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PREFÁCIO

O trabalho apresentado neste livro é o fruto da minha pesquisa, no sentido

de apresentar uma visão sistematizada da Obra de Meishu Sama. O esforço foi motivado pelas dificuldades encontradas em pesquisar

assuntos relativos à Sua Vida e Obra, pretendendo facilitar o caminho a eventuais interessados em aprofundar seus próprios conceitos.

O estudo está centralizado no movimento messiânico brasileiro, sendo

que faz referências a várias Obras e Entidades, mencionando a sua fonte nos devidos casos, sendo que não houve envolvimento direto de nenhuma Entidade Religiosa nesta apresentação. É meu desejo subsidiar os interessados neste caminho, facilitando o produto de árduo trabalho que eu tive. Por conseguinte, tem como principal objetivo divulgar para o maior número de pessoas possível o grande homem que foi Meishu Sama, sua importância de ter vivido como homem, o que ele nos deixou e como descobriu ser o Messias da Era de Luz. Às vezes, as pessoas ouvem falar, até mesmo dentro da religião Messiânica, mas não tem nada de concreto, é preciso fazer cursos ou comprar livros que nem todos têm condições de obtê-los, porque esses livros só são vendidos em três volumes e na Igreja Messiânica Mundial. Por isso, decidi fazer pesquisas na Internet e até mesmo no livro Luz do Oriente para que fique de uma maneira resumida sua vida, suas obras, seus

poemas, suas caligrafias, enfim, para que as pessoas tenham conhecimento de quem realmente foi Meishu Sama como homem e é como Messias. Na primeira parte do livro, está escrita sua vida muito sucintamente. Na segunda parte, está resumida, porém mais detalhada. Essa minha iniciativa, acredito ser pioneira, foi devido à grande vontade de minha parte, conhecê-Lo melhor. Também saber por que um homem tão importante para a humanidade, a sua vida não é tão divulgada quanto à de Jesus Cristo. E com obras muito importantes tanto quanto a Bíblia, que, aliás, essa não foi escrita por Cristo e sim pelos apóstolos e Paulo de Tarso que nem seu apóstolo foi. E a obra de Meishu Sama nenhuma pessoa teve interesse em divulgá-lo para o mundo, somente para as pessoas da religião. Acredito que depois desse livro todos que são realmente messiânicos e até aqueles que não são, acreditarão mais em suas palavras nos seus ensinamentos e poderão ver que ele realmente é o Messias da Era de Luz.

E também é o desejo do meu sentimento sincero daquele amor verdadeiro

que tenho por Meishu Sama, em cuja etapa final reside exclusivamente o bem da humanidade e a Glória de Deus. Por isso, posso afirmar com toda a convicção que Deus e Meishu Sama reinarão para sempre num mundo novo que surgirá sem pobreza, conflito e doença. Onde todas as religiões se unificarão fazendo então o mundo Ideal, com mais equilíbrio e finalmente vivenciaremos o Reino do Céu na Terra.

Ana de Jesus

1ª PARTE Meishu-Sama (Mei = Luz; Shu = Senhor; Sama apenas um tratamento respeitoso em japonês, portanto seu nome quer dizer: o Senhor da Luz) nasceu no dia 23 de dezembro de 1882 em Tóquio, capital do Japão, num bairro chamado Hashiba. Tanto a data quanto o local de seu nascimento estão, do ponto de vista espiritual, estritamente relacionados à missão que deveria desempenhar durante a sua vida terrena, como propagador da Luz do Oriente, através da divulgação dos Sagrados Ensinamentos que lhe foram revelados por Deus, visando à salvação da humanidade. O interessante é que 23 de dezembro corresponde ao dia seguinte do solstício de inverno no hemisfério norte, dia em que o período noturno é o mais longo durante todo o ano. O dia 23 é a data em que o período diurno começa a alongar-se novamente.

Por ter nascido num dos bairros mais orientais de Tóquio, cidade também situada bem ao Leste do Japão, o país do Sol Nascente, que, por sua vez, está localizado no extremo Oriente do Globo Terrestre, já é um sinal de que seria o percussor das mudanças da Noite para o Dia. Tal transformação ocorrerá quando, após o milenar reinado das trevas, a Luz de uma Nova Era despontar no horizonte. Por outro lado, é também em 23 de dezembro que, no Hemisfério Norte, os dias começam a ficar mais longos do que as noites e a Luz ganha terreno sobre as trevas.

do que as noites e a Luz ganha terreno sobre as trevas. São, portanto, todos esses

São, portanto, todos esses dados altamente significativos na vida de um menino simples que, ao nascer, recebeu o nome de Mokiti Okada, e para quem estava destinada à missão de tornar-se o Senhor da fonte inesgotável de Luz

da Era do Dia, semelhante ao Sol no mundo material. Revestido de tamanho poder, concretizou a estrutura do Reino do Céu na Terra, estabelecendo as colunas mestras que estão sintetizadas nos seus Ensinamentos. São princípios resultantes de suas experiências sobre Agricultura da Grande Natureza e Johrei como meio de eliminar doenças e demais sofrimentos e criar felicidade. Também sobre sua maneira de interpretar a missão da Arte, segundo a qual a expressão da verdadeira beleza contribui para elevação espiritual de quem a aprecia. Tão preciosos conceitos são que vão despertar a consciência divina no homem, permitindo- lhe criar, em comunhão com Deus, uma nova civilização. Meishu-Sama foi uma criança doentia. Em sua adolescência e juventude, padeceu de muitos males físicos. Aos 16 anos teve pleurisia e ficou seis meses hospitalizado. Aos 19 anos, ficou tuberculoso e curou-se com um regime alimentar vegetariano. Posteriormente, teve tifo, sofreu de males do estômago, reumatismo, cistite, amidalite, dermatites purulentas, distúrbios cardiovasculares e terríveis dores de dente.

. Durante a juventude, Meishu-Sama não teve nenhum envolvimento direto em assuntos religiosos e certamente

.

Durante a juventude, Meishu-Sama não teve nenhum envolvimento direto em assuntos religiosos e certamente nem qualquer experiência com cura. As atividades dele como líder religioso só começaram após ter chegado à meia idade, quando sentiu ser chamado por Deus para desempenhar uma missão específica no mundo. Nada na sua infância sequer sugeriria tal evento; na verdade, durante muitos anos de sua fase adulta, mostrou-se nitidamente desinteressado por religião. Desde seus primeiros anos, Meishu- Sama demonstrou uma vontade profunda de amar as pessoas. Freqüentemente fazia donativos para o Exército da Salvação e para outras instituições de caridade, não por qualquer fé, mas movido pelo desejo de colaborar com o trabalho que estes grupos faziam pela sociedade. Sua preocupação com o bem-estar alheio foi imensa e nele desenvolveu-se um elevado senso de justiça, o que lhe iria orientar o pensamento pelo resto da vida, como se pode constatar em seus Ensinamentos. Comportamento desleal, desonestidade e corrupção eram abomináveis para ele, de modo especial em políticos ou em qualquer pessoa que estivesse numa posição de liderança ou de responsabilidade junto à sociedade. Desde muito cedo, Meishu- Sama, que amava as artes, desejava ser pintor. Mas uma doença nos

olhos o obrigou a abandonar tal sonho. Tentou, posteriormente, estudar makiê (arte típica japonesa em laca). Porém, um profundo e acidental corte no seu dedo indicador que ficaria permanentemente paralisado, interrompeu o seu segundo projeto e ele, então, voltou-se aos negócios e neles prosperou. Em torno de 1916, tinha adquirido uma base financeira suficiente com a qual pretendia fundar um jornal para transmitir o protesto pelas

injustiças que via ao seu redor. Para assegurar-se do capital destinado ao empreendimento, formou uma companhia financeira em 1918. Por isso, ficou bastante desalentado quando a quebra do seu principal banco levou também sua firma à falência no ano seguinte. Em fevereiro de 1920, formou uma nova companhia. Esta faliu após um mês, atingida pelo grande pânico que abalou profundamente a economia japonesa. A morte de sua esposa no ano anterior, e o fato de nenhum dos seus três filhas ter sobrevivido, somada, agora, a esses dois prejuízos consecutivos deixaram-no ainda mais deprimido e desorientado. Mesmo assim, continuou lutando para se reerguer. Casou-se novamente. Estava apenas começando a construir uma nova base para sua vida e para seus negócios quando ocorreu o Grande Terremoto de Kanto, em 1923, no qual foram afetados milhares de pessoas, ocasião em que Meishu-Sama se viu mais uma vez completamente arruinado, do ponto de vista econômico. O terremoto foi o marco decisivo para Meishu-Sama reformular o seu conceito de vida. Estava com a idade de 41 anos e começou a indagar sobre o verdadeiro sentido da existência do ser humano e do destino de cada um em particular e a pensar sobre a possibilidade de salvação das pessoas. Ele, então, finalmente, decidiu-se a procurar obter algum tipo de resposta na religião e, ao final daquele ano, entrou para a Oomotokyo, uma seita do tipo renovação mundial, com uma base sincrética xintoísta fundada em 1892 por Nao Deguchi (1837 - 1918).

INÍCIO DA RENOVAÇÃO

Meishu-Sama, ao ingressar na religião, passou a meditar mais freqüentemente sobre o destino das pessoas. Deve ter sido nesta época que ele, conscientemente, se apercebeu de existir em si uma força poderosa e sobrenatural. O seu envolvimento cada vez mais profundo com a Oomotokyo viria a confirmar isso. Meishu-Sama, na busca pessoal do relacionamento entre essa força e o homem, sentiu que os ensinamentos específicos da Oomotokyo tinham para ele um significado menor do que a experiência da oração. Logo após se ter tornado membro da Oomotokyo, começou a sentir que através da oração podia ajudar as pessoas que sofriam de doenças. Para ele, esta era a maior bênção imaginável. Apoiado por uma constante meditação e por uma crescente certeza da existência de um Ente Supremo prosseguiu em suas buscas para aprender mais sobre a natureza deste Ente que ele sentia. "Naquela época", ao se referir aos meses de imersão em pensamento religioso, disse: "algo se movia dentro de mim por vontade própria porque algum milagre estava me levando pouco a pouco a conhecer o Mundo Divino. Estava tão feliz que mal me pude conter para não explodir de alegria". Em um dia de dezembro de 1925, à meia noite, Meishu-Sama começou a receber as primeiras revelações, através das quais descobriu o grande Plano Divino para eliminar do mundo todos os infortúnios, tais como: doenças, pobreza e conflitos. Ao mesmo tempo, tomou conhecimento de que ele fora o escolhido pelo Criador para construir, na Terra, o Reino do Céu.

pelo Criador para construir, na Terra, o Reino do Céu. No início de sua missão, Meishu-

No início de sua missão, Meishu-

Sama ficou em dúvida a respeito de tantas

e tão extraordinárias revelações. Não

aceitava que ele, um simples mortal, pudesse ter sido incumbido de tamanha missão. Pouco a pouco, porém, ocorrências misteriosas à sua volta o fizeram aceitar a verdade dos fatos sem contestação. Assim, na década de 30, já com 45 anos, era um Grande Mestre, com o grau de Ken jin jitsu (sabedoria que transcende o tempo e o espaço) que lhe permitia não só enxergar o presente, o passado e o futuro da humanidade, mas também ter a possibilidade de, já revestido de todo esse poder, trabalhar concomitantemente no mundo material e Divino.

IGREJA INDEPENDENTE E JOHREI

A consciência desta grandiosa

missão reservada a Meishu-Sama parecia fazer aumentar nele o calor e a simpatia

pessoal que sentia pelos outros. Neste ínterim, tanto o poderoso carisma de Meishu-Sama quanto os inacreditáveis casos de cura e de recuperação de

doentes passaram a repercutir, atraindo um grupo rapidamente crescente de seguidores pessoais. Era só uma questão

de tempo para que as qualidades de sua

liderança se tornassem evidentes e lhe fosse confiada à direção de um templo da Oomotokyo em Tóquio. No entanto, a partir daí, foi que seu trabalho alcançou uma dimensão bem diferente, passando a divergir da corrente principal da

Oomotokyo. Na época, essa seita ainda estava afeita a fatores culturais

e nacionalistas: roupas e alimentos

ocidentais eram proibidos, dentre muitas outras restrições. Registros contemporâneos, contudo, atestam que a orientação de Meishu-Sama era realista e liberal. Ele preocupava-se, basicamente, com coisas práticas. Meishu-Sama jamais se envolveu em movimentos políticos ou ideológicos dentro ou fora da Oomotokyo. Dedicou-se por inteiro, a

ajudar os que sofriam, ensinando, também, o significado da fé religiosa

e o que ela envolvia. Foi, antes de

tudo, um mestre, e assim permaneceu o resto da sua vida. Vivenciou a sua crença na igualdade entre os homens, sendo sempre capaz de entrar em contato com criaturas de diferentes níveis. A todas, inspirava completa confiança. Quando iniciou suas atividades normais de cura em 1928, muitos naturalmente o procuravam para obter dele ajuda e conselhos.

naturalmente o procuravam para obter dele ajuda e conselhos. na madrugada de 15 de junho de

na

madrugada de 15 de junho de 1931, Meishu-Sama, acompanhado de sua esposa e 30 discípulos subiu ao Monte Nokoguiri para aguardar o nascer do Sol e fazer oração. Ao alvorecer, recebeu a extraordinária revelação de que se aproximava a Era do dia, marco inicial de uma nova civilização. Dias mais tarde, instalou-se em seu

Foi

assim

que,

ventre uma "Bola de Luz", conhecida em sânscrito como Cintâmani e em japonês

como Nyoi-Hoshu, sendo Hoshu=Cinta, termos que em português correspondem à palavra bola; Nyoi=Mani cujo significado é "força capaz de realizar todas as vontades". Durante a Era da Noite essa "Bola" permaneceu sob o domínio do Dragão. No momento em que a Aurora começou a desapontar, Meishu-Sama a recebeu e passou a usufruir um poder capaz de concretizar a estrutura do Reino do Céu na Terra, oferecendo assim aos homens meios concretos para criarem um mundo de verdade, virtude e beleza E, a partir de então, tornou-se um poderoso e inesgotável manancial de Luz Divina, energia que lhe permitia obter o único método autêntico de cura. Contudo, até 1935, Deus não lhe revelaria que essa desconhecida força em expansão, a Luz Divina, seria o que se conhece por Johrei. O procedimento divergente de Meishu-Sama, na Oomotokyo, aliado ao crescente número de membros daquela seita, que o seguiam, geraram motivos para causar-lhe antagonismo, especialmente da parte dos líderes. Na atmosfera tensa do início dos anos 30, qualquer tipo de discordância já encontrava terreno fértil para gerar polêmica. Alguns fanáticos dentro da seita ficaram tão fortemente contrários às atividades de Meishu-Sama a ponto de o deixarem preocupado, pois os ataques eram abertamente dirigidos a ele e aos seus seguidores. Em 1934, a posição de Meishu- Sama na Oomotokyo ficou insustentável. Deixou-a, desse modo, para fundar uma nova organização religiosa, cujo início se concretizou mediante a formalização de um serviço próprio de culto com orações. Assim, estava constituída a Igreja de Meishu-Sama "Dai Nipon Kannon Kai" (A Grande Sociedade Japonesa de Kannon). Portanto, ele ficava, doravante, em condições favoráveis para pôr em prática à missão que Deus lhe confiara e que deveria servir de transição para o advento da Nova Era. Pela primeira vez, surgia

uma doutrina no campo religioso baseada em um conceito científico,

fato até então completamente inédito

no

trato das coisas sacras. Oito anos

se haviam passado desde as

primeiras revelações em 1926. Durante todo o tempo em que Meishu-Sama permaneceu na Oomotokyo, pensou muito sobre se deveria formar um grupo

independente. Porém, só se decidiu

a agir nesse sentido após ter

absoluta convicção de que o seu trabalho poderia ser realizado melhor

fora do que dentro da seita a que ele

se havia dedicado por tanto tempo.

Sua saída foi provavelmente o único caminho encontrado para edificar a obra da qual fora incumbido pelo Criador, embora nada ainda lhe houvesse sido relevado por Deus sobre a Luz Divina que seria canalizada com o surgimento do Johrei. Várias centenas de seguidores da Oomotokyo permaneceram com ele. As fileiras de seus adeptos continuaram a serem engrossadas por muitas adesões. Nos primeiros anos do seu trabalho missionário de cura, Meishu-Sama basicamente apenas recorria a orações, ainda que nele se expandisse a energia de Luz Divina. Em 1935, por revelação de Deus, passou a ter consciência dessa

energia espiritual - o Johrei - e a ser

o seu primeiro canalizador para a cura de doenças. O Johrei, no tratamento das enfermidades, demonstrou ser, sem qualquer

comparação, muito mais eficaz que

as orações.

qualquer comparação, muito mais eficaz que as orações. No começo, apenas a Meishu- Sama era concedido

No começo, apenas a Meishu- Sama era concedido por Deus o poder de canalizar o Johrei. Como as curas eram prodigiosas, muitos doentes iam procurá- lo em busca de uma orientação pessoal. Isso fazia com que Meishu-Sama trabalhasse até altas horas da noite, embora soubesse que somente uma pessoa jamais poderia salvar toda a humanidade. Finalmente, ainda em 1935, logo após o estabelecimento de "A Grande Sociedade Japonesa de Kannon", Deus revelou a Meishu-Sama como a energia espiritual do Johrei poderia também ser canalizada por outras pessoas. Bastava, apenas, que ele escrevesse a palavra "Luz" (Hikari) em algum objeto para que este ficasse, a partir de então, impregnado da própria Energia Divina da qual se tornara o instrumento. Desse modo, Meishu-Sama passou a confeccionar medalhões (Ohikaris) para o uso individual dos seus seguidores, utilizando-se de pedaços de

papel de seda de tamanho, formato e espessura adequados. Assim, qualquer pessoa que usasse o Ohikari, por ele preparado e a ela outorgado, podia canalizar a Luz Divina do Johrei. Desse

modo, o próprio membro teria a certeza de que não mais se encontraria só quando orasse a Deus. Meishu-Sama começou, desde então, a instruir seus discípulos e a falar-lhes da revelação que recebera de Deus. Os primeiros seguidores contemplados com o Ohikari passaram a ministrar o Johrei aos seus familiares e amigos, com notáveis e inesperados resultados.

Em conseqüência, o novo grupo das pessoas portadoras do Ohikari dedicou-se a espalhar o significado do Johrei e a praticá-lo com mais fervor, ficando, portanto, livre das críticas doutrinais e comportamentais da Oomotokyo. Para denominar a Igreja recém fundada, Meishu-Sama fez questão de incluir o nome de "Kannon". Vários motivos existiam para isso. Um primeiro motivo era político: qualquer alusão a que a força de cura emanava de Deus seria o mesmo que afirmar que a pessoa portadora do Ohikari tinha um poder pelo menos igual ao que possuía o imperador, criatura que na

época era considerada um "deus vivo". A Igreja se tornaria passível de acusação de lesa majestade e seria, provavelmente, condenada. Um segundo motivo, mais importante ainda, é que Kannon sempre foi familiar para os japoneses. Isto era vital, porque Meishu-Sama tinha que ter muito cuidado para começar de maneira simples a propagação dos seus inéditos Ensinamentos, de modo que as pessoas pudessem melhor entendê-los. Nada existia nas tradições religiosas do Japão para ajudar o povo a compreender e aceitar a existência de um único Deus que ama todas as pessoas. No entanto, Kannon podia ser considerado como intermediário de Deus, a divindade que comunicava a vontade do Céu na Terra. Por este motivo, a referência a "Kannon" permaneceu quando o nome da Igreja foi alterado em agosto de

1947.

quando o nome da Igreja foi alterado em agosto de 1947. Durante quinze anos, Meishu- Sama

Durante quinze anos, Meishu- Sama visou a elucidar aos seus adeptos o significado de "amor de Deus" e a necessidade de arrependimento pessoal de cada um, através do constante emprego da frase: as graças de Kannon. Finalmente, em 1950, o grupo foi reorganizado como Sekai Meshiakyo (Igreja Messiânica Mundial) e daí por diante cessaram, quase que totalmente,

as referências a Kannon, nos escritos de

Meishu-Sama. As exposições do mestre

sobre a natureza de Deus e de Seus atos

no mundo derivaram das revelações por

ele obtidas. Uma análise dos Ensinamentos de Meishu-Sama, para determinar exatamente o que ele aprendeu nas primeiras revelações indicam quatro pontos principais: 1) Deus mostra aos homens o caminho do arrependimento; 2) Deus confia aos homens a tarefa sagrada de construir um mundo de Verdade, Virtude e Beleza; 3) Deus informa aos homens que aqueles que não se arrependerem serão punidos no julgamento; 4) Deus concedeu a Meishu-Sama a responsabilidade de transmitir estas coisas para todos os homens. Assim,

através de Meishu-Sama, o Johrei foi dado a conhecer ao mundo, atraindo multidões para serem curadas. Os resultados obtidos pelo Johrei

contribuíram para que muitos aceitassem

a existência de Deus. Desse modo,

mesmo enfrentando a crescente prepotência de um governo que caminhava para a guerra e para a

repressão nacional, o número de seus adeptos aumentava cada vez mais.

Investido, então, de um poder ilimitado, passou a dedicar-se em tempo integral à salvação da humanidade. Nos primeiros tempos, quando Meishu-Sama começou a curar doenças através do Johrei, a Era do Dia estava apenas no início e a Luz Divina estava ainda bastante fraca; por essa razão, somente Ele era capaz de canalizá-la e, assim mesmo, empregando força física por meio de massagens, feitas com a ponta dos dedos, em determinadas partes do corpo.

com a ponta dos dedos, em determinadas partes do corpo. Também nessa época, Meishu-Sama adquiriu a

Também nessa época, Meishu-Sama adquiriu a firme convicção de que o Johrei resolveria todos os problemas da humanidade. Imbuído de tamanha certeza, começou a divulgar essa verdade, tendo, como suporte, a própria experiência resultante de suas pesquisas e observações. Procurou então uma forma de outorgar para toda a humanidade a Luz que estava nele. Foi assim que descobriu ser possível fixá-la em papel, através da letra. A partir daí, escrevia diariamente a palavra Hikari (Luz). Depois de prontos dez pacotes, cada um com cinqüenta escritos, Meishu Sama se concentrava durante cinco minutos, para impregná-los com a Luz de Deus, centralizando assim, em cada um dos Ohikari, toda a força oriunda de sua "Bola de Fogo". Dessa forma, começou a conceder

aos seus seguidores (Mamehito) permissão para canalizar Johrei. Desde então, todos os Mamehito passaram a ministrá-lo, inicialmente a familiares e amigos, com resultados surpreendentes. Ainda nesse mesmo ano (1935), Meishu Sama fundou a primeira igreja, mas logo foi obrigado a fechá-la. Por imposição do regime militar, não havia liberdade de crença. Daí, as autoridades japonesas ordenaram-lhe que não misturasse ensinamentos religiosos com trabalho de cura. Impuseram-lhe a escolha entre um ou outro. Optou, então, pela cura.

GUERRA

Por volta de 1937, acentuou-se mais o controle dos militares, que

começaram a sufocar a vida das igrejas e

a dos grupos religiosos de todos os

credos. As novas doutrinas místicas, incluindo a Oomotokyo, foram tratadas ainda com maior severidade. Para "A Grande Sociedade Japonesa de Kannon",

o primeiro golpe foi a proibição de

qualquer tipo de cura sob o patrocínio de

grupo religioso. Em resposta a isto, Meishu-Sama parou com todas as suas atividades públicas de ensinamentos. Manteve, porém, o seu grupo unido pela continuidade da prática do Johrei em todos os lugares possíveis, ensinando aos

outros como ministrá-lo. Foi ainda durante

os meados dos anos 30 que ele iniciou a

prática da agricultura pura para mostrar o verdadeiro método de cultivo a ele inspirado por Deus. Até 1943, a maioria dos seus seguidores morava e trabalhava em Tóquio, com exceção de alguns que foram para diversas localidades realizar seminários e ensinar a ministrar o Johrei. Mas quando o bombardeio a Tóquio se intensificou a partir de junho de 1944, boa parte da população foi evacuada para o interior e, dentre ela, estavam muitos discípulos de Meishu-Sama. Por ocorrerem estes freqüentes deslocamentos forçados, criou-se uma oportunidade favorável para a introdução do Johrei em localidades que, de outra

forma, não seriam atingidas de modo tão fácil. Os acontecimentos perversos da guerra, especialmente em Tóquio, deram às pessoas o ensejo de constatarem os reais benefícios do Johrei, através do ministério de Meishu-Sama e de seus colaboradores, em curar os feridos e em aumentar a proteção daqueles que ainda não haviam sido atingidos. Dos vinte seguidores que estavam em Hiroshima quando caiu à bomba atômica, nenhum morreu. Todos eles portavam o Ohikari, medalhão que continha um pedaço

de papel no qual estava escrito por

Meishu-Sama a palavra "Luz". Após

o fim da guerra, novos horizontes se

abriram para as religiões, no Japão.

Todas as restrições foram abolidas e

a liberdade de culto foi assegurada

pela nova constituição. O grupo de

Meishu-Sama foi reconhecido como sendo algo mais do que uma sociedade de cura e, por isso, foi-lhe permitido formar-se como uma organização religiosa. O conceito central da fé ensinada por Meishu- Sama é que o homem irá participar

da construção do Paraíso na Terra,

com a ajuda do poder de cura do Johrei. Meishu-Sama também ensinou que o Belo na Natureza e nas artes criativas exerce uma engrandecedora influência no aprimoramento da alma. Embora

destacasse que as saúdes espiritual

e física são as condições mais

importantes para que a pessoa desempenhe a missão da sua vida, ele constantemente referia-se à importância da beleza no nosso ambiente cotidiano. Durante a guerra, Meishu-Sama comprou algumas áreas de terra em Hakone e Atami com a intenção de construir locais apropriados e favoráveis à inspiração para a contemplação do Belo, desde que neles os valores estéticos preponderassem. Após a guerra, ele construiu jardins aprazíveis em ambos os locais de

acordo com os modelos traçados por Deus. Em 1952, inaugurou um museu de artes no jardim de Hakone, reunindo valioso acervo de obras primas de origens japonesa, chinesa e coreana. Dentre a coleção da arte japonesa, incluem-se pinturas de Ogata Korin e Sotatsu, caligrafias e trabalhos em laca por Hon'ami Koetsu e cerâmicas por Ninsei, Ogata Kenzan e muitos outros. Todas refletem na sua escolha, o fino senso artístico de Meishu-Sama, um pintor de sublime sensibilidade, mestre inexcedível em caligrafia, cerâmica, decoração, arranjo de flores e cerimônia de chá, além de primoroso poeta devotado à causa que Deus lhe deu como missão. A coleção

diversificada que ele formou, em poucos anos - um tesouro artístico de valor incomensurável - é considerada uma das

mais preciosas do Japão.

- é considerada uma das mais preciosas do Japão. MESTRE E PASTOR Meishu-Sama evitou qualquer tipo

MESTRE E PASTOR

Meishu-Sama evitou qualquer tipo de adulação que poderia desenvolver- se num culto. Aqueles que o conheceram descrevem sua liderança, bem definida por qualidades carismáticas derivadas do amor, da humildade, da simplicidade e do calor humano. Respondia pessoalmente cada carta recebida e, com freqüência, a resposta por ele enviada por si só já era suficiente para ajudar pessoas que ele nunca havia conhecido Como tinha memória prodigiosa, estava sempre a par das condições individuais de cada pessoa. Assim, acompanhava a recuperação dos

doentes, aos quais também aconselhava. Um caso que

demonstra sua total atenção ocorreu pouco antes do fim da guerra. Uma mulher, após ficar 15 anos imobilizados na cama, por um problema de coluna vertebral, ao receber o Johrei ministrado por Meishu-Sama, voltou a caminhar. No entanto, após algum tempo, ficou com a parte inferior do seu corpo paralisada, não podendo mais andar. Tratava-se de pessoa bastante ativa

e que tinha satisfação em ajudar os outros.

bastante ativa e que tinha satisfação em ajudar os outros. Meishu-Sama esclareceu, no seu Ensinamento "A

Meishu-Sama esclareceu,

no

seu Ensinamento "A Minha Luz",

o

processo pelo qual tal milagre

ocorria: "Muitos doentes me pedem ajuda enviando telegramas de localidades longínquas e recebem graças. Assim que tomo conhecimento de um pedido, um segmento da Luz se separa de mim e imediatamente chega até o solicitante, que recebe a graça através do fio espiritual". Meishu-Sama, ao ficar ciente desse fato, telefonou-lhe e pediu-lhe que se dirigisse urgentemente a ele. Era 1945 - época de guerra - e, portanto, muito problemático se encontrar um táxi disponível. Ela não tinha condições físicas de tomar o trem de Yokossuka para Atami, para receber

o Johrei. Além disso, ela ignorava

totalmente o quanto o seu estado de saúde era grave e preocupante. Todavia, alertada sobre tal situação,

pois tinha confiança absoluta em Meishu- Sama, passou a rezar com denodado fervor para que conseguisse um veículo que a conduzisse até Atami, o que aconteceu no dia seguinte. Lá, sob os cuidados de Meishu-Sama, ela logo se recuperou. Muitas pessoas ainda se lembram de uma reunião que ocorreu em 1943. Tinha-se juntado a ele um grande grupo, incluindo militares de alta patente e empresários. Era tempo de guerra e Meishu-Sama estava impedido de fazer divulgação religiosa. Apesar dessa

proibição, quando um solitário estudante secundarista se levantou e começou a fazer-lhe perguntas sobre o significado teológico do Johrei, as respostas de Meishu-Sama foram diretas, sem nenhuma evasiva. Tratou o assunto com a firmeza e com a profundidade adequadas. Assim, mereceu dele o mesmo respeito dispensado a um adulto. Antes e durante a guerra os anos foram penosos para Meishu-Sama, que foi forçado pelas autoridades a parar com muitas das suas atividades. Proibido de praticar abertamente a cura como um líder

religioso, teve que prosseguir em sua

tarefa de uma forma parcial e clandestina. Após a guerra, quando as pessoas passaram a ter liberdade de culto, multiplicou-se, rapidamente, o número de membros da Igreja, tornando-se necessários novos prédios e instalações. Assim, durante vários anos, o demorado trabalho de planejamento, que só cabia a Meishu-Sama, impediu-o de dedicar-se com mais tempo à sua atividade de cura.

de dedicar-se com mais tempo à sua atividade de cura. Na 1ª Sessão de seu julgamento

Na 1ª Sessão de seu julgamento

Em 12 de julho de 1950 Meishu- Sama foi acusado formalmente de

infração da Lei dos assuntos econômicos e suborno.

A primeira sessão foi realizada em 11 de outubro tendo um total de 41 sessões que duraram 2 anos e 2 meses, sob fortes torturas, chegando até desmaiar em certos momentos devido a sua fraqueza. A sentença do julgamento foi dada em dezembro de 1952 com

a vitória da Promotoria., pois esta

alegava que Meishu Sama tinha confessado as acusações sem ter sido torturado, quando não era verdade. Os advogados do Mestre queriam recorrer da sentença, mas, ele não permitiu, ele comentou:

Nossa Igreja se expandiu rapidamente atraindo ódio e inveja de muitas sociedades. Assim com a condenação de hoje, tais sentimentos serão desfeitos o que é benefício para nós”. O grupo que pertencia a Igreja que havia sido preso junto

com Meishu Sama acatou a ordem dele. Porém o grupo que não pertencia a Igreja recorreu da sentença, e por falta de prova, que a confissão teria sido sob torturas, esse grupo ganhou na justiça e consequentemente Meishu Sama e

os outros também.

justiça e consequentemente Meishu Sama e os outros também. DESENVOLVIMENTO PÓS- GUERRA Foi somente após a

DESENVOLVIMENTO PÓS- GUERRA

Foi

somente

após

a

Segunda

Guerra

Mundial

que

a

liberdade de culto

passou

a

ser

garantida

pela

Constituição

japonesa.

Meishu-Sama

pôde,

então, dedicar-se livremente à sua missão. Nessa época, centenas de Mamehito o assistiam no trabalho do Johrei e o número de freqüentadores aumentava cada vez mais. Uma organização religiosa formal foi estabelecida em 1947, com oito igrejas filiais espalhadas pelo país. Em 1950, recebeu o nome de Sekai Meshya Kyo (Doutrina do Messias para o Mundo). O número de Templos passou para oitenta,

com algumas centenas de Casas de Difusão.

Quando Meishu-Sama passou para o mundo espiritual, em 10 de fevereiro de 1955, aos 72 anos, já contava com mais de 150 mil seguidores no Japão. Em menos de dez anos, conseguiu organizar a Igreja, formar Ministros, escrever os Ensinamentos e edificar um museu com valiosíssimas coleções de obras de arte orientais. Também do ponto de vista organizacional, essa nova e inédita religião, fundamentada em conceito científico, introduziu alterações após a guerra. Na sua primeira reestruturação, em 1947, "A Grande Sociedade Japonesa de Kannon" passou a contar com oito núcleos autônomos, cada qual liderado apenas por um dos seguidores mais diretos de Meishu-Sama. O núcleo de Miroku cresceu rápido e, isoladamente, tinha mais membros que o total dos outros sete somados. No ano seguinte, este principal núcleo da Igreja de Meishu-Sama tornou-se legalmente independente sob o nome de Nihon Miroku Kyokai ("Igreja Miroku no Japão"). Porém, em 1950 foi novamente reagrupado aos outros núcleos, sob a denominação única de Sekai Meshiakyo (Igreja Messiânica Mundial), todos sob a direção exclusiva de Meishu-Sama. De início, os membros foram distribuídos em três diferentes agrupamentos. Por dificuldade de administração, no ano seguinte, foi restabelecido o sistema anterior de 80 núcleos, todos diretamente supervisionados pela Igreja Matriz dirigida por Meishu-Sama. Ao todo, foram constituídos 80 núcleos. Ao completar 68

anos, em 23 de dezembro de 1950, Meishu-Sama anunciou que iria escrever "A Criação da Civilização", onde revelaria, por desígnio da Providência, o amplo e profundo significado do Johrei. Este livro, a verdadeira Bíblia da nossa fé, traz os Ensinamentos essenciais da nossa religião. Em 1953, dois núcleos foram abertos nos Estados Unidos, num esforço de iniciar a propagação da fé por todos os países. Quando Meishu-Sama faleceu, em 10 de fevereiro de 1955, tinha 72 anos.

faleceu, em 10 de fevereiro de 1955, tinha 72 anos. Milhares de pessoas estavam presentes no

Milhares de pessoas estavam presentes no seu funeral:

Grandioso tributo a um homem que tanto tinha feito para ajudar ao próximo. Naquela época, a Igreja não estava adequadamente preparada para prosseguir sem ele, pois a maioria dos membros ainda não havia atingido um grau de conscientização suficiente dos Ensinamentos de Meishu-Sama. Os seus seguidores mais imediatos, que praticavam o Johrei, tinham sobejas experiências de seus benefícios, pois haviam salvado da morte inúmeras pessoas gravemente enfermas e, também, evitado a invalidez em outras. Entretanto, os resultados maravilhosos das experiências com o Johrei fizeram com que muitos discípulos o considerassem como meio e fim da sua fé. Deixaram, por conseguinte,

de estudar com mais afinco os Ensinamentos de Meishu-Sama e, como conseqüência, permaneceram sem a verdadeira compreensão a respeito dos princípios básicos da Fé. Nos dez anos seguintes, dedicou- se somente à salvação daqueles que vinham procurá-lo, impregnando a Luz Divina como se fosse um tratamento, visando apenas à cura física. Mesmo

assim, as pessoas que se aproximavam dele sentiam intensamente a presença de Deus; por isso retornavam e o indicavam

a outras. Dessa forma, o número de seus

seguidores ia aumentando. É de se notar ainda que todos os grandes mestres do passado também realizaram milagres e curaram doentes. Nenhum deles, porém, legou tal poder a todos os seus seguidores. Já, o fim da vida terrena de Meishu Sama, não interrompeu a canalização do Johrei. Pelo

contrário. Como ele mesmo previa a "Bola de Fogo" que possuía uma vez liberta das limitações do corpo físico, aumentou ainda mais, permitindo a todos os Mamehito efetuarem curas prodigiosas. À medida que o tempo passa, as profecias de Meishu-Sama vão se confirmando. A contaminação dos alimentos por agrotóxicos, o aumento dos índices mundiais de criminalidade, resultante da obnubilação do corpo espiritual pelas máculas, o agravamento das enfermidades existentes e o surgimento de novas e terríveis moléstias

- muitas delas causadas pelos próprios

medicamentos utilizados pela moderna

ciência médica - são hoje fatos incontestáveis.

moderna ciência médica - são hoje fatos incontestáveis. Nada, pois, a não ser o poder da

Nada, pois, a não ser o poder da Luz, poderá livrar a humanidade de tantos infortúnios.

FILOSOFIA DE MOKITI OKADA

―Ao longo de três mil anos a humanidade veio se afastando cada vez mais da Lei da Natureza que é a Lei do Universo, a Vontade de Deus, a Verdade‖. Movido pelo materialismo, que o faz acreditar somente naquilo que vê, e pelo egoísmo, que o leva a agir de acordo com sua própria conveniência, o homem tornou-se prisioneiro de uma ambição desmedida e inconseqüente e vem destruindo o equilíbrio do planeta, criando para si e seu semelhante, desarmonia e infelicidade.

As graves conseqüências do desrespeito às Leis Naturais podem ser

verificadas na agricultura, na medicina, na saúde, na educação, na arte, no meio- ambiente, na política, na economia, e em todos os demais campos da atividade humana. Essa situação já chegou ao seu limite. Se continuar agindo assim, é certo que o homem acabará destruindo o planeta e a si mesmo.

O propósito da Filosofia de Mokiti Okada é despertar a humanidade,

alertando-a para essa triste realidade. Ela cultiva o espiritualismo e o altruísmo, faz o homem crer no invisível e ensina que existem espírito e sentimento não só no ser humano, mas também nos animais, nos vegetais e nos demais seres.

O Johrei, a Agricultura Natural e o Belo são práticas básicas dessa filosofia,

capazes de transformar as pessoas materialistas em espiritualistas e as egoístas em altruístas, restituindo ao planeta seu equilíbrio original.

Seu objetivo final é reconduzir a humanidade a uma vida concorde com a Lei da Natureza e construir uma nova civilização, alicerçada na verdadeira saúde,

na prosperidade e na paz".

Em função desse seu objetivo sua vida passou a ser unicamente religiosa,

dedicando-se exclusivamente na Salvação da Humanidade.

Acima já descrita resumidamente sua vida e obra. A partir daqui, alguns fatos importantes mais detalhados.

GOSTOS E PREFERÊNCIAS DO MESTRE: ESCALADA DE MONTANHAS

No período de 1912-1926 Meishu-Sama visitou diversas regiões para escalar montanhas. Mas o que é que o levaria a isso?

Ao ingressar na fé religiosa o Mestre foi se elevando em direção ao topo

de sua escalada espiritual, poderemos considerar que essas seguidas escaladas

encerravam um plano profundo, determinado por Deus. No início, entretanto, para ele próprio, talvez a intenção de se distrair e fazer exercício fosse mais forte.

A ESCALADA ESPIRITUAL

O cume do Pico Yari-ga-Take é uma rocha que parece cortada

verticalmente e por essa razão recebeu o nome de Grande Lança. Meishu-Sama começou a subir segurando-se numa corrente que estava pendurada em ângulo reto, mas, como a subida era muito íngreme, ele desistiu de pisar no topo. Pegou, então o caminho a beira de um precipício denominado Yarissawa e desceu para o Planalto Kami-Koti. Antigamente, o nome Kami-Koti também podia ser escrito com

letras que possuindo os mesmos sons, significam ―interior dos muros de Deus‖ ou

―terra de Deus‖, por isso o planalto era tido como local profundamente ligado a Deus. Após inúmeras dificuldades para chegar ao Planalto tendo passados momentos de perigo, escorrendo pela neve dura. Depois atravessou uma forte correnteza agarrado num tronco de árvore, até que finalmente chegou ao Planalto kami-Koti onde passou a noite.

Meishu-Sama registrou suas impressões com as seguintes palavras: O

Planalto kami-Koti é uma grande mata virgem. Nele, existem árvores e ervas que nunca vi em nenhum outro lugar, e o ar de montanha acaricia-nos a pele. É um mundo totalmente diferente distante do mundo dos homens e tem-se a impressão

de que a qualquer momento irá aparecer uma eremita de cabelos brancos‖.

