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Patologia_estruturas

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Sections

  • 1.1. Generalidades
  • 1.2. Conceituação
  • 1.3. Perícias judiciais
  • 1.4. Perito
  • 1.5. Assistente Técnico
  • 1.6. Laudo Técnico
  • 1.7. O Código de Defesa do Consumidor na Construção Civil
  • 2.1.1. Estados limites
  • 2.1.2. Ações consideradas
  • 2.2. Principais sistemas estruturais
  • 2.3.1. Fundações superficiais
  • 2.3.2. Fundações profundas
  • 3.1. Generalidades
  • 3.2. Causas das manifestações patológicas
  • 3.3.1. Fissuramento - conceituação
  • 3.3.2. Causas mais comuns do fissuramento
  • 3.4.1. Carbonatação
  • 3.4.2. Desagregação
  • 3.4.3. Disgregação
  • 3.4.4. Segregação
  • 3.4.5. Perda de aderência
  • 3.4.6. Corrosão das armações
  • 3.4.7. Corrosão do concreto
  • 3.4.8. Calcinação
  • 3.4.9. Reatividade álcali sílica (RAS)
  • 3.5. Impermeabilização
  • 3.6. Revestimentos
  • 3.7. Patologia das fundações
  • 3.8. Ensaios
  • 4.1.2. Alvenarias estruturais
  • 4.1.3. Alvenaria de vedação
  • 4.1.4. Alvenarias resistentes
  • 4.1.5. Tipos mais usuais de tijolos e blocos
  • 4.2.1.2. Eflorescências
  • 4.2.1.3. Infiltração de água
  • 4.2.1.5. Expansão por umidade
  • 4.3.1. Resumo histórico
  • 4.3.2. Problemas ocorridos com o processo construtivo
  • 4.3.3. Necessidades de mudanças
  • 4.3.4. Ações propostas
  • 5. BIBLIOGRAFIA

FUNDAMENTOS DA PATOLOGIA DAS

ESTRUTURAS NAS PERÍCIAS DE
ENGENHARIA












AFONSO VITÓRIO
Engenheiro Civil
Especialista em Estruturas
























¡nstituto Pernambucano de Avaliações e Pericias de Engenharia
Filiado ao Instituto de Avaliações e Perícias de Engenharia IBAPE
2
INTRODUÇÃO




Este trabalho foi inicialmente elaborado como roteiro para o curso “Perícias Judiciais e
Patologia das Estruturas”, ministrado por mim e pelo engenheiro Gilberto Adib Couri, presidente
do Instituto de Engenharia Legal – IEL - RJ, a convite do IPEAPE.

Durante o desenvolvimento dos assuntos selecionados, percebi que o texto poderia ir além
de um roteiro para exposição durante o curso, transformando-se em uma publicação a ser
utilizada como fonte de consulta pelos profissionais que desenvolvem atividades relacionadas aos
temas abordados.

Por isso, procurei utilizar uma linguagem que, embora técnica, consiga expor da forma
mais simples possível, os conceitos básicos do comportamento e dos fenômenos patológicos das
estruturas, de modo a possibilitar a compreensão dos mesmos por engenheiros não especialistas,
cujas atividades impliquem, mesmo que eventualmente, na necessidade de tais conhecimentos, a
exemplo dos profissionais que atuam como peritos.

A experiência mostra que parte considerável dos eventos que demandam a realização de
vistorias e perícias em edificações, decorrem de manifestações patológicas muitas vezes
identificadas através da simples observação do quadro de fissuração, o que facilita bastante o
diagnóstico dos problemas existentes. Evidentemente deverão ser consultados engenheiros
especialistas em estruturas e fundações para os casos mais complexos.

Não é pretensão deste trabalho esgotar o assunto que, pela própria natureza e
complexidade, necessita, para o seu aprofundamento, de um nível de conhecimento que excede
os princípios básicos aqui apresentados. Nesse sentido, ao final do texto é apresentada
bibliografia que poderá ser consultada por aqueles que pretendam se aprofundar no estudo da
análise estrutural e dos fenômenos relacionados à patologia das edificações.

Espero estar contribuindo com este trabalho para o aprimoramento profissional dos
colegas, em especial dos que estão iniciando as suas atividades, como também para a melhoria
dos serviços de vistorias e perícias de engenharia nas áreas das edificações e estruturas.












Afonso Vitório.
Recife, novembro de 2003.
3
FUNDAMENTOS DA PATOLOGIA DAS ESTRUTURAS
NAS PERÍCIAS DE ENGENHARIA


INTRODUÇÃO

SUMÁRIO

1 PERÍCIAS DE ENGENHARIA

1.1 Generalidades
1.2 Conceituação
1.3 Perícias Judiciais
1.4 Perito
1.5 Assistente Técnico
1.6 Laudo Técnico
1.7 O Código de Defesa do Consumidor na construção civil

2 TÓPICOS DE ESTRUTURAS

2.1 Conceituação
2.1.1 Estados limites
2.1.2 Ações consideradas
2.2 Principais sistemas estruturais
2.3 Fundações
2.3.1 Fundações superficiais
2.3.2 Fundações profundas

3 PATOLOGIA DAS ESTRUTURAS

3.1 Generalidades
3.2 Causas das manifestações patológicas
3.3 Estruturas de concreto
3.3.1 Fissuramento – Conceituação
3.3.2 Causas mais comuns do fissuramento
3.4 Conceituação dos danos mais comuns nas estruturas de concreto
3.4.1 Carbonatação
3.4.2 Desagregação
3.4.3 Disgregação
3.4.4 Segregação
3.4.5 Perda de aderência
3.4.6 Corrosão das armaduras
3.4.7 Corrosão do concreto
3.4.8 Calcinação
3.4.9 Reatividade álcali sílica
3.5 Impermeabilização
3.6 Revestimento
3.7 Patologia da fundações
3.8 Ensaios
4

4 ALVENARIAS

4.1 Contextualização
4.1.2 Alvenarias estruturais
4.1.3 Alvenarias de vedação
4.1.4 Alvenarias resistentes
4.1.5 Tipos mais usuais de tijolos e blocos
4.2 Patologia
4.2.1 Principais anomalias
4.2.1.1 Fissuras
4.2.1.2 Eflorescências
4.2.1.3 Infiltração de água
4.3 A utilização de alvenaria estrutural em Pernambuco
4.3.1 Resumo histórico
4.3.2 Problemas ocorridos com o processo construtivo
4.3.3 Necessidades de mudanças
4.4 Ações propostas

5 BIBLIOGRAFIA





























5
1. – PERÍCIAS DE ENGENHARIA


1.1. Generalidades

As obras de engenharia, assim como os seres humanos, podem sofrer os efeitos
dos males congênitos e adquiridos, são vulneráveis a acidentes e também deterioram-
se com o passar do tempo.

Mesmo considerando-se que muitas edificações têm dado verdadeiros exemplos de
grande durabilidade, sob condições totalmente adversas, convém lembrar que elas não
têm vida útil infinita.

Afinal, uma edificação é o resultado da combinação de materiais diversos e
heterogêneos e de mão-de-obra geralmente não especializada e de grande
rotatividade. Acrescente-se a isso a agressividade ambiental, a má utilização e a falta
de conservação para que comecem a se manifestar os fenômenos patológicos que
tendem a comprometer a funcionalidade e a segurança do imóvel.

Nesse sentido, é de fundamental importância o aprimoramento de profissionais de
engenharia voltados para a investigação das falhas e avarias que, além de causarem
muitas vezes acidentes de natureza grave, como desabamentos, também acarretam a
depreciação do patrimônio e altos custos de recuperação. Esses profissionais,
denominados peritos de engenharia , devem ter a capacidade de analisar os problemas
e emitir os pareceres técnicos conforme cada caso específico.

1.2. Conceituação

A norma NBR-13.752/96 – Perícias de engenharia na construção civil, define
perícia como “atividade que envolva a apuração das causas que motivaram
determinado evento ou da asserção de direitos”.

Classifica as seguintes espécies de perícias:

a) Arbitramento

Quando envolve a tomada de decisão ou posição entre as alternativas
tecnicamente controversas ou que decorrem de aspectos subjetivos.

b) Avaliação

Quando envolve a determinação técnica do valor qualitativo ou monetário
de um bem, de um direito ou de um empreendimento.

c) Exame

Inspeção, por meio de perito, sobre pessoa, coisas, móveis e semoventes
para verificação de fatos ou circunstâncias que interessem à causa.

6
d) Vistoria

Quando envolve a constatação de um fato, mediante exame circunstanciado
e descrição minuciosa dos elementos que o constituem.

Geralmente as perícias são originadas pelos seguintes tipos de ocorrências:

Ações judiciais;
Ações administrativas;
Ações extrajudiciais.




1.3. Perícias judiciais

São aquelas que ocorrem no âmbito da justiça em diferentes tipos de ações como:
execuções, vistorias cautelares, desapropriações, renovatória de contrato de locação,
revisional de aluguel, demarcações, alvarás, demolitória, inventários, arrolamentos,
partilhas, reivindicatórias, usucapião, civil pública, separação litigiosa, nunciação de
obra nova.


1.4. Perito

A NBR 13795/96 define perito como o profissional legalmente habilitado pelos
Conselhos Regionais de Engenharia, Arquitetura e Agronomia com atribuições para
proceder a perícia.

Nos processos judiciais, muitas vezes o Juiz precisa analisar e emitir uma sentença
sobre questão que envolve a necessidade de conhecimentos técnicos especializados
que extrapolam a sua formação. Nesses casos ele se utiliza da assistência de
profissionais qualificados e que estejam legalmente habilitados para transmitir-lhe as
informações necessárias. Esses profissionais são denominados Peritos Judiciais.

O Perito é considerado um auxiliar da justiça, que assessora o Juiz quando o
assunto em pauta depende de conhecimento técnico ou cientifico e não deve ter
nenhuma obrigação com qualquer das partes envolvidas no processo.

Um perito judicial pode ser recusado por impedimento ou suspensão. Os motivos
são os seguintes:
a) Se o perito faz parte no processo;
b) Se tiver trabalhado no processo com outra função;
c) Se alguma das partes for parente seu, consangüíneo ou afim, em linha reta ou,
na colateral, até o terceiro grau;
d) Quando pertencer a órgão que é parte na causa;
e) Não versar sobre a matéria da perícia.

7
O Perito do Juízo precisa ter em mente que as suas funções são da maior
relevância, pois contribuem para a descoberta da veracidade dos fatos. Por isso buscará
sempre atender à ética profissional durante as atividades desenvolvidas. Nesse sentido
deverá:

Comunicar, antecipadamente, o início das diligências aos colegas que atuam como
assistentes técnicos;
Sempre que assim solicitado, conceder vistas aos autos para os assistentes
técnicos;
Sempre que possível, promover reuniões técnicas com os assistentes, assim como
informar acerca do andamento dos trabalhos;
Comunicar os assistentes técnicos quando da entrega do laudo.

A habilitação profissional do perito está prevista no artigo 145 do CPC, transcrito a
seguir:

“Art. 145

Quando a prova do fato depender de conhecimento técnico ou científico, o Juiz
será assistido por Perito, segundo o disposto no art. 421.

§ 1º Os Peritos serão escolhidos entre profissionais de nível universitário,
devidamente inscritos no órgão de classe competente, respeitado o disposto no
Capítulo VI, seção VII, deste Código.

§ 2º Os Peritos comprovarão sua especialidade na matéria sobre que deverão
opinar, mediante certidão do órgão profissional em que estiverem inscritos.

§ 3º Nas localidades onde não houver profissionais qualificados que preencham
os requisitos dos parágrafos anteriores, a indicação dos Peritos será de livre
escolha do Juízo.”


1.5. Assistente Técnico

A NBR 13752/96 define Assistente Técnico como o profissional legalmente
habilitado pelos Conselhos Regionais de Engenharia, Arquitetura e Agronomia,
indicado e contratado pela parte para orientá-la, assistir aos trabalhos periciais em
todas as suas fases da perícia e, quando necessário, emitir seu parecer técnico.
De modo geral, o Assistente Técnico deverá ter a seguinte atuação:

Analisar tecnicamente o processo em que está atuando, procurando enumerar
os itens que poderá ir adiantando quando se iniciarem as diligências;

Colaborar com o advogado na formação dos quesitos, em especial nos
quesitos complementares, que poderão ocorrer ao longo da realização da
perícia;

8
Procurar informar ao Perito Oficial o andamento do processo, facilitando seu
acesso aos imóveis, documentos e informações úteis à perícia;

Procurar assinar o laudo elaborado pelo Perito Oficial, quando concordar,
explicando as conclusões dele ao advogado que o indicou;

Quando não concordar, elaborar seu laudo pericial em separado, apresentando
suas divergências técnicas com justificativas e bem fundamentadas.

1.6. Laudo Técnico

Laudo é uma peça na qual o perito, profissional habilitado, relata o que observar e
dá as suas conclusões ou avalia, fundamentadamente, o valor de coisas ou direitos
(NBR 13752/96). Podem ser classificadas em judiciais, extrajudiciais ou particulares.

A legislação não prescreve a forma pela qual os laudos devem ser apresentados,
devido à grande variedade de ações em que a atuação dos peritos é solicitada e
também à especificidade de cada caso. Porém, algumas regras básicas devem ser
seguidas para que o relatório final atenda à sua finalidade.

Nesse sentido é de fundamental importância que o documento seja objetivo e
apresentado em linguagem técnica adequada, com disposição racional dos textos e
ilustrações. Devem ser evitados parágrafos longos que possam parecer inconclusivos
e de difícil compreensão.

Devem ser feitas apenas as considerações que não suscitem qualquer dúvida de
natureza técnica e que estejam respaldadas por observações e conclusões evidentes,
além de amparadas pela literatura existente sobre o tema.

As respostas aos quesitos formulados, no caso dos laudos judiciais, devem ser
totalmente objetivas.

A NBR 13752/96 prevê que um laudo pericial deverá constar dos seguintes
elementos:

a) Indicação da pessoa física ou jurídica que tenha contratado o trabalho e do
proprietário do bem objeto da perícia;

b) Requisitos atendidos na perícia referentes, por exemplo, à metodologia
empregada, aos dados levantados, ao tratamento dos elementos coletados etc.;

c) Relato e data da vistoria com todas as informações referentes;

d) Diagnóstico da situação encontrada;

e) No caso de perícias de cunho avaliatório, pesquisa de valores, definição da
metodologia, cálculos e determinação do valor final;

9
f) Memórias de cálculo, resultados de ensaios e outras informações relativas à
seqüência utilizada no trabalho pericial;

g) Nome, assinatura, número e registro no CREA e credenciais do perito de
engenharia.

Recomenda-se ainda que o relatório final contenha todas as informações que
possam contribuir para a elucidação dos fatos em análise, como relatórios técnicos
complementares, recomendações, bibliografia utilizada e documentário fotográfico.

É importante destacar que os laudos técnicos das perícias de engenharia só terão
valor legal se acompanhados da ART (Anotação de Responsabilidade Técnica),
conforme estabelece a Lei 6496/71.

1.7. O Código de Defesa do Consumidor na Construção Civil

De acordo com o Código de Defesa do Consumidor (CDC), é obrigatório o
respeito às normas técnicas brasileiras elaboradas pela ABNT, e sua desobediência
corresponde a uma infração, ensejando as sanções cabíveis.

A falta de observação das normas, bem como deficiências no material e na mão-
de-obra, aliadas à eventual negligência dos construtores, podem ocasionar vícios e
defeitos construtivos.

Vícios construtivos são anomalias da construção; vícios por inadequação de
qualidade prometida ou esperada, ou de quantidade, são falhas que tornam o imóvel
impróprio para o uso ou lhe diminuem o valor. Isso acontece em casos específicos.
Por exemplo, um pequeno defeito na pintura, alguma pequena falha no rejuntamento
de azulejos, uma esquadria mal regulada, entre muitos outros, nem tornam o imóvel
impróprio para uso e nem lhe diminuem o valor.

Defeitos são falhas que fazem com que o fornecimento de produtos ou serviços
afetem ou possam afetar a saúde e a segurança do consumidor. Os vícios e os defeitos
podem ser aparentes ou ocultos. Vícios ou defeitos aparentes são os de fácil
constatação, que podem ser notados quando da entrega do imóvel. Os demais são os
vícios ocultos que diminuem, ao longo do tempo, o valor da coisa ou a tornam
imprópria ao uso a que se destina. Se o consumidor, na aquisição do serviço ou
produto, tivesse conhecimento do vício oculto, poderia pleitear abatimento no preço
ou desistir da compra. Vale ressaltar que, de acordo com o Artigo 18 do Código de
Defesa do Consumidor, somente é possível ao consumidor pleitear abatimento do
preço ou desistir da compra no caso da existência de vícios que tornem o imóvel
impróprio para o uso ou diminuam o valor, respeitadas as variações decorrentes da
natureza do produto, no caso, imóvel construído, e desde que o consumidor tenha
exigido a reparação do vício e o mesmo não tenha sido sanado no prazo entre 7 e 180
dias, conforme pactuado entre as partes.

Danos são as conseqüências dos vícios e defeitos que, na construção civil, afetam
a própria obra, ou o imóvel vizinho, ou os bens, ou as pessoas nele situados, ou ainda
a terceiros (transeuntes e outros).
10

A partir da entrega do imóvel (chaves), de modo geral, o consumidor tem 90 dias
para reclamar do vício ou defeito. Quando for o caso de vícios ou defeitos de fácil
constatação, o consumidor tem 90 dias, após a entrega da obra, para reclamar.
Quando se trata de vício ou defeito oculto, os 90 dias começam a correr a partir do
momento em que tal falha é constatada. No caso de vícios, esse prazo de 90 dias após
constatada a imperfeição oculta pode ser utilizado até o último dia do quinto ano
contado a partir da data da entrega da obra. Já para o defeito (que afeta a solidez e a
segurança da obra ou a saúde do morador), esse prazo se estende até 20 anos.
Entende-se aqui entrega da obra como entrega das chaves ao consumidor, e não o
“habite-se”.

Porém, esse prazo de 90 dias se interrompe com “a reclamação comprovadamente
formulada pelo consumidor perante o fornecedor de produtos e/ou serviços até a
resposta negativa correspondente, que deve ser transmitida de forma inequívoca” (art.
26, II, parágrafo 2º do CDC). Portanto aconselha-se que esta reclamação seja
registrada em Cartório de Títulos e Documentos.

O construtor (executor da obra) tem responsabilidade pela reparação dos danos
causados, independentemente da existência de culpa; basta haver relação de causa e
efeito entre o dano causado e o defeito ou vício que originou esse dano.

O engenheiro (responsável pela obra) responde apenas se a culpa dele restar
provada. A culpa é definida pelo artigo 159 do Código Civil: “Aquele que, por ação
ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito, ou causar prejuízo
a outrem, fica obrigado a reparar o dano.”

Nesse caso, a reparação dos danos causados exige que se prove que houve ação ou
omissão voluntária, negligência ou imprudência. O profissional liberal (engenheiro)
está sob o regime em que a culpa deve ser provada.

O consumidor, assim entendido como toda pessoa física ou jurídica que adquire
ou utiliza produto ou serviço como destinatário final (art. 2º do CDC), deve receber o
“Manual de Uso e Manutenção” do empreendimento, bem como as plantas com a
colocação correta dos pontos e das tubulações de luz e de água e receber as
informações necessárias nos casos omissos ou duvidosos (CDC e a norma NB-578 da
ABNT de julho de 1989).

Uma vez de posse desses documentos, o consumidor torna-se responsável pelo uso
e manutenção correta do imóvel. Caso não siga as instruções recebidas e disso
decorrer algum dano ao imóvel, ele não poderá reclamar, já que usou o imóvel
indevidamente.

É exemplo disso furar uma parede por onde passa um cano d´água, constante da
planta do prédio recebida pelo consumidor. Porém, se a planta estiver errada e o cano
não passar pelo local indicado, a responsabilidade é do construtor, que forneceu a
informação errada.

11
Por outro lado, recomenda-se que as modificações ou reformas de grande monta
(instalações hidráulicas, por exemplo) que serão efetuadas após a entrega do imóvel
ao usuário também integrem o rol dos documentos acima citados, com a
discriminação de seu responsável, preferencialmente com a análise prévia do
engenheiro ou construtor do imóvel, a fim de assegurar que as modificações
pleiteadas não interfiram ou prejudiquem o mesmo.

