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Sumário

Evolução Histórica do Direito do Consumidor Autores: Flávio Barbosa Quinaud Pedron e Viviane Machado Caffarate..........4 Proteção constitucional do consumidor Autor: Cristian de Sales Von Rondow...............................................................15 Princípios nucleares do Código Brasileiro de Defesa do Consumidor e sua extensão como princípio constitucional Autor: Henrique Alves Pinto..............................................................................26 O princípio da vulnerabilidade e a defesa do consumidor no direito brasileiro: origem e conseqüências nas regras regulamentadoras dos contratos e da publicidade Autores: Alírio Maciel Lima de Brito e Haroldo Augusto da Silva Teixeira Duarte..........................................................................................................................57 O princípio da boa-fé no Código de Defesa do Consumidor Autor: Francisco José Soller de Mattos..............................................................74 A relação jurídica de consumo: conceito e interpretação Autor: Marcelo Azevedo Chamone....................................................................76 Pessoa jurídica consumidora Autor: Alex Sandro Ribeiro..............................................................................105 Aspectos da responsabilidade civil no Código de Defesa do Consumidor e excludentes Autoras: Michele Oliveira Teixeira e Simone Stabel Daudt............................109

Vícios no Código Civil e no Código de Defesa do Consumidor: diferenças Autor: Ricardo Canguçu Barroso de Queiroz...................................................127

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A responsabilidade civil do fornecedor por vícios dos produtos no Código de Defesa do Consumidor Autor: Fabrício Castagna Lunardi....................................................................129 A prescrição e a decadência no Código de Defesa do Consumidor Autor: Osmir Antonio Globekner.....................................................................145 Desconsideração da pessoa jurídica no Código de Defesa do Consumidor Autor: Osmir Antonio Globekner.....................................................................157 Princípios gerais da publicidade no Código de Proteção e Defesa do Consumidor Autor: João Bosco Pastor Gonçalves................................................................175 As cláusulas abusivas à luz da doutrina e da jurisprudência Autores: Carlos Cavalcante e Karla Karênina Andrade...................................184 Inversão do ônus da prova no CDC e no CPC Autor: Ranieri Eich...........................................................................................206 Alguns aspectos da dogmática processual para a defesa dos direitos do consumidor Autora: Viviane Mandato Teixeira Ribeiro da Silva........................................230 Litisconsórcio, assistência e intervenção de terceiros nas ações coletivas para tutela do consumidor Autora: Gláucia Kohlhase Marques..................................................................248 A competência nas ações coletivas do CDC Autor: Renato Franco de Almeida....................................................................274

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A Evolução Histórica do Direito do Consumidor Autores: Flavio Barbosa Quinaud Pedron e Viviane Machado Caffarate

I. A Evolução do Direito do Consumidor

O Direito do Consumidor é obra relativamente recente na Doutrina e na Legislação. Tem seu surgimento como ramo do Direito, principalmente, na metade deste século. Porém, indiretamente encontramos contornos deste segmento do Direito presente, de forma esparsa, em normas das mais diversas, em várias jurisprudências e, acima de tudo, nos costumes dos mais variados países. Porém, não era concebido como uma categoria jurídica distinta e, também, não recebia a denominação que hoje apresenta. Altamiro José dos Santos destaca o Código de Hamurabi (2300 a.C.). Este já em seu tempo regulamentava o comércio, de modo que o controle e a supervisão se encontravam a cargo do palácio. O que demonstrava que se existia preocupação com o lucro abusivo é porque o consumidor já estava tendo seus interesses resguardados. Santos lembra que: "consoante a" lei "235 do Código de Hamurabi, o construtor de barcos estava obrigado a refazê-lo em caso de defeito estrutural, dentro do prazo de até um ano (...)" (Santos, 1987. p. 78-79). Desta norma podemos supor uma noção dos vícios redibitórios. Havia também regras contra o enriquecimento em detrimento de outrem ("lei" 48), bem assim a modificabilidade unilateral dos desajustes por desequilíbrio nas prestações, em razão de forças da natureza. Os interesses dos consumidores já estavam resguardados na Mesopotâmia, no Egito Antigo e na Índia do Século XVIII a.C., onde o Código de Massú previa pena de multa e punição, além de ressarcimento de danos, aos que adulterassem gêneros ("lei" 967) ou entregassem coisa de espécie inferior à acertada ou, ainda, vendessem bens de igual natureza por preços diferentes ("lei" 968). No Direito Romano Clássico, o vendedor era responsável pelos vícios da coisa, a não ser que estes fossem por ele ignorados. Porém, no Período Justinianeo, a responsabilidade era atribuída ao vendedor, mesmo que desconhecesse do defeito. As ações redibitórias e quanti minoris eram instrumentos, que amparadas à Boa-Fé do consumidor, ressarciam este em casos de vícios ocultos na coisa vendida. Se o

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vendedor tivesse ciência do vício, deveria, então, devolver o que recebeu em dobro. "no período romano, de forma indireta, diversas leis também atingiam o consumidor, tais como: a Lei Sempcônia de 123 a.C., encarregando o Estado da distribuição de cereais abaixo do preço de mercado; a Lei Clódia do ano 58 a.C., reservando o benefício de tal distribuição aos indigentes e; a Lei Aureliana, do ano 270 da nossa era, determinando fosse feita a distribuição do pão diretamente pelo Estado. Eram leis ditadas pela intervenção do Estado no mercado ante as dificuldades de abastecimento havidas nessa época em Roma" (Prux, 1998. p. 79). De acordo com os estudos de Waldírio Bulgarelli, "pode-se encontrar antecedentes os mais antigos: Aristóteles já se referia a manobras de especuladores na Grécia Antiga, e em Roma atestam-no a Lex Julia de cemnoma, o Édito de Diocleciano e a Constituição de Zenon" (Bulgarelli, apud Prux, 1998. p. 79). Há estudos que apontam depoimentos de Cícero (Século I a.C.) assegurando a garantia sobre vícios ocultos na compra-venda no caso do vendedor prometer que a mercadoria era dotada de determinadas qualidades e estas serem inexistentes. "Pirenne, no comentário de sua obra cobrindo o século XIII, é bastante elucidativo no subtítulo - Proteção ao consumidor - ao escrever que a disciplina imposta ao artesão tinha naturalmente por objeto assegurar a qualidade dos produtos fabricados. Neste sentido – acrescenta textualmente o mestre gaulês - também favorecia o consumidor" (SIDOU, apud PRUX, 1998. p. 781). A França de Luiz XI (1481) punia com banho escaldante aquele que vendesse manteiga com pedra no interior para aumentar o peso, ou leite com água para aumentar o volume. O jurista português Carlos Ferreira Almeida afirma que no Direito Português: "os códigos penais de 1852 e o vigente de 1886 (...), reprimindo certas práticas comerciais desonestas, protegiam indiretamente interesses dos comerciantes: sob o título genérico de crimes contra a saúde pública, punem-se certos actos de venda de substâncias venenosas e abortivas (art. 248º) e fabrico e venda de gêneros alimentícios nocivos à saúde pública (art. 251º); consideram-se criminosas certas fraudes nas vendas (engano sobre a natureza e sobre a quantidade das coisas – art. 456); tipificava-se ainda como crime a prática do monopólio, consistente na recusa de venda de gêneros para uso público (art. 275º) e alteração dos preços que resultariam da natural e livre concorrência, designadamente através de coligações com outros indivíduos, disposições revogadas por legislação da época corporativista, que regrediu em relação ao liberalismo consagrado no código penal" (ALMEIDA,1982. p. 40).

e a Constituição Federal de 1988. que tinha o objetivo de aplicar a lei antitruste e proteger os interesses do consumidor. 51). pelos tipos e preços estabelecidos pela metrópole. 1221/51. reforçou as seculares "assizes" (Leis do Pão). Também nos EUA. quando foram sancionados diversas leis e decretos federais legislando sobre saúde. (. o episódio contra o imposto do chá no porto de Boston (Boston Tea Party) é um registro de uma manifestação de reação dos consumidores contra as exigências exorbitantes do produtor inglês. o Direito do Consumidor surgiu entre as décadas de 40 e 60. no qual os consumidores americanos eram obrigados a comprar produtos manufaturados na Inglaterra. uma figura marcante no episódio do chá no porto de Boston. em 1773.) Samuel Adams. que consagrou a defesa do consumidor. a Lei Delegada n. 1/69. a primeira legislação protetora do consumidor foi em 1910. A Revolução americana de 1776 foi uma revolução do consumidor. em 1914. O Surgimento do Direito do Consumidor do Prisma da Evolução do Estado Liberal O Estado Liberal surgiu no século XVIII em contraposição ao Estado absoluto e veio assegurar o indivíduo em face do Estado. O interesse privado é o . da antiga metrópole. apontando sua assinatura na lei que proibia qualquer adulteração de alimentos no estado de Massachusetts" (SOUZA. O Estado Liberal tem como características o poder limitado. Dentre todas. que exercia o seu monopólio. afirmava: "É suficiente que deixemos o homem abandonado em sua iniciativa para que ao perseguir seu próprio interesse promova o dos demais. 4/62.. já em 1785 na República. 170) e no artigo 48 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). que. denominada Lei de Economia Popular. proteção econômica e comunicações. 1996. a Constituição de 1967 com a emenda n.. p. Pois nas palavras de Miriam de Almeida Souza. Adam Smith. a defesa da livre incitava e livre concorrência e a não intervenção do Estado na esfera privada. pode-se citar: a Lei n. em seu período de colônia.6 Na Suécia. II. os direitos individuais e políticos. um dos principais pensadores do liberalismo. que expressamente determinou a criação do Código de Defesa do consumidor. Já nos EUA. Pode-se notar que esta lei representa um marco histórico na luta pelo respeito aos direitos do consumidor. que apresenta a defesa do consumidor como princípio da ordem econômica (art. No Brasil. foi uma revolução "contra o sistema mercantilista de comércio britânico colonial da época. criou-se a Federal Trade Commission.

trouxe o vício redibitório como meio de proteção do consumidor. duráveis e não duráveis e em serviços. Façamos. então. mostrou-se ineficaz para a proteção do consumidor. para se manterem empregadas. O Estado Social surge no século XX como resposta à miséria e a exploração de grande parte da população. a garantia os direitos individuais e políticos. os direitos individuais eram mais importantes que os direitos sociais. o Código Civil. A liberdade contratual. Já o Código de Proteção e Defesa do Consumidor fala em produtos.32). apud DERANI. dependendo. se submetessem à exploração. Estes foram regulados como normas pragmáticas. materiais ou imateriais. Assim. no entanto. O Código Civil fala em coisas. O Estado Social tem como características o poder limitado. Concomitante a estes fatos. fazia com que as pessoas. editado segundo os Princípios de um Estado Democrático de Direito. as pessoas deixaram de trabalhar em casa e foram trabalhar nas fábricas e ao redor destas surgiram os centros urbanos. O Direito regia-se pelos Princípios da Autonomia da Vontade. pois a concorrência não se iniciava em condições iguais e as regras do jogo não eram respeitadas. gerando o desemprego e a conseqüente a exclusão social daqueles que estavam desempregados. acrescentando a estes os direitos sociais e econômicos. aqui. objeto de contratos comutativos e em bens e imóveis. a livre incitava e livre concorrência defendida pelos liberais não se concretizou. aliada a grande oferta de trabalho. Logo. instituída na Revolução Francesa. neste período. de regulamentação. formulado segundo o pensamento liberal. Por sua vez o Código de Proteção e Defesa do Consumidor . não empregaram a grande parte da população. as leis eram feitas para dar sustentação ao liberalismo econômico. O Código de Proteção e Defesa do Consumidor. Portanto. com o advento da Revolução Industrial. gerando uma concentração econômica. o Estado passou a intervir na Economia para promover justiça social. algumas empresas que se enriqueceram. Assim acorreu com a Constituição brasileira de 1988 que dispõe que "o Estado promoverá na forma da lei. a defesa do consumidor". houve uma substituição da maquinofatura pela máquina. As fábricas. Com isso. para adotar um modelo jurídico e uma política de consumo que efetivamente protegesse o consumidor. devido à automação incipiente das máquinas.7 motor da vida econômica" (SMITH. do Consensualismo e da Obrigatoriedade Contratual. No século XIX. a Constituição Federal de 1988 exigiu que o Estado abandonasse a sua posição de mero espectador da sorte do consumidor. que seriam quaisquer bens móveis ou imóveis. A grande procura por empregos gerou a desvalorização da mão-de-obra. Esse meio. Isso porque. Nas Constituições promulgadas adotando esse modelo de Estado. uma comparação exemplificativa entre as regras deste e as do Código de Proteção e Defesa do Consumidor. em muito inovou em comparação com o Código Civil. Outro ponto é que o Código Civil fala em defeitos ocultos que tornem a coisa imprópria para o uso ou diminuam o seu valor. p.

para manter o processo produtivo em funcionamento. da Faculdade de Direito da Universidade Católica de Louvain. na Bélgica. a produção aumentou e a responsabilidade se concentrou no fabricante. A Revolução Industrial e O Direito do Consumidor O período da Revolução Industrial é de grande importância para o desenvolvimento do Direito do Consumidor. p. então. que passou a responder por todo o grupo" (SOUZA. denomina de "norma social do consumo". que "o produtor. por isso mesmo. "o produtor precisava dar escoamento à produção. praticando. ou mesmo em satisfazer o consumidor" (SOUZA.48). 48). Em conseqüência disto. Com o crescimento da população e o movimento do campo para as cidades. etc. atos fraudulentos. o produtor-fabricante era simplesmente uma ou algumas pessoas que se juntavam para confeccionar peças e depois trocar os objetos (bartering). formam-se grupos maiores. do rótulo. p. 1996. que: . "Antes da era industrial. Criou-se. via de regra. 1996. 1996. entendeu ser necessária a promulgação de leis para controlar o produtor-fabricante e proteger o consumidor-comprador" (SOUZA. ainda que artificial. o prazo decadencial para substituir. enganosos. p. a produção perdeu seu toque "pessoal" e o intercâmbio do comércio ganhou proporções ainda mais despersonalizadas. sempre se interessou mais pela parte monetária do que com o produto. Além disso. O produtor estava sempre interessado em formas para escoar sua produção e manter o fluxo de produção-consumo. abusivos. ainda. Logo. O crescimento e contínuos avanços das tecnologias fizeram com que fossem inseridas na mente do consumidor as idéias de que ele estava precisando de mais objetos que até o momento nunca sentira necessidade de adquirir em sua vida cotidiana.8 acrescenta que o defeito pode até mesmo ser de fácil constatação e que a coisa poderá ser enjeitada por não conferir com as especificações da embalagem. Acrescenta-se. O advento da Revolução Industrial foi responsável pelo crescimento da chamada produção em massa. sentiu necessidade de estimular o consumidor a uma necessidade. o que o professor Thierry Bourgoignie. Devido a este movimento. já que passaram a haver outros intermediários entre a produção e o consumo. da propaganda. desta forma. A justiça social. às vezes. III. devolver ou pedir abatimento do preço da coisa também foi ampliado no Código de Proteção e Defesa do Consumidor. 48).

dotado de idéias socialistas. Sinclair demonstra os abusos cometidos pela industria da carne. foram o surgimento da mídia e as conquistas tecnológicas que deram causa ao ressurgimento da defesa do consumidor. V. "Os principais personagens eram de uma família de camponeses lituanos que vieram trabalhar pelos contos e fantasias de liberdade e pujança na América" (Souza. p. conferindo claramente uma dimensão social ao consumidor e ao ato de consumir" (BOURGOIGNIE. Em seu romance. em 1906. "a guerra intensificou a produção industrial em massa. a Meat Inspection Act e a Pure Food and Drug Act. p. A Selva O norte-americano Upton Sinclair. apud SOUZA. por inspirar a elaboração de duas leis federais nos EUA. a "consommariat". Um exemplo é o seguinte trecho de sua obra: "a carne misturada com pedaços de tecidos esfarrapados e sujos. também. de 1906. e contribuiu para as . Mas curiosamente. que logo sofreu traduções para 17 idiomas. ele retrata em cores ousadas e dramáticas o impacto social do capitalismo industrial no começo do século XX. 48). consistentes de melhorias de salário e de condições de trabalho. 1996. 52). disfarçouse em operário para realizar suas observações na cidade de Chicago. que se despontava na América Keynesiasna o movimento em prol dos direitos do consumidor. O Direito do Consumidor na Segunda Guerra Mundial e no Cenário do Pós-Guerra Foi em plena Segunda Guerra Mundial. pães mofados. embora proibidas no comércio exterior" (SINCLAIR. 1996. no intuito de justificar e fundamentar suas reivindicações proletárias. O romance acabou.9 "faz com que o consumidor perca o controle individual das decisões de consumo e passe a ser parte de uma classe. p. ao descrever de forma bem realística os alimentos deteriorados. quando a produção estava a serviço e controle do Estado. Sinclair era um jovem jornalista. 1996. escreveu um romance chamado The Jungle (A Selva). que . moídos juntamente com os enchimentos das lingüiças vendidas em Chicago. apud SOUZA. Este serviu para despertar no povo do seu país o mais vivo interesse pela problemática do consumidor. 52). IV. que fortaleceram a fiscalização da pureza da carne. O impacto da novela The Jungle foi de um modo tão avassalador.

e vai se admitindo o poder do juiz de adaptar seus efeitos às novas circunstâncias (cláusula rebus sic stantibus). 54). ainda que excepcional. quer seja pela alta dos preços. aumentaram os problemas relacionados à produção e ao consumo. entendia-se que os seus efeitos não deveriam atingir a terceiros. p. em . na década de 60. ou de exonerar o devedor do seu cumprimento. em um mercado antes restrito somente ao essencial. dentre outros motivos. Mas as necessidades sociais impuseram a quebra. Após o período do pós-guerra acontece o ressurgimento da cláusula rebus sic stantibus. Podemos perceber que esses problemas influenciaram sensivelmente a vida dos consumidores. Todo o esforço da guerra resultou. Esta restauração se deu sob o nome de "teoria da imprevisão" e visava a quebra do princípio do pacta sunt servanda. que se fundamentava a partir da responsabilidade civil objetiva e do reconhecimento dos interesses e direitos difusos. o que sem dúvida. alteram os efeitos dos contratos anteriormente praticados. em aumento substancial de produção no posterior tempo de paz. fortalecendo a tendência da formação dos cartéis. Por fim. a cada instante. pelo qual o juiz estava obrigado a fazer cumprir os efeitos do contrato. resultou da propaganda informativa o marketing (desenvolvido em forma de propaganda de guerra). 105-106). com o objetivo de escoar a produção no mercado. desse princípio da relatividade dos efeitos do contrato. na economia dos contratos. O legislador intervém. queda na qualidade de vida ou aumento da poluição. então um crescimento em vários segmentos industriais. desde que os contratos são fonte de obrigações e estas importam limitação da liberdade individual. quaisquer que fossem as circunstâncias ou as conseqüências. houve a consolidação do Direito do Consumidor nos Estados Unidos. A partir das iniciativas do presidente americano John Fitzgerald Kennedy. 1996. colaborou. Esta quebra possibilitou o surgimento do Direito do Consumidor.10 grandes invenções e o aprofundamento da produção em série. e do advento do marketing científico. ditando medidas que. para a satisfação de certos interesses coletivos privados" (GOMES. Com o advento da televisão. O know-how gerado para a guerra provocou. Dirigindo-se por meio de uma mensagem especial ao Congresso Americano. em face de uma competitividade altamente sofisticada por causa das novas mídias e das próprias complexidades dos mercados surgidos no pós-guerra. se ocorrer imprevisão. inevitavelmente. gerando um arsenal de produtos surpérfulos e diversificados. p. Passou-se então a praticar uma concorrência desleal. está abalado. tendo aplicação imediata. O contrato era res inter alios acta. 1979. Orlando Gomes afirma que: "o princípio da força obrigatória das convenções. para o agravamento dos problemas sociais e conflitivos urbanos em decorrência da concentração de renda" (Souza. trustes e oligopólios. o que enfraquece o princípio da força obrigatória dos contratos. Com isso.

(4) informação e educação. houve o reconhecimento e aceitação dos direitos básicos do consumidor. 1996. (2) proteção dos interesses econômicos. (c) fornecer aos consumidores informações adequadas para capacita-los a fazer escolhas acertadas.º 39/248. O Anexo 3 da Resolução mostra quais são os princípios gerais que serão tomados como padrões mínimos pelos governos: "(a) proteger o consumidor quanto a prejuízos à sua saúde e segurança. (3) reparação dos prejuízos. a qualidade e o preço de bens e serviços colocados no mercado. p. Por sua vez. em nível mundial. Esta foi. também reconheceu os princípios e chamou-os de Direitos Fundamentais do Consumidor. 56). na sua 29ª Sessão em 1973. promovidos e apresentados de uma maneira que permita ao consumidor fazer uma escolha satisfatória. . por meio da Resolução n. 56). Kennedy identificou os pontos mais importantes em torno da questão: "(1) os bens e serviços colocados no mercado devem ser sadios e seguros para os uso. (5) representação (ou direito de ser ouvido)" (SOUZA. as Nações Unidas. (b) fomentar e proteger os interesses econômicos dos consumidores. Seguindo o exemplo de Kennedy. princípios e normas para que os governos membros desenvolvam ou reforcem políticas firmes de proteção ao consumidor. (2) que a voz do consumidor seja ouvida no processo de tomada de decisão governamental que detenha o tipo. o programa Preliminar da Comunidade Européia para uma Política de Proteção e Informação dos Consumidores dividia os direitos fundamentais em cinco categorias: "(1) proteção da saúde e da segurança. (3) tenha o consumidor o direito de ser informado sobre as condições e serviços. em Genebra. p.11 1962. 1996. claramente. Em 1985. de acordo com as necessidades e desejos individuais. (d) educar o consumidor. estabelece objetivos. a Comissão de Direitos Humanos das nações Unidas. a primeira vez que. (4) e ainda o direito a preços justos" (SOUZA.

1996. processos e serviços nocivos à saúde ou à vida. ponto de vista compartilhado pela Organização Internacional das Associações de Consumidores (International Organization of Consumers Unions – IOCU). pela Constituição Federal de 1988.57). que: "as Nações Unidas também entendem como medida para a proteção dos consumidores o Código de Conduta para as Firmas Transnacionais. (6) educação – aquisição dos conhecimentos e das habilidades necessárias para ser um consumidor informado ao longo da vida. A proteção do Direito do Consumidor é de tamanha relevância. 1996. p. p. projeto de ONU desde meados dos anos 60. acolhendo a Resolução da ONU. A Constituição Brasileira e O Direito do Consumidor A questão dos Direitos do Consumidor é tão importante que em três . 58). Miriam Souza lembra. ainda. que muitos dos ordenamentos jurídicos. p. (7) ambiente saudável – ambiente físico apto a proporcionar melhor qualidade de vida agora e no futuro" (SOUZA. VI. E sobre os direitos do consumidor enumera: "(1) segurança – proteção contra produtos. já consagram. O IOCU é amplamente respeitado entre as associações de consumidores no mundo. (f) garantir a liberdade para formar grupos de consumidores e outros grupos e organizações de relevância e oportunidade para que estas organizações possam apresentar seus enfoques nos processos decisórios a elas referentes" (SOUZA. (3) escolha – acesso a uma variedade de produtos e serviços com qualidade e preços competitivos.12 (e) criar possibilidade de real ressarcimento ao consumidor. 57). (5) indenização – solução justa de queixas justas. (4) a ser ouvido – exposição e consideração das perspectivas dos consumidores na formação das políticas nacionais. com sede em Haia" (Souza. (2) informação – conhecimento dos dados necessários para fazer escolhas e decisões informadas. inclusive o brasileiro. 1996.

já em seu Capítulo I do Título II. que o Governo Federal tem a obrigação de defender o consumidor. trazendo sugestões de redação. com especial destaque para a contemplação dos direitos fundamentais do consumidor (ao próprio consumo.875. 1996. A primeira vez. José Geraldo Brito Filomeno lembra que a sensibilização dos "constituintes de 1887/88. em 8-5-87. foi obtida por unanimidade na oportunidade do encerramento do VII Encontro Nacional das (. a ser ouvido. que a defesa do consumidor é um dos princípios que devem ser observados no exercício de qualquer atividade econômica. à informação.) Entidades de Defesa Do Consumidor. p. XXXII que "o Estado promoverá. no calor das discussões da Assembléia Nacional Constituinte.13 oportunidades distintas é tratada na Constituição Federal vigente. Bibliografia ALMEIDA. . Os direitos dos consumidores. à educação para o consumo e a um meio ambiental saudável). à segurança. É o que alerta o jurista Fábio Konder Comparato: "na verdade. o artigo 48 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). p. determina que o Congresso Nacional elabore o Código de Defesa do Consumidor. Finalmente. e que acabou sendo devidamente protocolada e registrada sob n. A segunda vez que a Constituição menciona a defesa do consumidor é quando trata dos princípios gerais da atividade econômica no Brasil. em outras palavras. o Código do Consumidor é só o início. de acordo com o que estiver estabelecido nas leis. V.º 2. inclusive aos então artigos 36 e 74 da Comissão "Afonso Arinos". na forma da lei. apud SOUZA. à escolha. a defesa do consumidor" o que quer dizer." (FILOMENO... citando em seu artigo 170. desta feita realizado em Brasília. 21-22). por razões óbvias. Estes três dispositivos constitucionais são mencionados no artigo 1º do Código de Defesa do Consumidor. 1991. 59). Mas. no artigo 5º. 1982. Carlos Ferreira. Coimbra: Almeida. à indenização. a dialética produtor x consumidor é bem mais complexa e delicada do que a dialética capital x trabalho" (grifo nosso) (COMPARATO. que trata dos direitos e deveres individuais e coletivos estabelece a Carta magna.

Cristiane. 1979. Miriam de Almeida. 10. Direitos Do Consumidor. PRUX. . n. Rio de Janeiro:Forense. Souza. 1987. 1996. Revista do IAP. FILOMENO. n. Instituto dos Advogados do Paraná. São Paulo: Atlas. 29. Altamiro José dos.14 DERANI. 1991. SANTOS. 1998. GOMES. Orlando. Oscar Ivan. Belo Horizonte: Edições Ciência Jurídica. 6 ed. Política Nacional das Relações de Consumo e o Código de Defesa do Consumidor. Revista de Direito do Consumidor. Responsabilidade Civil do Profissional Liberal no Código de Defesa do Consumidor. Introdução ao direito civil. Curitiba. A Política legislativa do Consumidor no Direito Comparado. José Geraldo Brito. Belo Horizonte:Del Rey. Manual de Direitos do Consumidor.

As relações de consumo e o surgimento da tutela do consumidor. 6. Terminologia. A proteção no direito alienígena (Direito Comparado e Internacional). O por quê da tutela? 5. necessário se faz explicitar como foi o caminho trilhado do "movimento consumerista" que teve nuanças .15 Proteção constitucional do consumidor Autor: Cristian de Sales Von Rondow Sumário: 1. 2. A evolução legislativa brasileira. A tutela do consumidor a nível constitucional As relações de consumo e o surgimento da tutela do consumidor Antes de adentrarmos ao tema propriamente dito. 3. 4.

outrora campo exclusivo do estudo da ciência econômica passou a fazer parte do rol da linguagem jurídica. erigindo um novo modelo social. E o fez. econômico e jurídico que permeavam época pretérita transportando-se para o cenário atual. Por motivos variados. por seu turno difícil de precisar seu início. mas também que punisse aqueles que o desrespeitassem.(3) Não há dúvidas de que as relações de consumo ao longo do tempo evoluíram drasticamente. Os serviços se ampliaram em grande medida". que envolvem milhões de reais ou de dólares. Após a transformação do panorama econômico. A afirmação de que todos nós somos consumidores é verdadeira.16 próprias. Não ficamos um só dia sem consumir algo. Temos que a origem protecionista do consumidor se deu com as modificações nas relações de consumo. dado as alterações substanciais no panorama mundial.(2) Para Maria Antonieta Zanardo Donato. para dar lugar à "operações impessoais e indiretas. em que não se dá importância ao fato de não se ver ou conhecer o fornecedor. político. Para trás ficou aquelas relações de consumo que estavam intimamente ligadas às pessoas que negociavam entre si. João Batista de Almeida(1) aduz que "independentemente da classe social e da faixa de renda. (4) E essa produção em massa aliada ao consumo em massa. sendo esta. estas alterações foram introduzidas pelo liberalismo emergente do século XIX. qual seja. que vão desde a necessidade e da sobrevivência até o consumo por simples desejo. para um número cada vez maior de consumidores. Os bens de consumo passaram a ser produzidos em série. Mas esta nova forma de vender e comprar trouxe em seu bojo o poderio econômico das macro-empresas de impor seus produtos e mercadorias àquele . nasce um capitalismo agressivo que impôs um ritmo elevado na produção. Hodiernamente as chamadas relações de consumo. de modo que o consumo faz parte do dia-a-dia do ser humano. consumimos desde o nascimento e em todos os períodos de nossa existência. diante do avanço tecnológico dos meios de produção passara a ser a parte fraca da relação de consumo necessitando de uma legislação que resguardasse não apenas os direitos básicos. a sociedade de consumo (mass consumption society) ou sociedade de massa. Instaura-se um novo processo econômico. o consumo pelo consumo". causando profundas e inesperadas alterações sociais. embates acirrados e por fim uma difusão mundial da consciência de que o consumidor. Do primitivo escambo e das minúsculas operações mercantis tem-se hoje complexas operações de compra e venda. que infiltrou-se no Direito operando sua transformação. gerou a sociedade de consumo ou sociedade de massa.

com a produção e consumo de massa. seria o ato pelo qual se completa a última etapa do processo econômico. o fenômeno da propaganda maciça. entre outras coisas. o nascimento dos cartéis. Como . vários ordenamentos jurídicos do mundo todo passaram a reconhecer a figura do consumidor e. O vocábulo consumidor. os consumidores começaram a enxergar que estavam mais para súditos do que para monarcas. por terem escapado do controle do homem. a tutela do consumidor ganhou espaço no seio jurídico. que se precipitaram num espaço de tempo relativamente pequeno. consumo. o desmesurado desenvolvimento das relações econômicas. das metrópoles. significa acabar. muitas vezes voltaram-se contra ele próprio. repercutindo de forma negativa sobre a qualidade de vida e atingindo inevitavelmente os interesses difusos. e os debates em torno da matéria iniciaram-se face às novas situações decorrentes do desenvolvimento.17 (consumidor) que ao que parecia seria "monarca do mercado"(5) ou o "rei do sistema". até então existentes de forma latente despercebidos’. corroer. Na linguagem dos economistas. e. Terminologia Ponto interessante se mostra a terminologia jurídica de "consumidor".(8) Tal linguagem não se verificava no Direito Privado Brasileiro. despender. A partir dessa fundamental constatação. passando a fazer parte quando da promulgação do Código de Defesa do Consumidor. a revolução industrial. do verbo consumir. Esse entendimento é corroborado por João Batista de Almeida(7) que citando Camargo Ferraz. bem como estavam desprotegidos e vulneráveis às práticas abusivas das empresas e para tanto necessitavam de proteção legal. trouxeram a lume à própria realidade dos interesses coletivos. por sua vez oriundo do latim consumere. Todos esses fenômenos. o aparecimento dos meios de comunicação de massa. a explosão demográfica. sobretudo a sua vulnerabilidade outorgando-lhes direitos específicos. A partir deste evento. absorver.(6) Dado a esta imposição. com eles. multinacionais e das atividades monopolísticas. Milaré e Nelson Nery Júnior aduzem que a tutela dos interesses difusos em geral e do consumidor em particular deriva das modificações das relações de consumo e evidenciam que: ‘o surgimento dos grandes conglomerados urbanos. uma vez que vários autores advertem não ser tarefa fácil definir consumidor no sentido jurídico. a hipertrofia da intervenção do Estado na esfera social e econômica. econômicas e jurídicas do mundo. gastar. O caminho natural da evolução nas relações de consumo certamente acabaria por refletir nas relações sociais. holdings.

Uniform Consumer Sales Act.Lei fundamental de proteção aos consumidores no Japão (1968). é tema supranacional abrangendo a totalidade dos países desenvolvidos ou em desenvolvimento. Uniform Consumer Credit Code. . incluindo-se. também.Discurso do presidente Kennedy ao Congresso Americano (março/62). A proteção do consumidor no direito alienígena (Comparado e Internacional) O resguardo jurídico do consumidor não é tema exclusivo de um único país. § único). França. É de Newton De Lucca a apresentação de quadro sintético desta proteção: No Direito Comparado (antecedentes legislativos) e no Direito Internacional. no sentido de criar. Alemanha. ainda que indetermináveis.18 mencionado eram expressões voltadas à ciência econômica. Direito Comparado .Lei de caráter geral ou específica no seguintes países: Inglaterra. 2º. Safety Act.A comissão das Nações Unidas sobre Direitos do Homem.Lei sobre documentos contratuais uniformes de Israel (1964).A iniciativa de cinco países (Estados Unidos. México. . nos EUA: Consumer Credit Protection Act. em 1969. Longe disso. Truth in Lending Act. Dinamarca. por equiparação. França. Noruega. "a coletividade de pessoas. que haja intervindo nas relações de consumo" (art. Finlândia. . Bélgica e Holanda). mas que passaram a fazer parte do universo jurídico e no Brasil. Bélgica. a partir da década de 60. Direito Internacional . Portugal e Espanha. Fair Credit Reporting Act e Fair Debt Collection Act. uma "Comissão para a política dos consumidores". a conceituação legal ou o conceito standart de consumidor é dado pelo Código de Defesa do Consumidor em seu Artigo 2º aduzindo que "consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final". Alemanha. considerou serem 4 os direitos de todo o consumidor: . no âmbito da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE.Numerosos textos legais. . Suécia. .

apontada como a verdadeira origem dos direitos básicos do consumidor.o de ser adequadamente informado sobre os produtos e os serviços. surgiu "de uma reação a um quadro social.o direito à segurança. Luiz Antonio Rizzatto Nunes e Cláudio Bonatto/Paulo Valério Dal Pai Moraes. vejamos: o da isonomia ou da vulnerabilidade. também. é que esta nasceu fruto dos mais variados problemas sociais "surgidos da complexidade da sociedade moderna e os reclamos de indivíduos e grupos".85. reconhecidamente concreto. bem como a insuficiência dos esquemas tradicionais do direito substancial e processual. .(13) Está assentado doutrinariamente que a vulnerabilidade do consumidor. vulnerável nas relações de consumo.85.o direito de ser ouvido no processo de decisão governamental. de 24. 3.19 1.(9) Conforme denota-se. bem como sobre as condições de venda. . 4. em que se vislumbrou a posição de inferioridade do consumidor em face do poder econômico do fornecedor. pela busca do equilíbrio entre as partes envolvidas". enfim. O por quê da tutela? A justificativa que se tem para o surgimento da tutela do consumidor. esta tutela. de modo a influenciar grandemente diversos países com esta doutrina.4.A aprovação de vários documentos pela Assembléia do Conselho da Europa – Diretiva 85/374. 2. reconhecendo-se ser este a parte fraca. originando a hipossuficiência deste. . o da hipossuficiência. (12) E termina o festejado autor: "a tutela surge e se justifica. "não surgiu aleatória e espontaneamente".7. Destaca-se. no tocante aos países membros do CEE. que para alguns é um princípio(14) foi a pedra de mote para o surgimento da tutela do consumidor. que já não mais tutelavam novos interesses identificados como coletivos e difusos. (11) Ao contrário.No Âmbito da ONU – Resolução 39/248. que o mesmo tema fora debatido em praticamente todos os países da Europa. de 9. alguns são os princípios orientadores desta tutela protetiva.(10) Para João Batista de Almeida. os EUA foram o grande propulsor da mensagem protecionista do consumidor. Para João Batista de Almeida.o direito de escolher sobre bens alternativos de qualidade satisfatória a preços razoáveis.

Parágrafo único: É proibida a usura. do dever de informar. que passamos a transcrever. de 1978. devendo constituir-se em sociedade brasileira as estrangeiras que actualmente operam no paiz. mas apenas trazê-los à colação com o fito de demonstrar ser esta tutela orientada por princípio basilares do direito constitucional que se espraiaram para o direito do consumidor. o evoluir não parou. com a proteção à economia popular. por meio do Decreto nº 91. esta não fora a intenção.469 que posteriormente foi extinto e substituído pela atual Secretaria Nacional de Direito Econômico (SNDE). o da revisão das cláusulas contrárias ou da repressão eficiente aos abusos." .(15) Cumpre esclarecer que não trataremos dos princípios acima mencionados. densamente de natureza social. João Batista de Almeida(16) aduz ser de 1971 a 1973 os discursos proferidos pelo então Deputado Nina Ribeiro. 117 – A lei promoverá o fomento da economia popular. o desenvolvimento do crédito e a nacionalização progressiva dos bancos de depósito. embora essa não fosse a intenção principal do legislador. o primeiro órgão de defesa do consumidor. que será punida na fórma da lei. Igualmente providenciará sobre a nacionalização das empresas de seguros em todas as sua modalidades. arts. Somente em 1978 surgiu em nível estadual. Dentro desses limites. A evolução legislativa brasileira A defesa do consumidor como tema específico é entre nós algo recente. de modo que possibilite a todos exist~encia digna. "Art. criado pela Lei nº 1. E assim. e para a necessidade de uma atuação mais enérgica no setor. pois. Foi o Decreto nº 22. de 7 de abril de 1933 (Lei da usura) a primeira norma nesta seara que visava reprimir a usura. o Procon de São Paulo. Na esfera federal. verbis: "Art.903. 115 e 117). 115 – A ordem econômica deve ser organizada conforme os princípios da justiça e as necessidades da vida nacional. o da conservação do contrato. embora não fosse a defesa do consumidor tratada como tema específico como é hoje. o da transparência e o da solidariedade. verifica-se a existência de referida defesa como tema "inespecífico"(17) em legislações esparsas que indiretamente protegia o consumidor. alertando para a gravidade do problema. o do da equivalência. Todavia. só em 1985 foi criado o Conselho Nacional de Defesa do Consumidor.626. é garantida a liberdade econômica". A matéria ganhou status constitucional (Constituição de 1934.20 o do equilíbrio e da boa-fé objetiva.

Noutra passagem. Mas os passos mais significativos neste campo foram dados a partir de 1985. Todavia. Surge a Lei de Repressão ao Abuso do Poder Econômico (nº 4. Em 1984 editou-se a Lei nº 7. inclusive aos então artigos 36 e 74 da "Comissão Afonso Arinos". esta inserção não deixa de demonstrar ares de preocupação do constituinte com o tema. inciso XXXII. com ênfase ao VII Encontro Nacional das referidas Entidades de Defesa do Consumidor. a constituinte de 1988 curvou-se ante aos anseios da sociedade e ao enorme trabalho dos órgãos e entidades de defesa do consumidor. mas não como elemento contundente para a prática do Estado. na inserção de quatro dispositivos específicos e objetivos sobre o tema. no capítulo relativo aos "direitos e deveres individuais e coletivos".875.492 de 16 de junho de 1986. mas apenas cuidou de forma indireta. Com a Lei nº 7. à tutela jurisdicional dos interesses difusos em nosso país. culminando assim. de 18 de novembro de 1938. e que acabou sendo devidamente protocolada e registrada sob o nº 2. atualmente Juizados Especiais Cíveis (Lei 9. em 8-5-87.099/95). ainda existente. trazendo sugestões de redação. quando em 24 de julho daquele ano.21 Posteriormente veio o Decreto-Lei nº 869. está o de promover. e depois o de nº 9. Mas sem dúvida ou medo de errar. de 11 de setembro de 1946. sobrevindo. que de maneira reflexa beneficiava o consumidor. por razões óbvias. no calor das discussões da Assembléia Nacional Constituinte. a tutela do consumidor a nível constitucional foi posta na Constituição de 1934 (arts. é atribuída a competência concorrente para legislar sobre . além de haver criado o Conselho Administrativo de Defesa Econômica – CADE. dando início desta forma. denominado "crimes de colarinho branco". a defesa do consumidor. que cuidaram dos crimes contra a economia popular. além de outros bens tutelados. autorizando os Estados a instituírem os Juizados de Pequenas Causas. com especial destaque para contemplação dos direitos fundamentais do consumidor.244. num evoluir ascendente. A tutela do consumidor a nível constitucional Como já mencionado. realizado em Brasília.137 de 1962). O primeiro deles e o mais importante por refletir toda a concepção do movimento está grafado no artigo 5º.840. onde diz que dentre os deveres impostos ao Estado brasileiro. na estrutura do Ministério da Justiça. em 1951 a chamada Lei de Economia Popular que vige até hoje. na forma da lei. foi promulgada a Lei nº 7. passaram a ser punidos os crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. 115 e 117). posto que brotava na nação a consciência da necessidade de proteção ao consumidor.347 que disciplina a ação civil pública de responsabilidade por danos causados ao consumidor.

prazo não respeitado. artigo intitulado "A Proteção ao Consumidor na Constituição Brasileira de 1988"): ‘Por outro lado. a saber: O advento da Lei nº 8. caber prioritariamente ao Estado ‘proteger o consumidor especialmente mediante o apoio e a criação de cooperativas e associações de consumidores’. apenas Portugal e Espanha possuem em suas Constituições dispositivos em favor da proteção aos consumidores. A expressão designa um programa de ação de interesse público. Fábio Konder Comparato (RDM nº 80. 81. mediante procedimientos eficaces. de 11 de setembro de 1990 o chamado Código de Defesa do Consumidor. VIII). dentro de cento e vinte dias da data da promulgação da Constituição. V). O mestre Newton De Lucca assevera que "não apenas o Código de Defesa do Consumidor tem base constitucional (art. ainda no bojo da Constituição de 1988. um tipo de princípio-programa. E. a Constituição de 2 de abril de 1976. No capítulo da Ordem Econômica. la ley regulará el comercio interior y el régimen de autorización de productos comerciales".22 danos ao consumidor (art.(18) O citado autor faz observação interessante ao afirmar que ‘a consagração constitucional dos direitos dos consumidores não constitui a regra em termos de direito comparado’. estabeleceu. E em nota.9. a defesa do consumidor é apresentada como um dos motivos justificadores da intervenção do Estado na economia (art.(19) Finalizando o estudo em apreço. encerraremos com a "questão para debate" proposta pelo Doutor Newton De Lucca. Los poderes públicos promoverán la información y la educación de los consumidores y usuarios. en los términos que la ley establezca.078. 2. la salud y los legítimos intereses económicos de los mismos. fomentaran sus organizaciones y oirán a éstas en las cuestiones que puedan afectar a aquéllos. mais amplamente. 24. 3. elaborará código de defesa do consumidor". de 11. diz o artigo 48 do ato de suas disposições transitórias que "o Congresso Nacional. finalmente. Los poderes públicos garantizaran la defensa de los consumidores y usuarios protegiendo. 170. 66 a 75.078. todos os princípios da proteção acham-se constitucionalmente assegurados". pp. no art. mas o comando constitucional foi respeitado com a promulgação da Lei 8. 51 da Constituição espanhola de 1978 declara que: "1. indubitavelmente. 48 do ADCT) como. tendo por objeto uma ampla política pública (public policy). En el marco de lo dispuesto en los apartados anteriores. Já o art. la seguridad. aduz: "pelo que sei.90 (Código de Defesa do Consumidor) terá representado o integral cumprimento da proteção constitucionalmente estabelecida em favor desse mesmo consumidor?(20) Como resposta à questão o conceituado autor traz a lume a opinião do Prof. Como todo programa . No primeiro deles. a defesa do consumidor é.

na consciência dos principais responsáveis pela ordem constitucional -. 85 e ss). o conteúdo da policy. 7.. em absoluto. Konrad Hesse.e. apenas a proteção efetiva.Donato. se puder identificar a vontade de concretizar essa ordem. P 15. em sua célebre obra "A Força Normativa da Constituição" aduz que "a força normativa da Constituição não reside. a despeito de todos os questionamentos e reservas provenientes dos juízos de conveniência. É claro que a implementação desses meios exige a edição de normas – tanto leis. ela pode impor tarefas. não só a vontade de poder (Wille zur Macht). A imposição constitucional ou legal de políticas é feita. mas essa atividade normativa não exaure. não ficamos aquém nesta seara. ela mesma. por si só.23 de ação. 7. Maria Antonieta Zanardo.Almeida. 2ª Edição. realizar nada. 2. por meio das chamadas "normas-objetivo". João Batista. Ed. RT1993. A Constituição transforma-se em força ativa se essas tarefas forem efetivamente realizadas. como já se disse. que se assenta na natureza singular do presente (individuelle Beschaffenheit der Gegenwart). mas também a vontade de Constituição (Wille zur Verfassung)". cujo conteúdo. Vol. Saraiva-2000. portanto. A Proteção Jurídica do Consumidor. a política pública desenvolve uma atividade. faltando-lhe. ambos previstos e dimensionados no orçamento-programa’. i. A Constituição jurídica logra converter-se. Embora a Constituição não possa. Insta asseverar que o consumidor brasileiro está legislativamente equipado à altura. Proteção ao Consumidor. ou programa de ação pública. Quer isso dizer que os Poderes Públicos detêm um certo grau de liberdade para montar os meios adequados à consecução desse objetivo obrigatório. Ed. RT- . Proteção ao Consumidor. tão-somente. na adaptação inteligente a uma dada realidade. na consciência geral – particularmente. Ed. imposta na lei ou na Constituição. p. mas há que se ressaltar que diante das nações mais avançadas do mundo. 3. cit. São Paulo. pode-se afirmar que a Constituição converter-se-á em força ativa se fizerem-se presentes. uma série organizada de ações. Maria Antonieta Zanardo. se. se existir a disposição de orientar a própria conduta segundo a ordem nela estabelecida. é um "Zweckprogramm" ou "Finalprogramm" (Cfr.Donato. porém. 01. Concluindo.(21) Notas 1. É preciso não esquecer de que esta só se realiza mediante a organização de recursos materiais e humanos. para a consecução de uma finalidade. Vol. em força ativa. quanto regulamentos de Administração Pública. vezes por falta de vontade política e outras por falta de recursos técnicos e materiais.

22. 2ª edição. São Paulo-2000. A Proteção Jurídica do Consumidor. Questões controvertidas no Código de Defesa do Consumidor: principiologia. A Proteção Jurídica do Consumidor. 11. Livraria do Advogado-1999. Dalloz. João Batista. 17. Saraiva-2000. João Batista. p. 45-6. p. Maria Antonieta Zanardo. 02. RT1993. A Proteção Jurídica do Consumidor. cit.42. Ed. Ed. Ed. 20. Apud. Ed. Porto Alegre. Saraiva-2000. 6. Vol. contratos. Ed.54-5. P. Livraria do Advogado-1999. Cláudio.Bonatto. Edipro. cit. Ed. 2ª Edição. Apud. A Proteção Jurídica do Consumidor. Ed. Ed. São Paulo. Paria. 22. 30-56. 19. 6. 2ª Edição. P.Donato. Direito do Consumidor. João Batista. 1986. São Paulo-2000. Édiz Milaré e Nelson Nery Júnior. 2ª Edição. A Proteção Jurídica do Consumidor. 12. Saraiva-2000. São Paulo. Jean Calais-Auloy. 25/30. São Paulo. cit. 7. São Paulo-2000. 2ª Edição. cit. 14. São Paulo. São Paulo. Porto Alegre. A Proteção Jurídica do Consumidor. . Newton De. Saraiva-2000. Saraiva. cit. Direito do Consumidor. 2ª Edição. Droit de la Consommation. Newton De. cit. 2ª edição. 2ª Edição. 2ª Edição.Almeida. Bonatto. 2ª Edição. Ed. São Paulo. 21.Almeida.Almeida. A ação civil pública e a tutela jurisdicional dos interesses difusos.Almeida.24 1993. Proteção ao Consumidor. Saraiva-2000.Lucca. p. João Batista. cit. 8. 22. 03. Newton De. Questões controvertidas no Código de Defesa do Consumidor: principiologia. 18. p. Ed. p.Almeida. p. cit. Edipro. p. Ed. 4. p. p. conceitos. João Batista. João Batista. Cláudio. 15.Lucca. 7. São Paulo. São Paulo. Saraiva-2000. cit. 1984. p. 10. p. 5. 2ª ed. p. contratos. A Proteção Jurídica do Consumidor. conceitos. 9.Almeida. 2ª Edição. Antonio Augusto Camargo Ferraz. P. Saraiva-2000. 13.Lucca. Direito do Consumidor. 2ª Edição..Almeida. p. Ed. João Batista. Ed. Edipro.

Editor Sergio Antonio Fabris. 2ª Edição. 2ª Edição. p. João Batista. Newton De. Ed. p. São Paulo-2000. Apud nota nº 20.Almeida. 10. Konrad. 2ª Edição. p. 34.Lucca. Porto Alegre-1991. p. 18. Edipro. Newton De. A Proteção Jurídica do Consumidor. 19. 2ª Edição. 10. cit. 34. Ed. Ed. Ed. . Direito do Consumidor. cit. 2ª Edição.Hesse. Edipro. 17. São Paulo. 34. Edipro. Ed. A Força Normativa da Constituição. p.Almeida. Saraiva-2000. 19.25 16.Lucca. p. cit. São Paulo. São Paulo-2000. São Paulo-2000. A Proteção Jurídica do Consumidor. Direito do Consumidor. Saraiva-2000. João Batista. Direito do Consumidor. 20. Newton De.Lucca. Apud nota nº 20 21.

26 Princípios nucleares do Código Brasileiro de Defesa do Consumidor e sua extensão como princípio constitucional Autor: Henrique Alves Pinto Sumário: Resumo. Teoria Geral do Direito RESUMÉ . 4°.2. 3.1. Introdução. chama-se a atenção do leitor para um dos mais importantes. VI e VII. Princípio da vulnerabilidade do consumidor art. e em particular. Abuso do Poder Econômico e Consumidor. contida de mandamentos nucleares tais como. Dos Princípios Gerais de Direito. O princípio do dever governamental art. Livre concorrência. Princípios fundamentais da política nacional das relações de consumo. em que demonstra os caminhos por eles percorridos sob a ótica da Teoria Geral do Direito. 2. princípios gerais de direito. 1. o princípio da eqüidade e a cláusula geral de boa-fé.9.1.6. 4°. II. III e VI. senão o mais importante dos princípios do sistema de proteção consumerista. Bibliografia. O princípio da garantia da adequação art. 2. A Política Nacional das Relações de Consumo e sua abrangência. 1. PALAVRAS-CHAVE Consumidor.previsão constitucional. 2. o princípio da proibição do abuso do direito e a função social dos contratos. 1. "D" e V.7. Legislação infraconstitucional: o momento da parturição do Código de proteção e defesa do consumidor. Conclusão. o sistema de proteção e defesa do consumidor brasileiro. Princípio da informação .5. o princípio da vulnerabilidade do consumidor. 2. 2. RESUMO O presente trabalho retrata a enorme importância do estudo a cerca do tem. Direitos do Consumidor . o Código de Defesa do Consumidor. que é o da vulnerabilidade do consumidor. 2.2. IV e VIII.3. 2. 2. 4°.art.8.3. A defesa do consumidor e sua extensão como princípio constitucional. Consumo sustentável e o princípio da integração. As diretrizes gerais da política e do direito do consumidor. Da constitucionalização dos princípios gerais. A análise com maior grau de aprofundamento recai sobre a principiologia criada com a elaboração da Lei 8. 4°. desde a sua constitucionalização até a sua irradiação por entre outros ramos do Direito. Princípio da boa fé nas relações de consumo art. Princípio do acesso à justiça. 2. 4°. 1.4. Boa-fé. II. 1.078/90. Princípio da Vulnerabilidade. 2.4. I. Dentre estes.

celui de l'' égalité et la rubrique générale de bonne foi . Principe de la Vulnérabilité. Princípios acolhidos com base na confiança. p. DOS PRINCÍPIOS GERAIS DE DIREITO Sobre os princípios gerais de direito importa citarmos Miguel Reale (1999. de se ter evidentes premissas para se erguer um concreto sistema à base de um forte princípio. INTRODUÇÃO Todas as conclusões advindas de um princípio que não é evidente.le principe de la prohibition de l'' abus de droit et la fonction sociale des contrats. le code de defense du consommateur. on attire l'' attention du lecteur sur l'' un des plus importants ou peut-être le plus important des principes du système de protection du consomateur. Bonne-foi. não podem dar conhecimento certo de alguma coisa. où il y a des points fondamentaux tels que le principe de la vulnérabilité du consummateur. L'' analyse plus approfondie retombe sur les principes créés par la loi 8.27 Ce travail veut présenter l'' enorme importance de l'' etude concernant les principes généraux du droit dans le cadre des chemins parcouris par lui sous le sceau de la Théorie générale du Droit. uma das propostas de desenvolvimento deste trabalho. MOT-CLÉ Consommateur. c'' est-à-dire. depuis as constitution jusqu'' à sa penetration dans les autres branches du Droit et. destituídos de um conteúdo científico. Parmi ceux-là. O homem equipado de sabedoria percebe facilmente a fragilidade dessa estrutura. Será essa necessidade. inclusive nos sistemas mais bem aceitos e com as maiores pretensões de conter raciocínios mais elaborados. le système de protection et de défense du consommateur brésilien. no ato de sua criação. danificam o sistema podendo até mesmo levá-lo a sua ruína. . celui de da vulnérabilité. en particulier. 1. também não podem ser evidentes. sendo este. mesmo que tenham seguido o processo correto da dedução. além do estudo das ingressões destes princípios no Código de Defesa do Consumidor de 1990. falta de coerência entre as partes. Théorie générale du Droit.078/90. e de evidência no todo. Daí que todos os raciocínios assentes sobre tais princípios. totalmente dotado de uma carga manifestamente principiológica em suas normas.

pode-se dizer que "os princípios são ''verdades fundantes'' de um sistema de conhecimento. 306). Será essa categoria de princípios. os princípios se dividem em três categorias: a) PRINCÍPIOS OMNIVALENTES: quando são válidos para todas as formas de saber. essencial às ciências naturais. 25) A esse respeito reportemo-nos a Washington de Barros Monteiro (1997. ressaltemos. p. não especificados pelo legislador. encontrada pelo direito suíço . c) PRINCÍPIOS MONOVALENTES: quando só valem como âmbito de determinada ciência. p. 1999. uma vez que o legislador quer referir-se àquelas normas que o orientam na elaboração da sistemática jurídica. inexoravelmente. aqui. de acordo com Miguel Reale (1999. como uma necessidade na vida do homem em sociedade. Todavia. como é o caso dos princípios de identidade e de razão suficiente. A expressão princípios gerais de direito é por demais ampla e um autor de grande autoridade como Rubens Limongi França (apud RODRIGUES. p. que a aplicação dos princípios gerais de direito. que a presente monografia irá demonstrar: a incidência deles no âmbito das relações consumeristas devido à alta carga principiológica contida no texto da lei de defesa do consumidor. como é o caso dos princípios gerais de direito. Dessa abordagem lógica da palavra "princípio". como se dá com o princípio de causalidade. a dos monovalentes." Com base nessa posição. ou seja. por serem evidentes ou por terem sido comprovadas. "Nada existe de mais tormentoso para o intérprete. isto é. p. impõem-se.28 305): deve começar pela observação fundamental de que toda forma de conhecimento filosófico ou científico implica a existência de princípios. há de se atribuir um sentido diferente a eles. como tais admitidas. a resolução para o eventual problema da aplicação dos aludidos princípios gerais. entende que é aos princípios de direito natural que o legislador manda recorrer na lacuna da normatividade. 305) Nesse sentido. de certos enunciados lógicos admitidos como condição ou base de validade das demais asserções que compõem todo campo do saber. 42). b) PRINCÍPIOS PLURIVALENTES: quando aplicáveis a vários campos de conhecimento. àqueles princípios que "baseados na observação sociológica e tendo como objetivo regular os interesses conflitantes. mas não extensivo a todos os campos do conhecimento. 2002. 2002)." (REALE." (RODRIGUES.

posto que na própria há elementos para suprir essas lacunas. Ora. 306). p. quer para a sua aplicação e integração. ao se examinar o direito positivo pátrio. 4° da Lei de Introdução ao Código Civil a orientação a seguir. isto significa que: O legislador. Os princípios espargem claridade sobre o entendimento das questões jurídicas.29 que dispõe no art. algo que era impossível ser vislumbrado sequer pelo legislador no momento da futura lei." (RODRIGUES. sejam eles previstos ou imprevistos. o certo é que tais elementos constituem uma breve resolução do problema. o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia. mas não a solução definitiva e concreta dele. por mais complicadas que estas sejam no interior de um sistema de normas. deve estar . é o primeiro a reconhecer que o sistema das leis não é suscetível de cobrir todo o campo da experiência humana. citando as palavras do constitucionalista Paulo Bonavides (2002. Concluamos este tópico. 306). 232): Todo discurso normativo tem que colocar. p. deve o juiz decidir ''segundo as regras que ele estabeleceria se tivesse de agir como legislador''. restando sempre grande número de situações imprevistas. quando a norma jurídica for omissa. por conseguinte. quer para a elaboração de novas normas". Nas precisas palavras de Miguel Reale (1999. Diante desta exposição. encontra-se. Mas de maneira alguma se colocará em dúvida que as lacunas de fato existem no direito positivo. portanto. p. Note-se. no art. Para essas lacunas há a possibilidade do recurso aos princípios gerais de direito. não merecendo acolhimento esse entendimento. 2002. portanto em seu raio de abrangência os princípios aos quais as regras se vinculam. por força do qual. acerca do entendimento deste autor sobre os princípios gerais de direito em que ele nos revela o seguinte: "princípios gerais de direito são enunciações normativas de valor genérico. que tais princípios gerais são imprescindíveis ao direito. temos a célebre noção atribuída por Miguel Reale (1999. que para vários juristas essas lacunas não podem e nem verdadeiramente poderão existir. p. porém. presentes ou futuros. é evidente. mas é necessário advertir que a estes não cabe apenas essa tarefa de preencher ou suprir as lacunas da legislação. que condicionam e orientam a compreensão do ordenamento jurídico. 25) Assim. 1° do Código Civil deste país que "no silêncio da lei e não havendo um costume a regular uma relação jurídica. uma vez que o ordenamento jurídico oferece ferramentas para regular todos os casos possíveis. Daí infere-se que todo sistema se quiser adquirir a qualidade de um sistema que se completa e se relaciona por toda a extensão de seu corpo normativo. os costumes e os princípios gerais de direito.

mas. Por plano sintático entende-se aquele formado pelo relacionamento que os signos lingüísticos mantêm entre si. 99) 1. a interpretação e aplicação dos mais variados ramos do direito tomando-se por base "a lei ordinária principal que o regulamentava. a qualificação dos fatos para alterar normativamente a conduta. 2002. possui . ao realizar reiteradas incursões nos níveis sintático. Daí a alegação de que a ofensa à Constituição. Além disso." (BARROS CARVALHO. p. Por plano semântico. 19)." (BARROS CARVALHO.1 Da Constitucionalização dos Princípios Gerais Em decorrência da alta instabilidade política percebida ao longo dos tempos na história do Brasil. nos países com estabilidade política e que se encontram num verdadeiro Estado Democrático de Direito. 19) Isso acontece devido à falta de um forte regime democrático.30 armado de princípios que emanam de um núcleo central. sem qualquer menção ao mundo exterior do sistema. ou seja. semântico e pragmático da linguagem jurídica. percebe-se também que dado esse rigor necessário do corpo principiológico central. Assim se fixarmos o pressuposto de que o direito positivo é uma camada lingüística de termos prescritivos dirigidos ao comportamento social das relações de intersubjetividade. porque envolve os três planos fundamentais." (NERY JÚNIOR. nada mais justo que apresentarmos a proposta de interpretação do direito como um sistema de linguagem. 2002. p. tampouco aplicadas efetivamente"(NERY JÚNIOR. apontar as interpretações possíveis. pelo menos até pouco tempo atrás. Em vista disso percebe-se "porque não se vinha dando grande importância ao Direito Constitucional. simplesmente. todo e qualquer princípio que daí se irradiar por outros sistemas periféricos estará sendo amparado pela base. aquele "tecido pelas formas segundo as quais os utentes da linguagem a empregam na comunidade do discurso e na comunidade social para motivar comportamento. 2002. aquele que diz respeito ao modo de referência à realidade. Por plano pragmático. deverá o intérprete adotar o critério sistemático de interpretação. Neste sentido será a interpretação um ato de vontade e um ato de conhecimento e como ato de conhecimento não caberá à "Ciência do Direito dizer qual é o sentido mais justo ou mais correto. nos seus três planos fundamentais: a sintaxe. a semântica e a pragmática. formados de postulados que seguem os preceitos do princípio da identidade que é comum a todos os campos do saber. p. 97) E para se chegar ao conteúdo intelectual dos textos do Direito através da exegese. 2002. sempre foi muito comum. de estabilidade política que possam contribuir com o fortalecimento do Estado Democrático de Direito. p. já que nossas constituições não eram respeitadas.

sim. é dotada de incontrastável juridicidade. (2002. quando este problema é declarado. 246) Por fase programática deve-se entender que é uma fase de concreção. 246) o seguinte: Na primeira. por ser concreta e completa. (2002. suscetível de imediata aplicação. que "a constitucionalização dos princípios compreende dessas fases distintas. a normatividade constitucional dos princípios é mínima. Ressalta ainda Paulo Bonavides (2002. 19) Entretanto. é que podemos chegar. a fase programática e a fase não programática". quando há ofensa à Constituição. Partindo desse pressuposto. na . p.31 conseqüências catastróficas. Revela também. ao grau mais alto a que eles já subiram na própria esfera do Direito Positivo: o grau constitucional". 1999." (apud. p. 2002. Depois. apresentando-se "como mais uma defesa que o interessado opõe à contraparte. o da função interpretativa e da aplicabilidade da Constituição. p. ou seja. dotada de um alto teor de abstração e de perfeição. através dos princípios contidos em seu corpo. Já a fase não programática é uma fase dotada de objetividade. ao declarar que o Direito Constitucional é a base fundamental do direito para o país. o que podemos perceber dos ensinamentos deste jurista é que será na Constituição de determinado país que se encontrarão os mais altos valores do Direito Positivo. e ao contrário do que se pode perceber na fase programática. p. É da Constituição que se irradiam os princípios que irão se dispersar pelas mais variadas leis infraconstitucionais. posto serem preservados pelos cidadãos orientados por uma carga principiológica que reside na base deste sistema. 246). p." Na verdade. "numa escala de densidade normativa. REALE. De acordo com Nelson Nery Jr. No Brasil. em virtude do aumento significativo de trabalhos e pesquisas jurídicas que abordam o tema da interpretação e aplicação da Constituição Federal. 306) Deste ponto de partida. sempre tendo como pressuposto o exame da Constituição Federal. 20): "O intérprete deve buscar a aplicação do direito ao caso concreto. essa situação vem apresentando uma grande mudança. p. deve ser consultada a legislação infraconstitucional a respeito do tema."(NERY JÚNIOR. "a alegação não é levada a sério na medida e na extensão que deveria". Simonius tem razão quando afirma que "o Direito vigente está impregnado de princípios até suas últimas ramificações. este constitucionalista. que demandam de operações integrativas em que se percebe a ausência de juridicidade. segundo Paulo Bonavides (2002.

inc. p. deve ser repelida por se opor ao mencionado princípio e às próprias bases racionais do sistema atualmente em vigor. Como já comentamos a respeito da fase programática das normas. salvo o empenho da Filosofia e da Teoria Geral do Direito ao construírem a doutrina da normatividade dos princípios em que se busca uma neutralidade na qual se possa superar antinomia Direito Natural/Direito Positivo.078/90 . Ao se estudar a teoria dos princípios gerais de direito proposto por Del Vecchio nas lições de Vicente Ráo (1999. Tanto é que. XXXII. já que aqueles possuem maior ou menor incidência nos mais variados ramos do direito. 2002. entre outras categorias de princípios. 19): o Estado promoverá." (BONAVIDES. o que se pode perceber deste tópico é que. p. a positividade de sua aplicação direta e imediata. para possibilitar uma maior objetividade e aplicabilidade no escopo de suprir as diversas lacunas encontradas entre as leis. p. em nossos dias. em termos de identidade. o respeito ao Direito Constitucional como lei basilar de todo o ordenamento jurídico dos Estados para a estabilização política e fortalecimento do Estado Democrático de Direito e. 1. 275). aqui ocupam um espaço onde releva de imediato a sua dimensão objetiva e concretizadora. Assim. os princípios gerais e os princípios constitucionais. isto é.Previsão Constitucional A Constituição Federal Brasileira de 1988 considerou como fundamental o direito do consumidor. 246) Portanto. Apenas nesta última fase. a fase não programática. pois. 5°. Ali. tema que não é o propósito desse trabalho. a conversão dos princípios gerais em princípios constitucionais. Fala-se em conteúdo programático neste inciso porque antes da Lei 8. que se fará exeqüível "colocar no mesmo plano discursivo. E se. a defesa do consumidor. certa doutrina pretende restabelecer este arbítrio sob o pretexto especioso da liberdade do juiz ou da jurisprudência. retrógada em sua substância e contrária à liberdade apesar de seu nome. Percebe-se. doutrina é esta que. não é necessário entrarmos em maiores detalhes aqui. estabeleceu em "norma de notório conteúdo programático" (CARVALHO FILHO. na forma da lei.32 segunda máxima. no art. desapareceu com o nascimento do moderno Estado de direito. pairam ainda numa região abstrata e têm aplicabilidade diferida.2 Direitos do Consumidor . por fim. que não foi sem razão que o Constituinte inseriu o direito do consumidor no rol dos direitos fundamentais. o arbítrio do juiz em sentido contrário ao da lei. nada mais imprescindível na história contemporânea do Direito Constitucional do que a solidificação dos princípios contidos em seus textos de leis. 2001. chega-se à seguinte conclusão: O perigo do que se chama aequitas cerebrina.

. 222).33 de 11/09/1990. A. o § 5° do art. serem competentes a União. sendo que os Estados e Distrito Federal possuirão competência suplementar (art. J. ALVIM. determinando que se ofereça o devido esclarecimento acerca dos tributos incidentes sobre bens objeto de relações de consumo. através da normatividade constitucional. mas regulam propriamente a atividade estatal concernente a ditas matérias: têm por objeto imediato os comportamentos estatais e só imediatamente e por assim dizer. nada mais oportuno e justo do que se considerar o direito do consumidor como um direito fundamental. p. em segundo grau. inc. como é a brasileira. ALVIM. O produto legislativo da União deverá ater-se à edição de normas gerais. preestabelecia em si mesmo apenas um programa de ação. 5°. VIII da Constituição Federal. Protege-se ainda. SOUZA.. a defesa do consumidor "se qualifica também como um dos princípios da ordem econômica e financeira (art. 150 dispõe que ''a lei determinará medidas para que os consumidores sejam esclarecidos acerca dos impostos que incidam sobre mercadorias e serviços''. que criou o Código de Proteção e Defesa do Consumidor. 170. em clara preocupação com o grau de informação que deve . 24. fundada na livre iniciativa na qual se verificam inúmeras formas de abuso de poder econômico. p. T. inc. que se refere às limitações ao poder de tributar. Sobre as normas constitucionais programáticas postula Crisafulli (1976. p. 1995. o art. 75): As normas constitucionais programáticas. com respeito ao próprio objeto por se tratar de uma norma constitucional programática até então. No que diz respeito à competência normativa sobre a matéria. como se viu. o direito do consumidor (ALVIM. 24. V. não regulam diretamente as matérias a que se referem. é da inteligência do art. E." Por se tratar de uma sociedade capitalista. Constituição Federal). 14): No Título IV da Constituição Federal. os Estados e o Distrito Federal para legislar concorrentemente sobre responsabilidade por dano ao consumidor. XXXII da Constituição Federal." Além de caracterizada como direito fundamental. em sua Seção II. "ostentam por igual uma dupla eficácia na medida em que servem de regra vinculativa de uma legislação futura sobre o mesmo objeto. Acrescenta ainda Paulo Bonavides (2002. destinado à tributação e ao orçamento.. § 1° e 2° da Constituição Federal). aquelas determinadas matérias..

antes de abordarmos os princípios específicos desta lei. a partir do momento em que buscam introduzir uma nova forma de pensar nos postulados da consciência jurídica. Além disso nota-se também que o dever de bem informar os consumidores. a de estar no ápice do nosso ordenamento jurídico. subordinadas aos ditames do Código de Proteção e Defesa do Consumidor no que chama a atenção pela necessidade de sua correta interpretação nos quadros normativos. é princípio constitucional impositivo.3 A Defesa do Consumidor e sua Extensão como Princípio Constitucional Após todo este levantamento da trajetória dos princípios gerais de direito. que é o princípio da boa-fé. princípio garantia. é mais do que uma mera necessidade. na medida em que indica opção valorativa do constituinte. Como será discutido mais adiante o princípio da transparência. p. nos declara a importância do tema na órbita da economia brasileira. pois que impõe aos órgãos do Estado. e de acordo com os dizeres de José Joaquim Gomes Canotilho (1992. que a necessidade da devida informação acerca do produto que o consumidor venha adquirir. aliás.078/90 (reitere-se o Código de Defesa do Consumidor). a realização de uma tarefa e um fim a ser atingido e. Dada esta destacada posição de defesa do consumidor. Daí percebe-se que os princípios que envolvem a defesa do consumidor são princípios jurídicos basilares. nada mais é do que uma irradiação de um princípio basilar residente no corpo principiológico nuclear da Lei 8. vale adiantar brevemente. da sua constitucionalização e irradiação por entre outros ramos do Direito. sobretudo ao legislador. mas sim um dever que se impõe a todos os fornecedores que oferecem produtos ou serviços no mercado consumerista. como veremos mais detalhadamente no tópico específico destinado à elucidação de sua aplicabilidade. é a tônica deste Código de Consumidor. que é o da carga principiológica contida na Lei 8. entre fornecedor e consumidor que a partir do ano de 1990 devem estar. ou seja. necessariamente. o que. 177-178) será: princípio político constitucionalmente conformador. Todavia. chega-se ao assunto fundamental do presente trabalho. 1. visto que garante. disposições imediatas e emergentes. difundido de seu estado de .078/90. como se percebe pelo fragmento supra citado. que possui grande parte de suas atividades baseadas nas relações de consumo. ainda que indiretamente.34 receber o consumidor. Diante disso fica declarada a magnitude de sua garantia constitucional que possui no mínimo. apontaremos ainda a extensão da defesa do consumidor como princípio constitucional. uma série de direitos ao cidadão.

p. Assim. posto que são mais do que normas dado o seu caráter de fundamentalidade no sistema das fontes de direito. será do núcleo sistêmico de onde emanará toda orientação no intuito de se atingir a devida interpretação normativa. está comprovado que a defesa do consumidor é uma garantia constitucional que engloba uma vasta gama de direitos que estão envolvidos em toda a Carta Constitucional ou em outros regimes e princípios colhidos por ela. 2001. uma vez que irão servir "como vetores para soluções interpretativas. ao revelar certa pressa para que fosse promulgada a lei de proteção do consumidor. ao buscar uma legislação mais eficiente e específica para tratar de tais situações jurídicas. p. na lei e na justiça. enquanto o que se . 185). ou a administração pública. não pode. lembra ainda Fábio Konder Comparato (1990. que criou o código brasileiro das relações consumeristas. pois. o legislador. editar norma conflitante com o objetivo do programa constitucional. na política. É preciso. Entretanto. 2001. "Direitos que envolvem a obrigação positiva de atuar. ou à sua importância estrutural dentro do sistema jurídico. os Poderes Públicos têm o dever de desenvolver esse programa. a virtude de corromper de inconstitucionalidade qualquer norma que possa ser um obstáculo à defesa desta figura das relações intersubjetivas de consumo. p. Percebe-se portanto que. 1990. mais do que declarado. mais uma vez. quando consignou que o Congresso Nacional deveria elaborar. identificar tais princípios. 69): De um lado. 37) Da posição do constitucionalista acima citado. Após todas essas exposições. 187).4 Legislação Infraconstitucional ." (TEMER. o Código de Defesa do Consumidor. Este impôs aos órgãos estatais. legislar e decidir. ao se tratar de interpretação constitucional dever-se-á identificar quais foram as normas que receberam do legislador constitucional a categoria de princípios orquestradores do sistema de valoração. nota-se que ele atribui ser papel do legislador apontar quais normas este erigiu à categoria de princípios.35 princípio geral da atividade econômica do país. no prazo de cento e vinte dias da promulgação da Constituição. por meio de uma ação coordenada. erigido por nossa Lei Maior. pela defesa do consumidor" (ZAPATER. 48 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT).078/90 de 11/09/1990. "a realização de uma tarefa e um fim a ser atingido" (ZAPATER.O Momento da Parturição do Código de Proteção e Defesa do Consumidor Brasileiro Apesar do amplo otimismo do Constituinte. na busca da solução das antinomias que são encontradas nos conflitos entre as normas do sistema. após quase dois anos da promulgação da Carta Magna é que foi instituída a Lei 8. de acordo com a determinação do art. sobretudo ao legislador. De outro. 1. Por fim. que é o consumidor. p.

Com o decorrer dos anos. nos mais variados casos em que eram envolvidos os sujeitos do consumo. p. Numa fase mais recente. 2002. traçam também os objetivos e princípios de toda a Política Nacional de Relações de Consumo. uma nova abordagem é postulada "em que se exige a integração das considerações da política de consumo a outras políticas econômicas e sociais" (BOURGOIGNIE. ajudando-o a exercer um papel atuante no mercado. correspondem apenas aos princípios da defesa do consumidor. apontaremos abaixo os aspectos mais comuns de interesse da política tradicional de proteção ao consumidor: a)Educação: uma importantíssima ferramenta de auxílio ao consumidor. todavia com objetivo mais restrito. e seus dados se tornam cada mais significativos à medida que ele vão se estendendo a outros ramos políticos. coerente e separada. uma vez que.1As Diretrizes Gerais da Política e do Direito do Consumidor Antes de dissertarmos sobre a principiologia inserta no art. Apesar de se confundirem os objetivos expressos da Política Nacional de Relações de Consumo com a defesa do consumidor. do executivo ou do judiciário. buscando um alcance substancialmente mais longo. a partir do instante em que se trata das "relações consumeristas" que é uma expressão declaradamente mais ampla do que a "defesa do consumidor". 4° do Código de Defesa do Consumidor.36 tinha antes era a adaptação interpretativa pelos juristas do Código Civil de 1916. 2. a definição dos objetivos que norteiam a política das relações de consumo. direitos e obrigações. 4° do Código de Defesa do Consumidor Brasileiro. deve-se perceber que uma e outra não são a mesma figura. 2. 34). Daí percebe-se o equívoco em se considerar que os incisos do art. sendo esta uma importante faceta daquela. no que quase sempre acabava numa decisão menos favorável aos consumidores. seja na esfera do legislativo. a política e o direito do consumidor desenvolveramse de forma cada vez mais autônoma. A POLÍTICA NACIONAL DAS RELAÇÕES DE CONSUMO E SUA ABRANGÊNCIA Estabelece o caput do art. busca torná-lo mais consciente de suas responsabilidades. ao estabelecer parâmetros que nortearão todo e qualquer ato do governo. protegendo-o dos enganos e . À política de defesa do consumidor é dado um objetivo mais amplo de aplicação. 4°.

drogas. cosméticos. aumentando a participação de representantes de consumidores no processo de tomada de decisões. brinquedos. . particularmente por meio de específicas regras de responsabilidade. transporte. através de medidas preventivas. saúde. lazer. criminais e administrativas mais adequadas. g)Satisfação de necessidades básicas: como possibilitar a todos. ao possibilitar o acesso efetivo à lei e aos mecanismos de reparação. planos de garantia de qualidade. impedimento de cláusulas abusivas em contratos de consumo. intercâmbio de sistemas de informações e supervisão das reservas de mercado. c)Proteção dos interesses econômicos dos consumidores: prevenção de comércio. assim como corretivas que dão aos consumidores. do crédito. cláusulas contratuais. estabelecimento de uma rede de Centros de Conselhos para Consumidores. desenvolvimento de campanhas públicas de conscientização etc. proibição de propaganda enganosa. regulamentação da especulação de preços. leis e regulamentos entre outros. rotulagem e empacotamento dos produtos. energia. personalidade jurídica ou o direito de ingressarem ações coletivas em cortes e tribunais quando se sentirem lesados. promovendo informações de consumo por meio de fontes independentes. o efetivo acesso a mercadorias e serviços básicos. comida. b)Informação e conselhos: detalhar cada vez mais as informações e formas de uso sobre produtos e serviços. e)Compensação ao consumidor: tem como objetivo armar o consumidor de meios rápidos e acessíveis de assegurar seus direitos. água. f)Representação dos interesses coletivos dos consumidores: para promover e dar suporte aos grupos de consumidores. dos empréstimos e de outras transações financeiras do consumidor. riscos e acidentes relacionados a eles. dentre eles. que o objetivo de segurança sobre produto e serviços tais como. ao criar para os grupos de consumidores. telecomunicações. propaganda e métodos de venda desleais. instituição de padrões de qualidade. revelação das cláusulas contratuais. preços e tarifas. que são perigosos ou sem segurança. educação. avisos e instruções de uso. atividades esportivas etc. saúde etc. retirada de produtos quando nocivos aos consumidores e a terceiros. tais como exigências de informações.37 fraudes. concessão de períodos de controle. além de desenvolverem sistemas alternativos para solução de conflitos que sejam eficientes e independentes. automóveis. d)Segurança: proteção aos consumidores de produtos ou serviços. obrigações de controle sobre processos de produção e distribuição. obrigações de garantia pós-venda. Imprescindível que se destaque. a realização de recalls. entre outros. definindo reparações civis. acesso a planos de compensação adequados e facilmente acessíveis.

p. como bem observa José Geraldo Brito Filomeno (2003. no intuito de se buscar uma redução dos impactos causados por essas atividades. 42. entre os recursos naturais disponíveis e a atividade industrial. devem ser observadas. Se o consumidor.2. no seu art." (O consumo sustentável deverá satisfazer às necessidades das presentes e futuras gerações por meio de benefícios e empreendimentos que contribuam pela higidez do meio ambiente. sobretudo se se tiver em conta a ciência de marketing e a publicidade. ampliado no ano de 1999. aponta a resolução acima citada. Tradução nossa. ele estará incentivando cada vez mais a atividade comercial dessa empresa que depreda o meio ambiente no que implicará um forte desequilíbrio.). esta tarefa não é nada fácil. 67). uma vez que da escolha dos consumidores por determinados produtos é que recairão os efeitos sobre os produtores. tais como: . referem-se a uma variedade de políticas. por exemplo. por consumidores informados. nada mais é do que um grande cuidado que os homens devem ter no instante que exploram o meio ambiente através de suas atividades econômicas. 68).Consumo Sustentável e o Princípio da Integração Conforme a resolução da ONU. por governantes e empresários. além das associações de proteção aos consumidores e ao meio ambiente que irão desempenhar importante papel na divulgação da mais adequada informação. a preocupação em proceder ao consumo responsável e. através do documento "United Nations Guidelines for Consumer Protection". ilimitadas.38 2. e para que a criação desta consciência de preservação ao meio ambiente possa vir a colher bons resultados. Assim percebe-se que o consumo sustentável. o chamado "consumo sustentável". de produtos e serviços" (FILOMENO. são limitados os recursos naturais disponíveis". "enquanto as necessidades do homem são. consome determinada marca de papel de uma empresa que não pratica o reflorestamento. por organizações do trabalho. de maneira que os recursos naturais não se esgotem de forma irreversível. 2003. o que poderá trazer drásticas conseqüências. in verbis: "Sustainable consumption includes meeting the needs of present and future generation for goods and services in ways that are economically. em princípio. como se pode perceber. Os preceitos desse artigo. and environmentally sustainable. socially. tanto no aspecto econômico. foi eleito como um dos direitos do consumidor universalmente considerado e será um objetivo comum a todos os governos a sua promoção. sobretudo sustentável. quanto no aspecto social. A responsabilidade pelo consumo sustentável deve ser compartilhada por todos os membros e organizações da sociedade. p. Todavia. É desse problema que surge "a necessidade de incutir no homem. desde a infância.

