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PROJETO MESTRADO - V1

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UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM FILOSOFIA

CURSO DE MESTRADO ACADÊMICO PROJETO DE DISSERTAÇÃO LINHA DE PESQUISA: ÉTICA E FILOSOFIA POLÍTICA

ÉTICA E POLÍTICA DA AMIZADE EM MICHEL FOUCAULT

LUIZ HENRIQUE SILVA DE ARAUJO

RIO DE JANEIRO

Outubro / 2010

1. governo. governamentalidade em Foucault.Investigar os conceitos de amizade e ascese na antiguidade greco-romana.2 1. abordada em entrevistas e cursos realizados nos últimos anos de Michel Foucault. analisando as noções de philia e amicitia. Objetivos específicos 1. desenvolvida no pensamento tardio de Michel Foucault e vinculada ao governo de si e ao governo dos outros.Analisar os conceitos de poder. .2. 2.Investigar minuciosamente a concepção da ética foucaultiana e analisar o caráter ético-estético-político da experiência da amizade na estética da existência foucaultiana. Objetivo Geral Analisar critica e conceitualmente a amizade a partir da noção da estética da existência. 3. Título Ética e política da amizade em Michel Foucault 2. Objetivos 2. 2. a fim de explicitar sua importância para a reflexão sobre uma possível atualização de uma estética da existência. explicitando a passagem do governo de si ao governo dos outros e o papel fundamental da amizade nesta relação. O objeto da investigação situa-se na possibilidade de a amizade ser uma forma de vida que representa uma atitude crítica e de resistência aos processos institucionalizados de subjetivação.

o que marca o seu afastamento de qualquer vínculo a uma teoria do sujeito universal.172 3 Foucault. onde buscou as condições de possibilidade de construção de um sujeito enquanto experiência através da análise de sua formação histórica. realizadas através da ascese. p. F. das sociedades disciplinares. tema filosófico atual e relevante. direcionou suas análises às formas de sua objetivação como sujeitos medicalizados e normatizados. já dado. Justificativa: Esta pesquisa se justifica na oportunidade de uma reflexão sobre a questão da amizade como elemento fundamental para compreender a dimensão ético-política1 do pensamento foucaultiano. A pesquisa permite compreender. epicurista e cristão. História da Sexualidade II – O Uso dos Prazeres. segundo a abordagem foucaultiana. Ao explorar também o conteúdo filosófico dos pensamentos clássicos platônico. ganham contornos de 1 2 Ortega. aristotélico-ciceroneano. Para Foucault. Foucault. éticas e políticas acerca de uma questão que se mantém atual por relacionar a filosofia ao modo de vida na contemporaneidade. para depois voltar suas análises para as formas de subjetivação ativa dos sujeitos. abrimos espaço para o desenvolvimento de questões filosóficas.” 3 Em suas investigações sobre a questão do sujeito. É “tentar saber de que maneira e até onde seria possível pensar diferentemente em vez de legitimar o que já se sabe. o tema surge em seus últimos cursos e entrevistas como um conceito representativo de uma forma de vida a ser considerada na possível atualização da estética da existência. transcendental. É no contexto da estilização da vida que a experiência social e política da amizade relacionada às práticas de si. a partir da interpretação foucaultiana. como muitos afirmam. sobretudo se for conduzido por meio da seguinte questão: será possível encontrar na noção de amizade as vias para a criação de novas formas de existência na atualidade? É importante ressaltar que mesmo não tendo realizado um estudo sistemático da questão da amizade. conduz à questão da possibilidade de se pensar a criação de novas formas de subjetivação. num primeiro momento. Amizade e Estética Existência em Foucault Idem. fazer filosofia consiste em um trabalho crítico do pensamento sobre o próprio pensamento. a questão da amizade na Antiguidade greco-romana e seus desdobramentos na estilização da existência. . “um pensamento que não culmina no individualismo. A investigação da experiência da amizade. mas que tenta introduzir movimento e fantasia nas deterioradas e rígidas relações sociais”2.3 3. M.

