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16931185 Apostila de Direito Do Consumidor

16931185 Apostila de Direito Do Consumidor

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  • Autores: Flavio Barbosa Quinaud Pedron e Viviane Machado Caffarate
  • Autor: Cristian de Sales Von Rondow
  • Autor: Henrique Alves Pinto
  • Autor: Francisco José Soller de Mattos
  • Autor: Marcelo Azevedo Chamone
  • Autor: Alex Sandro Ribeiro
  • Autor: Fabrício Castagna Lunardi
  • Autor: Osmir Antonio Globekner
  • Autor: João Bosco Pastor Gonçalves
  • Autor: Ranieri Eich

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Sumário

Evolução Histórica do Direito do Consumidor Autores: Flávio Barbosa Quinaud Pedron e Viviane Machado Caffarate..........4 Proteção constitucional do consumidor Autor: Cristian de Sales Von Rondow...............................................................15 Princípios nucleares do Código Brasileiro de Defesa do Consumidor e sua extensão como princípio constitucional Autor: Henrique Alves Pinto..............................................................................26 O princípio da vulnerabilidade e a defesa do consumidor no direito brasileiro: origem e conseqüências nas regras regulamentadoras dos contratos e da publicidade Autores: Alírio Maciel Lima de Brito e Haroldo Augusto da Silva Teixeira Duarte..........................................................................................................................57 O princípio da boa-fé no Código de Defesa do Consumidor Autor: Francisco José Soller de Mattos..............................................................74 A relação jurídica de consumo: conceito e interpretação Autor: Marcelo Azevedo Chamone....................................................................76 Pessoa jurídica consumidora Autor: Alex Sandro Ribeiro..............................................................................105 Aspectos da responsabilidade civil no Código de Defesa do Consumidor e excludentes Autoras: Michele Oliveira Teixeira e Simone Stabel Daudt............................109

Vícios no Código Civil e no Código de Defesa do Consumidor: diferenças Autor: Ricardo Canguçu Barroso de Queiroz...................................................127

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A responsabilidade civil do fornecedor por vícios dos produtos no Código de Defesa do Consumidor Autor: Fabrício Castagna Lunardi....................................................................129 A prescrição e a decadência no Código de Defesa do Consumidor Autor: Osmir Antonio Globekner.....................................................................145 Desconsideração da pessoa jurídica no Código de Defesa do Consumidor Autor: Osmir Antonio Globekner.....................................................................157 Princípios gerais da publicidade no Código de Proteção e Defesa do Consumidor Autor: João Bosco Pastor Gonçalves................................................................175 As cláusulas abusivas à luz da doutrina e da jurisprudência Autores: Carlos Cavalcante e Karla Karênina Andrade...................................184 Inversão do ônus da prova no CDC e no CPC Autor: Ranieri Eich...........................................................................................206 Alguns aspectos da dogmática processual para a defesa dos direitos do consumidor Autora: Viviane Mandato Teixeira Ribeiro da Silva........................................230 Litisconsórcio, assistência e intervenção de terceiros nas ações coletivas para tutela do consumidor Autora: Gláucia Kohlhase Marques..................................................................248 A competência nas ações coletivas do CDC Autor: Renato Franco de Almeida....................................................................274

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A Evolução Histórica do Direito do Consumidor Autores: Flavio Barbosa Quinaud Pedron e Viviane Machado Caffarate

I. A Evolução do Direito do Consumidor

O Direito do Consumidor é obra relativamente recente na Doutrina e na Legislação. Tem seu surgimento como ramo do Direito, principalmente, na metade deste século. Porém, indiretamente encontramos contornos deste segmento do Direito presente, de forma esparsa, em normas das mais diversas, em várias jurisprudências e, acima de tudo, nos costumes dos mais variados países. Porém, não era concebido como uma categoria jurídica distinta e, também, não recebia a denominação que hoje apresenta. Altamiro José dos Santos destaca o Código de Hamurabi (2300 a.C.). Este já em seu tempo regulamentava o comércio, de modo que o controle e a supervisão se encontravam a cargo do palácio. O que demonstrava que se existia preocupação com o lucro abusivo é porque o consumidor já estava tendo seus interesses resguardados. Santos lembra que: "consoante a" lei "235 do Código de Hamurabi, o construtor de barcos estava obrigado a refazê-lo em caso de defeito estrutural, dentro do prazo de até um ano (...)" (Santos, 1987. p. 78-79). Desta norma podemos supor uma noção dos vícios redibitórios. Havia também regras contra o enriquecimento em detrimento de outrem ("lei" 48), bem assim a modificabilidade unilateral dos desajustes por desequilíbrio nas prestações, em razão de forças da natureza. Os interesses dos consumidores já estavam resguardados na Mesopotâmia, no Egito Antigo e na Índia do Século XVIII a.C., onde o Código de Massú previa pena de multa e punição, além de ressarcimento de danos, aos que adulterassem gêneros ("lei" 967) ou entregassem coisa de espécie inferior à acertada ou, ainda, vendessem bens de igual natureza por preços diferentes ("lei" 968). No Direito Romano Clássico, o vendedor era responsável pelos vícios da coisa, a não ser que estes fossem por ele ignorados. Porém, no Período Justinianeo, a responsabilidade era atribuída ao vendedor, mesmo que desconhecesse do defeito. As ações redibitórias e quanti minoris eram instrumentos, que amparadas à Boa-Fé do consumidor, ressarciam este em casos de vícios ocultos na coisa vendida. Se o

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vendedor tivesse ciência do vício, deveria, então, devolver o que recebeu em dobro. "no período romano, de forma indireta, diversas leis também atingiam o consumidor, tais como: a Lei Sempcônia de 123 a.C., encarregando o Estado da distribuição de cereais abaixo do preço de mercado; a Lei Clódia do ano 58 a.C., reservando o benefício de tal distribuição aos indigentes e; a Lei Aureliana, do ano 270 da nossa era, determinando fosse feita a distribuição do pão diretamente pelo Estado. Eram leis ditadas pela intervenção do Estado no mercado ante as dificuldades de abastecimento havidas nessa época em Roma" (Prux, 1998. p. 79). De acordo com os estudos de Waldírio Bulgarelli, "pode-se encontrar antecedentes os mais antigos: Aristóteles já se referia a manobras de especuladores na Grécia Antiga, e em Roma atestam-no a Lex Julia de cemnoma, o Édito de Diocleciano e a Constituição de Zenon" (Bulgarelli, apud Prux, 1998. p. 79). Há estudos que apontam depoimentos de Cícero (Século I a.C.) assegurando a garantia sobre vícios ocultos na compra-venda no caso do vendedor prometer que a mercadoria era dotada de determinadas qualidades e estas serem inexistentes. "Pirenne, no comentário de sua obra cobrindo o século XIII, é bastante elucidativo no subtítulo - Proteção ao consumidor - ao escrever que a disciplina imposta ao artesão tinha naturalmente por objeto assegurar a qualidade dos produtos fabricados. Neste sentido – acrescenta textualmente o mestre gaulês - também favorecia o consumidor" (SIDOU, apud PRUX, 1998. p. 781). A França de Luiz XI (1481) punia com banho escaldante aquele que vendesse manteiga com pedra no interior para aumentar o peso, ou leite com água para aumentar o volume. O jurista português Carlos Ferreira Almeida afirma que no Direito Português: "os códigos penais de 1852 e o vigente de 1886 (...), reprimindo certas práticas comerciais desonestas, protegiam indiretamente interesses dos comerciantes: sob o título genérico de crimes contra a saúde pública, punem-se certos actos de venda de substâncias venenosas e abortivas (art. 248º) e fabrico e venda de gêneros alimentícios nocivos à saúde pública (art. 251º); consideram-se criminosas certas fraudes nas vendas (engano sobre a natureza e sobre a quantidade das coisas – art. 456); tipificava-se ainda como crime a prática do monopólio, consistente na recusa de venda de gêneros para uso público (art. 275º) e alteração dos preços que resultariam da natural e livre concorrência, designadamente através de coligações com outros indivíduos, disposições revogadas por legislação da época corporativista, que regrediu em relação ao liberalismo consagrado no código penal" (ALMEIDA,1982. p. 40).

51). a defesa da livre incitava e livre concorrência e a não intervenção do Estado na esfera privada. Já nos EUA.6 Na Suécia. afirmava: "É suficiente que deixemos o homem abandonado em sua iniciativa para que ao perseguir seu próprio interesse promova o dos demais. 1/69. o Direito do Consumidor surgiu entre as décadas de 40 e 60.. pelos tipos e preços estabelecidos pela metrópole. Pois nas palavras de Miriam de Almeida Souza. que apresenta a defesa do consumidor como princípio da ordem econômica (art. O Estado Liberal tem como características o poder limitado. foi uma revolução "contra o sistema mercantilista de comércio britânico colonial da época. O Surgimento do Direito do Consumidor do Prisma da Evolução do Estado Liberal O Estado Liberal surgiu no século XVIII em contraposição ao Estado absoluto e veio assegurar o indivíduo em face do Estado. criou-se a Federal Trade Commission. os direitos individuais e políticos. No Brasil. no qual os consumidores americanos eram obrigados a comprar produtos manufaturados na Inglaterra. 4/62. A Revolução americana de 1776 foi uma revolução do consumidor. Adam Smith. a primeira legislação protetora do consumidor foi em 1910. quando foram sancionados diversas leis e decretos federais legislando sobre saúde. que. (. 1221/51. que exercia o seu monopólio. 170) e no artigo 48 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). proteção econômica e comunicações.. a Constituição de 1967 com a emenda n. em 1914. reforçou as seculares "assizes" (Leis do Pão). da antiga metrópole. um dos principais pensadores do liberalismo. já em 1785 na República. que expressamente determinou a criação do Código de Defesa do consumidor. O interesse privado é o . p. pode-se citar: a Lei n. que tinha o objetivo de aplicar a lei antitruste e proteger os interesses do consumidor. denominada Lei de Economia Popular. II. 1996. Também nos EUA. Dentre todas.) Samuel Adams. Pode-se notar que esta lei representa um marco histórico na luta pelo respeito aos direitos do consumidor. apontando sua assinatura na lei que proibia qualquer adulteração de alimentos no estado de Massachusetts" (SOUZA. em 1773. uma figura marcante no episódio do chá no porto de Boston. que consagrou a defesa do consumidor. e a Constituição Federal de 1988. a Lei Delegada n. o episódio contra o imposto do chá no porto de Boston (Boston Tea Party) é um registro de uma manifestação de reação dos consumidores contra as exigências exorbitantes do produtor inglês. em seu período de colônia.

gerando uma concentração econômica. Assim acorreu com a Constituição brasileira de 1988 que dispõe que "o Estado promoverá na forma da lei. No século XIX. editado segundo os Princípios de um Estado Democrático de Direito. o Código Civil. O Estado Social surge no século XX como resposta à miséria e a exploração de grande parte da população. O Direito regia-se pelos Princípios da Autonomia da Vontade. para se manterem empregadas. no entanto. p. houve uma substituição da maquinofatura pela máquina. Nas Constituições promulgadas adotando esse modelo de Estado. gerando o desemprego e a conseqüente a exclusão social daqueles que estavam desempregados. uma comparação exemplificativa entre as regras deste e as do Código de Proteção e Defesa do Consumidor. algumas empresas que se enriqueceram. a garantia os direitos individuais e políticos. aqui. duráveis e não duráveis e em serviços. Portanto. trouxe o vício redibitório como meio de proteção do consumidor. aliada a grande oferta de trabalho. fazia com que as pessoas. mostrou-se ineficaz para a proteção do consumidor. não empregaram a grande parte da população. que seriam quaisquer bens móveis ou imóveis. acrescentando a estes os direitos sociais e econômicos.32). se submetessem à exploração. O Código de Proteção e Defesa do Consumidor. As fábricas. A liberdade contratual. devido à automação incipiente das máquinas. instituída na Revolução Francesa. em muito inovou em comparação com o Código Civil.7 motor da vida econômica" (SMITH. de regulamentação. A grande procura por empregos gerou a desvalorização da mão-de-obra. apud DERANI. formulado segundo o pensamento liberal. Esse meio. neste período. as pessoas deixaram de trabalhar em casa e foram trabalhar nas fábricas e ao redor destas surgiram os centros urbanos. do Consensualismo e da Obrigatoriedade Contratual. Estes foram regulados como normas pragmáticas. Assim. Por sua vez o Código de Proteção e Defesa do Consumidor . Outro ponto é que o Código Civil fala em defeitos ocultos que tornem a coisa imprópria para o uso ou diminuam o seu valor. com o advento da Revolução Industrial. a Constituição Federal de 1988 exigiu que o Estado abandonasse a sua posição de mero espectador da sorte do consumidor. Já o Código de Proteção e Defesa do Consumidor fala em produtos. objeto de contratos comutativos e em bens e imóveis. Logo. os direitos individuais eram mais importantes que os direitos sociais. materiais ou imateriais. Façamos. o Estado passou a intervir na Economia para promover justiça social. a defesa do consumidor". as leis eram feitas para dar sustentação ao liberalismo econômico. a livre incitava e livre concorrência defendida pelos liberais não se concretizou. O Estado Social tem como características o poder limitado. dependendo. O Código Civil fala em coisas. então. Isso porque. Com isso. Concomitante a estes fatos. pois a concorrência não se iniciava em condições iguais e as regras do jogo não eram respeitadas. para adotar um modelo jurídico e uma política de consumo que efetivamente protegesse o consumidor.

da propaganda. praticando. da Faculdade de Direito da Universidade Católica de Louvain. A Revolução Industrial e O Direito do Consumidor O período da Revolução Industrial é de grande importância para o desenvolvimento do Direito do Consumidor. que passou a responder por todo o grupo" (SOUZA. Em conseqüência disto. III. já que passaram a haver outros intermediários entre a produção e o consumo. Com o crescimento da população e o movimento do campo para as cidades. entendeu ser necessária a promulgação de leis para controlar o produtor-fabricante e proteger o consumidor-comprador" (SOUZA. 48). Criou-se. Acrescenta-se. sentiu necessidade de estimular o consumidor a uma necessidade. ou mesmo em satisfazer o consumidor" (SOUZA. ainda. na Bélgica. sempre se interessou mais pela parte monetária do que com o produto. ainda que artificial. enganosos. o prazo decadencial para substituir.8 acrescenta que o defeito pode até mesmo ser de fácil constatação e que a coisa poderá ser enjeitada por não conferir com as especificações da embalagem. a produção aumentou e a responsabilidade se concentrou no fabricante. por isso mesmo. p. o que o professor Thierry Bourgoignie. que "o produtor. denomina de "norma social do consumo". etc. Além disso. "o produtor precisava dar escoamento à produção. desta forma. a produção perdeu seu toque "pessoal" e o intercâmbio do comércio ganhou proporções ainda mais despersonalizadas. para manter o processo produtivo em funcionamento. p. "Antes da era industrial. do rótulo. 1996. abusivos. então. 48). que: . o produtor-fabricante era simplesmente uma ou algumas pessoas que se juntavam para confeccionar peças e depois trocar os objetos (bartering). 1996. via de regra. atos fraudulentos. às vezes. Devido a este movimento.48). Logo. p. O advento da Revolução Industrial foi responsável pelo crescimento da chamada produção em massa. 1996. O produtor estava sempre interessado em formas para escoar sua produção e manter o fluxo de produção-consumo. A justiça social. formam-se grupos maiores. O crescimento e contínuos avanços das tecnologias fizeram com que fossem inseridas na mente do consumidor as idéias de que ele estava precisando de mais objetos que até o momento nunca sentira necessidade de adquirir em sua vida cotidiana. devolver ou pedir abatimento do preço da coisa também foi ampliado no Código de Proteção e Defesa do Consumidor.

pães mofados. Sinclair era um jovem jornalista. IV. conferindo claramente uma dimensão social ao consumidor e ao ato de consumir" (BOURGOIGNIE. p. 52). apud SOUZA. disfarçouse em operário para realizar suas observações na cidade de Chicago. O impacto da novela The Jungle foi de um modo tão avassalador. também. escreveu um romance chamado The Jungle (A Selva). moídos juntamente com os enchimentos das lingüiças vendidas em Chicago. a Meat Inspection Act e a Pure Food and Drug Act. ao descrever de forma bem realística os alimentos deteriorados. Mas curiosamente. que . a "consommariat". 1996. O Direito do Consumidor na Segunda Guerra Mundial e no Cenário do Pós-Guerra Foi em plena Segunda Guerra Mundial. "Os principais personagens eram de uma família de camponeses lituanos que vieram trabalhar pelos contos e fantasias de liberdade e pujança na América" (Souza. no intuito de justificar e fundamentar suas reivindicações proletárias. 52). apud SOUZA. 1996. dotado de idéias socialistas. Sinclair demonstra os abusos cometidos pela industria da carne. em 1906. que se despontava na América Keynesiasna o movimento em prol dos direitos do consumidor. Um exemplo é o seguinte trecho de sua obra: "a carne misturada com pedaços de tecidos esfarrapados e sujos. Em seu romance. 1996. que fortaleceram a fiscalização da pureza da carne. p. Este serviu para despertar no povo do seu país o mais vivo interesse pela problemática do consumidor. A Selva O norte-americano Upton Sinclair. que logo sofreu traduções para 17 idiomas. O romance acabou. de 1906. quando a produção estava a serviço e controle do Estado. p. embora proibidas no comércio exterior" (SINCLAIR. 48). e contribuiu para as . consistentes de melhorias de salário e de condições de trabalho. por inspirar a elaboração de duas leis federais nos EUA. V.9 "faz com que o consumidor perca o controle individual das decisões de consumo e passe a ser parte de uma classe. ele retrata em cores ousadas e dramáticas o impacto social do capitalismo industrial no começo do século XX. foram o surgimento da mídia e as conquistas tecnológicas que deram causa ao ressurgimento da defesa do consumidor. "a guerra intensificou a produção industrial em massa.

pelo qual o juiz estava obrigado a fazer cumprir os efeitos do contrato. a cada instante. se ocorrer imprevisão. Esta quebra possibilitou o surgimento do Direito do Consumidor. ditando medidas que. Todo o esforço da guerra resultou. 105-106). e do advento do marketing científico. com o objetivo de escoar a produção no mercado. resultou da propaganda informativa o marketing (desenvolvido em forma de propaganda de guerra). desse princípio da relatividade dos efeitos do contrato. p. e vai se admitindo o poder do juiz de adaptar seus efeitos às novas circunstâncias (cláusula rebus sic stantibus). Esta restauração se deu sob o nome de "teoria da imprevisão" e visava a quebra do princípio do pacta sunt servanda. quer seja pela alta dos preços. Orlando Gomes afirma que: "o princípio da força obrigatória das convenções. O legislador intervém. na economia dos contratos. Com o advento da televisão. p. quaisquer que fossem as circunstâncias ou as conseqüências. alteram os efeitos dos contratos anteriormente praticados. O contrato era res inter alios acta. está abalado. em um mercado antes restrito somente ao essencial. Após o período do pós-guerra acontece o ressurgimento da cláusula rebus sic stantibus. houve a consolidação do Direito do Consumidor nos Estados Unidos. para o agravamento dos problemas sociais e conflitivos urbanos em decorrência da concentração de renda" (Souza. na década de 60. 1979. Passou-se então a praticar uma concorrência desleal.10 grandes invenções e o aprofundamento da produção em série. 1996. trustes e oligopólios. em face de uma competitividade altamente sofisticada por causa das novas mídias e das próprias complexidades dos mercados surgidos no pós-guerra. colaborou. em aumento substancial de produção no posterior tempo de paz. aumentaram os problemas relacionados à produção e ao consumo. Por fim. O know-how gerado para a guerra provocou. dentre outros motivos. ou de exonerar o devedor do seu cumprimento. para a satisfação de certos interesses coletivos privados" (GOMES. entendia-se que os seus efeitos não deveriam atingir a terceiros. que se fundamentava a partir da responsabilidade civil objetiva e do reconhecimento dos interesses e direitos difusos. queda na qualidade de vida ou aumento da poluição. A partir das iniciativas do presidente americano John Fitzgerald Kennedy. o que sem dúvida. o que enfraquece o princípio da força obrigatória dos contratos. tendo aplicação imediata. inevitavelmente. fortalecendo a tendência da formação dos cartéis. Dirigindo-se por meio de uma mensagem especial ao Congresso Americano. em . então um crescimento em vários segmentos industriais. Com isso. Mas as necessidades sociais impuseram a quebra. 54). desde que os contratos são fonte de obrigações e estas importam limitação da liberdade individual. ainda que excepcional. gerando um arsenal de produtos surpérfulos e diversificados. Podemos perceber que esses problemas influenciaram sensivelmente a vida dos consumidores.

em Genebra. (4) e ainda o direito a preços justos" (SOUZA. Seguindo o exemplo de Kennedy. Kennedy identificou os pontos mais importantes em torno da questão: "(1) os bens e serviços colocados no mercado devem ser sadios e seguros para os uso. (2) proteção dos interesses econômicos. 1996. princípios e normas para que os governos membros desenvolvam ou reforcem políticas firmes de proteção ao consumidor. a Comissão de Direitos Humanos das nações Unidas. (d) educar o consumidor. (3) tenha o consumidor o direito de ser informado sobre as condições e serviços. (b) fomentar e proteger os interesses econômicos dos consumidores. em nível mundial. promovidos e apresentados de uma maneira que permita ao consumidor fazer uma escolha satisfatória. Esta foi. na sua 29ª Sessão em 1973. 56). o programa Preliminar da Comunidade Européia para uma Política de Proteção e Informação dos Consumidores dividia os direitos fundamentais em cinco categorias: "(1) proteção da saúde e da segurança. (5) representação (ou direito de ser ouvido)" (SOUZA. as Nações Unidas. p. (c) fornecer aos consumidores informações adequadas para capacita-los a fazer escolhas acertadas. O Anexo 3 da Resolução mostra quais são os princípios gerais que serão tomados como padrões mínimos pelos governos: "(a) proteger o consumidor quanto a prejuízos à sua saúde e segurança. 56).11 1962. . Em 1985. estabelece objetivos. a qualidade e o preço de bens e serviços colocados no mercado. de acordo com as necessidades e desejos individuais. a primeira vez que. p. 1996. claramente. também reconheceu os princípios e chamou-os de Direitos Fundamentais do Consumidor. (3) reparação dos prejuízos. (2) que a voz do consumidor seja ouvida no processo de tomada de decisão governamental que detenha o tipo. Por sua vez. por meio da Resolução n. (4) informação e educação. houve o reconhecimento e aceitação dos direitos básicos do consumidor.º 39/248.

57). (3) escolha – acesso a uma variedade de produtos e serviços com qualidade e preços competitivos. que muitos dos ordenamentos jurídicos. p. (4) a ser ouvido – exposição e consideração das perspectivas dos consumidores na formação das políticas nacionais. (7) ambiente saudável – ambiente físico apto a proporcionar melhor qualidade de vida agora e no futuro" (SOUZA. acolhendo a Resolução da ONU. ponto de vista compartilhado pela Organização Internacional das Associações de Consumidores (International Organization of Consumers Unions – IOCU). com sede em Haia" (Souza. ainda. A Constituição Brasileira e O Direito do Consumidor A questão dos Direitos do Consumidor é tão importante que em três . 1996. (6) educação – aquisição dos conhecimentos e das habilidades necessárias para ser um consumidor informado ao longo da vida. O IOCU é amplamente respeitado entre as associações de consumidores no mundo. já consagram. VI. 1996. projeto de ONU desde meados dos anos 60. pela Constituição Federal de 1988. 58). (2) informação – conhecimento dos dados necessários para fazer escolhas e decisões informadas. inclusive o brasileiro. 57). processos e serviços nocivos à saúde ou à vida. p. (5) indenização – solução justa de queixas justas. que: "as Nações Unidas também entendem como medida para a proteção dos consumidores o Código de Conduta para as Firmas Transnacionais. E sobre os direitos do consumidor enumera: "(1) segurança – proteção contra produtos. p. 1996. (f) garantir a liberdade para formar grupos de consumidores e outros grupos e organizações de relevância e oportunidade para que estas organizações possam apresentar seus enfoques nos processos decisórios a elas referentes" (SOUZA. Miriam Souza lembra. A proteção do Direito do Consumidor é de tamanha relevância.12 (e) criar possibilidade de real ressarcimento ao consumidor.

1996. de acordo com o que estiver estabelecido nas leis. a dialética produtor x consumidor é bem mais complexa e delicada do que a dialética capital x trabalho" (grifo nosso) (COMPARATO. o artigo 48 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). desta feita realizado em Brasília. já em seu Capítulo I do Título II. na forma da lei. V. o Código do Consumidor é só o início. José Geraldo Brito Filomeno lembra que a sensibilização dos "constituintes de 1887/88. com especial destaque para a contemplação dos direitos fundamentais do consumidor (ao próprio consumo. a defesa do consumidor" o que quer dizer. que o Governo Federal tem a obrigação de defender o consumidor. Coimbra: Almeida. a ser ouvido. Finalmente. 1991. 59).. à educação para o consumo e a um meio ambiental saudável). 1982. Estes três dispositivos constitucionais são mencionados no artigo 1º do Código de Defesa do Consumidor. XXXII que "o Estado promoverá. Mas. Carlos Ferreira. em outras palavras. que a defesa do consumidor é um dos princípios que devem ser observados no exercício de qualquer atividade econômica. A primeira vez." (FILOMENO. no calor das discussões da Assembléia Nacional Constituinte. em 8-5-87. determina que o Congresso Nacional elabore o Código de Defesa do Consumidor.875. trazendo sugestões de redação. e que acabou sendo devidamente protocolada e registrada sob n. citando em seu artigo 170. 21-22). Bibliografia ALMEIDA. apud SOUZA. à segurança. que trata dos direitos e deveres individuais e coletivos estabelece a Carta magna. à indenização.º 2. foi obtida por unanimidade na oportunidade do encerramento do VII Encontro Nacional das (. por razões óbvias. p.13 oportunidades distintas é tratada na Constituição Federal vigente. A segunda vez que a Constituição menciona a defesa do consumidor é quando trata dos princípios gerais da atividade econômica no Brasil. Os direitos dos consumidores. É o que alerta o jurista Fábio Konder Comparato: "na verdade.. p. . à escolha.) Entidades de Defesa Do Consumidor. inclusive aos então artigos 36 e 74 da Comissão "Afonso Arinos". à informação. no artigo 5º.

10. 1998. Miriam de Almeida. São Paulo: Atlas. .14 DERANI. 1979. Direitos Do Consumidor. FILOMENO. Revista do IAP. Revista de Direito do Consumidor. José Geraldo Brito. Belo Horizonte: Edições Ciência Jurídica. Oscar Ivan. Manual de Direitos do Consumidor. Política Nacional das Relações de Consumo e o Código de Defesa do Consumidor. Instituto dos Advogados do Paraná. Responsabilidade Civil do Profissional Liberal no Código de Defesa do Consumidor. GOMES. n. Introdução ao direito civil. PRUX. Altamiro José dos. 29. Souza. Curitiba. 1987. 1991. Cristiane. Belo Horizonte:Del Rey. Rio de Janeiro:Forense. n. 1996. 6 ed. A Política legislativa do Consumidor no Direito Comparado. SANTOS. Orlando.

As relações de consumo e o surgimento da tutela do consumidor. 3. 2. O por quê da tutela? 5. A evolução legislativa brasileira. 6. necessário se faz explicitar como foi o caminho trilhado do "movimento consumerista" que teve nuanças . 4. Terminologia.15 Proteção constitucional do consumidor Autor: Cristian de Sales Von Rondow Sumário: 1. A tutela do consumidor a nível constitucional As relações de consumo e o surgimento da tutela do consumidor Antes de adentrarmos ao tema propriamente dito. A proteção no direito alienígena (Direito Comparado e Internacional).

de modo que o consumo faz parte do dia-a-dia do ser humano. Os serviços se ampliaram em grande medida". que vão desde a necessidade e da sobrevivência até o consumo por simples desejo. embates acirrados e por fim uma difusão mundial da consciência de que o consumidor. Após a transformação do panorama econômico. causando profundas e inesperadas alterações sociais.(3) Não há dúvidas de que as relações de consumo ao longo do tempo evoluíram drasticamente. Hodiernamente as chamadas relações de consumo.16 próprias. João Batista de Almeida(1) aduz que "independentemente da classe social e da faixa de renda. o consumo pelo consumo". que envolvem milhões de reais ou de dólares. nasce um capitalismo agressivo que impôs um ritmo elevado na produção. dado as alterações substanciais no panorama mundial. político. Mas esta nova forma de vender e comprar trouxe em seu bojo o poderio econômico das macro-empresas de impor seus produtos e mercadorias àquele . Temos que a origem protecionista do consumidor se deu com as modificações nas relações de consumo. consumimos desde o nascimento e em todos os períodos de nossa existência. Para trás ficou aquelas relações de consumo que estavam intimamente ligadas às pessoas que negociavam entre si. outrora campo exclusivo do estudo da ciência econômica passou a fazer parte do rol da linguagem jurídica. erigindo um novo modelo social. a sociedade de consumo (mass consumption society) ou sociedade de massa. E o fez. para dar lugar à "operações impessoais e indiretas. por seu turno difícil de precisar seu início. estas alterações foram introduzidas pelo liberalismo emergente do século XIX. diante do avanço tecnológico dos meios de produção passara a ser a parte fraca da relação de consumo necessitando de uma legislação que resguardasse não apenas os direitos básicos. gerou a sociedade de consumo ou sociedade de massa.(2) Para Maria Antonieta Zanardo Donato. sendo esta. qual seja. Instaura-se um novo processo econômico. para um número cada vez maior de consumidores. A afirmação de que todos nós somos consumidores é verdadeira. Não ficamos um só dia sem consumir algo. Os bens de consumo passaram a ser produzidos em série. em que não se dá importância ao fato de não se ver ou conhecer o fornecedor. que infiltrou-se no Direito operando sua transformação. mas também que punisse aqueles que o desrespeitassem. (4) E essa produção em massa aliada ao consumo em massa. Por motivos variados. econômico e jurídico que permeavam época pretérita transportando-se para o cenário atual. Do primitivo escambo e das minúsculas operações mercantis tem-se hoje complexas operações de compra e venda.

o desmesurado desenvolvimento das relações econômicas. trouxeram a lume à própria realidade dos interesses coletivos.(8) Tal linguagem não se verificava no Direito Privado Brasileiro. gastar. sobretudo a sua vulnerabilidade outorgando-lhes direitos específicos. A partir dessa fundamental constatação. Na linguagem dos economistas. Como . por terem escapado do controle do homem. a tutela do consumidor ganhou espaço no seio jurídico. e. das metrópoles. consumo. repercutindo de forma negativa sobre a qualidade de vida e atingindo inevitavelmente os interesses difusos. e os debates em torno da matéria iniciaram-se face às novas situações decorrentes do desenvolvimento. despender. Todos esses fenômenos. o fenômeno da propaganda maciça. a explosão demográfica. seria o ato pelo qual se completa a última etapa do processo econômico. A partir deste evento. O vocábulo consumidor. Milaré e Nelson Nery Júnior aduzem que a tutela dos interesses difusos em geral e do consumidor em particular deriva das modificações das relações de consumo e evidenciam que: ‘o surgimento dos grandes conglomerados urbanos. multinacionais e das atividades monopolísticas. o nascimento dos cartéis. significa acabar. com a produção e consumo de massa. o aparecimento dos meios de comunicação de massa.(6) Dado a esta imposição. do verbo consumir. O caminho natural da evolução nas relações de consumo certamente acabaria por refletir nas relações sociais. a hipertrofia da intervenção do Estado na esfera social e econômica. os consumidores começaram a enxergar que estavam mais para súditos do que para monarcas. passando a fazer parte quando da promulgação do Código de Defesa do Consumidor. muitas vezes voltaram-se contra ele próprio. por sua vez oriundo do latim consumere. vários ordenamentos jurídicos do mundo todo passaram a reconhecer a figura do consumidor e. Terminologia Ponto interessante se mostra a terminologia jurídica de "consumidor". bem como estavam desprotegidos e vulneráveis às práticas abusivas das empresas e para tanto necessitavam de proteção legal. até então existentes de forma latente despercebidos’. uma vez que vários autores advertem não ser tarefa fácil definir consumidor no sentido jurídico. entre outras coisas. que se precipitaram num espaço de tempo relativamente pequeno. Esse entendimento é corroborado por João Batista de Almeida(7) que citando Camargo Ferraz. econômicas e jurídicas do mundo. corroer. a revolução industrial. absorver. holdings.17 (consumidor) que ao que parecia seria "monarca do mercado"(5) ou o "rei do sistema". com eles.

Portugal e Espanha. Finlândia. é tema supranacional abrangendo a totalidade dos países desenvolvidos ou em desenvolvimento. Direito Comparado . A proteção do consumidor no direito alienígena (Comparado e Internacional) O resguardo jurídico do consumidor não é tema exclusivo de um único país. . Longe disso. Bélgica e Holanda). Fair Credit Reporting Act e Fair Debt Collection Act. . .A iniciativa de cinco países (Estados Unidos.Discurso do presidente Kennedy ao Congresso Americano (março/62). Uniform Consumer Credit Code. incluindo-se. mas que passaram a fazer parte do universo jurídico e no Brasil. . em 1969. § único). no sentido de criar. ainda que indetermináveis. Alemanha. França. Uniform Consumer Sales Act. que haja intervindo nas relações de consumo" (art. México.Lei sobre documentos contratuais uniformes de Israel (1964). também. É de Newton De Lucca a apresentação de quadro sintético desta proteção: No Direito Comparado (antecedentes legislativos) e no Direito Internacional. 2º. . Noruega. Bélgica. considerou serem 4 os direitos de todo o consumidor: . Direito Internacional . Safety Act. a partir da década de 60. Suécia. por equiparação. a conceituação legal ou o conceito standart de consumidor é dado pelo Código de Defesa do Consumidor em seu Artigo 2º aduzindo que "consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final". no âmbito da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE. Truth in Lending Act. França.18 mencionado eram expressões voltadas à ciência econômica.Lei de caráter geral ou específica no seguintes países: Inglaterra. nos EUA: Consumer Credit Protection Act.A comissão das Nações Unidas sobre Direitos do Homem. Alemanha.Lei fundamental de proteção aos consumidores no Japão (1968).Numerosos textos legais. "a coletividade de pessoas. Dinamarca. uma "Comissão para a política dos consumidores".

2. vejamos: o da isonomia ou da vulnerabilidade. o da hipossuficiência.7. . que o mesmo tema fora debatido em praticamente todos os países da Europa. reconhecendo-se ser este a parte fraca. no tocante aos países membros do CEE. que já não mais tutelavam novos interesses identificados como coletivos e difusos.A aprovação de vários documentos pela Assembléia do Conselho da Europa – Diretiva 85/374.o direito de ser ouvido no processo de decisão governamental. .No Âmbito da ONU – Resolução 39/248.o direito à segurança. enfim. reconhecidamente concreto. O por quê da tutela? A justificativa que se tem para o surgimento da tutela do consumidor. 3. de 24. Destaca-se. apontada como a verdadeira origem dos direitos básicos do consumidor. de 9. bem como a insuficiência dos esquemas tradicionais do direito substancial e processual. em que se vislumbrou a posição de inferioridade do consumidor em face do poder econômico do fornecedor. bem como sobre as condições de venda.o direito de escolher sobre bens alternativos de qualidade satisfatória a preços razoáveis. surgiu "de uma reação a um quadro social. é que esta nasceu fruto dos mais variados problemas sociais "surgidos da complexidade da sociedade moderna e os reclamos de indivíduos e grupos". "não surgiu aleatória e espontaneamente". .o de ser adequadamente informado sobre os produtos e os serviços. que para alguns é um princípio(14) foi a pedra de mote para o surgimento da tutela do consumidor.85.19 1. os EUA foram o grande propulsor da mensagem protecionista do consumidor. pela busca do equilíbrio entre as partes envolvidas".4.(9) Conforme denota-se. (12) E termina o festejado autor: "a tutela surge e se justifica. esta tutela. também. Para João Batista de Almeida.85. vulnerável nas relações de consumo. originando a hipossuficiência deste.(10) Para João Batista de Almeida. de modo a influenciar grandemente diversos países com esta doutrina. Luiz Antonio Rizzatto Nunes e Cláudio Bonatto/Paulo Valério Dal Pai Moraes. 4. alguns são os princípios orientadores desta tutela protetiva.(13) Está assentado doutrinariamente que a vulnerabilidade do consumidor. (11) Ao contrário.

pois. por meio do Decreto nº 91. 115 – A ordem econômica deve ser organizada conforme os princípios da justiça e as necessidades da vida nacional. o do da equivalência. e para a necessidade de uma atuação mais enérgica no setor. alertando para a gravidade do problema. embora não fosse a defesa do consumidor tratada como tema específico como é hoje. verbis: "Art. o evoluir não parou. densamente de natureza social.469 que posteriormente foi extinto e substituído pela atual Secretaria Nacional de Direito Econômico (SNDE). Foi o Decreto nº 22. João Batista de Almeida(16) aduz ser de 1971 a 1973 os discursos proferidos pelo então Deputado Nina Ribeiro. A matéria ganhou status constitucional (Constituição de 1934. só em 1985 foi criado o Conselho Nacional de Defesa do Consumidor. E assim. 115 e 117). Somente em 1978 surgiu em nível estadual. esta não fora a intenção. embora essa não fosse a intenção principal do legislador. o desenvolvimento do crédito e a nacionalização progressiva dos bancos de depósito. "Art. Na esfera federal. de 7 de abril de 1933 (Lei da usura) a primeira norma nesta seara que visava reprimir a usura. devendo constituir-se em sociedade brasileira as estrangeiras que actualmente operam no paiz. A evolução legislativa brasileira A defesa do consumidor como tema específico é entre nós algo recente. do dever de informar. criado pela Lei nº 1.(15) Cumpre esclarecer que não trataremos dos princípios acima mencionados. o Procon de São Paulo. que será punida na fórma da lei. mas apenas trazê-los à colação com o fito de demonstrar ser esta tutela orientada por princípio basilares do direito constitucional que se espraiaram para o direito do consumidor.20 o do equilíbrio e da boa-fé objetiva. o da conservação do contrato. o primeiro órgão de defesa do consumidor. verifica-se a existência de referida defesa como tema "inespecífico"(17) em legislações esparsas que indiretamente protegia o consumidor. o da transparência e o da solidariedade. Dentro desses limites. 117 – A lei promoverá o fomento da economia popular. Parágrafo único: É proibida a usura. de modo que possibilite a todos exist~encia digna.626. que passamos a transcrever." . arts. é garantida a liberdade econômica". com a proteção à economia popular.903. o da revisão das cláusulas contrárias ou da repressão eficiente aos abusos. de 1978. Igualmente providenciará sobre a nacionalização das empresas de seguros em todas as sua modalidades. Todavia.

foi promulgada a Lei nº 7. inclusive aos então artigos 36 e 74 da "Comissão Afonso Arinos".137 de 1962). além de outros bens tutelados. denominado "crimes de colarinho branco". sobrevindo. posto que brotava na nação a consciência da necessidade de proteção ao consumidor. Todavia. num evoluir ascendente. inciso XXXII. e que acabou sendo devidamente protocolada e registrada sob o nº 2.21 Posteriormente veio o Decreto-Lei nº 869. O primeiro deles e o mais importante por refletir toda a concepção do movimento está grafado no artigo 5º. Mas os passos mais significativos neste campo foram dados a partir de 1985.875. Noutra passagem. com ênfase ao VII Encontro Nacional das referidas Entidades de Defesa do Consumidor. a defesa do consumidor. mas apenas cuidou de forma indireta. atualmente Juizados Especiais Cíveis (Lei 9. realizado em Brasília. Mas sem dúvida ou medo de errar. na estrutura do Ministério da Justiça. onde diz que dentre os deveres impostos ao Estado brasileiro. autorizando os Estados a instituírem os Juizados de Pequenas Causas. e depois o de nº 9. culminando assim.099/95). é atribuída a competência concorrente para legislar sobre . que cuidaram dos crimes contra a economia popular.347 que disciplina a ação civil pública de responsabilidade por danos causados ao consumidor. a constituinte de 1988 curvou-se ante aos anseios da sociedade e ao enorme trabalho dos órgãos e entidades de defesa do consumidor. à tutela jurisdicional dos interesses difusos em nosso país. dando início desta forma. 115 e 117). está o de promover.244. por razões óbvias. passaram a ser punidos os crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. que de maneira reflexa beneficiava o consumidor.492 de 16 de junho de 1986. Em 1984 editou-se a Lei nº 7.840. na forma da lei. na inserção de quatro dispositivos específicos e objetivos sobre o tema. Surge a Lei de Repressão ao Abuso do Poder Econômico (nº 4. no capítulo relativo aos "direitos e deveres individuais e coletivos". Com a Lei nº 7. quando em 24 de julho daquele ano. além de haver criado o Conselho Administrativo de Defesa Econômica – CADE. A tutela do consumidor a nível constitucional Como já mencionado. mas não como elemento contundente para a prática do Estado. de 11 de setembro de 1946. ainda existente. em 1951 a chamada Lei de Economia Popular que vige até hoje. trazendo sugestões de redação. em 8-5-87. de 18 de novembro de 1938. a tutela do consumidor a nível constitucional foi posta na Constituição de 1934 (arts. no calor das discussões da Assembléia Nacional Constituinte. com especial destaque para contemplação dos direitos fundamentais do consumidor. esta inserção não deixa de demonstrar ares de preocupação do constituinte com o tema.

diz o artigo 48 do ato de suas disposições transitórias que "o Congresso Nacional. la ley regulará el comercio interior y el régimen de autorización de productos comerciales". a saber: O advento da Lei nº 8. Los poderes públicos promoverán la información y la educación de los consumidores y usuarios. Fábio Konder Comparato (RDM nº 80. estabeleceu. E em nota. Como todo programa . ainda no bojo da Constituição de 1988.078. en los términos que la ley establezca. 48 do ADCT) como. no art.9. finalmente. No primeiro deles. 66 a 75. 3.(18) O citado autor faz observação interessante ao afirmar que ‘a consagração constitucional dos direitos dos consumidores não constitui a regra em termos de direito comparado’. la seguridad. V).90 (Código de Defesa do Consumidor) terá representado o integral cumprimento da proteção constitucionalmente estabelecida em favor desse mesmo consumidor?(20) Como resposta à questão o conceituado autor traz a lume a opinião do Prof. de 11. caber prioritariamente ao Estado ‘proteger o consumidor especialmente mediante o apoio e a criação de cooperativas e associações de consumidores’. 2.(19) Finalizando o estudo em apreço. dentro de cento e vinte dias da data da promulgação da Constituição. E. artigo intitulado "A Proteção ao Consumidor na Constituição Brasileira de 1988"): ‘Por outro lado. tendo por objeto uma ampla política pública (public policy). indubitavelmente. mas o comando constitucional foi respeitado com a promulgação da Lei 8. 81. de 11 de setembro de 1990 o chamado Código de Defesa do Consumidor. mediante procedimientos eficaces. En el marco de lo dispuesto en los apartados anteriores. encerraremos com a "questão para debate" proposta pelo Doutor Newton De Lucca. aduz: "pelo que sei. fomentaran sus organizaciones y oirán a éstas en las cuestiones que puedan afectar a aquéllos. VIII). Já o art. prazo não respeitado. 51 da Constituição espanhola de 1978 declara que: "1. 24.078. 170. todos os princípios da proteção acham-se constitucionalmente assegurados".22 danos ao consumidor (art. A expressão designa um programa de ação de interesse público. Los poderes públicos garantizaran la defensa de los consumidores y usuarios protegiendo. um tipo de princípio-programa. apenas Portugal e Espanha possuem em suas Constituições dispositivos em favor da proteção aos consumidores. a defesa do consumidor é. elaborará código de defesa do consumidor". mais amplamente. a defesa do consumidor é apresentada como um dos motivos justificadores da intervenção do Estado na economia (art. pp. la salud y los legítimos intereses económicos de los mismos. No capítulo da Ordem Econômica. a Constituição de 2 de abril de 1976. O mestre Newton De Lucca assevera que "não apenas o Código de Defesa do Consumidor tem base constitucional (art.

p. por si só. ela pode impor tarefas.(21) Notas 1. uma série organizada de ações. 3. Proteção ao Consumidor. i. É claro que a implementação desses meios exige a edição de normas – tanto leis. em força ativa. João Batista.e. São Paulo. se puder identificar a vontade de concretizar essa ordem. A Constituição jurídica logra converter-se. imposta na lei ou na Constituição. Ed. mas essa atividade normativa não exaure. a política pública desenvolve uma atividade. 85 e ss). não ficamos aquém nesta seara. realizar nada. ela mesma. tão-somente. em sua célebre obra "A Força Normativa da Constituição" aduz que "a força normativa da Constituição não reside. na consciência geral – particularmente.. 2. mas também a vontade de Constituição (Wille zur Verfassung)". na adaptação inteligente a uma dada realidade. apenas a proteção efetiva. em absoluto. se. É preciso não esquecer de que esta só se realiza mediante a organização de recursos materiais e humanos. Quer isso dizer que os Poderes Públicos detêm um certo grau de liberdade para montar os meios adequados à consecução desse objetivo obrigatório. A Proteção Jurídica do Consumidor. Vol. Proteção ao Consumidor. portanto. é um "Zweckprogramm" ou "Finalprogramm" (Cfr.Almeida. o conteúdo da policy. pode-se afirmar que a Constituição converter-se-á em força ativa se fizerem-se presentes. para a consecução de uma finalidade. Ed. porém. Maria Antonieta Zanardo. faltando-lhe. P 15. por meio das chamadas "normas-objetivo". RT- . A Constituição transforma-se em força ativa se essas tarefas forem efetivamente realizadas. RT1993. 7. Embora a Constituição não possa. Saraiva-2000. se existir a disposição de orientar a própria conduta segundo a ordem nela estabelecida. Concluindo. 7.Donato. ambos previstos e dimensionados no orçamento-programa’. quanto regulamentos de Administração Pública. mas há que se ressaltar que diante das nações mais avançadas do mundo. Vol. Konrad Hesse. Maria Antonieta Zanardo. que se assenta na natureza singular do presente (individuelle Beschaffenheit der Gegenwart). como já se disse. não só a vontade de poder (Wille zur Macht). ou programa de ação pública. cit. cujo conteúdo. vezes por falta de vontade política e outras por falta de recursos técnicos e materiais. Ed. A imposição constitucional ou legal de políticas é feita. a despeito de todos os questionamentos e reservas provenientes dos juízos de conveniência. Insta asseverar que o consumidor brasileiro está legislativamente equipado à altura. 01. 2ª Edição. na consciência dos principais responsáveis pela ordem constitucional -.23 de ação.Donato.

Ed. 22. p. São Paulo. Edipro. RT1993. . Saraiva. 10. Ed. 2ª Edição. conceitos. 11. A Proteção Jurídica do Consumidor. Saraiva-2000. 4. Proteção ao Consumidor. Saraiva-2000. A Proteção Jurídica do Consumidor. 6. Ed. São Paulo. Saraiva-2000. 30-56. p. 2ª Edição.Donato. 15. 22.54-5. p. Droit de la Consommation. 7. São Paulo. 2ª Edição. Ed. Ed. Saraiva-2000. p. Porto Alegre. Livraria do Advogado-1999. Cláudio. 17. Direito do Consumidor. São Paulo. João Batista. P. 5. 8. 12. p. Jean Calais-Auloy.Almeida. cit. 2ª Edição. cit. cit.Lucca.Almeida. Antonio Augusto Camargo Ferraz. 2ª ed. 45-6. p. cit. Bonatto. Maria Antonieta Zanardo.24 1993. 2ª edição.Almeida. p. p. 13. contratos. São Paulo. 7. Paria. São Paulo-2000. Saraiva-2000. 2ª Edição.Almeida. Saraiva-2000. Cláudio.42. P. Newton De. Édiz Milaré e Nelson Nery Júnior. Newton De. A Proteção Jurídica do Consumidor. São Paulo-2000. Livraria do Advogado-1999. Ed. p. Direito do Consumidor. P. p. 6. cit. Ed. Ed. A Proteção Jurídica do Consumidor. Saraiva-2000. A Proteção Jurídica do Consumidor. 2ª edição. 19. cit. A ação civil pública e a tutela jurisdicional dos interesses difusos. Direito do Consumidor. Ed.Lucca. 18. São Paulo-2000. 9. 22.Almeida. 02. cit. p. p. Edipro. Apud. Ed.Lucca. Questões controvertidas no Código de Defesa do Consumidor: principiologia. 20. João Batista. Ed. João Batista. 2ª Edição. Ed. A Proteção Jurídica do Consumidor. 2ª Edição.Almeida. João Batista. A Proteção Jurídica do Consumidor. João Batista. 2ª Edição. 25/30. João Batista. Vol. Porto Alegre.Almeida. 21. 2ª Edição. cit. Newton De. 14..Bonatto. conceitos. Questões controvertidas no Código de Defesa do Consumidor: principiologia. João Batista. São Paulo. cit. 1984. Ed. p. Apud. Edipro. 1986. 03. 2ª Edição. São Paulo. São Paulo. Dalloz. contratos.

18. p. p. A Proteção Jurídica do Consumidor. João Batista. São Paulo-2000. 19. 34.Almeida. A Proteção Jurídica do Consumidor. . Apud nota nº 20. Ed. Saraiva-2000. Newton De. p. Porto Alegre-1991. p. 20. Saraiva-2000.Lucca. Edipro. Ed.Lucca. Direito do Consumidor.Almeida. p. João Batista.Lucca. Newton De. p. cit. cit. São Paulo. São Paulo-2000. cit. Apud nota nº 20 21.Hesse. Konrad. São Paulo. 2ª Edição. Ed. Direito do Consumidor. 2ª Edição. Ed. 2ª Edição. São Paulo-2000. 19. Editor Sergio Antonio Fabris. 10. A Força Normativa da Constituição. 2ª Edição. 34. 2ª Edição. Edipro. 34. Edipro. Newton De. 17.25 16. Ed. 10. Direito do Consumidor.

que é o da vulnerabilidade do consumidor. Direitos do Consumidor . 2. O princípio do dever governamental art. em que demonstra os caminhos por eles percorridos sob a ótica da Teoria Geral do Direito. 1. Abuso do Poder Econômico e Consumidor. 2. Princípio da Vulnerabilidade. o sistema de proteção e defesa do consumidor brasileiro. 4°. 2. 2. II. PALAVRAS-CHAVE Consumidor. Princípios fundamentais da política nacional das relações de consumo. RESUMO O presente trabalho retrata a enorme importância do estudo a cerca do tem. o princípio da eqüidade e a cláusula geral de boa-fé. Bibliografia. o princípio da proibição do abuso do direito e a função social dos contratos. VI e VII. e em particular. 2. 4°. IV e VIII. O princípio da garantia da adequação art. 3.2. Legislação infraconstitucional: o momento da parturição do Código de proteção e defesa do consumidor. 2.art. A análise com maior grau de aprofundamento recai sobre a principiologia criada com a elaboração da Lei 8. Da constitucionalização dos princípios gerais. 4°. o princípio da vulnerabilidade do consumidor. 1. Teoria Geral do Direito RESUMÉ .9. Princípio da boa fé nas relações de consumo art. 2. Dos Princípios Gerais de Direito. princípios gerais de direito.1. I.5.4. Livre concorrência. 1. 1. Conclusão. 2.1.2.4. chama-se a atenção do leitor para um dos mais importantes.078/90. o Código de Defesa do Consumidor. 4°.previsão constitucional. 2. 4°. As diretrizes gerais da política e do direito do consumidor. II. Dentre estes. senão o mais importante dos princípios do sistema de proteção consumerista. Princípio da vulnerabilidade do consumidor art. desde a sua constitucionalização até a sua irradiação por entre outros ramos do Direito. A Política Nacional das Relações de Consumo e sua abrangência.6. III e VI. Boa-fé.7. Introdução.26 Princípios nucleares do Código Brasileiro de Defesa do Consumidor e sua extensão como princípio constitucional Autor: Henrique Alves Pinto Sumário: Resumo. contida de mandamentos nucleares tais como. 1. 2. Princípio da informação . Consumo sustentável e o princípio da integração. Princípio do acesso à justiça.8.3. "D" e V. A defesa do consumidor e sua extensão como princípio constitucional.3.

le principe de la prohibition de l'' abus de droit et la fonction sociale des contrats.27 Ce travail veut présenter l'' enorme importance de l'' etude concernant les principes généraux du droit dans le cadre des chemins parcouris par lui sous le sceau de la Théorie générale du Droit. mesmo que tenham seguido o processo correto da dedução. p. L'' analyse plus approfondie retombe sur les principes créés par la loi 8. não podem dar conhecimento certo de alguma coisa. depuis as constitution jusqu'' à sa penetration dans les autres branches du Droit et. falta de coerência entre as partes. DOS PRINCÍPIOS GERAIS DE DIREITO Sobre os princípios gerais de direito importa citarmos Miguel Reale (1999. no ato de sua criação. O homem equipado de sabedoria percebe facilmente a fragilidade dessa estrutura. de se ter evidentes premissas para se erguer um concreto sistema à base de um forte princípio. além do estudo das ingressões destes princípios no Código de Defesa do Consumidor de 1990. le code de defense du consommateur. celui de da vulnérabilité. Bonne-foi. on attire l'' attention du lecteur sur l'' un des plus importants ou peut-être le plus important des principes du système de protection du consomateur. Principe de la Vulnérabilité.078/90. le système de protection et de défense du consommateur brésilien. danificam o sistema podendo até mesmo levá-lo a sua ruína. destituídos de um conteúdo científico. Será essa necessidade. Parmi ceux-là. Théorie générale du Droit. INTRODUÇÃO Todas as conclusões advindas de um princípio que não é evidente. en particulier. sendo este. inclusive nos sistemas mais bem aceitos e com as maiores pretensões de conter raciocínios mais elaborados. uma das propostas de desenvolvimento deste trabalho. também não podem ser evidentes. Daí que todos os raciocínios assentes sobre tais princípios. où il y a des points fondamentaux tels que le principe de la vulnérabilité du consummateur. MOT-CLÉ Consommateur. e de evidência no todo. celui de l'' égalité et la rubrique générale de bonne foi . c'' est-à-dire. totalmente dotado de uma carga manifestamente principiológica em suas normas. . 1. Princípios acolhidos com base na confiança.

por serem evidentes ou por terem sido comprovadas. 42). A expressão princípios gerais de direito é por demais ampla e um autor de grande autoridade como Rubens Limongi França (apud RODRIGUES. 2002). como tais admitidas. há de se atribuir um sentido diferente a eles. essencial às ciências naturais. "Nada existe de mais tormentoso para o intérprete. a dos monovalentes. uma vez que o legislador quer referir-se àquelas normas que o orientam na elaboração da sistemática jurídica. 1999. b) PRINCÍPIOS PLURIVALENTES: quando aplicáveis a vários campos de conhecimento. de acordo com Miguel Reale (1999. impõem-se. encontrada pelo direito suíço . como é o caso dos princípios de identidade e de razão suficiente." (REALE. Dessa abordagem lógica da palavra "princípio"." (RODRIGUES. isto é. como é o caso dos princípios gerais de direito. de certos enunciados lógicos admitidos como condição ou base de validade das demais asserções que compõem todo campo do saber. que a presente monografia irá demonstrar: a incidência deles no âmbito das relações consumeristas devido à alta carga principiológica contida no texto da lei de defesa do consumidor. 25) A esse respeito reportemo-nos a Washington de Barros Monteiro (1997. p. que a aplicação dos princípios gerais de direito. os princípios se dividem em três categorias: a) PRINCÍPIOS OMNIVALENTES: quando são válidos para todas as formas de saber. como uma necessidade na vida do homem em sociedade. p. mas não extensivo a todos os campos do conhecimento. aqui. entende que é aos princípios de direito natural que o legislador manda recorrer na lacuna da normatividade. pode-se dizer que "os princípios são ''verdades fundantes'' de um sistema de conhecimento. ressaltemos. 2002. 306). não especificados pelo legislador. inexoravelmente. àqueles princípios que "baseados na observação sociológica e tendo como objetivo regular os interesses conflitantes. Todavia. c) PRINCÍPIOS MONOVALENTES: quando só valem como âmbito de determinada ciência. ou seja." Com base nessa posição. a resolução para o eventual problema da aplicação dos aludidos princípios gerais. p. p. 305) Nesse sentido. como se dá com o princípio de causalidade. Será essa categoria de princípios.28 305): deve começar pela observação fundamental de que toda forma de conhecimento filosófico ou científico implica a existência de princípios.

por mais complicadas que estas sejam no interior de um sistema de normas. 4° da Lei de Introdução ao Código Civil a orientação a seguir. 306). Daí infere-se que todo sistema se quiser adquirir a qualidade de um sistema que se completa e se relaciona por toda a extensão de seu corpo normativo. encontra-se. p. mas é necessário advertir que a estes não cabe apenas essa tarefa de preencher ou suprir as lacunas da legislação. portanto. 306). quer para a sua aplicação e integração. algo que era impossível ser vislumbrado sequer pelo legislador no momento da futura lei. Mas de maneira alguma se colocará em dúvida que as lacunas de fato existem no direito positivo. acerca do entendimento deste autor sobre os princípios gerais de direito em que ele nos revela o seguinte: "princípios gerais de direito são enunciações normativas de valor genérico. p. Os princípios espargem claridade sobre o entendimento das questões jurídicas. os costumes e os princípios gerais de direito. isto significa que: O legislador. Para essas lacunas há a possibilidade do recurso aos princípios gerais de direito. sejam eles previstos ou imprevistos. que condicionam e orientam a compreensão do ordenamento jurídico. 232): Todo discurso normativo tem que colocar. por conseguinte. restando sempre grande número de situações imprevistas. 25) Assim. citando as palavras do constitucionalista Paulo Bonavides (2002. Diante desta exposição. Ora. Nas precisas palavras de Miguel Reale (1999. Concluamos este tópico. não merecendo acolhimento esse entendimento." (RODRIGUES. porém. p. 1° do Código Civil deste país que "no silêncio da lei e não havendo um costume a regular uma relação jurídica.29 que dispõe no art. deve o juiz decidir ''segundo as regras que ele estabeleceria se tivesse de agir como legislador''. 2002. presentes ou futuros. o certo é que tais elementos constituem uma breve resolução do problema. deve estar . é o primeiro a reconhecer que o sistema das leis não é suscetível de cobrir todo o campo da experiência humana. ao se examinar o direito positivo pátrio. mas não a solução definitiva e concreta dele. que para vários juristas essas lacunas não podem e nem verdadeiramente poderão existir. uma vez que o ordenamento jurídico oferece ferramentas para regular todos os casos possíveis. posto que na própria há elementos para suprir essas lacunas. quando a norma jurídica for omissa. temos a célebre noção atribuída por Miguel Reale (1999. p. é evidente. quer para a elaboração de novas normas". Note-se. o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia. que tais princípios gerais são imprescindíveis ao direito. por força do qual. no art. portanto em seu raio de abrangência os princípios aos quais as regras se vinculam.

aquele que diz respeito ao modo de referência à realidade. mas. Por plano semântico.30 armado de princípios que emanam de um núcleo central. já que nossas constituições não eram respeitadas. Neste sentido será a interpretação um ato de vontade e um ato de conhecimento e como ato de conhecimento não caberá à "Ciência do Direito dizer qual é o sentido mais justo ou mais correto. 2002. 2002. ao realizar reiteradas incursões nos níveis sintático. Por plano sintático entende-se aquele formado pelo relacionamento que os signos lingüísticos mantêm entre si. possui . p. a semântica e a pragmática. percebe-se também que dado esse rigor necessário do corpo principiológico central. a interpretação e aplicação dos mais variados ramos do direito tomando-se por base "a lei ordinária principal que o regulamentava. Por plano pragmático. pelo menos até pouco tempo atrás. todo e qualquer princípio que daí se irradiar por outros sistemas periféricos estará sendo amparado pela base. Daí a alegação de que a ofensa à Constituição. apontar as interpretações possíveis." (NERY JÚNIOR. Assim se fixarmos o pressuposto de que o direito positivo é uma camada lingüística de termos prescritivos dirigidos ao comportamento social das relações de intersubjetividade. p. ou seja. 99) 1. sempre foi muito comum. simplesmente. semântico e pragmático da linguagem jurídica. formados de postulados que seguem os preceitos do princípio da identidade que é comum a todos os campos do saber. deverá o intérprete adotar o critério sistemático de interpretação. 2002." (BARROS CARVALHO. nos seus três planos fundamentais: a sintaxe. a qualificação dos fatos para alterar normativamente a conduta.1 Da Constitucionalização dos Princípios Gerais Em decorrência da alta instabilidade política percebida ao longo dos tempos na história do Brasil. Em vista disso percebe-se "porque não se vinha dando grande importância ao Direito Constitucional. nada mais justo que apresentarmos a proposta de interpretação do direito como um sistema de linguagem. Além disso. p. 19). 97) E para se chegar ao conteúdo intelectual dos textos do Direito através da exegese." (BARROS CARVALHO. nos países com estabilidade política e que se encontram num verdadeiro Estado Democrático de Direito. 19) Isso acontece devido à falta de um forte regime democrático. p. de estabilidade política que possam contribuir com o fortalecimento do Estado Democrático de Direito. sem qualquer menção ao mundo exterior do sistema. 2002. tampouco aplicadas efetivamente"(NERY JÚNIOR. porque envolve os três planos fundamentais. aquele "tecido pelas formas segundo as quais os utentes da linguagem a empregam na comunidade do discurso e na comunidade social para motivar comportamento.

REALE. Simonius tem razão quando afirma que "o Direito vigente está impregnado de princípios até suas últimas ramificações. dotada de um alto teor de abstração e de perfeição. 246). p. p. quando há ofensa à Constituição. 20): "O intérprete deve buscar a aplicação do direito ao caso concreto. essa situação vem apresentando uma grande mudança. que "a constitucionalização dos princípios compreende dessas fases distintas. na . posto serem preservados pelos cidadãos orientados por uma carga principiológica que reside na base deste sistema. p. suscetível de imediata aplicação. através dos princípios contidos em seu corpo." (apud."(NERY JÚNIOR. por ser concreta e completa. 246) Por fase programática deve-se entender que é uma fase de concreção. sempre tendo como pressuposto o exame da Constituição Federal. este constitucionalista. De acordo com Nelson Nery Jr. apresentando-se "como mais uma defesa que o interessado opõe à contraparte. (2002. a normatividade constitucional dos princípios é mínima. e ao contrário do que se pode perceber na fase programática. p. o da função interpretativa e da aplicabilidade da Constituição. Depois. ao grau mais alto a que eles já subiram na própria esfera do Direito Positivo: o grau constitucional". a fase programática e a fase não programática". que demandam de operações integrativas em que se percebe a ausência de juridicidade. 246) o seguinte: Na primeira. ao declarar que o Direito Constitucional é a base fundamental do direito para o país.31 conseqüências catastróficas. 2002. 1999. (2002. "numa escala de densidade normativa. 306) Deste ponto de partida. sim. é dotada de incontrastável juridicidade. "a alegação não é levada a sério na medida e na extensão que deveria". o que podemos perceber dos ensinamentos deste jurista é que será na Constituição de determinado país que se encontrarão os mais altos valores do Direito Positivo. Já a fase não programática é uma fase dotada de objetividade. é que podemos chegar." Na verdade. deve ser consultada a legislação infraconstitucional a respeito do tema. em virtude do aumento significativo de trabalhos e pesquisas jurídicas que abordam o tema da interpretação e aplicação da Constituição Federal. quando este problema é declarado. No Brasil. Ressalta ainda Paulo Bonavides (2002. p. segundo Paulo Bonavides (2002. Revela também. Partindo desse pressuposto. ou seja. É da Constituição que se irradiam os princípios que irão se dispersar pelas mais variadas leis infraconstitucionais. p. 19) Entretanto.

275). 2001. em nossos dias. que não foi sem razão que o Constituinte inseriu o direito do consumidor no rol dos direitos fundamentais. pairam ainda numa região abstrata e têm aplicabilidade diferida. Ao se estudar a teoria dos princípios gerais de direito proposto por Del Vecchio nas lições de Vicente Ráo (1999." (BONAVIDES. na forma da lei. pois. retrógada em sua substância e contrária à liberdade apesar de seu nome.32 segunda máxima. E se. em termos de identidade. que se fará exeqüível "colocar no mesmo plano discursivo. aqui ocupam um espaço onde releva de imediato a sua dimensão objetiva e concretizadora. entre outras categorias de princípios. Ali. 5°. p.2 Direitos do Consumidor . Como já comentamos a respeito da fase programática das normas. XXXII. a conversão dos princípios gerais em princípios constitucionais. Tanto é que. para possibilitar uma maior objetividade e aplicabilidade no escopo de suprir as diversas lacunas encontradas entre as leis. nada mais imprescindível na história contemporânea do Direito Constitucional do que a solidificação dos princípios contidos em seus textos de leis. certa doutrina pretende restabelecer este arbítrio sob o pretexto especioso da liberdade do juiz ou da jurisprudência. isto é. a defesa do consumidor. deve ser repelida por se opor ao mencionado princípio e às próprias bases racionais do sistema atualmente em vigor. p. tema que não é o propósito desse trabalho. os princípios gerais e os princípios constitucionais. desapareceu com o nascimento do moderno Estado de direito. por fim. Apenas nesta última fase. 246) Portanto. a fase não programática. Fala-se em conteúdo programático neste inciso porque antes da Lei 8. chega-se à seguinte conclusão: O perigo do que se chama aequitas cerebrina. 19): o Estado promoverá. Assim. o que se pode perceber deste tópico é que. a positividade de sua aplicação direta e imediata. não é necessário entrarmos em maiores detalhes aqui. p. doutrina é esta que. estabeleceu em "norma de notório conteúdo programático" (CARVALHO FILHO. inc. no art. já que aqueles possuem maior ou menor incidência nos mais variados ramos do direito. Percebe-se.078/90 . o respeito ao Direito Constitucional como lei basilar de todo o ordenamento jurídico dos Estados para a estabilização política e fortalecimento do Estado Democrático de Direito e.Previsão Constitucional A Constituição Federal Brasileira de 1988 considerou como fundamental o direito do consumidor. 2002. 1. salvo o empenho da Filosofia e da Teoria Geral do Direito ao construírem a doutrina da normatividade dos princípios em que se busca uma neutralidade na qual se possa superar antinomia Direito Natural/Direito Positivo. o arbítrio do juiz em sentido contrário ao da lei.

o direito do consumidor (ALVIM. como se viu. 150 dispõe que ''a lei determinará medidas para que os consumidores sejam esclarecidos acerca dos impostos que incidam sobre mercadorias e serviços''. 170.33 de 11/09/1990. E. com respeito ao próprio objeto por se tratar de uma norma constitucional programática até então. fundada na livre iniciativa na qual se verificam inúmeras formas de abuso de poder econômico." Além de caracterizada como direito fundamental. Protege-se ainda. No que diz respeito à competência normativa sobre a matéria. "ostentam por igual uma dupla eficácia na medida em que servem de regra vinculativa de uma legislação futura sobre o mesmo objeto. é da inteligência do art. 222). preestabelecia em si mesmo apenas um programa de ação. XXXII da Constituição Federal. o § 5° do art. O produto legislativo da União deverá ater-se à edição de normas gerais. p. J. mas regulam propriamente a atividade estatal concernente a ditas matérias: têm por objeto imediato os comportamentos estatais e só imediatamente e por assim dizer. 1995. em segundo grau. a defesa do consumidor "se qualifica também como um dos princípios da ordem econômica e financeira (art. VIII da Constituição Federal. SOUZA. 24. 5°. ALVIM.. em clara preocupação com o grau de informação que deve . inc. em sua Seção II. Constituição Federal). determinando que se ofereça o devido esclarecimento acerca dos tributos incidentes sobre bens objeto de relações de consumo. que se refere às limitações ao poder de tributar. ALVIM. 14): No Título IV da Constituição Federal. serem competentes a União. 75): As normas constitucionais programáticas. aquelas determinadas matérias.. inc.. o art. T. p. Acrescenta ainda Paulo Bonavides (2002. como é a brasileira. A. não regulam diretamente as matérias a que se referem. os Estados e o Distrito Federal para legislar concorrentemente sobre responsabilidade por dano ao consumidor. que criou o Código de Proteção e Defesa do Consumidor. nada mais oportuno e justo do que se considerar o direito do consumidor como um direito fundamental. 24. p. V.. destinado à tributação e ao orçamento. § 1° e 2° da Constituição Federal). sendo que os Estados e Distrito Federal possuirão competência suplementar (art. através da normatividade constitucional." Por se tratar de uma sociedade capitalista. Sobre as normas constitucionais programáticas postula Crisafulli (1976.

que é o princípio da boa-fé. que possui grande parte de suas atividades baseadas nas relações de consumo. é mais do que uma mera necessidade. a realização de uma tarefa e um fim a ser atingido e. na medida em que indica opção valorativa do constituinte. ainda que indiretamente. vale adiantar brevemente. antes de abordarmos os princípios específicos desta lei. ou seja. da sua constitucionalização e irradiação por entre outros ramos do Direito. que a necessidade da devida informação acerca do produto que o consumidor venha adquirir. e de acordo com os dizeres de José Joaquim Gomes Canotilho (1992. visto que garante. p. sobretudo ao legislador. como se percebe pelo fragmento supra citado.3 A Defesa do Consumidor e sua Extensão como Princípio Constitucional Após todo este levantamento da trajetória dos princípios gerais de direito. é a tônica deste Código de Consumidor. princípio garantia. o que. aliás. nada mais é do que uma irradiação de um princípio basilar residente no corpo principiológico nuclear da Lei 8. subordinadas aos ditames do Código de Proteção e Defesa do Consumidor no que chama a atenção pela necessidade de sua correta interpretação nos quadros normativos. a partir do momento em que buscam introduzir uma nova forma de pensar nos postulados da consciência jurídica. necessariamente. 177-178) será: princípio político constitucionalmente conformador. Como será discutido mais adiante o princípio da transparência.34 receber o consumidor. Além disso nota-se também que o dever de bem informar os consumidores. Todavia. difundido de seu estado de . Diante disso fica declarada a magnitude de sua garantia constitucional que possui no mínimo.078/90 (reitere-se o Código de Defesa do Consumidor). pois que impõe aos órgãos do Estado. uma série de direitos ao cidadão. Dada esta destacada posição de defesa do consumidor. 1. é princípio constitucional impositivo.078/90. nos declara a importância do tema na órbita da economia brasileira. como veremos mais detalhadamente no tópico específico destinado à elucidação de sua aplicabilidade. que é o da carga principiológica contida na Lei 8. entre fornecedor e consumidor que a partir do ano de 1990 devem estar. Daí percebe-se que os princípios que envolvem a defesa do consumidor são princípios jurídicos basilares. disposições imediatas e emergentes. chega-se ao assunto fundamental do presente trabalho. mas sim um dever que se impõe a todos os fornecedores que oferecem produtos ou serviços no mercado consumerista. apontaremos ainda a extensão da defesa do consumidor como princípio constitucional. a de estar no ápice do nosso ordenamento jurídico.

ao buscar uma legislação mais eficiente e específica para tratar de tais situações jurídicas. mais do que declarado. não pode. Por fim. ou à sua importância estrutural dentro do sistema jurídico. lembra ainda Fábio Konder Comparato (1990. ou a administração pública. 187). enquanto o que se . "Direitos que envolvem a obrigação positiva de atuar.078/90 de 11/09/1990. está comprovado que a defesa do consumidor é uma garantia constitucional que engloba uma vasta gama de direitos que estão envolvidos em toda a Carta Constitucional ou em outros regimes e princípios colhidos por ela. de acordo com a determinação do art. erigido por nossa Lei Maior. por meio de uma ação coordenada. É preciso. que criou o código brasileiro das relações consumeristas. 1. a virtude de corromper de inconstitucionalidade qualquer norma que possa ser um obstáculo à defesa desta figura das relações intersubjetivas de consumo. identificar tais princípios. os Poderes Públicos têm o dever de desenvolver esse programa. 37) Da posição do constitucionalista acima citado. sobretudo ao legislador. Este impôs aos órgãos estatais. 48 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). pela defesa do consumidor" (ZAPATER. mais uma vez. que é o consumidor. Percebe-se portanto que. ao se tratar de interpretação constitucional dever-se-á identificar quais foram as normas que receberam do legislador constitucional a categoria de princípios orquestradores do sistema de valoração. 2001.35 princípio geral da atividade econômica do país. o legislador. editar norma conflitante com o objetivo do programa constitucional. o Código de Defesa do Consumidor. uma vez que irão servir "como vetores para soluções interpretativas. p. "a realização de uma tarefa e um fim a ser atingido" (ZAPATER. Assim.O Momento da Parturição do Código de Proteção e Defesa do Consumidor Brasileiro Apesar do amplo otimismo do Constituinte. p. De outro. na lei e na justiça. nota-se que ele atribui ser papel do legislador apontar quais normas este erigiu à categoria de princípios. será do núcleo sistêmico de onde emanará toda orientação no intuito de se atingir a devida interpretação normativa. p. 1990. pois." (TEMER. na busca da solução das antinomias que são encontradas nos conflitos entre as normas do sistema. na política. p. posto que são mais do que normas dado o seu caráter de fundamentalidade no sistema das fontes de direito. 185). ao revelar certa pressa para que fosse promulgada a lei de proteção do consumidor.4 Legislação Infraconstitucional . legislar e decidir. Após todas essas exposições. 2001. 69): De um lado. no prazo de cento e vinte dias da promulgação da Constituição. quando consignou que o Congresso Nacional deveria elaborar. Entretanto. após quase dois anos da promulgação da Carta Magna é que foi instituída a Lei 8.

1As Diretrizes Gerais da Política e do Direito do Consumidor Antes de dissertarmos sobre a principiologia inserta no art. traçam também os objetivos e princípios de toda a Política Nacional de Relações de Consumo. 4° do Código de Defesa do Consumidor. buscando um alcance substancialmente mais longo. busca torná-lo mais consciente de suas responsabilidades. a partir do instante em que se trata das "relações consumeristas" que é uma expressão declaradamente mais ampla do que a "defesa do consumidor". deve-se perceber que uma e outra não são a mesma figura. Numa fase mais recente. a definição dos objetivos que norteiam a política das relações de consumo. coerente e separada. nos mais variados casos em que eram envolvidos os sujeitos do consumo. seja na esfera do legislativo. no que quase sempre acabava numa decisão menos favorável aos consumidores. correspondem apenas aos princípios da defesa do consumidor. sendo esta uma importante faceta daquela. do executivo ou do judiciário. 2002. uma nova abordagem é postulada "em que se exige a integração das considerações da política de consumo a outras políticas econômicas e sociais" (BOURGOIGNIE. 2.36 tinha antes era a adaptação interpretativa pelos juristas do Código Civil de 1916. Apesar de se confundirem os objetivos expressos da Política Nacional de Relações de Consumo com a defesa do consumidor. 4° do Código de Defesa do Consumidor Brasileiro. Daí percebe-se o equívoco em se considerar que os incisos do art. e seus dados se tornam cada mais significativos à medida que ele vão se estendendo a outros ramos políticos. Com o decorrer dos anos. 2. ajudando-o a exercer um papel atuante no mercado. A POLÍTICA NACIONAL DAS RELAÇÕES DE CONSUMO E SUA ABRANGÊNCIA Estabelece o caput do art. a política e o direito do consumidor desenvolveramse de forma cada vez mais autônoma. À política de defesa do consumidor é dado um objetivo mais amplo de aplicação. uma vez que. 4°. direitos e obrigações. apontaremos abaixo os aspectos mais comuns de interesse da política tradicional de proteção ao consumidor: a)Educação: uma importantíssima ferramenta de auxílio ao consumidor. ao estabelecer parâmetros que nortearão todo e qualquer ato do governo. 34). p. protegendo-o dos enganos e . todavia com objetivo mais restrito.

acesso a planos de compensação adequados e facilmente acessíveis. saúde. estabelecimento de uma rede de Centros de Conselhos para Consumidores. a realização de recalls. automóveis. intercâmbio de sistemas de informações e supervisão das reservas de mercado. particularmente por meio de específicas regras de responsabilidade. lazer. avisos e instruções de uso. regulamentação da especulação de preços. através de medidas preventivas. do crédito. que o objetivo de segurança sobre produto e serviços tais como.37 fraudes. entre outros. c)Proteção dos interesses econômicos dos consumidores: prevenção de comércio. b)Informação e conselhos: detalhar cada vez mais as informações e formas de uso sobre produtos e serviços. aumentando a participação de representantes de consumidores no processo de tomada de decisões. concessão de períodos de controle. d)Segurança: proteção aos consumidores de produtos ou serviços. instituição de padrões de qualidade. impedimento de cláusulas abusivas em contratos de consumo. g)Satisfação de necessidades básicas: como possibilitar a todos. comida. atividades esportivas etc. transporte. o efetivo acesso a mercadorias e serviços básicos. brinquedos. revelação das cláusulas contratuais. água. assim como corretivas que dão aos consumidores. drogas. planos de garantia de qualidade. leis e regulamentos entre outros. dentre eles. f)Representação dos interesses coletivos dos consumidores: para promover e dar suporte aos grupos de consumidores. Imprescindível que se destaque. educação. saúde etc. obrigações de controle sobre processos de produção e distribuição. tais como exigências de informações. dos empréstimos e de outras transações financeiras do consumidor. e)Compensação ao consumidor: tem como objetivo armar o consumidor de meios rápidos e acessíveis de assegurar seus direitos. rotulagem e empacotamento dos produtos. energia. propaganda e métodos de venda desleais. obrigações de garantia pós-venda. personalidade jurídica ou o direito de ingressarem ações coletivas em cortes e tribunais quando se sentirem lesados. além de desenvolverem sistemas alternativos para solução de conflitos que sejam eficientes e independentes. desenvolvimento de campanhas públicas de conscientização etc. que são perigosos ou sem segurança. cosméticos. preços e tarifas. ao criar para os grupos de consumidores. definindo reparações civis. riscos e acidentes relacionados a eles. criminais e administrativas mais adequadas. cláusulas contratuais. . promovendo informações de consumo por meio de fontes independentes. retirada de produtos quando nocivos aos consumidores e a terceiros. ao possibilitar o acesso efetivo à lei e aos mecanismos de reparação. telecomunicações. proibição de propaganda enganosa.

de produtos e serviços" (FILOMENO.). em princípio. referem-se a uma variedade de políticas. p. ampliado no ano de 1999. através do documento "United Nations Guidelines for Consumer Protection". Todavia. nada mais é do que um grande cuidado que os homens devem ter no instante que exploram o meio ambiente através de suas atividades econômicas. e para que a criação desta consciência de preservação ao meio ambiente possa vir a colher bons resultados. socially. in verbis: "Sustainable consumption includes meeting the needs of present and future generation for goods and services in ways that are economically. quanto no aspecto social. por governantes e empresários. uma vez que da escolha dos consumidores por determinados produtos é que recairão os efeitos sobre os produtores.38 2. de maneira que os recursos naturais não se esgotem de forma irreversível. and environmentally sustainable. como bem observa José Geraldo Brito Filomeno (2003. por organizações do trabalho. consome determinada marca de papel de uma empresa que não pratica o reflorestamento. foi eleito como um dos direitos do consumidor universalmente considerado e será um objetivo comum a todos os governos a sua promoção. p. no intuito de se buscar uma redução dos impactos causados por essas atividades. esta tarefa não é nada fácil. Se o consumidor. 68). aponta a resolução acima citada. Assim percebe-se que o consumo sustentável. além das associações de proteção aos consumidores e ao meio ambiente que irão desempenhar importante papel na divulgação da mais adequada informação. no seu art. Os preceitos desse artigo. o chamado "consumo sustentável". tanto no aspecto econômico. a preocupação em proceder ao consumo responsável e.Consumo Sustentável e o Princípio da Integração Conforme a resolução da ONU. A responsabilidade pelo consumo sustentável deve ser compartilhada por todos os membros e organizações da sociedade. tais como: . entre os recursos naturais disponíveis e a atividade industrial. "enquanto as necessidades do homem são." (O consumo sustentável deverá satisfazer às necessidades das presentes e futuras gerações por meio de benefícios e empreendimentos que contribuam pela higidez do meio ambiente. o que poderá trazer drásticas conseqüências. por exemplo. Tradução nossa.2. 42. 2003. desde a infância. ilimitadas. ele estará incentivando cada vez mais a atividade comercial dessa empresa que depreda o meio ambiente no que implicará um forte desequilíbrio. É desse problema que surge "a necessidade de incutir no homem. são limitados os recursos naturais disponíveis". 67). por consumidores informados. como se pode perceber. sobretudo se se tiver em conta a ciência de marketing e a publicidade. devem ser observadas. sobretudo sustentável.

entre outros entes da cadeia empresarial. aos fornecedores. in verbis: Art.° A Política Nacional das Relações de Consumo tem por objetivo o atendimento das necessidades dos consumidores. bem como a transparência e harmonia das relações de consumo. daí observa-se que o processo de integração é extremamente complexo. "colocará sua marca na política e no direito do consumidor". de 21 de março de 1995. Portanto conclui-se que o consumo sustentável. infere-se que "a qualidade de vida ou direito de viver num ambiente saudável tornou-se um dos direitos fundamentais dos consumidores" (BOURGOIGNIE. ao fazer com que todos tomem consciência da dimensão ecológica do processo consumerista em geral e de seu comportamento individual particular. A responsabilidade pela proteção ao meio ambiente.Princípios Fundamentais da Política Nacional de Relações de Consumo Para melhor se compreender o corpo principiológico do art. sociedade de informação. saúde e segurança. a proteção de seus interesses econômicos. mas também aos consumidores.reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor no mercado de consumo.39 telecomunicações. Tradução nossa. não recairá apenas aos produtores. in verbis: "Governments should promote the development and implementation of policies for sustainable consumption and the integration of those policies with other public policies.008. 2002. É desta atividade que trabalha com a inter-relação que temos o princípio da integração." (Os governantes devem promover a implementação e o desenvolvimento de políticas que tenham como objetivo o consumo sustentável além da integração dessas políticas a outras políticas públicas. Diante disso. 37). atendidos os seguintes princípios: I .3. . 36). que devem procurar consumir produtos menos nocivos ao meio ambiente.). que devem ser desenvolvidas numa estratégia rumo à integração dos dados de consumo. 43. 4. 4° do Código de Defesa do Consumidor de acordo com a nova redação dada ao artigo pela Lei n. 2. o respeito a sua dignidade. p. da diretriz geral de proteção ao consumidor editada pela ONU. a melhoria da sua qualidade de vida. nutrição. como bem observa Thierry Bourgoignie (2002. o qual se encontra consubstanciado no texto do art. deverá ser limitada em prol do meio ambiente e que os interesses da coletividade e benefícios individuais a curto prazo. saúde. o que não é nada fácil já que implica numa mudança nos seus hábitos.° 9. A livre escolha dos consumidores. p. proteção ambiental e agrícolas.

