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Direito Adminisstrativo - Desapropriação

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UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ – DIREITO ADMINISTRATIVO II – CAMPUS RESENDE – 2009.

1 DESAPROPRIAÇÃO Esta apostila foi compilada pelo professor Francisco De Poli de Oliveira, com base nos aspectos principais do Instituto da Desapropriação.

DESAPROPRIAÇÃO
1. INTRODUÇÃO

1.1 Conceito1 É a forma mais drástica de intervenção estatal na propriedade, que afeta o próprio caráter perpétuo e irrevogável do direito de propriedade, por meio da qual o poder público toma o domínio da propriedade de seu titular para o fim de vinculá-la a algum interesse público, consistente em alguma necessidade, utilidade pública ou interesse social. É, portanto, o procedimento pelo qual o Poder Público, fundado em necessidade pública, utilidade pública ou interesse social, compulsoriamente despoja alguém de um bem certo, adquirindo-o para si, em caráter originário, mediante indenização (art. 5º, XXIV, CF/88).

1.2 Referências Normativas a. Constituição Federal, artigos. 5º, XXIV; 182, § 2º; 184, 185 e 243; b. Decreto-lei nº 3.365/41 (utilidade e necessidade pública); c. Lei nº 4.132/62 (interesse social); d. Decreto-lei nº 1.075/70 (imissão provisória na posse em imóveis residenciais urbanos); e. Lei nº 8.257/91 (glebas com culturas ilegais de plantas psicotrópicas); f. Lei nº 8.629/93 (reforma agrária);

g. Lei Complementar nº 76/93 (rito sumário de contraditório especial para reforma agrária); e h. Lei nº. 10.257/01 (desapropriação por interesse social como instrumento de política urbana).

2. DESENVOLVIMENTO

2.1 Ainda sobre os aspectos conceituais2 Em sendo forma originária de aquisição da propriedade, não há vínculo ao título anterior. Disso decorrem as seguintes conseqüências:

Segundo a precisa e completa definição de Hely Lopes Meirelles, a desapropriação consiste na “transferência compulsória da propriedade particular (ou pública de entidade de grau inferior para superior) para o Poder Público ou seus delegados, por utilidade ou necessidade pública ou, ainda, por interesse social, mediante prévia e justa indenização em dinheiro (CF, art. 5º, XXIV), salvo as exceções constitucionais de pagamento em títulos de dívida pública de emissão previamente aprovada pelo Senado Federal, no caso de área urbana não edificada, subutilizada ou não utilizada (CF, art. 182, § 4º, III), e de pagamento em títulos da dívida agrária, no caso de Reforma Agrária, por interesse social (CF, art. 184). 2 ANDRADE, Flávia Cristina Moura de. Elementos do Direito. Direito Administrativo. 2ª ed., São Paulo: Premier Máxima, 2008, p. 324-325.

