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Sumário

Evolução Histórica do Direito do Consumidor Autores: Flávio Barbosa Quinaud Pedron e Viviane Machado Caffarate..........4 Proteção constitucional do consumidor Autor: Cristian de Sales Von Rondow...............................................................15 Princípios nucleares do Código Brasileiro de Defesa do Consumidor e sua extensão como princípio constitucional Autor: Henrique Alves Pinto..............................................................................26 O princípio da vulnerabilidade e a defesa do consumidor no direito brasileiro: origem e conseqüências nas regras regulamentadoras dos contratos e da publicidade Autores: Alírio Maciel Lima de Brito e Haroldo Augusto da Silva Teixeira Duarte..........................................................................................................................57 O princípio da boa-fé no Código de Defesa do Consumidor Autor: Francisco José Soller de Mattos..............................................................74 A relação jurídica de consumo: conceito e interpretação Autor: Marcelo Azevedo Chamone....................................................................76 Pessoa jurídica consumidora Autor: Alex Sandro Ribeiro..............................................................................105 Aspectos da responsabilidade civil no Código de Defesa do Consumidor e excludentes Autoras: Michele Oliveira Teixeira e Simone Stabel Daudt............................109

Vícios no Código Civil e no Código de Defesa do Consumidor: diferenças Autor: Ricardo Canguçu Barroso de Queiroz...................................................127

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A responsabilidade civil do fornecedor por vícios dos produtos no Código de Defesa do Consumidor Autor: Fabrício Castagna Lunardi....................................................................129 A prescrição e a decadência no Código de Defesa do Consumidor Autor: Osmir Antonio Globekner.....................................................................145 Desconsideração da pessoa jurídica no Código de Defesa do Consumidor Autor: Osmir Antonio Globekner.....................................................................157 Princípios gerais da publicidade no Código de Proteção e Defesa do Consumidor Autor: João Bosco Pastor Gonçalves................................................................175 As cláusulas abusivas à luz da doutrina e da jurisprudência Autores: Carlos Cavalcante e Karla Karênina Andrade...................................184 Inversão do ônus da prova no CDC e no CPC Autor: Ranieri Eich...........................................................................................206 Alguns aspectos da dogmática processual para a defesa dos direitos do consumidor Autora: Viviane Mandato Teixeira Ribeiro da Silva........................................230 Litisconsórcio, assistência e intervenção de terceiros nas ações coletivas para tutela do consumidor Autora: Gláucia Kohlhase Marques..................................................................248 A competência nas ações coletivas do CDC Autor: Renato Franco de Almeida....................................................................274

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A Evolução Histórica do Direito do Consumidor Autores: Flavio Barbosa Quinaud Pedron e Viviane Machado Caffarate

I. A Evolução do Direito do Consumidor

O Direito do Consumidor é obra relativamente recente na Doutrina e na Legislação. Tem seu surgimento como ramo do Direito, principalmente, na metade deste século. Porém, indiretamente encontramos contornos deste segmento do Direito presente, de forma esparsa, em normas das mais diversas, em várias jurisprudências e, acima de tudo, nos costumes dos mais variados países. Porém, não era concebido como uma categoria jurídica distinta e, também, não recebia a denominação que hoje apresenta. Altamiro José dos Santos destaca o Código de Hamurabi (2300 a.C.). Este já em seu tempo regulamentava o comércio, de modo que o controle e a supervisão se encontravam a cargo do palácio. O que demonstrava que se existia preocupação com o lucro abusivo é porque o consumidor já estava tendo seus interesses resguardados. Santos lembra que: "consoante a" lei "235 do Código de Hamurabi, o construtor de barcos estava obrigado a refazê-lo em caso de defeito estrutural, dentro do prazo de até um ano (...)" (Santos, 1987. p. 78-79). Desta norma podemos supor uma noção dos vícios redibitórios. Havia também regras contra o enriquecimento em detrimento de outrem ("lei" 48), bem assim a modificabilidade unilateral dos desajustes por desequilíbrio nas prestações, em razão de forças da natureza. Os interesses dos consumidores já estavam resguardados na Mesopotâmia, no Egito Antigo e na Índia do Século XVIII a.C., onde o Código de Massú previa pena de multa e punição, além de ressarcimento de danos, aos que adulterassem gêneros ("lei" 967) ou entregassem coisa de espécie inferior à acertada ou, ainda, vendessem bens de igual natureza por preços diferentes ("lei" 968). No Direito Romano Clássico, o vendedor era responsável pelos vícios da coisa, a não ser que estes fossem por ele ignorados. Porém, no Período Justinianeo, a responsabilidade era atribuída ao vendedor, mesmo que desconhecesse do defeito. As ações redibitórias e quanti minoris eram instrumentos, que amparadas à Boa-Fé do consumidor, ressarciam este em casos de vícios ocultos na coisa vendida. Se o

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vendedor tivesse ciência do vício, deveria, então, devolver o que recebeu em dobro. "no período romano, de forma indireta, diversas leis também atingiam o consumidor, tais como: a Lei Sempcônia de 123 a.C., encarregando o Estado da distribuição de cereais abaixo do preço de mercado; a Lei Clódia do ano 58 a.C., reservando o benefício de tal distribuição aos indigentes e; a Lei Aureliana, do ano 270 da nossa era, determinando fosse feita a distribuição do pão diretamente pelo Estado. Eram leis ditadas pela intervenção do Estado no mercado ante as dificuldades de abastecimento havidas nessa época em Roma" (Prux, 1998. p. 79). De acordo com os estudos de Waldírio Bulgarelli, "pode-se encontrar antecedentes os mais antigos: Aristóteles já se referia a manobras de especuladores na Grécia Antiga, e em Roma atestam-no a Lex Julia de cemnoma, o Édito de Diocleciano e a Constituição de Zenon" (Bulgarelli, apud Prux, 1998. p. 79). Há estudos que apontam depoimentos de Cícero (Século I a.C.) assegurando a garantia sobre vícios ocultos na compra-venda no caso do vendedor prometer que a mercadoria era dotada de determinadas qualidades e estas serem inexistentes. "Pirenne, no comentário de sua obra cobrindo o século XIII, é bastante elucidativo no subtítulo - Proteção ao consumidor - ao escrever que a disciplina imposta ao artesão tinha naturalmente por objeto assegurar a qualidade dos produtos fabricados. Neste sentido – acrescenta textualmente o mestre gaulês - também favorecia o consumidor" (SIDOU, apud PRUX, 1998. p. 781). A França de Luiz XI (1481) punia com banho escaldante aquele que vendesse manteiga com pedra no interior para aumentar o peso, ou leite com água para aumentar o volume. O jurista português Carlos Ferreira Almeida afirma que no Direito Português: "os códigos penais de 1852 e o vigente de 1886 (...), reprimindo certas práticas comerciais desonestas, protegiam indiretamente interesses dos comerciantes: sob o título genérico de crimes contra a saúde pública, punem-se certos actos de venda de substâncias venenosas e abortivas (art. 248º) e fabrico e venda de gêneros alimentícios nocivos à saúde pública (art. 251º); consideram-se criminosas certas fraudes nas vendas (engano sobre a natureza e sobre a quantidade das coisas – art. 456); tipificava-se ainda como crime a prática do monopólio, consistente na recusa de venda de gêneros para uso público (art. 275º) e alteração dos preços que resultariam da natural e livre concorrência, designadamente através de coligações com outros indivíduos, disposições revogadas por legislação da época corporativista, que regrediu em relação ao liberalismo consagrado no código penal" (ALMEIDA,1982. p. 40).

Pois nas palavras de Miriam de Almeida Souza. e a Constituição Federal de 1988. p.) Samuel Adams. II. uma figura marcante no episódio do chá no porto de Boston. que consagrou a defesa do consumidor. quando foram sancionados diversas leis e decretos federais legislando sobre saúde. já em 1785 na República. A Revolução americana de 1776 foi uma revolução do consumidor. 170) e no artigo 48 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). 1996. a primeira legislação protetora do consumidor foi em 1910. apontando sua assinatura na lei que proibia qualquer adulteração de alimentos no estado de Massachusetts" (SOUZA. um dos principais pensadores do liberalismo. em 1914. os direitos individuais e políticos. em 1773. que apresenta a defesa do consumidor como princípio da ordem econômica (art. pelos tipos e preços estabelecidos pela metrópole. Dentre todas.. a Constituição de 1967 com a emenda n. Adam Smith. o episódio contra o imposto do chá no porto de Boston (Boston Tea Party) é um registro de uma manifestação de reação dos consumidores contra as exigências exorbitantes do produtor inglês. que expressamente determinou a criação do Código de Defesa do consumidor. em seu período de colônia. Já nos EUA. que tinha o objetivo de aplicar a lei antitruste e proteger os interesses do consumidor. 51).6 Na Suécia. criou-se a Federal Trade Commission. Também nos EUA. 1221/51. o Direito do Consumidor surgiu entre as décadas de 40 e 60. reforçou as seculares "assizes" (Leis do Pão). O interesse privado é o . no qual os consumidores americanos eram obrigados a comprar produtos manufaturados na Inglaterra.. Pode-se notar que esta lei representa um marco histórico na luta pelo respeito aos direitos do consumidor. (. pode-se citar: a Lei n. afirmava: "É suficiente que deixemos o homem abandonado em sua iniciativa para que ao perseguir seu próprio interesse promova o dos demais. 4/62. que exercia o seu monopólio. a defesa da livre incitava e livre concorrência e a não intervenção do Estado na esfera privada. foi uma revolução "contra o sistema mercantilista de comércio britânico colonial da época. proteção econômica e comunicações. denominada Lei de Economia Popular. O Estado Liberal tem como características o poder limitado. 1/69. a Lei Delegada n. da antiga metrópole. O Surgimento do Direito do Consumidor do Prisma da Evolução do Estado Liberal O Estado Liberal surgiu no século XVIII em contraposição ao Estado absoluto e veio assegurar o indivíduo em face do Estado. que. No Brasil.

para se manterem empregadas. pois a concorrência não se iniciava em condições iguais e as regras do jogo não eram respeitadas. a defesa do consumidor". algumas empresas que se enriqueceram. Nas Constituições promulgadas adotando esse modelo de Estado. O Código de Proteção e Defesa do Consumidor. dependendo. Estes foram regulados como normas pragmáticas. a livre incitava e livre concorrência defendida pelos liberais não se concretizou. materiais ou imateriais. A liberdade contratual. acrescentando a estes os direitos sociais e econômicos. a Constituição Federal de 1988 exigiu que o Estado abandonasse a sua posição de mero espectador da sorte do consumidor. as pessoas deixaram de trabalhar em casa e foram trabalhar nas fábricas e ao redor destas surgiram os centros urbanos. com o advento da Revolução Industrial. não empregaram a grande parte da população. devido à automação incipiente das máquinas. de regulamentação. se submetessem à exploração. formulado segundo o pensamento liberal. uma comparação exemplificativa entre as regras deste e as do Código de Proteção e Defesa do Consumidor. no entanto. Assim. A grande procura por empregos gerou a desvalorização da mão-de-obra. as leis eram feitas para dar sustentação ao liberalismo econômico. As fábricas. gerando o desemprego e a conseqüente a exclusão social daqueles que estavam desempregados. o Código Civil. aliada a grande oferta de trabalho. em muito inovou em comparação com o Código Civil. aqui. houve uma substituição da maquinofatura pela máquina. fazia com que as pessoas. instituída na Revolução Francesa. o Estado passou a intervir na Economia para promover justiça social. No século XIX. duráveis e não duráveis e em serviços. então. Outro ponto é que o Código Civil fala em defeitos ocultos que tornem a coisa imprópria para o uso ou diminuam o seu valor. Façamos. para adotar um modelo jurídico e uma política de consumo que efetivamente protegesse o consumidor. Assim acorreu com a Constituição brasileira de 1988 que dispõe que "o Estado promoverá na forma da lei. neste período. gerando uma concentração econômica. os direitos individuais eram mais importantes que os direitos sociais. p. O Estado Social tem como características o poder limitado. Portanto.32). O Código Civil fala em coisas. Logo. objeto de contratos comutativos e em bens e imóveis.7 motor da vida econômica" (SMITH. que seriam quaisquer bens móveis ou imóveis. do Consensualismo e da Obrigatoriedade Contratual. Esse meio. Já o Código de Proteção e Defesa do Consumidor fala em produtos. Concomitante a estes fatos. trouxe o vício redibitório como meio de proteção do consumidor. Isso porque. Por sua vez o Código de Proteção e Defesa do Consumidor . apud DERANI. Com isso. a garantia os direitos individuais e políticos. O Direito regia-se pelos Princípios da Autonomia da Vontade. O Estado Social surge no século XX como resposta à miséria e a exploração de grande parte da população. editado segundo os Princípios de um Estado Democrático de Direito. mostrou-se ineficaz para a proteção do consumidor.

Além disso. ou mesmo em satisfazer o consumidor" (SOUZA. formam-se grupos maiores. ainda que artificial. 48). o produtor-fabricante era simplesmente uma ou algumas pessoas que se juntavam para confeccionar peças e depois trocar os objetos (bartering). enganosos. denomina de "norma social do consumo". p. Com o crescimento da população e o movimento do campo para as cidades. Devido a este movimento. desta forma. Acrescenta-se.8 acrescenta que o defeito pode até mesmo ser de fácil constatação e que a coisa poderá ser enjeitada por não conferir com as especificações da embalagem. 48). via de regra. abusivos. O crescimento e contínuos avanços das tecnologias fizeram com que fossem inseridas na mente do consumidor as idéias de que ele estava precisando de mais objetos que até o momento nunca sentira necessidade de adquirir em sua vida cotidiana. da propaganda. 1996. 1996. a produção perdeu seu toque "pessoal" e o intercâmbio do comércio ganhou proporções ainda mais despersonalizadas. da Faculdade de Direito da Universidade Católica de Louvain. a produção aumentou e a responsabilidade se concentrou no fabricante. O advento da Revolução Industrial foi responsável pelo crescimento da chamada produção em massa. por isso mesmo.48). que passou a responder por todo o grupo" (SOUZA. devolver ou pedir abatimento do preço da coisa também foi ampliado no Código de Proteção e Defesa do Consumidor. sempre se interessou mais pela parte monetária do que com o produto. 1996. atos fraudulentos. A justiça social. Logo. Em conseqüência disto. O produtor estava sempre interessado em formas para escoar sua produção e manter o fluxo de produção-consumo. na Bélgica. às vezes. para manter o processo produtivo em funcionamento. que "o produtor. sentiu necessidade de estimular o consumidor a uma necessidade. que: . p. Criou-se. entendeu ser necessária a promulgação de leis para controlar o produtor-fabricante e proteger o consumidor-comprador" (SOUZA. já que passaram a haver outros intermediários entre a produção e o consumo. do rótulo. p. então. o que o professor Thierry Bourgoignie. III. A Revolução Industrial e O Direito do Consumidor O período da Revolução Industrial é de grande importância para o desenvolvimento do Direito do Consumidor. "o produtor precisava dar escoamento à produção. "Antes da era industrial. o prazo decadencial para substituir. ainda. etc. praticando.

conferindo claramente uma dimensão social ao consumidor e ao ato de consumir" (BOURGOIGNIE. que fortaleceram a fiscalização da pureza da carne. a "consommariat". ele retrata em cores ousadas e dramáticas o impacto social do capitalismo industrial no começo do século XX. apud SOUZA. e contribuiu para as . "Os principais personagens eram de uma família de camponeses lituanos que vieram trabalhar pelos contos e fantasias de liberdade e pujança na América" (Souza. a Meat Inspection Act e a Pure Food and Drug Act. também. foram o surgimento da mídia e as conquistas tecnológicas que deram causa ao ressurgimento da defesa do consumidor. 52). embora proibidas no comércio exterior" (SINCLAIR. 1996. de 1906. ao descrever de forma bem realística os alimentos deteriorados. p. Sinclair demonstra os abusos cometidos pela industria da carne. O impacto da novela The Jungle foi de um modo tão avassalador. que se despontava na América Keynesiasna o movimento em prol dos direitos do consumidor. 48). 1996. por inspirar a elaboração de duas leis federais nos EUA. quando a produção estava a serviço e controle do Estado. V. moídos juntamente com os enchimentos das lingüiças vendidas em Chicago. em 1906. p. 52). escreveu um romance chamado The Jungle (A Selva). "a guerra intensificou a produção industrial em massa.9 "faz com que o consumidor perca o controle individual das decisões de consumo e passe a ser parte de uma classe. 1996. IV. que logo sofreu traduções para 17 idiomas. dotado de idéias socialistas. apud SOUZA. p. A Selva O norte-americano Upton Sinclair. no intuito de justificar e fundamentar suas reivindicações proletárias. consistentes de melhorias de salário e de condições de trabalho. Este serviu para despertar no povo do seu país o mais vivo interesse pela problemática do consumidor. Em seu romance. que . Um exemplo é o seguinte trecho de sua obra: "a carne misturada com pedaços de tecidos esfarrapados e sujos. O romance acabou. pães mofados. Sinclair era um jovem jornalista. Mas curiosamente. O Direito do Consumidor na Segunda Guerra Mundial e no Cenário do Pós-Guerra Foi em plena Segunda Guerra Mundial. disfarçouse em operário para realizar suas observações na cidade de Chicago.

desse princípio da relatividade dos efeitos do contrato. pelo qual o juiz estava obrigado a fazer cumprir os efeitos do contrato. em aumento substancial de produção no posterior tempo de paz. e vai se admitindo o poder do juiz de adaptar seus efeitos às novas circunstâncias (cláusula rebus sic stantibus). Mas as necessidades sociais impuseram a quebra. Esta restauração se deu sob o nome de "teoria da imprevisão" e visava a quebra do princípio do pacta sunt servanda. Podemos perceber que esses problemas influenciaram sensivelmente a vida dos consumidores. se ocorrer imprevisão. para o agravamento dos problemas sociais e conflitivos urbanos em decorrência da concentração de renda" (Souza. Dirigindo-se por meio de uma mensagem especial ao Congresso Americano. dentre outros motivos. Com isso. que se fundamentava a partir da responsabilidade civil objetiva e do reconhecimento dos interesses e direitos difusos. ainda que excepcional.10 grandes invenções e o aprofundamento da produção em série. fortalecendo a tendência da formação dos cartéis. o que sem dúvida. houve a consolidação do Direito do Consumidor nos Estados Unidos. 1979. A partir das iniciativas do presidente americano John Fitzgerald Kennedy. trustes e oligopólios. inevitavelmente. queda na qualidade de vida ou aumento da poluição. Todo o esforço da guerra resultou. aumentaram os problemas relacionados à produção e ao consumo. Orlando Gomes afirma que: "o princípio da força obrigatória das convenções. O know-how gerado para a guerra provocou. desde que os contratos são fonte de obrigações e estas importam limitação da liberdade individual. a cada instante. quaisquer que fossem as circunstâncias ou as conseqüências. 1996. Após o período do pós-guerra acontece o ressurgimento da cláusula rebus sic stantibus. o que enfraquece o princípio da força obrigatória dos contratos. ditando medidas que. alteram os efeitos dos contratos anteriormente praticados. Passou-se então a praticar uma concorrência desleal. na economia dos contratos. quer seja pela alta dos preços. entendia-se que os seus efeitos não deveriam atingir a terceiros. Por fim. então um crescimento em vários segmentos industriais. em um mercado antes restrito somente ao essencial. O contrato era res inter alios acta. colaborou. tendo aplicação imediata. resultou da propaganda informativa o marketing (desenvolvido em forma de propaganda de guerra). ou de exonerar o devedor do seu cumprimento. em face de uma competitividade altamente sofisticada por causa das novas mídias e das próprias complexidades dos mercados surgidos no pós-guerra. p. 54). 105-106). está abalado. gerando um arsenal de produtos surpérfulos e diversificados. O legislador intervém. em . para a satisfação de certos interesses coletivos privados" (GOMES. p. Esta quebra possibilitou o surgimento do Direito do Consumidor. com o objetivo de escoar a produção no mercado. Com o advento da televisão. na década de 60. e do advento do marketing científico.

Seguindo o exemplo de Kennedy. 1996. também reconheceu os princípios e chamou-os de Direitos Fundamentais do Consumidor. a qualidade e o preço de bens e serviços colocados no mercado. (2) que a voz do consumidor seja ouvida no processo de tomada de decisão governamental que detenha o tipo. 56). na sua 29ª Sessão em 1973. estabelece objetivos. por meio da Resolução n. (c) fornecer aos consumidores informações adequadas para capacita-los a fazer escolhas acertadas. O Anexo 3 da Resolução mostra quais são os princípios gerais que serão tomados como padrões mínimos pelos governos: "(a) proteger o consumidor quanto a prejuízos à sua saúde e segurança. a primeira vez que. Kennedy identificou os pontos mais importantes em torno da questão: "(1) os bens e serviços colocados no mercado devem ser sadios e seguros para os uso. (d) educar o consumidor. houve o reconhecimento e aceitação dos direitos básicos do consumidor. (3) tenha o consumidor o direito de ser informado sobre as condições e serviços. claramente. Em 1985. o programa Preliminar da Comunidade Européia para uma Política de Proteção e Informação dos Consumidores dividia os direitos fundamentais em cinco categorias: "(1) proteção da saúde e da segurança. a Comissão de Direitos Humanos das nações Unidas. Por sua vez. de acordo com as necessidades e desejos individuais. (5) representação (ou direito de ser ouvido)" (SOUZA. (b) fomentar e proteger os interesses econômicos dos consumidores. promovidos e apresentados de uma maneira que permita ao consumidor fazer uma escolha satisfatória. p. em Genebra. (2) proteção dos interesses econômicos.11 1962. (3) reparação dos prejuízos. 56). p. as Nações Unidas. (4) informação e educação.º 39/248. em nível mundial. (4) e ainda o direito a preços justos" (SOUZA. . princípios e normas para que os governos membros desenvolvam ou reforcem políticas firmes de proteção ao consumidor. Esta foi. 1996.

12 (e) criar possibilidade de real ressarcimento ao consumidor. ponto de vista compartilhado pela Organização Internacional das Associações de Consumidores (International Organization of Consumers Unions – IOCU). 1996. A Constituição Brasileira e O Direito do Consumidor A questão dos Direitos do Consumidor é tão importante que em três . que: "as Nações Unidas também entendem como medida para a proteção dos consumidores o Código de Conduta para as Firmas Transnacionais. que muitos dos ordenamentos jurídicos. 1996. acolhendo a Resolução da ONU. já consagram. p. 58). E sobre os direitos do consumidor enumera: "(1) segurança – proteção contra produtos. (5) indenização – solução justa de queixas justas. (f) garantir a liberdade para formar grupos de consumidores e outros grupos e organizações de relevância e oportunidade para que estas organizações possam apresentar seus enfoques nos processos decisórios a elas referentes" (SOUZA. pela Constituição Federal de 1988. A proteção do Direito do Consumidor é de tamanha relevância. ainda.57). p. p. (2) informação – conhecimento dos dados necessários para fazer escolhas e decisões informadas. projeto de ONU desde meados dos anos 60. processos e serviços nocivos à saúde ou à vida. VI. O IOCU é amplamente respeitado entre as associações de consumidores no mundo. (3) escolha – acesso a uma variedade de produtos e serviços com qualidade e preços competitivos. 57). (7) ambiente saudável – ambiente físico apto a proporcionar melhor qualidade de vida agora e no futuro" (SOUZA. (4) a ser ouvido – exposição e consideração das perspectivas dos consumidores na formação das políticas nacionais. Miriam Souza lembra. com sede em Haia" (Souza. (6) educação – aquisição dos conhecimentos e das habilidades necessárias para ser um consumidor informado ao longo da vida. 1996. inclusive o brasileiro.

de acordo com o que estiver estabelecido nas leis. 1996. já em seu Capítulo I do Título II. a dialética produtor x consumidor é bem mais complexa e delicada do que a dialética capital x trabalho" (grifo nosso) (COMPARATO. XXXII que "o Estado promoverá. por razões óbvias. à escolha. e que acabou sendo devidamente protocolada e registrada sob n. 21-22). que a defesa do consumidor é um dos princípios que devem ser observados no exercício de qualquer atividade econômica. 59).13 oportunidades distintas é tratada na Constituição Federal vigente. inclusive aos então artigos 36 e 74 da Comissão "Afonso Arinos". a defesa do consumidor" o que quer dizer. com especial destaque para a contemplação dos direitos fundamentais do consumidor (ao próprio consumo. no calor das discussões da Assembléia Nacional Constituinte. Mas. Coimbra: Almeida. que trata dos direitos e deveres individuais e coletivos estabelece a Carta magna. 1991. p.º 2. Bibliografia ALMEIDA. em outras palavras. à informação.. É o que alerta o jurista Fábio Konder Comparato: "na verdade. foi obtida por unanimidade na oportunidade do encerramento do VII Encontro Nacional das (." (FILOMENO. o Código do Consumidor é só o início. na forma da lei. trazendo sugestões de redação. Os direitos dos consumidores. a ser ouvido. à educação para o consumo e a um meio ambiental saudável). determina que o Congresso Nacional elabore o Código de Defesa do Consumidor. A segunda vez que a Constituição menciona a defesa do consumidor é quando trata dos princípios gerais da atividade econômica no Brasil. desta feita realizado em Brasília. V.. p. José Geraldo Brito Filomeno lembra que a sensibilização dos "constituintes de 1887/88. .) Entidades de Defesa Do Consumidor. à segurança. apud SOUZA. no artigo 5º. 1982. Carlos Ferreira. que o Governo Federal tem a obrigação de defender o consumidor.875. A primeira vez. em 8-5-87. o artigo 48 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). Finalmente. Estes três dispositivos constitucionais são mencionados no artigo 1º do Código de Defesa do Consumidor. citando em seu artigo 170. à indenização.

Revista do IAP. José Geraldo Brito. Rio de Janeiro:Forense. 6 ed. 1987. Orlando. n. Cristiane. Belo Horizonte:Del Rey. Política Nacional das Relações de Consumo e o Código de Defesa do Consumidor. Miriam de Almeida. Oscar Ivan. Direitos Do Consumidor. Revista de Direito do Consumidor. SANTOS. Belo Horizonte: Edições Ciência Jurídica. 1996. n.14 DERANI. Introdução ao direito civil. A Política legislativa do Consumidor no Direito Comparado. Responsabilidade Civil do Profissional Liberal no Código de Defesa do Consumidor. FILOMENO. GOMES. PRUX. Curitiba. Souza. Manual de Direitos do Consumidor. 1979. . 10. 29. 1998. 1991. Instituto dos Advogados do Paraná. São Paulo: Atlas. Altamiro José dos.

O por quê da tutela? 5. 3. Terminologia. As relações de consumo e o surgimento da tutela do consumidor. A proteção no direito alienígena (Direito Comparado e Internacional).15 Proteção constitucional do consumidor Autor: Cristian de Sales Von Rondow Sumário: 1. necessário se faz explicitar como foi o caminho trilhado do "movimento consumerista" que teve nuanças . A tutela do consumidor a nível constitucional As relações de consumo e o surgimento da tutela do consumidor Antes de adentrarmos ao tema propriamente dito. 4. A evolução legislativa brasileira. 2. 6.

Do primitivo escambo e das minúsculas operações mercantis tem-se hoje complexas operações de compra e venda. estas alterações foram introduzidas pelo liberalismo emergente do século XIX. qual seja. para um número cada vez maior de consumidores. Não ficamos um só dia sem consumir algo. (4) E essa produção em massa aliada ao consumo em massa. em que não se dá importância ao fato de não se ver ou conhecer o fornecedor. dado as alterações substanciais no panorama mundial. consumimos desde o nascimento e em todos os períodos de nossa existência. que infiltrou-se no Direito operando sua transformação. Mas esta nova forma de vender e comprar trouxe em seu bojo o poderio econômico das macro-empresas de impor seus produtos e mercadorias àquele .(3) Não há dúvidas de que as relações de consumo ao longo do tempo evoluíram drasticamente. nasce um capitalismo agressivo que impôs um ritmo elevado na produção.16 próprias. por seu turno difícil de precisar seu início. a sociedade de consumo (mass consumption society) ou sociedade de massa. político. que vão desde a necessidade e da sobrevivência até o consumo por simples desejo. Por motivos variados. Temos que a origem protecionista do consumidor se deu com as modificações nas relações de consumo. E o fez. João Batista de Almeida(1) aduz que "independentemente da classe social e da faixa de renda. sendo esta. embates acirrados e por fim uma difusão mundial da consciência de que o consumidor. A afirmação de que todos nós somos consumidores é verdadeira. causando profundas e inesperadas alterações sociais. gerou a sociedade de consumo ou sociedade de massa. econômico e jurídico que permeavam época pretérita transportando-se para o cenário atual. para dar lugar à "operações impessoais e indiretas. Os serviços se ampliaram em grande medida".(2) Para Maria Antonieta Zanardo Donato. Após a transformação do panorama econômico. Instaura-se um novo processo econômico. o consumo pelo consumo". mas também que punisse aqueles que o desrespeitassem. erigindo um novo modelo social. Os bens de consumo passaram a ser produzidos em série. diante do avanço tecnológico dos meios de produção passara a ser a parte fraca da relação de consumo necessitando de uma legislação que resguardasse não apenas os direitos básicos. Para trás ficou aquelas relações de consumo que estavam intimamente ligadas às pessoas que negociavam entre si. Hodiernamente as chamadas relações de consumo. outrora campo exclusivo do estudo da ciência econômica passou a fazer parte do rol da linguagem jurídica. que envolvem milhões de reais ou de dólares. de modo que o consumo faz parte do dia-a-dia do ser humano.

absorver. entre outras coisas. com eles. sobretudo a sua vulnerabilidade outorgando-lhes direitos específicos. a tutela do consumidor ganhou espaço no seio jurídico. holdings. bem como estavam desprotegidos e vulneráveis às práticas abusivas das empresas e para tanto necessitavam de proteção legal. uma vez que vários autores advertem não ser tarefa fácil definir consumidor no sentido jurídico. A partir deste evento.(8) Tal linguagem não se verificava no Direito Privado Brasileiro. Como . repercutindo de forma negativa sobre a qualidade de vida e atingindo inevitavelmente os interesses difusos. A partir dessa fundamental constatação. o desmesurado desenvolvimento das relações econômicas.17 (consumidor) que ao que parecia seria "monarca do mercado"(5) ou o "rei do sistema". e. e os debates em torno da matéria iniciaram-se face às novas situações decorrentes do desenvolvimento. consumo. a revolução industrial. trouxeram a lume à própria realidade dos interesses coletivos. Todos esses fenômenos. por sua vez oriundo do latim consumere. O vocábulo consumidor. Na linguagem dos economistas. muitas vezes voltaram-se contra ele próprio. gastar. passando a fazer parte quando da promulgação do Código de Defesa do Consumidor. o aparecimento dos meios de comunicação de massa. até então existentes de forma latente despercebidos’. econômicas e jurídicas do mundo. por terem escapado do controle do homem. que se precipitaram num espaço de tempo relativamente pequeno. vários ordenamentos jurídicos do mundo todo passaram a reconhecer a figura do consumidor e. Terminologia Ponto interessante se mostra a terminologia jurídica de "consumidor". O caminho natural da evolução nas relações de consumo certamente acabaria por refletir nas relações sociais. despender. do verbo consumir. das metrópoles. a explosão demográfica. o fenômeno da propaganda maciça. corroer. com a produção e consumo de massa.(6) Dado a esta imposição. significa acabar. os consumidores começaram a enxergar que estavam mais para súditos do que para monarcas. Esse entendimento é corroborado por João Batista de Almeida(7) que citando Camargo Ferraz. o nascimento dos cartéis. seria o ato pelo qual se completa a última etapa do processo econômico. a hipertrofia da intervenção do Estado na esfera social e econômica. multinacionais e das atividades monopolísticas. Milaré e Nelson Nery Júnior aduzem que a tutela dos interesses difusos em geral e do consumidor em particular deriva das modificações das relações de consumo e evidenciam que: ‘o surgimento dos grandes conglomerados urbanos.

É de Newton De Lucca a apresentação de quadro sintético desta proteção: No Direito Comparado (antecedentes legislativos) e no Direito Internacional.A iniciativa de cinco países (Estados Unidos. Suécia. Bélgica e Holanda). Portugal e Espanha. Alemanha. Longe disso. é tema supranacional abrangendo a totalidade dos países desenvolvidos ou em desenvolvimento. ainda que indetermináveis.Lei de caráter geral ou específica no seguintes países: Inglaterra. Finlândia. a partir da década de 60. .18 mencionado eram expressões voltadas à ciência econômica. que haja intervindo nas relações de consumo" (art. § único). no âmbito da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE. A proteção do consumidor no direito alienígena (Comparado e Internacional) O resguardo jurídico do consumidor não é tema exclusivo de um único país. . França. no sentido de criar. Direito Internacional . 2º. considerou serem 4 os direitos de todo o consumidor: . Alemanha. Direito Comparado . França. . mas que passaram a fazer parte do universo jurídico e no Brasil. Noruega. a conceituação legal ou o conceito standart de consumidor é dado pelo Código de Defesa do Consumidor em seu Artigo 2º aduzindo que "consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final". por equiparação. nos EUA: Consumer Credit Protection Act. Dinamarca. . também. uma "Comissão para a política dos consumidores". . incluindo-se.A comissão das Nações Unidas sobre Direitos do Homem.Lei fundamental de proteção aos consumidores no Japão (1968).Numerosos textos legais. Uniform Consumer Credit Code. México. Fair Credit Reporting Act e Fair Debt Collection Act. Bélgica. Truth in Lending Act. Safety Act. Uniform Consumer Sales Act. "a coletividade de pessoas. em 1969.Discurso do presidente Kennedy ao Congresso Americano (março/62).Lei sobre documentos contratuais uniformes de Israel (1964).

O por quê da tutela? A justificativa que se tem para o surgimento da tutela do consumidor.19 1. também.(13) Está assentado doutrinariamente que a vulnerabilidade do consumidor.o direito de ser ouvido no processo de decisão governamental.A aprovação de vários documentos pela Assembléia do Conselho da Europa – Diretiva 85/374. que já não mais tutelavam novos interesses identificados como coletivos e difusos. 4. alguns são os princípios orientadores desta tutela protetiva. que o mesmo tema fora debatido em praticamente todos os países da Europa. de modo a influenciar grandemente diversos países com esta doutrina. de 9. os EUA foram o grande propulsor da mensagem protecionista do consumidor.4. surgiu "de uma reação a um quadro social. (12) E termina o festejado autor: "a tutela surge e se justifica. . bem como sobre as condições de venda. Destaca-se. o da hipossuficiência. reconhecidamente concreto.(9) Conforme denota-se. que para alguns é um princípio(14) foi a pedra de mote para o surgimento da tutela do consumidor. Para João Batista de Almeida. vejamos: o da isonomia ou da vulnerabilidade. em que se vislumbrou a posição de inferioridade do consumidor em face do poder econômico do fornecedor. 3. enfim.o direito de escolher sobre bens alternativos de qualidade satisfatória a preços razoáveis.85. (11) Ao contrário. vulnerável nas relações de consumo. "não surgiu aleatória e espontaneamente". bem como a insuficiência dos esquemas tradicionais do direito substancial e processual.7. pela busca do equilíbrio entre as partes envolvidas".o de ser adequadamente informado sobre os produtos e os serviços.(10) Para João Batista de Almeida. esta tutela. é que esta nasceu fruto dos mais variados problemas sociais "surgidos da complexidade da sociedade moderna e os reclamos de indivíduos e grupos". 2. apontada como a verdadeira origem dos direitos básicos do consumidor. .o direito à segurança. . de 24.No Âmbito da ONU – Resolução 39/248. Luiz Antonio Rizzatto Nunes e Cláudio Bonatto/Paulo Valério Dal Pai Moraes. no tocante aos países membros do CEE. reconhecendo-se ser este a parte fraca.85. originando a hipossuficiência deste.

do dever de informar. o primeiro órgão de defesa do consumidor. o do da equivalência. "Art. devendo constituir-se em sociedade brasileira as estrangeiras que actualmente operam no paiz. de 7 de abril de 1933 (Lei da usura) a primeira norma nesta seara que visava reprimir a usura. que passamos a transcrever. Na esfera federal. verifica-se a existência de referida defesa como tema "inespecífico"(17) em legislações esparsas que indiretamente protegia o consumidor. pois.20 o do equilíbrio e da boa-fé objetiva. esta não fora a intenção. criado pela Lei nº 1. Igualmente providenciará sobre a nacionalização das empresas de seguros em todas as sua modalidades. 117 – A lei promoverá o fomento da economia popular. Dentro desses limites." . de modo que possibilite a todos exist~encia digna. E assim. o desenvolvimento do crédito e a nacionalização progressiva dos bancos de depósito. embora essa não fosse a intenção principal do legislador. de 1978. por meio do Decreto nº 91. o da transparência e o da solidariedade. o da revisão das cláusulas contrárias ou da repressão eficiente aos abusos. embora não fosse a defesa do consumidor tratada como tema específico como é hoje. 115 e 117). arts. e para a necessidade de uma atuação mais enérgica no setor. 115 – A ordem econômica deve ser organizada conforme os princípios da justiça e as necessidades da vida nacional. densamente de natureza social. com a proteção à economia popular. Somente em 1978 surgiu em nível estadual.469 que posteriormente foi extinto e substituído pela atual Secretaria Nacional de Direito Econômico (SNDE). verbis: "Art. mas apenas trazê-los à colação com o fito de demonstrar ser esta tutela orientada por princípio basilares do direito constitucional que se espraiaram para o direito do consumidor. o Procon de São Paulo. Todavia.626.(15) Cumpre esclarecer que não trataremos dos princípios acima mencionados. só em 1985 foi criado o Conselho Nacional de Defesa do Consumidor. A evolução legislativa brasileira A defesa do consumidor como tema específico é entre nós algo recente. o da conservação do contrato. é garantida a liberdade econômica". João Batista de Almeida(16) aduz ser de 1971 a 1973 os discursos proferidos pelo então Deputado Nina Ribeiro. Parágrafo único: É proibida a usura. Foi o Decreto nº 22.903. alertando para a gravidade do problema. o evoluir não parou. A matéria ganhou status constitucional (Constituição de 1934. que será punida na fórma da lei.

