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Relatório (Germinação)

Relatório (Germinação)

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INTRODUÇÃO

A germinação, em um sentido amplo, é o conjunto de processos associados à fase inicial do desenvolvimento de uma estrutura reprodutiva, podendo ser uma semente, esporo ou gema. Porém, o conceito tradicional da palavra é aplicado ao crescimento do embrião – particularmente do eixo radicular – em sementes maduras de espermatófitas (Kerbauy, 2004). Com o aumento dos investimentos econômicos no sistema agrícola, tem se tornado de fundamental importância o emprego de sementes de alta qualidade e o desenvolvimento de técnicas propícias a sua obtenção (Bragantini, 1996), já que a qualidade das sementes pode ser expressa pela interação de quatro componentes: genético, físico, sanitário e fisiológico (Ambrosano et al., 1999). De acordo com pesquisas realizadas, o componente fisiológico pode ser influenciado pelo ambiente em que as sementes se formam (Vieira et al., 1993). Portanto, deve-se considerar a germinação e o vigor, procurando diferenciar as sementes com maior potencial fisiológico, em função de tratos culturais aplicados, como a adubação mineral (Andrade et al., 1999). O início da germinação ocorre com a entrada de água na semente após sua liberação no meio, em um processo denominado de embebição, que irá desencadear a ativação do metabolismo, interrompido ou diminuído ao final da fase de maturação quando o embrião ainda se encontrava na planta-mãe, culminando com o crescimento do eixo embrionário. Isto acontecerá, no entanto, se a semente for quiescente, que é aquela capaz de germinar quando exposta a condições adequadas de água, temperatura, condições de maturação e composição de gases, variáreis de acordo com a espécie. Já uma semente classificada como dormente, não germinará mesmo em um ambiente considerado adequado, necessitando de estímulos ou fatores específicos para que a dormência seja quebrada e o processo tenha início (Kerbauy, 2004). Um exemplo disso é

a semente do turco ou xingó (Parkinsonia aculeata), espécie pertencente à família Leguminosae/Caesalpinoideae e nativa de áreas do Nordeste do Brasil e do Rio Grande do Sul (Lorenzi, 1992), sendo utilizada em nosso experimento envolvendo escarificação, uma vez que apresenta problemas de dormência devido, provavelmente, à impermeabilidade do tegumento à água, sendo esta uma causa comum de dormência nas espécies de leguminosas (Kramer & Kozlowski, 1972). Outro membro da família Leguminosae de grande importância na alimentação da população brasileira, especialmente das classes menos favorecidas, é o feijão (Phaseolus vulgaris), sendo também uma das principais culturas plantadas na entressafra em sistemas irrigados nas regiões central e sudeste do país, que tem contribuído para incrementar as lavouras em termos de produtividade e minimização de riscos climáticos (Barbosa Filho et al., 2001). Nosso experimento também analisou a embebição e germinação de sementes de P. vulgaris, assim como o desenvolvimento de plântulas com ou sem a presença de cotilédone, sua principal fonte de energia durante os estágios iniciais do desenvolvimento, com o intuito de verificar as diferenças morfofisiológicas durante o crescimento desta espécie.

MATERIAL E MÉTODOS
Foi realizado um experimento de laboratório referente à disciplina em questão (Fitofisiologia), entre os dias 04 a 12 de junho de 2007, no Centro de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Pernambuco (CCB/UFPE), situado no município de Recife, com clima respectivo à tropical litorâneo úmido. No experimento de embebição foram usadas sementes de Feijão Branco. As sementes foram pesadas secas dentro de uma placa de petri. Após ser obtido o peso seco das sementes, para verificar a quantidade de água embebida as mesmas foram submersas em água destilada para embebição e submetidas a uma série de quatro novas pesagens, o

primeiro peso foi medido após 30 minutos, o segundo após 2 horas, depois com 24 horas e por último com 48 horas. Antes de cada pesagem, as sementes eram retiradas da água destilada e secadas com papel toalha, em seguida foram postas na placa de petri e pesadas em uma balança de alta precisão no laboratório de Fitofisiologia. No experimento dos cotilédones foram obtidos quatro copos do tipo descartável, cada um com uma semente de feijão. Das quatro sementes, apenas três germinaram e tornaram-se plântulas, e das três plântulas, uma permaneceu com cotilédone e das outras duas, foram retirados os cotilédones. No experimento de escarificação, houve três tratamentos com sementes de Parkinsonia aculiata, para cada tratamento foram submetidas três placas de petri com cinco sementes cada. O primeiro tratamento foi referente ao controle; o segundo tratamento foi o de escarificação física, onde as sementes foram submetidas a um lixamento com uma lixa de madeira e o terceiro tratamento foi o de escarificação química onde as sementes foram submersas no ácido sulfúrico. O tempo de submersão das sementes no ácido sulfúrico foi diferente para cada grupo, sendo o nosso (grupo 4) de 45 minutos. Ao final do experimento, os resultados foram comparados com os resultados dos outros grupos para verificação de possíveis diferenças.

RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os resultados obtidos nos dados do experimento de embebição verificaram uma constante com os dados das outras equipes. Com todos os tipos de feijão as sementes tiveram uma taxa de embebição equiparadas. Como se pode observar na figura 1. Nela vemos claramente as curvas de embebição das sementes em diferentes tipos de feijão em que as massas delas cresceram muito, mas com o passar do tempo não houve grande variação.

Fig. 1

Curvas de embebição em difrentes tipos de feijão
peso (em gramas) 25 20 15 10 5 0
ho ra 2 ho r 24 as ho r 48 as ho ra s ia l in ic 30 m in

feijão carioca feijão preto feijão verde feijão branco

1

tempo
Figura 1: Curvas de embebição de sementes em diferentes tipos de feijão.

Essa semelhança nas curvas de embebição se deve ao fato de que as sementes desses tipos de feijão apresentam um potencial hídrico muito baixo (os valores do potencial hídrico em sementes quiescentes variam entre -50 e -400 MPa), produzindo um gradiente de água relativamente elevado entre a semente e o meio de embebição com, por exemplo, -2 MPa (Kerbauy, 2004) com isso ao passar do tempo foi contarado um grande aumento nas massas das sementes dos diversos tipos de feijão utilizado no experimento. Porém na última medição foi observada uma consolidação do acréscimo das massas das sementes embebidas, isso se caracteriza pela estabilização no conteúdo de água e ativação dos processos metabólicos necessários para o inicio do crescimento do embrião (Kerbauy, 2004). No experimento de germinação, no qual as plantas de feijão foram submetidas a dois tratamentos de crescimento, com ou sem cotilédones. Foi observado que nas plantas com cotilédones teve-se um crescimento maior destas e apresentando em relação ao aspecto uma maior vistosidade e desenvolvimento foliar mais favorecido do que nas

plantas que se desenvolveram sem cotilédones, pois tais apresentaram (em média) uma menor massa seca, da parte aérea e subterrânea, com folhas menos desenvolvidas e menos vistosas. É possível observar, melhor, tais variações de massa seca dos regimes com ou sem cotilédones, nas partes subterrâneas e aéreas, com os dados dos grupos comparados na figura 2.

Figura 2

Massa seca (em gramas) das Partes aéreas (P.A.) e subterrâneas (P.S.) com ou sem cotilédone
massa seca (em gramas) 0,2 0,15 0,1 0,05 0
gr up o3 gr up o 4 gr up o5 gr up o 6 gr up o1 gr up o2

massa seca P.A.sem cotilédone massa seca P.S. sem cotiledone massa seca P.A. com cotilédone massa seca P.S. com cotilédone

grupos
Fig. 2: comparação das massas secas das Partes aéreas e subterrâneas com ou sem cotilédones dos grupos.

Uma comparação mais geral é feita na figura 3 em que é feita a média geral das massas secas de todos os grupos com os diferentes tratamentos (com ou sem cotilédone) e partes pesadas (parte aérea e subterrânea). Em tal figura fica evidenciado que as plantas que se desenvolveram com cotilédones possuem uma maior massa seca,

consequentemente apresentaram um desenvolvimento mais avantajado em relação às plantas sem cotilédones. Figura 3

Média da m assa seca de todos os grupos, das partes aéreas e subterrâneas.
massa seca (em 0,14 0,12 0,1 0,08 0,06 0,04 0,02 0 1 parte/tratamento massa seca P.A.sem cotilédone massa seca P.S. sem cotiledone massa seca P.A. com cotilédone massa seca P.S. com cotilédone

Fig. 3: Média da massa seca de todos os grupos, das partes aéreas e subterrâneas.

Tal fato de as plantas com cotilédones ter se desenvolvido melhor é dado pelo caso de que nos cotilédones, é onde se encontra grande parte dos nutrientes para prover o desenvolvimento da planta, durante o processo inicial da germinação da semente e crescimento da plântula. Assim as plântulas em que foram retirados os seus cotilédones, sofreram deficiências de nutrientes para o seu desenvolvimento e não apresentaram vistosidade nem desenvolvimento foliar adequado para processar uma aparência saudável. No outro experimento feito pelas equipes, o de escarificação química e física, foi constatado que os processos de quebra de dormência das sementes realmente surgem efeito, já que as sementes que sofreram tais tratamentos obtiveram um maior “teor” de embebição e germinação do que as sementes controle. Contudo foi evidenciado que as sementes com submetidas à escarificação, em ácido sulfúrico, por 30, 45 e 90 minutos apresentaram índices maiores de embebição e germinação, assim como as submetidas à escarificação física (sementes linchadas) isto está mais bem elucidado na figura 4.