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prévia e em dinheiro. ressalvado o direito de o verdadeiro dono se insurgir contra o que se supunha dono do imóvel. 4 3 2 . de forma justa. portanto. em regra. hipóteses em que a indenização far-se-á em títulos da dívida pública. diversa da ação de desapropriação. justa e em dinheiro. O procedimento pode ser instaurado sem que se saiba quem é o proprietário do bem. por exemplo.257/01 – Estatuto das Cidades. registrando que o mesmo passa a integrar o domínio do Poder público. portanto. 2º desta Lei”. 2º. a desapropriação. Além disso. utilidade pública ou interesse social3. Também não haverá prejuízo se eventualmente o procedimento transcorrer contra alguém que na verdade não é o proprietário do mesmo. à justiça social e ao desenvolvimento das atividades econômicas. 35. Já os direitos obrigacionais devem ser pleiteados em ação autônoma. em troca.UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ – DIREITO ADMINISTRATIVO II – CAMPUS RESENDE – 2009. Pode-se. portanto. compulsoriamente adquire para si um bem certo. mesmo que se tenha Art. não haverá invalidade. e. assegurando o atendimento das necessidades dos cidadãos quanto à qualidade de vida. conceituar a desapropriação como o procedimento pelo qual o Poder Público. da Lei nº 4. respeitadas as diretrizes previstas no art. forma originária de aquisição da propriedade. Os direitos e ônus reais que incidam sobre o imóvel são extintos e se sub-rogam no valor da indenização. o particular terá direito de ser indenizado. Isso significa. do Decreto-Lei nº 3.1 DESAPROPRIAÇÃO Esta apostila foi compilada pelo professor Francisco De Poli de Oliveira. da lei nº 10. Mesmo que o nome do réu na ação de desapropriação seja diferente do nome do proprietário que consta no Registro de Imóveis deve o oficial proceder à alteração da titularidade do imóvel. A função social da propriedade está definida no artigo 39. ao normatizar que “a propriedade urbana cumpre a sua função social quando atende às exigências fundamentais de ordenação da cidade expressas no plano diretor. ou seja. em caráter originário. Portanto. que as dívidas do imóvel ficam subrogadas ao preço pago pela desapropriação e não mais neste5. fundado em necessidade pública. A comprovação da titularidade do domínio só é necessária no momento do levantamento da indenização. 1. ao título anterior. salvo no caso de imóveis em desacordo com a função social da propriedade4. Entre o interesse do Poder Público e o interesse do particular. com base nos aspectos principais do Instituto da Desapropriação. 3. A desapropriação é expressão do princípio da supremacia do interesse público sobre o particular. não se vinculando. ou seja. prevalecerá o primeiro. não há direito de reivindicação por terceiro (art. o Poder Público poderá exigir que o particular entregue o bem de sua propriedade.365/41.132/62. 5 Artigo 31 do Decreto-lei nº 3. mediante indenização prévia. 2. mesmo que se tenha desapropriado imóvel de pessoa que não era seu dono. É.365/41).

Exceto os diagramas e ilustrações.UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ – DIREITO ADMINISTRATIVO II – CAMPUS RESENDE – 2009.2 Fases da Desapropriação (competência para executar) São fases da desapropriação a declaratória (o ente declara de utilidade pública determinada área a ser desapropriada).4.1 Competência para Legislar A competência para legislar é privativa da União. Outros autores. a desapropriação pode incidir sobre bens de qualquer espécie. da CRFB. com base nos aspectos principais do Instituto da Desapropriação. ou seja. p. em primeiro lugar. mas com um sentido de confisco. Ainda. ingressa-se com ação de desapropriação. Não sendo frutífera tal tentativa. A Constituição Federal. Assim: 6 7 Artigo 35 do Decreto-lei nº 3. conforme art. II. ao passo que na servidão há apenas direito real de uso. refere-se ao cultivo ilegal de plantas psicotrópicas como uma hipótese de expropriação. desapropriado imóvel de pessoa que não era seu dono. ANDRADE. não haverá invalidade (não há direito de reivindicação por terceiro) 6. fazer acordo com o proprietário (desapropriação extrajudicial).2 Expropriação Expropriação. e a executória (aqui são tomadas providências concretas para efetivar a manifestação de vontade anterior). a desapropriação é sempre indenizável. se referem ao confisco como desapropriação confiscatória.3 Servidão x Desapropriação A diferença entre servidão e desapropriação é que nesta há transferência de propriedade..4. 2. ressalvado o direito de o verdadeiro dono se insurgir contra o que se supunha dono do imóvel.1 DESAPROPRIAÇÃO Esta apostila foi compilada pelo professor Francisco De Poli de Oliveira. enquanto a servidão incide apenas sobre bens imóveis. cit. ainda. 22. transferência de propriedade sem indenização. 2. Além disso.4 Competência7 2. em seu art. 3 . ao passo que a servidão só é indenizada perante a existência de efetivo prejuízo. apesar do fato de alguns autores a definirem como sinônimo de desapropriação possui significado diferente.365/41. 243. Tenta-se. 326-328. op. 2. 2.

