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Raio X e US - Veterinária

Raio X e US - Veterinária

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DIAGNÓSTICO POR IMAGEM EM MEDICINA VETERINÁRIA

CARMEN L.B.DE GODOY, M.V. Dra.
Professora Adjunta do Departamento de Clínica de Grandes Animais Curso de Medicina Veterinária Universidade Federal de Santa Maria Santa Maria, RS

LUIZ CARLOS DE PELLEGRINI, M.V.
Professor Adjunto do Departamento de Clínica de Grandes Animais Curso de Medicina Veterinária Universidade Federal de Santa Maria

INGRITH MAZUHY SANTAROSA, M.Sc.
Professora Substituta do Departamento de Clínica de Grandes Animais Curso de Medicina Veterinária Universidade Federal de Santa Maria

GIOVANI KROLIKOWSKI, M.V.
Mestrando em Clínica Veterinária - Diagnóstico por Imagem Programa de Pós-Graduação em Medicina Veterinária Universidade Federal de Santa Maria

D536

Diagnóstico por imagem em medicina veterinária / por Carmen Lice Buchmann de Godoy ... [et al.] – Santa Maria : Ed. da Universidade Federal de Santa Maria, 2007 130 p. : il. (Caderno didático) 1. Medicina veterinária 2. Radiologia 3. Ultra-sonografia 4. Grandes animais 5. Pequenos animais I. Godoy, Carmen Lice Buchmann de II. Pellegrini, Luiz Carlos de III. Santarosa, Ingrith Mazuhy IV. Krolikowski, Giovani V. Série CDU: 619:615.849

Ficha catalográfica elaborada por Luiz Marchiotti Fernandes CRB-10/1160 Biblioteca Setorial do Centro de Ciências Rurais/UFSM

É proibida a cópia ou reprodução deste caderno didático.

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APRESENTAÇÃO

Este caderno didático tem por objetivo proporcionar um guia para o acompanhamento das aulas de Diagnóstico por Imagem, ministradas aos estudantes do Curso de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Santa Maria. Não deve ser usado como única fonte de estudo, uma vez que a literatura existente é rica e ampliará os horizontes do aluno em busca de conhecimento.

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... CAPÍTULO VI: Coração e Grandes Vasos ... CAPÍTULO XII: Radiologia do Aparelho Locomotor ................. CAPÍTULO IV: Sistema Reprodutor .................SUMÁRIO CAPÍTULO I: Introdução à Radiologia .................................... CAPÍTULO V: Sistema Respiratório ................ CAPÍTULO XI: Radiologia da Coluna Vertebral ..................................................... CAPÍTULO IX: Introdução à Radiologia Óssea e Articular ................................ CAPÍTULO III: Sistema Urinário ....................................................................... Suíça............................................... 4 ........................................................................................ CAPÍTULO XVI: Alterações Radiograficamente Visíveis ........................................... 5 11 26 32 36 44 48 51 69 71 77 86 99 99 105 112 CAPÍTULO I INTRODUÇÃO À RADIOLOGIA HISTÓRICO Wilhelm Conrad Roentgen nasceu em 1845 na Alemanha..................................................................... CAPÍTULO VIII: Ultra-sonografia do abdome de pequenos animais ...................................... CAPÍTULO II: Sistema Digestório ................................................................................. Formou-se engenheiro mecânico em Zurich................. onde também obteve grau de doutor em 1869................................... CAPÍTULO VII: Introdução à Ultra-sonografia .... CAPÍTULO X: Radiologia do Crânio .................................. CAPÍTULO XIII: Introdução ao Estudo Radiográfico do Aparelho Locomotor de Eqüinos ................................ CAPÍTULO XIV: Posicionamentos Radiográficos .......................................................... CAPÍTULO XV: Anatomia Radiológica ...........................................

então. Em 28 de setembro de 1895. Foi. constatada pela luminosidade produzida num cartão pintado com substância fluorescente (platino cianeto de bário).1). PRODUÇÃO DOS RAIOS-X Como visto anteriormente. medida em miliamperes (mA). em cujo interior é produzido vácuo. A ampola. porém. desenvolvida por Coolidge uma ampola (fig. esta continuava emanando radiação. para o qual eram atraídos os elétrons. que levou o seu nome. é aquecido. fornecendo determinado número de elétrons que darão origem 5 .Na radioterapia. Esta disciplina se restringirá ao radiodiagnóstico. a impossibilidade de controlar a quantidade e a intensidade da radiação emitida. Existia. a da mão de sua esposa. que alimentado por corrente elétrica produzia elétrons e um ânodo (pólo positivo).1. Figura 1.1.fisica. o qual apresenta uma janela por onde passa o feixe útil da radiação. que ao se chocarem contra o ânodo e contra as paredes do tubo produziam raios-X.Em 1895. a qual é acoplada a comandos que permitem imprimir corrente elétrica adequada aos fatores de exposição a serem empregados em cada caso. os raios-X foram produzidos em ampola de Crookes. pela possibilidade de avaliar estruturas do corpo do indivíduo sem uso de técnicas invasivas como cirurgias exploratórias. Roentgen percebeu que mesmo envolvendo a ampola em papel grosso preto (cartolina).br/ raiosx. quando descobriu os raios-X. Roentgen. é de vidro com invólucro de metal. Numa das extremidades encontra-se o cátodo (potencial negativo) com filamento de tungstênio em espiral que alimentado por corrente de baixa voltagem. contendo gás no interior.Ampola de Crookes.15/09/04) A ampola de Crookes era de vidro. composta por um cátodo (pólo negativo). IMPORTÂNCIA DOS RAIOS-X EM MEDICINA VETERINÁRIA . 1. . fazia experiências com uma ampola de Crookes (fig.ufc. (Fonte: www.2). Roentgen apresentou sua descoberta à Sociedade de Física e Ciências Médicas na Universidade de Würzburg e exibiu a primeira radiografia da história.No radiodiagnóstico. no tratamento de tumores. por exemplo. usado para verificar radiações catódicas. professor do Instituto de Física da Universidade de Würzburg.

1.01Å (angstrom). enquanto a quilovoltagem determina a energia e. fazendo com que os elétrons sejam atraídos pelo ânodo. 6 . produzindo raios-X e calor. colidindo contra o mesmo. a penetração dos raios. produz-se entre os pólos positivo e negativo da ampola uma diferença de potencial. sendo esta relação denominada miliamperes/segundo (mAs). A quantidade de raios-X é diretamente proporcional ao tempo. consequentemente. em geral. dissipando mais facilmente o calor (fig.2). Pelo descrito acima pode-se concluir que a miliamperagem é responsável pela quantidade de radiação produzida. O comprimento de onda dos raios-X variam entre 100 e 0. por ser este bombardeado pelos elétrons em pontos sucessivos. DEFINIÇÃO DE RAIOS-X São ondas eletromagnéticas. Figura 1. semelhantes à luz. Através do circuito de alta voltagem. medida em quilovolts (kV). as mesmas apresentam um sistema de refrigeração.Ampola de ânodo giratório (Fonte: Fundamentos de radiografia – Kodak). diferindo no comprimento de onda (λ). Para absorver o calor nas ampolas de ânodo fixo. Já as ampolas de ânodo giratório têm o foco preservado.2.a proporcional quantidade de raios-X. evitando deterioração do foco. óleo. Na outra extremidade da ampola encontra-se o ânodo (potencial positivo) apresentando uma pequena placa de tungstênio.

........λ = 0.. À medida que se afasta o objeto... INTERAÇÃO DOS RAIOS-X COM A MATÉRIA Ao interagir com a matéria os raios-X podem sofrer fenômenos: • Radiações Secundárias: parte da energia da radiação é cedida a átomos do corpo radiografado..... maior será seu poder de penetração. PROPRIEDADES DOS RAIOS-X • Os raios-X se propagam em linha reta e na mesma velocidade da luz... • Podem afetar células vivas. • Estimulam substâncias fluorescentes como o platino cianeto de bário e o sulfato de zinco.... na dependência do peso atômico..... produzindo alterações somáticas e / ou genéticas. conseqüentemente...λ = 0.... o filme.. RELAÇÃO ENTRE A FONTE DE RADIAÇÃO.. os raios-X mais empregados estão entre 0.......... A distância ideal entre o foco e o filme está em torno de 70cm... ou seja...... os quais podem emitir radiação de comprimento de onda maior que o dos raios incidentes. no meio..........45Å – raios médios 80 a 100 kV.. variando do preto ao branco.... • Efeito Compton: parte da energia da radiação é transferida aos átomos e os raios incidentes continuarão sua trajetória com comprimento de onda maior. O OBJETO RADIOGRAFADO E O FILME NA IMAGEM RADIOGRÁFICA A densidade da radiação é inversamente proporcional ao quadrado da distância.. na dependência da quilovoltagem empregada....... O posicionamento da estrutura a ser radiografada em relação ao filme e à fonte de radiação é de suma importância para evitar-se a distorção da imagem. 7 .....4Å...... passando por vários tons de cinza....4Å – raios duros Acima de 100 kV obtêm-se raios chamados ultra-duros.. O objeto a ser radiografado deve estar o mais próximo possível do filme para que a imagem tenha o tamanho próximo do real.... Quanto menor o comprimento de onda dos raios-X.... 40 a 60 kV...... • Raio Disperso: a radiação é apenas desviada da sua trajetória sem alterar o comprimento de onda. • Por não possuírem massa atravessam os corpos. quanto maior a quilovoltagem empregada........... da espessura e da densidade da substância que compõe o objeto radiografado.5 e 0.5Å – raios moles 60 a 80 kV. DENSIDADES RADIOLÓGICAS A imagem radiográfica é determinada por sombras do objeto. menor é a quantidade de raios provenientes do foco que o atinge e. • Efeito foto-elétrico: os raios-X perdem toda sua energia arrancando elétrons.Em radiodiagnóstico...λ = 0. • Produzem ionização por onde passam por isso impressionam filmes fotográficos (e radiográficos).... produzindo imagem menos nítida.

Ex: Determinado volume de água absorverá mais a radiação do que o mesmo volume de gelo. Ex: Radiografando-se uma rolha de cortiça e um cilindro de chumbo com o mesmo diâmetro. que são substâncias administradas ao paciente no intuito de melhor definir ou delimitar estruturas. 8 . Num mesmo animal verificam-se várias densidades radiológicas. espessura e peso atômico dos mesmos. fazendo com que se reduzam a prata metálica quando o filme é imerso no revelador. Contrastes negativos: são radiolucentes. Ex: Composto à base de sulfato de bário utilizado para estudo do sistema digestório. constituem-se basicamente de cálcio. determinando a imagem radiográfica de seus órgãos na dependência da densidade. à base de iohexol utilizado para mielografia. proporcionando imagem radiopaca (branca). maior dificuldade terão os raios para ultrapassar o material. absorverá a radiação. Considerando-se que esta substância absorve os raios-X. impedindo a chegada da mesma ao filme. Usualmente utiliza-se ar. o brometo de prata que compõe a emulsão que envolve a película radiográfica. Quando estruturas de mesma densidade se sobrepõem produzem efeito de adição de imagem.• Quanto maior o peso atômico. existe a densidade água que corresponde aos músculos. no ponto de sobreposição. o ar que enche os pulmões. tendões e sangue (menos radiopaca que o osso) e a densidade gordura (menos radiopaca que a densidade água). pode-se recorrer ao uso de contrastes. podendo-se usar óxido nitroso ou dióxido de carbono. CONTRASTES Quando a imagem radiográfica não é diagnóstica. Entre a densidade osso (radiopaca) e a densidade ar (radiolucente). entre outros. do que um cão de pequeno porte. pois a radiação impressiona os sais de prata da emulsão. o segundo. não sendo atingida pela radiação. Quando estruturas de densidades diferentes se sobrepõem determinam efeito de subtração de imagem. Ex: Porção do duodeno com gases (radiolucente) sobreposto à imagem do fígado (radiopaco). Ex: Dois ossos sobrepostos determinam imagem mais radiopaca que a determinada por um único osso. • A espessura também impedirá a passagem da radiação de forma diretamente proporcional. densidade menos radiopaca que a característica deste órgão. Ex: Pneumocistografia. Contrastes positivos: são radiopacos. determina. determinando imagem radiolucente. • Maior densidade da matéria requer maior força de penetração dos raios. oferece menor resistência à passagem das radiações. entende-se porque aquelas estruturas imprimem imagem radiopaca na radiografia. por exemplo. não se reduz à prata metálica ao ser mergulhada no revelador. Já. Ex: Um cão de porte grande requererá maior poder de penetração dos raios para imprimir imagem no filme. Por outro lado. a primeira será atravessada pela radiação produzindo imagem radiolucente (cinza escuro). à base de amidotrizoato de sódio e amidotrizoato de meglumina utilizado para estudo do sistema urinário e angiografia. Os ossos.

9 . atingindo o filme. Obliquadas – são incidências complementares. Quando a incidência for frontal. Lateral flexionada – efetuada com flexão da estrutura avaliada (membros. LE Lateral esquerdo Crânio-caudal e caudo-cranial – usado para membros de proximal até a extremidade distal de rádio e ulna/tíbia e fíbula. PMDLO – Palmaromedial-dorsolateral obliquada/ Plantaromedial-dorsolateral obliquada. IDENTIFICAÇÃO DE RADIOGRAFIAS A identificação do paciente (nº da ficha e / ou nome). membro E ou D (quando necessário). Usadas com maior freqüência em extremidades de eqüinos: DMPLO – Dorsomedial-palmarolateral obliquada/ Dorsomedial-plantarolateral obliquada – o feixe de raios incide no ângulo formado pelas superfícies dorsal e medial e emerge no ângulo formado pelas superfícies palmar e lateral/ plantar e lateral do membro. data do exame. emergindo na superfície caudal do crânio. FM ou MF – Fronto-mandibular ou Mandíbulo-frontal (crânio). são impressos no filme. Nada impede que se coloque as letras D e E respectivamente. ou seja. Em incidências laterais. levando em conta a face do corpo do animal onde incide e a face onde emerge a radiação. com tipos de chumbo afixados no chassi no momento da radiografia ou com identificador eletrônico na câmara escura. DV. coluna cervical). após a radiografia. DLPMO – Dorsolateral-palmaromedial obliquada/ Dorsolateral-plantaromedial obliquada. para a extremidade. DP. L ou LL Lateral ou Látero-lateral – o feixe incide em um lado e emerge no outro (não especifica o lado). Ao negatoscópio. deve-se dar nome a este posicionamento. Assim: DV Dorso-ventral – o feixe de raios incide no dorso e emerge no ventre do animal. FM ou MF a marca deve ser colocada no lado direito do paciente. DP Dorso-palmar ou PD Palmo (ou pálmaro)-dorsal – usado para membros a partir de carpo/tarso inclusive. coloca-se a região cranial do corpo do animal para a esquerda do radiologista. PD. No momento da interpretação radiológica. VD Ventro-dorsal – o feixe incide no ventre e emerge dorsalmente. Os raios incidem na superfície frontal e emergem na superfície mandibular e vice-versa. o filme deve ser colocado no negatoscópio com a identificação para o lado esquerdo do radiologista. PLDMO – Palmarolateral-dorsomedial obliquada/ Plantarolateral-dorsomedial obliquada. Quando radiografados os dois membros. Skyline – O feixe de radiação incide tangencialmente à estrutura em estudo. LD Lateral direito – o feixe incide no lado esquerdo e emerge no direito. a marca deve ser colocada no direito.NOMENCLATURA PARA POSICIONAMENTOS Ao posicionar o paciente com o propósito de efetuar uma radiografia. VD. Rostro-caudal – A radiação incide cranialmente à face do paciente. a marca deve ficar em local que não atrapalhe a imagem.

protegerse atrás de biombo de chumbo ou paredes espessas e fazer controle hematológico periodicamente (6 em 6 meses). à região central do filme.. indicada. • Verificar se pele e pêlos estão limpos e livres de pomadas. idade. para o chão.3). 10 .. sempre que possível. sempre. em geral. INTERPRETAÇÃO RADIOLÓGICA Observa-se. dirigindo-o. inicialmente. Quando possível. • Quando solicitado exame contrastado. livres de ferraduras para exame de 3ª falange.PROTEÇÃO RADIOLÓGICA Considerando-se que a radiação é nociva à saúde. a radiografia toda. sempre que as condições do paciente o permitirem. Especificação das estruturas a serem radiografadas. • Radiologistas. Detém-se. pelo clínico. • Efetuar. • Solicita-se ao cliente (proprietário) que auxilie na contenção do paciente. Preencher os sulcos do casco (pode ser com massa de modelar). já que a radiografia não proporciona imagem tridimensional (não dá noção de profundidade) (fig. óculos e protetor de tireóide plumbíferos e dosímetro para medir a radiação recebida durante determinado período de tempo (normalmente mensal). luvas. radiografias perpendiculares entre si. • • • CUIDADOS ANTES E DURANTE O EXAME PARA ADEQUADO ESTUDO RADIOGRÁFICO • Para exame de abdome fazer a limpeza do trato digestório. onde deve estar a estrutura a ser estudada. sempre. utilizando-se a maior quilovoltagem e a menor miliamperagem. então. se possível. Descrição sucinta da história clínica. REQUISIÇÃO Na solicitação do exame radiológico é importante que conste: A identificação do paciente: Nome. • Os cascos dos eqüinos devem ser escovados e. 1. procura-se proteger ao máximo as pessoas envolvidas no exame. usar avental. avaliando-se o padrão radiográfico e o posicionamento.. técnicos e auxiliares devem. fazer exame simples antes. • Colima-se o feixe de radiação através de cones ou diafragmas.

A primeira sugere que o projétil se encontra entre os dois ossos. fazendo a inspeção. na face lateral do membro. Ex: rarefação óssea. A outra demonstra que está sob a pele. em busca de lesões na língua. Mudança na arquitetura. Variação no contorno ou forma. • • • • • • Atenta-se para: Mudança de posição de um órgão ou parte dele. se possível. ou declara-se não haver alteração detectável ao exame radiológico. nas estruturas avaliadas.3 – Radiografias em projeção lateral e crânio-caudal de rádio e ulna de um cão. 11 . Alteração na função. Alteração na densidade. em geral. Ex: neoplasias ósseas. dispensando raios-X. Variação no tamanho. LAUDO RADIOLÓGICO Na elaboração do laudo radiológico descreve-se as alterações observadas. Recomenda-se que o clínico abra a boca do paciente.Figura 1. emite-se o diagnóstico. Ex: cardiomegalia. gengiva. Ex: alças intestinais desviadas para um lado. por tumoração na cavidade abdominal. primeira do sistema digestório. Ex: Rim afuncional (evidenciado na urografia excretora). CAPÍTULO II SISTEMA DIGESTÓRIO CAVIDADE ORAL Esta estrutura. é avaliada através de exame direto. palato. Ex: bexiga com divertículo. corpos estranhos entre os dentes.

epiglote (seta grossa preta) e hióides (setas brancas). palato mole. Recomenda-se composto orgânico em caso de suspeita de solução de continuidade de parede do órgão. linfonodo aumentado e neoplasias são alterações passíveis de serem detectadas ao exame radiográfico. Corpos estranhos. levando em conta alteração de volume. As estruturas ósseas que limitam a cavidade oral. O esôfago não é distinguido ao exame radiográfico simples. chegando ao abdome. epiglote e hióides. Discreta porção de ar (radiolucente) poderá. continuidade ou densidade. ESOFAGOGRAMA É o exame contrastado do esôfago para o qual usa-se contraste positivo. facilitando a identificação de alterações. mais esclarecedor e dorsoventral ou ventro-dorsal. FARINGE Nesta região. As radiografias são efetuadas em posicionamento lateral.cáries ou dentes quebrados ou frouxos. dentes e periodonto. 2. até a entrada do tórax. onde volta a ser dorsal. não apresentando ar ou conteúdo em sua luz. ser observada na porção inicial do esôfago. pois encontra-se. É importante o conhecimento das estruturas normais. eventualmente. em geral. deve-se analisar a anatomia da mesma (fig. normalmente. sendo estes últimos de pouca ajuda pela sobreposição das vértebras. determinando a mesma densidade dos tecidos moles da região do pescoço e do mediastino. TÉCNICA RADIOGRÁFICA 12 . Começa dorsal à traquéia. Imagem que não deve se repetir em radiografias sucessivas. fazem parte do capítulo de sistema ósseo. onde se une ao cárdia. Figura 2. Seta descontínua aponta as cartilagens da laringe. colapsado.1). quando presentes.1 – Faringe de um cão evidenciando palato mole (seta fina preta). passando para o lado esquerdo da mesma na porção cervical caudal. sulfato de bário. ESÔFAGO Esta estrutura estende-se da altura da 2ª vértebra cervical à 10ª torácica.

deixando resíduos entre as pregas do esôfago. determinando uma imagem semelhante a espinha de peixe.2 B). No gato. 2. ou radiolucentes (Fig. dilatando a luz do mesmo cranialmente ao corpo estranho. eventualmente. via oral. não caracteriza alteração. 2. 2. para avaliar o padrão da radiografia e descartar a presença de alteração detectável sem contraste. fig. Imagem normal de esôfago de cão (A). OBSTRUÇÃO ESOFÁGICA POR CORPO ESTRANHO Os corpos estranhos podem ser radiopacos (Fig. 13 . Os pontos onde mais freqüentemente se instalam os corpos estranhos são: porção terminal de esôfago cervical (pela resistência à distensão na entrada do tórax). 5 a 10ml de sulfato de bário.5). existem pregas transversais além das longitudinais. IMAGEM Na ausência de alterações. ou a visualização da mesma até o terço médio do tórax. fig. A não detecção da coluna de contraste. 2. determinando imagem de linhas longitudinais que se estendem até a entrada do abdome ou próximo a este ponto. 2. quando haverá interrupção parcial ou total da coluna de contraste na trajetória do esôfago. regurgitação e. já os últimos necessitam de esofagograma para sua identificação. no terço caudal do esôfago. tosse.3). 6) ou periesofágicas (ex: neoplasia adjacente ao esôfago. Nota: Sempre realizar o exame simples antes do contrastado. ALTERAÇÕES As alterações de esôfago classificam-se em intraluminais (ex: corpo estranho.2 – Esofagograma. quando preenchidas por contraste (fig.2 A). Isto se deve à passagem livre e rápida do contraste para o estômago (fig. Os primeiros são visualizados ao exame radiográfico simples.4). Imediatamente. o contraste passará imediatamente para o estômago. 2.Com auxílio de seringa administra-se.3). fig. coloca-se o paciente em decúbito lateral sobre o filme e efetua-se a radiografia. anterior à base do coração (pelas estruturas da região) e na porção terminal do esôfago (pela limitação proporcionada pelos pilares do diafragma). intramurais (ex: nódulos de Spirocerca lupi. Figura 2. sem dilatação do esôfago. de gato (B). 2. Sinais clínicos: dificuldade de deglutição.

4 – Imagens de corpo estranho radiolucente (setas) em esôfago de um cão. hipertrofia ou neoplasia de timo. 14 .3 – Imagens radiográficas de corpos estranhos radiopacos em esôfago de cão. ou massas adjacentes ao esôfago (fig. Exame simples (A) e esofagograma (B). 2.5).Figura 2. COMPRESSÃO ESOFÁGICA Pode ocorrer por aumento de volume de linfonodos mediastinais. Figura 2.

então. ESOFAGITE Diagnóstico pouco comum pelo estudo radiográfico. tumoração na parede do esôfago ou nódulos de Spirocerca lupi (fig. composto orgânico para confirmar o diagnóstico. ao esofagograma. DIVERTÍCULO ESOFÁGICO Não produz sinal clínico.Figura 2. Contraste impedido de progredir livremente (seta branca).6 – Nódulo de Spirocerca lupi em esôfago de cão (setas). a menos que seja muito grande. Ocorre redução da luz por espessamento da parede. Aparece.5 – Massa comprimindo o esôfago cervical (setas pretas). Figura 2. deve-se suspeitar de ruptura ou perfuração do mesmo. Pode ser congênito ou adquirido. Pode levar a espessamento da parede em casos crônicos ou demonstrar irregularidade nas pregas do esôfago. o que será demonstrado por extravasamento do contraste para fora da luz esofágica. Utiliza-se. ESTENOSE ESOFÁGICA Fibrose após lesão. RUPTURA DE ESÔFAGO Quando ao exame radiográfico simples for evidenciado ar nos tecidos adjacentes ao esôfago. 15 . 2. como uma saculação.6) são as causas de estenose esofágica. Exame simples (A) e esofagograma (B). produzindo estenose.

eventualmente. em determinado ponto. DILATAÇÃO PARCIAL DE ESÔFAGO Devido à constrição ou obstrução do esôfago. lateralmente ao esôfago.8). embora raramente. A primeira ocorre quando parte do estômago escorrega intermitentemente para o tórax através do hiato. Uma das causas mais comuns é o arco aórtico direito persistente (fig. Observa-se. produzindo uma dilatação esofágica. ocorrerá dilatação do órgão até este ponto.7 – Esofagograma demonstrando intussuscepção gastro-esofágica em cão. a ausência de qualquer imagem correspondente ao estômago na cavidade abdominal (fig. INVAGINAÇÃO GASTRO-ESOFÁGICA O estômago invagina para o interior do esôfago e. A segunda. também. leva junto porção do duodeno.7). HÉRNIA DE HIATO Esta alteração ocorre quando uma porção do estômago passa pelo hiato esofágico e penetra no tórax. Figura 2. A hérnia pode ser axial ou paraesofágica. 16 . sendo diagnosticadas. que apresentará densidade alterada na porção terminal.NEOPLASIAS Não são comuns em cães. baço e pâncreas. Ao esofagograma é possível visualizar o padrão pregueado da mucosa do estômago na luz do esôfago. quando parte do estômago penetra no tórax pelo hiato. A imagem radiográfica demonstra irregularidade da parede do esôfago. evidenciada ao esofagograma. 2. 2. em gatos.