mas na amizade”. Para Arendt. Derrida. uma vez que o tema proposto se dirige a questões atuais pelo potencial que a noção de amizade pode representar para novas experiências de vida. M. questionando porque o amigo deveria ser um irmão e o que seria a política além do princípio da fraternidade5. J. que também desenvolveram reflexões a partir do pensamento greco-romano. 4 5 Arendt. que rompe com as concepções clássicas predominantes em todo o mundo ocidental e cujas reflexões sobre a amizade a privilegiam como ascese. de experimentar a multiplicidade de formas de vida possíveis”7 e que encontramos hoje “uma conjuntura favorável para pensar e experimentar a amizade”8. Homens em tempos sombrios. Já para Blanchot não há distinção entre amizade e fraternidade. Todos estes filósofos tem como um precursor o pensamento de Friedrich Nietzsche. como. rompe com o modelo clássico de philia em seu sentido fraternal. Jacques Derrida e Maurice Blanchot. mas sua noção de comunidade está próxima das concepções dos dois primeiros6. L’Amitié 7 Cf. Este projeto se insere na linha de pesquisa Ética e Filosofia Política. por exemplo. podendo representar uma atitude crítica e conduzir à autotransformação do sujeito na vida social e a recusas às formas impostas de relacionamentos e de subjetivação. Francisco Ortega entende o a amizade como “uma possibilidade de utilizar o espaço aberto pela perda de vínculos orgânicos. que afirma que “a humanidade se exemplifica não na fraternidade. Em seus trabalhos acerca da amizade e da estética da existência. na área de concentração de Filosofia Contemporânea. Politiques de l’amitié 6 Blanchot.4 um projeto ético-político. Amizade e Estética Existência em Foucault 8 Idem . Derrida. Hannah Arendt. a exemplo. pelo biopoder. esta é um fenômeno eminentemente político4. Ortega. A questão da amizade também é discutida por outros filósofos contemporâneos. H. F.

referida como a via para a reabilitação da estética da existência. 1982 onde “vemos que a amizade é inteiramente da ordem do cuidado de si e que é pelo cuidado de si que se deve ter amigos”. não como um exercício de solidão. a amizade. constituídas como relações eros-philia. é “uma estratégia de resistência extremamente perigosa para a individualidade padronizada imposta pelo poder subjetivante moderno” e de que “o papel da filosofia no processo de constituição da amizade {. estética da existência. em seu livro Amizade e estética da existência em Foucault de que esta. visando à recuperação de eros. do curso A Hermenêutica do Sujeito. onde as práticas de si se encontram . difundido tanto nos meios aristocráticos como entre as populações menos favorecidas. ética. a fim de questionar a hipótese (com a qual concordamos) de Francisco Ortega. da maneira como é abordada por Foucault na aula de 3 de fevereiro de 1982. cursos. governo. por meio de um trabalho realizado na própria relação consigo – uma ascese –. Na aula de 20 de janeiro de 1982. mas de uma verdadeira prática social. imprescindíveis para o objeto final da pesquisa. governo de si e governo dos outros. que é investigar a possibilidade de a amizade servir a uma constante recriação de si. recusado desde a Antiguidade no desenvolvimento e experimentação da amizade. artigos e entrevistas acerca de noções como amizade.} sugere a necessidade de uma reabilitação da estética da existência na atualidade. explicitaremos noção de ágape na filosofia cristã de Santo Agostinho. Delimitação do problema: O problema deste projeto de pesquisa busca privilegiar as análises foucaultianas abordadas em livros. Será analisada a interpretação foucaultiana da amizade nas últimas entrevistas.5 4. governamentalidade. transformar sua maneira de pensar e realizar em si uma forma de vida inédita”. Foucault explicita de que maneira o cuidado de si helenístico e romano se constitui.. Também serão analisadas as aulas do curso A Hermenêutica do Sujeito. investigando as noções de philia e amicitia nos pensamentos platônico e aristotélico. poder. à estilização da existência através e na presença do outro e uma conseqüente forma de resistência a um poder subjetivante. 1982 e as diversas entrevistas concedidas. ascese. assim como a amicitia na forma de uma amizade institucionalizada no pensamento de Cícero. a partir de sua ‘utilidade’. à autotransformação. Será ainda enfatizada a concepção epicurista da amizade. a qual poderia proporcionar ao indivíduo. Por fim. durante a segunda hora.. Buscaremos analisar critica e historicamente a noção de amizade na Antiguidade greco-romana.

