K .B .

Oliveira

Rapunzel : Um novo conto

Abria meus olhos lentamente , a claridade me incomodava um pouco . No primeiro momento , o que conseguia ver era um teto branco , deduzi assim , que estava deitada . Olhei ao meu redor , procurando algo que me lembrasse de onde estava , pois a última coisa de que me lembro é de estar correndo , depois eu caí e bati com a cabeça , nada mais vem a minha mente . Olhando ao meu redor , pude notar uma mulher deitada em uma cadeira , mas não a conhecia , me lembraria se a tivesse visto . Continuei a olhar tudo o que estava a minha volta , eu estava em algum quarto de hospital . O apito dos aparelhos que estavam conectados ao meu corpo transmitindo minha pussação , acordaram a senhora que estava dormindo na cadeira . - Filha ! – disse ela , enquanto ia acordar o rapaz que estava no sofá , para ele chamar o médico . Filha , era como ela havia me chamado . Ela veio até mim , me abraçou devagar , mas mesmo assim eu ainda pude sentir uma dor . Agora tudo fazia sentido , ela era minha mãe , a mãe da qual eu havia sido afastada quando tinha pelo menos um ano de idade . Retribui o seu abraço ; as lágrimas começavam a cair de meus olhos , ela também chorava . Um choro de alegria , escorria de nossos olhos . Tudo voltou a tona , lembrei do que aconteceu antes de estar naquele quarto de hospital . O rapaz chegou com uma enfermeira e um médico . Eu também o reconhecia , o rapaz , meu irmão. *** Meu nome é Carla Cristina , tenho 17 anos . Eu era como toda garota , vivia como podia , trabalhava , estudava .Tinha sonhos , ambições , e um enorme cabelo . É sério ! Meu cabelo batia até nas minhas coxas , na verdade ia mais longe um pouco . Dava um trabalho para cuidar dele , do cabelo , que vocês não tem ideia ! Minha mãe “falsa” , não me falava direito o porquê de deixar meu cabelo crescer daquele jeito. Pesava tanto ! Quando eu ia para a escola ela fazia uma trança , e mesmo com a trança ele ficava enorme . Parecia que almentava de tamanho . E ele era completamente liso , tinha que lava-lo todo santo dia . Meu apelido da escola era “Rapunzel” , acham que eu gostava ? Não . Eu não suportava esse apelido estupido , eu era o motivo de “chacota” da escola . E isso só piorava porque os “moleques”, que estudavam na mesma escola que eu , eram todos “filhinhos de papai” . Eu não tinha nenhum amigo . Nao era bonita , bom , pelo menos eu não achava . Assim as garotas não queriam ser minhas amigas , e os meninos me evitavam até o último minuto , segundo , milésimo , dia , ano . Então , eu tinha tempo apenas para trabalhar e estudar . E além disso eu era a “nerd” da sala e, provavelmente, a lésbica também . Já que as meninas não ficavam perto de mim e nem os meninos . O boato só almentava .

Meu estilo era bem diferente . Nunca gostei de muita cor ; assim , roupas coloridas não fazem parte do meu guarda roupa . Mas lá na escola só podia entrar com o uniforme . Pois é , uma grande droga ! As meninas usavam uma blusa branca de gola “V” , com uns quatro botões na parte da frente e uma saia meio rodada ,de cor azul ,que ia até o joelho , e sapato a sua escolha , bem , eu tinha preferência por all-star . Os meninos , usavam uma blusa como a das garotas , só que uma calça azul . Além disso eu usava um óculos . Pois é minha gente , essa era eu e minha escola . Uma garota que não tinha amigos e nem colegas . Não via a hora de sair daquela escola ,daquele suburbio , daquela vida ; de sair da convivência de todas aquelas pessoas . Sim , eu queria morar e viver bem longe dali . *** Em um belo dia de aula , nosso professor de história explicava sobre a Segunda Guerra Mundial . É um tema muito bom , mas o nosso professor o transformava em um tema muito chato , muito chato mesmo . Até que ele foi chamado na porta pelo cordenador da escola . Foi minha brecha para eu me despersar um pouco : olhei pela janela para além da escola , só o horizonte . O céu naquela manhã estava lindo , azul e limpo . Imaginava que eu queria ser como aqueles passarinhos que por ali passavam , ser livre como eles . Poder ir a vários lugares , sem ninguém para me impedir. Acreditem minha mãe me prendia naquela casa . Não podia sair nunca , a única hora em que eu poderia sair era quando eu fosse a biblioteca , em algumas vezes eu falava que ia , mas na verdade , eu ia até uma praça que ficava ali perto , e fazia hora ali , só admirando o tempo livre que eu tinha . Voltei a mim quando o professor chamou minha atenção , na frente da sala . - Senhorita Cristina , volte a terra . – falou ele me encarando . Quando olhei para frente vi dois garotos . Um era loiro , como eu , e tinha os olhos verdes como os meus , só que ele não usava óculos e nem de longe tinha cara de “nerd” , ele estava mais para um jogador de time de futebol , e talvez fosse mesmo . O outro era moreno , com um cabelo mais curto meio “arrepiado” , tinha os olhos castanhos claros meio mel , ele era muito lindo . Os dois tinham a mesma altura , os dois eram bonitos , tinham porte atlético , mas apenas um deles me interessou : o moreno . Eles riram , mas não foi por educação , e sim por acharem graça de uma piadinha que a Lorena , minha arqui inimiga, havia soltado. - Ah , professor – disse ela em tom debochado – essa daí vive no mundo da lua . Deve estar presa em sua torre , esperando o seu sapo vir busca-la . Como sempre seus comentários não eram nada inteligentes . Eu sei que tem um grande tabu sobre as loiras , mas eu era loira e não era nada estupida como ela . Só que não esperava que fosse fazer um dia o que eu fiz , responder : - E como sempre , seus comentários continuam estupidos . Deve ser por isso que os “caras” só ficam com você por causa do seu corpo , porque cérebro você não tem ! – falei eu ,em tom rispido . Todos da sala , olharam para mim . Já que eu nunca respondia as “criticas” deles , era um milagre me ver retrucando . Mas sinceramente , eu estava me sentindo muito bem por ter respondido .