Em 1984 editou-se a Lei nº 7. inciso XXXII. além de outros bens tutelados. a constituinte de 1988 curvou-se ante aos anseios da sociedade e ao enorme trabalho dos órgãos e entidades de defesa do consumidor. denominado "crimes de colarinho branco". de 11 de setembro de 1946.492 de 16 de junho de 1986. está o de promover. em 1951 a chamada Lei de Economia Popular que vige até hoje. na inserção de quatro dispositivos específicos e objetivos sobre o tema. no calor das discussões da Assembléia Nacional Constituinte. foi promulgada a Lei nº 7. trazendo sugestões de redação. sobrevindo. que cuidaram dos crimes contra a economia popular. em 8-5-87. com especial destaque para contemplação dos direitos fundamentais do consumidor. 115 e 117).840. atualmente Juizados Especiais Cíveis (Lei 9. é atribuída a competência concorrente para legislar sobre . O primeiro deles e o mais importante por refletir toda a concepção do movimento está grafado no artigo 5º. mas apenas cuidou de forma indireta. realizado em Brasília.875. de 18 de novembro de 1938. e depois o de nº 9. num evoluir ascendente.244. Com a Lei nº 7. esta inserção não deixa de demonstrar ares de preocupação do constituinte com o tema. por razões óbvias.21 Posteriormente veio o Decreto-Lei nº 869. Mas os passos mais significativos neste campo foram dados a partir de 1985. e que acabou sendo devidamente protocolada e registrada sob o nº 2. com ênfase ao VII Encontro Nacional das referidas Entidades de Defesa do Consumidor.347 que disciplina a ação civil pública de responsabilidade por danos causados ao consumidor. a tutela do consumidor a nível constitucional foi posta na Constituição de 1934 (arts. Surge a Lei de Repressão ao Abuso do Poder Econômico (nº 4. onde diz que dentre os deveres impostos ao Estado brasileiro. autorizando os Estados a instituírem os Juizados de Pequenas Causas. dando início desta forma. na estrutura do Ministério da Justiça. A tutela do consumidor a nível constitucional Como já mencionado. ainda existente. posto que brotava na nação a consciência da necessidade de proteção ao consumidor.099/95). além de haver criado o Conselho Administrativo de Defesa Econômica – CADE. Noutra passagem. inclusive aos então artigos 36 e 74 da "Comissão Afonso Arinos". Todavia. à tutela jurisdicional dos interesses difusos em nosso país. na forma da lei. mas não como elemento contundente para a prática do Estado. a defesa do consumidor. no capítulo relativo aos "direitos e deveres individuais e coletivos". que de maneira reflexa beneficiava o consumidor. culminando assim.137 de 1962). Mas sem dúvida ou medo de errar. quando em 24 de julho daquele ano. passaram a ser punidos os crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.

tendo por objeto uma ampla política pública (public policy).078. todos os princípios da proteção acham-se constitucionalmente assegurados". elaborará código de defesa do consumidor". VIII). la salud y los legítimos intereses económicos de los mismos. 3. caber prioritariamente ao Estado ‘proteger o consumidor especialmente mediante o apoio e a criação de cooperativas e associações de consumidores’. mediante procedimientos eficaces. la seguridad. de 11. V). no art.22 danos ao consumidor (art.(18) O citado autor faz observação interessante ao afirmar que ‘a consagração constitucional dos direitos dos consumidores não constitui a regra em termos de direito comparado’. O mestre Newton De Lucca assevera que "não apenas o Código de Defesa do Consumidor tem base constitucional (art. artigo intitulado "A Proteção ao Consumidor na Constituição Brasileira de 1988"): ‘Por outro lado. dentro de cento e vinte dias da data da promulgação da Constituição. Los poderes públicos garantizaran la defensa de los consumidores y usuarios protegiendo. indubitavelmente. Como todo programa . encerraremos com a "questão para debate" proposta pelo Doutor Newton De Lucca. mais amplamente. a defesa do consumidor é apresentada como um dos motivos justificadores da intervenção do Estado na economia (art. aduz: "pelo que sei. E em nota. um tipo de princípio-programa. 48 do ADCT) como. 66 a 75. Fábio Konder Comparato (RDM nº 80. de 11 de setembro de 1990 o chamado Código de Defesa do Consumidor. 51 da Constituição espanhola de 1978 declara que: "1. la ley regulará el comercio interior y el régimen de autorización de productos comerciales". A expressão designa um programa de ação de interesse público. En el marco de lo dispuesto en los apartados anteriores. Los poderes públicos promoverán la información y la educación de los consumidores y usuarios. prazo não respeitado. ainda no bojo da Constituição de 1988. apenas Portugal e Espanha possuem em suas Constituições dispositivos em favor da proteção aos consumidores. 170. a defesa do consumidor é. E. No primeiro deles. a Constituição de 2 de abril de 1976. estabeleceu.(19) Finalizando o estudo em apreço. 24. 2. a saber: O advento da Lei nº 8. diz o artigo 48 do ato de suas disposições transitórias que "o Congresso Nacional. fomentaran sus organizaciones y oirán a éstas en las cuestiones que puedan afectar a aquéllos. No capítulo da Ordem Econômica. en los términos que la ley establezca.90 (Código de Defesa do Consumidor) terá representado o integral cumprimento da proteção constitucionalmente estabelecida em favor desse mesmo consumidor?(20) Como resposta à questão o conceituado autor traz a lume a opinião do Prof. pp. Já o art.9.078. 81. finalmente. mas o comando constitucional foi respeitado com a promulgação da Lei 8.

85 e ss). Ed. em sua célebre obra "A Força Normativa da Constituição" aduz que "a força normativa da Constituição não reside. em força ativa. se existir a disposição de orientar a própria conduta segundo a ordem nela estabelecida.e. ou programa de ação pública. Quer isso dizer que os Poderes Públicos detêm um certo grau de liberdade para montar os meios adequados à consecução desse objetivo obrigatório. ela pode impor tarefas. Konrad Hesse. vezes por falta de vontade política e outras por falta de recursos técnicos e materiais. Maria Antonieta Zanardo. mas há que se ressaltar que diante das nações mais avançadas do mundo. Insta asseverar que o consumidor brasileiro está legislativamente equipado à altura. não ficamos aquém nesta seara. se puder identificar a vontade de concretizar essa ordem. que se assenta na natureza singular do presente (individuelle Beschaffenheit der Gegenwart). a política pública desenvolve uma atividade. p. não só a vontade de poder (Wille zur Macht). RT1993. Saraiva-2000.. João Batista.Almeida. por meio das chamadas "normas-objetivo". Vol. realizar nada. São Paulo. 01. por si só. em absoluto. pode-se afirmar que a Constituição converter-se-á em força ativa se fizerem-se presentes. A imposição constitucional ou legal de políticas é feita. A Constituição jurídica logra converter-se. na consciência geral – particularmente. ambos previstos e dimensionados no orçamento-programa’. Ed. Maria Antonieta Zanardo. Vol. uma série organizada de ações. cit.(21) Notas 1. faltando-lhe. Embora a Constituição não possa. Proteção ao Consumidor. Proteção ao Consumidor. 2ª Edição. como já se disse. 2.Donato. 3. tão-somente. portanto. 7. P 15. Concluindo. imposta na lei ou na Constituição. É claro que a implementação desses meios exige a edição de normas – tanto leis. Ed. A Proteção Jurídica do Consumidor. i. apenas a proteção efetiva. A Constituição transforma-se em força ativa se essas tarefas forem efetivamente realizadas. a despeito de todos os questionamentos e reservas provenientes dos juízos de conveniência.23 de ação. porém. 7. RT- .Donato. ela mesma. cujo conteúdo. É preciso não esquecer de que esta só se realiza mediante a organização de recursos materiais e humanos. se. quanto regulamentos de Administração Pública. na adaptação inteligente a uma dada realidade. é um "Zweckprogramm" ou "Finalprogramm" (Cfr. na consciência dos principais responsáveis pela ordem constitucional -. o conteúdo da policy. para a consecução de uma finalidade. mas também a vontade de Constituição (Wille zur Verfassung)". mas essa atividade normativa não exaure.

A Proteção Jurídica do Consumidor. Ed. Saraiva-2000. Ed. Direito do Consumidor. São Paulo. contratos. 8.Lucca. São Paulo-2000. São Paulo. Edipro. cit. 18. Newton De. Ed. Ed. 20. 19. 1986. cit. p. p. São Paulo. Jean Calais-Auloy. 7. João Batista. p. cit. p. p. 22. Maria Antonieta Zanardo. Ed. p.24 1993. A Proteção Jurídica do Consumidor. Porto Alegre. 2ª Edição. Bonatto. Livraria do Advogado-1999. A Proteção Jurídica do Consumidor. Ed. 15. 2ª Edição.Donato. 14. 25/30. Edipro. Édiz Milaré e Nelson Nery Júnior. Direito do Consumidor. A Proteção Jurídica do Consumidor. São Paulo. 2ª Edição. A Proteção Jurídica do Consumidor. Ed. 4. 2ª Edição. cit. Livraria do Advogado-1999. Cláudio. 5. 22. Apud. 2ª ed. conceitos. Newton De. 2ª Edição. Porto Alegre. São Paulo-2000. Droit de la Consommation.Almeida. p. Ed.54-5. 7. Edipro.. Cláudio. Vol.Almeida.Lucca. p. 6. A ação civil pública e a tutela jurisdicional dos interesses difusos.Almeida. 02. João Batista. 30-56.Almeida. São Paulo. Saraiva-2000. 2ª Edição. cit. P.Lucca. p. Saraiva-2000. cit. Ed. conceitos. Questões controvertidas no Código de Defesa do Consumidor: principiologia. contratos. 21. Saraiva-2000. 2ª Edição. 13. Dalloz. 9. 2ª edição. João Batista. cit. p. 10. Ed. João Batista. São Paulo. cit. João Batista. Apud. P.42. 22. p. . 2ª Edição. João Batista. 1984. A Proteção Jurídica do Consumidor. p. João Batista.Bonatto. p. 45-6. São Paulo-2000. Antonio Augusto Camargo Ferraz. 11. Newton De. 2ª Edição. Ed. Ed. A Proteção Jurídica do Consumidor. Proteção ao Consumidor. 17. Ed.Almeida. 03. 12. Questões controvertidas no Código de Defesa do Consumidor: principiologia. P. Direito do Consumidor. São Paulo. Saraiva-2000.Almeida. Saraiva. cit. Paria. São Paulo. 2ª Edição. Saraiva-2000. 2ª edição. Saraiva-2000. RT1993.Almeida. 6.

p. São Paulo. cit. Edipro. São Paulo-2000. Apud nota nº 20 21. p. 19. p. 34. Ed.Lucca. p. São Paulo-2000. Newton De. João Batista. Editor Sergio Antonio Fabris. Porto Alegre-1991. Direito do Consumidor. Direito do Consumidor. cit.Almeida. Ed. A Força Normativa da Constituição. Ed. 18. 20. 34. Ed. 19. A Proteção Jurídica do Consumidor.Lucca. 34. 2ª Edição. 2ª Edição.25 16. . Newton De. São Paulo. Apud nota nº 20. p. Ed. p. 2ª Edição. cit. João Batista. 10. 2ª Edição. Konrad. Saraiva-2000. Newton De.Almeida. 17. 2ª Edição.Lucca. 10. A Proteção Jurídica do Consumidor. Direito do Consumidor.Hesse. Edipro. Edipro. São Paulo-2000. Saraiva-2000.

3.3. VI e VII. 1. II.1. Princípio da boa fé nas relações de consumo art. O princípio da garantia da adequação art.5. I. 2.2. 1. desde a sua constitucionalização até a sua irradiação por entre outros ramos do Direito.1. em que demonstra os caminhos por eles percorridos sob a ótica da Teoria Geral do Direito. A análise com maior grau de aprofundamento recai sobre a principiologia criada com a elaboração da Lei 8. Da constitucionalização dos princípios gerais. O princípio do dever governamental art. o princípio da proibição do abuso do direito e a função social dos contratos. Abuso do Poder Econômico e Consumidor.7. 4°.4. A defesa do consumidor e sua extensão como princípio constitucional. 1. Princípio da Vulnerabilidade. senão o mais importante dos princípios do sistema de proteção consumerista. 2. II. 1.3. Princípio do acesso à justiça. e em particular. Dos Princípios Gerais de Direito. Boa-fé. o princípio da vulnerabilidade do consumidor. o princípio da eqüidade e a cláusula geral de boa-fé.2.4. chama-se a atenção do leitor para um dos mais importantes.6. Conclusão. Consumo sustentável e o princípio da integração.art. Teoria Geral do Direito RESUMÉ . 2.26 Princípios nucleares do Código Brasileiro de Defesa do Consumidor e sua extensão como princípio constitucional Autor: Henrique Alves Pinto Sumário: Resumo. 4°. III e VI. 2.9. Direitos do Consumidor . IV e VIII. 2. Dentre estes.8. 2. Livre concorrência. 2. 4°. Introdução. PALAVRAS-CHAVE Consumidor.078/90. 4°. o sistema de proteção e defesa do consumidor brasileiro. Bibliografia. 2.previsão constitucional. As diretrizes gerais da política e do direito do consumidor. Princípios fundamentais da política nacional das relações de consumo. princípios gerais de direito. RESUMO O presente trabalho retrata a enorme importância do estudo a cerca do tem. Legislação infraconstitucional: o momento da parturição do Código de proteção e defesa do consumidor. 1. Princípio da informação . o Código de Defesa do Consumidor. que é o da vulnerabilidade do consumidor. contida de mandamentos nucleares tais como. "D" e V. 2. 2. Princípio da vulnerabilidade do consumidor art. 4°. A Política Nacional das Relações de Consumo e sua abrangência.

le système de protection et de défense du consommateur brésilien. p. où il y a des points fondamentaux tels que le principe de la vulnérabilité du consummateur. L'' analyse plus approfondie retombe sur les principes créés par la loi 8. c'' est-à-dire. destituídos de um conteúdo científico. no ato de sua criação.27 Ce travail veut présenter l'' enorme importance de l'' etude concernant les principes généraux du droit dans le cadre des chemins parcouris par lui sous le sceau de la Théorie générale du Droit. le code de defense du consommateur. . danificam o sistema podendo até mesmo levá-lo a sua ruína. Princípios acolhidos com base na confiança. O homem equipado de sabedoria percebe facilmente a fragilidade dessa estrutura. também não podem ser evidentes. on attire l'' attention du lecteur sur l'' un des plus importants ou peut-être le plus important des principes du système de protection du consomateur.le principe de la prohibition de l'' abus de droit et la fonction sociale des contrats. celui de da vulnérabilité. e de evidência no todo. de se ter evidentes premissas para se erguer um concreto sistema à base de um forte princípio. Será essa necessidade. além do estudo das ingressões destes princípios no Código de Defesa do Consumidor de 1990. uma das propostas de desenvolvimento deste trabalho. en particulier. DOS PRINCÍPIOS GERAIS DE DIREITO Sobre os princípios gerais de direito importa citarmos Miguel Reale (1999. MOT-CLÉ Consommateur. Théorie générale du Droit. celui de l'' égalité et la rubrique générale de bonne foi . falta de coerência entre as partes. 1. depuis as constitution jusqu'' à sa penetration dans les autres branches du Droit et. totalmente dotado de uma carga manifestamente principiológica em suas normas.078/90. Principe de la Vulnérabilité. sendo este. inclusive nos sistemas mais bem aceitos e com as maiores pretensões de conter raciocínios mais elaborados. Daí que todos os raciocínios assentes sobre tais princípios. mesmo que tenham seguido o processo correto da dedução. INTRODUÇÃO Todas as conclusões advindas de um princípio que não é evidente. Bonne-foi. Parmi ceux-là. não podem dar conhecimento certo de alguma coisa.

Dessa abordagem lógica da palavra "princípio". encontrada pelo direito suíço . de certos enunciados lógicos admitidos como condição ou base de validade das demais asserções que compõem todo campo do saber. b) PRINCÍPIOS PLURIVALENTES: quando aplicáveis a vários campos de conhecimento. aqui. c) PRINCÍPIOS MONOVALENTES: quando só valem como âmbito de determinada ciência." Com base nessa posição. como é o caso dos princípios de identidade e de razão suficiente. uma vez que o legislador quer referir-se àquelas normas que o orientam na elaboração da sistemática jurídica. essencial às ciências naturais. 1999. Será essa categoria de princípios. impõem-se." (REALE. que a presente monografia irá demonstrar: a incidência deles no âmbito das relações consumeristas devido à alta carga principiológica contida no texto da lei de defesa do consumidor. isto é. p. há de se atribuir um sentido diferente a eles. os princípios se dividem em três categorias: a) PRINCÍPIOS OMNIVALENTES: quando são válidos para todas as formas de saber. Todavia. "Nada existe de mais tormentoso para o intérprete. a dos monovalentes. inexoravelmente. por serem evidentes ou por terem sido comprovadas. ressaltemos. 25) A esse respeito reportemo-nos a Washington de Barros Monteiro (1997. p. mas não extensivo a todos os campos do conhecimento. entende que é aos princípios de direito natural que o legislador manda recorrer na lacuna da normatividade. de acordo com Miguel Reale (1999. àqueles princípios que "baseados na observação sociológica e tendo como objetivo regular os interesses conflitantes. A expressão princípios gerais de direito é por demais ampla e um autor de grande autoridade como Rubens Limongi França (apud RODRIGUES. como é o caso dos princípios gerais de direito. 305) Nesse sentido. p. que a aplicação dos princípios gerais de direito. como uma necessidade na vida do homem em sociedade.28 305): deve começar pela observação fundamental de que toda forma de conhecimento filosófico ou científico implica a existência de princípios. ou seja. 2002. 306). 42). não especificados pelo legislador. a resolução para o eventual problema da aplicação dos aludidos princípios gerais. 2002). como tais admitidas. pode-se dizer que "os princípios são ''verdades fundantes'' de um sistema de conhecimento. p." (RODRIGUES. como se dá com o princípio de causalidade.

25) Assim. é o primeiro a reconhecer que o sistema das leis não é suscetível de cobrir todo o campo da experiência humana. p. mas é necessário advertir que a estes não cabe apenas essa tarefa de preencher ou suprir as lacunas da legislação. por mais complicadas que estas sejam no interior de um sistema de normas. deve estar . p. porém. que condicionam e orientam a compreensão do ordenamento jurídico. temos a célebre noção atribuída por Miguel Reale (1999. uma vez que o ordenamento jurídico oferece ferramentas para regular todos os casos possíveis. quer para a elaboração de novas normas". Ora. p. Para essas lacunas há a possibilidade do recurso aos princípios gerais de direito. ao se examinar o direito positivo pátrio. posto que na própria há elementos para suprir essas lacunas. sejam eles previstos ou imprevistos. quer para a sua aplicação e integração. não merecendo acolhimento esse entendimento. mas não a solução definitiva e concreta dele. 306).29 que dispõe no art. Note-se. presentes ou futuros. Nas precisas palavras de Miguel Reale (1999. por força do qual. no art. Os princípios espargem claridade sobre o entendimento das questões jurídicas. portanto em seu raio de abrangência os princípios aos quais as regras se vinculam. 232): Todo discurso normativo tem que colocar. deve o juiz decidir ''segundo as regras que ele estabeleceria se tivesse de agir como legislador''. acerca do entendimento deste autor sobre os princípios gerais de direito em que ele nos revela o seguinte: "princípios gerais de direito são enunciações normativas de valor genérico. o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia. Mas de maneira alguma se colocará em dúvida que as lacunas de fato existem no direito positivo. Concluamos este tópico. citando as palavras do constitucionalista Paulo Bonavides (2002. quando a norma jurídica for omissa. 2002. que para vários juristas essas lacunas não podem e nem verdadeiramente poderão existir. 4° da Lei de Introdução ao Código Civil a orientação a seguir. por conseguinte. portanto. que tais princípios gerais são imprescindíveis ao direito. Daí infere-se que todo sistema se quiser adquirir a qualidade de um sistema que se completa e se relaciona por toda a extensão de seu corpo normativo. restando sempre grande número de situações imprevistas. algo que era impossível ser vislumbrado sequer pelo legislador no momento da futura lei. 306). Diante desta exposição. o certo é que tais elementos constituem uma breve resolução do problema. é evidente. encontra-se. 1° do Código Civil deste país que "no silêncio da lei e não havendo um costume a regular uma relação jurídica." (RODRIGUES. p. os costumes e os princípios gerais de direito. isto significa que: O legislador.

Neste sentido será a interpretação um ato de vontade e um ato de conhecimento e como ato de conhecimento não caberá à "Ciência do Direito dizer qual é o sentido mais justo ou mais correto. nos países com estabilidade política e que se encontram num verdadeiro Estado Democrático de Direito. 2002. pelo menos até pouco tempo atrás. 2002. 19) Isso acontece devido à falta de um forte regime democrático. todo e qualquer princípio que daí se irradiar por outros sistemas periféricos estará sendo amparado pela base. já que nossas constituições não eram respeitadas. 97) E para se chegar ao conteúdo intelectual dos textos do Direito através da exegese. 19). p. sempre foi muito comum. Por plano pragmático. p. simplesmente. possui ." (BARROS CARVALHO. 2002." (NERY JÚNIOR. porque envolve os três planos fundamentais. Por plano sintático entende-se aquele formado pelo relacionamento que os signos lingüísticos mantêm entre si. Assim se fixarmos o pressuposto de que o direito positivo é uma camada lingüística de termos prescritivos dirigidos ao comportamento social das relações de intersubjetividade. sem qualquer menção ao mundo exterior do sistema. ao realizar reiteradas incursões nos níveis sintático. apontar as interpretações possíveis. a semântica e a pragmática. Além disso. nada mais justo que apresentarmos a proposta de interpretação do direito como um sistema de linguagem. Por plano semântico. a qualificação dos fatos para alterar normativamente a conduta. mas. tampouco aplicadas efetivamente"(NERY JÚNIOR. 2002.30 armado de princípios que emanam de um núcleo central. deverá o intérprete adotar o critério sistemático de interpretação. nos seus três planos fundamentais: a sintaxe. p. Em vista disso percebe-se "porque não se vinha dando grande importância ao Direito Constitucional. formados de postulados que seguem os preceitos do princípio da identidade que é comum a todos os campos do saber. percebe-se também que dado esse rigor necessário do corpo principiológico central. aquele que diz respeito ao modo de referência à realidade. a interpretação e aplicação dos mais variados ramos do direito tomando-se por base "a lei ordinária principal que o regulamentava. p. Daí a alegação de que a ofensa à Constituição. semântico e pragmático da linguagem jurídica. 99) 1. ou seja.1 Da Constitucionalização dos Princípios Gerais Em decorrência da alta instabilidade política percebida ao longo dos tempos na história do Brasil." (BARROS CARVALHO. de estabilidade política que possam contribuir com o fortalecimento do Estado Democrático de Direito. aquele "tecido pelas formas segundo as quais os utentes da linguagem a empregam na comunidade do discurso e na comunidade social para motivar comportamento.

É da Constituição que se irradiam os princípios que irão se dispersar pelas mais variadas leis infraconstitucionais. através dos princípios contidos em seu corpo. p. 246) o seguinte: Na primeira. é dotada de incontrastável juridicidade. Revela também. 1999. e ao contrário do que se pode perceber na fase programática. que demandam de operações integrativas em que se percebe a ausência de juridicidade. é que podemos chegar. ao declarar que o Direito Constitucional é a base fundamental do direito para o país. No Brasil. em virtude do aumento significativo de trabalhos e pesquisas jurídicas que abordam o tema da interpretação e aplicação da Constituição Federal. sempre tendo como pressuposto o exame da Constituição Federal. o da função interpretativa e da aplicabilidade da Constituição. essa situação vem apresentando uma grande mudança. "numa escala de densidade normativa. p. quando há ofensa à Constituição. Já a fase não programática é uma fase dotada de objetividade. 246) Por fase programática deve-se entender que é uma fase de concreção. p. segundo Paulo Bonavides (2002.31 conseqüências catastróficas."(NERY JÚNIOR. Partindo desse pressuposto. o que podemos perceber dos ensinamentos deste jurista é que será na Constituição de determinado país que se encontrarão os mais altos valores do Direito Positivo. (2002. quando este problema é declarado. p. ao grau mais alto a que eles já subiram na própria esfera do Direito Positivo: o grau constitucional". 19) Entretanto. (2002. 306) Deste ponto de partida. que "a constitucionalização dos princípios compreende dessas fases distintas." (apud. Ressalta ainda Paulo Bonavides (2002. De acordo com Nelson Nery Jr. "a alegação não é levada a sério na medida e na extensão que deveria". a fase programática e a fase não programática". p. deve ser consultada a legislação infraconstitucional a respeito do tema. apresentando-se "como mais uma defesa que o interessado opõe à contraparte. Depois. 2002. suscetível de imediata aplicação." Na verdade. posto serem preservados pelos cidadãos orientados por uma carga principiológica que reside na base deste sistema. 246). sim. dotada de um alto teor de abstração e de perfeição. na . a normatividade constitucional dos princípios é mínima. 20): "O intérprete deve buscar a aplicação do direito ao caso concreto. ou seja. por ser concreta e completa. este constitucionalista. Simonius tem razão quando afirma que "o Direito vigente está impregnado de princípios até suas últimas ramificações. p. REALE.

Assim. 5°." (BONAVIDES. 19): o Estado promoverá. 1. XXXII. isto é. certa doutrina pretende restabelecer este arbítrio sob o pretexto especioso da liberdade do juiz ou da jurisprudência. desapareceu com o nascimento do moderno Estado de direito. já que aqueles possuem maior ou menor incidência nos mais variados ramos do direito. pois. o respeito ao Direito Constitucional como lei basilar de todo o ordenamento jurídico dos Estados para a estabilização política e fortalecimento do Estado Democrático de Direito e. Como já comentamos a respeito da fase programática das normas. Ali. tema que não é o propósito desse trabalho. Percebe-se. o arbítrio do juiz em sentido contrário ao da lei. 246) Portanto. deve ser repelida por se opor ao mencionado princípio e às próprias bases racionais do sistema atualmente em vigor. Ao se estudar a teoria dos princípios gerais de direito proposto por Del Vecchio nas lições de Vicente Ráo (1999. entre outras categorias de princípios. Tanto é que. em nossos dias. nada mais imprescindível na história contemporânea do Direito Constitucional do que a solidificação dos princípios contidos em seus textos de leis.078/90 . 2001. a positividade de sua aplicação direta e imediata. salvo o empenho da Filosofia e da Teoria Geral do Direito ao construírem a doutrina da normatividade dos princípios em que se busca uma neutralidade na qual se possa superar antinomia Direito Natural/Direito Positivo. no art. a conversão dos princípios gerais em princípios constitucionais. retrógada em sua substância e contrária à liberdade apesar de seu nome. Fala-se em conteúdo programático neste inciso porque antes da Lei 8. a fase não programática. chega-se à seguinte conclusão: O perigo do que se chama aequitas cerebrina. que não foi sem razão que o Constituinte inseriu o direito do consumidor no rol dos direitos fundamentais. doutrina é esta que. os princípios gerais e os princípios constitucionais. p. por fim. Apenas nesta última fase. p. na forma da lei.Previsão Constitucional A Constituição Federal Brasileira de 1988 considerou como fundamental o direito do consumidor. a defesa do consumidor. 275). E se. 2002. p. em termos de identidade. inc.32 segunda máxima. não é necessário entrarmos em maiores detalhes aqui. para possibilitar uma maior objetividade e aplicabilidade no escopo de suprir as diversas lacunas encontradas entre as leis. que se fará exeqüível "colocar no mesmo plano discursivo.2 Direitos do Consumidor . pairam ainda numa região abstrata e têm aplicabilidade diferida. estabeleceu em "norma de notório conteúdo programático" (CARVALHO FILHO. aqui ocupam um espaço onde releva de imediato a sua dimensão objetiva e concretizadora. o que se pode perceber deste tópico é que.

em sua Seção II. destinado à tributação e ao orçamento. SOUZA. mas regulam propriamente a atividade estatal concernente a ditas matérias: têm por objeto imediato os comportamentos estatais e só imediatamente e por assim dizer. é da inteligência do art. p. 24. fundada na livre iniciativa na qual se verificam inúmeras formas de abuso de poder econômico. 14): No Título IV da Constituição Federal." Por se tratar de uma sociedade capitalista. "ostentam por igual uma dupla eficácia na medida em que servem de regra vinculativa de uma legislação futura sobre o mesmo objeto. ALVIM. J. com respeito ao próprio objeto por se tratar de uma norma constitucional programática até então. sendo que os Estados e Distrito Federal possuirão competência suplementar (art. inc. p. em segundo grau. Sobre as normas constitucionais programáticas postula Crisafulli (1976. em clara preocupação com o grau de informação que deve . como se viu.. inc. Protege-se ainda. determinando que se ofereça o devido esclarecimento acerca dos tributos incidentes sobre bens objeto de relações de consumo. 150 dispõe que ''a lei determinará medidas para que os consumidores sejam esclarecidos acerca dos impostos que incidam sobre mercadorias e serviços''. T.. como é a brasileira. 5°. E. A. não regulam diretamente as matérias a que se referem. O produto legislativo da União deverá ater-se à edição de normas gerais. que se refere às limitações ao poder de tributar. 75): As normas constitucionais programáticas.. a defesa do consumidor "se qualifica também como um dos princípios da ordem econômica e financeira (art. preestabelecia em si mesmo apenas um programa de ação. 170. § 1° e 2° da Constituição Federal). através da normatividade constitucional. ALVIM. o art.. Constituição Federal). VIII da Constituição Federal. o direito do consumidor (ALVIM. o § 5° do art. os Estados e o Distrito Federal para legislar concorrentemente sobre responsabilidade por dano ao consumidor. que criou o Código de Proteção e Defesa do Consumidor. 1995." Além de caracterizada como direito fundamental.33 de 11/09/1990. 222). V. 24. No que diz respeito à competência normativa sobre a matéria. p. Acrescenta ainda Paulo Bonavides (2002. XXXII da Constituição Federal. serem competentes a União. aquelas determinadas matérias. nada mais oportuno e justo do que se considerar o direito do consumidor como um direito fundamental.

necessariamente. Todavia.3 A Defesa do Consumidor e sua Extensão como Princípio Constitucional Após todo este levantamento da trajetória dos princípios gerais de direito. Diante disso fica declarada a magnitude de sua garantia constitucional que possui no mínimo. que é o da carga principiológica contida na Lei 8. da sua constitucionalização e irradiação por entre outros ramos do Direito. uma série de direitos ao cidadão. é mais do que uma mera necessidade.078/90 (reitere-se o Código de Defesa do Consumidor). sobretudo ao legislador. Dada esta destacada posição de defesa do consumidor. que a necessidade da devida informação acerca do produto que o consumidor venha adquirir. na medida em que indica opção valorativa do constituinte. Além disso nota-se também que o dever de bem informar os consumidores. pois que impõe aos órgãos do Estado. ainda que indiretamente. e de acordo com os dizeres de José Joaquim Gomes Canotilho (1992. vale adiantar brevemente. nos declara a importância do tema na órbita da economia brasileira. ou seja. a de estar no ápice do nosso ordenamento jurídico. disposições imediatas e emergentes. mas sim um dever que se impõe a todos os fornecedores que oferecem produtos ou serviços no mercado consumerista. como se percebe pelo fragmento supra citado. apontaremos ainda a extensão da defesa do consumidor como princípio constitucional. o que.078/90. nada mais é do que uma irradiação de um princípio basilar residente no corpo principiológico nuclear da Lei 8. chega-se ao assunto fundamental do presente trabalho. é a tônica deste Código de Consumidor. visto que garante. a realização de uma tarefa e um fim a ser atingido e. 1. que é o princípio da boa-fé. é princípio constitucional impositivo. a partir do momento em que buscam introduzir uma nova forma de pensar nos postulados da consciência jurídica. antes de abordarmos os princípios específicos desta lei. aliás. Como será discutido mais adiante o princípio da transparência. que possui grande parte de suas atividades baseadas nas relações de consumo.34 receber o consumidor. Daí percebe-se que os princípios que envolvem a defesa do consumidor são princípios jurídicos basilares. p. subordinadas aos ditames do Código de Proteção e Defesa do Consumidor no que chama a atenção pela necessidade de sua correta interpretação nos quadros normativos. 177-178) será: princípio político constitucionalmente conformador. como veremos mais detalhadamente no tópico específico destinado à elucidação de sua aplicabilidade. princípio garantia. entre fornecedor e consumidor que a partir do ano de 1990 devem estar. difundido de seu estado de .

Entretanto.4 Legislação Infraconstitucional . p. identificar tais princípios. nota-se que ele atribui ser papel do legislador apontar quais normas este erigiu à categoria de princípios. ao se tratar de interpretação constitucional dever-se-á identificar quais foram as normas que receberam do legislador constitucional a categoria de princípios orquestradores do sistema de valoração. editar norma conflitante com o objetivo do programa constitucional. Por fim.35 princípio geral da atividade econômica do país. erigido por nossa Lei Maior. ao buscar uma legislação mais eficiente e específica para tratar de tais situações jurídicas. uma vez que irão servir "como vetores para soluções interpretativas. mais uma vez. na política. ou a administração pública. os Poderes Públicos têm o dever de desenvolver esse programa. está comprovado que a defesa do consumidor é uma garantia constitucional que engloba uma vasta gama de direitos que estão envolvidos em toda a Carta Constitucional ou em outros regimes e princípios colhidos por ela. p. legislar e decidir. sobretudo ao legislador. quando consignou que o Congresso Nacional deveria elaborar. 1990. pela defesa do consumidor" (ZAPATER. "Direitos que envolvem a obrigação positiva de atuar. Após todas essas exposições. posto que são mais do que normas dado o seu caráter de fundamentalidade no sistema das fontes de direito." (TEMER. 37) Da posição do constitucionalista acima citado. 2001. 2001. ou à sua importância estrutural dentro do sistema jurídico. que é o consumidor. a virtude de corromper de inconstitucionalidade qualquer norma que possa ser um obstáculo à defesa desta figura das relações intersubjetivas de consumo. que criou o código brasileiro das relações consumeristas. 48 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). Percebe-se portanto que. será do núcleo sistêmico de onde emanará toda orientação no intuito de se atingir a devida interpretação normativa. É preciso. o Código de Defesa do Consumidor. 69): De um lado. mais do que declarado. Este impôs aos órgãos estatais. 1. não pode. 187). pois. no prazo de cento e vinte dias da promulgação da Constituição.O Momento da Parturição do Código de Proteção e Defesa do Consumidor Brasileiro Apesar do amplo otimismo do Constituinte. ao revelar certa pressa para que fosse promulgada a lei de proteção do consumidor. o legislador.078/90 de 11/09/1990. após quase dois anos da promulgação da Carta Magna é que foi instituída a Lei 8. 185). na lei e na justiça. "a realização de uma tarefa e um fim a ser atingido" (ZAPATER. De outro. Assim. por meio de uma ação coordenada. p. p. na busca da solução das antinomias que são encontradas nos conflitos entre as normas do sistema. de acordo com a determinação do art. lembra ainda Fábio Konder Comparato (1990. enquanto o que se .