2.008. Portanto conclui-se que o consumo sustentável. mas também aos consumidores. o respeito a sua dignidade. saúde. de 21 de março de 1995.° 9. saúde e segurança. É desta atividade que trabalha com a inter-relação que temos o princípio da integração. infere-se que "a qualidade de vida ou direito de viver num ambiente saudável tornou-se um dos direitos fundamentais dos consumidores" (BOURGOIGNIE.39 telecomunicações. a melhoria da sua qualidade de vida. 2002. 4. aos fornecedores.° A Política Nacional das Relações de Consumo tem por objetivo o atendimento das necessidades dos consumidores. in verbis: Art. Tradução nossa. A livre escolha dos consumidores. que devem procurar consumir produtos menos nocivos ao meio ambiente. o qual se encontra consubstanciado no texto do art. in verbis: "Governments should promote the development and implementation of policies for sustainable consumption and the integration of those policies with other public policies. daí observa-se que o processo de integração é extremamente complexo. .reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor no mercado de consumo. o que não é nada fácil já que implica numa mudança nos seus hábitos. 4° do Código de Defesa do Consumidor de acordo com a nova redação dada ao artigo pela Lei n. como bem observa Thierry Bourgoignie (2002." (Os governantes devem promover a implementação e o desenvolvimento de políticas que tenham como objetivo o consumo sustentável além da integração dessas políticas a outras políticas públicas. 43. ao fazer com que todos tomem consciência da dimensão ecológica do processo consumerista em geral e de seu comportamento individual particular.3. 36). nutrição. não recairá apenas aos produtores. p. 37). p. Diante disso. a proteção de seus interesses econômicos. deverá ser limitada em prol do meio ambiente e que os interesses da coletividade e benefícios individuais a curto prazo. entre outros entes da cadeia empresarial. bem como a transparência e harmonia das relações de consumo. atendidos os seguintes princípios: I .Princípios Fundamentais da Política Nacional de Relações de Consumo Para melhor se compreender o corpo principiológico do art. sociedade de informação. que devem ser desenvolvidas numa estratégia rumo à integração dos dados de consumo.). "colocará sua marca na política e no direito do consumidor". A responsabilidade pela proteção ao meio ambiente. da diretriz geral de proteção ao consumidor editada pela ONU. proteção ambiental e agrícolas.

quanto aos seus direitos e deveres. da Constituição Federal). Thereza Alvim. com vistas à melhoria do mercado de consumo.40 II . sempre com base na boa-fé e equilíbrio nas relações entre consumidores e fornecedores. II .incentivo à criação pelos fornecedores de meios eficientes de controle de qualidade e segurança de produtos e serviços. I . pode-se dizer serem seis os princípios fundamentais da Política Nacional das Relações de Consumo.harmonização dos interesses dos particulares dos participantes das relações de consumo e compatibilização da proteção do consumidor com a necessidade de desenvolvimento econômico e tecnológico. p. III.Princípio da Informação VI. De acordo com Arruda Alvim.ação governamental no sentido de proteger efetivamente o consumidor: a) por iniciativa direta. V . de modo a viabilizar os princípios nos quais se funda a ordem econômica (art. 170. VI.Princípio do Dever governamental III. assim como de mecanismos alternativos de solução de conflitos de consumo. IV . 44).Princípio do Acesso à Justiça . c) pela presença do Estado no mercado de consumo. d) pela garantia dos produtos e serviços com padrões adequados de qualidade. Eduardo Arruda Alvim e Jaime Marins (1995.coibição e repressão eficientes de todos os abusos praticados no mercado de consumo. b) por incentivos à criação e desenvolvimento de associações representativas.racionalização e melhoria dos serviços públicos.Princípio da Garantia de Adequação IV.educação e informação de fornecedores e consumidores. citados abaixo: I-Princípio da Vulnerabilidade II.Princípio da Boa-fé nas relações de consumo V. que possam causar prejuízos aos consumidores. inclusive a concorrência desleal e utilização indevida de inventos e criações industriais das marcas e nomes comerciais e signos distintivos.estudo constante das modificações do mercado de consumo.

Art. crédulos ou espertos. Antônio Herman de Vasconcelos e Benjamin (1991. ricos ou pobres.078/90. como por exemplo. que além de presumivelmente vulneráveis são também. Este princípio. por não dispor do controle sobre a produção dos produtos.até mesmo a uma coletividade . ao levar um automóvel seu numa . os analfabetos quando se encontram diante de uma situação em que podem assinar um contrato de plano de saúde sem os devidos esclarecimentos a respeito de suas cláusulas contratuais contidas no corpo contratual. e é tido como o núcleo base de onde se irradia todos os outros princípios informadores do sistema consubstanciado no Código de Defesa do Consumidor. entre outros alimentos supérfluos em que o exagero no consumo destes podem levá-las a ter vários problemas no seu desenvolvimento natural. qualidade ontológica (essencial. cultural ou econômica. ou então. consequentemente acaba se submetendo ao poder dos detentores destes. Isto acontece. 224225) demonstra a diferença entre a vulnerabilidade e hipossuficiência: A vulnerabilidade é um traço universal de todos os consumidores.41 Todos estes princípios supra citados. I. numa hipotética situação. independentemente da sua condição social. A vulnerabilidade. Com precisão. ao perceber que o consumidor é o elemento mais fraco dela. nuclear. Diante disso temos que. dado o propósito desse trabalho. por estarem desprovidas de outros indispensáveis alimentos em sua dieta. seja ele consumidor-pessoa jurídica ou consumidorpessoa física. atua como elemento informador da Política Nacional das Relações de Consumo. educadores ou ignorantes. 2° da Lei 8. crianças que são expostas diariamente aos diversos anúncios de chocolates. a partir do momento em que se examina a cadeia consumerista. em sua situação individual carentes de condições culturais ou materiais.4 Princípio da Vulnerabilidade do Consumidor . limitada a alguns . Deve-se notar também que. p. a vulnerabilidade do consumidor não se confunde com a hipossuficiência. determinado médico neurocirurgião de grandes títulos durante a carreira. que é uma característica restrita a determinados consumidores. no que surge à necessidade da criação de uma política jurídica que busque a minimização dessa disparidade na dinâmica das relações de consumo. de acordo com o conceito legal preceituado pelo art.mas nunca a todos os consumidores. 2. intrínseca) e indissociável do consumidor numa relação de consumo. serão devidamente analisados nos subtópicos que se seguem. 4°. Já a hipossuficiência é marca pessoal.

dos mecanismos suficientes que proporcionam a sua efetiva proteção. mas também sob o aspecto econômico.078/90 colocar em equilíbrio jurídico o consumidor e fornecedor. não significa que estes devam ser tratados de maneira idêntica nas normas e em particular nas leis expedidas com base na Constituição. pode ser considerado vulnerável frente ao fornecedor (neste caso. VI e VII do art. 4°. elencado nos incisos II. Além destas constatações. garantida pela Constituição. Sem fazer contestação ao teor do que nela se contém e reconhecendo. além de deter o processo tecnológico da fabricação de seus produtos. p. pois entre um e outro extremo serpeia um fosso de incertezas cavado sobre a intuitiva pergunta que aflora ao espírito: Quem são os iguais e quem são os desiguais?" E de acordo com Hans Kelsen (1998. observa-se também que o princípio da vulnerabilidade de acordo com Nelson Nery Júnior (1991. a oficina mecânica prestadora do serviço). Daí o porquê se parte do princípio da fraqueza manifesta do consumidor no mercado. para armá-lo de certos instrumentos para que ele possa melhor defender-se. homens e mulheres.42 oficina mecânica para a realização de reparos no veículo. indivíduos mentalmente sadios e alienados. 4° do Código de Defesa do Consumidor. VI e VII Este princípio. ao prover o consumidor. dos mais diversos setores e interesses nas relações consumeristas. Todavia. já que este é a parte detentora dos mecanismos que induzem aquele. Sob esta ótica. 4°. II. não apenas sobre o aspecto técnico. . p. O primeiro é o da responsabilidade atribuída ao Estado. seja através da iniciativa direta do Estado (art. esta expressão "tratamento desigual aos desiguais" de Aristóteles. se percebe que é mister da Lei 8. "b") ou até mesmo de fornecedores. por exemplo. dever ser compreendido sob dois principais aspectos. dispensando-se tratamento desigual aos desiguais". ao princípio constitucional da isonomia. A igualdade assim entendida não é concebível: seria absurdo impor a todos os indivíduos exatamente as mesmas obrigações ou lhes conferir exatamente os mesmos direito sem fazer distinção entre eles.5 O Princípio do Dever Governamental . ao consumo tanto básico quanto exagerado. é insuficiente para desate do problema. como. ao colocá-lo sob um intenso bombardeamento de anúncios. 207) têm-se as seguintes condições: A igualdade dos sujeitos na ordenação jurídica. seja ele pessoa jurídica ou pessoa física.Art. 320) que "permeia as relações de consumo está em verdade a dar realce específico. entre crianças e adultos. 11): "deve-se negar-lhe o caráter de termo de chegada. 2. p. enquanto sujeito máximo organizador da sociedade. sua validade como ponto de partida. II. segundo Celso Antônio Bandeira de Melo (2002. por não conhecer nada a respeito de mecânica de motores automotivos.

2. a proteção de seus interesses econômicos e a melhoria da sua qualidade de vida. II. respectivamente: Art.10° §1°. 4°. Por fim. demarcando o Código que as empresas deverão ser incentivadas para a criação de mecanismos eficazes de controle de qualidade de produtos e serviços. a quem está incumbido o dever de fiscalização. 4°.6 Princípio da Garantia da Adequação . diz respeito ao binômio. obrigando-se os fornecedores. 8° Os produtos e serviços no mercado de consumo não acarretarão riscos à saúde ou segurança dos consumidores. VIII). . em que é dever do próprio Estado de promover continuadamente a "racionalização e melhoria dos serviços públicos" (art. que é uma outra atribuição do "princípio de dever governamental" o qual já se expôs. fica a cargo do fornecedor que será oficialmente auxiliado pelo Estado.ao mesmo tempo que recebem reclamações de determinados produtos ou serviços. qualidade/segurança. a dar informações necessárias e adequadas a seu respeito. Atualmente. elencado no caput do art. em qualquer hipótese. 8° parágrafo único e art. várias empresas. ao surgir aqui a figura do Estadofornecedor além de suas eventuais responsabilidades. que demonstram uma dupla atribuição: . no que diz respeito à sua dignidade. "D" e V É o princípio que emana a necessidade da adequação dos produtos e serviços ao binômio. consistente no atendimento dos eventuais problemas dos consumidores.43 O segundo aspecto é o enfoque sob o "princípio do dever governamental". 4°. "d" e V do Código do Consumidor encontra-se amparado pela inteligência dos art. atendendo completamente aos objetivos da Polícia Nacional das Relações de Consumo. Preocupadas com tais aspectos. fala-se muito na chamada "qualidade total".Art. uma vez que o Código do Consumidor é adepto do princípio da "responsabilidade objetiva". o que contribui de maneira inteligente para o desenvolvimento das próprias atividades empresariais. instruindo-os em como melhor servi-los. saúde e segurança. indica que a prevenção de danos é a política que deve ser prioritariamente buscada pelas empresas. exceto os considerados normais e previsíveis em decorrência de sua natureza e fruição. que é o fim perseguido pelo sistema de proteção e defesa do consumidor. aliada à inversão do ônus da prova (como este assunto não é a proposta de discussão do presente trabalho. II. A concretização desse princípio. também recebem valiosas sugestões de consumidores. têm criado os conhecidos "departamentos de atendimento ao consumidor". §2° e § 3° do mesmo diploma. qualidade/segurança. 4°. in verbis. vale ressaltar também que o princípio da garantia de adequação contido no art. não irá se discuti-lo aqui).

posteriormente à sua introdução no mercado de consumo. através de impressos apropriados que devam acompanhar o produto. § 3° Sempre que tiverem conhecimento de periculosidade de produtos ou serviços à saúde ou segurança dos consumidores. a União. mesmo que ocupem posições antagônicas frente ao conflito de seus interesses. orientando basicamente os capítulos referentes às práticas comerciais. rádio e televisão. 4° como um dos escopos da Política Nacional das Relações de Consumo. Nesse sentido. às expensas do fornecedor do produto ou serviço.7 Princípio da Boa-Fé nas Relações de Consumo . 2. Será a boa-fé. de certa maneira. desde a instituição de seus direitos básicos (art. indicadas no caput do art. encontra-se difundido em grande parte dos dispositivos do Código do Consumidor. percorrendo pelo capitulo referente à reparação por danos pelo fato do produto. tiver conhecimento da periculosidade que apresentem. os Estados. o Distrito Federal e os Municípios deverão informá-los a respeito.44 Parágrafo único. A harmonia das relações de consumo e a transparência. merecedora de especial destaque de acordo com o inciso IV do art. deverá comunicar o fato imediatamente às autoridades competentes e aos consumidores mediante anúncios publicitários. a publicidade. e. que traz uma carga significativa de regra geral de comportamento. Em se tratando de produto industrial.Art. 10° O fornecedor não poderá colocar no mercado de consumo produto ou serviço que sabe ou deveria saber apresentar alto grau de nocividade ou periculosidade à saúde ou segurança. está expressamente referido no inciso III. § 2° Os anúncios publicitários a que se refere o parágrafo anterior serão veiculados na imprensa. nos dizeres de Silvio Rodrigues (2002. 4°. 6°). ao fabricante cabe prestar as informações a que se refere este artigo. 60): "um conceito . que deve ser buscada pelos dois pólos componentes das relações de consumo: consumidor e fornecedor. os componentes da relação consumerista devem buscar o objetivo comum de melhor e com mais eficiência. e. serão o resultado da conduta geral da boa-fé. III e VI Este princípio nas relações de consumo. e a proteção contratual. do art. Art. § 1° O fornecedor de produtos e serviços que. p. 51 do Código do Consumidor. que considera nulas de pleno direito cláusulas contratuais que "sejam incompatíveis com a boa-fé e eqüidade". fazer circular produtos e serviços com objetivo da geração de riquezas e benefícios a todos os integrantes do mercado de consumo. 4°.

é o caminhar dos pensamentos. da boa intenção e no propósito de a ninguém prejudicar. Por um dos princípios adotados pelo Código de caráter acessório. p. o elemento regente da Lei 8. mas até a própria legislação consumerista sofre reflexos dele. publicidade." (MARQUES. 256). o "princípio da veracidade". Será deste interesse jurídico. p. Como se vive num mundo globalizado em que a tecnologia a cada dia que passa caminha a passos cada vez mais largos. 4°. e não através da realidade. que o direito de informação existirá expressamente no Código de Defesa do Consumidor Brasileiro. p. caput) que não deixa de ser um reflexo da boa-fé exigida aos agentes contratuais. e é através deste princípio nuclear que não apenas os pólos atuantes da relação de consumo. com várias normas dispostas a destacar a extrema cautela com que tais temas devam ser encarados. fazendo com que a informação passe "a ter uma relevância jurídica antes não reconhecida" (DE CARVALHO.Art. informação dentre outros. A história do homem é a história da luta entre idéias." Como se pode perceber. como por exemplo. 4°. em que este revela um importante pensamento a respeito da informação: "Não há sociedade sem comunicação de informação. devem se localizar no momento do ato de consumo.078/90 ao ter como corolário a educação. IV E VIII Antes de se iniciar este tópico. 2002. O pensar e o transmitir o pensamento são tão vitais para o homem como a liberdade física". em que o fornecedor deve sempre prestar informações sobre produtos ou serviços de quaisquer natureza que ele ofereça no mercado. constata-se a presença . Desse modo será a informação. pautando sua atitude pelos princípios da honestidade. 671) 2. 2002. 2002. necessário é citar a importância da informação de acordo com o jurista Luis Gustavo Grandinetti Castanho de Carvalho (2002. 256). p. o primado básico da boa-fé será "o princípio máximo orientador do CDC" (MARQUES. "para que o homem não seja levado a assumir comportamentos que não correspondam a uma perfeita compreensão da realidade" (DE CARVALHO. p. são objetivos em parte do Código do Consumidor.45 ético. Matérias que se referem a educação. moldado nas idéias de proceder com correção. percebe-se que a informação circula com maior velocidade por estar difundida nos mais variados meios de comunicação que a massificam com muito mais intensidade. com o objetivo de coibir que os cidadãos sejam levados a consumir pela ilusão. 671). com dignidade. o de saber melhor no ato da decisão. 2002. "o princípio da transparência (art.8 Princípio da Informação . divulgação. 255).

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deste princípio em inúmeros artigos do código, além do art. 4°, tais como; o art. 6° (dos direito básicos do consumidor); arts. 8° e 10° (citados no tópico referente ao princípio da garantia de adequação); arts. 18, 19 e 20 (vício do produto); arts. 30, 31 e 35 (oferta); arts. 36, 37 e 38 (publicidade e marketing); 43 e 44 (bancos de dados e cadastros); art. 56 (sanções administrativas); por fim, os arts. 60, 63, 64, 66, 67 e 72 (infrações penais). Todavia há de ressaltar-se que, independentemente da preocupação que os redatores da lei consumerista brasileira tiveram com a informação, esta só poderá ser estendida aos cidadãos de maneira mais eficiente, se as autoridades derem mais atenção a educação básica, que é uma condição indispensável para o completo exercício da cidadania. Uma proposta a esta problemática, seria a introdução, ou melhor dizendo, reintrodução da disciplina de educação moral e cívica nos currículos escolares de 1° e 2° graus, com o objetivo de fazer com que crianças e adolescentes comecem a criar uma cultura para melhor consumirem e orientarem seus pais, durante o ato de consumo, como por exemplo, saber avaliar a qualidade do produto além de suas condições de higiene, suas condições de exposição para venda, dos componentes artificiais, do valor calórico dos alimentos que devem estar dispostos numa tabela nutricional impressa no rótulo das embalagens, o prazo de validade para consumo dos produtos, dentre outros aspectos de cunho sócio-econômico. Todavia Hélio Jaguaribe (apud, ALVIM, A.; ALVIM, T.; ALVIM, E.; SOUZA, J. 1995, p. 48-49) chama atenção desta questão social da seguinte maneira: O Brasil tem demonstrado capacidade para mobilizar forças e enfrentar problemas sociais. Em tempos recentes, as comunicações, o programa do álcool, as hidrelétricas, a industrialização diversificada, a produção de grãos e a ampliação do comércio exterior, em diferentes setores, constituíram provas eloqüentes dessa afirmação. A educação do povo, entretanto, sendo questão da mais transcendente magnitude - pois dela também o equacionamento de todos os problemas, incluindo os políticos, sociais e econômicos - não tem acompanhado sequer as exigências mínimas do país, apesar de ser dever imperioso da nação para com seus filhos e garantia de seu próprio bem-estar. Concluindo, independentemente do instrumento jurídico que se tenha, por mais avançado que seja, acabará sempre se esbarrando nos problemas sociais, ou seja, na carência cultural que acompanha a população brasileira. Daí que várias empresas, sejam elas multinacionais ou nacionais acabam, na maioria das vezes, se aproveitando da ignorância alheia ao construir seus mega impérios econômicos centralizadores de preços e extintores de quaisquer modalidades de concorrência nos mercados. 2.9 Princípio do Acesso à Justiça

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Primeiramente, far-se-á um breve relato deste princípio no campo constitucional do qual ele emana através do art. 5°, inc. XXXV da Constituição Federal de 1988 in verbis: "a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito", e segundo Nelson Nery Jr. (2002, p. 98) tem-se: "Embora o destinatário principal desta norma seja o legislador, o comando constitucional atinge a todos indistintamente, vale dizer, não pode o legislador e ninguém mais impedir que o jurisdicionado vá a juízo deduzir pretensão". Isto significa que todos têm direito do acesso à justiça para pleitear a tutela jurisdicional reparatória ou preventiva, no que diz respeito a um direito. Contemplando-se aqui tanto direitos individuais quanto coletivos. Todavia, este princípio não está expresso nos incisos do art. 4° do CDC, mas ele se reveste de suma importância, a partir do momento em que o legislador do diploma consumerista, teve como uma de suas grandes preocupações a busca pela criação de novos mecanismos, que pudessem facilitar ainda mais o acesso dos cidadãos à justiça, como um meio de defesa de seus direitos, daí se observarão consubstanciados em vários artigos do código alguns desses caminhos. E para que o consumidor se atenha desta efetividade, conforme Arruda Alvim (1990, p. 31) ensina em termos processuais: a palavra ''efetividade'' alcança uma conotação principalmente sociológica e não meramente jurídico-formal, mas no sentido de que o que conta, em última análise, não é tanto a existência de uma normatividade completa e lógica, em que todos os direito são protegidos pela letra da lei e pelo sistema, mas tão somente aparentemente funcional, pois na verdade, normatividade jurídica, ainda que exaustiva, não é suficiente para satisfazer às aspirações sociais dos segmentos numericamente predominantes e desprotegidos da sociedade. Antes de se prosseguir com o estudo deste princípio, vale a pena diferenciar o que são as concepções jurídico-formais, das concepções jurídico-materiais, apresentadas pelos autores, Antônio Carlos de Araújo Cintra; Ada Pellegrini Grinover e Cândido Rangel Dinamarco (1999, p. 40), em que a primeira é "o exercício conjugado da jurisdição pelo Estado-juiz, ou seja, o complexo de normas e princípios que regem tal método de trabalho", já a segunda, é "o corpo de normas que disciplinam as relações jurídicas referentes a bens e utilidades da vida (direito civil, penal, administrativo, comercial, tributário, etc.)". A necessidade de se dar efetividade ao processo, e facilitação ao acesso à justiça, demandou que se fortalecesse o consumidor, ao inseri-lo numa ordem mais ampla a partir do instante em que se construiu mecanismos processuais que davam tratamento coletivo de pretensões individuais, que se agissem isoladamente pouquíssimas condições teriam de obterem um resultado mais satisfatório.

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E por mencionar o "tratamento coletivo", destaca-se brevemente as ações coletivas de modo geral, que visam a tutela dos interesses difusos (art. 81, parágrafo único, I do CDC), interesses coletivos (art. 81, parágrafo único, II do CDC) e os interesses individuais homogêneos de origem comum (art. 81, parágrafo único, III do CDC). Como dissertado um pouco atrás, em que o princípio do acesso à justiça não se encontra expresso na redação do art. 4° do Código do Consumidor, mas sim exposto por outras normas do mesmo diploma, exemplo deste caso é o que acontece com o art. 6° inc. VII, in verbis: "Art. 6°, inc. VII: o acesso aos órgãos judiciários e administrativo com vistas à prevenção ou reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos ou difusos, assegurada a proteção jurídica, administrativa e técnica aos necessitados;" do Título III do CDC que cuida da defesa do consumidor em juízo, ao oferecer a oportunidade de fazer valer seus interesses, inclusive, como já se observou no inc. VII supra citado, de natureza coletiva, e "mediante a ação de órgãos e entidades com legitimidade processual para tanto, sem prejuízo dos pleitos de cunho nitidamente individuais" (FILOMENO, 2001, p. 127). Por fim, com a criação de instrumentos adequados para a proteção do consumidor, nascem dois planos distintos de incidência. O primeiro, se relaciona às possibilidades que se criam para a efetivação da proteção do consumo em juízo, ao contribuir para que se extraia resultados claros e objetivos pertinente ao direito de consumo. A segunda incidência não decorre do uso destes mecanismos em juízo, mas simplesmente de sua potencialidade de uso, ao clamar pela importância da mudança de mentalidade do consumidor, a partir do momento em que ele irá pressionar cada vez mais o Estado, no intuito de conseguir a tutela específica exigidas pelas relações de consumo, que demandam maior agilidade por parte dos órgãos públicos, armando o consumidor do seguinte slogan de que "quem reclama sempre alcança".

3. LIVRE CONCORRÊNCIA, ABUSO DO PODER ECONÔMICO E CONSUMIDOR Conforme a posição de José Geraldo Brito Filomeno (2003, p. 69), diante sua exposição acerca da defesa da ordem econômica, será esta a razão final proteção dos interesses e direito dos consumidores, eis que destinatários finais tudo o que é produzido no mercado, seja em matéria de produtos, seja na serviços". de "a de de

Assim, diante de toda essa principiologia apresentada pelo texto do art. 4° do Código de Consumidor, tema deste trabalho, percebe-se que o diploma consumerista nada mais fez do que colocar na prática, durante o relacionamento entre consumidor e fornecedor, os preceitos constitucionais do Título VII (Da Ordem Econômica e

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Financeira), como um dos princípios que regem a atividade econômica (Capítulo I), ao destacar a importância da proteção ao consumidor, como sujeito mais fraco (vulnerável) da cadeia que compõe as relações de consumo. De acordo com o art. 170 da C.F/88, expressamente referido pelo art. 4° do CDC, diz ele que "a ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa tem por fim assegurar a todos, existência digna, conforme ditames da justiça social", observados princípios bem delineados, dentre os quais figuram a livre concorrência e a defesa do consumidor (cf. incisos I e IV, respectivamente, ainda do citado art. 170 da CF/88.) Mais adiante, o art. 173 da Carta de 1988, nos seus § 4° e 5° declaram o seguinte, in verbis: Art. 173, § 4°. A lei presumirá o abuso do poder econômico que vise à dominação dos mercados, à eliminação da concorrência e ao aumento arbitrário dos lucros. § 5°. A lei, sem prejuízo da responsabilidade individual dos dirigentes da pessoa jurídica, estabelecerá a responsabilidade desta, sujeitando-a às punições compatíveis com sua natureza, nos atos praticados contra a ordem econômica e financeira e contra a economia popular. Daí percebe-se, conforme foi observado pelos textos desses dispositivos constitucionais supra citados, a definição do que vem a ser abuso do poder econômico, ou seja, "qualquer forma de manobra, ação, acerto de vontades, que vise à eliminação da concorrência, à dominação de mercados e ao aumento arbitrário de lucros" (FILOMENO, 2003, p. 70). Não obstante, está claro que a proteção e o incentivo às práticas leias de mercado, não interessam apenas aos consumidores, assim como aos fornecedores, que necessitam de uma livre concorrência entre os setores empresariais para que se obtenha uma melhoria da qualidade de produtos e serviços com o aprimoramento da tecnologia, além de melhores opções aos consumidores. Assim observa-se que, se a livre concorrência não é garantida pelo Estado, o mercado será dominado por poucos, o que gera conseqüências drásticas aos cidadãos, tais como, o aumento de preços de produtos e serviços, a queda de sua qualidade, a falta de opções de compra e a obsolência tecnológica. E para que se evite tais abusos, vários mecanismos jurídicos foram instituídos para protegerem os cidadãos, dentre eles a Lei 8.884 de 11 de junho de 1994, que transformou o Conselho Administrativo de Defesa Econômica - CADE - em autarquia, dispondo sobre prevenção e repressão às infrações contra a ordem econômica, através do que reza o seu parágrafo único do art. 21, incs. I, II, III, IV, in

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verbis: Parágrafo único. Na caracterização da imposição de preços excessivos ou do aumento injustificado de preços, além de outras circunstâncias econômicas e mercadológicas relevantes, considerar-se-á: I - o preço do produto ou serviço, ou sua elevação, não justificados pelo comportamento do custo dos respectivos insumos, ou pela introdução de melhorias de qualidade; II - o preço do produto anteriormente produzido, quanto se tratar de sucedâneo resultante de alterações não substanciais; III - o preço de produtos e serviços similares, ou sua evolução, em mercados competitivos comparáveis; IV - a existência de ajuste ou acordo, sob qualquer forma, que resulte em majoração de bem ou serviço ou dos respectivos custos. Deve-se lembrar que para se caracterizar o aumento arbitrário dos lucros, há de se observar também o grau de concentração econômica do setor acusado de tal prática. Diante disso, examine-se o que preceitua o § 2° do art. 20 da Lei 8.884/94, in verbis: Art. 20 § 2°. Ocorre posição dominante quando uma empresa ou grupo de empresas controla parcela substancial de mercado relevante, como fornecedor, intermediário, adquirente ou financiador de um produto, serviço ou tecnologia a ele relativa. "E o § 3° arremata essa ordem de idéias acrescentando que ''a parcela de mercado requerida no parágrafo anterior é presumido como sendo da ordem de 20% (vinte por cento)''" (FILOMENO, 2003, p. 71). Ainda de acordo com José Geraldo Brito Filomeno (2003, p. 71), tem-se: A infração de que ora se cuida, portanto, é tipificada pelo inc. III do art. 20 da Lei n° 8.884/94, complementada pelos seus três parágrafos, sobretudo os ora colacionados e suplementada, em termos de metodologia, pelos incisos também ditados do art. 21, no tocante à sua apuração. Portanto, pode-se se conceituar o termo "aumento arbitrário de lucros" como aquele que exceder o limite razoável, levando em conta o teor da concentração de determinado setor da economia, diante o disposto da inteligência do art. 21 da Lei 8.884/94, além de outros dados socioeconômicos e a política das relações de

que diz o seguinte. a Lei n° 8. fica vedado ao fornecedor. Assim serão destas leis. V. 2003. 2003. X ao dispor que.347/85 (Ação Civil Pública). acrescendo-lhe ônus injustificados que em uma negociação normal não estariam presentes. no seu inc. em sua seção IV. de acordo com Carlos Alberto Bittar (apud. "Das Práticas Comerciais" do CDC. mas também a Lei 8. in verbis: "exigir do consumidor vantagem manifestamente excessiva". p.51 consumeristas. Um outro comportamento abusivo que merece destaque é o disposto no inc. Bittar prossegue nesse raciocínio. "Essas práticas". p. através de leque diversificado de medidas protetivas e sancionamento (preventivos ou repressivos). in verbis: Art. 1° Regem-se pelas disposições desta Lei. 39 do CDC.158/91 e a Lei 4. 39 do CDC. em investidas. elevar sem justa causa o preço de produtos e serviços. em detrimento do consumidor de produtos e serviços ao revelar que: Residindo. em sua privacidade e em seu patrimônio. não apenas a Lei 8. ou ao realizado. no âmbito de serviços. 2003.884/94. avançam em correspondência com uma necessidade real. as ações de responsabilidade por danos morais e patrimoniais causados: . ensejam sanções pela Secretaria Nacional de Direito Econômico (SNDE) e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) quando declarado estiver o aumento abusivo dos lucros dos detentores da cadeia de produção. merecem rigoroso regime repressivo no Código. tais como. em indefinição de preços ou condições. sem mencionar os textos jurídicos que tipificaram os delitos contra a ordem econômica e as relações de consumo. V do referido art. os acordos entre concorrentes dentre outros tipos de articulações os "exemplos típicos de abuso nesse campo de lesão aos consumidores" (FILOMENO. sem prejuízo da ação popular. inc. diversas prescrições previstas no art. Com relação ao Capítulo V do Título I. 72). p. pois além dele. 1° da Lei 7. (FILOMENO. no plano negocial. 71): ao turbarem a livre possibilidade de escolha do consumidor. 71). 39 se relacionam intimamente com algumas outras disposições legais. ou em cobrança de valores excedentes ao ajustado.137/62. outro aspecto que merece ser destacado é o art. quanto a caracterizarem os abusos do poder econômico "prática abusiva manifesta". Por fim. ou em recusas. por Filomeno desenvolvido. que modificou o art. as especulações no mercado.078/90. FILOMENO. que excedem os limites normais da prática comercial e.

No que se refere à tutela penal a Lei 8. em que só valem no âmbito de determinada ciência. José Geraldo Brito Filomeno (2003.] é crime contra a ordem econômica aquela conduta. e em setor econômico no qual o infrator desfruta de posição dominante em virtude de monopólio ou oligopólios. (FILOMENO. entre suas finalidades institucionais. previstos nesta Lei as disposições do Código de Processo Civil e das Leis 7. . o delito será de mera conduta ou formal.] V. à ordem econômica. administrativos e judicial. [.. Com relação aos aspectos processuais e procedimentais. 21 da Lei 8. pois: "[. e a dominação do mercado. 88 da Lei 8. valendo-se de posição dominante no mercado".52 [. o inc. estético. constante do art. in verbis: "Aplicam-se subsidiariamente aos processos. o que revela uma infração à ordem econômica. e não uma mera elevação de preços de seus produtos e serviços. ou ao patrimônio artistíco. Além disso. por exemplo". diz o art. p. histórico. esta lei teve.. Se o agente aumenta sem quaisquer fundamentos.Apesar dos princípios gerais de direito estarem enquadrados na categoria dos princípios monovalentes. 73): [.347. a proteção ao meio ambiente.] se verifica com a simples constatação de que houve a elevação de preços sem justificativa plausível..134/90 estatuiu que se considera consistente a conduta que "elevar..inclua. 5° modificado no que diz respeito às condições para a legitimação de entidades com vistas à propositura de ações coletivas. sem justa causa. e 8. 83 da Lei 8.. sempre tendo-se em vista. p. não se pode deixar de levar em conta que eles também são princípios omnivalentes. os preços de seus produtos ou serviços. 2003. consequentemente aumentará sua margem de lucro. por óbvio. à livre concorrência. II do art..por infração da ordem econômica e da economia popular. dado ao fato desta categoria de princípios serem comuns a todas as formas de saber.884/94. exigindo-se do acusado que demonstre que houve justa causa para a elevação do preço. 73) CONCLUSÃO 1. que. ao consumidor. por força do art. turístico e paisagístico.. Por conseguinte. de 24 de julho de 1985.].884/94.078/90 de 11 de setembro de 1990". o preço de bem ou serviço..884/94. Assim conclui. in verbis: II .

segurança. os seguintes tópicos: educação. 8. ou durante o ato da criação de novas normas. proteção dos interesses econômicos dos consumidores.53 2.078/90 foi uma extensão do princípio constitucional elencado pelo art. na ação . inc. 6. que busca a união de vários setores políticos quanto econômicos. está prevista legalmente no caput do art. mais fraco será o respeito aos valores postulados pelo sistema constitucional do mesmo. XXXII da Constituição Federal da República Federativa do Brasil.A Política Nacional das Relações de Consumo. a filosofia de ação da defesa do consumidor está esculpida no texto do art. que preceitua que o Estado promoverá.Para melhor análise do corpo normativo de um sistema jurídico. para depois examinar as leis infraconstitucionais. deve se buscar a compreensão de seu princípios. na forma da lei. ao fundamentarse no reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor no mercado. ou melhor.Os princípios basilares. a defesa do consumidor. 7.É tarefa do intérprete buscar o exame dos ditames constitucionais na busca de soluções aos fatos que se apresentam no seio da sociedade. 11.São aspectos mais comuns de interesse da política tradicional ao consumidor. 10. 4. que buscam uma melhor forma de atender às necessidades básicas do homem aliada à proteção ao meio ambiente.Os princípios gerais de direito atingem o seu apogeu. que foi o momento da criação do Código de Defesa do Consumidor através do art.O art. compensação ao consumidor.A criação da Lei 8. 12. XXXII da Carta Magna do Brasil. O consumo sustentável é a necessidade de que o homem deve se policiar cada vez mais no hábito de seus consumos. 48 da ADCT (Ato das Disposições Constitucionais Transitórias). 9. 3. 5°. para uma melhor aplicação e integração de seus textos. informação e conselhos. 4° e seus incisos do CDC.O princípio da integração é uma estratégia política. para que este não se degrade de forma irreversível ao atender às suas necessidades básicas através do consumo exagerado. 5. de caráter interdisciplinar. a partir do momento em que alcançam a mais alta posição do Direito Positivo que é o grau constitucional.Quanto maior a instabilidade política de um país. se encontrava na sua fase programática. no intuito de preservar o meio ambiente. representação dos interesses coletivos dos consumidores e satisfação das necessidades. 5°. antes do ano de 1990. 4° do Código de Defesa do Consumidor. num primeiro momento. inc.

incentivos à criação. Arruda.. RT. 12. a própria Lei 8. Arruda. marketing. 41. São Paulo: Forense Universitária. tais como. 2002. Consumidor Comentado. A política de Proteção do Consumidor: Desafios à frente. jan. na educação e informação de fornecedores e consumidores. 1991. Código de Defesa do Processual Civil. assim como de mecanismos alternativos de solução de conflitos de consumo.A informação é uma das maiores armas das quais os consumidores.- . Código Brasileiro de Defesa do Consumidor Comentado pelos Autores do Anteprojeto. 1990. BENJAMIN. ainda pelos fornecedores. ed. ALVIM.137/62. Malheiros. James Marins de. Thierry. 1. 2002. Paulo. contratos. Revista Instituto Brasileiro de Política e Direito do Consumidor.347/85 que disciplina a Ação Civil Pública que viabiliza a proteção dos interesses difusos e coletivos. Tratado de Direito BARROS CARVALHO. Vol. São Paulo: Saraiva. a Lei 8. Eduardo Arruda. RT. pelos quais os cidadãos podem se beneficiar contra os abusos do poder econômico.078/90 e a Lei 7. ALVIM. 1995. São Paulo: Ed.884/94. Antônio Herman de Vasconcelos. a Lei 8. propagandas.158/91.A boa-fé é um princípio basilar que está consubstanciado por todo corpo normativo do Código do Consumidor. 13. de meios eficientes de controle de qualidade e segurança de produtos e serviços. BONAVIDES. do mercado fornecedor. podem se utilizar no intuito de se proteger contra os potenciais abusos de anúncios. 15. a concorrência desleal e dos crimes contra a ordem tributária. o Brasil possui várias legislações esparsas que têm como objetivo a proteção contra tais atrocidades. 14. e SOUZA.54 governamental no sentido de protegê-lo efetivamente. a Lei 4. São Paulo: Ed.Apesar da grande falta de resultados mais concretos efetivos. Vol. São Paulo: Ed. BIBLIOGRAFIA ALVIM. _______. BOURGOIGNIE. dentre outros meios de difusão da informação. Curso de Direito Tributário. Paulo de. Curso de Direito Constitucional. quanto aos seus direitos e deveres com vistas à melhoria do mercado. Thereza.

15. MONTEIRO. Rio de Janeiro: Ed. Curso de Direito Civil. Fábio Konder. MARQUES. José dos Santos Carvalho. 2001 FILOMENO. São Paulo: Ed. Ação Civil Pública.38. Revista Instituto Brasileiro de Política e Direito do Consumidor. KELSEN. Teoria Geral do Processo. São Paulo: Ed. Malheiros. NERY JÚNIOR. CARVALHO. DINAMARCO. 1999. São Paulo: Ed. Celso Antônio Bandeira de. ed. José Geraldo Brito. Contratos no Código de Defesa do Consumidor. 6. Revista de Direito Mercantil. tradução João Baptista Machado. Lezioni di Diritto Costituzionalle. 66 . p. São Paulo: Ed. Teoria Pura do Direito. MELLO. [s. 1999. Ada Pellegrini. 2002. ed. 1998. São Paulo: Saraiva. A informação como bem de consumo. 1997. RT. 2002. CRISAFULLI. V. A proteção do consumidor na Constituição brasileira de 1988. . Luis Gustavo Grandinetti Castanho de. ed. p. ed. Padova. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor Comentado pelos Autores do Anteprojeto. COMPARATO. Vol. Vicente.-dez. 2002. 7. ______. 3. 5. Vol. ed. Hans. Antônio Carlos de Araújo. RÁO. Lumen Juris. Nelson./2002. Cândido Rangel. ed. ed. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária. 2003.263. jan. 7. 1 FILHO. 24.55 mar.e. Manual de Direitos do Consumidor. São Paulo: Ed.-mar. RT./2002. p. José Geraldo Brito. ed. 41. out. 6. Joaquim José Gomes. 5. CANOTILHO. ed. Conteúdo Jurídico do Princípio da Igualdade. São Paulo: Ed. 3. 1. Direito Constitucional.75. Coimbra: Almedina. 1992. Vol. Martins Fontes. Washington de Barros. RT. 2001. 30 . O Direito e a Vida dos Direitos. Cláudia Lima. 80. Vol.]1976. GRINOVER. CINTRA. São Paulo: Atlas./1990. Malheiros. 253 . Princípios do Processo Civil na Constituição Federal.

RODRIGUES. Vol. Miguel. RT. 28. 2002. 40.198. 170 . São Paulo. Tiago Cardoso. 1999.. 7. ed. . Revista Instituto Brasileiro de Política e Direito do Consumidor. São Paulo: Saraiva.-dez. Michel. A Interpretação Constitucional do Código de Defesa do Consumidor e a Pessoa Jurídica como Consumidor. Vol. Silvio. Direito Civil.56 REALE. 1990./2001. Ed. ed. 3 TEMER. Lições Preliminares de Direito. p. São Paulo: Saraiva. out. Elementos de Direito Constitucional. ZAPATER. ed. 24.

3. 5. Vulnerabilidade Jurídica. na medida em que se desigualam.1 Conceito de Publicidade. 6. 3.2. 3.Conclusão. Efeitos da vulnerabilidade do consumidor na tutela legal da publicidade. será disposta da seguinte maneira: a) faz-se um estudo dos fatos sociais que ocasionaram as disparidades nas relações entre fornecedor e consumidor. Regras que vinculam a publicidade no CDC. 3. 6.5.3. artigo 4º.078/1990. 5. Vulnerabilidade nos contratos. pormenorizadamente. inciso I: "reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor no mercado de consumo"). 6. A Vulnerabilidade e suas espécies.3.2 Natureza Jurídica: seria a publicidade compatível com o clássico conceito de oferta?. 5. 6. Introdução O presente trabalho visa analisar. Nesta desigualdade social. A tutela do consumidor como decorrência da sua vulnerabilidade nas relações de consumo. 7. Vulnerabilidade X Hipossuficiência. Do contrato de adesão. Vulnerabilidade Política ou Legislativa.1. 3. Vulnerabilidade Ambiental. Por imperativo de sistematização. o princípio da vulnerabilidade no ordenamento jurídico brasileiro (Lei 8.57 O princípio da vulnerabilidade e a defesa do consumidor no direito brasileiro: origem e conseqüências nas regras regulamentadoras dos contratos e da publicidade Autores Alírio Maciel Lima de Brito Haroldo Augusto da Silva Teixeira Duarte "A regra da igualdade não consiste senão em aquinhoar desigualmente aos desiguais. Algumas formas de tornar o consumidor vulnerável nos contratos. é que se acha a verdadeira lei da igualdade" (Rui Barbosa).2. Vulnerabilidade Psíquica ou Biológica. 6.1. 3.591. 4.4. tendo em vista a sua utilização como fundamento filosófico de todo o movimento de Defesa do Consumidor. 5. Regra da interpretação mais favorável ao pólo vulnerável da relação e integração contratual. SUMÁRIO: 1.4 Controvérsia acerca da aplicação do CDC nos contratos bancários: ADI 2. 1.6. 3. Introdução. a abordagem. 2. Vulnerabilidade Técnica. proporcionada à desigualdade natural. Vulnerabilidade Econômica e Social. b) é realizada uma . 3.

05). p.ª Guerra Mundial) ocasionaram uma profunda alteração nas relações de consumo. Segundo Antônio Herman V. c) finaliza-se com um estudo sobre a publicidade e os contratos. na forma da lei. e por isso. A partir de então. Assim visualiza-se a importância do princípio da vulnerabilidade como fundamento dessa nova disciplina jurídica. marketing.) reconhecendo expressamente ‘ que os consumidores se deparam com desequilíbrios em termos econômicos. Essa nova configuração do mercado baseada na produção em massa. É lícito até dizer . p. dessa maneira. uma transformação ou amenização deste sistema predatório. pelo domínio do crédito. 2002.10): O princípio da vulnerabilidade representa a peça fundamental no mosaico jurídico que denominamos Direito do Consumidor. tendo em vista que estes são uns dos principais focos de vulnerabilidade do consumidor. Baseado nessa vulnerabilidade do consumidor. No caso brasileiro a constituição de 1988 alçou a defesa do consumidor ao patamar de direito fundamental (art. passou a ser uma exceção. necessitava de uma proteção legal. bem como a princípio da ordem econômica. foi iniciado um movimento no âmbito internacional com o intuito de reequilibrar as relações entre consumidores e produtores. e Benjamin ao prefaciar o livro de Moraes (1999. principalmente.. além de prever no artigo 48 do ato das disposições constitucionais transitórias a elaboração de um Código de Defesa do Consumidor (CDC). com a revolução tecnológica (fenômeno decorrente do grande desenvolvimento técnico alcançado no pós 2. No ano de 1985 a ONU pela resolução 39/248 "baixou norma sobre a proteção do consumidor (. Diante dessa conjuntura percebeu-se que o consumidor estava desassistido. a produção caracterizada pela elaboração artesanal de produtos e restrita ao âmbito familiar.. níveis educacionais e poder aquisitivo’" (Almeida. a defesa do consumidor"). e práticas comerciais abusivas colocou o consumidor numa situação de extrema precariedade frente aos agentes econômicos. requerendo. 5º. fulminando com o relativo equilíbrio existente entre as partes. XXXII: "o Estado promoverá.58 abordagem sistemática do princípio da vulnerabilidade. pois é utópica a possibilidade de autocomposição entre os integrantes das relações de consumo sem a intervenção estatal. As relações de consumo deixaram de ser pessoais e diretas. 2. A tutela do consumidor como decorrência da sua vulnerabilidade nas relações de consumo As transformações havidas no processo produtivo desde a revolução industrial (segunda metade do século XVIII) e.

que se ponha a salvaguardar o consumidor. conhecimentos de contabilidade ou de economia". p. Em sentido contrário encontramos a posição de Marques (2002. Vulnerabilidade jurídica Esta espécie de vulnerabilidade manifesta-se na avaliação das dificuldades que o consumidor enfrenta na luta para a defesa de seus direitos. a sofrer ataques. utilizaremos a divisão dada por Moraes (1999.59 que a vulnerabilidade é o ponto de partida de toda a Teoria Geral dessa nova disciplina jurídica (. . assim. p. daquele que está suscetível. tendo como único aparato a confiança na boa-fé da outra parte. 3. 3. é pressuposto para o correto conhecimento do Direito do consumidor e para a aplicação da lei. vulnerabilidade é o princípio segundo o qual o sistema jurídico brasileiro reconhece a qualidade do agente(s) mais fraco(s) na(s) relação (ões) de consumo. biológica ou psíquica. A Vulnerabilidade e suas espécies Vulnerabilidade.1. de qualquer lei. Logo podemos afirmar que a presunção da vulnerabilidade do consumidor é absoluta.) A compreensão do princípio. quer na esfera administrativa ou judicial. literalmente. ficando sujeito aos imperativos do mercado.2. isto é. Vulnerabilidade Técnica A vulnerabilidade técnica decorre do fato de o consumidor não possuir conhecimentos específicos sobre os produtos e/ou serviços que está adquirindo. No Direito. independente da classe social a que pertença. assim. e benefícios dos produtos e/ou serviços adquiridos diuturnamente [02]..115 e ss): técnica.. econômica e social [01]. a sua incolumidade física e patrimonial [03]. 120) que. Dessa forma. malefícios. assim. jurídica. Para tanto. colocando em perigo. 3. política ou legislativa. o consumidor encontra-se totalmente desprotegido. impossibilitando o consumidor de possuir conhecimentos das propriedades. ambiental. Iniciaremos agora o estudo dos tipos de vulnerabilidade para torná-lo mais aprofundado. por sua natureza. já que não consegue visualizar quando determinado produto ou serviço apresenta defeito ou vício. que é ilimitada. se manifesta: "é a falta de conhecimentos jurídicos específicos. Esta vulnerabilidade concretiza-se pelo fenômeno da complexidade do mundo moderno. significa o estado daquele que é vulnerável.

. p. Vulnerabilidade Econômica e Social A vulnerabilidade econômica e social é resultado das disparidades de força entre os agentes econômicos e os consumidores. através de uma manobra procedimental. buscou. necessário era respeitar um iter legislativo extremamente formal. prevendo sua derrota nos plenários das duas casas. p.4.3.09). 3. . Vulnerabilidade política ou legislativa A vulnerabilidade política ou legislativa decorre da falta de organização do consumidor brasileiro.. A dissimulação daquilo que era Código em lei foi meramente cosmética e circunstancial. pois da maneira por Ela exposta estamos diante da vulnerabilidade técnica. (Pellegrini.5.60 Consoante os ensinamentos de Moraes (1999. Por isso nos dias atuais percebemos a importância desta motivação. as associações de fornecedores possuem força no cenário político nacional. Aqueles detêm condições objetivas de impor sua vontade através de diversos mecanismos. o lobby dos empresários. Podemos destacar como uma dessas formas a introdução dos contratos de adesão e os submetidos às condições gerais (ou condições gerais dos contratos – CONDGs) [05]. tratada anteriormente. 1999. na tramitação do Código.. olfativos. inexistem associações ou órgãos "capazes de influenciar decisivamente na contenção de mecanismos legais maléficos para as relações de consumo e que acabam gerando verdadeiros ‘monstrengos’ jurídicos" (Moraes. p.120) discordamos da conceituação oferecida pela ilustre jurista.. auditivos. dos consórcios e dos supermercados. Segundo Moraes (1999.132). por se tratar de Código. 3. p. impedir a votação do texto naquela legislatura. necessidades e manipular manifestações de vontade como uma forma de influenciar o consumidor. possuindo.) que devido a sua própria constituição orgânica influenciam na tomada da decisão de comprar determinado produto. notadamente o da construção civil. Essa situação foi presenciada quando da tramitação do atual Código de Defesa do Consumidor: . capaz de criar desejos. Ao contrário.151) "essa motivação pode ser produzida pelos mais variados e eficazes apelos de marketing possíveis à imaginação e à criatividade orientada pelos profissionais desta área" [04]. etc. É que. sob o argumento de que. Vulnerabilidade Psíquica ou Biológica O consumidor é atingido por uma infinidade de estímulos (visuais. 2001. químicos. um grande lobby junto ao Congresso Nacional. inclusive. 3.

quando. bem como conseqüências jurídicas diversas. no processo civil. 5. Conforme afirmado anteriormente o princípio da vulnerabilidade é um traço inerente a todo consumidor de acordo com o art. 6º. 4. inciso VIII do CDC que assim dispõe: São direitos básicos do consumidor: VIII . Efeitos da vulnerabilidade do consumidor na tutela legal da .61 Assim. Embora haja essas diferenças é comum a utilização desses termos como sinônimos [06]. segundo as regras ordinárias de experiência (grifamos). 4º. já que os conceitos apresentam realidades jurídicas distintas. Vulnerabilidade X Hipossuficiência Para finalizar essa parte do trabalho iremos traçar os elementos distintivos entre a vulnerabilidade do consumidor e sua hipossuficiência no mercado de consumo.162): . todo consumidor teria direito à inversão do ônus da prova. Já a hipossuficiência [07] é uma marca pessoal de cada consumidor que deve ser auferida pelo juiz no caso concreto. Uma visão sistêmica do direito do consumidor. Ou seja. inciso I do CDC. inclusive com a inversão do ônus da prova. Segundo Mirian de Almeida Souza apud Moraes (1999. Como parte do meio ambiente o homem fica sujeito a uma gama de alterações havidas neste. e todos sofrem prejuízos biológicos em diversos graus por causa do abuso do meio ambiente.. a critério do juiz. em que todos habitam o mesmo planeta. ocasionado pelo uso irracional dos recursos naturais de nosso planeta.6. surge a cada dia a necessidade de uma maior presença do Estado no âmbito econômico para harmonizar essas relações de consumo. p. já que se assim o fosse. a seu favor. o ‘consumerismo’ destrutivo do meio ambiente é inerente ao modelo vigente da indústria e agricultura.a facilitação da defesa de seus direitos. tendo em vista o art.. 3. é errônea a utilização dos termos como sinônimos. em que todos têm participação em diversos graus através da sociedade de consumo. Vulnerabilidade Ambiental Esta espécie de vulnerabilidade é decorrência direta do consumo em massa da nossa sociedade. Portanto. faz deste direito o reverso da moeda do direito ambiental. for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente.

a fazer referência a dois elementos que reputamos serem essenciais: a informação e a divulgação [09]. E de fato. bens e/ou serviços por parte de um patrocinador identificado (Richers. existe uma seção dedicada à oferta e outra à publicidade.66). há uma distinção quanto ao uso desses termos: quando se objetiva a venda de um produto. cit. ob.) se põe a diferenciar o conceito de publicidade do de propaganda. Ao passo que quando se tem por objeto a propagação de idéias políticas ou religiosas se utiliza do termo propaganda. Já a publicidade tem muitas vezes apenas o afã de mostrar que o anunciante está propenso a contratar. Lembraríamos ao leitor que não há no Código Brasileiro de Defesa do Consumidor um conceito para o objeto de nossa análise. o legislador. Tentadora é a hipótese de considerarmos como sendo proposta [11]. 5.62 publicidade Passaremos. apenas a esboçar conceituação de publicidade enganosa e abusiva [08]. invariavelmente. Eis qual a diferença principal entre os dois institutos: Com a proposta basta que se dê a aceitação do policitado para que se aperfeiçoe o contrato.1 Conceito de Publicidade Compete-nos conceituar publicidade. 1985. Para a economista Raimar Richers publicidade é: A comunicação. Na realidade. p. se usa a expressão publicidade. vez que no seu capítulo V. destinada a informar. nos lançaremos ao problema de sua natureza jurídica. distinção alguma. através de meios impessoais (impressos e eletrônicos). que trata das práticas comerciais. assinalando quais são as condutas ilícitas e os meios através dos quais o direito assegura a proteção dos consumidores. À conclusão muito semelhante chegou o doutrinador mencionado [10]. 5. Existem conceitos dos mais diversos para a atividade que visamos descrever. a tratar das repercussões da incontroversa vulnerabilidade do consumidor no âmbito da publicidade e do contrato. respectivamente a II e III. Limitou-se. Mas não seria meramente o fato do CDC distinguir tais conceitos que nos daria base para não aceitar a classificação da publicidade como espécie de oferta. Não vislumbramos quanto à sua essência. uma vez que em ambos os casos o que há é a divulgação de determinada informação. tendo por . No entanto. Morais (1999. e que acabam.2 Natureza Jurídica: seria a publicidade compatível com o clássico conceito de oferta? Conceituado o objeto de nosso estudo. divulgar e promover a oferta de idéias. Deteremo-nos inicialmente com a publicidade. agora. bastaria uma rápida leitura do CDC para concluirmos que tal possibilidade é com ele incompatível. não há de se falar na existência de publicidade se não se fizer notar o mínimo de informação a respeito do produto/serviço que se quer vender ou divulgação dessa informação.

melhor se concebendo como modo de integração compulsória aos contratos de consumo" [13] (2000). descartamos de antemão a possibilidade de um ser gênero do outro [12]. posto que este se encontra em posição de vulnerabilidade psíquica frente àquela. no sentido tradicional do termo. citaremos tais normas. como também a oferta [14] integram compulsoriamente o contrato que venha a ser firmado. A) A identificação da publicidade: Em consonância com o artigo 36 do CDC a publicidade deve ser veiculada de tal forma que o consumidor. 2. A seguir. não de estabelecer todas as condições de um futuro contrato. o problema que anunciamos o qual será elucidado por Lôbo com o qual concluímos esse tópico: "Assim. ainda.63 objetivo atrair o consumidor. Exigir o cumprimento da oferta. por meio do CDC. acaba por entrar na esfera das convicções do indivíduo sem que haja uma valoração crítica e analítica dos fatos. Resolver o contrato em perdas e danos [15] obtendo o ressarcimento das parcelas então empenhadas. que para se aperfeiçoar necessitaria apenas da adesão por parte do policitado. apresentação ou publicidade. Exemplo de publicidade é o anúncio corrente em jornais e revistas nos quais apenas se veicula o logotipo do estabelecimento. estabelecendo normas que possuem por objeto regular a publicidade e proteger o consumidor. Diferenciados os dois institutos. revistas e jornais seja uma notícia. . fácil e imediatamente. seja uma campanha publicitária. mas não solucionamos. Regras que vinculam a publicidade no CDC É do conhecimento de todos o tamanho poder que os meios de comunicação em massa (mass media) detêm. Aquilo que é veiculado na televisão. O que se objetiva aqui é evitar que informes publicitários passem por jornalísticos ou educativos. a identifique como tal. Nesse caso. ou 3. 5.3. rádio. não se pode considerar a publicidade como oferta. Aceitar outra prestação equivalente àquela difundida. é dada ao consumidor faculdade de proceder de três diferentes formas: 1. a área de atuação e outras informações básicas tendo a intenção de atrair clientes e. Tal é a razão pela qual o Estado interveio. nos casos em que exista incongruência entre as cláusulas ou condições gerais presentes na publicidade e no contrato. Não infundadamente se diz até que se trata de um quarto poder. B) Vinculação contratual: por força dos artigos 30 e 35 do CDC não só a publicidade. Em decorrência disso. É exemplo de oferta ad incertam persona a exposição em vitrine de produto com seu respectivo preço. os elementos essenciais do contrato a ser celebrado (de compra e venda) já estão determinados: a coisa e o preço.

explore o medo ou superstição. F) Transparência da fundamentação publicitária: O fornecedor deve ter consigo os dados fáticos que fundamentem a informação veiculada. possuidores de bons direitos. a parte que alega a ocorrência de determinado fato é que suporta a carga de prová-lo. 56. do caput do artigo 37 se tem por proibida toda publicidade abusiva. no processo. que o abuso é o uso irregular de uma faculdade que a princípio se apresentava como regular e legítima [17]. veriam seu pedido julgado improcedente por falta de provas graças a sua vulnerabilidade que o impede de produzi-las. da presunção legal de vulnerabilidade do consumidor [18]. informa corretamente ao consumidor. D) Regra da não-abusividade da publicidade: Por força. assim. teríamos que consumidores. Leva-se em conta que para corrigir os malefícios causados aos consumidores o único meio eficaz é fazendo uso da própria publicidade sob o nome de contrapropaganda: Trata-se de veiculação de outra publicidade para sanar os malefícios causados pela publicidade originária. que se aproveite da deficiência de julgamento da criança. tão bem quanto o fornecedor. desfazendo os erros de anúncio . na doutrina. de caráter explicativo. Razão pela qual o CDC fez duas previsões de inversão do ônus da prova: uma ope legis (ao artigo 38) e outra ope judicis (ao artigo 6º. mesmo que por omissão [16]. inciso XII do CDC. o desvio da publicidade possuirá não só efeitos civis e penais como também publicitários. De tal inversão decorre que a prova da veracidade daquilo que é anunciado cabe ao fornecedor. etc. Ao tentar delimitar o que viria a ser abusividade o referido codex listou rol não taxativo. VIII). parágrafo único da lei em tela. Enquanto que esta se opera mediante uma valoração. o fornecedor. in casu. às suas expensas. Saliente-se que a inobservância desse dever por parte do fornecedor enseja a caracterização da já referida propaganda enganosa por omissão. em última análise. dentre outras. como a interpretação contra o mesmo. É definida por enganosa qualquer modalidade de informação publicitária inteira ou parcialmente falsa. nos seguintes termos: É abusiva.64 C) Regra da veracidade: Na cabeça do artigo 37 do CDC existe a proibição de toda publicidade enganosa. Eis a segunda modalidade de publicidade ilícita. um compromisso de veracidade daquilo que é divulgado em campanha publicitária. E) Inversão obrigatória do onus probandi: Como é do conhecimento do leitor. é o que impõe o artigo 36. Acontece que se tal preceito fosse cruamente aplicado nas relações de consumo. Entende-se. impondo-se. que incite à violência. Naquela. a publicidade discriminatória. da existência de verossimilhança daquilo que é alegado ou de hipossuficiência do autor. dessa forma. também. aqueloutra se dá independentemente de qualquer análise por parte do magistrado pelo fato de derivar. G) Correção do desvio publicitário: Por imperativo do art.

a respeito dos contratos de adesão (muito usados nas relações de consumo). alguns dos quais passaremos a comentar infra [20]: A) Tecnismo dos termos contratuais: Os instrumentos contratuais em geral devem ser escritos de modo a possibilitar a compreensão de seu conteúdo sob pena de comprometer a validade da vontade que ali se expressa e. a obrigatoriedade do pacto.ADI 2.1. ao passo que é instrumento útil ao atual estágio de desenvolvimento capitalista. Textos préconstituídos unilateralmente e 3. 6. da aplicação do CDC aos contratos bancários. toda a etapa pré-negócial. que se trata de instrumento que confere ao fornecedor pujantes meios de abusar da boa-fé ou do estado de necessidade do consumidor. Daí. ocorrem em sede de contratos standart. vindo a possibilitar uma dinâmica circulação de riquezas. Podemos extrair do que foi exposto. surge naturalmente a necessidade de uso de contratos-tipo. Do contrato de adesão Desde a revolução industrial o mundo vem assistindo a uma gradual massificação da produção dos bens da vida. então em voga (pelo advento da Ação Direta de Inconstitucionalidade . Formação dos contratos com a adesão (que só poderá se dá em bloco) do consumidor [19]. Algumas formas de tornar o consumidor vulnerável nos contratos Podemos notar. estudando o instituto do contrato de adesão. 6. que envolve toda uma cadeia de ajustamentos. 2002. um ato abusivo que mereça ser coibido. agora. razão pela qual merece (sim) uma especial fiscalização e especial tutela legal (inserida no nosso ordenamento com o CDC) que sejam capazes de compensar a vulnerabilidade do consumidor e refrear os abusos contratuais que. com um único passo. 2. conseqüentemente. tópico 10).65 original. das regras interpretativas das cláusulas contratuais e da questão. via de regra. de alguns meios utilizados pelo fornecedor que tornam vulnerável o consumidor. Tal processo trouxe-nos algumas conseqüências das quais destacaríamos: massificação das necessidades de consumo. difusão do modo de vida ocidental e (conseqüência que mais nos interessa) uniformização dos vínculos jurídicos entre fornecedor e consumidor. que usando de termos técnicos do meio econômico ou . per si. os elementos essenciais dos contratos de adesão: 1. Vulnerabilidade nos contratos Discorreremos. (Gonçalves. Acontece que tal imperativo comumente é inobservado pelo elaborador do contrato.591 -).2. Uso em massa: no sentido em que regem as interações econômicas entre um fornecedor e seus distintos consumidores. 6. É de se frisar que a simples adoção da espécie contratual em comento não constitui. uma vez que com instrumentos pré-formulados se vencia.

não muito distante. no afã de buscar a solução mais favorável ao consumidor. são nulas de plenos direito. em seu art. o fato de decorrer dessa norma a possibilidade do magistrado declarar nulidade de cláusulas contratuais. dentro de um contexto de disseminação do uso de contratos padronizados com texto nebuloso. 6.66 jurídico. Acreditamos que tal possibilidade (de integração contratual pelo Judiciário) é legítima e prevista no artigo 51 §2º do CDC.4 Controvérsia acerca da aplicação do CDC nos contratos bancários: ADI 2. É inconteste. novas disposições. no entanto. 227) relata que de certa feita precisou de mais de cinco horas ininterruptas para analisar contrato que além de complexo era deveras extenso pelo fato de conjugar. [22] 6. de cláusulas consideradas abusivas e que. Tal rol é na realidade. Regra da interpretação mais favorável ao pólo vulnerável da relação e integração contratual Preceito fundamental para uma eficaz proteção do consumidor. E por essa razão. no qual sob a alegação de proteção ao princípio da autonomia da vontade se impedia que o Estado interferisse nas relações privadas a fim de promover os ajustamentos necessários a colocar em igualdade de condições os naturalmente desiguais. O que não ocorre. com a possibilidade de. as quais serão consolidadas (através de portarias) pela Secretária de Direito Econômico. vir o juiz a acrescentar. tornando-o ainda mais suscetível a sofrer lesões. Moraes (1999. extenso e cláusulas abusivas. exceto quando de sua ausência. que pelo Decreto 2181 de 1997 recebeu essa atribuição. ele pode ser complementado pela jurisprudência. B) Complexidade e extensão do contrato: Tanto o tecnismo como o uso constante de remissões a outras cláusulas do instrumento contribuem para torná-lo mais complexo. C) Cláusulas abusivas: O CDC. na verdade. Sendo que o entendimento em contrário nada mais é que o resquício de um tempo. verbis: "a nulidade de uma cláusula contratual abusiva não invalida o contrato. como tais. deixa o texto nebuloso aos olhos do consumidor. 51 traz lista.3. por mais . ao contrato. Estaria incompleto o presente estudo se não fizéssemos referência. é o da interpretação que lhe seja mais favorável (artigo 47 do CDC). apesar dos esforços de integração.591. na doutrina. Fazendo de sua leitura e interpretação uma tarefa árdua mesmo para profissionais do meio. em um único texto vários contratos distintos. uma consignação de entendimentos que foram consagrados em nossos tribunais ao longo das décadas que antecederam ao referido codex [21]. p. assim como entendimentos dos Ministérios Públicos e decisões administrativas dos Procon’s. não exaustiva. decorrer ônus excessivo a qualquer das partes" (destacamos).

e estas. com a devida ressalva do campo de atuação da lei 4. contratos de mútuo. precisa de lei complementar que a regulamente. §2o do CDC.67 pontual que seja. (imposição da boa fé. a doutrinadora. é falsa. que esses deixam mostrar de forma mais proeminente a sua vulnerabilidade. e com a constatação de que tais contratos estão de tal forma disseminados que é difícil encontrar quem nunca os celebrou [24]. adoção do in dubio pro consumidor. posto que o CDC traz em seu seio normas de conduta destinadas a reger relações de consumo. por exemplo. a jurista. no entanto. Sobre o tema. aquelas. o sistema financeiro nacional só pode ser regulado por Lei Complementar e não por Lei Ordinária como o CDC. O objeto dessa ação é o de declarar a inconstitucionalidade da expressão "inclusive as de natureza bancária. Inicia. Essa é . por força do dispositivo constitucional. 2. o STJ firmou sólido entendimento no sentido de que o CDC. qual seja: a de que o CDC é uma norma de organização que regulamenta o sistema financeiro nacional. financeira. à controvérsia muito recentemente suscitada (ou ressuscitada) a respeito da consideração (ou não) das cadernetas de poupança. cartões de crédito. Nelson Jobim. posto que tal matéria. Em parecer elaborado. A controvérsia. destinadas a regular a constituição e funcionamento de institutos publicamente relevantes como o sistema financeiro nacional. em sua parte propriamente consumerista. de crédito e securitária" em face do artigo 192 da CF. que parecia então pacificada. pela douta jurista Cláudia Lima Marques existe farta e elaborada contra-argumentação que leva à conclusão da improcedência do pedido. e logo interrompido. voltou à baila com o advento da ADI. etc) seria aplicável normalmente aos contratos bancários [25]. incompatibilidade entre o referido dispositivo constitucional e a norma do artigo 3º. §3º). mediante consulta do Instituo Brasileiro de Política e direito do Consumidor – BRASILCON. Segue afirmando que a premissa na qual se fundamentou o CONSIF para propor a ação. destinadas de forma imediata a reger o comportamento dos indivíduos considerados isoladamente ou coletivamente. depósitos bancários. feitos em série e muitas vezes elaborados de modo a lesionar o consumidor [23]. de Direito Financeiro.595/64 que legitima a taxa de juros superior a 12% ao ano. Razão pela qual não vê. na parte que se refere à limitação dos juros reais em 12% ao ano.591 proposta pelo CONSIF – Confederação Nacional do Sistema Financeiro – cujo julgamento junto ao STF foi iniciado. Justifica-se a assertiva anterior com a constatação de que são nos contratos bancários. regras sobre responsabilidade por fato e vício do produto e do serviço. abertura de crédito e todas as operações bancárias ativas e passivas como relação de consumo. muito embora possua previsão constitucional (art. 192. A pretendida inconstitucionalidade formal residiria no fato de que. de seguros. Não o sendo. Deixando claro que o CDC se aplica aos contratos bancários. por deixar clara a clássica distinção entre "normas de conduta" e "normas de organização". em 17 de abril de 2002 graças a pedido de vista do Min.

inclusive. como decorrência dos tempos modernos. Tendo em vista que a vulnerabilidade é o alicerce (matriz) da defesa do consumidor.68 a posição que nos parece mais acertada até porque se coaduna com o entendimento ao longo do tempo construído pelo STJ. do art. 3º do CDC. Em logrando êxito a tese levantada na ADI 2.591. pois a sua violação é a tentativa de negação. para um perfeito entendimento do Sistema de Proteção do Consumidor. No âmbito da publicidade e da contração em massa. Já se tem dito. Carlos Velloso. No decorrer do trabalho. Conclusão Os princípios em qualquer ramo do conhecimento são os pilares que alicerçam todas as vertentes do seu saber. Assim. No Direito não poderia ser diferente. A assertiva é verdadeira em todos os sentidos. ao vedar determinadas práticas comerciais. trilhou esse caminho (aberto pelo STJ) ao julga-lo procedente em parte para emprestar ao §2º. restará por fulminado todo o sistema de proteção ao consumidor. 7. é mais grave do que infringir um dispositivo legal. Estas implicam inúmeras situações fáticas de exploração. Relator da ADI. o Min. Néri da Silveira que julgou improcedente o pedido. e hoje a afirmação ganha cada vez mais relevo. Quanto à aplicabilidade do CDC aos contratos bancários. interpretação conforme a Constituição para excluir da incidência a taxa dos juros reais nas operações bancárias ou sua fixação em 12% ao ano pelos argumentos já mencionados. visualizamos as várias espécies de vulnerabilidade inerentes ao consumidor. diferentemente do Min. dos pilares de onde brotam. 8. que violar um princípio. constatamos a relevância dessa proteção. impende a necessidade da análise do referido princípio para uma conseqüente aplicação equânime da lei. no concernente às normas de conduta. percebemos a importância do princípio da vulnerabilidade como base de toda a Ciência Consumerista. Bibliografia . que deverá ser buscada. filiamo-nos à corrente de que não há vedação alguma. E de fato. as regras jurídicas. configurando esta como uma conquista histórica em favor do consumidor. que demonstram a importância dessa tutela legal. os princípios são a base da Ciência Jurídica. de onde se inspiram. de descumprimento. que visem ludibriar o pólo vulnerável da relação de consumo. objetivando a observância da cláusula geral da boa-fé. por meio de inserção de novas cláusulas pelo magistrado. Dessa maneira.

Orlando. Teoria Geral dos Contratos no novo Código Civil. Paulo Valério Dal Pai. LOUREIRO. A publicidade ilícita e a responsabilidade civil das celebridades que dela participam. A influência do CDC nos contratos bancários. INFORMATIVO DE JURISPRUDÊNCIA DO STF. Marques.jus. 3ª ed. Capturado 15.com. Cláudia Lima. ALMEIDA. 14. Rio de Janeiro: Forense. 5. [Internet] http://www1. 13 MENESES. 3. João Bosco Pastos. A proteção jurídica do consumidor. Princípios gerais da publicidade no Código de Proteção do Consumidor. 4. 9. A informação como direito fundamental do consumidor. 2002. São Paulo: Editora Método. 2001. FILOMENO. Maria Helena. n. 2002. n.2002.. João Batista de. Paulo Luiz Netto.com. São Paulo: Atlas. Conceitos e Contratos atuais.br/doutrina/texto. 2. Luiz Guilherme. 1999. Paulo Jorge Scartezzini. GUIMARÃES. 2001. Brasília. Contratos no código de defesa do consumidor. DINIZ. 12. Atualizador: Humberto Theodoro Júnior. GOMES. 11. Manual de Direitos do Consumidor. e ampl. IN: Jus Navigandi.69 1. GRINOVER. 15 a 19 de abril de 2002. 58 [Internet] http:// www1. 7ª ed. 4ª ed. 8. na publicidade.2002 ]. ano VI – n. Código brasileiro de defesa do consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto. G. 2001. Porto Alegre: Livraria do Advogado. 1998. José Geraldo. 6. LÔBO.br/doutrina/texto. Curso de Direito Civil Brasileiro: Teoria Geral das Obrigações. 2002. Ada Pellegrini. 2001. Rio de Janeiro: Forense Universitária. Código de defesa do consumidor: o princípio da vulnerabilidade no contrato. rev.asp?id=3181. atual. 264. 34-38 de 15 de fevereiro de 2002. In: Jus Navigandi. 122 P.asp?id=2216 [ Capturado 15. [et al]. GONÇALVES. São Paulo: RT. Cláudio [et al]. nas demais práticas .set. MORAES.jus. BONATTO. IN Revista Jurídica Consulex. 7. Questões Controvertidas no Código de Defesa do Consumidor: Principiologia. São Paulo: Saraiva. São Paulo: Saraiva. Contratos. 10. Daniel M.Set. 51. n. São Paulo: RT.

Vícios esses que. 19. São Paulo: RT. pelo fato do consumidor comum não possuir conhecimento técnico. Notas Para Marques (2002. a necessidade intolerável de manter-se em dia. Elaine Cardoso de Matos. 33) "a questão do leite infantil ficou como um marco na luta contra os desvios da publicidade. caso não adquira tais produtos prestigiados. 04 03 02 01 .". as empresas. SOARES. os apelos publicitários levam o indivíduo a considerar-se numa situação psicológica e social inferior. NOVAES. 2002. ROCHA. Uma trintena de empresas multinacionais sugeriam. ou seja. A inversão do ônus da prova no Código de Defesa do Consumidor in Revista Jurídica IN VERBIS n. 18.. p. Adriana Carvalho Pinto.. dessa forma. p. Responsabilidade civil do fornecedor pelo fato do produto no direito brasileiro.154) ". era mais caro e. a substituição da amamentação materna pela mamadeira. 1985. Exemplo esclarecedor sobre a vulnerabilidade técnica do consumidor nos é dado por Pasqualoto (1997. p. 15. 2001. Belo Horizonte: Melhoramentos. 270) existem apenas três tipos de vulnerabilidade: a técnica. passaram despercebidos dos mesmos. e criam. o efeito demonstração a toda prova". Dessa maneira percebe-se mais uma vez o subjugamento do consumidor no mercado de consumo. 17. andar na moda. O princípio constitucional da igualdade e o direito do consumidor. investem conjuntamente em comercias. 1999. Agosto/setembro de 1995. RICHERS. VIEIRA. p.70 comerciais. Sílvio Luís Ferreira da. 02. O leite em pó. Raimar. Princípios básicos de defesa do consumidor. especialmente em países do Terceiro Mundo.. sendo nutricionalmente menos valioso transformou-se em causa corrente de desnutrição. 16. 18-25. Essa situação também pode ser constatada nos inúmeros recalls ocorridos nos últimos anos na indústria automobilística em decorrência do desgaste ou defeito de fabricação em peças que colocam em risco a vida de inúmeros consumidores. O que é Marketing... . 1992. Mexiam com a vaidade feminina e com o conforto da mãe. Porto Alegre: Síntese. e assim por diante. no consumidor. a jurídica e a fática ou sócio-econômica. Paulo Brasil Dill. que substituiria o aleitamento materno. Leme: LED.. por acreditar que todos devem ter e usar.. A título exemplificativo Miriam de Almeida Souza apud Moraes (1999. São Paulo: Abril Cultural.

com o desvio (publicidade ilícita) e não com o padrão. disponibilizamos ao estudioso do assunto o conceito de Antônio Herman de Vasconcelos e Benjamin. Nesse sentido a referida obra à página 250 na qual escreve o autor: "não fala o código em contra publicidade. crédulos ou espertos. VIII do Código de Defesa do Consumidor que elenca dentre os direitos básicos do consumidor. tácita ou expressamente. Dúbel Cosme do TJRN. 99. na verdade. direta ou indiretamente. o legislador. diante do cargo de juíza de direito ocupado pela mesma. Cf. educados ou ignorantes. venham a disciplinar o seu conteúdo específico" (2002. Portanto. escritos ou não escritos. 11 10 09 Já que tanto a proposta (ou oferta) como a publicidade poderiam ser .325). Já a hipossuficiência é uma marca pessoal. dado que o objetivo da publicidade é vender. que também faz referência às noções de informação e de divulgação. citado por João Bosco Pastos Gonçalves: "Publicidade é toda informação dirigida a público com o objetivo de promover. Para corroborar o supra afirmado. p. a facilitação da defesa de seus direitos". que citamos infra. Exemplo de confusão entre os dois conceitos existe no trecho do agravo de instrumento. tópico 2). quando definem como competente o foro do lugar do dano ou do domicílio do consumidor. A vulnerabilidade é um traço universal de todos os consumidores. para as ações de indenização. 101. De acordo com os ensinamentos de Antônio Benjamin ". Relator: Des. na forma já vista". inciso I do CDC (que se refere à possibilidade do consumidor ajuizar ação de responsabilidade civil do fornecedor no seu próprio domicílio) deve ser aplicada in casu como conseqüência da presunção de hipossuficiência da consumidora.. ricos ou pobres.66). no qual se argumenta que a norma do Art. limitada a alguns – até mesmo a uma coletividade – mas nunca a todos os consumidores" (2001.002927-1. 08 07 06 05 Preocupou-se. ante o disposto no artigo 6º. não merece guarida referida alegação. p. em que o comprador aceita. enquanto o objetivo da propaganda é a implantação de idéias. tal norma decorre da presunção juris et de jure de vulnerabilidade. a hipossuficiência a que alude o Código de Defesa do Consumidor é afirmada pela sua qualidade de consumidora frente ao fornecedor de serviço (sic). São pacíficas a doutrina e jurisprudência pátrias. Quando.. n. uma atividade econômica" (Gonçalves. Verbis: "Embora a Agravante insista em desconsiderar a condição de hipossuficiente da Agravada. unilateral e uniformemente para um número indeterminado de relações contratuais. 3a Vara Cível – Mossoró/RN. 2002.71 Segundo Marques "entende-se como contratos submetidos a condições gerais aqueles contratos. que cláusulas pré-elaboradas pelo fornecedor.

considerando a proposta como negócio jurídico unilateral: (Lôbo. e (Loureiro. 2001.72 aprioristicamente definidos como atos pré-negociais. como características do contrato de adesão: 1) A uniformidade. 13 14 12 Compulsoriedade essa dada pela norma do artigo 30 do CDC. A nossa lei de proteção não vedou expressamente o uso de cláusula de retratabilidade na proposta. 2000). em regra. Maiores apontamentos sobre o tema poderão ser encontrados em: Elaine Cardoso de Matos Novaes (1995. op. serviço ou direito consideram-se integradas no conteúdo dos contratos que se venham a celebrar após a sua emissão. o que bem caracteriza o informe como obscuro" (TJDFT.080 do Código de 1916. a ausência de qualquer esclarecimento acerca do que o fornecedor pretendeu com a expressão ‘inédito’. 1. Ao contrário do que ocorre no seio das relações regidas pelo Código Civil (vide art. norma repetida no Código ora em vacatio legis ao artigo 427). 1999). 2002). p. Em sentido contrário. sendo totalmente aplicável a regra do artigo 7o. cit). 251). p. Grifamos. mas entendemos que tal vedação está subentendida. 3ª Turma Cível. Cf em sentido contrário. 18 e ss). 1998. Genovese apud Orlando Gomes ( 1999. Ocorrência de dano patrimonial positivo (dano emergente) ou negativo (lucros cessantes) e 2 – Nexo causal entre o dano e o inadimplemento daquilo que fora prometido em publicidade. Saliente-se que pelo fato do direito consumerista ser um direito de proteção ao consumidor e não de repressão ao fornecedor negligente. que se identificam com os mencionados supra. constatar isso. 5 da Lei Portuguesa de defesa dos consumidores. tendo-se por não escritas as cláusulas contratuais em contrário". 2) A predeterminação e 3) A rigidez. inexiste. a necessidade de comprovação de culpa por parte do fornecedor para responsabilizá-lo (regra que possui como exceção o caso dos profissionais liberais) de modo que para que haja a condenação em perdas e danos basta que se apresentem os demais requisitos: 1. 379). in fine: "As informações concretas e objetivas contidas nas mensagens publicitárias de determinado bem. Apelação Cível e Remessa ex officio n º 8114/2000 e 7912/2000). nas relações de consumo a proposta sempre obrigará o fornecedor promitente. Já se considerou como enganosa por omissão publicidade que dizia: "Hoje promoção inédita de Santana e Parati" posto que "basta um simples raciocínio para. p118 ) coloca os seguintes elementos. 19 . de pronto. Cf nesse sentido: (Gomes. defendendo que a publicidade é espécie de oferta: (Filomeno. Um estudo desses requisitos pode ser encontrado em (Diniz. 17 18 16 15 Cf nesse sentido: (Moraes. p.

nesse sentido. o depósito em conta corrente. como: depósito bancário.73 Lista pormenorizada contendo esses e outros meios pode ser encontrada em Moraes (1999. 3º T: AG 448061 MG. ao nosso ver. 193 e ss. inclusive as de natureza bancária. 4º T: AG 444223 RS. AG 438114 RS. STJ. Corroborando a posição colocada a respeito da possibilidade de integração contratual por parte do Judiciário: Bonatto (2001. Meneses (2002. 23 24 22 21 20 Seja através do uso de tecnismo. Dentre tantos outros julgados. RESP 293778 RS e RESP 213825 RS. do art. de crédito e securitária. salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista" (grifamos). descarta a necessidade de realizar maiores divagações teóricas sobre o assunto. AG 425643 RS. Previsão legal que de tão explícita. AG 445314 RS. mediante remuneração. com o CDC.).) os contratos bancários alcançaram a tal nível de popularidade que mesmo o cidadão mais humilde não costuma escapar da ação (muitas vezes nefasta) dos tipos mais comuns. G. Já que o CDC. etc. uma vez que tal prática sempre foi considerada leonina vindo. AG 445664RS. p. 226 e ss..". AG 424767 RS.. Sobre o assunto. Não há de se falar. 25 . apenas a se formalizar tal entendimento. AG 420203 RS. p. AG 430458 RS. verbis: "Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo.). RESP 325620 RS. financeira. faz expressa referência ao de natureza bancária. p. que o uso de cláusula que permita ao fornecedor. definindo serviço. AG 430435 RS. 37): "(. complexidade ou cláusulas abusivas. diz Daniel M. variação de preço de maneira unilateral não era procedimento abusivo antes do advento da Lei de proteção ao consumidor. 3º §2º.

consignando que os contratos devem ter interpretação e também execução. apresenta-se como pilar dos mais importantes na sustentação da teoria contratual moderna. não foi contemplado.Bürgerliches Gesetzbuch (Código Civil Alemão). Itália.74 O princípio da boa-fé no Código de Defesa do Consumidor Autor: Francisco José Soller de Mattos A boa-fé. expressamente. o princípio em tela mantém vigência imperativa. atrelados ao "comportement réflechi à l’égard d’autrui. Estados Unidos e Alemanha. contemplam. como princípio. Suíça. Porém. na legislação pátria não se traduz como regra geral. ao contrário de sistemas legais alienígenas como os da França. no Código Civil Brasileiro. no Código Civil. aduzindo: "O devedor é obrigado a realizar a prestação do modo como o exige a boa-fé levando em conta os usos de tráfico". mais especificamente a letra do § 242. vale trazer à colação o BGB . Pois bem. Portugal. Nesse sentido. com artigo expresso. este princípio. ou seja. para ilustrar. por seus sistemas de leis. ante a importância do regramento de conduta nas relações obrigacionais. muitos países. Espanha. que positiva o princípio em comento. o princípio da boa-fé. dando o norte ético para todos os partícipes do vínculo jurídico. de artigo de teor próximo ao § 242 do BGB. feixe de deveres que induzem a um mandamento bilateral de conduta. . verifica-se o fenômeno de que. em face do objetivo comum avençado. mesmo em face da não existência. Assim. estabelecendo um elo de cooperação.

que.75 A inspiração legislativa brasileira para a consideração do princípio da boa-fé nas relações obrigacionais achava-se. E. indutora de uma nova postura no ambiente contratual. inciso III do indigitado sistema legal. 4º. Ocorre que. deixa escapar o seu sentido para uma conceituação aberta. ou dela inferível" (Orlando Gomes). verificamos. após plena consolidação do CDC como um instrumento positivo e que efetivamente mudou o panorama contratual moderno do Brasil. a prevalência da boa-fé como seu princípio de orientação máxima. segundo Larentz. de tão abrangente. a boa-fé. quase que isoladamente consignada. de 11 de setembro de 1990. a sua importância de princípio supremo do direito civil. 4º do CDC consagre a autonomia do "Princípio da Transparência". muito embora o próprio caput do art. não há como se negar que este nada mais é do que uma das mil faces da boa-fé. . com o advento do Código de Defesa do Consumidor. de onde depreende-se a vontade Estatal que: " o literal da linguagem não deve prevalecer sobre a intenção manifestada na declaração de vontade.078. 85 do Código Civil. dentro desse conjunto legislativo. em sendo positivada no art. deixou de coadjuvar no plano legislativo para. na letra do art. Atualmente. instituído pela Lei nº 8. galgar.