é necessária uma quantidade de contraste bem maior que a recomendada para o esofagograma (fig.Figura 2. Para preenchimento do órgão dilatado. A. MEGAESÔFAGO Observa-se aumento da luz do esôfago em toda a sua extensão. ABDOME 17 .8 – Esofagograma demonstrando dilatação parcial de esôfago (setas).9 A). até a entrada do abdome. 2. 2. Figura 2. por exemplo.9 – Megaesôfago em cão. Megaesôfago pode ser causado por acalasia ou tumor de cárdia.Esofagograma demonstrando quantidade insuficiente de contraste devido à grande distensão. Às vezes dispensa o exame contrastado (fig. B.Exame simples demonstrando as paredes do esôfago (setas) e ar no interior.9 B).

usualmente.Ao avaliar-se o abdome como um todo. ESTÔMAGO Este órgão localiza-se na porção cranial do abdome. dependendo do decúbito. 18 .10 – Abdome normal de cão. se localizará na região fúndica (decúbito direito) ou na pilórica (decúbito esquerdo). densidade e localização de cada órgão. Ao exame simples. deve-se considerar tamanho.10 e 2. bem como o conteúdo e o grau de repleção das vísceras ocas. 2. Fígado (seta longa preta). tendo o piloro na linha média. estômago (seta grossa branca) e cólon descendente com gases e fezes (seta grossa preta). Incidência lateral (A) e ventro-dorsal (B).11). gás no seu lúmen. Figura 2. Em posição VD. No gato. a coleção de gás que tende a subir. ficando a região pilórica à direita. aparecendo parcialmente sobreposto ao fígado nas radiografias. pode ser facilmente identificado por conter. no cão. o estômago está localizado em sua totalidade no lado esquerdo. cárdia e região fúndica do estômago estão localizados à esquerda da linha média. alça do intestino delgado (seta pequena branca). é indispensável ter conhecimento da imagem normal do organismo animal (fig. Na projeção lateral. Para detectar-se alteração.

sugere obstrução ou espasmo de piloro. para avaliar a passagem do contraste para o duodeno (fig. junto ao proprietário. rins sobrepostos na incidência lateral e rim esquerdo na ventrodorsal (seta grossa preta). lateral esquerda. Presença de conteúdo no estômago após jejum. este deve ser substituído por composto orgânico. até chegar ao diagnóstico. 19 . TÉCNICA: Visando avaliação do estômago. Indica-se incidências VD. avaliando-se as imagens obtidas. 15. Nota: É importante que o paciente seja mantido em local tranqüilo. fígado (seta branca).kg-1 de peso do animal. 20 e 60 minutos após. lateral direita e. se as condições do paciente o permitir. ou através de sonda diretamente no estômago. preferencialmente.Figura 2. Imediatamente. 2. para que o estresse não interfira na progressão do contraste. Cólon descendente (seta fina preta). DV e obliquadas. se necessário. administra-se o meio de contraste na dose de 5 a 12ml. sendo o sulfato de bário o meio de contraste indicado rotineiramente. GASTROGRAFIA OU GASTROGRAMA É o exame contrastado do estômago. Com auxílio de seringa.11 – Abdome normal de felino. efetua-se a primeira radiografia. indica-se jejum de 8 horas previamente ao exame. repetindo-se aos 5. via oral. Diante de suspeita de perfuração de parede.12).

Figura 2.ALTERAÇÕES São sinais de desordem gástrica: dor abdominal. Este quadro caracteriza emergência. Figura 2. 2. TUMORES E ÚLCERAS 20 . perda de peso. que será visualizado ao exame simples.13). vômito.12 – Imagem do estômago de cão ao exame contrastado. desidratação e fadiga. Plástico e vidro são exemplos de corpos estranhos radiolucentes. evidenciado por pequena quantidade de contraste administrada que o envolverá. permanecendo o piloro em sua posição normal (fig. não sendo indicado o uso de contraste. CORPO ESTRANHO Pode ser radiopaco. TORÇÃO GÁSTRICA O estômago apresenta-se distendido por gases e / ou conteúdo alimentar e líquidos. podendo chegar a temperatura elevada. DILATAÇÃO GÁSTRICA O estômago apresenta-se distendido. com o piloro deslocado de sua posição normal. ou radiolucente.13 – Dilatação gástrica por obstrução de piloro em um cão. anorexia.

todo o intestino delgado estará delineado pelo contraste. peritonite. TRÂNSITO INTESTINAL É o exame contrastado das alças intestinais. para o diagnóstico definitivo. Ainda.kg-1 de peso do animal. efetuase a primeira radiografia. Num paciente adequadamente preparado para o exame. administra-se via oral ou por sonda gástrica. como em caso de ascite. Repete-se a avaliação 15 minutos após e uma hora. ou qualquer efusão peritonial. Da mesma forma vista na gastrografia. por ter densidade radiológica diferente das vísceras. O diagnóstico radiológico destas últimas é feito pela constatação de contraste preenchendo-as. 2. superfície mucosa relativamente lisa e parede fina. quando em condições normais. Animais muito magros ou jovens. o intestino apresentará diâmetro uniforme. proporciona distinção entre as mesmas. INTESTINO DELGADO EXAME SIMPLES As alças intestinais serão mais facilmente distinguidas ao exame radiológico quando apresentarem gás em sua luz ou conteúdo de densidade diferente dos tecidos adjacentes. haverá uma opacificação homogênea da imagem. já as úlceras ocorrem. Dependendo do quadro clínico. Não é de fácil visualização devido às pregas gástricas que podem levar a erros. o sulfato de bário na dose de 8 a 12ml. dificultando ou impedindo totalmente a distinção de qualquer estrutura. Três horas após a administração do contraste. em que o paciente já vem há dias sem se alimentar. O mais indicado. para observar a passagem do mesmo do estômago para o duodeno. O trânsito poderá estar acelerado em caso de enterite. efeito de laxante suave e enema efetuado 6 horas antes do exame. têm imagem do abdome bastante homogênea pela ausência de gordura. como em casos de anorexia.Os tumores gástricos são raros em pequenos animais. TÉCNICA Após preparo com jejum de 24 horas (água sem restrição). causadas pelo uso indiscriminado de antiinflamatórios. hemoperitônio. Gordura na cavidade peritonial. 21 .14 A e B). é a endoscopia. pode-se verificar a passagem do mesmo ao cólon e avaliar o esvaziamento do estômago. quando em condições normais de saúde (fig. novamente. especialmente. o preparo será dispensado. ao fim da administração do contraste. na presença de líquido livre na cavidade. ou retardado pelo estresse do animal devido à manipulação.

podendo necessitar contraste para o diagnóstico. perda de peso. não haverá retenção significativa de gases.A B Figura 2. uma imagem de uma estrutura tubular com densidade água. A invaginação de uma porção da alça em outra determina. sendo mais comum o conseqüente a corpo estranho. 2. dor abdominal e /ou melena. a imagem radiográfica demonstrará dilatação por gases ou conteúdo alimentar das alças intestinais. OBSTRUÇÃO A obstrução pode ser completa ou parcial. Apresenta-se como uma saculação na parede da alça intestinal. diarréia. anorexia. demonstrada por radiolucência. B -Projeção lateral.Trânsito intestinal normal em cão.15). o contraste proporcionará imagem de franzimento da alça que o contém (fig. eventualmente. ALTERAÇÕES Os sinais clínicos incluem vômito. ENTERITE Radiologicamente diagnosticada pela velocidade aumentada do trânsito intestinal (o contraste passa muito rapidamente) e/ou por significativa quantidade de gases na luz intestinal. Quando causar obstrução completa a imagem será semelhante à vista na figura 2.Projeção ventro-dorsal. A . comparada por alguns autores a uma salsicha. INTUSSUSCEPÇÃO Poderá produzir obstrução completa ou incompleta.16).14 . DIVERTÍCULO Pode ser adquirido ou congênito. Irregularidade na superfície da mucosa ou estreitamento do lúmen só será observado em casos crônicos. anteriores ao ponto de obstrução (fig. Evita-se a administração de contraste. 22 . dando-se preferência ao exame ecográfico em lugar do contrastado. Quando a causa for corpo estranho linear. No primeiro caso. desidratação.15. 2. No segundo.

23 . evidenciando corpo estranho linear no intestino de um gato. ou outros órgãos. Figura 2. hérnia inguinal (na região inguinal) (fig.17 B). HÉRNIAS As alças intestinais. estômago. com seu conteúdo gasoso ou com contraste.15 . 2.16 – Trânsito intestinal em projeção ventro-dorsal e lateral. 2. serão visualizados fora da cavidade abdominal. útero. Ex: Hérnia diafragmática (vísceras insinuadas no tórax) (fig.Figura 2.17 A).Obstrução intestinal em projeção lateral e ventro-dorsal. como fígado.

com sua forma de “C”. INTESTINO GROSSO O intestino grosso inclui ceco. As paredes do cólon delineadas pelo contraste positivo são avaliadas para alterações na mucosa e lesões intramurais. observa-se o cólon ascendente no lado direito do abdome. descendo até o reto. hérnia perineal (fig. 2. 2. Para exame de duplo contraste.18 A). localizada entre a superfície ventral do sacro e o assoalho da pelve em projeção lateral. 2. proporciona-se a eliminação do contraste positivo e administra-se ar na mesma dose do primeiro. cólon transverso. COLONOGRAFIA OU ENEMA BARITADO É o exame contrastado do intestino grosso.20). ALTERAÇÕES São as mesmas que acometem o intestino delgado. O ceco no cão. da direita para esquerda e descendente no lado esquerdo. 24 .18 B).Perda da linha do diafragma.19) e intussuscepção íleo-cólica (fig. É aconselhável a sedação para evitar o desconforto do paciente.17 – Hérnia diafragmática.A B Figura 2. TÉCNICA As incidências e o preparo são os mesmos do trânsito intestinal. mais megacólon e fecaloma (fig. tamanho e conteúdo. cheio de gás. é identificado no lado direito do abdome em projeção VD. cólon e reto. A dose indicada é de 5 a 12ml. Imediatamente efetuam-se as radiografias. Corno uterino com fetos compõe o conteúdo herniário. presença de alças intestinais com gases e estruturas radiopacas insinuadas no tórax.kg -1 de peso.Hérnia inguinal em uma cadela prenhe. Este segmento do intestino é facilmente identificável ao exame radiológico por sua localização. Este último é a estrutura intrapélvica. Seringa com bico ou sonda é utilizada para administrar o contraste no reto. 2. A . B . atresia anal (fig. Nesta projeção.

Figura 2.18 – A.A B Figura 2. Figura 2.Megacólon com conteúdo fecal. Alças intestinais distendidas por gases. B-Hérnia perineal. em projeção lateral.19 – Atresia anal em felino de 4 dias de vida. 25 . na projeção lateral.20 – Intussuscepção íleo-cólica em cão. na junção íleo-cólica. Alças do intestino delgado apresentam-se distendidas por gases. Contraste usado na colonografia progrediu até o ponto da invaginação.

diferentemente das efusões que se distribuem por toda a cavidade. bem como incidência lateral em estação.22). 26 . É importante. o que é difícil de especificar ao exame radiográfico. não confundir com efusão pleural.21 – Massa no abdome (tumor no baço) e tórax do mesmo paciente com metástases pulmonares. com a finalidade de melhor avaliar a superfície serosa das vísceras. Figura 2. PNEUMOPERITÔNIO Pode ocorrer como conseqüência de perfuração em alças intestinais (fig. Figura 2.MASSAS TUMORAIS Pode ocorrer o desenvolvimento de massas no abdome. permite a observação do líquido colecionado ventralmente nesta posição. diante de massas que ocupam grande parte do abdome (fig. 2. 2. Radiolucência distribuída em toda a cavidade será observada. Incidência VD auxilia a localização das massas.21).22 – Pneumoperitônio causado por perfuração de alça intestinal em gato. observando o limite que aquelas demonstram. PNEUMOPERITONIOGRAFIA É o exame radiográfico no qual se injeta ar ou óxido nitroso na cavidade abdominal. as quais se originam em qualquer órgão ou mesmo no mesentério. Imagens cedidas pelas colegas Médicas Veterinárias Cristiane Elise Teichmann e Anelise Réquia.

21). pela posição tomada pelo órgão. 2. este órgão apresenta forma triangular. determinando boa imagem.23 – Imagem radiográfica hepatomegalia em cão. cirrose em sua fase aguda. perdendo o aspecto afilado de suas bordas. as quais aparecem arredondadas. com forma convexa limitada pelo diafragma e. irregularmente côncava em sua borda caudal. ultrapassando significativamente o limite normal. período pós-vacinal ou em casos patológicos como linfossarcoma (fig. de BAÇO Apresenta-se na radiografia como estrutura triangular.10 e 2.23). 2. Com o exame ultra-sonográfico será possível avaliar-se o parênquima e os limites hepáticos.ÓRGÃOS ANEXOS PÂNCREAS Este órgão não é distinguido ao exame radiológico. Figura 2. carcinoma de ducto biliar. O fígado poderá apresentar-se aumentado de tamanho (fig.11). ultrapassando ligeiramente o último arco costal (fig. A ultra-sonografia aqui. caudal ao estômago em projeção VD e ventralmente em projeção lateral (fig. FÍGADO Em projeção VD o fígado se apresenta na radiografia como uma estrutura de densidade água. fazendo diagnóstico o diferencial.24). duodeno mais à direita e rim direito. intoxicação e congestão por insuficiência cardíaca direita.. situado no lado esquerdo do abdome. 2. poderá aparecer como uma massa deslocando as vísceras adjacentes. Em projeção lateral. em contato com o estômago. sendo o decúbito lateral direito preferencial. é característico de cirrose hepática. o fígado diminuído de tamanho. homogênea. na região mais cranial do abdome. proporcionará esclarecimento. Deslocamento caudal das estruturas adjacentes auxiliam no diagnóstico. tendo sua borda caudal formando um ângulo bem definido. Poderá estar aumentado de tamanho quando o paciente estiver sob efeito de anestésico. 27 . limitado pelo diafragma e parede abdominal ventral. bem como no baço. em geral por pancreatite ou tumor. com a mesma densidade do fígado. Já. Exemplos de causas de hepatomegalia são neoplasias hepáticas. Quando aumentado de tamanho. 2.

enema morno 6 horas antes do exame. No gato. laxante suave e. A bexiga depende de seu conteúdo para ser identificada. se necessário.Figura 2. que consiste na limpeza do trato digestório. necessitando de meio de contraste para serem identificados radiologicamente. quando há gordura no retroperitônio. mais cranialmente se estende (fig. 3. sendo que os primeiros são melhor distinguidos das demais estruturas da cavidade abdominal.24 – Radiografia de abdome normal de cão. com evidência do baço (seta). 2. ureteres. Os rins são móveis. em média. 28 . Para maior conforto do animal. sempre que as condições do paciente o permitir. o mesmo poderá ser sedado. A uretra não é visualizada radiologicamente em condições normais. Os ureteres se estendem da pelve renal ao trígono da bexiga. Ao exame radiológico simples apenas rins e bexiga são visualizados. No posicionamento VD observa-se que o rim direito se localiza mais cranialmente que o esquerdo. bexiga e uretra.5 vezes o comprimento da 2ª vértebra lombar. apresentando-se parcialmente sobrepostos (fig. para limpeza completa do trato digestório. É indicado preparo do paciente com dieta hídrica por 24 horas. A bexiga é visualizada sobre o assoalho da cavidade abdominal caudal. na região dorso caudal desta. os rins têm. mas no canino macho o osso peniano indica a posição terminal desta estrutura.5 a 3. À medida que se torna cheia.3. 2 a 3 vezes o tamanho da 4ª vértebra lombar. CAPÍTULO III SISTEMA URINÁRIO Este sistema compreende rins. em projeção lateral. EXAMES CONTRASTADOS UROGRAFIA EXCRETORA É a técnica utilizada para melhor avaliação radiológica das estruturas do sistema urinário.1). No cão. Para adequada avaliação do sistema urinário é necessário o preparo do animal. usualmente identificáveis na porção dorsal do abdome. o que não é imprescindível.1).

Figura 3. Ao término da administração do contraste efetua-se a primeira radiografia. inicia-se o procedimento da urografia excretora: via endovenosa.2).Após avaliação do preparo e fatores de exposição através do exame simples. esta última preenchida por contraste diluído na urina (fig. ureteres e bexiga.1 – Rins direito mais cranial e esquerdo. esta última com defeito de preenchimento causado por neoplasia. em geral à base de diatrizoato sódico e diatrizoato de meglumina. a seguir os ureteres que aparecem como duas linhas radiopacas estendendo-se da pelve renal até o trígono da bexiga. visando conforto do paciente. É 29 . seguindo-se de outras aos 2.2 – Urografia excretora. Pode-se recorrer a sedação em caso de manifestação de dor.kg-1. 5 e 10 minutos. 3. projeção lateral e VD evidenciando rins. nas incidências lateral e VD. na dose de 3ml. administra-se composto orgânico específico para vias urinárias. Neste exame observa-se primeiramente os rins opacificados. onde se inserem e. finalmente. Figura 3. PNEUMOCISTOGRAFIA Ar ou óxido nitroso na dose de 6 a 12ml.kg–1 é injetado para o interior da bexiga via cateter adaptado a uma seringa. até que o órgão esteja moderadamente distendido. parcialmente sobrepostos (setas pequenas) e bexiga (seta grande) de gato.

ar ou óxido nitroso até obter moderada distensão do órgão. A imagem foi delineada por linha pontilhada por ser de difícil visualização. em projeção L e VD demonstrando massa tumoral no interior da bexiga de uma cadela. O excesso é removido. Diagnóstico comprovado em cirurgia.kg –1 (fig.4 A e B). o que requer em torno de 6 a 12ml.3 – Pneumocistografia evidenciando urólitos radiolucentes e sonda. Figura 3. 3. CISTOGRAFIA Contraste orgânico é diluído a 5% em solução fisiológica e introduzido na bexiga por meio de uma sonda uretral até que o órgão esteja moderadamente distendido.4 – Cistografia. 30 . A B Figura 3. CISTOGRAFIA COM DUPLO CONTRASTE O contraste positivo é introduzido na bexiga em quantidade suficiente para envolver a mucosa vesical. administrando-se.3). 3. Este exame proporciona boa avaliação da mucosa. então.importante a remoção de toda a urina presente na bexiga antes da administração do contraste negativo (fig.

5) são alterações passíveis de ocorrer. a ectopia e a hipoplasia renal. Ao exame radiológico o rim aparecerá como uma grande massa radiopaca de contornos lisos. CÁLCULO RENAL Também chamado de urólito. é visto como densidade radiopaca no interior da pelve renal.ALTERAÇÕES RINS DEFEITOS CONGÊNITOS Entre os defeitos congênitos. o cisto não se destaca do parênquima. onde haverá extravasamento do contraste. sendo que estas últimas são detectadas ao exame contrastado. isto é. HIDRONEFROSE Usualmente. enquanto os radiolucentes são formados por urato de amônia ou de cistina. cálculos ou ligadura acidental em cirurgia. 3. Rim pequeno e nodular poderá sugerir nefrite crônica ou rim terminal. 3. cita-se a aplasia. URETERES Cálculo.5). RUPTURA RENAL Diagnóstico feito pela urografia excretora. INFARTO RENAL Áreas de infarto poderão ser demonstradas como não funcionais à urografia excretora. CISTO RENAL Usualmente causa distorção no contorno do rim. esta alteração ocorre por obstrução de ureter (fig. Nota: cálculos radiopacos são compostos de fosfato triplo ou oxalato de cálcio. Ultra-som é o meio ideal para este diagnóstico. ruptura de ureter e hidroureter (fig. podendo ser este rim afuncional. Se os cálculos forem radiolucentes. Por conter líquido no interior. o outro rim pode ser hipertrofiado para compensar. não opacificadas. Estas alterações são melhor demonstradas pela urografia excretora. haverá necessidade de exame contrastado (urografia excretora) ou ultra-sonográfico para confirmação. Neste caso. 31 . algumas vezes preenchendo a mesma. que pode ser conseqüente a massas abdominais. NEFRITE Diagnosticada por outros meios que não o radiológico. NEOPLASIA Poderá ser observado aumento de tamanho do rim ou irregularidade no contorno.

3). difícil.6 B). já que os pequenos são facilmente eliminados através da uretra curta. Nas fêmeas é comum a presença de poucos cálculos e grandes. NEOPLASIA Não é visualizada ao exame simples. 3. poderão depender de contraste negativo para serem evidenciados. se não impossível. 3. se poderá observar a trajetória da uretra do macho com acúmulo de cristais. especialmente na base do osso peniano (fig. CÁLCULOS São comuns em cães. discreta alteração da mucosa poderá ser imperceptível.Figura 3. uma vez que a maior ocorrência é de cristais. Quando radiopacos. Neste caso. uma vez que a mucosa vesical não é distinguível ao exame radiográfico simples e mesmo à cistografia ou pneumocistografia.2). 3. 3.5 – Hidroureter demonstrado por urografia excretora em cão. o meio de imagem mais indicado é o ultra-som. se apresentarão um pouco menos radiolucentes que o ar (fig. de serem observados na radiografia. 32 . BEXIGA CISTITE O meio de imagem indicado para este diagnóstico é o ultra-som. Nos machos observam-se cálculos de todos os tamanhos e em grande número pela dificuldade de serem eliminados. Eventualmente. imagem semelhante à obtida na urografia excretora (fig. são facilmente observáveis (fig. À pneumocistografia aparecerá como uma massa radiopaca em contraste com a radiolucência do ar administrado.4). 3. À cistografia a imagem será de uma massa menos radiopaca que o contraste positivo administrado (fig. Em gatos.6). Se radiolucentes. muitas vezes sendo evidenciados na uretra.

Figura 3. ESTENOSE 33 . como já comentado (fig.A B Figura 3.7). RUPTURA Perceptível apenas ao exame contrastado. onde o contraste extravasou para a cavidade abdominal. URETRA CÁLCULOS Poderão ser observados na trajetória da uretra de cães e gatos machos. proporcionando recidivas. quando será visualizado ar ou contraste positivo livre na cavidade abdominal. Cálculos grandes na bexiga (A) e pequenos preenchendo a bexiga e a uretra (B).7 – Ruptura de bexiga diagnosticada por cistografia. a não ser em casos de cistite. 3. Contraste positivo é o mais indicado por ser mais facilmente observado ao extravasar (fig. DIVERTÍCULO Pode ser de origem traumática ou ocorrer no ponto onde se fixava o úraco no feto (estrutura que proporciona comunicação entre a bexiga e o saco alantóide).6 B). onde o divertículo colecionará sedimento.6 – Cálculos radiopacos na bexiga de um cão. Poderá não ter nenhum significado clínico. 3.

ao redor da uretra. prostatite ou hiperplasia prostática benigna. URETRA Vista no sistema urinário. uma vez que esta puxa a próstata para a frente.1 – Próstata aumentada de volume em cão (seta).8). Figura 3. Só a ultra-sonografia ou outro meio de auxílio ao diagnóstico poderá fornecer esclarecimento quanto ao diagnóstico. TESTÍCULOS Devem ser investigados por outro meio que não o radiológico. Localizada caudalmente à bexiga. tem sua visualização. 4. quando repleta (fig. 3.Fratura de osso peniano no cão é a causa mais comum desta alteração (fig. Figura 4. CAPÍTULO IV SISTEMA REPRODUTOR MACHO PRÓSTATA Na maioria das raças de cães e nos gatos. a próstata normal não será identificada na radiografia.8 – Fratura de osso peniano em cão (seta). nos cães. Se apresentará aumentada em casos de neoplasia. dependente do conteúdo da primeira.1). ou o será parcialmente. 34 .

Após a calcificação dos esqueletos. Ultrasonografia é o meio de diagnóstico por imagem indicado para avaliá-las. É importante ter-se conhecimento da história clínica da paciente. Figura 4. componentes do sistema reprodutor das fêmeas.2 – Gestação em cadela. estes últimos totalmente dentro do abdome. Presença de feto com características normais. sendo que para este fim. ALTERAÇÕES OVÁRIOS Quando os ovários estiverem aumentados de tamanho. PRENHEZ Esta condição está entre os casos passíveis de serem diagnosticados radiograficamente. Os ovários estão localizados caudalmente aos rins. corpo e cornos. a coluna estará distendida ou suavemente curvada (fig. se poderá visualizar cabeça. por exemplo. exceto na região da fontanela. poderão ser visualizados como massa densidade água deslocando estruturas adjacentes.2) e o crânio apresentará continuidade em seu contorno. A radiografia é um meio confiável para a contagem do número de fetos. bem como hemometra.FÊMEA O útero consiste em colo. Estas estruturas. em condições normais. embora o diagnóstico não possa ser afirmado. não são identificáveis ao exame radiográfico quando em condições normais de saúde. mucometra ou hidrometra se caracterizam por 35 . 4. ÚTERO PIOMETRA Esta alteração. podendo levar à confusão com piometra que será discutida adiante. a radiografia possa ser utilizada na falta deste recurso. não haverá deposição de cálcio no esqueleto dos fetos. sendo que. enquanto o corpo tem parte no abdome e o restante na pelve. coluna e membros. conta-se os crânios. em caso de tumoração. uma vez que até em torno do 42° dia de gestação na cadela e 39° dia na gata. embora.

FETO ENFISEMATOSO Havendo infecção. 4. partindo da porção caudal do abdome em sentido cranial. ocorrerá reabsorção dos tecidos moles. 4. correspondente ao gás produzido (fig. não havendo infecção.5) 36 . o qual apresenta-se como uma estrutura de densidade água. Durante a involução uterina pós-parto. Havendo morte do embrião e contaminação. variando de tamanho. homogênea. conforme o conteúdo do mesmo (fig.3). caracterizado pela radiolucência no interior e em torno do mesmo. A coluna se apresentará dobrada ou enrolada e é possível perceber sobreposição dos ossos do crânio (fig. os fetos mortos apresentarão áreas de radiolucência em seu interior e ao redor. FETO MUMIFICADO Após a morte do feto. poderá ocorrer evidência só de gás no interior do útero.aumento do volume uterino.4 – Fetos mumificados (A) Seta aponta crânio com ossos sobrepostos. podendo haver confusão se não for conhecida a história da paciente.3 – Piometra. Setas apontam os cornos uterinos distendidos. caracterizando fisometra (fig. A B Figura 4. também se poderá detectar aumento desta estrutura. 4. 4. fazendo com que a estrutura óssea torne-se muito evidente.Feto enfisematoso. Figura 4.4 A).4 B). B.

aritnóide e cricóide. A densidade dos esqueletos se apresentará semelhante a dos mumificados. contrastando com o ar contido na luz do órgão (fig. 37 .4 A). radiolucente. são alterações passíveis de serem diagnosticadas. apresentam ar em seu interior determinando radiolucência e evidenciando os cornetos como linhas radiopacas irregulares (fig. CAPÍTULO V SISTEMA RESPIRATÓRIO FOSSAS NASAIS O sistema respiratório inicia nas fossas nasais que. 5. O exame radiológico é de grande auxílio. DISTOCIA Situação na qual o parto normal fica impedido. Calcificação da laringe ou deslocamento e compressão por massas adjacentes. LARINGE É a estrutura que se segue à faringe (já estudada no sistema digestório). das cartilagens tiróide. como Sticker. em geral. demonstrando apresentação ou tamanho dos fetos. incompatível com parto normal. sendo identificada radiologicamente pela imagem da epiglote e.1 A e 5. ponto onde se bifurca. em condições normais. 5. originando os grandes brônquios. se constituem de tumorações. TRAQUÉIA Estrutura tubular preenchida por ar. que se estende da laringe à carina. Ao penetrar no tórax a traquéia inclina-se ventralmente em direção à base do coração (fig. muito discretamente.1 C).1). por exemplo (fig. 2. 5. 5 – Fisometra em cadela PRENHEZ ECTÓPICA Caracterizada pela localização dos fetos fora dos cornos uterinos.1 B).Figura 4. As alterações nesta estrutura.