4° do Código de Defesa do Consumidor.36 tinha antes era a adaptação interpretativa pelos juristas do Código Civil de 1916. todavia com objetivo mais restrito. e seus dados se tornam cada mais significativos à medida que ele vão se estendendo a outros ramos políticos. uma nova abordagem é postulada "em que se exige a integração das considerações da política de consumo a outras políticas econômicas e sociais" (BOURGOIGNIE. A POLÍTICA NACIONAL DAS RELAÇÕES DE CONSUMO E SUA ABRANGÊNCIA Estabelece o caput do art. sendo esta uma importante faceta daquela. a política e o direito do consumidor desenvolveramse de forma cada vez mais autônoma. seja na esfera do legislativo. p. protegendo-o dos enganos e . 2002. deve-se perceber que uma e outra não são a mesma figura. À política de defesa do consumidor é dado um objetivo mais amplo de aplicação. no que quase sempre acabava numa decisão menos favorável aos consumidores. Daí percebe-se o equívoco em se considerar que os incisos do art. ao estabelecer parâmetros que nortearão todo e qualquer ato do governo. busca torná-lo mais consciente de suas responsabilidades.1As Diretrizes Gerais da Política e do Direito do Consumidor Antes de dissertarmos sobre a principiologia inserta no art. direitos e obrigações. 2. traçam também os objetivos e princípios de toda a Política Nacional de Relações de Consumo. correspondem apenas aos princípios da defesa do consumidor. buscando um alcance substancialmente mais longo. 34). ajudando-o a exercer um papel atuante no mercado. uma vez que. nos mais variados casos em que eram envolvidos os sujeitos do consumo. 4°. a partir do instante em que se trata das "relações consumeristas" que é uma expressão declaradamente mais ampla do que a "defesa do consumidor". coerente e separada. apontaremos abaixo os aspectos mais comuns de interesse da política tradicional de proteção ao consumidor: a)Educação: uma importantíssima ferramenta de auxílio ao consumidor. Numa fase mais recente. a definição dos objetivos que norteiam a política das relações de consumo. Com o decorrer dos anos. 4° do Código de Defesa do Consumidor Brasileiro. Apesar de se confundirem os objetivos expressos da Política Nacional de Relações de Consumo com a defesa do consumidor. 2. do executivo ou do judiciário.

particularmente por meio de específicas regras de responsabilidade. transporte. telecomunicações. estabelecimento de uma rede de Centros de Conselhos para Consumidores. comida. intercâmbio de sistemas de informações e supervisão das reservas de mercado. ao possibilitar o acesso efetivo à lei e aos mecanismos de reparação. que são perigosos ou sem segurança. obrigações de garantia pós-venda. riscos e acidentes relacionados a eles. e)Compensação ao consumidor: tem como objetivo armar o consumidor de meios rápidos e acessíveis de assegurar seus direitos. definindo reparações civis. acesso a planos de compensação adequados e facilmente acessíveis. leis e regulamentos entre outros. a realização de recalls. obrigações de controle sobre processos de produção e distribuição. regulamentação da especulação de preços. instituição de padrões de qualidade. c)Proteção dos interesses econômicos dos consumidores: prevenção de comércio. rotulagem e empacotamento dos produtos. ao criar para os grupos de consumidores. através de medidas preventivas. propaganda e métodos de venda desleais. planos de garantia de qualidade. saúde. além de desenvolverem sistemas alternativos para solução de conflitos que sejam eficientes e independentes. b)Informação e conselhos: detalhar cada vez mais as informações e formas de uso sobre produtos e serviços. retirada de produtos quando nocivos aos consumidores e a terceiros. assim como corretivas que dão aos consumidores. drogas. atividades esportivas etc. preços e tarifas. lazer. entre outros. educação. energia. saúde etc. g)Satisfação de necessidades básicas: como possibilitar a todos. f)Representação dos interesses coletivos dos consumidores: para promover e dar suporte aos grupos de consumidores. água. cosméticos. criminais e administrativas mais adequadas. Imprescindível que se destaque. concessão de períodos de controle. dos empréstimos e de outras transações financeiras do consumidor. desenvolvimento de campanhas públicas de conscientização etc. d)Segurança: proteção aos consumidores de produtos ou serviços. brinquedos. .37 fraudes. aumentando a participação de representantes de consumidores no processo de tomada de decisões. cláusulas contratuais. que o objetivo de segurança sobre produto e serviços tais como. revelação das cláusulas contratuais. personalidade jurídica ou o direito de ingressarem ações coletivas em cortes e tribunais quando se sentirem lesados. proibição de propaganda enganosa. avisos e instruções de uso. impedimento de cláusulas abusivas em contratos de consumo. automóveis. do crédito. dentre eles. promovendo informações de consumo por meio de fontes independentes. tais como exigências de informações. o efetivo acesso a mercadorias e serviços básicos.

desde a infância. aponta a resolução acima citada. "enquanto as necessidades do homem são. Assim percebe-se que o consumo sustentável. socially. entre os recursos naturais disponíveis e a atividade industrial. Os preceitos desse artigo. Se o consumidor. devem ser observadas. É desse problema que surge "a necessidade de incutir no homem. nada mais é do que um grande cuidado que os homens devem ter no instante que exploram o meio ambiente através de suas atividades econômicas. consome determinada marca de papel de uma empresa que não pratica o reflorestamento.38 2. ilimitadas. Tradução nossa. o que poderá trazer drásticas conseqüências." (O consumo sustentável deverá satisfazer às necessidades das presentes e futuras gerações por meio de benefícios e empreendimentos que contribuam pela higidez do meio ambiente. foi eleito como um dos direitos do consumidor universalmente considerado e será um objetivo comum a todos os governos a sua promoção. no seu art. and environmentally sustainable. sobretudo sustentável. uma vez que da escolha dos consumidores por determinados produtos é que recairão os efeitos sobre os produtores. ampliado no ano de 1999. A responsabilidade pelo consumo sustentável deve ser compartilhada por todos os membros e organizações da sociedade. p. em princípio. 68). por exemplo. tanto no aspecto econômico. o chamado "consumo sustentável". e para que a criação desta consciência de preservação ao meio ambiente possa vir a colher bons resultados. 42. 67). por governantes e empresários. referem-se a uma variedade de políticas. de maneira que os recursos naturais não se esgotem de forma irreversível.Consumo Sustentável e o Princípio da Integração Conforme a resolução da ONU. in verbis: "Sustainable consumption includes meeting the needs of present and future generation for goods and services in ways that are economically. além das associações de proteção aos consumidores e ao meio ambiente que irão desempenhar importante papel na divulgação da mais adequada informação. por organizações do trabalho. são limitados os recursos naturais disponíveis". p.2.). esta tarefa não é nada fácil. de produtos e serviços" (FILOMENO. tais como: . sobretudo se se tiver em conta a ciência de marketing e a publicidade. 2003. ele estará incentivando cada vez mais a atividade comercial dessa empresa que depreda o meio ambiente no que implicará um forte desequilíbrio. como se pode perceber. no intuito de se buscar uma redução dos impactos causados por essas atividades. a preocupação em proceder ao consumo responsável e. por consumidores informados. quanto no aspecto social. através do documento "United Nations Guidelines for Consumer Protection". como bem observa José Geraldo Brito Filomeno (2003. Todavia.

de 21 de março de 1995.3. infere-se que "a qualidade de vida ou direito de viver num ambiente saudável tornou-se um dos direitos fundamentais dos consumidores" (BOURGOIGNIE. deverá ser limitada em prol do meio ambiente e que os interesses da coletividade e benefícios individuais a curto prazo. não recairá apenas aos produtores. nutrição. entre outros entes da cadeia empresarial. Portanto conclui-se que o consumo sustentável. Diante disso. 4. saúde." (Os governantes devem promover a implementação e o desenvolvimento de políticas que tenham como objetivo o consumo sustentável além da integração dessas políticas a outras políticas públicas. 43. 36). p. daí observa-se que o processo de integração é extremamente complexo. sociedade de informação. atendidos os seguintes princípios: I .° 9. É desta atividade que trabalha com a inter-relação que temos o princípio da integração. saúde e segurança. que devem procurar consumir produtos menos nocivos ao meio ambiente. o qual se encontra consubstanciado no texto do art. o respeito a sua dignidade. a proteção de seus interesses econômicos.008. in verbis: Art. p. 4° do Código de Defesa do Consumidor de acordo com a nova redação dada ao artigo pela Lei n. a melhoria da sua qualidade de vida. . da diretriz geral de proteção ao consumidor editada pela ONU. o que não é nada fácil já que implica numa mudança nos seus hábitos. bem como a transparência e harmonia das relações de consumo. como bem observa Thierry Bourgoignie (2002. 2002. "colocará sua marca na política e no direito do consumidor". que devem ser desenvolvidas numa estratégia rumo à integração dos dados de consumo.Princípios Fundamentais da Política Nacional de Relações de Consumo Para melhor se compreender o corpo principiológico do art.39 telecomunicações. in verbis: "Governments should promote the development and implementation of policies for sustainable consumption and the integration of those policies with other public policies. aos fornecedores. proteção ambiental e agrícolas. 2.reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor no mercado de consumo. 37).). mas também aos consumidores. Tradução nossa.° A Política Nacional das Relações de Consumo tem por objetivo o atendimento das necessidades dos consumidores. ao fazer com que todos tomem consciência da dimensão ecológica do processo consumerista em geral e de seu comportamento individual particular. A responsabilidade pela proteção ao meio ambiente. A livre escolha dos consumidores.

coibição e repressão eficientes de todos os abusos praticados no mercado de consumo.Princípio do Acesso à Justiça .ação governamental no sentido de proteger efetivamente o consumidor: a) por iniciativa direta. III. de modo a viabilizar os princípios nos quais se funda a ordem econômica (art. pode-se dizer serem seis os princípios fundamentais da Política Nacional das Relações de Consumo. d) pela garantia dos produtos e serviços com padrões adequados de qualidade. b) por incentivos à criação e desenvolvimento de associações representativas. assim como de mecanismos alternativos de solução de conflitos de consumo. citados abaixo: I-Princípio da Vulnerabilidade II.educação e informação de fornecedores e consumidores. Thereza Alvim.estudo constante das modificações do mercado de consumo. IV . c) pela presença do Estado no mercado de consumo. 170.Princípio da Garantia de Adequação IV.racionalização e melhoria dos serviços públicos. da Constituição Federal). inclusive a concorrência desleal e utilização indevida de inventos e criações industriais das marcas e nomes comerciais e signos distintivos. I .harmonização dos interesses dos particulares dos participantes das relações de consumo e compatibilização da proteção do consumidor com a necessidade de desenvolvimento econômico e tecnológico. De acordo com Arruda Alvim.Princípio da Informação VI.40 II . sempre com base na boa-fé e equilíbrio nas relações entre consumidores e fornecedores. p. 44). II .Princípio do Dever governamental III. com vistas à melhoria do mercado de consumo. que possam causar prejuízos aos consumidores. V . Eduardo Arruda Alvim e Jaime Marins (1995.incentivo à criação pelos fornecedores de meios eficientes de controle de qualidade e segurança de produtos e serviços. quanto aos seus direitos e deveres. VI.Princípio da Boa-fé nas relações de consumo V.

Isto acontece. Deve-se notar também que. nuclear. crédulos ou espertos. que é uma característica restrita a determinados consumidores. 224225) demonstra a diferença entre a vulnerabilidade e hipossuficiência: A vulnerabilidade é um traço universal de todos os consumidores.Art. ou então. por não dispor do controle sobre a produção dos produtos. em sua situação individual carentes de condições culturais ou materiais. Antônio Herman de Vasconcelos e Benjamin (1991. determinado médico neurocirurgião de grandes títulos durante a carreira. os analfabetos quando se encontram diante de uma situação em que podem assinar um contrato de plano de saúde sem os devidos esclarecimentos a respeito de suas cláusulas contratuais contidas no corpo contratual. seja ele consumidor-pessoa jurídica ou consumidorpessoa física. serão devidamente analisados nos subtópicos que se seguem. ao levar um automóvel seu numa . no que surge à necessidade da criação de uma política jurídica que busque a minimização dessa disparidade na dinâmica das relações de consumo. dado o propósito desse trabalho. 2. I. como por exemplo. a vulnerabilidade do consumidor não se confunde com a hipossuficiência. p. crianças que são expostas diariamente aos diversos anúncios de chocolates. limitada a alguns . entre outros alimentos supérfluos em que o exagero no consumo destes podem levá-las a ter vários problemas no seu desenvolvimento natural. que além de presumivelmente vulneráveis são também. intrínseca) e indissociável do consumidor numa relação de consumo.41 Todos estes princípios supra citados. qualidade ontológica (essencial. de acordo com o conceito legal preceituado pelo art.078/90. a partir do momento em que se examina a cadeia consumerista. Já a hipossuficiência é marca pessoal. atua como elemento informador da Política Nacional das Relações de Consumo. por estarem desprovidas de outros indispensáveis alimentos em sua dieta. Este princípio. A vulnerabilidade. e é tido como o núcleo base de onde se irradia todos os outros princípios informadores do sistema consubstanciado no Código de Defesa do Consumidor. Diante disso temos que. 4°. educadores ou ignorantes. Com precisão. ricos ou pobres. cultural ou econômica. 2° da Lei 8.4 Princípio da Vulnerabilidade do Consumidor .mas nunca a todos os consumidores. consequentemente acaba se submetendo ao poder dos detentores destes. independentemente da sua condição social. numa hipotética situação.até mesmo a uma coletividade . ao perceber que o consumidor é o elemento mais fraco dela.

além de deter o processo tecnológico da fabricação de seus produtos. ao colocá-lo sob um intenso bombardeamento de anúncios. O primeiro é o da responsabilidade atribuída ao Estado. 207) têm-se as seguintes condições: A igualdade dos sujeitos na ordenação jurídica. homens e mulheres. para armá-lo de certos instrumentos para que ele possa melhor defender-se. p. por não conhecer nada a respeito de mecânica de motores automotivos. seja através da iniciativa direta do Estado (art. pode ser considerado vulnerável frente ao fornecedor (neste caso. II. pois entre um e outro extremo serpeia um fosso de incertezas cavado sobre a intuitiva pergunta que aflora ao espírito: Quem são os iguais e quem são os desiguais?" E de acordo com Hans Kelsen (1998. 4°.42 oficina mecânica para a realização de reparos no veículo. não significa que estes devam ser tratados de maneira idêntica nas normas e em particular nas leis expedidas com base na Constituição. A igualdade assim entendida não é concebível: seria absurdo impor a todos os indivíduos exatamente as mesmas obrigações ou lhes conferir exatamente os mesmos direito sem fazer distinção entre eles. Todavia. 320) que "permeia as relações de consumo está em verdade a dar realce específico. 4° do Código de Defesa do Consumidor. a oficina mecânica prestadora do serviço). VI e VII do art.078/90 colocar em equilíbrio jurídico o consumidor e fornecedor. "b") ou até mesmo de fornecedores.Art. enquanto sujeito máximo organizador da sociedade. Sob esta ótica. já que este é a parte detentora dos mecanismos que induzem aquele. ao prover o consumidor. observa-se também que o princípio da vulnerabilidade de acordo com Nelson Nery Júnior (1991. por exemplo. indivíduos mentalmente sadios e alienados. ao consumo tanto básico quanto exagerado. sua validade como ponto de partida. 2. esta expressão "tratamento desigual aos desiguais" de Aristóteles. mas também sob o aspecto econômico. 11): "deve-se negar-lhe o caráter de termo de chegada. VI e VII Este princípio.5 O Princípio do Dever Governamental . ao princípio constitucional da isonomia. p. é insuficiente para desate do problema. 4°. seja ele pessoa jurídica ou pessoa física. Daí o porquê se parte do princípio da fraqueza manifesta do consumidor no mercado. como. dever ser compreendido sob dois principais aspectos. dos mecanismos suficientes que proporcionam a sua efetiva proteção. se percebe que é mister da Lei 8. segundo Celso Antônio Bandeira de Melo (2002. Sem fazer contestação ao teor do que nela se contém e reconhecendo. não apenas sobre o aspecto técnico. entre crianças e adultos. elencado nos incisos II. garantida pela Constituição. II. dos mais diversos setores e interesses nas relações consumeristas. p. Além destas constatações. . dispensando-se tratamento desigual aos desiguais".

. qualidade/segurança. também recebem valiosas sugestões de consumidores. que é o fim perseguido pelo sistema de proteção e defesa do consumidor. VIII). no que diz respeito à sua dignidade. "D" e V É o princípio que emana a necessidade da adequação dos produtos e serviços ao binômio. exceto os considerados normais e previsíveis em decorrência de sua natureza e fruição. indica que a prevenção de danos é a política que deve ser prioritariamente buscada pelas empresas. fala-se muito na chamada "qualidade total". uma vez que o Código do Consumidor é adepto do princípio da "responsabilidade objetiva". saúde e segurança.6 Princípio da Garantia da Adequação .ao mesmo tempo que recebem reclamações de determinados produtos ou serviços. 4°. 8° parágrafo único e art. "d" e V do Código do Consumidor encontra-se amparado pela inteligência dos art. instruindo-os em como melhor servi-los.43 O segundo aspecto é o enfoque sob o "princípio do dever governamental". obrigando-se os fornecedores.10° §1°. elencado no caput do art. em qualquer hipótese. o que contribui de maneira inteligente para o desenvolvimento das próprias atividades empresariais. A concretização desse princípio. não irá se discuti-lo aqui). fica a cargo do fornecedor que será oficialmente auxiliado pelo Estado. atendendo completamente aos objetivos da Polícia Nacional das Relações de Consumo. II. em que é dever do próprio Estado de promover continuadamente a "racionalização e melhoria dos serviços públicos" (art. que demonstram uma dupla atribuição: . Por fim. 8° Os produtos e serviços no mercado de consumo não acarretarão riscos à saúde ou segurança dos consumidores. ao surgir aqui a figura do Estadofornecedor além de suas eventuais responsabilidades. têm criado os conhecidos "departamentos de atendimento ao consumidor". que é uma outra atribuição do "princípio de dever governamental" o qual já se expôs. qualidade/segurança. in verbis. 4°. diz respeito ao binômio. aliada à inversão do ônus da prova (como este assunto não é a proposta de discussão do presente trabalho. vale ressaltar também que o princípio da garantia de adequação contido no art. consistente no atendimento dos eventuais problemas dos consumidores.Art. a dar informações necessárias e adequadas a seu respeito. a quem está incumbido o dever de fiscalização. demarcando o Código que as empresas deverão ser incentivadas para a criação de mecanismos eficazes de controle de qualidade de produtos e serviços. II. 4°. a proteção de seus interesses econômicos e a melhoria da sua qualidade de vida. Preocupadas com tais aspectos. Atualmente. 2. respectivamente: Art. §2° e § 3° do mesmo diploma. várias empresas. 4°.

os componentes da relação consumerista devem buscar o objetivo comum de melhor e com mais eficiência. às expensas do fornecedor do produto ou serviço. 4° como um dos escopos da Política Nacional das Relações de Consumo. posteriormente à sua introdução no mercado de consumo. indicadas no caput do art. III e VI Este princípio nas relações de consumo. encontra-se difundido em grande parte dos dispositivos do Código do Consumidor. que considera nulas de pleno direito cláusulas contratuais que "sejam incompatíveis com a boa-fé e eqüidade". ao fabricante cabe prestar as informações a que se refere este artigo. deverá comunicar o fato imediatamente às autoridades competentes e aos consumidores mediante anúncios publicitários.7 Princípio da Boa-Fé nas Relações de Consumo . e. tiver conhecimento da periculosidade que apresentem. a publicidade. desde a instituição de seus direitos básicos (art. de certa maneira. o Distrito Federal e os Municípios deverão informá-los a respeito. nos dizeres de Silvio Rodrigues (2002. p. § 3° Sempre que tiverem conhecimento de periculosidade de produtos ou serviços à saúde ou segurança dos consumidores.44 Parágrafo único. e a proteção contratual. Art. Em se tratando de produto industrial. fazer circular produtos e serviços com objetivo da geração de riquezas e benefícios a todos os integrantes do mercado de consumo. 60): "um conceito . e. 10° O fornecedor não poderá colocar no mercado de consumo produto ou serviço que sabe ou deveria saber apresentar alto grau de nocividade ou periculosidade à saúde ou segurança. que deve ser buscada pelos dois pólos componentes das relações de consumo: consumidor e fornecedor. do art. os Estados. que traz uma carga significativa de regra geral de comportamento. 6°). através de impressos apropriados que devam acompanhar o produto. 4°. serão o resultado da conduta geral da boa-fé. a União. percorrendo pelo capitulo referente à reparação por danos pelo fato do produto. Será a boa-fé. orientando basicamente os capítulos referentes às práticas comerciais. § 1° O fornecedor de produtos e serviços que. 51 do Código do Consumidor. 4°. § 2° Os anúncios publicitários a que se refere o parágrafo anterior serão veiculados na imprensa. 2. rádio e televisão. está expressamente referido no inciso III. Nesse sentido. mesmo que ocupem posições antagônicas frente ao conflito de seus interesses.Art. merecedora de especial destaque de acordo com o inciso IV do art. A harmonia das relações de consumo e a transparência.

o de saber melhor no ato da decisão. informação dentre outros. constata-se a presença . mas até a própria legislação consumerista sofre reflexos dele. Desse modo será a informação. em que este revela um importante pensamento a respeito da informação: "Não há sociedade sem comunicação de informação." Como se pode perceber. publicidade. 2002. da boa intenção e no propósito de a ninguém prejudicar. o "princípio da veracidade". Por um dos princípios adotados pelo Código de caráter acessório. p. 4°. devem se localizar no momento do ato de consumo. pautando sua atitude pelos princípios da honestidade. o elemento regente da Lei 8. "para que o homem não seja levado a assumir comportamentos que não correspondam a uma perfeita compreensão da realidade" (DE CARVALHO. p. 256). com várias normas dispostas a destacar a extrema cautela com que tais temas devam ser encarados. o primado básico da boa-fé será "o princípio máximo orientador do CDC" (MARQUES. necessário é citar a importância da informação de acordo com o jurista Luis Gustavo Grandinetti Castanho de Carvalho (2002. com dignidade. A história do homem é a história da luta entre idéias. é o caminhar dos pensamentos. p. 2002. em que o fornecedor deve sempre prestar informações sobre produtos ou serviços de quaisquer natureza que ele ofereça no mercado. Será deste interesse jurídico. 255). 2002. p. Matérias que se referem a educação. com o objetivo de coibir que os cidadãos sejam levados a consumir pela ilusão. como por exemplo. 671) 2. 4°. O pensar e o transmitir o pensamento são tão vitais para o homem como a liberdade física". fazendo com que a informação passe "a ter uma relevância jurídica antes não reconhecida" (DE CARVALHO.8 Princípio da Informação . moldado nas idéias de proceder com correção. divulgação. 671). "o princípio da transparência (art. p.078/90 ao ter como corolário a educação. e não através da realidade. são objetivos em parte do Código do Consumidor. e é através deste princípio nuclear que não apenas os pólos atuantes da relação de consumo.Art. 2002.45 ético. que o direito de informação existirá expressamente no Código de Defesa do Consumidor Brasileiro. IV E VIII Antes de se iniciar este tópico. 256)." (MARQUES. caput) que não deixa de ser um reflexo da boa-fé exigida aos agentes contratuais. Como se vive num mundo globalizado em que a tecnologia a cada dia que passa caminha a passos cada vez mais largos. percebe-se que a informação circula com maior velocidade por estar difundida nos mais variados meios de comunicação que a massificam com muito mais intensidade.

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deste princípio em inúmeros artigos do código, além do art. 4°, tais como; o art. 6° (dos direito básicos do consumidor); arts. 8° e 10° (citados no tópico referente ao princípio da garantia de adequação); arts. 18, 19 e 20 (vício do produto); arts. 30, 31 e 35 (oferta); arts. 36, 37 e 38 (publicidade e marketing); 43 e 44 (bancos de dados e cadastros); art. 56 (sanções administrativas); por fim, os arts. 60, 63, 64, 66, 67 e 72 (infrações penais). Todavia há de ressaltar-se que, independentemente da preocupação que os redatores da lei consumerista brasileira tiveram com a informação, esta só poderá ser estendida aos cidadãos de maneira mais eficiente, se as autoridades derem mais atenção a educação básica, que é uma condição indispensável para o completo exercício da cidadania. Uma proposta a esta problemática, seria a introdução, ou melhor dizendo, reintrodução da disciplina de educação moral e cívica nos currículos escolares de 1° e 2° graus, com o objetivo de fazer com que crianças e adolescentes comecem a criar uma cultura para melhor consumirem e orientarem seus pais, durante o ato de consumo, como por exemplo, saber avaliar a qualidade do produto além de suas condições de higiene, suas condições de exposição para venda, dos componentes artificiais, do valor calórico dos alimentos que devem estar dispostos numa tabela nutricional impressa no rótulo das embalagens, o prazo de validade para consumo dos produtos, dentre outros aspectos de cunho sócio-econômico. Todavia Hélio Jaguaribe (apud, ALVIM, A.; ALVIM, T.; ALVIM, E.; SOUZA, J. 1995, p. 48-49) chama atenção desta questão social da seguinte maneira: O Brasil tem demonstrado capacidade para mobilizar forças e enfrentar problemas sociais. Em tempos recentes, as comunicações, o programa do álcool, as hidrelétricas, a industrialização diversificada, a produção de grãos e a ampliação do comércio exterior, em diferentes setores, constituíram provas eloqüentes dessa afirmação. A educação do povo, entretanto, sendo questão da mais transcendente magnitude - pois dela também o equacionamento de todos os problemas, incluindo os políticos, sociais e econômicos - não tem acompanhado sequer as exigências mínimas do país, apesar de ser dever imperioso da nação para com seus filhos e garantia de seu próprio bem-estar. Concluindo, independentemente do instrumento jurídico que se tenha, por mais avançado que seja, acabará sempre se esbarrando nos problemas sociais, ou seja, na carência cultural que acompanha a população brasileira. Daí que várias empresas, sejam elas multinacionais ou nacionais acabam, na maioria das vezes, se aproveitando da ignorância alheia ao construir seus mega impérios econômicos centralizadores de preços e extintores de quaisquer modalidades de concorrência nos mercados. 2.9 Princípio do Acesso à Justiça

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Primeiramente, far-se-á um breve relato deste princípio no campo constitucional do qual ele emana através do art. 5°, inc. XXXV da Constituição Federal de 1988 in verbis: "a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito", e segundo Nelson Nery Jr. (2002, p. 98) tem-se: "Embora o destinatário principal desta norma seja o legislador, o comando constitucional atinge a todos indistintamente, vale dizer, não pode o legislador e ninguém mais impedir que o jurisdicionado vá a juízo deduzir pretensão". Isto significa que todos têm direito do acesso à justiça para pleitear a tutela jurisdicional reparatória ou preventiva, no que diz respeito a um direito. Contemplando-se aqui tanto direitos individuais quanto coletivos. Todavia, este princípio não está expresso nos incisos do art. 4° do CDC, mas ele se reveste de suma importância, a partir do momento em que o legislador do diploma consumerista, teve como uma de suas grandes preocupações a busca pela criação de novos mecanismos, que pudessem facilitar ainda mais o acesso dos cidadãos à justiça, como um meio de defesa de seus direitos, daí se observarão consubstanciados em vários artigos do código alguns desses caminhos. E para que o consumidor se atenha desta efetividade, conforme Arruda Alvim (1990, p. 31) ensina em termos processuais: a palavra ''efetividade'' alcança uma conotação principalmente sociológica e não meramente jurídico-formal, mas no sentido de que o que conta, em última análise, não é tanto a existência de uma normatividade completa e lógica, em que todos os direito são protegidos pela letra da lei e pelo sistema, mas tão somente aparentemente funcional, pois na verdade, normatividade jurídica, ainda que exaustiva, não é suficiente para satisfazer às aspirações sociais dos segmentos numericamente predominantes e desprotegidos da sociedade. Antes de se prosseguir com o estudo deste princípio, vale a pena diferenciar o que são as concepções jurídico-formais, das concepções jurídico-materiais, apresentadas pelos autores, Antônio Carlos de Araújo Cintra; Ada Pellegrini Grinover e Cândido Rangel Dinamarco (1999, p. 40), em que a primeira é "o exercício conjugado da jurisdição pelo Estado-juiz, ou seja, o complexo de normas e princípios que regem tal método de trabalho", já a segunda, é "o corpo de normas que disciplinam as relações jurídicas referentes a bens e utilidades da vida (direito civil, penal, administrativo, comercial, tributário, etc.)". A necessidade de se dar efetividade ao processo, e facilitação ao acesso à justiça, demandou que se fortalecesse o consumidor, ao inseri-lo numa ordem mais ampla a partir do instante em que se construiu mecanismos processuais que davam tratamento coletivo de pretensões individuais, que se agissem isoladamente pouquíssimas condições teriam de obterem um resultado mais satisfatório.

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E por mencionar o "tratamento coletivo", destaca-se brevemente as ações coletivas de modo geral, que visam a tutela dos interesses difusos (art. 81, parágrafo único, I do CDC), interesses coletivos (art. 81, parágrafo único, II do CDC) e os interesses individuais homogêneos de origem comum (art. 81, parágrafo único, III do CDC). Como dissertado um pouco atrás, em que o princípio do acesso à justiça não se encontra expresso na redação do art. 4° do Código do Consumidor, mas sim exposto por outras normas do mesmo diploma, exemplo deste caso é o que acontece com o art. 6° inc. VII, in verbis: "Art. 6°, inc. VII: o acesso aos órgãos judiciários e administrativo com vistas à prevenção ou reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos ou difusos, assegurada a proteção jurídica, administrativa e técnica aos necessitados;" do Título III do CDC que cuida da defesa do consumidor em juízo, ao oferecer a oportunidade de fazer valer seus interesses, inclusive, como já se observou no inc. VII supra citado, de natureza coletiva, e "mediante a ação de órgãos e entidades com legitimidade processual para tanto, sem prejuízo dos pleitos de cunho nitidamente individuais" (FILOMENO, 2001, p. 127). Por fim, com a criação de instrumentos adequados para a proteção do consumidor, nascem dois planos distintos de incidência. O primeiro, se relaciona às possibilidades que se criam para a efetivação da proteção do consumo em juízo, ao contribuir para que se extraia resultados claros e objetivos pertinente ao direito de consumo. A segunda incidência não decorre do uso destes mecanismos em juízo, mas simplesmente de sua potencialidade de uso, ao clamar pela importância da mudança de mentalidade do consumidor, a partir do momento em que ele irá pressionar cada vez mais o Estado, no intuito de conseguir a tutela específica exigidas pelas relações de consumo, que demandam maior agilidade por parte dos órgãos públicos, armando o consumidor do seguinte slogan de que "quem reclama sempre alcança".

3. LIVRE CONCORRÊNCIA, ABUSO DO PODER ECONÔMICO E CONSUMIDOR Conforme a posição de José Geraldo Brito Filomeno (2003, p. 69), diante sua exposição acerca da defesa da ordem econômica, será esta a razão final proteção dos interesses e direito dos consumidores, eis que destinatários finais tudo o que é produzido no mercado, seja em matéria de produtos, seja na serviços". de "a de de

Assim, diante de toda essa principiologia apresentada pelo texto do art. 4° do Código de Consumidor, tema deste trabalho, percebe-se que o diploma consumerista nada mais fez do que colocar na prática, durante o relacionamento entre consumidor e fornecedor, os preceitos constitucionais do Título VII (Da Ordem Econômica e

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Financeira), como um dos princípios que regem a atividade econômica (Capítulo I), ao destacar a importância da proteção ao consumidor, como sujeito mais fraco (vulnerável) da cadeia que compõe as relações de consumo. De acordo com o art. 170 da C.F/88, expressamente referido pelo art. 4° do CDC, diz ele que "a ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa tem por fim assegurar a todos, existência digna, conforme ditames da justiça social", observados princípios bem delineados, dentre os quais figuram a livre concorrência e a defesa do consumidor (cf. incisos I e IV, respectivamente, ainda do citado art. 170 da CF/88.) Mais adiante, o art. 173 da Carta de 1988, nos seus § 4° e 5° declaram o seguinte, in verbis: Art. 173, § 4°. A lei presumirá o abuso do poder econômico que vise à dominação dos mercados, à eliminação da concorrência e ao aumento arbitrário dos lucros. § 5°. A lei, sem prejuízo da responsabilidade individual dos dirigentes da pessoa jurídica, estabelecerá a responsabilidade desta, sujeitando-a às punições compatíveis com sua natureza, nos atos praticados contra a ordem econômica e financeira e contra a economia popular. Daí percebe-se, conforme foi observado pelos textos desses dispositivos constitucionais supra citados, a definição do que vem a ser abuso do poder econômico, ou seja, "qualquer forma de manobra, ação, acerto de vontades, que vise à eliminação da concorrência, à dominação de mercados e ao aumento arbitrário de lucros" (FILOMENO, 2003, p. 70). Não obstante, está claro que a proteção e o incentivo às práticas leias de mercado, não interessam apenas aos consumidores, assim como aos fornecedores, que necessitam de uma livre concorrência entre os setores empresariais para que se obtenha uma melhoria da qualidade de produtos e serviços com o aprimoramento da tecnologia, além de melhores opções aos consumidores. Assim observa-se que, se a livre concorrência não é garantida pelo Estado, o mercado será dominado por poucos, o que gera conseqüências drásticas aos cidadãos, tais como, o aumento de preços de produtos e serviços, a queda de sua qualidade, a falta de opções de compra e a obsolência tecnológica. E para que se evite tais abusos, vários mecanismos jurídicos foram instituídos para protegerem os cidadãos, dentre eles a Lei 8.884 de 11 de junho de 1994, que transformou o Conselho Administrativo de Defesa Econômica - CADE - em autarquia, dispondo sobre prevenção e repressão às infrações contra a ordem econômica, através do que reza o seu parágrafo único do art. 21, incs. I, II, III, IV, in

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verbis: Parágrafo único. Na caracterização da imposição de preços excessivos ou do aumento injustificado de preços, além de outras circunstâncias econômicas e mercadológicas relevantes, considerar-se-á: I - o preço do produto ou serviço, ou sua elevação, não justificados pelo comportamento do custo dos respectivos insumos, ou pela introdução de melhorias de qualidade; II - o preço do produto anteriormente produzido, quanto se tratar de sucedâneo resultante de alterações não substanciais; III - o preço de produtos e serviços similares, ou sua evolução, em mercados competitivos comparáveis; IV - a existência de ajuste ou acordo, sob qualquer forma, que resulte em majoração de bem ou serviço ou dos respectivos custos. Deve-se lembrar que para se caracterizar o aumento arbitrário dos lucros, há de se observar também o grau de concentração econômica do setor acusado de tal prática. Diante disso, examine-se o que preceitua o § 2° do art. 20 da Lei 8.884/94, in verbis: Art. 20 § 2°. Ocorre posição dominante quando uma empresa ou grupo de empresas controla parcela substancial de mercado relevante, como fornecedor, intermediário, adquirente ou financiador de um produto, serviço ou tecnologia a ele relativa. "E o § 3° arremata essa ordem de idéias acrescentando que ''a parcela de mercado requerida no parágrafo anterior é presumido como sendo da ordem de 20% (vinte por cento)''" (FILOMENO, 2003, p. 71). Ainda de acordo com José Geraldo Brito Filomeno (2003, p. 71), tem-se: A infração de que ora se cuida, portanto, é tipificada pelo inc. III do art. 20 da Lei n° 8.884/94, complementada pelos seus três parágrafos, sobretudo os ora colacionados e suplementada, em termos de metodologia, pelos incisos também ditados do art. 21, no tocante à sua apuração. Portanto, pode-se se conceituar o termo "aumento arbitrário de lucros" como aquele que exceder o limite razoável, levando em conta o teor da concentração de determinado setor da economia, diante o disposto da inteligência do art. 21 da Lei 8.884/94, além de outros dados socioeconômicos e a política das relações de

in verbis: "exigir do consumidor vantagem manifestamente excessiva". inc. que modificou o art. de acordo com Carlos Alberto Bittar (apud. 71). 39 do CDC. as ações de responsabilidade por danos morais e patrimoniais causados: . em detrimento do consumidor de produtos e serviços ao revelar que: Residindo. Por fim. p. mas também a Lei 8. 72). no âmbito de serviços. as especulações no mercado. Assim serão destas leis. 1° da Lei 7. ou em cobrança de valores excedentes ao ajustado. fica vedado ao fornecedor. os acordos entre concorrentes dentre outros tipos de articulações os "exemplos típicos de abuso nesse campo de lesão aos consumidores" (FILOMENO. pois além dele. Com relação ao Capítulo V do Título I. no seu inc. que diz o seguinte. acrescendo-lhe ônus injustificados que em uma negociação normal não estariam presentes. (FILOMENO. "Das Práticas Comerciais" do CDC.137/62. avançam em correspondência com uma necessidade real. X ao dispor que. diversas prescrições previstas no art. merecem rigoroso regime repressivo no Código.078/90. Um outro comportamento abusivo que merece destaque é o disposto no inc. em investidas. 39 se relacionam intimamente com algumas outras disposições legais. ensejam sanções pela Secretaria Nacional de Direito Econômico (SNDE) e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) quando declarado estiver o aumento abusivo dos lucros dos detentores da cadeia de produção. 2003. 2003.51 consumeristas. 2003. por Filomeno desenvolvido. "Essas práticas". outro aspecto que merece ser destacado é o art. FILOMENO. Bittar prossegue nesse raciocínio. V. quanto a caracterizarem os abusos do poder econômico "prática abusiva manifesta". V do referido art. ou ao realizado. no plano negocial. a Lei n° 8.884/94. em indefinição de preços ou condições. em sua seção IV. não apenas a Lei 8. sem prejuízo da ação popular. in verbis: Art. p. elevar sem justa causa o preço de produtos e serviços. 71): ao turbarem a livre possibilidade de escolha do consumidor. que excedem os limites normais da prática comercial e. p.158/91 e a Lei 4. ou em recusas. sem mencionar os textos jurídicos que tipificaram os delitos contra a ordem econômica e as relações de consumo. através de leque diversificado de medidas protetivas e sancionamento (preventivos ou repressivos).347/85 (Ação Civil Pública). 1° Regem-se pelas disposições desta Lei. tais como. 39 do CDC. em sua privacidade e em seu patrimônio.

