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O que é Ludicidade

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O que é Ludicidade?

O lúdico tem sua origem na palavra latina "ludus" que quer dizer "jogo". Se se achasse confinado a sua origem, o termo lúdico estaria se referindo apenas ao jogar, ao brincar, ao movimento espontâneo. A evolução semântica da palavra "lúdico", entretanto, não parou apenas nas suas origens e acompanhou as pesquisas de Psicomotricidade. O lúdico passou a ser reconhecido como traço essencial de psicofisiologia do comportamento humano. De modo que a definição deixou de ser o simples sinônimo de jogo. As implicações da necessidade lúdica extrapolaram as demarcações do brincar espontâneo. Passando a necessidade básica da personalidade, do corpo e da mente. O lúdico faz parte das atividades essenciais da dinâmica humana. Caracterizando-se por ser espontâneo funcional e satisfatório. Sendo funcional: ele não deve ser confundido com o mero repetitivo, com a monotonia do comportamento cíclico, aparentemente sem alvo ou objetivo. Nem desperdiça movimento: ele visa produzir o máximo, com o mínimo de dispêndio de energia. Segundo Luckesi são aquelas atividades que propiciam uma experiência de plenitude, em que nos envolvemos por inteiro, estando flexíveis e saudáveis. Para Santin, são ações vividas e sentidas, não definíveis por palavras, mas compreendidas pela fruição, povoadas pela fantasia, pela imaginação e pelos sonhos que se articulam como teias urdidas com materiais simbólicos. Assim elas não são encontradas nos prazeres estereotipados, no que é dado pronto, pois, estes não possuem a marca da singularidade do sujeito que as vivencia. Na atividade lúdica, o que importa não é apenas o produto da atividade, o que dela resulta, mas a própria ação, o momento vivido. Possibilita a quem a vivencia, momentos de encontro consigo e com o outro, momentos de fantasia e de realidade, de ressignificação e percepção, momentos de autoconhecimento e conhecimento do outro, de cuidar de si e olhar para o outro, momentos de vida. Uma aula com características lúdicas não precisa ter jogos ou brinquedos. O que traz ludicidade para a sala de aula é muito mais uma "atitude" lúdica do educador e dos educandos. Assumir essa postura implica sensibilidade, envolvimento, uma mudança interna, e não apenas externa, implica não somente uma mudança cognitiva, mas, principalmente, uma mudança afetiva. A ludicidade exige uma predisposição interna, o que não se adquire apenas com a aquisição de conceitos, de conhecimentos, embora estes sejam muito importantes. Uma fundamentação teórica consistente dá o suporte necessário ao professor para o entendimento dos porquês de seu trabalho. Trata-se de ir um pouco mais longe ou, talvez melhor dizendo, um pouco mais fundo. Trata-se de formar novas atitudes, daí a necessidade de que os professores estejam envolvidos com o processo de formação de seus educandos. Isso não é tão fácil, pois, implica romper com um modelo, com um padrão já instituído, já internalizado. A escola tradicional, centrada na transmissão de conteúdos, não comporta um modelo lúdico. Por isso é tão freqüente ouvirmos falas que apóiam e enaltecem a importância do lúdico estar presente na sala de aula, e queixas dos futuros educadores, como também daqueles que já se encontram exercendo o magistério, de que se fala da importância da ludicidade, se discutem conceitos de ludicidade, mas não se vivenciam atividades lúdicas. Fala-se, mas não se faz. De fato não é tão simples uma transformação mais radical pelas próprias experiências que o professor tem ao longo de sua formação acadêmica. Como bem observa Tânia Fortuna, em uma sala de aula ludicamente inspirada, convivese com a aleatoriedade, com o imponderável; o professor renuncia à centralização, à

onisciência e ao controle onipotente e reconhece a importância de que o aluno tenha uma postura ativa nas situações de ensino, sendo sujeito de sua aprendizagem; a espontaneidade e a criatividade são constantemente estimuladas. Podemos observar que essas atitudes, de um modo geral, não são, de fato, estimuladas na escola. Para Jucimara: "as atividades lúdicas permitem que o indivíduo vivencie sua inteireza e sua autonomia em um tempo-espaço próprio, particular. Esse momento de inteireza e encontro consigo gera possibilidades de autoconhecimento e de maior consciência de si". São lúdicas as atividades que propiciem a vivência plena do aqui-agora, integrando a ação, o pensamento e o sentimento. Tais atividades podem ser uma brincadeira, um jogo ou qualquer outra atividade que possibilite instaurar um estado de inteireza: uma dinâmica de integração grupal ou de sensibilização, um trabalho de recorte e colagem, uma das muitas expressões dos jogos dramáticos, exercícios de relaxamento e respiração, uma ciranda, movimentos expressivos, atividades rítmicas, entre outras tantas possibilidades. Mais importante, porém, do que o tipo de atividade é a forma como é orientada e como é experienciada, e o porquê de estar sendo realizada. Enquanto educadores damos ênfase às metodologias que se alicerçam no "brincar", no facilitar as coisas do aprender através do jogo, da brincadeira, da fantasia, do encantamento. A arte-magia do ensinar-aprender (Rojas, 1998), permite que o outro construa por meio da alegria e do prazer de querer fazer. O jogo e a brincadeira estão presentes em todos as fases da vida dos seres humanos, tornando especial a sua existência. De alguma forma o lúdico se faz presente e acrescenta um ingrediente indispensável no relacionamento entre as pessoas, possibilitando que a criatividade aflore. Por meio da brincadeira a criança envolve-se no jogo e sente a necessidade de partilhar com o outro. Ainda que em postura de adversário, a parceria é um estabelecimento de relação. Esta relação expõe as potencialidades dos participantes, afeta as emoções e põe à prova as aptidões testando limites. Brincando e jogando a criança terá oportunidade de desenvolver capacidades indispensáveis a sua futura atuação profissional, tais como atenção, afetividade, o hábito de permanecer concentrado e outras habilidades perceptuais psicomotoras. Brincando a criança torna-se operativa. Observamos que quando existe representação de uma determinada situação (especialmente se houver verbalizado) a imaginação é desafiada pela busca de solução para problemas criados pela vivência dos papéis assumidos. As situações imaginárias estimulam a inteligência e desenvolvem a criatividade. O ato de criar permite uma Pedagogia do Afeto na escola. Permite um ato de amor, de afetividade cujo território é o dos sentimentos, das paixões, das emoções, por onde transitam medos, sofrimentos, interesses e alegrias. Uma relação educativa que pressupõem o conhecimento de sentimentos próprios e alheios que requerem do educador a disponibilidade corporal e o envolvimento afetivo, como também, cognitivo de todo o processo de criatividade que envolve o sujeito-ser-criança. A afetividade é estimulada por meio da vivência, a qual o educador estabelece um vínculo de afeto com o educando. A criança necessita de estabilidade emocional para se envolver com a aprendizagem. O afeto pode ser uma maneira eficaz de se chegar perto do sujeito e a ludicidade, em parceria, um caminho estimulador e enriquecedor para se atingir uma totalidade no processo do aprender. Percebemos em Machado (1966) o ressaltar do jogo como não sendo qualquer tipo de interação, mas sim, uma atividade que tem como traço fundamental os papéis sociais e as ações destes derivadas em estreita ligação funcional com as motivações e o aspecto propriamente técnico-operativo da atividade. Dessa forma destaca o papel fundamental

