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Revisão 8ºano Português Interpretação de Texto

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08/11/2013

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NOME

:
TURMA:

AVALIAÇÃO ANUAL DE PORTUGUÊS
8º ANO


PARTE ESCRITA

TEXTO 1


Um sonho de simplicidade
Então, de repente, no meio dessa desarrumação feroz da vida urbana, dá
na gente um sonho de simplicidade. Será um sonho vão? Detenho-me um
instante, entre duas providências a tomar, para me fazer essa pergunta. Por que
fumar tantos cigarros? Eles não me dão prazer algum; apenas me fazem falta. São
uma necessidade que inventei. Por que beber uísque, por que procurar a voz de
mulher na penumbra ou os amigos no bar para dizer coisas vãs, brilhar um
pouco, saber intrigas?
Uma vez, entrando numa loja para comprar uma gravata, tive de repente
um ataque de pudor me surpreendendo assim, a escolher um pano colorido para
amarrar ao pescoço.
A vida bem poderia ser mais simples. Precisamos de uma casa, comida,
uma simples mulher, que mais? Que se possa andar limpo e não ter fome, nem
sede, nem frio. Para que beber tanta coisa gelada? Antes eu tomava a água fresca
da talha, e a água era boa. E quando precisava de um pouco de evasão, meu trago
de cachaça.
Que restaurante ou boate me deu o prazer que tive na choupana daquele
velho caboclo do Acre? A gente tinha ido pescar no rio, de noite. Puxamos a rede
afundando os pés na lama, na noite escura, e isso era bom. Quando ficamos bem
cansados, meio molhados, com frio, subimos a barranca, no meio do mato, e
chegamos à choça de um velho seringueiro. Ele acendeu um fogo, esquentamos
um pouco junto do fogo, depois me deitei numa grande rede branca — foi um
carinho ao longo de todos os músculos cansados. E então ele me deu um pedaço
de peixe moqueado e meia caneca de cachaça. Que prazer em comer aquele
peixe, que calor bom em tomar aquela cachaça e ficar algum tempo a conversar,
entre grilos e votes distantes de animais noturnos.
Seria possível deixar essa eterna inquietação das madrugadas urbanas,
inaugurar de repente uma vida de acordar bem cedo? Outro dia vi uma linda
mulher, e senti um entusiasmo grande, uma vontade de conhecer mais aquela
bela estrangeira: conversamos muito, essa primeira conversa longa em que a
gente vai jogando um baralho meio marcado, e anda devagar, como a patrulha
que faz um reconhecimento. Mas por que, para que, essa eterna curiosidade, essa
fome de outros corpos e outras almas?
Mas para instaurar uma vida mais simples e sábia, então seria preciso
ganhar a vida de outro jeito, não assim, nesse comércio de pequenas pilhas de
palavras, esse oficio absurdo e vão de dizer coisas, dizer coisas... Seria preciso
fazer algo de sólido e de singelo: tirar areia do rio, cortar lenha, lavrar a terra,
algo de útil e concreto, que me fatigasse o corpo, mas deixasse a alma sossegada
e limpa.
Todo mundo, com certeza, tem de repente um sonho assim. E apenas um
instante. O telefone toca. Um momento! Tiramos um lápis do bolso para tomar
nota de um nome, um número... Para que tomar nota? Não precisamos tomar
nota de nada, precisamos apenas viver — sem nome, nem número, fortes, doces,
distraídos, bons, como os bois, as mangueiras e o ribeirão.
Rubem Braga







TEXTO 2

Soneto da Separação

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

Vinicius de Moraes. Nova Antologia Poética. Companhia das Letras, 2008.




TEXTO 3




QUESTÃO 1 (1,0)

O autor do TEXTO 1 faz a seguinte pergunta: “Por que fumar tantos cigarros?”
(1º parágrafo – 3a. e 4a. linhas). Logo em seguida, o autor diz que os cigarros são
uma necessidade que ele inventou (4a. e 5a. linhas). Por que ele faz essa
afirmação?

R:__________________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________________


QUESTÃO 2 (0,5)

Segundo o autor do TEXTO 1, o que é necessário para ter uma vida mais simples?

R:__________________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________________


QUESTÃO 3 (1,0)

Segundo o autor do TEXTO 1, “A vida bem poderia ser mais simples. Precisamos
de uma casa, comida, uma simples mulher, que mais? ”. Esta afirmação expressa
uma opinião ou um fato? Por que?

