FUNDAMENTOS DA PATOLOGIA DAS

ESTRUTURAS NAS PERÍCIAS DE
ENGENHARIA












AFONSO VITÓRIO
Engenheiro Civil
Especialista em Estruturas
























¡nstituto Pernambucano de Avaliações e Pericias de Engenharia
Filiado ao Instituto de Avaliações e Perícias de Engenharia IBAPE
2
INTRODUÇÃO




Este trabalho foi inicialmente elaborado como roteiro para o curso “Perícias Judiciais e
Patologia das Estruturas”, ministrado por mim e pelo engenheiro Gilberto Adib Couri, presidente
do Instituto de Engenharia Legal – IEL - RJ, a convite do IPEAPE.

Durante o desenvolvimento dos assuntos selecionados, percebi que o texto poderia ir além
de um roteiro para exposição durante o curso, transformando-se em uma publicação a ser
utilizada como fonte de consulta pelos profissionais que desenvolvem atividades relacionadas aos
temas abordados.

Por isso, procurei utilizar uma linguagem que, embora técnica, consiga expor da forma
mais simples possível, os conceitos básicos do comportamento e dos fenômenos patológicos das
estruturas, de modo a possibilitar a compreensão dos mesmos por engenheiros não especialistas,
cujas atividades impliquem, mesmo que eventualmente, na necessidade de tais conhecimentos, a
exemplo dos profissionais que atuam como peritos.

A experiência mostra que parte considerável dos eventos que demandam a realização de
vistorias e perícias em edificações, decorrem de manifestações patológicas muitas vezes
identificadas através da simples observação do quadro de fissuração, o que facilita bastante o
diagnóstico dos problemas existentes. Evidentemente deverão ser consultados engenheiros
especialistas em estruturas e fundações para os casos mais complexos.

Não é pretensão deste trabalho esgotar o assunto que, pela própria natureza e
complexidade, necessita, para o seu aprofundamento, de um nível de conhecimento que excede
os princípios básicos aqui apresentados. Nesse sentido, ao final do texto é apresentada
bibliografia que poderá ser consultada por aqueles que pretendam se aprofundar no estudo da
análise estrutural e dos fenômenos relacionados à patologia das edificações.

Espero estar contribuindo com este trabalho para o aprimoramento profissional dos
colegas, em especial dos que estão iniciando as suas atividades, como também para a melhoria
dos serviços de vistorias e perícias de engenharia nas áreas das edificações e estruturas.












Afonso Vitório.
Recife, novembro de 2003.
3
FUNDAMENTOS DA PATOLOGIA DAS ESTRUTURAS
NAS PERÍCIAS DE ENGENHARIA


INTRODUÇÃO

SUMÁRIO

1 PERÍCIAS DE ENGENHARIA

1.1 Generalidades
1.2 Conceituação
1.3 Perícias Judiciais
1.4 Perito
1.5 Assistente Técnico
1.6 Laudo Técnico
1.7 O Código de Defesa do Consumidor na construção civil

2 TÓPICOS DE ESTRUTURAS

2.1 Conceituação
2.1.1 Estados limites
2.1.2 Ações consideradas
2.2 Principais sistemas estruturais
2.3 Fundações
2.3.1 Fundações superficiais
2.3.2 Fundações profundas

3 PATOLOGIA DAS ESTRUTURAS

3.1 Generalidades
3.2 Causas das manifestações patológicas
3.3 Estruturas de concreto
3.3.1 Fissuramento – Conceituação
3.3.2 Causas mais comuns do fissuramento
3.4 Conceituação dos danos mais comuns nas estruturas de concreto
3.4.1 Carbonatação
3.4.2 Desagregação
3.4.3 Disgregação
3.4.4 Segregação
3.4.5 Perda de aderência
3.4.6 Corrosão das armaduras
3.4.7 Corrosão do concreto
3.4.8 Calcinação
3.4.9 Reatividade álcali sílica
3.5 Impermeabilização
3.6 Revestimento
3.7 Patologia da fundações
3.8 Ensaios
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4 ALVENARIAS

4.1 Contextualização
4.1.2 Alvenarias estruturais
4.1.3 Alvenarias de vedação
4.1.4 Alvenarias resistentes
4.1.5 Tipos mais usuais de tijolos e blocos
4.2 Patologia
4.2.1 Principais anomalias
4.2.1.1 Fissuras
4.2.1.2 Eflorescências
4.2.1.3 Infiltração de água
4.3 A utilização de alvenaria estrutural em Pernambuco
4.3.1 Resumo histórico
4.3.2 Problemas ocorridos com o processo construtivo
4.3.3 Necessidades de mudanças
4.4 Ações propostas

5 BIBLIOGRAFIA





























5
1. – PERÍCIAS DE ENGENHARIA


1.1. Generalidades

As obras de engenharia, assim como os seres humanos, podem sofrer os efeitos
dos males congênitos e adquiridos, são vulneráveis a acidentes e também deterioram-
se com o passar do tempo.

Mesmo considerando-se que muitas edificações têm dado verdadeiros exemplos de
grande durabilidade, sob condições totalmente adversas, convém lembrar que elas não
têm vida útil infinita.

Afinal, uma edificação é o resultado da combinação de materiais diversos e
heterogêneos e de mão-de-obra geralmente não especializada e de grande
rotatividade. Acrescente-se a isso a agressividade ambiental, a má utilização e a falta
de conservação para que comecem a se manifestar os fenômenos patológicos que
tendem a comprometer a funcionalidade e a segurança do imóvel.

Nesse sentido, é de fundamental importância o aprimoramento de profissionais de
engenharia voltados para a investigação das falhas e avarias que, além de causarem
muitas vezes acidentes de natureza grave, como desabamentos, também acarretam a
depreciação do patrimônio e altos custos de recuperação. Esses profissionais,
denominados peritos de engenharia , devem ter a capacidade de analisar os problemas
e emitir os pareceres técnicos conforme cada caso específico.

1.2. Conceituação

A norma NBR-13.752/96 – Perícias de engenharia na construção civil, define
perícia como “atividade que envolva a apuração das causas que motivaram
determinado evento ou da asserção de direitos”.

Classifica as seguintes espécies de perícias:

a) Arbitramento

Quando envolve a tomada de decisão ou posição entre as alternativas
tecnicamente controversas ou que decorrem de aspectos subjetivos.

b) Avaliação

Quando envolve a determinação técnica do valor qualitativo ou monetário
de um bem, de um direito ou de um empreendimento.

c) Exame

Inspeção, por meio de perito, sobre pessoa, coisas, móveis e semoventes
para verificação de fatos ou circunstâncias que interessem à causa.

6
d) Vistoria

Quando envolve a constatação de um fato, mediante exame circunstanciado
e descrição minuciosa dos elementos que o constituem.

Geralmente as perícias são originadas pelos seguintes tipos de ocorrências:

Ações judiciais;
Ações administrativas;
Ações extrajudiciais.




1.3. Perícias judiciais

São aquelas que ocorrem no âmbito da justiça em diferentes tipos de ações como:
execuções, vistorias cautelares, desapropriações, renovatória de contrato de locação,
revisional de aluguel, demarcações, alvarás, demolitória, inventários, arrolamentos,
partilhas, reivindicatórias, usucapião, civil pública, separação litigiosa, nunciação de
obra nova.


1.4. Perito

A NBR 13795/96 define perito como o profissional legalmente habilitado pelos
Conselhos Regionais de Engenharia, Arquitetura e Agronomia com atribuições para
proceder a perícia.

Nos processos judiciais, muitas vezes o Juiz precisa analisar e emitir uma sentença
sobre questão que envolve a necessidade de conhecimentos técnicos especializados
que extrapolam a sua formação. Nesses casos ele se utiliza da assistência de
profissionais qualificados e que estejam legalmente habilitados para transmitir-lhe as
informações necessárias. Esses profissionais são denominados Peritos Judiciais.

O Perito é considerado um auxiliar da justiça, que assessora o Juiz quando o
assunto em pauta depende de conhecimento técnico ou cientifico e não deve ter
nenhuma obrigação com qualquer das partes envolvidas no processo.

Um perito judicial pode ser recusado por impedimento ou suspensão. Os motivos
são os seguintes:
a) Se o perito faz parte no processo;
b) Se tiver trabalhado no processo com outra função;
c) Se alguma das partes for parente seu, consangüíneo ou afim, em linha reta ou,
na colateral, até o terceiro grau;
d) Quando pertencer a órgão que é parte na causa;
e) Não versar sobre a matéria da perícia.

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O Perito do Juízo precisa ter em mente que as suas funções são da maior
relevância, pois contribuem para a descoberta da veracidade dos fatos. Por isso buscará
sempre atender à ética profissional durante as atividades desenvolvidas. Nesse sentido
deverá:

Comunicar, antecipadamente, o início das diligências aos colegas que atuam como
assistentes técnicos;
Sempre que assim solicitado, conceder vistas aos autos para os assistentes
técnicos;
Sempre que possível, promover reuniões técnicas com os assistentes, assim como
informar acerca do andamento dos trabalhos;
Comunicar os assistentes técnicos quando da entrega do laudo.

A habilitação profissional do perito está prevista no artigo 145 do CPC, transcrito a
seguir:

“Art. 145

Quando a prova do fato depender de conhecimento técnico ou científico, o Juiz
será assistido por Perito, segundo o disposto no art. 421.

§ 1º Os Peritos serão escolhidos entre profissionais de nível universitário,
devidamente inscritos no órgão de classe competente, respeitado o disposto no
Capítulo VI, seção VII, deste Código.

§ 2º Os Peritos comprovarão sua especialidade na matéria sobre que deverão
opinar, mediante certidão do órgão profissional em que estiverem inscritos.

§ 3º Nas localidades onde não houver profissionais qualificados que preencham
os requisitos dos parágrafos anteriores, a indicação dos Peritos será de livre
escolha do Juízo.”


1.5. Assistente Técnico

A NBR 13752/96 define Assistente Técnico como o profissional legalmente
habilitado pelos Conselhos Regionais de Engenharia, Arquitetura e Agronomia,
indicado e contratado pela parte para orientá-la, assistir aos trabalhos periciais em
todas as suas fases da perícia e, quando necessário, emitir seu parecer técnico.
De modo geral, o Assistente Técnico deverá ter a seguinte atuação:

Analisar tecnicamente o processo em que está atuando, procurando enumerar
os itens que poderá ir adiantando quando se iniciarem as diligências;

Colaborar com o advogado na formação dos quesitos, em especial nos
quesitos complementares, que poderão ocorrer ao longo da realização da
perícia;

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Procurar informar ao Perito Oficial o andamento do processo, facilitando seu
acesso aos imóveis, documentos e informações úteis à perícia;

Procurar assinar o laudo elaborado pelo Perito Oficial, quando concordar,
explicando as conclusões dele ao advogado que o indicou;

Quando não concordar, elaborar seu laudo pericial em separado, apresentando
suas divergências técnicas com justificativas e bem fundamentadas.

1.6. Laudo Técnico

Laudo é uma peça na qual o perito, profissional habilitado, relata o que observar e
dá as suas conclusões ou avalia, fundamentadamente, o valor de coisas ou direitos
(NBR 13752/96). Podem ser classificadas em judiciais, extrajudiciais ou particulares.

A legislação não prescreve a forma pela qual os laudos devem ser apresentados,
devido à grande variedade de ações em que a atuação dos peritos é solicitada e
também à especificidade de cada caso. Porém, algumas regras básicas devem ser
seguidas para que o relatório final atenda à sua finalidade.

Nesse sentido é de fundamental importância que o documento seja objetivo e
apresentado em linguagem técnica adequada, com disposição racional dos textos e
ilustrações. Devem ser evitados parágrafos longos que possam parecer inconclusivos
e de difícil compreensão.

Devem ser feitas apenas as considerações que não suscitem qualquer dúvida de
natureza técnica e que estejam respaldadas por observações e conclusões evidentes,
além de amparadas pela literatura existente sobre o tema.

As respostas aos quesitos formulados, no caso dos laudos judiciais, devem ser
totalmente objetivas.

A NBR 13752/96 prevê que um laudo pericial deverá constar dos seguintes
elementos:

a) Indicação da pessoa física ou jurídica que tenha contratado o trabalho e do
proprietário do bem objeto da perícia;

b) Requisitos atendidos na perícia referentes, por exemplo, à metodologia
empregada, aos dados levantados, ao tratamento dos elementos coletados etc.;

c) Relato e data da vistoria com todas as informações referentes;

d) Diagnóstico da situação encontrada;

e) No caso de perícias de cunho avaliatório, pesquisa de valores, definição da
metodologia, cálculos e determinação do valor final;

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f) Memórias de cálculo, resultados de ensaios e outras informações relativas à
seqüência utilizada no trabalho pericial;

g) Nome, assinatura, número e registro no CREA e credenciais do perito de
engenharia.

Recomenda-se ainda que o relatório final contenha todas as informações que
possam contribuir para a elucidação dos fatos em análise, como relatórios técnicos
complementares, recomendações, bibliografia utilizada e documentário fotográfico.

É importante destacar que os laudos técnicos das perícias de engenharia só terão
valor legal se acompanhados da ART (Anotação de Responsabilidade Técnica),
conforme estabelece a Lei 6496/71.

1.7. O Código de Defesa do Consumidor na Construção Civil

De acordo com o Código de Defesa do Consumidor (CDC), é obrigatório o
respeito às normas técnicas brasileiras elaboradas pela ABNT, e sua desobediência
corresponde a uma infração, ensejando as sanções cabíveis.

A falta de observação das normas, bem como deficiências no material e na mão-
de-obra, aliadas à eventual negligência dos construtores, podem ocasionar vícios e
defeitos construtivos.

Vícios construtivos são anomalias da construção; vícios por inadequação de
qualidade prometida ou esperada, ou de quantidade, são falhas que tornam o imóvel
impróprio para o uso ou lhe diminuem o valor. Isso acontece em casos específicos.
Por exemplo, um pequeno defeito na pintura, alguma pequena falha no rejuntamento
de azulejos, uma esquadria mal regulada, entre muitos outros, nem tornam o imóvel
impróprio para uso e nem lhe diminuem o valor.

Defeitos são falhas que fazem com que o fornecimento de produtos ou serviços
afetem ou possam afetar a saúde e a segurança do consumidor. Os vícios e os defeitos
podem ser aparentes ou ocultos. Vícios ou defeitos aparentes são os de fácil
constatação, que podem ser notados quando da entrega do imóvel. Os demais são os
vícios ocultos que diminuem, ao longo do tempo, o valor da coisa ou a tornam
imprópria ao uso a que se destina. Se o consumidor, na aquisição do serviço ou
produto, tivesse conhecimento do vício oculto, poderia pleitear abatimento no preço
ou desistir da compra. Vale ressaltar que, de acordo com o Artigo 18 do Código de
Defesa do Consumidor, somente é possível ao consumidor pleitear abatimento do
preço ou desistir da compra no caso da existência de vícios que tornem o imóvel
impróprio para o uso ou diminuam o valor, respeitadas as variações decorrentes da
natureza do produto, no caso, imóvel construído, e desde que o consumidor tenha
exigido a reparação do vício e o mesmo não tenha sido sanado no prazo entre 7 e 180
dias, conforme pactuado entre as partes.

Danos são as conseqüências dos vícios e defeitos que, na construção civil, afetam
a própria obra, ou o imóvel vizinho, ou os bens, ou as pessoas nele situados, ou ainda
a terceiros (transeuntes e outros).
10

A partir da entrega do imóvel (chaves), de modo geral, o consumidor tem 90 dias
para reclamar do vício ou defeito. Quando for o caso de vícios ou defeitos de fácil
constatação, o consumidor tem 90 dias, após a entrega da obra, para reclamar.
Quando se trata de vício ou defeito oculto, os 90 dias começam a correr a partir do
momento em que tal falha é constatada. No caso de vícios, esse prazo de 90 dias após
constatada a imperfeição oculta pode ser utilizado até o último dia do quinto ano
contado a partir da data da entrega da obra. Já para o defeito (que afeta a solidez e a
segurança da obra ou a saúde do morador), esse prazo se estende até 20 anos.
Entende-se aqui entrega da obra como entrega das chaves ao consumidor, e não o
“habite-se”.

Porém, esse prazo de 90 dias se interrompe com “a reclamação comprovadamente
formulada pelo consumidor perante o fornecedor de produtos e/ou serviços até a
resposta negativa correspondente, que deve ser transmitida de forma inequívoca” (art.
26, II, parágrafo 2º do CDC). Portanto aconselha-se que esta reclamação seja
registrada em Cartório de Títulos e Documentos.

O construtor (executor da obra) tem responsabilidade pela reparação dos danos
causados, independentemente da existência de culpa; basta haver relação de causa e
efeito entre o dano causado e o defeito ou vício que originou esse dano.

O engenheiro (responsável pela obra) responde apenas se a culpa dele restar
provada. A culpa é definida pelo artigo 159 do Código Civil: “Aquele que, por ação
ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito, ou causar prejuízo
a outrem, fica obrigado a reparar o dano.”

Nesse caso, a reparação dos danos causados exige que se prove que houve ação ou
omissão voluntária, negligência ou imprudência. O profissional liberal (engenheiro)
está sob o regime em que a culpa deve ser provada.

O consumidor, assim entendido como toda pessoa física ou jurídica que adquire
ou utiliza produto ou serviço como destinatário final (art. 2º do CDC), deve receber o
“Manual de Uso e Manutenção” do empreendimento, bem como as plantas com a
colocação correta dos pontos e das tubulações de luz e de água e receber as
informações necessárias nos casos omissos ou duvidosos (CDC e a norma NB-578 da
ABNT de julho de 1989).

Uma vez de posse desses documentos, o consumidor torna-se responsável pelo uso
e manutenção correta do imóvel. Caso não siga as instruções recebidas e disso
decorrer algum dano ao imóvel, ele não poderá reclamar, já que usou o imóvel
indevidamente.

É exemplo disso furar uma parede por onde passa um cano d´água, constante da
planta do prédio recebida pelo consumidor. Porém, se a planta estiver errada e o cano
não passar pelo local indicado, a responsabilidade é do construtor, que forneceu a
informação errada.

11
Por outro lado, recomenda-se que as modificações ou reformas de grande monta
(instalações hidráulicas, por exemplo) que serão efetuadas após a entrega do imóvel
ao usuário também integrem o rol dos documentos acima citados, com a
discriminação de seu responsável, preferencialmente com a análise prévia do
engenheiro ou construtor do imóvel, a fim de assegurar que as modificações
pleiteadas não interfiram ou prejudiquem o mesmo.

De acordo com o art. 17 do CDC, equiparam-se aos consumidores todas as vítimas
do evento. Isto quer dizer que se alguém estiver passando na rua e for vítima de
algum material caído da obra, deve ser indenizado, independentemente da culpa do
construtor e como se fosse um consumidor.






































12
2. TÓPICOS DE ESTRUTURAS


2.1. Conceituação

Desde o mais primitivo abrigo até o mais moderno edifício que a estrutura
representa o principal componente de uma construção. Sem estrutura, nenhuma forma
material pode ser preservada.

A estrutura garante a estabilidade da edificação submetida a cargas cujas
diferentes direções e intensidades provocam conflitos que necessitam ser
equacionados.

O projeto estrutural é o instrumento utilizado para solucionar esses conflitos,
fazendo com que as cargas atuantes e as tensões internas sejam mantidas sob controle
em sistemas de ação e reação interdependentes, que garantam o equilíbrio tanto de
cada componente individual, como da estrutura como um todo.

O conhecimento básico do comportamento estrutural dos edifícios é muito
importante para a profissão de engenheiro civil, principalmente para o profissional
que atua como perito, que as vezes se defronta com uma situação cuja resolução está
diretamente relacionada aos fenômenos de natureza estrutural.

Evidentemente não se espera que tais profissionais tenham um nível de
conhecimento sobre o tema que permita-lhes formular e resolver sistemas estruturais.
O que se espera, e é isso que este trabalho propõe, é que a partir do entendimento dos
fundamentos das estruturas, da identificação dos fenômenos relacionados com o
comportamento estrutural e ainda das patologias desenvolvidas nas estruturas, seja
possível emitir um parecer técnico nas situações em que não haja necessidade de
recorrer a um especialista. Tais situações representam algo em torno de 70% dos
casos de vistorias que tratam de anomalias rotineiras em edificações e que podem ser
analisadas, entendidas e diagnosticadas por engenheiros civis e até arquitetos
legalmente habilitados que possuam os conhecimentos básicos necessários.
Guardando as devidas diferenças, tais profissionais poderiam ser comparados a um
médico clínico geral.