De acordo com o art. 17 do CDC, equiparam-se aos consumidores todas as vítimas
do evento. Isto quer dizer que se alguém estiver passando na rua e for vítima de
algum material caído da obra, deve ser indenizado, independentemente da culpa do
construtor e como se fosse um consumidor.






































12
2. TÓPICOS DE ESTRUTURAS


2.1. Conceituação

Desde o mais primitivo abrigo até o mais moderno edifício que a estrutura
representa o principal componente de uma construção. Sem estrutura, nenhuma forma
material pode ser preservada.

A estrutura garante a estabilidade da edificação submetida a cargas cujas
diferentes direções e intensidades provocam conflitos que necessitam ser
equacionados.

O projeto estrutural é o instrumento utilizado para solucionar esses conflitos,
fazendo com que as cargas atuantes e as tensões internas sejam mantidas sob controle
em sistemas de ação e reação interdependentes, que garantam o equilíbrio tanto de
cada componente individual, como da estrutura como um todo.

O conhecimento básico do comportamento estrutural dos edifícios é muito
importante para a profissão de engenheiro civil, principalmente para o profissional
que atua como perito, que as vezes se defronta com uma situação cuja resolução está
diretamente relacionada aos fenômenos de natureza estrutural.

Evidentemente não se espera que tais profissionais tenham um nível de
conhecimento sobre o tema que permita-lhes formular e resolver sistemas estruturais.
O que se espera, e é isso que este trabalho propõe, é que a partir do entendimento dos
fundamentos das estruturas, da identificação dos fenômenos relacionados com o
comportamento estrutural e ainda das patologias desenvolvidas nas estruturas, seja
possível emitir um parecer técnico nas situações em que não haja necessidade de
recorrer a um especialista. Tais situações representam algo em torno de 70% dos
casos de vistorias que tratam de anomalias rotineiras em edificações e que podem ser
analisadas, entendidas e diagnosticadas por engenheiros civis e até arquitetos
legalmente habilitados que possuam os conhecimentos básicos necessários.
Guardando as devidas diferenças, tais profissionais poderiam ser comparados a um
médico clínico geral.


2.1.1. Estados limites

O projeto de uma estrutura deve garantir: uma adequada segurança contra a
ruptura provocada pelas solicitações; a limitação das deformações oriundas das
ações de tal modo a não comprometer o seu uso; e a adoção de providências
visando a garantir a sua durabilidade.

Diante disso, uma estrutura (no todo ou em parte) se torna inviável para a
finalidade a qual foi destinada quando atinge a situação chamada “estado limite”,
na qual não preenche mais os requisitos de estabilidade, funcionalidade e
durabilidade.

13
Existem duas categorias de estados limites:

a) Estado limite último

Corresponde ao esgotamento da capacidade portante da estrutura, em parte ou
no todo.

b) Estado limite de utilização

Corresponde a situação em que, mesmo não se tendo esgotado a capacidade
portante, a estrutura é impossibilitada de ser utilizada por não mais oferecer as
condições de funcionalidade e durabilidade.

2.1.2. Ações consideradas

As estruturas são submetidas a diversas ações sejam elas induzidas pela
gravidade (ocorrem no sentido vertical de cima para baixo), compreendendo o peso
próprio da estrutura, das alvenarias, dos revestimentos e as cargas decorrentes do
uso da edificação como os pesos dos móveis, dos objetos, das pessoas, etc.

Existem também as ações produzidas pelos elementos da natureza, como o
vento, a terra e a água, estas difusas e atuantes em várias direções.

De modo geral, no projeto de uma estrutura são consideradas as seguintes
ações:

a) Ações diretas

Cargas permanentes: peso próprio, paredes, revestimentos, etc.

Cargas acidentais: sobrecargas, cargas móveis, vento, etc.

b) Ações indiretas: variação de temperatura, retração, recalques de apoio, etc.

c) Ações excepcionais: incêndios, terremotos, furacões, maremotos, etc.

A figura 2.1 indica esquematicamente as principais ações consideradas em
uma estrutura de um edifício e a tabela 2.1 apresenta os valores mínimos das
cargas verticais que devem ser consideradas no cálculo das estruturas de
edificações, de acordo com a NBR-6120.









14

















































15
Tabela 2.1 - Valores mínimos das sobrecargas verticais atuando nos pisos das edificações em KN/m
2

(Fonte: NBR-6120)

Local Carga
1 Arquibancadas 4
2 Balcões
Mesma carga da peça com a qual se comunicam e as previstas em 2.2.1.5 da
NBR-6120
-
3 Bancos
Escritórios e banheiros
Salas de diretoria e de gerência
2
1,5
4 Bibliotecas
Sala de leitura
Sala para depósito de livros
Sala com estantes, de livros a ser determinada em cada caso ou 2,5kN/m
2

por metro de altura observado, porém o valor mínimo de
2,5
4

6
5 Casas de máquinas
(Incluindo o peso das máquinas) a ser determinada em cada caso, porém
com o valor mínimo de
7,5
6 Cinemas
Platéia com assentos fixos
Estúdio e platéia com assentos móveis
Banheiro
3
4
2
7 Clubes
Sala de refeições e de assembléia com assentos fixos
Sala de assembléia com assentos móveis
Salão de danças e salão de esportes
Sala de bilhar e banheiro
3
4
5
2
8 Corredores
Com acesso ao público
Sem acesso ao público
3
2
9 Cozinhas não
residenciais
A ser determinada em cada caso, porém com o mínimo de 3
10 Depósitos
A ser determinada em cada caso e na falta de valores experimentais
conforme o indicado em 2.2.1.3
-
11 Edifícios residenciais
Dormitórios, sala, copa, cozinha e banheiro
Despensa, área de serviço e lavanderia
1,5
2
12 Escadas
Com acesso ao público
Sem acesso ao público
3
2,5
13 Escolas
Anfiteatro com assentos fixos
Corredor e sala de aula
Outras salas
3
2
14 Escritórios Salas de uso geral e banheiro 2
15 Forros Sem acesso a pessoas 0,5
16 Galerias de arte A ser determinada em cada caso, porém com o mínimo 3
17 Galerias de lojas A ser determinada em cada caso, porém com o mínimo 3
18 Garagens e
estacionamentos
Para veículos de passageiros ou semelhantes com carga máxima de 25kN
por veículo. Valores de φ indicados em 2.2.1.6
3
19 Ginásios de esportes 5
20 Hospitais
Dormitórios, enfermarias, sala de recuperação, sala de cirurgia, sala de raio
X e banheiro
Corredor
2
3
21 Laboratórios
Incluindo equipamentos, a ser determinada em cada caso, porém com o
mínimo
3
22 Lavanderias Incluindo equipamentos 3
23 Lojas 4
24 Restaurantes 3
25 Teatros
Palco
Demais dependências: cargas iguais às especificadas para cinemas
5
-
26 Terraços
Sem acesso ao público
Com acesso ao público
Inacessível a pessoas
Destinados a heliportos elevados: as cargas deverão ser fornecidas pelo
órgão competente do Ministério da Aeronáutica
2
3
0,5

-
27 Vestíbulo
Sem acesso ao público
Com acesso ao público
1,5
3

(ver 2.2.1.7)
16
2.2. Principais sistemas estruturais

Os sistemas estruturais podem ser classificadas como:

a) em estado de tração ou compressão;
b) em estado de tração e compressão exercidos simultaneamente;
c) em estado de flexão;
d) Aqueles que atuam segundo sua continuidade superficial (membranas).

A Figura 2.2 apresenta os principais sistemas quanto aos tipos de esforços e dos
materiais empregados.






































Treliças planas ou espaciais
17
Principais características das estruturas conforme os materiais empregados.

a) Concreto armado

O concreto começou a ser utilizado como material de construção no final
do século XIX na França, Estados Unidos e Alemanha, porém foi no século XX
que se deu o grande desenvolvimento do concreto armado, obtido pela colocação
de barras de aço no interior do material formado pela mistura de cimento, água,
pedra e areia.

Continua sendo um dos principais materiais utilizados nas estruturas,
tendo, nas últimas décadas, alcançando um elevado nível de qualidade resultante
do aprimoramento do seu controle tecnológico e do domínio de seu
comportamento estrutural por parte dos projetistas através da elevada sofisticação
dos processos de dimensionamento, obtidos principalmente com o uso da
informática.

Principais Vantagens:

Materiais relativamente econômicos e disponíveis em qualquer lugar;

Grande facilidade de moldagem, permitindo a adoção das mais diversas
formas;

Emprego de mão-de-obra não qualificada e equipamentos simples;

Elevada resistência ao desgaste mecânico e à ação das intempéries;

Requer manutenção simples e econômica;

Grande resistência à ação do fogo;

Grande durabilidade

Principais desvantagens:

Alto peso específico (2,5t/m
3
), o que implica em limitações dos vãos;

Incapacidade de absorver inversão de esforços;

Impossibilidade de desmontagem para reaproveitamento.

b) Concreto protendido

O concreto protendido consiste num sistema em que as armaduras são
submetidas a um esforço prévio, denominado protensão, responsável pela criação
de um estado de tensões capaz de melhorar a resistência e o comportamento da
estrutura sob diversas condições de carregamentos.

18
O desenvolvimento do concreto protendido e a sua utilização em larga
escala se deram após a Segunda Guerra Mundial, devido, em grande parte ao
engenheiro francês Eugène Freyssinet que através de estudos, ensaios e
observações conseguiu associar concreto de excelente qualidade com aços de
elevada resistência, permitindo a execução de grandes vãos livres com expressiva
redução do peso próprio.

Principais vantagens do concreto protendido em relação ao concreto
armado convencional:

Redução das quantidades de concreto e aço;

Possibilidade de vencer vãos bem maiores que o concreto armado. Para o
mesmo vão consegue-se significativa redução na altura da viga;

Significativa redução na incidência de fissuras;

Redução das tensões principais de tração provocadas pelo esforço cortante;

Durante a operação de protensão, os materiais são submetidos a tensões
geralmente superiores às que poderão ocorrer durante a vida útil da estrutura, o
que funciona como uma prova de carga.

Principais desvantagens do concreto protendido:

O concreto de maior resistência exige melhor controle de execução;

Os aços de alta resistência exigem cuidados especiais de proteção contra
corrosão;

Às operações de protensão necessitam de equipamentos e pessoal
especializados;

De modo geral as obras de concreto protendido exigem maior atenção, e
controle permanente, superiores aos necessários para o concreto armado
tradicional.

c) Estruturas metálicas

Os sistemas em estruturas metálicas apresentam amplas possibilidades de
utilização de elementos padronizados, principalmente quando se deseja grandes
espaços que impliquem na necessidade de flexibilidade no uso da estrutura.

Principais vantagens:

Maiores vãos;

Reduzido peso próprio;

19
Capacidade de resistir a inversão de esforços;

Rapidez na execução;

Economia nas fundações;

Melhor absorção de recalques de apoio;

Incombustibilidade;

Reaproveitamento de estruturas já utilizadas;

Facilidade de reforço de obras existentes.

Principais desvantagens:

Necessidade de rigorosas manutenções periódicas;

Necessidade de mão-de-obra especial;

Sensibilidade à ação do vento;

Maior vulnerabilidade a meios ambiente agressivos;

Grandes deformações causadas por sobrecargas, efeitos térmicos, flexão e
flambagem;

Problemas devido a concentração de tensões.


d) Estruturas de madeira

A madeira é utilizada há vários séculos como material de construção e teve
o seu período áureo entre o século XVI e o início do século XIX, na Europa e nos
Estados Unidos, quando foram construídas pontes que marcaram época pela
excelente qualidade, resistência e beleza. Muitas delas resistiram ao uso e às
intempéries durante séculos.

No Brasil a madeira tem sido utilizada na construção civil em cobertas,
cimbramentos, residências nas áreas rurais, e pequenos pontilhões. Na região
amazônica a abundancia desse material permite a construção de pontes com
comprimentos de até 50m.

O uso desse material está condicionado a uma série de limitações, varias
delas decorrentes da falta de divulgação das informações tecnológicas já
disponíveis sobre o seu comportamento em diferentes condições de serviço e
principalmente, da carência de profissionais habilitados e qualificados para a
elaboração e desenvolvimento de projetos e para a execução de obras de maior
porte. Infelizmente ainda hoje as estruturas de madeira são, na sua grande
20
maioria, projetadas e construídas por pessoas que não detém o conhecimento e a
habilitação necessárias.

De modo geral a madeira apresenta as seguintes vantagens e desvantagens
como material estrutural:

Vantagens

Alta resistência em relação à sua densidade (três vezes superior ao aço e
dez vezes superior ao concreto);

Capacidade de resistir a esforços de sinal contrário ao projetado;

Bom aspecto visual;

Pode ser processada sem maiores dificuldades, possibilitando formas e
dimensões diferentes, evidentemente limitadas pela geometria das toras e
pelo equipamento utilizado na operação;

Mesmo suscetível ao apodrecimento e ataque de organismos xilófagos, tem
a sua durabilidade natural prolongada quando previamente tratada com
substâncias apropriadas;

Desvantagens

Empenamento e rachaduras provocados pela variação de umidade;

Apodrecimento pela ação de fungos;

Vulnerável ao fogo;

Desgaste mecânico;

Deformações excessivas por flexão ou por flambagem;

Necessidade de rigorosas manutenções periódicas.

2.3. Fundações

As fundações são elementos que têm a função de transmitir os esforços da super-
estrutura para o terreno. As cargas transmitidas devem ser compatíveis com a
resistência do solo, devendo ainda as fundações ter adequado comportamento aos
recalques previstos.

As fundações podem ser superficiais ou profundas, dependendo de diversos fatores
que precisam ser analisados na fase de projeto, sendo, porém, de fundamental
importância o conhecimento do tipo de solo do local onde será executada a obra. A
tabela 2.4 apresenta os valores das tensões admissíveis básicas para os solos de
fundação. Tais valores devem servir apenas como referência pois para a escolha e
21
dimensionamento torna-se necessário a execução de sondagens e/ou outras formas de
reconhecimento do solo como análises, ensaios, etc.

Tabela 2.4 – Tensões admissíveis nos solos de fundação (Fonte: NBR-6122)

Classe Solo
Valores
Básicos
MPa
1. Rocha sã, maciça, sem laminações ou sinal de decomposição ......... 5
2. Rochas laminadas, com pequenas fissuras, estratificadas ................ 3,5
3. Solos concrecionados ....................................................................... 1,5
4. Pedregulhos e solos pedregulhosos, mal graduados, compactos ...... 0,8
5. Pedregulhos e solos pedregulhosso, mal graduados, fofos ............... 0,5
6. Areias grossas e areias pedregulhosas, bem graduadas, compactas . 0,8
7. Areias grossas e areias pedregulhosas, mal graduadas, fofas ........... 0,4
8.
Areias finas e médias:
Muito compactas ...............................................................................
Compactas .........................................................................................
Medianamente compactas .................................................................

0,6
0,4
0,2
9.
Argilas e solos argilosos:
Consistência dura...............................................................................
Consistência rija ................................................................................
Consistência média ...........................................................................

0,4
0,2
0.1
10.
Siltes e solos siltosos:
Muito compactos ..............................................................................
Compactos ........................................................................................
Mediamente compactos ....................................................................

0,4
0,2
0,1

2.3.1. Fundações superficiais

Também conhecidas como fundações diretas, são utilizadas quando o solo
de boa qualidade é encontrado a pequena profundidade. Podem ser em blocos e
sapatas (fig. 2.3).



















22
Os blocos de fundações são elementos de grande altura, dispensando a
armação na face inferior. São geralmente construídos em concreto ciclópico e
alvenaria de pedras.

As sapatas de fundação são geralmente executadas em concreto armado e
podem ser isoladas - quando projetadas para cargas concentradas devido a pilares
isolados – ou corridas – quando recebem cargas distribuídas ao longo de sua
extensão (caso das alvenarias estruturais).


2.3.2. Fundações profundas

As fundações profundas são adotadas quando o solo com boa capacidade de
suporte está situado a uma profundidade tal que não permite o emprego de
fundações superficiais. Os tipos de uso mais correntes são as estacas e os tubulões.


Estacas

São elementos estruturais geralmente em concreto, aço ou madeira
cravadas através de equipamentos apropriados, que transmitem as cargas da
edificação às camadas mais profundas do terreno (fig. 2.4). Como os pilares não
podem se apoiar diretamente sobre as estacas, são utilizados elementos
intermediários de ligação, denominados blocos de coroamento.

As estacas de concreto podem ser pré-moldadas ou moldadas no local, as
estacas de aço são formadas por perfis laminados, simples ou compostos; são
também muito utilizadas as estacas formadas por trilhos. As estacas de madeira
são formadas por peças roliças, geralmente de eucalipto, aroeira ou ipê.

Existem ainda as estacas de concreto escavadas manualmente,
popularmente conhecidas como brocas, muito utilizadas em pequenas construções.

















23
Tubulões

Os tubulões são fundações profundas, executadas por escavação a céu
aberto ou com a utilização de ar comprimido no interior de camisas metálicas ou
de concreto armado. São constituídos das seguintes partes (fig. 2.5):

Camisa – de aço ou de concreto pré-moldado
Fuste – executado no local
Base – alargada ou não








































24
3. PATOLOGIA DAS ESTRUTURAS

3.1. Generalidades

É possível dizer, sem exagero, que os edifícios foram criados, até certo ponto, à
imagem e semelhança dos seres humanos.

Assim como o ser humano tem ESQUELETO, os edifícios têm ESTRUTURAS;

Assim como o ser humano tem MUSCULATURA, os edifícios têm ALVENARIA;

Assim como o ser humano tem PELE, os edifícios têm REVESTIMENTOS;

Assim como o ser humano tem SISTEMA CIRCULATÓRIO, os edifícios têm
INSTALAÇÕES HIDRÁULICAS E ELÉTRICAS.

Da mesma forma que os indivíduos, também os edifícios, em certas circunstâncias,
adoecem por fatores internos, externos ou pela natureza.

Os fatores internos, ou endógenos decorrem de deficiências de projeto ou
execução da obra, falhas de utilização ou de sua deterioração natural pelo
envelhecimento.

Os fatores externos, ou exógenos, decorrem de ações impostas por fatores
provocados por terceiros, voluntários ou involuntários, não previstas quando da
execução da obra.

A natureza manifesta-se através de falhas decorrentes de ações não provocadas
diretamente pela ação humana.

O estudo das falhas construtivas é feito pela ciência experimental denominada
“Patologia das Construções”, que envolve conhecimentos multidisciplinares nas
diversas áreas da engenharia.

A Escola Politécnica da USP define patologia das construções como o estudo das
origens, causas, mecanismos de ocorrência, manifestação e conseqüências das
situações em que os edifícios ou suas partes apresentam um desempenho abaixo do
mínimo pré-estabelecido.

Entende-se como o “mínimo pré-estabelecido” a eficiência e durabilidade dos
materiais e técnicas construtivas necessárias para assegurar a vida útil de uma
edificação. Normalmente, tais condições são previstas em normas técnicas,
especificações, ensaios de resistência, etc.


3.2. Causas das manifestações patológicas

É importante ressaltar que a identificação das origens dos problemas patológicos
permite, também, identificar, para fins judiciais quem cometeu as falhas. Ou seja, se
25
os problemas tiveram origem na fase de projetos, os projetistas falharam; quando a
origem está na qualidade do material, o erro é dos fabricantes; se na etapa de
construção trata-se de falhas que envolvem mão-de-obra e fiscalização, ou ainda
omissão do construtor; se na etapa de uso, as falhas poderão ser decorrentes da
operação e manutenção.

Estudos mostram que um elevado percentual dos problemas patológicos nas
edificações são originados nas fases de planejamento e projeto. Essas falhas são
geralmente mais graves que as relacionadas à qualidade dos materiais e aos métodos
construtivos. Isso se explica pela falta de investimento dos proprietários, sejam eles
públicos ou privados, em projetos mais elaborados e, detalhados, fazendo com que a
busca pura e simples de projetos mais “baratos” implique muitas vezes na
necessidade de adaptações durante a fase de execução e futuramente em problemas de
ordens funcional e estrutural.

O quadro a seguir mostra os percentuais das causas das manifestações patológicas
em uma edificação.