Tumor de Sticker em fossa nasal de cão (C). Para evidenciar o colapso traqueal cervical.A B C Figura 5.2 – Desvio traqueal por massa mediastinal em cão. porque.1 – Fossas nasais de cão sem alteração. se ocorrer excessiva 38 . 5. sendo melhor visualizado em projeção lateral. a radiografia deve ser efetuada durante a inspiração. Já. COLAPSO TRAQUEAL O colapso traqueal usual ocorre no sentido ventro-dorsal. a tomada radiográfica deve ocorrer na fase expiratória. podendo. ALTERAÇÕES DESLOCAMENTO TRAQUEAL Pode ocorrer por compressão por massas mediastinais (fig.2) ou cervicais. podendo se restringir à região cervical ou à torácica. Observar a densidade aumentada (seta) e destruição do vômer. às vezes. Projeção fronto-mandibular (FM) (A) e lateral (L) (B). para identificação do colapso da traquéia torácica. ou por aumento de tamanho do coração. Projeção MF. se tornar paralela à coluna torácica (fig. Figura 5. Cuidado deve ser tomado ao posicionar o paciente.1). 6.

A radiografia do tórax deve ser feita no final da inspiração. Na imagem radiográfica dos pulmões normais não estão evidentes os espaços aéreos. como brônquios. haverá diminuição da luz da traquéia. para evitar imagem tremida pelo movimento respiratório. evitando a rotação. normalmente cheios de ar. o paciente é colocado em decúbito esternal. fará com que os vasos tornem-se menos evidentes. 5. bronquíolos ou alvéolos. Estes vasos são vistos como linhas convergentes em pares e de menor calibre na periferia do tórax ou como pontos radiopacos que vão diminuindo de tamanho da região do hilo à periferia. com os membros anteriores tracionados cranialmente. Nota: Atentar para imagens radiográficas estranhas à cavidade torácica. como a imagem radiopaca dos vasos pulmonares e do mediastino com coração e grandes vasos.4 A). Qualquer alteração pulmonar que produza perda de ar. ele é colocado em decúbito lateral sobre a mesa (filme).extensão do pescoço. PULMÕES Os pulmões. levando a falso diagnóstico de colapso. em projeção L (A) e DV (B). 5ª ou 6ª costela. Os membros posteriores são flexionados apoiando os joelhos sobre a mesa. Para uma boa imagem radiográfica. distinguindo-se apenas os vasos pulmonares que se apresentam radiopacos. A B Figura 5. evitando falso diagnóstico.4 B).3 B e 5. com os membros anteriores puxados para a frente e os cotovelos abduzidos. O feixe de raios x é centrado na altura da 5ª costela (fig. deve-se cuidar o posicionamento do paciente. como pregas cutâneas e mamilos. As vértebras devem se sobrepor ao esterno. quando na expiração. Para a incidência lateral. 5. o diafragma alcançará 7ª ou 8ª costela.3 A e 5. A cabeça é mantida baixa entre os membros anteriores e o feixe de radiação centrado na altura da 6ª costela. Para o posicionamento DV (fig.3 – Tórax de felino demonstrando pulmões e coração normais. proporcionando melhor evidência das estruturas radiopacas diante da radiolucência do ar. É importante efetuar a radiografia no menor tempo possível. proporcionam bom contraste para a visualização das estruturas intratorácicas. mas uma imagem radiolucente homogênea. Quando feita a radiografia durante a inspiração. 39 . O esterno deve ficar no mesmo plano das vértebras torácicas.

ficando sua imagem evidente. os espaços aéreos apresentam-se preenchidos por ar. como intersticial linear ou reticulado (fig. os vasos. pela imagem que apresenta na radiografia. Como dito acima. Diante destas imagens que aparecem radiopacas sobre o campo pulmonar. os espaços aéreos preenchidos por secreção.9 A) e afogamento são exemplos de afecções que proporcionam padrão alveolar. com formações nodulares. 5. 5. edema intersticial (fase inicial do edema pulmonar) e neoplasia ou metástases pulmonares. ALTERAÇÕES PADRÕES RADIOLÓGICOS PULMONARES Dependendo da afecção pulmonar. Aorta (seta branca). o que caracteriza o broncograma aéreo ou aerobroncograma (fig. em condições normais. 5. podem ficar indistingüiveis. sem distinção de brônquios ou bronquíolos. ainda. hemorragia (fig. este passa a ser evidente. Quando alguma afecção faz com que o parênquima se torne espesso ou edemaciado ou. que normalmente são evidentes.A B Figura 5. determinando imagem de manchas radiopacas nos pulmões ou radiopacidade homogeneamente distribuída em todo o campo pulmonar. edema pulmonar (fig. determinando a imagem radiolucente dos pulmões. 5. se observará padrão pulmonar correspondente. projeção L (A) e DV (B) demonstrando pulmões e coração normais. 5.5). determinam o padrão intersticial.6 B).6 A). que poderá receber uma classificação mais específica. 5. 40 . Pneumonia viral.4 – Tórax de cão. proporcionam densidade radiopaca. traquéia (seta preta).7 A) e nodular (fig. Pneumonia bacteriana (fig. enquanto os livres de secreção continuam com ar em seu interior. PADRÃO INTERSTICIAL O parênquima pulmonar é muito fino.7 B). pneumonia micótica. predominando na radiografia a imagem radiolucente do ar contido nos espaços aéreos. PADRÃO ALVEOLAR É produzido por fluídos ou secreções que preenchem os espaços aéreos. Em caso de doenças que determinam padrão alveolar.

A B Figura 5.5 – Imagem radiográfica de tórax de cão evidenciando padrão alveolar.Figura 5.6 – Imagem radiográfica de tórax evidenciando padrão alveolar em paciente com hemorragia pulmonar (A) e pneumonia (B). Diagnóstico de pneumonia bacteriana.7 – Imagens radiográficas de tórax de cães demonstrando (A) padrão intersticial reticulado e (B) padrão nodular. 41 . A B Figura 5. Setas apontam broncograma aéreo.

PADRÃO VASCULAR Os vasos pulmonares têm uma superfície uniforme e um diâmetro compatível com o tamanho do animal. Em alterações que determinam congestão dos mesmos, como cardiomiopatia e insuficiência da válvula mitral, os vasos tornam-se ingurgitados e tortuosos, determinando o chamado padrão vascular aumentado (fig. 5.8 B). Quando, ao contrário, os vasos tornam-se menos calibrosos, como em caso de hipovolemia, tetralogia de Fallot e desidratação, determinam o padrão vascular diminuído. PADRÃO BRONQUIAL Os brônquios, assim como o parênquima pulmonar, não se distinguem na imagem radiográfica. Quando ocorrer espessamento da parede bronquial (fig. 5.8 A), como em casos de bronquite crônica ou em animais muito velhos, esta se tornará evidente, como estrutura radiopaca circular ou linear, conforme o corte, transversal ou longitudinal.

A

B

Figura 5.8 – A- Imagem radiográfica ampliada da região do hilo pulmonar evidenciando o padrão bronquial (setas). B - Radiografia de tórax demonstrando o padrão vascular aumentado (setas).

PNEUMONIA BACTERIANA É uma infecção que ocorre pelas vias respiratórias, instalando-se o agente na luz destas vias, determinando produção de secreção. Neste caso o padrão pulmonar será o alveolar (fig. 5.5 e 5.6 B), que se distribuirá em todos os lobos ou, o que é mais comum, em maior concentração a partir do hilo, podendo afetar um lobo mais que outros. PNEUMONIA VIRAL Este tipo de infecção determina um padrão intersticial linear ou reticulado (fig. 5.7 A). Na fase inicial da doença ou quando tratada precocemente, é possível que não se observe alteração pulmonar na radiografia. Outras vezes, bactérias oportunistas podem se instalar nas vias aéreas de um pulmão já debilitado pela pneumonia viral, determinando um padrão misto na imagem radiográfica, isto é, intersticial e alveolar. BRONQUITE Esta alteração, quando crônica, determinará padrão bronquial e/ou intersticial.

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PNEUMONIA FÚNGICA Neste caso, os pulmões apresentarão um padrão intersticial nodular, que poderá levar à confusão com metástases pulmonares de pequeno diâmetro e em grande número. Cultura de lavado traqueal e a história do paciente (presença ou não de tumorações em outros órgãos), auxiliarão no diagnóstico. EDEMA PULMONAR Usualmente associado com insuficiência cardíaca esquerda, determina o padrão pulmonar alveolar (fig. 5.9 A). Broncograma aéreo é observado, em geral (fig. 5.6 B). NEOPLASIA PULMONAR Neoplasia pulmonar primária é relativamente rara em cães. Pode ocorrer como um nódulo único ou multifocal, como o carcinoma bronquíolo-alveolar multifocal. Outras condições podem causar densidades nodulares solitárias, como abscesso, infarto, cisto ou granuloma. Metástases pulmonares se caracterizam por múltiplas densidades, com tamanhos variados distribuídas pelo pulmão (fig. 5.7 e 5.9 B). São identificáveis radiologicamente a partir de três a 5mm de diâmetro.

A

B

Figura 5.9 – A- Imagem radiográfica de tórax de cão evidenciando edema pulmonar conseqüente a insuficiência cardíaca esquerda. B- Imagem radiográfica de tórax de cão demonstrando vários nódulos radiopacos, compatíveis com metástases pulmonares (setas).

PNEUMOTÓRAX Alteração, em geral, determinada por trauma, se caracteriza por ar no interior da cavidade torácica, ao redor dos pulmões. É possível visualizar as bordas dos lobos pulmonares devido à retração dos mesmos em relação à parede costal e diafragma. Na projeção lateral há um afastamento do coração em relação ao esterno. Isto se deve ao espaço proporcionado pelo colabamento pulmonar, fazendo com que o coração se desloque (fig.5.10).

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A

B

C

Figura 5.10 – Imagem radiográfica de tórax de cão (A) e gato (B e C) demonstrando pneumotórax.

O pneumotórax pode ser aberto ou fechado: • Aberto, quando há solução de continuidade da parede, entrando o ar exterior para o tórax. • Fechado, o ar contido no tórax é proveniente dos pulmões. Obs: A observação da continuidade ou não da parede é feita clinicamente. ENFISEMA PULMONAR Em caso de enfisema pulmonar a radiolucência estará exacerbada devido ao excesso de ar contido nos pulmões. O tórax torna-se distendido, o espaço intercostal aumentado, determinando imagem semelhante a um barril na radiografia DV e o diafragma deslocado caudalmente, melhor evidenciado na incidência lateral. EFUSÃO PLEURAL Caracteriza-se pela presença de líquido na cavidade torácica determinando radiopacidade homogênea ao redor dos lobos pulmonares radiolucentes (fig.5.11). Em caso de dúvidas, deve-se fazer a radiografia lateral com o paciente em estação, proporcionando que o líquido desça e incidindo o raio no sentido horizontal. O tipo de líquido não é identificado radiologicamente, podendo tratar-se de exsudato, transudato ou transudato modificado. Como causa de efusão pleural, pode-se citar a insuficiência cardíaca congestiva, piotórax, mediastinite, quilotórax, entre outras.

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• Lado indene: padrão pulmonar normal. forma um ângulo agudo com a coluna torácica. CAPÍTULO VI CORAÇÃO E GRANDES VASOS Para avaliar coração. mas constata-se a sua integridade pelo limite bem definido entre cavidade torácica e abdominal. HÉRNIA DIAFRAGMÁTICA O músculo diafragma não é visualizado. como fígado.4) em projeção DV apresenta a borda direita mais arredondada e a esquerda mais aplainada. sejam sugadas para o interior daquele. que aparece como uma estrutura radiolucente proveniente da região cervical direcionando-se à base do coração. componente do sistema respiratório. se desfará a pressão negativa presente no tórax. dependendo das estruturas herniadas. sendo mais estreito e posicionado mais verticalmente nas raças de tórax profundo e mais arredondado e em contato 45 . 5. Fig. 5.2m.12 – Imagem radiográfica evidenciando hérnia diafragmática.5. Características do hemitórax: • Lado afetado: desaparecimento da linha do diafragma e áreas de radiodensidade variável. as projeções recomendadas são lateral direita e dorso-ventral. levando a um aumento da imagem daquele. o ápice cardíaco toca ligeiramente ou nem alcança o esterno. O eixo do coração é dirigido para o lado esquerdo. no centro do tórax. Neste posicionamento a traquéia. A imagem cardíaca normal (fig. Esta distância. melhor identificado em projeção VD ou DV. graças à diferença de densidade entre pulmões radiolucentes e fígado radiopaco. O formato cardíaco varia nas diferentes raças. com desvio do mediastino para este lado.11 – Radiografia de tórax de cão evidenciando efusão pleural. com distância foco-filme de 1m a 1.12). ficando a base do mesmo sobre a linha média e o ápice à esquerda desta. para obter-se imagem proporcional do órgão em relação ao tórax. se faz necessária por ser o coração volumoso e. caracterizando a hérnia diafragmática (fig. aparentemente grande. fazendo com que as vísceras do abdome. ainda. Na maioria das vezes ocorre um hemitórax. a distância foco-filme pode ser mantida em 90cm. Quando houver ruptura do diafragma. Em projeção lateral. onde vísceras abdominais se insinuaram no tórax. estômago ou alças intestinais.Figura 5. Em pacientes de pequeno porte.

podendo-se perceber o cajado aórtico proeminente. lado esquerdo e direito afetados. ALTERAÇÕES DILATAÇÃO CARDÍACA GENERALIZADA Quando o coração apresentar aumento generalizado.3) é relativamente menor que o de cão e está posicionado mais obliquamente. a borda direita estará mais arredondada e próxima à parede torácica. até o ápice. a característica imagem de 46 . a partir daí. têm o tamanho cardíaco maior em relação ao tórax. DILATAÇÃO CARDÍACA DIREITA Em caso de dilatação ventricular direita. apresentaram imagem cardíaca que seria considerada aumentada. correndo paralela à coluna vertebral. às vezes. na borda ventral da carina. com a imagem radiográfica obtida em projeção lateral. que em lugar de se apresentar formando um ângulo agudo com a coluna torácica. estendendo-se da imagem do átrio esquerdo ao abdome.1). o coração tomará maior porção da cavidade torácica (fig. na projeção DV. corresponde à porção mais cranial e ventral. Se somarem até 10. já que 46. Para avaliação cardíaca pelo exame radiológico. ao longo da coluna torácica. em decúbito direito. 5. a sombra deste vaso sobre a imagem cardíaca. Maior contato do lado direito do coração com o esterno. enquanto o lado esquerdo. A veia cava caudal ou posterior é visualizada com o mesmo padrão da aorta. dentro da caixa torácica. Marca-se a borda cranial da 4ª vértebra torácica e. a artéria aorta aparece como uma estrutura linear emergindo da parte superior da borda anterior cardíaca. O aumento cardíaco generalizado pode ser resultado de várias condições. da base. sem sinais clínicos de alteração cardíaca. o coração será considerado aumentado de tamanho. isto é. estes vasos são pouco visualizados. Conta-se o número de vértebras abrangidas. quando comparado aos adultos. porém com menor diâmetro. O coração de gato (fig. cranialmente ao coração e. incluindo velhas lesões valvulares e doença do miocárdio. São características desta alteração: • Em projeção lateral: deslocamento dorsal da traquéia. Mede-se também a largura. até em torno dos 6 meses. Lado esquerdo cardíaco perpendicular ao esterno em vez de arredondado.5 corpos vertebrais. eventualmente. em projeção lateral. mede-se o comprimento do coração. adota-se meios subjetivos como a experiência do radiologista. no ponto mais largo do coração. É importante lembrar que o chamado lado direito no coração dos animais. Nas raças YorkshireTerrier e Maltês. usando-se para isso uma linha perpendicular à primeira. 6. Em projeção DV. ou meios objetivos como o método de Buchanan e Bücheler no qual.com o esterno nas raças de tórax cilíndrico. • Em projeção DV: a silhueta cardíaca aproxima-se da parede costal bilateralmente. radiografados em experimento em andamento em nossa instituição. corresponde à porção mais caudal e dorsal do mesmo. considera-se normal o tamanho cardíaco. tem se percebido que esta fórmula não confere resultado fidedigno. Cães jovens.67% dos animais destas raças. Ultrapassando este número. apresentando. entre outras. Na imagem radiográfica. toma-se a distância obtida nas mensurações. estará paralela a esta. considerando-se o tamanho do coração em relação ao tórax.

A B Figura 6. Em caso de aumento do átrio as bordas posterior e dorsal do coração formam um ângulo reto e não uma curva. 6. DILATAÇÃO DA AORTA Em projeção lateral aparece como uma proeminência na região do átrio direito. a borda cranial do coração se apresentará arredondada e a maior parte do ventrículo direito estará em contato com o esterno (fig. 47 . com diminuição do espaço entre este e a parede costal (fig. 6. 6. Nesta incidência o átrio esquerdo muito aumentado pode produzir dupla sombra onde se sobrepõe ao ventrículo direito. como seria normal. Em projeção DV observa-se aumento da região caudal esquerda do coração.3 A). Na DV causa um aparente aumento no comprimento do coração.2 B).2 A).1 – Imagem radiográfica de tórax de cão evidenciando dilatação cardíaca generalizada e padrão vascular aumentado.3 C) faz com que os grandes brônquios não apareçam sobrepostos na radiografia. Na projeção lateral. Figura 6. DILATAÇÃO CARDÍACA ESQUERDA Em projeção lateral a borda caudal do coração apresenta-se perpendicular ao esterno (dilatação ventricular) (fig. O aumento do átrio esquerdo (fig. uma vez que desloca o esquerdo dorsalmente.D invertido (fig.3 B). 6.2 – Radiografia de tórax de cão evidenciando dilatação cardíaca direita. 6. Dilatação do átrio direito geralmente está associada à dilatação do ventrículo e desloca a traquéia dorsalmente. Traquéia deslocada dorsalmente (seta). em projeção D-V (A) e L (B).

hérnia peritônio pericárdica (B e C). onde se observa uma proeminência na porção cranial esquerda do coração (fig. proporcionando que estruturas do abdome se insiram entre o coração e o pericárdio (fig. conseqüente a tumor. A B C Figura 6. 48 . 6.4 A).3 – Radiografia de tórax de cão evidenciando dilatação cardíaca esquerda (A e B).A B C Figura 6.5). DILATAÇÃO DA ARTÉRIA PULMONAR Diagnosticada na projeção DV. Dilatação de átrio esquerdo (C). HÉRNIA PERITÔNIO-PERICÁRDICA Alteração congênita na qual há comunicação entre a cavidade peritonial e o saco pericárdico.4 B e C). por exemplo (6. EFUSÃO PERICÁRDICA O coração apresenta-se globoso pela presença de líquido no interior do saco pericárdico.4 – Radiografia de tórax de cão evidenciando dilatação de artéria pulmonar (A). 6.

FREQUÊNCIA É definida como o número de vezes que uma onda é repetida (ciclos) por segundo. emitindo ondas de ultra-som. A onda sonora (eco) captada é transformada em pulso elétrico.000. também conhecido por sonda ou probe.5 – Efusão pericárdica em cão conseqüente a tumor no coração. O transdutor contém um cristal (ou cristais) piezoelétrico que vibra ou pulsa ao receber impulso elétrico. um monitor e um software. determinando imagem em pontos sucessivos na tela do aparelho. o som atravessa as diferentes interfaces biológicas do mesmo as quais emitem eco que é captado pelo próprio transdutor.1 Hz • 1 000 ciclos/s . CAPÍTULO VII INTRODUÇÃO À ULTRA-SONOGRAFIA BASES FÍSICAS DO ULTRA-SOM Um aparelho de ultra-sonografia (ecografia) é composto por um transdutor.Figura 6.1 MHz 49 . Em íntimo contato com a pele do paciente.1 kHz • 1. A profundidade que o som alcança depende da freqüência do transdutor.20 kHz (audível pelo ouvido humano) • 1 ciclo /s .000 ciclos/s . • 20 000 ciclos/s . Freqüência de milhões de ciclos/s tem um curto comprimento de onda (essencial para uma boa resolução da imagem).

Ex: Transdutores de alta freqüência (7. 7. ou transversal (fig. A profundidade que o som penetra no tecido é inversamente proporcional à freqüência empregada. reflexão intermediária (cinza).000 ciclos/s ↔ 2 a 15 MHz COMPRIMENTO DE ONDA É a distância que a onda percorre durante 1 ciclo. Quanto menor o comprimento de onda. Esta poderá ser longitudinal (sagital) (fig. felinos e cães de pequeno porte.2 A e B).5MHz) são mais indicados para exame abdominal de estruturas superficiais. maior a freqüência e melhor a resolução.000. será determinada a orientação da imagem. • Hipoecóico-Hipoecogênico: ecos esparsos. • Isoecóico-Isoecogênico: estruturas com a mesma ecotextura (aparência superficial e profunda do órgão) ou ecogenicidade. A freqüência e o comprimento de onda são inversamente relacionados. ORIENTAÇÃO DA IMAGEM Conforme a posição do transdutor na superfície corporal do animal. 50 . Sons de alta freqüência são mais atenuados que sons de baixa freqüência.1 A e B). 7. Ecogenicidade dos tecidos e fluidos corporais em ordem crescente: Bile/ Urina → Medula renal → Córtex renal → Fígado → Baço → Próstata VENTRAL CRANIAL CAUDAL CRANIAL CAUDAL A B DORSAL Figura 7. estruturas altamente reflexivas (branco).• Ultra-som: 2 a 15. TERMINOLOGIA • Anecóico-Anecogênico-Transônico: ausência de ecos (preto) • Ecóico-Ecogênico: presença de ecos • Hiperecóico-Hiperecogênico: ecos brilhantes. enquanto os de baixa freqüência (< 5 MHz) são mais utilizados para cães de porte médio e grande. atingindo menor profundidade.1 A e B – Orientação do transdutor correspondente à imagem do plano sagital do paciente.

SOMBRA ACÚSTICA: zona anecóica determinada por estrutura hiperecóica que impede a progressão do ultra-som nos tecidos.setas brancas.3 A e B). refletindo-o completamente (fig.4 . DORSAL ARTEFATOS REVERBERAÇÃO: Imagem de linhas ecogênicas sucessivas. 7.Sombra acústica suja causada por gases em cólon (A) e limpa.3 – Linhas hipo e hiperecóicas alternadas demonstrando a reverberação (setas) externa (A) e interna (B).2 A e B – Orientação do transdutor correspondente à imagem do plano transversal do paciente. .VENTRAL LADO DIREITO LADO DIREITO A B Figura 7. 7. A B Figura 7.Reverberação interna: determinada por gases no interior do corpo do paciente. cólon com gases (determina sombra suja).4 A e B). determinando a imagem de reverberação desde o topo da imagem ecográfica. paralelas à superfície da pele. cólon A B Figura 7. Ex: Cálculo urinário – hiperecóico (determina sombra limpa).Reverberação externa: quando o contato entre o transdutor e a pele não é total. . determinadas pela repetição do eco devido a ar ou gás na trajetória do ultra-som (fig. 51 . causada por cálculo vesical (B) .

SOMBRA DE BORDA: sombra acústica distal à estrutura arredondada. fazendo com que este chegue com muita intensidade nos tecidos posteriores à mesma. determinando imagem hiperecóica (fig.5 A e B – Reforço acústico posterior (setas). B A Figura 7.5 A e B). altamente reflexiva. Figura 7.6). causada por interface arredondada. Quando está aumentado. o que poderá determinar imagem do fígado posterior ao diafragma. 52 . 7. causada pela refração das ondas sonoras (fig.REFORÇO POSTERIOR: uma estrutura anecóica (conteúdo líquido) conduz muito bem o som. 7. além da imagem normal. CAPÍTULO VIII ULTRA-SONOGRAFIA DO ABDOME EM PEQUENOS ANIMAIS BAÇO O baço tem localização intraperitoneal no hipocôndrio esquerdo e geralmente acompanha a curvatura maior do estômago. IMAGEM DE ESPELHO: Imagem dupla de uma estrutura.6 – Sombra de borda (setas). o diafragma em relação aos pulmões. anterior ao mesmo. O corpo e a cauda são bastante móveis podendo ser visibilizados em diferentes locais do abdome. Ex: bexiga com urina. como por exemplo. pode cruzar a linha média ventral ou estender-se caudalmente para a região da bexiga.

administração de anestésicos e tranqüilizantes.1 B) e por células não neoplásicas (amiloidose). Aspecto rendado.ANATOMIA ULTRA-SONOGRÁFICA NORMAL DO BAÇO Anatomicamente se relaciona com o estômago. o baço é envolvido em todas as inflamações sistêmicas. O parênquima pode apresentar ecogenicidade normal ou diminuída. Infecciosa e/ou Inflamatória: acompanhando afecções sistêmicas. A região do hilo (vasos e nervos) é facilmente visibilizada (fig. 8. 8. Possui parênquima homogêneo e é considerado hiperecogênico em relação à cortical renal e parênquima hepático. FÍGADO 53 . • Hiperplásica.1 – (A) Baço normal (seta). A esplenomegalia difusa pode ser: • Infiltrativa: causada por células neoplásicas (fig. As lesões são classificadas como neoplásicas e não neoplásicas e possuem aparência sonográfica variável. ALTERAÇÕES DIFUSAS DO PARÊNQUIMA ESPLÊNICO Por fazer parte do sistema reticuloendotelial. lobo esquerdo do pâncreas e rim esquerdo. VL: veia lienal. (B) Neoplasia esplênica em cão. • Congestiva: associada a condições toxêmicas. trombos vasculares. sólidas ou cavitárias. insuficiência cardíaca congestiva direita e hipertensão portal.1 A). Raramente é o local de doença primária. O aumento do calibre dos vasos é característico de congestão. A ultra-sonografia detecta a presença de lesões difusas ou focais. podendo ser mistas. VL Figura 8. torção esplênica. Nos processos crônicos a ecogenicidade pode estar aumentada. distúrbios hematopoiéticos generalizados e alguns distúrbios metabólicos. ALTERAÇÕES FOCAIS DO PARÊNQUIMA ESPLÊNICO Podem acompanhar ou não esplenomegalia. intestino delgado. ESPLENOMEGALIA É a alteração mais freqüente do baço. O baço é envolto por uma cápsula ecogênica. É triangular em seção transversal e situa-se quase paralelo à curvatura maior do estômago.

no 7o espaço intercostal na região ventrolateral direita. Em cães de tórax profundo o exame deve ser realizado entre os últimos 3 a 4 espaços intercostais. idosos. A vesícula biliar possui parede hiperecogênica que pode medir de 1 a 5mm de espessura. VB A B Figura 8. A avaliação do tamanho hepático é subjetiva.2). Achados sonográficos normais não descartam a ausência de obstrução. Um achado normal por ultra-som. Normalmente é levemente hiperecogênica em relação ao córtex renal e hipoecogênica em relação ao baço.2 B). A superfície cranial do fígado está delimitada por uma linha ecogênica que representa o diafragma (fig. lobo quadrado. A ultra-sonografia hepática está indicada diante de icterícia e quando há suspeita de ruptura de diafragma. Em cães e gatos de pequeno porte o fígado pode ser visibilizado mais facilmente pela localização subcostal. O aumento da distância entre o estômago e o diafragma. A ecogenicidade hepática é avaliada através da comparação com os órgãos de referência (rins e baço).2 – (A) Fígado canino normal. o fígado é formado por quatro lobos: lobo esquerdo (subdivide-se em sublobo medial e lateral). indicam hepatomegalia. (B) Vesícula biliar com lama (seta). ANATOMIA SONOGRÁFICA NORMAL DO FÍGADO Em cães. lobo direito (subdivide-se em sublobo medial e lateral) e lobo caudato. a presença dos lobos hepáticos ultrapassando os limites do gradil costal ou o deslocamento caudal do rim direito. Linha do diafragma (seta). entre o lobo medial direito e o quadrado. hepatomegalia.2 A). quando repleta. pesquisa de metástase e para monitorar a evolução de doenças hepáticas crônicas. ascite. ALTERAÇÕES DA VESÍCULA BILIAR • Litíase biliar: geralmente apresenta sombra acústica. contornos lisos e margens de ângulos agudos. não exclui doença hepática. 8. VB: vesícula biliar. Normalmente o conteúdo é anecogênico (fig.O fígado é o maior órgão do abdome. 54 . O padrão sonográfico normal é de ecotextura homogênea mais grosseira que do baço. sedentários ou endocrinopatas (fig. tornando seu completo exame mais difícil. • Obstrução de vias biliares: nos processos mais avançados pode-se observar uma dilatação da vesícula biliar e região de colo alargada e tortuosa (fig. A vesícula biliar se localiza. 8.3 A). A lama biliar é um achado comum nos animais obesos. 8. A dimensão ecográfica do fígado normal é variável. 8.