2.1.1. Estados limites

O projeto de uma estrutura deve garantir: uma adequada segurança contra a
ruptura provocada pelas solicitações; a limitação das deformações oriundas das
ações de tal modo a não comprometer o seu uso; e a adoção de providências
visando a garantir a sua durabilidade.

Diante disso, uma estrutura (no todo ou em parte) se torna inviável para a
finalidade a qual foi destinada quando atinge a situação chamada “estado limite”,
na qual não preenche mais os requisitos de estabilidade, funcionalidade e
durabilidade.

13
Existem duas categorias de estados limites:

a) Estado limite último

Corresponde ao esgotamento da capacidade portante da estrutura, em parte ou
no todo.

b) Estado limite de utilização

Corresponde a situação em que, mesmo não se tendo esgotado a capacidade
portante, a estrutura é impossibilitada de ser utilizada por não mais oferecer as
condições de funcionalidade e durabilidade.

2.1.2. Ações consideradas

As estruturas são submetidas a diversas ações sejam elas induzidas pela
gravidade (ocorrem no sentido vertical de cima para baixo), compreendendo o peso
próprio da estrutura, das alvenarias, dos revestimentos e as cargas decorrentes do
uso da edificação como os pesos dos móveis, dos objetos, das pessoas, etc.

Existem também as ações produzidas pelos elementos da natureza, como o
vento, a terra e a água, estas difusas e atuantes em várias direções.

De modo geral, no projeto de uma estrutura são consideradas as seguintes
ações:

a) Ações diretas

Cargas permanentes: peso próprio, paredes, revestimentos, etc.

Cargas acidentais: sobrecargas, cargas móveis, vento, etc.

b) Ações indiretas: variação de temperatura, retração, recalques de apoio, etc.

c) Ações excepcionais: incêndios, terremotos, furacões, maremotos, etc.

A figura 2.1 indica esquematicamente as principais ações consideradas em
uma estrutura de um edifício e a tabela 2.1 apresenta os valores mínimos das
cargas verticais que devem ser consideradas no cálculo das estruturas de
edificações, de acordo com a NBR-6120.









14

















































15
Tabela 2.1 - Valores mínimos das sobrecargas verticais atuando nos pisos das edificações em KN/m
2

(Fonte: NBR-6120)

Local Carga
1 Arquibancadas 4
2 Balcões
Mesma carga da peça com a qual se comunicam e as previstas em 2.2.1.5 da
NBR-6120
-
3 Bancos
Escritórios e banheiros
Salas de diretoria e de gerência
2
1,5
4 Bibliotecas
Sala de leitura
Sala para depósito de livros
Sala com estantes, de livros a ser determinada em cada caso ou 2,5kN/m
2

por metro de altura observado, porém o valor mínimo de
2,5
4

6
5 Casas de máquinas
(Incluindo o peso das máquinas) a ser determinada em cada caso, porém
com o valor mínimo de
7,5
6 Cinemas
Platéia com assentos fixos
Estúdio e platéia com assentos móveis
Banheiro
3
4
2
7 Clubes
Sala de refeições e de assembléia com assentos fixos
Sala de assembléia com assentos móveis
Salão de danças e salão de esportes
Sala de bilhar e banheiro
3
4
5
2
8 Corredores
Com acesso ao público
Sem acesso ao público
3
2
9 Cozinhas não
residenciais
A ser determinada em cada caso, porém com o mínimo de 3
10 Depósitos
A ser determinada em cada caso e na falta de valores experimentais
conforme o indicado em 2.2.1.3
-
11 Edifícios residenciais
Dormitórios, sala, copa, cozinha e banheiro
Despensa, área de serviço e lavanderia
1,5
2
12 Escadas
Com acesso ao público
Sem acesso ao público
3
2,5
13 Escolas
Anfiteatro com assentos fixos
Corredor e sala de aula
Outras salas
3
2
14 Escritórios Salas de uso geral e banheiro 2
15 Forros Sem acesso a pessoas 0,5
16 Galerias de arte A ser determinada em cada caso, porém com o mínimo 3
17 Galerias de lojas A ser determinada em cada caso, porém com o mínimo 3
18 Garagens e
estacionamentos
Para veículos de passageiros ou semelhantes com carga máxima de 25kN
por veículo. Valores de φ indicados em 2.2.1.6
3
19 Ginásios de esportes 5
20 Hospitais
Dormitórios, enfermarias, sala de recuperação, sala de cirurgia, sala de raio
X e banheiro
Corredor
2
3
21 Laboratórios
Incluindo equipamentos, a ser determinada em cada caso, porém com o
mínimo
3
22 Lavanderias Incluindo equipamentos 3
23 Lojas 4
24 Restaurantes 3
25 Teatros
Palco
Demais dependências: cargas iguais às especificadas para cinemas
5
-
26 Terraços
Sem acesso ao público
Com acesso ao público
Inacessível a pessoas
Destinados a heliportos elevados: as cargas deverão ser fornecidas pelo
órgão competente do Ministério da Aeronáutica
2
3
0,5

-
27 Vestíbulo
Sem acesso ao público
Com acesso ao público
1,5
3

(ver 2.2.1.7)
16
2.2. Principais sistemas estruturais

Os sistemas estruturais podem ser classificadas como:

a) em estado de tração ou compressão;
b) em estado de tração e compressão exercidos simultaneamente;
c) em estado de flexão;
d) Aqueles que atuam segundo sua continuidade superficial (membranas).

A Figura 2.2 apresenta os principais sistemas quanto aos tipos de esforços e dos
materiais empregados.






































Treliças planas ou espaciais
17
Principais características das estruturas conforme os materiais empregados.

a) Concreto armado

O concreto começou a ser utilizado como material de construção no final
do século XIX na França, Estados Unidos e Alemanha, porém foi no século XX
que se deu o grande desenvolvimento do concreto armado, obtido pela colocação
de barras de aço no interior do material formado pela mistura de cimento, água,
pedra e areia.

Continua sendo um dos principais materiais utilizados nas estruturas,
tendo, nas últimas décadas, alcançando um elevado nível de qualidade resultante
do aprimoramento do seu controle tecnológico e do domínio de seu
comportamento estrutural por parte dos projetistas através da elevada sofisticação
dos processos de dimensionamento, obtidos principalmente com o uso da
informática.

Principais Vantagens:

Materiais relativamente econômicos e disponíveis em qualquer lugar;

Grande facilidade de moldagem, permitindo a adoção das mais diversas
formas;

Emprego de mão-de-obra não qualificada e equipamentos simples;

Elevada resistência ao desgaste mecânico e à ação das intempéries;

Requer manutenção simples e econômica;

Grande resistência à ação do fogo;

Grande durabilidade

Principais desvantagens:

Alto peso específico (2,5t/m
3
), o que implica em limitações dos vãos;

Incapacidade de absorver inversão de esforços;

Impossibilidade de desmontagem para reaproveitamento.

b) Concreto protendido

O concreto protendido consiste num sistema em que as armaduras são
submetidas a um esforço prévio, denominado protensão, responsável pela criação
de um estado de tensões capaz de melhorar a resistência e o comportamento da
estrutura sob diversas condições de carregamentos.

18
O desenvolvimento do concreto protendido e a sua utilização em larga
escala se deram após a Segunda Guerra Mundial, devido, em grande parte ao
engenheiro francês Eugène Freyssinet que através de estudos, ensaios e
observações conseguiu associar concreto de excelente qualidade com aços de
elevada resistência, permitindo a execução de grandes vãos livres com expressiva
redução do peso próprio.

Principais vantagens do concreto protendido em relação ao concreto
armado convencional:

Redução das quantidades de concreto e aço;

Possibilidade de vencer vãos bem maiores que o concreto armado. Para o
mesmo vão consegue-se significativa redução na altura da viga;

Significativa redução na incidência de fissuras;

Redução das tensões principais de tração provocadas pelo esforço cortante;

Durante a operação de protensão, os materiais são submetidos a tensões
geralmente superiores às que poderão ocorrer durante a vida útil da estrutura, o
que funciona como uma prova de carga.

Principais desvantagens do concreto protendido:

O concreto de maior resistência exige melhor controle de execução;

Os aços de alta resistência exigem cuidados especiais de proteção contra
corrosão;

Às operações de protensão necessitam de equipamentos e pessoal
especializados;

De modo geral as obras de concreto protendido exigem maior atenção, e
controle permanente, superiores aos necessários para o concreto armado
tradicional.

c) Estruturas metálicas

Os sistemas em estruturas metálicas apresentam amplas possibilidades de
utilização de elementos padronizados, principalmente quando se deseja grandes
espaços que impliquem na necessidade de flexibilidade no uso da estrutura.

Principais vantagens:

Maiores vãos;

Reduzido peso próprio;

19
Capacidade de resistir a inversão de esforços;

Rapidez na execução;

Economia nas fundações;

Melhor absorção de recalques de apoio;

Incombustibilidade;

Reaproveitamento de estruturas já utilizadas;

Facilidade de reforço de obras existentes.

Principais desvantagens:

Necessidade de rigorosas manutenções periódicas;

Necessidade de mão-de-obra especial;

Sensibilidade à ação do vento;

Maior vulnerabilidade a meios ambiente agressivos;

Grandes deformações causadas por sobrecargas, efeitos térmicos, flexão e
flambagem;

Problemas devido a concentração de tensões.


d) Estruturas de madeira

A madeira é utilizada há vários séculos como material de construção e teve
o seu período áureo entre o século XVI e o início do século XIX, na Europa e nos
Estados Unidos, quando foram construídas pontes que marcaram época pela
excelente qualidade, resistência e beleza. Muitas delas resistiram ao uso e às
intempéries durante séculos.

No Brasil a madeira tem sido utilizada na construção civil em cobertas,
cimbramentos, residências nas áreas rurais, e pequenos pontilhões. Na região
amazônica a abundancia desse material permite a construção de pontes com
comprimentos de até 50m.

O uso desse material está condicionado a uma série de limitações, varias
delas decorrentes da falta de divulgação das informações tecnológicas já
disponíveis sobre o seu comportamento em diferentes condições de serviço e
principalmente, da carência de profissionais habilitados e qualificados para a
elaboração e desenvolvimento de projetos e para a execução de obras de maior
porte. Infelizmente ainda hoje as estruturas de madeira são, na sua grande
20
maioria, projetadas e construídas por pessoas que não detém o conhecimento e a
habilitação necessárias.

De modo geral a madeira apresenta as seguintes vantagens e desvantagens
como material estrutural:

Vantagens

Alta resistência em relação à sua densidade (três vezes superior ao aço e
dez vezes superior ao concreto);

Capacidade de resistir a esforços de sinal contrário ao projetado;

Bom aspecto visual;

Pode ser processada sem maiores dificuldades, possibilitando formas e
dimensões diferentes, evidentemente limitadas pela geometria das toras e
pelo equipamento utilizado na operação;

Mesmo suscetível ao apodrecimento e ataque de organismos xilófagos, tem
a sua durabilidade natural prolongada quando previamente tratada com
substâncias apropriadas;

Desvantagens

Empenamento e rachaduras provocados pela variação de umidade;

Apodrecimento pela ação de fungos;

Vulnerável ao fogo;

Desgaste mecânico;

Deformações excessivas por flexão ou por flambagem;

Necessidade de rigorosas manutenções periódicas.

2.3. Fundações

As fundações são elementos que têm a função de transmitir os esforços da super-
estrutura para o terreno. As cargas transmitidas devem ser compatíveis com a
resistência do solo, devendo ainda as fundações ter adequado comportamento aos
recalques previstos.

As fundações podem ser superficiais ou profundas, dependendo de diversos fatores
que precisam ser analisados na fase de projeto, sendo, porém, de fundamental
importância o conhecimento do tipo de solo do local onde será executada a obra. A
tabela 2.4 apresenta os valores das tensões admissíveis básicas para os solos de
fundação. Tais valores devem servir apenas como referência pois para a escolha e
21
dimensionamento torna-se necessário a execução de sondagens e/ou outras formas de
reconhecimento do solo como análises, ensaios, etc.

Tabela 2.4 – Tensões admissíveis nos solos de fundação (Fonte: NBR-6122)

Classe Solo
Valores
Básicos
MPa
1. Rocha sã, maciça, sem laminações ou sinal de decomposição ......... 5
2. Rochas laminadas, com pequenas fissuras, estratificadas ................ 3,5
3. Solos concrecionados ....................................................................... 1,5
4. Pedregulhos e solos pedregulhosos, mal graduados, compactos ...... 0,8
5. Pedregulhos e solos pedregulhosso, mal graduados, fofos ............... 0,5
6. Areias grossas e areias pedregulhosas, bem graduadas, compactas . 0,8
7. Areias grossas e areias pedregulhosas, mal graduadas, fofas ........... 0,4
8.
Areias finas e médias:
Muito compactas ...............................................................................
Compactas .........................................................................................
Medianamente compactas .................................................................

0,6
0,4
0,2
9.
Argilas e solos argilosos:
Consistência dura...............................................................................
Consistência rija ................................................................................
Consistência média ...........................................................................

0,4
0,2
0.1
10.
Siltes e solos siltosos:
Muito compactos ..............................................................................
Compactos ........................................................................................
Mediamente compactos ....................................................................

0,4
0,2
0,1

2.3.1. Fundações superficiais

Também conhecidas como fundações diretas, são utilizadas quando o solo
de boa qualidade é encontrado a pequena profundidade. Podem ser em blocos e
sapatas (fig. 2.3).



















22
Os blocos de fundações são elementos de grande altura, dispensando a
armação na face inferior. São geralmente construídos em concreto ciclópico e
alvenaria de pedras.

As sapatas de fundação são geralmente executadas em concreto armado e
podem ser isoladas - quando projetadas para cargas concentradas devido a pilares
isolados – ou corridas – quando recebem cargas distribuídas ao longo de sua
extensão (caso das alvenarias estruturais).


2.3.2. Fundações profundas

As fundações profundas são adotadas quando o solo com boa capacidade de
suporte está situado a uma profundidade tal que não permite o emprego de
fundações superficiais. Os tipos de uso mais correntes são as estacas e os tubulões.


Estacas

São elementos estruturais geralmente em concreto, aço ou madeira
cravadas através de equipamentos apropriados, que transmitem as cargas da
edificação às camadas mais profundas do terreno (fig. 2.4). Como os pilares não
podem se apoiar diretamente sobre as estacas, são utilizados elementos
intermediários de ligação, denominados blocos de coroamento.

As estacas de concreto podem ser pré-moldadas ou moldadas no local, as
estacas de aço são formadas por perfis laminados, simples ou compostos; são
também muito utilizadas as estacas formadas por trilhos. As estacas de madeira
são formadas por peças roliças, geralmente de eucalipto, aroeira ou ipê.

Existem ainda as estacas de concreto escavadas manualmente,
popularmente conhecidas como brocas, muito utilizadas em pequenas construções.

















23
Tubulões

Os tubulões são fundações profundas, executadas por escavação a céu
aberto ou com a utilização de ar comprimido no interior de camisas metálicas ou
de concreto armado. São constituídos das seguintes partes (fig. 2.5):

Camisa – de aço ou de concreto pré-moldado
Fuste – executado no local
Base – alargada ou não








































24
3. PATOLOGIA DAS ESTRUTURAS

3.1. Generalidades

É possível dizer, sem exagero, que os edifícios foram criados, até certo ponto, à
imagem e semelhança dos seres humanos.

Assim como o ser humano tem ESQUELETO, os edifícios têm ESTRUTURAS;

Assim como o ser humano tem MUSCULATURA, os edifícios têm ALVENARIA;

Assim como o ser humano tem PELE, os edifícios têm REVESTIMENTOS;

Assim como o ser humano tem SISTEMA CIRCULATÓRIO, os edifícios têm
INSTALAÇÕES HIDRÁULICAS E ELÉTRICAS.

Da mesma forma que os indivíduos, também os edifícios, em certas circunstâncias,
adoecem por fatores internos, externos ou pela natureza.

Os fatores internos, ou endógenos decorrem de deficiências de projeto ou
execução da obra, falhas de utilização ou de sua deterioração natural pelo
envelhecimento.

Os fatores externos, ou exógenos, decorrem de ações impostas por fatores
provocados por terceiros, voluntários ou involuntários, não previstas quando da
execução da obra.

A natureza manifesta-se através de falhas decorrentes de ações não provocadas
diretamente pela ação humana.

O estudo das falhas construtivas é feito pela ciência experimental denominada
“Patologia das Construções”, que envolve conhecimentos multidisciplinares nas
diversas áreas da engenharia.

A Escola Politécnica da USP define patologia das construções como o estudo das
origens, causas, mecanismos de ocorrência, manifestação e conseqüências das
situações em que os edifícios ou suas partes apresentam um desempenho abaixo do
mínimo pré-estabelecido.

Entende-se como o “mínimo pré-estabelecido” a eficiência e durabilidade dos
materiais e técnicas construtivas necessárias para assegurar a vida útil de uma
edificação. Normalmente, tais condições são previstas em normas técnicas,
especificações, ensaios de resistência, etc.


3.2. Causas das manifestações patológicas

É importante ressaltar que a identificação das origens dos problemas patológicos
permite, também, identificar, para fins judiciais quem cometeu as falhas. Ou seja, se
25
os problemas tiveram origem na fase de projetos, os projetistas falharam; quando a
origem está na qualidade do material, o erro é dos fabricantes; se na etapa de
construção trata-se de falhas que envolvem mão-de-obra e fiscalização, ou ainda
omissão do construtor; se na etapa de uso, as falhas poderão ser decorrentes da
operação e manutenção.

Estudos mostram que um elevado percentual dos problemas patológicos nas
edificações são originados nas fases de planejamento e projeto. Essas falhas são
geralmente mais graves que as relacionadas à qualidade dos materiais e aos métodos
construtivos. Isso se explica pela falta de investimento dos proprietários, sejam eles
públicos ou privados, em projetos mais elaborados e, detalhados, fazendo com que a
busca pura e simples de projetos mais “baratos” implique muitas vezes na
necessidade de adaptações durante a fase de execução e futuramente em problemas de
ordens funcional e estrutural.

O quadro a seguir mostra os percentuais das causas das manifestações patológicas
em uma edificação.

ETAPA %
PROJETO 40
EXECUÇÃO 28
MATERIAIS 18
USO 10
PLANEJAMENTO 4

3.3. Estruturas de concreto

3.3.1. Fissuramento - conceituação

Os problemas patológicos nas estruturas de concreto geralmente se
manifestam de forma bem característica, permitindo assim que um profissional
experiente possa deduzir qual a natureza, a origem e os mecanismos
envolvidos, bem como as prováveis conseqüências.

Um dos sintomas mais comuns é o aparecimento de fissuras, trincas,
rachaduras e fendas.

Fissura é uma abertura em forma de linha que aparece nas superfícies de
qualquer material sólido, proveniente da ruptura sutil de parte de sua massa,
com espessura de até 0,5mm.

Trinca é uma abertura em forma de linha que aparece na superfície de
qualquer material sólido, proveniente de evidente ruptura de parte de sua
massa, com espessura de 0,5mm a 1,00mm.

Rachadura é uma abertura expressiva que aparece na superfície de qualquer
material sólido, proveniente de acentuada ruptura de sua massa, podendo-se
“ver” através dela e cuja espessura varia de 1,00mm até 1,5mm.

26
Fenda é uma abertura expressiva que aparece na superfície de qualquer
material sólido, proveniente de acentuada ruptura de sua massa, com espessura
superior a 1,5mm.

De modo geral tais aberturas podem ser passivas ou ativas.

As fissuras passivas quando chegam à sua máxima amplitude, estabilizam-
se devido ao cessamento das causas que as geraram, como é o caso das fissuras
de retração hidráulica ou das provocadas por um recalque diferencial de
fundação que esteja estabilizado.

As fissuras ativas são produzidas por ações de magnitude variáveis que
provocam deformações também variáveis no concreto. É o caso das fissuras de
origem térmica e das de flexão provocadas por ações dinâmicas.
Os problemas existentes em uma estrutura avariada podem ser vários e
muitos complexos.