Figura 4

gramas)

quantidade de sementes

Esacarificação química e física
16 14 12 10 8 6 4 2 0 1ª

químico 5' || || averiguação 2ª averiguação 3ª averiguação averiguação 3ª averiguação 1ª averiguação || || físico* controle 10' 30' 45' 90'

embeberam

germinaram

Fig. 4: Escarificação química e física em sementes de Parkinsonia aculeata, comparando os diversos tratamentos feitos no experimento. * tratamento físico constando a média geral dos grupos, já que esse tratamento foi o mesmo para todas as equipes.

Tais resultados observados podem ter explicação pelo fato de que o ácido sulfúrico age como um grande responsável pela quebra da dormência em sementes, já que substâncias orgânicas e inorgânicas, e o pH (em pH em torno de 6,0 a 7,5) podem influenciar a germinação de sementes, levando-se em conta que o ácido sulfúrico é um grandE modificador de pH (Kerbauy, 2004). Entretanto, a escarificação física que também proporcionou índices de quebra de dormência semelhante aos de escarificação química (em 30, 45 e 90 minutos - vide figura 4), já que com o linchamento das sementes favoreceu a sua permeabilidade á água e a outros componentes e isso agiu com um forte quebrador de dormência (Kerbauy, 2004).

CONCLUSÃO

Com isso foi visto que as sementes embebidas em água destilada sofreram uma curva de embebição semelhante nos diversos tipos de feijão, com o passar do tempo, ocasionado por um potencial hídrico muito baixo, entre -50 e -400 MPa (Kerbauy, 2004). No caso do experimento de desenvolvimento das plantas de feijão, com ou sem cotilédone, constatou-se que as com cotilédone tiveram um maior suprimento de nutrientes e, portanto apresentando-se mais bem desenvolvidas. Na escarificação das sementes observamos que as submetidas aos tratamentos químicos com 30, 45, 90 minutos e ao físico (com linchamento) obtiveram maiores taxas de embebição e germinação em relação aos tratamentos químicos de 5 e 15 minutos. Porém todos os tratamentos apresentaram taxas de germinação e embebição bem superiores ao tratamento controle. Já que fatores químicos e físicos influenciam drasticamente na quebra de dormência em sementes.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Ambrosano EJ, Wutke EB, Ambrosano GMB, Bulisani EA, Martins ALM, Silveira LCP (1999) Efeitos da adubação nitrogenada e com micronutrientes na qualidade de sementes do feijoeiro cultivar IAC – Carioca. Bragantina, Campinas. v.58, n.2, p.393-399. Andrade WEB, Souza Filho BF, Fernandes GMB, Santos JGC (1999) Avaliação da produtividade e da qualidade fisiológica de sementes de feijoeiro submetidas à adubação NPK. In: Comunicado Técnico. PESAGRO-RIO, Niterói. n.248, p.5. Barbosa Filho MP, Fageria NK, Silva OF (2001) Aplicação de nitrogênio em cobertura no feijoeiro irrigado. In: Circular Técnica. EMBRAPA-CNPAF, Santo Antônio de Goiás. n.49, p.8. Bragantini C (1996) Produção de sementes. In: Araujo RS, Rava CA, Stone LF, Zimmermann MJ (eds.). Cultura do feijoeiro comum no Brasil. POTAFOS, Piracicaba. p.639-667. Lorenzi H (1992) Árvores brasileiras, manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. Plantarum, Nova Odessa. p.365.

Kerbauy GB (2004) Fisiologia Vegetal. 4th ed. Guanabara Koogan S.A., Rio de Janeiro. p.386-403. Kramer PJ, Kozlowski TT (1972) Fisiologia das árvores. Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa. p.745. Vieira RF, Vieira C, Ramos JAO (1993) Produção de sementes de feijão. EPAMIG/EMBRAPA, Viçosa. p.131.

Universidade Federal de Pernambuco – UFPE Centro de Ciências Biológicas – CCB Departamento de Botânica

Embebição, germinação e desenvolvimento em Phaseolus vulgaris e escarificação em Parkinsonia aculeata
Por: André Seco Edna Felipe Magno Fernando Tibyriçá Gabriela Gomes Igor Oliveira Igor Tadzio Manassés Daniel Raydrich Rocha Rumennig Barboza Recife – PE 29 de junho de 2007

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