R:__________________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________________


QUESTÃO 4

Indique a classe gramatical das seguintes palavras presentes no TEXTO 1:

a) VIDA: _______________________________________________ (0,2)

b) URBANA: ___________________________________________ (0,2)

c) PRAZER: ____________________________________________ (0,2)

d) PESCAR: ____________________________________________ (0,2)

e) SOSSEGADA: ________________________________________(0,2)



QUESTÃO 5

Depois de ler o TEXTO 1 e o TEXTO 2, responda:

a) Qual o gênero literário do TEXTO 1? (0,5)

R: __________________________________


b) Qual o gênero literário do TEXTO 2? (0,5)

R: __________________________________


c) Qual o tema principal do TEXTO 1? (0,25)

R:__________________________________________________________________________________

d) Qual o tema prinicipal do TEXTO 2? (0,25)

R:__________________________________________________________________________________

e) O TEXTO 1 se relaciona de alguma maneira com o TEXTO 2? Responda
com suas palavras! (0,5)

R:__________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________




QUESTÃO 6 (0,5)

Sobre o TEXTO 1, podemos afirmar que:

(a) O autor gosta do ritmo da vida urbana.
(b) O texto fala sobre o sonho de uma vida mais simples.
(c) O texto exalta a indignação do autor com a vida no campo.
(d) O texto fala sobre o encontro do autor com uma mulher.


QUESTÃO 7 (1,0)

Na primeira linha do 1º parágrafo do TEXTO 1, o autor utiliza a palavra “de
repente”, assim como no TEXTO 2, essa palavra (“de repente”) é repetida
várias vezes. Reflita sobre o tema dos textos e responda a pergunta:

Por que os dois textos usaram a palavra “de repente”?

R: __________________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________________



QUESTÃO 8

a) No TEXTO 3, qual é a causa da queimação sentida pelo personagem? (1,0)

R: __________________________________________________________________________________________

b) Ele ficou feliz ao saber qual era a verdadeira causa? Retire do texto a
passagem que justifique sua resposta. (1,0)

R: __________________________________________________________________________________________



QUESTÃO 9 (1,0)

No TEXTO 3, qual é a relação da definição de amor encontrada acima da imagem
com a afirmação do personagem?

R: __________________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________________


REDAÇÃO (5,0)

Considerando que os padrões culturais de qualquer sociedade são construções
sociais marcadas por sua época, redija um texto dissertativo-argumentativo
sobre as caracterísitcas da vida urbana e sua complexidade.
Seu texto deverá:
 conter obrigatoriamente argumentos que sustentem suas opiniões;
 ter entre 20 e 25 linhas;
 apresentar letra legível e não conter rasuras;
 ter, no mínimo, três parágrafos;
 estar de acordo com a norma padrão para a modalidade escrita;
 ser em prosa;
 ter um título.

RASCUNHO


 Utilize esse espaço para RASCUNHO (Não será considerado para efeitos
de correção)

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REDAÇÃO

 Esta folha, com seu texto definitivo, será corrigida pela professora.
 Passe o texto a limpo com atenção.



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PARTE ORAL (5,0)

Ao ouvir a música “Alvorada” do Cartola os alunos deverão preencher os campos
abaixo:

“Alvorada lá no morro, que beleza
Ninguém chora, não há tristeza
Ninguém sente dissabor
O sol colorido é tão lindo, é tão lindo
E a natureza sorrindo, tingindo, tingindo
( a alvorada )
Você também me lembra a alvorada
Quando chega iluminando
Meus caminhos tão sem vida
E o que me resta é bem pouco
Ou quase nada, do que ir assim, vagando
Nesta estrada perdida.”


1. Procure no dicionário o significado da palavra que dá título à música e
escreva seu significado ao lado:
__________________________________________________________________ . (1,0)

2. A música descreve um lugar. Diga qual é este lugar:
______________________________. (1,0)

3. Leia o trecho abaixo:


“Você também me lembra a alvorada
Quando chega iluminando
Meus caminhos tão sem vida”


Escreva com suas palavras o que você entendeu do trecho acima: (1,0)

_____________________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________________



4. Escute a música novamente com atenção e preencha os campos abaixo:

a) Cite um substantivo: _______________________________________. (0,5)
b) Cite um adjetivo:____________________________________________. (0,5)
c) Retire da letra da música um trecho que exponha a opinião do
compositor:(1,0)
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GABARITO/ TAXONOMIA DE BLOOM

[PARTE ESCRITA]

QUESTÃO 1 (Compreensão-Análise)

R: Porque o cigarro não dá prazer, e, por esta razão, não teria motivo para as
pessoas fumarem. Só sentimos falta do cigarro porque inventamos a necessidade
de fumar e não pela sensação de prazer aliada ao ato de fumar.