1 DESAPROPRIAÇÃO Esta apostila foi compilada pelo professor Francisco De Poli de Oliveira. O Poder Legislativo pode tomar a iniciativa. Deve-se identificar o bem. é que a segunda se dá em situações de emergência. normalmente. Essa declaração consiste no ato pelo qual o Poder Público manifesta intenção de adquirir compulsoriamente determinado bem o submetendo à sua força expropriatória. inviabilizando a desapropriação. Irá gerar os seguintes efeitos: 1. por sua vez. o que não significa que este não possa ser alterado ou mesmo vendido.365/41). 7º. seu destino e o dispositivo legal que autoriza o ato. DL nº 3. A caducidade da declaração é a perda de sua validade pelo decurso do tempo sem que o estado inicie a fase executória.365/41). pois o estado deverá indenizar as benfeitorias necessárias efetuadas posteriormente.365/41). COMPETÊNCIA CONCORRENTE (art. aqui. cabendo ao Executivo efetivar. as benfeitorias úteis. com auxílio de força policial se necessário (art. 1ª FASE DECLARATÓRIA Declaração de utilidade pública – Art. Nas hipóteses de desapropriação por utilidade pública8. Dá início ao prazo de caducidade da declaração.233/01) e da ANELL (Lei nº 9. sendo as demais por utilidade ou necessidade pública. o efeito da auto-executoriedade do Decreto. enquanto a por utilidade ou necessidade pública. DF e Municípios). Submete o bem à força expropriatória do Estado. Fixa o estado dos bens. Estados. e as voluptuárias nunca serão indenizadas. por sua vez. Os casos de utilidade pública (art. 4. DL nº 3. Entes políticos (União. a finalidade da desapropriação e o dispositivo legal que autoriza o ato. 8 4 . A fixação do estado será decisiva para o valor da indenização. DL nº 3. enquanto no caso de desapropriação por interesse social este A desapropriação por interesse social se dá quando a propriedade não cumpre a sua função social. Faz-se por decreto. O ente declara de utilidade pública determinado bem a ser desapropriado. com base nos aspectos principais do Instituto da Desapropriação. DNIT (Lei nº 10. podendo esta declaração expropriatória ser feita por decreto expropriatório ou lei de efeito concreto.365/41) – tem-se. só serão indenizadas pelo estado se este autorizar a sua realização. Nesta declaração é preciso identificar o bem. 5º.365/41. o prazo de caducidade é de cinco anos (art. Confere ao Poder Público o direito de penetrar no bem. Ao Poder Judiciário é vedado decidir o mérito da utilidade pública. 3. 10. Outra diferença apontada é a de que a desapropriação por interesse social visa normalmente ao uso de outro particular (busca a “justa distribuição da propriedade ou condicionar o seu uso ao bem-estar social”). 9º do DL nº 3.UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ – DIREITO ADMINISTRATIVO II – CAMPUS RESENDE – 2009.074/95). 2º. do DL nº 3. 2.

em dinheiro. STF. fundações públicas. prévia e. se o Poder Público declarar urgência e depositar. do DL nº 3. concedida pelo Juiz. Decreto-lei nº 1. Não havendo acordo na esfera administrativa. Caso ocorra a caducidade. do STF9. 3º. o Poder Público ingressa com ação de desapropriação.365/41). seja em área urbana. mas o valor da obra não será incluído na indenização. prazo é de dois anos (art. 15. STJ e S. a desapropriação decorrente de tal 9 S. mas o valor da obra não se incluirá na indenização.4. já no início da lide. somente após um ano poderá haver nova declaração sobre aquele bem. tem-se a denominada desapropriação extrajudicial ou amigável.4. Nessa 2ª fase providências concretas são tomadas para a efetivação da desapropriação. com base nos aspectos principais do Instituto da Desapropriação. 2. A princípio é tentado um acordo com o proprietário. Súmulas 69 e 70. em regra.1 DESAPROPRIAÇÃO Esta apostila foi compilada pelo professor Francisco De Poli de Oliveira. O prazo para que o expropriante peça ao judiciário a imissão provisória é de 120 (cento e vinte) dias a partir da alegação de urgência. concessionárias de serviço público ou entes delegados pelo Poder Público (art. não o impede a declaração de utilidade pública para desapropriação do imóvel. Lei nº 4. Caso esse acordo prospere.3 Imissão Provisória de posse10 É a transferência da posse do bem objeto de desapropriação para o expropriante. é possível a concessão de licença para obras em imóvel já declarado de interesse público.23/STF: “Verificados os pressupostos legais para o licenciamento da obra. importância fixada segundo critério legal. utilidade pública ou interesse social.. A declaração de urgência poderá ser no decreto expropriatório ou no decorrer da ação de desapropriação.365/41. De acordo com a Súmula nº 23.UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ – DIREITO ADMINISTRATIVO II – CAMPUS RESENDE – 2009. a favor do proprietário.4 Indenização A indenização será sempre justa11.132/62). 10 Art. 2ª FASE EXECUTÓRIA Execução da desapropriação – COMPETÊNCIA CONDICIONADA Entes políticos. 3º. 2. Vide artigos 826 a 838. autarquias. 5 . quando a desapropriação for efetivada.075/70. DL nº 3. preenchidos os requisitos da declaração de urgência e depósito prévio o juiz não poderá negá-la. portanto. A imissão é considerada direito subjetivo. nº 652. Mas quando não atender à função social. em Juízo. seja em área rural. CC.