Princípio da Informação VI.educação e informação de fornecedores e consumidores. d) pela garantia dos produtos e serviços com padrões adequados de qualidade.harmonização dos interesses dos particulares dos participantes das relações de consumo e compatibilização da proteção do consumidor com a necessidade de desenvolvimento econômico e tecnológico. que possam causar prejuízos aos consumidores. Thereza Alvim. I . IV . assim como de mecanismos alternativos de solução de conflitos de consumo. com vistas à melhoria do mercado de consumo. Eduardo Arruda Alvim e Jaime Marins (1995. c) pela presença do Estado no mercado de consumo. quanto aos seus direitos e deveres.racionalização e melhoria dos serviços públicos. III.Princípio do Acesso à Justiça .coibição e repressão eficientes de todos os abusos praticados no mercado de consumo. p. V .Princípio da Garantia de Adequação IV. b) por incentivos à criação e desenvolvimento de associações representativas. De acordo com Arruda Alvim.Princípio da Boa-fé nas relações de consumo V. citados abaixo: I-Princípio da Vulnerabilidade II.incentivo à criação pelos fornecedores de meios eficientes de controle de qualidade e segurança de produtos e serviços.ação governamental no sentido de proteger efetivamente o consumidor: a) por iniciativa direta.estudo constante das modificações do mercado de consumo. 44). pode-se dizer serem seis os princípios fundamentais da Política Nacional das Relações de Consumo.Princípio do Dever governamental III. II . sempre com base na boa-fé e equilíbrio nas relações entre consumidores e fornecedores. VI. inclusive a concorrência desleal e utilização indevida de inventos e criações industriais das marcas e nomes comerciais e signos distintivos.40 II . de modo a viabilizar os princípios nos quais se funda a ordem econômica (art. 170. da Constituição Federal).

p. limitada a alguns . ricos ou pobres. nuclear. em sua situação individual carentes de condições culturais ou materiais. entre outros alimentos supérfluos em que o exagero no consumo destes podem levá-las a ter vários problemas no seu desenvolvimento natural. ao perceber que o consumidor é o elemento mais fraco dela. Com precisão. ao levar um automóvel seu numa .078/90. 2° da Lei 8. 2. que é uma característica restrita a determinados consumidores. e é tido como o núcleo base de onde se irradia todos os outros princípios informadores do sistema consubstanciado no Código de Defesa do Consumidor. 4°. 224225) demonstra a diferença entre a vulnerabilidade e hipossuficiência: A vulnerabilidade é um traço universal de todos os consumidores. por estarem desprovidas de outros indispensáveis alimentos em sua dieta. I. educadores ou ignorantes. seja ele consumidor-pessoa jurídica ou consumidorpessoa física. crianças que são expostas diariamente aos diversos anúncios de chocolates.4 Princípio da Vulnerabilidade do Consumidor . Já a hipossuficiência é marca pessoal. A vulnerabilidade. numa hipotética situação. dado o propósito desse trabalho. independentemente da sua condição social. Deve-se notar também que. ou então. atua como elemento informador da Política Nacional das Relações de Consumo. serão devidamente analisados nos subtópicos que se seguem. por não dispor do controle sobre a produção dos produtos.mas nunca a todos os consumidores. a vulnerabilidade do consumidor não se confunde com a hipossuficiência. determinado médico neurocirurgião de grandes títulos durante a carreira. crédulos ou espertos. Antônio Herman de Vasconcelos e Benjamin (1991. de acordo com o conceito legal preceituado pelo art. intrínseca) e indissociável do consumidor numa relação de consumo. no que surge à necessidade da criação de uma política jurídica que busque a minimização dessa disparidade na dinâmica das relações de consumo.41 Todos estes princípios supra citados. Diante disso temos que. os analfabetos quando se encontram diante de uma situação em que podem assinar um contrato de plano de saúde sem os devidos esclarecimentos a respeito de suas cláusulas contratuais contidas no corpo contratual. qualidade ontológica (essencial. consequentemente acaba se submetendo ao poder dos detentores destes.até mesmo a uma coletividade . Este princípio. que além de presumivelmente vulneráveis são também. cultural ou econômica. Isto acontece.Art. a partir do momento em que se examina a cadeia consumerista. como por exemplo.

segundo Celso Antônio Bandeira de Melo (2002. II. VI e VII do art. p. homens e mulheres. por exemplo. 4° do Código de Defesa do Consumidor. Todavia. já que este é a parte detentora dos mecanismos que induzem aquele.42 oficina mecânica para a realização de reparos no veículo. observa-se também que o princípio da vulnerabilidade de acordo com Nelson Nery Júnior (1991. "b") ou até mesmo de fornecedores. pode ser considerado vulnerável frente ao fornecedor (neste caso. para armá-lo de certos instrumentos para que ele possa melhor defender-se. enquanto sujeito máximo organizador da sociedade. A igualdade assim entendida não é concebível: seria absurdo impor a todos os indivíduos exatamente as mesmas obrigações ou lhes conferir exatamente os mesmos direito sem fazer distinção entre eles.Art.078/90 colocar em equilíbrio jurídico o consumidor e fornecedor. além de deter o processo tecnológico da fabricação de seus produtos. Além destas constatações. 4°. pois entre um e outro extremo serpeia um fosso de incertezas cavado sobre a intuitiva pergunta que aflora ao espírito: Quem são os iguais e quem são os desiguais?" E de acordo com Hans Kelsen (1998. a oficina mecânica prestadora do serviço). Daí o porquê se parte do princípio da fraqueza manifesta do consumidor no mercado. O primeiro é o da responsabilidade atribuída ao Estado.5 O Princípio do Dever Governamental . ao colocá-lo sob um intenso bombardeamento de anúncios. 2. ao princípio constitucional da isonomia. ao consumo tanto básico quanto exagerado. ao prover o consumidor. esta expressão "tratamento desigual aos desiguais" de Aristóteles. entre crianças e adultos. Sob esta ótica. é insuficiente para desate do problema. 320) que "permeia as relações de consumo está em verdade a dar realce específico. elencado nos incisos II. dever ser compreendido sob dois principais aspectos. dos mais diversos setores e interesses nas relações consumeristas. garantida pela Constituição. Sem fazer contestação ao teor do que nela se contém e reconhecendo. p. seja ele pessoa jurídica ou pessoa física. sua validade como ponto de partida. não apenas sobre o aspecto técnico. por não conhecer nada a respeito de mecânica de motores automotivos. dispensando-se tratamento desigual aos desiguais". não significa que estes devam ser tratados de maneira idêntica nas normas e em particular nas leis expedidas com base na Constituição. seja através da iniciativa direta do Estado (art. p. dos mecanismos suficientes que proporcionam a sua efetiva proteção. II. . VI e VII Este princípio. como. mas também sob o aspecto econômico. se percebe que é mister da Lei 8. 11): "deve-se negar-lhe o caráter de termo de chegada. 4°. 207) têm-se as seguintes condições: A igualdade dos sujeitos na ordenação jurídica. indivíduos mentalmente sadios e alienados.

4°. têm criado os conhecidos "departamentos de atendimento ao consumidor". diz respeito ao binômio. consistente no atendimento dos eventuais problemas dos consumidores. II. aliada à inversão do ônus da prova (como este assunto não é a proposta de discussão do presente trabalho. que é o fim perseguido pelo sistema de proteção e defesa do consumidor. fala-se muito na chamada "qualidade total". a proteção de seus interesses econômicos e a melhoria da sua qualidade de vida.ao mesmo tempo que recebem reclamações de determinados produtos ou serviços. indica que a prevenção de danos é a política que deve ser prioritariamente buscada pelas empresas. Preocupadas com tais aspectos. A concretização desse princípio. que é uma outra atribuição do "princípio de dever governamental" o qual já se expôs. 8° parágrafo único e art. demarcando o Código que as empresas deverão ser incentivadas para a criação de mecanismos eficazes de controle de qualidade de produtos e serviços. vale ressaltar também que o princípio da garantia de adequação contido no art.Art.43 O segundo aspecto é o enfoque sob o "princípio do dever governamental". a quem está incumbido o dever de fiscalização. o que contribui de maneira inteligente para o desenvolvimento das próprias atividades empresariais. saúde e segurança. em qualquer hipótese. atendendo completamente aos objetivos da Polícia Nacional das Relações de Consumo. §2° e § 3° do mesmo diploma. exceto os considerados normais e previsíveis em decorrência de sua natureza e fruição. Atualmente. não irá se discuti-lo aqui). 4°. 8° Os produtos e serviços no mercado de consumo não acarretarão riscos à saúde ou segurança dos consumidores. qualidade/segurança. "d" e V do Código do Consumidor encontra-se amparado pela inteligência dos art. in verbis. respectivamente: Art. 2. também recebem valiosas sugestões de consumidores. instruindo-os em como melhor servi-los.6 Princípio da Garantia da Adequação . em que é dever do próprio Estado de promover continuadamente a "racionalização e melhoria dos serviços públicos" (art. 4°. no que diz respeito à sua dignidade. ao surgir aqui a figura do Estadofornecedor além de suas eventuais responsabilidades. Por fim. 4°. várias empresas. II. obrigando-se os fornecedores. a dar informações necessárias e adequadas a seu respeito. "D" e V É o princípio que emana a necessidade da adequação dos produtos e serviços ao binômio. elencado no caput do art. fica a cargo do fornecedor que será oficialmente auxiliado pelo Estado. VIII). qualidade/segurança. que demonstram uma dupla atribuição: . uma vez que o Código do Consumidor é adepto do princípio da "responsabilidade objetiva". .10° §1°.

de certa maneira. § 3° Sempre que tiverem conhecimento de periculosidade de produtos ou serviços à saúde ou segurança dos consumidores.44 Parágrafo único. 4°. a União. o Distrito Federal e os Municípios deverão informá-los a respeito. Nesse sentido. A harmonia das relações de consumo e a transparência.Art. serão o resultado da conduta geral da boa-fé. a publicidade. orientando basicamente os capítulos referentes às práticas comerciais. fazer circular produtos e serviços com objetivo da geração de riquezas e benefícios a todos os integrantes do mercado de consumo. que considera nulas de pleno direito cláusulas contratuais que "sejam incompatíveis com a boa-fé e eqüidade". nos dizeres de Silvio Rodrigues (2002. desde a instituição de seus direitos básicos (art. às expensas do fornecedor do produto ou serviço. 2. que traz uma carga significativa de regra geral de comportamento. e. os Estados. 6°).7 Princípio da Boa-Fé nas Relações de Consumo . Será a boa-fé. Em se tratando de produto industrial. § 1° O fornecedor de produtos e serviços que. III e VI Este princípio nas relações de consumo. p. 60): "um conceito . através de impressos apropriados que devam acompanhar o produto. que deve ser buscada pelos dois pólos componentes das relações de consumo: consumidor e fornecedor. Art. indicadas no caput do art. percorrendo pelo capitulo referente à reparação por danos pelo fato do produto. 4°. 4° como um dos escopos da Política Nacional das Relações de Consumo. encontra-se difundido em grande parte dos dispositivos do Código do Consumidor. do art. os componentes da relação consumerista devem buscar o objetivo comum de melhor e com mais eficiência. e a proteção contratual. e. rádio e televisão. ao fabricante cabe prestar as informações a que se refere este artigo. mesmo que ocupem posições antagônicas frente ao conflito de seus interesses. está expressamente referido no inciso III. 51 do Código do Consumidor. § 2° Os anúncios publicitários a que se refere o parágrafo anterior serão veiculados na imprensa. 10° O fornecedor não poderá colocar no mercado de consumo produto ou serviço que sabe ou deveria saber apresentar alto grau de nocividade ou periculosidade à saúde ou segurança. deverá comunicar o fato imediatamente às autoridades competentes e aos consumidores mediante anúncios publicitários. posteriormente à sua introdução no mercado de consumo. tiver conhecimento da periculosidade que apresentem. merecedora de especial destaque de acordo com o inciso IV do art.

2002.Art. o "princípio da veracidade". 2002. percebe-se que a informação circula com maior velocidade por estar difundida nos mais variados meios de comunicação que a massificam com muito mais intensidade. 2002. A história do homem é a história da luta entre idéias. Desse modo será a informação. p. e é através deste princípio nuclear que não apenas os pólos atuantes da relação de consumo. "o princípio da transparência (art. com dignidade. com o objetivo de coibir que os cidadãos sejam levados a consumir pela ilusão. p. constata-se a presença . IV E VIII Antes de se iniciar este tópico. em que o fornecedor deve sempre prestar informações sobre produtos ou serviços de quaisquer natureza que ele ofereça no mercado. 4°. com várias normas dispostas a destacar a extrema cautela com que tais temas devam ser encarados. p.45 ético. 671) 2. 671). Matérias que se referem a educação. em que este revela um importante pensamento a respeito da informação: "Não há sociedade sem comunicação de informação. pautando sua atitude pelos princípios da honestidade. caput) que não deixa de ser um reflexo da boa-fé exigida aos agentes contratuais. necessário é citar a importância da informação de acordo com o jurista Luis Gustavo Grandinetti Castanho de Carvalho (2002. 255). Como se vive num mundo globalizado em que a tecnologia a cada dia que passa caminha a passos cada vez mais largos. p. e não através da realidade. é o caminhar dos pensamentos. moldado nas idéias de proceder com correção. mas até a própria legislação consumerista sofre reflexos dele. Será deste interesse jurídico. são objetivos em parte do Código do Consumidor. 2002." Como se pode perceber. O pensar e o transmitir o pensamento são tão vitais para o homem como a liberdade física". divulgação. o elemento regente da Lei 8. devem se localizar no momento do ato de consumo. o primado básico da boa-fé será "o princípio máximo orientador do CDC" (MARQUES. que o direito de informação existirá expressamente no Código de Defesa do Consumidor Brasileiro. fazendo com que a informação passe "a ter uma relevância jurídica antes não reconhecida" (DE CARVALHO. publicidade. o de saber melhor no ato da decisão. da boa intenção e no propósito de a ninguém prejudicar. "para que o homem não seja levado a assumir comportamentos que não correspondam a uma perfeita compreensão da realidade" (DE CARVALHO. informação dentre outros.8 Princípio da Informação . p. Por um dos princípios adotados pelo Código de caráter acessório. como por exemplo. 256)." (MARQUES. 256). 4°.078/90 ao ter como corolário a educação.

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deste princípio em inúmeros artigos do código, além do art. 4°, tais como; o art. 6° (dos direito básicos do consumidor); arts. 8° e 10° (citados no tópico referente ao princípio da garantia de adequação); arts. 18, 19 e 20 (vício do produto); arts. 30, 31 e 35 (oferta); arts. 36, 37 e 38 (publicidade e marketing); 43 e 44 (bancos de dados e cadastros); art. 56 (sanções administrativas); por fim, os arts. 60, 63, 64, 66, 67 e 72 (infrações penais). Todavia há de ressaltar-se que, independentemente da preocupação que os redatores da lei consumerista brasileira tiveram com a informação, esta só poderá ser estendida aos cidadãos de maneira mais eficiente, se as autoridades derem mais atenção a educação básica, que é uma condição indispensável para o completo exercício da cidadania. Uma proposta a esta problemática, seria a introdução, ou melhor dizendo, reintrodução da disciplina de educação moral e cívica nos currículos escolares de 1° e 2° graus, com o objetivo de fazer com que crianças e adolescentes comecem a criar uma cultura para melhor consumirem e orientarem seus pais, durante o ato de consumo, como por exemplo, saber avaliar a qualidade do produto além de suas condições de higiene, suas condições de exposição para venda, dos componentes artificiais, do valor calórico dos alimentos que devem estar dispostos numa tabela nutricional impressa no rótulo das embalagens, o prazo de validade para consumo dos produtos, dentre outros aspectos de cunho sócio-econômico. Todavia Hélio Jaguaribe (apud, ALVIM, A.; ALVIM, T.; ALVIM, E.; SOUZA, J. 1995, p. 48-49) chama atenção desta questão social da seguinte maneira: O Brasil tem demonstrado capacidade para mobilizar forças e enfrentar problemas sociais. Em tempos recentes, as comunicações, o programa do álcool, as hidrelétricas, a industrialização diversificada, a produção de grãos e a ampliação do comércio exterior, em diferentes setores, constituíram provas eloqüentes dessa afirmação. A educação do povo, entretanto, sendo questão da mais transcendente magnitude - pois dela também o equacionamento de todos os problemas, incluindo os políticos, sociais e econômicos - não tem acompanhado sequer as exigências mínimas do país, apesar de ser dever imperioso da nação para com seus filhos e garantia de seu próprio bem-estar. Concluindo, independentemente do instrumento jurídico que se tenha, por mais avançado que seja, acabará sempre se esbarrando nos problemas sociais, ou seja, na carência cultural que acompanha a população brasileira. Daí que várias empresas, sejam elas multinacionais ou nacionais acabam, na maioria das vezes, se aproveitando da ignorância alheia ao construir seus mega impérios econômicos centralizadores de preços e extintores de quaisquer modalidades de concorrência nos mercados. 2.9 Princípio do Acesso à Justiça

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Primeiramente, far-se-á um breve relato deste princípio no campo constitucional do qual ele emana através do art. 5°, inc. XXXV da Constituição Federal de 1988 in verbis: "a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito", e segundo Nelson Nery Jr. (2002, p. 98) tem-se: "Embora o destinatário principal desta norma seja o legislador, o comando constitucional atinge a todos indistintamente, vale dizer, não pode o legislador e ninguém mais impedir que o jurisdicionado vá a juízo deduzir pretensão". Isto significa que todos têm direito do acesso à justiça para pleitear a tutela jurisdicional reparatória ou preventiva, no que diz respeito a um direito. Contemplando-se aqui tanto direitos individuais quanto coletivos. Todavia, este princípio não está expresso nos incisos do art. 4° do CDC, mas ele se reveste de suma importância, a partir do momento em que o legislador do diploma consumerista, teve como uma de suas grandes preocupações a busca pela criação de novos mecanismos, que pudessem facilitar ainda mais o acesso dos cidadãos à justiça, como um meio de defesa de seus direitos, daí se observarão consubstanciados em vários artigos do código alguns desses caminhos. E para que o consumidor se atenha desta efetividade, conforme Arruda Alvim (1990, p. 31) ensina em termos processuais: a palavra ''efetividade'' alcança uma conotação principalmente sociológica e não meramente jurídico-formal, mas no sentido de que o que conta, em última análise, não é tanto a existência de uma normatividade completa e lógica, em que todos os direito são protegidos pela letra da lei e pelo sistema, mas tão somente aparentemente funcional, pois na verdade, normatividade jurídica, ainda que exaustiva, não é suficiente para satisfazer às aspirações sociais dos segmentos numericamente predominantes e desprotegidos da sociedade. Antes de se prosseguir com o estudo deste princípio, vale a pena diferenciar o que são as concepções jurídico-formais, das concepções jurídico-materiais, apresentadas pelos autores, Antônio Carlos de Araújo Cintra; Ada Pellegrini Grinover e Cândido Rangel Dinamarco (1999, p. 40), em que a primeira é "o exercício conjugado da jurisdição pelo Estado-juiz, ou seja, o complexo de normas e princípios que regem tal método de trabalho", já a segunda, é "o corpo de normas que disciplinam as relações jurídicas referentes a bens e utilidades da vida (direito civil, penal, administrativo, comercial, tributário, etc.)". A necessidade de se dar efetividade ao processo, e facilitação ao acesso à justiça, demandou que se fortalecesse o consumidor, ao inseri-lo numa ordem mais ampla a partir do instante em que se construiu mecanismos processuais que davam tratamento coletivo de pretensões individuais, que se agissem isoladamente pouquíssimas condições teriam de obterem um resultado mais satisfatório.

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E por mencionar o "tratamento coletivo", destaca-se brevemente as ações coletivas de modo geral, que visam a tutela dos interesses difusos (art. 81, parágrafo único, I do CDC), interesses coletivos (art. 81, parágrafo único, II do CDC) e os interesses individuais homogêneos de origem comum (art. 81, parágrafo único, III do CDC). Como dissertado um pouco atrás, em que o princípio do acesso à justiça não se encontra expresso na redação do art. 4° do Código do Consumidor, mas sim exposto por outras normas do mesmo diploma, exemplo deste caso é o que acontece com o art. 6° inc. VII, in verbis: "Art. 6°, inc. VII: o acesso aos órgãos judiciários e administrativo com vistas à prevenção ou reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos ou difusos, assegurada a proteção jurídica, administrativa e técnica aos necessitados;" do Título III do CDC que cuida da defesa do consumidor em juízo, ao oferecer a oportunidade de fazer valer seus interesses, inclusive, como já se observou no inc. VII supra citado, de natureza coletiva, e "mediante a ação de órgãos e entidades com legitimidade processual para tanto, sem prejuízo dos pleitos de cunho nitidamente individuais" (FILOMENO, 2001, p. 127). Por fim, com a criação de instrumentos adequados para a proteção do consumidor, nascem dois planos distintos de incidência. O primeiro, se relaciona às possibilidades que se criam para a efetivação da proteção do consumo em juízo, ao contribuir para que se extraia resultados claros e objetivos pertinente ao direito de consumo. A segunda incidência não decorre do uso destes mecanismos em juízo, mas simplesmente de sua potencialidade de uso, ao clamar pela importância da mudança de mentalidade do consumidor, a partir do momento em que ele irá pressionar cada vez mais o Estado, no intuito de conseguir a tutela específica exigidas pelas relações de consumo, que demandam maior agilidade por parte dos órgãos públicos, armando o consumidor do seguinte slogan de que "quem reclama sempre alcança".

3. LIVRE CONCORRÊNCIA, ABUSO DO PODER ECONÔMICO E CONSUMIDOR Conforme a posição de José Geraldo Brito Filomeno (2003, p. 69), diante sua exposição acerca da defesa da ordem econômica, será esta a razão final proteção dos interesses e direito dos consumidores, eis que destinatários finais tudo o que é produzido no mercado, seja em matéria de produtos, seja na serviços". de "a de de

Assim, diante de toda essa principiologia apresentada pelo texto do art. 4° do Código de Consumidor, tema deste trabalho, percebe-se que o diploma consumerista nada mais fez do que colocar na prática, durante o relacionamento entre consumidor e fornecedor, os preceitos constitucionais do Título VII (Da Ordem Econômica e

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Financeira), como um dos princípios que regem a atividade econômica (Capítulo I), ao destacar a importância da proteção ao consumidor, como sujeito mais fraco (vulnerável) da cadeia que compõe as relações de consumo. De acordo com o art. 170 da C.F/88, expressamente referido pelo art. 4° do CDC, diz ele que "a ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa tem por fim assegurar a todos, existência digna, conforme ditames da justiça social", observados princípios bem delineados, dentre os quais figuram a livre concorrência e a defesa do consumidor (cf. incisos I e IV, respectivamente, ainda do citado art. 170 da CF/88.) Mais adiante, o art. 173 da Carta de 1988, nos seus § 4° e 5° declaram o seguinte, in verbis: Art. 173, § 4°. A lei presumirá o abuso do poder econômico que vise à dominação dos mercados, à eliminação da concorrência e ao aumento arbitrário dos lucros. § 5°. A lei, sem prejuízo da responsabilidade individual dos dirigentes da pessoa jurídica, estabelecerá a responsabilidade desta, sujeitando-a às punições compatíveis com sua natureza, nos atos praticados contra a ordem econômica e financeira e contra a economia popular. Daí percebe-se, conforme foi observado pelos textos desses dispositivos constitucionais supra citados, a definição do que vem a ser abuso do poder econômico, ou seja, "qualquer forma de manobra, ação, acerto de vontades, que vise à eliminação da concorrência, à dominação de mercados e ao aumento arbitrário de lucros" (FILOMENO, 2003, p. 70). Não obstante, está claro que a proteção e o incentivo às práticas leias de mercado, não interessam apenas aos consumidores, assim como aos fornecedores, que necessitam de uma livre concorrência entre os setores empresariais para que se obtenha uma melhoria da qualidade de produtos e serviços com o aprimoramento da tecnologia, além de melhores opções aos consumidores. Assim observa-se que, se a livre concorrência não é garantida pelo Estado, o mercado será dominado por poucos, o que gera conseqüências drásticas aos cidadãos, tais como, o aumento de preços de produtos e serviços, a queda de sua qualidade, a falta de opções de compra e a obsolência tecnológica. E para que se evite tais abusos, vários mecanismos jurídicos foram instituídos para protegerem os cidadãos, dentre eles a Lei 8.884 de 11 de junho de 1994, que transformou o Conselho Administrativo de Defesa Econômica - CADE - em autarquia, dispondo sobre prevenção e repressão às infrações contra a ordem econômica, através do que reza o seu parágrafo único do art. 21, incs. I, II, III, IV, in

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verbis: Parágrafo único. Na caracterização da imposição de preços excessivos ou do aumento injustificado de preços, além de outras circunstâncias econômicas e mercadológicas relevantes, considerar-se-á: I - o preço do produto ou serviço, ou sua elevação, não justificados pelo comportamento do custo dos respectivos insumos, ou pela introdução de melhorias de qualidade; II - o preço do produto anteriormente produzido, quanto se tratar de sucedâneo resultante de alterações não substanciais; III - o preço de produtos e serviços similares, ou sua evolução, em mercados competitivos comparáveis; IV - a existência de ajuste ou acordo, sob qualquer forma, que resulte em majoração de bem ou serviço ou dos respectivos custos. Deve-se lembrar que para se caracterizar o aumento arbitrário dos lucros, há de se observar também o grau de concentração econômica do setor acusado de tal prática. Diante disso, examine-se o que preceitua o § 2° do art. 20 da Lei 8.884/94, in verbis: Art. 20 § 2°. Ocorre posição dominante quando uma empresa ou grupo de empresas controla parcela substancial de mercado relevante, como fornecedor, intermediário, adquirente ou financiador de um produto, serviço ou tecnologia a ele relativa. "E o § 3° arremata essa ordem de idéias acrescentando que ''a parcela de mercado requerida no parágrafo anterior é presumido como sendo da ordem de 20% (vinte por cento)''" (FILOMENO, 2003, p. 71). Ainda de acordo com José Geraldo Brito Filomeno (2003, p. 71), tem-se: A infração de que ora se cuida, portanto, é tipificada pelo inc. III do art. 20 da Lei n° 8.884/94, complementada pelos seus três parágrafos, sobretudo os ora colacionados e suplementada, em termos de metodologia, pelos incisos também ditados do art. 21, no tocante à sua apuração. Portanto, pode-se se conceituar o termo "aumento arbitrário de lucros" como aquele que exceder o limite razoável, levando em conta o teor da concentração de determinado setor da economia, diante o disposto da inteligência do art. 21 da Lei 8.884/94, além de outros dados socioeconômicos e a política das relações de

2003. ou ao realizado. a Lei n° 8. no plano negocial. V.158/91 e a Lei 4. 71). os acordos entre concorrentes dentre outros tipos de articulações os "exemplos típicos de abuso nesse campo de lesão aos consumidores" (FILOMENO. sem mencionar os textos jurídicos que tipificaram os delitos contra a ordem econômica e as relações de consumo.347/85 (Ação Civil Pública). 2003. que excedem os limites normais da prática comercial e. diversas prescrições previstas no art.137/62. X ao dispor que. ou em recusas. em indefinição de preços ou condições. FILOMENO. "Das Práticas Comerciais" do CDC. no âmbito de serviços. não apenas a Lei 8. 72). p. as ações de responsabilidade por danos morais e patrimoniais causados: . in verbis: "exigir do consumidor vantagem manifestamente excessiva". ou em cobrança de valores excedentes ao ajustado. Assim serão destas leis. através de leque diversificado de medidas protetivas e sancionamento (preventivos ou repressivos). p. avançam em correspondência com uma necessidade real. 39 do CDC. ensejam sanções pela Secretaria Nacional de Direito Econômico (SNDE) e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) quando declarado estiver o aumento abusivo dos lucros dos detentores da cadeia de produção. fica vedado ao fornecedor. 2003. Por fim. in verbis: Art. Bittar prossegue nesse raciocínio. 71): ao turbarem a livre possibilidade de escolha do consumidor. em sua seção IV.51 consumeristas. (FILOMENO. no seu inc. Com relação ao Capítulo V do Título I. elevar sem justa causa o preço de produtos e serviços. sem prejuízo da ação popular. de acordo com Carlos Alberto Bittar (apud. "Essas práticas". em investidas. por Filomeno desenvolvido. 39 do CDC.884/94. que modificou o art. mas também a Lei 8. inc. 1° da Lei 7. quanto a caracterizarem os abusos do poder econômico "prática abusiva manifesta". as especulações no mercado. em detrimento do consumidor de produtos e serviços ao revelar que: Residindo. V do referido art. 1° Regem-se pelas disposições desta Lei. 39 se relacionam intimamente com algumas outras disposições legais. outro aspecto que merece ser destacado é o art. merecem rigoroso regime repressivo no Código. em sua privacidade e em seu patrimônio. p. acrescendo-lhe ônus injustificados que em uma negociação normal não estariam presentes. Um outro comportamento abusivo que merece destaque é o disposto no inc. que diz o seguinte. pois além dele.078/90. tais como.

histórico. o que revela uma infração à ordem econômica. que.] se verifica com a simples constatação de que houve a elevação de preços sem justificativa plausível. ao consumidor. 73) CONCLUSÃO 1..52 [.884/94. sem justa causa.] é crime contra a ordem econômica aquela conduta.. Com relação aos aspectos processuais e procedimentais.inclua.Apesar dos princípios gerais de direito estarem enquadrados na categoria dos princípios monovalentes. (FILOMENO. José Geraldo Brito Filomeno (2003.134/90 estatuiu que se considera consistente a conduta que "elevar. No que se refere à tutela penal a Lei 8.884/94. Além disso. 21 da Lei 8.. Assim conclui. o delito será de mera conduta ou formal. [. valendo-se de posição dominante no mercado". Por conseguinte. diz o art. 5° modificado no que diz respeito às condições para a legitimação de entidades com vistas à propositura de ações coletivas.por infração da ordem econômica e da economia popular. turístico e paisagístico.. esta lei teve. pois: "[. constante do art. entre suas finalidades institucionais. previstos nesta Lei as disposições do Código de Processo Civil e das Leis 7. os preços de seus produtos ou serviços. e em setor econômico no qual o infrator desfruta de posição dominante em virtude de monopólio ou oligopólios. e não uma mera elevação de preços de seus produtos e serviços. 2003.347. in verbis: II . exigindo-se do acusado que demonstre que houve justa causa para a elevação do preço. por força do art.. por óbvio. e a dominação do mercado. administrativos e judicial. o preço de bem ou serviço. em que só valem no âmbito de determinada ciência... II do art.]. à livre concorrência. p. . o inc.884/94. estético.] V.. ou ao patrimônio artistíco. 83 da Lei 8. e 8. dado ao fato desta categoria de princípios serem comuns a todas as formas de saber. in verbis: "Aplicam-se subsidiariamente aos processos.078/90 de 11 de setembro de 1990". consequentemente aumentará sua margem de lucro. à ordem econômica. 88 da Lei 8. p. não se pode deixar de levar em conta que eles também são princípios omnivalentes. sempre tendo-se em vista. por exemplo". de 24 de julho de 1985. Se o agente aumenta sem quaisquer fundamentos. a proteção ao meio ambiente. 73): [.

11. informação e conselhos. 7. antes do ano de 1990.Os princípios gerais de direito atingem o seu apogeu. a partir do momento em que alcançam a mais alta posição do Direito Positivo que é o grau constitucional. 5°. ou melhor.É tarefa do intérprete buscar o exame dos ditames constitucionais na busca de soluções aos fatos que se apresentam no seio da sociedade. de caráter interdisciplinar.São aspectos mais comuns de interesse da política tradicional ao consumidor. 4° e seus incisos do CDC. 8. 9. 48 da ADCT (Ato das Disposições Constitucionais Transitórias). na forma da lei.53 2. se encontrava na sua fase programática. O consumo sustentável é a necessidade de que o homem deve se policiar cada vez mais no hábito de seus consumos. que foi o momento da criação do Código de Defesa do Consumidor através do art. 3. XXXII da Carta Magna do Brasil. que preceitua que o Estado promoverá.O art.Quanto maior a instabilidade política de um país. ou durante o ato da criação de novas normas. para que este não se degrade de forma irreversível ao atender às suas necessidades básicas através do consumo exagerado. 4.Para melhor análise do corpo normativo de um sistema jurídico. 5. segurança. ao fundamentarse no reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor no mercado.078/90 foi uma extensão do princípio constitucional elencado pelo art. que busca a união de vários setores políticos quanto econômicos. na ação . compensação ao consumidor. proteção dos interesses econômicos dos consumidores. 5°. para depois examinar as leis infraconstitucionais. XXXII da Constituição Federal da República Federativa do Brasil. mais fraco será o respeito aos valores postulados pelo sistema constitucional do mesmo. deve se buscar a compreensão de seu princípios.A criação da Lei 8. que buscam uma melhor forma de atender às necessidades básicas do homem aliada à proteção ao meio ambiente. a defesa do consumidor. representação dos interesses coletivos dos consumidores e satisfação das necessidades.A Política Nacional das Relações de Consumo. 4° do Código de Defesa do Consumidor.O princípio da integração é uma estratégia política. para uma melhor aplicação e integração de seus textos. a filosofia de ação da defesa do consumidor está esculpida no texto do art. 6. 12. inc. está prevista legalmente no caput do art.Os princípios basilares. inc. 10. os seguintes tópicos: educação. num primeiro momento. no intuito de preservar o meio ambiente.

pelos quais os cidadãos podem se beneficiar contra os abusos do poder econômico. Arruda. RT. James Marins de. a concorrência desleal e dos crimes contra a ordem tributária. São Paulo: Saraiva. 41. a Lei 4. _______. 15. assim como de mecanismos alternativos de solução de conflitos de consumo.158/91. quanto aos seus direitos e deveres com vistas à melhoria do mercado. 12. Paulo. São Paulo: Forense Universitária.A boa-fé é um princípio basilar que está consubstanciado por todo corpo normativo do Código do Consumidor. Antônio Herman de Vasconcelos.Apesar da grande falta de resultados mais concretos efetivos. BIBLIOGRAFIA ALVIM. ed. Malheiros.A informação é uma das maiores armas das quais os consumidores. contratos. BENJAMIN. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor Comentado pelos Autores do Anteprojeto. tais como. dentre outros meios de difusão da informação. Consumidor Comentado. a Lei 8.. Vol. Curso de Direito Constitucional. Paulo de. podem se utilizar no intuito de se proteger contra os potenciais abusos de anúncios. ALVIM. São Paulo: Ed. RT.137/62. do mercado fornecedor. Revista Instituto Brasileiro de Política e Direito do Consumidor.- . Curso de Direito Tributário. de meios eficientes de controle de qualidade e segurança de produtos e serviços.54 governamental no sentido de protegê-lo efetivamente. Arruda. na educação e informação de fornecedores e consumidores. o Brasil possui várias legislações esparsas que têm como objetivo a proteção contra tais atrocidades. ainda pelos fornecedores. São Paulo: Ed. marketing. 14. a Lei 8. incentivos à criação. propagandas. Código de Defesa do Processual Civil. 1990. ALVIM. Thierry.347/85 que disciplina a Ação Civil Pública que viabiliza a proteção dos interesses difusos e coletivos. a própria Lei 8. jan. 2002. A política de Proteção do Consumidor: Desafios à frente. 1995. Thereza. e SOUZA. Vol. 2002. 1. BOURGOIGNIE.884/94. 13. Eduardo Arruda.078/90 e a Lei 7. 1991. BONAVIDES. Tratado de Direito BARROS CARVALHO. São Paulo: Ed.

São Paulo: Ed. Princípios do Processo Civil na Constituição Federal. José Geraldo Brito. Lezioni di Diritto Costituzionalle.-mar. 253 . ed. 1999. 1. A proteção do consumidor na Constituição brasileira de 1988. A informação como bem de consumo. O Direito e a Vida dos Direitos. 80. Joaquim José Gomes.75. Vol.263. Fábio Konder. Malheiros. MELLO. V. 2001. 2003. Direito Constitucional. 6. São Paulo: Atlas. Martins Fontes. Revista de Direito Mercantil.e.-dez. MARQUES. 15. José Geraldo Brito. São Paulo: Ed. Lumen Juris. out. Teoria Geral do Processo. CANOTILHO.55 mar. Luis Gustavo Grandinetti Castanho de. Coimbra: Almedina. 7./1990. p. 1 FILHO. Curso de Direito Civil. ed. GRINOVER. 30 . 1998. Washington de Barros. 6. 3. RT. Cândido Rangel. 2002. Vicente. tradução João Baptista Machado. 5. ed.]1976. COMPARATO. ed. Nelson. 3. 2001 FILOMENO. 7. Antônio Carlos de Araújo. ed. RT. São Paulo: Saraiva. Manual de Direitos do Consumidor. São Paulo: Ed. 2002. . Padova. ed. KELSEN. 1992. Contratos no Código de Defesa do Consumidor. Cláudia Lima. 41. Malheiros. jan. RÁO. Teoria Pura do Direito. CARVALHO. 1999. NERY JÚNIOR. CINTRA. 66 . Rio de Janeiro: Forense Universitária./2002. Vol. Ada Pellegrini. São Paulo: Ed. [s. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor Comentado pelos Autores do Anteprojeto. ______. 24. Vol. 5. RT. p. 2002./2002. Hans. São Paulo: Ed.38. MONTEIRO. Revista Instituto Brasileiro de Política e Direito do Consumidor. ed. Conteúdo Jurídico do Princípio da Igualdade. Celso Antônio Bandeira de. São Paulo: Ed. p. ed. Rio de Janeiro: Ed. Ação Civil Pública. DINAMARCO. ed. José dos Santos Carvalho. ed. 1997. Vol. CRISAFULLI.

28.. Revista Instituto Brasileiro de Política e Direito do Consumidor. Vol. . 40. 7. Lições Preliminares de Direito. São Paulo. Ed. São Paulo: Saraiva. ed. São Paulo: Saraiva. Direito Civil. Miguel. p. A Interpretação Constitucional do Código de Defesa do Consumidor e a Pessoa Jurídica como Consumidor./2001. 2002. ed. out.198. RODRIGUES.56 REALE. ed. ZAPATER. 24. 1990. 1999.-dez. RT. Vol. Silvio. 170 . Tiago Cardoso. 3 TEMER. Elementos de Direito Constitucional. Michel.

6. 3. Vulnerabilidade nos contratos. 6. 3. 6. Introdução O presente trabalho visa analisar. Algumas formas de tornar o consumidor vulnerável nos contratos. Regras que vinculam a publicidade no CDC. inciso I: "reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor no mercado de consumo").Conclusão. Por imperativo de sistematização.3.1 Conceito de Publicidade.57 O princípio da vulnerabilidade e a defesa do consumidor no direito brasileiro: origem e conseqüências nas regras regulamentadoras dos contratos e da publicidade Autores Alírio Maciel Lima de Brito Haroldo Augusto da Silva Teixeira Duarte "A regra da igualdade não consiste senão em aquinhoar desigualmente aos desiguais. 7. 6. Efeitos da vulnerabilidade do consumidor na tutela legal da publicidade.078/1990. A tutela do consumidor como decorrência da sua vulnerabilidade nas relações de consumo. 3. artigo 4º.5. na medida em que se desigualam. 3. Do contrato de adesão. Vulnerabilidade Ambiental.2 Natureza Jurídica: seria a publicidade compatível com o clássico conceito de oferta?. 3.3.2. 5. Vulnerabilidade Psíquica ou Biológica. Vulnerabilidade Técnica. Nesta desigualdade social.591. Vulnerabilidade Econômica e Social. 5. será disposta da seguinte maneira: a) faz-se um estudo dos fatos sociais que ocasionaram as disparidades nas relações entre fornecedor e consumidor. 5. Vulnerabilidade Política ou Legislativa. b) é realizada uma . Vulnerabilidade Jurídica. 2. proporcionada à desigualdade natural. 6. 3.1. Regra da interpretação mais favorável ao pólo vulnerável da relação e integração contratual.2. é que se acha a verdadeira lei da igualdade" (Rui Barbosa). 4.4 Controvérsia acerca da aplicação do CDC nos contratos bancários: ADI 2. Introdução. o princípio da vulnerabilidade no ordenamento jurídico brasileiro (Lei 8. Vulnerabilidade X Hipossuficiência. 5. 1. 3.1.4.6. a abordagem. A Vulnerabilidade e suas espécies. tendo em vista a sua utilização como fundamento filosófico de todo o movimento de Defesa do Consumidor.3. pormenorizadamente. SUMÁRIO: 1.

As relações de consumo deixaram de ser pessoais e diretas. bem como a princípio da ordem econômica. marketing. pois é utópica a possibilidade de autocomposição entre os integrantes das relações de consumo sem a intervenção estatal. 2. tendo em vista que estes são uns dos principais focos de vulnerabilidade do consumidor. com a revolução tecnológica (fenômeno decorrente do grande desenvolvimento técnico alcançado no pós 2. Baseado nessa vulnerabilidade do consumidor. além de prever no artigo 48 do ato das disposições constitucionais transitórias a elaboração de um Código de Defesa do Consumidor (CDC). fulminando com o relativo equilíbrio existente entre as partes. pelo domínio do crédito. níveis educacionais e poder aquisitivo’" (Almeida. No caso brasileiro a constituição de 1988 alçou a defesa do consumidor ao patamar de direito fundamental (art. e práticas comerciais abusivas colocou o consumidor numa situação de extrema precariedade frente aos agentes econômicos. uma transformação ou amenização deste sistema predatório. a defesa do consumidor"). Essa nova configuração do mercado baseada na produção em massa. 2002.. e por isso. c) finaliza-se com um estudo sobre a publicidade e os contratos. a produção caracterizada pela elaboração artesanal de produtos e restrita ao âmbito familiar. XXXII: "o Estado promoverá. 5º. requerendo. p. p.05). A tutela do consumidor como decorrência da sua vulnerabilidade nas relações de consumo As transformações havidas no processo produtivo desde a revolução industrial (segunda metade do século XVIII) e. necessitava de uma proteção legal. No ano de 1985 a ONU pela resolução 39/248 "baixou norma sobre a proteção do consumidor (.) reconhecendo expressamente ‘ que os consumidores se deparam com desequilíbrios em termos econômicos. e Benjamin ao prefaciar o livro de Moraes (1999. dessa maneira. foi iniciado um movimento no âmbito internacional com o intuito de reequilibrar as relações entre consumidores e produtores. Segundo Antônio Herman V.. Diante dessa conjuntura percebeu-se que o consumidor estava desassistido.58 abordagem sistemática do princípio da vulnerabilidade. A partir de então.ª Guerra Mundial) ocasionaram uma profunda alteração nas relações de consumo. passou a ser uma exceção. principalmente. É lícito até dizer . na forma da lei.10): O princípio da vulnerabilidade representa a peça fundamental no mosaico jurídico que denominamos Direito do Consumidor. Assim visualiza-se a importância do princípio da vulnerabilidade como fundamento dessa nova disciplina jurídica.

3. daquele que está suscetível. literalmente. . e benefícios dos produtos e/ou serviços adquiridos diuturnamente [02]. ambiental. Dessa forma. se manifesta: "é a falta de conhecimentos jurídicos específicos..2. quer na esfera administrativa ou judicial. por sua natureza. 3. p. a sofrer ataques. de qualquer lei. assim. tendo como único aparato a confiança na boa-fé da outra parte. Vulnerabilidade jurídica Esta espécie de vulnerabilidade manifesta-se na avaliação das dificuldades que o consumidor enfrenta na luta para a defesa de seus direitos. Vulnerabilidade Técnica A vulnerabilidade técnica decorre do fato de o consumidor não possuir conhecimentos específicos sobre os produtos e/ou serviços que está adquirindo. A Vulnerabilidade e suas espécies Vulnerabilidade. vulnerabilidade é o princípio segundo o qual o sistema jurídico brasileiro reconhece a qualidade do agente(s) mais fraco(s) na(s) relação (ões) de consumo. a sua incolumidade física e patrimonial [03]. é pressuposto para o correto conhecimento do Direito do consumidor e para a aplicação da lei.. política ou legislativa. econômica e social [01]. jurídica. que é ilimitada. assim.115 e ss): técnica. independente da classe social a que pertença. que se ponha a salvaguardar o consumidor. p. assim. já que não consegue visualizar quando determinado produto ou serviço apresenta defeito ou vício. utilizaremos a divisão dada por Moraes (1999. biológica ou psíquica. colocando em perigo.59 que a vulnerabilidade é o ponto de partida de toda a Teoria Geral dessa nova disciplina jurídica (. Logo podemos afirmar que a presunção da vulnerabilidade do consumidor é absoluta. Para tanto. No Direito.) A compreensão do princípio. malefícios. 120) que. o consumidor encontra-se totalmente desprotegido. 3. significa o estado daquele que é vulnerável. Iniciaremos agora o estudo dos tipos de vulnerabilidade para torná-lo mais aprofundado. impossibilitando o consumidor de possuir conhecimentos das propriedades. Esta vulnerabilidade concretiza-se pelo fenômeno da complexidade do mundo moderno. ficando sujeito aos imperativos do mercado.1. conhecimentos de contabilidade ou de economia". isto é. Em sentido contrário encontramos a posição de Marques (2002.

5. pois da maneira por Ela exposta estamos diante da vulnerabilidade técnica. Podemos destacar como uma dessas formas a introdução dos contratos de adesão e os submetidos às condições gerais (ou condições gerais dos contratos – CONDGs) [05]. dos consórcios e dos supermercados.. Segundo Moraes (1999. Ao contrário. É que. as associações de fornecedores possuem força no cenário político nacional. na tramitação do Código. Por isso nos dias atuais percebemos a importância desta motivação.3. impedir a votação do texto naquela legislatura. p. Vulnerabilidade Psíquica ou Biológica O consumidor é atingido por uma infinidade de estímulos (visuais. p. 2001. sob o argumento de que. olfativos. tratada anteriormente.120) discordamos da conceituação oferecida pela ilustre jurista. Aqueles detêm condições objetivas de impor sua vontade através de diversos mecanismos.09).) que devido a sua própria constituição orgânica influenciam na tomada da decisão de comprar determinado produto. prevendo sua derrota nos plenários das duas casas. (Pellegrini.4. 3. A dissimulação daquilo que era Código em lei foi meramente cosmética e circunstancial. 3.. químicos. Vulnerabilidade política ou legislativa A vulnerabilidade política ou legislativa decorre da falta de organização do consumidor brasileiro. necessidades e manipular manifestações de vontade como uma forma de influenciar o consumidor. p. auditivos. por se tratar de Código. inexistem associações ou órgãos "capazes de influenciar decisivamente na contenção de mecanismos legais maléficos para as relações de consumo e que acabam gerando verdadeiros ‘monstrengos’ jurídicos" (Moraes.60 Consoante os ensinamentos de Moraes (1999. capaz de criar desejos. o lobby dos empresários. etc. um grande lobby junto ao Congresso Nacional. p. inclusive. Vulnerabilidade Econômica e Social A vulnerabilidade econômica e social é resultado das disparidades de força entre os agentes econômicos e os consumidores. através de uma manobra procedimental..151) "essa motivação pode ser produzida pelos mais variados e eficazes apelos de marketing possíveis à imaginação e à criatividade orientada pelos profissionais desta área" [04]. necessário era respeitar um iter legislativo extremamente formal. 3. possuindo. Essa situação foi presenciada quando da tramitação do atual Código de Defesa do Consumidor: . .132).. notadamente o da construção civil. buscou. 1999.

a critério do juiz. surge a cada dia a necessidade de uma maior presença do Estado no âmbito econômico para harmonizar essas relações de consumo. o ‘consumerismo’ destrutivo do meio ambiente é inerente ao modelo vigente da indústria e agricultura.a facilitação da defesa de seus direitos. Efeitos da vulnerabilidade do consumidor na tutela legal da .6. inciso VIII do CDC que assim dispõe: São direitos básicos do consumidor: VIII . Já a hipossuficiência [07] é uma marca pessoal de cada consumidor que deve ser auferida pelo juiz no caso concreto. Uma visão sistêmica do direito do consumidor. no processo civil.162): . 5. bem como conseqüências jurídicas diversas. Ou seja. quando. inclusive com a inversão do ônus da prova. 3.. em que todos têm participação em diversos graus através da sociedade de consumo. segundo as regras ordinárias de experiência (grifamos). ocasionado pelo uso irracional dos recursos naturais de nosso planeta. inciso I do CDC. Como parte do meio ambiente o homem fica sujeito a uma gama de alterações havidas neste. já que os conceitos apresentam realidades jurídicas distintas. 4º.. Portanto. tendo em vista o art. Conforme afirmado anteriormente o princípio da vulnerabilidade é um traço inerente a todo consumidor de acordo com o art.61 Assim. 4. a seu favor. Embora haja essas diferenças é comum a utilização desses termos como sinônimos [06]. e todos sofrem prejuízos biológicos em diversos graus por causa do abuso do meio ambiente. já que se assim o fosse. Segundo Mirian de Almeida Souza apud Moraes (1999. p. faz deste direito o reverso da moeda do direito ambiental. Vulnerabilidade X Hipossuficiência Para finalizar essa parte do trabalho iremos traçar os elementos distintivos entre a vulnerabilidade do consumidor e sua hipossuficiência no mercado de consumo. em que todos habitam o mesmo planeta. 6º. Vulnerabilidade Ambiental Esta espécie de vulnerabilidade é decorrência direta do consumo em massa da nossa sociedade. todo consumidor teria direito à inversão do ônus da prova. for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente. é errônea a utilização dos termos como sinônimos.

distinção alguma. que trata das práticas comerciais. 1985. uma vez que em ambos os casos o que há é a divulgação de determinada informação. cit. Ao passo que quando se tem por objeto a propagação de idéias políticas ou religiosas se utiliza do termo propaganda. se usa a expressão publicidade. há uma distinção quanto ao uso desses termos: quando se objetiva a venda de um produto.66). divulgar e promover a oferta de idéias. Tentadora é a hipótese de considerarmos como sendo proposta [11]. bastaria uma rápida leitura do CDC para concluirmos que tal possibilidade é com ele incompatível. assinalando quais são as condutas ilícitas e os meios através dos quais o direito assegura a proteção dos consumidores. bens e/ou serviços por parte de um patrocinador identificado (Richers. Limitou-se. Já a publicidade tem muitas vezes apenas o afã de mostrar que o anunciante está propenso a contratar. 5. através de meios impessoais (impressos e eletrônicos). apenas a esboçar conceituação de publicidade enganosa e abusiva [08]. Na realidade. agora. ob. Não vislumbramos quanto à sua essência. o legislador. E de fato. Deteremo-nos inicialmente com a publicidade. Para a economista Raimar Richers publicidade é: A comunicação. respectivamente a II e III. Mas não seria meramente o fato do CDC distinguir tais conceitos que nos daria base para não aceitar a classificação da publicidade como espécie de oferta. existe uma seção dedicada à oferta e outra à publicidade. a tratar das repercussões da incontroversa vulnerabilidade do consumidor no âmbito da publicidade e do contrato. não há de se falar na existência de publicidade se não se fizer notar o mínimo de informação a respeito do produto/serviço que se quer vender ou divulgação dessa informação. Eis qual a diferença principal entre os dois institutos: Com a proposta basta que se dê a aceitação do policitado para que se aperfeiçoe o contrato. p.) se põe a diferenciar o conceito de publicidade do de propaganda. 5.1 Conceito de Publicidade Compete-nos conceituar publicidade. destinada a informar. nos lançaremos ao problema de sua natureza jurídica. invariavelmente. Existem conceitos dos mais diversos para a atividade que visamos descrever. e que acabam. Lembraríamos ao leitor que não há no Código Brasileiro de Defesa do Consumidor um conceito para o objeto de nossa análise.62 publicidade Passaremos. À conclusão muito semelhante chegou o doutrinador mencionado [10].2 Natureza Jurídica: seria a publicidade compatível com o clássico conceito de oferta? Conceituado o objeto de nosso estudo. vez que no seu capítulo V. a fazer referência a dois elementos que reputamos serem essenciais: a informação e a divulgação [09]. No entanto. Morais (1999. tendo por .

não de estabelecer todas as condições de um futuro contrato. revistas e jornais seja uma notícia. a identifique como tal. Exigir o cumprimento da oferta. os elementos essenciais do contrato a ser celebrado (de compra e venda) já estão determinados: a coisa e o preço. no sentido tradicional do termo. posto que este se encontra em posição de vulnerabilidade psíquica frente àquela. Exemplo de publicidade é o anúncio corrente em jornais e revistas nos quais apenas se veicula o logotipo do estabelecimento. Nesse caso. como também a oferta [14] integram compulsoriamente o contrato que venha a ser firmado. É exemplo de oferta ad incertam persona a exposição em vitrine de produto com seu respectivo preço. ainda. ou 3. acaba por entrar na esfera das convicções do indivíduo sem que haja uma valoração crítica e analítica dos fatos. 5. 2. não se pode considerar a publicidade como oferta. A) A identificação da publicidade: Em consonância com o artigo 36 do CDC a publicidade deve ser veiculada de tal forma que o consumidor. o problema que anunciamos o qual será elucidado por Lôbo com o qual concluímos esse tópico: "Assim. Tal é a razão pela qual o Estado interveio. melhor se concebendo como modo de integração compulsória aos contratos de consumo" [13] (2000). fácil e imediatamente. A seguir. estabelecendo normas que possuem por objeto regular a publicidade e proteger o consumidor.3. Não infundadamente se diz até que se trata de um quarto poder. Resolver o contrato em perdas e danos [15] obtendo o ressarcimento das parcelas então empenhadas. Regras que vinculam a publicidade no CDC É do conhecimento de todos o tamanho poder que os meios de comunicação em massa (mass media) detêm. Aquilo que é veiculado na televisão. mas não solucionamos. a área de atuação e outras informações básicas tendo a intenção de atrair clientes e. nos casos em que exista incongruência entre as cláusulas ou condições gerais presentes na publicidade e no contrato. rádio. citaremos tais normas. O que se objetiva aqui é evitar que informes publicitários passem por jornalísticos ou educativos.63 objetivo atrair o consumidor. B) Vinculação contratual: por força dos artigos 30 e 35 do CDC não só a publicidade. é dada ao consumidor faculdade de proceder de três diferentes formas: 1. descartamos de antemão a possibilidade de um ser gênero do outro [12]. por meio do CDC. que para se aperfeiçoar necessitaria apenas da adesão por parte do policitado. seja uma campanha publicitária. apresentação ou publicidade. Diferenciados os dois institutos. . Aceitar outra prestação equivalente àquela difundida. Em decorrência disso.

como a interpretação contra o mesmo. possuidores de bons direitos. Naquela. G) Correção do desvio publicitário: Por imperativo do art. dessa forma. explore o medo ou superstição. De tal inversão decorre que a prova da veracidade daquilo que é anunciado cabe ao fornecedor.64 C) Regra da veracidade: Na cabeça do artigo 37 do CDC existe a proibição de toda publicidade enganosa. na doutrina. da presunção legal de vulnerabilidade do consumidor [18]. de caráter explicativo. que incite à violência. um compromisso de veracidade daquilo que é divulgado em campanha publicitária. etc. assim. que se aproveite da deficiência de julgamento da criança. Razão pela qual o CDC fez duas previsões de inversão do ônus da prova: uma ope legis (ao artigo 38) e outra ope judicis (ao artigo 6º. desfazendo os erros de anúncio . Entende-se. F) Transparência da fundamentação publicitária: O fornecedor deve ter consigo os dados fáticos que fundamentem a informação veiculada. veriam seu pedido julgado improcedente por falta de provas graças a sua vulnerabilidade que o impede de produzi-las. nos seguintes termos: É abusiva. Eis a segunda modalidade de publicidade ilícita. o fornecedor. do caput do artigo 37 se tem por proibida toda publicidade abusiva. E) Inversão obrigatória do onus probandi: Como é do conhecimento do leitor. Enquanto que esta se opera mediante uma valoração. que o abuso é o uso irregular de uma faculdade que a princípio se apresentava como regular e legítima [17]. dentre outras. D) Regra da não-abusividade da publicidade: Por força. parágrafo único da lei em tela. a parte que alega a ocorrência de determinado fato é que suporta a carga de prová-lo. inciso XII do CDC. Acontece que se tal preceito fosse cruamente aplicado nas relações de consumo. é o que impõe o artigo 36. às suas expensas. impondo-se. VIII). in casu. Saliente-se que a inobservância desse dever por parte do fornecedor enseja a caracterização da já referida propaganda enganosa por omissão. mesmo que por omissão [16]. a publicidade discriminatória. da existência de verossimilhança daquilo que é alegado ou de hipossuficiência do autor. em última análise. 56. no processo. É definida por enganosa qualquer modalidade de informação publicitária inteira ou parcialmente falsa. Leva-se em conta que para corrigir os malefícios causados aos consumidores o único meio eficaz é fazendo uso da própria publicidade sob o nome de contrapropaganda: Trata-se de veiculação de outra publicidade para sanar os malefícios causados pela publicidade originária. o desvio da publicidade possuirá não só efeitos civis e penais como também publicitários. informa corretamente ao consumidor. Ao tentar delimitar o que viria a ser abusividade o referido codex listou rol não taxativo. tão bem quanto o fornecedor. teríamos que consumidores. aqueloutra se dá independentemente de qualquer análise por parte do magistrado pelo fato de derivar. também.

per si. que se trata de instrumento que confere ao fornecedor pujantes meios de abusar da boa-fé ou do estado de necessidade do consumidor. Podemos extrair do que foi exposto. Vulnerabilidade nos contratos Discorreremos.1. Tal processo trouxe-nos algumas conseqüências das quais destacaríamos: massificação das necessidades de consumo. toda a etapa pré-negócial.ADI 2. 6. estudando o instituto do contrato de adesão. Daí. Do contrato de adesão Desde a revolução industrial o mundo vem assistindo a uma gradual massificação da produção dos bens da vida. agora. 2. tópico 10). 6. razão pela qual merece (sim) uma especial fiscalização e especial tutela legal (inserida no nosso ordenamento com o CDC) que sejam capazes de compensar a vulnerabilidade do consumidor e refrear os abusos contratuais que. surge naturalmente a necessidade de uso de contratos-tipo. 6. Algumas formas de tornar o consumidor vulnerável nos contratos Podemos notar. via de regra. de alguns meios utilizados pelo fornecedor que tornam vulnerável o consumidor.2. É de se frisar que a simples adoção da espécie contratual em comento não constitui. Formação dos contratos com a adesão (que só poderá se dá em bloco) do consumidor [19]. 2002. alguns dos quais passaremos a comentar infra [20]: A) Tecnismo dos termos contratuais: Os instrumentos contratuais em geral devem ser escritos de modo a possibilitar a compreensão de seu conteúdo sob pena de comprometer a validade da vontade que ali se expressa e. Uso em massa: no sentido em que regem as interações econômicas entre um fornecedor e seus distintos consumidores. (Gonçalves. difusão do modo de vida ocidental e (conseqüência que mais nos interessa) uniformização dos vínculos jurídicos entre fornecedor e consumidor. Textos préconstituídos unilateralmente e 3.591 -). então em voga (pelo advento da Ação Direta de Inconstitucionalidade . ao passo que é instrumento útil ao atual estágio de desenvolvimento capitalista. ocorrem em sede de contratos standart. uma vez que com instrumentos pré-formulados se vencia. Acontece que tal imperativo comumente é inobservado pelo elaborador do contrato. que envolve toda uma cadeia de ajustamentos. um ato abusivo que mereça ser coibido. que usando de termos técnicos do meio econômico ou . a obrigatoriedade do pacto. das regras interpretativas das cláusulas contratuais e da questão. com um único passo. a respeito dos contratos de adesão (muito usados nas relações de consumo). da aplicação do CDC aos contratos bancários. conseqüentemente. os elementos essenciais dos contratos de adesão: 1.65 original. vindo a possibilitar uma dinâmica circulação de riquezas.

O que não ocorre. Moraes (1999. Estaria incompleto o presente estudo se não fizéssemos referência. [22] 6. em um único texto vários contratos distintos. ao contrato. no afã de buscar a solução mais favorável ao consumidor. de cláusulas consideradas abusivas e que. Sendo que o entendimento em contrário nada mais é que o resquício de um tempo. na verdade. Fazendo de sua leitura e interpretação uma tarefa árdua mesmo para profissionais do meio. por mais . como tais. em seu art. vir o juiz a acrescentar. na doutrina.4 Controvérsia acerca da aplicação do CDC nos contratos bancários: ADI 2. É inconteste. verbis: "a nulidade de uma cláusula contratual abusiva não invalida o contrato.3. é o da interpretação que lhe seja mais favorável (artigo 47 do CDC). no qual sob a alegação de proteção ao princípio da autonomia da vontade se impedia que o Estado interferisse nas relações privadas a fim de promover os ajustamentos necessários a colocar em igualdade de condições os naturalmente desiguais. tornando-o ainda mais suscetível a sofrer lesões. decorrer ônus excessivo a qualquer das partes" (destacamos). uma consignação de entendimentos que foram consagrados em nossos tribunais ao longo das décadas que antecederam ao referido codex [21]. não exaustiva. 6. B) Complexidade e extensão do contrato: Tanto o tecnismo como o uso constante de remissões a outras cláusulas do instrumento contribuem para torná-lo mais complexo. E por essa razão. C) Cláusulas abusivas: O CDC. exceto quando de sua ausência. p. as quais serão consolidadas (através de portarias) pela Secretária de Direito Econômico. não muito distante. são nulas de plenos direito. deixa o texto nebuloso aos olhos do consumidor. que pelo Decreto 2181 de 1997 recebeu essa atribuição. Tal rol é na realidade.591. no entanto. apesar dos esforços de integração. 51 traz lista. com a possibilidade de. Acreditamos que tal possibilidade (de integração contratual pelo Judiciário) é legítima e prevista no artigo 51 §2º do CDC. dentro de um contexto de disseminação do uso de contratos padronizados com texto nebuloso. extenso e cláusulas abusivas. ele pode ser complementado pela jurisprudência. o fato de decorrer dessa norma a possibilidade do magistrado declarar nulidade de cláusulas contratuais. Regra da interpretação mais favorável ao pólo vulnerável da relação e integração contratual Preceito fundamental para uma eficaz proteção do consumidor. assim como entendimentos dos Ministérios Públicos e decisões administrativas dos Procon’s. 227) relata que de certa feita precisou de mais de cinco horas ininterruptas para analisar contrato que além de complexo era deveras extenso pelo fato de conjugar. novas disposições.66 jurídico.

por força do dispositivo constitucional. o STJ firmou sólido entendimento no sentido de que o CDC. depósitos bancários. feitos em série e muitas vezes elaborados de modo a lesionar o consumidor [23]. posto que tal matéria. pela douta jurista Cláudia Lima Marques existe farta e elaborada contra-argumentação que leva à conclusão da improcedência do pedido. Justifica-se a assertiva anterior com a constatação de que são nos contratos bancários. à controvérsia muito recentemente suscitada (ou ressuscitada) a respeito da consideração (ou não) das cadernetas de poupança. por exemplo. a jurista. de crédito e securitária" em face do artigo 192 da CF. adoção do in dubio pro consumidor. A pretendida inconstitucionalidade formal residiria no fato de que. Razão pela qual não vê. qual seja: a de que o CDC é uma norma de organização que regulamenta o sistema financeiro nacional. Inicia. e logo interrompido. por deixar clara a clássica distinção entre "normas de conduta" e "normas de organização". Nelson Jobim.67 pontual que seja. no entanto. que esses deixam mostrar de forma mais proeminente a sua vulnerabilidade. O objeto dessa ação é o de declarar a inconstitucionalidade da expressão "inclusive as de natureza bancária.591 proposta pelo CONSIF – Confederação Nacional do Sistema Financeiro – cujo julgamento junto ao STF foi iniciado. Em parecer elaborado. Essa é . em 17 de abril de 2002 graças a pedido de vista do Min. e estas. aquelas. a doutrinadora. financeira. §3º). mediante consulta do Instituo Brasileiro de Política e direito do Consumidor – BRASILCON. é falsa. etc) seria aplicável normalmente aos contratos bancários [25]. cartões de crédito. incompatibilidade entre o referido dispositivo constitucional e a norma do artigo 3º. que parecia então pacificada. na parte que se refere à limitação dos juros reais em 12% ao ano. 192. 2. em sua parte propriamente consumerista. o sistema financeiro nacional só pode ser regulado por Lei Complementar e não por Lei Ordinária como o CDC. Não o sendo. contratos de mútuo.595/64 que legitima a taxa de juros superior a 12% ao ano. Deixando claro que o CDC se aplica aos contratos bancários. e com a constatação de que tais contratos estão de tal forma disseminados que é difícil encontrar quem nunca os celebrou [24]. Segue afirmando que a premissa na qual se fundamentou o CONSIF para propor a ação. regras sobre responsabilidade por fato e vício do produto e do serviço. §2o do CDC. destinadas a regular a constituição e funcionamento de institutos publicamente relevantes como o sistema financeiro nacional. precisa de lei complementar que a regulamente. destinadas de forma imediata a reger o comportamento dos indivíduos considerados isoladamente ou coletivamente. muito embora possua previsão constitucional (art. A controvérsia. voltou à baila com o advento da ADI. com a devida ressalva do campo de atuação da lei 4. abertura de crédito e todas as operações bancárias ativas e passivas como relação de consumo. Sobre o tema. de Direito Financeiro. posto que o CDC traz em seu seio normas de conduta destinadas a reger relações de consumo. (imposição da boa fé. de seguros.

Conclusão Os princípios em qualquer ramo do conhecimento são os pilares que alicerçam todas as vertentes do seu saber. 7. A assertiva é verdadeira em todos os sentidos. trilhou esse caminho (aberto pelo STJ) ao julga-lo procedente em parte para emprestar ao §2º. interpretação conforme a Constituição para excluir da incidência a taxa dos juros reais nas operações bancárias ou sua fixação em 12% ao ano pelos argumentos já mencionados. e hoje a afirmação ganha cada vez mais relevo. de onde se inspiram. os princípios são a base da Ciência Jurídica. que deverá ser buscada. é mais grave do que infringir um dispositivo legal. de descumprimento. do art. No decorrer do trabalho. impende a necessidade da análise do referido princípio para uma conseqüente aplicação equânime da lei. No âmbito da publicidade e da contração em massa. Carlos Velloso. 3º do CDC. constatamos a relevância dessa proteção. Néri da Silveira que julgou improcedente o pedido. Assim. Em logrando êxito a tese levantada na ADI 2. percebemos a importância do princípio da vulnerabilidade como base de toda a Ciência Consumerista. no concernente às normas de conduta. por meio de inserção de novas cláusulas pelo magistrado. 8. E de fato. Tendo em vista que a vulnerabilidade é o alicerce (matriz) da defesa do consumidor. para um perfeito entendimento do Sistema de Proteção do Consumidor. o Min. configurando esta como uma conquista histórica em favor do consumidor. Relator da ADI. que demonstram a importância dessa tutela legal.591. as regras jurídicas. Quanto à aplicabilidade do CDC aos contratos bancários. Já se tem dito. que visem ludibriar o pólo vulnerável da relação de consumo. No Direito não poderia ser diferente. Estas implicam inúmeras situações fáticas de exploração. filiamo-nos à corrente de que não há vedação alguma. Bibliografia . ao vedar determinadas práticas comerciais. pois a sua violação é a tentativa de negação.68 a posição que nos parece mais acertada até porque se coaduna com o entendimento ao longo do tempo construído pelo STJ. restará por fulminado todo o sistema de proteção ao consumidor. visualizamos as várias espécies de vulnerabilidade inerentes ao consumidor. objetivando a observância da cláusula geral da boa-fé. que violar um princípio. como decorrência dos tempos modernos. Dessa maneira. dos pilares de onde brotam. diferentemente do Min. inclusive.

6. nas demais práticas . José Geraldo. 11. e ampl. ano VI – n.asp?id=3181. MORAES. 2002. São Paulo: Editora Método. [et al]. Questões Controvertidas no Código de Defesa do Consumidor: Principiologia. 264. na publicidade. GRINOVER. IN: Jus Navigandi. 3. São Paulo: Saraiva. A publicidade ilícita e a responsabilidade civil das celebridades que dela participam. n. Cláudia Lima. IN Revista Jurídica Consulex. 7ª ed. 1999. 14. 51. João Bosco Pastos. Rio de Janeiro: Forense Universitária.2002. 10.. João Batista de.com. Contratos. DINIZ. 3ª ed. [Internet] http://www1. São Paulo: Saraiva. Marques. BONATTO. 58 [Internet] http:// www1.jus. Rio de Janeiro: Forense. 2001.asp?id=2216 [ Capturado 15. 1998. LOUREIRO. INFORMATIVO DE JURISPRUDÊNCIA DO STF. Ada Pellegrini. Paulo Jorge Scartezzini. atual. Atualizador: Humberto Theodoro Júnior. LÔBO. São Paulo: Atlas. 2001. Daniel M.Set. Paulo Valério Dal Pai. Código brasileiro de defesa do consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto. 8. A informação como direito fundamental do consumidor. 4.br/doutrina/texto. Curso de Direito Civil Brasileiro: Teoria Geral das Obrigações.jus. Princípios gerais da publicidade no Código de Proteção do Consumidor.set.2002 ]. n. Paulo Luiz Netto. 4ª ed.com. Código de defesa do consumidor: o princípio da vulnerabilidade no contrato. 12. 34-38 de 15 de fevereiro de 2002. In: Jus Navigandi. A influência do CDC nos contratos bancários. 2001. GONÇALVES. 122 P. GOMES. Maria Helena. Teoria Geral dos Contratos no novo Código Civil. Conceitos e Contratos atuais. Luiz Guilherme. Orlando. FILOMENO. GUIMARÃES. Cláudio [et al]. 2001. Contratos no código de defesa do consumidor. 2. ALMEIDA. 13 MENESES. G. São Paulo: RT. Manual de Direitos do Consumidor. 9. Capturado 15. 15 a 19 de abril de 2002. rev. Porto Alegre: Livraria do Advogado.br/doutrina/texto. A proteção jurídica do consumidor. n. São Paulo: RT. 2002. 2002. 7.69 1. Brasília. 5.

pelo fato do consumidor comum não possuir conhecimento técnico. 1985. Raimar.. era mais caro e. ou seja. VIEIRA.. SOARES. 17. 18. Leme: LED. São Paulo: RT. Belo Horizonte: Melhoramentos. 33) "a questão do leite infantil ficou como um marco na luta contra os desvios da publicidade. RICHERS. as empresas. 19.. . dessa forma. e criam. Essa situação também pode ser constatada nos inúmeros recalls ocorridos nos últimos anos na indústria automobilística em decorrência do desgaste ou defeito de fabricação em peças que colocam em risco a vida de inúmeros consumidores. Porto Alegre: Síntese. p. andar na moda. Mexiam com a vaidade feminina e com o conforto da mãe. 04 03 02 01 . 1999. Exemplo esclarecedor sobre a vulnerabilidade técnica do consumidor nos é dado por Pasqualoto (1997. sendo nutricionalmente menos valioso transformou-se em causa corrente de desnutrição. São Paulo: Abril Cultural. que substituiria o aleitamento materno. passaram despercebidos dos mesmos. a substituição da amamentação materna pela mamadeira. 270) existem apenas três tipos de vulnerabilidade: a técnica. Responsabilidade civil do fornecedor pelo fato do produto no direito brasileiro. p. Notas Para Marques (2002. Vícios esses que.. NOVAES. a necessidade intolerável de manter-se em dia. Sílvio Luís Ferreira da. Paulo Brasil Dill. por acreditar que todos devem ter e usar..". no consumidor. e assim por diante. 2001. A título exemplificativo Miriam de Almeida Souza apud Moraes (1999. Elaine Cardoso de Matos. Adriana Carvalho Pinto. a jurídica e a fática ou sócio-econômica.. caso não adquira tais produtos prestigiados. p. O que é Marketing. 2002. A inversão do ônus da prova no Código de Defesa do Consumidor in Revista Jurídica IN VERBIS n. os apelos publicitários levam o indivíduo a considerar-se numa situação psicológica e social inferior. Uma trintena de empresas multinacionais sugeriam. ROCHA. p. Dessa maneira percebe-se mais uma vez o subjugamento do consumidor no mercado de consumo. investem conjuntamente em comercias. o efeito demonstração a toda prova".70 comerciais. 18-25. 15.. O leite em pó. 1992. 02. Princípios básicos de defesa do consumidor. Agosto/setembro de 1995. O princípio constitucional da igualdade e o direito do consumidor. 16. especialmente em países do Terceiro Mundo.154) ".

a hipossuficiência a que alude o Código de Defesa do Consumidor é afirmada pela sua qualidade de consumidora frente ao fornecedor de serviço (sic). 11 10 09 Já que tanto a proposta (ou oferta) como a publicidade poderiam ser . diante do cargo de juíza de direito ocupado pela mesma. p. De acordo com os ensinamentos de Antônio Benjamin ". Verbis: "Embora a Agravante insista em desconsiderar a condição de hipossuficiente da Agravada. crédulos ou espertos. em que o comprador aceita.66). direta ou indiretamente.. não merece guarida referida alegação. para as ações de indenização. unilateral e uniformemente para um número indeterminado de relações contratuais. que também faz referência às noções de informação e de divulgação. ante o disposto no artigo 6º. com o desvio (publicidade ilícita) e não com o padrão. escritos ou não escritos. que citamos infra. 3a Vara Cível – Mossoró/RN. Relator: Des. 99. disponibilizamos ao estudioso do assunto o conceito de Antônio Herman de Vasconcelos e Benjamin. São pacíficas a doutrina e jurisprudência pátrias. limitada a alguns – até mesmo a uma coletividade – mas nunca a todos os consumidores" (2001. A vulnerabilidade é um traço universal de todos os consumidores. na verdade. enquanto o objetivo da propaganda é a implantação de idéias. venham a disciplinar o seu conteúdo específico" (2002. quando definem como competente o foro do lugar do dano ou do domicílio do consumidor. Para corroborar o supra afirmado. uma atividade econômica" (Gonçalves. o legislador. 08 07 06 05 Preocupou-se. tal norma decorre da presunção juris et de jure de vulnerabilidade. n. Exemplo de confusão entre os dois conceitos existe no trecho do agravo de instrumento. Dúbel Cosme do TJRN.002927-1. p. na forma já vista"..325). dado que o objetivo da publicidade é vender. Cf. 2002. tácita ou expressamente. 101. no qual se argumenta que a norma do Art. citado por João Bosco Pastos Gonçalves: "Publicidade é toda informação dirigida a público com o objetivo de promover. Portanto.71 Segundo Marques "entende-se como contratos submetidos a condições gerais aqueles contratos. Quando. educados ou ignorantes. inciso I do CDC (que se refere à possibilidade do consumidor ajuizar ação de responsabilidade civil do fornecedor no seu próprio domicílio) deve ser aplicada in casu como conseqüência da presunção de hipossuficiência da consumidora. ricos ou pobres. VIII do Código de Defesa do Consumidor que elenca dentre os direitos básicos do consumidor. que cláusulas pré-elaboradas pelo fornecedor. a facilitação da defesa de seus direitos". tópico 2). Já a hipossuficiência é uma marca pessoal. Nesse sentido a referida obra à página 250 na qual escreve o autor: "não fala o código em contra publicidade.

a ausência de qualquer esclarecimento acerca do que o fornecedor pretendeu com a expressão ‘inédito’. tendo-se por não escritas as cláusulas contratuais em contrário". Já se considerou como enganosa por omissão publicidade que dizia: "Hoje promoção inédita de Santana e Parati" posto que "basta um simples raciocínio para.72 aprioristicamente definidos como atos pré-negociais. 5 da Lei Portuguesa de defesa dos consumidores. 251). op. que se identificam com os mencionados supra. p118 ) coloca os seguintes elementos. 379). e (Loureiro. 3ª Turma Cível. 13 14 12 Compulsoriedade essa dada pela norma do artigo 30 do CDC. Cf nesse sentido: (Gomes. 2001. defendendo que a publicidade é espécie de oferta: (Filomeno. norma repetida no Código ora em vacatio legis ao artigo 427). 2) A predeterminação e 3) A rigidez. Um estudo desses requisitos pode ser encontrado em (Diniz.080 do Código de 1916. inexiste. 2000). considerando a proposta como negócio jurídico unilateral: (Lôbo. Cf em sentido contrário. nas relações de consumo a proposta sempre obrigará o fornecedor promitente. 1999). Ocorrência de dano patrimonial positivo (dano emergente) ou negativo (lucros cessantes) e 2 – Nexo causal entre o dano e o inadimplemento daquilo que fora prometido em publicidade. p. Genovese apud Orlando Gomes ( 1999. o que bem caracteriza o informe como obscuro" (TJDFT. a necessidade de comprovação de culpa por parte do fornecedor para responsabilizá-lo (regra que possui como exceção o caso dos profissionais liberais) de modo que para que haja a condenação em perdas e danos basta que se apresentem os demais requisitos: 1. serviço ou direito consideram-se integradas no conteúdo dos contratos que se venham a celebrar após a sua emissão. sendo totalmente aplicável a regra do artigo 7o. Apelação Cível e Remessa ex officio n º 8114/2000 e 7912/2000). 17 18 16 15 Cf nesse sentido: (Moraes. 19 . Ao contrário do que ocorre no seio das relações regidas pelo Código Civil (vide art. 1. Maiores apontamentos sobre o tema poderão ser encontrados em: Elaine Cardoso de Matos Novaes (1995. Grifamos. in fine: "As informações concretas e objetivas contidas nas mensagens publicitárias de determinado bem. Saliente-se que pelo fato do direito consumerista ser um direito de proteção ao consumidor e não de repressão ao fornecedor negligente. Em sentido contrário. 18 e ss). mas entendemos que tal vedação está subentendida. em regra. 2002). como características do contrato de adesão: 1) A uniformidade. p. A nossa lei de proteção não vedou expressamente o uso de cláusula de retratabilidade na proposta. constatar isso. 1998. p. de pronto. cit).