a atenção. A ludicidade é uma necessidade do ser humano em qualquer idade e não pode ser vista apenas como diversão. desbloquear resistências e ter uma visão clara sobre a importância do jogo e do brinquedo para a vida da criança. Ser parceiro é sê-lo por inteiro. Percebemos com isso que se o professor tiver conhecimento e prazer. que no nosso entendimento. Entender o papel do jogo nessa relação afetiva-emocional e também de aprendizagem requer que percebamos estudos de caráter psicológico. depende da concepção que cada profissional tem sobre a criança. fazendo-nos sentir bem ou mal com esta ou aquela maneira de trabalhar na sala de aula. Ao sentir que as vivências lúdicas podem resgatar a sensibilidade. Neste contexto as peças do quebra-cabeça se diferenciam. algumas experiências têm-nos mostrado sua validade e não são poucos os educadores que têm afirmado ser a ludicidade a alavanca da educação para o terceiro milênio. típicos do ser humano. educação. o conhecimento é construído pelas relações interpessoais e as trocas recíprocas que se estabelecem durante toda a vida formativa do indivíduo. Quanto mais o adulto vivenciar sua ludicidade. Elegendo a aprendizagem como processo principal do desenvolvimento humano enfocamos Vygotsky (1984) que afirma: a zona de desenvolvimento proximal é o encontro do individual com o social. a busca da afetividade. como a memória. O desenvolvimento do aspecto lúdico facilita a aprendizagem. Segundo o autor a criança comporta-se de forma mais avançada do que nas atividades da vida real. facilita os processos de socialização.das relações humanas que envolvem os jogos infantis. quanto pela capacidade de subordinação às regras. escola. comunicação. tendo no jogo sua fonte dinamizadora. currículo. a esta última preferimos chamá-la de formação lúdica interdisciplinar. mas como resultante da sua inserção em atividades socialmente compartilhadas com outros. a linguagem. Nesse sentido. experiências corporais que se utilizam da ação do pensamento e da linguagem. atribuindo-lhe um espaço importante no desenvolvimento das estruturas psicológicas. com a qual concordamos: a formação teórica. Negrine( 1994) sugere três pilares que sustentariam uma boa formação profissional. mais probabilidade existirá de que os professores/aprendizes se utilizem desse "modelo" na sua sala de aula. a nutrição da alma. o desenvolvimento pessoal. prepara para um estado interior fértil. enquanto atitude de abertura às práticas inovadoras. até então adormecida. Tal formação permite ao educador saber de suas possibilidades e limitações. . homem. como mecanismos mais complexos. sendo a concepção de desenvolvimento abordada não como processo interno da criança. a prática e a pessoal. sociedade. De acordo com Vygtsky (1984) é no brinquedo que a criança aprende a agir numa esfera cognitiva. Atividades interdisciplinares que permitem a troca e a parceria. maior será a chance deste profissional trabalhar com a criança de forma prazerosa. possibilitando diversos encaixes. social e cultural. Nóvoa (1991) afirma que o sucesso ou insucesso de certas experiências marcam a nossa postura pedagógica. proporcionando aos futuros educadores vivências lúdicas. entretanto. Machado (1966) salienta. colabora para uma boa saúde mental. Esta concepção reconhece o papel do jogo para formação do sujeito. conteúdo. Este tipo de formação é inexistente nos currículos oficiais dos cursos de formação do educador. A formação do sujeito não é um quebra-cabeça com recortes definidos. a percepção e aprendizagem. que a interação social implica transformação e contatos com instrumentos físicos e/ou simbólicos mediadores do processo de ação. tanto pela vivência de uma situação imaginária. o cultivo da sensibilidade. A formação lúdica interdisciplinar se assenta em propostas que valorizam a criatividade. expressão e construção do conhecimento.

Que as aulas sejam vivas e num ambiente de inter-relação e convivência (Masseto. Conteúdos estes despertados pelo prazer de querer saber e conhecer. permitindo o construir alicerçado no afeto. para a construção do ser humano autônomo e criativo. dando ênfase à formação lúdica: ensinar e sensibilizar o professor-aprendiz para que. 'a sua ação. a fé. Segundo Snyders (1988) o despertar para o valor dos conteúdos das temáticas trabalhadas é que fazem com que o sujeito aprendiz tenha prazer em aprender. Mesmo procurando fazer sua parte. com sabedoria. Sala de aula é um lugar de brincar se o professor consegue conciliar os objetivos pedagógicos com os desejos do aluno.ao perceber-se vivo e pulsante. despertem no sujeito-aprendiz o gosto e a curiosidade pelo conhecimento. no poder fazer. 1994). Para isso é necessário encontrar equilíbrio sempre móvel entre o cumprimento de suas funções pedagógicas e contribuir para o desenvolvimento da subjetividade. saber de suas possibilidades. o professor e a escola dão/respeitam a possibilidade de que outra coisa aconteça. que a matemática substitui a arte e que o humano dá lugar ao técnico (Santin. 1998). Credita ao aluno. Tudo se decide no processo de reflexão que o professor leva a cabo sobre sua própria ação (Nóvoa. sentir e viver. . 1994). 1999). isto é. desbloquear resistências e ter uma visão clara sobre a importância do jogo e do brinquedo para a vida da criança. Como tão bem afirma Tânia Fortuna: Brincar na sala de aula é uma aposta. A afetividade como sustentáculo significativo e fundamental de uma pedagogia que se alicerça na arte-magia interdisciplinar do ensinar-aprender (Rojas. a paz. 1992). o novo e deixa cair por terra que a lógica da racionalidade extingue o calor das paixões. permitindo que a criatividade e a imaginação aflorem através da interdisciplinaridade enquanto atitude. perdeu a capacidade de brincar. A intersubjetividade se mostre por meio do afeto e da alegria de poder liberar o que cada sujeito (professor) trás consigo mesmo e quanto pode contribuir com o outro. É isso que procuramos fazer em nossa prática pedagógica. do jovem e do adulto (Santos. Curiosidade que segundo Freire (1997) é natural e cabe ao educador torná-la epistemológica. Kishimoto. O homem da ciência e da técnica perdeu a felicidade e a alegria de viver. à parte de responsabilidade no desenvolvimento. o professor/aprendiz faz brotar o inesperado. a beleza e o prazer das coisas estão dentro de nós. 1995). através de atividades dinâmicas e desafiadoras. perdeu a fertilidade da fantasia e da imaginação guiadas pelo impulso lúdico (Santin. Por entender e concordar com o autor percebemos que se o professor não aprende com prazer não poderá ensinar com prazer. podermos exteriorizá-los na nossa vida diária. 1997. A alegria. 1990). Poder vivenciar o processo do aprender colocando-se no lugar da criança. Devemos despertálos para. Que a sala de aula seja um ambiente em que o autoritarismo seja trocado pela livre expressão da atitude interdisciplinar (Fazenda. A formação lúdica possibilita ao educador conhecer-se como pessoa.

A partir do exposto concluiu que a maioria dos professores “obtém” certo conhecimento sobre o tema. por ser o brinquedo a essência da infância e seu uso permitirem um trabalho pedagógico que possibilita a produção do conhecimento. no desenvolvimento e na vida das crianças. INTRODUÇÃO Este trabalho visa relatar os dados obtidos através da realização de uma pesquisa sobre o tema Aprender brincando: o lúdico na aprendizagem.1% dos professores responderam que é possível reunir dentro da mesma situação o brincar e o educar. da aprendizagem e do desenvolvimento. em escolas particulares e públicas. os brinquedos e as brincadeiras podem ser importantes para o desenvolvimento e para a aprendizagem das crianças. que foram aplicados em 26 professores que lecionam da 1ª a 4ª série. constatamos que o lúdico exerce um papel importante na aprendizagem das crianças. saber se os professores atuantes têm conhecimento de alguns conceitos. uma maior conscientização no sentido de desmistificar o papel do “brincar”. tornar evidente que os professores e futuros professores devem e precisam tomar consciência disso. com o objetivo de coletar dados a respeito da importância do lúdico como facilitador da aprendizagem. onde 96. pois elas vivem em um mundo de fantasia. no desenvolvimento e na vida das crianças. mas sim objeto de grande valia na aprendizagem e no desenvolvimento das crianças. A utilização de brincadeiras e jogos no processo pedagógico faz despertar o gosto pela vida e leva as crianças a enfrentarem os desafios que lhe surgirem. como o “lúdico” e a “brinquedoteca” e muitas outras questões sobre a relação do brincar com a aprendizagem e o desenvolvimento da criança. sendo dois do sexo masculino e vinte e quatro do sexo feminino. principalmente na educação infantil. A ludicidade é assunto que tem conquistado espaço no panorama nacional. que não é apenas um mero passatempo. mostraremos a importância do “lúdico” e como ele. cultura e classe social. saber se os professores atuantes têm conhecimento de alguns conceitos. os jogos e brinquedos fazem parte da vida da criança.Aprender Brincando: O Lúdico na Aprendizagem Autora: Juliana Tavares Maurício RESUMO O presente estudo teve como objetivo analisar a relação do ludico como facilitador da aprendizagem na sala de aula. como o “lúdico” . porém observamos a necessidade tanto nas escolas públicas quanto provadas. de alegria. Para alcançarmos tais objetivos e conseguirmos as informações e dados necessários. de sonhos onde a realidade e o faz-de-conta se confundem.92% dos professores possuem conhecimentos acerca do tema. Identificamos que 76. somos sempre levados a adquirir competências novas. de encantamento. de ambos os sexos. os jogos. De acordo com os dados obtidos. tornar evidente que os professores e futuros professores devem e precisam tomar consciência disso. fazendo o brincar se transformar em pecado. que foi realizada com vinte e seis professores. Independentemente de época. Foi possível mostrar o quanto o “lúdico” pode ser um instrumento indispensável na aprendizagem. foi utilizado um questionario semi-estruturado. A partir disso. Esta pesquisa irá mostrar o quanto o “lúdico” pode ser um instrumento indispensável na aprendizagem. Nas sociedades de mudanças aceleradas em que vivemos. apesar de a história de antigas civilizações mostrar o contrário. pois é o individuo a unidade básica de mudança.

