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Capa e Texto Da Disciplina Metodologia Da Pesquisa Em Direito

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FACULDADE MAURÍCIO DE NASSAU UNIDADE DE JOÃO PESSOA CURSO DE GRADUAÇÃO EM DIREITO DISCIPLINA METODOLOGIA DA PESQUISA EM DIREITO PROF. Dr. DANIEL ALVES MAGALHÃES

AULAS DE METODOLOGIA DA PESQUISA EM DIREITO

JOÃO PESSOA – PARAÍBA AGOSTO DE 2012

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FACULDADE MAURÍCIO DE NASSAU (UNIDADE JOÃO PESSOA) CURSO DE GRADUAÇÃO EM DIREITO AV. EPITÁCIO PESSOA, 1.201 – BAIRRO DOS ESTADOS

PLANO DE ENSINO

1. IDENTIFICAÇÃO

CURSO: Bacharelado em Direito DISCIPLINA: Metodologia da Pesquisa em Direito TURMAS: 9º Período (manhã e noite) CARGA HORÁRIA: 60 hora/aulas PERÍODO DE REALIZAÇÃO: 2012.2 DOCENTE: Prof. Dr. Daniel Alves Magalhães COORDENADORA: Profa. Ms. Claudia Lessa

2. EMENTA

Estrutura e metodologia da disciplina. Uma etnometodologia na academia e na pesquisa jurídica. Organização do trabalho jurídico científico. Escolha do tema para a pesquisa em Direito. Compreensão e classificação da pesquisa jurídica. Forma básica de apresentação e dimensão do trabalho científico jurídico. Organização do plano de trabalho.

3. OBJETIVOS

3.1 OBJETIVO GERAL

1) Orientar os alunos para pesquisar e produzir, num primeiro momento, o Projeto de Pesquisa da Monografia, para num segundo momento, pesquisa, escrever e defender o TCC (Trabalho de Conclusão de Curso).

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3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

1) Apresentar e analisar a importância desta ciência do Direito; 2) Capacitar o aluno dentro da perspectiva da área do Direito; 3) Levar ao aluno análise crítica sobre os temas relacionados; 4) Identificar os principais recursos da normatização da monografia na graduação; 5) Contextualizar a sociedade, refletindo o papel desta ciência no Direito e; 6) Desenvolver a capacidade de raciocínio e espírito crítico do aluno.

4. CONTEÚDOS PROGRAMÁTICOS

4.1 UNIDADE I:

1) ESTRUTURA E METODOLOGIA DA DISCIPLINA: - Apresentação, pelo docente, da proposta de plano de ensino. Comentários e aprovação; - Aula Expositiva dialogada com auxílio de data-show, sobre as categorias constitutivas da disciplina Metodologia da Pesquisa em Direito, descrita a seguir: 1) Metodologia da Pesquisa em Direito: importância e atualidade; 1.2) Pesquisa jurídica no contexto brasileira; 1.3) O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) como exigência para a obtenção do grau de bacharel em Direito e; 1.4) Proposta de ensino, objetivo e avaliação da disciplina.

2) UMA ETNOMETODOLOGIA NA ACADEMIA E NA PESQUISA JURÍDICA: 2.1) Origens da etnometodologia; 2.2) Correntes de pensamento que a influenciaram; 2.3) Alguns etnometodólogos relevantes; 2.4) Conceitos que se apóia a etnometodologia e; 2.5) Método em etnometodologia.

3) ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO JURÍDICO CIENTÍFICO: 3.1) Estrutura do TCC e TGI (Trabalho de graduação integrado); 3.2) dos componentes da Estrutura do TCC e do TGI; 3.3) Descrição pré

Elementos

textuais e; 3.4) Elementos textuais e elementos pós-textuais.

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4) ESCOLHA DO TEMA PARA A PESQUISA EM DIREITO: 4.1) A importância da escolha do tema e; 4.2) Como escolher o tema: algumas regras básicas.

UNIDADE II

5) COMPREENSÃO E CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA JURÍDICA: 5.1) Visão geral; 5.2) Conceituação de pesquisa científica; 5.3) Classificação; 5.4) Pesquisa quanto à técnica empregada; 5.5) Pesquisa quanto à natureza; 5.6)

Pesquisas quanto aos objetivos; 5.7) Pesquisa quanto à abordagem do problema; 5.8) Pesquisa em relação as fontes de informações; 5.9) Pesquisa em relação aos procedimentos técnicos; 5.10) Pesquisa bibliográfica; 5.11) Pesquisa documental; 5.12) Pesquisa experimental; 5.13) Pesquisa ex-post facto; 5.14) Estudo de corte; 5.15) Levantamento; 5.16) Estudo de campo; 5.17) Estudo de caso; 5.18) Pesquisaação; 5.19) Pesquisa participativa e; 5.20) Peculiaridades da pesquisa jurídica.

6) FORMAS BÁSICAS DE APRESENTAÇÃO E DIMENSÕES DO TRABALHO JURÍDICO CIENTÍFICO: 6.1) Formato; 6.2) Margem; 6.3) Espaçamento; 6.4) Nota de rodapé; 6.5) Indicativos de seções; 6.6) Paginação; 6.7) Numeração progressiva; 6.8) Citação; 6.9) Abreviaturas e siglas e; 6.10) Figuras e tabelas.

7) ORGANIZAÇÃO DO PLANO DE TRABALHO: 7.1) Projeto de pesquisa; 7.2) Levantamento bibliográfico; 7.3) Redação provisória e redação definitiva e; 7.4) Defesa do trabalho perante a banca examinadora.

5. METODOLOGIA E RECURSOS DIDÁTICOS

5.1 METODOLOGIA: Leituras prévias pelos alunos da bibliografia indicada; aulas expositivas dialogadas, com oportunidades para perguntas e soluções de dúvidas da carga de leitura;

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5.2 RECURSOS DIDÁTICOS: Bibliografia indicada, quadro didático, pincel, datashow e textos das aulas de Metodologia da Pesquisa em Direito.

6. TÉCNICAS E CRITÉRIO DE AVALIAÇÃO

6.1 TÉCNICAS: Apresentação de trabalhos individuais ou de grupos; observação com relação à frequência, determinação e interesse de realizar os trabalhos e pontualidade na entrega de um trabalho escrito sobre a Metodologia da Pesquisa em Direito.

6.2 CRITÉRIO: Além da participação do aluno nas discussões das bibliografias indicadas, o critério de avaliação da aprendizagem será realizado através de dois exercícios escolares: o primeiro, uma prova escrita com 10 (dez) questões (cinco objetivas e cinco subjetiva); a segunda, será uma prova colegiada com assunto de toda disciplina.

7. REFERÊNCIAS

7.1 BIBLIOGRAFIA BÁSICA

GONÇALVES, José Wilson. Monografia Jurídica: técnica e procedimentos de pesquisa com exercícios práticos. São Paulo: Editora Pilares, 2009, 200 p.

HENRIQUES, Antonio; MEDEIROS, João Bosco. Monografia no curso de Direito: como elaborar trabalho de conclusão de curso (TCC). São Paulo: Editora Atlas, 2010, 316 p.

LEITE, Eduardo de Oliveira. Monografia jurídica. 8ª ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2008, 419 p.

NUNES, Luiz Antonio Rizzatto. Manual da Monografia Jurídica. 7ª ed. São Paulo: Editora Saraiva, 2009, 286 p.

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SANTOS, Izequias Estevam dos. Manual de métodos e técnicas de pesquisa científica: tcc, monografia, dissertação e tese. 5ª ed. Niterói: Inpetus, 2005.

TORRES LIMA, Maria da Conceição. Como elaborar “nossas” monografias. Recife: Faculdade Maurício de Nassau, 2006, 256 p.

7.2 BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR

BRUSCATO, Wilges. Quem tem medo da monografia? São Paulo: Editora Saraiva, 2010, 107 p.

COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia. 15ª ed. São Paulo: Editora Saraiva, 2000, 335 p.

FACHIN, Odilia. Fundamentos de metodologia. 5ª ed. São Paulo: Saraiva, 2006, 252 p.

MAGALHÃES, Daniel Alves. Aulas de Metodologia da Pesquisa em Direito. João Pessoa: Mimi, agosto de 2012, 125 p.

TOMANIK, Eduardo Augusto. “Conversas” sobre a Pesquisa em Ciências Sociais. Maringá: Editora da Universidade Estadual de Maringá, 1994, 281 p.

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SOBRE O PROFESSOR

Daniel Alves Magalhães é graduado em Filosofia (Licenciatura e Bacharelado) em 1997, pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB); Especialista em Avaliação do Ensino Superior, em 1999, pela Universidade de Brasília (UnB); Mestre em Filosofia, em 2001, pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB); Doutor em Filosofia da Educação, em 2008, pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Atualmente é professor adjunto I (aposentado), da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), onde lecionou as disciplinas Produção do Conhecimento: Ciência e Não-Ciência, Introdução à Filosofia, Metodologia da Ciência e Seminário Integrador I, nos Cursos de Graduação em Medicina Veterinária, Serviço Social e Psicologia, no Campus de Arapiraca – Polos de Viçosa e Palmeira dos Índios. Na Faculdade Maurício de Nassau (Unidade João Pessoa) leciona as disciplinas Filosofia Geral e do Direito, Legislação e Ética Profissional, Metodologia da Ciência, Metodologia Científica e Dimensões Histórico-Filosóficas da Educação Física e do Esporte.

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SUMÁRIO

1. AULA DE APRESENTAÇÃO: Metodologia da Pesquisa em Direito, p. 10.

2. PRIMEIRA AULA: Definição de metodologia e a Metodologia da Pesquisa em Direito, p. 12. 1. Metodologia, p. 12. 1.1 Metodologia da Pesquisa em Direito, p. 12. 3. SEGUNDA AULA: Projeto de Pesquisa da Monografia, p. 16. 1. Projeto de Pesquisa da Monografia, p. 17 2. Modelo de Projeto de Pesquisa, p. 19.

4. TERCEIRA AULA: A escolha do tema da monografia, p. 34. 1. A escolha do tema, p. 34. 1.1Não confunda tema com atividade profissional, p. 34. 2. O que é monografia?, p. 35. 3. Regras para escolha do tema, p. 35. 3.1 Escolha tema de seu interesse, p. 36. 4. Procurando o tema, p. 36. 4.1Defina claramente o tema, p. 36. 4.2 A limitação do tema, p. 37. 4.3 A problematização do tema, p. 39. 5. O tema de autor, p. 40. 6. As fontes de consultas devem estar disponíveis, p. 42. 7. O tema, afinal não precisa ser definitivo, p. 43. 8. O tema indicado, p. 44.

5. QUARTA AULA: Tipos de Monografias, p. 46. 1. Monografia de Compilação, p. 46. 2. Monografia de Pesquisa de Campo, p. 49. 3. Monografia Científica, p. 51..

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6. QUINTA AULA: Monografia: início dos trabalhos, p. 53. 1. Esqueleto provisório, p. 53. 2. Exemplo de um Projeto de Pesquisa, p. 55. 3. A bibliografia, p. 57. 4. A pesquisa bibliográfica, p. 58. 5. Leitura e fichamento dos textos, p. 59. 6. Fonte primária e fonte secundária, p. 60. 7. O tempo da leitura, p. 61.

7. SEXTA AULA: Redação da Monografia, p. 62. 1. A linguagem usada no texto da monografia, p. 62. 1.1 Eu ou nós?, p. 63. 2. Primeira redação da monografia, p. 63. 2.1 A Introdução, p. 64. 2.2 O Desenvolvimento (os capítulos), p. 65. 2.2.1 Citações da monografia, p. 66. 2.3 A Conclusão, p. 67. 3. As Referências Bibliográficas, p. 67. 3.1 Fontes de informações, p. 67. 3.1.1 Margem, p. 67. 3.1.2 Pontuação, p. 68. 3.1.3 Tipos de corpos, p. 68. 3.1.4 Citação de obra de até três autores, p. 69. 3.1.5 Citação de obra com mais de três autores, p. 69. 3.1.6 Citação composta de diversos trabalhos e diferentes autores, mas com (um ou mais) responsável pela coordenação ou organização, p. 69. 3.2 Normas Jurídicas e Decisões Jurídicas, p. 70. 3.2.1Normas Jurídicas, p. 70. 3.2.2 Decisões Judiciais, p. 71. 3.3 Ordenações das Referências Bibliográficas, p.71. 3.3.1 Autor repetido, p. 71.

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4. O Apêndice, p. 72. 4.1 O que deve ser colocado no apêndice, p. 72. 4.2 Exemplo de Apêndice, p. 73. 5. Abreviaturas, p. 74. 6. O Sumário, p. 76. 8. AULA DE ENCERRAMENTO: apresentação perante a banca examinadora, p. 77.

9. APÊNDICE: Modelo de como fazer um Projeto de Pesquisa, p. 79.

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AULA DE APRESENTAÇÃO

METODOLOGIA DA PESQUISA EM DIREITO

A única pretensão que se pode atribuir à presente aulas que versam sobre Metodologia da Pesquisa em Direito, é de procurar servir como leitura introdutória para os alunos do 9ª Período do Curso de graduação em Direito, da Faculdade Maurício de Nassau, unidade de João Pessoa, que são informados que uma das disciplinas que vão cursar, neste período, chame-se Metodologia da Pesquisa em Direito. Certamente estes alunos perguntaram: “O que é Metodologia da Pesquisa? Para que serve?”. Desse modo, esperamos que estas aulas, sejam úteis a estes estudantes e aos demais envolvidos nos assuntos da ciência que, uma vez preocupados com rumos da Metodologia da Pesquisa em Direito, tenham se deparado com as perguntas citadas acima e necessitam de orientação para sanar suas dúvidas. Embora estas aulas tenham a pretensão de ser acessível a um público relativamente restrito dentro do terreno da educação superior: os alunos do Curso de Direito, da Faculdade Maurício de Nassau (Unidade de João Pessoa), elas são também dirigidas aos professores universitários das nossas universidades federais e das faculdades particulares que trabalham com esta modalidade de ensino. É também a essa categoria de trabalhadores da educação superior que estas aulas gostariam de ser útil. É comum encontrarmos entre esses profissionais uma atitude que se aproxima do descaso diante dos assuntos tratados pela metodologia; essa atitude tem origem nos cursos de formação profissional, nas licenciaturas e mesmo na pedagogia, onde a disciplina Metodologia do Ensino, juntamente com a

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Metodologia da Pesquisa em Direito e outras, é vista como inútil exercício do espírito, sem qualquer conotação de aplicabilidade. É inevitável que a reflexão metodológica tenha esse caráter ou, para sermos incisivos, essa aparência de um discurso que diz respeito às coisas que transcendem o dia-a-dia. É preciso admitir, entretanto, que muitos professores, mesmo com especialização, mestrado e doutorado, se esforçam, notadamente, em suas aulas para futuros profissionais, para que a disciplina de metodologia assim permaneça e, mais ainda, para que essa característica extraterrena do pensar metodológico seja exacerbada; seus motivos são os mais diversos e variados e não nos cabe analisa-los neste momento. Se começa nos bancos acadêmicos, a desconsideração pela Metodologia da Pesquisa em Direito tem continuidade na mesa de trabalho do docente. Diante de seus alunos, no cotidiano da sala de aula, enfrentando as exigências administrativas das universidades, das faculdades particulares e as insatisfações de alguns alunos, é aí que o docente vê, definitivamente, enterrada qualquer esperança que ainda por acaso lhe restasse quanto à reflexão metodológica ser-lhe de alguma serventia. Mais e mais esse profissional se distancia da possibilidade de reciclar seus conhecimentos e, quando esta oportunidade porventura surge, o que ele mais deseja são ensinamentos que possam satisfazer sua ânsia de solucionar problemas práticos: o professor deseja receber sugestões, quando não fórmulas acabadas, para “aplicar” com seus alunos. É o que percebemos, sempre que iniciamos a docência da disciplina Metodologia do Ensino Superior nos cursos de PósGraduação, pois a expectativa expressa pelos alunos tem sido sempre a mesma: aprender a planejar e a “dar” aulas. Não esperamos, diante disso, fornecer uma série de conselhos traduzidos das alturas de um pensamento metodológico distanciado da prática pedagógica; não é nosso objetivo descaracterizar essa ou aquela metodologia na tentativa de torná-la artificialmente mais acessível e prática. O que pretendemos é trazer a luz uma disciplina de Metodologia da Pesquisa em Direito que foi elaborada tendo em vista a realidade vivida pelo educador em sala de aula. Ao trabalho, portanto.

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PRIMEIRA AULA

DEFINIÇÃO DE METODOLOGIA E DE METODOLOGIA DA PESQUISA EM DIREITO

Nesta primeira aula, pretendemos demonstrar alguns elementos básicos do conceito de Metodologia e de Metodologia da Pesquisa em Direito. Para tanto, vamos iniciar por uma discussão do que é Metodologia e seu papel na formação da graduação em Direito, passando para a abordagem da pesquisa, desembocando, na conclusão desta aula, no tema da disciplina Metodologia da Pesquisa em Direito. Não teremos aqui a oportunidade de realizar um estudo exaustivo e abrangente dos aspectos mencionados. Vamos apenas proceder às colocações que nos permitem compreender os temas e, se possível, utilizá-los no estudo das aulas desta disciplina.

1. METODOLOGIA

Definir Metodologia, de início, não é tarefa fácil, porém necessária. A origem da palavra é o grego. A junção de metá, que se traduz por “além de”, hodós, que quer dizer “caminho, via”, mostra a que se trata de uma outra a forma de mostrar um mesmo caminho. Vê-se, assim, que metodologia é termo controverso, polêmico e empregado nas mais diferentes situações. Cada ciência carrega em si uma metodologia própria de aprendizado, no sentido de repassar seu ensino para gerações futuras. E todas se acham ligadas à Metodologia da Pesquisa. Nos dicionários mais antigos, encontramos Metodologia definida como: “tratado dos métodos, arte de dirigir o espírito na investigação da verdade;

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orientação para o ensino de uma disciplina” (Cf. FERREIRA, 2008, p. 552). Em dicionários mais recentes, a palavra metodologia está definida como:
Parte de uma ciência que estuda os métodos aos quais ela se liga ou dos quais ela se utiliza [...]. Estudo sistemático, por observação da prática científica, dos princípios que fundam e dos métodos de pesquisa utilizados [...]. Conjunto dos métodos e técnicas de um campo particular (Cf. GRANDE DICIONÁRIO LAROUSSE CULTURAL DA LINGUA PORTUGUESA, 1999, p. 616).

Usualmente, costuma-se definir Metodologia como estudo ou mesmo conjunto dos métodos e empregá-la confundindo-a com a simples utilização de estratégias, ou de técnicas, ou de instrumentos e recursos materiais auxiliares. Para desfazer este mal entendido, no campo da pesquisa em Direito, precisamos fazer uma demarcação entre a metodologia como abordagem de pesquisa (Metodologia Científica) e a metodologia enquanto processo de socialização dos conhecimentos investigados (Metodologia de Ensino).

1.1 METODOLOGIA DA PESQUISA EM DIREITO

A Metodologia da Pesquisa em Direito constitui-se no processo de intervenção na realidade jurídica. É o caminho percorrido pelos pesquisadores no processo de elaboração da investigação teórico-empirica. Pressupõe um corpo de métodos, técnicas e instrumentos empregados para investigar fenômenos e objetos que é necessário observar, analisar, avaliar e inferir resultados. Resultados estes que devidamente mapeados, classificados e analisados oferecerão ao pesquisador um perfil do objeto em estudo. Na existência de vários caminhos o pesquisador escolhe aquele que melhor corresponde à problemática a ser investigada e ao referencial teórico adequado. Portanto, a Metodologia da Pesquisa indica opções e leitura operacional que o pesquisador fará do quadro teórico definindo os elementos, tais quais:

- Sujeitos da pesquisa; - O universo a ser investigado; - As técnicas e instrumentos de coleta do corpus, das informações ou dos dados;

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- Descrição da organização e análise do corpus, das informações ou dos dados.

A Metodologia da Pesquisa em Direito está contida dentro de um projeto de pesquisa. Este implica desenvolvimento de passos metodológicos que decorrem das respostas às oito perguntas seguintes:

1) O QUE PESQUISAR? Definição do tema da pesquisa; problema; hipóteses; base teórica e conceitual. 2) POR QUE PESQUISAR? Justificativa da escolha do problema. 3) PARA QUE PESQUISAR? Propósitos do estudo: objetivo da pesquisa. 4) COMO PESQUISAR? Metodologia: técnicas, instrumentos de coleta e análise dos dados coletados e do corpus obtido durante a investigação. 5) QUANDO PESQUISAR? Cronograma de execução. 6) COM QUE RECURSOS? Orçamento da pesquisa. 7) PESQUISADO POR QUEM? Equipe de trabalho, pesquisadores, coordenadores e orientadores. 8) QUAIS AS REFERÊNCIAS TEÓRICO-METODOLÓGICAS QUE

FUNDAMENTARAM A ELABORAÇÃO DO PROJETO DE PESQUISA E QUE FUNDAMENTARÃO A INVESTIGAÇÃO? Listar as referências utilizadas e consultadas para elaboração do projeto e as referências que se pretende utilizar durante a investigação.

A pesquisa concluída trará como produtos:

- RELATÓRIOS TÉCNICO-CIENTÍFICOS: documento que relata formalmente os resultados ou progressos obtidos em investigação de pesquisa; - TRABALHOS ACADÊMICOS: por ser uma primeira experiência, o trabalho acadêmico constitui-se numa preparação metodológica para futuros trabalhos de investigação; - MONOGRAFIAS E TCC: monografias constituem o produto de leituras, observações, investigações, reflexões e críticas desenvolvidas nos cursos de graduação e pós-graduação (Lato-Sensu). Sua principal característica é a

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abordagem de um tema único (monos = um só e grapheim = escrever); TCC é um trabalho de conclusão de curso de graduação. - DISSERTAÇÕES E TESES: constituem o produto de pesquisas desenvolvidas em cursos de nível de pós-graduação: mestrado e doutorado (Stricto Sensu). A diferença entre dissertações e teses refere-se ao grau de profundidade e originalidade exigida na tese, defendida na conclusão de curso de doutoramento. - LIVROS: são publicações avulsas, contendo no mínimo cinco páginas impressas, grampeadas, costuradas ou coladas e revestidas de capa. Os livros recebem uma numeração internacional padronizada (ISBN: Internacional Standard Book Number). Os resultados da pesquisa são socializados através das Metodologias do Ensino. No nosso caso, da Metodologia da Pesquisa em Direito.