] V. Por conseguinte.134/90 estatuiu que se considera consistente a conduta que "elevar.. que. in verbis: II .884/94. à livre concorrência.078/90 de 11 de setembro de 1990". o delito será de mera conduta ou formal..884/94.inclua. 88 da Lei 8.. II do art. . e 8. dado ao fato desta categoria de princípios serem comuns a todas as formas de saber. o preço de bem ou serviço. o inc.52 [. de 24 de julho de 1985.Apesar dos princípios gerais de direito estarem enquadrados na categoria dos princípios monovalentes. 2003.. estético. previstos nesta Lei as disposições do Código de Processo Civil e das Leis 7. p. Com relação aos aspectos processuais e procedimentais. por força do art. valendo-se de posição dominante no mercado".]. 73): [. consequentemente aumentará sua margem de lucro. pois: "[. (FILOMENO.347. entre suas finalidades institucionais. esta lei teve.. por óbvio. e não uma mera elevação de preços de seus produtos e serviços. não se pode deixar de levar em conta que eles também são princípios omnivalentes. in verbis: "Aplicam-se subsidiariamente aos processos..884/94. sem justa causa. turístico e paisagístico. à ordem econômica. diz o art. histórico. sempre tendo-se em vista. exigindo-se do acusado que demonstre que houve justa causa para a elevação do preço. por exemplo". 21 da Lei 8. a proteção ao meio ambiente.. 83 da Lei 8. [. 5° modificado no que diz respeito às condições para a legitimação de entidades com vistas à propositura de ações coletivas. José Geraldo Brito Filomeno (2003. Além disso. Se o agente aumenta sem quaisquer fundamentos.] se verifica com a simples constatação de que houve a elevação de preços sem justificativa plausível. administrativos e judicial. constante do art.por infração da ordem econômica e da economia popular.] é crime contra a ordem econômica aquela conduta. o que revela uma infração à ordem econômica. ou ao patrimônio artistíco.. os preços de seus produtos ou serviços. 73) CONCLUSÃO 1. p. ao consumidor. em que só valem no âmbito de determinada ciência. e a dominação do mercado. Assim conclui. No que se refere à tutela penal a Lei 8. e em setor econômico no qual o infrator desfruta de posição dominante em virtude de monopólio ou oligopólios.

XXXII da Carta Magna do Brasil. a filosofia de ação da defesa do consumidor está esculpida no texto do art.São aspectos mais comuns de interesse da política tradicional ao consumidor. ao fundamentarse no reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor no mercado. segurança. a partir do momento em que alcançam a mais alta posição do Direito Positivo que é o grau constitucional.O princípio da integração é uma estratégia política.Para melhor análise do corpo normativo de um sistema jurídico.Os princípios gerais de direito atingem o seu apogeu. 12. os seguintes tópicos: educação.Os princípios basilares. para depois examinar as leis infraconstitucionais. a defesa do consumidor. proteção dos interesses econômicos dos consumidores.O art. para que este não se degrade de forma irreversível ao atender às suas necessidades básicas através do consumo exagerado. de caráter interdisciplinar. se encontrava na sua fase programática. 4° do Código de Defesa do Consumidor. na forma da lei. XXXII da Constituição Federal da República Federativa do Brasil. que buscam uma melhor forma de atender às necessidades básicas do homem aliada à proteção ao meio ambiente. 9. está prevista legalmente no caput do art. 4° e seus incisos do CDC. 48 da ADCT (Ato das Disposições Constitucionais Transitórias). inc. deve se buscar a compreensão de seu princípios. inc. mais fraco será o respeito aos valores postulados pelo sistema constitucional do mesmo. O consumo sustentável é a necessidade de que o homem deve se policiar cada vez mais no hábito de seus consumos. 10. 5.Quanto maior a instabilidade política de um país.A Política Nacional das Relações de Consumo. que foi o momento da criação do Código de Defesa do Consumidor através do art. 3. 11. representação dos interesses coletivos dos consumidores e satisfação das necessidades.É tarefa do intérprete buscar o exame dos ditames constitucionais na busca de soluções aos fatos que se apresentam no seio da sociedade.A criação da Lei 8. compensação ao consumidor. no intuito de preservar o meio ambiente. para uma melhor aplicação e integração de seus textos.078/90 foi uma extensão do princípio constitucional elencado pelo art. que preceitua que o Estado promoverá. informação e conselhos. 5°. 7. ou durante o ato da criação de novas normas. antes do ano de 1990. 6. 8. 5°. na ação .53 2. que busca a união de vários setores políticos quanto econômicos. ou melhor. num primeiro momento. 4.

2002. Consumidor Comentado. ed.. BOURGOIGNIE. 12. São Paulo: Ed. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor Comentado pelos Autores do Anteprojeto. podem se utilizar no intuito de se proteger contra os potenciais abusos de anúncios. marketing. Arruda.- . a própria Lei 8. Antônio Herman de Vasconcelos. 15. Thereza. tais como. Tratado de Direito BARROS CARVALHO. James Marins de. A política de Proteção do Consumidor: Desafios à frente. Curso de Direito Constitucional.347/85 que disciplina a Ação Civil Pública que viabiliza a proteção dos interesses difusos e coletivos. Vol. jan. São Paulo: Saraiva. Curso de Direito Tributário. na educação e informação de fornecedores e consumidores. ALVIM. Malheiros. Revista Instituto Brasileiro de Política e Direito do Consumidor. do mercado fornecedor. 1995.Apesar da grande falta de resultados mais concretos efetivos. 1. 41.A boa-fé é um princípio basilar que está consubstanciado por todo corpo normativo do Código do Consumidor. contratos. a Lei 8. BENJAMIN. Paulo. o Brasil possui várias legislações esparsas que têm como objetivo a proteção contra tais atrocidades.54 governamental no sentido de protegê-lo efetivamente.158/91. assim como de mecanismos alternativos de solução de conflitos de consumo. 1991. Paulo de. São Paulo: Ed.078/90 e a Lei 7. _______. e SOUZA. São Paulo: Ed. BIBLIOGRAFIA ALVIM. 1990. incentivos à criação. a Lei 8.884/94. dentre outros meios de difusão da informação.137/62. Código de Defesa do Processual Civil. de meios eficientes de controle de qualidade e segurança de produtos e serviços. RT. ainda pelos fornecedores. Eduardo Arruda. Vol. quanto aos seus direitos e deveres com vistas à melhoria do mercado. a Lei 4. ALVIM. 14. a concorrência desleal e dos crimes contra a ordem tributária. Thierry. São Paulo: Forense Universitária. 13.A informação é uma das maiores armas das quais os consumidores. BONAVIDES. propagandas. pelos quais os cidadãos podem se beneficiar contra os abusos do poder econômico. 2002. Arruda. RT.

2001. out.38. Cláudia Lima. ed. DINAMARCO. Luis Gustavo Grandinetti Castanho de. V. Washington de Barros. tradução João Baptista Machado. Direito Constitucional. 7. Revista Instituto Brasileiro de Política e Direito do Consumidor. 253 . Manual de Direitos do Consumidor.e. Cândido Rangel.55 mar. Lezioni di Diritto Costituzionalle. Vol. Vol. 5. São Paulo: Ed. 2002. 3. 3. 80. 1992. A proteção do consumidor na Constituição brasileira de 1988. Ação Civil Pública. 2002. 1997. Celso Antônio Bandeira de. CANOTILHO. 30 . ed. ed. 66 . Contratos no Código de Defesa do Consumidor. 1998. José Geraldo Brito. p. RÁO. Nelson.]1976. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor Comentado pelos Autores do Anteprojeto.-dez. ______. KELSEN. ed. Antônio Carlos de Araújo. Joaquim José Gomes. [s. RT.263. Vol. Revista de Direito Mercantil. Princípios do Processo Civil na Constituição Federal. 15. 7. 6. Fábio Konder. Vicente. MARQUES. Martins Fontes. Ada Pellegrini. Hans. RT. ed. NERY JÚNIOR. Malheiros. São Paulo: Ed. 2002. São Paulo: Ed. ed. ed. Conteúdo Jurídico do Princípio da Igualdade./2002. Curso de Direito Civil. José dos Santos Carvalho.-mar. p. Teoria Geral do Processo. José Geraldo Brito. p. 5. 41.75. 6. GRINOVER. ed. 1. São Paulo: Ed. Teoria Pura do Direito. São Paulo: Ed. São Paulo: Saraiva. Padova. ed. ed. MONTEIRO. RT. Malheiros. 1 FILHO./1990. CRISAFULLI. Rio de Janeiro: Ed. Coimbra: Almedina. . 1999. Rio de Janeiro: Forense Universitária. COMPARATO. CARVALHO. A informação como bem de consumo. 2003. São Paulo: Atlas. MELLO. Lumen Juris. CINTRA. Vol./2002. São Paulo: Ed. 1999. 24. 2001 FILOMENO. O Direito e a Vida dos Direitos. jan.

São Paulo. 170 . . ed. out. 24. Elementos de Direito Constitucional. Michel. 40. ed.. 3 TEMER. Direito Civil. A Interpretação Constitucional do Código de Defesa do Consumidor e a Pessoa Jurídica como Consumidor.-dez. ed.56 REALE.198. Vol. Ed. 1990. Silvio./2001. p. Lições Preliminares de Direito. 2002. São Paulo: Saraiva. 7. Miguel. Tiago Cardoso. ZAPATER. Revista Instituto Brasileiro de Política e Direito do Consumidor. 1999. RODRIGUES. 28. São Paulo: Saraiva. Vol. RT.

078/1990. 7. Vulnerabilidade X Hipossuficiência. o princípio da vulnerabilidade no ordenamento jurídico brasileiro (Lei 8. tendo em vista a sua utilização como fundamento filosófico de todo o movimento de Defesa do Consumidor.5. 6.2 Natureza Jurídica: seria a publicidade compatível com o clássico conceito de oferta?. Vulnerabilidade Técnica. b) é realizada uma .1. 5. inciso I: "reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor no mercado de consumo").3. é que se acha a verdadeira lei da igualdade" (Rui Barbosa). 3. 6. 1. 3. Nesta desigualdade social. 6.6.3. 5. a abordagem. Introdução. Vulnerabilidade Ambiental. 3.2. 3. 4. Por imperativo de sistematização.3.Conclusão. 3. 5.1. Do contrato de adesão. A Vulnerabilidade e suas espécies.2. 2. Vulnerabilidade nos contratos.57 O princípio da vulnerabilidade e a defesa do consumidor no direito brasileiro: origem e conseqüências nas regras regulamentadoras dos contratos e da publicidade Autores Alírio Maciel Lima de Brito Haroldo Augusto da Silva Teixeira Duarte "A regra da igualdade não consiste senão em aquinhoar desigualmente aos desiguais. Vulnerabilidade Econômica e Social. Vulnerabilidade Psíquica ou Biológica. 3. artigo 4º.591. pormenorizadamente. proporcionada à desigualdade natural. Efeitos da vulnerabilidade do consumidor na tutela legal da publicidade. será disposta da seguinte maneira: a) faz-se um estudo dos fatos sociais que ocasionaram as disparidades nas relações entre fornecedor e consumidor. 3. Introdução O presente trabalho visa analisar.1 Conceito de Publicidade. Algumas formas de tornar o consumidor vulnerável nos contratos.4 Controvérsia acerca da aplicação do CDC nos contratos bancários: ADI 2. 5.4. A tutela do consumidor como decorrência da sua vulnerabilidade nas relações de consumo. Regras que vinculam a publicidade no CDC. Vulnerabilidade Jurídica. Vulnerabilidade Política ou Legislativa. na medida em que se desigualam. Regra da interpretação mais favorável ao pólo vulnerável da relação e integração contratual. 6. 6. SUMÁRIO: 1.

uma transformação ou amenização deste sistema predatório.. 5º. Segundo Antônio Herman V. pelo domínio do crédito. Assim visualiza-se a importância do princípio da vulnerabilidade como fundamento dessa nova disciplina jurídica. Diante dessa conjuntura percebeu-se que o consumidor estava desassistido. c) finaliza-se com um estudo sobre a publicidade e os contratos. além de prever no artigo 48 do ato das disposições constitucionais transitórias a elaboração de um Código de Defesa do Consumidor (CDC).58 abordagem sistemática do princípio da vulnerabilidade. e Benjamin ao prefaciar o livro de Moraes (1999. passou a ser uma exceção. requerendo.05). a defesa do consumidor"). Essa nova configuração do mercado baseada na produção em massa. necessitava de uma proteção legal. tendo em vista que estes são uns dos principais focos de vulnerabilidade do consumidor. a produção caracterizada pela elaboração artesanal de produtos e restrita ao âmbito familiar. 2.. p. com a revolução tecnológica (fenômeno decorrente do grande desenvolvimento técnico alcançado no pós 2. XXXII: "o Estado promoverá. e por isso. foi iniciado um movimento no âmbito internacional com o intuito de reequilibrar as relações entre consumidores e produtores. A tutela do consumidor como decorrência da sua vulnerabilidade nas relações de consumo As transformações havidas no processo produtivo desde a revolução industrial (segunda metade do século XVIII) e. bem como a princípio da ordem econômica. As relações de consumo deixaram de ser pessoais e diretas. A partir de então. É lícito até dizer . dessa maneira. 2002. No caso brasileiro a constituição de 1988 alçou a defesa do consumidor ao patamar de direito fundamental (art. marketing. p. Baseado nessa vulnerabilidade do consumidor. níveis educacionais e poder aquisitivo’" (Almeida.) reconhecendo expressamente ‘ que os consumidores se deparam com desequilíbrios em termos econômicos. principalmente. na forma da lei.10): O princípio da vulnerabilidade representa a peça fundamental no mosaico jurídico que denominamos Direito do Consumidor. pois é utópica a possibilidade de autocomposição entre os integrantes das relações de consumo sem a intervenção estatal. No ano de 1985 a ONU pela resolução 39/248 "baixou norma sobre a proteção do consumidor (. fulminando com o relativo equilíbrio existente entre as partes. e práticas comerciais abusivas colocou o consumidor numa situação de extrema precariedade frente aos agentes econômicos.ª Guerra Mundial) ocasionaram uma profunda alteração nas relações de consumo.

a sua incolumidade física e patrimonial [03]. isto é. econômica e social [01]. literalmente. assim. assim. independente da classe social a que pertença. colocando em perigo. jurídica. . por sua natureza.) A compreensão do princípio. impossibilitando o consumidor de possuir conhecimentos das propriedades. que se ponha a salvaguardar o consumidor. Vulnerabilidade jurídica Esta espécie de vulnerabilidade manifesta-se na avaliação das dificuldades que o consumidor enfrenta na luta para a defesa de seus direitos. Em sentido contrário encontramos a posição de Marques (2002. significa o estado daquele que é vulnerável. ficando sujeito aos imperativos do mercado. 120) que. malefícios. é pressuposto para o correto conhecimento do Direito do consumidor e para a aplicação da lei. A Vulnerabilidade e suas espécies Vulnerabilidade. quer na esfera administrativa ou judicial. 3. a sofrer ataques. assim. já que não consegue visualizar quando determinado produto ou serviço apresenta defeito ou vício. o consumidor encontra-se totalmente desprotegido.1. de qualquer lei. vulnerabilidade é o princípio segundo o qual o sistema jurídico brasileiro reconhece a qualidade do agente(s) mais fraco(s) na(s) relação (ões) de consumo. se manifesta: "é a falta de conhecimentos jurídicos específicos.115 e ss): técnica. utilizaremos a divisão dada por Moraes (1999. Logo podemos afirmar que a presunção da vulnerabilidade do consumidor é absoluta. p. conhecimentos de contabilidade ou de economia". ambiental. 3. que é ilimitada. Iniciaremos agora o estudo dos tipos de vulnerabilidade para torná-lo mais aprofundado. Dessa forma. daquele que está suscetível. política ou legislativa. 3.2.. Vulnerabilidade Técnica A vulnerabilidade técnica decorre do fato de o consumidor não possuir conhecimentos específicos sobre os produtos e/ou serviços que está adquirindo. Para tanto. e benefícios dos produtos e/ou serviços adquiridos diuturnamente [02].59 que a vulnerabilidade é o ponto de partida de toda a Teoria Geral dessa nova disciplina jurídica (. Esta vulnerabilidade concretiza-se pelo fenômeno da complexidade do mundo moderno. p. tendo como único aparato a confiança na boa-fé da outra parte. biológica ou psíquica.. No Direito.

Aqueles detêm condições objetivas de impor sua vontade através de diversos mecanismos. capaz de criar desejos. (Pellegrini. Podemos destacar como uma dessas formas a introdução dos contratos de adesão e os submetidos às condições gerais (ou condições gerais dos contratos – CONDGs) [05]. buscou. p. p.09).4.120) discordamos da conceituação oferecida pela ilustre jurista. inclusive.. possuindo.. químicos. o lobby dos empresários. 3. prevendo sua derrota nos plenários das duas casas. auditivos.) que devido a sua própria constituição orgânica influenciam na tomada da decisão de comprar determinado produto. impedir a votação do texto naquela legislatura. pois da maneira por Ela exposta estamos diante da vulnerabilidade técnica. 3..5.151) "essa motivação pode ser produzida pelos mais variados e eficazes apelos de marketing possíveis à imaginação e à criatividade orientada pelos profissionais desta área" [04]. um grande lobby junto ao Congresso Nacional. p. necessário era respeitar um iter legislativo extremamente formal. É que.132). . olfativos. p. as associações de fornecedores possuem força no cenário político nacional. Essa situação foi presenciada quando da tramitação do atual Código de Defesa do Consumidor: . dos consórcios e dos supermercados. notadamente o da construção civil. Por isso nos dias atuais percebemos a importância desta motivação. etc. A dissimulação daquilo que era Código em lei foi meramente cosmética e circunstancial. por se tratar de Código. necessidades e manipular manifestações de vontade como uma forma de influenciar o consumidor. sob o argumento de que. 2001. Vulnerabilidade política ou legislativa A vulnerabilidade política ou legislativa decorre da falta de organização do consumidor brasileiro.60 Consoante os ensinamentos de Moraes (1999.3. inexistem associações ou órgãos "capazes de influenciar decisivamente na contenção de mecanismos legais maléficos para as relações de consumo e que acabam gerando verdadeiros ‘monstrengos’ jurídicos" (Moraes. Vulnerabilidade Psíquica ou Biológica O consumidor é atingido por uma infinidade de estímulos (visuais. 3. através de uma manobra procedimental.. 1999. Segundo Moraes (1999. na tramitação do Código. Vulnerabilidade Econômica e Social A vulnerabilidade econômica e social é resultado das disparidades de força entre os agentes econômicos e os consumidores. Ao contrário. tratada anteriormente.

em que todos habitam o mesmo planeta. Efeitos da vulnerabilidade do consumidor na tutela legal da . tendo em vista o art. Vulnerabilidade X Hipossuficiência Para finalizar essa parte do trabalho iremos traçar os elementos distintivos entre a vulnerabilidade do consumidor e sua hipossuficiência no mercado de consumo. Segundo Mirian de Almeida Souza apud Moraes (1999. 4º. for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente..61 Assim. surge a cada dia a necessidade de uma maior presença do Estado no âmbito econômico para harmonizar essas relações de consumo. inciso VIII do CDC que assim dispõe: São direitos básicos do consumidor: VIII . é errônea a utilização dos termos como sinônimos. no processo civil.6. Como parte do meio ambiente o homem fica sujeito a uma gama de alterações havidas neste. o ‘consumerismo’ destrutivo do meio ambiente é inerente ao modelo vigente da indústria e agricultura. todo consumidor teria direito à inversão do ônus da prova. p. bem como conseqüências jurídicas diversas. Conforme afirmado anteriormente o princípio da vulnerabilidade é um traço inerente a todo consumidor de acordo com o art. Uma visão sistêmica do direito do consumidor. e todos sofrem prejuízos biológicos em diversos graus por causa do abuso do meio ambiente. 4. a critério do juiz. Vulnerabilidade Ambiental Esta espécie de vulnerabilidade é decorrência direta do consumo em massa da nossa sociedade. Embora haja essas diferenças é comum a utilização desses termos como sinônimos [06]. faz deste direito o reverso da moeda do direito ambiental.162): . 5. inciso I do CDC. 6º.a facilitação da defesa de seus direitos. em que todos têm participação em diversos graus através da sociedade de consumo. quando. segundo as regras ordinárias de experiência (grifamos). Portanto. ocasionado pelo uso irracional dos recursos naturais de nosso planeta.. já que se assim o fosse. Ou seja. a seu favor. já que os conceitos apresentam realidades jurídicas distintas. inclusive com a inversão do ônus da prova. 3. Já a hipossuficiência [07] é uma marca pessoal de cada consumidor que deve ser auferida pelo juiz no caso concreto.

1985. ob. divulgar e promover a oferta de idéias. há uma distinção quanto ao uso desses termos: quando se objetiva a venda de um produto. p. distinção alguma. Para a economista Raimar Richers publicidade é: A comunicação. nos lançaremos ao problema de sua natureza jurídica. Morais (1999. agora. Na realidade.62 publicidade Passaremos. o legislador. Já a publicidade tem muitas vezes apenas o afã de mostrar que o anunciante está propenso a contratar. Mas não seria meramente o fato do CDC distinguir tais conceitos que nos daria base para não aceitar a classificação da publicidade como espécie de oferta. invariavelmente. tendo por . Lembraríamos ao leitor que não há no Código Brasileiro de Defesa do Consumidor um conceito para o objeto de nossa análise. À conclusão muito semelhante chegou o doutrinador mencionado [10]. uma vez que em ambos os casos o que há é a divulgação de determinada informação. bens e/ou serviços por parte de um patrocinador identificado (Richers. vez que no seu capítulo V. 5. Não vislumbramos quanto à sua essência. assinalando quais são as condutas ilícitas e os meios através dos quais o direito assegura a proteção dos consumidores. a tratar das repercussões da incontroversa vulnerabilidade do consumidor no âmbito da publicidade e do contrato. e que acabam. não há de se falar na existência de publicidade se não se fizer notar o mínimo de informação a respeito do produto/serviço que se quer vender ou divulgação dessa informação. Ao passo que quando se tem por objeto a propagação de idéias políticas ou religiosas se utiliza do termo propaganda.2 Natureza Jurídica: seria a publicidade compatível com o clássico conceito de oferta? Conceituado o objeto de nosso estudo. Existem conceitos dos mais diversos para a atividade que visamos descrever. cit. E de fato.) se põe a diferenciar o conceito de publicidade do de propaganda. se usa a expressão publicidade. destinada a informar. que trata das práticas comerciais. através de meios impessoais (impressos e eletrônicos).1 Conceito de Publicidade Compete-nos conceituar publicidade. Eis qual a diferença principal entre os dois institutos: Com a proposta basta que se dê a aceitação do policitado para que se aperfeiçoe o contrato. a fazer referência a dois elementos que reputamos serem essenciais: a informação e a divulgação [09].66). respectivamente a II e III. apenas a esboçar conceituação de publicidade enganosa e abusiva [08]. existe uma seção dedicada à oferta e outra à publicidade. 5. Tentadora é a hipótese de considerarmos como sendo proposta [11]. bastaria uma rápida leitura do CDC para concluirmos que tal possibilidade é com ele incompatível. Deteremo-nos inicialmente com a publicidade. No entanto. Limitou-se.

Tal é a razão pela qual o Estado interveio. a área de atuação e outras informações básicas tendo a intenção de atrair clientes e. posto que este se encontra em posição de vulnerabilidade psíquica frente àquela. Exemplo de publicidade é o anúncio corrente em jornais e revistas nos quais apenas se veicula o logotipo do estabelecimento. rádio. Não infundadamente se diz até que se trata de um quarto poder. Em decorrência disso. melhor se concebendo como modo de integração compulsória aos contratos de consumo" [13] (2000). que para se aperfeiçoar necessitaria apenas da adesão por parte do policitado. A seguir. citaremos tais normas. 5. É exemplo de oferta ad incertam persona a exposição em vitrine de produto com seu respectivo preço. não de estabelecer todas as condições de um futuro contrato. acaba por entrar na esfera das convicções do indivíduo sem que haja uma valoração crítica e analítica dos fatos. Exigir o cumprimento da oferta. apresentação ou publicidade. . o problema que anunciamos o qual será elucidado por Lôbo com o qual concluímos esse tópico: "Assim. A) A identificação da publicidade: Em consonância com o artigo 36 do CDC a publicidade deve ser veiculada de tal forma que o consumidor. O que se objetiva aqui é evitar que informes publicitários passem por jornalísticos ou educativos. ou 3. é dada ao consumidor faculdade de proceder de três diferentes formas: 1. mas não solucionamos. no sentido tradicional do termo. B) Vinculação contratual: por força dos artigos 30 e 35 do CDC não só a publicidade. Nesse caso. 2. Resolver o contrato em perdas e danos [15] obtendo o ressarcimento das parcelas então empenhadas. fácil e imediatamente. seja uma campanha publicitária. descartamos de antemão a possibilidade de um ser gênero do outro [12]. por meio do CDC. a identifique como tal. estabelecendo normas que possuem por objeto regular a publicidade e proteger o consumidor. não se pode considerar a publicidade como oferta. nos casos em que exista incongruência entre as cláusulas ou condições gerais presentes na publicidade e no contrato. revistas e jornais seja uma notícia.63 objetivo atrair o consumidor. como também a oferta [14] integram compulsoriamente o contrato que venha a ser firmado. Diferenciados os dois institutos. ainda. Aquilo que é veiculado na televisão.3. Aceitar outra prestação equivalente àquela difundida. os elementos essenciais do contrato a ser celebrado (de compra e venda) já estão determinados: a coisa e o preço. Regras que vinculam a publicidade no CDC É do conhecimento de todos o tamanho poder que os meios de comunicação em massa (mass media) detêm.

Acontece que se tal preceito fosse cruamente aplicado nas relações de consumo. 56. Naquela. a parte que alega a ocorrência de determinado fato é que suporta a carga de prová-lo. do caput do artigo 37 se tem por proibida toda publicidade abusiva. dentre outras. dessa forma. como a interpretação contra o mesmo. teríamos que consumidores. a publicidade discriminatória. nos seguintes termos: É abusiva. Leva-se em conta que para corrigir os malefícios causados aos consumidores o único meio eficaz é fazendo uso da própria publicidade sob o nome de contrapropaganda: Trata-se de veiculação de outra publicidade para sanar os malefícios causados pela publicidade originária.64 C) Regra da veracidade: Na cabeça do artigo 37 do CDC existe a proibição de toda publicidade enganosa. impondo-se. assim. D) Regra da não-abusividade da publicidade: Por força. às suas expensas. da existência de verossimilhança daquilo que é alegado ou de hipossuficiência do autor. explore o medo ou superstição. que incite à violência. informa corretamente ao consumidor. desfazendo os erros de anúncio . in casu. De tal inversão decorre que a prova da veracidade daquilo que é anunciado cabe ao fornecedor. mesmo que por omissão [16]. veriam seu pedido julgado improcedente por falta de provas graças a sua vulnerabilidade que o impede de produzi-las. F) Transparência da fundamentação publicitária: O fornecedor deve ter consigo os dados fáticos que fundamentem a informação veiculada. o fornecedor. etc. VIII). G) Correção do desvio publicitário: Por imperativo do art. Entende-se. também. em última análise. Ao tentar delimitar o que viria a ser abusividade o referido codex listou rol não taxativo. parágrafo único da lei em tela. o desvio da publicidade possuirá não só efeitos civis e penais como também publicitários. possuidores de bons direitos. Eis a segunda modalidade de publicidade ilícita. que se aproveite da deficiência de julgamento da criança. Enquanto que esta se opera mediante uma valoração. aqueloutra se dá independentemente de qualquer análise por parte do magistrado pelo fato de derivar. Razão pela qual o CDC fez duas previsões de inversão do ônus da prova: uma ope legis (ao artigo 38) e outra ope judicis (ao artigo 6º. É definida por enganosa qualquer modalidade de informação publicitária inteira ou parcialmente falsa. que o abuso é o uso irregular de uma faculdade que a princípio se apresentava como regular e legítima [17]. E) Inversão obrigatória do onus probandi: Como é do conhecimento do leitor. no processo. inciso XII do CDC. tão bem quanto o fornecedor. da presunção legal de vulnerabilidade do consumidor [18]. de caráter explicativo. Saliente-se que a inobservância desse dever por parte do fornecedor enseja a caracterização da já referida propaganda enganosa por omissão. um compromisso de veracidade daquilo que é divulgado em campanha publicitária. é o que impõe o artigo 36. na doutrina.

per si. os elementos essenciais dos contratos de adesão: 1. das regras interpretativas das cláusulas contratuais e da questão. via de regra. toda a etapa pré-negócial. 2. Formação dos contratos com a adesão (que só poderá se dá em bloco) do consumidor [19]. (Gonçalves. que envolve toda uma cadeia de ajustamentos. Uso em massa: no sentido em que regem as interações econômicas entre um fornecedor e seus distintos consumidores. difusão do modo de vida ocidental e (conseqüência que mais nos interessa) uniformização dos vínculos jurídicos entre fornecedor e consumidor.1. 2002. de alguns meios utilizados pelo fornecedor que tornam vulnerável o consumidor. que se trata de instrumento que confere ao fornecedor pujantes meios de abusar da boa-fé ou do estado de necessidade do consumidor. Daí. surge naturalmente a necessidade de uso de contratos-tipo. conseqüentemente. Textos préconstituídos unilateralmente e 3. É de se frisar que a simples adoção da espécie contratual em comento não constitui. tópico 10). 6. 6.ADI 2. Vulnerabilidade nos contratos Discorreremos. uma vez que com instrumentos pré-formulados se vencia. Do contrato de adesão Desde a revolução industrial o mundo vem assistindo a uma gradual massificação da produção dos bens da vida. um ato abusivo que mereça ser coibido. da aplicação do CDC aos contratos bancários. Podemos extrair do que foi exposto. ocorrem em sede de contratos standart. a obrigatoriedade do pacto. Algumas formas de tornar o consumidor vulnerável nos contratos Podemos notar. a respeito dos contratos de adesão (muito usados nas relações de consumo). com um único passo.65 original. então em voga (pelo advento da Ação Direta de Inconstitucionalidade . Tal processo trouxe-nos algumas conseqüências das quais destacaríamos: massificação das necessidades de consumo. Acontece que tal imperativo comumente é inobservado pelo elaborador do contrato.2. estudando o instituto do contrato de adesão. que usando de termos técnicos do meio econômico ou . razão pela qual merece (sim) uma especial fiscalização e especial tutela legal (inserida no nosso ordenamento com o CDC) que sejam capazes de compensar a vulnerabilidade do consumidor e refrear os abusos contratuais que. 6. ao passo que é instrumento útil ao atual estágio de desenvolvimento capitalista. agora.591 -). vindo a possibilitar uma dinâmica circulação de riquezas. alguns dos quais passaremos a comentar infra [20]: A) Tecnismo dos termos contratuais: Os instrumentos contratuais em geral devem ser escritos de modo a possibilitar a compreensão de seu conteúdo sob pena de comprometer a validade da vontade que ali se expressa e.