Serão abordadas e explicitadas as relações de poder no pensamento foucaultiano. relacionado com o as noções de governo desde a Antiguidade greco-romana até as primeiras formas da pastoral cristã. muito mais fortes. Será também explicitado o intento foucaultiano de reabilitar a própria noção de filosofia como ascese.6 intimamente relacionadas e parcialmente apoiadas em redes de amizades. o governo de si e dos outros. . na cultura. no que tange às formas de subjetivação. polícia e poder pastoral. Em O uso dos prazeres e O cuidado de si serão investigados as noções de moral e de estética da existência na Antiguidade para compreender como se constitui o papel por ele concedido à amizade no processos de criação da vida como uma obra de arte. que se atinge a partir do domínio de si e também noções como razão de estado. tinha outras. na sociedade romanas. na cultura grega tinha uma determinada forma. posto que é atravessado pela presença do outro. “Esta amizade que. Por fim. permite pensar em pontos de encontro com a noção da ética em Foucault. acreditamos que a investigação da análise foucaultiana sobre a noção de amizade poderá nos ser útil como ferramenta para a análise dos processos de nossa própria subjetividade moderna. A questão do governo será investigada na Microfísica do Poder e nos cursos proferidos no Collège de France. assim como a noção de autonomia. onde Foucault aprofunda o estudo da questão da governamentalidade. Compreender as noções que envolvem o governo no pensamento foucaultiano. Foucault apresenta um papel da amizade no cuidado de si. uma vez que este pode ser praticado no interior do grupo e na distinção do grupo. Analisaremos o percurso de seu pensamento desde a noção das artes de governar os outros até a noção de governar a si mesmo. muito mais hierarquizadas”.

governo. governamentalidade. estética da existência. ascese – no sentido greco-romano -. que marcam a inovação e distanciamento do pensamento de Foucault da tradição filosófica. bem como da leitura de seus principais comentadores e dos textos da Antiguidade abordados por ele. cuidado de si. entrevistas e conferências de Foucault. poder. Para realizar tal tarefa analisaremos livros.7 5. governo de si. governo dos outros. Metodologia A metodologia a ser empregada é a da elaboração de análises conceituais e críticas das obras. . concernentes ao tema. As noções a que nos ateremos são: amizade. artigos. ética. dos cursos proferidos e das entrevistas concedidas por Foucault em que são abordadas as temáticas relativas ao tema proposto.

. De setembro a outubro de 2011 • redação de texto do segundo capítulo da dissertação: Ética e estética da existência em Michel Foucault.Amizade e governo de si e dos outros Conclusão Bibliografia 6.8 6. Plano de trabalho: 6. Cronograma de Atividades: De março a junho de 2011 • • • • levantamento bibliográfico de textos de comentadores de Foucault levantamento bibliográfico de textos de autores que abordam a questão da amizade leitura e análise conceitual dos textos selecionados discussão com o orientador De julho a agosto de 2011 • • estágio docente elaboração do primeiro capítulo da dissertação: Amizade e ascese na antiguidade greco-romana. Plano da dissertação Introdução Cap.Amizade e ascese na antiguidade greco-romana Cap. 3 .2.Ética e estética da existência em Michel Foucault Cap. 2 . 1 . 1.

De fevereiro de março de 2012 • • revisão do texto completo da dissertação Pré-defesa Abril de 2012 • Defesa de dissertação .9 De novembro de 2011 a janeiro de 2012 • redação de texto do terceiro capítulo intitulado: Amizade e governo de si e dos outros.

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