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SEGUNDA AULA ___________________________________________________________________

PROJETO DE PESQUISA DA MONOGRAFIA

Na aula anterior, demonstramos alguns elementos básicos do conceito de Metodologia e do conceito de Metodologia da Pesquisa em Direto, pois, como vimos, foi necessário, no início da disciplina, definir com clareza e precisão o significado de cada categoria que constitui a temática da disciplina a ser estudada. Começamos vendo que Metodologia é um termo controverso, polêmico e empregado nas mais diferentes situações. Concluímos a primeira aula, tratando da última categoria da nossa disciplina: a Metodologia da Pesquisa em Direito. A partir desta aula, vamos tratarmos de elaborarmos o Projeto de Pesquisa da Monografia que vocês terão de pesquisar, escrever e apresentar para o futuro orientador, a fim de aprovar o seu Projeto. Para tanto, estas aulas de Metodologia da Pesquisa em Direito, serão organizadas a partir da escolha do tema da sua monografia, passando, em seguida, para explicação de como se produzir um projeto de pesquisa para conclusão da graduação em Direito. Apresentaremos, também, as técnicas de pesquisa bibliográfica, leitura, fichamento, redação etc., chegando até demonstrar como é que o aluno deve comportar-se perante a banca examinadora no dia da defesa. Ao trabalho, portanto.

1. PROJETO DE PESQUISA DA MONOGRAFIA

Algumas Faculdades de Direito, entre as quais, a Faculdade Maurício de Nassau (Unidade de João Pessoa), exigem que os alunos, a partir do 8ª período, elaborem o chamado Projeto de Pesquisa da Monografia, pois a elaboração de um

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trabalho monográfico de estudo e pesquisa, antes de ser uma imposição legal, é uma opção didática. De há muito os professores universitários perceberam que uma das boas maneiras de ensinar e avaliar alunos através da feitura da monografia. Ela é fundamental não só porque mostra o conhecimento que o aluno tem da matéria ensinada, como também, permite ao estudante, em uma tarefa isolada, aprofundar seu aprendizado no assunto tratado. É uma das formas mais modernas de avaliação, mas, principalmente, de aprendizado, porque é o próprio estudante que aprende trabalhando. Assim, a monografia é muito útil para demonstrar que atualmente não se pode mais aceitar a ideia dogmática de que é “o professor que ensina”, mas sim, de que é “o aluno que aprende”. A função do professor é orientá-lo e auxiliá-lo nesse aprendizado. A monografia, como meio de avaliação, somada aos outros métodos, é um complemento fundamental. Em várias áreas do conhecimento, já se exige a apresentação de monografia ao término do curso de graduação. No caso do curso de Direito, o Ministério da Educação (MEC) baixou portaria tornando a monografia obrigatória com vista à conclusão do curso de bacharelado em Direito. A Portaria n. 1.886, de 30/12/1994, estabelece uma série de novas para os cursos jurídicos, tais como um novo currículo mínimo, o número mínimo de horasaula, a necessidade de um mínimo de horas dedicadas às atividades práticas etc. No seu art. 9º, estabelece, in verbis: “Art. 9º Para conclusão do curso, será obrigatória apresentação de defesa de monografia final, perante banca

examinadora, com tema e orientador escolhido pelo aluno”. Vê-se, portanto, da leitura e interpretação do art. 9º da Portaria, que não se trata apenas da obrigatoriedade da feitura e avaliação da monografia em si, mas também de sua defesa perante a banca examinadora. Por esse motivo, na nossa disciplina, vamos orientar os alunos a fazerem, a princípio, o Projeto de Pesquisa de Monografia e, depois, ajudar a escolher o orientador e tema da pesquisa, sem esquecer, é claro, à defesa da monografia perante a banca examinadora. Então, é importante, que apresentemos a vocês, estudantes de Direito da Faculdade Maurício de Nassau, um roteiro prático para apresentação do Projeto de Pesquisa da Monografia, ou seja, um modelo de projeto, que terá as seguintes partes:

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1. ELEMENTOS PRÉ-TEXTUAIS

1. CAPA 2. FOLHA DE ROSTO 3. SUMÁRIO

2. ELEMENTOS TEXTUAIS

1. INTRODUÇÃO 2. TEMA E PROBLEMA DE PESQUISA 3. HIPÓTESE 4. OBJETIVOS. 5. JUSTIFICATIVA 6. METODOLOGIA. 7. CRONOGRAMA DE ATIVIDADES 8. ESTRUTURA BÁSICA DO DESENVOLVIMENTO DA MONOGRAFIA

3. ELEMENTOS PÓS-TEXTUAIS

1. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Vejamos, a partir da próxima página, um modelo de Projeto de Pesquisa em Direito, que tem como título O (DES)SERVIÇO DO ARTIGO 257 DO CÓDIGO ELEITORAL FRENTE ÀS SENTENÇAS QUE CESSAM REGISTROS, DIPLOMAS OU MANDATOS ELETIVOS, realizada para servir de modelo para vocês realizarem seus projetos de pesquisa.

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FACULDADE MAURÍCIO DE NASSAU UNIDADE JOÃO PESSOA CURSO DE GRADUAÇÃO EM DIREITO

DANIEL ALVES MAGALHÃES

O (DES)SERVIÇO DO ARTIGO 257, DO CÓDIGO ELEITORAL FRENTE ÀS SENTENÇAS QUE CASSAM REGISTROS, DIPLOMAS OU MANDATOS ELETIVOS

JOÃO PESSOA-PB 2012

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DANIEL ALVES MAGALHÃES

O (DES)SERVIÇO DO ARTIGO 257 DO CÓDIGO ELEITORAL FRENTE ÀS SENTENÇAS QUE CASSAM REGISTROS, DIPLOMAS OU MANDATOS ELETIVOS

Projeto de Pesquisa apresentada ao curso de Direito da Faculdade Maurício de Nassau – Unidade de João Pessoa, como requisito parcial para a aprovação na disciplina Metodologia da Pesquisa em Direito, sob a orientação do Prof. Dr. Daniel Alves Magalhães.

JOÃO PESSOA-PB 2012

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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO, p. 04

2. TEMA E PROBLEMA DE PESQUISA, p. 10 2.1 DELIMITAÇÃO DO TEMA, p. 10.

3. HIPÓTESE, p. 11.

4. OBJETIVOS, p. 12. 4.1 OBJETIVO GERAL, p. 13. 4.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS, p. 15

5. JUSTIFICATIVA, p. 15

6. METODOLOGIA, p. 15. 6.1 REVISÃO DE LITERATURA, p. 19. 6.2 TIPO DE PESQUISA, p. 20. 6.3 PROCEDIMENTOS TÉCNICOS, p. 23.

7. CRONOGRAMA DE ATIVIDADES, p. 25.

8. ESTRUTURA BÁSICA DO DESENVOLVIMENTO DA MONOGRAFIA, p. 27.

9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS, p. 28.

1. INTRODUÇÃO

O recente período de ditadura, que o nosso país viveu nas décadas de 1960, de1970 e início dos anos de 1980 do século passado, fez brotar no seio do povo brasileiro um poder de resistência, indignação e manifestação que resultaram no fim do regime militar. Isto não fez com que o povo só se limitasse apenas sobre a mudança do regime de governo, mas, principalmente, sobre a transformação do tipo de sociedade. O grandioso ato de sufragar não denota a dimensão da liberdade de expressão, pois se o ato não é devidamente protegido de vícios de vontade, com certeza estará consubstanciada a fraude. O sigilo do sufrágio e a expressão da vontade livre de pressões e de abusos de poder são fatores preponderantes para o estabelecimento da real democracia. Acompanhando este arcabouço histórico, a Justiça Eleitoral Brasileira tem desempenhado um papel de grande valia no que se refere ao cumprimento do seu desiderato constitucional, punindo implacavelmente quem busca viciar a vontade do cidadão-eleitor, deixando claro que não é mais possível a utilização da máquina pública na captação de votos, assim como são, exemplarmente punidos, os abusos de poder político e econômico. Sobretudo com a promulgação da Lei nº 9.840, de 28 de setembro de 1999, que introduziu o art. 41-A no texto da Lei 9.504/97, sendo fruto de um Projeto de Lei de Iniciativa Popular liderado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB e diversos Sindicatos de Trabalhadores Rurais e Urbanos. Ocorre que a sede de justiça não pode ser motivação para inobservância de consequências nefastas e danos irrecuperáveis as comunas onde seus mandatários são penalizados pelo descumprimento de obrigações positivas ou negativas da legislação eleitoral e acabam por terem seus mandatos interrompidos, antes da

sentença ter sido transitada em julgada, com a substituição do eleito nas urnas, pelo segundo colocado nas eleições ou pelo Presidente da Câmara de Vereadores, ou ainda sendo convocadas novas eleições.

2. TEMA E PROBLEMA DE PESQUISA

Analisando o paradoxo em tela, passa-se a perseguir a seguinte pergunta, que denota o nosso problema de pesquisa: É justo o afastamento do mandatário do cargo executivo, eleito nas urnas pelo voto popular, antes do trânsito em julgado do processo que lhe imputou tamanha penalidade? Atentando para o explicitado até aqui é fácil notar a improdutividade jurídica e o impacto social negativo da inexistência de efeito suspensivo aos recursos eleitorais, salvo exceções.

3. HIPÓTESE

Neste sentido, persegue este trabalho, com a seguinte hipótese: demonstrar a necessidade imperiosa da interpretação do art. 257 do Código Eleitoral Pátrio, de forma literal ou restritiva, limitando a inexistência de efeito suspensivo aos recursos eleitorais quanto aos acórdãos, como pretende o parágrafo único, do próprio artigo, não sendo aplicadas às sentenças de primeiro grau.

4. OBJETIVOS

4.1 OBJETIVO GERAL

Portanto, o Objetivo Geral deste trabalho é demonstrar um panorama paradoxal entre a busca sedenta de justiça na seara eleitoral em face dos que tentam viciar a vontade do eleitor e a observância de diversos aspectos legais que determinam o devido processo legal nos processos que cassam registros, diplomas ou mandatos eletivos, em caráter transitório e seus impactos sociais quando não observado.

4.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Este Objetivo Geral necessitará ser buscado através de outros, que sejam:

1) Estabelecer os princípios norteadores do Direito Eleitoral, sobretudo o in dúbio pro voto; 2) Pesquisar a História Legislativa das Lei 9.504/97, Lei 64/90 e da Lei 9.840/99; 3) Fazer uma definição de captação ilícita de sufrágio e sua executividade; 4) Verificar uma fundamentação constitucional de presunção de inocência, duplo grau de jurisdição, ampla defesa e contraditório; 5) Destacar os prejuízos para a sociedade, do tema nos Tribunais e o contexto atual da problemática; 6) Expor os posicionamentos divergentes da doutrina e da jurisprudência e; 7) Apontar julgados e votos que exteriorizam a analise hermenêutica dos tribunais. 5. JUSTIFICATIVA

Assim, a pesquisa apresentada tem sua justa existência, pela exposição de situação fática, com nascedouro jurídico, através da aplicação de dispositivo legal e consequente estabelecimento de um problema com vertentes que iniciam com a busca do justo-jurídico e implicam na desestruturação político-social da Comuna. A demonstração que o ordenamento jurídico não tem um fim em si mesmo, mais na implantação, manutenção ou resgate da Paz Social, mas nunca na criação de instabilidade do sistema social. Destarte, deve-se focar a vontade de punir exemplarmente os mandatários que burlam as Leis Eleitorais, tentando viciar a vontade do eleitor, através do uso da própria máquina pública, abusando do poder político ou do poder econômico, em favor de suas candidaturas ou a de seus aliados. Com o fito de causar o efeito da prevenção geral, objetivando a proteção da Verdadeira Democracia, limitando os desgastes da Lei, da Justiça, da tranquilidade pública na vida comunal e, principalmente, do voto popular.

6. METODOLOGIA

O presente trabalho terá como método de abordagem o dialético, já que pretende centralizar o tema e estudá-lo em suas diversas nuances, com o problema sendo passivo de ser estudado sob outros enfoques que não apenas a proposta inicial. A pesquisa será essencialmente exploratória, utilizando-se de pesquisa bibliográfica, jornalística, documental e digital, utilizando como fontes a doutrina, a jurisprudência e o positivado jurídico pátrio.

6.1 REVISÃO DE LITERATURA O ordenamento jurídico é, sem sombra de dúvidas, o manto de proteção que uma sociedade tem para a convivência pacifica e evolutiva quando as normas são açoitadas. Com isto, instala se de imediato uma crise, que por sua vez, para ter um fim, necessário se faz a utilização do mesmo ordenamento buscando o retorno ao estágio de normalidade. Assim, a estabilidade social está diretamente ligada à estrutura sólida de suas instituições dirigentes e controladoras, que exercem o múnus público de acordo com a legislação vigente, sobretudo, a Constituição Federal que não apenas se dirige aos cidadãos, mas também ao Estado, como sujeito de Direito, impondo-lhe limites e obrigações, como muito bem ressalta Morais citando Canotilho:
[...] a função de direitos de defesa dos cidadãos sob uma dupla perspectiva: (1) constituem, num plano jurídico-objectivo, normas de competência negativa para os poderes públicos, proibindo fundamentalmente as ingerências destes na esfera jurídica individual; (2) implicam num plano jurídico-subjectivo, o poder de exercer positivamente direitos fundamentais (liberdade positiva) é de exigir omissões dos poderes públicos, de forma a evitar agressões lesivas por parte dos mesmos (liberdade negativa). (CANOTILHO, apud MORAIS, 2007, p.25).

A Justiça Eleitoral Brasileira nos últimos anos tem demonstrado um largo trabalho de controle, fiscalização e punição dos concorrentes a cargos eletivos, que não respeitam as regras das disputas eleitorais e que insistem em tentar de todas as formas viciar a vontade popular, realizando ações que configuram o abuso do poder político, do poder econômico e o uso eleitoral da própria máquina pública em prol de suas candidaturas ou de seus aliados. A Constituição Federal, o Código Eleitoral, as

leis esparsas, em especial a Lei Complementar 64/90 e a Lei 9.504 de 30 de setembro de 1997, dão o tom da caminhada eleitoral a ser perpetrada por aqueles que visam o alcance do poder político. Neste sentido, Ramayana (2008, p. 509), com clareza, ressalta o bem jurídico a ser tutelado:
O bem jurídico tutelado, portanto, mediante a ação constitucional, é a normalidade e legitimidade das eleições (CF, art.14, § 9º) e o interesse público de lisura eleitoral (LC nº 64/90, art. 23, in fine), enquanto pressupostos de legitimidade política e validade jurídica do mandato democrático representativo.

Notórias são as consequências, que sofremos hoje em função da sociedade e, posteriormente, a Justiça Eleitoral não terem acordado mais cedo para o combate das práticas que viciavam a vontade popular, em que pese o período da ditadura militar, ter atrasado este processo de amadurecimento jurídico–social, não podemos deixar de exaltar a falta de vontade política para que a Justiça Eleitoral agisse com independência e eficácia. Essa realidade gerou um sentimento de patriótico, consubstanciado num projeto de lei de iniciativa popular, liderado pela Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB) e por Sindicatos de Trabalhadores, que findou resultado na edição da Lei nº 9.840/99, que acrescentou o Art. 41-A a Lei 9.504/97. É assim que pensa também, Mascarenhas (2004, p. 73), quando afirma:
Esta Lei nº 9.840/99 teve seu projeto original apresentado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, sendo o primeiro projeto de lei de iniciativa popular aprovado pelo Congresso Nacional desde a promulgação da Constituição Federal, em 03 de outubro de 1998. O projeto de lei foi objeto de emenda, de autoria do Deputado Federal José Roberto Battochio (PDT – SP), que introduziu a possibilidade do julgamento do crime de compra de votos, ou de “captação de sufrágios”, mesmo depois das eleições e já diplomado o candidato, que, se condenado, perderia o mandato conquistado ilicitamente.

O art. 41-A da Lei 9504/97, tem a seguinte redação:
Ressalvado o disposto no art. 26 e seus incisos, constitui captação de sufrágio, vedada por esta Lei, o candidato doar, oferecer, prometer ou entregar, ao eleitor, com o fito de obter-lhe o voto, bem ou vantagem pessoal de qualquer natureza, inclusive emprego ou função pública, desde o registro da candidatura até o dia da eleição,

inclusive, sob pena de multa de mil a cinqüenta mil UFIR, e cassação do registro ou do diploma, observado o procedimento previsto no art. 22 da Lei Complementar nº 64, de 18 de maio de 1990 (SARAIVA, 2007, p. 1576).

O povo brasileiro sentiu se coroado com essa conquista, não só pelo resultado, mas por ter nascido de um projeto de iniciativa popular. O que passou a preocupar a população foi a produção dos efeitos por parte da execução desta Lei, em especial do Art. 41-A, no processo de cognição com inúmeros recursos possíveis e com o aparelho dos Orgãos Judiciários abarrotados de processos. De acordo com o entendimento de parte da Doutrina a executividade das decisões que observavam a existência prevista no Art. 41-A deveriam ser, por determinação de norma infraconstitucional, imediatas, ainda que para isso a segurança jurídica seja abolida ou secundada. A Ministra Hellen Greice Northfleet, enxergou assim:
[...] Em exame prefacial e considerando tratar-se de pretendido efeito suspensivo a recurso ordinário, no qual não se veda o exame do acervo probatório, tenho por presente, nas razões apresentadas, o essencial requisito da fumaça do bom direito. Ademais, tendo o TRE determinada a imediata execução do acórdão,e, conforme alude o requerente, já tendo sido iniciado o procedimento de perda do mandato na Câmara dos Deputados (art.55 da CF), há risco de prejuízo irreparável. A referendar a cautela, observo que o recurso ordinário a que se visa a concessão do efeito suspensivo (RO nº 777) já se encontra com vista à PGE, desde 9.03.2004, o que aponta para decisão definitiva em breve. 3. Ante ao exposto, defiro a liminar para emprestar efeito suspensivo ao Recurso Ordinário nº 777, assegurando o exercício do mandato do requerente até que a decisão de primeira instância seja revista pelo TSE no julgamento do referido recurso (MC 1330/AP, DJ de 18/03/2004, p.139).

Apesar do art.257 do Código Eleitoral Pátrio, estabelecer o seguinte:

Art. 257. Os recursos eleitorais não terão efeito suspensivo. Parágrafo único. A execução de qualquer acórdão será feita imediatamente, através de comunicação por ofício, telegrama, ou, em casos especiais, a critério do Presidente do Tribunal, através de cópia do acórdão (SARAIVA, 2007, p. 795).

A combinação do entendimento de parte da magistratura eleitoral, quanto a executividade das decisões quando detectada a existência de captação ilícita de

sufrágio com o Art. 257 do Código Eleitoral e seu parágrafo único, resultou em uma séria de situações que não coadunam com próprio espírito da Lei que foi criada para garantir o estabelecimento da real vontade popular sem os vícios reinantes outrora, senão vejamos:

a) Como pode um prefeito eleito pelo povo, que tem sobre si uma condenação em primeira instância, por suposto cometimento de infração esculpida no Art. 41-A, da Lei das Eleições, ser retirado do cargo sem a possibilidade de serem atendidos os princípios constitucionais do devido processo legal, contrariando o preceito incorporado na Constituição Federal de 1988, que abraça o art. XI, 1, da Declaração Universal dos Direitos dos Homens, garantindo que “todo homem acusado de ato delituoso tem o direito de ser presumido inocente até que a sua culpabilidade tem sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe tenha sido asseguradas todas as garantias necessárias a sua defesa”. O Colegiado Superior Eleitoral, atento a estes efeitos indigestos a democracia e a Constituição Federal de 1998, tem tido um comportamento precavido e emprestado efeitos suspensivos aos recursos eleitorais, nesse diapasão vejamos:

Estando ainda para ser apreciado o recurso eleitoral face a decisão a quo, que, ao reconhecer a conduta dos autores da ação cautelar na norma prevista no art 73, I, da Lei das Eleições e cassar o registro das candidaturas dos eleitos, determinou a posse e a diplomação dos segundos colocados às eleições majoritárias no pleito de 2008, encontra-se configurada a fumaça do bom direito para conceder efeito suspensivo a recurso eleitoral, que deverá ser apreciado, em exame mais aprofundado, pela Corte Eleitoral (grifo nosso). O periculum in mora está configurado a partir da proximidade do prazo para a posse e diplomação dos eleitos que se avizinha nos termos da Resolução 22.571, do TSE, de 30 de agosto de 2007. Conhecimento e provimento do agravo regimental para reformar a decisão monocrática do relator, que indeferiu pedido de efeito suspensivo ao recurso eleitoral (Agravo regimental na Ação Cautelar n 27/2008, relator para o acórdão Desembargador Claudio Santos, 16.12.2008).

b) A instabilidade social criada nas comunas, sobremaneira nas de menores portes, com a alternância no cargo por demasiados afastamentos e retornos ao cargo, em curtíssimos espaços de tempo, trazendo uma celeuma, uma

verdadeira

albardia

administrativa,

beirando

o

caos,

entoou

conseqüentemente o Tribunal Superior Eleitoral voz no sentido de absorver estes desapontamentos com bastante inteligência e precaução a estes fatos e tem, ainda que necessária as medidas cautelares, concedido efeito suspensivo aos recursos eleitorais, com base nesse sentimento, como podemos observar:

-Hipóteses em que a coexistência de decisões com consequências diversas, pendentes ainda de apreciação pelo TER/PB, justifica a manutenção dos recorridos, de forma a se evitar uma instabilidade no município, bem como o desgaste da própria Justiça Eleitoral (grifo nosso). -Recurso a que se nega provimento (TSE Resp. n 22125, relator Ministro Peçanha Martins, DJ 16.09.2005).

c) O duplo grau de jurisdição é assim, acolhido pela generalidade dos sistemas processuais contemporâneos, inclusive pelo brasileiro. O princípio não é garantido constitucionalmente de modo expresso, entre nós, desde a República, apesar de posicionamentos divergentes e preciosos, como Passos (2000, p. 69-70) preleciona:
Devido processo constitucional jurisdicional, cumpre esclarecer para evitar sofismas e distorções maliciosas, não é sinônimo de formalismo, nem culto da forma pela forma, do rito pelo rito, sim um complexo de garantias mínimas contra o subjetivismo e o arbítrio dos que tem poder de decidir. [...] Dispensar ou restringir qualquer dessas garantias não é simplificar, deformalizar, agilizar o procedimento privilegiando a efetividade da tutela, sim favorecer o arbítrio em benefício do desafogo de juízos e tribunais. Favorece-se o poder, não os cidadãos, dilata-se os espaços dos governantes e restringe-se os dos governados. E isso se me afigura a mais escancarada anti-democracia que se pode imaginar.