Desde então se debate onde estaria a marca divisória entre as relações civis e as trabalhistas. sob o argumento de ampliar ao máximo a proteção às partes vulneráveis – seja sob o aspecto técnico ou econômico – nas relações obrigacionais. Uns buscam ampliar a área de incidência da legislação consumerista. pretendendo valorizar a proteção às situações em que o consumidor "seja realmente" a parte mais fraca da relação. tal como os anteprojetos de Código das Obrigações de 1941 (redigido por Orozimbo Nonato. surgiu uma nova modalidade de relação obrigacional. sobre o que seria relação de consumo e o que seguia sendo relação civil ou (até 2003) comercial. enquanto outros querem restringir-la. Já em 1990 essa divisão foi acentuada com a edição do Código de Defesa do Consumidor. Hahnemann Guimarães e Philadelpho Azevedo). muito embora outros anteprojetos já tivessem trilhado a mesma linha. resultado de um projeto de 1975. INTRODUÇÃO A dicotomia entre relações jurídico-obrigacionais civis e comerciais já era ancestral quando. a de consumo. O jurisconsulto baiano já visualizara a artificialidade dessa divisão – não havia qualquer diferença de essência entre as obrigações civis e as comerciais. Com a edição do Código Civil de 2002 tal discussão perdeu um pouco de sua relevância. Mais uma vez surgiram acalorados debates sobre os limites dessa nova categoria. o que só foi acentuado com a expansão da competência da Justiça do Trabalho – talvez esteja aí o germe de uma futura reunificação. Em 1943 a repartição dicotômica se tornou tricotômica com a edição da Consolidação das Leis do Trabalho – às duas modalidades de relações obrigacionais acresceu-se a relação de emprego. e de 1963 (de Caio Mário da Silva Pereira). Teixeira de Freitas propôs a sua unificação enquanto abandonava a elaboração do projeto de um Código Civil onde o Governo insistia em manter o cisma.76 A relação jurídica de consumo: conceito e interpretação Autor: Marcelo Azevedo Chamone 1. uma vez que a responsabilidade objetiva (carro-chefe da lei consumerista) . em 1866. para abranger o maior número de relações no mercado. Tal proposta unificadora somente veio finalmente a se tornar direito positivo com a aprovação do Código Civil de 2002.

o conceito de consumidor." [01] Nem sempre a relação de consumo será um negócio jurídico. inclusive os regidos pelo CDC. Assim. como veremos abaixo. a regra da responsabilidade subjetiva ficou praticamente reduzida às relações entre particulares. Em geral há uma cumulação de prestação de serviço com fornecimento de produto. limitando. parágrafo único. RELAÇÃO DE CONSUMO Por relação de consumo é de se entender toda relação jurídico-obrigacional que liga um consumidor a um fornecedor. No que concerne às relações de consumo. em decorrência do art. a hipótese é de produto. é preciso "averiguar qual é o elemento nuclear do vínculo obrigacional: uma obrigação de dar ou uma obrigação de fazer. . num sistema que vem sendo apelidado de "dúplice". no outro caso. o objeto é um serviço. ora para o outro. passaremos a definir o conceito de cada um dos elementos da chamada "relação de consumo". Do mesmo modo. onde vertentes da jurisprudência trabalhista defendem que todos os tipos de prestação de serviços. Na verdade.77 foi elevada a padrão juntamente com a responsabilidade subjetiva. como veremos abaixo. a lei coloca sob a mesma denominação relações contratuais (negócios jurídicos) e não-contratuais. Tratando-se daquela. para se determinar qual o regime jurídico a ser aplicado ao caso. A fragilidade dos conceitos se mostra aparente com a recente e ainda incipiente discussão surgida com a EC nº 45. a ampliação das hipóteses de revisão contratual trazidas pelo novo Código Civil aproximou muito as relações civis das de consumo. estariam sob a competência da Justiça do Trabalho. 2. tendo como objeto o fornecimento de um produto ou da prestação de um serviço. Sempre que o tratamento não for unificado haverá debates doutrinários e jurisprudenciais sobre a delimitação de cada um. Esse breve panorama do tratamento legislativo dado às relações obrigacionais serve para mostrar a artificialidade e instabilidade de qualquer tentativa de compartimentalização. deixando ainda mais embaçada a linha divisória entre elas. buscando identificar o estado-da-arte do tema. decorrentes de atos e fatos jurídicos. Assim. atentando para as principais correntes doutrinárias. o momento jurisprudencial indica que o pêndulo tende para a restrição da aplicação do CDC. ora tendendo para um lado. 927.

I a IV. todas as demais disposições do CDC se aplicariam quase que irrestritamente à coletividade em geral face a redação genérica dos artigos que ampliam o conceito de consumidor. temos que o Código irá atuar de forma preventiva e repressiva nas relações de consumo tanto no âmbito contratual como no extracontratual. delimitar o conceito de consumidor. 8º a 28). e da proteção contratual (art. 2º. caput) e aos "intervenientes" nas relações de consumo (art. 2º. então. já se podem identificar algumas áreas de disputa conceitual: a) quanto à natureza do sujeito protegido: pessoal natural ou jurídica. Destarte. 6º. das práticas comerciais (arts. a fim de identificar claramente os limites de cada uma dessas esferas de proteção. VI. 2º. delimitaremos a seguir os elementos básicos das relações de consumo. Não obstante. b) quanto à necessidade de vínculo contratual: só quando há contrato ou também nos casos de relações jurídicas extracontratuais. Temos. nos termos dos conceitos dados pelo próprio Código. 6º. c) quanto à finalidade da aquisição do bem ou produto: para uso privado. tanto no pré-contratual como no pós-contratual. No plano do direito privado material. Essa conclusão leva à interessante reflexão sobre a quantidade de folhas que já foram escritas sobre a definição do conceito standard de consumidor. familiar. V e X. 29) as regras sobre proteção contratual e práticas abusivas.78 Deste modo. e para a última categoria (art. 17) as regras sobre responsabilidade civil extracontratual. 46-54). 29 a 45). 6º. quando uma parte tão pequena do Código é dedicada exclusivamente a ele. pessoal. caput e parágrafo único) são aplicadas todas as disposições do Código. Herman Benjamin. parágrafo único) somente nas situações de responsabilidade civil contratual (vícios do produto ou serviço). a princípio. que a proteção do CDC recairá exclusivamente ao consumidor standard (art. com o auxílio de textos de legislação e doutrina estrangeira. não . Àquela época e ainda hoje o tema é tormentoso: "Embora o vocábulo consumidor não esteja assentado com um conceito claro. o CDC traz quatro definições diferentes de consumidor: a duas delas (art. 3. a outra (art. o CDC trata sobre os seguintes temas: da responsabilidade civil (arts. CONSUMIDOR Em 1988 foi publicado pelo então promotor de justiça de São Paulo. artigo já clássico onde o autor buscava. Como veremos mais detalhadamente abaixo.

em benefício próprio ou de outrem. pois não são somente aqueles participando efetivamente das relações de consumo que estão sujeitos a sofrer danos em decorrência dessas relações. e) quanto ao tipo de bens: só bens móveis ou também imóveis. Onde não há uma legislação consumerista codificada chega a haver diversos conceitos de consumidor. e outras três de ‘consumidor equiparado’.79 profissional e comercial. bem como pré e pós-contratuais. ficando a cargo da doutrina e jurisprudência fazê-lo – nesses casos. contrate para consumo final. 2º. isolada ou coletivamente. ao que. tende-se para uma conceituação mais restrita.1 O consumidor standard Inicialmente. [03] Em alguns sistemas simplesmente não há definição legal de consumidor. [04] nos demais." [05] Rizzatto Nunes acrescenta que "a norma define como consumidor tanto quem efetivamente adquire (obtém) o produto ou o serviço como aquele que. onde sujeitos a princípio não classificados como consumidores são colocados numa posição semelhante. citando como exemplo a entidade familiar. trás quatro definições diferentes de consumidor: uma chamada de ‘consumidor standard’. resulta em "substancial modificação do princípio geral da relatividade dos efeitos" [07]. na delimitação do âmbito de proteção oferecido pela lei. f) quanto ao tipo de serviço: só serviços privados ou também serviços públicos. há uma série de situações extracontratuais. a aquisição ou a locação de bens. A nossa legislação. de modo geral. discordando apenas da inclusão da . é consumidor "qualquer pessoa física ou jurídica que. não o tendo adquirido. bem como a prestação de um serviço. um aplicável para cada situação específica regulada por aquela lei. James Marins [08] entende que também o ente despersonalizado pode ser tomado como consumidor. utiliza-o ou o consome" [06]. Apesar de não haver disposição expressa. mesmo codificada. de modo que não seria justo nem eqüitativo dar-lhes tratamento legislativo diferenciado. de acordo com as suas peculiaridades sociais e econômicas. palavras de Roberto Senise Lisboa. Maria Antonieta Donato [09] o acompanha em parte. 3. caput). ao contrário do que ocorre em relação ao fornecedor. d) quanto à qualidade do objeto da relação de consumo: apenas bens ou também serviços. consumidor é "toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final" (art." [02] Na legislação estrangeira não é possível encontrar uma definição uniforme. possibilitando a proteção de terceiro estranho ao contrato – há uma prevalência da "relação de consumo" sobre o "contrato de consumo". A que se mostra mais espinhosa é sem dúvida a primeira. A existência de diversos conceitos no direito positivo se mostra necessária. em outros termos. cada país adota um conceito diferente.

Muito antes da edição do CDC. com reflexos na jurisprudência. Fábio Konder Comparato.80 família nessa situação. por exemplo. sem que outra destinação seja objetivada pelo beneficiado (adquirente ou usuário)". buscando aproximá-lo o mais possível da doutrina européia. buscando uma proteção mais ampla e generalizada. Duas correntes principais. isto é. Apesar da disposição inequívoca da lei. muito mais preocupada com a proteção do consumidor pessoa física. . enquanto a outra trata de dar maior aplicabilidade à lei. É claro que todo produtor. para exercer a sua atividade produtiva. cada um dos membros da família deveria pleitear seus interesses individualmente. sem ligação com a sua atividade empresarial própria. Porém. é também consumidor. os quais. em maior ou menor medida. dissenso sobre quem poderia ser classificado como destinatário final do produto ou serviço. principalmente porque a própria lei não as faz. como fornecedores de insumos ou financiadores. no entanto. "tornando necessária a análise da causa da aquisição ou da utilização do produto ou do serviço". a causa da formação da relação de consumo deverá estar relacionada "à transmissão definitiva ou provisória de produto ou de atividade humana remunerada. dando especial atenção à finalidade da aquisição do produto ou serviço: "O consumidor é. nesse sentido. 3. e antagônicas. os empresários.1 O conceito objetivo de consumidor Para os juristas que vêem no CDC uma regulamentação para o mercado de consumo em geral. e." [10] Antes da edição do CDC era comum encontrar esse tipo de definição. a legislação brasileira veio com uma proposta muito mais ousada. o conceito de destinatário final não pode sofrer restrições. defendendo a sua incidência sobre o maior número de relações jurídico-obrigacionais. se apresentam no mercado como simples adquirentes ou usuários de serviços. ainda que empresários.1. de modo geral. e cita como exemplos o condomínio edilício e o espólio – para a autora. buscando apoio na doutrina estrangeira. Roberto Senise Lisboa [11] vê na expressão destinatário final a adoção pelo CDC da teoria da causa na relação jurídica de consumo. com a lei veio a superação desses conceitos baseados nas lições européia e norte-americana. depende por sua vez de outros empresários. Quando se fala. buscou delimitar o conceito de consumidor. formaram-se: uma restringindo o conceito de consumidor. pois. em proteção do consumidor quer-se referir ao indivíduo ou grupo de indivíduos. surgiu na doutrina. aquele que se submete ao poder de controle dos titulares de bens de produção.

portanto.. i. É certo que dessa conceituação estaremos trazendo para a relação de consumo situações que vão contra o senso comum. Rizzatto Nunes [12] define como consumidor.2 O conceito subjetivo de consumidor Cláudia Lima Marques [18]. aquele que não o revende nem o incorpora na produção de um novo. ou simplesmente com o intuito de revendê-lo. sem o intuito de obter lucro com a sua futura negociação. João Batista de Almeida e James Marins. além do "destinatário final" que adquire o produto ou serviço para uso próprio (sem finalidade de produção). com variações. Admite. também quando há a finalidade de produção.81 Não obstante.e. adepta da dita "corrente finalista". dá um conceito restritivo de destinatário final: ela o identifica com a pessoa física que retira o bem de mercado. i. bom ou mal. Podem ser citados como defensores dessa interpretação.e..e. João Batista de Almeida [15]. Roberto Senise Lisboa. não pode estar adquirindo para revenda ou uso profissional. "desde que o produto ou serviço (. consumidor é todo aquele que retira o produto ou serviço do ciclo produtivo-distributivo. independentemente do uso e destino que o adquirente lhes vai dar". Exclui as situações em que o produto ou serviço "é entregue com a finalidade específica de servir como ‘bem de produção’ para outro produto ou serviço e via de regra não está colocado no mercado de consumo como bem de consumo. Assim. "pois o bem seria novamente um instrumento de produção cujo preço será incluído no preço final do profissional que o adquiriu" [19]. Porém. Nery Jr. não havendo qualquer necessidade de inquirir sobre aspectos subjetivos. consumidor [17] – não se discute se o bem é de produção (utilizado para implementar a produção) ou não. porém. para a definição do conceito de consumidor deve-se tão somente analisar os critérios objetivos dados pela própria lei. não cabendo ao intérprete/aplicador impor suas opiniões sobre a norma. i.1.. Rizzatto Nunes. não caberia ao intérprete/aplicador fazê-lo.) sejam oferecidos regularmente no mercado de consumo. e Roberto Senise Lisboa [16] excluem do conceito de consumidor apenas o adquirente de produto que será objeto de transformação ou implementação com reinserção na cadeia produtiva-distributiva. ele será o destinatário do produto ou serviço e. Mais. o destinatário fático e econômico do bem ou serviço. 3. . mas como de produção. possam ser considerados consumidores – note-se que essa definição é intimamente ligada às qualidades econômicas do adquirente. é o que nos é dado pela lei. o consumidor comum não o adquire". que o profissional pessoa física ou pequena empresa que tenha adquirido um produto fora de seu campo de especialidade. se a implementação ou transformação é feita para o uso próprio do adquirente.. como a lei não faz qualquer restrição quando utiliza o termo pessoa jurídica. Assim. Assim... [13] James Marins [14].

possa ser considerada consumidora. o segundo estaria na configuração no caso concreto da vulnerabilidade. para que a pessoa jurídica. E. que surge como conseqüência do reconhecimento da existência da relação de consumo. em função da qualidade subjetiva daquele que pratica a relação de consumo e em função da destinação que ele dará ao produto". no critério legal para a definição do consumidor e da relação de consumo. mas sim. [21] De acordo com Filomeno [22]. em face do fornecimento dos produtos e serviços e do domínio da tecnologia e da informação que o fornecedor possui sobre eles. somente se justificaria a inclusão da pessoa jurídica como consumidora na medida em que houver efetiva vulnerabilidade econômica em face do fornecedor a ser protegida. "É imperativo lembrar que a vulnerabilidade não se constitui. que subscrevemos integralmente: "A vulnerabilidade do consumidor é presunção absoluta no mercado de consumo. pois somente essas seriam "vulneráveis". Não basta que retire o produto do mercado. ou a pessoa física em atuação profissional (‘consumidor-profissional’). necessariamente. sua utilização para implementar o processo produtivo. Assim. "Aquele que vier a ser considerado consumidor é quem se beneficiará .e. por decorrência. "não se analisa o consumidor unicamente em relação à prática do ato. Assim. deve-se mesclar a qualidade do adquirente do produto com a finalidade para que o adquiriu. havendo. Assim. pois é ela um posterius. o Código teria adotado o conceito econômico de consumidor. o que o citado autor identifica com as pessoas jurídicas que não tenham finalidade lucrativa. não se caracterizando a aquisição para o uso profissional". Roberto Senise Lisboa [23] tece as seguintes considerações. deve haver comprovação de que a contratação se deu fora do seu campo de atuação usual. como destinatário final. presunção de vulnerabilidade em seu favor. i.. de que a aquisição do produto ou do serviço foi realizada por um sujeito de direito que se enquadra na definição legal de consumidor. em outras palavras "a finalidade prática do ato e não o ato em si". haveria três fatores de discrímen: o primeiro estaria na aquisição de produto. e por fim. em benefício próprio ou de terceiro. agindo com vistas ao atendimento de uma necessidade própria e não para o desenvolvimento de uma outra atividade negocial. Quanto à "vulnerabilidade" utilizada como elemento do conceito de consumidor.82 Para Maria Antonieta Donato [20] o consumidor deve ser conceituado dentro do âmbito da relação de consumo. "retirando-o da cadeia produtiva e. porém. não sendo possível fazê-lo sobre o ato de consumo. é dizer: o personagem que no mercado de consumo adquire bens ou contrata serviços.

consumidores serão instituições. E essa presunção é iure et de iure. ou seja. nosso entendimento de que havendo no direito positivo conceito preciso de consumidor – como em verdade ocorre com o art. Do reconhecimento da situação de consumidor do sujeito em dada relação jurídica é que se impõe o princípio geral da vulnerabilidade." [26] A justificativa dessa posição mais restritiva é feita com base no argumento de que o consumidor deve receber tratamento especial e diferenciado. estendendo o rol dos beneficiados por essa proteção. consumidor é: "qualquer agente econômico responsável pelo ato de consumo de bens finais e serviços. indivíduos e grupos de indivíduos. [25] Em outras palavras. passando muitas vezes ao largo do texto legal. na teoria econômica. os bens adquiridos devem ser bens de consumo e não de capital (que integram a cadeia produtiva). consumidor "seria toda pessoa situada no término da cadeia de consumo e que encerra a circulação econômica de um produto ou serviço em vez de sobre ele atuar com vistas a sua transformação. "aquele que utiliza o bem para continuar a produzir ou na cadeia de serviço" não pode ser considerado consumidor. não admite prova em sentido contrário. fabricação ou prestação. não obstante essas considerações. mas mais presos às definições elaboradas antes da publicação da lei." É interessante notar que com base no mesmo "conceito econômico de consumidor". Mas a vulnerabilidade não é pressuposto do reconhecimento de que um sujeito adquiriu determinado produto ou serviço como consumidor. e a generalização da aplicação da legislação de proteção ao consumidor. 2º aqui objeto do nosso . desvirtuando a finalidade do Direito do Consumidor de "proteger a parte mais fraca ou inexperiente na relação de consumo" [27]. Pelo contrário. Tipicamente. e de doutrina e legislação estrangeira. distribuição." [24] Destarte. de modo que. apenas. iria terminar por dar tratamento igual para todos. Sobre esse ponto é relevante o pensamento de James Marins: "Esclareça-se. aquele que coloca um fim na cadeia de produção". para que a pessoa jurídica possa ser considerada consumidora. os defensores desta corrente interpretativa usualmente fundamentam suas posições não tanto nas disposições do CDC. o consumidor é entendido como um indivíduo.83 da presunção de vulnerabilidade diante do fornecedor. mas. além dos requisitos acima. mas tão somente aquele que "retira o bem do mercado ao adquirir ou simplesmente utilizá-lo (Endverbraucher). Herman Benjamin afirma que o conceito de consumo final e intermediário estão unidos. Como já notado acima. como premissa para este estudo. na prática.

isto é.84 estudo –. teorias essas ora textualmente recebidas pelo legislador.1. não se pode pretender submetê-lo às teorias jurídicas informadoras de sistemas alienígenas. [31] Porém. não podendo ser reutilizado. não se pode olvidar que a vulnerabilidade não se define tão-somente pela capacidade econômica. evitando assim. Isso não impediu que de início houvesse uma interpretação objetiva do conceito de consumidor. ainda que de forma indireta." [29] 3. Neste sentido é o atual posicionamento da Min. o bem ou serviço. um "desvirtuamento do sistema protetivo eleito pelo Código". para excluir a incidência do CDC em situações em que fosse verificado o expressivo porte financeiro ou econômico: da pessoa jurídica tida por consumidora. com leves temperamentos. mas pela presença de uma parte vulnerável de um lado (consumidor). deve ser também o seu destinatário final econômico." Mais uma vez. segundo entendiam os ministros. em verdade. no processo produtivo. nível de informação/cultura ou valor do contrato em exame. houve uma virada de entendimento. enfraquecer o sistema protetivo inaugurado pelo CDC.3 As posições do STJ e STF O STJ sempre buscou evitar a aplicação indiscriminada do CDC. outrora ardente defensora da corrente contrária: não basta que o consumidor (adquirente de produto ou serviço. Nancy Andrighi [32]. pessoal. jurídica ou técnica. admitindo exceções: "Em relação a esse componente informador do subsistema das relações de consumo." E mais adiante afirma que a relação de consumo "não se caracteriza pela presença de pessoa física ou jurídica em seus pólos. de outro. ou utente do serviço público) seja "destinatário final fático do bem ou serviço. e que albergue conceito próprio induvidoso. do contrato celebrado entre as partes. inclusive. de outra circunstância capaz de afastar a hipossuficiência [30] econômica. é claramente e intencionalmente informado pela objetividade. recentemente. Todos esses elementos podem estar presentes ." [28] "Condicionar-se o conceito de consumidor à constatação de sua hipossuficiência seria. ora textualmente afastadas em prol da elaboração de um sistema próprio. pacificando-se o conceito subjetivo de consumidor. e de um fornecedor. praticamente excluindo as pessoas jurídicas consumidoras do âmbito de proteção do Código. a utilização deve romper a atividade econômica para o atendimento de necessidade privada. a jurisprudência tempera a posição doutrinária. no nosso sistema. deslocando para o movediço critério subjetivo conceito que.

o que descrito está no seu art. 3º e §§1º e 2º. Não importa seja possível comprovar. O jurista. Entende-se como "consumidor". 3º define como serviço "qualquer atividade fornecida no mercado de consumo. inclusive as de natureza bancária. pelo monopólio da produção do bem ou sua qualidade insuperável. salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista". Chamado a decidir questão sobre o campo de incidência do CDC. e aquela que vem sendo adotada pelo STJ. pelas exigências da modernidade atinentes à atividade. Por certo que as instituições financeiras estão. o Código define "consumidor". Cuide apenas de pesquisar os significados dos vocábulos e expressões que compõem a definição e de apurar da sua coerência com o ordenamento constitucional. para os efeitos do Código de Defesa do Consumidor. inquestionavelmente. ficou claro o dissídio entre a posição sufragada pelo STF. Diante da definição legal. toda pessoa física ou jurídica que utiliza.2 O consumidor por equiparação . de crédito e securitária. O art. Inútil. por a + b. como destinatário final." [33] Se antes a demonstração da inexistência de vulnerabilidade fazia excluir a aplicação do CDC. é "consumidor". como "fornecedor". pela extremada necessidade do bem ou serviço. [35] Apesar de não haver um aprofundamento na definição de o que seria "destinatário final". financeira e de crédito. como consumidor ou fornecedor. Eis o trecho do voto condutor do Min. todas elas.85 e o comprador ainda ser vulnerável pela dependência do produto. dentre outros fatores. "fornecedor". 2º e no seu art. para os efeitos do Código do Consumidor. o profissional do direito não perde tempo em cogitações como tais. Eros Grau sobre a questão: Como observei também em outra oportunidade [34]. pela natureza adesiva do contrato imposto. "produto" e "serviço". Isso não apenas me parece. mediante remuneração. diante disso. qualquer esforço retórico desenvolvido com base no senso comum ou em disciplinas científicas para negar os enunciados desses preceitos normativos. 3. atividade bancária. o STF incidentalmente manifestou-se sobre o conceito de consumidor. E o § 2º do art. 2º do Código diz que "consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final". inquestionável. financeira. mais ligada à definição objetiva de consumidor. como "produto" e como "serviço". Assim temos que. sujeitas ao cumprimento das normas estatuídas pelo Código de Defesa do Consumidor. economicamente. como efetivamente é. que tal ente ou entidade não pode ser entendido. agora somente a demonstração da vulnerabilidade convencerá os julgadores de que a pessoa jurídica é consumidora. força é acatá-la.

Fábio Ulhoa [39] define as pessoas abrangidas por essa norma não como integrantes do grupo de consumidores em potencial.2. e os comentadores. 2º (consumidores). Esse parágrafo é de difícil interpretação. [37] 3. fica difícil enxergar um campo de incidência para o parágrafo único. do art. Mirella Caldeira [40] conclui que a função deste dispositivo é "reforçar a idéia da tutela dos interesses difusos e coletivos". parágrafo único). ainda que indetermináveis. podem vir a ser atingidas ou prejudicadas pelas atividades dos fornecedores no mercado. o que não diz muito. Pela leitura dos demais artigos.1 O interveniente nas relações de consumo "Equipara-se a consumidor a coletividade de pessoas. 17 enquadra a questão". Porém. Se a pessoa interveio na relação de consumo.86 Diversas pessoas. [36] A conceituação legal não se ocupa apenas da aquisição efetiva de produtos e serviços. ou será fornecedor ou será consumidor. A dificuldade está principalmente em construir uma interpretação desta norma de modo que não se confunda com as demais regras de abertura do Código. anda que não possam ser consideradas consumidores stricto sensu. parece-nos que essas pessoas estão mais bem colocadas nas demais definições trazidas pelo Código: quando forem consumidoras efetivas. . mais preocupados com o caput deste artigo. que já têm previsão nos art. já que neste caso o art. não sobra ninguém! Seguindo raciocínio semelhante. ou ainda estiverem expostas às práticas comerciais ou contratuais. também estão protegidos os potenciais consumidores. Eliminando aqueles definidos no caput do art. mas "as pessoas do relacionamento social do consumidor que podem sofrer eventuais efeitos indiretos da relação de consumo". ou quando forem vítimas de acidente de consumo. mas também com a sua potencial aquisição – assim. atribuindo-lhe conteúdo e significado próprios. 2º. 2º. vindo a intervir nas relações de consumo de outra forma a ocupar uma posição de vulnerabilidade. VI e 81. Rizzatto Nunes [38] afirma que "a hipótese dessa norma diz respeito apenas ao atingimento da coletividade. 3º (fornecedores) e no caput do art. indeterminável ou não. não se aprofundam no tema. que haja intervindo nas relações de consumo" (art. 6º. mas sem sofrer danos. ainda que não possam ser consideradas consumidoras no sentido estrito. a posição preponderante do fornecedor a posição de vulnerabilidade dessas pessoas justificam a equiparação feita pelo legislador.

"não há dispositivo que autorize o intermediário que não adquira ou utilize o produto ou serviço como destinatário final a agir com base no Código do Consumidor". pois a tutela nessas áreas "não se pode restringir ao momento posterior ao acordo entre o consumidor e o fornecedor". [43] Tal argumentação permite concluir que até mesmo a pessoa jurídica de forma geral. para que tenha . equiparam-se aos consumidores todas as vítimas do evento" (art.2 A vítima de acidente de consumo "Para os efeitos desta Seção [da responsabilidade pelo fato do produto e do serviço. enquanto o caput do art. quando houver vício no produto ou serviço. está acobertado por esta disposição legal.. qualquer vítima de um produto ou serviço receberá a proteção do CDC como se consumidor fosse. aplicando-se integralmente as normas sobre responsabilidade objetiva pelo fato do produto [41]. 2º garante a proteção individual do consumidor.2. pequena ou grande empresa. entretanto. Assim.87 É dizer. o parágrafo único do mesmo artigo garante a sua proteção coletiva. inclusive aquele que adquiriu o produto para revenda. de modo que o "intermediário que adquirir produto sem que o faça na condição de adquirente ou usuário final" deverá se valer das disposições do Código Civil. 3. expostas às práticas nele previstas" (art. 17).3 A pessoa exposta às práticas comerciais e contratuais "Para os fins deste capítulo [das práticas comerciais] e do seguinte [da proteção contratual]. privada ou pública. Nesse ponto o silêncio da doutrina confirma que distinção alguma há entre as vítimas do acidente de consumo. tal equiparação somente é valida na responsabilidade civil decorrente de fato do produto ou serviço. pouco importando que seja pessoa física ou jurídica. não se exigindo que a vítima seja consumidor final. mesmo que não possa ser assim considerado com base na definição do art. [42] Mesmo o adquirente intermediário poderá se valer das regras do CDC para buscar a recomposição de seus danos. independente de haver qualquer relação prévia entre fornecedor e vítima. 29). "sujeitos à mesma proteção que a lei reconhece aos consumidores no tocante às práticas comerciais e contratuais". com ou sem intuito de lucro. lançar mão das normas do Código do Consumidor referentes à proteção contratual e às práticas comerciais" [44] . com base no art. devendo antecedê-lo. "podendo. Assim. i. Outrossim.2. 2º. estão protegidos todos os potenciais consumidores. 3. equiparam-se aos consumidores todas as pessoas determináveis ou não. 29.e. responsabilidade extracontratual.

ao contrário do que ocorre no art. "é toda pessoa física ou jurídica. do CDC). [45] "Uma vez existindo qualquer prática comercial. não se exige que o fornecedor tenha personalidade jurídica. 966. sendo-lhes facultado o manejo "[d]as normas especiais do CDC. ainda que em nenhum momento se possa identificar um único consumidor real que pretenda insurgir-se contra tal prática. FORNECEDOR Fornecedor. ou. sua nova ordem pública. construção. sociedades de economia mista. transformação. toda a coletividade de pessoas já está exposta a ela. órgãos da Administração direta. Também o Estado. fornecedor é todo e qualquer participante do ciclo produtivo-distributivo. seja sociedade empresarial. empresas públicas. o art. ainda que mereça tratamento diferenciado (art. [49] 4. 29. caput. montagem. até. exportação. mas isso não lhes afasta da incidência do CDC. importação. seus princípios. pública ou privada. parágrafo único. onde há referência expressa ao ‘destinatário final’. ao revés. [50] A definição que nos é dada pela lei não exclui nenhum tipo de pessoa jurídica. façam parte de uma coletividade indeterminada composta só de pessoas físicas ou só de pessoas jurídicas. 4º. de pessoas jurídicas e de pessoas físicas. 14. distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços". mas não há dúvidas de que ele é tratado como fornecedor pelo CDC. sua ética de responsabilidade social no mercado. segundo a definição legal (CDC 3º). e nem mesmo capacidade civil. As sociedades simples (CC 981 e 982) não são empresárias. O único requisito é que estejam expostas às práticas comerciais e contratuais abrangidas pelo Código. criação. [51] Atente-se que nem todo fornecedor é empresário. apontando como único limite a idéia de prejuízo. bem como os entes despersonalizados. 2º. nacional ou estrangeira. fundações públicas ou privadas. para combater as práticas comerciais abusivas". que desenvolvem atividades de produção. Assim." [46] Herman Benjamin esclarece ser "indiferente estejam essas pessoas identificadas individualmente ou. Assim. com ou sem fins lucrativos. Em suma..88 um caráter preventivo e mais amplo"." [47] Cláudia Lima Marques [48] inclui entre as pessoas expostas às práticas abusivas também os agentes econômicos. Esse entendimento se faz possível pela não inclusão de qualquer tipo de limitação na definição do art. direto ou indireto. etc. exclui o profissional liberal do conceito de empresário. ostensivamente quando atua como agente econômico ou prestando serviços . para os consumidores diante da prática comercial abusiva. do CC.

89 públicos mediante remuneração direta [52]. como ressalta Flávia Püschel [60]. são os órgãos deliberativos soberanos nas chamadas ‘sociedades contingentes’". de modo que.1 Atividade econômica Por atividade se entende o "conjunto de atos ordenados em função de um determinado objetivo (.2 Profissionalismo Outrossim. 4. com regularidade. [53] Filomeno enquadra na definição de fornecedor todos que "propiciem a oferta de produtos e serviços no mercado de consumo. objetivo de satisfação de necessidade alheia." [54] Para Cláudia Lima Marques [55].. se a entidade associativa tiver como fim precípuo a prestação de serviços.. sejam representados ou não por intermédio de conselhos deliberativos. tal atividade econômica deve ser desenvolvida com profissionalismo. i.1. não se exigindo que o prestador seja "profissional" da área. cobrando mensalidade ou algum outro tipo de contribuição.. ou então mediante participação direta em assembléias gerais que.1 Elementos característicos do fornecedor 4. como se sabe. [57] [56] 4. sendo despiciendo indagar-se a que título. pela análise do dispositivo legal que define quem pode ser considerado fornecedor.1. diz Filomeno . Porém.). está abrangido pelo conceito de fornecedor. o que caracteriza o fornecedor de produtos é o desenvolvimento de atividades tipicamente profissionais. de onde se concluí não bastar a prática de atos isolados para que se caracterize a figura do fornecedor. Já as entidades associativas e os condomínios em edificações. e o propósito de obter um ganho. pois "seu fim ou objetivo social é deliberado pelos próprios interessados. [58] Ainda.e. basta que a atividade seja habitual ou reiterada. Já quanto ao prestador de serviços. não são considerados profissionais . mas sim de uma atividade econômica. em última análise. não podem ser considerados fornecedores em face de seus associados e condôminos. "Qualquer ato singular deve poder ser reconduzido a uma atividade para ser considerado ato de fornecimento e submeter-se às normas do CDC". temos que não bastará o exercício de qualquer atividade. de maneira a atender às necessidades dos consumidores. [59] A regularidade consiste no exercício constante e estável da atividade. devendo ser avaliada de forma autônoma em relação aos atos singulares de que é composta". deve ser considerada fornecedora desses serviços.

Porém. para que se caracterize determinado ente como fornecedor. [66] Assim." [63] Entender de outro modo poderia fomentar a concorrência desleal entre entidades sem fins lucrativos – sujeitas. O fornecedor é responsável. por exemplo. Para alguns – como Giuseppe Ferri e Tullio Ascarelli [62] – deverá haver finalidade de obtenção de lucro. há divergência doutrinária. tendo que incluir no custo de sua operação o ônus de responder objetivamente aos danos que der causa. embora não haja remuneração por tais amostras. a atividade comercial sazonal ou eventual não obsta a incidência das regras do CDC. 927.90 aqueles que exercem atividade econômica "acidentalmente e cuja organização exaure sua função no cumprimento do próprio ato para o qual foi criada". não sendo possível a caracterização de profissionalismo na pessoa que produz exclusivamente para a satisfação de necessidade pessoal. do CC – e as com finalidade lucrativa. não conseguiria competir com os preços da primeira. a obtenção de ganho. que seja ininterrupta – para que se configure uma relação de consumo. ainda que não de forma contínua.3 Autonomia Por fim.1.e. de modo que as entidades que desenvolvem atividades sem fins lucrativos não seriam consideradas fornecedoras. o objetivo de ganho deve referir-se à atividade em si. De acordo com Rizzatto Nunes. parágrafo único e 931.. e ressalvada a aplicação dos arts. à princípio.e. e não aos atos singulares." [65] 4. sem procurar o incremento patrimonial propriamente dito. aquele que exerce . à responsabilidade subjetiva. pouco importando se para poucos ou para muitos.. por produtos distribuídos gratuitamente como amostra. não-subordinada. com o objetivo de auferir lucros. a atividade que ocorra com certa regularidade. A definição de atividade autônoma é obtida como contraposição de atividade subordinada: desenvolvida na dependência de outrem e cujos resultados se referem a bens alheios ou a serviços depois fornecidos por outrem. que. pois. tal distribuição gratuita faz parte do exercício da atividade econômica profissional do fornecedor. i. Porém. não há necessidade de que cada ato singular seja praticado com o objetivo de obter ganho. Quanto ao último elemento. ou seja. de incremento no patrimônio. prevalece que basta ter "por objetivo buscar o reembolso dos fatores de produção empregados ou evitar perdas e gastos. [64] "Além disso. basta para que se configure a relação de consumo. é preciso que exerça sua atividade econômica de forma autônoma. [61] É indispensável que o desenvolvimento da atividade econômica seja voltado para a satisfação de necessidade alheia. é importante ressaltar que não se exige a habitualidade da atividade – i.

e o produto final (pronto para servir ao uso a que se destina). contribuindo em qualquer medida "para a confecção de um produto apto para a distribuição.. de modo que o "produtor final responde pelos defeitos da parte componente. 4. em razão da responsabilidade solidária imposta pela lei (CDC. o comerciante. a lei dá tratamento específico e diferenciado para o produtor [67]. . Tal ficção legal existe como concretização do postulado que determinada a facilitação da defesa do consumidor em juízo.). "cada produtor responde pelos defeitos surgidos durante o seu próprio processo de produção ou em fases anteriores". 12-14). é fornecedor. não é fornecedor. e referidos sob a denominação comum de fornecedor. cabe agora traçar eventuais diferenças entre os diversos participantes da cadeia produtiva-distributiva.2. [68] Um mesmo produto pode. aquele que desenvolve suas atividades 4. A princípio.1 Produtor final e produtor de matéria prima ou parte componente De acordo com as etapas da produção. porém: na seção que trata da ‘responsabilidade por fato do produto ou serviço’ (arts. evitando que ele tenha que buscar a reparação em face do produtor real estrangeiro. seja de um produto final. dependendo das circunstâncias. uma vez que. a parte componente (que se destina à incorporação a um produto final). de acordo com Flavia Püschel [69]. sobretudo. bem como pelos defeitos da matériaprima empregada na produção da parte componente (." 4. estar enquadrado em qualquer uma dessas categorias. 18).2.2 Espécies de fornecedor Estabelecida a amplitude do conceito de fornecedor (art. assim como por aqueles resultantes diretamente de sua própria atividade. mas está inserido na cadeia produtiva. portanto. e.. todos são tratados de forma uniforme ao longo do Código. Mas quando adentramos no tema da responsabilidade pelo fato do produto mostra-se de grande importância." [70] Produtor presumido é o importador. dependendo. e o prestador de serviços. seja de uma parte componente.91 atividade na qualidade de empregado de outrem. 3º). Há uma exceção.2 Produtor real. de uma análise da função do produto e do modo como é oferecido no mercado. presumido e aparente Produtor real é aquele que participa de maneira autônoma no processo de produção de um bem. Perante o consumidor tal distinção não apresenta relevância prática nas questões relativas ao vício do produto. é possível identificar três espécies de produto: a matéria-prima (materiais e substâncias destinados à fabricação de produtos). seja de uma matéria-prima. art.

Ainda que não tenha efetivamente participado da produção. inclui-se no conceito de fornecedor o próprio Poder Público. Existindo. [71] 4. ou ainda as concessionárias de serviços públicos" [75].2. "por si ou então por suas empresas públicas que desenvolvam atividade de produção.3 O Poder Público como fornecedor O Código. Atente-se. impedindo que o consumidor acione diretamente o produtor real. deverá ser analisada qual a atividade preponderante para que se possa dar o tratamento legislativo adequado à relação de consumo.92 Produtor aparente é aquele que simplesmente apõe ao produto o seu nome ou marca. quando o produtor final [74] do produto não for suficientemente identificado. O tratamento dado pelo CDC ao comerciante é diferente dos demais fornecedores. o produtor aparente é tratado como se tivesse em razão da situação de aparência criada para o consumidor. trata-se de atividade de produção. envolvendo ou não o concomitante fornecimento de produto. i. deve ser levada em conta "a influência da atividade em questão sobre a configuração e qualidades essenciais do produto". Para diferenciar a atividade produtiva da mera distribuição. 3º. Enquanto a responsabilidade pelo vício do produto é solidária de todos os participantes da cadeia produtivo-distributiva. sem exercer ele próprio atividade de produção. Quando houve fornecimento de produto juntamente com a prestação de serviços. Assim. não há como negar a sua incidência em . Em face da redação explícita da lei. é todo sujeito que distribui produtos no âmbito de sua atividade profissional. 4. que não fica excluída a eventual responsabilidade do produtor real. em seu art..4 Prestador de serviços Prestador de serviços é aquele ator da cadeia produtiva-distributiva que presta qualquer tipo de atividade no mercado de consumo. porém. na definição de Flavia Püschel [72]. apenas uma manipulação insignificante. ao contrário. de forma subsidiária.2. diz que o fornecedor pode ser ente público ou privado. o comerciante somente é responsabilizado pelo fato do produto direta e isoladamente quando houver máconservação do produto.3 Comerciante Comerciante. ou ainda. trata-se de atividade de simples distribuição" [73].e. criando a aparência de ter ele mesmo produzido o bem. de modo a ocultar a indicação do produtor real do produto. 4. se há "influência sobre a estrutura ou qualidades essenciais do bem.

mas vida útil de não-duráveis. que provocam a sua cupidez. Rizzatto Nunes [80] defende que. como instrumento hábil para a consecução dos fins objetivados. independente . 3º. Bem de insumo. e como o produto não-durável tem características diversas.93 relação ao Poder Público. Surge a dúvida de onde classificar os produtos descartáveis. §1º). são coisas úteis aos homens. e destinado a satisfazer uma necessidade do adquirente. como destinatário final". assim. bens econômicos são as coisas úteis e raras. Já quanto ao enquadramento ou não de todas as atividades exercidas pelo Poder Público veremos mais adiante quando for debatida delimitação legal do serviço. suscetíveis de apropriação. a limitação deve ser feita somente com base na finalidade (motivo) da aquisição do produto (consumo como destinatário final). No mesmo sentido. Uma outra classificação se mostra relevante para fins de se determinar a incidência ou não da legislação consumerista: bem de insumo. que têm essência de duráveis. de modo que "o bem transformado para uso posterior próprio não retira do adquirente ou utente a situação jurídica de consumidor". é "a coisa adquirida para desenvolvimento da própria atividade. é aquele "utilizado para fins de transformação e posterior transmissão". por sua vez. sem qualquer transferência para a clientela". Bens. ou de produção. [78] O simples fato de o produto não se extinguir numa única utilização não lhe retira o status de não durável – "o que caracteriza essa qualificação é sua maneira de extinção ‘enquanto’ é utilizado" [79]. enquanto bem de custeio. o descartável deve receber o tratamento dispensado ao durável. [76] Filomeno resume. [77] É de relevância a classificação dos bens com base em sua taxa de consumo (CDC 26): bens duráveis (bens tangíveis que normalmente sobrevivem a muitos usos). uma vez que a lei não faz qualquer ressalva. 5. bens não duráveis (bens tangíveis que normalmente são consumidos em um ou em alguns poucos usos). PRODUTO Produto. e bem de custeio. material ou imaterial" (art. Rizzatto Nunes [83] defende que o CDC é aplicado nos casos em que os produtos e serviços são oferecidos no mercado de consumo para a aquisição por qualquer pessoa como destinatária final. ou de consumo. sempre que configurados os elementos acima expostos. conceituando produto como "qualquer objeto de interesse em dada relação de consumo. "é qualquer bem. [81] Roberto Senise Lisboa [82] entende não ser razoável a exclusão pura e simples do bem de insumo da proteção do CDC. sendo objeto de apropriação privada. móvel ou imóvel. na econômica definição do CDC. não havendo tratamento legislativo específico.

de crédito e securitária. cabendo ao consumidor. ao fornecedor será aberto o prazo legal para realizar os reparos necessários. "os contratos unilaterais de prestação de serviços e os contratos . ao invés de "oneroso". "amostra grátis". enquanto o produto compósito. estimação ou troca)"." Por outro lado. Produto compósito "é aquele resultante do justaposicionamento de peças e componentes que podem ser substituídos sem que se proporcione a sua inadequação". porém. enquanto produto essencial "é aquele que não pode ter qualquer de seus componentes retirados ou substituídos. apresentando vício em alguma peça.". Roberto Senise Lisboa [85] ressalta que a lei somente excepciona os serviços prestados em relações trabalhistas. com o posicionamento reiterado do STJ [87]. haverá relação de consumo sempre que preenchidos os requisitos legais. de modo que seus elementos são insuscetíveis de dissociação. outrossim. estariam excluídos da aplicação do CDC. e nenhum outro mais. §2º).94 do uso que o adquirente faça. que tem. as relações locatícias de imóveis. 39. para a produção ou não de outros produtos ou serviços. 4º). significaria abranger também os serviços remunerados de forma indireta – a lei se refere à remuneração do serviço e não à sua gratuidade. também está regulado pelo CDC (art. estando sujeito a todas as suas regras. sob pena de comprometer a sua substância. inclusive as de natureza bancária. mediante remuneração. parágrafo único). aplicado CDC em relação à administradora de imóveis [88]. [84] Por fim. mesmo quando firmada entre pessoas jurídicas. é relevante ressaltar que o produto (assim como o serviço) gratuito. segundo Filomeno . como atividade remunerada. seja de natureza civil. art. pouco importando "que o serviço. salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista" (CDC3º. a adoção das outras soluções propugnadas pelo legislador (redibição. Outra classificação extremamente útil nos é trazida por Roberto Senise Lisboa quanto à substituição das peças: entre produto compósito e produto essencial (não compósito). Este "não pode ser reparado no caso de existência de vício intrínseco. comercial ou administrativa. neste caso. justifica tal posição na existência de legislação própria (Lei nº 8245/91). SERVIÇO Serviço "é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo. 6. que contém ainda dispositivo contra prática abusiva (denúncia vazia na vigência de contrato por prazo determinado. financeira. a utilização da expressão "mediante remuneração". Assim. Tal posição se coaduna. [89] Assim. [86] Outrossim.

seja ele prestado diretamente pelo Estado ou por concessionária. Já para Regina Helena Costa [96]. art. [91] 6. Por outro lado..1 Serviços públicos "Serviço público é toda atividade de oferecimento de utilidade ou comodidade material destinada à satisfação da coletividade em geral. mas fruível singularmente pelos administrados. com a exclusão de todos os demais. de modo que somente a "prestação de serviços públicos. todos os serviços públicos. benefícios ou satisfações que são oferecidas à venda. estariam sujeitos à disciplina do CDC. para Rizzatto Nunes [95] estão incluídas no conceito de serviço.95 gratuitos puros" [90] não são regidos pelo CDC. enquanto que nas relações de consumo não haveria responsabilidade estatal. não seria possível confundir o consumidor com o contribuinte. taxas ou contribuições de melhoria. Admite apenas a inclusão dos serviços remunerados por tarifas em sua definição. além da atividade privada. as concessionárias e permissionárias ou qualquer outra forma de empreendimento" – i. remunerados por taxa ou tarifa. Filomeno [93] entende que "serviços" são atividades. pois aí haveria relação jurídica de natureza tributária. . mas tão somente a sua intervenção como regulador das relações privadas. Assim. sempre que se tratar de serviço público. que o Estado assume como pertinente a seus deveres e presta por si mesmo ou por quem lhe faça as vezes. Classificam-se os serviços em "duráveis" e "não-duráveis". estes são os que se esgotam uma vez prestados. nos serviços públicos o Estado sempre figura como responsável pelos eventuais danos decorrentes do serviço. pois não haverá a necessária onerosidade da relação obrigacional. "todas as atividades oferecidas pelos órgãos públicos diretamente ou por suas empresas públicas ou de economia mista. específicos e divisíveis" (CTN. não há que se falar em aplicação do CDC. aqueles são os que têm continuidade no tempo em decorrência de estipulação contratual. e não de consumo – "contribuinte não se confunde com consumidor". sem ressalvas. 79.e. sob um regime de Direito Público – portanto consagrador de prerrogativas de supremacia e de restrições especiais – instituído em favor dos interesses que houver definidos como próprios no sistema normativo" [92]. Já para Cintra do Amaral [94]. II e III). "é a exigência de remuneração específica pela prestação de determinado serviço público que vai determinar sua sujeição à disciplina legal das relações de consumo". e os que deixam como resultado um produto. mesmo que prestados por sujeito que normalmente atua como fornecedor no mercado de consumo. e que "mediante remuneração" não se refere a tributos.

Isso exclui "praticamente todas as relações jurídicas tributárias" da regulação do CDC. . "toda a atividade remunerada lançada no mercado de consumo pelo órgão público". Segundo esse entendimento. Revendo sua posição [98]. Destarte. o referido autor passou a defender ser necessária a análise da forma de pagamento da remuneração e a natureza do serviço público desempenhado a fim de se aferir a incidência ou não da legislação de consumo. de acordo com o orçamento previamente elaborado pela Administração". E resume: "a Administração Pública. sem exceção. não estariam jamais sujeitos à regulação do CDC. mediante o pagamento diretamente efetuado pelo consumidor a título de prestação correspondente. de modo que a prestação de serviço público típico. somente haverá relação de consumo com a administração pública (direta ou indireta) quando a aquisição ou utilização do serviço se der mediante pagamento direito. o Estado está isento de responsabilidade. incluiu todas as demais. sendo as verbas obtidas pelo Poder Público repassadas para cada setor da atividade pública. "uma vez que o pagamento de impostos e taxas é dirigido para o cofre público." O entendimento do STJ [101]. deve se submeter às normas do Código de Defesa do Consumidor sempre que fornecer um serviço público uti singuli. pois considera-se serviço. afirma ser indiscutível a aplicabilidade do CDC aos serviços remunerados por tarifa. Roberto Senise Lisboa [100] ainda defende que os serviços tipicamente estatais. Ainda. em ralação aos atos de império e pelo exercício do poder de polícia. Mais. prestadas pela administração pública direta ou indireta. mesmo as taxas. justiça. que podem ser prestados uti singuli. e saúde pública). para fins da lei. seguindo essa orientação. inclusive as de natureza administrativa. não teriam a especificidade nem a divisibilidade necessárias para a caracterização de relação de consumo. é de que a prestação de serviço público não configura relação de consumo. os serviços públicos impróprios. seja por que regime for. direta ou indireta. os impostos.96 Num primeiro momento Roberto Senise Lisboa [97] defendeu que quando a lei excluiu expressamente as relações trabalhistas do rol das prestações de serviço por si reguladas. seriam invariavelmente submetidos ao regime do CDC. porque o destinatário final se utiliza da atividade estatal a ele fornecida em razão do pagamento da prestação diretamente vinculada a essa atividade" [99]. Para o autor. que por natureza são uti universi (tais como segurança. Por outro lado. Por outro lado. que é "genuína remuneração pelo serviço prestado pelo órgão público ou pela entidade da Administração indireta. somente quando os serviços e produtos são oferecidos no "mercado de consumo" poderia haver relação de consumo.

Outrossim. Código do consumidor comentado. ficaria excluída da incidência do CDC. negando de forma peremptória que não há relação de consumo entre o poder público e contribuinte.. art. José Manoel de Arruda. do seu campo de aplicação "a definição do custo das operações ativas e da remuneração das operações passivas praticadas por instituições financeiras no desempenho da intermediação de dinheiro na economia. uma vez que não há como considerar que o serviço público típico esteja colocado no mercado de consumo. onerosidade excessiva ou outras distorções na composição contratual da taxa de juros". tal decisão pouco contribuiu para a definição do conceito de consumidor.br. como a lei.gov. ALMEIDA. sem prejuízo do controle. e do controle e revisão.2 Atividades bancárias. financeiras e de crédito. ANDRIGHI. pelo Banco Central do Brasil.stj. 2006. limitando-se a defini-lo. remunerado por tarifa).. João Batista. BANDEIRA DE MELLO. Afirmou-se ainda que somente é necessária a edição de lei complementar para a regulamentação da estrutura do sistema financeiro – CF. conforme se extrai de definição de fornecedor adotada neste trabalho. como sendo o destinatário final dos serviços. Semelhante é o entendimento do STF [102] sobre o tema.97 aquele remunerado por tributo (em oposição ao atípico. esta posição se encontra em perfeita harmonia com a legislação consumerista. São Paulo: RT. sobre as quais se discutia a possibilidade de regulamentação através de lei ordinária. In: http://bdjur. Celso Antônio. afastando. BIBLIOGRAFIA ALVIM NETTO. Ademais. em cada caso. . Curso de direito administrativo. 7. de eventual abusividade. nos termos do disposto no Código Civil. 2ª ed. Acessado em 26/03/2007. Fátima Nancy. 1995. 192. 2ª ed. São Paulo: Saraiva. porém. O conceito de consumidor direto e a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. financeiras e de crédito Quanto às atividades bancárias. Manual de direito do consumidor. o STF pacificou a questão – ADI 2591 – determinando a sujeição de tais atividades às regras do CDC. pelo Poder Judiciário. James et alii. 6. MARINS.

n. Responsabilidade civil nas relações de consumo. Herman.. CALDEIRA. In: Revista CEJ. 6. 15/16. A proteção do consumidor: importante capítulo do direito econômico. 2003.saraivajur. Rio de Janeiro: Forense Universitária. O conceito de consumidor no parágrafo único do art.br. In: Revista de direito mercantil. COMPARATO.. Ago/1997. ___________. 02. Regina Helena. Acessado em 11/06/2007. 80. Fev/1988. Out-Dez/1990. Mai-Jul/2006. Disponível em: www. O código brasileiro de proteção do consumidor.br. 69-79. Acessado em 26/03/2007. GRAU. 42-41. Ada Pellegrini et alii. São Paulo: Malheiros. ___________. Mirella D’Angelo. Roberto Senise.com. In: Repertório IOB de jurisprudência. 628. 2ª ed. p. 89-105.saraivajur. Jan/1991. LISBOA. São Paulo: Juarez de Oliveira.com. Relação de consumo e proteção jurídica do consumidor no direito brasileiro. ___________. DONATO. In: www. Eros Roberto. O conceito jurídico de consumidor. p. Fábio Konder. 1974. 1999. CINTRA DO AMARAL. Acessado em 04/06/2007.br. 8ª ed. n. São Paulo: RT. GRINOVER. p. MARÇAL. Acessado em 26/03/2007. ___________. 2006. n. BEJAMIN. COSTA.direitodoestado. A tributação e o consumidor.. 66-75. Disponível em: http://www.com.stj. Sérgio Pinheiro. 1994. Distinção entre usuário de serviço público e consumidor.98 16ª ed. In: Revista dos tribunais. In: Revista de direito mercantil. In: Revista eletrônica de Direito Administrativo Econômico. 2/91. Definição legal de consumidor. Maria Antonieta Zanardo. p. 2005. Antônio Carlos. n. O conceito de consumidor padrão. São Paulo: RT. Proteção ao consumidor: conceito e extensão. Definição jurídica de consumidor – Evolução da .gov.br. Código brasileiro de defesa do consumidor comentado pelos autores do anteprojeto. Disponível em: http://bdjur. n. A proteção ao consumidor na constituição brasileira de 1988. n. 2º do Código de Defesa do Consumidor.

p. p. Cláudia Lima et alii. Há polêmica no Brasil acerca do tema. in: Código comentado. 88. Proteção ao consumidor. havendo quem queira distinguir onde a lei não o faz. São Paulo: Saraiva. V. Filomeno. Flavia Portella. Em sentido semelhante: "A lei é clara ao classificar como consumidor a pessoa jurídica. James Marins. 71-78.). Roberto Senise Lisboa. 1991. Juarez de (coord. p. Relação de consumo. Fábio Konder Comparato. Comentários ao código de proteção ao consumidor. 31. p. Notas 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 Roberto Senise Lisboa. 2005. 107-113. p. SIDOU. São Paulo: RT. 90-91. 189. São Paulo: Quartier Latin. ‘A proteção do consumidor’. 2ª ed. 159. Comentários. Luiz Antônio Rizzatto. p. ‘O conceito jurídico de consumidor’. MARQUES.99 jurisprudência do STJ. in: Código comentado. Proteção ao consumidor. Herman Benjamin. p. Rio de Janeiro: Forense. In: Revista do advogado. Dez/2006. Roberto Senise Lisboa. desde que possa subsumir-se no enquadramento normativo dos conceitos de consumidor que o CDC estabelece. Rizzatto Nunes. 21. Rizzatto Nunes. 19-20 e notas. 78-80. Othon. James Marins. São Paulo: Saraiva. A responsabilidade por fato do produto no CDC. 2004. Comentários ao código de defesa do consumidor. p.. p. PÜSCHEL. 87-98. OLIVEIRA. n. 6 e 29-32. Herman Benjamin. ‘O conceito jurídico de consumidor’. 2006. p. considerando consumidora . NUNES. 71. Responsabilidade civil. Cf. p. 89. in: Código comentado. Comentários. p. p. Responsabilidade. 1977. Comentários ao código de defesa do consumidor. Maria Antonieta Donato.

p. Pearce. pois os computadores melhoram a sua produtividade e. 29. 35-40. Herman Benjamin. p. p. 108). isto é." Nery Jr. Cf. 80 apud Herman Benjamin. p. Roberto Senise Lisboa. 68 e 108. Proteção ao consumidor. para os que a defendem. É o que Roberto Senise Lisboa chama de ‘teoria da causa final’. 71. não tendo nenhuma relação com o seu ‘porquê’ (Responsabilidade civil. p. e Responsabilidade civil. . Uma nota se faz imprescindível sobre esse argumento: todo e qualquer bem adquirido pela empresa está incluído no preço final ao adquirente de seus produtos. 72. ‘O conceito jurídico de consumidor’. Responsabilidade civil. David W. 169-183). e os bens ou serviço que são objeto de sua especialidade comercial ou profissional’. Comentários. p. 71. 165. Proteção ao consumidor. 2º. 494. p. p. p. "[P]oderá ser conferida a tutela protecionista dos consumidores às pessoas jurídicas ou aos consumidores-profissionais desde que fundada ‘na ausência de similitude entre o bem e o serviço que são objeto do ato para o qual o profissional reclama a sua qualidade de consumidor. Para essa corrente restritiva. 166-167. in: Código comentado. o ‘para que’ o fato ocorreu. p. 32. in: Código comentado. pois. praticamente nunca a pessoa jurídica seria consumidora. Manual. in: Código comentado. João Batista de Almeida. p. pouco importando que faça ou não parte da cadeia produtiva. 18 19 17 Cláudia Lima Marques. p. Cláudia Lima Marques. Roberto Senise Lisboa.. Relação de consumo. são considerados insumos. 27. 31-37. caput. p. ou alguém duvida sinceramente que o cafezinho do diretor da montadora de carros não esteja embutido no preço final dos veículos vendidos aos consumidores? 20 21 Maria Antonieta Donato.100 a pessoa jurídica apenas quando adquira produto ou se utilize de serviço que não seja considerado insumo para sua atividade empresarial. nessa condução. a tese restritiva nega vigência ao art. Levada à sua última conseqüência. ‘O conceito jurídico de consumidor’. p. p. 25 26 Cf. The dictionary of modern economics. 71-74. indústria de automóveis que adquire computadores para seu escritório não seria consumidora. 14 15 16 James Marins." (Thierry Bougoignie apud Maria Antonieta Donato. Comentários. 22 23 24 Filomeno. do CDC.

por Juarez de Oliveira. 38. in: Código comentado.428-SC. p. do CDC’. Comentários. . 140. p. 27. 80-81.056-SP Nancy Andrighi. p. coord. Rizzatto Nunes. 43 44 45 46 47 V. Cláudia Lima Marques. in: Código comentado. p. in: Conflito de Competência nº 41. Herman Benjamin. Maria Antonieta Donato. Loc. Proteção ao consumidor. Rizzatto Nunes. Comentários. p. in: Comentários. p. p.101 27 28 29 30 Herman Benjamin. 195. cit. in: Comentários. p. p. coord. 99. James Marins. 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 Cf. 23. 2º Cf. coord. ainda que o Código tampouco o eleja como elemento definidor de consumidor – a vulnerabilidade é conseqüência de ser consumidor. James Marins. p. 148-149. Filomeno. ‘O conceito jurídico de consumidor’. in: REsp 476. 74-75. James Marins. por Juarez de Oliveira. Eros Grau. Cláudia Lima Marques. Comentários. p. uma vez que o CDC somente faz referência à hipossuficiência para fins processuais. in: Código comentado. o termo mais apropriado seria "vulnerabilidade". in: Comentários. p. 41 42 Herman Benjamin. 100. in: Código comentado. 20. 148. p. Note-se a utilização pouco técnica desse termo. p. Mirella Caldeira. James Marins. por Juarez de Oliveira. Fábio Ulhoa. 253. In: ‘Definição legal de consumidor’. 77. Comentários. 277. in: Código comentado. Nancy Andrighi. in: Código comentado. voto in: ADI nº 2591. 42-41. p. Fábio Ulhoa. ‘O conceito de consumidor no parágrafo único do art. p.

102 48 49 Cláudia Lima Marques. criação. Responsabilidade. 43. 65. 174. p. Responsabilidade. Flávia Püschel. p. p." 68 Flávia Püschel. 65. 12. 101-102. p. isto é. nota 47. Comentários. Filomeno. Responsabilidade. caput. p. Tullio Ascarelli apud Flávia Püschel. de poder para influir sobre as características do produto. Responsabilidade. Flávia Püschel. p. além de "remeter à idéia de produção. 65. p. Rizzatto Nunes. p. 66. Flávia Püschel. Mas também quando há remuneração indireta: Rizzatto Nunes. p. Filomeno. 50 51 52 Cf. Responsabilidade. 57-58). in: Código comentado. Utilizamos aqui a terminologia sugerida por Flávia Püschel (Responsabilidade. Responsabilidade. p. Denari. . Comentários. Comentários. p. p. p. nota 77. p. ‘O código brasileiro de proteção ao consumidor’. 63. Cf. 71-72. 112-113. p. p. Cf. p. 62. in: Código comentado. in: Código comentado. Comentários. 45. p. Flávia Püschel. Responsabilidade. Rizzatto Nunes. Apud Flávia Püschel. Responsabilidade. Flávia Püschel. Comentários. p. uma vez que todos recebem indistintamente o mesmo tratamento legal. 63. Flávia Püschel. 101. 59-61. 67. p. 46. nota 102. p. Cláudia Lima Marques. in: Código comentado. 19. Filomeno. No mesmo sentido: Herman Benjamin. 93. utilizando o termo produtor para referir a todos aqueles enumerados no art. 397. Responsabilidade. Responsabilidade. Flávia Püschel. 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67 Cf.

in: Código comentado. p. 196-197. Rizzatto Nunes. p. Comentários. 48. Comentários. . Comentários. 111. p. Comentários. Responsabilidade. ex. 119 apud Filomeno. 198 e ss. p. Flávia Püschel. 43. Cf. v. p. Roberto Senise Lisboa. p. in: Código comentado. Rizzatto Nunes. Responsabilidade civil. 83. Cláudia Lima Marques. 1. 101. p. in: Código comentado. Responsabilidade civil. in: Código comentado. Rizzatto Nunes. 37-38. 90 91 Roberto Senise Lisboa. p. p. p. p. Cf. Responsabilidade. p. Relação de consumo. 92. Relação de consumo. 82. p. Cf. Filomeno. Filomeno. 73-74. 47.: REsp nº 689266. 110-111. Comentários. 77. in: Código comentado. Filomeno. p. 94. nota 20. Roberto Senise Lisboa. Cf. Comentários. Cf. Comentários. in: Código comentado. p. Rizzatto Nunes. Direito civil. Responsabilidade. Sílvio Rodrigues. Relação de consumo. e 636897. Roberto Senise Lisboa. p. p. Roberto Senise Lisboa.. Flávia Püschel. 199.103 69 70 71 72 73 74 75 Flávia Püschel. Comentários. Filomeno. Flávia Püschel. 108. p. 79 80 81 82 83 84 85 86 87 88 89 Cf. Responsabilidade. Rizzatto Nunes. James Marins. Relação de consumo. REsp nº 614981. 82. p. 57. No mesmo sentido: Rizzatto Nunes. 86. 47. p. AgRg no Ag nº 363679. Roberto Senise Lisboa. 25. Rizzatto Nunes. Flávia Püschel. 9-10. 77 78 76 Cf. p. P. p. p. Responsabilidade. Flávia Püschel. e 575020. 25-26. Responsabilidade. p. p. 107-108. 107-108. p. p.

Curso. REsp 625. n. entendendo que na prestação de serviço público típico há relação de consumo: Nancy Andrighi. 102 . 612. p. STF. 214-217. Roberto Senise Lisboa. Nancy Andrighi. ‘A tributação e o consumidor’. Proteção ao consumidor.298-2/RS. 112-113. p. ainda. 97 98 99 Roberto Senise Lisboa.104 92 93 94 Celso Antônio. Roberto Senise Lisboa. p. Rel.144-SP. Regina Helena Costa. Cintra do Amaral. 6. 213-214. p.. Comentários. ‘Distinção entre usuário de serviço público e consumidor’. Relação de consumo. 28.. AgRegAI 282. p. e Castro Filho. p. p. 3ª T. Rel. 2ª T. 211-213. Responsabilidade civil. 48-49. 100 101 STJ. V. Divergiram da fundamentação da maioria. Min. p. Relação de consumo. in: Código comentado. os demais julgados lá referenciados. Roberto Senise Lisboa. Responsabilidade civil. Min.. 122-123. Carlos Velloso. 95 96 Rizzatto Nunes. Nesse mesmo sentido: Maria Antonieta Donato. Filomeno.

. mesmo porque. desta feita cingindo-nos à definição. Tal relação só existirá quando certas ações dos sujeitos. concluir-se-á pela inaplicabilidade do Código de Defesa do Consumidor. Em regra. Antes de qualquer coisa. Verbera ele que toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final é considerada diretamente como consumidora. Maria Helena Diniz. em razão do qual uma pode pretender um bem a que outra é obrigada. Estes. 2004). isto é. todas as relações jurídicas exigem a presença de alguns elementos. a dicção legal do Código de Defesa do Consumidor é de clareza mediana. outros. compõem-na de forma a demonstrar sua extensão e seu conteúdo. O texto legal choca-se com o cotidiano. de 1990. Afigura-se não haver a menor dúvida. anota que "a relação jurídica consiste num vínculo entre pessoas. faltante um único deles sequer. em nossa obra Ofensa à Honra da Pessoa Jurídica (Ed.078. forem relevantes no que atina ao caráter deôntico das normas aplicáveis à situação. dada a incompatibilidade do preceito com a teleologia e a axiologia da norma. vêm eles arrolados nos artigos 2º e 3º da Lei n. 7ª ed. São Paulo.. citando Del Vecchio. 8. São elementos subjetivos o consumidor e o fornecedor. LEUD. pois. e elementos objetivos o produto e o serviço. São Paulo: Saraiva. De efeito. em apertada e perigosa síntese. devemos definir a relação jurídica de consumo. 1995. Só haverá relação jurídica se o vínculo entre duas pessoas estiver normado. Os atos ordinários da vida se orientam para caminho diametralmente oposto.078. os elementos que constituem a relação jurídica subsumível ao Código de Defesa do Consumidor. Exige-se a presença de elementos de órbita subjetiva e. Diversa não é a relação de consumo. Pois muito bem. de ordem objetiva. Donde vê-se necessário. somados. p. Mas não é bem assim. Evidentemente. consumidor será o não profissional que de algum modo encontra-se vinculado com o fornecedor de produtos ou serviços. Vejamos. de início. esboçou a pretensão legislativa de fornecer os elementos necessários à definição das pessoas envolvidas na relação de consumo.105 Pessoa jurídica consumidora Autor: Alex Sandro Ribeiro O enfrentamento da problemática envolvendo a pessoa jurídica qualificada com consumidora deu-se alhures. regulado por norma jurídica" (Compêndio de Introdução à Ciência do Direito. que constituem o âmbito pessoal de determinadas normas. amplamente. de 1990. Quanto aos elementos da relação de consumo. 459). O artigo 2º da Lei n. Mas a questão permanece suscitando controvérsia e nos aguçou a tecer considerações a respeito. Considerou consumidor toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final. 8. atentar para o significado de relação jurídica.

106 A exata definição. o "elo final da cadeia produtiva".).. Quando houver aquisição para a soma de todas as despesas (matéria-prima. para uma posição mais teleológica.. observando-o por quatro ângulos: 1) pessoa natural ou fictícia. 1999. 4) destinação final. A pessoa jurídica pode ser considerada consumidora. aos contratos de direito privado (civil e comercial). o conforto. a manutenção ilesa da pessoa vinculada ao negócio e de todos aqueles que. reside o maior óbice à aplicabilidade irrestrita da do Código do Consumidor em favor da pessoa jurídica. também merece especial atenção quando se tenta localizar a pessoa do consumidor em eventual interpretação do artigo 2º da Lei Consumerista. Aqui. que a vulnerabilidade. Nesse passo. É o item 4 o essencial. p. 2001." (CDC Comentado pelos autores do anteprojeto. Basta que sua posição na aquisição do produto ou do serviço não o seja para fins de insumo. Exigiu a Lei que a pessoa fosse destinatária final do produto ou do serviço. já a partir do seu art. São Paulo: RT. 7ª ed. 1841)". 2) aquisição ou utilização. encontrando-se aqui um dos fundamentos principiológicos da figura do consumidor por equiparação. 33. "apegam-se às condições gerais dos contratos estabelecidos pelo Código de Defesa do Consumidor. e também das vítimas de eventos danosos por fato ou vício do produto ou do serviço. protegendo o mais fraco na relação de consumo. enfim. pois. Até aqui.. 4ª ed. a segurança e. Até a teoria finalista. de algum modo. (Código de processo civil comentado. p. econômica e institucional. tais como a comodidade. há de sofrer um abrandamento. pois. será consumidor se obter ou usufruir real ou potencialmente o produto ou o serviço. o sistema do CDC 51 deve ser aplicado. 3) produto ou serviço. sendo que tal posicionamento já vem esboçado por Nelson Nery Júnior e Rosa Maria de Andrade Nery. Rio de Janeiro: Forense Universitária. assim. enfim. simples se mostra o estudo e pouco significa para qualificar um ente abstrato como consumidor. ainda que as partes não sejam. em suas necessidades básicas empresariais. Anote-se. pois pertence à teoria geral do direito contratual. por extensão. O item 3 refere-se à contratação ou usufruição de um serviço e à aquisição ou utilização de um produto.. a rigor. horas trabalhadas. lembra-o José Geraldo Brito Filomeno. O item 1 estampa a intenção de aceitar a pessoa jurídica como consumidora. No item 2 vê-se que a utilização é quantum satis. haja intervindo na relação jurídica. porque a disjuntiva ou assim especifica e afasta a necessidade de aquisição para perpetuar a relação de consumo. Algumas decisões. quando observam que: "Dado que a ilicitude das cláusulas abusivas é matéria que não fica restrita às relações de consumo. ainda que a inferência destes na relação de consumo seja simplesmente de exposição às práticas comerciais e contratuais.) que . consumidoras . e mais marcadamente no que tange às práticas e cláusulas contratuais abusivas. exige um desmembramento do artigo. amortização etc. 30.

ou serviços. É para ele que se destina a publicidade. É para ele que são destinados os produtos e os serviços. Não parece haver muita dificuldade. Aqui pode limitar o campo de proteção. e afastar-se-ia a sapiência dos aforismos: odiosa sunt amplianda. impossível a manutenção incólume da dignidade da pessoa humana. Eis a aplicação dos métodos teleológicos. ou de consumidor. Sem o consumidor. Mas também. assim como a redução das desigualdades sociais e regionais. liberar-se-iam os abusos e o comprometimento da legitimidade jurídica. da sociedade livre. do desenvolvimento nacional. é quem adquire ou utiliza bens (produtos. Todos. na linguagem do Código de Proteção e Defesa do Consumidor). Se não os houvesse no sistema jurídico posto. Consumidor. nos direitos sociais. mais ainda. será bem de insumo e não de consumo. que. via de conseqüência. para a satisfação de necessidades ligadas à sua sobrevivência – lógica. ubi eaden legis dispositio (onde existe a mesma razão fundamental prevalece a mesma regra de direito). em se concluir que há muitas pessoas jurídicas técnica e institucionalmente inferiores ao fornecedor e. uma das células mais importantes da economia nacional é a pessoa do consumidor. Mas também os métodos lógico e literal dão guarida à aplicação do Código de Defesa do Consumidor às pessoas jurídicas. Nessa senda. axiológicos e sistemáticos. e. deve-se ater ao bem comum. não se pode olvidar que o Código de Proteção e Defesa do Consumidor sobreveio com o escopo de dar plena e irrestrita eficácia à norma ápice. prioritários aos métodos lógico e literal. Ambos têm imediata aplicabilidade nas relações econômicas e. A defesa do consumidor e a função social da pessoa jurídica espelham fundamentais princípios erigidos a dogma de calibre constitucional. Esta a definição de consumo. favorabilia sunt restringenda (restrinja-se o odioso. enfim. dos valores sociais do trabalho e da iniciativa privada. difícil se mostra a erradicação da pobreza e da marginalização. não é difícil localizar um ente abstrato destinatário final de certo produto ou serviço. que de forma léxica caminha junto como texto constitucional. sob pena de esvair a pretensão da lei e obstar que ela cumpra sua verdadeira finalidade. psicológica ou social. Uma interpretação de norma jurídica deve guardar correspondência mínima com o texto legal. coisa que não foi determinada pela Norma Maior. e não o consumidor de produtos ou serviços. aos fins sociais que se destina a lei. semanticamente dissecando. Afora isso. consumidor e economia. amplie-se o favorável) e ubi eaden ratio legis. inegavelmente. à vontade . em maior ou menor prazo. ainda.107 ocorrem na obtenção de um produto industrializado ou semi-industrializado. acabam sendo destruídos pelo ato de consumo. porquanto a Constituição manda proteger o consumidor. justa e solidária. Sem ambos. Todos esses fundamentos do Estado Democrático de Direito e da República Federativa do Brasil esvair-se-iam céleres com o vento. não há giro da economia.

enfim. máxime as garantias fundamentais. Ao fim e ao cabo. Enfim. anote-se que são exemplificativas as hipóteses de aplicação do Código Consumerista. outorgando-se elastério ao intérprete. todas as vezes que a interpretação for conduzida no sentido de excluir direitos. quando então deverão prevalecer as regras do Código Civil.. a questões históricas. a todo o sistema normativo e. Ademais. . de vez que apenas a exceção esteve expressamente mencionada (v. relações trabalhistas).108 da norma.g. apenas a incompatibilidade manifesta afasta a incidência do Código de Proteção e Defesa do Consumidor às pessoas jurídicas. tem ela de ser feita de maneira restrita. se em compasso com os preceitos virtuais consagrados na Constituição Federal de 1988.