CRFB). Imóvel urbano12 O Município é o competente para desapropriá-lo quando o fundamento é o não atendimento da função social da propriedade (imóvel não edificado. resgatáveis anual e sucessivamente. Depende de lei específica. vide também o art. sucessivamente. a partir do 2º ano de emissão do título. da CRFB). efetivar-se a desapropriação. Vale dizer. anuais e sucessivas. abrangendo os danos emergentes e os lucros cessantes do proprietário. Não há previsão de pagamento em dinheiro das benfeitorias. nos termos de lei federal. situação implicará pagamento por títulos públicos. correção monetária. instituir-se IPTU progressivo no tempo. despesas judiciais e honorários advocatícios. compensatórios. Imóvel rural A União é competente para desapropriá-lo quando o fundamento é o não atendimento da função social. Neste caso o pagamento será feito em títulos da dívida pública (de emissão previamente aprovada pelo Senado). § 3º. a exigência. 9º. com cláusula de preservação do valor real. 11 6 . assegurados o valor real da indenização e os juros legais. para só depois.UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ – DIREITO ADMINISTRATIVO II – CAMPUS RESENDE – 2009.1 DESAPROPRIAÇÃO Esta apostila foi compilada pelo professor Francisco De Poli de Oliveira. não será em dinheiro. resgatáveis em até 10 (dez) anos. mas em títulos resgatáveis anualmente. determinar-se o parcelamento ou edificação compulsórios. com base nos aspectos principais do Instituto da Desapropriação. 12 Também denominada desapropriação para fins urbanísticos. 182. o pagamento é feito em títulos da dívida agrária. 2. § 1º. 13 Vide artigos 7º e 8º da Lei nº 10. 184. Inclui juros moratórios. talvez porque geralmente não haverá benfeitoria alguma (art. As benfeitorias úteis e necessárias são indenizadas em dinheiro (art. de que o proprietário promova o adequado aproveitamento do imóvel sob pena de. mantida a situação. subutilizado ou não utilizado). em que pese o pagamento ser prévio. da CRFB. 146. para área incluída no Plano Diretor13. No caso do art. resgatáveis em até 20 (vinte) anos. em parcelas iguais.257/01 – Estatuto das Cidades. Justa indenização é o valor de mercado do imóvel. São hipóteses de pagamento com títulos públicos: 1.