- Professor , o senhor vai deixa ela falar assim comigo ?! – perguntou ela , para o professor em tom dramático . - Ora , senhorita Lorena , “quem fala o que quer , escuta o que não quer” .– respondeu o professor - Agora todos façam silêncio , temos dois recém chegados a turma ! Eles aindam estavam com os sorrisos estampados no rosto de orelha a orelha . - Oi gente , sou Christian Junior . – falou o garoto loiro , com cabelinho de anjo. - E eu – começou o moreno – sou Cristiano Oliveira . - Bem senhores , sejam bem vindos a classe . Espero que gostem daqui . Podem se sentar . – instruiu o professor . Enquanto passavam pela minha fileira , as garotas voltaram os olhares para eles , e os outros garotos da turma morriam de inveja . Bem , até eu que não me importava com nenhum garoto , fiquei impressionada com o que vi . E fiquei mais impressionada ainda , quando percebi onde eles se sentariam . Havia duas mesas vagas atrás de mim , se não me engano , era ali que eles sentariam . E eu não estava enganada . Ninguém acreditou que eles sentariam perto de mim , nem eu mesma acreditei . - “Gatinhos” – falava Lorena – não sentem ai , o cabelo da “Rapunzel” fede . O que era uma grande mentira , meu cabelo era grande , e sim , dava muito trabalho para cuidar, mas não quer dizer que ele fedia . Por vezes eu queria que ela morresse . E nesse momento eu ia responder , porém , resolvi me conter . Só não esperava pelo que estava para acontecer . Crsitiano , que estava sentado logo atrás de mim , puxou meu cabelo e cheirou . Fiquei totalmente rigída , eu nem esperava por essa situação . - Bem “gata” – falou Cristiano – eu tenho certeza de que você se enganou , na verdade , jamais vi um cabelo tão cheiroso . Pudi sentir um meio sorriso estampado em seu rosto . Ainda bem que ninguém notou meu rosto, porque nesse momento eu estava totalmente vermelha , constrangida , de certa forma . O professor chamou a atenção de todos para voltar a prestar atenção na aula . *** As outras aulas que se sucederam após essa , não houve nenhum comentário sobre os acontecimentos da aula anterior . Até porque , ninguém jamais tinha parado para me defender , havia parado só para tirrar “sarro” da minha cara , o que era desconfortante . Quando bateu o sino , 12 horas e 15 minutos , já era hora de irmos embora . Todos se levantaram com suas coisas já arrumadas , eu sempre deixava para arrumar minhas coisas quando todos já tivessem ido embora . Todos já tinham saído , ou pelo menos eu achava , quando Cristiano chegou por trás de mim com seu amigo Christian. - Olá ! – disse Cristiano .

Eu dei um pulo para olha-los (o pulo foi por culpa do susto que ele me deu ). - Olá ! – eu disse meio sem jeito. - Você mora muito longe daqui ?! – perguntou christian. - Um pouco – eu respondi olhando para o chão – Moro um pouco longe . Cristiano levantou sua mão direita , e com o polegar segurou meu queixo levantando meu rosto:me fazendo encara-lo . Deixando a mão cair depois . - Quer carona ? – perguntou Cristiano – O Christian é um cavalheiro , ele pode lhe dar uma carona , se você quiser é claro ! Eles dois haviam sido os primeiros a falar comigo , quer dizer a falar comigo sem algum apelido perjorativo . E eu gostei disso . - Rsrs (risos) . É acho que posso aceitar . - falei com um meio sorriso . - Bom , então arrume suas coisas ai . – disse Christian. Eu me virei e comecei a terminar de arrumar minhas coisas . Depois nós saímos pelos corredores já vazios ; começamos a conversar , a conhecer uns aos outros . Cristiano e Christian, eram amigos desde infância , se conheceram em uma escola de ensino infantil e desde então não se separaram , não mais . Eles moram no mesmo condominio . Christian tem 17 anos e Cristiano 18 .Christian considera Cristiano como seu irmão , já que a irmã mais nova de Christian foi sequestrada quando tinha um ano de idade . Nos dirigimos até o estacionamento , fomos até o carro de Chrstian , uma Mercedes Benz . Christian , era o motorista , é óbvio , Cristiano foi sentado no banco do passageiro , e eu fui no banco de trás . Continuamos a conversar o caminho todo , enquanto isso eu explicava a eles o caminho a seguir . Onde eu morava era um pouco longe . Pode-se dizer que morava três quadras depois da escola. Para mim que ia andando e depois tinha que atravessar uma via e passar por mais uma quadra , acredite , era longe e por vezes assustador . Chegamos até a frente da minha casa . Era uma casa simples , mas bem cuidada . Só moravamos eu e minha mãe naquela casa , na parte da frente havia um pequeno “jardim” na quina da janela com rosas vermelhas . Eu adorava aquelas rosas . Por vezes , passava o dia adimirando-as , só observando . Imaginando , contando os dias para eu sair daquela “torre” que me prendia . - Obrigada , Christian e Cristiano , pela carona . Foi muito gentil da parte de vocês – falei eu , enquanto descia do carro . - Por nada , Carla , foi um prazer conhecê-la . Esperamos que converse mais conosco . – falou Cristiano . - Hum , okay ! Eu fechei a porta , e fui para o portão da minha casa . Minha mãe já estava na janela , me esperando como ela sempre fazia .

*** Durante o almoço não foi dito e nem perguntado nada sobre quem seria aqueles dois garotos que haviam me trago até em casa . Bem , pelo menos eu achei que continuaria assim , ainda bem que eu só achava . - Quem eram aqueles dois garotos ? – perguntou minha mãe , Andressa . - Hum , meus colegas que resolveram me dar uma carona . – falei como quem não quer nada . - Hum , achei que você não tivesse amigos ou colegas ?! - Bem , ao que parece , eles não tem “repulsa” em ficar perto de mim ! - Pelo que vi , tem um que se parece um pouco com você ! - É – eu respondi – Ele tem a mesma cor dos meus olhos , o mesmo tom do meu cabelo , exceto pelas minhas mechas pretas , e a mesma idade que eu . Apenas uma coinscidência . - É coinscidência demais – falou ela quase em sussurro . - Como mãe ?! – perguntei , já que não entendi . - Nada minha filha , nada . Termine de comer , e vamos para a lanchonete , porque já estamos atrasadas para abri-lá ! - Okay . Bem , terminamos de almoçar ,ajudei minha mãe com a louça ; fui ao meu quarto para trocar de roupa , só para colocar mais um uniforme . Voltei a sala , e ela estava falando com alguém no telefone . - Eu sei , também não esperava , mas vejo que terá que ser o mais rápido possível . Seja com quem for que ela estivesse falando , no momento em que entrei na sala , ela desligou o telefone . - Quem era ?! – perguntei . - Uma amiga ,que eu estava ajudando . – respondeu ela meio tensa . - Há quanto tempo , você está ai escutando a conversa ?! - Não tem muito tempo , só o tempo em que você falou a última frase . - Okay , então vamos . Eu também resolvi não perguntar nada mais . Os assuntos da minha mãe com suas amigas não me importavam . Assim , saímos e fomos para a lanchonete . Ficavamos na lanchonete até as 18 horas , era tempo suficiente para vendermos as comidas feitas do dia . Depois disso iamos para casa e eu ia até meu quarto fazer minhas tarefas diarias, enquanto minha mãe preparava o jantar e assistia TV .