E por essa razão. Tal rol é na realidade. ao contrato. o fato de decorrer dessa norma a possibilidade do magistrado declarar nulidade de cláusulas contratuais. em um único texto vários contratos distintos. assim como entendimentos dos Ministérios Públicos e decisões administrativas dos Procon’s. decorrer ônus excessivo a qualquer das partes" (destacamos). é o da interpretação que lhe seja mais favorável (artigo 47 do CDC). apesar dos esforços de integração. no afã de buscar a solução mais favorável ao consumidor. não muito distante.66 jurídico. tornando-o ainda mais suscetível a sofrer lesões. são nulas de plenos direito. exceto quando de sua ausência. por mais . verbis: "a nulidade de uma cláusula contratual abusiva não invalida o contrato. 227) relata que de certa feita precisou de mais de cinco horas ininterruptas para analisar contrato que além de complexo era deveras extenso pelo fato de conjugar. na doutrina. ele pode ser complementado pela jurisprudência.591. [22] 6.4 Controvérsia acerca da aplicação do CDC nos contratos bancários: ADI 2. como tais. O que não ocorre. com a possibilidade de. as quais serão consolidadas (através de portarias) pela Secretária de Direito Econômico. na verdade. em seu art. não exaustiva. 51 traz lista. p. de cláusulas consideradas abusivas e que. extenso e cláusulas abusivas.3. deixa o texto nebuloso aos olhos do consumidor. B) Complexidade e extensão do contrato: Tanto o tecnismo como o uso constante de remissões a outras cláusulas do instrumento contribuem para torná-lo mais complexo. que pelo Decreto 2181 de 1997 recebeu essa atribuição. Estaria incompleto o presente estudo se não fizéssemos referência. uma consignação de entendimentos que foram consagrados em nossos tribunais ao longo das décadas que antecederam ao referido codex [21]. C) Cláusulas abusivas: O CDC. Sendo que o entendimento em contrário nada mais é que o resquício de um tempo. Moraes (1999. no qual sob a alegação de proteção ao princípio da autonomia da vontade se impedia que o Estado interferisse nas relações privadas a fim de promover os ajustamentos necessários a colocar em igualdade de condições os naturalmente desiguais. É inconteste. 6. Fazendo de sua leitura e interpretação uma tarefa árdua mesmo para profissionais do meio. Acreditamos que tal possibilidade (de integração contratual pelo Judiciário) é legítima e prevista no artigo 51 §2º do CDC. Regra da interpretação mais favorável ao pólo vulnerável da relação e integração contratual Preceito fundamental para uma eficaz proteção do consumidor. novas disposições. vir o juiz a acrescentar. dentro de um contexto de disseminação do uso de contratos padronizados com texto nebuloso. no entanto.

de seguros. A pretendida inconstitucionalidade formal residiria no fato de que. precisa de lei complementar que a regulamente. 192. à controvérsia muito recentemente suscitada (ou ressuscitada) a respeito da consideração (ou não) das cadernetas de poupança. aquelas. por deixar clara a clássica distinção entre "normas de conduta" e "normas de organização". voltou à baila com o advento da ADI. abertura de crédito e todas as operações bancárias ativas e passivas como relação de consumo. cartões de crédito. Justifica-se a assertiva anterior com a constatação de que são nos contratos bancários. §2o do CDC. posto que tal matéria. posto que o CDC traz em seu seio normas de conduta destinadas a reger relações de consumo. regras sobre responsabilidade por fato e vício do produto e do serviço. muito embora possua previsão constitucional (art. Nelson Jobim. por exemplo. Essa é . de crédito e securitária" em face do artigo 192 da CF. Sobre o tema. depósitos bancários.67 pontual que seja. e com a constatação de que tais contratos estão de tal forma disseminados que é difícil encontrar quem nunca os celebrou [24]. o STJ firmou sólido entendimento no sentido de que o CDC. incompatibilidade entre o referido dispositivo constitucional e a norma do artigo 3º. §3º). Não o sendo. e logo interrompido. A controvérsia.595/64 que legitima a taxa de juros superior a 12% ao ano. o sistema financeiro nacional só pode ser regulado por Lei Complementar e não por Lei Ordinária como o CDC. em sua parte propriamente consumerista. é falsa. Inicia. Em parecer elaborado. na parte que se refere à limitação dos juros reais em 12% ao ano. Razão pela qual não vê. em 17 de abril de 2002 graças a pedido de vista do Min. que parecia então pacificada. a doutrinadora. qual seja: a de que o CDC é uma norma de organização que regulamenta o sistema financeiro nacional. a jurista. Deixando claro que o CDC se aplica aos contratos bancários. 2. pela douta jurista Cláudia Lima Marques existe farta e elaborada contra-argumentação que leva à conclusão da improcedência do pedido. e estas. por força do dispositivo constitucional. (imposição da boa fé.591 proposta pelo CONSIF – Confederação Nacional do Sistema Financeiro – cujo julgamento junto ao STF foi iniciado. destinadas de forma imediata a reger o comportamento dos indivíduos considerados isoladamente ou coletivamente. com a devida ressalva do campo de atuação da lei 4. etc) seria aplicável normalmente aos contratos bancários [25]. mediante consulta do Instituo Brasileiro de Política e direito do Consumidor – BRASILCON. O objeto dessa ação é o de declarar a inconstitucionalidade da expressão "inclusive as de natureza bancária. contratos de mútuo. de Direito Financeiro. Segue afirmando que a premissa na qual se fundamentou o CONSIF para propor a ação. financeira. que esses deixam mostrar de forma mais proeminente a sua vulnerabilidade. no entanto. destinadas a regular a constituição e funcionamento de institutos publicamente relevantes como o sistema financeiro nacional. adoção do in dubio pro consumidor. feitos em série e muitas vezes elaborados de modo a lesionar o consumidor [23].

7. 8. é mais grave do que infringir um dispositivo legal. Dessa maneira. No Direito não poderia ser diferente. Bibliografia . Conclusão Os princípios em qualquer ramo do conhecimento são os pilares que alicerçam todas as vertentes do seu saber. Relator da ADI. visualizamos as várias espécies de vulnerabilidade inerentes ao consumidor. para um perfeito entendimento do Sistema de Proteção do Consumidor. como decorrência dos tempos modernos. Em logrando êxito a tese levantada na ADI 2. de descumprimento. Tendo em vista que a vulnerabilidade é o alicerce (matriz) da defesa do consumidor. diferentemente do Min. filiamo-nos à corrente de que não há vedação alguma.591. Já se tem dito. os princípios são a base da Ciência Jurídica. que deverá ser buscada. A assertiva é verdadeira em todos os sentidos. 3º do CDC. Estas implicam inúmeras situações fáticas de exploração. que demonstram a importância dessa tutela legal. que visem ludibriar o pólo vulnerável da relação de consumo. dos pilares de onde brotam. configurando esta como uma conquista histórica em favor do consumidor. do art. restará por fulminado todo o sistema de proteção ao consumidor. inclusive. interpretação conforme a Constituição para excluir da incidência a taxa dos juros reais nas operações bancárias ou sua fixação em 12% ao ano pelos argumentos já mencionados. ao vedar determinadas práticas comerciais. que violar um princípio. Néri da Silveira que julgou improcedente o pedido. por meio de inserção de novas cláusulas pelo magistrado. no concernente às normas de conduta. No decorrer do trabalho. de onde se inspiram. objetivando a observância da cláusula geral da boa-fé.68 a posição que nos parece mais acertada até porque se coaduna com o entendimento ao longo do tempo construído pelo STJ. trilhou esse caminho (aberto pelo STJ) ao julga-lo procedente em parte para emprestar ao §2º. percebemos a importância do princípio da vulnerabilidade como base de toda a Ciência Consumerista. No âmbito da publicidade e da contração em massa. Carlos Velloso. pois a sua violação é a tentativa de negação. impende a necessidade da análise do referido princípio para uma conseqüente aplicação equânime da lei. Quanto à aplicabilidade do CDC aos contratos bancários. Assim. as regras jurídicas. E de fato. o Min. constatamos a relevância dessa proteção. e hoje a afirmação ganha cada vez mais relevo.

Orlando. 3. 13 MENESES. IN Revista Jurídica Consulex. Porto Alegre: Livraria do Advogado. 11. 9. n. 10. Rio de Janeiro: Forense. São Paulo: RT. Manual de Direitos do Consumidor.jus. Código de defesa do consumidor: o princípio da vulnerabilidade no contrato. 1998. Capturado 15. [Internet] http://www1.69 1. Contratos no código de defesa do consumidor. São Paulo: Editora Método. Atualizador: Humberto Theodoro Júnior. GUIMARÃES. 14. Brasília. 2. A informação como direito fundamental do consumidor. A proteção jurídica do consumidor. MORAES. A publicidade ilícita e a responsabilidade civil das celebridades que dela participam.set. 2002.br/doutrina/texto. Curso de Direito Civil Brasileiro: Teoria Geral das Obrigações. São Paulo: RT. INFORMATIVO DE JURISPRUDÊNCIA DO STF. São Paulo: Saraiva. ano VI – n. Princípios gerais da publicidade no Código de Proteção do Consumidor. 6. LOUREIRO. e ampl. 4ª ed. Daniel M.. Paulo Valério Dal Pai.asp?id=3181.com. atual.br/doutrina/texto. Conceitos e Contratos atuais.com. 1999. 34-38 de 15 de fevereiro de 2002. 2001. 2001. Contratos. São Paulo: Saraiva. DINIZ. João Bosco Pastos. São Paulo: Atlas. In: Jus Navigandi. Teoria Geral dos Contratos no novo Código Civil. Paulo Jorge Scartezzini. rev. LÔBO. 2001. João Batista de. Cláudia Lima. 8. GRINOVER. 264.2002 ]. Cláudio [et al]. 51. Maria Helena. GOMES. na publicidade. 122 P. BONATTO.asp?id=2216 [ Capturado 15. Luiz Guilherme. ALMEIDA. 2002. 5. 4. 3ª ed. Questões Controvertidas no Código de Defesa do Consumidor: Principiologia. GONÇALVES. 2002.jus.Set. Marques. 7. FILOMENO. 12. nas demais práticas . [et al]. 7ª ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária. Ada Pellegrini. A influência do CDC nos contratos bancários. 15 a 19 de abril de 2002. 2001.2002. n. José Geraldo. G. IN: Jus Navigandi. Paulo Luiz Netto. n. 58 [Internet] http:// www1. Código brasileiro de defesa do consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto.

Sílvio Luís Ferreira da. São Paulo: Abril Cultural. O que é Marketing. sendo nutricionalmente menos valioso transformou-se em causa corrente de desnutrição.. que substituiria o aleitamento materno. Mexiam com a vaidade feminina e com o conforto da mãe. Agosto/setembro de 1995. Paulo Brasil Dill. NOVAES. RICHERS. a necessidade intolerável de manter-se em dia. era mais caro e. 1999. Belo Horizonte: Melhoramentos. 2001. A título exemplificativo Miriam de Almeida Souza apud Moraes (1999. 33) "a questão do leite infantil ficou como um marco na luta contra os desvios da publicidade.. Princípios básicos de defesa do consumidor. 16. Porto Alegre: Síntese.. passaram despercebidos dos mesmos. SOARES. 2002. Raimar. investem conjuntamente em comercias. 1985. São Paulo: RT. 04 03 02 01 . VIEIRA. no consumidor.70 comerciais. 270) existem apenas três tipos de vulnerabilidade: a técnica. p.. ou seja. especialmente em países do Terceiro Mundo. Notas Para Marques (2002.. Uma trintena de empresas multinacionais sugeriam. 19.. O princípio constitucional da igualdade e o direito do consumidor.154) ". Adriana Carvalho Pinto. ROCHA. e criam. as empresas. p. 1992. . e assim por diante. Exemplo esclarecedor sobre a vulnerabilidade técnica do consumidor nos é dado por Pasqualoto (1997. a substituição da amamentação materna pela mamadeira. A inversão do ônus da prova no Código de Defesa do Consumidor in Revista Jurídica IN VERBIS n. os apelos publicitários levam o indivíduo a considerar-se numa situação psicológica e social inferior. por acreditar que todos devem ter e usar.". 18-25. 17. p. p. Responsabilidade civil do fornecedor pelo fato do produto no direito brasileiro. O leite em pó. dessa forma.. 15. Essa situação também pode ser constatada nos inúmeros recalls ocorridos nos últimos anos na indústria automobilística em decorrência do desgaste ou defeito de fabricação em peças que colocam em risco a vida de inúmeros consumidores. caso não adquira tais produtos prestigiados. Elaine Cardoso de Matos. pelo fato do consumidor comum não possuir conhecimento técnico. Dessa maneira percebe-se mais uma vez o subjugamento do consumidor no mercado de consumo. Vícios esses que. o efeito demonstração a toda prova". a jurídica e a fática ou sócio-econômica. Leme: LED. 02. 18. andar na moda.

citado por João Bosco Pastos Gonçalves: "Publicidade é toda informação dirigida a público com o objetivo de promover. não merece guarida referida alegação. São pacíficas a doutrina e jurisprudência pátrias. que também faz referência às noções de informação e de divulgação. educados ou ignorantes.71 Segundo Marques "entende-se como contratos submetidos a condições gerais aqueles contratos. limitada a alguns – até mesmo a uma coletividade – mas nunca a todos os consumidores" (2001. Quando. Já a hipossuficiência é uma marca pessoal. na verdade. Nesse sentido a referida obra à página 250 na qual escreve o autor: "não fala o código em contra publicidade. p.. na forma já vista". VIII do Código de Defesa do Consumidor que elenca dentre os direitos básicos do consumidor. a facilitação da defesa de seus direitos". que cláusulas pré-elaboradas pelo fornecedor. 2002. ante o disposto no artigo 6º. tácita ou expressamente. no qual se argumenta que a norma do Art. crédulos ou espertos. a hipossuficiência a que alude o Código de Defesa do Consumidor é afirmada pela sua qualidade de consumidora frente ao fornecedor de serviço (sic).002927-1.325). inciso I do CDC (que se refere à possibilidade do consumidor ajuizar ação de responsabilidade civil do fornecedor no seu próprio domicílio) deve ser aplicada in casu como conseqüência da presunção de hipossuficiência da consumidora. em que o comprador aceita. Dúbel Cosme do TJRN.. tópico 2). 3a Vara Cível – Mossoró/RN. que citamos infra. Cf. disponibilizamos ao estudioso do assunto o conceito de Antônio Herman de Vasconcelos e Benjamin. Portanto. escritos ou não escritos. venham a disciplinar o seu conteúdo específico" (2002. para as ações de indenização. o legislador. diante do cargo de juíza de direito ocupado pela mesma. Para corroborar o supra afirmado. De acordo com os ensinamentos de Antônio Benjamin ". Exemplo de confusão entre os dois conceitos existe no trecho do agravo de instrumento. enquanto o objetivo da propaganda é a implantação de idéias. quando definem como competente o foro do lugar do dano ou do domicílio do consumidor. Verbis: "Embora a Agravante insista em desconsiderar a condição de hipossuficiente da Agravada. p. Relator: Des. unilateral e uniformemente para um número indeterminado de relações contratuais. n. dado que o objetivo da publicidade é vender. 99. uma atividade econômica" (Gonçalves. direta ou indiretamente.66). A vulnerabilidade é um traço universal de todos os consumidores. 08 07 06 05 Preocupou-se. ricos ou pobres. tal norma decorre da presunção juris et de jure de vulnerabilidade. 11 10 09 Já que tanto a proposta (ou oferta) como a publicidade poderiam ser . 101. com o desvio (publicidade ilícita) e não com o padrão.

Um estudo desses requisitos pode ser encontrado em (Diniz. 18 e ss). 5 da Lei Portuguesa de defesa dos consumidores. Apelação Cível e Remessa ex officio n º 8114/2000 e 7912/2000). constatar isso. Grifamos. A nossa lei de proteção não vedou expressamente o uso de cláusula de retratabilidade na proposta. Maiores apontamentos sobre o tema poderão ser encontrados em: Elaine Cardoso de Matos Novaes (1995. sendo totalmente aplicável a regra do artigo 7o. serviço ou direito consideram-se integradas no conteúdo dos contratos que se venham a celebrar após a sua emissão. em regra. 13 14 12 Compulsoriedade essa dada pela norma do artigo 30 do CDC. Cf em sentido contrário. op. Ocorrência de dano patrimonial positivo (dano emergente) ou negativo (lucros cessantes) e 2 – Nexo causal entre o dano e o inadimplemento daquilo que fora prometido em publicidade. mas entendemos que tal vedação está subentendida. a necessidade de comprovação de culpa por parte do fornecedor para responsabilizá-lo (regra que possui como exceção o caso dos profissionais liberais) de modo que para que haja a condenação em perdas e danos basta que se apresentem os demais requisitos: 1. 251). 2002). a ausência de qualquer esclarecimento acerca do que o fornecedor pretendeu com a expressão ‘inédito’.080 do Código de 1916. norma repetida no Código ora em vacatio legis ao artigo 427). p. 2) A predeterminação e 3) A rigidez. nas relações de consumo a proposta sempre obrigará o fornecedor promitente. o que bem caracteriza o informe como obscuro" (TJDFT. p118 ) coloca os seguintes elementos. como características do contrato de adesão: 1) A uniformidade. 3ª Turma Cível. Saliente-se que pelo fato do direito consumerista ser um direito de proteção ao consumidor e não de repressão ao fornecedor negligente. tendo-se por não escritas as cláusulas contratuais em contrário". 2001. inexiste. p. 1998. 17 18 16 15 Cf nesse sentido: (Moraes. 19 . Ao contrário do que ocorre no seio das relações regidas pelo Código Civil (vide art. cit). Cf nesse sentido: (Gomes.72 aprioristicamente definidos como atos pré-negociais. que se identificam com os mencionados supra. Já se considerou como enganosa por omissão publicidade que dizia: "Hoje promoção inédita de Santana e Parati" posto que "basta um simples raciocínio para. e (Loureiro. in fine: "As informações concretas e objetivas contidas nas mensagens publicitárias de determinado bem. 1. defendendo que a publicidade é espécie de oferta: (Filomeno. de pronto. 1999). 2000). Genovese apud Orlando Gomes ( 1999. p. considerando a proposta como negócio jurídico unilateral: (Lôbo. 379). Em sentido contrário.

variação de preço de maneira unilateral não era procedimento abusivo antes do advento da Lei de proteção ao consumidor. 3º §2º. 226 e ss. AG 430435 RS. apenas a se formalizar tal entendimento. Previsão legal que de tão explícita.) os contratos bancários alcançaram a tal nível de popularidade que mesmo o cidadão mais humilde não costuma escapar da ação (muitas vezes nefasta) dos tipos mais comuns. AG 430458 RS. ao nosso ver. Já que o CDC. Meneses (2002. financeira. AG 445314 RS. definindo serviço. faz expressa referência ao de natureza bancária. etc. Não há de se falar. complexidade ou cláusulas abusivas. G. que o uso de cláusula que permita ao fornecedor. verbis: "Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo. 37): "(. STJ. com o CDC. 193 e ss. Dentre tantos outros julgados. Corroborando a posição colocada a respeito da possibilidade de integração contratual por parte do Judiciário: Bonatto (2001. AG 420203 RS. diz Daniel M..). p. mediante remuneração. AG 438114 RS. o depósito em conta corrente. p. AG 445664RS. RESP 293778 RS e RESP 213825 RS. como: depósito bancário.).. 3º T: AG 448061 MG. 4º T: AG 444223 RS. inclusive as de natureza bancária. salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista" (grifamos). uma vez que tal prática sempre foi considerada leonina vindo. p. RESP 325620 RS. do art. de crédito e securitária. 25 .". AG 424767 RS.73 Lista pormenorizada contendo esses e outros meios pode ser encontrada em Moraes (1999. Sobre o assunto. descarta a necessidade de realizar maiores divagações teóricas sobre o assunto. AG 425643 RS. 23 24 22 21 20 Seja através do uso de tecnismo. nesse sentido.

muitos países.74 O princípio da boa-fé no Código de Defesa do Consumidor Autor: Francisco José Soller de Mattos A boa-fé. Porém. no Código Civil. ao contrário de sistemas legais alienígenas como os da França. não foi contemplado. Estados Unidos e Alemanha. como princípio. Pois bem. este princípio. dando o norte ético para todos os partícipes do vínculo jurídico. Espanha. verifica-se o fenômeno de que. que positiva o princípio em comento. Nesse sentido. ante a importância do regramento de conduta nas relações obrigacionais. contemplam. estabelecendo um elo de cooperação. aduzindo: "O devedor é obrigado a realizar a prestação do modo como o exige a boa-fé levando em conta os usos de tráfico". . de artigo de teor próximo ao § 242 do BGB. Portugal. atrelados ao "comportement réflechi à l’égard d’autrui. expressamente. mesmo em face da não existência. apresenta-se como pilar dos mais importantes na sustentação da teoria contratual moderna. o princípio em tela mantém vigência imperativa. Suíça. vale trazer à colação o BGB . com artigo expresso. consignando que os contratos devem ter interpretação e também execução. na legislação pátria não se traduz como regra geral. Itália. Assim. feixe de deveres que induzem a um mandamento bilateral de conduta. ou seja. mais especificamente a letra do § 242. para ilustrar. no Código Civil Brasileiro.Bürgerliches Gesetzbuch (Código Civil Alemão). o princípio da boa-fé. por seus sistemas de leis. em face do objetivo comum avençado.

verificamos. deixou de coadjuvar no plano legislativo para. deixa escapar o seu sentido para uma conceituação aberta. na letra do art. inciso III do indigitado sistema legal. quase que isoladamente consignada. indutora de uma nova postura no ambiente contratual. Atualmente. a sua importância de princípio supremo do direito civil. E. ou dela inferível" (Orlando Gomes). a boa-fé. dentro desse conjunto legislativo. de tão abrangente.75 A inspiração legislativa brasileira para a consideração do princípio da boa-fé nas relações obrigacionais achava-se. 4º do CDC consagre a autonomia do "Princípio da Transparência". 4º. após plena consolidação do CDC como um instrumento positivo e que efetivamente mudou o panorama contratual moderno do Brasil. a prevalência da boa-fé como seu princípio de orientação máxima. muito embora o próprio caput do art. não há como se negar que este nada mais é do que uma das mil faces da boa-fé. que. em sendo positivada no art. instituído pela Lei nº 8.078. 85 do Código Civil. de onde depreende-se a vontade Estatal que: " o literal da linguagem não deve prevalecer sobre a intenção manifestada na declaração de vontade. galgar. . Ocorre que. de 11 de setembro de 1990. com o advento do Código de Defesa do Consumidor. segundo Larentz.

INTRODUÇÃO A dicotomia entre relações jurídico-obrigacionais civis e comerciais já era ancestral quando. tal como os anteprojetos de Código das Obrigações de 1941 (redigido por Orozimbo Nonato. surgiu uma nova modalidade de relação obrigacional. Hahnemann Guimarães e Philadelpho Azevedo). Em 1943 a repartição dicotômica se tornou tricotômica com a edição da Consolidação das Leis do Trabalho – às duas modalidades de relações obrigacionais acresceu-se a relação de emprego. muito embora outros anteprojetos já tivessem trilhado a mesma linha.76 A relação jurídica de consumo: conceito e interpretação Autor: Marcelo Azevedo Chamone 1. enquanto outros querem restringir-la. e de 1963 (de Caio Mário da Silva Pereira). em 1866. Tal proposta unificadora somente veio finalmente a se tornar direito positivo com a aprovação do Código Civil de 2002. Desde então se debate onde estaria a marca divisória entre as relações civis e as trabalhistas. Mais uma vez surgiram acalorados debates sobre os limites dessa nova categoria. Uns buscam ampliar a área de incidência da legislação consumerista. a de consumo. resultado de um projeto de 1975. O jurisconsulto baiano já visualizara a artificialidade dessa divisão – não havia qualquer diferença de essência entre as obrigações civis e as comerciais. Já em 1990 essa divisão foi acentuada com a edição do Código de Defesa do Consumidor. para abranger o maior número de relações no mercado. pretendendo valorizar a proteção às situações em que o consumidor "seja realmente" a parte mais fraca da relação. o que só foi acentuado com a expansão da competência da Justiça do Trabalho – talvez esteja aí o germe de uma futura reunificação. sobre o que seria relação de consumo e o que seguia sendo relação civil ou (até 2003) comercial. Teixeira de Freitas propôs a sua unificação enquanto abandonava a elaboração do projeto de um Código Civil onde o Governo insistia em manter o cisma. uma vez que a responsabilidade objetiva (carro-chefe da lei consumerista) . Com a edição do Código Civil de 2002 tal discussão perdeu um pouco de sua relevância. sob o argumento de ampliar ao máximo a proteção às partes vulneráveis – seja sob o aspecto técnico ou econômico – nas relações obrigacionais.

num sistema que vem sendo apelidado de "dúplice". buscando identificar o estado-da-arte do tema. passaremos a definir o conceito de cada um dos elementos da chamada "relação de consumo". limitando. parágrafo único. atentando para as principais correntes doutrinárias. estariam sob a competência da Justiça do Trabalho. a regra da responsabilidade subjetiva ficou praticamente reduzida às relações entre particulares. a hipótese é de produto. Assim. onde vertentes da jurisprudência trabalhista defendem que todos os tipos de prestação de serviços. 2. decorrentes de atos e fatos jurídicos. deixando ainda mais embaçada a linha divisória entre elas. . como veremos abaixo. a ampliação das hipóteses de revisão contratual trazidas pelo novo Código Civil aproximou muito as relações civis das de consumo. no outro caso. Em geral há uma cumulação de prestação de serviço com fornecimento de produto. Na verdade. o conceito de consumidor. Sempre que o tratamento não for unificado haverá debates doutrinários e jurisprudenciais sobre a delimitação de cada um." [01] Nem sempre a relação de consumo será um negócio jurídico. ora tendendo para um lado. Do mesmo modo. RELAÇÃO DE CONSUMO Por relação de consumo é de se entender toda relação jurídico-obrigacional que liga um consumidor a um fornecedor. é preciso "averiguar qual é o elemento nuclear do vínculo obrigacional: uma obrigação de dar ou uma obrigação de fazer. o momento jurisprudencial indica que o pêndulo tende para a restrição da aplicação do CDC.77 foi elevada a padrão juntamente com a responsabilidade subjetiva. para se determinar qual o regime jurídico a ser aplicado ao caso. Esse breve panorama do tratamento legislativo dado às relações obrigacionais serve para mostrar a artificialidade e instabilidade de qualquer tentativa de compartimentalização. o objeto é um serviço. ora para o outro. em decorrência do art. A fragilidade dos conceitos se mostra aparente com a recente e ainda incipiente discussão surgida com a EC nº 45. Assim. a lei coloca sob a mesma denominação relações contratuais (negócios jurídicos) e não-contratuais. tendo como objeto o fornecimento de um produto ou da prestação de um serviço. 927. inclusive os regidos pelo CDC. como veremos abaixo. Tratando-se daquela. No que concerne às relações de consumo.

2º. VI. já se podem identificar algumas áreas de disputa conceitual: a) quanto à natureza do sujeito protegido: pessoal natural ou jurídica. 8º a 28). 6º. a fim de identificar claramente os limites de cada uma dessas esferas de proteção. 29) as regras sobre proteção contratual e práticas abusivas. então. pessoal. o CDC traz quatro definições diferentes de consumidor: a duas delas (art. c) quanto à finalidade da aquisição do bem ou produto: para uso privado. Temos. 3. a outra (art. não . o CDC trata sobre os seguintes temas: da responsabilidade civil (arts. 17) as regras sobre responsabilidade civil extracontratual. e para a última categoria (art. a princípio. que a proteção do CDC recairá exclusivamente ao consumidor standard (art. I a IV. artigo já clássico onde o autor buscava. CONSUMIDOR Em 1988 foi publicado pelo então promotor de justiça de São Paulo. 2º. Àquela época e ainda hoje o tema é tormentoso: "Embora o vocábulo consumidor não esteja assentado com um conceito claro. 29 a 45). Não obstante. V e X. Destarte. quando uma parte tão pequena do Código é dedicada exclusivamente a ele. delimitaremos a seguir os elementos básicos das relações de consumo. Essa conclusão leva à interessante reflexão sobre a quantidade de folhas que já foram escritas sobre a definição do conceito standard de consumidor. temos que o Código irá atuar de forma preventiva e repressiva nas relações de consumo tanto no âmbito contratual como no extracontratual. 2º. parágrafo único) somente nas situações de responsabilidade civil contratual (vícios do produto ou serviço). delimitar o conceito de consumidor. caput e parágrafo único) são aplicadas todas as disposições do Código. tanto no pré-contratual como no pós-contratual. caput) e aos "intervenientes" nas relações de consumo (art. b) quanto à necessidade de vínculo contratual: só quando há contrato ou também nos casos de relações jurídicas extracontratuais. das práticas comerciais (arts. No plano do direito privado material. Como veremos mais detalhadamente abaixo. familiar.78 Deste modo. com o auxílio de textos de legislação e doutrina estrangeira. 46-54). todas as demais disposições do CDC se aplicariam quase que irrestritamente à coletividade em geral face a redação genérica dos artigos que ampliam o conceito de consumidor. nos termos dos conceitos dados pelo próprio Código. Herman Benjamin. 6º. e da proteção contratual (art. 6º.

A que se mostra mais espinhosa é sem dúvida a primeira. pois não são somente aqueles participando efetivamente das relações de consumo que estão sujeitos a sofrer danos em decorrência dessas relações. contrate para consumo final. bem como a prestação de um serviço. citando como exemplo a entidade familiar. cada país adota um conceito diferente. James Marins [08] entende que também o ente despersonalizado pode ser tomado como consumidor. é consumidor "qualquer pessoa física ou jurídica que. Apesar de não haver disposição expressa. Maria Antonieta Donato [09] o acompanha em parte.79 profissional e comercial. onde sujeitos a princípio não classificados como consumidores são colocados numa posição semelhante. discordando apenas da inclusão da ." [05] Rizzatto Nunes acrescenta que "a norma define como consumidor tanto quem efetivamente adquire (obtém) o produto ou o serviço como aquele que." [02] Na legislação estrangeira não é possível encontrar uma definição uniforme. isolada ou coletivamente. A existência de diversos conceitos no direito positivo se mostra necessária. há uma série de situações extracontratuais. e outras três de ‘consumidor equiparado’. de acordo com as suas peculiaridades sociais e econômicas. utiliza-o ou o consome" [06]. de modo que não seria justo nem eqüitativo dar-lhes tratamento legislativo diferenciado. tende-se para uma conceituação mais restrita. na delimitação do âmbito de proteção oferecido pela lei. palavras de Roberto Senise Lisboa. A nossa legislação. Onde não há uma legislação consumerista codificada chega a haver diversos conceitos de consumidor. trás quatro definições diferentes de consumidor: uma chamada de ‘consumidor standard’. [04] nos demais. d) quanto à qualidade do objeto da relação de consumo: apenas bens ou também serviços. ao que. consumidor é "toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final" (art. ficando a cargo da doutrina e jurisprudência fazê-lo – nesses casos. resulta em "substancial modificação do princípio geral da relatividade dos efeitos" [07]. em benefício próprio ou de outrem. ao contrário do que ocorre em relação ao fornecedor. e) quanto ao tipo de bens: só bens móveis ou também imóveis.1 O consumidor standard Inicialmente. caput). um aplicável para cada situação específica regulada por aquela lei. em outros termos. [03] Em alguns sistemas simplesmente não há definição legal de consumidor. f) quanto ao tipo de serviço: só serviços privados ou também serviços públicos. possibilitando a proteção de terceiro estranho ao contrato – há uma prevalência da "relação de consumo" sobre o "contrato de consumo". não o tendo adquirido. de modo geral. 3. a aquisição ou a locação de bens. bem como pré e pós-contratuais. mesmo codificada. 2º.

os quais. Fábio Konder Comparato.1. Apesar da disposição inequívoca da lei. e. principalmente porque a própria lei não as faz. sem ligação com a sua atividade empresarial própria. Quando se fala. de modo geral. por exemplo. cada um dos membros da família deveria pleitear seus interesses individualmente. é também consumidor. e cita como exemplos o condomínio edilício e o espólio – para a autora. em proteção do consumidor quer-se referir ao indivíduo ou grupo de indivíduos. se apresentam no mercado como simples adquirentes ou usuários de serviços. Muito antes da edição do CDC. formaram-se: uma restringindo o conceito de consumidor. aquele que se submete ao poder de controle dos titulares de bens de produção. muito mais preocupada com a proteção do consumidor pessoa física. Porém.80 família nessa situação. buscou delimitar o conceito de consumidor. buscando aproximá-lo o mais possível da doutrina européia. em maior ou menor medida.1 O conceito objetivo de consumidor Para os juristas que vêem no CDC uma regulamentação para o mercado de consumo em geral. buscando apoio na doutrina estrangeira. e antagônicas. no entanto. ainda que empresários. . a legislação brasileira veio com uma proposta muito mais ousada. sem que outra destinação seja objetivada pelo beneficiado (adquirente ou usuário)". enquanto a outra trata de dar maior aplicabilidade à lei. depende por sua vez de outros empresários. dando especial atenção à finalidade da aquisição do produto ou serviço: "O consumidor é. dissenso sobre quem poderia ser classificado como destinatário final do produto ou serviço. com reflexos na jurisprudência. É claro que todo produtor. como fornecedores de insumos ou financiadores. 3. defendendo a sua incidência sobre o maior número de relações jurídico-obrigacionais. com a lei veio a superação desses conceitos baseados nas lições européia e norte-americana. para exercer a sua atividade produtiva. o conceito de destinatário final não pode sofrer restrições. os empresários. a causa da formação da relação de consumo deverá estar relacionada "à transmissão definitiva ou provisória de produto ou de atividade humana remunerada. pois. "tornando necessária a análise da causa da aquisição ou da utilização do produto ou do serviço". nesse sentido. buscando uma proteção mais ampla e generalizada. isto é. Roberto Senise Lisboa [11] vê na expressão destinatário final a adoção pelo CDC da teoria da causa na relação jurídica de consumo. Duas correntes principais. surgiu na doutrina." [10] Antes da edição do CDC era comum encontrar esse tipo de definição.

. não cabendo ao intérprete/aplicador impor suas opiniões sobre a norma. sem o intuito de obter lucro com a sua futura negociação. como a lei não faz qualquer restrição quando utiliza o termo pessoa jurídica. ele será o destinatário do produto ou serviço e.. Assim. i.81 Não obstante. É certo que dessa conceituação estaremos trazendo para a relação de consumo situações que vão contra o senso comum.e..) sejam oferecidos regularmente no mercado de consumo. Podem ser citados como defensores dessa interpretação. não havendo qualquer necessidade de inquirir sobre aspectos subjetivos.e. dá um conceito restritivo de destinatário final: ela o identifica com a pessoa física que retira o bem de mercado.. também quando há a finalidade de produção. Mais. Rizzatto Nunes [12] define como consumidor. Exclui as situações em que o produto ou serviço "é entregue com a finalidade específica de servir como ‘bem de produção’ para outro produto ou serviço e via de regra não está colocado no mercado de consumo como bem de consumo. independentemente do uso e destino que o adquirente lhes vai dar".1. i.. Porém. que o profissional pessoa física ou pequena empresa que tenha adquirido um produto fora de seu campo de especialidade. adepta da dita "corrente finalista". aquele que não o revende nem o incorpora na produção de um novo. não caberia ao intérprete/aplicador fazê-lo. João Batista de Almeida [15]. . Assim. Roberto Senise Lisboa. Rizzatto Nunes. se a implementação ou transformação é feita para o uso próprio do adquirente. portanto. João Batista de Almeida e James Marins. além do "destinatário final" que adquire o produto ou serviço para uso próprio (sem finalidade de produção). porém. [13] James Marins [14]. ou simplesmente com o intuito de revendê-lo. consumidor é todo aquele que retira o produto ou serviço do ciclo produtivo-distributivo.e. Assim.2 O conceito subjetivo de consumidor Cláudia Lima Marques [18]. não pode estar adquirindo para revenda ou uso profissional. 3. i. consumidor [17] – não se discute se o bem é de produção (utilizado para implementar a produção) ou não. "pois o bem seria novamente um instrumento de produção cujo preço será incluído no preço final do profissional que o adquiriu" [19]. Nery Jr. é o que nos é dado pela lei. com variações. mas como de produção.. "desde que o produto ou serviço (. e Roberto Senise Lisboa [16] excluem do conceito de consumidor apenas o adquirente de produto que será objeto de transformação ou implementação com reinserção na cadeia produtiva-distributiva. possam ser considerados consumidores – note-se que essa definição é intimamente ligada às qualidades econômicas do adquirente. para a definição do conceito de consumidor deve-se tão somente analisar os critérios objetivos dados pela própria lei. Admite. bom ou mal. o destinatário fático e econômico do bem ou serviço. o consumidor comum não o adquire".

em função da qualidade subjetiva daquele que pratica a relação de consumo e em função da destinação que ele dará ao produto". mas sim. no critério legal para a definição do consumidor e da relação de consumo.e. o que o citado autor identifica com as pessoas jurídicas que não tenham finalidade lucrativa. ou a pessoa física em atuação profissional (‘consumidor-profissional’). agindo com vistas ao atendimento de uma necessidade própria e não para o desenvolvimento de uma outra atividade negocial. em benefício próprio ou de terceiro. Assim. [21] De acordo com Filomeno [22]. i. de que a aquisição do produto ou do serviço foi realizada por um sujeito de direito que se enquadra na definição legal de consumidor. E. o Código teria adotado o conceito econômico de consumidor. Assim. "não se analisa o consumidor unicamente em relação à prática do ato. deve haver comprovação de que a contratação se deu fora do seu campo de atuação usual.. em face do fornecimento dos produtos e serviços e do domínio da tecnologia e da informação que o fornecedor possui sobre eles. Assim. Quanto à "vulnerabilidade" utilizada como elemento do conceito de consumidor.82 Para Maria Antonieta Donato [20] o consumidor deve ser conceituado dentro do âmbito da relação de consumo. o segundo estaria na configuração no caso concreto da vulnerabilidade. em outras palavras "a finalidade prática do ato e não o ato em si". deve-se mesclar a qualidade do adquirente do produto com a finalidade para que o adquiriu. que surge como conseqüência do reconhecimento da existência da relação de consumo. Roberto Senise Lisboa [23] tece as seguintes considerações. havendo. presunção de vulnerabilidade em seu favor. é dizer: o personagem que no mercado de consumo adquire bens ou contrata serviços. "É imperativo lembrar que a vulnerabilidade não se constitui. como destinatário final. "Aquele que vier a ser considerado consumidor é quem se beneficiará . sua utilização para implementar o processo produtivo. pois é ela um posterius. que subscrevemos integralmente: "A vulnerabilidade do consumidor é presunção absoluta no mercado de consumo. porém. necessariamente. não sendo possível fazê-lo sobre o ato de consumo. "retirando-o da cadeia produtiva e. por decorrência. para que a pessoa jurídica. somente se justificaria a inclusão da pessoa jurídica como consumidora na medida em que houver efetiva vulnerabilidade econômica em face do fornecedor a ser protegida. Não basta que retire o produto do mercado. não se caracterizando a aquisição para o uso profissional". possa ser considerada consumidora. pois somente essas seriam "vulneráveis". haveria três fatores de discrímen: o primeiro estaria na aquisição de produto. e por fim.

