1. (ITA) Leia as proposições acerca de O Cortiço.

I. Constantemente, as personagens sofrem zoomorfização, isto é, a animalização do comportamento humano, respeitando os preceitos da literatura naturalista. II. A visão patológica do comportamento sexual é trabalhada por meio do rebaixamento das relações, do adultério, do lesbianismo, da prostituição etc. III. O meio adquire enorme importância no enredo, uma vez que determina o comportamento de todas as personagens, anulando o livre-arbítrio. IV. O estilo de Aluísio Azevedo, dentro de O Cortiço, confirma o que se percebe também no conjunto de sua obra: o talento para retratar agrupamentos humanos.

Está(ão) correta(s)

a) todas. b) apenas I. c) apenas I e II. d) apenas I, II e III. e) apenas III e IV.

2. (UFV-MG) Leia o texto abaixo, retirado de O Cortiço, e faça o que se pede:

Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas. Um acordar alegre e farto de quem dormiu de uma assentada, sete horas de chumbo. […]. O rumor crescia, condensando-se; o zunzum de todos os dias acentuava-se; já se não destacavam vozes dispersas, mas um só ruído compacto que enchia

todo o cortiço. Começavam a fazer compras na venda; ensarilhavam-se discussões e rezingas; ouviam-se gargalhadas e pragas; já se não falava, gritava-se. Sentia-se naquela fermentação sangüínea, naquela gula viçosa de plantas rasteiras que mergulham os pés vigorosos na lama preta e nutriente da vida, o prazer animal de existir, a triunfante satisfação de respirar sobre a terra. AZEVEDO, Aluísio. O cortiço. 15. ed. São Paulo: Ática, 1984. p. 28-29.

Assinale a alternativa que NÃO corresponde a uma possível leitura do fragmento citado:

a) No texto, o narrador enfatiza a força do coletivo. Todo o cortiço é apresentado como um personagem que, aos poucos, acorda como uma colméia humana. b) O texto apresenta um dinamismo descritivo, ao enfatizar os elementos visuais, olfativos e auditivos. c) O discurso naturalista de Aluísio Azevedo enfatiza nos personagens de O Cortiço o aspecto animalesco, “rasteiro” do ser humano, mas também a sua vitalidade e energia naturais, oriundas do prazer de existir. d) Através da descrição do despertar do cortiço, o narrador apresenta os elementos introspectivos dos personagens, procurando criar correspondências entre o mundo físico e o metafísico. e) Observa-se, no discurso de Aluísio Azevedo, pela constante utilização de metáforas e sinestesias, uma preocupação em apresentar elementos descritivos que comprovem a sua tese determinista.

3. (UNIFESP) A questão a seguir baseia-se no seguinte fragmento do romance O cortiço (1890), de Aluísio Azevedo (1857-1913):

O cortiço

Fechou-se um entra-e-sai de marimbondos defronte daquelas cem casinhas ameaçadas pelo fogo. Homens e mulheres corriam de cá para lá com os tarecos ao ombro, numa balbúrdia de doidos. O pátio e a rua enchiam-se agora

e choro de crianças esmagadas.. a sua crina preta. O cortiço) Em O cortiço. como à boca de uma fornalha acesa. de cabocla velha. mas viam-se baldes e baldes que se despejavam sobre as chamas. o caráter naturalista da obra faz com que o narrador se posicione em terceira pessoa. onisciente e onipresente. desgrenhada. Os sinos da vizinhança começaram a badalar. escorrida e abundante como as das éguas selvagens. E tudo era um clamor. Estava horrível. quando se ouviu estalar o madeiramento da casa incendiada. reluzia que nem metal em brasa. dava-lhe um caráter fantástico de fúria saída do inferno. Ninguém se conhecia naquela zumba de gritos sem nexo... e) Ia atirar-se cá para fora. que abateu rapidamente. E ela ria-se.- . quando se ouviu estalar o madeiramento da casa incendiada. e pragas arrancadas pela dor e pelo desespero. sem sentir as queimaduras e as feridas. (Aluísio Azevedo. nunca fora tão bruxa. A sugestão de que o narrador é testemunha pessoal e muito próxima dos acontecimentos narrados aparece de modo mais direto e explícito em: a) Fechou-se um entra-e-sai de marimbondos defronte daquelas cem casinhas ameaçadas pelo fogo. sepultando a louca num montão de brasas. A Bruxa surgiu à janela da sua casa. Ia atirar-se cá para fora. preocupado em oferecer uma visão crítico-analítica dos fatos. d) A Bruxa surgiu à janela da sua casa. mas viam-se baldes e baldes que se despejavam sobre as chamas. Quem a trouxe? Ninguém sabia dizê-lo. como à boca de uma fornalha acesa. ouviamse os guinchos de Zulmira que se espolinhava com um ataque. E começou a aparecer água. vitoriosa no meio daquela orgia de fogo. b) Ninguém sabia dizê-lo.de camas velhas e colchões espocados. Da casa do Barão saíam clamores apopléticos. com que ultimamente vivia a sonhar em segredo a sua alma extravagante de maluca. ébria de satisfação.. c) Da casa do Barão saíam clamores apopléticos. O seu moreno trigueiro.

