o capitalista se utiliza de todos os mecanismos para tornar o trabalhador cada vez mais dependente. intelectuais e não intelectuais. os meios de comunicações e os dispositivos de controle social. são rivais. seus empregados não são escravos. Unisa | Educação a Distância | www. todos os meios de produção. como ocorria com os escravos. Conferir a esse respeito os conceitos de alienação. Os servos estavam presos ao trabalho da terra. cediam parte da produção para o senhor e ainda eram obrigados a trabalhar e cuidar das terras do senhor. A sociedade feudal estava baseada nas relações servis. O de produção. é um exemplo típico e mais rio. criado pelos senhores para defender seus interesses. portanto.

No modo de produção socialista. Para Marx não existe uma “natureza humana”. tudo no sistema capitalista está vinculado à produção de mercadoria.5 Resumo do Capítulo Caro(a) aluno(a).unisa. a mais-valia só existe no mundo do trabalho. Explique o nível da infraestrutura. 30 Unisa | Educação a Distância | www. Para Marx. Caracterize o modo de produção feudal.6 Atividades Propostas 1. que busca nas intervenções humanas e em suas contradições as explicações para a sociedade. sobretudo do trabalho capitalista. 2. a finalidade é a satisfação completa das necessidades materiais e culturais da população. o marxismo surgiu como a concepção que expressa esse mundo moderno. 5.Antonio Carlos Banzato A. surge com a indústria e com o proletariado industrial. a sociedade estrutura-se em níveis. Santos e Rafael Lopes Sousa 5.br . O pensamento materialista. Para Marx. O trabalho é um projeto humano e como tal depende da consciência que antecipa a ação humana pelo pensamento. que parte do objetivo para o subjetivo. pois o homem se autoproduz à medida que transforma a natureza pelo trabalho. é um pensamento dialético.

” Para Scuro (2004). em conjunto. (2004) entendem que a Sociologia é a Ciência que estuda o desenvolvimento. o fazemos em companhia de outros e é imperativo fazê-lo com os demais. por exemplo. o diretor de escola e o professor sabem de suas funções sem a necessidade de orientações diárias. p. mas o conceito de estrutura social inclui também os modelos ou padrões de interação social e relações sociais. Nessas orga- nizações. tem um conjunto humano que forma uma estrutura social. como as famílias e os amigos. o coordenador pedagógico. Estrutura social é. e todas elas. desde famílias e grupos em almoços ou em corporações multinacionais. a estrutura e a função da sociedade. O mesmo pode ser dito da estrutura de uma empresa ou de um clube de futebol. a liberdade política e a crença nas leis para mediar as relações humanas são. é “o estudo sistemático dos grupos e sociedades em que vivem os indivíduos. 9): A Sociologia começa com a observação de que os humanos são criaturas imensamente sociais. e pequenos grupos.unisa. os jogadores. como valores intrínsecos e universais que permeiam as estruturas sociais. Esse mesmo raciocínio pode ser aplicado a outras estruturas. Assim. enfim. o papel de cada um já está dado previamente de modo que eles podem compartilhar sem animosidade o mesmo espaço social. como. a um clube de futebol. quanto à sua constituição. como são criadas e mantidas ou modificadas as estruturas sociais e as culturas e como estas afetam nosso comportamento. p. Cada posição está relacionada com as demais. A religião. Nunca um indivíduo solitário poderá realizar estas atividades. por exemplo. Os membros de uma sociedade tendem geralmente a compartilhar a crença na importância dos valores definidos consensualmente. comunidades. 6. A estrutura social inclui grandes grupos. o secretário e diversos funcionários. além dos alunos. os professores. um sistema de crenças e interesses que medeia as relações sociais. Abarca fenômenos que são tangíveis ou visíveis. Cada um desses elementos ocupa uma posição social. formam a estrutura da escola. Dito de outro modo. um status no grupo. que tem o presidente.6 ConCeItoS De SoCIoLoGIA Para Lakatos e Marconi (1999. tudo o que fazemos. Estamos em constante construção e reconstrução de grupos. 38). o técnico. como as sociedades. portanto.1 Estrutura Social Numa escola trabalham o diretor. é o estudo da realidade social. o papel de cada um de seus membros.br 31 . um conjunto ordenado de partes encadeadas que formam um todo. Estrutura social funciona também como uma orientação teórica. o massagista. como o de quem se relaciona e com quem: idéias ou crenças e objetivos ou interesses. Unisa | Educação a Distância | www. Para Martins (1997. a estrutura social integra os indivíduos dentro de uma ordem e aí define. desde fazer amor até fazer uma guerra. Lemos Filho et al. por exemplo. suas estruturas e seu funcionamento.

as idéias que os indivíduos sustentam em comum e qualquer coisa que apreciem ou estimem. status e papéis são elementos opostos e complementares. associado à capacidade profissional. Pelé tem status adquirido pelas qualidades de seu futebol. mas está em mudança constante. obrigações e expectativas que acompanham um status num sistema social. então. quirido é obtido de acordo com as qualidades pessoais do indivíduo. então. O que estamos querendo demonstrar é que a posição ocupada pelo indivíduo no grupo social denomina-se status social. grupos e organizações.o rei atribuindo status para seus súditos. Para Martim (1997). cada interação social é uma situação em que o comportamento de um participante influi no do outro. o status era quase sempre atribuído. a estrutura não é estática. os status e os papéis dão as bases para as relações sociais. o patrão possui direitos. liderança e habilidaações e qualidades. Assim foi nas sociedades escravocratas. predomina o status adquiritariamente pelo indivíduo e não depende de suas do pelo destaque intelectual. 32 Unisa | Educação a Distância | www. Para Lakatos e Marconi (1999). Já o status ad- Para Lakatos e Marconi (1999). algumas são multifacetadas: duas pessoas que vivem no mesmo bairro.dade contemporânea. Na societus atribuído é aquele que não é escolhido volun. 6. o técnico possui também direitos e deveres diferenciados dos jogadores. Por exemplo. (LAKATOS. Assim foi na Idade Média. O status adquirido está. quando o status era também atribuído e assim permaneceu em algumas sociedades modernas.3 Relações Sociais Para Scuro (2004).br .2 Status e Papéis Nas sociedades mais antigas.des pessoais. deveres e privilégios diferentes dos empregados. algumas envolvem a relação direta cara a cara. mogênito” ou de “filho de operário”. Numa escola. por exemplo.Antonio Carlos Banzato A. relações sociais. MARCONI. com a Igreja atribuindo status religiosos para os indivíduos. pois seu status é fruto do reconhecimento de sua capacidade. com O status pode ser atribuído ou adquirido. diretor e professor possuem direitos e deveres diferentes dos alunos. Numa empresa. 1999. O status social indica. Os elementos básicos da estrutura social são status e papéis. trabalham para a mesma companhia e têm os mesmos amigos. 83). negociam suas relações. p. a posição do indivíduo no grupo social. Esse status confere ao indivíduo uma posição de destaque entre os membros do grupo de pertencimento. os indivíduos definem. o status de “pri. Outras são simples propósitos: o dono de um cachorro com o qual alguém se encontra quase todos os dias. 6. Sta. Santos e Rafael Lopes Sousa podem observar-se as relações sociais. um não poderia existir sem o outro. as relações tomam muitas formas diferentes. Num clube de futebol. Por exemplo. intelectual e de liderança do indivíduo na sociedade.unisa. outras são indiretas. Um papel é a coleção de direitos culturalmente definidos.