É , minha vida era uma droga , só as mesmas coisas de sempre , sem nada para muda-la , a única coisa que havia acontecido era que aqueles dois meninos que não tinham medo de falar comigo . Foi a única coisa que aconteceu de diferente . Mas acho que isso não duraria por muito tempo . Bem pelo menos eu achava . *** Depois daquele dia os meninos continuaram a conversar comigo . O resto da escola estranhava, Lorena então , ficava morrendo de raiva ao me ver do lado dos novos garotos .A cada dia que passava nos conheciamos mais e mais . Cristiano havia reprovado no terceiro ano , mas dizia ele que não iria repetir o mesmo erro . Como pode-se perceber o Christian nunca reprovou . Christian tinha namorada e Cristiano não , ele falava que não havia encontrado a pessoa certa , mas que estava em busca . Eles eram como dois irmãos , mesmo que não sendo irmãos de sangue , eram de consideração . Ajudavam um ao outro quando estavam em encrencas . Eles passaram a me levar em casa . As vezes no carro do Christian , as vezes no carro do Cristiano . Agora eu tinha amigos , o que era uma milagre , porque eu não achei que jamais fosse conseguir alguns amigos . E dei sorte de conseguir dois amigos , ainda por cima , meninos . Estava me sentindo bem . Mas isso não foi um , certo , “impedimento” para metade da escola deixar de tirar “sarro” da minha cara , ao contrário , eles continuavam e parece que vinham com mais intensidade . Porém eu fazia o que sempre tinha feito , ignorar . E continuava funcionando muito bem essa minha estratégia . Após um mês ,Christian me convidou para ir a casa dele . Tinhamos um trabalho de química para fazer , e claro , nós três estavamos fazendo o trabalho juntos , e como eu era , de certa forma , a “nerd” do nosso trio, fiquei com a parte mais dificel , elaborar o trabalho , enquanto eles só iriam me ajudar com a montagem do projeto . Tinhamos que fazer uma reprodução do “Modelo Atômico de Rutherford” , bem para mim não era dificil , para eles era quase impossível . Avisei minha mãe na sexta , que eu iria para a casa do Christian . - Mãe , terei que ir para a casa do Christian amanhã . – eu disse . - Por que ? – perguntou ela . - Temos um trabalho de química para fazer , e nós três ficamos responsável . - Não gosto desse tal de Christian e nem do seu outro amigo . - Mas mãe , você nem os conheceu , e já diz que não gosta . Isso é impossível . As vezes parecia que minha mãe tinha medo de alguém me tirar dela . - É o sexto sentido que toda mãe tem . – retrucou ela – E os pais desse menino , estarão em casa? - Não , só vai estar nós três . - Você não vai , não é bom para uma moça como você ficar andando por ai com dois garotos !

Minha mãe também , tinha uma mente muito fechada . O que eles poderiam fazer comigo ? Do jeito que ela falava eu nem daria conta de me defender , se tivesse que enfrentar uma situação dessas . Mas eles jamais fariam tal coisa comigo , jamais tentariam algo . - Olha mãe , sei que pensa assim por causa do papai . .. - Não fale de seu pai aqui nessa casa ! – ela estava começando a alterar sua voz – Os homens são todos iguais . Sem tirar nem por . Já disse que você não vai , e quer saber não quero eles aqui , e também , não quero vê-la andando por ai com esses dois ! Sério ! Minha mãe era muito egoista , eu tinha uma vida ela não poderia me prender àquela casa para sempre , eu já tinha 17 anos e ela ainda me tratava como se fosse criança . Não podia usar roupa muito curta , não podia ter amigos ; tinha que ficar presa àquela casa o tempo todo . Ela tinha alguma obsessão por mim . Ou medo , sei lá , isso era muito triste . - Mãe e como vou fazer o trabalho?Eles contam comigo , sou parte do grupo deles ! – eu também já estava começando a me alterar. - Você pode fazer sozinha , sempre deu conta de fazer . Garanto que será um ótimo trabalho sem eles . - Hum , Okay . – mas eu poderia fazer uma última tentativa , afinal de contas já estava acostumada a fazer o que faria agora , mentir – Bem , já que não vou amanhã para a casa do Christian , posso ir a biblioteca ? Assim eu começo a fazer o trabalho , a pesquisar sobre o projeto que tenho que montar . Posso ? Minha mãe ficou lavando a mesma panela por tanto tempo , que achei que ela nem responderia . - A biblioteca você pode ir Carla . – disse ela olhando para a panela ainda . - Okay . Assim , sai da cozinha e fui para meu quarto .Peguei meu celular e disquei o número do celular do Cristiano , pois tinha que avisa-lo para me bsucar em outro lugar . No terceiro toque ele atendeu : - Alô ! - Alô ! – eu respondi – Por favor o Cristiano ? - É ele . - Ah , oi Cristiano . – eu fechei a porta do meu quarto e comecei a falar mais baixo ainda – Houve um problema e você não pode vir me buscar na minha casa , terá que me buscar em outro lugar . Você pode ir me buscar em outro lugar ?Não é tão longe de onde moro . - Claro , fala ai ! – ele respondeu – E por que não posso te buscar na porta da sua casa ? - Depois te explico , no momento anota só o endereço . - Okay , pode falar .

Dei todas as coordenadas para onde ele devia se dirigir para me buscar . Ele anotou e depois desligamos . Fui dormir , pois amanhã seria um longo dia . *** Pela manhã , minha mãe levantou cedo , como sempre ela ficava na lanchonete nos finais de semana o dia todo , e eu sempre tinha que fazer uns afazeres da casa pela manhã e a tarde eu ficava livre para fazer qualquer coisa . Seria minha brecha para dar uma fugida . E foi assim , como todo final de semana : eu arrumei a casa pela manhã , fiz alguma coisa para comer , tomei banho , me arrumei e fui para a biblioteca . Ou melhor dizendo , para a praça que ficava ali perto , como eu costumava fazer , só que dessa vez teria alguém me esperando . Crsitiano estaria lá. Deixei meu cabelo solto , percebendo assim , o quanto ele já havia crescido . As mechas escuras que tinham nele , já começavam a ficar um pouco claras , logo logo teria que escurecê-las . Ao chegar na praça , notei que já tinha alguém no local combinado de nos encontrarmos . Ele estava sentado no banco abaixo da árvore , onde eu costumava ficar . Tive um pouco de medo,esperava espera-lo sozinha , mas acho que eu teria companhia . Até ele perceber que havia alguém atrás dele , aliás que eu estava atrás dele . - Olá , sei que cheguei cedo , mas você também está adiantada ! – e deu um meio sorriso , tirando o óculos escuro . Era o Cristiano que estava ali , eu estava nervosa só de sair de carro com ele sozinha , me sentar ali ao lado dele era quase assustador . - Oi ! – eu falei meio sem jeito , enquanto passava uma rajada de vento que inssistia em bagunçar meu cabelo . Sentei-me ao lado dele , estava um pouquinho nervosa . Todas as vezes em que eu ficava sozinha com o Christian eu não ficava na defensiva igual eu ficava com Cristiano . Era algo fora do normal . Bem , enquanto me sentava perto dele , ele se aconchegou mais para perto de mim , passando o braço ao redor do meu ombro . Ele forçou minha cabeça à virar para encara-lo. - Olha , não precisa ficar com medo , não farei nada com você ! – disse ele com um meio sorriso, se aproximando mais e mais de mim . A proximidade foi o suficiente para deixar nossas testas “conectadas” .Estavamos próximos um do outro de uma maneira que não haviamos ficado nunca . Eu sentia que meu coração era capaz de sair pela minha boca , de tão rápido que batia . Era algo que eu jamais havia sentido por garoto nenhum . O vento ainda insistia em bagunçar meu cabelo . Ele levantou a mão e afastou uma mecha preta do cabelo , colocando-a atrás da minha orelha , e me beijou , docemente , ele me beijou .O meu primeiro beijo . Eu estava tão feliz por ter sido ele , tão feliz que poderia ficar ali eternamente , só naquele momento . Mas nós tinhamos que ir ,Christian estava nos esperando. Ele se afastou , com a mão pousada em meu rosto ainda , me dando um último beijo . - Bem , acho que temos que ir , mesmo com assuntos pendentes ainda . – disse ele com um meio sorriso , enquanto se levantava .