Existem defeitos localizados e de pouca importância que não afetam o
resto da estrutura e que podem ser identificados imediatamente, sem depender
de maiores estudos e de ensaios de laboratório.

Outros defeitos, porém, são de tal ordem que necessitam de um
conhecimento global da obra, envolvendo ainda todo o histórico da estrutura, a
análise do projeto e todas as informações que possam identificar as causas que
motivaram a sua patologia.

O estudo dos sintomas apresentados pela estrutura implica na análise das
causas que produziram os defeitos ou lesões existentes. Nesse sentido a
localização e o tipo de fissuras são da maior importância nessa análise,
bastando muitas vezes a observação do quadro de fissuração para se chegar às
conclusões que permitam diagnosticar os problemas existentes.

3.3.2. Causas mais comuns do fissuramento

A seguir algumas das causas mais usuais do fissuramento das estruturas:
Cura mal realizada – ressecamento

Retração

Variação de temperatura;

Agressividade do meio ambiente;

Carregamento;

Erros de concepção;

Mal detalhamento do projeto;

27
Erros de execução;

Recalques dos apoios;

Acidentes.

Ressecamento do concreto

Após os primeiros dias da concretagem, o concreto não experimenta
nenhuma retração; ela se manifestará aos 7 dias aproximadamente. Durante a
cura tem lugar um auto-aquecimento que ocorre desde o início da pega do
cimento; a temperatura elevar-se-á, ocorrerá aquecimento do núcleo da peça,
com valor superior ao de sua parte externa.

A figura 3.1 a) mostra fissuras por ressecamento em uma laje nervurada.
As fissuras seguem a armadura principal; a figura 3.1 b) mostra uma laje
maciça e as fissuras não são retilíneas. As fissuras provocadas por
ressecamento manifestam-se durante as primeiras 6 a 18 horas. Para evitar o
fissuramento por ressecamento, as superfícies concretadas devem ser
protegidas e umedecidas imediatamente após serem executadas.
























Retração

O concreto experimenta um aumento de volume quando umedecido, e uma
retração durante o processo de cura. A retração aparece quando a porcentagem
de água interna diminui, sendo a retração mais intensa em tempo seco e
28
quente. É de máxima importância o grau de umidade do meio ambiente para o
desenvolvimento da retração. O processo de retração estende-se durante 2 anos
a 3 anos, provocando tensões de tração, quando as deformações são impedidas
por forças externas ou internas, originadas das armaduras. A retração dará
origem a tensões de compressão no interior da peça e de tração na superfície.
Nas vigas que possuem vários vãos, as fissuras de retração manifestam-se nas
proximidades dos apoios, especialmente se eles são fixos. Nos muros de
concreto diretamente apoiados no solo, as fissuras aparecem devido à
resistência oferecida pelo atrito do concreto com o solo. (fig. 3.2 a)

Quando se trata de peça fortemente armada, a resistência oferecida pela
armadura intervém no fenômeno de fissuramento e o encurtamento global pode
resultar insignificante. Em lajes as fissuras de retração são freqüentes,
principalmente, se elas não possuem elementos de enrijecimento, como vigas
paralelas à armadura. As figuras 3.2 b) e 3.2 c) mostram fissuras de vigas e
pórticos provocadas por retração.

































29
Carregamento

Uma peça estrutural pode fissurar em conseqüência dos seguintes tipos de
esforços provocados por carregamentos:

Tração axial – fissuramento bastante regular, sempre perpendicular às
armaduras, atravessando toda a seção (fig. 3.3)











Compressão axial – Os pilares de concreto armado, submetidos a compressão
axial, rompem com características bem definidas, como os corpos de prova
(fig. 3.4).




























30
Compressão excêntrica – As peças submetidas ao efeito de compressão
excêntrica e flambágem apresentam geralmente fissuras com as características
mostradas na fig 3.5.
















Flexão – as fissuras de flexão são as mais conhecidas e fáceis de identificar.
São sempre perpendiculares às armaduras (fig. 3.6)




























31
Cisalhamento – As fissuras de cisalhamento, provocadas pelo esforço
cortante, são inclinadas e surgem inicialmente nas proximidades dos apoios,
manifestando-se também na parte média das vigas. São geralmente causadas
pela deficiência das armaduras de cisalhamento (fig. 3.7)












Torção – As fissuras de torção podem aparecer em vigas de bordo, por
excessiva deformabilidade da laje; também são originadas de cargas
excêntricas em vigas, ou em vigas que servem de engaste para marquises. Tais
fissuras aparecem simultaneamente em todas as faces livres da peça estrutural
com desenvolvimento helicoidal (fig. 3.8)











3.4. Conceituação dos danos mais comuns nas estruturas

Além da fissuração, os fatores relacionados anteriormente podem causar os
seguintes danos às estruturas de concreto armado ou protendido.

3.4.1. Carbonatação

Uma das causas mais freqüentes da corrosão em estruturas de concreto
armado, a carbonatação é a transformação do hidróxido de cálcio, com alto
PH, em carbonato de cálcio, que tem um PH mais neutro.

A perda de PH do concreto representa um problema, pois em seu ambiente
alcalino – PH variando de 12 a 13 -, as armaduras estão protegidas da corrosão,
mas, abaixo de 9,5, tem-se o início do processo de formação de células
eletroquímicas de corrosão, começando a surgir, depois de algum tempo,
fissuras e desprendimentos da camada de cobrimento.

32
A existência de umidade no concreto influencia bastante o avanço da
carbonatação. Outros fatores que também contribuem para que o fenômeno se
desenvolva com mais rapidez são: a quantidade de CO
2
do meio ambiente, a
permeabilidade do concreto e a existência de fissuras.

3.4.2. Desagregação

É a deterioração, por separação de partes do concreto, provocada, em geral,
pela expansão devido à oxidação ou dilatação das armaduras, e também pelo
aumento de volume do concreto quando este absorve água. Pode ocorrer
também devido às movimentações estruturais e choques.

3.4.3. Disgregação

Caracteriza-se pela ruptura do concreto, em especial nas partes salientes da
estrutura. O concreto disgregado geralmente apresenta as características
originais de resistência, porém não foi capaz de suportar a atuação de esforços
anormais.

3.4.4. Segregação

É a separação entre os elementos de concreto – a brita e a argamassa – logo
após o lançamento.

3.4.5. Perda de aderência

Pode ocorrer entre a armação e o concreto ou entre concretos. A perda de
aderência entre o concreto e o aço ocorre geralmente nos casos de oxidação ou
dilatação da ferragem.

3.4.6. Corrosão das armações

A porosidade do concreto, a existência de trincas e a deficiência no
cobrimento fazem com que a armação seja atingida por elementos agressivos,
acarretando, desta maneira, a sua oxidação. A parte oxidada aumenta o seu
volume em cerca de aproximadamente 8 vezes e a força da expansão expele o
concreto do cobrimento, expondo totalmente a armadura à ação agressiva do
meio. A continuidade desse fenômeno acarreta a total destruição da armação
(fig. 3.9).










33

3.4.7. Corrosão do concreto

O concreto, mesmo sendo bastante resistente quando de boa qualidade está
sujeito a sofrer danos em presença de agentes agressivos. Normalmente, o
concreto mais atacado é o de má qualidade, permeável, segregado, etc.

Os agentes ácidos, os sulfatos, o cloro e seus compostos, os nitratos e
nitritos são os principais fatores destrutivos do concreto.

Mesmo a água totalmente pura, como é o caso das águas de chuvas, pode
atacar o concreto através da infiltração e do acumulo ao longo do tempo.

3.4.8. Calcinação

É o ressecamento das camadas superficiais do concreto devido à ocorrência
de incêndios.

3.4.9. Reatividade álcali sílica (RAS)

A RAS é uma reação química que ocorre entre a sílica existente em
determinados tipos de agregados utilizados no concreto e o álcali (pode ser o
de sódio ou de potássio) presente na parte de cimento.

A RAS provoca trincas de grande magnitude na superfície das estruturas.
Genericamente se dispõem no sentido longitudinal da peça, interconectadas
por finas trincas aleatórias transversais.

Esse tipo de patologia foi identificado pela primeira vez em 1937como
sendo um sério problema para barragens, pontes e pavimentos de rodovias.

No Brasil, diversas barragens e pontes apresentam os sintomas da RAS,
algumas já em estágio avançado.

3.5. Impermeabilização

A impermeabilização na construção civil é uma atividade da engenharia que utiliza
materiais e técnicas, de modo a garantir a estanqueidade necessária às partes da
edificação eventualmente expostas à água. Essa atividade além de proteger o ser
humano, do ponto de vista da saúde e do conforto, também contribui para a
funcionalidade e segurança das edificações, ampliando a vida útil.

Mesmo exercendo essa importância para o bom desempenho dos imóveis, verifica-
se que grande parte dos problemas patológicos que surgem ao longo do tempo nas
edificações são originados direta ou indiretamente pela falta de adoção dos
procedimentos adequados para a impermeabilização, o que implica, além dos
transtornos conhecidos para os usuários, em grandes prejuízos econômicos e
financeiros devidos à prematura deterioração e a diminuição da vida útil dos
empreendimentos.
34

Preocupado com esta questão o CREA-PE realizou em 1997 pesquisa, implantou
um fórum de discussão e publicou uma cartilha sobre o tema impermeabilização.

A pesquisa, realizada em um universo constituído por 6.100 unidades residenciais
na cidade do Recife, com amostras de 355 unidades (5,5%), e confiabilidade de 94%
chegou às seguintes conclusões:

1) Oito entre cada dez prédios visitados apresentam, ou já apresentaram, problemas
de infiltração.

2) A maior ocorrência de infiltração se dá nas áreas malhadas: wc, cozinha, áreas de
serviço, varanda, jardineira.

3) As infiltrações nas fachadas aparecem em segundo lugar, na ordem decrescente,
paredes e esquadrias. Nas paredes, a maior incidência se dá naquelas revestidas
com massa única e pintadas, seguidas daquelas com pastilhas, cerâmicas,
mármore/granito e vidro.

4) Em terceiro lugar aparecem as cobertas, na ordem decrescente telhamento, lajes
expostas e calhas.

5) Por último, e em pequenas proporções, aparecem as infiltrações nos sub-solos,
pavimentos vazados, casas de máquinas/poço de elevador.

6) Foi constatado que 25% dos problemas de infiltração aparecem nos prédios com
até dois anos de construídos.

7) A maior incidência dos problemas de impermeabilização se deu nos prédios
enquadrados nos padrões C e D.

8) Dos prédios que têm fissuras, 98% apresentam problemas de infiltração.

9) Dos 335 prédios pesquisados, apenas 38 (11,30 %) fazem manutenção preventiva;
198 (59,10%) fazem manutenção corretiva; 98 (28,40%) não fazem manutenção e
4 (1,2%) não informaram.

As reclamações acontecem da seguinte forma:

CREA .................................................................. 0,3%
Pequenas causas .................................................. 0,6%
Agente financeiro ................................................ 2,1%
Construtora ......................................................... 8,4%
Condomínio ...................................................... 87,4%
Não reclamou ------------------------------------- 60,80%

Aproximadamente 60% dos que reclamaram problemas relacionados à
impermeabilização tentem solucioná-los no âmbito do condomínio, deixando de
adotar os procedimentos técnicos adequados.
35

3.6. Revestimentos

Aparentemente os revestimentos são tidos como elementos que conferem às
edificações um acabamento bonito. Porém, na realidade eles têm uma função bem
mais abrangente do que garantir uma boa aparência, em especial às partes externas
dos imóveis.

Os revestimentos significam na prática, a garantia da proteção das estruturas e
alvenarias de uma edificação, através do cobrimento com os mais diversos tipos de
materiais apropriados, de modo a evitar a ação deletéria dos agentes externos e
internos, ou seja, tanto provocada pelo meio ambiente como pelo uso.

Nas paredes são geralmente utilizados como revestimentos azulejos, cerâmicas,
pastilhas, argamassas e texturas. Nos pisos é comum a aplicação de cerâmicas, pedras
e madeiras.

A garantia da proteção conferida pelo revestimento depende diretamente da
escolha dos materiais utilizados, da forma de aplicação e da mão-de-obra. Qualquer
falha em uma dessas etapas irá implicar futuramente no aparecimento de anomalias
no acabamento da obra que , por sua vez, irão repercutir na resistência e na
funcionalidade de peças estruturais e alvenarias.

As anomalias mais freqüentes são do tipo manchas, bolhas, descolamentos (em
cerâmicas, azulejos ou pedras) e fissuras.

Sendo as anomalias uma conseqüência, é preciso identificar suas causas, pois só
assim pode-se resolver definitivamente o problema. É necessário, então, o diagnóstico
das causas, que poderão estar tanto nos próprios revestimentos, quanto em qualquer
uma das peças por eles protegidas. Tal diagnóstico poderá ser dado por um
profissional que tenha experiência e conhecimento suficiente sobre o tema.

É preciso, também, lembrar que os materiais de revestimento têm o seu
desempenho limitado por um determinado período de tempo, e esse período é tão
mais curto quanto mais sofrem interferências externas. Assim, os revestimentos, por
serem justamente os que mais são atingidos pelos agentes agressivos, quer do
ambiente externo, quer interno, requerem mais cuidados, com revisões e manutenções
periódicas, muitas vezes simples como é o caso de limpeza e repintura.

Pode-se dizer que quanto mais eficientes forem os revestimentos, maior
durabilidade e funcionalidade terá a edificação como um todo, principalmente no que
se refere a estrutura, alvenaria e instalações.

3.7. Patologia das fundações

Pelo fato de estarem enterradas e conseqüentemente não acessíveis as inspeções
periódicas, os defeitos apresentados pelas fundações só são percebidos através das
repercussões na obra como um todo.

36
Tais defeitos podem ser originados por diversas causas, e nem sempre é fácil
diagnosticá-los e solucioná-los. O solo, é um material complexo, cuja natureza pode
implicar em uma variação muito ampla de suas características.

Os problemas mais freqüentes nas fundações são causados por recalque ou ruptura
do solo, por excesso de carga nas estruturas, por erosões no terreno, pela ação de
agentes agressivos e pela própria inadequação da solução adotada.

Uma causa de danos às fundações que até há algum tempo não recebia a devida
atenção é a ação das raízes de certos tipos de árvores nas proximidades das
edificações. Algumas árvores possuem raízes que se desenvolvem horizontalmente e
com grande rapidez, alcançando grande distância e podendo atingir as fundações, seja
produzindo recalques ou pela saturação do terreno provocado pela ruptura de
tubulações enterradas.

Poços artesianos de pequena profundidade, executados próximos às fundações,
podem representar risco devido à possibilidade de carreamento do material do
subsolo, sob as sapatas.

3.8. Ensaios

Muitas vezes, além da análise visual, faz-se necessário a realização de ensaios
destinados a fornecer informações relacionadas às condições de resistência e ruptura
de componentes da estrutura vistoriada, além de maior conhecimento sobre o solo de
fundação.

A decisão da realização ou não de ensaios fica a cargo do engenheiro responsável
pela elaboração do laudo pericial.

Os ensaios mais conhecidos nas estruturas de concreto e alvenaria são os
seguintes:

a) Não destrutivos:

esclerometria;
carbonatação;
controle de fissuras com selos de gesso ou vidros;
ulta-sonografia;
gamagrafia;
prova de carga;
medições de deformações e recalques;

b) Destrutivos:

resistência à compressão axial em testemunhos retirados da estrutura;
resistência à tração em testemunhos retirados da estrutura;
módulo de deformação do concreto e de argamassas;
reconstituição do traço de concreto e de argamassa;
massa específica, permeabilidade e absorção de água;
37
teor de cloretos;
determinação do escoamento à tração em amostras de armadura retiradas
da estrutura;
determinação do potencial de corrosão de amostras de armadura retiradas
da estrutura;
resistência à compressão de tijolos e blocos individuais;
resistência à compressão de prismas de tijolos e blocos;

c) No solo de fundação:

sondagem de reconhecimento à percussão;
sondagens rotativas (rochas);
ensaios de caracterização da capacidade de suporte;
determinação do nível de agressividade da água do subsolo.



































38
4. ALVENARIAS

4.1. Contextualização

Desde a mais remota antiguidade que o homem utiliza a alvenaria como método
construtivo, inicialmente através do empilhamento de pedras e em seguida através da
descoberta de técnicas que foram evoluindo ao longo dos séculos.

Antes da era Cristã já haviam sido construídas pontes em arcos, monumentos e
outras edificações pelos etruscos, egípcios e romanos que permanecem até os dias
atuais como testemunhas da importância da utilização da alvenaria como material de
construção ao longo da história da humanidade.

Com o passar do tempo as alvenarias sofreram diversas transformações, passando
das formas iniciais, pesadas e espessas, para formas mais delgadas e leves, tornando-
se hoje um dos componentes mais freqüentes em quase todos os tipos de edificações.

Atualmente existe no Brasil uma grande diversidade de peças modulares, blocos e
tijolos, utilizados na construção civil, principalmente na produção de habitações
populares. Isto implica na necessidade de maiores conhecimentos sobre essa técnica
construtiva, seja nos aspectos relativos ao dimensionamento estrutural e controle de
qualidade dos materiais, como no seu comportamento após a conclusão da obra.

Porém, ainda observa-se, de modo geral, a falta até dos conhecimentos básicos
sobre o tema, principalmente quando trata-se da utilização da alvenaria como
elemento estrutural. Isso talvez seja um reflexo da falta de incentivos e investimentos
dos diversos setores que tratam direta ou indiretamente da questão, como
Universidades, a Indústria da Construção Civil, os agentes financeiros que financiam
os imóveis e os próprios fabricantes de tijolos.

Diante disso, as obras de alvenaria, em sua grande maioria ainda são
caracterizadas pelo empirismo e pela carência de procedimentos adequados, tanto de
projeto como de execução, levando algumas delas a apresentarem manifestações
patológicas que, além de prejudicarem a habitabilidade dos imóveis, podem até levá-
los ao colapso estrutural.

4.1.2. Alvenarias estruturais

Também denominadas alvenarias portantes ou autoportantes, são utilizadas
com função estrutural, recebendo as cargas da edificação e transmitindo-as às
fundações. A normalização brasileira estabelece que as paredes com função estrutural
deverão ser executadas com blocos vazados de concreto com furos na vertical,
espessura mínima de 14cm e esbeltez máxima igual a 20. (NBR-10837. Cálculo de
alvenaria estrutural de blocos vazados de concreto).

Podem ser não armadas, parcialmente armadas ou armadas.

As alvenarias não armadas são constituídas pela união de blocos e argamassa, que
absorvem os esforços atuantes. São previstas apenas armaduras de amarração
39
(prevenção de trincas), porém, elas não são consideradas no dimensionamento das
paredes.

As alvenarias parcialmente armadas são constituídas pela união de blocos e
argamassa, sendo utilizada armadura para absorver os esforços em algumas partes das
paredes, sendo as outras partes calculadas como alvenaria não armada.

As alvenarias armadas são compostas pela união de blocos, argamassa, graute e
armadura, dimensionada para resistir aos esforços solicitantes, independentemente
das armaduras construtivas.

4.1.3. Alvenaria de vedação

São as alvenarias que constituem apenas elementos de vedação ou fechamento dos
ambientes. São normalmente constituídas de tijolos cerâmicos vazados com furos na
horizontal ou outros tipos de blocos que não exercem função estrutural.

4.1.4. Alvenarias resistentes

Denominação dada nos meios técnico e acadêmico para aquelas alvenarias que são
utilizadas com função estrutural, porém, de forma empírica ou semi-empírica, em
desacordo com os procedimentos de projeto e execução previstos nas normas. É o
caso, por exemplo, dos edifícios em alvenaria estrutural que utilizam tijolos cerâmicos
vazados com furos na horizontal.

4.1.5. Tipos mais usuais de tijolos e blocos

Os componentes mais usuais das alvenarias, sejam estruturais ou de vedação são:

Tijolos cerâmicos vazados;

Tijolos cerâmicos maciços;

Blocos de concreto;

Blocos de concreto celular;

Blocos sílicos-calcáreos;

Blocos de solo estabilizado.