O Código Civil. em seus arts. 2.2. 1 Responsabilidade subjetiva e objetiva.1. 2. Mário A essência da responsabilidade subjetiva como enuncia o insigne jurista Caio [01] assenta-se fundamentalmente na pesquisa ou indagação de como o .2 Responsabilidade pelo fato do produto e do serviço. Introdução O presente artigo aborda a responsabilidade civil prevista no Código de Defesa do consumidor e analisa as excludentes previstas em referido diploma legal. a culpa.109 Aspectos da responsabilidade civil no Código de Defesa do Consumidor e excludentes Autoras: Michele Oliveira Teixeira Simone Stabel Daudt Sumário:Introdução.2. 2. 1. Responsabilidade civil no código de defesa do consumidor.2.3 Exercício regular de direito. 1. EXCLUDENTES DE RESPONSABILIDADE. bem como outras existentes no ordenamento jurídico brasileiro e aplicáveis às relações de consumo. 1.Conclusões. RESPONSABILIDADE CIVIL NO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR 1.1 Previstas no CDC.1 Caso Fortuito e Força Maior. além da ação ou omissão que causa um dano. 1. 1 Responsabilidade subjetiva e objetiva Dois são os fundamentos da responsabilização do agente: de um lado. 2. ou seja. deve restar comprovada a culpa em sentido lato. 186 e 187. e. Referências Bibliográficas. ligados pelo vínculo denominado nexo de causalidade. 2. adota como regra a responsabilidade subjetiva.2 Riscos do desenvolvimento. 2. fundamentado pela doutrina objetiva ou teoria do risco.2 Outras Excludentes.3 Responsabilidade pelo vício do produto e do serviço. baseada na doutrina subjetiva ou teoria da culpa. de outro lado o risco.

como por exemplo nas hipóteses previstas nos artigos 931 e 936. Basta a demonstração da existência de nexo causal entre o dano experimentado pelo consumidor e o vício ou defeito no serviço ou produto. criando óbices. basta que seja danoso. a comprovação da culpa para atribuir ao fornecedor a responsabilidade pelo dano. Assim. . muitas vezes. Para a teoria objetiva interessa somente o dano para que surja o dever de reparação. dispensando. Porém. A opção legislativa reflete a adoção feita pelo legislador da teoria do risco do negócio. A prova é. a fim de demonstrar-se. ou se atuou com imprudência. a responsabilidade objetiva. de difícil realização. pois. Não se perquire se o fato é culposo ou doloso. ainda que não tenha concorrido voluntariamente para a produção dos danos [07]. em concreto. O Código de Defesa do Consumidor. se quis o resultado (dolo). referido diploma adota a responsabilidade objetiva imprópria. imperícia ou negligência (culpa em sentido estrito). que acaba. Não é apto a gerar o efeito ressarcitório um fato humano qualquer. como regra. Carlos Alberto Bittar [06] entende que: "Na teoria da culpa (ou "teoria subjetiva"). para a ação da vítima. Com isso. O fato danoso é que engendra a responsabilidade. Tratando-se de responsabilidade subjetiva a culpa integra esses pressupostos e a vítima só obterá a reparação do dano se comprovar a culpa [05] do agente. É preciso que este fato seja jurídico [02] e que seja ilícito. A vítima deverá provar somente o dano e o fato que o gerou. ao contrário do Código Civil. que é o conjunto de pressupostos da responsabilidade civil [04]. bem como. Segundo a teoria objetiva quem cria um risco deve responder por suas conseqüências. segundo a qual aquele que explora atividade econômica deve arcar com os danos causados por essa exploração. o principal pressuposto dessa responsabilidade é a culpa. também chamada da culpa presumida. a responsabilidade civil surge pela prática de um ato ilícito [03]. assim. em alguns casos.110 comportamento contribui para o prejuízo sofrido pela vítima. a responsabilidade objetiva. injustamente suportando os respectivos ônus". cabe perfazer-se a perquirição da subjetividade do causador.

o artigo 14. 3º. Bastaria que se demonstrasse apenas a relação de causalidade entre o dano e seu autor para que daí decorresse para o agente a obrigação de reparar". se verificada. ou não. O autor do dano indenizaria pelo só fato do dano mesmo sem se indagar da sua culpabilidade. há uma exceção à responsabilidade objetiva. Sérgio Cavalieri ressalta [11]: "Este dever é imanente ao dever de obediência às normas técnicas e de segurança.12 é necessária a ocorrência comprovada e concorrente de três elementos: a) existência do defeito. inclusive a de inversão do ônus da prova [13]. bem como aos critérios de lealdade. estocar. . o fator culpa seria de nula relevância. quer perante os destinatários dessas ofertas. respondendo pela qualidade e segurança dos mesmos. É importante ressaltar que o tratamento diferenciado dado aos profissionais liberais se limita ao fundamento da responsabilidade. como é denominada por muitos. Wilson Melo da Silva responsabilidade objetiva: [10] esclarece com propriedade a definição da "Pela teoria da responsabilidade objetiva ou sem culpa. c) o nexo de causalidade entre o defeito do produto e a lesão. 12 que os danos indenizáveis são somente aqueles causados aos consumidores por defeitos de seus produtos observa-se ser necessária a existência de um defeito no produto e um nexo causal entre este defeito e o dano sofrido pelo consumidor.111 Claudia Lima Marques [08] ensina que para ser caracterizada a responsabilidade prevista no art. b) o dano efetivo moral e/ou patrimonial." Contudo. em suas atuações não ligadas a "obrigação de resultado". distribuir e comercializar produtos ou executar determinados serviços. A responsabilidade decore do simples fato de dispor-se alguém a realizar atividade de produzir. Como restam especificados no caput do art. Nesse sentido salienta Paulo Lobo [14] que caso o legislador pretendesse a exclusão da incidência do CDC aos profissionais liberais os mesmos não deveriam estar englobados no art. condição esta que. O fornecedor passa a ser o garante dos produtos e serviços que oferece no mercado de consumo. e não só entre o dano e o produto [09]. os remete à responsabilidade objetiva. no caso. inexistindo incompatibilidade entre a norma e as demais regras protecionistas. § 4º [12] trata da responsabilidade dos profissionais liberais. quer perante os bens e serviços ofertados.

independentemente da existência de culpa. inadequações no produto que ocasionam uma lesão no consumidor. isto é. exceto os considerados normais e previsíveis em decorrência de sua natureza e fruição.. aquele que sofrer acidente de consumo decorrente de defeito de concepção. Importante destacar que existe responsabilidade inclusive se o produto foi distribuído gratuitamente. montagem.112 1. construção. 12 trata dos defeitos dos produtos." Ou seja.. o construtor. O artigo 8º do CDC estabelece que os produtos e serviços colocados no mercado de consumo não acarretarão riscos á saúde ou segurança dos consumidores. daí termos enfatizado que a palavra-chave é defeito. que ocorre no mundo exterior. execução ou comercialização de produto.) um acontecimento externo. alegando que o produto ainda não foi colocado no mercado. apresentação ou acondicionamento de seus produtos. O art. e o importador respondem. Outrossim. 10º impede a colocação no mercado produto ou serviço com alto grau de nocividade ou periculosidade à saúde ou segurança. pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos decorrentes de projeto. que causa dano material ou moral ao consumidor (ou ambos).. Ressalte-se. que o art. Seu fato gerador será sempre um defeito do produto.. o produtor. conforme ensina Silvio Luíz Ferreira da Rocha [18]: "O fornecedor que entrega seus produtos para exame ou prova não poderá subtrair-se da responsabilidade civil prevista. sendo obrigado o fornecedor a dar informações necessárias e adequadas a seu respeito.2 Responsabilidade pelo fato do produto e do serviço Dispõe o artigo 12: " O fabricante. bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos(. fórmulas. nacional ou estrangeiro. por fim. uma vez colocados no mercado. fabricação. tem o direito de ser indenizado por todos os danos decorrentes [16]. manipulação.)" Sérgio Cavalieri [15] define fato do produto como: "(. o fornecedor será responsável também por produtos . interessa verificar se há possibilidade de transmitir ao consumidor informações que capacitem o consumidor do fornecimento em questão ao seguro consumo do produto ou serviço [17]. mas que decorre de um defeito do produto. Assim.

d) não estejam de acordo com informações.3 Responsabilidade pelo vício do produto e do serviço A responsabilidade por vício do produto ou serviço não está relacionada com aquela tratada pelos arts. a título de donativo para instituições filantrópicas ou com objetivos publicitários. . não elide a responsabilidade do fornecedor. como a entrega de bens a seus empregados. Acentua Luiz Rizzatto Nunes: "São consideradas vícios as características de qualidade ou quantidade que tornem os produtos ou serviços impróprios [característica que impede seu uso ou consumo] ou inadequados [pode ser utilizado. 12 a 14. que o produto entre no mercado de consumo de forma voluntária e consciente. do defeito e do nexo de causalidade entre este e o dano sofrido pelo consumidor. rotulagem. doação de bens destinados a vítimas de catástrofes". Os "vícios" no CDC são os vícios por inadequação (art. vícios de diminuição do valor e vícios de disparidade informativa [22]. e) os serviços apresentem funcionamento insuficiente ou inadequado [23]. sem causar dano à saúde/integridade física do consumidor." [21] O CDC prevê três tipos de vícios por inadequação dos produtos: vícios de impropriedade. ou. 18 e ss) e os vícios por insegurança (art. além é claro. c) diminuam o valor do produto. para haver a responsabilidade do fornecedor é necessário." Portanto. A falta de qualidade no fornecimento nem sempre é causa de danos à saúde. Coaduna de tal entendimento Zelmo Denari [19]: "A circunstância de o produto ter sido introduzido no mercado de consumo gratuitamente.) [20]. b) fazem com que o produto funcione mal. Para Rizzatto os vícios são aqueles problemas que: a) fazem com que o produto não funcione adequadamente.113 distribuídos a título gratuito. 18 elenca as hipóteses em que há vício no produto. embalagem. Apresentando um vício existe a responsabilidade do fornecedor. promoçõe publicitárias. Da mesma forma são considerados vícios os decorrentes da disparidade havida em relação às indicações constantes do recipiente. 1. mas com eficiência reduzida] ao consumo a que se destinam e também que lhes diminuam o valor. O art. ainda. integridade física e interesse patrimonial do consumidor. oferta ou mensagem publicitária.12 e ss.

em função do vício de qualidade. por ato ilícito (roubo ou furto. Nega-se aí. ou com a usurpação do nome. bem como o inciso I. marca ou signo distintivo. § 3° do artigo 12. mas inexiste nexo de causalidade entre ele e quaisquer das atividades do agente. trazem como excludente da responsabilidade do fornecedor a inexistência de defeito. diz respeito à introdução do produto no ciclo produtivo-distributivo de forma voluntária e consciente. ou seja. Ressalta-se que a inexistência de qualquer dos defeitos elencados no caput do . o produto defeituoso tenha sido apreendido pela administração e.114 2. Zelmo Denari [27] afirma que o defeito do produto ou serviço é um dos pressupostos da responsabilidade. pode ocorrer que. circunstância esta eximente da sua responsabilidade. segundo Zelmo Denari [25]. à revelia do fornecedor. A primeira eximente. para os produtos que. Tais hipóteses estão elencadas no artigo 12. § 3° do artigo 14. por exemplo). Refere o autor: "Os exemplos mais nítidos da causa excludente prevista no inc. Da mesma sorte. posteriormente. cuidando-se. Isso vale especialmente para os produtos falsificados que trazem a marca do responsável legal ou." O inciso II do mencionado dispositivo legal. forma lanaçados no mercado. o nexo causal entre o prejuízo sofrido pelo consumidor e a atividade do fornecedor. Nesse sentido manifesta-se Antonio Herman de Vasconcelos Benjamin [26]: "É até supérfulo dizer que inexiste responsabilidade quando os responsáveis legais não colocaram o produto no mercado. causado pelo produto. § 3° e no artigo 14. de forma que se não ostentar vício de qualidade ocorre a quebra da relação causal ficando elidida a responsabilidade do fornecedor. § 3° do Código de Defesa do Consumidor [24]. tenha sido introduzido no mercado de consumo. O dano foi. nesta última hipótese da falsificação do produto. sem dúvida.1 Previstas no CDC O Código de Defesa do Consumidor estipula as causas excludentes. EXCLUDENTES DE RESPONSABILIDADE 2. arrolada no inciso III. I seriam aqueles relacionados com o furto ou roubo de produto defeituoso estocado no estabelecimento. ainda. as hipóteses que mitigam a responsabilidade do fornecedor pelo fato do produto e do serviço.

tratam da culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro. mas que no sistema do CDC exonera os fornecedores. em caso de culpa concorrente. a responsabilidade se atenua em razão da concorrência de culpa e os aplicadores da norma costumam condenar o agente causador do dano a reparar pela metade do prejuízo. segundo as regras de experiência. § 3° do artigo 14. ainda assim a responsabilidade do agente produtor permanece integral. ficando afastada tal responsabilidade no caso de culpa exclusiva do consumidor: "Se for caso de culpa concorrente do consumidor (por exemplo. cabendo à vítima arcar com a outra metade" Sustenta Luiz Antonio Rizzatto Nunes [30] que a responsabilidade do fornecedor permanece integral. como o caput do artigo 12 dispõe que a responsabilidade é pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos. inciso III. pois mesmo existindo no caso um defeito no produto. Antônio Herman Vasconcelos Benjamin e Bruno Miragem: [28] "O sistema do CDC prevê a exoneração na hipótese do inciso III do § 3° do artigo 12. deverá ser demonstrada pelo fornecedor. em havendo a inversão do ônus da prova. haverá redução do montante indenizatório. aplicável. § 3° do artigo 12 e o inciso II. hipótese esta que no sistema da Directiva européia ficaria submetida ao ju´zio de valor do judiciário. nos termos do artigo 6º. como conseqüência. a redução do montante a ser pago a título de . disolvendo-se a própria relação de causalidade. Dessa forma. Esclarece Zelmo Denari [29] que culpa exclusiva não se confunde com culpa concorrente: "no primeiro caso. por fim. Apenas se provar que o acidente de consumo se deu por culpa exclusiva do consumidor é que ele não responde". No entender de Cláudia Lima Marques. desaparece a relação de causalidade entre o defeito do produto e o evento danoso. as informações do produto são insuficientes e também o consumidor agiu com culpa). E. de culpa exclusiva da vítima ou de terceiro. no segundo. inexistindo estes não há que se falar em dever de indenizar. embora permaneça integral a responsabilidade do fornecedor. quando o juiz considera verossímeis as alegações do consumidor. não haveria nexo causal entre o defeito e o evento danoso (cupla da vítima)". Entretanto. Alberto do Amaral Junior [31] salienta que "o concurso de culpa do consumidor lesado produz. o inciso III.115 artigo 12. em caso de culpa concorrente.

tradicionais excludentes da responsabilidade. deve ser considerada como atenuante no momento da fixação do montante indenizatório. apesar de não ser excludente de responsabilidade. § 3° e 14. riscos de desenvolvimento e exercício regular de direito.1 Caso Fortuito e Força Maior Pela análise das eximentes expressamente previstas nos artigos 12. Não admiti-la. e não autoriza a inclusão dessas excludentes: "o risco do fornecedor é mesmo integral. apesar do Código de Defesa do Consumidor não fazer menção à culpa concorrente do ofendido. Contudo. Nessa mesma linha Carlos Alberto Bittar [32]: "havendo culpas concorrentes. Antonio Herman de Vasconcelos Benjamin [35] afirma que a questão deve ser tratada de forma diversa: "A regra no nosso direito é que o caso fortuito e a força maior excluem a responsabilidade civil.2 Outras Excludentes O Código de Defesa do Consumidor. tanto que a lei não prevê como excludentes do dever de indenizar o caso fortuito e a força maior". 2. 2.2. o rol ali indicado é taxativo. entende a doutrina que. § 3°. Por essa razão discute-se na doutrina se o caso fortuito e a força maior podem ser considerados como excludentes para as relações jurídicas de consumo. a doutrina aponta outras eventuais hipóteses de exclusão de responsabilidade. prevê a exclusão da responsabilidade do fornecedor nos artigos 12.116 ressarcimento". O Código. seria o mesmo que permitir o beneficío da integralidade indenizatória aquele que veio a concorrer para o evento lesivo. não é possível aplicar as normas do Código Civil nas relações consumeiristas. devendo se ater a sua forma declarativa ou estrita. em havendo a inversão do ônus da prova. entre as causas excludentes de . capaz de afastar a responsabilidade do fornecedor. Para Roberto Senise Lisboa [34] se na interpretação das normas restritivas de direito não pode o interprete querer alargar a aplicação da norma. tais como o caso fortuito ou força maior. deve por este ser provada. Assim. Luiz Antônio Rizzatto Nunes [33] entende que por ter o § 3º do artigo 12 utilizado o advérbio "só". § 3° e 14. conforme mencionado. verifica-se que este diploma legala silencia quanto o caso fortuito e a força maior. poderão forrar-se à reparação na proporção em que provarem a culpa do consumidor". descritas no artigo 393 do Código Civil. Ressalta-se que a conduta culposa do consumidor. § 3° do Código de Defesa do Consumidor.

mantendo-se. Contudo. da força maior ou do caso fortuito. o fornecedor responderá pelos danos: "Isto porque até o momento em que o produto ingressa formalmente no mercado de consumo tem o fornecedor o dever de garantir que não sofre qualquer tipo de alteração que possa torná-lo defeituoso. então. James Marins [38]sustenta que o caso fortuito ou a força maior poderão afastar a responsabilidade do fornecedor ou não dependendo do momento em que ocorreram. quer me parecer que o sistema tradicional. Exemplifica o autor: "Não teria sentido.117 responsabilidade. responsabilizar-se o fornecedor de um eletrodoméstico. em conseqüência. por exemplo. posteriores ao fornecimento: "O fornecedor também é liberado do dever de indenizar em demonstrando a presença. porque quebram a relação de causalidade entre o defeito do produto e o dano causado ao consumidor". oferecendo riscos à saúde e segurança do consumidor. Caso se manifestem antes da inserção do produto no mercado de trabalho. Branco [37] muito embora o artigo 12 especifique que o fornecedor apenas não será responsabilizado quando provar que não colocou o produto no mercado. não os elenca. mesmo que o fato causador do defeito seja a força maior". e. afastada a responsabilidade do fornecedor. entre as causas do acidente de consumo." João Batista de Almeida [36] salienta que "Apesar de não prevista expressamente na Lei de proteção. ficando. se um raio faz explodir o aparelho. não foi afastado. No entender de Eduardo Gabriel Saad. há a ruptura do nexo de causalidade. A força . causa incêndio e danos aos moradores: inexistiria nexo de causalidade a ligar eventual defeito do aparelho ao evento danoso". Nesse sentido sustenta Fábio Ulhoa Coelho [39] que fica afastada a responsabilidade do fornecedor se demonstrar a presença de caso fortuito ou força maior. trata-se de uma impropriedade de redação: "O Código não pode obrigar o fornecedor a indenizar se sua inadimplência contratual ou responsabilidade aquiliana originaramse de caso fortuito ou de força maior". que inexiste defeito ou que houve culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro. Também não os nega. ambas as hipóteses possuem força liberatória e excluem a responsabilidade. pois. se o caso fortuito ou a força maior ocorrerem após a introdução do produto no mercado de consumo. Logo. desde que posteriores ao fornecimento. neste ponto. José Eduardo Duarte Saad e Ana Maria Saad C. a capacidade do caso fortuito e da força maior para impedir o dever de indenizar.

O centro dessa divergência é. ainda que exaustivamente testado. consistem: "(. a maioria da doutrina parece consolidar o entendimento de que ocorrendo o caso fortuito ou a força maior.. ante o grau de conhecimento científico disponível à época de sua introdução. vindo a ser descoberto somente após um certo período de uso do produto e do serviço. Dessa forma. ocorrendo todavia. a interpretação acerca do disposto no inciso III do §1º do art. se o eletrodoméstico é inutilizado por um raio. uma vez que o fundamento racional da responsabilidade objetiva do empresário.. Contudo. posteriormente ao fornecimento. restando. somente identificável ante a evolução dos meios técnicos e científicos. afastada a responsabilidade. dano e nexo causal. Por exemplo. desconstitui qualquer liame causal entre o ato de fornecer produtos ao mercado e os danos experimentados pelo consumidor.. se discute na doutrina a adoção pelo CDC dos riscos de desenvolvimento como eximentes da responsabilidade do fornecedor. por acidente de consumo. (.. quais sejam defeito. por isso.2. posteriormente. .118 maior ou o caso fortuito anteriores ao fornecimento não configuram excludente de responsabilização. venha a se detectar defeito.. Antônio Herman de Vasconcellos Benjamim [41] conceitua os riscos do desenvolvimento como: "aquele risco que não podem ser cientificamente conhecidos ao momento do lançamento do produto no mercado. não se responsabiliza o empresário pelos prejuízos do consumidor. Há divergência doutrinária quanto a caracterização dos riscos do desenvolvimento como hipótese de defeito dos produtos. 12 do Código de Defesa do Consumidor. não se podendo responsabilizar o fornecedor por aquilo que não deu causa.) Com efeito a manifestação de tais fatores. que. 2. nesse ponto. haverá a quebra do nexo causal. pois. decorrido determinado período do início de sua circulação no mercado de consumo.) na possibilidade de que um determinado produto venha a ser introduzido no mercado sem que possua defeito cognoscível." Percebe-se que a doutrina. segundo James Marins [40]. divide-se entre defensores e oposicionistas.2 Riscos do desenvolvimento Os riscos do desenvolvimento. capaz de causar danos aos consumidores". se encontra exatamente na constatação da relativa inevitablidade dos defeitos no processo produtivo. parte dos autores entendem que estão pressupostos da responsabilidade do fornecedor. nem tinha como prever ou evitar. enquanto outros afirmam inexistir um desses pressupostos. ou seja. o defeito.

12 representa a adoção da teoria dos riscos de desenvolvimento. produção ou informação.. Caso contrário. Surge. do Código de Defesa do Consumidor. está muito distante de significar adoção da teoria dos riscos de desenvolvimento. ao manifestar-se sobre o referido ". prevista como regra. seria responsabilizado o fornecedor por um defeito que não tinha como perceber no momento em que colocou o produto em circulação: "teríamos uma aplicação retroativa do padrão ou de medida de . diz respeito ao critério para avaliação do estado da ciência e da técnica. como propôs a Comunidade Econômica Européia" Marcelo Junqueira Calixto [43] adota posicionamento contrário. não era possível ser descoberto pelo estado dos conhecimentos técnicos e científicos contemporâneo à introdução do produto no mercado de consumo. Para essa compatibilização devemos considerar dois requisitos: a) o primeiro. afirmando que o inciso III do § 1º do art. em nível legislativo. Ensina o mencionado autor que para compatibilizar a os riscos do desenvolvimento com a responsabilidade do fornecedor devem ser analisados dois aspectos. b) o segundo. então. que podemos chamar de "requisito temporal".. Diante disso não se pode dizer ser o risco de desenvolvimento defeito de criação. com a responsabilidade objetiva imposta ao fornecedor. diz respeito ao momento que deve ser tomado em consideração para a verificação do estado dos conhecimentos científicos e técnicos. entretanto. James Marins requisito temporal afirma: [44] . é lícito ao fornecedor inserir no mercado de consumo produtos que não saiba nem deveria saber resultarem perigosos porque o grau de conhecimento científico à época da introdução do produto no mercado de consumo não permitia tal conhecimento. por nós chamado de "requisito técnico".119 Zelmo Denari [42] coloca-se entre os que defendem a não adoção da eximente dos riscos de desenvolvimento sutentando que "a dicção normativa do inc. sendo o momento a ser considerado para a verificação dos estado dos conhecimentos científicos e técnicos e o segundo o critério para avaliação do estado da ciência e da técnica: "De início deve ser lembrado que a Diretiva 85/374/CEE expressamente faz referência à existência de um defeito que. conforme sustenta João Calvão da Silva [45]. enquadramento este que é indispensável para que se possa falar em responsabilidade do fornecedor". a necessidade de se compatibilizar a excludente." Nesse mesmo sentido. III do artigo 12. §1º. os quais chama de requisito temporal e requisito técnico.

nesse sentido Fábio Ulhoa Coelho [46]. de atos lícitos. aquilo que sabe a comunidade científica em determinado momento histórico. somente não podendo fazêlo de forma abusiva. de acordo com a comunidade científica.120 responsabilidade.2. Verifica-se que a doutrina entende ter o Código de Defesa do Consumidor adotado a teoria dos riscos de desenvolvimento e ressalta a necessidade de avaliação do grau de conhecimento científico. salienta Antônio Herman de Vasconcelos Benjamin [47] que a análise do grau de conhecimento científico não é feita tomando por base um fornecedor em particular. Conforme o entendimento de Luiz Antônio Rizzatto Nunes [48]. afastada estará a responsabilidade do fornecedor. afastando a responsabilidade civil. vale ressaltar que. Realizar cobrança. "desde que tal ameaça decorra daquele regular exercício de cobrar. apresenta riscos cuja potencialidade não pôde ser antevista pela ciência ou tecnologia. são exemplos de exercício regular de direito do fornecedor e. o momento da distribuição do produto. portanto. o empresário não deve ser responsabilizado com fundamento nem na periculosidade (pois prestou informações sobre os riscos adequados e suficientes). nem na defeituosidade (porque cumpriu o dever de pesquisar)". Contudo. o credor tem o direito de cobrar seu crédito do consumidor inadimplente. Muito embora o Código de Defesa do Consumidor silencie quanto ao exercício regular de direito. o credor remete carta ao devedor dizendo (ameaçando) que irá ingressar com ação judicial para cobrar . posteriormente. No tocante ao requisito técnico." Posiciona-se. ao referir: "ao fornecer no mercado consumidor produto ou serviço que. por exemplo. pois à luz do novo conhecimento e tecnologia responsabilizar-se-ia o fabricante por um defeito existente mais indetectável no estado da ciência e da técnica em momento anterior. à época da introdução do produto ou serviço no mercado de consumo. também. entende a doutrina que por ser ele ato lícito. tais direitos devem ser exercidos pelo fornecedor atendendo aos ditames dos artigos 42 e 43 do Código de Defesa do Consumidor.3 Exercício regular de direito O inciso I do artigo 188 do Código Civil prevê que o exercício regular de um direito reconhecido não constitui ato ilícito. Tem a possibilidade até mesmo de ameaçar. 2. mesmo que provoquem transtornos ao consumidor. enviar um título vencido e não para cartório de protesto. com a conseqüente inclusão do nome do devedor em banco de dados.

Carlos Alberto.ed. São Paulo: Saraiva. AMARAL JUNIOR. 30. Rio de Janeiro: Renovar. como o caso fortuito. Curso de direito comercial. João Batista de. Zelmo e outros. ________. BITTAR. São Paulo: Saraiva. Referências Bibliográficas ALMEIDA. 2005 . nas relações de consumo. Rio de Janeiro. BENJAMIN. p. Código brasileiro de defesa do consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto/ Ada Pelegrini Grinover. Antonio Herman de Vasconcelos. O dever indenizatório decorrente da responsabilidade comporta exceções. Fabio Ulhoa. Somente haverá responsabilização caso o fornecedor viole os dispositivos que disciplinam a ação regular de cobrança e o cadastro de consumidores em bancos de dados. 9. Carlos Alberto. por ser ato lícito. O Empresário e os direitos do consumidor.} – 8ª ed. 1994. o exercício regular de um direito. Tais excludentes são aquelas expressas no próprio CDC. também. Responsabilidade Civil – Teoria e Prática. bastando ao lesado comprovar o dano e o nexo causal. não dará ensejo a responsabilização do fornecedor. BITTAR. Direitos do Consumidor. CALIXTO. São Paulo: Saraiva. a força maior e o exercício regular de direito. agindo de forma abusiva.. Rio de Janeiro: Forense Universitária. Conclusões A responsabilidade civil prevista no Código consumeirista é objetiva. São Paulo: RT. 2005. A proteção jurídica do consumidor. Alberto do. 1990. 1993. 2004. São Paulo: Saraiva. Macelo Junqueira. Comentários ao código de proteção do consumidor – coordenador: Juarez de Oliveira. Proteção do consumidor no contrato de compra e venda. I. entende a doutrina existirem outras aplicáveis. DENARI.121 o débito" Assim. Porém. al. COELHO. {et. 1993. 1991. . A responsabilidade civil do fornecedor de produtos pelos riscos do desenvolvimento. Forense Universitária. vol.

Contratos no Código de Defesa do Consumidor 3 ª ed. Responsabilidade sem culpa. Os fatos jurídicos são aqueles que têm relevância jurídica e dividem-se em: naturais (decorrem de acontecimentos da própria natureza) e voluntários (têm origem em condutas humanas capazes de produzir efeitos jurídicos). 8. Luiz Antonio Rizzatto. Bruno Miragem. E ampl. SILVA. abril-junho. LISBOA. Responsabilidade da empresa pelo fato do produto. 2003. 29. Wilson Melo da. Comentários ao Código de Defesa do Consumidor:direito material (arts. ver. 1990. Branco. Programa de Responsabilidade Civil. Benjamin. p. a responsabilidade civil surge pela prática de um ato ilícito. Caio Mário da Silva. 1993. São Paulo: Saraiva. Eduardo Gabriel. José Eduardo Saad e Ana Maria Saad C. MARINS. Responsabilidade civil do produtor. São Paulo: RT. 1º a 74: aspectos materiais/ Cláudia Lima Marques. 2006. 2001. 2005. PEREIRA. Claudia Lima. SILVA. Responsabilidade Civil. Responsabilidade Civil.34. 2000 SAAD. Notas 01 02 PEREIRA. James. MARQUES. 2000. MARQUES. p. 1999. São Paulo: Revista dos Tribunais. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. A responsabilidade civil do fornecedor pelo fato do produto no direito brasileiro. Comentários ao Código de Defesa do Cosumidor: arts.. Caio Mário da Silva. ROCHA. 2 tiragem.122 FILHO. São Paulo: RT. LOBO. Roberto Senise. 1º a 54). Antônio Herman V. São Paulo: Revista dos Tribunais. 2000. Silvio Luís Ferreira da. Sérgio Cavalieri. Cláudia Lima. 29. São Paulo: Malheiros. Paulo Luiz Netto. Revista de direito do consumidor. São Paulo: Saraiva. ª NUNES. 6ª ed. Responsabilidade civil nas relações de consumo. Assim. N. . João Clavão da. Os voluntários se dividem em: lícitos (fato praticado em harmonia com a lei) e ilícitos (fato que viola o dever imposto pela norma jurídica). Comentários ao Código de Defesa do Consumidor e sua jurisprudência anotada: Lei n.078/90/ Eduardo Gabriel Saad. Coimbra: Livraria Almedina. São Paulo: LTr.

. 2 tiragem. p. Bruno Miragem. NUNES. 104.123 03 04 05 Ressalte-se que há casos em que o ato lícito gera o dever de indenizar. 498. FILHO. Revista de direito do consumidor. 225. 150-51. Luiz Antônio Rizzatto. 30. p. São Paulo: Saraiva. Carlos Alberto. 2000. 2ª ed. Ob. p. 279. p. p. LOBO. 28.} – 8ª ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. 1º a 74: aspectos materiais/ Cláudia Lima Marques. Claudia Lima. dolosa e culposa. al. Fabio Ulhoa. 497. MARQUES. 1999. p. Curso de direito comercial. A responsabilidade civil do fornecedor pelo fato do produto no direito brasileiro. " §4º A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada mediante verificação da culpa.. I.. Fábio Ulhoa. 15 16 14 13 FILHO. Sérgio Cavalieri. Responsabilidade Civil – Teoria e Prática. 2005. Sérgio Cavalieri.34. 2000. São Paulo: Revista dos Tribunais. Código brasileiro de defesa do consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto/ Ada Pelegrini Grinover.p. N. Contratos no Código de Defesa do Consumidor 3 ed. Sérgio Cavalieri. São Paulo: RT. deve ser entendida como latu sensu.ed. 10 11 12 09 SILVA. Programa de Responsabilidade Civil. Ob cit. A culpa. Antônio Herman V. Programa de Responsabilidade Civil. 19 . 2003. 2005. São Paulo: Saraiva. 2000. 17 18 COELHO. 263. 188. FILHO. isto é. Benjamin. no presente trabalho. p. ª ª 08 Comentários ao Código de Defesa do Cosumidor: arts. Responsabilidade sem culpa. COELHO. . Comentários ao código de defesa do consumidor. {et.. p." Nesse sentido: " Cirurgião – dentista – Direito do consumidor – Facilitação de defesa – ônus da prova – Inversão – Possibilidade – Profissional liberal – Responsabilidade Civil" (RSTJ 115/271).100. vol. 06 07 BITTAR. 9.. Paulo Luiz Netto. Cit. p. p. 2005. Wilson Melo da. abriljunho.

e o importador respondem. ob. . Comentários ao Código de Defesa do Consumidor: arts.} – 8ª ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária. p. p. o construtor. 2005. Ob. Luiz Antônio Rizzatto.. bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos. construção. embora haja colocado o produto no mercado. 14..a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro. Bruno Miragem. fórmulas. Cit. Benjamin... o defeito inexiste. apresentação ou acondicionamento de seus produtos. Código brasileiro de defesa do consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto/ Ada Pelegrini Grinover. (. (. II . II . o construtor. 1º a 74: aspectos materiais/ Cláudia Lima Marques. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. 23 24 NUNES. montagem... Antônio Herman V. pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços. Antônio Herman V. 25 . o produtor. 188.) 3° O fornecedor de serviços só não será responsabilizado quando provar: I . {et. 21 22 20 NUNES. 286. 213-4. p. al. 286. 2003. p.que. manipulação. 2003.124 Comentários ao Código de Defesa do Cosumidor: arts. tendo prestado o serviço.. 12. 1º a 74: aspectos materiais/ Cláudia Lima Marques. o defeito inexiste. O fabricante. O fornecedor de serviços responde. Luiz Antônio Rizzatto.) 3° O fabricante. 278. Art. o produtor ou importador só não será responsabilizado quando provar: I . fabricação. Benjamin.que não colocou o produto no mercado. Bruno Miragem. independentemente da existência de culpa. Cit. Art.p. nacional ou estrangeiro. independentemente da existência de culpa. bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos.que. III .a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro. pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos decorrentes de projeto.

Bruno Miragem. al. p. José Eduardo Saad e Ana Maria Saad C. São Paulo: Saraiva. p. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. p. p. 69. 288. Comentários ao Código de Defesa do Consumidor e sua jurisprudência anotada: Lei n. al. Comentários ao Código de Proteção ao Consumidor. São Paulo: RT. E ampl. Proteção do consumidor no contrato de compra e venda. 271. 278. São Paulo: LTr.} – 8ª ed.. 41 . Rio de Janeiro: Forense Universitária. 38 Responsabilidade da empresa pelo fato do produto. 2005. 1993. ver. p.125 Comentários ao Código de Proteção ao Consumidor. p. 2006. 2001. 1991. Benjamin. vol I. São Paulo: Saraiva. 170. p. Comentários ao Código de Defesa do Consumidor. p. São Paulo: RT. São Paulo: Saraiva. Responsabilidade civil nas relações de consumo. 6ª ed. 2005. 1990. 32 33 31 30 29 28 27 26 Direitos do consumidor. Responsabilidade da empresa pelo fato do produto. 1993. 188. 35. Rio de Janeiro: Forense Universitária. Antônio Herman V. 169. 2005. 1991. . p. {et. – Coordenador Juarez 153. Branco. 8. Comentários ao Código de Defesa do Consumidor. 2000. p. 65. 227. p. . 1993. p. p. 2003. Curso de Direito Comercial. 1993.078/90/ Eduardo Gabriel Saad. p.} – 8ª ed. Código brasileiro de defesa do consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto/ Ada Pelegrini Grinover. 36 37 35 34 A proteção jurídica do consumidor. Comentários ao Código de Defesa do Cosumidor: arts. São Paulo: RT. 67. São Paulo: Saraiva. 189. São Paulo: Saraiva. {et. São Paulo: Saraiva. 1º a 74: aspectos materiais/ Cláudia Lima Marques. Código brasileiro de defesa do consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto/ Ada Pelegrini Grinover.. 2000. 281. Rio de Janeiro: Forense universitária. São Paulo: Revista dos Tribunais. p. 39 40 128. Comentários ao Código de Proteção ao Consumidor – Coordenador Juarez de Oliveira.

Rio de Janeiro: Forense Universitária. 2005. 67 Comentários ao Código de Defesa do Consumidor. p. p.} – 8ª ed. 84.126 de Oliveira. 200. p. p. 1991. 1994. a produção e a comercialização se . . O empresário e os direitos do consumidor. 44 43 42 Responsabilidade da empresa pelo fato do produto. São Paulo: Saraiva. 1990. p. São Paulo: Saraiva. p. 45 509. 506. {et.. p. al. 186-187. Rio de Janeiro: Renovar. 2000. 1993. São Paulo: Saraiva. Coimbra: Livraria Almedina. São Paulo: Saraiva. São Paulo: RT. 2004. 67 Código brasileiro de defesa do consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto/ Ada Pelegrini Grinover. 135. p. A responsabilidade civil do fornecedor de produtos pelos riscos do desenvolvimento. 48 Vícios no Código Civil e no Código de Defesa do Consumidor: diferenças Autor: Ricardo Canguçu Barroso de Queiroz Em consequência da revolução tecnológica. Responsabilidade civil do produtor. 1991. 46 47 Comentários ao Código de Proteção ao Consumidor – Coordenador Juarez de Oliveira.

f)O CC não prevê proteção aos vícios ocorridos na prestação de serviços. apenas. estando associado. no CDC a responsabilidade pelos vícios é subjetivo com presunção de culpa do fornecedor. c)O CC não prevê a solidariedade entre os fornecedores componentes da cadeia de produção e comercialização.127 dissociaram. assim. considera-se irrelevante que o consumidor tenha ou não conhecimento do vício e tenha ele surgido antes ou depois da tradição do produto. com quem contratou diretamente. e)O CC não prevê responsabilização pelos vícios aparentes ou de fácil constatação. desde que dentro dos prazos decadenciais. ou todos eles conjuntamente. há solidariedade entre os componentes da cadeia de fornecedores . aumentaram os riscos ao público consumidor. como vigora a vulnerabilidade do consumidor. resultando na evolução da produção em pequena escala para a produção em série. enquanto que no sistema do CDC "defeito" é vício mais dano à saúde ou segurança. a responsabilização pelos vícios da coisa. assim. passou. não há necessidade de haver relação contratual entre o consumidor e o sujeito passivo demandado pelo vício do produto ou serviço. afinal como já falamos. mas . além da inversão do ônus da prova em favor do consumidor. d)Pelo CC. portanto aos fatos do produto ou serviço e "vício" está associado à deficiência de qualidade ou quantidade do produto ou serviço. b)Enquanto no CC vigora a responsabilidade subjetiva pura. e com o objetivo de estabelecer-se o equilíbrio contratual. com berço no individualismo negocial. o fabricante. a não mais corresponder às expectativas do mercado de consumo e do progresso tecnológico da produção em massa. No CDC. No CDC. Já no CDC o consumidor poderá acionar quaisquer dos componentes da cadeia de produção e comercialização. por sua vez. baseada na culpa do fornecedor. abrangendo. O sistema do Código Civil. em que o mais importante era a preservação do contrato. Assim. provenientes de erros técnicos e falhas no processo produtivo. a noção de vício no CDC é bem mais eficiente do que a estabelecida pelo direito tradicional. Ante a necessidade de uma proteção mais ampla do consumidor na relação de consumo. sendo que tais problemas só foram suprimidos com o advento do Código de Defesa do Consumidor. só é permitida se esta tiver sido recebido em virtude de relação contratual (contratos comutativos ou doação com encargo). os ocultos. o distribuidor. senão vejamos: a)Para o CC as expressões "vício" e "defeito" são equivalentes. Além disso tais devem ser preexistentes ou contemporâneos à entrega da coisa. dada a grande diversidade de produtos no mercado. o consumidor só pode acionar o fornecedor direito. seja o comerciante.

Revista de Direito do Consumidor n.JÚNIOR. 1998 2 . Ed. h)O CC só prevê duas possibilidades de reparação: a ação redibitória (o contrato é levado a termo e o comprador é restituído integralmente pelo pagamento) ou a ação estimatória (o comprador obtém a redução do valor pago). No CDC as possibilidades estão ampliadas.São Paulo: Editora RT. g)No CC caso comprovada a boa-fé (ignorância) do alienante será obrigado a restituir apenas a coisa viciada. a restituição da quantia paga ou abatimento do preço.Da Responsabilidade por Vício do Produto e do Serviço . 1993. RT: São Paulo. BIBLIOGRAFIA 1 .Revista de Direito do Consumidor n. a culpa não enseja a responsabilização pelos danos materiais (lucro cessante + dano emergente) ou pessoais (morais).128 tão somente do produto. enquanto que o CDC contempla ao consumidor as possibilidades de exigir a reexecução do serviço. Alberto do Amaral . 1992. 3 . 4 – DENARI. o CDC tais prazos se iniciam a partir do momento em que o consumidor toma conhecimento do vício ou do dano (a prescrição é de 5 anos). a restituição da quantia paga ou o abatimento do serviço caso encontre-se responsabilidade do fornecedor de serviços pelos vício de adequação (quantidade e qualidade). estabelecendo dentre as hipóteses a substituição do produto. RT. Zelmo . Roberto Senise .A responsabilidade pelos vícios dos Produtos no Código de Defesa do Consumidor . para obter-se a reparação integral (danos materiais + danos pessoais). a possibilidade da troca do produto por outro de espécie. pouco importa o comprovação ou não de má-fé do fornecedor. marca ou modelo diverso. ou seja.Código Brasileiro de Defesa do Consumidor Comentado pelos Autores do Anteprojeto . i)No CC os prazos de prescrição e decadência são contados à partir da entrega da coisa (a prescrição é de 15 dias para bem móvel e 6 meses para bem imóvel).Vício do Produto e a exoneração da responsabilidade.São Paulo: Ed. Odete Novais . mediante complementação ou restituição de eventual diferença de preço.LISBOA. . 05 . de maneira que somente quando comprovada a má-fé aquele será responsabilizados por perdas e danos. Por sua vez. 03.Rio de Janeiro: Forense Universitária. assim como. 1999. Já no CDC havendo relação de consumo.CARNEIRO.

O fornecedor deve assegurar ao consumidor a correta utilização do produto. [01] Para proteger a legítima expectativa que tem o consumidor na qualidade e utilidade do produto. a responsabilidade civil por vícios de inadequação ou por vícios de insegurança. que é assentado na solidariedade social e na efetiva reparação dos danos aos consumidores. [03] É o que a doutrina uruguaia chama de Principio de Autoresponsabilidad. tendo-se.078/90) adotou o Princípio da Confiança. Ao fim. um novo modelo de responsabilidade. a responsabilidade civil do fornecedor pode emergir em decorrência de diversas espécies de vícios dos produtos. proporcionando-lhe as informações necessárias para tal. a responsabilidade civil legal. assim. o Código Brasileiro de Defesa do Consumidor (Lei n. um novo conceito. [02] segundo o qual o produto deve proporcionar ao consumidor exatamente aquilo que ele esperava ou deveria esperar quando o adquiriu. Introdução O produto adquirido pelo consumidor deve corresponder a exatamente aquilo que dele se espera. com isso. A justa expectativa dos consumidores e do público em geral frente aos produtos lançados no mercado é a de que eles funcionem regularmente. uma vez que impõe aos fornecedores o dever de colocar no mercado produtos indenes de vícios. ofereçam segurança aos seus usuários. de acordo com a finalidade para a qual foram desenvolvidos e que. 1. Cria-se. sob pena de responsabilização.129 A responsabilidade civil do fornecedor por vícios dos produtos no Código de Defesa do Consumidor Autor: Fabrício Castagna Lunardi Resumo O instituto da responsabilidade civil evoluiu rapidamente nas duas últimas décadas. simultaneamente.º 8. [04] que informa que o . Consumidor. No âmbito das relações de consumo. Palavras-chave: Responsabilidade. a fim de evitar que eventuais danos venham a ocorrer pela imperícia natural dos consumidores. Haverá. hodiernamente. observa-se claramente que o regramento que é dispensado à matéria tem reflexo imediato na segurança dos consumidores. que recebem tratamento jurídico diferenciado pelo Código de Defesa do Consumidor. Fornecedor.

da televisão que não tem boa imagem. a classificação dessa espécie de vícios em vícios de inadequação na qualidade e vícios de inadequação na quantidade. Dos vícios de inadequação e dos vícios de insegurança Os vícios de inadequação são aqueles que afetam a prestabilidade do produto. além dos que lhe são ínsitos e de conhecimento geral. do refrigerador que não mantém os produtos em baixa temperatura. Com o surgimento e alargamento do processo de industrialização. mostrando-se. bastando a verificação de que a informação sobre a qualidade ou quantidade não corresponde verdadeiramente ao que o produto proporciona. tem o fabricante o dever de controlar o processo de produção e de conhecer todas as inovações tecnológicas. da lata de extrato de tomate que não contém a quantidade informada na embalagem etc. impróprio para o fim a que se destina e desatendendo a legítima expectativa do consumidor. ainda. de modo a não induzir o consumidor em erro. quando afetem sua prestabilidade e utilização. por exemplo. cresceu a incidência de vícios e defeitos nos produtos. é utópico. e não colocar no mercado produtos que ofereçam riscos. [06] A par disso. a fim de prevenir a ocorrência de danos. pode ocorrer na qualidade do produto. . o que varia de acordo com a espécie de vício (ou defeito) que apresenta o produto. Por isso. quando a informação prestada não corresponde verdadeiramente ao produto. Os produtos defeituosos acabam sendo um resultado marginal e inexorável da produção industrial. A inadequação. portanto. É o caso. surge para o produtor uma dupla obrigação: fornecer produtos adequados às suas próprias finalidades. pois é responsável por aquilo que informa na oferta. [05] No entanto. prejudicando seu uso e fruição ou diminuindo o seu valor. Outrossim. Dessa sorte. existem diferentes instrumentos jurídicos para reparar os danos e prejuízos causados aos consumidores.130 fornecedor deve prestar informações de forma clara. mantendo o produto sempre atualizado em matéria de segurança. ou na sua quantidade. quando o peso ou a medida informada não corresponder à prestada pelo fornecedor ou à indicada na embalagem. 2. que tem como característica principal a produção em série. de qualquer forma. precisa e sem ambigüidades. como adiantes se demonstrará. o modelo ideal de produção. baseado na inexistência de produtos com avarias. à medida que não há um controle individual da adequação e segurança de cada unidade que é lançada no mercado. Ocorrem. A constatação desses vícios se faz por um critério objetivo.

Por razões como essa. 12 a 17 da Lei n. Obrigação é sempre um dever jurídico originário. por sua vez. no entanto. A doutrina de direito civil costuma definir a responsabilidade civil com base numa conduta causadora de um dano. deverá sempre haver o dano jurídico. enquanto a . entretanto.078/90. segundo a doutrina brasileira. pode-se definir a responsabilidade civil como "um dever jurídico sucessivo que surge para recompor o dano decorrente da violação de um dever jurídico originário." [12] Esse conceito. do qual exsurge o dever de reparação. [07] 3.131 No Brasil. 18 e segs. defeitos de desenvolvimento e defeitos de informação. em face de defeitos de projeto (ou concepção). Os vícios de insegurança. com a ofensa a um bem jurídico. levando-se em consideração a sua apresentação. Em um conceito sintético e geral. [10] ou com supedâneo no inadimplemento contratual. a época em que foi colocado em circulação. [08] exprimindo a idéia de obrigação. mas em decorrência de ato lícito. Tem ínsito um perigo de dano patrimonial ou extrapatrimonial.º 8. e não mais a punição do responsável. dentre outras circunstâncias. não se pode mais dizer que a responsabilidade jurídica está "essencialmente ligada à retribuição. não abrange todas as modalidades de responsabilidade civil. De outro lado. Os vícios de insegurança são tratados nos arts. encargo. defeitos de construção (ou execução). pois haverá casos em que surge a responsabilização sem a violação a um dever jurídico. da Lei n. a noção de responsabilidade implica sempre a violação de um dever. o elemento sanção ou retribuição foi mitigado.078/90. Podem ocorrer. [09] com fundamento na obrigação de indenizar. Ocorrem quando o produto não apresenta a segurança que dele legitimamente se espera. são aqueles defeitos que fazem com que o produto seja potencialmente danoso à integridade física ou ao patrimônio do consumidor. são os vícios de inadequação tratados nos arts. Com o passar do tempo. não se pode confundir as noções de obrigação e de responsabilidade civil. para haver responsabilidade civil. contraprestação. é verdadeira a premissa de que." [11] O elemento central passa a ser a reparação ou prevenção do dano ou prejuízo. Na nova definição de responsabilidade. De qualquer sorte.º 8. o uso e os riscos normais. Responsabilidade civil no âmbito das relações de consumo Na dogmática. dizer-se que não existe um conceito unitário que abranja todas as modalidades de responsabilidade civil.

também chamada de aquiliana. resta superada. em relação à matéria de proteção do consumidor.132 responsabilidade é um dever jurídico sucessivo. seguro de responsabilidade. corolário da violação do primeiro. cujo valor do prêmio se incorporará ao preço de venda. entretanto. [15] de modo que o prejuízo causado a um consumidor seja suportado por toda a sociedade. [16] Esse novo modelo de responsabilidade não se centra mais em apenas punir o autor de uma conduta antijurídica. senão no interesse em restabelecer o equilíbrio econômico-jurídico alternado pelo dano. além disso. geralmente. na necessidade de reparação ou prevenção do dano. A responsabilidade extracontratual. encontrando supedâneo na solidariedade social. patrimonial ou extrapatrimonial. à consciência da necessidade de proteção das vítimas e das partes mais fracas nas relações sociais. de um ato ilícito. a quem cabe controlar a qualidade e a segurança dos produtos. distribuindo-se o custo entre os próprios . [17] Com efeito. [13] Na dogmática. porque. paulatinamente. na sistemática do direito do consumidor. desafiando soluções jurídicas inéditas. por exemplo. por fim. Em face das transformações sociais ocorridas pela constante evolução industrial e dos riscos gerados aos consumidores. ultrapassa as fronteiras da culpa. em vista de situações que demandam regulamentação jurídica específica. previdência e garantia. o que determinou um redirecionamento dos princípios que regiam a matéria. porque os custos de ressarcimento devem recair sobre o fabricante e o fornecedor. o fornecedor tem melhores condições de suportar o risco do produto. ainda que o consumidor seja diligente. encontra-se que a responsabilidade civil pode ser classificada em contratual e extracontratual. causado ao consumidor pela existência de vícios de inadequação e de insegurança do produto. mediante. de uma obrigação contratual originária. [14] A responsabilidade civil. de uma obrigação jurídica que decorre de uma norma legal. O verdadeiro escopo dessa evolução é a preocupação de assegurar melhor justiça distributiva. base de uma responsabilidade sem culpa. de modo que será responsabilizado civilmente aquele que inadimplir essa obrigação. O fundamento social da reparação do dano está arraigado nas noções de assistência. Essa distinção. Responsabilidade contratual é aquela que decorre diretamente e em função de um contrato. deriva. a responsabilidade civil objetiva do fornecedor é o sistema de reparação de danos mais adequado aos tempos modernos. ou seja. porque oferece maiores garantias de proteção às vítimas. Em primeiro lugar. A responsabilidade civil é tema de permanente atualidade e vem ganhando importância e mutação à medida que a evolução industrial produz novas tecnologias. vale dizer. deu-se entrada. e não do contrato.

por motivos de política-econômica. muitas vezes. foi além. a imputação de responsabilidade conjunta entre os fornecedores vinculados ou não por laços contratuais com o consumidor. Alguns países. por influência das grandes empresas. todavia. independentemente de culpa. [21] Se o fornecedor introduz um risco para a sociedade. segundo a qual a lei imporia a toda a cadeia de fornecedores um dever de qualidade dos produtos que são colocados no mercado e dos serviços que são prestados. há. no entanto.133 consumidores. [22] Com efeito. Tendo em vista que a imputação decorre estritamente da lei. a doutrina brasileira tem chamado esse novo modelo de responsabilidade civil de responsabilidade legal. a ser uma relação entre a atividade empresarial e um sujeito. A doutrina brasileira. prescindindo da existência de culpa. no Brasil. e que a responsabilidade civil não deriva do contrato ou de ato ilícito. sim. de uma imputação que decorre estritamente da lei. se facilita a la víctima el acceso a la reparación. [18] Acrescente-se que o fornecedor está em melhores condições de produzir a prova sobre o ocorrido. [20] A responsabilidade civil passa. então. na chamada responsabilidade por risco da empresa. A responsabilidade decorre do simples fato de realizar a atividade de produzir. como a daquele fornecedor que tem vínculo contratual apenas com a cadeia de fornecedores. mantém-se fiéis ao dogma da responsabilidade civil baseada na culpa. e também. estocar. De acordo com a Teoria do Risco. "al no exigirse la prueba diabólica de la culpa. distribuir e comercializar produtos ou executar determinado serviço. Assim. decorrentes principalmente do desconhecimento do processo industrial e da crescente automação. O acolhimento da teoria do risco e da responsabilidade objetiva é a tendência moderna nos países que possuem legislação específica sobre direito do consumidor. [23] De outro lado. o que . abrangendo nesse conceito tanto a responsabilidade do fornecedor que celebra o contrato com o consumidor. mas. criando uma nova modalidade de responsabilidade civil. todo aquele que exerce atividade no mercado de consumo tem o dever de responder pelos eventuais vícios ou defeitos dos bens e serviços fornecidos." [19] Efetivamente. acabavam por dificultar a imputação do fato lesivo ao seu autor. a responsabilidade civil não deriva do contrato ou de um dano que alguém gera a outrem fora do contrato. deve responder pelos prejuízos que causar. razão pela qual lhe é transferido o ônus de provar uma das causas excludentes de sua responsabilidade para que se exima de reparar o dano ou os prejuízos. Essa responsabilidade legal dos fornecedores tem como fundamento a Teoria da Qualidade. as dificuldades que tinham os consumidores na busca da prova.

A responsabilidade civil por vícios de inadequação dos produtos Quando o produto não proporcionar a utilização que dele legitimamente se esperava. pode-se conceituar a responsabilidade civil.º ao 6. geralmente ele será o demandado. a responsabilidade está in re ipsa. Nos §§ 1. Prevê. no direito consumerista brasileiro. uma solidariedade [24] entre todos os fornecedores da cadeia de produção em relação à reparação dos prejuízos causados ao consumidor em razão da inadequação do produto ao fim que se destinava. enquanto. dispõe sobre os vícios de inadequação na quantidade. Nesse caso. 18. sem prejuízo de . Com base nesses delineamentos. centrando o dever de reparar na solidariedade social e na Teoria do Risco. Por ser o comerciante com quem contratou o responsável mais próximo. Destarte. surgirá a responsabilidade civil do fornecedor por vícios de inadequação. incumbindo ao fornecedor a prova de alguma das excludentes de sua responsabilidade. e não sendo sanado esse vício num prazo máximo de 30 (trinta) dias.º do art. caput. O Código Brasileiro de Defesa do Consumidor trata da responsabilidade civil por vícios de inadequação do produto em seus arts. com os demais integrantes da cadeia de fornecedores. no art. como o dever jurídico que surge para o fornecedor em conseqüência de um vício de inadequação ou de insegurança do produto ou serviço. o vício (ou defeito) no produto. o consumidor somente precisa demonstrar a verossimilhança da existência desses três elementos. que cause um dano efetivo ao patrimônio. surgem para o consumidor as seguintes alternativas: a) a substituição do produto por outro da mesma espécie. portanto. constata-se que a responsabilidade civil é extracontratual. em perfeitas condições de uso. trata da responsabilidade civil por vícios de inadequação na qualidade. b) a restituição imediata da quantia paga. ao menos direta. à integridade física ou à vida do consumidor. ocorrendo o vício de inadequação na qualidade do produto.1. 18. já que a relação contratual se estabelece somente entre o consumidor e o fornecedor direto. Com isso. no art. 3. pois a reparação diz respeito ao produto.134 demonstra a tendência moderna de ir além da responsabilidade contratual e extracontratual. Os elementos identificadores e que geram a responsabilidade civil do fornecedor são. monetariamente atualizada. pois não há relação contratual. De acordo com a lei consumerista brasileira. Para obter a indenização. 18 e seguintes. poderá o consumidor demandar qualquer um dos integrantes da cadeia de fornecedores. 19. o dano ou prejuízo ao consumidor e o nexo de causalidade.

poderá optar pela substituição por outro de espécie. é vedada a pactuação de cláusula que impossibilite. antes mencionadas. atenue ou exonere o fornecedor da responsabilidade de indenizar em face da ocorrência de vícios de inadequação ou de insegurança. que ocorre quando o produto não apresenta a . quando optar pela substituição do produto por outro de mesma espécie e esta não for possível. ser inferior a 7 (sete) nem superior a 120 (cento e vinte) dias. por sua vez. Os efeitos da responsabilidade civil por vícios de inadequação na quantidade do produto. sem prejuízo da eventual complementação ou restituição de valores (§ 1. não podendo. incs. marca ou modelo.º do art. essa cláusula deve ser convencionada em separado (§ 2. 19 do Código Brasileiro de Defesa do Consumidor. e c) o abatimento proporcional do preço (art. Cabe ressalvar que. A responsabilidade civil por vícios de insegurança dos produtos A responsabilidade civil do fabricante por vícios de insegurança é efeito lógico de um acidente de consumo. 3. Caso o consumidor tenha optado pela substituição do produto por outro de mesma espécie e isso não seja possível. sendo que. sem precisar obedecer a qualquer prazo. sem prejuízo de ressarcimento por eventuais perdas e danos (art.º). no art. contudo. marca ou modelo diversos. mediante eventual restituição de valores ou complementação da diferença de preços (§ 4. Constatados os vícios de inadequação na quantidade do produto. poderá o consumidor optar por uma das seguintes alternativas: a) abatimento proporcional do preço. O fornecedor imediato será responsabilizado quando fizer a pesagem ou medição e o instrumento utilizado não estiver regulado segundo os padrões oficiais (§ 2. estão previstos. 24 e 25). c) substituição do produto por outro da mesma espécie.º).º).º). pode o consumidor. ou d) restituição imediata da quantia paga. I a IV). sem os aludidos vícios.º). caput e § 1. Se. em qualquer contrato de consumo. sendo que a garantia legal do produto independe de termo expresso (arts. como referido. monetariamente atualizada. 18. 18. Do mesmo modo do que ocorre na responsabilidade civil por vício de inadequação na qualidade.135 eventuais perdas e danos. 19. Assim. Esse prazo para o conserto do produto pode ser ampliado ou reduzido pelas partes. diminuir-lhe o valor ou no caso de se tratar de produto essencial. b) complementação do peso ou medida. a substituição das partes viciadas puder comprometer a qualidade ou as características do produto. no caso de contrato de adesão. requerer a troca do produto por outro de espécie. surge para a cadeia de fornecedores o dever de reparar.2. em face da extensão do vício. o consumidor poderá imediatamente se utilizar das alternativas referidas no § 1. marca ou modelo diversos.

De outro lado. o que facilita ao consumidor a busca por uma justa indenização. ou seja. é introduzido no Código Brasileiro de Defesa do Consumidor. Por produto inseguro. quando. na verdade. o CBDC prevê uma solidariedade entre fabricante. [25] Para melhor defender os interesses do consumidor. no rol de responsáveis estabelecido no art. àquelas redes de varejo que oferecem diversificada linha de produtos com sua própria marca. um novo conceito de responsabilidade civil. contudo. produtor. Tratam os arts. ou seja. como fora referido. 12). a pedido da rede varejista.136 segurança que dele legitimamente se espera e acaba por causar dano ao consumidor. deve-se entender aquele que é potencialmente danoso. O dever de segurança tem natureza ambulatorial. como se fabricantes fossem. menção expressa ao fabricante aparente. A colocação do produto no mercado é ato humano de fazer ingressar em circulação um produto potencialmente danoso. lesionar o consumidor. [27] de modo que a garantia inerente ao produto obriga o fornecedor em relação ao último consumidor e a todos aqueles que tenham alguma . sendo necessária a sua colocação no mercado. controle sobre a segurança e qualidade das mercadorias. que. aquele que celebrou o contrato com o fornecedor. a responsabilidade civil legal. c) o dano. construtor e importador (art. que possui um defeito capaz de. e d) a relação de causalidade (ou nexo causal). o comerciante é excluído em via principal. [26] Levando em conta a sistemática moderna de proteção ao consumidor. Segundo a lei consumerista brasileira. a responsabilidade civil. acompanhando o produto por onde ele estiver durante a sua existência útil. b) a colocação do produto no mercado. pela sua utilização. respondendo subsidiariamente quando não puderem ser identificados os demais sujeitos da cadeia de produção ou quando o produto fornecido não apresentar identificação clara daqueles. 12 a 17 do Código Brasileiro de Defesa do Consumidor da responsabilidade civil por fato do produto. o produto é fabricado por um terceiro oculto. terá o comerciante responsabilidade direta. 12. são pressupostos para a responsabilidade civil do fabricante por defeitos nos produto: a) falha na segurança do produto. essa responsabilidade não beneficia somente o consumidor imediato. Essa distinção em benefício do comerciante se faz necessária porque ele não tem. regra geral. capaz de causar lesões aos consumidores. ou seja. todavia. por si só. Falta. Assim. nas relações de consumo em massa. na forma do art. a simples fabricação de um produto com um defeito não enseja. Como se observa. "independe da existência de culpa". 12. quando não conservar adequadamente os produtos.

como. enquanto o caso fortuito é uma situação que decorre de fato alheio à vontade da parte. mas proveniente de fatos humanos. essa regra não é absoluta. como uma greve.º do art. É irrelevante. a demonstração de que já ocorreu outro acidente de consumo em relação a idêntico produto. O que distingue basicamente os dois institutos é que a força maior resulta de situações independentes da vontade do homem. o furto e o roubo. À guisa de exemplo. sendo que a própria lei admite excludentes de responsabilidade do fornecedor. o que gera indagações a respeito. uma tempestade. São as causas de exoneração. nos casos em que o produto é posto no mercado por ato de preposto ou em decorrência da falta de diligência na guarda do produto. que importam no rompimento do nexo de causalidade e acabam afastando a responsabilidade civil. o defeito inexiste. b) que. que mantenham com este mera relação de fato decorrente de uso ou consumo. malgrado se trate de responsabilidade objetiva. caberá ao fornecedor a prova de tal fato. quando o produto está sob a guarda do comerciante. por exemplo. Assim. um terremoto. Nesses casos. excluirá a responsabilidade do fornecedor a sabotagem. é imperioso fazer a distinção. para a configuração de responsabilidade. na hipótese de ser o infrator quem colocou o produto em circulação. 12 do CBDC que o fornecedor não será responsabilizado se provar: a) que não colocou o produto no mercado.137 relação de fato com o produto. ainda. ou c) a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro. A não colocação do produto no mercado pressupõe que o fornecedor-produtor prove que não é sua a autoria da fabricação do produto ou que o fornecedor não foi responsável pela sua circulação. uma guerra. dispõe o § 3. ou que simplesmente tenham se exposto aos efeitos do seu campo de periculosidade. A prova de que o vício de insegurança inexiste incumbe ao fornecedor. permitindo um juízo de probabilidade ao julgador. [30] Para verificar se o caso fortuito e a força maior atuarão como excludentes de responsabilidade do fornecedor. todavia. cabe tão-somente demonstrar a verossimilhança do que alega. cabe salientar que o CBDC não prevê como causas de exclusão de responsabilidade o caso fortuito e a força maior. [28] De outro lado. que as vítimas sejam parte da cadeia de circulação jurídica do produto. como um ciclone. O caso fortuito e a força maior constituem-se em um fato necessário. cujos efeitos não se pode evitar ou impedir. deve ser analisado o momento de sua ocorrência. Caso ocorram na concepção ou na produção. ou. A excludente não beneficia o fornecedor. [29] Embora surtam idênticos efeitos jurídicos. um incêndio criminoso provocado por terceiros. o caso fortuito e a força maior não devem funcionar como . De outro lado. Ao lesado. embora tenha colocado o produto no mercado.

a chamada responsabilidade legal. Dessume-se. . na solidariedade social e na responsabilidade civil objetiva.138 eximentes de responsabilidade do fornecedor.078/90. que prescinde de elemento contratual ou da ocorrência de ilícito. cresceu a incidência de vícios e defeitos nos produtos. Além disso. dentre os quais o da responsabilidade civil e o dos vícios dos produtos. calcados. mormente em relação à responsabilidade civil do fornecedor por vícios dos produtos. O Brasil codificou a matéria na Lei n. principalmente. cria um novo conceito de responsabilidade civil. decorre da violação do dever de colocar no mercado produtos isentos de vícios de insegurança. assim. é utópico. Os produtos defeituosos acabam sendo um resultado marginal e inexorável da produção industrial. Entretanto. sobretudo nos países mais desenvolvidos. O modelo ideal de produção. não haverá responsabilidade civil daquele. baseado na inexistência de produtos com avarias. Esses dois elementos atuam como fatores de ruptura do nexo causal entre o defeito e o dano. pois.º 8. Considerações finais Com o surgimento e alargamento do processo de industrialização. microssistemas protetivos ao consumidor. portanto. Impõe. culminando em modificar o tratamento jurídico de vários institutos. dando tratamento jurídico bastante proguessista em relação à efetiva reparação dos danos ao consumidor. que a responsabilidade do fornecedor. Criou-se novos modelos de reparação de danos que sobrepujaram a clássica teoria da responsabilidade civil. houve uma preocupação mundial em reduzir ao máximo os acidentes de consumo e os vícios dos produtos. um dever de qualidade dos produtos colocados no mercado. então. não terão os fornecedores qualquer responsabilidade. se o caso fortuito e a força maior sobrevierem depois da tradição (entrega) do produto ao consumidor. tendo sido produzido após o consumidor ter adquirido o produto. Surgiu. 4. e que decorre estritamente da lei. o que pode é possível com uma legislação rigorosa. à medida que não há um controle individual da adequação e segurança de cada unidade que é lançada no mercado. que imponha a toda a classe de fornecedores normas imperativas no processo de produção e a obrigação de reparar eventuais danos decorrentes dos acidentes de consumo. no direito brasileiro. que tem como característica principal a produção em série. na efetiva reparação do consumidor. se o defeito não está relacionado ao fornecedor. A par disso. assim.

Sergio. p. 1999. Rio de Janeiro : Forense Universitária. Montevidéu : Ingranusi. ed. DENARI. da prevenção e reparação de danos. (coord. e atual. servindo de modelo e paradigma para vários outros países. LEÃES. rev. 19-24. Da responsabilidade civil. DE LUCCA. aum. 2003. BENJAMIN. Teoria pura do direito. São Paulo : Martins Fontes. atual. (trad. Rio de Janeiro : Forense. Zelmo Da qualidade de produtos e serviços. João Baptista Machado). 1987. Newton. 5. Revista Jurídica da Associação dos Defensores Públicos do Estado do Rio Grande do Sul. 29-36. In: Comentários ao Código de Proteção ao Consumidor. 12. p. Ada Pellegrini et. 1994. Revista de Direito do Consumidor. Porto Alegre. ed. rev. e ampl. 2. O Direito do Consumidor no Mercosul. v. CASTILHA. 127-197. n. Derechos del consumidor em el marco de la legislación nacional y la integración regional. n. Jean Michel. n. 2. CAVALIERI FILHO.). São Paulo : Saraiva. José de Aguiar. 1991. Código brasileiro de defesa do consumidor. Luiz Gastão Paes de Barros. KELSEN. La protección de los consumidores y el MERCOSUR. São Paulo : Saraiva. RS. ampl. Carlos Alberto. 5. Referências Bibliográficas ARRIGHI. p. 1992. SP. São Paulo. rev. 1. Antônio Herman de Vasconcellos e. ano 1. Carlos. Buenos Aires : Astrea. p. SP. ed. aum. São Paulo. 1998. o Código Brasileiro de Defesa do Consumidor é considerado uma das legislações consumeristas mais protetivas do mundo. 5. 124-136. A responsabilidade do fabricante pelo fato do produto. Teoría general de la reparación de daños.139 Por essa principiologia inovadora e moderna. Programa de responsabilidade civil. Revista de Direito do Consumidor. DIAS. al. 1998. ed. Da qualidade de produtos e serviços. ed. Gustavo Ordoqui. GHERSI. 1. Hans. da prevenção e da reparação dos danos. out. GARAY. São Paulo : Malheiros. In: GRINOVER. .-dez. 1997. maio 1997. 2000. atual. 6. 4. A proteção do consumidor e o MERCOSUL.

4. 1971.140 LORENZETTI. São Paulo : Saraiva. Rio de Janeiro : Forense. A proteção jurídica do consumidor contra vícios dos produtos no âmbito dos países do MERCOSUL. Adalberto de Souza. Cláudia Lima. NORRIS. Curso de direito civil: direito das obrigações: 1. 1998. p. n. A responsabilidade civil do fabricante e os riscos do desenvolvimento. Odete Novais Carneiro. Fabrício Castagna. Responsabilidade civil no código do consumidor e a defesa do fornecedor. Porto Alegre : Livraria do Advogado. Buenos Aires : . 2002. São Paulo : Atlas. RIZZARDO.078. Monografia (Graduação em Direito) – Curso de Direito. Proteção contra produtos defeituosos: das origens ao Mercosul. Protección jurídica del consumidor. 21. Direito das Obrigações.-jun. Da responsabilidade por vício do produto e do serviço: Código de Defesa do Consumidor Lei 8. José Fernando. São Paulo : Saraiva. La relación de consumo: conceptualización dogmática en base al Derecho del MERCOSUR. e ampl. SANSEVERINO. rev. SP. PASQUALOTTO. Gabriel. RS. 2002. MARQUES. Responsabilidade civil do fabricante pelo fato do produto. Arnaldo. SIMÃO. Estudos sobre a proteção do consumidor no Brasil e no MERCOSUL.1990. 364-365. ano 11. Universidade Federal de Santa Maria. 49-85.09. p. SP. Revista de Direito do Consumidor. de 11. 1994. Revista de Direito do Consumidor.ª parte. Vícios do Produto no Novo Código Civil e no Código de Defesa do Consumidor. p. 09-31. (Org. Ricardo. n. São Paulo. Washington de Barros. Porto Alegre : Livraria do Advogado. QUEIROZ. 2002. In: MARQUES. ______. ed. 2003. PEREIRA. aum. LUNARDI. Rio de Janeiro : Forense. Paulo de Tarso. Agostinho Oli Koppe. ed. Santa Maria. abr. 1996. 110 p. Contratos no Código de Defesa do Consumidor: o novo regime das relações contratuais. São Paulo. jan. Roberto.-mar. 2004. 7. 2000. STIGLITZ. MONTEIRO. São Paulo : Revista dos Tribunais. 1997. 2004. rev. 42.). São Paulo : Revista dos Tribunais. 73-94. atual. Responsabilidade civil por danos ao consumidor causados por defeitos dos produtos: a teoria da ação social e o direito do consumidor. Cláudia Lima. p. 2003.

In: MARQUES. A responsabilidade civil do fabricante e os riscos do desenvolvimento. WEINGARTEN. Direito Civil: responsabilidade civil. conforme as instruções por ele mesmo expedidas e dando atenção às advertências cabíveis que também por ele devem ser feitas. não será um instrumento maligno nas mãos dos usuários desprevenidos.817). A responsabilidade civil do fabricante e os riscos do desenvolvimento. adequadamente utilizado. Proteção contra produtos defeituosos: das origens ao Mercosul. São Paulo. Cláudia Lima. Dora Szafir. cit. 1. 2002.141 Depalma.999: responsabilidad de los sujetos y/o empresas que intervienen em la cadena de fabricación. abr.-jun. p.-set.250. Revista de Direito do Consumidor. 1986. 2. Op. distribuición y comercialización de bienes y servicios. 07 06 05 04 03 02 01 Paulo de Tarso Sanseverino. n. n. ed. SP. 49-85. VENOSA. Exemplo disso é a proteção aos contratantes de boa-fé quando celebram negócio jurídico com mandatário aparente (art. Notas As normas do CDC brasileiro são imperativas no sentido de proteger a confiança que o consumidor depositou no produto que adquiriu. p. 3." (Adalberto de Souza Pasqualotto.). São Paulo.250. circulacón. p. vulnerando sua integridade física ou de qualquer modo colocando em risco a sua segurança ou a dos circunstantes. O princípio da confiança está intimamente ligado ao princípio da boa-fé subjetiva. 1999. Consumidores: análisis exegético de la Ley 17. ano 11. 1994. atual. Consumidores: análisis exegético de la Ley 17. Estudos sobre a proteção do consumidor no Brasil e no MERCOSUL. 31. Adalberto de Souza Pasqualotto. 75). 115-128. Porto Alegre : Livraria do Advogado. (Org. Graciela. Sílvio de Salvo. 73-94. ed. Adalberto de Souza Pasqualotto. que se encontra no Código Civil brasileiro. Montevidéu : Fundación de Cultura Universitaria. Célia. atual. São Paulo : Atlas. 2003. 74. p. 49. 2. "O fabricante deve assegurar para o consumidor que o produto. Revista de Direito do Consumidor. 135. 42. Responsabilidade civil no código do . LOVECE. jul. Dora. p. 2002. Ley 27. ed. p. p. 689) ou com herdeiro excluído da sucessão (art. Montevidéu : Fundación de Cultura Universitaria. SZAFIR. SP. 2002.

"Para enfrentar a nova realidade decorrente da Revolução Industrial e do desenvolvimento tecnológico e científico. 1. . tal questão não será tratada no presente trabalho. 6. aum. 12. Sílvio de Salvo Venosa. São Paulo : Malheiros. 2003. cit. com fundamentos e princípios novos. 1998. Da Responsabilidade Civil. p. 16. Op. ampl. Embora seja prevista a responsabilidade penal dos fornecedores. cit. 15. Programa de Responsabilidade Civil. 19 18 Carlos Alberto Ghersi. ed. de productos elaborados. p.142 consumidor e a defesa do fornecedor. em determinados casos. p. porquanto a responsabilidade civil tradicional revelara-se insuficiente para proteger o consumidor. p. p. 2003. ed. 473) Adalberto de Souza Pasqualotto. riesgos derivados de actviades. Porto Alegre : Livraria do Advogado. Sergio Cavalieri Filho. ha revelado la insuficiencia e injusticia del principio tradicional e atribuición subjetiva basado en la culpa del autor del daño. 2003. 4. p. p. atual. Direito Civil: responsabilidade civil. p. São Paulo : Saraiva. Agotinho Oli Koppe Pereira. ed. Trad. etc. 13 14 12 11 10 09 08 Ibidem. 24. p. e atual. 242. Sergio. surgirá a responsabilidade civil ou penal." (CAVALIERI FILHO. cit. ed. Rio de Janeiro : Forense. aum. Op." (Carlos Alberto Ghersi. rev. Op. p. 5. 77. 158. Teoria pura do direito. 1999. De acordo com o bem jurídico tutelado e a gravidade da lesão. 2002. o Código do Consumidor engendrou um novo sistema de responsabilidade civil para as relações de consumo. que exponen a la persona humana a mayores riesgos. 103.). Responsabilidade civil por danos ao consumidor causados por defeitos dos produtos: a teoria da ação social e o direito do consumidor. A responsabilidade civil do fabricante e os riscos do desenvolvimento. 134. rev. 16 17 15 Ibidem. Hans Kelsen. São Paulo : Martins Fontes. São Paulo : Atlas. ed. p. João Baptista Machado. v. 3. Teoría general de la reparación de daños. 2. 157) José de Aguiar Dias. 1997. Buenos Aires : Astrea. p. "El aumento de las causas de dañosidad producidas por el industrialismo (accidentes de trabajo. de utilización de cosas. 24.

p. 1991. da prevenção e da reparação dos danos. rev. portanto. não goza de um tecnicismo apurado. que é gerenciada pelo homem." (Cláudia Lima Marques. o intermediário e o comerciante (distribuidor) (. 43-44. cit. A responsabilidade do fabricante pelo . p. Proteção contra produtos defeituosos: das origens ao Mercosul. cit. de 11.143 Adalberto de Souza Pasqualotto. 984). Op. 4. 50. tem-se um dano decorrente da atividade de produção ou de comercialização. Op. Assim. São Paulo : Saraiva. quanto daquele cujo vínculo contratual é apenas com a cadeia de fornecedores. o dever de qualidade é um dever anexo à atividade dos fornecedores. da expressão "responsabilidade pelos acidentes de consumo"." (Arnaldo Rizzardo. "Assim. 27 28 26 25 24 23 Sergio Cavalieri Filho. é sempre a atividade humana. p. Rio de Janeiro : Forense. por exemplo. no caso dos vícios de insegurança. atual. O novo regime de vícios no CDC caracteriza-se como um regime de responsabilidade legal do fornecedor. e. In: Comentários ao Código de Proteção ao Consumidor.1990. no sistema do CDC.09. que causa o dano. p. Luiz Gastão Paes de Barros Leães. São Paulo : Revista dos Tribunais. como refere Antônio Herman de Vasconcellos e Benjamin (In: Da qualidade de produtos e serviços. 1998. Odete Novais Carneiro Queiroz: "Não se faz necessária uma efetiva relação contratual. da tradicional responsabilidade assente na culpa passa-se a presunção geral desta e conclui-se com a imposição de uma responsabilidade legal..) Adalberto de Souza Pasqualotto. 2002. Melhor teria sido. Direito das Obrigações. que o legislador tivesse se utilizado. podendo a vítima reclamar face a quem com ela certamente não contratou. mesmo porque existe uma responsabilidade solidária entre o fabricante. p. Isso porque "fato" é acontecimento alheio à ação humana. Op. de forma direta ou indireta. contudo. 2000.)" (In: Da responsabilidade por vício do produto e do serviço: Código de Defesa do Consumidor Lei 8. 111) Pragmaticamente. Também nesse sentido. cit. 475. tanto daquele que possui um vínculo contratual com o consumidor. 205) Tal expressão. São Paulo : Revista dos Tribunais. 478. Proteção contra produtos defeituosos: das origens ao Mercosul. e ampl.. sendo alvo de severas críticas pela doutrina. Portanto. Contratos no Código de Defesa do Consumidor: o novo regime das relações contratuais. 21 22 20 Sergio Cavalieri Filho. p. Por solidariedade deve-se entender "um vínculo que conduz a impor o cumprimento de uma obrigação a várias pessoas. ed. o CBDC impõe aos fornecedores a obrigação de colocar no mercado somente produtos isentos de vícios ou defeitos. cit. p.078. p. Op. 80.

364-365. 393. 7.) Parágrafo único. O caso fortuito ou de força maior verifica-se no fato necessário. 1971. 1987.. em seu art. equipara o caso fortuito à força maior: "Art. São Paulo : Saraiva. São Paulo : Saraiva. 393. O Código Civil brasileiro." Washington de Barros Monteiro. 3. p.. (. ed. p.144 fato do produto. Curso de direito civil: direito das obrigações: 1. cujos efeitos não era possível evitar ou impedir.ª parte. aum. parágrafo único. 30 29 . rev.

.145 A prescrição e a decadência no Código de Defesa do Consumidor Autor: Osmir Antonio Globekner Visa.078/90. tendo por base a previsão normativa do art. 26 e 27 da Lei 8. a análise dos institutos jurídicos da prescrição e da decadência no que se refere ao Direito do Consumidor. o presente trabalho. o Código de Proteção e Defesa do Consumidor.

Introdução As normas referentes à prescrição e decadência. A Relevância Jurídica do Decurso do Tempo: .Tratando-se de vício oculto. o prazo decadencial inicia-se no momento em que ficar evidenciado o defeito.a instauração de inquérito civil. arts.a reclamação comprovadamente formulada pelo consumidor perante o fornecedor de produtos e serviços até a resposta negativa correspondente.90 (noventa) dias. 27 .30 (trinta) dias. 26 . Assim ocorre que no Código de Proteção e Defesa do Consumidor. temos a disciplina dos mesmos no que tange à relação de consumo. que deve ser transmitida de forma inequívoca.Inicia-se a contagem do prazo decadencial a partir da entrega efetiva do produto ou do término da execução dos serviços.(Vetado. 161 a 179.O direito de reclamar pelos vícios aparentes ou de fácil constatação caduca em: I . §2º . Parágrafo único . até seu encerramento. II .) III . tratando-se de fornecimento de serviço e de produto não duráveis. a depender do campo específico do Direito em que se pretende sejam aplicadas. §3º . Tais institutos. tratando-se de fornecimento de serviço e de produto duráveis.146 1. iniciando-se a contagem do prazo a partir do conhecimento do dano e de sua autoria.Prescreve em 5 (cinco) anos a pretensão à reparação pelos danos causados por fato do produto ou do serviço prevista na Seção II deste Capítulo. §1º . no entanto.Obstam a decadência: I . II . SEÇÃO DA DECADÊNCIA E DA PRESCRIÇÃO IV Art. Iniciemos com a transcrição dos artigos sob estudo. possuem sua disciplina geral disposta no Código Civil. Art.) 2. comportam regras específicas.(Vetado.

cujo implemento vem a constituir o fato jurídico. No entanto. 1. é abundante. a pretensão prescreve. in casu. já que a doutrina... Segundo Serpa Lopes (Curso de Direito Civil. caduca. extintivo de direito. vol.. dando origem à violação daquele direito. Decadência e Prescrição Poderíamos citar um diverso número de características peculiares a cada instituto. a pretensão") 4. mas sim a pretensão à reparação.. constitui causa aquisitiva ou extintiva de direitos. uma vez que a prescrição atinge a ação e não o direito. inalteráveis pela vontade das partes. os principais institutos dessa esta forma extintiva de operar o decurso temporal. 1989). O fluir do tempo. a prescrição requer um direito já exercido pelo titular. No aspecto extintivo. Tratou da decadência no art. ao passo que a prescrição atinge a pretensão de deduzir em juízo o direito de ressarcir-se dos prejuízos oriundos do fato do produto ou do serviço. e também inúmeras distinções entre um e outro. Constitui fato jurídico ordinário. a prescrição afeta a pretensão à reparação pelos danos causados pelo fato do produto ou do serviço. Rio de Janeiro." O CDC separou as duas realidades. quanto ao defeito do produto ou serviço. A decadência supõe um direito em potência. mas que tenha sofrido algum obstáculo. portanto.. . 7ª ed. 1996). 3. neste particular. de maior interesse no que adiante vamos discutir. 26 ("O direito . Convém salientar que os prazos decadenciais e prescricionais do CDC são de ordem pública e. O Direito caduca. 27 ("Prescreve .") e da prescrição no art. temos a "pretensão liberatória" no dizer de Orlando Gomes ("Introdução ao Direito Civil"12ª ed.. e atual.. ante o fornecedor. rev. A prescrição não fere o direito em si mesmo. Neste sentido. a decadência atinge o direito de reclamar. decadencial ou prescricional. No caso específico do CDC. aliado a inatividade do seu titular constitui fato jurisformizado pelo direito com vistas à estabilidade e segurança das relações jurídicas. teremos a base da decadência e prescrição. Editora Forense. "o que se perde com a prescrição é o direito subjetivo de deduzir a pretensão em juízo. A decadência afeta o direito de reclamar. Ed. Rio de Janeiro. período fixado na lei entre o termo inicial (dies a quo) e o termo final (dies ad quem). Freitas Bastos. Prazos para Reclamar e Pretender a Reparação de Danos Prazo é o lapso de tempo.. fiquemos com algumas.147 O Fluir do tempo gera efeitos jurídicos relevantes para o direito.