O segui , entramos no carro e seguimos estrada . O condominio onde eles moravam não era tão longe . Era em uma outa cidade , muito próxima da minha . Era um condominio requintado , onde só moravam as famílias que tinham boas condições para estar ali . A casa do Christian ficava umas três ruas depois da entrada , Cristiano me mostrou a casa onde morava , enquanto passavamos pela rua do Christian. Viviam na mesma rua e no mesmo condominio desde pequenos . A casa do Christian não era diferente da do Cristiano : as duas eram um sobrado . Cristiano businou e logo depois o portão automatico abriu, dando espaço para ele entrar com o carro , estacionando perto da entrada . O Christian já estava na entrada da casa , nos aguardando; ele se apróximou do carro , vindo nos comprimentar . - Carla ! – disse se aproximando de mim , enquanto eu saia do carro – Seja bem vinda a minha humilde residência ! - Obrigada ! Rsrs(risos) – respondi Cristiano chegou por trás de mim e comprimentou o Christian , logo depois enlaçando minha cintura com seus braços . Me beijando no pescoço bem de leve , a ponto de eu poder sentir uma leve cosquinha . Mas uma cosquinha muito boa . - Vocês estão namorando ? - perguntou Christian, com um ar de incrédulidade. - Sim ! – respondeu Cristiano . Ele havia falado sim , eu não estava sonhando . Olhei para ele com um olhar incrédulo . - O que foi ? – ele perguntou - É sério ? – perguntei – Você quer que eu seja sua namorada ? - E por que não ? – respondeu ele – Você é linda , e diferente de qualquer garota que já conheci . Quero você , se você me quiser , é claro ! - É claro que quero ! – eu disse , enquanto abria um sorriso de orelha a orelha . Ele me beijou de leve . O que me fez flutuar . - Olha , nós temos que entrar e começar a fazer o trabalho, – disse o Christian, pigarreando – vocês podem evitar ficarem melosos perto de mim ? - Claro , se você quer assim . – disse Cristiano com um ar debochado. E fomos , entramos na casa do Christian. Como havia pensado , ela era grande , enorme para ser mais exata . Demos de cara com uma enorme sala com três sofás brancos , uma Tv de plasma , em uma estante onde havia vários portas retratos , cortinas que pareciam serem feitas de renda balançavam ao ritmo da ventania que entrava e saia do ambiente. Dei uma olhada em alguns portas retratos , maioria tinha uma menina pequena , que de certa forma , era muito parecida comigo e com o Christian ,pude deduzir que era sua irmã desaparecida . - Carla podemos começar ! – disse Christian. Tirei o material de que precisava para explicar a eles o que fariamos . O Christian , era um ótimo desenhista , ele pode fazer um esboço de todo o material e do projeto já montado , para

termos ideia , mais ou menos , de como montariamos . O Cristiano me ajudou na montagem do trabalho , tudo para terminarmos rápido . Todos os dois faziam uma ótima parceria comigo . Nem pecebi que a hora já tinha passado e quando vi , já era hora de ir . Era 17 horas e 30 minutos , a essa hora a biblioteca começava a fechar . Minha mãe sabia as horas em que eu sairia de lá . Tinha que me apressar . Expliquei aos dois o que havia acontecido comigo e com minha mãe ,e que mentirá para estar ali . E no momento eu teria que correr até a praça e chegar em casa . Não deu outra , Cristiano pegou o carro e me levou de volta ao lugar onde tinhamos nos encontrado . Depois de uma meia hora mais ou menos , chegamos ao lugar onde tinhamos nos encontrado. Olhei o relógio do celular , e era 18 horas e 30 minutos , nem acreditava que haviamos demorado todo esse tempo para chegar ali . Ia sair correndo do carro , quando ele me puxou de novo e me deu um beijo de despedida . - Até segunda , meu amor ! – disse ele . Ao abrir a porta do carro , dou de cara com a minha mãe parada ali do lado de fora me esperando . Cristiano viu , e percebeu que eu estaria em uma grande encrenca . Ele também levou um susto ao vê-la , assim como eu . - Espero uma boa , explicação ! – falava ela . - Mãe .. . - Falei que não queria a senhora andando por ai com esses dois garotos . Eu lhe avisei Carla , agora por ter mentido para mim ficará de castigo . De casa para a escola da escola para casa ! – falou minha mãe , apontando o dedo para mim – Saia desse carro já ! – disse ela me puxando . E você senhor Cristiano , quero que fique longe dela ! Você e seu amigo ! Ela jamais havia me desobedecido ,até que vocês dois resolveram aparecer na vida dela e na minha . – falava ela , enquanto apertava meu braço com uma só mão . Eu percebi que ele ia dizer alguma coisa e fiz que não com a cabeça abaixando-a depois . Assim fomos embora . Ao chegarmos em casa , minha mãe me puxou pelo braço , me jogou na cama e me trancou no quarto . Eu fui até a porta , comecei a bater , a puxar a maçaneta e a gritar pedindo que ela abrisse . Mas tudo em vão . Cai em choro , jamais tinha passado tal vergonha e na frente dele era pior ainda . Muito pior do que na frente de qualquer pessoa . A raiva tomava conta de mim , do meu ser . Ela tinha mesmo me trancado no quarto , nem acreditava que uma pessoa assim podia ser minha mãe . A como eu queria sumir dali agora , naquele exato momento adoraria estar em outro lugar , qualquer lugar . Chorei até cair em sono e perder a consciência . *** No dia seguinte acordei meio atordoada , levantei-me e fui até o banheiro , ela havia destrancado a porta do meu quarto . Devia ser mais ou menos umas 10 horas da manhã , ela não estava em casa . Lembrei que por ser final de semana , ela ficaria até as 18 horas na lanchonete . Tomei um banho , fiz minhas tarefas e fiquei o dia todo em casa .