Meishu-Sama sempre gostara de viajar, antes mesmo de ser comerciante. Desde jovem lavava a alma com as belezas naturais e deleitava-se com os contatos humanos que fazia nos locais visitados. A partir do momento, porém, em que passou a buscar Deus e alcançou o ponto mais elevado no caminho da Fé, as viagens e escaladas começaram a ter um novo significado para ele. À primeira vista, essas escaladas pareciam viagens de empresário. Entretanto, não as fez simplesmente para vivenciar a beleza natural, mas pelo sentimento religioso de querer captar ainda mais profundamente o Plano de Deus dentro da Grande Natureza.

INÍCIOS DOS CULTOS RECEBENDO LUZ

Meishu-Sama jamais exigia das pessoas o que ele próprio não praticava.

O mesmo acontecia no caso das entrevistas. Uma vez que dizia aos outros para

comparecerem, por maior que fosse o obstáculo, ele também agia assim. Certo dia ele estava com uma forte dor de dente, que ele não conseguia nem levantar a cabeça nem por isso mudava a programação de suas atividades e jamais mostrava seu sofrimento perante as pessoas. Ele fazia um entrega total de sua vida a tarefa

de desenvolver a Obra Divina juntamente com Deus.

Um encarregado da leitura dos ensinamentos, que sempre ia cumprimentá-lo assim que terminava a entrevista, inesperadamente, presenciou aquela cena. Refletindo sobre a postura do Mestre reconheceu que seria falta de consideração se eles, que eram dedicantes, também não servissem dando suas vidas.

Dessa forma a entrevista era uma ocasião de estudo sério, onde a elevada espiritualidade de Meishu-Sama e seu intenso entusiasmo pela obra de salvação do mundo se encontravam com a devoção e a sinceridade dos discípulos e demais fiéis, sentimentos nascidos desse espírito do Mestre. Ao mesmo tempo

era uma oportunidade sagrada em que através do contato com um ser tão sublime,

as pessoas recebiam o virtuoso poder da salvação. Quando os fiéis ali reunidos em

busca do Caminho e da Luz chegavam perto dele, sentiam seus sofrimentos desaparecem e ficavam cheios de alegria e gratidão, tendo o maior cuidado para não perderem uma única palavra sequer do que ele dizia.

Devemos dizer que esses fatos eram realmente o resultado da influência exercida naturalmente, sobre o coração das pessoas, pela elevada espiritualidade de Meishu-Sama, o qual não usava de moralismo. Ele costumava dizer: ― A fé não se ensina nem se impinge. É algo que se obtém através da virtude. Ou seja, ele achava que o pregador não faz as pessoas entenderem a fé por meio das palavras: é pela sua virtude que ele consegue impressioná-las.

Em 1948, quando instalou a Sede Provisória de Shimizu, em Atami, ficou estabelecido realizar-se um Culto antes da entrevista com Meishu-Sama. Nessa. Nessa época no palácio da Luz do Sol e na referida Sede havia uma imagem de Kannon pintada pelo Mestre, a qual se utilizava como Imagem da Luz Divina. O Culto, feito pelas pessoas ali reunidas sob a chefia de um dirigente era realizado como forma de reverência à Imagem. Assim, se fizermos uma retrospectiva do processamento dos Cultos da Igreja Messiânica Mundial, veremos que eles tiveram origem nas entrevistas, oportunidade em que as pessoas iam a Meishu-Sama buscar a força da salvação e manifestar-lhe seu amor e gratidão pelas bênçãos recebidas.

JOHREI DO AMOR

Por volta de 1946 e 1947 era bem elevado o número de ministros que haviam sido salvos de severas purificações graças ao Johrei ministrado por Meishu-Sama. Este sempre dizia: ― Quando alguém me pede Johrei, eu atendo mesmo que já tenha ido dormir e precise me levantar”. Era muito comum as pessoas lhe solicitarem Johrei nos momentos críticos da purificação e, ao recebê- lo, logo se sentirem aliviadas. Quando alguém ficava agüentando o sofrimento e não lhe pedia Johrei, por achar que se o fizesse iria atrapalhar seu trabalho, ele passava-lhe uma repreensão, dizendo: ― É pecado fazer cerimônia para pedir Johrei”.

PEDIDO DE PROTEÇÃO

Nessa época, Meishu-Sama recebia vários pedidos de proteção, provenientes dos mais diversos pontos do país, que chegavam à sua casa diariamente. Nele, o remetente escrevia seu nome, endereço, idade, sexo, data em que ingressara na Fé, nome da Igreja a que estava filiado e a situação da purificação.

O fato que se segue aconteceu por volta de 1948 ou 1949. Como sua esposa, Tamako tivesse tido um ataque de eclampsia (estado compulsivo) após o parto e corresse risco de vida, katusuiti Watanabe (porteiro Reverendíssimo Watanabe e pai do presidente da IMMB reverendo Tetsuo Watanabe) enviou a Meishu-Sama um telegrama de ―pedido de Proteção‖. Em pouco tempo ele melhorou e Watanabe apressou-se a mandar outro, desta vez, em agradecimento.

Uma semana depois, quando se acreditava que o caso estivesse liquidado, Tamako teve uma recaída. Vendo a gravidade do seu estado, ele

começou a preparar-se para a sua morte. Entretanto, pensando que talvez ela ainda pudesse ser salva, enviou a Meishu-Sama um novo ―Pedido de Proteção‖. Sentado a sua cabeceira tomava-lhe a pulsação a toda hora. Já fazia mais de dez minutos que esta havia parado, mas Watanabe continuava entoando uma oração, desesperado. Seus seis filhos pequenos, reunidos à cabeceira da mãe, choravam,

O pai procurou consolá-los: ―A mamãe vai para um

lugar muito bonito”. Mas ele mesmo sentia o coração apertado, de tanta tristeza.

Exatamente nessa hora a pulsação voltou, com batidas ritmadas. Atento às reações da esposa, Watanabe viu que o seu rosto ia retomando a cor normal e que ela recomeçava a respirar. Dali a pouco abriu os olhos e meio atordoada, perguntou, onde estava e aos poucos retomou sua vida normal. Cerca de um mês depois Tamako foi agradecer a Meishu-Sama, acompanhada do marido. Nessa ocasião, ministrando-lhe Johrei, o Mestre disse: ―Agora já não há mais perigo, mas eu também fiquei assustado quando recebi o segundo telegrama, achando que a

dizendo: Mamãe já morreu”

situação não era nada boa. Então, fiz um pedido especial a Deus”. Ouvindo isso, Watanabe desatou a chorar, sua gratidão era tão grande, que ele não conseguiu dizer uma só palavra.

Esses telegramas de Pedido de Proteção eram tratados com um cuidado todo especial, porque se ligavam a obra Divina de salvação. Se alguém se atrasasse para entrega de algum pedido Meishu-Sama dizia que a pessoa tinha falta de sinceridade porque seja uma pessoa que entende os problemas e sofrimentos dos seus semelhantes. Isso é sinceridade. Meishu-Sama costumava repetir: Quando a gente quer, logo entende o sentimento das outras pessoas, e também: Alegrar o próximo é o meu divertimento”. Por conseguinte, ele captava profundamente o sentimento de todos que procuravam a salvação através daquele apelo desesperado, não conseguindo deixar de estender-lhe imediatamente sua mão salvadora.

MUDANÇA NO MÉTODO DO JOHREI

Assim, o Johrei foi sendo difundido por todo o país, como círculo da salvação, pelos fiéis que captavam os sentimentos de Meishu-Sama. Até 1950, ele era ministrado tocando-se o corpo da pessoa, mas, a partir de então, passou a ser de certa distância (basicamente, cerca de trinta centímetros). Em dezembro daquele ano, no artigo intitulado ―Mudança no método do Johrei‖, publicado no Jornal Eikô, o Mestre explicou o significado dessa mudança:

“Por Ordem Divina mudamos o método de ministrar Johrei e por esse motivo eu gostaria que a partir de hoje, todos procedessem conforme

determinamos. A mudança foi feita com base na grande mudança ocorrida no Mundo Espiritual. O método utilizado até aqui englobava a parte espiritual e a parte material. Irradiando-se a Luz espiritual pela palma da mão, acrescentava-se um pouco de força. Força é matéria e por isso, na medida em que entra a força

Entretanto, de agora em diante, aquela

mudança vai se tornar “mais evidente de modo que é indispensável tirar toda a força material, irradiando apenas a Luz espiritual. Explicando mais detalhadamente, a Luz Espiritual de Deus chega até o Ohikari de todos os fiéis através do elo que os liga a mim, sendo irradiada, pela palma da mão, para a parte afetada do doente. Portanto, daqui para frente devem transmitir a Luz sem colocar força, e num estado de espírito leve e descontraído”.

A primeira fase do método do Johrei foi estabelecida em 1934. por ocasião da inauguração do Õjin-Dõ(clínica de terapia), após Meishu-Sama ter se conscientizado do poder espiritual que lhe fora atribuído por Deus através da Revelação Divina recebida em 1926. Depois de ter sido praticado de diversas maneiras, em dezembro de 1950, com o desenvolvimento da Providência Divina, o Johrei teve a sua forma definida apresentando-se como método de salvação eterna.

Em 1952, a partir do Culto do Início da Primavera, realizado no mês de fevereiro, Meishu-Sama começou a ministrar Johrei após o término de todos os ofícios religiosos. Por ser dirigido a um grande número de pessoas ao mesmo tempo, esse Johrei foi denominado ―Johrei coletivo”.

material, o poder da Luz diminui (

).

ATIVIDADES ESCRITURAIS LIVROS

As atividades escriturais de Meishu-Sama tiveram início na época da fundação da Igreja. Estando-se numa situação social em que havia controle sobre o pensamento e livre pronunciamento das pessoas, todos os atos do Mestre

estavam sob a rigorosa vigilância das autoridades e, pouco depois, até suas atividades religiosas concretas foram proibidas. Por conseguinte, embora ele escrevesse teses, não podia exprimir-se como desejava, nem publicá-las.

No ano de 1942, por milagre, o primeiro e o segundo volume do livro ―A Medicina do Futuro‖ foram aprovados para edição. Assim, em 1943, foi possível realizar uma reunião comemorativa do lançamento do livro. Ainda no mesmo ano ele publicou o terceiro volume dessa obra e outra intitulada ―A Verdadeira Face da Tuberculose‖, em um só volume; infelizmente, alguns meses depois, esses livros foram censurados, por intervenção da policia.

Em agosto de 1945, com o fim da Segunda Guerra Mundial, a liberdade de expressão ficou garantida e Meishu-Sama pode voltar às atividades interrompidas. Inicialmente, reuniu os três volumes de ―A Medicina do Futuro‖ em um só, publicando-o com o título ―Boas-Novas do Paraíso‖. Trata-se de uma coletânea de textos daquela obra selecionados por ele próprio e adequados à nova época. No prefácio, o Mestre escreveu:

“O maior e último objetivo da humanidade é em poucas palavras a felicidade. Certamente não há ninguém que negue isso. Entretanto, para aqueles que desejam alcançar a felicidade e também para aqueles que já a alcançaram e querem preservá-la“ a saúde física” indiscutivelmente é algo que não pode ser dissociada dela. Jesus de Nazaré disse que de nada adianta ter o mundo nas mãos e perder a vida, o que realmente é uma verdade”.

Em setembro de 1948, publicou uma coleção de teses intitulada ―Assuntos Diversos sobre a Fé‖. Ensinamentos onde se expõe todo que desejava em termos de conteúdo religioso.

No prefácio ele explica que os textos foram escritos com base em sua experiência sobre os grandes sofrimentos da vida, como, por exemplo, o que é causado pelas dívidas e pela doença. Relembra também seus trinta anos de vida religiosa, em que, com a proteção de Deus e o apoio das pessoas, veio vencendo esses sofrimentos. E encerra com estas palavras ―Procurei escrever de modo compreensível, tanto para os crentes como para os descrentes, para os estudiosos e para as pessoas comuns e ficarei muito feliz se a leitura deste livro servir ainda que pouco, para atingir o objetivo de paz e tranqüilidade espiritual”.

A partir de “Assuntos Diversos sobre a Fé”, Meishu-Sama publicou muitas teses, sendo que o número de artigos escritos por ele durante toda a sua vida é superior a dois mil. Seu conteúdo versa sobre Religião, Política, Economia, Educação, Ciência, Arte e todos os outros setores da vida humana. Assim, as diretrizes para a Construção da Verdadeira Civilização foram sendo lançadas umas após outras.

Entre os artigos escritos pelo Mestre existem os que ele destinou aos fiéis como Ensinamentos e também os que foram publicados e vendidos à sociedade em geral, como, por exemplo, Tratamento da Tuberculose pela Fé, Salvar os Estados Unidos, Coletânea de Milagres da Igreja messiânica Mundial e outros.

Entre os artigos publicados naquela época, havia alguns cujo conteúdo contradizia os conhecimentos científicos e o senso comum da medicina, então vigentes. Obviamente, isso era ensinado por Meishu-Sama através de sua inteligência sobrenatural, nunca vista antes. Entretanto, após a ascensão do Mestre, inclusive no sentido de evitar choques com o pensamento da sociedade, achou-se prudente interromper durante algum tempo a publicação desses artigos.

Depois de muitos estudos, editou-se a série intitulada ―Alicerce do Paraíso‖ contendo artigos escolhidos entre as teses de conteúdo exclusivamente religioso.

COLETÂNEA DE POEMAS

Além de escrever Ensinamentos, Meishu-Sama escrevia poemas; no decorrer de sua vida, compôs cerca de 5.500. São composições onde ele canta a natureza, os sentimentos e também a Religião, abrangendo, portanto, uma vasta área. Alguns são entoados como salmos, outros expressam os seus sentimentos em épocas de sofrimento e ainda, suas emoções como a alegria e a tristeza, a ira e os desejos que sentiu como ser humano.

Quando as atividades religiosas passaram a serem desenvolvidas oficialmente, com a Instituição da Igreja Kannon do Japão, o Mestre publicou a Coletânea de Salmos, editada em julho de 1948. Nela estão contidos os poemas entoados nos cultos em forma de salmos. No prefácio comenta: ―A poesia Waka tem um poder misterioso. Consegue-se expressar em apenas 31 sílabas o que não se consegue dizer com milhares de palavras. E o seu poder de mover as pessoas, então, é inimaginável. O livro reúne poemas que eu próprio escolhi e que, entre outros temas, cantam os sentimentos, a moral e as virtudes, expressando aquilo que eu sentia na ocasião em que os escrevi. Como não sou poeta, compus a maioria sem pensar muito, exprimindo-me com naturalidade. Meu único cuidado foi torná-los de fácil compreensão, mantendo a elegância e a beleza do espírito das palavras”.

Em 30 de novembro de 1949 foi publicada a coletânea poética intitulada ―Akemaro Kin‘eishu‖ (As ultimas composições de Akemaro), constituída de 486 poemas compostos por Meishu-Sama entre janeiro de 1936 e setembro de 1949. Neles, expressa francamente o seu estado de espírito desde a fundação da Igreja.

ÓRGÃOS INFORMATIVOS

Logo após a publicação do livro ―Assuntos Relacionados à Fé‖, em 1948, lançou uma revista mensal e um jornal semanal (este, mais tarde, passou a sair de dez em dez dias). A revista recebeu o nome de ―Tijõ Tengoku‖ (Paraíso Terrestre) e teve o seu primeiro número editado em dezembro de 1948. As capas dos números 1, 2 e 3 apresentavam imagens coloridas de Kannon pintadas por Togõ Seiji (1897-1978).

Paralelamente ao lançamento da revista ―Tijõ Tengoku‖, Meishu-Sama institui a Empresa Jornalística Hikari, Em março de 1949, foi lançado o Jornal ―Hikari‖ (luz), cujo nome foi mudado, posteriormente para ―Eikõ‖ (Glória). A empresa iniciou suas atividades sediadas no Distrito de Minato, em Tóquio, mantendo, também um escritório no bairro Higashiyama em Atami. O mestre participava do trabalho como redator-chefe, repórter e revisor. Por conseguinte, não só ele escrevia Ensinamentos, em forma de teses, para o jornal ―Hikari‖ como também colaboravam todos os meses na revista ―Tijõ Tengoku‖, além de continuar compondo poemas assinados com o nome artístico de Akemaro Lia, ainda, as matérias enviadas pelos fiéis, inclusive as Experiências de Fé e dava instruções para a redação do jornal e da revista.

Os ensinamentos eram elaborados diretamente por Meishu-Sama, mas ele os pregava com a postura de representante de Deus. Conseqüentemente, tratava-os como palavras do Criador Existem diversas provas de que elaborava seus ensinamentos no estado espiritual de união com Deus, inclusive a própria força do que ele ditava. Meishu-Sama chegava a ditar doze ou treze folhas de

papel sulfite por hora por isso os Ensinamentos iam se acumulando. Certo dia disse: “Os artigos estão sobrando. Portanto, estreite as margens do jornal “Eikõ” e procure colocar o máximo de letras que puder”. Fez-se então o possível para que fosse publicado o maior número de artigos seus.

Mas o Mestre não escrevia apenas para os órgãos da Igreja. Como era uma pessoa para a qual convergia a tenção da sociedade, jornais e revistas de outras religiões solicitavam sua colaboração. Era freqüente chegarem pedidos especificando o número de laudas e os temas. Ele os aceitava sem nenhuma preocupação, ele ditava-os mostrando muita alegria.

Meishu-Sama explica que nos ensinamentos das religiões existentes desde a antiguidade há muitos pontos difíceis de serem entendidos, razão pela qual não só surgiram ramificações, como também, por meio deles, não se conseguiu promover a salvação desejada. Por isso, ao ditar seus Ensinamentos ele tomava muito cuidado para torná-los de fácil compreensão para velhos e jovens, homens e mulheres, de todas as idades e níveis de educação ou condição social. Conseqüentemente, não se limitava a deixar os textos na forma como os ditara. Corrigia-os quantas vezes fossem necessárias, fazia modificações ou acréscimos procurando formas de expressão mais compreensíveis. Às vezes chegava a passar o Ensinamento a limpo mais de vinte vezes. Depois que ele ficava pronto pedia ao encarregado dessa parte que o lesse e desse sua opinião. Será que se eu usar essa expressão, os fiéis vão entender o que eu quero dizer? E você entende o que quero dizer? Entende? Perguntava-lhe.

VOCÊ TEM LIDO OS MEUS ENSINAMENTOS?

Perguntava-lhe. VOCÊ TEM LIDO OS MEUS ENSINAMENTOS? Meishu-Sama assim resumiu o sentimento que se deve ter

Meishu-Sama assim resumiu o sentimento que se deve ter a ao elaborar um texto: Os textos refletem, através das letras, o pensamento da pessoa que os escreveu, o qual é transmitido para o pensamento de quem lê Conseqüentemente, tudo aquilo que eu escrevi guiado pela Vontade Divina, irradia a Luz de Deus para o leitor. Podemos dizer que este recebe Johrei através dos olhos, pela Luz irradiada das letras. Assim, quanto mais a pessoa lê, mais aprofunda sua fé, e mais purificado vai ficando seu espírito. Quanto mais a fé

ganha plenitude, mais irrefreável é à vontade de ler. Por isso, é bom que leiam meus Ensinamentos muitas vezes, até os assimilarem bem”.

A vida de Meishu-Sama estava sempre centralizada em Deus e diariamente desenvolvia a Obra Divina sem desperdiçar um minuto sequer. Sendo assim, os dedicantes tinham de tomar os devidos cuidados para ajustar seus passos com os dele. Ele dizia que se a pessoa lesse sempre os ensinamentos, saberia naturalmente que cuidados deveriam tomar para fazer esse ajuste; portanto, não cometeria falhas. Não bastaria o dedicante ler somente com os olhos e com a cabeça, deveria ler principalmente com o coração, pois assim poderão ser praticados e não apenas lidos.

―Meishu-Sama sempre dizia: Leia os meus ensinamentos com o objetivo de praticá-los‖. Assim, na sua vida diária, ele praticava tudo aquilo que pregava aos fiéis. Considerando, por exemplo, que desrespeitar os horários é falta de sinceridade, era muito exigente com os dedicantes, em relação a isso. Assim, todos os dias, desde o momento em que acordava até a hora de dormir, seguia rigorosamente a programação que ele mesmo estabelecera.

Pragmatismo como filosofia em ação

Adotando o pragmatismo no campo religioso, Meishu-Sama disse:

“Pretendo fundir a Religião e a vida real numa relação íntima e inseparável. Assim ao pregar seus ensinamentos por escrito ou oralmente sempre se baseava na crença de que eles só teriam valor se fossem praticados. Sempre mantinha autodisciplina e que em sua vida não havia falsas aparências, existindo perfeita coerência entre palavras e ações‖.

Após a perseguição religiosa sofrida em 1950, o Mestre passou a pregar vigorosamente a importância daquilo que escrevia. Pois dizia que a Bíblia havia sido escrita posteriormente à ascensão de Cristo. Assim também, ele pregava de acordo com a ocasião, mas quem iria organizar os seus ensinamentos eram os servidores dele. E continuou dizendo: “Os jovens, daqui para frente precisam compreender bem os ensinamentos. Se não assimilarem sua natureza ideológica, não conseguirão realizar bons trabalhos”. Com essas palavras ele expressou a esperança que depositava em suas próprias teses.

É preciso ler os Ensinamentos

Em novembro daquele mesmo ano, Meishu-Sama publicou no número 80 do jornal Eikõ, o artigo intitulado ―È preciso ler os Ensinamentos‖ onde dizia que para aprofundar a fé e adquirir maior poder de salvar as pessoas, os fiéis precisavam ler seus Ensinamentos. Ouvindo aquelas palavras do mestre e lendo essa tese, o servidor que ganhara a missão de editá-los, adquiriu uma compreensão mais profunda sobre a importância dos ensinamentos e sentiu a grandeza da missão de editá-los, a qual lhe fora destinada. Assim, ele compilou os que lhe pareceram mais representativos e mostrou seu trabalho ao mestre. ―Com a autorização deste, publicou-os em março de 1954, no livro que recebeu o nome de ―Livro de Deus‖ – volume sobre Religião‖.

CALIGRAFIAS E PINTURAS

CALIGRAFIAS E PINTURAS Meishu-Sama caligrafando ajudado por dedicantes. Os quadros que Meishu-Sama caligrafou durante mais

Meishu-Sama caligrafando ajudado por dedicantes.

Os quadros que Meishu-Sama caligrafou durante mais de vinte anos, desde que iniciou a Obra Divina de salvação do mundo, atingem uma quantidade surpreendente.

Em 1931, O Mestre pintou o Hiode Kannon, em 1934 o Senju Kannon e muitos outros quadros. Em 1936 através das atividades da Associação dos Cem Kannon, pintou imagens de Kannon coloridas e a partir de 1941 começou a pintar também, imagens de Komyo Nyorai e Daí Komyo Nyorai. Ainda mesma época com o avanço da Obra Divina, ele dava de presentes a fiéis imagens de Kannon para que divulgassem a obra pintando em grande quantidade. Pintou Kannon segurando uma pedra preciosa ou um sutra; em cima das nuvens; sentado cerimoniosamente; fazendo pregações; vagando pelas nuvens, etc.

Kannon é abreviação de Kanzeon Bossatsu, Deus que salva mostrando piedade em relação às pessoas que busca salvação e as salva. Conhecido também como Miroku.

Além das pinturas Meishu-Sama fez inúmeras caligrafias. No período final da Segunda Grande Guerra Mundial, quando os ataques aéreos se intensificaram, caligrafou, em letras grandes ―kamikaze‖ (Vento Divino), Shinryu (Deus Dragão) e ainda, Kômyo (Luz Intensa), instruindo as pessoas no sentido de que esta última fosse colocada em cima da imagem de Kannon na hora dos bombardeios. Por isso, todos diziam que o Kômyo era para afastar bombas.

Contam-se muitos milagres obtidos através das suas caligrafias por ocasião da Segunda Guerra Mundial.

E mesmo após o término da guerra, quando as matérias primas e o combustível eram escassos, só de se pendurar na parede à caligrafia ―Shunkõ‖ (Luz da Primavera), o recinto misteriosamente, ficava aquecido inclusive durante o inverno. Dizem ainda, que, pendurando-se a caligrafia ―Keissui‖ (ser abençoado com água) numa casa cujo poço secaria, este voltava a ter água.

No início de 1946, quando a Obra Divina entrou numa nova fase, com a rápida expansão da difusão, o Mestre começou a caligrafar mais dois tipos de imagem da Luz Divina: Kômyo Nyorai e Daí Nyorai, além de continuar pintando imagens de Kannon. Alguns meses depois, purificando com sarna, doença que o deixou acamado, não pôde pegar no pincel por uns tempos; no ano seguinte, porém, quando começou a se restabelecer, passou a confeccionar as imagens da Luz Divina unicamente com letras, não pintando mais a figura de Kannon. Segundo Meishu-Sama nos ensina letra é Espírito e desenho é matéria e por isso, aquela tem um nível mais elevado. Daí podem concluir que essa modificação foi uma Providência de Deus, decorrente da expansão da Obra Divina.

A partir dessa época, o ―omamori‖ (protetor) constituído pela palavra ―Kõmyo‖ o qual levava o sinte ―Nyorai‖ teve esta palavra substituída por ―Jô‖ (Purificação) com o sinte ―Gyo‖. Ao ser instituída a Igreja Kannon do Japão, em 1948, passou a ser caligrafada ―Hikari‖ (Luz). Criaram-se também, mais dois tipos de protetor, respectivamente com as palavras Kõmyo (luz intensa) e Daí Kõmyo (Luz muito intensa). ―Mais tarde as palavras que constituíam as três categorias de protetor foram substituídas por ―JÔ‖, ―Joriki‖ (Poder Purificador) ou Jokõ (Luz Purificadora) e Daí Jôriki‖ (Grande Luz Purificadora). ―Mas logo voltaram as palavras primitivas, ou seja, ―Hikari‖, Kõmyo‖ e Daí Kõmyo, escritas em sentido vertical, as quais continuam até o presente. A partir de 1962, o termo ―omamom‖ foi substituído por ―Ohikari‖ (Luz Divina). Assim, o Ohikari usado pelos fiéis sofreu diversas modificações trançando sua história de acordo com a Providência de Deus nas diferentes épocas.

Meishu-Sama tinha a mão cheia de calos por fazer tantas caligrafias, que ele colocava tanto empenho porque o Poder de Deus atuava através delas, ou seja, elas tinham um papel central na Obra Divina. Assim, durante toda a sua vida, pintou cerca de 7.000 figuras de Kannon e Nyorai e, incluindo os protetores, fez pelo menos 1 milhão de caligrafias.

VIVIFICAÇÃO PELAS FLORES

Quando jovem Meishu-Sama quis ser pintor e, mais tarde, profissional de ―maki-e‖. Mas como tomou o caminho da religião não se tornou uma coisa nem outra. Mas continuou, durante toda sua vida a dispensar um grande amor a Arte, nunca deixando de apreciar as coisas belas. E entre elas estavam as flores, cultivando-as em seu jardim mesmo quando morou em casas pequenas. Depois que se mudou para o solar da Montanha Preciosa, cujo terreno era bem espaçoso, iniciou um verdadeiro cultivo, passando a ter flores das quatro estações do ano. Assim, a flor se tornou inseparável de sua vida.

verdadeiro cultivo, passando a ter flores das quatro estações do ano. Assim, a flor se tornou
verdadeiro cultivo, passando a ter flores das quatro estações do ano. Assim, a flor se tornou

O Mestre fazia do tratamento das plantas uma tarefa diária. Andava pelo

jardim e podava-as, tirando-lhes os galhos supérfluos e dando-lhes um belo formato. Na época em que residia no Solar da Montanha Preciosa, além de flores, começou a vivificar árvores e ervas do jardim em vasos e cestos. Fez uma quantidade infinita de vivificações, durante quase vinte anos, até o final de sua vida. Com base nessa experiência ensinou que a postura com que as flores devem ser vivificadas: “Eu jamais forço o formato das flores; vivifico-as da maneira mais natural possível. Com isso, elas ficam bem vivas, durando bastante. Se mexermos muito, elas morrem e perdem a graça. Sempre que vou fazer uma vivificação, idealizo antes o seu formato, corto as flores e coloco-as imediatamente no vaso e assim a vivificação fica mais bonita”.

A rapidez era um forte no Mestre ele vivificava em meia hora mais de dez

vasos.

As pessoas geralmente se preocupam em saber se o material a ser empregado nas vivificações absorve bem a água. Mas o Mestre não tinha a menor preocupação com isso. Utilizava qualquer planta da estação. A esse respeito, ele

escreveu

: “É preciso conversar com as flores e vivificar seu sentimento. Se não

fizermos isso, elas não ficam contentes. Não ficando contentes, murcham logo. As flores não gostam de ver negligenciadas as suas características, isto é, de serem

arrumadas com muita técnica, como faz a maioria das pessoas”.

 

Quando Meishu-Sama recebia uma visita, procurava agradá-la ornamentando a sala com obras de arte, que ela apreciasse. Por conseguinte, também no caso das flores, não fazia vivificações apenas para si. Ele se deleitava com a sua beleza em companhia da família, dos fiéis e dos visitantes. Assim, vivificava as flores, com grande respeito e por isso, em toda oportunidade, falava sobre elas. Por exemplo: ―Não há pessoas más entre as que amam as flores”, “O Mal não gosta de flores”, “As flores dão boa influência ao Mundo Espiritual”, etc. E elas também serviram de tema para os seus poemas, como os que seguem:

Quem deseja igualar-se A beleza das flores, Possui um coração Que a elas se assemelha‖

Quem desvia os olhos Do sentimento humano Da lua, da neve e da flor Não possui espírito elevado.

Amar as flores Na primavera, E o bordo no outono, É corresponder As bênçãos de Deus.

Campanha de Formação do Paraíso por meio das Flores

Em maio de 1949, Meishu-Sama escreveu um ensinamento intitulado ―A Campanha de Formação do Paraíso por meio das Flores‖, no qual orientou:

Vamos nos esforçar para que haja flores no interior das residências, nos locais de

trabalho, enfim, em todos os lugares onde houver pessoas., fazendo com que por meio delas, este mundo se transforme num Paraíso”. E não foi só, também mandou que se tirassem fotografias coloridas de suas vivificações. Os trinta e nove slides que existem das flores vivificadas por ele, são fotografias tiradas em 1953 por Yoshika Yõji, posteriormente diretor do Museu de Arte de Hakone.

Entre essas fotografias, vemos vivificações coloridas, com um galho verde de bordo e pequenos crisântemos amarelos; vivificações exuberantes, com buquê de noiva e azaléia; vivificações requintadas de bambu ornado com campainha; vivificações modernas com duas tulipas num cesto, etc. As vivificações de meishu- Sama possuem as formas mais variadas, mas estão em perfeita harmonia como os vãos. O conjunto é original e ao mesmo tempo delicado, descortinando um magnífico mundo de beleza.

As primeiras fotos foram tiradas em 15 de março de 1953, e na entrevista realizada imediatamente após, o Mestre fez uma explanação cujo ponto central era o trecho que se segue:

“Ultimamente têm aparecido vivificações esquisitas. Elas matam as flores, razão pela qual não agradam, mesmo que o formato seja bom. Por isso é preciso expressar ao máximo as melhores características naturais das flores. Foi para levar ao conhecimento de todos a verdadeira forma de vivificá-las que mandei fazer estes slides. Seja como for, é uma forma revolucionária. Serve como ensinamento, mostrando a maneira como devem ser feitas as vivificações; além disso, através das flores assim vivificadas a pessoa recebe Johrei”.

Graças a essas fotos coloridas, dezenove anos mais tarde, em 15 de junho de 1972, maravilhoso dia do culto do Paraíso Terrestre, foi criado a Academia Sanguetsu de Vivificação pela Flor herança do sentimento que o Mestre depositou nas flores.

VIAGENS MISSIONÁRIAS - PALESTRAS

depositou nas flores. VIAGENS MISSIONÁRIAS - PALESTRAS Meishu-Sama no Hobiya Public Hall, falando entusiasticamente

Meishu-Sama no Hobiya Public Hall, falando entusiasticamente sobre o verdadeiro mundo civilizado.

A partir de 1950, além de difundir a fé através do Johrei e das publicações,

A partir de 1950, além de difundir a fé através do Johrei e das publicações, Meishu-Sama decidiu empenhar-se também na difusão direta, por meio de palestras. Para tanto, foi criado um departamento de propaganda na Sede e, em fevereiro de 1951, realizou-se a primeira palestra.

No local escolhido o auditório Kyõritsu, situado em Kanda, na cidade de Tóquio reuniram-se mais de quatro mil espectadores. O interesse foi tão grande que, como o recinto não comportasse tanta gente, havia pessoas do lado de fora. De pé, todos os fiéis ouviam atentamente a leitura das palavras de saudação do Mestre, formando-se um ambiente cheio de entusiasmo.

A partir dessa palestra, que alcançou grande sucesso, foram realizadas

outras, em diversas regiões do Japão. Além da palestra de Meishu-Sama, outros membros da diretoria falavam e havia ainda relato de experiência de fé. Demonstrando grande interesse por essa atividade, quando não podia participar diretamente, Meishu-Sama sempre transmitia sua mensagem através de um texto.

A palestra realizada no Hybiya Public Hall, no dia 22 de maio de 1951,

merece ser lembrada na história da Igreja Messiânica Mundial. Após as palavras sucessivas de Ito Mussei, que fez amizade com Meishu-Sama depois de sua participação no espetáculo teatral apresentado no Culto do Outono do ano anterior; de Suzuki Shõgo e de outras pessoas, o Mestre subiu ao palco e falou durante cerca de trinta minutos para mais de três mil espectadores, entre fiéis e não fiéis. Essa foi à primeira palestra em que desejoso de salvar o mundo, ele explicava a sociedade em geral a essência dos Ensinamentos.

Descrevendo o que sentiu na ocasião, Meishu-Sama disse: “Quando chegou a minha vez de subir ao palco, as palavras me foram brotando naturalmente e acabei falando sem me prender ao texto que havia preparado há muito”. Assim, movido pela atmosfera reinante, ele deixou transbordar seu sentimento, seguindo os ditames do coração.

assegurada e todos são felizes, não só espiritual como materialmente. Para tanto, é preciso que as pessoas tomem conhecimento da existência do espírito e que se desenvolva a cultura espiritual”. Com base nesse conhecimento e no desenvolvimento paralelo das duas culturas espiritual e material é que surgirá a verdadeira felicidade”. Assim dizendo, pregou com vigor que aquela era a hora de se dar impulso a verdadeira cultura espiritual voltada para a existência do espírito. Indicou, ainda, que a época presente, sem dúvida alguma é o momento em que o Mundo Ideal está sendo construído pela Providência Divina e que ele era o executor dessa construção. E foi além, disse, com toda convicção que possuindo a Força de Deus e a Verdade, cabia-lhe a missão de criar a Nova Civilização encaminhando os homens a mais alta felicidade.

Nesse dia, Meishu-Sama usava terno azul marinho e gravata vermelha, traje que combinava muito bem com seu rosto rosado e seus cabelos brancos. O ardente desejo que mostrava de salvar a humanidade, fazia-o parecer bem jovem. Foram apenas trinta minutos, mas a convicção e o fervor religioso que transbordavam de suas palavras simples impressionaram profundamente os espectadores.

A Primeira Viagem

A partir de maio de 1951, Meishu-Sama começou a empreender anualmente, na primavera e no outono, viagens missionárias a região Tyubu e a região Kansai. Eram viagens promovidas com o objetivo de ministrar Johrei e fazer palestras para os fiéis dessas regiões, cada vez mais numerosos, encaminhando- os a uma fé mais elevada e pura. Além disso, ele aproveitava tais oportunidades para contatar não só com a essência da arte sacra, através de obras historicamente famosas da região, principalmente de Quioto e Nara, como as construções religiosas, as estátuas e quadros de Buda e os quadros representando Deus, mas visitava também os jardins em estilo japonês. Portanto, eram viagens de objetivo religioso e aprimoramento artístico, em que o Mestre saboreava e estudava a arte tradicional do Japão nos próprios locais onde ela foi cultivada.

Em todos os lugares visitados pelo mestre o rosto das pessoas brilhava de felicidade seja o das que o recepcionara, seja o das que se reuniram para ouvir sua palavra; inclusive, podiam-se observar alguns fiéis com as palmas das mãos unidas, em sinal de respeito. Diante de tão pura imagem de devoção e êxtase religiosos, o coração de Meishu-Sama também transbordou de infinita alegria.

Nessa viagem missionária, além de muitos jardins famosos e templos antigos, visitou cinco museus: o Museu de Arte Sumitomo (atualmente Museu de Antiguidades Sem‘oku) na cidade de Quioto, cujo acervo é constituído principalmente de peças de bronze de eras antigas da China; o prédio Yurin de arte chinesa, editado pelo empresário Fuji Zensuke; o Museu Histórico Nacional de Quioto; o Museu de Arte Municipal de Quioto e o Museu de Arte Hakusuru, situado em Kõbe. Este último, especialmente, causou uma forte impressão a Meishu- Sama, que sobre ele, registrou: “Sinto grande respeito pelo elevado discernimento do Sr. Kanõ, proprietário da referida casa, falecido recentemente, com a idade de noventa anos, e pelo seu mérito de haver colecionado somente obras de primeira

Naquela viagem, essa foi a melhor colheita que fiz”. O Mestre visitou

qualidade (

o museu de Arte Hakutsuru rês vezes; na primeira, no outono daquele ano e na primavera de 1953.

)

A Terra da Tranqüilidade

Na viagem a Quioto, Meishu-Sama captou uma importante Vontade Divina: construir aí, o terceiro Solo Sagrado, o qual se somaria aos de Hakone e Atami. Ele pregou a necessidade desse Solo Sagrado com base na percepção espiritual de que concluído o de Hakone que representa o Fogo, o de Atami, que representa a Água e o de Quioto que representaria a Terra estaria constituída a Trindade que daria o impulso final a Obra Divina. E seus propósitos se concretizariam na primavera de 1952, quando empreendeu a terceira viagem missionária aquela região. Em Sagano, local situado na parte noroeste de Quioto, existe um lago de águas abundantes e tranqüilas chamado Hirossawa. No dia 30 de abril de 1951, Meishu-Sama visitou Sagano e tendo gostado do local a primeira vista deu instruções para que se procurasse um terreno nas redondezas. No ano seguinte, em ocasião bem propicia foi colocada à venda uma propriedade situada próximo ao Lago Hirossawa. Pertencia a Ussami kanji, que se destacou muito na China durante a guerra e foi presidente dos Transportes kahoku. As negociações começaram imediatamente, mas não foram levadas adiante, pois o preço era muito alto. No outono daquele mesmo ano, entretanto, como a família Ussami estivesse necessitando de capital urgente, elas se reiniciaram sendo a compra efetuada sem mais delongas. Como a propriedade foi adquirida um pouco antes da viagem missionária empreendida por Meishu-Sama no outono de 1952 ele deu-lhe o nome de Vila Primavera Outono, passando desde então a utilizá-la como ponto central de suas viagens à região Kansai. Mais tarde, conseguiu-se adquirir o terreno e a casa situados do outro lado da estrada (Casa Beira do Lago) e o Mestre chamou o conjunto de ―Terra da Tranqüilidade‖ determinando-o como terceiro Solo Sagrado. Misteriosamente, a afinidade de Meishu-Sama com a família Ussami não se limitou à compra da propriedade. Em 1953, sua coleção de obras de arte foi enriquecida com a aquisição de uma obra-prima de fama mundial pertencente àquela família. Tratava-se do ―Kõdan Kanyõ Seiji Taiko‖, vaso de porcelana verde feito na China durante o Período Nansõ, no forno administrado pelo próprio governo da Província Kõ. Meishu-Sama depositava grandes esperanças na Terra da Tranqüilidade, localizada em Quioto, lugar rico em matéria de cultura tradicional do Japão. Assim, em janeiro de 1953, Nakamura Ebiji, dirigente da igreja Shinsei, foi encarregado de dirigir a construção do jardim daquele Solo Sagrado. Por ocasião das viagens missionárias feitas na primavera e no outono, Meishu-Sama sempre ia ao local, onde ouvia o relatório sobre a obra e dava diversas instruções. Nakamura, com a colaboração dos demais dirigentes que faziam difusão na região Kansai colocaram grandes emprenho nessa construção, baseando-se nas orientações recebidas. Assim, a Terra da Tranqüilidade foi tomando um aspecto adequado à serenidade de Sagano. As duas viagens missionárias feitas a Quioto em 1951, o Mestre visitou os principais monumentos da região. Essa viagem não passava então, de simples projeto e só um número bem limitado de pessoas tinha conhecimento dela. No entanto, um adepto de outra religião fora avisado, antecipadamente sobre a qualificação espiritual de Meishu-Sama, o itinerário de sua viagem e até os preparativos que estavam sendo feitos e tudo sem o mínimo erro. Diante dessa ocorrência, os três dirigentes sentiram-se invadidos por um grande respeito e compreenderam ainda mais profundamente o Plano Divino e o poder do Mestre. Entre as sete viagens missionárias de Meishu-Sama a região kansai, merece destaque à visita ao pavilhão Yume, um salão octogonal situado no lado

leste do Templo Hõryu. Este templo foi construído no inicio do século VII pelo príncipe regente Shõtoku Taishi. Segundo dizem, ele o construiu na intenção de cura de seu pai, Yõmei (585-587 d.C), o 31º imperador o qual estava doente. No Pavilhão Yume onde ficava absorvido no estudo das leis búdicas ou lendo interpretações das escrituras budistas trazidas da china, às vezes o príncipe Shõtoku recebia avisos de Deus. Meishu-Sama visitou o Templo no dia 29 de abril de 1952. Sabendo que o Kusse kannon, imagem principal do templo, seria exposto aos visitantes postou-lhe diante do Pavilhão Yume com grande respeito. Abertas as duas bandas da porta central e também o ―zushi‖ (móvel budista onde se guardam imagens, sutras, etc) que havia no recinto, apareceu a imagem, esculpida no Período Assuka. Diante dessa imagem o Mestre se sentiu que pouco a pouco foi diminuindo a distância entre os dois os quais foram se tornando um único ser. A respeito dessa experiência ele escreveu: ―Quando me coloquei diante da Imagem de Kannon a energia espiritual que ela emanava começou a penetrar em mim. Era uma sensação inexprimível e eu tive vontade de chorar. Isso significa que há muito tempo Kannon estava esperando por aquele momento. De fato, para os deuses também existe o tempo certo. Até que este chegue, eles nada podem fazer:

Kannon esperava tempo certo até então, no Pavilhão Yume do Templo Hõryu”.