1 Princípio da Hierarquia Federativa Bem público pode ser desapropriado. ou seja. cit. 3. não há hierarquia funcional entre os entes políticos. certo e possível.). material ou imaterial. pessoas e direito personalíssimos15.326. o mesmo ocorrendo com bens de valor econômico apreendidos em decorrência de tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins.5. insuscetíveis de expropriação e. além dos particulares. recuperação. A União pode desapropriar de todos os entes. insuscetíveis de desapropriação 2. excluídas de indenização. Há. Estados desapropriam dos Municípios e dos particulares. 14 15 ANDRADE.479/STF – As margens dos rios navegáveis são de domínio público. além de se respeitar os limites acima. 2º. de interesse de coletividade reduzida. etc. cotas e direitos representativos do capital de instituições e empresas cujo funcionamento dependa de autorização do Governador Federal e se subordine à sua fiscalização. inclusive o espaço aéreo e o subsolo). com base nos aspectos principais do Instituto da Desapropriação. o confisco de tais bens. O objeto deve também ser existente. deve ser precedida de autorização legislativa17. 17 Como é cediço. salvo mediante prévia autorização. instituições. no seu § 3º de seu art. é a chamada “hierarquia de interesses”. dispõe que é vedada a desapropriação pelos Estados. DF e Municípios.. Não é possível a autodesapropriação. diferente da utilidade representada pela existência de um bem municipal. menos moeda corrente nacional (salvo moedas raras). a desapropriação de bem da própria pessoa. pela qual se presume que a necessidade expressada pela União interessa a toda nação. O que justifica a diferença de tratamento quanto a tais entes no caso em tela. op. Municípios só dos particulares.5 Objeto14 O objeto da desapropriação é qualquer bem (móvel ou imóvel. por isso mesmo. fiscalização. preciso. Confisco (não há indenização) Ocorre na expropriação de gleba de qualquer região onde forem localizadas culturas ilegais de plantas psicotrópicas. Quando a desapropriação se dá sobre bem público. portanto. de ações. 7 .365/41. por exemplo. De acordo com a Súmula nº 479/STF16. que serão utilizados em projetos sociais (assentamentos. p. É cabível a desapropriação do espaço aéreo e do subsolo quando de sua utilização pelo Poder Público resultar prejuízo patrimonial ao proprietário do solo. 16 S. O DL nº 3.1 DESAPROPRIAÇÃO Esta apostila foi compilada pelo professor Francisco De Poli de Oliveira. cultivos. as margens dos rios navegáveis são de domínio público. 2.UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ – DIREITO ADMINISTRATIVO II – CAMPUS RESENDE – 2009. por decreto do Presidente da república.

Destina-se ao uso da Administração) NECESSIDADE PÚBLICA (Caráter emergencial.: desapropriação de imóvel para fazer face a uma calamidade pública). op.6 Modalidades de desapropriação18 DESAPROPRIAÇÃO UTILIDADE PÚBLICA (Conveniência e oportunidade. O alvo é o imóvel urbano que não esteja cumprindo sua função social) RURAL (FINS DE REFORMA AGRÁRIA – Art. 18 ANDRADE. O alvo é o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social) 2. com base nos aspectos principais do Instituto da Desapropriação. 184. 326-328.365/41 traga.. Destina-se ao uso da Administração) INTERESSE SOCIAL (Visa à utilização do bem por um terceiro) DESCUMPRIMENTO DA FUNÇÃO SOCIAL DESIGUALDADE SOCIAL URBANA (Art.1 Utilidade e Necessidade Pública Embora o DL nº 3. 182.UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ – DIREITO ADMINISTRATIVO II – CAMPUS RESENDE – 2009. a desapropriação por utilidade pública.1 DESAPROPRIAÇÃO Esta apostila foi compilada pelo professor Francisco De Poli de Oliveira. III. CRFB) (Desapropriação-sanção. como a CRFB se refere à desapropriação por necessidade pública. enquanto a por utilidade pública ocorre quando a transferência do bem para o Poder Público é conveniente (ex. pode-se concluir que existem diferenças entre as duas modalidades. cit. 8 . § 4º. A distinção trazida pela doutrina estaria no caráter emergencial da modalidade de desapropriação por necessidade pública (ex.: desapropriação de imóvel para a construção de uma creche).6. embora o regime jurídico a ser utilizado seja um só. CRFB) (Desapropriação-sanção. textualmente. Exceto os diagramas e ilustrações. 2.