escala. que interajam uns com os outros. Ao longo da vida. produziu-se vários séculos depois. Diferenciam-se os grupos pelo equilíbrio. certas características sociais. Além disso. associadas por interesses comuns.4 Grupos Grupo social é a reunião de duas ou mais pessoas. ƒƒ Grupo Profissional – empresa. conjuntos estáveis contatos aqui são mediados pela formae perduráveis de normas e valores. ƒƒ Grupo Familial – família. Atenção Em sociologia. aceitem direitos e obrigações como sócios do grupo e compartilhem uma identidade comum. Em cada fase da vida. Os contatos são estabelecidos Instituições sociais mais diretamente. ƒƒ Grupo Religioso – igreja. veem-se frequentemente. como a Igreja e o Estado. Para Lakatos e Marconi (1999). um desses grupos estará presente na vida do indivíduo. entre os quais. foi uma conseqüência lógica das analogias orgânicas por parte dos pensadores políticos. organização formal é um grupo planejado e criado para seguir suas metas e manter-se unido por regras explícitas e regulamentos. As pessoas que trabalham num consultório são um grupo social. O passo do termo da anatomia à Sociologia. status. sem formalidade. isto é. lidade. de interações recorrentes entre pessoas. suas interações são estruturadas por seus papéis e diferentes posições hierárquicas. ƒƒ Grupo Político – partidos políticos. como a família e os vizinhos. Era uma palavra utilizada normalmente nos estudos anatômicos que nesta época começavam a florescer.Sociologia 6. Como coloca Martins (1997. Os dos são as instituições sociais. o “trabalhar juntos” lhes dá um propósito e metas comuns e um sentido compartilhado de identidade. respeitando-se a liturgia do cargo grupos e organizações com uma estrutura para a e da ocasião. conduta social numa área particular da vida. segundo Scuro (2004): Unisa | Educação a Distância | www. papéis. Para melhor compreendê-los. p. Organizações formais Para Scuro (2004).br 33 . destacamos: ƒƒ Grupo Educativo – escola. ƒƒ Grupo Sindical – sindicatos. podemos dividi-los em dois grupos: I. Para Lakatos e Marconi (1999).unisa. estrutura e ênfase em fazer as coisas ou nas orientações de suas metas. Grupo Secundário: são grupos mais estrutural mais importante dos elementos reunicomplexos. Grupo Primário: predominam os contatos pessoais. grupo é um sistema de relações sociais. 15): Em sua acepção original a palavra estrutura faz referência à construção de edifícios. há outros níveis da estrutura social que podem compartilhar Todas as sociedades de grande escala têm cinco Instituições Sociais principais. Também pode ser definido como uma coleção de várias pessoas que compartilham certas características. mas no século XVI foi empregada para denotar as relações entre as partes de um todo. o elemento II. o indivíduo participa de vários grupos sociais.

A educacional. 3. o aglomerado da população. um produto dos seres humanos.Antonio Carlos Banzato A. de forma que se produziu uma dissociação: de um lado trabalhadores e de outro. IV. o que ocorre na sociedade. e se começava a ver tanto a autoridade quanto a sociedade. Desenvolvimento de uma nova economia industrial. alguns de grande importância para a Sociologia. O crescimento das cidades: os camponeses abandonaram o campo. Santos e Rafael Lopes Sousa I. 2. A familiar. nem a sociedade era produto de um plano guiado por Deus. muitas vezes.5 Fenômenos Sociais Para Lakatos e Marconi (1999). a pobreza. controla os delitos e desordens internas.br . resolve conflitos de interesse. Os avanços científicos e tecnológicos. que deixou de consumir o que ela mesma produzia. já que ocorreu uma mudança na sociedade: deixou-se de produzir a terra (cultivável). as artes. surgiu a emigração. consumidores. a criminalidade. que assegura que as normas e valores culturais passem de uma geração à seguinte e que as pessoas jovens tenham conhecimento e habilidade para realizar papéis adultos. o interesse pelo indivíduo e um reconhecimento de seus direitos por sua condição de pessoa humana. II. então. que organiza a produção e distribuição de bens e serviços. o que provoca essas mudanças e como se podem solucionar essas desigualdades e desequilíbrios que se apresentam na sociedade. ao mesmo tempo em que a família foi mudando seu sistema de valores. O mesmo se pode dizer dos fenômenos que se suscitaram com o decorrer dos tempos. o cuidado com a saúde. 6. para que esses acontecimentos ocorram. de tal forma que os núcleos industriais converteram-se em grandes cidades. 4. Isso teve como consequência grandes mudanças na família. A econômica. A Revolução Francesa de 1789 e a Revolução Industrial produziram um desmoronamento das estruturas sociais de tal maneira que passaram a ser motivo de preocupação coletiva. que mantém a ordem social e protege os membros da sociedade das invasões. A seguir. o exercício e o tempo livre são elementos que também foram institucionalizados nas sociedades modernas. dá significado e propósito à vida. 34 Unisa | Educação a Distância | www. que reforça os valores. determinadas causas sociais de caráter complexo precisam ocorrer e. o que deixou antever o quanto esses são problemas de difícil solução. A ciência. o desemprego. os grandes acontecimentos históricos não se produzem sem razão. ressurgiu.unisa. A religiosa. ao mesmo tempo em que os trabalhadores deixaram de trabalhar em suas casas para trabalhar sob as ordens de um supervisor. trasladando-se à cidade em busca de trabalho. são previsíveis. 5. V. A política. que é a responsável pelo crescimento e cuidado para com as crianças de modo a substituir os membros da sociedade que morreram ou se foram. III. de forma que a autoridade já não se legitimava por um caráter divino. abandonou-se a forma de produção artesanal e passou-se à produção em grandes fábricas. em Lakatos e Marconi (1999): 1. orientados a satisfazer suas necessidades e seus interesses. Mudanças políticas: o direito divino dos reis foi abandonado. sendo esses problemas frequentes nessas grandes cidades. o sistema legal.

ou seja. Teoria que pretende atribuir um valor explicativo à doutrina estrutural funcional. Karl Marx. Restituir o social ao conjunto da vida humana para fazer compreensíveis suas relações com esta. 6. conduta de vários atores que criam uma interação ao agir e. b) Relações Associativas: • • • amor sexual. 2004). 1982). se queria dar à Sociologia um papel explicativo. 2. o conteúdo da relação pode ser.unisa. Constatar os efeitos do social e o modo Segundo Rodrigues (2003. sendo indiferente àquilo em que a • conflito. o divórcio e a aculturação dos imigrantes. À relação social temos que • concorrência. Consiste a) Relações Dissociativas: na probabilidade de comportamento social numa • inimizade. MARCONI. é preciso pluralidade. e houve um grande esforço 1. vincular o processo social (WEBER. Segundo Scuro (2004. 1999). Comte. associação comercial. O objetivo da Sociologia na consciência coletiva. o da psicologia a consciência individual. pelo contrário. a violência. RO. secomo uma conduta plural pelo sentido que en. probabilidade prediz. amizade.6 Relações Sociais O conceito da relação deve entender-se no entanto. 107). as drogas.br 35 . p.Sociologia Esses cinco pontos formam o contexto que levou uma série de pensadores3 a propor a questão da sociedade e. outros dos fe- nômenos sociais que se apresentaram com maior frequência em nossa moderna sociedade são: o delito. 6. 3. e que tem 3 Saint-Simon.7 Fim ou Objetivos da Sociologia O objetivo da Sociologia é o estudo científico A Sociologia consiste no estudo dos procesdos fatos sociais (LAKATOS.” Para que a interação ocorra. orientam sua conduta pela idéia da reciprocidade. forma indicada. 2004): os fatos. além disto. Durkheim e Max Weber. “observando uma conduta plural. De acordo com Scuro (2004). da Sociologia. e as diferenças entre ambas as ciências é o que estuda a Sociologia. p. Seu sos sociais ou inter-humanos e deve se dividir em objetivo principal inicial era descrever e quantificar três grandes tarefas (LEMOS FILHO. Abstrair o social ou inter-humano do resem organizar um amplo aparelho conceitual (SCUto pertencente à vida humana. consequentemente. Unisa | Educação a Distância | www.gundo Martins (1997): cerra: apresenta-se como reciprocamente referida ou orientando-se por essa reciprocidade. 127): como se produzem. é o fato social que tem caráter externo e coercivo enquanto o fato psíquico é de natureza interna e de significado mimético.