CC). objetivando seja sanado o vício. Vejamos: O início da contagem do prazo decadencial se dá com a entrega efetiva do produto. A Classificação difere da do CC. e pelo Código Comercial. 5. O prazo decadencial que estudamos é o prazo para que o consumidor reclame. ocorre uma sensível ampliação em relação ao prazo para reclamar dos vícios redibitórios na forma como disciplinado pelo CC. 26. art. 178. Suas Especificidades O CDC nos apresenta alguns prazos. o qual estabelece o prazo de 15 dias no art. ou término da execução dos serviços. 178. veremos. imóvel 6 meses. (art. ao passo que no Código Civil e Comercial o prazo se inicia com a mera tradição.148 Há prazos gerais fixados no Código Civil e prazos especiais fixados nesse mesmo Código e na legislação extravagante em relação a ele.2. também adiante. como é o caso do CDC.1. 211. art. 15 dias art. 178. como: •30 dias: para reclamar de vícios aparentes e de fácil constatação no fornecimento de serviços e produtos não duráveis. IV). I) •90 dias: na mesma hipótese para serviços e produtos duráveis. (art. Analisaremos adiante o conceito de "entrega efetiva". 10 dias. junto ao fornecedor ou ao Poder Judiciário. 26. § 2º. serviço de limpeza). serviços que persistem após sua execução. O tratamento também é diverso no que se refere ao dies a quo. 51. Produtos e Serviços Duráveis e Não Duráveis: O critério aqui utilizado para assinalar diferentes prazos decadenciais é mais consentâneo com o Direito do Consumidor do que o critério da mobilidade utilizado pelo CC (móvel. § 5º. Ao passo que duráveis são aqueles produtos. cujo consumo não importa destruição. Serviço não durável é aquele que se extingue com sua própria execução (Ex. Não durável é aquele cujo uso ou consumo importa imediata destruição da sua própria substância. 5. Prazos Decadenciais no CDC. . II) Aqui.. Aqui durável guarda certa analogia com consumível (art. como. 5. Entrega Efetiva A tradição efetiva se opera no momento em que o consumidor tenha recebido o produto e tenha condições de verificar a ocorrência do possível vício. bens (produto ou serviço) se exaurem no primeiro uso ou em pouco tempo.. § 2º.

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Pode ainda restar dubiedade neste termo, no caso, por exemplo, do preposto receber na residência do consumidor impossibilitado de fazê-lo pessoalmente e só posteriormente ao decurso do prazo decadencial venha efetivamente receber o produto. São entretanto, casos para que a doutrina e a jurisprudência no caso concreto, possa deslindar. Para nós importa compreender a mens legis, do dispositivo legal, ao utilizar a expressão "entrega efetiva", a qual parece-nos ser a de fornecer o contraponto entre a possibilidade do consumidor constatar o vício eventualmente existente versus a passividade do consumidor, sua inércia frente à constatação do vício. Uma ou outra hipótese só fica perfeitamente delineada, na prática, analisando-se o caso concreto. 5.3 Vício Vícios de qualidade são aquelas características que tornam o produto ou serviço impróprios ou inadequados ao consumo a que se destinam, ou lhes diminuem o valor. Também constitui vício a disparidade entre produto e as indicações do recipiente, embalagem, mensagem publicitária ou do que deles normalmente se espera. Não esqueçamos que o vício de quantidade, via de regra mais facilmente constatável, também enseja a reclamação. 5.4. Vício Aparente É o vício visível, perceptível sem maior dificuldade, assimilável pela percepção exterior do produto ou serviço, aquele em que o consumidor não encontra obstáculos em reconhecer. Não requer teste. Deve se ter em conta no caso concreto o grau de conhecimento do consumidor, ou da possibilidade de verificação de que o mesmo dispõe. 5.5. Vício Oculto É o vício que não oferece facilidade de constatação. Pode ser o defeito que está, quando da aquisição do produto ou execução do serviço, em germe, em potência, e vem a se manifestar posteriormente. Não basta ser de fácil evidenciação o efeito do vício, mas sim o vício em si, isto é, é necessário ser fácil a identificação do vício como a causa sensível de seus efeitos. Por exemplo, não basta que seja fácil a identificação de um odor estranho de dado produto, é necessário que seja facilmente assimilável a relação de causa e efeito, isto é, o odor, como o fato do produto encontrar-se estragado. O prazo decadencial se inicia quando da evidenciação do defeito. Defeito aparentemente sanado pelo fornecedor, equivale a ter o vício ficado novamente oculto, "sustando" o prazo decadencial até o momento em que venha novamente a se

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manifestar. Para operacionalizar o acima exposto há a necessidade de se estabelecer uma presunção da anterioridade do vício nos produtos ou serviços novos. Nesse caso, a probalidade física favorece a presunção, um produto novo implica em menor oportunidade de que o defeito decorra de sua utilização anormal. Esta presunção funciona "a moda" de uma específica inversão do ônus da prova. Cabe ao fornecedor provar que o vício não estava presente ou ínsito ao produto ou serviço, quando do fornecimento ao consumidor. A reclamação efetuada quanto a um dos fornecedores é plenamente válida para os demais responsáveis. Este é um dos efeitos da solidariedade de acordo com o art. 176, § 1º, CC, solidariedade esta, legal, por decorrer do art. 25, § 1º, CDC. 5.6. Óbices à Decadência De acordo com o CDC, obstam a decadência: A reclamação comprovadamente formulada. (da qual se tenha prova), até resposta negativa correspondente, a ser transmitida de forma inequívoca. Instauração de Inquérito Civil até seu encerramento. Caso 1: A decadência é obstada, no primeiro caso, desde a data da entrega da reclamação, comprovada mediante recibo, cartório de títulos e documentos, ou mesmo judicialmente. Volta a seguir desde o dia seguinte ao da entrega da resposta negativa transmitida de forma inequívoca. Negado o vício, resta ao consumidor, no prazo decadencial, ir a juízo propor a ação condenatória para que o fornecedor satisfaça as obrigações decorrentes do vício (art. 18), podendo ser o pedido cumulado com o de indenização, se houve dano. "O prazo é de trinta dias para reclamar e não para ajuizar a ação. Isto é, não se exige que o consumidor, impreterivelmente, proponha a ação cabível em trinta dias ..." (Antônio Herman de Vasconcelos e Benjamin in Comentário ao Código de Proteção do Consumidor, coordenação de Juarez de Oliveira, Ed. Saraiva, 1991) No caso da reclamação judicial, passam a concorrer as regras processuais que disciplinam a matéria. Proposta a ação, o despacho que ordenar a citação impede que se consume a decadência, sendo a citação realizada no prazo estabelecido no art. 219 do CPC, que se refere à prescrição, mas é válido para a decadência à luz do art. 220. A decadência,

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em regra, não se interrompe, nem se suspende, portanto, extinto o processo, sem julgamento de mérito e já tendo escoado o prazo legal de decadência, o consumidor não poderá se valer da reclamação ou de ação que lhe seja correspondente. Este é, ao menos, um dos entendimentos sobre o assunto. Note que, se a resposta do fornecedor não negou o vício, a decadência continua obstada, de forma que se não houver sanação, o consumidor continuará com direito de recorrer a outras instâncias, sem que haja perecimento do mesmo pela decadência. Caso 2: Instauração de Inquérito Civil até seu encerramento: A decadência fica obstada a contar do dia da instauração do inquérito e persiste assim até o dia do seu encerramento, inclusive, voltando a contar do dia seguinte ao mesmo. O objetivo do Inquérito Civil, como de qualquer inquérito, é o de servir como instrumento legal para obtenção de dados, clarear um fato, determinar se um direito foi ofendido e em que grau ou extensão, qual o ofensor, etc. Natural, portanto, que suspenda a decadência, pois que os resultados advindos do inquérito, poderão servir ao consumidor subsídios para deduzir sua pretensão específica, em juízo. 6. O Debate Doutrinário sobre a Interrupção ou Suspensão da Decadência O Brasil, de acordo com Serpa Lopes (Curso de Direito Civil, vol. 1, 7ª ed. rev. e atual., Ed. Freitas Bastos, Rio de Janeiro, 1989), seguindo tradicionalmente a orientação francesa e italiana, só admitia a interrupção aos prazos prescricionais, negando-a aos prazos decadenciais. O que podemos entender, então, pela expressão "obsta a decadência" inserta no art. 26 § 2º ? Interrupção, suspensão, Impedimento ao fluir... ? Vejamos algumas posições na doutrina: Luiz Edson Fachin (Da prescrição e da decadência no Código do Consumidor, Revista da Procuradoria Geral do Estado- RPGE, Fortaleza, 10(12): 2940, 1993) apesar de admitir que a "obstação", possa constituir uma realidade apartada do Código Civil, e que, sendo especial, sui generis, não requer mais explicações, defende, no entanto, a tese de que se trata de causa interruptiva da decadência, ainda que em descompasso com a sistemática geralmente aceita. Assim postula observando que as hipótese dos incisos I e III sob análise não se fundam no status da pessoa nem na situação especial dos sujeitos envolvidos. "... a reclamação comprovadamente formulada e a instauração do inquérito civil paralisam temporariamente o curso da decadência. Superado o fato interruptivo, quer pela resposta negativa, quer pelo

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encerramento do inquérito, o prazo flui novamente, mas é inutilizado por completo o lapso de tempo já iniciado. O prazo recomeça a contar." (grifo nosso) Zelmo Denari (Código de Defesa do Consumidor, comentado pelos autores do Anteprojeto, Forense Universitária, São Paulo, 1991), considerando as expressões "até a resposta negativa", "até seu encerramento", pondera: "Resta saber se esses dois eventos (reclamação e inquérito civil), que o Código qualifica como obstativos da decadência, têm efeitos suspensivos ou interruptivos do seu curso. ... parece intuitivo que o propósito do legislador não foi interromper, mas suspender o curso decadencial. Do contrário, não teria estabelecido um hiato, com previsão de um termo final (dies ad quem) mas, simplesmente, um ato interruptivo." Não obstante, e dada, máxima venia, não conseguimos atinar com a relação de causa e efeito entre o fato de haver previsão de um hiato e a conclusão de ser o prazo suspensivo. O dies ad quem, esta simplesmente a indicar o momento em que volta a correr a decadência anteriormente interrompida ou suspensa, não podendo-se desse fato apenas se concluir por um ou outro caso. A explicação, a nosso entender mais convincente é a de William Santos Ferreira (Prescrição e Decadência no Código de Defesa do Consumidor, Revista de Direito do Consumidor, n 10, p 77 a 96, abril/junho, 1994), para quem efetuada a reclamação, "não há mais que falar em transcurso de prazo (suspensão ou interrupção), não é necessário tratar-se do prazo, o direito foi exercido." Cita Câmara Leal "A decadência tem um curso fatal, não se suspendendo, nem se interrompendo, pelas causas suspensivas ou interruptivas da prescrição, só podendo ser obstada a sua consumação pelo efetivo exercício do direito ou da ação, quando esta constitui o meio pelo qual deve ser exercitado o direito." O que ocorre no CDC (e isso justifica o que Ferreira chama de "dies a quo", "até resposta negativa..." e "até seu encerramento" §2º, I e III), é que o CDC reconheceu duas formas de exercício: extrajudicial e judicial do direito de reclamar. Sendo que a segunda forma de exercê-lo, se não exercido antes, inicia-se nos termos supra-citados. Verificados tais termos, novo prazo decadencial se inicia, agora, através da exteriorização da pretensão por uma ação judicial. Releva a discussão acima exposta, inclusive pelas conseqüências práticas que decorrerão forçosamente de um e outro entendimento. Ao consideramos a suspensão ou interrupção ou ao admitirmos dois direitos sujeitos a distintos prazos decadenciais, resultará, obviamente, em lapso maior ou menor de tempo para que o consumidor exerça seu direito, resultará em maior ou menor oportunidade de fazer respeitar estes mesmos direitos. A última, a de William Santos Ferreira, parece-nos ser a explicação mais consentânea, ainda que não de todo convincente, face aos termos utilizados na redação do dispositivo legal. Além de mais consentânea, vem a ser a que melhor protege o consumidor, portanto, a que mais se afina com o princípio da

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hipossuficiência do consumidor, princípio que norteia todo o código. 7. Prazos Prescricionais no CDC Os prazos prescricionais referem-se à pretensão à reparação pelos danos causados por fato do produto ou do serviço prevista no mesmo CDC. Esclarece Arruda Alvim (Código Do Consumidor Comentado; 2. ED. rev. e ampl.; Revista dos Tribunais; 1995): "O objeto da reclamação é substancialmente diferente do pedido de reparação de danos." A reclamação é exclusiva do vício, a reparação se prende as perdas e danos, fato do produto ou do serviço. Fato do produto é todo e qualquer dano, podendo este ser oriundo de um vício, que, por sua vez traz em si, intrínseco, uma potencialidade para produzir dano. Assim, caso o vício não cause dano, correrá para o consumidor o prazo decadencial, para que proceda a reclamação, vindo a causar dano (hipóteses do art. 12), deve se ter em mente o prazo qüinqüenal, sempre que se quiser pleitear indenização. A posição de alguns doutrinadores estudados é no sentido de que se o consumidor tiver sido prejudicado, poderá haver perdas e danos (além da reclamação pelo vício) e estas, apesar de originadas no próprio vício do produto ou do serviço, não necessitam integrar a reclamação, ficando sujeitas o prazo prescricional fixado, em lei para estas, pois se constituem as perdas e os danos, em sentido lato, o fato do produto ou serviço, abrangendo o que o consumidor perdeu e o que deixou de ganhar em razão do vício Arruda Alvim (Código Do Consumidor Comentado; 2. ED. rev. e ampl.; Revista dos Tribunais; 1995) esclarece, no entanto, que: não há diferença entre os danos advindos de vício do produto e o fato do produto. A interpretação diversa, ainda segundo ele, levaria a entender que a indenização pelo vício, restaria à margem das leis de consumo, e que sua prescrição se regeria pelo direito comum (15 dias CC, 10 dias Ccom havendo rescisão, ou 20 por ação pessoal, no caso de não se dar a rescisão contratual). Continua: "O vício do produto ou do serviço e sua sanação recebe um tratamento jurídico que não é dispensado ao dano; este importa em fato do produto ou do serviço. Nada obsta a que um produto ou serviço seja viciado e que, este vício ocasione prejuízo, devendo este ser considerado como fato." Entendemos a propósito dessa discussão que fazer esta distinção entre fato do produto ou serviço e dano decorrente do vício é supérflua até mesmo para negá-la. Qualquer perda ou dano implica em fato do produto ou do serviço, que vem a ser precisamente o dano resultante do vício. William Santos Ferreira (Prescrição e Decadência no Código de Defesa do Consumidor, Revista de Direito do Consumidor, n 10, p 77 a 96, abril/junho, 1994), faz observação relevante ao observar que quando falamos do direito à incolumidade

Suspensivas e Interruptivas O parágrafo único prevendo interrupção foi vetado.154 física-psíquica do consumidor falamos de direito não sujeito à decadência. venha ajuizar ação já que só a contar deste conhecimento individualizado terá início o prazo prescricional. ao haver o dano. saúde nunca deixaram de existir. o direito a vida. fonte subsidiária do Direito do Consumidor. Conclusão Pudemos verificar que o Código De Proteção e Defesa do Consumidor.1. Regerá portanto a matéria a disciplina do art. Nada impede que o consumidor descobrindo demais fornecedores. constituindo diploma especial. segurança. Conhecimento dos efeitos do dano. construtor. Danos Reparáveis Os danos aos quais a pretensão se dirige a reparar atém-se a regulação jurídica da responsabilidade objetiva pelo fato do produto ou do serviço. Temos então que a prescrição tem início com o nascimento da pretensão. já que tal ilação pode não ser imediata em todos os casos. estabelece regras também especiais no que tange aos . Poderá o consumidor demandar um ou mais dentre os responsáveis (solidariedade legal). será diretamente responsável nos casos previstos no art. produtor ou importador.2. Isto é. um dano. enseja ação e enseja também a prescrição decorrente. o comerciante é responsável subsidiário. necessário que o consumidor tenha consciência de que aquilo que observa é. do Código Civil. 7. 172 e ss. Quanto à identificação do autor. 13. Liberação que só ocorre se houver o pagamento integral. que correrá novamente apenas da intimação da sentença condenatória. de fato. Inexistindo informação sobre fabricante. 7. este implica em direito resistido. 7. matéria disciplinada pelo Código no art. 12 e ss. Termo Inicial A partir do momento do conhecimento do dano ou de sua autoria. Da lesão ou violação de um direito faz nascer a ação. Causas Impeditivas. a partir do momento em que se conheça o dano e possa-se relacioná-lo com o defeito do produto ou do serviço. A propositura de ação contra um não libera os demais. 8. não é conhecimento do dano. Ora.3. esta interrupção aproveita ao consumidor individualmente no ajuizamento da ação singular. bem como quando o fato se deve exclusivamente ao comerciante. No ajuizamento de ações coletivas: a citação válida interrompe a prescrição.

ao termo inicial e ao termo final. Revista dos Tribunais. e também jurisprudencial. versa sobre como deve ser entendido o dano sujeito à disciplina do CDC e por via de conseqüência. judicialmente. ED. No segundo caso. quando da ocorrência do vício. Todas elas partindo do pressuposto fundamental da hipossuficiência do Consumidor nesta classe de relações. Código Do Consumidor Comentado. da "obstação" da decadência. BIBLIOGRAFIA ALVIM. resultará em fato do produto ou serviço. Forense Universitária. 1991. qual seja. e conseqüente forma de aplicação. outro.. Revista da Procuradoria Geral do Estado. 10(12): 2940. Prescrição e Decadência no Código de Defesa .. Arruda. oriundo ou não do vício. comentado pelos autores do Anteprojeto. 1995 DENARI. pelo tão só fato de ter sido exercitado. mais dilatados. FACHIN. São Paulo. Com base nos autores estudados. 2. Primeiro. nos posicionamos pela não distinção entre um e outro dano. 1993 FERREIRA. inclusive no que concerne à responsabilidade objetiva. sistematicamente mais lógica e teleologicamente mais adequada ao espírito que preside o Código Protetivo. considerando todos abraçados em uma mesma hipótese. A segunda polêmica.RPGE. todo e qualquer dano que decorra do produto ou serviço. sujeito ao prazo prescricional do art. cremos que interpretamos a lei da forma. inserta no parágrafo segundo do artigo 26 do CDC. Cada um. Em assim fazendo.155 institutos da Decadência. sob este ângulo devem ser interpretadas. quanto a natureza jurídica. Luiz Edson. Da prescrição e da decadência no Código do Consumidor. se o derivado do vício ou o derivado do fato do produto ou serviço. Um exercitável extrajudicialmente. e conforme exposto neste trabalho nos itens 6 e 7. hipóteses de interrupção e suspensão. e ampl. William Santos. etc. sujeitando-se às regras do CDC. pelo menos em dois pontos principais. após exercitado. nos posicionamos. Zelmo. Prescrição quando aplicados às relações de consumo. A cada direito corresponde um dies a quo para o prazo decadencial. Tais regras são atinentes aos prazos. Código de Defesa do Consumidor. Pudemos verificar que existe alguma controvérsia doutrinária. et al. 27. impede se volte a falar em decadência. no primeiro caso. Portanto. Fortaleza. rev. a favor da identificação de dois direitos exercitáveis pelo consumidor.

Ed. 1989. vol. VASCONCELOS E BENJAMIN Antônio Herman de.. Saraiva. 7ª ed. Miguel Maria de Serpa. Freitas Bastos.156 do Consumidor. 1996. Comentário ao Código de Proteção do Consumidor. e atual. p 77 a 96. coordenação de Juarez de Oliveira. Revista de Direito do Consumidor. GOMES. 1994. Curso de Direito Civil. 1. LOPES. 1991 . Editora Forense. 12ª ed. rev. Introdução ao Direito Civil. Orlando. Rio de Janeiro. n 10.. Rio de Janeiro. Ed. abril/junho.

INTRODUÇÃO Visa o presente trabalho a discussão do instituto da Desconsideração da .157 Desconsideração da pessoa jurídica no Código de Defesa do Consumidor Autor: Osmir Antonio Globekner 1 .

A limitação da responsabilidade dos sócios como instrumento de viabilização de empreendimentos. é o caso. exigindo garantias adicionais. Por outro lado. SEU CARÁTER INSTRUMENTAL Abstraindo-nos no. sabe que a responsabilidade dos sócios se limita ao capital subscrito. a personalização representa instrumento legítimo de destaque patrimonial para a exploração de certos fins econômicos. só se chamando à responsabilidade. entretanto. econômico ou ainda patrimonial do tema. Senão vejamos: O patrimônio da pessoa jurídica é através da ação ou quota de capital.158 Pessoa Jurídica no que tange à sua aplicação ao Direito do Consumidor. Por razões de política econômica. de transforma-la em ente totalmente alheio às pessoas dos sócios. de modo que o patrimônio titulado pela pessoa jurídica responda pelas obrigações sociais. a exigirem conjugação de esforços. daí poderem se precaver. a autonomia da pessoa jurídica não tem. fazermos menção ao elemento teleológico do instituto da personalização de entes abstratos. em hipóteses restritas. no entanto. Lei 8078/90. além de geralmente impor a espécie societária. Sob esse prisma. a pessoa jurídica somente pode ser entendida sob o prisma de uma instrumentalidade jurídico – formal para a consecução de interesses e fins aceitos e valorizados pela ordem jurídica. os sócios. expressão . gostaríamos. o condão . 2 . por exemplo. por exemplo da atividade financeira. Dado que o destaque patrimonial seja a principal característica nas sociedades comerciais. o lado credor que contrata com tais sociedades. presente trabalho. do aprofundamento sobre a questão da sua natureza jurídica. poderíamos alinhar alguns desses fins colimados e aceitos pela ordem jurídica: Conveniência ou viabilização de empreendimento econômico.. de. Situações há em que a constituição de pessoa jurídica é imperativo legal. de seguros. e se nos ativermos ao aspecto comercial. há certas atividades que a lei só autoriza às pessoas jurídicas. Cooperação que a ordem jurídica jurisformiza através da personalização. Consoante tal linha de raciocínio. necessidade de elevados investimentos. preliminarmente. No direito moderno. tendo por base a previsão legal insculpida no artigo 28 do Código de Proteção e Defesa do Consumidor. A necessidade técnica dos grandes empreendimentos. etc..A PESSOA JURÍDICA.

sua autonomia em relação as pessoas dos sócios é relativa. fique condicionada a que não se desvie a pessoa jurídica desse mesmo fim. 96). Visa tal instituto à suplantação da barreira legal imposta pela instituição da pessoa jurídica. trata-se da "Lacuna Axiológica". em grande medida. que a solução dada fere valores que o sistema jurídico tutela. e sua vontade é. p. citada por Marçal Justen Filho (in "Desconsideração da Personalidade Societária no Direito Brasileiro". . não obstante o balizamento dos estatutos e dos órgãos de administração neles previstos. A desconsideração da pessoa jurídica. pois o direito posto fornece a solução em seus estritos termos. ou deixar de aplicá-la. Na aplicação da desconsideração da pessoa jurídica.159 também do patrimônio dos sócios. 3 . no aspecto axiológico. pela vontade deles. contornando-a de forma a manter íntegro os valores que inspiraram sua criação. temos então o desvio de função. se visará tanto a proteção da própria pessoa jurídica da ação de seus sócios gerentes. Ocorrendo a incompatibilidade entre o comportamento da pessoa jurídica e os valores que informam a ordem jurídica. se possa evitar seja a mesma utilizada para fins abusivos. Há situações em que a utilização da pessoa jurídica é feita ao arrepio dos fins para o qual o direito albergou o instituto. é o instituto que se encaixa como uma luva a construção teórica acima mencionada. sem que se destrua sua validade. fazê-lo. seu patrimônio a eles pertence. A vontade da pessoa jurídica é. isto é. não representando abuso. O problema que então se apresenta em relação à lei é o de integrá-la. Podemos aqui invocar a construção de Tércio Sampaio Ferraz Junior e Maria Helena Diniz. descrita como a situação em que não há propriamente lacuna da lei. o reflexo da vontade de seus sócios. fortemente direcionada. que adiante estudaremos. podemos afirmar: a pessoa jurídica exerce uma função legítima. pois indiretamente. de forma a que. ocorre. defraudando-o. porém. Contudo. a limitação de responsabilidade que propicia. Em síntese. terceiros que com ela se relacionem ou que de qualquer forma sofram os efeitos de seu atuar. ao aplicá-la. Quando o reconhecimento da autonomia leva à negação de ideais de justiça ou à frustração de valores por ela albergados. quanto a proteção dos demais sócios.RELATIVIDADE DA AUTONOMIA DA PESSOA JURÍDICA O caráter de instrumentalidade implica em que a validade do instituto fique condicionada ao pressuposto do cumprimento ou do atingimento do fim jurídico a que este se destina.

.. 2º. dispõe de forma semelhante. mencionando alguns mecanismos legais. art. enfim. dos prejuízos decorrentes da utilização dervirtuadora de seus fins. 7. veda determinadas operações com seus administradores e pessoas jurídicas de cujo capital estes participem. ou relativizar a autonomia da pessoa jurídica. Pode o direito limitá-la. em seu art. para evitar prejuízos aos sócios minoritários. 4 . restringindo a autonomia de um lado e a limitação de outro. A Lei de Repressão ao Abuso do Poder Econômico (Lei 4. 233. excepcioná-la e condiciona-la. sem deixar de reconhecer a autonomia. preservando a validade e existência de todos os demais atos que não se relacionam com o desvio de finalidade.160 E mais do que o acima exposto. restringi-la. analisar os instrumentos que o direito posto oferece para limitar. no entanto. como o direito posto trata do assunto.137/62). ao mercado imobiliário. .492/86 no art.MECANISMOS LEGAIS DE CORREÇÃO DOS DESVIOS DE FUNÇÃO DA PESSOA JURÍDICA Assim como o direito reconhece a autonomia da pessoa jurídica e a conseqüente limitação da responsabilidade dos sócios. solidária ou subsidiária de terceiros. A Lei do Sistema Financeiro (Lei 4. etc. deixa expresso ora a responsabilidade solidária. § 2º) A Lei das Sociedades Anônimas (Lei 6404/76). responsabiliza civil e criminalmente diretores e gerentes de pessoas jurídicas pelos abusos caracterizados na supradita lei. contempla situações de responsabilidade pessoal. a desconsideração destina-se ao aperfeiçoamento do próprio instituto da personalização. Antes de adentrarmos no assunto específico da desconsideração. o próprio direito pode cercear os possíveis abusos.595/64. 115 a 117. e nisto protegendo o própria existência da pessoa jurídica. ora a responsabilidade subsidiária. devemos. temos a responsabilidade solidária das sociedades integrantes de um conglomerado econômico (art. Vejamos. 17. Também a Lei. ora a responsabilidade pessoal de terceiros: Na CLT. 242). como. ainda em uma preliminar. pode regular seu exercício. 6º. (arts. 34). A teoria ou doutrina da desconsideração assegura a finalidade da pessoa jurídica ao tempo em que protege os demais. pois determina a ineficácia episódica de seu ato constitutivo.

por exemplo. a teoria da aparência. direta ou indiretamente ligados à mesma. Não há nenhuma forma jurídica que deva ser desprezada pelo juiz. vedações à pessoa jurídica. 135) e a responsabilidade subsidiária (art. Não há que confundir hipóteses legais de responsabilidade dos sócios ou administradores com a desconsideração da personalidade jurídica. no artigo 13. em se tratando de pessoa jurídica.. A teoria do ultra vires. parágrafo único. fora dos limites impostos à sociedade pela cláusula do objeto social. mesmo considerada. isto é.161 No Código Tributário Nacional o abuso do representante legal induz a responsabilidade pessoal (art. axiologicamente adequada corresponde ao ditame do preceito legal ou à convenção das partes. nem lacuna axiológica." A Lei de usura (Decreto. São distintas umas das outras.. sem necessidade de desconsideração. há também as limitações oriundas das obrigações convencionais. diferentes fundamentos e . A Desconsideração independe do tipo de estrutura societária e de suas regras particulares de responsabilização patrimonial. cumprindo-se o fim ou valor juridicamente tutelado. 6º da Lei da Sonegação Fiscal (Lei 4. são teorias que tangenciam o instituto da desconsideração. 134). Possuem tais teorias ou doutrinas. embora relacionadas no elemento teleológico. . O art. a doutrina dos atos próprios. também trata da responsabilidade penal: "Serão responsáveis como coautores .626/33). justa. Não há lacuna jurídica. a responsabilidade do sócio emerge por força do preceito legal. 22. ou vice-versa.729/65) trata da responsabilização penal de "todos os que. nulos os atos praticados ultra vires. A lei prevê as conseqüências jurídicas.. passemos a conceituação do que podemos entender como Desconsideração da Pessoa Jurídica. II. tenham praticado ou concorrido para a prática da sonegação fiscal. os que tiverem qualidade para representá-la" Além das restrições legais ao princípio da autonomia da pessoa jurídica. que se estendam a pessoas físicas a ela relacionadas. de modo permanente ou eventual. 133. o objetivo de preservação da boa fé. quando estendidas também as pessoas jurídicas de que elas participem. porque. vedações de não fazer às pessoas contratantes. O Direito fornece o meio legal que previne o abuso ou a fraude. Posto isto. Nas situações acima não se cogita da desconsideração da pessoa jurídica. Trata-se que a solução equânime. Não é preciso desconsiderar a pessoa jurídica. em comum.

Resulta a aplicação de tal técnica da ocorrência de situações concretas em que prestigiar a autonomia e a limitação de responsabilidade implicaria sacrificar interesse legítimo. abre-se a oportunidade para a desconsideração. albergado pelo Direito. por sua especialidade.. no dizer de Luciano Amaro (in "Desconsideração da pessoa jurídica no Código de Defesa do Consumidor". Desta forma quando o interesse ameaçado é valorado pelo ordenamento jurídico como mais desejável ou menos sacrificável do que o interesse colimado através da personificação societária. 74) : ". portanto. a personificação societária. uma técnica casuística (e. Trata-se de aplicar em casos concretos. p. e a importância da pessoa do sócio sobressai em relação à da sociedade. p. Há situações em que a pessoa jurídica deixou de ser sujeito e passou a ser mero objeto. Isto porque o problema da personificação. a obtenção de um regime jurídico distinto do preconizado no direito posto. Através da Desconsideração. resultaria indesejável ou pernicioso aos olhos da sociedade.A DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA É. a solução decorrente da aplicação do preceito legal expresso. um certo raciocínio que afasta a incidência das regras gerais aplicáveis a matéria. para a pratica de certos atos. seriam imputadas à sociedade ou ao sócio respectivamente. atribuindo-se ao sócio ou sociedade condutas que. para o caso concreto." De forma que podemos dizer que o instituto visa.162 5 . ficando esta em segundo plano. Afasta a regra geral não por inexistir determinação legal. não encontra resposta satisfatória no sistema positivo do direito. Estados Unidos e Inglaterra. previsto em lei. de construção pretoriana) de solução de desvios de função da pessoa jurídica.. . 21). p. 75). manobrado à consecução de fins fraudulentos ou ilegítimos." (Luciano Amaro in "Desconsideração da Pessoa Jurídica no Código de Defesa do Consumidor". "Sintomaticamente tal solução se desenvolveu nos países de Direito não escrito (common law).. sintetizando a doutrina dominante: "A desconsideração da pessoa jurídica significa tornar ineficaz. sistematicamente considerado. atos societários são declarados ineficazes. sob pena de alteração da escala de valores.. Domingos Afonso Kriger Filho (in "Aspectos da Desconsideração da Personalidade Societária na Lei do Consumidor".". se não fosse a superação. Seria injusta.. em tais casos. mas porque a subsunção do concreto ao abstrato.

o direito oferece remédios análogos a desconsideração. Nada correspondendo aos assuntos da validade de constituição. penetração da pessoa jurídica . Nos setores onde vige a reserva absoluta da lei. lifting the corporate veil. onde cabível. A desconsideração é um conceito ligado ao funcionamento da pessoa jurídica. desconsideração da entidade legal. por exemplo. mas que não devem ser confundidos com a mesma. ao menos nos princípios que a informam. Intenção de evitar o perecimento do interesse legitimo. no direito Norte Americano. na Itália. dentro de uma visão sistemática e fundamentalmente teleológica do Direito. teoría de la penatración. na Argentina. não há lugar para a desconsideração. Ainda nos demais setores. A grande dificuldade está em construir um modelo teórico que possa enfeixar. certamente. O cabimento da desconsideração envolve sempre algo de ideológico e. . por muito tempo. se não na letra expressa da lei. se desenvolveu ao redor do mundo. podemos sintetizar enumerando os elementos que compõem a figura da desconsideração da pessoa jurídica: Ignorância dos efeitos da personificação. fraude. entre eles o Brasil. Desta forma. como: Desconsideração. levantamento do véu corporativo. Penetração. para destacar ou alcançar diretamente a pessoa do sócio. superação da personalidade jurídica. a solução jurisprudencial da desconsideração deve buscar apoio. no setor tributário. tal fato deixa pouca margem para definições apriorísticas de casos.163 Sintomaticamente. de vez que haverá sempre. para estes. na Alemanha. Ignorância para o caso concreto e período determinado. quando de sua aplicação. recebendo diferentes designações. associados a defeitos tais como simulação. numa formulação abrangente. Superação. disregard of legal entity. teoria da penetração. nulidade. durghgriff der juristischen Person. Dificuldade mais séria nos países de direito escrito. estrutura. na Inglaterra. legalidade dos atos. Manutenção da validade dos demais atos jurídicos praticados. Cabe falar da desconsideração quando não haja uma solução legislada específica para os eventuais desvios de função da pessoa jurídica. algo de axiológico. que ainda podemos conceituar em palavras diversas como: o afastamento momentâneo da personalidade jurídica da sociedade. em relação a um ato concreto e específico. a implantação da solução encontrou resistência nos países da tradição do direito escrito. superamento della personalitá giuridica. O instituto. Levantamento. as várias situações em que essa técnica possa ou deva ser aplicada. também. responsabilizando-o como se a sociedade não existisse.

de previsão legal. a requerimento de qualquer dos sócios ou do Ministério Público. 28 do CDC: . de resto diploma amplamente inovador. Os atos praticados não são anulados. quanto do Direito Processual. até e ainda. então. bem como a possibilidade de sua previsão normativo-positiva. 6 . tais sejam as circunstâncias. Neste caso. salvo se norma especial determinar a responsabilidade solidária de todos os membros da administração. diante de outros valores ou outros interesses específicos." Em nosso ordenamento jurídico positivo. ou. desfazer o que de fraudulento houver sido praticado em nome da pessoa jurídica. a título de melhor ilustrar a natureza do instituto. prevendo. Desconsideração não se confunde nem acarreta a nulidade dos atos que propiciaram a atuação judicial. apenas outras medidas são tomadas para corrigir e compensar. conjuntamente com os da pessoa jurídica. a Desconsideração surge pioneiramente no Código de Defesa do Consumidor (art. Devemos citar a previsão legal inserta no projeto de Código Civil em tramitação no Senado. genericamente. Parágrafo único. ou abusivos.164 uma opção entre um valor ou um interesse específico. "Art. tanto do Direito Material. não afasta do instituto a possibilidade. Passemos. ou. decretar a exclusão do sócio responsável. 28). sem prejuízo de outras sanções cabíveis. ao menos no que tange ao reconhecimento da possibilidade de sua aplicação. responderão. à outorga aos Órgãos Judiciários da capacidade de praticá-lo. ou mesmo a necessidade. para servir de instrumento ou cobertura à prática de atos ilícitos. ao Código. as hipóteses que ensejem sua aplicação. caso em que poderá o juiz. A pessoa jurídica não pode ser desviada dos fins estabelecidos no ato constitutivo. 7 . os bens pessoais do administrador ou representante que dela se houver utilizado de maneira fraudulenta ou abusiva. 50.DISPOSITIVOS LEGAIS O ser construção pretoriana.A DESCONSIDERAÇÃO NO CÓDIGO DE PROTEÇÃO E DEFESA DO CONSUMIDOR Vejamos o que diz a redação do art. "dis-torcer" as conseqüências do ato praticado. a dissolução da entidade.

obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados aos consumidores. (§ 5º) Algumas considerações . infração da lei. (caput. para fins de análise. fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. A desconsideração também será efetivada quando houver falência. excesso de poder. Vejamos: Abuso de direito.(Vetado) § 2º . a despeito da rubrica aposta à Seção V. § 5º . estado de insolvência.As sociedades integrantes dos grupos societários e as sociedades controladas são subsidiariamente responsáveis pelas obrigações decorrentes deste Código. § 3º . houver abuso de direito. de alguma forma. fato ou ato ilícito. 28. Falência. a luz do quanto já acima discutido afirmar categoricamente: a Desconsideração da Pessoa Jurídica é objeto do caput e do § 5º do art.As sociedades coligadas só responderão por culpa. § 4º ." Podemos. de alguma forma. pois os §§ 2º a 4º. Esta não se faz necessária par o fim de fazer atuar aquela responsabilidade. 28 . dividir em três grupos as hipóteses legais de incidência da desconsideração contidas no art.O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade quando.165 "SEÇÃO JURÍDICA V- DA DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE Art. obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados aos consumidores. 28 do CDC. § 1º . que a própria lei determina. estado de insolvência. encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração. sendo desnecessária intervenção judicial no sentido de proclamar desconsideração. Qualquer hipótese em que a personalidade da pessoa jurídica seja. infração da lei. 1ª parte). violação de estatutos ou contrato social. (caput. 2ª parte). encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocadas por má administração.As sociedades consorciadas são solidariamente responsáveis pelas obrigações decorrentes deste Código. versam sobre a matéria da responsabilidade subsidiária ou solidária. Podemos.Também poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for. excesso de poder. em detrimento do consumidor.

poderão servir de embasamento a desconsideração a fim de alcançar o patrimônio dos sócios. quando por si não acarretem a responsabilidade pessoal do agente.. a desconsideração. 12 a 14 do CDC). Deve haver inafastável nexo de causalidade entre a conduta inadequada e o prejuízo causado ao consumidor. de uso parcimonioso. Não caberia.166 Primeira: o pressuposto de todas as hipóteses acima arroladas é o da lesão de interesses do consumidor. Na realidade é o elemento integrante de todas as hipóteses que requerem. etc. com o uso anormal das prerrogativas conferidas à pessoa pelo ordenamento jurídico. como os dos demais sócios. Terceira. fundada na teoria do risco. 23) ". Grupo 1 No primeiro grupo de hipóteses. Analisemos separadamente cada um dos grupos acima nominados. que a pratica abusiva ou ilícita o seja em virtude da preterição do direito do consumidor. Conforme Arruda Alvim (in "Código do Consumidor Comentado". objetivando." Caracteriza-se o abuso de direito. 181): "O dano indenizável.. a busca do responsável. temos a prática de atos que implicam infração da lei. auferir vantagem ilícita ou indevida". em razão disto. para sua efetividade. (fato que emerge claramente dos arts. p. Segunda: a desconsideração há de supor a incapacidade da pessoa jurídica para reparar o dano. Tais fatos. portanto. e a da responsabilidade subjetiva fundada em culpa. A desconsideração visa em tais casos a que os bens dos sócios infratores sejam também garantia do ressarcimento do prejuízo causado ao consumidor. prima facie o tratamento excepcional da desconsideração. nas palavras de Domingos Afonso Kriger Filho (in "Aspectos da Desconsideração da Personalidade Societária na Lei do Consumidor".. como de resto toda a disciplina de defesa do consumidor abraça as duas fontes da responsabilidade a da responsabilidade objetiva. tratamento excepcional e. ou os da personalidade societária. Segundo Pedro Batista Martins (apud Rubens Requião in "Abuso de Direito e Fraude através da Personalidade Jurídica"): . prejuízo ao consumidor. por responsável e. por dolo ou má-fé. Quando tratamos de empresa com capacidade financeira para ressarcir o consumidor. só podem ocorrer se e quando tiver havido desrespeito ao sistema jurídico. p. dos estatutos ou utilização de direitos além de sua órbita. não há razão para aplicar. por motivos óbvios na aplicação em defesa de interesses outros.

responde por ato próprio. 117 e 158. embora relacionado com a pessoa jurídica. 115. p. Genacéia da Silva in "A desconsideração da Pessoa Jurídica no Código de Defesa do Consumidor. 3. 159.. embora não se referindo especificamente ao CDC: "Não podem ser entendidos como verdadeiros casos de desconsideração todos aqueles casos de mera imputação de ato. J. a lesá-lo (consumidor)". Já há previsão legal: no caso da sociedade de responsabilidade limitada (art. que é a responsabilidade do sócio ou do representante legal da sociedade por ato ilícito próprio.708. Lei 6404). Pag. 142) Sobre o assunto.. fato. Decreto. Vejamos: "No que se refere ao excesso de poder. p. Qual.. . por lei ou embasado no sistema jurídico. a excepcionalidade. In " A Dupla crise da Pessoa Jurídica"." (Coelho. Frise-se que determinados autores não consideram." (Oliveira. Fábio Ulhoa in "Comentários ao Código de Proteção do Consumidor". 610) "Em determinadas circunstâncias.. de desconsideração da pessoa jurídica. Lamartine Corrêa de. sócios. fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social dizem respeito a um tema societário diverso. Aspectos Processuais".. mas o faça de molde a prejudicar terceiro. Consideram a teoria inaplicável in casu. infração da lei. Infração de lei. No excesso de poder a pessoa pratica ato ou contrai negócio fora do limite da outorga ou autoridade conferida. fato ou ato ilícito ou violação do contrato social. p. violação dos estatutos ou contrato social. 10. CC. no caso de desconsideração da pessoa jurídica são idênticas? Quer nos parecer que não. age contra a lei ou." (Alberton. diretores. Apenas há um ponto comum .167 "sempre que um titular de direito escolhe o que é mais danoso para outrem. demais casos. ou pelo contrato social. art. comete um ato abusivo" Arruda Alvim (in "Código do Consumidor Comentado". pois aquele que excede o que lhe é permitido por lei. ato ilícito. e art. Esta situação decorrente da lei e as conseqüências. infração da lei. 182): "Ocorre abuso de direito quando o fornecedor. dolosamente contra o estatuto ou contrato. ou gerentes podem responder por dívidas da sociedade. 168 e 169) "Excesso de poder.. representam. sempre. as hipóteses do parágrafo anterior. no caso da sociedade anônima (arts. o não cumprimento das obrigações impostas às pessoas pela lei. puder praticar determinado ato. então a . não sendo mais útil para si ou adequado ao espírito da instituição. não há desconsideração. ou por força dos estatutos ou contrato social. 16).

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diferença ?.... Quando a lei brasileira ...impõe ao sócio, gerente ou administrador a responsabilidade por dívidas da sociedade, faz porque uma dessas pessoas agiu de maneira contrária à lei ou contrato, mas como pessoa integrante da pessoa jurídica. Não foi a pessoa jurídica que teve a sua finalidade desvirtuada, não foi a pessoa jurídica como ser que foi manipulada mas, sim, o diretor, o gerente ou o sócio que, na sua atividade ligada à empresa, andou mal. Quando se fala, por outro lado, em desconsideração da pessoa jurídica, é porque a própria entidade é que foi desviada da rota traçada pela lei e pelo contrato.... Assim, acreditamos que devemo separar bem estas duas hipóteses por não serem idênticas" (Casillo, João in "Desconsideração da Pessoa Jurídica") Acatando o ponto de vista dos autores citados, restaria apenas a hipótese do abuso de poder, como ensejador da aplicação da doutrina da Desconsideração, ficando as demais hipóteses ainda no campo da previsão legal, externa à doutrina. O abuso do poder, por sua própria natureza, conforme acima referido, se amolda a hipótese de utilização da Desconsideração, vez que constitui, não violação clara da lei, caracterizando um "fato típico", previsto legalmente, mas antes, um uso abusivo da lei. Não havendo tal "tipicidade", impossível prévia previsão legal, imperativa então a atuação criadora judicial, através do instituto sob análise. Parece-nos, entretanto, que há um certo excesso de rigor formal em tal posição. Nem sempre ao ilícito legal ou contratual corresponderá uma expressa cominacão de responsabilidade pessoal, civil ou penal. Ainda que ressalvadas as previsões genéricas da lei, como a do art. 159 do CC, citada por Genacéia, parece-me que o instituto da Desconsideração melhor cobriria esses casos de lacuna da lei no que tange a previsão expressa da responsabilidade, lacuna que poderia ao final acobertar o infrator. A ausência de tal expressa previsão legal, poderia ser agitada com o propósito de elidir a responsabilidade, em sendo o caso, o art. 28, sob comento, forneceria o respaldo legal para a atuação jurisdicional no sentido de alcançá-la. Separar o ato do responsável pela pessoa jurídica do ato da pessoa jurídica, operação mental a que podemos ser induzidos pelo raciocínio de Casillo, pode resultar ser tarefa árdua, considerando as sutilezas que quase sempre cercam a situação concreta. Mais uma vez, o afastamento da figura da Desconsideração, poderia ser utilizada no sentido do acobertamento do infrator. De forma que, a despeito do rigor formal que caracteriza o exposto pelos autores acima citados, considero mais prudente, estender o manto protetor do instituto que ora analisamos também aos fatos aos quais o autores negam sua incidência, como faz o diploma legal protetivo do consumidor. Grupo 2 No segundo grupo o texto legal introduz um elemento não especificamente

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ligado ao interesse do consumidor: a má administração. É questionável esta inserção. Não há que se confundir a má administração com a prática abusiva citada na parte inicial do caput. A má administração poderia, isto sim, ensejar o uso do instituto para responsabilizar a gerência incompetente frente a própria pessoa jurídica ou frente aos demais sócios. É de se questionar, no entanto, a relevância deste fato frente ao direito do consumidor. É de se questionar se alguém administraria mal uma empresa com o fito exclusivo de fraudar os direitos do consumidor. E quanto à empresa bem administrada, que desativada, tenha lesionado consumidores. Ficariam imunes à regra? Concluindo, parece mal posta a hipótese legal no que se refere a má administração, quer pela falta de nexo entre qualidade da administração e eventuais prejuízos ao consumidor, quer pela falta de isonomia entre o tratamento dado ao consumidor da empresa encerrada por má administração e o dado ao cliente de uma empresa bem administrada que encerrou suas atividades. Certo é, em todos os casos, que o consumidor deve ser protegido na hipótese em a pessoa jurídica tenha cessado a atividade ou esteja extinta, e isto independentemente dos motivos que ensejaram tal encerramento de atividade. Grupo 3 Finalmente no terceiro grupo, a hipótese contemplada no §5º, parece inconciliável com o caput. Expressões demasiadamente genéricas ("sempre", "de qualquer forma"), parecem inutilizar as hipóteses do caput. Tão genérico, abrangente e ilimitado é o parágrafo, que aplicado literalmente, dispensaria o caput, tornaria inócua a própria construção teórica do instituto da desconsideração, implicando derrogar a limitação da responsabilidade de toda e qualquer empresa no que diz respeito às relações de consumo. Frente a tal, pelo menos aparente, incongruência, posicionam-se os doutrinadores: Zelmo Denari (in "Código de Defesa do Consumidor, Comentários pelos autores do Anteprojeto", p. 132), com a autoridade de ser um dos autores do anteprojeto da Lei 8.078/90, postula mesmo o "aberratio ictus da caneta presidencial". O parágrafo a ser vetado teria sido o 5º, e não o 1º, como apareceu no diário oficial, que segundo Denari é essencial para a aplicação do artigo. Para que se coteje com o texto do §5 e, à luz da razão do veto, aprecie-se assim a procedência da tese de Zelmo, transcrevemos abaixo o parágrafo vetado e as razões do veto: "§ 1º. A pedido da parte interessada, o juiz determinará que a efetivação da responsabilidade da pessoa jurídica recaia sobre o acionista controlador, o sócio majoritário, os sócios-gerentes, os administradores societários e, no caso de grupo societário, as sociedades que a integram."

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Razão do veto: "O caput do art. 28 já contém todos os elementos necessários à aplicação da desconsideração da personalidade jurídica, que constitui, conforme doutrina amplamente dominante no direito pátrio e alienígena, técnica excepcional de repressão a práticas abusivas." Como claramente se vê, fortíssima pode parecer a evidência do equivocado fato pelo qual, propugna Zelmo Denari, se explicaria a aparente ininteligência do parágrafo que ora analisamos frente ao sistema em que se insere. Entretanto, é também óbvio que, para albergarmos tal tese, teríamos antes que admitir a ininteligência do legislador a exigir atuação da sancionadora caneta presidencial. Esta última parece-nos bem menos provável, dada a qualidade que pautou a produção legislativa do diploma que ora analisamos. Vejamos, entretanto, outros posicionamentos: Fábio Ulhoa Coelho (in "Comentários ao Código de Proteção ao Consumidor", p. 143 e 144): censura o preceito no § 5º, concedendo apenas sua aplicação em matéria de sanções não pecuniárias (proibições de fabricação, suspensão temporária de atividade, etc...), apesar do contrário defluir do texto da lei: "ressarcimento de prejuízo do consumidor". Por fim salienta que no embate entre o caput e o § 5º, se um tiver que ceder será o parágrafo, não o caput. A interpretação meramente literal, no entanto não pode prevalecer e isto por três razões: Em primeiro lugar, porque contraria os fundamentos teóricos da desconsideração. ... Em segundo lugar, porque uma tal exegese tornaria letra morta o caput do art. 28. ... Em terceiro lugar, porque esta interpretação equivaleria à revogação do art. 20 do CC ("As pessoas jurídicas tem existência distinta da dos seus membros") em matéria de defesa do consumidor. E se esta fosse a intenção do legislador, a norma jurídica que a operacionalizasse poderia ser direta, sem apelo à teoria da desconsideração. Rachel Sztajn (in "Desconsideração da Personalidade Jurídica", p. 72): O parágrafo 5º deveria encimar o artigo: "Se o art. 28 tivesse por caput o § 5º, além dos §§ 2º e 3º, o consumidor estaria tutelado (apenas) em face da separação patrimonial utilizada de forma iníqua ou inadequada." A autora condiciona a aplicação do citado parágrafo aos pressupostos da teoria da desconsideração. Américo Führer (in "Resumo de Direito Comercial", p. 74): "A teoria pode ser aplicada diretamente pela lei,...,independentemente de qualquer abuso ou má fé", parece que nestas palavras o autor admite o utilização literal do § 5º. Genacéia da Silva (in "A Desconsideração da Pessoa Jurídica no Código de Defesa do Consumidor): "No que ser refere ao § 5º do art. 28, é necessário interpretá-lo com cautela. A

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mera existência de prejuízo patrimonial do consumidor não é suficiente para a desconsideração. O texto deixou o significado em aberto na medida em que assevera que a pessoa jurídica poderá também ser desconsiderada quando sua personalidade ‘De alguma forma’ for obstáculo ao ressarcimento, ..., leia-se, quando a personalidade jurídica for óbice ao ressarcimento justo do consumidor." (grifo nosso) A interpretação mais consentânea parece ser a de que o § 5º, constitui uma abertura ao rol de hipóteses do caput, sem prejuízo dos pressupostos teóricos da doutrina que o dispositivo visou consagrar. A aplicação do § 5º deve restringir-se às situações em que o fornecedor do produto ou serviço ao consumidor constitui a pessoa jurídica, ou a utiliza, especificamente para livrar-se da responsabilização de prejuízos causados ao consumidor. Aí justamente reside a carga axiológica do instituto, na análise judiciária da forma como a pessoa jurídica foi constituída ou utilizada relativamente à relação de consumo.

8 - A RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E SUBSIDIÁRIA PREVISTA NO ARTIGO 28 DO CDC No presente trabalho pretendemos, no âmbito do Código de Defesa do consumidor, tratar apenas da Desconsideração da Pessoa Jurídica. Não obstante, por se encontrarem enfeixados sob tal rubrica no texto normativo, trataremos também do responsabilidade disciplinada pelos parágrafos 2º a 4º do art. 28 do CDC, que a nosso ver, como já exposto, não compõem o instituto da Desconsideração. Assim tratemos da: Responsabilidade de Grupos societários e sociedade controladas O § 2º, estatui responsabilidade subsidiária das sociedades integrantes de grupos societários e sociedades controladas. Aqui, como já dito, não se cuida de desconsideração, mas de hipótese legal de responsabilização de terceiro. A própria redação indica uma responsabilidade objetiva, não sujeita a análise de elementos outros, presentes no caso concreto. Basta o liame a unir as entidades societárias, para dele decorrer a responsabilização. Tal dispositivo previne que as obrigações sob estudo sejam concentradas na sociedade que tenha menor respaldo patrimonial. Para Genacéia da Silva Alberton (in "A Desconsideração da Pessoa Jurídica no Código de Defesa do Consumidor), em seu trabalho já várias vezes citado, o Código foi tímido em estabelecer apenas responsabilidade subsidiária, concedendo o benefício de ordem e, consequentemente, impedindo que o consumidor ajuíze a ação desde logo contra as demais empresas. Para outros doutrinadores, no entanto, basta a prova da impossibilidade de ressarcimento pela empresa principal obrigada, para, já inicialmente, demandar a sociedade com responsabilidade subsidiária.

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No que se refere a sociedades controladas, o preceito parece conter alguma impropriedade. Obviamente a responsabilização subentende-se seja por obrigações da controladora (o texto não é explícito) que incidiria em caráter subsidiário sob o patrimônio da controlada. Temos a considerar que seria lógico que as ações ou quotas representativas do capital da controladora respondessem pelas obrigações da mesma, não o sendo, entretanto, que o patrimônio da controlada, que envolve o de terceiros (que podem deter até cerca de 83% do capital social, totalidade das ações preferenciais + 49% das ordinárias) o fossem, já que nada tem a ver com a conduta da controladora. Só podemos entender o dispositivo legal em sua literalidade, se o considerarmos conseqüência de prevalência especial do interesse de ordem pública da relação de consumo sobre os interesses de ordem privada; ou por outro, que sua aplicação dependa do pressuposto da concorrência da controlada na lesão ao consumidor., ou por outra de sua utilização pela controladora nesse intento. Responsabilidade das Sociedades consorciadas O § 3º, constitui também, em favor do consumidor, uma exceção a regra geral, já que a lei das Sociedades Anônimas, que rege esta esfera da ordem jurídica, não preconiza a solidariedade das sociedades consorciadas (art. 278, § 1º, Lei 6.404/76). Sabemos que a solidariedade não se presume, mas decorre da lei ou do contrato, aqui temos a hipótese legal, a proteger o consumidor. Convém salientar, por ser lógica, a ressalva que faz Fabio Ulhoa: "... a solidariedade existe apenas no tocante as obrigações relativas ao objeto do consórcio. Quanto às demais não há qualquer vínculo dessa natureza..." (Coelho, Fábio Ulhoa, in "Comentários ao Código De Proteção do Consumidor", p. 145) Responsabilidade das Sociedades coligadas O § 4º, estabelece a responsabilidade das coligadas, apenas na hipótese de culpa. Não poderia ser diferente, já que a mera participação da empresa no capital de outra (10% ou mais), sem controlá-la, não induziria, em si mesma, tal responsabilidade. A sociedade coligada é simplesmente sócia de outra e, como sócia, não tem responsabilidade pelos atos dessa outra a não ser que tenha participado do ato, caso em que será solidariamente responsável. Para alguns, supérfluo tal dispositivo, já que a responsabilidade seria deduzida de qualquer forma, sendo suficiente o art. 159 do CC. - CONCLUSÃO O CDC é diploma largamente inovador tanto no que se refere ao Direito Material, quanto no que se refere ao Direito Processual. Insere-se no contexto da evolução do Direito Moderno ao voltar-se à proteção e tutela de direitos

conforme discutido neste trabalho. no ordenamento jurídico pátrio. Zelmo. coletivos. do hipossuficiente. Desconsideração da Pessoa Jurídica no Código de Defesa do Consumidor. O art. Ajuris. A despeito de alguma impropriedade da redação. Vol 42. Comentários ao Código de Proteção ao Consumidor. João. apesar de conformarem-se ao figurino do estrito modelo legal. 1987. A Desconsideração da Pessoa Jurídica no Código do Consumidor. sob o aspecto dogmático ou doutrinário.. Novembro . N 54. ED.. CASILLO. do convívio social harmonioso e da justiça. Março. N 205. Resumo de Direito Comercial. 28 desse Estatuto representa o estendimento da longa manus do Estado. Desconsideração da Personalidade Societária no Direito Brasileiro. difusos. da boa fé. 28 do CDC representa um grande avanço não só no campo específico do Direito Tutelar do Consumidor como também de todo o Direito Posto Nacional. Código de Defesa do Consumidor. . 1992. Revista dos Tribunais. Arruda. Desconsideração da Pessoa Jurídica. Aspectos Processuais. São Paulo. P 69 A 84. P 17 A 27.1994. para alcançar aqueles atos que. 2. 1991. N 58. São Paulo. Rio de Janeiro. da Doutrina da Desconsideração da Pessoa Jurídica.. Forense Universitária. Julho. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALBERTON. ALVIM. etc. Domingos Afonso. 1991.. Marçal. representam violação do ordenamento jurídico naquilo que possui de mais caro. Malheiros Editores. e ampl. Américo. Porto Alegre. Ajuris. 1993. rev. Ed. Ed. o art. São Paulo. 1995 AMARO. JUSTEN FILHO. Vol 19. DENARI. Revista dos Tribunais. KRIGER FILHO. P 146 A 180.173 personalísticos. Aspectos da Desconsideração da Personalidade Societária na Lei do Consumidor. Luciano. Genacéia da Silva. RT 528/24. Ed. Saraiva. Coordenação de Juarez de Oliveira. 1996. Nesse contexto inovador. Comentários pelos Autores do Anteprojeto. et al. Revista Jurídica. Vol 20. Código Do Consumidor Comentado. FÜHRER. Fábio Ulhoa. seus valores e seus princípios asseguradores da paz. individuais. COELHO. tem relevância a introdução pioneira.

P 67 A 75. 1992. SZTAJN. N 2. Abuso de Direito e Fraude através da Personalidade Jurídica. A Dupla Crise da Pessoa Jurídica. REQUIÃO. .174 OLIVEIRA. Rubens. J. RT. Rachel. São Paulo. 1979. Revista de Direito do Consumidor. Desconsideração da Personalidade Jurídica. Junho. Editora Saraiva. Lamartine Corrêa. 528:16.

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Princípios gerais da publicidade no Código de Proteção e Defesa do Consumidor

Autor: João Bosco Pastor Gonçalves

Sumário: 1 – Introdução; 2 – Publicidade: Conceito e elementos essenciais; 3 – Princípios Gerais da Publicidade no CDC; 4 – Princípio da Identificação da Publicidade; 5 – Princípio da Vinculação Contratual da Publicidade; 6 – Princípio da Veracidade da Publicidade; 7 – Princípio da Não Abusividade da Publicidade; 8 – Princípio da Inversão do Ônus da Prova; 9 – Princípio da Transparência da Fundamentação; 10 – Princípio da Correção do Desvio Publicitário; 11 – Conclusão

1. Introdução Com o objetivo de desenvolverem as suas atividades empresariais, o comércio e a industria necessitam divulgar os produtos e serviços por eles produzidos e prestados, a fim de que desperte interesse nos consumidores. Em geral, produtos de primeira necessidade, (feijão, arroz, carne, leite, etc.), dispensam maior divulgação, entretanto, produtos mais caros (de luxo), como automóveis, equipamentos de áudio e vídeo sofisticados, telefones celulares ou uma casa de veraneio, não dispensam uma boa estratégia de marketing, e aí inclui-se a publicidade. As pessoas compram coisas por dois motivos essenciais: necessidades e impulsos. As necessidades nem sempre são reais, elas são criadas pela publicidade, sem a qual não haveria como colocar no mercado cada vez mais produtos que, a rigor, ninguém precisa. 1 As mensagens publicitárias induzem as pessoas a comprarem por impulso. Quem resiste a um anuncio para comprar um presente em um shopping no dia das mães ou no dia dos namorados?. Nosso ordenamento jurídico não obriga a ninguém a anunciar os seus produtos ou serviços, porém, se o fizer, a sua publicidade está sujeita a uma série de deveres impostos pelo Código de Proteção e Defesa do Consumidor, Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990, (CDC). O objetivo do presente trabalho é a análise do conceito de publicidade e dos princípios que a regem, á luz do referido diploma legal.

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2. Publicidade: Conceito e elementos essenciais Antônio Herman de Vasconcelos e Benjamin2, citando o jurista português Carlos Ferreira Almeida, diz que publicidade ‘é toda informação dirigida ao público com o objectivo de promover, directa ou indirectamente, uma actividade económica’. Prossegue afirmando que tal como acontece com o conceito de marketing, não é tarefa fácil definir o que seja publicidade em virtude do caráter complexo de suas múltiplas funções e das relações mútuas entre elas, e fornece a noção do Comitê de Definições da American Association of Advertising Agencies ( AAAA): ‘ publicidade é qualquer forma paga de apresentação impessoal e promoção tanto de idéias, como de bens e serviços, por um patrocinador indentificado’. Trata-se sem dúvida, de uma forma de comunicação social, em toda publicidade há uma mensagem, um emissor que tem como objetivo alcançar um conjunto de receptores, transmitir-lhes uma idéia, incentiva-los a um determinado comportamento – comprar um bem ou, utilizar-se de certo serviço. Porém, nem toda forma de comunicação integra o conceito de publicidade: fora desse campo ficam a informação cientifica, política, didática, lúdica ou humanitária, porque alheia á atividade econômica, mesmo quando seja produzida com a intenção de gerar certa convicção nos seus destinatários 3. Dois elementos são essenciais em qualquer publicidade: a difusão e a informação. Um é o elemento material da publicidade, seu meio de expressão. O outro é o seu elemento finalistico4. Sem difusão não há publicidade, vez que a mesma precisa ser levada ao conhecimento de terceiros, da mesma forma sem um conteúdo mínimo de informação inexiste a publicidade. Convém ainda esclarecer, que embora sejam usados indistintamente no dia-adia, os termos publicidade e propaganda não se confundem. Antônio Herman de Vasconcellos e Benjamin 5 afirma que a publicidade tem objetivo comercial, enquanto que a propaganda visa a um fim ideológico, religioso, político, econômico ou social, e que além de ser paga, na publicidade sempre identifica-se o seu patrocinador, o que nem sempre ocorre com a propaganda. Na propaganda difunde-se uma idéia, ao passo que na publicidade divulga-se uma mercadoria ou serviço. Estabelecidos o conceito de publicidade e seus elementos essenciais, bem como a necessária distinção entre os termos propaganda e publicidade, passamos a análise dos princípios que norteiam a elaboração da mensagem publicitária, á luz do Código Brasileiro de Proteção e Defesa do Consumidor (CDC) e da Constituição

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Federal.

3. Princípios Gerais da Publicidade no CDC Princípio, conforme o excelente ministério do Professor Celso Antônio Bandeira de Mello6 " [...] é por definição, mandamento nuclear de um sistema, verdadeiro alicerce dele, disposição fundamental que se irradia sobre diferentes normas compondo-lhes o espírito e servindo de critério para sua exata compreensão e inteligência exatamente por definir a lógica e a racionalidade do sistema normativo, no que lhe confere a tônica e lhe dá sentido harmônico". [...] Violar um princípio é muito mais grave que transgredir uma norma qualquer. A desatenção ao principio implica ofensa não apenas a um especifico mandamento obrigatório, mas a todo sistema de comandos". Alguns princípios foram adotados pelo CDC para a elaboração da publicidade, com vistas á proteção do consumidor, parte mais fraca nas relações consumeristas. Em função da tutela fornecida aos consumidores eles encontram-se assim distribuídos no Código de Proteção e Defesa do Consumidor: princípio da identificação da publicidade ( art. 36); princípio da vinculação contratual da publicidade ( arts. 30 e 35); princípio da veracidade ( art. 37 § 1º ); princípio da nãoabusividade da publicidade ( art. 37 § 2º); princípio da inversão do ônus da prova ( art. 38); princípio da transparência da fundamentação publicitária ( art. 36, parágrafo único); princípio da correção do desvio publicitário ( art. 56, XII). Observa-se7 que o Código optou por definir publicidade enganosa e publicidade abusiva, sem conceituar o que seja publicidade, preocupando-se com a definição do desvio ( abusividade e enganosidade), mas não com a do padrão. Entretanto, o legislador preocupou-se com a tutela penal da publicidade, considerando crimes contra as relações de consumo a prática de publicidade enganosa ou abusiva, bem como a promoção de publicidade que induza o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa a sua saúde ou segurança, apenando ainda o fornecedor que não mantenha em seu poder os dados fáticos, técnicos e científicos que embasaram a sua mensagem publicitária, cominando pena de detenção e multa (arts. 67, 68 e 69).

4. Princípio da Identificação da Publicidade O artigo 36 do CDC está assim redigido: Art. 36. A publicidade deve ser veiculada de tal forma que o consumidor, fácil

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e imediatamente, a identifique como tal. Parágrafo Único. O fornecedor, na publicidade de seus produtos ou serviços, manterá, em seu poder, para informação dos legítimos interessados, os dados fáticos, técnicos e científicos que dão sustentação á mensagem. Analisando a "cabeça" do artigo, vemos que o fornecedor ao veicular a publicidade de seus produtos e serviços, deve fazer de modo claro, inteligível, o consumidor deve compreender que está diante de um anúncio publicitário. Previne-se8 assim contra as chamadas "publicidades ocultas" e "subliminares", através da técnica do Merchandising, de freqüente utilização em espetáculos, novelas, teatros, ou seja, a aparição dos produtos no vídeo, no áudio ou nos artigos impressos, em sua situação normal de consumo, sem declaração ostensiva da marca. Um bom exemplo de comunicação subliminar é o uso constante de determinada marca de carros em uma novela, ou ainda, as aparições de produto, serviço ou marca, de forma aparentemente casual, em programas de televisão, filme cinematográfico, jogos de futebol televisionados, etc. Pasqualotto9 observa que quando a publicidade não é de fácil e imediata identificação, "não é só o consumidor que pode estar sendo enganado. Também pode haver fraude á lei, pois a falta de identificação possibilita a transgressão de regras como a advertência necessária de restrição ao uso de alguns produtos (cigarros), o horário ou o local de exposição do anúncio (bebidas alcoólicas) ou a proporção de publicidade em relação á programação (rádio e televisão) ou o noticiário e reportagens (jornais e revistas)".

5. Princípio da Vinculação Contratual da Publicidade Tal princípio decorre da inteligência dos arts. 30 e 35 do CDC : Art. 30. Toda informação ou publicidade, suficientemente precisa, veiculada por qualquer forma ou meio de comunicação com relação a produtos e serviços oferecidos ou apresentados, obriga o fornecedor que a fizer veicular ou dela se utilizar e integra o contrato que vier a ser celebrado. Portanto, no plano contratual, o Código consagra o princípio da vinculação da publicidade. O consumidor pode exigir do fornecedor o cumprimento do conteúdo da comunicação publicitária. A publicidade é um verdadeiro negócio jurídico unilateral, na medida em que obriga o fornecedor a cumprir com a promessa, desde a sua difusão. Confira-se a jurisprudência a seguir:

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COMPRA E VENDA – Erro – Entrega recusada sob alegação de erro na especificação do preço, no orçamento – Não pode a teoria do erro escusável favorecer o fornecedor – Negócio perfeito e acabado – análise das disposições do Código Civil e do Código de Defesa do Consumidor – Exame da doutrina – Ação para entrega da coisa – Procedência – Decisão mantida. ( AC. Um. Da 5ª Cam. Esp. Do 1º TAC, Ap. 562.425-3, Rel. Juiz Sílvio Venosa, j.6-7-1994) ( O Código de Defesa do Consumidor e sua Interpretação Jurisprudencial, Luiz Antonio Rizzatto Nunes, Saraiva, 1997, p. 90).

6. Princípio da Veracidade da Publicidade Aqui, (art. 37 § 1º), o legislador preocupou-se em coibir a publicidade enganosa, que pode ser apresentada de duas formas: por comissão ou por omissão. Na publicidade enganosa por comissão, o fornecedor afirma alguma coisa capaz de induzir o consumidor a erro, dizendo alguma coisa que não é verdadeira. Na forma omissiva o patrocinador deixa de afirmar o que é relevante, também induzindo o consumidor a erro. Possível, também, que quanto á sua extensão a publicidade seja parcialmente enganosa, ou seja, contendo algumas informações falsas e outras verdadeiras, o que não a descaracteriza como publicidade enganosa. Quanto ao seu aspecto subjetivo10 não se exige por parte do anunciante a intenção (dolo ou culpa), sendo irrelevante a sua boa ou má-fé. Portanto, sempre que o anúncio for capaz de induzir o consumidor a erro, independentemente da vontade do fornecedor, está caracterizada a enganosidade da publicidade, o que justifica-se porque o objetivo é a proteção do consumidor, e não a repressão do comportamento enganoso do fornecedor.

7. Princípio da Não Abusividade da Publicidade Está consagrado no art. 37, § 2º, do CDC, que proíbe de qualquer forma, dentre outras, a publicidade discriminatória, que incite á violência, que desperte o medo ou a superstição, que se aproveite da deficiência de julgamento e inexperiência da criança, atinja valores ambientais, ou que seja capaz de induzir o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa á sua saúde ou segurança. A locução "dentre outras", deixa transparecer que o elenco da publicidade abusiva é apenas exemplificativo, podendo existir outras formas de abusividade, cabendo aos aplicadores da lei – juízes e administradores adaptarem o texto da lei ás práticas do mercado.

porém. a respeito de bens ou serviços oferecidos.38). a responsabilidade da agência e do próprio veículo de comunicação. O meio ambiente.180 A publicidade é discriminatória quando distingue entre raça. sexo. considerando que qualquer publicidade dirigida a infantes não deixa de ter um grande potencial abusivo. Quanto ás crianças. Princípio da Inversão do Ônus da Prova Tal princípio. Trata-se de princípio básico para a facilitação da defesa do consumidor em juízo. não se excluindo. Quanto à responsabilidade pelo desvio publicitário. de ação tendente a instruir. seja entre homens. o anunciante ou a quem o anúncio aproveita. bastando que o anuncio faça uso desses recursos para que seja considerado ilegal. ou. o consumidor. por serem muito jovens não possuem o necessário entendimento para a compreensão do que é ou não verdadeiro nas mensagens publicitárias. não se exige que a mensagem aterrorize. cabendo ao fornecedor demonstrar que sua publicidade foi veiculada dentro dos princípios que estamos expondo. ilegitimamente. que não admitiu nenhuma veiculação publicitária que fosse contra a proteção e conservação do mesmo. Quanto á publicidade exploradora do medo ou da superstição11. condição social. razão pela qual o legislador dedicou-lhes especial proteção. daí por que se desloca para o patrocinador o ônus da prova da veracidade e da correção da informação ou da comunicação publicitária (art. Não se admite a publicidade que mostre a violência. pois a publicidade constitui-se em verdadeira oferta (princípio da vinculação . condicionando o seu comportamento para a respectiva aquisição ou fruição. bem como do reconhecimento opis legi. 38). nacionalidade. ou até contra bens públicos ou privados. etc. 8. da vulnerabilidade do consumidor. como direito fundamental dos seres humanos foi também motivo de proteção pelo legislador. pois. anexo ao princípio da boa-fé como norma de conduta. responde em regra. nas palavras de Carlos Alberto Bittar12: trata-se. convicções políticas ou religiosas. profissão. Princípio da Transparência da Fundamentação Trata-se de verdadeiro dever. 9. decorre dos princípios da veracidade e da não abusividade da publicidade. (art. realmente os consumidores. seja entre homens e animais.

Lei nº 8. de caráter explicativo. 10. 56. claras. 31. informa corretamente ao consumidor.181 contratual da publicidade). o que se faz através da contrapropaganda. pois é este que tem o dever legal de informar de modo preciso. precisas. acolhida pelo Código em seu art.( melhor seria contrapublicidade). restaurando dessa forma. 31. É divulgada no mesmo veiculo de comunicação utilizado e com as mesmas características empregadas. Princípio da Correção do Desvio Publicitário Ocorrido o desvio publicitário. bem como sobre os riscos que apresentam à saúde e segurança dos consumidores. e repressão administrativa e penal. além da sua reparação civil. XII. às suas expensas. espaço. O artigo estabelece os requisitos da oferta. composição. A oferta e apresentação de produtos ou serviços devem assegurar informações corretas. não se limitou apenas ao regramento das .078. entre outros dados. quantidade. ostensivas e em língua portuguesa sobre suas características. necessário que sejam desfeitos o seu impacto sobre os consumidores. A ausência de informação essencial será sempre interpretada contra o fornecedor. ostensivo e em língua portuguesa13. A publicidade. no que se refere à duração. deve conter informações suficientes para esclarecer ao consumidor os elementos básicos que irão fundamentar a eventual formação segura e satisfatória de um contrato que atenda a seus interesses econômicos. Nada mais é que uma publicidade obrigatória e adequada que se segue a uma publicidade enganosa ou abusiva. a realidade dos fatos14. o fornecedor. 11. Trata-se de veiculação de outra publicidade para sanar os malefícios causados pela publicidade originária. qualidades. tendo como objetivo apagar a informação inadequada da percepção do consumidor. preço. de 11 de setembro de 1990. de maneira que o consumidor tenha uma idéia precisa do que lhe está sendo oferecido. local e horário. desfazendo os erros do anúncio original. claro. sic. garantia. Naquela. e vem expresso no art. do CDC: Art. Conclusão O legislador ao elaborar o Código de Proteção e Defesa do Consumidor. por esta óptica. prazos de validade e origem.

nº 265. 8. referendou o principio da vinculação contratual que permite ao consumidor exigir do fornecedor o cumprimento do conteúdo da mensagem publicitária. p.. Cit. . pp. Rio de Janeiro: Forense Universitária.. Rio de Janeiro: Forense Universitária. Márcio Mello Casado. Rio de Janeiro: Renovar. 5. 7. 6ª ed. 6. Idem. que surge através das técnicas de estimulação do consumo – a publicidade.. novembro de 1999. 274. 2. 66. 6ª ed.[ et al ]. 747. Celso Antônio Bandeira de Mello.). 264. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor. p. Notas 1. São Paulo: Malheiros Editores. p. p. Revista Jurídica. Instituiu para tal (proteção do consumidor). Princípios Gerais da Publicidade na Constituição Federal e no Código de Defesa do Consumidor. pp. 12ª ed.. 265. coibindo todas as modalidades de anúncios enganosos ou abusivos. 1998. 265. Sônia Maria Vieira de Mello. 82.67. Proibiu a propaganda clandestina e a subliminar. 4. uma serie de normas e princípios para o controle da publicidade.[ et al ]. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto/ Ada Pellegrini Grinover. Curso de Direito Administrativo. 2000. (op. acolhendo o princípio da identificação da publicidade. inverteu o ônus da prova em favor do consumidor facilitando o seu acesso à Justiça. O Direito do Consumidor na Era da Globalização: a descoberta da cidadania. Ibidem..182 relações contratuais de consumo. 2000. p. exigiu a transparência da fundamentação da publicidade e determinou a correção do desvio publicitário através da imposição da contrapropaganda. p. para resguardar a boa-fé dos consumidores. 748. 3. 266. Reconheceu que a proteção do consumidor deve iniciar-se mesmo em momento anterior ao da celebração do contrato de consumo – na fase da oferta. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto/ Ada Pellegrini Grinover.

Rio de Janeiro: Renovar. Referências bibliográficas BITTAR. . 1999.. 4ª ed. [ et al]. 14... Os Efeitos Obrigacionais da Publicidade. 46. 286. São Paulo: Malheiros Editores. Rio de Janeiro: Forense Universitária. 1999. p.. 12ª ed. 298. 303.. 12.. Porto Alegre: Síntese. 2000. Rio de Janeiro: Forense Universitária.[ et al]. Adalberto Pasqualotto. Cit. 10. novembro de 1999. p. p. MELLO. Cit. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor. São Paulo: Revista dos Tribunais. SILVA. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor. São Paulo : Revista dos Tribunais. Carlos Alberto. 51. 4ª ed. Sônia Maria Vieira de. José Luiz Toro da Silva. Celso Antonio Bandeira. 2000. p. Ada Pellegrini. op. Noções de Direito do Consumidor. 1998. Rio de Janeiro: Forense Universitária. GRINOVER. Noções de Direito do Consumidor. 1997. op. PASQUALOTTO. 6ª ed. 13.... José Luiz Toro da. 1995. Márcio Mello. Direitos do Consumidor. Os Efeitos Obrigacionais da Publicidade. Curso de Direito Administrativo. nº 265. Carlos Alberto Bittar. 1ª ed. Forense Universitária. 82 e 83. Direitos do Consumidor..183 9. Princípios Gerais da Publicidade na Constituição Federal e no Código de Defesa do Consumidor. 6ª ed.. p. Adalberto. Porto Alegre: Síntese. 1997. CASADO. pp. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto. 2000. O Direito do Consumidor na Era da Globalização: a descoberta da cidadania. MELLO. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto/ Ada Pellegrini Grinover. Revista Jurídica. 11.

nesse quadro. recebe essas influências que o tornam apto a regular as novas relações que emergem do desenvolvimento da sociedade. Paris. nos quais a predominância exclusiva de uma única vontade. Conclusão. mormente as relações de consumo. para os quais em todo caso. admitindo-se apenas a adesão daqueles que desejarem aceitar a lei do contrato". cedo ou tarde. 2.184 As cláusulas abusivas à luz da doutrina e da jurisprudência Autores: Andrade Carlos Cavalcante Karla Karênina "Sem dúvidas. obrigando antecipada e unilateralmente. e cuja construção jurídica esta por fazer. vê-se que economia é uma das maiores influenciadoras no . agindo como vontade individual.A recepção do princípio da predominância da ordem pública pelo CDC como meio de afastamento das cláusulas abusivas nos contratos de adesão. poderiam ser chamados. 2. que o Direito se incline diante das nuanças e divergências que as relações sociais fizeram surgir. como o Direito não é subsistema normativo ético isolado dos demais. Anexo.2. trecho de Raymond Saleilles em De la déclaration de volonté. Há supostos contratos que tem do contrato apenas o nome.4.2.Da Aplicação das Portarias da SDE aos Contratos Utilizados no Âmbito do Sistema Financeiro Nacional.Notas.2. 2. que dita sua lei não mais a um indivíduo mas a uma coletividade indeterminada. A cobrança extrajudicial de honorários advocatícios como cláusula abusiva. de contratos de adesão. 3. reflexo do processo de globalização no qual se insere toda a sociedade contemporânea. 2.3. 1. a importantes modificações. 1901 Sumário:1.Introdução. na ausência de termo melhor.Referências Bibliograficas. 6. são fortemente influenciadas pela economia de mercado. 5. há contratos e contratos e estamos longe da realidade desta unidade de tipo contratual que supõe o Direito. 2. as regras de interpretação judicial deveriam se submeter.5.O Controle das Cláusulas abusivas.A Competência da Secretaria de Direito Econômico.Efeitos nos contratos.Introdução As relações contratuais em curso na atualidade. 7. sem dúvidas. Será necessário. Cláusulas abusivas. 4.Sentença proferida em sede de ação de rescisão contratual.Contratos de Adesão.6.1.

Praticamente. enunciada em conformidade com a lei. O art. tão forte e tão profunda.º e 5. há juristas. com o propósito de mudar o curso de seus efeitos. surgiram os chamados contratos de adesão. a não ser excepcionalmente. de desequilíbrio entre as partes contratantes. o que significa uma verdadeira negação de acesso à justiça. ao atrasar qualquer das prestações avençadas é o consumidor surpreendido com ação judicial promovida pelo estipulante no foro deste. o que acabou por franquear o questionamento de institutos outrora inabaláveis. que não comporta retratação. embora fosse para isso preciso afrontar o posicionamento tradicional dos mestres civilistas a respeito da força obrigatória dos contratos: "O princípio da força obrigatória no contrato contém ínsita uma idéia que reflete o máximo de subjetivismo que a ordem legal oferece: a palavra individual. Trata-se de um contrato estandardizado. o princípio da intangibilidade do conteúdo dos contratos significa a impossibilidade de revisão pelo juiz. a qual atualmente se admitem restrições. destacando-se os de alienação fiduciária e o arrendamento mercantil. não vislumbrada até então."(Orlando Gomes) (2) Com a crescente evolução de uma sociedade que prima pelo consumismo. o instituto da pacta sunt servanda "stricto sensu" não existe mais. e onde vem sendo a praxe a inserção de cláusula abusiva onde se elege o foro do estipulante em detrimento do foro do domicílio do consumidor. que dispensa a prévia discussão das bases do negócio instrumento. como Nelson Nery Junior. fez-se indispensável a criação de aparatos jurídicos capazes de repor equilíbrio entre os pólos contratuais. de forma que. 4. encerra uma centelha de criação. Em se reconhecendo a vulnerabilidade do consumidor no mercado de massa. as cláusulas abusivas eram disciplinadas de maneira esparsa no direito positivo pátrio. é tão imperiosa que. em um contexto atual de nosso direito. que entendem não existir mais. nem o Estado mesmo.º da Lei de Introdução ao Código Civil para suprir essa lacuna: decidindo de acordo com a analogia. valendo-se do direito comparado e atendendo aos fins sociais e às exigências do bem comum. o Poder Judiciário recorria às regras gerais contidas nos arts. Outros diplomas .185 desenvolvimento jurídico. Antes do Código de Defesa do Consumidor. 85 do mesmo diploma legal era também aplicado (Art."(Caio Mário da Silva Pereira) (1) "Essa força obrigatória atribuída pela lei aos contratos é a pedra angular da segurança do comércio jurídico. largamente utilizados para a aquisição ou utilização de bens. O aumento das relações entre fornecedores e consumidores advindo da nova economia de mercado tornou perceptível uma situação. popularmente difundido como leasing. pode intervir. depois de adquirir vida. 85 . como o pacta sunt servanda.nas declarações de vondade se atenderá mais à sua intenção que ao sentido literal da linguagem).