40

















































41

















































42
Tabela 4.1 Características geométricas
Blocos de concreto estruturais e de vedação.
TIPO
DIMENSÕES
(cm)
ÁREA
BRUTA
(cm
2
)
ÁREA
LIQUIDA
(cm
2
)
ÁREA
VAZADA
(cm
2
)
TOLERÂNCIA
DIMENSIONAL
(mm)
19x19x39 741 371 370 ±3
Bloco
14x19x39 546 271 275 ±3
19x19x19 361 202 159 ±3
Meio bloco
14x19x19 266 145 121 ±3
Bloco 9x19x39 * 351 178 173 ±3
Meio bloco 9x19x39 * 171 92 79 ±3

* Só podem ser utilizados como elementos de vedação


Tabela 4.2 Características físicas
Peso específico médio dos componentes das alvenarias.
γ γγ γ
COMPONENTE
KN/m
3
Kg/m
3

Blocos de concreto 21,6 2.200
Blocos cerâmicos vazados 12,7 1.300
Blocos cerâmicos maciços 12,7 – 21,6 1.300 – 2.200
Blocos silicos-calcáreos 11,8 – 17,6 1.200 – 1.800
Blocos de concreto celular 3,0 – 7,8 300 – 800
Argamassa de assentamento 18,6 1.900
Graute 21,6 2.200
Chapisco 20,6 2.100
Emboço (massa grossa) 19,6 1.900


Tabela 4.3 Resistência mínima à compressão para blocos cerâmicos (NBR-7171).
TIPO
RESISTÊNCIA À COMPRESSÃO
NA ÁREA BRUTA (MPa)
A 1,5
De vedação
B 2,5
C 4,0
D 7,0 Portante
E 10,0


Tabela 4.4 Resistência mínima à compressão para blocos de concreto.
BLOCO REQUISITO
Vedação MPa f MPa f
m i
5 , 2 , 0 , 2 ≥ ≥
Estrutural B MPa F
bk
5 , 4 ≥
Estrutural A MPa F
bk
0 , 6 ≥

=
i
f valor individual

=
m
f valor médio da amostra

=
bk
f valor característico


43
4.2. Patologia

As anomalias manifestadas nas alvenarias que compõem as paredes de uma
edificação, são, de modo geral, bastante visíveis pela própria natureza dos materiais e
do comportamento desses componentes.

Nas alvenarias estruturais as manifestações patológicas são evidentemente de
maior gravidade pela influência na estabilidade do imóvel. Porém, mesmo as
alvenarias de vedação, precisam ter desempenho adequado, de modo a resistir aos
fatores externos e internos como variações de temperatura, movimentações das
estruturas onde estão apoiadas, umidade relativa do ar, infiltrações, etc.

Pelo fato de empregarem materiais diversos, com parâmetros físicos diferenciados,
tornam-se necessários cuidados especiais, especialmente na junção entre paredes e de
paredes com a estrutura, de modo a evitar que as diferenças de comportamento
provoquem danos à edificação. Basta observar que as fissuras mais comuns ocorrem
justamente na ligação das paredes com lajes, vigas e pilares, junto às aberturas de
portas e janelas e na ligação entre paredes.

As alvenarias também são muito sensíveis às movimentações estruturais
provocadas por recalques diferenciais nas fundações, excesso de sobrecarga nas lajes
ou deformabilidade das peças estruturais. Atenção especial deve ser dada às
alvenarias que se apóiam sobre vigas ou lajes em balanço.

4.2.1. Principais anomalias

As anomalias mais freqüentes nas alvenarias são fissuras, eflorescências e
infiltrações de água.

4.2.1. Fissuras

As fissuras ocupam o primeiro lugar na lista dos problemas mais comuns nas
alvenarias. Suas causas nem sempre são facilmente identificadas, porém, o
conhecimento das mesmas é de fundamental importância para a adoção dos
procedimentos adequados de correção.

As alvenarias apresentam, de modo geral, bom comportamento à compressão,
porém o mesmo não ocorre em relação às solicitações de tração, flexão e
cisalhamento. Normalmente a quase totalidade dos casos de fissuração em alvenaria
são provocadas por tensões de tração e cisalhamento.

Outros fatores que também influenciam na fissuração e nas propriedades
mecânicas estão a seguir relacionadas:

Heterogeneidade resultante da utilização conjunta de materiais diferentes, com
propriedades mecânicas e elásticas diferenciadas;

Geometria, rugosidade e porosidade dos componentes;

44
Retração, aderência e retenção de água da argamassa de assentamento;

Esbeltez, geometria da edificação, presença ou não de armadura, existência de
paredes de contraventamentos;

Cintamentos, amarrações, tipos e dimensões de aberturas de portas e janelas;

Tubulações embutidas;

Movimentações higroscópicas e térmicas;

Tipo de fundação, recalques diferenciais.



Tabela 4.5 Principais tipos de fissuras nas alvenarias (Fonte: L.A.Falcão Bauer)
Configuração Típica Causa Provável
Deformação da argamassa de assentamento em paredes submetidas a uma carga vertical
uniformemente distribuída.
Movimentação higroscópica da alvenaria, principalmente no encontro de alvenarias
(cantos) e em alvenarias extensas.
Retração por secagem da alvenaria, principalmente em pontos de concentração de
tensões ou seção enfraquecida.
Fissura
Vertical
Expansão da argamassa de assentamento (interação sulfato-cimento, hidratação
retardada da cal).
Alvenaria submetida à flexocompressão devida a deformações excessivas da laje.
Movimentação térmica da laje de cobertura (deficiência de isolamento térmico, com a
ocorrência de fissuras no topo da parede, decorrente da dilatação da laje de cobertura.
Expansão da argamassa de assentamento (interação sulfato-cimento, hidratação
retardada da cal).
Expansão da alvenaria por movimentação higroscópica, em geral nas regiões sujeitas à
ação constante de umidade, principalmente na base das paredes.
Fissura
Horizontal
Retração por secagem da laje de concreto armado, que gera fissuras nas alvenarias,
principalmente nas externas enfraquecidas por vãos (janelas).
Recalques diferenciais, decorrentes de falhas de projeto, rebaixamento do lençol
freático, heterogeneidade do solo, influência de fundações vizinhas.
Atuação de cargas concentradas diretamente sobre a alvenaria, devido à inexistência de
coxins ou outros dispositivos para distribuição das cargas.
Alvenarias com inexistência ou deficiência de vergas e contravergas nos vãos de portas
e janelas.
Carregamentos desbalanceados, principalmente em sapatas corridas, ou vigas baldrames
excessivamente flexíveis.
Fissura
Inclinada
Movimentação térmica de platibanda, ocorrendo fissuras horizontais e inclinadas nas
extremidades da alvenaria.
Fissura na Laje Mista de
Forro da Coberta
Movimentação térmica, gerando fissuras no encontro dos elementos cerâmicos com as
vigas pré-moldadas.







45
A seguir estão indicadas esquematicamente, algumas configurações mais
freqüentes de fissuras nas paredes de alvenaria (figuras 4.3 a 4.15).















































,
46

















































47

















































48

















































49

















































50

















































51














4.2.1.2. Eflorescências

A eflorescência é um depósito de sais acumulado sobre a superfície das
alvenarias, de composição e aspecto variáveis de acordo com o tipo de sal
depositado.

A acumulação do sal na superfície dos componentes das alvenarias ocorre
pela evaporação da água da solução saturada de sal, que percola através dos
materiais.

A eflorescência pode alterar a superfície sobre a qual se deposita, podendo,
em determinados casos, seus sais constituintes serem agressivos e deteriorarem
profundamente as alvenarias.

Normalmente a eflorescência é causada pela combinação de três fatores:

a) Teor de sais solúveis existentes nos blocos, tijolos e/ou argamassa de
assentamento ou revestimento.

b) Presença de água para dissolver e carrear os sais solúveis até a superfície da
alvenaria.

c) Pressão hidrostática ou evaporação, de modo a produzir a força necessária para
a solução migrar para a superfície.

O fluxo de água através das paredes e a conseqüente cristalização dos sais
solúveis na superfície, ocorre devido ao efeito isolado ou combinado das seguintes
causas: capilaridade, infiltrações em fissuras, percolação por vazamentos de
tubulações de água ou vapor, condensação de vapor de água dentro das paredes.

De modo geral, todas as alvenarias e componentes de concreto estão
sujeitos ao fenômeno da eflorescência. A quantidade e as características dos
depósitos salinos variam conforme a natureza dos produtos solúveis, das condições
atmosféricas, da temperatura, umidade, vento, etc.

52
A seguir a tabela 4.6 apresenta os sais eflorescentes que podem
desenvolver-se nas alvenarias, e a tabela 4.7 as formas de manifestação da
eflorescência.

Tabela 4.6: Sais eflorescentes que se desenvolvem nas alvenarias (Fonte: Ércio Thomaz)
Composição química
Solubilidade
em água
Fonte provável
Carbonato de cálcio pouco solúvel carbonatação da cal lixiviada da argamassa ou concreto.
Carbonato de magnésio pouco solúvel carbonatação da cal lixiviada da argamassa de cal.
Carbonato de potássio muito solúvel
carbonatação dos hidróxidos alcalinos do cimento com
elevado teor de cálcio.
Carbonato de sódio muito solúvel
carbonatação dos hidróxidos alcalinos do cimento com
elevado teor de cálcio.
Hidróxido de cálcio solúvel cal liberada na hidratação do cimento.
Sulfato de cálcio dihidratado
parcialmente
solúvel
hidratação do sulfato de cálcio de componentes cerâmicos.
Sulfato de magnésio solúvel componentes cerâmicos e/ou água de amassamento.
Sulfato de cálcio
parcialmente
solúvel
componentes cerâmicos e/ou água de amassamento.
Sulfato de potássio
parcialmente
solúvel
agregados contaminados, água contaminada ou reação entre
constituintes do cimento e constituintes da cerâmica.
Sulfato de sódio
parcialmente
solúvel
água de amassamento.
Cloreto de cálcio
parcialmente
solúvel
água de amassamento
Cloreto de magnésio
parcialmente
solúvel
água de amassamento.
Nitrato de potássio muito solúvel solo adubado ou contaminado por sais solúveis.
Nitrato de sódio muito solúvel solo adubado ou contaminado por sais solúveis.
Nitrato de amônia muito solúvel solo adubado ou contaminado por sais solúveis.

Tabela 4.7: Formas de manifestação da eflorescência (Fonte: Ércio Thomaz)
Causas prováveis Locais de formação
Aspectos e características da
eflorescência
- Sais solúveis presentes nos materiais:
água de amassamento, agregados ou
aglomerantes
- Sais solúveis presentes nos materiais
cerâmicos
- Sais solúveis contidos no solo
- Poluição atmosférica
- Reação entre compostos dos materiais
cerâmicos e dos cimentos
- Superfícies de concreto aparente
- Superfície de alvenarias
revestidas
- Juntas de pisos cerâmicos ou
azulejos
- Regiões próximas a caixilhos
mal vedados
- Superfícies de ladrilhos não
esmaltados
Pó branco pulverulento,
solúvel em água
- Carbonatação da cal liberada na
hidratação do cimento
- Carbonatação da cal constituinte da
argamassa
- Juntas das alvenarias assentadas
com argamassa
- Superfície de concreto ou
revestimento com argamassa
- Superfície de componentes
próximos a elementos de
alvenaria ou concreto
Depósito branco com aspecto
de escorrimento, muito
aderente e pouco solúvel em
água
- Expansão devido à hidratação do
sulfato de cálcio existente no tijolo ou
reação dos compostos do tijolo e do
cimento
- Formação do sal expansivo por ação
do sulfato do meio
- Em fissuras eventualmente
presentes nas juntas das
alvenarias
- Nas juntas de argamassa das
alvenarias
- Em regiões da alvenaria muito
expostas à ação da chuva
Depósito branco, solúvel em
água, com efeito de expansão


53
4.2.1.3. Infiltração de água

Estudos realizados no Brasil constataram que a incidência de problemas
causados pela umidade nas edificações, é relativamente alta se comparada com
outros tipos de problemas, chegando a até 50%.

A umidade pode ter diversas origens, como a absorção de água do solo
pelas fundações; a condensação do vapor de água nas superfícies ou no interior das
edificações; o vazamento de tubulações de água ou esgoto e a infiltração de água
da chuva que penetra nos edifícios, principalmente através das fachadas e cobertas.

Dentre os tipos de umidade citados, a umidade por infiltração é a que
apresenta maior incidência (aproximadamente 60%).

A infiltração de água nas fachadas e cobertas pode ser agravada pelas
intensidade e direção dos ventos e da chuva.

As observações das condições seguintes têm importante papel, visando a
evitar os efeitos da umidade por infiltração, principalmente se adotados na fase de
projeto:

Detalhes arquitetônicos e construtivos adequados para fachadas e cobertas,
como por exemplo frisos, pingadores, rufos, beirais, platibandas, juntas,
esquadrias e materiais de revestimento;

Conhecimento das propriedades dos materiais constituintes das alvenarias
quanto a higroscopicidade, porosidade e absorção de água;

Conhecimento sobre a intensidade e duração das precipitações na região;

Orientação das fachadas quanto à direção do vento.

Nas alvenarias de blocos vazados de concreto a infiltração de água pode
acontecer pela interface argamassa-bloco e pela própria argamassa, principalmente
quando ela tem espessura elevada (>1,0cm).

As argamassas excessivamente rígidas ou preparadas com excesso de água de
amassamento também apresentam fissuras, que por sua vez provocam infiltrações.

4.2.1.5. Expansão por umidade

Nas alvenarias de tijolos cerâmicos expostos à ação da umidade, pode
ocorrer o fenômeno conhecido como expansão por umidade (EPU).

Embora seja conhecida desde a década de 20, e na década de 50 tenha sido
identificada como responsável pela ocorrência de danos em alvenarias, a EPU só
ganhou destaque no meio técnico a partir de 1997, após a ocorrência de acidentes
com edifícios de alvenaria estrutural no Grande Recife. Na ocasião laudos
54
apontaram o fenômeno como fator determinante para a baixa resistência das
alvenarias de embasamento que provocaram a falência estrutural do prédios.

A EPU é um fenômeno bastante complexo e implica sempre em
conseqüências danosas. De forma simplista, pode-se dizer que as cerâmicas
porosas absorvem água (hidratação) e com o passar do tempo sofrem um aumento
de volume (expansão).

Os problemas decorrentes podem variar de fissuras em azulejos,
descolamento de revestimentos e pisos cerâmicos até a graves lesões estruturais
em paredes de alvenaria de tijolos cerâmicos, podendo comprometer a estabilidade
das edificações construídas com alvenaria portante.

No Brasil a EPU não tem sido estudada com a profundidade merecida e a
maioria dos trabalhos técnicos encontrados sobre o assunto referem-se a problemas
relacionados com os revestimentos cerâmicos. Torna-se necessário portanto, que
sejam desenvolvidas pesquisas que possibilitem o conhecimento adequado do
fenômeno da EPU, como forma de utilizar adequadamente os tijolos cerâmicos em
obras de alvenaria estrutural, especialmente aquelas construídas em condições
ambientais desfavoráveis como é o caso de lençol freático superficial.

4.3. A utilização de alvenaria estrutural em Pernambuco

4.3.1. Resumo histórico

A alvenaria é utilizada em Pernambuco como elemento estrutural desde os
tempos coloniais. Um dos principais motivos sempre foi a grande disponibilidade
de matéria prima para produção de tijolos cerâmicos.

A partir da década de 70 do século passado, no auge da atuação do Banco
Nacional da Habitação – BNH, esse sistema construtivo teve grande impulso na
produção de moradias populares, a maioria delas financiada pelo Sistema
Financeiro da Habitação - SFH.

Estima-se que no Grande Recife tenham sido edificados 6.000 prédios com
essa tecnologia construtiva, a maioria deles composta de um pavimento térreo e
três pavimentos superiores, com estrutura de concreto armado apenas no trecho
correspondente à escada e reservatório superior, ficando a maior parte da
edificação funcionando de tal modo que todas as cargas são transmitidas
diretamente para as paredes que, por sua vez, as transmitem para as fundações,
geralmente em sapatas corridas.

Tais edificações ficaram popularmente conhecidas como “prédios caixão” e
apresentavam, à época em que foram construídos, uma série de vantagens em
relação as obras com estrutura convencional, entre elas um menor custo de
construção, maior rapidez de execução, menores valores de financiamento dos
apartamentos e grande utilização dos tijolos cerâmicos produzidos no Estado.


55
4.3.2. Problemas ocorridos com o processo construtivo

A busca pela diminuição dos custos, muitas vezes associada à falta de
controle de qualidade da construção, além da inexistência de norma técnica
especifica, resultou em uma série de patologias e acidentes com esse tipo de obra,
que acentuaram-se a partir de 1997, com a ocorrência de diversos acidentes,
inclusive desabamentos com vitimas fatais no Grande Recife.

Os laudos técnicos elaborados por profissionais especializados concluíram
que as causas dos desabamentos estavam diretamente relacionadas a falência
estrutural dos blocos de concreto, ou tijolos cerâmicos das alvenarias de
embasamento que se deterioraram ao longo do tempo em decorrência do ataque de
sulfatos presentes na água do subsolo.

A utilização de sistema construtivo inadequado, com o uso de caixão
perdido no embasamento, inclusive de alvenaria singela, contribuiu para que se
estabelecessem condições desfavoráveis como: o funcionamento dessas alvenarias
como muros de contenção do aterro, passando as mesmas a trabalhar à flexo
compressão; o contato permanente do aterro com blocos de concreto de alta
porosidade, com uma das faces sujeita à umidade e tendo a outra face livre para a
evaporação, o que favorece a formação da etringita seguida de lixiviação; a
ocorrência do fenômeno conhecido como expansão por umidade – EPU, com a
perda da resistência dos tijolos cerâmicos.

Vale salientar que a grande maioria dos prédios caixões em Pernambuco
foi calculada através de métodos empíricos, devido à ausência de normas
especificas. É o caso da utilização em paredes estruturais de tijolos cerâmicos com
furos na horizontal.

A única norma brasileira para o cálculo de alvenaria estrutural é a NBR-
10837 de julho de 1989, que refere-se apenas aos blocos vazados de concreto,
permanecendo ainda a lacuna para a utilização de tijolos cerâmicos com função
estrutural.

4.3.3. Necessidades de mudanças

Diante de tal situação, fica evidente a necessidade da adoção de novos
procedimentos para projetos e obras em alvenaria estrutural, visando assim
garantir a adequada segurança às construções atuais.

A seguir estão enunciados alguns desses procedimentos:

a) Elaboração de norma técnica para o cálculo de alvenaria estrutural de tijolos
cerâmicos.

b) Adequação da indústria cerâmica para produzir tijolos com furos verticais,
dimensões e resistência compatíveis com a função estrutural.

56
c) Mudança de postura dos projetistas de estruturas, passando a ser mais
rigorosos com a aferição das características de resistência dos materiais
previstos nos projetos e seguindo as normas existentes, tanto nacionais como
internacionais.

d) Maior rigor dos construtores com a qualidade de suas obras, tanto no controle
dos materiais e mão-de-obra, como no processo construtivo como um todo.

e) Maior eficiência por parte dos agentes financeiros na fiscalização das obras
financiadas.

f) Participação efetiva do poder público, nos âmbitos federal, estadual e
municipal, inclusive revendo alguns procedimentos atualmente adotados para
disciplinamento das construções, garantia da qualidade e a concessão do
habite-se.

g) Orientação aos moradores sobre a utilização e conservação de seus imóveis,
principalmente no que se refere às reformas com retirada de paredes.

4.3.4. Ações propostas

Com base no histórico recente de acidentes com esse tipo de edificação e
considerando que outros prédios com características semelhantes também
poderiam vir a sofrer colapso estrutural a qualquer momento, o CREA-PE
elaborou, em 2001, em parceria com os Departamentos de Engenharia Civil da
UFPE, UNICAP e UPE, um documento, que teve o autor deste texto como um dos
redatores, propondo uma série de ações voltadas para a garantia das condições de
estabilidade dos prédios em alvenaria estrutural já edificados, de modo a resolver
definitivamente o problema que aflige diretamente os habitantes desses imóveis,
que se encontram potencialmente expostos a riscos de vida ou a perda do
patrimônio duramente conquistado.

A seguir o resumo das propostas apresentadas no documento que foi
entregue às autoridades:

a) Inspeção detalhada em todas as edificações executadas em alvenaria estrutural
na Região Metropolitana do Recife, contemplando aspectos relativos ao estado
atual do imóvel, condições de projeto e de construção.

b) Verificação, com base em critérios pré-estabelecidos, das condições de
estabilidade de cada edificação, envolvendo as análises estruturais e os ensaios
necessários.

c) Elaboração dos projetos de recuperação estrutural para as edificações que não
atenderem aos parâmetros de verificação estabelecidos.

d) Execução das obras de recuperação projetadas.