8. Nas demais patologias o fígado pode se apresentar com dimensão normal ou aumentada. 8. Seta aponta vesícula biliar com parede irregular e espessada.3 – (A) Obstrução biliar. A B Figura 8.3 B).4 A e B). ALTERAÇÕES FOCAIS DO PARÊNQUIMA HEPÁTICO 55 . Alterações difusas hiperecogênicas (aumentam a ecogenicidade do fígado) incluem: infiltração gordurosa. hepatite aguda ou crônica e colangiohepatite.4 – Imagem ecográfica de região hepática.• Espessamento de parede: pode acompanhar colecistite. duto dilatado (seta ). (B) Colangiohepatite. leucemia e congestão passiva crônica. linfoma. hepatopatia por esteróide. hipoalbuminemia ou congestão passiva (fig. Alterações difusas hipoecogênicas (diminuem a ecogenicidade hepática) podem caracterizar hepatite aguda. O espessamento focal pode estar associado a neoplasias. ALTERAÇÕES DIFUSAS DO PARÊNQUIMA HEPÁTICO As alterações difusas são de difícil detecção sonográfica por não provocarem grande modificação da arquitetura hepática. linfoma. diabetes mellitus. Nesses casos o fígado pode apresentar-se com dimensão normal ou aumentada. (B) Espessamento da parede da vesícula biliar (seta). (A) Cirrose hepática e presença de líquido livre no abdome. Geralmente a colagiohepatite crônica e a cirrose apresentam fígado de tamanho reduzido e contornos irregulares. cirrose e colangiohepatite crônica (fig. A B Figura 8.

ANATOMIA ULTRA-SONOGRÁFICA NORMAL DO TRATO GASTRINTESTINAL (fig. A porção proximal do duodeno localiza-se na região cranioventral do abdome e relaciona-se com o rim direito e lobos hepáticos direitos. Nos gatos a média é de 2mm (entre as pregas) e 4. hiperplasia nodular. neoplásica e que alteram a motilidade gastrointestinal.4mm. baço e rim esquerdo. exceto em gatos que pode ocasionar evidente contração estomacal (forma de roseta). 8.5 . Granulomas (tuberculose). cistos.6 A e B) O estômago localiza-se no abdome cranial relacionando-se ao parênquima hepático. A reverberação causada pelo gás pode impossibilitar um exame de planos mais profundos. A espessura da parede é maior quando comparada ao restante das alças intestinais e varia de acordo com a raça (3-5mm). abscessos. podem ser evidenciadas ultra-sonograficamente. No peristaltismo normal ocorrem em média de 5 contrações por minuto. inflamatória. A espessura normal da parede estomacal varia de 3-5mm nos cães. hematomas. A avaliação sonográfica da parede do intestino grosso é dificultada pela quantidade de gás. hipoecogênicas. para que não haja atenuação da onda sonora. 8. O baço e a bexiga servem de janela acústica para a visibilização dos demais segmentos intestinais que se localizam na região média do abdome. O exame ultra-sonográfico deve ser realizado anteriormente a exames contrastados à base de sulfato de bário.4mm (na região das pregas). A espessura das demais porções do intestino delgado nos cães é de 2-3mm e nos gatos de 2mm. O preparo prévio do paciente (jejum alimentar) para diminuir o acúmulo de gás pode ser necessário. Nos cães o piloro situa-se no lado direito do abdome enquanto nos gatos está na linha média ou próximo a ela. Figura 8.As alterações hepáticas focais podem ser anecogênicas. Calcificações hepáticas aparecem como pontos hiperecogênicos que produzem sombra acústica.5) de origem primária ou metastática. TRATO GASTRINTESTINAL (TGI) Doenças de origem obstrutiva. granulomas e neoplasias (fig. limitando a mensuração de sua parede. neoplasias e hematomas podem calcificar. não comprometem o exame. hiperecogênicas ou de ecogenicidade mista e são produzidas por hemorragias. Nos gatos varia de 2-2. Parênquima heterogêneo com áreas hipoecogênicas . Já os contrastes iodados.Neoplasia. 56 .

7 A e B): A presença de líquido intraluminal pode favorecer a avaliação da parede gástrica. A. Mucosa: hipoecogênica C. • Funcionais (denominada íleo funcional) – gastroenterite de origem viral. Podem ocorrer por causas: • Mecânicas . etc. Subserosa/serosa: hiperecogênica A B Figura 8.7 – (A) Parede do estômago normal de cão.A B Figura 8. Obstrução do TGI: sonograficamente pode haver distensão de alças com aumento do peristaltismo anterior ao ponto de obstrução.6 – Sonograma evidenciando a parede de estômago (A) e alças intestinais(B) com líquido intraluminal. Pregas gástricas (setas). (FONTE: CARVALHO. 2004). corpos estranhos. Muscular própria: hipoecogênica E. Intussuscepção: A imagem sonográfica se caracteriza por camadas de anéis concêntricos no corte longitudinal e imagem de alvo (conhecido como olho de boi) no corte 57 . 8. tumores. hérnias. IDENTIFICAÇÃO DAS CAMADAS DA PAREDE (do lúmen para fora) (fig. Superfície mucosa: linha hiperecogênica B.aderências. ALTERAÇÕES DO TRATO GASTROINTESTINAL Neoplasias: São formações hipoecogênicas de tamanho variável em que se tornam indiferenciáveis as camadas da parede gástrica e/ou intestinal. Submucosa: hiperecogênica D. (B) Plano longitudinal do duodeno identificando as camadas.

Inflamações gastrointestinais: presença de espessamento da parede do intestino com preservação de suas camadas e com visibilização da camada submucosa. A B Figura 8. que ocorre freqüentemente em úlceras. SISTEMA REPRODUTOR SISTEMA REPRODUTOR FEMININO A ultra-sonografia do aparelho reprodutor feminino está indicada para pesquisa de alterações ovarianas e uterinas. Corpos estranhos: sua identificação é dependente do formato. O espessamento localizado. 8.8 . Ocorre comumente em cães jovens com gastroenterite (fig. principalmente durante o anestro (período em que não há atividade ovariana).8 A e B). há crescimento dos folículos que deixam a ecogenicidade dos ovários 58 . morte ou maceração fetal. Há espessamento da porção duodenal com preservação das camadas. 8. • Gastrites: espessamento difuso da parede do estômago (maior que 7mm) com preservação das camadas. • Duodenites: em cães geralmente estão associadas a processos inflamatórios no pâncreas (pancreatite). características físicas e acúmulo de líquido ou gás intestinal. Nas demais fases estrais.9). OVÁRIOS ANATOMIA ULTRA-SONOGRÁFICA NORMAL DOS OVÁRIOS Devido ao pequeno tamanho e semelhança de ecogenicidade dos ovários com os tecidos adjacentes.Imagem do corte transversal de intussuscepção (alvo). não pode ser diferenciado de neoplasias através do exame ecográfico. ou discretamente hipoecogênicos (fig. evolução gestacional ou distúrbios na gestação como retenção.transversal que representam as camadas intestinais. Os corpos estranhos lineares são representados por uma linha hiperecogênica intraluminal e pelo pregueamento intestinal no segmento envolvido. (A) em um gato e (B) em um cão. a avaliação sonográfica tornase difícil. O peristaltismo pode estar ausente. Radiografias auxiliam no diagnóstico.

Na gestação contribui para o diagnóstico precoce. por não se perceber os limites de cada um e aumentar o tamanho ovariano. Podem ser únicos ou múltiplos e estar presentes em um ou ambos os ovários. Sua forma é variável. Apresentam-se como estruturas arredondadas. A B Figura 8. 59 . Localizam-se próximos ou em contato com o pólo caudal do rim correspondente. viabilidade fetal e estimativa aproximada da idade gestacional. Sonograficamente possuem aparência variável.heterogênea (diferindo da ecogenicidade dos tecidos adjacentes). Pode tomar grandes proporções. ÚTERO A ultra-sonografia tem importante papel na avaliação uterina principalmente em doenças de grande ocorrência como a piometra. mas na rotina tem-se visto tumores com aspecto de muitos cistos com septação fina entre eles. como inclusão acidental do ureter no momento de ligar o pedículo ovariano durante a operação. ocupando considerável porção do abdome. cistos ovarianos e granulomas por fios de sutura. 8. facilitando sua identificação. aproximadamente. anecogênicas com reforço acústico posterior. hipoecogênico em relação aos tecidos adjacentes (A) e com aspecto multicavitário (B). Ovários policísticos (fig. ALTERAÇÕES PÓS-OVARIECTOMIA: Granulomas por fio de sutura: decorrem da reação ao fio. medindo 1cm nas gatas e 2cm nas cadelas. As neoplasias são classificadas de acordo com sua origem embriológica. ALTERAÇÕES OVARIANAS As alterações usualmente detectadas nos ovários são: neoplasias.9) se caracterizam por estruturas císticas anecogênicas que podem aparecer separadamente ou como um único cisto. Normalmente são heterogêneos. Os cistos ovarianos possuem aspecto cavitário. com contornos irregulares ou pouco definidos.Ovário normal. Hidronefrose ou pionefrose: alterações renais conseqüentes a falhas no procedimento cirúrgico.9 .

enquanto a gestação de gatas varia de 64-68 dias. A ausência de peristaltismo pode diferenciar os cornos uterinos das alças intestinais. Os cornos variam de 12-15cm de comprimento. Em gatas.10 . Na piometra de colo aberto. em geral. devido à ovulação ser induzida pela cobertura. • HEC: ultra-sonograficamente se apresenta com múltiplos cistos irregulares na parede uterina aumentando seu diâmetro. hiperplasia endometrial cística (HEC) e endometrite. Quando visibilizado se apresenta como estrutura homogênea hipoecogênica. 8. Piometra. O exame ecográfico não permite diferenciar piometra (fig. Figura 8. é anecogênico. • Piometra: o útero é identificado como estrutura tubular. com diâmetro menor que 1cm. Nesta condição a parede uterina possuirá espessura variável. localizados no abdome. ALTERAÇÕES UTERINAS As alterações mais freqüentes são piometra. • Endometrite: é caracterizada pelo aumento da parede uterina e mucosa irregular.ANATOMIA ULTRA-SONOGRÁFICA NORMAL DO ÚTERO O corpo uterino mede de 2-3 cm e está localizado parcialmente no interior da pelve. ou circular quando a imagem é obtida com cortes transversais.10) de hemometra. porque os cornos uterinos não possuem conteúdo em seu lúmen e podem ficar encobertos por gás das alças intestinais. não é possível em fêmeas jovens em anestro ou pré-púberes. mucometra e hidrometra. granuloma e piometra de coto secundários a ovário-histerectomia também ocorrem. Muitas vezes a visibilização do útero normal. 60 . idade gestacional aproximada e viabilidade fetal são informações que o exame ultra-sonográfico fornece. A bexiga distendida serve de janela acústica para localizar e avaliar o corpo uterino. no plano sagital. o útero poderá não apresentar conteúdo significativo. estendendo-se na direção de cada rim. GESTAÇÃO Diagnóstico precoce de gestação. A gestação das cadelas dura em média 64 dias ± 1. monitoração da fêmea prenhe. Outras afecções como neoplasia. podendo apresentar quantidade variável de pontos ecogênicos. A quantidade de conteúdo luminal geralmente é pequena.Útero com conteúdo anecogênico. a data do início da gestação é mais precisa. O conteúdo luminal. não gravídico.

). reduzindo gradativamente até o parto. Aos 40 dias. A morte fetal é caracterizada pela ausência de batimentos cardíacos e perda da movimentação fetal. O embrião só é visibilizado a partir do 22-25o dia (período indicado para a realização do exame) e se apresenta como uma estrutura ecogênica homogênea projetada para o interior da vesícula.11 A e B) IG = (6 x DSG) + 20 Onde: IG = Idade Gestacional DSG = Diâmetro do saco gestacional 61 . a freqüência cardíaca média inicial do feto é de 214 bat/min. Na espécie felina a freqüência cardíaca dos fetos se mantém quase constante durante toda a gestação (aproximadamente 228 bat/min. podendo ocorrer acúmulo de gás no feto e ao redor do mesmo em caso de contaminação. IDENTIFICAÇÃO DE ESTRUTURAS FETAIS APÓS PICO DE LH: 21-29 dias . O sofrimento fetal é caracterizado pela freqüência cardíaca diminuída em relação às medidas citadas ou quando comparada aos outros fetos. 238 bat/min.ANATOMIA ULTRA-SONOGRÁFICA GESTACIONAL As vesículas gestacionais correspondem a formações arredondadas anecogênicas.. CÁLCULOS PARA ESTIMAR A IDADE GESTACIONAL Cadelas com menos de 40 dias de gestação: (Fig. Em cães podem ser detectadas após 17 dias do pico de LH. Nas gatas as vesículas gestacionais podem ser detectadas 11-14 dias após a cobertura.batimentos cardíacos (15-17 dias em gatas) 33-35 dias – movimentos fetais 30-35 dias – início da mineralização óssea 35 dias – diferenciação em cabeça e tronco 45 dias – sombra acústica formada pela calcificação óssea 50-60 dias – redução acentuada dos líquidos extra fetais Na espécie canina. 8.

12 A e B) IG = (15 x DBP) + 20 IG = (7 x DTA) + 29 IG = (6 x DBP) + (3 x DTA) + 30 Gatas com mais de 40 dias de gestação (variação de ± 2 dias) IG = (25 x DBP) + 3 IG = (11 x DTA) + 21 Onde: IG = Idade Gestacional DBP = Diâmetro Biparietal DTA = Diâmetro Tóraco-abdominal 62 .11 – (A) Vesícula gestacional. (B) Medida do diâmetro do saco gestacional (DSG). Cadelas com mais de 40 dias de gestação (variação de ± 3 dias): (Fig.A B Figura 8. Aproximadamente 24 dias de gestação. 8.

prostatites. sendo que a cabeça do epidídimo fica na porção cranial do mesmo. neoplasias prostáticas e cistos paraprostáticos podem ser identificados. 8.13). SISTEMA REPRODUTOR MASCULINO Alterações como testículo ectópico. Ultra-sonograficamente possuem textura homogênea hipo ou isoecogênica em relação à próstata.12 – (A) Diâmetro biparietal (DBP). epididimites. A linha do mediastino formada pela invaginação da túnica albugínea é hiperecogênica (fig.A B Figura 8. As túnicas: vaginal visceral e albugínea recobrem os testículos formando uma cápsula fibrosa. Figura 8. 63 . (B) Diâmetro tóraco-abdominal (DTA). TESTÍCULOS ANATOMIA ULTRA-SONOGRÁFICA NORMAL DOS TESTÍCULOS E EPIDÍDIMO Os testículos estão localizados no interior da bolsa escrotal e têm contorno ovalado e medem aproximadamente 3. orquites.63cm.13 – Imagem do testículo com o mediastino evidente (seta) e o epidídimo (+). Os epidídimos se situam sobre os testículos.

Área hipoecogênica ao redor do testículo (setas). Sonograficamente podem ter aparência normal. No gato a próstata recobre a uretra dorsolateralmente. • Testículos ectópicos: os testículos podem ficar retidos no tecido subcutâneo préescrotal. na área inguinal ou no abdome. 64 .14 – Hidrocele. O epidídimo pode demonstrar áreas hipoecogênicas ou hiperecogênicas. medindo de 1. ecogenicidade normal a diminuída e preservação das características da arquitetura interna. com ou sem mineralizações. A neoplasia se apresenta com aumento testicular e formação de massa abdominal complexa. 8. • Orquite e epididimite: é a inflamação do testículo e epidídimo.ALTERAÇÕES DOS TESTÍCULOS E EPIDÍDIMOS • Hidrocele: os achados sonográficos incluem uma imagem hipoecogênica ao redor do testículo determinada pelo líquido que se acumula na bolsa escrotal (fig. A aparência sonográfica é variada.14). 8. • Neoplasias testiculares representam o segundo tipo mais comum de tumor em cães idosos. O testículo inflamado apresenta-se hipoecogênico e com contorno irregular.3 a 3cm nos três planos (largura/ comprimento e espessura). Figura 8. Nos cães castrados.15 A). Testículos atrofiados se caracterizam pela diminuição de tamanho. Seu comprimento é de aproximadamente 1cm e possui pouco significado clínico. o tamanho da próstata está diminuído e os lobos prostáticos não são distinguíveis. Em cães é bilobulada e seu tamanho é variado. atrofiada ou alterada. PRÓSTATA ANATOMIA ULTRA-SONOGRÁFICA NORMAL DA PRÓSTATA A próstata se localiza na porção retroperitoneal que circunda a uretra. há simetria dos lobos e bordos lisos (fig. respectivamente. na região do colo da bexiga. Sonograficamente se apresenta com parênquima de ecogenicidade homogênea e hipoecogênica em relação aos tecidos adjacentes.

Neoplasias: os achados sonográficos incluem parênquima heterogêneo (fig. Ultra-sonograficamente há prostatomegalia. principalmente com mais de 6 anos de idade.15 B). lobo esquerdo do pâncreas e adrenal esquerda.• • • • ALTERAÇÕES PROSTÁTICAS HPB (hiperplasia prostática benigna): é a alteração de próstata mais comum em cães. baço. Prostatite bacteriana: Na infecção aguda o exame ecográfico mostra áreas cavitárias preenchidas por líquido com imagem hipoecogênica. resultante de abscesso. 8. do contorno. lobo direito do pâncreas e duodeno descendente enquanto o rim esquerdo relaciona-se à grande curvatura do estômago. da dimensão e da arquitetura interna dos órgãos que o compõem. parênquima homogêneo. RINS Os rins são órgãos retroperitoneais circundados por tecido adiposo.15 – (A) Imagem de próstata normal com limites nítidos (setas) e uretra prostática evidente (linha anecogênica). áreas hiperecogênicas focais ou difusas sugestivas de mineralização. A B Figura 8. SISTEMA URINÁRIO A ultra-sonografia do trato urinário permite a avaliação da forma. (B) Próstata com parênquima heterogêneo e contorno irregular. podendo ser visibilizadas estruturas císticas múltiplas e difusas. Externamente são revestidos por uma cápsula fibrosa que 65 . ANATOMIA ULTRA-SONOGRÁFICA NORMAL DOS RINS O rim direito localiza-se na fossa renal do lobo caudato do fígado e mantém proximidade com a adrenal direita. Cistos prostáticos: são áreas cavitárias focais ou multifocais. Neoplasia prostática. com conteúdo hipo ou anecogênico. correspondente a fluido.

amiloidose. Dioctofimose: causada pelo verme Dioctophyma renale. Hiperecogenicidade da cortical renal indicando nefropatia (B). A ultra-sonografia do trato urinário é indicada quando há dor na região renal. hematúria. Em felinos o aumento da ecogenicidade cortical também está relacionado a linfossarcoma difuso.0cm são consideradas normais em eixo longitudinal.produz eco brilhante quando o feixe sonoro incide perpendicularmente.16 – Imagem de rim de cão sem alteração em corte longitudinal (A). Na região do hilo são observáveis a veia e a artéria renais e o ureter (fig. tamanho e condição corpórea. nefrocalcinose (fig. necrose. A função renal não está correlacionada com o tamanho ou ecogenicidade dos rins. ALTERAÇÕES FOCAIS DO PARÊNQUIMA RENAL RINS POLICÍSTICOS Os rins policísticos.17 B). podendo ser uni ou bilaterais. que são estruturas anecogênicas de forma e tamanho variados. 8. 8. 66 . 8.4cm em plano longitudinal.16 B) e doenças renais terminais. Felinos têm o comprimento renal variando entre 3.0-9. A simetria dos rins é um dado mais útil. A avaliação da relação córtico-medular. 8. Distorção anatômica do rim e presença de várias estruturas circunscritas ou lineares hiperecogênicas com conteúdo anecogênico podem sugerir a presença do verme (fig. bem como a ecogenicidade cortical que é comparada com fígado e baço. servem para indicar alterações renais. como o nome sugere. Porém. afeta principalmente o rim direito. A B Figura 8.8-4. ALTERAÇÕES DIFUSAS DO PARÊNQUIMA RENAL A ecogenicidade cortical pode encontrar-se aumentada em patologias como nefrite. apresentam múltiplos cistos. Possui a cortical ecogênica. peritonite infecciosa felina (PIF) ou pode ser considerado normal em gatos castrados. O diagnóstico diferencial é feito através de biopsia renal. A doença policística renal é mais comum em gatos da raça Persa sendo identificada como doença autossômica dominante (fig.17 A). a medular (porção mais interna) hipoecogênica em relação àquela e uma região mais central correspondente à pelve renal que é hiperecogênica.16 A). suspeita de massa abdominal ou doença policística. A dimensão renal em cães está relacionada ao peso. dimensões entre 6. infecção urinária recidivante ou quando a função do rim está ausente na urografia excretora ou alterada em dados laboratoriais.

(B) Rins policísticos em felino. Tanto cálculos radiopacos como radiolucentes são visibilizados no exame ultra-sonográfico e apresentam marcada sombra acústica (fig.A B Figura 8. Figura 8. 8. NEOPLASIAS 67 .18 – Cálculo no rim esquerdo formando sombra acústica (setas). CALCIFICAÇÃO E CÁLCULO RENAL As calcificações podem aparecer em diferentes porções do parênquima renal ou formar linha hiperecogênica na medular ou na junção córtico-medular.18).17 – (A) Dioctophyma renale em rim direito de cão.

19 – Hidronefrose (A) e (B). útero. (fig. ALTERAÇÕES DE PELVE RENAL HIDRONEFROSE É a causa mais comum de aumento renal. com conteúdo anecogênico (urina) (fig.19 A e B). 68 . A bexiga normal apresenta-se como uma estrutura de forma piriforme. A parede é observada como uma camada dupla hiperecogênica.20 A). a bexiga é visibilizada cranialmente à pelve.Em cães e gatos a metástase renal é mais freqüente que o tumor primário.17cm nos gatos e deve ser considerada com uma distensão moderada.20 B). Sonograficamente a arquitetura interna do órgão é afetada em maior ou menor grau. A espessura normal da parede vesical varia de 0.13 a 0. separada por uma linha hipoecogênica. A camada interna (mucosa) deve ser lisa e contínua. 8. sendo a biopsia renal indicada para o diagnóstico definitivo. 8. Em B ocorreu grande destruição do parênquima. BEXIGA A ultra-sonografia de bexiga deve ser feita com a mesma distendida por conteúdo. A ecogenicidade é variável. pelve renal (P). podendo tornar-se deformada por estruturas vizinhas (fig.1 a 0. ANATOMIA ULTRA-SONOGRÁFICA NORMAL DA BEXIGA Com o animal em decúbito dorsal. P A B Figura 8.5cm nos cães e de 0. Caracteriza-se pela dilatação do sistema coletor. secundariamente à obstrução. dependendo da duração da obstrução. 8. É utilizada como janela acústica para avaliação de estruturas adjacentes como cólon. próstata e linfonodos ilíacos. Em estágios avançados da doença. os rins podem apresentar-se como um saco de conteúdo hipoecogênico ou anecogênico. Lesões focais com menos de 1cm podem não ser visibilizadas.