Estava horrível. O pátio e a rua enchiam-se agora de camas velhas e colchões espocados. numa balbúrdia de doidos. ouviamse os guinchos de Zulmira que se espolinhava com um ataque. escorrida e abundante como as das éguas selvagens. E ela ria-se. reluzia que nem metal em brasa. o autor expõe um quadro tenso de misérias materiais e humanas. E tudo era um clamor. com que ultimamente vivia a sonhar em segredo a sua alma extravagante de maluca. sepultando a louca num montão de brasas. mestiços e escravos africanos. (Aluísio Azevedo. Da casa do Barão saíam clamores apopléticos. de maneira figurada. sem sentir as queimaduras e as feridas. compostas de brancos pobres. vitoriosa no meio daquela orgia de fogo. esmagando as camadas de baixo. de Aluísio Azevedo (1857-1913): O cortiço Fechou-se um entra-e-sai de marimbondos defronte daquelas cem casinhas ameaçadas pelo fogo. um retrato de nosso país. Aponte a alternativa em que as duas características apresentadas são corretas: . dava-lhe um caráter fantástico de fúria saída do inferno. No fragmento. como à boca de uma fornalha acesa. e pragas arrancadas pela dor e pelo desespero. Põe em evidência a competição dos mais fortes. Ninguém se conhecia naquela zumba de gritos sem nexo. O seu moreno trigueiro.4. ébria de satisfação. que abateu rapidamente. E começou a aparecer água. e choro de crianças esmagadas. e estes. nunca fora tão bruxa. desgrenhada. a sua crina preta. Homens e mulheres corriam de cá para lá com os tarecos ao ombro. Os sinos da vizinhança começaram a badalar. quando se ouviu estalar o madeiramento da casa incendiada. há várias outras características do Naturalismo. mas viam-se baldes e baldes que se despejavam sobre as chamas. A Bruxa surgiu à janela da sua casa. Quem a trouxe? Ninguém sabia dizê-lo. no final do século XIX. (UNIFESP) A questão a seguir baseia-se no seguinte fragmento do romance O cortiço (1890). O cortiço) O caráter naturalista nessa obra de Aluísio Azevedo oferece. Ia atirar-se cá para fora. No ambiente de degradação de um cortiço. entre si. de cabocla velha.

e choro de crianças esmagadas. e pragas arrancadas pela dor e pelo desespero. sem sentir as queimaduras e as feridas. Quem a trouxe? Ninguém sabia dizê-lo. e) Exploração de um tema em que o ser humano é aviltado pelo mais forte. utilização de preciosismos vocabulares. predominância de elementos anticientíficos. d) A onisciência do narrador imprime-lhe o papel de criador. de Aluísio Azevedo (1857-1913): O cortiço Fechou-se um entra-e-sai de marimbondos defronte daquelas cem casinhas ameaçadas pelo fogo. b) Visão subjetivista dada pelo foco narrativo. dava-lhe um caráter fantástico de fúria saída do inferno. Estava horrível. escorrida e abundante como as das éguas selvagens. nunca fora tão bruxa. numa balbúrdia de doidos. para enfatizar o distanciamento entre a enunciação e os fatos enunciados. desgrenhada. reluzia que nem metal em brasa. Ninguém se conhecia naquela zumba de gritos sem nexo. com que . E começou a aparecer água. tensão conflitiva entre o ser humano e o meio ambiente. propiciando uma visão objetiva dos fatos. mas viam-se baldes e baldes que se despejavam sobre as chamas. para ajustar a narração ao ambiente degradante dos personagens. ouviamse os guinchos de Zulmira que se espolinhava com um ataque. Da casa do Barão saíam clamores apopléticos. 5. e se confunde com a idéia de Deus. O seu moreno trigueiro. vitoriosa no meio daquela orgia de fogo.a) Exploração do comportamento anormal e dos instintos baixos. ébria de satisfação. (UNIFESP) A questão a seguir baseia-se no seguinte fragmento do romance O cortiço (1890). enfoque da vida e dos fatos sociais contemporâneos ao escritor. de cabocla velha. E tudo era um clamor. a sua crina preta. Homens e mulheres corriam de cá para lá com os tarecos ao ombro. O pátio e a rua enchiam-se agora de camas velhas e colchões espocados. como à boca de uma fornalha acesa. E ela ria-se. Os sinos da vizinhança começaram a badalar. crítica aos valores burgueses e predileção pelos mais pobres. c) Preferência pelos temas do passado. A Bruxa surgiu à janela da sua casa.

sepultando a louca num montão de brasas. (. No fragmento. no primeiro trecho. Aponte a alternativa que explicita o que os dois trechos têm em comum: a) Preocupação de um em relação à tragédia do outro.. com especial atenção aos dois trechos a seguir: Ninguém se conhecia naquela zumba de gritos sem nexo. no segundo trecho. e anonimato da cooperação e do “todos por todos”. e desespero que se expressa por apatia. e angústia de não se conhecer o outro. rico em efeitos descritivos e soluções literárias que configuram imagens plásticas no espírito do leitor. no segundo trecho. O cortiço) Releia o fragmento de O cortiço. Quem a trouxe? Ninguém sabia dizê-lo. no segundo trecho. e) Anonimato da confusão e do “salve-se quem puder”. Aluísio Azevedo apresenta características psicológicas de comportamento comunitário. Ia atirar-se cá para fora. no segundo trecho.. e choro de crianças esmagadas. que abateu rapidamente. no segundo trecho. mas viamse baldes e baldes que se despejavam sobre as chamas. d) Desespero que se expressa por murmúrios.ultimamente vivia a sonhar em segredo a sua alma extravagante de maluca. por quem se é ajudado. quando se ouviu estalar o madeiramento da casa incendiada. marque o que não traduza exemplo de zoomorfismo: . b) Desprezo de uns pelos outros. 6. no primeiro trecho. extraídos de O Cortiço. (ESPM) Dos segmentos abaixo. no primeiro trecho. no primeiro trecho. de Aluísio Azevedo.) E começou a aparecer água. (Aluísio Azevedo. e desprezo de todos por si próprios. c) Angústia de um não poder ajudar o outro. e pragas arrancadas pela dor e pelo desespero. e preocupação de poucos em relação à tragédia comum. no primeiro trecho.