continuam insatisfatórios. desde pequenas. vamos tornar evidente a importância do “lúdico” e como ele. Estimula a observar e conhecer as pessoas e as coisas do ambiente em que se vive. e discorrer sobre a importância do lúdico no processo de ensino-aprendizagem. a tomada de decisão. como a imaginação. Agindo sobre os objetos. isto é. emocional e intelectual e sempre estiveram presentes em qualquer povo desde os mais remotos tempo. a criança desenvolvem a linguagem. Vale ressaltar. Estimula o crescimento e o desenvolvimento. as crianças. mostrando sua importância. Nesse sentido o lúdico pode contribuir de forma significativa para o desenvolvimento do ser humano. seja ele de qualquer idade. preparando-se para ser um cidadão capaz de enfrentar desafios e participar na construção de um mundo melhor. quando vivenciamos conflitos numa competição. apesar de todos os seus projetos. que o lúdico não é a única alternativa para a melhoria no intercambio ensino-aprendizagem.1 O jogo no processo de aprendizagem O brincar e o jogar são atos indispensáveis à saúde física. favorecendo o advento e o progresso da palavra.e a “brinquedoteca” e muitas outras questões sobre a relação do brincar com a aprendizagem e o desenvolvimento da criança. por sua vez. auxilia no processo ensino-aprendizagem. O jogo. os brinquedos e as brincadeiras podem ser importantes para o desenvolvimento e para a aprendizagem das crianças. acontecem quando jogamos. o levantamento de hipóteses. chegando à representação e. a socialização. as faculdades intelectuais. pois ele favorece o desenvolvimento físico. principalmente nos períodos sensório-motor e préoperatório. “o jogo não pode ser visto apenas como divertimento ou brincadeira para desgastar energia. comunicação. (CAMPOS) Segundo PIAGET (1967)citado por . finalmente. desenvolvendo a noção de casualidade. quando obedecemos a regras. corresponde a uma profunda exigência do organismo e ocupa lugar de extraordinária importância na educação escolar. ao contrário. o pensamento. porém. tanto no desenvolvimento psicomotor. a coordenação muscular. Através do jogo o . I APRENDER BRINCANDO: O LÚDICO NA APRENDIZAGEM Neste trabalho iremos explanar algumas definições importantes acerca do jogo no processo de aprendizagem. nas suas diversas formas. estruturam seu espaço e seu tempo. pessoal e cultural. percebendo-se a necessidade de mudanças no âmbito educacional. O jogo não é simplesmente um “passatempo” para distrair os alunos. diferenciar o jogo. pois querem jogar bem. a iniciativa individual. A escolha do tema justifica-se pelo fato de que os resultados da educação. facilitando no processo de socialização. expressão e construção do pensamento. Através deles. cognitivo. etc. a iniciativa e a auto-estima. afetivo e moral”. bem como no desenvolvimento de habilidades do pensamento. auxiliando não só na aprendizagem. mas também no desenvolvimento social. da brincadeira e do brinquedo. a interpretação. os jogos. A partir disso. Através dele se processa a construção de conhecimento. a criatividade. a obtenção e organização de dados e a aplicação dos fatos e dos princípios a novas situações que. As crianças ficam mais motivadas para usar a inteligência. à lógica. 1. esforçam-se para superar obstáculos tanto cognitivos como emocionais. mas é uma ponte que auxilia na melhoria dos resultados por parte dos educadores interessados em promover mudanças. no desenvolvimento da motricidade fina e ampla.

jogos e brincadeiras na prática pedagógica é uma realidade que se impõe ao professor. O jogo é essencial para que a criança manifeste sua criatividade. 2004). a criança experimenta. ou seja. sua inteligência e sua sensibilidade estão sendo desenvolvidas. Além de estimular a curiosidade. A brincadeira é alguma forma de divertimento típico da infância. faz exercícios. uma atividade natural da criança. Para Vygotsky (1994) citado por OLIVEIRA.2 Brinquedo. cultural e técnica. isto é. que não implica em compromissos. Brincando a criança se diverte. brincadeira e jogo Em todos os tempos. Brinquedos não devem ser explorados só para lazer. Enquanto objeto. São exatamente estas necessidades que fazem a criança avançar em seu desenvolvimento. explorar toda a sua espontaneidade criativa. DIAS. O vocábulo “brinquedo” não pode ser reduzido à pluralidade de sentidos do jogo. Através dos jogos e brincadeiras. A qualidade de oportunidade que estão sendo oferecidas à criança através de brincadeiras e de brinquedos garante que suas potencialidades e sua afetividade se harmonizem. inventa. É somente sendo criativo que a criança descobre seu próprio eu (TEZANI. Os professores precisam estar cientes de que a brincadeira é necessária e que traz enormes contribuições para o desenvolvimento da habilidade de aprender e pensar. São objetos mágicos. a ausência de um sistema de regras que organizam sua utilização. com um incrível poder de encantar crianças e adultos. o prazer não pode ser considerado a característica definidora do brinquedo. pois a criança necessita brincar. o brinquedo supõe uma relação intima com a criança e uma indeterminação quanto ao uso. O brinquedo é a oportunidade de desenvolvimento. testar hipóteses. como muitos pensam. 1996) Diferindo do jogo. (VELASCO. pois conota a criança e tem uma dimensão material. O brinquedo traduz o real para a realidade infantil. os brinquedos evocam as mais sublimes lembranças. para todos os povos. O brinquedo na verdade. do pensamento e da concentração e da atenção. proporcionam o desenvolvimento da linguagem. O jogo é mais importante das atividades da infância. Brincando. diminuindo o sentimento de impotência da criança. (CAMPOS) 1. descobre. aprende e confere habilidades.indivíduo pode brincar naturalmente. mas também como elementos bastantes enriquecedores para promover a aprendizagem. (KISHIMOTO. ROAZZI (2003). o educando encontra apoio para superar suas dificuldades de aprendizagem. Suaviza o impacto provocado pelo tamanho e pela força dos adultos. planejamento e seriedade e que envolve comportamentos espontâneos e geradores de prazer. . preenche necessidades. 1994) O brinquedo contém sempre uma referência ao tempo de infância do adulto com representações vinculadas pela memória e imaginações. utilizando suas potencialidades de maneira integral. jogar. é sempre suporte de brincadeira. a autoconfiança e a autonomia. entendendo-se estas necessidades como motivos que impelem a criança à ação. criar e inventar para manter seu equilíbrio com o mundo. A importância da inserção e utilização dos brinquedos. constrói seu conhecimento e aprende a conviver com seus amiguinhos. Brincando. melhorando o seu relacionamento com o mundo. que vão passando de geração a geração.