21 B). 8. NEOPLASIA Os tumores se apresentam como espessamentos focais de parede que se estendem para o lúmen vesical ou de forma difusa que causam espessamento uniforme e generalizado 69 . (B) Sedimento vesical após balotamento. 8. A cistite aguda pode não causar alterações sonográficas na parede vesical. A B Figura 8. São observados como estruturas hiperecogênicas que produzem sombra acústica (fig. ALTERAÇÕES DA BEXIGA CISTITE Características como irregularidade na camada mais interna da bexiga e espessamento da parede com presença de sedimento podem ser observadas (fig. O ato de sacudir o conteúdo vesical com o transdutor (balotamento). 8. Causam obstrução urinária ou lesão traumática na mucosa. Cistite.22).20 – (A) Bexiga normal.21 – (A) Parede vesical espessa. Sonograficamente os cálculos são visíveis independentemente do tamanho e da composição. promove movimento do conteúdo com formação de redemoinhos compostos de pontos hiperecogênicos flutuantes (fig. CÁLCULO VESICAL (UROLITÍASE) Os cálculos urinários possuem forma e tamanho variados (2mm a 10cm). Machos são mais acometidos por possuírem uretra mais longa e estreita.21 A). (B) Distorção no formato da bexiga causado pela presença de útero com conteúdo.A B Figura 8.

sendo pesquisado em sua topografia habitual (fig. infecções ou alterações sangüíneas. Figura 8. Podem ser móveis ou aderidos à parede vesical.Cálculo vesical (C) formando sombra acústica (Imagem cedida pela M. PÂNCREAS ANATOMIA ULTRA-SONOGRÁFICA NORMAL DO PÂNCREAS O pâncreas situa-se adjacente à curvatura maior do estômago. URETERES ANATOMIA ULTRA-SONOGRÁFICA NORMAL DOS URETERES Os ureteres normalmente não são visibilizados ecograficamente devido ao seu pequeno diâmetro. ALTERAÇÕES URETERAIS HIDROURETER OU DILATAÇÃO URETERAL Obstrução por ligaduras acidentais durante a ovário-histerectomia e compressões tumorais são as causas mais comuns de dilatação. Ecograficamente o ureter dilatado apresenta-se com paredes bem definidas e tortuosas que podem ter luz de 2-3cm de diâmetro. URETER ECTÓPICO E RUPTURA DE URETER São mais facilmente identificados pelo exame de urografia excretora. A sobreposição de alças intestinais com gás pode impossibilitar a visibilização do trajeto total dos mesmos.V. duodeno. O papiloma é a neoplasia benigna mais comum. Sua porção abdominal é adjacente ao músculo psoas. neoplasias. A administração via 70 . cólon ascendente e transverso. Sua característica isoecóica à gordura circundante dificulta sua visibilização. 8. COÁGULOS Geralmente ocorrem após traumas.da parede. similar à cistite crônica. Sonograficamente são irregulares. não formam sombra acústica e têm ecogenicidade mista. Adriane Ilha).22 . Ultrasonograficamente apresenta-se como formação ecogênica homogênea.23).

23 – Imagem de pâncreas sem alteração. Figura 8. CAPÍTULO IX INTRODUÇÃO À RADIOLOGIA ÓSSEA E ARTICULAR A radiografia é um exame complementar essencial para o estudo das afecções que acometem tanto o sistema ósseo quanto articular. pode contribuir por deslocar o gás do piloro. até que as reações ósseas alterem a 71 . podendo induzir ao vômito. Além de fornecer informações diagnósticas permite acompanhar a evolução do caso clínico. Algumas afecções necessitam de um razoável tempo para se manifestarem radiologicamente. ALTERAÇÕES PANCREÁTICAS PANCREATITE As mudanças sonográficas causadas pela pancreatite permitem sua identificação. porém. Normalmente há aumento do órgão e a ecogenicidade é variável dependendo da gravidade e cronicidade da afecção.oral de líquido. é contra-indicada em animais com suspeita de pancreatite.

D – diáfise.densidade do tecido. Figura 9.1). 9. Nos cães. A cortical é a região periférica e mais radiopaca dos ossos e a medular é a região central. Em animais jovens. Quando as cartilagens estiverem totalmente substituídas por tecido ósseo. E – epífise. o crescimento cessa. 72 . 9. ESTRUTURA ÓSSEA Os ossos longos consistem de diáfise (corpo do osso que contém a medula óssea). mesmo o paciente apresentando sinais clínicos precoces. ambos promovem o reparo e a consolidação óssea. O periósteo recobre a cortical externamente (exceto nas superfícies articulares) enquanto o endósteo a envolve internamente. mais tardiamente. o crescimento se completa em torno do 10° ao 14°mês de idade (fig. duas epífises (extremidade proximal e distal) e entre elas as metáfises (fig.2) (Quadro 1) e nos gatos.linhas radiolucentes. separam as epífises das metáfises. as cartilagens ou placas epifisiárias (linha radiolucente).1 – Membro de animal jovem (5 meses de idade) apresentando as fises abertas (setas) . principalmente nos castrados. M – metáfise.

Idade de fechamento epifisário em cães. (FONTE: SCHEBITZ & WILKENS. Alterações radiograficamente identificáveis ocorrem a partir de 50% de perda de conteúdo mineral dos ossos. AUMENTO DA DENSIDADE: está associado a neoformações ósseas ou aumento na 73 . 2000). infecção e neoplasia.Figura 9.Tuberosidade Isquiática Fêmur Proximal (cabeça) Fêmur Distal Tíbia Proximal Tíbia Distal Tuberosidade Tibial Fíbula Proximal Fíbula Distal Tuberosidade Calcânea Idade de Fusão 4-7 meses 10-13 meses 6-8 meses 6-11 meses 8-12 meses 6-10 meses 8-12 meses 5-7 meses 4-5 meses 5-6 meses 1-2 anos 8-10 meses 7-11 meses 8-11 meses 6-11 meses 8-11 meses 6-12 meses 8-12 meses 7-11 meses 3-8 meses TIPOS DE RESPOSTAS ÓSSEAS DIMINUIÇÃO DA DENSIDADE (OSTEOPENIA): a reabsorção ou destruição óssea podem resultar de traumas.Acetábulo . desuso. Estrutura Tuberosidade Escapular Úmero Proximal Úmero Distal Rádio Proximal Rádio Distal Ulna Proximal (olécrano) Ulna Distal Metacarpianos e Metatarsianos 1a e 2a Falanges Pelve: .2 – Desenvolvimento em dias do membro anterior de cão em projeção dorsopalmar. doença metabólica.Crista Ilíaca . Quadro 1 .

desde que o estado físico do paciente permita.: Dobermann. Ex. O crânio dos felinos tem características uniformes em sua maioria. quando há lesão com destruição de cortical. PERIOSTITE: é uma reação inflamatória do periósteo determinando irregularidade em sua superfície. à grande variação entre espécies e. a dificuldade dentro de uma mesma espécie é a diferença entre cães dolicocéfalos. deixando a impressão que a cabeça é estreita em relação ao comprimento. EXOSTOSE: é uma proliferação óssea mais acentuada que a periostite podendo ser lisa (estacionária) ou irregular (proliferativa). sendo intermediária em relação aos anteriores. O uso de sedativos. CAPÍTULO X RADIOLOGIA DO CRÂNIO O crânio. tranqüilizantes ou anestesia geral pode tornar-se necessário para um posicionamento correto. com perda do padrão trabecular normal e reação periosteal. mas algumas raças 74 . OSTEÓFITOS: são proliferações ósseas em forma de espículas. OSTEÍTE: é uma reação inflamatória do osso sem o envolvimento da medular. dentro destas.mineralização. dentro do sistema ósseo e articular. Por exemplo. podendo ser provocada por reação inflamatória e / ou infecciosa. determinando um ângulo. constitui uma das partes que oferece maior dificuldade na interpretação radiográfica. PROJEÇÕES Para a análise radiológica precisa. OSTEOMIELITE: é um processo inflamatório e ou infeccioso com envolvimento da cortical e medular. incidências obliquadas e skyline contribuem eventualmente. é recomendável que a mesma esteja o mais próximo possível do filme. principalmente. Ex. devido. as características raciais. Correspondem a aproximadamente 75% das raças caninas. TRIÂNGULO DE CODMAN: ocorre em processos neoplásicos e inflamatórios. Dolicocéfalos: nestes animais o diâmetro antero-posterior da cabeça é longo. elevação do periósteo e neoformação subperiosteal. decorrente de ferimentos de origem traumática. são requeridas no mínimo duas projeções perpendiculares entre si. ou induzida cirurgicamente por artrodese.: Rottweiler e Labrador. sendo que projeções com articulações flexionadas. FRATURA: é a solução de continuidade de uma estrutura óssea. tanto em pequenos quanto em grandes animais. Mesocéfalos: são cães com a medida proporcional de largura e comprimento da cabeça. Para a obtenção de boa imagem de uma lesão. deixando a impressão de que a cabeça é larga em relação ao comprimento. SUB-LUXAÇÃO: é o deslocamento parcial entre as superfícies articulares.: Boxer e Bulldog. Braquicéfalos: animais com esta característica possuem a cabeça achatada no sentido antero-posterior. ANQUILOSE: é a fusão de duas ou mais estruturas ósseas. mesocéfalos e braquicéfalos. cirúrgica ou via hematógena. Radiograficamente observa-se lise e esclerose óssea. o que pode ser referido como esclerose óssea na imagem radiográfica. LUXAÇÃO: é o deslocamento completo entre as superfícies articulares. Ex.

Afecções relacionadas a esta região incluem um aumento de radiopacidade. enquanto o septo nasal divide a cavidade em duas porções simétricas (esquerda e direita). por exemplo. porém. para evitar artefatos como sujidades ou pomadas iodadas. como os Persas. 10.apresentam características braquicéfalicas. • Obliquados. não são diferenciáveis entre si radiograficamente. conferem uma imagem trabeculada de linhas finas radiopacas no meio radiolucente normal. Os posicionamentos principais são: • Fronto-mandibular. • Trans-oral com boca aberta para avaliar bulas timpânicas. sem alterações. • Skyline. PREPARO • Sempre que possível limpar a região a ser radiografada. A cavidade nasal e os seios frontais são facilmente identificados pela sua radiolucência. Radiografias nasais de boa qualidade ajudam a definir a localização e extensão das lesões. 75 . • Mandíbulo-frontal. As alterações mais comuns são os processos inflamatórios. Os ossos turbinados das conchas nasais. Projeção fronto-mandibular de crânio de cão (B) e gato (C).2) A B C Figura 10. os quais diminuem a radiolucência da cavidade nasal. é necessário que os animais estejam anestesiados.1 e fig. infecciosos. hemorrágicos e tumorais.1 – Projeção lateral de crânio de cão (A). POSICIONAMENTOS Para as incidências de maxila ou mandíbula com boca aberta e trans-orais. • Lateral: com a boca aberta ou fechada. para avaliar seios frontais. alteração no padrão trabeculado e destruição ou proliferação óssea. 10. ANATOMIA RADIOGRÁFICA NORMAL (fig. A projeção fronto-mandibular com o filme intraoral permite visualizar a região trabeculada da cavidade nasal sem interferência de sobreposição com a mandíbula. • Quando necessário se faz uso de sedação ou até anestesia geral.

AFECÇÕES TRAUMÁTICAS 76 . Afeta principalmente raças toy. Os principais sinais clínicos estão relacionados a estado mental alterado.3) refere-se ao acúmulo de líquido na região do neurocrânio.2 – Projeção mandíbulo-frontal com boca aberta evidenciando a cavidade nasal (A) e projeção Skyline demonstrando os seios frontais radiolucentes (B).A B Figura 10. podendo ser adquirida. braquicéfalos e Beagles.3 – Hidrocefalia. Aumento da radiopacidade da região craniana de um cão. A B Figura 10. a hidrocefalia (fig. por excesso de produção de líquido cérebro espinhal ou decréscimo na absorção do mesmo. Radiograficamente será observado aumento de radiopacidade e homogeneidade na região do neurocrânio. ALTERAÇÕES RADIOGRAFICAMENTE VISÍVEIS AFECÇÕES CONGÊNITAS HIDROCEFALIA Enfermidade congênita. aumento do vértice craniano. com convulsões. Projeção lateral (A) e fronto-mandibular (B). adelgaçamento do osso e retardamento no fechamento das suturas ósseas. disfunção motora e desenvolvimento retardado. deficiências visuais. 10.

quando grandes. são facilmente evidenciadas. dependendo da localização. resultando em desmineralização 77 . mostrar determinada área com aumento de radiopacidade. Em geral decorrem de traumas e quando se estendem à cavidade nasal ou seios frontais. pela sobreposição das estruturas. resulta de traumatismo e caracteriza-se por uma instabilidade palpável da articulação. são de difícil observação. caudal ou lateral. podem provocar enfisema subcutâneo e / ou processos hemorrágicos. A luxação da articulação têmporo-mandibular. podendo estar associadas a fraturas na mandíbula.4). Em animais velhos a causa principal é a doença renal crônica. Projeção lateral com boca aberta em canino com fratura de ramo mandibular (seta) (B) . como projéteis que apresentam densidade de metal. geralmente. nas fossas nasais. Osteodistrofia renal ou Mandíbula de Borracha. caracteriza-se radiograficamente pelo afastamento do processo condilóide da mandíbula do seu local anatômico que é a fossa mandibular do osso temporal. Na região do crânio e face observam-se luxações na articulação têmporo-mandibular e na sínfise mandibular. AFECÇÕES DE ORIGEM METABÓLICA E / OU NUTRICIONAL HIPERPARATIROIDISMO SECUNDÁRIO RENAL Também conhecido como Osteíte fibrosa renal. determinada por deslocamento entre as estruturas articuladas. as pequenas. mas. Os radiolucentes nem sempre são visíveis. Raquitismo renal. podendo ser uni ou bilateral e ter deslocamento cranial. sobretudo na cabeça. CORPO ESTRANHO Corpos estranhos podem ser radiopacos ou radiolucentes. enquanto em cães jovens se deve às nefropatias congênitas. neste caso. Várias incidências radiográficas podem ser necessárias para obtenção do diagnóstico. LUXAÇÃO A luxação. porém. podem ocasionar reação inflamatória e. por exemplo. Os radiopacos são facilmente observados. A B Figura 10.FRATURA As fraturas (fig. 10. que poderá ser confundida com outras afecções.4 – Fratura craniana em felino (A) com formação de linha radiolucente (cabeça de seta).

Geralmente é progressiva. Osteopatia Crâniomandibular ou Periostite da Mandíbula. primeiramente no crânio. OSTEOMIELITE É uma lesão inflamatória e / ou infecciosa que pode ter origem traumática. Com o desenvolvimento da enfermidade. a sinusite é mais freqüente. lateral ou rostro-caudal permitem a avaliação dos seios frontais. Radiograficamente evidencia-se uma área de radiolucência circunscrita. tendo maior freqüência nesta região os processos neoplásicos. a mandíbula torna-se maleável. bilateral. A parede da bula poderá estar espessada. as radiografias demonstrarão densidade radiológica aumentada nestas estruturas. Os dentes parecem soltos na radiografia devido à absorção da lâmina dura e a respiração pode estar dificultada devido ao colapso dos ossos da região das fossas nasais. as bulas timpânicas e os ramos da mandíbula. Já nos gatos. AFECÇÕES DE ORIGEM DESCONHECIDA OSTEOARTROPATIA TÊMPORO-MANDIBULAR Também chamada de Osteopatia Têmporo-mandibular. o que justifica a expressão “mandíbula de borracha”. principalmente. ALTERAÇÕES INFLAMATÓRIAS E / OU INFECCIOSAS SINUSITE As projeções mandíbulo-frontal. pode ocorrer. OTITE O conduto auditivo e a bula timpânica são radiolucentes. há reabsorção radicular. afetando maxila e mandíbula que têm a radiopacidade diminuída. cirúrgica ou hematógena. Radiograficamente evidencia-se áreas características de rarefação (lise) e esclerose óssea. lise ou esclerose adjacente ao ápice do dente e aumento do espaço periodontal ao redor da raiz (halo radiolucente). AFECÇÕES PARASITÁRIAS 78 . típica também de processos infecciosos. que radiograficamente apresenta neoformação óssea envolvendo o osso occipital. Nos cães. esta afecção é uma osteopatia proliferativa de cães jovens. mas é mais lenta. cáries ou doença periodontal. Radiograficamente observa-se aumento de radiopacidade de um ou ambos os seios frontais. a sinusite é pouco comum. ABSCESSO APICAL OU PERIAPICAL É uma afecção associada aos dentes que pode resultar de fraturas. A desmineralização no restante do esqueleto. sendo geralmente. Osteomielite (rarefação óssea) pode ocorrer nos ossos adjacentes.óssea. mas nos casos de otite crônica. O diagnóstico diferencial de neoplasia deve ser considerado.

os mais comuns.5) decorre de otite crônica média e interna. AFECÇÕES NEOPLÁSICAS As neoplasias de crânio surgem mais comumente a partir de tecidos moles. ocasionada pelo Coenuros cerebralis. O diagnóstico poderá ser radiológico através de exame contrastado. a não ser em casos crônicos. Radiograficamente pode ocorrer elevação periosteal e rarefação óssea em casos de tumores malignos (fig. AFECÇÕES DEGENERATIVAS CALCIFICAÇÃO DE BULA TIMPÂNICA A calcificação da bula timpânica (fig. como a arteriografia cerebral. quando pode-se encontrar rarefação óssea da calota craniana. Neste e em outros casos sempre é indispensável exame e história clínicos. em que as larvas de Oestrus ovis podem localizar-se nas fossas nasais. seios frontais ou ambos. um aumento de radiopacidade. compatível com imagem de sinusite. 10. A B Figura 10. Ao exame radiográfico simples. com formação de cistos intracranianos. CENUROSE Enfermidade que atinge a região do cérebro em ovinos principalmente.6) e aumento da 79 . 10. e é evidenciada pelo aumento da radiopacidade da região. mieloma e tumor venéreo transmissível (benignos). demonstrando na película de raios-X.OESTROSE Afecção comum em ovinos. A maxila e a mandíbula são os locais mais acometidos.5 – Calcificação (aumento da radiopacidade) da bula timpânica (setas). é difícil a observação. sendo o osteossarcoma (maligno) e osteoma. ou através da tomografia computadorizada ou da ressonância magnética. Projeção mandíbulofrontal (A) e trans-oral (B). que normalmente é radiolucente. se propagando e destruindo os ossos adjacentes.

A coluna vertebral é dividida em 5 porções. PREPARO PRÉVIO • Limpeza da região a ser radiografada • Coluna lombo-sacra: limpeza do trato digestório. Observar a destruição óssea (seta). que devem ser radiografadas separadamente. torácica (13 vértebras).radiopacidade e circunscrição nos tumores benignos. A visibilidade da medula espinhal não é obtida pela radiografia simples. CPÍTULO XI RADIOLOGIA DA COLUNA VERTEBRAL As alterações de coluna vertebral tanto em pequenos quanto em grandes animais. no tamanho. sendo necessária a mielografia. A radiologia é fundamental como apoio diagnóstico ao clínico.6 – Radiografia craniana de felino em projeção lateral com tumor nasal. POSICIONAMENTOS • Ventro-dorsal 80 . na densidade e no alinhamento das vértebras. são elas: cervical (7 vértebras). sacral (3 vértebras) e coccígea ou caudal (6 a 20 vértebras). Figura 10. Algumas poderão ser congênitas outras adquiridas. são os sinais radiográficos fornecidos pelo exame. lombar (7 vértebras). O uso de anestesia geral permite um posicionamento simétrico do paciente para uma interpretação radiográfica apropriada. Geralmente os tumores cerebrais não são visualizados pela radiografia simples. são relativamente freqüentes. A angiografia cerebral (exame contrastado) pode auxiliar no diagnóstico. Alterações na forma.

81 .• Lateral • Obliquadas (eventualmente) ANATOMIA RADIOGRÁFICA NORMAL DA COLUNA Projeção lateral (fig. prolapso de disco intervertebral.2) é um exame contrastado da coluna e está indicada quando a radiografia simples não for conclusiva. TIPOS DE EXAMES PARA COLUNA VERTEBRAL • Exame Simples • Exames contrastados . 11.1 – Coluna lombar de filhote de cão em projeção lateral.1) Figura 11. intradural-extramedular (neoplasias) e intramedular (neoplasias. prolapso de disco intervertebral ou do núcleo pulposo ou ainda hematomas). 11.2 – Projeção lateral evidenciando as colunas paralelas de meio de contraste e o posicionamento adequado da agulha para mielografia lombar. edemas. neoplasias). hemorragias). A interpretação envolve a avaliação do espaço subaracnóide preenchido com meio de contraste positivo (colunas de contraste) que pode demonstrar alterações situadas extra ou subduralmente no canal vertebral (como tumores. Figura 11.Osteovenografia (pouco utilizada) Consiste na injeção de contraste especifico no corpo vertebral. . 11. As lesões de medula espinhal (fig.3) classificam-se em: extradural (coágulos.Mielografia A mielografia (fig. Observar as linhas epifisiárias abertas (setas). fraturas consolidadas.

Ocorre devido a um defeito no desenvolvimento embrionário o qual resulta na não fusão do arco vertebral dorsal em uma ou mais vértebras.Kg-1 de peso vivo. sendo posteriormente. sua aplicação é feita na cisterna magna ou no espaço subaracnóide entre L4-L5 ou L5-L6. podendo causar desvios da coluna vertebral. 11. Com a realização da mielografia pode-se evidenciar o extravasamento de contraste para fora do 82 . podendo ocorrer também ausência ou hipoplasia do processo espinhoso dorsal. 1999) O preparo prévio dos pacientes é feito com jejum líquido e sólido de 12 horas. Os sinais clínicos são compatíveis com alterações da coluna em segmento L4-S3.3 . submetidos à anestesia geral. ESPINHA BÍFIDA Afecção com etiologia desconhecida com alta incidência em cães da raça Bulldog e rara nas demais.250. Cães das raças Pug.Figura 11. geralmente em porção caudal da coluna lombar. dependendo da orientação da mesma. Bulldog e Boston Terrier são as mais comumente afetadas por esta alteração.4-A) resultam de uma falha na formação de parte do corpo vertebral. ALTERAÇÕES RADIOGRAFICAMENTE VISÍVEIS ALTERAÇÕES CONGÊNITAS HEMI-VÉRTEBRA As hemivértebras (fig. sacral ou coccígea. (Fonte: WHEELER & SHARP. iopamidol ou metrizamide na dose de 0. que se apresentam radiograficamente menores.5ml. incompletas e geralmente em forma de cunha. O meio de contraste utilizado para o procedimento é à base de iohexol. ioversol. sendo que as vértebras torácicas e coccígeas estão mais freqüentemente envolvidas.Representação esquemáticas das lesões medulares. Radiografias simples em projeção ventro-dorsal evidenciam melhor a alteração através da comparação das vértebras normais craniais e caudais às alteradas.

A forma adquirida decorre de traumas que provocam fratura ou separação do processo odontóide. além do defeito nos corpos vertebrais) (fig. Geralmente essa afecção não possui significado clínico. Instabilidade Vertebral Cervical.4 – Hemivértebra (A). meningocele (coleção de líquido cefalorraquidiano em uma saculação em forma de bolsa na pele). O termo síndrome de Wobbler é usado para nomear uma afecção específica. SUB-LUXAÇÃO ATLANTOAXIAL Além de congênita poderá ser também adquirida. Vértebra em formato de cunha em porção cervical. Síndrome de Wobbler e Mal Articulação Vertebral Cervical.espaço subaracnóide ou para o exterior. podendo também ser causada pela ausência ou ruptura dos ligamentos atlantoaxial e transverso. 11. ausência de processo transverso (uni ou bilateral) de L7. Acomete principalmente Poodle miniatura. Yorkshire Terrier e Chihuahua. A B Figura 11.4-B). dor e quadriplegia. a qual permite excessiva flexão da região. podendo resultar em compressão da medula espinhal. Mielografia demonstrando comunicação do canal medular com o meio esterno (B). Exemplos: radiograficamente evidencia-se ausência de uma ou ambas as costelas de T13 (chamado de lombarização de T13). Pode-se dizer que é uma questão 83 . Os sinais clínicos são variáveis e incluem incoordenação. em que a vértebra une-se com a pelve (chamado de sacralização de L7). A forma congênita está associada à mal formação da articulação com agenesia total ou parcial do processo odontóide. em projeção lateral. Um processo transverso poderá assumir a aparência de costela ou vice versa. falta de equilíbrio. Caracteriza-se por instabilidade e sub-luxação vertebral. onde a medula espinhal é lesionada por uma combinação de anomalias da coluna vertebral cervical. meningomielocele (protusão de partes da meninge e medula espinhal através da falha na coluna vertebral) ou ainda mielocele (protusão de porções de medula para fora do canal medular em função de um defeito na formação das meninges. um aumento da distância entre o arco do atlas e a espinha dorsal do axis além da ausência total ou parcial do processo odontóide do axis (fig.5-A). Radiograficamente observa-se. VÉRTEBRA EM TRANSIÇÃO É a denominação dada àquela vértebra que assume características anatômicas de sua adjacente. ALTERAÇÕES LIGADAS AO DESENVOLVIMENTO ESPONDILOMIELOPATIA CERVICAL Também chamada de Espondilopatia Cervical. 11.

11. Mielografia cervical com interrupção da coluna de contraste. Aumento da distância entre o processo espinhoso do axis e arco dorsal do atlas (A). hérnia de disco.6 . quando se trata de grandes animais. C6 e C7 (fig. Radiograficamente há uma parcial ou total ausência do espaço intervertebral entre as vértebras envolvidas (fig. Subluxação de C7 com elevação da porção cranial do corpo vertebral para dentro do canal medular (B).Fusão de 4ª e 5ª vértebra lombar.5 – Subluxação Atlantoaxial. Este quadro é comum aos pequenos animais e especialmente em eqüinos. proliferação da cápsula articular e produção de osteofitos. podendo ser congênita ou adquirida.multifatorial. são estenose do canal vertebral e instabilidade vertebral e. A B Figura 11. mas.7-A) e subluxações ocorrem comumente 84 . As vértebras C5. observando-se uma imagem de fusão de dois ou mais corpos vertebrais. BLOCO DE VÉRTEBRAS Poderá ser congênito ou adquirido. formando um bloco. As radiografias simples nem sempre mostram a estrutura do canal vertebral. necessitando de mielografia. hipertrofia ligamentosa. 11. ALTERAÇÕES TRAUMÁTICAS FRATURA. Essa afecção é observada mais freqüentemente na coluna cervical e lombar. com freqüência mostram sub-luxação vertebral da região cervical.6). luxações (fig. LUXAÇÃO E SUB-LUXAÇÃO As fraturas (fig. 11.5-B) são as mais comumente afetadas e poderá haver protrusão de disco intervertebral associada. Alguns fatores importantes que contribuem para o aparecimento desta síndrome. 11. A Figura 11. como causa secundária.7-B). como causa primária.