ETAPA %
PROJETO 40
EXECUÇÃO 28
MATERIAIS 18
USO 10
PLANEJAMENTO 4

3.3. Estruturas de concreto

3.3.1. Fissuramento - conceituação

Os problemas patológicos nas estruturas de concreto geralmente se
manifestam de forma bem característica, permitindo assim que um profissional
experiente possa deduzir qual a natureza, a origem e os mecanismos
envolvidos, bem como as prováveis conseqüências.

Um dos sintomas mais comuns é o aparecimento de fissuras, trincas,
rachaduras e fendas.

Fissura é uma abertura em forma de linha que aparece nas superfícies de
qualquer material sólido, proveniente da ruptura sutil de parte de sua massa,
com espessura de até 0,5mm.

Trinca é uma abertura em forma de linha que aparece na superfície de
qualquer material sólido, proveniente de evidente ruptura de parte de sua
massa, com espessura de 0,5mm a 1,00mm.

Rachadura é uma abertura expressiva que aparece na superfície de qualquer
material sólido, proveniente de acentuada ruptura de sua massa, podendo-se
“ver” através dela e cuja espessura varia de 1,00mm até 1,5mm.

26
Fenda é uma abertura expressiva que aparece na superfície de qualquer
material sólido, proveniente de acentuada ruptura de sua massa, com espessura
superior a 1,5mm.

De modo geral tais aberturas podem ser passivas ou ativas.

As fissuras passivas quando chegam à sua máxima amplitude, estabilizam-
se devido ao cessamento das causas que as geraram, como é o caso das fissuras
de retração hidráulica ou das provocadas por um recalque diferencial de
fundação que esteja estabilizado.

As fissuras ativas são produzidas por ações de magnitude variáveis que
provocam deformações também variáveis no concreto. É o caso das fissuras de
origem térmica e das de flexão provocadas por ações dinâmicas.
Os problemas existentes em uma estrutura avariada podem ser vários e
muitos complexos.

Existem defeitos localizados e de pouca importância que não afetam o
resto da estrutura e que podem ser identificados imediatamente, sem depender
de maiores estudos e de ensaios de laboratório.

Outros defeitos, porém, são de tal ordem que necessitam de um
conhecimento global da obra, envolvendo ainda todo o histórico da estrutura, a
análise do projeto e todas as informações que possam identificar as causas que
motivaram a sua patologia.

O estudo dos sintomas apresentados pela estrutura implica na análise das
causas que produziram os defeitos ou lesões existentes. Nesse sentido a
localização e o tipo de fissuras são da maior importância nessa análise,
bastando muitas vezes a observação do quadro de fissuração para se chegar às
conclusões que permitam diagnosticar os problemas existentes.

3.3.2. Causas mais comuns do fissuramento

A seguir algumas das causas mais usuais do fissuramento das estruturas:
Cura mal realizada – ressecamento

Retração

Variação de temperatura;

Agressividade do meio ambiente;

Carregamento;

Erros de concepção;

Mal detalhamento do projeto;

27
Erros de execução;

Recalques dos apoios;

Acidentes.

Ressecamento do concreto

Após os primeiros dias da concretagem, o concreto não experimenta
nenhuma retração; ela se manifestará aos 7 dias aproximadamente. Durante a
cura tem lugar um auto-aquecimento que ocorre desde o início da pega do
cimento; a temperatura elevar-se-á, ocorrerá aquecimento do núcleo da peça,
com valor superior ao de sua parte externa.

A figura 3.1 a) mostra fissuras por ressecamento em uma laje nervurada.
As fissuras seguem a armadura principal; a figura 3.1 b) mostra uma laje
maciça e as fissuras não são retilíneas. As fissuras provocadas por
ressecamento manifestam-se durante as primeiras 6 a 18 horas. Para evitar o
fissuramento por ressecamento, as superfícies concretadas devem ser
protegidas e umedecidas imediatamente após serem executadas.
























Retração

O concreto experimenta um aumento de volume quando umedecido, e uma
retração durante o processo de cura. A retração aparece quando a porcentagem
de água interna diminui, sendo a retração mais intensa em tempo seco e
28
quente. É de máxima importância o grau de umidade do meio ambiente para o
desenvolvimento da retração. O processo de retração estende-se durante 2 anos
a 3 anos, provocando tensões de tração, quando as deformações são impedidas
por forças externas ou internas, originadas das armaduras. A retração dará
origem a tensões de compressão no interior da peça e de tração na superfície.
Nas vigas que possuem vários vãos, as fissuras de retração manifestam-se nas
proximidades dos apoios, especialmente se eles são fixos. Nos muros de
concreto diretamente apoiados no solo, as fissuras aparecem devido à
resistência oferecida pelo atrito do concreto com o solo. (fig. 3.2 a)

Quando se trata de peça fortemente armada, a resistência oferecida pela
armadura intervém no fenômeno de fissuramento e o encurtamento global pode
resultar insignificante. Em lajes as fissuras de retração são freqüentes,
principalmente, se elas não possuem elementos de enrijecimento, como vigas
paralelas à armadura. As figuras 3.2 b) e 3.2 c) mostram fissuras de vigas e
pórticos provocadas por retração.

































29
Carregamento

Uma peça estrutural pode fissurar em conseqüência dos seguintes tipos de
esforços provocados por carregamentos:

Tração axial – fissuramento bastante regular, sempre perpendicular às
armaduras, atravessando toda a seção (fig. 3.3)











Compressão axial – Os pilares de concreto armado, submetidos a compressão
axial, rompem com características bem definidas, como os corpos de prova
(fig. 3.4).




























30
Compressão excêntrica – As peças submetidas ao efeito de compressão
excêntrica e flambágem apresentam geralmente fissuras com as características
mostradas na fig 3.5.
















Flexão – as fissuras de flexão são as mais conhecidas e fáceis de identificar.
São sempre perpendiculares às armaduras (fig. 3.6)




























31
Cisalhamento – As fissuras de cisalhamento, provocadas pelo esforço
cortante, são inclinadas e surgem inicialmente nas proximidades dos apoios,
manifestando-se também na parte média das vigas. São geralmente causadas
pela deficiência das armaduras de cisalhamento (fig. 3.7)












Torção – As fissuras de torção podem aparecer em vigas de bordo, por
excessiva deformabilidade da laje; também são originadas de cargas
excêntricas em vigas, ou em vigas que servem de engaste para marquises. Tais
fissuras aparecem simultaneamente em todas as faces livres da peça estrutural
com desenvolvimento helicoidal (fig. 3.8)











3.4. Conceituação dos danos mais comuns nas estruturas

Além da fissuração, os fatores relacionados anteriormente podem causar os
seguintes danos às estruturas de concreto armado ou protendido.

3.4.1. Carbonatação

Uma das causas mais freqüentes da corrosão em estruturas de concreto
armado, a carbonatação é a transformação do hidróxido de cálcio, com alto
PH, em carbonato de cálcio, que tem um PH mais neutro.

A perda de PH do concreto representa um problema, pois em seu ambiente
alcalino – PH variando de 12 a 13 -, as armaduras estão protegidas da corrosão,
mas, abaixo de 9,5, tem-se o início do processo de formação de células
eletroquímicas de corrosão, começando a surgir, depois de algum tempo,
fissuras e desprendimentos da camada de cobrimento.

32
A existência de umidade no concreto influencia bastante o avanço da
carbonatação. Outros fatores que também contribuem para que o fenômeno se
desenvolva com mais rapidez são: a quantidade de CO
2
do meio ambiente, a
permeabilidade do concreto e a existência de fissuras.

3.4.2. Desagregação

É a deterioração, por separação de partes do concreto, provocada, em geral,
pela expansão devido à oxidação ou dilatação das armaduras, e também pelo
aumento de volume do concreto quando este absorve água. Pode ocorrer
também devido às movimentações estruturais e choques.

3.4.3. Disgregação

Caracteriza-se pela ruptura do concreto, em especial nas partes salientes da
estrutura. O concreto disgregado geralmente apresenta as características
originais de resistência, porém não foi capaz de suportar a atuação de esforços
anormais.

3.4.4. Segregação

É a separação entre os elementos de concreto – a brita e a argamassa – logo
após o lançamento.

3.4.5. Perda de aderência

Pode ocorrer entre a armação e o concreto ou entre concretos. A perda de
aderência entre o concreto e o aço ocorre geralmente nos casos de oxidação ou
dilatação da ferragem.

3.4.6. Corrosão das armações

A porosidade do concreto, a existência de trincas e a deficiência no
cobrimento fazem com que a armação seja atingida por elementos agressivos,
acarretando, desta maneira, a sua oxidação. A parte oxidada aumenta o seu
volume em cerca de aproximadamente 8 vezes e a força da expansão expele o
concreto do cobrimento, expondo totalmente a armadura à ação agressiva do
meio. A continuidade desse fenômeno acarreta a total destruição da armação
(fig. 3.9).










33

3.4.7. Corrosão do concreto

O concreto, mesmo sendo bastante resistente quando de boa qualidade está
sujeito a sofrer danos em presença de agentes agressivos. Normalmente, o
concreto mais atacado é o de má qualidade, permeável, segregado, etc.

Os agentes ácidos, os sulfatos, o cloro e seus compostos, os nitratos e
nitritos são os principais fatores destrutivos do concreto.

Mesmo a água totalmente pura, como é o caso das águas de chuvas, pode
atacar o concreto através da infiltração e do acumulo ao longo do tempo.

3.4.8. Calcinação

É o ressecamento das camadas superficiais do concreto devido à ocorrência
de incêndios.

3.4.9. Reatividade álcali sílica (RAS)

A RAS é uma reação química que ocorre entre a sílica existente em
determinados tipos de agregados utilizados no concreto e o álcali (pode ser o
de sódio ou de potássio) presente na parte de cimento.

A RAS provoca trincas de grande magnitude na superfície das estruturas.
Genericamente se dispõem no sentido longitudinal da peça, interconectadas
por finas trincas aleatórias transversais.

Esse tipo de patologia foi identificado pela primeira vez em 1937como
sendo um sério problema para barragens, pontes e pavimentos de rodovias.

No Brasil, diversas barragens e pontes apresentam os sintomas da RAS,
algumas já em estágio avançado.

3.5. Impermeabilização

A impermeabilização na construção civil é uma atividade da engenharia que utiliza
materiais e técnicas, de modo a garantir a estanqueidade necessária às partes da
edificação eventualmente expostas à água. Essa atividade além de proteger o ser
humano, do ponto de vista da saúde e do conforto, também contribui para a
funcionalidade e segurança das edificações, ampliando a vida útil.

Mesmo exercendo essa importância para o bom desempenho dos imóveis, verifica-
se que grande parte dos problemas patológicos que surgem ao longo do tempo nas
edificações são originados direta ou indiretamente pela falta de adoção dos
procedimentos adequados para a impermeabilização, o que implica, além dos
transtornos conhecidos para os usuários, em grandes prejuízos econômicos e
financeiros devidos à prematura deterioração e a diminuição da vida útil dos
empreendimentos.
34

Preocupado com esta questão o CREA-PE realizou em 1997 pesquisa, implantou
um fórum de discussão e publicou uma cartilha sobre o tema impermeabilização.

A pesquisa, realizada em um universo constituído por 6.100 unidades residenciais
na cidade do Recife, com amostras de 355 unidades (5,5%), e confiabilidade de 94%
chegou às seguintes conclusões:

1) Oito entre cada dez prédios visitados apresentam, ou já apresentaram, problemas
de infiltração.

2) A maior ocorrência de infiltração se dá nas áreas malhadas: wc, cozinha, áreas de
serviço, varanda, jardineira.

3) As infiltrações nas fachadas aparecem em segundo lugar, na ordem decrescente,
paredes e esquadrias. Nas paredes, a maior incidência se dá naquelas revestidas
com massa única e pintadas, seguidas daquelas com pastilhas, cerâmicas,
mármore/granito e vidro.

4) Em terceiro lugar aparecem as cobertas, na ordem decrescente telhamento, lajes
expostas e calhas.

5) Por último, e em pequenas proporções, aparecem as infiltrações nos sub-solos,
pavimentos vazados, casas de máquinas/poço de elevador.

6) Foi constatado que 25% dos problemas de infiltração aparecem nos prédios com
até dois anos de construídos.

7) A maior incidência dos problemas de impermeabilização se deu nos prédios
enquadrados nos padrões C e D.

8) Dos prédios que têm fissuras, 98% apresentam problemas de infiltração.

9) Dos 335 prédios pesquisados, apenas 38 (11,30 %) fazem manutenção preventiva;
198 (59,10%) fazem manutenção corretiva; 98 (28,40%) não fazem manutenção e
4 (1,2%) não informaram.

As reclamações acontecem da seguinte forma:

CREA .................................................................. 0,3%
Pequenas causas .................................................. 0,6%
Agente financeiro ................................................ 2,1%
Construtora ......................................................... 8,4%
Condomínio ...................................................... 87,4%
Não reclamou ------------------------------------- 60,80%

Aproximadamente 60% dos que reclamaram problemas relacionados à
impermeabilização tentem solucioná-los no âmbito do condomínio, deixando de
adotar os procedimentos técnicos adequados.
35

3.6. Revestimentos

Aparentemente os revestimentos são tidos como elementos que conferem às
edificações um acabamento bonito. Porém, na realidade eles têm uma função bem
mais abrangente do que garantir uma boa aparência, em especial às partes externas
dos imóveis.

Os revestimentos significam na prática, a garantia da proteção das estruturas e
alvenarias de uma edificação, através do cobrimento com os mais diversos tipos de
materiais apropriados, de modo a evitar a ação deletéria dos agentes externos e
internos, ou seja, tanto provocada pelo meio ambiente como pelo uso.

Nas paredes são geralmente utilizados como revestimentos azulejos, cerâmicas,
pastilhas, argamassas e texturas. Nos pisos é comum a aplicação de cerâmicas, pedras
e madeiras.

A garantia da proteção conferida pelo revestimento depende diretamente da
escolha dos materiais utilizados, da forma de aplicação e da mão-de-obra. Qualquer
falha em uma dessas etapas irá implicar futuramente no aparecimento de anomalias
no acabamento da obra que , por sua vez, irão repercutir na resistência e na
funcionalidade de peças estruturais e alvenarias.

As anomalias mais freqüentes são do tipo manchas, bolhas, descolamentos (em
cerâmicas, azulejos ou pedras) e fissuras.

Sendo as anomalias uma conseqüência, é preciso identificar suas causas, pois só
assim pode-se resolver definitivamente o problema. É necessário, então, o diagnóstico
das causas, que poderão estar tanto nos próprios revestimentos, quanto em qualquer
uma das peças por eles protegidas. Tal diagnóstico poderá ser dado por um
profissional que tenha experiência e conhecimento suficiente sobre o tema.

É preciso, também, lembrar que os materiais de revestimento têm o seu
desempenho limitado por um determinado período de tempo, e esse período é tão
mais curto quanto mais sofrem interferências externas. Assim, os revestimentos, por
serem justamente os que mais são atingidos pelos agentes agressivos, quer do
ambiente externo, quer interno, requerem mais cuidados, com revisões e manutenções
periódicas, muitas vezes simples como é o caso de limpeza e repintura.

Pode-se dizer que quanto mais eficientes forem os revestimentos, maior
durabilidade e funcionalidade terá a edificação como um todo, principalmente no que
se refere a estrutura, alvenaria e instalações.

3.7. Patologia das fundações

Pelo fato de estarem enterradas e conseqüentemente não acessíveis as inspeções
periódicas, os defeitos apresentados pelas fundações só são percebidos através das
repercussões na obra como um todo.

36
Tais defeitos podem ser originados por diversas causas, e nem sempre é fácil
diagnosticá-los e solucioná-los. O solo, é um material complexo, cuja natureza pode
implicar em uma variação muito ampla de suas características.

Os problemas mais freqüentes nas fundações são causados por recalque ou ruptura
do solo, por excesso de carga nas estruturas, por erosões no terreno, pela ação de
agentes agressivos e pela própria inadequação da solução adotada.

Uma causa de danos às fundações que até há algum tempo não recebia a devida
atenção é a ação das raízes de certos tipos de árvores nas proximidades das
edificações. Algumas árvores possuem raízes que se desenvolvem horizontalmente e
com grande rapidez, alcançando grande distância e podendo atingir as fundações, seja
produzindo recalques ou pela saturação do terreno provocado pela ruptura de
tubulações enterradas.

Poços artesianos de pequena profundidade, executados próximos às fundações,
podem representar risco devido à possibilidade de carreamento do material do
subsolo, sob as sapatas.

3.8. Ensaios

Muitas vezes, além da análise visual, faz-se necessário a realização de ensaios
destinados a fornecer informações relacionadas às condições de resistência e ruptura
de componentes da estrutura vistoriada, além de maior conhecimento sobre o solo de
fundação.

A decisão da realização ou não de ensaios fica a cargo do engenheiro responsável
pela elaboração do laudo pericial.

Os ensaios mais conhecidos nas estruturas de concreto e alvenaria são os
seguintes:

a) Não destrutivos:

esclerometria;
carbonatação;
controle de fissuras com selos de gesso ou vidros;
ulta-sonografia;
gamagrafia;
prova de carga;
medições de deformações e recalques;

b) Destrutivos:

resistência à compressão axial em testemunhos retirados da estrutura;
resistência à tração em testemunhos retirados da estrutura;
módulo de deformação do concreto e de argamassas;
reconstituição do traço de concreto e de argamassa;
massa específica, permeabilidade e absorção de água;
37
teor de cloretos;
determinação do escoamento à tração em amostras de armadura retiradas
da estrutura;
determinação do potencial de corrosão de amostras de armadura retiradas
da estrutura;
resistência à compressão de tijolos e blocos individuais;
resistência à compressão de prismas de tijolos e blocos;

c) No solo de fundação:

sondagem de reconhecimento à percussão;
sondagens rotativas (rochas);
ensaios de caracterização da capacidade de suporte;
determinação do nível de agressividade da água do subsolo.



































38
4. ALVENARIAS

4.1. Contextualização

Desde a mais remota antiguidade que o homem utiliza a alvenaria como método
construtivo, inicialmente através do empilhamento de pedras e em seguida através da
descoberta de técnicas que foram evoluindo ao longo dos séculos.

Antes da era Cristã já haviam sido construídas pontes em arcos, monumentos e
outras edificações pelos etruscos, egípcios e romanos que permanecem até os dias
atuais como testemunhas da importância da utilização da alvenaria como material de
construção ao longo da história da humanidade.

Com o passar do tempo as alvenarias sofreram diversas transformações, passando
das formas iniciais, pesadas e espessas, para formas mais delgadas e leves, tornando-
se hoje um dos componentes mais freqüentes em quase todos os tipos de edificações.

Atualmente existe no Brasil uma grande diversidade de peças modulares, blocos e
tijolos, utilizados na construção civil, principalmente na produção de habitações
populares. Isto implica na necessidade de maiores conhecimentos sobre essa técnica
construtiva, seja nos aspectos relativos ao dimensionamento estrutural e controle de
qualidade dos materiais, como no seu comportamento após a conclusão da obra.

Porém, ainda observa-se, de modo geral, a falta até dos conhecimentos básicos
sobre o tema, principalmente quando trata-se da utilização da alvenaria como
elemento estrutural. Isso talvez seja um reflexo da falta de incentivos e investimentos
dos diversos setores que tratam direta ou indiretamente da questão, como
Universidades, a Indústria da Construção Civil, os agentes financeiros que financiam
os imóveis e os próprios fabricantes de tijolos.

Diante disso, as obras de alvenaria, em sua grande maioria ainda são
caracterizadas pelo empirismo e pela carência de procedimentos adequados, tanto de
projeto como de execução, levando algumas delas a apresentarem manifestações
patológicas que, além de prejudicarem a habitabilidade dos imóveis, podem até levá-
los ao colapso estrutural.

4.1.2. Alvenarias estruturais

Também denominadas alvenarias portantes ou autoportantes, são utilizadas
com função estrutural, recebendo as cargas da edificação e transmitindo-as às
fundações. A normalização brasileira estabelece que as paredes com função estrutural
deverão ser executadas com blocos vazados de concreto com furos na vertical,
espessura mínima de 14cm e esbeltez máxima igual a 20. (NBR-10837. Cálculo de
alvenaria estrutural de blocos vazados de concreto).

Podem ser não armadas, parcialmente armadas ou armadas.