[25] Em outras palavras. Do reconhecimento da situação de consumidor do sujeito em dada relação jurídica é que se impõe o princípio geral da vulnerabilidade. aquele que coloca um fim na cadeia de produção". mas tão somente aquele que "retira o bem do mercado ao adquirir ou simplesmente utilizá-lo (Endverbraucher). os defensores desta corrente interpretativa usualmente fundamentam suas posições não tanto nas disposições do CDC. e de doutrina e legislação estrangeira. consumidor "seria toda pessoa situada no término da cadeia de consumo e que encerra a circulação econômica de um produto ou serviço em vez de sobre ele atuar com vistas a sua transformação. na prática. nosso entendimento de que havendo no direito positivo conceito preciso de consumidor – como em verdade ocorre com o art. consumidores serão instituições. E essa presunção é iure et de iure." É interessante notar que com base no mesmo "conceito econômico de consumidor". Sobre esse ponto é relevante o pensamento de James Marins: "Esclareça-se. e a generalização da aplicação da legislação de proteção ao consumidor. mas mais presos às definições elaboradas antes da publicação da lei. fabricação ou prestação. na teoria econômica. não admite prova em sentido contrário. como premissa para este estudo. indivíduos e grupos de indivíduos. Tipicamente. iria terminar por dar tratamento igual para todos. Herman Benjamin afirma que o conceito de consumo final e intermediário estão unidos. desvirtuando a finalidade do Direito do Consumidor de "proteger a parte mais fraca ou inexperiente na relação de consumo" [27]." [26] A justificativa dessa posição mais restritiva é feita com base no argumento de que o consumidor deve receber tratamento especial e diferenciado. o consumidor é entendido como um indivíduo. os bens adquiridos devem ser bens de consumo e não de capital (que integram a cadeia produtiva). consumidor é: "qualquer agente econômico responsável pelo ato de consumo de bens finais e serviços. além dos requisitos acima. mas. Pelo contrário. de modo que. Mas a vulnerabilidade não é pressuposto do reconhecimento de que um sujeito adquiriu determinado produto ou serviço como consumidor.83 da presunção de vulnerabilidade diante do fornecedor. ou seja. apenas. não obstante essas considerações." [24] Destarte. 2º aqui objeto do nosso . distribuição. para que a pessoa jurídica possa ser considerada consumidora. Como já notado acima. estendendo o rol dos beneficiados por essa proteção. "aquele que utiliza o bem para continuar a produzir ou na cadeia de serviço" não pode ser considerado consumidor. passando muitas vezes ao largo do texto legal.

segundo entendiam os ministros. no processo produtivo. enfraquecer o sistema protetivo inaugurado pelo CDC.3 As posições do STJ e STF O STJ sempre buscou evitar a aplicação indiscriminada do CDC. o bem ou serviço. e de um fornecedor. Isso não impediu que de início houvesse uma interpretação objetiva do conceito de consumidor. pessoal. pacificando-se o conceito subjetivo de consumidor. não podendo ser reutilizado. em verdade.84 estudo –. um "desvirtuamento do sistema protetivo eleito pelo Código". Neste sentido é o atual posicionamento da Min. jurídica ou técnica. outrora ardente defensora da corrente contrária: não basta que o consumidor (adquirente de produto ou serviço. nível de informação/cultura ou valor do contrato em exame. Nancy Andrighi [32]. do contrato celebrado entre as partes. admitindo exceções: "Em relação a esse componente informador do subsistema das relações de consumo. praticamente excluindo as pessoas jurídicas consumidoras do âmbito de proteção do Código. e que albergue conceito próprio induvidoso. para excluir a incidência do CDC em situações em que fosse verificado o expressivo porte financeiro ou econômico: da pessoa jurídica tida por consumidora." E mais adiante afirma que a relação de consumo "não se caracteriza pela presença de pessoa física ou jurídica em seus pólos. a utilização deve romper a atividade econômica para o atendimento de necessidade privada. não se pode olvidar que a vulnerabilidade não se define tão-somente pela capacidade econômica. de outra circunstância capaz de afastar a hipossuficiência [30] econômica. mas pela presença de uma parte vulnerável de um lado (consumidor)." [28] "Condicionar-se o conceito de consumidor à constatação de sua hipossuficiência seria. ou utente do serviço público) seja "destinatário final fático do bem ou serviço. a jurisprudência tempera a posição doutrinária. ora textualmente afastadas em prol da elaboração de um sistema próprio.1." [29] 3. deve ser também o seu destinatário final econômico. no nosso sistema. não se pode pretender submetê-lo às teorias jurídicas informadoras de sistemas alienígenas. de outro. Todos esses elementos podem estar presentes . houve uma virada de entendimento. inclusive. isto é. com leves temperamentos. ainda que de forma indireta. teorias essas ora textualmente recebidas pelo legislador. deslocando para o movediço critério subjetivo conceito que. é claramente e intencionalmente informado pela objetividade. recentemente." Mais uma vez. evitando assim. [31] Porém.

financeira e de crédito. é "consumidor". o STF incidentalmente manifestou-se sobre o conceito de consumidor. como efetivamente é. qualquer esforço retórico desenvolvido com base no senso comum ou em disciplinas científicas para negar os enunciados desses preceitos normativos. mediante remuneração. todas elas. Diante da definição legal. o que descrito está no seu art. Não importa seja possível comprovar. Isso não apenas me parece. para os efeitos do Código de Defesa do Consumidor. financeira. e aquela que vem sendo adotada pelo STJ. O art. E o § 2º do art. 2º e no seu art. inquestionavelmente. o profissional do direito não perde tempo em cogitações como tais. pela extremada necessidade do bem ou serviço. dentre outros fatores.2 O consumidor por equiparação . pelas exigências da modernidade atinentes à atividade. 3. economicamente. Assim temos que. agora somente a demonstração da vulnerabilidade convencerá os julgadores de que a pessoa jurídica é consumidora. Por certo que as instituições financeiras estão. Entende-se como "consumidor". pela natureza adesiva do contrato imposto. inclusive as de natureza bancária. Eis o trecho do voto condutor do Min. O jurista. Cuide apenas de pesquisar os significados dos vocábulos e expressões que compõem a definição e de apurar da sua coerência com o ordenamento constitucional. diante disso. toda pessoa física ou jurídica que utiliza. por a + b. 3º define como serviço "qualquer atividade fornecida no mercado de consumo.85 e o comprador ainda ser vulnerável pela dependência do produto. 2º do Código diz que "consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final". para os efeitos do Código do Consumidor. Chamado a decidir questão sobre o campo de incidência do CDC. força é acatá-la. como destinatário final. que tal ente ou entidade não pode ser entendido. 3º e §§1º e 2º. Inútil. inquestionável. de crédito e securitária. [35] Apesar de não haver um aprofundamento na definição de o que seria "destinatário final". mais ligada à definição objetiva de consumidor. como "produto" e como "serviço". pelo monopólio da produção do bem ou sua qualidade insuperável. "fornecedor". ficou claro o dissídio entre a posição sufragada pelo STF. o Código define "consumidor". como "fornecedor". "produto" e "serviço". salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista". atividade bancária." [33] Se antes a demonstração da inexistência de vulnerabilidade fazia excluir a aplicação do CDC. sujeitas ao cumprimento das normas estatuídas pelo Código de Defesa do Consumidor. como consumidor ou fornecedor. Eros Grau sobre a questão: Como observei também em outra oportunidade [34].

A dificuldade está principalmente em construir uma interpretação desta norma de modo que não se confunda com as demais regras de abertura do Código. Mirella Caldeira [40] conclui que a função deste dispositivo é "reforçar a idéia da tutela dos interesses difusos e coletivos". vindo a intervir nas relações de consumo de outra forma a ocupar uma posição de vulnerabilidade. 6º. ou quando forem vítimas de acidente de consumo. o que não diz muito. Eliminando aqueles definidos no caput do art.2. a posição preponderante do fornecedor a posição de vulnerabilidade dessas pessoas justificam a equiparação feita pelo legislador. podem vir a ser atingidas ou prejudicadas pelas atividades dos fornecedores no mercado. não sobra ninguém! Seguindo raciocínio semelhante. ou ainda estiverem expostas às práticas comerciais ou contratuais. mas sem sofrer danos. fica difícil enxergar um campo de incidência para o parágrafo único.1 O interveniente nas relações de consumo "Equipara-se a consumidor a coletividade de pessoas.86 Diversas pessoas. indeterminável ou não. Se a pessoa interveio na relação de consumo. que já têm previsão nos art. Rizzatto Nunes [38] afirma que "a hipótese dessa norma diz respeito apenas ao atingimento da coletividade. 2º (consumidores). que haja intervindo nas relações de consumo" (art. anda que não possam ser consideradas consumidores stricto sensu. Esse parágrafo é de difícil interpretação. Porém. 2º. . 3º (fornecedores) e no caput do art. parágrafo único). e os comentadores. mas também com a sua potencial aquisição – assim. ainda que não possam ser consideradas consumidoras no sentido estrito. Pela leitura dos demais artigos. VI e 81. [36] A conceituação legal não se ocupa apenas da aquisição efetiva de produtos e serviços. Fábio Ulhoa [39] define as pessoas abrangidas por essa norma não como integrantes do grupo de consumidores em potencial. mais preocupados com o caput deste artigo. ainda que indetermináveis. também estão protegidos os potenciais consumidores. parece-nos que essas pessoas estão mais bem colocadas nas demais definições trazidas pelo Código: quando forem consumidoras efetivas. [37] 3. 2º. já que neste caso o art. não se aprofundam no tema. mas "as pessoas do relacionamento social do consumidor que podem sofrer eventuais efeitos indiretos da relação de consumo". ou será fornecedor ou será consumidor. do art. 17 enquadra a questão". atribuindo-lhe conteúdo e significado próprios.

2º. de modo que o "intermediário que adquirir produto sem que o faça na condição de adquirente ou usuário final" deverá se valer das disposições do Código Civil. Nesse ponto o silêncio da doutrina confirma que distinção alguma há entre as vítimas do acidente de consumo. mesmo que não possa ser assim considerado com base na definição do art. independente de haver qualquer relação prévia entre fornecedor e vítima. estão protegidos todos os potenciais consumidores. [42] Mesmo o adquirente intermediário poderá se valer das regras do CDC para buscar a recomposição de seus danos. pois a tutela nessas áreas "não se pode restringir ao momento posterior ao acordo entre o consumidor e o fornecedor". lançar mão das normas do Código do Consumidor referentes à proteção contratual e às práticas comerciais" [44] . para que tenha . com base no art. com ou sem intuito de lucro. Outrossim. 17). Assim.2 A vítima de acidente de consumo "Para os efeitos desta Seção [da responsabilidade pelo fato do produto e do serviço. 29).. "sujeitos à mesma proteção que a lei reconhece aos consumidores no tocante às práticas comerciais e contratuais". quando houver vício no produto ou serviço.3 A pessoa exposta às práticas comerciais e contratuais "Para os fins deste capítulo [das práticas comerciais] e do seguinte [da proteção contratual]. tal equiparação somente é valida na responsabilidade civil decorrente de fato do produto ou serviço. "não há dispositivo que autorize o intermediário que não adquira ou utilize o produto ou serviço como destinatário final a agir com base no Código do Consumidor". pouco importando que seja pessoa física ou jurídica. 3. devendo antecedê-lo. entretanto.87 É dizer. não se exigindo que a vítima seja consumidor final.e. [43] Tal argumentação permite concluir que até mesmo a pessoa jurídica de forma geral. i. enquanto o caput do art. responsabilidade extracontratual.2. Assim. o parágrafo único do mesmo artigo garante a sua proteção coletiva. aplicando-se integralmente as normas sobre responsabilidade objetiva pelo fato do produto [41].2. equiparam-se aos consumidores todas as pessoas determináveis ou não. 3. qualquer vítima de um produto ou serviço receberá a proteção do CDC como se consumidor fosse. inclusive aquele que adquiriu o produto para revenda. equiparam-se aos consumidores todas as vítimas do evento" (art. privada ou pública. expostas às práticas nele previstas" (art. 29. 2º garante a proteção individual do consumidor. pequena ou grande empresa. "podendo. está acobertado por esta disposição legal.

para os consumidores diante da prática comercial abusiva. parágrafo único. [51] Atente-se que nem todo fornecedor é empresário. fundações públicas ou privadas. Assim. etc. sociedades de economia mista. exclui o profissional liberal do conceito de empresário. com ou sem fins lucrativos. toda a coletividade de pessoas já está exposta a ela.. de pessoas jurídicas e de pessoas físicas. seja sociedade empresarial. Esse entendimento se faz possível pela não inclusão de qualquer tipo de limitação na definição do art. ostensivamente quando atua como agente econômico ou prestando serviços . ao revés. exportação. sua nova ordem pública. 2º. sua ética de responsabilidade social no mercado. montagem." [46] Herman Benjamin esclarece ser "indiferente estejam essas pessoas identificadas individualmente ou. 966. sendo-lhes facultado o manejo "[d]as normas especiais do CDC. o art. nacional ou estrangeira. fornecedor é todo e qualquer participante do ciclo produtivo-distributivo. apontando como único limite a idéia de prejuízo. façam parte de uma coletividade indeterminada composta só de pessoas físicas ou só de pessoas jurídicas. seus princípios. do CDC). do CC. que desenvolvem atividades de produção. mas isso não lhes afasta da incidência do CDC. distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços". direto ou indireto." [47] Cláudia Lima Marques [48] inclui entre as pessoas expostas às práticas abusivas também os agentes econômicos. ou. órgãos da Administração direta. para combater as práticas comerciais abusivas". empresas públicas.88 um caráter preventivo e mais amplo". transformação. O único requisito é que estejam expostas às práticas comerciais e contratuais abrangidas pelo Código. ao contrário do que ocorre no art. FORNECEDOR Fornecedor. bem como os entes despersonalizados. Em suma. [50] A definição que nos é dada pela lei não exclui nenhum tipo de pessoa jurídica. segundo a definição legal (CDC 3º). caput. Também o Estado. até. criação. não se exige que o fornecedor tenha personalidade jurídica. onde há referência expressa ao ‘destinatário final’. 4º. ainda que mereça tratamento diferenciado (art. Assim. [45] "Uma vez existindo qualquer prática comercial. 29. importação. e nem mesmo capacidade civil. As sociedades simples (CC 981 e 982) não são empresárias. mas não há dúvidas de que ele é tratado como fornecedor pelo CDC. pública ou privada. ainda que em nenhum momento se possa identificar um único consumidor real que pretenda insurgir-se contra tal prática. "é toda pessoa física ou jurídica. construção. [49] 4. 14.

se a entidade associativa tiver como fim precípuo a prestação de serviços. são os órgãos deliberativos soberanos nas chamadas ‘sociedades contingentes’". ou então mediante participação direta em assembléias gerais que. está abrangido pelo conceito de fornecedor.89 públicos mediante remuneração direta [52].1.e. com regularidade. como se sabe. 4. de modo que. pois "seu fim ou objetivo social é deliberado pelos próprios interessados. diz Filomeno . não são considerados profissionais .2 Profissionalismo Outrossim. deve ser considerada fornecedora desses serviços.. não se exigindo que o prestador seja "profissional" da área. o que caracteriza o fornecedor de produtos é o desenvolvimento de atividades tipicamente profissionais. [53] Filomeno enquadra na definição de fornecedor todos que "propiciem a oferta de produtos e serviços no mercado de consumo. [59] A regularidade consiste no exercício constante e estável da atividade. e o propósito de obter um ganho. sejam representados ou não por intermédio de conselhos deliberativos.1 Atividade econômica Por atividade se entende o "conjunto de atos ordenados em função de um determinado objetivo (. não podem ser considerados fornecedores em face de seus associados e condôminos. sendo despiciendo indagar-se a que título. de onde se concluí não bastar a prática de atos isolados para que se caracterize a figura do fornecedor." [54] Para Cláudia Lima Marques [55].1 Elementos característicos do fornecedor 4. mas sim de uma atividade econômica. cobrando mensalidade ou algum outro tipo de contribuição. pela análise do dispositivo legal que define quem pode ser considerado fornecedor. [58] Ainda. temos que não bastará o exercício de qualquer atividade. i... basta que a atividade seja habitual ou reiterada. Porém. como ressalta Flávia Püschel [60]. "Qualquer ato singular deve poder ser reconduzido a uma atividade para ser considerado ato de fornecimento e submeter-se às normas do CDC". devendo ser avaliada de forma autônoma em relação aos atos singulares de que é composta".). objetivo de satisfação de necessidade alheia. de maneira a atender às necessidades dos consumidores. Já quanto ao prestador de serviços.1. tal atividade econômica deve ser desenvolvida com profissionalismo. em última análise. [57] [56] 4. Já as entidades associativas e os condomínios em edificações.

não há necessidade de que cada ato singular seja praticado com o objetivo de obter ganho. ou seja. 927. por exemplo.. pouco importando se para poucos ou para muitos. a atividade comercial sazonal ou eventual não obsta a incidência das regras do CDC. ainda que não de forma contínua. Porém. para que se caracterize determinado ente como fornecedor. que seja ininterrupta – para que se configure uma relação de consumo. não sendo possível a caracterização de profissionalismo na pessoa que produz exclusivamente para a satisfação de necessidade pessoal. do CC – e as com finalidade lucrativa. O fornecedor é responsável. prevalece que basta ter "por objetivo buscar o reembolso dos fatores de produção empregados ou evitar perdas e gastos. com o objetivo de auferir lucros.1.90 aqueles que exercem atividade econômica "acidentalmente e cuja organização exaure sua função no cumprimento do próprio ato para o qual foi criada". de incremento no patrimônio. não-subordinada. por produtos distribuídos gratuitamente como amostra. Quanto ao último elemento. a obtenção de ganho. A definição de atividade autônoma é obtida como contraposição de atividade subordinada: desenvolvida na dependência de outrem e cujos resultados se referem a bens alheios ou a serviços depois fornecidos por outrem. e ressalvada a aplicação dos arts. é preciso que exerça sua atividade econômica de forma autônoma. o objetivo de ganho deve referir-se à atividade em si. aquele que exerce . não conseguiria competir com os preços da primeira. [61] É indispensável que o desenvolvimento da atividade econômica seja voltado para a satisfação de necessidade alheia." [63] Entender de outro modo poderia fomentar a concorrência desleal entre entidades sem fins lucrativos – sujeitas. basta para que se configure a relação de consumo. [66] Assim. tendo que incluir no custo de sua operação o ônus de responder objetivamente aos danos que der causa. à princípio. que. embora não haja remuneração por tais amostras.e. i.3 Autonomia Por fim. de modo que as entidades que desenvolvem atividades sem fins lucrativos não seriam consideradas fornecedoras. De acordo com Rizzatto Nunes. à responsabilidade subjetiva. Porém. e não aos atos singulares." [65] 4.e. pois. tal distribuição gratuita faz parte do exercício da atividade econômica profissional do fornecedor. parágrafo único e 931. [64] "Além disso. Para alguns – como Giuseppe Ferri e Tullio Ascarelli [62] – deverá haver finalidade de obtenção de lucro. há divergência doutrinária. é importante ressaltar que não se exige a habitualidade da atividade – i. sem procurar o incremento patrimonial propriamente dito. a atividade que ocorra com certa regularidade..

Mas quando adentramos no tema da responsabilidade pelo fato do produto mostra-se de grande importância. portanto. . contribuindo em qualquer medida "para a confecção de um produto apto para a distribuição. sobretudo. seja de uma parte componente. art.2. "cada produtor responde pelos defeitos surgidos durante o seu próprio processo de produção ou em fases anteriores". aquele que desenvolve suas atividades 4. A princípio. Perante o consumidor tal distinção não apresenta relevância prática nas questões relativas ao vício do produto. em razão da responsabilidade solidária imposta pela lei (CDC.. mas está inserido na cadeia produtiva.2. cabe agora traçar eventuais diferenças entre os diversos participantes da cadeia produtiva-distributiva. e o produto final (pronto para servir ao uso a que se destina). de acordo com Flavia Püschel [69]. dependendo das circunstâncias. e. de uma análise da função do produto e do modo como é oferecido no mercado." [70] Produtor presumido é o importador. Há uma exceção.1 Produtor final e produtor de matéria prima ou parte componente De acordo com as etapas da produção. Tal ficção legal existe como concretização do postulado que determinada a facilitação da defesa do consumidor em juízo. a parte componente (que se destina à incorporação a um produto final). não é fornecedor." 4. porém: na seção que trata da ‘responsabilidade por fato do produto ou serviço’ (arts.). seja de um produto final. e o prestador de serviços. assim como por aqueles resultantes diretamente de sua própria atividade. de modo que o "produtor final responde pelos defeitos da parte componente. dependendo.2 Produtor real. seja de uma matéria-prima. presumido e aparente Produtor real é aquele que participa de maneira autônoma no processo de produção de um bem.. 12-14). o comerciante.91 atividade na qualidade de empregado de outrem. [68] Um mesmo produto pode. a lei dá tratamento específico e diferenciado para o produtor [67]. uma vez que. e referidos sob a denominação comum de fornecedor. 4. 3º). estar enquadrado em qualquer uma dessas categorias. evitando que ele tenha que buscar a reparação em face do produtor real estrangeiro.2 Espécies de fornecedor Estabelecida a amplitude do conceito de fornecedor (art. é fornecedor. bem como pelos defeitos da matériaprima empregada na produção da parte componente (. todos são tratados de forma uniforme ao longo do Código. é possível identificar três espécies de produto: a matéria-prima (materiais e substâncias destinados à fabricação de produtos). 18).

de forma subsidiária. Ainda que não tenha efetivamente participado da produção. impedindo que o consumidor acione diretamente o produtor real.3 O Poder Público como fornecedor O Código. o produtor aparente é tratado como se tivesse em razão da situação de aparência criada para o consumidor. se há "influência sobre a estrutura ou qualidades essenciais do bem. 3º. Em face da redação explícita da lei. quando o produtor final [74] do produto não for suficientemente identificado. "por si ou então por suas empresas públicas que desenvolvam atividade de produção. ou ainda as concessionárias de serviços públicos" [75]. trata-se de atividade de simples distribuição" [73].92 Produtor aparente é aquele que simplesmente apõe ao produto o seu nome ou marca. é todo sujeito que distribui produtos no âmbito de sua atividade profissional. na definição de Flavia Püschel [72].e. que não fica excluída a eventual responsabilidade do produtor real. o comerciante somente é responsabilizado pelo fato do produto direta e isoladamente quando houver máconservação do produto.. porém. 4. Para diferenciar a atividade produtiva da mera distribuição. não há como negar a sua incidência em . Atente-se. de modo a ocultar a indicação do produtor real do produto. Assim. sem exercer ele próprio atividade de produção. ao contrário. criando a aparência de ter ele mesmo produzido o bem.4 Prestador de serviços Prestador de serviços é aquele ator da cadeia produtiva-distributiva que presta qualquer tipo de atividade no mercado de consumo.2. ou ainda. Enquanto a responsabilidade pelo vício do produto é solidária de todos os participantes da cadeia produtivo-distributiva. Existindo. em seu art. diz que o fornecedor pode ser ente público ou privado. trata-se de atividade de produção. Quando houve fornecimento de produto juntamente com a prestação de serviços. deverá ser analisada qual a atividade preponderante para que se possa dar o tratamento legislativo adequado à relação de consumo. inclui-se no conceito de fornecedor o próprio Poder Público. O tratamento dado pelo CDC ao comerciante é diferente dos demais fornecedores.2. deve ser levada em conta "a influência da atividade em questão sobre a configuração e qualidades essenciais do produto". [71] 4. i. apenas uma manipulação insignificante. 4. envolvendo ou não o concomitante fornecimento de produto.3 Comerciante Comerciante.

e como o produto não-durável tem características diversas. [76] Filomeno resume. como destinatário final". independente . sem qualquer transferência para a clientela". é "a coisa adquirida para desenvolvimento da própria atividade. enquanto bem de custeio. Bens. [81] Roberto Senise Lisboa [82] entende não ser razoável a exclusão pura e simples do bem de insumo da proteção do CDC. 5. o descartável deve receber o tratamento dispensado ao durável. a limitação deve ser feita somente com base na finalidade (motivo) da aquisição do produto (consumo como destinatário final). e bem de custeio. 3º. [77] É de relevância a classificação dos bens com base em sua taxa de consumo (CDC 26): bens duráveis (bens tangíveis que normalmente sobrevivem a muitos usos). assim. sempre que configurados os elementos acima expostos. Rizzatto Nunes [83] defende que o CDC é aplicado nos casos em que os produtos e serviços são oferecidos no mercado de consumo para a aquisição por qualquer pessoa como destinatária final.93 relação ao Poder Público. e destinado a satisfazer uma necessidade do adquirente. como instrumento hábil para a consecução dos fins objetivados. §1º). conceituando produto como "qualquer objeto de interesse em dada relação de consumo. bens econômicos são as coisas úteis e raras. ou de consumo. sendo objeto de apropriação privada. material ou imaterial" (art. móvel ou imóvel. PRODUTO Produto. Uma outra classificação se mostra relevante para fins de se determinar a incidência ou não da legislação consumerista: bem de insumo. suscetíveis de apropriação. Bem de insumo. mas vida útil de não-duráveis. de modo que "o bem transformado para uso posterior próprio não retira do adquirente ou utente a situação jurídica de consumidor". na econômica definição do CDC. que têm essência de duráveis. Rizzatto Nunes [80] defende que. não havendo tratamento legislativo específico. [78] O simples fato de o produto não se extinguir numa única utilização não lhe retira o status de não durável – "o que caracteriza essa qualificação é sua maneira de extinção ‘enquanto’ é utilizado" [79]. Já quanto ao enquadramento ou não de todas as atividades exercidas pelo Poder Público veremos mais adiante quando for debatida delimitação legal do serviço. bens não duráveis (bens tangíveis que normalmente são consumidos em um ou em alguns poucos usos). No mesmo sentido. ou de produção. uma vez que a lei não faz qualquer ressalva. "é qualquer bem. é aquele "utilizado para fins de transformação e posterior transmissão". são coisas úteis aos homens. por sua vez. que provocam a sua cupidez. Surge a dúvida de onde classificar os produtos descartáveis.

salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista" (CDC3º. parágrafo único). também está regulado pelo CDC (art. seja de natureza civil. estimação ou troca)". para a produção ou não de outros produtos ou serviços. ao fornecedor será aberto o prazo legal para realizar os reparos necessários. Tal posição se coaduna. Roberto Senise Lisboa [85] ressalta que a lei somente excepciona os serviços prestados em relações trabalhistas. mediante remuneração. inclusive as de natureza bancária. ao invés de "oneroso". [89] Assim. a adoção das outras soluções propugnadas pelo legislador (redibição. 6. sob pena de comprometer a sua substância. cabendo ao consumidor." Por outro lado. e nenhum outro mais. [86] Outrossim. [84] Por fim. haverá relação de consumo sempre que preenchidos os requisitos legais. a utilização da expressão "mediante remuneração". outrossim. que contém ainda dispositivo contra prática abusiva (denúncia vazia na vigência de contrato por prazo determinado. 39. Outra classificação extremamente útil nos é trazida por Roberto Senise Lisboa quanto à substituição das peças: entre produto compósito e produto essencial (não compósito). apresentando vício em alguma peça. 4º). pouco importando "que o serviço. de modo que seus elementos são insuscetíveis de dissociação. SERVIÇO Serviço "é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo. significaria abranger também os serviços remunerados de forma indireta – a lei se refere à remuneração do serviço e não à sua gratuidade. aplicado CDC em relação à administradora de imóveis [88]. de crédito e securitária. comercial ou administrativa. Este "não pode ser reparado no caso de existência de vício intrínseco. neste caso. porém. como atividade remunerada. art. financeira. Produto compósito "é aquele resultante do justaposicionamento de peças e componentes que podem ser substituídos sem que se proporcione a sua inadequação". Assim. segundo Filomeno .94 do uso que o adquirente faça. estando sujeito a todas as suas regras. mesmo quando firmada entre pessoas jurídicas. "os contratos unilaterais de prestação de serviços e os contratos . §2º). enquanto produto essencial "é aquele que não pode ter qualquer de seus componentes retirados ou substituídos. as relações locatícias de imóveis. estariam excluídos da aplicação do CDC. com o posicionamento reiterado do STJ [87].". que tem. justifica tal posição na existência de legislação própria (Lei nº 8245/91). enquanto o produto compósito. "amostra grátis". é relevante ressaltar que o produto (assim como o serviço) gratuito.

específicos e divisíveis" (CTN. todos os serviços públicos. Já para Cintra do Amaral [94]. sob um regime de Direito Público – portanto consagrador de prerrogativas de supremacia e de restrições especiais – instituído em favor dos interesses que houver definidos como próprios no sistema normativo" [92]. e não de consumo – "contribuinte não se confunde com consumidor". que o Estado assume como pertinente a seus deveres e presta por si mesmo ou por quem lhe faça as vezes. além da atividade privada. sempre que se tratar de serviço público. de modo que somente a "prestação de serviços públicos. não há que se falar em aplicação do CDC. enquanto que nas relações de consumo não haveria responsabilidade estatal. Filomeno [93] entende que "serviços" são atividades. II e III). para Rizzatto Nunes [95] estão incluídas no conceito de serviço. 79.. pois aí haveria relação jurídica de natureza tributária. [91] 6. Por outro lado. taxas ou contribuições de melhoria. Admite apenas a inclusão dos serviços remunerados por tarifas em sua definição.95 gratuitos puros" [90] não são regidos pelo CDC. mas tão somente a sua intervenção como regulador das relações privadas. remunerados por taxa ou tarifa. e os que deixam como resultado um produto. pois não haverá a necessária onerosidade da relação obrigacional. Classificam-se os serviços em "duráveis" e "não-duráveis". seja ele prestado diretamente pelo Estado ou por concessionária. . com a exclusão de todos os demais. art. "é a exigência de remuneração específica pela prestação de determinado serviço público que vai determinar sua sujeição à disciplina legal das relações de consumo". Já para Regina Helena Costa [96].1 Serviços públicos "Serviço público é toda atividade de oferecimento de utilidade ou comodidade material destinada à satisfação da coletividade em geral.e. não seria possível confundir o consumidor com o contribuinte. nos serviços públicos o Estado sempre figura como responsável pelos eventuais danos decorrentes do serviço. sem ressalvas. e que "mediante remuneração" não se refere a tributos. "todas as atividades oferecidas pelos órgãos públicos diretamente ou por suas empresas públicas ou de economia mista. estariam sujeitos à disciplina do CDC. Assim. benefícios ou satisfações que são oferecidas à venda. mas fruível singularmente pelos administrados. mesmo que prestados por sujeito que normalmente atua como fornecedor no mercado de consumo. as concessionárias e permissionárias ou qualquer outra forma de empreendimento" – i. aqueles são os que têm continuidade no tempo em decorrência de estipulação contratual. estes são os que se esgotam uma vez prestados.

incluiu todas as demais. o referido autor passou a defender ser necessária a análise da forma de pagamento da remuneração e a natureza do serviço público desempenhado a fim de se aferir a incidência ou não da legislação de consumo. "toda a atividade remunerada lançada no mercado de consumo pelo órgão público". que podem ser prestados uti singuli. o Estado está isento de responsabilidade. pois considera-se serviço. Para o autor. prestadas pela administração pública direta ou indireta. não teriam a especificidade nem a divisibilidade necessárias para a caracterização de relação de consumo. é de que a prestação de serviço público não configura relação de consumo. sem exceção. os serviços públicos impróprios. e saúde pública). que por natureza são uti universi (tais como segurança. somente quando os serviços e produtos são oferecidos no "mercado de consumo" poderia haver relação de consumo. mesmo as taxas. para fins da lei." O entendimento do STJ [101]. E resume: "a Administração Pública. Segundo esse entendimento. seguindo essa orientação. Destarte. os impostos. de modo que a prestação de serviço público típico. Mais. em ralação aos atos de império e pelo exercício do poder de polícia. seriam invariavelmente submetidos ao regime do CDC. . não estariam jamais sujeitos à regulação do CDC. Por outro lado.96 Num primeiro momento Roberto Senise Lisboa [97] defendeu que quando a lei excluiu expressamente as relações trabalhistas do rol das prestações de serviço por si reguladas. mediante o pagamento diretamente efetuado pelo consumidor a título de prestação correspondente. justiça. Ainda. "uma vez que o pagamento de impostos e taxas é dirigido para o cofre público. afirma ser indiscutível a aplicabilidade do CDC aos serviços remunerados por tarifa. Isso exclui "praticamente todas as relações jurídicas tributárias" da regulação do CDC. deve se submeter às normas do Código de Defesa do Consumidor sempre que fornecer um serviço público uti singuli. porque o destinatário final se utiliza da atividade estatal a ele fornecida em razão do pagamento da prestação diretamente vinculada a essa atividade" [99]. de acordo com o orçamento previamente elaborado pela Administração". seja por que regime for. somente haverá relação de consumo com a administração pública (direta ou indireta) quando a aquisição ou utilização do serviço se der mediante pagamento direito. sendo as verbas obtidas pelo Poder Público repassadas para cada setor da atividade pública. inclusive as de natureza administrativa. que é "genuína remuneração pelo serviço prestado pelo órgão público ou pela entidade da Administração indireta. direta ou indireta. Por outro lado. Revendo sua posição [98]. Roberto Senise Lisboa [100] ainda defende que os serviços tipicamente estatais.