Os sinais clínicos mais evidentes são: dor. que apresenta cortical delgada. (B) Fratura de corpo vertebral em L3. ocasionando eventualmente compressão das raízes dos nervos espinhais. (A) Luxação em coluna torácica assemelhando-se a um degrau (seta). A B Figura 11. causado pela 85 . pequeno desalinhamento entre vértebras e / ou facetas articulares (sub-luxação). HIPERPARATIREOIDISMO SECUNDÁRIO NUTRICIONAL Também chamada de Osteodistrofia Nutricional. Osteodistrofia Juvenil ou Osteoporose Nutricional.em pequenos animais devido a acidentes (atropelamentos por carro) e podem causar compressões do cordão espinhal e raízes nervosas subseqüentes. A imagem radiográfica caracteriza-se por extensa exostose principalmente na coluna cervical ventral e torácica formando anquilose dos corpos vertebrais. movimentação restrita do pescoço e compressão de medula e raízes nervosas. desarticulação completa das superfícies articulares (luxação). ALTERAÇÕES DE ORIGEM NUTRICIONAL E / OU METABÓLICA HIPERVITAMINOSE A DOS FELINOS Também chamada de Osteodistrofia felina. A manipulação dos pacientes mesmo anestesiados deve ser cuidadosa para não causar novos danos durante o estudo radiográfico. acomete gatos que recebem dieta com excesso de vitamina A. encontrada principalmente na alimentação caseira constituída predominantemente por fígado. esta enfermidade se caracteriza por uma rarefação óssea em todo o esqueleto. Poderá ocorrer a fusão das vértebras. Os sinais radiográficos incluem descontinuidade de estruturas ósseas. fazendo com que os ossos tenham uma densidade semelhante à musculatura. Fraturas patológicas (fratura em talo verde) ocorrem. pois o excesso dessa vitamina provoca a formação de exostoses na porção ventral das vértebras cervicais e torácicas. ALTERAÇÕES INFLAMATÓRIAS E / OU INFECCIOSAS ESPONDILITE Processo inflamatório e ou infeccioso que atinge os corpos vertebrais. processos articulares e apófises. podem causar compressão de medula espinhal. descontinuidade do canal vertebral e linhas de fratura dos corpos vertebrais. sendo que ao afetar os corpos vertebrais.7 – Radiografias em projeção lateral.

sendo melhor visualizada nos espaços intervertebrais 86 . sendo chamada espondilose deformante / anquilosante. caracteriza-se pela formação de placas ósseas na dura-máter e acomete cães de grande porte.infecção bacteriana e / ou fúngica dos corpos vertebrais. DISCOESPONDILITE Também chamada de Osteomielite intradiscal. Radiograficamente aparece como uma linha radiopaca imediatamente acima e paralelamente à base do canal medular. podendo se fusionar. lise óssea. Caracteriza-se por crescimentos ósseos em forma de espículas (osteófitos) que se desenvolvem nas extremidades dos corpos vertebrais. 11. Infecção discal intervertebral e Espondilite intervertebral. Mais comumente envolve a porção ventral e lateral do corpo vertebral. A origem é hematógena e resulta numa infecção do disco intervertebral de origem não vertebral. Metaplasia óssea da dura-máter ou Ossificação dural como também é denominada. Staphylococcus aureus e alguns tipos de leveduras. Discite. Pode ocorrer associada a Brucela canis. PAQUIMENINGITE A Ossificação da dura-máter. com destruição dos corpos vertebrais. Figura 11. formando uma anquilose. Radiograficamente assemelha-se à osteomielite. Espondilose Anquilosante (fig.8). raramente associada a sinais clínicos. Os sinais clínicos dependem do grau de comprometimento da medula espinhal e raízes nervosas. seguidos de diminuição do espaço intervertebral (fig. ALTERAÇÕES DEGENERATIVAS ESPONDILOSE Também chamada de Espondilo-artrose. perda do padrão trabecular. reação periosteal e esclerose do osso circunjacente. tóracolombar e lombossacra são os locais mais acometidos. Com a progressão do processo pode surgir uma margem esclerótica com proliferação óssea ventral de grau variável. A mielografia permite estabelecer se há ou não compressão de medula.9) é um achado radiográfico comum em cães idosos atingindo mais freqüentemente as vértebras torácicas e lombares. Quando atinge o canal vertebral pode causar mielite e meningite. As características radiográficas incluem lise de uma ou ambas as faces articulares dos corpos vertebrais (placas das extremidades vertebrais). As regiões cervicotorácica. 11.8 – Radiografia lateral de um cão com discoespondilite em L4-L5 evidenciando irregularidade e esclerose das extremidades dos corpos vertebrais.

A localização da extremidade caudal do cordão espinhal varia de acordo com o tamanho dos cães e gatos. osteocondrose de sacro e comprometimento vascular. luxações. Figura 11. SÍNDROME DA CAUDA EQÜINA Também chamada de Estenose lombossacra. além de protrusão de disco intervertebral Hansen Tipo II. S1S3 e Cc1-5.10 – Detalhe evidenciando calcificação da duramáter na base do canal medular entre os corpos vertebrais. é um complexo de sinais neurológicos causados pela compressão das raízes nervosas da espinha lombossacra. Animais de grande porte são acometidos com maior freqüência e demonstram como sinais clínicos a incontinência urinária e fecal. Os sinais radiográficos estão associados com a causa de compressão da cauda eqüina que podem ser: fraturas. dor à palpação. espondilose anquilosante entre L7 e sacro.(fig. De origem congênita ou adquirida. crescimentos ósseos no interior do canal medular. instabilidade articular entre L7 e sacro. Instabilidade ou Espondilose lombossacra. A cauda eqüina corresponde à porção caudal do cordão espinhal e suas raízes adjacentes estão localizadas nos corpos vertebrais de L5-L7. relutância ao exercício. 11. Compressão de cauda eqüina.9 – Espondilose anquilosante (pontes ósseas) na coluna torácica e lombar (setas). 87 . A B Figura 11. variando de acordo com o tipo de alteração anatômica. neoplasias ou infecções. claudicação. proliferação de tecidos moles (ligamentos e cápsula articular). Projeção lateral (A) e ventrodorsal (B).10).

mas deve-se ter o cuidado de não confundir com sobreposição de apófises transversas ou costelas. tumores como linfoma podem ocorrer em gatos jovens. Na protrusão (nas demais raças): as alterações fibróides progridem lentamente à medida que o animal envelhece. CALCIFICAÇÃO DE DISCO INTERVERTEBRAL A imagem é melhor observada em radiografias laterais de coluna. ALTERAÇÕES NEOPLÁSICAS As neoplasias de coluna afetam mais comumente cães idosos. A B 88 . A afecção ocorre pela extrusão (Hansen tipo I) ou protrusão (Hansen tipo II) de disco intervertebral independente de estar ou não fibrosado ou calcificado. 11. esses espaços intervertebrais são radiotransparentes e seu tamanho é aproximadamente igual em toda a extensão da coluna vertebral. porém. A mielografia fornece dados como localização do tumor e sua posição no canal vertebral. Observa-se aumento de radiopacidade entre os corpos vertebrais. 11. porém o diagnóstico é definido somente através da biopsia. fraturas patológicas (por compressão). podendo também causar compressão medular.11-B). quando fibrosados não serão observados nas radiografias.HÉRNIA DE DISCO INTERVERTEBRAL Os discos intervertebrais ocupam os espaços entre uma vértebra e outra desde C2-C3 até S1. o material do núcleo se deslocará com muita força podendo causar compressão medular. Na extrusão (mais comum em raças condrodistróficas como Basset e Bulldog): radiograficamente observa-se calcificações precoces. destruição das placas terminais vertebrais. Nesse caso. Para se evitar distorções da aparência dos espaços intervertebrais.11-A) ou aparência de cunha do espaço do disco intervertebral. Os tumores poderão ser primários ou secundários e é difícil serem distinguidos de espondilite ou discoespondilite. Ao exame radiográfico simples e sem alterações. presença de material mineralizado no forame intervertebral e compressão medular demonstrada pela mielografia. o anel fibroso origina uma saliência (prolapso) sem romper-se. De modo geral. Os discos poderão estar fibrosados ou calcificados (fig. ou pode ocorrer também somente calcificação do núcleo pulposo do disco intervertebral. segmentos curtos da coluna devem ser radiografados separadamente. crescimentos ósseos desordenados e alteração na radiopacidade óssea. os sinais radiográficos da doença de disco intervertebral incluem calcificação de um ou mais discos. seguidas de degeneração tanto do núcleo pulposo quanto do anel fibroso. Caso o anel fibroso se rompa. Cada disco é composto de um anel externo fibroso e laminado e um núcleo central chamado de núcleo pulposo. estreitamento (fig. Suas principais características radiológicas são: lise óssea.

Incidências obliquadas e flexionadas podem contribuir. excesso de esforço físico ou ainda por excesso de força na tração.. Caracterizam-se pela presença de solução de continuidade óssea (fig. ALTERAÇÕES RADIOGRAFICAMENTE VISÍVEIS ALTERAÇÕES DE ORIGEM TRAUMÁTICA LUXAÇÃO E SUB-LUXAÇÃO Alterações já descritas.. realizadas em ângulo reto uma em relação à outra em incidências padronizadas (crâniocaudal. animais jovens apresentam consolidação mais rapidamente que os 89 .. etc. alinhamento.11 – Diminuição do espaço intervertebral entre T12-13 (A). tricotomia. com contraste negativo denominando-se pneumoartrografia ou. Ao avaliar-se articulações. como sua extensão. Com relação ao reparo ósseo.1).. etc. Calcificação de disco intervertebral L6-7 (seta) (B). com deslocamento dos côndilos femorais caudalmente. RUPTURA DO LIGAMENTO CRUZADO Ocorre por traumatismo. anti-sepsia e sedação ou anestesia. CAPÍTULO XII RADIOLOGIA DO APARELHO LOCOMOTOR Para a avaliação apropriada da condição óssea e articular. Poderá ocorrer edema de tecido mole intra-articular. 12. Estas técnicas poderão ser utilizadas para observação de cápsula articular.Figura 11. Para realização desses exames deverão ser seguidas as normas de preparo prévio: limpeza da região. É importante o conhecimento da posição dos centros de ossificação e o período em que as linhas epifisárias se fecham. FRATURAS Poderão ser traumáticas ou patológicas (espontâneas). dorsopalmar/ dorso-plantar e médiolateral) são necessárias. em casos iniciais e artrose em casos mais avançados. ainda. A radiografia desempenha importante papel na avaliação das fraturas nas seguintes etapas: pré. permite avaliar a eficácia do método realizado e a terceira etapa faz o acompanhamento do processo de cicatrização ou reparo ósseo. sendo esta última a mais aconselhada. pode-se efetuar exames contrastados quando os simples não forem esclarecedores. Radiograficamente observa-se sub-luxação da articulação fêmoro-tibial. associando os dois meios de contraste que se chama artrografia de duplo-contraste. superfícies articulares. trans e pós-procedimento terapêutico. A primeira etapa comprova a fratura e avalia os diversos aspectos relacionados à mesma. meniscos. Durante o procedimento terapêutico. pelo menos duas projeções. Estes exames poderão ser realizados com contraste positivo denominando-se artrografia.

principalmente em ossos longos e menos freqüente na coluna. devido à posição medial do rádio no carpo que força o membro lateralmente enquanto o seu crescimento continua. podendo levar à sub-luxação da articulação do úmero com a ulna. esta afecção de etiologia desconhecida. As projeções 90 . Esta alteração poderá ocorrer em qualquer placa epifisária. mas o local mais comum é a linha de crescimento distal da ulna. Quando ocorre uma exostose cartilaginosa isolada. se ocorrer lesão na linha epifisária do rádio. 12.1 – Fratura de colo femoral direito (A). No rádio ocorre arqueamento cranial podendo tornar-se severo durante a evolução do quadro. como por exemplo. observando-se o encurvamento da ulna causando a deformidade do membro com desvio lateral ou valgus.velhos. os osteomas. Fratura distal de metáfise de fêmur (B). A lesão óssea poderá não ser percebida na radiografia. É uma doença que afeta também outras espécies. Por isso torna-se necessária biópsia para diagnóstico diferencial. com aumento de radiopacidade.2-A). poderá ocorrer em todo o esqueleto. esta é denominada osteocondroma. ALTERAÇÕES LIGADAS AO DESENVOLVIMENTO E / OU DE ORIGEM DESCONHECIDA FECHAMENTO EPIFISÁRIO PRECOCE Principal causa são os traumas. principalmente eqüinos. LUXAÇÃO PATELAR A luxação de patela pode ser medial ou lateral (fig. Às vezes poderão ser confundidas com neoplasias. A B Figura 12. Aparecimento de doença articular degenerativa é uma possível conseqüência dessa enfermidade. com bordas escleróticas. As lesões são freqüentemente múltiplas. podendo ser císticas ou proliferativas. EXOSTOSE CARTILAGINOSA MÚLTIPLA Também denominada Osteocondromatose e Exostose Hereditária Múltipla. Radiograficamente caracteriza-se pela imagem de exostoses circulares e regulares. embora os osteomas não sejam múltiplos com freqüência. Poderá ocorrer o desvio medial ou varus. O método de imobilização da fratura (talas e pinos) e a presença de doença local ou metabólica afetam a velocidade de consolidação óssea.

A B Figura 12. Pode-se observar.Luxação lateral de patela observada em projeção skyline (A). podendo haver fragmentação da mesma. CALCINOSE CIRCUNSCRITA Também chamada de Calcinose Tumoral e Gota Cálcica nesta alteração ocorre deposição de sais de cálcio de aspecto amorfo no tecido mole. pressão intracapsular e infarto da cabeça do fêmur. ainda não bem esclarecida. Ao exame radiográfico evidencia-se uma densidade óssea da cabeça do fêmur diminuída (rarefação óssea). rotação e curvatura da porção proximal da tíbia e angulação anormal da articulação fêmoro-tibial. no momento do posicionamento para o exame. dependendo do estágio da enfermidade. esta enfermidade ocorre geralmente em raças de pequeno porte. hormonais. pele e proeminências ósseas. inclui fatores hereditários. pela diminuição da amplitude do movimento articular. encurtamento de colo femoral (fig. OSTEOARTROSE OU MOLÉSTIA ARTICULAR DEGENERATIVA Observa-se formação de osteófitos em superfícies periarticulares. Necrose asséptica da cabeça do fêmur.2 . Na incidência médio-lateral. Caso a luxação seja intermitente. causando dor e dificuldade de movimentação. médiolateral e skyline da articulação fêmorotíbio-patelar. conformação anatômica. ou seja. alterações degenerativas secundárias. OSTEOCONDROSE Caracteriza-se por um distúrbio na ossificação endocondral que leva a formação de 91 . osteoartrose. Doença de Legg-Calvé-Perthes ou Necrose Avascular da Cabeça Femoral. em crescimento. lado esquerdo (B). Radiograficamente a patela se encontrará deslocada lateral ou medialmente. geralmente unilateral. Radiograficamente se caracteriza como áreas circunscritas com radiopacidade de tecido ósseo. NECROSE ASSÉPTICA DE CABEÇA DO FÊMUR Também conhecida como Doença de Legg-Perthes. A etiologia. 12.2-B). tecido subcutâneo.radiográficas indicadas são a crânio-caudal. a patela não se encontra no sulco troclear e está sobreposta aos côndilos femorais. a patela poderá estar posicionada em seu local anatômico no sulco troclear. Outras anormalidades ósseas poderão estar presentes como sulco troclear raso.

Espessamento endosteal e reação periosteal regular poderão aparecer independentemente da opacidade da medula (fig. Quando há avulsão de um flap de cartilagem no local do cisto. fêmoro-tíbio-patelar e tarso de cães jovens com crescimento rápido.3 – Articulação escápulo-umeral de cão jovem com osteocondrose. a genética. Fechamento epifisiário precoce (seta) (A). Radiograficamente observa-se área de rarefação óssea circunscrita na região subcartilaginosa (cisto ósseo) (fig. A etiologia é multifatorial incluindo o manejo. 12. Área radiolucente na cabeça do úmero. Há casos em que as lesões são tão intensas que chegam a tomar por completo a cavidade medular. geralmente. úmero-rádio-ulnar. fatores hormonais e nutrição. passa a denominar-se osteocondrite dissecante. mais evidente próximo ao forame nutrício. A confirmação do diagnóstico pode ser feita através da artrografia (fig.3-B).3-A). podendo desaparecer de um membro e aparecer em outro. 12. Freqüentemente é bilateral e afeta as articulações escápulo-umeral. o qual pode sofrer mineralização.4). 92 .um cisto subcartilaginoso. podendo às vezes ocorrer erosão de cartilagem articular e formação de osteófitos periarticulares. Poderá ocorrer perda do padrão trabecular normal do osso. Na imagem radiográfica observa-se aumento de radiopacidade na medula dos ossos longos. Clinicamente os animais apresentam claudicação sem história de lesão. Artrografia sem alteração. sexo. PANOSTEÍTE EOSINOFÍLICA Alteração também conhecida como Panosteíte Canina e Panosteíte ocorre em cães jovens e tem etiologia desconhecida. A B Figura 12. 12.

Membros anteriores de cão. Observar o novo tecido periosteal formado (B).4 – Panosteíte. contudo. porém. como: a) Processo coronóide medial fragmentado 93 . demonstrando dor à palpação e claudicação. não chegando. 12.Figura 12. 12. neoplasias vesicais ou prostáticas e alterações metabólicas. afeta ossos longos (fig. DISPLASIA DA ARTICULAÇÃO DO COTOVELO A etiologia não está bem definida. A B Figura 12. OSTEOARTROPATIA HIPERTRÓFICA PULMONAR Também chamada Acropaquia ou Osteopatia Hipertrófica Pulmonar. doença pulmonar crônica. A reação óssea do tipo osteofitose ou espículas. Quando a lesão pulmonar é tratada com sucesso. associada a enfermidades pulmonares (fig. alguns autores citam vários fatores como responsáveis pela referida enfermidade (fig. a qual permanece íntegra. geralmente.6). Características radiográficas incluem grande proliferação periosteal perpendicular à cortical. esta doença está.5 – Afecção pulmonar crônica (A) pode causar osteopatia pulmonar hipertrófica. a atingir as superfícies articulares. geralmente simétrica e generalizada.5-A) como neoplasias e tuberculose. Clinicamente os animais afetados apresentam edema na região distal dos membros. as alterações ósseas regridem rapidamente. 12.5-B) e pode estender-se até as cápsulas articulares. Aumento de radiopacidade do canal medular da tíbia (seta).

colo femoral delgado. Deve haver perfeita simetria entre as asas do ílio e forames obturadores. este é feito com 1 ano e seis meses. c) Não União do processo ancôneo Radiograficamente observa-se uma linha radiolucente evidenciando a separação do processo ancôneo da porção proximal da ulna. Mastif. A displasia caracteriza-se por uma instabilidade articular ou sub-luxação da articulação. 94 . cabeça de fêmur redonda ou esférica.7. As alterações radiológicas perceptíveis são: separação do fragmento ósseo na região caudal do epicôndilo. afetando cães de raças grandes. Alteração vista somente na projeção lateral flexionada do cotovelo. excesso de exercícios físicos. é necessário que estejam incluídas na radiografia as asas do ílio e a extremidade distal dos fêmures. Na projeção lateral. os fêmures devem estar paralelos e as patelas posicionadas nos sulcos trocleares. Fila Brasileiro. Para posicionamento ideal para a avaliação da articulação coxofemoral representado na figura-12. Labrador é feito com 1 ano de idade enquanto que para Rottweiler. cabeça de fêmur e colo femoral. forma elíptica anormal e curvatura diminuída da chanfradura troclear ficam evidenciadas pelo aumento do espaço articular úmero-radial. podendo estar envolvidos nesta enfermidade: acetábulo. Freqüentemente com o tempo desenvolve-se doença articular degenerativa (osteoartrose). a) Os animais normais apresentam: Acetábulo profundo. crescimento rápido. DISPLASIA COXOFEMORAL Não existe uma única etiologia definida. O diagnóstico definitivo para o Pastor Alemão. d) Não União do epicôndilo medial do úmero Esta situação é a menos freqüente dentre as demais relacionadas. distúrbios hormonais. na maioria das vezes. sabe-se que está ligada a fator hereditário. sendo assim descrita como de etiologia multifatorial. fratura do processo medial. Figura 12. b) Osteocondrose Enfermidade já descrita.Radiograficamente observa-se alteração articular degenerativa secundária progressiva e. raramente. Dogue Alemão e demais raças gigantes.6 – Não-união do processo ancôneo.

8-C): • acetábulo pouco profundo. • perda da congruência ou seja imagem de sub-luxação acentuada.7 – Posicionamento adequado para avaliação de displasia coxofemoral.8-B): • acetábulo pouco profundo. Figura 12. em forma de cogumelo. achatada. b) Animais em fase de transição: São animais que apresentam boa articulação e o ângulo levemente inferior a 105 o ou animais em que a articulação é ligeiramente incongruente e tem o ângulo maior ou igual a 105o. • colo de fêmur geralmente curto e engrossado. e) Displasia de grau grave (fig. 95 ..articulação com perfeita congruência e “Ângulo de Norberg” igual ou superior a 105o. etc. • “Ângulo de Norberg” inferior a 90o (só medido em ausência de artrose). d) Displasia de grau médio (fig. • aparecem os primeiros sinais de artrose. etc. 12. • colo de fêmur poderá estar levemente engrossado. • cabeça de fêmur poderá estar facetada. • “Ângulo de Norberg” maior que 90o e menor que 100o. Sem sinais de artrose. 12. 12. c) Displasia de grau leve (fig. • cabeça de fêmur poderá estar afilada.8-A): As características são: “Ângulo de Norberg” maior que 100o e menor que 105o. • poderá apresentar sub-luxação ou até luxação completa. até plano. achatada.. • artrose geralmente evidente.

OSTEOPENIA POR DESUSO Ocorre principalmente devido à inatividade do membro. arrasamento de acetábulo. Sua persistência causa encurtamento da mesma em relação ao rádio. RETENÇÃO DE NÚCLEOS CARTILAGINOSOS ENCONDRAIS Ocorre na metáfise distal da ulna de cães jovens de raças grandes e gigantes.. radiolucente na metáfise distal da ulna.8 – Diferentes graus de displasia coxofemoral. podendo estar associada a problemas vasculares da região metafisária da ulna.9) devido à desmineralização por reabsorção óssea. OSTEOCONDRODISPLASIAS São anormalidades do crescimento e / ou desenvolvimento cartilaginoso ou ósseo. etc. engrossamento de colo femoral e artrose – osteófito (seta) (C).. Displasia em grau grave demonstrando subluxação e grande deformidade de cabeça femoral. resultando em uma deformidade do membro. como rotação externa ou arqueamento cranial. Radiograficamente é observada como um cone invertido. 12. Aqui se enquadram: nanismo. Displasia em grau leve (A). Sem etiologia definida. Displasia em grau médio com deformidade de cabeça femoral (facetada) e leve engrossamento de colo femoral (B). Radiograficamente observa-se diminuição da densidade óssea localizada (fig. 96 . alterações de número de dedos.A B C Figura 12.

Osteodistrofia Nutricional. esclerose. pequeno alargamento do espaço articular. situação freqüentemente observada. ARTRITE REUMATÓIDE É uma enfermidade não infecciosa.Figura 12. sendo aparentemente de ordem imunológica. OSTEOMIELITE SUPURATIVA Segundo a definição. lise óssea. osteomielite é o processo inflamatório da medular e cortical óssea. ALTERAÇÕES DE ORIGEM METABÓLICA E NUTRICIONAL Anormalidades metabólicas podem ser refletidas nos ossos e provocar graves alterações. calor. dor. Poderá ocorrer osteomielite nos ossos adjacentes. distensão da cápsula articular. nas reduções de fraturas com pinos transfixados. periostite. Osteoporose Nutricional. Com o desenvolvimento do processo observase reação periosteal nos ossos adjacentes e destruição das cartilagens articulares. Nos estágios iniciais da enfermidade há um espessamento da membrana sinovial. ou via hematógena. aproximadamente 50% do cálcio do osso deve estar reduzido.9 – Osteopenia por desuso. presença do “Triângulo de Codman” e poderá ocorrer presença de seqüestro ósseo. e reação periosteal intensa. As articulações do carpo e tarso são as mais freqüentemente atingidas. a qual pode ocorrer por feridas cirúrgicas ou traumáticas. claudicação e diminuição da amplitude dos movimentos articulares. Ocorre devido à invasão bacteriana na estrutura óssea. Poderá ocorrer estreitamento ou alargamento do espaço articular que é decorrente da erosão da cartilagem articular e destruição do osso subcondral. situação que leva à rarefação óssea na articulação. áreas de neoformação óssea periosteal. E para que essas alterações tornem-se radiograficamente evidentes. Pode haver osteopenia por desuso no membro afetado. A lesão mais evidente é a progressiva destruição do osso subcondral na inserção da membrana sinovial. ALTERAÇÕES INFLAMATÓRIAS E/ OU INFECCIOSAS ARTRITE INFECCIOSA Esta infecção ocorre via hematógena ou por de feridas punctórias. sendo comum a metalose. Clinicamente se observa aumento de volume articular. A característica radiológica da metalose é lise óssea em torno do implante. HIPERPARATIREOIDISMO SECUNDÁRIO NUTRICIONAL Esta enfermidade também chamada de Osteodistrofia Fibrosa. Osteodistrofia Juvenil (no homem e pequenos animais) 97 . Observam-se alterações no padrão ósseo com áreas de rarefação e perda dos padrões trabeculares. Deve-se suspeitar de causa metabólica quando ocorrem alterações em todo o esqueleto e não lesões isoladas. OSTEOMIELITE NÃO SUPURATIVA É uma reação inflamatória não infecciosa ocasionada freqüentemente por reação do organismo a implantes metálicos. devido ao aumento de volume e pressão no interior da articulação.

podendo estar associado ao desequilíbrio dos níveis de vitamina D e Cálcio. cortical delgada e possivelmente fratura patológica chamada de fratura em “talo verde”. associada a fatores nutricionais. passam a receber uma quantidade de grãos maior que a adequada. A B Figura 12. pelo desequilíbrio na relação cálcio-fósforo. contudo. RAQUITISMO Afecção não muito freqüente na clínica veterinária. não há fratura completa (fig. 98 .10 – Radiografias de um cão jovem demonstrando diminuição generalizada da densidade óssea e adelgaçamento de cortical presente na osteodistrofia fibrosa.e. em contrapartida pouca quantidade de alimento volumoso. Ingestão de corpos estranhos para suprir carência alimentar (A). É comum que cadelas e gatas recuperadas apresentem distocia na idade adulta em função do estreitamento da cintura pélvica ocorrida durante o curso da doença quando jovens. No caso dos eqüinos. Radiograficamente além do “Rosário Raquítico”. onde a cortical óssea dobra. no eqüino de Osteomalácea ou “Cavalo da Cara Inchada”. proporcionando aspecto de cálice invertido. A falta de exposição ao sol também pode ser fator determinante no processo. Esta afecção ocorre em animais em crescimento como cães e gatos jovens e eqüinos. Clinicamente os animais parecem bem nutridos apesar de apresentarem dificuldade de locomoção.10). Radiograficamente manifesta-se por rarefação óssea generalizada. Sua etiologia é discutida. observa-se discreto aumento de opacidade na metáfise (esclerose) e irregularidade de periósteo. iniciando o desequilíbrio. Nas radiografias das regiões metafisárias de rádio e ulna. A epífise e a cartilagem epifisária aparecem normais. na extremidade distal do rádio. defecação e dor à palpação. linha epifisária e metáfises aumentadas de largura. 12. quando estes são desmamados. Fratura em talo verde (seta) (B). OSTEODISTROFIA IDIOPÁTICA Ocorre em animais na fase de crescimento de raças de grande porte. sendo um mecanismo compensatório para manter a calcemia. observa-se certo grau de desmineralização óssea e.

demonstrando dor à palpação. Clinicamente os animais afetados apresentam aumento de volume nas metáfises. de rádio. ulna e tíbia. Displasia Metafisária e Doença de Moeller-Barlow.11 – Osteodistrofia hipertrófica. cuja etiologia permanece incerta. As lesões são simétricas e bilaterais. 12. Há edema de tecidos moles próximo à metáfise e calcificação justacortical ao redor da metáfise. Osteopatia Metafisária. A B Figura 12. Linha radiolucente paralela a fise (seta) (A). 99 . causa destruição das trabéculas metafisárias de ossos longos de cães de grande porte com crescimento rápido. Escorbuto Esquelético.11). determinada por uma zona radiolucente irregular paralela à fise (fig.OSTEODISTROFIA HIPERTRÓFICA Também chamada de Escorbuto Canino. Radiograficamente. esta afecção. principalmente. aparenta linha fisária dupla.