ou seja. Para surgir basta uma bola. 1. um sistema de regras permite identificar. integrador. A brincadeira não é um mero passatempo. desenvolvendo uma atividade lúdica. 1996). de uma geração a outra. O terceiro sentido refere-se ao jogo enquanto objeto. O jogo é. os jogos assumem significações distintas. é uma grande fonte de prazer. como ainda nas que exigem regras (BERTOLDO. ao movimento espontâneo. a brincadeira possui três características: a imaginação. 1994). Se se achasse confinado a sua origem. em qualquer jogo. As implicações da necessidade lúdica extrapolaram as demarcações do brincar espontâneo. Elas estão presentes em todos os tipos de brincadeiras infantis. Pode-se dizer que é o lúdico em ação. (ALMEIDA) . Para a criança. Os três aspectos citados permitem uma primeira compreensão do jogo. Não depende de regras. construindo interiormente o seu mundo. Através do jogo a criança: libera e canaliza suas energias. De modo que a definição deixou de ser o simples sinônimo de jogo. RUSCHEL). pelas regras e objetos que o caracterizam. tanto nas tradicionais. esta executando as regras do jogo e. tem o poder de transformar uma realidade difícil. o termo lúdico estaria se referindo apenas ao jogar. 2003). Esta atividade é um dos meios propícios à construção do conhecimento. ou pode ser aprendida pela criança de forma espontânea (MALUF. quando alguém joga. ao mergulhar na ação lúdica.3 A importância do lúdico na aprendizagem O lúdico tem sua origem na palavra latina "ludus" que quer dizer "jogo”. No segundo caso. a imitação e a regra. O lúdico passou a ser reconhecido como traço essencial de psicofisiologia do comportamento humano. diferenciando significados atribuídos por culturas diferentes. propicia condições de liberação da fantasia. O jogo pode ser visto como: resultado de um sistema lingüístico que funciona dentro de um contexto social. promovendo processos de socialização e descoberta do mundo (MALUF. Segundo VYGOTSKY. uma estrutura seqüencial que especifica sua modalidade. o que é fundamental para despertar o interesse da criança. Enquanto fato social. ao brincar. a brincadeira gira em torno da espontaneidade e da imaginação.2003). ao mesmo tempo. Tais estruturas seqüenciais de regras permitem diferenciar cada jogo. o sentido do jogo depende da linguagem de cada contexto social. de forma expressiva. há sempre um caráter de novidade. um espaço para correr ou um risco no chão (VELASCO. e à medida em que joga ela vai conhecendo melhor. de formas rigidamente estruturadas. dependendo do lugar e da época. É a ação que a criança desempenha ao concretizar as regras de jogo. ela ajuda no desenvolvimento das crianças. o sentido que cada sociedade lhe atribui. No primeiro caso. É este aspecto que nos mostra porque. Dessa forma brinquedo e brincadeira relacionam-se diretamente com a criança e não se confundem com o jogo (KISHMOTO. o jogo assume a imagem.A brincadeira transmitida à criança através de seus próprios familiares. naquelas de faz-de-conta. por excelência. um sistema de regras e um objeto.

capaz de gerar um estado de vibração e euforia. mas além desse valor. porque é ele que permite simular situações”. vai se socializando. pois é o espaço para expressão mais genuína do ser. A convivência de forma lúdica e prazerosa com a aprendizagem proporcionará a criança estabelecer relações cognitivas às experiências vivenciadas. integra percepções. bem como relacioná-la as demais produções culturais e simbólicas conforme procedimentos metodológicos compatíveis a essa prática. integrando estudos específicos sobre a importância do lúdico na formação da personalidade. do brincar. que sem o brinquedo é muito mais difícil realizar a atividade lúdica. com as pessoas e com os objetos. criando um clima de entusiasmo. porque acima de tudo ela não é lúdica. A criança e mesmo o jovem opõe uma resistência à escola e ao ensino. Através da atividade lúdica e do jogo. não é prazerosa. tão importante para a saúde mental do ser humano é um espaço que merece atenção dos pais e educadores. o que é mais importante. é o espaço e o direito de toda a criança para o exercício da relação afetiva com o mundo. na idade infantil e na adolescência a finalidade é essencialmente pedagógica. • As situações lúdicas mobilizam esquemas mentais. a ludicidade é portadora de um interesse intrínseco. precisa do jogo como forma de equilibração com o mundo (BARROS). (BERTOLDO. É este aspecto de envolvimento emocional que o torna uma atividade com forte teor motivacional. Ele é considerado prazeroso. e neste sentido. mas também requerem um esforço voluntário. Sendo uma atividade física e mental. Segundo Teixeira 1995 (apud NUNES). Portanto. De acordo com Nunes. que lhe é inerente. estimulando o pensamento. devido a sua capacidade de absorver o indivíduo de forma intensa e total.O Lúdico apresenta valores específicos para todas as fases da vida humana. a ludicidade é uma atividade que tem valor educacional intrínseco. Em virtude desta atmosfera de prazer dentro da qual se desenrola. estabelece relações lógicas. canalizando as energias no sentido de um esforço total para consecução de seu objetivo. Mas é verdade. a ludicidade aciona e ativa as funções psico-neurológicas e as operações mentais. seleciona idéias. satisfazem uma necessidade interior. • O lúdico apresenta dois elementos que o caracterizam: o prazer e o esforço espontâneo. Assim. o desenvolvimento da criança acontece através do lúdico. faz estimativas compatíveis com o crescimento físico e desenvolvimento e. Para VITAL DIDONET “é uma verdade que o brinquedo é apenas um suporte do jogo. a criança forma conceitos. e que é possível brincar com a imaginação. (NEVES) Segundo PIAGET. Ela precisa brincar para crescer. ela tem sido utilizada como recurso pedagógico. . várias são as razões que levam os educadores a recorrer às atividades lúdicas e a utilizá-las como um recurso no processo de ensino-aprendizagem: • As atividades lúdicas correspondem a um impulso natural da criança. as atividades lúdicas são excitantes. pois o ser humano apresenta uma tendência lúdica. RUSCHEL) A ludicidade. também. O lúdico possibilita o estudo da relação da criança com o mundo externo.

e conseguirmos as informações e dados necessários.84% relacionaram o lúdico com a criatividade e a imaginação. Onde obtivemos os dados abaixo citados: Utilizando como conceito de lúdico como sendo: “A palavra lúdico vem do latim ludus e significa brincar. com idade variando entre 19 e 52 anos. contendo questões objetivas e subjetivas. o desenvolvimento de uma aptidão ou capacidade cognitiva e apreciativa específica que possibilita a compreensão e a intervenção do indivíduo nos fenômenos sociais e culturais e que o ajude a construir conexões. e se os mesmos acreditam no significado do aprender brincando. . 2. o que os professores utilizam em sala de aula. brinquedos e divertimento e é relativa também à conduta daquele que joga.Em geral.2 Instrumento Para alcançarmos os objetivos da pesquisa. e 9 professores de escolas públicas do município de João Pessoa. será indispensável à utilização de alguns procedimentos. Os dados foram elaborados através do programa Microsoft Word.1 População e Amostra A pesquisa foi realizada com a participação 26 professores que lecionam da 1ª a 4ª série. Para que assim possamos obter a opinião. de três escolas particulares e três escolas públicas. contendo quatro questões subjetivas e cinco questões objetivas. pois precisamos obter embasamento teórico a fim de nos aprofundarmos sobre o tema escolhido. estimular a construção de novo conhecimento e principalmente despertar o desenvolvimento de uma habilidade operatória. brinca e que se diverte”. para a obtenção dos dados. e averiguar o nível de conhecimento sobre o assunto abordado. dos professores atuantes no campo de trabalho relacionado à educação infantil. de ambos os sexos. brinquedo ou brincadeira. ou seja.53% das respostas foram consideradas não significativas de acordo com os autores aqui citados a respeito do que seria o lúdico. o elemento que separa um jogo pedagógico de um outro de caráter apenas lúdico é este: desenvolve-se o jogo pedagógico com a intenção de provocar aprendizagem significativa. 17 professores de escolas particulares. onde foram entrevistados. 11. III ANALISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS Utilizamos como instrumento de pesquisa um questionário.3 Local da Pesquisa A pesquisa foi realizada em três escolas públicas e três escolas particulares da cidade de João Pessoa.92% responderam que o lúdico está relacionado com o jogo. Neste brincar estão incluídos os jogos. 2. que são a consulta bibliográfica. (NUNES) II MATERIAL E METODOS 2. 7. contemplando aspectos como a importância do lúdico. Pode-se observar que dos 26 entrevistados 76.69% responderam que o lúdico está relacionado com o diferenciamento entre cores e formas e 3. e a aplicação de questionários semiestruturados.