p. coisa de uns vinte e tantos metros. São Paulo: Martins. em volta das bicas era um zunzum crescente. por debaixo das janelas. anca de animal do campo. inquieto com aquela exuberância brutal de vida. uma aglomeração tumultuosa de machos e fêmeas. pálida. o atual amante de Rita Baiana..) Com base nos fragmentos citados e nos conhecimentos sobre o romance O Cortiço. rachando o solo e abalando tudo. das pálpebras e dos lábios..” (AZEVEDO. faces levemente pintalgadas de sardas..a Machona. e cujas raízes piores e mais grossas do que serpentes miravam por toda parte. (UEL) A questão refere-se aos trechos a seguir. “Justamente por essa ocasião vendeu-se também um sobrado que ficava à direita da venda. 26. era um mulato pachola. ameaçando rebentar o chão em torno dela. berradora. d) E naquela terra encharcada e fumegante.. O Cortiço. naquela umidade quente e lodosa começou a minhocar. e multiplicar-se como larvas no esterco. magrinha. pulsos cabeludos e grossos. 1974.” “E durante dois anos o cortiço prosperou de dia para dia. ganhando forças. e) Firmo. estabelecido na rua do Hospício com uma loja de fazendas por atacado. Comprou-o um tal Miranda.. com pequeninas manchas roxas nas mucosas do nariz. separado desta apenas por aquelas vinte braças. Aluísio. 7. aterrado diante daquela floresta implacável que lhe crescia junto da casa. b) Leandra.. e de sorte que todo o flanco esquerdo do prédio.. portuguesa feroz. considere as afirmações a seguir: . 33. negociante português. 23. socando-se de gente. de Aluísio Azevedo. despejava para o terreno do vendeiro as suas nove janelas de peitoril. delgado de corpo e ágil como um cabrito. E ao lado o Miranda assustava-se. ed.a) Zulmira tinha então doze para treze anos e era o tipo acabado de fluminense. c) Daí a pouco.

c) II e IV. que ameaçava derrubar sua habitação. remetem também à estratificação presente no contexto do Rio de Janeiro do final do século XIX. Crítica ao capitalismo selvagem. feita através de uma linguagem metafórica. esse espaço coletivo adquire vida orgânica. b) I e III. A inquietação de Miranda quanto ao crescimento do cortiço deve-se ao fato de que sua casa. Os dois ambientes descritos marcam uma oposição entre o coletivo (o cortiço) e o individual (o sobrado) e. 8.I. . IV. por extensão. haja vista que seus comportamentos se assemelham em vários aspectos. III e IV. (UFLA) Relacione os trechos da obra O Cortiço. às características realistas/naturalistas seguintes que predominam nesses trechos e. indica que. revelando-se um “ser” cuja força de crescimento assemelha-se ao poderio de raízes em desenvolvimento constante que ameaçam tudo abalar. 2. como. A descrição do cortiço. III. ainda que fosse uma construção imponente. por exemplo. os de João Romão e Miranda. III e IV. e) II. d) I. 3. os moradores de um e outro espaço não se distinguem totalmente. marque a alternativa CORRETA: 1. Estão corretas apenas as afirmativas: a) I e II. de Aluísio de Azevedo. o sobrado. no romance. Não obstante a oposição entre o sobrado e o cortiço em termos de aparência física dos ambientes. a seguir. Força do sexo. Detalhismo. não possuía uma estrutura capaz de suportar o crescimento desenfreado do vizinho. II.

1 d) 2. b) Ninguém sabia dizê-lo. c) Da casa do Barão saíam clamores apopléticos. socado. como à boca de uma fornalha acesa.. de cabelos à escovinha. 2. . 2..) possuindo-se de tal delírio de enriquecer..” ( ) “(. 3 9. ela era o calor vermelho das sestas de fazenda. 1. Dormia sobre o balcão da própria venda.. (UNIFESP / SP) Em O cortiço.analística dos fatos. em cima de uma esteira. que o atordoara nas matas brasileiras.” a) 2.. 3. mas viam-se baldes que se despejavam sobre as chamas.( ) “(.. a barba sempre por fazer (. o caráter naturalista da obra faz com que o narrador se posicione em terceira pessoa. fazendo travesseiro de um saco de estepe cheio de palha. muito macilento. 2 c) 3. 1 e) 1. que afrontava resignado as mais duras privações. d) A Bruxa surgiu à janela da sua casa. onisciente e onipresente.) Era um pobre diabo caminhando para os setenta anos..” ( ) “E seu tipo baixote. 3.. era o aroma quente dos trevos e das baunilhas. antipático. 3 b) 1. A sugestão de que o narrador é testemunha pessoal e muito próxima dos acontecimentos narrados aparece de modo mais direto e explícito em: a) Fechou-se um entra-e-sai de marimbondos defronte daquelas cem casinhas ameaçadas pelo fogo. preocupado em oferecer uma visão crítico.) era a luz ardente do meio-dia.

a comuna. por ser ele um estudo analítico do romance.) Sobre os textos.. direta e objetiva. 42. . São Paulo: Ática. permeada de subentendidos. Luiz Antônio. 1974. há o predomínio da linguagem estética. (UEL) Texto 1 De cada casulo espipavam homens armados de pau. ed. 26. Um empenho coletivo os agitava agora. quando se ouviu estalar o madeiramento da casa incendiada. Roteiro de leitura: O cortiço de Aluísio Azevedo. varais de ferro. 10. há o predomínio da linguagem referencial. p. São Paulo: Martins. estava direito! ‘Jogassem lá as cristas. 139. p.e) Ia atirar-se cá para fora. (FERREIRA. Enquanto se tratava de uma simples luta entre dois rivais. a todos. por ser ele uma construção literária realista. 1997..) Texto 2 O cortiço é um romance de muitas personagens. b) A afirmação contida no Texto 2 explicita o modo coletivo de agir do cortiço. como se ficassem desonrados para sempre se a polícia entrasse ali pela primeira vez. no Texto 2. achas de lenha. (AZEVEDO. a) No Texto 1. de um grande corpo social que se corrói e se constrói simultaneamente. Aluísio. onde cada um tinha a zelar por alguém ou alguma coisa querida. numa solidariedade briosa. O cortiço. com suas particularidades. A intenção evidente é a de mostrar que todas. que o mais homem ficaria com a mulher!’ mas agora tratava-se de defender a estalagem. fazem parte de uma grande coletividade. assinale a alternativa correta.