Na parte da tarde , Cristiano estava me ligando . - Alô ! - Carla , o que aconteceu ontem , fiquei tão preocupado . Espero que não tenha lhe deixado em muita encrenca ! – dizia ele . - Não ! Você não teve culpa , e desculpa pela atitude da minha mãe . Ela é meio assim mesmo . - Não tem importância , por você vale a pena passar por isso . Vocês não tem noção de como era bom escutar isso dele . Era algo magnifico de se ouvir . - Rsrs(risos) . É muito bom ouvir isso de você . – falei sorrindo para mim mesma. - Queria muito estar ai com você . Talvez se sua mãe não estiver ai , eu , talvez , possa ir ... - Olha , quero muito você aqui também , mas melhor não , pelo menos por agora não . Os visinhos da minha rua são meio fofoqueiros . - Entendo , então lhe vejo na segunda ! - Também te vejo segunda . Tchau ! - Tchau ! Desligamos. Nesse momento eu escutei algo caindo ao chão , uma pancada muito forte vinda do quarto de minha mãe . No primeiro momento eu fiquei muito assustada , achei que poderia ser algum ladrão , tinha que ver o que era ; fui até a cozinha e peguei uma frigideira , depois fui até o quarto da minha mãe . A janela estava aberta e o vento derrubou uma caixa que estava em cima do guarda roupa dela , espalhando umas fotos e cartas , todos os tipos de papéis em uma caixa de “segredos” . Não imaginava que ela tinha coisas desse tipo , ela nem me mostrava fotografias minhas de quando era pequena , imagine cartas de ex-namorados , e eram bem antigas . Mas o que me chamou atenção não foi as cartas , mas sim , uma foto de uma criança , só que eu já tinha visto essa criança antes , era a irmã do Christian : o mesmo cabelo e os olhos , era sempre o que chamava atenção no Christian e nessa menina também . Mas por que minha mãe teria uma fotografia da irmã do Christian? O que ela tinha haver com isso ? Estava na hora de descobrir . Guardei tudo e fiquei com a fotografia da menina que me deixava incrédula . “Como ela era parecida comigo” , era a frase que se repetia várias vezes em minha cabeça . *** Minha mãe chegou já era 18 horas e 30 minutos , eu estava no sofá vendo TV . A fotografia estava no bolso da minha calça . Ela olhou para mim , mas nada falou . Creio que ainda estivesse brava comigo por ter mentindo , mas sinceramente , não faço a miníma ideia de como ela me achou , ou melhor como ela ficou sabendo onde eu tinha ido . Minha mãe , por vezes , era muito misteriosa , e de uns tempos para cá ela andava muito estranha . No entanto , eu tinha que saber daquela fotografia , da história daquela menina , do que minha mãe tinha haver com a história daquela familía .

- Mãe achei umas fotografias em uma caixa da senhora e vi uma menina pequena , quem era ela? – perguntei como quem não queria nada . - É você , ora essa ! – respondeu ela . - Não mãe , essa é a irmã do Christian! – eu disse enquanto mostrava a fotografia a ela . Por um instante , um longo instante , ela nada disse . Achei que não fosse me responder . - Onde você achou essa foto ? Estava mexendo nas minhas coisas , Carla ? – perguntou ela , toda transtornada . - Não ! – respondi na defensiva – Eu só estava vendo TV , ai escutei algo cair e vim ver o que era , e tinha uma caixa com uns papéis no chão e ai eu achei essa foto ! Ela tomou a foto da minha mão . - Não mexa em nada mais meu , entendeu ?! – disse ela . – E essa não é você . Nem bonita assim você é , então pare de se meter nesse assunto . Fiz que sim com a cabeça e sai do quarto dela . Eu estava bem confusa , não por minha mãe me achar feia , isso não me era uma novidade , mas por ela dizer que era eu e depois dizer que não era , e por não ter explicado nada a mim . Uma novidade , já que ela não explicava nada mesmo. Porém , não ficaria por isso mesmo , eu descobriria o que ela tinha haver com aquela menina . *** No dia seguinte , na escola , eu consegui falar com o Christian e com o Cristiano . - Oi , - disse Cristano ao me ver , enquanto me abraçava levantando-me do chão – minha princesa ! - Oi ! – eu disse com um sorriso . - Sua mãe brigou muito com você ? – perguntou Christian. - Na medida do possível ! – respondi . - Christian , posso te fazer uma pergunta ? - Pode ! – ele respondeu Um pouco antes de vir para escola , eu peguei a fotografia da minha mãe com a menina no colo, a menina do qual ela havia feito todo aquele alvoroço . - Você conhece essa mulher ? – perguntei mostrando-lhe a fotografia . - Não ! – respondeu Christian. Cristiano pegou a foto da mão do Christian. - Cara , essa não é sua irmã ?! – perguntou Cristiano , mostrando a foto novamente a ele . - É sim ! – respondeu – Carla , onde você achou essa foto ?