A própria Constituição incumbe-se de atribuir competência recursal a vários órgãos da jurisdição (art. 102, inc.II; art.105, inc.II; art. 108, inc. II), prevendo expressamente sob a denominação de tribunais, órgãos judiciários de segundo grau (v.g., art 95, inc.III). Não sendo diferente na seara eleitoral que esculpida constitucionalmente nos arts. 118 ao 121, da Constituição Federal de 1988, podendo observar, inclusive o próprio código eleitoral que preconiza o seguinte: “Art. 216. Enquanto o Tribunal Superior não decidir o recurso

interposto contra a expedição do diploma, poderá o diplomado exercer o mandato em toda a sua plenitude” (SARAIVA, 2007, p. 792).

d)

Hodiernamente torna se inaceitável, ainda que compreensível, diante de uma recente história de desmandos nas campanhas eleitorais, a busca insana de respostas jurídicas, políticas ou sociais sem seguir de forma inafastável aos princípios constitucionais que norteiam nossa sociedade. A interpretação dos textos legais, obrigatoriamente, deve caminhar na estrada do Estado Democrático de Direito, sobretudo na ótica constitucionalista como tem observado os Ministros do Tribunal Superior Eleitoral-TSE e os Juízes dos Tribunais Regionais Eleitorais-TREs, que se empenham na construção jurisprudencial de garantir a segurança jurídica através do respeito ao duplo grau de jurisdição, emprestando com freqüência, quase que absoluta, efeito suspensivo aos recursos eleitorais que cassam registros, diplomas ou mandatos eleitorais, por deferimento de liminares através de medidas cautelares, evidenciando de logo a fumaça do bom direito e o prejuízo que poderá ocasionar o perigo da demora do trânsito em julgado da lide, ao que foi sagrado vencedor nas urnas, retornando a Comuna o estado de normalidade. Entendendo também assim, Fux (2005, p. 345), defende a seguinte tese:

A efetivação da execução do provimento cautelar é interinal, imediata e mandamental porquanto somente assim se pode conceber uma decisão judicial que protege a função jurisdicional, conjurando uma situação de perigo potencialmente frustradora da atividade judicial soberana.

E materializa o entendimento com os constantes julgados, a exemplo:

-Demonstrados o perigo na demora da prestação jurisdicional e a “fumaça do bom direito”, deve-se, conceder efeito suspensivo a recurso especial, para que o prefeito eleito aguarde, no exercício do cargo o julgamento do apelo. (grifo nosso). (TSE MC n 2260, relator Ministro Marcelo Ribeiro, DJ 18.12.2007).

Conclui se por tudo exposto, que a busca incessante pela proteção da vontade popular livre de vícios, realizando o Estado sua atividade retributiva ao cidadão, na medida em que possa dosar o célere atendimento jurisdicional e o respeito incondicional aos princípios e ditames constitucionais, e a segurança jurídica. Atuando para alcançar o objetivo fundamental do ordenamento jurídico Pátrio que a pacificação social. Como perfeitamente se utiliza Adriano Soares da Costa, em artigo publicado na rede mundial de informações, baseando-se na relatoria do Ministro Eduardo Alckmin, no Acordão TSE nº 15.061, 23.10.97, fundamentando assim:
[...] a partir do momento em que sejam conhecidos os candidatos vitoriosos – o que se dá por conta da proclamação dos resultados – a lei passa a proteger o eleito com a exigência de que seja examinada a questão também mediante vias processuais específicas. [...] Ou seja, uma vez conhecidos os eleitos, não se pode mais cogitar de pura e simples cassação de registro de candidatura, como o estabelecido pelo inciso XIV do mencionado dispositivo legal, mas em respeito a vontade popular, remete-se a questão a sede própria (TSE, 2002, p. 08).

Ainda no mesmo artigo, Adriano Soares Costa, faz saber sua indignação:
A vontade popular manifestada nas urnas perde valor quando da executividade imediata das decisões que aplicam o art. 41-A. Entre a manifestação pessoal e o rigor formal, fica-se com este ablegando aquela.[...] O dano irreparável que o candidato eleito terá, bem como o enfraquecimento da própria legitimidade do resultado das eleições, grita a não mais poder (COSTA, 2007, p. 21).

Diante do que foi exposto até aqui, nota-se que o aludido panorama paradoxal entre a busca pela justiça na seara eleitoral, em face dos que tentam viciar a vontade do eleitor, e a observância rígida do devido processo legal, nos processos que cassam registros, diplomas ou mandatos eletivos em caráter transitório, especialmente, pelos impactos sociais causados quando tal princípio não é observado.

6.2 TIPO DE PESQUISA

Esta pesquisa, tendo em vista seus objetivos, é classificada como Pesquisa Exploratória, pois tem como objetivo principal proporcionar maior familiaridade com o

problema, com vistas a torná-lo mais explícito. Para isto acontecer, vai envolver levantamento bibliográfico, entrevistas com pessoas experientes no problema pesquisado. Assim, ela assume a forma de pesquisa bibliográfica.

6.3 PROCEDIMENTOS TÉCNICOS

Como procedimentos técnicos, esta pesquisa terá o caráter bibliográfica, pois segundo Gil (2002), uma pesquisa bibliográfica, quanto aos seus procedimentos técnicos, pode ser desenvolvida com base em material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos. Porém, para este autor, não é aconselhável que textos retirados da Internet constituam o arcabouço teórico do trabalho monográfico.

7. CRONOGRAMA DE ATIVIDADES

ANO MÊS ATIVIDADES Contatos com o Orientador Pesquisa bibliográfica Fichários bibliográficos e de leitura Elaboração do plano definitivo Revisão geral da documentação Redação definitiva – Digitação Revisão de manuscrito Correções Revisão da parte referencial Contato final/ alterações Digitação final Entrega da Monografia

Fev

Mar

2013 Abr

Mai

Jun

X X X

X X X X X

X

X

X

X X X X X X X X X X

Defesa da Monografia

X

8. ESTRUTURA BÁSICA DO DESENVOLVIMENTO DA MONOGRAFIA

Intencionando direcionar a pesquisa em voga, contanto sem criar intangibilidade quanto ao conteúdo, externa-se abaixo uma proposta para o desenvolvimento e estrutura da monografia:

1. INTRODUÇÃO

2. PRINCÍPIOS DO DIREITO ELEITORAL 1. AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO JUDICIAL ELEITORAL 1.2 CAPTAÇÃO ILÍCITA DE SUFRÁGIO 1.3 HISTÓRIA LEGISLATIVA 1.4 O CONTEXTO ATUAL

3. (DES)SERVIÇO DO ARTIGO 257 DO CÓDIGO ELEITORAL 3.1 O TEMA NOS TRIBUNAIS 3.2 DECISÕES ANTAGÔNICAS

4. FUNDAMENTAÇÃO CONSTITUCIONAL DO DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO, PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA E AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO 4.1 FUMAÇA DO BOM DIREITO E O PERIGO DA DEMORA 4.2 PREJUÍZOS PARA A SOCIEDADE

5. CONCLUSÃO

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

7. APÊNIDES

9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

COSTA, Adriano Soares. Captação Ilícita de Sufrágio. 2007. Disponível em:<HTTP://www.buscalegis.ufsc.br/revistas/index.php.buscalegis/article/download/ 28079/20089>. Acessado em: 12 abr. 2009.

DIDIER, Fredie Jr. & CUNHA, Leonardo José Carneiro. Curso de Direito Processual Civil. Vol. III. Salvador: Podium, 2007.

EDITORA SARAIVA. Vade Mecum. 3º ed. São Paulo: Saraiva, 2007. FUX, Luiz. Curso de Direito Processual Civil. Vol. II. 3º ed. Rio de Janeiro: Forense, 2005.

MASCARENHAS, Paulo. Lei Eleitoral Comentada: eleições 2004. 6º ed. São Paulo: RCN, 2004. MAGALHÃES, Daniel Alves. Aulas de Metodologia da Pesquisa em Direito. João Pessoa: Mimi, agosto de 2012.

MORAIS, Alexandre de. Direito Constitucional. 22º ed. São Paulo: Atlas, 2007. PASSOS, Calmon. Direito, Poder e Processo. 4 ed. Rio de Janeiro: Forense, 2000. RAMAYANA, Marcos. Direito Eleitoral. 8 ed. Niterói: Impetus, 2008. TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL. Código Eleitoral Anotado. Disponível em:<http://www.tse.gov.br>. Acesso em: 12 abr. 2009.

TERCEIRA AULA

A ESCOLHA DO TEMA DA MONOGRAFIA

1. A ESCOLHA DO TEMA

1.1 NÃO CONFUNDA TEMA COM ATIVIDADE PROFISSIONAL

A feitura da monografia é completamente diferente da produção do trabalho profissional ou acadêmico regular. Não se trata de fazer uma peça processual mais longa, uma pesquisa de jurisprudência para sustentar razões de recurso, a busca de opinião doutrinária que sustente uma tese a ser levada a juízo, ou faça parte de um parecer etc. A realização de uma monografia, desde a escolha do tema até sua redação final, difere muito de um longo trabalho profissional. Dizemos isso pela constatação de que a confusão tem sido corrente nesse aspecto. É que bons profissionais do Direito – e bons estudantes que nunca fizeram monografia – acabam cometendo o erro de acreditar que, exatamente por não terem dificuldade em fazer peças, pareceres e pesquisas rotineiras nas suas áreas de atuação, conseguirão um bom resultado ao elaborar a monografia com o mesmo método, talvez um pouco ampliado em termos de tempo dedicação à execução e na maior quantidade de páginas escritas. Ledo engano. Bons profissionais têm produzido más monografias, pelo equívoco inicial na escolha do método. Uma coisa é fazer petições, que muitos são capazes de produzir diretamente no seu computador em cima do prazo; outra, bem diferente, é planejar,

executar e realizar uma monografia. Para esta é necessário um método específico, mas que, se seguido, traz muitos bons resultados.

2. O QUE É MONOGRAFIA?

O próprio nome da pesquisa científica que vocês vão fazer já designa o limite da investigação: monografia (monos = único). Isto é o trabalho monográfico deve ter por objeto um único assunto ou tema. A escolha desse assunto único, contudo, exige certas cautelas e envolve escolhas necessárias para que a finalidade do trabalho seja atingida. Assim, a fixação do tema é o primeiro passo importante para o sucesso na elaboração do trabalho monográfico.

3. REGRAS PARA ESCOLHA DO TEMA

3.1 ESCOLHA TEMA DO SEU INTERESSE

Para vocês começarem com o “pé direito” o seu trabalho de monografia, preocupe-se primeiramente com a escolha do tema. Uma monografia tem forte chance de dar certo se o tema escolhido estiver de acordo com as características intelectuais do aluno, sua atração pelo assunto, o interesse despertado tendo em vista sua posição ideológica, sua atitude diante das circunstâncias que o assunto revela etc. É verdade que, às vezes, o estudante não tem muita (ou nenhuma) alternativa, o que ocorre quando o tema é indicado pelo orientador. Nessa hipótese “menos livre”, é preciso tentar driblar esse aspecto inicialmente negativo. De qualquer maneira, frise-se que, sempre que a escolha do tema estiver em suas mãos, vocês devem fazê-la levando em conta o seu próprio e pessoal interesse, pois, quanto mais simpatia o tema despertar, quanto mais atração exercer, mais motivação vocês terão para desenvolver a monografia. Porém, não devemos esquecer que todo trabalho monográfico é árduo. Claro que é gratificante, como também é uma experiência metodológica importantíssima. Contudo, sempre cobra esforço e dedicação do aluno. Esse esforço será maior,

tornando-se por muitas vezes penoso, quando o tema escolhido não for aquele que mais agrada ao estudante. É bem verdade que, pelo menos do ponto de vista teórico, desde que a metodologia do trabalho científico seja seguida à risca, qualquer tema pode ser trabalhado e acaba tornando-se uma monografia. Porém, em primeiro lugar, não há nenhuma razão para vocês optem por um tema que não se totalmente de seus interesses. Depois, a escolha do tema errado joga fora uma parte importante da produção intelectual: a inspiração ou, pelo menos, a motivação. Podemos afirmar, sem medo de errar, que produções científicas

desmotivadas são, geralmente, pobres e monótonas e que o investigador sem inspiração assemelha-se mais a um autônomo repetidor que a um criador. Não devemos esquecer que a produção científica é criação. Portanto, sejam criativos.

4. PROCURANDO O TEMA

É preciso, agora, que vocês comecem a ir definindo o tema. Na sequência, apontaremos três caminhos para que vocês cheguem ao tema procurado: 1) Defina claramente o tema; 2) Faça a limitação do tema e; 3) Problematize o tema.

4.1 DEFINA CLARAMENTE O TEMA

Para vocês definir claramente os seus temas, é necessário ter uma visão clara do tema, o que muitas vezes exige a leitura prévia de textos já escritos sobre o assunto versado ou pelo menos o conhecimento anterior propiciado por leituras feitas ou aulas assistidas. Assim, por exemplo, alguns de vocês podem escolher o seguinte tema: OS SINDICATOS E OS DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS porque quer investigar e refletir sobre aspectos específicos da jurisdição civil coletiva. Neste caso, o aluno que escolheu este tema, deve, antes de tomar como definitivo, procurar livros que tratem do assunto. Este estudante descobrirá obras que abordam o assunto e uma, bastante atual, com título parecido: Os sindicatos e a defesa dos interesses difusos, do professor Celso Antonio Pacheco Fiorillo, publicado em São Paulo, pela Revista dos Tribunais, em 1995. A leitura deste livro,

no caso, forneceria elementos para que o aluno tirasse eventuais dúvidas relativas ao tema e pudesse ter certeza da sua escolha. Ou, então, num outro exemplo, algum de vocês escolheria o tema: A VIOLAÇÃO DO DIREITO À IMAGEM PELOS VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO, porque o aluno que escolheu este tema já estudou o assunto quando teve aulas de Direito Constitucional e quer trabalhar eventuais violações praticadas pelos canais de televisão, jornais e estações de rádio. Nessa hipótese, uma leitura importante seria a dissertação de mestrado do professor Luiz Alberto David Araujo, A proteção constitucional da própria imagem, publicada em Belo Horizonte, pela editora Del Rey, em 1996. A leitura desta dissertação forneceria o material necessário para a checagem da convicção da escolha do tema.

4.2 A LIMITAÇÃO DO TEMA

Como dissemos no início desta aula, o próprio nome que se dá ao trabalho científico de aproveitamento escolar já pressupõe uma delimitação necessária para a escolha do tema: a monografia indica um tipo de trabalho que versa sobre um único assunto. Todavia, ainda assim, é preciso que se diga que não basta lidar com um único assunto, é necessário que ele esteja limitado, reduzido. Por exemplo: o tema O DIREITO DO CONSUMIDOR NO BRASIL aponta um único assunto. Contudo, é por demais amplo para um trabalho monográfico de graduação em Direito. Este tema demandaria um esforço de pesquisa de toda legislação brasileira que tratasse do consumidor, pelo menos desde a proclamação da República até a promulgação da Lei n. 8.078/90 (o Código de Defesa do Consumidor), bem como o comentário de todos os artigos da lei consumerista. Assim, o fato do tema ser único não é suficiente. É preciso que ele seja limitado. Quanto mais estreita for a matéria a que o tema se refere, melhor será. Trabalhar em cima de um assunto bastante restrito facilita muito o trabalho de pesquisa e a elaboração do texto. O fato é que o tema levado ao máximo de redução permite uma concentração da pesquisa e um aproveitamento de seu conteúdo. Vejamos um exemplo: Se alguém escolher o tema ATUALIDADES NO PROCSSO CIVIL, sem um subtítulo, só

se poderá saber do que se trata pensando-se que a data de elaboração do trabalho define o que seja “atualidade”. Mas o que se entende por “atual”? Aquilo que é recente apenas? E o que significa “recente”? Um mês ou um ano? Pior ainda: Seria atualidades sobre “todo” o processo civil ou apenas de uma parte dele? Trata-se da legislação processual ou das novas posições da jurisprudência a respeito. Bem, então, estando muito indefinido e querendo manter-se na área do processo civil atual, poder-se-ia escolher o seguinte tema: A REFORMA DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL BRASIEIRO DE 1994 E DE 1995. Muito bem, agora já sabemos que se trata de uma “atualidade” na legislação processual civil e localizada nos anos de 1994 e 1995. Melhorou. Contudo, ao examinar o conteúdo de tal reforma, verificar-se-á que as normas introduzidas pelas diversas leis federais editadas entre 13 de dezembro de 1994 e 26 de dezembro de 1995 (Leis n. 8.950, 8951 e 8. 953, todas de

13/12/1994; Lei n. 9.028, de 12/04/1995; Lei n. 9.079, de 14/07/1995; Lei n. 9.139, de 30/11/1995, e Lei n. 9.245, de 26/12/1995), trouxeram profundas alterações ao sistema processual, inclusive com a criação de novos institutos, como, por exemplo, a ação monitória. Estamos diante de outro tipo de problema: o tema está definido, mas seu conteúdo é muito extenso. A solução, no caso, seria escolher um dos assuntos dentro da reforma e Elegê-lo como tema. Por exemplo, A AÇÃO MONITÓRIA, ou, melhor ainda, A AÇÃO MOITÓRIA INTRODUZIDA PELA REFORMA DE 1995. Na primeira hipótese (A AÇÃO MONITÓRIA) a ideia de ação monitória é mais ampla do que na segunda hipótese (A AÇÃO MONITÓRIA INTRODUZIDA PELA REFORMA DE 1995), ainda que, em ambos os casos, fosse necessário tratar da ação monitória como um tipo de ação independentemente da maneira como ela foi implantada no Brasil pela Lei n. 9.079/95; na segunda hipótese o tema já nasce bem definido, orientando o aluno quanto ao que se buscará e se fará no trabalho. Outro exemplo, ainda na mesma questão da reforma do processo civil, seria eleger como tema O RECURSO DE AGRAVO NA REFORMA DE 1995. Evidente que o tema ficou bem definido. Se o aluno tivesse escolhido O RECURSO DE AGRAVO sem especificação da reforma, o título seria muito mais abrangente, englobando todas as características do instituto, independentemente dos aspectos trazidos pela reforma.

O tema pode tanto versar sobre assunto atual quanto antigo. Não existe qualquer problema em se fazer uma monografia que trate de assunto que não diga respeito às matérias que o aluno tenha estudado efetivamente na faculdade. Por exemplo, pode-se escolher o tema O EMPIRISMO JURÍDICO NO SÉCULO XIX, sem qualquer problema de aproveitamento na avaliação do trabalho monográfico, ainda que nas cadeiras de Introdução ao Estudo do Direito ou de Sociologia Geral e Jurídica esse assunto não tenha sido abordado. Nessa questão da busca do tema limitado, uma boa técnica que a auxilia é a da problematização. Se o estudante consegue submeter o tema a um questionamento adequado, acaba por obter facilmente o resultado almejado, que é a sua limitação. Vejamos em seguida como fazê-lo.

4.3 A PROBLEMATIZAÇÃO DO TEMA

Tornar um tema problemático é colocá-lo em dúvida, transformando-o num problema. Trata-se da própria constituição de um problema. É uma maneira crítica de verificar todos os ângulos da questão, uma forma de checar os matizes que o tema pode apresentar. Como se faz, de fato, para problematizar o tema? Após defini-lo, deve-se “submetê-lo” a questões, para verificar se ele resiste a elas. Claro que tais questões são levantadas e respondidas pelo próprio estudante, mas sempre tendo em vista o tema escolhido. Assim, por exemplo, escolhe-se: A LIBERDADE. Pergunta-se: liberdade é assunto muito amplo? Resposta: sim. Para falar de liberdade em geral ter-se-á de estudar da Filosofia Antiga até a Filosofia Contemporânea, na História em Geral, pensar o Direito em todas as suas vertentes, além de pensar nas teorias do Estado, na política, ou na Psicologia, Sociologia etc. A LIBERDADE é tema amplo demais. Resolve-se, então, mudá-lo para A LIBERDADE JURÍDICA. O problema aparentemente resolvido demonstra agora outras facetas. Pergunta-se: Trata-se de liberdade jurídica universal?, Que teve vigência em todos os tempos?, Vale para todos as nações: no ocidente e no oriente?. Percebe-se, ainda, mais uma vez que é preciso alterar o tema. Muda-se para A LIBERDADE NO DIREITO OCIDENTAL DO SÉCULO XX. Pois bem. Ficou bem

mais limitado. Mas resiste a novas questões? Fixado o ocidente no século XX, é possível abordar todas as nações em todos os importantes períodos do século, tais como as grandes guerras, os períodos de antes e após a 2ª Guerra Mundial etc.? Assim, ainda não está bom. Vamos mudar mais uma vez. Desta vez para: A LIBERDADE DE AGIR DIANTE DO SISTEMA JURÍDICO BRASILEIRO. Estamos quase lá. Restam algumas perguntas e respostas ainda e que talvez, em contato com o interesse do aluno, apontem a solução. Estamos falando do sistema jurídico brasileiro. Mas o que é sistema? A questão é da Teoria do Direito ou do Direito Constitucional Pátrio? Diante destes fatos, resolvemos mudar o tema de novo. Agora para A LIBERDADE DE AGIR DO CIDADÃO NA CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA DE 1988. Chegamos ao tema.

5. O TEMA DE AUTOR

Na explanação que fizemos no item anterior, colocamos de propósito um tema genérico e escolhido por matéria (liberdade) com o intuito de elucidar a questão da problematização. Porém, é possível, colocar temas específicos, por áreas restritas, ou mesmo localizados em autores definidos. Por exemplo: OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO SISTE PROCESSUAL BRASILEIRO ou A PUREZA METODOLÓGICA NA TEORIA PURA DO DIREITO DE HANS KELSEN. E, por falar em autores definidos (Hans Kelsen), examinaremos, a seguir, a técnica de escolha de tema a partir de autores. A técnica de escolha de tema a parir de autores, é uma alternativa interessante para a busca do tema. Existem vantagens e desvantagens para essa escolha de tema. Em primeiro lugar, se alguns de vocês resolverem escrever sua monografia a partir da obra de algum autor, escolha um já falecido, de preferência há bastante tempo. É que, se alguns de vocês optarem por pesquisar a obra de algum jurista que ainda esteja vivo, na ativa ou não, certos problemas podem surgir. Pode, por exemplo, acontecer de ele mudar de opinião, o que não é raro, na medida em que se supõe que o autor escolhido continua pesquisando, pensando, produzindo, e talvez a mudança de posição ocorra enquanto você pesquisa. Outro problema está relacionado à pesquisa: é raro encontrar obras comentando trabalhos de autores vivos. Existem, mas não é fácil obtê-las. Por outro

lado, há vantagens na escolha do tema a partir dos trabalhos publicados por certo autor. A primeira vantagem está exatamente relacionada à definição do tema. Este, como que naturalmente, aflora com mais facilidade e, praticamente, limitado. Veja no exemplo citado acima de Hans Kelsen (A PUREZA METODOLÓGICA NA TEORIA PURA DO DIREITO DE HANS KELSEN): ainda que vá dar trabalho ao pesquisador, o tema surge limitado pelo título e de acordo com o escopo do trabalho daquele autor. Outra vantagem é a oportunidade de, desde o início, limitar o campo de pesquisa. Para ficar com o mesmo exemplo citado de Hans Kelsen: o tema está relacionado a uma obra especifica (a Teoria pura do direito). Claro que isso não significa que o estudante não vai pesquisar. Não só vai, como terá de ler muitas vezes a obra específica para conhecê-la profundamente. E mais uma vantagem: ao fixar o tema com base em obra do autor, sempre há chance de se obter, mediante a pesquisa que se fará, bons comentários a respeito da obra escolhida ou de toda a produção do autor. Isso não só facilita a compreensão do texto estudado como permite que logo de início o estudante vá delimitando o âmbito de seu próprio estudo e trabalho. Com base nisso, pode-se, então, dizer que, na hipótese de opção por tema de autor, vocês devem preferirem o tema em uma obra específica e, também, autor escolhido e desaparecido há bastante tempo, como por exemplo O CONCEITO DE VONTADE NO CONTRATO SOCIAL DE JEAN-JACQUES ROSSEAU. Naturalmente, não estão excluídos os autores desconhecidos. Até, ao contrário, é salutar que se efetuem pesquisa e trabalho relativamente a tais doutrinadores. Contudo, é mais difícil. Diga-se, porém, que em tese de doutorado essa escolha é bem-vinda.

