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Análise da Lei 8.137-90-2002

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Crimes contra a ordem tributária.
Breve análise da Lei nº 8.137/90
http://jus.com.br/revista/texto/3310
Publicado em 10/2002

Ercias Rodrigues de Sousa

I - Introdução:
O descumprimento de obrigação tributária enseja o desencadeamento de atos administrativos, tomados de ofício, no sentido de averiguar a falta, medir seus efeitos e, em havendo descumprimento de norma prescritora de conduta necessária ou vedada, exigir o tributo devido e infligir o apenamento previsto.

Tal série de atos, formam o procedimento - procedimento administrativo tributário consubstanciador do contencioso administrativo tributário, que tem vistas ao controle de legalidade do ato administrativo do lançamento.

Em nível federal, tal contencioso tem expressa previsão no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. No Estado de São Paulo, não se encontra norma específica para a matéria, inserta que está no próprio Regulamento do ICMS, aprovado pelo Decreto 33.118/91.

O tributo, como instrumento de abastecimento do Erário e importante móvel da política econômica do Estado, em qualquer de suas conformações, não tem, é de se aceitar, uniforme e espontâneo acatamento, por parte de seus destinatários.

Assim, é de sabença mediana, que o nível de sonegação grassa em percentuais por vezes superiores a 50 %, em relação a grande parte dos tributos.

Tal nível de desvio, mais aumenta em relação àqueles tributos de maior complexidade na apuração e, por conseqüência, de maior dificuldade no controle, por parte dos agentes do fisco.

Deste modo, conquanto se tenham apenamentos para tais práticas, nefastas à economia pública, o fim dessas normas, ao longo do tempo mostrou-se inatingido, no ponto em que efetivamente, não coibiam a ilícita evasão de recursos.

por exemplo. alargando em muito o espectro apenador daquele anterior diploma. como principalmente.12. em grande parte. porém.12. Esta questão tem lugar porque não houve. a inserção de elementos inexatos ou a omissão de elementos necessários em documentos ou livros ou. Em razão disso.137 de 27. tendo em vista princípios como o da estrita tipicidade penal. por parte da Lei 8.Daí a adoção de política legislativa no sentido de trazer tais condutas para o campo de incidência de norma penal. já o Código Penal continha tipos como o do artigo 334.90. o fornecimento gracioso de documentos ou a alteração de despesas.a vontade deliberada de suprimir ou reduzir tributo . em que aparentemente encontrava-se acirrada a luta contra a inflação e o descontrole orçamentário e fiscal da União.137 de 27.729. econômica e social sui generis. Com o advento daquele diploma repressivo resolveu-se importante dissídio doutrinário e jurisprudencial : a lacuna existente no ordenamento jurídico. e da reserva legal. quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a Lei anterior. não se limitando a isto. não apenas no que tange às condutas incriminadas. inserido dentre os crimes praticados por particular contra a administração em geral. editou-se a Lei 4. de 14 de julho de 1965. a omissão de informações. No bojo de circunstância política. evidentemente. Nesse desiderato. as condutas já apenadas pela Lei 4729/65. escassa era tal normatividade. Elaborada durante o Governo do ex-Presidente Collor. O intuito é. que tivessem como elemento subjetivo do tipo . com o recrudescimento das penas cominadas.90 contemplou. apenando condutas consistentes em contrabando (importação ou exportação de mercadoria proibida) ou descaminho (importação ou exportação de mercadoria à margem da necessária tributação).137 de 27. definidora do crime de sonegação fiscal. . em face da edição do novo diploma.90. Neste passo é de se perquirir da sobrevivência ou não da Lei 4729/65. expressa revogação da anterior Lei.12. A despeito disso. Primeiro é de se buscar os termos art.dolo específico para os penalistas clássicos .mediante condutas tão diversas como a declaração falsa. a então novel Lei 8. ainda. a adulteração de notas ou faturas. adveio a Lei 8. 2º da Lei de Introdução ao Código Civil. para disciplinar o variado universo de condutas de evasão tributária. emprestar força de persuasão à atividade tributante do Estado. que em seu parágrafo 2º preceitua que A Lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare. em relação a condutas eventualmente fraudulentas.