As alvenarias não armadas são constituídas pela união de blocos e argamassa, que
absorvem os esforços atuantes. São previstas apenas armaduras de amarração
39
(prevenção de trincas), porém, elas não são consideradas no dimensionamento das
paredes.

As alvenarias parcialmente armadas são constituídas pela união de blocos e
argamassa, sendo utilizada armadura para absorver os esforços em algumas partes das
paredes, sendo as outras partes calculadas como alvenaria não armada.

As alvenarias armadas são compostas pela união de blocos, argamassa, graute e
armadura, dimensionada para resistir aos esforços solicitantes, independentemente
das armaduras construtivas.

4.1.3. Alvenaria de vedação

São as alvenarias que constituem apenas elementos de vedação ou fechamento dos
ambientes. São normalmente constituídas de tijolos cerâmicos vazados com furos na
horizontal ou outros tipos de blocos que não exercem função estrutural.

4.1.4. Alvenarias resistentes

Denominação dada nos meios técnico e acadêmico para aquelas alvenarias que são
utilizadas com função estrutural, porém, de forma empírica ou semi-empírica, em
desacordo com os procedimentos de projeto e execução previstos nas normas. É o
caso, por exemplo, dos edifícios em alvenaria estrutural que utilizam tijolos cerâmicos
vazados com furos na horizontal.

4.1.5. Tipos mais usuais de tijolos e blocos

Os componentes mais usuais das alvenarias, sejam estruturais ou de vedação são:

Tijolos cerâmicos vazados;

Tijolos cerâmicos maciços;

Blocos de concreto;

Blocos de concreto celular;

Blocos sílicos-calcáreos;

Blocos de solo estabilizado.









40

















































41

















































42
Tabela 4.1 Características geométricas
Blocos de concreto estruturais e de vedação.
TIPO
DIMENSÕES
(cm)
ÁREA
BRUTA
(cm
2
)
ÁREA
LIQUIDA
(cm
2
)
ÁREA
VAZADA
(cm
2
)
TOLERÂNCIA
DIMENSIONAL
(mm)
19x19x39 741 371 370 ±3
Bloco
14x19x39 546 271 275 ±3
19x19x19 361 202 159 ±3
Meio bloco
14x19x19 266 145 121 ±3
Bloco 9x19x39 * 351 178 173 ±3
Meio bloco 9x19x39 * 171 92 79 ±3

* Só podem ser utilizados como elementos de vedação


Tabela 4.2 Características físicas
Peso específico médio dos componentes das alvenarias.
γ γγ γ
COMPONENTE
KN/m
3
Kg/m
3

Blocos de concreto 21,6 2.200
Blocos cerâmicos vazados 12,7 1.300
Blocos cerâmicos maciços 12,7 – 21,6 1.300 – 2.200
Blocos silicos-calcáreos 11,8 – 17,6 1.200 – 1.800
Blocos de concreto celular 3,0 – 7,8 300 – 800
Argamassa de assentamento 18,6 1.900
Graute 21,6 2.200
Chapisco 20,6 2.100
Emboço (massa grossa) 19,6 1.900


Tabela 4.3 Resistência mínima à compressão para blocos cerâmicos (NBR-7171).
TIPO
RESISTÊNCIA À COMPRESSÃO
NA ÁREA BRUTA (MPa)
A 1,5
De vedação
B 2,5
C 4,0
D 7,0 Portante
E 10,0


Tabela 4.4 Resistência mínima à compressão para blocos de concreto.
BLOCO REQUISITO
Vedação MPa f MPa f
m i
5 , 2 , 0 , 2 ≥ ≥
Estrutural B MPa F
bk
5 , 4 ≥
Estrutural A MPa F
bk
0 , 6 ≥

=
i
f valor individual

=
m
f valor médio da amostra

=
bk
f valor característico


43
4.2. Patologia

As anomalias manifestadas nas alvenarias que compõem as paredes de uma
edificação, são, de modo geral, bastante visíveis pela própria natureza dos materiais e
do comportamento desses componentes.

Nas alvenarias estruturais as manifestações patológicas são evidentemente de
maior gravidade pela influência na estabilidade do imóvel. Porém, mesmo as
alvenarias de vedação, precisam ter desempenho adequado, de modo a resistir aos
fatores externos e internos como variações de temperatura, movimentações das
estruturas onde estão apoiadas, umidade relativa do ar, infiltrações, etc.

Pelo fato de empregarem materiais diversos, com parâmetros físicos diferenciados,
tornam-se necessários cuidados especiais, especialmente na junção entre paredes e de
paredes com a estrutura, de modo a evitar que as diferenças de comportamento
provoquem danos à edificação. Basta observar que as fissuras mais comuns ocorrem
justamente na ligação das paredes com lajes, vigas e pilares, junto às aberturas de
portas e janelas e na ligação entre paredes.

As alvenarias também são muito sensíveis às movimentações estruturais
provocadas por recalques diferenciais nas fundações, excesso de sobrecarga nas lajes
ou deformabilidade das peças estruturais. Atenção especial deve ser dada às
alvenarias que se apóiam sobre vigas ou lajes em balanço.

4.2.1. Principais anomalias

As anomalias mais freqüentes nas alvenarias são fissuras, eflorescências e
infiltrações de água.

4.2.1. Fissuras

As fissuras ocupam o primeiro lugar na lista dos problemas mais comuns nas
alvenarias. Suas causas nem sempre são facilmente identificadas, porém, o
conhecimento das mesmas é de fundamental importância para a adoção dos
procedimentos adequados de correção.

As alvenarias apresentam, de modo geral, bom comportamento à compressão,
porém o mesmo não ocorre em relação às solicitações de tração, flexão e
cisalhamento. Normalmente a quase totalidade dos casos de fissuração em alvenaria
são provocadas por tensões de tração e cisalhamento.

Outros fatores que também influenciam na fissuração e nas propriedades
mecânicas estão a seguir relacionadas:

Heterogeneidade resultante da utilização conjunta de materiais diferentes, com
propriedades mecânicas e elásticas diferenciadas;

Geometria, rugosidade e porosidade dos componentes;

44
Retração, aderência e retenção de água da argamassa de assentamento;

Esbeltez, geometria da edificação, presença ou não de armadura, existência de
paredes de contraventamentos;

Cintamentos, amarrações, tipos e dimensões de aberturas de portas e janelas;

Tubulações embutidas;

Movimentações higroscópicas e térmicas;

Tipo de fundação, recalques diferenciais.



Tabela 4.5 Principais tipos de fissuras nas alvenarias (Fonte: L.A.Falcão Bauer)
Configuração Típica Causa Provável
Deformação da argamassa de assentamento em paredes submetidas a uma carga vertical
uniformemente distribuída.
Movimentação higroscópica da alvenaria, principalmente no encontro de alvenarias
(cantos) e em alvenarias extensas.
Retração por secagem da alvenaria, principalmente em pontos de concentração de
tensões ou seção enfraquecida.
Fissura
Vertical
Expansão da argamassa de assentamento (interação sulfato-cimento, hidratação
retardada da cal).
Alvenaria submetida à flexocompressão devida a deformações excessivas da laje.
Movimentação térmica da laje de cobertura (deficiência de isolamento térmico, com a
ocorrência de fissuras no topo da parede, decorrente da dilatação da laje de cobertura.
Expansão da argamassa de assentamento (interação sulfato-cimento, hidratação
retardada da cal).
Expansão da alvenaria por movimentação higroscópica, em geral nas regiões sujeitas à
ação constante de umidade, principalmente na base das paredes.
Fissura
Horizontal
Retração por secagem da laje de concreto armado, que gera fissuras nas alvenarias,
principalmente nas externas enfraquecidas por vãos (janelas).
Recalques diferenciais, decorrentes de falhas de projeto, rebaixamento do lençol
freático, heterogeneidade do solo, influência de fundações vizinhas.
Atuação de cargas concentradas diretamente sobre a alvenaria, devido à inexistência de
coxins ou outros dispositivos para distribuição das cargas.
Alvenarias com inexistência ou deficiência de vergas e contravergas nos vãos de portas
e janelas.
Carregamentos desbalanceados, principalmente em sapatas corridas, ou vigas baldrames
excessivamente flexíveis.
Fissura
Inclinada
Movimentação térmica de platibanda, ocorrendo fissuras horizontais e inclinadas nas
extremidades da alvenaria.
Fissura na Laje Mista de
Forro da Coberta
Movimentação térmica, gerando fissuras no encontro dos elementos cerâmicos com as
vigas pré-moldadas.







45
A seguir estão indicadas esquematicamente, algumas configurações mais
freqüentes de fissuras nas paredes de alvenaria (figuras 4.3 a 4.15).















































,
46

















































47

















































48

















































49

















































50

















































51














4.2.1.2. Eflorescências

A eflorescência é um depósito de sais acumulado sobre a superfície das
alvenarias, de composição e aspecto variáveis de acordo com o tipo de sal
depositado.

A acumulação do sal na superfície dos componentes das alvenarias ocorre
pela evaporação da água da solução saturada de sal, que percola através dos
materiais.

A eflorescência pode alterar a superfície sobre a qual se deposita, podendo,
em determinados casos, seus sais constituintes serem agressivos e deteriorarem
profundamente as alvenarias.

Normalmente a eflorescência é causada pela combinação de três fatores:

a) Teor de sais solúveis existentes nos blocos, tijolos e/ou argamassa de
assentamento ou revestimento.

b) Presença de água para dissolver e carrear os sais solúveis até a superfície da
alvenaria.

c) Pressão hidrostática ou evaporação, de modo a produzir a força necessária para
a solução migrar para a superfície.

O fluxo de água através das paredes e a conseqüente cristalização dos sais
solúveis na superfície, ocorre devido ao efeito isolado ou combinado das seguintes
causas: capilaridade, infiltrações em fissuras, percolação por vazamentos de
tubulações de água ou vapor, condensação de vapor de água dentro das paredes.

De modo geral, todas as alvenarias e componentes de concreto estão
sujeitos ao fenômeno da eflorescência. A quantidade e as características dos
depósitos salinos variam conforme a natureza dos produtos solúveis, das condições
atmosféricas, da temperatura, umidade, vento, etc.

52
A seguir a tabela 4.6 apresenta os sais eflorescentes que podem
desenvolver-se nas alvenarias, e a tabela 4.7 as formas de manifestação da
eflorescência.

Tabela 4.6: Sais eflorescentes que se desenvolvem nas alvenarias (Fonte: Ércio Thomaz)
Composição química
Solubilidade
em água
Fonte provável
Carbonato de cálcio pouco solúvel carbonatação da cal lixiviada da argamassa ou concreto.
Carbonato de magnésio pouco solúvel carbonatação da cal lixiviada da argamassa de cal.
Carbonato de potássio muito solúvel
carbonatação dos hidróxidos alcalinos do cimento com
elevado teor de cálcio.
Carbonato de sódio muito solúvel
carbonatação dos hidróxidos alcalinos do cimento com
elevado teor de cálcio.
Hidróxido de cálcio solúvel cal liberada na hidratação do cimento.
Sulfato de cálcio dihidratado
parcialmente
solúvel
hidratação do sulfato de cálcio de componentes cerâmicos.
Sulfato de magnésio solúvel componentes cerâmicos e/ou água de amassamento.
Sulfato de cálcio
parcialmente
solúvel
componentes cerâmicos e/ou água de amassamento.
Sulfato de potássio
parcialmente
solúvel
agregados contaminados, água contaminada ou reação entre
constituintes do cimento e constituintes da cerâmica.
Sulfato de sódio
parcialmente
solúvel
água de amassamento.
Cloreto de cálcio
parcialmente
solúvel
água de amassamento
Cloreto de magnésio
parcialmente
solúvel
água de amassamento.
Nitrato de potássio muito solúvel solo adubado ou contaminado por sais solúveis.
Nitrato de sódio muito solúvel solo adubado ou contaminado por sais solúveis.
Nitrato de amônia muito solúvel solo adubado ou contaminado por sais solúveis.

Tabela 4.7: Formas de manifestação da eflorescência (Fonte: Ércio Thomaz)
Causas prováveis Locais de formação
Aspectos e características da
eflorescência
- Sais solúveis presentes nos materiais:
água de amassamento, agregados ou
aglomerantes
- Sais solúveis presentes nos materiais
cerâmicos
- Sais solúveis contidos no solo
- Poluição atmosférica
- Reação entre compostos dos materiais
cerâmicos e dos cimentos
- Superfícies de concreto aparente
- Superfície de alvenarias
revestidas
- Juntas de pisos cerâmicos ou
azulejos
- Regiões próximas a caixilhos
mal vedados
- Superfícies de ladrilhos não
esmaltados
Pó branco pulverulento,
solúvel em água
- Carbonatação da cal liberada na
hidratação do cimento
- Carbonatação da cal constituinte da
argamassa
- Juntas das alvenarias assentadas
com argamassa
- Superfície de concreto ou
revestimento com argamassa
- Superfície de componentes
próximos a elementos de
alvenaria ou concreto
Depósito branco com aspecto
de escorrimento, muito
aderente e pouco solúvel em
água
- Expansão devido à hidratação do
sulfato de cálcio existente no tijolo ou
reação dos compostos do tijolo e do
cimento
- Formação do sal expansivo por ação
do sulfato do meio
- Em fissuras eventualmente
presentes nas juntas das
alvenarias
- Nas juntas de argamassa das
alvenarias
- Em regiões da alvenaria muito
expostas à ação da chuva
Depósito branco, solúvel em
água, com efeito de expansão


53
4.2.1.3. Infiltração de água

Estudos realizados no Brasil constataram que a incidência de problemas
causados pela umidade nas edificações, é relativamente alta se comparada com
outros tipos de problemas, chegando a até 50%.

A umidade pode ter diversas origens, como a absorção de água do solo
pelas fundações; a condensação do vapor de água nas superfícies ou no interior das
edificações; o vazamento de tubulações de água ou esgoto e a infiltração de água
da chuva que penetra nos edifícios, principalmente através das fachadas e cobertas.

Dentre os tipos de umidade citados, a umidade por infiltração é a que
apresenta maior incidência (aproximadamente 60%).

A infiltração de água nas fachadas e cobertas pode ser agravada pelas
intensidade e direção dos ventos e da chuva.

As observações das condições seguintes têm importante papel, visando a
evitar os efeitos da umidade por infiltração, principalmente se adotados na fase de
projeto:

Detalhes arquitetônicos e construtivos adequados para fachadas e cobertas,
como por exemplo frisos, pingadores, rufos, beirais, platibandas, juntas,
esquadrias e materiais de revestimento;

Conhecimento das propriedades dos materiais constituintes das alvenarias
quanto a higroscopicidade, porosidade e absorção de água;

Conhecimento sobre a intensidade e duração das precipitações na região;

Orientação das fachadas quanto à direção do vento.

Nas alvenarias de blocos vazados de concreto a infiltração de água pode
acontecer pela interface argamassa-bloco e pela própria argamassa, principalmente
quando ela tem espessura elevada (>1,0cm).

As argamassas excessivamente rígidas ou preparadas com excesso de água de
amassamento também apresentam fissuras, que por sua vez provocam infiltrações.

4.2.1.5. Expansão por umidade

Nas alvenarias de tijolos cerâmicos expostos à ação da umidade, pode
ocorrer o fenômeno conhecido como expansão por umidade (EPU).

Embora seja conhecida desde a década de 20, e na década de 50 tenha sido
identificada como responsável pela ocorrência de danos em alvenarias, a EPU só
ganhou destaque no meio técnico a partir de 1997, após a ocorrência de acidentes
com edifícios de alvenaria estrutural no Grande Recife. Na ocasião laudos
54
apontaram o fenômeno como fator determinante para a baixa resistência das
alvenarias de embasamento que provocaram a falência estrutural do prédios.

A EPU é um fenômeno bastante complexo e implica sempre em
conseqüências danosas. De forma simplista, pode-se dizer que as cerâmicas
porosas absorvem água (hidratação) e com o passar do tempo sofrem um aumento
de volume (expansão).

Os problemas decorrentes podem variar de fissuras em azulejos,
descolamento de revestimentos e pisos cerâmicos até a graves lesões estruturais
em paredes de alvenaria de tijolos cerâmicos, podendo comprometer a estabilidade
das edificações construídas com alvenaria portante.

No Brasil a EPU não tem sido estudada com a profundidade merecida e a
maioria dos trabalhos técnicos encontrados sobre o assunto referem-se a problemas
relacionados com os revestimentos cerâmicos. Torna-se necessário portanto, que
sejam desenvolvidas pesquisas que possibilitem o conhecimento adequado do
fenômeno da EPU, como forma de utilizar adequadamente os tijolos cerâmicos em
obras de alvenaria estrutural, especialmente aquelas construídas em condições
ambientais desfavoráveis como é o caso de lençol freático superficial.

4.3. A utilização de alvenaria estrutural em Pernambuco

4.3.1. Resumo histórico

A alvenaria é utilizada em Pernambuco como elemento estrutural desde os
tempos coloniais. Um dos principais motivos sempre foi a grande disponibilidade
de matéria prima para produção de tijolos cerâmicos.

A partir da década de 70 do século passado, no auge da atuação do Banco
Nacional da Habitação – BNH, esse sistema construtivo teve grande impulso na
produção de moradias populares, a maioria delas financiada pelo Sistema
Financeiro da Habitação - SFH.

Estima-se que no Grande Recife tenham sido edificados 6.000 prédios com
essa tecnologia construtiva, a maioria deles composta de um pavimento térreo e
três pavimentos superiores, com estrutura de concreto armado apenas no trecho
correspondente à escada e reservatório superior, ficando a maior parte da
edificação funcionando de tal modo que todas as cargas são transmitidas
diretamente para as paredes que, por sua vez, as transmitem para as fundações,
geralmente em sapatas corridas.

Tais edificações ficaram popularmente conhecidas como “prédios caixão” e
apresentavam, à época em que foram construídos, uma série de vantagens em
relação as obras com estrutura convencional, entre elas um menor custo de
construção, maior rapidez de execução, menores valores de financiamento dos
apartamentos e grande utilização dos tijolos cerâmicos produzidos no Estado.


55
4.3.2. Problemas ocorridos com o processo construtivo

A busca pela diminuição dos custos, muitas vezes associada à falta de
controle de qualidade da construção, além da inexistência de norma técnica
especifica, resultou em uma série de patologias e acidentes com esse tipo de obra,
que acentuaram-se a partir de 1997, com a ocorrência de diversos acidentes,
inclusive desabamentos com vitimas fatais no Grande Recife.

Os laudos técnicos elaborados por profissionais especializados concluíram
que as causas dos desabamentos estavam diretamente relacionadas a falência
estrutural dos blocos de concreto, ou tijolos cerâmicos das alvenarias de
embasamento que se deterioraram ao longo do tempo em decorrência do ataque de
sulfatos presentes na água do subsolo.

A utilização de sistema construtivo inadequado, com o uso de caixão
perdido no embasamento, inclusive de alvenaria singela, contribuiu para que se
estabelecessem condições desfavoráveis como: o funcionamento dessas alvenarias
como muros de contenção do aterro, passando as mesmas a trabalhar à flexo
compressão; o contato permanente do aterro com blocos de concreto de alta
porosidade, com uma das faces sujeita à umidade e tendo a outra face livre para a
evaporação, o que favorece a formação da etringita seguida de lixiviação; a
ocorrência do fenômeno conhecido como expansão por umidade – EPU, com a
perda da resistência dos tijolos cerâmicos.

Vale salientar que a grande maioria dos prédios caixões em Pernambuco
foi calculada através de métodos empíricos, devido à ausência de normas
especificas. É o caso da utilização em paredes estruturais de tijolos cerâmicos com
furos na horizontal.

A única norma brasileira para o cálculo de alvenaria estrutural é a NBR-
10837 de julho de 1989, que refere-se apenas aos blocos vazados de concreto,
permanecendo ainda a lacuna para a utilização de tijolos cerâmicos com função
estrutural.

4.3.3. Necessidades de mudanças

Diante de tal situação, fica evidente a necessidade da adoção de novos
procedimentos para projetos e obras em alvenaria estrutural, visando assim
garantir a adequada segurança às construções atuais.

A seguir estão enunciados alguns desses procedimentos:

a) Elaboração de norma técnica para o cálculo de alvenaria estrutural de tijolos
cerâmicos.

b) Adequação da indústria cerâmica para produzir tijolos com furos verticais,
dimensões e resistência compatíveis com a função estrutural.