6. AS FONTES DE CONSULTA DEVEM ESTAR DISPONÍVEIS

Pode até ser uma tentação escolher um tema desconhecido, cujo trabalho final venha a causar grande impacto na banca examinadora. Vocês podem, Poe exemplo, estarem inclinados a escrever uma monografia cujo tema seja AS VIOLAÇÕES DA CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA NO PERÍODO DE DOM PEDRO II e, talvez, seja mesmo muito interessante fazê-lo. Contudo, é preciso certificar-se,

antes de se decidir pelo assunto, da existência de fontes de consulta que estejam aos seus alcances. Contudo, como veremos mais à frente, ao se tratar de pesquisa bibliográfica propriamente dita, uma bibliografia mínima a ser manejada é sempre necessária. Não estou querendo dizer que vocês tem de desistirem de temas deste tipo ou só escolherem temas batidos e conhecidos. Não. Até ao contrário, é bastante salutar trabalhar com temas ainda não muito explorados. Contudo sua determinação exige que vocês previamente se certifiquem da existência das fontes de consulta. Logo, se estiverem interessados em temas desse padrão, vão antes fazerem uma pesquisa prévia a respeito. Descubram se existem livros suficientes nas bibliotecas que vocês pretendem frequentarem. Se tratar de pesquisa de campo (pesquisa sociológica), na qual vocês pretendam entrevistarem pessoas ou visitarem locais (presídios, parlamentos, tribunais etc.), vejam antes se será possível fazê-los. Na realidade, a verificação prévia da existência do material bibliográfico, da facilidade para seu manuseio, da real possibilidade da elaboração de pesquisa de campo, enfim, a checagem prévia do acesso às fontes é orientação necessária para todos os alunos, a partir da determinação de qualquer tema. Às vezes, um tema muito óbvio pode apresentar bastante dificuldade para o adequado acesso às fontes. Surpreso, o estudante descobre, depois de ter fixado o tema, que não existe material para sua pesquisa. Outras vezes, o problema está na cidade onde o aluno estuda e/ou mora. Em João Pessoa, infelizmente, as boas bibliotecas jurídicas são raras. As faculdades de direito, não têm bibliotecas bem montadas, e as bibliotecas públicas ou as dos órgãos ligados ao direito têm, também, acervo incompleto. Por isso, a determinação do tema exige esse trabalho prévio.

7. O TEMA, AFINAL, NÃO PRECISA SER DEFINITIVO

Pode acontecer de vocês ter seguido à risca todas as regras anteriores para a escolha do tema e, satisfeito com a opção, iniciar seu trabalho de pesquisa, mas algum tempo depois, digamos dois ou três (abril e maio de 2012), chegarem a conclusão de que o “tema não é bem aquele”. Não há qualquer problema nisso, uma vez que pequenas variações no tema não comprometem de forma alguma o trabalho monográfico. O mais adequado nesse caso é vocês alterá-los.

Porém, se isso ocorrer, o seu orientador deve ser informado, mas não deverá opor-se à alteração, já que ela surgiu da necessidade aposta por seu trabalho de pesquisa. Vocês poderão ter alguns tipos de problemas de relacionamento com os seus orientadores, especialmente se suas monografias forem do tipo com tema indicado. Mesmo assim, não desistam. Tentem convencê-lo de que a mudança do tema, não será tão grande assim, e propiciará a produção de uma monografia melhor. Se o orientador se opuser à alteração, saibam que ele está errado e confunde orientação com imposição de regras de conduta sem sentido. Vocês estão certos. Insistam na alteração. Vejamos um exemplo possível. Vamos supor que alguns de vocês tenham escolhido o seguinte tema: AS PROMOÇÕES ENGANOSAS DO COMÉRCIO VAREJISTA. Depois de ter feito um bom levantamento bibliográfico, ter lido a doutrina que trata do direito do consumidor, ter compreendido bem o que é publicidade e informação enganosa a partir da Lei n. 8.078/90 e ter definido o que seria, então, promoção enganosa no comércio varejista, vocês se deparam com um sério problema de campo: não conseguem encontrar nenhum caso concreto de violação do Código de Defesa do Consumidor em relação ao tema escolhido. Existem casos. Devem existir, mas vocês não os encontram. E um trabalho meramente teórico, não lhe interessa. Por outro lado, suponhamos que na sua pesquisa você acaba encontrando vários casos reais, inclusive com decisões judiciais, de publicidade enganosa praticada pelas construções de imóveis: apartamentos oferecidos com uma metragem maior do que realmente têm; casas anunciadas com materiais sanitários de primeira linha e entregues com produtos de qualidade interior; preço oferecido com parcelamento, mas que de fato oculta parcelas intermediárias etc. Diante destes fatos, é muito natural vocês mudarem o tema para A PUBLICIDADE ENGANOSA PRATICADA NA VENDA DE IMÓVEIS ou algo similar. Não haveria qualquer mudança de conteúdo, já que a base jurídico-doutrinária é a mesma, e a ligeira variação do tema significaria, efetivamente, uma guinada na direção da produção de uma monografia mais bem feita e completa, inclusive fundada em casos reais e decisões jurídicas.

8. O TEMA INDICADO

Não resta dúvida de que o tema da monografia deve ser escolhido pelo aluno. Evidentemente a escolha pode e deve ser orientada por um professor, que deverá ser seu orientador. Mas pode acontecer de o professor indicar um tema ao aluno ou, ainda, indicar vários temas para um grupo específico de alunos, que devem, então, extrair deles, individualmente, o seu tema. Como eu já venho dizendo, deste o início da disciplina, o tema indicado nem sempre é a melhor alternativa didática e metodológica, pelo simples fato de que a opção do aluno tem de levar em consideração toda aquela série de circunstâncias anteriormente descrita nas aulas anteriores. Pode acontecer, porém, de o tema ser indicado, ainda assim, ele se enquadrar nas exigências metodológicas para sua determinação. Nessa hipótese, claro, não há qualquer problema, porque o aluno não será prejudicado. Por outro lado, se a indicação acabar não preenchendo os requisitos fundamentais para o trabalho monográfico possa ser bem elaborado, o aluno tem o direito de solicitar a alteração do tema e sugerir aquele que entende mais adequado. Não tem sentido impor tema contra o interesse e a vontade do aluno. O máximo que pode acontecer, e que se admite, é o professor, também, não se sentir à vontade ou capacitado para orientar tema fora de sua área de especialidade. Nesse caso, então, o aluno terá a incumbência de encontrar outro professor que o oriente.

QUARTA AULA

TIPOS DE MONOGRAFIAS

A partir desta aula, apresentaremos três tipos possíveis de monografias que vocês irão escolher para fazerem as suas pesquisas. Elas são os mais comuns, mais nada impede a utilização de qualquer outro, desde que os critérios levantados atinjam os mesmos objetivos que serão narrados. Embora vamos tratarmos os tipos de monografias separadamente, tal iniciativa tem apenas um caráter didático, para deixar a explanação mais acessível e elucidar os aspectos principais de cada um dos tipos de monografias. Eles funcionam, diríamos, para utilizar uma imagem conhecida, como tipos ideias. Em vários momentos, os três modelos tenderão a se combinar (os três em conjunto ou apenas dois) durante a realização concreta do trabalho monográfico: o estabelecimento das premissas de trabalho, nas pesquisas, no momento da elaboração teórica, no estabelecimento das conclusões etc.

1. MONOGRAFIA DE COMPILAÇÃO

O trabalho de compilação consiste na exposição do pensamento dos vários autores que escreveram sobre o tema escolhido pelo aluno. Nesse tipo de monografia, o estudante tem de demonstrar que examinou o maior número possível de obras publicadas sobre o assunto versado, sendo capaz de organizar as várias opiniões, antepô-las logicamente, quando se apresentam antagônicas, harmonizar os pontos de vista existente na mesma direção. Enfim, tem de ser capaz de apresentar um panorama das várias posições, de maneira clara e didática. Deve,

também, o estudante dar sua opinião sobre os pontos relevantes, bem como suas conclusões. Um trabalho de compilação adequado nasce de uma bem elaborada pesquisa. Na área jurídica esse trabalho é comum. Porém, existem boas e más compilações. Uma coisa é reunir todos os textos escritos a respeito de um tema escolhido e, apões a leitura, elencá-los, organizá-los, agrupá-los, apresentando-os num todo coeso e inteligível. Outra muito diferente é tomar algumas obras publicadas dentre muitas e apresentá-las como uma compilação. Compilar envolve vários riscos. O perigo mais evidente para a elaboração de uma compilação é o da necessidade de se pesquisar o maior número possível de obras publicadas sobre o assunto do tema escolhido. Imagine a dificuldade em que se encontrará o candidato, diante da banca examinadora, se um dos membros publicou um texto ou livro sobre o tema da monografia que está sendo defendida, mas por algum motivo particular o aluno não citou tal obra. Quem de vocês que quiser se utilizar do método da compilação tem de reforçar sua pesquisa da bibliografia e, de fato, esforçar-se para ter em mãos, para posterior utilização, a maior quantidade possível de textos publicados sobre o tema escolhido. Portanto, uma verdadeira compilação impõe riscos e exige tempo e muita dedicação do estudante. De qualquer maneira, na área jurídica, é comum e aceitável, quando se trata de monografia de graduação, a elaboração de trabalho em que são apresentadas as opiniões de alguns autores escolhidos por critérios unicamente individuais e acertados com o orientador, dentre os quais se destacam a acessibilidade da documentação publicada para pesquisa, o tempo para realização desta, preferências pessoais por certos autores etc. Até fatores econômicos, como o custo da aquisição de livros, por exemplo, pode dificultar a pesquisa, o que justifica um menor levantamento bibliográfico. Na área jurídica existe, ainda, uma peculiaridade no que diz respeita aos trabalhos voltados à jurisprudência. Primeiramente, num trabalho de compilação de tema escolhido nas disciplinas chamadas dogmáticas, é sempre recomendável que a pesquisa inclua decisões judiciais discutindo o assunto. Logo, a jurisprudência será sempre uma companheira da doutrina, ao menos naquilo que diga respeito a “temas dogmáticos”.

E, da mesma maneira que as opiniões doutrinárias são colhidas nos livros publicados, as decisões judiciais no ato da pesquisa também o são. Como é sabido, as decisões judiciais dos tribunais brasileiros são regularmente publicadas nas chamadas “revistas de jurisprudência”. Além disso, vários autores organizam obras por temas, compilando decisões judiciais, comentando-as, organizando-as por subtemas, artigos de lei etc., tudo visando fornecer material prático para o profissional do direito e que o estudante pode aproveitar na sua pesquisa da monografia. A própria legislação é, por sua vez, publicada em livros que trazem organização, artigo por artigo, de material jurisprudencial e doutrinário, fruto do trabalho de pesquisa de seus autores. Desta forma, mesmo um trabalho que esteja voltado basicamente à jurisprudência pode ser elaborado nos mesmos moldes de pesquisa bibliográfica exigido na compilação. Isso porque é possível pesquisar decisões judiciais a partir dos textos publicados nas revistas de jurisprudência. É verdade que tanto na doutrina quanto na jurisprudência é possível fazer monografia de pesquisa. Muito mais na jurisprudência, uma vez que o material de pesquisa é vasto e acessível. Na doutrina, o esforço seria maior, uma vez que dependeria de entrevista com os juristas. De qualquer maneira, se o aluno optar por fazer sua monografia de pesquisa na área da jurisprudência, ainda assim não poderá deixar de examinar e levar em consideração as revistas de jurisprudências e as compilações jurisprudenciais elaboradas pelos vários autores. Vejamos, a seguir, a síntese relativa à monografia de compilação:

1) Escolhido o tema; 2) Fazer uma exposição do pensamento de vários autores sobre o tema; 3) Depois, fazer a apresentação do discurso sobre o tema, com a opinião dos autores no mesmo sentido e/ou sentido contrário; 4) Depois do item anterior, o aluno deverá fazer a colocação da própria opinião nos pontos relevantes; 5) Depois, a organização lógica e sistemática dos aspectos elaborados e; 6) Por último, conclusões dos autores utilizados e conclusões próprias.

2. MONOGRAFIA DE PESQUISA DE CAMPO

Em primeiro lugar, é importante dizer que a palavra “pesquisa” utilizada até aqui nas aulas tinha um sentido amplo de pesquisa em geral: investigação de textos, exame de livros, pesquisa bibliográfica etc. Pois, o sentido era o de um enfoque geral que incluía, inclusive, o próprio aspecto estrito de pesquisa de campo, na qual a investigação do estudante não está restrita aos aspectos teóricos publicados em textos. Ao contrário, a ênfase dar-se-á nos dados concretos. Com efeito, a pesquisa de campo é uma pesquisa empírica. Realiza-se pela observação que o aluno faz diretamente dos fatos ou pela indagação concreta das pessoas envolvidas e interessadas o tema objeto de estudo. Será também de campo a pesquisa de documentos históricos, a experimental, a clínica etc. Após a elaboração do trabalho de campo, cabe ao investigador organizar o material colhido: agrupá-lo e separá-lo por semelhanças e diferenças, reuni-lo em função dos problemas encontrados, enfim, organizá-lo de forma lógica e sistemática. A organização deste material, claro, dependerá das premissas levantadas pelo próprio aluno antes do início dos trabalhos, durante a coleta do material, ou seja, haverá sempre necessidade de elaboração teórica, ainda que o pré-projeto de pesquisa da monografia em direito seja o de pesquisa de campo. A base do projeto é sempre teórica. As premissas, por sua vez, para coleta do material têm de estar muito bem definidas antes do início dos trabalhos. São esses parâmetros que nortearão o desenvolvimento efetivo da pesquisa. O estudante não pode sair a campo, buscando informações, de forma aleatória. Ainda que coletasse um número muito grande de dados, eles não teriam consistência científica e todo o trabalho iria por água a baixo. Por outro lado, premissas não precisam engessar a pesquisa. Não há nenhum problema em mudar ligeiramente o rumo das investigações durante sua realização concreta, desde que os parâmetros mais gerais e o objetivo final, previamente estabelecido, sejam respeitados. Assim, por exemplo, o aluno que optar por elaborar uma pesquisa na área da Sociologia Jurídica com o tema O ACESSO À JUSTIÇA, deve definir certas premissas para seu trabalho. Deve levantar as seguintes hipóteses: as pessoas de baixa renda não têm o acesso à justiça assegurado, ou as pessoas de baixo e de pouco nível de escolaridade não têm o acesso à justiça assegurado.

Uma vez que o estudante definiu como premissa para seu trabalho a hipótese de que as pessoas de baixa renda e/ou baixa escolaridade não têm assegurado acesso à justiça, será preciso que a coleta do material seja feita junto às pessoas que pertencem a essa camada da população. Deve, também, simultaneamente, fazer o mesmo tipo de investigação junto às pessoas que pertençam à camada das faixas de alta renda e alto nível de escolaridade, pois, se apenas as faixas da população de baixa renda e baixa escolaridade foram consideradas, a conclusão poderá ser que, de fato, elas não têm garantido o seu acesso à justiça. Porém, nada prova que as faixas de população de alta renda e alta escolaridade o têm. O tema do exemplo foi colocado apenas como meio para elucidação da maneira de se elaborar a pesquisa. Ela poderia ser O ACESSO À JUSTIÇA APÓS O ADVENTO DA LEI DOS JUIZADOS ESPECIAIS CÍVEIS ou, mais precisa e, delimitadamente, O ACESSO À JUSTIÇA APÓS O ADVENTO DA LEI N. 9.099, de 26/09/1995. Com isto, vê-se que não há um desligamento absoluto das duas formas já tratadas para elaborar a monografia: compilação e pesquisa de campo. Elas podem estar interligadas. Dependem apenas do pré-projeto de pesquisa, elaborado antes de iniciar os trabalhos de campo. Vejamos quadro sinótico relativo à monografia de pesquisa de campo:

1) Depois da escolha do tema; 2) Fazer o estabelecimento de premissas e/ou hipóteses para a investigação: a) baseados na doutrina sobre o assunto; b) baseados em dados previamente coletados e; c) baseados em pesquisas anteriores, que é antiga e será atualizada ou que deve estar equivocada; 3) Coletar dados, organizá-los e constatar acerto ou não de hipóteses levantadas; 4) Desenvolvimento do aspecto teórico com base no material colhido e nas premissas iniciais de investigação e/ou hipóteses levantadas; 5) Conclusões da monografia.

3. MONOGRAFIA CINTÍFICA

O trabalho de cunho científico tem de ser útil à comunidade científica à qual se dirige, bem como, numa pretensão mais alargada, a toda comunidade. Para que isso seja conseguido, é preciso que o pesquisador venha a dizer algo que ainda não foi dito. Dizer algo que ainda não foi apresentado é conseguir trazer alguma coisa nova ou apresentar uma ótica diferente daquilo que já foi dito. É, também, contestar alguma posição anterior. Assim, só será científica, a monografia que encontrar motivos plausíveis para pôr em dúvida um trabalho anterior, e colocá-la em xeque refazendo totalmente sua trajetória de pesquisa. Nesse caso, ao final da investigação, terá sido obtida uma dessas duas alternativas:

1) Descobrimento de algo novo e demonstração de erro da pesquisa anterior e; 2) Confirmação do que já havia sido descoberto e, portanto, corroboração das conclusões do trabalho anterior.

Em ambos os casos, a monografia será científica, uma vez que a cientificidade aqui apresentado está no colocar legitimamente em dúvida a pesquisa anterior, percorrer seu método de trabalho, chegando-o constantemente e alterando ou confirmando suas conclusões. Enfim, em ambos os casos da conclusão o trabalho terá atingido sua finalidade, pois, mesmo não solucionando o problema levantado, a pesquisa se fez completa e será útil aos futuros investigadores que tomarão como guia para refazêla ou rejeitá-la. Vejamos o quadro sinótico relativo à monografia científica:

1) Depois de ter escolhido o tema; 2) Relato do assunto a ser investigado; 3) Apresentação do problema que se pretende solucionar; 4) Formulação das hipóteses com as quais se fará a investigação com vistas à solução do problema apresentado;

5) Desenvolvimento da pesquisa: a) pesquisa empírica de campo e; b) argumentação com vistas ao desenvolvimento da teoria capaz de comprovar as hipóteses; 6) Conclusões.

QUINTA AULA

MONOGRAFIA: INÍCIO DOS TRABALHOS

Após a escolha e determinação do tema, inicia-se a fase de pesquisa para elaboração do trabalho da construção da monografia. Vejamos os novos passos a serem dados.

1. O ESQUELETO PROVISÓRIO

Quando abrimos qualquer trabalho monográfico, seja de graduação, seja de pós-graduação, ou mesmo quando viramos a capa de qualquer livro jurídico, a primeira coisa que encontramos é o índice ou sumário. O sumário tem como função indicar ao leitor as principais divisões do texto: partes, capítulos, itens, subitens, parágrafos etc. Como o sumário depende necessariamente do texto estar pronto e acabado – digitado do começo ao fim -, ele tem de ser feito ao final, após a estudante ter escrito a introdução. Todavia, a utilização de um “sumário prévio”, isto é, a feitura de um sumário antes da redação do texto, antes mesmo do início da própria pesquisa bibliográfica, é de grande utilidade para a realização do trabalho monográfico. Como esse sumário antecipado tem uma função específica, vamos apelidá-lo nesta aula de “esqueleto”. Ele funcionará como a espinha dorsal inicial (que se alterará) do corpo a ser construído. Este esqueleto é, na verdade, um guia de orientação para o investigador, funcionando como um roteiro do caminho a ser seguido. Não esqueçam, é provisório, mas deve apresentar características que apontarão uma pretensão de tornar-se definitivo. Sua organização deve ser séria a

ponto de parecer definitivo. Certamente ele se alterará no decurso da investigação. Aliás, essa é uma de suas funções subsidiárias: permitir-se ser modificado. A elaboração do esqueleto é um item importante para a realização da monografia. Vejamos como fazê-lo. Escolhido o tema, o aluno terá um mínimo de conhecimento sobre a matéria que o tema versa, pois terá cumprido as metas fixadas para sua determinação vista nas aulas anteriores. Para determinação do tema, vocês fizeram uma pesquisa prévia em livros ou se guiaram apenas pelo conhecimento que adquiriu durante o curso de direito que vocês estão terminando. Sendo assim, uma alternativa válida para a determinação da composição do esqueleto é vocês guiar-se pelo sumário dos livros consultados. Com base nas indicações dos outros livros – capítulos, itens, subitens, parágrafos -, vocês montarão o seu próprio sumário. Claro que vocês terão de usarem a imaginação. Mas façam com seriedade. Tem de conjecturar como é que deveria ser a sequência do trabalho, capítulo por capítulo. Façam e refaçam o esqueleto provisório até se convencer de que encontrou o ideal. Esse esqueleto será seu guia para tudo: pesquisa bibliográfica, leitura de textos e, principalmente, redação do texto da monografia. Será nesse momento que vocês perceberão sua importância. A escritura organizada será feita inicialmente a partir do esqueleto, o que lhes darão várias alternativas para a elaboração do texto, com amplo controle do conteúdo. Vocês procurarão desenvolverem a redação da monografia na mesma ordem do esqueleto, com as seguintes variáveis, dentre outras:

1) Poderão, já antes de iniciar a redação, alterar a própria indicação dos temas do esqueleto em função das pesquisas e leituras empreendidas; 2) Poderão, caso se sintam inspirados ou mais preparados para tal, escreverem antes um capítulo que aparece depois na ordem do esqueleto; 3) Poderão já irem fazendo remissões aos capítulos posteriores enquanto escrevem os anteriores, já que o esqueleto propiciará um panorama geral da monografia; 4) Poderão mudar nomes dos temas, criarem capítulos novos, suprimir itens etc., no exato momento em que isso se mostrar necessário, como reflexo do texto que está sendo escrito e;

5) Poderão intercalar capítulos ou fundi-los, também, assim que o texto apontar ser necessário.