59. posto que. assim como as implicações decorrentes. as cláusulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos e serviços que: . como regra básica. tais como o Decreto n. sendo o Secretário Nacional de Direito Econômico autorizado. dentro do período de reflexão de sete dias.195/1966 e outros. 1.181/97 (regula o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor). em seu artigo 51. no caso de o contrato de consumo ter sido concluído fora do estabelecimento comercial. o Decreto n. que são aquelas cláusulas contratuais não negociadas individualmente e que.51º "São nulas de pleno direito. causam em detrimento do consumidor um desequilíbrio importante entre os direitos e obrigações das partes. 2. Há apenas dois artigos no Código Civil brasileiro que proíbem o uso das cláusulas leoninas (3): o art. é possível a inversão do ônus da prova em favor do consumidor. 24. tendo direito à devolução imediata das quantias que eventualmente pagou. 115 e o art.186 legislativos também tratavam do assunto. no caso de dúvida as cláusulas contratuais gerais devem ser interpretadas em favor do aderente. pelo art. portanto.372. 857/1969.Cláusulas Abusivas Dispõe o artigo 51 do Código de Defesa do Consumidor: "Art. em linguagem clara e acessível. o Decreto-Lei n. 58 do Decreto nº2. autorizado a editar anualmente um rol exemplificativo do que são tidas por cláusulas abusivas É objetivo do estudo ora encetado a análise da posição doutrinária e jurisprudencial no que concerne às cláusulas abusivas. é inegável a importância da devida compreensão acerca do que sejam cláusulas abusivas. não é exaustiva. todo produto ou serviço deve ser obrigatoriamente acompanhado do manual de instalação e instrução sobre sua adequada utilização. Com o advento do CDC (4) foram trazidos avanços ao tratamento da proteção contratual do consumidor. frente as exigências da boa-fé. entre outras. tais como: os contratos que regulam as relações de consumo não obrigarão os consumidores se não lhes foi dada a possibilidade de tomar conhecimento prévio de seu conteúdo ou se os respectivos instrumentos foram redigidos de modo a dificultar a compreensão de seu sentido e alcance. como se pode depreender da observância dos fatos acima expostos. há penalização se o termo de garantia não for adequadamente preenchido e entregue ao consumidor. e sua conseqüente declaração de nulidade.038/1934. A previsão de cláusulas abusivas pelo CDC. uma lista exemplificativa das chamadas cláusulas abusivas. corrigidas monetariamente pelos índices oficiais. e do tratamento dado pela doutrina e jurisprudência a este assunto. apresenta. redigido em português. pode o aderente exercer o direito de arrependimento.

. Processo N°: 21540. acarretando desequilíbrio contratual entre as partes e ferindo os princípios da boa-fé e da eqüidade. com os olhos postos no presente.. assim.699 –MG (97/0088907-6) (Anexo II) "Conflito de Competência. São sinônimas de cláusulas abusivas as expressões cláusulas opressivas. Conforme disposto no artigo supramencionado. Relator: Min. (6) Assim. no conceito de Nelson Nery Junior: "são aquelas notoriamente desfavoráveis à parte mais fraca na relação contratual de consumo. ou sejam incompatíveis com a boa fé ou a equidade. abusivas.". Contrato de adesão. inseridas num contrato.) IV – estabeleçam obrigações consideradas iníquas.. exceto quando sua ausência acarretar ônus excessivo a qualquer das partes. (STJ. Tratando-se de ação derivada de relação de consumo. desde que se averigúe o justo equilíbrio entre as partes. há que se entender cláusulas abusivas como sendo aquelas que estabelecem obrigações iníquas. a mais abalizada doutrina e atual jurisprudência. Competência Territorial. possam contaminar o necessário equilíbrio ou possam. Código de Defesa do Consumidor.".187 (. onerosas. Cláusula de eleição de foro. e não operam efeitos. cláusulas como essa do instrumento havido entre as partes ostentam-se indisfarçavelmente ineficazes e sequer possível o seu aproveitamento". e subsiste o contrato. Ruy Rosado de Aguiar. em que deve ser facilitada a defesa do direito do consumidor (Art. . "Assim. que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada. VIII. Cláusula Abusiva O juiz do foro escolhido em contrato de adesão pode declarar de ofício a nulidade da cláusula e declinar da sua competência para o juízo do foro do domicílio do réu. (5) Segundo Hélio Zagheto Gama: "As cláusulas abusivas são aquelas que. Foro de Eleição.. Órgão: Segunda Seção. somente a cláusula abusiva é nula: as demais cláusulas permanecem válidas. causar uma lesão contratual à parte a quem desfavoreçam". de que resulta dificuldade para a defesa do réu. Cláusula de eleição de foro. Cláusulas abusivas. vexatórias ou. excessivas. ainda. Prevalência da norma de ordem pública que define o consumidor como hipossuficiente e garante sua defesa em juízo". em contrato de adesão. sendo que a nulidade de qualquer cláusula considerada abusiva não invalida o contrato. DJ-24/08/1998) "Competência.. (STJ – AG Nº 170. se utilizadas. têm decidido em casos tais que. 6º. tais cláusulas são nulas de pleno direito.

uma proteção a posteriori do consumidor. O artigo 56 do Decreto 2. elenco complementar de cláusulas contratuais consideradas abusivas. prestar aos consumidores orientação permanente sobre seus direitos.A Competência da Secretaria de Direito Econômico A Secretaria de Direito Econômico (SDE) foi criada pelo Decreto nº 2.181.188 do Código de Defesa do Consumidor). promotores. a fim de orientar o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor. através de um efetivo controle judicial do conteúdo dos contratos.J. para os comerciantes.1. Compete à SDE. 2. pois. mas servem de roteiro para os operadores do Direito (advogados. em caráter exemplificativo. de 20 de março de 1997 e atua por meio de seu Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC). não se exigindo. assim. através do DPDC. Conforme anteriormente exposto. Juízes) e de advertência. que integra o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor. São atos de natureza administrativa. aplicando-se o disposto no inciso IV do artigo 22 do Decreto 2.181/97 estabelece que. cria novos direitos para o consumidor e deveres para o fornecedor. garantindo. as portarias publicadas pela Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça. em 13. a previsão de cláusulas abusivas pelo CDC não exaure as hipóteses com o elenco ali exposto. elencando as cláusulas abusivas. a coordenação geral da política do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor. qualquer que seja a modalidade do contrato de consumo. inserir. Assim.181/97. O DPDC deverá.11.181/97." ( S.2ª Seção .98 ) O CDC apresenta dois momentos distintos de proteção contratual ao consumidor: no primeiro momento.1998. que não têm força de lei.05. cabendo aplicação de multa ao fornecedor de produtos ou serviços que. exceção de incompetência. . anualmente.j. impende considerar como absoluta a competência do foro do domicílio do réu. dentre outras atividades. são editadas em cumprimento ao disposto no citado artigo 56 do Decreto 2. conforme especificado no artigo 3o do Decreto 2. fizer circular ou utilizar-se de cláusula abusiva. compreendido até a efetiva formação do vínculo contratual (fase pré-contratual). .T.181/97. a SDE divulgará. são criadas normas proibindo expressamente as cláusulas abusivas nesses contratos. fiscalizar e aplicar as sanções administrativas previstas no CDC e solicitar a instauração de inquérito para apuração de delito contra o consumidor. compete ao Secretário Nacional de Direito Econômico editar anualmente um rol exemplificativo de cláusulas abusivas. direta ou indiretamente. no momento posterior. DJU de 16. sendo órgão do Ministério da Justiça. Conflito conhecido.

e/ou alegar que o CDC. uma vez que a figura do cliente da instituição financeira não pode ser equiparada à figura do consumidor. as instituições financeiras não podem ser impedidas de recorrer ao Poder Judiciário para solucionar os conflitos gerados em razão da aplicação ou não de regras referentes às relações de consumo. aflorando casuisticamente na construção do caso concreto. 2.Meios de Controle das Cláusulas abusivas O fundamento jurídico em que sedimenta a doutrina brasileira o posicionamento acerca das cláusulas abusivas é o abuso de direito. ainda que indiretamente. e conseqüentemente as portarias da SDE. há instituições financeiras que pretendem questionar a validade/aplicação das portarias da SDE. se pode depreender que o abuso estaria incluído. As cláusulas abusivas seriam. na realidade não o são. Sendo caracterizada a relação como de consumo ou demonstrada. pelo uso anormal do direito. duas alegações possíveis de serem articuladas por tais instituições seriam: questionar o conteúdo das portarias editadas pela SDE.Destarte. na classe dos atos ilícitos. a existência de cláusulas obscuras ou abusivas. alegando que determinadas cláusulas tidas como abusivas pela SDE. portanto.2. a anulação dos referidos contratos ou das cláusulas abusivas contidas no bojo destes. quando não considerou como ilícito o uso regular de um direito (Código Civil. contemplado pelo direito brasileiro de forma genérica. se pode concluir que o fundamento do repúdio às cláusulas abusivas assenta no princípio da boa fé. pois o cliente não é destinatário final dos serviços e/ou produtos oferecidos. não se aplicam a determinados tipos de contratos utilizados no Sistema Financeiro Nacional (caso em concreto). uma especialização do fenômeno do abuso. art. O princípio da boa fé pode encontrar amparo legal inserindo-se como conceito indeterminado numa cláusula geral. se pode concluir que a SDE tem competência e legitimidade para orientar o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor e uma das formas por que se realiza esta orientação é a divulgação anual de cláusulas contratuais consideradas abusivas. por conseguinte.Da Aplicação das Portarias da SDE aos Contratos Utilizados no Âmbito do Sistema Financeiro Nacional Ante o exposto. Contudo. segunda parte). em complemento à listagem constante do artigo 51 do CDC. e. Do cotejo desta disposição. de forma inequívoca.189 2. Não obstante as penalidades administrativas que a SDE ou qualquer outro órgão integrante do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor possam vir a aplicar. não há que se discutir a não aplicação do CDC aos contratos bancários. pré-excluindo-se a contrariedade (Pontes de Miranda). I.3. Nesta feição é que o princípio da boa . ou vigorar como um princípio subjacente ao ordenamento jurídico. 160. ou ainda configurada a excessiva onerosidade das obrigações assumidas livremente pelos clientes.

51. sendo-lhe defeso conhecer de questões. A proteção contra cláusulas abusivas é direito básico. sejam incompatíveis com a boa-fé e equidade". art. que veda ao juiz conhecer de questões a cujo respeito a lei exige (exigia) a iniciativa da parte". 4ª Turma tem reiteradamente decidido. bem como contra práticas e cláusulas abusivas ou impostas no fornecimento de produtos e serviços. aquela é sempre ipso jure. ou relativa ou anulabilidade.190 fé se faz largamente presente no sistema brasileiro."(grifo que não consta do original) A lei fala em nulidade de pleno direito. para os contratos formulado anteriormente ao CDC. antes e depois da vigência do CDC. que teve como relator o eminente Ministro Ruy Rosado de Aguiar. à luz do disposto no art. 128. sobre a inaplicabilidade das regras do Codecon às relações de consumo celebrados antes de sua vigência. gera discussões acerca da natureza deste vício. e III. estabelecendo que o vício é meramente parcial. 4º. IV do CDC: "Art.) IV – a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva. O fato de ter o CDC estabelecido a nulidade de pleno direito das cláusulas. se de nulidade absoluta. sem necessidade de ação judicial. enquanto esta depende sempre da manifestação judicial. como regra cardeal (arts. Sem o comando dessa nova diretriz. Tanto que está presente no rol das cláusulas abusivas.6º São direitos básicos do consumidor: (.. a cujo respeito a lei exige a iniciativa da .... cuja diferença seria o grau de intensidade do defeito que macula o ato.. É patente a diferença de tratamento por esta turma do STJ. in verbis: "Esta Eg.IV). o sistema de invalidade no direito civil comum é dúplice: os autores tratam das nulidades absolutas e das relativas. não suscitadas. o Código de Proteção e Defesa do Consumidor é explícito a respeito da boa fé. métodos comerciais coercitivos ou desleais. uma cláusula geral que autoriza o repúdio das disposições que ". caput. O juiz decidirá a lide nos limites em que foi proposta. e a inovação trazida ao tratamento desta questão pelo CDC. 6º. a seguir transcritos: "Art. dizendo ainda que Código Civil versa a figura da nulidade e da anulabilidade. era aplicado a inteligência dos artigos 128 e 460 do CPC. Pontes de Miranda discorda dessa terminologia. Veja-se o RESP nº 90. prevalece a norma geral do artigo do Código de Processo Civil. com ressalva de meu posicionamento.162-RS. Cumpre destacar por oportuno a questão da decretação judicial de nulidade da cláusula abusiva não suscitadas pelas partes. Segundo Arruda Alvim. cujo voto é a seguir transcrito.

Proteção Contratual. nos limites em que este o formulou. É defeso ao juiz proferir sentença. ainda quando se trata de foro de eleição estabelecido em clausula de contrato de adesão. Assim também manifestou sua posição Nelson Nery Jr. a maior parte da doutrina diverge dessa orientação. integrando e construindo as cláusulas no contrato de modo que se possa dar execução ao mesmo. Processo n°16253. as cláusulas consideradas absolutamente nulas.191 parte". devem ser declaradas nulas. onde o magistrado não somente muda um estado. ressalva da posição do relator. sendo sujeito ativo. o juiz não pode declarar nulidade de cláusulas ex officio. Ruy Rosado de Aguiar. seção. mas é também sujeito ativo. Destinatário. Sobre o princípio da congruência e o princípio da adstrição do juiz. realizado no hotel Bourbon em Curitiba. durante o Congresso Paranaense de Direito Processual Civil. 29/10/1996) Contudo. O juiz constrói. ele revê as cláusulas. . Competência territorial. posto que é decretável de ofício. em homenagem ao princípio da congruência. admitindo assim a decretação ex officio. deve ser suscitada pelo reu (sumula 033). a favor do autor. deve a sentença ater-se ao pedido" (TARGS – APC Nº 193051216. de natureza diversa da pedida. A causa deve ser julgada como proposta e contestada. Objetivando a desconstituição de cláusulas. "Art. conflito conhecido e declarada a competencia do juizo suscitado. Ele sugere uma nova hipótese de classificação de sentença. ensina Moacyr Amaral Santos: "A sentença deverá ser a resposta jurisdicional ao pedido do autor. por ser de natureza relativa. não podendo a sentença extrapolar os limites da litiscontestatio. Para ele. quando observado o vício. Neste sentido: "Código de Defesa do Consumidor. Afastando-se desses limites. 460. adequando o contrato. impõe-se ao juiz a sua decretação.7ª Câm. – Relator Juiz Antonio Janyr Dall’Agnol Junior) "Conflito de competência. Segundo a orientação predominante na 2a. 128 e 460 do CPC. violando os dispostos nos arts. criando uma nova relação. DJ. Cláusulas abusivas. independentemente de provocação das partes. criando uma nova realidade. participando.(STJ. Relator: Min. Constatada a cláusula abusiva. chamada de "Sentença Determinativa". Órgão: Segunda Seção. Clausula abusiva. independentemente de provocação das partes. dado o seu cunho de ordem pública. bem como condenar o réu em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado". Foro de eleição. a incompetência em razão do lugar. para não ocorrer julgamento extra petita. Cív. (7) Conforme esse entendimento. a sentença decide extra ou ultra petita".

e sua importância em parte deriva da constatação que os contratos de consumo guardam intrínseca relação com a economia. A teor do disposto no parágrafo 2º do multicitado artigo 51 do CDC. o CDC. eficiência e dinamismo às relações de consumo.Contratos de Adesão Os contratos de adesão surgem como forma de proporcionar maior uniformidade. acarretar ônus excessivo a qualquer das partes. desde que se averigúe o justo equilíbrio entre as partes. Destarte.5. que concorda com todos os termos do contrato que lhe é apresentado. com o fim maior de não se permitir a execução da onerosidade constatada em seu bojo. não sendo isto defeso ao juiz. permanecendo válidas as demais cláusulas contratuais. em seu artigo 6º. institui como um direito do consumidor a possibilidade de modificação de cláusulas contratuais no sentido de restabelecer o equilíbrio da relação com o fornecedor.Efeitos nos contratos A definição de cláusulas abusivas. (STJ – AG Nº 170. tendo em vista que os contratos são instrumentos de circulação de riquezas. 2. o consumidor poderá solicitar ao juiz de direito que altere o conteúdo negocial de uma cláusula considerada abusiva. Há inúmeros exemplos de jurisprudência que convergem com esta doutrina: "Assim. são aplicáveis tanto aos contratos de adesão quanto aos contratos paritários e são sempre consideradas nulas.4. subsistindo o contrato. apesar dos esforços de integração. e que é na mais das vezes resultado direto da fragilidade econômica do consumidor. Além do previsto no artigo 51.699 –MG (97/0088907-6) Resta inconteste que coaduna com a busca de equilíbrio na relação contratual a admissibilidade da intervenção judicial na base do contrato. prevendo a ineficácia de uma cláusula abusiva e não simplesmente sua nulidade absoluta. o CDC adotou o princípio da conservação dos contratos ao determinar que somente a cláusula abusiva é nula. a mais abalizada doutrina e atual jurisprudência. e vice versa. . rapidez. Aqui. e os efeitos dela decorrentes.192 assim que o vício é detectado. exceto quando sua ausência. a nulidade de qualquer cláusula considerada abusiva não invalida o contrato. 2. cláusulas como essa do instrumento havido entre as partes ostentam-se indisfarçavelmente ineficazes e sequer possível o seu aproveitamento". o consumo depende do desenrolar da economia de mercado. sem que tenha havido oportunidade de discussão do mesmo. têm decidido em casos tais que. o legislador baseou-se na chamada "redução de eficácia" da doutrina alemã. prevendo a norma geral a proibição de cláusulas contra a boa-fé. com os olhos postos no presente.

Segundo Ana Maria Zauhy Garms. de modo geral e abstrato. para constituir o conteúdo normativo e obrigacional de futuras relações concretas. o contrato de adesão. Define-se o contrato de adesão como o negócio jurídico no qual a participação de um dos sujeitos da relação sucede pela aceitação em bloco de uma série de cláusulas formuladas antecipadamente. e segundo corrente dominante na doutrina. e devido à necessidade de adquirir o bem ou o serviço o indivíduo acaba por aceitar as condições que lhe são impostas. próprias dos contratos paritários. Caracteriza-se por ser um negócio jurídico bilateral. por suprimir a prévia discussão do conteúdo entre fornecedor e consumidor. como anteriormente salientado. Entretanto. não obstante existam antes do processo de globalização. 54 definiu o contrato de adesão: "Art. isto por que neste tipo de contrato não há oportunidade de negociações.193 Assim. e que na maioria das vezes não são esclarecidas ou informadas pelo funcionário da instituição responsável pela realização do contrato". 54 – Contrato de Adesão é aquele cujas cláusulas tenham sido aprovadas pela autoridade competente ou estabelecidas unilateralmente pelo fornecedor de produtos ou serviços. (8) Segundo Orlando Gomes: "O contrato de adesão caracteriza-se por permitir que seu conteúdo seja preconstruído por uma das partes. nas quais apenas uma das partes. Uma das mais comuns cláusulas abusivas em contratos de adesão é a de eleição do foro do estipulante em detrimento do foro do domicílio do consumidor. (10) Os contratos de adesão são unilaterais. uma das cláusulas mais comuns é a de eleição do foro do estipulante em detrimento do foro do domicílio do consumidor. formado pelo concurso de vontades (embora restrito). sem que o consumidor possa discutir ou modificar substancialmente seu conteúdo. eliminada a livre discussão que precede normalmente à formação dos contratos". esse tipo de contrato apresenta-se como a adesão alternativa de uma das partes ao esquema contratual traçado pela outra. O Código do Consumidor em seu art. via de regra. o que gera grande desigualdade nas relações de consumo entre as partes contratantes. conforme exposto. isto é. cláusulas abusivas. (9) Em sua formação. pela outra parte. traz. deve o juiz reconhecer de ofício a . aquele que está propondo a aderência a toda a proposta. "As grandes instituições utilizam-se dos contratos de adesão para praticarem abusos contra os consumidores. inexistindo as negociações preliminares e modificação de cláusulas. os contratos de adesão podem ser tidos como uma necessidade do mundo globalizado." Nos contratos de adesão. sai beneficiado em relação ao aderente. mormente na Itália.

contido no comando do artigo 5º. LIII. pág. porque representa insurgência contra todo o sistema. Cumpre salientar a lição do Professor Celso Antônio Bandeira de Mello. É a mais grave forma de ilegalidade ou inconstitucionalidade.(grifo que não consta do original) Isto posto. o consumidor. conforme o escalão do princípio violado. a ação será proposta em qualquer o foro". § 3º "in fine" do CPC: "Quando o réu não tiver domicílio nem residência no Brasil. A única hipótese em que a ação pode ser proposta em qualquer foro do Brasil está estandardizada no artigo 94. À luz desse dispositivo. ou simplesmente decididas. nos limites de sua competência. as partes não podem escolher livremente o foro onde querem propor a ação. citado por Maria Helena Diniz: "Violar um princípio é muito mais grave do que transgredir uma norma. O Código de Processo Civil e as normas de organização judiciária dos Estados estipulam as diretrizes básicas para a definição dos limites da competência a serem observadas na prestação jurisdicional. enquanto que a exigência de que a parte suscite a incompetência do foro está inviabilizada pelas mesmas circunstância que levaram ao reconhecimento da abusividade da eleição do foro. A desatenção ao princípio implica ofensa não apenas a um específico mandamento obrigatório. Essa decisão não conflita com a Súmula 33 do STJ. assim como declinar da competência para o juízo do domicílio do réu. 86 do aludido diploma legal: "As causas cíveis serão processadas e decididas. in casu. a ação será proposta no foro do domicílio do autor. torna o juízo absolutamente incompetente ante à flagrante violação ao "princípio do juiz natural". ressalvadas às partes a faculdade de instituírem juízo arbitral". 1989. subversão de seus valores fundamentais. Dispõe o art. como imperativo de ordem pública. visto que devem submeter-se aos mandamentos insertos no Código de Processo Civil e nas leis de organização judiciária dos Estados. Se este também residir fora do Brasil. e conseqüente afastamento desta. mas a todo o sistema de comando.194 nulidade da cláusula abusiva. pelos órgãos jurisdicionais. 116. porque a nulidade da cláusula faz desaparecer a razão pela qual a ação foi proposta no juízo que se dá por incompetente. Saraiva . contumácia irremissível a seu arcabouço lógico e corrosão de sua estrutura mestra". (In NORMA CONSTITUCIONAL E SEUS EFEITOS. da Constituição Federal: "Ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente".São . a propositura da ação no foro do domicílio do estipulante ou em qualquer outro que não seja a do domicílio do consumidor.

através de seu cumprimento. Câm. Nesse sentido: "Foro Regional e Declaração ex officio de incompetência. Marcos Antônio Souto Maior. combinado com o art. 113.M.Contrato de Adesão _ Prevalecimento do Código de Defesa do Consumidor para que o devedor tenha acesso aos órgãos judiciários e facilitação de sua defesa .195 Paulo). DECLINAÇÃO. Embargado: Banco Fiat S/A. determinou e ocasionou a apreensão do veículo pertencente a agravante e. a validade da cláusula de foro de eleição deve ser de logo examinada. Ao receber a petição inicial ao juiz cumpre examinar a validade e eficácia de tal cláusula e impedir que. especialmente quando há possibilidade de deferimento de medida liminar.Hipótese que não se trata de declinação de ofício de incompetência relativa. Ccomp 24495-0. esteja sendo sobremaneira dificultada a defesa do réu.000181-3. ADMISSIBILIDADE. "EX OFFICIO".. porquanto. A divisão da competência estabelecida por lei de organização judiciária. Esp. 265. Julgado em 23 de abril de 1998) "CONSUMIDOR. Nigro Conceição. ganhando por isso contornos de competência absoluta. CONTRATO DE ADESÃO. ambos do Código de Processo Civil vigente. m vista todo o exposto. Embargante: Suy Mey C. A decisão objurgada. em se tratando de ação que tenha por objeto contrato de adesão. confere a cada um parcela de competência funcional dentro do foro de São Paulo. a teor do estabelecido no art. Inaplicabilidade da súmula 33/STJ. j.u. 1ª Câmara Cível.1995.10. não se pode afirmar tratar-se o caso de competência territorial relativa.Consórcio . Decisão unânime. rel. emerge dos autos ser completamente incompetente o Juízo "a quo" e. sem sombra de qualquer dúvida tem cunho decisório.(Embargos de declaração nº 98. a propositura da demanda perante foro diverso do domicílio do consorciado dificulta .Artigo 6º. Com o devido respeito àqueles que se filiam a outro entendimento. por essa razão. Gonçalves. Rel. à luz do que fora exposto. declinável ex officio (TJSP. Abusividade da cláusula de eleição de foro. incisos VII e VIII da Lei nº 8. em determinada área da cidade.078/90 . é nula de pleno direito por Ter sido editada por Juízo agora tido como absolutamente incompetente. nula de pleno direito a decisão objurgada. 122. mas sim de reconhecimento de normas de ordem pública a exigir a remessa dos autos à Comarca do domicílio do consumidor. Ainda que se reconheça que na divisão do foro de São Paulo em diversos Juízos há forte componente territorial que marca a delimitação da competência de cada um entre si. dentro da cidade de São Paulo.Foro de Eleição . para que não sirva de invencível acesso à justiça.)" "COMPETÊNCIA . prejudicial à defesa do consumidor. v. COMPETÊNCIA. que se destaca pela superioridade da vontade do estipulante e reduzido âmbito de escolha do aderente. Assim. o que impõe sua revogação". Des.

Rel. COMPETÊNCIA.. nem jurídica. XXXV). Direito do consumidor em ser demandado em seu domicílio. não obstante esse direito seja garantido constitucionalmente (CF/88. Rel. quando desde logo evidenciado que o demandando terá extrema dificuldade para exercitar sua defesa. o que configura a abusividade da cláusula e a sua nulidade de pleno direito. art. na medida em que a existência e o exercício da técnica processual têm por objetivo. É caso de nulidade de pleno direito. assim afrontando as correspondentes garantias constitucionais. A eleição de foro é tão somente a mais comum dentre as cláusulas abusivas comumente contidas nos contratos de adesão. VIII". todas elas. incumbe ao juiz impedir que ela tenha eficácia. em se tratando de foro de eleição favorável ao estipulante de contrato de adesão. da ampla defesa e da supremacia do interesse público hão de ser preservados e aplicados em todas as situações processuais. de Inst. revela-se abusiva se e quando impuser. Daí porque. pela parte economicamente mais forte. precipuamente aos desígnos constitucionais e não. É essa a posição que vem prevalecendo na melhor jurisprudência. CONTRATO DE ADESÃO. Competência absoluta. à luz do CDC (Lei nº 8078/90). Também no mesmo sentido o voto do magistrado Antônio Carlos Marcato.: Des. não sendo lícita. art. "CONSÓRCIO. Juiz Cesar.078/90 (CDC). declinando da sua competência para o foro de domicilio do réu. a pura e simples generalização de que toda e qualquer cláusula eletiva do foro seja. (TJSP. quando não o impossibilita. em Agravo de Instrumento nº 477.406-2. Itú. mormente quando não impõe ao réu maiores dificuldades para o pleno. é justa e razoável a conclusão de que o reconhecimento e a proclamação afronta a preceitos constitucionais demandam exame. em 30/10/96). e assim caracterizada a abusividade da cláusula. à evidência. de acesso à justiça. No entanto. nem estabelece obrigação que possa ser considerada iníqua ou abusiva. Ag de Inst. da 79 Câmara do Segundo Tribunal de Alçada Civil de São Paulo: "A cláusula eletiva de foro." Os princípios constitucionais do juiz natural. Julg. seria suficiente. por si só. caso a caso. ao contratante mais fraco sérios (e por vezes insuperáveis) óbices ao pleno acesso à jurisdição e à sua defesa no processo. sejam quais forem. 5º. Julg. 29240. para justificar a pronta remessa dos autos ao foro do domicílio da parte hipossuficiente. exercício de seu direito de resposta. estabelecida em contrato de adesão.196 seu acesso à Justiça. em 30/10/96). podem . abstraídos outros aspectos processuais (de menor ou nenhuma importância em confronto com ditas garantias). 32959-4. Lei 8. Linbs. (TJSP. Ag. impor ônus e gravames indevidos a um dos sujeitos processuais. ainda quando está a decidir sobre a competência de foro. 6º. colocando-o em desvantagem exagerada. atender. e essa afronta. das circunstâncias que envolvem o contrato. decretável de ofício. Júlio Vidal.

pelo que pode e deve o juiz declarar de ofício sua competência para processar as ações de busca e apreensão. que variam de 10 a 20% do valor devido.197 ser questionadas. Assim. da supremacia da ordem pública e da magnitude da defesa do consumidor. dificultará sobremaneira a defesa do réu em juízo. derrogando as cláusulas abusivas. o juiz deve ainda de ofício reconhecer a nulidade de cláusula abusiva. tal como a que elege. conforme exposto no presente estudo. enquanto a exigência de que a parte suscite a incompetência do foro está inviabilizada pelas mesmas circunstâncias que levaram ao reconhecimento da abusividade da eleição de foro. na sede da empresa estipulante. 51 do CDC. cumpre salientar que nem toda regulamentação contratual préformulada pode ser entendida como abusiva. quando a propositura da ação no foro de eleição. em razão de débitos em atraso com o fornecedor. por força dos dispositivos pertinentes à espécie contidos no CDC. "No que tange aos contratos de adesão o Código de Defesa do Consumidor é bem claro ao especificar que todos os contratos devem ser revistos quando tornarem-se excessivamente onerosos.A cobrança extrajudicial de honorários advocatícios como cláusula abusiva A questão ora analisada concerne à cobrança de honorários advocatícios por escritórios de advocacia do consumidor. reintegração de posse decorrente de contrato de leasing. uma vez que se amoldem ao disposto no art. (12) 2.A recepção do princípio da predominância da ordem pública pelo CDC como meio de afastamento das cláusulas abusivas nos contratos de adesão Os princípios do juiz natural. se o consumidor ou o fornecedor contratante. quando o seu cumprimento significar verdadeira negação de acesso à justiça. sob o argumento de que o escritório que faz a cobrança só recebe o pagamento se houver o acréscimo dos encargos (juros de mora e multa) além de honorários advocatícios. O cerne da questão é a quem cabe arcar com o pagamento dos honorários devidos ao advogado. porque a nulidade da cláusula faz desaparecer a razão pela qual a ação foi proposta no juízo que se dá por incompetente. e ainda. ou outra qualquer. cabendo ao julgador verificar a abusividade ou não das cláusulas pré-elaboradas. que as cláusulas abusivas devem ser desconsideradas pelo consumidor". (11) Por fim. De início cumpre .6. o foro do domicílio do estipulante. são amplamente aplicados aos contratos de adesão. As cláusulas negociadas destes contratos deverão subordinar-se à interpretação comum dos contratos. em contrato de adesão. A decisão judicial que reconhece a nulidade de cláusula abusiva e declara a incompetência de ofício. 3. não ofende a Súmula 33 do STJ.

objetivando declarar a nulidade absoluta da cláusula. um ônus imputado ao consumidor em desvantagem exagerada. O Despacho nº 132 do Secretário de Direito Econômico. o que corrobora a tese da abusividade da cobrança. ao recorrer aos préstimos do advogado. acima transcrito que "O consumidor não está obrigado ao pagamento de honorários ao advogado do fornecedor. em conformidade com a decisão unânime extraída da 19ª Reunião do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor.906/94) dispõe que há três possibilidades de cobrança dos honorários advocatícios: "quando há convenção entre as partes. a qual deve então ser paga diretamente ao advogado contratado. ver-se-á que o caso em tela enseja a aplicação da Teoria da Abusividade na Relação de Consumo em prol do consumidor. sem que igual direito lhe seja conferido contra o fornecedor". que. esta Portaria adita ao elenco do art. (item 9 da Portaria nº 4/98). 51. 51 da lei 8. 22 do Decreto 2.98. se nos reportarmos à definição de cláusula abusiva. O STJ já pronunciou a respeito da nulidade de cláusula contratual no caso da denominada cláusula mandato. pelo que resta óbvio que quem deve pagar os honorários é o fornecedor. realizada em Brasília. sem ajuizamento de ação.078/90 e do art. prescrevendo a Súmula nº 60 do STJ: "É nula a obrigação cambial assumida por procurador do mutuário vinculado ao mutuante no exclusivo interesse deste". esclarecendo em relação ao item 9.03. como é o caso do consumidor. deixa de aceitar receber a parcela vencida. Os serviços jurídicos contratados diretamente entre o advogado e o consumidor não se enquadram neste item". expressou nota explicativa a respeito dos motivos da edição da Portaria nº 04 de 13.181/97. Arcar com os honorários de advogado para agir contrário aos seus próprios direitos/interesses é. arbitramento judicial ou sucumbência" Vê-se que nenhuma destas hipóteses legitima a cobrança de honorários da parte que não contratou. de 12/05/98 (13). prescrevendo como nula de pleno direito a cláusula contratual que obriguem o consumidor ao pagamento de honorários advocatícios sem que haja ajuizamento de ação correspondente. arcar com o pagamento dos honorários advocatícios. outras cláusulas abusivas. estatui o art. .198 observar que o consumidor não celebrou nenhum contrato com o escritório de advocacia. XII do CDC que é nula a cláusula contratual que "obriguem o consumidor a ressarcir os custos de cobrança de sua obrigação. E caso haja o consumidor assinado contrato que contenha cláusula prevendo que. A Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça editou a Portaria nº4/98 que tipificou como abusiva a cláusula contratual que obriga o consumidor ao pagamento de honorários advocatícios. consumidor. indubitavelmente. cumpre perguntar se seria cabível aplicar-se o art. em caso de inadimplemento. O artigo 22 do Estatuto da Advocacia (lei 8. 22 do Estatuto da advocacia (convenção entre as partes). Ora. que autoriza a emissão de título cambial por procurador. deverá ele. Além disso. entretanto.

V. Cláusulas Abusivas nos Contratos de Adesão à do Código de Defesa do Consumidor. ditando o tom do regime jurídico e legal das condições gerais dos contratos. 12 Ed. as cláusulas abusivas merecem um tratamento metodológico como tentativa de conter tais procedimentos. Hélio Zaghetto. Em virtude da importância conferida assim às relações de consumo. Revista de Direito do Consumidor nº 20. 2001 luz GARMS.. legislativo. já não se aplica mais indistintamente o pacta sunt servanda. diante da configuração contratual.Teoria das obrigações contratuais e extracontratuais. tratar de forma desigual os desiguais a fim de que se tornem iguais. com a instituição de órgãos próprios estatais. Ana Maria Zauhy. fls. o que denota o reflexo no âmbito jurídico do processo de evolução por que passou a economia. pelo que passou o Direito do Consumidor a ser um dos principais elementos de afirmação da cidadania. Cláusulas Abusivas e seu Controle no Direito Brasileiro. Maria Helena. por vezes maciça.Conclusão Do presente estudo se pôde com propriedade depreender que atualmente é grande. cumpre ao Estado tutelar a parte hipossuficiente da relação contratual. a crise do liberalismo refletiu no declínio do individualismo característico daquela realidade sócio-econômico. Retirado de . tutela esta que é feita no plano administrativo. ou seja. com a fixação de jurisprudência. São Paulo: Saraiva. É o tratar de forma desigual as partes no momento em que elas se desigualam. e igualmente quando se igualam. Curso de Direito Civil Brasileiro. (24/70) DINIZ. 5.199 4. 1997 GAMA. Da preocupação do Estado com os problemas da defesa do consumidor advieram grandes mudanças na elaboração dos contratos. independentemente da posição ou condição de cada parte envolvida". 3. assim como a compreensão e percepção desse instituo pelos juristas. Curso de Direito do Consumidor. a presença dos contratos de adesão nas relações de consumo. dentro da proteção contratual estabelecida com o advento do Código de Defesa do Consumidor. Assim. Rio de Janeiro: Forense. como bem pontifica Ana Maria Zauhy Garms (14): "A proteção do consumidor surge pela determinação de se cumprir a igualdade contratual. Arruda. por meio de leis específicas de proteção. Referências bibliográficas ALVIM. É objetivo do Código de Defesa do Consumidor assegurar ao consumidor igualdade em face do fornecedor. e judicial.

GRINBERG. In: Jus Navigandi.Engenharia e Construções Ltda.br/area7/rosana2. Orlando. Caio Mário da Silva.2001 GOMES.asp?id=708 em 24.com.nov.br/doutrina/clabusi.nov. na Rua Luzitana nº597. Marco Aurélio Ventura. Rosana. Retirado de http://www1. 49. Código de Processo Civil Comentado. Rio de Janeiro: Forense.2001 PEREIRA. Código do Consumidor.infojus..2001 MARTINS. In: Jus Navigandi. Ed..Engenharia e Construções Ltda.2º Juizado Comarca de Porto Alegre Autores: Luís Fernando Klippert Ré: Goettert . Plínio Lacerda. etc. tendo em vista um projeto turístico. A questão das cláusulas abusivas nos planos de saúde. Contratos.com. Vol.asp?id=788 em 24.com. às 21h. n. 2a. 1966 RODRIGUES.1999 SANTOS. 26a ed. Retirado de www. narrando que. Cobrança extrajudicial de honorários advocatícios: cláusula abusiva.jus.nov. 1997 PEIXOTO.com.br/doutrina/texto.br/doutrina/texto. Michelline Oliveira Klippert ingressaram com ação de rescisão contratual contra Goettert . para comparecerem no dia seguinte.0795..htm em 24. 1995.v. Lá comparecendo.São Paulo: Revista dos Tribunais.3 – Dos Contratos e das Declarações Unilaterais de Vontade. Vistos.nov. Nelson. 16. no dia 03.htm em 20. Comentários ao Código de Processo Civil. Anexo Sentença proferida em sede de ação de rescisão contratual Processo nº0119539789 8ª Vara Cível .jus. Luís Fernando Klippert e S/M.jus. Direito Civil. Retirado de http://www1. Rio de Janeiro: Forense. foram convidados. Cláusulas abusivas nos contratos de adesão.200 www. Silvio. Instituições de Direito Civil. III. n. Moacyr Amaral. IV 6. pelo telefone.2001 NERY JUNIOR... São Paulo: Saraiva. 47. Ed. V. participaram de um coquetel e tiveram conhecimento de um .

desrespeitosa e inaceitável de comércio. Ao retornarem para casa. analisando melhor o negócio. impondo-se a firme atuação dos órgãos encarregados de defender o consumidor. uma vez paga a multa estipulada. por exemplo. proferindo-se os debates orais. Pretendem os requerentes a rescisão do contrato. ocasião em que foram informados de que. Retornaram no dia seguinte. Requer a condenação dos autores no pagamento das despesas relacionadas com o contrato. manifestando o interesse em desfazer a avença. que corresponde ao ressarcimento de despesas. . ou arapucas. Aduz que o contrato deve ser respeitado. seduzidos pelo "marketing" da requerida. o qual foi analisado pelos requerentes. Preocuparam-se os autores em demonstrar que o contrato e o regulamento para uso do empreendimento turístico estava em desacordo com o que havia sido dito na exposição da ré. O comércio não pode estar baseado no aliciamento. Sustenta ter agido corretamente. Os autores não concordaram e enviaram correspondência. prestando todas as informações a respeito do empreendimento. até porque seria muito difícil. Realizada audiência. É possível rescindir o contrato.201 projeto de construção com vendas de cotas para serem utilizadas em condomínio por diversos proprietários. aproveitando-se de menor reflexão. O art. a fim de atrair o consumidor e. firmaram o contrato. verificaram divergências entre o que foi dito na ocasião e o que constava no contrato. Versam os presentes autos a respeito de uma forma totalmente abusiva. Não ficou demonstrada esta alegação dos requerentes. Assim. a possibilidade de ser feita a cumulação de semanas não aproveitadas em um ano para o ano seguinte. para rescindir o contrato. sendo que a requerente é advogada. na preparação de armadilhas. 49 do CDC não se aplica. bem como as parcelas vencidas. fechar um negócio que não era de interesse do comprador. deveriam pagar multa no valor de 35% do valor do imóvel. pois o contrato não foi firmado fora do estabelecimento comercial. foram ouvidas as partes e testemunhas. invocando normas do Código de Defesa do Consumidor. sendo condenada a ré no pagamento dos encargos de sucumbência. para coibir tais práticas. Os autores responderam. Não havia. para tanto. eis que firmado de forma livre pelos autores. decido. Foi informado que o preço estava em promoção e que o contrato deveria ser assinado naquela mesma noite. Relatados. Contesta a ré. as únicas pessoas presentes na ocasião eram os autores e funcionários da ré.

como absolutamente irrelevante eventual divergência entre o que foi tratado inicialmente e o contrato firmado. O que parece um inocente coquetel. é de referir o procedimento já aludido. que. Por outro lado. o convite para um coquetel configura nova forma de seduzir o comprador por via indireta. maquete. para ler e refletir. portanto.202 Tenho. Conforme restou perfeitamente esclarecido pelos documentos e testemunhas ouvidas. sub-reptícia. para servir de atrativo para o cliente. sabe-se que os vendedores ou recepcionistas. Do início ao fim da exposição o casal é acompanhado de pessoa encarregada de afogar os incautos em informações excelentes sobre o empreendimento. depois. Ao cliente não é permitido levar o contrato para casa. Não é difícil perceber que. primeiro. acaba tendo várias funções. a ré faz os tais coquetéis todas as noites. onde lhes é dito que. com todos os sentidos ocupados em transmitir ao cérebro informações novas. antes de ser assinado o contrato. À exposição oral soma-se o cenário cuidadosamente montado. vem o convite para o coquetel. existe uma promoção "imperdível". o cliente fica totalmente incapacitado de refletir sobre o que está comprando. Conforme ficou claro pela prova colhida. em tais empreendimentos. Primeiro. Ao fim de duas horas de aranzel monocórdio sobre as maravilhas do prédio. Identificado um cliente em potencial. com as mesmas "promoções". a necessidade de processar todas essas informações acaba reduzindo a capacidade de raciocinar. de aliciar clientes sem que estes tenham pleno conhecimento da finalidade para a qual estão fornecendo os seus dados. avaliar criticamente o que está sendo dito. ou pesquisa. ou qualquer outra forma de obter os dados pessoais e informações quanto ao patrimônio do comprador em potencial. Conforme relataram as pessoas ouvidas. nem é apresentado o regulamento. etc. no entanto. restaurantes. existindo todo um cenário montado. apartamento decorado. Além disto. As irregularidades são tantas que o contrato não tem como subsistir. e também os salgadinhos e bebidas servidos aos participantes. acreditando que vai para uma festa. o aliciamento do consumidor começa com uma pretensa entrevista. para ajudar a distrair e criar . os clientes são encaminhados para as mesas dos vendedores. termina enredado em uma enfadonha reunião comercial. que nem existe. no qual o consumidor será convencido a comprar tal empreendimento. são cuidadosamente treinado para falar continuamente e não deixar qualquer dúvida no espírito do cliente. É do conhecimento de todos que existem equipes de "recepcionistas" atacando as pessoas em lugares públicos. com apresentação de filme. naquela noite. O fundamental é que toda a atuação da ré é inaceitável. apresentando solução para todas as eventuais objeções.

Ora. como a ré fez questão de lembrar. não há dúvida quanto à falta de capacidade. a coação existiu. o contrato está impresso em letras minúsculas. Tem-se.. velada. sustentando a inexistência desta no presente caso. para decidir. Primeiro. etc. duvido firmemente que. independentemente das maravilhas de determinado produto ou serviço. Na verdade. Acontece que. tendo em vista tudo o que já foi referido. que o preço está em promoção "só naquela noite". daí ser "norma" da empresa que o contrato seja assinadona mesma noite. devolvido assinado. fazer uma avaliação crítica e decidir pela aceitação da mesma. Mas isto a ré não aceita que seus clientes façam. Por outro lado. Discorreu eruditamente a ré a respeito dos contratos e da coação. após algum tempo. quando é instado a fechar o negócio. ou a capacidade reduzida. Resulta em um aparato de procedimentos mercadológicos que impõe sérias dúvidas a respeito da vontade livre e espontânea do consumidor. Segundo. Não se discute este aspecto. tendo mais um vendedor à frente. Agora imagina-se ao fim de um dia de trabalho. a explanação de duas horas apresenta-se como um exagero com o visível intuito de cansar os clientes e vencer suas últimas resistências. por leve que seja. não se admite a coação. preparada por profissionais de marketing com aprofundados conhecimentos de psicologia. O negócio teria sido livremente estabelecido. portanto. depois de duas horas de agradável explanação. ao fim de toda a maratona. sociologia. Fica evidenciado que todo o esquema está montado para induzir as pessoas a efetuarem o negócio sem a devida reflexão. Se o que foi referido não bastasse. o desrespeito de impedir o cliente de levar o contrato para ler na sua casa. Não creio que algum comprador pare para ler uma por uma das cláusulas. utilizando a empresa ré de dois artifícios. na obtenção da vontade do consumidor. ao efetuar a compra. Muitas superproduções de Hollywood fracassam por não conseguirem manter a atenção do público por duas horas. teve gastos com o coquetel oferecido aos autores. No caso em tela.203 um vínculo. uma mentira. pode até ser bom o empreendimento oferecido pela ré. mesmo lendo o contrato. a cláusula que estabelece a multa de 35% é . a coação"moderna". se os autores tivessem levado o contrato para casa e. aliados às técnicas de vendas. o comprador consiga atentar para o sentido de cada cláusula. por parte do comprador. um débito do convidado. Ademais. de ameaça. Mas de forma sutil. todo um esquema montado para induzir o comprador a fazer um negócio que pode até não ser ruim. Ao final deste bombardeio arrasador. o cliente é encaminhado ao vendedor. que causa dificuldade para qualquer pessoa de visão normal ler na totalidade. convencendo sobre o insuperável empreendimento. Não na forma de violência.

51. pois nenhum comprovante trouxe de que tenha realmente pago os valores referidos. julgo procedente a ação. como determina o art. o presente compromisso". pois se trata de contrato abusivo. considerar rescindido. não serão associados da RCI. Ademais. não foram comprovadamente pagas pela ré. que diz: "São direitos básicos do consumidor: IV) a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva. além de o contrato ser abusivo. as taxas de associação ao tal de RCI. Quem aproveitou esta semana. não permanecendo no empreendimento. como a cláusula 4ª. . § 6º. XI: "autorizem o fornecedor a cancelar o contrato unilateralmente. mas a cláusula 4ª. ainda. Arcará a vencida com as custas processuais e honorários advocatícios de cinco salários mínimos. acrescentando-se. "em qualquer tempo. Trata-se de cláusula abusiva.204 totalmente nula. 6º. bem como outras despesas. pois não está redigida em destaque. que estabelece mandato cambial em favor da vendedora. que "elege" o foro de Florianópolis para conhecer o contrato. teria aplicação o rt. a ré irá embolsar este valor. métodos comerciais coercitivos ou desleais. logo. 49 do CDC. 49. art. No entanto. bem como contra práticas e cláusulas abusivas ou impostas no fornecimento de produtos ou serviços. apesar de as partes serem domiciliadas nesta Capital. § 6º. como nos casos referidos nos casos referidos no aludido dispositivo. De qualquer forma." Quanto à aplicação do art. do Código do Consumidor. Alega a ré que a venda não ocorreu fora do estabelecimento comercial. obtido de forma coercitiva. Publique-se e intimem-se. decretando a rescisão contratual. conforme previsão do CDC. na medida em que o espírito que norteia o citado diploma legal deve ser preservado. mesmo que fosse afastado o art. e o contrato aqui ter sido firmado. de forma que estaria ela buscando enriquecimento sem causa. permite à vendedora. De qualquer forma. e 12ª. e também a cláusula 12ª. por todas as circunstâncias que envolveram o negócio. pois tinha conhecimento da pretendida rescisão. para declarar nulas as cláusulas 4ª. a desistência dos autores foi comunicada de imediato. sem que igual direito seja conferido ao consumidor. pois o consumidor teve reduzida a sua capacidade de decisão livre e conscientemente. que esta mesma cláusula estabelece que o contrato é irrevogável e irretratável. facilitando a sua compreensão. tenho como razoável. o contrato é um amontoado de ilegalidades. a requerida beira a má-fé. 54. § 4º. mesmo que eventualmente a situação concreta não se amolde perfeitamente à previsão legal. pois os autores. nenhum direito tem ao ressarcimento. para 4 pessoas. do contrato." Por fim. Isto posto. já que os autores não foram até a referida praia? Além disto. § 5º. de foma que nenhuma despesa poderia ter efetuado a ré para prejudicar os autores. de pleno direito. a começar ela aludida semana na Praia dos Ingleses. caracteriza-se a necessidade de uma especial proteção. quanto às despesas alegadas pela ré. de execução obrigatória. Aliás.

Ana Maria Zauhy Garms.Notas 1. idem. Nelson Nery Junior. Cláusulas abusivas nos contratos de adesão à luz do Código do Consumidor. Orlando Gomes. o que não é vedado em lei. p. deve provocar reflexão: é tão avançado talvez porque. IV. Ana Maria Zauhy Garms. p. "São elas chamadas de leoninas porque são impostas nos contratos com o objetivo de prejudicar as partes mais fracas. Essa constatação. Caio Mário da Silva Pereira. p. Cláusulas abusivas nos contratos de adesão à luz do Código do Consumidor 12. aqui. 5. Marco Aurélio Ventura Peixoto. p.078/90) é dos mais avançados sistemas legais dessa natureza. em 18/0598 14. p. Comentários ao Código de Processo Civil .108 4. Ana Maria Zauhy Garms.Hélio Zaghetto Gama.205 Porto Alegre. 1. Cláusulas abusivas nos contratos de adesão 9.Vol.379 6. 13. 8. Contratos. Instituições de Direito Civil . que ficam sujeitas ao bote do leão quando de suas aplicações". idem. Orlando Gomes.Vol. Curso de Direito do Consumidor. antes de servir à ufania dos legisladores. . p. 37/38 3. Hélio Zaghetto Gama. Publicado no Diário Oficial da União. Diz-se que a Lei de Defesa do Consumidor (Lei n° 8.109 10. passa a ser automaticamente permitido. Cláusulas abusivas nos contratos de adesão à luz do Código do Consumidor 11. mesmo que moralmente condenável. Código de Processo Civil Comentado.108 7. Moacyr Amaral Santos. 11 2. Ana Maria Zauhy Garms. 441. Contratos. p. Bayard de Freitas Barcellos Juiz de Direito 7. 15 de abril de 1996. III.

transitado em julgado a sentença. Resta saber o que significa a palavra "verdade" sobretudo tendo em vista a finalidade e limitações do processo civil enquanto manifestação humana e cultural. sobre a limitação na necessidade social de que o processo tenha um termo. e por isso. a partir desse momento. O texto legal determina que as provas têm a finalidade de obter a verdade dos fatos. pelo menos repetido. reconhecido como o meio de obtenção da verdade dos fatos no processo. o direito não cogita mais da correspondência dos fatos apurados pelo juiz à realidade das coisas. a tem. Conforme os ensinamentos de CHIOVENDA. Observe-se que esses fatos somente dependem do procedimento probatório na exata medida em que sejam tidos como controversos. Os fatos aceitos. mas a prova no processo. em que se funda a ação ou a defesa. a investigação dos fatos da causa preclude-se definitivamente e. pois. estão aptos a receber a avaliação judicial como suportes de sua decisão. ou. Por si mesma. portanto. sem que influência nenhuma exerça sobre o seu valor o elemento lógico de que se extraiu. considerada em seu sentido processual. provar significa formar a convicção do juiz sobre a existência ou não de fatos relevantes no processo. ao revés da prova puramente lógica e científica. um meio de controle das proposições que os litigantes formulam em juízo (1).1 – Conceito de Prova O conceito tradicional de prova adotado. com algumas variáveis. a prova seria o instrumento pelo qual o juiz se utilizaria para definir a verdade dos fatos que efetivamente ensejaram a lide.206 Inversão do ônus da prova no CDC e no CPC Autor: Ranieri Eich 1. e sobre os quais concluirá sua atividade cognitiva. a prova em geral da verdade dos fatos não pode ter limites. por boa parte da doutrina jurídica. a prova é. . Para COUTURE. não dependem. (2) O próprio Código de Processo Civil Brasileiro induz a essa conceituação à medida que coloca a prova como instrumento de obtenção da verdade dos fatos. ativa ou passivamente pelas partes. da prova.NOÇÕES PRELIMINARES 1. Nesse sentido. e a sentença permanece como afirmação da vontade do Estado.

é preciso verificar a priori se a verdade pode ser obtida pelo processo em si e mais.2 – Princípios da Teoria da Prova Dentre os princípios que informam a Teoria da Prova. nem sempre a prova de um fato demonstrará. Nesse sentido.207 Exatamente. A prova pode ser conceituada como o meio de representação dos fatos que geraram a lide no processo. A prova também pode ser conceituada como todos meio de confirmação ou não de uma hipótese ou de um juízo produzido no curso do processo. o princípio dispositivo. as provas já produzidas. o juiz não pode levar em conta. conceituamos essencialmente a prova como a tentativa de demonstração objetiva dos fatos controvertidos com a intenção de facultar ao juiz a formação de uma hipótese razoável que possa ser adotada como suporte fático para a formulação de uma decisão. Em qualquer dos conceitos por nós antes apontados. o princípio da oralidade e o princípio da prova livre. assim. necessariamente. um teste de coerência entre a formulação e o provável suporte fático da demanda. a veracidade de sua existência (3). 130 e art. Conforme o art. fatos que não foram alegados pelas partes. é preciso tentar sistematizar uma resignificação que efetivamente reconheça a complexidade do instituto. 1. Sendo. nem formar sua convicção com os meios que. tendendo essa representação a equivalência limitada e não à perfeita identificação entre o objeto representado e o objeto representante. por isso. para introduzir o problema. O princípio do ônus da prova será estudado posteriormente com maior ênfase. . no ramo da ciência jurídica. se é possível formular um conceito que explicite o que realmente contém o conceito da prova. propostos pelos litigantes.1 – Princípio dispositivo Para PONTES DE MIRANDA. foi atribuído ao juiz determinar as provas necessárias à instrução do processo e ao mandar repetir. Para além da definição legal que parte do pressuposto de ser possível o alcance da verdade fática no processo. observa-se que a prova não é apresentada como meio de obtenção da verdade (e veremos que não há como pensar diferente) e sim como instrumento de formação de um raciocínio jurídico dotado de força em decorrência de seu proferimento por uma autoridade judiciária. parágrafo único. 1. não se produziram com observância das regras legais (4). podemos destacar dentre eles. na sua apreciação do feito. caso entender necessário. ambos do Código de Processo Civil. a qualquer momento. 132.2. OVÍDIO BAPTISTA DA SILVA ressalta que.

pondo termo aos abusos e rodeios do processo escrito. vimos que o Juiz não precisa formular uma certeza acerca dos fatos controvertidos. as provas necessárias na audiência de instrução e julgamento. prevê que todos os meios legais. (5) No sistema brasileiro. salvo disposição em contrário. mas lhe basta firmar um juízo de probabilidade que permita afastar as dúvidas razoáveis. pelo uso de meios moralmente ilegítimos. da correspondência. dizendo que o processo oral influi inclusive na moral processual. concentração. ainda que não especificados no Código.2. uma vez que essas situações seriam incompatíveis com a seriedade e segurança da justiça. Desses juízos provisórios será extraído o mais conforme com o que foi . O que se vê na transição dos estados intelectuais do Juiz no processo é que ele parte de uma ignorância completa acerca dos fatos e à medida que o trâmite vai se desenvolvendo ele passa a forma juízos provisórios. O que se busca e dar celeridade ao processo e produzir. o meio tido como hábil para o encaminhamento da verdade real e processual. da vida privada. o princípio da oralidade conduz à predominância da palavra. permanecendo em momentos culminantes do processo como em quando da produção da prova oral. 336 do Código de Processo Civil. X a XII (inviolabilidade da intimidade. E complementa. 332 do Código de Processo Civil. (6) 1. existindo legalidade e moralidade. Em vista disso. imediatidade e autoridade judicial.3 – Princípio da prova livre O disposto no art. em que se funda a ação ou defesa. SIEGMUND HEELMANN. tratando da oralidade do processo civil austríaco. quando necessário.2. reflete que a justiça rápida e barata só pode ser conseguida pelos princípios da oralidade. da honra. porém sem excluir a escrita. do domicílio. são hábeis para provar a verdade dos fatos.2 – Princípio da oralidade Pela determinação do art. principalmente por causa da disparidade entre as despesas do processo rápido e o proveito eventual oriundo da morosidade processual. 1.208 1. bem como os moralmente legítimos. da imagem. e das comunicações telegráficas e telefônicas). Complementam esta disposição legal e o referido princípio.3 – Destinatário da prova e motivação Pois bem. os incisos LVI (inadmissibilidade de provas obtidas por meios ilícitos). as provas devem ser produzidas em audiência. não permitindo a utilização da ilicitude.

entre outros aspectos. da decisão e formar o refluxo no senso comum do que é e o que não é justo. A motivação permite aos indivíduos avaliar o conteúdo moral. Isso porque a motivação da decisão expõe o raciocínio judicial à validação social. caberá a este formar uma decisão que adote a hipótese mais provável como suporte fático. Pode ocorrer. A atribuição do ônus da prova se constitui como instrumento de exteriorização de dois valores: o de facilitar a atividade jurisdicional e o da eqüidade. sempre. mas. um meio de permitir o Juiz o cumprimento de seu dever legal de decidir a lide. e principalmente. e nesse caso surge a importância da atribuição do ônus da prova. ético. o raciocínio judicial está sob avaliação conforme o exposto na sua motivação. isto é. caberá a ele motivar racionalmente a sua decisão. É. o juiz deverá motivar sua escolha. . diante do que foi demonstrado pelas partes e pela própria ação instrutória autônoma do Juiz. A motivação atende a necessidade das partes de entenderem os motivos pelos quais o Juiz foi levado a concluir desta ou daquela maneira. em última instância deve seguir um procedimento de coerência racional. isto é.209 produzido em termos probatórios. É de se observar que a exigência de motivação é outro dos conceitos cujo reducionismo tem levado a um grave efeito social. em dúvida. assim. expor o seu raciocínio. Em todo o caso. Sem essa argumentação não se pode ter como cumprida a exigência constitucional e legal de motivação. isto é. após a instrução probatória. É evidente que. impõe-se ao juiz não somente que exponha suas razões para julgar do modo como julgou. Isto é. econômico. mas também. o juiz deverá julgar conforme a desincumbência de cada parte de seu ônus. Com isto. Como estamos no campo das probabilidades. se posta como efetivo meio de controle jurisdicional e social. É a partir da motivação que se pode avaliar em termos extrajurídicos se a sociedade concorda com o conteúdo axiológico da decisão. que. de o juiz não ter condições objetivas de formular sequer uma hipótese que considere razoavelmente provável. inclusive. Determinar o ônus probatório a cada uma das partes assegura ao juiz um modo de decidir quando enfrentando uma dúvida consistente. que aponte a coerência de suas conclusões com os dados que foram obtidos no processo. em se tratando de sistema processual regido pelo princípio do convencimento racional do juiz. determinar porque selecionou racionalmente sua hipótese como a mais provável.

Uma vez que todos têm de provar não há discriminação subjetiva do ônus da prova. o que não ocorre no que tange ao ônus". o juiz constrói um raciocínio que deve se apresentar correto sob o ponto de vista dos meios de avaliação do pensamento jurídico. um vínculo de vontade imposto pela subordinação de um interesse". "obrigação é o lado passivo a que corresponde do lado ativo um direito subjetivo. tema que passamos a melhor analisar no item seguinte. para ele. satisfazer é do interesse do próprio onerado". ainda que seja em sociedade. no aspecto de necessidade de provar. assim. mas aos efeitos que a passividade e a inércia resultarão. todos os figurantes hão de prova. coerente e justificável de raciocínio que adentra ao campo da argumentação jurídica. (9) Para PONTES DE MIRANDA. O ônus da prova. ARRUDA ALVIM coloca outra distinção importante entre o ônus e obrigação. significando carga. Ao decidir. regula conseqüência de se não haver . "a diferença entre dever e ônus está em que (a) o dever é em relação a alguém. Leia-se encargo no sentido de interesse de fornecer a prova destinada à formação da convicção do magistrado. valorar a prova. Já o ônus é uma faculdade que a parte tem. ao passo que (b) o ônus é em relação a si mesmo.5 – Distinção entre Ônus e Obrigação É imprescindível a distinção entre ônus e obrigação. (8) Com precisão CARNELUTTI estabeleceu a distinção entre ônus e direito de provar. onde. no que tange aos fatos alegados (7). não subjetivo. E complementa "o ônus da prova é objetivo. Ônus probandi tem como tradução o encargo de provar. peso. Como partes. Obtém-se a noção de obrigação invertendo simplesmente a de direito subjetivo. inclusive quanto a negações. objetiva. assim. ou em outros termos. 1. e. a satisfação é do interesse do sujeito ativo. Em regra a obrigação está ligada ao direito material.4 – Ônus da Prova: Etimologia da Palavra Ônus deriva do latim ônus. não sujeitando-se à coerção. sujeitos da relação jurídica processual. ser convertida em pecúnia.210 Isso significa que a motivação judicial mais que tudo exige uma forma ordenada. não há relação entre sujeitos. um dos quais é o que deve. onde requer uma conduta de adimplemento ou cumprimento. há relação entre dois sujeitos. 1. que "é a circunstância de esta última ter um valor e poder. certo que a omissão do devedor poderá resultar na sua coerção para que cumpra a obrigação. É a obrigação um interesse subordinado mediante um vínculo. Pode dizer-se que o direito subjetivo é um interesse protegido mediante um poder de vontade ou um poder da vontade concedido para a tutela de um interesse.

1. cada parte tem a faculdade de produzir prova favorável às suas alegações. de seu lado. a prova da exceção". somente como já foi dito. algum fato ou prova que foi apresentado pelo autor ou pelo réu. para benefício e interesse próprios. ao que afirmou a existência do fato jurídico (e foi. b) ou o réu. o réu" (10). mas cuja inobservância acarreta conseqüências desfavoráveis. A questão do ônus da prova reduz-se. seja o outro interessado. o de determinar a quem vão as conseqüências de se não provado. ou. ficando o tema restrito à seara da prova negativa quanto ao fato constitutivo. Em verdade. a seu turno. na demanda. ou a quem contraafirmou (= negou ou afirmou algo que exclui a validade ou eficácia do ato jurídico afirmado). incumbe ao Autor a prova da ação e ao réu. isto. Resulta óbvio que nenhuma das partes será obrigada a (ou terá interesse em) fazer prova contrária às suas alegações. Se falta a prova é que se tem de pensar em determinar a quem se carrega a prova. no caso concreto. sempre se levando em consideração as possibilidades que as partes possuem para produzir tais provas.. Conclui-se que a inversão do ônus da prova deve ser deferido pelo juiz sempre que houver.. a Lei 8. da exceção. Já GIUSEPPE CHIOVENDA ensina que "(. para seu convencimento. na demanda. tem o réu de diligenciar. a provar fatos que provam a inexistência do fato provado pelo autor. portanto. no dizer de ECHANDIA é o poder ou faculdade de executar livremente certos atos ou adotar certa conduta prevista na norma. e aí temos a verdadeira prova do réu.078/90. De modo mais simples. portanto. necessidade de esclarecimento para decidir a demanda. o denominado ônus da afirmação. atual Código de Defesa do .211 produzido prova. as regras sobre conseqüência da falta dd prova exaurem a teoria do ônus da prova. de modo direto ou indireto (e dizem-se motivos) e temos daí a simples prova contrária ou contraprova. Mas. O problema da carga ou ônus da prova é. independentemente de quem vai produzi-lo. (12) O princípio distributivo atinente ao ônus da prova tem base legal no Código de Processo Civil. pode ocorrer em dois propósitos: a) ou o réu tende.) somente quando o autor trouxe provas idôneas para demonstrar a existência do fato constitutivo de seu direito. afirma e prova a inexistência do fato que lhe elide os efeitos jurídicos. a sua prova. sem excluir o fato provado pelo autor. Em sede de responsabilidade civil. sem sujeição nem coerção e sem que exista outro sujeito que tenha o direito de exigir seu cumprimento. De acordo com esse sistema. a estabelecer quais os fatos considerados existentes pelo juiz devem bastar para induzi-lo a acolher a demanda (constitutivos)" (11). o autor).6 – Inversão do ônus da prova O ônus da prova. a favor do demandante adverso.

logo depois da contestação à ação. art. à regra que lhe impõe não sacrificar a defesa dos interessados (Cód.VIII). por então já ter conhecimento dos fatos alegados na inicial e na defesa. convém ressaltar que. cumpre ao juiz. Conhecidos os fatos alegados e havendo-os como verossímeis.212 Consumidor (artigo 6º. todavia. devendo atentar-se que o doutrinador refere-se ao velho Código de 1939." O emérito doutrinador complementa: "Tal deliberação se escora não só nos princípios que governam a prova prima facie como também nos que regem o sistema processual brasileiro. o momento próprio para decretar a inversão do ônus probatório. há o despacho saneador. se e quanto o julgador estiver em dúvida. a simples condição de hipossuficiência não autoriza. pois a total ausência de evidências do indispensável nexo de causalidade redundaria em esdrúxulas situações. ´anulando-lhe pela surpresa a possibilidade de produção de prova contrária’. saneando o processo. por provados prima facie. determinando providências de natureza probatória (Código Processo Civil. no despacho saneador – escreve Pedro Batista Martins – para evitar o cerceamento da defesa daquele a quem os mesmos fatos se opõem. (14) A inversão do ônus da prova é direito de facilitação da defesa e não pode ser determinada senão após o oferecimento e valoração da prova. desde que verificadas a verossimilhança do direito e a condição de hipossuficiência do demandante. Cada parte deverá nortear sua atividade . contém dispositivo que permite a inversão do ônus da prova. É dispensável caso forme sua convicção. decretar a inversão do ônus probatório. A respeito. (1968. se o fato afirmado é destituído de um mínimo de racionalidade. Será neste despacho. por si só. 112)". A hipossuficiência do consumidor. IV). uma vez em dúvida. os quais autorizam o juiz.1 – Momento processual da inversão do ônus da prova O doutrinador Moacyr Amaral Santos assinala qual o momento processual que considera o mais adequado para a aplicação da inversão do ônus da prova. conforme segue: "Na sistemática do Código. de maneira a prosseguir isento de vícios ou de questões que possam obstar ao conhecimento do mérito da causa. cit. ao contrário da opinião de alguns doutrinadores. ANTONIO GIDI a respeito adverte que verossímel a alegação sempre tem que ser. tendo-os dada a sua natureza. ordena o processo. na decisão saneadora que. nada impedindo que o juiz alerte. 515 e 516)". determinar as diligências necessárias à instrução do processo. do Código de Processo Civil. utilizar-se-á das regras de experiência a favor do consumidor.6. essa modificação. de ofício. sempre atento. págs. (13) 1. art. 294. vale dizer. nos artigos 117 e 294. no qual o juiz. de per se não respaldaria uma atitude tão drástica como a inversão do ônus da prova. uma vez considere algum ou alguns fatos provados prima facie.

para ele.078/90). do Código de Defesa do Consumidor. este pode merecer incidência. não implicando surpresa ou afronta aos citados princípios. a inversão no momento do julgamento. citando inclusive KAZUO WATANABE é de que "a garantia do devido processo legal deve ser. mudando a regra até então vigente. (18) Também em julgamento da Quarta Câmara Cível do Tribunal de Alçada de Minas Gerais. com um provimento desfavorável decorrente da inexistência ou da insuficiência da prova que. estaria a seu cargo. caso efetivada". atentaria contra os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa (CF.º 0301800-0 Apelação Cível de 01/03/2000. conforme segue: INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA . Por isso. prolatada no Acórdão n. tendo como relator o Juiz Alvimar de Ávila. não existia antes da adoção da medida -. protagonizada por consumidor e fornecedor. também. art. (17) A jurisprudência vem entendendo que o momento da inversão do ônus da prova deve ser antes de prolatada a sentença. Se lhe foi transferido um ônus – que. sem dúvida.RELAÇÃO DE CONSUMO OPORTUNIDADE . regras de comportamento dirigidas aos litigantes. (15) CARLOS ROBERTO BARBOSA MOREIRA argumenta que as normas sobre a repartição do ônus probatório consubstanciam. com a incidência das regras de experiência a favor do consumidor. não nos parece constituir ofensa aos cânones constitucionais a inversão no momento da decisão. Contudo. Se a pretensão estiver fundada em relação de consumo.213 probatória de acordo com o interesse em oferecer as provas que embasam seu direito. Considerando que as partes não podem ser surpreendidas. Se não agir assim. assumirá o risco de sofrer a desvantagem de sua própria inércia. A partir do conteúdo da petição inicial – com a exposição de causa de pedir e do pedido – às partes envolvidas no processo é perfeitamente possível avaliar se há a possibilidade de aplicação das normas do Código do Consumidor ao caso concreto. explicitar quais serão objeto de inversão. a inversão do ônus da prova igualmente pode ser prevista. parece mais justa e condizente com as garantias do devido processo legal a orientação segundo a qual o juiz deva.RESPEITO AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA . obviamente deve o órgão jurisdicional assegurarlhe a efetiva oportunidade de dele se desimcumbir. conforme jurisprudência a seguir: INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA . expressamente conceituados pelo Código (artigos 2º e 3º da Lei 8. por força da inversão determinada na sentença.Inteligência do artigo 6º. assegurada a qualquer custo. 5º. ao avaliar a necessidade de provas e deferir a produção daquelas que entenda pertinentes. LV). VIII. (16) A posição de LUIZ EDUARDO BOAVENTURA PACÍFICO. ao final. Logicamente. decidiram por unanimidade.

pois. o magistrado escolherá a o momento para determinar a inversão do ônus da prova. determinadas de ofício pelo juiz ou requeridas por ambas as partes? Nestas hipóteses. no momento do saneador. da Lei n. Desta forma. desde que assegurados os princípios do contraditório e ampla defesa. VIII. na audiência de conciliação ou em qualquer momento que se fizer necessária. do CPC. Podemos classificar essa imposição legal como um verdadeiro ônus processual. 333 do Código de Processo Civil. como exceção à regra geral do art. devendo ser decidida. depende de decisão fundamentada do magistrado antes do término da instrução processual. após especificação das provas. e não das normas do art. 6º.214 AMPLA DEFESA . que trata do ônus subjetivo da prova. antecipando os pagamentos durante o curso processual. sob pena de não poder ser adotada na sentença. . levando-se em conta a doutrina e a jurisprudência.6. As normas consumeristas. 333.MATÉRIA VENTILADA NAS RAZÕES RECURSAIS IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO PELO TRIBUNAL. cujo descumprimento implicará em não ser realizado o ato requerido. A inversão do ônus da prova.078/90. a quem cabe o ônus de antecipação de despesas nos casos de atos probatórios requeridos pelo consumidor.2 – Inversão do ônus da prova e despesas processuais Conforme imposição legal do art. pelo simples fato de não se poder identificar o ônus de provar com o ônus financeiro de realização dos atos probatórios. constituem exceção ao art. Recurso a que se nega provimento. A aplicação do art. suportar as despesas dos atos que realizem ou requerem dentro do processo. todavia. ser decretada no despacho inicial. pois a sua finalidade é formar a convicção do julgador. 1. não há qualquer exceção às regras gerais estabelecidas no Código de Processo Civil. Surge daí a questão: invertido o ônus da prova nas lides de consumo. em regra. sob pena de supressão desta. que tratam do ônus financeiro da produção dos atos processuais. podendo advir daí possíveis conseqüências desagradáveis para quem o requereu e não adiantou as despesas. o que incorreria em cerceio de defesa. podendo. de preferência. cabe às partes. Conforme ensinam doutrina e jurisprudência. 19 e seguintes. é que sua aplicação deve submeter-se ao poder discricionário do juiz. 19 do Código de Processo Civil (19).º 8. resta impossibilitado examinarse em grau de recurso matéria sobre a qual não houve manifestação da primeira instância.

3 – Responsabilidade do Estado e o ônus da prova Quanto ao ônus probatório. nesse caso. Resta todavia. 33 CPC). como nos casos de conduta omissiva e de atos praticados sem caráter administrativo. Em se tratando de atos administrativos a respeito dos quais o reconhecimento da indenizabilidade tenha como pressuposto a culpa indireta da Administração. É que a culpa. seja porque a natureza do ato não guarde equivalência com o risco da atividade pública. que o Estado tem presunção de legitimidade. a teoria do risco administrativo não submete o Estado a nenhum tipo de inversão apenas porque a vítima é dispensada da prova de culpa da Administração Pública. Caso seja o consumidor economicamente hipossuficiente. Incumbe ainda ao demandante provar o dano e sua extensão. ao Autor. §2o. não se revela como pressuposto do reconhecimento da responsabilidade do Estado. A jurisprudência vem entendendo. cabe ao consumidor arcar com os ônus financeiros de atos probatórios por ele requeridos. seja porque esse tenha sido o móvel da demanda. na sua grande maioria. além do nexo de causalidade e do dano verificado. garantidoras do interesse público. (20) Também não se pode modificar o regime de apuração quando se discuta a responsabilidade do Estado com base em relação protegida pelo Código de Defesa do Consumidor. também como fatos constitutivos do direito reclamado. cabendo a quem alegar contra o Estado. se for o autor da demanda.215 Assim. dispõe o mesmo da possibilidade de requerer a assistência judiciária prevista em nosso ordenamento pela já mencionada Lei 1. 19.6. provar o que alegou.060/50. seja na hipótese de culpa. o ônus da prova quanto ao fato constitutivo de seu direito.CPC) ou com as despesas de perícia requerida por si ou por ambos os litigantes (art. 1. como antes demonstrado. porque. sendo de todo irrelevante qualquer exigência de prova a respeito. muito menos das regras atinentes ao Estado em juízo. com as despesas prévias de atos ordenados de ofício pelo juiz ou pelo Ministério Público (art. bem como a anormalidade e especificidade da exigência pessoal decorrente da imposição administrativa. a regra de inversão do ônus da prova a favor do consumidor não implica na revogação do sistema probatório do Código de Processo Civil. à parte incumbe o ônus da prova a respeito da ilicitude do ato. especialmente o nexo de causalidade entre a atuação estatal e o resultado apontado. seja na de risco. Mas há julgado em sentido diferente como o que abaixo descreve-se: . devendo arcar ainda.

(. ficando a Fazenda Nacional com o encargo da prova de ter realizado a notificação. quanto à existência de fato impeditivo. por exemplo. nesse ponto.A sentença. positiva ou negativamente. pois "o juiz proferirá a sentença. quanto ao fato constitutivo de seu direito. desprezou o fundamento do pedido de nulidade da execução. 333 – O ônus da prova incumbe: I – ao autor. no todo ou em parte.09.) Como fato extintivo temos a alegação de prescrição do direito . A distribuição do ônus da prova é casuística.AC 95.PA .01. expondo-se conseqüentemente à nulidade. II – tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. temos a prova da culpa nas ações de ressarcimento dos danos contratuais e extracontratuais. Juiz Jamil Rosa de Jesus .3ª T. 29)(Grifo nosso) 2. (TRF 1ª R. Como fato constitutivo da pretensão do autor. seja produzida e os embargos decididos como de direito.. 459. 333 do Código de Processo Civil. o pedido formulado pelo autor". Precedentes deste Tribunal: ausência de notificação alegada pela embargante e não desmentida pela Fazenda.216 TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL . acolhendo ou rejeitando.DJU 17. p. do Código de Processo Civil. .I .01.PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL .15745-0 /AP.. a fim de que a prova da notificação.NULIDADE DA SENTENÇA .11165-2 . inverteu-se. o ônus da prova. como segue: Art. .Unânime . IV . estando sempre em estreita correlação com o que se alega. II . Relatora Juíza Eliana Calmon).ALEGAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO DO CONTRIBUINTE POR OCASIÃO DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA .Tendo os embargos se fundamentado na inexistência de notificação do contribuinte por ocasião da lavratura do auto de infração. III . através da prova . ao julgar improcedentes os embargos sem a produção dessa prova. 1ª parte.INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA NO PROCESSO CIVIL O núcleo da regulamentação do ônus da prova está inserido no art. nos termos do art. II – ao réu.Rel.Anulação do processo. modificativo ou extintivo do direito do autor. É nula a convenção que distribui de maneira diversa o ônus da prova quando: I – recair sobre direito indisponível da parte.afastamento da presunção juris tantum de certeza e liquidez do título executório'' (Apelação Cível 96.Apelação provida.1999. Parágrafo único.

servindo para esclarecer muitos pontos de dúvida e ditar o correto direcionamento e justa medida das conseqüências dos possíveis comportamentos comissivos ou omissivos das partes". outro lhe opõem. se forem os atos constitutivos produzidos com prova insuficiente. abre-se tecnicamente para o juiz o seguinte leque de alternativas: a) ou ele prescinde de resolver aquela questão de fato. A segunda opção implica: a) o adiamento do problema através da prolação de uma decisão provisória (no estado do processo). se o autor alegar o fato e o réu contestar. para a busca da verdade. de prova complementar. Num sistema que admitisse a pesquisa de ofício da veracidade dos fatos. (26) A intensidade do ônus da prova é problema relacionado com o modo como o .. se ele mesmo alega e o réu não contesta. b) ou o uso de um meio mecânico de prova. o emprego das regras da distribuição do ônus da prova. constitui uma das mais lúcidas e preciosas contribuições que se aportaram à sua ciência no século XX. não teria significação a repartição do ônus da prova. simplesmente por que ao juiz incumbiria a busca da verdade dos fatos e a cooperação das partes seria pelo menos dispensável e sequer haveria como sanciona-las pela omissão de provar. o ônus da prova é do autor. (. pronunciando o non liquet (que não é admissível no direito moderno). modificativo ou extintivo do direito do autor. o fato se presume verídico. (24) No processo civil inquisitório. (21) CÂNDIDO RANGEL DINAMARCO nos ensina que "a teoria dos ônus processuais.) Desse modo. inserção no sistema do processo. se o autor alega. dependerão. c) ou. admitindo o fato. que conseqüentemente deve ser provada pelo réu. b) ou insiste em resolve-la. nem das conseqüências de seu descumprimento. distinção de figuras afins. o juiz mesmo tendo diante de si duas partes. impeditivo. ou em decidi-la de maneira tal que não exigisse a resolução daquela questão de fato (de que seriam exemplos o julgamento por sorteio e o julgamento salomônico).. está desvinculado. de sua certeza definitiva. o réu admite. ou não o provando. Onde se tivesse um processo puramente inquisitivo. Quando uma questão de fato se apresenta como irredutivelmente incerta dentro do processo. (22) Para SÉRGIO SAHIONE FADEL. e prova. (23) As regras sobre o ônus da prova e sua distribuição constituem uma inerência do princípio dispositivo. necessariamente decisório (como o duelo e o juramento).217 do autor. sua conceituação. não se cogitaria em ônus probandi. enfim. da iniciativa e dos acordos entre elas (25). e. desde que especificamente contestados. passível de discussão e de dúvidas. A primeira opção importaria ao juiz de decidir a causa. o ônus probatório é do réu.