12) e o efeito “Sunburst”. Boxer.7 anos. As metástases ocorrem em aproximadamente 18% dos casos e se localizam nos pulmões. tíbia e mandíbula. 100 . Em felinos. Sua evolução é extremamente rápida. Deve-se levar em consideração que outras lesões como osteomielite. Já nos felinos os locais de maior aparecimento são a escápula. poderão ser confundidas com tumor. Labrador. A idade média de aparecimento dos osteossarcomas é de 7. neoformação óssea e possível progressão para os tecidos moles adjacentes. costelas. As alterações radiográficas mais importantes do osteossarcoma dos ossos longos são: destruição da cortical óssea. atingindo principalmente ossos longos.8 anos. maxilar e ossos da pelve. vértebras. O efeito “sunburst” é causado pela proliferação óssea com aspecto que lembra raios de sol ou explosão. tendo como locais mais comuns a região nasal. se faz necessário uma biópsia para diagnóstico definitivo. Dinamarquês. As raças caninas mais afetadas são o Pastor Alemão e o Boxer. 12. radiação e implantes metálicos (placas e pinos intramedulares) possam estimular. ocorrendo em animais de meia idade. 7 . Doberman e Collie. por exemplo. ALTERAÇÕES NEOPLÁSICAS TUMORES MALIGNOS OSTEOSSARCOMA Este é o mais freqüente. podendo ocorrer também em ossos do crânio. representando 50% dos tumores ósseos dos caninos e felinos. os quais poderão apresentar calcificação. embora acredite-se que agentes químicos (salicato de zinco e berílio). As raças caninas mais atingidas são as de grande porte como Pastor Alemão. Não tem etiologia definida. crânio. rins e linfonodos regionais. escápula e costelas. ou seja. vírus (vírus do sarcoma de Moloney). As características mais evidentes destes tumores são o “triângulo de Codman” (fig. São Bernardo.Fechamento prematuro da epífise da ulna causado por trauma ocasionando o encurvamento do rádio (B). O triângulo de Codman é uma elevação do periósteo sobre a neoformação óssea. Freqüentemente se encontra fratura patológica no osso atingido e metástases nos pulmões que são achados em quase a totalidade dos casos. O exame radiológico revela um tecido tumoral infiltrativo com destruição cortical irregular e extensão parcialmente mineralizada com os tecidos moles adjacentes. os locais de maior aparecimento da doença são ossos longos. CONDROSSARCOMA É o segundo tumor ósseo mais encontrado nos cães e gatos. vértebras e ossos da pelve. coração. por isto.

quando múltiplo é denominado Osteocondromatose. Exostose Cartilaginosa Múltipla ou Exostose Hereditária Múltipla. tornando esta mais delgada com a evolução do processo. na superfície dos ossos. Aproximadamente 60% destes tumores estão associados a ossos do crânio (maxila. Geralmente aparecem nas extremidades dos ossos 101 . geralmente. Observar a destruição e proliferação óssea. mandíbula e osso nasal) e. TUMORES BENIGNOS OSTEOMA São achados radiográficos que. usualmente assintomático. 30% ocorrem em ossos longos. Distal de fêmur (B) e proximal de tíbia (C). A neoplasia apresenta características de um processo benigno crônico. a destruição óssea já é intensa na ocasião do diagnóstico. ENCONDROMA O Encondroma é freqüente encontrado nas extremidades dos membros dos cães. geralmente. Estes tumores têm a característica de causar expansão da córtex óssea. aparecem no crânio de cães e gatos. Ao exame radiográfico. Metástases são raras. há tumefação dos tecidos moles e provoca reação osteolítica dos ossos subjacentes.A B C Figura 12. Pode ser único ou múltiplo. nos metacarpos e metatarsos. FIBROSSARCOMA Ocorre geralmente em animais velhos.12 – Neoplasia de carpo e distal de rádio (A). OSTEOCONDROMA É um tumor benigno composto de cartilagem e tecido ósseo. Triângulo de Codman elevando o periósteo (seta) e efeito Sunburst (explosão óssea) (A). Radiograficamente os osteomas aparecem em forma de uma massa radiopaca arredondada. Na maioria dos cães e gatos. Não há reação periosteal nos ossos adjacentes. Possui crescimento lento e tem a característica de invadir os espaços articulares adjacentes. esclerótica e de consistência dura de contorno regular. Podem ocorrer fraturas patológicas.

CAPÍTULO XIV 102 . que o médico veterinário dispõe para diagnosticar alterações no aparelho locomotor de eqüinos. Este capítulo tem por objetivo descrever o preparo da região a ser radiografada. geralmente. Nas demais regiões do aparelho locomotor. Pode estar ligeiramente associado à intumescência do tecido mole. A ferradura deve ser removida. juntamente com a anamnese e exame físico. Radiograficamente apresenta-se como uma exostose situada na metáfise óssea perpendicular à córtex.longos e costelas. No caso de projeções dorso-palmar e palmaroproximal-palmarodistal obliquada. acredita-se estar ligada a fatores genéticos com transmissão hereditária. Sua patofisiologia é incerta e quanto à etiologia. sempre que possível. anatomia básica e as principais alterações detectáveis radiograficamente. sendo o sulco da ranilha limpo e preenchido com material de densidade de tecidos moles (sabão ou massa de modelar) a fim de evitar imagem radiolucente do ar. a limpeza eficaz da região é suficiente. O osteocondroma tem córtex e cavidade medular comunicada com a cavidade medular do osso no qual se originou. As radiografias da falange distal e navicular requerem que todo e qualquer fragmento ou excesso de casco seja aparado. elevando o mesmo do solo. Ainda que a lesão seja insignificante. um túnel (caixa de madeira ou acrílico) é utilizado para proteger o chassi. os posicionamentos de rotina. As radiografias em projeção lateral da terceira falange e navicular devem ser obtidas usando um suporte ou bloco de madeira para apoiar o casco. sendo necessário. contudo esta não é uma característica marcante. CAPÍTULO XIII Introdução ao estudo radiográfico do aparelho locomotor eqüino O estudo radiográfico é um importante instrumento. bloqueio anestésico ou sedação. ela pode interferir com o osso e tecidos moles adjacentes causando claudicação. sobreposta à terceira falange. eventualmente.

POSICIONAMENTOS RADIOGRÁFICOS Nomenclatura para posicionamentos (fig. 14.1-A e 14.1-B).

A
Figura 14.1 - Nomenclatura para posicionamentos.

FALANGE DISTAL Dorso-palmar Existem três variações recomendadas da projeção dorso-palmar. Na primeira, denominada dorsoproximal-palmarodistal obliquada, o casco fica posicionado na vertical, com a pinça colocada num bloco de madeira com o sulco da ranilha encostado no filme (fig. 14.2-A). O raio é centrado na coroa do casco perpendicularmente ao filme. Este posicionamento proporciona boa visualização do corpo, margem da sola e processo palmar da falange distal. Na segunda, efetua-se a radiografia em projeção dorsopalmar com uma visualização de cima em relação à coroa, sendo que o animal deverá permanecer em estação, com a sola sobre o chassi protegido. O raio incidirá com um ângulo dorsoproximalpalmarodistal de aproximadamente 65º em relação à linha horizontal, centrado na coroa do casco (fig. 14.2-C). Outra posição é a dorsopalmar que consiste na colocação da pata sobre um bloco de madeira sendo que o raio é centrado horizontalmente entre a coroa do casco e superfície da sola, seguindo uma linha traçada entre os bulbos, garantindo uma posição dorsopalmar correta (fig. 14.2-B).

103

A

B

C

Figura 14.2 - Variações da projeção dorso-palmar (plantar). Dorso-palmar com o casco em pinça (A), dorso-palmar com feixe de raios-x na horizontal (B) e dorso-palmar 65ºobliquada (C).

Palmaroproximal-palmarodistal obliquada Está indicada para a visualização do processo palmar da terceira falange e osso navicular, particularmente em suspeita de fratura ou separação da lâmina da parte posterior do casco. O casco a ser radiografado deverá ficar mais caudal que o contralateral, sobre o chassi protegido e a ampola é posicionada caudalmente ao membro com o raio centrado entre os bulbos. O ângulo de incidência do feixe de radiação em relação ao chassi é de 45° a 70° dependendo da inclinação da quartela e do posicionamento do casco, cuidando para que o boleto não se sobreponha ao processo palmar da terceira falange (fig. 14.3-B). Lateromedial Na projeção lateromedial com a pata sobre um bloco de madeira o feixe principal de radiação é direcionado na horizontal e centrado na falange distal, próximo à inserção do tendão flexor profundo perpendicular ao filme (fig. 14.3-A). As variações do processo extensor ou apófise piramidal, pequenas opacidades ósseas na porção proximal da terceira falange e, principalmente, rotação de falange distal, podem ser avaliadas nesta projeção. Outras projeções Osteofitos e irregularidades da face dorso-medial e dorso-lateral da falange distal são melhor vistas em projeções obliquadas flexionadas onde há abertura da articulação interfalangeana distal. A extremidade do casco é colocada em bloco com o osso navicular a fim de que a sola se aproxime da posição vertical, e incide-se o feixe de radiação com uma projeção 45ºdorsolátero-palmaromedial 65º obliquada (fig. 14.3-C) e 45º mediopálmaro-dorsolateral 65º obliquada. NAVICULAR Lateromedial (idem à falange distal) Dorsopalmar com o casco em pinça (idem à falange distal) Dorsoproximal 65º-palmarodistal Obliquada (DPr65º-PaDiO) (idem à falange distal) Palmaroproximal-palmarodistal Obliquada (PaPr-PaDiO) (idem à falange distal)

104

FALANGE PROXIMAL E MÉDIA Lateral (idem à falange distal) Dorsopalmar Dorsolátero-palmaromedial Obliquada Dorsomédio-palmarolateral Obliquada BOLETO (fig. 14.4 e fig. 14.5) Lateromedial - estendida e flexionada Dorsopalmar Dorsolátero-palmaromedial obliquada (DLPMO) Dorsomédio-palmarolateral obliquada (DMPLO) Lateroproximal-mediodistal obliquada (LPMDO) ou (MPLDO) Dorsopalmar 125º obliquada ou skyline (estendida e flexionada)

A
Figura 14.3 - Projeção lateral (A), (B) palmaroproximal-palmarodistal obliquada (PaPrPaDiO) e projeção 45ºdorsolátero-palmaromedial 65º obliquada (C).

A

B

C

D

Figura 14.4 - Projeção dorsopalmar (A), (B) Dorsolátero-palmaromedial obliquada (DLPMO), (C) Dorsomédio-palmarolateral obliquada (DMPLO) e lateral flexionada (D).

105

estendida e flexionada Dorsopalmar (DP) Dorsolátero-palmaromedial obliquada (DLPMO) Dorsomédio-palmarolateral obliquada (DMPLO) Dorsoproximal-dorsodistal ou skyline (rádio.A B C D Figura 14. dorsopalmar 125º obliquada estendida (B) e flexionada (C) e (D) lateroproximal-mediodistal obliquada (LPrMDiO).6 . lateral estendida (B).Projeção dorsopalmar (A). camada proximal dos ossos do carpo (C) e camada distal dos ossos do carpo (D). camada proximal e camada distal) A B C D Figura 14. 14.Projeção lateral flexionada (A). 14. A B C D Figura 14. (D) Dorsolátero-palmaromedial obliquada (DLPMO).6 e fig.7 . 106 .Projeção lateral estendida (A). CARPO (fig. skyline ou dorsoproximal-dorsodistal obliquada (DPrDDiO) da extremidade distal do rádio (B).5 .7) Lateromedial . (C) Dorsomédio-palmarolateral obliquada (DMPLO).

8) Lateromedial (lateral) Dorsoplantar (DP) Dorsolátero-plantaromedial obliquada (DLPMO) Dorsomédio-plantarolateral obliquada (DMPLO) ARTICULAÇÃO ÚMERO-RÁDIO-ULNAR E ESCÁPULO-UMERAL (fig. 14.11) • Projeção lateromedial • Projeção cranioproximal-craniodistal obliquada ou skyline Projeção caudal 30º lateral-craniomedial obliquada Projeção caudo-cranial A B C D Figura 14. 14.Projeção lateromedial (A). (C) dorsolátero-plantaromédio obliquada (DLPMO) e (D) dorsomédio-plantarolateral obliquada (DMPLO).9) • Médio-lateral • Crânio-caudal (cotovelo) • Craniomedial-caudolateral obliquada (escápulo-umeral) ARTICULAÇÃO FÊMORO-TÍBIO-PATELAR (FTP) (fig.10 e fig. 107 .TARSO (fig. dorsoplantar (B). 14.8 . 14.

caudal 30º lateral-craniomedial obliquada (B) e caudo-cranial (C). crânio-caudal (B) da articulação úmero-rádio-ulnar e médio-lateral da articulação escápulo-umeral (C).11 . CAPÍTULO XV ANATOMIA RADIOLÓGICA FALANGE DISTAL (fig.Projeção médio-lateral (A).10 . B Figura 14. 2000.9 . FONTE (A e C): BUTLER et.Projeção lateromedial (A)..Projeção tangencial (skyline) da articulação FTP em estação (A) e (B) e em decúbito (C). 2000.Figura 14.1) 108 . 15. al. B Figura 14. FONTE (B): SCHEBITZ & WILKENS.

(D) dorso-palmar com feixe de raios-x na horizontal.Figura 15. superfície dorsal da falange distal (g). 109 . nas projeções: (A) lateral. sulco solar (h). por sua forma ser semelhante a um navio. falange média (b).upei. falange distal (c). 15. É comum se encontrar uma série de forames nutrícios na borda inferior do osso navicular.1 – Anatomia radiológica da falange distal. localiza-se na face palmar da articulação interfalangeana distal. margem solar (i) e canais vasculares (j). processo extensor da falange distal (f). estando em contato com as falanges média e distal. navicular (d). os quais aumentam de tamanho com a idade e aparecem na radiografia como uma borda bastante irregular. (B) dorso-palmar 65ºobliquada.ca/equinelimbs/html OSSO NAVICULAR (fig. Legenda: falange proximal (a). (C) dorso-palmar com o casco em pinça. FONTE: http://www.2) O sesamóide distal também chamado osso navicular. processo palmar da falange distal (e).

localizado medialmente. localizado lateralmente.Figura 15. 15. 110 . PROXIMAL E ARTICULAÇÃO METACARPOFALANGIANA OU METATARSO-FALANGIANA (BOLETO) (fig. Na imagem radiográfica o sesamóide lateral tem forma triangular. Legenda: cortical flexora (a). carpo intermédio.3) Didaticamente não se difere metacarpo de metatarso.upei. localizado na face palmar do carpo ulnar e intermédio.ca/equinelimbs/html FALANGES MÉDIA. divididos em duas linhas.4) A articulação do carpo é constituída de sete ossos. embora existam diferenças anatômicas entre estas estruturas.3) Os sesamóides proximais têm a face crânio-proximal articulada com os metacarpianos ou metatarsianos e a face crânio-distal com a falange proximal. A segunda linha é distal e constitui-se dos ossos: segundo carpiano localizado medialmente. METACARPO E METATARSO (fig. enquanto que o sesamóide medial possui uma forma mais arredondada. em forma de bico de flauta e carpo acessório. medular óssea (b). Em projeção lateral flexionada. 15. processo palmar da falange distal (c). 15. FONTE: http://www. CARPO (fig. falange média (d).2 – Anatomia radiológica do osso navicular em projeção lateral (A) e dorso-palmar com o casco em pinça (B). A primeira é proximal e constitui-se dos ossos: carpo radial. carpo ulnar. falange distal (e) e processo extensor da falange distal (f). terceiro carpiano e quarto carpiano localizado caudolateralmente. o carpo intermédio localiza-se levemente proximal em relação ao carpo radial.

lateral flexionada (C) e dorsoláteropalmaromedial obliquada (DLPMO) (D). Legenda: 3ºmetacarpiano (a).upei.ca/equinelimbs/html . sesamóide lateral (c) e falange proximal (d) FONTE (E e F): http://www. lateral estendida (B).3 – Anatomia radiológica da articulação do boleto em projeção dorsopalmar (A). sesamóide medial (b).Figura 15. 111 .

4ºcarpiano (f). 2ºmetacarpiano (e).upei. sesamóide proximal lateral (b).Figura 15.4 – Projeção dorsopalmar (A). FONTE: http://www. lateral (B) e (C) dorsomédio-palmarolateral obliquada. sesamóide proximal medial (c) e 4ºmetacarpiano (d).ca/equinelimbs/html 112 . Legenda: 3ºmetacarpiano (a). 2ºcarpiano (g) e 3ºcarpiano (h).

(C) dorsomédio-palmarolateral obliquada (DMPLO). (B) Dorsolátero-palmaromedial obliquada (DLPMO). 3ºcarpiano (g). 2º metacarpiano (j) e 4º metacarpiano (k).upei.Figura 15.ca/equinelimbs/html 113 . Legenda: rádio (a). carpo ulnar (d). 4º carpiano (h). intermédio do carpo (c). 3º metacarpiano (i). carpo radial (b).4 – Anatomia radiológica do carpo em projeção dorsopalmar (A). lateral (D) e lateral flexionada (E) dorsomédio-palmarolateral obliquada (DMPLO). FONTE: http://www. 2º carpiano (f). acessório do carpo (e).

5 – Anatomia radiológica do tarso em projeção dorsoplantar (A). (b) talus (tarso tibial). (c) calcâneo (tarso fibular). 15. (C) dorsolátero-plantaromedial obliquada (DLPMO) e (D) dorsomédio-plantarolateral obliquada (DMPLO). FONTE: http://www. lateral (B). 4ºtarsiano (d). Legenda: tíbia (a). maléolo medial (j) e maléolo lateral (k).upei. 4º metatarsiano (i). 3ºmetatarsiano (g).TARSO (fig. 2ºmetatarsiano (h). 3ºtarsiano (f). central do tarso (e). 1º e 2ºtarsianos (m) e tróclea lateral (n).5) Figura 15.ca/equinelimbs/html 114 .

epicôndilo medial do fêmur (b). Legenda da articulação escápulo-umeral: escápula (a). côndilo medial do fêmur (c).6) Figura 15.ca/equinelimbs/html 115 . Legenda da articulação úmerorádio-ulnar: úmero (a). cabeça do úmero (c).6 – Anatomia radiológica. traquéia (b).7) Figura 15. olécrano (e). epicôndilo medial do úmero (b).ARTICULAÇÃO ÚMERO-RÁDIO-ULNAR E ESCÁPULO-UMERAL (fig. ápice da patela (l). eminência intercondilar lateral da tíbia (f). úmero (d) e tubérculo maior (e). eminência intercondilar medial da tíbia (e). tuberosidade da tíbia (j). tíbia (i). epicôndilo lateral do úmero (c). rádio (g). côndilo do úmero (d). Legenda: fêmur (a). base da patela (m) tróclea lateral (n) e tróclea medial (o). ulna (f). 15.upei.ca/equinelimbs/html ARTICULAÇÃO FÊMORO-TÍBIO-PATELAR (fig. côndilo lateral do fêmur (d). fíbula (h). 15. FONTE: http://www. da articulação úmerorádio-ulnar (A) e escápulo-umeral (B). FONTE: http://www.upei. fossa intercondilar (g).7 – Anatomia radiológica em projeção caudo-cranial (A) e lateral (B) da articulação fêmoro-tíbio-patelar. patela (k). em projeção médio lateral.

podendo ter largura aumentada dos canais vasculares e desmineralização óssea. A B Figura 16. 16. A uniformidade da margem e a extensão da lesão periosteal podem ser usadas para determinar a agressividade e cronicidade da lesão. Outra alteração comum refere-se ao remodelamento da margem solar da falange distal. OSTEÍTE PODAL Radiograficamente. irregularidade difusa criando um aspecto inacabado com aparência rendada quando vista em projeção lateral ou 65° dorsopróximo-palmarodistal obliquado podendo ser indicativo de lesão crônica ou breve resposta inflamatória. a osteíte podal (fig.1-B) se caracteriza por presença de espículas ósseas na borda da falange distal em projeção dorso-palmar. As causas podem ser determinadas pela avaliação da extensão e localização específica da lesão. os sinais clínicos devem ser usados para determinar se uma margem radiograficamente irregular é um indicador de doença antiga ou recente. Lesões antigas que levam a torções de ligamentos ou tendões e estiramento de cápsula articular resultam em hemorragias ou efusão estimulando crescimento ósseo.CAPÍTULO XVI ALTERAÇÕES RADIOGRAFICAMENTE VISÍVEIS CRESCIMENTO ÓSSEO PERIOSTEAL DA MARGEM DORSAL DA TERCEIRA FALANGE Esta lesão é vista em projeção lateral e indica tensão crônica no periósteo e resulta em pequena proliferação periosteal (fig. onde há freqüentemente pequena alteração na irregularidade fisiológica do contorno da margem da sola. Osteíte Podal. Assim. FONTE (A): http://www.1. Reação periosteal focal pode ser provocada por lesões de tendão. 116 .Crescimento ósseo periosteal na parede dorsal da falange distal (A). Algumas vezes a osteíte podal apresenta-se inativa. 16.1-A).upei.ca/equinelimbs/html . observar a irregularidade da superfície solar da falange distal (B). ligamento ou cápsula articular.

FONTE (A): http://www. ferimento punctório. infecção adjacente (abscesso de tecido mole) via hematógena ou iatrogênica (nos casos de artrocentese ou terapia intra-articular com corticóides). onde um espaço articular diminuído. A B Figura 16. ou conformação pobre. podendo causar desmineralização. e intra-articulares podem ser vistos em DDA avançada. Quando presente ela. embora neoformação usualmente esteja presente (fig. geralmente.ca/equinelimbs/html. portanto. As alterações ósseas representam osteomielite. AUMENTO DE RADIOPACIDADE SUBCONDRAL Este achado é indicativo de esclerose.2B). observar área de radiolucência na borda da falange distal (setas). possivelmente causado por início de doença degenerativa articular (DDA) por instabilidade crônica. 16. DOENÇA DEGENERATIVA ARTICULAR (DDA) A origem desta afecção pode ser. 117 . osteófitos peri-articulares. trauma prévio. osteófitos.DIMINUIÇÃO DA RADIOPACIDADE DA FALANGE DISTAL Em uma radiografia os fatores de exposição sempre têm que ser avaliados a fim de verificar se não são os responsáveis pela densidade diminuída. Osteíte infecciosa (B) da falange distal. envolve a superfície solar ou dorsal da falange.2 – Doença degenerativa articular (A). Uma diminuição difusa da radiopacidade da terceira falange pode ocorrer por desuso. a qual pode ser evidenciada por radiolucência e irregularidade na margem. Raramente o desequilíbrio cálciofósforo causa desmineralização do esqueleto apendicular identificável na radiografia. 16. OSTEÍTE INFECCIOSA A falange distal não tem cavidade medular e. A infecção do casco é comum e com pouca freqüência atinge a terceira falange. múltiplos pontos radiolucentes subcondrais. havendo raramente esclerose circundante. a infecção deste osso é chamada osteíte infecciosa e não osteomielite. artrite infecciosa.2-A) e severa pode-se citar. necrose do osso subcondral. Dentre as características radiológicas de DDA crônica (fig. estreitamento irregular do espaço articular e esclerose óssea. observar crescimentos ósseos (setas). estreitamento do espaço articular devido à destruição da cartilagem.upei.