ALMEIDA. 2006. do seu campo de aplicação "a definição do custo das operações ativas e da remuneração das operações passivas praticadas por instituições financeiras no desempenho da intermediação de dinheiro na economia. afastando. 7. Afirmou-se ainda que somente é necessária a edição de lei complementar para a regulamentação da estrutura do sistema financeiro – CF. financeiras e de crédito. 2ª ed. Curso de direito administrativo.. em cada caso. nos termos do disposto no Código Civil. o STF pacificou a questão – ADI 2591 – determinando a sujeição de tais atividades às regras do CDC. In: http://bdjur. remunerado por tarifa). limitando-se a defini-lo. sem prejuízo do controle. Celso Antônio. como sendo o destinatário final dos serviços. João Batista. ANDRIGHI. tal decisão pouco contribuiu para a definição do conceito de consumidor. pelo Banco Central do Brasil. São Paulo: RT. como a lei. Acessado em 26/03/2007. e do controle e revisão. Semelhante é o entendimento do STF [102] sobre o tema. MARINS.2 Atividades bancárias.stj. conforme se extrai de definição de fornecedor adotada neste trabalho. Fátima Nancy. BANDEIRA DE MELLO. Ademais.. Manual de direito do consumidor. Outrossim. BIBLIOGRAFIA ALVIM NETTO. São Paulo: Saraiva.gov.97 aquele remunerado por tributo (em oposição ao atípico. negando de forma peremptória que não há relação de consumo entre o poder público e contribuinte. 1995. José Manoel de Arruda. financeiras e de crédito Quanto às atividades bancárias. pelo Poder Judiciário. onerosidade excessiva ou outras distorções na composição contratual da taxa de juros". sobre as quais se discutia a possibilidade de regulamentação através de lei ordinária.br. uma vez que não há como considerar que o serviço público típico esteja colocado no mercado de consumo. de eventual abusividade. O conceito de consumidor direto e a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. esta posição se encontra em perfeita harmonia com a legislação consumerista. Código do consumidor comentado. art. James et alii. 2ª ed. porém. 6. 192. ficaria excluída da incidência do CDC. .

Maria Antonieta Zanardo. 69-79. ___________.. COMPARATO. 80. São Paulo: RT.stj.. A proteção ao consumidor na constituição brasileira de 1988. O código brasileiro de proteção do consumidor. Sérgio Pinheiro. Disponível em: www. In: www. Acessado em 26/03/2007.saraivajur. CALDEIRA. MARÇAL. Antônio Carlos.. In: Revista de direito mercantil. p. n. In: Repertório IOB de jurisprudência. Definição legal de consumidor. O conceito jurídico de consumidor. GRINOVER. In: Revista dos tribunais.com. GRAU. 1994. n. 1999. Definição jurídica de consumidor – Evolução da . 42-41. BEJAMIN. ___________. Disponível em: http://bdjur.saraivajur. n. n. p. n. Código brasileiro de defesa do consumidor comentado pelos autores do anteprojeto. In: Revista eletrônica de Direito Administrativo Econômico.com. Acessado em 26/03/2007.direitodoestado. 02.98 16ª ed. Disponível em: http://www. LISBOA.com. O conceito de consumidor padrão. Responsabilidade civil nas relações de consumo. Fev/1988. Acessado em 11/06/2007. 2ª ed. Acessado em 04/06/2007. Roberto Senise. Distinção entre usuário de serviço público e consumidor. São Paulo: Malheiros. COSTA.br. 8ª ed. Relação de consumo e proteção jurídica do consumidor no direito brasileiro. Mai-Jul/2006. São Paulo: RT. 628. São Paulo: Juarez de Oliveira. ___________.br. DONATO. Fábio Konder. 6. 2003. A tributação e o consumidor. Ago/1997. 2º do Código de Defesa do Consumidor. 15/16. In: Revista de direito mercantil. ___________. 89-105. O conceito de consumidor no parágrafo único do art. 2006. Ada Pellegrini et alii. A proteção do consumidor: importante capítulo do direito econômico. 66-75.gov. Jan/1991. 1974. Herman. In: Revista CEJ. Rio de Janeiro: Forense Universitária.br. Out-Dez/1990. p. Proteção ao consumidor: conceito e extensão. Mirella D’Angelo. p. 2/91. 2005. Eros Roberto.br. Regina Helena. CINTRA DO AMARAL. n.

Relação de consumo. p. PÜSCHEL. 88. Comentários ao código de defesa do consumidor. 89. 31. Rizzatto Nunes. 71-78. 2ª ed. Comentários. SIDOU. ‘O conceito jurídico de consumidor’. Notas 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 Roberto Senise Lisboa. desde que possa subsumir-se no enquadramento normativo dos conceitos de consumidor que o CDC estabelece. Há polêmica no Brasil acerca do tema. 21.. in: Código comentado. A responsabilidade por fato do produto no CDC. V. Othon. p. Comentários. Fábio Konder Comparato. havendo quem queira distinguir onde a lei não o faz. São Paulo: RT. Dez/2006. p. Em sentido semelhante: "A lei é clara ao classificar como consumidor a pessoa jurídica. 78-80. in: Código comentado. James Marins. São Paulo: Saraiva. Cf. In: Revista do advogado. n. 71. 19-20 e notas. p. São Paulo: Quartier Latin. Cláudia Lima et alii. OLIVEIRA. Proteção ao consumidor. ‘A proteção do consumidor’. Filomeno. p. 1977. Comentários ao código de proteção ao consumidor. 90-91. p. São Paulo: Saraiva. 159. 2004. 1991. p. p. James Marins. Roberto Senise Lisboa. Proteção ao consumidor. Comentários ao código de defesa do consumidor. p. p. Juarez de (coord. Rio de Janeiro: Forense. Herman Benjamin. Maria Antonieta Donato. 6 e 29-32. NUNES. p.99 jurisprudência do STJ. Herman Benjamin. in: Código comentado. Flavia Portella. 107-113. Roberto Senise Lisboa. ‘O conceito jurídico de consumidor’. 189. 2005. MARQUES. considerando consumidora . p. Luiz Antônio Rizzatto. 2006. Rizzatto Nunes. Responsabilidade. 87-98. p.). Responsabilidade civil.

p. Roberto Senise Lisboa. 72. são considerados insumos. 27. 29. isto é. pouco importando que faça ou não parte da cadeia produtiva. 108). o ‘para que’ o fato ocorreu.. Uma nota se faz imprescindível sobre esse argumento: todo e qualquer bem adquirido pela empresa está incluído no preço final ao adquirente de seus produtos. 494. . 22 23 24 Filomeno. Responsabilidade civil. do CDC. Cf. p. 35-40. não tendo nenhuma relação com o seu ‘porquê’ (Responsabilidade civil. 18 19 17 Cláudia Lima Marques. Comentários. Para essa corrente restritiva. p. in: Código comentado. nessa condução. Manual. 32. The dictionary of modern economics. para os que a defendem. p. pois os computadores melhoram a sua produtividade e. Pearce. p. p. 25 26 Cf. David W. Herman Benjamin. e Responsabilidade civil. Relação de consumo. 71-74. 14 15 16 James Marins. praticamente nunca a pessoa jurídica seria consumidora. 80 apud Herman Benjamin. p. 71. 165.100 a pessoa jurídica apenas quando adquira produto ou se utilize de serviço que não seja considerado insumo para sua atividade empresarial. Levada à sua última conseqüência. "[P]oderá ser conferida a tutela protecionista dos consumidores às pessoas jurídicas ou aos consumidores-profissionais desde que fundada ‘na ausência de similitude entre o bem e o serviço que são objeto do ato para o qual o profissional reclama a sua qualidade de consumidor. in: Código comentado. p. pois. É o que Roberto Senise Lisboa chama de ‘teoria da causa final’. p. 31-37. e os bens ou serviço que são objeto de sua especialidade comercial ou profissional’. 2º. Roberto Senise Lisboa. p. in: Código comentado. Comentários. p. p. p. Cláudia Lima Marques. Proteção ao consumidor. 166-167. caput. 71. ‘O conceito jurídico de consumidor’." (Thierry Bougoignie apud Maria Antonieta Donato. ‘O conceito jurídico de consumidor’. 169-183)." Nery Jr. p. a tese restritiva nega vigência ao art. p. indústria de automóveis que adquire computadores para seu escritório não seria consumidora. João Batista de Almeida. 68 e 108. ou alguém duvida sinceramente que o cafezinho do diretor da montadora de carros não esteja embutido no preço final dos veículos vendidos aos consumidores? 20 21 Maria Antonieta Donato. Proteção ao consumidor.

41 42 Herman Benjamin. ‘O conceito jurídico de consumidor’. Rizzatto Nunes. in: REsp 476. 23. por Juarez de Oliveira. Cláudia Lima Marques. in: Código comentado. p. 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 Cf. p. 20. p. Comentários. James Marins. 253. p. 74-75. o termo mais apropriado seria "vulnerabilidade". in: Código comentado. Rizzatto Nunes. Comentários. 99. Eros Grau. Fábio Ulhoa. 77. ‘O conceito de consumidor no parágrafo único do art. 80-81. James Marins. Maria Antonieta Donato. por Juarez de Oliveira. p. Cláudia Lima Marques. in: Código comentado. 148. p. Loc. Comentários. 100. do CDC’. ainda que o Código tampouco o eleja como elemento definidor de consumidor – a vulnerabilidade é conseqüência de ser consumidor. p. por Juarez de Oliveira. in: Código comentado. . in: Comentários. Fábio Ulhoa. in: Comentários. 27. James Marins. Nancy Andrighi. 277. 2º Cf. 42-41. cit. Comentários. in: Código comentado. 148-149. in: Comentários. Note-se a utilização pouco técnica desse termo. in: Código comentado. in: Conflito de Competência nº 41. p. 38. p. 195. coord. p. p. p. 43 44 45 46 47 V.101 27 28 29 30 Herman Benjamin. p. Mirella Caldeira. uma vez que o CDC somente faz referência à hipossuficiência para fins processuais. p. James Marins. coord. Proteção ao consumidor. Filomeno.056-SP Nancy Andrighi. p. 140. coord. voto in: ADI nº 2591. p. In: ‘Definição legal de consumidor’. Herman Benjamin.428-SC.

Comentários. de poder para influir sobre as características do produto. 66. in: Código comentado. p. nota 47. 397. 62. uma vez que todos recebem indistintamente o mesmo tratamento legal. utilizando o termo produtor para referir a todos aqueles enumerados no art." 68 Flávia Püschel. Flávia Püschel. Responsabilidade. Responsabilidade. Flávia Püschel. Responsabilidade. p. p. 101-102. isto é. nota 77. p. Apud Flávia Püschel. Utilizamos aqui a terminologia sugerida por Flávia Püschel (Responsabilidade. 93. p. Comentários. Responsabilidade. 59-61. 67. 50 51 52 Cf. ‘O código brasileiro de proteção ao consumidor’.102 48 49 Cláudia Lima Marques. 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67 Cf. Tullio Ascarelli apud Flávia Püschel. 57-58). 12. Flávia Püschel. Mas também quando há remuneração indireta: Rizzatto Nunes. criação. 63. p. Filomeno. p. in: Código comentado. Cláudia Lima Marques. 101. além de "remeter à idéia de produção. Denari. p. Responsabilidade. Flávia Püschel. 65. 71-72. Flávia Püschel. p. p. Comentários. Cf. Cf. Responsabilidade. Responsabilidade. p. Responsabilidade. Responsabilidade. p. p. Comentários. p. Responsabilidade. in: Código comentado. No mesmo sentido: Herman Benjamin. Rizzatto Nunes. 43. 174. p. Comentários. 112-113. 46. caput. p. 45. 65. Rizzatto Nunes. p. nota 102. . Flávia Püschel. 19. 63. Filomeno. in: Código comentado. p. 65. p. Flávia Püschel. Filomeno. p. p.

Rizzatto Nunes. 37-38. 90 91 Roberto Senise Lisboa. 101. Responsabilidade. Comentários. Cf. 9-10.. Responsabilidade civil. Responsabilidade. Flávia Püschel. Filomeno. Relação de consumo. 25-26. Cf. 79 80 81 82 83 84 85 86 87 88 89 Cf. p. 199. Comentários. 57. 198 e ss. 111. 1. p. p. REsp nº 614981. Relação de consumo. 83. in: Código comentado. Rizzatto Nunes. p. p. Relação de consumo. AgRg no Ag nº 363679. 48. Comentários. Comentários. 47. Sílvio Rodrigues. . in: Código comentado. 77 78 76 Cf. Responsabilidade.103 69 70 71 72 73 74 75 Flávia Püschel. 107-108. Rizzatto Nunes. P. Responsabilidade. in: Código comentado. 86. Responsabilidade. in: Código comentado. Filomeno. Rizzatto Nunes. p. in: Código comentado. 110-111. p. p. nota 20. 47. p. p. p. v. 92. p. p. 77. Flávia Püschel. e 575020. Filomeno. p. 25. p. p. Filomeno. Cláudia Lima Marques. Comentários. Flávia Püschel. Flávia Püschel. Rizzatto Nunes. No mesmo sentido: Rizzatto Nunes. Roberto Senise Lisboa. p. Roberto Senise Lisboa. 107-108. 73-74. ex. Roberto Senise Lisboa. Direito civil. p. in: Código comentado. 119 apud Filomeno. 196-197. Cf. 82. 82. Relação de consumo. Roberto Senise Lisboa.: REsp nº 689266. p. Roberto Senise Lisboa. p. p. Responsabilidade. p. Responsabilidade civil. 43. Comentários. 94. p. Comentários. Flávia Püschel. p. 108. e 636897. p. Rizzatto Nunes. Cf. James Marins. p. Cf. Comentários. p.

Relação de consumo. ‘A tributação e o consumidor’. 48-49. 612. p. Rel. p. Cintra do Amaral. p. entendendo que na prestação de serviço público típico há relação de consumo: Nancy Andrighi. Nesse mesmo sentido: Maria Antonieta Donato. Relação de consumo. Divergiram da fundamentação da maioria. ‘Distinção entre usuário de serviço público e consumidor’.144-SP. REsp 625. 122-123. 97 98 99 Roberto Senise Lisboa. p. Carlos Velloso. V. 102 . 112-113. Regina Helena Costa.. Responsabilidade civil.104 92 93 94 Celso Antônio. 211-213. Roberto Senise Lisboa. 213-214.. AgRegAI 282.298-2/RS. 214-217. 6. 28. Roberto Senise Lisboa. n. p. STF. Responsabilidade civil. p. Comentários. Nancy Andrighi. ainda. p. Curso. p. 95 96 Rizzatto Nunes. 2ª T. in: Código comentado. 3ª T. Min. Roberto Senise Lisboa. 100 101 STJ. Filomeno. Proteção ao consumidor. Rel.. e Castro Filho. Min. os demais julgados lá referenciados.

Em regra. de ordem objetiva. 1995. Diversa não é a relação de consumo. Antes de qualquer coisa. Considerou consumidor toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final. os elementos que constituem a relação jurídica subsumível ao Código de Defesa do Consumidor. regulado por norma jurídica" (Compêndio de Introdução à Ciência do Direito. outros. consumidor será o não profissional que de algum modo encontra-se vinculado com o fornecedor de produtos ou serviços. Os atos ordinários da vida se orientam para caminho diametralmente oposto.078. Verbera ele que toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final é considerada diretamente como consumidora. p. dada a incompatibilidade do preceito com a teleologia e a axiologia da norma. Pois muito bem. e elementos objetivos o produto e o serviço. em apertada e perigosa síntese. Estes. Donde vê-se necessário. São Paulo: Saraiva. concluir-se-á pela inaplicabilidade do Código de Defesa do Consumidor. Só haverá relação jurídica se o vínculo entre duas pessoas estiver normado. a dicção legal do Código de Defesa do Consumidor é de clareza mediana. anota que "a relação jurídica consiste num vínculo entre pessoas. somados. 7ª ed. LEUD. Quanto aos elementos da relação de consumo. esboçou a pretensão legislativa de fornecer os elementos necessários à definição das pessoas envolvidas na relação de consumo. que constituem o âmbito pessoal de determinadas normas. pois. de 1990. O texto legal choca-se com o cotidiano. 2004). compõem-na de forma a demonstrar sua extensão e seu conteúdo. . Exige-se a presença de elementos de órbita subjetiva e. forem relevantes no que atina ao caráter deôntico das normas aplicáveis à situação. todas as relações jurídicas exigem a presença de alguns elementos. Vejamos. Evidentemente. 8. de início. O artigo 2º da Lei n.105 Pessoa jurídica consumidora Autor: Alex Sandro Ribeiro O enfrentamento da problemática envolvendo a pessoa jurídica qualificada com consumidora deu-se alhures. vêm eles arrolados nos artigos 2º e 3º da Lei n. devemos definir a relação jurídica de consumo. mesmo porque. Afigura-se não haver a menor dúvida. de 1990. São elementos subjetivos o consumidor e o fornecedor. atentar para o significado de relação jurídica. isto é. De efeito. citando Del Vecchio. Mas a questão permanece suscitando controvérsia e nos aguçou a tecer considerações a respeito. 8. 459). São Paulo. em razão do qual uma pode pretender um bem a que outra é obrigada. Mas não é bem assim. faltante um único deles sequer.078. em nossa obra Ofensa à Honra da Pessoa Jurídica (Ed. desta feita cingindo-nos à definição. Maria Helena Diniz.. amplamente. Tal relação só existirá quando certas ações dos sujeitos.

de algum modo. exige um desmembramento do artigo. Até aqui. Basta que sua posição na aquisição do produto ou do serviço não o seja para fins de insumo. 4ª ed.. p. Exigiu a Lei que a pessoa fosse destinatária final do produto ou do serviço. enfim. observando-o por quatro ângulos: 1) pessoa natural ou fictícia. lembra-o José Geraldo Brito Filomeno. amortização etc.. p. 2001. será consumidor se obter ou usufruir real ou potencialmente o produto ou o serviço. quando observam que: "Dado que a ilicitude das cláusulas abusivas é matéria que não fica restrita às relações de consumo. a manutenção ilesa da pessoa vinculada ao negócio e de todos aqueles que.106 A exata definição. há de sofrer um abrandamento. (Código de processo civil comentado. porque a disjuntiva ou assim especifica e afasta a necessidade de aquisição para perpetuar a relação de consumo. "apegam-se às condições gerais dos contratos estabelecidos pelo Código de Defesa do Consumidor. encontrando-se aqui um dos fundamentos principiológicos da figura do consumidor por equiparação. em suas necessidades básicas empresariais.." (CDC Comentado pelos autores do anteprojeto. Algumas decisões. que a vulnerabilidade. ainda que a inferência destes na relação de consumo seja simplesmente de exposição às práticas comerciais e contratuais. Até a teoria finalista. 1999. também merece especial atenção quando se tenta localizar a pessoa do consumidor em eventual interpretação do artigo 2º da Lei Consumerista. A pessoa jurídica pode ser considerada consumidora. É o item 4 o essencial. Anote-se. simples se mostra o estudo e pouco significa para qualificar um ente abstrato como consumidor. São Paulo: RT. 30. por extensão. a rigor. o sistema do CDC 51 deve ser aplicado. 2) aquisição ou utilização. a segurança e. o "elo final da cadeia produtiva". No item 2 vê-se que a utilização é quantum satis.) que . aos contratos de direito privado (civil e comercial). consumidoras . 3) produto ou serviço. Aqui. pois pertence à teoria geral do direito contratual. O item 1 estampa a intenção de aceitar a pessoa jurídica como consumidora. ainda que as partes não sejam. já a partir do seu art. o conforto. haja intervindo na relação jurídica.. horas trabalhadas. pois. assim. protegendo o mais fraco na relação de consumo. Quando houver aquisição para a soma de todas as despesas (matéria-prima. O item 3 refere-se à contratação ou usufruição de um serviço e à aquisição ou utilização de um produto. tais como a comodidade. 4) destinação final. e mais marcadamente no que tange às práticas e cláusulas contratuais abusivas. sendo que tal posicionamento já vem esboçado por Nelson Nery Júnior e Rosa Maria de Andrade Nery. reside o maior óbice à aplicabilidade irrestrita da do Código do Consumidor em favor da pessoa jurídica.). 1841)". pois. Nesse passo. para uma posição mais teleológica. enfim. e também das vítimas de eventos danosos por fato ou vício do produto ou do serviço. 33. 7ª ed. econômica e institucional. Rio de Janeiro: Forense Universitária.

Nessa senda. liberar-se-iam os abusos e o comprometimento da legitimidade jurídica. A defesa do consumidor e a função social da pessoa jurídica espelham fundamentais princípios erigidos a dogma de calibre constitucional. Eis a aplicação dos métodos teleológicos. será bem de insumo e não de consumo. Ambos têm imediata aplicabilidade nas relações econômicas e. Consumidor. não se pode olvidar que o Código de Proteção e Defesa do Consumidor sobreveio com o escopo de dar plena e irrestrita eficácia à norma ápice. prioritários aos métodos lógico e literal. Mas também. porquanto a Constituição manda proteger o consumidor. que de forma léxica caminha junto como texto constitucional. inegavelmente. e afastar-se-ia a sapiência dos aforismos: odiosa sunt amplianda. assim como a redução das desigualdades sociais e regionais. Aqui pode limitar o campo de proteção. na linguagem do Código de Proteção e Defesa do Consumidor). Afora isso. Esta a definição de consumo. semanticamente dissecando. não é difícil localizar um ente abstrato destinatário final de certo produto ou serviço. e. coisa que não foi determinada pela Norma Maior. ubi eaden legis dispositio (onde existe a mesma razão fundamental prevalece a mesma regra de direito). consumidor e economia. psicológica ou social. ainda. nos direitos sociais. Todos esses fundamentos do Estado Democrático de Direito e da República Federativa do Brasil esvair-se-iam céleres com o vento. amplie-se o favorável) e ubi eaden ratio legis. à vontade . Sem ambos. axiológicos e sistemáticos. Se não os houvesse no sistema jurídico posto. favorabilia sunt restringenda (restrinja-se o odioso. Todos. uma das células mais importantes da economia nacional é a pessoa do consumidor. enfim. acabam sendo destruídos pelo ato de consumo. Não parece haver muita dificuldade. É para ele que são destinados os produtos e os serviços. é quem adquire ou utiliza bens (produtos. para a satisfação de necessidades ligadas à sua sobrevivência – lógica. do desenvolvimento nacional. em maior ou menor prazo. em se concluir que há muitas pessoas jurídicas técnica e institucionalmente inferiores ao fornecedor e. sob pena de esvair a pretensão da lei e obstar que ela cumpra sua verdadeira finalidade. não há giro da economia. dos valores sociais do trabalho e da iniciativa privada. justa e solidária. ou serviços. ou de consumidor. mais ainda. e não o consumidor de produtos ou serviços. aos fins sociais que se destina a lei. É para ele que se destina a publicidade. Sem o consumidor. que. Mas também os métodos lógico e literal dão guarida à aplicação do Código de Defesa do Consumidor às pessoas jurídicas.107 ocorrem na obtenção de um produto industrializado ou semi-industrializado. da sociedade livre. deve-se ater ao bem comum. difícil se mostra a erradicação da pobreza e da marginalização. via de conseqüência. impossível a manutenção incólume da dignidade da pessoa humana. Uma interpretação de norma jurídica deve guardar correspondência mínima com o texto legal.

quando então deverão prevalecer as regras do Código Civil. Ao fim e ao cabo. anote-se que são exemplificativas as hipóteses de aplicação do Código Consumerista. de vez que apenas a exceção esteve expressamente mencionada (v. Ademais. a todo o sistema normativo e. apenas a incompatibilidade manifesta afasta a incidência do Código de Proteção e Defesa do Consumidor às pessoas jurídicas. Enfim. todas as vezes que a interpretação for conduzida no sentido de excluir direitos. .g. a questões históricas.. enfim. outorgando-se elastério ao intérprete. tem ela de ser feita de maneira restrita. máxime as garantias fundamentais. se em compasso com os preceitos virtuais consagrados na Constituição Federal de 1988. relações trabalhistas).108 da norma.

1.2 Outras Excludentes. Responsabilidade civil no código de defesa do consumidor. 2. 1 Responsabilidade subjetiva e objetiva Dois são os fundamentos da responsabilização do agente: de um lado. Mário A essência da responsabilidade subjetiva como enuncia o insigne jurista Caio [01] assenta-se fundamentalmente na pesquisa ou indagação de como o . O Código Civil. e. 2. de outro lado o risco. 1. 2.2. 2.2.109 Aspectos da responsabilidade civil no Código de Defesa do Consumidor e excludentes Autoras: Michele Oliveira Teixeira Simone Stabel Daudt Sumário:Introdução. 1. baseada na doutrina subjetiva ou teoria da culpa. ligados pelo vínculo denominado nexo de causalidade. a culpa.2 Riscos do desenvolvimento. 1. 186 e 187.2 Responsabilidade pelo fato do produto e do serviço.1 Previstas no CDC. Introdução O presente artigo aborda a responsabilidade civil prevista no Código de Defesa do consumidor e analisa as excludentes previstas em referido diploma legal. Referências Bibliográficas.3 Exercício regular de direito.1 Caso Fortuito e Força Maior. 2.Conclusões.2. bem como outras existentes no ordenamento jurídico brasileiro e aplicáveis às relações de consumo.1. em seus arts. fundamentado pela doutrina objetiva ou teoria do risco. EXCLUDENTES DE RESPONSABILIDADE. adota como regra a responsabilidade subjetiva. além da ação ou omissão que causa um dano. 1 Responsabilidade subjetiva e objetiva. ou seja.3 Responsabilidade pelo vício do produto e do serviço. deve restar comprovada a culpa em sentido lato. 2. RESPONSABILIDADE CIVIL NO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR 1.

em concreto. para a ação da vítima. que acaba. Tratando-se de responsabilidade subjetiva a culpa integra esses pressupostos e a vítima só obterá a reparação do dano se comprovar a culpa [05] do agente. Segundo a teoria objetiva quem cria um risco deve responder por suas conseqüências. a responsabilidade objetiva. O Código de Defesa do Consumidor. dispensando. pois. em alguns casos. ou se atuou com imprudência. como regra. a responsabilidade civil surge pela prática de um ato ilícito [03]. Carlos Alberto Bittar [06] entende que: "Na teoria da culpa (ou "teoria subjetiva"). muitas vezes. A opção legislativa reflete a adoção feita pelo legislador da teoria do risco do negócio. Assim. A vítima deverá provar somente o dano e o fato que o gerou. Porém. basta que seja danoso. bem como. como por exemplo nas hipóteses previstas nos artigos 931 e 936. se quis o resultado (dolo). ao contrário do Código Civil. o principal pressuposto dessa responsabilidade é a culpa. Basta a demonstração da existência de nexo causal entre o dano experimentado pelo consumidor e o vício ou defeito no serviço ou produto. Para a teoria objetiva interessa somente o dano para que surja o dever de reparação. que é o conjunto de pressupostos da responsabilidade civil [04]. referido diploma adota a responsabilidade objetiva imprópria. injustamente suportando os respectivos ônus".110 comportamento contribui para o prejuízo sofrido pela vítima. . ainda que não tenha concorrido voluntariamente para a produção dos danos [07]. segundo a qual aquele que explora atividade econômica deve arcar com os danos causados por essa exploração. criando óbices. Com isso. Não é apto a gerar o efeito ressarcitório um fato humano qualquer. de difícil realização. Não se perquire se o fato é culposo ou doloso. a comprovação da culpa para atribuir ao fornecedor a responsabilidade pelo dano. imperícia ou negligência (culpa em sentido estrito). a fim de demonstrar-se. também chamada da culpa presumida. É preciso que este fato seja jurídico [02] e que seja ilícito. assim. A prova é. a responsabilidade objetiva. O fato danoso é que engendra a responsabilidade. cabe perfazer-se a perquirição da subjetividade do causador.

estocar. condição esta que. § 4º [12] trata da responsabilidade dos profissionais liberais. . inexistindo incompatibilidade entre a norma e as demais regras protecionistas. quer perante os destinatários dessas ofertas. bem como aos critérios de lealdade. no caso. o artigo 14. A responsabilidade decore do simples fato de dispor-se alguém a realizar atividade de produzir. respondendo pela qualidade e segurança dos mesmos. O autor do dano indenizaria pelo só fato do dano mesmo sem se indagar da sua culpabilidade. inclusive a de inversão do ônus da prova [13]. em suas atuações não ligadas a "obrigação de resultado". 3º. quer perante os bens e serviços ofertados." Contudo. Bastaria que se demonstrasse apenas a relação de causalidade entre o dano e seu autor para que daí decorresse para o agente a obrigação de reparar". c) o nexo de causalidade entre o defeito do produto e a lesão. É importante ressaltar que o tratamento diferenciado dado aos profissionais liberais se limita ao fundamento da responsabilidade. os remete à responsabilidade objetiva. Sérgio Cavalieri ressalta [11]: "Este dever é imanente ao dever de obediência às normas técnicas e de segurança. há uma exceção à responsabilidade objetiva. e não só entre o dano e o produto [09]. O fornecedor passa a ser o garante dos produtos e serviços que oferece no mercado de consumo. o fator culpa seria de nula relevância. Nesse sentido salienta Paulo Lobo [14] que caso o legislador pretendesse a exclusão da incidência do CDC aos profissionais liberais os mesmos não deveriam estar englobados no art. se verificada. Como restam especificados no caput do art. Wilson Melo da Silva responsabilidade objetiva: [10] esclarece com propriedade a definição da "Pela teoria da responsabilidade objetiva ou sem culpa. 12 que os danos indenizáveis são somente aqueles causados aos consumidores por defeitos de seus produtos observa-se ser necessária a existência de um defeito no produto e um nexo causal entre este defeito e o dano sofrido pelo consumidor.111 Claudia Lima Marques [08] ensina que para ser caracterizada a responsabilidade prevista no art. ou não.12 é necessária a ocorrência comprovada e concorrente de três elementos: a) existência do defeito. como é denominada por muitos. distribuir e comercializar produtos ou executar determinados serviços. b) o dano efetivo moral e/ou patrimonial.

que causa dano material ou moral ao consumidor (ou ambos).)" Sérgio Cavalieri [15] define fato do produto como: "(. conforme ensina Silvio Luíz Ferreira da Rocha [18]: "O fornecedor que entrega seus produtos para exame ou prova não poderá subtrair-se da responsabilidade civil prevista. alegando que o produto ainda não foi colocado no mercado. montagem. Importante destacar que existe responsabilidade inclusive se o produto foi distribuído gratuitamente.. uma vez colocados no mercado. O art. fórmulas. que o art. O artigo 8º do CDC estabelece que os produtos e serviços colocados no mercado de consumo não acarretarão riscos á saúde ou segurança dos consumidores. bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos(. nacional ou estrangeiro. daí termos enfatizado que a palavra-chave é defeito. 12 trata dos defeitos dos produtos. 10º impede a colocação no mercado produto ou serviço com alto grau de nocividade ou periculosidade à saúde ou segurança. sendo obrigado o fornecedor a dar informações necessárias e adequadas a seu respeito. mas que decorre de um defeito do produto. fabricação. e o importador respondem. manipulação. Outrossim.. o produtor. inadequações no produto que ocasionam uma lesão no consumidor. exceto os considerados normais e previsíveis em decorrência de sua natureza e fruição.2 Responsabilidade pelo fato do produto e do serviço Dispõe o artigo 12: " O fabricante. apresentação ou acondicionamento de seus produtos. Seu fato gerador será sempre um defeito do produto.) um acontecimento externo.. que ocorre no mundo exterior. interessa verificar se há possibilidade de transmitir ao consumidor informações que capacitem o consumidor do fornecimento em questão ao seguro consumo do produto ou serviço [17].112 1. tem o direito de ser indenizado por todos os danos decorrentes [16]. construção. por fim. aquele que sofrer acidente de consumo decorrente de defeito de concepção. Ressalte-se." Ou seja. o construtor.. pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos decorrentes de projeto. independentemente da existência de culpa. o fornecedor será responsável também por produtos . Assim. isto é. execução ou comercialização de produto.

Da mesma forma são considerados vícios os decorrentes da disparidade havida em relação às indicações constantes do recipiente. embalagem. além é claro." [21] O CDC prevê três tipos de vícios por inadequação dos produtos: vícios de impropriedade. Os "vícios" no CDC são os vícios por inadequação (art. 18 elenca as hipóteses em que há vício no produto. vícios de diminuição do valor e vícios de disparidade informativa [22]. doação de bens destinados a vítimas de catástrofes".3 Responsabilidade pelo vício do produto e do serviço A responsabilidade por vício do produto ou serviço não está relacionada com aquela tratada pelos arts. 1.113 distribuídos a título gratuito. Para Rizzatto os vícios são aqueles problemas que: a) fazem com que o produto não funcione adequadamente. integridade física e interesse patrimonial do consumidor. O art. 18 e ss) e os vícios por insegurança (art. d) não estejam de acordo com informações. Apresentando um vício existe a responsabilidade do fornecedor. ou. do defeito e do nexo de causalidade entre este e o dano sofrido pelo consumidor. como a entrega de bens a seus empregados." Portanto. c) diminuam o valor do produto. promoçõe publicitárias. que o produto entre no mercado de consumo de forma voluntária e consciente. sem causar dano à saúde/integridade física do consumidor. rotulagem. A falta de qualidade no fornecimento nem sempre é causa de danos à saúde. mas com eficiência reduzida] ao consumo a que se destinam e também que lhes diminuam o valor. 12 a 14. a título de donativo para instituições filantrópicas ou com objetivos publicitários.12 e ss. b) fazem com que o produto funcione mal. para haver a responsabilidade do fornecedor é necessário. .) [20]. ainda. e) os serviços apresentem funcionamento insuficiente ou inadequado [23]. oferta ou mensagem publicitária. não elide a responsabilidade do fornecedor. Acentua Luiz Rizzatto Nunes: "São consideradas vícios as características de qualidade ou quantidade que tornem os produtos ou serviços impróprios [característica que impede seu uso ou consumo] ou inadequados [pode ser utilizado. Coaduna de tal entendimento Zelmo Denari [19]: "A circunstância de o produto ter sido introduzido no mercado de consumo gratuitamente.

à revelia do fornecedor. cuidando-se.1 Previstas no CDC O Código de Defesa do Consumidor estipula as causas excludentes.114 2. trazem como excludente da responsabilidade do fornecedor a inexistência de defeito. Isso vale especialmente para os produtos falsificados que trazem a marca do responsável legal ou. bem como o inciso I. por exemplo). Da mesma sorte. as hipóteses que mitigam a responsabilidade do fornecedor pelo fato do produto e do serviço. mas inexiste nexo de causalidade entre ele e quaisquer das atividades do agente. EXCLUDENTES DE RESPONSABILIDADE 2. Refere o autor: "Os exemplos mais nítidos da causa excludente prevista no inc. Ressalta-se que a inexistência de qualquer dos defeitos elencados no caput do ." O inciso II do mencionado dispositivo legal. forma lanaçados no mercado. nesta última hipótese da falsificação do produto. Zelmo Denari [27] afirma que o defeito do produto ou serviço é um dos pressupostos da responsabilidade. Nega-se aí. posteriormente. § 3° do artigo 12. por ato ilícito (roubo ou furto. marca ou signo distintivo. pode ocorrer que. segundo Zelmo Denari [25]. § 3° e no artigo 14. I seriam aqueles relacionados com o furto ou roubo de produto defeituoso estocado no estabelecimento. Tais hipóteses estão elencadas no artigo 12. de forma que se não ostentar vício de qualidade ocorre a quebra da relação causal ficando elidida a responsabilidade do fornecedor. O dano foi. tenha sido introduzido no mercado de consumo. em função do vício de qualidade. sem dúvida. circunstância esta eximente da sua responsabilidade. Nesse sentido manifesta-se Antonio Herman de Vasconcelos Benjamin [26]: "É até supérfulo dizer que inexiste responsabilidade quando os responsáveis legais não colocaram o produto no mercado. § 3° do Código de Defesa do Consumidor [24]. ou com a usurpação do nome. arrolada no inciso III. diz respeito à introdução do produto no ciclo produtivo-distributivo de forma voluntária e consciente. o nexo causal entre o prejuízo sofrido pelo consumidor e a atividade do fornecedor. ainda. A primeira eximente. ou seja. causado pelo produto. o produto defeituoso tenha sido apreendido pela administração e. para os produtos que. § 3° do artigo 14.