e) O que se afirma no Texto 2 vai contra a idéia contida no Texto 1. visto que no cortiço jamais existe união entre os seus moradores.algo que também se observa no Texto 1. de Aluísio Azevedo. o que justifica o prevalecimento de um termo coletivo como título do romance. taras e vícios. c) Tanto no Texto 1 quanto no Texto 2 há uma visão exacerbada e idealizada do cortiço. sendo este considerado um lugar de harmonia e justiça. 1) O escritor propõe uma pesquisa voltada apenas para o caráter das personagens e não para suas manias. d) No Texto 1 prevalece a desagregação e corrosão da grande coletividade a que se refere o Texto 2. assinale a(s) proposição(ões) correta(s). faz crítica à organização da família de . Gabarito 1)A 2)D 3)E 4)A 5)E 6)A 7)D 8)D 9)E 10)B Com relação à obra O cortiço. 2) Baseada em métodos científicos.

momento e raça. anulando o livre-arbítrio. 16) O narrador evidencia o comportamento humano condicionado pelo meio. IV. (ITA) Leia as proposições acerca de O Cortiço. c) apenas I e II. da prostituição etc. descartáveis quando vistas. I. do adultério. III.forma pessoal e subjetiva. d) apenas I. II. Está(ão) correta(s) a) todas. O meio adquire enorme importância no enredo. . e) apenas III e IV. do lesbianismo.8. as personagens sofrem zoomorfização. II e III. respeitando os preceitos da literatura naturalista. O estilo de Aluísio Azevedo. pelos homens. 4) As personagens femininas surgem como objetos no romance. a animalização do comportamento humano. confirma o que se percebe também no conjunto de sua obra: o talento para retratar agrupamentos humanos. dentro de O Cortiço. 4. b) apenas I. 8) De estilo ágil. que assinala a língua culta brasileira até a chegada do Modernismo.16 1. Constantemente. como estorvo ou obstáculo. A visão patológica do comportamento sexual é trabalhada por meio do rebaixamento das relações. apresenta léxico e sintaxe consoantes com o caráter objetivo da narração. uma vez que determina o comportamento de todas as personagens. isto é. jornalístico.

gritava-se. São Paulo: Ática. ensarilhavam-se discussões e rezingas. condensando-se. já se não destacavam vozes dispersas. Assinale a alternativa que NÃO corresponde a uma possível leitura do fragmento citado: a) No texto. já se não falava. aos poucos. 15. Começavam a fazer compras na venda. d) Através da descrição do despertar do cortiço. a triunfante satisfação de respirar sobre a terra.2. Sentia-se naquela fermentação sangüínea. não os olhos. b) O texto apresenta um dinamismo descritivo. 28-29. mas também a sua vitalidade e energia naturais. ed. naquela gula viçosa de plantas rasteiras que mergulham os pés vigorosos na lama preta e nutriente da vida. mas um só ruído compacto que enchia todo o cortiço. Aluísio. olfativos e auditivos. . (UFV-MG) Leia o texto abaixo. o narrador apresenta os elementos introspectivos dos personagens. […]. “rasteiro” do ser humano. o prazer animal de existir. ao enfatizar os elementos visuais. p. acorda como uma colméia humana. o narrador enfatiza a força do coletivo. Todo o cortiço é apresentado como um personagem que. e faça o que se pede: Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava. o zunzum de todos os dias acentuava-se. sete horas de chumbo. abrindo. procurando criar correspondências entre o mundo físico e o metafísico. AZEVEDO. c) O discurso naturalista de Aluísio Azevedo enfatiza nos personagens de O Cortiço o aspecto animalesco. O rumor crescia. 1984. retirado de O Cortiço. ouviam-se gargalhadas e pragas. mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas. oriundas do prazer de existir. Um acordar alegre e farto de quem dormiu de uma assentada. O cortiço.

A sugestão de que o narrador é testemunha . E começou a aparecer água. preocupado em oferecer uma visão crítico-analítica dos fatos. o caráter naturalista da obra faz com que o narrador se posicione em terceira pessoa. pela constante utilização de metáforas e sinestesias. nunca fora tão bruxa. 3. (UNIFESP) A questão a seguir baseia-se no seguinte fragmento do romance O cortiço (1890). numa balbúrdia de doidos. reluzia que nem metal em brasa. A Bruxa surgiu à janela da sua casa. (Aluísio Azevedo. e choro de crianças esmagadas. que abateu rapidamente. Os sinos da vizinhança começaram a badalar. escorrida e abundante como as das éguas selvagens. Ninguém se conhecia naquela zumba de gritos sem nexo.e) Observa-se. como à boca de uma fornalha acesa. de Aluísio Azevedo (1857-1913): O cortiço Fechou-se um entra-e-sai de marimbondos defronte daquelas cem casinhas ameaçadas pelo fogo. Estava horrível. de cabocla velha. a sua crina preta. Quem a trouxe? Ninguém sabia dizê-lo. e pragas arrancadas pela dor e pelo desespero. O cortiço) Em O cortiço. sem sentir as queimaduras e as feridas. no discurso de Aluísio Azevedo. onisciente e onipresente. dava-lhe um caráter fantástico de fúria saída do inferno. E tudo era um clamor. sepultando a louca num montão de brasas. Ia atirar-se cá para fora. E ela ria-se. quando se ouviu estalar o madeiramento da casa incendiada. O seu moreno trigueiro. Da casa do Barão saíam clamores apopléticos. ouviamse os guinchos de Zulmira que se espolinhava com um ataque. O pátio e a rua enchiam-se agora de camas velhas e colchões espocados. mas viam-se baldes e baldes que se despejavam sobre as chamas. Homens e mulheres corriam de cá para lá com os tarecos ao ombro. uma preocupação em apresentar elementos descritivos que comprovem a sua tese determinista. ébria de satisfação. desgrenhada. com que ultimamente vivia a sonhar em segredo a sua alma extravagante de maluca. vitoriosa no meio daquela orgia de fogo.