57
5. BIBLIOGRAFIA

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• ABNT, NBR-10.837. Cálculo de alvenaria Estrutural em Blocos Vazados de
Concreto

• ABNT, NBR-13752. Perícias de Engenharia na Construção Civil

• ABNT, NBR-6118. Projeto e Execução de Estruturas de Concreto Armado

• ABNT, NBR-6122. Projeto e Execução de Fundações

• ABNT, NBR-6128. Cargas para o Cálculo de Estruturas de edificações

• ABNT, NBR-6461. Bloco Cerâmico de Alvenaria – Verificação de resistência à
compressão

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Paulo, 2000

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São Paulo, 1988

• CREA-PE. Impermeabilização. Cartilha do comprador e usuário de imóveis.
Recife, 1999

• CREA-SP. A Saúde dos Edifícios. São Paulo, 1999

• CURI, Edmond. Perícias Judiciais – Fundamentos de Avaliações Patrimoniais e
Perícias de Engenharia. Editora Pini Ltda., São Paulo, 1998

• ENGEL, Heino. Sistemas de Estruturas. Hemus editora Ltda, São Paulo, 1981

• GONÇALVES,Augusto. Alvenaria e Pavimentação. Sagra Editora e Distribuidora
Ltda., Porto Alegre, 1982

• HELENE, Paulo R. Manual Prático para Reparo e Reforço de Estruturas de
Concreto. São Paulo, 1988

• JULIANO, Rui. Manual de Perícias na Justiça Civil.
www.manualdepericias.com.br

• JÚNIOR, Carlito C., LAHR, Francisco A. R., DIAS, Antônio. Dimensionamento de
Elementos Estruturais de Madeira. Ed. Manole Ltda., São Paulo – 2003

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• MAIA, Élcio A. Patologia das Edificações. Noções Fundamentais – Fundamentos
de Avaliações Patrimoniais e Perícias de Engenharia. Editora Pini Ltda., São
Paulo, 1999

• MORAES, Marcelo da C. Concreto Armado. Ed. MacGraw – Hill, São Paulo, 1982

• OLIVEIRA, Romilde A. Curso de Alvenaria Estrutural. CREA-PE, Recife, 2003

• PFEIL, Walter. Concreto Protendido. Livros Técnicos e Científicos Editora, Rio de
Janeiro, 1980

• PFEIL, Walter. Estruturas de Aço. Livros Técnicos e Científicos Editora, Rio de
Janeiro, 1976

• SÁNCHEZ, Emil. Alvenaria Estrutural. Novas Tendências e Técnicas de
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• SÜSSEKIND, José C. Curso de Concreto. Vol 1, Ed. Globo, Rio de Janeiro, RJ,
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• VITÓRIO, Afonso. Pontes Rodoviárias. Fundamentos, Conservação e Gestão.
CREA-PE, Recife, 2002

• VITÓRIO, Afonso. RAMOS, José R. Inspeção e Diagnóstico para Recuperação de
Pontes Rodoviárias. DER-PE, Recife, 1992

• VITÓRIO, Afonso. Sistemas Estruturais na Arquitetura. IAB-PE, Recife, 1987

INTRODUÇÃO

Este trabalho foi inicialmente elaborado como roteiro para o curso “Perícias Judiciais e Patologia das Estruturas”, ministrado por mim e pelo engenheiro Gilberto Adib Couri, presidente do Instituto de Engenharia Legal – IEL - RJ, a convite do IPEAPE. Durante o desenvolvimento dos assuntos selecionados, percebi que o texto poderia ir além de um roteiro para exposição durante o curso, transformando-se em uma publicação a ser utilizada como fonte de consulta pelos profissionais que desenvolvem atividades relacionadas aos temas abordados. Por isso, procurei utilizar uma linguagem que, embora técnica, consiga expor da forma mais simples possível, os conceitos básicos do comportamento e dos fenômenos patológicos das estruturas, de modo a possibilitar a compreensão dos mesmos por engenheiros não especialistas, cujas atividades impliquem, mesmo que eventualmente, na necessidade de tais conhecimentos, a exemplo dos profissionais que atuam como peritos. A experiência mostra que parte considerável dos eventos que demandam a realização de vistorias e perícias em edificações, decorrem de manifestações patológicas muitas vezes identificadas através da simples observação do quadro de fissuração, o que facilita bastante o diagnóstico dos problemas existentes. Evidentemente deverão ser consultados engenheiros especialistas em estruturas e fundações para os casos mais complexos. Não é pretensão deste trabalho esgotar o assunto que, pela própria natureza e complexidade, necessita, para o seu aprofundamento, de um nível de conhecimento que excede os princípios básicos aqui apresentados. Nesse sentido, ao final do texto é apresentada bibliografia que poderá ser consultada por aqueles que pretendam se aprofundar no estudo da análise estrutural e dos fenômenos relacionados à patologia das edificações. Espero estar contribuindo com este trabalho para o aprimoramento profissional dos colegas, em especial dos que estão iniciando as suas atividades, como também para a melhoria dos serviços de vistorias e perícias de engenharia nas áreas das edificações e estruturas.

Afonso Vitório. Recife, novembro de 2003. 2

FUNDAMENTOS DA PATOLOGIA DAS ESTRUTURAS NAS PERÍCIAS DE ENGENHARIA INTRODUÇÃO SUMÁRIO 1 1.1 1.2 1.3 1.4 1.5 1.6 1.7 2 2.1 2.1.1 2.1.2 2.2 2.3 2.3.1 2.3.2 3 3.1 3.2 3.3 3.3.1 3.3.2 3.4 3.4.1 3.4.2 3.4.3 3.4.4 3.4.5 3.4.6 3.4.7 3.4.8 3.4.9 3.5 3.6 3.7 3.8 PERÍCIAS DE ENGENHARIA Generalidades Conceituação Perícias Judiciais Perito Assistente Técnico Laudo Técnico O Código de Defesa do Consumidor na construção civil TÓPICOS DE ESTRUTURAS Conceituação Estados limites Ações consideradas Principais sistemas estruturais Fundações Fundações superficiais Fundações profundas PATOLOGIA DAS ESTRUTURAS Generalidades Causas das manifestações patológicas Estruturas de concreto Fissuramento – Conceituação Causas mais comuns do fissuramento Conceituação dos danos mais comuns nas estruturas de concreto Carbonatação Desagregação Disgregação Segregação Perda de aderência Corrosão das armaduras Corrosão do concreto Calcinação Reatividade álcali sílica Impermeabilização Revestimento Patologia da fundações Ensaios 3

4

ALVENARIAS

4.1 Contextualização 4.1.2 Alvenarias estruturais 4.1.3 Alvenarias de vedação 4.1.4 Alvenarias resistentes 4.1.5 Tipos mais usuais de tijolos e blocos 4.2 Patologia 4.2.1 Principais anomalias 4.2.1.1 Fissuras 4.2.1.2 Eflorescências 4.2.1.3 Infiltração de água 4.3 A utilização de alvenaria estrutural em Pernambuco 4.3.1 Resumo histórico 4.3.2 Problemas ocorridos com o processo construtivo 4.3.3 Necessidades de mudanças 4.4 Ações propostas 5 BIBLIOGRAFIA

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1. – PERÍCIAS DE ENGENHARIA 1.1. Generalidades As obras de engenharia, assim como os seres humanos, podem sofrer os efeitos dos males congênitos e adquiridos, são vulneráveis a acidentes e também deterioramse com o passar do tempo. Mesmo considerando-se que muitas edificações têm dado verdadeiros exemplos de grande durabilidade, sob condições totalmente adversas, convém lembrar que elas não têm vida útil infinita. Afinal, uma edificação é o resultado da combinação de materiais diversos e heterogêneos e de mão-de-obra geralmente não especializada e de grande rotatividade. Acrescente-se a isso a agressividade ambiental, a má utilização e a falta de conservação para que comecem a se manifestar os fenômenos patológicos que tendem a comprometer a funcionalidade e a segurança do imóvel. Nesse sentido, é de fundamental importância o aprimoramento de profissionais de engenharia voltados para a investigação das falhas e avarias que, além de causarem muitas vezes acidentes de natureza grave, como desabamentos, também acarretam a depreciação do patrimônio e altos custos de recuperação. Esses profissionais, denominados peritos de engenharia , devem ter a capacidade de analisar os problemas e emitir os pareceres técnicos conforme cada caso específico. 1.2. Conceituação A norma NBR-13.752/96 – Perícias de engenharia na construção civil, define perícia como “atividade que envolva a apuração das causas que motivaram determinado evento ou da asserção de direitos”. Classifica as seguintes espécies de perícias: a) Arbitramento Quando envolve a tomada de decisão ou posição entre as alternativas tecnicamente controversas ou que decorrem de aspectos subjetivos. b) Avaliação Quando envolve a determinação técnica do valor qualitativo ou monetário de um bem, de um direito ou de um empreendimento. c) Exame Inspeção, por meio de perito, sobre pessoa, coisas, móveis e semoventes para verificação de fatos ou circunstâncias que interessem à causa. 5

d) Vistoria Quando envolve a constatação de um fato. O Perito é considerado um auxiliar da justiça. Os motivos são os seguintes: a) Se o perito faz parte no processo. demolitória. Arquitetura e Agronomia com atribuições para proceder a perícia. Perícias judiciais São aquelas que ocorrem no âmbito da justiça em diferentes tipos de ações como: execuções. civil pública. muitas vezes o Juiz precisa analisar e emitir uma sentença sobre questão que envolve a necessidade de conhecimentos técnicos especializados que extrapolam a sua formação. Perito A NBR 13795/96 define perito como o profissional legalmente habilitado pelos Conselhos Regionais de Engenharia. Nos processos judiciais. vistorias cautelares. alvarás. mediante exame circunstanciado e descrição minuciosa dos elementos que o constituem. d) Quando pertencer a órgão que é parte na causa. Nesses casos ele se utiliza da assistência de profissionais qualificados e que estejam legalmente habilitados para transmitir-lhe as informações necessárias.4. partilhas. renovatória de contrato de locação. 6 . 1. demarcações. nunciação de obra nova. arrolamentos. que assessora o Juiz quando o assunto em pauta depende de conhecimento técnico ou cientifico e não deve ter nenhuma obrigação com qualquer das partes envolvidas no processo. c) Se alguma das partes for parente seu. até o terceiro grau. Esses profissionais são denominados Peritos Judiciais. Geralmente as perícias são originadas pelos seguintes tipos de ocorrências: Ações judiciais. na colateral. 1. Um perito judicial pode ser recusado por impedimento ou suspensão. usucapião. Ações administrativas.3. inventários. Ações extrajudiciais. e) Não versar sobre a matéria da perícia. separação litigiosa. em linha reta ou. consangüíneo ou afim. b) Se tiver trabalhado no processo com outra função. desapropriações. reivindicatórias. revisional de aluguel.

A habilitação profissional do perito está prevista no artigo 145 do CPC. o Assistente Técnico deverá ter a seguinte atuação: Analisar tecnicamente o processo em que está atuando. pois contribuem para a descoberta da veracidade dos fatos. § 1º Os Peritos serão escolhidos entre profissionais de nível universitário. a indicação dos Peritos será de livre escolha do Juízo. antecipadamente. § 3º Nas localidades onde não houver profissionais qualificados que preencham os requisitos dos parágrafos anteriores. Assistente Técnico A NBR 13752/96 define Assistente Técnico como o profissional legalmente habilitado pelos Conselhos Regionais de Engenharia. conceder vistas aos autos para os assistentes técnicos. mediante certidão do órgão profissional em que estiverem inscritos. segundo o disposto no art. o Juiz será assistido por Perito. devidamente inscritos no órgão de classe competente. indicado e contratado pela parte para orientá-la.” 1. assim como informar acerca do andamento dos trabalhos. o início das diligências aos colegas que atuam como assistentes técnicos. respeitado o disposto no Capítulo VI. quando necessário. 421. Arquitetura e Agronomia. Comunicar os assistentes técnicos quando da entrega do laudo. 7 . procurando enumerar os itens que poderá ir adiantando quando se iniciarem as diligências. De modo geral.O Perito do Juízo precisa ter em mente que as suas funções são da maior relevância. § 2º Os Peritos comprovarão sua especialidade na matéria sobre que deverão opinar. assistir aos trabalhos periciais em todas as suas fases da perícia e. deste Código. transcrito a seguir: “Art. emitir seu parecer técnico.5. Nesse sentido deverá: Comunicar. que poderão ocorrer ao longo da realização da perícia. Sempre que assim solicitado. Por isso buscará sempre atender à ética profissional durante as atividades desenvolvidas. seção VII. Sempre que possível. promover reuniões técnicas com os assistentes. em especial nos quesitos complementares. 145 Quando a prova do fato depender de conhecimento técnico ou científico. Colaborar com o advogado na formação dos quesitos.

devido à grande variedade de ações em que a atuação dos peritos é solicitada e também à especificidade de cada caso. definição da metodologia. algumas regras básicas devem ser seguidas para que o relatório final atenda à sua finalidade. d) Diagnóstico da situação encontrada. Laudo Técnico Laudo é uma peça na qual o perito. o valor de coisas ou direitos (NBR 13752/96). quando concordar. por exemplo. além de amparadas pela literatura existente sobre o tema. facilitando seu acesso aos imóveis. documentos e informações úteis à perícia. 1. fundamentadamente. aos dados levantados. Porém. pesquisa de valores. explicando as conclusões dele ao advogado que o indicou. relata o que observar e dá as suas conclusões ou avalia. apresentando suas divergências técnicas com justificativas e bem fundamentadas. As respostas aos quesitos formulados. Quando não concordar. com disposição racional dos textos e ilustrações. elaborar seu laudo pericial em separado. cálculos e determinação do valor final. extrajudiciais ou particulares. e) No caso de perícias de cunho avaliatório. Devem ser evitados parágrafos longos que possam parecer inconclusivos e de difícil compreensão. profissional habilitado. Procurar assinar o laudo elaborado pelo Perito Oficial. Podem ser classificadas em judiciais. no caso dos laudos judiciais. A legislação não prescreve a forma pela qual os laudos devem ser apresentados.6. 8 . c) Relato e data da vistoria com todas as informações referentes. Nesse sentido é de fundamental importância que o documento seja objetivo e apresentado em linguagem técnica adequada. b) Requisitos atendidos na perícia referentes. devem ser totalmente objetivas. Devem ser feitas apenas as considerações que não suscitem qualquer dúvida de natureza técnica e que estejam respaldadas por observações e conclusões evidentes. à metodologia empregada. A NBR 13752/96 prevê que um laudo pericial deverá constar dos seguintes elementos: a) Indicação da pessoa física ou jurídica que tenha contratado o trabalho e do proprietário do bem objeto da perícia..Procurar informar ao Perito Oficial o andamento do processo. ao tratamento dos elementos coletados etc.

imóvel construído. e sua desobediência corresponde a uma infração. entre muitos outros. Vícios construtivos são anomalias da construção. Por exemplo. Defeitos são falhas que fazem com que o fornecimento de produtos ou serviços afetem ou possam afetar a saúde e a segurança do consumidor. são falhas que tornam o imóvel impróprio para o uso ou lhe diminuem o valor. afetam a própria obra. Vale ressaltar que. Os demais são os vícios ocultos que diminuem. número e registro no CREA e credenciais do perito de engenharia. que podem ser notados quando da entrega do imóvel. ou de quantidade. recomendações. nem tornam o imóvel impróprio para uso e nem lhe diminuem o valor. ou os bens. como relatórios técnicos complementares. vícios por inadequação de qualidade prometida ou esperada. Vícios ou defeitos aparentes são os de fácil constatação. ensejando as sanções cabíveis. aliadas à eventual negligência dos construtores.f) Memórias de cálculo. Os vícios e os defeitos podem ser aparentes ou ocultos. conforme estabelece a Lei 6496/71. ou as pessoas nele situados. alguma pequena falha no rejuntamento de azulejos. um pequeno defeito na pintura. no caso. Danos são as conseqüências dos vícios e defeitos que. na aquisição do serviço ou produto. É importante destacar que os laudos técnicos das perícias de engenharia só terão valor legal se acompanhados da ART (Anotação de Responsabilidade Técnica). o valor da coisa ou a tornam imprópria ao uso a que se destina. respeitadas as variações decorrentes da natureza do produto. bibliografia utilizada e documentário fotográfico. ou ainda a terceiros (transeuntes e outros). 9 . ou o imóvel vizinho. 1. é obrigatório o respeito às normas técnicas brasileiras elaboradas pela ABNT. conforme pactuado entre as partes. assinatura. podem ocasionar vícios e defeitos construtivos. O Código de Defesa do Consumidor na Construção Civil De acordo com o Código de Defesa do Consumidor (CDC). tivesse conhecimento do vício oculto. ao longo do tempo. poderia pleitear abatimento no preço ou desistir da compra. na construção civil. A falta de observação das normas. Recomenda-se ainda que o relatório final contenha todas as informações que possam contribuir para a elucidação dos fatos em análise. somente é possível ao consumidor pleitear abatimento do preço ou desistir da compra no caso da existência de vícios que tornem o imóvel impróprio para o uso ou diminuam o valor. uma esquadria mal regulada. e desde que o consumidor tenha exigido a reparação do vício e o mesmo não tenha sido sanado no prazo entre 7 e 180 dias. Isso acontece em casos específicos. de acordo com o Artigo 18 do Código de Defesa do Consumidor. g) Nome.7. Se o consumidor. bem como deficiências no material e na mãode-obra. resultados de ensaios e outras informações relativas à seqüência utilizada no trabalho pericial.

ele não poderá reclamar. negligência ou imprudência. Portanto aconselha-se que esta reclamação seja registrada em Cartório de Títulos e Documentos. 10 . Porém.A partir da entrega do imóvel (chaves). independentemente da existência de culpa. a responsabilidade é do construtor. violar direito. O construtor (executor da obra) tem responsabilidade pela reparação dos danos causados. que deve ser transmitida de forma inequívoca” (art. II. parágrafo 2º do CDC). constante da planta do prédio recebida pelo consumidor. esse prazo de 90 dias após constatada a imperfeição oculta pode ser utilizado até o último dia do quinto ano contado a partir da data da entrega da obra. esse prazo se estende até 20 anos. o consumidor tem 90 dias. ou causar prejuízo a outrem. Quando se trata de vício ou defeito oculto. deve receber o “Manual de Uso e Manutenção” do empreendimento. para reclamar. os 90 dias começam a correr a partir do momento em que tal falha é constatada. Caso não siga as instruções recebidas e disso decorrer algum dano ao imóvel. 2º do CDC). que forneceu a informação errada. Uma vez de posse desses documentos. já que usou o imóvel indevidamente. O profissional liberal (engenheiro) está sob o regime em que a culpa deve ser provada. fica obrigado a reparar o dano. de modo geral. se a planta estiver errada e o cano não passar pelo local indicado. O consumidor. É exemplo disso furar uma parede por onde passa um cano d´água.” Nesse caso. A culpa é definida pelo artigo 159 do Código Civil: “Aquele que. No caso de vícios. Já para o defeito (que afeta a solidez e a segurança da obra ou a saúde do morador). assim entendido como toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final (art. bem como as plantas com a colocação correta dos pontos e das tubulações de luz e de água e receber as informações necessárias nos casos omissos ou duvidosos (CDC e a norma NB-578 da ABNT de julho de 1989). 26. Porém. a reparação dos danos causados exige que se prove que houve ação ou omissão voluntária. por ação ou omissão voluntária. o consumidor tem 90 dias para reclamar do vício ou defeito. o consumidor torna-se responsável pelo uso e manutenção correta do imóvel. Entende-se aqui entrega da obra como entrega das chaves ao consumidor. O engenheiro (responsável pela obra) responde apenas se a culpa dele restar provada. após a entrega da obra. basta haver relação de causa e efeito entre o dano causado e o defeito ou vício que originou esse dano. Quando for o caso de vícios ou defeitos de fácil constatação. e não o “habite-se”. esse prazo de 90 dias se interrompe com “a reclamação comprovadamente formulada pelo consumidor perante o fornecedor de produtos e/ou serviços até a resposta negativa correspondente. negligência ou imprudência.

recomenda-se que as modificações ou reformas de grande monta (instalações hidráulicas. com a discriminação de seu responsável. De acordo com o art. a fim de assegurar que as modificações pleiteadas não interfiram ou prejudiquem o mesmo. 11 . equiparam-se aos consumidores todas as vítimas do evento.Por outro lado. deve ser indenizado. independentemente da culpa do construtor e como se fosse um consumidor. 17 do CDC. Isto quer dizer que se alguém estiver passando na rua e for vítima de algum material caído da obra. preferencialmente com a análise prévia do engenheiro ou construtor do imóvel. por exemplo) que serão efetuadas após a entrega do imóvel ao usuário também integrem o rol dos documentos acima citados.