226 e ss. diz Daniel M. AG 420203 RS. G. de crédito e securitária. AG 424767 RS. Sobre o assunto. descarta a necessidade de realizar maiores divagações teóricas sobre o assunto. variação de preço de maneira unilateral não era procedimento abusivo antes do advento da Lei de proteção ao consumidor. Corroborando a posição colocada a respeito da possibilidade de integração contratual por parte do Judiciário: Bonatto (2001. 4º T: AG 444223 RS. do art. STJ. mediante remuneração. Já que o CDC. faz expressa referência ao de natureza bancária. Não há de se falar. 193 e ss. salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista" (grifamos). 3º §2º. p.) os contratos bancários alcançaram a tal nível de popularidade que mesmo o cidadão mais humilde não costuma escapar da ação (muitas vezes nefasta) dos tipos mais comuns. p.73 Lista pormenorizada contendo esses e outros meios pode ser encontrada em Moraes (1999. AG 438114 RS. RESP 293778 RS e RESP 213825 RS. como: depósito bancário.". o depósito em conta corrente. Meneses (2002. 37): "(. 3º T: AG 448061 MG. AG 430435 RS.. AG 430458 RS. uma vez que tal prática sempre foi considerada leonina vindo. Previsão legal que de tão explícita. financeira. verbis: "Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo. 23 24 22 21 20 Seja através do uso de tecnismo. definindo serviço. ao nosso ver. AG 445664RS. que o uso de cláusula que permita ao fornecedor. p. RESP 325620 RS. inclusive as de natureza bancária. complexidade ou cláusulas abusivas. 25 .). AG 445314 RS. etc.). Dentre tantos outros julgados. apenas a se formalizar tal entendimento. AG 425643 RS. nesse sentido.. com o CDC.

ao contrário de sistemas legais alienígenas como os da França. por seus sistemas de leis. mais especificamente a letra do § 242.74 O princípio da boa-fé no Código de Defesa do Consumidor Autor: Francisco José Soller de Mattos A boa-fé. ante a importância do regramento de conduta nas relações obrigacionais. não foi contemplado. . o princípio em tela mantém vigência imperativa. muitos países. dando o norte ético para todos os partícipes do vínculo jurídico. estabelecendo um elo de cooperação. Suíça. verifica-se o fenômeno de que. Assim. Pois bem. como princípio.Bürgerliches Gesetzbuch (Código Civil Alemão). Estados Unidos e Alemanha. na legislação pátria não se traduz como regra geral. o princípio da boa-fé. atrelados ao "comportement réflechi à l’égard d’autrui. expressamente. feixe de deveres que induzem a um mandamento bilateral de conduta. Portugal. Itália. no Código Civil. consignando que os contratos devem ter interpretação e também execução. no Código Civil Brasileiro. contemplam. em face do objetivo comum avençado. apresenta-se como pilar dos mais importantes na sustentação da teoria contratual moderna. com artigo expresso. Porém. este princípio. Nesse sentido. de artigo de teor próximo ao § 242 do BGB. mesmo em face da não existência. para ilustrar. aduzindo: "O devedor é obrigado a realizar a prestação do modo como o exige a boa-fé levando em conta os usos de tráfico". Espanha. que positiva o princípio em comento. vale trazer à colação o BGB . ou seja.

078. na letra do art. quase que isoladamente consignada. indutora de uma nova postura no ambiente contratual. muito embora o próprio caput do art. 4º. de onde depreende-se a vontade Estatal que: " o literal da linguagem não deve prevalecer sobre a intenção manifestada na declaração de vontade. de tão abrangente. instituído pela Lei nº 8. . dentro desse conjunto legislativo. ou dela inferível" (Orlando Gomes). E. que. 4º do CDC consagre a autonomia do "Princípio da Transparência". não há como se negar que este nada mais é do que uma das mil faces da boa-fé.75 A inspiração legislativa brasileira para a consideração do princípio da boa-fé nas relações obrigacionais achava-se. com o advento do Código de Defesa do Consumidor. Ocorre que. inciso III do indigitado sistema legal. segundo Larentz. de 11 de setembro de 1990. a boa-fé. a sua importância de princípio supremo do direito civil. verificamos. deixa escapar o seu sentido para uma conceituação aberta. após plena consolidação do CDC como um instrumento positivo e que efetivamente mudou o panorama contratual moderno do Brasil. a prevalência da boa-fé como seu princípio de orientação máxima. Atualmente. 85 do Código Civil. em sendo positivada no art. galgar. deixou de coadjuvar no plano legislativo para.

Com a edição do Código Civil de 2002 tal discussão perdeu um pouco de sua relevância. Tal proposta unificadora somente veio finalmente a se tornar direito positivo com a aprovação do Código Civil de 2002. o que só foi acentuado com a expansão da competência da Justiça do Trabalho – talvez esteja aí o germe de uma futura reunificação. enquanto outros querem restringir-la. em 1866.76 A relação jurídica de consumo: conceito e interpretação Autor: Marcelo Azevedo Chamone 1. tal como os anteprojetos de Código das Obrigações de 1941 (redigido por Orozimbo Nonato. Desde então se debate onde estaria a marca divisória entre as relações civis e as trabalhistas. INTRODUÇÃO A dicotomia entre relações jurídico-obrigacionais civis e comerciais já era ancestral quando. Em 1943 a repartição dicotômica se tornou tricotômica com a edição da Consolidação das Leis do Trabalho – às duas modalidades de relações obrigacionais acresceu-se a relação de emprego. Teixeira de Freitas propôs a sua unificação enquanto abandonava a elaboração do projeto de um Código Civil onde o Governo insistia em manter o cisma. para abranger o maior número de relações no mercado. Já em 1990 essa divisão foi acentuada com a edição do Código de Defesa do Consumidor. muito embora outros anteprojetos já tivessem trilhado a mesma linha. pretendendo valorizar a proteção às situações em que o consumidor "seja realmente" a parte mais fraca da relação. uma vez que a responsabilidade objetiva (carro-chefe da lei consumerista) . resultado de um projeto de 1975. Mais uma vez surgiram acalorados debates sobre os limites dessa nova categoria. sobre o que seria relação de consumo e o que seguia sendo relação civil ou (até 2003) comercial. Hahnemann Guimarães e Philadelpho Azevedo). O jurisconsulto baiano já visualizara a artificialidade dessa divisão – não havia qualquer diferença de essência entre as obrigações civis e as comerciais. Uns buscam ampliar a área de incidência da legislação consumerista. e de 1963 (de Caio Mário da Silva Pereira). sob o argumento de ampliar ao máximo a proteção às partes vulneráveis – seja sob o aspecto técnico ou econômico – nas relações obrigacionais. a de consumo. surgiu uma nova modalidade de relação obrigacional.

o conceito de consumidor. limitando. RELAÇÃO DE CONSUMO Por relação de consumo é de se entender toda relação jurídico-obrigacional que liga um consumidor a um fornecedor. o objeto é um serviço. em decorrência do art. como veremos abaixo. Assim. tendo como objeto o fornecimento de um produto ou da prestação de um serviço. 2. Assim. é preciso "averiguar qual é o elemento nuclear do vínculo obrigacional: uma obrigação de dar ou uma obrigação de fazer. deixando ainda mais embaçada a linha divisória entre elas. a lei coloca sob a mesma denominação relações contratuais (negócios jurídicos) e não-contratuais. a regra da responsabilidade subjetiva ficou praticamente reduzida às relações entre particulares. ora tendendo para um lado. Na verdade. A fragilidade dos conceitos se mostra aparente com a recente e ainda incipiente discussão surgida com a EC nº 45. inclusive os regidos pelo CDC. como veremos abaixo. o momento jurisprudencial indica que o pêndulo tende para a restrição da aplicação do CDC. buscando identificar o estado-da-arte do tema. para se determinar qual o regime jurídico a ser aplicado ao caso. onde vertentes da jurisprudência trabalhista defendem que todos os tipos de prestação de serviços. num sistema que vem sendo apelidado de "dúplice". . decorrentes de atos e fatos jurídicos. ora para o outro. Em geral há uma cumulação de prestação de serviço com fornecimento de produto. parágrafo único. 927.77 foi elevada a padrão juntamente com a responsabilidade subjetiva. Tratando-se daquela." [01] Nem sempre a relação de consumo será um negócio jurídico. estariam sob a competência da Justiça do Trabalho. Do mesmo modo. a hipótese é de produto. No que concerne às relações de consumo. Sempre que o tratamento não for unificado haverá debates doutrinários e jurisprudenciais sobre a delimitação de cada um. passaremos a definir o conceito de cada um dos elementos da chamada "relação de consumo". atentando para as principais correntes doutrinárias. a ampliação das hipóteses de revisão contratual trazidas pelo novo Código Civil aproximou muito as relações civis das de consumo. Esse breve panorama do tratamento legislativo dado às relações obrigacionais serve para mostrar a artificialidade e instabilidade de qualquer tentativa de compartimentalização. no outro caso.

46-54). e para a última categoria (art. temos que o Código irá atuar de forma preventiva e repressiva nas relações de consumo tanto no âmbito contratual como no extracontratual. que a proteção do CDC recairá exclusivamente ao consumidor standard (art. c) quanto à finalidade da aquisição do bem ou produto: para uso privado. a fim de identificar claramente os limites de cada uma dessas esferas de proteção. todas as demais disposições do CDC se aplicariam quase que irrestritamente à coletividade em geral face a redação genérica dos artigos que ampliam o conceito de consumidor. das práticas comerciais (arts. 6º. 6º. 8º a 28). então. caput e parágrafo único) são aplicadas todas as disposições do Código. 29) as regras sobre proteção contratual e práticas abusivas. caput) e aos "intervenientes" nas relações de consumo (art. I a IV. 3. artigo já clássico onde o autor buscava. Àquela época e ainda hoje o tema é tormentoso: "Embora o vocábulo consumidor não esteja assentado com um conceito claro. o CDC traz quatro definições diferentes de consumidor: a duas delas (art. 2º. parágrafo único) somente nas situações de responsabilidade civil contratual (vícios do produto ou serviço). com o auxílio de textos de legislação e doutrina estrangeira. Não obstante. tanto no pré-contratual como no pós-contratual. 6º. nos termos dos conceitos dados pelo próprio Código. No plano do direito privado material. b) quanto à necessidade de vínculo contratual: só quando há contrato ou também nos casos de relações jurídicas extracontratuais. Essa conclusão leva à interessante reflexão sobre a quantidade de folhas que já foram escritas sobre a definição do conceito standard de consumidor. pessoal. o CDC trata sobre os seguintes temas: da responsabilidade civil (arts. e da proteção contratual (art. 17) as regras sobre responsabilidade civil extracontratual. familiar. já se podem identificar algumas áreas de disputa conceitual: a) quanto à natureza do sujeito protegido: pessoal natural ou jurídica. delimitaremos a seguir os elementos básicos das relações de consumo. a princípio. V e X. CONSUMIDOR Em 1988 foi publicado pelo então promotor de justiça de São Paulo. não . Temos. quando uma parte tão pequena do Código é dedicada exclusivamente a ele. a outra (art. Herman Benjamin. Como veremos mais detalhadamente abaixo. 2º. VI.78 Deste modo. 29 a 45). delimitar o conceito de consumidor. Destarte. 2º.

[04] nos demais. resulta em "substancial modificação do princípio geral da relatividade dos efeitos" [07]. f) quanto ao tipo de serviço: só serviços privados ou também serviços públicos. pois não são somente aqueles participando efetivamente das relações de consumo que estão sujeitos a sofrer danos em decorrência dessas relações. Apesar de não haver disposição expressa. cada país adota um conceito diferente. tende-se para uma conceituação mais restrita. 2º. em benefício próprio ou de outrem. mesmo codificada. em outros termos. e outras três de ‘consumidor equiparado’. um aplicável para cada situação específica regulada por aquela lei. consumidor é "toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final" (art. ficando a cargo da doutrina e jurisprudência fazê-lo – nesses casos. de modo que não seria justo nem eqüitativo dar-lhes tratamento legislativo diferenciado. A nossa legislação. há uma série de situações extracontratuais. trás quatro definições diferentes de consumidor: uma chamada de ‘consumidor standard’.79 profissional e comercial. na delimitação do âmbito de proteção oferecido pela lei. isolada ou coletivamente. A existência de diversos conceitos no direito positivo se mostra necessária. Onde não há uma legislação consumerista codificada chega a haver diversos conceitos de consumidor. onde sujeitos a princípio não classificados como consumidores são colocados numa posição semelhante. e) quanto ao tipo de bens: só bens móveis ou também imóveis. bem como a prestação de um serviço. é consumidor "qualquer pessoa física ou jurídica que. 3. não o tendo adquirido. a aquisição ou a locação de bens. [03] Em alguns sistemas simplesmente não há definição legal de consumidor. Maria Antonieta Donato [09] o acompanha em parte. de modo geral." [05] Rizzatto Nunes acrescenta que "a norma define como consumidor tanto quem efetivamente adquire (obtém) o produto ou o serviço como aquele que." [02] Na legislação estrangeira não é possível encontrar uma definição uniforme. bem como pré e pós-contratuais. discordando apenas da inclusão da . caput). ao que. ao contrário do que ocorre em relação ao fornecedor. de acordo com as suas peculiaridades sociais e econômicas. A que se mostra mais espinhosa é sem dúvida a primeira. James Marins [08] entende que também o ente despersonalizado pode ser tomado como consumidor. palavras de Roberto Senise Lisboa.1 O consumidor standard Inicialmente. contrate para consumo final. d) quanto à qualidade do objeto da relação de consumo: apenas bens ou também serviços. utiliza-o ou o consome" [06]. citando como exemplo a entidade familiar. possibilitando a proteção de terceiro estranho ao contrato – há uma prevalência da "relação de consumo" sobre o "contrato de consumo".

buscou delimitar o conceito de consumidor. principalmente porque a própria lei não as faz. pois. em maior ou menor medida. . Fábio Konder Comparato. 3. cada um dos membros da família deveria pleitear seus interesses individualmente. Roberto Senise Lisboa [11] vê na expressão destinatário final a adoção pelo CDC da teoria da causa na relação jurídica de consumo. buscando aproximá-lo o mais possível da doutrina européia. em proteção do consumidor quer-se referir ao indivíduo ou grupo de indivíduos. sem ligação com a sua atividade empresarial própria. os empresários. aquele que se submete ao poder de controle dos titulares de bens de produção. Apesar da disposição inequívoca da lei. a legislação brasileira veio com uma proposta muito mais ousada. buscando uma proteção mais ampla e generalizada. Quando se fala. nesse sentido. os quais. é também consumidor. e antagônicas." [10] Antes da edição do CDC era comum encontrar esse tipo de definição. com a lei veio a superação desses conceitos baseados nas lições européia e norte-americana. surgiu na doutrina. para exercer a sua atividade produtiva. Duas correntes principais.1 O conceito objetivo de consumidor Para os juristas que vêem no CDC uma regulamentação para o mercado de consumo em geral. isto é. dissenso sobre quem poderia ser classificado como destinatário final do produto ou serviço.80 família nessa situação. dando especial atenção à finalidade da aquisição do produto ou serviço: "O consumidor é. enquanto a outra trata de dar maior aplicabilidade à lei. e cita como exemplos o condomínio edilício e o espólio – para a autora. Porém. defendendo a sua incidência sobre o maior número de relações jurídico-obrigacionais. a causa da formação da relação de consumo deverá estar relacionada "à transmissão definitiva ou provisória de produto ou de atividade humana remunerada. por exemplo.1. sem que outra destinação seja objetivada pelo beneficiado (adquirente ou usuário)". "tornando necessária a análise da causa da aquisição ou da utilização do produto ou do serviço". e. com reflexos na jurisprudência. de modo geral. muito mais preocupada com a proteção do consumidor pessoa física. se apresentam no mercado como simples adquirentes ou usuários de serviços. no entanto. como fornecedores de insumos ou financiadores. É claro que todo produtor. buscando apoio na doutrina estrangeira. formaram-se: uma restringindo o conceito de consumidor. ainda que empresários. Muito antes da edição do CDC. o conceito de destinatário final não pode sofrer restrições. depende por sua vez de outros empresários.

) sejam oferecidos regularmente no mercado de consumo. Assim.2 O conceito subjetivo de consumidor Cláudia Lima Marques [18]. dá um conceito restritivo de destinatário final: ela o identifica com a pessoa física que retira o bem de mercado.81 Não obstante. não caberia ao intérprete/aplicador fazê-lo.. bom ou mal. Admite. [13] James Marins [14]. se a implementação ou transformação é feita para o uso próprio do adquirente. portanto. com variações. que o profissional pessoa física ou pequena empresa que tenha adquirido um produto fora de seu campo de especialidade. Rizzatto Nunes. consumidor [17] – não se discute se o bem é de produção (utilizado para implementar a produção) ou não. como a lei não faz qualquer restrição quando utiliza o termo pessoa jurídica. mas como de produção. É certo que dessa conceituação estaremos trazendo para a relação de consumo situações que vão contra o senso comum. Nery Jr. .e. João Batista de Almeida [15].1. possam ser considerados consumidores – note-se que essa definição é intimamente ligada às qualidades econômicas do adquirente. não cabendo ao intérprete/aplicador impor suas opiniões sobre a norma.e.e. Podem ser citados como defensores dessa interpretação.. porém. Roberto Senise Lisboa. adepta da dita "corrente finalista". i. também quando há a finalidade de produção. Exclui as situações em que o produto ou serviço "é entregue com a finalidade específica de servir como ‘bem de produção’ para outro produto ou serviço e via de regra não está colocado no mercado de consumo como bem de consumo. e Roberto Senise Lisboa [16] excluem do conceito de consumidor apenas o adquirente de produto que será objeto de transformação ou implementação com reinserção na cadeia produtiva-distributiva. o consumidor comum não o adquire". aquele que não o revende nem o incorpora na produção de um novo.. ou simplesmente com o intuito de revendê-lo. "pois o bem seria novamente um instrumento de produção cujo preço será incluído no preço final do profissional que o adquiriu" [19]. Assim. i. além do "destinatário final" que adquire o produto ou serviço para uso próprio (sem finalidade de produção). consumidor é todo aquele que retira o produto ou serviço do ciclo produtivo-distributivo. sem o intuito de obter lucro com a sua futura negociação. 3. "desde que o produto ou serviço (. Rizzatto Nunes [12] define como consumidor. João Batista de Almeida e James Marins. ele será o destinatário do produto ou serviço e.. não pode estar adquirindo para revenda ou uso profissional. Assim. não havendo qualquer necessidade de inquirir sobre aspectos subjetivos. é o que nos é dado pela lei.. para a definição do conceito de consumidor deve-se tão somente analisar os critérios objetivos dados pela própria lei. independentemente do uso e destino que o adquirente lhes vai dar".. Porém. o destinatário fático e econômico do bem ou serviço. Mais. i.

i. pois é ela um posterius. "Aquele que vier a ser considerado consumidor é quem se beneficiará . agindo com vistas ao atendimento de uma necessidade própria e não para o desenvolvimento de uma outra atividade negocial. porém. que surge como conseqüência do reconhecimento da existência da relação de consumo.e. por decorrência. Quanto à "vulnerabilidade" utilizada como elemento do conceito de consumidor. é dizer: o personagem que no mercado de consumo adquire bens ou contrata serviços. como destinatário final. Assim. Assim. possa ser considerada consumidora. [21] De acordo com Filomeno [22]. em função da qualidade subjetiva daquele que pratica a relação de consumo e em função da destinação que ele dará ao produto". Assim. mas sim. somente se justificaria a inclusão da pessoa jurídica como consumidora na medida em que houver efetiva vulnerabilidade econômica em face do fornecedor a ser protegida. para que a pessoa jurídica. haveria três fatores de discrímen: o primeiro estaria na aquisição de produto. em face do fornecimento dos produtos e serviços e do domínio da tecnologia e da informação que o fornecedor possui sobre eles. não se caracterizando a aquisição para o uso profissional". que subscrevemos integralmente: "A vulnerabilidade do consumidor é presunção absoluta no mercado de consumo. no critério legal para a definição do consumidor e da relação de consumo. em benefício próprio ou de terceiro. o Código teria adotado o conceito econômico de consumidor. deve haver comprovação de que a contratação se deu fora do seu campo de atuação usual. "retirando-o da cadeia produtiva e. deve-se mesclar a qualidade do adquirente do produto com a finalidade para que o adquiriu. Não basta que retire o produto do mercado.. ou a pessoa física em atuação profissional (‘consumidor-profissional’). havendo. pois somente essas seriam "vulneráveis".82 Para Maria Antonieta Donato [20] o consumidor deve ser conceituado dentro do âmbito da relação de consumo. "É imperativo lembrar que a vulnerabilidade não se constitui. necessariamente. o segundo estaria na configuração no caso concreto da vulnerabilidade. "não se analisa o consumidor unicamente em relação à prática do ato. em outras palavras "a finalidade prática do ato e não o ato em si". o que o citado autor identifica com as pessoas jurídicas que não tenham finalidade lucrativa. e por fim. de que a aquisição do produto ou do serviço foi realizada por um sujeito de direito que se enquadra na definição legal de consumidor. presunção de vulnerabilidade em seu favor. não sendo possível fazê-lo sobre o ato de consumo. E. Roberto Senise Lisboa [23] tece as seguintes considerações. sua utilização para implementar o processo produtivo.

ou seja. de modo que. E essa presunção é iure et de iure. nosso entendimento de que havendo no direito positivo conceito preciso de consumidor – como em verdade ocorre com o art. consumidor "seria toda pessoa situada no término da cadeia de consumo e que encerra a circulação econômica de um produto ou serviço em vez de sobre ele atuar com vistas a sua transformação. iria terminar por dar tratamento igual para todos. e de doutrina e legislação estrangeira. aquele que coloca um fim na cadeia de produção". Tipicamente. os defensores desta corrente interpretativa usualmente fundamentam suas posições não tanto nas disposições do CDC. distribuição.83 da presunção de vulnerabilidade diante do fornecedor. na teoria econômica. Do reconhecimento da situação de consumidor do sujeito em dada relação jurídica é que se impõe o princípio geral da vulnerabilidade. estendendo o rol dos beneficiados por essa proteção. os bens adquiridos devem ser bens de consumo e não de capital (que integram a cadeia produtiva). na prática. como premissa para este estudo. Sobre esse ponto é relevante o pensamento de James Marins: "Esclareça-se. Pelo contrário. Como já notado acima. apenas. desvirtuando a finalidade do Direito do Consumidor de "proteger a parte mais fraca ou inexperiente na relação de consumo" [27]." [24] Destarte. indivíduos e grupos de indivíduos. não obstante essas considerações. mas. além dos requisitos acima. 2º aqui objeto do nosso . o consumidor é entendido como um indivíduo. fabricação ou prestação. mas mais presos às definições elaboradas antes da publicação da lei. "aquele que utiliza o bem para continuar a produzir ou na cadeia de serviço" não pode ser considerado consumidor. não admite prova em sentido contrário. passando muitas vezes ao largo do texto legal. consumidor é: "qualquer agente econômico responsável pelo ato de consumo de bens finais e serviços. mas tão somente aquele que "retira o bem do mercado ao adquirir ou simplesmente utilizá-lo (Endverbraucher). [25] Em outras palavras. para que a pessoa jurídica possa ser considerada consumidora. e a generalização da aplicação da legislação de proteção ao consumidor." É interessante notar que com base no mesmo "conceito econômico de consumidor"." [26] A justificativa dessa posição mais restritiva é feita com base no argumento de que o consumidor deve receber tratamento especial e diferenciado. Mas a vulnerabilidade não é pressuposto do reconhecimento de que um sujeito adquiriu determinado produto ou serviço como consumidor. Herman Benjamin afirma que o conceito de consumo final e intermediário estão unidos. consumidores serão instituições.

ainda que de forma indireta. pacificando-se o conceito subjetivo de consumidor. pessoal. teorias essas ora textualmente recebidas pelo legislador. deve ser também o seu destinatário final econômico. enfraquecer o sistema protetivo inaugurado pelo CDC. não podendo ser reutilizado.84 estudo –. Nancy Andrighi [32]. não se pode olvidar que a vulnerabilidade não se define tão-somente pela capacidade econômica. jurídica ou técnica. Todos esses elementos podem estar presentes . isto é. e de um fornecedor. mas pela presença de uma parte vulnerável de um lado (consumidor). [31] Porém. a utilização deve romper a atividade econômica para o atendimento de necessidade privada. admitindo exceções: "Em relação a esse componente informador do subsistema das relações de consumo. e que albergue conceito próprio induvidoso. deslocando para o movediço critério subjetivo conceito que." [29] 3." Mais uma vez. praticamente excluindo as pessoas jurídicas consumidoras do âmbito de proteção do Código. para excluir a incidência do CDC em situações em que fosse verificado o expressivo porte financeiro ou econômico: da pessoa jurídica tida por consumidora. Neste sentido é o atual posicionamento da Min." [28] "Condicionar-se o conceito de consumidor à constatação de sua hipossuficiência seria. em verdade.3 As posições do STJ e STF O STJ sempre buscou evitar a aplicação indiscriminada do CDC. um "desvirtuamento do sistema protetivo eleito pelo Código". no processo produtivo. recentemente. não se pode pretender submetê-lo às teorias jurídicas informadoras de sistemas alienígenas. do contrato celebrado entre as partes. a jurisprudência tempera a posição doutrinária. nível de informação/cultura ou valor do contrato em exame. de outro. outrora ardente defensora da corrente contrária: não basta que o consumidor (adquirente de produto ou serviço. inclusive. o bem ou serviço. houve uma virada de entendimento." E mais adiante afirma que a relação de consumo "não se caracteriza pela presença de pessoa física ou jurídica em seus pólos. Isso não impediu que de início houvesse uma interpretação objetiva do conceito de consumidor. no nosso sistema.1. é claramente e intencionalmente informado pela objetividade. segundo entendiam os ministros. ou utente do serviço público) seja "destinatário final fático do bem ou serviço. de outra circunstância capaz de afastar a hipossuficiência [30] econômica. ora textualmente afastadas em prol da elaboração de um sistema próprio. evitando assim. com leves temperamentos.

o que descrito está no seu art. e aquela que vem sendo adotada pelo STJ. Entende-se como "consumidor". Diante da definição legal. atividade bancária. Por certo que as instituições financeiras estão. pelas exigências da modernidade atinentes à atividade. ficou claro o dissídio entre a posição sufragada pelo STF. 3. como destinatário final. economicamente. inclusive as de natureza bancária. "produto" e "serviço". Isso não apenas me parece. como efetivamente é. financeira e de crédito. o STF incidentalmente manifestou-se sobre o conceito de consumidor. salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista". agora somente a demonstração da vulnerabilidade convencerá os julgadores de que a pessoa jurídica é consumidora. qualquer esforço retórico desenvolvido com base no senso comum ou em disciplinas científicas para negar os enunciados desses preceitos normativos.85 e o comprador ainda ser vulnerável pela dependência do produto. mediante remuneração. o profissional do direito não perde tempo em cogitações como tais. inquestionavelmente. o Código define "consumidor". toda pessoa física ou jurídica que utiliza. 3º e §§1º e 2º. Assim temos que. O art. para os efeitos do Código do Consumidor. Eis o trecho do voto condutor do Min. sujeitas ao cumprimento das normas estatuídas pelo Código de Defesa do Consumidor. financeira.2 O consumidor por equiparação . E o § 2º do art. Não importa seja possível comprovar. inquestionável. pela natureza adesiva do contrato imposto. dentre outros fatores. 2º e no seu art. pelo monopólio da produção do bem ou sua qualidade insuperável. pela extremada necessidade do bem ou serviço. 2º do Código diz que "consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final". 3º define como serviço "qualquer atividade fornecida no mercado de consumo. por a + b. é "consumidor". todas elas. de crédito e securitária. que tal ente ou entidade não pode ser entendido. para os efeitos do Código de Defesa do Consumidor. diante disso. Chamado a decidir questão sobre o campo de incidência do CDC. Cuide apenas de pesquisar os significados dos vocábulos e expressões que compõem a definição e de apurar da sua coerência com o ordenamento constitucional. [35] Apesar de não haver um aprofundamento na definição de o que seria "destinatário final". como "produto" e como "serviço". como "fornecedor". mais ligada à definição objetiva de consumidor. força é acatá-la. como consumidor ou fornecedor. O jurista. Eros Grau sobre a questão: Como observei também em outra oportunidade [34]. "fornecedor". Inútil." [33] Se antes a demonstração da inexistência de vulnerabilidade fazia excluir a aplicação do CDC.

que já têm previsão nos art. vindo a intervir nas relações de consumo de outra forma a ocupar uma posição de vulnerabilidade. não sobra ninguém! Seguindo raciocínio semelhante. mas também com a sua potencial aquisição – assim. que haja intervindo nas relações de consumo" (art. 2º. Mirella Caldeira [40] conclui que a função deste dispositivo é "reforçar a idéia da tutela dos interesses difusos e coletivos". indeterminável ou não. . Pela leitura dos demais artigos. [37] 3. 17 enquadra a questão". ou ainda estiverem expostas às práticas comerciais ou contratuais. mas "as pessoas do relacionamento social do consumidor que podem sofrer eventuais efeitos indiretos da relação de consumo". atribuindo-lhe conteúdo e significado próprios.2. do art. Se a pessoa interveio na relação de consumo. ou quando forem vítimas de acidente de consumo. parece-nos que essas pessoas estão mais bem colocadas nas demais definições trazidas pelo Código: quando forem consumidoras efetivas. também estão protegidos os potenciais consumidores. a posição preponderante do fornecedor a posição de vulnerabilidade dessas pessoas justificam a equiparação feita pelo legislador. Rizzatto Nunes [38] afirma que "a hipótese dessa norma diz respeito apenas ao atingimento da coletividade. parágrafo único). podem vir a ser atingidas ou prejudicadas pelas atividades dos fornecedores no mercado. mas sem sofrer danos. 2º (consumidores). Eliminando aqueles definidos no caput do art.1 O interveniente nas relações de consumo "Equipara-se a consumidor a coletividade de pessoas. [36] A conceituação legal não se ocupa apenas da aquisição efetiva de produtos e serviços.86 Diversas pessoas. Porém. não se aprofundam no tema. o que não diz muito. A dificuldade está principalmente em construir uma interpretação desta norma de modo que não se confunda com as demais regras de abertura do Código. já que neste caso o art. 2º. 3º (fornecedores) e no caput do art. anda que não possam ser consideradas consumidores stricto sensu. VI e 81. Fábio Ulhoa [39] define as pessoas abrangidas por essa norma não como integrantes do grupo de consumidores em potencial. e os comentadores. Esse parágrafo é de difícil interpretação. mais preocupados com o caput deste artigo. ainda que não possam ser consideradas consumidoras no sentido estrito. ainda que indetermináveis. ou será fornecedor ou será consumidor. fica difícil enxergar um campo de incidência para o parágrafo único. 6º.

2. equiparam-se aos consumidores todas as pessoas determináveis ou não. pois a tutela nessas áreas "não se pode restringir ao momento posterior ao acordo entre o consumidor e o fornecedor".3 A pessoa exposta às práticas comerciais e contratuais "Para os fins deste capítulo [das práticas comerciais] e do seguinte [da proteção contratual]. mesmo que não possa ser assim considerado com base na definição do art. inclusive aquele que adquiriu o produto para revenda. o parágrafo único do mesmo artigo garante a sua proteção coletiva. não se exigindo que a vítima seja consumidor final. estão protegidos todos os potenciais consumidores. "sujeitos à mesma proteção que a lei reconhece aos consumidores no tocante às práticas comerciais e contratuais". Nesse ponto o silêncio da doutrina confirma que distinção alguma há entre as vítimas do acidente de consumo. Outrossim. expostas às práticas nele previstas" (art. com base no art.. aplicando-se integralmente as normas sobre responsabilidade objetiva pelo fato do produto [41]. i. "podendo. [42] Mesmo o adquirente intermediário poderá se valer das regras do CDC para buscar a recomposição de seus danos. entretanto. independente de haver qualquer relação prévia entre fornecedor e vítima. 3. "não há dispositivo que autorize o intermediário que não adquira ou utilize o produto ou serviço como destinatário final a agir com base no Código do Consumidor".2 A vítima de acidente de consumo "Para os efeitos desta Seção [da responsabilidade pelo fato do produto e do serviço. 17). equiparam-se aos consumidores todas as vítimas do evento" (art.2. de modo que o "intermediário que adquirir produto sem que o faça na condição de adquirente ou usuário final" deverá se valer das disposições do Código Civil. lançar mão das normas do Código do Consumidor referentes à proteção contratual e às práticas comerciais" [44] . enquanto o caput do art. devendo antecedê-lo. para que tenha . Assim. pouco importando que seja pessoa física ou jurídica. privada ou pública. quando houver vício no produto ou serviço. 2º garante a proteção individual do consumidor. 2º. pequena ou grande empresa.87 É dizer.e. com ou sem intuito de lucro. [43] Tal argumentação permite concluir que até mesmo a pessoa jurídica de forma geral. responsabilidade extracontratual. 3. 29). 29. qualquer vítima de um produto ou serviço receberá a proteção do CDC como se consumidor fosse. Assim. está acobertado por esta disposição legal. tal equiparação somente é valida na responsabilidade civil decorrente de fato do produto ou serviço.

Assim. do CC. criação. que desenvolvem atividades de produção. mas isso não lhes afasta da incidência do CDC. mas não há dúvidas de que ele é tratado como fornecedor pelo CDC. distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços". do CDC). não se exige que o fornecedor tenha personalidade jurídica. direto ou indireto. o art. Assim. sua ética de responsabilidade social no mercado. caput. nacional ou estrangeira. montagem. O único requisito é que estejam expostas às práticas comerciais e contratuais abrangidas pelo Código. ao contrário do que ocorre no art. empresas públicas.. até.88 um caráter preventivo e mais amplo". sua nova ordem pública. 29. ostensivamente quando atua como agente econômico ou prestando serviços . para combater as práticas comerciais abusivas". órgãos da Administração direta. 14. exclui o profissional liberal do conceito de empresário. As sociedades simples (CC 981 e 982) não são empresárias. Esse entendimento se faz possível pela não inclusão de qualquer tipo de limitação na definição do art. Também o Estado. construção. 4º. etc. seus princípios. bem como os entes despersonalizados. [45] "Uma vez existindo qualquer prática comercial. exportação." [46] Herman Benjamin esclarece ser "indiferente estejam essas pessoas identificadas individualmente ou. "é toda pessoa física ou jurídica. sendo-lhes facultado o manejo "[d]as normas especiais do CDC. ou. para os consumidores diante da prática comercial abusiva. Em suma. [50] A definição que nos é dada pela lei não exclui nenhum tipo de pessoa jurídica. 966. pública ou privada. transformação. ainda que em nenhum momento se possa identificar um único consumidor real que pretenda insurgir-se contra tal prática. sociedades de economia mista. fundações públicas ou privadas. e nem mesmo capacidade civil. ainda que mereça tratamento diferenciado (art. apontando como único limite a idéia de prejuízo. de pessoas jurídicas e de pessoas físicas. segundo a definição legal (CDC 3º). [51] Atente-se que nem todo fornecedor é empresário." [47] Cláudia Lima Marques [48] inclui entre as pessoas expostas às práticas abusivas também os agentes econômicos. parágrafo único. importação. com ou sem fins lucrativos. toda a coletividade de pessoas já está exposta a ela. FORNECEDOR Fornecedor. fornecedor é todo e qualquer participante do ciclo produtivo-distributivo. façam parte de uma coletividade indeterminada composta só de pessoas físicas ou só de pessoas jurídicas. onde há referência expressa ao ‘destinatário final’. seja sociedade empresarial. 2º. ao revés. [49] 4.

não se exigindo que o prestador seja "profissional" da área. tal atividade econômica deve ser desenvolvida com profissionalismo. pela análise do dispositivo legal que define quem pode ser considerado fornecedor. sejam representados ou não por intermédio de conselhos deliberativos. devendo ser avaliada de forma autônoma em relação aos atos singulares de que é composta". "Qualquer ato singular deve poder ser reconduzido a uma atividade para ser considerado ato de fornecimento e submeter-se às normas do CDC". como ressalta Flávia Püschel [60]. pois "seu fim ou objetivo social é deliberado pelos próprios interessados. i. [57] [56] 4. em última análise. temos que não bastará o exercício de qualquer atividade. são os órgãos deliberativos soberanos nas chamadas ‘sociedades contingentes’". deve ser considerada fornecedora desses serviços. [58] Ainda. se a entidade associativa tiver como fim precípuo a prestação de serviços. Já as entidades associativas e os condomínios em edificações. objetivo de satisfação de necessidade alheia. de maneira a atender às necessidades dos consumidores.1 Atividade econômica Por atividade se entende o "conjunto de atos ordenados em função de um determinado objetivo (.). [59] A regularidade consiste no exercício constante e estável da atividade. Porém. Já quanto ao prestador de serviços.1 Elementos característicos do fornecedor 4. ou então mediante participação direta em assembléias gerais que.1. de onde se concluí não bastar a prática de atos isolados para que se caracterize a figura do fornecedor. basta que a atividade seja habitual ou reiterada. e o propósito de obter um ganho. diz Filomeno .. não são considerados profissionais . 4. o que caracteriza o fornecedor de produtos é o desenvolvimento de atividades tipicamente profissionais. sendo despiciendo indagar-se a que título. está abrangido pelo conceito de fornecedor. cobrando mensalidade ou algum outro tipo de contribuição. mas sim de uma atividade econômica. com regularidade.1." [54] Para Cláudia Lima Marques [55].2 Profissionalismo Outrossim.. [53] Filomeno enquadra na definição de fornecedor todos que "propiciem a oferta de produtos e serviços no mercado de consumo. como se sabe.. não podem ser considerados fornecedores em face de seus associados e condôminos.e. de modo que.89 públicos mediante remuneração direta [52].

e. por produtos distribuídos gratuitamente como amostra. Porém. aquele que exerce . do CC – e as com finalidade lucrativa. [61] É indispensável que o desenvolvimento da atividade econômica seja voltado para a satisfação de necessidade alheia. que seja ininterrupta – para que se configure uma relação de consumo. que." [63] Entender de outro modo poderia fomentar a concorrência desleal entre entidades sem fins lucrativos – sujeitas. prevalece que basta ter "por objetivo buscar o reembolso dos fatores de produção empregados ou evitar perdas e gastos." [65] 4. não há necessidade de que cada ato singular seja praticado com o objetivo de obter ganho. pois. a atividade que ocorra com certa regularidade. Para alguns – como Giuseppe Ferri e Tullio Ascarelli [62] – deverá haver finalidade de obtenção de lucro. e não aos atos singulares. i. com o objetivo de auferir lucros. a atividade comercial sazonal ou eventual não obsta a incidência das regras do CDC. pouco importando se para poucos ou para muitos. tendo que incluir no custo de sua operação o ônus de responder objetivamente aos danos que der causa.3 Autonomia Por fim. [66] Assim. O fornecedor é responsável.. não-subordinada. De acordo com Rizzatto Nunes. não sendo possível a caracterização de profissionalismo na pessoa que produz exclusivamente para a satisfação de necessidade pessoal. de incremento no patrimônio.e. parágrafo único e 931. e ressalvada a aplicação dos arts.. há divergência doutrinária. não conseguiria competir com os preços da primeira. de modo que as entidades que desenvolvem atividades sem fins lucrativos não seriam consideradas fornecedoras. a obtenção de ganho. à responsabilidade subjetiva. Porém. embora não haja remuneração por tais amostras.90 aqueles que exercem atividade econômica "acidentalmente e cuja organização exaure sua função no cumprimento do próprio ato para o qual foi criada". sem procurar o incremento patrimonial propriamente dito. 927. é preciso que exerça sua atividade econômica de forma autônoma. à princípio. [64] "Além disso. ou seja. Quanto ao último elemento. basta para que se configure a relação de consumo. é importante ressaltar que não se exige a habitualidade da atividade – i. por exemplo. tal distribuição gratuita faz parte do exercício da atividade econômica profissional do fornecedor. o objetivo de ganho deve referir-se à atividade em si.1. A definição de atividade autônoma é obtida como contraposição de atividade subordinada: desenvolvida na dependência de outrem e cujos resultados se referem a bens alheios ou a serviços depois fornecidos por outrem. para que se caracterize determinado ente como fornecedor. ainda que não de forma contínua.

e.2. de acordo com Flavia Püschel [69].1 Produtor final e produtor de matéria prima ou parte componente De acordo com as etapas da produção. em razão da responsabilidade solidária imposta pela lei (CDC." [70] Produtor presumido é o importador. . Há uma exceção. não é fornecedor. presumido e aparente Produtor real é aquele que participa de maneira autônoma no processo de produção de um bem. e referidos sob a denominação comum de fornecedor. [68] Um mesmo produto pode. é fornecedor. sobretudo. mas está inserido na cadeia produtiva. 12-14). Perante o consumidor tal distinção não apresenta relevância prática nas questões relativas ao vício do produto.2 Produtor real. Tal ficção legal existe como concretização do postulado que determinada a facilitação da defesa do consumidor em juízo.. 4. é possível identificar três espécies de produto: a matéria-prima (materiais e substâncias destinados à fabricação de produtos). de uma análise da função do produto e do modo como é oferecido no mercado. portanto. Mas quando adentramos no tema da responsabilidade pelo fato do produto mostra-se de grande importância." 4. dependendo das circunstâncias. seja de uma matéria-prima. porém: na seção que trata da ‘responsabilidade por fato do produto ou serviço’ (arts. seja de um produto final.. cabe agora traçar eventuais diferenças entre os diversos participantes da cadeia produtiva-distributiva.2 Espécies de fornecedor Estabelecida a amplitude do conceito de fornecedor (art. dependendo. art.2. contribuindo em qualquer medida "para a confecção de um produto apto para a distribuição.). seja de uma parte componente. A princípio. a lei dá tratamento específico e diferenciado para o produtor [67]. 3º). aquele que desenvolve suas atividades 4. e o produto final (pronto para servir ao uso a que se destina).91 atividade na qualidade de empregado de outrem. uma vez que. todos são tratados de forma uniforme ao longo do Código. de modo que o "produtor final responde pelos defeitos da parte componente. "cada produtor responde pelos defeitos surgidos durante o seu próprio processo de produção ou em fases anteriores". evitando que ele tenha que buscar a reparação em face do produtor real estrangeiro. bem como pelos defeitos da matériaprima empregada na produção da parte componente (. o comerciante. 18). estar enquadrado em qualquer uma dessas categorias. a parte componente (que se destina à incorporação a um produto final). e o prestador de serviços. assim como por aqueles resultantes diretamente de sua própria atividade.

sem exercer ele próprio atividade de produção. 4. porém. Assim.92 Produtor aparente é aquele que simplesmente apõe ao produto o seu nome ou marca. que não fica excluída a eventual responsabilidade do produtor real.. o produtor aparente é tratado como se tivesse em razão da situação de aparência criada para o consumidor. Existindo. não há como negar a sua incidência em . na definição de Flavia Püschel [72]. ao contrário.e. ou ainda as concessionárias de serviços públicos" [75]. impedindo que o consumidor acione diretamente o produtor real.2. Atente-se. trata-se de atividade de produção. Quando houve fornecimento de produto juntamente com a prestação de serviços. O tratamento dado pelo CDC ao comerciante é diferente dos demais fornecedores. criando a aparência de ter ele mesmo produzido o bem.3 O Poder Público como fornecedor O Código. é todo sujeito que distribui produtos no âmbito de sua atividade profissional. i. se há "influência sobre a estrutura ou qualidades essenciais do bem. "por si ou então por suas empresas públicas que desenvolvam atividade de produção. diz que o fornecedor pode ser ente público ou privado. inclui-se no conceito de fornecedor o próprio Poder Público.4 Prestador de serviços Prestador de serviços é aquele ator da cadeia produtiva-distributiva que presta qualquer tipo de atividade no mercado de consumo. Ainda que não tenha efetivamente participado da produção. de forma subsidiária. quando o produtor final [74] do produto não for suficientemente identificado. em seu art. deverá ser analisada qual a atividade preponderante para que se possa dar o tratamento legislativo adequado à relação de consumo. apenas uma manipulação insignificante. o comerciante somente é responsabilizado pelo fato do produto direta e isoladamente quando houver máconservação do produto. [71] 4. Enquanto a responsabilidade pelo vício do produto é solidária de todos os participantes da cadeia produtivo-distributiva. 3º. envolvendo ou não o concomitante fornecimento de produto. deve ser levada em conta "a influência da atividade em questão sobre a configuração e qualidades essenciais do produto".3 Comerciante Comerciante. ou ainda. Para diferenciar a atividade produtiva da mera distribuição. trata-se de atividade de simples distribuição" [73]. 4. de modo a ocultar a indicação do produtor real do produto. Em face da redação explícita da lei.2.

bens não duráveis (bens tangíveis que normalmente são consumidos em um ou em alguns poucos usos). sem qualquer transferência para a clientela". suscetíveis de apropriação. assim. [78] O simples fato de o produto não se extinguir numa única utilização não lhe retira o status de não durável – "o que caracteriza essa qualificação é sua maneira de extinção ‘enquanto’ é utilizado" [79]. [77] É de relevância a classificação dos bens com base em sua taxa de consumo (CDC 26): bens duráveis (bens tangíveis que normalmente sobrevivem a muitos usos). é "a coisa adquirida para desenvolvimento da própria atividade. bens econômicos são as coisas úteis e raras. que têm essência de duráveis. como instrumento hábil para a consecução dos fins objetivados. e destinado a satisfazer uma necessidade do adquirente. sempre que configurados os elementos acima expostos. sendo objeto de apropriação privada. enquanto bem de custeio. de modo que "o bem transformado para uso posterior próprio não retira do adquirente ou utente a situação jurídica de consumidor". ou de consumo. 5. Bem de insumo. independente . Rizzatto Nunes [83] defende que o CDC é aplicado nos casos em que os produtos e serviços são oferecidos no mercado de consumo para a aquisição por qualquer pessoa como destinatária final. é aquele "utilizado para fins de transformação e posterior transmissão". §1º). No mesmo sentido. Já quanto ao enquadramento ou não de todas as atividades exercidas pelo Poder Público veremos mais adiante quando for debatida delimitação legal do serviço. a limitação deve ser feita somente com base na finalidade (motivo) da aquisição do produto (consumo como destinatário final). e como o produto não-durável tem características diversas. o descartável deve receber o tratamento dispensado ao durável.93 relação ao Poder Público. mas vida útil de não-duráveis. na econômica definição do CDC. "é qualquer bem. que provocam a sua cupidez. conceituando produto como "qualquer objeto de interesse em dada relação de consumo. como destinatário final". são coisas úteis aos homens. e bem de custeio. por sua vez. material ou imaterial" (art. Rizzatto Nunes [80] defende que. ou de produção. não havendo tratamento legislativo específico. Surge a dúvida de onde classificar os produtos descartáveis. [81] Roberto Senise Lisboa [82] entende não ser razoável a exclusão pura e simples do bem de insumo da proteção do CDC. móvel ou imóvel. 3º. PRODUTO Produto. Uma outra classificação se mostra relevante para fins de se determinar a incidência ou não da legislação consumerista: bem de insumo. [76] Filomeno resume. Bens. uma vez que a lei não faz qualquer ressalva.

neste caso. apresentando vício em alguma peça. pouco importando "que o serviço. porém. "os contratos unilaterais de prestação de serviços e os contratos . cabendo ao consumidor. enquanto o produto compósito. que tem. "amostra grátis". a adoção das outras soluções propugnadas pelo legislador (redibição. enquanto produto essencial "é aquele que não pode ter qualquer de seus componentes retirados ou substituídos. inclusive as de natureza bancária. estimação ou troca)". segundo Filomeno . ao fornecedor será aberto o prazo legal para realizar os reparos necessários.". seja de natureza civil. mesmo quando firmada entre pessoas jurídicas. estando sujeito a todas as suas regras. haverá relação de consumo sempre que preenchidos os requisitos legais. [86] Outrossim. Assim. Produto compósito "é aquele resultante do justaposicionamento de peças e componentes que podem ser substituídos sem que se proporcione a sua inadequação". justifica tal posição na existência de legislação própria (Lei nº 8245/91). mediante remuneração. outrossim. art. 6. de crédito e securitária. a utilização da expressão "mediante remuneração". Tal posição se coaduna. Roberto Senise Lisboa [85] ressalta que a lei somente excepciona os serviços prestados em relações trabalhistas. significaria abranger também os serviços remunerados de forma indireta – a lei se refere à remuneração do serviço e não à sua gratuidade. comercial ou administrativa. com o posicionamento reiterado do STJ [87]. [89] Assim. [84] Por fim. financeira. as relações locatícias de imóveis. e nenhum outro mais. que contém ainda dispositivo contra prática abusiva (denúncia vazia na vigência de contrato por prazo determinado. estariam excluídos da aplicação do CDC. sob pena de comprometer a sua substância.94 do uso que o adquirente faça. também está regulado pelo CDC (art." Por outro lado. aplicado CDC em relação à administradora de imóveis [88]. Outra classificação extremamente útil nos é trazida por Roberto Senise Lisboa quanto à substituição das peças: entre produto compósito e produto essencial (não compósito). parágrafo único). 4º). para a produção ou não de outros produtos ou serviços. SERVIÇO Serviço "é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo. é relevante ressaltar que o produto (assim como o serviço) gratuito. Este "não pode ser reparado no caso de existência de vício intrínseco. §2º). como atividade remunerada. salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista" (CDC3º. 39. de modo que seus elementos são insuscetíveis de dissociação. ao invés de "oneroso".

Por outro lado. art. "todas as atividades oferecidas pelos órgãos públicos diretamente ou por suas empresas públicas ou de economia mista. [91] 6. que o Estado assume como pertinente a seus deveres e presta por si mesmo ou por quem lhe faça as vezes. "é a exigência de remuneração específica pela prestação de determinado serviço público que vai determinar sua sujeição à disciplina legal das relações de consumo". para Rizzatto Nunes [95] estão incluídas no conceito de serviço. específicos e divisíveis" (CTN. as concessionárias e permissionárias ou qualquer outra forma de empreendimento" – i. mas tão somente a sua intervenção como regulador das relações privadas. 79. II e III). Já para Cintra do Amaral [94]. taxas ou contribuições de melhoria.1 Serviços públicos "Serviço público é toda atividade de oferecimento de utilidade ou comodidade material destinada à satisfação da coletividade em geral. de modo que somente a "prestação de serviços públicos. aqueles são os que têm continuidade no tempo em decorrência de estipulação contratual. além da atividade privada. enquanto que nas relações de consumo não haveria responsabilidade estatal. e os que deixam como resultado um produto. estariam sujeitos à disciplina do CDC.. todos os serviços públicos. sob um regime de Direito Público – portanto consagrador de prerrogativas de supremacia e de restrições especiais – instituído em favor dos interesses que houver definidos como próprios no sistema normativo" [92].e. remunerados por taxa ou tarifa. não seria possível confundir o consumidor com o contribuinte. mas fruível singularmente pelos administrados. Admite apenas a inclusão dos serviços remunerados por tarifas em sua definição. Filomeno [93] entende que "serviços" são atividades. e que "mediante remuneração" não se refere a tributos. seja ele prestado diretamente pelo Estado ou por concessionária. Assim. nos serviços públicos o Estado sempre figura como responsável pelos eventuais danos decorrentes do serviço. e não de consumo – "contribuinte não se confunde com consumidor". . sem ressalvas. não há que se falar em aplicação do CDC. Já para Regina Helena Costa [96]. benefícios ou satisfações que são oferecidas à venda. Classificam-se os serviços em "duráveis" e "não-duráveis". com a exclusão de todos os demais. pois não haverá a necessária onerosidade da relação obrigacional. pois aí haveria relação jurídica de natureza tributária. mesmo que prestados por sujeito que normalmente atua como fornecedor no mercado de consumo.95 gratuitos puros" [90] não são regidos pelo CDC. sempre que se tratar de serviço público. estes são os que se esgotam uma vez prestados.

não estariam jamais sujeitos à regulação do CDC. que por natureza são uti universi (tais como segurança. o referido autor passou a defender ser necessária a análise da forma de pagamento da remuneração e a natureza do serviço público desempenhado a fim de se aferir a incidência ou não da legislação de consumo. Roberto Senise Lisboa [100] ainda defende que os serviços tipicamente estatais." O entendimento do STJ [101]. não teriam a especificidade nem a divisibilidade necessárias para a caracterização de relação de consumo. Mais. prestadas pela administração pública direta ou indireta. de acordo com o orçamento previamente elaborado pela Administração". "toda a atividade remunerada lançada no mercado de consumo pelo órgão público". Isso exclui "praticamente todas as relações jurídicas tributárias" da regulação do CDC. os serviços públicos impróprios. sem exceção. Revendo sua posição [98]. de modo que a prestação de serviço público típico. seja por que regime for. E resume: "a Administração Pública. pois considera-se serviço. Ainda. em ralação aos atos de império e pelo exercício do poder de polícia. para fins da lei. afirma ser indiscutível a aplicabilidade do CDC aos serviços remunerados por tarifa. sendo as verbas obtidas pelo Poder Público repassadas para cada setor da atividade pública. . justiça. seriam invariavelmente submetidos ao regime do CDC. Por outro lado. Para o autor. direta ou indireta. incluiu todas as demais. Destarte. "uma vez que o pagamento de impostos e taxas é dirigido para o cofre público. Segundo esse entendimento. que é "genuína remuneração pelo serviço prestado pelo órgão público ou pela entidade da Administração indireta. é de que a prestação de serviço público não configura relação de consumo. porque o destinatário final se utiliza da atividade estatal a ele fornecida em razão do pagamento da prestação diretamente vinculada a essa atividade" [99]. inclusive as de natureza administrativa. os impostos. o Estado está isento de responsabilidade.96 Num primeiro momento Roberto Senise Lisboa [97] defendeu que quando a lei excluiu expressamente as relações trabalhistas do rol das prestações de serviço por si reguladas. seguindo essa orientação. mediante o pagamento diretamente efetuado pelo consumidor a título de prestação correspondente. mesmo as taxas. Por outro lado. deve se submeter às normas do Código de Defesa do Consumidor sempre que fornecer um serviço público uti singuli. somente haverá relação de consumo com a administração pública (direta ou indireta) quando a aquisição ou utilização do serviço se der mediante pagamento direito. e saúde pública). somente quando os serviços e produtos são oferecidos no "mercado de consumo" poderia haver relação de consumo. que podem ser prestados uti singuli.

MARINS. uma vez que não há como considerar que o serviço público típico esteja colocado no mercado de consumo. e do controle e revisão. ficaria excluída da incidência do CDC. São Paulo: RT. negando de forma peremptória que não há relação de consumo entre o poder público e contribuinte. conforme se extrai de definição de fornecedor adotada neste trabalho. Afirmou-se ainda que somente é necessária a edição de lei complementar para a regulamentação da estrutura do sistema financeiro – CF. limitando-se a defini-lo. Semelhante é o entendimento do STF [102] sobre o tema.97 aquele remunerado por tributo (em oposição ao atípico. 2006. como sendo o destinatário final dos serviços. financeiras e de crédito. 2ª ed. BANDEIRA DE MELLO. remunerado por tarifa).stj. como a lei. O conceito de consumidor direto e a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. 7. James et alii. esta posição se encontra em perfeita harmonia com a legislação consumerista.. José Manoel de Arruda. de eventual abusividade. Manual de direito do consumidor. nos termos do disposto no Código Civil. tal decisão pouco contribuiu para a definição do conceito de consumidor. Celso Antônio. afastando. Ademais. Fátima Nancy. pelo Banco Central do Brasil. 2ª ed. ANDRIGHI. pelo Poder Judiciário. 1995. Acessado em 26/03/2007.gov. o STF pacificou a questão – ADI 2591 – determinando a sujeição de tais atividades às regras do CDC. em cada caso. porém. BIBLIOGRAFIA ALVIM NETTO. João Batista. São Paulo: Saraiva. sem prejuízo do controle. sobre as quais se discutia a possibilidade de regulamentação através de lei ordinária.. Código do consumidor comentado. 192. ALMEIDA. art. onerosidade excessiva ou outras distorções na composição contratual da taxa de juros". .br.2 Atividades bancárias. financeiras e de crédito Quanto às atividades bancárias. do seu campo de aplicação "a definição do custo das operações ativas e da remuneração das operações passivas praticadas por instituições financeiras no desempenho da intermediação de dinheiro na economia. Outrossim. Curso de direito administrativo. In: http://bdjur. 6.

O conceito jurídico de consumidor. Definição jurídica de consumidor – Evolução da . Fev/1988. 02.com. GRAU. n. Acessado em 11/06/2007. p. Definição legal de consumidor. 2006. ___________. Out-Dez/1990. In: Repertório IOB de jurisprudência. São Paulo: Malheiros. Responsabilidade civil nas relações de consumo. O código brasileiro de proteção do consumidor. Jan/1991. Maria Antonieta Zanardo. In: www.stj. 2ª ed. Mai-Jul/2006.br. n. p. 8ª ed. Disponível em: http://www. Mirella D’Angelo. n. Disponível em: www. A proteção do consumidor: importante capítulo do direito econômico. MARÇAL. COSTA.com. In: Revista dos tribunais. 2/91. 80. LISBOA. 1994.. 628. Fábio Konder. 6. Roberto Senise. 42-41. ___________. Acessado em 26/03/2007. São Paulo: Juarez de Oliveira. São Paulo: RT. ___________.. In: Revista eletrônica de Direito Administrativo Econômico. O conceito de consumidor no parágrafo único do art. n. 89-105. Acessado em 26/03/2007. Ada Pellegrini et alii.saraivajur. Sérgio Pinheiro. DONATO. Rio de Janeiro: Forense Universitária.direitodoestado. 1999. BEJAMIN. Código brasileiro de defesa do consumidor comentado pelos autores do anteprojeto. 2005. O conceito de consumidor padrão. A tributação e o consumidor. COMPARATO. A proteção ao consumidor na constituição brasileira de 1988. 1974. Ago/1997. In: Revista de direito mercantil. 2º do Código de Defesa do Consumidor. ___________. Eros Roberto. Distinção entre usuário de serviço público e consumidor.com. Acessado em 04/06/2007. n.98 16ª ed.br. CINTRA DO AMARAL. Regina Helena. GRINOVER. p. São Paulo: RT. 66-75. 69-79. Herman. 2003. Disponível em: http://bdjur. In: Revista CEJ.saraivajur. CALDEIRA. Relação de consumo e proteção jurídica do consumidor no direito brasileiro. n.br. p. In: Revista de direito mercantil.gov. Proteção ao consumidor: conceito e extensão.. 15/16. Antônio Carlos.br.

Comentários ao código de defesa do consumidor. MARQUES. Filomeno. ‘A proteção do consumidor’. Herman Benjamin. Luiz Antônio Rizzatto. PÜSCHEL. Cf. SIDOU. p. 71. 89. 2006. Proteção ao consumidor. Juarez de (coord. considerando consumidora . OLIVEIRA. ‘O conceito jurídico de consumidor’. São Paulo: RT. 189. Comentários ao código de proteção ao consumidor. Há polêmica no Brasil acerca do tema. 87-98. 78-80. 19-20 e notas. Em sentido semelhante: "A lei é clara ao classificar como consumidor a pessoa jurídica. p.99 jurisprudência do STJ. p. Notas 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 Roberto Senise Lisboa. Comentários ao código de defesa do consumidor. p. Rizzatto Nunes. havendo quem queira distinguir onde a lei não o faz. p. Cláudia Lima et alii. p. p. 1991. p. 107-113. Proteção ao consumidor. Herman Benjamin.. São Paulo: Saraiva. 6 e 29-32. ‘O conceito jurídico de consumidor’. desde que possa subsumir-se no enquadramento normativo dos conceitos de consumidor que o CDC estabelece. V. A responsabilidade por fato do produto no CDC. 2005. Maria Antonieta Donato. São Paulo: Quartier Latin. Roberto Senise Lisboa. Responsabilidade civil. 88. 2ª ed.). n. Dez/2006. in: Código comentado. James Marins. Comentários. p. 2004. São Paulo: Saraiva. p. Fábio Konder Comparato. 90-91. Rizzatto Nunes. Roberto Senise Lisboa. Relação de consumo. p. 21. in: Código comentado. p. Comentários. in: Código comentado. 31. 1977. NUNES. Flavia Portella. James Marins. 159. 71-78. Responsabilidade. Rio de Janeiro: Forense. p. In: Revista do advogado. Othon.

Responsabilidade civil. Comentários. p. ‘O conceito jurídico de consumidor’. 14 15 16 James Marins. João Batista de Almeida. p. 22 23 24 Filomeno. do CDC. Manual. Roberto Senise Lisboa. p. caput. p.100 a pessoa jurídica apenas quando adquira produto ou se utilize de serviço que não seja considerado insumo para sua atividade empresarial. p. p. 165. nessa condução. 80 apud Herman Benjamin. The dictionary of modern economics. e Responsabilidade civil. indústria de automóveis que adquire computadores para seu escritório não seria consumidora. p. 27. isto é." Nery Jr. É o que Roberto Senise Lisboa chama de ‘teoria da causa final’. p. Levada à sua última conseqüência. in: Código comentado." (Thierry Bougoignie apud Maria Antonieta Donato. . pouco importando que faça ou não parte da cadeia produtiva. 32. a tese restritiva nega vigência ao art. 71. 71. 71-74. p. 169-183). 108). p. p. e os bens ou serviço que são objeto de sua especialidade comercial ou profissional’.. Proteção ao consumidor. Proteção ao consumidor. Uma nota se faz imprescindível sobre esse argumento: todo e qualquer bem adquirido pela empresa está incluído no preço final ao adquirente de seus produtos. Relação de consumo. ‘O conceito jurídico de consumidor’. David W. pois os computadores melhoram a sua produtividade e. p. Herman Benjamin. são considerados insumos. p. Para essa corrente restritiva. para os que a defendem. "[P]oderá ser conferida a tutela protecionista dos consumidores às pessoas jurídicas ou aos consumidores-profissionais desde que fundada ‘na ausência de similitude entre o bem e o serviço que são objeto do ato para o qual o profissional reclama a sua qualidade de consumidor. Cf. ou alguém duvida sinceramente que o cafezinho do diretor da montadora de carros não esteja embutido no preço final dos veículos vendidos aos consumidores? 20 21 Maria Antonieta Donato. Cláudia Lima Marques. pois. não tendo nenhuma relação com o seu ‘porquê’ (Responsabilidade civil. 29. o ‘para que’ o fato ocorreu. in: Código comentado. p. 166-167. 31-37. Roberto Senise Lisboa. 68 e 108. praticamente nunca a pessoa jurídica seria consumidora. Pearce. p. 2º. 18 19 17 Cláudia Lima Marques. Comentários. 35-40. 494. in: Código comentado. 25 26 Cf. 72.

41 42 Herman Benjamin. uma vez que o CDC somente faz referência à hipossuficiência para fins processuais. in: Conflito de Competência nº 41. ‘O conceito jurídico de consumidor’. Fábio Ulhoa. 148. p. James Marins. 277. 100. Comentários. James Marins. In: ‘Definição legal de consumidor’. ainda que o Código tampouco o eleja como elemento definidor de consumidor – a vulnerabilidade é conseqüência de ser consumidor. . por Juarez de Oliveira. Rizzatto Nunes. por Juarez de Oliveira.428-SC. Comentários. Eros Grau. Loc. p. coord. 195. do CDC’. p. 38. por Juarez de Oliveira. coord. in: Código comentado. voto in: ADI nº 2591. Filomeno. p. in: Código comentado. 27. p. p. Nancy Andrighi. James Marins. cit. 23. in: Código comentado. James Marins. Proteção ao consumidor. in: Código comentado.056-SP Nancy Andrighi.101 27 28 29 30 Herman Benjamin. p. Cláudia Lima Marques. p. ‘O conceito de consumidor no parágrafo único do art. Note-se a utilização pouco técnica desse termo. in: Comentários. 2º Cf. 80-81. in: Código comentado. p. 43 44 45 46 47 V. in: Comentários. 77. 20. p. Rizzatto Nunes. in: Código comentado. 42-41. Mirella Caldeira. Herman Benjamin. p. o termo mais apropriado seria "vulnerabilidade". Fábio Ulhoa. Comentários. p. in: REsp 476. p. in: Comentários. Comentários. 148-149. 253. 99. 74-75. Maria Antonieta Donato. 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 Cf. p. p. p. Cláudia Lima Marques. 140. coord.

Filomeno. 63. p. criação. Utilizamos aqui a terminologia sugerida por Flávia Püschel (Responsabilidade. isto é. 112-113. 71-72. p. ." 68 Flávia Püschel. p. Responsabilidade. Apud Flávia Püschel. 93. Comentários. Responsabilidade. 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67 Cf. Cf. in: Código comentado. 65. in: Código comentado. p. p. 57-58). 101-102. além de "remeter à idéia de produção. utilizando o termo produtor para referir a todos aqueles enumerados no art. p. Comentários. 66. Flávia Püschel. 59-61. p. 50 51 52 Cf. Responsabilidade. Rizzatto Nunes. 397. ‘O código brasileiro de proteção ao consumidor’. p. p. 63. Responsabilidade. 62. Flávia Püschel. 19. p. Responsabilidade. de poder para influir sobre as características do produto. 65. p. 43. p. in: Código comentado. caput. p. Filomeno. Flávia Püschel. 12. nota 102. No mesmo sentido: Herman Benjamin. 67. Comentários. in: Código comentado. p. 65. 101. 174. Denari. uma vez que todos recebem indistintamente o mesmo tratamento legal. Responsabilidade. 45. p. p. Responsabilidade. Filomeno. Flávia Püschel. p. Flávia Püschel. Flávia Püschel. Comentários. p. Comentários. Cf. Cláudia Lima Marques. p. Mas também quando há remuneração indireta: Rizzatto Nunes. Flávia Püschel. Tullio Ascarelli apud Flávia Püschel. p.102 48 49 Cláudia Lima Marques. Responsabilidade. nota 77. nota 47. p. Responsabilidade. Responsabilidade. 46. Rizzatto Nunes.

Comentários.: REsp nº 689266. p. James Marins. p. in: Código comentado. Roberto Senise Lisboa. Responsabilidade. Flávia Püschel. Comentários. p. Cf. in: Código comentado. 82. 111. 107-108. 1. 108. p. Filomeno. p. e 575020. v.. REsp nº 614981. 43. Comentários. 9-10. p. Sílvio Rodrigues. p. P.103 69 70 71 72 73 74 75 Flávia Püschel. p. 83. Cf. 77 78 76 Cf. 198 e ss. Rizzatto Nunes. in: Código comentado. p. p. Responsabilidade. Relação de consumo. p. p. in: Código comentado. p. AgRg no Ag nº 363679. 119 apud Filomeno. Filomeno. 47. No mesmo sentido: Rizzatto Nunes. Cf. 199. Cf. Rizzatto Nunes. Filomeno. Responsabilidade. p. Relação de consumo. 77. Comentários. 79 80 81 82 83 84 85 86 87 88 89 Cf. Comentários. Flávia Püschel. Relação de consumo. p. 47. p. Comentários. . p. Cláudia Lima Marques. 57. Responsabilidade. Relação de consumo. Flávia Püschel. ex. e 636897. 110-111. 25-26. p. p. Rizzatto Nunes. Roberto Senise Lisboa. p. p. 37-38. nota 20. Filomeno. 25. p. 82. 48. Rizzatto Nunes. p. 90 91 Roberto Senise Lisboa. 92. p. 94. Roberto Senise Lisboa. Responsabilidade. Roberto Senise Lisboa. 107-108. 101. in: Código comentado. p. Responsabilidade civil. Flávia Püschel. 73-74. Responsabilidade civil. 196-197. Direito civil. Flávia Püschel. Cf. in: Código comentado. p. Comentários. 86. Roberto Senise Lisboa. Responsabilidade. p. Comentários. Rizzatto Nunes. Rizzatto Nunes.

os demais julgados lá referenciados. e Castro Filho. Proteção ao consumidor.104 92 93 94 Celso Antônio. p. 6. Nancy Andrighi. Regina Helena Costa. 3ª T. 97 98 99 Roberto Senise Lisboa. Roberto Senise Lisboa. 48-49. REsp 625. Responsabilidade civil. entendendo que na prestação de serviço público típico há relação de consumo: Nancy Andrighi. Cintra do Amaral. Relação de consumo. p. Carlos Velloso. Divergiram da fundamentação da maioria. Relação de consumo. p. V. Nesse mesmo sentido: Maria Antonieta Donato. 2ª T. Curso. Rel. 211-213. 112-113. Roberto Senise Lisboa. ‘A tributação e o consumidor’. p. Roberto Senise Lisboa. STF. 612. p..298-2/RS. p. AgRegAI 282. Responsabilidade civil. 95 96 Rizzatto Nunes. Rel. n. ‘Distinção entre usuário de serviço público e consumidor’. Min..144-SP. Filomeno. 102 . Min. 214-217. Comentários. 213-214. 122-123. in: Código comentado. p. p. ainda.. 28. 100 101 STJ.

Vejamos. forem relevantes no que atina ao caráter deôntico das normas aplicáveis à situação. Mas a questão permanece suscitando controvérsia e nos aguçou a tecer considerações a respeito. em apertada e perigosa síntese. de ordem objetiva. e elementos objetivos o produto e o serviço. Donde vê-se necessário. isto é. faltante um único deles sequer. Diversa não é a relação de consumo. pois. Estes. em razão do qual uma pode pretender um bem a que outra é obrigada. Maria Helena Diniz. Considerou consumidor toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final. 8. Tal relação só existirá quando certas ações dos sujeitos. dada a incompatibilidade do preceito com a teleologia e a axiologia da norma. os elementos que constituem a relação jurídica subsumível ao Código de Defesa do Consumidor. Os atos ordinários da vida se orientam para caminho diametralmente oposto. Só haverá relação jurídica se o vínculo entre duas pessoas estiver normado. 1995. a dicção legal do Código de Defesa do Consumidor é de clareza mediana. 7ª ed. Pois muito bem. citando Del Vecchio. Mas não é bem assim. compõem-na de forma a demonstrar sua extensão e seu conteúdo. somados. Em regra. mesmo porque. de início. p.078. de 1990. todas as relações jurídicas exigem a presença de alguns elementos. 8. amplamente. Exige-se a presença de elementos de órbita subjetiva e.105 Pessoa jurídica consumidora Autor: Alex Sandro Ribeiro O enfrentamento da problemática envolvendo a pessoa jurídica qualificada com consumidora deu-se alhures. consumidor será o não profissional que de algum modo encontra-se vinculado com o fornecedor de produtos ou serviços. concluir-se-á pela inaplicabilidade do Código de Defesa do Consumidor. Evidentemente. São elementos subjetivos o consumidor e o fornecedor. 2004). atentar para o significado de relação jurídica. O artigo 2º da Lei n. que constituem o âmbito pessoal de determinadas normas. O texto legal choca-se com o cotidiano. regulado por norma jurídica" (Compêndio de Introdução à Ciência do Direito. Quanto aos elementos da relação de consumo. em nossa obra Ofensa à Honra da Pessoa Jurídica (Ed. De efeito. de 1990. outros. devemos definir a relação jurídica de consumo.. Verbera ele que toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final é considerada diretamente como consumidora. São Paulo. Antes de qualquer coisa. Afigura-se não haver a menor dúvida. esboçou a pretensão legislativa de fornecer os elementos necessários à definição das pessoas envolvidas na relação de consumo. desta feita cingindo-nos à definição. vêm eles arrolados nos artigos 2º e 3º da Lei n. São Paulo: Saraiva. 459). LEUD. anota que "a relação jurídica consiste num vínculo entre pessoas.078. .

para uma posição mais teleológica. assim.. consumidoras . Exigiu a Lei que a pessoa fosse destinatária final do produto ou do serviço.. o sistema do CDC 51 deve ser aplicado. sendo que tal posicionamento já vem esboçado por Nelson Nery Júnior e Rosa Maria de Andrade Nery. Anote-se. lembra-o José Geraldo Brito Filomeno. e mais marcadamente no que tange às práticas e cláusulas contratuais abusivas. ainda que a inferência destes na relação de consumo seja simplesmente de exposição às práticas comerciais e contratuais. Nesse passo. p. a manutenção ilesa da pessoa vinculada ao negócio e de todos aqueles que.). p. que a vulnerabilidade. encontrando-se aqui um dos fundamentos principiológicos da figura do consumidor por equiparação. horas trabalhadas. Basta que sua posição na aquisição do produto ou do serviço não o seja para fins de insumo. No item 2 vê-se que a utilização é quantum satis. 3) produto ou serviço. Até aqui. 4) destinação final. enfim. pois. e também das vítimas de eventos danosos por fato ou vício do produto ou do serviço. enfim. Algumas decisões. econômica e institucional. pois pertence à teoria geral do direito contratual. 1999. A pessoa jurídica pode ser considerada consumidora. a rigor. haja intervindo na relação jurídica.. 30. o conforto. (Código de processo civil comentado." (CDC Comentado pelos autores do anteprojeto. 2001. aos contratos de direito privado (civil e comercial). 1841)".106 A exata definição. Quando houver aquisição para a soma de todas as despesas (matéria-prima. Aqui. Rio de Janeiro: Forense Universitária. O item 1 estampa a intenção de aceitar a pessoa jurídica como consumidora. tais como a comodidade.) que . pois. de algum modo. por extensão. exige um desmembramento do artigo. em suas necessidades básicas empresariais. também merece especial atenção quando se tenta localizar a pessoa do consumidor em eventual interpretação do artigo 2º da Lei Consumerista. 33. 4ª ed. amortização etc. É o item 4 o essencial. 7ª ed. 2) aquisição ou utilização. porque a disjuntiva ou assim especifica e afasta a necessidade de aquisição para perpetuar a relação de consumo. quando observam que: "Dado que a ilicitude das cláusulas abusivas é matéria que não fica restrita às relações de consumo. São Paulo: RT. já a partir do seu art. Até a teoria finalista.. "apegam-se às condições gerais dos contratos estabelecidos pelo Código de Defesa do Consumidor. O item 3 refere-se à contratação ou usufruição de um serviço e à aquisição ou utilização de um produto. simples se mostra o estudo e pouco significa para qualificar um ente abstrato como consumidor. observando-o por quatro ângulos: 1) pessoa natural ou fictícia. a segurança e. ainda que as partes não sejam. o "elo final da cadeia produtiva". reside o maior óbice à aplicabilidade irrestrita da do Código do Consumidor em favor da pessoa jurídica. há de sofrer um abrandamento. protegendo o mais fraco na relação de consumo. será consumidor se obter ou usufruir real ou potencialmente o produto ou o serviço.

Uma interpretação de norma jurídica deve guardar correspondência mínima com o texto legal. amplie-se o favorável) e ubi eaden ratio legis. não é difícil localizar um ente abstrato destinatário final de certo produto ou serviço. Aqui pode limitar o campo de proteção. não se pode olvidar que o Código de Proteção e Defesa do Consumidor sobreveio com o escopo de dar plena e irrestrita eficácia à norma ápice. ou serviços. é quem adquire ou utiliza bens (produtos. enfim. nos direitos sociais. na linguagem do Código de Proteção e Defesa do Consumidor). deve-se ater ao bem comum. justa e solidária. A defesa do consumidor e a função social da pessoa jurídica espelham fundamentais princípios erigidos a dogma de calibre constitucional. Todos. coisa que não foi determinada pela Norma Maior. e.107 ocorrem na obtenção de um produto industrializado ou semi-industrializado. Afora isso. sob pena de esvair a pretensão da lei e obstar que ela cumpra sua verdadeira finalidade. não há giro da economia. liberar-se-iam os abusos e o comprometimento da legitimidade jurídica. que. será bem de insumo e não de consumo. impossível a manutenção incólume da dignidade da pessoa humana. ou de consumidor. assim como a redução das desigualdades sociais e regionais. porquanto a Constituição manda proteger o consumidor. Mas também. Sem ambos. semanticamente dissecando. da sociedade livre. do desenvolvimento nacional. uma das células mais importantes da economia nacional é a pessoa do consumidor. acabam sendo destruídos pelo ato de consumo. Não parece haver muita dificuldade. que de forma léxica caminha junto como texto constitucional. em se concluir que há muitas pessoas jurídicas técnica e institucionalmente inferiores ao fornecedor e. à vontade . Todos esses fundamentos do Estado Democrático de Direito e da República Federativa do Brasil esvair-se-iam céleres com o vento. Eis a aplicação dos métodos teleológicos. Mas também os métodos lógico e literal dão guarida à aplicação do Código de Defesa do Consumidor às pessoas jurídicas. mais ainda. difícil se mostra a erradicação da pobreza e da marginalização. psicológica ou social. Esta a definição de consumo. Sem o consumidor. consumidor e economia. e afastar-se-ia a sapiência dos aforismos: odiosa sunt amplianda. axiológicos e sistemáticos. e não o consumidor de produtos ou serviços. Se não os houvesse no sistema jurídico posto. É para ele que são destinados os produtos e os serviços. para a satisfação de necessidades ligadas à sua sobrevivência – lógica. inegavelmente. ainda. ubi eaden legis dispositio (onde existe a mesma razão fundamental prevalece a mesma regra de direito). dos valores sociais do trabalho e da iniciativa privada. prioritários aos métodos lógico e literal. aos fins sociais que se destina a lei. em maior ou menor prazo. favorabilia sunt restringenda (restrinja-se o odioso. Nessa senda. Consumidor. via de conseqüência. Ambos têm imediata aplicabilidade nas relações econômicas e. É para ele que se destina a publicidade.

a questões históricas. .. se em compasso com os preceitos virtuais consagrados na Constituição Federal de 1988. Ao fim e ao cabo. todas as vezes que a interpretação for conduzida no sentido de excluir direitos. anote-se que são exemplificativas as hipóteses de aplicação do Código Consumerista. enfim. Ademais. de vez que apenas a exceção esteve expressamente mencionada (v. a todo o sistema normativo e. quando então deverão prevalecer as regras do Código Civil. máxime as garantias fundamentais. relações trabalhistas). outorgando-se elastério ao intérprete. tem ela de ser feita de maneira restrita.g.108 da norma. Enfim. apenas a incompatibilidade manifesta afasta a incidência do Código de Proteção e Defesa do Consumidor às pessoas jurídicas.