O seu moreno trigueiro. de cabocla velha. b) Ninguém sabia dizê-lo. escorrida e abundante como as das éguas selvagens.pessoal e muito próxima dos acontecimentos narrados aparece de modo mais direto e explícito em: a) Fechou-se um entra-e-sai de marimbondos defronte daquelas cem casinhas ameaçadas pelo fogo. como à boca de uma fornalha acesa. e choro de crianças esmagadas. Ninguém se conhecia naquela zumba de gritos sem nexo. E começou a aparecer água. mas viam-se baldes e baldes que se despejavam sobre as chamas. c) Da casa do Barão saíam clamores apopléticos.. mas viam-se baldes e baldes que se despejavam sobre as chamas. (UNIFESP) A questão a seguir baseia-se no seguinte fragmento do romance O cortiço (1890). 4. Os sinos da vizinhança começaram a badalar.. numa balbúrdia de doidos. como à boca de uma fornalha acesa. O pátio e a rua enchiam-se agora de camas velhas e colchões espocados. ouviamse os guinchos de Zulmira que se espolinhava com um ataque.. quando se ouviu estalar o madeiramento da casa incendiada. dava-lhe um caráter .. Da casa do Barão saíam clamores apopléticos. E tudo era um clamor. d) A Bruxa surgiu à janela da sua casa. a sua crina preta. A Bruxa surgiu à janela da sua casa. Estava horrível. e pragas arrancadas pela dor e pelo desespero. Homens e mulheres corriam de cá para lá com os tarecos ao ombro. e) Ia atirar-se cá para fora. Quem a trouxe? Ninguém sabia dizê-lo. reluzia que nem metal em brasa. de Aluísio Azevedo (1857-1913): O cortiço Fechou-se um entra-e-sai de marimbondos defronte daquelas cem casinhas ameaçadas pelo fogo. desgrenhada. nunca fora tão bruxa.

e se confunde com a idéia de Deus. ébria de satisfação. crítica aos valores burgueses e predileção pelos mais pobres. para enfatizar o distanciamento entre a enunciação e os fatos enunciados. predominância de elementos anticientíficos. compostas de brancos pobres. tensão conflitiva entre o ser humano e o meio ambiente. enfoque da vida e dos fatos sociais contemporâneos ao escritor. Põe em evidência a competição dos mais fortes. E ela ria-se. no final do século XIX. e) Exploração de um tema em que o ser humano é aviltado pelo mais forte. sepultando a louca num montão de brasas. para ajustar a narração ao ambiente degradante dos personagens. o autor expõe um quadro tenso de misérias materiais e humanas. há várias outras características do Naturalismo. esmagando as camadas de baixo. de Aluísio Azevedo (1857-1913): O cortiço . O cortiço) O caráter naturalista nessa obra de Aluísio Azevedo oferece. mestiços e escravos africanos. No fragmento. utilização de preciosismos vocabulares. um retrato de nosso país. 5. de maneira figurada. b) Visão subjetivista dada pelo foco narrativo. e estes. (UNIFESP) A questão a seguir baseia-se no seguinte fragmento do romance O cortiço (1890). propiciando uma visão objetiva dos fatos. quando se ouviu estalar o madeiramento da casa incendiada. c) Preferência pelos temas do passado. que abateu rapidamente. entre si. com que ultimamente vivia a sonhar em segredo a sua alma extravagante de maluca. Ia atirar-se cá para fora. vitoriosa no meio daquela orgia de fogo. Aponte a alternativa em que as duas características apresentadas são corretas: a) Exploração do comportamento anormal e dos instintos baixos. d) A onisciência do narrador imprime-lhe o papel de criador. sem sentir as queimaduras e as feridas. (Aluísio Azevedo. No ambiente de degradação de um cortiço.fantástico de fúria saída do inferno.

Os sinos da vizinhança começaram a badalar. Da casa do Barão saíam clamores apopléticos.. pulsos cabeludos e . (. mas viam-se baldes e baldes que se despejavam sobre as chamas.. Ninguém se conhecia naquela zumba de gritos sem nexo. E começou a aparecer água. extraídos de O Cortiço. E tudo era um clamor. com especial atenção aos dois trechos a seguir: Ninguém se conhecia naquela zumba de gritos sem nexo. pálida.. nunca fora tão bruxa. e choro de crianças esmagadas. marque o que não traduza exemplo de zoomorfismo: a) Zulmira tinha então doze para treze anos e era o tipo acabado de fluminense. reluzia que nem metal em brasa. Ia atirar-se cá para fora. O cortiço) Releia o fragmento de O cortiço. portuguesa feroz. como à boca de uma fornalha acesa. magrinha. de cabocla velha.. numa balbúrdia de doidos. de Aluísio Azevedo. ébria de satisfação. ouviamse os guinchos de Zulmira que se espolinhava com um ataque. faces levemente pintalgadas de sardas. (Aluísio Azevedo. quando se ouviu estalar o madeiramento da casa incendiada. com que ultimamente vivia a sonhar em segredo a sua alma extravagante de maluca. das pálpebras e dos lábios. escorrida e abundante como as das éguas selvagens. berradora. A Bruxa surgiu à janela da sua casa. Homens e mulheres corriam de cá para lá com os tarecos ao ombro. com pequeninas manchas roxas nas mucosas do nariz. (ESPM) Dos segmentos abaixo. Estava horrível. O seu moreno trigueiro. e pragas arrancadas pela dor e pelo desespero. que abateu rapidamente. e choro de crianças esmagadas. vitoriosa no meio daquela orgia de fogo. Quem a trouxe? Ninguém sabia dizê-lo. a sua crina preta. e pragas arrancadas pela dor e pelo desespero.a Machona. desgrenhada. sem sentir as queimaduras e as feridas. sepultando a louca num montão de brasas. E ela ria-se.Fechou-se um entra-e-sai de marimbondos defronte daquelas cem casinhas ameaçadas pelo fogo. O pátio e a rua enchiam-se agora de camas velhas e colchões espocados.)6. b) Leandra. dava-lhe um caráter fantástico de fúria saída do inferno.