Guardando as devidas diferenças. e a adoção de providências visando a garantir a sua durabilidade. TÓPICOS DE ESTRUTURAS 2. Conceituação Desde o mais primitivo abrigo até o mais moderno edifício que a estrutura representa o principal componente de uma construção.1. Estados limites O projeto de uma estrutura deve garantir: uma adequada segurança contra a ruptura provocada pelas solicitações. é que a partir do entendimento dos fundamentos das estruturas. 12 . Evidentemente não se espera que tais profissionais tenham um nível de conhecimento sobre o tema que permita-lhes formular e resolver sistemas estruturais. seja possível emitir um parecer técnico nas situações em que não haja necessidade de recorrer a um especialista. fazendo com que as cargas atuantes e as tensões internas sejam mantidas sob controle em sistemas de ação e reação interdependentes. e é isso que este trabalho propõe. na qual não preenche mais os requisitos de estabilidade. entendidas e diagnosticadas por engenheiros civis e até arquitetos legalmente habilitados que possuam os conhecimentos básicos necessários. da identificação dos fenômenos relacionados com o comportamento estrutural e ainda das patologias desenvolvidas nas estruturas. que garantam o equilíbrio tanto de cada componente individual. uma estrutura (no todo ou em parte) se torna inviável para a finalidade a qual foi destinada quando atinge a situação chamada “estado limite”. principalmente para o profissional que atua como perito. funcionalidade e durabilidade. O que se espera. que as vezes se defronta com uma situação cuja resolução está diretamente relacionada aos fenômenos de natureza estrutural. 2. como da estrutura como um todo. Diante disso. nenhuma forma material pode ser preservada. A estrutura garante a estabilidade da edificação submetida a cargas cujas diferentes direções e intensidades provocam conflitos que necessitam ser equacionados. Sem estrutura. O conhecimento básico do comportamento estrutural dos edifícios é muito importante para a profissão de engenheiro civil.1. Tais situações representam algo em torno de 70% dos casos de vistorias que tratam de anomalias rotineiras em edificações e que podem ser analisadas. a limitação das deformações oriundas das ações de tal modo a não comprometer o seu uso.2. O projeto estrutural é o instrumento utilizado para solucionar esses conflitos. tais profissionais poderiam ser comparados a um médico clínico geral.1.

mesmo não se tendo esgotado a capacidade portante. retração. como o vento. b) Ações indiretas: variação de temperatura. no projeto de uma estrutura são consideradas as seguintes a) Ações diretas Cargas permanentes: peso próprio. estas difusas e atuantes em várias direções.1 apresenta os valores mínimos das cargas verticais que devem ser consideradas no cálculo das estruturas de edificações. maremotos. c) Ações excepcionais: incêndios. vento. compreendendo o peso próprio da estrutura. Existem também as ações produzidas pelos elementos da natureza. em parte ou no todo. dos objetos. etc. dos revestimentos e as cargas decorrentes do uso da edificação como os pesos dos móveis. etc. a estrutura é impossibilitada de ser utilizada por não mais oferecer as condições de funcionalidade e durabilidade. a terra e a água. 2.1 indica esquematicamente as principais ações consideradas em uma estrutura de um edifício e a tabela 2. b) Estado limite de utilização Corresponde a situação em que. 13 . ações: De modo geral. Cargas acidentais: sobrecargas. Ações consideradas As estruturas são submetidas a diversas ações sejam elas induzidas pela gravidade (ocorrem no sentido vertical de cima para baixo). recalques de apoio. terremotos. das pessoas.2.Existem duas categorias de estados limites: a) Estado limite último Corresponde ao esgotamento da capacidade portante da estrutura. revestimentos. paredes. furacões. das alvenarias. etc. cargas móveis. de acordo com a NBR-6120. etc.1. A figura 2. etc.

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5 3 4 2 3 4 5 2 3 2 3 1.5 da NBR-6120 Escritórios e banheiros Salas de diretoria e de gerência Sala de leitura Sala para depósito de livros Sala com estantes. porém com o mínimo A ser determinada em cada caso. porém com o mínimo Para veículos de passageiros ou semelhantes com carga máxima de 25kN por veículo.5 3 2 2 0. sala de raio X e banheiro Corredor Incluindo equipamentos.1. cozinha e banheiro Despensa.3 Dormitórios. sala de recuperação.5 3 3 3 5 2 3 3 3 4 3 5 2 3 0.1 . de livros a ser determinada em cada caso ou 2.5 2.2. sala.5 4 6 7.7) Sem acesso ao público Anfiteatro com assentos fixos Corredor e sala de aula Outras salas Salas de uso geral e banheiro Sem acesso a pessoas A ser determinada em cada caso.5kN/m2 por metro de altura observado.5 2 3 2. a ser determinada em cada caso. área de serviço e lavanderia Com acesso ao público (ver 2.6 Dormitórios. copa.2. sala de cirurgia.5 1. porém o valor mínimo de (Incluindo o peso das máquinas) a ser determinada em cada caso. Valores de φ indicados em 2.2. porém com o mínimo de A ser determinada em cada caso e na falta de valores experimentais conforme o indicado em 2.1.Tabela 2. porém com o valor mínimo de Platéia com assentos fixos Estúdio e platéia com assentos móveis Banheiro Sala de refeições e de assembléia com assentos fixos Sala de assembléia com assentos móveis Salão de danças e salão de esportes Sala de bilhar e banheiro Com acesso ao público Sem acesso ao público A ser determinada em cada caso.1. enfermarias. porém com o mínimo Incluindo equipamentos Palco Demais dependências: cargas iguais às especificadas para cinemas Sem acesso ao público Com acesso ao público Inacessível a pessoas Destinados a heliportos elevados: as cargas deverão ser fornecidas pelo órgão competente do Ministério da Aeronáutica Sem acesso ao público Com acesso ao público Carga 4 2 1.2.1.Valores mínimos das sobrecargas verticais atuando nos pisos das edificações em KN/m2 (Fonte: NBR-6120) 1 Arquibancadas 2 Balcões 3 Bancos 4 Bibliotecas 5 Casas de máquinas 6 Cinemas Local Mesma carga da peça com a qual se comunicam e as previstas em 2.5 3 7 Clubes 8 Corredores 9 Cozinhas não residenciais 10 Depósitos 11 Edifícios residenciais 12 Escadas 13 Escolas 14 Escritórios 15 Forros 16 Galerias de arte 17 Galerias de lojas 18 Garagens e estacionamentos 19 Ginásios de esportes 20 Hospitais 21 Laboratórios 22 Lavanderias 23 Lojas 24 Restaurantes 25 Teatros 26 Terraços 27 Vestíbulo 15 .

A Figura 2.2. em estado de tração e compressão exercidos simultaneamente. Aqueles que atuam segundo sua continuidade superficial (membranas).2. Principais sistemas estruturais Os sistemas estruturais podem ser classificadas como: a) b) c) d) em estado de tração ou compressão. Treliças planas ou espaciais 16 . em estado de flexão.2 apresenta os principais sistemas quanto aos tipos de esforços e dos materiais empregados.

permitindo a adoção das mais diversas formas. água. b) Concreto protendido O concreto protendido consiste num sistema em que as armaduras são submetidas a um esforço prévio. Continua sendo um dos principais materiais utilizados nas estruturas. Grande durabilidade Principais desvantagens: Alto peso específico (2. porém foi no século XX que se deu o grande desenvolvimento do concreto armado. alcançando um elevado nível de qualidade resultante do aprimoramento do seu controle tecnológico e do domínio de seu comportamento estrutural por parte dos projetistas através da elevada sofisticação dos processos de dimensionamento. 17 . obtido pela colocação de barras de aço no interior do material formado pela mistura de cimento. a) Concreto armado O concreto começou a ser utilizado como material de construção no final do século XIX na França. Estados Unidos e Alemanha. Incapacidade de absorver inversão de esforços. denominado protensão. Grande facilidade de moldagem. obtidos principalmente com o uso da informática.5t/m3). Elevada resistência ao desgaste mecânico e à ação das intempéries. nas últimas décadas. o que implica em limitações dos vãos. Principais Vantagens: Materiais relativamente econômicos e disponíveis em qualquer lugar. Requer manutenção simples e econômica. Grande resistência à ação do fogo. Emprego de mão-de-obra não qualificada e equipamentos simples. responsável pela criação de um estado de tensões capaz de melhorar a resistência e o comportamento da estrutura sob diversas condições de carregamentos. Impossibilidade de desmontagem para reaproveitamento.Principais características das estruturas conforme os materiais empregados. tendo. pedra e areia.

o que funciona como uma prova de carga. ensaios e observações conseguiu associar concreto de excelente qualidade com aços de elevada resistência. Os aços de alta resistência exigem cuidados especiais de proteção contra corrosão. Principais desvantagens do concreto protendido: O concreto de maior resistência exige melhor controle de execução. De modo geral as obras de concreto protendido exigem maior atenção. Significativa redução na incidência de fissuras. os materiais são submetidos a tensões geralmente superiores às que poderão ocorrer durante a vida útil da estrutura. Para o mesmo vão consegue-se significativa redução na altura da viga.O desenvolvimento do concreto protendido e a sua utilização em larga escala se deram após a Segunda Guerra Mundial. Durante a operação de protensão. em grande parte ao engenheiro francês Eugène Freyssinet que através de estudos. Principais vantagens do concreto protendido em relação ao concreto armado convencional: Redução das quantidades de concreto e aço. e controle permanente. superiores aos necessários para o concreto armado tradicional. Redução das tensões principais de tração provocadas pelo esforço cortante. 18 . Reduzido peso próprio. permitindo a execução de grandes vãos livres com expressiva redução do peso próprio. c) Estruturas metálicas Os sistemas em estruturas metálicas apresentam amplas possibilidades de utilização de elementos padronizados. Às operações de protensão necessitam de equipamentos e pessoal especializados. devido. principalmente quando se deseja grandes espaços que impliquem na necessidade de flexibilidade no uso da estrutura. Possibilidade de vencer vãos bem maiores que o concreto armado. Principais vantagens: Maiores vãos.

Capacidade de resistir a inversão de esforços. Sensibilidade à ação do vento. Necessidade de mão-de-obra especial. na Europa e nos Estados Unidos. O uso desse material está condicionado a uma série de limitações. resistência e beleza. Rapidez na execução. residências nas áreas rurais. cimbramentos. e pequenos pontilhões. efeitos térmicos. Problemas devido a concentração de tensões. Muitas delas resistiram ao uso e às intempéries durante séculos. da carência de profissionais habilitados e qualificados para a elaboração e desenvolvimento de projetos e para a execução de obras de maior porte. Melhor absorção de recalques de apoio. quando foram construídas pontes que marcaram época pela excelente qualidade. No Brasil a madeira tem sido utilizada na construção civil em cobertas. Economia nas fundações. Na região amazônica a abundancia desse material permite a construção de pontes com comprimentos de até 50m. Incombustibilidade. varias delas decorrentes da falta de divulgação das informações tecnológicas já disponíveis sobre o seu comportamento em diferentes condições de serviço e principalmente. na sua grande 19 . Grandes deformações causadas por sobrecargas. Reaproveitamento de estruturas já utilizadas. flexão e flambagem. d) Estruturas de madeira A madeira é utilizada há vários séculos como material de construção e teve o seu período áureo entre o século XVI e o início do século XIX. Facilidade de reforço de obras existentes. Maior vulnerabilidade a meios ambiente agressivos. Infelizmente ainda hoje as estruturas de madeira são. Principais desvantagens: Necessidade de rigorosas manutenções periódicas.

de fundamental importância o conhecimento do tipo de solo do local onde será executada a obra. Mesmo suscetível ao apodrecimento e ataque de organismos xilófagos.maioria.3. Deformações excessivas por flexão ou por flambagem. Apodrecimento pela ação de fungos. porém. projetadas e construídas por pessoas que não detém o conhecimento e a habilitação necessárias. devendo ainda as fundações ter adequado comportamento aos recalques previstos. As cargas transmitidas devem ser compatíveis com a resistência do solo. Fundações As fundações são elementos que têm a função de transmitir os esforços da superestrutura para o terreno. As fundações podem ser superficiais ou profundas. Desgaste mecânico. A tabela 2. tem a sua durabilidade natural prolongada quando previamente tratada com substâncias apropriadas.4 apresenta os valores das tensões admissíveis básicas para os solos de fundação. dependendo de diversos fatores que precisam ser analisados na fase de projeto. Bom aspecto visual. Desvantagens Empenamento e rachaduras provocados pela variação de umidade. Pode ser processada sem maiores dificuldades. evidentemente limitadas pela geometria das toras e pelo equipamento utilizado na operação. Vulnerável ao fogo. Necessidade de rigorosas manutenções periódicas. Tais valores devem servir apenas como referência pois para a escolha e 20 . 2. Capacidade de resistir a esforços de sinal contrário ao projetado. possibilitando formas e dimensões diferentes. sendo. De modo geral a madeira apresenta as seguintes vantagens e desvantagens como material estrutural: Vantagens Alta resistência em relação à sua densidade (três vezes superior ao aço e dez vezes superior ao concreto).

........ 10..8 0..........4 0..8 0.. 5.....................5 0................ mal graduados.................... com pequenas fissuras................ Mediamente compactos ........... Argilas e solos argilosos: Consistência dura. Pedregulhos e solos pedregulhosso............... 2....... Areias finas e médias: Muito compactas . Solos concrecionados ... bem graduadas................. Areias grossas e areias pedregulhosas............................................... Podem ser em blocos e sapatas (fig......... 7.............. 2........... Medianamente compactas ......... Pedregulhos e solos pedregulhosos.. compactas .. Compactos .4 0....................... ensaios........................................... Areias grossas e areias pedregulhosas.... maciça..........................2 0...3.......................................1 9...3)....... 2................. 4...... 8... 3............................. 6........... mal graduadas.. Consistência média ....... Consistência rija ........4 – Tensões admissíveis nos solos de fundação (Fonte: NBR-6122) Classe 1.................. 21 ................................................ Fundações superficiais Também conhecidas como fundações diretas.2 0............dimensionamento torna-se necessário a execução de sondagens e/ou outras formas de reconhecimento do solo como análises.................................... Solo Rocha sã..............1... compactos ........2 0...................................... Tabela 2..5 1........ Rochas laminadas..... são utilizadas quando o solo de boa qualidade é encontrado a pequena profundidade... fofas .............4 0........................................... Siltes e solos siltosos: Muito compactos ......... Compactas ... sem laminações ou sinal de decomposição ........ etc........ fofos ......5 0......... estratificadas ..................................................................... Valores Básicos MPa 5 3........... mal graduados.......6 0........4 0.....1 0.......

Os tipos de uso mais correntes são as estacas e os tubulões. 22 .3. dispensando a armação na face inferior. simples ou compostos. 2. aço ou madeira cravadas através de equipamentos apropriados. aroeira ou ipê. São geralmente construídos em concreto ciclópico e alvenaria de pedras. As estacas de concreto podem ser pré-moldadas ou moldadas no local. popularmente conhecidas como brocas. as estacas de aço são formadas por perfis laminados. 2. As estacas de madeira são formadas por peças roliças.2. denominados blocos de coroamento. Fundações profundas As fundações profundas são adotadas quando o solo com boa capacidade de suporte está situado a uma profundidade tal que não permite o emprego de fundações superficiais. são também muito utilizadas as estacas formadas por trilhos.Os blocos de fundações são elementos de grande altura.quando projetadas para cargas concentradas devido a pilares isolados – ou corridas – quando recebem cargas distribuídas ao longo de sua extensão (caso das alvenarias estruturais). Como os pilares não podem se apoiar diretamente sobre as estacas. Estacas São elementos estruturais geralmente em concreto. Existem ainda as estacas de concreto escavadas manualmente. geralmente de eucalipto. muito utilizadas em pequenas construções. As sapatas de fundação são geralmente executadas em concreto armado e podem ser isoladas . são utilizados elementos intermediários de ligação.4). que transmitem as cargas da edificação às camadas mais profundas do terreno (fig.

São constituídos das seguintes partes (fig.5): Camisa – de aço ou de concreto pré-moldado Fuste – executado no local Base – alargada ou não 23 . 2. executadas por escavação a céu aberto ou com a utilização de ar comprimido no interior de camisas metálicas ou de concreto armado.Tubulões Os tubulões são fundações profundas.

Os fatores externos. Assim como o ser humano tem PELE. os edifícios têm INSTALAÇÕES HIDRÁULICAS E ELÉTRICAS. se 24 . Causas das manifestações patológicas É importante ressaltar que a identificação das origens dos problemas patológicos permite. externos ou pela natureza. PATOLOGIA DAS ESTRUTURAS 3.3. Assim como o ser humano tem MUSCULATURA. identificar. etc. voluntários ou involuntários. ensaios de resistência. manifestação e conseqüências das situações em que os edifícios ou suas partes apresentam um desempenho abaixo do mínimo pré-estabelecido. Assim como o ser humano tem SISTEMA CIRCULATÓRIO. mecanismos de ocorrência. O estudo das falhas construtivas é feito pela ciência experimental denominada “Patologia das Construções”. 3. causas. Generalidades É possível dizer. à imagem e semelhança dos seres humanos. ou exógenos. para fins judiciais quem cometeu as falhas. os edifícios têm ALVENARIA. os edifícios têm ESTRUTURAS. tais condições são previstas em normas técnicas. em certas circunstâncias. os edifícios têm REVESTIMENTOS. Da mesma forma que os indivíduos. Entende-se como o “mínimo pré-estabelecido” a eficiência e durabilidade dos materiais e técnicas construtivas necessárias para assegurar a vida útil de uma edificação. Assim como o ser humano tem ESQUELETO. que envolve conhecimentos multidisciplinares nas diversas áreas da engenharia. sem exagero. falhas de utilização ou de sua deterioração natural pelo envelhecimento. até certo ponto. decorrem de ações impostas por fatores provocados por terceiros. também. A Escola Politécnica da USP define patologia das construções como o estudo das origens. Ou seja.1. não previstas quando da execução da obra. adoecem por fatores internos. também os edifícios. Os fatores internos. especificações.2. A natureza manifesta-se através de falhas decorrentes de ações não provocadas diretamente pela ação humana. Normalmente. que os edifícios foram criados. ou endógenos decorrem de deficiências de projeto ou execução da obra.