Tudo isso vocês podem fazer com a ajuda do computador, pois essas alterações tornam-se, inclusive, limpas, dinâmicas e fáceis de serem feitas e manejadas. Vejamos, a seguir, um exemplo do funcionamento do esqueleto provisório. O tema escolhido foi O TRATADO INTERNACIONAL EM FACE DA CONSTITITUIÇÃO FEDERAL. Compulsando uma monografia ou alguma obra publicada, vocês poderão elaborar o seguinte esqueleto:

2. EXEMPLO DE ESQUELETO PROVISÓRIO

1. INTRODUÇÃO

2. DEFINIÇÃO DE TRATADO INTERNACIONAL.

3. CLASSIFICAÇÃO DOS TRATADOS. 3.1 Quanto ao Número de Partes. 3.1.1 Tratado bilateral. 3.1.2 Tratado multilateral. 3.2 Quanto ao Procedimento. 3.2.1 Procedimento breve. 3.2.2 Acordo executivo. 3.3 Quanto à Natureza das Normas. 3.3.1 Tratado contratuais. 3.3.2 Tratados normativos.

4. PARTE CONTRATANTE SEGUNDO A CONSTITUIÇÃO FEDERAL. 4.1 República. 4.2 Federação. 4.3 Parte Contratante nas Constituições Anteriores. 4.4 O Presidente da República.

5. INCORPORAÇÃO DO TRATADO PELO ORDENAMENTO JURÍDICO INTERNO

5.1 A Retificação. 5.2 O Decreto Legislativo. 5.3 O Decreto. 5.4 A Publicidade Oficial no Brasil.

6. CONFLITO ENTRE TRATADOS E NORMAS INTERNAS

7. TRATADOS INTERNACIONAIS E O ARTIGO 5º DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL 8. A QUESTÃO DA ACEITAÇÃO DOS TRATADOS 8.1 As Reservas. 8.2 As Emendas.

De posse do esqueleto vocês pesquisarão: no desenvolvimento desta ou no momento da redação do texto, descobrem que não podem elaborar seu trabalho sem tratar das teorias monista e dualista relativas aos tratados internacionais. Resolvem, então, inseri-las. Elaboram o seguinte capítulo:

? A QUESTÃO MONISTA E DUALISTA ?.1 A Teoria Monista. ?.2 A Teoria Dualista. ?.3 A Teoria Adotada pela Constituição Brasileira.

Examina o esqueleto e percebe que pode inserir esse novo capítulo antes do segundo (CLASSIFICAÇÃO DOS TRATADOS) ou após o terceiro (PARTE CONTRATANTE SEGUNDO A CONSTITUIÇÃO FEDERAL). Investigando mais o assunto, vocês perceberão que a doutrina diz que o decreto do Presidente da República, que dá publicidade do teor do tratado internacional, incorporado pelo decreto legislativo emanado do Congresso Nacional, não é reclamado constitucionalmente, tratando-se de praxe, com tradição histórica que remonta ao tempo do Império. Vocês, então, resolvem ampliar o teor do capítulo 4 (Incorporação do Tratado pelo Ordenamento Jurídico Interno) e cria os seguintes subitens a serem acrescidos no item 4.4:

4.4 A Publicidade Oficial no Brasil. 4.4.1 Na Constituição de 1824. 4.4.2 Na Constituição de 1891. 4.4.3 Na Constituição de 1934. 4.4.4 Na Constituição de 1937. 4.4.5 Na Constituição de 1946. 4.4.6 Na Constituição de 1967. 4.4.7 Na Constituição de 1988.

Através deste exemplo, deu para perceber como o esqueleto provisório é importante e útil na construção do próprio texto da monografia.

3. A BIBLIOGRAFIA

Com o esqueleto na mão, chega a fase da preparação da bibliografia. Vocês devem começar com uma bibliografia mínima, construída a partir dos livros que consultaram para decidir-se pelo tema da monografia e mediante a anotação da própria bibliografia que é apresentada nesses livros. Ela será complementada no próprio transcurso da pesquisa bibliográfica e, também, posteriormente, durante as leituras dos textos selecionados. Assim, vocês devem sair de casa rumo às bibliotecas ou livrarias com a bibliografia mínima preestabelecida. Ou, então, caso isso não seja possível, a primeira coisa que vocês farão quando chegarem à biblioteca será elaborar essa bibliografia mínima. Copie os dados fundamentais, uma vez que eles são necessários para que os livros sejam encontrados. Anote o nome completo do autor, o título inteiro da obra (título e subtítulo, se houver), a edição, a cidade onde a obra foi editada, a editora e o ano da publicação.

4. A PESQUISA BIBLIOGRÁFICA

De posse da bibliografia mínima, ou mesmo sem ela, começa a fase da pesquisa bibliográfica propriamente dita. Claro que a fonte mais evidente é a própria

bibliografia mínima e a busca das bibliografias que aparecem nos livros já anotados. Por certo, vocês conseguirão engrossar bastante a relação de títulos e autores. Mas isso nem sempre se mostra suficiente, pois:

1) Pode acontecer que após a leitura e fichamento vocês descobrem que aquelas obras não servem; ou 2) Pode acontecer dos livros que vocês conseguirão relacionar serem em número insuficiente para elaboração do trabalho; ou, ainda, 3) De vocês não terem bibliografia mínima.

Nessas três hipóteses, vocês não escaparão da pesquisa. Então, o melhor caminho é ir para as bibliotecas fazerem suas pesquisas bibliográficas. Muito bem, vocês fizeram suas pesquisas bibliográficas e selecionaram uma série de livros e textos. O que fazer agora? Ler todos eles? Lê-los dentro da biblioteca, já que não é possível levá-los para casa? Comprar todos os que estiverem disponíveis no marcado? Copiar todos, caso a biblioteca tenham serviço de copias? Essas e outras indagações mostram bem a nova dificuldade que vocês terão pela frente: a seleção dos textos que serão de fato utilizados dos que não serão. É um momento, uma vez que uma seleção malfeita pode pôr a perder o trabalho de pesquisa já desenvolvido. Após um trabalho enorme para descobrir os livros e textos, não se pode agora simplesmente descartá-los. Mas alguns terão de ser eliminados, já que não é possível levar todos para casa, que é, seguramente, o lugar mais adequado para se produzir o texto da monografia. Aliado ao fato de que, provavelmente, é na casa de vocês que estão os seus computadores, caso vocês próprios vão digitar a monografia; se forem escrever à mão, é também em suas casas que a redação será produzida. Aliás, é preciso ter um certo lugar físico para que o material possa estar à disposição no momento da redação. Voltando à seleção de textos. Vocês não terão escapatória: terá de, pelo menos, compulsar todos os livros e textos encontrados na pesquisa bibliográfica. Essa é a única maneira de saber se eles servirão para sua monografia. E esse trabalho terá de ser feito na própria biblioteca. Mas não se assustem, pois não será necessário, ainda, ler propriamente os testos.

É hora de dar uma busca nos livros, sempre com base nos temas que lhe interessam, a partir do sumário (Esqueleto Provisório) que vocês fizeram. Encontrado um item pertinente, vocês, então, fazem uma primeira e ligeira leitura e decide se aquele texto serve ou não. Feita tal seleção, está completada uma fase importante do seu trabalho: o da coleta da bibliografia. Naturalmente, no transcorrer das leituras do material selecionado e, também, no momento da redação, outros livros e textos com certeza aparecerão, uma vez que vocês estarão prestando atenção ao conteúdo e às várias citações de outros autores. E como levar os textos para casa? Caso a biblioteca permita, vocês poderão levar o livro emprestado. Porém, nessa hipótese, vocês lidarão com dois limites: o tempo de devolução, que nunca é muito longo, e a quantidade dos livros que podem ser levados, que sempre é diminuta. Se essa busca mostrar-se ainda infrutífera, então, não resta, outra alternativa, a não ser, a feitura de cópias.

5. LEITURA E FICHAMENTO DOS TEXTOS

Após selecionar os livros e textos nas bibliotecas, vocês irão ler e fichar os mesmos. A presente aula pretende indicar um método para que esse trabalho seja realizado, e o faremos da mesma maneira desenvolvida até aqui, apresentando dicas e sugestões. Levem em consideração as orientações, mas busquem utilizá-las adaptando-as as suas realidades de vidas e suas características pessoais. Qualquer metodologia para a elaboração de um trabalho científico pode ser boa se o estudante puder se utilizar dela, respeitando seus próprios limites. Assim, um método não pode ser uma “camisa de força”, e, ainda que o mínimo de organização seja sempre necessário, é sempre possível buscar caminhos alternativos, adaptações a perfis individuais, sem prejudicar o desenvolvimento do trabalho. Já pensando nisso, vamos continuar apresentando o roteiro para o desenvolvimento da investigação, mas o faremos, na medida do possível, oferecendo as várias alternativas viáveis para se atingir o mesmo fim. É fato, porém, que um estudante que consiga seguir à risca todas as orientações por certo chegará ao fim do trabalho com menos risco.

6. FONTE PRIMÁRIA E FONTE SECUNDÁRIA

A separação em fonte primária e secundária funciona muito mais como um meio para explicação das fontes do que como técnica definitiva de leitura e fichamento. A princípio, não há qualquer impedimento para que se utilizem todas as técnicas nos dois tipos de fontes. A rigor, a separação em fonte primária e fonte secundária, somente tem validade quando se trata do trabalho sobre um autor e/ou sua obra (fonte primária) e os comentadores desse autor e/ou suas obras (fonte secundária). Porém, na área jurídica essa divisão acaba abarcando outras situações, porque, se o assunto é uma norma jurídica, esta será fonte primária, e a doutrina e a jurisprudência relativa a ela serão secundárias. Se tratar de decisões judiciais, estas serão fonte primária, e a doutrina que trata delas, secundária. Logo, a separação em primaria e secundária tem muito mais importância e relevo quando se trata de tema voltado para o autor: sem dúvida, podemos dizer que fonte primária são as obras do autor e fonte secundária são as obras de seus comentadores.

7. COMO LER E GUARDAR INFORMAÇÕES

Antes de iniciar, vamos tentar eliminar um preconceito que o estudante não pode ter: não há nenhum mal em riscar um livro. Um livro sublinhado, riscado, pintado, reflete o nível de profundidade, dedicação e atenção que o leitor teve. Os grifos demonstram a dialética viva da relação livro-leitor. Não é nenhum desrespeito para com o livro nem para com o autor a leitura e, simultaneamente, a colocação de marcas pessoais. Muito pelo contrário, as marcas denotam sua participação ativa na leitura. São sinais daquilo que lhe chamou a atenção. Assim, podemos dizer que os textos dos livros devem ser lidos com a caneta na mão. Vocês devem ir lendo e grifando com caneta as passagens que considerar mais importante. Cuidado: não grife todo o texto. Se isso acontecer a função do grifo desaparece. A manutenção do grifo no texto serve para personalizá-lo, de modo que a segunda leitura e mesmo uma rápida olhada vocês irão conseguir identificar com

facilidade quais aspectos lhes chamaram mais a atenção e que poderão ser-lhes úteis.

8. O TEMPO DA LEITURA

O momento da leitura é, sem dúvida alguma, um dos mais agradáveis de todo o trabalho (só é suplantado pela satisfação de ver a monografia pronta). Aproveitem, portanto, essa etapa e leiam o máximo possível. Leiam tudo. Planejem seus tempos, mas leiam. Tomem um texto, leiam com atenção, com calma, grifando, fichando e fazendo anotações. Gastem algumas horas. Digamos, duas horas. Após esse tempo, calculem quantas páginas vocês conseguiram lerem e ficharem. Em seguida, contem o total de páginas separadas para lerem e façam um cálculo inicial. Os textos principais (fontes primárias) devem ser contados em dobro ou triplo. Feito isso, vocês terão uma idéia aproximada do tempo necessário para a leitura (o mesmo cálculo deverá ser feito no momento da redação da monografia). Elaborem, então, um cronograma das leituras que fará dia a dia. Procurem estimarem quantas horas diárias e em que período do dia vocês farão as leituras e cumpram essas determinações.

SEXTA AULA

A REDAÇÃO DA MONOGRAFIA

Chegamos, enfim, no momento próprio de produção do texto da monografia. Nesse instante, é importante que as etapas anteriores tenham sido cumpridas. No entanto, ainda que alguns elementos faltem (por exemplo, um livro que não tenha sido encontrado) ou venham a surgir novas necessidades daqui para a frente, de qualquer maneira, deve ter início. Será possível, mesmo nesta fase, fazer pesquisa e buscar novos dados a serem utilizados, porém, não se deve atrasar o início da redação da monografia.

1. A LINGUAGEM USADA NO TEXTO DA MONOGRAFIA

Teoricamente um trabalho científico deveria ser produzido para que toda a comunidade o entendesse. Para tanto, a linguagem utilizada na redação deveria ser o mais simples possível. O autor deveria utilizar-se de termos compreensíveis para os cidadãos em geral. Todavia, o texto do trabalho científico não tem essas características. Basicamente por dois motivos: 1) a necessidade de utilização do linguajar técnico da área específica de investigação, uma vez que é impossível elaborar um trabalho científico sem lançar mão desse recurso; 2) a necessidade de apresentar proposições controláveis em termos de rigor linguístico e que permitam à comunidade científica, na qual o trabalho está inserido, entender a comunicação. Esses motivos fizeram com que a monografia acabasse por se construir cada vez mais por uma linguagem técnica, de tal maneira que essa é a característica fundamental do texto.

No campo jurídico não é diferente. Deve-se usar uma linguagem técnica nos seus sentidos escritos e rigorosos para que a comunicação se faça de modo adequado aos estudiosos da área. É fato, porém, que nenhum texto científico consegue ser elaborado com a utilização apenas dos termos técnicos. É sempre necessária uma mescla com a linguagem natural. No campo do Direito, sem dúvida, a mescla da linguagem técnica com a natural é marca característica dos textos em geral. No entanto, isso não significa que será possível usar termos técnicos com os mesmos vícios que a linguagem comum comporta.

1.1. EU OU NÓS?

Uma dúvida corrente acontece com todos aqueles que começam a escrever uma monografia: o estudante deve produzir seu texto na primeira pessoa do singular (por exemplo: “eu acredito que...”) ou na primeira do plural (exemplo: “nós pensamos que...”)? A comunicação científica deve ter um caráter formal e impessoal. Por conta disso, deve-se evitar a construção da oração na primeira pessoa do singular. O mais adequado é construí-la com o “nós” ou utilizar-se de recursos que tornem o texto impessoal. Assim, por exemplo, as seguintes expressões: “conclui-se que”, “percebe-se pela leitura do texto”, “é válido supor”, “ter-se-ia de dizer”, “verificar-seá” etc.

2. PRIMEIRA REDAÇÃO DA MONOGRAFIA

Após conhecer os materiais coletados sobre o tema e realizadas as devidas anotações para realizar a organização do sumário provisório, o estudante poderá iniciar a primeira redação de sua monografia, isto é, materializar os esforços realizados durante a pesquisa, com segurança. A primeira redação da monografia deve ser encarada como algo natural, pois a vivência com o tema do trabalho e as discussões com o orientador permitem uma certa segurança e tranquilidade. Mas, se ainda o fantasma da página em branca sondar o trabalho de redação, o acadêmico deve se apoiar em algumas técnicas de

produção textual ou algumas regras descritas abaixo. Lembrando que o resultado da pesquisa deverá ser elaborado em dois momentos: primeira redação e redação final. A primeira redação da monografia consiste em organizar a sequencialidade das fichas e anotações, bem como o registro das reflexões, síntese e pontos de relevância, argumentos favoráveis e contrários. A preocupação central, neste momento, é elaborar uma versão preliminar de todo o trabalho. Desse modo, o fundamental é estimular a produção. O texto produzido receberá na segunda redação o tratamento adequado.

2.1 A INTRODUÇÃO

Para escrever a sua monografia, o estudante deve pontuar a estrutura sequencial em introdução, desenvolvimento e conclusão. A introdução,

paradoxalmente, deve ser a última parte a ser escrita, mesmo sendo a primeira parte que aparece nos elementos textuais. Razão pela qual somente depois de ter terminado de escrever a monografia é que se escreve o conteúdo da introdução. Na introdução, o estudante deve contemplar os seguintes conteúdos:

1) Anuncia a ideia central da monografia, e mais precisamente explicar o tema do trabalho, uma vez que este, por si, contempla a síntese mais perfeita do trabalho; 2) Indicar os objetivos (gerais e específicos) que se pretende alcançar; 3) Destacar os pressupostos necessários para a compreensão da pesquisa, as delimitações, de maneira a esclarecer o enfoque estudado, bem como as hipóteses levantadas e suas variáveis possíveis; 4) Explicar, sucintamente, a estrutura do trabalho, o conteúdo e o sentido de cada capítulo no seu contexto, revelando o método utilizado e a fundamentação teórica; 5) Dificuldades encontradas e agradecimentos que julgar necessários.

Enfim, a introdução delimita a assunto da monografia, situa-o no tempo e no tempo e no espaço, justifica sua escolha, mostra sua importância. Na introdução, portanto, constam também as partes do desenvolvimento (capítulos). Diz “o que” e “como” será desenvolvida a monografia, permitindo uma visão geral do assunto.

2.2 O DESENVOLVIMENTO

Para desenvolver a redação da monografia, mais uma vez o sumário provisório ou esqueleto do trabalho será referência obrigatória. Ele será o guia que vocês utilizarão para desenvolver o texto. Terão, portanto, antes de iniciar a redação, uma prévia estrutura lógica que designará o começo, meio e fim da parte do desenvolvimento da monografia. A redação será tal que deverá demonstrar, através de um conjunto de proposições, as várias questões levantadas, as posições dos autores investigações, as soluções buscadas e encontras ou não. Enfim, na redação da monografia será construído um conjunto de argumentos capazes de montar um raciocínio que deixe claro os caminhos perseguidos e os objetivos alcançados. É importante, também, estruturar o texto do desenvolvimento com o rigor que uma investigação científica exige. Nesse caso, será necessário apresentar em ordem cronológica o tema, os problemas, as hipóteses para solução destes, o conjunto de argumentos com as provas apresentadas e a comprovação (ou não) das hipóteses levantadas.

2.2.1. CITAÇÕES DA MONOGRAFIA

Em linhas gerais, as citações podem ser de duas maneiras: literal e não literal. A primeira (literal) é quando a anotação usada é retirada integralmente da fonte. Quando isto acontecer, o texto deve vir entre aspas. Exemplo: De acordo com Silva (1999, p. 633), “A lei perfeita, aquela que excluísse, na sua aplicação, a interferência do juiz e do seu arbítrio”. (Cf. Wilson Melo da Silva. O dano moral e sua reparação. 3ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 1999). Na citação literal, é importante indicar a fonte e localização completa da citação, de modo que permita ao leitor recuperar a ideia e percurso realizado pelo estudante (isto pode ser feito com notas de rodapé). Além da indicação da fonte, o estudante deve observar sua extensão. Se breve (até três linhas), pode permanecer no corpo do trabalho, se longa (mais de três linhas), deve apresentar-se em parágrafo próprio e com destaque do texto, de modo a identificar que aquela passagem não é de autoria do estudante.

Na citação não literal, a anotação é somente um resumo de alguma passagem a que se quer referir. O texto não deve vir entre aspas, porém, deve-se indicar a fonte da mesma maneira. Exemplo: Jhering (1999, p. 13) entende que a posse atende ao interesse e à utilidade econômica da propriedade. Por outro lado, a propriedade sem posse seria um tesouro sem chave para abri-lo, uma árvore frutífera sem meios necessários para a colheita. (Cf. Rodolf Von Jhering. Teoria simplificada da posse. Trad. de Pinto de Aguiar. São Paulo: Edipro, 1999). Na citação não literal, o estudante deve ter o cuidado de expressar o exato sentido do pensamento do autor citado, evitando distorções ou interpretações pessoais. Esta citação se aproxima da paráfrase, ou seja, reafirmar com palavras diferentes, mas de mesmo sentido, a ideia ou expressão declinada.

2.3 A CONCLUSÃO

Redigido o desenvolvimento (os capítulos), chega-se ao capítulo final da monografia: a conclusão. Na conclusão o estudante fará uma síntese muito apertada do trabalho. Buscará apontar os principais pontos obtidos no resultado das várias metas almejadas e alcançadas (ou não). Na conclusão, estará, também, a opinião pessoal do estudante, sua tomada de posição diante dos problemas apresentados e soluções encontradas (ou não). Na conclusão, assim como na introdução, não pode haver nenhum tipo de desenvolvimento de qualquer tema. É erro grave desenvolver temas na conclusão. Lendo a conclusão, deve-se poder compreender sistematicamente os principais pontos estudados e os objetivos alcançados. Em termos de quantidade a conclusão deverá ter cinco ou seis páginas. É claro que, da mesma forma que na introdução, admite-se texto um pouco maior se o corpo principal do trabalho for muito extenso. Mas, ainda assim, deve-se buscar a conclusão o máximo possível.

3. AS REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

Após a conclusão da monografia vem as referências bibliograficas. Existem regras específicas para se fazer as referências bibliográficas, conforme se verá nesta aula. No nosso caso, vamos partir das regras técnicas estabelecidas

oficialmente no Brasil pela Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, mais especificamente a norma NBR 6.023, de agosto de 1989. Tal norma tem a vantagem de ser mais generalizada possível, podendo ser aceita por todos os que precisam fazer uma bibliografia, o que cumpre pelos menos uma função, que é a de padronizar informações.

3.1 FONTES DE INFORMAÇÕES

Os elementos de referência devem ser retirados da folha de resto da obra ou da ficha catalográfica, ou, ainda, de qualquer outra fonte equivalente. Quando faltar um elemento a ser citado, mas se tiver certeza de sua origem, ele aparecerá dentro de colchetes: [ ].

3.1.1 MARGEM

A palavra de entrada da citação bibliográfica vai alinhada na margem do lado esquerdo. Inicia-se a indicação pelo sobrenome em maiúsculos, seguido, após a vírgula, do pronome, em minúsculas. Exemplo:

MAGALHÃES, Daniel Alves. A vinculação do juiz no processo penal. São Paulo: Editora Saraiva, 1993.

3.1.2. PONTUAÇÃO

O ponto é utilizado após o nome completo do autor, depois do título da obra e após o último item bibliográfico. Os dois-pontos são colocados antes da editora, antes do subtítulo e depois de “In”. A vírgula é colocada entre os sub-elementos: antes do pronome; depois da editora, após a edição; entre o volume, número (de revista, por exemplo) e páginas; e nas referências de revistas e jornais, após o seu título. O ponto-e-vírgula é colocado entre os nomes dos autores e das obras coletivas. Exemplos:

JUNIOR, Nelson Nery. Atualidade sobre o processo civil: a reforma do Código de Processo Civil de 1994 e de 1995. 2ª ed., São Paulo: Revista dos Tribunais, 1996.

