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Moção de Recusa de Entrega de Objectivos Individuais

Os professores do Agrupamento de Escolas José Saraiva preocupados com a intenção


de o M.E. pretender impor pela força e pelas ameaças, o que não consegue
implementar por falta de razão e de ética, reuniram em reunião geral no dia 13 de
Janeiro de 2009 para fazerem o ponto da situação - nomeadamente analisar as
alterações introduzidas pelo Decreto Regulamentar Nº1-A/2009 de 5 de Janeiro - e
tomar uma posição conjunta em relação a mais uma alteração do modelo de Avaliação
do Desempenho de Docentes.

Consideram que:

As alterações pontuais que foram introduzidas no modelo de avaliação pelo Decreto


Regulamentar nº1-A/2009 de 5 de Janeiro não alteraram a filosofia e os princípios
que lhe estão subjacentes. O modelo é o mesmo e só não seria aplicado na sua
totalidade, neste final de ano lectivo.

Continua a não ter carácter formativo, a não promover a melhoria das práticas; o
seu objectivo central continua a ser a seriação dos professores para efeitos de
gestão de carreira, melhor dizendo, para controlo da progressão na carreira.

As alterações produzidas mantêm os aspectos mais graves de todo o processo:

- basear-se na divisão arbitrária de uma carreira em duas categorias distintas,


sendo que estas categorias têm a mesma competência principal - ser professor;

- a criação de um quadro de professores titulares (dito quadro de excelência) à


força e à pressa, que não premiou nada nem ninguém, antes contemplou alguns num
“sorteio” de carácter exclusivamente administrativo, deixando de fora muitos,
nalguns casos, professores responsáveis pelo êxito pedagógico das escolas;

- a dependência da excelência de cotas preestabelecidas. A excelência não depende


de vagas. A excelência depende de capacidades, de trabalho e de empenho. As cotas
poderão ser indispensáveis para controlo da progressão na carreira mas não é delas
que depende a excelência.

As cotas, que se mantêm neste Decreto Regulamentar aplicadas a universos tão


pequenos, facilmente atingem um inaceitável grau de injustiça.

Outras alterações, como as que têm a ver com as classificações dos alunos e o
abandono escolar, são meramente conjunturais, tendo sido afirmado que esses
aspectos serão posteriormente retomados para efeitos de avaliação.

Este modelo simplificado revela-se um conjunto de emendas sobre emendas pouco


transparentes, que nos sugere diversas dúvidas.

Além de tudo o acima registado as alterações sucessivas do Modelo de Avaliação


inicial são, por si só, o reconhecimento da sua inadequação e da sua
inaplicabilidade sendo que muitas das medidas anunciadas avulso são elas próprias
embrião de novas contradições.

Pelo exposto os professores presentes na Reunião Geral tomaram a seguinte posição


colectiva:

1) Manifestar repúdio pelo “simplex2″ (Decreto Regulamentar Nº1-A/2009 de 5 de


Janeiro) que só introduz alterações temporárias e não elimina as injustiças do
modelo original que será reactivado no próximo ano lectivo.
2) Manifestar-se pela recusa de entrega dos objectivos individuais enquanto forma
de repúdio do actual modelo de avaliação.

Leiria, 13 de Janeiro de 09