grossos. Comprou-o um tal Miranda. era um mulato pachola. 1974. o atual amante de Rita Baiana. feita através de uma linguagem metafórica. delgado de corpo e ágil como um cabrito. d) E naquela terra encharcada e fumegante. estabelecido na rua do Hospício com uma loja de fazendas por atacado. considere as afirmações a seguir: I. negociante português.. anca de animal do campo. e cujas raízes piores e mais grossas do que serpentes miravam por toda parte. ameaçando rebentar o chão em torno dela.” (AZEVEDO. rachando o solo e abalando tudo. socando-se de gente.. indica que. 26. p. coisa de uns vinte e tantos metros. naquela umidade quente e lodosa começou a minhocar. (UEL) A questão refere-se aos trechos a seguir. e de sorte que todo o flanco esquerdo do prédio. “Justamente por essa ocasião vendeu-se também um sobrado que ficava à direita da venda.) Com base nos fragmentos citados e nos conhecimentos sobre o romance O Cortiço. esse espaço coletivo adquire vida orgânica. c) Daí a pouco. e) Firmo. São Paulo: Martins.. de Aluísio Azevedo. A descrição do cortiço. 7. no romance. por debaixo das janelas.. revelando-se um “ser” cuja força de crescimento assemelha-se ao poderio de raízes em desenvolvimento constante que ameaçam tudo abalar. e multiplicar-se como larvas no esterco. .. ganhando forças.” “E durante dois anos o cortiço prosperou de dia para dia. 33. ed. em volta das bicas era um zunzum crescente. uma aglomeração tumultuosa de machos e fêmeas. despejava para o terreno do vendeiro as suas nove janelas de peitoril. E ao lado o Miranda assustava-se. aterrado diante daquela floresta implacável que lhe crescia junto da casa. inquieto com aquela exuberância brutal de vida. 23. separado desta apenas por aquelas vinte braças. O Cortiço. Aluísio.

os de João Romão e Miranda. Dormia sobre o balcão da própria venda. 3. de Aluísio de Azevedo. III e IV. os moradores de um e outro espaço não se distinguem totalmente. que afrontava resignado as mais duras privações. c) II e IV. 8. não possuía uma estrutura capaz de suportar o crescimento desenfreado do vizinho. d) I. em cima de . Força do sexo.) possuindo-se de tal delírio de enriquecer. que ameaçava derrubar sua habitação. III e IV.. remetem também à estratificação presente no contexto do Rio de Janeiro do final do século XIX.II. haja vista que seus comportamentos se assemelham em vários aspectos. Detalhismo. por exemplo. A inquietação de Miranda quanto ao crescimento do cortiço deve-se ao fato de que sua casa. por extensão. Os dois ambientes descritos marcam uma oposição entre o coletivo (o cortiço) e o individual (o sobrado) e. o sobrado. Crítica ao capitalismo selvagem. Estão corretas apenas as afirmativas: a) I e II. e) II. IV. 2. ainda que fosse uma construção imponente. (UFLA) Relacione os trechos da obra O Cortiço. Não obstante a oposição entre o sobrado e o cortiço em termos de aparência física dos ambientes. às características realistas/naturalistas seguintes que predominam nesses trechos e. a seguir. b) I e III.. como. marque a alternativa CORRETA: 1. III. ( ) “(.

. 2. muito macilento. 1..) era a luz ardente do meio-dia. mas viam-se baldes que se despejavam sobre as chamas. era o aroma quente dos trevos e das baunilhas. b) Ninguém sabia dizê-lo. como à boca de uma fornalha acesa.. onisciente e onipresente.. 3. preocupado em oferecer uma visão crítico. ela era o calor vermelho das sestas de fazenda. A sugestão de que o narrador é testemunha pessoal e muito próxima dos acontecimentos narrados aparece de modo mais direto e explícito em: a) Fechou-se um entra-e-sai de marimbondos defronte daquelas cem casinhas ameaçadas pelo fogo. 2 c) 3. de cabelos à escovinha. e) Ia atirar-se cá para fora. antipático.) Era um pobre diabo caminhando para os setenta anos.” a) 2.” ( ) “(.” ( ) “E seu tipo baixote. 3 9. o caráter naturalista da obra faz com que o narrador se posicione em terceira pessoa. 1 d) 2. a barba sempre por fazer (. socado. que o atordoara nas matas brasileiras.analística dos fatos.uma esteira.. 3 b) 1.. quando se ouviu estalar o madeiramento da casa incendiada. fazendo travesseiro de um saco de estepe cheio de palha. 1 e) 1.. 3. d) A Bruxa surgiu à janela da sua casa. (UNIFESP / SP) Em O cortiço. c) Da casa do Barão saíam clamores apopléticos. 2. ..

numa solidariedade briosa. p. fazem parte de uma grande coletividade. 26. (AZEVEDO. Roteiro de leitura: O cortiço de Aluísio Azevedo. 1997. São Paulo: Martins. no Texto 2. estava direito! ‘Jogassem lá as cristas. a) No Texto 1. direta e objetiva. por ser ele um estudo analítico do romance. b) A afirmação contida no Texto 2 explicita o modo coletivo de agir do cortiço. varais de ferro. Aluísio.10. A intenção evidente é a de mostrar que todas. p. há o predomínio da linguagem referencial. que o mais homem ficaria com a mulher!’ mas agora tratava-se de defender a estalagem. Luiz Antônio. O cortiço. há o predomínio da linguagem estética. 42. de um grande corpo social que se corrói e se constrói simultaneamente. 1974.) Texto 2 O cortiço é um romance de muitas personagens. a todos. Um empenho coletivo os agitava agora. assinale a alternativa correta. Enquanto se tratava de uma simples luta entre dois rivais. ed. onde cada um tinha a zelar por alguém ou alguma coisa querida. com suas particularidades. achas de lenha. 139. permeada de subentendidos. (UEL) Texto 1 De cada casulo espipavam homens armados de pau. a comuna. por ser ele uma construção literária realista. algo que também se observa no Texto 1. São Paulo: Ática. o que justifica o prevalecimento de .) Sobre os textos. (FERREIRA. como se ficassem desonrados para sempre se a polícia entrasse ali pela primeira vez.