Este elemento subjetivo do tipo.. o pedágio (interpretação extraída da redação do art. da existência da modalidade culposa. que disciplinou inteiramente a matéria tratada na Lei 4.erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime. 7º. abreviadamente. no entanto. possuem então como elemento subjetivo do tipo o querer ou a assunção do risco de suprimir ou reduzir tributo. as contribuições sociais (art. a despeito da redação trazida pelo caput do art.90 Primeiramente. senão quando o pratica dolosamente.12. segundo nos parece.12. parágrafo único . nos deteremos mais nos aspectos tributários e penais dos crimes contra a ordem tributária. sem exceção. Como conseqüência direta disso.137 de 27. econômica e contra as relações de consumo. V). revogada restou esta anterior. haverá de ser buscada no bojo do sistema constitucional tributário.90. que vimos de comentar. A extensão do conceito de tributos. 145.90 refere-se a alguns tipos relativos aos crimes contra a relação de consumo .Da análise da lei 8. mesmo. a lei. o balizamento do espectro da Lei 8. tratar-se da lei de crimes contra a ordem tributária.12. tendo em vista o princípio da ultratividade da lei mais benigna.Assim. e dá outras providências.137 de 27.729/65. 148). dos crimes contra a ordem tributária. deve ser a conclusão de que o erro de tipo .137 de 27.12. em sede de crimes contra a ordem tributária e equiparados de que cuidam os artigos 1º.de que cuida o artigo 20 do Código Penal. ainda. em verdade. taxas e contribuições de melhoria. A supressão ou a redução de tributo culposa estaria excluída em face da aplicabilidade subsidiária do Código Penal. ou contribuição social e qualquer acessório.12. nesse texto. impõe-se uma correção terminológica: muito embora se diga. faz-nos chegar à inarredável conclusão de que os tipos penais da lei são. os empréstimos compulsórios (art. dolosos.137 de 27. II. que contempla. aplicando-se apenas e tão somente nas condutas anteriores à nova lei. que prescreve a excepcionalidade do tipo culposo ao preceituar que Salvo os casos expressos em lei. nesta seara .137 de 27. Nos limites propostos neste trabalho. aliado à ausência de previsão culposa. tem. além dos impostos. respectivamente dolo direto e dolo eventual. com o advento da Lei 8. mediante as seguintes condutas:. 149).. como espécies tributárias.não se cogita.90.art. em relação a atos praticados sob sua égide. Como a única previsão de delito culposo que se tem na Lei 8.90 haverá de tomar como norte o caput do artigo 1º. Preliminarmente. inc. As condutas elencadas no artigo 1º. 2º e 3º da Lei 8. segundo o qual Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo. 150. ninguém pode ser punido por fato previsto como crime. trata.

comoconditio sine qua non da consumação. qual seja. 50. embora preveja no artigo 2º. a atividade desenvolvida pelos acusados.90 : proteger o estrutura de informações da Fazenda Pública. Assim.adotada aqui a teoria finalista da ação . combater a evasão fiscal. em todos os incisos componentes do artigo. Clara está aqui a intenção da Lei 8. por lei. não empresta à norma organicidade.12. como se pode verificar de ementa do Supremo Tribunal Federal em Habeas corpus nº 73. daria ocasião a prefalada atipicidade. Todas as condutas descritas nos artigos acima citados estão ligadas ao especial escopo visado pela Lei 8.todos da Constituição Federal de 1988. tendo entendido a jurisprudência. Nesse passo. XLV . Diferente é o quadro. o que se tem. tipos equiparados. fornecida à Fazenda Pública. 5º inc. rigorosamente.12. necessário seria que as condutas ali descritas tivessem.dos crimes contra a ordem tributária o condão de afastando o dolo. julgado pela primeira turma em 06. no que concerne à responsabilidade penal. XLVI . inclusive no Pretório Excelso. sem que seja necessário cogitar-se de sua participação ou não nos eventos que tenham ensejado a evasão fiscal ilícita. com a responsabilidade tributária. a supressão ou redução de tributo. Com efeito. como finalidade. consistente em utilizar ou divulgar programas de processamento de dados que permita ao sujeito passivo da obrigação tributária possuir informação contábil diversa daquela que é. Relator o Min. afastada estaria a existência do crime contra a ordem tributária. excluir a própria tipicidade . em verdade. pg.162. crimes da mesma natureza.art. a propósito disso. Celso de Mello: . 5º. os princípios constitucionais da intranscendência . não são.96. No que respeita à responsabilidade penal. a natureza civil da segunda permite sejam alcançados patrimonialmente qualquer daqueles que figurem no quadro social da pessoa jurídica. a conduta levada a efeito. A ânsia apenadora do legislador. cumpridamente.art. Cuida-se de crime formal : basta a utilização ou divulgação de programa contendo informação de teor diverso daquele oficial. necessário é que a denúncia especifique. uma vez vigente.90. ser inepta a peça que descumpra tal requisito. A ausência desse elemento subjetivo.96. por meio da locução Constitui crime da mesma natureza. DJU 12. Exigir aqui a efetiva supressão ou redução de tributo seria emprestar à norma sentido mais largo do que aquele que lhe é próprio. Isto porque sequer encontram-se presentes. necessário é fazer distinção desta.08.590-8/SP.137 de 27. a supressão ou redução de tributo.e da individualização da pena . Desta feita.12. a animar a conduta do agente. inc. nesta seara. Confira-se.e à míngua de expressa previsão da forma culposa de agir. a redação do inciso V.137 de 27. particularizando assim. no entanto. em crimes dessa natureza.