A Última Viagem Missionária

No dia 10 de abril de 1954, abençoado com um bom tempo primaveril, Meishu-Sama partiu rumo à sétima viagem missionária a região Kansai, tendo pernoitado na casa do responsável pela Média Igreja Meshia, Fujieda Massakazu, situada na cidade de Nagoya. No dia 11 Meishu-Sama fez uma palestra para quatro mil espectadores no Ginásio Kanayama situado na região Tyubu. Em seguida, partiu para Quioto. Como de costume, foi recepcionado na Ponte Seta-no-Karahashi pelos dirigentes de igrejas da Região Kansai. Quando já passavam das 18 horas, chegou a Vila Primavera-Outono, na Terra da Tranqüilidade sendo recebido por muitos fiéis. Atendendo ao desejo demonstrado, tempos atrás, pelo Mestre de fazer uma palestra em Nara, os dirigentes que se ocupavam dos preparativos dessa viagem tentaram alugar o Nara Public Hall para o dia 12 de abril. Entretanto, o salão já estava alugado para essa data e não havia na cidade outro recinto que comportasse uma platéia numerosa. Vendo a necessidade de alugá-lo a qualquer custo, eles insistiram. Ficaram, então sabendo que uma firma de eletrodomésticos, em combinação com seus fregueses havia convidado um grande número de pessoas para visitarem Nara, tendo alugado aquele salão para ali almoçarem caso chovesse. Os dirigentes fizeram novos pedidos, prometendo que com chuva ou sem chuva, a palestra terminaria na parte da manhã e até a hora do almoço o local estaria desocupado. Assim, conseguiram finalmente alugá-lo. O Nara Public estava bastante estragado de modo que com a colaboração dos fiéis fez-se uma limpeza geral, trocaram-se inclusive os papéis de parede. Ao fim, o recinto nem parecia o mesmo.

Meishu-Sama na palestra feita no Nara Public Hall Todos os dirigentes locais, preocupados com o

Meishu-Sama na palestra feita no Nara Public Hall

Todos os dirigentes locais, preocupados com o tempo oravam para que não chovesse. Na manhã do dia 12, porém caiu um temporal em Quioto e em Nara. Eles sentiram um peso no coração ao pensarem nas dificuldades que os fiéis encontrariam para participarem da palestra e na confusão que haveria depois. Apenas o Mestre tinha um sorriso nos lábios e continuava tranqüilo como de costume dizendo: “ O Deus Dragão (considera-se que o Deus Dragão comanda a chuva) fará com que tudo corra bem”. Quando o carro de Meishu-Sama proveniente de Quioto aproximava-se de Nara, um sol bem fraco começou a raia, só voltando a chover depois que ele terminou a palestra e que todos os fiéis haviam deixado o salão.

Templo Murou

Na tarde desse dia, o Mestre dirigiu-se para o Templo Murou, situado na Vila Murou, no Estado de Nara. Vulgarmente chamado de Altos Campos das Mulheres ele é conhecido pelo seu belo pagode de cinco andares, no estilo característico do final da Era Nara. Foi construído no início da Era Heian, para cultura Ryuketsujin, o Deus Dragão das cavernas de Murou. Nesse velho templo dentro do mato, também ocorreram fatos misteriosos. A visita havia sido decidida poucos dias atrás antes de sua realização os diretores foram ver o local. Depois de explicarem por que o seu Líder Espiritual desejava visitar o templo, perguntaram se ele poderia ser recebido no salão nobre. Entretanto foi-lhes respondido: “Para os senhores ele pode ser um Líder Espiritual muito importante, mas nós só poderemos deixá-lo entrar no salão nobre se o reconhecer digno dessa honraria”. Sem alternativa os diretores foram embora pensando em arranjar um local apropriado para o descanso do Mestre naquela oportunidade. No dia combinado, quando Meishu-Sama chegou ao Templo Murou, acompanhado de sua comitiva, o Bonzo responsável foi recepcioná-lo vestido cerimoniosamente e além de encaminhá-lo ao salão nobre limpo e arrumado, tratou-o com a maior gentileza possível.

Comemoração provisória da Vinda do messias. Nesse dia, o estado de Meishu- Sama não era bom, tendo ele subido ao Altar com muito custo e ajudado por terceiros. Como ficaram sabendo que poderiam encontrá-lo, depois de dois meses sem vê-lo, os fiéis ali se reuniram em número superior a dez mil, provenientes de todo o país. Era a primeira vez que o Mestre aparecia em público desde o início de sua purificação. Estava todo vestido de branco e fez uma saudação bem simples. Nessa oportunidade, o presidente da Igreja Õkussa Naoyoshi, comunicou aos presentes a deliberação de chamá-lo dali em diante pelo nome de Meshia-Sama (Messias) e não mais de Meishu-Sama. Após dois meses de purificação, o Mestre sentira-se firmemente convicto de que era hora de mostrar abertamente a Verdade, ou seja, que ele viera ao mundo com a missão de salvá-lo. Achou que os fenômenos misteriosos representados pelas linhas que lhe apareceram na mão e pela mudança observada em seu cabelo indicavam a chegada desse momento. Assim nos dois messes que sucederam a Comemoração Provisória da Vinda do Messias, revelou a toda a sociedade o advento do Salvado do Mundo, apresentando-se ele próprio como sendo o Messias. Em várias oportunidades, Meishu-Sama havia se referido ao termo

―Messias‖. Na entrevista realizada em setembro de 1948, por exemplo, dissera em resposta a uma pergunta: ―Esta palavra é hebraica e por isso é um pouco difícil de ser entendida em japonês. Significa “Senhor da Salvação”, mas, na verdade, ele é

o Senhor da Redenção, o que é bem diferente de Senhor da Salvação do Mundo.

Redentor é aquele que redimiu os pecados de todos os povos, tornando-se representante desses pecados, sacrificou sua vida para ser perdoado, e sim o que perdoa. Bem darei maiores explicações com o passar do tempo”.

Essa interpretação na qual nenhum especialista em judaísmo e cristianismo chegara a pensar era resultado de uma assimilação total do significado do termo. Com base na convicção de que o Mestre era o Messias, nossa Igreja, durante certo tempo foi denominada Igreja Messias Mundial. Ainda a propósito do assunto Meishu-Sama referiu-se diversas vezes ao oratório intitulado ―Messias‖ da autoria de Hendel, compositor alemão (1685-1759). É desnecessário dar maiores esclarecimentos a respeito dessa música, pois se trata de uma obra mundialmente famosa, mas dizem que no primeiro concerto em que ela foi executada o Rei da Inglaterra tirou o chapéu, gesto que, a partir daí, se tornou uma tradição. Outra composição a que o Mestre não poupava elogios é o conhecidíssimo coral ―Aleluia‖ sobre o qual dizia: “Foi preparado por Deus”. Aliás, ele chegou a instalar um ―Box‖ de orquestra dentro do Templo Messiânico, para a realização de concertos. Depois de Meishu-Sama passou a ser chamado de Messias suas orientações diárias tornaram-se ainda mais rigorosas. Assim que entrou em purificação ele falou a um dedicante: ―Daqui para frente será o Mundo do Espírito,

o Mundo do Pensamento. Enquanto o corpo físico está em movimento, a ação é

limitada. É quando o corpo já não se move que dá para se fazer um grande trabalho”. Nessa época, frisou repetidas vezes que os fiéis deveriam voltar seus corações para ele, procurando captar seu sentimento.

 

Meishu-Sama sempre fora rigoroso em relação às faltas cometidas pelos

dedicante, tais como mentir, mistificar e transferir a responsabilidade dos erros

para outrem.

Após a purificação, entretanto, seu rigor tornou-se ainda maior, ele

chamava a atenção e repreendia até as falhas mais insignificantes. E agia assim não só com os servidores, mas, também com Yoshi a quem dava orientações bastante severas.

A Purificação determinada por Deus

Após a Cerimônia de Comemoração Provisória da Vinda do Messias, realizada no dia 15 de junho, o Mestre transferiu-se para Hakone, conforme fazia todos os anos. Enquanto convalescia, ocupava o seu tempo inspecionando o andamento da construção que tanto o preocupava, apreciando as obras de arte, etc. Como tinha dificuldade de caminhar, usava uma cadeira de rodas, e todos os dias, ao entardecer dava uma volta pela Terra Divina e pelo Museu, o que era uma grande alegria para ele. Na época todos os locais onde havia degraus de pedra foram forrados com tábuas, para que a cadeira de rodas pudesse passar com facilidade. Os musgos enviados pelos fiéis de todo o Japão haviam criado raízes firmes e o Jardim dos Musgos muito original sem outro que o igualasse já estava concluído. Do outro lado dos trilhos do bondinho que parte de Gora, no local denominado Colina Kõmyo começara-se a preparar o terreno para construir o santuário fundamental da nossa Igreja o Santuário da Divina Luz. Devido às dores que sentia e a falta de apetite, Meishu-Sama estava abatido, mas seu entusiasmo pela Obra Divina era maior do que antes. Da cadeira de rodas, dirigia seu aguçado olhar para todos os cantos e continuava dando orientações precisas. Depois que se transferiu para Hakone esteve um pouco melhor durante algum tempo, chegando mesmo a dar alguns passos no Palácio da Luz do Sol. Entretanto a alteração de seu estado era muito acentuada. Por diversas vezes ele perdeu totalmente o apetite e foi acometido de dores violentas. Numa dessas crises, chamou Yoshi e lhe disse: “Se eu continuar como estou, sem conseguir comer em breve deixarei este mundo ” Nessa época mesmo quando estava passando mal, o Mestre examinava diariamente as obras de arte, escolhendo ele mesmo aquelas que seriam expostas. Durante sua convalescença em Hakone, Meishu-Sama ficou instalado na Casa de Contemplação da Montanha. Certo dia, apontando para o local onde estão atualmente os Sepulcros Sagrados, comentou: ”Em breve estarei residindo ali para sempre”. Imaginando simplesmente que talvez ele pretendesse construir uma casa nova naquele local, o dedicante que estava ao seu lado não teve a menor preocupação. É muito provável, entretanto, que nessa hora ele estivesse pressentindo que ia morrer. Não seria por isso que apressava a Obra Divina esforçando-se para inspecionar as obras apesar do estado em que estava, a para ler diariamente os relatórios sobre a situação da Igreja e da sociedade? Entre o verão e o outono de 1954, enquanto Meishu-Sama descansava em Hakone, começaram a correrem diversos boatos. No inicio de setembro, os jornais publicaram notícias sobre sua morte. Boates geravam boatos, tudo indicando que a situação não ia parar ali. Assim que ele retornou a Atami, preocupado com os fiéis convidou representantes dos jornais ―Assahi‖ ―Maintini‖ ―Yomiuri‖ e jornais da cidade e deu-lhes uma entrevista no dia 9 de novembro, desfazendo todas as dúvidas. Entretanto, o estado de saúde do Mestre que parecia relativamente melhor no inicio do verão, não se apresentava muito bom no dia da entrevista. No dia 3 de novembro, logo depois que ele voltou para Atami, consta, em seu diário, o seguinte registro, feito por um dedicante: ―Total falta de apetite por volta das 10h eu pedi a minha esposa que chamasse sua tia, pois queria conversar com ambas, inclusive sobre questões relativas a testamento”. Anteriormente, por ocasião de algumas entrevistas com os fiéis, o Mestre suportara dores de dente muito fortes, mantendo diante deles a atitude de sempre. Durante a entrevista com a Imprensa naquele dia em plena purificação ele não

deu a menor mostra do que estava sentindo, tendo posado sorridente para as câmeras. Agiu assim para não preocupar as pessoas e especialmente, pelo zelo de não se tornar um empecilho para o andamento da Obra Divina.

O Palácio de Cristal e a Luz da Coluna

da Obra Divina. O Palácio de Cristal e a Luz da Coluna Interior do Palácio de

Interior do Palácio de Cristal no dia 11 de dezembro de 1954 Para entrevista do Mestre com os dirigentes da Igreja

O Palácio de Cristal começou a ser construído no dia 17 de setembro de 1954. Como Meishu-Sama quis apressar-lhe a conclusão a obra foi realizada dia e noite e em menos de três meses em cima do Monte Paisagem tendo abaixo a Colina das Azaléias, erguia-se uma construção toda peculiar, com o formato da metade de uma esfera. Daí tem-se um panorama maravilhoso podendo avistar como se estivéssemos vendo um quadro à magnífica paisagem que se estende da Baía de Atami até o longínquo Izu. Sagami e Bõsso.

“O mundo onde não é possível Ocultar nenhum crime ou pecado Chama-se Mundo Cristalino”

No poema transcrito o Mestre referiu-se ao Mundo Ideal com a expressão ―Mundo Cristalino‖ por ser o cristal um corpo que não possui impurezas. Pela mesma razão deu ao prédio concluído no dia 11 de dezembro o nome de Palácio de Cristal, tornando-o como símbolo do Mundo Ideal.

O TÃO ANSIADO POTE DE GLICÍNIAS

Palácio de Cristal, tornando-o como símbolo do Mundo Ideal. O TÃO ANSIADO POTE DE GLICÍNIAS Está

Está no Tesouro Nacional

Em 7 de fevereiro, a purificação de Meishu-Sama intensificou-se. Sentindo dores violentas, ele passou o dia inteiro na cama, descansando. No dia seguinte, porém, como estivesse um pouco melhor, foi à Terra Celestial, sob os olhares aflitos dos dedicantes, que se preocupavam com sua saúde. Do carro, passou para as cadeiras de rodas e começou a percorrer as obras, observando o seu andamento. Era surpreendente ver a figura daquele ser que, ultrapassando as limitações do corpo físico, mais fraco a cada minuto, queria manter a liderança da construção do Solo Sagrado enquanto estivesse vivo, no ardente desejo de dar sua vida pela Obra Divina. Ao verem-no de volta ao Solar da Nuvem Esmeralda, depois da inspeção das obras, os dedicantes sentiram-se aliviados. Na tarde daquele mesmo dia, o Mestre teve a maior alegria de sua vida: chegou-lhe às mãos o Pote de Glicínias, que há muitos anos ele desejava possuir. Esse pote é uma obra de Nonomura Ninsei, ceramista que, tendo ido para Quioto no início da Era Edo, tornou-se o pai da cerâmica ―Kyõyaki‖. Ninsei era considerado um mestre de torno e, de fato, a riqueza da forma do pote é inigualável, assim como também a exuberância de seus desenhos, que mostram as glicínias em pleno florir, balançando-se ao vento num belo colorido. É realmente uma obra prima representativa desse artista. No final de 1954, assim que soube da possibilidade de adquirir o Pote de Glicínias, imediatamente Meishu-Sama firmou o propósito de comprá-lo. Entretanto, por tratar-se de uma obra-prima e estar indicado para receber a qualificação de Tesouro Nacional do Japão, seu preço não baixava de 3 milhões de ienes, quantia que a Igreja não possuía em mãos. Diante disso, Meishu-Sama resolveu abrir mão do Solar da Montanha Preciosa, em Tamagawa, propriedade que há muito tempo estava em litígio. Solucionou a questão amigavelmente e decidiu aplicar na compra do pote a quantia obtida. Quando o Pote de Glicínias foi entregue em sua casa, o Mestre estava sentado numa cadeira, olhando para o jardim. No momento em que tiraram a peça da caixa de madeira que a embalava, ele ficou admirando-a calado, com profunda emoção, parecendo saborear uma intensa alegria. À sua volta, havia um profundo silêncio. Naquela noite, quando foi dormir, Meishu-Sama colocou o pote junto à sua cabeceira. De início, estava previsto que o Pote de Glicínias só seria entregue muito depois do dia 8, mas repentinamente, por necessidade do seu proprietário, a data foi antecipada. Na tarde do dia 9, o estado de Meishu-Sama agravou-se, e ele ficou semi-inconsciente. Assim, se o pote tivesse chegado um dia depois, ele não teria podido colocar ao seu lado essa obra prima pela qual esperara durante tanto tempo, nem teria tido o prazer de acariciá-la. Após a ascensão do Mestre, considerando um grande milagre a chegada do pote às suas mãos enquanto ele ainda estava com vida, às pessoas que fizeram as negociações disseram: “Que bom que ele tenha chegado a tempo! Que bom que Meishu-Sama tenha tido essa alegria!”.

A ascensão de Meishu-Sama

Na noite do dia 8 de fevereiro, o Mestre adormeceu muito contente, mas, pela madrugada, começou a se sentir mal e daí em diante não conseguiu dormir direito.

Na tarde do dia 9, depois de ter dado instruções sobre a construção em Atami e também sobre a reforma do anexo do Museu de Arte de Hakone e a preparação de sua reabertura, ele foi para a sala de visitas, onde ficou muito tempo olhando fixamente para as velhas ameixeiras vermelhas e brancas, que estavam em pleno florir, e para as flores de cerejeiras ―hikan‖. No silêncio do Solar da Nuvem Esmeralda, em cujo jardim batia o fraco sol do início da primavera, que estaria pensando Meishu-Sama enquanto apreciava as flores? Pensaria na sua

vida atribulada que teve início num ponto de Assakussa? Ou no futuro da Obra Divina, que deveria continuar avançando firmemente, mesmo depois que ele não estivesse mais neste mundo? Eis um enigma indecifrável até mesmo para os parentes que estavam ao seu lado. A última crise do Mestre teve início exatamente nesse momento. Ele falou que estava sentindo algo anormal no peito e, quase carregado pelos dedicantes, foi levado para o quarto. Deitado na cama dormia, acordava e voltava a dormir. Nesse ínterim, vez por outra, falava com Yoshi e com Rei, que estavam cuidando dele, mas suas palavras foram ficando cada vez mais espaçadas. No amanhecer do dia 10, Meishu-Sama entrou em coma. Desde a noite anterior, o presidente Õkussa e os demais diretores permaneciam reunidos à sua cabeceira, orando pelo seu restabelecimento, mas, às 15h33m desse dia, ele encerrou sua vida de setenta e dois anos.

A notícia chocante

Pela manhã, como o Mestre continuava em perigo de vida, tinham-se enviado telegramas a todos os dirigentes de Igreja do país, com a seguinte mensagem: ―Venha urgente à Sede‖. Recebendo esses telegramas e imaginando o que havia acontecido, todos eles pegaram condução apressadamente, rumo a Atami. A ascensão de Meishu-Sama foi anunciada aos órgãos de comunicação, pelo presidente Õkussa Naoyoshi, às 18h do mesmo dia, sendo transmitida ao país inteiro no noticiário das 19h. Prestando atenção às notícias, um dirigente que sentia o seu coração angustiado desde o recebimento do telegrama e ainda estava na estação do local onde fazia difusão, inesperadamente ouviu o nome da Igreja Messiânica. Sentindo como que uma facada no peito, aguçou os ouvidos. Escutou, então, a triste notícia da ascensão do Mestre. Disse a si mesmo que aquilo era um boato, mas, pensando que talvez fosse verdade, empalideceu, suas pernas começaram a tremer, e ele ficou sem ação. Tristonhos, os fiéis que estavam com ele também não disseram uma só palavra. As lágrimas rolavam de seus olhos sem parar, e eles não sabiam o que fazer. Uma dirigente de Igreja que, casualmente, foi ao escritório de Atami naquele dia, sem saber de nada, encontrou todo mundo triste e desanimado. Apesar disso, ela não imaginou que havia acontecido o pior, e perguntou a um dos presentes como estava passando Meishu-Sama. Quando ouviu a resposta desatou a chorar. Os fiéis reagiram das formas mais diversas. Ao tomarem conhecimento da triste ocorrência, tinham uma reação de dor, e não apenas de tristeza, e seus corações ficavam sombrios. Os que acreditavam que o Mestre era eterno, como um ser que havia superado a morte, jamais poderiam supor que teriam de enfrentar sua ascensão. No dia 11, apesar de ser fevereiro, o mês mais frio no Japão, o corpo de Meishu-Sama permanecia quente, e seus braços e pernas ainda estavam macios. Os dedicantes hesitavam em colocá-lo no caixão, pensando que a qualquer momento ele iria reviver e abrir os olhos.

Dedicação em prantos

Ante o inesperado acontecimento, os diretores da Igreja realizaram, na mesma noite, uma reunião de emergência e, seguindo a vontade do Mestre, acolheram Yoshi como Segunda Líder Espiritual. Nessa reunião ficou decidido realizar o Culto de Sepultamento no dia 17 de fevereiro e construir o Sepulcro Sagrado na Terra Divina de Hakone, para aí enterrar o corpo de Meishu-Sama. Mais tarde, soube-se que, misteriosamente, o local escolhido coincidia com o lugar onde ele dissera a alguns discípulos e dedicantes que deveria ser construída sua morada eterna. Tomando conhecimento de que, em 1954, no seu último verão em

Hakone, ele dissera a um dedicante que, em breve, estaria residindo ali para sempre, as pessoas relacionadas àquela decisão novamente foram tocadas pela sensação de mistério.

A construção do sepulcro e o sepultamento

A construção do sepulcro foi considerada uma obra milagrosa realizada

pelos dedicantes, que, erguendo-se da tristeza, trabalharam dia e noite para terminar o trabalho a tempo do Culto de Sepultamento, o qual seria realizado dali a uma semana. Situada dentro do Parque Nacional Fuji-Hakone-Izu, a Terra Divina é

também uma região paisagística. Por isso, era proibido construir sepulturas no local e enterrar corpos sem cremar. Mas esse difícil problema também foi vencido milagrosamente, graças ao ardoroso empenho dos discípulos. Quem se empenhou mais intensamente para obter a compreensão do governo do Estado de Kanagawa, foi Isihara Torayoshi, que, mais tarde, ocupou o cargo de conselheiro. Anteriormente, ele trabalhara na sede da delegacia daquele Estado e tinha muitos conhecidos nesse setor. Quando era chefe da delegacia do Estado de Hiroshima, Ishihara sofria com os sintomas da radiação causada pela bomba atômica, mas

fora salvo por intermédio do Johrei, tornando-se fiel. Graças à sua atuação e a de outros discípulos, o ―Pedido de Construção de Cemitério Privado‖, entregue no dia 12, foi deferido oficialmente no dia 15.

A obra teve início com o desmatamento e o aplainamento do terreno.

Derrubou-se o aclive acentuado e aterrou-se a parte baixa, para aí se construir uma sepultura redonda constituída de três camadas, respectivamente com 12,7m, 11m e 9m de diâmetro. Na época, os integrantes do Grupo de Dedicação não chegavam a cem, mesmo juntando os de Hakone e os de Atami; além disso, entre eles também havia mulheres, de modo que, na realidade, era uma obra impossível de ser realizada em número tão limitado de dias. Recorreu-se, então, a uma firma construtora; entretanto, ao ser-lhe apresentado o projeto e mostrado o local da construção, ela recusou o serviço, dizendo que não poderia terminá-lo dentro do

tempo estipulado. Obviamente, a situação não permitia adiamento do prazo, sendo, portanto, necessário realizar o trabalho com a força dos fiéis. Pediram-se dedicantes nas Igrejas mais próximas, e, até que todos os preparativos ficassem prontos e a obra fosse iniciada, já era dia 14. Mas, tão logo ela teve início, foi efetuada sem interrupção. Durante o dia, todos trabalhavam e, à noite, faziam revezamento a cada duas ou três horas.

O inverno de Hakone é rigoroso, e, à noite, faz frio a ponto de se sentir os

ossos congelados. Entretanto, a tristeza superava a baixa temperatura, e a dor no coração era maior que a dor causada pelo frio, o qual penetrava na pele. Alguns dedicantes, carregando terra e usando pás, relembravam a figura e a voz do Mestre e não conseguiam reprimir os soluços. Na hora do descanso, tanto os fiéis como os profissionais tiravam um cochilo com a roupa de serviço mesmo e, na hora do revezamento, acordavam e recomeçavam a trabalhar. Soma Naoji e outras pessoas encarregadas da obra não tinham tempo sequer para tomar banho, fazer a barba ou trocar de roupa, ficando realmente sem dormir e descansar. Devido ao frio e ao excesso de trabalho, o desgaste físico era intenso; por isso, todos aqueciam o corpo tomando água quente com açúcar, feijão doce com caldo, engoliam ovos crus, a fim de ganharem força. Se, por um acaso, chovesse ou nevasse, a terra ficaria enlamaçada, o que dificultaria muito o serviço. Entretanto, naqueles quatro dias, felizmente quase não choveu nem nevou, de modo que a obra pôde ser desenvolvida conforme fora programada.

Relembrando a época, Soma Naoji disse, comovido: ―Trabalhamos realmente sem dormir e sem descansar. Quando penso naqueles dias, fico atônito, sem saber como pudemos agüentar. Até nós, que executamos a tarefa, não conseguimos acreditar quando ela ficou pronta. Ao lembrar-me daquele momento, não posso conter as lágrimas. ‖O Sepulcro Sagrado foi construído pelas mãos de 1200 dedicantes e 555 profissionais, em pouco mais de três dias, iniciando-se no dia 14 e terminando na manhã do dia 17. Originariamente, ele era formado de três camadas de terra e não estava revestido com as pedras que o revestem hoje. À sua volta, não existiam as calçadas de pedra nem os gramados que existem atualmente, mas apenas alguns pinheiros altos e velhos, que ainda se erguem no local e em volta de cujas raízes só havia montes de terra preta.

O sepultamento

raízes só havia montes de terra preta. O sepultamento O Mestre descansando eternamente no Sepulcro Sagrado

O Mestre descansando eternamente no Sepulcro Sagrado

No dia 17 de fevereiro, às 2h da madrugada, apesar da temperatura abaixo de zero, um grande entusiasmo envolvia os últimos momentos da obra. Nessa mesma madrugada, no Solar da Nuvem Esmeralda, em Atami, com as ameixeiras vermelhas e brancas sobressaindo na escuridão da noite e o perfume do incenso pairando silenciosamente no ar, realizou-se um Ofício Religioso diante do ataúde do Mestre. Sob a liderança de Yoshi, que havia sucedido a ele como Segunda Líder Espiritual, a Oração Amatsu-Norito foi entoada serenamente. Ao término da cerimônia, com todo sentimento, os presentes depositaram flores no ataúde, e, em seguida, este foi carregado nos ombros por dez pessoas e colocado no carro funerário, atravessando a cidade rumo ao Templo Messiânico, quando ainda não tinha amanhecido. No Templo Messiânico, os preparativos para o Culto de Ascensão já estavam prontos. No palco, onde fora pendurada uma foto de Meishu-Sama em tamanho real, e de ambos os lados da nave, havia mais de cem coroas de flores, enviadas pelo ministro da Educação e Cultura, pelo ministro da Agricultura e Florestamento e por outras pessoas. Os fiéis, que tinham começado a chegar à noite, elevavam-se a mais de dez mil na hora do culto, lotando até o espaço externo do templo. Naquela época, ainda não existiam poltronas no interior da nave, e os participantes ficavam todos de pé; apesar disso, não havia espaço nem para as pessoas se moverem. A cerimônia teve início às 9h, com o som grave dos instrumentos musicais. Quando a oração do Culto de Ascensão começou a ser entoada, todos, a cada palavra que era dita, começaram a relembrar a figura do Mestre. Aqui e ali se ouviam soluços abafados, que foram se multiplicando e

ecoando pelo templo como o barulho das ondas, quando a maré está subindo. A seguir, foram apresentadas palavras de condolências por altas personalidades

representativas do mundo religioso, político, financeiro, artístico e cultural, entre elas Miki Tokutika, líder da Entidade Religiosa P.L. Em seguida, foram lidos os telegramas enviados à Igreja. Lamentando imensamente a ascensão de Meishu- Sama, o presidente da Comissão de Preservação do Patrimônio Cultural, Takahashi Seitirõ, enviou as seguintes palavras: “Expresso o meu mais profundo respeito em relação ao trabalho por ele executado não só instituindo como se dedicando à Fundação Tomei de Preservação da Arte, para preservar as belas- artes japonesas, e também, dirigindo o Museu de Arte de Hakone, atividade através da qual ele divulgou o patrimônio cultural do país e contribuiu para a elevação da cultura. Eu tinha grandes expectativas de uma contribuição ainda mais longa de sua parte, de modo que expresso respeitosamente meu profundo sentimento pela sua súbita passagem e minha mais elevada consideração. “Através das palavras dos participantes” e dos telegramas enviados, as pessoas presentes ao Culto de Ascensão sentiram mais uma vez o grandioso trabalho realizado pelo Mestre, o qual abrangia não apenas o aspecto religioso, mas vários outros aspectos da cultura, inclusive o artístico. Quando a leitura dos telegramas terminou, Yoshi, a Segunda Líder Espiritual, com uma vestimenta funerária de cor branca, fez o Ofertório de Gratidão. Sua figura mostrava a tristeza de ter perdido aquele que era seu Mestre e esposo, mas revelava a firme decisão de vencer a dor

e prosseguir o trabalho que ele havia deixado. Às 11h, o ataúde foi novamente

levado para o carro funerário, que acompanhado por um carro-guia e seguido por mais de trinta veículos, passou por Odawara e rumou para Gora, em Hakone. Imediatamente após a chegada àquele local, foi realizado solenemente o Culto de Sepultamento, frente ao Sepulcro Sagrado, que acabava de ser concluído. No

Sepulcro Sagrado, havia uma abertura lateral voltada para o nordeste, coma entrada na direção sudoeste. Como que deslizando, o ataúde foi sendo colocado vagarosamente no fundo dessa abertura, até ficar depositado no centro da sepultura esférica. A seguir, os familiares de Meishu-Sama, os dirigentes de Igreja

e os dedicantes que o serviam de perto foram, um a um, colocando uma pá de

terra para fechar a entrada do sepulcro. Assim, o corpo do Mestre ficou descansando eternamente nesse local, com a cabeça voltada para o nordeste e os pés para o sudoeste.

do Mestre ficou descansando eternamente nesse local, com a cabeça voltada para o nordeste e os
Hoje em dia o sepulcro de Meishu-Sama A eternidade da vida No dia 4 de

Hoje em dia o sepulcro de Meishu-Sama

A eternidade da vida

No dia 4 de outubro de 1952, Meishu-Sama dialogou, em Hakone, com Issato Tsuneatsu, vice-diretor do Departamento Científico do jornal Yomiuri: Apenas o senhor possui essa bola de Luz? Exatamente. Sendo assim, caso

daqui a uns cem anos o senhor venha a partir para o Mundo Espiritual, ela passará

Pelo contrário. Eu irradiaria a Luz do Mundo Espiritual. E seria

melhor ainda, pois o corpo físico atrapalha. Assim, nesse diálogo, o Mestre disse claramente que, embora viesse a ascender, continuaria a enviar Luz aos fiéis, e até com mais intensidade.

a não existir

A Mão que Salva o Mundo Um fotógrafo tirou quando ministrava Johrei Trabalhava sempre alegre
A Mão que Salva o Mundo Um fotógrafo tirou quando ministrava Johrei Trabalhava sempre alegre
A Mão que Salva o Mundo Um fotógrafo tirou quando ministrava Johrei Trabalhava sempre alegre
A Mão que Salva o Mundo Um fotógrafo tirou quando ministrava Johrei Trabalhava sempre alegre

A Mão que Salva o Mundo Um fotógrafo tirou quando ministrava Johrei

Salva o Mundo Um fotógrafo tirou quando ministrava Johrei Trabalhava sempre alegre para os trabalhos apresentarem

Trabalhava sempre alegre para os trabalhos apresentarem bom resultados

sempre alegre para os trabalhos apresentarem bom resultados Em 13 de junho de 1952 preparando as

Em 13 de junho de 1952 preparando as peças que seriam para inauguração do Museu

preparando as peças que seriam para inauguração do Museu Material de caligrafia Kannon de mil braços

Material de caligrafia Kannon de mil braços

do Museu Material de caligrafia Kannon de mil braços Caligrafando uma imagem da Luz Divina Admirador

Caligrafando uma imagem da Luz Divina

Kannon de mil braços Caligrafando uma imagem da Luz Divina Admirador da Beleza No jardim apreciando

Admirador da Beleza

Caligrafando uma imagem da Luz Divina Admirador da Beleza No jardim apreciando a beleza como forma

No jardim apreciando a beleza como forma de elevar o espírito

jardim apreciando a beleza como forma de elevar o espírito Tomando chá. Importante para o equilíbrio

Tomando chá. Importante para o equilíbrio da saúde

Tomando chá. Importante para o equilíbrio da saúde Na terra Divina em Hakone em 1950 Inspecionando

Na terra Divina em Hakone em 1950

o equilíbrio da saúde Na terra Divina em Hakone em 1950 Inspecionando o trabalho em Hakone

Inspecionando o trabalho em Hakone

Divina em Hakone em 1950 Inspecionando o trabalho em Hakone Pregando ensinamentos em 1948 em uma

Pregando ensinamentos em 1948 em uma entrevista

em Hakone Pregando ensinamentos em 1948 em uma entrevista Tiradas para fotos do altar escolhido por

Tiradas para fotos do altar escolhido por ele para esse propósito

Após a velhice nascendo cabelos pretos A primeira sessão humorística organizada por ele na Associação

Após a velhice nascendo cabelos pretos

Após a velhice nascendo cabelos pretos A primeira sessão humorística organizada por ele na Associação Ministrando

A primeira sessão humorística organizada por ele na Associação

sessão humorística organizada por ele na Associação Ministrando Johrei Ministrando Johrei em uma criança Andava

Ministrando Johrei

organizada por ele na Associação Ministrando Johrei Ministrando Johrei em uma criança Andava muito bem

Ministrando Johrei em uma criança

Ministrando Johrei Ministrando Johrei em uma criança Andava muito bem Compondo sátiras vestido
Ministrando Johrei Ministrando Johrei em uma criança Andava muito bem Compondo sátiras vestido

Andava muito bem

Compondo sátiras

vestido

humorísticas

muito bem Compondo sátiras vestido humorísticas Um homem singelo Subindo a colina íngreme de Hakone 2

Um homem singelo

sátiras vestido humorísticas Um homem singelo Subindo a colina íngreme de Hakone 2 de abril de

Subindo a colina íngreme de Hakone

Um homem singelo Subindo a colina íngreme de Hakone 2 de abril de 1950 era chamado

2 de abril de 1950 era

chamado pelos alunos de Daí Sensei (Grande Mestre)

1950 era chamado pelos alunos de Daí Sensei (Grande Mestre) 1ª Sessão de julgamento em 11

1ª Sessão de julgamento em 11 de outubro de 1950

Mestre) 1ª Sessão de julgamento em 11 de outubro de 1950 Ministrando Johrei após a uma

Ministrando Johrei após a uma entrevista no Palácio do Sol em 1953

Johrei após a uma entrevista no Palácio do Sol em 1953 Culto de Primavera em 4

Culto de Primavera em

4 de fevereiro de 1954

onde se deu o último

encontro com seus discípulos

de 1954 onde se deu o último encontro com seus discípulos Cuidando de um doente Meishu-Sama

Cuidando de um doente

último encontro com seus discípulos Cuidando de um doente Meishu-Sama e sua esposa em frente ao

Meishu-Sama e sua esposa em frente ao prédio Nonkai no Templo Nihon na Montanha Nokoguiri

ao prédio Nonkai no Templo Nihon na Montanha Nokoguiri Quando tirou uma foto e estava ao

Quando tirou uma foto e estava ao fundo a imagem de Kannon de mil braços

uma foto e estava ao fundo a imagem de Kannon de mil braços Pintando imagens de

Pintando imagens de Kannon no Fukimi Tei (Solar de Contemplação do Monte Fuji)

U m a p e s s o a t r a n q ü

Uma pessoa tranqüila

U m a p e s s o a t r a n q ü i

Corrigindo textos de seus ensinamentos ditados aos discípulos

textos de seus ensinamentos ditados aos discípulos Revisando um texto Entrevista na sede provisória de Sakimi

Revisando um texto

seus ensinamentos ditados aos discípulos Revisando um texto Entrevista na sede provisória de Sakimi Cuidando de

Entrevista na sede provisória de Sakimi

Revisando um texto Entrevista na sede provisória de Sakimi Cuidando de Camélias em Hakone Consultando livros

Cuidando de Camélias em Hakone

sede provisória de Sakimi Cuidando de Camélias em Hakone Consultando livros de arte na casa de

Consultando livros de arte na casa de chá Monte e Lua

de arte na casa de chá M o n t e e L u a Casamento

Casamento com Yoshi no Grande Santuário de Hibiya em 1919

a Casamento com Yoshi no Grande Santuário de Hibiya em 1919 Cerimônia Provisória da V i

Cerimônia Provisória da Vinda do Messias

Provisória da V i n d a d o M e s s i a s

Palestrando no Hibiya Public Hall em 22 de maio de 1951

a s Palestrando no Hibiya Public Hall em 22 de maio de 1951 Caligrafando imagens da

Caligrafando imagens da Luz Divina

em 22 de maio de 1951 Caligrafando imagens da Luz Divina No topo do monte Fuji

No topo do monte Fuji com sua esposa e mais 11 acompanhantes

No topo do monte Fuji com sua esposa e mais 11 acompanhantes Lendo Penitência: Suportar com

Lendo

do monte Fuji com sua esposa e mais 11 acompanhantes Lendo Penitência: Suportar com paciência as

Penitência: Suportar com paciência as dívidas e controlar a ira

Suportar com paciência as dívidas e controlar a ira Cuidando do Jardim Mestre e os componentes

Cuidando do Jardim

paciência as dívidas e controlar a ira Cuidando do Jardim Mestre e os componentes do grupo

Mestre e os componentes do grupo Juikai no Santuário Isse comemorando seu aniversário

e os componentes do grupo Juikai no Santuário Isse comemorando seu aniversário Atendendo convidados no Museu

Atendendo convidados no Museu de Hakone

Junto a plantação de milho no Jardim de Hozan-So Com sua esposa Nidai- Sama Com

Junto a plantação de milho no Jardim de Hozan-So

Junto a plantação de milho no Jardim de Hozan-So Com sua esposa Nidai- Sama Com sua

Com sua esposa Nidai- Sama

de milho no Jardim de Hozan-So Com sua esposa Nidai- Sama Com sua esposa apreciando cerejeiras

Com sua esposa apreciando cerejeiras

sua esposa Nidai- Sama Com sua esposa apreciando cerejeiras Inspeção de Obras no Templo Messiânico N

Inspeção de Obras no Templo Messiânico

cerejeiras Inspeção de Obras no Templo Messiânico N o T e m p l o Na

No Templo

de Obras no Templo Messiânico N o T e m p l o Na passarela do

Na passarela do trevo em sua casa - Hakone

T e m p l o Na passarela do trevo em sua casa - Hakone Foto

Foto tirada nas proximidades do Atual Templo Messiânico é o 4º da esquerda p/ direita

do Atual Templo Messiânico é o 4º da esquerda p/ direita Em uma palestra Com sua

Em uma palestra

Messiânico é o 4º da esquerda p/ direita Em uma palestra Com sua esposa escolhendo tecido

Com sua esposa escolhendo tecido na loja Mitsukoshi

palestra Com sua esposa escolhendo tecido na loja Mitsukoshi Com sua família (mulher e seis filhos)