dama. que não implica em compromissos. De acordo com as respostas obtidas.De acordo com as respostas obtidas.6% responderam que as brincadeiras mais freqüentes na escola são os jogos educativos. ábaco.7% disseram amarelinha. Das vinte e seis pessoas. 61. 84.7% disse ser importante.6% disserem que Não existe espaço.8% responderam que as crianças brincam pouco na escola. que incluem massinha de modelar.4% respondeu que a Brinquedoteca é um espaço onde a criança brinca. Porém. dominó. “Uma forma de levar as crianças a desopilarem e de desenvolver a sua capacidade mental e corporal. 3. . 1999). Dos vinte e seis entrevistados 92. 7. Tendo em vista que o termo brincadeira é muito amplo e dá margem a várias definições. escolhemos aleatoriamente três respostas significativas para comparar com as definições dos autores escolhidos: “ A brincadeira é uma atividade que deve fazer parte do cotidiano da criança para que ela possa ter um desenvolvimento motor e social sadio”.5% dos entrevistados.5% responderam que não devem estar presente.8% responderam que estaria voltado para a preparação dos professores e 3. 80. que existe um espaço determinado para a utilização de brincadeiras. enriquecendo nossa vida acadêmica e nosso futuro profissional.9% Educação física e 23. quebra-cabeça e jogos de memória. Utilizamos como conceito de brincadeira para melhor relacionar as respostas.5% dos entrevistados responderam que Sim e 11.9% responderam que às vezes é possível reuni-los. enquanto que 3.7% disseram que eles brincam às vezes. IV CONSIDERAÇÕES FINAIS A Pesquisa realizada sobre “Aprender Brincando: o lúdico na aprendizagem” foi de grande importância. como sendo “A brincadeira é alguma forma de divertimento típico da infância.8% responderam que é muito importante a brincadeira e 7. responderam que a brincadeira tem grau importantíssimo na aprendizagem da criança. 34. Em relação se o jogo deveria estar presente nas fases do desenvolvimento da criança. 30. 26. 3.” De acordo com os autores estudados a Brinquedoteca “É o espaço criado com o objetivo de proporcionar estímulos para que a criança possa brincar livremente” (SANTOS. uma atividade natural da criança.1% responderam que seria possível reunir em uma mesma situação o brincar e o educar.8% das pessoas não soube responder. Para categorizar as respostas utilizamos como base o conceito citado acima. 3. Por ultimo.8% dos professores responderam que seus alunos brincam muito na escola. 30. Em grau de importância. planejamento e seriedade.4% dos entrevistados responderam que Sim. jogos matemáticos. 88. “ Brincar é aprender a se relacionar com os colegas e a descobrir o mundo à sua volta”.8% responderam que brincam muito pouco.07% citaram Música. e que ajuda no desenvolvimento e na socialização” (VELASCO e KISHMOTO). dos entrevistados 96. isto é.8% brincam muitíssimo e 3. não foi possível categorizar as definições.6% citaram artes. foi possível observar que 88. e 11.

V REFERÊNCIAS ALMEIDA.centrorefeducacional. O lúdico e suas implicações nas estratégias de regulação das emoções em crianças hospitalizadas.com.htm. Acesso no dia 16 de fevereiro de 2006. e ROAZZI.com. mas sim um objeto de grande valia na aprendizagem e no desenvolvimento das crianças. ed. KISHIMOTO.br/scielo. B.htm. São Paulo: CORTEZ.pro.com. Maria da Graça B. Maria Célia Rabello Malta. NEVES.com. vol. T. Brincadeira e a Educação. onde 96.br/ludicoint. no. SANTOS. Psicol. 1994. Brinquedo e Brincadeira . Disponível em: http://www. constatamos que o lúdico exerce um papel importante na aprendizagem das crianças. 2004. OLIVEIRA. uma maior conscientização no sentido de desmistificar o papel do “brincar”.4% dos entrevistados afirmaram a existência de um espaço determinado para a utilização de brincadeiras na escola. Acesso no dia 22 de fevereiro de 2006.br/artigos/artigo.psicopedagogia.92% dos professores possuem uma percepção adequada em relação ao lúdico de acordo com os autores pesquisados. Disponível em: http://www. Disponível em: http://www. Acesso no dia 20 de fevereiro de 2006. a educação infantil deveria considerar o lúdico como parceiro e utiliza-lo amplamente para atuar no desenvolvimento e na aprendizagem da criança. Janice Vida.br/recrea22. Acesso no dia 20 de fevereiro de 2006. 1998. A importância das brincadeiras na evolução dos processos de desenvolvimento humano. Disponível em: http://www.br/gepeis/jogo. que não é apenas um mero passatempo. Reflex.1% dos professores responderam que é possível reunir dentro da mesma situação o brincar e o educar. Acesso no dia 16 de fevereiro de 2006. O lúdico na aquisição da segunda língua. [online].M.br/artigos_papers/ludico_linguas.htm.psicopedagogia. DIAS. Anne. Jogos e atividades lúdicas na alfabetização. E por fim. TEZANI.ufsm.1 [cited 29 March 2006].1-13. CAMPOS. O jogo e os processos de aprendizagem e desenvolvimento: aspectos cognitivos e afetivos. Disponível em: http://www. Jogo. identificamos que 76.php?script=sci_arttext&pid=S010279722003000100003&lng=en&nrm=iso>. que 88. Sendo assim a escola e.asp?entrID=132. BERTOLDO.linguaestrangeira.cdof.psicopedagogia. principalmente. MALUF. NUNES. A partir do exposto pudemos concluir que a maioria dos professores “obtém” certo conhecimento sobre o tema.com. além disso. Acesso no dia 19 de fevereiro de 2006.Uma Revisão Conceitual. Maria Andrea de Moura. . Antonio Carlos dos.asp?entrID=39. Lisandra Olinda Roberto. Sâmela Soraya Gomes de.br/opiniao/opiniao. Jogo. Acesso no dia 21 de fevereiro de 2006. ISSN 0102-7972. porém observamos ainda que é necessário tanto nas escolas públicas quanto provadas. Antonio.scielo. Verificamos. 6. Disponível em: <http://www. 2003. Ludicidade como instrumento pedagógico. p.De acordo com os dados obtidos a partir da visão dos entrevistados.htm. Thaís Cristina Rodrigues.br/entrevistas/entrevista. Disponível em: http://www. Ângela Cristina Munhoz. Disponível em: http://www. Rio de Janeiro: Sprint. O lúdico nas interfaces das relações educativas. A importância do jogo no processo de aprendizagem. Brinquedo. RUSCHEL.16.asp?entrID=621. Ana Raphaella Shemany. 2003. Crit.

Cacilda Gonçalves. 1996 . Rio de Janeiro: Sprint Editora.VELASCO. Brincar: o despertar psicomotor.

Desenvolveu a teoria histórico e cultural dando ênfase aos processos de trocas. deixando de utilizar o imaginário. PIAGET E VYGOTSKY Jean Piaget ( Suíça. é ferramenta básica para a construção de conhecimentos.O LÚDICO POR EDUCADORES. passam a utilizar a linguagem verbal e racionalizar as ações. Piaget usava a terminologia jogo e Vygotsky brinquedo para conceituar a ação de brincar. e. independente até mesmo do funcionamento da inteligência. As crianças quando ainda não desenvolveram a fala se comunicam através de gestos e emoções. A linguagem é fator decisivo na estrutura do pensamento. as construções realizadas pelo ser humano. O conhecimento é construído a partir de interações com os outros e com o meio social e cultural. Para Piaget. Não elaborou uma teoria do jogo mas desenvolveu uma concepção da infância observando o comportamento lúdico infantil. Esta fase é considerada como base do desenvolvimento cognitivo infantil refletindo na constituição futura do ser humano. 1896-1934). Ao crescerem. o jogo era visto como próprio da infância e do universo da criança. são pontos de referência quando o assunto é a ludicidade. . 1896-1980) e Lev Vygotsky ( Rússia. para Vygotsky a criança ao brincar criava uma situação imaginária onde existiam. Priorizou o caráter construtivo. pelo simples fato de que a partir do momento em que existe uma situação imaginária esta tem regras de comportamento que são representadas na brincadeira. Humanista. Destacaram o período da formação da criança até os seis anos. regras nas brincadeiras. Foram contemporâneos mas não se conheceram. sempre.

usar muito a ludicidade. . Num futuro não muito distante o ser humano não fará mais as funções braçais restando para ele a função de criar. interpretar e reinterpretar. hoje. como é o universo do pensamento e do imaginário que passou a ter muita importância na área educacional.Com base na teoria de Vygotsky pesquisadores-educadores discutem. recriar. ou seja.