946). O princípio da liberação do ônus da prova levaria (a) ou a uma direta oposição a textos legais ou (b) à conseqüência absurda de um julgamento sem prova". porque há duas negativas na primeira proposição". quanto à existência de fato impeditivo. O ônus da prova consiste na necessidade de provar. quanto ao fato constitutivo do seu direito. em que se encontra cada uma das partes. a racionalidade dos critérios de julgamentos pela aceitação da probabilidade suficiente em vez da certeza absoluta nem se coloca em termos da tensão entre os princípios que apontam para soluções diferentes. Note-se: não é impossível equivale à é possível. contudo. basta lembrar que o Código Civil exige. prova do não-uso. vale dizer. E continua: "Quanto à primeira conclusão. Assim. por 10 anos. o juiz pode determinar a produção da prova (art. prova de omissão culposa para a indenização por ato ilícito (art. Objetivamente. (27) Quanto à distribuição do ônus da prova se admitir que as partes convencionem. é possível fazer prova dos chamados fatos negativos. uma vez produzida a prova. quem afirma um fato positivo tem de o provar. segundo o disposto no art. é importante ressaltar os ensinamentos de JONATAS MILHOMENS. que o ônus da prova é sempre de quem afirma. O ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do ato. torna-se irrelevante indagar quem a produziu. com preferência a quem afirma um fato negativo. por exemplo. "O princípio dos poderes instrutórios do juiz prevalece obre a faculdade dispositiva dos contratantes. que afirma que "Não é exato afirmar que a negativa não é prova. não pode ser aceito. Quanto segunda absurda conseqüência. Seja para a pacificação dos conflitos com justiça. pois seria tolhida ao juiz a liberdade na avaliação da prova. O fato .218 processo se insere na vida dos direitos e no modo de ser da vida em sociedade. é preciso dispor a técnica processual (em sede legislativa ou na prática da jurisdição) de modo a não figurar como impedimento à fruição ou defesa de direitos. prova de inexistência da dívida para a repetição de indébito (art. Para SANDRA APARECIDA SÁ DOS SANTOS. modificativo ou extintivo do direito do autor. da servidão. Aqui.1 – Da prova negativa Para analisarmos este aspecto. (29) Na colisão de um fato negativo e de um fato positivo. ver-se-á que não é impossível. para possivelmente vencer a causa. seja para a fidelidade na declaração e atuação da lei. ao réu. vale dizer. 130 do CPC) ainda que as partes tenham pactuado de maneira diversa". 333 do Código de Processo Civil. para que se considere extinto esse direito real (art. sendo importante apenas verificar se os fatos relevantes foram cumpridamente provados (princípio da aquisição). o ônus da prova incumbe ao autor. 159). (28) 2. III). 710.

que as partes possam orientar o processo a seu talante. constante e seu art. é necessária a presença de um dos requisitos ali encontrados e não a presença de ambos. for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente. 6º . porém. é requisitos. segundo as regras ordinárias de experiência. VIII. É princípio basilar não é permitido ao intérprete ampliar". Para tanto. se assim não o fosse. Art. A facilitação de defesa não pode ser entendida como interpretação das regras . Constatando-se a presença de verossimilhança das alegações ou a hipossuficiência do consumidor.. indicará a ocorrência de um dentre essas duas situações: a) a alegação do consumidor é verossímil. porque. Esse mesmo posicionamento é corroborado por CARLOS ROBERTO BARBOSA MOREIRA. a critério do juiz.) VIII – a facilitação da defesa de seus direitos. à evidência. Para SANDRA APARECIDA SÁ inciso III do art." (30) 3.219 negativo pode ser provado através de provas indiretas. etc. inclusive com a inversão do ônus da prova. na formação das bases da sentença. O emprego da conjunção alternativa e não da aditiva ‘e’. O ÔNUS DA PROVA E O CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR O Código de Proteção e Defesa do Consumidor tem norma expressa a respeito da inversão do ônus da prova. tal se compreende fora da atividade própria do juiz. 6º é clara. aceitar a convenção das partes. (31) DOS SANTOS "a norma estabelecida no necessária a presença de apenas um dos o legislador. bastando que ocorra a primeira ou a segunda". devidamente motivado. fixar o objeto da demanda. 6º. Fica clara e evidente a regra processual. ou b) o consumidor é hipossuficiente. Dono do processo (dominus processi) é o juiz e.São direitos básicos do consumidor: (. se às partes se conferem certos poderes de disposição (indicar os meios de prova. JOÃO BATISTA LOPES afirma que "a admissão do princípio dispositivo não significa. a seu favor. quando. conjunção aditiva ‘e’. ou seja. (32) A igualdade formal entre as partes é regra básica do processo civil.). inc. significa que o juiz não haverá de exigir a configuração simultânea de ambas as situações. teria utilizado a do direito que onde o legislador restringe. que afirma que "o ato judicial.. não sendo este obrigado. no processo civil. o juiz deverá inverter o ônus da prova.

(33) Quanto à segunda hipótese onde é possível a inversão do ônus da prova. de seu funcionamento vital ou intrínseco. a critério do juiz. procurar equilibrar a posição das partes. em seu artigo 19. fundamentando para tal que os dispositivos sobre o ônus da prova constituem regras de julgamento. aquela só pode decorrer de expressa previsão legal. uma vez que o diploma afeto ao consumidor é composto de normas de ordem pública. o que de certa forma. (36) A inversão do ônus da prova poderá ser requerida pela parte. no que pode ser atendida ou determinada ex officio pelo juiz. com isenção de custas. dos modos especiais de controle. afastaria a hipossuficiência econômica como autorizadora da inversão do ônus da prova. defendido pelos autores do anteprojeto do Código de Brasileiro de Defesa ao Consumidor. dos aspectos que podem ter gerado o acidente de consumo e o dano. cuida-se. antecipando-lhe o pagamento. reside na circunstância do consumidor ser hipossuficiente. O hipossuficiente tem dificuldade ou impossibilidade na produção da prova. despesas processuais. é o da sentença.220 processuais em favor do consumidor. atendendo critérios da existência da verossimilhança do alegado pelo consumidor. das características do vício. desde o início até a sentença final". pois a parte poderia pedir assistência judiciária gratuita. O Código de Processo Civil. Contra . estabelece: "Salvo disposições concernentes à justiça gratuita cabe às partes prover as despesas dos atos que realizam ou requerem no processo. seja porque não é acessível à parte ou estas informações estão em mãos da outra parte. somente de um ônus processual. ao contrário. Não pode haver "facilitação" por interpretação. no tocante à inversão do ônus da prova em função de hipossuficiência do consumidor. de suas propriedades. Importante frisar que o simples fato da inversão não tem o condão de pré-julgamento de mérito desfavorável ao demandado. pois este princípio é de direito "material". (35) Quanto à insuficiência econômica. juntamente com o jurista CÂNDIDO RANGEL DINAMARCO. alega-se que esta não poderia servir de base para a alegação de inversão do ônus da prova. é outra norma de natureza processual civil com o fito de. etc (34). tem sentido de desconhecimento técnico e informativo do produto e do serviço. O momento da inversão do ônus da prova. entendo que tal preceito "transferiu" a obrigação do Estado de assistir aos necessitados para as empresas. para fins da possibilidade da inversão do ônus da prova. No entender de ARRUDA ALVIM. Para FRANCISCO CAVALCANTI. em virtude do reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor. Para LUIZ ANTONIO RIZZATTO NUNES ensina que a hipossuficiência. nestas incluídas as relativas às perícias e à obtenção de certidões. Entenda-se por hipossuficiência os aspectos que abrangem o aspecto técnico e o aspecto econômico.

sendo necessário a presença de pelo menos uma delas. sendo bem mais fácil a comprovação de fatos referentes a esses bens e serviços pelo fornecedor que pelo consumidor. VIII do Código de Defesa do Consumidor Como já vimos. necessariamente. de maneira absoluta. inclusive com a inversão do ônus da prova. É forçoso reconhecer que alguns sistemas jurídicos não admitem essa inversão do ônus da prova. deve ter um tratamento diferenciado. no processo civil. 6º: São direitos básicos do consumidor: (. E complementa: o fornecedor. por força de obrigações impostas pelas normas protetoras do consumidor. usam-se dois motivos para caracterizar o equívoco: a) ofende. a critério do juiz. a seu favor. tem obrigação de manter em seu poder todos os dados.1 – Aplicação do art.. etc. isto é. declara. em respeito às características estabelecidas pela lei. Assim.) VIII – a facilitação da defesa de seus direitos. são necessários os requisitos normativos da verossimilhança das alegações feitas pelo consumidor e a sua hipossuficiência. aquela só pode decorrer de expressa previsão legal. planilhas. informações. A facilitação de defesa não pode ser entendida como interpretação das regras processuais a favor do consumidor. b) as regras. de distribuição do ônus da prova são de procedimento. Nos ensina FRANCISCO CAVALCANTI que a igualdade formal entre as partes é regra básica do processo civil. for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente. entre outros. cálculos. 3. (38) Parecendo ao Magistrado presentes os requisitos constantes do inciso VIII do art. sobretudo quando se tratar de hipossuficiente. Tudo dependerá do procedimento adotado.. fórmulas.221 este entendimento. quando. os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. segundo as regras ordinárias de experiências. (37) Para tanto. pois este princípio é de direito material. cada rito. O consumidor não está obrigado a comprovar antecipadamente o seu direito. a finalidade do instituto do ônus da prova é de facilitar a defesa dos direitos do consumidor. 6º. Não é necessário para tanto que ambas atuem juntas. 6º do Código de Defesa do Consumidor em seu inciso VIII. qual seria um direito básico do consumidor: Art. Para HUMBERTO THEODORO JUNIOR a verossimilhança é juízo de probabilidade extraída de material probatório de feitio indiciário. Não pode haver facilitação por interpretação. o art. do qual se consegue formar opinião de ser provavelmente verdadeira a versão do consumidor. deverá ele proceder no sentido de . acerca de seus produtos e serviços. 6º do Código de Defesa do Consumidor.

Cível .2 – Aplicação do art.PRESSUPOSTOS PRESENTES . assim evidênciada a hipossuficiência do agravado em virtude do poderio técnico-econômico do banco agravante.AC 18947500 . CONTRATO DE ABERTURA DE CRÉDITO . sentença recorrida. 1. 3. Neste sentido o aresto que segue: CIVIL. SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA MANTIDA. Sidney Mora . 2. Recurso conhecido.AÇÃO REVISIONAL DE CONTRTO BANCÁRIO. para que possa ser invertido o ônus da prova a seu favor. 13. Os estabelecimentos bancários como prestadores de serviços. que a aplicação da inversão do ônus da prova no despacho saneador poderá ser objeto de agravo de instrumento por parte do fornecedor. 38 do Código de Proteção e Defesa do Consumidor trata da inversão do ônus da prova frente à publicidade enganosa. bem como a verossímilhanca de suas alegações.Rel. conforme segue: Art. quando sua versão é por demais insubsistente.2002)(Grifo nosso). por força do contido na Súmula 424 do STF (39) e a jurisprudência a seguir: AGRAVO DE INSTRUMENTO. 939 e seguintes do Código Civil. o que justifica a improcedência da postulação inicial. mantendo-se íntegra a r. REPETIÇÃO DE INDÉBITO.AGRAVO DESPROVIDO.Rel.222 inverter o ônus da prova ao fornecedor. estão submetidos as disposições do código de defesa do consumidor. É importante observar. Seu silêncio remeterá à preclusão a matéria impedindo novo pronunciamento. com o seu improvimento. Des. inaplica-se a inversão do ônus da prova em favor do consumidor.2002)(Grifo nosso). 38 do Código de Defesa do Consumidor O art.2ª T . e licita a inversão do ônus da prova.INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA . 38: O ônus da prova da veracidade e correção da informação ou . É importante e imprescindível que o Autor prove através de fatos e alegações subsistentes o seu direito. CDC.(TJDF . 3. incrível e desprovida de qualquer prova a lhe dar algum suporte.Julg. AUSÊNCIA DE VEROSIMILHANÇA NA VERSÃO AUTORAL. para que se proceda no contexto da facilitação da defesa dos direitos do consumidor e subordinado ao critério de prudente arbitrio do juiz.AC Nº 20020710013023 . entretanto. inadmindo-se unicamente a mera assertiva verbal.08.Des. Embora incidentes as regras do CDC. Apenas alegações desprovidas de qualquer prova não são o suficiente para que seja concedido a inversão do ônus da prova em favor do consumidor. PROVA DO PAGAMENTO INEXISTENTE. Improvimento do Agravo de Instrumento (TJPR .03. A prova do pagamento se faz consoante previsto nos arts. Benito Augusto Tiezzi DJU 14.2ª C.

º 8. 38. podendo para tanto distribuir tal responsabilidade.m está o fornecedor obrigado a provar a obrigação contida no art. FORNECEDOR QUE APENAS ALEGA. deverá verificar a verossimilhança das alegações e/ou a hipossuficiência do mesmo. segundo as regras de experiência. aquele. a inversão do ônus da prova opera-se automaticamente. por norma legal cogente. know-know. dados. CDC. PROCEDÊNCIA DO PEDIDO INICIAL. como no caso da propaganda enganosa. na hipótese contemplada no art. SEM NADA COMPROVAR. Como nos ensina STEPHAN KLAUS RADLOFF o ônus da veracidade e correção da informação ou comunicação publicitária cabe a quem as patrocina.223 comunicação publicitária cabe a quem as patrocina. (42) Esse mesmo raciocínio utiliza-se STEPHAN KLAUS RADLOFF que nos ensina que seria desnecessária a declaração taxativa no despacho saneador de que caberá ao fornecedor o ônus da prova da veracidade e correção da informação ou comunicação publicitária. sem qualquer vício de origem ou distorção nas características apresentadas. Portanto. OFERTA EM ANÚNCIO DE JORNAL INTEGRA AS CONDIÇÕES DO CONTRATO. antecipadamente e independentemente de qualquer pronunciamento jurisdicional interlocutório ou definitivo. pelo fato de ser. pois havendo estabelecimento da lide processual. 6º. (43) o julgado do Tribunal de Justiça do Paraná abaixo transcrito: CIVIL PROCESSO CIVIL. atende pela teoria do risco onde deverá responder por ato ilícito independentemente da apuração de culpa. 6º do CDC. onde a facilitação da defesa do direito do consumidor com a inversão do ônus da prova depende do exclusivo critério do magistrado que. 1. antes de tudo. 38 do CDC difere daquela ínsita no art. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. REVELIA. (41) O fornecedor de serviços. na prática. e justifica-se como meio para alcançar a verdade real. VEROSSIMILHANÇA DAS ALEGAÇÕES. . referentes ao produto e serviço objeto da comunicação ou da informação publicitária o mais habilitado para comprovar. 38 da Lei n. deve-se levar em conta que a forma de aplicação do art. sem que haja necessidade de uma fase pré-cognitiva de critério subjetivo por parte do juiz. caberá ao fornecedor a obrigação de comprovar que a informação publicitária de seu produto chegou ao consumidor. No aspecto processual propriamente dito. (40) Participa da mesma opinião FRANCISCO CAVALCANTI que afirma que a previsão resulta. 333) quanto ao ônus da prova. DEFEITO DE REPRESENTAÇÃO NÃO SANADO. em inversão do princípio previsto no Código de Processo Civil (art. detentor de fórmulas. do mesmo pergaminho legal. O Tribunal de Justiça de São Paulo tem julgado no sentido de que ao contrário do previsto no inciso VII do art. Nesse mister. tem intenção de auferir lucro.078/90.

constatada a verossimilhança das alegações do consumidor. A. DINAMARCO. julgando procedente o pedido inicial. 1996. . 1991. 4. DINAMARCO. nos classificados de jornal. não o faz. 3.2002)(Grifo nosso).3 – Aplicação do art. Giuseppe Campinas/SP: Bookseller. 30.o que passou desapercebido ao juiz sentenciante . aplicando-se-lhe os seus efeitos para que sejam presumidos como verdadeiros os fatos alegados pelo autor em sua inicial. 1977. FADEL. I. no grau recursal. 2. VI do Código de Defesa do Consumidor A inversão do ônus da prova nos moldes estabelecidos no art.224 constatado. 1º a 443 7ª Edição. 3.09.2ª T. para sanar este defeito de representação. Instituições de Direito Processual Civil CINTRA. para reformar a sentença monocrática. Art. FERREIRA. em seu art. 51. condições de venda de determinado automóvel. por sua própria natureza. 1988.Rel. CHIOVENDA. Vol. 1988. Ada Pellegrini. Cândido Rangel A Instrumentalidade do Processo 4ª Edição. segundo impõe a lei consumerista. que anuncia. Cândido Rangel Teoria Geral do Processo12ª Edição. que quem firmou a contestação foi outro advogado e não aquele constituído nos autos . VI do Código de Defesa do Consumidor. torna-se revel.ACJ nº 20010111219733 . inverte-se o ônus da prova.e. CAVALCANTI. tratar-se-á em hipótese de cláusula absolutamente nula. João Carlos Pestana de Comentários ao Código de Processo Civil 2ª Edição. está obrigada a vender o bem nas condições do anúncio. São Paulo: Malheiros. GRINOVER. Rio de Janeiro: Forense. onde prevê que as condições da oferta integram o contrato a ser celebrado. São Paulo: Revista dos Tribunais. empresa fornecedora de produtos e serviços.DJU 06. recurso conhecido e provido. Sendo nula. limitando-se a alegar. Sérgio Sahione Código de Processo Civil Comentado. Pinto Código de Processo Civil Comentado – Volume 2 São . Des. 51. novos e usados. declarável de ofício pelo magistrado. não produz qualquer efeito no campo jurídico. 1977. intimada a ré. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGUIAR. sem nada comprovar. como se jamais tivesse existido. Francisco Comentários ao Código de Proteção e Defesa do Consumidor Belo Horizonte: Del Rey. Benito Augusto Tiezzi .. mormente quando a fornecedora não contesta articuladamente os fatos da inicial. do ramo de compra e venda de automóveis. Antônio C.(TJDF . São Paulo: Revista dos Tribunais.

pág. Verbo Jurídico. 1998. Humberto Curso de Direito Processual Civil . Apreciação Probatória no Processo Civil. Apreciação . 2001. pág. NEGRÃO. Revista dos Tribunais. José Carlos Barbosa Temas de Direito Processual: Sétima Série São Paulo: Saraiva. OLIVEIRA. RADLOFF. 1986. São Paulo: Saraiva. CHIOVENDA. Rio de Janeiro: Forense. Campinas/SP: Bookseller. 1996. Notas COUTURE apud NUNES. I 3ª Edição. Porto Alegre/RS: Verbo Jurídico. 2001. 15. Ovídio Baptista apud NUNES. Porto Alegre: Fabris. Porto Alegre. Juarez de Código de Proteção e Defesa do Consumidor 9ª Edição.. Sandra Aparecida Sá dos A Inversão do Ônus da Prova como Garantia do Devido Processo Legal São Paulo. Theotônio Código de Processo Civil e Legislação Processual em Vigor 33ª Edição. n. I 27ª Edição. 109. Porto Alegre/RS: Verbo Jurídico. Instituições de Direito Processual Civil. Apreciação Probatória no Processo Civil. 2002. THEODORO JUNIOR. Anelise Coelho. FURASTÉ. DA SILVA. SANTOS. 1996. 4 3 2 1 PONTES DE MIRANDA apud NUNES. Anelise Coelho.Vol. Anelise Coelho. Anelise Coelho Apreciação Probatória no Processo Civil Porto Alegre. 2002. 2002. São Paulo: Saraiva. Jônatas A Prova no Processo Rio de Janeiro: Forense. Stephan Klaus A Inversão do Ônus da Prova no Código de Defesa do Consumidor Rio de Janeiro: Forense. MOREIRA. 14. 1999. 1996. 2001. Pedro Augusto Normas Técnicas para Trabalhos Científicos 11ª Edição.Vol.225 Paulo: Saraiva. 2001. Ovídio Araújo Baptista da Curso de Processo Civil . NUNES. MILHOMENS. pág. 2002. Giuseppe. SILVA. s.

a. <http://www1. O ônus da prova no Código de Defesa do Consumidor. SANTOS. <http://www1. Anelise Coelho.com. MIRANDA. out. Rio de Janeiro. 51. 1929 Apud A inversão do ônus da prova: como garantia constitucional do devido processo legal.asp?id=2159> ECHANDIA. n. MATOS. 2001. Tratado de Direito Privado. Disponível em: <http://www1.jus. 66. Pontes de. 501 a 521 apud FERRAZ. 1968. 2000. 51. Luiz Carlos. Cecília. Porto Alegre/RS: Verbo Jurídico. 2001. 476. Teresina. 3ª ed. São Paulo. 2ª Ed. 2001. 2001. Hernando Devis apud CIANCI. n. 5. Padova. p. 17. Teresina. Teresina.br/doutrina/texto. Instituições de Direito Processual Civil. Vol. (REPETIR NOME DO AUTOR). A responsabilidade do Estado e o ônus da prova no Código de Defesa do Consumidor sob o enfoque da teoria do risco administrativo. Porto Alegre/RS: Verbo Jurídico. Manual de Direito Processual Civil. 2002. 2002. Momento processual da inversão do ônus da prova. Arruda. 57 (170).asp?id=2160>. Vol V. 51. 5. p.jus. 18.. NUNES. Vol. pág. 5. Jus Navigandi. correta e atual. a. Sandra Aparecida Sá dos.com. 1954.br/doutrina/texto./jun. ECHANDIA. Anelise Coelho. abr.jus. Jus Navigandi. a. Artigo in Justitia.jus. out.br/doutrina/texto. CARNELUTTI. Apreciação Probatória no Processo Civil.br/doutrina/texto. Moacyr Amaral. 2001. out. São Paulo: Revista dos Tribunais. Jus Navigandi. Teresina. n. n. 1995. 15 14 13 12 11 10 9 . Mirna.226 Probatória no Processo Civil. p. A inversão do ônus da prova: como garantia constitucional do devido processo legal. São Paulo: RT. SIEGMUND HELLMANN apud NUNES.asp?id=2160>. 449. 65. 51. 5. Mirna. apud FERRAZ.com. 16. Págs. 2001. Prova judiciária no civil e comercial. Jus Navigandi. Apreciação Probatória no Processo Civil.com. pág. 8 7 6 5 ALVIM. a. Luiz Carlos. pág. <http://www1.asp?id=2159> SANTOS. II. Diritto e Processo. Porto Alegre/RS: Verbo Jurídico. Francesco. 2001. out. Hernando Devis apud CIANCI. São Paulo: Revista dos Tribunais. Momento processual da inversão do ônus da prova. III. A responsabilidade do Estado e o ônus da prova no Código de Defesa do Consumidor sob o enfoque da teoria do risco administrativo. São Paulo: Max Limonad. p.

São Paulo: Malheiros. São Paulo: Malheiros. 2000. 354. 562. 5. 1996.. Teresina. Sergio Sahione. p. cuja realização o juiz determinar de ofício ou a requerimento do Ministério Público. São Paulo: Revista dos Tribunais. Cândido Rangel. A instrumentalidade do processo. São Paulo: Malheiros.V. A instrumentalidade do processo. até a plena satisfação do direito declarado pela sentença. § 1º O pagamento de que trata este artigo será feito por ocasião de cada ato processual.10.227 Apud PACÍFICO. p. antecipando-lhe o pagamento desde o início até a sentença final. 2ª Edição. p. 19. Jus Navigandi. p. p. a. 1977.. A responsabilidade do Estado e o ônus da prova no Código de Defesa do Consumidor sob o enfoque da teoria do risco administrativo. Antônio Carlos de Araújo. 121. O ônus da prova no Direito Processual Civil. 1988.979-4 Itápolis . DINAMARCO. DINAMARCO. Disponível em: <http://www1. out.com. e bem ainda. 12ª Edição. GRINOVER. 248. 1994. A instrumentalidade do processo. São Paulo: Revista dos Tribunais. e atual. BUZAID apud DINAMARCO. 7ª Edição. Cândido Rangel. CINTRA. Mirna. n.asp?id=2159>. (Tribunal de Justiça de São Paulo. U. Luiz Eduardo Boaventura. p.) Art. 248. Ada Pellegrini. Luiz Eduardo Boaventura. § 2º Compete ao autor adiantar as despesas relativas a atos. 26 25 24 23 22 21 20 19 18 17 16 . 4ª edição rev.. Agravo de Instrumento n.99 . 2000. 4ª edição rev. AGUIAR. 86 e 87. e atual. PACÍFICO. São Paulo: Revista dos Tribunais. CIANCI.br/doutrina/texto. São Paulo: Malheiros. Código de Processo Civil Comentado. 4ª edição rev. e atual. 51. CALAMANDREI apud DINAMARCO.6ª Câmara de Direito Privado . 201 FADEL. Cândido Rangel.Relator: Antonio Carlos Marcato . Rio de Janeiro: Ed. João Carlos Pestana de. CPC: Salvo as disposições concernentes à justiça gratuita. na execução. O ônus da prova no Direito Processual Civil. Forense. Cândido Rangel.07. Teoria Geral do Processo. 1994. 2001. rev. 1994.jus. Comentários ao Código de Processo Civil. e atual. cabe às partes prover as despesas dos atos que realizam ou requerem no processo.

Francisco. DINAMARCO. 12ª Edição. A inversão do ônus da prova: como garantia constitucional do devido processo legal. CAVALCANTI. Belo Horizonte: Livraria Del Rey. Del Rey. Súmula 424 do STF: "Transitada em julgado o despacho saneador de que não houve recurso. p." 39 38 37 36 35 34 33 32 31 30 29 28 27 . BARBOSA MOREIRA. Comentários ao Código de Defesa do Consumidor apud SANTOS. excluídas as questões deixadas. p. Francisco. 75. CAVALCANTI. Jonatas. THEODORO JUNIOR. p.º 86. Belo Horizonte: 1991. São Paulo: Malheiros. para a sentença. São Paulo: Revista dos Tribunais. Cândido Rangel.0". p. GRINOVER. SANTOS. "Dicionário Aurélio Eletrônico – V. 1986. 2ª Edição. 2002. p. p.228 CINTRA. CAVALCANTI. Sandra Aparecida Sá dos. Comentário ao Código de Proteção e Defesa do Consumidor. São Paulo: Revista dos Tribunais. 42. São Paulo: Revista dos Tribunais. Antônio Carlos de Araújo. 2002. Comentários ao Código de Proteção e Defesa do Consumidor. 2002. p. MILHOMENS. Notas sobre a inversão do ônus da prova em benefício do consumidor. explícitas ou implicitamente. Sandra Aparecida Sá dos. Humberto. 80. 71. 1991. Sandra Aparecida Sá dos. Direitos do Consumidor. apud SANTOS. Ada Pellegrini. 1991. A prova no processo. A inversão do ônus da prova: como garantia constitucional do devido processo legal. Teoria Geral do Processo. Francisco. 31-38. Ed. 355. 71. Sandra Aparecida Sá dos. 71. São Paulo: RT. Nova Fronteira. RePro. 1996. A prova no direito processual civil. Rio de Janeiro: Forense. 2. 37. A inversão do ônus da prova: como garantia constitucional do devido processo legal. p. Carlos Roberto. Sandra Aparecida Sá dos. junho: 1996. A inversão do ônus da prova: como garantia constitucional do devido processo legal. 39. p. Comentário ao Código de Proteção e Defesa do Consumidor. 32 apud SANTOS. p. Código do Consumidor Comentado. p. 123. p. SANTOS. A inversão do ônus da prova: como garantia constitucional do devido processo legal. São Paulo: Revista dos Tribunais. Liv. Belo Horizonte: Livraria Del Rey. n. 2002. 2002.

Rio de Janeiro: Forense. Rio de Janeiro: Forense. 70. Stephan Klaus. Liv. RADLOFF. 2002. 43 42 41 40 Alguns aspectos da dogmática processual para a defesa dos direitos do consumidor Autora: Viviane Mandato Teixeira Ribeiro da Silva .229 RADLOFF. de 06. 90 Tribunal de Justiça de São Paulo – Ap.461-2.º 255. 75. p. Aldo Magalhães. 2002.04. Stephan Klaus. Belo Horizonte: 1991. Comentários ao Código de Proteção e Defesa do Consumidor. p. A Inversão do Ônus da Prova no Código de Defesa do Consumidor.1995 – Rel. p. Francisco. A Inversão do Ônus da Prova no Código de Defesa do Consumidor. CAVALCANTI. Cível n. Del Rey.

com extrema clareza. colocando o consumidor numa posição de franca vulnerabilidade e hipossuficiência. Com efeito. Nesse contexto. tais peculiaridades.5 . pois os cristalizados no Código de Processo Civil evidenciavam-se inoperantes para a tutela eficaz de direitos designados. Adveio daí. 4 . só para citar alguns. um número. Por tal razão.Do regime jurídico da coisa julgada para as ações coletivas. O parceiro comercial transforma-se em um ente. 7 . Essa nova forma de produção e comercialização gerou desequilíbrio nas relações jurídicas de consumo. a reformulação de institutos de direito substancial não se mostrava suficiente. Contudo.Da legitimação ad causam. por exemplo.Introdução. espécie dessa categoria de interesses. A perfeita intelecção da linha principiológica norteadora das normas processuais para a tutela de interesses categorizados como direitos metaindividuais demanda considerar alguns aspectos. como é o de consumo. o do regime da responsabilização civil. Não havia mais espaço para a produção artesanal. como. . 3 – Da inversão do onus probandi. 2 .A adoção do non liquet e do efeito secundum eventum litis. o rompimento com vários dogmas de direito substancial. por titulares não-identificáveis. As relações jurídicas de consumo.A sentença genérica como regra nas ações coletivas. 8 Bibliografia 1. como o da liberdade para fixar o conteúdo contratual. traduzidos na impossibilidade de exercer algum controle sobre a qualidade.230 Sumário: 1 – Introdução.Da imposição de multa coercitiva ex officio. exsurgiu a necessidade de uma mudança drástica nos meios de produção e comercialização de produtos e serviços. revelou-se inviável o contato personalizado e individualizado entre os agentes da cadeia consumerista. no mais das vezes. são as que patenteiam. Na comercialização. inferiu-se que seria mister criar um arcabouço legislativo a fim de preservar a esfera jurídica dos consumidores. Impunha-se um sistema mecanizado e seriado para fomentar o consumo em massa. segurança e quantidade dos produtos e serviços disponibilizados pelo fornecedor no mercado de consumo. 6 . partindo da necessidade de atender a um mercado cada mais pujante e abrangente em sua feição quantitativa. analisaremos a sistemática processual considerando-se tais relações. ante o imenso contingente de utentes. Impendia criar instrumentos apropriados. a difusão e a vulnerabilidade de seus titulares.

A segunda. como salvaguarda para a produção sistemática de lesão a direito. a esfera jurídica do indivíduo. que alguém defenda em juízo em nome próprio um interesse alheio. é a da legitimação ordinária. do texto constitucional. dessarte. tornou despiciendo legitimá-lo. é o de evitar a proliferação de ações individuais com pretensões idênticas. 2. a qual. A legitimação extraordinária [01]. solucionar-se-iam conflitos que envolvessem. Da legitimação ad causam A legitimação ad causam é a autorização legal para defender em juízo um direito material lesado ou ameaçado de lesão.não se adstringe apenas às relações jurídicas de consumo.Código de Defesa do Consumidor . Na Lei 8078/90. abordaremos. todo o grupo do qual o indivíduo integra. legitimou entes públicos e privados. em conjunto com a Lei 7347/85. alguns aspectos da sistemática procedimental introduzida pela Lei 8078/90. Situação essa que certamente induziria ao desestímulo na busca da tutela jurisdicional. de modo sucinto. como determina o inciso XXXII. cujo desiderato é a busca do bem-estar social. No presente trabalho. ao mesmo tempo e do mesmo modo. funcionando. a lei processual civil admite. do artigo 5º. A terceira. defender o consumidor. e. por via transversa. apenas o titular do direito material lesado ou ameaçado de lesão está autorizado a defendê-lo em juízo. segundo a qual. A primeira. é regra na Lei 8078/90. subtraindo do indivíduo a possibilidade de defender em juízo interesses titularizados pela coletividade. exceção no Código de Processo. Encerra verdadeira fonte normativa processual geral que. de uma só vez e por intermédio de uma só lide.231 Nessa esteira. inobstante a denominação . cujo substrato era o de . A opção legislativa em não investir o indivíduo da legitimação ad causam pode ser analisada sob três vertentes. reside na feição do Estado social. e o risco de soluções judiciais antagônicas para o mesmo conflito. alguns institutos processuais foram adaptados para imprimir à tutela jurisdicional a adequação. o regramento da legitimação para agir experimentou uma importante mudança. por via oblíqua. A sistemática sufragada pelo Código de Processo Civil. idealizada sob a filosofia liberal. regulamenta a tutela de todo e qualquer direito metaindividual. a qual. Não mais se prestigia a visão liberal. nos casos por ela enunciados. Excepcionando essa regra. é a de que o fato de o resultado benéfico da lide coletiva atingir. em seu artigo 82. a presteza e a eficácia necessárias para a solução de conflitos em massa. Assim. É a denominada legitimação extraordinária.

Cappelletti. Daí o entrelaçamento da efetividade com o princípio constitucional do acesso à justiça e deste com o da legitimação ad causam. E tal circunstância denota a relevância e a imperiosidade do sistema processual coletivo introduzido pela Lei 8078/90. resulta em franca desigualdade no campo processual. Por meio da ação coletiva. o legislador infraconstitucional concretizou dois princípios constitucionais: o acesso à justiça e a isonomia. o dano pode ser inexpressivo. De fato. é melhor defendido em juízo por associações ou órgãos do próprio Estado. no mundo empírico. mas não para os entes privados ou públicos ao defenderem todo o grupo. O Prof.) O problema básico que eles apresentam – a razão de sua natureza difusa – é que. a ideologia do Estado social protetor dos mais fracos. evitando-se a perpetuação da lesão. ou o prêmio para qualquer indivíduo buscar essa correção é pequeno demais para induzilo a tentar uma ação. a tutela jurisdicional obtida por meio do processo coletivo. Essa situação não se repete para os entes públicos. elucida que essa gama de direitos "(.) são interesses fragmentados ou coletivos (. repise-se. Seja para reprimir condutas nocivas em nível difuso.232 atender aos interesses individuais. destarte. seja para cominar ao fornecedor a sanção cabível. concluiremos. o indivíduo tem sua esfera jurídica tutelada contra a prepotência do poder econômico. encetando estudo acerca da defesa efetiva dos direitos coletivos. e reprimindo-se a conduta lesiva do fornecedor. podemos considerar que o fato de o consumidor ser vulnerável e hipossuficiente frente ao fornecedor. A partir da Carta de 1988.. ainda que incipiente sob o ponto de vista individual. [02] Se considerarmos as relações de consumo sob o aspecto pecuniário. Sob a ótica do princípio constitucional da isonomia. que a possibilidade de a produção massificada gerar lesão em escala difusa é expressiva. e aproveita. como é o caso do Ministério Público. com o Prof.) Essa situação cria barreiras ao acesso". ou ninguém tem direito a corrigir a lesão a um interesse coletivo.. pelo dever constitucional de defender os interesses da sociedade.. . legitimar entes públicos e civis para a defesa judicial dos interesses transindividuais. entretanto não o será numa perspectiva global.. é que o legislador introduziu tantas inovações no sistema processual. notadamente para o Ministério Público que. Diga-se a propósito. E este. detentor de forte poder político e/ou econômico. dentre as quais. (. Sob a perspectiva do consumidor individualmente considerado. que ao legitimar entes coletivos.. segundo o entendimento doutrinário. Pois. sufraga-se a ideologia da preservação do interesse coletivo. Concretiza-se. no mais das vezes.. pode litigar com causador do dano com igual força política. o dano pecuniário de inexpressiva monta funciona como elemento desestimulante para o indivíduo ajuizar qualquer demanda. Cappelletti.

porquanto se o consumidor tivesse a desincumbência de fazer prova do nexo causal. a inversão do onus probandi [03] como um direito básico. o consumidor dificilmente obteria qualquer ressarcimento em razão de sua hipossuficiência em obter os elementos necessários para provar o nexo de causalidade. Malgrado a adoção do regime objetivo. carreando-o ao fornecedor. em que o ônus da prova do fato constitutivo do direito cabe ao autor da demanda. Se fosse mantida a sistemática preconizada pelo artigo 333. aliás.Da inversão do onus probandi Desdobramento dos princípios constitucionais da isonomia e da dignidade da pessoa humana. A lei consumerista. corretamente.233 3 . qual seja. não tem o condão de reparar a atividade nociva do fornecedor nem o de atender aos interesses econômicos do consumidor. não sufragou a tônica civilista. por exemplo. a Lei Civil em vigor. No tema das obrigações. O legislador entendeu. Isto porque é o fornecedor quem detém a mais completa informação acerca do produto. do Código de Processo Civil. logo só ele tem a possibilidade de produzir a prova necessária a fim de demonstrar se o produto é ou não defeituoso. dentre outros. certamente sucumbiria. ao tratar do direito material das relações de consumo. a inversão do ônus probatório revela-se prestante. que presente um dos requisitos elencados no artigo 6º. que a pecúnia. do artigo 6º. em seu artigo 389.Da imposição de multa coercitiva ex officio Vários institutos materiais e processuais foram matizados na construção da nova sistemática a fim de conferir efetividade à tutela jurisdicional na defesa dos direitos transindividuais e dar concretude a vários princípios constitucionais. inciso VIII. por conseguinte. a lei 8078/90 erigiu no inciso VIII. e como consectário lógico do reconhecimento da vulnerabilidade e da hipossuficiência do consumidor. deve o julgador inverter os ônus da prova. Vislumbramos o aspecto pragmático dessa regra no campo da responsabilidade civil. no mais das vezes. impõe ao inadimplente o dever de arcar com as perdas e danos. 4 . Depreende-se. em que é prescindível o exame da conduta do fornecedor para imputar-lhe o dever de reparar o dano. do acesso à justiça. . o reconhecimento da hipossuficiência ou da verossimilhança da alegação do consumidor. como o da isonomia.

ou. evitando-se remeter à parte inocente o recebimento de indenização. da Lei 8078/90. . as quais impõem ao juiz dar interpretação restritiva ao pedido. se o Estado-juiz não pode conceder à parte além. em que o julgador está autorizado a cominar de ofício a multa coercitiva e outras medidas que se fizerem necessárias à execução da obrigação. Para concretizar essa ideologia. Sob o prisma da efetividade. a melhor doutrina sustenta inexistir conflito normativo e esclarece que a imposição da multa coercitiva em nada ofende o princípio da adstrição. àquilo que fora determinado na sentença. indaga-se se haveria conflito entre a norma geral. Isto porque a multa. Para essa indagação. forçando o fornecedor cumprir o pactuado. tem natureza jurídica de medida de coerção e não de ressarcimento. em que tal matéria era dispositiva. autorizando-o a cominação da multa ex oficio. de sorte que não repugna às normas procedimentais outorgar ao Estado-juiz o poder de impor a multa sem provocação do interessado. de seu artigo 84. a Lei 8078/90. Melhor explicitando. Desse modo. egressa do direito francês denominada astreinte. aquém ou diferente do que foi pedido. ensejou o questionamento em face do princípio da adstrição. uma inovação legislativa por romper com o sistema processual tradicional. outorgou ao Estado-juiz maior campo de discricionariedade. ambos do Estatuto Procedimental. a Lei 8078/90 incorporou a multa coercitiva. consagrado no artigo 128 combinado com o 293. Seu objetivo é o de constranger. segundo os quais os limites da atuação jurisdicional vêm traçados no pedido formulado pela parte. dependia de provocação do interessado. o de esmaecer a resistência devedor em cumprir espontaneamente o contrato ou o comando emergente da sentença.234 Nesse diapasão e partindo da premissa de que o processo desempenha um papel instrumental para conferir à tutela jurisdicional efetividade. a Lei 8078/90 preconiza que se deva envidar todos os esforços para realizar concretamente o que fora contratado pelos litigantes. do artigo 84. consubstanciada no artigo 460 combinado com os artigos 128 e 293. consistente em cominar ao devedor recalcitrante uma penalidade pelo descumprimento da obrigação. vale dizer. o consumidor obtém o objeto da prestação e satisfaz a expectativa gerada por conta do negócio jurídico firmado. ao incorporar a multa coercitiva no parágrafo 4º. e. todos do Estatuto Procedimental. darse-ia à parte o direito in natura. e a regra do parágrafo 4º. pois influindo no aspecto anímico do fornecedor. quando da promulgação da lei consumerista. Tal prescrição representou. A adoção da astreinte mostra-se consentânea com a realidade social e com o objetivo legal de prevenir a lesão à esfera jurídica do consumidor. se o órgão julgador só pode conhecer ex officio matéria de ordem pública.

fruto da democracia. se é a própria lei quem permite ao julgador abandonar o papel passivo de "boca da lei" para desempenhar um papel mais ativo. Portanto. em última análise. Por derradeiro. ao mesmo tempo. o legislador partiu de um enfoque publicista do processo. Entretanto. Nesse diapasão. é normada pela lei especial . O exercício da função jurisdicional nos tempos modernos exige. do que resulta que a aplicação do Código só tem lugar em caráter subsidiário e naquilo que não contrariar a lei especial. a toda coletividade. Direitos metaindividuais. envolvendo ou não relações jurídicas de consumo. forçoso é concluir que a imposição da multa coercitiva é simples reflexo da coadunação da atuação jurisdicional aos reclamos da sociedade moderna.a 8078/90 -. Essa nova categoria de direitos é classificada pela Lei 8078/90 em três . como o direito à educação. São direitos titularizados. Conferindo ao juiz o poder de fixar a multa coercitiva de ofício. por titulares indetermináveis. como o prefixo grego indica. a função do juiz também resvala para o aspecto político. fazendo valer a vontade popular. também prevê a multa coercitiva. em dadas circunstâncias. Representa também a manutenção da paz social e da própria ordem jurídica. embora seja eminentemente jurisdicional. a função jurisdicional de pôr termo à controvérsia não interessa apenas a pacificação dos litigantes. classes ou categorias de pessoas. à saúde. etc. em seu artigo 461. ou. a aplicação da multa coercitiva deve observar o regramento instituído pelo parágrafo 4º. 5. olvidar os princípios da imparcialidade e da preservação dos direitos fundamentais. do Código de Processo. meio ambiente saudável. cabe destacar que o Código de Processo Civil. por grupos. do artigo 84.Adoção do non liquet e o do efeito secundum eventum litis Antes de adentramos à abordagem da possibilidade do non liquet e da extensão subjetiva dos efeitos da coisa julgada com o temperamento do secundum eventum litis albergados pela Lei 8078/90. pois ao interpretar e dar corpo à vontade abstrata da lei estará. são direitos que transcendem a esfera individual. a tutela dos direitos metaindividuais. evidentemente. São interesses incindíveis por pertencerem. sem. mas também para o desempenho da função política. Dessa forma. matérias de primeira plana para a manutenção do próprio Estado. concomitantemente. a participação do julgador na dinâmica processual. não só para melhor análise dos fatos que formarão o convencimento do julgador acerca da verdade. insta trazer à colação a definição dos direitos metaindividuais e de suas espécies para melhor intelecção do tema.235 Neste ponto cabe uma observação. Com efeito. da Lei 8078/90 e não a do artigo 461. por intermédio do método dialético.

o artigo 103. Pela dicção da lei. conceitua como difuso o direito indivisível por pertencer. do direito litigioso e do resultado da lide coletiva. os titulares são identificáveis por haver uma relação jurídica base preexistente à lesão. define os direitos individuais homogêneos como direitos individuais na essência. podemos mencionar o meio ambiente. quando o processo for extinto sem julgamento do mérito. O inciso II. o inciso III. Cite-se à título de exemplo. são direitos titularizados por todos e por ninguém em particular. não há entre os prejudicados qualquer relação jurídica que os una. Com efeito. Ainda. O inciso I.e do julgado secundum eventum litis . e é por isso que os titulares podem ser identificáveis. Nesta espécie. porquanto tanto o meio ambiente como a saúde são direito de todos os integrantes da sociedade. mas tratados coletivamente. Se houver alguma cláusula nula. Todos os adquirentes daquele produto sofrerão a mesma lesão.236 espécies: difusos. Para exemplificar. ao mesmo tempo. adotou a possibilidade do non liquet . a titulares indetermináveis. Quando estes interesses são afetados. ou seja. nota-se que o traço distintivo entre os direitos difusos e os coletivos consiste no fato de que nos direitos coletivos a relação jurídica foi a deflagradora da lesão. os efeitos são idênticos ao adotado pelo Código de . Partindo da premissa de que os interesses e as dimensões dos danos derivativos do consumo não se restringem apenas a consumidores perfeitamente determinados e identificados. a saúde. ao tratar da matéria. Visto o conceito e a classificação dos direitos metaindividuais. São direitos individuais. pelo grupo ou classe de pessoas determináveis.é a possibilidade de estender subjetivamente os efeitos da sentença -. do artigo 81. coletivos e individuais homogêneos. o legislador consumerista introduziu um sistema totalmente diferenciado do vigente no Código de Processo Civil no que tange aos efeitos da sentença. toda coletividade sujeita-se aos efeitos prejudiciais. conceitua como coletivo o direito incindível por ser titularizado. nada obstante inexistir entre eles qualquer relação jurídica. do artigo 81. unindo determinado grupo de pessoas entre si ou com a parte causadora do dano. ao mesmo tempo. Se a sentença ser meramente formal. A vinculação com a parte contrária decorre do fato de todos terem sofrido a mesma lesão. vejamos a mudança legislativa no que tange aos efeitos da sentença. da Lei 8078/90.que é a possibilidade de o julgador rejeitar a pretensão ante a insuficiência probatória sem que tal sentença produza a coisa julgada material . do artigo 81. todas as pessoas que aderiram àquele contrato experimentarão idêntica lesão. Exemplo notório é o contrato de adesão. anotando-se que a incidência desses regramentos dependem da natureza da sentença. produtos defeituosos. incisos I a III. Finalmente. porque é possível identificar cada titular. vale dizer.

Destarte. o órgão julgador rejeitará a pretensão e a sentença produzirá coisa julgada material. porquanto tal julgamento não beneficia os titulares individuais. formar-se-á a coisa julgada material. Com efeito. a sentença que acolher a pretensão produzirá a coisa julgada material e seus efeitos benéficos alcançarão a todos os titulares individualmente considerados. ainda que não tenham participado do processo. Elucida o prof. em razão de terem integrado o pólo ativo da lide coletiva na qualidade de litisconsortes. Quer isto significar que os efeitos da coisa julgada material oriunda da sentença que julgou improcedente a ação em razão da ausência de lesão. quando o processo for extinto com julgamento do mérito. o que faculta à parte interessada o ajuizamento de nova ação. dependendo da natureza do direito litigioso e do resultado da lide coletiva. o regramento da extensão subjetiva dos limites da coisa julgada material secundum eventum litis. Incidirá. cujo objeto seja direito difuso ou coletivo. se a natureza do objeto da lide for direito difuso ou coletivo. aos olhos do juiz. apesar disso. que toda a diligência probatória foi realizada e que. não haverá extensão dos limites subjetivos da coisa julgada. Idêntico efeito se produzirá se o julgador entender que não houve lesão ao direito individual homogêneo. permanecendo a controvérsia incólume à apreciação judicial. Forma-se a coisa julgada formal e seus efeitos ficam adstritos ao processo extinto. alcançando todos os partícipes da ação. não existiu a lesão ao bem jurídico que se pretendia proteger". rejeitará o pedido. Neste caso. Todavia. Em vista do que prescreve a lei 8078/90. não alcançarão os titulares individualmente considerados. ficando. por corolário. os efeitos da sentença ficam submetidos ao tratamento estabelecido pela Lei 8078/90. portanto. os efeitos da decisão interditam os legitimados coletivos de ajuizarem nova demanda coletiva. mas não impedem o ajuizamento de lides individuais. se não houver prova bastante da lesão. Se. ao revés do que ocorre nas lides difusas e coletivas stricto sensu. porém. mas que pela gravidade e repercussão social da lesão foram inseridos na categoria de direitos transindividuais. infere-se que o tratamento . Arruda Alvim [04] que "se ficar claro. Isto por serem direitos essencialmente individuais. Assim. o juiz entender que não houve lesão. entretanto. impedidos de ajuizarem ações individuais para renovar a mesma pretensão. infere-se que o resultado negativo da ação individual homogênea só não prejudicará quem dela não houver participado. Se a sentença for definitiva. ressalvando-se a possibilidade de ajuizarem suas ações individuais arrimados na mesma causa de pedir veiculada na coletiva que fora julgada improcedente. ou seja.237 Processo Civil. se o conflito versar sobre direitos individuais homogêneos não será aplicado o non liquet e só incidirá o secundum eventum litis se a lide for acolhida. com o temperamento do chamado efeito secundum eventum litis do julgado. Nesta hipótese.

vigorariam os mesmos efeitos produzidos para as hipóteses de formação litisconsorcial ativa facultativa unitária. Não há extensão subjetiva. admitindo-se a propositura da ação individual Direito COLETIVO Procedência: Faz coisa julgada material e seus efeitos são extensíveis aos titulares determináveis do grupo ou classe (ultra partes) Improcedência: a) Por falta de provas = Incide o non liquet. Admite-se a repropositura da ação coletiva e o ajuizamento da ação individual b) Ausência de lesão = Opera coisa julgada material apenas entre os legitimados coletivos. Não há extensão subjetiva. Seus efeitos são extensíveis a todos titulares individuais (erga omnes) Improcedência: a) Por falta de provas = Incide o non liquet. Para melhor visualização do que dissemos. a sentença proferida produzirá coisa julgada material inter alios.238 dispensado para as ações de direito individual homogêneo é idêntico ao constante do Código de 73. mas não produz a coisa julgada material. Quer nos parecer que a razão de a Lei 8078/90 ter repetido o tratamento trazido pelo Código de Processo reside no fato de o direito controvertido ter natureza individual e. Vale dizer. Admite-se a propositura da ação individual Direito INDIVIDUAL HOMOGÊNEO Procedência: Faz coisa julgada material e seus efeitos são extensíveis a todos os titulares individuais (erga omnes) Improcedência: . não produzindo a coisa julgada material. seja pela insuficiência de prova. sinopticamente. Admite-se a repropositura da ação coletiva e nada interfere no ajuizamento da ação individual b) Ausência de lesão = Produz coisa julgada material apenas entre os legitimados coletivos. nesse passo. temos: DIREITO DIFUSO: Procedência: Faz coisa julgada material. seja pela inexistência de lesão.

os efeitos da sentença judicial à luz de seu resultado. pelo fato de o legislador ter subtraído do titular individual a legitimação para agir. mediante uma única relação processual.A sentença genérica como regra nas ações coletivas Destacamos que alguns princípios e regras processuais tradicionais foram moldados de modo a garantir a tutela eficaz dos direitos transindividuais. se a sistemática do Código de Processo fosse repetida pela Lei 8078/90 redundaria em flagrante inconstitucionalidade ante a negativa de acesso à justiça. da Lei de Rito. Não há extensão subjetiva. Já analisamos a legitimação para agir. É o que se pede em juízo. segundo a qual o pedido deve ser certo e determinado. ante a determinação constitucional de proteger essa nova categoria de direitos. b) Ausência de lesão = Produz coisa julgada material vedando-se a repropositura da lide coletiva. por encerrar uma manifestação da vontade. a mens legis foi o de obter. sob pena de viciar a sentença de nulidade e dar azo à rescisória. É oportuno destacar. mas. vedando-se a repropositura da ação coletiva. o tratamento dispensado pela Lei 8078/90 para os efeitos do julgado tinha que diferir da sistemática sufragada pelo Código de Processo Civil. Pedido "é a expressão da pretensão. cujo traço característico é a difusão dos titulares. para encerrarmos esse tópico. a solução de um conflito de grave e expressiva repercussão social. Faz coisa julgada material. deve receber interpretação restritiva à luz do princípio albergado no .) No pedido se contém a suscitação de uma provisão jurisdicional (pedido imediato).239 a) Por falta de provas = Não incide o non liquet. neste tópico. Verificaremos. 485. que a possibilidade do non liquet impõe ao julgador a necessidade de explicitar que a improcedência se deu em razão da insuficiência probatória. Há que se ter presente que ao conferir tratamento coletivo às ações que tenham por objeto o direito individual homogêneo. do art. a flexibilização da regra constante do artigo 286. [05] O pedido de prestação da tutela jurisdicional. É a dedução da pretensão em juízo (. na tutela de um bem jurídico (pedido mediato)". 6. Não apenas. economizando tempo e recursos financeiros. sobretudo.. Quem não participou da lide coletiva poderá ajuizar ação individual. Nesse sentido. Não há extensão subjetiva. Em linhas gerais e pelas especificidades dos direitos metaindividuais. da lei procedimental. a inversão do ônus da prova. Só quem não participou da lide coletiva poderá ajuizar a ação individual.. à lume do que preceitua o inciso V.

no entanto. A profa. a condenação se dá pelo prejuízo provocado e não pelo dano experimentado pelos titulares individualmente considerados. da Lei 8078/90. entendendo-se por esta locução: delimitado quanto aos direitos e extensão quantitativa.causador do dano .240 artigo 293. não podendo proferir sentença ilíquida quando o pedido for certo. A regra constante do caput do artigo 286. vale dizer. da lei do Rito. artigo 459. Ada Pellegrini Grinover [06] assevera que o aspecto teleológico da sistemática processual traçada pela Lei 8078/90 para a tutela dos direitos transindividuais é obter. Daí o porquê de a exceção no Código de 73 ser a regra na Lei 8078/90. o juiz fica vinculado àquilo que foi pedido. Vê-se a completa distinção entre a ação coletiva e a que envolve direitos individuais regidos pelo Código de Processo e o porquê de o legislador. o reconhecimento judicial do dever reparatório e da condenação do agente causador do dano ao ressarcimento pelos prejuízos produzidos. Não por outra razão. máxime em razão de a decisão proferida nas ações coletivas tutelar um bem jurídico ainda indivisível. a sentença deve ser genérica. sob pena de nulidade da sentença (parágrafo único. E assim é. Pensemos na relação jurídica de consumo.e o consumidor lesado. ultra ou extra petita. é que a sentença deva ser certa quanto ao tipo de provimento jurisdicional pretendido. o ônus de demonstrar o dano e o nexo causal. por meio das ações coletivas. em linha de princípio. A regra consubstanciada no artigo 95. admite-se que o autor decline o que quer sem deduzir o quantum quer. do Código de Processo. para a tutela dos direitos coletivos. nem conferir ao autor citra. para viabilizar aos lesados individuais a identificação e a apuração do quantum indenizativo. de acordo com a extensão do dano individualmente experimentado. Já no caso das lides metaindividuais. ter rompido com a tradição. Por essa regra. é exigência legal que o pedido deva ser certo e determinado. da Lei Procedimental Civil. a controvérsia fica adstrita entre o fornecedor . não seria possível repetir a regra prescrita no artigo 286. mas genérica ou ilíquida quanto à extensão quantitativa da pretensão. Nas ações coletivas. é excepcionada por seus incisos. por absoluta incompatibilidade com os objetivos da Lei 8078/90. o direito em conflito pertence a titulares determinados (direito coletivo stricto sensu) ou indetermináveis (direito difuso). ou seja. Desde o início da lide as partes são perfeitamente identificadas. tendo o autor. Na lide individual. do CPC). De fato. Por essa razão. Nessa linha. ao enunciar hipóteses em que o pedido possa ser genericamente formulado. se pensarmos que os legitimados ativos estão defendendo os .

Esses dois diplomas cristalizam normas que destoam da processualística tradicional. Colhemos. 16 . Falar de efeitos da sentença remete à coisa julgada. recebeu tratamento especial.A sentença civil fará coisa julgada erga omnes. cumprindo o ditame constitucional de elaborar mecanismos instrumentais que garantissem a defesa efetiva dos direitos metaindividuais. sofreram tantas inovações. as inovações foram substanciais. porque será na fase liquidatória que será aferida a extensão do dano causado por determinado produto ou serviço. portanto o decisum é certo por definir o direito. Não foi por outra razão que as regras da legitimação para agir.241 interesses daqueles que efetivamente experimentaram o dano e que não participam da relação processual. concebeu a Lei 8078/90 e aperfeiçoou a Lei 7347/85. hipótese em que qualquer legitimado poderá intentar outra ação com idêntico fundamento. porque os lesados só serão identificados no momento da liquidação de sentença. o que faria cair por terra todo o arcabouço da lei 8078/90. prescrevendo que a sentença deva ser certa e determinada. que o fato de a condenação ser genérica não significa dizer que a sentença seja incerta. A extensão dos limites subjetivos da coisa julgada. Há certeza quanto ao dever de reparar o dano. neste tema. fácil é intuir que a sentença não poderia ser especificar o quantum debeatur. se fosse aplicada a regra do Código de 73. valendo-se de nova prova".Do regime jurídico da coisa julgada nas ações coletivas Fizemos remissão às alterações legislativas que influíram nos efeitos emanados da sentença. da Lei 8078/90. tema que nos interessa neste tópico. exceto se a ação for julgada improcedente por deficiência de provas. da lição trazida pela doutrina. em segundo. O legislador infraconstitucional. mas ilíquido por não precisar o quantum. e. Pelo teor do dispositivo legal supra colacionado combinado com o artigo 103. Em primeiro. restaria impossível a indenização dos lesados. porquanto as regras do Código de Processo se revelaram inaptas para equacionar satisfatoriamente as exigências da nova ordem social. da Lei 7347/85 assim dispunha. 7 . observa-se que todos os titulares individuais do interesse coletivo . in verbis: "Art. Como se nota. O artigo 16. ainda. dentre outras medidas.

o titular individual nenhum prejuízo jurídico experimentaria. nos limites da competência territorial do órgão prolator. Por tal razão. a razão de ser das mudanças introduzidas no sistema . in verbis: "Art. Disso resultou a implementação de uma série de inovações por meio das Leis 8078/90 e 7347/85. Destarte. (grifo nosso). diferentemente do que sucede perante o Código de Processo. daí ter sido criado um mecanismo que garantisse a todos os titulares do direito controvertido os benefícios decorrentes do acolhimento da pretensão. Como se nota. exceto se o pedido for julgado improcedente por insuficiência de provas. podendo. valendo-se de nova prova". inclusive. E o fato de a Constituição ter tutelado os direitos metaindividuais quer significar que se tornou inadmissível ao legislador infraconstitucional restringir ou alterar. criando-se um sistema legislativo material e processual próprio e adaptado para concretizar a proteção constitucional. as Leis 7347/85 e 8078/90 prescrevem que o titular individual do direito. 16 . alterando a redação do artigo 16. encampamos a corrente que propugna pela inconstitucionalidade da alteração legislativa. demandar individualmente o agente ofensor para obter a reparação da lesão. a autoridade da coisa julgada não poderia cingir-se aos litigantes. Em última análise. é que a doutrina assevera que os efeitos erga omnes da autoridade da coisa julgada se opera somente em relação ao legitimados ativos para a ação coletiva. A Lei 9494/97. da Lei 7347/85. só sofrerá influência do julgado em sua esfera jurídica se a decisão for benéfica. à natureza dessa categoria de direitos e à posição doutrinária. ou. direta ou indiretamente. por não ter recebido legitimação para agir em juízo. Com efeito. hipótese em que qualquer legitimado poderá intentar outra ação com idêntico fundamento. no âmbito dos direitos coletivos a sentença produz efeitos para além dos litigantes. O fundamento jurídico para que o legislador tenha adotado o efeito secundum eventus litis reside no fato de ter conferido legitimação a quem não seja o titular exclusivo do direito lesado.242 (lato sensu) seriam alcançados pelo resultado benéfico do julgado. uma vez que a improcedência da demanda em face da inexistência da lesão a direito impedirá tão-somente o ajuizamento de outra lide coletiva. Subsumindo o dispositivo legal supra às disposições constitucionais que determinam a efetiva proteção aos direitos transindividuais.A sentença civil fará coisa julgada ‘erga omnes’. contudo. limitou os efeitos subjetivos da coisa julgada ao determinar que. essa proteção. Caso a sentença rejeite a pretensão por entender que não houve lesão. porque do conjunto probatório existente nos autos não se demonstrou a lesão. Isto porque as ações coletivas buscam tutelar direitos fundamentais expressamente reconhecidos em nosso ordenamento jurídico.

da Lei 7347/85. como o acesso à justiça. têm conferido à lei interpretação literal. relegando a um plano secundário não apenas a linha teleológica do sistema protetivo sufragado pela Lei 8078/90.LIMITES DA COISA JULGADA. Hugo Nigro Mazzilli. de modo que as ações que versarem sobre tais direitos estariam fora do alcance da Lei 9494/97. por exemplo. da Lei 7347/85. PÚBLICA – 1. logo não pode ficar adstrito à competência jurisdicional do órgão prolator da decisão. qualquer outra ação. 3. Ada Pellegrini Grinover segue a mesma linha quanto à ineficácia da restrição territorial dos efeitos da decisão. mas a reunião deve observar o limite da competência territorial da jurisdição do magistrado que proferiu a sentença.243 jurídico prendeu-se à natureza dos direitos e da repercussão social dos conflitos em massa.as Leis 8078/90 e 7347/85 -. v. Não obstante o repúdio doutrinário à alteração do artigo 16. alterando-se a redação do artigo 16. o direito coletivo stricto sensu tem eficácia ultra partes e não erga omnes. A verificação da existência de litispendência enseja indagação antecedente e que diz respeito ao alcance da coisa julgada. os tribunais. 2. "a sentença civil fará coisa julgada erga omnes. acaba por desnaturar a tutela efetiva do direito coletivo e ferir outros mandamentos constitucionais. que restringir a eficácia da coisa julgada nos moldes traçados pela Lei 9494/97. de modo que seria mister alterar a ambos. Hipótese em que se nega a litispendência porque a primeira . ainda que não uniformemente. como se verifica das ementas infra colacionadas. Ainda. a isonomia.494/97. dentre outros. destaca que pelo fato de a restrição ter sido imposta apenas na Lei 7347/85. embasando seu entendimento no fato de que os efeitos da decisão estão vinculados aos limites ínsitos ao pedido. inclusive quando houver uma demanda coletiva e diversas ações individuais.g a ação popular. Nesse diapasão. quer nos parecer. porque as ações coletivas são reguladas por dois subsistemas que atuam em conjunto . Conforme os ditames da Lei 9. como também as prescrições constitucionais. A doutrina mais autorizada vem repudiando essa alteração legislativa sustentando sua inoperância. mormente porque é a Lei 8078/90 que cuida do regime da coisa julgada. que busque a tutela a direito coletivo estará fora do alcance restritivo trazido pela Lei 9494/97. nos limites da competência territorial do órgão prolator". " PROCESSO CIVIL – AÇÃO CIVIL LITISPENDÊNCIA . As ações que têm objeto idêntico devem ser reunidas.

APADECO. Notas Sobre A Coisa Julgada Coletiva. litteris : "A sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade associativa. 2. São Paulo: RT.494/97.. EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO DE COMBUSTÍVEIS (DL 2. e nesse ponto. VIOLAÇÃO DO ART. 2º-A da Lei nº 9. 88. n.494/97.12." (REsp n. j. Impossibilidade de ajuizamento de ação de execução em outros estados da Federação com base na sentença prolatada pelo Juízo Federal do Paraná nos autos da Ação Civil Pública nº 93. Tutela Jurisdicional do Meio Ambiente. em razão de que em seu dispositivo se encontra expressa a delimitação territorial adrede mencionada. 37. Revista do Advogado da AASP. 2ª TURMA. Donaldo. José Manuel. 642462/PR. na defesa dos interesses e direitos dos seus associados. ambos no Estado do Paraná. 3. abrangerá apenas os substituídos que tenham. caso contrário geraria violação ao art. 2º-A DA LEI Nº 9. 1. Revista de Processo n.288/86).2004) BIBLIOGRAFIA Armelim.947-SC. 665. Recurso especial parcialmente conhecido. 22ª ed. Celso. Curso de Direito Constitucional. BASTOS. 1ª TURMA. domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator". Manual de Direito Processual Civil. ILEGITIMIDADE DAS PARTES EXEQÜENTES. EFICÁCIA DA SENTENÇA DELIMITADA AO ESTADO DO PARANÁ. EXECUÇÃO DE SENTENÇA." (REsp n.0013933-9 pleiteando a restituição de valores recolhidos a título de empréstimo compulsório cobrado sobre a aquisição de álcool e gasolina no período de jul/87 a out/88. ____________.244 ação está limitada ao Município de Londrina e a segunda ao Município de Cascavel. A abrangência da ação de execução se restringe a pessoas domiciliadas no Estado do Paraná. São Paulo: . 02. j. ARRUDA ALVIM. 08/03/2005) "PROCESSUAL CIVIL. na data da propositura da ação. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. desprovido.

Vol. 10ª ed. Humberto. Do Processo Cautelar. 2001. Princípios do Processo Civil na Constituição Federal. Moacyr Amaral. São Paulo: Saraiva. 2002.. Editora Malheiros.. 2000. Vol. 2003. ____________. Rizzatto Nunes.. São Paulo: RT. Ada Pellegrini. O Princípio Constitucional da Dignidade da Pessoa Humana. II.. ____________. Acesso à Justiça.. 2º Vol. Kelsen. SANTOS. Sergio Antonio Fabris Editor. A defesa dos interesses difusos em juízo. SILVA. I. Nelson. Instituições de Direito Civil. ____________. Direito Constitucional e Teoria da Constituição. Editora Forense. Instituições de Direito Civil. THEODORO JUNIOR. ª . Vol. ____________. 3 ed. Vol II. 6ª ed. III. 23ª ed. Editora: Forense. Comentários ao Código de Defesa do Consumidor. O problema da Justiça. Editora Forense.. 13ª ed. 1991. 3ª ed.. Silva. São Paulo: Saraiva. José Joaquim. Nery Junior. 5ª ed. Nigro Mazzilli. Hans.. Forense. José Afonso. 6ª ed. 2001. Silva Pereira. São Paulo: Saraiva. Forense. Curso de Direito Processual Civil. Ovídio Araújo Baptista da.Forense. Hugo. 6ª ed. Editora: Forense. Cappelletti. Caio Mário. Luiz Antonio. Editora Forense. Editora Martins Fontes. Coimbra: Almedina. Gomes Canotilho. Grinover. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor comentado pelo autores do anteprojeto. Mauro. Instituições de Direito Civil. Editora Forense. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor Comentado pelo autores do Anteprojeto.245 Saraiva. Primeiras Linhas de Direito Processual Civil.. Curso de Direito Constitucional Positivo. São Paulo: Saraiva.

porque não dizer. e que. cit. p. Passim. Isto porque. pois os interesses defendidos pertencem. Mauro Cappelletti e Bryan Garth. p. 04 01 José Manuel de Arruda Alvim. Entendemos que a terceira corrente é a mais compatível com o regramento constitucional do direito de defesa e as diretrizes protetivas da lei 8078/90. Acesso à Justiça. Notas Há dissenso doutrinário acerca da natureza da legitimação para a defesa de interesses coletivos. o contraditório e ampla defesa desdobramentos do princípio do devido processo legal. que a legitimação é extraordinária. portanto. Ada Pellegrini Grinover. propugna pela inversão no momento do julgamento da causa. a inversão dar-se-ia quando do sentenciamento. de algum modo. A segunda. não é o titular do interesse. a defesa do réu. 03 . Há quem sustente. 05.246 Watanabe. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor Comentado pelo autores do Anteprojeto. o que deu azo a três exegeses doutrinárias. perfilha o argumento de que o momento da inversão deve ocorrer no saneador ou durante a fase probatória. pensamos que o julgador deva prevenir as partes sobre a possibilidade da inversão na fase instrutória. E a terceira.. 2º vol.150. 6ª ed. e. a fim de não cercear. os interesses do consumidor. mas autônoma para conduzir o processo.p. Outra corrente perfilha a tese de que a legitimação não é extraordinária. op. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor (Comentado pelo autores do Anteprojeto). . A primeira. Primeiras Linhas de Direito Processual Civil. sustenta que a inversão deve ocorrer na petição inicial. à coletividade e ao autor da ação. Editora: Forense. A Lei 8078/90 não estabelece o momento processual da inversão. 31. Kazuo. 06.. porquanto quem figura como autor da demanda. ao mesmo tempo. Moacyr Amaral dos Santos.784. O fundamento seria o de que as regras de distribuição do ônus da prova são regras de juízo. 02.

2. IV – ocorrer afinidade de questões por um ponto comum de fato ou de direito.Definição Litisconsórcio é a pluralidade de partes litigando no processo. apenas com a vontade das partes. Gabriel de Rezende Filho define litisconsórcio como "o laço que prende no processo dois ou mais litigantes. 1. III – entre as causas houver conexão pelo objeto ou pela causa de pedir. na posição de autores ou de réus" [01]. quanto no pólo passivo (réus). 1. quando houver a cumulação de vários sujeitos . assistência e intervenção de terceiros nas ações coletivas para tutela do consumidor Autora: Gláucia Kohlhase Marques 1. Litisconsórcio 1. É necessário que haja uma ligação que os una para sua formação válida. isto é. II – os direitos e obrigações derivarem do mesmo fundamento de fato ou de direito.Pressupostos para a formação do litisconsórcio O litisconsórcio não se forma livremente.3 Espécies .tanto no pólo ativo (autores).247 Litisconsórcio.1. São pressupostos estabelecidos pelo artigo 46 do Código de Processo Civil: I – entre elas houver comunhão de direitos e obrigações relativamente à lide.

será assistente litisconsorcial. CPC). em que marido e mulher terão que se litisconsorciar como autores (art. De acordo com o artigo 47 do Código de Processo Civil. O litisconsórcio será necessário sempre que a lei assim exigir ou. Para isso. a vontade das partes não é arbitrária. o direito material deve ser analisado para que se possa identificar a necessidade da formação do litisconsórcio. pela natureza da relação jurídica. o litisconsórcio pode ser ativo quando existirem vários autores. ação de nulidade de casamento. será facultativo quando a existência do litisconsórcio ficar a critério das partes. ação de dissolução de sociedade. Alguns exemplos podem ser mencionados como nas ações de partilha.248 Quanto à pluralidade de partes. sua formação é obrigatória. 946. II e 949. em que todos os quinhoeiros deverão ser citados. este pode ser necessário ou facultativo. ação de usucapião. Em todas as hipóteses relacionadas. CPC). 952. a maioria dos casos não é expressamente prevista pela lei processual. em que todos os condôminos deverão ser citados (art. CPC). em muitos casos. em que serão citados todos os sócios e. passivo quando existirem vários réus ou misto quando no processo litigarem vários autores e vários réus. CPC). proposta pelo Ministério Público. Entretanto. 10. CPC). Quanto à obrigatoriedade de formação do litisconsórcio. ações em que marido e mulher deverão ser citados como réus (art. sendo necessário que os demais condôminos sejam citados como litisconsortes (art. em que serão citados ambos os cônjuges. impõe a formação de litisconsórcio. bem como a dos confinantes do imóvel (art. A lei. o juiz tiver que decidir a lide de modo uniforme para todas as partes. por fim. em que o autor deverá pedir a citação dos interessados certos ou incertos. devendo ser formado no momento da propositura da ação. Se aquele que poderia ser litisconsórcio facultativo não integrar a relação jurídica inicialmente e deixa para ingressar no processo posteriormente. neste caso. O litisconsórcio facultativo pode ser limitado pelo juiz sempre que houver um número excessivo podendo acarretar o comprometimento da rápida solução do litígio . ação de demarcação promovida por um dos condôminos. Entretanto. 10. em que serão citadas as partes do contrato. 942. Alguns exemplos podem ser citados como ações que versem sobre direitos reais imobiliários. figura que será examinada mais adiante. § 1º. a lei determina a formação do litisconsórcio tendo em vista a relação jurídica material existente. Por outro lado. ação pauliana. condicionando-se aos pressupostos elencados no artigo 46 do Código de Processo Civil já mencionados alhures. mas sua formação também é necessária sempre que a comunhão de direitos e obrigações for una e incindível. ações de divisão de terras.

Neste caso. o litisconsórcio poderá ser unitário ou simples. Pode ocorrer que um dos litisconsortes. a situação jurídica litigiosa deve receber tratamento uniforme. obrigatoriamente. sim. o juiz deverá ordenar ao autor que promova a citação de todos os litisconsórcios sob pena de extinção do processo. 1. Neste caso. Da mesma forma poderá ser feita a transação e a conciliação. Como regra. recorrer e falar nos autos serão contados em dobro. sendo os fatos alegados pelo autor comuns a todos. regra esta consubstanciada no parágrafo único do art. A única hipótese de litisconsórcio ulterior ocorre no caso de litisconsórcio necessário que não se formou no início da relação processual de forma que. Os atos e omissões não prejudicam os demais litisconsortes. trata-se não só de citação para formação do pólo passivo como também do ativo. Nas demais hipóteses em que aquele que poderia formar litisconsórcio inicialmente não o fez e ingressa posteriormente. assistência litisconsorcial que será examinada mais adiante. Entretanto. Neste caso. parágrafo único. A confissão e o reconhecimento são possíveis sem que prejudiquem os demais litisconsortes. o litisconsórcio pode ser inicial ou ulterior. os prazos para contestar. Quanto ao momento de formação. em consonância com a regra instada no artigo 191 do Código de Processo Civil. O litisconsórcio será ulterior quando surgir no curso do processo. isto é. deve ser formado no início da relação processual. os litisconsortes podem constituir procuradores diferentes. sendo considerado como parte distinta. conforme determina o artigo 47. não sendo possível que a decisão da lide seja de forma diferenciada para cada um dos colitigantes.4. tornando-se revel.O litisconsórcio unitário ocorre sempre que a lide. a autonomia dos litigantes não é absoluta. Quanto à eficácia da sentença. Autonomia dos colitigantes Conforme se depreende do artigo 48 do Código de Processo Civil. do Código de Processo Civil. comporta algumas exceções. tiver que ser decidida de maneira uniforme para todos os litisconsortes. basta que um dos litisconsortes conteste para que a revelia não acarrete o efeito . 46 do Código de Processo Civil.249 ou dificultar a defesa. cada litisconsorte tem autonomia dentro do processo. não constitui caso de litisconsórcio ulterior e. Já o litisconsórcio simples se dá quando a lide puder ser decidida de forma diversa para cada litisconsorte. Embora a disposição legal não deixe claro. na posição de réu. podendo praticar todos os atos processuais. o litisconsórcio deve sempre ser inicial. não conteste a ação. depois de constituída a relação processual ou pela junção de duas ou mais distintas relações processuais. Assim.

tem que ser entendido como restrito à impugnação de fatos comum a todos os litisconsortes. Relativamente aos demais fatos. "por absurdo. em decorrência do princípio da comunhão da prova e do artigo 131 do Código de Processo Civil. Com relação à eficácia da sentença. 1. 7. e então ambos os co-legitimados acabariam sendo tratados como litisconsortes. bastaria que o segundo co-legitimado propusesse em separado outra ação civil pública ou coletiva.5 Litisconsórcio nas ações coletivas A legitimação nas ações coletivas. I. § 2º. com pedido mais abrangente ou conexo. independentemente dos demais. "procurando disciplinar o chamado litisconsórcio ulterior. De acordo com o que disciplina o artigo 509 do Código de Processo Civil. a sanção do art. Hugo Nigro Mazzilli entende que a regra do artigo acima citado é caso de litisconsórcio ulterior. Mas. pois o nosso ordenamento não admite a constituição superveniente de litisconsórcio facultativo. Segundo ele. 320. Em decorrência disso os legitimados podem propor a ação coletiva conjuntamente. Trata-se não de litisconsórcio. menos imperfeita foi a redação dada na Lei n. o litisconsórcio será unitário. mesmo esta redação não se livrou da incorreção de mencionar assistentes litisconsorciais em vez de litisconsortes" [02]. o art. é concorrente e disjuntiva. 319 incide: eles serão reputados verdadeiros pelo juiz. A prova produzida por um dos litisconsortes também poderá aproveitar ou prejudicar os demais.853/89. O artigo 5º. eliminada a possibilidade de prova contrária do réu quanto aos mesmos". 5º. ou comum ao réu atuante e ao revel litisconsorte. É o que ocorre nos casos de litisconsórcio unitário. pois a . Neste sentido leciona Calmon de Passos : " O art. conforme se depreende do artigo 82 do Código de Defesa do Consumidor. ao tratar do mesmo problema: "Fica facultado aos demais legitimados ativos habilitarem-se como litisconsortes nas ações propostas por qualquer deles". § 2º.250 previsto no artigo 319 do Código de Processo Civil. portanto. da Lei da Ação Civil Pública traz a possibilidade de o Poder Público e outras associações legitimadas habilitarem-se como litisconsortes. O recurso também poderá ser interposto pelo litisconsorte. da LACP admite que "o Poder Público e outras associações legitimadas" se habilitem como litisconsortes em ação já proposta". e sim de assistência. o recurso interposto por um dos litisconsortes aproveitará aos demais quando os interesses não forem distintos ou opostos. formando litisconsórcio inicial no pólo ativo. Nesse passo. E ainda. e isso provocaria a reunião de processos. caso se entendesse que inexista possibilidade de litisconsórcio ulterior.

surgiu a discussão se teria ou não havido veto ao litisconsórcio inserido no CDC.5. tendo em vista que os legitimados para a propositura da ação estão expressamente determinados pela lei. o indivíduo não pode ser autor de ação que tutele interesses transindividuais. em um único processo coletivo. O indivíduo lesado. Para que alguém figure como litisconsórcio é necessário que tenha a legitimidade para ser autor. Isto ocorre para que a prestação jurisdicional seja prestada de uma só vez.2 Litisconsórcio entre Ministérios Públicos Em decorrência de melhor defesa do meio ambiente.1 O indivíduo na posição de litisconsorte A legitimação extraordinária tem como escopo possibilitar que os indivíduos lesados pela violação de seus direitos sejam substituídos no pólo ativo. pelos legitimados ativos elencados no artigo 5º da Lei da Ação Civil Pública e do artigo 82 do Código de Defesa do Consumidor. de acordo com a previsão do artigo 94 do Código de Defesa do Consumidor. surgiu a idéia do litisconsórcio entre Ministérios Públicos que acabou se concretizando no artigo 113 do CDC. Tanto o CDC quanto a LACP não trazem regras processuais específicas quanto ao assunto do litisconsórcio. Entretanto. O seu § 5º incluiu o § 5º ao artigo 5º da LACP. 1. é possível a limitação pelo juiz quando houver excessivo número de litisconsortes podendo acarretar o comprometimento da rápida solução do litígio ou dificultar a defesa. a ação popular pode ser proposta pelo cidadão para anular ato ilegal ou ilegítimo lesivo ao patrimônio público. poderá habilitar-se como assistente litisconsorcial na ação civil pública na defesa de interesses individuais homogêneos. Com o veto ao § 2º do artigo 82 do CDC. O entendimento majoritário da . Pelo sistema vigente na legislação brasileira.251 decisão deverá ser idêntica para todos os litisconsortes. todo o grupo de pessoas lesadas. questiona-se se existiria limites com relação à quantidade de indivíduos que queiram ingressar na ação coletiva como assistente litisconsorcial. assim. inciso LXXIII da Constituição Federal.5. tendo processo individual em andamento com pedido idêntico ou conexo. conforme já exposto. seja de forma isolada ou em litisconsórcio unitário facultativo. Assim. embora não possa ser autor. somos pelo entendimento de que se deve fazer a aplicação subsidiária do Código de Processo Civil. De acordo com o parágrafo único do artigo 46 do referido diploma legal. 1. beneficiando. Neste caso. inclusive ao meio ambiente. Face o artigo 5º. há uma exceção que ocorre no caso de ação popular. após requerer a suspensão.

mais apropriado seria. indivisibilidade e independência funcional estabelecidos pelo § 1º do artigo 127 da Constituição Federal. A doutrina insere a assistência nas modalidades de intervenção de terceiros apesar de o Código de Processo Civil vigente a tratar separadamente. Para Kazuo Watanabe " haveria. com atribuição específica de tarefas diferenciadas a cada um deles. seja por razão de matéria. O Ministério Público é uma instituição informada pelos princípios da unidade. de âmbito nacional. tradicionalmente. O Código de Processo Civil italiano conceitua a assistência simples como sendo a intervenção de terceiro no processo entre as partes visando sustentar as razões de uma delas contra a outra. seja por razão territorial. ou adesiva e a litisconsorcial ou autônoma. com a menção à área que lhe toca. A doutrina classifica a assistências em duas espécies: simples. o órgão Ministerial é uno. as quais serão examinadas adiante. Outra polêmica diz respeito à constitucionalidade do dispositivo em questão. 2.1 Assistência simples ou adesiva A assistência simples tem origem no processo extraordinário romano. e assim por diante" [03]. Ocorre que a própria necessidade de divisão do trabalho que levou à criação de vários órgãos do Ministério Público. as argumentações invocadas para o veto não procedem já que o artigo 128 da Constituição Federal não impede que os Ministérios Públicos da União. do Distrito Federal e dos Estados atuem em conjunto. o Ministério Público do Trabalho. No que se refere à instituição. o Ministério Público do Estado de São Paulo tem agido com a indicação da unidade da federação a que pertence. o Ministério Público pode atuar em qualquer das justiças e até em conjunto com outro órgão do Ministério Público quando a defesa dos interesses e direitos difusos e coletivos esteja dentro das atribuições que a lei lhe confere. Assim. Suas regras estão disciplinadas nos artigos 50 a 55 do Código de Processo Civil. ASSISTÊNCIA A assistência é uma forma de intervenção espontânea que ocorre com o ingresso do terceiro na relação processual já existente. Esta autonomia é apenas administrativa. fez com que.252 doutrina é que o veto foi ineficaz. Tecnicamente. prevalecendo a possibilidade do litisconsórcio entre Ministérios Públicos por força do artigo 113 do CDC. . esses órgãos atuassem com a indicação do setor que lhe compete. 2. Entretanto. falar-se em representação da instituição. certamente. Assim. assim. certa improbidade técnica em se falar em litisconsórcio entre os vários órgão de uma mesma instituição.