POMPEU, Renato. A invenção da história e da democracia. Jornal Correio da Paraíba. João Pessoa, 21-11-2011, Caderno dois, p. 3.

O hífen é utilizado entre as páginas citadas (por exemplo: p. 20-28) e entre as datas de início e fim da publicação (por exemplo: 1950-1972). A barra transversal é usada entre os elementos do período coberto pelo fascículo referenciado (por exemplo: v. 9/11, nº 1/4, jan./dez., 1976/1978). O colchete é utilizado para indicar os elementos que não figuram na obra referenciada, mas cuja origem se tem certezas (por exemplo: Revista Trimestral de Jurisprudência. [Brasília], v. 109, p. 870-879, set., 1984) ou em outros casos especiais, como o de ausência do elemento ou quando não se tem certeza.

3.1.3 TIPOS DE CORPOS

É importante que a utilização dos caracteres tipográficos (por exemplo: maiúsculas, minúsculas, redondo, itálico etc.) seja consistente. É necessário atenção especial do aluno a esse aspecto nos dias atuais, uma vez que os editores de textos colocam à disposição dos estudantes alternativas as mais variadas possíveis. Vejamos as usualmente adotadas. Maiúsculas: no nome do autor. Itálico: no título da obra. Quando se trata de texto inserido em obra maior ou em periódico, revista, jornal etc., o itálico é usado para designar a obra maior, periódico, revista ou jornal. Quanto a estes problemas, não há muito, o que se temer, uma vez que, normalmente, os textos editados respeitam essas regras. Vocês devem preocuparse, se o texto for estrangeiro e a grafia for diferente da nacional. Nesse caso coloque na bibliografia a grafia utilizada no Brasil.

3.1.4 CITAÇÃO DE OBRA DE ATÉ TRÊS AUTORES

Quando a obra tem até três autores, citam-se todos na entrada, na ordem em que aparecem na publicação. Exemplo:

TEMER, Michel; FIORILLO, Celso Antonio & DINIZ, Maria Helena. Elementos de direito constitucional. 4ª ed., São Paulo: Revista dos Tribunais, 1988.

3.1.5 CITAÇÃO DE OBRA COM MAIS DE TRÊS AUTORES

Quando há mais de três autores, indicam-se até os três primeiros seguidos da expressão “et al.” Ou “et alii”. Exemplo:

TEMER, Michel; FIORILLO, Celso Antonio; DINIZ, Maria Helena et al. Elementos de direito constitucional. 4ª ed., São Paulo: Revista dos Tribunais, 1988.

3.1.6

OBRA COMPOSTA DE

DIVERSOS

TRABALHOS

E

DIFERENTES

AUTORES, MAS COM UM (OU MAIS) RESPONSÁVEL PELA COORDENAÇÃO OU ORGANIZAÇÃO

Nesse caso, coloca-se o nome do organizador ou coordenador, desde que ele esteja indicado ou destacado na publicação com esse título (ou outro semelhante: diretor, responsável etc.). Após o nome, coloca-se entre parêntese o título que caracteriza a função e/ou responsabilidade, de forma abreviada (coord., org. etc.). Exemplo:

NALINI, José Renato (coord.). Uma nova ética para o juiz. São Paulo: Revista dos tribunais, 1994.

DI GIORGI, Beatriz; CAMPILONGO, Celso Fernandes; PIOVESAN, Flávia (coords.). Direito, cidadania e justiça. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1995.

3.2 NORMAS JURÍDICAS E DECISÕES JUDICIAIS

Tanto a NBR 6023 quanto a doutrina designam a maneira de se fazer a indicação de normas jurídicas e de decisões judiciais na bibliografia. Acontece que na área jurídica tal indicação não é feita.

Normas jurídicas não aparecem na bibliografia e decisões são indicadas indiretamente nas revistas de jurisprudência. Caso haja alguma necessidade de indicação devemos adotar o seguinte:

3.2.1 NORMAS JURÍDICAS

No texto, basta citar no corpo do trabalho o número da norma jurídica ou o seu número e data de sua promulgação ou, ainda, o nome através do qual ela é conhecida (Constituição Federal, Código Civil Brasileiro etc.), e não há, repita-se, indicação na bibliografia. Se o estudante, por algum motivo especial, precisar fazer a indicação das normas jurídicas pesquisadas, então, nesta hipótese, ele a fará no apêndice ou anexo. Para tanto, deve adotar um critério. Indica-se o seguinte:

1) Colocam-se as normas por ordem de data de publicação, iniciando-se pela mais antiga; 2) Elas são apresentadas em ordem hierárquica (primeira a Constituição Federal, depois, as Leis Ordinárias, Medidas Provisórias, a seguir, o decreto regulamentar etc.) e separadas por esfera do poder público, da qual emanam (federal, estadual e municipal).

Porém, não se deve esquecer que é no apêndice ou anexo, também, que devem ser transcritos os textos parciais ou integrais das normas jurídicas.

3.2.2 DECISÕES JUDICIAIS

Da mesma maneira que com as normas jurídicas, não se faz indicação da decisão judicial na bibliografia (colocam-se as revistas de jurisprudência). Porém, pode acontecer de a decisão judicial utilizada não ter sido publicada, pois o juiz singular em primeira instância; ou se utilizou o texto completo da decisão publicada apenas como ementa no Diário Oficial. Nesses casos, o estudante poderá, caso queira, apresentar a decisão no apêndice. Mas, repita-se também aqui, ainda assim não entra na bibliografia.

3.3 ORDENAÇÃO DA BIBLIOGRAFIA

A ordenação deve ser feita em ordem alfabética ascendente, pelo nome em maiúscula, seguido do prenome e complemento após a vírgula.

3.3.1 AUTOR REPETIDO

Quando se indica mais de uma obra do mesmo autor, elas devem ser organizadas em ordem cronológicas de edição, iniciado-se na mais antiga, e colocase um traço (com 8 (oito) toques seguido de ponto) em lugar do nome, a partir da segunda obra. Exemplo:

CARRAZA, Roque Antonio. O regulamento no direito tributário brasileiro. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1981.

________. Curso de direito constitucional tributário. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1991.

4. O APÊNDICE

Como o próprio nome indica, o apêndice funciona tal qual um anexo – aquilo que não faz parte do corpo principal dos elementos textuais, mas que deve ser considerado. Aliás, é por isso que os autores acabam usando dois termos para esta parte do trabalho: apêndice e anexo. As monografias dividem-se, também, nessas duas expressões. Isto será indiferente, pois, que o estudante se utilize de um ou outro termo, está correto.

4.1 O QUE DEVE SER COLOCADO NO APÊNDICE

O apêndice deve conter tudo aquilo que se estivesse inserido no texto principal (desenvolvimento) atrapalharia a leitura e se fosse posto como nota de rodapé seria inadequado, em função de sua extensão. Assim, podem-se colocar no apêndice os questionários de uma pesquisa da qual se usaram, no carpo do trabalho, apenas os dados compilados. Pode-se,

também, inserir o desenvolvimento teórico produzido pelo próprio aluno e que, apesar de importante e devendo ser levado em conta, não pode ser colocado no texto principal, sob pena de truncar a natural construção dos argumentos da monografia. Colocam-se, ainda, no apêndice os índices, tabelas, gráficos, mapas, desenhos, fotos etc., que fundamentam, ilustram ou exemplificam o conteúdo da monografia, mas que devido a sua extensão não caberiam no próprio corpo do trabalho. É claro que gráficos, índices, tabelas etc. podem ser inseridos no corpo do trabalho, especialmente quando estão de acordo com a natureza ou quando forem poucos e curtos. Nessas hipóteses não haverá problema em apresentá-los no desenvolvimento do texto principal. O que define a inserção no próprio texto ou no apêndice é a extensão, o impedimento à clareza da exposição e o tipo de monografia. Em trabalhos de Matemática ou de Economia, o uso de tabelas, gráficos e índices no próprio corpo é não só natural, mas também necessário. Na área jurídica utiliza-se o apêndice para colocar o texto completo ou parcial (capítulos, por exemplo) das normas jurídicas abordadas e que o estudante entende necessário que o leitor consulte, mas que não cabe no corpo do trabalho. No caso de monografias que tratem de item de normas jurídicas muito recentes, a inserção de seu texto no apêndice é praticamente obrigatória, uma vez que, supõe-se, isso facilitará a leitura da mesma. No que toca à jurisprudência pesquisada e que não se pode citar no corpo do texto, ela deve, também, ser inserida no apêndice. Em longas pesquisas, as decisões devem ser transcritas no apêndice. Elas aparecerão completas ou só por ementas. Nada impede, contudo, que o estudante faça referência às decisões judiciais no corpo do trabalho indicando apenas as revistas nas quais elas foram publicadas. Vejamos um exemplo de apêndice que vocês poderão colocar em suas monografias, bem como a relação das principais revistas de jurisprudência e das abreviaturas utilizadas em monografias e na área jurídica em geral.

4.2 EXEMPLO DE UM APÊNDICE

APÊNDICE

1. PORTARIA N. 1.886, DE 30-12-1994, DO MEC

Fixa as diretrizes curriculares e o conteúdo mínimo do curso jurídico.

O Ministério de Estado da Educação e do Desporto, no uso das atribuições do Conselho Nacional de Educação, na forma do artigo 4ª da Medida Provisória n. 765, de 16 de dezembro de 1994, considerando o que foi recomendado nos Seminários Regionais e Nacionais dos Cursos Jurídicos, e pela Comissão de Especialistas de Ensino de Direito, da SESu-MEC,

Resolve:

Art. 1º. O curso jurídico será ministrado no mínimo de 3.300 horas de atividades, cuja integralização se fará em pelo menos cinco e no máximo oito anos letivos.

Art. 2º. O curso noturno (...).

Art. 17º. Esta portaria entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário, especialmente as Resoluções 3/72 e 15/73 do extinto Conselho Federal de Educação.

Murilio de Avellar Hingel

5. ABREVIATURAS

Segue a lista de abreviaturas normalmente utilizadas na área jurídica e nas monografias jurídicas.

A A. AA. autor (da ação judicial) autores (da ação judicial)

AA. VV. autores vários a.C. ac. AC ACOr ACP ADC antes de Cristo acórdão apelação civil ação civil originária ação civil pública ação direta de constitucionalidade

ADCT ato das disposições constitucionais transitórias ADI ADIn Ag AgPt AgRg AgRt AGU ação declaratória incidental ação direta de inconstitucionalidade agravo de instrumento agravo de petição agravo regimental agravo retido advogado-geral da União; advogacia-geral da União

B

BCEN Banco Central do Brasil (...)

V

V

ver; veja; volume.

6. O SUMÁRIO

Composto, então, todo o trabalho, inclusive com a introdução, que é, como se viu, o último trecho a ser redigido, vocês já pode elaborar o sumário. É verdade que um dado essencial do sumário, o número das folhas dos capítulos, itens, subitens etc., vocês ainda não tem. Esses vocês só indicaram na redação final, pois só quando tiver certeza que chegou ao texto definitivo é que poderá indicar as folhas.

AULA DE ENCERRAMENTO

APRESENTAÇÃO PERANTE A BANCA EXAMINADORA

Como momento culminante de seu trabalho de monografia (e de curso de bacharelado em Direito) acontecerá a sua apresentação perante a banca examinadora. Então, é conveniente que, mesmo antes de redigi-lo, você saiba o que o espera. Isso pode ajudá-lo na confecção da monografia. Essa é outra questão que toma grande dimensão na mente dos examinadores. Assim, a banca examinadora analisará a forma e o conteúdo de sua monografia e a desenvoltura de sua apresentação oral, sem esquecer os itens que são avaliados, como por exemplo: 1) Título e qualidade do resumo; 2) Coerência; 3) Qualidade e organização da fundamentação teórica; 4) Aspectos metodológicos; 5) Qualidade da redação; 6) Adequação do trabalho às normas da ABNT; 7) Coerência entre a conclusão o tema, problema e objetivos do trabalho; 8) Apresentação; 9) Desenvolvimento e postura e; 10) Sustentação oral. Cada um destes itens citados, valem 1 (um) ponto, perfazendo um total de 10 pontos. No momento da apresentação, vários fatores contam a sue favor ou contra você, como o seu traje na ocasião. Lembre-se: é uma ocasião formal e você deve se portar formalmente, desde sua vestimenta – ternos para homens, saia (não minissais!!!) ou vestido para mulheres – até seu vocabulário e tratamento dispensado à banca (Vossa Excelência, Senhor, Professor). Mesmo que você tenha certo grau de intimidade com os membros da banca examinadora, não é situação para informalidade de espécie alguma. É uma circunstância profissional. Assim, comporte-se como tal. Nada de piadinha para quebrar o gelo.

Se você estiver bem preparado, conhecer seu trabalho, não terá motivos para estar nervoso. Uma certa ansiedade inicial, porém, é natural e vai passar a medida que você começar a sua apresentação. Para iniciar sua exposição, aguarde a autorização do presidente da banca. Então, respire e inicie falando pausadamente. Você deverá fazer um resumo de seu trabalho por um tempo predeterminado (geralmente, de quinze a vinte minutos). Evite preparar um resumo escrito e se limitar a apenas lê-lo. Você pode ter um roteiro para apresentação, para não se perder. Mas é pressuposto que você conheça seu trabalho melhor que ninguém... Evite ler. Antes de abordar o tema propriamente, você deve saudar a banca examinadora, agradecendo as presenças e o interesse dos mestres. Se desejar, pode fazer um agradecimento especial para seu orientador (que não estará integrado a banca) ou deixar para o final, quando já estará mais descontraído. Nesse primeiro momento, você deve situar a banca acerca do trabalho a ser apresentado: o contexto, o problema especialmente tratado, a importância de se falar a respeito e o seu objetivo com isso. Mas seja conciso. Então, passe a falar de seu assunto, até chegar à conclusão. Depois de encerrada a sua exposição inicial, cada membro da banca examinadora terá um tempo para argüi-lo. Você não deve interromper. Anote todas as perguntas, mantenha a atenção e a concentração ao máximo. Você deverá responder ou fazer suas observações quando o examinador encerrar. Você terá mais alguns minutos para responder a cada examinador. Prepare-se para ouvir pareceres duros, porque eles podem surgir. Se não concordar com o posicionamento do examinador, não o desafie. Não é este seu papel. Apenas exponha como e por que você chegou aquela afirmação. Mas aceite opiniões contrárias, para amadurecer mais tarde. Sua posição é a de aprendiz. Se forem apontados erros, sejam de forma ou de conteúdo, anote-os para correção da versão final que você deverá entregar à instituição. Procure ser o mais claro e objetivo possível nas respostas, para que seja compreendido e não extrapole o tempo determinado. O que não souber, não enrole. Seja honesto e diga que nunca pensou na questão daquela maneira, que vai pesquisar mais, que não chegou a uma conclusão definitiva. Agradeça mesmo as palavras rigorosas, pois a intenção é sempre ajudá-lo a crescer.

Encerrado o exame, você e todos os presentes (o exame é público, é bom saber) deverão retirar-se da sala, para que seja tomada a deliberação quanto à aprovação de sua monografia e as notas que serão atribuídas. Em seguida, todos são convocados para ouvir a divulgação do resultado. Depois do resultado, o presidente da banca examinadora geralmente costuma passar a palavra ao candidato, para que ele faça suas considerações finais. Este é um bom momento para os agradecimentos e registros, breves, que você deseje fazer. Amadureça as ideias expostas nesta aula de encerramento. É fácil notar que indolência, negligência e preguiça não combinam com a elaboração da monografia ou qualquer trabalho de cunho científico. Assim, não deixe para última hora! Para finalizar esta aula, lembre-se: a monografia é sua. É como um filho. Exige dedicação e a sua responsabilidade por ela é total. Não há como transferi-la para orientador. É o autor quem deve trabalhar arduamente e quem será recompensado, no final. Não esqueça: você é o cientista.

APÊNDICE

1. MODELO DE COMO FAZER UM PROJETO DE PESQUISA

GRUPO SER EDUCACIONAL FACULDADE MAURÍCIO DE NASSAU CURSO BACHARELADO EM DIREITO

NOME DO AUTOR DA PESQUISA

TÍTULO DO PROJETO DE PESQUISA

JOÃO PESSOA-PB 2012

NOME DO ALUNO

TÍTULO DO PROJETO DE PESQUISA

Projeto de Pesquisa apresentada ao curso de Direito da Faculdade Maurício de Nassau – Unidade de João Pessoa, como requisito parcial para a aprovação na disciplina Metodologia da Pesquisa em Direito, sob a orientação do Prof. Dr. Daniel Alves Magalhães.

JOÃO PESSOA-PB 2012

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO, p. 04

2. TEMA E PROBLEMA DE PESQUISA, p. 10 2.1 DELIMITAÇÃO DO TEMA, p. 10.

3. HIPÓTESE, p. 11.

4. OBJETIVOS, p. 12. 4.1 OBJETIVO GERAL, p. 13. 4.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS, p. 15

5. JUSTIFICATIVA, p. 15

6. METODOLOGIA, p. 15. 6.1 REVISÃO DE LITERATURA, p. 19. 6.2 TIPO DE PESQUISA, p. 20. 6.3 PROCEDIMENTOS TÉCNICOS, p. 23.

7. CRONOGRAMA DE ATIVIDADES, p. 25.

8. ESTRUTURA BÁSICA DO DESENVOLVIMENTO DA MONOGRAFIA, p. 27.

9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS, p. 28.

1. INTRODUÇÃO LEMBRETES INICIAIS • Este modelo é apenas ilustrativo e não dispensa a leitura do Manual de Normalização e apresentação de trabalhos acadêmicos da Faculdade Maurício de Nassau (Unidade de João Pessoa); • O Projeto de Pesquisa não possui um limite máximo de paginas, mas indico que por bom senso não deverá ser muito extenso, sendo razoável entre 10 e 20 paginas; • No final de um capitulo para iniciar outro capítulo ou no final de um subcapítulo, deve-se utilizar 2 “enter” de espaçamento; • O sumário automático já está formatado, mas depende da adaptação que cada aluno irá fazer no seu trabalho, então não esqueça de, ao final atualizar o sumário (clicar no texto do sumário com o botão direito do mouse e ir em atualizar campos → atualizar índice inteiro e; • Depois que atualizar o sumário, é necessário utilizar um “enter” entre os capítulos. Não precisa nos subcapítulos, pois estes não tem espaçamento, aproveite para conferir se a fonte Arial 12 e o parágrafo 1,5 ficaram formatados).

A introdução é o momento em que o autor irá fazer uma apresentação da sua pesquisa. Assim, no momento da construção do texto, o autor deve tentar responder as seguintes indagações:

a) O que será pesquisado? b) Em que contexto se encontra a problemática da pesquisa?

c) Qual o objeto do estudo?

Como se trata de uma apresentação, não deve conter citações diretas ou indiretas. A numeração do projeto deve ser colocada à partir da Introdução, porém a capa e folha de rosto, não deve ser numeradas. A introdução deve estar no sentido de contextualizar o tema e delimitálo, trazendo uma breve abordagem histórica do instituto a fim de confirmar que o assunto é relevante, atraindo assim a atenção do leitor para o seu trabalho.

2. TEMA E PROBLEMA DE PESQUISA

Apresentação do foco de estudo, sua delimitação e a questão a ser investigada. A escolha de um tema representa uma delimitação de um campo de estudo no interior de uma grande área de conhecimento, sobre o qual se pretende debruçar. É necessário construir um objeto de pesquisa, ou seja, selecionar uma fração da realidade a partir do referencial teórico-metodológico escolhido (BARRETO; HONORATO, 1998, p. 62). É fundamental que o tema esteja vinculado a uma área de conhecimento com a qual a pessoa já tenha alguma intimidade intelectual, sobre a qual já tenha alguma leitura específica e que, de alguma forma, esteja vinculada à carreira profissional que esteja planejando para um futuro próximo (BARRETO; HONORATO, 1998, p. 62). O tema de pesquisa é, na verdade, uma área de interesse a ser abordada. É uma primeira delimitação, ainda ampla. Exemplos:

- Sigilo bancário (OLIVEIRA, 2002, p. 214). - Eutanásia (OLIVEIRA, 2002, p. 169). - Violência urbana (OLIVEIRA, 2002, p. 169). - Assédio moral; A ordem jurídica comunitária no Mercosul e; Possibilidades de constituição e eficácia (VENTURA, 2002, p. 73). - As comissões de conciliação prévia como meio alternativo à jurisdição estatal para a solução dos conflitos trabalhistas (SANTOS, 2002).

A formulação do problema é a continuidade da delimitação da pesquisa, sendo ainda mais específica: indica exatamente qual a dificuldade que se pretende resolver ou responder. É a apresentação da ideia central do trabalho, tendo-se o cuidado de evitar termos equívocos e inexpressivos. É um desenvolvimento da definição clara e exata do assunto a ser desenvolvido. Aspectos que devem ser observados para elaboração do problema de pesquisa:

- O autor deverá elaborar uma pergunta-problema. O problema deverá abarcar os seguintes requisitos:

a) Deve ser formulado como uma pergunta; b) Deve ser redigido de forma clara e concisa; c) Tem que corresponder a interesses pessoais, sociais e científicos; d) Não deve ser apenas uma pergunta com resposta “sim” ou “não” que não exige investigação sistemática, controlada e crítica.

O pesquisador deve contextualizar de forma sucinta o tema de sua pesquisa. Contextualizar significa abordar o tema de forma a identificar a situação ou o contexto no qual o problema a seguir será inserido. Essa é uma forma de introduzir o leitor no tema em que se encontra o problema, permitindo uma visualização situacional da questão (OLIVEIRA, 2002, p. 169). A escolha de um problema, para Rudio (apud MINAYO, 1999), merece indagações:
Trata-se de um problema original e relevante? Ainda que seja “interessante”, é adequado para mim? Tenho hoje possibilidades reais para executar tal estudo? Existem recursos financeiros para o estudo? Há tempo suficiente para investigar tal questão?

O problema, geralmente, é feito sob a forma de pergunta (s). Assim, torna-se fator primordial que haja possibilidade de responder as perguntas ao longo da pesquisa. Da mesma forma, aconselha-se a não fazer muitas

perguntas, para não incorrer no erro de não serem apresentadas as devidas respostas. Exemplos 1:

O Direito sobre o corpo é de natureza pessoal ou patrimonial? Caso seja patrimonial, trata-se de propriedade individual ou coletiva? (VENTURA, 2002, p. 74). Quais as causas determinantes para o rompimento do sigilo bancário de agentes públicos? (OLIVEIRA, 2002, p. 218).