Sua Vida Jean Piaget nasceu no dia 9 de agosto de 1896. . Passou grande parte de sua carreira profissional interagindo com crianças e estudando seu processo de raciocínio. a atividade intelectual não pode ser separada do funcionamento "total" do organismo. em Neuchâtel. partiu da idéia que os atos biológicos são atos de adaptação ao meio físico e organizações do meio ambiente. aos 22 anos de idade. na Suíça. um calvinista convicto. Seus estudos tiveram um grande impacto sobre os campos da Psicologia e Pedagogia. com recursos capazes de contribuir para o desenvolvimento das funções cognitivas da criança.A lógica na educação infantil. sendo um agente facilitador para que esta estabeleça vínculos sociais com os seus semelhantes. Freqüentou a Universidade de Neuchâtel. Jean Piaget. para explicar o desenvolvimento intelectual. publicou seu primeiro trabalho sobre sua observação de um pardal albino. Teorias de Piaget Jean Piaget (1896-1980) foi um renomado psicólogo e filósofo suíço. mas como atividades que possibilitam a aprendizagem de várias habilidades. Esse breve estudo é considerado o início de sua brilhante carreira científica. Aos 11 anos de idade. fator fundamental ao desenvolvimento das aptidões físicas e mentais da criança. Piaget foi um menino prodígio. A escolha deste tema surgiu da necessidade de abordarmos o assunto "jogos e brincadeiras infantis" não apenas como simples entretenimento. Para Piaget. sempre procurando manter um equilíbrio. onde estudou Biologia e Filosofia. era professor universitário de Literatura medieval. alem do tema: Jogos e brincadeiras . Seu pai. trabalhava gratuitamente no Museu de História Natural. Interessou-se por História Natural ainda em sua infância. O objetivo do mesmo é correlacionar o lúdico.► Jean Piaget Este trabalho abordará a vida de Jean Piaget. a brincadeira de infância. suas obras. Piaget entende que o desenvolvimento intelectual age do mesmo modo que o desenvolvimento biológico (WADSWORTH. 1996). Ele recebeu seu doutorado em Biologia em 1918. conhecido por seu trabalho pioneiro no campo da inteligência infantil. Aos sábados. algumas curiosidades. Assim.

Lá ele iniciou o maior trabalho de sua vida. foi para Zurich. As teorias de Piaget foram. A essência de seu trabalho ensina que ao observarmos cuidadosamente a maneira com que o conhecimento se desenvolve nas crianças. mudou-se para a França. Rousseau da Universidade de Genebra. Enquanto prosseguia com suas pesquisas e publicações de trabalhos. Quando iniciou seus estudos experimentais sobre a mente humana e começou a pesquisar também sobre o desenvolvimento das habilidades cognitivas. Piaget morreu em Genebra. Lucienne (1927) e Laurent (1931). casou-se com Valentine Châtenay. França). Essas experiências influenciaram-no em seu trabalho. em grande parte. um famoso psicólogo infantil que desenvolveu testes de inteligência padronizados para crianças. onde permaneceu de 1952 a 1963. em 17 de setembro de 1980.com métodos informais de psicologia: entrevistas.que é um estudo formal e sistemático . baseadas em estudos e observações de seus filhos que ele realizou ao lado de sua esposa. J. Sua Obra Piaget desenvolveu diversos campos de estudos científicos: a psicologia do desenvolvimento. onde foi convidado a trabalhar no laboratório de Alfred Binet. onde trabalhou como psicólogo experimental. Suas pesquisas sobre a psicologia do desenvolvimento e a epistemologia genética tinham o objetivo de entender como o conhecimento evolui. ao observar crianças brincando e registrar meticulosamente as palavras. Lá ele freqüentou aulas lecionadas por Jung e trabalhou como psiquiatra em uma clínica. Isto significa . Piaget notou que crianças francesas da mesma faixa etária cometiam erros semelhantes nesses testes e concluiu que o pensamento lógico se desenvolve gradualmente. voltou à Suíça e tornou-se diretor de estudos no Instituto J. Ele passou a combinar a psicologia experimental . Formulou sua teoria de que o conhecimento evolui progressivamente por meio de estruturas de raciocínio que substituem umas às outras através de estágios. com quem teve três filhas: Jacqueline (1925). Seu conhecimento de Biologia levou-o a enxergar o desenvolvimento cognitivo de uma criança como sendo uma evolução gradativa. Piaget escreveu mais de 75 livros e centenas de trabalhos científicos. a teoria cognitiva e o que veio a ser chamado de epistemologia genética. Em 1923. conversas e análises de pacientes. podemos entender melhor a natureza do conhecimento humano.Após formar-se. Ao longo de sua brilhante carreira. ações e processos de raciocínio delas. O ano de 1919 foi um marco em sua vida. Em 1921. Em 1919. Registros revelam que ele foi o único suíço a ser convidado para lecionar na Universidade de Sorbonne (Paris. Piaget lecionou em diversas universidades européias. Até a data de seu falecimento fundou e dirigiu o Centro Internacional para Epistemologia Genética.

. identifica os quatro estágios de evolução mental de uma criança. é o processo pelo qual o indivíduo cognitivamente capta o ambiente e o organiza possibilitando. São estruturas que se modificam com o desenvolvimento mental e que se tornam cada vez mais refinadas na medida em que a criança torna-se mais apta a generalizar os estímulos. Em outras palavras. assim. Os esquemas são análogos às fichas deste arquivo. Na assimilação o indivíduo usa as estruturas que já possui. são as estruturas mentais ou cognitivas pelas quais os indivíduos intelectualmente organizam o meio. em construção de esquemas ou de conhecimento. acontecimento. provocando o desequilíbrio. assim. resultam em assimilação ou acomodação e assimilação dessas ações e. Esses quatro estágios são: sensóriomotor. visto que se pode ter duas alternativas: . A acomodação pode ser de duas formas. uma vez que a criança não consegue assimilar o estímulo. Em seu trabalho... a ampliação de seus esquemas. Cada estágio é um período onde o pensamento e comportamento infantil é caracterizado por uma forma específica de conhecimento e raciocínio. Esquema Autores sugerem que imaginemos um arquivo de dados na nossa cabeça. uma assimilação e o equilíbrio é então alcançado. Em outras palavras. Acomodação É a modificação de um esquema ou de uma estrutura em função das particularidades do objeto a ser assimilado. É a incorporação de elementos do meio externo (objeto. pré-operatório. Assimilação É o processo cognitivo de colocar (classificar) novos eventos em esquemas existentes.que a lógica e formas de pensar de uma criança são completamente diferentes da lógica dos adultos.) a um esquema ou estrutura do sujeito. operatório concreto e operatório formal. os esquemas cognitivos do adulto são derivados dos esquemas sensório-motores da criança e os processos responsáveis por essas mudanças nas estruturas cognitivas são assimilação e acomodação. ela tenta fazer uma acomodação e após. ou seja. Construção do conhecimento A construção do conhecimento ocorre quando acontecem ações físicas ou mentais sobre objetos que. Por este motivo.