coisa de uns vinte e tantos metros. p. e de sorte que todo o flanco esquerdo do prédio. (AZEVEDO. no romance. despejava para o terreno do vendeiro as suas nove janelas de peitoril. revelando-se um “ser” cuja força de crescimento assemelha-se ao poderio de raízes em desenvolvimento constante que ameaçam tudo abalar. 33. considere as afirmações a seguir. socando-se de gente. 26. separado desta apenas por aquelas vinte braças. E durante dois anos o cortiço prosperou de dia para dia. por debaixo das janelas. ganhando forças. c) Tanto no Texto 1 quanto no Texto 2 há uma visão exacerbada e idealizada do cortiço. ed. 1974. e) O que se afirma no Texto 2 vai contra a idéia contida no Texto 1. I. não . visto que no cortiço jamais existe união entre os seus moradores. de Aluísio Azevedo. E ao lado o Miranda assustava-se. o sobrado. sendo este considerado um lugar de harmonia e justiça. e cujas raízes piores e mais grossas do que serpentes miravam por toda parte. 23.) Com base nos fragmentos citados e nos conhecimentos sobre o romance O Cortiço. São Paulo: Martins. indica que. negociante português. II. rachando o solo e abalando tudo. feita através de uma linguagem metafórica. O Cortiço.um termo coletivo como título do romance. d) No Texto 1 prevalece a desagregação e corrosão da grande coletividade a que se refere o Texto 2. Comprou-o um tal Miranda. inquieto com aquela exuberância brutal de vida. A inquietação de Miranda quanto ao crescimento do cortiço deve-se ao fato de que sua casa. Aluísio. ainda que fosse uma construção imponente. Justamente por essa ocasião vendeu-se também um sobrado que ficava à direita da venda. ameaçando rebentar o chão em torno dela. (UEL) A questão refere-se aos trechos a seguir. aterrado diante daquela floresta implacável que lhe crescia junto da casa. A descrição do cortiço. estabelecido na rua do Hospício com uma loja de fazendas por atacado. esse espaço coletivo adquire vida orgânica. 11.

. Não obstante a oposição entre o sobrado e o cortiço em termos de aparência física dos ambientes. O CORTIÇO (Aluísio de Azevedo) Estalagem de São Romão. III e IV. que apareciam como manchas alegres por entre a negrura das limosas tinas transbordantes e o revérbero das claras barracas de . agitada e barulhenta. e) II.) E aquilo se foi constituindo numa grande lavanderia. os moradores de um e outro espaço não se distinguem totalmente. tudo pago adiantado. (UFLA) Leia o texto para responder à questão.possuía uma estrutura capaz de suportar o crescimento desenfreado do vizinho. d) I. as suas hortaliças verdejantes e os seus jardinzinhos de três e quatro palmos. III. com as suas cercas de varas. Alugam-se casinhas e tinas para lavadeiras.. remetem também à estratificação prresente no contexto do Rio de Janeiro do final do século XIX.” As casinhas eram alugadas por mês e as tinas por dia. (. III e IV. os de João Romão e Miranda. haja vista que seus comportamentos se assemelham em vários aspectos. por extensão. As moradoras do cortiço tinham preferência e não pagavam nada para lavar. como. O preço de cada tina. Estão corretas apenas as afirmativas: a) I e II. quinhentos réis. b) I e III. por exemplo. que ameaçava derrubar sua habitação. sabão à parte. IV. c) II e IV. Os dois ambientes descritos marcam uma oposição entre o coletivo (o cortiço) e o individual (o sobrado) e. metendo a água. 12.

1997) A fusão entre os seres e o ambiente a que pertencem é um traço naturalista fortemente presente no fragmento. E os gotejantes jiraus. armadas sobre os lustrosos bancos de lavar. a esfervilhar. cintilavam ao sol. naquela umidade quente e lodosa. (UNILAVRAS) Pode-se afirmar corretamente com relação ao romance O Cortiço. ali mesmo. D) Romão é tudo." b) Vão-se os anéis.” e) “O que os olhos não vêem o coração não sente” / “De grão em grão a galinha enche o papo. ficam os dedos” / “Cada macaco no seu galho. uma coisa viva.” 13. uma geração. São Paulo.” d) “Antes só do que mal acompanhado” / “Água mole em pedra dura tanto bate até que fura. Ática. começou a minhocar. cobertos de roupa molhada. B) O Autor admite a influência do meio no comportamento do indivíduo. e multiplicar-se como larvas no esterco. . que nem lagos de metal branco. E naquela terra encharcada e fumegante. um mundo. Indique a alternativa que melhor expressa essa característica. C) Alcança a época da escravidão. menos um ingrato. exceto: A) É um romance urbano. (O Cortiço.” c) “Ri melhor quem ri por último” / “Nem todos os dedos da mão são iguais. a)"Diga-me com quem tu andas e eu te direi quem és" / "Filho de peixe peixinho é. a crescer. que parecia brotar espontânea.algodão cru. daquele lameiro.