Existem dois fatores principais que interferem na escolha de um tema para o trabalho de pesquisa. Abaixo estão relacionadas algumas questões que devem ser levadas em consideração:

1) FATORES INTERNOS: afetividade em relação a um tema ou alto grau de interesse pessoal. Para se trabalhar uma pesquisa é preciso ter um mínimo de prazer nesta atividade. A escolha do tema está vinculada, portanto, ao gosto pelo assunto a ser trabalhado. Trabalhar um assunto que não seja do seu agrado tornará a pesquisa num exercício de tortura e sofrimento. Tempo disponível para a realização do trabalho de pesquisa. Na escolha do tema temos que levar em consideração a quantidade de atividades que teremos que cumprir para executar o trabalho e medi-la com o tempo dos trabalhos que temos que cumprir no nosso cotidiano, não relacionado à pesquisa. O limite das capacidades do pesquisador em relação ao tema pretendido. É preciso que o pesquisador tenha consciência de sua limitação de conhecimentos para não entrar num assunto fora de sua área. 2) FATORES EXTERNOS: A significação do tema escolhido, sua novidade, sua oportunidade e seus valores acadêmicos e sociais. Na escolha do tema devemos tomar cuidado para não executarmos um trabalho que não interessará a ninguém. Se o trabalho merece ser feito que ele tenha uma importância qualquer para pessoas, grupos de pessoas ou para a sociedade em geral. O limite de tempo disponível para a conclusão do trabalho.

Antes de fazer a (s) pergunta (s) de pesquisa, é fundamental contextualizar o tema em questão.

1

Quando a instituição determina um prazo para a entrega do relatório final da pesquisa, não podemos nos enveredar por assuntos que não nos permitirão cumprir este prazo. O tema escolhido deve estar delimitado dentro do tempo possível para a conclusão do trabalho. Material de consulta e dados necessários ao pesquisador. Outro problema na escolha do tema é a disponibilidade de material para consulta. Muitas vezes o tema escolhido é pouco trabalhado por outros autores e não existem fontes secundárias2 para consulta. A falta dessas fontes obriga ao pesquisador buscar fontes primárias3 que necessita de um tempo maior para a realização do trabalho. Este problema não impede a realização da pesquisa, mas deve ser levado em consideração para que o tempo institucional não seja ultrapassado. Então, a eleição do tema da pesquisa deverá iniciar-se pela área do conhecimento humano na qual o aluno pretende trabalhar. Quanto mais específica for à área escolhida, mais fácil será para o pesquisador encontrar seu objeto de pesquisa. Assim o aluno que deseja pesquisar em Ciências Penais deverá escolher entre Direito Penal, Direito Processual Penal, Criminologia, etc.; optando por Direito Penal, deverá escolher entre Teoria do Delito, Teoria da Pena, Execução Penal, etc. e assim sucessivamente até delimitar a sua perspectiva de estudo.

2

Fonte secundária, consiste em todo trabalho que se baseia em outro, este sendo a fonte original ou primária. Tem como característica o fato de não produzir uma informação original, mas sobre ela trabalhar, procedendo a análise, ampliação, comparação, etc. A fonte secundária compõe-se de elementos derivados das obras originais, refere-se a trabalhos escritos com o objetivo de analisar e interpretar fontes primárias e, normalmente, com o auxílio e consulta de outras obras consideradas, também, fontes secundárias. Fontes primárias são as evidências do passado, como diários, cartas, documentos registrados em cartórios, objetos usados, prédios, desenhos, memórias etc. São consideradas fontes primárias, pois criados no passado por aqueles que participaram dos acontecimentos, nos trazem múltiplas e profundas impressões difíceis de serem recriadas até mesmo pelo mais bem articulado texto produzido por historiadores. O uso de fontes primárias expõe o estudante a importantes conceitos históricos. Inicialmente ele fica ciente que toda história escrita está refletindo uma interpretação particular do autor destes eventos passados. É possível perceber a natureza subjetiva das fontes primárias que sempre deixam margem para alguma interpretação pessoal. Segundo, as fontes primárias são a forma mais direta de tocar as vidas das pessoas que viveram no passado. Por último, a análise das fontes primárias obriga ao estudante desenvolver importantes habilidades analíticas.

3

Existe possibilidade de o aluno desejar trabalhar a partir de dois ou mais ramos do conhecimento humano. Nesta hipótese, o trabalho poderá ser multidisciplinar (análise do tema sob a perspectiva de dois ou mais ramos do conhecimento), interdisciplinar (análise do tema sob a perspectiva de dois ou mais ramos do conhecimento relacionando-os entre si) ou mesmo

transdisciplinar (análise do tema sob a perspectiva de dois ou mais ramos do conhecimento, dando origem a um novo, distinto dos anteriores). Selecionada (s) a (s) área (s) do conhecimento em que o aluno pretende trabalhar, deverá ele escolher um problema a ser solucionado naquela área do saber. A pesquisa jurídica não é mera compilação do conhecimento adquirido por seu autor, mas envolve necessariamente a existência de um novo olhar diferenciado do pesquisador, sobre a problemática analisada, que pode vir fazer a diferença no meio acadêmico e profissional do sujeito que a constrói. Na realidade, muitos dos pretensos trabalhos científicos produzidos em nossas universidades não passam de manuais ou resumos da matéria objeto de estudo sem qualquer caráter inovador. Evidentemente, tais obras têm uma grande importância como material didático, mas decididamente não é esta a finalidade das teses, dissertações e monografias de final de curso, que necessariamente devem propor uma solução para um problema previamente definido. O problema é a mola propulsora de todo o trabalho de pesquisa. Depois de definido o tema, levanta-se uma questão para ser respondida através de hipóteses, que serão confirmadas ou negadas através do trabalho de pesquisa. O Problema é criado pelo próprio autor e relacionado ao tema escolhido. O autor, no caso, criará um questionamento para definir a abrangência de sua pesquisa. Não há regras para se criar um Problema, mas alguns autores sugerem que ele seja expresso em forma de pergunta. Existem aqueles que preferem que o Problema seja descrito como uma afirmação. A escolha do tema-problema deverá pautar-se pelo binômio interessecapacidade pessoal e social na resolução do problema. Assim, quatro perguntas básicas deverão ser respondidas positivamente para que o problema possa ser eleito com acerto:

Tenho interesse no problema? (curiosidade pessoal e/ou profissional em relação ao problema). O pesquisador deve se sentir atraído pelo problema proposto. Sua curiosidade quanto ao tema de estudo pode provir de interesses pessoais ou profissionais. Para um policial, a pesquisa em Direito Penal pode ser atraente por sua experiência profissional; para um aficcionado em computadores, um trabalho transdisciplinar envolvendo o Direito Penal e a Informática será um tema irresistível. Sou capaz de resolver o problema? (conhecimento e experiência em relação ao problema). O pesquisador deve propor um problema que tenha maior facilidade em resolver por seus conhecimentos e experiência anterior à pesquisa. Por mais que alguém se interesse por computadores, certamente não poderá realizar um grande trabalho em Direito Informático se não tiver o mínimo de conhecimento em Informática. Na eleição do problema a ser pesquisado vale a lei do mínimo esforço: o pesquisador deverá optar por temas em que seus conhecimentos prévios lhe possam ser útil. Há interesse social na resolução do problema? (originalidade e relevância social do problema). O pesquisador deve propor problemas originais, pois de nada adianta escolher um tema exaustivamente discutido na doutrina. Um problema que pode ser solucionado através de uma simples pesquisa doutrinária ou jurisprudencial não é adequado para ser objeto de uma pesquisa. Na academia são comuns "modismos" em relação aos temas de pesquisa o que, muita vez, acaba originando inúmeros trabalhos com conclusões absolutamente idênticas, nada acrescentando à literatura jurídica já existente. Por outro lado, toda pesquisa tem uma função social que não pode ser desprezada. A solução do problema deve ser socialmente útil. A sociedade em que vivo me oferece recursos para solucionar o problema? (bibliografia, financiamento, possibilidade de coletar dados, prazo para apresentar os resultados, etc.). O pesquisador deve analisar se dentro do contexto social em que irá pesquisar será viável alcançar a solução do problema. Se sua proposta for pesquisar o Direito Penal de outro país, deverá certificar-se se terá acesso à legislação e a livros doutrinários do mesmo. Se necessitar de verbas ou de autorizações para coletar dados, deverá ter certeza de poder obtê-los.

Por fim, deverá lembrar-se de que sua pesquisa não poderá durar eternamente e, portanto seu tema deverá necessariamente estar delimitado principalmente quanto ao objeto, quanto ao tempo e quanto ao espaço. Assim, em vez de indagar-se se "a descriminalização das drogas é viável?" Melhor seria questionar-se se "a descriminalização do uso de maconha é viável no Brasil do início do século XXI?". Delimitado o tema-problema, deverá o pesquisador oferecer uma resposta provisória a sua indagação: "sim, a descriminalização do uso da maconha é perfeitamente viável no Brasil do início do século XXI".

2.1 DELIMITAÇÃO DO TEMA
Buscar focar o tema adotado no sentido de evitar a ampliação do estudo. Delimitar é indicar a abrangência do estudo, estabelecendo os limites intencionais e conceituais do tema. Enquanto princípio de logicidade. É importante salientar que, quanto maior a extensão conceitual, menor a compreensão conceitual e, inversamente, quanto menor a extensão conceitual, maior a compreensão conceitual. Para que fique clara e precisa a extensão conceitual do assunto, é importante situá-lo em sua respectiva área de conhecimento, possibilitando, assim, que se visualize a especificidade do objeto no contexto de sua área temática (LEONEL, 2002). Quando alguém diz que deseja estudar a questão da violência conjugal ou a prostituição masculina, está se referindo ao assunto de seu interesse. Contudo, é necessário para a realização de uma pesquisa um recorte mais “concreto”, mais preciso do assunto (MINAYO, 1999). Ventura (2002) oferece um exemplo de como pode proceder-se para delimitar um tema; Tema: O tratamento jurídico da instrumentalização controlada do corpo humano. Assim, podemos indicar as possíveis delimitações:

a) As consequências jurídicas do tratamento do direito ao corpo como direito pessoal ou como direito de propriedade;

b) O exercício individual da liberdade sobre o corpo contraposto ao interesse público; c) A legislação brasileira sobre as práticas biomédicas relacionadas a órgãos e genomas humanos. Outros exemplos 4:

- Quando o sigilo bancário deve ser quebrado (OLIVEIRA, 2002). - A influência do desarmamento da população para a melhoria dos índices de violência urbana em Florianópolis/SC. - A ordem jurídica comunitária no MERCOSUL, possibilidades de constituição e eficácia: um estudo sobre a viabilidade de adoção de um tribunal regional para o julgamento de crimes contra os direitos humanos. - O novo meio alternativo para a solução dos conflitos trabalhistas instituído pela Lei 9.958/2000, visando demonstrar os benefícios e problemas que a referida lei apresenta, destacando a constitucionalidade e legalidade de seus preceitos, bem como a viabilidade para obter a conciliação (SANTOS, 2002).

3. HIPÓTESE

Resposta provisória ao problema de pesquisa apresentado (Obrigatória para o Curso de Direito). Hipótese é uma expectativa de resultado a ser encontrada ao longo da pesquisa, categorias ainda não completamente comprovadas empiricamente, ou opiniões vagas oriundas do senso comum que ainda não passaram pelo crivo do exercício científico (BARRETO;

HONORATO, 1998). Sob o ponto de vista operacional, a hipótese deve servir como uma das bases para a definição da metodologia de pesquisa, visto que, ao longo de toda a pesquisa, o pesquisador deverá confirmá-la ou rejeitá-la no todo ou em parte (BARRETO; HONORATO, 1998). Hipótese é sinônimo de suposição. Neste sentido, Hipótese é uma tentativa de responder ao problema levantado no tema escolhido para ser

4

Evitar abordagens vagas e imprecisas. Por exemplo: “O novo Código Civil”; “O MERCOSUL”.

pesquisado. É uma pré-solução para o problema levantado. O trabalho de pesquisa, então, irá confirmar ou negar a Hipótese (ou suposição) levantada. Exemplo: (em relação ao problema definido acima). Hipótese: A sociedade patriarcal, representada pela força masculina, exclui as mulheres dos processos decisórios. Embora diversos autores de metodologia da pesquisa jurídica

recomendem a elaboração de hipóteses de trabalho, há também os que questionam tal procedimento: “No âmbito do projeto de monografia jurídica, essa exigência parece bastante questionável, entre outras razões pelo estágio de conhecimento do tema em que se encontra o aluno e pela natureza controversa do objeto, que torna improvável a ‘confirmação’ de uma só hipótese” (VENTURA, 2002, p. 74). Exemplo:

Em todas as constatações de improbidade administrativa o sigilo bancário deve ser quebrado (OLIVEIRA, 2002, p. 219).

Quando o Problema for: O acesso as Universidades Públicos pelo sistema de cotas raciais fere a Constituição Federal? Hipótese: O acesso as Universidades Públicos pelo sistema de cotas raciais fere a Constituição Federal por violar o seu art. 208.

4. OBJETIVOS

A definição dos Objetivos determina o que o pesquisador quer atingir com a realização do trabalho de pesquisa. Objetivo é sinônimo de meta, fim. Uma norma para se definir os Objetivos é colocá-los começando com o verbo no infinitivo: esclarecer tal coisa; definir tal assunto; procurar aquilo; permitir aquilo outro, demonstrar alguma coisa etc. Relaciona-se com a visão global do tema e com os procedimentos práticos. Indicam o que se pretende conhecer, ou medir, ou provar no decorrer da pesquisa, ou seja, as metas que se deseja alcançar. Podem ser gerais e específicos. No primeiro caso, indicam uma ação muito ampla e, no segundo, procuram descrever ações pormenorizadas ou aspectos detalhados.

Uma ação individual ou coletiva se materializa através de um verbo. Por isso é importante uma grande precisão na escolha do verbo, escolhendo aquele que rigorosamente exprime a ação que o pesquisador pretende executar (BARRETO; HONORATO, 1998). Outro critério fundamental na delimitação dos objetivos da pesquisa é a disponibilidade de recursos financeiros e humanos e de tempo para a execução da pesquisa, de tal modo que não se corra o risco de torná-la inviável. É preferível diminuir o recorte da realidade a se perder em um mundo de informações impossíveis de serem tratadas (BARRETO; HONORATO, 1998).

Aspectos que devem ser observados:

- Neste tópico o autor irá indicar as ações que serão desenvolvidas para a resolução do problema de pesquisa e estão divididos em dois grupos: os objetivos gerais e os objetivos específicos.

- Segundo Marconi (2001. p.44), “o objetivo geral esta ligado a uma visão geral e abrangente do tema” relacionando-se com o conteúdo intrínseco, quer dos fenômenos e eventos, quer das idéias estudadas. Vincula-se diretamente a própria significação do trabalho proposto. O objetivo geral é apresentado na forma de um enunciado que reúne, ao mesmo tempo, todos os objetivos específicos.

- “Os objetivos específicos apresentam caráter mais correto. Tem função intermediária e instrumental, permitindo, de um lado, atingir o objetivo geral e, de outro, aplicar este a situações particulares” (MARCONI, 2001, P.44). Informam sobre as ações particulares que dizem respeito à análise teórica e aos meios técnicos de investigação do problema.

- Os objetivos devem ser apresentados com verbos no infinitivo, distribuídos em tópicos, sendo que cada tópico deve corresponder a apenas uma ação, com vistas a dar sentido aos futuros passos a serem dados na pesquisa.

- Normalmente se utiliza os seguintes verbos no infinitivo: Analisar, constatar, elaborar, examinar, demonstrar, avaliar, entender, explicar, verificar, descrever, compreender, identificar, entre outros. Por exemplo:

A) OBJETIVO GERAL

Analisar se políticas públicas bem planejadas podem contribuir para a efetividade dos Direitos Humanos Fundamentais de 2ª Dimensão.

B) OBJETIVOS ESPECÍFICOS

• Conceituar Políticas Públicas; • Verificar a diferença entre os conceitos de Direitos Humanos e Direitos Fundamentais; • Analisar as teorias geracionais e dimensionais de Direitos Humanos; • Verificar o conceito de Sociedade Civil na concepção de Bobbio e Gramsci; • Analisar a relação entre as Políticas Públicas e a efetividade dos Direitos Humanos Fundamentais de 2ª Dimensão; • Fazer levantamento jurisprudencial nos Tribunais Superiores brasileiros sobre a determinação de implementação de Políticas Públicas através do Poder Judiciário; • Realizar entrevistas com gestores públicos; • Aplicar questionário com questões fechadas para 70% dos Magistrados Estaduais, Federais, membros do Ministério Público Estadual e Federal da Comarca da Capital do ES.

4.1 OBJETIVO GERAL

Indicação do resultado pretendido. Por exemplo: identificar, levantar, descobrir, caracterizar, descrever, traçar, analisar, explicar, etc. é oferecer uma resposta ao problema que é o núcleo da investigação, testando a veracidade da hipótese de trabalho. Tradicionalmente os objetivos: geral e específicos vêm

expressos através de verbos no infinitivo. O objetivo geral nada mais é do que o problema redigido sobre a forma de ação: "analisar a viabilidade da descriminalização do uso de maconha no Brasil do século XXI".

Atenção:

Somente escrever um único objetivo geral. Utilizar verbo no infinitivo (analisar, verificar, identificar, demonstrar, buscar, investigar, conceituar, etc.) que deve corresponder a uma única ação.

4.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Indicação das metas das etapas que levarão à realização dos objetivos gerais. Por exemplo: classificar, aplicar, distinguir, enumerar, exemplificar, selecionar, etc. Exemplo:

Determinar, com base na doutrina e na jurisprudência atual brasileira, quando o sigilo bancário deve ser quebrado, isto é, em quais circunstâncias pode vir a ocorrer à quebra do sigilo bancário dos agentes públicos de maneira que preenchidos os requisitos legais, esta seja efetuada sem o perigo de violar qualquer outra norma da legislação (OLIVEIRA, 2002, p. 232). São ações a serem realizadas pelo pesquisador que tornará possível alcançar o objetivo geral:

1) Identificar as origens históricas da criminalização da maconha no Brasil; 2) Identificar os efeitos da droga no organismo humano; 3) Avaliar os aumento dos gastos com a saúde após a descriminalização da droga e; 4) Avaliar o decréscimo da violência urbana após a descriminalização da droga etc.

5. JUSTIFICATIVA

A justificativa deve cumprir o papel singular de demonstrar a importância do estudo. Mostrar porque o trabalho (o tema, a pergunta, a abordagem) tem relevância, uma das estratégias mais utilizadas é a da sua contextualização dentro de um espectro mais amplo, visando demonstrar sua pertinência. (Por que fazer? Para que?). A Justificativa num projeto de pesquisa, como o próprio nome indica, é o convencimento de que o trabalho de pesquisa é fundamental de ser efetivado. O tema escolhido pelo pesquisador e a Hipótese levantada são de suma importância, para a sociedade ou para alguns indivíduos, de ser comprovada. Deve-se tomar o cuidado, na elaboração da Justificativa, de não se tentar justificar a Hipótese levantada, ou seja, tentar responder ou concluir o que vai ser buscado no trabalho de pesquisa. A Justificativa exalta a importância do tema a ser estudado, ou justifica a necessidade imperiosa de se levar a efeito tal empreendimento. A justificativa é a fase do projeto na qual o pesquisador irá expor quais elementos dentro do binômio interesse/capacidade pessoal e social foram decisivos na eleição do seu tema de estudo. Evidentemente, o principal elemento a ser explicitado aqui é o interesse social na solução do problema, pois será a partir dele que o orientador, a faculdade, universidade irão decidir se há ou não interesse institucional em se concretizar o projeto. O pesquisador, nesta fase, deverá iniciar explicitando o "estado da arte", ou seja, o atual estado das pesquisas científicas sobre o tema. Em síntese, será nesta fase que o pesquisador irá "vender seu peixe", ou em uma linguagem mais acadêmica, demonstrar ao leitor o real interesse social de seu projeto de pesquisa. A justificativa envolve aspectos de ordem teórica, para o avanço da ciência, de ordem pessoal/profissional, de ordem institucional (universidade e empresa) e de ordem social (contribuição para a sociedade). Deve procurar responder: Qual a relevância da pesquisa? Que motivos a justificam? Quais contribuições para a compreensão, intervenção ou solução que a pesquisa apresentará? Silva e Menezes (2001, p.31) afirmam que o pesquisador precisa fazer algumas perguntas a si mesmo: o tema é relevante? Por quê? Quais

pontos

positivos

você

percebe

na

abordagem

proposta?

Que

vantagens/benefícios você pressupõe que sua pesquisa irá proporcionar? Ventura (2002, p. 75) afirma o seguinte: o pesquisador deve destacar a relevância do tema para o direito em geral, para a(s) disciplina(s) à(s) qual (is) se filia e para a sociedade. Finalmente, cabe sublinhar a contribuição teórica que adviria da elucidação do tema e a utilidade que a pesquisa, uma vez concluída, pode vir a ter para o curso, para a disciplina ou para o próprio aluno. Barral (2003, p. 88-89) oferece alguns itens importantes que podem fazer parte de uma boa justificativa. São eles:
a) Atualidade do tema: inserção do tema no contexto atual. b) Ineditismo do trabalho: proporcionará mais importância ao assunto. c) Interesse do autor: vínculo do autor com o tema. d) Relevância do tema: importância social, jurídica, política, etc. e) Pertinência do tema: contribuição do tema para o debate jurídico. Aspectos que devem ser observados:

Neste tópico o autor irá informar a importância do estudo e os porquês da realização de sua pesquisa. O texto da justificativa, em geral, deve apresentar os motivos que levaram à investigação do problema e endereçar a discussão à relevância teórica e prática, social e científica do assunto. Deve, também, apontar as razões de sua escolha caracterizando a contribuição e a importância da solução do problema, sob os mais diversos pontos de vista. Pode-se entender a justificativa como o momento de se fazer o marketing da pesquisa, demonstrando sua relevância e sua contribuição ao “estado da arte” do Direito. A justificativa deve ser elaborada de forma sucinta, porém completa, das razões de ordem teórica e dos motivos de ordem prática que tornam importante a realização da pesquisa. Deve enfatizar:

- O estágio em que se encontra a teoria a respeito do tema; - As contribuições teóricas que a pesquisa pode trazer; - A importância do tema do ponto de vista geral; - Importância do tema para os casos particulares em questão;

- Possibilidade de sugerir modificações no âmbito da realidade abarcada pelo tema proposto e; - Descoberta de soluções para casos gerais e/ou particulares.

Deve procurar responder as seguintes indagações:

- De onde minha pesquisa partirá? Porque eu tive interesse nesse assunto? Quais fatores influenciaram na escolha desse problema de pesquisa? (relevância pessoal); - Como esse tema tem sido debatido cientificamente? Quais contribuições a pesquisa trará para a comunidade acadêmica? (relevância acadêmica); - Porque esse tema pode contribuir para uma sociedade melhor? Quem poderá especificamente ser beneficiado com as respostas ao problema da pesquisa? (relevância social).