Com sua família (mulher e seis filhos) no Fukimi-Tei *

Com sua família (mulher e seis filhos) no Fukimi-Tei * C a l i g r

Caligrafando

Com sua família (mulher e seis filhos) no Fukimi-Tei * C a l i g r

Palestra no Hibiya Public Hall

* Nome dos filhos: da direita para esquerda Mihomaro, Shigueyoshi, kunihiro, Itisuki, Miyako e Mitiko

2ª PARTE

LIVRO LUZ DO ORIENTE A EXPRESSÃO LUZ DO ORIENTE

Creio que a expressão ―Luz do Oriente‖ surgiu há uns dois mil anos, em determinada parte da Europa, tendo se propagado gradativamente a ponto de hoje não existir quem a desconheça. Até agora, no entanto, por ignorância do seu verdadeiro significado, ela continua envolvida em mistério. Assim, gostaria de mostrar o que realmente significa essa expressão. Indiscutivelmente, ―Luz do Oriente‖ era uma predição relacionada a minha pessoa. Não haverá quem não se espante ao tomar conhecimento dessa verdade, e poucas pessoas conseguirão aceitá-la de imediato. Por isso, tentarei me explicar melhor, apresentando provas reais do que estou dizendo. A primeira prova é o local onde nasci e o trajeto das mudanças que fiz. Nasci num bairro pobre, antigamente denominado Hashiba, situado em Assakussa, na cidade de Tóquio. O país chamado Japão, como todos sabem, localiza-se no extremo leste do globo terrestre, acrescente-se que Tóquio é uma cidade do leste do Japão. O leste de Tóquio é Assakussa, cujo leste, por sua vez é Hashiba, o bairro ao qual me referi há pouco. A leste desse bairro está o rio Sumida. Assim, Hashiba é realmente o leste do leste; em termos mundiais, é o extremo leste do mundo. Aos oito anos, fui morar no bairro de Senzoku, a oeste de Hashiba; mais ou menos na época em que conclui o curso primário, mudei-me para o bairro de Naniwa, em Nihon0bashi, e em seguida, para Tsukiji, em Kyô-bashi; depois fui para os bairros de Ôi e Õmori, ambos em Ebara; mais tarde, me transferi para Kõji e a seguir para Tamagawa, onde existe, atualmente o Solar da Montanha do Tesouro. Posteriormente, dando um salto bem grande me mudei para Hakone e Atami, e agora, para Quioto. Assim, troquei de residência dez vezes e dessas mudanças, excetuando-se o bairro de Kõji, nove foram para o oeste. Naturalmente daqui em diante a Luz do Oriente avançará cada vez mais para o oeste; um dia, é óbvio chegará a China e finalmente a Europa. Analisando os diferentes aspectos da cultura japonesa até o presente momento, constatamos que todos eles nasceram no oeste e foram se expandindo em direção do leste. Entre as religiões, o budismo, incluindo todas as suas ramificações, o cristianismo e o xintoísmo este último, originário do Japão nasceram no oeste e foram se propagando para o leste. A religião budista Nitiren foi a única que nasceu no leste. E isso tem uma profunda razão de ser. Vejamos:

O budismo, como tenho dito, foi criado para promover a salvação das criaturas na Era da Noite, isto é, o período em que o mundo era protegido pela Deusa da Lua. Entretanto, como tudo ocorre primeiramente no Mundo Espiritual, chegando a época apropriada a mudança para a Era do Dia, iniciou-se naquele mundo, há setecentos anos o primeiro estágio do alvorecer. Foi por isso que nasceu Nitiren Shõnin. Crendo em Buda, assim que terminou seus primeiros aprimoramentos ele tomou a decisão inabalável de se dedicar a divulgação do sutra ―Hoke‖ pregado pelo Mestre. Primeiramente foi a Awa sua terra natal e escalando o Monte Kiyossumi, próximo ao mar, entoou em voz alta no momento em que o Sol estava para nascer, às palavras: ―Nan-myõ-hõ- ren-gue-kyõ‖ (para pedirem a Nitiren proteção e atingirem a iluminação). A partir de então, divulgou para o mundo o sutra ―Hoke‖ com todas as suas forças, enaltecendo-lhe os benefícios. Mais tarde, lutou contra inúmeras perseguições, até

que finalmente estabeleceu uma seita inabalável como é hoje a Hoke-kyõ *religião de Nitiren), que merece todo o nosso respeito. Esse grande feito de Nitiren representava o primeiro raio da Luz do Oriente. Em termos espirituais, podemos dizer que, no extremo leste do Mundo Espiritual, até então imerso nas trevas, era um brilho bem fraco e pequeno o primeiro indício de que o Sol estava para nascer. Naturalmente, isso não se evidenciava aos olhos humanos. Mas em verdade constituía uma importante realização Divina no avanço da Grande Providência. Seiscentos e tantos anos depois chegada a hora do Alvorecer no dia 15 de junho de 1931, levando trinta e poucos acompanhantes escalei o monte Kenkon (nome oficial da Montanha Nokiguiri, no estado de Tiba) situado em monte, em direção ao céu do leste, entoei uma oração. Na mesma hora, ocorreu algo misterioso. Ainda não me é permitido revelá-lo, mas significa a demarcação da mudança da Noite pra o Dia, promovida pela Providência de Deus. E o interessante

é que a leste do Monte Kenkon está localizado o Monte Kiyossumi, a uma distância

tão irrelevante que se uma pessoa chamar por outra de um dos lados, será ouvida por ela. São realmente montes irmãos. E Nihon, o nome do templo que significa ―Nascente do Sol‖, também está insinuando aquela mudança. Acima escrevi sobre a afinidade do Japão com o budismo. Quanto ao confucionismo, a moral, a sinologia, a medicina chinesa e todas as primeiras expressões da cultura japonesa foram importadas da China e da Coréia. Nos últimos tempos, foi introduzida no país a cultura ocidental de modo que a maior parte da sua cultura provém do oeste. Além da religião Nitiren, não existia nenhuma outra expressão cultural japonesa que tivesse nascido no leste. Mas agora precisamos refletir: se dessa cultura nascida no oeste, se tivesse conseguido formar um mundo ideal de paz e felicidade, que teria eu para falar? O que vemos, entretanto, é justamente o contrário. Materialmente, o importante que é a felicidade humana; não foi alcançada; e o pior é que segundo tudo indica, também não o será no futuro. Certamente todos pensam assim. No entanto, embora o homem contemporâneo não possua nenhuma esperança e viva uma vida cotidiana sem objetivos, sentindo uma intranqüilidade inexplicável, a maioria das pessoas, no íntimo, não cessa de ansiar pela luz da esperança. O centro desse desejo na realidade é a Luz do Oriente. Como podemos ver, os fundamentos da civilização seguiram uma trajetória contrária a rodem natural, o que pode ser muito bem compreendido ao observamos a Natureza: o Sol e a Lua despontam no leste e descrevem órbita em

direção do oeste. Sendo esta uma verdade eterna, o que nasce no leste representa

a própria Verdade. Assim, posso afirmar com toda segurança que as pessoas que

acreditarem em minhas palavras, procedendo em conformidade com elas, conseguirão obter a verdadeira felicidade. Em resumo: eu purificarei toda a água turva impelida do oeste para o leste, devolvê-la-ei pura e construirei um mundo límpido como o cristal.

(Jornal Eikõ, nº 182, 12 de novembro de 1952)

MINHA HISTÓRIA

Introdução

Atualmente, mais de metade das pessoas do mundo inteiro professam

alguma fé religiosa. A grande maioria segue uma das três religiões: o cristianismo,

o islamismo ou o budismo, fundadas respectivamente, como todos sabem, por Jesus Cristo, Maomé e Sakyamuni.

O principal meio de divulgação empregado por esses religiosos foi a

palavra escrita e oral, fundamentada em seus ensinamentos: parece mesmo que não se utilizaram de nenhum outro método. O meu caso, porém, é totalmente diferente. Tal como essas religiões, também temos ensinamentos, mas eles constituem apenas um dos nossos meios de divulgação e no seu conjunto, abrangem todos os aspectos da cultura necessários a vida humana. Pretendemos

especialmente corrigir os erros da civilização já formada e o fazemos através dos mais diversos métodos e de fatos reais.

O nosso maior objetivo é eliminar deste mundo à doença, a miséria e o

conflito. Entretanto, como sempre tenho falado sobre esse tema, não me aterei a ele aqui. Aqueles que me conhecem, cientes da grande obra de salvação por mim realizada, naturalmente gostariam de saber tudo o que for possível a meu respeito; no futuro, será incalculável o número de pessoas, no mundo inteiro, que terão o mesmo desejo. Assim, como criador do princípio do Mundo Paradisíaco, pretendo deixar para as gerações vindouras a imagem mais fiel da minha pessoa e por isso escreverei a meu respeito. Parece-me estranho que aqueles três grandes religiosos Cristo, Maomé e Sakyamuni tenham expressado suas idéias de forma tão bem elaborada, através de magníficos ensinamentos, como poder ver, por exemplo, nos oitenta e quatro mil livros relacionados ao budismo esforço esse reverenciável mas nada tenham falado a respeito de si mesmos. É como se estivessem trajados com magníficas vestes e não quisessem tirá-las; desse modo, não podemos conhecer suas impressões e confissões. Talvez eles não nos tenham revelado o seu íntimo por não terem vontade de fazê-lo, mas acho isso realmente lamentável. Quanto a mim, acontece justamente o contrário. Desejo escrever tudo a meu respeito, com todos os detalhes. Provavelmente encontrarão pontos incompreensíveis em minhas explanações, fatos que lhes parecerão verossímeis ou inverossímeis, grandes ou pequenos, claros ou obscuros, finitos ou infinitos etc. Por isso, creio que, saboreando minhas palavras, conseguirão obter a sabedoria da vida e tornar-se-ão possuidores de espírito inabalável.

Meu mistério

Acredito que desde a criação do mundo, nunca existiu pessoa tão misteriosa quanto eu. Realmente, sou misterioso em tudo. Ora, se eu próprio penso dessa forma, quanto mais as outras pessoas. Certamente ficarão como cegos, tentando captar minha imagem real. É curioso, entretanto, que nada atrai mais o interesse do homem que o mistério. E existe mistério em todas as coisas. Antropólogos pesquisam ruínas antigas e a vida dos povos primitivos para descobrir o mistério que envolve aquela época; cientistas chegam a dedicar toda a sua vida a pesquisa dos fenômenos físicos, dissecando-os e fazendo estudos especiais sobre eles, criando a partir do nada, descobrindo o átomo e tentando conhecer a teoria da transformação da matéria, para revelar esses mistérios, médicos passam a vida inteira olhando por um microscópio, dedicando-se a análise de cadáveres e experiências com animais, no objetivo de descobrir o mistério da vida; astrônomos vivem a observar o céu através de telescópios, pesquisando compenetradamente os astros, o vento, a chuva, os relâmpagos, as mudanças do tempo etc. Idêntico esforço é desenvolvido por historiadores, geógrafos e outros estudiosos. Literatos e artistas plásticos também fazem o mesmo, a fim de receberem inspiração e descobrirem o mistério da Arte. A forma difere de acordo com a especialidade, mas todos são guiados por um só desejo: desvendar o mistério.

O assunto é um pouco diferente, mas até mesmo o amor-paixão entre um homem e uma mulher se fundamenta na atração do mistério. Também é um grande mistério alguém se envolver sentimentalmente a ponto de dar fim a própria vida por não querer se separar da pessoa amada. Dessa forma, podemos dizer que a vida é uma luta incessante contra o mistério. Realmente, esse é inexplicável, quer por meio de teorias, quer por mio da lógica. Além disso, seu poder é infinito. Conseqüentemente, podemos afirmar que a condição fundamental para a cultura ter chegado ao ponto em que chegou foi a pesquisa do mistério. Mas devemos dizer que o mistério dos mistérios é a fé. O mistério da crença nos deuses supera o do amor-paixão, muito embora, hoje em dia, salvo raras exceções, não existam religiões com mistérios. Na época de sua fundação, certamente elas os possuíam em grande quantidade, mas todos eles foram desvendados com o decorrer do tempo. Em comparação, algumas religiões novas encerram muitos mistérios e por isso, embora criticadas, passaram a frente das religiões tradicionais e estão se expandindo amplamente. A diferença é semelhante a que existe entre uma moça que acabou de se casar e uma senhora casada há muito tempo. Entretanto, é claro que mesmo nas religiões novas a quantidade de mistérios varia bastante de uma para outra. Modéstia a parte não existe religião tão cheia de mistérios quanto a nossa Igreja Messiânica. Poderão comprová-lo pela rapidez com que ela está se expandindo. Como sou eu a origem desse milagre, não se pode calcular quão rico é o poder misterioso que está no meu interior. Por isso, desejo fazer com que compreendam profundamente as minhas palavras, embora seja realmente difícil explicar, porque depois de certo limite, o entendimento é proporcional ao grau de inteligência de cada um. Para que me compreendam, não há outro meio, portanto, a não ser polirem a alma e tornarem- se sábios. Farei agora uma autodissecação dos mais diversos ângulos da minha personalidade, para me revelar inteiramente.

Sou Deus ou ser humano?

Não existe pessoa tão singular quanto eu. Nos limites do que se conhece desde os tempos antigos, através das biografias de religiosos, sábios, grandes personagens etc., não há ninguém que se encaixe nos mesmos moldes. Com certeza, trata-se um fato inédito desde o início do mundo. Eu próprio quanto mais penso nisso, creio que tudo se resume numa palavra: mistério. Conseqüentemente, no futuro, quando se fizerem pesquisas sobre minha pessoa, inevitavelmente surgirão inúmeras críticas. Com esse pensamento, quero deixar retratada a minha imagem mais real. O que julgo mais interessante, ao escrever sobre mim mesmo, é a minha própria personalidade. Os mistérios que envolvem são tantos, que eu vou me analisar não só de acordo com o meu próprio ponto de vista, mas também de terceiros. Até as pessoas que têm contato comigo há mais de dez anos ainda não compreenderam realmente esses mistérios, nem mesmo minha esposa parece entender-me muito bem. Naturalmente, sou religioso, mas não sou um mestre de religião como o foram Sakyamuni ou Jesus Cristo; tampouco sou um personagem sobrenatural. Em verdade, abranjo aspectos muitos amplos. Quando jovem, nunca atentei para esse fato; tinha apenas uma leve consciência de ser um pouco diferente das pessoas comuns. A principal diferença que eu encontrava em mim é que não sentia nenhuma inclinação para adorar qualquer pessoa, fosse ela um grande personagem histórico ou qualquer outra

eminência. A verdade é que eu não julgava ninguém tão relevante a ponto de ser superior a mim. Não era pretensão nem presunção, era um sentimento que surgia naturalmente e por isso muitas vezes cheguei até sentir solidão. Outra de minhas características particulares é um forte sentimento de justiça e o dobro de ódio ao mal sentido pelas pessoas comuns. Eu sofria bastante para dominar o furor que sentia ao ler os jornais diários. Acreditava, então, que para diminuir as injustiças que se me deparavam, o melhor meio era fundar um jornal. Naquela época, uma pessoa só conseguiria abrir uma empresa jornalística se tivesse mais de um milhão de ienes, e eu tive de trabalhar bastante para obter essa quantia. Lamentavelmente, ao contraio do que esperava, acabei fracassando. No entanto, como esse fato se tornou um dos motivos que me levaram a seguir a vida religiosa, considero-o até positivo. Foi assim que ocorreu o meu ingresso na Religião Õmoto. Graças a essa religião, eu, que até então era completamente agnóstico, pude conscientizar-me profundamente da existência de Deus. Como me aconteciam surpreendentes milagres, uns após outros, é claro que meu sentimento mudou completamente, dando uma volta de cento e oitenta graus. A cada dia aumentava o número de milagres, até que finalmente recebi a revelação espiritual sobre a minha vida no passado, no presente e no futuro, além de ser investido de um poder sobre- humano e da grande missão de salvar a humanidade. Um fenômeno que achei muito curioso, nessa época, é que uma força grandiosa me manejava livremente, fazendo com que, por meio de milagres eu me encontrasse pouco a pouco com o Mundo de Deus. A minha alegria, nessas horas era irrefreável. Era uma sensação indescritivelmente profunda, nítida e elevada. Além do mais, os milagres continuavam acontecendo fatos interessantíssimos. Não sei quantas vezes cheguei a provar essas sensações num só dia. O maior de todos os milagres foi o que ocorreu em dezembro de 1925, último ano do reinado do imperador Taishõ.

(Artigo não publicado, escrito em 1952)

ESTADO DE UNIÃO COM DEUS

Desde os tempos antigos, muito se tem falado sobre pessoas que vivem em estado de perfeita união com Deus, mas eu creio que jamais existiu alguém que realmente tivesse vivido nesse estado. De fato, os três grandes religiosos Sakyamuni, Jesus Cristo e Maomé pareciam unos com Deus, mas, em verdade, eram apenas mensageiros da Vontade Divina: em termos mais claros, eram mensageiros de Deus. Dessa forma, não se sabia fazer diferença entre uma pessoa em estado de união com Deus e um mensageiro de Deus. Os mensageiros de Deus atuam através de encostos ou seguindo as determinações Divinas. Por isso, sempre rezam a Deus e pedem sua proteção. Eu, porém, não faço nada disso. Como os fiéis sabem, não oro a Deus nem lhe peço orientação. Basta que eu aja de acordo com a minha própria vontade, o que é muito fácil. Visto que poderão estranhar o que estou dizendo, por ser algo inédito, explanarei apenas os pontos que não acarretam nenhum problema. Como sempre digo, há uma Bola de Luz em meu ventre. Essa Bola é o Espírito de Deus, de modo que Ele mesmo maneja livremente meus atos, minhas palavras, tudo. Ou, seja; em mim não há distinção entre Deus e o homem. Este é o verdadeiro Estado de União com Deus. Como o Espírito Divino que habita o meu ser é o mais elevado, não existindo nenhum deus superior a este, não faz sentido reverenciar outros deuses. A melhor prova são os milagres manifestados diariamente pelos fiéis. Ora, se até os meus discípulos evidenciam milagres que

não são inferiores aos manifestados por Cristo, poder-se-á através desse único fato, imaginar a minha hierarquia divina. Acrescente-se, ainda, que todos os religiosos existentes até agora previram a concretização de um mundo paradisíaco, mas não disseram que seriam eles os construtores desse mundo. Isto porque seu nível divino era inferior, e seu poder, insuficiente. Mas eu afirmo que o Paraíso Terrestre, mundo sem doença, miséria e conflito, será construído por mim. Daqui para frente evidenciará inúmeras realizações surpreendentes, nunca vistas até agora, e por isso gostaria de que as observassem com muita atenção. Surgirão inúmeras ocorrências inconcebíveis em termos de realização humana.

(Jornal Eikõ, nº 155, 7 de maio de 1952)

NASCIMENTO DA IGREJA MESSIÂNICA

Por que foi criada a nossa igreja?

Quando analisamos a cultura moderna, que há milhares de anos a humanidade vem edificando com incansável esforço e dedicação, ficamos deslumbrados ante o seu aspecto esplendoroso e o incrível progresso que ela apresenta externamente. É desnecessário dizer que os homens da atualidade dispensam os maiores elogios a tudo isso. Entretanto, ao observamos o outro lado dessa cultura, isto é, o seu conteúdo deparamos, com algo inesperado: ele é

exatamente o contrário da parte externa. O que se opõe a esta é, naturalmente, a parte espiritual, onde não se vê nenhum progresso, a ponto de pensarmos que os homens do passado eram até superiores. No presente, se pesássemos numa balança o bem e o mal que existem no coração dos seres humanos, veríamos que, infelizmente o mal tem muito mais peso.

A influência maléfica que esse fato exerce sobre a sociedade humana é

muito maior do que poderíamos imaginar. Isso se torna bem claro ao constatarmos

que a guerra o maior dos sofrimentos humanos a doença, a pobreza, o crime,

as calamidades naturais, enfim, todas as ocorrências desagradáveis, ao invés de diminuírem, tendem até a aumentar. Assim, é estranho que a cultura espiritual não acompanhe o progresso da cultura material e as pessoas não manifestem nenhuma desconfiança a respeito; pelo contrario, vão se deixando viciar pela cultura material, incrementando-a cada vez mais. Mas por que será que os religiosos, os escolásticos, os políticos e o grande número de intelectuais existentes em todos os países não despertam para essa realidade? Dentre eles talvez haja algumas exceções, mas tais pessoas nada fazem, pois, não conhecendo os fundamentos da questão, consideram que o fato é inevitável. Parece que elas estão resignadas, achando que se trate de uma condição inata da humanidade.

O principal desejo do homem é ser feliz, e ele veio empregando toda a sua

inteligência e utilizando-se dos mais diversos meios para concretizá-lo. Mas a aspiração de um mundo ideal acabou se tornado um sonho utópico. Nesse sentido, inicialmente, a humanidade procurou apoio na Religião. Entretanto, como a possibilidade de atingir seu objetivo unicamente através da Religião tornava-se pequena, procurou alcançá-lo através do Ensino, da Moral, da filosofia e de outros meios surgidos no Oriente e no ocidente a partir do século V. No oriente, apareceram sábios como Confúcio, Meng-tzu e Chur-tzu; no Ocidente, educadores como Sócrates e filósofos como Kant, Hegel e outros. Logicamente a humanidade depositou neles suas esperanças.

A partir do século XVII, porém, começou a surgir no Ocidente a Ciência materialista e foram se promovendo revoluções gradativas em todos os setores. O progresso da tecnologia mecânica deu origem à revolução industrial e o mundo inteiro ficou encantado pela Ciência. Assim, ao invés de continuar seguindo caminhos tortuosos e longos como o da Religião e da Moral, considerou-se que para aumentar a felicidade do ser humano e construir o mundo ideal, não havia

meio mais eficiente que a cultura científica visível, palpável e comprovável. Além do mais, constatando que quanto mais adiantada é a cultura de um país, mais rico

e próspero ele é, mais armamentos possui, mais abençoada é a vida de sua

população mais ele é respeitado pelo mundo, chegando o seu poder influenciar as

nações vizinhas, os países, disputando entre si, procuraram imitá-lo. Por esse motivo, a cultura científica foi evidenciando um rápido progresso até chegar ao estágio atual. Entretanto, como a humanidade se deslumbrou demais com ela, depositando-lhe excessiva confiança, sua parte espiritual acabou ficando debilitada

e seus preceitos morais decaíram. Assim, buscando apenas as coisas visíveis, os

homens, inconscientemente, acabaram por se tornar escravos da ciência. O ser humano, que na verdade deveria dominá-la, passou a ser dominado por ela. É o que se percebe atualmente. Por esse motivo, podemos dizer que estamos a um passo da catástrofe mundial e que o futuro da humanidade corre um sério perigo. A felicidade e até o mundo ideal que eram aspirados inicial de todos os homens, foram esquecidos, não se sabe quando, tendo-se chegado a um momento em que não se vai nem para frente e nem para trás. Assim, quanto mais a cultura progride, mais o homem se distancia da felicidade. É um resultado extremamente irônico. Parece uma gangorra quando um dos lados sobe, o outro desce. Em termos mais concretos, inicialmente se tentou construir o Paraíso Terrestre com a cultura espiritual, mas, como a sua concretização parecia impossível, apelou-se para a cultura científica. Os homens avançaram com força total. Entretanto, como foi exposto anteriormente ao invés de se alcançar o Paraíso, chegou-se a um estado pior que o do próprio inferno; a iminência da destruição da humanidade, com a descoberta da bomba atômica. O fato, porém, é que, embora se tenha chegado a uma época tão perigosa como a atual, os homens ainda não despertaram, continuando a venerar a ciência materialista. Em poucas palavras, eles fracassaram recorrendo à cultura espiritual e também a cultura material, mas infelizmente ainda não se cansaram das coisas ruins. Como solucionar esse problema? A tarefa mais importante de toda a humanidade é reconhecer os erros cometidos até agora e recomeçar da estaca zero. Ou seja, a solução é formar uma cultura cruzada, que não pende nem para o espírito nem para a matéria, mas funde e iguala ambas as partes. Somente assim estará concretizado o Paraíso Terrestre. Por tudo que vimos até agora, podemos dizer que a época atual é a época da mudança da velha para nova cultura, a era da grande transição mundial a que sempre nos referimos. Será que, na história da humanidade, já foi registrada uma mudança tão grande? Em verdade, é um fato inédito. E como será essa nova cultura que ocupará o lugar da velha? Incontestavelmente, trata-se de algo que não pode ser compreendido, ainda que em pequena parcela, pela inteligência do homem contemporâneo. E quem se encarregará de criá-la? Nesse momento que estamos vivendo, independentemente de cremos ou não é imprescindível começarmos a admitir a existência do ser conhecido como Deus. Por conseguinte, darei explicações a respeito. Embora falemos simplesmente Deus, na verdade existem níveis superior, médio e inferior com inúmeras funções. Até hoje, quando se fala em Deus, pensa-se no monoteísmo cristão ou no politeísmo xintoísta. Entretanto,

ambas são visões arbitrárias. Na verdade, existe um único e verdadeiro DEUS, que se subdivide, transformando-se em vários deuses. Por isso, Ele é um e muitos ao mesmo tempo. Cheguei a essa conclusão através de longos anos de pesquisa sobre o Mundo Divino. Trata-se de um pensamento que já existia, mas parece que não se conseguiu dar maiores explicações a respeito. Até aquele Deus que veio sendo adorado como Supremo está abaixo da segunda classe. DEUS está muito além e só veio sendo venerado de longe pela humanidade. Mas quem é Ele, então? Não é outro senão o Senhor e Criador do Universo, ou seja, o Princípio de tudo. Aquele a quem os povos têm se referido como Jeová. Logos, Deus. Tentei, Mukyoku, Segunda Vinda de Cristo, Messias etc. O Objetivo de DEUS é a construção do Mundo Ideal de perfeita Verdade, Bem e Belo, e, para tanto, era necessário que todas as condições fossem preenchidas. Ele estava aguardando o tempo certo. Essa hora chegou: é a época atual. Sendo assim, é preciso, antes de mais nada, que a humanidade se conscientize disso e que se processe a revolução espiritual de cada indivíduo. Darei uma prova do que escrevi acima. Nos Estados Unidos, começou a usar-se, ultimamente a expressão Nação Universal. Obviamente, representa o Mundo Ideal, que eles julgam possível graças ao progresso alcançado pela civilização materialista. Entretanto, por mais que se fale em construir o Paraíso Terrestre, se a cultura for inferior, se os países estiverem isolados uns dos outros e as condições de transporte forem deficientes, o mundo continuará conturbado e o que é fundamental será impossível unificar o pensamento da humanidade. Visto que finalmente chegamos à época da criação da nova cultura, é preciso conhecermos de antemão como é esse grandioso plano. Naturalmente, para que ele se concretize, Deus se utiliza um ser humano. Considerando que a pessoa escolhida sou eu, não é nada difícil entender a razão pela qual foi criada a Igreja Messiânica. DEUS revela-me a cada hora, o Plano do paraíso e eu o ponho em prática conforme Suas ordens. Ao mesmo tempo, o que houver de útil na velha cultura será mantido, e o que não tiver utilidade será reformulado. Esse é o grande amor de DEUS. Aquilo que não puder se tornar útil, infelizmente terá de ser destruído para sempre. E o que é isso senão o Juízo Final? Realmente, constitui um motivo de gratidão e também de temor. Lamentavelmente, porém, embora eu apresente os fatos tal como eles me foram revelados por DEUS, os materialistas os interpretam de forma herética, fazendo severas críticas. Mas isso é natural, pois durante longo tempo os homens só tiveram a experiência de viver uma das formas da cultura a espiritual ou a material de modo que eles não podem compreender facilmente uma cultura cruzada, que não pende para nenhum dos lados. As pessoas que estão do lado da cultura espiritual, dizem que as graças materiais manifestas por nós são realizações de uma fé de nível inferior que busca apenas as coisas materiais. Elas acham que a fé superior busca unicamente a satisfação espiritual e sentem satisfação sozinhas, enfileirando, escolasticamente, palavras difícieis. Entretanto, os resultados obtidos pelas religiões teóricas para salvar um grande número de pessoas, são insignificantes, e eu creio que essa é a causa da estagnação das religiões tradicionais. Já os que estão do lado da cultura material, devido a valorização exagerada do materialismo, afirmam que além das coisas visíveis, tudo não passa de superstição. Naturalmente, não vêem motivos para crer na existência de Deus. E o pior é que, sobretudo entre a classe dirigente e a classe intelectual do Japão é grande o número de pessoas desse tipo. Assim, elas olham supersticiosamente para a nossa Igreja, contestando-a com palavras orais e escritas. Os mais extremistas chegam até a pedir que o povo se acautele, evitando

aproximar-se dela. Influenciadas por essa atitude, as pessoas hesitam em conhecê-la e, assim, não conseguem aprender sua verdadeira imagem. Conseqüentemente, a maioria dos intelectuais, sem o saber, constitui um empecilho para a nova cultura. Sempre que nasce algo novo, fatalmente surgem opositores. Isso acontece tanto no Ocidente como no Oriente. Podemos dizer que é a triste

predestinação de todos os anunciadores de uma nova época. O mais engraçado é que, quando surge uma teoria de nível não muito superior ao da cultura da época, os intelectuais a elogiam em coro. Isso ocorre porque as pessoas que receberam uma educação representativa da cultura tradicional têm maior facilidade para entende teorias desse nível. Os detentores do Prêmio Nobel enquadram-se em tal categoria. Todavia, quando surge uma teoria muito elevada, distante do nível cultural da época, os intelectuais consideram-na herética, combatem-na e tentam neutralizá-la. Isso também se evidencia entre os ocidentais, como podemos constatar pelos sofrimentos infligidos a inovadores como Jesus Cristo, Sócrates, Copérnico, Galileu, Lutero e outros.

A teoria exposta por mim é muito mais inédita que a desses inovadores,

adiantada um ou dois séculos em relação a época atual, e por isso as pessoas que

a ouvem pela primeira vez e aquelas que estão bitoladas pela cultura tradicional ficam boquiabertas e não pensam em analisá-la devidamente? Anulam-na, afirmando de forma taxativa que se trata de mera superstição. Mas, reflitamos: se ela não passa de uma teoria evasiva, por que será que, sem sofrer o menor abalo,

a nossa Igreja continua aumentando a sua expansão, embora receba tantas

censuras, tantos ataques, e sofra opressões por parte das autoridades? Deve existir alguma razão. Não sei quantas vezes ela percorreu caminhos espinhosos e atravessou chuvas de flechas. Apesar de tudo, a obra de construção do Paraíso

Terrestre está avançando bem mais rápido do que se esperava. Inegavelmente, isso é ininteligível para o raciocínio humano.

O fato é que, uma vez se tornando membro da Igreja Messiânica, qualquer

pessoa consegue manifestar um poder semelhante ao do mestre de uma religião.

Um simples fiel manifestar milagres é coisa mais do que comum em nossa Igreja;

é, realmente, uma extraordinária graça material. Além disso, através dos nossos

ensinamentos, esse fiel consegue captar a essência da vida, despertar para a Verdade, melhorar sua vida cotidiana e ficar mais alegre; sustentado por inabalável

fé, pode até mesmo vislumbrar o futuro. Assim, ele passa a viver com verdadeira

segurança e tranqüilidade. A prova mais evidente é que, com o decorrer do tempo, suas feições e sua pele melhoram. Isso acontece porque uma vez que seu sangue

se torna mais puro, sua saúde aumenta, desaparecem suas incertezas quanto ao

futuro, seu caráter se eleva e ele se torna uma pessoa virtuosa. Dessa forma,

ganha maior confiança de terceiros e por eles é respeitado.

A condição fundamental para se construir o Paraíso Terrestre, objetivo de

nossa Igreja, é que o indivíduo se eleve e adquira a qualificação de ente celestial.

Como o mundo é um agrupamento de indivíduos, se aumentar o número de pessoas com essa característica, obviamente surgirá o Paraíso Terrestre. 20 de novembro de 1950 (Extraído de ―Ligeiras noções sobre a Igreja Messiânica‖)

ELIMINAÇÃO DA TRAGÉDIA

Entre tudo que existe no mundo, o que o homem mais detesta é tragédia. Eliminá-la totalmente é impossível, mas, de certo modo, não será tão difícil diminuí- la. Estudemos sua natureza.

A realidade evidencia que a maior parte das tragédias tem como causa a

doença. Elas também são causadas por problemas sentimentais e pela desonestidade decorrente de interesses materiais. Todavia, através de uma pesquisa acurada, descobri que tudo tem raiz na enfermidade espiritual. Dizem que um espírito são habita um corpo são, e é uma grande verdade. Verifiquei, após longos anos de pesquisa, que a imoralidade, a injustiça, a impaciência, o alcoolismo, a preguiça e a corrupção de jovens existem quase sempre em físicos doentes.

Infelizmente, não encontramos meios positivos para curar a doença e restabelecer a saúde física e espiritual, seja apelando para a medicina ou para

outros recursos. E mesmo que tivéssemos descoberto a causa do problema, faltar- nos-iam recursos para solucioná-lo. Há pessoas que se orgulham de terem descoberto a origem e o processo de cura das doenças; a maioria dos processos, entretanto, não passa de paliativos. É realmente desolador.

A verdadeira solução da doença e de todas as desgraças depende de uma

força invisível, e só aos que a experimentaram é dado reconhecer o incomensurável Poder Divino. Os homens contemporâneos não se convencem senão através de fatos ou de provas; portanto, sem a apresentação de resultados

concretos é inútil querer pregar princípios elevados e divulgá-los. Para esses homens, a salvação da humanidade e a obra em prol do beneficio da sociedade não passam de um sonho.

A essência da verdadeira Fé consiste na ação do poder invisível mover o

Esse poder maravilhoso está sendo manifestado pela nossa Igreja e,

por essa razão, creio que se poderia dizer que ela é a Religião do Poder. Dentre os casos milagrosos expostos em nossas publicações, existem muitos exemplos de cura de doenças gravíssimas, e a alegria e a gratidão dos agraciados nos

comovem até as lágrimas. Como a maioria das religiões se limita a pregar doutrinas, sua força age do exterior para a alma. Mas o ato purificador empregado pela Igreja Messiânica o JOHREI projeta a Luz Espiritual diretamente na alma, despertando-a instantaneamente. Ou seja, a igreja converte a pessoa sem a intervenção humana, deixando os sermões para segundo plano. Os que nela ingressam, alcançam rapidamente uma percepção superficial e, pouco a pouco, uma percepção mais profunda. Além de superarem a sua própria tragédia, tornam-se aptos a eliminar a tragédia alheia.

11 de junho de 1949 (Extraído do Livro Alicerce do Paraíso)

que é visível

O PARAÍSO E O MUNDO DA ARTE

Sempre tive muito interesse pela Arte. Como é do conhecimento de todos os fiéis, planejei e estudei a construção, em Hakone e Atrami, de jardins, edifícios e outras instalações de elevado teor artístico, nunca vistos até agora. Antes, eu também me dedicava bastante ao desenho, mas atualmente estou tão atarefado que já não posso fazê-lo. Mesmo assim, faço caligrafia, componho poemas, vivifico as flores, realizo a cerimônia do chá e tenho grande interesse pelas obras de belas-artes, chegando até a comprá-las, de acordo com as possibilidades financeiras. As vezes, os fiéis também ofertam objetos artísticos, de modo que eu tenho saciado um pouco a minha sede em relação a eles. Também gosto de teatro e de música japonesa e ocidental, mas, como disponho de pouco tempo, tenho me contentado com o cinema e o rádio. Todos dizem ser muito raro uma pessoa de

minha idade apreciar músicas ocidentais e cinema; entre os americanos, parece que isso é muito comum, mas não entre os japoneses. Pelo que puderam ver, a maior parte do meu dia-a-dia é dedicado a Arte,

de modo que se poderia dizer que eu levo uma vida artística. Penso sempre que

Deus me atribuiu essa característica devido a minha missão de construir o Paraíso Terrestre que é o Mundo da Arte. Vejamos porquê.

Até agora, estávamos no Mundo da Noite. Tratando-se de um mundo escuro, sem luz, era fácil o ser humano cometer pecados e crimes em segredo, o que o levava, naturalmente, a gostar das coisas más: enganar as pessoas fazê-las sofrer, ter vontade de roubar o que pertence aos outros, procurar relações impuras com o sexo oposto e provocar conflitos. Os próprios fatos mostram isso. Entretanto, uma vez que estamos entrando no Mundo do Dia, tudo se tornará claro

e nítido, não sendo mais possível esconder nada. O ser humano deixará

naturalmente de ter inclinação para o mal; tenderá inevitavelmente para o que é bom e correto. Assim, é claro que sua atenção se voltará para a Arte. Tudo que se relaciona as belas artes, a poesia, ao canto, aos instrumentos musicais, enfim, todas as manifestações artísticas assim com as construções, as ruas, as cidades, os teatros, as instalações recreativas, as decorações de interior, as vestes individuais e tudo mais se tornará extraordinariamente belo. Conforme o exposto, devemos entender que o Mundo de Miroku, ou seja,

o Paraíso Terrestre é o Mundo da Arte.

25 de fevereiro de 1950 (Extraído do Jornal Kyussei, nº 51)

PRINCÍPIO DA AGRICULTURA NATURAL

A fim de que todos entendam realmente o principio da Agricultura Natural,

proponho-me explicá-lo por meio da ciência espiritual, da qual tomei conhecimento por meio de Revelação Divina, pois é impossível fazê-lo através do pensamento que norteia a ciência material. No inicio, talvez seja muito difícil compreender esse

principio, mas, a medida que o lerem várias vezes e o saborearem bem, fatalmente

a dificuldade irá diminuindo. Caso isso não aconteça, é porque a pessoa está muito presa as superstições da Ciência.

O que eu exponho é a Verdade Absoluta. Os próprios fatos o comprovam.

Seguindo o princípio da Agricultura natural, é certo obter-se, desde o primeiro ano, um aumento de dez a cinqüenta por cento na produção. Como todos sabem, o método agrícola utilizado atualmente consiste na fusão do método tradicional com

o método científico. Pensa-se que houve um grande progresso, porém os

resultados mostram exatamente o contrário, conforme podemos ver pela grande

diminuição da produção no ano passado. Os pés de arroz não tinham força suficiente para vencer as diversas calamidades que ocorreram, e essa foi a causa direta daquela diminuição. Mas qual a razão do enfraquecimento dos pés de arroz?

Se eu disser que o fenômeno foi causado pelo tóxico chamado fertilizante, todos se

surpreenderão, pois os agricultores até agora, vieram acreditando cegamente que

o fertilizante é algo imprescindível no cultivo agrícola. Devido a essa crença, ao pouco conhecimento dos agricultores e a cegueira da Ciência, não se conseguiram descobrir os malefícios dos fertilizantes.