MARCONI. 1999).inclui abstrações. segundo Martins (1997).talhadas de particularidades que não estão ainda lógica estimava que a Sociologia devesse abarcar generalizadas. 36 Unisa | Educação a Distância | www. 14) afirma ainda que.grupos de referência.] teorias intermediárias entre essas hipóteses de trabalhos menores. química e. (LAKATOS. de uma teoria dos germes ou de uma doença. A mesma diversidade da mesma forma que se fala de uma teoria dos prede coisas a que se aplica.conflito de papéis e da formação de normas sociais. cance intermediário tratam dos aspectos delimitados dos fenômenos sociais. o emprego da palavra com freqüência atrapalha o entendimento em vez de aclará-lo. As observações de cada aspecto da conduta. a partir de pequenas hipóteses de trabalho. encontram-se prefixadas. na organização e nas mudanças sociais. denadas. a busca de teorias de alcance intermediário exige do sociólogo um compromisso diferente que a busca de uma teoria totalizadora. Nesse caso. mas assinalando suas insuficiências. Santos e Rafael Lopes Sousa 6.. de organização e de mudança sociais para levá-las em conta no que se observa e nas descrições ordenadamente deSegundo Martins (1997). a Sociologia se converteria numa ciência de importância primordial. não exatamente de destruir.. 143).br . um sentido histórico dos contextos intelectuais mutáveis da Sociologia deve ser humilde o bastante para liberar aqueles otimistas desta esperança extravagante. essa corrente socio. passando por ços. que explique todas as uniformidades observadas na conduta. não seria frutífera o bastante para chamar a atenção de milhares de pesquisadores para os problemas da pesquisa empírica. próprios procedimentos. 73). implicando no mesmo desafio e na mesma pequena promessa dos grandes sistemas filosóficos totalizadores que caíram em merecido desuso. uma intenção consistente. A teoria intermediária é utilizada na Sociologia principalmente para guiar a pesquisa empírica. que se produzem abundantemente durante as rotinas diárias da pesquisa e dos esforços sistemáticos totalizadores para desenvolver uma teoria unificada. 1999). que estão demasiado distantes dos tipos particulares de conduta. de tal sorte que de alguma forma a Sociologia em proposições que permitam a prova empírica estudaria o objeto das matemáticas. como o indicam seus Martins (1997. Fala-se de uma teoria dos como muitas palavras excessivamente usa. Constantemente é enfocado o que se denomina de “teorias de alcance intermediário”. Para Lemos Filho (2004. a formulação de uma teoria sociológica geral. por óbvio. p. Martins (1997) explica que as teorias de alfísica. o termo ‘teoria sociológica’ ameaça fi. O termo ‘teoria sociológica’ refere-se a grupos de proposições logicamente interconectadas. ampla o bastante para abarcar grandes quantidades de detalhes minuciosamente observados da conduta e organização sociais.unisa. segundo Scuro (2004. de tal modo que a So. dos quais podem se derivar uniformidades empíricas. a partir dos pontos de vista teóricos e prático (LAKATOS.8 Teoria Sociológica Geral É uma teoria intermediária às teorias gerais dos sistemas sociais. especulações gerais mais vagas e desor. até os sistemas axiomáticos do pensamento. organização e mudanças sociais. negando veementemente a verdade das teorias sociológicas do passado. astronomia. p.bastante dos dados observados para incorporá-las ber. car vazio de sentido.Antonio Carlos Banzato A. da mobilidade social ou de das. MARCONI. ao fazer isso. mas estão próximas o ciologia seria uma espécie de enciclopédia do sa.ou de uma teoria cinética dos gases. p. mas necessários. [. A teoria de alcance intermediário todo o campo das ciências. Para Martins (1997).

Benoit (1999) afirma que que foram necessários para preparar o terreno. alguns aspectos de nosso passado histórico ainda permanecem em grande parte conosco. questão co da doença muito antes que a anterior de sistemas completos. um de cada vez e ao mesmo tempo. Boissier de Sauvages. ciologia total não captou a vantagem. quase todos os pioneiros da Sociologia trataram de Como afirma Martins (1997. Como observou Bertrand Russell (apud LEMOS FILHO. os sociólogos intelectuais de sua disciplina tomaram seu protótipo de sistemas da teoria científica em lugar de sistemas filosóficos. logia. Unisa | Educação a Distância | www. 147). Tendo como pais fundadores Comte e Spencer (BENOIT. A multiplicidade de sistemas. levou. como necessário desenvolver um sistema teórinas ciências. De acordo com essa opinião. Para Lemos Filho (2004. Devemos recordar que primeiramente a Sociologia desenvolveu-se numa atmosfera intelectual na qual se introduziam por todos os lados sistemas filosóficos gerais. à formação de escolas. era mais. a primeira concepção errônea supõe que os sistemas de pensamento podem desenvolver-se efetivamente ante uma grande massa de observações básicas que se acumularam.br 37 . muito naturalaos introduzidos pelos criadores de sistemente. cada uma delas com mas em medicina num lapso de 150 anos: seu grupo de mestres e discípulos. questão de especialização. criar um modelo de seu próprio sistema. 2004) a respeito da Filosofia. personagens eminentes da medicina pensaram que era era. no entanto. como em filosofia. Essa diferenciação não Até meados do século XIX. Para Martins (1997). Essas tentativas dos filósofos em criar sistemas totais serviram de modelo aos primeiros sociólogos. John Brown e Benjamin Rush. tipicamente sustentados pesquisa empírica se tivesse desenvolvido como mutuamente excludentes e díspares. e assim o século XIX foi um século de sistemas sociológicos. Fichte. diferenciou internamente. de ser capaz de resolver problemas. comparada mas esse tipo de esforço ainda ressurge na Sociocom as sociologias dos construtores de sistemas. Einstein poderia ter seguido de imediato Kepler. sendo os mais conhecidos excepcionalmente: Kant. 1999). não só se diferenciou de outras disciplinas. da natureza e do homem. esta SoEsses caminhos já se fecharam na Medicina. Schelling e Hegel. p.Sociologia Por um lado. meta que freqüentemente se baseia numa ou mais de três concepções básicas errôneas sobre seguiram outro caminho em seu desejo de estabelecer a legitimidade às ciências.unisa. A sociologia os sistemas de Stahl. em lugar de ter que inventar de uma só vez um bloco teórico de todo o universo sociológico. do material. Qualquer filósofo do século XVIII e do início do século XIX que se prezasse tinha que desenvolver seu próprio sistema filosófico. 22). adequadamente. mas se Broussais. sem necessidade dos séculos de pesquisa e pensamento sistemático a respeito dos resultados da pesquisa Nesse contexto. Esta via também levou às vezes à tentativa de criar sistemas totais de Sociologia. Cada sistema era uma aposta pessoal pela concepção definitiva do universo. cada um deles com pretensões os sistemas de Sociologia que partem desta pressuposição tácita são muito parecidos de ser genuína Sociologia. p.

tes (SCURO.10 Pesquisas Sociológicas Concretas O Funcionalismo Estrutural é uma orientação São orientações teóricas que dão ênfase à oposição ente os indivíduos.Antonio Carlos Banzato A.feitas à sociedade pelas estruturas sociais existensez ou limitações nos recursos para conseguir obje. c) A JURISPRUDÊNCIA é a correta interpretação da lei feita pelos Ministros da Su- 38 Unisa | Educação a Distância | www. ƒƒ A Gesellschaft. e) Teoria do conflito. conceitos ou julgamentos provisórios a respeito da natureza da realidade ou a respeito do modo de se resolver um problema podem ser simples hipóteses. é um uso implantado numa coletividade e considerado por esta como juridicamente obrigatória. algo que é parcialmente um senso comum por pard) Interacionismo simbólico. é o direito costumário. objetivos. 2003). ƒƒ A teoria do etnocentrismo.9 Teorias Sociológicas Especiais Para Martins (1997). Santos e Rafael Lopes Sousa 6. 6. ƒƒ A teoria da conduta conformista. Os recursos referem-se tanto aos fatores não materiais. ƒƒ A teoria do eu que se vê num espelho. como poder e presa) Etnometodologia. 1999). A Sociologia considera a escassez como c) Teoria do intercâmbio. quanto a fatores utilizados para conseguir b) Teoria da mudança.br . e que têm como fim regular a conduta externa dos homens. promulgada e sancionada pela autoridade pública. 2004): tivos ou realizar os valores. b) O COSTUME é a observância uniforme e constante de regras de conduta obrigatórias elaboradas por uma comunidade.11 Leis Sociais Segundo Lemos Filho (2004). Essa oposição é a existência da escas. os grupos ou as estru. ƒƒ A teoria da socialização. conceitos ou juízos aplicados a algum fenômeno específico e são as que a seguir se relacionam: ƒƒ A teoria da Gemeinschaft. te da sociedade (WEBER. Tendem a agrupar-se em várias correntes teóricas principais ou perspectivas que vinculam uma ampla quantidade de conceitos hipóteses e teorias (LAKATOS.teórica que acentua as funções ou contribuições turas sociais. 6.unisa. são os regulamentos que regem a conduta do indivíduo na sociedade. a) A LEI é uma norma de direito ditada. ƒƒ A teoria da relatividade linguística. MARCONI. conforme o Direito. essas teorias entendem que ideias. tígio. ainda sem o consentimento dos indivíduos.