Como eu iria explicar aquela foto a eles ? Como iria explicar a ele que aquela mulher era minha mãe ? E como iria responder a ele o que ela estava fazendo com a irmã dele no colo ? Nem eu sabia responder . - Bem – falei evitando olhar para os dois – eu achei em uma pesquisa que estava fazendo , e achei essa foto , e vi que essa menina era muito parecida com sua irmã . - Posso ficar com ela , para mostrar ao meu pai ?! - Pode ! – não podi negar . Depois disso não tocamos mais no assunto . Ao final da útlima aula , Cristiano me levou para casa , o Christian já tinha ido para a casa dele , ele estava ansioso para mostar a fotografia ao pai dele . Quando estava saindo do carro dele , vi que havia um outro carro parado na esquina , o engraçado é que podia jurar , que ali tinha alguém me vijiando . Uns minutos depois ele saiu , o que deixou mais na cara ainda que ele estava de alguma forma me seguindo . Fui para dentro de casa , mas estranhei algo . A casa estava aberta , e minha mãe não estava lá. Eu sabia porque ela não estava na janela me esperando . Comecei a entrar , porém ,senti algo apertando minha boca com algum pano . Tentei gritar , mas em vão , ele era mais forte do que eu . Estava de luva , e segurava meu corpo apertando mais e mais minha boca com o pano , mas tenho certeza que ele queria que eu sentisse o cheiro da droga , porque logo depois eu comecei a perder a consciência do que estava acontecendo , até desmaiar . *** Eu acordei , estava com a cara dentro de um saco e estava dentro de um carro . O que me fez perceber que estava sendo sequestrada . Queria tirar aquela coisa estupida do meu rosto , porque me sufocava aquele saco , queria perguntar onde estavam me levando e porquê estavam me levando , porém , resolvi ficar calada . Alguns minutos depois eu senti o carro parando , sendo estacionado em um chão de areia , devia ser algum terreno baldio , “pronto” , pensava eu , “é agora que serei morta , estuprada , degolada, assassinada , ou sei lá , qualquer coisa de ruim pode acontecer”. Sim , eu estava com medo , morrendo de medo . Me puxaram para fora do automóvel , e arrancaram o saco da minha cabeça , a claridade me incomodou um pouco , mas logo vi que estava na frente de um barraco no meio do nada. Olhei para trás e vi outro homem , com o Cristiano , ele estava muito machucado e desacordado . Lágrimas começaram o rolar dos meus olhos . O que pretendiam fazer ? Nos levaram para dentro do barraco , nos fizeram sentar e depois nos amarraram . Eu continuava a chorar , o barraco estava totalmente escuro , eu nada enchergava . Mas tinha uma luz central em cima de uma mesa , e atrás da mesa alguém estava sentado observando eu e Cristiano . - Olá , Carla ! – dizia essa pessoa , enquanto mostrava-se na luz . ***

Christian chegou em casa , e foi logo a procura de seu pai e de sua mãe. Os dois estavam no escritório , onde costumavam ficar quando estavam em casa . Christian , estava bem ancioso para mostrar aos seus pais o que tinha descoberto através de Carla . Eles aindam tinham esperança que algum dia achariam sua filha que havia sido tirada de seu quarto quando ainda tinha um ano de idade mais ou menos . Hoje ela teria a mesma idade do Junior , eram gêmeos , por isso saberiam identificar através da aparência . Os olhos e o cabelo , eram iguais . Christian entrou de uma vez no escritório , sem bater na porta para avisar que estava entrando. - Papai ! – dizia ele enquanto entrava – Olha só o que uma amiga minha achou ! Seu pai já tinha trinta e dois anos , possui o cabelo como o do filho e os olhos verdes também como o de seu filho;ele estava sentado na cadeira atrás da grande mesa , que ficava no escritório, e sua mãe , uma senhora já de 51 anos , porém não aparentava ter essa idade , estava sentada em uma poltrona lendo um livro qualquer para se destrair . Francisco , o pai de Christian , pegou a foto .Sua mãe , Cristiana , curiosa , foi até a cadeira de seu esposo para olhala . - Onde você achou essa fotografia ? – perguntou Francisco . - Na verdade não fui eu que achei , foi minha amiga Carla . - explicava ele . A esperança reinava nos olhos dos três , a muito tempo que não tinham uma noticía qualquer da filha , a muito tempo esperavam por uma pista dela , a muito tempo esperavam encontra-la , e talvez , por causa daquela fotografia , eles finalmente conseguiriam encontrar sua filha . O pai de Christian reconheceu aquela mulher , sua esposa , Cristina , também a reconheceu . Era a exnoiva dele , antes dele ter um relacionamento com Cristina. - Christian , - começou seu pai – como é sua amiga ? Como ela achou essa fotografia ? - Bem , ela disse que estava fazendo uma pesquisa e disse que achou essa fotografia ! – respondeu ele . - E como ela é , quer dizer , como é essa sua amiga ? - O nome dela é Carla , ela tem 17 anos , um cabelo que vai até, mais ou menos , a altura do joelho , loiro . Os olhos verdes como os meus .. . Christian começou a ter um “surto” de consciência . O cabelo loiro os olhos verdes , ele sempre a achou bem parecida com ele , aliás com o pai dele , mas chegou a pensar que fosse apenas coinsidência ; porém agora , nesse exato momento , ele já não tinha tanta certeza se era alguma coinsidência , a semelhança era demais , idêntica , era a palavra mais apropriada . Sim , Carla poderia ser sua irmã desaparecida . Mas aquela mulher , ele não conseguia recordar , mas ela não era uma total estranha , ele sabia que já a tinha visto em algum lugar . Mas onde ? Onde ele havia visto aquela senhora ? Até ele lembrar , no primeiro dia que conheceu Carla , quando foi leva-la a sua casa , ele a viu , na janela da casa da Carla , aquela senhora era , provavelmente , a mãe dela . Se aquela senhora da fotografia era a mãe de Carla , então sua amiga era na verdade sua irmã . Carla , era a irmã desaparecida dele , era a filha sumida . E aquela mulher era a que havia sequestrado a menina . Seus pais começaram a ficar preocupado , ele estava a muito tempo sem falar nada , começou a ficar muito pálido , até que teve que sentar .

- Filho o que houve ? – perguntou seu pai - Nada , eu só fiquei um pouco tonto , não sei porque . – a verdade é que ele sabia o motivo , mas não contaria aos seus pais . - Pai , terei que dar uma saída! – ele disse enquanto saia . - Mas onde você vai Christian ? – perguntou sua mãe . - Vou encontrar com o Cristiano , marquei uma coisa com ele . Depois eu volto . E ele se foi . Ele não contou aos seus pais , para não dar alguma esperança em vão . Em todos esses anos , receberam noticías de possíveis garotas que poderiam ser sua irmã , porém tudo em vão . E agora , o palpite poderia também estar errado . Mas só tinha um jeito de saber , ele iria falar com Carla . *** Eu mau podia acreditar em quem estava vendo a minha frente , aquela luz só podia estar me deixando doida , ou ficar com a cara enfiada naquele saco devia ter me deixado doida. Minha mãe estava ali na minha frente e não transparecia estar preocupada com Cristiano e nem comigo. - Mãe o que pensa que está fazendo ? – perguntava eu desesperada . - VOCÊ NÃO É MINHA FILHA ! – gritou ela . Como assim eu não era sua filha ? O que ela queria dizer com isso ? O que ela estava fazendo ? Sinceramente , eu tinha certeza de que ela estava louca . Ela havia surtado e resolveu dá uma de sequestradora , se era brincadeira , não tinha graça . - Carla , você não é minha filha . – ela disse amargamente – Eu peguei você da casa do seu pai quando tinha um ano de nascida . Sabe aquele seu amigo Christian , - dizia ela com ar de desprezo – pois é , ele é seu irmão biológico , eu pedi que investigassem , e me confirmaram o que eu já suspeitava . - O que ? – perguntei incrédula . - Foi isso mesmo que você ouviu . Eu não acreditava nisso . - É verdade ! – Cristiano já tinha voltado a sua consciência e escutava tudo – Eu também fiquei desconfiado da semelhança de vocês dois , e isso me deixava muito encucado . Então , eu resolvi fazer um teste . Meu pai trabalha em um laboratório de DNA , a única coisa que eu precisava era de material seu e do Christian , para fazer o teste . Assim eu peguei alguns fios do seu cabelo e do dele . – ele fez uma pausa e olhou para minha mãe – Recebi o resultado hoje . Positivo , vocês dois são irmãos . Estava indo contar ao Christian , quando me emboscaram e me trouxeram aqui . - E que bom que isso aconteceu . – dizia minha mãe com sorriso malévolo . Eu não conseguia processar o que tinha acabado de escutar . Informações demais rondavam minha mente . Era assustador . Tudo o que eu viverá até agora forá uma mentira .

