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A Praça da Liberdade – Forma e Função Setembro de 2008 Vitor Vieira Vasconcelos

Doutorando em Geologia, Mestre em Geografia, Especialista em Solos e Meio Ambiente, Bacharel em Filosofia, Graduando em Geografia, Técnico em Meio Ambiente, Técnico em Informática Industrial

A Praça da Liberdade é um claro exemplo em que as formas espaciais remetem a funções, no tempo passado e presente. Sua instalação deu-se no primeiro plano de construção da cidade, quando Belo Horizonte ainda estava circunscrita à Avenida do Contorno. Dentro desse espaço, o ponto de elevação mais alto foi o escolhido para abrigar a praça, frente ao Palácio do Governador e rodeada pelos prédios mais importantes da administração pública estadual. Tratava-se de uma intenção deliberada de conferir ao que seriam as estruturas mais importantes da cidade àquele local naturalmente privilegiado. A construção paisagística da Praça da Liberdade foi arquitetada em conjunto com as funções e valores sócio-políticos das estruturas de seu entorno. Quem enxerga a praça a partir da Avenida João Pinheiro consegue perceber com facilidade como as linhas paisagísticas da praça convergem, em linha reta, para o Palácio do Governador, praticamente conduzindo a vista do observador para essa última construção. Passa-se com isso uma idéia de que a praça seria algo como um jardim do governo. Contudo, um olhar mais detalhado sobre as formas da Praça da Liberdade indica que existem diversos sub-centros gravitacionais. Ou seja, há diversos ambientes intermediários, como as fontes e o coreto, para os quais convergem os jardins, espaços abertos e direcionam-se os bancos. Esses ambientes proporcionam agradáveis locais de lazer, bem como possibilitam a realização de eventos artísticos. Contornando toda a praça, também temos uma área de circulação, utilizada para corridas, caminhadas ou, simplesmente, para passeios. Todavia, a cidade possui um processo dinâmico, o que leva a novas relações entre as formas e os espaços. Com a construção de inúmeros arranha-céus em toda Belo Horizonte, hoje já não é tão perceptível a posição proeminente de relevo da Praça da Liberdade. Aliás, o crescimento da cidade tomou pontos bem mais altos, como, por exemplo, os bairros Serra e Mangabeiras, que escalam a Serra do Curral. Segundo os planos do Governo Estadual, em breve a Praça da Liberdade também deixará de ser a área central de governo, a qual será transferida para o novo Centro Administrativo, no Norte da cidade. No lugar das instituições públicas, a Praça da Liberdade ganhará em seu entorno instituições relacionadas à cultura, como mais museus e até um planetário. Podemos pensar até que essa mudança do Governo tem a ver com uma atitude de afastar-se dos olhos da população. Nesse aspecto, com as novas propostas para o ambiente em torno da Praça da Liberdade, deixaríamos de ser uma sociedade que reserva seus melhores espaços e atenções para a política, e tornaríamos mais e mais uma sociedade voltada ao espetáculo e ao entretenimento.