2.2 Responsabilidade pelo fato do produto e do serviço. 1. fundamentado pela doutrina objetiva ou teoria do risco. bem como outras existentes no ordenamento jurídico brasileiro e aplicáveis às relações de consumo. 2. a culpa. 2.3 Responsabilidade pelo vício do produto e do serviço.2. além da ação ou omissão que causa um dano. 1. em seus arts.2. Mário A essência da responsabilidade subjetiva como enuncia o insigne jurista Caio [01] assenta-se fundamentalmente na pesquisa ou indagação de como o . ou seja. 1. ligados pelo vínculo denominado nexo de causalidade. 2. 2.2 Outras Excludentes.3 Exercício regular de direito. e.Conclusões. deve restar comprovada a culpa em sentido lato.2.1. Introdução O presente artigo aborda a responsabilidade civil prevista no Código de Defesa do consumidor e analisa as excludentes previstas em referido diploma legal. RESPONSABILIDADE CIVIL NO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR 1.2 Riscos do desenvolvimento. 1 Responsabilidade subjetiva e objetiva. Referências Bibliográficas.1 Previstas no CDC. Responsabilidade civil no código de defesa do consumidor. O Código Civil. 1. 2. 186 e 187. de outro lado o risco. 1 Responsabilidade subjetiva e objetiva Dois são os fundamentos da responsabilização do agente: de um lado.1 Caso Fortuito e Força Maior. EXCLUDENTES DE RESPONSABILIDADE.109 Aspectos da responsabilidade civil no Código de Defesa do Consumidor e excludentes Autoras: Michele Oliveira Teixeira Simone Stabel Daudt Sumário:Introdução. adota como regra a responsabilidade subjetiva. baseada na doutrina subjetiva ou teoria da culpa.

que é o conjunto de pressupostos da responsabilidade civil [04]. Porém. dispensando. pois. A prova é. que acaba. imperícia ou negligência (culpa em sentido estrito). ainda que não tenha concorrido voluntariamente para a produção dos danos [07]. a responsabilidade objetiva. O Código de Defesa do Consumidor. o principal pressuposto dessa responsabilidade é a culpa. . O fato danoso é que engendra a responsabilidade. A vítima deverá provar somente o dano e o fato que o gerou.110 comportamento contribui para o prejuízo sofrido pela vítima. É preciso que este fato seja jurídico [02] e que seja ilícito. para a ação da vítima. bem como. muitas vezes. Para a teoria objetiva interessa somente o dano para que surja o dever de reparação. cabe perfazer-se a perquirição da subjetividade do causador. se quis o resultado (dolo). Assim. ao contrário do Código Civil. Tratando-se de responsabilidade subjetiva a culpa integra esses pressupostos e a vítima só obterá a reparação do dano se comprovar a culpa [05] do agente. de difícil realização. a fim de demonstrar-se. Não é apto a gerar o efeito ressarcitório um fato humano qualquer. em concreto. também chamada da culpa presumida. Não se perquire se o fato é culposo ou doloso. como regra. a comprovação da culpa para atribuir ao fornecedor a responsabilidade pelo dano. segundo a qual aquele que explora atividade econômica deve arcar com os danos causados por essa exploração. Basta a demonstração da existência de nexo causal entre o dano experimentado pelo consumidor e o vício ou defeito no serviço ou produto. basta que seja danoso. Carlos Alberto Bittar [06] entende que: "Na teoria da culpa (ou "teoria subjetiva"). assim. como por exemplo nas hipóteses previstas nos artigos 931 e 936. Com isso. referido diploma adota a responsabilidade objetiva imprópria. Segundo a teoria objetiva quem cria um risco deve responder por suas conseqüências. ou se atuou com imprudência. criando óbices. em alguns casos. a responsabilidade objetiva. injustamente suportando os respectivos ônus". A opção legislativa reflete a adoção feita pelo legislador da teoria do risco do negócio. a responsabilidade civil surge pela prática de um ato ilícito [03].

como é denominada por muitos. estocar. b) o dano efetivo moral e/ou patrimonial. Wilson Melo da Silva responsabilidade objetiva: [10] esclarece com propriedade a definição da "Pela teoria da responsabilidade objetiva ou sem culpa. Bastaria que se demonstrasse apenas a relação de causalidade entre o dano e seu autor para que daí decorresse para o agente a obrigação de reparar". A responsabilidade decore do simples fato de dispor-se alguém a realizar atividade de produzir. o fator culpa seria de nula relevância. e não só entre o dano e o produto [09]. inclusive a de inversão do ônus da prova [13]. em suas atuações não ligadas a "obrigação de resultado". 12 que os danos indenizáveis são somente aqueles causados aos consumidores por defeitos de seus produtos observa-se ser necessária a existência de um defeito no produto e um nexo causal entre este defeito e o dano sofrido pelo consumidor. O fornecedor passa a ser o garante dos produtos e serviços que oferece no mercado de consumo. se verificada. É importante ressaltar que o tratamento diferenciado dado aos profissionais liberais se limita ao fundamento da responsabilidade. quer perante os destinatários dessas ofertas. § 4º [12] trata da responsabilidade dos profissionais liberais. respondendo pela qualidade e segurança dos mesmos. inexistindo incompatibilidade entre a norma e as demais regras protecionistas.12 é necessária a ocorrência comprovada e concorrente de três elementos: a) existência do defeito. ou não." Contudo. no caso. c) o nexo de causalidade entre o defeito do produto e a lesão. o artigo 14. condição esta que. . os remete à responsabilidade objetiva.111 Claudia Lima Marques [08] ensina que para ser caracterizada a responsabilidade prevista no art. há uma exceção à responsabilidade objetiva. quer perante os bens e serviços ofertados. O autor do dano indenizaria pelo só fato do dano mesmo sem se indagar da sua culpabilidade. bem como aos critérios de lealdade. 3º. Como restam especificados no caput do art. Nesse sentido salienta Paulo Lobo [14] que caso o legislador pretendesse a exclusão da incidência do CDC aos profissionais liberais os mesmos não deveriam estar englobados no art. distribuir e comercializar produtos ou executar determinados serviços. Sérgio Cavalieri ressalta [11]: "Este dever é imanente ao dever de obediência às normas técnicas e de segurança.

O artigo 8º do CDC estabelece que os produtos e serviços colocados no mercado de consumo não acarretarão riscos á saúde ou segurança dos consumidores. construção." Ou seja. interessa verificar se há possibilidade de transmitir ao consumidor informações que capacitem o consumidor do fornecimento em questão ao seguro consumo do produto ou serviço [17]. bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos(. que ocorre no mundo exterior.) um acontecimento externo. aquele que sofrer acidente de consumo decorrente de defeito de concepção. Outrossim. uma vez colocados no mercado. O art. fórmulas.2 Responsabilidade pelo fato do produto e do serviço Dispõe o artigo 12: " O fabricante.. que causa dano material ou moral ao consumidor (ou ambos)..112 1. exceto os considerados normais e previsíveis em decorrência de sua natureza e fruição. tem o direito de ser indenizado por todos os danos decorrentes [16]. 12 trata dos defeitos dos produtos. pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos decorrentes de projeto.. independentemente da existência de culpa. daí termos enfatizado que a palavra-chave é defeito. execução ou comercialização de produto. inadequações no produto que ocasionam uma lesão no consumidor. Seu fato gerador será sempre um defeito do produto. que o art.. 10º impede a colocação no mercado produto ou serviço com alto grau de nocividade ou periculosidade à saúde ou segurança. mas que decorre de um defeito do produto. Ressalte-se. isto é. por fim. montagem. e o importador respondem. nacional ou estrangeiro. o fornecedor será responsável também por produtos . Importante destacar que existe responsabilidade inclusive se o produto foi distribuído gratuitamente.)" Sérgio Cavalieri [15] define fato do produto como: "(. Assim. conforme ensina Silvio Luíz Ferreira da Rocha [18]: "O fornecedor que entrega seus produtos para exame ou prova não poderá subtrair-se da responsabilidade civil prevista. sendo obrigado o fornecedor a dar informações necessárias e adequadas a seu respeito. manipulação. o construtor. fabricação. o produtor. alegando que o produto ainda não foi colocado no mercado. apresentação ou acondicionamento de seus produtos.

" [21] O CDC prevê três tipos de vícios por inadequação dos produtos: vícios de impropriedade. mas com eficiência reduzida] ao consumo a que se destinam e também que lhes diminuam o valor. doação de bens destinados a vítimas de catástrofes". . promoçõe publicitárias.) [20]. ou.12 e ss.113 distribuídos a título gratuito. d) não estejam de acordo com informações. c) diminuam o valor do produto. oferta ou mensagem publicitária." Portanto. O art. para haver a responsabilidade do fornecedor é necessário. embalagem. b) fazem com que o produto funcione mal. 18 elenca as hipóteses em que há vício no produto. vícios de diminuição do valor e vícios de disparidade informativa [22]. Apresentando um vício existe a responsabilidade do fornecedor. Os "vícios" no CDC são os vícios por inadequação (art. a título de donativo para instituições filantrópicas ou com objetivos publicitários. Coaduna de tal entendimento Zelmo Denari [19]: "A circunstância de o produto ter sido introduzido no mercado de consumo gratuitamente. sem causar dano à saúde/integridade física do consumidor. além é claro. Acentua Luiz Rizzatto Nunes: "São consideradas vícios as características de qualidade ou quantidade que tornem os produtos ou serviços impróprios [característica que impede seu uso ou consumo] ou inadequados [pode ser utilizado. ainda. 1. não elide a responsabilidade do fornecedor. 18 e ss) e os vícios por insegurança (art. A falta de qualidade no fornecimento nem sempre é causa de danos à saúde. Para Rizzatto os vícios são aqueles problemas que: a) fazem com que o produto não funcione adequadamente. rotulagem. e) os serviços apresentem funcionamento insuficiente ou inadequado [23]. como a entrega de bens a seus empregados. que o produto entre no mercado de consumo de forma voluntária e consciente. do defeito e do nexo de causalidade entre este e o dano sofrido pelo consumidor. 12 a 14. Da mesma forma são considerados vícios os decorrentes da disparidade havida em relação às indicações constantes do recipiente.3 Responsabilidade pelo vício do produto e do serviço A responsabilidade por vício do produto ou serviço não está relacionada com aquela tratada pelos arts. integridade física e interesse patrimonial do consumidor.

Nega-se aí. Nesse sentido manifesta-se Antonio Herman de Vasconcelos Benjamin [26]: "É até supérfulo dizer que inexiste responsabilidade quando os responsáveis legais não colocaram o produto no mercado. trazem como excludente da responsabilidade do fornecedor a inexistência de defeito. as hipóteses que mitigam a responsabilidade do fornecedor pelo fato do produto e do serviço. Refere o autor: "Os exemplos mais nítidos da causa excludente prevista no inc. o nexo causal entre o prejuízo sofrido pelo consumidor e a atividade do fornecedor. I seriam aqueles relacionados com o furto ou roubo de produto defeituoso estocado no estabelecimento. arrolada no inciso III. Tais hipóteses estão elencadas no artigo 12. marca ou signo distintivo. nesta última hipótese da falsificação do produto. sem dúvida. EXCLUDENTES DE RESPONSABILIDADE 2. Ressalta-se que a inexistência de qualquer dos defeitos elencados no caput do . § 3° do Código de Defesa do Consumidor [24].114 2. mas inexiste nexo de causalidade entre ele e quaisquer das atividades do agente. diz respeito à introdução do produto no ciclo produtivo-distributivo de forma voluntária e consciente. por ato ilícito (roubo ou furto. § 3° e no artigo 14. de forma que se não ostentar vício de qualidade ocorre a quebra da relação causal ficando elidida a responsabilidade do fornecedor. § 3° do artigo 12. à revelia do fornecedor. em função do vício de qualidade. para os produtos que. ou com a usurpação do nome. O dano foi. tenha sido introduzido no mercado de consumo. circunstância esta eximente da sua responsabilidade. causado pelo produto. segundo Zelmo Denari [25].1 Previstas no CDC O Código de Defesa do Consumidor estipula as causas excludentes. ainda. § 3° do artigo 14. o produto defeituoso tenha sido apreendido pela administração e. Isso vale especialmente para os produtos falsificados que trazem a marca do responsável legal ou. cuidando-se." O inciso II do mencionado dispositivo legal. posteriormente. A primeira eximente. forma lanaçados no mercado. ou seja. Zelmo Denari [27] afirma que o defeito do produto ou serviço é um dos pressupostos da responsabilidade. Da mesma sorte. bem como o inciso I. pode ocorrer que. por exemplo).

as informações do produto são insuficientes e também o consumidor agiu com culpa). não haveria nexo causal entre o defeito e o evento danoso (cupla da vítima)". aplicável. deverá ser demonstrada pelo fornecedor. Entretanto. inexistindo estes não há que se falar em dever de indenizar. por fim. o inciso III. Apenas se provar que o acidente de consumo se deu por culpa exclusiva do consumidor é que ele não responde". embora permaneça integral a responsabilidade do fornecedor. a responsabilidade se atenua em razão da concorrência de culpa e os aplicadores da norma costumam condenar o agente causador do dano a reparar pela metade do prejuízo. Dessa forma. de culpa exclusiva da vítima ou de terceiro. quando o juiz considera verossímeis as alegações do consumidor. Esclarece Zelmo Denari [29] que culpa exclusiva não se confunde com culpa concorrente: "no primeiro caso. em havendo a inversão do ônus da prova. no segundo. nos termos do artigo 6º. inciso III. em caso de culpa concorrente. § 3° do artigo 14. ainda assim a responsabilidade do agente produtor permanece integral. em caso de culpa concorrente. segundo as regras de experiência. E. No entender de Cláudia Lima Marques. Antônio Herman Vasconcelos Benjamin e Bruno Miragem: [28] "O sistema do CDC prevê a exoneração na hipótese do inciso III do § 3° do artigo 12. § 3° do artigo 12 e o inciso II. haverá redução do montante indenizatório. disolvendo-se a própria relação de causalidade. mas que no sistema do CDC exonera os fornecedores. Alberto do Amaral Junior [31] salienta que "o concurso de culpa do consumidor lesado produz. a redução do montante a ser pago a título de . hipótese esta que no sistema da Directiva européia ficaria submetida ao ju´zio de valor do judiciário. tratam da culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro. cabendo à vítima arcar com a outra metade" Sustenta Luiz Antonio Rizzatto Nunes [30] que a responsabilidade do fornecedor permanece integral. pois mesmo existindo no caso um defeito no produto. como o caput do artigo 12 dispõe que a responsabilidade é pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos. ficando afastada tal responsabilidade no caso de culpa exclusiva do consumidor: "Se for caso de culpa concorrente do consumidor (por exemplo.115 artigo 12. como conseqüência. desaparece a relação de causalidade entre o defeito do produto e o evento danoso.

apesar do Código de Defesa do Consumidor não fazer menção à culpa concorrente do ofendido. prevê a exclusão da responsabilidade do fornecedor nos artigos 12. apesar de não ser excludente de responsabilidade. o rol ali indicado é taxativo. Por essa razão discute-se na doutrina se o caso fortuito e a força maior podem ser considerados como excludentes para as relações jurídicas de consumo. § 3° do Código de Defesa do Consumidor. § 3°. a doutrina aponta outras eventuais hipóteses de exclusão de responsabilidade. deve por este ser provada. tradicionais excludentes da responsabilidade.116 ressarcimento".2. descritas no artigo 393 do Código Civil. Nessa mesma linha Carlos Alberto Bittar [32]: "havendo culpas concorrentes.2 Outras Excludentes O Código de Defesa do Consumidor. tais como o caso fortuito ou força maior. Assim. 2. tanto que a lei não prevê como excludentes do dever de indenizar o caso fortuito e a força maior". Luiz Antônio Rizzatto Nunes [33] entende que por ter o § 3º do artigo 12 utilizado o advérbio "só". não é possível aplicar as normas do Código Civil nas relações consumeiristas. 2. entre as causas excludentes de . riscos de desenvolvimento e exercício regular de direito. poderão forrar-se à reparação na proporção em que provarem a culpa do consumidor". conforme mencionado. Não admiti-la. seria o mesmo que permitir o beneficío da integralidade indenizatória aquele que veio a concorrer para o evento lesivo. § 3° e 14. Para Roberto Senise Lisboa [34] se na interpretação das normas restritivas de direito não pode o interprete querer alargar a aplicação da norma. § 3° e 14. entende a doutrina que. devendo se ater a sua forma declarativa ou estrita. capaz de afastar a responsabilidade do fornecedor. e não autoriza a inclusão dessas excludentes: "o risco do fornecedor é mesmo integral. Antonio Herman de Vasconcelos Benjamin [35] afirma que a questão deve ser tratada de forma diversa: "A regra no nosso direito é que o caso fortuito e a força maior excluem a responsabilidade civil.1 Caso Fortuito e Força Maior Pela análise das eximentes expressamente previstas nos artigos 12. Ressalta-se que a conduta culposa do consumidor. em havendo a inversão do ônus da prova. O Código. Contudo. deve ser considerada como atenuante no momento da fixação do montante indenizatório. verifica-se que este diploma legala silencia quanto o caso fortuito e a força maior.

A força . o fornecedor responderá pelos danos: "Isto porque até o momento em que o produto ingressa formalmente no mercado de consumo tem o fornecedor o dever de garantir que não sofre qualquer tipo de alteração que possa torná-lo defeituoso. que inexiste defeito ou que houve culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro. Nesse sentido sustenta Fábio Ulhoa Coelho [39] que fica afastada a responsabilidade do fornecedor se demonstrar a presença de caso fortuito ou força maior. da força maior ou do caso fortuito.117 responsabilidade. posteriores ao fornecimento: "O fornecedor também é liberado do dever de indenizar em demonstrando a presença. Também não os nega. pois. ambas as hipóteses possuem força liberatória e excluem a responsabilidade. oferecendo riscos à saúde e segurança do consumidor. causa incêndio e danos aos moradores: inexistiria nexo de causalidade a ligar eventual defeito do aparelho ao evento danoso". porque quebram a relação de causalidade entre o defeito do produto e o dano causado ao consumidor". Caso se manifestem antes da inserção do produto no mercado de trabalho. e. há a ruptura do nexo de causalidade. não foi afastado. ficando. então. James Marins [38]sustenta que o caso fortuito ou a força maior poderão afastar a responsabilidade do fornecedor ou não dependendo do momento em que ocorreram. por exemplo. não os elenca. trata-se de uma impropriedade de redação: "O Código não pode obrigar o fornecedor a indenizar se sua inadimplência contratual ou responsabilidade aquiliana originaramse de caso fortuito ou de força maior"." João Batista de Almeida [36] salienta que "Apesar de não prevista expressamente na Lei de proteção. mantendo-se. entre as causas do acidente de consumo. se o caso fortuito ou a força maior ocorrerem após a introdução do produto no mercado de consumo. Logo. em conseqüência. neste ponto. quer me parecer que o sistema tradicional. José Eduardo Duarte Saad e Ana Maria Saad C. responsabilizar-se o fornecedor de um eletrodoméstico. desde que posteriores ao fornecimento. a capacidade do caso fortuito e da força maior para impedir o dever de indenizar. Branco [37] muito embora o artigo 12 especifique que o fornecedor apenas não será responsabilizado quando provar que não colocou o produto no mercado. mesmo que o fato causador do defeito seja a força maior". se um raio faz explodir o aparelho. Contudo. Exemplifica o autor: "Não teria sentido. afastada a responsabilidade do fornecedor. No entender de Eduardo Gabriel Saad.

ainda que exaustivamente testado. Dessa forma. nem tinha como prever ou evitar. ou seja. quais sejam defeito. se discute na doutrina a adoção pelo CDC dos riscos de desenvolvimento como eximentes da responsabilidade do fornecedor. capaz de causar danos aos consumidores". não se podendo responsabilizar o fornecedor por aquilo que não deu causa. se o eletrodoméstico é inutilizado por um raio. Antônio Herman de Vasconcellos Benjamim [41] conceitua os riscos do desenvolvimento como: "aquele risco que não podem ser cientificamente conhecidos ao momento do lançamento do produto no mercado. segundo James Marins [40]. . venha a se detectar defeito.. uma vez que o fundamento racional da responsabilidade objetiva do empresário. nesse ponto. consistem: "(. posteriormente. decorrido determinado período do início de sua circulação no mercado de consumo. pois. parte dos autores entendem que estão pressupostos da responsabilidade do fornecedor. o defeito. somente identificável ante a evolução dos meios técnicos e científicos. ocorrendo todavia.. vindo a ser descoberto somente após um certo período de uso do produto e do serviço. enquanto outros afirmam inexistir um desses pressupostos.2. a interpretação acerca do disposto no inciso III do §1º do art. restando. se encontra exatamente na constatação da relativa inevitablidade dos defeitos no processo produtivo. afastada a responsabilidade. posteriormente ao fornecimento. 12 do Código de Defesa do Consumidor. Por exemplo.) Com efeito a manifestação de tais fatores. (. dano e nexo causal. ante o grau de conhecimento científico disponível à época de sua introdução. Há divergência doutrinária quanto a caracterização dos riscos do desenvolvimento como hipótese de defeito dos produtos. Contudo." Percebe-se que a doutrina.118 maior ou o caso fortuito anteriores ao fornecimento não configuram excludente de responsabilização. divide-se entre defensores e oposicionistas.2 Riscos do desenvolvimento Os riscos do desenvolvimento. 2. por acidente de consumo. O centro dessa divergência é.. desconstitui qualquer liame causal entre o ato de fornecer produtos ao mercado e os danos experimentados pelo consumidor.) na possibilidade de que um determinado produto venha a ser introduzido no mercado sem que possua defeito cognoscível.. haverá a quebra do nexo causal. não se responsabiliza o empresário pelos prejuízos do consumidor.. que. a maioria da doutrina parece consolidar o entendimento de que ocorrendo o caso fortuito ou a força maior. por isso.

por nós chamado de "requisito técnico". prevista como regra. ao manifestar-se sobre o referido ". não era possível ser descoberto pelo estado dos conhecimentos técnicos e científicos contemporâneo à introdução do produto no mercado de consumo.. que podemos chamar de "requisito temporal". III do artigo 12. §1º. do Código de Defesa do Consumidor. Caso contrário. produção ou informação. sendo o momento a ser considerado para a verificação dos estado dos conhecimentos científicos e técnicos e o segundo o critério para avaliação do estado da ciência e da técnica: "De início deve ser lembrado que a Diretiva 85/374/CEE expressamente faz referência à existência de um defeito que. enquadramento este que é indispensável para que se possa falar em responsabilidade do fornecedor". em nível legislativo. Ensina o mencionado autor que para compatibilizar a os riscos do desenvolvimento com a responsabilidade do fornecedor devem ser analisados dois aspectos. Diante disso não se pode dizer ser o risco de desenvolvimento defeito de criação. Para essa compatibilização devemos considerar dois requisitos: a) o primeiro. diz respeito ao momento que deve ser tomado em consideração para a verificação do estado dos conhecimentos científicos e técnicos. entretanto. diz respeito ao critério para avaliação do estado da ciência e da técnica. seria responsabilizado o fornecedor por um defeito que não tinha como perceber no momento em que colocou o produto em circulação: "teríamos uma aplicação retroativa do padrão ou de medida de . conforme sustenta João Calvão da Silva [45].. é lícito ao fornecedor inserir no mercado de consumo produtos que não saiba nem deveria saber resultarem perigosos porque o grau de conhecimento científico à época da introdução do produto no mercado de consumo não permitia tal conhecimento. com a responsabilidade objetiva imposta ao fornecedor. a necessidade de se compatibilizar a excludente. então.119 Zelmo Denari [42] coloca-se entre os que defendem a não adoção da eximente dos riscos de desenvolvimento sutentando que "a dicção normativa do inc. Surge. b) o segundo. James Marins requisito temporal afirma: [44] . como propôs a Comunidade Econômica Européia" Marcelo Junqueira Calixto [43] adota posicionamento contrário. 12 representa a adoção da teoria dos riscos de desenvolvimento. os quais chama de requisito temporal e requisito técnico. está muito distante de significar adoção da teoria dos riscos de desenvolvimento. afirmando que o inciso III do § 1º do art." Nesse mesmo sentido.

"desde que tal ameaça decorra daquele regular exercício de cobrar. são exemplos de exercício regular de direito do fornecedor e.120 responsabilidade. por exemplo. enviar um título vencido e não para cartório de protesto. o credor remete carta ao devedor dizendo (ameaçando) que irá ingressar com ação judicial para cobrar .3 Exercício regular de direito O inciso I do artigo 188 do Código Civil prevê que o exercício regular de um direito reconhecido não constitui ato ilícito. com a conseqüente inclusão do nome do devedor em banco de dados. No tocante ao requisito técnico. mesmo que provoquem transtornos ao consumidor. afastada estará a responsabilidade do fornecedor. posteriormente. portanto. de atos lícitos. 2. vale ressaltar que. o credor tem o direito de cobrar seu crédito do consumidor inadimplente.2. Verifica-se que a doutrina entende ter o Código de Defesa do Consumidor adotado a teoria dos riscos de desenvolvimento e ressalta a necessidade de avaliação do grau de conhecimento científico. afastando a responsabilidade civil. o momento da distribuição do produto. aquilo que sabe a comunidade científica em determinado momento histórico. Contudo." Posiciona-se. Realizar cobrança. tais direitos devem ser exercidos pelo fornecedor atendendo aos ditames dos artigos 42 e 43 do Código de Defesa do Consumidor. de acordo com a comunidade científica. somente não podendo fazêlo de forma abusiva. nesse sentido Fábio Ulhoa Coelho [46]. Tem a possibilidade até mesmo de ameaçar. à época da introdução do produto ou serviço no mercado de consumo. também. o empresário não deve ser responsabilizado com fundamento nem na periculosidade (pois prestou informações sobre os riscos adequados e suficientes). pois à luz do novo conhecimento e tecnologia responsabilizar-se-ia o fabricante por um defeito existente mais indetectável no estado da ciência e da técnica em momento anterior. Muito embora o Código de Defesa do Consumidor silencie quanto ao exercício regular de direito. apresenta riscos cuja potencialidade não pôde ser antevista pela ciência ou tecnologia. Conforme o entendimento de Luiz Antônio Rizzatto Nunes [48]. entende a doutrina que por ser ele ato lícito. ao referir: "ao fornecer no mercado consumidor produto ou serviço que. salienta Antônio Herman de Vasconcelos Benjamin [47] que a análise do grau de conhecimento científico não é feita tomando por base um fornecedor em particular. nem na defeituosidade (porque cumpriu o dever de pesquisar)".

BITTAR. também. a força maior e o exercício regular de direito. COELHO. 1993. Rio de Janeiro: Renovar. São Paulo: Saraiva. 2005. Carlos Alberto. Proteção do consumidor no contrato de compra e venda. Forense Universitária. CALIXTO. vol. Comentários ao código de proteção do consumidor – coordenador: Juarez de Oliveira. São Paulo: Saraiva. BENJAMIN. . BITTAR. agindo de forma abusiva. Curso de direito comercial. bastando ao lesado comprovar o dano e o nexo causal. São Paulo: RT. AMARAL JUNIOR.. 1990. p. Direitos do Consumidor. Carlos Alberto. São Paulo: Saraiva.ed. Zelmo e outros. não dará ensejo a responsabilização do fornecedor. {et. São Paulo: Saraiva. Conclusões A responsabilidade civil prevista no Código consumeirista é objetiva. como o caso fortuito. Tais excludentes são aquelas expressas no próprio CDC. 1993. Código brasileiro de defesa do consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto/ Ada Pelegrini Grinover. 1991. 1994. I. DENARI. entende a doutrina existirem outras aplicáveis. Referências Bibliográficas ALMEIDA. A responsabilidade civil do fornecedor de produtos pelos riscos do desenvolvimento.} – 8ª ed. Rio de Janeiro. Somente haverá responsabilização caso o fornecedor viole os dispositivos que disciplinam a ação regular de cobrança e o cadastro de consumidores em bancos de dados. Rio de Janeiro: Forense Universitária. Macelo Junqueira.121 o débito" Assim. 2004. O Empresário e os direitos do consumidor. O dever indenizatório decorrente da responsabilidade comporta exceções. Porém. 30. Responsabilidade Civil – Teoria e Prática. A proteção jurídica do consumidor. nas relações de consumo. João Batista de. 2005 . por ser ato lícito. Alberto do. Antonio Herman de Vasconcelos. Fabio Ulhoa. o exercício regular de um direito. 9. al. ________.

Responsabilidade Civil. São Paulo: Revista dos Tribunais. Roberto Senise. José Eduardo Saad e Ana Maria Saad C. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. 29. MARINS. SILVA. ver.34. 2006. Os voluntários se dividem em: lícitos (fato praticado em harmonia com a lei) e ilícitos (fato que viola o dever imposto pela norma jurídica). Os fatos jurídicos são aqueles que têm relevância jurídica e dividem-se em: naturais (decorrem de acontecimentos da própria natureza) e voluntários (têm origem em condutas humanas capazes de produzir efeitos jurídicos). 1993. Luiz Antonio Rizzatto. 6ª ed. Responsabilidade sem culpa. São Paulo: LTr. Caio Mário da Silva. Eduardo Gabriel. A responsabilidade civil do fornecedor pelo fato do produto no direito brasileiro. LOBO. São Paulo: Saraiva. Bruno Miragem. N. SILVA. Responsabilidade da empresa pelo fato do produto. LISBOA. Comentários ao Código de Defesa do Cosumidor: arts. 1º a 74: aspectos materiais/ Cláudia Lima Marques. 2005. MARQUES. Caio Mário da Silva. a responsabilidade civil surge pela prática de um ato ilícito. São Paulo: Saraiva. Programa de Responsabilidade Civil. Cláudia Lima. Revista de direito do consumidor. 2000. Claudia Lima. ROCHA. 2001. Comentários ao Código de Defesa do Consumidor e sua jurisprudência anotada: Lei n.122 FILHO. p. São Paulo: RT. Contratos no Código de Defesa do Consumidor 3 ª ed. p. 8. 29. Silvio Luís Ferreira da. Sérgio Cavalieri. Antônio Herman V. 2 tiragem. João Clavão da. MARQUES. abril-junho. Benjamin. Comentários ao Código de Defesa do Consumidor:direito material (arts. 1990..078/90/ Eduardo Gabriel Saad. 1999. 2003. Responsabilidade Civil. ª NUNES. Notas 01 02 PEREIRA. PEREIRA. São Paulo: Revista dos Tribunais. 2000 SAAD. . Wilson Melo da. São Paulo: RT. E ampl. Paulo Luiz Netto. 1º a 54). Responsabilidade civil do produtor. 2000. Responsabilidade civil nas relações de consumo. Coimbra: Livraria Almedina. São Paulo: Malheiros. Assim. James. Branco.

279. 2000. p.p. 2003. 2000. 19 . ª ª 08 Comentários ao Código de Defesa do Cosumidor: arts. Sérgio Cavalieri. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais." Nesse sentido: " Cirurgião – dentista – Direito do consumidor – Facilitação de defesa – ônus da prova – Inversão – Possibilidade – Profissional liberal – Responsabilidade Civil" (RSTJ 115/271). I. LOBO. Fábio Ulhoa.. 2 tiragem. . Ob cit. deve ser entendida como latu sensu. {et. p. p. A responsabilidade civil do fornecedor pelo fato do produto no direito brasileiro. Luiz Antônio Rizzatto. 104. Claudia Lima.. 10 11 12 09 SILVA. Código brasileiro de defesa do consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto/ Ada Pelegrini Grinover. 2005. 263. Revista de direito do consumidor. Carlos Alberto.34. Sérgio Cavalieri. 2ª ed.100. Paulo Luiz Netto. vol. 9. 28. abriljunho. Bruno Miragem. MARQUES. 498. Responsabilidade Civil – Teoria e Prática. São Paulo: Revista dos Tribunais. no presente trabalho. p. Contratos no Código de Defesa do Consumidor 3 ed. " §4º A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada mediante verificação da culpa. São Paulo: Saraiva. 1999.. 2000. Cit. Benjamin. 497. Ob. FILHO. al. Wilson Melo da. Comentários ao código de defesa do consumidor. dolosa e culposa. Rio de Janeiro: Forense Universitária. FILHO. Responsabilidade sem culpa. p. NUNES. 150-51. 06 07 BITTAR.123 03 04 05 Ressalte-se que há casos em que o ato lícito gera o dever de indenizar. 2005. Fabio Ulhoa. p. Curso de direito comercial. 188. p.} – 8ª ed. 1º a 74: aspectos materiais/ Cláudia Lima Marques. 17 18 COELHO.ed. 15 16 14 13 FILHO.. 2005.. São Paulo: Saraiva. Sérgio Cavalieri. 30. p. 225. Programa de Responsabilidade Civil. Antônio Herman V. isto é. A culpa. p. São Paulo: RT. Programa de Responsabilidade Civil. p. N. COELHO.

apresentação ou acondicionamento de seus produtos. II . construção. Ob. o produtor ou importador só não será responsabilizado quando provar: I . nacional ou estrangeiro.a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro.que não colocou o produto no mercado. III . (. 286. 21 22 20 NUNES. 2003.a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro. 23 24 NUNES. 2003. p. fabricação. 1º a 74: aspectos materiais/ Cláudia Lima Marques.) 3° O fornecedor de serviços só não será responsabilizado quando provar: I .que. tendo prestado o serviço. Bruno Miragem. montagem. o construtor. pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos decorrentes de projeto. 213-4. 2005. o construtor. Art. Art.. o produtor. independentemente da existência de culpa.) 3° O fabricante..} – 8ª ed. Bruno Miragem. Rio de Janeiro: Forense Universitária. 12. bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos.p. Antônio Herman V. p. Código brasileiro de defesa do consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto/ Ada Pelegrini Grinover. Luiz Antônio Rizzatto. manipulação. 286. Luiz Antônio Rizzatto. O fornecedor de serviços responde. Cit. 188. II . {et.. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. o defeito inexiste. 1º a 74: aspectos materiais/ Cláudia Lima Marques. ob. (. Cit. . independentemente da existência de culpa.. al. p.. e o importador respondem. bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. embora haja colocado o produto no mercado.. fórmulas. Antônio Herman V. 14. 25 .124 Comentários ao Código de Defesa do Cosumidor: arts. Comentários ao Código de Defesa do Consumidor: arts. Benjamin.que. o defeito inexiste.. Benjamin. pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços. 278. p. O fabricante.

São Paulo: LTr. Curso de Direito Comercial.. Antônio Herman V. Rio de Janeiro: Forense universitária. Código brasileiro de defesa do consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto/ Ada Pelegrini Grinover. 65. 1993.125 Comentários ao Código de Proteção ao Consumidor. Comentários ao Código de Proteção ao Consumidor – Coordenador Juarez de Oliveira.. 281. 2000. p. Proteção do consumidor no contrato de compra e venda. 2005. Comentários ao Código de Defesa do Consumidor e sua jurisprudência anotada: Lei n. São Paulo: RT. Bruno Miragem.} – 8ª ed. 67. São Paulo: Saraiva.078/90/ Eduardo Gabriel Saad. Rio de Janeiro: Forense Universitária. 2001. p. . São Paulo: RT. p. 271. p. Benjamin. E ampl. p. 1993. José Eduardo Saad e Ana Maria Saad C. 2006. Comentários ao Código de Defesa do Cosumidor: arts. Código brasileiro de defesa do consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto/ Ada Pelegrini Grinover. al. p. São Paulo: Saraiva.} – 8ª ed. São Paulo: Saraiva. 170. 1º a 74: aspectos materiais/ Cláudia Lima Marques. Branco. 39 40 128. São Paulo: Revista dos Tribunais. p. São Paulo: Saraiva. 69. p. 41 . vol I. 2003. 278. Responsabilidade civil nas relações de consumo. {et. al. 189. p. p. p. 1993. 35. Comentários ao Código de Defesa do Consumidor. p. 32 33 31 30 29 28 27 26 Direitos do consumidor. 8. 169. – Coordenador Juarez 153. p. 6ª ed. Comentários ao Código de Proteção ao Consumidor. 2000. Rio de Janeiro: Forense Universitária. São Paulo: Saraiva. Responsabilidade da empresa pelo fato do produto. São Paulo: Saraiva. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. p. p. São Paulo: RT. 1993. 188. 1990. Comentários ao Código de Defesa do Consumidor. 36 37 35 34 A proteção jurídica do consumidor. ver. . 1991. 38 Responsabilidade da empresa pelo fato do produto. 227. 2005. {et. 288. 2005. 1991.

135. 2000. 67 Comentários ao Código de Defesa do Consumidor. 45 509. 506. São Paulo: Saraiva. 1991. 46 47 Comentários ao Código de Proteção ao Consumidor – Coordenador Juarez de Oliveira. a produção e a comercialização se . p. p. . 1991. Rio de Janeiro: Forense Universitária. 200. p. Responsabilidade civil do produtor.. p. al. p.126 de Oliveira. Rio de Janeiro: Renovar.} – 8ª ed. {et. O empresário e os direitos do consumidor. A responsabilidade civil do fornecedor de produtos pelos riscos do desenvolvimento. 48 Vícios no Código Civil e no Código de Defesa do Consumidor: diferenças Autor: Ricardo Canguçu Barroso de Queiroz Em consequência da revolução tecnológica. Coimbra: Livraria Almedina. São Paulo: Saraiva. 84. 1993. 1994. p. p. 1990. 186-187. São Paulo: Saraiva. 44 43 42 Responsabilidade da empresa pelo fato do produto. 2005. p. São Paulo: Saraiva. São Paulo: RT. 2004. 67 Código brasileiro de defesa do consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto/ Ada Pelegrini Grinover.

no CDC a responsabilidade pelos vícios é subjetivo com presunção de culpa do fornecedor. há solidariedade entre os componentes da cadeia de fornecedores . b)Enquanto no CC vigora a responsabilidade subjetiva pura. a responsabilização pelos vícios da coisa. os ocultos. afinal como já falamos. No CDC. No CDC. por sua vez. com berço no individualismo negocial. considera-se irrelevante que o consumidor tenha ou não conhecimento do vício e tenha ele surgido antes ou depois da tradição do produto. Ante a necessidade de uma proteção mais ampla do consumidor na relação de consumo. o distribuidor. c)O CC não prevê a solidariedade entre os fornecedores componentes da cadeia de produção e comercialização. e)O CC não prevê responsabilização pelos vícios aparentes ou de fácil constatação. O sistema do Código Civil. a não mais corresponder às expectativas do mercado de consumo e do progresso tecnológico da produção em massa. e com o objetivo de estabelecer-se o equilíbrio contratual. passou. abrangendo. não há necessidade de haver relação contratual entre o consumidor e o sujeito passivo demandado pelo vício do produto ou serviço. Assim. estando associado. com quem contratou diretamente. baseada na culpa do fornecedor. sendo que tais problemas só foram suprimidos com o advento do Código de Defesa do Consumidor. enquanto que no sistema do CDC "defeito" é vício mais dano à saúde ou segurança. só é permitida se esta tiver sido recebido em virtude de relação contratual (contratos comutativos ou doação com encargo). f)O CC não prevê proteção aos vícios ocorridos na prestação de serviços. além da inversão do ônus da prova em favor do consumidor. assim. apenas. Já no CDC o consumidor poderá acionar quaisquer dos componentes da cadeia de produção e comercialização. dada a grande diversidade de produtos no mercado. mas . ou todos eles conjuntamente. portanto aos fatos do produto ou serviço e "vício" está associado à deficiência de qualidade ou quantidade do produto ou serviço. aumentaram os riscos ao público consumidor. senão vejamos: a)Para o CC as expressões "vício" e "defeito" são equivalentes. a noção de vício no CDC é bem mais eficiente do que a estabelecida pelo direito tradicional.127 dissociaram. como vigora a vulnerabilidade do consumidor. d)Pelo CC. em que o mais importante era a preservação do contrato. resultando na evolução da produção em pequena escala para a produção em série. seja o comerciante. o fabricante. o consumidor só pode acionar o fornecedor direito. provenientes de erros técnicos e falhas no processo produtivo. desde que dentro dos prazos decadenciais. Além disso tais devem ser preexistentes ou contemporâneos à entrega da coisa. assim.

São Paulo: Editora RT.CARNEIRO. No CDC as possibilidades estão ampliadas. 1993. 3 . 03. .LISBOA.Revista de Direito do Consumidor n. mediante complementação ou restituição de eventual diferença de preço.JÚNIOR. estabelecendo dentre as hipóteses a substituição do produto.São Paulo: Ed.Da Responsabilidade por Vício do Produto e do Serviço . 05 . o CDC tais prazos se iniciam a partir do momento em que o consumidor toma conhecimento do vício ou do dano (a prescrição é de 5 anos). RT. Revista de Direito do Consumidor n. 1992. g)No CC caso comprovada a boa-fé (ignorância) do alienante será obrigado a restituir apenas a coisa viciada. 1998 2 .Rio de Janeiro: Forense Universitária. Zelmo . a culpa não enseja a responsabilização pelos danos materiais (lucro cessante + dano emergente) ou pessoais (morais). a restituição da quantia paga ou o abatimento do serviço caso encontre-se responsabilidade do fornecedor de serviços pelos vício de adequação (quantidade e qualidade). assim como. 4 – DENARI. Alberto do Amaral .Código Brasileiro de Defesa do Consumidor Comentado pelos Autores do Anteprojeto . Já no CDC havendo relação de consumo. pouco importa o comprovação ou não de má-fé do fornecedor. para obter-se a reparação integral (danos materiais + danos pessoais). marca ou modelo diverso. de maneira que somente quando comprovada a má-fé aquele será responsabilizados por perdas e danos. 1999. Roberto Senise . ou seja. Por sua vez. h)O CC só prevê duas possibilidades de reparação: a ação redibitória (o contrato é levado a termo e o comprador é restituído integralmente pelo pagamento) ou a ação estimatória (o comprador obtém a redução do valor pago).A responsabilidade pelos vícios dos Produtos no Código de Defesa do Consumidor .128 tão somente do produto. Ed. i)No CC os prazos de prescrição e decadência são contados à partir da entrega da coisa (a prescrição é de 15 dias para bem móvel e 6 meses para bem imóvel).Vício do Produto e a exoneração da responsabilidade. RT: São Paulo. a possibilidade da troca do produto por outro de espécie. BIBLIOGRAFIA 1 . enquanto que o CDC contempla ao consumidor as possibilidades de exigir a reexecução do serviço. Odete Novais . a restituição da quantia paga ou abatimento do preço.

o Código Brasileiro de Defesa do Consumidor (Lei n. a responsabilidade civil do fornecedor pode emergir em decorrência de diversas espécies de vícios dos produtos. um novo modelo de responsabilidade. [03] É o que a doutrina uruguaia chama de Principio de Autoresponsabilidad. que é assentado na solidariedade social e na efetiva reparação dos danos aos consumidores. observa-se claramente que o regramento que é dispensado à matéria tem reflexo imediato na segurança dos consumidores. [04] que informa que o .078/90) adotou o Princípio da Confiança. [02] segundo o qual o produto deve proporcionar ao consumidor exatamente aquilo que ele esperava ou deveria esperar quando o adquiriu. proporcionando-lhe as informações necessárias para tal. a responsabilidade civil legal. um novo conceito. A justa expectativa dos consumidores e do público em geral frente aos produtos lançados no mercado é a de que eles funcionem regularmente.129 A responsabilidade civil do fornecedor por vícios dos produtos no Código de Defesa do Consumidor Autor: Fabrício Castagna Lunardi Resumo O instituto da responsabilidade civil evoluiu rapidamente nas duas últimas décadas. tendo-se. assim. Fornecedor. Introdução O produto adquirido pelo consumidor deve corresponder a exatamente aquilo que dele se espera. Palavras-chave: Responsabilidade. 1. sob pena de responsabilização. simultaneamente.º 8. O fornecedor deve assegurar ao consumidor a correta utilização do produto. Consumidor. [01] Para proteger a legítima expectativa que tem o consumidor na qualidade e utilidade do produto. a responsabilidade civil por vícios de inadequação ou por vícios de insegurança. uma vez que impõe aos fornecedores o dever de colocar no mercado produtos indenes de vícios. Cria-se. hodiernamente. a fim de evitar que eventuais danos venham a ocorrer pela imperícia natural dos consumidores. Haverá. Ao fim. No âmbito das relações de consumo. com isso. que recebem tratamento jurídico diferenciado pelo Código de Defesa do Consumidor. de acordo com a finalidade para a qual foram desenvolvidos e que. ofereçam segurança aos seus usuários.

além dos que lhe são ínsitos e de conhecimento geral. pode ocorrer na qualidade do produto. a fim de prevenir a ocorrência de danos. .130 fornecedor deve prestar informações de forma clara. cresceu a incidência de vícios e defeitos nos produtos. [06] A par disso. como adiantes se demonstrará. prejudicando seu uso e fruição ou diminuindo o seu valor. Outrossim. Com o surgimento e alargamento do processo de industrialização. impróprio para o fim a que se destina e desatendendo a legítima expectativa do consumidor. A inadequação. surge para o produtor uma dupla obrigação: fornecer produtos adequados às suas próprias finalidades. quando a informação prestada não corresponde verdadeiramente ao produto. Dessa sorte. A constatação desses vícios se faz por um critério objetivo. 2. pois é responsável por aquilo que informa na oferta. ou na sua quantidade. do refrigerador que não mantém os produtos em baixa temperatura. portanto. tem o fabricante o dever de controlar o processo de produção e de conhecer todas as inovações tecnológicas. É o caso. é utópico. quando o peso ou a medida informada não corresponder à prestada pelo fornecedor ou à indicada na embalagem. Os produtos defeituosos acabam sendo um resultado marginal e inexorável da produção industrial. existem diferentes instrumentos jurídicos para reparar os danos e prejuízos causados aos consumidores. mantendo o produto sempre atualizado em matéria de segurança. a classificação dessa espécie de vícios em vícios de inadequação na qualidade e vícios de inadequação na quantidade. bastando a verificação de que a informação sobre a qualidade ou quantidade não corresponde verdadeiramente ao que o produto proporciona. precisa e sem ambigüidades. ainda. [05] No entanto. da televisão que não tem boa imagem. da lata de extrato de tomate que não contém a quantidade informada na embalagem etc. o modelo ideal de produção. à medida que não há um controle individual da adequação e segurança de cada unidade que é lançada no mercado. de modo a não induzir o consumidor em erro. e não colocar no mercado produtos que ofereçam riscos. mostrando-se. quando afetem sua prestabilidade e utilização. por exemplo. baseado na inexistência de produtos com avarias. o que varia de acordo com a espécie de vício (ou defeito) que apresenta o produto. Dos vícios de inadequação e dos vícios de insegurança Os vícios de inadequação são aqueles que afetam a prestabilidade do produto. de qualquer forma. que tem como característica principal a produção em série. Ocorrem. Por isso.

Os vícios de insegurança.078/90. defeitos de construção (ou execução). De outro lado. por sua vez. enquanto a . dizer-se que não existe um conceito unitário que abranja todas as modalidades de responsabilidade civil. não abrange todas as modalidades de responsabilidade civil. são os vícios de inadequação tratados nos arts. são aqueles defeitos que fazem com que o produto seja potencialmente danoso à integridade física ou ao patrimônio do consumidor. em face de defeitos de projeto (ou concepção). 18 e segs. Por razões como essa. a noção de responsabilidade implica sempre a violação de um dever. pois haverá casos em que surge a responsabilização sem a violação a um dever jurídico. levando-se em consideração a sua apresentação. não se pode mais dizer que a responsabilidade jurídica está "essencialmente ligada à retribuição. encargo.131 No Brasil. [10] ou com supedâneo no inadimplemento contratual. De qualquer sorte. [09] com fundamento na obrigação de indenizar. e não mais a punição do responsável. o elemento sanção ou retribuição foi mitigado. defeitos de desenvolvimento e defeitos de informação. do qual exsurge o dever de reparação. segundo a doutrina brasileira. para haver responsabilidade civil. Os vícios de insegurança são tratados nos arts. da Lei n. Com o passar do tempo.078/90. entretanto. não se pode confundir as noções de obrigação e de responsabilidade civil. 12 a 17 da Lei n.º 8. Na nova definição de responsabilidade." [12] Esse conceito. contraprestação. mas em decorrência de ato lícito. a época em que foi colocado em circulação. deverá sempre haver o dano jurídico. Obrigação é sempre um dever jurídico originário. o uso e os riscos normais. Em um conceito sintético e geral. Podem ocorrer. Tem ínsito um perigo de dano patrimonial ou extrapatrimonial. Ocorrem quando o produto não apresenta a segurança que dele legitimamente se espera. pode-se definir a responsabilidade civil como "um dever jurídico sucessivo que surge para recompor o dano decorrente da violação de um dever jurídico originário. A doutrina de direito civil costuma definir a responsabilidade civil com base numa conduta causadora de um dano. [08] exprimindo a idéia de obrigação. é verdadeira a premissa de que.º 8. Responsabilidade civil no âmbito das relações de consumo Na dogmática. [07] 3. com a ofensa a um bem jurídico. dentre outras circunstâncias. no entanto." [11] O elemento central passa a ser a reparação ou prevenção do dano ou prejuízo.

na necessidade de reparação ou prevenção do dano. [14] A responsabilidade civil. vale dizer. [16] Esse novo modelo de responsabilidade não se centra mais em apenas punir o autor de uma conduta antijurídica. causado ao consumidor pela existência de vícios de inadequação e de insegurança do produto. [17] Com efeito. porque. [15] de modo que o prejuízo causado a um consumidor seja suportado por toda a sociedade. porque oferece maiores garantias de proteção às vítimas. em relação à matéria de proteção do consumidor. patrimonial ou extrapatrimonial. encontrando supedâneo na solidariedade social. A responsabilidade civil é tema de permanente atualidade e vem ganhando importância e mutação à medida que a evolução industrial produz novas tecnologias. além disso. geralmente. à consciência da necessidade de proteção das vítimas e das partes mais fracas nas relações sociais. ultrapassa as fronteiras da culpa. distribuindo-se o custo entre os próprios . por exemplo. ou seja.132 responsabilidade é um dever jurídico sucessivo. de uma obrigação contratual originária. A responsabilidade extracontratual. O verdadeiro escopo dessa evolução é a preocupação de assegurar melhor justiça distributiva. Em primeiro lugar. o fornecedor tem melhores condições de suportar o risco do produto. deu-se entrada. Essa distinção. também chamada de aquiliana. porque os custos de ressarcimento devem recair sobre o fabricante e o fornecedor. deriva. [13] Na dogmática. seguro de responsabilidade. entretanto. por fim. na sistemática do direito do consumidor. paulatinamente. de um ato ilícito. Responsabilidade contratual é aquela que decorre diretamente e em função de um contrato. e não do contrato. desafiando soluções jurídicas inéditas. Em face das transformações sociais ocorridas pela constante evolução industrial e dos riscos gerados aos consumidores. previdência e garantia. encontra-se que a responsabilidade civil pode ser classificada em contratual e extracontratual. ainda que o consumidor seja diligente. senão no interesse em restabelecer o equilíbrio econômico-jurídico alternado pelo dano. a quem cabe controlar a qualidade e a segurança dos produtos. em vista de situações que demandam regulamentação jurídica específica. cujo valor do prêmio se incorporará ao preço de venda. O fundamento social da reparação do dano está arraigado nas noções de assistência. de modo que será responsabilizado civilmente aquele que inadimplir essa obrigação. a responsabilidade civil objetiva do fornecedor é o sistema de reparação de danos mais adequado aos tempos modernos. resta superada. corolário da violação do primeiro. base de uma responsabilidade sem culpa. mediante. o que determinou um redirecionamento dos princípios que regiam a matéria. de uma obrigação jurídica que decorre de uma norma legal.

segundo a qual a lei imporia a toda a cadeia de fornecedores um dever de qualidade dos produtos que são colocados no mercado e dos serviços que são prestados. Essa responsabilidade legal dos fornecedores tem como fundamento a Teoria da Qualidade. [20] A responsabilidade civil passa. no Brasil. independentemente de culpa. abrangendo nesse conceito tanto a responsabilidade do fornecedor que celebra o contrato com o consumidor. muitas vezes. "al no exigirse la prueba diabólica de la culpa. mas. acabavam por dificultar a imputação do fato lesivo ao seu autor. Assim. a ser uma relação entre a atividade empresarial e um sujeito. mantém-se fiéis ao dogma da responsabilidade civil baseada na culpa. estocar. e que a responsabilidade civil não deriva do contrato ou de ato ilícito. A doutrina brasileira. e também. [21] Se o fornecedor introduz um risco para a sociedade.133 consumidores. as dificuldades que tinham os consumidores na busca da prova. no entanto. por motivos de política-econômica. deve responder pelos prejuízos que causar. todo aquele que exerce atividade no mercado de consumo tem o dever de responder pelos eventuais vícios ou defeitos dos bens e serviços fornecidos." [19] Efetivamente. Tendo em vista que a imputação decorre estritamente da lei. na chamada responsabilidade por risco da empresa. De acordo com a Teoria do Risco. decorrentes principalmente do desconhecimento do processo industrial e da crescente automação. todavia. o que . Alguns países. a doutrina brasileira tem chamado esse novo modelo de responsabilidade civil de responsabilidade legal. de uma imputação que decorre estritamente da lei. se facilita a la víctima el acceso a la reparación. então. como a daquele fornecedor que tem vínculo contratual apenas com a cadeia de fornecedores. prescindindo da existência de culpa. foi além. A responsabilidade decorre do simples fato de realizar a atividade de produzir. a imputação de responsabilidade conjunta entre os fornecedores vinculados ou não por laços contratuais com o consumidor. sim. há. a responsabilidade civil não deriva do contrato ou de um dano que alguém gera a outrem fora do contrato. [22] Com efeito. por influência das grandes empresas. criando uma nova modalidade de responsabilidade civil. [18] Acrescente-se que o fornecedor está em melhores condições de produzir a prova sobre o ocorrido. distribuir e comercializar produtos ou executar determinado serviço. O acolhimento da teoria do risco e da responsabilidade objetiva é a tendência moderna nos países que possuem legislação específica sobre direito do consumidor. [23] De outro lado. razão pela qual lhe é transferido o ônus de provar uma das causas excludentes de sua responsabilidade para que se exima de reparar o dano ou os prejuízos.

19. e não sendo sanado esse vício num prazo máximo de 30 (trinta) dias. no art. 18 e seguintes. à integridade física ou à vida do consumidor.º ao 6.º do art. trata da responsabilidade civil por vícios de inadequação na qualidade. ocorrendo o vício de inadequação na qualidade do produto. o consumidor somente precisa demonstrar a verossimilhança da existência desses três elementos. 18. uma solidariedade [24] entre todos os fornecedores da cadeia de produção em relação à reparação dos prejuízos causados ao consumidor em razão da inadequação do produto ao fim que se destinava. Para obter a indenização. em perfeitas condições de uso. ao menos direta. O Código Brasileiro de Defesa do Consumidor trata da responsabilidade civil por vícios de inadequação do produto em seus arts. 18. o dano ou prejuízo ao consumidor e o nexo de causalidade. surgem para o consumidor as seguintes alternativas: a) a substituição do produto por outro da mesma espécie. Destarte.1. sem prejuízo de . Prevê. geralmente ele será o demandado. A responsabilidade civil por vícios de inadequação dos produtos Quando o produto não proporcionar a utilização que dele legitimamente se esperava.134 demonstra a tendência moderna de ir além da responsabilidade contratual e extracontratual. incumbindo ao fornecedor a prova de alguma das excludentes de sua responsabilidade. o vício (ou defeito) no produto. monetariamente atualizada. portanto. dispõe sobre os vícios de inadequação na quantidade. constata-se que a responsabilidade civil é extracontratual. Os elementos identificadores e que geram a responsabilidade civil do fornecedor são. a responsabilidade está in re ipsa. como o dever jurídico que surge para o fornecedor em conseqüência de um vício de inadequação ou de insegurança do produto ou serviço. no art. Com base nesses delineamentos. caput. Com isso. b) a restituição imediata da quantia paga. De acordo com a lei consumerista brasileira. pois a reparação diz respeito ao produto. enquanto. pois não há relação contratual. poderá o consumidor demandar qualquer um dos integrantes da cadeia de fornecedores. Por ser o comerciante com quem contratou o responsável mais próximo. surgirá a responsabilidade civil do fornecedor por vícios de inadequação. Nos §§ 1. já que a relação contratual se estabelece somente entre o consumidor e o fornecedor direto. que cause um dano efetivo ao patrimônio. Nesse caso. no direito consumerista brasileiro. 3. pode-se conceituar a responsabilidade civil. centrando o dever de reparar na solidariedade social e na Teoria do Risco. com os demais integrantes da cadeia de fornecedores.

sem prejuízo da eventual complementação ou restituição de valores (§ 1.º do art.º). como referido. atenue ou exonere o fornecedor da responsabilidade de indenizar em face da ocorrência de vícios de inadequação ou de insegurança. por sua vez. diminuir-lhe o valor ou no caso de se tratar de produto essencial. 19 do Código Brasileiro de Defesa do Consumidor. 24 e 25). marca ou modelo. surge para a cadeia de fornecedores o dever de reparar. 18.135 eventuais perdas e danos. 18. sem precisar obedecer a qualquer prazo. e c) o abatimento proporcional do preço (art. mediante eventual restituição de valores ou complementação da diferença de preços (§ 4. em face da extensão do vício. quando optar pela substituição do produto por outro de mesma espécie e esta não for possível. a substituição das partes viciadas puder comprometer a qualidade ou as características do produto. sem prejuízo de ressarcimento por eventuais perdas e danos (art.º). estão previstos. 19. 3. Assim. marca ou modelo diversos. ou d) restituição imediata da quantia paga. Do mesmo modo do que ocorre na responsabilidade civil por vício de inadequação na qualidade. requerer a troca do produto por outro de espécie. Caso o consumidor tenha optado pela substituição do produto por outro de mesma espécie e isso não seja possível. em qualquer contrato de consumo. sendo que a garantia legal do produto independe de termo expresso (arts. Cabe ressalvar que. antes mencionadas. sem os aludidos vícios. incs. poderá o consumidor optar por uma das seguintes alternativas: a) abatimento proporcional do preço. essa cláusula deve ser convencionada em separado (§ 2. c) substituição do produto por outro da mesma espécie. I a IV).º). caput e § 1. é vedada a pactuação de cláusula que impossibilite. A responsabilidade civil por vícios de insegurança dos produtos A responsabilidade civil do fabricante por vícios de insegurança é efeito lógico de um acidente de consumo. no art. que ocorre quando o produto não apresenta a . poderá optar pela substituição por outro de espécie. b) complementação do peso ou medida. contudo. ser inferior a 7 (sete) nem superior a 120 (cento e vinte) dias. o consumidor poderá imediatamente se utilizar das alternativas referidas no § 1. Os efeitos da responsabilidade civil por vícios de inadequação na quantidade do produto.º). monetariamente atualizada. pode o consumidor. O fornecedor imediato será responsabilizado quando fizer a pesagem ou medição e o instrumento utilizado não estiver regulado segundo os padrões oficiais (§ 2. no caso de contrato de adesão. Se.2. marca ou modelo diversos.º). Constatados os vícios de inadequação na quantidade do produto. sendo que. não podendo. Esse prazo para o conserto do produto pode ser ampliado ou reduzido pelas partes.

pela sua utilização. a pedido da rede varejista. Segundo a lei consumerista brasileira. produtor. a simples fabricação de um produto com um defeito não enseja. àquelas redes de varejo que oferecem diversificada linha de produtos com sua própria marca. a responsabilidade civil legal. na verdade. Falta. são pressupostos para a responsabilidade civil do fabricante por defeitos nos produto: a) falha na segurança do produto. c) o dano. nas relações de consumo em massa. por si só. essa responsabilidade não beneficia somente o consumidor imediato. controle sobre a segurança e qualidade das mercadorias. 12. quando não conservar adequadamente os produtos. [25] Para melhor defender os interesses do consumidor. Assim. um novo conceito de responsabilidade civil. que. De outro lado. o produto é fabricado por um terceiro oculto. menção expressa ao fabricante aparente. é introduzido no Código Brasileiro de Defesa do Consumidor. como fora referido. respondendo subsidiariamente quando não puderem ser identificados os demais sujeitos da cadeia de produção ou quando o produto fornecido não apresentar identificação clara daqueles. [27] de modo que a garantia inerente ao produto obriga o fornecedor em relação ao último consumidor e a todos aqueles que tenham alguma . na forma do art. o CBDC prevê uma solidariedade entre fabricante. deve-se entender aquele que é potencialmente danoso. capaz de causar lesões aos consumidores. b) a colocação do produto no mercado. a responsabilidade civil. 12. todavia. A colocação do produto no mercado é ato humano de fazer ingressar em circulação um produto potencialmente danoso. 12 a 17 do Código Brasileiro de Defesa do Consumidor da responsabilidade civil por fato do produto. Como se observa. no rol de responsáveis estabelecido no art. Tratam os arts. Essa distinção em benefício do comerciante se faz necessária porque ele não tem. e d) a relação de causalidade (ou nexo causal). sendo necessária a sua colocação no mercado. ou seja. quando.136 segurança que dele legitimamente se espera e acaba por causar dano ao consumidor. regra geral. 12). Por produto inseguro. como se fabricantes fossem. terá o comerciante responsabilidade direta. que possui um defeito capaz de. ou seja. contudo. o comerciante é excluído em via principal. "independe da existência de culpa". construtor e importador (art. acompanhando o produto por onde ele estiver durante a sua existência útil. ou seja. lesionar o consumidor. [26] Levando em conta a sistemática moderna de proteção ao consumidor. O dever de segurança tem natureza ambulatorial. o que facilita ao consumidor a busca por uma justa indenização. aquele que celebrou o contrato com o fornecedor.

137 relação de fato com o produto. cujos efeitos não se pode evitar ou impedir. malgrado se trate de responsabilidade objetiva. ou que simplesmente tenham se exposto aos efeitos do seu campo de periculosidade. que importam no rompimento do nexo de causalidade e acabam afastando a responsabilidade civil. nos casos em que o produto é posto no mercado por ato de preposto ou em decorrência da falta de diligência na guarda do produto. enquanto o caso fortuito é uma situação que decorre de fato alheio à vontade da parte. A não colocação do produto no mercado pressupõe que o fornecedor-produtor prove que não é sua a autoria da fabricação do produto ou que o fornecedor não foi responsável pela sua circulação. que as vítimas sejam parte da cadeia de circulação jurídica do produto. A prova de que o vício de insegurança inexiste incumbe ao fornecedor. todavia. como um ciclone. dispõe o § 3. o furto e o roubo. o que gera indagações a respeito. como uma greve. a demonstração de que já ocorreu outro acidente de consumo em relação a idêntico produto. como. É irrelevante. A excludente não beneficia o fornecedor. [30] Para verificar se o caso fortuito e a força maior atuarão como excludentes de responsabilidade do fornecedor. São as causas de exoneração. [28] De outro lado. sendo que a própria lei admite excludentes de responsabilidade do fornecedor. é imperioso fazer a distinção. cabe tão-somente demonstrar a verossimilhança do que alega. para a configuração de responsabilidade. Nesses casos. ou. que mantenham com este mera relação de fato decorrente de uso ou consumo. b) que. [29] Embora surtam idênticos efeitos jurídicos. ainda. na hipótese de ser o infrator quem colocou o produto em circulação. O caso fortuito e a força maior constituem-se em um fato necessário. De outro lado. por exemplo. permitindo um juízo de probabilidade ao julgador. 12 do CBDC que o fornecedor não será responsabilizado se provar: a) que não colocou o produto no mercado. quando o produto está sob a guarda do comerciante. Assim. À guisa de exemplo. Ao lesado. excluirá a responsabilidade do fornecedor a sabotagem. deve ser analisado o momento de sua ocorrência. ou c) a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro. um terremoto. o caso fortuito e a força maior não devem funcionar como . caberá ao fornecedor a prova de tal fato. uma tempestade. O que distingue basicamente os dois institutos é que a força maior resulta de situações independentes da vontade do homem. um incêndio criminoso provocado por terceiros. mas proveniente de fatos humanos. Caso ocorram na concepção ou na produção. cabe salientar que o CBDC não prevê como causas de exclusão de responsabilidade o caso fortuito e a força maior. uma guerra. essa regra não é absoluta. o defeito inexiste.º do art. embora tenha colocado o produto no mercado.

não terão os fornecedores qualquer responsabilidade. 4. cria um novo conceito de responsabilidade civil. Entretanto. Surgiu. que prescinde de elemento contratual ou da ocorrência de ilícito. assim. houve uma preocupação mundial em reduzir ao máximo os acidentes de consumo e os vícios dos produtos. na solidariedade social e na responsabilidade civil objetiva. Impõe. na efetiva reparação do consumidor. tendo sido produzido após o consumidor ter adquirido o produto. microssistemas protetivos ao consumidor. e que decorre estritamente da lei. assim. A par disso. se o defeito não está relacionado ao fornecedor.138 eximentes de responsabilidade do fornecedor. dando tratamento jurídico bastante proguessista em relação à efetiva reparação dos danos ao consumidor. mormente em relação à responsabilidade civil do fornecedor por vícios dos produtos. um dever de qualidade dos produtos colocados no mercado. dentre os quais o da responsabilidade civil e o dos vícios dos produtos. Dessume-se. que a responsabilidade do fornecedor. não haverá responsabilidade civil daquele. calcados. o que pode é possível com uma legislação rigorosa. pois. O modelo ideal de produção. decorre da violação do dever de colocar no mercado produtos isentos de vícios de insegurança. é utópico. a chamada responsabilidade legal. Esses dois elementos atuam como fatores de ruptura do nexo causal entre o defeito e o dano. se o caso fortuito e a força maior sobrevierem depois da tradição (entrega) do produto ao consumidor. principalmente. portanto. então. sobretudo nos países mais desenvolvidos.078/90. . cresceu a incidência de vícios e defeitos nos produtos. Criou-se novos modelos de reparação de danos que sobrepujaram a clássica teoria da responsabilidade civil. Além disso. no direito brasileiro.º 8. culminando em modificar o tratamento jurídico de vários institutos. Considerações finais Com o surgimento e alargamento do processo de industrialização. que tem como característica principal a produção em série. O Brasil codificou a matéria na Lei n. baseado na inexistência de produtos com avarias. à medida que não há um controle individual da adequação e segurança de cada unidade que é lançada no mercado. que imponha a toda a classe de fornecedores normas imperativas no processo de produção e a obrigação de reparar eventuais danos decorrentes dos acidentes de consumo. Os produtos defeituosos acabam sendo um resultado marginal e inexorável da produção industrial.

(coord. Código brasileiro de defesa do consumidor. p. servindo de modelo e paradigma para vários outros países. São Paulo : Malheiros. atual. Buenos Aires : Astrea. Gustavo Ordoqui. SP. A proteção do consumidor e o MERCOSUL. Da qualidade de produtos e serviços. In: GRINOVER. Porto Alegre.-dez. La protección de los consumidores y el MERCOSUR. v. Programa de responsabilidade civil. n. Ada Pellegrini et. rev. da prevenção e da reparação dos danos. o Código Brasileiro de Defesa do Consumidor é considerado uma das legislações consumeristas mais protetivas do mundo. KELSEN. 1991. 1998. A responsabilidade do fabricante pelo fato do produto. atual. Rio de Janeiro : Forense Universitária. 5. e atual. SP. ampl. Teoría general de la reparación de daños. 1. rev. Luiz Gastão Paes de Barros. Jean Michel. 1992. 1987. RS. 124-136. São Paulo. LEÃES. São Paulo : Saraiva. 1998. rev. aum. O Direito do Consumidor no Mercosul. São Paulo : Martins Fontes. São Paulo. GHERSI. (trad. GARAY. Carlos Alberto. 6. 12. ed. 1999. 127-197. maio 1997. 2. p. CAVALIERI FILHO.139 Por essa principiologia inovadora e moderna. Da responsabilidade civil. 4. Referências Bibliográficas ARRIGHI. Zelmo Da qualidade de produtos e serviços.). Antônio Herman de Vasconcellos e. Sergio. Rio de Janeiro : Forense. DE LUCCA. São Paulo : Saraiva. Revista de Direito do Consumidor. ed. da prevenção e reparação de danos. DENARI. 19-24. aum. DIAS. Teoria pura do direito. BENJAMIN. 5. 1994. Revista de Direito do Consumidor. n. Newton. Revista Jurídica da Associação dos Defensores Públicos do Estado do Rio Grande do Sul. 1997. 29-36. p. ed. Derechos del consumidor em el marco de la legislación nacional y la integración regional. 5. CASTILHA. e ampl. In: Comentários ao Código de Proteção ao Consumidor. p. 2003. Carlos. 2000. ed. . n. al. 1. Montevidéu : Ingranusi. José de Aguiar. ano 1. ed. João Baptista Machado). out. Hans. 2.

1997. QUEIROZ. de 11. Buenos Aires : . 2004.140 LORENZETTI. Monografia (Graduação em Direito) – Curso de Direito. Da responsabilidade por vício do produto e do serviço: Código de Defesa do Consumidor Lei 8. Adalberto de Souza. Revista de Direito do Consumidor. São Paulo : Saraiva. MARQUES. Ricardo. Cláudia Lima. Responsabilidade civil do fabricante pelo fato do produto. RIZZARDO. rev. 2003. 110 p. ed. 49-85. Fabrício Castagna. SANSEVERINO. 42. 2004.ª parte. PASQUALOTTO. SP.078. abr. São Paulo : Revista dos Tribunais. 73-94. 2003. PEREIRA. Estudos sobre a proteção do consumidor no Brasil e no MERCOSUL. Responsabilidade civil por danos ao consumidor causados por defeitos dos produtos: a teoria da ação social e o direito do consumidor. SIMÃO. Vícios do Produto no Novo Código Civil e no Código de Defesa do Consumidor. Rio de Janeiro : Forense. 7. STIGLITZ. jan. La relación de consumo: conceptualización dogmática en base al Derecho del MERCOSUR. Agostinho Oli Koppe. Paulo de Tarso. Washington de Barros. 2002. ed. rev. Porto Alegre : Livraria do Advogado. 1996. atual. p. 2002.-mar. Universidade Federal de Santa Maria. (Org. Rio de Janeiro : Forense. 1998. p. e ampl. 4. n. 09-31. São Paulo. ______. Revista de Direito do Consumidor. MONTEIRO. 1971. 21.). Santa Maria. Arnaldo.1990. A proteção jurídica do consumidor contra vícios dos produtos no âmbito dos países do MERCOSUL. Protección jurídica del consumidor. Gabriel. São Paulo : Revista dos Tribunais. Curso de direito civil: direito das obrigações: 1. Roberto. São Paulo. p. Porto Alegre : Livraria do Advogado. Odete Novais Carneiro. José Fernando. 2002. 2000. aum. A responsabilidade civil do fabricante e os riscos do desenvolvimento. NORRIS.-jun. SP. Direito das Obrigações. 1994.09. p. Responsabilidade civil no código do consumidor e a defesa do fornecedor. LUNARDI. São Paulo : Saraiva. 364-365. n. RS. Proteção contra produtos defeituosos: das origens ao Mercosul. Contratos no Código de Defesa do Consumidor: o novo regime das relações contratuais. São Paulo : Atlas. In: MARQUES. Cláudia Lima. ano 11.

"O fabricante deve assegurar para o consumidor que o produto. 115-128. adequadamente utilizado. São Paulo. 3. n.817). Consumidores: análisis exegético de la Ley 17. Direito Civil: responsabilidade civil. Adalberto de Souza Pasqualotto. Revista de Direito do Consumidor. 1986. vulnerando sua integridade física ou de qualquer modo colocando em risco a sua segurança ou a dos circunstantes. Exemplo disso é a proteção aos contratantes de boa-fé quando celebram negócio jurídico com mandatário aparente (art. SP. p. cit. distribuición y comercialización de bienes y servicios. 2. Porto Alegre : Livraria do Advogado. Responsabilidade civil no código do . 1999. n. Adalberto de Souza Pasqualotto. O princípio da confiança está intimamente ligado ao princípio da boa-fé subjetiva. 75).250.-set. 689) ou com herdeiro excluído da sucessão (art. 1. p. WEINGARTEN." (Adalberto de Souza Pasqualotto. (Org. Proteção contra produtos defeituosos: das origens ao Mercosul. Sílvio de Salvo. jul. A responsabilidade civil do fabricante e os riscos do desenvolvimento.250. Estudos sobre a proteção do consumidor no Brasil e no MERCOSUL. 2003. p. atual. Montevidéu : Fundación de Cultura Universitaria. que se encontra no Código Civil brasileiro. não será um instrumento maligno nas mãos dos usuários desprevenidos. VENOSA. Cláudia Lima. LOVECE. 07 06 05 04 03 02 01 Paulo de Tarso Sanseverino. Dora Szafir. 1994. p. Célia. Graciela. Revista de Direito do Consumidor. 31. Consumidores: análisis exegético de la Ley 17.999: responsabilidad de los sujetos y/o empresas que intervienen em la cadena de fabricación.141 Depalma. p.). p. atual. São Paulo : Atlas. 2002. circulacón. 135. Montevidéu : Fundación de Cultura Universitaria. 49-85. SZAFIR. 2. 49. ed. abr. 2002.-jun. ano 11. Op. conforme as instruções por ele mesmo expedidas e dando atenção às advertências cabíveis que também por ele devem ser feitas. 73-94. p. São Paulo. SP. ed. Notas As normas do CDC brasileiro são imperativas no sentido de proteger a confiança que o consumidor depositou no produto que adquiriu. Dora. 74. Ley 27. A responsabilidade civil do fabricante e os riscos do desenvolvimento. In: MARQUES. ed. 2002. 42.

142 consumidor e a defesa do fornecedor. porquanto a responsabilidade civil tradicional revelara-se insuficiente para proteger o consumidor. A responsabilidade civil do fabricante e os riscos do desenvolvimento. 2003. p. p. 12. rev. o Código do Consumidor engendrou um novo sistema de responsabilidade civil para as relações de consumo. São Paulo : Saraiva. 242. Hans Kelsen. 6. p. ed. Teoria pura do direito. 2003. de productos elaborados. São Paulo : Atlas. São Paulo : Malheiros. p. cit. De acordo com o bem jurídico tutelado e a gravidade da lesão. em determinados casos. 134. que exponen a la persona humana a mayores riesgos. Sergio Cavalieri Filho. aum. Op. Rio de Janeiro : Forense. Responsabilidade civil por danos ao consumidor causados por defeitos dos produtos: a teoria da ação social e o direito do consumidor. 103. ed. 1999. atual. 13 14 12 11 10 09 08 Ibidem. . p. v. Direito Civil: responsabilidade civil. 15. ed. com fundamentos e princípios novos. rev. 2." (Carlos Alberto Ghersi. 1998. São Paulo : Martins Fontes. riesgos derivados de actviades. Teoría general de la reparación de daños. ed. e atual. Sergio. 5. Sílvio de Salvo Venosa. 3. 16. ha revelado la insuficiencia e injusticia del principio tradicional e atribuición subjetiva basado en la culpa del autor del daño. João Baptista Machado. "Para enfrentar a nova realidade decorrente da Revolução Industrial e do desenvolvimento tecnológico e científico. 2003. Da Responsabilidade Civil. tal questão não será tratada no presente trabalho. p. cit. ed. 157) José de Aguiar Dias. Porto Alegre : Livraria do Advogado. Embora seja prevista a responsabilidade penal dos fornecedores. Agotinho Oli Koppe Pereira. p. 77.). 473) Adalberto de Souza Pasqualotto. aum. Programa de Responsabilidade Civil. ampl. p. surgirá a responsabilidade civil ou penal. de utilización de cosas. 24. 158. 4. p." (CAVALIERI FILHO. 1. etc. 16 17 15 Ibidem. p. 24. 19 18 Carlos Alberto Ghersi. Trad. Op. Buenos Aires : Astrea. cit. p. Op. "El aumento de las causas de dañosidad producidas por el industrialismo (accidentes de trabajo. 1997. p. 2002.

111) Pragmaticamente. não goza de um tecnicismo apurado. p. cit. de forma direta ou indireta. Assim. Op. 4. ed. 27 28 26 25 24 23 Sergio Cavalieri Filho. Portanto. São Paulo : Saraiva.) Adalberto de Souza Pasqualotto. "Assim. que é gerenciada pelo homem. tanto daquele que possui um vínculo contratual com o consumidor. 50. Também nesse sentido. rev. Por solidariedade deve-se entender "um vínculo que conduz a impor o cumprimento de uma obrigação a várias pessoas. 80. cit. São Paulo : Revista dos Tribunais. p. p. e. Proteção contra produtos defeituosos: das origens ao Mercosul. cit. O novo regime de vícios no CDC caracteriza-se como um regime de responsabilidade legal do fornecedor. p. por exemplo.1990. Op. cit. 2002. quanto daquele cujo vínculo contratual é apenas com a cadeia de fornecedores. de 11. podendo a vítima reclamar face a quem com ela certamente não contratou. e ampl.)" (In: Da responsabilidade por vício do produto e do serviço: Código de Defesa do Consumidor Lei 8. p. 1998. Melhor teria sido. 205) Tal expressão.. Isso porque "fato" é acontecimento alheio à ação humana. 21 22 20 Sergio Cavalieri Filho. 2000. 43-44. é sempre a atividade humana. Odete Novais Carneiro Queiroz: "Não se faz necessária uma efetiva relação contratual." (Arnaldo Rizzardo. p. no sistema do CDC.143 Adalberto de Souza Pasqualotto. p. mesmo porque existe uma responsabilidade solidária entre o fabricante. da prevenção e da reparação dos danos. o intermediário e o comerciante (distribuidor) (. no caso dos vícios de insegurança. o CBDC impõe aos fornecedores a obrigação de colocar no mercado somente produtos isentos de vícios ou defeitos. portanto. p. 478.078. o dever de qualidade é um dever anexo à atividade dos fornecedores. 475. contudo. que causa o dano. A responsabilidade do fabricante pelo . Op. tem-se um dano decorrente da atividade de produção ou de comercialização. 1991." (Cláudia Lima Marques.. da expressão "responsabilidade pelos acidentes de consumo". Proteção contra produtos defeituosos: das origens ao Mercosul. Op. atual.09. sendo alvo de severas críticas pela doutrina. da tradicional responsabilidade assente na culpa passa-se a presunção geral desta e conclui-se com a imposição de uma responsabilidade legal. São Paulo : Revista dos Tribunais. como refere Antônio Herman de Vasconcellos e Benjamin (In: Da qualidade de produtos e serviços. Luiz Gastão Paes de Barros Leães. Direito das Obrigações. In: Comentários ao Código de Proteção ao Consumidor. que o legislador tivesse se utilizado. Rio de Janeiro : Forense. 984). Contratos no Código de Defesa do Consumidor: o novo regime das relações contratuais.

(. em seu art. rev. 393. equipara o caso fortuito à força maior: "Art. parágrafo único.. 30 29 . Curso de direito civil: direito das obrigações: 1. cujos efeitos não era possível evitar ou impedir. 393. 3. aum. 1971. p.144 fato do produto. ed.) Parágrafo único. São Paulo : Saraiva. 1987. O caso fortuito ou de força maior verifica-se no fato necessário. p. 364-365.. O Código Civil brasileiro. 7." Washington de Barros Monteiro. São Paulo : Saraiva.ª parte.

. a análise dos institutos jurídicos da prescrição e da decadência no que se refere ao Direito do Consumidor. 26 e 27 da Lei 8. o Código de Proteção e Defesa do Consumidor.145 A prescrição e a decadência no Código de Defesa do Consumidor Autor: Osmir Antonio Globekner Visa. tendo por base a previsão normativa do art. o presente trabalho.078/90.

Obstam a decadência: I .Inicia-se a contagem do prazo decadencial a partir da entrega efetiva do produto ou do término da execução dos serviços.(Vetado. o prazo decadencial inicia-se no momento em que ficar evidenciado o defeito. Tais institutos.a reclamação comprovadamente formulada pelo consumidor perante o fornecedor de produtos e serviços até a resposta negativa correspondente.a instauração de inquérito civil. II .O direito de reclamar pelos vícios aparentes ou de fácil constatação caduca em: I .90 (noventa) dias. §1º . tratando-se de fornecimento de serviço e de produto não duráveis. comportam regras específicas.) III .Prescreve em 5 (cinco) anos a pretensão à reparação pelos danos causados por fato do produto ou do serviço prevista na Seção II deste Capítulo. no entanto. até seu encerramento. 27 . arts. SEÇÃO DA DECADÊNCIA E DA PRESCRIÇÃO IV Art. a depender do campo específico do Direito em que se pretende sejam aplicadas. Assim ocorre que no Código de Proteção e Defesa do Consumidor. tratando-se de fornecimento de serviço e de produto duráveis. que deve ser transmitida de forma inequívoca. §3º .) 2.(Vetado. Iniciemos com a transcrição dos artigos sob estudo.146 1. possuem sua disciplina geral disposta no Código Civil. 26 . Parágrafo único . Introdução As normas referentes à prescrição e decadência.30 (trinta) dias. temos a disciplina dos mesmos no que tange à relação de consumo. Art. II .Tratando-se de vício oculto. §2º . 161 a 179. A Relevância Jurídica do Decurso do Tempo: . iniciando-se a contagem do prazo a partir do conhecimento do dano e de sua autoria.

cujo implemento vem a constituir o fato jurídico. 1. mas sim a pretensão à reparação.") e da prescrição no art. aliado a inatividade do seu titular constitui fato jurisformizado pelo direito com vistas à estabilidade e segurança das relações jurídicas. inalteráveis pela vontade das partes. Prazos para Reclamar e Pretender a Reparação de Danos Prazo é o lapso de tempo. Rio de Janeiro. ante o fornecedor. período fixado na lei entre o termo inicial (dies a quo) e o termo final (dies ad quem). mas que tenha sofrido algum obstáculo. Constitui fato jurídico ordinário. e atual. . portanto. Freitas Bastos.. Tratou da decadência no art. 1989). ao passo que a prescrição atinge a pretensão de deduzir em juízo o direito de ressarcir-se dos prejuízos oriundos do fato do produto ou do serviço. Rio de Janeiro. "o que se perde com a prescrição é o direito subjetivo de deduzir a pretensão em juízo. os principais institutos dessa esta forma extintiva de operar o decurso temporal. Editora Forense. neste particular. Segundo Serpa Lopes (Curso de Direito Civil. constitui causa aquisitiva ou extintiva de direitos. fiquemos com algumas. Ed. Convém salientar que os prazos decadenciais e prescricionais do CDC são de ordem pública e. in casu. a prescrição requer um direito já exercido pelo titular. O Direito caduca.147 O Fluir do tempo gera efeitos jurídicos relevantes para o direito. a pretensão") 4.. uma vez que a prescrição atinge a ação e não o direito.. No aspecto extintivo.. 26 ("O direito . No entanto. teremos a base da decadência e prescrição. A decadência supõe um direito em potência. No caso específico do CDC. A decadência afeta o direito de reclamar. dando origem à violação daquele direito.. caduca.. a pretensão prescreve. já que a doutrina. Decadência e Prescrição Poderíamos citar um diverso número de características peculiares a cada instituto." O CDC separou as duas realidades. rev.. extintivo de direito. 3. 27 ("Prescreve . vol. decadencial ou prescricional. Neste sentido. de maior interesse no que adiante vamos discutir. e também inúmeras distinções entre um e outro. a prescrição afeta a pretensão à reparação pelos danos causados pelo fato do produto ou do serviço. 1996). é abundante. quanto ao defeito do produto ou serviço. 7ª ed.. temos a "pretensão liberatória" no dizer de Orlando Gomes ("Introdução ao Direito Civil"12ª ed. A prescrição não fere o direito em si mesmo. a decadência atinge o direito de reclamar. O fluir do tempo.