É inegável o valor da Ciência em relação a muitos outros aspectos, mas,

pelo menos no que se refere à agricultura ela não tem nenhuma força, ou melhor, está muito equivocada. Por exemplo,: aprova-se o método humano e negligencia- se o poder da Natureza porque ainda se desconhece a natureza do solo e as propriedades dos fertilizantes. Há longos anos, o governo, os grandes agricultores

e os cientistas vêm desenvolvendo um grande esforço conjunto, mas não se vê

nenhum progresso ou melhoria. Diante de uma fraca produção como a que ocorreu no ano passado, podemos dizer que a Ciência não consegue fazer nada, sendo vencida naturalmente, sem oferecer nenhuma resistência. Não há mais nenhum método a ser empregado. A agricultura japonesa está realmente num beco sem saída. Mas

devemos alegrar-nos: Deus ensinou-me o meio para sair dele a Agricultura Natural. Afirmo que não existe outra maneira, além dessa, para salvar o Japão. A base do problema é a falta de conhecimento em relação ao solo. A agricultura até agora, tem negligenciado esse fator, que é o principal, dando maior importância ao fertilizante, algo acessório. Pensem bem. Sem a terra, o que podem fazer as plantas, sejam elas quais forem? Um bom exemplo é o daquele soldado americano que após a guerra, praticou o cultivo na água, despertando grande interesse. Creio que ainda devem estar lembrados disso. No início, os resultados foram excelentes, mas ultimamente pelo que tenho ouvido falar, eles foram decaindo e o método acabou sendo abandonado. Até hoje, os agricultores fizeram pouco caso do solo, chegando a acreditar que os fertilizantes eram o alimento das plantações. Com essa atitude cometeram um espantoso engano. O resultado é que o solo se tornou ácido, perdendo seu vigor original. Isso está muito bem comprovado pela grande diminuição da safra no ano passado. Não percebendo seu erro, os agricultores gastam inutilmente elevadas somas em fertilizantes, despendendo árduo esforço. É uma grande tolice, pois se está produzindo a própria causa dos danos. Empregarei agora o bisturi da ciência espiritual para explicar a natureza do solo. Antes, porém, é preciso conhecer o seu significado original. Deus, Criador do Universo, assim que criou o homem criou o solo, a fim de que este produzisse os alimentos para nutri-lo. Basta semear a terra que a semente germinará e se desenvolverá o caule, as folha, as flores e os frutos, proporcionando-nos farta colheitas no outono. Assim sendo, o solo, que produz os alimentos, é um maravilhoso técnico ao qual deveríamos dar grande preferência. Obviamente, como se trata do poder da Natureza, a Ciência deveria pesquisá-lo. Entretanto, ela cometeu um grande erro: confiou mais no poder humano. Mas o que é o poder da Natureza? É a incógnita surgida da fusão do Sol, da Lua e da Terra, ou seja, dos elementos Fogo, Água e Solo. O centro da Terra, como todos sabem, é uma massa de fogo, a qual é a fonte geradora do calor do solo. A essência desse calor, infiltrando-se pela crosta terrestre, preenche o espaço até a estratosfera. Nela também existem duas partes: a espiritual e a material. A parte material é conhecida pela Ciência com o nome de nitrogênio, mas

a parte espiritual ainda não foi descoberta por ela. Paralelamente, a essência

emanada do sol é o elemento Fogo, que também possui uma parte espiritual e uma parte material; esta é a Luz e o Calor, mas aquela também ainda não foi descoberta pela Ciência. A essência emanada da Luz é o elemento Água e sua parte material é constituída por todas as formas em que a água se apresenta;

quanto a parte espiritual também ainda não foi descoberta. Assim, a incógnita X é o produto da união desses três elementos espirituais ainda não descobertos. Através dele é que todas as coisas existentes no Universo nascem e crescem. Essa incógnita X é o nada e também a origem da força vital de todas as coisas. Conseqüentemente, o desenvolvimento dos produtos agrícolas também se deve a esse poder. Ele é o fertilizante infinito. Reconhecendo-se essa verdade, amando-se

e respeitando-se o solo, a capacidade deste se fortalece espantosamente. Eis o

Verdadeiro método agrícola. Não existe outro. Através de sua prática, o problema

da agricultura será solucionado pelas raízes.

Sem dúvida as pessoas ficarão boquiabertas, mas existe outro fator importante. O homem, até agora, pensava que a razão e os sentimentos limitavam- se aos seres animados. Entretanto, eles existem também nos corpos inorgânicos. Obviamente, como o solo e as plantações estão nesse caso, respeitando-se e amando-se o solo, sua capacidade natural se manifestará ao máximo. Para tanto, o mais importante é não sujá-lo, mas torná-lo ainda mais puro. Com isso, ele ficará alegre e logicamente, se tornará mais ativo. A única diferença é que os seres animados se movimentam livremente, mas o solo e as plantas não têm essa liberdade, são inertes. Assim, se pedirmos uma farta colheita com sentimento de gratidão, nosso sentimento se transmitirá a Deus e a graça não deixará de se produzir. Por desconhecimento desse principio, a Ciência comete uma grande falha, determinando que tudo aquilo que é invisível e impalpável não existe.

(Extraído de ―A grande revolução da agricultura japonesa‖, artigo publicado no Jornal Eikõ, nº 245, 27 de janeiro de 1954).

FORMAÇÃO FAMILIAR

A família do Mestre era constituída de cinco pessoas seu pai, Kissaburõ Okada, sua mãe, Tori; sua irmã Shizu, seu irmão Takeijirõ e ele. Havia uma irmã mais velha, chamada Haru, mas esta faleceu um ano antes do seu nascimento. Nessa época a família morava numa humilde casa de aluguel situada no bairro de Hashiba, nº 63 (atualmente Hashiba, quadra 2 nº 2, Distrito de Daitõ). O local hoje faz parte da Sede Metropolitana de Tóquio da Igreja Messiânica Mundial. Anos mais tarde, o Mestre escreveu sobre a sua vida nessa época:

“Nasci em Hashiba, bairro pobre localizado em Assakussa, Tóquio. Lembro-me vagamente de que meu pai negociava com objetos usados e de que nossa casa só tinha dois cômodos: um, com mais ou menos 4,90m 2 onde funcionava a loja, e uma sala de estar com aproximadamente 7,30 m 2. Todas as noites ele ia ao Parque Assakussa, distante mais ou menos um quilômetro para abrir sua barraca noturna. Desde que tenho consciência, muitas vezes ouvi meu pai falar que se não conseguisse determinada quantia naquela noite, não teríamos o que comer no dias seguinte. Então, caso não chovesse, ele carregava uma pequena carroça com alguns utensílios velhos e minha mão levando-me às costas, ia empurrando-a. Vivendo numa pobreza extrema, ela ficou desnutrida e como não tinha leite para me amamentar, ia pedir leite materno à esposa de um bonzo do Templo Rensõ, que ficava próximo. Quando eu estava para terminar o curso primário, a situação financeira de minha família melhorou um pouco, e então pude ingressa na Escola de Belas Artes. Portanto, em minha infância, e mesmo quando já tinha uma família para cuidar, durante um bom espaço de tempo provei o sabor da pobreza, podendo compreender o quanto o dinheiro é motivo para gratidão. “Isso me foi de grande proveito, pois ainda hoje não consigo desperdiçar nada, nem viver no luxo, de modo que sou até grato pela adversidade daquela época”.

Escola Primária

Em janeiro de 1889, com seis anos o fundado entrou na Escola Primária Básica Nishin, situada no bairro de Sanya. Passou para o segundo ano com o Diploma de Honra ao Mérito onde está escrito: ―Honramos o seu esforço nos estudos e a excelência de sua caligrafia feita a pincel‖.

Em maio de 1889 a família Okada mudou-se de Hashiba para Assakussa Sanya, como o bairro ficava bem próximo do local onde estava situa a Escola Primária do mestre, esta se tornou de fácil acesso para que ele pudesse freqüentar. Em novembro de 1891 a família mudou-se novamente, desta vez para o bairro de Senzoku, que ficava mais longe então ele foi transferido para a Escola Primária Assakussa, ele estudou nessa escola durante quatro anos e meio, até o término do curso, em março de 1896. Seu aproveitamento sempre foi excelente, sempre sendo premiado com Diploma de Honra ao Mérito, do primeiro e segundo anos do segundo Nível. A respeito dessa época o mestre escreveu: ―Até os doze ou treze anos eu era uma criança fraca e doentia e vivia tomando remédios. Consegui terminar o curso primário com muito sacrifício e apesar de minha pouca idade, sentia inveja quando via crianças saudáveis. Mas era interessante como eu tinha bom aproveitamento na escola; sempre estava em primeiro ou segundo lugar, nunca ficando abaixo”.

Lembrança da Infância

Em abril de 1889, a família Okada, mudou-se para o bairro de Naniwa, situado em Nihon-bashi , saindo pela primeira vez de Assakussa. Esse distrito, onde o fundado passara a infância base para a formação do ser humano ficava situado na zona industrial e comercial da cidade. Nele assim nesse bairro como em

outros distritos pertos desta zona, localizados perto da sede do governo do xógum Tokugawa, afloravam as qualidades do caráter das pessoas naturais de Edo Mas quem nascia em Assakussa, além dessas qualidades tinha o calor humano próprio

Era um local onde morava todo tipo de gente,

inclusive zonas de meretrício Indiferentes as distinções de situação econômica, as crianças brincavam amigavelmente e os adultos da mesma forma, se relacionavam sem nenhum constrangimento. Quando havia alguma dificuldade todos se ajudavam mutuamente. O Mestre nasceu e cresceu num lugar como esse, assimilando muitas características que ali se cultivavam.

das pessoas ricas de

A Escola de Belas Artes de Tóquio

Em março de 1896, com o término do segundo nível o fundado entraria para a linha do comércio, tendo trabalhado nesse ramo por algum tempo. Entretanto o mestre tinha um sonho: ser pinto. Ele que desde pequeno gostava de desenhar, manifestava, cada vem com maior entusiasmo, este desejo:

”Se eu puder ganhar a vida com a pintura de que tanto gosto”. Com a ajuda de sua irmã mais velha Shizu, que trabalhava desde os quinze anos ele pode ingressar em setembro de 1897, no curso Preparatório da Escola de Belas Artes de Tóquio, atual Universidade de Artes de Tóquio.

A Mussashyi-ya que durante longo tempo fora uma próspera loja de

Sanya, há muito já havido falido. O casal: Kissaburõ e Tori, depositando grandes esperanças no filho tão provido de boas aptidões, certamente sonhava com o soerguimento da família Okada. Achavam que a pintura era a profissão mais adequada para ele, doentio de nascença, pois lhe permitiria trabalhar em casa. Certamente havia esse cuidado por parte do casal.

O Fundado sentia-se indescritivelmente feliz por ter ingressado na Escola

de Belas Artes. Agradecido por poder seguir a carreira desejada, apesar da situação difícil, o seu jovem coração deve ter ficado saltitante com as esperanças

que se lhe apresentavam.

Em 1897, quando o Mestre ingressou no Curso preparatório, ele ainda ocupava o cargo de diretor e inclusive dava aula de História. O empenho que fazia para criar a arte de uma nova época baseada no decurso da arte tradicional do Japão e de outros países do Oriente moveu o coração de muito alunos e dessa escola saíram vários gênios representativos de belas artes japonesas. Entretanto, a alegria do Mestre durou pouco. Certo dia, poucos meses depois de ter começado a freqüentar a Escola ele sentiu sua vista embaçar e começou a ver as coisas duplicadas. De início, pensou que era devido ao cansaço:

todavia a doença dos olhos tornava-se persistente, demorando a sarar. Ele iniciou, então, um tratamento na Clínica Oftalmológica Meimeidõ, muito famosa na época, mas não ficou curado. Os médicos preocupados limitavam-se a inclinar a cabeça. Para alguém que aspirava ser pintor, uma doença maligna na vista era fatal. E não se podia fazer idéia de quando o Mestre iria sarar daquela enfermidade complicada. O medo ia invadindo seu coração. Depois de muito sofre, reprimindo a tristeza, ele deixou a escola oficialmente. Podemos imaginar como deve ter sido grande o sofrimento e a tristeza daquele jovem coração que viu desabar tão cedo os seus castelos de sonhos e esperança no futuro, em virtude de uma condição inesperada e decisiva.

Contínua luta contra doença

O período transcorrido dos quatorze anos, idade em que ingressou na

Escola de Belas Artes, até os vinte anos período em que todos os jovens sentem

a energia da vida foi para ele uma seqüência de anos negros de sofrimento causado pela doença. O problema dos olhos, que já se prolongava há dois anos, não melhorava

e ele então resolveu desistir dos tratamentos. Logo depois, como que para

derrubá-lo, foi acometido de pleurisia, doença que lhe acarretou grandes despesas. Estas acabaram se tornando insustentáveis, e ele teve de ser internado no setor de tratamento gratuito do hospital da Faculdade de Medicina da Universidade Imperial de Tóquio. A internação e o tratamento eram inteiramente grátis; em contrapartida, tinha de servir de cobaia para as aulas práticas dos estudantes. O sofrimento psicológico pelo qual o Mestre passou no hospital não foi, portanto, nada pequeno. Além do mais, a pleurisia é uma doença complicada. Quando se acumula água na pleura é preciso fazer punção, extraindo-a com uma grande seringa. Após quase um ano de tratamento, o Mestre parecia completamente curado, mas depois teve uma recaída. A respeito dessa época, ele escreveu:

Quando eu tinha quinze anos, contraí pleurisia. Através de tratamento médico, feito durante quase um ano, fiquei completamente curado. Por algum tempo tive saúde, mas depois sofri uma recaída. Desta vê, a doença progredia aceleradamente e eu ia piorando cada vez mais. Passado pouco mais de um ano, diagnosticaram-me tuberculose de terceiro grau. Nessa época eu estava exatamente com dezoito anos. Resolvi, então, consultar o falecido Prof. Irissawa Tatsukiti o qual depois de minuciosos exames, disse-me que já não havia esperança de cura”. Em plena juventude, quando seu coração deveria encher-se de esperanças e perspectivas infinitas, o Mestre sentiu-se vazio, devido ao grande choque recebido ao ouvir palavras do médico. Muito triste ele não sentia vontade de fazer coisa alguma, passando grandes dias de preocupação. Tempos depois, o Mestre descreveu seu estado de espírito: “Era como se eu tivesse sido condenado a morte sem dia determinado para a execução”.

Entretanto, das entranhas de seu enfraquecido corpo surgiu uma força misteriosa. O que fazer para corresponder ao apelo que vinha do fundo do seu coração dizendo-lhe que era preciso viver e querer viver? O Mestre passou dias procurando uma resposta e por fim resolveu:

Então, eu me decidi. Já que ia morrer de qualquer maneira, achei que não havia outro jeito senão tentar o milagre da cura através de algum método diferente. Pus- me a procura desse método”. Nessa época ele já estava um pouco melhor da vista. E na luta contra doença tinha uma única alegria, pintar quadros. Aprendia folheando velhos álbuns de pintura. Certo dia, o Mestre leu um livro sobre plantas medicinais. Observou os desenhos das raízes das plantas e das cascas das árvores, leu as explicações sobre os efeitos terapêuticos das flores, folhas e frutos e nisso teve uma idéia brilhante: seguir uma dieta vegetariana já que as plantas contêm elementos tão proveitosos. Fez, então a experiência, para ver os resultados e constatou que o método era muito bom. Sob orientação médica, ele, que comia alimentos de origem animal, passou a alimentar-se exclusivamente de vegetais. E qual foi o resultado? Sarou miraculosamente, da tuberculose, diagnosticada pelo médico como sendo incurável. Relembrando essa fase de sua vida, ele escreveu:

Dos quinze aos vinte anos mais ou menos, eu era mais tímido que qualquer outra pessoa. Sem nenhum motivo, tinha receio de me encontrar com desconhecidos, principalmente quando achava que a pessoa era um pouco mais importante, nem conseguia falar direito com ela. Diante de moças, eu enrubescia, meus olhos ficavam perdidos, e eu nem ao menos conseguia olhar para o seu rosto ou falar-lhes. Como me tornei pessimista por causa disso! Conseqüentemente tive muitas dúvidas se conseguiria integrar-me na sociedade como cidadão adulto. Naquela época, quando me via em frente de qualquer pessoa, sempre tinha a impressão de que ela era mais inteligente e mais importante do que eu”.

O NOVO CAMINHAR

Em abril de 1899, o pai de Meishu Sama, Kissaburõ, mudou-se do bairro de Senzoku, em Assakussa para o bairro de Naniwa, em Nihon-bashi, onde abriu uma loja de utensílios usados. Após a guerra Sino Japonesa a região alcançou na economia um progresso espantoso. Nessa mesma época sua irmã mais velha Shizu assumiu a administração da Pensão Seiguetsu. Como o negócio foi prosperando sua irmã pediu ajuda ao pai, porque faltava mão de obra, então ele se mudou para o bairro de Kobiki. Melhorando seu estado de saúde, o Mestre começou a colaborar na contabilidade, enquanto ia se restabelecendo. Em fevereiro de 1902, Shizu faleceu repentinamente de pneumonia aguda. Achando que o serviço de hospedaria era negócio para mulher, Kissaburõ não quis dar-lhe prosseguimento. Assim, logo depois vendeu a Seiguetsu. Com o dinheiro da venda, construiu uma casa e mudou-se para Tsukiji, num bairro vizinho. A partir de então, a família a família passou a ter uma vida recatada. A essa altura o Mestre já passava dos vinte anos, desejando abrir futuramente, com seu pai, uma loja de antiguidades, sonho que acalentava, começou a fazer pesquisa nesse sentido.Pouco a pouco com foi adquirindo experiência e tornando-se capaz de avaliar antiguidades. Adquiriu uma aguçada capacidade de apreciação e avaliação às belas artes em geral.

Nessa época interessou-se também pelo maki-e (é um tipo de artesanato em laca, usado em móveis antigos, guarda roupas, cômodas, utensílios de uso diários. Bandejas etc), começou a aprender essa técnica com um profissional da vizinhança. Com o passar do tempo o Mestre foi conseguindo executar todo o processo sozinho, desde o esboço até o acabamento do objeto. Mais tarde, na loja de miudezas que passou a administra, colocou a venda trabalhos seus Embora com muitas modificações, os anos vividos em Tsukiji foram para a família Okada, uma época mais fácil e tranqüila em termos familiares, mesmo com a saúde não totalmente restabelecida e adoecia seguidamente e tivesse inúmeros desmaios, sempre consegui erguer-se e olhar de frente para o futuro. O mestre relembra aquela época dizendo:

Nunca me esquecerei. Eu estava com dezesseis ou dezessete anos quando assisti a uma exibição cinematográfica pela primeira vez. Isso faz mais ou menos cinqüenta anos; posso dizer, portanto, que sou o mais antigo fã do cinema, que estava entrando no Japão nessa época. Naturalmente, os filmes mostravam o movimento das ondas do mar, cachorros correndo, pessoas andando etc. Em comparação com os filmes atuais, eram extremamente infantis; mesmo assim, todos ficavam boquiabertos, o que mostra a diferença de época. O primeiro filme historiado que eu vi, era francês. Um marinheiro voltava para casa, depois de uma viagem, ao chagar lá, aconteceu um fato do qual não me lembro muito bem. Eram filmes muito simples, exibidos numa casa modesta chamada Denki-Kan, situada no Parque Assakussa. Logo depois, surgiu o famoso apresentador Somei Saburõ”. (Texto extraído de uma obra editada em 30 de agosto de 1949)

ESFORÇO PARA O CRESCIMENTO

No período entre 1902 e 1905, o estado de saúde do mestre foi melhorando cada vez mais. Levava uma vida tranqüila contanto apoio de seus familiares. Esforçou-se bastante, principalmente na leitura onde gostava de livros sobre homens de negócios que subiram na vida. Sua vontade de progredir era fora do comum, mesmo tendo ouvido a sentença de que estava com uma tuberculose incurável, jamais abandonou a leitura. Lia muitas revistas e jornais com entusiasmo, onde numa época que ainda não existia nem rádio e nem televisão, portanto era o único meio de ficar sabendo do que acontecia dentro e fora do Japão. Já nessa época tinha o objetivo de encaminhar grande número de pessoas a felicidade por meio de uma posição privilegiada. Podemos constar isso pelas palavras que ele costumava dizer a sua família: ―Quando eu subir na vida, vou ajudar os que estão em dificuldades, pois quero acabar com as pessoas que perturbam a sociedade. É uma idéia que não sai da minha mente”. Quando um cristão defensor do princípio de que todas as normas da Igreja são desnecessárias e de que o estudo e a divulgação da Bíblia são muito importantes e proclamou através de um jornal a instituição do ―Grupo Ideal‖, com o objetivo de melhorar a sociedade e pediu a participação dos leitores, o mestre sentiu-se profundamente identificado com essa iniciativa e mais tarde, aspirou a administrar uma empresa jornalística com o propósito de defender a justiça social. Essa postura esta ligada ao pensamento de Kuroiwa Ruikô (cristão defensor) que ele conheceu no Jornal. Que por sua vez também fazia conferências e o Mestre foi assistir a várias. A esse respeito ele escreveu: ―O Sr. Kuroiwa Ruikô, ex-diretor do antigo Jornal Yorozu-tyõhõ e famoso tradutor de romances, também cultivava a filosofia. Fui ouvinte assíduo de suas palestras. Citarei um trecho que ouvi e muito

me impressionou. Todo homem nasce mesquinho. Para aperfeiçoar-se deve cultivar uma segunda personalidade, isto é, nascer pela segunda vez. Estas palavras ficaram gravadas na minha mente e me esforcei no sentido de colocá-las em prática na minha vida, o que me trouxe muitos benefícios”. Em outra ocasião, esse mesmo ex-diretor fez uma conferência em Tóquio, intitulada ―Problemas da vida: método de aprimoramento‖, para aproximadamente quinhentos pessoas a maioria estudantes. Nessa conferência, desenvolvia-se o tema ―fazer renascer o velho eu, tornando-se uma nova pessoa‖. Certamente foi nessa oportunidade que o Mestre, presente entre os ouvintes, ficou tão impressionado. O pensamento e as ações de Ruikô influenciaram muito a sua formação pessoal na juventude, quando ele não se cansava de procurar o caminho que deveria seguir.

ESTUDOS DE FILOSOFIA

O Mestre leu ainda muitos livros de filosofia ocidental. A ―filosofia da intuição‖ de Henri Bérgson, e o ―pragmatismo‖. De William James, foram as teorias com as quais ele se sentiu mais identificado e as quais deu mais valor. Henri Bérgson (1859 1949) é um francês de origem judia nascido em Paris nos meados do século XIX. Opondo-se ao pensamento que considerava absoluto o conhecimento científico, pregou a ―filosofia da vida‖ e a ―filosofia da intuição‖ as quais o Mestre resumiu de forma muito simples e compreensível, colocando-as bem próximas da vida diária e mostrando-as como diretrizes da vida. Tempos depois ele escreveu:

“Quando jovem fui simpatizante da teoria de Henri Bérgson, o eminente filósofo francês”. Ainda me lembro dessa teoria e vou expô-la nesta oportunidade, porque considero ser de grande proveito do ponto de vista religioso. Segundo minha interpretação, a filosofia de Bérgson baseia-se nestes três princípios. “Todas as coisas se movem”, “Teoria da Intuição” e “O eu do momento”. Dentre estes, o que mais me impressionou foi a “Teoria da Intuição”. Ela diz o seguinte: “É algo dificílimo observar as coisas tal qual elas são sem cometer o mínimo engano. É realmente difícil captar o verdadeiro sentido das coisas”. Estudemos a causa disso. Os conceitos formados pela instrução que recebemos, pela tradição, pelos costumes etc., ocupam o subconsciente humano como se fossem uma barreira, e dificilmente o percebemos. Por essa razão, tal “barreira” constitui um obstáculo quando observarmos as coisas ( A “Teoria da Intuição” encarrega-se de corrigir tais erros, comuns entre os homens, libertando estes completamente de preconceitos e ensinando-lhes a fazer uma fiel observação dos fatos. “Para isso é necessário ser “O eu do momento”, isto é, fazer com que a impressão instantânea, captada pela intuição, corresponda a verdadeira substância do objeto de observação”. Em outra oportunidade, o Mestre escreveu:

“Dentro de sua filosofia, ele emite um conceito muito interessante”. Todas as coisas se movem. Isso significa que tudo está em contínuo movimento. Por exemplo, este ano difere do ano passado em tudo. O mesmo podermos dizer a respeito do mundo, da sociedade e dos nossos próprios pensamentos e circunstâncias. Somos diferentes até mesmo do que fomos ontem, ou há cinco minutos atrás. Aqui podemos aplicar o velho ditado. Trevas a um palmo do nariz. Assim se aplicarmos a teoria bergsoniana ao homem, em todas as circunstâncias, notaremos que diante de um fato as nossas observações e pensamentos de hoje diferem das observações do ano anterior.

Em sentido amplo, observemos a radical diferença entre o período anterior e o período posterior a última guerra. É surpreendente a mudança que ocorreu em tão breve espaço de tempo. Mas a maioria dos indivíduos não consegue captar, com exatidão, a realidade atual, bloqueados pelos métodos e conceitos antigos, que eles herdaram de seus antecessores e que constituem um verdadeiro obstáculo. Chamo a esses indivíduos de conservadores antiquados, porque mantêm a mente estagnada, enquanto tudo obedece à lei do movimento perpétuo. “Eles sofrem o abandono do mundo e vão ao encontro de um trágico destino”.

O mestre também atribuiu um alto valor ao pensamento de William James

(1942 1910). Escolástico americano que tem profundo conhecimento sobre fisiologia, psicologia, filosofia e teologia. James também se interessava pelos fenômenos parapsicológicos e dizem que fez pesquisa sobre esse assunto, embora estivesse consciente das censuras que receberia de uma parte dos intelectuais. Na obra intitulada ―Como tornar claras as nossas idéias (1878), Charles Sanders Pierce (1839 1914) diz que o significado de uma idéia é reconhecido por meio dos efeitos reais que ela produz. James, amigo de Pierce, denominou essa teoria de ―pragmatismo‖. O Mestre aderiu a ela, apreendendo-lhe o princípio

fundamental, ou seja, que nenhuma crença ou ensinamento podem ser considerados corretos se não forem aplicáveis a nossa vida cotidiana. Sobre o pragmatismo, ele escreveu:

Na mocidade, apreciei muito a filosofia. Dentre as inúmeras teorias filosóficas, a que mais me atraiu foi o pragmatismo, do famoso norte-americano William James. James não considerava as filosofias como divertimentos intelectuais, para ele, as doutrinas só eram válidas se fossem postas em prática. Acho interessante a sua teoria, cujo realismo autêntico é característico do filósofo americano. Aderi, portanto, as suas idéias e me esforcei por adotá-las em meu trabalho e na vida cotidiana. O benefício que o pragmatismo me proporcionou nessa época não foi pequeno. “Mais tarde, quando iniciei meus trabalhos religiosos, julguei necessário aplicá-lo à Religião”.

O pragmatismo de James, a filosofia da vida de Bérgson, e outras teorias

filosóficas que o mestre estudou, têm um ponto comum: não se limitam unicamente ao mundo do conhecimento, mas procuram concretizar o pensamento e as idéias na vida diária, produzindo resultados reais. Tornam-se, assim, uma crença viva para se conseguir viver. Em outras palavras: são filosofias profundamente relacionadas com o conceito de que o pensamento e as idéias devem ser uma força que precisa ser manifestada. Fosse a história do sucesso de seus precursores, ou mesmo uma notícia de jornal, o mestre não as deixou ficar como teorias vãs. Ele deu importância aos estudos concretos, enraizados na realidade e passíveis de serem aplicados em sua própria vida. Como fez total emprenho nesse tipo da realidade, isto é, não ficou brincando no mundo do conhecimento abstrato. Além disso, aplicando as teorias ou crenças em sua própria vida, certificava-se elas eram boas ou más, verdadeiras ou falsas. Assim, aprendeu que a verdadeira filosofia é aquela que transmite o sopro da vida.

INDEPENDÊNCIA

MORTE DO PAI

Kissaburõ, pai do mestre, não vinha se sentindo bem há algum tempo: ao fazer uma consulta médica, constatou-se que estava muito mal do coração.

Começou a se tratar, mas a enfermidade foi se agravando, e por fim ele já não podia sair da cama. Pouco antes de ficar acamado, completara cinqüenta e três

anos. Com o falecimento de seu pai que era seu grande pilar, a vida tranqüila da família Okada mudou bastante. O triste evento ocorreu no dia 22 de maio de 1905. Antes de falecer, Kissaburõ deixou de herança para o filho mais velho a casa alugada, e para o mais novo, a quantia de 3.500 Ienes, como capital para ele fazer a sua vida.

A respeito da morte de seu pai, o mestre escreveu: ―Daiõ” durante vinte ou

trinta anos sem falhar um só dia. Tomava-o porque, se não o fizesse, sentia-se mal. Antes de falecer, ficou doente do coração. Consultando um médico, este lhe

disse que não duraria mais que meio amo e de fato ele morreu depois de alguns meses.

A LOJA DE MIUDEZAS KÕRIN-DÔ

Graças ao amor e aos cuidados do pai, o mestre não ficou em dificuldades no que se referia ao capital para abrir a loja de antiguidades. Entretanto, agora seu pai já não existia, administrá-la sozinho, com tão pouca experiência, parecia-lhe simplesmente uma aventura. Não tendo conseguido tornar-se pintor e vendo também fechado o caminho dos negócios, que deveria fazer? Com certeza, olhando para o céu, sentia vontade de gritar bem alto. Assim, diante da contingência de escolher um caminho na vida pela terceira vez, o Mestre se viu completamente perdido. Um dia, um conhecido que freqüentava assiduamente a sua casa veio visitá-los e disse: ―Na Rua Nishinaka, no bairro de Oke, está a venda uma loja de miudezas. Vocês não estão interessados?‖ Essa pessoa merecia confiança e o local era uma zona comercial de grande movimento. Como não entendia nada de miudezas, ou seja, batom, pó de arroz, pentes, adornos para cabelos etc., ficou indeciso para comprar. Mas incentivado por sua mãe, que se proporá a ajudá-lo ele fechou negócio. Mudou-se para esse bairro. Sua vida estava voltando ao normal, pois já se passara 49 dias da morte de seu pai.

A loja era uma pequena casa alugada com uma entrada que media aproximadamente 2,7 metros. Justamente por isso parecia mais acessível para as compras descontraídas das senhoras e moças das redondezas. O mestre deu-lhe

o nome de Kõrin-dõ em homenagem ao pintor Ogata Kõrin como manifestação da

mais elevada arte. Mesmo ao aprender maki-e criar as suas próprias obras, o mestre tinha por objetivo vivificar a arte de Kõrin na atualidade. Assim, quando abriu a loja de miudezas, concretizando o desejo acalentado a tantos anos, colocou

a venda suas obras de maki-e. O mestre acorda bem cedo, fazia a limpeza da loja, saia para comprar mercadorias e depois que voltava, começava a atender os fregueses. Era assim todos os dias. No início como se tratava de um campo completamente

desconhecido para ele, sentia-se inseguro e nem sequer sabia o nome e a finalidade dos produtos. Uma loja de miudezas vende as mais variadas mercadorias, desde produtos de beleza até bijuterias e ele não conseguia decorá- las todas. Entretanto, com a ajuda de sua mãe, pouco a pouco foi se inteirando de tudo. Sempre cumprimentava amavelmente os fregueses, até mesmo aqueles que vinham comprar um simples vidro de óleo de cabelo ou uma fitinha. Dizia-lhes Seja bem vindo”, “muito obrigado”.

A loja foi prosperando. Em pouco tempo o movimento era tão grande que

faltava mão de obra. Então o mestre empregou Ume, filha do dono da barbearia.

Nessa época, um parente seu, pessoa de muita experiência, advertia-o constantemente. A propósito dessas advertências, ele escreveu:

Ele dizia: Um individuo tão honesto como você nunca vai conseguir sucesso neste mundo. Os bem sucedidos de agora pregam boas mentiras, portanto, é preciso que você proceda de acordo com o método triangular (faltam o senso de justiça, o calor humano e a amizade). Achei sensato e depois que me tornei independente, esforcei-me bastante para mentir com habilidade. Mas nada ia bem, além disso, eu sempre sentia um aperto no coração. Como resultado, pensei:

Uma pessoa como eu não consegue nada com mentiras. Mesmo que eu não alcance o sucesso vou voltar a agir com a honestidade de antes. Assim decidi, assim fiz. E inesperadamente as coisas melhoraram. Eu me sentia bem e as pessoas confiavam em mim. Fui prosperando rapidamente. Dez anos depois de ter começado como um pequeno comerciante sem nenhum capital, pude considerar-me um bem-sucedido, coisa muito rara na época. “Meu capital elevava-se então, a mais de 100 milhões de ienes”. Entretanto, na época do Kõrin-dõ, apesar do progresso da loja, o mestre passou por mais uma decepção: teve de desisti da produção de ―maki-e‖, em conseqüência de um acidente. Como já falamos, o Mestre também vendia obras de maki-e; não só as que ele mesmo confeccionava, mas também as que ele desenhava e mandava um profissional confeccioná-las. Entretanto, um dia ele cortou o nervo do dedo indicador direito não podendo mais fazer porque esse dedo é essencial para esse tipo de arte. Sentindo uma enorme tristeza pelo fato ocorrido.

CASAMENTO

A Kõrin-dõ prosperou com a ajuda de sua mãe, podendo dedicar-se de corpo e alma aos negócios. Assim a loja tornou-se pequena e teve de alugar uma casa maior situada na mesma rua, mas em outro bairro. Como os negócios começaram a correr bem e o mestre adquiriu autoconfiança, se julgou capaz de viver independente e separou-se de seu irmão e assumiu a responsabilidade da família.

Pouco tempo depois, a necessidade de casar-se. Logo depois, seu padrinho, Takahashi Guentarõ apresentou-lhe Aihara Taka, cuja família era da cidade de Yokahama. O pai dela Fussakiti era dono de uma loja de arroz. Tori, a mãe do mestre, gostou muito da moça e o casamento ficou resolvido. Eles se casaram em junho de 1907, depois do ofício religioso de três anos de falecimento de Kissaburõ, seu pai. O mestre estava com vinte e quatro anos e Taka, dezenove. Sendo a segunda filha dos proprietários da loja de arroz, aprendera, não teoricamente, mas na prática, o serviço de uma casa comercial, não perdendo para nenhum homem no que concerne a transações, administração etc. Depois que se casou com o Mestre, ela também pôs em prática toda essa experiência. Tinha grande habilidade para qualquer tipo de serviço e era muito trabalhadeira não podendo ficar parada, sem fazer nada. Executava o trabalho de várias pessoas, desde os serviços domésticos até os da loja. Conseguindo uma folga nesse ritmo atarefado de vida, aprendia vivificação floral e cerimônia de chá. Foi graças à valiosa ajuda de Taka que o Mestre em apenas dez anos de comerciante, pode obter um sucesso tão grande como fabricante e atacadista de miudezas.

A AMPLIAÇÃO DOS NEGÓCIOS

Em fevereiro de 1907 aproximadamente um ano e meio depois que inaugurou a loja de miudezas, o mestre reformou sua casa, para usá-la como loja e aí iniciou o comércio por atacado. No início, o emblema da Loja Okada era um MO (primeira sílaba de Mokiti, prenome do mestre) dentro de um círculo (―maru‖) e o por isso também chamavam o dono do estabelecimento de Sr. Marumo. Ao iniciar o comércio por atacado, o mestre fez um contrato oficial com Kimura que era um colaborador excelente e que era sub-gerente da outra loja concorrente que veio a falir posteriormente e pela larga experiência nessa atividade, o mestre convidou-o para trabalhar na Loja Okada, de modo que era fácil lhe fazer as vendas, acrescente-se a isso o fato de que era muito conhecido pelos demais compradores. Levava, portanto, muitas vantagens. Não há dúvidas de que, unindo a capacidade do mestre e as qualidades de Kimura, o mestre pôde confiar no sucesso do empreendimento e com isso a ampliação dos negócios.

CRIAÇÃO DE BIJUTERIAS

Desde que machucou o dedo, o mestre nunca mais fabricara nada, mas, utilizando sua experiência, dedicava-se a pesquisa do desenho de pentes e outros adornos para cabelo. Enviava esses desenhos a um profissional para ele fabricar os objetos que depois de prontos, eram colocados à venda. Em abril de 1909, dois anos após ter começado o comércio por atacado, expôs um adorno para cabelo, representando a Loja Okada, numa exposição de artigos infantis promovida pela loja de roupas Mitsukoshi com a finalidade de ampliar sua clientela entre o povo. Tratando-se de uma exposição de artigos infantis poder-se-ia pensar apenas em brinquedos, mas nela se expunham roupas, adornos e outros artigos de utilidade para crianças. Quanto a qualidade, eles não diferiam nem um pouco dos artigos para adultos. Nessa exposição onde foram expostos 1835 objetos, o mestre e mais quarenta e nove pessoas receberam Premio de Bronze. Nove foram agraciadas com Premio de Ouro e trinta e três com Premio de Prata. Durante os quinze anos que vão de 1909 a 1923, o mestre criou inúmeros objetos de adornos, na maioria objetos inéditos com novos detalhes em que ele utilizava a tradicional técnica do maki-e e a técnica denominada ―raden‖ (consiste em cortar conchas finas e brilhantes em pedaços de diversos formatos e utilizá-los para enfeitar vasilhames de laca ou madeira crua). Havia uma grande concorrência em lojas de miudezas que vendiam por atacado, mas devido às bijuterias inovadoras e inéditas do mestre, a loja Okada foi se destacando e acabou ocupando o primeiro posto no mundo empresarial. O Mestre tirava as idéias para essas criações em jornais, revistas, livros e utilizava o método prático dos cinemas, as barracas de shows e o yosse. Watanabe Sõtarõ, funcionário da Loja Okada, fala-nos sobre aquela época:

―O patrão, que chamávamos de Oyaji (nome afetuoso de pai), além de ir ao teatro, era um assíduo freqüentador de cinema. Sempre dizia às pessoas que trabalhavam na loja : ―Ontem fui a ao cinema X. Está passando um filme muito bom, não deixe de ir!”. Entretanto, nós achávamos que ele se ia a esses lugares mais por interesse comercial do que para se divertir. Nessa oportunidade ao mesmo tempo em que assistia ao filme, ficava observando os adornos de cabelos das mulheres.

Observando os tipos de penteados, o mestre pesquisava o adorno que combinasse com cada um. O senso de beleza que ele possuía foi empregado não apenas no desenho das mercadorias como também na decoração interna da loja. Logo depois o mestre dedicou-se a produção de bijuterias.

A MORTE DA MÃE

Em maio de 1915, Tori (sua mãe), foi visitar uns parentes, em Sussaka. Aproximadamente um mês depois Tori mandou um telegrama dizendo que retornaria a Tóquio. Exatamente nessa ocasião o mestre estava viajando pela Região Kansai, com funcionários da loja. Quando ela desceu do trem, se rosto estava tão pálido que Takeijirõ e sua esposa Sue, que tinham ido buscá-la, ficaram assustados. Passados dois ou três dias, o médico diagnosticou nefrite. Acamada, Tori foi piorando rapidamente. Ela, que sempre mostrara um caráter forte, dizia:

―parece que desta vez estou chegando ao fim. Chamem Mokiti, pois preciso falar com ele‖. Imediatamente a família mandou um telegrama ao hotel onde ele estava hospedado, mas infelizmente ele já havia partido. Continuaram a passar telegramas os quais sempre chegavam quando ele já tinha deixado o local. Ansiosa pela chegada do filho, Tori não parava de perguntar: Mokiti ainda não chegou?

A situação não era fácil para Tekeijirõ, Sue e Taka, que estavam cuidando dela. Nesse meio tempo, sem saber de nada, o mestre voltou. Tori quase inconsciente, por alguns instantes recobrou o vigor e assim que o viu, falou: ―Mokiti, ‖

Estas foram as suas últimas palavras. Faleceu em 25 de maio de

você voltou

1915.

AS DOENÇAS

Como já escrito antes, o mestre sempre fora fraco e doentio. Após ter contraído doença dos olhos, teve pleurisia e depois tuberculose. Após ter aberto sua loja de miudezas ele sofreu uma grave isquemia cerebral, em conseqüência da sobrecarga de trabalho. Certo dia, uma pessoa indicou-lhe o tratamento com moxa, que ele começou a seguir a titulo de experiência. O terapeuta prescreveu-lhe caminhadas, e todos os dias ele caminhava um pouco. Gradativamente foi ganhando forças e quando o tempo estava bom, conseguia andar mais de quatro quilômetros seguidos por dia. Talvez por efeito desse exercício começou a melhorar da isquemia cerebral e no fim de dois ou três meses estava completamente curado. Entretanto a saúde dele ainda continuou debilitada por algum tempo. Mesmo depois de ter aberto a loja atacadista, ele adoecia algumas vezes por ano. Em 1909, com a idade de vinte e seis anos, contraiu tifo intestinal ficando num estado tão grave que chegou a expressar seus últimos desejos. Anos mais escreveu: ―Como pensei que não me salvaria, externei meus últimos desejos. Na época minha primeira esposa ainda vivia e eu tinha uma loja de miudezas. Cheguei a dizer a ela: Como não vou resistir por muito tempo, quando eu morrer, deixe os

negócio s com fulano e faça assim, assado

Estava, portanto, completamente

desapegado da vida”. Perto de sua casa havia um hospital muito renomado, o Hospital Okada e por sorte ele era amigo do irmão do Diretor. Através de um pedido especial, pôde

ser atendido por este, o que não acontecia comumente. Terminado o exame, o

médico lhe disse em tom frio: ―No estado em que você está, não há esperanças de cura. Caso eu interne uma pessoa que sei estar condenada, meu hospital perderá a confiança de que desfruta, por isso não posso interná-lo‖. Como a casa do mestre era pequena e se ele recebesse muitas visitas, não daria para acomodá-las. Então ele fez novo pedido ao diretor e solicitou ao irmão que também o fizesse. Finalmente conseguiu a internação. Dessa época ele escreveu: “Deitado na maca e vendo as pessoas caminhando pela cidade, pensei que aquela era a última vez que eu via gente. Não conseguia deixar de ter visões de cemitério, acreditei, mais do que nunca que já estava no fim” Aconteceu, porém, um milagre. Embora lhe tivessem dito que não se salvaria, ele se restabeleceu por completo do grave tifo intestinal, com um tratamento de apenas três meses. Naquele tempo não existia remédio para o tifo, ele ficou curdo apenas com alimentação líquida. Entretanto suas sofridas doenças ainda continuaram durante dez anos. A loja de miudezas prosperava com o vigor do nascer do sol, mas o mestre ainda adoecia muito. Além de ter ficado internado durante um mês com crises de hemorróidas, sofreu de dores de cabeça e de estomago, reumatismo, prostração nervosa, uretrite, amidalite, catarro intestinal, problemas das válvulas cardíacas, periodontite e um incontável número de outras enfermidades. Assim, ele vivia sob o temor da doença e por isso cuidava muito da higiene diária, a ponto de parecer neurótico. Segundo reminiscências dos funcionários da loja, o mestre se precavia a ponto de ir ao médico por causa de um espirro. Quando ia ao toalete e lavava as mãos, jamais usava a toalha usada por outras pessoas; abanava as mãos para secá-las. Depois das refeições tinha o trabalho de trocar o algodão com o qual tampava as cáries dentárias. Através do trecho que se segue, fica patenteado o quanto ele era dependente da Medicina nessa época, pelo medo atroz que tinha da

doença. “Creio que este fato aconteceu quando eu tinha mais ou menos trinta anos”.