56
c) Mudança de postura dos projetistas de estruturas, passando a ser mais
rigorosos com a aferição das características de resistência dos materiais
previstos nos projetos e seguindo as normas existentes, tanto nacionais como
internacionais.

d) Maior rigor dos construtores com a qualidade de suas obras, tanto no controle
dos materiais e mão-de-obra, como no processo construtivo como um todo.

e) Maior eficiência por parte dos agentes financeiros na fiscalização das obras
financiadas.

f) Participação efetiva do poder público, nos âmbitos federal, estadual e
municipal, inclusive revendo alguns procedimentos atualmente adotados para
disciplinamento das construções, garantia da qualidade e a concessão do
habite-se.

g) Orientação aos moradores sobre a utilização e conservação de seus imóveis,
principalmente no que se refere às reformas com retirada de paredes.

4.3.4. Ações propostas

Com base no histórico recente de acidentes com esse tipo de edificação e
considerando que outros prédios com características semelhantes também
poderiam vir a sofrer colapso estrutural a qualquer momento, o CREA-PE
elaborou, em 2001, em parceria com os Departamentos de Engenharia Civil da
UFPE, UNICAP e UPE, um documento, que teve o autor deste texto como um dos
redatores, propondo uma série de ações voltadas para a garantia das condições de
estabilidade dos prédios em alvenaria estrutural já edificados, de modo a resolver
definitivamente o problema que aflige diretamente os habitantes desses imóveis,
que se encontram potencialmente expostos a riscos de vida ou a perda do
patrimônio duramente conquistado.

A seguir o resumo das propostas apresentadas no documento que foi
entregue às autoridades:

a) Inspeção detalhada em todas as edificações executadas em alvenaria estrutural
na Região Metropolitana do Recife, contemplando aspectos relativos ao estado
atual do imóvel, condições de projeto e de construção.

b) Verificação, com base em critérios pré-estabelecidos, das condições de
estabilidade de cada edificação, envolvendo as análises estruturais e os ensaios
necessários.

c) Elaboração dos projetos de recuperação estrutural para as edificações que não
atenderem aos parâmetros de verificação estabelecidos.

d) Execução das obras de recuperação projetadas.


57
5. BIBLIOGRAFIA

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• ABNT, NBR-10.837. Cálculo de alvenaria Estrutural em Blocos Vazados de
Concreto

• ABNT, NBR-13752. Perícias de Engenharia na Construção Civil

• ABNT, NBR-6118. Projeto e Execução de Estruturas de Concreto Armado

• ABNT, NBR-6122. Projeto e Execução de Fundações

• ABNT, NBR-6128. Cargas para o Cálculo de Estruturas de edificações

• ABNT, NBR-6461. Bloco Cerâmico de Alvenaria – Verificação de resistência à
compressão

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Paulo, 2000

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• CREA-SP. A Saúde dos Edifícios. São Paulo, 1999

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Perícias de Engenharia. Editora Pini Ltda., São Paulo, 1998

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Ltda., Porto Alegre, 1982

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Concreto. São Paulo, 1988

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Janeiro, 1980

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• VITÓRIO, Afonso. Sistemas Estruturais na Arquitetura. IAB-PE, Recife, 1987

INTRODUÇÃO

Este trabalho foi inicialmente elaborado como roteiro para o curso “Perícias Judiciais e Patologia das Estruturas”, ministrado por mim e pelo engenheiro Gilberto Adib Couri, presidente do Instituto de Engenharia Legal – IEL - RJ, a convite do IPEAPE. Durante o desenvolvimento dos assuntos selecionados, percebi que o texto poderia ir além de um roteiro para exposição durante o curso, transformando-se em uma publicação a ser utilizada como fonte de consulta pelos profissionais que desenvolvem atividades relacionadas aos temas abordados. Por isso, procurei utilizar uma linguagem que, embora técnica, consiga expor da forma mais simples possível, os conceitos básicos do comportamento e dos fenômenos patológicos das estruturas, de modo a possibilitar a compreensão dos mesmos por engenheiros não especialistas, cujas atividades impliquem, mesmo que eventualmente, na necessidade de tais conhecimentos, a exemplo dos profissionais que atuam como peritos. A experiência mostra que parte considerável dos eventos que demandam a realização de vistorias e perícias em edificações, decorrem de manifestações patológicas muitas vezes identificadas através da simples observação do quadro de fissuração, o que facilita bastante o diagnóstico dos problemas existentes. Evidentemente deverão ser consultados engenheiros especialistas em estruturas e fundações para os casos mais complexos. Não é pretensão deste trabalho esgotar o assunto que, pela própria natureza e complexidade, necessita, para o seu aprofundamento, de um nível de conhecimento que excede os princípios básicos aqui apresentados. Nesse sentido, ao final do texto é apresentada bibliografia que poderá ser consultada por aqueles que pretendam se aprofundar no estudo da análise estrutural e dos fenômenos relacionados à patologia das edificações. Espero estar contribuindo com este trabalho para o aprimoramento profissional dos colegas, em especial dos que estão iniciando as suas atividades, como também para a melhoria dos serviços de vistorias e perícias de engenharia nas áreas das edificações e estruturas.

Afonso Vitório. Recife, novembro de 2003. 2

FUNDAMENTOS DA PATOLOGIA DAS ESTRUTURAS NAS PERÍCIAS DE ENGENHARIA INTRODUÇÃO SUMÁRIO 1 1.1 1.2 1.3 1.4 1.5 1.6 1.7 2 2.1 2.1.1 2.1.2 2.2 2.3 2.3.1 2.3.2 3 3.1 3.2 3.3 3.3.1 3.3.2 3.4 3.4.1 3.4.2 3.4.3 3.4.4 3.4.5 3.4.6 3.4.7 3.4.8 3.4.9 3.5 3.6 3.7 3.8 PERÍCIAS DE ENGENHARIA Generalidades Conceituação Perícias Judiciais Perito Assistente Técnico Laudo Técnico O Código de Defesa do Consumidor na construção civil TÓPICOS DE ESTRUTURAS Conceituação Estados limites Ações consideradas Principais sistemas estruturais Fundações Fundações superficiais Fundações profundas PATOLOGIA DAS ESTRUTURAS Generalidades Causas das manifestações patológicas Estruturas de concreto Fissuramento – Conceituação Causas mais comuns do fissuramento Conceituação dos danos mais comuns nas estruturas de concreto Carbonatação Desagregação Disgregação Segregação Perda de aderência Corrosão das armaduras Corrosão do concreto Calcinação Reatividade álcali sílica Impermeabilização Revestimento Patologia da fundações Ensaios 3

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ALVENARIAS

4.1 Contextualização 4.1.2 Alvenarias estruturais 4.1.3 Alvenarias de vedação 4.1.4 Alvenarias resistentes 4.1.5 Tipos mais usuais de tijolos e blocos 4.2 Patologia 4.2.1 Principais anomalias 4.2.1.1 Fissuras 4.2.1.2 Eflorescências 4.2.1.3 Infiltração de água 4.3 A utilização de alvenaria estrutural em Pernambuco 4.3.1 Resumo histórico 4.3.2 Problemas ocorridos com o processo construtivo 4.3.3 Necessidades de mudanças 4.4 Ações propostas 5 BIBLIOGRAFIA

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1. – PERÍCIAS DE ENGENHARIA 1.1. Generalidades As obras de engenharia, assim como os seres humanos, podem sofrer os efeitos dos males congênitos e adquiridos, são vulneráveis a acidentes e também deterioramse com o passar do tempo. Mesmo considerando-se que muitas edificações têm dado verdadeiros exemplos de grande durabilidade, sob condições totalmente adversas, convém lembrar que elas não têm vida útil infinita. Afinal, uma edificação é o resultado da combinação de materiais diversos e heterogêneos e de mão-de-obra geralmente não especializada e de grande rotatividade. Acrescente-se a isso a agressividade ambiental, a má utilização e a falta de conservação para que comecem a se manifestar os fenômenos patológicos que tendem a comprometer a funcionalidade e a segurança do imóvel. Nesse sentido, é de fundamental importância o aprimoramento de profissionais de engenharia voltados para a investigação das falhas e avarias que, além de causarem muitas vezes acidentes de natureza grave, como desabamentos, também acarretam a depreciação do patrimônio e altos custos de recuperação. Esses profissionais, denominados peritos de engenharia , devem ter a capacidade de analisar os problemas e emitir os pareceres técnicos conforme cada caso específico. 1.2. Conceituação A norma NBR-13.752/96 – Perícias de engenharia na construção civil, define perícia como “atividade que envolva a apuração das causas que motivaram determinado evento ou da asserção de direitos”. Classifica as seguintes espécies de perícias: a) Arbitramento Quando envolve a tomada de decisão ou posição entre as alternativas tecnicamente controversas ou que decorrem de aspectos subjetivos. b) Avaliação Quando envolve a determinação técnica do valor qualitativo ou monetário de um bem, de um direito ou de um empreendimento. c) Exame Inspeção, por meio de perito, sobre pessoa, coisas, móveis e semoventes para verificação de fatos ou circunstâncias que interessem à causa. 5

vistorias cautelares. b) Se tiver trabalhado no processo com outra função. na colateral. mediante exame circunstanciado e descrição minuciosa dos elementos que o constituem. c) Se alguma das partes for parente seu. Geralmente as perícias são originadas pelos seguintes tipos de ocorrências: Ações judiciais. 1. Perícias judiciais São aquelas que ocorrem no âmbito da justiça em diferentes tipos de ações como: execuções. consangüíneo ou afim. d) Quando pertencer a órgão que é parte na causa.3. 6 . e) Não versar sobre a matéria da perícia. Perito A NBR 13795/96 define perito como o profissional legalmente habilitado pelos Conselhos Regionais de Engenharia. renovatória de contrato de locação.4. muitas vezes o Juiz precisa analisar e emitir uma sentença sobre questão que envolve a necessidade de conhecimentos técnicos especializados que extrapolam a sua formação. revisional de aluguel. alvarás. que assessora o Juiz quando o assunto em pauta depende de conhecimento técnico ou cientifico e não deve ter nenhuma obrigação com qualquer das partes envolvidas no processo. desapropriações. Arquitetura e Agronomia com atribuições para proceder a perícia. usucapião. inventários. reivindicatórias. demolitória. Um perito judicial pode ser recusado por impedimento ou suspensão. em linha reta ou. demarcações. Nos processos judiciais. Esses profissionais são denominados Peritos Judiciais. Os motivos são os seguintes: a) Se o perito faz parte no processo. nunciação de obra nova. O Perito é considerado um auxiliar da justiça. Nesses casos ele se utiliza da assistência de profissionais qualificados e que estejam legalmente habilitados para transmitir-lhe as informações necessárias.d) Vistoria Quando envolve a constatação de um fato. Ações extrajudiciais. 1. Ações administrativas. separação litigiosa. arrolamentos. até o terceiro grau. partilhas. civil pública.

Nesse sentido deverá: Comunicar. a indicação dos Peritos será de livre escolha do Juízo. Sempre que assim solicitado. Assistente Técnico A NBR 13752/96 define Assistente Técnico como o profissional legalmente habilitado pelos Conselhos Regionais de Engenharia. em especial nos quesitos complementares. deste Código. promover reuniões técnicas com os assistentes. 7 . transcrito a seguir: “Art. assim como informar acerca do andamento dos trabalhos. Por isso buscará sempre atender à ética profissional durante as atividades desenvolvidas. o início das diligências aos colegas que atuam como assistentes técnicos. respeitado o disposto no Capítulo VI. Colaborar com o advogado na formação dos quesitos. 145 Quando a prova do fato depender de conhecimento técnico ou científico. pois contribuem para a descoberta da veracidade dos fatos. 421. indicado e contratado pela parte para orientá-la. Arquitetura e Agronomia.” 1. antecipadamente. § 2º Os Peritos comprovarão sua especialidade na matéria sobre que deverão opinar. De modo geral. Sempre que possível. procurando enumerar os itens que poderá ir adiantando quando se iniciarem as diligências.O Perito do Juízo precisa ter em mente que as suas funções são da maior relevância.5. § 1º Os Peritos serão escolhidos entre profissionais de nível universitário. o Assistente Técnico deverá ter a seguinte atuação: Analisar tecnicamente o processo em que está atuando. A habilitação profissional do perito está prevista no artigo 145 do CPC. quando necessário. segundo o disposto no art. § 3º Nas localidades onde não houver profissionais qualificados que preencham os requisitos dos parágrafos anteriores. devidamente inscritos no órgão de classe competente. o Juiz será assistido por Perito. emitir seu parecer técnico. assistir aos trabalhos periciais em todas as suas fases da perícia e. seção VII. que poderão ocorrer ao longo da realização da perícia. mediante certidão do órgão profissional em que estiverem inscritos. Comunicar os assistentes técnicos quando da entrega do laudo. conceder vistas aos autos para os assistentes técnicos.

apresentando suas divergências técnicas com justificativas e bem fundamentadas. por exemplo.6. extrajudiciais ou particulares. Devem ser evitados parágrafos longos que possam parecer inconclusivos e de difícil compreensão. devido à grande variedade de ações em que a atuação dos peritos é solicitada e também à especificidade de cada caso. elaborar seu laudo pericial em separado. Porém. devem ser totalmente objetivas. facilitando seu acesso aos imóveis. profissional habilitado. d) Diagnóstico da situação encontrada. explicando as conclusões dele ao advogado que o indicou. b) Requisitos atendidos na perícia referentes. e) No caso de perícias de cunho avaliatório. além de amparadas pela literatura existente sobre o tema. à metodologia empregada. 8 .Procurar informar ao Perito Oficial o andamento do processo. A NBR 13752/96 prevê que um laudo pericial deverá constar dos seguintes elementos: a) Indicação da pessoa física ou jurídica que tenha contratado o trabalho e do proprietário do bem objeto da perícia. aos dados levantados. Laudo Técnico Laudo é uma peça na qual o perito. As respostas aos quesitos formulados. quando concordar. Quando não concordar. 1. Nesse sentido é de fundamental importância que o documento seja objetivo e apresentado em linguagem técnica adequada. algumas regras básicas devem ser seguidas para que o relatório final atenda à sua finalidade. documentos e informações úteis à perícia. A legislação não prescreve a forma pela qual os laudos devem ser apresentados.. Podem ser classificadas em judiciais. relata o que observar e dá as suas conclusões ou avalia. Devem ser feitas apenas as considerações que não suscitem qualquer dúvida de natureza técnica e que estejam respaldadas por observações e conclusões evidentes. fundamentadamente. o valor de coisas ou direitos (NBR 13752/96). c) Relato e data da vistoria com todas as informações referentes. Procurar assinar o laudo elaborado pelo Perito Oficial. cálculos e determinação do valor final. pesquisa de valores. ao tratamento dos elementos coletados etc. com disposição racional dos textos e ilustrações. no caso dos laudos judiciais. definição da metodologia.

assinatura. tivesse conhecimento do vício oculto. Vícios ou defeitos aparentes são os de fácil constatação. e sua desobediência corresponde a uma infração. de acordo com o Artigo 18 do Código de Defesa do Consumidor. alguma pequena falha no rejuntamento de azulejos. na construção civil. Isso acontece em casos específicos. ou de quantidade. Vícios construtivos são anomalias da construção. conforme pactuado entre as partes. poderia pleitear abatimento no preço ou desistir da compra. somente é possível ao consumidor pleitear abatimento do preço ou desistir da compra no caso da existência de vícios que tornem o imóvel impróprio para o uso ou diminuam o valor.7. É importante destacar que os laudos técnicos das perícias de engenharia só terão valor legal se acompanhados da ART (Anotação de Responsabilidade Técnica). ou os bens. recomendações. ao longo do tempo. O Código de Defesa do Consumidor na Construção Civil De acordo com o Código de Defesa do Consumidor (CDC). Por exemplo. ou as pessoas nele situados. bibliografia utilizada e documentário fotográfico. Danos são as conseqüências dos vícios e defeitos que. ensejando as sanções cabíveis. bem como deficiências no material e na mãode-obra. ou o imóvel vizinho. o valor da coisa ou a tornam imprópria ao uso a que se destina. conforme estabelece a Lei 6496/71. podem ocasionar vícios e defeitos construtivos. no caso. número e registro no CREA e credenciais do perito de engenharia. afetam a própria obra. vícios por inadequação de qualidade prometida ou esperada. na aquisição do serviço ou produto. A falta de observação das normas. 9 . Recomenda-se ainda que o relatório final contenha todas as informações que possam contribuir para a elucidação dos fatos em análise. uma esquadria mal regulada. 1. Os vícios e os defeitos podem ser aparentes ou ocultos. um pequeno defeito na pintura. entre muitos outros. que podem ser notados quando da entrega do imóvel. Os demais são os vícios ocultos que diminuem. nem tornam o imóvel impróprio para uso e nem lhe diminuem o valor. Vale ressaltar que. como relatórios técnicos complementares. ou ainda a terceiros (transeuntes e outros).f) Memórias de cálculo. Se o consumidor. é obrigatório o respeito às normas técnicas brasileiras elaboradas pela ABNT. aliadas à eventual negligência dos construtores. são falhas que tornam o imóvel impróprio para o uso ou lhe diminuem o valor. g) Nome. respeitadas as variações decorrentes da natureza do produto. Defeitos são falhas que fazem com que o fornecimento de produtos ou serviços afetem ou possam afetar a saúde e a segurança do consumidor. e desde que o consumidor tenha exigido a reparação do vício e o mesmo não tenha sido sanado no prazo entre 7 e 180 dias. imóvel construído. resultados de ensaios e outras informações relativas à seqüência utilizada no trabalho pericial.

2º do CDC). No caso de vícios. a responsabilidade é do construtor. É exemplo disso furar uma parede por onde passa um cano d´água. já que usou o imóvel indevidamente. Quando for o caso de vícios ou defeitos de fácil constatação. Portanto aconselha-se que esta reclamação seja registrada em Cartório de Títulos e Documentos. o consumidor tem 90 dias. ou causar prejuízo a outrem. esse prazo se estende até 20 anos. o consumidor torna-se responsável pelo uso e manutenção correta do imóvel. Uma vez de posse desses documentos. que forneceu a informação errada. 10 .” Nesse caso. basta haver relação de causa e efeito entre o dano causado e o defeito ou vício que originou esse dano. Quando se trata de vício ou defeito oculto. Já para o defeito (que afeta a solidez e a segurança da obra ou a saúde do morador). que deve ser transmitida de forma inequívoca” (art. II. O profissional liberal (engenheiro) está sob o regime em que a culpa deve ser provada. constante da planta do prédio recebida pelo consumidor. assim entendido como toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final (art. parágrafo 2º do CDC). A culpa é definida pelo artigo 159 do Código Civil: “Aquele que. O consumidor. após a entrega da obra. Porém. negligência ou imprudência.A partir da entrega do imóvel (chaves). por ação ou omissão voluntária. independentemente da existência de culpa. O construtor (executor da obra) tem responsabilidade pela reparação dos danos causados. para reclamar. fica obrigado a reparar o dano. Caso não siga as instruções recebidas e disso decorrer algum dano ao imóvel. negligência ou imprudência. a reparação dos danos causados exige que se prove que houve ação ou omissão voluntária. Porém. 26. Entende-se aqui entrega da obra como entrega das chaves ao consumidor. ele não poderá reclamar. o consumidor tem 90 dias para reclamar do vício ou defeito. os 90 dias começam a correr a partir do momento em que tal falha é constatada. de modo geral. O engenheiro (responsável pela obra) responde apenas se a culpa dele restar provada. esse prazo de 90 dias após constatada a imperfeição oculta pode ser utilizado até o último dia do quinto ano contado a partir da data da entrega da obra. esse prazo de 90 dias se interrompe com “a reclamação comprovadamente formulada pelo consumidor perante o fornecedor de produtos e/ou serviços até a resposta negativa correspondente. violar direito. se a planta estiver errada e o cano não passar pelo local indicado. bem como as plantas com a colocação correta dos pontos e das tubulações de luz e de água e receber as informações necessárias nos casos omissos ou duvidosos (CDC e a norma NB-578 da ABNT de julho de 1989). deve receber o “Manual de Uso e Manutenção” do empreendimento. e não o “habite-se”.

preferencialmente com a análise prévia do engenheiro ou construtor do imóvel. De acordo com o art. com a discriminação de seu responsável. a fim de assegurar que as modificações pleiteadas não interfiram ou prejudiquem o mesmo. independentemente da culpa do construtor e como se fosse um consumidor. por exemplo) que serão efetuadas após a entrega do imóvel ao usuário também integrem o rol dos documentos acima citados. equiparam-se aos consumidores todas as vítimas do evento. 17 do CDC. recomenda-se que as modificações ou reformas de grande monta (instalações hidráulicas. deve ser indenizado.Por outro lado. Isto quer dizer que se alguém estiver passando na rua e for vítima de algum material caído da obra. 11 .