em segundo lugar a jurisprudência. e) OS PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO são os que determinam uma controvérsia judicial. através de suas resoluções. assim como os costumes pelos quais os princípios são obrigatórios. na falta da legislação escrita. O Costume é o conjunto de hábitos que levam o homem a agir de maneira determinada ao qual a sociedade dá caráter obrigatório. Lemos Filho (2004. já que se decide a favor do que trate de evitar prejuízo. que têm a faculdade de interpretação das normas jurídicas de um Estado. como a equidade. Havendo vários casos concretos. o costume e a equidade. mais do que essas duas fontes. Estudos de caráter científico que os juristas fazem sobre temas de direito... enquanto a jurisprudência só interpreta a lei quando tem falhas e se faz obrigatória depois de alguns casos concretos. são normas de conduta criadas por uma comunidade e que vão sendo aceitas de forma obrigatória. É preferível absolver um culpado a condenar um inocente. a doutrina é constituída pelos estudos que realizam os pesquisadores do direito. mas suas conclusões não podem ser juridicamente obrigatórias. Por outro lado. A Lei é o conjunto de normas jurídicas de observância geral por parte da população de um Estado num regime de direito e que é sua principal fonte. sem objeções. p.] a Doutrina é o conjunto de princípios que dão os juristas com o fim de interpretar e comentar o direito. já que a lei é a norma jurídica emanada do poder público. A Jurisprudência é realizada pelos grandes Jurisconsultos da Suprema Corte de Justiça da nação. A boa-fé se presume. não do que pretenda obter um lucro. conduz a um momento em que a sociedade a torna obrigatória e a tradição a reconhece como um meio de cria- II. cobre suas falhas e a faz obrigatória [.Sociologia prema Corte de Justiça Plena ou pelos Magistrados dos Tribunais Colegiados. 135). Unisa | Educação a Distância | www.] e os Princípios Gerais do Direito determinam uma controvérsia judicial. p. de conformidade com o Código Civil.. o bem comum. acaba por se converter em obrigatória. a sabedoria que serve de inspiração e fundamento ao direito positivo como frases doutrinárias com as quais se formam máximas de caráter axiomático como as que se seguem: I. por último. os Princípios Gerais do Direito são os axiomas ditados pela razão. com a finalidade de interpretar suas normas e assinalar as regras de aplicação. como conjunto de estudos e opiniões que os tratadistas do direito fazem. a má-fé se prova. 133) assinala: As fontes do direito são os procedimentos por meio dos quais se concretiza a norma jurídica e se assinala sua força obrigatória. Sobre isso. Benoit (1999) hierarquiza as fontes formais do direito: em primeiro lugar a lei. IV. não é lícito distinguir.. busca o bem comum da atividade social. d) A DOUTRINA é o conjunto de estudos e opiniões que os tratadistas de direito emitem em suas obras. Ninguém deve ser condenado somente por suspeitas. a justiça.br 39 .unisa. já que cobre as lacunas da lei. surgem pela uniformidade do comportamento: “o costume se faz lei”. como norma de direito escrita. seguido pelos princípios gerais do direito. já que. Para Lemos Filho (2004. por sua vez. só pode tomar-se um ponto de referência. A doutrina. se resolverá conforme estes princípios. munidos de propósitos teóricos sistematizados de seus preceitos. sobre variados aspectos e. III. O Costume. pois nos indica que a lei. f) A EQUIDADE é considerada por alguns autores também como fonte formal do Direito. que interpretam e uniformizam direito ao cobrir as lacunas da lei. sustentada em sentenças ou decisões. A Jurisprudência por sua vez. como repetição constante de uma conduta. por provir de particulares [. aplica o direito corretamente. o Costume. Onde a lei não distingue. dadas pela autoridade judicial federal.

Scuro (2004. para sobreviver. perdeu seu papel transcendental. processo social é gresso social consiste na realização de um deter. objetos representativos da Martins (1997) explica que quando se quer civilização. assentaram numa determinada sociedade. como coloca Martins (1997). é necessário haver comida e bebida. o homem produz seus próprios bens materiais e para isso é necessário associar-se a outros homens para conseguir sua subsistência. 109) explicam que: “Costume é direito ou foro que não é escrito. O modo de vida dos povos coincide com sua produção. ajudando nas coisas ou nas razões sobre as quais usaram” e. é preciso levar em consideração como outra fonte normal. já que poderia dar-se uma mudança regressiva.13 Teoria do Indivíduo Social O homem utiliza sua inteligência para suas necessidades. Marx e Engels (apud SCURO. o primeiro fato histórico.Antonio Carlos Banzato A. por sua vez. Para Scuro (2004). 1982). tem como fim determinar o verdadeiro sentido e alcance das disposições existentes da lei. Também é considerado mudança ou movimento social na direção de um objeto reconhecido ou aprovado (SCURO. o que também condiciona as relações entre uma comunidade e outra (WEBER. consistirá na realização dos valores postulados pela moral cristã. como opiniões dos juristas. que foram usados pelos homens por um longo tempo. desde a época dos sistemas primitivos jurídicos. tanto com o que pro- duzem quanto com o modo de produzir. cujo principal pilar é o “valor supremo do amor”. 2004) assinalam que toda subsistência humana pressupõe condições para poder viver e. a produção dos meios para satisfazer 40 Unisa | Educação a Distância | www. 6. p. pois é considerado uma fonte secundária subordinada à legislação (MARTINS. O Costume é a mais antiga das fontes formais do direito. Além disso. os Tratados Internacionais. que expressa um sentimento jurídico dos indivíduos que compõem este grupo. leva em conta a regulação normativa que fazem de diversos temas jurídicos. Santos e Rafael Lopes Sousa ção do direito (direito costumário). Lakatos e Marconi (1999. A Jurisprudência. Mas não apenas produz bens materiais. o pro. bem como os princípios gerais do direito que derivam do conteúdo das próprias normas como verdades fundamentais. Nem toda mudança social implica progresdeterminar em que momento existe o processo social é preciso avaliar quais são os valores que se so. por exemplo.” 6.br . minado sistema de valores. Por isso.12 Processo Social cristianismo.equivalente à interação. ou seja. Na atualidade. têm força de lei federal ordinária e fazem parte do Direito Positivo Brasileiro.unisa. p. 2004). que de conformidade com a Constituição Federal. e a doutrina. um caminhar adiante. como resoluções da suprema Corte de Justiça e os Tribunais Colegiados. roupa etc. O processo social do Entende-se por processo social um avanço. moradia.um retrocesso. como também seus modos de vida. o animal o faz intuitivamente. 1997). 53) o definia como: “Uso existente num grupo social. encarnados nos equipamentos como a indústria e o maquinário em geral. O processo material será a realização de valores materiais. que são um reflexo da produção dos bens materiais. um aproximar-se de uma meta considerada como socialmente valiosa.

Sociologia essas necessidades. indispensável de seu estudo. Para Martins (1997. processos sociais ou movimentos entre os homens. sua moradia e também para reproduzir-se. Tudo isso para conseguir a distinção entre a especulação filosófica e a especulação científica ou explicativa. 41): “Os Fatos sociais consistem uma maneira de pensar. Como define Durkheim (2000. bem como as reflexões que mente vai delimitar os campos da Sociologia e da hão de ser conduzidas para realizar um tratamento Psicologia.br 41 . ocorreu há milhares de anos e. uns com relação aos outros. a consciência coletiva refere-se científico para o que será feito (LAKATOS. inventos e descobertas a seu trabalho. A partir do momento em que o homem existiu como tal. de fazer e de sentir. complexos. externas ao indivíduo e dotadas de um poder coercivo em cuja virtude se impõe. p. ƒƒ Como observar os fatos sociais. 36).” O fato social o leva a distinguir entre consciAtravés das pesquisas em Sociologia. ƒƒ Como construir os tipos sociais. dessa forma. recorreu a outros para tentar seu alimento. grupos ou formações (LAKATOS.. precisa se cumprir todos os dias como condição indispensável para a existência do ser humano. suas vestes. 1999). onde os meios de produção conformam a força produtiva. há uma dupla relação: uma natural e outra social (MARTINS. ainda na atualidade.unisa. ao mesmo tempo em que produz. conserva a espécie humana. que precisadefinindo o fato social. MARCO. 29).a modos de pensar. não são puramente abstratos. Incluem relações inter-humanas. cria instrumentos de trabalho que lhe permitem obter e elaborar com maior facilidade suas fontes de satisfação. 31). fazendo com que a sociedade avance constantemente. ƒƒ Como estudar as provas. Para produzir. p. também se reproduz. 2004). 2000).14 Fato Social São fatos realizados pelo homem na sociedade da qual faz parte. Tanto na procriação quanto na produção de bens para satisfazer suas necessidades. O homem em sociedade vai incorporando cada vez mais conhecimentos. Para Martins (1997. 6. p. assim. isso será “[.as regularidades ou uniformidades da conduta humento destes é um elemento essencial e mana (SCURO. p.tura que atribui a cada sociedade seus traços disUnisa | Educação a Distância | www.1997). mas realidades concretas no espaço e no tempo. ao procriar. 2003. vai se ência coletiva e consciência individual. (WEBER. ƒƒ Como explicar os fatos sociais. A existência social implica uma cooperação. 1999). sentir e fazer que constituem NI. situações de relação e influência recíproca entre os homens. e a soma de relações das forças produtivas determina o modo de vida da sociedade. a herança comum de uma sociedade (DURKHEIM. O homem. de maneira que seja possível descobrir os fatos sociais demandam o entendimento do sentido que estes têm: o entendi.. além de relacionar-se com outros homens. MARCONI.] a culƒƒ Como distinguir os fatos normais daque. les outros que podem ter uma natureza patológica. também é a explicação pela qual os fatos humanos ainda que não façam sentido.