pela atenuação das desigualdades sociais”. d) Petição inicial: deverá conter os requisitos do art. aqueles diretamente atinentes às classes pobres. 20 ANDRADE. acrescidos da oferta do preço. CRFB) e da propriedade urbana (art. 186.6. cit. 2. 282. 19 Segundo José Cretella Junior. CPC. 2. Se o autor é a União. enfim.. cópia do contrato ou do diário oficial em que houver sido publicado o decreto expropriatório e uma planta ou descrição do bem a ser desapropriado e suas confrontações. b) Por motivo de desigualdade social.2 Interesse Social É a desapropriação que retira o bem de terceiros e o redireciona a um melhor aproveitamento ou produtividade a favor da coletividade19.7 Ação de Desapropriação20 As principais características da ação de desapropriação são: a) Competência: situação dos bens. e) Pedido: consumação da transferência do bem desapropriado para o patrimônio do poder Público. aos trabalhadores e à massa do povo. p. pela melhoria das condições de vida. isto é. 182. Descumprimento da função social da propriedade rural (art. 9 .UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ – DIREITO ADMINISTRATIVO II – CAMPUS RESENDE – 2009. § 2º. Indireta ou pessoa delegada (concessionária ou permissionária) autorizada em lei ou contrato. g) Rito: ordinário. na capital federal ou na capital do Estado onde for domiciliado o réu. pela mais equitativa distribuição da riqueza. c) Sujeito passivo – expropriado: proprietário do bem a ser desapropriado. podendo usar hora certa e edital.1 DESAPROPRIAÇÃO Esta apostila foi compilada pelo professor Francisco De Poli de Oliveira. 329-330. em geral. “ocorre motivo de interesse social quando a expropriação se destina a solucionar os chamados problemas sociais. CRFB). Como exemplos de desapropriação por utilidade pública têm a desapropriação para alargamento de rua ou construção de hospital. b) Sujeito ativo – expropriante: Administração Direta. com base nos aspectos principais do Instituto da Desapropriação. e no caso de desapropriação por necessidade pública pode-se citar a própria calamidade pública como causa. f) Citação: por mandado. op. Pode ocorrer em 02 (duas) hipóteses: a) Quando não é cumprida a função social da propriedade.

4º.5% e 5% da diferença entre o valor fixado e o valor oferecido. com base nos aspectos principais do Instituto da Desapropriação. Alguns autores defendem que o Poder Público deveria.8 Desapropriação por Zona21 É a desapropriação de área maior do que a necessária à realização da obra ou serviço. etc. no caso de valorização. mas terá direito à indenização por prejuízos causados. mencionando qual é para revenda e qual será para o desenvolvimento da obra (art.10 Tredestinação24 21 22 ANDRADE.1 DESAPROPRIAÇÃO Esta apostila foi compilada pelo professor Francisco De Poli de Oliveira. Esse direito deve ser exercido quando da realização do acordo administrativo ou na ação de desapropriação. o Poder Público só pode desistir da desapropriação até o pagamento da indenização. Honorários: 0. Declaração de utilidade deve compreendê-las. 332. cit.. sob pena de se considerar que houve renúncia.365/41) 22.. op. 2. pois a Constituição diz que a desapropriação requer prévia indenização.3. será recebida apenas no efeito devolutivo. Portanto. com o objetivo de: a) Utilizar futuramente esta área excedente. l) Ministério Público: irá intervir em todo o processo de desapropriação. Outras questões deverão ser decididas por ação direta. Exceto os diagramas e ilustrações. p.9 Direito de Extensão23 É o direito do expropriado de exigir que na desapropriação se inclua a parte restante do bem que se tornou inútil ou de difícil utilização. 10 . Apelação: se interposta pelo expropriado. op. litispendência.). 333. se extraordinária valorização for decorrência da desapropriação a ser efetuada. sem valor econômico. h) Contestação: só poderá versar sobre a impugnação do preço ou sobre vício do processo (ilegitimidade da parte. 24 ANDRADE. e se interposta pelo expropriante será recebida em ambos os efeitos (devolutivo e suspensivo). cobrar o tributo da contribuição de melhoria. 2. i) j) k) Imissão provisória na posse: vide item 2. cit. de forma a evitar enriquecimento sem causa do antigo proprietário.UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ – DIREITO ADMINISTRATIVO II – CAMPUS RESENDE – 2009. 332.4. ou b) Revender. já que se trata de alternativa menos gravosa para o proprietário. p.. para abranger zona contígua a ela. Caso o Poder Público decida desistir da desapropriação não pode o expropriado opor-se a esta decisão. DK nº 3. 2. p. realizando obras na mesma. cit. 23 ANDRADE. m) Momento em que se consuma a desapropriação: com o pagamento da indenização. op.