Guardando as devidas diferenças. da identificação dos fenômenos relacionados com o comportamento estrutural e ainda das patologias desenvolvidas nas estruturas. funcionalidade e durabilidade. O que se espera. O projeto estrutural é o instrumento utilizado para solucionar esses conflitos. seja possível emitir um parecer técnico nas situações em que não haja necessidade de recorrer a um especialista. que as vezes se defronta com uma situação cuja resolução está diretamente relacionada aos fenômenos de natureza estrutural. que garantam o equilíbrio tanto de cada componente individual. Evidentemente não se espera que tais profissionais tenham um nível de conhecimento sobre o tema que permita-lhes formular e resolver sistemas estruturais. Estados limites O projeto de uma estrutura deve garantir: uma adequada segurança contra a ruptura provocada pelas solicitações. entendidas e diagnosticadas por engenheiros civis e até arquitetos legalmente habilitados que possuam os conhecimentos básicos necessários. uma estrutura (no todo ou em parte) se torna inviável para a finalidade a qual foi destinada quando atinge a situação chamada “estado limite”. nenhuma forma material pode ser preservada. como da estrutura como um todo. principalmente para o profissional que atua como perito. Conceituação Desde o mais primitivo abrigo até o mais moderno edifício que a estrutura representa o principal componente de uma construção. e a adoção de providências visando a garantir a sua durabilidade.2. Tais situações representam algo em torno de 70% dos casos de vistorias que tratam de anomalias rotineiras em edificações e que podem ser analisadas. a limitação das deformações oriundas das ações de tal modo a não comprometer o seu uso. O conhecimento básico do comportamento estrutural dos edifícios é muito importante para a profissão de engenheiro civil. fazendo com que as cargas atuantes e as tensões internas sejam mantidas sob controle em sistemas de ação e reação interdependentes. Diante disso. 2. 12 . e é isso que este trabalho propõe. TÓPICOS DE ESTRUTURAS 2.1. na qual não preenche mais os requisitos de estabilidade. A estrutura garante a estabilidade da edificação submetida a cargas cujas diferentes direções e intensidades provocam conflitos que necessitam ser equacionados. tais profissionais poderiam ser comparados a um médico clínico geral.1.1. Sem estrutura. é que a partir do entendimento dos fundamentos das estruturas.

no projeto de uma estrutura são consideradas as seguintes a) Ações diretas Cargas permanentes: peso próprio. de acordo com a NBR-6120. recalques de apoio. compreendendo o peso próprio da estrutura. Existem também as ações produzidas pelos elementos da natureza. b) Estado limite de utilização Corresponde a situação em que. em parte ou no todo. das pessoas. dos revestimentos e as cargas decorrentes do uso da edificação como os pesos dos móveis. Ações consideradas As estruturas são submetidas a diversas ações sejam elas induzidas pela gravidade (ocorrem no sentido vertical de cima para baixo).Existem duas categorias de estados limites: a) Estado limite último Corresponde ao esgotamento da capacidade portante da estrutura. etc.1. ações: De modo geral. 2. terremotos. etc. furacões. b) Ações indiretas: variação de temperatura. das alvenarias. retração.2. 13 . paredes. como o vento.1 apresenta os valores mínimos das cargas verticais que devem ser consideradas no cálculo das estruturas de edificações.1 indica esquematicamente as principais ações consideradas em uma estrutura de um edifício e a tabela 2. c) Ações excepcionais: incêndios. mesmo não se tendo esgotado a capacidade portante. etc. revestimentos. Cargas acidentais: sobrecargas. vento. etc. A figura 2. etc. a estrutura é impossibilitada de ser utilizada por não mais oferecer as condições de funcionalidade e durabilidade. maremotos. dos objetos. estas difusas e atuantes em várias direções. cargas móveis. a terra e a água.

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Valores mínimos das sobrecargas verticais atuando nos pisos das edificações em KN/m2 (Fonte: NBR-6120) 1 Arquibancadas 2 Balcões 3 Bancos 4 Bibliotecas 5 Casas de máquinas 6 Cinemas Local Mesma carga da peça com a qual se comunicam e as previstas em 2. porém com o mínimo Incluindo equipamentos Palco Demais dependências: cargas iguais às especificadas para cinemas Sem acesso ao público Com acesso ao público Inacessível a pessoas Destinados a heliportos elevados: as cargas deverão ser fornecidas pelo órgão competente do Ministério da Aeronáutica Sem acesso ao público Com acesso ao público Carga 4 2 1. sala.2. sala de recuperação. copa.6 Dormitórios.1.7) Sem acesso ao público Anfiteatro com assentos fixos Corredor e sala de aula Outras salas Salas de uso geral e banheiro Sem acesso a pessoas A ser determinada em cada caso. a ser determinada em cada caso. porém com o mínimo Para veículos de passageiros ou semelhantes com carga máxima de 25kN por veículo. área de serviço e lavanderia Com acesso ao público (ver 2. porém com o mínimo A ser determinada em cada caso.1 .1.5 3 2 2 0. cozinha e banheiro Despensa.2. de livros a ser determinada em cada caso ou 2. sala de raio X e banheiro Corredor Incluindo equipamentos.2. porém o valor mínimo de (Incluindo o peso das máquinas) a ser determinada em cada caso.5 4 6 7.5 1.1.5 2. enfermarias.5 3 3 3 5 2 3 3 3 4 3 5 2 3 0.5 3 7 Clubes 8 Corredores 9 Cozinhas não residenciais 10 Depósitos 11 Edifícios residenciais 12 Escadas 13 Escolas 14 Escritórios 15 Forros 16 Galerias de arte 17 Galerias de lojas 18 Garagens e estacionamentos 19 Ginásios de esportes 20 Hospitais 21 Laboratórios 22 Lavanderias 23 Lojas 24 Restaurantes 25 Teatros 26 Terraços 27 Vestíbulo 15 . Valores de φ indicados em 2.1.2.5 3 4 2 3 4 5 2 3 2 3 1.5 da NBR-6120 Escritórios e banheiros Salas de diretoria e de gerência Sala de leitura Sala para depósito de livros Sala com estantes.Tabela 2.5kN/m2 por metro de altura observado. porém com o mínimo de A ser determinada em cada caso e na falta de valores experimentais conforme o indicado em 2. sala de cirurgia.5 2 3 2.3 Dormitórios. porém com o valor mínimo de Platéia com assentos fixos Estúdio e platéia com assentos móveis Banheiro Sala de refeições e de assembléia com assentos fixos Sala de assembléia com assentos móveis Salão de danças e salão de esportes Sala de bilhar e banheiro Com acesso ao público Sem acesso ao público A ser determinada em cada caso.

Aqueles que atuam segundo sua continuidade superficial (membranas).2 apresenta os principais sistemas quanto aos tipos de esforços e dos materiais empregados.2. A Figura 2. em estado de flexão. em estado de tração e compressão exercidos simultaneamente. Principais sistemas estruturais Os sistemas estruturais podem ser classificadas como: a) b) c) d) em estado de tração ou compressão. Treliças planas ou espaciais 16 .2.

pedra e areia. Grande durabilidade Principais desvantagens: Alto peso específico (2. Principais Vantagens: Materiais relativamente econômicos e disponíveis em qualquer lugar. Estados Unidos e Alemanha. Impossibilidade de desmontagem para reaproveitamento. Continua sendo um dos principais materiais utilizados nas estruturas. tendo. Requer manutenção simples e econômica. obtidos principalmente com o uso da informática. b) Concreto protendido O concreto protendido consiste num sistema em que as armaduras são submetidas a um esforço prévio. Incapacidade de absorver inversão de esforços. Grande facilidade de moldagem.5t/m3). água.Principais características das estruturas conforme os materiais empregados. porém foi no século XX que se deu o grande desenvolvimento do concreto armado. Grande resistência à ação do fogo. alcançando um elevado nível de qualidade resultante do aprimoramento do seu controle tecnológico e do domínio de seu comportamento estrutural por parte dos projetistas através da elevada sofisticação dos processos de dimensionamento. Elevada resistência ao desgaste mecânico e à ação das intempéries. denominado protensão. responsável pela criação de um estado de tensões capaz de melhorar a resistência e o comportamento da estrutura sob diversas condições de carregamentos. permitindo a adoção das mais diversas formas. Emprego de mão-de-obra não qualificada e equipamentos simples. 17 . nas últimas décadas. a) Concreto armado O concreto começou a ser utilizado como material de construção no final do século XIX na França. obtido pela colocação de barras de aço no interior do material formado pela mistura de cimento. o que implica em limitações dos vãos.

Os aços de alta resistência exigem cuidados especiais de proteção contra corrosão. Significativa redução na incidência de fissuras. Possibilidade de vencer vãos bem maiores que o concreto armado.O desenvolvimento do concreto protendido e a sua utilização em larga escala se deram após a Segunda Guerra Mundial. Principais desvantagens do concreto protendido: O concreto de maior resistência exige melhor controle de execução. Durante a operação de protensão. o que funciona como uma prova de carga. Redução das tensões principais de tração provocadas pelo esforço cortante. principalmente quando se deseja grandes espaços que impliquem na necessidade de flexibilidade no uso da estrutura. Reduzido peso próprio. c) Estruturas metálicas Os sistemas em estruturas metálicas apresentam amplas possibilidades de utilização de elementos padronizados. permitindo a execução de grandes vãos livres com expressiva redução do peso próprio. De modo geral as obras de concreto protendido exigem maior atenção. Principais vantagens do concreto protendido em relação ao concreto armado convencional: Redução das quantidades de concreto e aço. Principais vantagens: Maiores vãos. ensaios e observações conseguiu associar concreto de excelente qualidade com aços de elevada resistência. os materiais são submetidos a tensões geralmente superiores às que poderão ocorrer durante a vida útil da estrutura. superiores aos necessários para o concreto armado tradicional. e controle permanente. Para o mesmo vão consegue-se significativa redução na altura da viga. 18 . em grande parte ao engenheiro francês Eugène Freyssinet que através de estudos. Às operações de protensão necessitam de equipamentos e pessoal especializados. devido.

Rapidez na execução. Muitas delas resistiram ao uso e às intempéries durante séculos. Sensibilidade à ação do vento. Problemas devido a concentração de tensões. varias delas decorrentes da falta de divulgação das informações tecnológicas já disponíveis sobre o seu comportamento em diferentes condições de serviço e principalmente. da carência de profissionais habilitados e qualificados para a elaboração e desenvolvimento de projetos e para a execução de obras de maior porte. residências nas áreas rurais. Reaproveitamento de estruturas já utilizadas. cimbramentos. Incombustibilidade. na sua grande 19 . Melhor absorção de recalques de apoio. Principais desvantagens: Necessidade de rigorosas manutenções periódicas. Maior vulnerabilidade a meios ambiente agressivos. resistência e beleza. Necessidade de mão-de-obra especial. Na região amazônica a abundancia desse material permite a construção de pontes com comprimentos de até 50m. d) Estruturas de madeira A madeira é utilizada há vários séculos como material de construção e teve o seu período áureo entre o século XVI e o início do século XIX. Facilidade de reforço de obras existentes. flexão e flambagem. quando foram construídas pontes que marcaram época pela excelente qualidade. O uso desse material está condicionado a uma série de limitações. na Europa e nos Estados Unidos. e pequenos pontilhões. efeitos térmicos. Grandes deformações causadas por sobrecargas.Capacidade de resistir a inversão de esforços. Economia nas fundações. Infelizmente ainda hoje as estruturas de madeira são. No Brasil a madeira tem sido utilizada na construção civil em cobertas.

sendo. Fundações As fundações são elementos que têm a função de transmitir os esforços da superestrutura para o terreno. Desvantagens Empenamento e rachaduras provocados pela variação de umidade. Mesmo suscetível ao apodrecimento e ataque de organismos xilófagos. 2. projetadas e construídas por pessoas que não detém o conhecimento e a habilitação necessárias. Vulnerável ao fogo. Tais valores devem servir apenas como referência pois para a escolha e 20 . Capacidade de resistir a esforços de sinal contrário ao projetado. dependendo de diversos fatores que precisam ser analisados na fase de projeto. tem a sua durabilidade natural prolongada quando previamente tratada com substâncias apropriadas. evidentemente limitadas pela geometria das toras e pelo equipamento utilizado na operação.3. devendo ainda as fundações ter adequado comportamento aos recalques previstos. As cargas transmitidas devem ser compatíveis com a resistência do solo. De modo geral a madeira apresenta as seguintes vantagens e desvantagens como material estrutural: Vantagens Alta resistência em relação à sua densidade (três vezes superior ao aço e dez vezes superior ao concreto). Deformações excessivas por flexão ou por flambagem. possibilitando formas e dimensões diferentes. de fundamental importância o conhecimento do tipo de solo do local onde será executada a obra. As fundações podem ser superficiais ou profundas. Pode ser processada sem maiores dificuldades.4 apresenta os valores das tensões admissíveis básicas para os solos de fundação. Bom aspecto visual.maioria. Desgaste mecânico. Necessidade de rigorosas manutenções periódicas. Apodrecimento pela ação de fungos. A tabela 2. porém.

...............2 0... 7...... maciça..........dimensionamento torna-se necessário a execução de sondagens e/ou outras formas de reconhecimento do solo como análises... Compactas .............. Valores Básicos MPa 5 3..... Solo Rocha sã............ etc.................4 0... 2.....................................................4 0.............. Podem ser em blocos e sapatas (fig... Pedregulhos e solos pedregulhosso................. Mediamente compactos .. 2................ Argilas e solos argilosos: Consistência dura.... 4.......... mal graduadas.......................... Compactos ........................... 21 .....8 0.......5 0.................................1 0.... 6........4 – Tensões admissíveis nos solos de fundação (Fonte: NBR-6122) Classe 1.......... sem laminações ou sinal de decomposição ....... Fundações superficiais Também conhecidas como fundações diretas... 3......... com pequenas fissuras.......................... Pedregulhos e solos pedregulhosos............2 0...............5 0.............................. Consistência média ... 10............. Medianamente compactas ............. Areias grossas e areias pedregulhosas.............1.................. fofos ............................ 2.......... Rochas laminadas..........................4 0.................4 0............. Siltes e solos siltosos: Muito compactos ......................... mal graduados.... 8.... bem graduadas................................. estratificadas ..... ensaios...... Solos concrecionados ..... são utilizadas quando o solo de boa qualidade é encontrado a pequena profundidade............................ 5.... fofas ............... mal graduados....3).........3...1 9.................................. Tabela 2........6 0............... Areias grossas e areias pedregulhosas.................... Consistência rija ................ Areias finas e médias: Muito compactas . compactas .... compactos ........................2 0....5 1......................8 0....

As estacas de concreto podem ser pré-moldadas ou moldadas no local.3. São geralmente construídos em concreto ciclópico e alvenaria de pedras. 22 . geralmente de eucalipto. muito utilizadas em pequenas construções. denominados blocos de coroamento. são utilizados elementos intermediários de ligação.Os blocos de fundações são elementos de grande altura. dispensando a armação na face inferior.4).quando projetadas para cargas concentradas devido a pilares isolados – ou corridas – quando recebem cargas distribuídas ao longo de sua extensão (caso das alvenarias estruturais). as estacas de aço são formadas por perfis laminados. simples ou compostos. Como os pilares não podem se apoiar diretamente sobre as estacas. As estacas de madeira são formadas por peças roliças. 2. aroeira ou ipê.2. 2. popularmente conhecidas como brocas. são também muito utilizadas as estacas formadas por trilhos. que transmitem as cargas da edificação às camadas mais profundas do terreno (fig. Os tipos de uso mais correntes são as estacas e os tubulões. Fundações profundas As fundações profundas são adotadas quando o solo com boa capacidade de suporte está situado a uma profundidade tal que não permite o emprego de fundações superficiais. Estacas São elementos estruturais geralmente em concreto. As sapatas de fundação são geralmente executadas em concreto armado e podem ser isoladas . Existem ainda as estacas de concreto escavadas manualmente. aço ou madeira cravadas através de equipamentos apropriados.

5): Camisa – de aço ou de concreto pré-moldado Fuste – executado no local Base – alargada ou não 23 . São constituídos das seguintes partes (fig.Tubulões Os tubulões são fundações profundas. 2. executadas por escavação a céu aberto ou com a utilização de ar comprimido no interior de camisas metálicas ou de concreto armado.

3. Os fatores internos. não previstas quando da execução da obra. tais condições são previstas em normas técnicas. Causas das manifestações patológicas É importante ressaltar que a identificação das origens dos problemas patológicos permite. externos ou pela natureza. O estudo das falhas construtivas é feito pela ciência experimental denominada “Patologia das Construções”. os edifícios têm ALVENARIA. até certo ponto. também. Os fatores externos. voluntários ou involuntários. Assim como o ser humano tem MUSCULATURA. ensaios de resistência. Assim como o ser humano tem PELE. A natureza manifesta-se através de falhas decorrentes de ações não provocadas diretamente pela ação humana. manifestação e conseqüências das situações em que os edifícios ou suas partes apresentam um desempenho abaixo do mínimo pré-estabelecido. causas. Entende-se como o “mínimo pré-estabelecido” a eficiência e durabilidade dos materiais e técnicas construtivas necessárias para assegurar a vida útil de uma edificação. Da mesma forma que os indivíduos. se 24 . também os edifícios. A Escola Politécnica da USP define patologia das construções como o estudo das origens. Generalidades É possível dizer. mecanismos de ocorrência. identificar. ou endógenos decorrem de deficiências de projeto ou execução da obra. 3. adoecem por fatores internos. Ou seja. à imagem e semelhança dos seres humanos. os edifícios têm INSTALAÇÕES HIDRÁULICAS E ELÉTRICAS. Assim como o ser humano tem SISTEMA CIRCULATÓRIO. para fins judiciais quem cometeu as falhas. que os edifícios foram criados. os edifícios têm ESTRUTURAS. falhas de utilização ou de sua deterioração natural pelo envelhecimento. etc.2. em certas circunstâncias. especificações. ou exógenos. decorrem de ações impostas por fatores provocados por terceiros.1. PATOLOGIA DAS ESTRUTURAS 3. os edifícios têm REVESTIMENTOS. Normalmente. que envolve conhecimentos multidisciplinares nas diversas áreas da engenharia. sem exagero. Assim como o ser humano tem ESQUELETO.

25 . em projetos mais elaborados e. permitindo assim que um profissional experiente possa deduzir qual a natureza.3.3. as falhas poderão ser decorrentes da operação e manutenção. podendo-se “ver” através dela e cuja espessura varia de 1. Trinca é uma abertura em forma de linha que aparece na superfície de qualquer material sólido. fazendo com que a busca pura e simples de projetos mais “baratos” implique muitas vezes na necessidade de adaptações durante a fase de execução e futuramente em problemas de ordens funcional e estrutural.5mm. se na etapa de construção trata-se de falhas que envolvem mão-de-obra e fiscalização. se na etapa de uso. detalhados. Um dos sintomas mais comuns é o aparecimento de fissuras. a origem e os mecanismos envolvidos. os projetistas falharam.5mm a 1. Estruturas de concreto 3. Estudos mostram que um elevado percentual dos problemas patológicos nas edificações são originados nas fases de planejamento e projeto. quando a origem está na qualidade do material.00mm até 1. rachaduras e fendas. com espessura de 0. Fissuramento . ou ainda omissão do construtor. proveniente de evidente ruptura de parte de sua massa. proveniente de acentuada ruptura de sua massa.00mm. o erro é dos fabricantes. proveniente da ruptura sutil de parte de sua massa. O quadro a seguir mostra os percentuais das causas das manifestações patológicas em uma edificação. bem como as prováveis conseqüências.conceituação Os problemas patológicos nas estruturas de concreto geralmente se manifestam de forma bem característica. Essas falhas são geralmente mais graves que as relacionadas à qualidade dos materiais e aos métodos construtivos.1. trincas.5mm. Isso se explica pela falta de investimento dos proprietários. Rachadura é uma abertura expressiva que aparece na superfície de qualquer material sólido. com espessura de até 0. Fissura é uma abertura em forma de linha que aparece nas superfícies de qualquer material sólido. ETAPA PROJETO EXECUÇÃO MATERIAIS USO PLANEJAMENTO % 40 28 18 10 4 3. sejam eles públicos ou privados.os problemas tiveram origem na fase de projetos.

