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TRANSMISSÃO DAS OBRIGAÇÕES

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TRANSMISSÃO DAS OBRIGAÇÕES: cessão de crédito, cessão de débito, cessão de contrato

Ada Bittar Mônica A. R. L. Gonzaga Regina Curcio Silvio Reis de A. Magalhães•

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÂO..................................................................................................................2 2 CESSÃO..............................................................................................................................3 2.1 CESSÃO DE CRÉDITO.................................................................................................3 2.2 CESSÃO DE DÉBITO OU ASSUNÇÃO DE DÍVIDA ................................................5 3 DIFERENÇAS ENTRE CESSÃO DE CRÉDITO E CESSÃO DE DÈBITO...............7 4 CESSÃO DE CONTRATO...............................................................................................8 BIBLIOGRAFIA...................................................................................................................9

Alunos do 3º período do Curso de Direito das Faculdades Integradas Vianna Júnior.

portanto. Os romanos atribuíam um caráter pessoal e corpóreo à responsabilidade do devedor pela prestação. o princípio vigente das relações obrigacionais era o da intransmissibilidade.1 INTRODUÇÃO A transmissibilidade das obrigações. tiveram uma notável e importante mudança conceitual em relação ao Direito Romano. 1 BRASIL. Atualmente. Lei nº 10. Primeiramente analisaremos o conceito de cessão para depois adentrarmos em cada tipo objeto do presente estudo. pode-se dizer categoricamente. fruto da evolução e exigências da sociedade atual que considera credores e devedores substituíveis em suas pessoas enquanto a relação jurídica obrigacional permanece intacta. .406. e de forma oposta a este pensamento romano. seja na cessão de débito (artigos 299 a 303 do Código Civil) ou na cessão de contrato. de 10 de janeiro de 2002. Este trabalho visa analisar os dispositivos pertinentes à questão da transmissibilidade das obrigações. Conceito. a transmissibilidade das obrigações é consagrada no novo Código Civil1 em seus artigos 286 a 303. moderno. Desta forma. seja na cessão de crédito (artigos 286 a 298 do Código Civil).

432). ou também chamada de cessão de crédito e débito.1 CESSÃO DE CRÉDITO Consagrada em nosso Código Civil em seu artigo 286.cessionário. se as partes. é a transferência negocial. se não constar do instrumento da obrigação”. se a isto não se opuser a natureza da obrigação. gratuito ou oneroso. pelo qual o credor de uma obrigação – cedente. a título gratuito ou oneroso. a cláusula proibitiva da cessão não poderá ser oposta ao cessionário de boa-fé. Didaticamente DINIZ (2004:p. Objetivamente. GOMES (1976:p. sua posição na relação . de um dever. a cessão será de débito.2 CESSÃO A cessão. Mister se faz verificar as posições obrigacionais para que se verifique a possibilidade da cessão e a espécie da mesma. de um direito.cedido. existe a possibilidade da transmissão como um todo. com conteúdo predominantemente obrigatório. a lei. consoante DINIZ (2004:p.432) expõe que na possibilidade de transmissão da posição de credor aliado aos requisitos indispensáveis à sua eficácia. transfere.249) explicita que cessão de crédito “é o negócio pelo qual o credor transfere a terceiro sua posição na relação obrigacional”. ou a convenção com o devedor. de uma ação ou de um complexo de direitos. no todo ou em parte. independentemente do consentimento do devedor . a terceiro . deveres e bens. de modo que o cessionário (adquirente) exerça posição jurídica idêntica à do cedente. nos contratos onde constam direitos e deveres recíprocos. que assim dispõe: “O credor pode ceder o seu crédito. se houver suscetibilidade de transmissão da posição de devedor juntamente com as condições sine qua non para sua validade. A cessão de crédito é um negócio jurídico bilateral. caso em que se daria a cessão de contrato. ter-se-á a cessão de crédito. 2.