caberá ao expropriado o direito de preferência.12 Desapropriação Indireta ou apossamento administrativo27 É a que se realiza sem o atendimento de formalidades legais. não configura o instituto a utilização do bem em finalidade distinta da prevista no decreto expropriatório. Ex. o STJ vem entendendo ser direito pessoal. se a propriedade é incorporada ao patrimônio público.: desapropriação para a construção de escola e a Adm Pub constrói um posto de saúde.11 Retrocessão25 É o direito de preferência do ex-proprietário de reaver o bem expropriado que não foi utilizado ou o foi em finalidade não pública. Esta ação recebe o nome de “ação judicial por desapropriação indireta” ou “ação de ressarcimento de danos 25 26 ANDRADE. Dirley da Cunha. quando a nova finalidade continue sendo de interesse público (tredestinação lícita). p. 7ª ed. Ex. embora continue sendo uma finalidade pública. Mas. 2. 2009. 11 . por ter lhe dado o ente estatal um destino público específico (ex. Ocorre quando o Poder Público dá destinação diferente ao bem do que aquela prevista inicialmente no ato expropriatório. 519 – As a coisa expropriada para fins de necessidade ou utilidade pública. O STF vinha entendendo tratar-se de direito real. Esta posição fica ratificada quando analisamos o Código Civil em seu art.1 DESAPROPRIAÇÃO Esta apostila foi compilada pelo professor Francisco De Poli de Oliveira.UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ – DIREITO ADMINISTRATIVO II – CAMPUS RESENDE – 2009. com a conseqüente anulação da desapropriação e a reintegração do bem ao ex-proprietário.. não tiver o destino para que se desapropriou. por meio de ação de ressarcimento de dano. Salvador: Juspodivm. Portanto. Art. com base nos aspectos principais do Instituto da Desapropriação. resolvendo-se com perdas e danos. Curso de Direito Administrativo. configurando o desvio de finalidade (tredestinação ilícita). por se tratar de matéria infraconstitucional. 2. que dá ensejo tão-somente a pleito indenizatório ao ex-proprietário.: construção de uma escola pública). p. sem prévia ação ou prévio título. LÍCITA A destinação do bem é diferente do que aquela inicialmente planejada. Não passa de um esbulho estatal e ocorre quando o Poder Público interfere na propriedade e lá pratica atos de domínio. 333.4308-409. op. ou seja. Por se tratar de ato ilícito. suscita direito de defesa por meio de ações possessórias e até de desforço incontinenti. Ela pode ser lícita e ilícita. 27 JÚNIOR. não pode mais ser objeto de reivindicação. Contudo. ou não for utilizada em obras e serviços públicos. cit. pelo preço atual da coisa. 51926. ILÍCITA Ocorre o desvio de finalidade.: Adm Pub desapropria área e depois a revende para construção de motel. ou por interesse social.

para suspender. não se configura a plausibilidade jurídica de sua argüição de inconstitucionalidade. previsto no novo código civil. Ocorrência.UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ – DIREITO ADMINISTRATIVO II – CAMPUS RESENDE – 2009. na parte que acrescenta parágrafo único ao artigo 10 do Decreto-Lei nº 3. Desse modo.365. de 29 de junho de 2000. ela se equipara a uma usucapião. a ação de desapropriação indireta prescreve em 20 (vinte) anos. Em face do parágrafo único28 do art. a qual se aplica tanto à desapropriação direta como à indireta. p. Segundo a S. tendo em vista a sua indisfarçável natureza real. através dele. com eficácia "ex nunc" e até o julgamento final desta ação. a ele acrescentado pelo artigo 1º da Medida Provisória nº 2.365/1941. 12 . do requisito da conveniência para a concessão da liminar requerida. de 29 de junho de 2000. Liminar que se defere em parte. cit. Nesta ação cabem danos materiais e também danos morais ante a ilicitude do comportamento do Estado. causados por apossamento administrativo”. ora criada. 2. Artigo 1º da Medida Provisória 2. que é de 15 (quinze) anos. para a ação de desapropriação indireta.365/41 (acrescentado pela MP nº 2. a inconstitucionalidade do prazo de 05 (cinco) anos de prescrição para a propositura da ação de desapropriação indireta. Como a desapropriação indireta ou de fato. op.13 Quadro Comparativo30 28 “Extingue-se em 5 (cinco) anos o direito de propor ação que vise a indenização por restrições decorrentes de atos do Poder Público”. o STF reconheceu em medida cautelar concedida na ADIN nº 2.. em que pese a sua ilicitude. Já com referência à parte final do dispositivo impugnado no que tange à "ação que vise a indenização por restrições decorrentes de atos do Poder Público".183-56/2001) à ação de indenização por desapropriação indireta. é relevante o fundamento jurídico da presente argüição de inconstitucionalidade no sentido de que a prescrição extintiva. com base nos aspectos principais do Instituto da Desapropriação. 10 do DL nº 3. o prazo prescricional para a propositura de ação que vise a indenização por restrições decorrentes de atos do Poder Público é de 05 (cinco) anos. Todavia.260-DF. 331. constitui modo de aquisição de propriedade. e suas subseqüentes reedições. nº 119/STJ. de 11 de junho de 1941. a jurisprudência desta Corte afirmou que a ação de desapropriação indireta tem caráter real e não pessoal. as expressões "ação de indenização por apossamento administrativo ou desapropriação indireta. traduzindo-se numa verdadeira expropriação às avessas.365/41 (acrescentado pela MP nº 2. que não se confunde com as ações de indenização por restrições decorrentes de atos do Poder Público29. fere a garantia constitucional da justa e prévia indenização. transcorrido esse prazo. bem como" contidas no parágrafo único do artigo 10 do Decreto-Lei nº 3. no caso. 30 ANDRADE. De há muito. Com efeito. atribuir o direito de propriedade ao Poder Público sobre a coisa de que ele se apossou administrativamente. inicialmente prevista para a ação de indenização por desapropriação indireta.027-40. não se aplica o parágrafo único do art. tendo o direito à indenização que daí nasce o mesmo fundamento da garantia constitucional da justa indenização nos casos de desapropriação regular. 10. 29 Ementa: Ação direta de inconstitucionalidade com pedido de liminar. do DL nº 3. devendo-se aplicar o prazo deste. da ação de indenização por desapropriação indireta fere a garantia constitucional da justa e prévia indenização. o STF de há muito vem entendendo que a desapropriação indireta tem caráter real e não pessoal e que a prescrição extintiva de 05 (cinco) anos.1 DESAPROPRIAÇÃO Esta apostila foi compilada pelo professor Francisco De Poli de Oliveira.027-40. Não tendo o dispositivo ora impugnado sequer criado uma modalidade de usucapião por ato ilícito com o prazo de cinco anos para.183-56/2001).