o artigo 98 da Lei 8383/91 revogou o artigo 14 da Lei 8137/90. o bem jurídico protegido vem a ser a moralidade no trato com a res publica. Por outra banda. Lei 8. Assim. salvaguardando o ingresso dos valores. Ainda no que concerne à responsabilidade penal. bem demonstra o quão mal resolvida é a questão.Habeas corpus.249/95.137 de 27. Pedido deferido.12. econômica. no artigo 3º. por meio de lei. Quotista minoritário (1% das quotas sociais). Inexistência de poder gerencial e decisório. pelo particular. por meio do artigo 34 da Lei 9. também prevê a Lei 8.137 de 27. tal iniciativa não está condicionada. e reforçando tal ingresso. a se emprestar natureza extintiva da punibilidade ao pagamento se está erigindo como bem jurídico a ser protegido a higidez financeira da Fazenda Pública. assentando que é pública incondicionada a ação penal por crime contra a ordem tributária de sonegação fiscal. de bem público. Os crimes contra a ordem tributária. em situações nas quais o pagamento não possua tal efeito extintivo. A oscilante tratativa emprestada a matéria. inibidoras de futuras condutas do mesmo teor. No entanto. de renúncia.90 descritas no artigo 2º. ora caminhando em um sentido. A matéria encontra-se vazada na súmula 609 do Supremo Tribunal Federal. em sentido lato. a mera recomposição patrimonial seria insuficiente para a prevenção e repressão. ou contra a as relações de consumo são de iniciativa pública e. Neste passo. permanece atual. que.12. ora em outro. vem a ser condenável por ensejar indevida disposição. protege-se singelamente o Erário. Crime contra a ordem tributária. embora editada quando da lei 4.137 de 27.12. tendo como suposto que a conduta sonegatória. tal possibilidade retornou. Assim. pelo aceno. Insubsistência da condenação penal decretada. por exemplo. ao jus puniendi. à representação do ofendido. vale dizer. ao sujeito passivo. Impossibilidade de incriminar quotista sem a efetiva comprovação de conduta específica que o vincule ao evento delituoso. em nível político. Além das condutas descritas no artigo 1º e daquelas equiparadas por Lei 8. que permitia a exclusão da punibilidade nos casos de pagamento do tributo antes do recebimento da denúncia. .729/64. Delito societário. interessante é a questão relativa aos efeitos penais do pagamento do tributo e consectários.90 condutas funcionais contra a ordem tributária. conquanto não seja expressa na norma apenadora. O tratamento dado pela lei revela o bem jurídico protegido pela norma.137/90. contrariando princípios caros ao ordenamento jurídico.90 nº 8. feridos tais primados. a par de patrimonialmente lesiva. como os da igualdade e da livre concorrência.

tal clareza no inciso II que traz. o tipo vem a ser forma especial de advocacia administrativa. para a consecução do delito consubstanciado no tipo . eventual e aceito pela norma. No terceiro caso. por parte do funcionário. tem-se ali condutas como aquela do inciso V no qual o tipo descreve ato consistente em utilizar ou divulgar programas de processamento de dados que permita ao sujeito passivo da obrigação tributária possuir informação contábil diversa daquela que é. se dê perante a administração fazendária.137 de 27.137 de 27. o delito seria de resultado. solicitar ou receber vantagem indevida . por óbvio. Tomemos as hipóteses.se a vantagem venha a ser efetivamente recebida pelo funcionário. . na modalidadereceber. aqui. para o perfazimento inteiro do delito. Irrelevante. em verdade. presente no caput do art. temos que em relação ao primeiro inciso. dos artigos 316 e 317 do Código Penal. que cuida do extravio de livro oficial.12. por se tratar de tipos ligados ao direito econômico e ao nascente e já importante direito consumerista.137 de 27. apenas. também aqui. contrariamente. valendo-se da qualidade de funcionário. fornecida à Fazenda Pública. independentemente do sucesso ou não da empreitada. alertando de que tal cuidado haverá de ser tomado também em relação ao artigo 2º. com a especializante de que.haverão de ter como finalidade a omissão no cumprimento de ato administrativo vinculado relativo ao lançamento ou cobrança de tributo. por Lei 8. elencados nos artigos 4º a 7º: Os crimes contra a ordem econômica e contra as relações de consumo.misto alternativo ou de conteúdo variado . Aqui. Quanto a tais delitos. Parece-nos que a melhor solução haverá de ser encontrada na análise de cada um dos três incisos que se seguem àquele caput. em que embora seja possível e aceitável o resultado. uma simbiose entre os delitos de concussão e de corrupção passiva. que vimos de analisar.no qual o resultado. tenha como fito auferir vantagem ilícita para o particular em sede tributária.O primeiro ponto a ser enfocado vem a ser se. vale dizer.12. também. A análise da Lei 8. o dispositivo é expresso em exigir o resultado. apenas nos teremos em rápida noção. não o exige a norma. tendo em vista que embora se refira o caput a crime da mesma natureza.90. Novamente crime formal. Note-se que não há aqui expressa menção a suprimir ou reduzir tributo.90 deve compreender. uma vez que tal resultado estaria obrigatoriamente presente apenas. tais condutas . parece-nos necessário. indo ao artigo 3º. crime contra a ordem tributária independentemente de efetiva evasão fiscal crime formal . tal como se prevê no artigo 321 do Código Penal. no entanto. dois outros delitos. Assim.12.90. consubstanciado na expressão acarretando pagamento indevido ou inexato de tributo ou contribuição social. que tal patrocínio espúrio do interesse privado. embora inseridos na Lei 8. ou teríamos. Inexiste. 1º. constituir-se-ia mero exaurimento.exigir. processo fiscal ou qualquer documento.