16 Alienação Depois de conceituar mais-valia. como as de classe. ƒƒ essas ideias não exprimem a realidade real. oferecendo referenciais universais para a unificação da sociedade. mas que na verdade são produtos da intervenção humana. então.unisa. como classes sociais distintas. Santos e Rafael Lopes Sousa tintivos. a função de apagar as diferenças. o carro estará alienado à financiadora. enquanto ele não acabar de pagar o carro. Segundo Chauí (1984). O que isso quer dizer? Simplesmente que o carro não pertence ao seu condutor e sim a alguma financiadora de que o indivíduo comprou o carro em 24. Ela tem. “A ideologia é – de qualquer maneira – o processo pelo qual as ideias da classe dominante tornam-se ideias de todas as classes sociais. Por outro lado. mesmo alienado”. na vida real 42 Unisa | Educação a Distância | www. situa-se rente grau de coerção que as consciências coletia consciência individual. na sociedade capitalista. de que o rico já nasceu rico e o pobre já nasceu pobre. 6. Nesse sentido. os membros da sociedade não se percebem como categorias diferentes.” (CHAUÍ.” que se traduz na possibilidade de que exista maior As sociedades vão variar em função do dife. Alienado é o que está fora. é interessante notar que a ideologia trabalha para a naturalização das contradições sociais. isto é. isso significa que: ƒƒ as ideias da classe dominante. Costuma-se afirmar que o poder do povo é inalienável. 1984. 92). 2000). ou em 48 prestações. Um exemplo disso é a ideia que está na divisão de classes da sociedade capitalista. pois se encontrava alienado. se ele é inalienável é porque ele não pode ser vendido. pois ajuda a ocultar suas contradições. pois. ƒƒ o mecanismo para unificação passa pelo discurso que a classe dominante cria e depois distribui para as classes subalternas por meio da educação. elas apenas representam a aparência social.15 Ideologia A palavra ‘ideologia’ carrega vários significados e é usada para diferentes finalidades. prevalecem sempre sobre as ideias das classes subalternas. A ideologia tem.br . p. Portanto. ƒƒ para tanto. Marx compreende que o trabalhador não poderia perceber a exploração da qual era vítima. ou seja. definida como o universo vas exercem sobre as consciências individuais. da arte e dos meios de comunicações. A alienação manifesta-se. o privado de cada um.número de condutas desviadas (DURKHEIM. influência marcante na conformação social da sociedade capitalista. tornam-se ideias dominantes. frente a esta consciência coletiva. então. o que não lhe pertence e a mercadoria que é produzida pelo operário no mundo capitalista não pertence a ele. 36. 6. costumam-se encon- trar nas ruas da cidade placas com os seguintes dizeres: “Compro seu carro.Antonio Carlos Banzato A. contrariamente a isso. ou a ideia criminalizante de que o pobre é inclinado à marginalidade. justificando e criando condições para a aceitação de determinadas situações aparentemente naturais. ocultando dos indivíduos as contradições do mundo real.

economia altamente planejada. 43 . lógico. apesar das suas diferenças. isto é.rio fechado para legitimar a tese do “socialismo em ligioso da palavra). a oposição entre os dois blocos mundiais – o capitalista. uma calça vale ‘uma vida jovem’). parte de sua capacidade de elucomo uma força estranha. o que Marx chama de fetichismo da mercadoria. sendo. no Brasil e no Chile. pois. A mercadoria passa a ter vida própria indo da fábrica à loja. na China e no México. 1984. organizavam um sistema político com algumas características comuns – forte centralização. sobretudo a partir da divisão do trabalho. inflação e corrupção. assim também a cidar os homens em relação ao seu momento hismercadoria. um automóvel zero Km. Os ideais marxistas serviram de estímulo na luta pela independência que surgia nas colônias europeias da África e da Ásia. os domina perdendo. um médico vale R$ 2. desfazia-se o bloco soviA mercadoria adquire. E os homens-mercadorias aparecem como coisas (um nordestino vale R$ 20. Ocorre. que passam a ser usados sob o peso da E continua sua argumentação.realidade social para transformar-se em ideologia. existente nos países latino-americanos. O segundo momento do e da gestão burocrática dos estados socialistas.Sociologia do homem. Em 1920. Em 1919. não escolhe o horário nem o ritmo do trabalho. pois se pri. renovado. A polarização política e ideológica é transferida para o conjunto do método e da teoria marxista. portanto. as coisas-mercadorias começam. mais importante é o seguinte: marxismo deixou de ser um método de análise da assim como o fetiche religioso (deuses. bre seus crentes ou adoradores. objetos. como se não houvesse nela a intervenção humana. comandado de fora por forças exteriores a ele.intensa – dificuldade em conciliar as diferenças revilegiam as relações entre coisas e são essas coisas gionais e étnicas. a se relacionar umas com as outras como se fossem sujeitos sociais dotados de vida própria (um apartamento estilo ‘mediterrâneo’ vale um ‘modo de viver’. vale ‘um jeito de viver’ uma bebida vale ‘a alegria de viver’. liderado pela URSS. direção do stalinismo na URSS e dos partidos coO primeiro momento do fetichismo é este: munistas a ele filiados. Entre 1989 e 1991. assim.00 à hora na construção civil. a vietnamita e a coreana. pois quando isso acontece o produto de seu trabalho deixa de lhe pertencer. Nos dizeres de CHAUÍ (1984). escassez de produtos. (CHAUÍ. instauraram regimes operários. fiscalismo e uso intenso de propaganda ideológica e do culto ao dirigente. p. na socieda. preconizada pela liderança soviética em si e por si. no século XX. surgiram partidos comunistas na América do Norte. O fetichismo.br Intensificava-se. como a chinesa. entre a aceitação dos ideais marxistas ganhou impulso Unisa | Educação a Distância | www. que. difundiam-se pelos quatro continentes. um cigarro vale ‘um estilo de vida’. em Cuba. símbolos. coletivização dos meios de produção. O fetichismo leva a crer que a mercadoria tem vida própria.000. excesso de burocracia. 57). uma coisa que existe um só país”. a cubana. em 1925. após a Primeira e a Segunda Guerra Mundial. assim como a luta por soberania e autonomia. portando. e o socialista. então. baixa produtividade. Na medida em que ele não tem mais domínio sobre aquilo que faz. no Uruguai. como se caminhasse sobre seus próprios pé. como um corpo doutrináa mercadoria é um fetiche (no sentido re. falta de recursos para manter um estado de permanente beligerância. da loja à casa. Com o advento da Revolução Bochevique. nos anos 50 e 60. em 1922. gestos) tem poder so. liderado pelos Estados Unidos. ele está resolutamente alienado: não escolhe o salário. O movimento revolucionário tornava-se mais forte à medida que os Estados Unidos e a URSS emergiam como potências mundiais e passavam a disputar sua influência no mundo.ético após uma crise interna e externa bastante de capitalista valor superior ao homem.00 à hora no seu consultório).unisa. 56de posição. Várias revoluções. e. O mundo se transforma numa tórico e mobilizá-los para uma tomada consciente imensa fantasmagoria. atraso tecnoque vão intermediar as relações entre as pessoas.

44 Unisa | Educação a Distância | www. obrigações e expectativas que acompanham um status num sistema social. O Status adquirido está. surgidos das antigas colônias europeias. porque a sociologia confundiu-se com socialismo em muitos países. Santos e Rafael Lopes Sousa outros fatores.br . 2. Por exemplo. O fim da União Soviética provocou um abalo nos partidos de esquerda do mundo todo e o redimensionamento das forças internacionais. Toda essa explicação a respeito do marxismo faz-se necessária por diversas razões. Numa estrutura social. Caracterize o status atribuído e adquirido. 6. O Status atribuído é aquele que não é escolhido voluntariamente pelo indivíduo e não depende de suas ações e qualidades. Em primeiro lugar. Indique e caracterize duas. A repercussão do pensamento sociológico desses três autores influenciou decisivamente os rumos da sociedade contemporânea.unisa. Um papel é a coleção de direitos culturalmente definidos. Todas as sociedades de grande escala têm cinco Instituições Sociais principais. um não poderia existir sem o outro. então. Pode-se dizer mesmo que há para a organização social um antes e um depois. em especial nos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento – como são hoje chamados os países dependentes da América Latina e da Ásia. é fruto do reconhecimento de sua capacidade. a estrutura social é um conjunto ordenado que forma um todo e integra os indivíduos dentro de uma ordem que define o papel de cada um de seus membros. temos status e papéis que são elementos opostos e complementares.17 Resumo do Capítulo Caro(a) aluno(a). associado à capacidade profissional. estabelecido a partir das reflexões desses autores. intelectual e de liderança do indivíduo na sociedade. por exemplo. intelectuais e líderes políticos associaram de maneira categórica o desenvolvimento da sociologia ao desenvolvimento da luta política e dos partidos marxistas. Pelé tem status adquirido pelas qualidades de seu futebol. e funciona também como um sistema de crenças e interesses que media as relações sociais. 6. o status de “primogênito”.Antonio Carlos Banzato A. Nesses países.18 Atividades Propostas 1.