no Município terceiros licitação. Plano diretor. 5º. § 4º.629/93. Todos os entes Art. Coletividade. CADUCIDADE 05 anos com 05 anos com carência de 01 ano.1 DESAPROPRIAÇÃO Esta apostila foi compilada pelo professor Francisco De Poli de Oliveira. de Todos os bens de Imóvel rural. desapropriação. DESTINATÁRIO DO BEM Administração. carência de 01 ano. justa e em dinheiro. da CRFB. XXIV. CRFB. Administração. melhoria.365/41. LC nº 76/93.132/62. Lei nº 8. Não tem. Urgência.365/41. Não será possível se for pequena e Imóvel urbano. Lei nº 4. 10. Lei nº União Arts. 182. 5º. LC nº OBJETO Todos os bens passíveis de Todos os bens passíveis desapropriação. 02 anos. 184 a 191. Colonos agrícolas cadastrados INCRA. ou após 02 anos. passíveis desapropriação. DL nº Todos os entes Art. justa e Prévia. Títulos da dívida agrária resgatáveis até anos. da CRFB. 88/96. com base nos aspectos principais do Instituto da Desapropriação. e se o proprietário não tiver outra. justa e em dinheiro. III. XXIV. *** FIM *** 13 .504/64. Prévia. pública resgatáveis em até 10 (dez) (vinte) anos.257/01. XXIV. DL nº 3. INDENIZAÇÃO Prévia. Desigualdade social. da CRFB. 3. média propriedade. DESAPROPRIAÇÃO ORDINÁRIA UTILIDADE PÚBLICA NECESSIDADE PÚBLICA DESAPROPRIAÇÃO POR INTERESSE SOCIAL COMUM DESIGUALDADES SOCIAIS SANCIONATÓRIA DESCUMPRIMENTO DA FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE RURAL DESCUMPRIMENTO DA FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE URBANA PRESSUPOSTO Utilidade. Benfeitorias em dinheiro. Reforma agrária. 20 em Títulos da dívida em dinheiro. 5º. CRFB.UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ – DIREITO ADMINISTRATIVO II – CAMPUS RESENDE – 2009. Lei nº Município e DF Art. 4. COMPETÊNCIA FUNDAMENTO LEGAL Todos os entes Art. e ainda se for produtiva.

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