juros. legal ou judicial. o cedente fará a transferência da totalidade do crédito. Nosso Código Civil é omisso em relação à cessão parcial. Dessa forma. Na cessão gratuita. A cessão de crédito poderá ser gratuita ou onerosa. A cessão que decorre de livre e espontânea declaração da vontade entre cedente e cessionário. Nosso Código Civil consagra em seu artigo 104 que para que um negócio jurídico tenha validade necessário será a capacidade do agente. sem que se opere a extinção do vínculo obrigacional. transferido estará. Porém. Em relação à cessão total. nas obrigações genéricas e alternativas. garantias (reais ou pessoais). cedido um determinado crédito. possibilidade. A cessão judicial. uma vez que a mesma é um negócio jurídico. discorre com muita propriedade DINIZ (2004:p. de 31. citado por SARAIVA (2005:p.Monteiro mencionado por SARAIVA (2005:p. enquanto que na cessão onerosa há exigência da contra-prestação.1973. em seu artigo 129. determina a substituição do credor. através de contrato é a denominada cessão convencional. consagra a necessidade do registro particular dos instrumentos de cessão de direitos e créditos no Registro de Títulos e Documentos. a cessão de crédito.015. imprescindivelmente.Monteiro.B. para ter eficácia contra terceiros depende de redução a escrito. segundo Antônio de Paulo (2005). total ou parcial. conforme W. salvo disposição em contrário. pro soluto ou pro solvendo. portanto.9.108). transferido estará o direito de escolha. Já a cessão legal é resultante de lei que. W. n. a licitude.obrigacional. convencional.433). para o cessionário cláusula penal. forma prescrita ou não defesa em lei. quando o .12. necessitará. dos requisitos mencionados. independentemente de qualquer declaração de vontade. se faz em juízo. com todos os acessórios e garantias.B. Vale ressaltar que a Lei nº 6. não havendo disposição em contrário.107). determinação ou possibilidade de determinação do objeto. aborda que à luz do artigo 287 do Código Civil. não significando sua inadmissibilidade. o cedente não exige uma contra-prestação do cessionário. para ter validade.

Na cessão de crédito. devido à responsabilidade por ter cedido o crédito ao segundo. Efeitos diversos são produzidos pela cessão de crédito. de acordo com sua conveniência. quando houver quitação plena de débito do cedente para o cessionário.crédito ou direito já está sendo demandado. O cessionário de crédito hipotecário.79). Já os efeitos relativos ao devedor serão vinculados obrigatoriamente em relação ao período pré ou pós notificação. nesta situação. Como não recebeu a notificação. discorre o autor que seria a autorização dada ao credor para que cobre crédito ao devedor. como meio de se evitar o pagamento efetuado indevidamente. e. o primeiro assumirá uma obrigação de garantia. o devedor poderá pagar válida e legitimamente ao credor originário. operando-se transferência do crédito. segundo os termos do contrato. sobretudo e principalmente. ressalvar seu direito de oponibilidade ao ser notificado da cessão. O cedente transfere seu crédito com a intenção de extinguir imediatamente uma obrigação preexistente. o devedor poderá exonerar-se da obrigação. Poderá também. a fim de que o receba. o devedor.439) para efeitos assecuratórios dos direitos transferidos pela cessão.445) menciona que entre o cedente e o cessionário. tanto entre as partes contratantes quanto relacionado ao devedor. DINIZ (2004:p.2 CESSÃO DE DÉBITO OU ASSUNÇÃO DE DÍVIDA Nosso Código Civil. Caso em que seu silêncio equivalerá à anuência com a tratativa. A cessão pro solvendo. segundo DINIZ (2004:p. mesmo na fase de execução. que inclui a exoneração do cedente. Esta notificação feita ao devedor é importante. liberando-se dela independentemente do resgate da obrigação cedida. no caput do artigo 299 e em seu parágrafo único estatui: . é como se a cessão não existisse. que por sua vez assume todos os direitos do credor a quem substituiu. consoante Antônio de Paulo (2005:p. poderá averbar a cessão à margem do registro de imóvel. antes da notificação. ou quando em inventário pendente Ter-se-á cessão pro soluto. 2.

ficando exonerado o devedor primitivo.244). pelo qual o devedor. explicita Mário Luiz Delgado Régis (2002:p. com anuência expressa do credor. Necessário citar os pressupostos para a validade da cessão de débito. poderá ser efetuada por expromissão. segundo nossos doutrinadores. salvo se aquele.452). expostos por DINIZ (2005:p. ao tempo da assunção. com o consentimento expresso do credor. responsabilizando-se pela dívida. uma vez que a pessoa do devedor é de suma importância para ele em virtude da dependência do cumprimento da obrigação à solvência e idoneidade patrimonial do devedor. transfere a um terceiro os encargos obrigacionais. Necessário se faz elencar os passos e efeitos produzidos pela expromissão: o credor procura o terceiro (assuntor) liberando o devedor primitivo e subsistindo o vínculo obrigacional. ocorre a cessação dos privilégios e garantias . a observância dos requisitos atinentes aos negócios jurídicos . através de um contrato entre o credor e o terceiro que assume o pólo passivo da relação jurídica obrigacional. ou seja. inalterado” (DINIZ. portanto. que subsiste com todos os seus acessórios. A assunção. A denominação assunção de dívida vem do direito alemão (Die Schuldübernahme). por uma sucessão a título singular do pólo passivo da obrigação. “Cessão de Débito ou Assunção de Dívida (Die Schuldübernahme) é um negócio jurídico bilateral. de modo que este assume a sua posição na relação obrigacional. era insolvente e o credor o ignorava.“É facultado a terceiro a assumir a obrigação do devedor.447). há a transferência do débito a terceiro. Parágrafo único: Qualquer das partes pode assinar prazo ao credor para que consinta na assunção da dívida. quais sejam. a existência e validade da obrigação transferida. interpretandose o seu silêncio como recusa”. substituindo-o. 2004:p. sucedendo o devedor principal. O débito originário permanecerá. que se investirá na conditio debitoris. a substituição do devedor com permanência na substância do vínculo obrigacional e a concordância do credor. permanecendo inalterado o débito anterior.