QUESTÃO 2 (Compreensão-Análise)

R: Segundo o autor, para termos uma vida simples e sábia, teríamos que fazer
atividades mais práticas, que requeressem menos reflexão, como exige a vida de
um escritor.

QUESTÃO 3 (Conhecimento)

R: Esta afirmação expressa a opinião do autor porque nem todas as pessoas
acreditam que a vida poderia ser mais simples.

QUESTÃO 4 (Compreensão)

R: a) substantivo
b) adjetivo
c) substantivo
d) verbo
e) adjetivo

QUESTÃO 5 (Conhecimento (‘a’, ‘b’, ‘c’, ‘d’ ) e Análise (‘e’)).

R: a) crônica
b) poesia
c) complexidade e simplicidade da vida
d) fim do amor, separação
e) Sim, o TEXTO 1 fala de encontro amoroso no 6º parágrafo, enquanto o
TEXTO 2 fala da separação de um casal.


QUESTÃO 6

R: B

QUESTÃO 7 (Análise)

R: A palavra “de repente” é usada nos dois textos porque o primeiro texto fala
pensamentos que surgem em nossas mentes, como ideias ou reflexões, e, por
termos pouco ou nenhum controle, surgem de repente, assim como o amor que
se inicia e termina de um momento para outro, sem planejamento ou
possibilidade de previsão.

QUESTÃO 8 (Compreensão)

R: a) Era amor.
b) Sim, expressada pelas palavras “que bom”. Ele preferia sofrer de amor
do que de azia.

QUESTÃO 9 (Síntese)

R: A queimação que o personagem sentia tinha como causa o amor, que segundo
Camões, é o fogo que arde e não se vê, fazendo assim relação com a queimação
sentida pelo personagem.


[PARTE ORAL]

QUESTÃO 1 (Compreensão)

R: Alvorada significa crespúsculo matutino, o amanhecer.

QUESTÃO 2 (Compreensão)

R: O morro, a comunidade, onde o autor vive.

QUESTÃO 3 (Análise)

R: O compositor está se referindo à mulher amada, que também lembra a
alvorada, por chegar iluminando os seus caminhos tão sem vida.

QUESTÃO 4 (Conhecimento (‘a’ e ‘b’) e Compreensão (‘c’) )

R: a) alvorada; morro;tristeza;dissabor;sol;natureza;caminhos;estrada

b) colorido;lindo;perdida

c) “Alvorada lá no morro, que beleza”
“Ninguém chora, não há tristeza”
“Ninguém sente dissabor ”
“O sol colorido é tão lindo, é tão lindo”
“E a natureza sorrindo, tingindo, tingindo”




Vinicius de Moraes. cortar lenha. nem número. Mas por que. De repente da calma fez-se o vento Que dos olhos desfez a última chama E da paixão fez-se o pressentimento E do momento imóvel fez-se o drama. para que. distraídos. Fez-se do amigo próximo o distante Fez-se da vida uma aventura errante De repente. esse oficio absurdo e vão de dizer coisas. Nova Antologia Poética. 2008. dizer coisas. Todo mundo. Um momento! Tiramos um lápis do bolso para tomar nota de um nome.. Rubem Braga TEXTO 2 Soneto da Separação De repente do riso fez-se o pranto Silencioso e branco como a bruma E das bocas unidas fez-se a espuma E das mãos espalmadas fez-se o espanto. O telefone toca. um número.que faz um reconhecimento. essa eterna curiosidade. não mais que de repente. não mais que de repente Fez-se de triste o que se fez amante E de sozinho o que se fez contente. . não assim. as mangueiras e o ribeirão. que me fatigasse o corpo. tem de repente um sonho assim. De repente. bons. algo de útil e concreto. com certeza. Companhia das Letras.. como os bois. lavrar a terra. fortes. nesse comércio de pequenas pilhas de palavras. essa fome de outros corpos e outras almas? Mas para instaurar uma vida mais simples e sábia. precisamos apenas viver — sem nome. Para que tomar nota? Não precisamos tomar nota de nada. doces.. mas deixasse a alma sossegada e limpa.. E apenas um instante. Seria preciso fazer algo de sólido e de singelo: tirar areia do rio. então seria preciso ganhar a vida de outro jeito.

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