Fui para uma estância de águas termais, situada em Shinshu, num local

bem afastado e assim que cheguei a hospedaria, perguntei a funcionária:

- Nestas termas existem médicos?

- Sim, há um, respondeu ela.

- É um clínico ou um cientista?

- Ouvi dizer que se formou este ano.

Ao ouvir essas palavras, fiquei tranqüilo, achando que poderia permanecer ali dois ou três dias sem me preocupar. Mais adiante ele escreveu:

“Como o homem nunca sabe quando vai ficar doente, eu queria encontrar um médico atencioso que na hora em que eu precisasse e lhe desse um telefonema, me atendesse imediatamente fosse de noite o u de madrugada. Acabei encontrando um médico assim a quem eu tratava da melhor maneira possível. Tornamo-nos tão íntimos como se fôssemos parentes. Ele é o padrinho de casamento de minha atual esposa. Podem ver, portanto, como eu acreditava na Medicina, naquela época”. No entanto, das doenças contraídas pelo mestre, a que mais o fez sofrer e durou mais tempo, foi a dor de dente que ele teve de 1914 a 1916. “A dor de um só dente já é terrível. Imaginem então, quatro dentes doendo ao mesmo tempo todos os dias. Era insuportável” assim se expressou ele, anos mais tarde. O mestre correu o hospital da Universidade Imperial de Tóquio, a clínica Odontológica Especializada de Lidabashi e todos os hospitais famosos de Tóquio, mas não obteve a cura. A dor de dentes tornou-se tão forte que chegou a colocar

em perigo a sua vida. Ele disse: ”Minha cabeça foi ficando tão perturbada que eu me vi num beco-sem-saída, achando que teria de escolher entre ficar louco ou me suicidar”. Nisso retornou ao Japão um famoso dentista que trabalhara durante longo tempo nos Estados Unidos. Imediatamente ele foi bater a sua porta. Durante um ano, esse dentista fez tudo que estava ao seu alcance, mas os dentes do mestre iam ficando em estado cada vez pior. Por fim, desistindo do tratamento que lhe estava fazendo, o próprio dentista, disse a ele: ―Já usei todos os remédios que conheço. Agora só resta esperar pelo novo medicamento que um amigo meu vai trazer dos Estados Unidos‖. Entretanto, dessa vez também aconteceu algo misterioso. Um conhecido do Mestre apresentou-lhe um sacerdote da Religião Nitiren. Não suportando mais o sofrimento por que passava dia e noite, ele resolveu experimentar durante uma semana o tratamento que esse sacerdote lhe aconselhou. Parou de ir ao dentista e começou a freqüentar a casa do sacerdote. Não se sabe ao certo que tratamento era, mas no quarto dia, voltando de lá, o mestre começou a se sentir bem melhor, quando ainda estava no trem. A dor havia diminuído, e ele se viu tomado por uma sensação agradável que não sentia há meses. Naquele momento, repentinamente, ocorreu-lhe uma idéia: a causa da dor de dente não seriam os remédios? Não seria por causa deles que a dor de dentes não passava? Os analgésicos não estariam causando uma dor ainda maior? Pensando assim, parou de ir à casa do sacerdote e também nunca mais foi ao dentista. Através dessa longa e sofrida experiência, o mestre tomou consciência, na própria pele, da nocividade dos medicamentos. Aprendeu que o remédio que deveria curar a doença, na verdade, cria a doença.

SUCESSO

A INVENÇÃO DO “DIAMANTE ASSAHI”

O que veio consolidar a posição da Loja Okada, que havia alcançado sucesso em tão pouco tempo, foi o ―Diamante Assahi‖, produto criado por um método inteiramente novo, pesquisado pelo próprio Mestre e utilizado para confeccionar bijuterias. Numa tarde do verão de 1913 ou 1914, em sua mansão de Kanazawa, no Estado de Kanagawa, o Mestre estava dormindo, quando acordou ao som refrescante do tilintar do sininho de vidro pendurado à frente da casa. Olhando na direção de onde o som partia, viu que do sol, que começava a se deitar no poente, irradiavam-se feixes luminosos avermelhados, os quais, incidindo sobre o sininho, que balançava de leve, brilhavam em sete cores, como um arco-íris. Enquanto admirava aquela beleza, ele pensou: ―Seria maravilhoso se eu pudesse aproveitar esse brilho para a confecção de adornos de cabelo ou bijuterias Compenetrado nessa idéia, o Mestre aprofundou-a e, depois de mil experiências, chegou à conclusão de que deveria utilizar espelho. O método consistia em colar um espelho bem fino em papel ou seda e cortá-lo em pequenos pedaços que, em seguida, seriam colados no metal ou no celulóide a ser usado para a confecção do objeto. O material obtido através desse método brilhava ofuscantemente, como um diamante, e o seu brilho assumia cores diversas. Além disso, podia ser amplamente utilizado em pentes, adornos para cabelos e broches. Logo o Mestre passou a vender objetos confeccionados com esse material, requerendo-lhe a patente com o nome de ―Diamante Wari‖. Isso

aconteceu em maio de 1915. Em agosto do ano seguinte, requereu a patente do desenho de uma combinação de estrela e lua e, a partir desse momento, o produto passou a ser chamado ―Diamante Assahi‖. A beleza inédita do ―Diamante Assahi‖ conquistou por completo o coração das mulheres da época. (Vide foto colorida no início deste livro). Sendo espelho, brilhava de forma ofuscante sob o efeito da luz e mudava de cor de acordo com o ambiente. Além do mais, entre os objetos feitos com esse material, os mais baratos, na compra por atacado, custavam aproximadamente 1 iene e 30 ―sen‖ a dúzia, preço que qualquer pessoa podia pagar com facilidade. Some-se a isto a excelência do produto. Assim, do país inteiro choviam pedidos; eram tantos que, por maior que fosse a quantidade de artigos produzidos, não se conseguia atender a todos.

Kinzo Kimura II, filho do gerente da Loja Okada, conta-nos uma lembrança inesquecível sobre o ―Diamante Assahi‖. O fato ocorreu em sua infância, certa vez em que ele foi ao teatro com a família. No intervalo da representação, seu pai lhe disse: ―Levante-se e olhe para a platéia‖. Ele assim fez e avistou uma poltrona de onde irradiava uma luz meio clara. Logo percebeu que, em todos os lugares do teatro, pouco iluminado, a cabeça das senhoras reluziam. Enquanto ele permanecia absorto na contemplação daquela beleza estranha, seu pai lhe explicou, num tom que demonstrava grande orgulho: ―Todo esse brilho é do ―Diamante Assahi‖ da Loja Okada, sabia?‖. Só nas bijuterias feitas com o ―Diamante Assahi‖ a loja obteve um lucro de 100 mil ienes da época. Assim, em 1916, quando o Mestre estava com trinta e três anos, a Loja Okada se tornou uma das melhores do ramo, ocupando uma sólida

posição. Em julho de 1915, poucos meses depois da invenção do ―Diamante Assahi‖, o Mestre criou um tipo de pente a que chamou ―Pente Bright. Essas criações do Mestre deixavam as pessoas maravilhadas e produziam um efeito extraordinário. Analisando mais profundamente a história do artesanato japonês, concluímos que o ―raden‖ é um tipo de ―kanso‖ elaborado como processo para enfeitar objetos de laca. O ―kanso‖ consiste em colar ou fincar numa superfície de laca pedaços de conchas cortadas, formando desenhos. Naquela época, surgiram muitos artesãos típicos que trabalhavam com laca, mas um dos que manifestaram sua individualidade com maior vigor foi Korin. A obra intitulada ―Yatsuhashi Maki-e Suzuribako‖ propriedade do Museu Nacional de Tóquio, é muito famosa, constituindo uma de suas obras-primas. As flores de íris feitas com pedaços de conchas, aplicadas nesse trabalho, atraem profundamente aqueles que o apreciam. A admiração do Mestre por Korin não se restringe apenas ao campo da pintura, mas abrange também o artesanato em geral; daí ele ter aplicado a técnica do ―raden‖ nas suas criações. O desejo de usar coisas belas é comum a todos os seres humanos; nas mulheres, principalmente, ele é muito forte. Entretanto, as verdadeiras obras de ―maki-e‖ e ―raden‖, os pentes e adornos de cabelo enfeitados com diamantes etc., são inacessíveis ao povo. Para atender a esse desejo é que surgiu o ―Diamante Assahi‖ e os demais objetos mencionados, os quais, embora sejam imitações, foram criados com muito engenho e esforço, para dar alegria ao povo, aproximando-se muito dos verdadeiros, e a preços módicos. No documento da ―patente de novo produto‖, datada de 1915, lê-se esta frase: ―Além de ter uma aparência muito bela, assemelhando-se ao ―maki-e‖, pode ser adquirido a preços bem baixos. E grande, ainda, a possibilidade de permanecer no mercado por longo

tempo, sendo, pois, uma criação oportuna‖. Por essas palavras podemos constatar

o verdadeiro objetivo do Mestre. A fim de atender aos pedidos que aumentavam vertiginosamente, ele alugou uma casa bem grande, no bairro de Missuji, situado no Distrito de Assakussa, e reformou-a, para usá-la como fábrica. Nela, dezenas de operárias produziam o ―Diamante Assahi‖, trabalhando dia e noite. Além desse trabalho vigoroso para atender ao mercado interno, o Mestre também visava o mercado externo, tendo traçado um plano de amplitude mundial. Atente-se para o fato de que ele requereu patente do ―Diamante Assahi‖ no exterior. Na época, apenas dez países tinham o sistema de patentes: Japão,

Inglaterra, Estados Unidos, França, Alemanha, Itália, Austrália, Canadá, Índia e Brasil. O Mestre obteve a patente em todos eles, antes mesmo de tê-la obtido no Japão. Esse fato mostra claramente que, desde o início de seus empreendimentos, ele tivera uma visão bem ampla, objetivando não apenas o Japão, mas o mundo. Para vender o ―Diamante Assahi‖ nos Estados Unidos, o Mestre enviou a esse país um indivíduo chamado Tsukamoto, que falava inglês fluentemente. Chamou, também, um jovem que residia em Shinshu, terra natal de Tori, sua mãe,

e fez que ele freqüentasse uma escola de idiomas, preparando-o para que, no

futuro, quando se formasse, pudesse trabalhar na Loja Okada como encarregado dos negócios no exterior. Era pensamento geral entre os japoneses que o Japão fosse um país subdesenvolvido e que os países ocidentais fossem desenvolvidos. Achava-se que todas as coisas boas provinham do Ocidente. Assim, por incrível que pareça, estava totalmente fora de cogitação vender aos Estados Unidos qualquer produto artesanal japonês. Em face disso, as pessoas ligadas ao mesmo ramo de negócios que o Mestre, espantaram-se sobremaneira quando tomaram conhecimento das transações realizadas por ele. Nos Estados Unidos, Tsukamoto foi vítima de fraudes e, infelizmente, não pôde concretizar os planos traçados. Através, porém, de sua viagem àquele país, podemos ver que, já na Era Taisho, o Mestre tinha os olhos amplamente voltados para o mundo.

A ÉPOCA DO BAIRRO DE KITAMAKI

Com a venda explosiva do ―Diamante Assahi‖, o prédio onde até então se localizava a Loja Okada tornou-se muito pequeno. Morar ali, naquelas condições, era muito incômodo. Não havia sequer lugar onde guardar os produtos recém- fabricados, nem sala de espera para os artesãos que viviam entrando e saindo. Além do mais, vinham muitas pessoas da terra natal da mãe e da esposa do Mestre, para trabalhar na loja, havendo, portanto, necessidade de assegurar-lhes moradia.

Ele resolveu, então, mudar-se para outro local. Comprou um terreno no bairro de Oga, perto de Minamimaki, bairro onde estava situada a loja, ambos no Distrito de Kyo-bashi, e lá construiu uma casa, para a qual se mudou em abril de 1916. Era uma casa grande, em estilo japonês, com um amplo jardim, e ficava situada num lugar que tinha muita facilidade de transporte, perto da Estação de Tóquio, a qual era e continua sendo o ―cartão postal‖ da cidade. O prédio de tijolos vermelhos que ainda hoje existe no lado Marunouti foi concluído em 1914, pouco antes da mudança do Mestre para o bairro de Oga. Com a sua conclusão, os arredores da Estação de Tóquio tiveram uma prosperidade ainda maior. Logo depois que mudou de residência, o Mestre, com a ampliação dos negócios, transferiu a loja para um prédio situado no bairro de Kitamaki, perto da

Ponte Yaessu, bem em frente ao pátio da atual entrada Yaessu da Estação de Tóquio. Era a melhor zona da capital, localizada em pleno centro.

A partir de 1915, o progresso da Loja Okada foi espantoso. Após a

mudança para as novas instalações, os negócios prosperaram cada vez mais. Todos os dias o movimento era grande desde cedo, com o entra-e-sai dos funcionários e artesãos. Por volta de 1918 ou 1919, o Mestre comprou um carro importado e contratou um motorista. Isso foi muito comentado na vizinhança e nos arredores do bairro de Kabuto, pois, nos meados da Era Taisho, poucas pessoas possuíam automóveis particulares. Desde que o Japão importou pela primeira vez um automóvel, em 1901, até os meados da Era Taisho, o total de carros importados era pouco mais de mil, incluindo caminhões, carros do governo e carros militares. Mori, diretor do Departamento de Vendas Regionais da Loja Okada, disse: ―Ele não fez isso por luxo, mas para tornar as negociações mais práticas. No comércio só se

usavam ―jinrikisha‖. Entretanto, nós tínhamos trabalhos a ponto de ficarmos zonzos

e não conseguíamos dar conta do recado; então, para tornar mais prático o serviço, o Mestre comprou o automóvel‖. Na época, a situação financeira da Loja Okada era muito boa, e entrava

dinheiro mesmo sem se fazer nenhuma propaganda. Portanto, podemos dizer que

a compra do automóvel foi uma manifestação não só do otimismo do Mestre em

relação aos negócios, mas também do seu desejo de tornar o empreendimento cada vez mais racional, adotando tudo que era bom e moderno.

ADMINISTRAÇÃO DO CINEMA

O Mestre, que sempre fora um ardoroso admirador do cinema, em

determinada época quis ser diretor cinematográfico. Entretanto, como o cinema

japonês ainda estava numa fase incipiente, não havia terreno para se produzirem bons filmes. Ele, então, planejou administrar um cinema onde fosse exibidos excelentes filmes ocidentais, e ficou aguardando o momento oportuno. Nisso, conheceu uma pessoa que tinha adquirido os direitos para a construção de um cinema, mas estava sem capital. O fato aconteceu em outubro de 1913, quando ele

já havia conseguido prosperar como dono da Loja Okada, que continuava tendo

sucesso. Depois de conversarem diversas vezes e estudarem o caso, os dois decidiram fundar uma empresa cinematográfica com um capital de 25 mil ienes, dando-lhe o nome de ―Eidai Katsudo Shashin Kabushikigaisha‖ (Eidai Fotografias

em Movimento S.A.). Ela seria instalada perto da Ponte Eidai, situada na foz do Rio Sumida, de onde foi tirado seu nome. Inicialmente tinham determinado administrá-

la juntos; entretanto, como o Mestre entrara com a metade do capital, ficou com o

cargo de Superintendente Geral. Comprado o terreno, iniciaram a construção do

prédio.

A respeito dessa época, ele escreveu: ―Até então eu nunca havia lidado com empreendimentos desse tipo, mas, apesar de não ser algo fácil, eu achava que tudo serviria de experiência. Assim, com muito sacrifício, construí e inaugurei um pequeno cinema. Naquele tempo, os chamados ―prédios de exibição de fotografias em movimento‖, diferentemente do que acontece hoje, requeriam a contratação de um orador, de uma banda musical, de uma pessoa que tocasse ―shamissen‖, de um locutor que explicasse o filme etc., assim como também a exibição das películas para as figuras importantes da cidade. Enfim, era preciso lidar com pessoas de um mundo completamente diferente. Por isso, meu sofrimento psicológico era muito

grande. ―Além disso, como eu era amador e entrara de repente nesse mundo, sem saber nada sobre a face oculta da sociedade, fui enganado e não sabia mais o que fazer‖.

É interessante que, desde o início, sempre que surgia alguma questão

relacionada com esse cinema, o Mestre ficava indisposto e com febre alta. Entretanto, suportando o sofrimento, ele saía para tratar do assunto. Concluído o

prédio, este recebeu o nome de Eidai-Kan; só se esperava pelo dia da inauguração. Receberam convites, como convidados de honra, o administrador do distrito e do bairro, ilustres personalidades locais e muitas outras pessoas. Na qualidade de Superintendente Geral, o Mestre é quem deveria recepcioná-los. Todavia, no dia da inauguração, ele teve uma febre de quarenta graus, não estando em condições de comparecer à cerimônia. Sem outra alternativa pediu que o representassem, e assim o cinema pôde ser inaugurado. Entretanto, mesmo depois, sempre que ele ia àquele prédio, sentia dores lombares, sendo obrigado a subir as escadas agarradas ao corrimão, quase que se arrastando. Ao voltar para casa, logo se recuperava. Esse fato misterioso repetiu-se durante bastante tempo. Como o Mestre achasse o caso muito estranho, foi a um sacerdote, incentivado por algumas pessoas. Este lhe disse que, mais ou menos no cenho do palco, enxergava o rosto

rancoroso de um morto. Ao ouvir isso, ele sentiu calafrios, mas, como era ateu, não deu crédito às palavras do sacerdote.

O estranho fato continuou a acontecer, até que finalmente o Mestre

perdeu o entusiasmo pelo empreendimento e deixou a administração do cinema. A partir daí, seu estado de saúde foi melhorando a cada dia. Não se sabe ao certo quando e de que forma o Mestre deixou a empresa. Seja como for, o fato de naquela época, ele ter empregado a quantia de 12 mil ienes - metade do capital - e administrar essa empresa como Superintendente Geral, mostra o seu grande interesse pelo cinema e também pelas atividades culturais de vanguarda. Felizmente ainda resta um título desse tempo, cuja data nos informa que o Eidai-Kan ainda estava funcionando em janeiro de 1918.

AMOR QUE NÃO VISA À RECOMPENSA

A Loja Okada parecia um barco navegando com vento favorável. Seria

bem adequado dizer que ela ia ―de vento em popa‖. As mercadorias se esgotavam com rapidez, e havia bastante movimento de dinheiro. A produção, as vendas, tudo corria normalmente. Como o empreendimento que iniciara sozinho teve um grande sucesso em pouco tempo, é natural que o Mestre tenha sentido uma grande confiança em sua inteligência e capacidade, tornando mais sólida a crença de que a felicidade ou a infelicidade dependem unicamente do esforço e da inteligência da própria pessoa. Ao mesmo tempo, o pensamento materialista e agnóstico que tinha desde jovem foi se fortalecendo cada vez mais. Até por volta dos quarenta anos, o Mestre nunca tinha rezado. Além de não rezar, achava tolas as pessoas que professavam alguma religião. Para ele, as imagens dos santuários eram simples espelhos, pedras ou letras escritas em papel; portanto, não fazia sentido adorá-las. Considerava que os ídolos não passavam de estátuas ou desenhos de Sakyamuni, Amithaba etc.; eram produtos da imaginação humana e, por isso, adorá-los fazia menos sentido ainda. Enfim,

segundo ele, tudo não passava de idolatria. Nessa época, o Mestre sentia-se identificado com a teoria do filósofo alemão Rudolf Cristoph Eucken (1846 - 1926), Prêmio Nobel de Literatura em

1908. Essa teoria diz que os ídolos são criados pelos próprios homens, porque estes têm o instinto de adorar alguma coisa, o que não passa de auto-satisfação. Conseqüentemente, quando ficava sentado nos templos, por ocasião de algum ofício religioso pelos mortos, o Mestre cochilava. Seu materialismo ainda foi mais longe. A constatação de que os países que possuem muitas igrejas, como a Itália, por exemplo, estavam em decadência, e que, ao contrário, países com poucas igrejas, como os Estados Unidos, vinham alcançando um grande progresso, levou-o a pensar que os templos e os santuários eram um obstáculo para o progresso do Japão. Entretanto, nessa época, o Mestre fazia doações periódicas ao Exército da Salvação (Ramificação do cristianismo fundada em 1865 por William Booth (1829-

1912).

Certa vez, um missionário visitou-o e perguntou-lhe: ―A maioria das pessoas que colaboram conosco são cristãs. Por que o senhor, não sendo cristão, nos envia donativos?‖ Ele respondeu claramente: ―O Exército da Salvação ajuda os ex-presidiários a se recuperarem, transformando homens maus em homens de bem. Por conseguinte, se ele não existisse, um ex-presidiário poderia entrar em minha casa para me roubar. Uma vez que ele me livra desse perigo, é natural que eu me sinta agradecido e colabore com as suas atividades‖. Dessa forma, o Mestre era agnóstico, mas tinha um profundo desejo de praticar boas ações em favor do próximo. Muitos episódios dessa época mostram o seu grande empenho em servir aos homens e ao mundo. Comecemos pelos fatos relacionados com as pessoas que lhe eram mais próximas. Um deles foi o amor que demonstrou quando sua esposa contraiu tuberculose, em 1908, pouco mais de um ano depois que eles se haviam casado. Ao consultarem um médico, este falou: ―Como não existem remédios para essa doença, não há outra alternativa a não ser ela mudar-se para um lugar de ar puro e ficar em repouso‖. Na época, considerava-se a tuberculose uma doença incurável e acreditava-se que era hereditária. Por isso, os parentes do Mestre aconselharam- no a levar a esposa para a casa dos pais, para o bem dela própria. Durante algum tempo ele achou que seus familiares tinham razão, mas não conseguia se conformar com essa idéia. Ajudar-se mutuamente, haja o que houver, é a atitude que um casal deve ter, pensava o Mestre. Ele sentia-se confiante, por já ter se curado da tuberculose contraída tempos atrás. Além disso, nascia-lhe a certeza de não haver razão para que uma pessoa que vivia justa e corretamente fosse contagiada por essa doença. Era uma opinião pessoal, que deixou o médico e os familiares espantados. Seguindo uma dieta vegetariana, em três ou quatro meses Taka ficou totalmente curada, sem que ninguém tivesse pegado a doença. A história que se segue refere-se a uma moça de dezesseis ou dezessete anos que trabalhou por uns tempos na casa do Mestre. Tendo ela ficado doente, ele a mandou de volta para casa, no Estado de Tiba. Entretanto, pouco tempo depois, a moça apareceu inesperadamente. Estava muito pálida. Inquirida sobre o que havia acontecido, respondeu que, depois que ela fora embora, a doença se agravara, tendo sido diagnosticada como tuberculose em estado avançado. Pelo fato de sua casa ser muito pobre, ela não conseguia repousar. Tornara-se um peso para os familiares, os quais lhe disseram que voltasse para o trabalho. E ali estava ela. Olhando comovido para a jovem, que falava em prantos, o Mestre lhe disse: ―É um absurdo você trabalhar nessas condições. Volte imediatamente para casa, pois, enquanto você estiver viva, eu lhe enviarei a quantia necessária para o seu sustento e para o tratamento médico‖.

A moça voltou para sua terra muito feliz. Desde então, ele passou a lhe

enviar 15 ienes mensalmente.

Os parentes e amigos do Mestre, desaprovando sua atitude, recriminaram-no: ―Se essa moça tivesse possibilidade de se curar, ainda vá lá. Mas, do jeito que está, é certo que vai morrer. O que adianta ajudar alguém que está condenado à morte? Se ela pudesse lhe retribuir o favor, trabalhando, depois

Mas não é esse o caso. Portanto, você está

gastando dinheiro à toa. Que tolice! É melhor parar logo com isso!‖ Entretanto, como havia tomado aquela iniciativa sem pensar em lucros ou perdas, o Mestre lhes respondeu: ―Não tenho a mínima intenção de ser recompensado pelo que estou fazendo. Ajudar as pessoas visando à recompensa é uma espécie de troca. É como vender favores. E isso não é caridade, é um meio de ostentar bondade. Eu ajudo essa moça porque tenho pena dela e não posso deixá-la desamparada. É um sentimento natural, que sai de dentro de mim. Que mal há nisso, se eu me sinto bem? Não se intrometam no que não lhes diz respeito. Vocês podem achar tolice; para mim, tanto faz o que vocês estejam pensando‖. Ouvindo essa resposta, aqueles que o censuraram ficaram tão decepcionados que se calaram.

Conta-se também que, certo dia, o Mestre se acomodou num ―jinrikisha‖ e, mal este começou a andar, ele percebeu que o condutor era um novato sem nenhuma prática. Ora, os ―jinrikisha‖ só possuem duas rodas e não têm equilíbrio próprio, de modo que, para manter o equilíbrio, o condutor precisa segurar firme as barras e colocar o corpo na posição correta, sendo-lhe necessário muito treino, para correr bem. Aquele, entretanto, ia quase cambaleando. Percebendo isso, o Mestre perguntou: ―Você ainda é novato nesse serviço, não é?‖ O rapaz, continuando a puxar o ―jinrikisha‖, respondeu: ―Sim, faz pouco tempo que comecei. Na verdade eu sou estudante e não queria estar fazendo este serviço. Mas quero ver se continuo até me formar.‖. Sentindo muita pena do rapaz, o Mestre deu-lhe o seu endereço e disse- lhe que fosse a sua casa, pois queria ajudá-lo. O jovem ficou emocionado e, pouco tempo depois, apareceu lá. O Mestre prometeu que lhe enviaria a quantia para ele pagar as despesas escolares até se formar. Ouvindo isso, a alegria do estudante foi tão grande que ele se levantou da cadeira e, sentando-se no tapete à maneira japonesa, fez várias reverências em agradecimento. Dizem que, após ter se formado com excelente aproveitamento, esse jovem se tornou policial, mas não se sabe o seu nome nem outros dados a seu respeito. Ainda existe um caderno de despesas dessa época, bem detalhado. Nas folhas correspondentes ao período que vai do final de 1919 até 1920, existem três registros de despesas feitas com aquele estudante. Uma delas foi uma despesa extra, de 100 ienes, no final do ano de 1919; a seguinte, de 30 ienes, em março de 1920; a terceira também de 30 ienes, em maio do mesmo ano. A soma de 100 ienes daquela época corresponde, atualmente, a uma quantia de 200 a 300 mil ienes, e 30 ienes por bimestre significavam 15 ienes por mês, o que, em termos atuais, eleva-se a mais de 20 mil ienes.

O Mestre conhecera a pobreza desde a infância e sabia os problemas que

ela acarretava. Graças ao seu contínuo esforço e à sua capacidade, tornara-se um

grande capitalista, mas jamais esqueceu o sofrimento por que passara em tempos antigos. Ao ouvir a triste história do estudante, não quis deixá-lo abandonado, como se o caso não lhe dissesse respeito.

que ficasse boa, ainda bem

SENTIMENTO DE JUSTIÇA

Para entendermos bem a pessoa do Mestre, é muito importante conhecermos o caráter que ele manteve desde a juventude até os seus últimos anos de vida, e refletirmos sobre o princípio em que se fundamentava esse caráter. Certamente, este será também o caminho para apreendermos sua pessoa como um todo.

A expressão do amor que não visava à recompensa e não se prendia a

nada; os aspectos inovadores que estavam muito à frente de sua época; o gênio progressista que não se cansava de buscar o que havia de mais prático e racional, tudo isso fazia parte do seu imutável caráter. Mas o forte sentimento de justiça, superior ao das pessoas comuns, também foi uma característica que ele manteve durante toda a sua vida. A esse respeito ele próprio falou: ―De nascença, tenho um forte sentimento de justiça, maior que o das pessoas comuns‖. Por tais palavras vemos que esse sentimento não era fruto do ambiente onde ele viveu ou da educação que lhe deram, mas uma característica inata. Além de ser uma forma de autodisciplina que o fazia policiar-se rigorosamente para não cometer injustiças, era algo que não lhe permitia ficar impassível diante das injustiças e da falta de ética por parte de terceiros. Diante do grande sucesso alcançado pelo ―Diamante Assahi‖ da Loja Okada, que subiu ao ápice do mundo comercial, começaram a se fazer sentir a inveja e as atitudes maldosas dos que trabalhavam no mesmo ramo. Nessas horas, fossem quais fossem os ataques recebidos, o Mestre jamais contrariava os seus princípios. Ele lutava tenazmente para defender a justiça, não se importando se o assunto dizia respeito a lucros ou perdas. Por isso, ainda que levasse desvantagem por algum tempo, a situação acabava se invertendo, ou seja, o

adversário se rendia. No final das contas, ele se recuperava da desvantagem inicial e alcançava um lucro ainda maior.

O fato que se segue aconteceu por volta de 1916, quando o Mestre tirou a

patente do ―Diamante Assahi‖. Nessa ocasião, ele fez um contrato especial com a Mitsukoshi, passando a negociar com uma grande quantidade de mercadorias. Entretanto, o Sindicato das Pequenas Lojas de Miudezas fez-lhe uma exigência muito conveniente para essas lojas: entre dois tipos de mercadorias, ele deveria vender um para elas e o outro para a Mitsukoshi. Ora, isso seria boicotar esta última, com a qual ele já havia feito contrato; portanto, não podia atender a tal exigência. Então, para forçá-lo, o Sindicato pediu a todas as lojas pequenas que boicotassem os produtos da Loja Okada. Em conseqüência, ela sofreu um duro golpe. Mas o Mestre não cedeu às pressões; suportou firme até o fim. Depois de dois anos, o Sindicato acabou desistindo dos seus propósitos, e o problema se solucionou por si mesmo. Nessa época, a Mitsukoshi começou a fazer, nas negociações, uma exigência impossível de ser atendida. Então, sem hesitar, o Mestre solicitou-lhe a rescisão do contrato que haviam feito. A Mitsukoshi ficou espantada, pois, até então, mesmo quando ela fazia algum pedido impossível, era costume o atacadista atender. ―Nunca houve ninguém que nos dirigisse palavras tão duras quanto o senhor‖, disse ela. Entretanto, como o Mestre estava com a razão, a Mitsukoshi desculpou-se, tornando-se possível o entendimento. Embora fizesse parte do mundo dos comerciantes, onde era mais freqüente dar-se primazia aos lucros e vantagens do que à justiça ou à razão, o Mestre, para estar ao lado da justiça, não cedera à pressão do Sindicato das Pequenas Lojas de Miudezas e virara as costas para a grandiosa Mitsukoshi, sabendo muito bem dos prejuízos que isso lhe acarretaria.

Entretanto, a situação momentaneamente favorável gerou distorções em vários aspectos da sociedade. Com a repentina alta no mercado de ações, intensificou-se o entusiasmo pela especulação, motivado pela ganância de altos lucros. Em virtude do aparecimento de grandes fortunas de uma hora para outra, a sociedade foi entrando num clima de decadência e de puro divertimento. Acontece, porém, que as boas condições econômicas eram bastante instáveis. Então, com o término da guerra, as conseqüências começaram a aparecer: o mercado de ações caiu, e as falências, as greves e a depressão sucediam-se. Nessa situação, os comerciantes, que visavam apenas ao seu próprio bem, compravam mercadorias em grande quantidade, e o arroz, alimento básico do povo japonês, teve seu preço elevado de forma exorbitante. A insatisfação popular explodiu em forma de motim, ocorrido em agosto de 1918, motim esse que progrediu, transformando-se num grande movimento, o qual envolveu 700 mil pessoas, em 305 pontos diferentes do Japão. Ao tomar conhecimento da corrupção do mundo político e financeiro, o Mestre sentiu-se invadido pelo seu forte sentimento de justiça e ódio ao mal. Justamente por isso, tempos depois, escreveu um elogio a esses dois membros do Congresso que apontaram a corrupção e lutaram firmemente pela justiça social:

―No mundo político da atualidade, quase não existem pessoas assim. A maioria é muito esperta e versátil, sendo muitos os que se mostram hábeis em forçar situações perigosas. Torna-se evidente o vazio em que o mundo político se encontra. Dessa forma, o que mais falta, atualmente, é um homem de fibra, que todos possam seguir‖. Nessa época, o Mestre havia alcançado um sucesso considerável em seus empreendimentos, e sua vontade de fazer algo em prol da sociedade e diminuir um pouco que fossem os males sociais, ia aumentando dia a dia. Para tanto, foi estudando diversas medidas, com o propósito de verificar qual era a mais eficaz. Na ocasião talvez por ainda ser agnóstico, ao ouvir dizer que os comunistas ajudavam os fracos, combatiam os donos do poder e estavam tentando construir o mundo dos que trabalham e são honestos, chegou a pensar seriamente em colaborar com suas campanhas, depois que fizesse fortuna. Mas, após ter pensado muito, resolveu abrir um jornal. Naquele tempo, não existia rádio nem televisão, de modo que o jornal era o único meio pelas quais as pessoas podiam inteirar-se dos acontecimentos do mundo e das mudanças ocorridas na opinião pública. Conseqüentemente, sua função, na sociedade, era incomparavelmente maior que a de hoje. Entretanto, depois de organizados, os periódicos freqüentemente se incorporavam a outros, tendendo gradativamente a crescer. Ao mesmo tempo, começou-se a dar maior importância à rapidez e à precisão das notícias e, por outro lado, aumentou nos jamais a tendência para proporcionar diversão ao povo. Justamente por isso, eles começaram a deixar de transmitir à sociedade as idéias elevadas da própria empresa. Anteriormente, Ruiko Kuroiwa, diretor do Jornal ―Yorozu-tyoho‖, denunciara a corrupção da sociedade e, colocando-se na posição dos pobres e sofredores, indicara o caminho que o Japão deveria seguir. Triste com a linha seguida pelos jornais, o Mestre, que tanto apreciava o ―Yorozu-tyoho‖, pensou em fundar um periódico que combatesse os males sociais e se empenhasse em corrigi-los. Segundo suas pesquisas, soube que, para fundar um jornal com tiragem de média escala, era preciso um capital de 1 milhão de ienes. Decidiu, então, conseguir essa quantia o mais breve possível.

OS SEGUIDOS SOFRIMENTOS

FALÊNCIA DO BANCO SOKO

Por volta de 1916, onze anos depois que abrira a loja de miudezas o Mestre já possuía um capital de 150 mil ienes. Com os lucros provenientes do ―Diamante Assahi‖, sua fortuna aumentava a cada ano. Entretanto, ainda lhe faltava muito para alcançar o capital de 1 milhão de ienes que precisava para abrir o jornal.

Interessado pelo mercado de ações, que, nessa época, estava fervendo, em virtude das condições favoráveis decorrentes da Primeira Guerra Mundial, iniciou negociações com os cambistas, emprestando o dinheiro que possuía. Pouco depois, ganhando a confiança do Banco Soko, situado no bairro de Kakigara, em Nihon-bashi, levava os cheques e as letras de câmbios trazidos por eles e, com a confiança de que desfrutava, convertia-os em dinheiro, o qual emprestava a juros. Como o negócio ia muito bem, estendeu ainda mais a sua mão. Agora era ele que cortava os cheques e os entregava aos cambistas, os quais, usando-os como garantia, tomavam dinheiro emprestado ao banco e pagavam juros a este e ao Mestre. Para o proprietário da Loja Okada, isso significava menos trabalho, pois não era preciso que ele próprio conseguisse o dinheiro; além do mais, havia um lucro de 5 ―sen‖ por dia. Era um empreendimento arriscado, mas muito rendoso. Quem se encarregava desse trabalho era um indivíduo chamado Yoshikawa. O Mestre tinha toda confiança nele e deixara a administração da financeira em suas mãos, entregando-lhe até o seu sinete. No período mais próspero, a quantia que o Mestre possuía em seu nome - em dinheiro e em cheques - atingia mais de 100 mil ienes. Entretanto, na primavera de 1919, o Banco Soko, que era o escudo protetor da financeira, repentinamente parou de fazer os pagamentos e abriu falência. A decadência da Loja Okada veio de forma inesperada. Yoshikawa tinha um depósito em nome do Mestre naquele banco, depósito esse que ficou reduzido à zero. Achando que o problema era de sua inteira responsabilidade, tentou recuperar o dinheiro sem que o Mestre soubesse de nada. Entretanto, nessa situação difícil, ele escolheu o pior caminho: tomar dinheiro emprestado com agiotas a juros altíssimos. O resultado foi que os juros renderam juros, e ele acabou ficando num beco-sem-saída. Quando tudo veio à tona, a situação estava muito séria. Premido pelas circunstâncias, o Mestre pediu ao banco que sustasse o pagamento dos cheques, como solução para o momento. Furiosos, os agiotas providenciaram a penhora de seus bens e acusaram-no de fraude. Foi realmente uma tempestade em dia de sol. Certo dia, três oficiais de justiça entraram em sua casa, situada no bairro de Oga, e, depois de lhe entregarem uma notificação, passaram de um cômodo para outro, lacrando os principais móveis. Por fim, colaram num guarda-roupa um papel onde se explicava o motivo do embargo e os regulamentos legais, e foram embora. Estava escrito que os bens embargados não podiam ser utilizados nem mesmo pelo proprietário, e que, se o lacre fosse rompido, haveria uma penalidade. Entretanto, nas gavetas dos armários estavam roupas que precisavam ser usadas no momento. Conta-se que o Mestre se sentiu aliviado ao tirar o lacre sem danificá- lo, e pegar aquilo de que necessitava.

Com a denúncia dos agiotas, ele foi chamado à delegacia, onde recebeu séria advertência. Os cheques usados por Yoshikawa estavam todos em seu nome, de modo que, obviamente, lhe foi imposta a responsabilidade legal do caso. Não era fácil resgatar a dívida, no montante de 120 mil ienes. Assim, o Mestre pediu aos credores que a diminuíssem para dois terços, ou seja, 80 mil ienes. Segundo o acordo que fizeram cinqüenta por cento dessa quantia seria paga à vista, e os cinqüenta por cento restantes, em mensalidades. A partir desse momento, começou a sofrida luta do Mestre para saldar as dívidas, que se estenderam durante vinte e dois longos anos, até 1941. Essa foi a maior dificuldade que ele passou em quinze anos de comércio, desde a fundação da Korin-do. Tempos depois, Yoshikawa suicidou-se. Embora ele fosse a pessoa que o colocara naquela terrível situação, o Mestre participou de seu funeral com todo respeito. Cheio de compaixão, disse: ―Afinal, eu é que fui o culpado, por ter confiado demais‖. Não disse uma só palavra que demonstrasse rancor.

MORTE DA ESPOSA E DAS FILHAS

Taka havia entrado para a família do Mestre logo depois da criação da Loja Okada, em 1907. Durante cerca de dez anos, até que eles tivessem casa própria, no bairro de Oga, deu conta de todo o serviço doméstico, ajudou na loja, colaborando com o marido, e cuidou dos funcionários. Entretanto, um ano após o casamento, devido à sobrecarga de trabalho, seu físico não suportou, e ela contraiu tuberculose. Especialmente no período de formação dos alicerces da Loja Okada, a colaboração de Taka teve um grande significado. Crescendo numa casa vendedora de arroz e casando-se com um comerciante, ela se impetrou nos negócios com toda a prática que possuía. Devia sentir uma alegria inexprimível toda vez que, saindo de sua casa, localizada nos fundos, ia para a loja, onde ficava entre os funcionários, que trabalhavam alegremente; também devia alegrar-se muito com o crescimento gradativo das vendas, a cada mês. Era uma dona de casa que teve o mérito de prestar uma ajuda exemplar, pois tinha uma grande força de vontade, caráter comum às mulheres que, da sombra, vieram sustentando a sociedade japonesa após a Era Meiji. O interessante é que, desde que Taka se casou com o Mestre, os negócios começaram a crescer num ritmo intenso e, logo depois de seu falecimento, a loja foi à falência. Certamente ela nasceu sob a estrela da boa sorte, que atrai a fortuna. Assim, podemos dizer que, na época em que o Mestre alcançou sucesso popular, Taka foi a mulher adequada para ser sua companheira e esposa. Entretanto, por trás do glorioso êxito nos negócios, o lar do casal era um pouco triste, pois durante longo tempo eles não foram agraciados com filhos. Depois da morte de Tori, continuaram cuidando de Hikoitiro, a quem consideravam como filho, mas Taka sentia-se sozinha. Talvez por isso ela tenha se apegado tanto aos gatos, para os quais chegavam a fazer roupas. No oitavo ano de casamento, quando já haviam desistido de ter filhos, Taka ficou grávida. Podemos imaginar como foi grande a alegria do Mestre. Ela estava com vinte e sete anos, idade que, segundo o senso comum da época, já não era muito adequada para a mulher ter o primeiro filho. Eles passaram a contar os dias que faltavam para o nascimento da criança e sentiam-se invadidos por uma felicidade nunca saboreada até aquele momento.