Analisaremos adiante o conceito de "entrega efetiva". Produtos e Serviços Duráveis e Não Duráveis: O critério aqui utilizado para assinalar diferentes prazos decadenciais é mais consentâneo com o Direito do Consumidor do que o critério da mobilidade utilizado pelo CC (móvel. ocorre uma sensível ampliação em relação ao prazo para reclamar dos vícios redibitórios na forma como disciplinado pelo CC. e pelo Código Comercial. art. imóvel 6 meses. A Classificação difere da do CC. também adiante. art.2. o qual estabelece o prazo de 15 dias no art. II) Aqui. Não durável é aquele cujo uso ou consumo importa imediata destruição da sua própria substância. (art. Aqui durável guarda certa analogia com consumível (art.. serviços que persistem após sua execução. O tratamento também é diverso no que se refere ao dies a quo. I) •90 dias: na mesma hipótese para serviços e produtos duráveis. 178. 10 dias. ou término da execução dos serviços. objetivando seja sanado o vício. veremos. Serviço não durável é aquele que se extingue com sua própria execução (Ex. § 2º. ao passo que no Código Civil e Comercial o prazo se inicia com a mera tradição. CC). bens (produto ou serviço) se exaurem no primeiro uso ou em pouco tempo. como é o caso do CDC. 178. 51. 5. cujo consumo não importa destruição. 26.1.148 Há prazos gerais fixados no Código Civil e prazos especiais fixados nesse mesmo Código e na legislação extravagante em relação a ele. Entrega Efetiva A tradição efetiva se opera no momento em que o consumidor tenha recebido o produto e tenha condições de verificar a ocorrência do possível vício. junto ao fornecedor ou ao Poder Judiciário. serviço de limpeza).. Vejamos: O início da contagem do prazo decadencial se dá com a entrega efetiva do produto. (art. § 5º. 5. Suas Especificidades O CDC nos apresenta alguns prazos. 15 dias art. IV). 178. 26. Ao passo que duráveis são aqueles produtos. Prazos Decadenciais no CDC. . como. 5. O prazo decadencial que estudamos é o prazo para que o consumidor reclame. como: •30 dias: para reclamar de vícios aparentes e de fácil constatação no fornecimento de serviços e produtos não duráveis. § 2º. 211.

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Pode ainda restar dubiedade neste termo, no caso, por exemplo, do preposto receber na residência do consumidor impossibilitado de fazê-lo pessoalmente e só posteriormente ao decurso do prazo decadencial venha efetivamente receber o produto. São entretanto, casos para que a doutrina e a jurisprudência no caso concreto, possa deslindar. Para nós importa compreender a mens legis, do dispositivo legal, ao utilizar a expressão "entrega efetiva", a qual parece-nos ser a de fornecer o contraponto entre a possibilidade do consumidor constatar o vício eventualmente existente versus a passividade do consumidor, sua inércia frente à constatação do vício. Uma ou outra hipótese só fica perfeitamente delineada, na prática, analisando-se o caso concreto. 5.3 Vício Vícios de qualidade são aquelas características que tornam o produto ou serviço impróprios ou inadequados ao consumo a que se destinam, ou lhes diminuem o valor. Também constitui vício a disparidade entre produto e as indicações do recipiente, embalagem, mensagem publicitária ou do que deles normalmente se espera. Não esqueçamos que o vício de quantidade, via de regra mais facilmente constatável, também enseja a reclamação. 5.4. Vício Aparente É o vício visível, perceptível sem maior dificuldade, assimilável pela percepção exterior do produto ou serviço, aquele em que o consumidor não encontra obstáculos em reconhecer. Não requer teste. Deve se ter em conta no caso concreto o grau de conhecimento do consumidor, ou da possibilidade de verificação de que o mesmo dispõe. 5.5. Vício Oculto É o vício que não oferece facilidade de constatação. Pode ser o defeito que está, quando da aquisição do produto ou execução do serviço, em germe, em potência, e vem a se manifestar posteriormente. Não basta ser de fácil evidenciação o efeito do vício, mas sim o vício em si, isto é, é necessário ser fácil a identificação do vício como a causa sensível de seus efeitos. Por exemplo, não basta que seja fácil a identificação de um odor estranho de dado produto, é necessário que seja facilmente assimilável a relação de causa e efeito, isto é, o odor, como o fato do produto encontrar-se estragado. O prazo decadencial se inicia quando da evidenciação do defeito. Defeito aparentemente sanado pelo fornecedor, equivale a ter o vício ficado novamente oculto, "sustando" o prazo decadencial até o momento em que venha novamente a se

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manifestar. Para operacionalizar o acima exposto há a necessidade de se estabelecer uma presunção da anterioridade do vício nos produtos ou serviços novos. Nesse caso, a probalidade física favorece a presunção, um produto novo implica em menor oportunidade de que o defeito decorra de sua utilização anormal. Esta presunção funciona "a moda" de uma específica inversão do ônus da prova. Cabe ao fornecedor provar que o vício não estava presente ou ínsito ao produto ou serviço, quando do fornecimento ao consumidor. A reclamação efetuada quanto a um dos fornecedores é plenamente válida para os demais responsáveis. Este é um dos efeitos da solidariedade de acordo com o art. 176, § 1º, CC, solidariedade esta, legal, por decorrer do art. 25, § 1º, CDC. 5.6. Óbices à Decadência De acordo com o CDC, obstam a decadência: A reclamação comprovadamente formulada. (da qual se tenha prova), até resposta negativa correspondente, a ser transmitida de forma inequívoca. Instauração de Inquérito Civil até seu encerramento. Caso 1: A decadência é obstada, no primeiro caso, desde a data da entrega da reclamação, comprovada mediante recibo, cartório de títulos e documentos, ou mesmo judicialmente. Volta a seguir desde o dia seguinte ao da entrega da resposta negativa transmitida de forma inequívoca. Negado o vício, resta ao consumidor, no prazo decadencial, ir a juízo propor a ação condenatória para que o fornecedor satisfaça as obrigações decorrentes do vício (art. 18), podendo ser o pedido cumulado com o de indenização, se houve dano. "O prazo é de trinta dias para reclamar e não para ajuizar a ação. Isto é, não se exige que o consumidor, impreterivelmente, proponha a ação cabível em trinta dias ..." (Antônio Herman de Vasconcelos e Benjamin in Comentário ao Código de Proteção do Consumidor, coordenação de Juarez de Oliveira, Ed. Saraiva, 1991) No caso da reclamação judicial, passam a concorrer as regras processuais que disciplinam a matéria. Proposta a ação, o despacho que ordenar a citação impede que se consume a decadência, sendo a citação realizada no prazo estabelecido no art. 219 do CPC, que se refere à prescrição, mas é válido para a decadência à luz do art. 220. A decadência,

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em regra, não se interrompe, nem se suspende, portanto, extinto o processo, sem julgamento de mérito e já tendo escoado o prazo legal de decadência, o consumidor não poderá se valer da reclamação ou de ação que lhe seja correspondente. Este é, ao menos, um dos entendimentos sobre o assunto. Note que, se a resposta do fornecedor não negou o vício, a decadência continua obstada, de forma que se não houver sanação, o consumidor continuará com direito de recorrer a outras instâncias, sem que haja perecimento do mesmo pela decadência. Caso 2: Instauração de Inquérito Civil até seu encerramento: A decadência fica obstada a contar do dia da instauração do inquérito e persiste assim até o dia do seu encerramento, inclusive, voltando a contar do dia seguinte ao mesmo. O objetivo do Inquérito Civil, como de qualquer inquérito, é o de servir como instrumento legal para obtenção de dados, clarear um fato, determinar se um direito foi ofendido e em que grau ou extensão, qual o ofensor, etc. Natural, portanto, que suspenda a decadência, pois que os resultados advindos do inquérito, poderão servir ao consumidor subsídios para deduzir sua pretensão específica, em juízo. 6. O Debate Doutrinário sobre a Interrupção ou Suspensão da Decadência O Brasil, de acordo com Serpa Lopes (Curso de Direito Civil, vol. 1, 7ª ed. rev. e atual., Ed. Freitas Bastos, Rio de Janeiro, 1989), seguindo tradicionalmente a orientação francesa e italiana, só admitia a interrupção aos prazos prescricionais, negando-a aos prazos decadenciais. O que podemos entender, então, pela expressão "obsta a decadência" inserta no art. 26 § 2º ? Interrupção, suspensão, Impedimento ao fluir... ? Vejamos algumas posições na doutrina: Luiz Edson Fachin (Da prescrição e da decadência no Código do Consumidor, Revista da Procuradoria Geral do Estado- RPGE, Fortaleza, 10(12): 2940, 1993) apesar de admitir que a "obstação", possa constituir uma realidade apartada do Código Civil, e que, sendo especial, sui generis, não requer mais explicações, defende, no entanto, a tese de que se trata de causa interruptiva da decadência, ainda que em descompasso com a sistemática geralmente aceita. Assim postula observando que as hipótese dos incisos I e III sob análise não se fundam no status da pessoa nem na situação especial dos sujeitos envolvidos. "... a reclamação comprovadamente formulada e a instauração do inquérito civil paralisam temporariamente o curso da decadência. Superado o fato interruptivo, quer pela resposta negativa, quer pelo

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encerramento do inquérito, o prazo flui novamente, mas é inutilizado por completo o lapso de tempo já iniciado. O prazo recomeça a contar." (grifo nosso) Zelmo Denari (Código de Defesa do Consumidor, comentado pelos autores do Anteprojeto, Forense Universitária, São Paulo, 1991), considerando as expressões "até a resposta negativa", "até seu encerramento", pondera: "Resta saber se esses dois eventos (reclamação e inquérito civil), que o Código qualifica como obstativos da decadência, têm efeitos suspensivos ou interruptivos do seu curso. ... parece intuitivo que o propósito do legislador não foi interromper, mas suspender o curso decadencial. Do contrário, não teria estabelecido um hiato, com previsão de um termo final (dies ad quem) mas, simplesmente, um ato interruptivo." Não obstante, e dada, máxima venia, não conseguimos atinar com a relação de causa e efeito entre o fato de haver previsão de um hiato e a conclusão de ser o prazo suspensivo. O dies ad quem, esta simplesmente a indicar o momento em que volta a correr a decadência anteriormente interrompida ou suspensa, não podendo-se desse fato apenas se concluir por um ou outro caso. A explicação, a nosso entender mais convincente é a de William Santos Ferreira (Prescrição e Decadência no Código de Defesa do Consumidor, Revista de Direito do Consumidor, n 10, p 77 a 96, abril/junho, 1994), para quem efetuada a reclamação, "não há mais que falar em transcurso de prazo (suspensão ou interrupção), não é necessário tratar-se do prazo, o direito foi exercido." Cita Câmara Leal "A decadência tem um curso fatal, não se suspendendo, nem se interrompendo, pelas causas suspensivas ou interruptivas da prescrição, só podendo ser obstada a sua consumação pelo efetivo exercício do direito ou da ação, quando esta constitui o meio pelo qual deve ser exercitado o direito." O que ocorre no CDC (e isso justifica o que Ferreira chama de "dies a quo", "até resposta negativa..." e "até seu encerramento" §2º, I e III), é que o CDC reconheceu duas formas de exercício: extrajudicial e judicial do direito de reclamar. Sendo que a segunda forma de exercê-lo, se não exercido antes, inicia-se nos termos supra-citados. Verificados tais termos, novo prazo decadencial se inicia, agora, através da exteriorização da pretensão por uma ação judicial. Releva a discussão acima exposta, inclusive pelas conseqüências práticas que decorrerão forçosamente de um e outro entendimento. Ao consideramos a suspensão ou interrupção ou ao admitirmos dois direitos sujeitos a distintos prazos decadenciais, resultará, obviamente, em lapso maior ou menor de tempo para que o consumidor exerça seu direito, resultará em maior ou menor oportunidade de fazer respeitar estes mesmos direitos. A última, a de William Santos Ferreira, parece-nos ser a explicação mais consentânea, ainda que não de todo convincente, face aos termos utilizados na redação do dispositivo legal. Além de mais consentânea, vem a ser a que melhor protege o consumidor, portanto, a que mais se afina com o princípio da

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hipossuficiência do consumidor, princípio que norteia todo o código. 7. Prazos Prescricionais no CDC Os prazos prescricionais referem-se à pretensão à reparação pelos danos causados por fato do produto ou do serviço prevista no mesmo CDC. Esclarece Arruda Alvim (Código Do Consumidor Comentado; 2. ED. rev. e ampl.; Revista dos Tribunais; 1995): "O objeto da reclamação é substancialmente diferente do pedido de reparação de danos." A reclamação é exclusiva do vício, a reparação se prende as perdas e danos, fato do produto ou do serviço. Fato do produto é todo e qualquer dano, podendo este ser oriundo de um vício, que, por sua vez traz em si, intrínseco, uma potencialidade para produzir dano. Assim, caso o vício não cause dano, correrá para o consumidor o prazo decadencial, para que proceda a reclamação, vindo a causar dano (hipóteses do art. 12), deve se ter em mente o prazo qüinqüenal, sempre que se quiser pleitear indenização. A posição de alguns doutrinadores estudados é no sentido de que se o consumidor tiver sido prejudicado, poderá haver perdas e danos (além da reclamação pelo vício) e estas, apesar de originadas no próprio vício do produto ou do serviço, não necessitam integrar a reclamação, ficando sujeitas o prazo prescricional fixado, em lei para estas, pois se constituem as perdas e os danos, em sentido lato, o fato do produto ou serviço, abrangendo o que o consumidor perdeu e o que deixou de ganhar em razão do vício Arruda Alvim (Código Do Consumidor Comentado; 2. ED. rev. e ampl.; Revista dos Tribunais; 1995) esclarece, no entanto, que: não há diferença entre os danos advindos de vício do produto e o fato do produto. A interpretação diversa, ainda segundo ele, levaria a entender que a indenização pelo vício, restaria à margem das leis de consumo, e que sua prescrição se regeria pelo direito comum (15 dias CC, 10 dias Ccom havendo rescisão, ou 20 por ação pessoal, no caso de não se dar a rescisão contratual). Continua: "O vício do produto ou do serviço e sua sanação recebe um tratamento jurídico que não é dispensado ao dano; este importa em fato do produto ou do serviço. Nada obsta a que um produto ou serviço seja viciado e que, este vício ocasione prejuízo, devendo este ser considerado como fato." Entendemos a propósito dessa discussão que fazer esta distinção entre fato do produto ou serviço e dano decorrente do vício é supérflua até mesmo para negá-la. Qualquer perda ou dano implica em fato do produto ou do serviço, que vem a ser precisamente o dano resultante do vício. William Santos Ferreira (Prescrição e Decadência no Código de Defesa do Consumidor, Revista de Direito do Consumidor, n 10, p 77 a 96, abril/junho, 1994), faz observação relevante ao observar que quando falamos do direito à incolumidade

Quanto à identificação do autor. Nada impede que o consumidor descobrindo demais fornecedores. 7. Suspensivas e Interruptivas O parágrafo único prevendo interrupção foi vetado. que correrá novamente apenas da intimação da sentença condenatória.1. Causas Impeditivas. A propositura de ação contra um não libera os demais. produtor ou importador. enseja ação e enseja também a prescrição decorrente. venha ajuizar ação já que só a contar deste conhecimento individualizado terá início o prazo prescricional. Conclusão Pudemos verificar que o Código De Proteção e Defesa do Consumidor. 172 e ss. 7. matéria disciplinada pelo Código no art. 8. bem como quando o fato se deve exclusivamente ao comerciante. Temos então que a prescrição tem início com o nascimento da pretensão. não é conhecimento do dano. necessário que o consumidor tenha consciência de que aquilo que observa é. estabelece regras também especiais no que tange aos . construtor. 13. um dano. ao haver o dano. Danos Reparáveis Os danos aos quais a pretensão se dirige a reparar atém-se a regulação jurídica da responsabilidade objetiva pelo fato do produto ou do serviço. fonte subsidiária do Direito do Consumidor. Termo Inicial A partir do momento do conhecimento do dano ou de sua autoria. este implica em direito resistido. 12 e ss. Inexistindo informação sobre fabricante. a partir do momento em que se conheça o dano e possa-se relacioná-lo com o defeito do produto ou do serviço. 7. No ajuizamento de ações coletivas: a citação válida interrompe a prescrição. segurança. será diretamente responsável nos casos previstos no art. o comerciante é responsável subsidiário. Regerá portanto a matéria a disciplina do art. constituindo diploma especial. esta interrupção aproveita ao consumidor individualmente no ajuizamento da ação singular. do Código Civil.2. Isto é. Liberação que só ocorre se houver o pagamento integral.3. Poderá o consumidor demandar um ou mais dentre os responsáveis (solidariedade legal). Da lesão ou violação de um direito faz nascer a ação. de fato. Ora. Conhecimento dos efeitos do dano. já que tal ilação pode não ser imediata em todos os casos.154 física-psíquica do consumidor falamos de direito não sujeito à decadência. saúde nunca deixaram de existir. o direito a vida.

FACHIN. No segundo caso. Da prescrição e da decadência no Código do Consumidor. sob este ângulo devem ser interpretadas. William Santos. e conseqüente forma de aplicação. cremos que interpretamos a lei da forma. Revista da Procuradoria Geral do Estado. se o derivado do vício ou o derivado do fato do produto ou serviço. Forense Universitária. e conforme exposto neste trabalho nos itens 6 e 7. pelo menos em dois pontos principais. pelo tão só fato de ter sido exercitado. 1993 FERREIRA. Pudemos verificar que existe alguma controvérsia doutrinária. ED. 1991. Todas elas partindo do pressuposto fundamental da hipossuficiência do Consumidor nesta classe de relações.155 institutos da Decadência. inserta no parágrafo segundo do artigo 26 do CDC. Código de Defesa do Consumidor. outro. Tais regras são atinentes aos prazos. resultará em fato do produto ou serviço. hipóteses de interrupção e suspensão. versa sobre como deve ser entendido o dano sujeito à disciplina do CDC e por via de conseqüência. Um exercitável extrajudicialmente. Fortaleza. a favor da identificação de dois direitos exercitáveis pelo consumidor.. da "obstação" da decadência. e ampl. A cada direito corresponde um dies a quo para o prazo decadencial. Zelmo. Prescrição quando aplicados às relações de consumo. mais dilatados. sujeito ao prazo prescricional do art. comentado pelos autores do Anteprojeto. todo e qualquer dano que decorra do produto ou serviço. 27. São Paulo. quanto a natureza jurídica. após exercitado. oriundo ou não do vício. A segunda polêmica. inclusive no que concerne à responsabilidade objetiva. 1995 DENARI. et al. Com base nos autores estudados. judicialmente. rev. e também jurisprudencial. nos posicionamos pela não distinção entre um e outro dano. Luiz Edson. Código Do Consumidor Comentado. ao termo inicial e ao termo final. etc. nos posicionamos. Arruda. 10(12): 2940.RPGE. considerando todos abraçados em uma mesma hipótese. Cada um. qual seja. Prescrição e Decadência no Código de Defesa .. quando da ocorrência do vício. BIBLIOGRAFIA ALVIM. Em assim fazendo. impede se volte a falar em decadência. sujeitando-se às regras do CDC. 2. Revista dos Tribunais. sistematicamente mais lógica e teleologicamente mais adequada ao espírito que preside o Código Protetivo. no primeiro caso. Primeiro. Portanto.

e atual. Orlando. Introdução ao Direito Civil. 1996. p 77 a 96. rev. Freitas Bastos. vol. Curso de Direito Civil. Miguel Maria de Serpa. 12ª ed. 1989. Ed. Rio de Janeiro. VASCONCELOS E BENJAMIN Antônio Herman de. Rio de Janeiro..156 do Consumidor. 1. LOPES. Revista de Direito do Consumidor. Saraiva. Editora Forense. n 10. Comentário ao Código de Proteção do Consumidor. coordenação de Juarez de Oliveira. GOMES. 1991 . 7ª ed. abril/junho. Ed. 1994..

157 Desconsideração da pessoa jurídica no Código de Defesa do Consumidor Autor: Osmir Antonio Globekner 1 .INTRODUÇÃO Visa o presente trabalho a discussão do instituto da Desconsideração da .

a exigirem conjugação de esforços. Por razões de política econômica. A limitação da responsabilidade dos sócios como instrumento de viabilização de empreendimentos. por exemplo. presente trabalho.A PESSOA JURÍDICA. os sócios. em hipóteses restritas. gostaríamos. etc. a pessoa jurídica somente pode ser entendida sob o prisma de uma instrumentalidade jurídico – formal para a consecução de interesses e fins aceitos e valorizados pela ordem jurídica. a personalização representa instrumento legítimo de destaque patrimonial para a exploração de certos fins econômicos. de. sabe que a responsabilidade dos sócios se limita ao capital subscrito. econômico ou ainda patrimonial do tema. Senão vejamos: O patrimônio da pessoa jurídica é através da ação ou quota de capital. entretanto. além de geralmente impor a espécie societária. de transforma-la em ente totalmente alheio às pessoas dos sócios. o condão . é o caso. Dado que o destaque patrimonial seja a principal característica nas sociedades comerciais. Sob esse prisma. No direito moderno. do aprofundamento sobre a questão da sua natureza jurídica. A necessidade técnica dos grandes empreendimentos. e se nos ativermos ao aspecto comercial. de modo que o patrimônio titulado pela pessoa jurídica responda pelas obrigações sociais. Lei 8078/90. exigindo garantias adicionais.. Situações há em que a constituição de pessoa jurídica é imperativo legal. só se chamando à responsabilidade.. Por outro lado. SEU CARÁTER INSTRUMENTAL Abstraindo-nos no. de seguros. o lado credor que contrata com tais sociedades.158 Pessoa Jurídica no que tange à sua aplicação ao Direito do Consumidor. 2 . tendo por base a previsão legal insculpida no artigo 28 do Código de Proteção e Defesa do Consumidor. daí poderem se precaver. Cooperação que a ordem jurídica jurisformiza através da personalização. a autonomia da pessoa jurídica não tem. poderíamos alinhar alguns desses fins colimados e aceitos pela ordem jurídica: Conveniência ou viabilização de empreendimento econômico. por exemplo da atividade financeira. há certas atividades que a lei só autoriza às pessoas jurídicas. necessidade de elevados investimentos. expressão . fazermos menção ao elemento teleológico do instituto da personalização de entes abstratos. Consoante tal linha de raciocínio. preliminarmente. no entanto.

RELATIVIDADE DA AUTONOMIA DA PESSOA JURÍDICA O caráter de instrumentalidade implica em que a validade do instituto fique condicionada ao pressuposto do cumprimento ou do atingimento do fim jurídico a que este se destina. defraudando-o. sem que se destrua sua validade. e sua vontade é. não obstante o balizamento dos estatutos e dos órgãos de administração neles previstos. em grande medida. temos então o desvio de função. Na aplicação da desconsideração da pessoa jurídica. . ocorre. ao aplicá-la. porém. que adiante estudaremos. p. não representando abuso. A desconsideração da pessoa jurídica. sua autonomia em relação as pessoas dos sócios é relativa. A vontade da pessoa jurídica é. de forma a que. quanto a proteção dos demais sócios. ou deixar de aplicá-la. 96). 3 . seu patrimônio a eles pertence.159 também do patrimônio dos sócios. contornando-a de forma a manter íntegro os valores que inspiraram sua criação. podemos afirmar: a pessoa jurídica exerce uma função legítima. terceiros que com ela se relacionem ou que de qualquer forma sofram os efeitos de seu atuar. fique condicionada a que não se desvie a pessoa jurídica desse mesmo fim. que a solução dada fere valores que o sistema jurídico tutela. Em síntese. pois o direito posto fornece a solução em seus estritos termos. Ocorrendo a incompatibilidade entre o comportamento da pessoa jurídica e os valores que informam a ordem jurídica. é o instituto que se encaixa como uma luva a construção teórica acima mencionada. Há situações em que a utilização da pessoa jurídica é feita ao arrepio dos fins para o qual o direito albergou o instituto. se visará tanto a proteção da própria pessoa jurídica da ação de seus sócios gerentes. descrita como a situação em que não há propriamente lacuna da lei. trata-se da "Lacuna Axiológica". fazê-lo. Visa tal instituto à suplantação da barreira legal imposta pela instituição da pessoa jurídica. pois indiretamente. a limitação de responsabilidade que propicia. fortemente direcionada. isto é. no aspecto axiológico. pela vontade deles. Contudo. Podemos aqui invocar a construção de Tércio Sampaio Ferraz Junior e Maria Helena Diniz. citada por Marçal Justen Filho (in "Desconsideração da Personalidade Societária no Direito Brasileiro". Quando o reconhecimento da autonomia leva à negação de ideais de justiça ou à frustração de valores por ela albergados. se possa evitar seja a mesma utilizada para fins abusivos. O problema que então se apresenta em relação à lei é o de integrá-la. o reflexo da vontade de seus sócios.

ou relativizar a autonomia da pessoa jurídica.595/64. e nisto protegendo o própria existência da pessoa jurídica. ainda em uma preliminar. solidária ou subsidiária de terceiros. responsabiliza civil e criminalmente diretores e gerentes de pessoas jurídicas pelos abusos caracterizados na supradita lei. 242). como. etc. dispõe de forma semelhante. § 2º) A Lei das Sociedades Anônimas (Lei 6404/76). Antes de adentrarmos no assunto específico da desconsideração. mencionando alguns mecanismos legais. restringi-la. Também a Lei. o próprio direito pode cercear os possíveis abusos. como o direito posto trata do assunto. 2º.MECANISMOS LEGAIS DE CORREÇÃO DOS DESVIOS DE FUNÇÃO DA PESSOA JURÍDICA Assim como o direito reconhece a autonomia da pessoa jurídica e a conseqüente limitação da responsabilidade dos sócios. para evitar prejuízos aos sócios minoritários. 4 . contempla situações de responsabilidade pessoal. devemos. deixa expresso ora a responsabilidade solidária. veda determinadas operações com seus administradores e pessoas jurídicas de cujo capital estes participem. restringindo a autonomia de um lado e a limitação de outro. sem deixar de reconhecer a autonomia.160 E mais do que o acima exposto. ora a responsabilidade subsidiária. 233. (arts. . A teoria ou doutrina da desconsideração assegura a finalidade da pessoa jurídica ao tempo em que protege os demais. temos a responsabilidade solidária das sociedades integrantes de um conglomerado econômico (art. no entanto.492/86 no art. Vejamos. pois determina a ineficácia episódica de seu ato constitutivo. excepcioná-la e condiciona-la. art. enfim. A Lei do Sistema Financeiro (Lei 4. em seu art. a desconsideração destina-se ao aperfeiçoamento do próprio instituto da personalização. 17. ao mercado imobiliário. 7. Pode o direito limitá-la. 34). A Lei de Repressão ao Abuso do Poder Econômico (Lei 4. dos prejuízos decorrentes da utilização dervirtuadora de seus fins. 6º..137/62). preservando a validade e existência de todos os demais atos que não se relacionam com o desvio de finalidade. 115 a 117. ora a responsabilidade pessoal de terceiros: Na CLT. analisar os instrumentos que o direito posto oferece para limitar. pode regular seu exercício..

161 No Código Tributário Nacional o abuso do representante legal induz a responsabilidade pessoal (art..626/33). no artigo 13. os que tiverem qualidade para representá-la" Além das restrições legais ao princípio da autonomia da pessoa jurídica. ou vice-versa. A Desconsideração independe do tipo de estrutura societária e de suas regras particulares de responsabilização patrimonial. Trata-se que a solução equânime. Não há que confundir hipóteses legais de responsabilidade dos sócios ou administradores com a desconsideração da personalidade jurídica. o objetivo de preservação da boa fé. II. também trata da responsabilidade penal: "Serão responsáveis como coautores .. nem lacuna axiológica. vedações de não fazer às pessoas contratantes. A lei prevê as conseqüências jurídicas. vedações à pessoa jurídica. cumprindo-se o fim ou valor juridicamente tutelado. de modo permanente ou eventual. São distintas umas das outras. há também as limitações oriundas das obrigações convencionais. embora relacionadas no elemento teleológico. diferentes fundamentos e ." A Lei de usura (Decreto.. O art. 134). que se estendam a pessoas físicas a ela relacionadas. 135) e a responsabilidade subsidiária (art. fora dos limites impostos à sociedade pela cláusula do objeto social. a teoria da aparência. em comum. Posto isto. sem necessidade de desconsideração. Possuem tais teorias ou doutrinas. passemos a conceituação do que podemos entender como Desconsideração da Pessoa Jurídica. porque. . quando estendidas também as pessoas jurídicas de que elas participem. 22. Não há nenhuma forma jurídica que deva ser desprezada pelo juiz. tenham praticado ou concorrido para a prática da sonegação fiscal. Não é preciso desconsiderar a pessoa jurídica. parágrafo único. Nas situações acima não se cogita da desconsideração da pessoa jurídica. 6º da Lei da Sonegação Fiscal (Lei 4. por exemplo. nulos os atos praticados ultra vires. mesmo considerada. a responsabilidade do sócio emerge por força do preceito legal. O Direito fornece o meio legal que previne o abuso ou a fraude. em se tratando de pessoa jurídica. A teoria do ultra vires. Não há lacuna jurídica. direta ou indiretamente ligados à mesma. 133. são teorias que tangenciam o instituto da desconsideração. isto é. a doutrina dos atos próprios.729/65) trata da responsabilização penal de "todos os que. justa. axiologicamente adequada corresponde ao ditame do preceito legal ou à convenção das partes.

162 5 . previsto em lei. albergado pelo Direito. Afasta a regra geral não por inexistir determinação legal. Estados Unidos e Inglaterra. a obtenção de um regime jurídico distinto do preconizado no direito posto. no dizer de Luciano Amaro (in "Desconsideração da pessoa jurídica no Código de Defesa do Consumidor". p. . manobrado à consecução de fins fraudulentos ou ilegítimos. a personificação societária.. sistematicamente considerado. de construção pretoriana) de solução de desvios de função da pessoa jurídica. ficando esta em segundo plano. para a pratica de certos atos. 21). p. e a importância da pessoa do sócio sobressai em relação à da sociedade. abre-se a oportunidade para a desconsideração.". Isto porque o problema da personificação. Resulta a aplicação de tal técnica da ocorrência de situações concretas em que prestigiar a autonomia e a limitação de responsabilidade implicaria sacrificar interesse legítimo. seriam imputadas à sociedade ou ao sócio respectivamente. sintetizando a doutrina dominante: "A desconsideração da pessoa jurídica significa tornar ineficaz. se não fosse a superação... a solução decorrente da aplicação do preceito legal expresso.. sob pena de alteração da escala de valores. "Sintomaticamente tal solução se desenvolveu nos países de Direito não escrito (common law). Domingos Afonso Kriger Filho (in "Aspectos da Desconsideração da Personalidade Societária na Lei do Consumidor". para o caso concreto. um certo raciocínio que afasta a incidência das regras gerais aplicáveis a matéria. p. Desta forma quando o interesse ameaçado é valorado pelo ordenamento jurídico como mais desejável ou menos sacrificável do que o interesse colimado através da personificação societária. Trata-se de aplicar em casos concretos. atos societários são declarados ineficazes. resultaria indesejável ou pernicioso aos olhos da sociedade. portanto.. Seria injusta.A DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA É. atribuindo-se ao sócio ou sociedade condutas que. Há situações em que a pessoa jurídica deixou de ser sujeito e passou a ser mero objeto. não encontra resposta satisfatória no sistema positivo do direito." (Luciano Amaro in "Desconsideração da Pessoa Jurídica no Código de Defesa do Consumidor". Através da Desconsideração. 75). em tais casos. por sua especialidade. 74) : ". uma técnica casuística (e. mas porque a subsunção do concreto ao abstrato." De forma que podemos dizer que o instituto visa.

o direito oferece remédios análogos a desconsideração. ao menos nos princípios que a informam. Nos setores onde vige a reserva absoluta da lei. na Inglaterra. A desconsideração é um conceito ligado ao funcionamento da pessoa jurídica. na Itália. dentro de uma visão sistemática e fundamentalmente teleológica do Direito. superação da personalidade jurídica. desconsideração da entidade legal. Desta forma. Levantamento. Ainda nos demais setores. fraude. O cabimento da desconsideração envolve sempre algo de ideológico e. por muito tempo. Cabe falar da desconsideração quando não haja uma solução legislada específica para os eventuais desvios de função da pessoa jurídica. para estes. quando de sua aplicação. Nada correspondendo aos assuntos da validade de constituição. para destacar ou alcançar diretamente a pessoa do sócio. numa formulação abrangente. de vez que haverá sempre. a implantação da solução encontrou resistência nos países da tradição do direito escrito. estrutura. disregard of legal entity. tal fato deixa pouca margem para definições apriorísticas de casos. lifting the corporate veil. Superação. algo de axiológico. por exemplo. recebendo diferentes designações. levantamento do véu corporativo. também. a solução jurisprudencial da desconsideração deve buscar apoio. penetração da pessoa jurídica . nulidade. na Alemanha. em relação a um ato concreto e específico. que ainda podemos conceituar em palavras diversas como: o afastamento momentâneo da personalidade jurídica da sociedade. se não na letra expressa da lei. na Argentina. como: Desconsideração. durghgriff der juristischen Person. podemos sintetizar enumerando os elementos que compõem a figura da desconsideração da pessoa jurídica: Ignorância dos efeitos da personificação. no direito Norte Americano. no setor tributário. associados a defeitos tais como simulação. se desenvolveu ao redor do mundo. certamente. superamento della personalitá giuridica. onde cabível. Intenção de evitar o perecimento do interesse legitimo. não há lugar para a desconsideração. Ignorância para o caso concreto e período determinado. responsabilizando-o como se a sociedade não existisse. Manutenção da validade dos demais atos jurídicos praticados. teoría de la penatración. entre eles o Brasil. Dificuldade mais séria nos países de direito escrito. O instituto. A grande dificuldade está em construir um modelo teórico que possa enfeixar. Penetração. . as várias situações em que essa técnica possa ou deva ser aplicada. mas que não devem ser confundidos com a mesma. legalidade dos atos.163 Sintomaticamente. teoria da penetração.

A pessoa jurídica não pode ser desviada dos fins estabelecidos no ato constitutivo. as hipóteses que ensejem sua aplicação. prevendo.A DESCONSIDERAÇÃO NO CÓDIGO DE PROTEÇÃO E DEFESA DO CONSUMIDOR Vejamos o que diz a redação do art. apenas outras medidas são tomadas para corrigir e compensar. Os atos praticados não são anulados. os bens pessoais do administrador ou representante que dela se houver utilizado de maneira fraudulenta ou abusiva. a requerimento de qualquer dos sócios ou do Ministério Público. à outorga aos Órgãos Judiciários da capacidade de praticá-lo. conjuntamente com os da pessoa jurídica. tanto do Direito Material. de previsão legal. a Desconsideração surge pioneiramente no Código de Defesa do Consumidor (art. ou abusivos. até e ainda. quanto do Direito Processual. a dissolução da entidade. Devemos citar a previsão legal inserta no projeto de Código Civil em tramitação no Senado. 28). de resto diploma amplamente inovador. ou. 50. tais sejam as circunstâncias. genericamente. caso em que poderá o juiz. 28 do CDC: . desfazer o que de fraudulento houver sido praticado em nome da pessoa jurídica. ou mesmo a necessidade. sem prejuízo de outras sanções cabíveis. bem como a possibilidade de sua previsão normativo-positiva. ao Código. ou. 6 . Parágrafo único. ao menos no que tange ao reconhecimento da possibilidade de sua aplicação. então. Desconsideração não se confunde nem acarreta a nulidade dos atos que propiciaram a atuação judicial. para servir de instrumento ou cobertura à prática de atos ilícitos. responderão. a título de melhor ilustrar a natureza do instituto.DISPOSITIVOS LEGAIS O ser construção pretoriana. salvo se norma especial determinar a responsabilidade solidária de todos os membros da administração. 7 . diante de outros valores ou outros interesses específicos. "Art. "dis-torcer" as conseqüências do ato praticado.164 uma opção entre um valor ou um interesse específico. Neste caso. não afasta do instituto a possibilidade." Em nosso ordenamento jurídico positivo. Passemos. decretar a exclusão do sócio responsável.

sendo desnecessária intervenção judicial no sentido de proclamar desconsideração. estado de insolvência.As sociedades consorciadas são solidariamente responsáveis pelas obrigações decorrentes deste Código.As sociedades integrantes dos grupos societários e as sociedades controladas são subsidiariamente responsáveis pelas obrigações decorrentes deste Código.O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade quando. de alguma forma. a luz do quanto já acima discutido afirmar categoricamente: a Desconsideração da Pessoa Jurídica é objeto do caput e do § 5º do art. § 5º . excesso de poder. excesso de poder.(Vetado) § 2º . fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social.As sociedades coligadas só responderão por culpa. Qualquer hipótese em que a personalidade da pessoa jurídica seja. encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocadas por má administração. 28 . obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados aos consumidores. violação de estatutos ou contrato social. (caput. em detrimento do consumidor. § 4º . versam sobre a matéria da responsabilidade subsidiária ou solidária. estado de insolvência. Falência. § 1º . houver abuso de direito. Esta não se faz necessária par o fim de fazer atuar aquela responsabilidade. fato ou ato ilícito. pois os §§ 2º a 4º. infração da lei. para fins de análise.165 "SEÇÃO JURÍDICA V- DA DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE Art. dividir em três grupos as hipóteses legais de incidência da desconsideração contidas no art. encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração. infração da lei. 28 do CDC. A desconsideração também será efetivada quando houver falência. a despeito da rubrica aposta à Seção V. (caput. Vejamos: Abuso de direito. de alguma forma.Também poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for. 1ª parte). que a própria lei determina. (§ 5º) Algumas considerações . § 3º . Podemos. 2ª parte)." Podemos. 28. obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados aos consumidores.

só podem ocorrer se e quando tiver havido desrespeito ao sistema jurídico. quando por si não acarretem a responsabilidade pessoal do agente. 181): "O dano indenizável. Grupo 1 No primeiro grupo de hipóteses. a busca do responsável. Segunda: a desconsideração há de supor a incapacidade da pessoa jurídica para reparar o dano. nas palavras de Domingos Afonso Kriger Filho (in "Aspectos da Desconsideração da Personalidade Societária na Lei do Consumidor". e a da responsabilidade subjetiva fundada em culpa. que a pratica abusiva ou ilícita o seja em virtude da preterição do direito do consumidor. dos estatutos ou utilização de direitos além de sua órbita. objetivando.. Quando tratamos de empresa com capacidade financeira para ressarcir o consumidor. p. prejuízo ao consumidor. (fato que emerge claramente dos arts." Caracteriza-se o abuso de direito. de uso parcimonioso. Tais fatos. 23) ". como de resto toda a disciplina de defesa do consumidor abraça as duas fontes da responsabilidade a da responsabilidade objetiva. por dolo ou má-fé. 12 a 14 do CDC). A desconsideração visa em tais casos a que os bens dos sócios infratores sejam também garantia do ressarcimento do prejuízo causado ao consumidor. etc. por responsável e. Analisemos separadamente cada um dos grupos acima nominados. fundada na teoria do risco. não há razão para aplicar. p. prima facie o tratamento excepcional da desconsideração.166 Primeira: o pressuposto de todas as hipóteses acima arroladas é o da lesão de interesses do consumidor. auferir vantagem ilícita ou indevida". Deve haver inafastável nexo de causalidade entre a conduta inadequada e o prejuízo causado ao consumidor. Conforme Arruda Alvim (in "Código do Consumidor Comentado". por motivos óbvios na aplicação em defesa de interesses outros.. Segundo Pedro Batista Martins (apud Rubens Requião in "Abuso de Direito e Fraude através da Personalidade Jurídica"): . tratamento excepcional e. Na realidade é o elemento integrante de todas as hipóteses que requerem. como os dos demais sócios. ou os da personalidade societária. em razão disto. temos a prática de atos que implicam infração da lei. portanto. Terceira. poderão servir de embasamento a desconsideração a fim de alcançar o patrimônio dos sócios. a desconsideração.. Não caberia. para sua efetividade. com o uso anormal das prerrogativas conferidas à pessoa pelo ordenamento jurídico.

J. Frise-se que determinados autores não consideram. demais casos. art. 117 e 158. sempre. age contra a lei ou. ou pelo contrato social. Aspectos Processuais". p. comete um ato abusivo" Arruda Alvim (in "Código do Consumidor Comentado". violação dos estatutos ou contrato social. Esta situação decorrente da lei e as conseqüências. p. 159. no caso de desconsideração da pessoa jurídica são idênticas? Quer nos parecer que não. p.. que é a responsabilidade do sócio ou do representante legal da sociedade por ato ilícito próprio. ato ilícito." (Coelho. Vejamos: "No que se refere ao excesso de poder. 10. mas o faça de molde a prejudicar terceiro. então a . sócios.. Lamartine Corrêa de. pois aquele que excede o que lhe é permitido por lei. responde por ato próprio. e art. 142) Sobre o assunto. Infração de lei. ou por força dos estatutos ou contrato social." (Oliveira. embora não se referindo especificamente ao CDC: "Não podem ser entendidos como verdadeiros casos de desconsideração todos aqueles casos de mera imputação de ato. por lei ou embasado no sistema jurídico. 182): "Ocorre abuso de direito quando o fornecedor. embora relacionado com a pessoa jurídica. fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social dizem respeito a um tema societário diverso. Pag. CC. as hipóteses do parágrafo anterior. não sendo mais útil para si ou adequado ao espírito da instituição. 16). fato ou ato ilícito ou violação do contrato social. Fábio Ulhoa in "Comentários ao Código de Proteção do Consumidor". 115. Apenas há um ponto comum . 610) "Em determinadas circunstâncias. puder praticar determinado ato. no caso da sociedade anônima (arts. Lei 6404).. Genacéia da Silva in "A desconsideração da Pessoa Jurídica no Código de Defesa do Consumidor. .. não há desconsideração.708. representam. Consideram a teoria inaplicável in casu. infração da lei. Qual. fato. a lesá-lo (consumidor)"." (Alberton. infração da lei.167 "sempre que um titular de direito escolhe o que é mais danoso para outrem. Decreto.. o não cumprimento das obrigações impostas às pessoas pela lei. ou gerentes podem responder por dívidas da sociedade.. No excesso de poder a pessoa pratica ato ou contrai negócio fora do limite da outorga ou autoridade conferida. Já há previsão legal: no caso da sociedade de responsabilidade limitada (art. 3. 168 e 169) "Excesso de poder. a excepcionalidade. In " A Dupla crise da Pessoa Jurídica". diretores. de desconsideração da pessoa jurídica. dolosamente contra o estatuto ou contrato.

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diferença ?.... Quando a lei brasileira ...impõe ao sócio, gerente ou administrador a responsabilidade por dívidas da sociedade, faz porque uma dessas pessoas agiu de maneira contrária à lei ou contrato, mas como pessoa integrante da pessoa jurídica. Não foi a pessoa jurídica que teve a sua finalidade desvirtuada, não foi a pessoa jurídica como ser que foi manipulada mas, sim, o diretor, o gerente ou o sócio que, na sua atividade ligada à empresa, andou mal. Quando se fala, por outro lado, em desconsideração da pessoa jurídica, é porque a própria entidade é que foi desviada da rota traçada pela lei e pelo contrato.... Assim, acreditamos que devemo separar bem estas duas hipóteses por não serem idênticas" (Casillo, João in "Desconsideração da Pessoa Jurídica") Acatando o ponto de vista dos autores citados, restaria apenas a hipótese do abuso de poder, como ensejador da aplicação da doutrina da Desconsideração, ficando as demais hipóteses ainda no campo da previsão legal, externa à doutrina. O abuso do poder, por sua própria natureza, conforme acima referido, se amolda a hipótese de utilização da Desconsideração, vez que constitui, não violação clara da lei, caracterizando um "fato típico", previsto legalmente, mas antes, um uso abusivo da lei. Não havendo tal "tipicidade", impossível prévia previsão legal, imperativa então a atuação criadora judicial, através do instituto sob análise. Parece-nos, entretanto, que há um certo excesso de rigor formal em tal posição. Nem sempre ao ilícito legal ou contratual corresponderá uma expressa cominacão de responsabilidade pessoal, civil ou penal. Ainda que ressalvadas as previsões genéricas da lei, como a do art. 159 do CC, citada por Genacéia, parece-me que o instituto da Desconsideração melhor cobriria esses casos de lacuna da lei no que tange a previsão expressa da responsabilidade, lacuna que poderia ao final acobertar o infrator. A ausência de tal expressa previsão legal, poderia ser agitada com o propósito de elidir a responsabilidade, em sendo o caso, o art. 28, sob comento, forneceria o respaldo legal para a atuação jurisdicional no sentido de alcançá-la. Separar o ato do responsável pela pessoa jurídica do ato da pessoa jurídica, operação mental a que podemos ser induzidos pelo raciocínio de Casillo, pode resultar ser tarefa árdua, considerando as sutilezas que quase sempre cercam a situação concreta. Mais uma vez, o afastamento da figura da Desconsideração, poderia ser utilizada no sentido do acobertamento do infrator. De forma que, a despeito do rigor formal que caracteriza o exposto pelos autores acima citados, considero mais prudente, estender o manto protetor do instituto que ora analisamos também aos fatos aos quais o autores negam sua incidência, como faz o diploma legal protetivo do consumidor. Grupo 2 No segundo grupo o texto legal introduz um elemento não especificamente

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ligado ao interesse do consumidor: a má administração. É questionável esta inserção. Não há que se confundir a má administração com a prática abusiva citada na parte inicial do caput. A má administração poderia, isto sim, ensejar o uso do instituto para responsabilizar a gerência incompetente frente a própria pessoa jurídica ou frente aos demais sócios. É de se questionar, no entanto, a relevância deste fato frente ao direito do consumidor. É de se questionar se alguém administraria mal uma empresa com o fito exclusivo de fraudar os direitos do consumidor. E quanto à empresa bem administrada, que desativada, tenha lesionado consumidores. Ficariam imunes à regra? Concluindo, parece mal posta a hipótese legal no que se refere a má administração, quer pela falta de nexo entre qualidade da administração e eventuais prejuízos ao consumidor, quer pela falta de isonomia entre o tratamento dado ao consumidor da empresa encerrada por má administração e o dado ao cliente de uma empresa bem administrada que encerrou suas atividades. Certo é, em todos os casos, que o consumidor deve ser protegido na hipótese em a pessoa jurídica tenha cessado a atividade ou esteja extinta, e isto independentemente dos motivos que ensejaram tal encerramento de atividade. Grupo 3 Finalmente no terceiro grupo, a hipótese contemplada no §5º, parece inconciliável com o caput. Expressões demasiadamente genéricas ("sempre", "de qualquer forma"), parecem inutilizar as hipóteses do caput. Tão genérico, abrangente e ilimitado é o parágrafo, que aplicado literalmente, dispensaria o caput, tornaria inócua a própria construção teórica do instituto da desconsideração, implicando derrogar a limitação da responsabilidade de toda e qualquer empresa no que diz respeito às relações de consumo. Frente a tal, pelo menos aparente, incongruência, posicionam-se os doutrinadores: Zelmo Denari (in "Código de Defesa do Consumidor, Comentários pelos autores do Anteprojeto", p. 132), com a autoridade de ser um dos autores do anteprojeto da Lei 8.078/90, postula mesmo o "aberratio ictus da caneta presidencial". O parágrafo a ser vetado teria sido o 5º, e não o 1º, como apareceu no diário oficial, que segundo Denari é essencial para a aplicação do artigo. Para que se coteje com o texto do §5 e, à luz da razão do veto, aprecie-se assim a procedência da tese de Zelmo, transcrevemos abaixo o parágrafo vetado e as razões do veto: "§ 1º. A pedido da parte interessada, o juiz determinará que a efetivação da responsabilidade da pessoa jurídica recaia sobre o acionista controlador, o sócio majoritário, os sócios-gerentes, os administradores societários e, no caso de grupo societário, as sociedades que a integram."

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Razão do veto: "O caput do art. 28 já contém todos os elementos necessários à aplicação da desconsideração da personalidade jurídica, que constitui, conforme doutrina amplamente dominante no direito pátrio e alienígena, técnica excepcional de repressão a práticas abusivas." Como claramente se vê, fortíssima pode parecer a evidência do equivocado fato pelo qual, propugna Zelmo Denari, se explicaria a aparente ininteligência do parágrafo que ora analisamos frente ao sistema em que se insere. Entretanto, é também óbvio que, para albergarmos tal tese, teríamos antes que admitir a ininteligência do legislador a exigir atuação da sancionadora caneta presidencial. Esta última parece-nos bem menos provável, dada a qualidade que pautou a produção legislativa do diploma que ora analisamos. Vejamos, entretanto, outros posicionamentos: Fábio Ulhoa Coelho (in "Comentários ao Código de Proteção ao Consumidor", p. 143 e 144): censura o preceito no § 5º, concedendo apenas sua aplicação em matéria de sanções não pecuniárias (proibições de fabricação, suspensão temporária de atividade, etc...), apesar do contrário defluir do texto da lei: "ressarcimento de prejuízo do consumidor". Por fim salienta que no embate entre o caput e o § 5º, se um tiver que ceder será o parágrafo, não o caput. A interpretação meramente literal, no entanto não pode prevalecer e isto por três razões: Em primeiro lugar, porque contraria os fundamentos teóricos da desconsideração. ... Em segundo lugar, porque uma tal exegese tornaria letra morta o caput do art. 28. ... Em terceiro lugar, porque esta interpretação equivaleria à revogação do art. 20 do CC ("As pessoas jurídicas tem existência distinta da dos seus membros") em matéria de defesa do consumidor. E se esta fosse a intenção do legislador, a norma jurídica que a operacionalizasse poderia ser direta, sem apelo à teoria da desconsideração. Rachel Sztajn (in "Desconsideração da Personalidade Jurídica", p. 72): O parágrafo 5º deveria encimar o artigo: "Se o art. 28 tivesse por caput o § 5º, além dos §§ 2º e 3º, o consumidor estaria tutelado (apenas) em face da separação patrimonial utilizada de forma iníqua ou inadequada." A autora condiciona a aplicação do citado parágrafo aos pressupostos da teoria da desconsideração. Américo Führer (in "Resumo de Direito Comercial", p. 74): "A teoria pode ser aplicada diretamente pela lei,...,independentemente de qualquer abuso ou má fé", parece que nestas palavras o autor admite o utilização literal do § 5º. Genacéia da Silva (in "A Desconsideração da Pessoa Jurídica no Código de Defesa do Consumidor): "No que ser refere ao § 5º do art. 28, é necessário interpretá-lo com cautela. A

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mera existência de prejuízo patrimonial do consumidor não é suficiente para a desconsideração. O texto deixou o significado em aberto na medida em que assevera que a pessoa jurídica poderá também ser desconsiderada quando sua personalidade ‘De alguma forma’ for obstáculo ao ressarcimento, ..., leia-se, quando a personalidade jurídica for óbice ao ressarcimento justo do consumidor." (grifo nosso) A interpretação mais consentânea parece ser a de que o § 5º, constitui uma abertura ao rol de hipóteses do caput, sem prejuízo dos pressupostos teóricos da doutrina que o dispositivo visou consagrar. A aplicação do § 5º deve restringir-se às situações em que o fornecedor do produto ou serviço ao consumidor constitui a pessoa jurídica, ou a utiliza, especificamente para livrar-se da responsabilização de prejuízos causados ao consumidor. Aí justamente reside a carga axiológica do instituto, na análise judiciária da forma como a pessoa jurídica foi constituída ou utilizada relativamente à relação de consumo.

8 - A RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E SUBSIDIÁRIA PREVISTA NO ARTIGO 28 DO CDC No presente trabalho pretendemos, no âmbito do Código de Defesa do consumidor, tratar apenas da Desconsideração da Pessoa Jurídica. Não obstante, por se encontrarem enfeixados sob tal rubrica no texto normativo, trataremos também do responsabilidade disciplinada pelos parágrafos 2º a 4º do art. 28 do CDC, que a nosso ver, como já exposto, não compõem o instituto da Desconsideração. Assim tratemos da: Responsabilidade de Grupos societários e sociedade controladas O § 2º, estatui responsabilidade subsidiária das sociedades integrantes de grupos societários e sociedades controladas. Aqui, como já dito, não se cuida de desconsideração, mas de hipótese legal de responsabilização de terceiro. A própria redação indica uma responsabilidade objetiva, não sujeita a análise de elementos outros, presentes no caso concreto. Basta o liame a unir as entidades societárias, para dele decorrer a responsabilização. Tal dispositivo previne que as obrigações sob estudo sejam concentradas na sociedade que tenha menor respaldo patrimonial. Para Genacéia da Silva Alberton (in "A Desconsideração da Pessoa Jurídica no Código de Defesa do Consumidor), em seu trabalho já várias vezes citado, o Código foi tímido em estabelecer apenas responsabilidade subsidiária, concedendo o benefício de ordem e, consequentemente, impedindo que o consumidor ajuíze a ação desde logo contra as demais empresas. Para outros doutrinadores, no entanto, basta a prova da impossibilidade de ressarcimento pela empresa principal obrigada, para, já inicialmente, demandar a sociedade com responsabilidade subsidiária.

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No que se refere a sociedades controladas, o preceito parece conter alguma impropriedade. Obviamente a responsabilização subentende-se seja por obrigações da controladora (o texto não é explícito) que incidiria em caráter subsidiário sob o patrimônio da controlada. Temos a considerar que seria lógico que as ações ou quotas representativas do capital da controladora respondessem pelas obrigações da mesma, não o sendo, entretanto, que o patrimônio da controlada, que envolve o de terceiros (que podem deter até cerca de 83% do capital social, totalidade das ações preferenciais + 49% das ordinárias) o fossem, já que nada tem a ver com a conduta da controladora. Só podemos entender o dispositivo legal em sua literalidade, se o considerarmos conseqüência de prevalência especial do interesse de ordem pública da relação de consumo sobre os interesses de ordem privada; ou por outro, que sua aplicação dependa do pressuposto da concorrência da controlada na lesão ao consumidor., ou por outra de sua utilização pela controladora nesse intento. Responsabilidade das Sociedades consorciadas O § 3º, constitui também, em favor do consumidor, uma exceção a regra geral, já que a lei das Sociedades Anônimas, que rege esta esfera da ordem jurídica, não preconiza a solidariedade das sociedades consorciadas (art. 278, § 1º, Lei 6.404/76). Sabemos que a solidariedade não se presume, mas decorre da lei ou do contrato, aqui temos a hipótese legal, a proteger o consumidor. Convém salientar, por ser lógica, a ressalva que faz Fabio Ulhoa: "... a solidariedade existe apenas no tocante as obrigações relativas ao objeto do consórcio. Quanto às demais não há qualquer vínculo dessa natureza..." (Coelho, Fábio Ulhoa, in "Comentários ao Código De Proteção do Consumidor", p. 145) Responsabilidade das Sociedades coligadas O § 4º, estabelece a responsabilidade das coligadas, apenas na hipótese de culpa. Não poderia ser diferente, já que a mera participação da empresa no capital de outra (10% ou mais), sem controlá-la, não induziria, em si mesma, tal responsabilidade. A sociedade coligada é simplesmente sócia de outra e, como sócia, não tem responsabilidade pelos atos dessa outra a não ser que tenha participado do ato, caso em que será solidariamente responsável. Para alguns, supérfluo tal dispositivo, já que a responsabilidade seria deduzida de qualquer forma, sendo suficiente o art. 159 do CC. - CONCLUSÃO O CDC é diploma largamente inovador tanto no que se refere ao Direito Material, quanto no que se refere ao Direito Processual. Insere-se no contexto da evolução do Direito Moderno ao voltar-se à proteção e tutela de direitos

. 2. N 54. P 146 A 180. sob o aspecto dogmático ou doutrinário. 28 desse Estatuto representa o estendimento da longa manus do Estado. Genacéia da Silva. Domingos Afonso. 28 do CDC representa um grande avanço não só no campo específico do Direito Tutelar do Consumidor como também de todo o Direito Posto Nacional. 1992. 1993. individuais. Malheiros Editores. Desconsideração da Pessoa Jurídica no Código de Defesa do Consumidor. COELHO. Arruda. Aspectos Processuais. Ajuris. São Paulo. etc. ED. São Paulo. Revista dos Tribunais. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALBERTON. ALVIM. Rio de Janeiro. Comentários ao Código de Proteção ao Consumidor. P 69 A 84. Julho. O art. no ordenamento jurídico pátrio. 1996. RT 528/24.. para alcançar aqueles atos que. Vol 42. et al. A despeito de alguma impropriedade da redação. tem relevância a introdução pioneira. coletivos. . DENARI. Forense Universitária. 1987. Ajuris. da Doutrina da Desconsideração da Pessoa Jurídica. João. Marçal. KRIGER FILHO. Desconsideração da Personalidade Societária no Direito Brasileiro. Luciano. representam violação do ordenamento jurídico naquilo que possui de mais caro. FÜHRER. rev. Março. conforme discutido neste trabalho. seus valores e seus princípios asseguradores da paz. apesar de conformarem-se ao figurino do estrito modelo legal. Revista Jurídica. 1991. Vol 20. Zelmo. Ed. Ed. Fábio Ulhoa. do convívio social harmonioso e da justiça. N 58. e ampl. 1995 AMARO.1994. 1991. A Desconsideração da Pessoa Jurídica no Código do Consumidor.173 personalísticos. difusos. Novembro . Aspectos da Desconsideração da Personalidade Societária na Lei do Consumidor. Resumo de Direito Comercial. Ed. P 17 A 27. Desconsideração da Pessoa Jurídica. Porto Alegre. Coordenação de Juarez de Oliveira.. da boa fé. Revista dos Tribunais. Vol 19.. o art. São Paulo. Código de Defesa do Consumidor. Comentários pelos Autores do Anteprojeto. Código Do Consumidor Comentado. CASILLO. JUSTEN FILHO. do hipossuficiente. Saraiva. Nesse contexto inovador. N 205. Américo.

P 67 A 75. São Paulo.174 OLIVEIRA. RT. Editora Saraiva. Rachel. Revista de Direito do Consumidor. Abuso de Direito e Fraude através da Personalidade Jurídica. J. N 2. . Rubens. 528:16. 1979. Desconsideração da Personalidade Jurídica. SZTAJN. A Dupla Crise da Pessoa Jurídica. 1992. Junho. REQUIÃO. Lamartine Corrêa.

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Princípios gerais da publicidade no Código de Proteção e Defesa do Consumidor

Autor: João Bosco Pastor Gonçalves

Sumário: 1 – Introdução; 2 – Publicidade: Conceito e elementos essenciais; 3 – Princípios Gerais da Publicidade no CDC; 4 – Princípio da Identificação da Publicidade; 5 – Princípio da Vinculação Contratual da Publicidade; 6 – Princípio da Veracidade da Publicidade; 7 – Princípio da Não Abusividade da Publicidade; 8 – Princípio da Inversão do Ônus da Prova; 9 – Princípio da Transparência da Fundamentação; 10 – Princípio da Correção do Desvio Publicitário; 11 – Conclusão

1. Introdução Com o objetivo de desenvolverem as suas atividades empresariais, o comércio e a industria necessitam divulgar os produtos e serviços por eles produzidos e prestados, a fim de que desperte interesse nos consumidores. Em geral, produtos de primeira necessidade, (feijão, arroz, carne, leite, etc.), dispensam maior divulgação, entretanto, produtos mais caros (de luxo), como automóveis, equipamentos de áudio e vídeo sofisticados, telefones celulares ou uma casa de veraneio, não dispensam uma boa estratégia de marketing, e aí inclui-se a publicidade. As pessoas compram coisas por dois motivos essenciais: necessidades e impulsos. As necessidades nem sempre são reais, elas são criadas pela publicidade, sem a qual não haveria como colocar no mercado cada vez mais produtos que, a rigor, ninguém precisa. 1 As mensagens publicitárias induzem as pessoas a comprarem por impulso. Quem resiste a um anuncio para comprar um presente em um shopping no dia das mães ou no dia dos namorados?. Nosso ordenamento jurídico não obriga a ninguém a anunciar os seus produtos ou serviços, porém, se o fizer, a sua publicidade está sujeita a uma série de deveres impostos pelo Código de Proteção e Defesa do Consumidor, Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990, (CDC). O objetivo do presente trabalho é a análise do conceito de publicidade e dos princípios que a regem, á luz do referido diploma legal.

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2. Publicidade: Conceito e elementos essenciais Antônio Herman de Vasconcelos e Benjamin2, citando o jurista português Carlos Ferreira Almeida, diz que publicidade ‘é toda informação dirigida ao público com o objectivo de promover, directa ou indirectamente, uma actividade económica’. Prossegue afirmando que tal como acontece com o conceito de marketing, não é tarefa fácil definir o que seja publicidade em virtude do caráter complexo de suas múltiplas funções e das relações mútuas entre elas, e fornece a noção do Comitê de Definições da American Association of Advertising Agencies ( AAAA): ‘ publicidade é qualquer forma paga de apresentação impessoal e promoção tanto de idéias, como de bens e serviços, por um patrocinador indentificado’. Trata-se sem dúvida, de uma forma de comunicação social, em toda publicidade há uma mensagem, um emissor que tem como objetivo alcançar um conjunto de receptores, transmitir-lhes uma idéia, incentiva-los a um determinado comportamento – comprar um bem ou, utilizar-se de certo serviço. Porém, nem toda forma de comunicação integra o conceito de publicidade: fora desse campo ficam a informação cientifica, política, didática, lúdica ou humanitária, porque alheia á atividade econômica, mesmo quando seja produzida com a intenção de gerar certa convicção nos seus destinatários 3. Dois elementos são essenciais em qualquer publicidade: a difusão e a informação. Um é o elemento material da publicidade, seu meio de expressão. O outro é o seu elemento finalistico4. Sem difusão não há publicidade, vez que a mesma precisa ser levada ao conhecimento de terceiros, da mesma forma sem um conteúdo mínimo de informação inexiste a publicidade. Convém ainda esclarecer, que embora sejam usados indistintamente no dia-adia, os termos publicidade e propaganda não se confundem. Antônio Herman de Vasconcellos e Benjamin 5 afirma que a publicidade tem objetivo comercial, enquanto que a propaganda visa a um fim ideológico, religioso, político, econômico ou social, e que além de ser paga, na publicidade sempre identifica-se o seu patrocinador, o que nem sempre ocorre com a propaganda. Na propaganda difunde-se uma idéia, ao passo que na publicidade divulga-se uma mercadoria ou serviço. Estabelecidos o conceito de publicidade e seus elementos essenciais, bem como a necessária distinção entre os termos propaganda e publicidade, passamos a análise dos princípios que norteiam a elaboração da mensagem publicitária, á luz do Código Brasileiro de Proteção e Defesa do Consumidor (CDC) e da Constituição

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Federal.

3. Princípios Gerais da Publicidade no CDC Princípio, conforme o excelente ministério do Professor Celso Antônio Bandeira de Mello6 " [...] é por definição, mandamento nuclear de um sistema, verdadeiro alicerce dele, disposição fundamental que se irradia sobre diferentes normas compondo-lhes o espírito e servindo de critério para sua exata compreensão e inteligência exatamente por definir a lógica e a racionalidade do sistema normativo, no que lhe confere a tônica e lhe dá sentido harmônico". [...] Violar um princípio é muito mais grave que transgredir uma norma qualquer. A desatenção ao principio implica ofensa não apenas a um especifico mandamento obrigatório, mas a todo sistema de comandos". Alguns princípios foram adotados pelo CDC para a elaboração da publicidade, com vistas á proteção do consumidor, parte mais fraca nas relações consumeristas. Em função da tutela fornecida aos consumidores eles encontram-se assim distribuídos no Código de Proteção e Defesa do Consumidor: princípio da identificação da publicidade ( art. 36); princípio da vinculação contratual da publicidade ( arts. 30 e 35); princípio da veracidade ( art. 37 § 1º ); princípio da nãoabusividade da publicidade ( art. 37 § 2º); princípio da inversão do ônus da prova ( art. 38); princípio da transparência da fundamentação publicitária ( art. 36, parágrafo único); princípio da correção do desvio publicitário ( art. 56, XII). Observa-se7 que o Código optou por definir publicidade enganosa e publicidade abusiva, sem conceituar o que seja publicidade, preocupando-se com a definição do desvio ( abusividade e enganosidade), mas não com a do padrão. Entretanto, o legislador preocupou-se com a tutela penal da publicidade, considerando crimes contra as relações de consumo a prática de publicidade enganosa ou abusiva, bem como a promoção de publicidade que induza o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa a sua saúde ou segurança, apenando ainda o fornecedor que não mantenha em seu poder os dados fáticos, técnicos e científicos que embasaram a sua mensagem publicitária, cominando pena de detenção e multa (arts. 67, 68 e 69).

4. Princípio da Identificação da Publicidade O artigo 36 do CDC está assim redigido: Art. 36. A publicidade deve ser veiculada de tal forma que o consumidor, fácil

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e imediatamente, a identifique como tal. Parágrafo Único. O fornecedor, na publicidade de seus produtos ou serviços, manterá, em seu poder, para informação dos legítimos interessados, os dados fáticos, técnicos e científicos que dão sustentação á mensagem. Analisando a "cabeça" do artigo, vemos que o fornecedor ao veicular a publicidade de seus produtos e serviços, deve fazer de modo claro, inteligível, o consumidor deve compreender que está diante de um anúncio publicitário. Previne-se8 assim contra as chamadas "publicidades ocultas" e "subliminares", através da técnica do Merchandising, de freqüente utilização em espetáculos, novelas, teatros, ou seja, a aparição dos produtos no vídeo, no áudio ou nos artigos impressos, em sua situação normal de consumo, sem declaração ostensiva da marca. Um bom exemplo de comunicação subliminar é o uso constante de determinada marca de carros em uma novela, ou ainda, as aparições de produto, serviço ou marca, de forma aparentemente casual, em programas de televisão, filme cinematográfico, jogos de futebol televisionados, etc. Pasqualotto9 observa que quando a publicidade não é de fácil e imediata identificação, "não é só o consumidor que pode estar sendo enganado. Também pode haver fraude á lei, pois a falta de identificação possibilita a transgressão de regras como a advertência necessária de restrição ao uso de alguns produtos (cigarros), o horário ou o local de exposição do anúncio (bebidas alcoólicas) ou a proporção de publicidade em relação á programação (rádio e televisão) ou o noticiário e reportagens (jornais e revistas)".

5. Princípio da Vinculação Contratual da Publicidade Tal princípio decorre da inteligência dos arts. 30 e 35 do CDC : Art. 30. Toda informação ou publicidade, suficientemente precisa, veiculada por qualquer forma ou meio de comunicação com relação a produtos e serviços oferecidos ou apresentados, obriga o fornecedor que a fizer veicular ou dela se utilizar e integra o contrato que vier a ser celebrado. Portanto, no plano contratual, o Código consagra o princípio da vinculação da publicidade. O consumidor pode exigir do fornecedor o cumprimento do conteúdo da comunicação publicitária. A publicidade é um verdadeiro negócio jurídico unilateral, na medida em que obriga o fornecedor a cumprir com a promessa, desde a sua difusão. Confira-se a jurisprudência a seguir:

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COMPRA E VENDA – Erro – Entrega recusada sob alegação de erro na especificação do preço, no orçamento – Não pode a teoria do erro escusável favorecer o fornecedor – Negócio perfeito e acabado – análise das disposições do Código Civil e do Código de Defesa do Consumidor – Exame da doutrina – Ação para entrega da coisa – Procedência – Decisão mantida. ( AC. Um. Da 5ª Cam. Esp. Do 1º TAC, Ap. 562.425-3, Rel. Juiz Sílvio Venosa, j.6-7-1994) ( O Código de Defesa do Consumidor e sua Interpretação Jurisprudencial, Luiz Antonio Rizzatto Nunes, Saraiva, 1997, p. 90).

6. Princípio da Veracidade da Publicidade Aqui, (art. 37 § 1º), o legislador preocupou-se em coibir a publicidade enganosa, que pode ser apresentada de duas formas: por comissão ou por omissão. Na publicidade enganosa por comissão, o fornecedor afirma alguma coisa capaz de induzir o consumidor a erro, dizendo alguma coisa que não é verdadeira. Na forma omissiva o patrocinador deixa de afirmar o que é relevante, também induzindo o consumidor a erro. Possível, também, que quanto á sua extensão a publicidade seja parcialmente enganosa, ou seja, contendo algumas informações falsas e outras verdadeiras, o que não a descaracteriza como publicidade enganosa. Quanto ao seu aspecto subjetivo10 não se exige por parte do anunciante a intenção (dolo ou culpa), sendo irrelevante a sua boa ou má-fé. Portanto, sempre que o anúncio for capaz de induzir o consumidor a erro, independentemente da vontade do fornecedor, está caracterizada a enganosidade da publicidade, o que justifica-se porque o objetivo é a proteção do consumidor, e não a repressão do comportamento enganoso do fornecedor.

7. Princípio da Não Abusividade da Publicidade Está consagrado no art. 37, § 2º, do CDC, que proíbe de qualquer forma, dentre outras, a publicidade discriminatória, que incite á violência, que desperte o medo ou a superstição, que se aproveite da deficiência de julgamento e inexperiência da criança, atinja valores ambientais, ou que seja capaz de induzir o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa á sua saúde ou segurança. A locução "dentre outras", deixa transparecer que o elenco da publicidade abusiva é apenas exemplificativo, podendo existir outras formas de abusividade, cabendo aos aplicadores da lei – juízes e administradores adaptarem o texto da lei ás práticas do mercado.

porém. condição social. razão pela qual o legislador dedicou-lhes especial proteção. não se exige que a mensagem aterrorize.38). nacionalidade. Princípio da Inversão do Ônus da Prova Tal princípio. nas palavras de Carlos Alberto Bittar12: trata-se. realmente os consumidores. profissão. cabendo ao fornecedor demonstrar que sua publicidade foi veiculada dentro dos princípios que estamos expondo. Princípio da Transparência da Fundamentação Trata-se de verdadeiro dever. (art. 38). que não admitiu nenhuma veiculação publicitária que fosse contra a proteção e conservação do mesmo. O meio ambiente. o anunciante ou a quem o anúncio aproveita. Quanto ás crianças. não se excluindo. a respeito de bens ou serviços oferecidos. Trata-se de princípio básico para a facilitação da defesa do consumidor em juízo. convicções políticas ou religiosas. ou até contra bens públicos ou privados. daí por que se desloca para o patrocinador o ônus da prova da veracidade e da correção da informação ou da comunicação publicitária (art. pois. Quanto á publicidade exploradora do medo ou da superstição11. 8.180 A publicidade é discriminatória quando distingue entre raça. anexo ao princípio da boa-fé como norma de conduta. considerando que qualquer publicidade dirigida a infantes não deixa de ter um grande potencial abusivo. bastando que o anuncio faça uso desses recursos para que seja considerado ilegal. Quanto à responsabilidade pelo desvio publicitário. a responsabilidade da agência e do próprio veículo de comunicação. Não se admite a publicidade que mostre a violência. pois a publicidade constitui-se em verdadeira oferta (princípio da vinculação . sexo. por serem muito jovens não possuem o necessário entendimento para a compreensão do que é ou não verdadeiro nas mensagens publicitárias. como direito fundamental dos seres humanos foi também motivo de proteção pelo legislador. seja entre homens. o consumidor. responde em regra. seja entre homens e animais. bem como do reconhecimento opis legi. ilegitimamente. da vulnerabilidade do consumidor. decorre dos princípios da veracidade e da não abusividade da publicidade. de ação tendente a instruir. 9. etc. condicionando o seu comportamento para a respectiva aquisição ou fruição. ou.

por esta óptica. de caráter explicativo. preço. composição. acolhida pelo Código em seu art. Princípio da Correção do Desvio Publicitário Ocorrido o desvio publicitário. restaurando dessa forma.( melhor seria contrapublicidade). informa corretamente ao consumidor. o fornecedor. a realidade dos fatos14. necessário que sejam desfeitos o seu impacto sobre os consumidores. claras. ostensivo e em língua portuguesa13. e vem expresso no art. A oferta e apresentação de produtos ou serviços devem assegurar informações corretas. garantia. Conclusão O legislador ao elaborar o Código de Proteção e Defesa do Consumidor. no que se refere à duração. Naquela. A publicidade.181 contratual da publicidade). ostensivas e em língua portuguesa sobre suas características. e repressão administrativa e penal. precisas. 31. 56. O artigo estabelece os requisitos da oferta. A ausência de informação essencial será sempre interpretada contra o fornecedor. desfazendo os erros do anúncio original. entre outros dados. do CDC: Art. Lei nº 8. claro. além da sua reparação civil. 11. quantidade. 31. espaço. qualidades. XII. local e horário. deve conter informações suficientes para esclarecer ao consumidor os elementos básicos que irão fundamentar a eventual formação segura e satisfatória de um contrato que atenda a seus interesses econômicos. às suas expensas. Trata-se de veiculação de outra publicidade para sanar os malefícios causados pela publicidade originária. 10. bem como sobre os riscos que apresentam à saúde e segurança dos consumidores. de 11 de setembro de 1990. prazos de validade e origem. É divulgada no mesmo veiculo de comunicação utilizado e com as mesmas características empregadas. sic. não se limitou apenas ao regramento das . Nada mais é que uma publicidade obrigatória e adequada que se segue a uma publicidade enganosa ou abusiva. pois é este que tem o dever legal de informar de modo preciso. tendo como objetivo apagar a informação inadequada da percepção do consumidor. o que se faz através da contrapropaganda.078. de maneira que o consumidor tenha uma idéia precisa do que lhe está sendo oferecido.

uma serie de normas e princípios para o controle da publicidade. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor. 4. Princípios Gerais da Publicidade na Constituição Federal e no Código de Defesa do Consumidor. 2. Rio de Janeiro: Forense Universitária. Cit. São Paulo: Malheiros Editores. coibindo todas as modalidades de anúncios enganosos ou abusivos. Idem. p. Instituiu para tal (proteção do consumidor). Proibiu a propaganda clandestina e a subliminar. Notas 1.. 2000. 6ª ed. pp. Revista Jurídica. Márcio Mello Casado. p. novembro de 1999. Rio de Janeiro: Forense Universitária. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto/ Ada Pellegrini Grinover. 1998. 6. 747. 265. 3. Rio de Janeiro: Renovar. 6ª ed.[ et al ]. 266. 5. 7. Celso Antônio Bandeira de Mello.. 2000. 265. . 274. inverteu o ônus da prova em favor do consumidor facilitando o seu acesso à Justiça. O Direito do Consumidor na Era da Globalização: a descoberta da cidadania.. p. 748. exigiu a transparência da fundamentação da publicidade e determinou a correção do desvio publicitário através da imposição da contrapropaganda. acolhendo o princípio da identificação da publicidade. 8. referendou o principio da vinculação contratual que permite ao consumidor exigir do fornecedor o cumprimento do conteúdo da mensagem publicitária.. pp. p. nº 265.67. que surge através das técnicas de estimulação do consumo – a publicidade. para resguardar a boa-fé dos consumidores. Sônia Maria Vieira de Mello.182 relações contratuais de consumo.. Reconheceu que a proteção do consumidor deve iniciar-se mesmo em momento anterior ao da celebração do contrato de consumo – na fase da oferta. (op. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto/ Ada Pellegrini Grinover. p. Curso de Direito Administrativo.).[ et al ]. 12ª ed. Ibidem. 82. 66. 264. p.

Código Brasileiro de Defesa do Consumidor. 1995. Forense Universitária. Os Efeitos Obrigacionais da Publicidade. O Direito do Consumidor na Era da Globalização: a descoberta da cidadania. Curso de Direito Administrativo... José Luiz Toro da. São Paulo : Revista dos Tribunais. SILVA. Márcio Mello. Noções de Direito do Consumidor. 2000. p. Revista Jurídica. 6ª ed. 1ª ed. Cit.. Rio de Janeiro: Renovar. José Luiz Toro da Silva. 298. Noções de Direito do Consumidor. Adalberto Pasqualotto. p. 82 e 83. 2000. 303. CASADO. 286.183 9.. São Paulo: Revista dos Tribunais. novembro de 1999. Referências bibliográficas BITTAR. 46. 1999. Carlos Alberto Bittar. Carlos Alberto. 1997. Porto Alegre: Síntese.. MELLO.[ et al]. 1997. 1998. 51. Porto Alegre: Síntese. p. Rio de Janeiro: Forense Universitária. 14.. Direitos do Consumidor. Sônia Maria Vieira de. pp. p. 12. Rio de Janeiro: Forense Universitária. 12ª ed. Cit. [ et al]. op. 4ª ed. Celso Antonio Bandeira. Princípios Gerais da Publicidade na Constituição Federal e no Código de Defesa do Consumidor.. 2000. p. Ada Pellegrini.. 6ª ed. 1999. 10. PASQUALOTTO. MELLO. São Paulo: Malheiros Editores.. 11. Os Efeitos Obrigacionais da Publicidade. nº 265. . Código Brasileiro de Defesa do Consumidor.. op. 4ª ed. Adalberto. GRINOVER. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto/ Ada Pellegrini Grinover. Rio de Janeiro: Forense Universitária. Direitos do Consumidor. 13..

e cuja construção jurídica esta por fazer. mormente as relações de consumo. 4. admitindo-se apenas a adesão daqueles que desejarem aceitar a lei do contrato".3.2. a importantes modificações. como o Direito não é subsistema normativo ético isolado dos demais. 2. A cobrança extrajudicial de honorários advocatícios como cláusula abusiva. Paris.Efeitos nos contratos. 2. de contratos de adesão.5. Cláusulas abusivas. Será necessário.1. sem dúvidas. Há supostos contratos que tem do contrato apenas o nome. na ausência de termo melhor. vê-se que economia é uma das maiores influenciadoras no .6. que o Direito se incline diante das nuanças e divergências que as relações sociais fizeram surgir.4. nos quais a predominância exclusiva de uma única vontade.A Competência da Secretaria de Direito Econômico.2. para os quais em todo caso. Conclusão. 7. as regras de interpretação judicial deveriam se submeter.184 As cláusulas abusivas à luz da doutrina e da jurisprudência Autores: Andrade Carlos Cavalcante Karla Karênina "Sem dúvidas. 2.Sentença proferida em sede de ação de rescisão contratual. 3. cedo ou tarde.Contratos de Adesão. 2.A recepção do princípio da predominância da ordem pública pelo CDC como meio de afastamento das cláusulas abusivas nos contratos de adesão. são fortemente influenciadas pela economia de mercado.Notas.Referências Bibliograficas. 5. 1901 Sumário:1. 6. que dita sua lei não mais a um indivíduo mas a uma coletividade indeterminada. há contratos e contratos e estamos longe da realidade desta unidade de tipo contratual que supõe o Direito.Introdução. 2.2. obrigando antecipada e unilateralmente. poderiam ser chamados. nesse quadro. Anexo.O Controle das Cláusulas abusivas.Introdução As relações contratuais em curso na atualidade.Da Aplicação das Portarias da SDE aos Contratos Utilizados no Âmbito do Sistema Financeiro Nacional. 1. recebe essas influências que o tornam apto a regular as novas relações que emergem do desenvolvimento da sociedade. reflexo do processo de globalização no qual se insere toda a sociedade contemporânea. trecho de Raymond Saleilles em De la déclaration de volonté. agindo como vontade individual.

O aumento das relações entre fornecedores e consumidores advindo da nova economia de mercado tornou perceptível uma situação. a qual atualmente se admitem restrições. nem o Estado mesmo. 85 . que dispensa a prévia discussão das bases do negócio instrumento. fez-se indispensável a criação de aparatos jurídicos capazes de repor equilíbrio entre os pólos contratuais. destacando-se os de alienação fiduciária e o arrendamento mercantil. 85 do mesmo diploma legal era também aplicado (Art.nas declarações de vondade se atenderá mais à sua intenção que ao sentido literal da linguagem). o que significa uma verdadeira negação de acesso à justiça. encerra uma centelha de criação. embora fosse para isso preciso afrontar o posicionamento tradicional dos mestres civilistas a respeito da força obrigatória dos contratos: "O princípio da força obrigatória no contrato contém ínsita uma idéia que reflete o máximo de subjetivismo que a ordem legal oferece: a palavra individual. Praticamente. com o propósito de mudar o curso de seus efeitos."(Orlando Gomes) (2) Com a crescente evolução de uma sociedade que prima pelo consumismo. como Nelson Nery Junior. o instituto da pacta sunt servanda "stricto sensu" não existe mais. ao atrasar qualquer das prestações avençadas é o consumidor surpreendido com ação judicial promovida pelo estipulante no foro deste. e onde vem sendo a praxe a inserção de cláusula abusiva onde se elege o foro do estipulante em detrimento do foro do domicílio do consumidor. Outros diplomas . valendo-se do direito comparado e atendendo aos fins sociais e às exigências do bem comum. largamente utilizados para a aquisição ou utilização de bens. tão forte e tão profunda. não vislumbrada até então. Trata-se de um contrato estandardizado. O art."(Caio Mário da Silva Pereira) (1) "Essa força obrigatória atribuída pela lei aos contratos é a pedra angular da segurança do comércio jurídico. é tão imperiosa que. 4. Em se reconhecendo a vulnerabilidade do consumidor no mercado de massa. de forma que. o princípio da intangibilidade do conteúdo dos contratos significa a impossibilidade de revisão pelo juiz. as cláusulas abusivas eram disciplinadas de maneira esparsa no direito positivo pátrio. o Poder Judiciário recorria às regras gerais contidas nos arts. surgiram os chamados contratos de adesão. de desequilíbrio entre as partes contratantes. há juristas. em um contexto atual de nosso direito. enunciada em conformidade com a lei. que não comporta retratação. que entendem não existir mais. depois de adquirir vida. pode intervir. a não ser excepcionalmente.185 desenvolvimento jurídico. popularmente difundido como leasing. Antes do Código de Defesa do Consumidor. como o pacta sunt servanda.º e 5. o que acabou por franquear o questionamento de institutos outrora inabaláveis.º da Lei de Introdução ao Código Civil para suprir essa lacuna: decidindo de acordo com a analogia.