Essas falhas são geralmente mais graves que as relacionadas à qualidade dos materiais e aos métodos construtivos.00mm. O quadro a seguir mostra os percentuais das causas das manifestações patológicas em uma edificação. bem como as prováveis conseqüências. a origem e os mecanismos envolvidos.5mm. Trinca é uma abertura em forma de linha que aparece na superfície de qualquer material sólido. permitindo assim que um profissional experiente possa deduzir qual a natureza. Fissuramento . as falhas poderão ser decorrentes da operação e manutenção.00mm até 1. se na etapa de construção trata-se de falhas que envolvem mão-de-obra e fiscalização. Isso se explica pela falta de investimento dos proprietários.5mm a 1. podendo-se “ver” através dela e cuja espessura varia de 1. Estruturas de concreto 3. detalhados.1. se na etapa de uso. proveniente de evidente ruptura de parte de sua massa.5mm. ETAPA PROJETO EXECUÇÃO MATERIAIS USO PLANEJAMENTO % 40 28 18 10 4 3. os projetistas falharam. proveniente da ruptura sutil de parte de sua massa. quando a origem está na qualidade do material.3.3.conceituação Os problemas patológicos nas estruturas de concreto geralmente se manifestam de forma bem característica. Rachadura é uma abertura expressiva que aparece na superfície de qualquer material sólido. rachaduras e fendas. Fissura é uma abertura em forma de linha que aparece nas superfícies de qualquer material sólido. em projetos mais elaborados e. ou ainda omissão do construtor. 25 .os problemas tiveram origem na fase de projetos. Estudos mostram que um elevado percentual dos problemas patológicos nas edificações são originados nas fases de planejamento e projeto. o erro é dos fabricantes. proveniente de acentuada ruptura de sua massa. com espessura de até 0. sejam eles públicos ou privados. trincas. Um dos sintomas mais comuns é o aparecimento de fissuras. com espessura de 0. fazendo com que a busca pura e simples de projetos mais “baratos” implique muitas vezes na necessidade de adaptações durante a fase de execução e futuramente em problemas de ordens funcional e estrutural.

proveniente de acentuada ruptura de sua massa. É o caso das fissuras de origem térmica e das de flexão provocadas por ações dinâmicas. As fissuras passivas quando chegam à sua máxima amplitude. estabilizamse devido ao cessamento das causas que as geraram. 3. a análise do projeto e todas as informações que possam identificar as causas que motivaram a sua patologia. porém.5mm.3. são de tal ordem que necessitam de um conhecimento global da obra. Nesse sentido a localização e o tipo de fissuras são da maior importância nessa análise. Outros defeitos. envolvendo ainda todo o histórico da estrutura. As fissuras ativas são produzidas por ações de magnitude variáveis que provocam deformações também variáveis no concreto. Carregamento. Causas mais comuns do fissuramento A seguir algumas das causas mais usuais do fissuramento das estruturas: Cura mal realizada – ressecamento Retração Variação de temperatura. 26 . como é o caso das fissuras de retração hidráulica ou das provocadas por um recalque diferencial de fundação que esteja estabilizado.2. De modo geral tais aberturas podem ser passivas ou ativas. Agressividade do meio ambiente. Mal detalhamento do projeto. O estudo dos sintomas apresentados pela estrutura implica na análise das causas que produziram os defeitos ou lesões existentes.Fenda é uma abertura expressiva que aparece na superfície de qualquer material sólido. sem depender de maiores estudos e de ensaios de laboratório. Existem defeitos localizados e de pouca importância que não afetam o resto da estrutura e que podem ser identificados imediatamente. com espessura superior a 1. Erros de concepção. bastando muitas vezes a observação do quadro de fissuração para se chegar às conclusões que permitam diagnosticar os problemas existentes. Os problemas existentes em uma estrutura avariada podem ser vários e muitos complexos.

ela se manifestará aos 7 dias aproximadamente. ocorrerá aquecimento do núcleo da peça. Recalques dos apoios. A retração aparece quando a porcentagem de água interna diminui. Retração O concreto experimenta um aumento de volume quando umedecido. As fissuras provocadas por ressecamento manifestam-se durante as primeiras 6 a 18 horas. Durante a cura tem lugar um auto-aquecimento que ocorre desde o início da pega do cimento. Ressecamento do concreto Após os primeiros dias da concretagem. as superfícies concretadas devem ser protegidas e umedecidas imediatamente após serem executadas.Erros de execução. e uma retração durante o processo de cura.1 a) mostra fissuras por ressecamento em uma laje nervurada. a figura 3. com valor superior ao de sua parte externa. As fissuras seguem a armadura principal. a temperatura elevar-se-á.1 b) mostra uma laje maciça e as fissuras não são retilíneas. Acidentes. A figura 3. o concreto não experimenta nenhuma retração. Para evitar o fissuramento por ressecamento. sendo a retração mais intensa em tempo seco e 27 .

A retração dará origem a tensões de compressão no interior da peça e de tração na superfície.2 c) mostram fissuras de vigas e pórticos provocadas por retração. 28 . Em lajes as fissuras de retração são freqüentes.2 b) e 3. Nas vigas que possuem vários vãos. principalmente. quando as deformações são impedidas por forças externas ou internas. a resistência oferecida pela armadura intervém no fenômeno de fissuramento e o encurtamento global pode resultar insignificante. É de máxima importância o grau de umidade do meio ambiente para o desenvolvimento da retração. as fissuras de retração manifestam-se nas proximidades dos apoios. O processo de retração estende-se durante 2 anos a 3 anos. especialmente se eles são fixos. As figuras 3. se elas não possuem elementos de enrijecimento. as fissuras aparecem devido à resistência oferecida pelo atrito do concreto com o solo. como vigas paralelas à armadura.quente.2 a) Quando se trata de peça fortemente armada. Nos muros de concreto diretamente apoiados no solo. 3. (fig. provocando tensões de tração. originadas das armaduras.

29 .4).3) Compressão axial – Os pilares de concreto armado. submetidos a compressão axial.Carregamento Uma peça estrutural pode fissurar em conseqüência dos seguintes tipos de esforços provocados por carregamentos: Tração axial – fissuramento bastante regular. 3. atravessando toda a seção (fig. rompem com características bem definidas. sempre perpendicular às armaduras. 3. como os corpos de prova (fig.

3.Compressão excêntrica – As peças submetidas ao efeito de compressão excêntrica e flambágem apresentam geralmente fissuras com as características mostradas na fig 3.6) 30 . Flexão – as fissuras de flexão são as mais conhecidas e fáceis de identificar. São sempre perpendiculares às armaduras (fig.5.

são inclinadas e surgem inicialmente nas proximidades dos apoios. as armaduras estão protegidas da corrosão. Tais fissuras aparecem simultaneamente em todas as faces livres da peça estrutural com desenvolvimento helicoidal (fig. 3. abaixo de 9.4. 3. ou em vigas que servem de engaste para marquises. a carbonatação é a transformação do hidróxido de cálcio. fissuras e desprendimentos da camada de cobrimento. também são originadas de cargas excêntricas em vigas. Conceituação dos danos mais comuns nas estruturas Além da fissuração. começando a surgir. por excessiva deformabilidade da laje. depois de algum tempo.1. pois em seu ambiente alcalino – PH variando de 12 a 13 -. mas. 31 . em carbonato de cálcio.Cisalhamento – As fissuras de cisalhamento. Carbonatação Uma das causas mais freqüentes da corrosão em estruturas de concreto armado. manifestando-se também na parte média das vigas.5. tem-se o início do processo de formação de células eletroquímicas de corrosão. com alto PH. A perda de PH do concreto representa um problema. os fatores relacionados anteriormente podem causar os seguintes danos às estruturas de concreto armado ou protendido. São geralmente causadas pela deficiência das armaduras de cisalhamento (fig. 3. que tem um PH mais neutro.4.8) 3.7) Torção – As fissuras de torção podem aparecer em vigas de bordo. provocadas pelo esforço cortante.

4. 3. 32 .4. provocada.4. Desagregação É a deterioração. Perda de aderência Pode ocorrer entre a armação e o concreto ou entre concretos. 3. em especial nas partes salientes da estrutura. porém não foi capaz de suportar a atuação de esforços anormais. Corrosão das armações A porosidade do concreto.4.9).A existência de umidade no concreto influencia bastante o avanço da carbonatação.2. pela expansão devido à oxidação ou dilatação das armaduras. A parte oxidada aumenta o seu volume em cerca de aproximadamente 8 vezes e a força da expansão expele o concreto do cobrimento. a sua oxidação.5. 3. Segregação É a separação entre os elementos de concreto – a brita e a argamassa – logo após o lançamento. acarretando.3. a permeabilidade do concreto e a existência de fissuras. Pode ocorrer também devido às movimentações estruturais e choques. Disgregação Caracteriza-se pela ruptura do concreto. A continuidade desse fenômeno acarreta a total destruição da armação (fig. 3. a existência de trincas e a deficiência no cobrimento fazem com que a armação seja atingida por elementos agressivos.6. A perda de aderência entre o concreto e o aço ocorre geralmente nos casos de oxidação ou dilatação da ferragem. 3.4. por separação de partes do concreto. expondo totalmente a armadura à ação agressiva do meio.4. Outros fatores que também contribuem para que o fenômeno se desenvolva com mais rapidez são: a quantidade de CO2 do meio ambiente. O concreto disgregado geralmente apresenta as características originais de resistência. em geral. e também pelo aumento de volume do concreto quando este absorve água. desta maneira. 3.

4.4. Essa atividade além de proteger o ser humano. Reatividade álcali sílica (RAS) A RAS é uma reação química que ocorre entre a sílica existente em determinados tipos de agregados utilizados no concreto e o álcali (pode ser o de sódio ou de potássio) presente na parte de cimento. Mesmo a água totalmente pura. além dos transtornos conhecidos para os usuários. em grandes prejuízos econômicos e financeiros devidos à prematura deterioração e a diminuição da vida útil dos empreendimentos. 3. Mesmo exercendo essa importância para o bom desempenho dos imóveis. algumas já em estágio avançado. Esse tipo de patologia foi identificado pela primeira vez em 1937como sendo um sério problema para barragens. Calcinação É o ressecamento das camadas superficiais do concreto devido à ocorrência de incêndios. diversas barragens e pontes apresentam os sintomas da RAS. interconectadas por finas trincas aleatórias transversais.8. 33 . Impermeabilização A impermeabilização na construção civil é uma atividade da engenharia que utiliza materiais e técnicas. Corrosão do concreto O concreto.5. pontes e pavimentos de rodovias. mesmo sendo bastante resistente quando de boa qualidade está sujeito a sofrer danos em presença de agentes agressivos. A RAS provoca trincas de grande magnitude na superfície das estruturas. como é o caso das águas de chuvas. pode atacar o concreto através da infiltração e do acumulo ao longo do tempo. Normalmente. 3. os nitratos e nitritos são os principais fatores destrutivos do concreto.7. ampliando a vida útil. Genericamente se dispõem no sentido longitudinal da peça. permeável.4. também contribui para a funcionalidade e segurança das edificações. o cloro e seus compostos.3.9. etc. segregado. de modo a garantir a estanqueidade necessária às partes da edificação eventualmente expostas à água. No Brasil. verificase que grande parte dos problemas patológicos que surgem ao longo do tempo nas edificações são originados direta ou indiretamente pela falta de adoção dos procedimentos adequados para a impermeabilização. do ponto de vista da saúde e do conforto. os sulfatos. 3. o concreto mais atacado é o de má qualidade. o que implica. Os agentes ácidos.

mármore/granito e vidro.......... 98 (28. ou já apresentaram... 198 (59......40%) não fazem manutenção e 4 (1... 34 . 2) A maior ocorrência de infiltração se dá nas áreas malhadas: wc... As reclamações acontecem da seguinte forma: CREA .30 %) fazem manutenção preventiva.......100 unidades residenciais na cidade do Recife................ na ordem decrescente telhamento.. 87........... a maior incidência se dá naquelas revestidas com massa única e pintadas......... apenas 38 (11.... deixando de adotar os procedimentos técnicos adequados... casas de máquinas/poço de elevador............. 0................4% Condomínio ... aparecem as infiltrações nos sub-solos. 5) Por último. varanda.......... implantou um fórum de discussão e publicou uma cartilha sobre o tema impermeabilização.... 6) Foi constatado que 25% dos problemas de infiltração aparecem nos prédios com até dois anos de construídos. 3) As infiltrações nas fachadas aparecem em segundo lugar.. cerâmicas........ e confiabilidade de 94% chegou às seguintes conclusões: 1) Oito entre cada dez prédios visitados apresentam. pavimentos vazados.. seguidas daquelas com pastilhas......10%) fazem manutenção corretiva... 98% apresentam problemas de infiltração.. 8......... 4) Em terceiro lugar aparecem as cobertas.... áreas de serviço.... lajes expostas e calhas................1% Construtora ..80% Aproximadamente 60% dos que reclamaram problemas relacionados à impermeabilização tentem solucioná-los no âmbito do condomínio..... 9) Dos 335 prédios pesquisados...............Preocupado com esta questão o CREA-PE realizou em 1997 pesquisa......... 2.. cozinha............ e em pequenas proporções.....4% Não reclamou ------------------------------------.3% Pequenas causas . com amostras de 355 unidades (5...... Nas paredes.... 0.. na ordem decrescente.5%)....................2%) não informaram... 8) Dos prédios que têm fissuras.... 7) A maior incidência dos problemas de impermeabilização se deu nos prédios enquadrados nos padrões C e D... A pesquisa........... paredes e esquadrias...............60..... jardineira...... realizada em um universo constituído por 6..6% Agente financeiro ....... problemas de infiltração.

Os revestimentos significam na prática. pedras e madeiras. Tal diagnóstico poderá ser dado por um profissional que tenha experiência e conhecimento suficiente sobre o tema. pastilhas. Nas paredes são geralmente utilizados como revestimentos azulejos. bolhas. através do cobrimento com os mais diversos tipos de materiais apropriados. e esse período é tão mais curto quanto mais sofrem interferências externas. com revisões e manutenções periódicas. Qualquer falha em uma dessas etapas irá implicar futuramente no aparecimento de anomalias no acabamento da obra que . As anomalias mais freqüentes são do tipo manchas. argamassas e texturas. os revestimentos. Assim. maior durabilidade e funcionalidade terá a edificação como um todo. lembrar que os materiais de revestimento têm o seu desempenho limitado por um determinado período de tempo.6. de modo a evitar a ação deletéria dos agentes externos e internos.7. alvenaria e instalações. na realidade eles têm uma função bem mais abrangente do que garantir uma boa aparência. por sua vez. em especial às partes externas dos imóveis. quer do ambiente externo. Porém. por serem justamente os que mais são atingidos pelos agentes agressivos. tanto provocada pelo meio ambiente como pelo uso. É necessário. os defeitos apresentados pelas fundações só são percebidos através das repercussões na obra como um todo. descolamentos (em cerâmicas. azulejos ou pedras) e fissuras. cerâmicas. pois só assim pode-se resolver definitivamente o problema. também. 35 . quer interno. a garantia da proteção das estruturas e alvenarias de uma edificação. Pode-se dizer que quanto mais eficientes forem os revestimentos. ou seja. então. Patologia das fundações Pelo fato de estarem enterradas e conseqüentemente não acessíveis as inspeções periódicas. A garantia da proteção conferida pelo revestimento depende diretamente da escolha dos materiais utilizados. requerem mais cuidados. da forma de aplicação e da mão-de-obra. que poderão estar tanto nos próprios revestimentos. 3. o diagnóstico das causas. Revestimentos Aparentemente os revestimentos são tidos como elementos que conferem às edificações um acabamento bonito. principalmente no que se refere a estrutura. muitas vezes simples como é o caso de limpeza e repintura. É preciso. irão repercutir na resistência e na funcionalidade de peças estruturais e alvenarias. Nos pisos é comum a aplicação de cerâmicas. Sendo as anomalias uma conseqüência.3. é preciso identificar suas causas. quanto em qualquer uma das peças por eles protegidas.

massa específica. Poços artesianos de pequena profundidade. A decisão da realização ou não de ensaios fica a cargo do engenheiro responsável pela elaboração do laudo pericial. b) Destrutivos: resistência à compressão axial em testemunhos retirados da estrutura. gamagrafia. módulo de deformação do concreto e de argamassas. podem representar risco devido à possibilidade de carreamento do material do subsolo. Os ensaios mais conhecidos nas estruturas de concreto e alvenaria são os seguintes: a) Não destrutivos: esclerometria. e nem sempre é fácil diagnosticá-los e solucioná-los. 3. permeabilidade e absorção de água. Ensaios Muitas vezes. cuja natureza pode implicar em uma variação muito ampla de suas características. Os problemas mais freqüentes nas fundações são causados por recalque ou ruptura do solo. por excesso de carga nas estruturas. Algumas árvores possuem raízes que se desenvolvem horizontalmente e com grande rapidez. faz-se necessário a realização de ensaios destinados a fornecer informações relacionadas às condições de resistência e ruptura de componentes da estrutura vistoriada.8. alcançando grande distância e podendo atingir as fundações. além de maior conhecimento sobre o solo de fundação. seja produzindo recalques ou pela saturação do terreno provocado pela ruptura de tubulações enterradas. Uma causa de danos às fundações que até há algum tempo não recebia a devida atenção é a ação das raízes de certos tipos de árvores nas proximidades das edificações. sob as sapatas. por erosões no terreno. medições de deformações e recalques. pela ação de agentes agressivos e pela própria inadequação da solução adotada. 36 .Tais defeitos podem ser originados por diversas causas. ulta-sonografia. controle de fissuras com selos de gesso ou vidros. O solo. reconstituição do traço de concreto e de argamassa. executados próximos às fundações. é um material complexo. resistência à tração em testemunhos retirados da estrutura. carbonatação. além da análise visual. prova de carga.

ensaios de caracterização da capacidade de suporte. c) No solo de fundação: sondagem de reconhecimento à percussão. determinação do nível de agressividade da água do subsolo.teor de cloretos. sondagens rotativas (rochas). resistência à compressão de tijolos e blocos individuais. determinação do potencial de corrosão de amostras de armadura retiradas da estrutura. determinação do escoamento à tração em amostras de armadura retiradas da estrutura. resistência à compressão de prismas de tijolos e blocos. 37 .

espessura mínima de 14cm e esbeltez máxima igual a 20. As alvenarias não armadas são constituídas pela união de blocos e argamassa. a Indústria da Construção Civil. como no seu comportamento após a conclusão da obra. (NBR-10837. Alvenarias estruturais Também denominadas alvenarias portantes ou autoportantes. Com o passar do tempo as alvenarias sofreram diversas transformações. ALVENARIAS 4. para formas mais delgadas e leves. são utilizadas com função estrutural. Isso talvez seja um reflexo da falta de incentivos e investimentos dos diversos setores que tratam direta ou indiretamente da questão. de modo geral.1. que absorvem os esforços atuantes. utilizados na construção civil. tanto de projeto como de execução. Podem ser não armadas. egípcios e romanos que permanecem até os dias atuais como testemunhas da importância da utilização da alvenaria como material de construção ao longo da história da humanidade. 4. inicialmente através do empilhamento de pedras e em seguida através da descoberta de técnicas que foram evoluindo ao longo dos séculos. Atualmente existe no Brasil uma grande diversidade de peças modulares. Porém. Cálculo de alvenaria estrutural de blocos vazados de concreto). recebendo as cargas da edificação e transmitindo-as às fundações. ainda observa-se.2. levando algumas delas a apresentarem manifestações patológicas que.4. Antes da era Cristã já haviam sido construídas pontes em arcos. A normalização brasileira estabelece que as paredes com função estrutural deverão ser executadas com blocos vazados de concreto com furos na vertical. Diante disso. Contextualização Desde a mais remota antiguidade que o homem utiliza a alvenaria como método construtivo. São previstas apenas armaduras de amarração 38 . blocos e tijolos. tornandose hoje um dos componentes mais freqüentes em quase todos os tipos de edificações. podem até leválos ao colapso estrutural. a falta até dos conhecimentos básicos sobre o tema. principalmente quando trata-se da utilização da alvenaria como elemento estrutural. as obras de alvenaria. principalmente na produção de habitações populares. Isto implica na necessidade de maiores conhecimentos sobre essa técnica construtiva. pesadas e espessas. além de prejudicarem a habitabilidade dos imóveis. os agentes financeiros que financiam os imóveis e os próprios fabricantes de tijolos. seja nos aspectos relativos ao dimensionamento estrutural e controle de qualidade dos materiais. como Universidades. parcialmente armadas ou armadas.1. em sua grande maioria ainda são caracterizadas pelo empirismo e pela carência de procedimentos adequados. passando das formas iniciais. monumentos e outras edificações pelos etruscos.

sejam estruturais ou de vedação são: Tijolos cerâmicos vazados. 4.3. 39 . Alvenaria de vedação São as alvenarias que constituem apenas elementos de vedação ou fechamento dos ambientes. dimensionada para resistir aos esforços solicitantes.5. Blocos sílicos-calcáreos.1. elas não são consideradas no dimensionamento das paredes. É o caso. independentemente das armaduras construtivas.1. 4. argamassa. São normalmente constituídas de tijolos cerâmicos vazados com furos na horizontal ou outros tipos de blocos que não exercem função estrutural. por exemplo. Blocos de concreto celular. 4. Blocos de concreto. Alvenarias resistentes Denominação dada nos meios técnico e acadêmico para aquelas alvenarias que são utilizadas com função estrutural. dos edifícios em alvenaria estrutural que utilizam tijolos cerâmicos vazados com furos na horizontal.4. As alvenarias parcialmente armadas são constituídas pela união de blocos e argamassa. Blocos de solo estabilizado. porém. Tipos mais usuais de tijolos e blocos Os componentes mais usuais das alvenarias. porém. em desacordo com os procedimentos de projeto e execução previstos nas normas.(prevenção de trincas). sendo as outras partes calculadas como alvenaria não armada. de forma empírica ou semi-empírica. sendo utilizada armadura para absorver os esforços em algumas partes das paredes. As alvenarias armadas são compostas pela união de blocos. Tijolos cerâmicos maciços.1. graute e armadura.