O Mestre, muito atencioso com a esposa, levou-a para descansar, durante

algum tempo, na mansão de Kanazawa, para que os trabalhos da loja e da casa não lhe fossem prejudiciais. Assim, no dia 1º de outubro de 1915, Taka deu à luz

uma menina, que recebeu o nome de Shigueko. Mas o parto fora muito difícil, e por isso, logo depois de seu nascimento, a criança veio a falecer.

A tristeza do casal foi enorme. Realizaram um funeral bem íntimo, e a

solidão continuou. Logo depois, Taka engravidou novamente. Entretanto, o desejo de que tudo transcorresse bem também não se concretizou: nasceu outra menina, mas já estava morta. Taka ficou grávida pela terceira vez em 1918. Como que numa atitude de prece, dispensou todo o cuidado ao seu corpo, e o Mestre envolveu-a com um carinho muito especial, fazendo, também desta vez, que ela fosse descansar na mansão de Kanazawa. Mas foram esforços em vão. ―O que acontece duas vezes,

acontece três, diz um ditado. Perto do parto, Taka contraiu tifo intestinal e, depois de muito sofrimento, no dia 4 de junho de 1919, teve uma menina, na casa do bairro de Oga. A criança, prematura, não teve forças para sobreviver, morrendo logo em seguida. Taka ficou muito enfraquecida e, uma semana depois, no dia 11 de junho, acabou falecendo.

O funeral foi realizado no Templo Kannon-ji, onde está o jazigo da família

Okada. Embora íntimo, foi efetuado com toda pompa. Terminada a cerimônia, sentado na sala de visitas, de braços cruzados e bastante pensativo, o Mestre

disse a Hanako Ugai, sobrinha da esposa, que viera ajudá-lo: ―Cortaram-me um dos braços‖. Ele era uma pessoa que em situação alguma mostrava fraqueza; devia, portanto, estar muito deprimido. Após a morte de Taka, o Mestre deu à sogra a mansão de Kanazawa.

Disse a ela nessa ocasião: ―Um dia, vou ter de me casar pela segunda vez. A senhora não ficaria muito à vontade se eu e minha esposa viéssemos passar as férias aqui. Por isso, ofereço-lhe esta casa. Use-a a vontade‖. E acrescentou:

‖ Deu-

―Todas as vezes que Taka esteve grávida, demos muito trabalho à senhora

lhe, ainda, um terreno que possuía naquele local. Também gratificou generosamente a parteira Hissa Mizutome, que morava perto de sua casa, em Oga, e assistira Taka em todos os partos, numa dedicação total, dia e noite.

SEGUNDO MATRIMÔNIO

Cuidar dos funcionários, da casa, fora, até então, trabalho da esposa. Assim, logo após a morte de Taka, pela necessidade de ter alguém que se incumbisse dessa tarefa, o Mestre pensou em contrair segundo matrimônio. Poderíamos dizer que isso foi uma decorrência natural da situação. Perto de Oga, havia um bairro chamado Minami Saya. Nele, morava uma moça chamada Yoshi Ota, com sua tia, de nome Rei, e sua avó. Sendo uma casa onde só moravam mulheres, tudo era bem No outono de 1919, um vendedor de roupas que freqüentava a casa da

família Ota, foi lá como representante do médico Shota Matsumoto, do bairro de Oga. Esse vendedor disse à tia e à avó de Yoshi: ―Um indivíduo de nome Okada, do bairro de Oga, diz que deseja desposar a Srta. Yoshi‖.

A família Ota recusou a proposta, por tratar-se do segundo casamento do

proponente. Passado pouco tempo, esse vendedor voltou, dizendo: ―O Sr. Okada falou que está firmemente disposto a desposar a Srta. Yoshi. Não poderiam pensar melhor no caso?‖.

Entretanto, a decisão da família já estava tomada. Muito respeitosamente, recusaram a proposta de novo: ―Por favor, dê este assunto por encerrado‖. Quando se acreditava que o caso estava realmente encerrado, o médico Matsumoto em pessoa, acompanhado de sua esposa, foi à casa de Yoshi e disse:

―O Sr. Okada está muito entusiasmado e me falou que quer desposar Yoshi de qualquer jeito‖. Demonstravam, assim, que não iriam desistir. A família Ota acabou então cedendo: ―Se insistem, podemos aceitar embora Yoshi seja uma moça sem maiores habilidades‖. Consultada, a jovem respondeu afirmativamente: ―Se ele insiste tanto assim, eu aceito‖. No primeiro encontro do casal, que se deu num jantar realizado num restaurante de Tóquio, tudo correu muito bem. Foi justamente nessa época que o Mestre recebeu a notícia da falência e sofreu embargo de seus bens. Quando isso aconteceu, ele já havia oficializado o noivado com Yoshi e marcado a data do casamento. Então, sufocando os seus sentimentos, ele disse: ―Contraí uma dívida enorme, por determinado motivo, e seria muito penoso para Yoshi casar-se comigo nessas condições. Por isso, peço permissão para desmanchar o noivado‖. Esse pedido sincero e franco fez com que a família Ota aumentasse ainda mais a confiança depositada no Mestre. ―É comum esconderem-se tais coisas‖ - pensaram - ―no entanto, ele falou tudo abertamente‖. Achando-o muito honesto e diferente das outras pessoas, responderam: ―O noivado foi oficializado, e recebemos a quantia para comprar o vestido de noiva. Portanto, Yoshi já pertence à família Okada. Não temos a mínima intenção de desfazer o compromisso só porque o senhor se endividou. Não importa que venham a morar numa casa humilde, pois dinheiro é coisa que poderão conseguir com o esforço dos dois. Jamais tomaremos a atitude de chamar Yoshi de volta por causa disso‖. Foi uma resposta brilhante. O casamento do Mestre com Yoshi realizou-se no Grande Santuário Hibiya, perto do Palácio Imperial, no final de 1919. ―Grande Santuário Hibiya‖ é um nome popular; oficialmente, chamava-se Jingu Hossai-kai Hon‘in (Principal Prédio Xintoísta Hossai-kai). É um importante santuário xintoísta do Japão, no qual se cultua a deusa Amaterassu e o deus Toyo-uke. Mais tarde ele foi transferido para Iidabashi e recebeu o nome de Grande Santuário Tóquio. O Grande Santuário Hibiya foi construída em 1880, para os habitantes de Tóquio que não podiam ir rezar no Santuário Isse, localizado muito distante. A cerimônia do casamento do Imperador Taisho foi realizada nele, e dizem que foi a partir daí que tiveram início os casamentos em santuários, na cidade de Tóquio. Sentimos a atuação misteriosa do destino no fato de ter sido celebrado nesse santuário o matrimônio do Mestre, agnóstico naquela época, com Yoshi. Após a cerimônia, houve uma recepção no Edifício Taisho-Kaku, situado próximo ao santuário. O Mestre contava trinta e sete anos, e Yoshi, vinte e dois. Na manhã seguinte, o Mestre e Yoshi partiram, em viagem de núpcias, para To-no-Sawa, em Hakone. O Hotel Kansuiro, onde o casal se hospedou, ficava de frente para a Rodovia Nacional 1, e ainda hoje apresenta um aspecto bem tranqüilo:

O SEGUNDO NASCIMENTO

À PROCURA DA SALVAÇÃO

Depois de recuperar a paz na sua vida pessoal, com o segundo matrimônio, o Mestre empreendeu o maior esforço para recuperar-se em seus

negócios. Sua vida de empresário não mudara, aparentemente. Entretanto, devido às amargas experiências que passara com a morte da esposa e das filhas e com a falência, começava, bem no seu íntimo, uma grande mudança de pensamento. Desde que adquirira consciência até aquele momento, sempre negara a existência de Deus. Para ele, as imagens dos santuários xintoístas, as estátuas budistas e as cruzes cristãs eram objetos feitos pelos homens; por isso lhe parecia por demais irracional os homens adorarem o que eles próprios fizeram. O Mestre achava que a vida era algo que se construía com o esforço e a inteligência de cada um, crença que também aplicava à vida cotidiana. Em suma, tinha absoluta confiança em suas possibilidades e acreditava que, se somasse esforço e vivesse corretamente como ser humano, não havia nada no mundo que pudesse sair em desacordo com os seus desejos. Entretanto, chegou à época em que essa autoconfiança foi pouco a pouco desaparecendo. Os seguidos e sérios infortúnios que o atingiram levaram-no a sentir a insignificância da força humana e a insondável profundidade do destino, o qual fazia as coisas correrem sem que o homem pudesse modificar nada. A visão que, até aquele momento, o Mestre tinha da vida e do mundo, mudou por completo, e ele, como se não fosse a mesma pessoa, passou a pesquisar diversas religiões, em busca do caminho da salvação, isto é, de uma forma para se livrar dos infortúnios. Na época, ele tinha um conhecido que seguia a Religião Tenri-Kyo, e, entre os seus parentes, havia até um bonzo, responsável por um templo dessa religião. Ambos incentivaram-no a se converter, mas ele não mostrou nenhum interesse. Não há maiores registros sobre outras religiões que o Mestre tenha conhecido na época. Entretanto, anos mais tarde, ele falou sobre uma visita a Ekai Kawaguti; a quem fez muitas perguntas sobre questões que o perturbavam, como, por exemplo, a vida após a morte. Mas as respostas não o atraíram, e a visita não teve maior importância. Ekai Kawaguti (1866 - 1945) foi um bonzo da Religião Obaku que por duas vezes esteve sozinho no Tibete, fazendo pesquisas sobre os ensinamentos budistas. Tornou-se muito famoso por ter trazido ao Japão uma grande quantidade de dados. Por volta de 1919 ou 1920 ele morava no bairro de Nezu Miyanaga, perto de Ueno. Como fazia conferências em diversas localidades, acredita-se que foi nessa época que o Mestre o procurou. Na ocasião em que este estava buscando o caminho da salvação, desenvolviam-se muitas atividades religiosas em Tóquio. Mumom Yamada, mestre da Religião Rinzai, que era discípulo de Kawaguti, fala-nos sobre o ambiente dos arredores de Kanda, em Tóquio, por volta de 1918 ou 1919:

―Após a Primeira Guerra Mundial, desenvolvia-se, em Tóquio, um intenso movimento social, mas os movimentos espirituais também estavam sendo bastante ativados. À noite, em determinado lugar do bairro de Kanda, o Exército da Salvação batia seus tambores; em outro, o grupo budista Saissei tocava corneta. No Templo Rinsho-in, de Yushima, o dirigente Sugawara, do Templo Kentyo-ji, fazia as pregações nas sessões de Zen. Na Igreja do bairro Fujimi, o Professor Massahissa Uemura (Pastor cristão, nascido em 1857 e falecido em 1925. Fundou uma Igreja em 1887 em Tóquio e traduziu o Antigo Testamento) atraía a atenção dos estudantes, e sob a liderança do Professor Kanzo Utimura (Religioso cristão e crítico. Fundou a revista ―Seisho no Kenkyū‖ -―Pesquisa sobre a Bíblia‖), reuniam- se jovens fiéis entusiasmados. No Edifício Central Budista, ouvia-se, todas as noites, um sermão feito por alguém. Podemos dizer que aquela era uma época

próspera da Religião‖ (Extraído da obra ―Unir as mãos‖, da autoria de Mumon Yamada - Editora Shunju).

À procura do caminho da salvação, é provável que o Mestre tenha

participado dessas reuniões, atento ao que nelas se pregava. Embora fosse comerciante, ele não era uma pessoa que avaliasse as coisas pelas vantagens ou desvantagens que elas proporcionavam. Não negligenciava esse aspecto, mas não tinha pena de gastar dinheiro naquilo que acreditava ser correto. Os gastos que teve com os estudos daquele puxador de ―jinrikisha‖, a ajuda que enviou à empregada doente e os donativos feitos ao Exército da Salvação eram manifestações desse seu sentimento. Como, desde

jovem, sempre fora uma pessoa muito ativa, o Mestre orgulhava-se de ter somado boas ações na medida do possível. Apesar de tudo isso, o que o destino lhe trazia era muito trágico. Assim, quanto mais ele pensava na razão pela qual era atormentado por tantos sofrimentos, menos entendia. Perguntou-se, então, se não seria possível solucionar essas dúvidas entrando para a Fé. Todavia, o seu desejo

de encontrar uma religião que o atraísse realmente, não se concretizava.

Nessa época, a Religião Omoto colocava propagandas vistosas nos jornais e realizava conferências em diversas regiões do país, desenvolvendo uma

diligente atividade de difusão. Certo dia, o Mestre foi a uma dessas conferências, realizada no Edifício Kinki, de Kanda, onde costumava assistir a sessões cinematográficas. Sentiu, então, que algo o atraía fortemente. Para ele, que, devido aos constantes sofrimentos, viera perguntando a si mesmo o significado da vida, era uma luz nas trevas. Assim, decidiu converter-se àquela religião. Isso ocorreu

no mês de junho de 1920.

A Omoto foi fundada por Nao Deguti em 1892, no Distrito de Ayabe, em

Quioto. Sua mestrea faleceu em 1918, aos oitenta e dois anos. Desde que fundou

a Igreja até a sua morte, escreveu uma grande quantidade de ensinamentos. Na coletânea intitulada ―Ofudessaki‖, faz-se presente, do começo ao fim, a crença de que, com a vinda do deus Ushitora no Konjin (é tido normalmente como o Deus que governa o nordeste), os erros do mundo serão corrigidos e concretizar-se-á o Mundo Ideal. Ou seja, no ―Ofudessaki‖ há um propósito de reforma e reconstrução

do mundo. Essa profecia é mencionada repetidas vezes, com palavras vigorosas e

peculiares. Kissaburo Ueda, que se filiou à família Deguti e posteriormente passou

a chamar-se Onissaburo Deguti, organizou o ―Ofudessaki‖ e sistematizou e

reformou a organização do grupo religioso, elevando a Omoto a uma categoria de grande entidade nacional. Os fiéis o chamam de ―Seishi‖ (―Mestre Sagrado‖). Em outubro de 1919, foi instalado, em Tóquio, o primeiro núcleo de difusão dessa Igreja: a ―Associação Kakushin‖, localizada no bairro de Minami Tera, no Distrito de Yotsuya. Desde então, ativou-se a sua difusão em Tóquio, e, a

partir da primavera de 1920, realizaram-se conferências em várias localidades, utilizando-se os cinemas e os anfiteatros das Universidades. A conferência feita no Edifício Kinki, de Kanda, à qual o Mestre assistiu, foi uma delas.

O que o fez sentir-se atraído pela Omoto, entre tantas outras religiões, foi

principalmente o propósito que ela manifestava de reformar o mundo. Em todas as partes do ―Ofudessaki‖ fala-se sobre essa reforma e reconstrução, dizendo-se que, com a grande limpeza e lavagem dos três mil mundos, a Terra se converterá no Reino de Deus, o qual perdurará pela eternidade. O Mestre tinha um inato sentimento de justiça, muito mais forte que o das pessoas comuns, e não conseguia controlar sua ira ao ver a corrupção dos políticos e da classe dominante. Levado por esse sentimento pensara na fundação de uma empresa jornalística, objetivando a construção de uma sociedade desprovida do mal, e muito se esforçara para conseguir o capital de 1 milhão de ienes, necessário à

concretização desse empreendimento. Ora, no ―Ofudessaki‖ estava escrito claramente que o mundo correto idealizado por ele ia ser construído por Deus, dali em diante. Esse ensinamento moveu bastante o seu coração. O segundo motivo pelo qual o Mestre se sentiu atraído pela Omoto foi o ensinamento relacionado aos tóxicos contidos nos remédios. Ele, que era doentio desde criança, acreditava cegamente na medicina. Tanto assim que acabou se tornando amigo íntimo de um médico, a ponto de parecerem parentes. Mais tarde, devido à experiência que teve com uma dor de dentes, sentiu na sua própria pele o terrível mal que era o remédio; remédio que deveria curar a doença, mas que, na verdade, era a causa dela. Isso aconteceu por volta de 1914 ou 1915. Anos depois, ele fortificou sua convicção ao ver expostas as mesmas idéias no ―Ofudessaki‖. O Mestre penetrou no mundo da Fé como se estivesse sendo atraído por um ímã. Logo se mostrou tão fervoroso que passou a incentivar seus funcionários

a se aprimorarem em Ayabe. No verão de 1920, quando já havia alguns fiéis entre os seus familiares e funcionários, aconteceu um fato inesperado: Hikoitiro, o sobrinho do qual ele vinha cuidando há longo tempo como se fosse seu próprio filho, faleceu, vítima de um acidente. Ele fora a um aprimoramento em Ayabe, com alguns funcionários da loja,

tendo morrido afogado no Rio Wati, num lugar chamado Izekishita, situado perto daquele local. Tentando salvar um dos funcionários, que estava preso num redemoinho, Hikoitiro se atirara no rio: salvou-o, mas perdeu a vida. Ele ainda era estudante e tinha menos de vinte anos. Por tratar-se de um fato ocorrido durante a viagem de aprimoramento a Ayabe, foi um grande choque para o Mestre, que tinha um carinho especial pelo sobrinho. O mesmo sentiu Takejiro, seu irmão. Este, voltando sua ira contra a religião que se tornara a causa indireta da tristeza que eles estavam sentindo, resolveu deixar a Fé. Depois desse acontecimento, o Mestre ficou afastado da Omoto durante aproximadamente três anos. Entretanto, os olhos que uma vez foram despertados para o mundo invisível, nunca mais se fecharam. Com a morte de seu amado sobrinho, ele sentiu que o destino dos homens é movido por uma força invisível e então penetrou a fundo no mundo da Religião, pesquisando o ―Ofudessaki‖, os

Aquele homem que sempre fora completamente

fenômenos parapsicológicos etc

agnóstico, tornou-se teísta a partir daí, o que mostra ter-se operado nele uma mudança de cento e oitenta graus. É a chamada ―conversão‖. Relembrando essa época em que abriu os olhos para o Mundo Espiritual e mudou sua visão de vida, o próprio Mestre disse claramente: ―Foi o meu segundo nascimento nesta vida‖.

INSTITUIÇÃO DA SOCIEDADE ANÔNIMA

Tendo contraído enormes dívidas em virtude das falhas cometidas por Yoshikawa, o Mestre imediatamente se pôs a lutar pela reconstrução de sua vida empresarial. A questão mais urgente era o que se referia o dinheiro. Para o bom andamento dos negócios de uma firma é sempre necessário

haver uma reserva de dinheiro, pois este pode tardar a entrar, mas nunca demora

a sair. Entretanto, em conseqüência do embargo dos bens do Mestre e do posterior

resgate das dívidas que ele assumira isso se tornou difícil para a Loja Okada. Tomando uma grande decisão, ele instalou um escritório para instituir a Loja Okada Sociedade Anônima, transformando a administração, que era individual, numa sociedade anônima com um patrimônio de 2 milhões de ienes. Estava decidido a recuperar tudo aquilo que havia desmoronado, transformando o infortúnio em felicidade.

Não só ele próprio tentava conseguir dinheiro, fazendo empréstimos com parentes e amigos, mas também incumbiu Kimura e Mori de consegui-lo. Assim, estes percorreram os fregueses de todo o país, a começar pelos de Tóquio e Ossaka.

A maior parte dos fregueses da loja se concentravam em Tóquio, mas também havia muitos em Ossaka. Eles estavam espalhados desde Niigata, na parte ocidental do Japão, até Shimo-no-Seki, na Ilha Honshu, situada a oeste de Tóquio, que fica na parte oriental do país. Isso mostra a extensão dos negócios da Loja Okada. Além das pessoas mencionadas, Kojiro Matsuda, Presidente da ―Associação Sofuku‖ e dono da Loja Hakubotan, situada em Guinza, também aplicou grandes somas. Assim, a Loja foi vendida à nova sociedade anônima, incluindo-se na venda os estoques de mercadoria, a patente do ―Diamante Assahi‖ e outros bens que eram propriedades exclusivas da antiga firma. O dinheiro que entrou foi aplicado na sociedade recém-criada, para o planejamento do controle do capital de giro, os pagamentos estavam previstos para serem feitos em quatro vezes. Liquidado o primeiro, de 500 mil ienes, logo depois do casamento com Yoshi, ou seja, em fevereiro de 1920, a situação parecia favorável ao reerguimento da Loja Okada. Em 1919 o Mestre começara a registrar os seus gastos num livro de despesas, o que mostra sua decisão de planejar esse reerguimento fazendo economia nas despesas domésticas. O ―Diamante Assahi‖ e as outras mercadorias continuavam sendo vendidas normalmente. Assim, tendo recuperado a tranqüilidade, ele devia estar com esperança de resgatar toda a dívida e conseguir um progresso ainda maior que o obtido anteriormente. Quando o Mestre estava empenhado nesse trabalho de recuperação, Yoshi ficou grávida do primeiro filho. Isso aconteceu no inverno do ano posterior ao do casamento. Como os três partos da sua primeira esposa não tinham sido normais, e, no último, ela perdera a vida, ele ficou muito preocupado. Assim, por exemplo, quando saía com Yoshi de ―Jinrikisha‖, às vezes ele alugava três: um ia à frente e outro atrás, vazios, e no meio, o que eles ocupavam. O Mestre seguia muito atento, sentado ao lado da esposa. Se o puxador corria um pouco mais, dizia: ―Está muito rápido, vá mais devagar‖. Certo dia, a tia de Yoshi, presenciando a cena, disse ter sentido uma grande emoção, por ver como o marido da sobrinha era carinhoso. Entretanto, apesar de todos os cuidados que recebia, Yoshi contraiu uma doença pulmonar durante a gestação. Felizmente, não foi nada grave; mas, como se tratava de uma doença, o Mestre, por precaução, mandou a esposa repousar, durante algum tempo, numa casa alugada em Kamakura. Contrataram uma empregada e, durante certo período, ele também morou lá, indo todos os dias à sua loja, em Tóquio. Tudo que era humanamente possível foi feito; ela não poderia ter tido maiores cuidados. E esses cuidados não foram em vão: sem maiores problemas, Yoshi deu à luz uma menina na Maternidade Kamakura, situada em Omati, Kamakura, no dia 11 de outubro de 1920. Essa primeira filha recebeu o nome de Mitiko. Mesmo depois do nascimento da criança, a saúde de Yoshi não era muito boa. Então, como local de descanso para a esposa, o Mestre alugou uma casa de estilo japonês bastante cômoda e com um jardim bem amplo, em Kanoezuka, nome popular do bairro de Oi, situado na circunscrição de Ebara, em Tóquio, perto da praia de Shinagawa. Na casa aí alugada, Yoshi veio a ter, posteriormente, seu primeiro filho homem, que nasceu a 31 de dezembro de 1921 e recebeu o nome de Mitimaro.

COLAPSO DA EMPRESA

O início da Loja Okada S.A. não foi fácil. Em março de 1920, a crise

iniciada nos Estados Unidos assolou o mundo inteiro, e também no Japão a Bolsa de Valores caiu, porque, com a repentina queda dos preços, o mundo financeiro entrou num grande colapso. Seguiam-se falências de empresas, o desemprego

aumentava, e começava a corrida aos bancos.

O Mestre escreveu: ―No dia 15 de março do ano seguinte, começou a

famosa crise financeira. As ações tiveram uma grande baixa, e o preço das mercadorias caiu bruscamente. Por isso, a Loja Okada S.A., que havia acabado de

nascer, desmoronou sem oferecer nenhuma resistência, ficando num beco-sem- saída‖.

Entretanto, com nova coragem, ele se esforçou para reerguer a empresa.

O segundo golpe que ela sofria, representado por essa crise, em seqüência ao

embargo dos bens do Mestre, abalou sua estrutura, mas, com o esforço de todos

os funcionários, a situação começou a melhorar, se segundo ele próprio nos diz:

―Mesmo assim, fizemos esforço para levantar o destino da empresa, e, por volta de 1922, finalmente a situação começou a melhorar No caderno de despesas do final de maio de 1920, ao lado de uma quantia registrada, está escrito: ―Economia possível‖. É um registro que nos faz conhecer a situação apertada da época. Ao mesmo tempo em que reduzia as despesas, o Mestre começou a se esforçar para a ampliação das vendas. Reiniciou, então, a atividade de criação artística que havia interrompido durante certo período, após a invenção do ―Diamante Assahi‖, tendo requerido seguidas patentes de novo modelo de produtos que já existiam. Em abril de 1919, pouco antes do ―Caso Yoshikawa‖ vir à tona, ele concluíra uma nova experiência. Trata-se da técnica conhecida pelo nome ―kaigashiki‖, que consiste em fazer pinturas sobre um pano ou papel e colá-lo num objeto, utilizando adesivos como a laca. Na data referida acima, requereu patente para o ―Kaigashiki Kushi‖ (pente em ―kaigashiki‖), e em julho do mesmo ano, para o

―Kaigashiki Pin‖ (presilha em ―kaigashiki‖). Em fevereiro de 1922, criou o ―Hosseki- ire Kamidomegu‖, presilha de cabelo feita de metal, com orifícios onde se colocam pedras preciosas, e para ela também requereu patente. Através dessas novas criações, podemos ver o esforço feito pelo Mestre no sentido de reerguer a empresa, pois considerava a mercadoria como a chave do sucesso nos negócios. Em maio de 1923, ele vendeu a casa do bairro de Oga, na qual vivera durante sete anos, e comprou uma mansão no bairro de Iriarai, na circunscrição Ebara, em Tóquio. A mudança para Omori ocorreu por diversas razões, mas acredita-se que, em termos de negócios, foi para conseguir capital de giro através da venda da casa de Oga. O terreno onde estava situada a mansão pertencia a outra pessoa, havendo uma grande diferença entre o preço das duas residências, pois a de Oga ele vendera com o terreno. Os esforços do Mestre receberam novo golpe com o grande terremoto que assolou repentinamente as regiões Kanto e Tokai às onze horas e cinqüenta e oito minutos do dia 1º de setembro de 1923. Houve dois violentos tremores seguidos e, pouco depois, um terceiro tremor bem forte. Foi por ocasião desse terremoto que o Edifício Ryoun-Kaku, de doze andares, todo construído de tijolos, o qual era considerado o símbolo da modernização e da prosperidade de Assakussa, partiu-

se mais ou menos no oitavo andar.

A Loja Okada salvou-se de uma destruição total. Pelo fato de nela

trabalharem muitos homens, as paredes desabadas puderam ser logo reerguidas,

e as mercadorias empilhadas, que se espalharam, foram recolocadas no lugar. Assim, os funcionários tiveram condições de ir prestar ajuda aos fregueses de Guinza e de outros lugares. Entretanto, os danos causados pelo terremoto em si não passaram de uma parte da catástrofe que atingiu a Região Kanto. O golpe fatal foi o grande incêndio que sobreveio com toda fúria, logo em seguida ao terremoto. Esse incêndio, irrompido na zona industrial e comercial, ao invés de diminuir, a tarde foi avançando gradativamente para oeste. Só em Hifukusho (lugar situado perto da Estação Ryogoku), ele vitimou trinta e oito mil pessoas. Destruindo um grande número de casas e roubando inúmeras vidas, o incêndio avançou para Kyo-bashi e Shiba e finalmente se apagou quando circundava o Palácio Imperial. Foi uma grande calamidade que causou a morte de cinqüenta mil pessoas e a destruição de mais de quatrocentas mil casas. Já bem tarde da noite, as labaredas, que se propagavam na direção de Kanda levadas pelo vento, muito forte devido à impetuosidade do fogo, aproximaram-se da parte sul da Estação de Tóquio, onde se localizava a Loja Okada. Os funcionários, preparados para o momento em que o fogo atingisse o local, colocaram as mercadorias em caixas, empilharam estas nas águas do Canal Sotobori, de Yaessu, e ficaram esperando pelo incêndio. Entretanto, quando viram as labaredas se aproximando, correram na direção de Guinza e se refugiaram no estacionamento dos trens, atravessando a Ponte Kaji, que existia em frente à atual Estação Yuraku-tyo. A essa altura, já estavam refugiadas nesse local as pessoas desabrigadas em conseqüência do incêndio, as quais eram provenientes de Honsho, Fukagawa, Assakussa e outros bairros da zona industrial e comercial, de modo que o estacionamento e o pátio em frente ao Palácio Imperial estavam totalmente lotados. Os funcionários da Loja Okada passaram dois dias e duas noites dentro dos trens parados, comendo o arroz que haviam levado junto com as bagagens. No terceiro dia, depois que saíram do abrigo, arranjaram uma carroça, resgataram as mercadorias afundadas no canal e, juntamente com os seus objetos pessoais, levaram tudo até a mansão do Mestre, no bairro de Hakei-En. As mercadorias que haviam sido entregues para serem pagas através de promissórias viraram cinza, e a maioria dos clientes com os quais a loja negociava foram à falência. Assim, a Loja Okada, que tinha esperanças de se recuperar, recebeu outro golpe muito duro. Poucas semanas depois, entretanto, tal como a relva do campo, que logo se ergue depois de pisoteada, as atividades econômicas da Região Kanto reiniciaram-se com grande vigor. As bijuterias são mercadorias de ocasião, e as lojas atacadistas, antecipando cada estação do ano, enviavam estoques para as lojas varejistas. A Loja Okada vendia por atacado e também fabricava produtos. Por isso, na primavera e no verão, já se estavam fabricando os artigos de inverno e fazendo-se os estoques. Conseqüentemente, em agosto, antes do terremoto, ela já havia mandado grandes estoques de inverno para os atacadistas com os quais negociava em Ossaka e Quioto. Por terem coberto os encargos de Tóquio, que ficou perto da destruição total, essas duas cidades foram abençoadas com uma boa situação; assim, em outono, a Loja Okada pôde receber o pagamento das vendas.

Antes de ser reconstruída no bairro de Kitamaki, a loja funcionou durante algum tempo na mansão de Omori. Os artesãos levavam para aí os trabalhos que aprontavam, pois os funcionários não só os que já moravam com o Mestre, como também os que ficaram desabrigados - passaram todos a morar nessa casa.

Nagashima, Kinzo Fukumoto, que ficou mais tarde com a Loja Okada, e outros funcionários colocavam as mercadorias em maletas e rodavam pela clientela, para vendê-las. Depois do terremoto, inúmeras lojas abriram falência e, como sempre, a confiança mútua era muito vacilante. Por isso, não se usavam promissórias nem cheques nas negociações; tudo era pago à vista. Na volta dos funcionários, havia muito dinheiro no fundo das maletas, que de manhã saíam cheias de mercadorias. Muitas vezes, depois de voltarem para Omori, eles ficavam fazendo cálculos até mais de meia-noite, e só então iam à casa de banhos públicos. Mas os rendimentos obtidos dessa forma foram preciosos recursos financeiros para a Loja Okada, que havia sofrido um sério abalo econômico. A partir do grande terremoto ocorrido na Região Kanto, houve muitas modificações no quadro de funcionários da loja. Em primeiro lugar, Kimura tornou- se independente, depois de ter sido o braço direito do Mestre durante dezesseis anos. Sem dúvida ele não desejava separar-se daquele a quem estimava mais do que se fosse um parente e com quem partilhara tantas alegrias e tristezas; provavelmente tomou essa decisão graças ao incentivo do próprio Mestre, o qual desejava que ele se tornasse independente por causa da forçada redução dos negócios. Aliás, imaginamos que tenha sido uma decisão tomada só depois de muita conversa. Mori, o diretor do Departamento de Vendas, seguiu o mesmo caminho. De fato, terminara a era de ouro da Loja Okada.

ESFORÇO PARA A RECUPERAÇÃO

Após a reconstrução da Loja Okada, no bairro de Kitamaki, o Mestre voltou a pegar o trem em Omori para fazer o trajeto de dezessete a dezoito minutos até aquele bairro. Com a ampliação das ruas pelo Projeto Metropolitano de Recuperação, a loja, reconstruída após o terremoto, ficou um pouco menor, e o número de funcionários também foi reduzido. Apesar disso, o ―Diamante Assahi‖ continuava vendendo bem e, graças à confiança que granjeara, o estabelecimento tinha sempre um grande movimento de profissionais e funcionários. Tal como antes, mal ele chegava à loja, sentava-se à sua mesa, chamava os profissionais um a um e examinava os artigos que eles traziam. Cansando-se do serviço, fumava um cigarro ou lia o jornal. Tudo era como no período anterior ao terremoto, mas com uma exceção: ele agora atendia os profissionais com um rádio ao lado e um fone nas suas grandes orelhas. Dois anos depois do terremoto, em julho de 1925, assim que começaram as transmissões da Emissora Tóquio Shibaura, ele comprara um rádio, que ficava ouvindo com muito prazer. Ao anoitecer, terminando o serviço, despedia-se dos funcionários e voltava para Omori. Às vezes pegava um ―jinrikisha‖ e ia até a Estação Shin-bashi, apreciando as movimentadas ruas de Guinza; dali tomava o trem para aquela localidade. A vida do Mestre e de Yoshi, em Omori, diferia da vida da maioria dos casais. Parece que ela, criada como ―filhinha de mamãe‖, não era muito habilidosa nos afazeres domésticos, mesmo depois do casamento. Conta-se que até os mínimos detalhes, como por exemplo, o cardápio do dia, era orientado pelo marido. Teiko Kobatake, pintora de quadros em estilo japonês e amiga de Yoshi desde a época de estudante, foi morar com a família Okada em 1924, com ela permanecendo durante o período de um ano e meio em que seu esposo, também pintor, esteve no estrangeiro. O fato que se segue aconteceu nessa época:

Certo dia, depois que o Mestre saíra para a loja, Yoshi lembrou-se de que não lhe perguntara o que deveria pôr no ―missoshiru‖ (sopa de soja) da manhã seguinte. Então, telefonou para o marido e perguntou-lhe:

— O que seria melhor colocar no ―missoshiru‖ de amanhã?

— Coloque ―tofu‖(queijo de soja) - respondeu ele. Como esse

tipo de diálogo era freqüente Kobatake disse a Yoshi, certa vez: ―Você é que é feliz, pois não precisa pensar no cardápio Nesse tempo, o Mestre dormia muito tarde. Ele aproveitava a noite para o planejamento de novos produtos, a fim de reerguer a loja. Na maioria das vezes, ia se deitar quando já passava da uma hora da madrugada, e por isso acordava tarde. Durante o período em que Kobatake esteve em sua casa, ele tomava o café da manhã com Yoshi e com ela, conversando sobre pintura e crianças. Depois, saía para trabalhar. Foi nessa época, no dia 15 de agosto de 1925, que nasceu Miyako, a segunda filha do casal (mas no total seria o terceiro).

RETORNO À RELIGIÃO

Embora tivesse ingressado na Omoto em 1920, o Mestre, devido à morte de Hikoitiro e outros fatores, esteve afastado dela por uns tempos. Exatamente nessa época, ela sofreu uma forte pressão por parte das autoridades, pressão que se tornou conhecida pelo nome de ―Primeiro Caso Omoto‖. De 1916 ou 17 a 1920, época em que essa Igreja alcançou grande expansão houve um acentuado aumento do número de trabalhadores, em conseqüência do desenvolvimento da indústria moderna. Entretanto, com a crise econômica ocorrida posteriormente, intensificou-se a tensão entre empregados e patrões, irromperam greves e houve uma baixa nos preços dos produtos agrícolas, de modo que até para os agricultores a vida se tornou difícil. Em face de uma situação tão conturbada, as pregações da Omoto, segundo a qual o mundo estava se aproximando de um beco-sem-saída e por isso se tornava urgente uma reforma baseada nos Ensinamentos de Deus, pareceu muito perigosas para o governo. No dia 12 de fevereiro de 1921, o Solo Sagrado da moto, em Ayabe, foi cercado por duzentos policiais, e Onissaburo Deguti e dirigentes da Igreja, entre os quais Wassaburo Assano foram detidos, sob suspeita de crime de desrespeito e infração das leis da imprensa. A entidade foi altamente pressionada, e as autoridades divulgaram que ela escondia bombas e cem mil flechas de bambu, planejando uma revolução geral. Embora o caso ainda estivesse em julgamento, ordenaram a destruição do Santuário e do sepulcro da mestrea da Igreja, Nao Deguti. Entretanto, os acusados receberam anistia, devido ao falecimento do Imperador Taisho, ocorrido quando o caso estava sendo julgado novamente, pelo Supremo Tribunal. O Mestre esteve afastado da Omoto durante três anos, mas isso não significa que o seu sentimento religioso, despertado em 1920, houvesse desaparecido. Nesse ínterim, ele dirigiu especial atenção ao estudo do ―Ofudessaki‖, livro de ensinamentos de Nao Deguti, teve ligações com um grupo de pesquisa parapsicológica etc. Como vemos, o Mestre continuava estudando os mistérios do além. Por sua própria intuição, fez prognósticos sobre o futuro, oculto no sentido das palavras de Nao Deguti, entre as quais este ensinamento: ―Tóquio voltará a ser um campo aberto‖. Baseado nessa afirmativa teve o pressentimento de que brevemente Tóquio viraria chamas. Em maio de 1923, conforme já foi mencionado, ele vendeu sua casa do bairro de Oga e mudou-se para Omori, subúrbio de Tóquio. Vendeu-a por 36.500 ienes, quando ela valia no mínimo 50 mil. Um parente seu, admirado, perguntou- lhe: ―Por que vendeu essa casa por um preço tão barato?‖ Mas o Mestre

respondeu misteriosamente: ―Você fala assim, mas logo terá de vir para cá ‖ Desapontado, o parente calou-se. Nessa época, o estranho pressentimento que ele tivera sobre Tóquio não

o largava. A venda repentina da casa de Oga e as palavras enigmáticas ditas

àquele parente parecem mostrar isso. Quanto às mercadorias da Loja Okada, dizem que, na ocasião, o Mestre fazia o possível para não acumular estoques, vendendo-as à medida que elas eram confeccionadas, de acordo com os pedidos. Isso foi muito benéfico, pois, como havia pouco estoque quando ocorreu o grande terremoto da Região Kanto, os prejuízos foram mínimos. Após a catástrofe, a casa de Omori encheu-se de parentes, conhecidos e

funcionários da loja que ficaram desabrigados. Apesar disso, os que lá chegavam não eram recusados; sem pensar em vantagens ou desvantagens, o Mestre assistiu a todos com amor. Entre eles, estava aquele parente que implicara com a venda da casa de Oga. Ele chegou de carro, com uma pequena bagagem, e, baixando a cabeça, disse: ―Acabou acontecendo o que você previa Já falamos sobre a ―Associação Sofuku‖, entidade de confraternização dos donos das lojas de renome situadas nos arredores de Kyo-bashi e Guinza. No final de junho de 1923, Kojiro Matsuda, líder dessa associação e dono da Loja Hakubotan, decidiu transferir-se de Yokohama para Guinza, em Tóquio, e, numa comemoração antecipada, convidou os companheiros para um jantar. Na ocasião,

o Mestre disse: ―Em breve Tóquio ficará em chamas‖. Espantado, Matsuda deu

gargalhada, falando: ―Não diga tolices‖. Entretanto, no dia 1º de setembro, pouco

tempo depois desse jantar, Tóquio virou realmente um campo em chamas, em conseqüência do incêndio causado pelo terremoto. Conta-se que, admirado, Matsuda comentou: ―Onde foi que Okada ouviu aquilo? Ele diz coisas terríveis!‖ Desde então, por ter, como Deus, ―acertado na mosca‖, o Mestre foi apelidado de ―Deus‖.