- Coloquei meus homens na sua cola , garoto . E atrás de você também , Carla . Não me deixaram escolha , tinha que ser feito . Foi assim que descobri quando você mentiu . – dizia ela para mim – E foi assim que vi que você e seu amigo eram encrenca . Palpite certeiro . - Por que você me sequestrou ? – eu perguntei – POR QUE ? – perdi o controle. - Não grite com sua mãe ! – dizia ela . - Você não é minha mãe ! – disse com desprezo . Ela veio até mim e me deu um tapa no rosto . - Sabe por que eu te sequestrei ? – perguntou ela , obrigando-me a olha-la – Porque você era para ser minha filha ! Mas seu querido pai de merda , resolveu ficar com sua mãe doce e frágil ! Então , tirei dele sua princesa frágil e doce , como sua mãe patética ! – disse ela com tom de despreza . Ela me largou , voltou a sua compostura me observando novamente . - Rapazes levem os dois até o quarto ! – começou ela – Deixem eles a sós , para curtirem seus últimos momentos juntos . -O que fará com nós dois ? – eu perguntei , já sentindo o medo tomar conta de mim . - Você e eu vamos morar em Goiania , já planejei tudo , e ele – ela olhou para o Cristiano – sofrerá um acidente de carro amanhã , muito feio . Será tão feio , que ele partirá dessa para melhor . Cristiano parecia horrorizado com o que tinha acabado de ouvir , e eu estava aterrorizada . Os capangas da minha ex-mãe nos puxaram e nos levaram para o quarto . Tinhamos que dar um jeito de sair dali e rápido , ou seria nossa última noite juntos . *** Ao chegar na casa da Carla , o portão estava aberto e a porta da casa também . Christian entrou na frente , chamou por Carla . Mas ao ir nos dois quartos , viu que os guarda roupas estavam vazios . Não havia ninguém em casa . O silêncio transparecia em tudo . Até o celular do Christian tocar , assustando a ele . - Alô ! - Christian , aqui é a mãe do Cristiano , vocês estão juntos , ele está com você ? – perguntou ela desesperada . - Não senhora , desde que hora que ele está desaparecido ? - Ele não voltou para casa desde que saiu da escola ! - Se eu tiver noticias dele , aviso a senhora , não deve ser nada . - Obrigada ! Christian tinha uma leve impressão de que Cristiano e Carla estavam juntos , e talvez , encrencados . Resolve ligar para o Cristiano , mas nada , não conseguiu falar com ele em hora

nenhuma . Continua a tentar , mas nada acontece . Lembra de tentar ligar para Carla , mas percebe que não tem o número dela. Resolverá voltar para casa , porque no momento não tinha muito a se fazer , a não ser esperar . Mas quanto ele iria esperar ?Esperar parecia ser uma eternidade . *** Na cabana , só estavamos nós dois . Do lado de fora tinha alguns capangas da minha mãe , caso acontecesse algo , mas por enquanto o silêncio reinava . No quarto , Cristiano andava de um lado para o outro , tentando encontrar uma maneira de sair dali , enquanto eu , processava tudo o que tinha escutado . Não é todo dia que se descobre que a mãe que você achou que fosse sua mãe , na verdade não era sua mãe . Tanta coisa se passava por minha cabeça , que eu chegava a por vezes não entender . Cristiano parou de andar e olhou para mim , se abaixando a minha frente para ver se eu estava bem . Não queria olha-lo , ele havia feito algo sem meu consentimento , era muito ruim sentir que todos que você mais confiavam , de uma forma ou de outra , mentiram para você . - Você está com raiva de mim ?- ele me perguntou . Eu não conseguia responder , ou não queria responder . - Não ! Para ! – ele me obrigou a encara-lo – Olha , o que fiz não foi por mau , mas eu não podia contar a você , ouvir de mim que quem você pensava ser sua mãe , na verdade não era sua mãe , não cabia a mim , só aos seus pais biológicos . Não fique mau comigo . Ele foi se aproximando de mim , até nossas testas se tocarem . Eu baixei a guarda e o abracei forte , nesse momento eu precisava de um abraço . Ele retribuiu o abraço e depois se afastou de mim . - Olha nós precisamos encontrar um jeito de sair daqui , preciso que me ajude ! – disse ele secando minhas lágrimas com o dedo polegar. Fiz que sim com a cabeça . Nos levantamos e percebemos que havia uma pequena janela , com seis baras de ferro , por ali dava para passar uma pessoa , nós dois podiamos sair dali . E creio que Cristiano chegou a mesma conclusão que eu , pois ele foi direto nas barras , para ver se conseguia arranca-las , e por sorte elas eram de fácil remoção . Porém precisavamos de alguém para nos buscar no fim de mundo onde estavamos . Mas primeiro , tinhamos que sair daquela cabana . Depois de uns 40 minutos , Cristiano conseguiu remover todas as barras , para mim pareceu uma hora , ou duas , ou sei lá , acho que já estava perdendo noção do tempo . Olhamos direito e vimos que tinha um pedaço de chão acima de nós , havia um barranco que descia reto para a cabana . Seria o lugar para onde correriamos . Cristiano foi primeiro , assim ele teria mais chance de conseguir me puxar só com os braços . Nesse momento um dos capangas entrou no quarto , mas ele já tinha me puxado . Era hora de correr . Subimos o morro , os capangas estavam bem atrás de nós . Corriamos o mais rápido que podiamos , sem parar para nada , nem para tomar folêgo . Achamos um abursto, resolvemos parar e nos esconder para pensar qual seria o próximo passo a seguir . Em um momento ,