sem que ocorra a liberação do devedor primitivo. com todas as suas garantias. restauração da dívida. podem ainda surtir efeitos liberatórios ou cumulativos. verifica-se a assunção liberatória. Quando ocorre a liberação do devedor primitivo. Outra forma também que poderá ser efetuada a assunção de dívida é pela delegação. possibilidade de o adquirente do imóvel hipotecado tomar a seu cargo o pagamento do crédito garantido. . o qual ainda permanece na relação. As duas modalidades.. havendo anulação da substituição do devedor. ocorre a assunção cumulativa. caracterizada pelo acordo entre o devedor originário e o terceiro que vai assumir a dívida. cujo requisito para validade consiste na aceitação do credor.245). sobrevivência das garantias reais. Contudo. quando ocorre o ingresso do terceiro no pólo passivo da obrigação. segundo Mário Luiz Delgado Régis (2002:p.pessoais do devedor primitivo. com liame solidário com o novo.

este citado por Denise Cárdia Saraiva. a anuência do devedor. Para a validade da cessão de débito a exigibilidade da concordância do credor é mister para que a efetivação do negócio se consagre. na cessão de crédito.3 DIFERENÇAS ENTRE CESSÃO DE CRÉDITO E CESSÃO DE DÈBITO Convém ressaltar a importante característica da cessão de crédito que a diferencia da cessão de débito em conformidade com a doutrina exposta por Maria Helena Diniz e Silvio Rodrigues. O ônus a que sujeita o devedor não se agrava em virtude de alteração do credor. . A pessoa do devedor é indubitavelmente primordial e de suma relevância para o credor. É absolutamente irrelevante. o qual dependerá da solvência daquele para ter seu crédito satisfeito. motivo pelo qual há a dispensabilidade consagrada de seu assentimento.

considerando o princípio da autonomia negocial e a validade do negócio jurídico (capacidade das partes. possível..95). observância dos requisitos do negócio jurídico. objeto lícito. a cessão de contrato tem existência jurídica. não há que se vedar a cessão do contrato. o contrato é composto de créditos e débitos para as partes que o compõem..e. aquele em que as partes estabelecem obrigações recíprocas. Ora. Exemplos de cessão de contrato podem ser visualizados nos contratos de cessão de locação. de empreitada. anuência do cedido. 2º. transferência ao cessionário dos direitos e deveres do cedente. mas também as obrigações do cedente.454). contrato suscetível de ser cedido globalmente.453). transmitem-se ao cessionário não só os direitos. determinado ou determinável. parágrafo único)”. em sua conceituação descrita por Maria Helena Diniz (2004:p. logo. derivados de contrato bilateral já ultimado. entre outros. dispõe com muita propriedade a respeito da cessão de contrato “a transferência da inteira posição ativa e passiva. . Todavia. consoante DINIZ (2004:p. forma prescrita e não proibido em lei) juntamente com a admissibilidade da cessão de crédito e da cessão de débito. PAULO (2005:p.4 CESSÃO DE CONTRATO A cessão de contrato não está regulamentada no direito brasileiro. Silvio Rodrigues. do conjunto de direitos e obrigações de que é titular uma pessoa. seja qual for a denominação utilizada (lei 8. define contrato como “ Todo e qualquer ajuste entre órgãos ou entidades da administração pública e particulares em que haja um acordo de vontades para a formação de vínculos e a estipulação de obrigações recíprocas. ou seja. de compromisso de compra e venda. Urge ressaltar os requisitos para a cessão de contrato enumerados por DINIZ (2004:p. mas de execução ainda não concluída”.666/93 – Lei de Licitações – art.456): bilateralidade contratual.

Rio de Janeiro: Edições Ilustradas. Direito Civil Ilustrado: parte especial. Pequeno Dicionário Jurídico. São Paulo: Saraiva. Obrigações. Maria Helena. Orlando. 4 ed. 2004. Curso de Direito Civil Brasileiro: teoria geral das obrigações. . PAULO. Denise Cárdia. Ricardo e outros. Antônio de (ed). SARAIVA. FIUZA. GOMES.BIBLIOGRAFIA DINIZ. Rio de Janeiro: DP&A editora. 2º volume. Novo Código Civil Comentado. 19 ed. São Paulo: Saraiva. 2005. 2002. livro I: do direito das obrigações. 2 ed. 1976. 2005. Rio de Janeiro: Forense.

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