é o exemplo clássico do equilíbrio bipolar. Essa divisão do mundo em dois blocos ficou conhecida como período do Sistema Bipolar. Do outro. ƒƒ A Europa foi dividida em duas áreas de influência.1 Histórico Após a Segunda Guerra Mundial. Saiba mais Globalização é um dos processos de aprofundamento da integração econômica. com capital em Berlim. o Pacto de Varsóvia. em 1949. a União Soviética criou. De um lado. Unisa | Educação a Distância | www.br 45 . 7. cultural e política que teria sido impulsionado pelo barateamento dos meios de transporte e comunicação dos países do mundo no final do século XX e início do século XXI. econômico e ideológico mundial. Sistema de Estados.unisa. essas potências formaram alianças com outros países e dividiram o mundo em dois blocos ideologicamente distintos. Os protagonistas dessa guerra foram EUA e URSS. que alteraram substancialmente o panorama político. que durou de 1947 a 1989. da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). a parte ocidental do continente aliou-se aos EUA e a parte oriental aliou-se à União Soviética. ƒƒ Criação. A OTAN foi uma aliança militar que os EUA fizeram com a Europa Ocidental. ƒƒ A Alemanha foi dividida em duas nações. encontravam-se os países alinhados com a economia planificada e com a hegemonia de um partido único. Aliança militar com os países da Europa Oriental. o mundo viveu um período conhecido como Guerra Fria. Em resposta a essa aliança. com capital em Bonn. estavam os países partidários da economia de mercado e da democracia política. do outro ficou a República Democrática Alemã (Alemanha Oriental). De um lado. sob a influência da União Soviética. O sistema da Guerra Fria. social. em 1955. ficou a República Federal da Alemanha (Alemanha Ocidental). Visando aumentar a influência e a participação nas decisões globais. Esse status de centro operador das decisões internacionais foi assumido pelos EUA. cujo núcleo é constituído por duas superpotências que coexistem em relativo equilíbrio de poder. condição de que desfrutava desde o início dos tempos modernos. Vejamos algumas das principais consequências da Guerra Fria: ƒƒ A Europa deixou de ser o centro das decisões internacionais. isto é. Essas mudanças ficaram conhecidas como globalização econômica. sobretudo militar.7 GLoBALIZAção A parte final desta apostila analisa as mudanças ocorridas nas últimas décadas do século XX. sob influência dos EUA. estendendo-se posteriormente para outras áreas de influência à cultura principalmente.

Se. não podemos desconsiderar que. Mikhail Gorbatchev implantou a Perestroika (reforma) e. 7. ou melhor. militar. da competição militar passou-se para a competição econômica e cultural. que são em larga medida fortalecidos pela manifestação midiática. quando.br . como nos alerta Silva (2004). [. anunciando do espaço sideral: “A Terra é azul”. Nela. o capital começou a circular mais livremente e as empresas buscaram uma maior participação no mercado mundial. As feições culturais diaspóricas apresentam aspectos estandardizados. Esse processo traduz-se em dois pontos: primeiro. em 1957. por outro. nas relações de trabalho. em 1989. A globalização surge. Em resumo. a pluralização dos produtos. tal movimento engendra ‘diásporas culturais’.. além de marcar o fim da Guerra Fria.2 Globalização e/ou Mundialização A década de 1980 foi caracterizada por uma série de transformações na União Soviética. Os países alinhados com a União Soviética sentiram os efeitos desses acontecimentos.. quando os representantes desses dois blocos travavam uma ferrenha disputa para conquistar a hegemonia do quadro de medalhas. por um lado. A União Soviética saiu na frente. o lance mais espetacular dessa disputa. A queda do Muro de Berlim. A globalização caracteriza-se por um conjunto de mudanças no processo de produção de riquezas. As transformações vivenciadas naquele território atingiram como um vendaval os países socialistas. A Guerra Fria manifestou-se também na rivalidade técnico-científica entre EUA e União Soviética. possivelmente. Essas medidas visavam a promover uma reforma política e uma abertura econômica para a União Soviética. A partir da década de 1970. essa nova realidade trouxe acessibilidade a um número considerável de produtos e bens de consumo para o indivíduo. Neil Armstrong tornou-se o primeiro homem a pisar no solo lunar. foi um conflito de ordem política. Um exemplo emblemático é o que estudiosos começam a definir como internacionalização dos comportamentos alimentares. Marcas mundialmente conhecidas. Assim. redes de fast food e grandes redes de supermercados passaram a fazer parte da vida cotidiana de todos. Em 1969. Yuri Gagarin tornou-se o primeiro astronauta a fazer o voo em torno da Terra. tecnológica. logo em seguida. crenças e hábitos que transcendem as fronteiras nacionais. Essa disputa foi vivenciada também em outros campos.] é no decorrer do século XX que o movimento da mundialização forma-se completamente. no papel do Estado e nas formas de dominação sociocultural. econômica. Santos e Rafael Lopes Sousa Saiba mais Guerra Fria é a designação atribuída ao período histórico de disputas estratégicas e conflitos indiretos entre os Estados Unidos e a União Soviética. e a consequente unificação das duas Alemanhas simbolizam a importância que essas transformações tiveram para os países socialistas. compreendendo o período entre o final da Segunda Guerra Mundial (1945) e a extinção da União Soviética (1991). Nessa década. a Glasnost (transparência).Antonio Carlos Banzato A. No campo da cultura. ou seja. uma área não se caracteriza mais por uma quantidade restrita de 46 Unisa | Educação a Distância | www. nas Olimpíadas. Há uma produção de gostos. social e ideológica entre as duas nações e suas zonas de influência. A corrida espacial foi. os EUA responderam a essa investida e criaram a missão Apollo 11. contribuiu para descaracterizar as culturas locais. na esteira desses acontecimentos. Uma das maiores transformações operadas pelo fenô- meno da globalização foi a exportação dos hábitos de consumo e do modo de vida dos países desenvolvidos para os países subdesenvolvidos. nos esporte principalmente. intensifica-se.unisa.