Presume-se que ele tenha retornado à Omoto logo depois do grande terremoto, ou seja, entre o outono e o inverno de 1923. Além dos percalços que atingiram seus negócios por causa dessa calamidade, o Mestre perdeu Mitimaro, o primeiro filho homem que teve com Yoshi, o qual faleceu no dia 3 de outubro do mesmo ano. Ele tinha apenas um ano e nove meses e, apesar de pequeno, era muito inteligente. Após a catástrofe, houve um surto de cólera infantil, e Mitimaro, que ninguém percebera ter contraído a doença, acabou não sendo socorrido a tempo. Com o terremoto, a Loja Okada sofreu uma grande mudança. Seus danos reduziram-se ao mínimo, mas inúmeras lojas abriram falência sem conseguir saldar suas dívidas. Novamente ela ficou em más condições financeiras, e o caminho para a recuperação de sua antiga prosperidade se fechava. Nos primeiros dois anos, o ―Diamante Assahi‖ seguia vendendo bem, e a loja continuava com certo movimento; mas depois ele começou a vender menos, e a situação foi piorando a cada ano. Mais uma vez o Mestre teve a tristeza de ver cortadas as suas esperanças, como já lhe ocorrera por duas vezes, quando quis ser pintor e quando pretendeu ser artífice de ―maki-e‖. Desta vez, porém, diante de tanto infortúnio, ele mudou finalmente o seu pensamento, passando a dedicar-se à Fé com todo o empenho. Pode-se pensar, ainda, que outro motivo o fez ligar-se fortemente à Religião: ter visto concretizar-se a sua previsão de que Tóquio viraria chamas. Ele intuíra esse acontecimento depois de pesquisar o ―Ofudessaki‖, e a previsão se concretizara - evidência misteriosa que não podemos negligenciar. Assim, adquirindo uma sólida crença no invisível mundo misterioso, o Mestre se firmou no caminho da Fé; mais do que antes, aumentou o seu interesse

pela pesquisa dos mistérios. Ele estudou diversos livros e, relacionando-se com grande número de pessoas, pôs-se a buscar soluções. Esse foi o caminho que o levou a fazer uma renovação de sua própria pessoa: polir a espiritualidade que por longo tempo se mantivera oculta em seu íntimo, refletir sobre o significado de sua existência neste mundo e buscar uma forma verdadeira de vida. Como resultado, o caminho que se lhe apresentou não ficou restrito a uma forma de vida aplicável unicamente à sua pessoa. À medida que ele aprofundou e aperfeiçoou suas pesquisas, esse caminho foi se ampliando, até se tornar o caminho que todo homem deve seguir.

PESQUISA DO MISTÉRIO

O Mestre, que retornara a Omoto após o grande terremoto ocorrido na

Região Kanto em 1923, lia os livros dessa Igreja, especialmente o ―Ofudessaki‖, com um empenho incalculável em pesquisar o Mundo do Mistério. Em contato com um grupo que fazia pesquisas parapsicológicas, leu diversas obras de parapsicologia e dedicou-se com todo afinco ao estudo da existência do Espírito Divino, da relação entre Deus e o homem, dos princípios fundamentais da Fé e outras questões. A esse respeito ele escreveu: ―Minha vida sofreu uma mudança de cento e oitenta graus. Fiquei sabendo que o homem recebe a proteção de Deus

e que, se ele não reconhece a existência do espírito, não passa de um ente vazio.

Mesmo nas pregações morais, caso não o façamos reconhecer essa existência, as pregações não passarão de sermões sem valor.‖. Entre os livros que o Mestre leu nessa época figuram ―The Survival of Man‖ (Londres - 1909) e ―Gone West: Three Narratives of After-Death Experiences‖ (Londres - 1917), da autoria dos ingleses Sir Oliver Lodge e J. S. M. Ward respectivamente; o primeiro foi editado em japonês em 1917, e o segundo, em 1925. São livros muito adequados à Inglaterra, país que desenvolveu a ciência moderna e deu origem à revolução industrial. Neles se registram diversos fenômenos paranormais de forma objetiva e experimental, mostrando-se claramente a realidade do Mundo Espiritual do Ocidente. O Mestre, que não gostava de recorrer ao subjetivismo e atribuía muita importância às provas objetivas, deu grande valor a essa forma de pesquisa parapsicológica, tendo aprendido bastante com os referidos livros. Para o Mestre, a emoção de ver abrir-se o Mundo do Espírito Divino, campo totalmente desconhecido pelo qual o seu interesse aumentava cada vez mais, era algo semelhante ao amor. A atração que ele sentia pelo mistério encerrado no âmago da Religião assemelhava-se à atração por um namorado a quem se ama infinitamente. Ele voltou-se para o Mundo do Espírito Divino com o mesmo ardente desejo que leva essa pessoa a se aproximar do objeto amado para conhecê-lo de forma ainda mais profunda. Pela sua própria experiência; o Mestre escreveu: ―O ponto culminante da Fé é a paixão a Deus‖. A palavra japonesa ―shukyo‖, que significa ―religião‖, é uma tradução das

palavras em inglês e alemão provenientes do latim ―religio‖, cujo sentido é ―estar ligado‖, ―pensar sempre numa mesma coisa‖, ―apegar-se‖. A paixão é a mais simples expressão desse conceito. Ele se completa com o casamento e vai se transformando num sentimento tranqüilo e contínuo, ou seja, o amor. Todavia, em se tratando dos mistérios do Mundo do Espírito Divino, quando algo é desvendado, abre-se, em seguida, um mundo ainda maior - um novo Mundo do Mistério. Assim,

a paixão a Deus nunca termina; vai aumentando e tornando-se cada vez mais profunda com o passar do tempo.

O Mestre canta esse sentimento em alguns poemas:

―É possuindo um caloroso amor Pelo homem, que se ama a Deus A ponto de se lhe entregar a vida.‖ ―Conheci um amor Que supera os amores Aos quais entreguei minha vida.‖

Foi por volta do final da Era Taisho que o Mestre começou a ser envolvido pela ocorrência de fatos misteriosos. Quando isso aconteceu, ele ainda não se havia conscientizado claramente de sua afinidade-missão, mas a atuação do Mundo Divino já havia começado sub-repticiamente. O fato que se segue teria acontecido no final do verão ou no início do outono de 1924, quando um indivíduo chamado Hidemassa Noguti, que trabalhava com projetos de mapas geográficos, foi visitá-lo e pediu-lhe que falasse sobre a Omoto. Trocaram diálogos sobre a Fé e, durante a conversa, olhando para o rosto do Mestre, de repente Noguti lhe perguntou: ―A Omoto tem relação com Kannon?‖ Ao que o Mestre respondeu: ―A Omoto está relacionada a Deus, e Kannon a Buda. Um não tem nada a ver com o outro‖. Noguti começou, então, a falar sobre coisas

inesperadas: ―Entretanto, à direita do lugar onde o senhor está sentado, eu vejo a figura de Kannon, com uma estatura um pouco maior que a sua. Há pouco, quando

o senhor se levantou para ir ao toalete, Kannon o seguiu; quando o senhor voltou e se sentou, ele também se sentou‖. Achando estranho, o Mestre perguntou qual era a expressão de Kannon, e Noguti respondeu: ―Kannon está de olhos fechados, e seu rosto e seu corpo são iguais aos que se vêem em desenhos e esculturas‖. Naquele momento, repentinamente, Noguti tivera a clarividência espiritual da figura de Kannon. Pouco tempo depois, um fiel da Omoto disse ao Mestre:

―Estou vendo um redemoinho dm cima de sua cabeça; bem no centro dele, está Kannon. Vejo, também, uma cruz nas suas costas‖. Assim, vez por outra, Kannon surgia perto do Mestre, e as pessoas o enxergavam. Esse misterioso fenômeno ocorreu seguidas vezes. Naturalmente, até então, ele não acreditava absolutamente em Kannon; através desses fatos, porém, começou a se conscientizar gradativamente da afinidade existente entre ambos.

Rememorando a trajetória do Mestre, vemos que, desde pequeno, ele

possuía uma profunda ligação com Kannon. Como já foi dito o templo que guarda o jazigo da família Okada, em Mikawashima, Tóquio, chama-se Templo Kannon-ji, e

a sua imagem principal é o Kannon de Onze Faces. A imagem principal do Templo

Senso-ji, onde seu pai ia armar a barraca noturna, e também a do Templo Tyosho- ji, em cujo pátio o Mestre brincava quando criança é o ―Sho Kannon‖. Além disso, sua esposa, Yoshi, nasceu em Nagoya, cidade onde está o templo de Ossu Kannon.

Relembrando diversos fatos que vieram ocorrendo desde a sua infância, o Mestre conscientizou-se ainda mais da grande afinidade que tinha com Kannon, afinidade essa que remontava aos seus antepassados.

A VOZ DE DEUS

Através do estudo do ―Ofudessaki‖ e também dos acontecimentos misteriosos que ocorriam à sua volta, o Mestre foi abrindo rapidamente os olhos em relação ao Mundo Espiritual. À medida que se tornava mais profunda sua

compreensão sobre o invisível Mundo do Mistério, ia se formando gradativamente, em seu íntimo, um estado de tensão apropriado às manifestações Divinas que se lhe deparariam. No dia 25 de dezembro de 1926, ele entrou em estado de transe e recebeu uma Revelação Divina. Exatamente nesse dia faleceu o Imperador Taisho, que foi sucedido pelo príncipe herdeiro, Hirohito. A partir de então, entrou-se na Era Showa. Sobre a estranha ocorrência, o Mestre escreveu:

Certo dia do mês de dezembro de 1926, por volta das vinte e quatro horas, tive uma sensação muito estranha, jamais sentida até então. Ao mesmo tempo em que experimentava essa agradável sensação, sentia-me induzido a falar. Queria deter esse impulso, mas não conseguia. Insopitável força me impelia, de dentro para fora. Não podendo resistir, deixei-a expressar-se livremente. As primeiras palavras foram: ―Prepare papel e pincel‖. Pedi à minha esposa que assim procedesse. As palavras que, em seguida, brotaram ininterrupta e compassadamente, expressavam fatos surpreendentes‖. As revelações duraram cerca de três meses, chegando a preencher de trezentas a quatrocentas folhas de papel-carta. Seu conteúdo era inimaginável, versando sobre a formação do Japão no período que remontava há quinhentos mil anos e estendia-se até sete mil anos atrás; sobre a história da humanidade, no passado e no futuro, e sobre a vida passada, presente e futura do próprio Mestre, esclarecendo, também, a Vontade de Deus, Senhor de todo o Universo. As previsões sobre o futuro mais tarde se concretizaram: o incidente da Manchúria, a Segunda Guerra Mundial e a situação do mundo após a guerra. Na época, era muito difícil acreditar-se em tudo isso, de modo que, durante algum tempo, muitas vezes o Mestre leu esses escritos e depois os guardou. Pelo fato de ―não entender, por mais que pensasse‖, ele, espirituosamente, intitulou-os ―Hatena?‖ (―Será?‖). Então, decidido a comprovar todas as coisas passíveis de experimentação, iniciou um grande esforço no sentido de somar práticas e fazer auto-indagações. Naqueles escritos, havia vários fatos relacionados com a Família Imperial, de modo que seria muito perigoso se eles viessem a cair nas mãos das autoridades. Assim, durante longo tempo, o Mestre os deixou enterrados, dentro de

uma lata de zinco. Entretanto, o controle das autoridades se tornava mais rigoroso

a cada ano, e todas as religiões novas começaram a sofrer pressões, prisões,

Ele não foi exceção. Passou a ser vigiado e a receber

interrogatórios, etc

repetidas intimações para depor. Pressentindo o perigo, acabou queimando os papéis em questão. Mais tarde, o Mestre pensou diversas vezes em reescrever as revelações recebidas; achou, porém, que ainda era muito cedo, e acabou não o fazendo. Após

a Segunda Guerra Mundial, julgando que era o momento oportuno, escreveu o

artigo intitulado ―O Século XXI‖, apresentado no início do presente livro, onde se descrevem de forma bem clara as características do mundo futuro: o

desenvolvimento do intercâmbio cultural entre as nações e a concretização de um

mundo de paz e de uma vida agradável, rica em caráter artístico. Muitas profecias

já se concretizaram, e o fato do Mestre ter conseguido prever tais acontecimentos

no início da Era Showa (1926) mostra uma parte da profundidade das revelações recebidas. Foram revelações misteriosas, o primeiro indício de que Deus começara a atuar sobre ele diretamente. Naquele momento, Deus atuou sob o nome de Kannon. Embora, no budismo, Kannon apresente formas diversas, em verdade, ele representa o próprio DEUS. O Mestre ficou sabendo que Kannon, usando o seu corpo, iria executar a grande obra de salvação da humanidade. Entretanto, ao

compreender o conteúdo dessa Revelação, que nem sequer pudera imaginar, ele ficou espantado e, por vezes, chegou a duvidar e hesitar. O seu estado de espírito, naquela ocasião, pode ser conhecido através destas palavras escritas

posteriormente:

―Por tratar-se de uma missão grandiosa demais, nunca vista até então, não pude deixar de achá-la muito pesada para um ser comum como eu. Entretanto, como era Deus, maravilhoso para todas as pessoas, quem me incumbia dessa missão, é claro que eu não podia recusá-la. No início, duvidei bastante, chegando mesmo a rebelar-me, mas de nada adiantou. Deus me manipulava livremente‖.

“KENSHINJITSU”

Desde essa época, os estudos que o Mestre vinha fazendo sobre o Mundo Espiritual sofreram grande modificação. Ampliaram-se da pesquisa centralizada em livros para a busca do método de salvação que liberta as pessoas do sofrimento através da força espiritual, encaminhando-as para a felicidade. Ou seja, ele avançou para a parte prática: consolidar o método concreto de salvação. Centralizou-se unicamente no ―tinkon kishin-ho‖, método secreto de aprimoramento ensinado pelo antigo xintoísmo, que já existia antes da introdução do budismo e do confucionismo. Esse método assemelha-se um pouco às práticas do zen-budismo e, na época, era muito aplicado na Omoto. Consiste em serenar a alma, excluindo os próprios sentimentos, e tornar-se uno com Deus. Para isso, a pessoa se senta sobre as pernas dobradas, com os braços cruzados e os olhos

cerrados, e planeja o engendramento da própria espiritualidade, tendo por objetivo

a união com Deus. Considera-se que, repetindo essa prática, a pessoa recebe

poderes Divinos, através dos quais lhe é possível curar doenças e manifestar

diversos milagres. Estando na Omoto, o Mestre concentrava-se no ―tinkon‖, restaurado da época antiga por essa Igreja; por outro lado, guardando no fundo de seu coração a Revelação recebida em 1926, empenhava-se seriamente na busca de provas sobre a salvação através do misterioso poder do Espírito Divino. Entregando-se de corpo e alma à concretização de seus objetivos, começou a praticar o ―tinkon‖ em muitas pessoas, a começar pelos seus familiares,

E qual foi o resultado? O poder de salvação era

extraordinário, conseguindo-se curas miraculosas. Pessoas com doenças difíceis de serem curadas e pessoas em estado grave iam sendo salvas umas após as outras.

Tomando conhecimento da fama do Mestre, muita gente ia procurá-lo. Além disso, os milagres não surgiam apenas sob a forma da cura de doenças. Sobre essa fase, ele escreveu: ―Naquela época, a minha vida era um contínuo milagre. Quanto mais eu duvidava, mais milagres surgiam, possibilitando-me desfazer as dúvidas‖. E, como sucediam milagres que, de alguma forma, indicavam a resposta para aquilo que ele desejava saber, concluiu: ―É mesmo, Deus existe de fato e está muito próximo. Ou melhor, talvez esteja até dentro de mim mesmo‖. Até então, o Mestre almejara seguir diversos caminhos, mas sempre se vira frustrado em suas aspirações, sendo lançado na escuridão do desespero. Entretanto, agora que tinha consciência de que fora escolhido por Deus e de que viera a este mundo com uma grandiosa missão, descobriu que tudo havia sido planejado pelo Criador. Assim, conscientizado do infinito poder de salvação e da

inteligência que recebera para construir, aqui na Terra, o Paraíso ansiado por toda

a humanidade, começou a dedicar-se à grande obra de salvação do mundo.

empregados, conhecidos etc

Durante a sua busca para entender o verdadeiro significado da Revelação que recebera de Deus, o Mestre teve oportunidade de ir à sede da Omoto e conversar com Onissaburo Deguti, o qual, enquanto falavam sobre diversos assuntos, lhe disse: ―Daqui para frente, se você se dedicar à cura de doenças, poderá curá-las quanto quiser. Faça-o o mais possível. Se, por acaso, você colocar água num copo e disser que a tomem, porque é remédio, essa água se transformará em remédio, sabia?‖. Refletindo sobre essas palavras, poderemos concluir que Onissaburo Deguti, possuidor de uma grande percepção espiritual, há muito já compreendera o nível espiritual e a missão do Mestre. Dessa forma, através dos diversos acontecimentos ocorridos à sua volta e também das Revelações recebidas diretamente de Deus, o Mestre compreendeu que a missão a ele atribuída estava acima dos ensinamentos e determinações da Omoto. Pertencendo a essa Igreja, seria desagradável transgredir as regras por ela definidas; entretanto, Deus afirmava que era ele quem devia concretizar a Revelação e que não havia outro caminho. Não lhe era permitido desviar-se, de modo que, embora sabendo quão árdua fosse, começou a jornada por esse caminho só seu. A atividade que, naquele momento, iniciou-se bem no fundo de sua alma, mais tarde manifestou-se na forma da Obra Divina concreta que ele levou a cabo durante alguns anos. Após o transe de 1926, que durou três meses, o Mestre sentira dúvidas sobre o conteúdo das Revelações recebidas, mas agora, através de diversos fatos concretos, tinha adquirido uma certeza inabalável. Já não havia nenhum motivo para dúvidas; pelo contrário, ele ganhara uma sólida consciência de que Deus existe e de que a missão que lhe fora atribuída por Ele era real. Descreveu isso da seguinte maneira:

―Algo muito grandioso me manejava livremente, fazendo com que, por meio de milagres, eu me encontrasse, pouco a pouco, com o Mundo de Deus. Nessas horas, eu sentia uma alegria irrefreável. Era uma sensação indescritivelmente profunda, nítida e elevada. Além do mais, os milagres continuavam a suceder, acontecendo fatos interessantíssimos. Não sei quantas vezes cheguei a experimentar essas sensações num só dia‖. Escreveu ainda:

―Há uma Bola de Luz em meu ventre. Ela é o Espírito de DEUS, de modo que Ele mesmo maneja livremente meus atos, minhas palavras, tudo‖. Assim, como resultado de incansável pesquisa e sentindo que, desde a Revelação Divina, havia uma Bola de Luz em seu ventre, a qual era o Espírito de DEUS, o Mestre chegou à inabalável convicção de que Ele utilizava livremente o seu corpo e, tendo-o como Seu instrumento, salvaria toda a humanidade. Cantou esse seu estado de espírito nos poemas abaixo:

―O Ensinamento desfez A longa dúvida que eu tinha Sobre o motivo do meu nascimento Neste mundo.‖

―É venerável o Kannon Que habita o corpo material De um homem que, antes, era insignificante.‖

Nessa ocasião, o Mestre utilizou a palavra ―Kenshinjitsu‖ para designar o estado em que se possui sólida consciência de tudo e inteligência esclarecida. É o

estado em que a pessoa enxerga o caminho que a humanidade percorreu e irá percorrer, e, além de evidenciar os erros do passado, é capaz de indicar a postura correta da humanidade no futuro. E como estar no cume de uma pirâmide e avistar as quatro direções lá de cima. A esse respeito, ele escreveu:

―A Religião, a Filosofia, a Educação e outros ramos da cultura sempre consideraram impossível entender todas as coisas além de certo limite e captar a sua essência mais profunda‖. Sakyamuni disse ter atingido o ―Kenshinjitsu‖ aos setentas e dois anos, e Nitiren, depois dos cinqüenta. ―Kenshinjitsu‖ significa a capacidade de entrar em contato com esta essência. Tendo atingido esse estado, o próprio Mestre praticou a Verdade que conseguiu conhecer, concretizou-a e transmitiu-a amplamente às pessoas. Conseqüentemente, as palavras e ações do Mestre expressam a própria Verdade. Anos mais tarde, ele costumava repetir: ―Não desvie de mim a sua atenção. Fixe atentamente os olhos na minha pessoa e faça o serviço entregando-se de corpo e alma‖ Dessas palavras vigorosas, sentimos irradiar estes pensamentos:

―Busquem a Verdade que eu materializo.‖

―Deus, nosso Senhor, Deu-me poder e inteligência. Todos os seres vivos Serão salvos.‖

―Tudo que preguei Desde os quarenta e cinco anos, Idade em que atingi o ―Kenshinjitsu‖, Expressa a Verdade.‖.

Dessa forma, tendo sofrido completa modificação e sentindo que o seu destino estava sendo dirigido por Deus, o Mestre deixou os serviços da Loja Okada, no dia 4 de fevereiro de 1928, para concentrar-se de corpo e alma na Obra Divina. Deixou a parte administrativa ao encargo de Kinzo Fukumoto e a parte de vendas ao encargo de Takashi Nagashima. Afastou-se dos trabalhos, passando a

ocupar a posição de conselheiro; todavia, não abandonou por completo os negócios nessa ocasião. Durante muitos anos continuou indo à loja como dono e participando das reuniões da Associação Sofuku‖. Na época em que o Mestre atingiu o estado de ―Kenshinjitsu‖, nasceu em Omori, no dia 4 de junho de 1927, sua terceira filha, que recebeu o nome de Itsuki

e

mais tarde se tornou a terceira Líder Espiritual da Igreja Messiânica Mundial.

SUCESSIVOS MISTÉRIOS

No dia 14 de abril de 1929, mais de dois anos após a Revelação de 1926,

Mestre foi a Kameoka (Ayabe, Quioto), para participar do Culto da Primavera da

Omoto, o qual seria realizado nos dias 14 e 15. O fato que se segue aconteceu no

dia 16.

Tendo idéia de assistir ao ofício religioso do Santuário Obata, localizado em Anao (circunscrição de Sokabe, Quioto), terra natal de Onissaburo Deguti, ele chamou um carro. Quando estava de saída, encontrou-se com a esposa de Watari Shiga, membro do partido político mais representativo do Japão antes da Segunda

o

Guerra Mundial, partido esse criado em 1900, sob a direção de Hirobumi Ito. A senhora em questão lhe disse que acabara de chegar do Estado de Saitama e pediu-lhe que a levasse com ele. ―Chegou na hora!‖, respondeu o Mestre, que lhe deu carona gentilmente. No momento em que o carro começou a andar, ele estremeceu, sentindo algo de misterioso no sobrenome Shiga, daquela senhora. Pensou então: ―O Lago Biwa, de Omi, também é chamado Lago Shiga. Será que o culto de hoje tem algo a ver com o Lago Biwa?‖. Terminado o ofício religioso em Anao, o Mestre voltou para Tóquio. Por sua vez, Onissaburo Deguti, após o culto, pegou um carro e foi até o Lago Biwa, tendo passado a noite num famoso restaurante situado à beira desse lago. No dia seguinte, antes de partir, escreveu num papel as palavras ―Doto Tyuten‖ (―Gigantescas ondas sobem ao Céu‖) e entregou-o ao dono do restaurante, que também era fiel da Omoto. Dias depois, misteriosamente, houve uma tempestade que atingiu um vasto território, assolando regiões como Kinki, Hokuriku e Kanto. Na região onde está situado o Lago Biwa, a tempestade foi violenta, e um navio de turismo e muitos barcos pesqueiros afundaram. Nesse momento, o Mestre recebeu uma Revelação extremamente importante, sobre a qual escreveu em prosa e em verso:

―O Dragão Dourado, deus guardião de Kannon, esteve submerso, durante milhares de anos, no fundo desse lago. Chegado o momento propício, quando ele ia emergir das águas, o Dragão Vermelho (na Bíblia é satã), que observava de longe, ciente de que surgiria o deus mais temido por ele, veio correndo, e, para derrotá-lo, travou uma enorme batalha sobre o lago. Vencido, fugiu para o norte. Essa luta é que se transformou naquela tempestade.―

―Surgiu

O deus Dragão Dourado,

Oculto nas profundezas

Do Lago de Shiga.‖

―Finalmente surgiu

O deus Dragão Dourado

Que se escondia No ―Manai‖(fonte de água sagrada) de Yassugahara-ame.‖.

No dia 23 de maio, um mês após a ocorrência desse mistério, Tóquio foi assolada por um temporal. O Mestre não foi à loja, tendo ficado a desenhar num ―shikishi‖ (papel grosso quadriculado onde se faz desenho, para presentear). De repente, por volta do meio dia, reboou uma forte trovoada nos arredores da mansão Shofu, em Omori. Intuindo nesse acontecimento a chegada do Dragão Dourado, o Mestre, anos mais tarde, escreveu: ―Desabara uma tempestade e, aproximadamente ao meio-dia, ecoou uma forte trovoada sobre a minha residência. A partir desse momento, o Dragão Dourado tornou-se meu Espírito Guardião‖. No dia 11 de abril, pouco antes desse acontecimento, por volta das cinco horas da manhã, Yoshi, que estava grávida, começou a sentir as dores do parto. Na família Okada, desde a época de Taka, primeira esposa do Mestre, costumava- se chamar a parteira Hissa Mizutome. Desta vez, também, estava combinado chamá-la, quando chegasse à hora. Entretanto, como ainda era muito cedo, Mizutome não havia chegado, e tudo indicava que o bebê estava prestes a nascer. Assim, o próprio Mestre começou a fazer os preparativos, apanhando água,

Mizutome acabou não chegando a tempo, e ele teve de

preparando a bacia etc

exercer a função de parteiro. Sem nenhum problema, nasceu um menino, que recebeu o nome de Shigueyoshi. Era o seu terceiro filho homem. Desde o período inicial da Era Showa, o Mestre escrevia um diário. Nele, registrava as suas impressões sobre os principais acontecimentos do dia em forma de poemas. Atualmente, resta um total de quinze cadernos, escritos até 1943. No início da Era Showa, o Mestre desenvolvia simultaneamente a Obra Divina e as atividades comerciais. Aproveitando qualquer oportunidade, dedicava- se à pesquisa do Mistério. Tudo isso está descrito vivamente no diário dessa época. A respeito do nascimento de Shigueyoshi ele escreveu os seguintes poemas:

―Mizutome Não havia chegado, E vejam só! Chorando bem forte, Nasceu um menino.‖

―Parteiro virei, Sem alternativa. Eu precisava Ajudá-la no parto, Aparando o bebê.‖.

―Não sei se é Algum Plano Divino, Mas, em minha vida, É a primeira vez Que assisto a um parto.‖

Através do nascimento de seu próprio filho, o Mestre conscientizou-se ainda mais profundamente do seu próprio destino e da missão que lhe fora determinada. Agora, havia no mundo mais tristeza do que alegria, mas ele sabia que um mundo assim não duraria para sempre. Com o poder e o amor absoluto de Deus, haveria de nascer um novo mundo aqui na Terra. Como representante de Deus, ele é quem iria construí-lo. Tudo isso lhe fora esclarecido na Revelação de 1926, e mais uma vez Deus lhe mostrou claramente esse mistério, fazendo com que ele servisse de parteiro. Naquela época, a Omoto mantinha intercâmbio com a ―Associação Sekai Komanji‖, criada em 1930, na China, quando Gofukurin e Ryushoki, naturais de Santo-Sho, naquele país, instalaram uma igreja em Sainan, capital de Santo-Sho. Era uma entidade religiosa que cultuava Shissei-Senten-Rosso como Deus Supremo e realizava intensa atividade beneficente. A seu respeito, o Mestre escreveu:

―Na Igreja Messiânica Mundial, conhecemos a existência de Deus através de graças e milagres. A ―Associação Sekai Komanji‖, no entanto, faz com que as pessoas O conheçam através de um método completamente diferente. Instalam um assento para Deus bem no centro do local onde vai ser aplicado o método, queimam incenso e, depois de lerem sutras, realizam uma cerimônia chamada ―futi‖. Em cima de uma mesa, coloca-se uma bandeja rasa, quadrada, forrada de areia prateada. Nas laterais, ficam duas pessoas segurando uma vara com formato de T. A ponta da vara vai se movendo automaticamente, traçando letras. É a mensagem de Shissei-Senten-Rosso. Grandes religiosos como Sakyamuni,

Confúcio, Jesus Cristo e outros praticaram o ―futi‖. Eles escreveram sob a ordem de Rosso. Sai escrito assim: ―Kannon, por ordem de Rosso, transmite X ensinamento‖. As palavras fluem com muita rapidez, e por isso é impossível que as duas pessoas se consultem‖. O fato que se segue aconteceu no dia 26 de março de 1930. Na Sede Aishin-Kai da Omoto (atual Kakushin-Kai), situada no bairro de Koji, em Tóquio, ia se realizar um ―Futi‖ com a presença de dez diretores da ―Associação Sekai Komanji‖. O Mestre participou da cerimônia em companhia de Yoshi. Nessa oportunidade, ele ganhou uma folha de papel no meio da qual estava escrita, em letra bem grande, a palavra PURIFICAÇÃO; ao lado, em letra pequena, ―Mokiti Okada‖. Junto, entregaram-lhe um folheto explicativo: ―Foi escrito no ―futi‖ realizado na Sede Geral da Omoto, em Ayabe, pouco antes da comitiva da ―Associação Sekai Komanji‖ ir para Tóquio‖. A propósito desse ―futi‖ o Mestre escreveu:

―Saí com Yoshi Para ir a Aishin-Kai A fim de assistir À cerimônia de escrituras.‖

―Ganhei uma folha Com a palavra PURIFICAÇÃO Em letra bem grande, Escrita por Rosso. Segundo disseram, foi feita em Ayabe.‖

Mais tarde, ele comentou: ―O meu trabalho mais importante é purificar o espírito através da ministração do Johrei (purificação do espírito). Naquele momento, isso já estava determinado por Deus‖. O papel recebido pelo Mestre foi um presente misterioso que indicava o seu destino.

PESQUISAS SOBRE O ESPÍRITO DIVINO

Mesmo depois de ter alcançado o estado de ―Kenshinjitsu‖, o Mestre continuou suas pesquisas sobre o Mundo Espiritual. Não o fazia levado simplesmente pelo desejo de obter conhecimentos desvendando mistérios e decifrando enigmas. Ele sabia que, uma vez que o Mundo Espiritual é o princípio de tudo, movendo o visível Mundo Material, a grandiosa obra de salvação da humanidade não podia ser concretizada sem o esclarecimento daquele mundo. Justamente por isso ele se dedicou a pesquisá-lo, o que julgava de capital importância para encaminhar a humanidade a uma vida feliz e concretizar o Mundo Paradisíaco. Quando mal começara sua pesquisa sobre o Espírito através do ―tinkon‖, o Mestre, atendendo a um pedido, utilizou esse método com uma moça de dezenove anos que estava tuberculosa em terceiro grau. O caso fora considerado perdido; entretanto, com dois ―tinkon‖, começaram a surgir indícios de melhora. No terceiro, a mãe da jovem, que estava sentada ao seu lado, levantou-se repentinamente, com uma expressão de quem ia devorar o Mestre. ―Canalha! Só faltava mais um pouco para eu acabar com a vida dessa moça e você me atrapalhou, salvando-a. Estou furioso e vou fazer você pagar por isso‖.

Era uma voz grossa de homem, totalmente diferente da voz daquela senhora. Incontestavelmente, tratava-se de um fenômeno de encosto. Espantado,

o Mestre perguntou ao espírito que se encostara ao corpo da jovem:

Quem é você, afinal?

Sou Hirokiti.

Qual é a sua relação com esse corpo?

Sou o irmão mais novo da quarta geração de ancestrais dessa família.

Mas porque se encostou-se a esta moça para tirar-lhe a vida?

Eu havia saído de casa e, quando morri, como não tinha mais nenhum

contacto com a família, ninguém se preocupou comigo. Eu queria que sufragassem

o meu espírito e tentei fazer com que meus parentes percebessem esse desejo.

Para isso, entre muitas outras coisas, eu os fiz adoecer, mas ninguém entendeu.

Fiquei tão indignado, que resolvi matar essa moça. Assim, eles vão compreender.

Mas você não veio lá do Inferno?

É eu estava lá há muito tempo, mas já não agüentava mais. Por isso

fugi, para pedir que me sufragassem.

Mas você sabe que, se matar essa jovem, vai para um lugar ainda pior

do que aquele onde estava até agora?

É verdade?!

É mais do que verdade. Eu trabalho para Deus. Jamais poderia mentir.

Mas fique tranqüilo: eu vou sufragar você. O espírito falava com o sotaque das pessoas de Edo, e seu timbre de voz era bem claro, parecendo um trabalhador daquela cidade, nos últimos tempos do governo feudal. Esse espírito, que dizia chamar-se Hirokiti, não apenas acatou as palavras do Mestre, como prometeu ajudá-lo a curar a doença da moça. Assim; ela foi se recuperando normalmente. O fato que se segue também aconteceu no início da Era Showa. Havia uma estudante de Belas-Artes, de aproximadamente vinte anos, que estava fazendo estágio na Loja Okada, como desenhista. Certo dia, uma amiga sua foi à loja, procurando por ela. Como a moça estivesse ocupada, o

Mestre pediu-lhe que há aguardasse um pouco, na sala de espera. A visitante parecia bastante deprimida. Intrigado, ele perguntou à estudante desenhista o que estava acontecendo. A explicação foi inesperada. Durante longo tempo, as duas moças mantiveram relações homossexuais, mas, descobertas por seus genitores, foram advertidas severamente, vendo-se obrigadas a escolher entre acabar com o relacionamento ou sair da escola. Sem saber o que fazer haviam decidido suicidar- se juntas. E aquele era o dia marcado. Surpreso, o Mestre levou a desenhista para outra sala e fez-lhe um exame espiritual. Um espírito de pato, que nela encostara, manifestou-se e disse que estava apaixonada pelo espírito de rouxinol encostado na amiga. O Mestre repreendeu-o severamente e, com repetidos tratamentos espirituais, fê-lo deixar o corpo da moça. Com isso, o sentimento da amiga também esfriou, e o problema foi solucionado. Através dessa experiência, o Mestre compreendeu que o amor-paixão

é uma ação espiritual e que, para solucionar um amor ilícito, basta tirar o encosto

de uma das pessoas envolvidas. Dessa forma, a cada experiência concreta, as pesquisas parapsicológicas foram se tornando precisas. Justamente por isso, cheio de confiança, ele escreveu:

―Talvez as pessoas da atualidade achem que essa descrição, feita em termos genéricos, seja produto da minha imaginação, mas em verdade trata-se de pontos coincidentes entre levantamentos e estudos que fiz durante mais de vinte anos com inúmeros espíritos, através de médiuns e de todos os meios possíveis. Por

isso podem estar certos da veracidade do que lhes estou transmitindo‖. (Alicerce do Paraíso - Mundo Espiritual e Mundo Material) O Mestre dedicou-se à pesquisa do Mundo Espiritual não apenas através das experiências com os fenômenos de encosto que acompanhavam o ―tinkon‖, mas também através da literatura de muitos livros. Participava, ainda, de sessões de parapsicologia, como podemos comprovar pelo poema escrito em seu diário no dia 14 de novembro de 1929:

―Fui à sessão experimental De uma associação de pesquisas parapsicológicas E vi curiosas manifestações espirituais.‖

Não se sabe exatamente quais eram os dirigentes dessa associação, mas o primeiro em quem se poderia pensar é Wassaburo Assano, que, na época, se dedicava à pesquisa parapsicológica. Ele estudara num colégio de primeira categoria, ingressara na Universidade de Tóquio, muito renomada, e tornara-se professor da Escola de Oficiais da Marinha. Tinha profundo conhecimento da literatura inglesa e, desde que ingressara na Omoto, em 1916, encarregou-se da redação dos textos dos seus órgãos informativos, de atividades voluntárias de difusão etc., utilizando a sua cultura e a sua fé ardorosa. Chegou a ocupar uma posição elevada na Igreja. Entretanto, após a primeira pressão sofrida pela Omoto, em 1921, ele fundou, em Tóquio, a ―Associação de Pesquisas Científico-Parapsicológicas‖ e, em 1925, afastou-se da Igreja. Desde então, desejando provar objetiva e cientificamente a existência do Espírito Divino, empenhou-se em apresentar ao Japão a ciência parapsicológica, muito desenvolvida na Europa e nos Estados Unidos. Posteriormente, mudou-se para Ossaka. Tempos mais tarde, o Mestre escreveu sobre ele: ―No Japão, temos Wassaburo Assano, um profundo pesquisador com quem eu tinha certo relacionamento e que deixou vários trabalhos. Infelizmente, ele faleceu há alguns anos.‖. O objetivo da pesquisa espiritual feita pelo Mestre evidencia-se através destas palavras: ―Crendo nos fenômenos espirituais, torna-se claro que poderemos apreender a causa fundamental da verdadeira felicidade. Em outras palavras, para se obter a perfeita paz de espírito, é necessário profundo conhecimento de tais fenômenos, seja qual for a Fé que se professe.― (Alicerce do Paraíso - Prefácio do Livro ―O Mundo Espiritual―) Como se pode constatar, ele possuía a consciência fundamental de que, para a humanidade ser encaminhada a uma vida feliz, era preciso, antes de mais nada, que ela conhecesse a realidade do Mundo Espiritual e se conscientizasse profundamente da atuação dos espíritos.

FOMENTO PARA A FUNDAÇÃO DA IGREJA

ATIVIDADES LITERÁRIAS

Por volta de 1923, quando o Mestre retornou à Omoto, essa Igreja desenvolvia uma intensa atividade literária, como parte da Obra Divina. Em 1927, ela fundou a Editora Meiko e começou a publicar uma revista mensal de poesia ―waka‖ (poema composto no Japão desde os tempos antigos semelhante ao haical, diferenciando-se deste no que diz respeito aos pés métricos, que são trinta e um. É constituído de cinco versos, dos quais o primeiro e o terceiro são pentassílabos, e

os demais, heptassílabos) e ―kanku‖ (poema derivado do haical), chamada ―Meiko‖. Imediatamente, o Mestre passou a enviar seus poemas para essa revista. Eram composições de conteúdos diversos: poemas religiosos que expressavam a busca de Deus, poemas que retratavam a natureza, poemas que cantavam os sentimentos humanos, e também poemas românticos. Eles revelavam o coração do Mestre, que, em todos os aspectos de sua vida, nunca se fixava em um só ponto.

Editora Meiko, 6ª sessão de “waka”, 10/06/1927. Tema: Andorinha

―Graciosa é a andorinha Que, determinando O canto do telhado Como sua eterna residência, Vai e vem voando.‖

Editora Meiko, 6ª sessão de “waka”, 15/06/1927. Miscelânea de poemas

―Meu amor tornou-se Algo impossível, E conversar com ela É um sonho raro.‖

Editora Meiko, 8ª sessão de “waka”, 07/08/1927. Temas: Chuva Branca, Chuva de Verão.

―Chuva de verão Que reanima pessoas, Animais e outros seres Abatidos pelo intenso Calor do Sol.‖

O Mestre, que se caracterizava por realizar com perfeição tudo aquilo que empreendia, estudou literatura com entusiasmo, buscando a avaliação e a orientação de pessoas abalizadas. Também Yoshi, sua esposa, há muito já possuía fama de habilidade literária; mostrou sua capacidade assim que iniciou a composição de poesia ―waka‖. Os dois exemplos que se seguem são obras do Mestre, feitas respectivamente em 1928 e 1929.

Tema: ―Tossokiguen‖ (saquê que se toma por ocasião das festas do ano

novo)

― Tossokiguen ― Que na primavera Faz ver o diabo como Buda.‖.

Tema: ―Deitado à toa‖

―Deitado à toa Passei o domingo Sem fazer nada.‖

Mostrando sua habilidade com uma destreza incrível, o Mestre recebeu de Onissaburo Deguti, o cognome de ―Assanebo Kiguetsu‖ (―Lua brilhante dorminhoco‖) com o qual passou a promover sessões de ―kantoku‖ e a selecionar as obras. Posteriormente, refletindo sobre o seu hábito de acordar tarde, ele começou a usar o pseudônimo ―Akegarassu Aho‖ (―Corvo bobo madrugador‖) e disse que, desde então, passou a acordar cedo. Talvez se referindo a isso, compôs o seguinte poema:

―Tencionava compor Um poema sobre a geada. Dorminhoco que sou, Quando acordei, Nem vestígios encontrei.‖

DIFUSÃO EM TÓQUIO

Na Omoto, havia uma qualificação sacerdotal denominada ―divulgador‖, a qual tinha divisões hierárquicas. Em 1927, depois que retornou à Igreja, o Mestre tornou-se diretor da filial da Editora Meiko na Sede de Aishin, em Tóquio. Em abril de 1928, tornou-se semidivulgador; em julho, divulgador. Foi subindo rapidamente e, em fevereiro do ano seguinte, nomearam-no membro executivo da Sede de Tóquio. Pelo trabalho realizado durante esses anos, podemos constatar que o Mestre trilho