Como uma obra Naturalista. – Vem pra cá. de Aluísio Azevedo. C) Apenas a afirmativa III está correta. Jerônimo bebeu um bom trago de parati. só de camisa.. ao sentir na sua pele a carne quente daquela brasileira. (UNILAVRAS) Com relação à obra O Cortiço. lançou-se contra o seu amado. – Espera! espera! O café está quase pronto! E ela só foi ter com ele. leia o trecho de O cortiço.Por ser escrita no século XIX é uma obra romântica. Jerônimo.) Depois. mudou de roupa e deitou-se na cama de Rita. ao senti-la inteira nos seus braços. B) Apenas a afirmativa II está correta... quer a social também.. II . (UNIFESP) INSTRUÇÃO: Para responder às questões de números 15 a 17. 15.É uma obra que pertence ao Naturalismo brasileiro. E) Apenas as afirmativas II e III estão corretas. III .E) O protagonista não se contenta com a ascensão econômica. A) Apenas a afirmativa I está correta. atirou fora a saia e. um pouco rouco. faz uma abordagem patológica do homem. ao sentir inundar-se o rosto e as espáduas. 14. de Aluísio Azevedo: I . num . disse. levando-lhe a chávena fumegante da perfumosa bebida que tinha sido a mensageira dos seus amores (. D) Apenas as afirmativas I e II estão corretas. num frenesi de desejo doído.

queimando-lhe as próprias carnes e arrancando-lhe gemidos surdos. Pode-se afirmar que o enlace amoroso entre Jerônimo e Rita. 16. numa agonia extrema. O texto. a onda negra e fria da cabeleira da mulata. E) na concepção de sexo como prática humana nobre e sublime. e saiu-lhe pela boca. D) na descrição do ser humano sob a ótica do erótico e animalesco. revela a lascívia do casal Jerônimo e Rita Baiana. C) na apresentação do amor idealizado e revestido de certo erotismo. B) é desejado com intensidade e lhes aguça os ânimos. B) na apresentação dos instintos contidos. sobrenatural. tem instintos. D) representa-lhes o pecado e a degradação como pessoa. ao sentir esmagarem-se no seu largo e peludo colo de cavouqueiro os dois globos túmidos e macios. entre a vermelhidão cruenta das labaredas do inferno. pelos olhos. em brasa. como tal. sua alma derreteu-se. soluços irreprimíveis. o que lhe confere caráter grotesco na obra.eflúvio de baunilha e cumaru. uma agonia de anjos violentados por diabos. seja na perspectiva de Rita. COMENTÁRIO: Os naturalistas concebem o homem como um animal e que. consiste A) na condenação do sexo e conseqüente reafirmação dos preceitos morais. E) é de sensualidade suave. de caráter narrativo-descritivo. . e nas suas coxas as coxas dela. escandescente. C) reproduz certo incômodo pelo tom de ritual que impõe. próprio à visão naturalista. fibra por fibra. por todos os poros do corpo. fervendo e borbulhando como um metal ao fogo. A) é sublimado. pela não explicitação do ato. O enlace amoroso. seja na de Jerônimo. sem exploração da plena sexualidade. que lhe sacudiam os membros.

centrada na animalização humana estimulada pelo sexo e pelo dinheiro. pode-se inferir que ela se relaciona com A) uma dose de parati. E) o olhar de Rita. num frenesi de desejo doído” ele. de Aluísio Azevedo: A) É também uma história de corrupção. consumido por um amor “sobrenatural”. o cônego relaxado e comilão.) a chávena fumegante da perfumosa bebida que tinha sido a mensageira dos seus amores (. havendo muitas descrições . 18. (UFAM) Assinale a alternativa incorreta feita a propósito do romance O Cortiço.COMENTÁRIO: Enquanto ela “atirou fora a saia e.. B) a cama de Rita. COMENTÁRIO: Segundo o texto: (. sentiu-se “escandescente. lançou-se contra o seu amado. só de camisa. A atração inicial entre Rita e Jerônimo não acontece na cena descrita. a velha beata e raivosa. B) O verdadeiro protagonista desse romance é uma comunidade popular explorada em proveito da burguesia ascendente da época. Segundo o texto. C) uma xícara de café. em brasa”. irremediavelmente seduzido. 17.).. C) Observam-se sátiras a alguns tipos predominantes na época: o comerciante rico e grosseiro.. D) o perfume de Rita.. D) O enredo não gira em função de pessoas.

D) “Um bruxuleio barato no fundo da biboca dos retirantes. berradora. Assinale-a: A) “A mulata era o prazer. Aponte a alternativa que explicita o que os dois trechos têm em comum: a) Preocupação de um em relação à tragédia do outro. em cujo regaço a virgem permanecia com os peitos franqueados”.) onde a alma de Jerônimo aprendeu lascívias de macaco e onde seu corpo porejou o cheiro sensual dos bodes”.. veio enorme borboleta de fogo adejar luxuriosamente em torno da imensa rosa. rico em efeitos descritivos e soluções literárias que configuram imagens plásticas no espírito do leitor. não expressar com acerto uma parte do enredo ou não conter o nome de um dos personagens de O Cortiço.precisas onde cenas coletivas e tipos psicologicamente primários fazem o conjunto. C) “As corridas até à venda reproduziam-se. pulsos cabeludos e grossos. E começou a aparecer água. ficava menor. perdida na amplidão do latifúndio. no primeiro trecho. era o fruto dourado (. que. modificavalhes a impressão da vida”. E) “De repente. No fragmento. como João Romão. semelhando um ninho caído.. NÃO pertence a esse romance. senhor da pedreira e do cortiço. portuguesa feroz. 19. por alcunha a “Machona”. (UFAM) Das frases abaixo. Aluísio Azevedo apresenta características psicológicas de comportamento comunitário. transformando-se num verminar constante de formigueiro assanhado”. Quem a trouxe? Ninguém sabia dizê-lo. e) Existe uma divisão clara entre a vida dos que venceram. e a labuta dos humildes que se exaurem na luta pela sobrevivência. mas viamse baldes e baldes que se despejavam sobre as chamas. e . era a volúpia. anca de animal do campo”. B) “A primeira que se pôs a lavar foi a Leandra. por não conter características do Naturalismo. apenas uma.

d) Desespero que se expressa por murmúrios. no primeiro trecho. no segundo trecho. c) Angústia de um não poder ajudar o outro. e anonimato da cooperação e do “todos por todos”. no segundo trecho. e) Anonimato da confusão e do “salve-se quem puder”. e angústia de não se conhecer o outro. no primeiro trecho. . e desprezo de todos por si próprios. b) Desprezo de uns pelos outros. no primeiro trecho.preocupação de poucos em relação à tragédia comum. por quem se é ajudado. no segundo trecho. e desespero que se expressa por apatia. no primeiro trecho. no segundo trecho. no segundo trecho.

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