língua inglesa em escala planetária é um exemplo no qual as diferentes localidades aproximam-se e que salta aos olhos. isto é. Portanto. no centro realidade local. segundo. assumem uma nova conotação. A sofisticação que requer uma verdadeira pizza italiana torna-se inadequada à valorização do tempo pelos vorazes consumidores que freqüentam Shopping Center. industrializada. é sugestivo a caso da empresa McDonald’s. que exige dos indivíduos novas tiva. além da presença das participação e influência na vida das pessoas e no multinacionais nos países subdesenvolvidos. Em outras palavras.br 47 . A globalização pode. Assim. as culturas com menos poder de Todos esses aspectos. em meio (considerada inferior) para associar-se a uma cultuà mundialização cultural. mas. do capitalismo central e popularização dos novos meios de comunicação e informação contribuíram alimentos cultivados localmente. então. o encontro com ou o mito do saci pererê. finalmente. p.unisa. Nesse cenário. (SILVIA. e somente ela. da mula sem cabeça e do a uniformização cultural é uma saída cômoda. Assim. Unisa | Educação a Distância | www. O cultivo da vação das relações sociais num circuito aberto.Sociologia Um exemplo emblemático dessa situação é a presença das multinacionais no mundo. neste mundo Unidos. porém. pois essa língua. da Escola de Pós-Graduação de Administração de Empresas da alcançada pelas culturas regionais. a transformação da cozinha tradicional (pratos típicos) para uma outra. comunidades eficiência. Na verdade. ser vista como o companhias que investem no exterior. Universidade da Carolina do Norte. globalizado. Saiba mais Mundialização é uma outra maneira que os franceses encontraram para definir a integração dos mercados econômicos. para. Estados A cultura regional vai. a de “todos”. as que buscam mercados. ou seja. conmercado mundial se descaracterizando e cedendo tribuíram para reordenar o modo de ser e viver do espaço para uma cultura cada vez mais estranha à indivíduo nessas localidades. exatamente por isso. Em outras palavras. A emergência da indústria cultural nos países regional. 594). que a história e constantes identidades sociais. 2004. atingir e modificar as tradições e costumes das comuniSaiba mais dades com menos poder de influência e comunicação. ou seja. cujos alicerces estão na produção em alta escala. Isso não significa que pratos reconhecidos tradicionalmente deixem de existir. o que os ingleses chamam de globalização os franceses chamam de mundialização. apesar disso. do pelo uso da língua. tornar-se “igual” ou “semeBehrman – Professor Emérito da Cátedra lhante” à cultura hegemônica é uma meta a ser Luther Hodges. que vão dos hábitos alimentares. Na visão do norte-americano Behrman (1984). por isso. e as que buscam culturas globais. vendável e lucrada vida cotidiana. para servir esvaziamento de culturas locais em benefício de ao mercado do país hospedeiro. moldadas por transformações soé capaz de lhe conectar aos símbolos globalizaciais que ultrapassam as fronteiras de convivência dos. até então fechadas em suas próprias idiosa fim de criar a rede de produção mais eficiente sincrasias. assemelham-se. passam a receber influências de outras para servir a múltiplos mercados padronizados culturas. A esse respeito. assim. É. passa a existir uma atira (considerada superior). paulatinamente diminuindo a influência e a participação na vida dos indivíduos. os alimentos perdem sua territorialidade e são deslocalizados em proporções globais. companhias que buscam recursos naturais ou humanos em países hospedeiros. as multinacionais são divididas em três tipos: as que buscam recursos em outros países. passanmundialmente. já currupira tem menos impacto na vida dos jovens que permite ao indivíduo despir-se de sua cultura do que o pastiche do halloween. dirigem investimentos externos locais.

mas foi somente nas últimas décadas do século XX que essa questão ganhou relevo.unisa. A primeira. A Conferência de Estocolmo foi de qualquer 48 Unisa | Educação a Distância | www. [. os países periféricos passam também a ter uma cultura dependente. com o asfalto entre outras interferências humanas. duas posições eram defendidas. que consegue impor para os países periféricos a sua visão de mundo. fax.. quando não desviados de seu curso natural. [. Se inicialmente esses aparelhos ganham força entre as nações ricas. (SILVIA.. agora se espraiam globalmente. dentro dessa indústria cultural. A característica central dessas empresas é a adoção de uma estratégia de ação mundial. então. representantes de 113 países reuniram-se para debater os problemas do meio ambiente.. pelos filmes e pela publicidade. cada vez mais. a publicidade fez emergir e proliferar um novo estilo de vida.] É notória a influência do avanço tecnológico na globalização da cultura. “através da propaganda de massa. Em 1972. entre partes afastadas. Rios canalizados. Um exemplo significativo desse movimento é o da indústria fonográfica. A indústria cultural teve. Em outras palavras. 2004. Nesse encontro. o que importava eram os “benefícios” que ela possivelmente traria para o Brasil. definitivamente estruturadas. Essas novas técnicas – o rádio. A concentração da população nas áreas urbanas colaborou também para essa situação. pode ocorrer que.] O mundo tornou-se uma cadeia comunicacional em que os espaços estão interconectados. A segunda posição alertava que o planeta poderia exaurir suas fontes de energia em apenas um século se mantivesse a tendência de aumento da produção. Não é lícito asseverar que as indústrias fonográfica e publicitária já estejam. p. satélites – que torna possível a comunicação à distância. 595). sobretudo de língua inglesa. o mérito de difundir para o mundo as inovações tecnológicas. em tudo isso. O modo de produção industrial retrabalhado no campo da cultura tem a capacidade de desenvolvê-la em escala mundial. a indústria fonográfica e a televisão – foram incorporadas pelos jovens como forma mais cotidiana de interferência em um mundo social para eles agora. que antes se limitavam à esfera local. sendo amplamente rejeitada pela maioria dos países. [. no alvorecer do século XX. defendia o crescimento a qualquer custo.3 Meio Ambiente Os problemas ambientais são antigos. da qual o Brasil era signatário. o cinema. em Estocolmo. amplificado. Assim. e impermeabilização dos solos. 1983. como defende Silva (2004). 7. isto é. uma face legitimadora da cultura hegemônica. elas constituem um esteio fundamental que possibilita intercâmbios culturais de proporções mundiais. Há. que iniciou a produção em massa e a substituição das fontes de energia limpas pelo carvão e pelo petróleo. colaboraram para o quadro de calamidade ambiental que estamos vivendo. não importava se a indústria poluía. num segundo momento pode-se notar sua presença nos países terceiro-mundistas. Esse novo estilo de vida foi impulsionado pela música.. Há toda uma estrutura material – computador. As manifestações culturais. No entanto.Antonio Carlos Banzato A.. consumo e poluição. o desprotegido homem do Terceiro Mundo caia na armadilha do consumismo e mude seu comportamento para adaptar-se aos propósitos e objetivos da indústria estrangeira” (GUARESCHI. entre outros.br .] A indústria de publicidade também integra o processo de mundialização. Tendo uma infraestrutura de dependência. Santos e Rafael Lopes Sousa decisivamente para a consolidação desse fenômeno. ironicamente. A cidade é a expressão mais acabada da alteração do espaço natural. na Suécia. As atividades humanas começaram a causar maior impacto na natureza com o advento da Revolução Industrial. Essa proposta foi. 65). batizada como política do crescimento zero. p.. Tais trocas seriam fortalecidas ainda mais com a difusão do rádio e da televisão.

Saiba mais Concluído em 1997 em Kyoto. com isso. alegando que a ratificação desse documento travaria o desenvolvimento daquela sociedade. Entre esses gases. no Japão. Frente a esse impasse. que as queimadas das florestas tropicais emitem mais gás carbônico do que as fábricas e veículos. O fato é que o dióxido de carbono e o gás metano emitidos pelas fábricas e pelos veículos são os principais responsáveis pelo efeito estufa. Um exemplo notório foi a recusa dos EUA em assinar o Protocolo de Kyoto. no presente. Um dos pontos centrais desse documento está no princípio de que a conservação ambiental do planeta não pode ser alcançada sem a erradicação da pobreza e das desigualdades sociais. pois somos obrigados a respirar um ar de baixa qualidade. Em 2002. A novidade desse encontro foi a grande presença de Organizações não Governamentais (ONGs). ocorreu a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável em Joanesburgo. Os EUA são os maiores produtores e têm a maior frota de veículos do mundo.br 49 . todos nós pagamos. que garantiu aos Estados o direito soberano de aproveitar as florestas de acordo com suas necessidades de desenvolvimento. essa conferência elaborou a Agenda 21. responsáveis pelo aquecimento do planeta. Os EUA e a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) recusaram-se a assinar esse compromisso. que são constrangidos a acatar determinações que não são seguidas pelos países desenvolvidos. Por isso. desde que isso ocorra de modo sustentável. alegando. impõe-se a todos nós a urgente necessidade de empunhar a bandeira do meio ambiente sob pena de legarmos aos nossos descendentes um planeta sem condições de ser habitado. A ideia básica desse conceito é que o atendimento às necessidades básicas das populações. Essa conferência estabeleceu ainda a Convenção do Clima. a questão do meio ambiente está cercada de interesses comerciais. Criou também a Declaração de Princípios sobre a Floresta. transferir responsabilidade pelo efeito estufa para os países subdesenvolvidos. entre outras coisas. ainda assim recusaram-se a assinar o Protocolo de Kyoto e tentaram. Uma das principais discussões dessa cúpula girou em torno da mudança da matriz energética do mundo (petróleo) por fontes de energia renováveis. Em 1992. também chamada de Eco-92. capital da África do Sul. o protocolo de Kyoto impõe a redução de seis gases causadores de efeito estufa. que se responsabilizou a fornecer recomendações de como alcançar o desenvolvimento sustentável no século XXI.Sociologia forma um marco na tomada de posição e consciência para o homem contemporâneo sobre as questões ambientais. conhecida também como Rio +10. industriais e também regionais. que elaborou metas e estratégias de combate ao efeito estufa. Unisa | Educação a Distância | www. Entre outros benefícios. beber água em condições duvidosas e ainda sofrer as consequências de um clima descontrolado. Nesse clima de disputa. Um ano depois da Conferência de Estocolmo foi lançada a ideia de Desenvolvimento Sustentável. Daí a consciência e necessidade de que os produtos podem e devem ser reaproveitados por meio da reciclagem.unisa. o Rio de Janeiro abrigou a Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente e o Desenvolvimento. quem perde são os países subdesenvolvidos. está o CO2 (dióxido de carbono ou gás carbônico) e o CH4 (metano). Como se vê. não deve comprometer a vida das gerações futuras.