Não deve confundir a Justificativa com o referencial teórico, e, portanto não deve conter citações diretas ou indiretas. Exemplo:

Este projeto de pesquisa demonstra sua relevância uma vez a Lei nº 6.938, de 31/08/81, que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente já previa em seu artigo 9º, inciso III, a avaliação de impactos ambientais como um de seus instrumentos. Contudo, esse tipo de estudo só adquiriu status constitucional em 1988, quando o Constituinte, além de ter dedicado um capítulo inteiro ao tema meio ambiente, previu expressamente a exigência pelo Poder Público da realização e da publicidade do estudo prévio de impacto ambiental para a instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente (Art. 225, § 1º, IV, CF/88). Dada a necessidade de aprofundamento em tema de tal relevância e atualidade, é que se faz mister o desenvolvimento de estudos que abordem de forma detalhada o tema, como forma de buscar um maior entendimento sobre o tema, dando assim uma contribuição substancial ao estado da arte do Direito [...]

6. METODOLOGIA

Nesta parte devem ser descritos os procedimentos metodológicos do estudo, assim como o conjunto de técnicas de pesquisa a serem utilizados (Como fazer). Os procedimentos metodológicos respondem: Como? Com quê? Onde? A metodologia da pesquisa num planejamento deve ser entendida como o conjunto detalhado e sequencial de métodos e técnicas científicas a serem executados ao longo da pesquisa, de tal modo que se consiga atingir os objetivos inicialmente propostos e, ao mesmo tempo, atender aos critérios de menor custo, maior rapidez, maior eficácia e mais confiabilidade de informação (BARRETO; HONORATO, 1998). Segundo Ventura (2002, p.76-77), é diversa as classificações da metodologia no meio acadêmico especializado. A Metodologia é a explicação minuciosa, detalhada, rigorosa e exata de toda ação desenvolvida no método (caminho, plano de ação) do trabalho de pesquisa. É a explicação do tipo de pesquisa, do instrumental utilizado (questionário, entrevista etc.), do tempo previsto, da equipe de pesquisadores e da divisão do trabalho, das formas de tabulação e tratamento dos dados, enfim, de tudo aquilo que se utilizou no trabalho de pesquisa. Nesta parte do projeto o pesquisador deverá demonstrar como irá testar a veracidade de sua hipótese de trabalho. Para tanto deverá estabelecer um marco teórico e definir se sua estratégia de pesquisa será dogmática ou empírica.

6.1 REVISÃO DE LITERATURA

Denominada no Curso de Direito como ordem do relato. O que já foi escrito sobre o tema. Esta parte fundamenta a pesquisa, é à base de sustentação teórica. Também, pode ser chamada de revisão bibliográfica, revisão teórica, fundamentação bibliográfica, etc. Para Silva e Menezes (2001, p.30), nesta fase o pesquisador deverá responder às seguintes questões:

- quem já escreveu e o que já foi publicado sobre o assunto? - Que aspectos já foram abordados? - Quais as lacunas existentes na literatura? Pode ser uma revisão teórica, empírica ou histórica.

A revisão de literatura é importantíssima porque favorecerá a definição de contornos mais precisos da problemática a ser estudada. De acordo com Barreto e Honorato (1998), considera-se como básica em um Projeto de Pesquisa uma reflexão breve acerca dos fundamentos teóricos do pesquisador e um balanço crítico da bibliografia diretamente relacionada com a pesquisa, compondo aquilo que comumente é chamado de quadro teórico ou balanço atual das artes. Neste item o pesquisador deve apresentar ao leitor as teorias principais que se relacionam com o tema da pesquisa. Cabe à revisão da literatura, a definição de termos e de conceitos essenciais para o trabalho. O que se diz sobre o tema na atualidade, qual o enfoque que está recebendo hoje, quais lacunas ainda existe etc. Nesta fase do projeto, não há necessidade de o pesquisador/a ter acesso físico às obras ou adquiri-las. Deverá, no entanto, ter as referências completas das obras que futuramente poderá consultar devidamente formatadas no padrão ABNT. Atualmente, é indispensável à consulta através da Internet, às bibliotecas das principais Faculdades de Direito do Brasil, bem como à base de dados da Biblioteca do Senado Federal. A revisão de literatura é a localização e obtenção de documentos para avaliar a disponibilidade de material que subsidiará o tema do trabalho de pesquisa. Este levantamento é realizado junto às bibliotecas ou serviços de informações existentes. Sugestões para o levantamento de literatura: Determine com antecedência que bibliotecas, agências governamentais ou particulares, instituições, indivíduos ou acervos deverão ser procurados. Esteja preparado para copiar os documentos, seja através de xerox, fotografias ou outro meio qualquer. Separe os documentos recolhidos de acordo com os critérios de sua pesquisa.

A revisão de literatura pode ser determinada em dois níveis: 1) Nível geral do tema a ser tratado. Relação de todas as obras ou documentos sobre o assunto. 2) Nível específico a ser tratado. Relação somente das obras ou documentos que contenham dados referentes à especificidade do tema a ser tratado.

6.2 TIPO DE PESQUISA

Segundo Gil (2002), uma pesquisa, tendo em vista seus objetivos, pode ser classificada da seguinte forma:

a)

PESQUISA

EXPLORATÓRIA:

Esta

pesquisa

tem

como

objetivo

proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito. Pode envolver levantamento bibliográfico, entrevistas com pessoas experientes no problema pesquisado. Geralmente, assume a forma de pesquisa bibliográfica e estudo de caso.

b) PESQUISA DESCRITIVA: Tem como objetivo primordial a descrição das características de determinadas populações ou fenômenos. Uma de suas características está na utilização de técnicas padronizadas de coleta de dados, tais como o questionário e a observação sistemática. Destacam-se também na pesquisa descritiva aquelas que visam descrever características de grupos (idade, sexo, procedência etc.), como também a descrição de um processo numa organização, o estudo do nível de atendimento de entidades, levantamento de opiniões, atitudes e crenças de uma população, etc. Também são pesquisas descritivas aqueles que visam descobrir a existência de associações entre variáveis, como, por exemplo, as pesquisas eleitorais que indicam a relação entre o candidato e a escolaridade dos eleitores.

c) PESQUISA EXPLICATIVA: A preocupação central é identificar os fatores que determinam ou que contribuem para a ocorrência dos fenômenos. É o tipo

que mais aprofunda o conhecimento da realidade, porque explica a razão, o porquê das coisas. Por isso, é o tipo mais complexo e delicado.

DISCUTINDO SOBRE PESQUISA: A Pesquisa jurídico-teórica é uma estratégia de pesquisa que tem por objeto a análise da norma jurídica isolada do contexto social em que se manifesta. Esta concepção baseia-se na análise do dogma jurídico, que é um ponto fundamental apresentado como certo e indiscutível, cuja verdade se espera que as pessoas aceitem sem questionar: a lei, a jurisprudência, os costumes, os princípios gerais do direito, etc. O Direito deverá ser pesquisado enquanto ciência pura e, portanto, isolado dos elementos sociais que se relacionem com o problema pesquisado. O único objeto válido para este tipo de pesquisa jurídica é o dogma, daí porque a pesquisa teórica pode muito bem ser denominada de dogmática. A solução do problema não é buscada no mundo fático, mas é concebida na mente do pesquisador a partir da análise dos dogmas jurídicos no tempo (História do Direito) e no espaço (Direito Comparado). A pesquisa jurídico teórica, é uma pesquisa de gabinete, mas o pesquisador crítico deve, pois, evitar uma análise exclusiva dos dogmas jurídicos, procurando as respostas do seu problema não só na lei, na doutrina ou na jurisprudência, mas principalmente na realidade social onde está inserido seu objeto de estudo.

PESQUISA EMPÍRICA: É uma estratégia de pesquisa que tem por objeto a análise da norma jurídica no contexto da realidade social em que se manifesta. Por esta concepção, deverá o pesquisador analisar uma série de fatores econômicos, políticos e sociais e a partir destas constatações empíricas e estabelecer a solução do problema pesquisado. Parte-se do "ser" para se alcançar o "dever ser"; do "real" para o "ideal"; por isto, é uma concepção realista de pesquisa jurídica. A observação direta (espontânea ou dirigida), a coleta e análise de documentos, de legislações, jurisprudência etc. A aplicação de questionários (abertos ou fechados) e as entrevistas (espontâneas ou dirigidas), são alguns dos principais procedimentos da pesquisa jurídica empírica. Nem sempre,

porém, é possível obter os dados de forma direta5, através dos procedimentos acima. Assim, na pesquisa empírica, poderá o pesquisador valer-se de dados obtidos indiretamente que podem ser encontrados em livros, em artigos de periódicos e em todo e qualquer material bibliográfico impresso ou informático. Ainda que o ideal (até por uma questão de confiabilidade dos dados) seja obter os dados diretamente, vale lembrar que o pesquisador empírico não necessita obrigatoriamente de realizar trabalhos de campo, pois muitos dos dados da realidade social, política e econômica de seu problema podem perfeitamente, ser encontrados, em material bibliográfico das mais diversas fontes. O que caracteriza a pesquisa empírica não é a coleta dos dados, mas sim a postura do pesquisador em relação ao objeto da pesquisa: enquanto na pesquisa teórica a solução do problema encontra-se no dogma, na pesquisa empírica deverá o pesquisador buscá-la na realidade social.

6.3 PROCEDIMENTOS TÉCNICOS

Segundo Gil (2002), uma pesquisa, quanto aos seus procedimentos técnicos, pode ser classificada da seguinte forma:

a) PESQUISA BIBLIOGRÁFICA: é desenvolvida com base em material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos. Não é aconselhável que textos retirados da Internet constituam o arcabouço teórico do trabalho monográfico.

b) PESQUISA DOCUMENTAL: É muito parecida com a bibliográfica. A diferença está na natureza das fontes, pois esta forma vale-se de materiais que não receberam ainda um tratamento analítico, ou que ainda podem ser reelaborados de acordo com os objetos da pesquisa. Além de analisar os
5

Como qualquer outro tipo de pesquisa, a de campo parte do levantamento bibliográfico. Exige também a determinação das técnicas de coleta de dados mais apropriadas à natureza do tema e, ainda, a definição das técnicas que serão empregadas para o registro e análise. Dependendo das técnicas de coleta, análise e interpretação dos dados, a pesquisa de campo poderá ser classificada como de abordagem predominantemente quantitativa ou qualitativa. Numa pesquisa em que a abordagem é basicamente quantitativa, o pesquisador se limita à descrição factual deste ou daquele evento, ignorando a complexidade da realidade social.

documentos de “primeira mão” (documentos de arquivos, igrejas, sindicatos, instituições etc.), existem também aqueles que já foram processados, mas podem receber outras interpretações, como relatórios de empresas, tabelas etc.

c) PESQUISA EXPERIMENTAL: quando se determina um objeto de estudo, seleciona-se as variáveis que seriam capazes de influenciá-lo, define-se as formas de controle e de observação dos efeitos que a variável produz no objeto.

d) LEVANTAMENTO: é a interrogação direta das pessoas cujo comportamento se deseja conhecer. Procede-se à solicitação de informações a um grupo significativo de pessoas acerca do problema estudado para, em seguida, mediante análise quantitativa, obterem-se as conclusões correspondentes aos dados coletados. Quanto o levantamento recolhe informações de todos os integrantes do universo pesquisado, tem-se um censo.

e) ESTUDO DE CAMPO: procura o aprofundamento de uma realidade específica. É basicamente realizada por meio da observação direta das atividades do grupo estudado e de entrevistas com informantes para captar as explicações e interpretações do ocorre naquela realidade. Para Ventura (2002, p. 79), a pesquisa de campo deve merecer grande atenção, pois devem ser indicados os critérios de escolha da amostragem (das pessoas que serão escolhidas como exemplares de certa situação), a forma pela qual serão coletados os dados e os critérios de análise dos dados obtidos.

f) ESTUDO DE CASO: consiste no estudo profundo e exaustivo de um ou poucos objetos, de maneira que permita seu amplo e detalhado conhecimento. Caracterizado por ser um estudo intensivo. É levada em consideração, principalmente, a compreensão, como um todo, do assunto investigado. Todos os aspectos do caso são investigados. Quando o estudo é intensivo podem até aparecer relações que de outra forma não seriam descobertas (FACHIN, 2001, p. 42).

g) PESQUISA-AÇÃO: um tipo de pesquisa com base empírica que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo e no qual os pesquisadores e participantes representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo (THIOLLENT, 1986, p.14).

7. CRONOGRAMA DE ATIVIDADES

Apresentação das atividades a serem desenvolvidas. (Demarcação do tempo da pesquisa do projeto até a entrega da monografia finalizada). Cronograma é a previsão de tempo que será gasto na realização do trabalho de acordo com as atividades a serem cumpridas. As atividades e os períodos serão definidos a partir das características de cada pesquisa e dos critérios determinados pelo autor do trabalho. Os períodos podem estar divididos em dias, semanas, quinzenas, meses, bimestres, trimestres etc. Estes serão determinados a partir dos critérios de tempo adotados por cada pesquisador. Como já foi dito anteriormente, nenhuma pesquisa pode prolongar-se indefinidamente no tempo. Assim, necessário é que o pesquisador estabeleça um cronograma no qual especificará quanto tempo levará na realização de cada etapa de sua pesquisa. Em geral este cronograma é apresentado através de uma tabela na qual as colunas representam os meses em que será realizada a pesquisa e as linhas, as tarefas a serem concluídas. Dentre outros itens, deverão constar no cronograma: levantamento bibliográfico, observações, entrevistas, transcrição das entrevistas, análise das entrevistas, leitura do material bibliográfico, cruzamento de dados, redação preliminar do texto, discussão do texto preliminar com o orientador, redação final do texto, revisão e edição final e defesa.

Segue, na outra página, um exemplo de Cronograma de Atividades:

ANO MÊS ATIVIDADES Contatos com o Orientador Pesquisa bibliográfica Fichários bibliográficos e de leitura Elaboração do plano definitivo Revisão geral da documentação Redação definitiva – Digitação Revisão de manuscrito Correções Revisão da parte referencial Contato final/ alterações Digitação final Entrega da Monografia Defesa da Monografia

Fev

Mar

2013 Abr

Mai

Jun

X X X

X X X X X

X

X

X

X X X X X X X X X X X

ATENÇÃO: Se o pesquisar utilizar parte de texto de livro ou internet igual está no texto original deverá fazer citação direta com a respectiva referenciação (autor data ou nota de rodapé) e mencionar a obra nas referências; Se o pesquisador ler algum livro ou texto da internet, resumir, mudar algumas palavras do autor original, ou mesmo seguir um encadeamento lógico de ideias do autor original, deverá fazer citação indireta; Se o pesquisar utilizar uma citação constante em um livro ou texto da internet deverá fazer citação da citação;

8. ESTRUTURA BÁSICA DO DESENVOLVIMENTO DA MONOGRAFIA

Quando abrimos qualquer trabalho monográfico, seja de graduação, seja de pós-graduação, ou mesmo quando viramos a capa de qualquer livro jurídico, a primeira coisa que encontramos é o índice ou sumário. O sumário tem como função indicar ao leitor as principais divisões do texto: partes, capítulos, itens, subitens, parágrafos etc. Como o sumário depende necessariamente do texto estar pronto e acabado – digitado do começo ao fim -, ele tem de ser feito ao final, após a estudante ter escrito a introdução. Todavia, a utilização de um “sumário prévio”, isto é, a feitura de um sumário antes da redação do texto, antes mesmo do início da própria pesquisa bibliográfica, é de grande utilidade para a realização do trabalho monográfico. Esse sumário antecipado tem uma função específica. Ele funcionará como a espinha dorsal inicial (que se alterará) do corpo a ser construído. Este esqueleto é, na verdade, um guia de orientação para o investigador, funcionando como um roteiro do caminho a ser seguido. Não esqueçam, é provisório, mas deve apresentar características que apontarão uma pretensão de tornar-se definitivo. Sua organização deve ser séria a ponto de parecer definitivo. Certamente ele se alterará no decurso da investigação. Aliás, essa é uma de suas funções subsidiárias: permitir-se ser modificado. A elaboração do esqueleto é um item importante para a realização da monografia. Vejamos como fazê-lo. Escolhido o tema, o aluno terá um mínimo de conhecimento sobre a matéria que o tema versa, pois terá cumprido as metas fixadas para sua determinação vista nas aulas anteriores. Para determinação do tema, vocês fizeram uma pesquisa prévia em livros ou se guiaram apenas pelo conhecimento que adquiriu durante o curso de direito que vocês estão terminando. Sendo assim, uma alternativa válida para a determinação da composição do esqueleto é vocês guiar-se pelo sumário dos livros consultados. Com base nas indicações dos outros livros – capítulos, itens, subitens, parágrafos -, vocês montarão o seu próprio sumário. Claro que vocês terão de usarem a imaginação. Mas façam com seriedade. Tem de conjecturar como é

que deveria ser a sequência do trabalho, capítulo por capítulo. Façam e refaçam o esqueleto provisório até se convencer de que encontrou o ideal. Esse esqueleto será seu guia para tudo: pesquisa bibliográfica, leitura de textos e, principalmente, redação do texto da monografia. Será nesse momento que vocês perceberão sua importância. A escritura organizada será feita inicialmente a partir do esqueleto, o que lhes darão várias alternativas para a elaboração do texto, com amplo controle do conteúdo. Vocês procurarão desenvolverem a redação da monografia na mesma ordem do esqueleto, com as seguintes variáveis, dentre outras:

1) Poderão, já antes de iniciar a redação, alterar a própria indicação dos temas do esqueleto em função das pesquisas e leituras empreendidas; 2) Poderão, caso se sintam inspirados ou mais preparados para tal, escreverem antes um capítulo que aparece depois na ordem do esqueleto; 3) Poderão já irem fazendo remissões aos capítulos posteriores enquanto escrevem os anteriores, já que o esqueleto propiciará um panorama geral da monografia; 4) Poderão mudar nomes dos temas, criarem capítulos novos, suprimir itens etc., no exato momento em que isso se mostrar necessário, como reflexo do texto que está sendo escrito e; 5) Poderão intercalar capítulos ou fundi-los, também, assim que o texto apontar ser necessário.

Vejamos, a seguir, um exemplo do funcionamento do esqueleto provisório. O tema escolhido foi O TRATADO INTERNACIONAL EM FACE DA CONSTITITUIÇÃO FEDERAL. Compulsando uma monografia ou alguma obra publicada, vocês poderão elaborar o seguinte esqueleto:

1. INTRODUÇÃO

2. DEFINIÇÃO DE TRATADO INTERNACIONAL.

3. CLASSIFICAÇÃO DOS TRATADOS. 3.1 Quanto ao Número de Partes. 3.1.1 Tratado bilateral. 3.1.2 Tratado multilateral. 3.2 Quanto ao Procedimento. 3.2.1 Procedimento breve. 3.2.2 Acordo executivo. 3.3 Quanto à Natureza das Normas. 3.3.1 Tratado contratuais. 3.3.2 Tratados normativos.

4. PARTE CONTRATANTE SEGUNDO A CONSTITUIÇÃO FEDERAL. 4.1 República. 4.2 Federação. 4.3 Parte Contratante nas Constituições Anteriores. 4.4 O Presidente da República.

5. INCORPORAÇÃO DO TRATADO PELO ORDENAMENTO JURÍDICO INTERNO 5.1 A Retificação. 5.2 O Decreto Legislativo. 5.3 O Decreto. 5.4 A Publicidade Oficial no Brasil.

6. CONFLITO ENTRE TRATADOS E NORMAS INTERNAS

7. TRATADOS INTERNACIONAIS E O ARTIGO 5º DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL 8. A QUESTÃO DA ACEITAÇÃO DOS TRATADOS 8.1 As Reservas. 8.2 As Emendas.

Através deste exemplo, deu para perceber como a Estrutura Básica do Desenvolvimento da Monografia é importante e útil na construção do próprio texto da monografia.

9. REFERÊNCIAS

Relação das obras utilizadas para fundamentar a apreciação crítica. Aspectos que devem ser observados:

• Neste tópico o autor irá citar as obras utilizadas para a fundamentação do problema de pesquisa. • Só devem constar nas referências as obras que foram utilizadas nas citações ao longo da resenha. • As obras utilizadas apenas como consulta não devem ser incluídas nas referências. • Devem estar de acordo com a normalização da ABNT e elencadas em ordem alfabética. Exemplos:

ALEXY, Robert. Teoria de los Derechos Fundamentales. Madrid: Centro de Estudos Políticos e Constitucionais, 2002.

ALMEIDA, Gregório Assagra; PARISE, Elaine Martins. Priorização da atuação preventiva pelo Ministério Público. Disponível em: <

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ARENDT, Hannah. Condição Humana. 9.ed. Rio de Janeiro: Forense universitária, 1999.

________. Crises da República. 2.ed. São Paulo: Perspectiva, 1999.

BARCELLOS, Ana Paula de. A eficácia dos Princípios Constitucionais: O princípio da Dignidade da pessoa humana. Rio de Janeiro: Renovar, 2003.

BARROSO, Luis Roberto. A efetividade das normas constitucionais revisitadas. Revista de Direito Administrativo, Rio de Janeiro. V. 197. jul-set.1994.

BIGOLIN, Giovani. A reserva do possível como limite à eficácia e efetividade dos direitos sociais. Revista de doutrina da 4ª Região. Disponível em < www.revistadoutrina.trf4.gov.br/artigos/constitucional/giovani_bigolin.htm Acesso em 12 dez. 2004. > .

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BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Deferimento petição nº2836/RJ. Municipio do Rio de Janeiro e Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Relator: Carlos Velloso. 27 nov. 1993. Disponível em < www.stj.gov.br > . Acesso em: 12 dez. 2004. BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Indeferimento de Habeas Corpus. HC no 82.424/RS. Siegfried Ellwanger e Superior Tribunal Federal.Relator: Ministro Moreira Alves. 17 set. 2003. Disponível em: < http://www.stf.gov.br > . Acesso em: 12 dez. 2005.

CAVALLARO, James Louis; POGREBISNSCHI, Thamy. Rumo à exigibilidade internacional dos direitos econômicos, sociais e culturais nas Américas: O desenvolvimento da jurisprudência do sistema interamericano. In : PIOVESAN, Flávia (Org.). Direitos Humanos, globalização econômica e integração regional. São Paulo: Max Limonad, 2002.

COMPARATO, Fabio Konder. O ministério Público na defesa dos direitos Econômicos, sociais e Culturais. Revista da Faculdade de Direito da

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GOES, Maria Amélia Sampato. O Direito à Educação de crianças e adolescentes, as políticas públicas e a dimensão pedagógica do Ministério Público. Revista Jurídica, Florianópolis, v.2, p. 81-85. HERKENHOFF, João Baptista. Juizes e Direitos Humanos. A Gazeta, Vitória, p. 5, 15 mar. 2006. MENDES, Gilmar Ferreira. Teoria da Legislação e Controle de

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PEREZ LUÑO, Antônio E. Los Derechos Fundamentales. 7. ed., Madrid : Tecnos, 1998.

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