195/1966 e outros. frente as exigências da boa-fé. não é exaustiva. o Decreto-Lei n.51º "São nulas de pleno direito. é inegável a importância da devida compreensão acerca do que sejam cláusulas abusivas. assim como as implicações decorrentes. 59. as cláusulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos e serviços que: .186 legislativos também tratavam do assunto. tendo direito à devolução imediata das quantias que eventualmente pagou. tais como o Decreto n. como se pode depreender da observância dos fatos acima expostos. causam em detrimento do consumidor um desequilíbrio importante entre os direitos e obrigações das partes. no caso de dúvida as cláusulas contratuais gerais devem ser interpretadas em favor do aderente. e sua conseqüente declaração de nulidade. pode o aderente exercer o direito de arrependimento. o Decreto n. pelo art. apresenta. A previsão de cláusulas abusivas pelo CDC. redigido em português. em seu artigo 51.038/1934. todo produto ou serviço deve ser obrigatoriamente acompanhado do manual de instalação e instrução sobre sua adequada utilização. autorizado a editar anualmente um rol exemplificativo do que são tidas por cláusulas abusivas É objetivo do estudo ora encetado a análise da posição doutrinária e jurisprudencial no que concerne às cláusulas abusivas. dentro do período de reflexão de sete dias. 24. há penalização se o termo de garantia não for adequadamente preenchido e entregue ao consumidor. Com o advento do CDC (4) foram trazidos avanços ao tratamento da proteção contratual do consumidor. que são aquelas cláusulas contratuais não negociadas individualmente e que. 2. Há apenas dois artigos no Código Civil brasileiro que proíbem o uso das cláusulas leoninas (3): o art. 1. no caso de o contrato de consumo ter sido concluído fora do estabelecimento comercial. entre outras. 58 do Decreto nº2. em linguagem clara e acessível. portanto. tais como: os contratos que regulam as relações de consumo não obrigarão os consumidores se não lhes foi dada a possibilidade de tomar conhecimento prévio de seu conteúdo ou se os respectivos instrumentos foram redigidos de modo a dificultar a compreensão de seu sentido e alcance. posto que. uma lista exemplificativa das chamadas cláusulas abusivas. sendo o Secretário Nacional de Direito Econômico autorizado. 115 e o art.372.Cláusulas Abusivas Dispõe o artigo 51 do Código de Defesa do Consumidor: "Art. 857/1969.181/97 (regula o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor). como regra básica. e do tratamento dado pela doutrina e jurisprudência a este assunto. corrigidas monetariamente pelos índices oficiais. é possível a inversão do ônus da prova em favor do consumidor.

6º. Órgão: Segunda Seção. Processo N°: 21540.".187 (. vexatórias ou. "Assim. sendo que a nulidade de qualquer cláusula considerada abusiva não invalida o contrato. Relator: Min.) IV – estabeleçam obrigações consideradas iníquas.". DJ-24/08/1998) "Competência.. Cláusulas abusivas. inseridas num contrato. VIII. acarretando desequilíbrio contratual entre as partes e ferindo os princípios da boa-fé e da eqüidade. e não operam efeitos. cláusulas como essa do instrumento havido entre as partes ostentam-se indisfarçavelmente ineficazes e sequer possível o seu aproveitamento". há que se entender cláusulas abusivas como sendo aquelas que estabelecem obrigações iníquas. causar uma lesão contratual à parte a quem desfavoreçam". São sinônimas de cláusulas abusivas as expressões cláusulas opressivas.699 –MG (97/0088907-6) (Anexo II) "Conflito de Competência. exceto quando sua ausência acarretar ônus excessivo a qualquer das partes. assim. Cláusula Abusiva O juiz do foro escolhido em contrato de adesão pode declarar de ofício a nulidade da cláusula e declinar da sua competência para o juízo do foro do domicílio do réu. abusivas. (5) Segundo Hélio Zagheto Gama: "As cláusulas abusivas são aquelas que. . em contrato de adesão. se utilizadas. Código de Defesa do Consumidor. a mais abalizada doutrina e atual jurisprudência. com os olhos postos no presente. Cláusula de eleição de foro. possam contaminar o necessário equilíbrio ou possam.. onerosas. tais cláusulas são nulas de pleno direito. que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada. e subsiste o contrato. ou sejam incompatíveis com a boa fé ou a equidade.. (STJ – AG Nº 170. (6) Assim. Foro de Eleição. Contrato de adesão. em que deve ser facilitada a defesa do direito do consumidor (Art. ainda. Cláusula de eleição de foro. somente a cláusula abusiva é nula: as demais cláusulas permanecem válidas.. excessivas. Competência Territorial. Conforme disposto no artigo supramencionado. (STJ. Prevalência da norma de ordem pública que define o consumidor como hipossuficiente e garante sua defesa em juízo". Tratando-se de ação derivada de relação de consumo. Ruy Rosado de Aguiar. de que resulta dificuldade para a defesa do réu.. no conceito de Nelson Nery Junior: "são aquelas notoriamente desfavoráveis à parte mais fraca na relação contratual de consumo. têm decidido em casos tais que. desde que se averigúe o justo equilíbrio entre as partes.

1. assim. sendo órgão do Ministério da Justiça.188 do Código de Defesa do Consumidor). que integra o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor. O DPDC deverá. pois. promotores. que não têm força de lei. dentre outras atividades.181/97 estabelece que. conforme especificado no artigo 3o do Decreto 2. Conflito conhecido. fiscalizar e aplicar as sanções administrativas previstas no CDC e solicitar a instauração de inquérito para apuração de delito contra o consumidor. aplicando-se o disposto no inciso IV do artigo 22 do Decreto 2.181/97. não se exigindo. uma proteção a posteriori do consumidor. são criadas normas proibindo expressamente as cláusulas abusivas nesses contratos. anualmente.181. prestar aos consumidores orientação permanente sobre seus direitos. mas servem de roteiro para os operadores do Direito (advogados." ( S. em caráter exemplificativo.181/97.2ª Seção . no momento posterior. Assim. elenco complementar de cláusulas contratuais consideradas abusivas.A Competência da Secretaria de Direito Econômico A Secretaria de Direito Econômico (SDE) foi criada pelo Decreto nº 2. são editadas em cumprimento ao disposto no citado artigo 56 do Decreto 2. as portarias publicadas pela Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça. . a fim de orientar o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor. 2. a coordenação geral da política do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor. compete ao Secretário Nacional de Direito Econômico editar anualmente um rol exemplificativo de cláusulas abusivas. cria novos direitos para o consumidor e deveres para o fornecedor.T. DJU de 16. para os comerciantes.05. . elencando as cláusulas abusivas. a SDE divulgará.j. de 20 de março de 1997 e atua por meio de seu Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC). O artigo 56 do Decreto 2. compreendido até a efetiva formação do vínculo contratual (fase pré-contratual). Juízes) e de advertência. exceção de incompetência. fizer circular ou utilizar-se de cláusula abusiva. inserir.1998. em 13. através do DPDC.98 ) O CDC apresenta dois momentos distintos de proteção contratual ao consumidor: no primeiro momento. São atos de natureza administrativa. garantindo. direta ou indiretamente. impende considerar como absoluta a competência do foro do domicílio do réu. cabendo aplicação de multa ao fornecedor de produtos ou serviços que. qualquer que seja a modalidade do contrato de consumo.11. Conforme anteriormente exposto. a previsão de cláusulas abusivas pelo CDC não exaure as hipóteses com o elenco ali exposto. através de um efetivo controle judicial do conteúdo dos contratos. Compete à SDE.J.181/97.

a anulação dos referidos contratos ou das cláusulas abusivas contidas no bojo destes. e/ou alegar que o CDC. na realidade não o são.189 2. Não obstante as penalidades administrativas que a SDE ou qualquer outro órgão integrante do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor possam vir a aplicar. por conseguinte. art. uma especialização do fenômeno do abuso. alegando que determinadas cláusulas tidas como abusivas pela SDE. ainda que indiretamente.Da Aplicação das Portarias da SDE aos Contratos Utilizados no Âmbito do Sistema Financeiro Nacional Ante o exposto. e.Destarte. Contudo. ou vigorar como um princípio subjacente ao ordenamento jurídico. aflorando casuisticamente na construção do caso concreto. pré-excluindo-se a contrariedade (Pontes de Miranda). quando não considerou como ilícito o uso regular de um direito (Código Civil. as instituições financeiras não podem ser impedidas de recorrer ao Poder Judiciário para solucionar os conflitos gerados em razão da aplicação ou não de regras referentes às relações de consumo. uma vez que a figura do cliente da instituição financeira não pode ser equiparada à figura do consumidor. em complemento à listagem constante do artigo 51 do CDC. Sendo caracterizada a relação como de consumo ou demonstrada. há instituições financeiras que pretendem questionar a validade/aplicação das portarias da SDE. de forma inequívoca. se pode depreender que o abuso estaria incluído. e conseqüentemente as portarias da SDE. As cláusulas abusivas seriam. segunda parte). I. se pode concluir que a SDE tem competência e legitimidade para orientar o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor e uma das formas por que se realiza esta orientação é a divulgação anual de cláusulas contratuais consideradas abusivas. Nesta feição é que o princípio da boa . contemplado pelo direito brasileiro de forma genérica. se pode concluir que o fundamento do repúdio às cláusulas abusivas assenta no princípio da boa fé. Do cotejo desta disposição.2. pois o cliente não é destinatário final dos serviços e/ou produtos oferecidos. duas alegações possíveis de serem articuladas por tais instituições seriam: questionar o conteúdo das portarias editadas pela SDE. 160. O princípio da boa fé pode encontrar amparo legal inserindo-se como conceito indeterminado numa cláusula geral. na classe dos atos ilícitos. não há que se discutir a não aplicação do CDC aos contratos bancários. portanto. a existência de cláusulas obscuras ou abusivas. não se aplicam a determinados tipos de contratos utilizados no Sistema Financeiro Nacional (caso em concreto). pelo uso anormal do direito. ou ainda configurada a excessiva onerosidade das obrigações assumidas livremente pelos clientes.Meios de Controle das Cláusulas abusivas O fundamento jurídico em que sedimenta a doutrina brasileira o posicionamento acerca das cláusulas abusivas é o abuso de direito.3. 2.

cujo voto é a seguir transcrito. antes e depois da vigência do CDC. O juiz decidirá a lide nos limites em que foi proposta. Tanto que está presente no rol das cláusulas abusivas. com ressalva de meu posicionamento. sem necessidade de ação judicial."(grifo que não consta do original) A lei fala em nulidade de pleno direito. Cumpre destacar por oportuno a questão da decretação judicial de nulidade da cláusula abusiva não suscitadas pelas partes. como regra cardeal (arts.. e a inovação trazida ao tratamento desta questão pelo CDC.162-RS. que veda ao juiz conhecer de questões a cujo respeito a lei exige (exigia) a iniciativa da parte". sendo-lhe defeso conhecer de questões. que teve como relator o eminente Ministro Ruy Rosado de Aguiar. para os contratos formulado anteriormente ao CDC.IV). era aplicado a inteligência dos artigos 128 e 460 do CPC. à luz do disposto no art. caput.. Sem o comando dessa nova diretriz. o sistema de invalidade no direito civil comum é dúplice: os autores tratam das nulidades absolutas e das relativas. 51. 6º.190 fé se faz largamente presente no sistema brasileiro. 128. dizendo ainda que Código Civil versa a figura da nulidade e da anulabilidade. prevalece a norma geral do artigo do Código de Processo Civil.6º São direitos básicos do consumidor: (. IV do CDC: "Art. gera discussões acerca da natureza deste vício. a cujo respeito a lei exige a iniciativa da . É patente a diferença de tratamento por esta turma do STJ. se de nulidade absoluta.. métodos comerciais coercitivos ou desleais. cuja diferença seria o grau de intensidade do defeito que macula o ato. e III. Pontes de Miranda discorda dessa terminologia. a seguir transcritos: "Art. sobre a inaplicabilidade das regras do Codecon às relações de consumo celebrados antes de sua vigência. 4ª Turma tem reiteradamente decidido. não suscitadas. in verbis: "Esta Eg. uma cláusula geral que autoriza o repúdio das disposições que ". estabelecendo que o vício é meramente parcial. o Código de Proteção e Defesa do Consumidor é explícito a respeito da boa fé. Segundo Arruda Alvim.. sejam incompatíveis com a boa-fé e equidade". A proteção contra cláusulas abusivas é direito básico. Veja-se o RESP nº 90. ou relativa ou anulabilidade.. aquela é sempre ipso jure. enquanto esta depende sempre da manifestação judicial. bem como contra práticas e cláusulas abusivas ou impostas no fornecimento de produtos e serviços. art. O fato de ter o CDC estabelecido a nulidade de pleno direito das cláusulas.) IV – a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva. 4º.

conflito conhecido e declarada a competencia do juizo suscitado. Segundo a orientação predominante na 2a. as cláusulas consideradas absolutamente nulas. Cív. o juiz não pode declarar nulidade de cláusulas ex officio. Assim também manifestou sua posição Nelson Nery Jr. independentemente de provocação das partes. Cláusulas abusivas. violando os dispostos nos arts. bem como condenar o réu em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado". realizado no hotel Bourbon em Curitiba. ele revê as cláusulas. DJ. sendo sujeito ativo. Destinatário. Objetivando a desconstituição de cláusulas. 460. nos limites em que este o formulou. ensina Moacyr Amaral Santos: "A sentença deverá ser a resposta jurisdicional ao pedido do autor. de natureza diversa da pedida. – Relator Juiz Antonio Janyr Dall’Agnol Junior) "Conflito de competência. a incompetência em razão do lugar. Constatada a cláusula abusiva. a maior parte da doutrina diverge dessa orientação. . onde o magistrado não somente muda um estado. independentemente de provocação das partes. Neste sentido: "Código de Defesa do Consumidor.(STJ. por ser de natureza relativa. criando uma nova realidade. Para ele. É defeso ao juiz proferir sentença. criando uma nova relação. O juiz constrói. 29/10/1996) Contudo.191 parte". (7) Conforme esse entendimento. participando. dado o seu cunho de ordem pública. integrando e construindo as cláusulas no contrato de modo que se possa dar execução ao mesmo. ressalva da posição do relator. Afastando-se desses limites. mas é também sujeito ativo. deve a sentença ater-se ao pedido" (TARGS – APC Nº 193051216. Sobre o princípio da congruência e o princípio da adstrição do juiz. Clausula abusiva. "Art. não podendo a sentença extrapolar os limites da litiscontestatio. devem ser declaradas nulas. Relator: Min.7ª Câm. chamada de "Sentença Determinativa". posto que é decretável de ofício. Competência territorial. a favor do autor. em homenagem ao princípio da congruência. Processo n°16253. durante o Congresso Paranaense de Direito Processual Civil. ainda quando se trata de foro de eleição estabelecido em clausula de contrato de adesão. Ruy Rosado de Aguiar. a sentença decide extra ou ultra petita". Proteção Contratual. Ele sugere uma nova hipótese de classificação de sentença. quando observado o vício. A causa deve ser julgada como proposta e contestada. Foro de eleição. impõe-se ao juiz a sua decretação. seção. 128 e 460 do CPC. adequando o contrato. para não ocorrer julgamento extra petita. deve ser suscitada pelo reu (sumula 033). Órgão: Segunda Seção. admitindo assim a decretação ex officio.

desde que se averigúe o justo equilíbrio entre as partes. rapidez. não sendo isto defeso ao juiz. acarretar ônus excessivo a qualquer das partes. exceto quando sua ausência. têm decidido em casos tais que. o CDC adotou o princípio da conservação dos contratos ao determinar que somente a cláusula abusiva é nula. o consumo depende do desenrolar da economia de mercado. e que é na mais das vezes resultado direto da fragilidade econômica do consumidor.699 –MG (97/0088907-6) Resta inconteste que coaduna com a busca de equilíbrio na relação contratual a admissibilidade da intervenção judicial na base do contrato. e sua importância em parte deriva da constatação que os contratos de consumo guardam intrínseca relação com a economia.Contratos de Adesão Os contratos de adesão surgem como forma de proporcionar maior uniformidade.Efeitos nos contratos A definição de cláusulas abusivas. Aqui. 2. o CDC. subsistindo o contrato.5. Há inúmeros exemplos de jurisprudência que convergem com esta doutrina: "Assim.192 assim que o vício é detectado. o legislador baseou-se na chamada "redução de eficácia" da doutrina alemã. o consumidor poderá solicitar ao juiz de direito que altere o conteúdo negocial de uma cláusula considerada abusiva. com os olhos postos no presente. Além do previsto no artigo 51. a mais abalizada doutrina e atual jurisprudência. institui como um direito do consumidor a possibilidade de modificação de cláusulas contratuais no sentido de restabelecer o equilíbrio da relação com o fornecedor. prevendo a ineficácia de uma cláusula abusiva e não simplesmente sua nulidade absoluta. que concorda com todos os termos do contrato que lhe é apresentado. e os efeitos dela decorrentes. são aplicáveis tanto aos contratos de adesão quanto aos contratos paritários e são sempre consideradas nulas.4. sem que tenha havido oportunidade de discussão do mesmo. em seu artigo 6º. apesar dos esforços de integração. tendo em vista que os contratos são instrumentos de circulação de riquezas. cláusulas como essa do instrumento havido entre as partes ostentam-se indisfarçavelmente ineficazes e sequer possível o seu aproveitamento". 2. eficiência e dinamismo às relações de consumo. A teor do disposto no parágrafo 2º do multicitado artigo 51 do CDC. permanecendo válidas as demais cláusulas contratuais. com o fim maior de não se permitir a execução da onerosidade constatada em seu bojo. a nulidade de qualquer cláusula considerada abusiva não invalida o contrato. e vice versa. Destarte. . prevendo a norma geral a proibição de cláusulas contra a boa-fé. (STJ – AG Nº 170.

cláusulas abusivas. via de regra. deve o juiz reconhecer de ofício a . Caracteriza-se por ser um negócio jurídico bilateral. mormente na Itália. isto é." Nos contratos de adesão. os contratos de adesão podem ser tidos como uma necessidade do mundo globalizado. nas quais apenas uma das partes. eliminada a livre discussão que precede normalmente à formação dos contratos". 54 definiu o contrato de adesão: "Art. o contrato de adesão. de modo geral e abstrato.193 Assim. e devido à necessidade de adquirir o bem ou o serviço o indivíduo acaba por aceitar as condições que lhe são impostas. Segundo Ana Maria Zauhy Garms. inexistindo as negociações preliminares e modificação de cláusulas. formado pelo concurso de vontades (embora restrito). 54 – Contrato de Adesão é aquele cujas cláusulas tenham sido aprovadas pela autoridade competente ou estabelecidas unilateralmente pelo fornecedor de produtos ou serviços. isto por que neste tipo de contrato não há oportunidade de negociações. conforme exposto. por suprimir a prévia discussão do conteúdo entre fornecedor e consumidor. próprias dos contratos paritários. aquele que está propondo a aderência a toda a proposta. Entretanto. esse tipo de contrato apresenta-se como a adesão alternativa de uma das partes ao esquema contratual traçado pela outra. sai beneficiado em relação ao aderente. sem que o consumidor possa discutir ou modificar substancialmente seu conteúdo. "As grandes instituições utilizam-se dos contratos de adesão para praticarem abusos contra os consumidores. (8) Segundo Orlando Gomes: "O contrato de adesão caracteriza-se por permitir que seu conteúdo seja preconstruído por uma das partes. Define-se o contrato de adesão como o negócio jurídico no qual a participação de um dos sujeitos da relação sucede pela aceitação em bloco de uma série de cláusulas formuladas antecipadamente. O Código do Consumidor em seu art. pela outra parte. uma das cláusulas mais comuns é a de eleição do foro do estipulante em detrimento do foro do domicílio do consumidor. o que gera grande desigualdade nas relações de consumo entre as partes contratantes. Uma das mais comuns cláusulas abusivas em contratos de adesão é a de eleição do foro do estipulante em detrimento do foro do domicílio do consumidor. e que na maioria das vezes não são esclarecidas ou informadas pelo funcionário da instituição responsável pela realização do contrato". (10) Os contratos de adesão são unilaterais. traz. não obstante existam antes do processo de globalização. e segundo corrente dominante na doutrina. para constituir o conteúdo normativo e obrigacional de futuras relações concretas. (9) Em sua formação. como anteriormente salientado.

(grifo que não consta do original) Isto posto. visto que devem submeter-se aos mandamentos insertos no Código de Processo Civil e nas leis de organização judiciária dos Estados. O Código de Processo Civil e as normas de organização judiciária dos Estados estipulam as diretrizes básicas para a definição dos limites da competência a serem observadas na prestação jurisdicional. citado por Maria Helena Diniz: "Violar um princípio é muito mais grave do que transgredir uma norma. pág. as partes não podem escolher livremente o foro onde querem propor a ação. A desatenção ao princípio implica ofensa não apenas a um específico mandamento obrigatório. a ação será proposta em qualquer o foro". torna o juízo absolutamente incompetente ante à flagrante violação ao "princípio do juiz natural". a ação será proposta no foro do domicílio do autor. o consumidor. 1989. como imperativo de ordem pública. LIII. mas a todo o sistema de comando. in casu. enquanto que a exigência de que a parte suscite a incompetência do foro está inviabilizada pelas mesmas circunstância que levaram ao reconhecimento da abusividade da eleição do foro. ressalvadas às partes a faculdade de instituírem juízo arbitral". A única hipótese em que a ação pode ser proposta em qualquer foro do Brasil está estandardizada no artigo 94. subversão de seus valores fundamentais. assim como declinar da competência para o juízo do domicílio do réu. Dispõe o art. pelos órgãos jurisdicionais. À luz desse dispositivo.São . nos limites de sua competência. 116. ou simplesmente decididas. contido no comando do artigo 5º. a propositura da ação no foro do domicílio do estipulante ou em qualquer outro que não seja a do domicílio do consumidor. Cumpre salientar a lição do Professor Celso Antônio Bandeira de Mello. Se este também residir fora do Brasil.194 nulidade da cláusula abusiva. conforme o escalão do princípio violado. porque a nulidade da cláusula faz desaparecer a razão pela qual a ação foi proposta no juízo que se dá por incompetente. Saraiva . É a mais grave forma de ilegalidade ou inconstitucionalidade. porque representa insurgência contra todo o sistema. (In NORMA CONSTITUCIONAL E SEUS EFEITOS. Essa decisão não conflita com a Súmula 33 do STJ. 86 do aludido diploma legal: "As causas cíveis serão processadas e decididas. e conseqüente afastamento desta. da Constituição Federal: "Ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente". § 3º "in fine" do CPC: "Quando o réu não tiver domicílio nem residência no Brasil. contumácia irremissível a seu arcabouço lógico e corrosão de sua estrutura mestra".

por essa razão.(Embargos de declaração nº 98. "EX OFFICIO". a validade da cláusula de foro de eleição deve ser de logo examinada.M. DECLINAÇÃO. o que impõe sua revogação". Inaplicabilidade da súmula 33/STJ. especialmente quando há possibilidade de deferimento de medida liminar. ambos do Código de Processo Civil vigente. A divisão da competência estabelecida por lei de organização judiciária. Ainda que se reconheça que na divisão do foro de São Paulo em diversos Juízos há forte componente territorial que marca a delimitação da competência de cada um entre si. Nesse sentido: "Foro Regional e Declaração ex officio de incompetência. não se pode afirmar tratar-se o caso de competência territorial relativa. em se tratando de ação que tenha por objeto contrato de adesão. Ccomp 24495-0. Esp. a teor do estabelecido no art. A decisão objurgada. v. 122. j. a propositura da demanda perante foro diverso do domicílio do consorciado dificulta .078/90 .10. ganhando por isso contornos de competência absoluta. Ao receber a petição inicial ao juiz cumpre examinar a validade e eficácia de tal cláusula e impedir que.195 Paulo). prejudicial à defesa do consumidor. porquanto. emerge dos autos ser completamente incompetente o Juízo "a quo" e. CONTRATO DE ADESÃO. Nigro Conceição. 113. Com o devido respeito àqueles que se filiam a outro entendimento. para que não sirva de invencível acesso à justiça.. nula de pleno direito a decisão objurgada. Decisão unânime. dentro da cidade de São Paulo. rel. através de seu cumprimento. Marcos Antônio Souto Maior. COMPETÊNCIA. que se destaca pela superioridade da vontade do estipulante e reduzido âmbito de escolha do aderente. esteja sendo sobremaneira dificultada a defesa do réu. Julgado em 23 de abril de 1998) "CONSUMIDOR. mas sim de reconhecimento de normas de ordem pública a exigir a remessa dos autos à Comarca do domicílio do consumidor.Hipótese que não se trata de declinação de ofício de incompetência relativa. 265. determinou e ocasionou a apreensão do veículo pertencente a agravante e. ADMISSIBILIDADE.1995. Câm. Embargante: Suy Mey C. é nula de pleno direito por Ter sido editada por Juízo agora tido como absolutamente incompetente. em determinada área da cidade.000181-3.Consórcio . combinado com o art. incisos VII e VIII da Lei nº 8.Artigo 6º. confere a cada um parcela de competência funcional dentro do foro de São Paulo. Des. sem sombra de qualquer dúvida tem cunho decisório. à luz do que fora exposto. 1ª Câmara Cível.u. m vista todo o exposto.Foro de Eleição .)" "COMPETÊNCIA . Embargado: Banco Fiat S/A. Assim. Gonçalves. Abusividade da cláusula de eleição de foro. Rel. declinável ex officio (TJSP.Contrato de Adesão _ Prevalecimento do Código de Defesa do Consumidor para que o devedor tenha acesso aos órgãos judiciários e facilitação de sua defesa .

estabelecida em contrato de adesão.196 seu acesso à Justiça. Julg. Lei 8. A eleição de foro é tão somente a mais comum dentre as cláusulas abusivas comumente contidas nos contratos de adesão.406-2. não sendo lícita. decretável de ofício. 5º. Ag de Inst. VIII". precipuamente aos desígnos constitucionais e não. exercício de seu direito de resposta. Ag. Também no mesmo sentido o voto do magistrado Antônio Carlos Marcato. Competência absoluta. XXXV). atender. o que configura a abusividade da cláusula e a sua nulidade de pleno direito.078/90 (CDC). podem . da ampla defesa e da supremacia do interesse público hão de ser preservados e aplicados em todas as situações processuais. e assim caracterizada a abusividade da cláusula. é justa e razoável a conclusão de que o reconhecimento e a proclamação afronta a preceitos constitucionais demandam exame. na medida em que a existência e o exercício da técnica processual têm por objetivo. ao contratante mais fraco sérios (e por vezes insuperáveis) óbices ao pleno acesso à jurisdição e à sua defesa no processo. 29240. nem jurídica. caso a caso. quando desde logo evidenciado que o demandando terá extrema dificuldade para exercitar sua defesa. em se tratando de foro de eleição favorável ao estipulante de contrato de adesão. em Agravo de Instrumento nº 477. impor ônus e gravames indevidos a um dos sujeitos processuais. de acesso à justiça. não obstante esse direito seja garantido constitucionalmente (CF/88. Juiz Cesar. Júlio Vidal. Direito do consumidor em ser demandado em seu domicílio. Linbs. art. COMPETÊNCIA. sejam quais forem. art. nem estabelece obrigação que possa ser considerada iníqua ou abusiva. Itú. ainda quando está a decidir sobre a competência de foro. de Inst. da 79 Câmara do Segundo Tribunal de Alçada Civil de São Paulo: "A cláusula eletiva de foro. Rel. incumbe ao juiz impedir que ela tenha eficácia." Os princípios constitucionais do juiz natural. à evidência. É essa a posição que vem prevalecendo na melhor jurisprudência. seria suficiente. É caso de nulidade de pleno direito. Julg. a pura e simples generalização de que toda e qualquer cláusula eletiva do foro seja. em 30/10/96). 32959-4. e essa afronta. Daí porque. revela-se abusiva se e quando impuser. (TJSP..: Des. todas elas. pela parte economicamente mais forte. No entanto. "CONSÓRCIO. quando não o impossibilita. assim afrontando as correspondentes garantias constitucionais. das circunstâncias que envolvem o contrato. (TJSP. abstraídos outros aspectos processuais (de menor ou nenhuma importância em confronto com ditas garantias). mormente quando não impõe ao réu maiores dificuldades para o pleno. Rel. declinando da sua competência para o foro de domicilio do réu. em 30/10/96). 6º. à luz do CDC (Lei nº 8078/90). colocando-o em desvantagem exagerada. CONTRATO DE ADESÃO. por si só. para justificar a pronta remessa dos autos ao foro do domicílio da parte hipossuficiente.

quando o seu cumprimento significar verdadeira negação de acesso à justiça. cumpre salientar que nem toda regulamentação contratual préformulada pode ser entendida como abusiva. 3. "No que tange aos contratos de adesão o Código de Defesa do Consumidor é bem claro ao especificar que todos os contratos devem ser revistos quando tornarem-se excessivamente onerosos. reintegração de posse decorrente de contrato de leasing. A decisão judicial que reconhece a nulidade de cláusula abusiva e declara a incompetência de ofício.197 ser questionadas.6. (12) 2. da supremacia da ordem pública e da magnitude da defesa do consumidor. ou outra qualquer.A cobrança extrajudicial de honorários advocatícios como cláusula abusiva A questão ora analisada concerne à cobrança de honorários advocatícios por escritórios de advocacia do consumidor. uma vez que se amoldem ao disposto no art. Assim. sob o argumento de que o escritório que faz a cobrança só recebe o pagamento se houver o acréscimo dos encargos (juros de mora e multa) além de honorários advocatícios. As cláusulas negociadas destes contratos deverão subordinar-se à interpretação comum dos contratos. se o consumidor ou o fornecedor contratante. derrogando as cláusulas abusivas.A recepção do princípio da predominância da ordem pública pelo CDC como meio de afastamento das cláusulas abusivas nos contratos de adesão Os princípios do juiz natural. em razão de débitos em atraso com o fornecedor. não ofende a Súmula 33 do STJ. pelo que pode e deve o juiz declarar de ofício sua competência para processar as ações de busca e apreensão. são amplamente aplicados aos contratos de adesão. (11) Por fim. o juiz deve ainda de ofício reconhecer a nulidade de cláusula abusiva. por força dos dispositivos pertinentes à espécie contidos no CDC. conforme exposto no presente estudo. porque a nulidade da cláusula faz desaparecer a razão pela qual a ação foi proposta no juízo que se dá por incompetente. quando a propositura da ação no foro de eleição. O cerne da questão é a quem cabe arcar com o pagamento dos honorários devidos ao advogado. que as cláusulas abusivas devem ser desconsideradas pelo consumidor". em contrato de adesão. enquanto a exigência de que a parte suscite a incompetência do foro está inviabilizada pelas mesmas circunstâncias que levaram ao reconhecimento da abusividade da eleição de foro. De início cumpre . na sede da empresa estipulante. tal como a que elege. 51 do CDC. que variam de 10 a 20% do valor devido. o foro do domicílio do estipulante. e ainda. dificultará sobremaneira a defesa do réu em juízo. cabendo ao julgador verificar a abusividade ou não das cláusulas pré-elaboradas.

98. 22 do Estatuto da advocacia (convenção entre as partes). Arcar com os honorários de advogado para agir contrário aos seus próprios direitos/interesses é. acima transcrito que "O consumidor não está obrigado ao pagamento de honorários ao advogado do fornecedor. arbitramento judicial ou sucumbência" Vê-se que nenhuma destas hipóteses legitima a cobrança de honorários da parte que não contratou. Além disso. como é o caso do consumidor. de 12/05/98 (13). ao recorrer aos préstimos do advogado.03.078/90 e do art. sem que igual direito lhe seja conferido contra o fornecedor". realizada em Brasília. A Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça editou a Portaria nº4/98 que tipificou como abusiva a cláusula contratual que obriga o consumidor ao pagamento de honorários advocatícios. E caso haja o consumidor assinado contrato que contenha cláusula prevendo que. estatui o art. ver-se-á que o caso em tela enseja a aplicação da Teoria da Abusividade na Relação de Consumo em prol do consumidor. arcar com o pagamento dos honorários advocatícios. deverá ele. indubitavelmente. deixa de aceitar receber a parcela vencida. esclarecendo em relação ao item 9. se nos reportarmos à definição de cláusula abusiva. em conformidade com a decisão unânime extraída da 19ª Reunião do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor. objetivando declarar a nulidade absoluta da cláusula. (item 9 da Portaria nº 4/98). em caso de inadimplemento. prescrevendo a Súmula nº 60 do STJ: "É nula a obrigação cambial assumida por procurador do mutuário vinculado ao mutuante no exclusivo interesse deste". Os serviços jurídicos contratados diretamente entre o advogado e o consumidor não se enquadram neste item". cumpre perguntar se seria cabível aplicar-se o art.198 observar que o consumidor não celebrou nenhum contrato com o escritório de advocacia. o que corrobora a tese da abusividade da cobrança. 22 do Decreto 2. outras cláusulas abusivas. consumidor. um ônus imputado ao consumidor em desvantagem exagerada. O artigo 22 do Estatuto da Advocacia (lei 8. . expressou nota explicativa a respeito dos motivos da edição da Portaria nº 04 de 13. pelo que resta óbvio que quem deve pagar os honorários é o fornecedor. 51. 51 da lei 8. que. esta Portaria adita ao elenco do art. XII do CDC que é nula a cláusula contratual que "obriguem o consumidor a ressarcir os custos de cobrança de sua obrigação. O Despacho nº 132 do Secretário de Direito Econômico. sem ajuizamento de ação.906/94) dispõe que há três possibilidades de cobrança dos honorários advocatícios: "quando há convenção entre as partes.181/97. prescrevendo como nula de pleno direito a cláusula contratual que obriguem o consumidor ao pagamento de honorários advocatícios sem que haja ajuizamento de ação correspondente. O STJ já pronunciou a respeito da nulidade de cláusula contratual no caso da denominada cláusula mandato. a qual deve então ser paga diretamente ao advogado contratado. entretanto. que autoriza a emissão de título cambial por procurador. Ora.

Em virtude da importância conferida assim às relações de consumo. as cláusulas abusivas merecem um tratamento metodológico como tentativa de conter tais procedimentos. Retirado de . Curso de Direito Civil Brasileiro. 1997 GAMA. ditando o tom do regime jurídico e legal das condições gerais dos contratos. Hélio Zaghetto.. ou seja. pelo que passou o Direito do Consumidor a ser um dos principais elementos de afirmação da cidadania. o que denota o reflexo no âmbito jurídico do processo de evolução por que passou a economia. já não se aplica mais indistintamente o pacta sunt servanda. como bem pontifica Ana Maria Zauhy Garms (14): "A proteção do consumidor surge pela determinação de se cumprir a igualdade contratual. independentemente da posição ou condição de cada parte envolvida". cumpre ao Estado tutelar a parte hipossuficiente da relação contratual. legislativo. com a fixação de jurisprudência. fls. É objetivo do Código de Defesa do Consumidor assegurar ao consumidor igualdade em face do fornecedor. e igualmente quando se igualam. dentro da proteção contratual estabelecida com o advento do Código de Defesa do Consumidor. (24/70) DINIZ. e judicial. Arruda.V. 12 Ed. Maria Helena.Conclusão Do presente estudo se pôde com propriedade depreender que atualmente é grande. 2001 luz GARMS. com a instituição de órgãos próprios estatais. Curso de Direito do Consumidor.Teoria das obrigações contratuais e extracontratuais. Rio de Janeiro: Forense. 5. tratar de forma desigual os desiguais a fim de que se tornem iguais. assim como a compreensão e percepção desse instituo pelos juristas. São Paulo: Saraiva. Referências bibliográficas ALVIM. tutela esta que é feita no plano administrativo. Revista de Direito do Consumidor nº 20. 3. a presença dos contratos de adesão nas relações de consumo. a crise do liberalismo refletiu no declínio do individualismo característico daquela realidade sócio-econômico. por meio de leis específicas de proteção. Cláusulas Abusivas e seu Controle no Direito Brasileiro. Da preocupação do Estado com os problemas da defesa do consumidor advieram grandes mudanças na elaboração dos contratos. Ana Maria Zauhy. É o tratar de forma desigual as partes no momento em que elas se desigualam. por vezes maciça. diante da configuração contratual.199 4. Cláusulas Abusivas nos Contratos de Adesão à do Código de Defesa do Consumidor. Assim.

com.. 1966 RODRIGUES. Retirado de www. Ed. III.infojus.br/doutrina/clabusi. Rio de Janeiro: Forense. Ed.com.htm em 20. Direito Civil. 47. foram convidados. São Paulo: Saraiva. pelo telefone. Retirado de http://www1. 1997 PEIXOTO.jus.asp?id=708 em 24. Rio de Janeiro: Forense. Luís Fernando Klippert e S/M. às 21h. Michelline Oliveira Klippert ingressaram com ação de rescisão contratual contra Goettert .nov.. GRINBERG. Cláusulas abusivas nos contratos de adesão. Vol. 49. narrando que. tendo em vista um projeto turístico. Orlando. Lá comparecendo. 26a ed.3 – Dos Contratos e das Declarações Unilaterais de Vontade. Contratos. Marco Aurélio Ventura. Código de Processo Civil Comentado.Engenharia e Construções Ltda.. Instituições de Direito Civil. In: Jus Navigandi.2001 GOMES. Rosana. Código do Consumidor.htm em 24.São Paulo: Revista dos Tribunais.jus. Plínio Lacerda. n. V. 2a.1999 SANTOS.200 www.nov. no dia 03.Engenharia e Construções Ltda. n..nov. 16.. Retirado de http://www1.2001 NERY JUNIOR.nov.v. A questão das cláusulas abusivas nos planos de saúde.br/doutrina/texto. In: Jus Navigandi.2001 MARTINS. Silvio. Caio Mário da Silva.2º Juizado Comarca de Porto Alegre Autores: Luís Fernando Klippert Ré: Goettert . participaram de um coquetel e tiveram conhecimento de um .jus.com. Moacyr Amaral.br/area7/rosana2.com.asp?id=788 em 24. etc. na Rua Luzitana nº597. 1995. Vistos. Comentários ao Código de Processo Civil. Cobrança extrajudicial de honorários advocatícios: cláusula abusiva.br/doutrina/texto. Nelson. IV 6. para comparecerem no dia seguinte.0795. Anexo Sentença proferida em sede de ação de rescisão contratual Processo nº0119539789 8ª Vara Cível .2001 PEREIRA.

Retornaram no dia seguinte. O comércio não pode estar baseado no aliciamento. verificaram divergências entre o que foi dito na ocasião e o que constava no contrato. Foi informado que o preço estava em promoção e que o contrato deveria ser assinado naquela mesma noite. por exemplo.201 projeto de construção com vendas de cotas para serem utilizadas em condomínio por diversos proprietários. uma vez paga a multa estipulada. desrespeitosa e inaceitável de comércio. Pretendem os requerentes a rescisão do contrato. bem como as parcelas vencidas. Aduz que o contrato deve ser respeitado. o qual foi analisado pelos requerentes. seduzidos pelo "marketing" da requerida. eis que firmado de forma livre pelos autores. Realizada audiência. O art. invocando normas do Código de Defesa do Consumidor. 49 do CDC não se aplica. a possibilidade de ser feita a cumulação de semanas não aproveitadas em um ano para o ano seguinte. impondo-se a firme atuação dos órgãos encarregados de defender o consumidor. que corresponde ao ressarcimento de despesas. Ao retornarem para casa. sendo condenada a ré no pagamento dos encargos de sucumbência. Não havia. prestando todas as informações a respeito do empreendimento. Versam os presentes autos a respeito de uma forma totalmente abusiva. foram ouvidas as partes e testemunhas. manifestando o interesse em desfazer a avença. pois o contrato não foi firmado fora do estabelecimento comercial. sendo que a requerente é advogada. Os autores não concordaram e enviaram correspondência. deveriam pagar multa no valor de 35% do valor do imóvel. até porque seria muito difícil. as únicas pessoas presentes na ocasião eram os autores e funcionários da ré. Assim. para rescindir o contrato. para coibir tais práticas. Não ficou demonstrada esta alegação dos requerentes. analisando melhor o negócio. Os autores responderam. Requer a condenação dos autores no pagamento das despesas relacionadas com o contrato. para tanto. Preocuparam-se os autores em demonstrar que o contrato e o regulamento para uso do empreendimento turístico estava em desacordo com o que havia sido dito na exposição da ré. aproveitando-se de menor reflexão. fechar um negócio que não era de interesse do comprador. Contesta a ré. ocasião em que foram informados de que. na preparação de armadilhas. É possível rescindir o contrato. Sustenta ter agido corretamente. proferindo-se os debates orais. Relatados. . decido. ou arapucas. firmaram o contrato. a fim de atrair o consumidor e.

etc. Por outro lado. para ler e refletir. primeiro. existindo todo um cenário montado. de aliciar clientes sem que estes tenham pleno conhecimento da finalidade para a qual estão fornecendo os seus dados. sabe-se que os vendedores ou recepcionistas. e também os salgadinhos e bebidas servidos aos participantes. nem é apresentado o regulamento. O que parece um inocente coquetel. com as mesmas "promoções". naquela noite. apresentando solução para todas as eventuais objeções. Ao cliente não é permitido levar o contrato para casa. como absolutamente irrelevante eventual divergência entre o que foi tratado inicialmente e o contrato firmado. À exposição oral soma-se o cenário cuidadosamente montado. Conforme relataram as pessoas ouvidas. com apresentação de filme. existe uma promoção "imperdível". restaurantes. avaliar criticamente o que está sendo dito. Do início ao fim da exposição o casal é acompanhado de pessoa encarregada de afogar os incautos em informações excelentes sobre o empreendimento. depois. Além disto. em tais empreendimentos. As irregularidades são tantas que o contrato não tem como subsistir. acreditando que vai para uma festa. com todos os sentidos ocupados em transmitir ao cérebro informações novas. é de referir o procedimento já aludido. maquete. os clientes são encaminhados para as mesas dos vendedores. antes de ser assinado o contrato. o cliente fica totalmente incapacitado de refletir sobre o que está comprando. ou pesquisa. sub-reptícia. para ajudar a distrair e criar . o aliciamento do consumidor começa com uma pretensa entrevista. a ré faz os tais coquetéis todas as noites. a necessidade de processar todas essas informações acaba reduzindo a capacidade de raciocinar. Não é difícil perceber que. Conforme ficou claro pela prova colhida. vem o convite para o coquetel. são cuidadosamente treinado para falar continuamente e não deixar qualquer dúvida no espírito do cliente. acaba tendo várias funções. onde lhes é dito que. Identificado um cliente em potencial. É do conhecimento de todos que existem equipes de "recepcionistas" atacando as pessoas em lugares públicos. que. no qual o consumidor será convencido a comprar tal empreendimento. que nem existe. o convite para um coquetel configura nova forma de seduzir o comprador por via indireta. Primeiro. no entanto. portanto. O fundamental é que toda a atuação da ré é inaceitável.202 Tenho. apartamento decorado. termina enredado em uma enfadonha reunião comercial. Ao fim de duas horas de aranzel monocórdio sobre as maravilhas do prédio. ou qualquer outra forma de obter os dados pessoais e informações quanto ao patrimônio do comprador em potencial. para servir de atrativo para o cliente. Conforme restou perfeitamente esclarecido pelos documentos e testemunhas ouvidas.

que causa dificuldade para qualquer pessoa de visão normal ler na totalidade. de ameaça. que o preço está em promoção "só naquela noite". quando é instado a fechar o negócio. Acontece que. Tem-se. tendo mais um vendedor à frente. Discorreu eruditamente a ré a respeito dos contratos e da coação. Por outro lado. utilizando a empresa ré de dois artifícios. Se o que foi referido não bastasse. após algum tempo. Mas isto a ré não aceita que seus clientes façam. Fica evidenciado que todo o esquema está montado para induzir as pessoas a efetuarem o negócio sem a devida reflexão. Não creio que algum comprador pare para ler uma por uma das cláusulas. Mas de forma sutil. fazer uma avaliação crítica e decidir pela aceitação da mesma. Muitas superproduções de Hollywood fracassam por não conseguirem manter a atenção do público por duas horas. independentemente das maravilhas de determinado produto ou serviço. o desrespeito de impedir o cliente de levar o contrato para ler na sua casa. mesmo lendo o contrato. a explanação de duas horas apresenta-se como um exagero com o visível intuito de cansar os clientes e vencer suas últimas resistências. Não na forma de violência. ou a capacidade reduzida. a coação existiu. ao efetuar a compra. Resulta em um aparato de procedimentos mercadológicos que impõe sérias dúvidas a respeito da vontade livre e espontânea do consumidor. depois de duas horas de agradável explanação. Agora imagina-se ao fim de um dia de trabalho. não há dúvida quanto à falta de capacidade. etc. O negócio teria sido livremente estabelecido.203 um vínculo. Segundo. velada. Primeiro. o contrato está impresso em letras minúsculas. daí ser "norma" da empresa que o contrato seja assinadona mesma noite. Ora. por parte do comprador. devolvido assinado. como a ré fez questão de lembrar. Ademais. uma mentira. ao fim de toda a maratona. No caso em tela. o cliente é encaminhado ao vendedor. a cláusula que estabelece a multa de 35% é . se os autores tivessem levado o contrato para casa e. por leve que seja. na obtenção da vontade do consumidor. aliados às técnicas de vendas. para decidir. duvido firmemente que. convencendo sobre o insuperável empreendimento. sustentando a inexistência desta no presente caso. Ao final deste bombardeio arrasador. Na verdade. o comprador consiga atentar para o sentido de cada cláusula. todo um esquema montado para induzir o comprador a fazer um negócio que pode até não ser ruim. teve gastos com o coquetel oferecido aos autores. sociologia. tendo em vista tudo o que já foi referido. portanto. pode até ser bom o empreendimento oferecido pela ré. Não se discute este aspecto. a coação"moderna". um débito do convidado. preparada por profissionais de marketing com aprofundados conhecimentos de psicologia.. não se admite a coação.

a ré irá embolsar este valor. decretando a rescisão contratual. pois o consumidor teve reduzida a sua capacidade de decisão livre e conscientemente. para 4 pessoas. a requerida beira a má-fé. bem como outras despesas. Ademais." Por fim. pois nenhum comprovante trouxe de que tenha realmente pago os valores referidos. 51. teria aplicação o rt. que "elege" o foro de Florianópolis para conhecer o contrato. sem que igual direito seja conferido ao consumidor. 49. por todas as circunstâncias que envolveram o negócio. como determina o art. mas a cláusula 4ª. § 6º. a desistência dos autores foi comunicada de imediato. julgo procedente a ação. o contrato é um amontoado de ilegalidades. para declarar nulas as cláusulas 4ª. não permanecendo no empreendimento. XI: "autorizem o fornecedor a cancelar o contrato unilateralmente. No entanto. conforme previsão do CDC. tenho como razoável. métodos comerciais coercitivos ou desleais. obtido de forma coercitiva. Quem aproveitou esta semana. § 5º. De qualquer forma. 49 do CDC. não foram comprovadamente pagas pela ré. que esta mesma cláusula estabelece que o contrato é irrevogável e irretratável. do Código do Consumidor. mesmo que eventualmente a situação concreta não se amolde perfeitamente à previsão legal. "em qualquer tempo. Isto posto. art. facilitando a sua compreensão. 6º. já que os autores não foram até a referida praia? Além disto. não serão associados da RCI. ainda. na medida em que o espírito que norteia o citado diploma legal deve ser preservado." Quanto à aplicação do art. o presente compromisso". do contrato. quanto às despesas alegadas pela ré. pois não está redigida em destaque. De qualquer forma. Arcará a vencida com as custas processuais e honorários advocatícios de cinco salários mínimos. pois os autores. caracteriza-se a necessidade de uma especial proteção. pois tinha conhecimento da pretendida rescisão. Alega a ré que a venda não ocorreu fora do estabelecimento comercial. e o contrato aqui ter sido firmado. de pleno direito. bem como contra práticas e cláusulas abusivas ou impostas no fornecimento de produtos ou serviços. de forma que estaria ela buscando enriquecimento sem causa. Publique-se e intimem-se. de execução obrigatória. acrescentando-se. nenhum direito tem ao ressarcimento. que estabelece mandato cambial em favor da vendedora. além de o contrato ser abusivo. Trata-se de cláusula abusiva. e 12ª. como a cláusula 4ª. a começar ela aludida semana na Praia dos Ingleses. as taxas de associação ao tal de RCI. logo. Aliás. . 54. permite à vendedora. considerar rescindido. como nos casos referidos nos casos referidos no aludido dispositivo. mesmo que fosse afastado o art. pois se trata de contrato abusivo. de foma que nenhuma despesa poderia ter efetuado a ré para prejudicar os autores.204 totalmente nula. que diz: "São direitos básicos do consumidor: IV) a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva. § 6º. e também a cláusula 12ª. apesar de as partes serem domiciliadas nesta Capital. § 4º.

108 7. p. o que não é vedado em lei.Vol. Cláusulas abusivas nos contratos de adesão à luz do Código do Consumidor 12. Moacyr Amaral Santos. III. idem. 1.205 Porto Alegre. Nelson Nery Junior. passa a ser automaticamente permitido. p. Marco Aurélio Ventura Peixoto. que ficam sujeitas ao bote do leão quando de suas aplicações". Ana Maria Zauhy Garms. Essa constatação. 5. Orlando Gomes. 13. Publicado no Diário Oficial da União. p. p. p. em 18/0598 14. 8. . 11 2. Ana Maria Zauhy Garms. mesmo que moralmente condenável. IV. Comentários ao Código de Processo Civil . Bayard de Freitas Barcellos Juiz de Direito 7. Cláusulas abusivas nos contratos de adesão 9.078/90) é dos mais avançados sistemas legais dessa natureza. aqui.Vol. Instituições de Direito Civil . Hélio Zaghetto Gama. Caio Mário da Silva Pereira. Código de Processo Civil Comentado.Hélio Zaghetto Gama. deve provocar reflexão: é tão avançado talvez porque. Contratos. 37/38 3. Contratos. Cláusulas abusivas nos contratos de adesão à luz do Código do Consumidor 11. p. Ana Maria Zauhy Garms.109 10.Notas 1. "São elas chamadas de leoninas porque são impostas nos contratos com o objetivo de prejudicar as partes mais fracas. antes de servir à ufania dos legisladores. 441.108 4. 15 de abril de 1996. Cláusulas abusivas nos contratos de adesão à luz do Código do Consumidor. idem. Diz-se que a Lei de Defesa do Consumidor (Lei n° 8. Curso de Direito do Consumidor. Orlando Gomes.379 6. Ana Maria Zauhy Garms. p.

com algumas variáveis. mas a prova no processo. a prova seria o instrumento pelo qual o juiz se utilizaria para definir a verdade dos fatos que efetivamente ensejaram a lide. não dependem. um meio de controle das proposições que os litigantes formulam em juízo (1). reconhecido como o meio de obtenção da verdade dos fatos no processo.1 – Conceito de Prova O conceito tradicional de prova adotado. O texto legal determina que as provas têm a finalidade de obter a verdade dos fatos. transitado em julgado a sentença.206 Inversão do ônus da prova no CDC e no CPC Autor: Ranieri Eich 1. em que se funda a ação ou a defesa. Os fatos aceitos. sobre a limitação na necessidade social de que o processo tenha um termo. pelo menos repetido. por boa parte da doutrina jurídica.NOÇÕES PRELIMINARES 1. Por si mesma. pois. ao revés da prova puramente lógica e científica. Nesse sentido. sem que influência nenhuma exerça sobre o seu valor o elemento lógico de que se extraiu. a investigação dos fatos da causa preclude-se definitivamente e. considerada em seu sentido processual. a partir desse momento. e por isso. e sobre os quais concluirá sua atividade cognitiva. Observe-se que esses fatos somente dependem do procedimento probatório na exata medida em que sejam tidos como controversos. a tem. a prova é. ou. Resta saber o que significa a palavra "verdade" sobretudo tendo em vista a finalidade e limitações do processo civil enquanto manifestação humana e cultural. Para COUTURE. provar significa formar a convicção do juiz sobre a existência ou não de fatos relevantes no processo. o direito não cogita mais da correspondência dos fatos apurados pelo juiz à realidade das coisas. da prova. portanto. (2) O próprio Código de Processo Civil Brasileiro induz a essa conceituação à medida que coloca a prova como instrumento de obtenção da verdade dos fatos. . Conforme os ensinamentos de CHIOVENDA. estão aptos a receber a avaliação judicial como suportes de sua decisão. ativa ou passivamente pelas partes. a prova em geral da verdade dos fatos não pode ter limites. e a sentença permanece como afirmação da vontade do Estado.

OVÍDIO BAPTISTA DA SILVA ressalta que. parágrafo único. fatos que não foram alegados pelas partes. 132.1 – Princípio dispositivo Para PONTES DE MIRANDA. podemos destacar dentre eles. o princípio da oralidade e o princípio da prova livre. Sendo. Nesse sentido. um teste de coerência entre a formulação e o provável suporte fático da demanda. Conforme o art. 1. necessariamente. caso entender necessário. conceituamos essencialmente a prova como a tentativa de demonstração objetiva dos fatos controvertidos com a intenção de facultar ao juiz a formação de uma hipótese razoável que possa ser adotada como suporte fático para a formulação de uma decisão. é preciso tentar sistematizar uma resignificação que efetivamente reconheça a complexidade do instituto. nem formar sua convicção com os meios que. as provas já produzidas. A prova também pode ser conceituada como todos meio de confirmação ou não de uma hipótese ou de um juízo produzido no curso do processo. por isso. O princípio do ônus da prova será estudado posteriormente com maior ênfase. foi atribuído ao juiz determinar as provas necessárias à instrução do processo e ao mandar repetir. não se produziram com observância das regras legais (4). no ramo da ciência jurídica. a veracidade de sua existência (3). nem sempre a prova de um fato demonstrará.207 Exatamente.2. propostos pelos litigantes. 130 e art. ambos do Código de Processo Civil. tendendo essa representação a equivalência limitada e não à perfeita identificação entre o objeto representado e o objeto representante. se é possível formular um conceito que explicite o que realmente contém o conceito da prova. .2 – Princípios da Teoria da Prova Dentre os princípios que informam a Teoria da Prova. 1. é preciso verificar a priori se a verdade pode ser obtida pelo processo em si e mais. Para além da definição legal que parte do pressuposto de ser possível o alcance da verdade fática no processo. A prova pode ser conceituada como o meio de representação dos fatos que geraram a lide no processo. para introduzir o problema. assim. na sua apreciação do feito. observa-se que a prova não é apresentada como meio de obtenção da verdade (e veremos que não há como pensar diferente) e sim como instrumento de formação de um raciocínio jurídico dotado de força em decorrência de seu proferimento por uma autoridade judiciária. a qualquer momento. Em qualquer dos conceitos por nós antes apontados. o juiz não pode levar em conta. o princípio dispositivo.

uma vez que essas situações seriam incompatíveis com a seriedade e segurança da justiça.2.3 – Princípio da prova livre O disposto no art. E complementa. concentração. porém sem excluir a escrita. pelo uso de meios moralmente ilegítimos. (6) 1. o princípio da oralidade conduz à predominância da palavra. SIEGMUND HEELMANN.2. pondo termo aos abusos e rodeios do processo escrito. da imagem. mas lhe basta firmar um juízo de probabilidade que permita afastar as dúvidas razoáveis. reflete que a justiça rápida e barata só pode ser conseguida pelos princípios da oralidade. permanecendo em momentos culminantes do processo como em quando da produção da prova oral. existindo legalidade e moralidade. bem como os moralmente legítimos. 336 do Código de Processo Civil. os incisos LVI (inadmissibilidade de provas obtidas por meios ilícitos). ainda que não especificados no Código. da vida privada. Em vista disso. em que se funda a ação ou defesa. O que se vê na transição dos estados intelectuais do Juiz no processo é que ele parte de uma ignorância completa acerca dos fatos e à medida que o trâmite vai se desenvolvendo ele passa a forma juízos provisórios. as provas devem ser produzidas em audiência. (5) No sistema brasileiro.208 1. O que se busca e dar celeridade ao processo e produzir. da honra. as provas necessárias na audiência de instrução e julgamento. o meio tido como hábil para o encaminhamento da verdade real e processual. tratando da oralidade do processo civil austríaco. principalmente por causa da disparidade entre as despesas do processo rápido e o proveito eventual oriundo da morosidade processual. 332 do Código de Processo Civil. salvo disposição em contrário. X a XII (inviolabilidade da intimidade. quando necessário. Desses juízos provisórios será extraído o mais conforme com o que foi .2 – Princípio da oralidade Pela determinação do art. são hábeis para provar a verdade dos fatos.3 – Destinatário da prova e motivação Pois bem. dizendo que o processo oral influi inclusive na moral processual. Complementam esta disposição legal e o referido princípio. do domicílio. prevê que todos os meios legais. da correspondência. imediatidade e autoridade judicial. 1. não permitindo a utilização da ilicitude. vimos que o Juiz não precisa formular uma certeza acerca dos fatos controvertidos. e das comunicações telegráficas e telefônicas).

caberá a ele motivar racionalmente a sua decisão. inclusive. de o juiz não ter condições objetivas de formular sequer uma hipótese que considere razoavelmente provável. mas também. Isso porque a motivação da decisão expõe o raciocínio judicial à validação social. o raciocínio judicial está sob avaliação conforme o exposto na sua motivação. isto é. em se tratando de sistema processual regido pelo princípio do convencimento racional do juiz. expor o seu raciocínio. que aponte a coerência de suas conclusões com os dados que foram obtidos no processo. Determinar o ônus probatório a cada uma das partes assegura ao juiz um modo de decidir quando enfrentando uma dúvida consistente. diante do que foi demonstrado pelas partes e pela própria ação instrutória autônoma do Juiz. Como estamos no campo das probabilidades. após a instrução probatória. . da decisão e formar o refluxo no senso comum do que é e o que não é justo. e principalmente. assim. Sem essa argumentação não se pode ter como cumprida a exigência constitucional e legal de motivação. É. isto é. o juiz deverá motivar sua escolha. É evidente que. ético. Isto é. econômico. Pode ocorrer. Com isto. e nesse caso surge a importância da atribuição do ônus da prova. É a partir da motivação que se pode avaliar em termos extrajurídicos se a sociedade concorda com o conteúdo axiológico da decisão. mas. A motivação atende a necessidade das partes de entenderem os motivos pelos quais o Juiz foi levado a concluir desta ou daquela maneira. isto é. A motivação permite aos indivíduos avaliar o conteúdo moral.209 produzido em termos probatórios. A atribuição do ônus da prova se constitui como instrumento de exteriorização de dois valores: o de facilitar a atividade jurisdicional e o da eqüidade. em última instância deve seguir um procedimento de coerência racional. determinar porque selecionou racionalmente sua hipótese como a mais provável. sempre. Em todo o caso. em dúvida. se posta como efetivo meio de controle jurisdicional e social. o juiz deverá julgar conforme a desincumbência de cada parte de seu ônus. impõe-se ao juiz não somente que exponha suas razões para julgar do modo como julgou. É de se observar que a exigência de motivação é outro dos conceitos cujo reducionismo tem levado a um grave efeito social. um meio de permitir o Juiz o cumprimento de seu dever legal de decidir a lide. caberá a este formar uma decisão que adote a hipótese mais provável como suporte fático. entre outros aspectos. que.

não há relação entre sujeitos. significando carga. Em regra a obrigação está ligada ao direito material. Ao decidir. "obrigação é o lado passivo a que corresponde do lado ativo um direito subjetivo. Pode dizer-se que o direito subjetivo é um interesse protegido mediante um poder de vontade ou um poder da vontade concedido para a tutela de um interesse. que "é a circunstância de esta última ter um valor e poder. o juiz constrói um raciocínio que deve se apresentar correto sob o ponto de vista dos meios de avaliação do pensamento jurídico. (8) Com precisão CARNELUTTI estabeleceu a distinção entre ônus e direito de provar. satisfazer é do interesse do próprio onerado". 1. ao passo que (b) o ônus é em relação a si mesmo. certo que a omissão do devedor poderá resultar na sua coerção para que cumpra a obrigação. não sujeitando-se à coerção. não subjetivo. Obtém-se a noção de obrigação invertendo simplesmente a de direito subjetivo. E complementa "o ônus da prova é objetivo. onde. um dos quais é o que deve. ARRUDA ALVIM coloca outra distinção importante entre o ônus e obrigação. um vínculo de vontade imposto pela subordinação de um interesse". tema que passamos a melhor analisar no item seguinte. e. regula conseqüência de se não haver . valorar a prova. inclusive quanto a negações. "a diferença entre dever e ônus está em que (a) o dever é em relação a alguém.4 – Ônus da Prova: Etimologia da Palavra Ônus deriva do latim ônus. O ônus da prova. ainda que seja em sociedade. É a obrigação um interesse subordinado mediante um vínculo. no que tange aos fatos alegados (7). o que não ocorre no que tange ao ônus". a satisfação é do interesse do sujeito ativo. há relação entre dois sujeitos.210 Isso significa que a motivação judicial mais que tudo exige uma forma ordenada. assim. sujeitos da relação jurídica processual. ser convertida em pecúnia. ou em outros termos. Já o ônus é uma faculdade que a parte tem. Uma vez que todos têm de provar não há discriminação subjetiva do ônus da prova. 1. todos os figurantes hão de prova. mas aos efeitos que a passividade e a inércia resultarão. peso. Ônus probandi tem como tradução o encargo de provar. (9) Para PONTES DE MIRANDA. onde requer uma conduta de adimplemento ou cumprimento. assim.5 – Distinção entre Ônus e Obrigação É imprescindível a distinção entre ônus e obrigação. no aspecto de necessidade de provar. Como partes. coerente e justificável de raciocínio que adentra ao campo da argumentação jurídica. objetiva. Leia-se encargo no sentido de interesse de fornecer a prova destinada à formação da convicção do magistrado. para ele.

6 – Inversão do ônus da prova O ônus da prova. incumbe ao Autor a prova da ação e ao réu. algum fato ou prova que foi apresentado pelo autor ou pelo réu. somente como já foi dito. o autor).. afirma e prova a inexistência do fato que lhe elide os efeitos jurídicos. sem excluir o fato provado pelo autor. Conclui-se que a inversão do ônus da prova deve ser deferido pelo juiz sempre que houver. atual Código de Defesa do . de modo direto ou indireto (e dizem-se motivos) e temos daí a simples prova contrária ou contraprova. independentemente de quem vai produzi-lo. o denominado ônus da afirmação. cada parte tem a faculdade de produzir prova favorável às suas alegações. isto. para seu convencimento. sem sujeição nem coerção e sem que exista outro sujeito que tenha o direito de exigir seu cumprimento. ou a quem contraafirmou (= negou ou afirmou algo que exclui a validade ou eficácia do ato jurídico afirmado). seja o outro interessado. 1. ficando o tema restrito à seara da prova negativa quanto ao fato constitutivo. para benefício e interesse próprios. Se falta a prova é que se tem de pensar em determinar a quem se carrega a prova. ao que afirmou a existência do fato jurídico (e foi. a sua prova. no caso concreto. O problema da carga ou ônus da prova é. ou. e aí temos a verdadeira prova do réu. sempre se levando em consideração as possibilidades que as partes possuem para produzir tais provas. Mas. o de determinar a quem vão as conseqüências de se não provado. a provar fatos que provam a inexistência do fato provado pelo autor.) somente quando o autor trouxe provas idôneas para demonstrar a existência do fato constitutivo de seu direito.. Em sede de responsabilidade civil. portanto. mas cuja inobservância acarreta conseqüências desfavoráveis. De acordo com esse sistema. Já GIUSEPPE CHIOVENDA ensina que "(. na demanda. de seu lado. a Lei 8. tem o réu de diligenciar. Em verdade. da exceção. a favor do demandante adverso. A questão do ônus da prova reduz-se.078/90. (12) O princípio distributivo atinente ao ônus da prova tem base legal no Código de Processo Civil. pode ocorrer em dois propósitos: a) ou o réu tende. necessidade de esclarecimento para decidir a demanda. De modo mais simples. Resulta óbvio que nenhuma das partes será obrigada a (ou terá interesse em) fazer prova contrária às suas alegações. no dizer de ECHANDIA é o poder ou faculdade de executar livremente certos atos ou adotar certa conduta prevista na norma. a estabelecer quais os fatos considerados existentes pelo juiz devem bastar para induzi-lo a acolher a demanda (constitutivos)" (11). b) ou o réu. na demanda. a seu turno.211 produzido prova. as regras sobre conseqüência da falta dd prova exaurem a teoria do ônus da prova. portanto. o réu" (10). a prova da exceção".

desde que verificadas a verossimilhança do direito e a condição de hipossuficiência do demandante. por provados prima facie. o momento próprio para decretar a inversão do ônus probatório. essa modificação. por então já ter conhecimento dos fatos alegados na inicial e na defesa. de ofício. 112)". nada impedindo que o juiz alerte. saneando o processo. devendo atentar-se que o doutrinador refere-se ao velho Código de 1939. nos artigos 117 e 294. A respeito. 515 e 516)". (13) 1. se e quanto o julgador estiver em dúvida. logo depois da contestação à ação. a simples condição de hipossuficiência não autoriza. na decisão saneadora que. cumpre ao juiz. utilizar-se-á das regras de experiência a favor do consumidor. por si só. (1968. 294. contém dispositivo que permite a inversão do ônus da prova. IV). págs.6. Será neste despacho. ´anulando-lhe pela surpresa a possibilidade de produção de prova contrária’. do Código de Processo Civil. convém ressaltar que. todavia. no qual o juiz. determinando providências de natureza probatória (Código Processo Civil. vale dizer. se o fato afirmado é destituído de um mínimo de racionalidade. ANTONIO GIDI a respeito adverte que verossímel a alegação sempre tem que ser. de maneira a prosseguir isento de vícios ou de questões que possam obstar ao conhecimento do mérito da causa. conforme segue: "Na sistemática do Código. à regra que lhe impõe não sacrificar a defesa dos interessados (Cód. ordena o processo. de per se não respaldaria uma atitude tão drástica como a inversão do ônus da prova. (14) A inversão do ônus da prova é direito de facilitação da defesa e não pode ser determinada senão após o oferecimento e valoração da prova. no despacho saneador – escreve Pedro Batista Martins – para evitar o cerceamento da defesa daquele a quem os mesmos fatos se opõem." O emérito doutrinador complementa: "Tal deliberação se escora não só nos princípios que governam a prova prima facie como também nos que regem o sistema processual brasileiro.VIII).1 – Momento processual da inversão do ônus da prova O doutrinador Moacyr Amaral Santos assinala qual o momento processual que considera o mais adequado para a aplicação da inversão do ônus da prova. pois a total ausência de evidências do indispensável nexo de causalidade redundaria em esdrúxulas situações. É dispensável caso forme sua convicção. tendo-os dada a sua natureza. uma vez considere algum ou alguns fatos provados prima facie. determinar as diligências necessárias à instrução do processo. cit. art. ao contrário da opinião de alguns doutrinadores. uma vez em dúvida. há o despacho saneador. os quais autorizam o juiz. art. decretar a inversão do ônus probatório.212 Consumidor (artigo 6º. A hipossuficiência do consumidor. Cada parte deverá nortear sua atividade . sempre atento. Conhecidos os fatos alegados e havendo-os como verossímeis.

protagonizada por consumidor e fornecedor. regras de comportamento dirigidas aos litigantes. citando inclusive KAZUO WATANABE é de que "a garantia do devido processo legal deve ser. (17) A jurisprudência vem entendendo que o momento da inversão do ônus da prova deve ser antes de prolatada a sentença. por força da inversão determinada na sentença. art. atentaria contra os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa (CF. do Código de Defesa do Consumidor. assegurada a qualquer custo. conforme jurisprudência a seguir: INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA . LV). conforme segue: INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA . para ele.º 0301800-0 Apelação Cível de 01/03/2000.213 probatória de acordo com o interesse em oferecer as provas que embasam seu direito. Contudo. (15) CARLOS ROBERTO BARBOSA MOREIRA argumenta que as normas sobre a repartição do ônus probatório consubstanciam. A partir do conteúdo da petição inicial – com a exposição de causa de pedir e do pedido – às partes envolvidas no processo é perfeitamente possível avaliar se há a possibilidade de aplicação das normas do Código do Consumidor ao caso concreto. (16) A posição de LUIZ EDUARDO BOAVENTURA PACÍFICO. expressamente conceituados pelo Código (artigos 2º e 3º da Lei 8. também. (18) Também em julgamento da Quarta Câmara Cível do Tribunal de Alçada de Minas Gerais. a inversão no momento do julgamento. Se não agir assim.Inteligência do artigo 6º. Se a pretensão estiver fundada em relação de consumo. não implicando surpresa ou afronta aos citados princípios. obviamente deve o órgão jurisdicional assegurarlhe a efetiva oportunidade de dele se desimcumbir. mudando a regra até então vigente. a inversão do ônus da prova igualmente pode ser prevista. tendo como relator o Juiz Alvimar de Ávila. assumirá o risco de sofrer a desvantagem de sua própria inércia. 5º. Considerando que as partes não podem ser surpreendidas. estaria a seu cargo. este pode merecer incidência. decidiram por unanimidade.078/90). não nos parece constituir ofensa aos cânones constitucionais a inversão no momento da decisão.RESPEITO AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA . prolatada no Acórdão n. Logicamente. com um provimento desfavorável decorrente da inexistência ou da insuficiência da prova que. Se lhe foi transferido um ônus – que. VIII. Por isso. parece mais justa e condizente com as garantias do devido processo legal a orientação segundo a qual o juiz deva. explicitar quais serão objeto de inversão. ao final. caso efetivada".RELAÇÃO DE CONSUMO OPORTUNIDADE . ao avaliar a necessidade de provas e deferir a produção daquelas que entenda pertinentes. sem dúvida. não existia antes da adoção da medida -. com a incidência das regras de experiência a favor do consumidor.

resta impossibilitado examinarse em grau de recurso matéria sobre a qual não houve manifestação da primeira instância.214 AMPLA DEFESA .2 – Inversão do ônus da prova e despesas processuais Conforme imposição legal do art. Desta forma. cujo descumprimento implicará em não ser realizado o ato requerido. A inversão do ônus da prova. podendo. levando-se em conta a doutrina e a jurisprudência. após especificação das provas. de preferência. que tratam do ônus financeiro da produção dos atos processuais.078/90. A aplicação do art. sob pena de não poder ser adotada na sentença. é que sua aplicação deve submeter-se ao poder discricionário do juiz. pelo simples fato de não se poder identificar o ônus de provar com o ônus financeiro de realização dos atos probatórios. desde que assegurados os princípios do contraditório e ampla defesa. todavia. suportar as despesas dos atos que realizem ou requerem dentro do processo. constituem exceção ao art. o que incorreria em cerceio de defesa. da Lei n. do CPC. 19 e seguintes. determinadas de ofício pelo juiz ou requeridas por ambas as partes? Nestas hipóteses. 333. VIII. que trata do ônus subjetivo da prova. 6º. sob pena de supressão desta.MATÉRIA VENTILADA NAS RAZÕES RECURSAIS IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO PELO TRIBUNAL. podendo advir daí possíveis conseqüências desagradáveis para quem o requereu e não adiantou as despesas. não há qualquer exceção às regras gerais estabelecidas no Código de Processo Civil.º 8. . Podemos classificar essa imposição legal como um verdadeiro ônus processual. 19 do Código de Processo Civil (19). 1. Conforme ensinam doutrina e jurisprudência. Recurso a que se nega provimento. As normas consumeristas. no momento do saneador.6. na audiência de conciliação ou em qualquer momento que se fizer necessária. antecipando os pagamentos durante o curso processual. depende de decisão fundamentada do magistrado antes do término da instrução processual. pois. cabe às partes. e não das normas do art. como exceção à regra geral do art. devendo ser decidida. pois a sua finalidade é formar a convicção do julgador. a quem cabe o ônus de antecipação de despesas nos casos de atos probatórios requeridos pelo consumidor. Surge daí a questão: invertido o ônus da prova nas lides de consumo. ser decretada no despacho inicial. o magistrado escolherá a o momento para determinar a inversão do ônus da prova. 333 do Código de Processo Civil. em regra.

19. §2o. Incumbe ainda ao demandante provar o dano e sua extensão. (20) Também não se pode modificar o regime de apuração quando se discuta a responsabilidade do Estado com base em relação protegida pelo Código de Defesa do Consumidor. não se revela como pressuposto do reconhecimento da responsabilidade do Estado. porque. na sua grande maioria. nesse caso. Resta todavia. seja porque a natureza do ato não guarde equivalência com o risco da atividade pública. a regra de inversão do ônus da prova a favor do consumidor não implica na revogação do sistema probatório do Código de Processo Civil. É que a culpa. à parte incumbe o ônus da prova a respeito da ilicitude do ato. 33 CPC). 1. seja porque esse tenha sido o móvel da demanda. Mas há julgado em sentido diferente como o que abaixo descreve-se: .060/50. bem como a anormalidade e especificidade da exigência pessoal decorrente da imposição administrativa. especialmente o nexo de causalidade entre a atuação estatal e o resultado apontado.6. seja na hipótese de culpa. dispõe o mesmo da possibilidade de requerer a assistência judiciária prevista em nosso ordenamento pela já mencionada Lei 1. o ônus da prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. também como fatos constitutivos do direito reclamado.215 Assim. muito menos das regras atinentes ao Estado em juízo. com as despesas prévias de atos ordenados de ofício pelo juiz ou pelo Ministério Público (art. que o Estado tem presunção de legitimidade. devendo arcar ainda. A jurisprudência vem entendendo. Caso seja o consumidor economicamente hipossuficiente. além do nexo de causalidade e do dano verificado. a teoria do risco administrativo não submete o Estado a nenhum tipo de inversão apenas porque a vítima é dispensada da prova de culpa da Administração Pública. como nos casos de conduta omissiva e de atos praticados sem caráter administrativo. cabe ao consumidor arcar com os ônus financeiros de atos probatórios por ele requeridos.CPC) ou com as despesas de perícia requerida por si ou por ambos os litigantes (art. se for o autor da demanda. Em se tratando de atos administrativos a respeito dos quais o reconhecimento da indenizabilidade tenha como pressuposto a culpa indireta da Administração. como antes demonstrado. ao Autor. seja na de risco. sendo de todo irrelevante qualquer exigência de prova a respeito. cabendo a quem alegar contra o Estado.3 – Responsabilidade do Estado e o ônus da prova Quanto ao ônus probatório. garantidoras do interesse público. provar o que alegou.

temos a prova da culpa nas ações de ressarcimento dos danos contratuais e extracontratuais. Relatora Juíza Eliana Calmon). II – ao réu. quanto à existência de fato impeditivo. 1ª parte.Apelação provida. expondo-se conseqüentemente à nulidade. seja produzida e os embargos decididos como de direito. como segue: Art. .NULIDADE DA SENTENÇA . desprezou o fundamento do pedido de nulidade da execução. do Código de Processo Civil.DJU 17.. o ônus da prova.3ª T. ao julgar improcedentes os embargos sem a produção dessa prova. (. 29)(Grifo nosso) 2. o pedido formulado pelo autor". estando sempre em estreita correlação com o que se alega.PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL .Rel. p.AC 95..1999.A sentença.Unânime . pois "o juiz proferirá a sentença. nesse ponto. modificativo ou extintivo do direito do autor.Anulação do processo. II . quanto ao fato constitutivo de seu direito. II – tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. por exemplo. . Precedentes deste Tribunal: ausência de notificação alegada pela embargante e não desmentida pela Fazenda. A distribuição do ônus da prova é casuística.ALEGAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO DO CONTRIBUINTE POR OCASIÃO DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA . acolhendo ou rejeitando. nos termos do art.Tendo os embargos se fundamentado na inexistência de notificação do contribuinte por ocasião da lavratura do auto de infração. através da prova . 333 – O ônus da prova incumbe: I – ao autor. ficando a Fazenda Nacional com o encargo da prova de ter realizado a notificação.216 TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL . no todo ou em parte.01. Parágrafo único.11165-2 . Juiz Jamil Rosa de Jesus .15745-0 /AP.I . positiva ou negativamente. Como fato constitutivo da pretensão do autor.09. inverteu-se. (TRF 1ª R.) Como fato extintivo temos a alegação de prescrição do direito .afastamento da presunção juris tantum de certeza e liquidez do título executório'' (Apelação Cível 96.INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA NO PROCESSO CIVIL O núcleo da regulamentação do ônus da prova está inserido no art. É nula a convenção que distribui de maneira diversa o ônus da prova quando: I – recair sobre direito indisponível da parte. a fim de que a prova da notificação. IV .01. 333 do Código de Processo Civil. 459.PA . III .

pronunciando o non liquet (que não é admissível no direito moderno). c) ou. constitui uma das mais lúcidas e preciosas contribuições que se aportaram à sua ciência no século XX. Quando uma questão de fato se apresenta como irredutivelmente incerta dentro do processo. o réu admite. modificativo ou extintivo do direito do autor.. sua conceituação. outro lhe opõem. de sua certeza definitiva. (24) No processo civil inquisitório. se ele mesmo alega e o réu não contesta.. dependerão. Num sistema que admitisse a pesquisa de ofício da veracidade dos fatos. ou em decidi-la de maneira tal que não exigisse a resolução daquela questão de fato (de que seriam exemplos o julgamento por sorteio e o julgamento salomônico). o fato se presume verídico. se forem os atos constitutivos produzidos com prova insuficiente. de prova complementar. A segunda opção implica: a) o adiamento do problema através da prolação de uma decisão provisória (no estado do processo). e. impeditivo. admitindo o fato. o ônus probatório é do réu. está desvinculado. se o autor alega. o juiz mesmo tendo diante de si duas partes. nem das conseqüências de seu descumprimento. desde que especificamente contestados. da iniciativa e dos acordos entre elas (25). necessariamente decisório (como o duelo e o juramento). que conseqüentemente deve ser provada pelo réu. o emprego das regras da distribuição do ônus da prova. o ônus da prova é do autor. (. distinção de figuras afins. simplesmente por que ao juiz incumbiria a busca da verdade dos fatos e a cooperação das partes seria pelo menos dispensável e sequer haveria como sanciona-las pela omissão de provar. (21) CÂNDIDO RANGEL DINAMARCO nos ensina que "a teoria dos ônus processuais. A primeira opção importaria ao juiz de decidir a causa. e prova. abre-se tecnicamente para o juiz o seguinte leque de alternativas: a) ou ele prescinde de resolver aquela questão de fato. (26) A intensidade do ônus da prova é problema relacionado com o modo como o . Onde se tivesse um processo puramente inquisitivo. b) ou insiste em resolve-la. inserção no sistema do processo.) Desse modo. não se cogitaria em ônus probandi. passível de discussão e de dúvidas. (22) Para SÉRGIO SAHIONE FADEL. (23) As regras sobre o ônus da prova e sua distribuição constituem uma inerência do princípio dispositivo. ou não o provando. enfim. não teria significação a repartição do ônus da prova. b) ou o uso de um meio mecânico de prova. se o autor alegar o fato e o réu contestar.217 do autor. servindo para esclarecer muitos pontos de dúvida e ditar o correto direcionamento e justa medida das conseqüências dos possíveis comportamentos comissivos ou omissivos das partes". para a busca da verdade.