Aprimorando esses esquemas. Não aceita a idéia do acaso e tudo deve ter uma explicação (é fase dos "por quês"). "como se". "mama" o que é posto em sua boca. principalmente. A criança deste estágio: É egocêntrica. sem representação ou pensamento. e não consegue se colocar. Uma fonte de desequilíbrio ocorre quando se espera que uma situação ocorra de determinada maneira e esta não acontece. é capaz de ver um objeto. ou modificar um já existente de modo que o estímulo possa ser incluído. A inteligência é prática. O balanço entre assimilação e acomodação é chamado de adaptação. Equilibração É o processo da passagem de uma situação de menor equilíbrio para uma de maior equilíbrio. o bebê começa a construir esquemas de ação para assimilar mentalmente o meio. Já pode agir por simulação. Possui percepção global sem discriminar detalhes. . As noções de espaço e tempo são construídas pela ação. O contato com o meio é direto e imediato. "vê" o que está diante de si. Pré-operatório (2 a 7 anos) Também chamado de estágio da Inteligência Simbólica. pela interiorização de esquemas de ação construídos no estágio anterior (sensóriomotor). a acomodação não é determinada pelo objeto e sim pela atividade do sujeito sobre esse. Exemplos: O bebê “pega” o que está em sua mão. a criança tenta novamente encaixar o estímulo no esquema e aí ocorre a assimilação. centrada em si mesma. no lugar do outro. Por isso. pegá-lo e levá-lo a boca. para tentar assimilá-lo. abstratamente. Caracteriza-se. Após ter havido a acomodação. Estágios Sensório motor (0 a 2 anos) A partir de reflexos neurológicos básicos.Criar um novo esquema no qual se possa encaixar o novo estímulo.

Em outras palavras. as estruturas cognitivas da criança alcançam seu nível mais elevado de desenvolvimento e tornam-se aptas a aplicar o raciocínio lógico a todas as classes de problemas. Jogos e Brincadeiras A lógica na educação infantil Piaget (1998) acredita que os jogos são essenciais na vida da criança. A criança não se limita mais a representação imediata nem somente às relações previamente existentes. já sendo capaz de relacionar diferentes aspectos e abstrair dados da realidade. ordem. Isso desenvolve a capacidade de representar uma ação no sentido inverso de uma anterior.. anulando a transformação observada (reversibilidade). Exemplos: Se lhe pedem para analisar um provérbio como "de grão em grão. Exemplos: Despeja-se a água de dois copos em outros.Deixa se levar pela aparência sem relacionar fatos. Exemplos: Mostram-se para a criança. para que a criança diga se as quantidades continuam iguais. .. duas bolinhas de massa iguais e dá-se a uma delas a forma de salsicha. velocidade. Operatório Concreto (7 – 11 anos) A criança desenvolve noções de tempo. mas ainda depende do mundo concreto para chegar à abstração. A resposta é afirmativa uma vez que a criança já diferencia aspectos e é capaz de "refazer" a ação.. mas é capaz de pensar em todas as relações possíveis logicamente buscando soluções a partir de hipóteses e não apenas pela observação da realidade. Não se limita a uma representação imediata. Não relaciona as situações. espaço. a criança trabalha com a lógica da idéia (metáfora) e não com a imagem de uma galinha comendo grãos. a galinha enche o papo". pois as formas são diferentes. de formatos diferentes. casualidade. A criança nega que a quantidade de massa continue igual. De início tem-se o jogo de exercício que é aquele em que a criança repete uma determinada situação por puro prazer. Operatório Formal (12 anos em diante) A representação agora permite a abstração total. por ter apreciado seus efeitos..

Vamos jogar juntos. Naturalmente. informações sobre seus conhecimentos e conceitos.(Piaget. 1965. Para Piaget. podem ser modificadas. Segundo Piaget (1976): “. A presença de regras se torna um fator importantíssimo para a existência do jogo. assim revelando uma atividade cognitiva egocêntrica.. sem tentar vencer. que satisfazem a necessidade da criança de não somente relembrar o mentalmente o acontecido. a cada erro. O prazer da criança parece advir grandemente do controle motor e muscular.. Esses níveis de conhecimento podem ser classificados como: Motor. Cooperação: Normalmente a cooperação acontece em torno dos 7 a 8 anos. possa dizer claramente qual é a regra. já que as crianças quando jogam assimilam e podem transformar a realidade.. os jogos não são apenas uma forma de desafogo ou entretenimento para gastar energias das crianças. mas também de executar a representação.. “Aqui estão algumas bolas de gude. essa fase se dá dos 2 aos 5 anos. a criança adquire a consciência da existência de regras e começa a querer jogar com outras crianças – vemos nesse ponto os primeiros traços de socialização.24).”. você deve me mostrar como jogar.. e são paralelos ao desenvolvimento cognitivo da criança. Há uma compreensão quase que plena nas regras do jogo e o objetivo passa a ser a vitória.. Motor: Nível apresentado nos primeiros anos de vida e que normalmente se estende até o estágio pré-operacional. a maioria das crianças passa a entender que as regras são ou podem ser feitas pelo grupo. Você deve evitar fazer qualquer tipo de sugestão. Tudo o que precisa é parecer completamente ignorante (sobre o jogo de bola de gude) e até mesmo cometer alguns erros propositais de modo que a criança. No estágio de compreensão de regras. Codificação das Regras: Por volta dos 11 a 12 anos.Em torno dos 2-3 e 5-6 anos (fase Pré-operatória) nota-se a ocorrência dos jogos simbólicos. você deve levar a coisa a sério. a criança não apresenta nenhuma compreensão de regras. e não há atividade social nesse nível. Egocêntrico: Em geral. p. . As regras são percebidas como fixas e o respeito por elas é unilateral. Cooperação e Codificação de Regras. e se as coisas não ficarem muito claras você começará uma nova partida. mas nunca ignoradas. o jogo constituiu-se em expressão e condição para o desenvolvimento infantil. que são transmitidos socialmente de criança para criança e por conseqüência vão aumentando de importância de acordo com o progresso de seu desenvolvimento social. Em período posterior surgem os jogos de regras. Eu gostaria de jogar novamente. Você me ensinará as regras e eu jogarei com você. Vamos analisar uma entrevista feita por Piaget com crianças sobre o jogo “Bola de gude”. mas meios que contribuem e enriquecem o desenvolvimento intelectual”. Egocêntrico. O experimentador fala mais ou menos isso. Mas notamos também que algumas crianças insistem em jogar sozinhas. mas agora eu me esqueci como se joga. Com os jogos de regras podemos analisar por traz das respostas. Quando eu era pequeno eu costumava jogar bastante.

a fim de que. é o que a pessoa traz consigo. 58). p. (Oliveira. Por isso. elas cheguem a assimilar as realidades intelectuais e que.160). Desta maneira. sob as suas duas formas essenciais de exercício sensório-motor e de simbolismo.O jogo é. começa a falar. permanecem exteriores à inteligência infantil. Segundo ele. 1977: 67). só é atingida. 1977. através dos outros e não como o resultado de um engajamento individual na solução de problemas. classifica o brincar em algumas fases: durante a primeira fase a criança começa a se distanciar de seu primeiro meio social. Ele não estabelece fases para explicar o desenvolvimento como Piaget e para ele o sujeito não é ativo nem passivo: é interativo. com o auxílio de outras pessoas mais “capazes”. Piaget fala do jogo simbólico. Nesta fase. considera que o desenvolvimento ocorre ao longo da vida e que as funções psicológicas superiores são construídas ao longo dela. e o nível de desenvolvimento potencial. o ambiente a alcança por meio do adulto e pode-se dizer que a fase estende-se até em . A brincadeira cria para as crianças uma zona de desenvolvimento proximal que não é outra coisa senão à distância entre o nível atual de desenvolvimento. determinado através da resolução de um problema. e pode-se dizer. sem isso. citado por Wajskop (1999:35): “. de início. diferentemente de Piaget. fornecendo a esta seu alimento necessário e transformando o real em função das necessidades múltiplas do eu. é uma atividade específica da infância. portanto. Vygotsky. que já tenham adquirido esse conhecimento. os métodos ativos de educação das crianças exigem a todos que se forneça às crianças um material conveniente. sob a orientação de um adulto. Já Vygotsky (1998). lembrando que ele afirma que a aquisição do conhecimento se dá através das zonas de desenvolvimento: a real e a proximal. A zona de desenvolvimento real é a do conhecimento já adquirido. Enquanto Vygotsky fala do faz-de-conta. por exemplo. que são correspondentes. Piaget (1998) diz que a atividade lúdica é o berço obrigatório das atividades intelectuais da criança sendo por isso.. a criança usa as interações sociais como formas privilegiadas de acesso a informações: aprendem a regra do jogo. uma assimilação da real à atividade própria.(Piaget 1976. andar e movimentar-se em volta das coisas. aquisições que no futuro tornar-se-ão seu nível básico de ação real e moralidade (Vygotsky. aprende a regular seu comportamento pelas reações. citado por Lins (1999). Essa é uma atividade social. representado pela mãe. determinado pela capacidade de resolver independentemente um problema. “O brinquedo cria uma Zona de Desenvolvimento Proximal na criança”.. já a proximal. a brincadeira. segundo Oliveira (1997). 1998)”. “As maiores aquisições de uma criança são conseguidas no brinquedo. ou de um companheiro mais capaz”. quer elas pareçam agradáveis ou não. indispensável à prática educativa (Aguiar. com contexto cultural e social. Para Vygotsky. o jogo. em que a criança recria a realidade usando sistemas simbólicos. jogando. Na visão sócio-histórica de Vygotsky.