Nesse sentido a localização e o tipo de fissuras são da maior importância nessa análise. bastando muitas vezes a observação do quadro de fissuração para se chegar às conclusões que permitam diagnosticar os problemas existentes. proveniente de acentuada ruptura de sua massa. Mal detalhamento do projeto.3. 26 . estabilizamse devido ao cessamento das causas que as geraram. Outros defeitos. De modo geral tais aberturas podem ser passivas ou ativas. As fissuras ativas são produzidas por ações de magnitude variáveis que provocam deformações também variáveis no concreto. Existem defeitos localizados e de pouca importância que não afetam o resto da estrutura e que podem ser identificados imediatamente. Causas mais comuns do fissuramento A seguir algumas das causas mais usuais do fissuramento das estruturas: Cura mal realizada – ressecamento Retração Variação de temperatura. como é o caso das fissuras de retração hidráulica ou das provocadas por um recalque diferencial de fundação que esteja estabilizado. a análise do projeto e todas as informações que possam identificar as causas que motivaram a sua patologia. É o caso das fissuras de origem térmica e das de flexão provocadas por ações dinâmicas. As fissuras passivas quando chegam à sua máxima amplitude. envolvendo ainda todo o histórico da estrutura. são de tal ordem que necessitam de um conhecimento global da obra. com espessura superior a 1. Os problemas existentes em uma estrutura avariada podem ser vários e muitos complexos. O estudo dos sintomas apresentados pela estrutura implica na análise das causas que produziram os defeitos ou lesões existentes. sem depender de maiores estudos e de ensaios de laboratório.5mm.2. Agressividade do meio ambiente. Carregamento.Fenda é uma abertura expressiva que aparece na superfície de qualquer material sólido. 3. Erros de concepção. porém.

ela se manifestará aos 7 dias aproximadamente. A retração aparece quando a porcentagem de água interna diminui. As fissuras provocadas por ressecamento manifestam-se durante as primeiras 6 a 18 horas. A figura 3. Ressecamento do concreto Após os primeiros dias da concretagem.1 b) mostra uma laje maciça e as fissuras não são retilíneas. Para evitar o fissuramento por ressecamento. Acidentes. ocorrerá aquecimento do núcleo da peça. Retração O concreto experimenta um aumento de volume quando umedecido. Recalques dos apoios. e uma retração durante o processo de cura. As fissuras seguem a armadura principal. com valor superior ao de sua parte externa.1 a) mostra fissuras por ressecamento em uma laje nervurada. o concreto não experimenta nenhuma retração. as superfícies concretadas devem ser protegidas e umedecidas imediatamente após serem executadas.Erros de execução. a temperatura elevar-se-á. sendo a retração mais intensa em tempo seco e 27 . a figura 3. Durante a cura tem lugar um auto-aquecimento que ocorre desde o início da pega do cimento.

originadas das armaduras. se elas não possuem elementos de enrijecimento. quando as deformações são impedidas por forças externas ou internas. 3. As figuras 3. as fissuras aparecem devido à resistência oferecida pelo atrito do concreto com o solo. O processo de retração estende-se durante 2 anos a 3 anos. especialmente se eles são fixos. provocando tensões de tração. a resistência oferecida pela armadura intervém no fenômeno de fissuramento e o encurtamento global pode resultar insignificante. como vigas paralelas à armadura. (fig. principalmente. Nas vigas que possuem vários vãos.quente. É de máxima importância o grau de umidade do meio ambiente para o desenvolvimento da retração. Em lajes as fissuras de retração são freqüentes. Nos muros de concreto diretamente apoiados no solo. A retração dará origem a tensões de compressão no interior da peça e de tração na superfície.2 c) mostram fissuras de vigas e pórticos provocadas por retração. as fissuras de retração manifestam-se nas proximidades dos apoios.2 a) Quando se trata de peça fortemente armada. 28 .2 b) e 3.

sempre perpendicular às armaduras.3) Compressão axial – Os pilares de concreto armado. 29 . rompem com características bem definidas.4). 3.Carregamento Uma peça estrutural pode fissurar em conseqüência dos seguintes tipos de esforços provocados por carregamentos: Tração axial – fissuramento bastante regular. submetidos a compressão axial. 3. como os corpos de prova (fig. atravessando toda a seção (fig.

5. São sempre perpendiculares às armaduras (fig.Compressão excêntrica – As peças submetidas ao efeito de compressão excêntrica e flambágem apresentam geralmente fissuras com as características mostradas na fig 3.6) 30 . Flexão – as fissuras de flexão são as mais conhecidas e fáceis de identificar. 3.

ou em vigas que servem de engaste para marquises. abaixo de 9. 3. que tem um PH mais neutro.4. pois em seu ambiente alcalino – PH variando de 12 a 13 -. manifestando-se também na parte média das vigas. em carbonato de cálcio.4. São geralmente causadas pela deficiência das armaduras de cisalhamento (fig. com alto PH. 3. as armaduras estão protegidas da corrosão. começando a surgir. os fatores relacionados anteriormente podem causar os seguintes danos às estruturas de concreto armado ou protendido. 3. também são originadas de cargas excêntricas em vigas.5.Cisalhamento – As fissuras de cisalhamento.1.7) Torção – As fissuras de torção podem aparecer em vigas de bordo. A perda de PH do concreto representa um problema. são inclinadas e surgem inicialmente nas proximidades dos apoios. Tais fissuras aparecem simultaneamente em todas as faces livres da peça estrutural com desenvolvimento helicoidal (fig. 31 . fissuras e desprendimentos da camada de cobrimento. a carbonatação é a transformação do hidróxido de cálcio. por excessiva deformabilidade da laje.8) 3. depois de algum tempo. provocadas pelo esforço cortante. tem-se o início do processo de formação de células eletroquímicas de corrosão. Carbonatação Uma das causas mais freqüentes da corrosão em estruturas de concreto armado. mas. Conceituação dos danos mais comuns nas estruturas Além da fissuração.

A parte oxidada aumenta o seu volume em cerca de aproximadamente 8 vezes e a força da expansão expele o concreto do cobrimento. Disgregação Caracteriza-se pela ruptura do concreto.4. Segregação É a separação entre os elementos de concreto – a brita e a argamassa – logo após o lançamento. 32 . A continuidade desse fenômeno acarreta a total destruição da armação (fig. por separação de partes do concreto.4. em geral.4. 3. a permeabilidade do concreto e a existência de fissuras. Desagregação É a deterioração. desta maneira.4.9). Corrosão das armações A porosidade do concreto.3. a sua oxidação. expondo totalmente a armadura à ação agressiva do meio. Perda de aderência Pode ocorrer entre a armação e o concreto ou entre concretos. 3. A perda de aderência entre o concreto e o aço ocorre geralmente nos casos de oxidação ou dilatação da ferragem. em especial nas partes salientes da estrutura. Outros fatores que também contribuem para que o fenômeno se desenvolva com mais rapidez são: a quantidade de CO2 do meio ambiente. 3.4. acarretando. e também pelo aumento de volume do concreto quando este absorve água.5. 3. Pode ocorrer também devido às movimentações estruturais e choques. O concreto disgregado geralmente apresenta as características originais de resistência. 3.A existência de umidade no concreto influencia bastante o avanço da carbonatação. pela expansão devido à oxidação ou dilatação das armaduras.2.6.4. 3. a existência de trincas e a deficiência no cobrimento fazem com que a armação seja atingida por elementos agressivos. porém não foi capaz de suportar a atuação de esforços anormais. provocada.

Genericamente se dispõem no sentido longitudinal da peça. Mesmo exercendo essa importância para o bom desempenho dos imóveis. de modo a garantir a estanqueidade necessária às partes da edificação eventualmente expostas à água. além dos transtornos conhecidos para os usuários. Normalmente. 33 .4. pode atacar o concreto através da infiltração e do acumulo ao longo do tempo. mesmo sendo bastante resistente quando de boa qualidade está sujeito a sofrer danos em presença de agentes agressivos. Os agentes ácidos.4. Calcinação É o ressecamento das camadas superficiais do concreto devido à ocorrência de incêndios.7. 3.5. também contribui para a funcionalidade e segurança das edificações. ampliando a vida útil. Reatividade álcali sílica (RAS) A RAS é uma reação química que ocorre entre a sílica existente em determinados tipos de agregados utilizados no concreto e o álcali (pode ser o de sódio ou de potássio) presente na parte de cimento. Corrosão do concreto O concreto. No Brasil. o concreto mais atacado é o de má qualidade. A RAS provoca trincas de grande magnitude na superfície das estruturas.9. os sulfatos. Impermeabilização A impermeabilização na construção civil é uma atividade da engenharia que utiliza materiais e técnicas. Mesmo a água totalmente pura. os nitratos e nitritos são os principais fatores destrutivos do concreto. segregado. como é o caso das águas de chuvas. 3. 3. verificase que grande parte dos problemas patológicos que surgem ao longo do tempo nas edificações são originados direta ou indiretamente pela falta de adoção dos procedimentos adequados para a impermeabilização. etc.4. permeável.8. do ponto de vista da saúde e do conforto. diversas barragens e pontes apresentam os sintomas da RAS. o cloro e seus compostos.3. pontes e pavimentos de rodovias. em grandes prejuízos econômicos e financeiros devidos à prematura deterioração e a diminuição da vida útil dos empreendimentos. o que implica. algumas já em estágio avançado. Esse tipo de patologia foi identificado pela primeira vez em 1937como sendo um sério problema para barragens. interconectadas por finas trincas aleatórias transversais. Essa atividade além de proteger o ser humano.

. 9) Dos 335 prédios pesquisados.... Nas paredes..... seguidas daquelas com pastilhas........ 98% apresentam problemas de infiltração.... cerâmicas...........Preocupado com esta questão o CREA-PE realizou em 1997 pesquisa............... 198 (59.. realizada em um universo constituído por 6........60. 2) A maior ocorrência de infiltração se dá nas áreas malhadas: wc.. 98 (28.... problemas de infiltração. pavimentos vazados........ a maior incidência se dá naquelas revestidas com massa única e pintadas...80% Aproximadamente 60% dos que reclamaram problemas relacionados à impermeabilização tentem solucioná-los no âmbito do condomínio. lajes expostas e calhas...... 8) Dos prédios que têm fissuras.... 8.. 87.. e em pequenas proporções.3% Pequenas causas .......... paredes e esquadrias........................... cozinha.4% Não reclamou ------------------------------------................... mármore/granito e vidro. com amostras de 355 unidades (5.1% Construtora ................40%) não fazem manutenção e 4 (1....................... ou já apresentaram.......5%)..... 5) Por último..100 unidades residenciais na cidade do Recife........... 0. na ordem decrescente telhamento. 3) As infiltrações nas fachadas aparecem em segundo lugar.. apenas 38 (11....... As reclamações acontecem da seguinte forma: CREA .. 34 .. 6) Foi constatado que 25% dos problemas de infiltração aparecem nos prédios com até dois anos de construídos.... 0......... A pesquisa......6% Agente financeiro ................ e confiabilidade de 94% chegou às seguintes conclusões: 1) Oito entre cada dez prédios visitados apresentam....... deixando de adotar os procedimentos técnicos adequados.... jardineira.....4% Condomínio ... varanda................ áreas de serviço.. implantou um fórum de discussão e publicou uma cartilha sobre o tema impermeabilização. 7) A maior incidência dos problemas de impermeabilização se deu nos prédios enquadrados nos padrões C e D.. na ordem decrescente.2%) não informaram....30 %) fazem manutenção preventiva.... aparecem as infiltrações nos sub-solos... 2.10%) fazem manutenção corretiva. 4) Em terceiro lugar aparecem as cobertas.. casas de máquinas/poço de elevador......

requerem mais cuidados. Sendo as anomalias uma conseqüência. argamassas e texturas. cerâmicas. quer do ambiente externo. a garantia da proteção das estruturas e alvenarias de uma edificação. também. através do cobrimento com os mais diversos tipos de materiais apropriados. azulejos ou pedras) e fissuras. quer interno. ou seja. por serem justamente os que mais são atingidos pelos agentes agressivos. alvenaria e instalações. e esse período é tão mais curto quanto mais sofrem interferências externas. por sua vez. 3. pois só assim pode-se resolver definitivamente o problema. irão repercutir na resistência e na funcionalidade de peças estruturais e alvenarias. É necessário. 35 . quanto em qualquer uma das peças por eles protegidas. descolamentos (em cerâmicas. os revestimentos. é preciso identificar suas causas. Nos pisos é comum a aplicação de cerâmicas. tanto provocada pelo meio ambiente como pelo uso. da forma de aplicação e da mão-de-obra. os defeitos apresentados pelas fundações só são percebidos através das repercussões na obra como um todo. Revestimentos Aparentemente os revestimentos são tidos como elementos que conferem às edificações um acabamento bonito. o diagnóstico das causas. então. com revisões e manutenções periódicas. As anomalias mais freqüentes são do tipo manchas. muitas vezes simples como é o caso de limpeza e repintura. É preciso.7. Porém.3. Patologia das fundações Pelo fato de estarem enterradas e conseqüentemente não acessíveis as inspeções periódicas. Pode-se dizer que quanto mais eficientes forem os revestimentos. na realidade eles têm uma função bem mais abrangente do que garantir uma boa aparência. Qualquer falha em uma dessas etapas irá implicar futuramente no aparecimento de anomalias no acabamento da obra que . principalmente no que se refere a estrutura. Os revestimentos significam na prática. maior durabilidade e funcionalidade terá a edificação como um todo. em especial às partes externas dos imóveis. bolhas. pedras e madeiras. lembrar que os materiais de revestimento têm o seu desempenho limitado por um determinado período de tempo. Nas paredes são geralmente utilizados como revestimentos azulejos. que poderão estar tanto nos próprios revestimentos. Tal diagnóstico poderá ser dado por um profissional que tenha experiência e conhecimento suficiente sobre o tema.6. de modo a evitar a ação deletéria dos agentes externos e internos. A garantia da proteção conferida pelo revestimento depende diretamente da escolha dos materiais utilizados. pastilhas. Assim.

resistência à tração em testemunhos retirados da estrutura. b) Destrutivos: resistência à compressão axial em testemunhos retirados da estrutura. Poços artesianos de pequena profundidade.Tais defeitos podem ser originados por diversas causas. executados próximos às fundações. Os ensaios mais conhecidos nas estruturas de concreto e alvenaria são os seguintes: a) Não destrutivos: esclerometria. cuja natureza pode implicar em uma variação muito ampla de suas características. além da análise visual. O solo. pela ação de agentes agressivos e pela própria inadequação da solução adotada. massa específica. medições de deformações e recalques. Os problemas mais freqüentes nas fundações são causados por recalque ou ruptura do solo. 3. permeabilidade e absorção de água. Algumas árvores possuem raízes que se desenvolvem horizontalmente e com grande rapidez.8. módulo de deformação do concreto e de argamassas. e nem sempre é fácil diagnosticá-los e solucioná-los. sob as sapatas. controle de fissuras com selos de gesso ou vidros. reconstituição do traço de concreto e de argamassa. seja produzindo recalques ou pela saturação do terreno provocado pela ruptura de tubulações enterradas. Uma causa de danos às fundações que até há algum tempo não recebia a devida atenção é a ação das raízes de certos tipos de árvores nas proximidades das edificações. carbonatação. alcançando grande distância e podendo atingir as fundações. ulta-sonografia. Ensaios Muitas vezes. A decisão da realização ou não de ensaios fica a cargo do engenheiro responsável pela elaboração do laudo pericial. além de maior conhecimento sobre o solo de fundação. gamagrafia. é um material complexo. 36 . faz-se necessário a realização de ensaios destinados a fornecer informações relacionadas às condições de resistência e ruptura de componentes da estrutura vistoriada. por erosões no terreno. por excesso de carga nas estruturas. prova de carga. podem representar risco devido à possibilidade de carreamento do material do subsolo.

37 . c) No solo de fundação: sondagem de reconhecimento à percussão. resistência à compressão de tijolos e blocos individuais. sondagens rotativas (rochas). determinação do escoamento à tração em amostras de armadura retiradas da estrutura. determinação do potencial de corrosão de amostras de armadura retiradas da estrutura.teor de cloretos. ensaios de caracterização da capacidade de suporte. resistência à compressão de prismas de tijolos e blocos. determinação do nível de agressividade da água do subsolo.

tanto de projeto como de execução. tornandose hoje um dos componentes mais freqüentes em quase todos os tipos de edificações. São previstas apenas armaduras de amarração 38 . recebendo as cargas da edificação e transmitindo-as às fundações. Cálculo de alvenaria estrutural de blocos vazados de concreto). Porém. como Universidades. pesadas e espessas. podem até leválos ao colapso estrutural. os agentes financeiros que financiam os imóveis e os próprios fabricantes de tijolos. além de prejudicarem a habitabilidade dos imóveis. principalmente na produção de habitações populares. em sua grande maioria ainda são caracterizadas pelo empirismo e pela carência de procedimentos adequados. ainda observa-se. levando algumas delas a apresentarem manifestações patológicas que. espessura mínima de 14cm e esbeltez máxima igual a 20. a falta até dos conhecimentos básicos sobre o tema. inicialmente através do empilhamento de pedras e em seguida através da descoberta de técnicas que foram evoluindo ao longo dos séculos. são utilizadas com função estrutural. Alvenarias estruturais Também denominadas alvenarias portantes ou autoportantes. passando das formas iniciais. Isto implica na necessidade de maiores conhecimentos sobre essa técnica construtiva. ALVENARIAS 4. para formas mais delgadas e leves. 4. A normalização brasileira estabelece que as paredes com função estrutural deverão ser executadas com blocos vazados de concreto com furos na vertical. de modo geral. Isso talvez seja um reflexo da falta de incentivos e investimentos dos diversos setores que tratam direta ou indiretamente da questão. que absorvem os esforços atuantes. Antes da era Cristã já haviam sido construídas pontes em arcos. (NBR-10837. monumentos e outras edificações pelos etruscos. Com o passar do tempo as alvenarias sofreram diversas transformações. utilizados na construção civil. a Indústria da Construção Civil.1. Atualmente existe no Brasil uma grande diversidade de peças modulares.4. egípcios e romanos que permanecem até os dias atuais como testemunhas da importância da utilização da alvenaria como material de construção ao longo da história da humanidade.1. Diante disso. como no seu comportamento após a conclusão da obra.2. blocos e tijolos. Podem ser não armadas. Contextualização Desde a mais remota antiguidade que o homem utiliza a alvenaria como método construtivo. as obras de alvenaria. As alvenarias não armadas são constituídas pela união de blocos e argamassa. principalmente quando trata-se da utilização da alvenaria como elemento estrutural. seja nos aspectos relativos ao dimensionamento estrutural e controle de qualidade dos materiais. parcialmente armadas ou armadas.

de forma empírica ou semi-empírica. Alvenaria de vedação São as alvenarias que constituem apenas elementos de vedação ou fechamento dos ambientes. Blocos de concreto. Alvenarias resistentes Denominação dada nos meios técnico e acadêmico para aquelas alvenarias que são utilizadas com função estrutural. 4. Blocos de solo estabilizado. graute e armadura. porém. 4. em desacordo com os procedimentos de projeto e execução previstos nas normas. É o caso. sendo as outras partes calculadas como alvenaria não armada.3.(prevenção de trincas). independentemente das armaduras construtivas. sejam estruturais ou de vedação são: Tijolos cerâmicos vazados.1. Blocos sílicos-calcáreos. elas não são consideradas no dimensionamento das paredes. porém.4. 39 .1. dos edifícios em alvenaria estrutural que utilizam tijolos cerâmicos vazados com furos na horizontal. argamassa. Blocos de concreto celular.5. dimensionada para resistir aos esforços solicitantes. São normalmente constituídas de tijolos cerâmicos vazados com furos na horizontal ou outros tipos de blocos que não exercem função estrutural. por exemplo. sendo utilizada armadura para absorver os esforços em algumas partes das paredes. 4.1. Tipos mais usuais de tijolos e blocos Os componentes mais usuais das alvenarias. Tijolos cerâmicos maciços. As alvenarias armadas são compostas pela união de blocos. As alvenarias parcialmente armadas são constituídas pela união de blocos e argamassa.