paramos de respirar , os capangas passaram atrás de nós , nesse momento eu toquei no bolso escondido da minha saia , “meu celular” , pensei eu . O tirei do bolso e mostrei ao Cristiano . - Você tem um celular ? – perguntou ele . - Acabei de descobrir ! - Bem , isso é uma ótima noticía , para quem posso ligar ?! – Cristiano dizia mais para si mesmo do que para mim . - Já sei , vou ligar para o Christian . Deixe só eu ver onde estamos . Ele deu uma boa olhada por toda a área , e viu uma outra cabana do lugar onde estavamos . Eu também avistei , mas eu tenho certeza de que ele sabia onde estavamos , porque a expressão dele era de um total reconhecimento do lugar , que cheguei a pensar que ele gritaria de alegria , porém ele se conteve e discou o número . Christian atendeu no segundo toque : - Alô ? - Cara , sou Cristiano . - Cara , onde você está ? Tenho que te contar algo . Carla também sumiu e preciso falar com ela. - Cara , calma , precisamos de ajuda , eu e Carla . Lembra onde costumavamos brincar quando pequeno , uma cabana abandonada aqui perto da via que vai para nosso condominio ? - Lembro ! - Então vai lá para perto da estrada que fica perto da cabana , estaremos esperando você lá , não demora . - Okay , cara estarei lá o mais rápido possível . Cristiano desligou . - E ae ? – eu perguntei . - Teremos que correr mais : daquela cabana em diante , teremos que encontrar o Christian na estrada . - Okay . Ele deu mais uma olhada atrás de nós antes de sairmos , para ver se tinha alguém atrás de nós , se havia algum capanga nos seguindo . Como não viu ninguém , era hora de irmos. Porém , os capangas logo nos encontraram e começaram a nos seguir , mas nós estavamos mais adiantados que eles . Corremos até a pequena cabana . Ali já tinha como ver um pouco mais da estrada , havia um pequeno caminho separado da mata de frente para a cabana , seguimos por ele . Corriamos sem parar para recuperar o folêgo , sem olhar para trás . Só seguiamos o mais rápido que conseguiamos . Mas eu cometi o erro de olhar para trás , nesse momento não vi a pedra , caí e bati a cabeça em alguma coisa muito dura . Como sei?Em segundos, meu sangue começou a sair e eu comecei a perder a consciência , novamente eu desmaiei , e dessa vez não sabia se retornaria a vida .

*** Cristiano olhou para trás e a viu caida . Indo até ela , viu que ela sangrava muito , tinha um corte perto da sua cabeça , um corte feio . Tinha que tira-la dali o mais rápido possível , ele tentou acorda-la , mas em vão , ela já tinha desmaiado . Ele levantou ela em seu colo e começou a correr com ela em seus braços , torcendo para que o Christian já estivesse no lugar combinado . Para ele era fácil carrega-la , a não ser pelo cabelo que a deixava um pouco pesada , já que ela era magra . Ele corria tanto que nem reparou quando vinha um carro , ele levou um susto ao perceber que estava na estrada , e tinha um carro a poucos metros dele , que parou quase em cima dos dois . Ao olhar , viu que era Christian . Foi até a porta do banco de trás , colocou Carla e depois se sentou . - Cara o que aconteceu ? – perguntou Christian , com um ar de preocupação , pois Carla sangrava muito . - Comece a dirigir até um hospital mais próximo , que eu vou te contando tudo o que aconteceu. Nesse momento , alguns capangas sairam para a estrada e Christian pisou fundo no acelerador,quase passou por cima dos dois homens que estavam na estrada . Cristiano foi contando tudo o que tinha acontecido e o que ele havia descoberto . Chegaram até o hospital: Carla foi para emergência , com uma lesão na cabeça . Ela ainda não havia acordado , mesmo no momento em que foi levada para emergência estava desmaiada .Christian contactou seus pais a respeito do ocorrido e eles contactaram a policia . Cristiano estava com seus pais no telefone explicando o ocorrido e indicando o hospital do qual estavam . Esse tinha sido um longo dia . *** Eu estava no hospital , haviam cortado meu cabelo para costurarem o lugar que minha cabeça tinha aberto com a pancada . Estava ali tinha pelo menos uns dois dias , ou quatro dias , tudo por conta de uma bolsa de sangue que estava presa em meu braço , me explicaram que o corte tinha feito com que eu perdesse muito sangue , então era preciso repor , foi ai que tiveram certeza de quem eu era filha , meu pai forá o doador . A partir do momento que acordei foram tantas as visitas , poiliciais em busca de pista de onde a minha mãe “falsa” andava , seus capangas também estavam desaparecidos , ou seja , caso em aberto . Passei tempo suficiente com minha mãe biológica e com meu pai bológico para nos conhecermos um pouco , o suficiente para me familiarizar com eles e eles comigo . Também passei bastante tempo com meu irmão, Christian . O único que não tinha tido noticía , era o Cristiano , que desde o ocorrido tinha sumido , e eu nem sei o porquê , mas eu estava muito feliz para me preocupar com isso . Minha mãe havia levado um cabelereiro até o hospital para dar um jeito no meu cabelo . Ele o cortou até o ombro mais ou menos , um corte meio desfiado . Refez minhas mechas pretas. Depois de terminar , pude ver a diferença . Havia ficado muito melhor do que aquele cabelo todo que eu tinha . E minha cabeça nem pesava . No quarto dia o médico tinha me liberado , visto como meu corpo reagiu as cicatrizações , eu podia ser liberada . Eu estava arrumando as minhas coisas , quando : - Quer ajuda para arrumar sua mala ? – era o Crsitiano na portal do quarto em que eu estava . Eu estava arrumando minhas malas para ir para casa , para minha casa que deveria ter sido desde pequena .

- Eu já estou terminando ! – eu disse . Sentei-me na berada da cama , ele saiu do portal e veio andando até mim , sentando-se perto de onde eu estava . - Gostei do seu cabelo assim – disse ele , tentando puxar assunto – ficou muito bom . Continua linda ! - Por que você nao veio me ver ? – eu perguntei – Por que estava fugindo de mim ? - Não , eu não fugi de você ! – ele fez uma pausa – Quis deixa-la conhecer seus pais verdadeiros, deixa-la a sós com sua verdadeira familía . Me perdoa ? – perguntou pegando minha mão e beijando-a . - Isso é alguma tatica para eu te perdoar ? – perguntei com sarcasmo . - Não ! Rsrs(risos) . Entenderei se você não quiser me perdoar . - Okay , acho que posso fazer isso . Posso te perdoar . Ele se levantou , e me puxou para um abraço fora do chão e depois me beijou . - Agora você viverá feliz para sempre . – ele disse com um sorriso . - Não – eu disse com um sorriso – Nós viveremos felizes para sempre . Esse é meu final feliz . E é assim que minha história termina , como um conto de fadas da “Rapunzel” .A garota que forá retirada de seus pais e que agora retornava as suas verdadeiras origens , vivendo feliz para sempre .

FIM
Obs.: Em um momento do conto é dito que os dois , Carla e Christian , são irmãos gêmeos . Biologicamante falando eles são irmãos gêmeos fraternos , ou seja , eles nasceram no mesmo dia , mas parecem ter nascidos de dias diferentes , podendo ser do mesmo sexo ou do sexo diferente .

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