dependendo das motivações e tendências internas. construída a partir de suas vivências. para formular sua proposta pedagógica.torno dos sete anos. que o professor deverá contemplar a brincadeira como princípio norteador das atividades didático-pedagógicas. a criança copia os modelos dos adultos. ainda afirma que: “é enorme a influência do brinquedo no desenvolvimento de uma criança. ao invés de agir numa esfera visual externa. (Pourtois. na medida em que os professores compreenderem melhor toda sua capacidade potencial de contribuir para com o desenvolvimento da criança. em estudos realizados sobre aprendizagem e desenvolvimento infantil. Porém essa perspectiva não é tão fácil de ser adotada na prática. pois é ele quem cria os espaços. 20). Segundo esse autor. de maneira muito forte. No processo da educação infantil o papel do professor é de suma importância. A terceira fase é marcada pelas convenções que surgem de regras e convenções a elas associadas. é fundamental que os professores tenham conhecimento do saber que a criança construiu na interação com o ambiente familiar e sócio-cultural. afirma que "quando a criança chega à escola. a partir dos princípios aqui expostos. A desvalorização do movimento natural e espontâneo da criança em favor do conhecimento estruturado e formalizado ignora as dimensões educativas da brincadeira e do jogo como forma rica e poderosa de estimular a atividade construtiva da criança. As brincadeiras que são oferecidas à criança devem estar de acordo com a zona de desenvolvimento em que ela se encontra. desta forma. Entendemos. 199: 109). portanto. É no brinquedo que a criança aprende a agir numa esfera cognitiva. É urgente e necessário que o professor procure ampliar cada vez mais as vivências da criança com o ambiente físico. possibilitando às manifestações corporais encontrarem significado pela ludicidade presente na relação que as crianças mantêm com o mundo. e não por incentivos fornecidos por objetos externos”. brincadeiras e com outras crianças. deverá encontrar maior espaço para ser entendido como educação. traz consigo toda uma préhistória. A segunda fase é caracterizada pela imitação. Vygotsky (1989: 109). O jogo. disponibiliza materiais. participa das brincadeiras. faz a mediação da construção do conhecimento. à sensibilidade do professor em relação às necessidades e capacidades da criança e à sua aptidão para utilizar as contingências do meio a fim de dar-lhe a possibilidade de passar do que sabe fazer para o que não sabe. grande parte delas através da atividade lúdica". compreendido sob a ótica do brinquedo e da criatividade. com brinquedos. A noção de “zona proximal de desenvolvimento” interliga-se. construam/adquiram conhecimentos e se tornem autônomas e . ou seja. NEGRINE (1994. pode-se perceber a importância do professor conhecer a teoria de Vygotsky. Podemos nos perguntar: como colocar em prática uma proposta de educação infantil em que as crianças desenvolvam.

aquilo que permitimos que descubra por si mesma. Cada vez que ensinamos algo a uma criança estamos impedindo que ela descubra por si mesma. permanecerá com ela. constantemente criando e testando suas teorias sobre o mundo. Esta descoberta levou-o a recomendar aos adultos que adotassem uma abordagem educacional diferente ao lidar com crianças. para repensarem sua prática. além do físico e o mental. até então." ( Jean Piaget) Conclusão Em seus estudos sobre crianças. Aos 22 anos. (Kramer apud MEC/SEF/COEDI. Ele modificou a teoria pedagógica tradicional que. Casou-se com uma de suas assistentes. Na visão de Piaget. Por outro lado. Curiosidades sobre Piaget O pai de Piaget. se reconstruírem enquanto cidadãos e atuarem enquanto sujeitos da produção de conhecimento. De fato. Arthur Piaget. para que uma criança entenda. Piaget com apenas 10 anos publicou.. o simbólico é exercitado. Valentine Châtenay. construção e consolidação”. deve reinventar. onde as noções de regras são criadas. efetivamente participar da sua concepção. Fazendo uma comparação relativa com os pensamentos e a linha de trabalho de Vygotsky. afirmava que a mente de uma criança é vazia. suas contribuições para as áreas da Psicologia e Pedagogia são imensuráveis. . a socialização se faz presente. Pedagogia e Filosofia. um artigo sobre um pardal branco. era professor de literatura. desvendou muitos dos enigmas da inteligência infantil. as crianças são as próprias construtoras ativas do conhecimento. 1996 p.. deve construir ela mesma. E para que possam. é preciso que os profissionais de educação infantil tenham acesso ao conhecimento produzido na área da educação infantil e da cultura em geral. Grande parte desse conhecimento é adquirida através das zonas do conhecimento onde os jogos e brincadeiras infantis têm sua principal influencia.19). já era doutor em Biologia. esperando ser preenchida por conhecimento.cooperativas? Como os professores favorecerão a construção de conhecimentos se não forem desafiados a construírem os seus? O caminho que parece possível implica pensar a formação permanente dos profissionais que nela atuam. Jean Piaget descobriu que elas não raciocinam como os adultos. Observando seus filhos. “. Escreveu cerca de 70 livros e 300 artigos sobre Psicologia. em Neuchâtel. "Os professores podem guiá-las proporcionando-lhes os materiais apropriados mais o essencial é que. Piaget forneceu uma percepção sobre as crianças que serve como base de muitas linhas educacionais atuais. mais do que “implantar” currículos ou “aplicar” propostas à realidade da creche/pré-escola em que atuam.

Jean Piaget. São Paulo: Martins Fontes. Gisela. Airton. Disponível em: http://penta. Anais do XIII Congresso Brasileiro de Educação Infantil da OMEP. p.. 1999. 62-69. de 1923. OLIVEIRA.Nº 95 – fev. cap. Paraíba. 2000. Barry J. O brincar na educação infantil. A formação social da mente. 1994a LINS. Currículo de Educação Infantil e a Formação dos Profissionais de Creche e Pré-escola: questões teóricas e polêmicas. Por uma política de formação do profissional de Educação Infantil. Revista Nova Escola . n. Aprendizagem e desenvolvimento infantil. fev. Inteligência e Afetividade da Criança na Teoria de Piaget. Pioneira. J. Loyola. 1999. L. BORBA CAMPOS. 1994. 1997. Referências bibliográficas KRAMER. Sonia. VYGOTSKY. 1998. A educação pós-moderna. 1995. IV.92. 1989. de 1996. . de Piaget. Porto Alegre: Prodil. WAJSKOP.br/~marcia/piaget. Zilma de Moraes Ramos de (org).Vygotsky prefaciou a tradução russa de A Linguagem e o Pensamento da Criança. POURTOIS & DESMET. Piaget. O direito de brincar: desenvolvimento cognitivo e a imaginação da criança na perspectiva de Vygotsky. LOPES. WADSWORTH. Vygotsky e Piaget não se conheceram pessoalmente. In: MEC/SEF/COEDI. A psicologia da criança.ano XI . São Paulo. Maria Judith Sucupira da Costa. Caderno de Pesquisa. São Paulo. Josiane. Acesso em 25 Maio de 2004.ed. Márcia. Ed Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. Educação infantil: muitos olhares. 41-47. p. São Paulo: Cortez. 4.htm. NEGRINE. In: XIII CONGRESSO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO INFANTIL DA OMEP. Brasília-DF.ufrgs. PIAGET.

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