40 .

41 .

6 20.800 300 – 800 1.7 12.200 – 1.1 Características geométricas Blocos de concreto estruturais e de vedação.900 Tabela 4.200 1.6 21.Tabela 4.200 1.0 Portante D 7.900 2.6 γ Kg/m3 2.2 Características físicas Peso específico médio dos componentes das alvenarias. COMPONENTE Blocos de concreto Blocos cerâmicos vazados Blocos cerâmicos maciços Blocos silicos-calcáreos Blocos de concreto celular Argamassa de assentamento Graute Chapisco Emboço (massa grossa) KN/m3 21.0 Tabela 4.0 MPa.0MPa f i = valor individual f m = valor médio da amostra f bk = valor característico 42 .300 1.8 – 17.7 – 21.6 12. ÁREA ÁREA ÁREA TOLERÂNCIA DIMENSÕES TIPO BRUTA LIQUIDA VAZADA DIMENSIONAL (cm) (cm2) (cm2) (cm2) (mm) 19x19x39 741 371 370 ±3 Bloco 271 275 14x19x39 546 ±3 19x19x19 361 202 159 ±3 Meio bloco 14x19x19 266 145 121 ±3 Bloco 9x19x39 * 351 178 173 ±3 Meio bloco 9x19x39 * 171 92 79 ±3 * Só podem ser utilizados como elementos de vedação Tabela 4.6 19.0 E 10. RESISTÊNCIA À COMPRESSÃO TIPO NA ÁREA BRUTA (MPa) A 1.5 C 4.100 1.300 – 2. f m ≥ 2.5MPa Fbk ≥ 4.6 11.0 – 7.200 2.6 3.3 Resistência mínima à compressão para blocos cerâmicos (NBR-7171).4 Resistência mínima à compressão para blocos de concreto.5MPa Fbk ≥ 6.5 De vedação B 2.8 18. BLOCO REQUISITO Vedação Estrutural B Estrutural A f i ≥ 2.

excesso de sobrecarga nas lajes ou deformabilidade das peças estruturais. Basta observar que as fissuras mais comuns ocorrem justamente na ligação das paredes com lajes. Geometria. junto às aberturas de portas e janelas e na ligação entre paredes. eflorescências e infiltrações de água. As alvenarias apresentam. Porém. especialmente na junção entre paredes e de paredes com a estrutura.1.2. flexão e cisalhamento. vigas e pilares. o conhecimento das mesmas é de fundamental importância para a adoção dos procedimentos adequados de correção.2. Patologia As anomalias manifestadas nas alvenarias que compõem as paredes de uma edificação.4. Outros fatores que também influenciam na fissuração e nas propriedades mecânicas estão a seguir relacionadas: Heterogeneidade resultante da utilização conjunta de materiais diferentes. Fissuras As fissuras ocupam o primeiro lugar na lista dos problemas mais comuns nas alvenarias.2. precisam ter desempenho adequado. 4. com parâmetros físicos diferenciados. de modo geral. infiltrações. porém o mesmo não ocorre em relação às solicitações de tração. 4. mesmo as alvenarias de vedação. de modo a resistir aos fatores externos e internos como variações de temperatura. etc. de modo a evitar que as diferenças de comportamento provoquem danos à edificação. Normalmente a quase totalidade dos casos de fissuração em alvenaria são provocadas por tensões de tração e cisalhamento. porém. movimentações das estruturas onde estão apoiadas. 43 . com propriedades mecânicas e elásticas diferenciadas. Suas causas nem sempre são facilmente identificadas. bastante visíveis pela própria natureza dos materiais e do comportamento desses componentes. de modo geral. umidade relativa do ar. Pelo fato de empregarem materiais diversos. Principais anomalias As anomalias mais freqüentes nas alvenarias são fissuras. Atenção especial deve ser dada às alvenarias que se apóiam sobre vigas ou lajes em balanço. rugosidade e porosidade dos componentes. são. As alvenarias também são muito sensíveis às movimentações estruturais provocadas por recalques diferenciais nas fundações. bom comportamento à compressão. Nas alvenarias estruturais as manifestações patológicas são evidentemente de maior gravidade pela influência na estabilidade do imóvel. tornam-se necessários cuidados especiais.1.

Vertical Retração por secagem da alvenaria. Esbeltez. principalmente no encontro de alvenarias Fissura (cantos) e em alvenarias extensas. Movimentação térmica da laje de cobertura (deficiência de isolamento térmico. ocorrendo fissuras horizontais e inclinadas nas extremidades da alvenaria. Tipo de fundação. Cintamentos. principalmente em pontos de concentração de tensões ou seção enfraquecida. com a ocorrência de fissuras no topo da parede. em geral nas regiões sujeitas à ação constante de umidade.5 Principais tipos de fissuras nas alvenarias (Fonte: L. geometria da edificação. Movimentação térmica de platibanda. hidratação Fissura retardada da cal). heterogeneidade do solo. Horizontal Expansão da alvenaria por movimentação higroscópica. influência de fundações vizinhas. decorrentes de falhas de projeto. existência de paredes de contraventamentos.Falcão Bauer) Configuração Típica Causa Provável Deformação da argamassa de assentamento em paredes submetidas a uma carga vertical uniformemente distribuída. presença ou não de armadura. aderência e retenção de água da argamassa de assentamento. Fissura na Laje Mista de Movimentação térmica. Movimentação higroscópica da alvenaria. Fissura Alvenarias com inexistência ou deficiência de vergas e contravergas nos vãos de portas Inclinada e janelas. Carregamentos desbalanceados. Alvenaria submetida à flexocompressão devida a deformações excessivas da laje. Tubulações embutidas. principalmente nas externas enfraquecidas por vãos (janelas).A. principalmente em sapatas corridas. devido à inexistência de coxins ou outros dispositivos para distribuição das cargas.Retração. principalmente na base das paredes. tipos e dimensões de aberturas de portas e janelas. amarrações. Atuação de cargas concentradas diretamente sobre a alvenaria. recalques diferenciais. Expansão da argamassa de assentamento (interação sulfato-cimento. Movimentações higroscópicas e térmicas. decorrente da dilatação da laje de cobertura. hidratação retardada da cal). gerando fissuras no encontro dos elementos cerâmicos com as Forro da Coberta vigas pré-moldadas. ou vigas baldrames excessivamente flexíveis. Recalques diferenciais. Expansão da argamassa de assentamento (interação sulfato-cimento. que gera fissuras nas alvenarias. Retração por secagem da laje de concreto armado. rebaixamento do lençol freático. Tabela 4. 44 .

algumas configurações mais freqüentes de fissuras nas paredes de alvenaria (figuras 4. .15).3 a 4. 45 .A seguir estão indicadas esquematicamente.

46 .

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49 .

50 .

condensação de vapor de água dentro das paredes. que percola através dos materiais. etc. c) Pressão hidrostática ou evaporação. A eflorescência pode alterar a superfície sobre a qual se deposita. de modo a produzir a força necessária para a solução migrar para a superfície. infiltrações em fissuras. em determinados casos. seus sais constituintes serem agressivos e deteriorarem profundamente as alvenarias. Eflorescências A eflorescência é um depósito de sais acumulado sobre a superfície das alvenarias. b) Presença de água para dissolver e carrear os sais solúveis até a superfície da alvenaria. podendo.2. A acumulação do sal na superfície dos componentes das alvenarias ocorre pela evaporação da água da solução saturada de sal. A quantidade e as características dos depósitos salinos variam conforme a natureza dos produtos solúveis. das condições atmosféricas. ocorre devido ao efeito isolado ou combinado das seguintes causas: capilaridade.2. O fluxo de água através das paredes e a conseqüente cristalização dos sais solúveis na superfície. percolação por vazamentos de tubulações de água ou vapor. da temperatura. vento.4.1. umidade. tijolos e/ou argamassa de assentamento ou revestimento. de composição e aspecto variáveis de acordo com o tipo de sal depositado. Normalmente a eflorescência é causada pela combinação de três fatores: a) Teor de sais solúveis existentes nos blocos. De modo geral. 51 . todas as alvenarias e componentes de concreto estão sujeitos ao fenômeno da eflorescência.

Carbonatação da cal liberada na Depósito branco com aspecto .6 apresenta os sais eflorescentes que podem desenvolver-se nas alvenarias.Superfícies de ladrilhos não cerâmicos e dos cimentos esmaltados . Carbonato de magnésio pouco solúvel carbonatação da cal lixiviada da argamassa de cal. Tabela 4. cerâmicos azulejos solúvel em água .Poluição atmosférica mal vedados .Superfície de componentes argamassa água próximos a elementos de alvenaria ou concreto .Juntas de pisos cerâmicos ou Pó branco pulverulento.Carbonatação da cal constituinte da aderente e pouco solúvel em . Hidróxido de cálcio solúvel cal liberada na hidratação do cimento. carbonatação dos hidróxidos alcalinos do cimento com Carbonato de sódio muito solúvel elevado teor de cálcio. Tabela 4. agregados ou . Nitrato de sódio muito solúvel solo adubado ou contaminado por sais solúveis.Formação do sal expansivo por ação . com efeito de expansão alvenarias .Juntas das alvenarias assentadas com argamassa .A seguir a tabela 4.Nas juntas de argamassa das cimento água. solúvel Nitrato de potássio muito solúvel solo adubado ou contaminado por sais solúveis.Superfície de concreto ou hidratação do cimento de escorrimento.Reação entre compostos dos materiais .7: Formas de manifestação da eflorescência (Fonte: Ércio Thomaz) Aspectos e características da Causas prováveis Locais de formação eflorescência .Sais solúveis contidos no solo .Regiões próximas a caixilhos .Superfícies de concreto aparente água de amassamento.Em fissuras eventualmente . parcialmente Sulfato de cálcio dihidratado hidratação do sulfato de cálcio de componentes cerâmicos.7 as formas de manifestação da eflorescência. parcialmente Sulfato de sódio água de amassamento. solúvel parcialmente agregados contaminados. muito revestimento com argamassa . Nitrato de amônia muito solúvel solo adubado ou contaminado por sais solúveis. e a tabela 4.Expansão devido à hidratação do presentes nas juntas das sulfato de cálcio existente no tijolo ou alvenarias reação dos compostos do tijolo e do Depósito branco. carbonatação dos hidróxidos alcalinos do cimento com Carbonato de potássio muito solúvel elevado teor de cálcio.Superfície de alvenarias aglomerantes revestidas . solúvel parcialmente Cloreto de cálcio água de amassamento solúvel parcialmente Cloreto de magnésio água de amassamento.6: Sais eflorescentes que se desenvolvem nas alvenarias (Fonte: Ércio Thomaz) Solubilidade Composição química Fonte provável em água Carbonato de cálcio pouco solúvel carbonatação da cal lixiviada da argamassa ou concreto. parcialmente Sulfato de cálcio componentes cerâmicos e/ou água de amassamento.Sais solúveis presentes nos materiais . água contaminada ou reação entre Sulfato de potássio solúvel constituintes do cimento e constituintes da cerâmica. solúvel em .Em regiões da alvenaria muito do sulfato do meio expostas à ação da chuva 52 .Sais solúveis presentes nos materiais: . solúvel Sulfato de magnésio solúvel componentes cerâmicos e/ou água de amassamento.

4. esquadrias e materiais de revestimento. Embora seja conhecida desde a década de 20. Dentre os tipos de umidade citados. o vazamento de tubulações de água ou esgoto e a infiltração de água da chuva que penetra nos edifícios. principalmente através das fachadas e cobertas. A umidade pode ter diversas origens. beirais.3. Expansão por umidade Nas alvenarias de tijolos cerâmicos expostos à ação da umidade. visando a evitar os efeitos da umidade por infiltração.5. como a absorção de água do solo pelas fundações. rufos. principalmente se adotados na fase de projeto: Detalhes arquitetônicos e construtivos adequados para fachadas e cobertas.1. platibandas. a umidade por infiltração é a que apresenta maior incidência (aproximadamente 60%). As argamassas excessivamente rígidas ou preparadas com excesso de água de amassamento também apresentam fissuras.0cm). Na ocasião laudos 53 . juntas. principalmente quando ela tem espessura elevada (>1. Conhecimento das propriedades dos materiais constituintes das alvenarias quanto a higroscopicidade. Nas alvenarias de blocos vazados de concreto a infiltração de água pode acontecer pela interface argamassa-bloco e pela própria argamassa. é relativamente alta se comparada com outros tipos de problemas. Infiltração de água Estudos realizados no Brasil constataram que a incidência de problemas causados pela umidade nas edificações. pode ocorrer o fenômeno conhecido como expansão por umidade (EPU). As observações das condições seguintes têm importante papel.2. e na década de 50 tenha sido identificada como responsável pela ocorrência de danos em alvenarias. como por exemplo frisos. a condensação do vapor de água nas superfícies ou no interior das edificações. chegando a até 50%. pingadores. Orientação das fachadas quanto à direção do vento. A infiltração de água nas fachadas e cobertas pode ser agravada pelas intensidade e direção dos ventos e da chuva.4. Conhecimento sobre a intensidade e duração das precipitações na região. porosidade e absorção de água. a EPU só ganhou destaque no meio técnico a partir de 1997.1. que por sua vez provocam infiltrações.2. após a ocorrência de acidentes com edifícios de alvenaria estrutural no Grande Recife.

1.apontaram o fenômeno como fator determinante para a baixa resistência das alvenarias de embasamento que provocaram a falência estrutural do prédios.SFH.3. A EPU é um fenômeno bastante complexo e implica sempre em conseqüências danosas.3. geralmente em sapatas corridas. entre elas um menor custo de construção. que sejam desenvolvidas pesquisas que possibilitem o conhecimento adequado do fenômeno da EPU. A partir da década de 70 do século passado. menores valores de financiamento dos apartamentos e grande utilização dos tijolos cerâmicos produzidos no Estado. Os problemas decorrentes podem variar de fissuras em azulejos. uma série de vantagens em relação as obras com estrutura convencional.000 prédios com essa tecnologia construtiva. No Brasil a EPU não tem sido estudada com a profundidade merecida e a maioria dos trabalhos técnicos encontrados sobre o assunto referem-se a problemas relacionados com os revestimentos cerâmicos. De forma simplista. A utilização de alvenaria estrutural em Pernambuco 4. como forma de utilizar adequadamente os tijolos cerâmicos em obras de alvenaria estrutural. maior rapidez de execução. descolamento de revestimentos e pisos cerâmicos até a graves lesões estruturais em paredes de alvenaria de tijolos cerâmicos. com estrutura de concreto armado apenas no trecho correspondente à escada e reservatório superior. Torna-se necessário portanto. 4. podendo comprometer a estabilidade das edificações construídas com alvenaria portante. a maioria deles composta de um pavimento térreo e três pavimentos superiores. no auge da atuação do Banco Nacional da Habitação – BNH. Resumo histórico A alvenaria é utilizada em Pernambuco como elemento estrutural desde os tempos coloniais. pode-se dizer que as cerâmicas porosas absorvem água (hidratação) e com o passar do tempo sofrem um aumento de volume (expansão). 54 . Tais edificações ficaram popularmente conhecidas como “prédios caixão” e apresentavam. ficando a maior parte da edificação funcionando de tal modo que todas as cargas são transmitidas diretamente para as paredes que. esse sistema construtivo teve grande impulso na produção de moradias populares. Estima-se que no Grande Recife tenham sido edificados 6. a maioria delas financiada pelo Sistema Financeiro da Habitação . Um dos principais motivos sempre foi a grande disponibilidade de matéria prima para produção de tijolos cerâmicos. por sua vez. as transmitem para as fundações. especialmente aquelas construídas em condições ambientais desfavoráveis como é o caso de lençol freático superficial. à época em que foram construídos.

3. Vale salientar que a grande maioria dos prédios caixões em Pernambuco foi calculada através de métodos empíricos. com a ocorrência de diversos acidentes. ou tijolos cerâmicos das alvenarias de embasamento que se deterioraram ao longo do tempo em decorrência do ataque de sulfatos presentes na água do subsolo. passando as mesmas a trabalhar à flexo compressão. dimensões e resistência compatíveis com a função estrutural. a ocorrência do fenômeno conhecido como expansão por umidade – EPU. com a perda da resistência dos tijolos cerâmicos. muitas vezes associada à falta de controle de qualidade da construção. contribuiu para que se estabelecessem condições desfavoráveis como: o funcionamento dessas alvenarias como muros de contenção do aterro.2. com o uso de caixão perdido no embasamento. que refere-se apenas aos blocos vazados de concreto. devido à ausência de normas especificas. 55 . A seguir estão enunciados alguns desses procedimentos: a) Elaboração de norma técnica para o cálculo de alvenaria estrutural de tijolos cerâmicos. fica evidente a necessidade da adoção de novos procedimentos para projetos e obras em alvenaria estrutural. 4.3. A única norma brasileira para o cálculo de alvenaria estrutural é a NBR10837 de julho de 1989. o contato permanente do aterro com blocos de concreto de alta porosidade. permanecendo ainda a lacuna para a utilização de tijolos cerâmicos com função estrutural. Necessidades de mudanças Diante de tal situação. com uma das faces sujeita à umidade e tendo a outra face livre para a evaporação. visando assim garantir a adequada segurança às construções atuais. além da inexistência de norma técnica especifica. A utilização de sistema construtivo inadequado. que acentuaram-se a partir de 1997. resultou em uma série de patologias e acidentes com esse tipo de obra. b) Adequação da indústria cerâmica para produzir tijolos com furos verticais.4. inclusive de alvenaria singela.3. Problemas ocorridos com o processo construtivo A busca pela diminuição dos custos. É o caso da utilização em paredes estruturais de tijolos cerâmicos com furos na horizontal. inclusive desabamentos com vitimas fatais no Grande Recife. Os laudos técnicos elaborados por profissionais especializados concluíram que as causas dos desabamentos estavam diretamente relacionadas a falência estrutural dos blocos de concreto. o que favorece a formação da etringita seguida de lixiviação.

estadual e municipal. nos âmbitos federal. A seguir o resumo das propostas apresentadas no documento que foi entregue às autoridades: a) Inspeção detalhada em todas as edificações executadas em alvenaria estrutural na Região Metropolitana do Recife. 56 . condições de projeto e de construção. em parceria com os Departamentos de Engenharia Civil da UFPE. tanto nacionais como internacionais. de modo a resolver definitivamente o problema que aflige diretamente os habitantes desses imóveis. e) Maior eficiência por parte dos agentes financeiros na fiscalização das obras financiadas. b) Verificação. f) Participação efetiva do poder público. 4. inclusive revendo alguns procedimentos atualmente adotados para disciplinamento das construções. passando a ser mais rigorosos com a aferição das características de resistência dos materiais previstos nos projetos e seguindo as normas existentes. que se encontram potencialmente expostos a riscos de vida ou a perda do patrimônio duramente conquistado. que teve o autor deste texto como um dos redatores. d) Maior rigor dos construtores com a qualidade de suas obras. envolvendo as análises estruturais e os ensaios necessários. c) Elaboração dos projetos de recuperação estrutural para as edificações que não atenderem aos parâmetros de verificação estabelecidos.4.3. g) Orientação aos moradores sobre a utilização e conservação de seus imóveis. contemplando aspectos relativos ao estado atual do imóvel. Ações propostas Com base no histórico recente de acidentes com esse tipo de edificação e considerando que outros prédios com características semelhantes também poderiam vir a sofrer colapso estrutural a qualquer momento. com base em critérios pré-estabelecidos. d) Execução das obras de recuperação projetadas. o CREA-PE elaborou. garantia da qualidade e a concessão do habite-se. UNICAP e UPE.c) Mudança de postura dos projetistas de estruturas. como no processo construtivo como um todo. um documento. principalmente no que se refere às reformas com retirada de paredes. em 2001. propondo uma série de ações voltadas para a garantia das condições de estabilidade dos prédios em alvenaria estrutural já edificados. das condições de estabilidade de cada edificação. tanto no controle dos materiais e mão-de-obra.

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