é importante ressaltar os ensinamentos de JONATAS MILHOMENS. prova do não-uso. em que se encontra cada uma das partes. é possível fazer prova dos chamados fatos negativos. E continua: "Quanto à primeira conclusão. quem afirma um fato positivo tem de o provar. com preferência a quem afirma um fato negativo. 130 do CPC) ainda que as partes tenham pactuado de maneira diversa". ao réu. Note-se: não é impossível equivale à é possível. prova de omissão culposa para a indenização por ato ilícito (art. O princípio da liberação do ônus da prova levaria (a) ou a uma direta oposição a textos legais ou (b) à conseqüência absurda de um julgamento sem prova". por 10 anos. Aqui. prova de inexistência da dívida para a repetição de indébito (art. é preciso dispor a técnica processual (em sede legislativa ou na prática da jurisdição) de modo a não figurar como impedimento à fruição ou defesa de direitos. que afirma que "Não é exato afirmar que a negativa não é prova. O ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do ato.1 – Da prova negativa Para analisarmos este aspecto. modificativo ou extintivo do direito do autor. vale dizer. Assim. 333 do Código de Processo Civil. quanto à existência de fato impeditivo. da servidão. seja para a fidelidade na declaração e atuação da lei.218 processo se insere na vida dos direitos e no modo de ser da vida em sociedade. o ônus da prova incumbe ao autor. 159). uma vez produzida a prova. Para SANDRA APARECIDA SÁ DOS SANTOS. para que se considere extinto esse direito real (art. O fato . quanto ao fato constitutivo do seu direito. segundo o disposto no art. o juiz pode determinar a produção da prova (art. torna-se irrelevante indagar quem a produziu. contudo. Seja para a pacificação dos conflitos com justiça. porque há duas negativas na primeira proposição". não pode ser aceito. "O princípio dos poderes instrutórios do juiz prevalece obre a faculdade dispositiva dos contratantes. vale dizer. a racionalidade dos critérios de julgamentos pela aceitação da probabilidade suficiente em vez da certeza absoluta nem se coloca em termos da tensão entre os princípios que apontam para soluções diferentes. por exemplo. que o ônus da prova é sempre de quem afirma. O ônus da prova consiste na necessidade de provar. pois seria tolhida ao juiz a liberdade na avaliação da prova. (27) Quanto à distribuição do ônus da prova se admitir que as partes convencionem. 710. Objetivamente. sendo importante apenas verificar se os fatos relevantes foram cumpridamente provados (princípio da aquisição). Quanto segunda absurda conseqüência. (28) 2. para possivelmente vencer a causa. ver-se-á que não é impossível. (29) Na colisão de um fato negativo e de um fato positivo. basta lembrar que o Código Civil exige. 946). III).

conjunção aditiva ‘e’. 6º é clara.. A facilitação de defesa não pode ser entendida como interpretação das regras . se às partes se conferem certos poderes de disposição (indicar os meios de prova. inclusive com a inversão do ônus da prova. é necessária a presença de um dos requisitos ali encontrados e não a presença de ambos. etc. Para tanto. na formação das bases da sentença. à evidência. JOÃO BATISTA LOPES afirma que "a admissão do princípio dispositivo não significa. o juiz deverá inverter o ônus da prova." (30) 3. indicará a ocorrência de um dentre essas duas situações: a) a alegação do consumidor é verossímil. quando. não sendo este obrigado. fixar o objeto da demanda. bastando que ocorra a primeira ou a segunda". é requisitos. 6º.. Constatando-se a presença de verossimilhança das alegações ou a hipossuficiência do consumidor. Dono do processo (dominus processi) é o juiz e. Art. a critério do juiz. O emprego da conjunção alternativa e não da aditiva ‘e’. que afirma que "o ato judicial. se assim não o fosse.São direitos básicos do consumidor: (.) VIII – a facilitação da defesa de seus direitos. inc. ou seja.219 negativo pode ser provado através de provas indiretas.). Fica clara e evidente a regra processual. tal se compreende fora da atividade própria do juiz. teria utilizado a do direito que onde o legislador restringe. a seu favor. O ÔNUS DA PROVA E O CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR O Código de Proteção e Defesa do Consumidor tem norma expressa a respeito da inversão do ônus da prova. 6º . É princípio basilar não é permitido ao intérprete ampliar". Para SANDRA APARECIDA SÁ inciso III do art. (31) DOS SANTOS "a norma estabelecida no necessária a presença de apenas um dos o legislador. aceitar a convenção das partes. segundo as regras ordinárias de experiência. constante e seu art. Esse mesmo posicionamento é corroborado por CARLOS ROBERTO BARBOSA MOREIRA. no processo civil. ou b) o consumidor é hipossuficiente. que as partes possam orientar o processo a seu talante. for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente. devidamente motivado. porém. VIII. significa que o juiz não haverá de exigir a configuração simultânea de ambas as situações. porque. (32) A igualdade formal entre as partes é regra básica do processo civil.

dos modos especiais de controle. procurar equilibrar a posição das partes. Importante frisar que o simples fato da inversão não tem o condão de pré-julgamento de mérito desfavorável ao demandado. (33) Quanto à segunda hipótese onde é possível a inversão do ônus da prova. No entender de ARRUDA ALVIM. com isenção de custas. em virtude do reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor. O momento da inversão do ônus da prova. desde o início até a sentença final". pois a parte poderia pedir assistência judiciária gratuita. pois este princípio é de direito "material". dos aspectos que podem ter gerado o acidente de consumo e o dano. antecipando-lhe o pagamento. fundamentando para tal que os dispositivos sobre o ônus da prova constituem regras de julgamento. no tocante à inversão do ônus da prova em função de hipossuficiência do consumidor. cuida-se. ao contrário. é outra norma de natureza processual civil com o fito de. o que de certa forma. seja porque não é acessível à parte ou estas informações estão em mãos da outra parte. para fins da possibilidade da inversão do ônus da prova. de suas propriedades. alega-se que esta não poderia servir de base para a alegação de inversão do ônus da prova. Entenda-se por hipossuficiência os aspectos que abrangem o aspecto técnico e o aspecto econômico. das características do vício. O hipossuficiente tem dificuldade ou impossibilidade na produção da prova.220 processuais em favor do consumidor. Contra . atendendo critérios da existência da verossimilhança do alegado pelo consumidor. defendido pelos autores do anteprojeto do Código de Brasileiro de Defesa ao Consumidor. reside na circunstância do consumidor ser hipossuficiente. tem sentido de desconhecimento técnico e informativo do produto e do serviço. aquela só pode decorrer de expressa previsão legal. despesas processuais. uma vez que o diploma afeto ao consumidor é composto de normas de ordem pública. juntamente com o jurista CÂNDIDO RANGEL DINAMARCO. Para LUIZ ANTONIO RIZZATTO NUNES ensina que a hipossuficiência. a critério do juiz. entendo que tal preceito "transferiu" a obrigação do Estado de assistir aos necessitados para as empresas. (35) Quanto à insuficiência econômica. estabelece: "Salvo disposições concernentes à justiça gratuita cabe às partes prover as despesas dos atos que realizam ou requerem no processo. (36) A inversão do ônus da prova poderá ser requerida pela parte. nestas incluídas as relativas às perícias e à obtenção de certidões. Para FRANCISCO CAVALCANTI. é o da sentença. no que pode ser atendida ou determinada ex officio pelo juiz. Não pode haver "facilitação" por interpretação. etc (34). O Código de Processo Civil. afastaria a hipossuficiência econômica como autorizadora da inversão do ônus da prova. de seu funcionamento vital ou intrínseco. em seu artigo 19. somente de um ônus processual.

usam-se dois motivos para caracterizar o equívoco: a) ofende. 6º. isto é.. (37) Para tanto. Tudo dependerá do procedimento adotado.) VIII – a facilitação da defesa de seus direitos. a critério do juiz. são necessários os requisitos normativos da verossimilhança das alegações feitas pelo consumidor e a sua hipossuficiência. etc. tem obrigação de manter em seu poder todos os dados. o art. 6º do Código de Defesa do Consumidor em seu inciso VIII. sendo necessário a presença de pelo menos uma delas. Não pode haver facilitação por interpretação. a seu favor. aquela só pode decorrer de expressa previsão legal. O consumidor não está obrigado a comprovar antecipadamente o seu direito. sendo bem mais fácil a comprovação de fatos referentes a esses bens e serviços pelo fornecedor que pelo consumidor. acerca de seus produtos e serviços. cada rito. entre outros. deve ter um tratamento diferenciado. (38) Parecendo ao Magistrado presentes os requisitos constantes do inciso VIII do art. inclusive com a inversão do ônus da prova. de distribuição do ônus da prova são de procedimento. VIII do Código de Defesa do Consumidor Como já vimos. qual seria um direito básico do consumidor: Art.. planilhas.221 este entendimento. sobretudo quando se tratar de hipossuficiente. Assim. segundo as regras ordinárias de experiências. E complementa: o fornecedor. do qual se consegue formar opinião de ser provavelmente verdadeira a versão do consumidor. 6º: São direitos básicos do consumidor: (. declara. cálculos. quando. em respeito às características estabelecidas pela lei. deverá ele proceder no sentido de . b) as regras. os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. A facilitação de defesa não pode ser entendida como interpretação das regras processuais a favor do consumidor. Para HUMBERTO THEODORO JUNIOR a verossimilhança é juízo de probabilidade extraída de material probatório de feitio indiciário. pois este princípio é de direito material.1 – Aplicação do art. fórmulas. Nos ensina FRANCISCO CAVALCANTI que a igualdade formal entre as partes é regra básica do processo civil. 6º do Código de Defesa do Consumidor. por força de obrigações impostas pelas normas protetoras do consumidor. for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente. Não é necessário para tanto que ambas atuem juntas. a finalidade do instituto do ônus da prova é de facilitar a defesa dos direitos do consumidor. É forçoso reconhecer que alguns sistemas jurídicos não admitem essa inversão do ônus da prova. informações. necessariamente. no processo civil. 3. de maneira absoluta.

13. 38 do Código de Defesa do Consumidor O art.Rel.2ª C. Neste sentido o aresto que segue: CIVIL.222 inverter o ônus da prova ao fornecedor.Cível . entretanto. Os estabelecimentos bancários como prestadores de serviços.Des.INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA . com o seu improvimento.(TJDF . o que justifica a improcedência da postulação inicial. quando sua versão é por demais insubsistente. 38 do Código de Proteção e Defesa do Consumidor trata da inversão do ônus da prova frente à publicidade enganosa.Julg. 1. Embora incidentes as regras do CDC. É importante e imprescindível que o Autor prove através de fatos e alegações subsistentes o seu direito. estão submetidos as disposições do código de defesa do consumidor.PRESSUPOSTOS PRESENTES . 939 e seguintes do Código Civil. Des. Seu silêncio remeterá à preclusão a matéria impedindo novo pronunciamento.AC Nº 20020710013023 . assim evidênciada a hipossuficiência do agravado em virtude do poderio técnico-econômico do banco agravante. Improvimento do Agravo de Instrumento (TJPR . mantendo-se íntegra a r. Apenas alegações desprovidas de qualquer prova não são o suficiente para que seja concedido a inversão do ônus da prova em favor do consumidor. Sidney Mora . para que se proceda no contexto da facilitação da defesa dos direitos do consumidor e subordinado ao critério de prudente arbitrio do juiz. SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA MANTIDA. É importante observar.AGRAVO DESPROVIDO. por força do contido na Súmula 424 do STF (39) e a jurisprudência a seguir: AGRAVO DE INSTRUMENTO. 3.2 – Aplicação do art. 2. bem como a verossímilhanca de suas alegações. sentença recorrida. A prova do pagamento se faz consoante previsto nos arts. CDC. inadmindo-se unicamente a mera assertiva verbal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. 38: O ônus da prova da veracidade e correção da informação ou .Rel. PROVA DO PAGAMENTO INEXISTENTE. 3. incrível e desprovida de qualquer prova a lhe dar algum suporte.03. que a aplicação da inversão do ônus da prova no despacho saneador poderá ser objeto de agravo de instrumento por parte do fornecedor. para que possa ser invertido o ônus da prova a seu favor.08.2002)(Grifo nosso). e licita a inversão do ônus da prova. Recurso conhecido. inaplica-se a inversão do ônus da prova em favor do consumidor.AÇÃO REVISIONAL DE CONTRTO BANCÁRIO. AUSÊNCIA DE VEROSIMILHANÇA NA VERSÃO AUTORAL.2002)(Grifo nosso). Benito Augusto Tiezzi DJU 14.2ª T .AC 18947500 . conforme segue: Art. CONTRATO DE ABERTURA DE CRÉDITO .

. sem qualquer vício de origem ou distorção nas características apresentadas. pelo fato de ser.º 8. onde a facilitação da defesa do direito do consumidor com a inversão do ônus da prova depende do exclusivo critério do magistrado que. atende pela teoria do risco onde deverá responder por ato ilícito independentemente da apuração de culpa.078/90. deverá verificar a verossimilhança das alegações e/ou a hipossuficiência do mesmo. PROCEDÊNCIA DO PEDIDO INICIAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. por norma legal cogente. na prática. (43) o julgado do Tribunal de Justiça do Paraná abaixo transcrito: CIVIL PROCESSO CIVIL. antecipadamente e independentemente de qualquer pronunciamento jurisdicional interlocutório ou definitivo. 38 do CDC difere daquela ínsita no art. 333) quanto ao ônus da prova. e justifica-se como meio para alcançar a verdade real. podendo para tanto distribuir tal responsabilidade. aquele. (41) O fornecedor de serviços. 6º. antes de tudo.m está o fornecedor obrigado a provar a obrigação contida no art. O Tribunal de Justiça de São Paulo tem julgado no sentido de que ao contrário do previsto no inciso VII do art. do mesmo pergaminho legal. pois havendo estabelecimento da lide processual. sem que haja necessidade de uma fase pré-cognitiva de critério subjetivo por parte do juiz. 6º do CDC. (40) Participa da mesma opinião FRANCISCO CAVALCANTI que afirma que a previsão resulta. No aspecto processual propriamente dito. 1. segundo as regras de experiência. dados. na hipótese contemplada no art. Como nos ensina STEPHAN KLAUS RADLOFF o ônus da veracidade e correção da informação ou comunicação publicitária cabe a quem as patrocina. DEFEITO DE REPRESENTAÇÃO NÃO SANADO. em inversão do princípio previsto no Código de Processo Civil (art. know-know. SEM NADA COMPROVAR. tem intenção de auferir lucro. deve-se levar em conta que a forma de aplicação do art. 38. OFERTA EM ANÚNCIO DE JORNAL INTEGRA AS CONDIÇÕES DO CONTRATO. caberá ao fornecedor a obrigação de comprovar que a informação publicitária de seu produto chegou ao consumidor. a inversão do ônus da prova opera-se automaticamente. (42) Esse mesmo raciocínio utiliza-se STEPHAN KLAUS RADLOFF que nos ensina que seria desnecessária a declaração taxativa no despacho saneador de que caberá ao fornecedor o ônus da prova da veracidade e correção da informação ou comunicação publicitária. VEROSSIMILHANÇA DAS ALEGAÇÕES.223 comunicação publicitária cabe a quem as patrocina. Portanto. detentor de fórmulas. FORNECEDOR QUE APENAS ALEGA. referentes ao produto e serviço objeto da comunicação ou da informação publicitária o mais habilitado para comprovar. como no caso da propaganda enganosa. 38 da Lei n. CDC. REVELIA. Nesse mister.

3. Giuseppe Campinas/SP: Bookseller. declarável de ofício pelo magistrado. Cândido Rangel A Instrumentalidade do Processo 4ª Edição.ACJ nº 20010111219733 . no grau recursal. para sanar este defeito de representação.DJU 06. 2. CAVALCANTI. 1977. CHIOVENDA. constatada a verossimilhança das alegações do consumidor.2002)(Grifo nosso). segundo impõe a lei consumerista. Sérgio Sahione Código de Processo Civil Comentado. sem nada comprovar. novos e usados. São Paulo: Malheiros. condições de venda de determinado automóvel. Benito Augusto Tiezzi . Pinto Código de Processo Civil Comentado – Volume 2 São .Rel. por sua própria natureza. FADEL. do ramo de compra e venda de automóveis. 51. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGUIAR. não o faz. Sendo nula. 1996. Rio de Janeiro: Forense. I. 1988. que anuncia. 30. Cândido Rangel Teoria Geral do Processo12ª Edição. São Paulo: Revista dos Tribunais. tratar-se-á em hipótese de cláusula absolutamente nula. VI do Código de Defesa do Consumidor A inversão do ônus da prova nos moldes estabelecidos no art.224 constatado. julgando procedente o pedido inicial. não produz qualquer efeito no campo jurídico. A.. 1977. DINAMARCO. para reformar a sentença monocrática. GRINOVER. está obrigada a vender o bem nas condições do anúncio.(TJDF . mormente quando a fornecedora não contesta articuladamente os fatos da inicial. como se jamais tivesse existido.09. Francisco Comentários ao Código de Proteção e Defesa do Consumidor Belo Horizonte: Del Rey.e. Des. VI do Código de Defesa do Consumidor. limitando-se a alegar. Vol. FERREIRA. onde prevê que as condições da oferta integram o contrato a ser celebrado. 4. 1991. DINAMARCO. . recurso conhecido e provido. torna-se revel. 1º a 443 7ª Edição. 51. Ada Pellegrini. 1988. Art. em seu art.2ª T. inverte-se o ônus da prova. 3.o que passou desapercebido ao juiz sentenciante . nos classificados de jornal. João Carlos Pestana de Comentários ao Código de Processo Civil 2ª Edição. Antônio C. Instituições de Direito Processual Civil CINTRA.3 – Aplicação do art. aplicando-se-lhe os seus efeitos para que sejam presumidos como verdadeiros os fatos alegados pelo autor em sua inicial. São Paulo: Revista dos Tribunais. que quem firmou a contestação foi outro advogado e não aquele constituído nos autos . empresa fornecedora de produtos e serviços. intimada a ré.

São Paulo: Saraiva. Pedro Augusto Normas Técnicas para Trabalhos Científicos 11ª Edição. Verbo Jurídico. FURASTÉ. José Carlos Barbosa Temas de Direito Processual: Sétima Série São Paulo: Saraiva. Revista dos Tribunais.Vol. 1999. Instituições de Direito Processual Civil. Anelise Coelho. I 3ª Edição. RADLOFF. São Paulo: Saraiva. 2001. 2002. 1996. THEODORO JUNIOR. 2001. Porto Alegre/RS: Verbo Jurídico. Stephan Klaus A Inversão do Ônus da Prova no Código de Defesa do Consumidor Rio de Janeiro: Forense. pág. Porto Alegre/RS: Verbo Jurídico. Apreciação . Anelise Coelho. 1996. CHIOVENDA.225 Paulo: Saraiva. Giuseppe. Apreciação Probatória no Processo Civil. DA SILVA.. pág. I 27ª Edição. Sandra Aparecida Sá dos A Inversão do Ônus da Prova como Garantia do Devido Processo Legal São Paulo. 4 3 2 1 PONTES DE MIRANDA apud NUNES. Notas COUTURE apud NUNES. Porto Alegre. Anelise Coelho. Porto Alegre: Fabris. 2002. 15. Anelise Coelho Apreciação Probatória no Processo Civil Porto Alegre. MILHOMENS. 2002. OLIVEIRA. 14.Vol. Juarez de Código de Proteção e Defesa do Consumidor 9ª Edição. NEGRÃO. Rio de Janeiro: Forense. Humberto Curso de Direito Processual Civil . 2001. s. 1996. pág. Campinas/SP: Bookseller. 1986. Theotônio Código de Processo Civil e Legislação Processual em Vigor 33ª Edição. Jônatas A Prova no Processo Rio de Janeiro: Forense. Ovídio Araújo Baptista da Curso de Processo Civil . 109. n. 1998. 2002. SANTOS. NUNES. Apreciação Probatória no Processo Civil. Ovídio Baptista apud NUNES. MOREIRA. 2001. SILVA.

br/doutrina/texto. a. São Paulo: Max Limonad. n.com. 5. São Paulo: Revista dos Tribunais. a.br/doutrina/texto. 1954. p. apud FERRAZ. Jus Navigandi. Vol.jus. 2001. Artigo in Justitia. Mirna. 57 (170). Jus Navigandi. 65. Luiz Carlos. Jus Navigandi. Momento processual da inversão do ônus da prova. 2001. 1995. Moacyr Amaral. 2001. 51. SANTOS.com. Mirna.asp?id=2159> SANTOS.. p. 18. ECHANDIA. 51. Instituições de Direito Processual Civil. Manual de Direito Processual Civil. 66. 1968. Porto Alegre/RS: Verbo Jurídico. 5. n. São Paulo. out. Anelise Coelho. NUNES. Teresina.jus. Porto Alegre/RS: Verbo Jurídico. out. A responsabilidade do Estado e o ônus da prova no Código de Defesa do Consumidor sob o enfoque da teoria do risco administrativo./jun. 2000. 476. a. Pontes de. Rio de Janeiro. 449. 16. Vol.jus. Apreciação Probatória no Processo Civil. MATOS. São Paulo: Revista dos Tribunais. <http://www1. 2001. 5. Págs.asp?id=2159> ECHANDIA.jus. III. p. pág. 15 14 13 12 11 10 9 . Teresina. Diritto e Processo. p.asp?id=2160>. n. pág. CARNELUTTI. 2001. Sandra Aparecida Sá dos. 2001. Cecília. (REPETIR NOME DO AUTOR). Jus Navigandi. Hernando Devis apud CIANCI. Luiz Carlos. 2002. abr. Hernando Devis apud CIANCI. 5. 51.com. a. pág.br/doutrina/texto. 17. 2001. O ônus da prova no Código de Defesa do Consumidor. Disponível em: <http://www1. Tratado de Direito Privado. MIRANDA. II.asp?id=2160>.com. A inversão do ônus da prova: como garantia constitucional do devido processo legal. Anelise Coelho. Apreciação Probatória no Processo Civil. 3ª ed. Padova. SIEGMUND HELLMANN apud NUNES. out. Porto Alegre/RS: Verbo Jurídico. 2ª Ed. Teresina. correta e atual. 51. 1929 Apud A inversão do ônus da prova: como garantia constitucional do devido processo legal. Momento processual da inversão do ônus da prova. A responsabilidade do Estado e o ônus da prova no Código de Defesa do Consumidor sob o enfoque da teoria do risco administrativo. Teresina. São Paulo: RT. Prova judiciária no civil e comercial. Vol V. 501 a 521 apud FERRAZ. out. 2002. 8 7 6 5 ALVIM. Arruda.226 Probatória no Processo Civil. <http://www1. <http://www1. Francesco. n.br/doutrina/texto.

DINAMARCO. Cândido Rangel. João Carlos Pestana de. O ônus da prova no Direito Processual Civil.Relator: Antonio Carlos Marcato . 4ª edição rev. 4ª edição rev. 201 FADEL. e atual. 1994.979-4 Itápolis . Teoria Geral do Processo.6ª Câmara de Direito Privado .07. 19. Luiz Eduardo Boaventura. 1994. e bem ainda..jus. A instrumentalidade do processo. cuja realização o juiz determinar de ofício ou a requerimento do Ministério Público.V. Código de Processo Civil Comentado. p. PACÍFICO. 51. 86 e 87. Cândido Rangel. 5. Cândido Rangel. A instrumentalidade do processo. Teresina.227 Apud PACÍFICO. DINAMARCO. Sergio Sahione. 1994.99 . p. antecipando-lhe o pagamento desde o início até a sentença final. 248. 1996. GRINOVER. § 1º O pagamento de que trata este artigo será feito por ocasião de cada ato processual. Ada Pellegrini. 121. O ônus da prova no Direito Processual Civil. Agravo de Instrumento n. São Paulo: Revista dos Tribunais. A instrumentalidade do processo.br/doutrina/texto.asp?id=2159>. 2000. Luiz Eduardo Boaventura. CPC: Salvo as disposições concernentes à justiça gratuita. p. n. A responsabilidade do Estado e o ônus da prova no Código de Defesa do Consumidor sob o enfoque da teoria do risco administrativo. São Paulo: Revista dos Tribunais. out. 2001. 1988.. Antônio Carlos de Araújo. e atual. 2ª Edição. Mirna. 2000. na execução. Forense. 12ª Edição.. CINTRA. 26 25 24 23 22 21 20 19 18 17 16 .) Art. § 2º Compete ao autor adiantar as despesas relativas a atos. São Paulo: Malheiros. São Paulo: Malheiros. e atual. São Paulo: Malheiros. 7ª Edição. rev.10. São Paulo: Malheiros. Jus Navigandi. 354. (Tribunal de Justiça de São Paulo. Disponível em: <http://www1. a. até a plena satisfação do direito declarado pela sentença. CALAMANDREI apud DINAMARCO. BUZAID apud DINAMARCO. 4ª edição rev. p. AGUIAR. Comentários ao Código de Processo Civil. CIANCI. Rio de Janeiro: Ed. 1977. 562. p. e atual.com. cabe às partes prover as despesas dos atos que realizam ou requerem no processo. São Paulo: Revista dos Tribunais. U. 248. p. Cândido Rangel.

Sandra Aparecida Sá dos. p. São Paulo: Malheiros. CAVALCANTI. n. 71. p. A inversão do ônus da prova: como garantia constitucional do devido processo legal. para a sentença. 75. BARBOSA MOREIRA. 2ª Edição. CAVALCANTI. p. p. Sandra Aparecida Sá dos. SANTOS. 2002. p.0". 2. Comentário ao Código de Proteção e Defesa do Consumidor. MILHOMENS. p. 32 apud SANTOS. A inversão do ônus da prova: como garantia constitucional do devido processo legal. A inversão do ônus da prova: como garantia constitucional do devido processo legal. junho: 1996. p. Súmula 424 do STF: "Transitada em julgado o despacho saneador de que não houve recurso." 39 38 37 36 35 34 33 32 31 30 29 28 27 . Comentários ao Código de Defesa do Consumidor apud SANTOS. Nova Fronteira. 1996. A prova no direito processual civil. Sandra Aparecida Sá dos. p. Liv. DINAMARCO. Sandra Aparecida Sá dos. Belo Horizonte: Livraria Del Rey. 71. 1991. São Paulo: Revista dos Tribunais. 2002. RePro. 31-38. Comentários ao Código de Proteção e Defesa do Consumidor. Belo Horizonte: Livraria Del Rey. 12ª Edição. 39. 355. Sandra Aparecida Sá dos. Humberto. 2002. Francisco. excluídas as questões deixadas. 1991. Del Rey. Ada Pellegrini. apud SANTOS. A inversão do ônus da prova: como garantia constitucional do devido processo legal. São Paulo: Revista dos Tribunais. Jonatas. "Dicionário Aurélio Eletrônico – V. Ed. São Paulo: Revista dos Tribunais. CAVALCANTI. p. 2002. Antônio Carlos de Araújo. p. Cândido Rangel. Rio de Janeiro: Forense. Francisco. Francisco. explícitas ou implicitamente. A inversão do ônus da prova: como garantia constitucional do devido processo legal. 71. 2002. Belo Horizonte: 1991. 42. p. SANTOS. Código do Consumidor Comentado. p. Carlos Roberto. 1986. Comentário ao Código de Proteção e Defesa do Consumidor. Direitos do Consumidor. Teoria Geral do Processo. Notas sobre a inversão do ônus da prova em benefício do consumidor.º 86. São Paulo: Revista dos Tribunais. 80. 123. THEODORO JUNIOR. A prova no processo. GRINOVER.228 CINTRA. São Paulo: RT. 37.

70. Aldo Magalhães.1995 – Rel. 2002. 2002. p.461-2. de 06. Stephan Klaus. 43 42 41 40 Alguns aspectos da dogmática processual para a defesa dos direitos do consumidor Autora: Viviane Mandato Teixeira Ribeiro da Silva . p. 75. Stephan Klaus. Liv.229 RADLOFF. A Inversão do Ônus da Prova no Código de Defesa do Consumidor. CAVALCANTI. Comentários ao Código de Proteção e Defesa do Consumidor. p. A Inversão do Ônus da Prova no Código de Defesa do Consumidor. 90 Tribunal de Justiça de São Paulo – Ap.º 255. Cível n. Del Rey. Rio de Janeiro: Forense. Belo Horizonte: 1991. RADLOFF. Francisco. Rio de Janeiro: Forense.04.

Impunha-se um sistema mecanizado e seriado para fomentar o consumo em massa. 4 . Por tal razão. 3 – Da inversão do onus probandi. 8 Bibliografia 1.Da legitimação ad causam. Não havia mais espaço para a produção artesanal. . Adveio daí.Introdução. Essa nova forma de produção e comercialização gerou desequilíbrio nas relações jurídicas de consumo. como é o de consumo. pois os cristalizados no Código de Processo Civil evidenciavam-se inoperantes para a tutela eficaz de direitos designados. espécie dessa categoria de interesses. inferiu-se que seria mister criar um arcabouço legislativo a fim de preservar a esfera jurídica dos consumidores. analisaremos a sistemática processual considerando-se tais relações. partindo da necessidade de atender a um mercado cada mais pujante e abrangente em sua feição quantitativa. 6 . exsurgiu a necessidade de uma mudança drástica nos meios de produção e comercialização de produtos e serviços. Impendia criar instrumentos apropriados. como. a reformulação de institutos de direito substancial não se mostrava suficiente. ante o imenso contingente de utentes. 7 . A perfeita intelecção da linha principiológica norteadora das normas processuais para a tutela de interesses categorizados como direitos metaindividuais demanda considerar alguns aspectos. Com efeito. por titulares não-identificáveis.A adoção do non liquet e do efeito secundum eventum litis. Contudo. um número.Da imposição de multa coercitiva ex officio. Na comercialização.Do regime jurídico da coisa julgada para as ações coletivas.230 Sumário: 1 – Introdução. colocando o consumidor numa posição de franca vulnerabilidade e hipossuficiência. com extrema clareza. traduzidos na impossibilidade de exercer algum controle sobre a qualidade. segurança e quantidade dos produtos e serviços disponibilizados pelo fornecedor no mercado de consumo. Nesse contexto. só para citar alguns. como o da liberdade para fixar o conteúdo contratual. o do regime da responsabilização civil. 2 . por exemplo. revelou-se inviável o contato personalizado e individualizado entre os agentes da cadeia consumerista. no mais das vezes. tais peculiaridades. As relações jurídicas de consumo.A sentença genérica como regra nas ações coletivas.5 . O parceiro comercial transforma-se em um ente. são as que patenteiam. o rompimento com vários dogmas de direito substancial. a difusão e a vulnerabilidade de seus titulares.

Situação essa que certamente induziria ao desestímulo na busca da tutela jurisdicional. a presteza e a eficácia necessárias para a solução de conflitos em massa. inobstante a denominação . que alguém defenda em juízo em nome próprio um interesse alheio. Na Lei 8078/90. ao mesmo tempo e do mesmo modo. regulamenta a tutela de todo e qualquer direito metaindividual. subtraindo do indivíduo a possibilidade de defender em juízo interesses titularizados pela coletividade. A terceira. cujo substrato era o de . por via oblíqua. exceção no Código de Processo. alguns aspectos da sistemática procedimental introduzida pela Lei 8078/90.não se adstringe apenas às relações jurídicas de consumo. É a denominada legitimação extraordinária. defender o consumidor. a qual. a esfera jurídica do indivíduo. como salvaguarda para a produção sistemática de lesão a direito. abordaremos. de uma só vez e por intermédio de uma só lide. apenas o titular do direito material lesado ou ameaçado de lesão está autorizado a defendê-lo em juízo. 2. legitimou entes públicos e privados. alguns institutos processuais foram adaptados para imprimir à tutela jurisdicional a adequação. A opção legislativa em não investir o indivíduo da legitimação ad causam pode ser analisada sob três vertentes.231 Nessa esteira. reside na feição do Estado social. Assim. do artigo 5º. funcionando. segundo a qual. do texto constitucional. Da legitimação ad causam A legitimação ad causam é a autorização legal para defender em juízo um direito material lesado ou ameaçado de lesão. em seu artigo 82. todo o grupo do qual o indivíduo integra. cujo desiderato é a busca do bem-estar social. em conjunto com a Lei 7347/85. por via transversa. é o de evitar a proliferação de ações individuais com pretensões idênticas. tornou despiciendo legitimá-lo. A segunda. dessarte. A primeira. o regramento da legitimação para agir experimentou uma importante mudança. e o risco de soluções judiciais antagônicas para o mesmo conflito. é a da legitimação ordinária. A legitimação extraordinária [01]. No presente trabalho. é regra na Lei 8078/90. A sistemática sufragada pelo Código de Processo Civil. como determina o inciso XXXII. é a de que o fato de o resultado benéfico da lide coletiva atingir. a qual. e. Não mais se prestigia a visão liberal. de modo sucinto. solucionar-se-iam conflitos que envolvessem.Código de Defesa do Consumidor . a lei processual civil admite. Excepcionando essa regra. Encerra verdadeira fonte normativa processual geral que. nos casos por ela enunciados. idealizada sob a filosofia liberal.

o dano pode ser inexpressivo. evitando-se a perpetuação da lesão. com o Prof. no mais das vezes. o dano pecuniário de inexpressiva monta funciona como elemento desestimulante para o indivíduo ajuizar qualquer demanda... E tal circunstância denota a relevância e a imperiosidade do sistema processual coletivo introduzido pela Lei 8078/90.. ou ninguém tem direito a corrigir a lesão a um interesse coletivo. Daí o entrelaçamento da efetividade com o princípio constitucional do acesso à justiça e deste com o da legitimação ad causam. encetando estudo acerca da defesa efetiva dos direitos coletivos. Cappelletti. o legislador infraconstitucional concretizou dois princípios constitucionais: o acesso à justiça e a isonomia.232 atender aos interesses individuais. Pois. ou o prêmio para qualquer indivíduo buscar essa correção é pequeno demais para induzilo a tentar uma ação. e aproveita. a tutela jurisdicional obtida por meio do processo coletivo. pelo dever constitucional de defender os interesses da sociedade. podemos considerar que o fato de o consumidor ser vulnerável e hipossuficiente frente ao fornecedor..) Essa situação cria barreiras ao acesso". elucida que essa gama de direitos "(.) são interesses fragmentados ou coletivos (. pode litigar com causador do dano com igual força política. como é o caso do Ministério Público. que ao legitimar entes coletivos. Sob a ótica do princípio constitucional da isonomia. mas não para os entes privados ou públicos ao defenderem todo o grupo. resulta em franca desigualdade no campo processual.. é que o legislador introduziu tantas inovações no sistema processual. e reprimindo-se a conduta lesiva do fornecedor. que a possibilidade de a produção massificada gerar lesão em escala difusa é expressiva. é melhor defendido em juízo por associações ou órgãos do próprio Estado. E este.) O problema básico que eles apresentam – a razão de sua natureza difusa – é que. segundo o entendimento doutrinário. [02] Se considerarmos as relações de consumo sob o aspecto pecuniário. a ideologia do Estado social protetor dos mais fracos. repise-se.. legitimar entes públicos e civis para a defesa judicial dos interesses transindividuais. concluiremos. Sob a perspectiva do consumidor individualmente considerado. Seja para reprimir condutas nocivas em nível difuso. notadamente para o Ministério Público que. no mundo empírico. destarte. Cappelletti. Diga-se a propósito. A partir da Carta de 1988. . seja para cominar ao fornecedor a sanção cabível. O Prof. Concretiza-se. detentor de forte poder político e/ou econômico. ainda que incipiente sob o ponto de vista individual. o indivíduo tem sua esfera jurídica tutelada contra a prepotência do poder econômico. entretanto não o será numa perspectiva global. De fato. dentre as quais. (. sufraga-se a ideologia da preservação do interesse coletivo. Essa situação não se repete para os entes públicos. Por meio da ação coletiva.

Isto porque é o fornecedor quem detém a mais completa informação acerca do produto. não sufragou a tônica civilista. que a pecúnia. inciso VIII. Depreende-se. Se fosse mantida a sistemática preconizada pelo artigo 333. deve o julgador inverter os ônus da prova. por conseguinte. do Código de Processo Civil. aliás.Da inversão do onus probandi Desdobramento dos princípios constitucionais da isonomia e da dignidade da pessoa humana. do acesso à justiça.233 3 . e como consectário lógico do reconhecimento da vulnerabilidade e da hipossuficiência do consumidor. impõe ao inadimplente o dever de arcar com as perdas e danos. o reconhecimento da hipossuficiência ou da verossimilhança da alegação do consumidor. Vislumbramos o aspecto pragmático dessa regra no campo da responsabilidade civil. carreando-o ao fornecedor. em que é prescindível o exame da conduta do fornecedor para imputar-lhe o dever de reparar o dano. no mais das vezes. logo só ele tem a possibilidade de produzir a prova necessária a fim de demonstrar se o produto é ou não defeituoso. corretamente. porquanto se o consumidor tivesse a desincumbência de fazer prova do nexo causal. a lei 8078/90 erigiu no inciso VIII. a Lei Civil em vigor. certamente sucumbiria. qual seja. a inversão do onus probandi [03] como um direito básico. que presente um dos requisitos elencados no artigo 6º. por exemplo. em que o ônus da prova do fato constitutivo do direito cabe ao autor da demanda. do artigo 6º. . a inversão do ônus probatório revela-se prestante. dentre outros. A lei consumerista. não tem o condão de reparar a atividade nociva do fornecedor nem o de atender aos interesses econômicos do consumidor. ao tratar do direito material das relações de consumo. 4 . Malgrado a adoção do regime objetivo. como o da isonomia. o consumidor dificilmente obteria qualquer ressarcimento em razão de sua hipossuficiência em obter os elementos necessários para provar o nexo de causalidade. No tema das obrigações. O legislador entendeu. em seu artigo 389.Da imposição de multa coercitiva ex officio Vários institutos materiais e processuais foram matizados na construção da nova sistemática a fim de conferir efetividade à tutela jurisdicional na defesa dos direitos transindividuais e dar concretude a vários princípios constitucionais.

consubstanciada no artigo 460 combinado com os artigos 128 e 293. outorgou ao Estado-juiz maior campo de discricionariedade. de seu artigo 84. de sorte que não repugna às normas procedimentais outorgar ao Estado-juiz o poder de impor a multa sem provocação do interessado. todos do Estatuto Procedimental. Isto porque a multa. vale dizer. a Lei 8078/90 incorporou a multa coercitiva. do artigo 84. . segundo os quais os limites da atuação jurisdicional vêm traçados no pedido formulado pela parte. consistente em cominar ao devedor recalcitrante uma penalidade pelo descumprimento da obrigação. ambos do Estatuto Procedimental. se o Estado-juiz não pode conceder à parte além. e. em que tal matéria era dispositiva. as quais impõem ao juiz dar interpretação restritiva ao pedido. Desse modo. a melhor doutrina sustenta inexistir conflito normativo e esclarece que a imposição da multa coercitiva em nada ofende o princípio da adstrição. ensejou o questionamento em face do princípio da adstrição. da Lei 8078/90. Tal prescrição representou. pois influindo no aspecto anímico do fornecedor. a Lei 8078/90. A adoção da astreinte mostra-se consentânea com a realidade social e com o objetivo legal de prevenir a lesão à esfera jurídica do consumidor. e a regra do parágrafo 4º. tem natureza jurídica de medida de coerção e não de ressarcimento. forçando o fornecedor cumprir o pactuado. àquilo que fora determinado na sentença. darse-ia à parte o direito in natura. Seu objetivo é o de constranger. Para essa indagação. egressa do direito francês denominada astreinte. indaga-se se haveria conflito entre a norma geral. Sob o prisma da efetividade. consagrado no artigo 128 combinado com o 293. aquém ou diferente do que foi pedido. Para concretizar essa ideologia. a Lei 8078/90 preconiza que se deva envidar todos os esforços para realizar concretamente o que fora contratado pelos litigantes. ou. em que o julgador está autorizado a cominar de ofício a multa coercitiva e outras medidas que se fizerem necessárias à execução da obrigação. uma inovação legislativa por romper com o sistema processual tradicional. se o órgão julgador só pode conhecer ex officio matéria de ordem pública. quando da promulgação da lei consumerista. evitando-se remeter à parte inocente o recebimento de indenização. Melhor explicitando.234 Nesse diapasão e partindo da premissa de que o processo desempenha um papel instrumental para conferir à tutela jurisdicional efetividade. o de esmaecer a resistência devedor em cumprir espontaneamente o contrato ou o comando emergente da sentença. ao incorporar a multa coercitiva no parágrafo 4º. autorizando-o a cominação da multa ex oficio. dependia de provocação do interessado. o consumidor obtém o objeto da prestação e satisfaz a expectativa gerada por conta do negócio jurídico firmado.

como o prefixo grego indica. a função jurisdicional de pôr termo à controvérsia não interessa apenas a pacificação dos litigantes. se é a própria lei quem permite ao julgador abandonar o papel passivo de "boca da lei" para desempenhar um papel mais ativo. São direitos titularizados. embora seja eminentemente jurisdicional. envolvendo ou não relações jurídicas de consumo. classes ou categorias de pessoas.a 8078/90 -. à saúde. do que resulta que a aplicação do Código só tem lugar em caráter subsidiário e naquilo que não contrariar a lei especial. em dadas circunstâncias. insta trazer à colação a definição dos direitos metaindividuais e de suas espécies para melhor intelecção do tema. por grupos. Entretanto. também prevê a multa coercitiva. ao mesmo tempo. a toda coletividade. é normada pela lei especial . ou. Portanto. Conferindo ao juiz o poder de fixar a multa coercitiva de ofício. a função do juiz também resvala para o aspecto político. são direitos que transcendem a esfera individual. Nesse diapasão. Dessa forma. São interesses incindíveis por pertencerem. Direitos metaindividuais. do artigo 84. a participação do julgador na dinâmica processual. concomitantemente. sem. Representa também a manutenção da paz social e da própria ordem jurídica. a tutela dos direitos metaindividuais. olvidar os princípios da imparcialidade e da preservação dos direitos fundamentais. por titulares indetermináveis. cabe destacar que o Código de Processo Civil. o legislador partiu de um enfoque publicista do processo. não só para melhor análise dos fatos que formarão o convencimento do julgador acerca da verdade. a aplicação da multa coercitiva deve observar o regramento instituído pelo parágrafo 4º. meio ambiente saudável. fazendo valer a vontade popular. como o direito à educação.Adoção do non liquet e o do efeito secundum eventum litis Antes de adentramos à abordagem da possibilidade do non liquet e da extensão subjetiva dos efeitos da coisa julgada com o temperamento do secundum eventum litis albergados pela Lei 8078/90. mas também para o desempenho da função política. matérias de primeira plana para a manutenção do próprio Estado. pois ao interpretar e dar corpo à vontade abstrata da lei estará. fruto da democracia. por intermédio do método dialético. 5. forçoso é concluir que a imposição da multa coercitiva é simples reflexo da coadunação da atuação jurisdicional aos reclamos da sociedade moderna. Com efeito. evidentemente. O exercício da função jurisdicional nos tempos modernos exige. Por derradeiro. da Lei 8078/90 e não a do artigo 461. em última análise. em seu artigo 461. Essa nova categoria de direitos é classificada pela Lei 8078/90 em três . etc.235 Neste ponto cabe uma observação. do Código de Processo.

do direito litigioso e do resultado da lide coletiva. da Lei 8078/90. Quando estes interesses são afetados. mas tratados coletivamente. Se houver alguma cláusula nula. unindo determinado grupo de pessoas entre si ou com a parte causadora do dano. o legislador consumerista introduziu um sistema totalmente diferenciado do vigente no Código de Processo Civil no que tange aos efeitos da sentença. Para exemplificar. do artigo 81. produtos defeituosos. O inciso I. Pela dicção da lei. conceitua como coletivo o direito incindível por ser titularizado. pelo grupo ou classe de pessoas determináveis. conceitua como difuso o direito indivisível por pertencer. toda coletividade sujeita-se aos efeitos prejudiciais. porque é possível identificar cada titular.que é a possibilidade de o julgador rejeitar a pretensão ante a insuficiência probatória sem que tal sentença produza a coisa julgada material . Cite-se à título de exemplo. o inciso III. define os direitos individuais homogêneos como direitos individuais na essência. todas as pessoas que aderiram àquele contrato experimentarão idêntica lesão.236 espécies: difusos. Todos os adquirentes daquele produto sofrerão a mesma lesão. Ainda. os titulares são identificáveis por haver uma relação jurídica base preexistente à lesão. quando o processo for extinto sem julgamento do mérito. Finalmente. do artigo 81. coletivos e individuais homogêneos. a titulares indetermináveis. vale dizer. São direitos individuais. O inciso II. não há entre os prejudicados qualquer relação jurídica que os una. são direitos titularizados por todos e por ninguém em particular. ao mesmo tempo. adotou a possibilidade do non liquet .e do julgado secundum eventum litis . ao tratar da matéria. Partindo da premissa de que os interesses e as dimensões dos danos derivativos do consumo não se restringem apenas a consumidores perfeitamente determinados e identificados. Se a sentença ser meramente formal. anotando-se que a incidência desses regramentos dependem da natureza da sentença. vejamos a mudança legislativa no que tange aos efeitos da sentença. ou seja. incisos I a III. nota-se que o traço distintivo entre os direitos difusos e os coletivos consiste no fato de que nos direitos coletivos a relação jurídica foi a deflagradora da lesão. ao mesmo tempo. Visto o conceito e a classificação dos direitos metaindividuais. A vinculação com a parte contrária decorre do fato de todos terem sofrido a mesma lesão. do artigo 81. Nesta espécie. podemos mencionar o meio ambiente. os efeitos são idênticos ao adotado pelo Código de . o artigo 103. e é por isso que os titulares podem ser identificáveis.é a possibilidade de estender subjetivamente os efeitos da sentença -. porquanto tanto o meio ambiente como a saúde são direito de todos os integrantes da sociedade. nada obstante inexistir entre eles qualquer relação jurídica. Exemplo notório é o contrato de adesão. Com efeito. a saúde.

o juiz entender que não houve lesão. alcançando todos os partícipes da ação. Arruda Alvim [04] que "se ficar claro. o órgão julgador rejeitará a pretensão e a sentença produzirá coisa julgada material. com o temperamento do chamado efeito secundum eventum litis do julgado. Destarte. impedidos de ajuizarem ações individuais para renovar a mesma pretensão. não haverá extensão dos limites subjetivos da coisa julgada. Assim. o regramento da extensão subjetiva dos limites da coisa julgada material secundum eventum litis. apesar disso. Nesta hipótese. a sentença que acolher a pretensão produzirá a coisa julgada material e seus efeitos benéficos alcançarão a todos os titulares individualmente considerados. Se. ressalvando-se a possibilidade de ajuizarem suas ações individuais arrimados na mesma causa de pedir veiculada na coletiva que fora julgada improcedente. portanto. aos olhos do juiz. Neste caso. Quer isto significar que os efeitos da coisa julgada material oriunda da sentença que julgou improcedente a ação em razão da ausência de lesão. infere-se que o tratamento . Isto por serem direitos essencialmente individuais. não alcançarão os titulares individualmente considerados. quando o processo for extinto com julgamento do mérito. porém. ainda que não tenham participado do processo. os efeitos da decisão interditam os legitimados coletivos de ajuizarem nova demanda coletiva. Em vista do que prescreve a lei 8078/90. Incidirá. Todavia. entretanto. ficando. os efeitos da sentença ficam submetidos ao tratamento estabelecido pela Lei 8078/90. permanecendo a controvérsia incólume à apreciação judicial. por corolário. se o conflito versar sobre direitos individuais homogêneos não será aplicado o non liquet e só incidirá o secundum eventum litis se a lide for acolhida. ou seja. que toda a diligência probatória foi realizada e que. cujo objeto seja direito difuso ou coletivo. Forma-se a coisa julgada formal e seus efeitos ficam adstritos ao processo extinto. formar-se-á a coisa julgada material. dependendo da natureza do direito litigioso e do resultado da lide coletiva. porquanto tal julgamento não beneficia os titulares individuais. rejeitará o pedido. se não houver prova bastante da lesão. ao revés do que ocorre nas lides difusas e coletivas stricto sensu. Idêntico efeito se produzirá se o julgador entender que não houve lesão ao direito individual homogêneo. Com efeito. em razão de terem integrado o pólo ativo da lide coletiva na qualidade de litisconsortes. Se a sentença for definitiva. infere-se que o resultado negativo da ação individual homogênea só não prejudicará quem dela não houver participado. se a natureza do objeto da lide for direito difuso ou coletivo. Elucida o prof. não existiu a lesão ao bem jurídico que se pretendia proteger". mas não impedem o ajuizamento de lides individuais.237 Processo Civil. mas que pela gravidade e repercussão social da lesão foram inseridos na categoria de direitos transindividuais. o que faculta à parte interessada o ajuizamento de nova ação.

temos: DIREITO DIFUSO: Procedência: Faz coisa julgada material. Seus efeitos são extensíveis a todos titulares individuais (erga omnes) Improcedência: a) Por falta de provas = Incide o non liquet. mas não produz a coisa julgada material. seja pela inexistência de lesão. Não há extensão subjetiva. Admite-se a repropositura da ação coletiva e nada interfere no ajuizamento da ação individual b) Ausência de lesão = Produz coisa julgada material apenas entre os legitimados coletivos. Admite-se a propositura da ação individual Direito INDIVIDUAL HOMOGÊNEO Procedência: Faz coisa julgada material e seus efeitos são extensíveis a todos os titulares individuais (erga omnes) Improcedência: . Vale dizer. Admite-se a repropositura da ação coletiva e o ajuizamento da ação individual b) Ausência de lesão = Opera coisa julgada material apenas entre os legitimados coletivos. Não há extensão subjetiva. Quer nos parecer que a razão de a Lei 8078/90 ter repetido o tratamento trazido pelo Código de Processo reside no fato de o direito controvertido ter natureza individual e. admitindo-se a propositura da ação individual Direito COLETIVO Procedência: Faz coisa julgada material e seus efeitos são extensíveis aos titulares determináveis do grupo ou classe (ultra partes) Improcedência: a) Por falta de provas = Incide o non liquet. não produzindo a coisa julgada material. a sentença proferida produzirá coisa julgada material inter alios.238 dispensado para as ações de direito individual homogêneo é idêntico ao constante do Código de 73. vigorariam os mesmos efeitos produzidos para as hipóteses de formação litisconsorcial ativa facultativa unitária. Para melhor visualização do que dissemos. seja pela insuficiência de prova. sinopticamente. nesse passo.

Pedido "é a expressão da pretensão.. mediante uma única relação processual.239 a) Por falta de provas = Não incide o non liquet. a inversão do ônus da prova. o tratamento dispensado pela Lei 8078/90 para os efeitos do julgado tinha que diferir da sistemática sufragada pelo Código de Processo Civil. sob pena de viciar a sentença de nulidade e dar azo à rescisória. por encerrar uma manifestação da vontade. Em linhas gerais e pelas especificidades dos direitos metaindividuais. na tutela de um bem jurídico (pedido mediato)". vedando-se a repropositura da ação coletiva. Nesse sentido. Faz coisa julgada material. da lei procedimental. Só quem não participou da lide coletiva poderá ajuizar a ação individual. para encerrarmos esse tópico. a solução de um conflito de grave e expressiva repercussão social. É o que se pede em juízo. mas. É a dedução da pretensão em juízo (. a mens legis foi o de obter. neste tópico. [05] O pedido de prestação da tutela jurisdicional. Verificaremos.A sentença genérica como regra nas ações coletivas Destacamos que alguns princípios e regras processuais tradicionais foram moldados de modo a garantir a tutela eficaz dos direitos transindividuais. É oportuno destacar. Há que se ter presente que ao conferir tratamento coletivo às ações que tenham por objeto o direito individual homogêneo. Não há extensão subjetiva. que a possibilidade do non liquet impõe ao julgador a necessidade de explicitar que a improcedência se deu em razão da insuficiência probatória.. 6. Quem não participou da lide coletiva poderá ajuizar ação individual. cujo traço característico é a difusão dos titulares. Não apenas. se a sistemática do Código de Processo fosse repetida pela Lei 8078/90 redundaria em flagrante inconstitucionalidade ante a negativa de acesso à justiça. pelo fato de o legislador ter subtraído do titular individual a legitimação para agir. deve receber interpretação restritiva à luz do princípio albergado no . sobretudo. economizando tempo e recursos financeiros. segundo a qual o pedido deve ser certo e determinado. ante a determinação constitucional de proteger essa nova categoria de direitos. os efeitos da sentença judicial à luz de seu resultado. Já analisamos a legitimação para agir.) No pedido se contém a suscitação de uma provisão jurisdicional (pedido imediato). do art. da Lei de Rito. à lume do que preceitua o inciso V. 485. Não há extensão subjetiva. b) Ausência de lesão = Produz coisa julgada material vedando-se a repropositura da lide coletiva. a flexibilização da regra constante do artigo 286.

240 artigo 293. tendo o autor. ao enunciar hipóteses em que o pedido possa ser genericamente formulado. a condenação se dá pelo prejuízo provocado e não pelo dano experimentado pelos titulares individualmente considerados. ter rompido com a tradição. Ada Pellegrini Grinover [06] assevera que o aspecto teleológico da sistemática processual traçada pela Lei 8078/90 para a tutela dos direitos transindividuais é obter. a controvérsia fica adstrita entre o fornecedor . Não por outra razão. para a tutela dos direitos coletivos. o direito em conflito pertence a titulares determinados (direito coletivo stricto sensu) ou indetermináveis (direito difuso). E assim é. Nas ações coletivas. Pensemos na relação jurídica de consumo. por meio das ações coletivas. Na lide individual. admite-se que o autor decline o que quer sem deduzir o quantum quer. A profa.e o consumidor lesado. no entanto. ou seja. De fato. não seria possível repetir a regra prescrita no artigo 286. se pensarmos que os legitimados ativos estão defendendo os . A regra consubstanciada no artigo 95. Daí o porquê de a exceção no Código de 73 ser a regra na Lei 8078/90. é exigência legal que o pedido deva ser certo e determinado. o ônus de demonstrar o dano e o nexo causal. sob pena de nulidade da sentença (parágrafo único. da Lei Procedimental Civil. A regra constante do caput do artigo 286. é excepcionada por seus incisos. em linha de princípio. entendendo-se por esta locução: delimitado quanto aos direitos e extensão quantitativa. do CPC). é que a sentença deva ser certa quanto ao tipo de provimento jurisdicional pretendido. do Código de Processo. para viabilizar aos lesados individuais a identificação e a apuração do quantum indenizativo. vale dizer. por absoluta incompatibilidade com os objetivos da Lei 8078/90. da Lei 8078/90.causador do dano . Já no caso das lides metaindividuais. Vê-se a completa distinção entre a ação coletiva e a que envolve direitos individuais regidos pelo Código de Processo e o porquê de o legislador. de acordo com a extensão do dano individualmente experimentado. não podendo proferir sentença ilíquida quando o pedido for certo. Desde o início da lide as partes são perfeitamente identificadas. nem conferir ao autor citra. mas genérica ou ilíquida quanto à extensão quantitativa da pretensão. máxime em razão de a decisão proferida nas ações coletivas tutelar um bem jurídico ainda indivisível. a sentença deve ser genérica. o juiz fica vinculado àquilo que foi pedido. Por essa regra. artigo 459. da lei do Rito. ultra ou extra petita. Nessa linha. Por essa razão. o reconhecimento judicial do dever reparatório e da condenação do agente causador do dano ao ressarcimento pelos prejuízos produzidos.

Do regime jurídico da coisa julgada nas ações coletivas Fizemos remissão às alterações legislativas que influíram nos efeitos emanados da sentença. e. porquanto as regras do Código de Processo se revelaram inaptas para equacionar satisfatoriamente as exigências da nova ordem social. valendo-se de nova prova". ainda. observa-se que todos os titulares individuais do interesse coletivo . concebeu a Lei 8078/90 e aperfeiçoou a Lei 7347/85. hipótese em que qualquer legitimado poderá intentar outra ação com idêntico fundamento. 7 . Falar de efeitos da sentença remete à coisa julgada. portanto o decisum é certo por definir o direito. cumprindo o ditame constitucional de elaborar mecanismos instrumentais que garantissem a defesa efetiva dos direitos metaindividuais. exceto se a ação for julgada improcedente por deficiência de provas. Não foi por outra razão que as regras da legitimação para agir.A sentença civil fará coisa julgada erga omnes.241 interesses daqueles que efetivamente experimentaram o dano e que não participam da relação processual. Há certeza quanto ao dever de reparar o dano. recebeu tratamento especial. prescrevendo que a sentença deva ser certa e determinada. Em primeiro. dentre outras medidas. o que faria cair por terra todo o arcabouço da lei 8078/90. as inovações foram substanciais. Colhemos. da lição trazida pela doutrina. mas ilíquido por não precisar o quantum. se fosse aplicada a regra do Código de 73. restaria impossível a indenização dos lesados. Como se nota. sofreram tantas inovações. da Lei 7347/85 assim dispunha. in verbis: "Art. O legislador infraconstitucional. A extensão dos limites subjetivos da coisa julgada. neste tema. O artigo 16. fácil é intuir que a sentença não poderia ser especificar o quantum debeatur. Pelo teor do dispositivo legal supra colacionado combinado com o artigo 103. Esses dois diplomas cristalizam normas que destoam da processualística tradicional. da Lei 8078/90. que o fato de a condenação ser genérica não significa dizer que a sentença seja incerta. porque será na fase liquidatória que será aferida a extensão do dano causado por determinado produto ou serviço. 16 . porque os lesados só serão identificados no momento da liquidação de sentença. tema que nos interessa neste tópico. em segundo.

porque do conjunto probatório existente nos autos não se demonstrou a lesão. no âmbito dos direitos coletivos a sentença produz efeitos para além dos litigantes. in verbis: "Art. Isto porque as ações coletivas buscam tutelar direitos fundamentais expressamente reconhecidos em nosso ordenamento jurídico. O fundamento jurídico para que o legislador tenha adotado o efeito secundum eventus litis reside no fato de ter conferido legitimação a quem não seja o titular exclusivo do direito lesado. a razão de ser das mudanças introduzidas no sistema . criando-se um sistema legislativo material e processual próprio e adaptado para concretizar a proteção constitucional. só sofrerá influência do julgado em sua esfera jurídica se a decisão for benéfica. Subsumindo o dispositivo legal supra às disposições constitucionais que determinam a efetiva proteção aos direitos transindividuais. uma vez que a improcedência da demanda em face da inexistência da lesão a direito impedirá tão-somente o ajuizamento de outra lide coletiva.A sentença civil fará coisa julgada ‘erga omnes’. Caso a sentença rejeite a pretensão por entender que não houve lesão. direta ou indiretamente. nos limites da competência territorial do órgão prolator. inclusive. o titular individual nenhum prejuízo jurídico experimentaria. exceto se o pedido for julgado improcedente por insuficiência de provas. é que a doutrina assevera que os efeitos erga omnes da autoridade da coisa julgada se opera somente em relação ao legitimados ativos para a ação coletiva. demandar individualmente o agente ofensor para obter a reparação da lesão. da Lei 7347/85. Disso resultou a implementação de uma série de inovações por meio das Leis 8078/90 e 7347/85. a autoridade da coisa julgada não poderia cingir-se aos litigantes. limitou os efeitos subjetivos da coisa julgada ao determinar que. encampamos a corrente que propugna pela inconstitucionalidade da alteração legislativa. A Lei 9494/97. diferentemente do que sucede perante o Código de Processo. hipótese em que qualquer legitimado poderá intentar outra ação com idêntico fundamento. Destarte. E o fato de a Constituição ter tutelado os direitos metaindividuais quer significar que se tornou inadmissível ao legislador infraconstitucional restringir ou alterar. por não ter recebido legitimação para agir em juízo. Com efeito. ou. daí ter sido criado um mecanismo que garantisse a todos os titulares do direito controvertido os benefícios decorrentes do acolhimento da pretensão. valendo-se de nova prova". podendo. essa proteção. as Leis 7347/85 e 8078/90 prescrevem que o titular individual do direito. (grifo nosso). 16 .242 (lato sensu) seriam alcançados pelo resultado benéfico do julgado. à natureza dessa categoria de direitos e à posição doutrinária. contudo. Como se nota. Por tal razão. Em última análise. alterando a redação do artigo 16.

têm conferido à lei interpretação literal. Hipótese em que se nega a litispendência porque a primeira .LIMITES DA COISA JULGADA. 2. nos limites da competência territorial do órgão prolator".243 jurídico prendeu-se à natureza dos direitos e da repercussão social dos conflitos em massa. qualquer outra ação.g a ação popular. 3. como se verifica das ementas infra colacionadas. a isonomia. Conforme os ditames da Lei 9. "a sentença civil fará coisa julgada erga omnes.494/97. de modo que as ações que versarem sobre tais direitos estariam fora do alcance da Lei 9494/97. A doutrina mais autorizada vem repudiando essa alteração legislativa sustentando sua inoperância. embasando seu entendimento no fato de que os efeitos da decisão estão vinculados aos limites ínsitos ao pedido. PÚBLICA – 1. Hugo Nigro Mazzilli. v. dentre outros. A verificação da existência de litispendência enseja indagação antecedente e que diz respeito ao alcance da coisa julgada. o direito coletivo stricto sensu tem eficácia ultra partes e não erga omnes. Ada Pellegrini Grinover segue a mesma linha quanto à ineficácia da restrição territorial dos efeitos da decisão. que busque a tutela a direito coletivo estará fora do alcance restritivo trazido pela Lei 9494/97. As ações que têm objeto idêntico devem ser reunidas.as Leis 8078/90 e 7347/85 -. os tribunais. ainda que não uniformemente. logo não pode ficar adstrito à competência jurisdicional do órgão prolator da decisão. que restringir a eficácia da coisa julgada nos moldes traçados pela Lei 9494/97. como também as prescrições constitucionais. porque as ações coletivas são reguladas por dois subsistemas que atuam em conjunto . Nesse diapasão. inclusive quando houver uma demanda coletiva e diversas ações individuais. relegando a um plano secundário não apenas a linha teleológica do sistema protetivo sufragado pela Lei 8078/90. de modo que seria mister alterar a ambos. da Lei 7347/85. da Lei 7347/85. Não obstante o repúdio doutrinário à alteração do artigo 16. " PROCESSO CIVIL – AÇÃO CIVIL LITISPENDÊNCIA . por exemplo. mormente porque é a Lei 8078/90 que cuida do regime da coisa julgada. quer nos parecer. alterando-se a redação do artigo 16. acaba por desnaturar a tutela efetiva do direito coletivo e ferir outros mandamentos constitucionais. Ainda. destaca que pelo fato de a restrição ter sido imposta apenas na Lei 7347/85. mas a reunião deve observar o limite da competência territorial da jurisdição do magistrado que proferiu a sentença. como o acesso à justiça.

Recurso especial parcialmente conhecido." (REsp n.494/97.2004) BIBLIOGRAFIA Armelim.494/97. em razão de que em seu dispositivo se encontra expressa a delimitação territorial adrede mencionada. Notas Sobre A Coisa Julgada Coletiva. Curso de Direito Constitucional. Impossibilidade de ajuizamento de ação de execução em outros estados da Federação com base na sentença prolatada pelo Juízo Federal do Paraná nos autos da Ação Civil Pública nº 93. APADECO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. litteris : "A sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade associativa. 1ª TURMA. domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator". 88. e nesse ponto. São Paulo: RT. EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO DE COMBUSTÍVEIS (DL 2. n. 642462/PR. Donaldo. Tutela Jurisdicional do Meio Ambiente. 665. VIOLAÇÃO DO ART. A abrangência da ação de execução se restringe a pessoas domiciliadas no Estado do Paraná.244 ação está limitada ao Município de Londrina e a segunda ao Município de Cascavel. Revista do Advogado da AASP.12. 08/03/2005) "PROCESSUAL CIVIL. ILEGITIMIDADE DAS PARTES EXEQÜENTES. 2. desprovido. Revista de Processo n. na defesa dos interesses e direitos dos seus associados. 02. na data da propositura da ação.947-SC. EFICÁCIA DA SENTENÇA DELIMITADA AO ESTADO DO PARANÁ.0013933-9 pleiteando a restituição de valores recolhidos a título de empréstimo compulsório cobrado sobre a aquisição de álcool e gasolina no período de jul/87 a out/88. 2º-A da Lei nº 9. ____________. ambos no Estado do Paraná. BASTOS. 3. Manual de Direito Processual Civil. Celso. j. 37. caso contrário geraria violação ao art. José Manuel." (REsp n. 22ª ed.288/86).. 1. ARRUDA ALVIM. São Paulo: . j. abrangerá apenas os substituídos que tenham. 2ª TURMA. EXECUÇÃO DE SENTENÇA. 2º-A DA LEI Nº 9.

Forense. Comentários ao Código de Defesa do Consumidor. II. 2º Vol.. Coimbra: Almedina. Curso de Direito Processual Civil. Vol. Editora: Forense..245 Saraiva. Direito Constitucional e Teoria da Constituição. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor comentado pelo autores do anteprojeto. 6ª ed. São Paulo: Saraiva. ____________. I. Caio Mário. Acesso à Justiça.. Hans. 3 ed. Grinover. ____________. Vol. São Paulo: RT. Gomes Canotilho. 1991. 5ª ed. Silva. Editora: Forense. Moacyr Amaral. 13ª ed. Editora Martins Fontes. Instituições de Direito Civil. Mauro. ____________. SANTOS. Editora Forense. Nery Junior. Princípios do Processo Civil na Constituição Federal. Rizzatto Nunes.. Hugo. 2001. A defesa dos interesses difusos em juízo.Forense. Forense. São Paulo: Saraiva. Editora Forense. 2000. ª ... 6ª ed. José Joaquim. Editora Forense. O problema da Justiça. Do Processo Cautelar. ____________. Primeiras Linhas de Direito Processual Civil.. 2003. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor Comentado pelo autores do Anteprojeto. Curso de Direito Constitucional Positivo. Editora Malheiros. Cappelletti. Nigro Mazzilli. Vol. Nelson.. 3ª ed. Ovídio Araújo Baptista da. Vol II. São Paulo: Saraiva. III. 2001. Ada Pellegrini. Luiz Antonio. O Princípio Constitucional da Dignidade da Pessoa Humana. 10ª ed. SILVA. Editora Forense. Sergio Antonio Fabris Editor. Silva Pereira. São Paulo: Saraiva. 6ª ed. Instituições de Direito Civil. THEODORO JUNIOR.. Humberto. 23ª ed. 2002. Instituições de Direito Civil. Kelsen. José Afonso.

A segunda. p. 04 01 José Manuel de Arruda Alvim. O fundamento seria o de que as regras de distribuição do ônus da prova são regras de juízo. 2º vol. E a terceira. Outra corrente perfilha a tese de que a legitimação não é extraordinária. op. mas autônoma para conduzir o processo. porquanto quem figura como autor da demanda. . a inversão dar-se-ia quando do sentenciamento. pois os interesses defendidos pertencem. perfilha o argumento de que o momento da inversão deve ocorrer no saneador ou durante a fase probatória. o que deu azo a três exegeses doutrinárias. a defesa do réu. sustenta que a inversão deve ocorrer na petição inicial. não é o titular do interesse. Entendemos que a terceira corrente é a mais compatível com o regramento constitucional do direito de defesa e as diretrizes protetivas da lei 8078/90. que a legitimação é extraordinária. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor Comentado pelo autores do Anteprojeto. Ada Pellegrini Grinover. A Lei 8078/90 não estabelece o momento processual da inversão. p. Acesso à Justiça. A primeira. à coletividade e ao autor da ação. Mauro Cappelletti e Bryan Garth. propugna pela inversão no momento do julgamento da causa. 06.246 Watanabe.784. ao mesmo tempo. 31. Moacyr Amaral dos Santos. 03 . Passim. Kazuo. os interesses do consumidor. pensamos que o julgador deva prevenir as partes sobre a possibilidade da inversão na fase instrutória. 6ª ed.150. cit. 02. de algum modo. portanto. 05.. e que.. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor (Comentado pelo autores do Anteprojeto). Notas Há dissenso doutrinário acerca da natureza da legitimação para a defesa de interesses coletivos. Primeiras Linhas de Direito Processual Civil. a fim de não cercear. o contraditório e ampla defesa desdobramentos do princípio do devido processo legal. Isto porque. porque não dizer. Editora: Forense. e. Há quem sustente.p.

IV – ocorrer afinidade de questões por um ponto comum de fato ou de direito. na posição de autores ou de réus" [01]. 1. Litisconsórcio 1. São pressupostos estabelecidos pelo artigo 46 do Código de Processo Civil: I – entre elas houver comunhão de direitos e obrigações relativamente à lide.3 Espécies .247 Litisconsórcio. III – entre as causas houver conexão pelo objeto ou pela causa de pedir.Pressupostos para a formação do litisconsórcio O litisconsórcio não se forma livremente. quanto no pólo passivo (réus). 1. Gabriel de Rezende Filho define litisconsórcio como "o laço que prende no processo dois ou mais litigantes. apenas com a vontade das partes.tanto no pólo ativo (autores).1. II – os direitos e obrigações derivarem do mesmo fundamento de fato ou de direito. quando houver a cumulação de vários sujeitos .2. É necessário que haja uma ligação que os una para sua formação válida.Definição Litisconsórcio é a pluralidade de partes litigando no processo. isto é. assistência e intervenção de terceiros nas ações coletivas para tutela do consumidor Autora: Gláucia Kohlhase Marques 1.

em que marido e mulher terão que se litisconsorciar como autores (art. será assistente litisconsorcial. II e 949. impõe a formação de litisconsórcio. Entretanto. por fim. Entretanto.248 Quanto à pluralidade de partes. devendo ser formado no momento da propositura da ação. Alguns exemplos podem ser citados como ações que versem sobre direitos reais imobiliários. CPC). 952. O litisconsórcio facultativo pode ser limitado pelo juiz sempre que houver um número excessivo podendo acarretar o comprometimento da rápida solução do litígio . 946. Se aquele que poderia ser litisconsórcio facultativo não integrar a relação jurídica inicialmente e deixa para ingressar no processo posteriormente. § 1º. sua formação é obrigatória. a vontade das partes não é arbitrária. Em todas as hipóteses relacionadas. este pode ser necessário ou facultativo. ação de usucapião. a maioria dos casos não é expressamente prevista pela lei processual. sendo necessário que os demais condôminos sejam citados como litisconsortes (art. ações em que marido e mulher deverão ser citados como réus (art. CPC). CPC). a lei determina a formação do litisconsórcio tendo em vista a relação jurídica material existente. em muitos casos. 10. Alguns exemplos podem ser mencionados como nas ações de partilha. De acordo com o artigo 47 do Código de Processo Civil. 10. o juiz tiver que decidir a lide de modo uniforme para todas as partes. passivo quando existirem vários réus ou misto quando no processo litigarem vários autores e vários réus. será facultativo quando a existência do litisconsórcio ficar a critério das partes. em que todos os quinhoeiros deverão ser citados. pela natureza da relação jurídica. o direito material deve ser analisado para que se possa identificar a necessidade da formação do litisconsórcio. mas sua formação também é necessária sempre que a comunhão de direitos e obrigações for una e incindível. O litisconsórcio será necessário sempre que a lei assim exigir ou. ações de divisão de terras. Para isso. proposta pelo Ministério Público. ação de nulidade de casamento. CPC). A lei. em que todos os condôminos deverão ser citados (art. em que serão citados todos os sócios e. ação de demarcação promovida por um dos condôminos. Por outro lado. figura que será examinada mais adiante. condicionando-se aos pressupostos elencados no artigo 46 do Código de Processo Civil já mencionados alhures. ação pauliana. ação de dissolução de sociedade. neste caso. bem como a dos confinantes do imóvel (art. em que o autor deverá pedir a citação dos interessados certos ou incertos. em que serão citadas as partes do contrato. em que serão citados ambos os cônjuges. 942. o litisconsórcio pode ser ativo quando existirem vários autores. Quanto à obrigatoriedade de formação do litisconsórcio. CPC).

A única hipótese de litisconsórcio ulterior ocorre no caso de litisconsórcio necessário que não se formou no início da relação processual de forma que. os litisconsortes podem constituir procuradores diferentes. o juiz deverá ordenar ao autor que promova a citação de todos os litisconsórcios sob pena de extinção do processo. isto é. sendo os fatos alegados pelo autor comuns a todos. tornando-se revel. do Código de Processo Civil.249 ou dificultar a defesa. a situação jurídica litigiosa deve receber tratamento uniforme. Nas demais hipóteses em que aquele que poderia formar litisconsórcio inicialmente não o fez e ingressa posteriormente. comporta algumas exceções. o litisconsórcio pode ser inicial ou ulterior. não conteste a ação. Da mesma forma poderá ser feita a transação e a conciliação. Assim. A confissão e o reconhecimento são possíveis sem que prejudiquem os demais litisconsortes. não constitui caso de litisconsórcio ulterior e. não sendo possível que a decisão da lide seja de forma diferenciada para cada um dos colitigantes. deve ser formado no início da relação processual. conforme determina o artigo 47. Neste caso. 46 do Código de Processo Civil. o litisconsórcio deve sempre ser inicial. parágrafo único. recorrer e falar nos autos serão contados em dobro. sim. Entretanto. depois de constituída a relação processual ou pela junção de duas ou mais distintas relações processuais. o litisconsórcio poderá ser unitário ou simples. tiver que ser decidida de maneira uniforme para todos os litisconsortes.O litisconsórcio unitário ocorre sempre que a lide. cada litisconsorte tem autonomia dentro do processo. obrigatoriamente. Quanto ao momento de formação. sendo considerado como parte distinta. Como regra. na posição de réu. 1. O litisconsórcio será ulterior quando surgir no curso do processo. os prazos para contestar. podendo praticar todos os atos processuais. Quanto à eficácia da sentença. Pode ocorrer que um dos litisconsortes. Embora a disposição legal não deixe claro. a autonomia dos litigantes não é absoluta. assistência litisconsorcial que será examinada mais adiante. Autonomia dos colitigantes Conforme se depreende do artigo 48 do Código de Processo Civil. em consonância com a regra instada no artigo 191 do Código de Processo Civil. Neste caso. trata-se não só de citação para formação do pólo passivo como também do ativo.4. Já o litisconsórcio simples se dá quando a lide puder ser decidida de forma diversa para cada litisconsorte. Neste caso. basta que um dos litisconsortes conteste para que a revelia não acarrete o efeito . Os atos e omissões não prejudicam os demais litisconsortes. regra esta consubstanciada no parágrafo único do art.

bastaria que o segundo co-legitimado propusesse em separado outra ação civil pública ou coletiva. Nesse passo. é concorrente e disjuntiva. É o que ocorre nos casos de litisconsórcio unitário. a sanção do art. pois o nosso ordenamento não admite a constituição superveniente de litisconsórcio facultativo. o recurso interposto por um dos litisconsortes aproveitará aos demais quando os interesses não forem distintos ou opostos. Neste sentido leciona Calmon de Passos : " O art. da Lei da Ação Civil Pública traz a possibilidade de o Poder Público e outras associações legitimadas habilitarem-se como litisconsortes. portanto. pois a . e isso provocaria a reunião de processos. Com relação à eficácia da sentença. eliminada a possibilidade de prova contrária do réu quanto aos mesmos". Relativamente aos demais fatos. "procurando disciplinar o chamado litisconsórcio ulterior. o litisconsórcio será unitário. com pedido mais abrangente ou conexo. Segundo ele. E ainda. o art. O artigo 5º. 319 incide: eles serão reputados verdadeiros pelo juiz. § 2º. formando litisconsórcio inicial no pólo ativo. da LACP admite que "o Poder Público e outras associações legitimadas" se habilitem como litisconsortes em ação já proposta". caso se entendesse que inexista possibilidade de litisconsórcio ulterior. em decorrência do princípio da comunhão da prova e do artigo 131 do Código de Processo Civil. ao tratar do mesmo problema: "Fica facultado aos demais legitimados ativos habilitarem-se como litisconsortes nas ações propostas por qualquer deles". Em decorrência disso os legitimados podem propor a ação coletiva conjuntamente. independentemente dos demais. ou comum ao réu atuante e ao revel litisconsorte. 320. "por absurdo. De acordo com o que disciplina o artigo 509 do Código de Processo Civil. menos imperfeita foi a redação dada na Lei n.853/89. 1.250 previsto no artigo 319 do Código de Processo Civil. Trata-se não de litisconsórcio. Hugo Nigro Mazzilli entende que a regra do artigo acima citado é caso de litisconsórcio ulterior. § 2º. Mas. A prova produzida por um dos litisconsortes também poderá aproveitar ou prejudicar os demais. e sim de assistência.5 Litisconsórcio nas ações coletivas A legitimação nas ações coletivas. 7. 5º. O recurso também poderá ser interposto pelo litisconsorte. e então ambos os co-legitimados acabariam sendo tratados como litisconsortes. I. mesmo esta redação não se livrou da incorreção de mencionar assistentes litisconsorciais em vez de litisconsortes" [02]. conforme se depreende do artigo 82 do Código de Defesa do Consumidor. tem que ser entendido como restrito à impugnação de fatos comum a todos os litisconsortes.

Para que alguém figure como litisconsórcio é necessário que tenha a legitimidade para ser autor. a ação popular pode ser proposta pelo cidadão para anular ato ilegal ou ilegítimo lesivo ao patrimônio público. O seu § 5º incluiu o § 5º ao artigo 5º da LACP. surgiu a idéia do litisconsórcio entre Ministérios Públicos que acabou se concretizando no artigo 113 do CDC. Com o veto ao § 2º do artigo 82 do CDC. há uma exceção que ocorre no caso de ação popular. após requerer a suspensão. tendo processo individual em andamento com pedido idêntico ou conexo. embora não possa ser autor. O indivíduo lesado. tendo em vista que os legitimados para a propositura da ação estão expressamente determinados pela lei. conforme já exposto. todo o grupo de pessoas lesadas. em um único processo coletivo. o indivíduo não pode ser autor de ação que tutele interesses transindividuais.2 Litisconsórcio entre Ministérios Públicos Em decorrência de melhor defesa do meio ambiente. 1.5. poderá habilitar-se como assistente litisconsorcial na ação civil pública na defesa de interesses individuais homogêneos.5.251 decisão deverá ser idêntica para todos os litisconsortes. questiona-se se existiria limites com relação à quantidade de indivíduos que queiram ingressar na ação coletiva como assistente litisconsorcial. Entretanto. surgiu a discussão se teria ou não havido veto ao litisconsórcio inserido no CDC. Tanto o CDC quanto a LACP não trazem regras processuais específicas quanto ao assunto do litisconsórcio. beneficiando. é possível a limitação pelo juiz quando houver excessivo número de litisconsortes podendo acarretar o comprometimento da rápida solução do litígio ou dificultar a defesa. de acordo com a previsão do artigo 94 do Código de Defesa do Consumidor. 1. De acordo com o parágrafo único do artigo 46 do referido diploma legal. inciso LXXIII da Constituição Federal. Neste caso.1 O indivíduo na posição de litisconsorte A legitimação extraordinária tem como escopo possibilitar que os indivíduos lesados pela violação de seus direitos sejam substituídos no pólo ativo. somos pelo entendimento de que se deve fazer a aplicação subsidiária do Código de Processo Civil. Pelo sistema vigente na legislação brasileira. assim. Assim. pelos legitimados ativos elencados no artigo 5º da Lei da Ação Civil Pública e do artigo 82 do Código de Defesa do Consumidor. seja de forma isolada ou em litisconsórcio unitário facultativo. inclusive ao meio ambiente. Isto ocorre para que a prestação jurisdicional seja prestada de uma só vez. Face o artigo 5º. O entendimento majoritário da .

mais apropriado seria. A doutrina classifica a assistências em duas espécies: simples. seja por razão de matéria. O Ministério Público é uma instituição informada pelos princípios da unidade. as argumentações invocadas para o veto não procedem já que o artigo 128 da Constituição Federal não impede que os Ministérios Públicos da União. Assim. certa improbidade técnica em se falar em litisconsórcio entre os vários órgão de uma mesma instituição. Suas regras estão disciplinadas nos artigos 50 a 55 do Código de Processo Civil. O Código de Processo Civil italiano conceitua a assistência simples como sendo a intervenção de terceiro no processo entre as partes visando sustentar as razões de uma delas contra a outra. indivisibilidade e independência funcional estabelecidos pelo § 1º do artigo 127 da Constituição Federal. tradicionalmente. Entretanto. prevalecendo a possibilidade do litisconsórcio entre Ministérios Públicos por força do artigo 113 do CDC. do Distrito Federal e dos Estados atuem em conjunto. . de âmbito nacional. certamente. e assim por diante" [03]. A doutrina insere a assistência nas modalidades de intervenção de terceiros apesar de o Código de Processo Civil vigente a tratar separadamente. Outra polêmica diz respeito à constitucionalidade do dispositivo em questão.252 doutrina é que o veto foi ineficaz. ou adesiva e a litisconsorcial ou autônoma. Esta autonomia é apenas administrativa. Assim. seja por razão territorial. as quais serão examinadas adiante. ASSISTÊNCIA A assistência é uma forma de intervenção espontânea que ocorre com o ingresso do terceiro na relação processual já existente. 2. com atribuição específica de tarefas diferenciadas a cada um deles. esses órgãos atuassem com a indicação do setor que lhe compete. falar-se em representação da instituição. o Ministério Público do Trabalho. fez com que. 2. com a menção à área que lhe toca. assim.1 Assistência simples ou adesiva A assistência simples tem origem no processo extraordinário romano. Ocorre que a própria necessidade de divisão do trabalho que levou à criação de vários órgãos do Ministério Público. Para Kazuo Watanabe " haveria. o órgão Ministerial é uno. o Ministério Público pode atuar em qualquer das justiças e até em conjunto com outro órgão do Ministério Público quando a defesa dos interesses e direitos difusos e coletivos esteja dentro das atribuições que a lei lhe confere. Tecnicamente. o Ministério Público do Estado de São Paulo tem agido com a indicação da unidade da federação a que pertence. No que se refere à instituição.