Um extenso grau de ossificação pode não ter significado clínico se o animal não demonstra dor à palpação. Figura 16. a qual inicialmente é vista como uma área radiolucente no osso em projeção dorso-palmar com o casco em pinça.Ferimentos penetrantes através da sola podem resultar em osteíte infecciosa. A aparência do navicular também deve ser avaliada. indica a junção entre a periferia do centro de ossificação separado e a porção da cartilagem alar que está calcificada. parecendo uma lesão cística. especialmente na junção da linha branca e casco. Às vezes. Fraturas da cartilagem calcificada ocorrem e causam 118 . As projeções lateral (lateromedial) e dorso-palmar devem ser feitas para diagnosticar com exatidão a extensão da alteração. pois a ossificação da cartilagem alar pode estar acompanhada de uma lesão degenerativa significante nesta estrutura. com drenagem recorrente localizada na coroa do casco ou superfície solar e está associada a vários graus de claudicação.3 – Calcificação das cartilagens complementares da falange distal em projeção dorso-palmar com o feixe da radiação horizontal (esquerda) e dorso-palmar com o casco em pinça (direita). As anormalidades radiográficas podem aparecer quatro semanas após o início da lesão. causando uma radiolucência bem definida. a qual aparece como protusões ósseas estendendo-se em direção caudal ao processo palmar da terceira falange. A calcificação assimétrica pode indicar aumento de estresse na porção mais ossificada (fig. 16. Uma linha radiolucente dividindo a imagem da cartilagem ossificada. CALCIFICAÇÃO DAS CARTILAGENS ALARES (COLATERAIS) DA FALANGE DISTAL Ocorre mais comumente em raças pesadas. Ocorre especialmente em cavalos velhos. de tração e com pata ampla. A ossificação completa é raramente vista podendo estender-se proximalmente até a articulação inter-falangeana. Considera-se presente quando a ossificação estende-se além da margem proximal do navicular. geralmente. sendo um achado comum em radiografias da falange distal de animais adultos.3). tratamentos com antibióticos resultam em abscessos com pus espesso originando-se da terceira falange. Com a progressão da infecção ocorre comprometimento do suprimento sanguíneo da área podendo ou não apresentar seqüestro. A osteíte infecciosa pode ser crônica quando estes ferimentos penetrantes são profundos na sola.

penetração da mesma (fig. Seu significado deve ser avaliado como sinal clínico de pouca importância. ou ossificação incompleta desta estrutura. um incompleto desenvolvimento e / ou separação do centro de ossificação.4 – Linha da superfície dorsal da muralha do casco (1) paralela com linha da superfície dorsal da terceira falange (2) sem rotação em A e com rotação. A laminite caracteriza-se pelas seguintes alterações radiográficas na terceira falange: desvio palmar. à vezes. Por esta condição poder ser bilateral. Quando a superfície articular está envolvida. FONTE : http://www. a alteração passa a ser mais importante. IRREGULARIDADE DO PROCESSO EXTENSOR Um defeito na base do processo extensor ou fragmentação proximal ao processo pode indicar fratura.claudicação aguda. A linha formada pela ossificação geralmente é irregular e pode ter alteração de radiopacidade e estrutura trabecular do osso subjacente.4). ROTAÇÃO DA TERCEIRA FALANGE O desvio da terceira falange é comum na ocorrência de laminite crônica. normalmente fazendo autocura. superfície solar irregular. A origem mecânica pode variar conforme a causa inicial e tempo de duração dos estágios agudos. Uma resposta dolorosa a uma pressão digital aplicada na coroa do casco justamente na área onde se suspeita de fratura ajuda a diferenciar esta de uma calcificação incompleta. a ponto de aproximar o osso da sola do casco ocorrendo. A rotação da terceira falange resulta na perda da paralelidade da falange distal e a parede do casco.upei. edema perivascular e shunt arteriovenoso da coroa do casco. o peso do animal age como alavanca forçando o deslocamento do osso que também é puxado pelo tendão flexor digital profundo combinado à força mecânica proveniente da parede do casco. Figura 16. uma vez que as alterações radiográficas persistem após a resolução da claudicação. O resultado da isquemia e necrose da lâmina do casco leva à perda do suporte da superfície dorsal da terceira falange. 16. podendo levar a osteoartrite secundária da articulação interfalangeana distal. Fraturas podem ocorrer devido a anormalidades de tensão do tendão extensor digital comum ou hiper-extensão da articulação inter-falangeana distal. causando rotação. que com a perda da junção laminar. aumento do número de canais vasculares 119 . são consideradas causas possíveis. microtrombose. como vasoconstrição das veias digitais. Um variável número de causas tem sido proposto. sem paralelidade das linhas em B. sendo que os sinais radiográficos de laminite têm sido descritos quando um aumento na espessura do tecido mole dorsal à falange distal é visto em projeção lateromedial.ca/equinelimbs/html .

Com o progresso da lesão pode aparecer uma leve linha radiolucente entre a falange e a parede do casco. Outras neoplasias (fig.upei. É geralmente encontrada na margem solar do osso. Com o passar do tempo esta área torna-se mais radiolucente dando uma aparência de gás na região. NEOPLASIA O queratoma é o tipo mais comum de neoplasia encontrado na terceira falange. Este tipo de neoplasia pode ocorrer em qualquer porção do casco. causando deformação da parede. fibrossarcomas. inicialmente representando uma secreção serosa colecionada entre a derme e lâmina epidérmica. Com a extensão desta para a sola pode se estabelecer um ponto de contaminação causando osteíte infecciosa. causando claudicação e dor. fratura patológica. remodelamento da falange distal e aparência alongada e elevada da falange distal. a qual é vista em radiografias de alta qualidade. O aumento do tamanho desta linha indica a progressão da rotação ou necrose laminar.direcionados à superfície dorsal. mas são raras. esta alteração possui patofisiologia multifatorial.5-B) podem aparecer.ca/equinelimbs/html .5-A e 16. podem-se realizar radiografias com intervalos regulares para monitorar este progresso. causando alterações na superfície flexora fibrocartilaginosa. com claudicação intermitente bilateral nos membros anteriores. podendo ocorrer ocasionalmente em membros posteriores. SÍNDROME NAVICULAR Também chamada de “Doença do Navicular”. Pode provocar claudicação quando for ampla e às vezes está associada a infecções secundárias. no tendão flexor digital profundo. bem 120 . Inicia-se. Possui desenvolvimento progressivo e crônico. geralmente. com contorno uniforme e dificilmente há neoformações ósseas associadas. visto em projeção dorso-palmar com o casco em pinça ou projeção dorso-palmar obliquada. pior será o prognóstico e dificilmente o animal retornará à sua função atlética. mais rápido for o progresso. pois quanto mais marcante for a rotação. O grau de rotação tem sido usado para fornecer um prognóstico para animais com laminite. na bursa do navicular. aparecendo como uma chanfradura semicircular. FONTE: http://www. As lesões por queratomas podem reaparecer após vários anos. Quando há suspeita de rotação progressiva. A B Figura 16. sola e linha branca. como os neurofibromas.5 – Lesão neoplásica benigna (setas) (A) e maligna (B). A crena não deve ser confundida com este tipo de lesão. 16.

denominado bursografia. caudolateral à borda anterior da tróclea lateral e não no local normal que é o sulco troclear. 121 . A luxação lateral de patela em potros é considerada uma herança genética causada por um gene recessivo. apenas um trauma severo poderá induzir o deslocamento medial. bem como. A confirmação do diagnóstico é através de radiografias caudocraniais e craniopróximo-craniodistal obliquada (skyline). Também é causa de luxação a hipoplasia da tróclea lateral. alteração nas invaginações da borda distal (fig. Em função de a tróclea medial ser maior. irregularidades na borda proximal (fig. Podem ainda aparecer pequenos fragmentos ósseos na borda distal. ou seja.6 – Representação esquemática das principais alterações encontradas na síndrome navicular.6-b1).como inserção de ligamentos e cápsula articular. 16.6-b2). Não há sinal clínico patognomônico ou teste específico para o diagnóstico. Esta afecção é mais comumente vista em raças miniatura. mas ser luxada intermitentemente. as quais permitem visualizar a patela em posição anormal. 16. porém a mais comum é a luxação. As patelas podem ser palpadas em um posicionamento lateral anormal. caudal à borda anterior da tróclea lateral. pode ser utilizado para confirmação das lesões evidenciadas no exame simples. Classificação da luxação patelar: Grau 1: a patela pode ser manualmente luxada e facilmente reduzida. em potros com conformação aparentemente normal. formações císticas (fig. • Grau 3: a patela geralmente está luxada. localização da dor e sinais radiográficos de alterações do osso navicular.6-c1) e esclerose na medular do osso navicular (fig. 16. Em adultos a luxação é provavelmente de origem traumática. O exame contrastado da bursa do navicular. LUXAÇÃO DE PATELA Anormalidades congênitas são raras na articulação femuro-tíbio-patelar. Grau 2: a patela geralmente está no sulco troclear. erosões no córtex flexor e mineralização do tendão flexor digital profundo. FONTE: DOUGLAS & WILLIAMSON. bem como eliminação de outras causas de claudicação. demonstrar outras lesões antes não percebidas. 16. Figura 16. 16. mas poderá ser reduzida manualmente. • Grau 4: a patela estará luxada e não poderá ser manualmente reduzida. 1975. mas tem sido relatado em raças puro sangue e árabes.6-a). a qual também é chamada de patela ectópica. sendo este realizado através das características do passo do animal. Dentre os principais sinais radiográficos encontrados na síndrome navicular estão: osteófitos nas bordas lateral e medial do osso navicular (fig.6-c2).

FRAGMENTAÇÃO DA PATELA Esta alteração é geralmente associada à fixação muito proximal da patela. do aparelho locomotor eqüino. OSTEOCONDROSE (CISTOS ÓSSEOS) A osteocondrose (fig. 16. Há falência na maturação da cartilagem. Um ligeiro achatamento da face anterior da tróclea lateral não precisa ser acompanhado de indício clínico. onde a substituição de tecido cartilaginoso por tecido ósseo não é completa. Uma causa potencial destas alterações é a instabilidade e estresse na porção distal da patela causada por desmotomia medial da patela. Graus variáveis de claudicação são evidenciados sendo que movimentos de flexão pioram os sinais. Quando se apresenta mais afastado da superfície articular radiolucente se caracteriza como uma área circular ou ovalada de densidade radiolucente e contorno regular que muitas vezes é cercada por uma borda radiopaca ou esclerótica. deve ser feito exame radiográfico do membro contralateral. Cistos ósseos podem ocorrer em vários locais. Por ser freqüentemente bilateral.Radiografias pré-operatórias devem ser feitas para avaliar o grau de DDA. Figura 16.7 – Osteocondrose na face dorso-medial da falange proximal A osteocondrose por ter sua borda espessa e arquitetura cística. muitas vezes combinado com lise do osso subcondral e tornando-se irregular ou com osteofitos na superfície cranial do ápice da patela. Radiograficamente estão presentes pequenos fragmentos ósseos no ápice da patela. manifestada por fragmentação da cartilagem e ápice ósseo da patela. Não pode ser confundido com condromalácea da patela. como a necrose da cortical óssea. É um achado acidental em cavalos velhos. e é ocasionalmente visto com esclerose do osso subcortical. Projeções obliquadas são importantes para a avaliação destas lesões.7) é uma desordem relativamente comum no animal jovem. deve ser distinguida de outras lesões que causam radiolucência circunscrita no corpo da falange. seqüestro e defeito congênito. não sendo detectados radiograficamente quando houver pequeno grau de alteração subcondral. RUPTURA DE LIGAMENTO CRUZADO 122 .

laminar ou lisa de densidade radiopaca. Periostite e exostose são características de osteíte. O trauma direto na articulação ou alteração degenerativa no ligamento são alterações que podem ocorrer nos eqüinos. sendo demonstrada na radiografia como uma pequena área irregular. deslocamento cranial da tíbia com a ruptura do ligamento cruzado cranial e osteoartrite ou mineralização do ligamento associada a lesões crônicas. também tem origem inflamatória e difere da periostite apenas pelo seu grau de desenvolvimento.As lesões no ligamento cruzado cranial ocorrem quando há hiperextensão ou rotação súbita com o membro flexionado. porém pode ocorrer em outras situações. Didaticamente denomina-se de osteíte quando um processo inflamatório determina grande reação óssea. A reação tipo Sunburst geralmente é exuberante e sua aparência radiográfica se assemelha à imagem de uma explosão. PERIOSTITE E EXOSTOSE A periostite é uma reação do periósteo. de origem inflamatória. geralmente ocasionada por trauma direto. o qual é visto em projeção lateromedial. OSTEÍTE A osteíte é uma reação inflamatória do córtex ósseo. Dentre as alterações radiográficas estão as fraturas da eminência intercondilar da tíbia.8-a) e periostite irregular (fig. lesões em ligamentos adjacentes. localizado aleatoriamente.9-B) ou irregular do tipo Sunburst (fig. 16. 16. As reações periosteais podem ser classificadas como periostite laminar (fig. sem alterar a medular. 123 . reabsorção ou fragmentação óssea na inserção dos ligamentos cruzados no fêmur. Quando lisa dificilmente tem ruptura de periósteo. As lesões do ligamento cruzado cranial são mais comuns que do ligamento cruzado caudal. Uma discreta radiopacidade cranial e proximal ao local de inserção pode indicar lesão do ligamento. associada a traumas ou defeitos de aprumos. Na maioria das vezes apresenta forma discreta com tamanho pequeno. 16. Na periostite irregular há ruptura de periósteo. neoplasias e consolidação de fraturas. Radiografias evidenciam a lesão como uma massa de contorno distinto no tecido mole.9-d). CALCINOSE CIRCUNSCRITA A calcinose circunscrita ou calcinose tumoral pode aparecer como um nódulo duro. A claudicação pode estar presente ou não. com envolvimento do periósteo. como osteomielites. neoformação óssea cranial à eminência intercondilar. mas o melhor posicionamento é o lateromedial flexionado.9-A). existindo a possibilidade de ser proliferativa e tomar proporções que pode atingir estruturas adjacentes como ligamentos e tendões. freqüentemente encontrada em metacarpianos e / ou metatarsianos. Sem etiologia definida os animais afetados geralmente não claudicam.8-c e 16. A exostose pode ser lisa (fig.8-b e 16. também denominada de sobreosso. A exostose é uma reação periosteal exuberante. de opacidade irregular com pequenos grânulos amorfos de grande opacidade. 16.

Figura 16.8 – Representação esquemáticas dos tipos de reação periosteal. FONTE: OWENS, 1982.

A

B

C

Figura 16.9 – Imagem radiográfica de periostite em metacarpiano acessório (A), porção distal de terceiro metacarpiano (B) e exostose em face palmar de falange proximal (C).

ARTRITE A causa mais comum em potros é pela via umbilical, nas onfaloflebites, já em animais adultos pode ocorrer por traumas perfurantes ou infiltrações articulares sem os devidos cuidados de assepsia. A imagem radiográfica de artrite consiste em irregularidade de superfícies articulares, acompanhada freqüentemente de edema e calor (fig. 16.10-A). OSTEOMIELITE Este termo se aplica aos processos inflamatórios e ou infecciosos, que envolvem a cortical e a medular, podendo ser causados por traumas, fraturas expostas, feridas punctórias, cirúrgicas, ou via hematógena. A osteomielite pode ser supurativa ou não, dependendo da via de infecção e do agente. Os locais mais comuns são os ossos longos, tarso, carpo, cabeça e mandíbula. Radiograficamente caracteriza-se por perda da trabeculação e padrão ósseo, áreas de lise e destruição óssea, diminuição da densidade, neoformações ósseas, seqüestro e esclerose nas bordas.

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EPIFISITE OU FISITE Também denominada Displasia Fisária, refere-se a alterações na linha epifisária ou placa de crescimento e pode ter origem inflamatória, metabólica, traumática ou, ainda, infecciosa. Geralmente ocorre em animais jovens em preparo para competição, sendo o local mais comum a epífise distal do rádio. Apresenta-se na radiografia como uma fise ampla, irregular com bordas escleróticas. Em alguns casos podem ser evidenciados osteófitos, nas extremidades da linha epifisária (fig. 16.10-B).

A

B

Figura 16.10 – Imagem radiográfica de artrite na articulação matecarpofalangeana (A) e epifisite distal de rádio (B).

SESAMOIDITE Esta afecção é evidenciada, com maior clareza de detalhes, em projeções obliquadas, DLPMO ou DMPLO. Geralmente está associada a alterações degenerativas no ligamento suspensório e remodelamento de fraturas distais do 2º metacarpiano e 4º metatarsiano, podendo haver lesão em um ou ambos os sesamóides de uma ou mais articulações. Os sinais clínicos e radiológicos não são proporcionais, ou seja, a gravidade do sinal clínico não corresponde ao grau de severidade do radiográfico. Sinais de doença degenerativa articular podem estar presentes na forma de osteófitos. Radiograficamente é demonstrada por alteração da densidade óssea na superfície não articular proximal dos sesamóides. Estas alterações com densidade radiolucente podem ser lineares ou císticas, sendo classificadas em três tipos (fig. 16.11) de acordo com a forma na imagem: na sesamoidite do tipo I as lesões são lineares em número de 1-2 e com largura menor ou igual a 1mm; na do tipo II as lesões são em número de três ou mais também com amplitude menor ou igual a 1mm; na sesamoidite do tipo III as lesões têm largura maior do que 1mm ou apresentam forma cística e irregular.

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A

B

C

Figura 16.11 – Sesamoidite tipo I (A), tipo II (B) e tipo III (C). FONTE: http://www.upei.ca/equinelimbs/html.

HIGROMA DO CARPO O higroma é uma formação sinovial, também chamada de bursite, localizada na face dorsal do carpo, resultante de pequenos traumas os quais levam ao desenvolvimento de uma bolsa com líquido sinovial em seu interior. O aumento de volume e calor local são os principais sinais clínicos, podendo ocorrer dor e claudicação. O diagnóstico é feito com radiografias em projeção lateral estendida e flexionada, onde se evidencia um aumento de volume com densidade água, sem envolvimento ósseo. A injeção de meio de contraste positivo, à base de iodo, confirma o diagnóstico e descarta outras alterações articulares, como a formação de massas, por exemplo. CARPITE Também chamada de Artrite Traumática do Carpo, esta afecção é uma resposta inflamatória, aguda ou crônica, na articulação do carpo. Geralmente, compromete a cápsula articular, ligamentos colaterais e ossos que compõem a articulação. A etiologia mais comum é o trauma direto na região da articulação, sendo que os animais de salto e corrida são os mais atingidos. Dentre os sinais clínicos geralmente encontrados estão: a dor, claudicação, aumento de volume e calor na região. O diagnóstico radiológico pode ser confirmado através de radiografias em projeção lateral estendida e flexionada, dorsopalmar, DLPMO e DMPLO. Radiograficamente, nos estágios iniciais, a carpite se apresenta como uma artrite serosa, com pequena reação periosteal e aumento de densidade radiológica articular. Com a evolução do quadro desenvolve-se uma osteoartrite severa com maior aumento de volume e aumento de densidade radiológica, osteófitos, exostoses, além de neoformações ósseas fora das superfícies articulares como locais de inserção de ligamentos e cápsula articular, sinais estes característicos de doença degenerativa articular. É comum encontrar fratura dos ossos carpo radial e terceiro carpiano. SINOVITE VILONODULAR A sinovite vilonodular (fig. 16.12-B e 16.12-C) é um processo proliferativo crônico da cápsula sinovial, que geralmente ocorre nos membros anteriores, onde os principais sinais clínicos são dor à palpação, claudicação e aumento do volume da articulação, aumento este caracterizado por ser firme e não flutuante. A demonstração radiográfica se dá em projeção lateral e a confirmação é feita através de artrografia com meio de contraste positivo, pela
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Fraturas cominutivas e transversas também podem ocorrer. trabalho no campo e traumas nas mais diversas situações. Em alguns casos pode se observar mineralização da inserção na porção proximal da cápsula articular. em função de que a tróclea medial é mais proeminente que a lateral. As fraturas de patela são incomuns e geralmente são resultados do trauma direto do membro flexionado. FONTE:http://www. Na radiografia evidencia-se grau médio a severo de erosão da porção dorsal distal do 3ºmetacarpiano ou metatarsiano. o qual se forma devido à necrose que ocorre em função da pressão exercida pela massa vilonodular (seta).injeção de composto orgânico. menos favorável será o prognóstico. sinovite vilonodular em exame simples (B) e com artrografia (C).ca/equinelimbs/html.13-A a 16. dependendo do grau de desenvolvimento da afecção.13-G). sendo uma porção vital para o grupo muscular quadríceps.12 – Imagem radiográfica da articulação sem alteração (A). Com a artrografia se visualiza uma área radiolucente na porção interna dorsal do espaço articular que corresponde à massa vilonodular que ocupa espaço e é quase totalmente circundada pelo meio de contraste (setas). Podem ocorrer em qualquer estrutura óssea e ter as mais diferentes conformações (fig.upei. Quando o trauma direto ocorre. imediatamente após local de inserção da porção proximal da cápsula articular. no chute ou coice ou ainda no momento do salto. Radiograficamente as fraturas se apresentam como linhas radiolucentes na estrutura óssea radiografada. Estas massas podem aparecer em outros locais do espaço articular. Os sinais clínicos mais comuns são edema de 127 . o mais comum é que a fratura seja sagital no aspecto medial da patela. A B C Figura 16. 16. Quanto mais grave for a fratura e / ou quanto mais importante for a região fraturada. FRATURAS As fraturas no aparelho locomotor dos eqüinos advêm de acidentes em competições. já que sua porção distal está conectada à tuberosidade da tíbia. pois sua inserção é feita na face proximal da patela além de agir como alavanca para extensão da articulação. FRATURA DE PATELA A patela é o maior sesamóide do corpo.

com pequenos fragmentos na face cranial proximal a grandes fraturas estendendo-se distal à crista da tíbia a proximalmente na articulação fêmoro-tibial. Deve-se cuidar para não interpretar as linhas radiolucentes normais da fíbula como fraturas. Ocorre uma variedade de configurações desta fratura. Por mais que a inserção do ligamento cruzado cranial seja cranial à eminência. embora os ligamentos patelares quase sempre estejam envolvidos. já que esta estrutura. A projeção caudo-cranial é importante para identificar o posicionamento dos fragmentos. Estas fraturas são descritas como fraturas por avulsão da inserção do ligamento cruzado cranial. feridas punctórias ou coices. mantendo a articulação flexionada. quando presente. Estas projeções são importantes na avaliação das fraturas cominutivas. FRATURA DE FÍBULA As fraturas da fíbula podem causar claudicação de elevação. Linhas de fratura tendem a correr obliquamente de um lado a outro na fíbula. lateromedial. As fraturas por avulsão da tuberosidade da tíbia são melhor vistas em projeção caudolateral-craniomedial obliquada. efusão articular e graus variados de claudicação. ocorrem com outras lesões da articulação. como saltos que acertam as cercas.tecidos moles. Radiograficamente a avaliação deve incluir projeções caudo-cranial. para não confundir fraturas com a linha de crescimento. Deve-se ter cuidado. onde se evidenciam fragmentos ósseos de vários tamanhos no interior do espaço articular. FRATURA E FRAGMENTAÇÃO DA FACE ANTERIOR DAS TRÓCLEAS E CÔNDILOS FEMORAIS Esta lesão geralmente é resultado de traumas externos diretos. Estas fraturas não parecem estar associadas com a placa de crescimento da tuberosidade da tíbia ou com avulsões da inserção de ligamentos patelares. efusão articular. e skyline. com história de trauma agudo. transversas e sagitais. e a skyline é necessária para avaliar a presença de fraturas de patela. lateral flexionada. Os animais podem caminhar apenas com o outro membro. FRATURA DA EMINÊNCIA INTERCONDILAR DA TÍBIA A eminência intercondilar medial da tíbia é mais larga e pontiaguda que a lateral. por coice ou colisão com cercas. tendo seu prognóstico reservado. Há claudicação súbita moderada a severa. geralmente. O diagnóstico é confirmado pelas radiografias em projeções caudo-cranial e lateral flexionada. Deve-se ter cuidado para não confundir a fabela com fraturas. não existe probabilidade de avulsão. 128 . Estas fraturas podem ocorrer em função de trauma no côndilo medial do fêmur e eminência intercondilar. crepitação e dor na flexão. FRATURA DA TUBEROSIDADE DA TÍBIA A tuberosidade da tíbia é uma estrutura relativamente exposta e suscetível à fratura por trauma direto. localiza-se nesta região. Fraturas da face caudal dos côndilos do fêmur podem ser demonstradas em projeção lateromedial obliquada e. em cavalos com menos de três anos de idade. Fragmentos da articulação fêmoro-patelar são mais comumente vistos na porção distal da tróclea lateral em projeção lateral ou lateral flexionada.

embora as fraturas do processo palmar possam primeiro ser identificadas em projeção lateral. pressão e choque do casco. sesamóides proximais (D).Estas fraturas são causadas por trauma direto. por exemplo. primeira falange (C). Clinicamente este tipo de lesão na falange distal causa claudicação aguda com dor. FRATURA DE TERCEIRA FALANGE As fraturas do corpo e processo palmar podem ser de difícil visualização nas radiografias. em função da rarefação que ocorre na linha de fratura.ca/equinelimbs/html.13 – Fratura de terceira falange (A e B). láteromedial e palmaroproximal-palmarodistal obliquada para ser demonstrada. A linha de fratura é melhor vista quando o feixe de radiação é direcionado em linha com o plano da mesma. Uma fratura de processo palmar. tíbia (F) e úmero(G). São melhor visualizadas em projeção dorso-palmar com o casco em pinça. Uma fratura no processo extensor é melhor evidenciada na projeção lateral. Pela comparação cuidadosa das projeções oblíquas ligeiramente diferentes é possível estabelecer se a fratura é simples ou cominutiva. Figura 16. sua identificação é possível. Quando se suspeita de uma fratura. pode ser necessário um número maior de projeções obliquas. onde um pequeno fragmento radiopaco próximo ao processo extensor pode representar uma lesão recente. uma fratura antiga. que é a mais usada. uma separação do centro de ossificação ou uma mineralização 129 . mas sete a dez dias após. pode requerer uma projeção médio-lateral. o animal apresenta claudicação moderada a severa e o diagnóstico é feito radiograficamente com projeção caudo-cranial. terceiro metacarpiano (E). a fim de que se possa visualizar claramente uma ou mais linhas.upei. FONTE: http://www.

a configuração da fratura e determinar a possibilidade de envolvimento articular. podendo também ser evidenciado aumento de volume local. médio-sagitais envolvendo ou não a articulação (tipo III).distrófica dentro do tendão extensor. enquanto as do tipo I são transversas e completas no processo palmar. do processo palmar diferindo do tipo I. distúrbios nutricionais. São demonstrados osteófitos e ou exostose. do processo extensor (tipo IV). animais com problemas de desenvolvimento e ainda estresse articular devido ao treinamento precoce ou muito rigoroso. indicam etiologia hereditária. A confirmação do diagnóstico é realizada através de radiografias em projeções: lateral.14 – Esquemas representando os tipos de fraturas da falange distal. 16. Fraturas cominutivas da terceira falange não são comuns. comumente resultando em anquilose. com precisão. cominutivas (tipo V) e da margem da sola (tipo VI). nas articulações intertarsiana distal e tarsometatarsiana. As fraturas tipo IV podem ser articulares e as do tipo V podem ser secundárias à osteíte infecciosa e seqüestro. As alterações de conformação e animais com “jarrete de vaca”. Figura 16. mas aparecem ocasionalmente. contudo. não há consenso a respeito da etiologia. localizadas geralmente na face medial da extremidade proximal do terceiro metatarsiano e a face medial do terceiro tarsiano e central do tarso. As causas mais comuns são traumatismos. oblíquas articulares estendendo-se da linha média à lateral na margem solar medial (tipo II).15) a afecção que causa uma osteoartrite progressiva. Existe ainda um outro tipo de fratura (tipo VII). 16.14) em função da configuração que apresentam. que consistem. al. o que resulta em prognóstico muito reservado. podendo não ter significado clínico. dorsopalmar. As fraturas são classificadas em sete tipos (fig. Em casos mais graves poderá ser evidenciado 130 . em ser não articulares. com periostite e exostose. Os sinais clínicos mais comuns são dor e claudicação. podendo ter apresentação e prognóstico variável. Muitas projeções radiográficas podem ser requeridas para se estabelecer. ESPARAVÃO ÓSSEO Denomina-se esparavão ósseo (fig. 2003. FONTE: BUTLER et. não articulares do processo palmar (tipo I). pois elas se originam e terminam na margem da sola. dorsolátero-palmaromedial obliquada (DLPMO) e dorsomédiopalmarolateral obliquada (DMPLO). Uma lesão penetrante no casco pode resultar em fratura de qualquer tipo.

ca/equinelimbs/html.anquilose destas articulações.15 – Imagem radiográfica de osteoartrite de tarso em três diferentes graus de lesão. Figura 16. FONTE: http://www. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 131 .upei.

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