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41 .

5MPa Fbk ≥ 4.900 2.200 – 1.6 19.100 1. BLOCO REQUISITO Vedação Estrutural B Estrutural A f i ≥ 2.0 Portante D 7.0 Tabela 4.5MPa Fbk ≥ 6.1 Características geométricas Blocos de concreto estruturais e de vedação.6 21. RESISTÊNCIA À COMPRESSÃO TIPO NA ÁREA BRUTA (MPa) A 1.8 – 17.300 1.200 1.6 12.200 2.800 300 – 800 1.8 18.2 Características físicas Peso específico médio dos componentes das alvenarias.300 – 2.4 Resistência mínima à compressão para blocos de concreto.5 C 4.6 11.0 – 7.7 12.6 γ Kg/m3 2.0MPa f i = valor individual f m = valor médio da amostra f bk = valor característico 42 .7 – 21.0 MPa. ÁREA ÁREA ÁREA TOLERÂNCIA DIMENSÕES TIPO BRUTA LIQUIDA VAZADA DIMENSIONAL (cm) (cm2) (cm2) (cm2) (mm) 19x19x39 741 371 370 ±3 Bloco 271 275 14x19x39 546 ±3 19x19x19 361 202 159 ±3 Meio bloco 14x19x19 266 145 121 ±3 Bloco 9x19x39 * 351 178 173 ±3 Meio bloco 9x19x39 * 171 92 79 ±3 * Só podem ser utilizados como elementos de vedação Tabela 4.Tabela 4.6 3.3 Resistência mínima à compressão para blocos cerâmicos (NBR-7171). COMPONENTE Blocos de concreto Blocos cerâmicos vazados Blocos cerâmicos maciços Blocos silicos-calcáreos Blocos de concreto celular Argamassa de assentamento Graute Chapisco Emboço (massa grossa) KN/m3 21.200 1.6 20.900 Tabela 4.5 De vedação B 2.0 E 10. f m ≥ 2.

Atenção especial deve ser dada às alvenarias que se apóiam sobre vigas ou lajes em balanço. 43 . porém. Patologia As anomalias manifestadas nas alvenarias que compõem as paredes de uma edificação. Porém. Basta observar que as fissuras mais comuns ocorrem justamente na ligação das paredes com lajes.2. especialmente na junção entre paredes e de paredes com a estrutura. o conhecimento das mesmas é de fundamental importância para a adoção dos procedimentos adequados de correção. 4. de modo geral. junto às aberturas de portas e janelas e na ligação entre paredes. Suas causas nem sempre são facilmente identificadas. excesso de sobrecarga nas lajes ou deformabilidade das peças estruturais. Fissuras As fissuras ocupam o primeiro lugar na lista dos problemas mais comuns nas alvenarias.2. movimentações das estruturas onde estão apoiadas. de modo a resistir aos fatores externos e internos como variações de temperatura. precisam ter desempenho adequado. tornam-se necessários cuidados especiais. bastante visíveis pela própria natureza dos materiais e do comportamento desses componentes.4. são. As alvenarias também são muito sensíveis às movimentações estruturais provocadas por recalques diferenciais nas fundações. mesmo as alvenarias de vedação.2.1. Principais anomalias As anomalias mais freqüentes nas alvenarias são fissuras. com parâmetros físicos diferenciados. Outros fatores que também influenciam na fissuração e nas propriedades mecânicas estão a seguir relacionadas: Heterogeneidade resultante da utilização conjunta de materiais diferentes. flexão e cisalhamento. etc. eflorescências e infiltrações de água. de modo a evitar que as diferenças de comportamento provoquem danos à edificação. infiltrações. Geometria. Pelo fato de empregarem materiais diversos. Nas alvenarias estruturais as manifestações patológicas são evidentemente de maior gravidade pela influência na estabilidade do imóvel.1. As alvenarias apresentam. com propriedades mecânicas e elásticas diferenciadas. porém o mesmo não ocorre em relação às solicitações de tração. vigas e pilares. umidade relativa do ar. 4. de modo geral. Normalmente a quase totalidade dos casos de fissuração em alvenaria são provocadas por tensões de tração e cisalhamento. rugosidade e porosidade dos componentes. bom comportamento à compressão.

Movimentação higroscópica da alvenaria. Tubulações embutidas. principalmente nas externas enfraquecidas por vãos (janelas). hidratação retardada da cal). Expansão da argamassa de assentamento (interação sulfato-cimento. principalmente no encontro de alvenarias Fissura (cantos) e em alvenarias extensas. Retração por secagem da laje de concreto armado.Retração. hidratação Fissura retardada da cal). Atuação de cargas concentradas diretamente sobre a alvenaria. Horizontal Expansão da alvenaria por movimentação higroscópica. decorrentes de falhas de projeto. que gera fissuras nas alvenarias. Fissura na Laje Mista de Movimentação térmica. heterogeneidade do solo. presença ou não de armadura. ocorrendo fissuras horizontais e inclinadas nas extremidades da alvenaria. amarrações. ou vigas baldrames excessivamente flexíveis. com a ocorrência de fissuras no topo da parede. Expansão da argamassa de assentamento (interação sulfato-cimento. existência de paredes de contraventamentos. Vertical Retração por secagem da alvenaria.Falcão Bauer) Configuração Típica Causa Provável Deformação da argamassa de assentamento em paredes submetidas a uma carga vertical uniformemente distribuída.A. principalmente em pontos de concentração de tensões ou seção enfraquecida. 44 . Alvenaria submetida à flexocompressão devida a deformações excessivas da laje. gerando fissuras no encontro dos elementos cerâmicos com as Forro da Coberta vigas pré-moldadas. Fissura Alvenarias com inexistência ou deficiência de vergas e contravergas nos vãos de portas Inclinada e janelas. aderência e retenção de água da argamassa de assentamento. principalmente em sapatas corridas. principalmente na base das paredes. devido à inexistência de coxins ou outros dispositivos para distribuição das cargas. Recalques diferenciais. Carregamentos desbalanceados. Movimentações higroscópicas e térmicas. rebaixamento do lençol freático. influência de fundações vizinhas.5 Principais tipos de fissuras nas alvenarias (Fonte: L. Esbeltez. em geral nas regiões sujeitas à ação constante de umidade. Tipo de fundação. Tabela 4. tipos e dimensões de aberturas de portas e janelas. Movimentação térmica de platibanda. Cintamentos. decorrente da dilatação da laje de cobertura. recalques diferenciais. geometria da edificação. Movimentação térmica da laje de cobertura (deficiência de isolamento térmico.

45 .3 a 4. .15).A seguir estão indicadas esquematicamente. algumas configurações mais freqüentes de fissuras nas paredes de alvenaria (figuras 4.

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50 .

A eflorescência pode alterar a superfície sobre a qual se deposita. O fluxo de água através das paredes e a conseqüente cristalização dos sais solúveis na superfície. De modo geral. de modo a produzir a força necessária para a solução migrar para a superfície. condensação de vapor de água dentro das paredes. percolação por vazamentos de tubulações de água ou vapor.1. infiltrações em fissuras. etc. da temperatura. b) Presença de água para dissolver e carrear os sais solúveis até a superfície da alvenaria. seus sais constituintes serem agressivos e deteriorarem profundamente as alvenarias. 51 . ocorre devido ao efeito isolado ou combinado das seguintes causas: capilaridade. Eflorescências A eflorescência é um depósito de sais acumulado sobre a superfície das alvenarias. em determinados casos. c) Pressão hidrostática ou evaporação. A acumulação do sal na superfície dos componentes das alvenarias ocorre pela evaporação da água da solução saturada de sal. umidade. A quantidade e as características dos depósitos salinos variam conforme a natureza dos produtos solúveis. das condições atmosféricas. tijolos e/ou argamassa de assentamento ou revestimento.2.4. podendo. Normalmente a eflorescência é causada pela combinação de três fatores: a) Teor de sais solúveis existentes nos blocos.2. todas as alvenarias e componentes de concreto estão sujeitos ao fenômeno da eflorescência. vento. de composição e aspecto variáveis de acordo com o tipo de sal depositado. que percola através dos materiais.

Regiões próximas a caixilhos . parcialmente Sulfato de cálcio dihidratado hidratação do sulfato de cálcio de componentes cerâmicos. parcialmente Sulfato de sódio água de amassamento. solúvel Sulfato de magnésio solúvel componentes cerâmicos e/ou água de amassamento.Em regiões da alvenaria muito do sulfato do meio expostas à ação da chuva 52 . carbonatação dos hidróxidos alcalinos do cimento com Carbonato de potássio muito solúvel elevado teor de cálcio.Carbonatação da cal liberada na Depósito branco com aspecto . água contaminada ou reação entre Sulfato de potássio solúvel constituintes do cimento e constituintes da cerâmica.Nas juntas de argamassa das cimento água. Tabela 4.Sais solúveis presentes nos materiais: . muito revestimento com argamassa .Expansão devido à hidratação do presentes nas juntas das sulfato de cálcio existente no tijolo ou alvenarias reação dos compostos do tijolo e do Depósito branco. carbonatação dos hidróxidos alcalinos do cimento com Carbonato de sódio muito solúvel elevado teor de cálcio. Tabela 4.Superfície de concreto ou hidratação do cimento de escorrimento.Superfícies de concreto aparente água de amassamento.Em fissuras eventualmente .Superfície de alvenarias aglomerantes revestidas .Superfície de componentes argamassa água próximos a elementos de alvenaria ou concreto . agregados ou . cerâmicos azulejos solúvel em água . parcialmente Sulfato de cálcio componentes cerâmicos e/ou água de amassamento. Carbonato de magnésio pouco solúvel carbonatação da cal lixiviada da argamassa de cal.Sais solúveis presentes nos materiais . solúvel parcialmente Cloreto de cálcio água de amassamento solúvel parcialmente Cloreto de magnésio água de amassamento. solúvel Nitrato de potássio muito solúvel solo adubado ou contaminado por sais solúveis. Nitrato de amônia muito solúvel solo adubado ou contaminado por sais solúveis.Reação entre compostos dos materiais .6 apresenta os sais eflorescentes que podem desenvolver-se nas alvenarias. solúvel em .Carbonatação da cal constituinte da aderente e pouco solúvel em .A seguir a tabela 4.Juntas de pisos cerâmicos ou Pó branco pulverulento.7 as formas de manifestação da eflorescência.7: Formas de manifestação da eflorescência (Fonte: Ércio Thomaz) Aspectos e características da Causas prováveis Locais de formação eflorescência . Hidróxido de cálcio solúvel cal liberada na hidratação do cimento. Nitrato de sódio muito solúvel solo adubado ou contaminado por sais solúveis. solúvel parcialmente agregados contaminados. com efeito de expansão alvenarias . e a tabela 4.Juntas das alvenarias assentadas com argamassa .Superfícies de ladrilhos não cerâmicos e dos cimentos esmaltados .Formação do sal expansivo por ação .6: Sais eflorescentes que se desenvolvem nas alvenarias (Fonte: Ércio Thomaz) Solubilidade Composição química Fonte provável em água Carbonato de cálcio pouco solúvel carbonatação da cal lixiviada da argamassa ou concreto.Sais solúveis contidos no solo .Poluição atmosférica mal vedados .

principalmente se adotados na fase de projeto: Detalhes arquitetônicos e construtivos adequados para fachadas e cobertas. como por exemplo frisos.1. As observações das condições seguintes têm importante papel.5. platibandas.1. esquadrias e materiais de revestimento. rufos.2. Expansão por umidade Nas alvenarias de tijolos cerâmicos expostos à ação da umidade. Conhecimento sobre a intensidade e duração das precipitações na região. A umidade pode ter diversas origens.0cm). Na ocasião laudos 53 . o vazamento de tubulações de água ou esgoto e a infiltração de água da chuva que penetra nos edifícios. porosidade e absorção de água. a umidade por infiltração é a que apresenta maior incidência (aproximadamente 60%). chegando a até 50%. As argamassas excessivamente rígidas ou preparadas com excesso de água de amassamento também apresentam fissuras. Conhecimento das propriedades dos materiais constituintes das alvenarias quanto a higroscopicidade. principalmente através das fachadas e cobertas. Dentre os tipos de umidade citados. a condensação do vapor de água nas superfícies ou no interior das edificações.2. e na década de 50 tenha sido identificada como responsável pela ocorrência de danos em alvenarias.4. Orientação das fachadas quanto à direção do vento. Infiltração de água Estudos realizados no Brasil constataram que a incidência de problemas causados pela umidade nas edificações. Embora seja conhecida desde a década de 20. pingadores. 4. pode ocorrer o fenômeno conhecido como expansão por umidade (EPU). é relativamente alta se comparada com outros tipos de problemas. que por sua vez provocam infiltrações. principalmente quando ela tem espessura elevada (>1. juntas. a EPU só ganhou destaque no meio técnico a partir de 1997.3. como a absorção de água do solo pelas fundações. beirais. visando a evitar os efeitos da umidade por infiltração. Nas alvenarias de blocos vazados de concreto a infiltração de água pode acontecer pela interface argamassa-bloco e pela própria argamassa. A infiltração de água nas fachadas e cobertas pode ser agravada pelas intensidade e direção dos ventos e da chuva. após a ocorrência de acidentes com edifícios de alvenaria estrutural no Grande Recife.

Resumo histórico A alvenaria é utilizada em Pernambuco como elemento estrutural desde os tempos coloniais. com estrutura de concreto armado apenas no trecho correspondente à escada e reservatório superior. 54 . A utilização de alvenaria estrutural em Pernambuco 4.3. que sejam desenvolvidas pesquisas que possibilitem o conhecimento adequado do fenômeno da EPU. De forma simplista. Os problemas decorrentes podem variar de fissuras em azulejos.SFH. à época em que foram construídos. por sua vez. geralmente em sapatas corridas. A partir da década de 70 do século passado. A EPU é um fenômeno bastante complexo e implica sempre em conseqüências danosas. ficando a maior parte da edificação funcionando de tal modo que todas as cargas são transmitidas diretamente para as paredes que. uma série de vantagens em relação as obras com estrutura convencional. Torna-se necessário portanto.1. descolamento de revestimentos e pisos cerâmicos até a graves lesões estruturais em paredes de alvenaria de tijolos cerâmicos. podendo comprometer a estabilidade das edificações construídas com alvenaria portante. Um dos principais motivos sempre foi a grande disponibilidade de matéria prima para produção de tijolos cerâmicos. a maioria deles composta de um pavimento térreo e três pavimentos superiores. Estima-se que no Grande Recife tenham sido edificados 6.000 prédios com essa tecnologia construtiva. esse sistema construtivo teve grande impulso na produção de moradias populares. No Brasil a EPU não tem sido estudada com a profundidade merecida e a maioria dos trabalhos técnicos encontrados sobre o assunto referem-se a problemas relacionados com os revestimentos cerâmicos. Tais edificações ficaram popularmente conhecidas como “prédios caixão” e apresentavam. como forma de utilizar adequadamente os tijolos cerâmicos em obras de alvenaria estrutural. pode-se dizer que as cerâmicas porosas absorvem água (hidratação) e com o passar do tempo sofrem um aumento de volume (expansão).3. no auge da atuação do Banco Nacional da Habitação – BNH.apontaram o fenômeno como fator determinante para a baixa resistência das alvenarias de embasamento que provocaram a falência estrutural do prédios. maior rapidez de execução. 4. as transmitem para as fundações. menores valores de financiamento dos apartamentos e grande utilização dos tijolos cerâmicos produzidos no Estado. a maioria delas financiada pelo Sistema Financeiro da Habitação . especialmente aquelas construídas em condições ambientais desfavoráveis como é o caso de lençol freático superficial. entre elas um menor custo de construção.

passando as mesmas a trabalhar à flexo compressão. o contato permanente do aterro com blocos de concreto de alta porosidade. a ocorrência do fenômeno conhecido como expansão por umidade – EPU. além da inexistência de norma técnica especifica.2. dimensões e resistência compatíveis com a função estrutural. com o uso de caixão perdido no embasamento.3. visando assim garantir a adequada segurança às construções atuais.4. resultou em uma série de patologias e acidentes com esse tipo de obra. b) Adequação da indústria cerâmica para produzir tijolos com furos verticais. Problemas ocorridos com o processo construtivo A busca pela diminuição dos custos. o que favorece a formação da etringita seguida de lixiviação. com a perda da resistência dos tijolos cerâmicos. que acentuaram-se a partir de 1997. 4. contribuiu para que se estabelecessem condições desfavoráveis como: o funcionamento dessas alvenarias como muros de contenção do aterro. fica evidente a necessidade da adoção de novos procedimentos para projetos e obras em alvenaria estrutural. Necessidades de mudanças Diante de tal situação. com a ocorrência de diversos acidentes. A única norma brasileira para o cálculo de alvenaria estrutural é a NBR10837 de julho de 1989. Os laudos técnicos elaborados por profissionais especializados concluíram que as causas dos desabamentos estavam diretamente relacionadas a falência estrutural dos blocos de concreto.3. com uma das faces sujeita à umidade e tendo a outra face livre para a evaporação. muitas vezes associada à falta de controle de qualidade da construção. ou tijolos cerâmicos das alvenarias de embasamento que se deterioraram ao longo do tempo em decorrência do ataque de sulfatos presentes na água do subsolo. É o caso da utilização em paredes estruturais de tijolos cerâmicos com furos na horizontal. A utilização de sistema construtivo inadequado. que refere-se apenas aos blocos vazados de concreto. Vale salientar que a grande maioria dos prédios caixões em Pernambuco foi calculada através de métodos empíricos. A seguir estão enunciados alguns desses procedimentos: a) Elaboração de norma técnica para o cálculo de alvenaria estrutural de tijolos cerâmicos. devido à ausência de normas especificas. 55 .3. inclusive de alvenaria singela. permanecendo ainda a lacuna para a utilização de tijolos cerâmicos com função estrutural. inclusive desabamentos com vitimas fatais no Grande Recife.

inclusive revendo alguns procedimentos atualmente adotados para disciplinamento das construções. envolvendo as análises estruturais e os ensaios necessários. tanto no controle dos materiais e mão-de-obra. b) Verificação. tanto nacionais como internacionais.3. A seguir o resumo das propostas apresentadas no documento que foi entregue às autoridades: a) Inspeção detalhada em todas as edificações executadas em alvenaria estrutural na Região Metropolitana do Recife. garantia da qualidade e a concessão do habite-se.c) Mudança de postura dos projetistas de estruturas. condições de projeto e de construção. 56 . que teve o autor deste texto como um dos redatores. c) Elaboração dos projetos de recuperação estrutural para as edificações que não atenderem aos parâmetros de verificação estabelecidos. que se encontram potencialmente expostos a riscos de vida ou a perda do patrimônio duramente conquistado. um documento. contemplando aspectos relativos ao estado atual do imóvel. de modo a resolver definitivamente o problema que aflige diretamente os habitantes desses imóveis. nos âmbitos federal. como no processo construtivo como um todo. principalmente no que se refere às reformas com retirada de paredes. Ações propostas Com base no histórico recente de acidentes com esse tipo de edificação e considerando que outros prédios com características semelhantes também poderiam vir a sofrer colapso estrutural a qualquer momento. d) Execução das obras de recuperação projetadas. d) Maior rigor dos construtores com a qualidade de suas obras. propondo uma série de ações voltadas para a garantia das condições de estabilidade dos prédios em alvenaria estrutural já edificados. em parceria com os Departamentos de Engenharia Civil da UFPE. passando a ser mais rigorosos com a aferição das características de resistência dos materiais previstos nos projetos e seguindo as normas existentes. UNICAP e UPE. o CREA-PE elaborou. das condições de estabilidade de cada edificação. 4. g) Orientação aos moradores sobre a utilização e conservação de seus imóveis. com base em critérios pré-estabelecidos. f) Participação efetiva do poder público.4. estadual e municipal. em 2001. e) Maior eficiência por parte dos agentes financeiros na fiscalização das obras financiadas.

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