Atua com a finalidade de auxiliar o assistido tendo em vista ter interesse em que a sentença seja favorável ao litigante a quem assiste. Por outro lado. intervém no processo. não se converte em litisconsorte. Como regra.253 O assistente. A assistência pode se dar a qualquer tempo e graus de jurisdição. pois a lide discutida não lhe pertence. Entretanto. podendo produzir provas e praticar atos processuais desde que sejam benéficos ao assistido. exercendo os mesmos poderes. com a conduta que esta assume no processo" [04]. podendo formular pedido. restringir ou ampliar o objeto da causa. contudo. Entretanto. Segundo Nelson Nery Júnior. mesmo em contradição. lhe é vedado formular pedido próprio. Segundo Liebman. Vincula-se aos efeitos da imutabilidade da justiça da decisão. Também estará sujeito aos mesmos ônus processuais. defender a posição da parte assistida. O assistente age como auxiliar da parte. o assistente encontra-se subordinado ao assistido que poderá reconhecer a procedência do pedido. como terceiro. reconhecer pedido ou transigir. O assistente não estará vinculado à justiça da decisão se alegar e provar que. Mas não poderá praticar atos relativos à disposição de direitos. de modo que se torna sujeito no processo e não parte. a assistência ocorre quando o terceiro. o assistente aturará como gestor de negócios. e permanecendo nesse caráter. ex vi artigo 53 do CPC. recorrer. com interesse jurídico em que a sentença seja favorável à parte por ele assistida. ao intervir no processo. há interesse jurídico do terceiro "quando a relação jurídica da qual seja titular possa ser reflexamente atingida pela sentença que vier a ser proferida entre assistido e a parte contrária" [05]. Sendo o assistido revel. isto é. ele pode. A última hipótese somente se aplica ao assistente litisconsorcial. atuando com maior liberdade no processo. Assim. não formula pedido em prol de direito próprio. recebendo o processo no estado em que se encontra. sempre em benefício do assistido. pelo estado em que recebera o . o terceiro "não se torna parte. o artigo 55 do CPC traz algumas exceções. alterar. como confessar. desistir da ação ou transigir sobre direitos controvertidos. sua relação jurídica não é deduzida em juízo e a sentença não pode decidi-la nem conter disposições que lhes sejam diretamente pertinentes (exceto quanto às custas da intervenção). reconvir. impugnar perito aceito pelo assistido ou testemunha por este apresentada etc. a coisa julgada não atinge o assistente simples. quando o assistido haja desistido do recurso ou a ele renunciado. o assistente não poderá discutir os fundamentos de fato e de direito em que se assentou aquela decisão em outro processo que venha a ser autor ou réu. conforme dispõe o artigo 50 do Código de Processo Civil. ou reconvir. se necessário.

atuando como parte distinta deste em suas relações com a parte adversa.3 Assistência nas ações coletivas Caso os demais legitimados queiram participar do processo posteriormente à propositura da ação. nos casos de danos a interesses transindividuais. Diversamente da assistência simples. ou pelas declarações e atos do assistido. por dolo ou culpa. 2. 2.254 processo. isto é. já que o indivíduo sempre conserva o direito de acionar . na assistência litisconsorcial são extraídos do artigo 54 do CPC dois requisitos necessários para a sua formação: a) relação jurídica entre o interveniente e a parte contrária ao assistido. pois a sentença não influirá necessariamente na relação jurídica entre ele e o adversário do assistido. É o caso daquele que poderia ter sido litisconsórcio facultativo mas não o foi. podendo agir com total independência e autonomia relativamente à parte assistida. poderá ingressar como assistente litisconsorcial na ação coletiva. pois o lesado. poderão ingressar na qualidade de assistente litisconsorcial tendo em vista que o litisconsórcio inicial é facultativo. compreendido no pedido coletivo. não poderia ser terceiro. b) não seria a rigor nem mesmo caso de assistência litisconsorcial em sentido estrito. Os atos e omissões do assistido não prejudicarão nem beneficiarão o assistente bem como os atos e omissões deste não influirão naquele. Seus poderes são de verdadeiro litisconsorte. faz coisa julgada material. o assistente não se subordina aos atos do assistido. não se valeu. em benefício do qual se move a ação coletiva. se tem direito próprio a ser zelado. de que o assistido. b) essa relação ser normada pela sentença. fora impedido de produzir provas suscetíveis de influir na sentença ou desconhecia a existência de alegações ou de provas. tendo sido deixado fora da relação processual.2 Assistência litisconsorcial ou autônoma A assistência litisconsorcial ou autônoma ocorre sempre que o terceiro for titular de uma relação jurídica idêntica ou dependente da deduzida em juízo que será atingida diretamente pela sentença. O particular lesado que tenha processo individual em andamento com pedido idêntico ou conexo. a intervenção do lesado a título de assistência processual não se parece adequar perfeitamente às figuras processuais conhecidas: a) não seria caso de assistência simples. Para Hugo Nigro Mazzilli. após ter requerido a suspensão. Em consonância com o art. 48 do CPC.

não pode assumir diretamente a promoção da ação. são os que não são partes no processo pendente [07]. não restando prejudicado pela decisão da ação coletiva. nela intervenham em determinados casos. Com o objetivo de reduzir os perigos da extensão dos efeitos da sentença a terceiros não participantes da relação processual. Com relação ao limite temporal para que o lesado habilite-se como assistente litisconsorcial nas ações coletivas. do CPC. em razão do interesse que tenham na lide. Entretanto. produz coisa julgada. sujeitando-se. São sujeitos de uma outra relação de direito material que se liga intimamente àquela já constituída. 50. É a chamada intervenção de terceiros. recebendo o processo no estado em que se encontra. Entretanto. ou seja. 3. É o que chamamos de "extensão subjetiva da sentença". Outra parte defende o ingresso do assistente até o saneamento para que não cause tumulto processual. Embora o assistente atue como auxiliar da parte. à sentença proferida. Dessa forma. é possível que os efeitos da sentença recaia indiretamente sobre terceiros. face o art. uma vez não disciplinada a questão no CDC nem na LACP. pois o indivíduo na poderia ter participado de um litisconsórcio ativo unitário facultativo para propor ação coletiva. em caso de desistência ou abandono pelo assistido. parágrafo único. tendo em vista a complexidade da relação jurídica. em ação individual. o assistente poderá ingressar a qualquer momento. pois lhe falta legitimação autônoma. tornando-se imutável e fazendo lei entre as partes.255 diretamente o causador do dano. Os terceiros que intervêm não são partes na relação processual originária. para que possam fazer a defesa de seus direitos. seria problemático admitir sua intervenção a título de assistência litisconsorcial qualificada. o assistente não poderá assumir a ação. o direito admite que terceiras pessoas. a sentença atinge aos que foram partes na demanda e não terceiros. esta seria a melhor opção [06]. Entendemos no sentido de que. c) também. deve-se aplicar as regras processuais contidas no CPC. Assim. há divergência na doutrina. em tese. São pessoas estranhas à relação processual de direito material deduzida em juízo e estranhas à relação processual já constituída. assim. exercendo os mesmos poderes e sujeitando-se aos mesmos ônus processuais. Parte dela entende que o lesado poderá ingressar na ação coletiva a qualquer tempo. . Como regra. INTERVENÇÃO DE TERCEIROS Transitando em julgado a sentença.

nos Juizados Especiais (Lei n. que terceiro formula na demanda entre as partes. e não só entre as partes. total ou parcialmente. pois o procedimento adotado orienta-se pelos critérios da oralidade. A França e a Itália seguem o modelo germânico primitivo. os litígios eram decididos pela assembléia do povo. buscando sempre que possível. . as sanções impostas pelo Código de Processo Civil para os casos em que a parte se omita no dever de provocar a intervenção de terceiro no processo não se aplicam nesta hipótese. a conciliação ou transação. informalidade. Entretanto. deveria intervir no processo para exclui-las. Diversamente do direito romano. face o disposto no art. total ou parcialmente. São disciplinadas pelo CPC nos artigos 56 a 80. ainda. 10. português e alemão. total ou parcialmente. o pedido de tutela jurisdicional. não se admite a intervenção de terceiros e a assistência. no processo germano barbárico. senhor do direito ou da coisa disputada entre as partes numa demanda pendente. ou ação. Em razão desse procedimento é que se dizia que a sentença produzia efeitos em relação a todos que dela participavam e conheciam. a nomeação à autoria. O instituto acabou sendo incorporado pelo direito canônico e pelo direito italiano medieval com a denominação de intervenção no processo das partes. a denunciação da lide e o chamamento ao processo. no qual a intervenção se dá no processo principal. Moacyr Amaral Santos conceitua oposição "como a ação intentada por terceiro que se julgar. das de ambas. Se terceira pessoa pretendesse a coisa ou o direito sobre a qual litigavam as partes. 3. Dessa forma. em que a sentença produzia efeitos apenas entre as partes. Com esta roupagem a oposição foi adotada pelo direito brasileiro.1. Da mesma forma o procedimento comum sumário não autoriza a intervenção de terceiro. a coisa ou o direito sobre que controvertem autor e réu. deduzindo pretensão própria excludente. a oposição acabou se tornando ação autônoma. simplicidade. o juízo era universal. em praça pública. das dos demais litigante" [08]. economia processual e celeridade. Como conseqüência disto.1 Conceito A oposição tem origem germânica. Ou. formulando pretensão excludente.099/95). Pela influência do direito canônico. salvo a assistência e o recurso de terceiro prejudicado por se tratar de um rito mais célere. 9. no todo ou em parte. a oposição pode ser conceituada como sendo a intervenção de terceiro que pretende.256 São modalidades de intervenção de terceiros a oposição.1 Oposição 3.

e correrá simultaneamente com a ação.1. Após a audiência de instrução e julgamento da lide pendente. na forma dos arts. Neste caso.257 3.2 Procedimento O procedimento da oposição encontra-se previsto nos artigos 56 a 61 do CPC. o interessado no objeto da lide entre o autor e o réu. este será citado por edital. Se a oposição for oferecida antes da audiência de instrução e julgamento. Mas se o juiz entender necessário o sobrestamento do processo principal a fim de julgá-los conjuntamente. Sendo advogados diferentes. Os opostos serão citados na pessoa dos seus respectivos advogados para oferecer contestação no prazo comum de quinze dias. com prazo de quinze dias para contestar. Se um dos opostos reconhecer o pedido. não se esquecendo que a oposição deve ser apreciada antes da principal. o prazo será contado em dobro. Nesta modalidade de intervenção de terceiros forma-se uma outra relação processual. A oposição em processo autônomo será julgada sem prejuízo da causa principal. Serão réus em litisconsórcio necessário autor e o réu da ação principal [09]. Moacyr Amaral Santos entende que "a oposição. nos termos do art. deverá ajuizar demanda que entender necessária contra o autor ou o réu. 191 do referido diploma legal. Diversamente. como demanda autônoma. embora o Código de Processo Civil não faça referência à questão. poderá fazê-lo por prazo nunca superior a noventa dias para que não retarde demasiadamente a marcha do processo principal. pode ser proposta entre dois termos: desde já iniciada a audiência . esta será apensada aos autos principais. Trata-se de uma exceção à regra de que a citação deve ser pessoal [10] [11]. a oposição somente poderá ser proposta em ação autônoma. 213 a 233 do CPC. Se a sentença já foi proferida não é mais cabível a oposição. somos pelo entendimento de que a citação deve ser pessoal. Entretanto. O opoente apresentará a petição inicial observando sempre os requisitos exigidos pelos artigos 282 e 283 do CPC. no mesmo juízo da causa principal. seguindo o procedimento ordinário. contra o outro prosseguirá o opoente. correrá em apenso aos autos principais ou em apartado como demanda autônoma. O limite temporal para o oferecimento da oposição é até a prolação da sentença (juízo de 1º grau) por ser uma questão prejudicial à ação principal. ou ambos. sendo ambas julgadas pela mesma sentença. se o processo principal correr à revelia do réu. De acordo com o momento em que ocorrer sua propositura.

mas antes do seu trânsito em julgado [13]. Se o Código permite expressamente que a oposição tenha curso autônomo. isto é. ou seja. intentada pelo proprietário ou pelo titular de um direito sobre a coisa. nos Juizados Especiais e nas demandas sob procedimento sumário [14]. devendo entregá-la ao opoente ou responder perante ele. em grau de recurso.2 Procedimento O procedimento da nomeação à autoria encontra-se disciplinado nos arts. ou . visando livrar-se de demanda que lhe foi intentada. toda vez que o responsável pelos prejuízos alegar que praticou o ato por ordem. sujeita às normas que disciplinam o duplo grau de jurisdição" [12] .258 de instrução e julgamento da lide pendente (termo a quo). Pontes de Miranda entende que a oposição pode ser ajuizada tanto antes da audiência. Transitada em julgado a sentença proferida na ação. a oposição deverá ser oferecida e processada em primeira instância. 3.2. 3. não mais se admite a oposição. 513 do CPC. e possa ser julgada "sem prejuízo da causa principal". portanto. É. ainda nesse caso. for demandado em nome próprio. 62 a 69 do Código de Processo Civil. a oposição pode ser proposta mesmo quando a causa entre autor e réu estiver em segunda instância. nos termos do art. A sentença que julgar procedente a oposição será declaratória com relação ao autor da ação principal. ato exclusivo do réu. deverá proceder a nomeação à autoria o proprietário ou o possuidor. o recurso oponível será o de apelação. No mesmo sentido. nenhum óbice existe ao seu ajuizamento depois de proferida a sentença de primeiro grau de jurisdição. e será condenatória com relação ao réu que possui a coisa. Assim. Da sentença que julgar a oposição. b) na ação de indenização. até o momento em que essa lide tiver sido decidida definitivamente (termo ad quem). como depois dela e da prolação da sentença.2. substitui-se o réu parte ilegítima para a causa por um réu parte legítima.2 Nomeação à autoria 3. até o momento em que a sentença nessa lide se torne irrecorrível. Duas são as situações em que deverá ocorrer a nomeação à autoria: a) quando aquele que detiver a coisa em nome alheio. A oposição não será cabível em processo de execução. pois declara não ter ele direito ao objeto da causa.1 Conceito A nomeação à autoria consiste na correção da legitimação passiva. Mas.

O nomeante poderá continuar na relação processual como assistente caso tenha interesse em que a sentença seja favorável ao nomeado. ou se este negar a qualidade que lhe é atribuída. presumir-se-á aceita a nomeação [15]. Da mesma forma. observando a regra contida no art. a palavra auctor assume várias acepções. mas sim um dever. O reconhecimento tácito se dá por presunção. propor nova demanda contra o terceiro indicado pelo nomeante. se nomear pessoa diversa daquela em cujo nome detém a coisa demandada. este poderá reconhecer a qualidade que lhe é atribuída. o autor terá duas opções: assumir o risco de continuar litigando com o nomeante. em relação ao adquirente do direito. posteriormente. pois estará dando prosseguimento a um processo inútil ao fim visado. Se o nomeado negar a condição. 267. É tanto aquele que propõe ação quanto o antecessor na sucessão da coisa. havendo recusa do autor com relação ao nomeado. acarretando dano ao autor e para a Justiça. no chamamento à autoria instituído pelo Código de Processo Civil de 1939. O Código nada fala de qual será o prazo para o nomeado falar sobre a nomeação.3.1 Conceito No direito romano. o causam habens). Deixando o autor de se manifestar no prazo que lhe foi conferido. o nomeante terá novo prazo para contestar [16]. 3. correndo a demanda contra ele. . A nomeação deve ser requerida no prazo para a defesa. o transmitente do direito (o causam dans. o processo continuará contra o nomeante. o juiz suspenderá o processo e mandará ouvir o autor no prazo de cinco dias.3 Denunciação da lide 3. expressa ou tacitamente. tendo em vista que o nomeado não compareceu. Assim. se o juiz não estipular o prazo. Neste caso. Dessa forma. a ele incumbirá a citação. se a recusar. Citado o nomeado. e uma vez deferido o pedido. ficará sem efeito a nomeação. A sua inobservância resulta na responsabilidade por perdas e danos. É neste último sentido que foi usada a palavra autoria. ou se compareceu. A nomeação à autoria não é uma mera faculdade do réu. § 4º. ou desistir da ação contra o nomeante.259 em cumprimento de instruções de terceiro. nada alegou. Aceita a nomeação pelo autor. para. que se afirma parte ilegítima. conforme preceitua o art. 185 do CPC. deverá aplicar o prazo de cinco dias.

o prejuízo do que perder a demanda [19]. O CPC traz em seu art. passando. a fim de resguardá-lo no caso de ser vencido na demanda em que se encontram. 70. no mesmo processo. em ação regressiva.260 O direito brasileiro. podendo ajuizar a ação regressiva em processo autônomo. o conceito de denunciação à autoria foi alargada. II – ao proprietário ou ao possuidor indireto quando. Denunciação da lide é o instituto pelo qual autor ou réu chamam a juízo terceira pessoa. pela lei ou pelo contrato. Já na hipótese dos incisos II e III. São os seguintes: I – ao alienante. a ser chamado de denunciação da lide. art. Haverá duas lides que serão processadas simultaneamente. cujo domínio foi transferido à parte. mas não perde a pretensão de direito material. pois se não fizer a denunciação perderá o direito de regresso contra aquele que é o garante do seu direito discutido em juízo. Quando o titular da eventual pretensão regressiva for o autor. do credor pignoratício. Já o direito francês e o italiano preferiram o vocábulo de origem germânica. que seja garante do seu direito. denominando o instituto de exception de garantie. então.2 Procedimento Como já foi dito alhures. 3. 70 os casos em que tem cabimento a denunciação da lide. julgadas pela mesma sentença [17] [18]. III – àquele que estiver obrigado. este deve . a fim de que esta possa exercer o direito que da evicção lhe resulta. por força de obrigação ou direito. acompanhando o direito tradicional português. chiamata in garantia. Trata-se de ato obrigatório [20] [21] apenas nos casos de evicção e transmissão de direitos. adotou a denominação "chamamento à autoria". Mais tarde. exerça a posse direita da coisa demandada. No direito alemão e austríaco tem como correspondente a litisdenunciação. a indenizar. em casos como o do usufrutuário. a denunciação da lide pode ser feita tanto pelo autor quanto pelo réu.3. o réu. utilizando-se do vocábulo latino. É uma ação secundária. sendo citado como denunciado o terceiro contra quem o denunciante terá pretensão indenizatória caso seja sucumbente na ação principal. do locatário. na ação em que terceiro reivindica a coisa. citado em nome próprio. a parte que não promover a denunciação da lide perderá apenas as vantagens processuais dela decorrentes. regressiva.

Neste caso. e do réu. podendo o denunciante prosseguir na defesa. poderá o denunciante prosseguir ou não na defesa. a demanda prosseguirá entre autor e réu. Da mesma forma se dará se o denunciado for revel. Entretanto. apresenta apenas a denunciação. Citado o denunciado. 297). Cabe ao denunciado coadjuvar o autor uma vez que tem interesse na procedência da ação. sendo sua impugnação feita por meio do recurso de agravo. ficando suspenso o processo. 241 c/c art. deixando de contestar o pedido do autor. não há dúvidas quanto a essa possibilidade já que a lei é expressa. suspende-se o processo. cumprindo ao denunciante prosseguir na defesa até o final. comparecer apenas para negar a qualidade que lhe foi atribuída. . sendo o denunciado citado dentro do prazo para a contestação. podendo aditar a petição inicial no prazo de quinze dias (art. pedindo a citação do denunciado. Embora haja na doutrina divergência quanto ao aditamento da petição inicial pelo denunciado. A diligência para a citação do denunciado deve ser feita no prazo de dez dias para o residente na Comarca. contrariando a defesa do autor [23]. Se a citação não ocorrer dentro do prazo estipulado pela lei. não pode argüir fato novo. e de trinta para o residente em outra Comarca. prosseguindo o processo contra o denunciante e denunciado em litisconsórcio. considerado revel. Ordenada a citação. poderá o réu e denunciante apresentar contestação. A decisão de rejeição liminar da denunciação é decisão interlocutória. O prazo e as regras para a citação do denunciado serão as mesmas da denunciação feita pelo autor. A revelia do denunciado não desobriga o réu de sua defesa sob pena de perder o direito de regresso. Uma vez citado o denunciado. este poderá defender-se da denunciação negando a qualidade que lhe é atribuída. este poderá aceitar e contestar o pedido. pois o denunciado precisa conhecer o posicionamento do réu com a inicial para poder apresentar sua defesa [24]. sendo. A denunciação da lide feita pelo réu deve ser oferecida no mesmo prazo para a contestação da ação principal. uma vez citado. ou lugar incerto.261 requerer a denunciação juntamente com a petição inicial. Se o denunciado confessar os fatos alegados pelo autor. ou confessar os fatos alegados pelo autor. a ação prosseguirá unicamente em relação ao denunciante [22]. Questão que surge é se o réu. Neste caso. como acima explicitado. O denunciado também poderá aceitar a denunciação e assumir a posição de litisconsorte. depois de reiniciado o andamento da ação principal ? Isso não nos parece correto. a qual será feito primeiro.

Parte da doutrina tem entendido que a denunciação da lide sucessiva é cabível em todos os casos de ação regressiva. por sua vez. 70). esta será declaratória. quanto aos prazos. por força de lei ou contrato. Moniz de Aragão sustenta a possibilidade de denunciação da lide não somente ao alienante mas também de todos os antecessores na cadeia dominial. 70. As hipóteses de intervenção são excepcionais face o princípio da singularidade da jurisdição e da ação. acarretando a perda da ação [26]. somente após a última denunciação é que o processo retornará ao seu curso. Entretanto. No que tange aos efeitos da sentença que julga a denunciação da lide. de modo que a denunciação somente será possível quando. intimará do litígio o alienante. 70. o procedimento servirá apenas como forma de cientificar os eventuais denunciados. (em agosto de 1983) : "As denunciações sucessivas. posiciona-se Athos Gusmão Carneiro. se assim não fosse. na mesma oportunidade [27]. assim abreviando o processo e melhor se assegurando o êxito da demanda indenizatória de regresso. Dessa forma. Isto porque constam do próprio texto legal as expressões "obrigação de indenizar em ação regressiva" (art. o possuidor indireto. poderão ser feitas ‘coletivamente’. determina a "intimação" e não a "citação". previstas no artigo 73 do CPC. 73 : " Para os fins do disposto no art. já prevendo tal situação. Na verdade. Mas o próprio Código. o denunciado. . pois. conforme o art. pondo fim à suspensão preconizada pelo art. sucessivamente. o efeito da sentença é condenatório. 72 e 73) e "responsabilidade por perdas e danos" (art. Outra parte posiciona-se no sentido de que a interpretação dos dispositivos deve ser restritiva. o denunciado está obrigado a garantir o resultado da demanda. requeridas ‘em conjunto’ pelo denunciante. assim. não se tornando réus na ação. esta assertiva não coaduna com a parte final do artigo que diz "valendo como título executivo".262 O Código de Processo Civil também permite a chamada denunciação "sucessiva". não haveria possibilidade de considerá-la como título executivo (584. o proprietário. Isto ocorre quando o denunciado tem com relação a outrem a mesma posição jurídica do denunciante perante ele. observando-se. o disposto no artigo antecedente". no caso de insolvência ou ausência de algum dos anteriores proprietários na cadeia dominial" [28]. realizado em Curitiba.I) [29] [30]. "responsável pela indenização" (art. 75) [25]. Todas essas discussões ocorrem principalmente no temor de que as denunciações sucessivas se eternizem no processo. 76 do CPC. ou o responsável pela indenização e. No mesmo sentido. Assim. É o que dispõe o art. em tese apresentada no Ciclo de Estudos de Processo Civil. ou seja.

resolverem-se.4. sem uma maior análise. com força de coisa julgada material. tendo em vista ser um procedimento mais célere. A denunciação da lide não é cabível no procedimento sumário bem como nos Juizados Especiais por força da vedação do art. não ensejaria execução. Também não é cabível no processo de execução [35]. o que não é coerente. chamar o responsável principal. a vantagem do instituto. A denunciação acabaria introduzindo fundamentos novos na relação processual acabando por procrastinar o feito [34]. A palavra declarar no texto foi usada em seu sentido estrito de definir. ou os co-responsáveis ou coobrigados. É uma faculdade do réu em fazer o chamamento ao processo do terceiro e não uma obrigação. Tem como finalidade alargar o campo de defesa dos fiadores e dos devedores solidários. no mesmo processo. A sentença que julga a denunciação da lide pode ser atacada por meio da apelação [32] [33]. Lei n. A possibilidade de execução é. possibilitando-lhes. aliás. a virem responder pelas suas respectivas obrigações de modo a "favorecer o devedor que está sendo acionado. se a sentença fosse tão somente declaratória. Aquele que chama terceiro ao processo não tem pretensão a fazer valer em . denominada de chamamento à demanda. com as últimas palavras da própria norma em exame: valendo como título executivo. porque amplia a demanda. pois o texto legal diz que "é admissível". 9. 10. duas lides conexas. 3. pareceria que a segunda decisão do juiz seria meramente declaratória. em um só processo.4 Chamamento ao processo 3.099/95 respectivamente.263 Da mesma forma.1 Conceito O chamamento ao processo é uma das modalidades de intervenção de terceiro no processo pelo qual o devedor demandado chama os demais coobrigados pela dívida para integrar o mesmo processo daquele que o autor poderia ter trazido como litisconsorte. e quer dizer condenar. 280 do CPC e art. reconhecer. título executivo judicial para cobrar deles aquilo que pagar" [36]. O chamamento ao processo foi trazido ao Código de Processo Civil por influência do Código de Processo Civil de Portugal que possui essa forma de intervenção de terceiros. dado que o art. I. em definitivo. diretamente no processo em que um ou alguns deles forem demandados. além de lhe fornecer. Arruda Alvim leciona : "Outra observação que cabe fazer é a de que. 584. Por outro lado. todavia. coloca como título judicial apenas a sentença condenatória. para permitir a condenação também dos demais devedores. possibilitando duplo título executivo" [31].

4. decorrente de não pagamento de dívida pelo afiançado. o fiador também será principal devedor e. 3. Apenas entende que este tem a mesma obrigação de responder perante o autor. somente poderá ser executado o devedor reconhecido como tal no título executivo. III – de todos os devedores. solidários. tendo sido demandado apenas um deles. facultando ao demandado trazer os demais fiadores ao processo. 80 do CPC [38]. poderá chamar ao processo o afiançado. 77 a 80 do Código de Processo Civil. o afiançado chamado ao processo será abrangido pelos efeitos da decisão. sendo o caso. como responsável pela dívida. tendo satisfeito o credor. até que exausto o patrimônio deste. Neste caso. isto é. na ação em que o fiador for réu – visa garantir a possibilidade de o fiador utilizar-se do chamado benefício de ordem consubstanciado no art. serão trazidos ao processo os demais devedores solidários passando a figurar como litisconsortes no pólo passivo. instaurado o processo de execução. nos termos do art. O réu deverá requerer o chamamento ao processo na mesma oportunidade da contestação. poderá exigi-la do afiançado. chamante e chamado. E. 568.I do CPC. quando para a ação for citado apenas um deles – consiste na hipótese de haver vários fiadores garantes da dívida. II – dos outros fiadores. quando o credor exigir de um ou de alguns deles. O chamamento ao processo é admitido nos seguintes casos: I – do devedor. poderá valer-se do já referido benefício de ordem. Mesmo que o fiador não tenha benefício de ordem a seu favor. . parcial ou totalmente. Ambos. torna-se litisconsórcio. Isto porque.2 Procedimento O procedimento do chamamento ao processo encontra-se disciplinado nos arts. 827 do Código Civil [37]. nos termos do art. Confere-se ao fiador o direito de não sofrer execução. a dívida comum – esta é a hipótese de solidariedade passiva em que o credor esteja exigindo apenas de um dos devedores solidários a dívida comum.264 relação ao chamado. uma vez citado. será condenado da mesma forma que o fiador. face o art. Dessa forma. 595 do CPC. Sendo a sentença procedente. ocupam a posição de litisconsórcio facultativo no pólo passivo. O fiador chamado ao processo.

chamados de direitos fundamentais de terceira geração. Lei n.5 Intervenção de terceiros nas ações coletivas As ações coletivas são aquelas destinadas a defesa dos interesses difusos.º 8. o processo será suspenso. Os interesses metaindividuias têm sua origem em regras previstas como garantias do tecido social. este terá prazo para resposta. 72 e 74. 77. 10. O indeferimento do chamamento somente poderá ocorrer se o juiz verificar que o requerimento não se enquadra nas hipóteses elencadas pelo art. tornando-se litisconsorte do chamante. para exigi-la por inteiro. 9.347/85 houve uma sistematização na defesa dos direitos difusos e coletivos ao meio ambiente e ao consumidor. Lei n. O perfil histórico do processo civil romano menciona as actiones populares como instrumento de proteção a esses interesses. A positivação dos direitos difusos e coletivos.º 7. Lei n. Já no processo de execução não é possível o réu lançar mão do chamamento ao processo já que inexiste sentença sobre a pretensão executiva. coletivos e individuais homogêneos. Assim. Os sujeitos são. ocorreu com a promulgação da Constituição Federal de 1988. Com a alteração dada pela Lei n. observando as regras contidas nos arts. 280. Os direitos metaindividuais têm a primeira referência na Lei da Ação Popular. em favor daquele que satisfizer a dívida.099/95) não é cabível o chamamento do processo por se tratar de procedimentos mais céleres. ou de cada um dos co-devedores a sua cota. do devedor principal. Após a citação do chamado. Dessa decisão cabe agravo. quanto à citação e aos prazos [39]. em geral.513/77 e com a Lei da Ação Civil Pública. para que o fiador se utilize do benefício de ordem é necessário que tenha requerido o chamamento ao processo do afiançado no processo de conhecimento. No procedimento sumário (art.º 6. O chamamento ao processo é cabível tanto em processo de conhecimento quanto no cautelar. na proporção que lhes tocar. CPC) e nos Juizados Especiais (art.265 Deferido o pedido do devedor e ordenada a citação. O termo difuso tem sua origem doutrinária romanística tendo como titular cada um dos integrantes da comunidade. 3. A construção doutrinária em torno da noção conceitual é recente em nossa legislação pátria. ainda que . A sentença de procedência proferida no processo de conhecimento condenará os devedores e valerá como título executivo. consumando-se com o advento do Código de Defesa do Consumidor. indeterminados.078/90.

81. Os individuais homogêneos são aqueles direitos individuais cujo titular é identificável e o objeto é divisível. Essa relação jurídica é diversa daquela que se origina da lesão. Assim. de forma que. Não há entre eles relação jurídica base. o Código de Defesa do Consumidor trouxe uma sistemática peculiar. ligados entre si. e o seu objeto e a forma de tutela possuem uma mutabilidade no tempo e espaço como característica. Não é necessário que exista entre as pessoas uma relação jurídica base anterior. Seu objeto também é indivisível. A tutela jurisdicional dos interesses difusos deve ser feita em benefício de todos os consumidores atingidos. Foi a Lei n. há necessidade de se fazer uma interpretação sistemática entre o CDC. buscando a facilitação e a rápida entrega da prestação jurisdicional.078/90 que trouxe o conceito.º 8. seja por meio de habilitação por ocasião da liquidação da sentença na demanda coletiva. parágrafo único e seus incisos. em noção tripartite dos interesses metaindividuais. I do CDC. Daí se conclui que em lides de consumo as figuras de intervenção de terceiros serão possíveis desde que não traga dificuldades na defesa e procrastinação no feito. fossem garantidos. seja através de demanda individual. A ligação entre os titulares se dá por circunstâncias de fato e o objeto é indivisível. Com esses princípios em mente é que o legislador trouxe a vedação da .266 determináveis. ou com a parte contrária. sempre à luz da vulnerabilidade do consumidor. em decorrência do desequilíbrio das forças econômicas e negocias nas relações de consumo. acarretando ofensa diferente na esfera jurídica de cada um de modo a permitir a identificação das pessoas atingidas. A relação jurídica que nasce da lesão é individualizada na pessoa de cada prejudicado. Dividem-se em interesses difusos. o legislador se deparou com a necessidade de criar regras de proteção para que os princípios constitucionais de igualdade. Neste aspecto é que os institutos processuais devem ser analisados. sendo suficiente uma única demanda. cuja sentença fará coisa julgada erga omnes face o disposto no art. entre outros. Desse modo. mas determináveis. 103. São difusos os direitos cujos titulares são indetermináveis. buscando o equilíbrio processual entre as partes. coletivos e individuais homogêneos. que acabou por deixar o consumidor em situação de vulnerabilidade e hipossuficiência. consubstanciado no art. ampla defesa. São coletivos quando os titulares são indeterminados. o CPC e a LACP. O Código de Defesa do Consumidor deixou de tratar muitas questões processuais. por relação jurídica base preexistente à lesão ou ameaça de lesão. É caracterizado pela sua origem comum podendo ser defendidos coletivamente. A efetiva identificação se dá no momento em que o prejudicado exerce o seu direito.

Nesta hipótese. parágrafo único. Nestes casos deve ser proposta ação autônoma para a discussão da questão. o juiz poderá julgá-la não só contra o réu. 226. trad.267 denunciação da lide no art. a dedução dessa lide incidental será feita com a invocação de uma causa de pedir distinta. 2. P. II do CDC traz expressamente a possibilidade do chamamento ao processo da seguradora quando existir relação de seguro. Nelson Nery Júnior. não há violação aos princípios básicos do microssistema do CDC já que o chamamento da segurado só amplia as garantias para o consumidor [41]. a sentença condenará o réu nos termos do art. foi vedada para o direito de regresso de que trata o art. face o art. P. 1. que poderá. p. Neste sentido. Kzauo Watanabe entende que "a denunciação da lide. port. Hugo Nigro Mazzilli. O art. 78 do CPC. em seguida ao pagamento da indenização. XXIX. face o disposto no art. 763. A defesa dos interesses difusos em juízo. p. Esse chamamento deverá ocorrer no prazo para contestação. A defesa dos interesses difusos em juízo. Notas 01 02 03 Rezende Filho. Kazuo Watanabe. Hugo Nigro Mazzilli. 88 do CDC. Uma vez julgada procedente a demanda. Código de Processo Civil Comentado. 256. 80 do CPC. para evitar que a tutela jurídica processual dos consumidores pudesse ser retardada e também porque. v. cap. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor Comentado pelos Autores do Anteprojeto. Neste caso. ed è negativa: terzo di um . todavia. GIOVANNI NENCIO NI (L´intervento voluntário litisconsorziale nel processo civile) refere que " única è la definizione di terzo. 79 do CPC. 04 05 06 07 Libman. como também contra o seu segurador. Outra questão polêmica é quanto ao cabimento do chamamento ao processo em sede de lide de consumo. 328. Nota às Instituições de Chiovenda. tendo em vista que o segurador foi chamado como responsável em face do consumidor. v. propor ação autônoma de regresso nos mesmos autos da ação originária" [40]. Com isso. 101. por via de regra. entretanto. 13. Por se tratar de ação condenatória em que se discute dolo e culpa acaba por afrontar o direito do consumidor de ser indenizado em face da responsabilidade objetiva. do Código. Curso de Direito Processual. não ficará prejudicado o comerciante. em caso de procedência da ação.

Do TJPA. 1974. 27. 15. 08 09 Moacyr Amaral Santos..433-MS.. v. Costa Lima. v. 2. neste caso. Sálvio de Figueiredo. 74. ".96. Min. 95 (nº 2) e 100 (nº 1). 213 e 233" (RJTJSP.06.85. em 1. deram provimento. v. 49. 10 e CPC. mas é perfeitamente válida a citação feita na pessoa dos referidos interessados" (1ª Câm. devendo os nomeados serem citados para manifestar-se sobre o pedido. mas obedecerá ao disposto nos arts. podendo. de 7. 280.099/95. p.São Paulo: Saraiva.598. 18.295). DJU 29. Moacyr Amaral Santos.08. 1953). Do TJPA. Turim. mas no Código de Processo Civil vigente.. " A citação. rel. j. 2. Primeiras linhas do direito processual civil. art. da Jur. 12. p. 3.2ª Turma.77. Min. do denunciante em face do denunciado (Denunciação da lide. ed. GOMES DA CRUZ.11.. do TRF n.268 giudizio è colui Che non è parte". 57 do CPC manda citar os advogados dos opostos para apresentação de defesa. p. Revista dos Tribunais. Comentários ao Código de Processo Civil. não pode ser feita mediante simples publicação na imprensa oficial.II. art. 14 15 13 12 11 10 Lei 9.75. Primeiras Linhas de Direito Processual Civil. discutir sobre possível ilegitimidade passiva ‘ad causam’" (STJ – 4ª Turma. "A oposição não pode ter objeto mais amplo que a coisa ou o direito controvertidos entre autor e réu. consubstancia uma ação incidental com pretensão de garantia e/ou indenização. Rel. AC 83. "apud" Em. "O prazo começa a correr novamente. 549/75. "Ante o silêncio do autor sobre o pedido de nomeação à autoria feito pelo réu. embora na pessoa dos advogados.285).u. AC. isto é. Rev.10. DJU 9. RP. Belém. Lídia Dias Fernandes. 15:137). 107:247 e 115:168). Pontes de Miranda. presume-se aceita aquela.206-SP.96. 1997.u.se converte na verdadeira propositura de uma ação de regresso antecipada. 1991. "O art. Assim também SÉRGIO COSTA: " Il concetto di terzo può essei determinato solo per esclusione: è terzo chi non è parte" (L’ intervento in causa. v. Sidney Sanches alude que a expressão "denunciação à lide" dá a idéia de simples notícia de existência do litígio. Pluralidade de partes e intervenção de terceiros. Des. REsp 104.12. deve o interessado propor ação autônoma" (TRF . ac. V. além de impugnar a nomeação propriamente dita. v. tem o réu 15 dias para responder à ação" (TRPR – Apel. rel. 34:50). RT 486/160). para a eventualidade da sucumbência do denunciante" (BARBOSA 18 17 16 .

por força da própria necessidade instrutória do feito principal. "Segundo entendimento doutrinário predominante. rel. 72 deve ser interpretado em harmonia com o respectivo caput. por exemplo.99. uma nova causa petendi. o prejuízo do que perder a demanda. a denunciação. 61).321-PR – STJ – 1ª Turma. já agora como "litisconsorte" do autor. por via de regresso. "Pode consistir. documentalmente. insista-se. 23. p. 70. 87-8). uma vez que o eventual direito regressivo do autor contra o denunciado exercer-se-á nos 23 22 21 20 19 . V. ou em trazer mais elementos e argumentos de fato ou de direito à petição inicial. cap. o denunciado argüir a intempestividade como motivo para exonerar-se da responsabilidade de garantia ou do direito regressivo do denunciante. Rio de Janeiro: Editora Forense. DJU 26.367-SP. Da denunciação da lide. a denunciação da lide é obrigatória a todo aquele que estiver forçado pela lei ou por cláusula contratual a indenizar. o seu direito de regresso ou quando tal comprovação dependa unicamente da realização de provas que.761). quando. não haverá motivo para negarlhe efeito. sem a consumação da diligência. Sálvio de Figueiredo.02. mas ainda com o processo paralisado. onde se estipula a suspensão do processo. Ed. nem teria interesse algum nisso.96. Rio de Janeiro. Demócrito Reinaldo. Por isso sendo ultrapassado. REsp 43. Não poderá. em outras palavras. porque não é o dominus litis. poderá logo pedir a retomada do curso do processo. a citação for realizada além do prazo. "A denunciação da lide. p. não haja necessidade de dilação probatória pertinente exclusiva e especificamente à denunciação" (Max Guerra Kopper. do art. Mas não pode o denunciado. Min. os casos de denunciação obrigatória. e não do terceiro denunciado" (THEODORO JÚNIOR. 1974. ou quiçá em expungi-la de irregularidades que poderiam torná-la inepta. 21.99. DJU 24. Se.269 MOREIRA. em acrescentar o denunciado. ressalvados. porém. Min. "Esse prazo é estipulado em favor da parte contrária à que requereu.06. em prejuízo das partes do processo principal. O § 2º. serão de qualquer modo produzidas.Tornar facultativa a denunciação da lide importa no descumprimento explícito da lei (art. somente nos casos de evicção e transmissão de direitos (garantia própria) é que a denunciação da lide se faz obrigatória" (STJ – 4ª Turma. "Em face de preceito expresso de lei. por exemplo. p. Del Rey. Curso de Direito Processual Civil. para evitar seu prejuízo de ficar com o processo suspenso indefinidamente. ed.04. do CPC) e na afronta ao princípio da economia processual" (REsp 196. 87). I. 1997). alterar substancialmente o próprio pedido formulado pelo denunciante. v. j. Estudos sobre o novo Código de Processo Civil. ou cumular pedidos outros. rel. Líber Juris. 22. III. Humberto. in casu. p. somente deve ser admitida quando o denunciante logre comprovar de plano.

na ação principal (pois nesta torna-se litisconsorte passivo). necessita conhecer a posição de denunciante relativamente aos fatos e pretensões apresentados na petição inicial. Vicente Greco Filho. Artigo publicado na Revista do Instituto dos Advogados do Paraná. antes que o réu o faça" (STJ – 3ª Turma. art. Estudos sobre o novo Código de Processo Civil. 25:22. p. Denunciação da Lide no Processo Civil Brasileiro. 1996). 320. p.270 limites da sucumbência. inciso I. São Paulo: Revista dos Tribunais. p. 08/02/00). Intervenção de Terceiros. 2. Athos Gusmão Carneiro. do Código de Processo Civil. antes da sentença. "A expressão "valendo como título executivo" evidencia o conteúdo condenatório da sentença que julga procedente a denunciação da lide" ( RSTJ 85/197). se o denunciado vier a contestar não só a ação regressiva. litisdenunciado é agravável de instrumento. ante o disposto no art. I.. 85/86. São Paulo: Saraiva. podendo o denunciado à lide ser obrigado a cumprir sua obrigação. "Pode ser rescindida a sentença que deixa de julgar a lide secundária objeto da denunciação" (RT 724/408). 1978. 2001. o réu implicitamente aceitou os fatos postos na inicial e permitiu a preclusão de seu direito de contestar.. Min. Sobre chamamento à autoria. Ao limitar-se ao pedido de intervenção do terceiro. 8.245/95. São Paulo: Saraiva. Moniz Aragão. 87). com redação da Lei 9. artigo cit. ed. 7. então não se produzirá o efeito da revelia. que não pode ultrapassar o pedido" (CARNEIRO. Ajuris. Manual de Direito Processual Civil. 92. ed. rel. porque o processo continua" (RT574/150). "O art. 280. n. Na opinião de Athos Gusmão Carneiro " O denunciado. 1996. Ari Pargendler. Justitia 94/13. 8. para habilitar-se à sua própria defesa. o aparelhamento deste independe do andamento da execução da sentença proferida na ação principal.v. Sidney Sanches.761-DF-AgRg. 76). Todavia. Arruda Alvim. certamente pautado em preocupação maior com a concentração de atos 34 33 32 31 30 29 28 27 26 25 24 . 1. 1979. do Código de Processo Civil" (Intervenção de Terceiros. t. Ag 247. 1984. Barbosa Moreira. "Decisão que exclui. Intervenção de Terceiros. ed. cit. como também o pedido formulado. "A sentença que julga procedente a denunciação da lide vale como título executivo (CPC. 121. I. p. Athos Gusmão.

p. livres e desembargados. P. 782/783. 197). dentro de dez (10) dias. com o advento deste dispositivo restou. O sistema do CDC veda a utilização da denunciação da lide e do chamamento ao processo. pela literalidade de seu texto. t. 1º A citação do alienante. salvo assistência e recurso de terceiro prejudicado". I. nem a intervenção de terceiro. ambas ações condenatórias. v. do proprietário. Ordenada a citação. 7. a que se refere este artigo. do possuidor indireto ou do responsável pela indenização far-se-á: a) quando residir na mesma comarca. assumirá a posição de litisconsorte do denunciante e poderá aditar a petição inicial. "Art. O fiador que alegar o benefício de ordem. dispõe que "não será admissível ação declaratória incidental. Como no sistema do Código de Processo Civil. 74. vedada a denunciação da lide no procedimento sumário. certamente dará ensejo a profundas controvérsias" (Arruda Alvim. 262. com a economia processual. dentro de trinta (30) dias. n. Art. deve nomear bens do devedor. ed. 41 40 .922 – Rel. ou em lugar incerto. Comentários ao Código de Processo Civil.. quantos bastem para solver a dívida". b) quando residir em outra comarca. 827 – O fiador demandado pelo pagamento da dívida tem o direito a exigir. 434. 38 39 37 36 35 "Não se admite chamamento ao processo em execução" (JTA 103/354). o denunciado. II. O tema. 359. ed. até a contestação da lide. a ação prosseguirá unicamente em relação ao denunciante. p. Feita a denunciação pelo autor. que sejam primeiro executados os bens do devedor. Parágrafo único. sitos no mesmo município. reflexamente. cit. Arruda Alvim. 521/197 e 562/112. entretanto. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor Comentado pelos Autores do Anteprojeto. 1. "Vedação da denunciação da lide. comparecendo.. 72. Celso Barbi. procedendo-se em seguida à citação do réu". " Art. a denunciação é forma de intervenção de terceiro (o Capítulo VI em que o instituto está inserido tem esta denunciação). ficará suspenso o processo. 1º TACSP – 3ª Câm – Ap. RT 504/173. 2º Não se procedendo à citação no prazo marcado.271 processuais e.

. na verdade o sistema do CDC não admite a denunciação da lide na s ações versando lides de consumo. por denunciação da lide ou chamamento ao processo. ún. sem que se discuta dolo ou culpa" (Código de Processo Civil Comentado. Seria injusto discutir-se. . Embora esteja mencionada como vedada apenas a denunciação da lide na hipótese do CDC 13 par. em detrimento do consumidor que tem o direito de ser ressarcido em face da responsabilidade objetiva do fornecedor. p. a conduta do fornecedor ou de terceiro (dolo ou culpa). que é elemento de responsabilidade subjetiva. 1402). isto é.272 porque o direito de indenização do consumidor é fundado na responsabilidade objetiva.

Introdução – 2.273 A competência nas ações coletivas do CDC Autores: Renato Franco de Almeida Paulo Calmon Nogueira da Gama Aline Bayerl Coelho SUMÁRIO: 1. Ação Civil Pública e Ação Coletiva – 3. .

que previram a defesa de alguns direitos coletivos lato sensu. Para tanto.347/85 – que instituiu a Ação Civil Pública – e 8. Neste sentido. há bem pouco tempo. Dentre as muitas divergências que ainda causam os textos legislativos mencionados. sendo incumbência da Ciência Processual adequar os institutos do Direito processual clássico – inspirado ainda em princípios e institutos surgidos no século XVIII – para a defesa desses direitos coletivos. Competência na Ação Coletiva – 5. com a chegada – verdadeira necessidade – do Estado Democrático de Direito. além dos aspectos materiais. em razão. bem como a resposta firme e.274 Competência na Ação Civil Pública – 4. Porém. era impensável no Direito brasileiro. fez-se mister o surgimento de novas formas de proteção. INTRODUÇÃO A defesa dos interesses/direitos transindividuais ou metaindividuais (1). ao longo dos anos. foram editadas algumas leis. Não obstante a inegável importância que esses diplomas legais possuem hoje no cenário jurídico nacional – como verdadeiras concretizações do Estado Democrático de Direito no aspecto processual – muita celeuma foi criada durante os anos das respectivas aplicações. acertada da jurisprudência na defesa de interesses que. que. 1.347/85. Conclusão – 9. seja da jurisprudência. como se tentará demonstrar na seqüência. entendemos. merece melhor reflexão. Bibliografia. III do CDC. o presente trabalho tem por escopo precípuo a análise da competência instituída para as chamadas ações coletivas para a defesa de interesses individuais homogêneos. é de se colocar em evidência a aparição das Leis nº 7. Com a aparição de novos interesses/direitos. mormente após o advento da Medida Provisória nº 2. seja da doutrina.078/90 – que instituiu o Código de Defesa do Consumidor – que. portanto. da natureza dos novos interesses/direitos perseguidos no bojo da relação jurídica processual. Atualmente.180. obviamente. a competência para apreciação e julgamento das demandas propostas pelo rito processual instituído no Cap. II. é fecunda a doutrina pátria. possui semelhanças com aquela tratada pela Lei nº 7. de seu turno. na maioria das vezes. do Tít. deu maior desenvolvimento à defesa dos interesses coletivos em sentido amplo. ganhou foros de cidadania. . mormente no tocante ao redimensionamento de velhos institutos processuais que tiveram que ser readaptados à nova realidade das demandas coletivas. a nosso sentir e apesar da dicção legal.

cabalmente. à defesa dos interesses individuais homogêneos. É o que ocorre. 21 LACP. ao passo que a ACP. porém e ainda. pois. III do CDC (arts. (3) . no particular. por corolário. antes do Código consumerista. diferenças intrínsecas entre uma e outra. é cediço que os procedimentos são criados ante a necessidade de concretização dos direitos materiais. ensejará diverso tratamento interpretativo.275 2. a nosso aviso. somente após o advento do Código de Defesa do Consumidor. art. no momento em que aquela serve como instrumento à satisfação não só de condenação à determinada quantia. a Ação Civil Pública tornou-se instrumento eficaz. (2) Não obstante o acerto da afirmação. consistia clara impossibilidade jurídica da demanda (cf. a denominação dada às ações é reminiscência do período imanentista da teoria do processo. 91 usque 100) que prevê as ações coletivas para a defesa de interesses individuais homogêneos. posteriormente alterado pelo art. o que. somente por este ponto. 117 do CDC). afinal. daí a aparição de diversos ritos processuais especiais que instrumentalizam a efetivação dos direitos de fundo. que dão ensejo a tratamento diverso. 3º – a ação coletiva prevista no CDC tem por objeto imediato do pedido tão-somente a condenação do Réu – única providência jurisdicional admitida nesta seara – ao pagamento de quantia – objeto mediato – que deverá ser apurada em seu quantum no respectivo processo de liquidação (arts. 91 e 95 CDC). Ao contrário do que ocorre na Lei de Ação Civil Pública (LACP) – art. AÇÃO CIVIL PÚBLICA E AÇÃO COLETIVA Sem embargo da ocorrência de semelhança no que toca à competência. as ações sob comento – civil pública e coletiva – possuem particularidades que as distinguem. Tem-se. segundo o qual para cada direito existe uma ação específica (legis actiones). vislumbram-se. com o procedimento previsto no Cap. coletivo ou individual homogêneo. à condenação referente a obrigações de fazer ou não fazer. à de qualquer interesse difuso. processo é meio de realização material da função jurisdicional do Estado. Por outro lado. que o âmbito de abrangência da primeira (ACP) é maior que o da segunda. o que. Mesmo que perfunctoriamente. também. II do Tít. parece ser entendimento sedimentado doutrinariamente o fato de que a Ação Coletiva somente poderá servir de instrumento à defesa de interesses consumeristas. Consoante melhor doutrina. Ademais.

(7) . a facilidade na colheita de provas. Já em seu parágrafo único – introduzido pela MP 2. o que. ou sua substituição ou a respectiva indenização). cujo juízo terá competência funcional. visto que o Juiz estará mais perto – e por conseqüência terá maior facilidade na sua captação e entendimento – dos indícios oriundos da probabilidade da ocorrência do dano e dos vestígios deixados pelo dano efetivamente causado. ex. assim. sobrepujam os meramente individuais.276 "A condenação em ação civil pública ou coletiva por lesão ao consumidor só poderá ter como objeto o dano global e diretamente considerado (p.. de interesses que não dizem respeito ao indivíduo. que os objetivos da norma jurídica. as Ações Civis Públicas serão proposta no foro onde ocorrer ou deva ocorrer o dano. ex. traduzir-se-á em ponto de aproximação. COMPETÊNCIA NA AÇÃO CIVIL PÚBLICA Consoante dispõe o art. no concernente à competência do juízo. de indivíduo para indivíduo (p. (5) Da assertiva pode-se inferir que definir-se-á o juízo competente para o conhecimento e julgamento das Ações Civis Públicas não pelos elementos subjetivos da demanda – domicílio do autor ou do réu – todavia por seu elemento objetivo. a facilitação na colheita de provas. nos processos coletivos. Por outro lado. a nosso ver. portanto. Ocorre o primeiro em razão de se cogitar. 3. cujos interesses – interesses sociais – em um Estado Democrático de Direito. para o conhecimento e julgamento da demanda. ao determinar a competência do juízo do local do dano. a definição do local do dano como determinação da competência do juízo tem por fim. absoluta. 2º da LACP. danos emergentes e lucros cessantes). em regra. qual seja." (4) À guisa de ilustração. o dano decorrente da aquisição em si do produto defeituoso ou impróprio para os fins a que se destina. são claros: a prevalência da importância da res iudicium deducta sobre as partes em lide. Temos. A tutela coletiva não poderá alcançar danos individuais diferenciados e variáveis caso a caso.180 – dispõe a lei que a propositura da ação prevenirá a jurisdição (rectius: competência) do juízo para as demais demandas que sejam idênticas. o fattispecie que ensejou o surgimento do objeto litigioso: o dano. como ser atomizado (6). surgentes da conduta delitiva.. sob o aspecto prático. mas como membro de uma sociedade. desde que se dê interpretação consentânea aos seus objetivos. diferenças ontológicas entre as ações em cotejo. as diferenças sumariamente comentadas ensejam.

Entretanto. segundo as regras insertas no Código de Processo Civil sobre prevenção (art. na lei (LACP) não há norma jurídica que franqueie tal entendimento. que primeiro realizar citação válida.180. dentre somente as comarcas envolvidas. ou nacional.347/85. mormente após a inserção do parágrafo único ao art. E mesmo neste caso – de ser a Comarca da Capital de um dos Estados ou de ambos atingida pelos efeitos danosos – esta somente será sede do juízo competente se . 219). Isto porque. o inquérito civil deverá ser instaurado e a ação civil pública proposta seguindo os critérios da prevenção. de forma estritamente literal. o juízo. com a introdução do parágrafo único ao art. não existe texto legal expresso que determine a competência de outro juízo – que não o prevento – em casos de dano cujo âmbito seja regional ou nacional (nem mesmo há previsão de dano de âmbito regional ou nacional). Frise-se que. também. não havendo que se falar em competência da Comarca da Capital de uma das entidades federadas. em seu art.n. não importando a dimensão que os efeitos do dano possam alcançar." (8) (g. ao lançar escólios sobre a matéria. e sim. Desta forma. respectivamente. em hipótese alguma. e. afirma Hugo Nigro Mazzilli que: "Se os danos se estenderem a mais de um foro mas não chegarem a ter caráter estadual ou nacional. haver comando legal que assim o determine. o inquérito civil deverá ser instaurado e a ação civil pública proposta na respectiva Capital. acolhendo a assertiva do jurista paulistano. repise-se – aquele juízo onde ocorrer a primeira citação válida. 2º da Lei nº 7. 93. um dano ambiental que envolva os Estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro – como recentemente de fato ocorreu – competente será o juízo da comarca que primeiro realizou a citação válida para o conhecimento e julgamento da Ação Civil Pública eventualmente proposta. onde resta clara a determinação legal da competência do foro da Capital do Estado ou do Distrito Federal em casos de dano cujo âmbito seja regional ou nacional. o que. como dito. ao contrário do que ocorre com o CDC. competente será – nas Ações Civis Públicas. 2º pela MP 2. simplesmente por inexistir norma jurídica que de forma diversa o preveja. em se tratando de Ação Civil Pública. ou até mesmo de um Estado-membro. será competente o foro da Capital do Estado ou o Distrito Federal. se os efeitos do dano (potencial ou efetivo) transbordarem dos limites de uma comarca.277 Daí que. não pode ser interpretado. é explícita a determinação da competência pela prevenção – que deverá subsidiar-se nas normas processuais gerais previstas no CPC sobre tal instituto – entre as comarcas envolvidas no evento danoso. caso não esteja envolvida pelos efeitos do dano. De efeito. se os danos se estenderem ao território estadual. Ademais. pensamos que tal raciocínio não possui supedâneo legal. ao revés. se demonstrará. independentemente do Estado a que pertença tal comarca.) Com a vênia devida ao ilustrado Mestre.

aplicável. Isto porquanto. que trata expressamente da competência nestas ações. A contrario sensu. Insta frisar. consoante determina o artigo 83 do CDC. o CDC. tratando-se de relação jurídica material de consumo. como dissemos. 2º da Lei de Introdução ao Código Civil (LICC). fazendo uma pequena digressão. o que a tornará preventa. 93 do Codex consumerista somente poderá ser aplicado em se tratando de relações jurídicas materiais de consumo. . De efeito. entretanto. coletivos e individuais homogêneos nas relações jurídicas de consumo. De qualquer forma. não sendo lícito argumentar. Em suma. inapropriada a utilização de Ação Civil Pública quando se tratar de violação a direito consumerista. como visto. aplicável sempre o CDC. quando o pedido imediato da demanda for a condenação em obrigação de fazer ou não fazer será perfeitamente viável a utilização da Ação Civil Pública. em razão do princípio da especialidade. porque na LACP há norma. com o artigo 21 da mesma LACP. a uma. Tal raciocínio ficará mais patente no que diz respeito à competência. a duas. devidamente subsidiado pela LACP e pelo CPC – nesta ordem – naquilo em que for omisso. pensamos que aquela derrogou esta no que diz respeito à defesa dos interesses difusos. determinar-se-á aquela pela prevenção em quaisquer casos. 93 no que concerne à competência. segundo os ditames do parágrafo 1º do art. ao contrário do que ocorre no CDC. pois. ficando afastada a incidência da Lei de Ação Civil Pública.278 citação válida foi realizada antes de qualquer outro. Desta forma. determinação daquela em razão do âmbito alcançado pelos efeitos do dano. que a inaplicabilidade da LACP somente ocorrerá quando se pleitear a condenação do Réu ao pagamento de determinada quantia. não havendo de se cogitar da amplitude dos efeitos do dano perpetrado. como afirmado. lei posterior – acrescentamos. de mesma ou superior hierarquia – derrogará anterior quando regule inteiramente a matéria de que tratava esta. ressalvado o que dissemos supra. aí sim. mais especificamente o seu art. não há na LACP. forçoso admitir que. sendo o Código de Defesa do Consumidor lei posterior e especial no cotejo com a norma que instituiu a Ação Civil Pública. haja vista que a incidência deste somente ocorrerá no que for cabível. nos casos de competência concorrente entre dois ou mais juízos. Assim. porquanto o disposto no art. Não calha a argumentação segundo a qual a norma aplicável à espécie seria o CDC. portanto. em se tratando de Ação Civil Pública. em se tratando de relações jurídicas de consumo cujo objeto imediato do pedido seja a condenação ao pagamento de determinada quantia.

De efeito. Não obstante. nas Ações Coletivas previstas no CDC. porém com algumas nuanças.279 4. 93 – Ressalvada a competência da Justiça Federal. com vistas ao melhor tratamento hermenêutico que. em razão da circulação limitada de produtos ou da prestação de serviços circunscritos. assevera a Profª. ressalvada a competência da Justiça Federal. mesmo nos casos de dano em âmbito local." (9) Sem embargo. I do art. Será o caso de danos mais restritos. algumas observações buscaremos fazer sobre o preceito legal transcrito. o dispositivo exige.1. verbis: Art. transbordando os efeitos do dano dos limites de determinada comarca e alcançando outra. 4. repete o legislador ser o dano causado o critério legitimador da competência do juízo. os quais atingirão pessoas residentes num determinado local. tanto em doutrina. a nosso sentir. a competência territorial é do lugar onde ocorreu ou deva ocorrer o dano (inc. quando de âmbito local. nos parece que. competente será o foro da Capital do Estado. como em jurisprudência. COMPETÊNCIA EM CASO DE DANO EM ÂMBITO LOCAL Consoante o dispositivo transcrito. 93 do CDC poderá levar o intérprete à conclusão de que. Ada Pellegrini Grinover: "Quando de âmbito local. 93 do CDC. Tecendo comentários ao inciso I do art. é competente para a causa a justiça local: I – no foro do lugar onde ocorreu ou deva ocorrer o dano. aplicando-se as regras do Código de Processo Civil aos casos de competência concorrente Divergindo do entendimento amplamente majoritário. tendo em vista que a eleição pela lei do local da ocorrência ou . será competente para o conhecimento e julgamento da Ação Coletiva a Justiça local do foro do lugar onde ocorreu ou deva ocorrer o dano. para os danos de âmbito nacional ou regional. COMPETÊNCIA NAS AÇÕES COLETIVAS Sem embargo. 93). algumas ressalvas se impõem. a interpretação literal do preceptivo insculpido no inciso I do art. II – no foro da Capital do Estado ou no do Distrito Federal.

maior aproximação do Juiz aos vestígios do dano causado. 2º. poderemos imaginar um dano consumerista cujos efeitos restrinjam-se a duas comarcas contíguas. a prevenção será o critério de determinação da competência.280 da possibilidade de ocorrência do dano tem por escopo. competente será o juízo que primeiro realizou a citação válida para o processamento e julgamento da demanda. alcançando outras. Assim. "Assim. sem que possuam dimensão de regionalidade. alcançando outra ou outras. nas ações civis públicas ou coletivas. quais sejam. Em um caso concreto. com a subsidiariedade da LACP e do CPC. para que seja determinada a competência da Capital do Estado." (10) Com efeito. 4. parágrafo único) combinada com Código de Processo Civil (art. bem como a facilidade na colheita de sua prova. transbordaram dos limites de uma única comarca. por subsidiariedade. não obstante. 219 CPC). estamos tratando de dano de âmbito local cujos efeitos. as regras que prevêem a prevenção. Urge ressaltar. evidentemente. a determinação da competência restará condicionada à prevenção do juízo que primeiro realizou a citação válida no processo. que. cuja localização diste quilômetros da Capital do Estado. neste caso. Em outras palavras. mas sem que tenha o caráter estadual ou nacional. resolvendo-se. pensamos que será aplicável. dentre outros. pensamos. na linha do raciocínio acima exposto. entretanto. Assim. ocorrido o dano consumerista cujos efeitos ultrapassem as fronteiras de determinada comarca. não estamos tratando de dano onde os respectivos efeitos ganharam foros de regionalidade ou nacionalidade. o dano deverá ganhar foro de regionalidade e. pelas regras da Lei de Ação Civil Pública (art. Consequentemente. em compêndio. o fato de serem atingidas uma. hipóteses expressamente previstas no inciso II do artigo sob comento.2. COMPETÊNCIA EM CASO DE DANO EM ÂMBITO REGIONAL OU NACIONAL . duas ou três comarcas não caracterizará tal aspecto. 93 do CDC. seguindo o disposto no inciso I do art. para o dano de âmbito local cujos efeitos atinjam mais de uma localidade (comarca). ou seja. aqui. a determinação da competência será realizada pela prevenção. competente será o juízo que primeiro realizar citação válida no processo (art. 2º da LACP. 219) a competência concorrente. quando o dano ou a ameaça de dano ocorra ou deva ocorrer em mais de uma comarca. a norma insculpida no parágrafo único do art. que. Daí. Hugo Nigro Mazzilli asseverar que não será qualquer dano que ultrapasse os limites da comarca que ensejará a competência do juízo da Capital do Estado para conhecer e julgar ações coletivas. com acerto no tocante à Ação Coletiva.

De seu turno." (11) Na 7ª edição da referida obra. primeiramente. sendo de âmbito regional o dano. no foro do Distrito Federal. a par das observações que fizemos quanto ao inciso I do art. portanto. sobre o inciso ora estudado: "Cabe.281 Em verdade. COMPETÊNCIA EM REGIONAL CASO DE DANO EM ÂMBITO No particular.2. os danos de âmbito nacional ou regional em matéria de interesses difusos. porém. e ressalvada a competência da Justiça Federal. Com efeito. se os danos forem regionais. uma observação: o dispositivo tem que ser entendido no sentido de que. longínquo talvez de sua sede. aqui. aplicando-se as regras do Código de Processo Civil nos casos de competência concorrente. a competência territorial será sempre do Distrito Federal: isso para facilitar o acesso à Justiça e o próprio exercício do direito de defesa por parte do réu. coletivos ou individuais homogêneos serão apurados perante a Justiça estadual. a despeito de sua mais alta autoridade. Mas. 93 do CDC – competência em caso de dano em âmbito local – a grande celeuma reside efetivamente no inciso II do mesmo preceptivo consumerista. se nacionais. daí tentarmos nos deter mais profundamente neste particular. ante o número . ousando divergir do entendimento majoritário. tratando-se de dano cujos efeitos sejam de âmbito regional. a ilustre Professora paulistana ratifica seu posicionamento." (12) Sem embargo. não tendo sentido que seja ele obrigado a litigar na Capital de um Estado. 4. independentemente se a comarca da Capital do Estado sofreu ou não tais efeitos. As regras de competência devem ser interpretadas de modo a não vulnerar a plenitude da defesa e o devido processo legal. deve ser dispensado tratamento diverso quanto ao dano de âmbito regional e o de âmbito nacional. nesta hipótese. pela mera opção do autor coletivo. Hugo Nigro Mazzilli adere à posição majoritária quando ensina que: "Nos termos dessa disciplina. em ação proposta no foro do local do dano. estamos que. somente será competente para conhecimento e julgamento da demanda coletiva a Capital do Estado quando os efeitos produzidos pelo dano consumerista ganharem foros de regionalidade. competente será o foro da Capital do Estado ou do Distrito Federal. aplicável o que foi dito quanto ao dano de âmbito local. a existência de alguns arestos em divergência às suas lições doutrinárias. assevera Ada Pellegrini Grinover na 4ª edição do Código Brasileiro de Defesa do Consumidor. Com efeito. reconhecendo. no foro da Capital do Estado. sendo o dano de âmbito nacional.1. visto que.

a simetria vislumbrada pela maioria dos autores. lícito afirmar que a grandeza do dano fará a distinção entre a incidência do inciso I ou do II (âmbito regional) do art. o fato de efeitos danosos ultrapassarem os limites territoriais de um Estado-membro alcançando outro ou outros. para que ocorra a primeira hipótese (dano de âmbito local). contíguos ou não. é possível forjarmos exemplos para melhor elucidação: a) determinados produtos comercializados ou serviços prestados no chamado eixo RioSão Paulo que venham causar danos às populações destes Estados. . importando que a Capital seja sede da demanda face à relevância configurada pelo vulto do dano. o escopo legal de facilitação naquela colheita não restará prejudicado. com tal exegese. a solução para a concorrência de competências não será a mesma das hipóteses de dano de dimensão regional. mister se faz que o dano (rectius: os seus efeitos) seja de tal grandeza que interesse à maioria significativa da população do Estado-membro. como Capital da República.2. De efeito. 4. sendo que. em um segundo exemplo: b) os mesmos produtos ou serviços foram comercializados ou prestados em todo território nacional. à competência do foro do Distrito Federal para o conhecimento e julgamento da demanda coletiva. independe o número de localidades atingidas – desde que o dano não ganhe interesse estadual – a competência será definida pela prevenção. não tenha sido atingido pelos efeitos do dano –. Inexiste. COMPETÊNCIA EM NACIONAL CASO DE DANO EM ÂMBITO Em se tratando de dano cujos efeitos sejam de âmbito nacional. Assim. (13) Com este raciocínio. consoante as lições doutrinárias acima transcritas. a nosso sentir. Capital do Estado. sendo que. E mais. 93 do CDC. cremos que resta evidente que o Juiz da Capital – em caso de interesse regional – não terá dificuldades na colheita de provas – mesmo que o Município. Nem mesmo quando os efeitos do dano tiverem amplitude tal que atinja todos ou quase todos os Estados da Federação – incluindo o Distrito Federal – a competência será deste. cujos efeitos ficaram restritos aos limites dos mesmos. Dessa forma. explanada no tópico anterior. para o conhecimento e julgamento de eventual demanda coletiva.282 razoável de comarcas atingidas por aqueles efeitos. traduzir-se-á em interesse da sociedade do Estado a resolução do conflito. não dará ensejo. havendo juízos concorrentes. já para que ocorra a hipótese do inciso II (dano de âmbito regional).2. in casu.

qual seja. sendo que. A competência nas Ações Coletivas será. de competência da Justiça local. Daí que. existindo diversas demandas já propostas. Explicamos. 109 CF/88). III da CF/88). ressalvada a da Justiça Federal. cuja decisão proferida terá efeitos em todo território nacional. comum ou especializada (art. também neste caso. Tal raciocínio tem por fundamento a inexistência de hierarquia entre as entidades federadas – Estados. a prevenção. entendemos que. agora por todo país. Ora. qualquer capital de Estado ou o Distrito Federal estará. Pois bem. foro. cada qual. 1º e 19. Distrito Federal e Municípios (art. etc. loci. tem seu âmbito ordinário de incidência coincidente com os seus próprios limites territoriais. por exclusão. Ou seja. Na hipótese extraordinária de dano nacional. para não dificultar a defesa do Réu.283 causando os mesmos danos antes mencionados. não sendo hipótese prevista dentro na competência da Justiça federal. haja vista não ocorrer relação hierárquica entre as Justiças locais dos Estados e a do Distrito Federal. qual seja. apta(o) a conhecer e julgar a causa. ou. Para o desate da questão. Por tal expressão entende-se a justiça estadual comum que. e. caberá à Justiça local do foro da Capital de cada Estado ou do Distrito Federal que tenha sido atingido pelo evento danoso o processamento e julgamento da demanda coletiva. em igualdade de condições. a solução para a concorrência entre juízos competentes será a mesma: definir-se-á o juízo competente pelo critério da prevenção. 219 CPC). havendo dano de âmbito nacional. Em ambas hipóteses. personae. os critérios de determinação de competência (ratione materiae. que poderá ser o da Capital estadual ou o do Distrito Federal. o primeiro a realizar citação válida no processo coletivo (art. e tão-somente um. da Justiça local. Em conseqüência. não atingindo os efeitos do dano âmbito nacional (exemplo "a"). definir-se-á a competência . determina o CDC – havendo diversas demandas coletivas propostas – a concentração em um.) dos Juízos Estaduais são de mesma equivalência aos do Juízo Distrital. mesmo que tal amplitude seja alcançada por tais efeitos (exemplo "b"). deterá competência para as causas não previstas na Constituição Federal como de competência da Justiça federal. a própria lei determina a utilização das regras do Código de Processo Civil aos casos de competência concorrente.

mesmos naqueles em que a Capital da República não tenha sofrido os efeitos da conduta danosa? Em últimas conseqüências. Raciocínio diverso – como o esposado pela doutrina majoritária – levará à uma hierarquia entre as entidades federadas inexistente no texto constitucional. se este for atingido pelos efeitos do dano e houver demanda coletiva aí proposta – em que tenha havido a primeira citação válida (art. 219 CPC).284 da Justiça local no foro da Capital do Estado – ou no do Distrito Federal. ao Distrito Federal e aos Municípios criar preferências entre si. fosse definida a competência do Distrito Federal em quaisquer casos." (14) Dessarte. o objetivo precípuo da lei quando determina ser competente para a demanda o foro do local do dano. sob o aspecto prático. eis que sua comarca – da Capital – estará sofrendo os efeitos da conduta danosa. dando preferência. Em comentário ao referido inciso. ao Distrito Federal. [... dispõe o inciso III do art. impõe-se uma exegese da norma infraconstitucional que não implique violação do texto maior. não há que se falar em relação de súdito para soberano. aos Estados. seja de que espécie for. ensejará maior facilidade na colheita de prova pelo Juiz. assim. eis que a sua concordância com as cláusulas constitucionais deve ser presumida. g. não poderá criar distinções entre as entidades federadas. a tese majoritária pode nos levar a determinados absurdos como aquele em que haja demandas propostas em todos ou quase todos . que se encontram no mesmo plano. concretizando. sendo dever do exegeta optar por uma interpretação que mais aproveite o texto da lei. sendo a federação uma associação de Estados. sendo a concorrência de competências definida pela prevenção. de poder reciprocamente. 19 da Constituição Federal ser vedado à União. a lei federal (CDC). pois que em regra acontece do Réu não ter representação jurídica na Capital da República. Via de conseqüência.. como produto da competência legislativa da União. Como seria possível facilitar a colheita de prova pelo Magistrado se.]. Alexandre de Moraes assevera que: "Criar preferências entre si – como corolário desse princípio. pois. não convence o argumento segundo o qual a competência será sempre do foro do Distrito Federal em casos de dano de âmbito nacional para facilitar a plenitude de defesa. sendo sua assessoria jurídica situada na sede da empresa. ademais. Lado outro. v. Com efeito. A outro giro. malferindo-o.

19. CONCLUSÃO À guisa de conclusão ousamos asseverar que. muito mais que uma defesa plena – que na realidade em nada será prejudicada –. em tom de igualdade. viceja a necessidade de preenchimento axiológico da expressão Estado Democrático de Direito no sentido de que as normas legais produzidas deverão ter como limite os fatos que lhes ensejam a existência. assim como de sua interpretação. pois que somente assim poderemos almejar a realização efetiva de uma democracia material com o preenchimento. onde a determinação da competência do foro da Capital do Estado e do Distrito Federal não ficará em divergência com a aplicabilidade de dispositivo constitucional (art. o que lhes poderá cambiar o comando. 5.285 Estados. a se seguir o raciocínio da maioria. na satisfação dos interesses sociais postos em litígios nas demandas coletivas. sobrepuja a importância dos interesses sociais em detrimento . ao se referir aos Estados e ao Distrito Federal. a norma legal quis tão-somente discriminar. III CF/88). que necessita ser constante. entendemos. pela primeira citação válida realizada. este – o foro do Distrito Federal – seria o competente para a apreciação e julgamento da demanda. para uma interpretação consentânea com os princípios da Nova Hermenêutica. em todas as suas dimensões. Destarte. poder-se-á chegar ao equilíbrio exigido pelo texto legal. A nosso aviso. e não hierarquizar. exsurgindo como critério técnico definidor a prevenção. do princípio do acesso à Justiça. não possuem Poder Judiciário – como. Ademais. sobrepor o interesse social como primeiro critério definidor da competência em litígios desse jaez. não obstante entidades federadas (art. aquelas entidades federadas pela competência para conhecimento e julgamento das demandas coletivas. Com efeito. direcionadas pelos valores predominantes à época de sua produção. à exceção do Distrito Federal. porém. a interpretação mais viável – seja sob o aspecto teórico da inconstitucionalidade. seja sob o prático da facilitação na colheita de prova – seria aquela segundo a qual. traduzir-se-á em concretização do Estado Democrático de Direito sob o aspecto processual a preocupação. as entidades federadas que possuem Justiça local – o que não ocorre com os Municípios que. amiúde. bem como da parte final do inciso II do artigo 93 do CDC. 18 CF/88). ademais. portanto. ocorre no texto constitucional e em leis infraconstitucionais. posto concorrerem. (15) Somente assim. bem como pela necessidade de se adequar os princípios e normas do processo civil liberal-burguês às demandas coletivas lato sensu – verdadeiras ações sociais dirimentes de desigualdades – devemos.

1 v. assim entendemos que as normas jurídicas devem ser interpretadas. 2001. 330p. 730p. 2000. s/ed. 240p. 13ª ed. Direito Processual Civil. As Ideologias e o Poder em Crise. Alexandre de. s/ed. Luiz Abezia e Sandra Drina Fernandez Barbiery]. MAZZILI. São Paulo: Revista dos Tribunais.462p. Luiz Antonio Rizzatto. BOBBIO. [trad. Manual do Processo Coletivo. . São Paulo: Saraiva. 2ª ed. 6. 2002. 576p. Cláudia Lima. [trad. Hugo Nigro. 1995. Assim. 1999. 1º a 54). Direito Constitucional. GRINOVER. BIBLIOGRAFIA Ação Civil Pública: lei 7. MORAES. Édis (org. 4ª ed. e. A Defesa dos Interesses Difusos em Juízo.347/85 – 15 anos. São Paulo: Revista dos Tribunais. Lisboa: Editorial Estampa. 836p. 2001. São Paulo: Atlas. Para o presente estudo utilizar-se-á as expressões transindividuais e metaindividuais em sentidos distintos. seriam transindividuais os interesses individuais homogêneos. 2002. 2003. significando aquela a que ultrapassa os interesses dos indivíduos. São Paulo: Saraiva. MILARÉ. 1999. Comentários ao Código de Defesa do Consumidor: direito material (arts. NOTAS 01. 1109p. Brasília: Editora Universidade de Brasília. NUNES. Introdução Crítica ao Direito. Piero. MIAILLE. Norberto. João Ferreira] 4ª ed. 1 v.) s/ed. 1994. Ada Pellegrini et al. [trad. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto. 13ª ed. 846 p. Ana Prata]. s/ed. e esta a que representa interesses fora dos individualmente considerados. CALAMANDREI. Michel. Contratos no Código de Defesa do Consumidor: o novo regime das relações contratuais. MARQUES. Campinas: Bookseller. Rio de Janeiro: Forense Universitária. Ricardo de Barros. 4ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais. LEONEL.286 daqueles individuais ou públicos hodiernamente.

129. ou pela relevância do bem jurídico a ser protegido. Édis Milaré. pois a proximidade do juízo com relação à prova milita em favor de sua elaboração. em razão de sua indivisibilidade. In Ação Civil Pública: Lei 7. Trata-se de um redimensionamento da matéria para adaptação à Teoria Geral do Processo Coletivo que. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto.: José Marcelo Menezes VIGLIAR. III. é inconstitucional por malferir o art. em outro estudo. 14. XXXV. 12. ob. coord. 91 e seguintes. 551-2. p. Op. bem como o art. do inciso IV do art. 150. Ob. 82 do CDC: § 1º . Para a definição do que seja dano cujos efeitos possuam âmbito regional poderá ser aplicada a norma do § 1º do art. Hugo Nigro MAZZILLI. 808. todos da CF/88. p. Ob. "As peculiaridades dos interesses metaindividuais dificultam a produção de provas no curso da demanda judicial.. op. Cit. Manual do Processo Coletivo. p. 10. Introdução Crítica ao Direito. 211 11.347/85. 1º da Lei 7. quando haja manifesto interesse social evidenciado pela dimensão ou característica do dano.. 220. falaremos. p. que amputou a expressão "a qualquer outro interesse difuso ou coletivo". Hugo Nigro MAZZILLI. A Defesa dos Interesses Difusos em Juízo. p. visto que não há de se falar em identidade de partes. 5º. A identidade das ações coletivas lato sensu sofre mitigação nos seus elementos. os difusos e coletivos.347/85 – 15 anos. Cf. No mesmo sentido: Ricardo de Barros LEONEL. 04.287 enquanto metaindividuais. No particular. 13. 05. Alexandre de MORAES. p. cit. 211-2. entendemos que a MP 2.. Michel MIAILLE. Cit. nas ações previstas nos arts. Cit. passim 07. p. . 211. diferentemente do que ocorre com as ações individuais. p. p. 02. Ada Pellegrini GRINOVER. 09. 286.O requisito da préconstituição pode ser dispensado pelo juiz. 06. p. 03.: Ricardo de Barros LEONEL. 221. Hugo Nigro MAZZILLI. 400/416." 08. Cit. Direito Constitucional. Ada Pellegrini GRINOVER. Hugo Nigro MAZZILLI. A fixação da competência no local do dano tem por escopo facilitar a instrução.180. Cf.

ou seja.: Norberto BOBBIO. ao aspecto negativo do pluralismo que consiste não na impotência do Estado. Cf. p. As Ideologias e o Poder em Crise." ************************************************************** ****************** . não podemos esquecer o efeito contrário. Entretanto. 33: "Constato. que não foi retomada a referência que fiz à sociedade policrática. mas na prepotência do grupo sobre o indivíduo. entretanto.288 15.

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