a Glasnost (transparência). o mundo viveu um período conhecido como Guerra Fria. que ficaram conhecidas como globalização econômica. Durante essa guerra a rivalidade técnico-científica entre EUA e União Soviética ficou marcada pela corrida espacial. Já a década de 1980 foi caracterizada por uma série de transformações na União Soviética. Santos e Rafael Lopes Sousa 7. na Suécia. Quais propostas resultaram desse encontro. Explique o que é sistema bipolar. A Conferência de Estocolmo ocorrida em 1972. 7. 2. logo em seguida.unisa. em 1989. e a consequente unificação das duas Alemanhas simbolizam a importância que essas transformações tiveram para os países socialistas.br . neste capítulo final.Antonio Carlos Banzato A. Mikhail Gorbatchev implantou a Perestroika (reforma) e. além de marcar o fim da Guerra Fria. 50 Unisa | Educação a Distância | www. foi possível observar as mudanças ocorridas nas últimas décadas do século XX. reuniu representantes de 113 países para debater os problemas do meio ambiente.5 Atividades Propostas 1.4 Resumo do Capítulo Caro(a) aluno(a). Essas medidas visavam a promover uma reforma política e uma abertura econômica para a União Soviética. Após a Segunda Guerra Mundial. A queda do Muro de Berlim.

por sua vez. a Conferência de Estocolmo foi um marco na tomada de posição e consciência do homem contemporâneo sobre as questões ambientais.8 ConSIDeRAçÕeS FInAIS As primeiras tentativas de compreender a ação humana esbarraram-se. Assim. os fenômenos “sociais” tinham uma base de explicação mitológica.unisa. mitológicas e muitas vezes fantasiosas. Rios canalizados. isto é. relacionados a um princípio teológico que cingia a liberdade do indivíduo. todavia. era quem mantinha a ordem do mundo moral e físico. impermeabilização dos solos. Zeus. entre outras interferências humanas colaboraram para o quadro de calamidade ambiental que estamos vivendo. Com toda essa transformação social que ocorreu no mundo. Na Idade Média.br 51 . para os gregos. os problemas ambientais surgiram com intensidade e somente nas últimas décadas do século XX que essa questão ganhou relevo. os acontecimentos sociais estavam. com o asfalto. senhor dos homens e dos deuses. Unisa | Educação a Distância | www. A cidade é a expressão mais acabada da alteração do espaço natural. Para amenizar esses problemas. em interpretações teológicas. visto que as explicações para todas as mazelas sociais estavam fundamentadas no discurso da vontade “divina”.

Foi no estudo das religiões.unisa. segundo Durkheim. passa da educação materna à instrução sacerdotal. a Revolução Russa acabara de triunfar e sinalizava para o mundo uma nova possibilidade de sociedade. CAPíTULO 4 1. a) Iniciação – quando a criança. Isso ocorreu em decorrência de sua descentralização política. Tudo isso incidia de forma decisiva nas ideias dos jovens judeus marxistas Adorno. com catorze anos. Foi logo após a Primeira Guerra Mundial. 2.br 53 . experimentado pelo indivíduo como uma realidade independente dele. o nazismo firmava-se como realidade. O primeiro procura uma interpretação e o consequente entendimento dos fatos e dos fenômenos por meio da experiência e comprovação da razão. 2. 2. retribuindo tudo que recebeu da sociedade. Foi escrita por Max Weber e sua temática versa sobre as contribuições da religião protestante para o desenvolvimento do capitalismo. Ação afetiva – aquela determinada por afetos ou estados sentimentais. CAPíTULO 2 1. ao contrário. CAPíTULO 3 1. Unisa | Educação a Distância | www. Ele é. limita-se à experiência imediata sem preocupações e comprovações empíricas. que ele não criou e não pode rejeitar como as regras morais. estabelecendo relações entre formações políticas e crenças religiosas. o segundo. momento em que a Alemanha vivia uma grande crise econômica e convivia ainda com as retaliações do Tratado de Versalhes. por exemplo. Concomitantemente a esses acontecimentos. Ação tradicional – aquela determinada por um costume ou um hábito arraigado. em decorrência disso. b) Admissão – quando o indivíduo aos vinte e um anos está preparado para servir à humanidade.ReSpoStAS CoMentADAS DAS AtIVIDADeS pRopoStAS CAPíTULO 1 1. Marcuse e Horkheimer. 2. os rituais e as práticas burocráticas. os costumes. as leis.

Antonio Carlos Banzato A. o aspecto fundamental de toda sociedade. É um Sistema de Estados. 2. Os servos estavam presos ao trabalho da terra. 54 Unisa | Educação a Distância | www. Esse status confere ao indivíduo uma posição de destaque entre os membros do grupo de pertencimento. sobretudo militar. consumo e poluição. CAPíTULO 7 1. isto é. segundo Marx. pois o servo não era propriedade do senhor. Por exemplo. dá significado e propósito à vida. cedia parte da produção para o senhor e ainda eram obrigados a trabalhar e cuidar das terras do senhor. Santos e Rafael Lopes Sousa CAPíTULO 5 1. como ocorria com os escravos. O nível da infraestrutura é constituído pela base econômica. b) Econômica – que organiza a produção e distribuição de bens e serviços.br . a) Religiosa – que reforça os valores. defendida por alguns ambientalistas. Eles cultivavam um pedaço de terra cedido pelo senhor e em troca pagavam impostos. transformar matérias-primas e fontes de energia em riqueza. não importava se a indústria poluía. Surgiram duas propostas. que é. a primeira foi defendida pelo Brasil e defendia o crescimento a qualquer custo. A segunda posição. O modo de produção feudal predominou na Europa Ocidental do século VI ao século XVI. senhores versus servos.unisa. Já o status adquirido é obtido de acordo com as qualidades pessoais do indivíduo. o status de “primogênito” ou de “filho de operário”. portanto não podia ser negociado como uma mercadoria. 2. A sociedade feudal estava baseada nas relações servis. 2. isto é. CAPíTULO 6 1. isto é. cujo núcleo é constituído por duas superpotências que coexistem em relativo equilíbrio de poder. Apesar disso. não eram escravos. pois seu status é fruto do reconhecimento de sua capacidade. alertava que o planeta poderia exaurir suas fontes de energia em apenas um século se mantivesse a tendência de aumento da produção. Status atribuído é aquele que não é escolhido voluntariamente pelo indivíduo e não depende de suas ações e qualidades.

2004. B. RIBEIRO Jr. LAKATOS. 1987. Sociologia comteana. SCURO. O.unisa. O que é sociologia? São Paulo: Brasiliense. Sociologia – Introdução à ciência da sociedade. J. M. Sociologia geral e jurídica. W. São Paulo: Saraiva. MARCONI. São Paulo: Martins Fontes.br 55 . Lições de sociologia: Estado. São Paulo: Alínea. COSTA. CALDAS. 1997. E. Discurso sobre o espírito positivo. M. 1999. São Paulo: Martin Claret.ReFeRÊnCIAS BENOIT. LEMOS FILHO. COMTE. 1999. L. Ensaios de sociologia. Rio de Janeiro: Universitária. São Paulo: Brasiliense. 2003. Unisa | Educação a Distância | www. 1982. São Paulo: Global. São Paulo: Brasiliense. (Coord). ed. O que é positivismo. M. J. São Paulo: Ática. Sociologia – ativa e didática. DURKHEIM. 2004. 2003. As regras do método sociológico. 1987. São Paulo: Martin Claret. Sociologia geral. SANTOS. ed. C. Durkheim. 1987. 1999. 4. 1987. MORIN. moral e direito. São Paulo: Martins Fontes. NETTO. A ética protestante e o espírito do capitalismo. 2003. São Paulo: Global.  MARTINS. ______. São Paulo: Brasiliense. 2004. As teorias da comunicação: da fala à internet. 2000. RODRIGUES. HUBERMAN. São Paulo: Moderna. Teorias da comunicação. P. O que todo cidadão precisa saber sobre cultura de massa. J. E. História da riqueza do homem. A. São Paulo: Discurso Editorial. 6. ______. Rio de Janeiro: Zahar. Rio de Janeiro: Guanabara. M. E. WOLF. R. 1972. 1997. et al. WEBER. de A. CHAUÍ. O que é ideologia. L. São Paulo: Atlas. 1984. P. C. A. 1990. M. A. O que é marxismo. Lisboa: Presença. Cultura de massa no século XX: neurose.

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