Também estará sujeito aos mesmos ônus processuais. O assistente age como auxiliar da parte. Entretanto. lhe é vedado formular pedido próprio. o assistente não poderá discutir os fundamentos de fato e de direito em que se assentou aquela decisão em outro processo que venha a ser autor ou réu.253 O assistente. restringir ou ampliar o objeto da causa. desistir da ação ou transigir sobre direitos controvertidos. defender a posição da parte assistida. como terceiro. de modo que se torna sujeito no processo e não parte. exercendo os mesmos poderes. recebendo o processo no estado em que se encontra. há interesse jurídico do terceiro "quando a relação jurídica da qual seja titular possa ser reflexamente atingida pela sentença que vier a ser proferida entre assistido e a parte contrária" [05]. Sendo o assistido revel. Assim. A última hipótese somente se aplica ao assistente litisconsorcial. conforme dispõe o artigo 50 do Código de Processo Civil. não se converte em litisconsorte. ou reconvir. alterar. sua relação jurídica não é deduzida em juízo e a sentença não pode decidi-la nem conter disposições que lhes sejam diretamente pertinentes (exceto quanto às custas da intervenção). o artigo 55 do CPC traz algumas exceções. mesmo em contradição. Entretanto. ele pode. podendo produzir provas e praticar atos processuais desde que sejam benéficos ao assistido. o assistente encontra-se subordinado ao assistido que poderá reconhecer a procedência do pedido. A assistência pode se dar a qualquer tempo e graus de jurisdição. a coisa julgada não atinge o assistente simples. contudo. podendo formular pedido. não formula pedido em prol de direito próprio. reconvir. Segundo Nelson Nery Júnior. Mas não poderá praticar atos relativos à disposição de direitos. Atua com a finalidade de auxiliar o assistido tendo em vista ter interesse em que a sentença seja favorável ao litigante a quem assiste. Segundo Liebman. O assistente não estará vinculado à justiça da decisão se alegar e provar que. e permanecendo nesse caráter. como confessar. reconhecer pedido ou transigir. a assistência ocorre quando o terceiro. pelo estado em que recebera o . Por outro lado. com a conduta que esta assume no processo" [04]. ex vi artigo 53 do CPC. com interesse jurídico em que a sentença seja favorável à parte por ele assistida. o terceiro "não se torna parte. recorrer. impugnar perito aceito pelo assistido ou testemunha por este apresentada etc. Como regra. isto é. ao intervir no processo. se necessário. intervém no processo. quando o assistido haja desistido do recurso ou a ele renunciado. pois a lide discutida não lhe pertence. o assistente aturará como gestor de negócios. sempre em benefício do assistido. atuando com maior liberdade no processo. Vincula-se aos efeitos da imutabilidade da justiça da decisão.

tendo sido deixado fora da relação processual. se tem direito próprio a ser zelado. o assistente não se subordina aos atos do assistido. fora impedido de produzir provas suscetíveis de influir na sentença ou desconhecia a existência de alegações ou de provas. faz coisa julgada material.254 processo. O particular lesado que tenha processo individual em andamento com pedido idêntico ou conexo. atuando como parte distinta deste em suas relações com a parte adversa. Diversamente da assistência simples. de que o assistido. 2. ou pelas declarações e atos do assistido. nos casos de danos a interesses transindividuais. 48 do CPC. b) não seria a rigor nem mesmo caso de assistência litisconsorcial em sentido estrito. podendo agir com total independência e autonomia relativamente à parte assistida. É o caso daquele que poderia ter sido litisconsórcio facultativo mas não o foi. após ter requerido a suspensão. poderá ingressar como assistente litisconsorcial na ação coletiva. isto é. na assistência litisconsorcial são extraídos do artigo 54 do CPC dois requisitos necessários para a sua formação: a) relação jurídica entre o interveniente e a parte contrária ao assistido. compreendido no pedido coletivo. Seus poderes são de verdadeiro litisconsorte. não poderia ser terceiro. por dolo ou culpa. 2. Os atos e omissões do assistido não prejudicarão nem beneficiarão o assistente bem como os atos e omissões deste não influirão naquele.2 Assistência litisconsorcial ou autônoma A assistência litisconsorcial ou autônoma ocorre sempre que o terceiro for titular de uma relação jurídica idêntica ou dependente da deduzida em juízo que será atingida diretamente pela sentença. Em consonância com o art. em benefício do qual se move a ação coletiva. pois o lesado.3 Assistência nas ações coletivas Caso os demais legitimados queiram participar do processo posteriormente à propositura da ação. não se valeu. a intervenção do lesado a título de assistência processual não se parece adequar perfeitamente às figuras processuais conhecidas: a) não seria caso de assistência simples. b) essa relação ser normada pela sentença. pois a sentença não influirá necessariamente na relação jurídica entre ele e o adversário do assistido. Para Hugo Nigro Mazzilli. poderão ingressar na qualidade de assistente litisconsorcial tendo em vista que o litisconsórcio inicial é facultativo. já que o indivíduo sempre conserva o direito de acionar .

Assim. há divergência na doutrina. produz coisa julgada. uma vez não disciplinada a questão no CDC nem na LACP. deve-se aplicar as regras processuais contidas no CPC. Com o objetivo de reduzir os perigos da extensão dos efeitos da sentença a terceiros não participantes da relação processual.255 diretamente o causador do dano. Entendemos no sentido de que. é possível que os efeitos da sentença recaia indiretamente sobre terceiros. Entretanto. Dessa forma. assim. Como regra. face o art. É a chamada intervenção de terceiros. ou seja. são os que não são partes no processo pendente [07]. São sujeitos de uma outra relação de direito material que se liga intimamente àquela já constituída. recebendo o processo no estado em que se encontra. para que possam fazer a defesa de seus direitos. exercendo os mesmos poderes e sujeitando-se aos mesmos ônus processuais. Embora o assistente atue como auxiliar da parte. esta seria a melhor opção [06]. 50. em caso de desistência ou abandono pelo assistido. INTERVENÇÃO DE TERCEIROS Transitando em julgado a sentença. o direito admite que terceiras pessoas. Com relação ao limite temporal para que o lesado habilite-se como assistente litisconsorcial nas ações coletivas. 3. seria problemático admitir sua intervenção a título de assistência litisconsorcial qualificada. Os terceiros que intervêm não são partes na relação processual originária. do CPC. c) também. o assistente poderá ingressar a qualquer momento. em ação individual. pois o indivíduo na poderia ter participado de um litisconsórcio ativo unitário facultativo para propor ação coletiva. a sentença atinge aos que foram partes na demanda e não terceiros. parágrafo único. pois lhe falta legitimação autônoma. tornando-se imutável e fazendo lei entre as partes. o assistente não poderá assumir a ação. Parte dela entende que o lesado poderá ingressar na ação coletiva a qualquer tempo. Outra parte defende o ingresso do assistente até o saneamento para que não cause tumulto processual. em razão do interesse que tenham na lide. à sentença proferida. em tese. não restando prejudicado pela decisão da ação coletiva. . tendo em vista a complexidade da relação jurídica. não pode assumir diretamente a promoção da ação. São pessoas estranhas à relação processual de direito material deduzida em juízo e estranhas à relação processual já constituída. nela intervenham em determinados casos. É o que chamamos de "extensão subjetiva da sentença". Entretanto. sujeitando-se.

salvo a assistência e o recurso de terceiro prejudicado por se tratar de um rito mais célere.1 Conceito A oposição tem origem germânica. 9. São disciplinadas pelo CPC nos artigos 56 a 80. O instituto acabou sendo incorporado pelo direito canônico e pelo direito italiano medieval com a denominação de intervenção no processo das partes.256 São modalidades de intervenção de terceiros a oposição. das de ambas. Da mesma forma o procedimento comum sumário não autoriza a intervenção de terceiro. total ou parcialmente. a nomeação à autoria. total ou parcialmente. Ou. nos Juizados Especiais (Lei n. e não só entre as partes. total ou parcialmente. no processo germano barbárico. em praça pública. deveria intervir no processo para exclui-las. Dessa forma. ainda. Entretanto. o juízo era universal. a conciliação ou transação. 3. informalidade. Em razão desse procedimento é que se dizia que a sentença produzia efeitos em relação a todos que dela participavam e conheciam. que terceiro formula na demanda entre as partes. não se admite a intervenção de terceiros e a assistência. economia processual e celeridade. a oposição pode ser conceituada como sendo a intervenção de terceiro que pretende. em que a sentença produzia efeitos apenas entre as partes. o pedido de tutela jurisdicional. as sanções impostas pelo Código de Processo Civil para os casos em que a parte se omita no dever de provocar a intervenção de terceiro no processo não se aplicam nesta hipótese. face o disposto no art. Pela influência do direito canônico. no todo ou em parte. das dos demais litigante" [08]. no qual a intervenção se dá no processo principal. português e alemão.099/95). ou ação. Se terceira pessoa pretendesse a coisa ou o direito sobre a qual litigavam as partes. Diversamente do direito romano. a denunciação da lide e o chamamento ao processo. a coisa ou o direito sobre que controvertem autor e réu. Moacyr Amaral Santos conceitua oposição "como a ação intentada por terceiro que se julgar. Com esta roupagem a oposição foi adotada pelo direito brasileiro. A França e a Itália seguem o modelo germânico primitivo. formulando pretensão excludente. Como conseqüência disto.1 Oposição 3. os litígios eram decididos pela assembléia do povo. 10. deduzindo pretensão própria excludente. simplicidade.1. buscando sempre que possível. senhor do direito ou da coisa disputada entre as partes numa demanda pendente. a oposição acabou se tornando ação autônoma. . pois o procedimento adotado orienta-se pelos critérios da oralidade.

na forma dos arts. se o processo principal correr à revelia do réu. e correrá simultaneamente com a ação. 213 a 233 do CPC. no mesmo juízo da causa principal. De acordo com o momento em que ocorrer sua propositura. somos pelo entendimento de que a citação deve ser pessoal. sendo ambas julgadas pela mesma sentença. nos termos do art. O opoente apresentará a petição inicial observando sempre os requisitos exigidos pelos artigos 282 e 283 do CPC. Sendo advogados diferentes. Se a sentença já foi proferida não é mais cabível a oposição. Diversamente. O limite temporal para o oferecimento da oposição é até a prolação da sentença (juízo de 1º grau) por ser uma questão prejudicial à ação principal. Neste caso. não se esquecendo que a oposição deve ser apreciada antes da principal. Mas se o juiz entender necessário o sobrestamento do processo principal a fim de julgá-los conjuntamente. com prazo de quinze dias para contestar.2 Procedimento O procedimento da oposição encontra-se previsto nos artigos 56 a 61 do CPC. Moacyr Amaral Santos entende que "a oposição. 191 do referido diploma legal.257 3. o prazo será contado em dobro. deverá ajuizar demanda que entender necessária contra o autor ou o réu. seguindo o procedimento ordinário. este será citado por edital. Se um dos opostos reconhecer o pedido. correrá em apenso aos autos principais ou em apartado como demanda autônoma. ou ambos. o interessado no objeto da lide entre o autor e o réu. a oposição somente poderá ser proposta em ação autônoma. como demanda autônoma. Se a oposição for oferecida antes da audiência de instrução e julgamento. Os opostos serão citados na pessoa dos seus respectivos advogados para oferecer contestação no prazo comum de quinze dias. Serão réus em litisconsórcio necessário autor e o réu da ação principal [09]. Entretanto. contra o outro prosseguirá o opoente.1. A oposição em processo autônomo será julgada sem prejuízo da causa principal. Trata-se de uma exceção à regra de que a citação deve ser pessoal [10] [11]. pode ser proposta entre dois termos: desde já iniciada a audiência . poderá fazê-lo por prazo nunca superior a noventa dias para que não retarde demasiadamente a marcha do processo principal. Nesta modalidade de intervenção de terceiros forma-se uma outra relação processual. Após a audiência de instrução e julgamento da lide pendente. embora o Código de Processo Civil não faça referência à questão. esta será apensada aos autos principais.

3. No mesmo sentido. até o momento em que a sentença nessa lide se torne irrecorrível. ato exclusivo do réu. 3. intentada pelo proprietário ou pelo titular de um direito sobre a coisa. Da sentença que julgar a oposição. toda vez que o responsável pelos prejuízos alegar que praticou o ato por ordem. até o momento em que essa lide tiver sido decidida definitivamente (termo ad quem). portanto. visando livrar-se de demanda que lhe foi intentada. nos termos do art. Mas. isto é. a oposição pode ser proposta mesmo quando a causa entre autor e réu estiver em segunda instância. não mais se admite a oposição. ou . a oposição deverá ser oferecida e processada em primeira instância. Duas são as situações em que deverá ocorrer a nomeação à autoria: a) quando aquele que detiver a coisa em nome alheio.2. sujeita às normas que disciplinam o duplo grau de jurisdição" [12] . devendo entregá-la ao opoente ou responder perante ele. em grau de recurso.258 de instrução e julgamento da lide pendente (termo a quo). nenhum óbice existe ao seu ajuizamento depois de proferida a sentença de primeiro grau de jurisdição. o recurso oponível será o de apelação. É.2 Procedimento O procedimento da nomeação à autoria encontra-se disciplinado nos arts. nos Juizados Especiais e nas demandas sob procedimento sumário [14]. como depois dela e da prolação da sentença. mas antes do seu trânsito em julgado [13]. ainda nesse caso. Assim. e possa ser julgada "sem prejuízo da causa principal". pois declara não ter ele direito ao objeto da causa. A oposição não será cabível em processo de execução. Se o Código permite expressamente que a oposição tenha curso autônomo. Transitada em julgado a sentença proferida na ação. A sentença que julgar procedente a oposição será declaratória com relação ao autor da ação principal. e será condenatória com relação ao réu que possui a coisa. Pontes de Miranda entende que a oposição pode ser ajuizada tanto antes da audiência.1 Conceito A nomeação à autoria consiste na correção da legitimação passiva. deverá proceder a nomeação à autoria o proprietário ou o possuidor.2 Nomeação à autoria 3. substitui-se o réu parte ilegítima para a causa por um réu parte legítima. 513 do CPC. 62 a 69 do Código de Processo Civil.2. for demandado em nome próprio. b) na ação de indenização. ou seja.

ficará sem efeito a nomeação. Da mesma forma. 185 do CPC. havendo recusa do autor com relação ao nomeado. 267. A nomeação à autoria não é uma mera faculdade do réu. acarretando dano ao autor e para a Justiça. É neste último sentido que foi usada a palavra autoria. Deixando o autor de se manifestar no prazo que lhe foi conferido. conforme preceitua o art. Dessa forma. O nomeante poderá continuar na relação processual como assistente caso tenha interesse em que a sentença seja favorável ao nomeado. observando a regra contida no art. em relação ao adquirente do direito.259 em cumprimento de instruções de terceiro. o juiz suspenderá o processo e mandará ouvir o autor no prazo de cinco dias. a palavra auctor assume várias acepções. se nomear pessoa diversa daquela em cujo nome detém a coisa demandada. tendo em vista que o nomeado não compareceu. . 3. no chamamento à autoria instituído pelo Código de Processo Civil de 1939. A nomeação deve ser requerida no prazo para a defesa. para. É tanto aquele que propõe ação quanto o antecessor na sucessão da coisa. ou desistir da ação contra o nomeante. o processo continuará contra o nomeante. o transmitente do direito (o causam dans. propor nova demanda contra o terceiro indicado pelo nomeante. o causam habens). nada alegou. o nomeante terá novo prazo para contestar [16]. correndo a demanda contra ele. Aceita a nomeação pelo autor. ou se compareceu. § 4º. presumir-se-á aceita a nomeação [15].3. A sua inobservância resulta na responsabilidade por perdas e danos. e uma vez deferido o pedido. Citado o nomeado. ou se este negar a qualidade que lhe é atribuída. deverá aplicar o prazo de cinco dias. a ele incumbirá a citação. Se o nomeado negar a condição. mas sim um dever. expressa ou tacitamente. posteriormente. O Código nada fala de qual será o prazo para o nomeado falar sobre a nomeação. este poderá reconhecer a qualidade que lhe é atribuída. o autor terá duas opções: assumir o risco de continuar litigando com o nomeante. pois estará dando prosseguimento a um processo inútil ao fim visado. se o juiz não estipular o prazo. que se afirma parte ilegítima. Neste caso. se a recusar. O reconhecimento tácito se dá por presunção.1 Conceito No direito romano. Assim.3 Denunciação da lide 3.

o conceito de denunciação à autoria foi alargada. Denunciação da lide é o instituto pelo qual autor ou réu chamam a juízo terceira pessoa. Quando o titular da eventual pretensão regressiva for o autor. Trata-se de ato obrigatório [20] [21] apenas nos casos de evicção e transmissão de direitos. sendo citado como denunciado o terceiro contra quem o denunciante terá pretensão indenizatória caso seja sucumbente na ação principal. julgadas pela mesma sentença [17] [18]. regressiva. podendo ajuizar a ação regressiva em processo autônomo. O CPC traz em seu art. É uma ação secundária. Haverá duas lides que serão processadas simultaneamente.3. que seja garante do seu direito. a denunciação da lide pode ser feita tanto pelo autor quanto pelo réu. a fim de que esta possa exercer o direito que da evicção lhe resulta. Mais tarde. III – àquele que estiver obrigado. acompanhando o direito tradicional português. citado em nome próprio.260 O direito brasileiro. em ação regressiva. utilizando-se do vocábulo latino. este deve . 70 os casos em que tem cabimento a denunciação da lide. cujo domínio foi transferido à parte. 70. no mesmo processo. Já o direito francês e o italiano preferiram o vocábulo de origem germânica. Já na hipótese dos incisos II e III. na ação em que terceiro reivindica a coisa. pois se não fizer a denunciação perderá o direito de regresso contra aquele que é o garante do seu direito discutido em juízo. a parte que não promover a denunciação da lide perderá apenas as vantagens processuais dela decorrentes. denominando o instituto de exception de garantie. a fim de resguardá-lo no caso de ser vencido na demanda em que se encontram. do credor pignoratício. por força de obrigação ou direito. em casos como o do usufrutuário. adotou a denominação "chamamento à autoria". II – ao proprietário ou ao possuidor indireto quando. o réu. do locatário. mas não perde a pretensão de direito material. passando. exerça a posse direita da coisa demandada. No direito alemão e austríaco tem como correspondente a litisdenunciação. a indenizar. a ser chamado de denunciação da lide.2 Procedimento Como já foi dito alhures. o prejuízo do que perder a demanda [19]. 3. art. chiamata in garantia. São os seguintes: I – ao alienante. pela lei ou pelo contrato. então.

e de trinta para o residente em outra Comarca. Neste caso. Questão que surge é se o réu. pois o denunciado precisa conhecer o posicionamento do réu com a inicial para poder apresentar sua defesa [24]. A denunciação da lide feita pelo réu deve ser oferecida no mesmo prazo para a contestação da ação principal. a ação prosseguirá unicamente em relação ao denunciante [22]. este poderá defender-se da denunciação negando a qualidade que lhe é atribuída. contrariando a defesa do autor [23]. sendo sua impugnação feita por meio do recurso de agravo. pedindo a citação do denunciado. O prazo e as regras para a citação do denunciado serão as mesmas da denunciação feita pelo autor. podendo o denunciante prosseguir na defesa. poderá o denunciante prosseguir ou não na defesa. deixando de contestar o pedido do autor. podendo aditar a petição inicial no prazo de quinze dias (art. e do réu. Embora haja na doutrina divergência quanto ao aditamento da petição inicial pelo denunciado. poderá o réu e denunciante apresentar contestação. Cabe ao denunciado coadjuvar o autor uma vez que tem interesse na procedência da ação. Neste caso. sendo o denunciado citado dentro do prazo para a contestação. como acima explicitado. este poderá aceitar e contestar o pedido. não há dúvidas quanto a essa possibilidade já que a lei é expressa. ou lugar incerto. ficando suspenso o processo. Entretanto. Citado o denunciado. suspende-se o processo. A decisão de rejeição liminar da denunciação é decisão interlocutória. A revelia do denunciado não desobriga o réu de sua defesa sob pena de perder o direito de regresso. Uma vez citado o denunciado. ou confessar os fatos alegados pelo autor.261 requerer a denunciação juntamente com a petição inicial. Ordenada a citação. . O denunciado também poderá aceitar a denunciação e assumir a posição de litisconsorte. sendo. 297). Se a citação não ocorrer dentro do prazo estipulado pela lei. 241 c/c art. a demanda prosseguirá entre autor e réu. Se o denunciado confessar os fatos alegados pelo autor. depois de reiniciado o andamento da ação principal ? Isso não nos parece correto. considerado revel. cumprindo ao denunciante prosseguir na defesa até o final. comparecer apenas para negar a qualidade que lhe foi atribuída. a qual será feito primeiro. A diligência para a citação do denunciado deve ser feita no prazo de dez dias para o residente na Comarca. não pode argüir fato novo. prosseguindo o processo contra o denunciante e denunciado em litisconsórcio. apresenta apenas a denunciação. Da mesma forma se dará se o denunciado for revel. uma vez citado.

por força de lei ou contrato. Na verdade. sucessivamente. na mesma oportunidade [27]. esta será declaratória. ou seja. . 72 e 73) e "responsabilidade por perdas e danos" (art. realizado em Curitiba. poderão ser feitas ‘coletivamente’. conforme o art. o denunciado está obrigado a garantir o resultado da demanda. o efeito da sentença é condenatório. assim abreviando o processo e melhor se assegurando o êxito da demanda indenizatória de regresso. Isto ocorre quando o denunciado tem com relação a outrem a mesma posição jurídica do denunciante perante ele. por sua vez. Mas o próprio Código. acarretando a perda da ação [26]. Outra parte posiciona-se no sentido de que a interpretação dos dispositivos deve ser restritiva. 70). "responsável pela indenização" (art. No mesmo sentido.262 O Código de Processo Civil também permite a chamada denunciação "sucessiva". no caso de insolvência ou ausência de algum dos anteriores proprietários na cadeia dominial" [28]. já prevendo tal situação. Entretanto. observando-se. não se tornando réus na ação. o denunciado. É o que dispõe o art. não haveria possibilidade de considerá-la como título executivo (584. No que tange aos efeitos da sentença que julga a denunciação da lide. pondo fim à suspensão preconizada pelo art. 70. Assim. intimará do litígio o alienante. pois. somente após a última denunciação é que o processo retornará ao seu curso. 70. 73 : " Para os fins do disposto no art. quanto aos prazos. Todas essas discussões ocorrem principalmente no temor de que as denunciações sucessivas se eternizem no processo. assim. se assim não fosse. de modo que a denunciação somente será possível quando. em tese apresentada no Ciclo de Estudos de Processo Civil. posiciona-se Athos Gusmão Carneiro. (em agosto de 1983) : "As denunciações sucessivas. Parte da doutrina tem entendido que a denunciação da lide sucessiva é cabível em todos os casos de ação regressiva. 75) [25]. o possuidor indireto. Moniz de Aragão sustenta a possibilidade de denunciação da lide não somente ao alienante mas também de todos os antecessores na cadeia dominial. o disposto no artigo antecedente". Isto porque constam do próprio texto legal as expressões "obrigação de indenizar em ação regressiva" (art. o proprietário. o procedimento servirá apenas como forma de cientificar os eventuais denunciados. previstas no artigo 73 do CPC.I) [29] [30]. As hipóteses de intervenção são excepcionais face o princípio da singularidade da jurisdição e da ação. determina a "intimação" e não a "citação". Dessa forma. 76 do CPC. esta assertiva não coaduna com a parte final do artigo que diz "valendo como título executivo". ou o responsável pela indenização e. requeridas ‘em conjunto’ pelo denunciante.

reconhecer.4.099/95 respectivamente. possibilitando duplo título executivo" [31]. porque amplia a demanda. I. duas lides conexas. título executivo judicial para cobrar deles aquilo que pagar" [36]. Tem como finalidade alargar o campo de defesa dos fiadores e dos devedores solidários.1 Conceito O chamamento ao processo é uma das modalidades de intervenção de terceiro no processo pelo qual o devedor demandado chama os demais coobrigados pela dívida para integrar o mesmo processo daquele que o autor poderia ter trazido como litisconsorte.4 Chamamento ao processo 3. aliás. para permitir a condenação também dos demais devedores. no mesmo processo. ou os co-responsáveis ou coobrigados. diretamente no processo em que um ou alguns deles forem demandados. A sentença que julga a denunciação da lide pode ser atacada por meio da apelação [32] [33]. 280 do CPC e art. resolverem-se. 3. A possibilidade de execução é. todavia. não ensejaria execução. 9. coloca como título judicial apenas a sentença condenatória. Arruda Alvim leciona : "Outra observação que cabe fazer é a de que. dado que o art. a virem responder pelas suas respectivas obrigações de modo a "favorecer o devedor que está sendo acionado. tendo em vista ser um procedimento mais célere. 584. se a sentença fosse tão somente declaratória. com força de coisa julgada material. e quer dizer condenar. Também não é cabível no processo de execução [35]. com as últimas palavras da própria norma em exame: valendo como título executivo. O chamamento ao processo foi trazido ao Código de Processo Civil por influência do Código de Processo Civil de Portugal que possui essa forma de intervenção de terceiros. Por outro lado. Aquele que chama terceiro ao processo não tem pretensão a fazer valer em . a vantagem do instituto. A denunciação acabaria introduzindo fundamentos novos na relação processual acabando por procrastinar o feito [34]. 10. denominada de chamamento à demanda.263 Da mesma forma. o que não é coerente. pois o texto legal diz que "é admissível". em definitivo. chamar o responsável principal. A denunciação da lide não é cabível no procedimento sumário bem como nos Juizados Especiais por força da vedação do art. sem uma maior análise. A palavra declarar no texto foi usada em seu sentido estrito de definir. É uma faculdade do réu em fazer o chamamento ao processo do terceiro e não uma obrigação. em um só processo. Lei n. possibilitando-lhes. além de lhe fornecer. pareceria que a segunda decisão do juiz seria meramente declaratória.

chamante e chamado. facultando ao demandado trazer os demais fiadores ao processo. uma vez citado. O réu deverá requerer o chamamento ao processo na mesma oportunidade da contestação. 595 do CPC. 80 do CPC [38]. parcial ou totalmente. E. Mesmo que o fiador não tenha benefício de ordem a seu favor. Apenas entende que este tem a mesma obrigação de responder perante o autor. Ambos. quando para a ação for citado apenas um deles – consiste na hipótese de haver vários fiadores garantes da dívida. tendo satisfeito o credor. II – dos outros fiadores. O fiador chamado ao processo.I do CPC. III – de todos os devedores. face o art. na ação em que o fiador for réu – visa garantir a possibilidade de o fiador utilizar-se do chamado benefício de ordem consubstanciado no art. poderá exigi-la do afiançado. Sendo a sentença procedente. ocupam a posição de litisconsórcio facultativo no pólo passivo. será condenado da mesma forma que o fiador. instaurado o processo de execução. solidários. 827 do Código Civil [37].264 relação ao chamado. sendo o caso. o fiador também será principal devedor e. até que exausto o patrimônio deste. nos termos do art. 77 a 80 do Código de Processo Civil. serão trazidos ao processo os demais devedores solidários passando a figurar como litisconsortes no pólo passivo. Dessa forma. poderá chamar ao processo o afiançado. isto é. Isto porque.2 Procedimento O procedimento do chamamento ao processo encontra-se disciplinado nos arts. como responsável pela dívida. 568. Confere-se ao fiador o direito de não sofrer execução. 3. a dívida comum – esta é a hipótese de solidariedade passiva em que o credor esteja exigindo apenas de um dos devedores solidários a dívida comum. O chamamento ao processo é admitido nos seguintes casos: I – do devedor. o afiançado chamado ao processo será abrangido pelos efeitos da decisão. tendo sido demandado apenas um deles. quando o credor exigir de um ou de alguns deles. torna-se litisconsórcio. . Neste caso.4. somente poderá ser executado o devedor reconhecido como tal no título executivo. decorrente de não pagamento de dívida pelo afiançado. nos termos do art. poderá valer-se do já referido benefício de ordem.

º 6. Os direitos metaindividuais têm a primeira referência na Lei da Ação Popular. este terá prazo para resposta. No procedimento sumário (art. observando as regras contidas nos arts.265 Deferido o pedido do devedor e ordenada a citação. O chamamento ao processo é cabível tanto em processo de conhecimento quanto no cautelar. 3. na proporção que lhes tocar. Os sujeitos são. ocorreu com a promulgação da Constituição Federal de 1988. chamados de direitos fundamentais de terceira geração. O indeferimento do chamamento somente poderá ocorrer se o juiz verificar que o requerimento não se enquadra nas hipóteses elencadas pelo art. O termo difuso tem sua origem doutrinária romanística tendo como titular cada um dos integrantes da comunidade. A positivação dos direitos difusos e coletivos. quanto à citação e aos prazos [39]. Dessa decisão cabe agravo. para que o fiador se utilize do benefício de ordem é necessário que tenha requerido o chamamento ao processo do afiançado no processo de conhecimento. para exigi-la por inteiro. A construção doutrinária em torno da noção conceitual é recente em nossa legislação pátria. Assim.º 8. 72 e 74.347/85 houve uma sistematização na defesa dos direitos difusos e coletivos ao meio ambiente e ao consumidor. 280. 9.078/90. em geral. Após a citação do chamado. 77. em favor daquele que satisfizer a dívida.5 Intervenção de terceiros nas ações coletivas As ações coletivas são aquelas destinadas a defesa dos interesses difusos. Lei n. Já no processo de execução não é possível o réu lançar mão do chamamento ao processo já que inexiste sentença sobre a pretensão executiva.099/95) não é cabível o chamamento do processo por se tratar de procedimentos mais céleres.º 7. indeterminados. Lei n. Lei n.513/77 e com a Lei da Ação Civil Pública. do devedor principal. o processo será suspenso. ou de cada um dos co-devedores a sua cota. tornando-se litisconsorte do chamante. Os interesses metaindividuias têm sua origem em regras previstas como garantias do tecido social. O perfil histórico do processo civil romano menciona as actiones populares como instrumento de proteção a esses interesses. Com a alteração dada pela Lei n. A sentença de procedência proferida no processo de conhecimento condenará os devedores e valerá como título executivo. CPC) e nos Juizados Especiais (art. consumando-se com o advento do Código de Defesa do Consumidor. coletivos e individuais homogêneos. 10. ainda que .

Não há entre eles relação jurídica base. Essa relação jurídica é diversa daquela que se origina da lesão. A tutela jurisdicional dos interesses difusos deve ser feita em benefício de todos os consumidores atingidos. Assim. por relação jurídica base preexistente à lesão ou ameaça de lesão. sendo suficiente uma única demanda. 81. I do CDC. entre outros. o legislador se deparou com a necessidade de criar regras de proteção para que os princípios constitucionais de igualdade. em noção tripartite dos interesses metaindividuais. fossem garantidos. Dividem-se em interesses difusos. A efetiva identificação se dá no momento em que o prejudicado exerce o seu direito. ampla defesa. São difusos os direitos cujos titulares são indetermináveis. sempre à luz da vulnerabilidade do consumidor. Neste aspecto é que os institutos processuais devem ser analisados. buscando o equilíbrio processual entre as partes. 103. A ligação entre os titulares se dá por circunstâncias de fato e o objeto é indivisível. mas determináveis. buscando a facilitação e a rápida entrega da prestação jurisdicional. de forma que. e o seu objeto e a forma de tutela possuem uma mutabilidade no tempo e espaço como característica. Os individuais homogêneos são aqueles direitos individuais cujo titular é identificável e o objeto é divisível. O Código de Defesa do Consumidor deixou de tratar muitas questões processuais.078/90 que trouxe o conceito. há necessidade de se fazer uma interpretação sistemática entre o CDC. É caracterizado pela sua origem comum podendo ser defendidos coletivamente. em decorrência do desequilíbrio das forças econômicas e negocias nas relações de consumo. o Código de Defesa do Consumidor trouxe uma sistemática peculiar. Seu objeto também é indivisível. Foi a Lei n. São coletivos quando os titulares são indeterminados. Não é necessário que exista entre as pessoas uma relação jurídica base anterior. o CPC e a LACP. seja por meio de habilitação por ocasião da liquidação da sentença na demanda coletiva. coletivos e individuais homogêneos. Desse modo. parágrafo único e seus incisos. A relação jurídica que nasce da lesão é individualizada na pessoa de cada prejudicado. acarretando ofensa diferente na esfera jurídica de cada um de modo a permitir a identificação das pessoas atingidas. seja através de demanda individual. que acabou por deixar o consumidor em situação de vulnerabilidade e hipossuficiência.º 8. Com esses princípios em mente é que o legislador trouxe a vedação da . ligados entre si. ou com a parte contrária. cuja sentença fará coisa julgada erga omnes face o disposto no art.266 determináveis. consubstanciado no art. Daí se conclui que em lides de consumo as figuras de intervenção de terceiros serão possíveis desde que não traga dificuldades na defesa e procrastinação no feito.

88 do CDC. 256. Hugo Nigro Mazzilli. face o disposto no art. GIOVANNI NENCIO NI (L´intervento voluntário litisconsorziale nel processo civile) refere que " única è la definizione di terzo. Notas 01 02 03 Rezende Filho. tendo em vista que o segurador foi chamado como responsável em face do consumidor. em caso de procedência da ação. ed è negativa: terzo di um . como também contra o seu segurador. v. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor Comentado pelos Autores do Anteprojeto. 328. Neste sentido. A defesa dos interesses difusos em juízo. a sentença condenará o réu nos termos do art. foi vedada para o direito de regresso de que trata o art. port. propor ação autônoma de regresso nos mesmos autos da ação originária" [40]. cap. XXIX.267 denunciação da lide no art. Nesta hipótese. 1. Hugo Nigro Mazzilli. p. A defesa dos interesses difusos em juízo. Com isso. que poderá. P. v. 04 05 06 07 Libman. 101. não ficará prejudicado o comerciante. Por se tratar de ação condenatória em que se discute dolo e culpa acaba por afrontar o direito do consumidor de ser indenizado em face da responsabilidade objetiva. todavia. trad. não há violação aos princípios básicos do microssistema do CDC já que o chamamento da segurado só amplia as garantias para o consumidor [41]. 2. 80 do CPC. 763. Kzauo Watanabe entende que "a denunciação da lide. Kazuo Watanabe. Código de Processo Civil Comentado. 226. 79 do CPC. O art. a dedução dessa lide incidental será feita com a invocação de uma causa de pedir distinta. entretanto. Uma vez julgada procedente a demanda. 78 do CPC. Neste caso. parágrafo único. para evitar que a tutela jurídica processual dos consumidores pudesse ser retardada e também porque. face o art. Curso de Direito Processual. II do CDC traz expressamente a possibilidade do chamamento ao processo da seguradora quando existir relação de seguro. Nelson Nery Júnior. Nestes casos deve ser proposta ação autônoma para a discussão da questão. o juiz poderá julgá-la não só contra o réu. P. Outra questão polêmica é quanto ao cabimento do chamamento ao processo em sede de lide de consumo. Esse chamamento deverá ocorrer no prazo para contestação. Nota às Instituições de Chiovenda. p. em seguida ao pagamento da indenização. por via de regra. 13. do Código.

deve o interessado propor ação autônoma" (TRF . Sidney Sanches alude que a expressão "denunciação à lide" dá a idéia de simples notícia de existência do litígio. 34:50).268 giudizio è colui Che non è parte". V. 14 15 13 12 11 10 Lei 9. rel.São Paulo: Saraiva.77. 12. da Jur. ed. 74. 280. 2. Moacyr Amaral Santos. presume-se aceita aquela. j.2ª Turma. Turim.08. 2. 27. Des.11. v. Min. em 1. não pode ser feita mediante simples publicação na imprensa oficial. art.u. Belém. Do TJPA. DJU 29. ac. REsp 104. mas é perfeitamente válida a citação feita na pessoa dos referidos interessados" (1ª Câm. p. GOMES DA CRUZ.75.. Rev. "A oposição não pode ter objeto mais amplo que a coisa ou o direito controvertidos entre autor e réu. mas no Código de Processo Civil vigente. do denunciante em face do denunciado (Denunciação da lide. 08 09 Moacyr Amaral Santos.433-MS. " A citação.se converte na verdadeira propositura de uma ação de regresso antecipada. tem o réu 15 dias para responder à ação" (TRPR – Apel.598.II. RT 486/160). 15. 18. AC 83. 549/75. do TRF n.96.12. Primeiras linhas do direito processual civil. "Ante o silêncio do autor sobre o pedido de nomeação à autoria feito pelo réu. 107:247 e 115:168).099/95. deram provimento. "O prazo começa a correr novamente.85. podendo.10. para a eventualidade da sucumbência do denunciante" (BARBOSA 18 17 16 . Sálvio de Figueiredo. Comentários ao Código de Processo Civil. Lídia Dias Fernandes. rel.. Costa Lima. 1953). ". "apud" Em. AC. de 7. devendo os nomeados serem citados para manifestar-se sobre o pedido. RP. Assim também SÉRGIO COSTA: " Il concetto di terzo può essei determinato solo per esclusione: è terzo chi non è parte" (L’ intervento in causa.96. Pluralidade de partes e intervenção de terceiros. 10 e CPC. 3. v. "O art. p.. Rel. v. p. isto é. 1974. 15:137).295). Pontes de Miranda. 95 (nº 2) e 100 (nº 1). neste caso.206-SP. 57 do CPC manda citar os advogados dos opostos para apresentação de defesa.06. 49. 213 e 233" (RJTJSP. Revista dos Tribunais. Do TJPA. DJU 9. Primeiras Linhas de Direito Processual Civil.285). consubstancia uma ação incidental com pretensão de garantia e/ou indenização. embora na pessoa dos advogados. v.. discutir sobre possível ilegitimidade passiva ‘ad causam’" (STJ – 4ª Turma. art. 1991. 1997.u. v. além de impugnar a nomeação propriamente dita. Min. mas obedecerá ao disposto nos arts.

"A denunciação da lide. Humberto. Por isso sendo ultrapassado.Tornar facultativa a denunciação da lide importa no descumprimento explícito da lei (art. "Segundo entendimento doutrinário predominante. Curso de Direito Processual Civil. poderá logo pedir a retomada do curso do processo. Não poderá. Rio de Janeiro. "Esse prazo é estipulado em favor da parte contrária à que requereu. porque não é o dominus litis. O § 2º.99. a denunciação.321-PR – STJ – 1ª Turma. sem a consumação da diligência. in casu. 22. nem teria interesse algum nisso. Ed.06. p. 72 deve ser interpretado em harmonia com o respectivo caput. a citação for realizada além do prazo.269 MOREIRA. p. Rio de Janeiro: Editora Forense. Del Rey. por força da própria necessidade instrutória do feito principal. uma nova causa petendi. Min. não haverá motivo para negarlhe efeito.04. ressalvados. não haja necessidade de dilação probatória pertinente exclusiva e especificamente à denunciação" (Max Guerra Kopper. para evitar seu prejuízo de ficar com o processo suspenso indefinidamente. somente nos casos de evicção e transmissão de direitos (garantia própria) é que a denunciação da lide se faz obrigatória" (STJ – 4ª Turma.99. ou em trazer mais elementos e argumentos de fato ou de direito à petição inicial. do CPC) e na afronta ao princípio da economia processual" (REsp 196. serão de qualquer modo produzidas. somente deve ser admitida quando o denunciante logre comprovar de plano. 1997). Da denunciação da lide.96. III. v. o seu direito de regresso ou quando tal comprovação dependa unicamente da realização de provas que. Estudos sobre o novo Código de Processo Civil. I. o denunciado argüir a intempestividade como motivo para exonerar-se da responsabilidade de garantia ou do direito regressivo do denunciante. rel. Se. rel. por exemplo. onde se estipula a suspensão do processo. DJU 24. ed. a denunciação da lide é obrigatória a todo aquele que estiver forçado pela lei ou por cláusula contratual a indenizar. do art. 87-8). em prejuízo das partes do processo principal. ou cumular pedidos outros. em acrescentar o denunciado. insista-se. 21. o prejuízo do que perder a demanda. Líber Juris. Mas não pode o denunciado. por exemplo. "Em face de preceito expresso de lei. alterar substancialmente o próprio pedido formulado pelo denunciante. 61).761). 70. porém. e não do terceiro denunciado" (THEODORO JÚNIOR. p.367-SP. Min. os casos de denunciação obrigatória. documentalmente. já agora como "litisconsorte" do autor. V. 23. 87). Sálvio de Figueiredo. uma vez que o eventual direito regressivo do autor contra o denunciado exercer-se-á nos 23 22 21 20 19 . cap. quando. mas ainda com o processo paralisado. em outras palavras. p. DJU 26. Demócrito Reinaldo. j. "Pode consistir. REsp 43. por via de regresso.02. 1974. ou quiçá em expungi-la de irregularidades que poderiam torná-la inepta.

São Paulo: Saraiva. p. p. 320. Ajuris. 1996). I. Estudos sobre o novo Código de Processo Civil. "A expressão "valendo como título executivo" evidencia o conteúdo condenatório da sentença que julga procedente a denunciação da lide" ( RSTJ 85/197). 25:22. 8. Intervenção de Terceiros. para habilitar-se à sua própria defesa. Todavia. na ação principal (pois nesta torna-se litisconsorte passivo). 280. 87). "Pode ser rescindida a sentença que deixa de julgar a lide secundária objeto da denunciação" (RT 724/408).245/95. certamente pautado em preocupação maior com a concentração de atos 34 33 32 31 30 29 28 27 26 25 24 . Sobre chamamento à autoria. "Decisão que exclui. "O art.761-DF-AgRg. Barbosa Moreira. 2. Sidney Sanches. com redação da Lei 9. p. São Paulo: Revista dos Tribunais. 92. Na opinião de Athos Gusmão Carneiro " O denunciado. São Paulo: Saraiva. litisdenunciado é agravável de instrumento. 8. artigo cit. se o denunciado vier a contestar não só a ação regressiva. 7. art. Artigo publicado na Revista do Instituto dos Advogados do Paraná. n. Ag 247. que não pode ultrapassar o pedido" (CARNEIRO. do Código de Processo Civil. o réu implicitamente aceitou os fatos postos na inicial e permitiu a preclusão de seu direito de contestar. necessita conhecer a posição de denunciante relativamente aos fatos e pretensões apresentados na petição inicial. 85/86. inciso I. ed. Athos Gusmão. antes da sentença. do Código de Processo Civil" (Intervenção de Terceiros. Min. Athos Gusmão Carneiro. Ari Pargendler. porque o processo continua" (RT574/150). I. Ao limitar-se ao pedido de intervenção do terceiro. 1984. Denunciação da Lide no Processo Civil Brasileiro.. rel. 1996. Manual de Direito Processual Civil. 2001. 1979. Moniz Aragão. 1978. 08/02/00).. 1.v. Justitia 94/13. como também o pedido formulado. antes que o réu o faça" (STJ – 3ª Turma. Intervenção de Terceiros. p. ante o disposto no art. t.270 limites da sucumbência. cit. "A sentença que julga procedente a denunciação da lide vale como título executivo (CPC. 121. 76). o aparelhamento deste independe do andamento da execução da sentença proferida na ação principal. ed. então não se produzirá o efeito da revelia. ed. podendo o denunciado à lide ser obrigado a cumprir sua obrigação. Arruda Alvim. Vicente Greco Filho.

74. p. 7. dentro de trinta (30) dias. b) quando residir em outra comarca. 38 39 37 36 35 "Não se admite chamamento ao processo em execução" (JTA 103/354). entretanto. livres e desembargados. cit.. 262. certamente dará ensejo a profundas controvérsias" (Arruda Alvim. reflexamente. nem a intervenção de terceiro. II. 197). quantos bastem para solver a dívida". O sistema do CDC veda a utilização da denunciação da lide e do chamamento ao processo. "Vedação da denunciação da lide. assumirá a posição de litisconsorte do denunciante e poderá aditar a petição inicial. 782/783. 41 40 . ambas ações condenatórias. O tema. v. Como no sistema do Código de Processo Civil. t. ou em lugar incerto. com a economia processual. o denunciado.271 processuais e. Art. Parágrafo único. n.. 359. a que se refere este artigo. dentro de dez (10) dias. deve nomear bens do devedor. 827 – O fiador demandado pelo pagamento da dívida tem o direito a exigir. 521/197 e 562/112. sitos no mesmo município. ed. P. até a contestação da lide. salvo assistência e recurso de terceiro prejudicado". pela literalidade de seu texto. Celso Barbi. dispõe que "não será admissível ação declaratória incidental. 72. RT 504/173. vedada a denunciação da lide no procedimento sumário. O fiador que alegar o benefício de ordem. 1º A citação do alienante. Feita a denunciação pelo autor. 434. " Art. com o advento deste dispositivo restou. do possuidor indireto ou do responsável pela indenização far-se-á: a) quando residir na mesma comarca. comparecendo. a denunciação é forma de intervenção de terceiro (o Capítulo VI em que o instituto está inserido tem esta denunciação). Arruda Alvim.922 – Rel. a ação prosseguirá unicamente em relação ao denunciante. Comentários ao Código de Processo Civil. 1º TACSP – 3ª Câm – Ap. Ordenada a citação. I. procedendo-se em seguida à citação do réu". do proprietário. "Art. 1. p. que sejam primeiro executados os bens do devedor. ed. ficará suspenso o processo. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor Comentado pelos Autores do Anteprojeto. 2º Não se procedendo à citação no prazo marcado.

272 porque o direito de indenização do consumidor é fundado na responsabilidade objetiva. sem que se discuta dolo ou culpa" (Código de Processo Civil Comentado. Embora esteja mencionada como vedada apenas a denunciação da lide na hipótese do CDC 13 par.. na verdade o sistema do CDC não admite a denunciação da lide na s ações versando lides de consumo. isto é. p. em detrimento do consumidor que tem o direito de ser ressarcido em face da responsabilidade objetiva do fornecedor. a conduta do fornecedor ou de terceiro (dolo ou culpa). Seria injusto discutir-se. que é elemento de responsabilidade subjetiva. . por denunciação da lide ou chamamento ao processo. ún. 1402).

. Introdução – 2. Ação Civil Pública e Ação Coletiva – 3.273 A competência nas ações coletivas do CDC Autores: Renato Franco de Almeida Paulo Calmon Nogueira da Gama Aline Bayerl Coelho SUMÁRIO: 1.

foram editadas algumas leis. do Tít. o presente trabalho tem por escopo precípuo a análise da competência instituída para as chamadas ações coletivas para a defesa de interesses individuais homogêneos. na maioria das vezes. II. entendemos. da natureza dos novos interesses/direitos perseguidos no bojo da relação jurídica processual. Bibliografia. que. Dentre as muitas divergências que ainda causam os textos legislativos mencionados. como se tentará demonstrar na seqüência. Conclusão – 9. 1. é fecunda a doutrina pátria. ao longo dos anos. é de se colocar em evidência a aparição das Leis nº 7. possui semelhanças com aquela tratada pela Lei nº 7. seja da jurisprudência. Para tanto. ganhou foros de cidadania. fez-se mister o surgimento de novas formas de proteção. seja da doutrina. com a chegada – verdadeira necessidade – do Estado Democrático de Direito. que previram a defesa de alguns direitos coletivos lato sensu.347/85 – que instituiu a Ação Civil Pública – e 8. Não obstante a inegável importância que esses diplomas legais possuem hoje no cenário jurídico nacional – como verdadeiras concretizações do Estado Democrático de Direito no aspecto processual – muita celeuma foi criada durante os anos das respectivas aplicações. mormente no tocante ao redimensionamento de velhos institutos processuais que tiveram que ser readaptados à nova realidade das demandas coletivas. . portanto. mormente após o advento da Medida Provisória nº 2. Atualmente. a nosso sentir e apesar da dicção legal. INTRODUÇÃO A defesa dos interesses/direitos transindividuais ou metaindividuais (1). III do CDC. em razão.078/90 – que instituiu o Código de Defesa do Consumidor – que. bem como a resposta firme e. Com a aparição de novos interesses/direitos. Competência na Ação Coletiva – 5. deu maior desenvolvimento à defesa dos interesses coletivos em sentido amplo.180. obviamente. há bem pouco tempo. Neste sentido. além dos aspectos materiais.347/85. Porém. era impensável no Direito brasileiro.274 Competência na Ação Civil Pública – 4. merece melhor reflexão. a competência para apreciação e julgamento das demandas propostas pelo rito processual instituído no Cap. sendo incumbência da Ciência Processual adequar os institutos do Direito processual clássico – inspirado ainda em princípios e institutos surgidos no século XVIII – para a defesa desses direitos coletivos. acertada da jurisprudência na defesa de interesses que. de seu turno.

AÇÃO CIVIL PÚBLICA E AÇÃO COLETIVA Sem embargo da ocorrência de semelhança no que toca à competência. 91 e 95 CDC). daí a aparição de diversos ritos processuais especiais que instrumentalizam a efetivação dos direitos de fundo. ensejará diverso tratamento interpretativo. à de qualquer interesse difuso. Ao contrário do que ocorre na Lei de Ação Civil Pública (LACP) – art. pois. porém e ainda. as ações sob comento – civil pública e coletiva – possuem particularidades que as distinguem. que o âmbito de abrangência da primeira (ACP) é maior que o da segunda. por corolário. o que. no momento em que aquela serve como instrumento à satisfação não só de condenação à determinada quantia. Consoante melhor doutrina. com o procedimento previsto no Cap. à defesa dos interesses individuais homogêneos. II do Tít. ao passo que a ACP. que dão ensejo a tratamento diverso. Ademais. segundo o qual para cada direito existe uma ação específica (legis actiones). é cediço que os procedimentos são criados ante a necessidade de concretização dos direitos materiais. à condenação referente a obrigações de fazer ou não fazer. o que. Por outro lado. coletivo ou individual homogêneo. somente após o advento do Código de Defesa do Consumidor. cabalmente. antes do Código consumerista. 3º – a ação coletiva prevista no CDC tem por objeto imediato do pedido tão-somente a condenação do Réu – única providência jurisdicional admitida nesta seara – ao pagamento de quantia – objeto mediato – que deverá ser apurada em seu quantum no respectivo processo de liquidação (arts. a denominação dada às ações é reminiscência do período imanentista da teoria do processo. É o que ocorre.275 2. também. posteriormente alterado pelo art. somente por este ponto. Mesmo que perfunctoriamente. afinal. (3) . parece ser entendimento sedimentado doutrinariamente o fato de que a Ação Coletiva somente poderá servir de instrumento à defesa de interesses consumeristas. III do CDC (arts. (2) Não obstante o acerto da afirmação. a Ação Civil Pública tornou-se instrumento eficaz. Tem-se. processo é meio de realização material da função jurisdicional do Estado. 117 do CDC). vislumbram-se. no particular. 91 usque 100) que prevê as ações coletivas para a defesa de interesses individuais homogêneos. 21 LACP. consistia clara impossibilidade jurídica da demanda (cf. art. a nosso aviso. diferenças intrínsecas entre uma e outra.

diferenças ontológicas entre as ações em cotejo. que os objetivos da norma jurídica. sobrepujam os meramente individuais. 3. traduzir-se-á em ponto de aproximação. cujo juízo terá competência funcional. sob o aspecto prático. o fattispecie que ensejou o surgimento do objeto litigioso: o dano. as Ações Civis Públicas serão proposta no foro onde ocorrer ou deva ocorrer o dano. a definição do local do dano como determinação da competência do juízo tem por fim. surgentes da conduta delitiva. COMPETÊNCIA NA AÇÃO CIVIL PÚBLICA Consoante dispõe o art. A tutela coletiva não poderá alcançar danos individuais diferenciados e variáveis caso a caso. portanto. a nosso ver. como ser atomizado (6). são claros: a prevalência da importância da res iudicium deducta sobre as partes em lide.. nos processos coletivos. desde que se dê interpretação consentânea aos seus objetivos. Ocorre o primeiro em razão de se cogitar. mas como membro de uma sociedade.180 – dispõe a lei que a propositura da ação prevenirá a jurisdição (rectius: competência) do juízo para as demais demandas que sejam idênticas. qual seja. danos emergentes e lucros cessantes). (5) Da assertiva pode-se inferir que definir-se-á o juízo competente para o conhecimento e julgamento das Ações Civis Públicas não pelos elementos subjetivos da demanda – domicílio do autor ou do réu – todavia por seu elemento objetivo.276 "A condenação em ação civil pública ou coletiva por lesão ao consumidor só poderá ter como objeto o dano global e diretamente considerado (p. as diferenças sumariamente comentadas ensejam. o dano decorrente da aquisição em si do produto defeituoso ou impróprio para os fins a que se destina. (7) . de indivíduo para indivíduo (p. Já em seu parágrafo único – introduzido pela MP 2. cujos interesses – interesses sociais – em um Estado Democrático de Direito. a facilitação na colheita de provas. Temos. de interesses que não dizem respeito ao indivíduo. para o conhecimento e julgamento da demanda. ex. Por outro lado. ao determinar a competência do juízo do local do dano. absoluta. o que. assim. 2º da LACP. em regra.. ou sua substituição ou a respectiva indenização). ex. a facilidade na colheita de provas." (4) À guisa de ilustração. visto que o Juiz estará mais perto – e por conseqüência terá maior facilidade na sua captação e entendimento – dos indícios oriundos da probabilidade da ocorrência do dano e dos vestígios deixados pelo dano efetivamente causado. no concernente à competência do juízo.

é explícita a determinação da competência pela prevenção – que deverá subsidiar-se nas normas processuais gerais previstas no CPC sobre tal instituto – entre as comarcas envolvidas no evento danoso. um dano ambiental que envolva os Estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro – como recentemente de fato ocorreu – competente será o juízo da comarca que primeiro realizou a citação válida para o conhecimento e julgamento da Ação Civil Pública eventualmente proposta. ao lançar escólios sobre a matéria. e. será competente o foro da Capital do Estado ou o Distrito Federal. se demonstrará. o que. não existe texto legal expresso que determine a competência de outro juízo – que não o prevento – em casos de dano cujo âmbito seja regional ou nacional (nem mesmo há previsão de dano de âmbito regional ou nacional). Entretanto.347/85. independentemente do Estado a que pertença tal comarca. se os danos se estenderem ao território estadual. pensamos que tal raciocínio não possui supedâneo legal. não havendo que se falar em competência da Comarca da Capital de uma das entidades federadas. Ademais. que primeiro realizar citação válida. na lei (LACP) não há norma jurídica que franqueie tal entendimento. segundo as regras insertas no Código de Processo Civil sobre prevenção (art. haver comando legal que assim o determine. onde resta clara a determinação legal da competência do foro da Capital do Estado ou do Distrito Federal em casos de dano cujo âmbito seja regional ou nacional. Frise-se que. como dito. ou até mesmo de um Estado-membro.) Com a vênia devida ao ilustrado Mestre. caso não esteja envolvida pelos efeitos do dano. dentre somente as comarcas envolvidas. afirma Hugo Nigro Mazzilli que: "Se os danos se estenderem a mais de um foro mas não chegarem a ter caráter estadual ou nacional. o inquérito civil deverá ser instaurado e a ação civil pública proposta seguindo os critérios da prevenção. não importando a dimensão que os efeitos do dano possam alcançar. competente será – nas Ações Civis Públicas. se os efeitos do dano (potencial ou efetivo) transbordarem dos limites de uma comarca. simplesmente por inexistir norma jurídica que de forma diversa o preveja. não pode ser interpretado. em seu art. ao revés. ou nacional.277 Daí que.180. De efeito. repise-se – aquele juízo onde ocorrer a primeira citação válida. 93." (8) (g. 2º da Lei nº 7. em se tratando de Ação Civil Pública. 2º pela MP 2. ao contrário do que ocorre com o CDC. respectivamente. Isto porque. em hipótese alguma. o juízo. Desta forma. também.n. o inquérito civil deverá ser instaurado e a ação civil pública proposta na respectiva Capital. e sim. mormente após a inserção do parágrafo único ao art. E mesmo neste caso – de ser a Comarca da Capital de um dos Estados ou de ambos atingida pelos efeitos danosos – esta somente será sede do juízo competente se . de forma estritamente literal. 219). acolhendo a assertiva do jurista paulistano. com a introdução do parágrafo único ao art.

nos casos de competência concorrente entre dois ou mais juízos. aplicável. mais especificamente o seu art. A contrario sensu. haja vista que a incidência deste somente ocorrerá no que for cabível. Tal raciocínio ficará mais patente no que diz respeito à competência. . coletivos e individuais homogêneos nas relações jurídicas de consumo. em se tratando de relações jurídicas de consumo cujo objeto imediato do pedido seja a condenação ao pagamento de determinada quantia. segundo os ditames do parágrafo 1º do art. aplicável sempre o CDC. a uma. com o artigo 21 da mesma LACP. em se tratando de Ação Civil Pública. de mesma ou superior hierarquia – derrogará anterior quando regule inteiramente a matéria de que tratava esta.278 citação válida foi realizada antes de qualquer outro. que trata expressamente da competência nestas ações. forçoso admitir que. Em suma. ficando afastada a incidência da Lei de Ação Civil Pública. lei posterior – acrescentamos. porquanto o disposto no art. portanto. determinação daquela em razão do âmbito alcançado pelos efeitos do dano. como dissemos. tratando-se de relação jurídica material de consumo. não há na LACP. ao contrário do que ocorre no CDC. inapropriada a utilização de Ação Civil Pública quando se tratar de violação a direito consumerista. em razão do princípio da especialidade. determinar-se-á aquela pela prevenção em quaisquer casos. aí sim. Insta frisar. como visto. Isto porquanto. não sendo lícito argumentar. pois. como afirmado. Assim. o que a tornará preventa. não havendo de se cogitar da amplitude dos efeitos do dano perpetrado. pensamos que aquela derrogou esta no que diz respeito à defesa dos interesses difusos. ressalvado o que dissemos supra. 93 do Codex consumerista somente poderá ser aplicado em se tratando de relações jurídicas materiais de consumo. o CDC. quando o pedido imediato da demanda for a condenação em obrigação de fazer ou não fazer será perfeitamente viável a utilização da Ação Civil Pública. 93 no que concerne à competência. Não calha a argumentação segundo a qual a norma aplicável à espécie seria o CDC. Desta forma. De qualquer forma. que a inaplicabilidade da LACP somente ocorrerá quando se pleitear a condenação do Réu ao pagamento de determinada quantia. fazendo uma pequena digressão. 2º da Lei de Introdução ao Código Civil (LICC). devidamente subsidiado pela LACP e pelo CPC – nesta ordem – naquilo em que for omisso. De efeito. sendo o Código de Defesa do Consumidor lei posterior e especial no cotejo com a norma que instituiu a Ação Civil Pública. porque na LACP há norma. a duas. entretanto. consoante determina o artigo 83 do CDC.

é competente para a causa a justiça local: I – no foro do lugar onde ocorreu ou deva ocorrer o dano." (9) Sem embargo. algumas observações buscaremos fazer sobre o preceito legal transcrito. os quais atingirão pessoas residentes num determinado local. com vistas ao melhor tratamento hermenêutico que. Não obstante.279 4. 93 – Ressalvada a competência da Justiça Federal. 93 do CDC. 93 do CDC poderá levar o intérprete à conclusão de que. COMPETÊNCIA NAS AÇÕES COLETIVAS Sem embargo. repete o legislador ser o dano causado o critério legitimador da competência do juízo. assevera a Profª.1. tanto em doutrina. transbordando os efeitos do dano dos limites de determinada comarca e alcançando outra. quando de âmbito local. porém com algumas nuanças. a competência territorial é do lugar onde ocorreu ou deva ocorrer o dano (inc. ressalvada a competência da Justiça Federal. 4. verbis: Art. como em jurisprudência. De efeito. I do art. tendo em vista que a eleição pela lei do local da ocorrência ou . para os danos de âmbito nacional ou regional. mesmo nos casos de dano em âmbito local. Tecendo comentários ao inciso I do art. algumas ressalvas se impõem. II – no foro da Capital do Estado ou no do Distrito Federal. Ada Pellegrini Grinover: "Quando de âmbito local. COMPETÊNCIA EM CASO DE DANO EM ÂMBITO LOCAL Consoante o dispositivo transcrito. 93). nas Ações Coletivas previstas no CDC. aplicando-se as regras do Código de Processo Civil aos casos de competência concorrente Divergindo do entendimento amplamente majoritário. o dispositivo exige. competente será o foro da Capital do Estado. nos parece que. será competente para o conhecimento e julgamento da Ação Coletiva a Justiça local do foro do lugar onde ocorreu ou deva ocorrer o dano. em razão da circulação limitada de produtos ou da prestação de serviços circunscritos. a interpretação literal do preceptivo insculpido no inciso I do art. a nosso sentir. Será o caso de danos mais restritos.

Assim. que. 2º. pensamos que será aplicável. estamos tratando de dano de âmbito local cujos efeitos. que. Daí. dentre outros. parágrafo único) combinada com Código de Processo Civil (art. as regras que prevêem a prevenção. quais sejam. a norma insculpida no parágrafo único do art. COMPETÊNCIA EM CASO DE DANO EM ÂMBITO REGIONAL OU NACIONAL . por subsidiariedade. quando o dano ou a ameaça de dano ocorra ou deva ocorrer em mais de uma comarca. com acerto no tocante à Ação Coletiva. evidentemente. não obstante. alcançando outra ou outras. hipóteses expressamente previstas no inciso II do artigo sob comento. competente será o juízo que primeiro realizar citação válida no processo (art. neste caso. "Assim. entretanto. seguindo o disposto no inciso I do art. ou seja. para o dano de âmbito local cujos efeitos atinjam mais de uma localidade (comarca). Em um caso concreto. alcançando outras. Consequentemente. para que seja determinada a competência da Capital do Estado. a determinação da competência restará condicionada à prevenção do juízo que primeiro realizou a citação válida no processo.2. a prevenção será o critério de determinação da competência. poderemos imaginar um dano consumerista cujos efeitos restrinjam-se a duas comarcas contíguas. pensamos. 219 CPC). a determinação da competência será realizada pela prevenção. não estamos tratando de dano onde os respectivos efeitos ganharam foros de regionalidade ou nacionalidade. mas sem que tenha o caráter estadual ou nacional. resolvendo-se. nas ações civis públicas ou coletivas. sem que possuam dimensão de regionalidade. com a subsidiariedade da LACP e do CPC. o dano deverá ganhar foro de regionalidade e. Hugo Nigro Mazzilli asseverar que não será qualquer dano que ultrapasse os limites da comarca que ensejará a competência do juízo da Capital do Estado para conhecer e julgar ações coletivas. 2º da LACP. Urge ressaltar. transbordaram dos limites de uma única comarca. na linha do raciocínio acima exposto. competente será o juízo que primeiro realizou a citação válida para o processamento e julgamento da demanda. aqui. ocorrido o dano consumerista cujos efeitos ultrapassem as fronteiras de determinada comarca. duas ou três comarcas não caracterizará tal aspecto. Em outras palavras. bem como a facilidade na colheita de sua prova. o fato de serem atingidas uma. maior aproximação do Juiz aos vestígios do dano causado. em compêndio. cuja localização diste quilômetros da Capital do Estado. pelas regras da Lei de Ação Civil Pública (art. Assim.280 da possibilidade de ocorrência do dano tem por escopo. 219) a competência concorrente. 4." (10) Com efeito. 93 do CDC.

2. deve ser dispensado tratamento diverso quanto ao dano de âmbito regional e o de âmbito nacional. não tendo sentido que seja ele obrigado a litigar na Capital de um Estado. As regras de competência devem ser interpretadas de modo a não vulnerar a plenitude da defesa e o devido processo legal. e ressalvada a competência da Justiça Federal.281 Em verdade. uma observação: o dispositivo tem que ser entendido no sentido de que. coletivos ou individuais homogêneos serão apurados perante a Justiça estadual. Hugo Nigro Mazzilli adere à posição majoritária quando ensina que: "Nos termos dessa disciplina. Com efeito. porém. a par das observações que fizemos quanto ao inciso I do art. a despeito de sua mais alta autoridade. Com efeito. sendo de âmbito regional o dano. no foro do Distrito Federal. longínquo talvez de sua sede. aplicando-se as regras do Código de Processo Civil nos casos de competência concorrente." (11) Na 7ª edição da referida obra. se os danos forem regionais. a ilustre Professora paulistana ratifica seu posicionamento. em ação proposta no foro do local do dano." (12) Sem embargo. reconhecendo. nesta hipótese. independentemente se a comarca da Capital do Estado sofreu ou não tais efeitos. aqui. COMPETÊNCIA EM REGIONAL CASO DE DANO EM ÂMBITO No particular. sobre o inciso ora estudado: "Cabe. 4. somente será competente para conhecimento e julgamento da demanda coletiva a Capital do Estado quando os efeitos produzidos pelo dano consumerista ganharem foros de regionalidade. portanto. a competência territorial será sempre do Distrito Federal: isso para facilitar o acesso à Justiça e o próprio exercício do direito de defesa por parte do réu.1. estamos que. 93 do CDC – competência em caso de dano em âmbito local – a grande celeuma reside efetivamente no inciso II do mesmo preceptivo consumerista. sendo o dano de âmbito nacional. primeiramente. se nacionais. competente será o foro da Capital do Estado ou do Distrito Federal. pela mera opção do autor coletivo. a existência de alguns arestos em divergência às suas lições doutrinárias. no foro da Capital do Estado. tratando-se de dano cujos efeitos sejam de âmbito regional. De seu turno. Mas. visto que. ousando divergir do entendimento majoritário. aplicável o que foi dito quanto ao dano de âmbito local. assevera Ada Pellegrini Grinover na 4ª edição do Código Brasileiro de Defesa do Consumidor. os danos de âmbito nacional ou regional em matéria de interesses difusos. ante o número . daí tentarmos nos deter mais profundamente neste particular.

mister se faz que o dano (rectius: os seus efeitos) seja de tal grandeza que interesse à maioria significativa da população do Estado-membro. explanada no tópico anterior. o fato de efeitos danosos ultrapassarem os limites territoriais de um Estado-membro alcançando outro ou outros. cremos que resta evidente que o Juiz da Capital – em caso de interesse regional – não terá dificuldades na colheita de provas – mesmo que o Município.282 razoável de comarcas atingidas por aqueles efeitos. Inexiste. não tenha sido atingido pelos efeitos do dano –. (13) Com este raciocínio. é possível forjarmos exemplos para melhor elucidação: a) determinados produtos comercializados ou serviços prestados no chamado eixo RioSão Paulo que venham causar danos às populações destes Estados. havendo juízos concorrentes. a nosso sentir. 93 do CDC. para que ocorra a primeira hipótese (dano de âmbito local). . contíguos ou não. a simetria vislumbrada pela maioria dos autores. 4. lícito afirmar que a grandeza do dano fará a distinção entre a incidência do inciso I ou do II (âmbito regional) do art. à competência do foro do Distrito Federal para o conhecimento e julgamento da demanda coletiva.2.2. independe o número de localidades atingidas – desde que o dano não ganhe interesse estadual – a competência será definida pela prevenção. Dessa forma. sendo que. com tal exegese. Capital do Estado. como Capital da República. a solução para a concorrência de competências não será a mesma das hipóteses de dano de dimensão regional. não dará ensejo. já para que ocorra a hipótese do inciso II (dano de âmbito regional). Nem mesmo quando os efeitos do dano tiverem amplitude tal que atinja todos ou quase todos os Estados da Federação – incluindo o Distrito Federal – a competência será deste. E mais. Assim. importando que a Capital seja sede da demanda face à relevância configurada pelo vulto do dano. in casu. consoante as lições doutrinárias acima transcritas. sendo que. em um segundo exemplo: b) os mesmos produtos ou serviços foram comercializados ou prestados em todo território nacional. traduzir-se-á em interesse da sociedade do Estado a resolução do conflito. COMPETÊNCIA EM NACIONAL CASO DE DANO EM ÂMBITO Em se tratando de dano cujos efeitos sejam de âmbito nacional. para o conhecimento e julgamento de eventual demanda coletiva. De efeito. cujos efeitos ficaram restritos aos limites dos mesmos. o escopo legal de facilitação naquela colheita não restará prejudicado.

283 causando os mesmos danos antes mencionados. que poderá ser o da Capital estadual ou o do Distrito Federal. Por tal expressão entende-se a justiça estadual comum que. etc. Ou seja. existindo diversas demandas já propostas. deterá competência para as causas não previstas na Constituição Federal como de competência da Justiça federal. Para o desate da questão. Tal raciocínio tem por fundamento a inexistência de hierarquia entre as entidades federadas – Estados. foro. III da CF/88). determina o CDC – havendo diversas demandas coletivas propostas – a concentração em um. caberá à Justiça local do foro da Capital de cada Estado ou do Distrito Federal que tenha sido atingido pelo evento danoso o processamento e julgamento da demanda coletiva. mesmo que tal amplitude seja alcançada por tais efeitos (exemplo "b"). Em ambas hipóteses. entendemos que. 219 CPC). Explicamos. Na hipótese extraordinária de dano nacional. haja vista não ocorrer relação hierárquica entre as Justiças locais dos Estados e a do Distrito Federal. os critérios de determinação de competência (ratione materiae. não atingindo os efeitos do dano âmbito nacional (exemplo "a"). apta(o) a conhecer e julgar a causa. tem seu âmbito ordinário de incidência coincidente com os seus próprios limites territoriais. sendo que. 109 CF/88). também neste caso. a própria lei determina a utilização das regras do Código de Processo Civil aos casos de competência concorrente. loci. não sendo hipótese prevista dentro na competência da Justiça federal. Em conseqüência. por exclusão. Pois bem. e tão-somente um. ressalvada a da Justiça Federal. de competência da Justiça local. Daí que. Ora. Distrito Federal e Municípios (art. havendo dano de âmbito nacional. ou. agora por todo país. a prevenção. da Justiça local. em igualdade de condições. 1º e 19. a solução para a concorrência entre juízos competentes será a mesma: definir-se-á o juízo competente pelo critério da prevenção. cada qual. qualquer capital de Estado ou o Distrito Federal estará. e. para não dificultar a defesa do Réu. definir-se-á a competência . personae. qual seja. qual seja. cuja decisão proferida terá efeitos em todo território nacional. A competência nas Ações Coletivas será. comum ou especializada (art. o primeiro a realizar citação válida no processo coletivo (art.) dos Juízos Estaduais são de mesma equivalência aos do Juízo Distrital.

Alexandre de Moraes assevera que: "Criar preferências entre si – como corolário desse princípio. v.. ao Distrito Federal e aos Municípios criar preferências entre si. Lado outro. a tese majoritária pode nos levar a determinados absurdos como aquele em que haja demandas propostas em todos ou quase todos . que se encontram no mesmo plano. a lei federal (CDC). 219 CPC). assim." (14) Dessarte. ademais. 19 da Constituição Federal ser vedado à União. o objetivo precípuo da lei quando determina ser competente para a demanda o foro do local do dano. não convence o argumento segundo o qual a competência será sempre do foro do Distrito Federal em casos de dano de âmbito nacional para facilitar a plenitude de defesa. fosse definida a competência do Distrito Federal em quaisquer casos. Via de conseqüência. não há que se falar em relação de súdito para soberano. sendo a federação uma associação de Estados. Com efeito. pois. A outro giro. [.]. Raciocínio diverso – como o esposado pela doutrina majoritária – levará à uma hierarquia entre as entidades federadas inexistente no texto constitucional. sendo sua assessoria jurídica situada na sede da empresa. seja de que espécie for. Em comentário ao referido inciso. sendo a concorrência de competências definida pela prevenção. eis que sua comarca – da Capital – estará sofrendo os efeitos da conduta danosa. não poderá criar distinções entre as entidades federadas. se este for atingido pelos efeitos do dano e houver demanda coletiva aí proposta – em que tenha havido a primeira citação válida (art. mesmos naqueles em que a Capital da República não tenha sofrido os efeitos da conduta danosa? Em últimas conseqüências. de poder reciprocamente. concretizando. aos Estados.284 da Justiça local no foro da Capital do Estado – ou no do Distrito Federal. Como seria possível facilitar a colheita de prova pelo Magistrado se. eis que a sua concordância com as cláusulas constitucionais deve ser presumida. impõe-se uma exegese da norma infraconstitucional que não implique violação do texto maior. pois que em regra acontece do Réu não ter representação jurídica na Capital da República. sendo dever do exegeta optar por uma interpretação que mais aproveite o texto da lei. g. como produto da competência legislativa da União.. malferindo-o. sob o aspecto prático. ensejará maior facilidade na colheita de prova pelo Juiz. dispõe o inciso III do art.. dando preferência. ao Distrito Federal.

do princípio do acesso à Justiça. o que lhes poderá cambiar o comando. III CF/88). pela primeira citação válida realizada. traduzir-se-á em concretização do Estado Democrático de Direito sob o aspecto processual a preocupação. que necessita ser constante. seja sob o prático da facilitação na colheita de prova – seria aquela segundo a qual. e não hierarquizar. viceja a necessidade de preenchimento axiológico da expressão Estado Democrático de Direito no sentido de que as normas legais produzidas deverão ter como limite os fatos que lhes ensejam a existência. este – o foro do Distrito Federal – seria o competente para a apreciação e julgamento da demanda. ademais. porém. para uma interpretação consentânea com os princípios da Nova Hermenêutica. bem como pela necessidade de se adequar os princípios e normas do processo civil liberal-burguês às demandas coletivas lato sensu – verdadeiras ações sociais dirimentes de desigualdades – devemos. posto concorrerem. direcionadas pelos valores predominantes à época de sua produção. em todas as suas dimensões. aquelas entidades federadas pela competência para conhecimento e julgamento das demandas coletivas. em tom de igualdade. ocorre no texto constitucional e em leis infraconstitucionais. bem como da parte final do inciso II do artigo 93 do CDC. as entidades federadas que possuem Justiça local – o que não ocorre com os Municípios que.285 Estados. 19. exsurgindo como critério técnico definidor a prevenção. a norma legal quis tão-somente discriminar. amiúde. 18 CF/88). assim como de sua interpretação. ao se referir aos Estados e ao Distrito Federal. pois que somente assim poderemos almejar a realização efetiva de uma democracia material com o preenchimento. muito mais que uma defesa plena – que na realidade em nada será prejudicada –. não possuem Poder Judiciário – como. Ademais. na satisfação dos interesses sociais postos em litígios nas demandas coletivas. A nosso aviso. Destarte. portanto. sobrepuja a importância dos interesses sociais em detrimento . onde a determinação da competência do foro da Capital do Estado e do Distrito Federal não ficará em divergência com a aplicabilidade de dispositivo constitucional (art. CONCLUSÃO À guisa de conclusão ousamos asseverar que. a interpretação mais viável – seja sob o aspecto teórico da inconstitucionalidade. (15) Somente assim. sobrepor o interesse social como primeiro critério definidor da competência em litígios desse jaez. poder-se-á chegar ao equilíbrio exigido pelo texto legal. Com efeito. à exceção do Distrito Federal. entendemos. a se seguir o raciocínio da maioria. 5. não obstante entidades federadas (art.

São Paulo: Revista dos Tribunais. Luiz Abezia e Sandra Drina Fernandez Barbiery]. 1995. 576p. Michel. 1994. e. MORAES. MIAILLE. Brasília: Editora Universidade de Brasília. 1999. BOBBIO. Campinas: Bookseller. 2002. BIBLIOGRAFIA Ação Civil Pública: lei 7. Introdução Crítica ao Direito. MARQUES. CALAMANDREI. Ricardo de Barros. Direito Processual Civil. Para o presente estudo utilizar-se-á as expressões transindividuais e metaindividuais em sentidos distintos.347/85 – 15 anos. assim entendemos que as normas jurídicas devem ser interpretadas.) s/ed. seriam transindividuais os interesses individuais homogêneos. 13ª ed. Direito Constitucional. NUNES. LEONEL. 2001. 1 v. GRINOVER. 2003. e esta a que representa interesses fora dos individualmente considerados. 2002. 2000. 1109p. As Ideologias e o Poder em Crise. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto. 1º a 54).286 daqueles individuais ou públicos hodiernamente. 2001. A Defesa dos Interesses Difusos em Juízo. Hugo Nigro. 330p. Édis (org. 836p. 6. Alexandre de. 13ª ed.462p. Cláudia Lima. 4ª ed. Ada Pellegrini et al. 2ª ed. MAZZILI. Rio de Janeiro: Forense Universitária. São Paulo: Saraiva. NOTAS 01. s/ed. significando aquela a que ultrapassa os interesses dos indivíduos. [trad. São Paulo: Atlas. Lisboa: Editorial Estampa. . s/ed. Comentários ao Código de Defesa do Consumidor: direito material (arts. 1 v. São Paulo: Revista dos Tribunais. Ana Prata]. 4ª ed. Contratos no Código de Defesa do Consumidor: o novo regime das relações contratuais. MILARÉ. São Paulo: Saraiva. 1999. 846 p. Norberto. 240p. Piero. Assim. s/ed. Manual do Processo Coletivo. [trad. Luiz Antonio Rizzatto. 730p. São Paulo: Revista dos Tribunais. João Ferreira] 4ª ed. [trad.

Cit. 02. 09. 1º da Lei 7. p. 211. do inciso IV do art. Michel MIAILLE. 150. Hugo Nigro MAZZILLI. em outro estudo. p.347/85. p.O requisito da préconstituição pode ser dispensado pelo juiz. XXXV. 808. 04. passim 07. No particular. 14. quando haja manifesto interesse social evidenciado pela dimensão ou característica do dano. p. 211 11. 82 do CDC: § 1º . 05. Direito Constitucional. Para a definição do que seja dano cujos efeitos possuam âmbito regional poderá ser aplicada a norma do § 1º do art. 06. nas ações previstas nos arts. "As peculiaridades dos interesses metaindividuais dificultam a produção de provas no curso da demanda judicial. diferentemente do que ocorre com as ações individuais. todos da CF/88. . 220. Introdução Crítica ao Direito.. No mesmo sentido: Ricardo de Barros LEONEL. In Ação Civil Pública: Lei 7. p. pois a proximidade do juízo com relação à prova milita em favor de sua elaboração. 400/416. os difusos e coletivos.: José Marcelo Menezes VIGLIAR. Édis Milaré. Cit. ob. 211-2. Ob.. p. Hugo Nigro MAZZILLI. p. A identidade das ações coletivas lato sensu sofre mitigação nos seus elementos. Ob. é inconstitucional por malferir o art. 91 e seguintes. p. Ada Pellegrini GRINOVER.. Alexandre de MORAES. 551-2. 5º. em razão de sua indivisibilidade. bem como o art. coord. Cit. Cf.180. 03.287 enquanto metaindividuais. 12. visto que não há de se falar em identidade de partes. 286. Ada Pellegrini GRINOVER. A fixação da competência no local do dano tem por escopo facilitar a instrução. falaremos.: Ricardo de Barros LEONEL. Op. Hugo Nigro MAZZILLI.347/85 – 15 anos. III. ou pela relevância do bem jurídico a ser protegido. cit. p. Trata-se de um redimensionamento da matéria para adaptação à Teoria Geral do Processo Coletivo que. 13." 08. 221. Cf. entendemos que a MP 2. p. 129. 10. A Defesa dos Interesses Difusos em Juízo. que amputou a expressão "a qualquer outro interesse difuso ou coletivo". Hugo Nigro MAZZILLI. Cit. op. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto. Manual do Processo Coletivo.

que não foi retomada a referência que fiz à sociedade policrática. 33: "Constato. Entretanto. mas na prepotência do grupo sobre o indivíduo.288 15. entretanto. Cf. ou seja. ao aspecto negativo do pluralismo que consiste não na impotência do Estado. p." ************************************************************** ****************** . As Ideologias e o Poder em Crise. não podemos esquecer o efeito contrário.: Norberto BOBBIO.