tendo em conta o interesse predominantemente tributário deste trabalho. Antes. ainda se têm tipos penais contidos nos artigos 61 a 80 da Lei 8. além de transformar o Conselho Administrativo de Defesa Econômica . dentre outros. tendo como valores caros aqueles a que se refere ocaput do artigo 70 da Constituição Federal de 1988.em autarquia Federal. . prevê o parágrafo 4º do mesmo artigo que A lei reprimirá o abuso do poder econômico que vise à dominação dos mercados. Direito tributário brasileiro.1ª edição. São Paulo: 1995. Tal dispositivo. Edmar Oliveira. Em relação à defesa do consumidor. com a observância dos princípios que se seguem.078 de 11 de setembro de 1990. a saber. previu formas de controle administrativo da atividade econômica com vistas à consecução daqueles princípios elencados no artigo 170 da Constituição Federal de 1988. no que aqui de perto nos interessa. a valorização do trabalho humano. permitimo-nos ficar com estas breves considerações. Dando cumprimento ao mandamento constitucional foi editada a Lei 8884. São Paulo: 1997.Primeiramente.90. Atlas. já se tinham os tipos penais protetivos da ordem econômica e relações de consumo. cuidam os artigos 4º a 6º dos delitos contra a ordem econômica. consoante se tem no artigo 170. Saraiva. de 11 de junho de 1994. 1ª edição. o da livre concorrência e da defesa do consumidor. nos lindes da ética e do respeito mútuo. embora reiteremos a importância e a relevância de estudo mais detido. além dos tipos previstos no artigo 7º da Lei 8. São Paulo:1997. 2) ANDRADE FILHO. Bibiliografia consultada : 1) AMARO. Direito penal tributário. Tendo em vista tais princípios. incisos IV e V da Constituição Federal de 1988. Em ambos os casos. como forte instrumento de contenção do setor produtivo. porém. em especial. De matriz constitucional. Direito tributário. 10 edição.137 de 27.CADE . Luciano. à eliminação da concorrência e ao aumento arbitrário dos lucros. Vittorio. a livre concorrência e a defesa do consumidor. Atlas. a defesa da ordem econômica tem como primados. conforme os ditames da justiça social. 3) CASSONE. tendo por finalidade assegurar a todos existência digna. no texto e. a livre iniciativa. do advento desta lei.12.

Acesso em: 26 maio 2012. Júlio Fabbrini. 1 out. Atlas. 6ª edição.137/90. São Paulo: 1995. Jus Navigandi. São Paulo: 1991. São Paulo. José Henrique. Damásio. Direito penal. Manual de direito penal brasileiro. Eugenio Raúl e PIERANGELI. Crimes contra a ordem tributária. 5) MIRABETE. 6) ZAFFARONI. 19ª edição. Saraiva. Breve análise da Lei nº 8. Teresina.com.br/revista/texto/3310>. 59.Manual de direito penal. n. Disponível em: <http://jus. Mestre em Direito do Estado pela PUC/SP Informações sobre o texto Como citar este texto: NBR 6023:2002 ABNT SOUSA. 2002 . Revista dos Tribunais. ano 7. 1ª edição. Ercias Rodrigues de. . Autor Ercias Rodrigues de Sousa Procurador da República. Parte Geral. Procurador Regional dos Direitos do Cidadão em Rondônia.4) EVANGELISTA DE JESUS. 1997.

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