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Sindrome Da Rainha Vermelha

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Published by: Toni Angeli Corrales on Sep 30, 2012
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Marcos Rolim, por sua vez, destaca que diante do crime, a mídia é sensacionalista e, não por acaso, notícias

sobre o crime costumam ter um destaque muito maior em jornais pouco ou nada sérios. “Embora o número de negros seja muito mais comum, esses casos aparecem com menos freqüência na mídia. Brancos assassinados merecem mais atenção e assim como homicídios de pessoas de classe média, ricas. Os assassinatos de mulheres e crianças sempre são tratados com muito mais destaque que o de homens adultos... Os homicídios, tipo de crime mais noticiado em todo mundo, são eventos exepcionais se comparados com as demais condutas tipificadas na legislação. Os perfis das vítimas também aparecem de forma socialmente distorcida”. Os esforços policiais, mesmo quando desenvolvidos em sua intensidade máxima, costumam redundar em lugar nenhum, e o cotidiano de uma intervenção que se faz presente apenas e tão somente quando o crime já ocorreu (...) (ROLIM, 2006, p. 37).

Os motivos não são apenas humanitários, mas também econômicos. Análises de custo-benefício demonstram que o investimento em prevenção do crime é economicamente produtivo. Em um dos estudos mais famosos, “The Perry Project”, foi comprovado que para cada dólar investido em prevenção ao crime, a sociedade economizaria 7 dólares a longo prazo. Na Holanda, por seu turno, pesquisas realizadas indicam que entre os cenários possíveis para se alcançar uma redução de 10% nas taxas de criminalidade, investimentos de caráter preventivo em desenvolvimento social seriam muito mais efetivos do que aumentar o policiamento com a contratação de mil novos policiais. 13 3 ROLIM, Marcos. A Síndrome da Rainha Vermelha: policiamento e segurança pública no século XXI. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. 2006, p. 108/110.

Por exemplo. em seu livro “A Síndrome da Rainha Vermelha”. algumas conclusões. o que vem sendo demonstrado por inúmeros programas de sucesso. O foco. A prevenção da criminalidade focada no risco é uma idéia importada da medicina e da saúde coletiva por vários trabalhos 17 . por exemplo). incluindo as penas de prisão. ou seja. mecanismos mais severos de responsabilização criminal. terminarão tendo resultados criminógenos. pesquisas estatísticas permitem.mas o que efetivamente funciona. Segundo Marcos Rolim. Por seu turno. quanto mais cedo um jovem deixar a escola.quando se examina fatores de risco. não irão contribuir para a redução do crime. p. faz algumas análises sobre as políticas de prevenção associadas a fatores de risco. esses mecanismos não surtirão qualquer efeito e. é necessário afastar tentações deterministas no sentido de “se tivermos a situação A. maus-tratos na infância. Aliás.podem construir respostas desencorajadoras e eficientes para prevenir a ocorrência de crimes. encorajando-a ou coibindo-a. abuso sexual e negligência parental parecem possuir relação quase lógica com a prática de futuros atos violentos.desde o início. desse modo. -Apesar disso.mas para o seu agravamento. É a interação de vários fatores e seu efeitos cumultativos que constituem a base do problema. certamente. Também é importante. na maioria das vezes.Políticas de Prevenção Associadas a Fatores de Risco Marcos Rolim.começar a usar drogas e praticar atos ilícitos. a prevenção em saúde pública e educação mantêm uma larga relação com a prevenção na área de segurança. com certo grau de segurança. antes de tudo. saber que nenhum fator de risco de maneira isolada é o responsável pelo aumento significativo das taxas de atos violentos (a miséria. Muitos eventos ao longo da vida podem influenciar uma carreira criminal. Em outras situações. em algumas situações específicas. não deve ser o rótulo das políticas criminais. 15 p. teremos o resultado B”. maiores as possibilidades de se transformar em um infrator múltiplo. 111 . Segundo o autor. 114.

No mais. até mesmo pela necessidade de otimizar a aplicação de recursos públicos. especialista na área. mas não estamos saindo do lugar". A primeira. insuficientes para impedi-lo. mas prolongam-se para as gerações futuras. diversas abordagens de caráter preventivo têm o mérito de propiciar resultados não apenas aos indivíduos diretamente afetados.-Há nações com leis severas e elevada taxa de criminalidade e países com leis moderadas e crimes sob controle. são. devendo o investimento em segurança pública privilegiar estratégias coordenadas de prevenção. embora exerçam papel fundamental na contenção do crime. "Síndrome da Rainha Vermelha" . Ou seja. .O crime não possui uma única causa e tampouco solução única. "estamos [as polícias] correndo. . as instituições de segurança sofrem com duas síndromes. Extirpar mitos como aqueles de que “nada funciona” ou de que apenas e a polícia e a justiça devem tratar da criminalidade é fazer valer o artigo 144 da Constituição Federal segundo o qual a segurança pública é responsabilidade de todos. sendo inegável que a lei penal e a polícia. -Para o coronel. por si só.uma referência ao livro de Marcos Rolim.

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