No entender de Cláudia Lima Marques. aplicável.115 artigo 12. inciso III. Apenas se provar que o acidente de consumo se deu por culpa exclusiva do consumidor é que ele não responde". Alberto do Amaral Junior [31] salienta que "o concurso de culpa do consumidor lesado produz. disolvendo-se a própria relação de causalidade. a responsabilidade se atenua em razão da concorrência de culpa e os aplicadores da norma costumam condenar o agente causador do dano a reparar pela metade do prejuízo. Antônio Herman Vasconcelos Benjamin e Bruno Miragem: [28] "O sistema do CDC prevê a exoneração na hipótese do inciso III do § 3° do artigo 12. de culpa exclusiva da vítima ou de terceiro. Entretanto. § 3° do artigo 14. pois mesmo existindo no caso um defeito no produto. cabendo à vítima arcar com a outra metade" Sustenta Luiz Antonio Rizzatto Nunes [30] que a responsabilidade do fornecedor permanece integral. hipótese esta que no sistema da Directiva européia ficaria submetida ao ju´zio de valor do judiciário. como conseqüência. segundo as regras de experiência. inexistindo estes não há que se falar em dever de indenizar. ficando afastada tal responsabilidade no caso de culpa exclusiva do consumidor: "Se for caso de culpa concorrente do consumidor (por exemplo. no segundo. haverá redução do montante indenizatório. quando o juiz considera verossímeis as alegações do consumidor. ainda assim a responsabilidade do agente produtor permanece integral. nos termos do artigo 6º. o inciso III. em havendo a inversão do ônus da prova. não haveria nexo causal entre o defeito e o evento danoso (cupla da vítima)". embora permaneça integral a responsabilidade do fornecedor. em caso de culpa concorrente. tratam da culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro. E. como o caput do artigo 12 dispõe que a responsabilidade é pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos. em caso de culpa concorrente. desaparece a relação de causalidade entre o defeito do produto e o evento danoso. Dessa forma. mas que no sistema do CDC exonera os fornecedores. por fim. § 3° do artigo 12 e o inciso II. as informações do produto são insuficientes e também o consumidor agiu com culpa). a redução do montante a ser pago a título de . deverá ser demonstrada pelo fornecedor. Esclarece Zelmo Denari [29] que culpa exclusiva não se confunde com culpa concorrente: "no primeiro caso.

Assim.116 ressarcimento". § 3° e 14. Antonio Herman de Vasconcelos Benjamin [35] afirma que a questão deve ser tratada de forma diversa: "A regra no nosso direito é que o caso fortuito e a força maior excluem a responsabilidade civil. em havendo a inversão do ônus da prova. conforme mencionado. § 3° e 14. e não autoriza a inclusão dessas excludentes: "o risco do fornecedor é mesmo integral. Contudo. devendo se ater a sua forma declarativa ou estrita. descritas no artigo 393 do Código Civil. Por essa razão discute-se na doutrina se o caso fortuito e a força maior podem ser considerados como excludentes para as relações jurídicas de consumo. tanto que a lei não prevê como excludentes do dever de indenizar o caso fortuito e a força maior". seria o mesmo que permitir o beneficío da integralidade indenizatória aquele que veio a concorrer para o evento lesivo. a doutrina aponta outras eventuais hipóteses de exclusão de responsabilidade. entre as causas excludentes de . riscos de desenvolvimento e exercício regular de direito. Nessa mesma linha Carlos Alberto Bittar [32]: "havendo culpas concorrentes. tradicionais excludentes da responsabilidade. deve por este ser provada. apesar do Código de Defesa do Consumidor não fazer menção à culpa concorrente do ofendido. § 3°. apesar de não ser excludente de responsabilidade. verifica-se que este diploma legala silencia quanto o caso fortuito e a força maior. Ressalta-se que a conduta culposa do consumidor. § 3° do Código de Defesa do Consumidor. o rol ali indicado é taxativo. entende a doutrina que. 2. 2. capaz de afastar a responsabilidade do fornecedor. não é possível aplicar as normas do Código Civil nas relações consumeiristas. deve ser considerada como atenuante no momento da fixação do montante indenizatório. Para Roberto Senise Lisboa [34] se na interpretação das normas restritivas de direito não pode o interprete querer alargar a aplicação da norma. Não admiti-la. poderão forrar-se à reparação na proporção em que provarem a culpa do consumidor". Luiz Antônio Rizzatto Nunes [33] entende que por ter o § 3º do artigo 12 utilizado o advérbio "só". tais como o caso fortuito ou força maior.1 Caso Fortuito e Força Maior Pela análise das eximentes expressamente previstas nos artigos 12. prevê a exclusão da responsabilidade do fornecedor nos artigos 12.2. O Código.2 Outras Excludentes O Código de Defesa do Consumidor.

afastada a responsabilidade do fornecedor. não os elenca. posteriores ao fornecimento: "O fornecedor também é liberado do dever de indenizar em demonstrando a presença. a capacidade do caso fortuito e da força maior para impedir o dever de indenizar. há a ruptura do nexo de causalidade. se um raio faz explodir o aparelho. ambas as hipóteses possuem força liberatória e excluem a responsabilidade. então. trata-se de uma impropriedade de redação: "O Código não pode obrigar o fornecedor a indenizar se sua inadimplência contratual ou responsabilidade aquiliana originaramse de caso fortuito ou de força maior". Nesse sentido sustenta Fábio Ulhoa Coelho [39] que fica afastada a responsabilidade do fornecedor se demonstrar a presença de caso fortuito ou força maior. entre as causas do acidente de consumo. causa incêndio e danos aos moradores: inexistiria nexo de causalidade a ligar eventual defeito do aparelho ao evento danoso". Logo. No entender de Eduardo Gabriel Saad. Caso se manifestem antes da inserção do produto no mercado de trabalho. o fornecedor responderá pelos danos: "Isto porque até o momento em que o produto ingressa formalmente no mercado de consumo tem o fornecedor o dever de garantir que não sofre qualquer tipo de alteração que possa torná-lo defeituoso. porque quebram a relação de causalidade entre o defeito do produto e o dano causado ao consumidor". Contudo. desde que posteriores ao fornecimento. ficando.117 responsabilidade. oferecendo riscos à saúde e segurança do consumidor. neste ponto. e. não foi afastado. Exemplifica o autor: "Não teria sentido. por exemplo. mantendo-se. que inexiste defeito ou que houve culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro." João Batista de Almeida [36] salienta que "Apesar de não prevista expressamente na Lei de proteção. responsabilizar-se o fornecedor de um eletrodoméstico. se o caso fortuito ou a força maior ocorrerem após a introdução do produto no mercado de consumo. pois. José Eduardo Duarte Saad e Ana Maria Saad C. A força . em conseqüência. Também não os nega. mesmo que o fato causador do defeito seja a força maior". James Marins [38]sustenta que o caso fortuito ou a força maior poderão afastar a responsabilidade do fornecedor ou não dependendo do momento em que ocorreram. da força maior ou do caso fortuito. quer me parecer que o sistema tradicional. Branco [37] muito embora o artigo 12 especifique que o fornecedor apenas não será responsabilizado quando provar que não colocou o produto no mercado.

não se responsabiliza o empresário pelos prejuízos do consumidor. quais sejam defeito. capaz de causar danos aos consumidores". que.118 maior ou o caso fortuito anteriores ao fornecimento não configuram excludente de responsabilização. por isso. ante o grau de conhecimento científico disponível à época de sua introdução. Por exemplo.. vindo a ser descoberto somente após um certo período de uso do produto e do serviço. . desconstitui qualquer liame causal entre o ato de fornecer produtos ao mercado e os danos experimentados pelo consumidor. segundo James Marins [40].2..) Com efeito a manifestação de tais fatores. Há divergência doutrinária quanto a caracterização dos riscos do desenvolvimento como hipótese de defeito dos produtos. restando. (. dano e nexo causal. consistem: "(. parte dos autores entendem que estão pressupostos da responsabilidade do fornecedor. o defeito. nesse ponto. venha a se detectar defeito. Contudo. 12 do Código de Defesa do Consumidor.) na possibilidade de que um determinado produto venha a ser introduzido no mercado sem que possua defeito cognoscível.. uma vez que o fundamento racional da responsabilidade objetiva do empresário. haverá a quebra do nexo causal. se discute na doutrina a adoção pelo CDC dos riscos de desenvolvimento como eximentes da responsabilidade do fornecedor. posteriormente. 2. a interpretação acerca do disposto no inciso III do §1º do art. nem tinha como prever ou evitar. Dessa forma. enquanto outros afirmam inexistir um desses pressupostos. ou seja. ainda que exaustivamente testado. se o eletrodoméstico é inutilizado por um raio.. O centro dessa divergência é. Antônio Herman de Vasconcellos Benjamim [41] conceitua os riscos do desenvolvimento como: "aquele risco que não podem ser cientificamente conhecidos ao momento do lançamento do produto no mercado. decorrido determinado período do início de sua circulação no mercado de consumo.." Percebe-se que a doutrina. somente identificável ante a evolução dos meios técnicos e científicos. ocorrendo todavia. posteriormente ao fornecimento. pois. por acidente de consumo. se encontra exatamente na constatação da relativa inevitablidade dos defeitos no processo produtivo. não se podendo responsabilizar o fornecedor por aquilo que não deu causa. divide-se entre defensores e oposicionistas.2 Riscos do desenvolvimento Os riscos do desenvolvimento. a maioria da doutrina parece consolidar o entendimento de que ocorrendo o caso fortuito ou a força maior. afastada a responsabilidade.

119 Zelmo Denari [42] coloca-se entre os que defendem a não adoção da eximente dos riscos de desenvolvimento sutentando que "a dicção normativa do inc. conforme sustenta João Calvão da Silva [45]. diz respeito ao momento que deve ser tomado em consideração para a verificação do estado dos conhecimentos científicos e técnicos. em nível legislativo. Ensina o mencionado autor que para compatibilizar a os riscos do desenvolvimento com a responsabilidade do fornecedor devem ser analisados dois aspectos. a necessidade de se compatibilizar a excludente. James Marins requisito temporal afirma: [44] . produção ou informação. III do artigo 12. como propôs a Comunidade Econômica Européia" Marcelo Junqueira Calixto [43] adota posicionamento contrário. os quais chama de requisito temporal e requisito técnico. afirmando que o inciso III do § 1º do art. prevista como regra. ao manifestar-se sobre o referido ". Surge. Para essa compatibilização devemos considerar dois requisitos: a) o primeiro. está muito distante de significar adoção da teoria dos riscos de desenvolvimento. b) o segundo. enquadramento este que é indispensável para que se possa falar em responsabilidade do fornecedor". não era possível ser descoberto pelo estado dos conhecimentos técnicos e científicos contemporâneo à introdução do produto no mercado de consumo. com a responsabilidade objetiva imposta ao fornecedor. então." Nesse mesmo sentido. que podemos chamar de "requisito temporal".. do Código de Defesa do Consumidor. §1º. Caso contrário. por nós chamado de "requisito técnico". é lícito ao fornecedor inserir no mercado de consumo produtos que não saiba nem deveria saber resultarem perigosos porque o grau de conhecimento científico à época da introdução do produto no mercado de consumo não permitia tal conhecimento. Diante disso não se pode dizer ser o risco de desenvolvimento defeito de criação. entretanto.. sendo o momento a ser considerado para a verificação dos estado dos conhecimentos científicos e técnicos e o segundo o critério para avaliação do estado da ciência e da técnica: "De início deve ser lembrado que a Diretiva 85/374/CEE expressamente faz referência à existência de um defeito que. 12 representa a adoção da teoria dos riscos de desenvolvimento. seria responsabilizado o fornecedor por um defeito que não tinha como perceber no momento em que colocou o produto em circulação: "teríamos uma aplicação retroativa do padrão ou de medida de . diz respeito ao critério para avaliação do estado da ciência e da técnica.

ao referir: "ao fornecer no mercado consumidor produto ou serviço que. Verifica-se que a doutrina entende ter o Código de Defesa do Consumidor adotado a teoria dos riscos de desenvolvimento e ressalta a necessidade de avaliação do grau de conhecimento científico. Muito embora o Código de Defesa do Consumidor silencie quanto ao exercício regular de direito. 2. pois à luz do novo conhecimento e tecnologia responsabilizar-se-ia o fabricante por um defeito existente mais indetectável no estado da ciência e da técnica em momento anterior. Contudo. o empresário não deve ser responsabilizado com fundamento nem na periculosidade (pois prestou informações sobre os riscos adequados e suficientes). por exemplo. tais direitos devem ser exercidos pelo fornecedor atendendo aos ditames dos artigos 42 e 43 do Código de Defesa do Consumidor. mesmo que provoquem transtornos ao consumidor. nesse sentido Fábio Ulhoa Coelho [46]. afastando a responsabilidade civil. o credor tem o direito de cobrar seu crédito do consumidor inadimplente. Tem a possibilidade até mesmo de ameaçar.3 Exercício regular de direito O inciso I do artigo 188 do Código Civil prevê que o exercício regular de um direito reconhecido não constitui ato ilícito. são exemplos de exercício regular de direito do fornecedor e. posteriormente. entende a doutrina que por ser ele ato lícito. somente não podendo fazêlo de forma abusiva.2. Realizar cobrança. vale ressaltar que. o credor remete carta ao devedor dizendo (ameaçando) que irá ingressar com ação judicial para cobrar . aquilo que sabe a comunidade científica em determinado momento histórico. de atos lícitos. No tocante ao requisito técnico. enviar um título vencido e não para cartório de protesto. "desde que tal ameaça decorra daquele regular exercício de cobrar. portanto.120 responsabilidade. salienta Antônio Herman de Vasconcelos Benjamin [47] que a análise do grau de conhecimento científico não é feita tomando por base um fornecedor em particular. apresenta riscos cuja potencialidade não pôde ser antevista pela ciência ou tecnologia. nem na defeituosidade (porque cumpriu o dever de pesquisar)"." Posiciona-se. com a conseqüente inclusão do nome do devedor em banco de dados. afastada estará a responsabilidade do fornecedor. também. o momento da distribuição do produto. Conforme o entendimento de Luiz Antônio Rizzatto Nunes [48]. à época da introdução do produto ou serviço no mercado de consumo. de acordo com a comunidade científica.

como o caso fortuito. nas relações de consumo. São Paulo: Saraiva. Zelmo e outros. agindo de forma abusiva. bastando ao lesado comprovar o dano e o nexo causal. Curso de direito comercial. . 30. Tais excludentes são aquelas expressas no próprio CDC. 2004. Fabio Ulhoa.ed. Código brasileiro de defesa do consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto/ Ada Pelegrini Grinover. al. {et. ________. São Paulo: RT. COELHO. 1991. Direitos do Consumidor. São Paulo: Saraiva. BENJAMIN. A proteção jurídica do consumidor. não dará ensejo a responsabilização do fornecedor. 2005. A responsabilidade civil do fornecedor de produtos pelos riscos do desenvolvimento. entende a doutrina existirem outras aplicáveis. Porém. São Paulo: Saraiva. 9. Conclusões A responsabilidade civil prevista no Código consumeirista é objetiva. Responsabilidade Civil – Teoria e Prática. 1994. O dever indenizatório decorrente da responsabilidade comporta exceções. Rio de Janeiro: Renovar.} – 8ª ed. 1990. Forense Universitária. 1993. Referências Bibliográficas ALMEIDA. São Paulo: Saraiva. Carlos Alberto. DENARI.121 o débito" Assim. Macelo Junqueira. CALIXTO. também. Antonio Herman de Vasconcelos. Alberto do. BITTAR. 1993. João Batista de. por ser ato lícito. p. AMARAL JUNIOR. 2005 . Comentários ao código de proteção do consumidor – coordenador: Juarez de Oliveira. I. o exercício regular de um direito. Rio de Janeiro: Forense Universitária.. Somente haverá responsabilização caso o fornecedor viole os dispositivos que disciplinam a ação regular de cobrança e o cadastro de consumidores em bancos de dados. O Empresário e os direitos do consumidor. Rio de Janeiro. a força maior e o exercício regular de direito. BITTAR. vol. Proteção do consumidor no contrato de compra e venda. Carlos Alberto.

N. SILVA. 1º a 74: aspectos materiais/ Cláudia Lima Marques. São Paulo: Malheiros. . São Paulo: RT. 29. SILVA. 6ª ed.122 FILHO. São Paulo: Saraiva. João Clavão da. Claudia Lima. Comentários ao Código de Defesa do Consumidor e sua jurisprudência anotada: Lei n. Roberto Senise. São Paulo: RT. abril-junho. Wilson Melo da. a responsabilidade civil surge pela prática de um ato ilícito. 2001.. Contratos no Código de Defesa do Consumidor 3 ª ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. Responsabilidade Civil. 29. Sérgio Cavalieri. 2003. Bruno Miragem. MARINS. Paulo Luiz Netto. 2 tiragem. Silvio Luís Ferreira da. ª NUNES. ROCHA. José Eduardo Saad e Ana Maria Saad C. Branco. LISBOA. MARQUES. 2000. 2006. Antônio Herman V. Comentários ao Código de Defesa do Cosumidor: arts. Os voluntários se dividem em: lícitos (fato praticado em harmonia com a lei) e ilícitos (fato que viola o dever imposto pela norma jurídica). LOBO. Os fatos jurídicos são aqueles que têm relevância jurídica e dividem-se em: naturais (decorrem de acontecimentos da própria natureza) e voluntários (têm origem em condutas humanas capazes de produzir efeitos jurídicos). 2000. Luiz Antonio Rizzatto. Comentários ao Código de Defesa do Consumidor:direito material (arts.34. Benjamin. Assim. 2000 SAAD. p. Revista de direito do consumidor. São Paulo: Revista dos Tribunais. 1999. Responsabilidade da empresa pelo fato do produto. Coimbra: Livraria Almedina. 1993. São Paulo: LTr. ver. 1990. Caio Mário da Silva. São Paulo: Saraiva. São Paulo: Revista dos Tribunais.078/90/ Eduardo Gabriel Saad. 8. James. PEREIRA. p. Responsabilidade civil do produtor. 1º a 54). A responsabilidade civil do fornecedor pelo fato do produto no direito brasileiro. Cláudia Lima. E ampl. Responsabilidade Civil. Caio Mário da Silva. Responsabilidade civil nas relações de consumo. 2005. Eduardo Gabriel. Programa de Responsabilidade Civil. Responsabilidade sem culpa. Notas 01 02 PEREIRA. MARQUES.

. p. vol. 17 18 COELHO. Comentários ao código de defesa do consumidor. 2005. Sérgio Cavalieri. FILHO. deve ser entendida como latu sensu. A culpa. p. Bruno Miragem. Curso de direito comercial. Revista de direito do consumidor. 30. 225. 188. p. 2005. São Paulo: Saraiva. p. São Paulo: RT. 2000. p. Claudia Lima.. 2000. Paulo Luiz Netto. " §4º A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada mediante verificação da culpa. al. {et. isto é. LOBO. Responsabilidade sem culpa. São Paulo: Revista dos Tribunais. ª ª 08 Comentários ao Código de Defesa do Cosumidor: arts. Ob. 2003.. 104. Fábio Ulhoa. 498. 279. 2 tiragem.} – 8ª ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária. Sérgio Cavalieri. Contratos no Código de Defesa do Consumidor 3 ed. 497.ed.34. 2ª ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. p. FILHO. 06 07 BITTAR. 1º a 74: aspectos materiais/ Cláudia Lima Marques. abriljunho. Antônio Herman V.123 03 04 05 Ressalte-se que há casos em que o ato lícito gera o dever de indenizar. NUNES. 9.. p.100. 15 16 14 13 FILHO.p." Nesse sentido: " Cirurgião – dentista – Direito do consumidor – Facilitação de defesa – ônus da prova – Inversão – Possibilidade – Profissional liberal – Responsabilidade Civil" (RSTJ 115/271). dolosa e culposa. 10 11 12 09 SILVA. N. Benjamin. Sérgio Cavalieri. Responsabilidade Civil – Teoria e Prática. Programa de Responsabilidade Civil. São Paulo: Saraiva.. MARQUES. p. Wilson Melo da. Código brasileiro de defesa do consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto/ Ada Pelegrini Grinover. Luiz Antônio Rizzatto. 263. Ob cit. I. 1999. 19 . 28.. Fabio Ulhoa. p. p. COELHO. 2005. Cit. 2000. no presente trabalho. 150-51. Carlos Alberto. A responsabilidade civil do fornecedor pelo fato do produto no direito brasileiro. Programa de Responsabilidade Civil.

manipulação. o construtor. bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos.p. (. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. tendo prestado o serviço. Art.que. 12. Luiz Antônio Rizzatto. 14.a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro. construção. II . Código brasileiro de defesa do consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto/ Ada Pelegrini Grinover... apresentação ou acondicionamento de seus produtos. p.que. Antônio Herman V. 213-4. Bruno Miragem.. 23 24 NUNES. bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos.. 1º a 74: aspectos materiais/ Cláudia Lima Marques. p. p. 1º a 74: aspectos materiais/ Cláudia Lima Marques. p. III . Benjamin. Bruno Miragem. Art.. O fabricante.a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro. Benjamin. 188. o produtor ou importador só não será responsabilizado quando provar: I . montagem.) 3° O fornecedor de serviços só não será responsabilizado quando provar: I . o defeito inexiste.124 Comentários ao Código de Defesa do Cosumidor: arts. 2005.. fabricação. Cit.que não colocou o produto no mercado. 2003. pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços. Antônio Herman V. Ob. 286. al. nacional ou estrangeiro. 25 . 21 22 20 NUNES.) 3° O fabricante. Cit. . {et. II . embora haja colocado o produto no mercado. o produtor. fórmulas. O fornecedor de serviços responde. (. Luiz Antônio Rizzatto. 278. Rio de Janeiro: Forense Universitária. Comentários ao Código de Defesa do Consumidor: arts. pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos decorrentes de projeto. e o importador respondem. ob. independentemente da existência de culpa. o defeito inexiste. o construtor.. independentemente da existência de culpa. 2003. 286. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais.} – 8ª ed.

vol I. 278. 2000. . 1993. p. p. 2001. p. p. E ampl. Comentários ao Código de Defesa do Cosumidor: arts. 65. 2005.} – 8ª ed. São Paulo: Saraiva. 1990. 1991. 271. 1993. 38 Responsabilidade da empresa pelo fato do produto. – Coordenador Juarez 153. São Paulo: RT. Comentários ao Código de Defesa do Consumidor. {et. 69. p. p. 6ª ed. São Paulo: Saraiva. Benjamin. 35. São Paulo: Revista dos Tribunais. p. p. p. 2003. 281. José Eduardo Saad e Ana Maria Saad C. 2005. São Paulo: Saraiva. Rio de Janeiro: Forense Universitária. Comentários ao Código de Defesa do Consumidor e sua jurisprudência anotada: Lei n. p..078/90/ Eduardo Gabriel Saad. 1º a 74: aspectos materiais/ Cláudia Lima Marques. Responsabilidade da empresa pelo fato do produto. Bruno Miragem. p. 39 40 128. 170. Rio de Janeiro: Forense universitária. Responsabilidade civil nas relações de consumo. al. São Paulo: Saraiva. 189. 169. 67. Proteção do consumidor no contrato de compra e venda. Rio de Janeiro: Forense Universitária. p. 1993. al. 1993. 188. p. Código brasileiro de defesa do consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto/ Ada Pelegrini Grinover. 41 . Antônio Herman V. São Paulo: RT.125 Comentários ao Código de Proteção ao Consumidor. . São Paulo: LTr.} – 8ª ed. p. Código brasileiro de defesa do consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto/ Ada Pelegrini Grinover. São Paulo: Saraiva.. 36 37 35 34 A proteção jurídica do consumidor. p. 2005. 32 33 31 30 29 28 27 26 Direitos do consumidor. Comentários ao Código de Proteção ao Consumidor – Coordenador Juarez de Oliveira. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. 8. 288. 227. 2006. Comentários ao Código de Proteção ao Consumidor. ver. São Paulo: RT. {et. Branco. 2000. Curso de Direito Comercial. 1991. São Paulo: Saraiva. Comentários ao Código de Defesa do Consumidor.

46 47 Comentários ao Código de Proteção ao Consumidor – Coordenador Juarez de Oliveira. 45 509. 200. p. 135.. 506. 2000. p.} – 8ª ed. Coimbra: Livraria Almedina. São Paulo: RT. 1993. p. 1994. 1990. 2004. 48 Vícios no Código Civil e no Código de Defesa do Consumidor: diferenças Autor: Ricardo Canguçu Barroso de Queiroz Em consequência da revolução tecnológica. O empresário e os direitos do consumidor.126 de Oliveira. . A responsabilidade civil do fornecedor de produtos pelos riscos do desenvolvimento. 186-187. 1991. 44 43 42 Responsabilidade da empresa pelo fato do produto. 1991. Rio de Janeiro: Renovar. Rio de Janeiro: Forense Universitária. São Paulo: Saraiva. 67 Código brasileiro de defesa do consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto/ Ada Pelegrini Grinover. São Paulo: Saraiva. São Paulo: Saraiva. 84. p. São Paulo: Saraiva. al. 2005. p. p. Responsabilidade civil do produtor. {et. p. p. 67 Comentários ao Código de Defesa do Consumidor. a produção e a comercialização se .

dada a grande diversidade de produtos no mercado. f)O CC não prevê proteção aos vícios ocorridos na prestação de serviços. assim. Ante a necessidade de uma proteção mais ampla do consumidor na relação de consumo. afinal como já falamos. estando associado.127 dissociaram. senão vejamos: a)Para o CC as expressões "vício" e "defeito" são equivalentes. d)Pelo CC. resultando na evolução da produção em pequena escala para a produção em série. com quem contratou diretamente. baseada na culpa do fornecedor. no CDC a responsabilidade pelos vícios é subjetivo com presunção de culpa do fornecedor. o distribuidor. apenas. No CDC. a noção de vício no CDC é bem mais eficiente do que a estabelecida pelo direito tradicional. a não mais corresponder às expectativas do mercado de consumo e do progresso tecnológico da produção em massa. Assim. provenientes de erros técnicos e falhas no processo produtivo. ou todos eles conjuntamente. Além disso tais devem ser preexistentes ou contemporâneos à entrega da coisa. Já no CDC o consumidor poderá acionar quaisquer dos componentes da cadeia de produção e comercialização. em que o mais importante era a preservação do contrato. só é permitida se esta tiver sido recebido em virtude de relação contratual (contratos comutativos ou doação com encargo). o fabricante. desde que dentro dos prazos decadenciais. mas . e com o objetivo de estabelecer-se o equilíbrio contratual. b)Enquanto no CC vigora a responsabilidade subjetiva pura. No CDC. enquanto que no sistema do CDC "defeito" é vício mais dano à saúde ou segurança. com berço no individualismo negocial. a responsabilização pelos vícios da coisa. O sistema do Código Civil. não há necessidade de haver relação contratual entre o consumidor e o sujeito passivo demandado pelo vício do produto ou serviço. portanto aos fatos do produto ou serviço e "vício" está associado à deficiência de qualidade ou quantidade do produto ou serviço. e)O CC não prevê responsabilização pelos vícios aparentes ou de fácil constatação. aumentaram os riscos ao público consumidor. abrangendo. seja o comerciante. por sua vez. como vigora a vulnerabilidade do consumidor. sendo que tais problemas só foram suprimidos com o advento do Código de Defesa do Consumidor. há solidariedade entre os componentes da cadeia de fornecedores . além da inversão do ônus da prova em favor do consumidor. o consumidor só pode acionar o fornecedor direito. os ocultos. considera-se irrelevante que o consumidor tenha ou não conhecimento do vício e tenha ele surgido antes ou depois da tradição do produto. c)O CC não prevê a solidariedade entre os fornecedores componentes da cadeia de produção e comercialização. passou. assim.

marca ou modelo diverso.São Paulo: Editora RT. Ed.JÚNIOR. 3 . 1999. a restituição da quantia paga ou abatimento do preço. de maneira que somente quando comprovada a má-fé aquele será responsabilizados por perdas e danos. 03. Já no CDC havendo relação de consumo. o CDC tais prazos se iniciam a partir do momento em que o consumidor toma conhecimento do vício ou do dano (a prescrição é de 5 anos).Rio de Janeiro: Forense Universitária. Odete Novais . Roberto Senise . Alberto do Amaral . 05 . a culpa não enseja a responsabilização pelos danos materiais (lucro cessante + dano emergente) ou pessoais (morais). 1993. 1998 2 . h)O CC só prevê duas possibilidades de reparação: a ação redibitória (o contrato é levado a termo e o comprador é restituído integralmente pelo pagamento) ou a ação estimatória (o comprador obtém a redução do valor pago).CARNEIRO. assim como.A responsabilidade pelos vícios dos Produtos no Código de Defesa do Consumidor .LISBOA.Código Brasileiro de Defesa do Consumidor Comentado pelos Autores do Anteprojeto . pouco importa o comprovação ou não de má-fé do fornecedor.São Paulo: Ed.Revista de Direito do Consumidor n. i)No CC os prazos de prescrição e decadência são contados à partir da entrega da coisa (a prescrição é de 15 dias para bem móvel e 6 meses para bem imóvel). No CDC as possibilidades estão ampliadas.Da Responsabilidade por Vício do Produto e do Serviço . RT: São Paulo. para obter-se a reparação integral (danos materiais + danos pessoais). Revista de Direito do Consumidor n. mediante complementação ou restituição de eventual diferença de preço. enquanto que o CDC contempla ao consumidor as possibilidades de exigir a reexecução do serviço. g)No CC caso comprovada a boa-fé (ignorância) do alienante será obrigado a restituir apenas a coisa viciada. a restituição da quantia paga ou o abatimento do serviço caso encontre-se responsabilidade do fornecedor de serviços pelos vício de adequação (quantidade e qualidade). 4 – DENARI. Zelmo . .Vício do Produto e a exoneração da responsabilidade. Por sua vez. RT. 1992. BIBLIOGRAFIA 1 . ou seja. a possibilidade da troca do produto por outro de espécie.128 tão somente do produto. estabelecendo dentre as hipóteses a substituição do produto.

[01] Para proteger a legítima expectativa que tem o consumidor na qualidade e utilidade do produto. ofereçam segurança aos seus usuários. a responsabilidade civil do fornecedor pode emergir em decorrência de diversas espécies de vícios dos produtos. hodiernamente. tendo-se. Cria-se. Introdução O produto adquirido pelo consumidor deve corresponder a exatamente aquilo que dele se espera. [04] que informa que o . o Código Brasileiro de Defesa do Consumidor (Lei n. [02] segundo o qual o produto deve proporcionar ao consumidor exatamente aquilo que ele esperava ou deveria esperar quando o adquiriu.º 8. a responsabilidade civil por vícios de inadequação ou por vícios de insegurança. Haverá.129 A responsabilidade civil do fornecedor por vícios dos produtos no Código de Defesa do Consumidor Autor: Fabrício Castagna Lunardi Resumo O instituto da responsabilidade civil evoluiu rapidamente nas duas últimas décadas. um novo conceito. a fim de evitar que eventuais danos venham a ocorrer pela imperícia natural dos consumidores. 1.078/90) adotou o Princípio da Confiança. assim. com isso. O fornecedor deve assegurar ao consumidor a correta utilização do produto. a responsabilidade civil legal. que recebem tratamento jurídico diferenciado pelo Código de Defesa do Consumidor. um novo modelo de responsabilidade. Consumidor. Fornecedor. Palavras-chave: Responsabilidade. A justa expectativa dos consumidores e do público em geral frente aos produtos lançados no mercado é a de que eles funcionem regularmente. proporcionando-lhe as informações necessárias para tal. sob pena de responsabilização. uma vez que impõe aos fornecedores o dever de colocar no mercado produtos indenes de vícios. de acordo com a finalidade para a qual foram desenvolvidos e que. que é assentado na solidariedade social e na efetiva reparação dos danos aos consumidores. observa-se claramente que o regramento que é dispensado à matéria tem reflexo imediato na segurança dos consumidores. Ao fim. simultaneamente. [03] É o que a doutrina uruguaia chama de Principio de Autoresponsabilidad. No âmbito das relações de consumo.

. mostrando-se. Ocorrem. quando afetem sua prestabilidade e utilização. precisa e sem ambigüidades. bastando a verificação de que a informação sobre a qualidade ou quantidade não corresponde verdadeiramente ao que o produto proporciona. o modelo ideal de produção. [05] No entanto. A constatação desses vícios se faz por um critério objetivo. a classificação dessa espécie de vícios em vícios de inadequação na qualidade e vícios de inadequação na quantidade. [06] A par disso. a fim de prevenir a ocorrência de danos. surge para o produtor uma dupla obrigação: fornecer produtos adequados às suas próprias finalidades. do refrigerador que não mantém os produtos em baixa temperatura. Com o surgimento e alargamento do processo de industrialização. quando o peso ou a medida informada não corresponder à prestada pelo fornecedor ou à indicada na embalagem. por exemplo. e não colocar no mercado produtos que ofereçam riscos. pois é responsável por aquilo que informa na oferta. existem diferentes instrumentos jurídicos para reparar os danos e prejuízos causados aos consumidores. que tem como característica principal a produção em série. como adiantes se demonstrará. é utópico. pode ocorrer na qualidade do produto. além dos que lhe são ínsitos e de conhecimento geral. Os produtos defeituosos acabam sendo um resultado marginal e inexorável da produção industrial. tem o fabricante o dever de controlar o processo de produção e de conhecer todas as inovações tecnológicas. Outrossim. quando a informação prestada não corresponde verdadeiramente ao produto. de modo a não induzir o consumidor em erro. baseado na inexistência de produtos com avarias. prejudicando seu uso e fruição ou diminuindo o seu valor. É o caso. Dos vícios de inadequação e dos vícios de insegurança Os vícios de inadequação são aqueles que afetam a prestabilidade do produto. Dessa sorte. A inadequação. mantendo o produto sempre atualizado em matéria de segurança. da lata de extrato de tomate que não contém a quantidade informada na embalagem etc. Por isso. cresceu a incidência de vícios e defeitos nos produtos. o que varia de acordo com a espécie de vício (ou defeito) que apresenta o produto. à medida que não há um controle individual da adequação e segurança de cada unidade que é lançada no mercado. ou na sua quantidade. portanto. ainda. de qualquer forma. impróprio para o fim a que se destina e desatendendo a legítima expectativa do consumidor. 2. da televisão que não tem boa imagem.130 fornecedor deve prestar informações de forma clara.

encargo. não se pode confundir as noções de obrigação e de responsabilidade civil. Na nova definição de responsabilidade. Com o passar do tempo. [09] com fundamento na obrigação de indenizar.078/90. levando-se em consideração a sua apresentação. A doutrina de direito civil costuma definir a responsabilidade civil com base numa conduta causadora de um dano. Por razões como essa. com a ofensa a um bem jurídico. não abrange todas as modalidades de responsabilidade civil. De qualquer sorte. mas em decorrência de ato lícito. contraprestação. Responsabilidade civil no âmbito das relações de consumo Na dogmática.º 8. e não mais a punição do responsável." [12] Esse conceito. defeitos de desenvolvimento e defeitos de informação. Os vícios de insegurança. segundo a doutrina brasileira. no entanto. Obrigação é sempre um dever jurídico originário. dentre outras circunstâncias. pois haverá casos em que surge a responsabilização sem a violação a um dever jurídico. o elemento sanção ou retribuição foi mitigado. são os vícios de inadequação tratados nos arts. deverá sempre haver o dano jurídico. pode-se definir a responsabilidade civil como "um dever jurídico sucessivo que surge para recompor o dano decorrente da violação de um dever jurídico originário.º 8. defeitos de construção (ou execução). da Lei n. Os vícios de insegurança são tratados nos arts. a época em que foi colocado em circulação. a noção de responsabilidade implica sempre a violação de um dever. entretanto. 12 a 17 da Lei n. [10] ou com supedâneo no inadimplemento contratual. em face de defeitos de projeto (ou concepção). enquanto a .131 No Brasil. para haver responsabilidade civil. 18 e segs. o uso e os riscos normais. são aqueles defeitos que fazem com que o produto seja potencialmente danoso à integridade física ou ao patrimônio do consumidor. [08] exprimindo a idéia de obrigação. [07] 3. dizer-se que não existe um conceito unitário que abranja todas as modalidades de responsabilidade civil. Tem ínsito um perigo de dano patrimonial ou extrapatrimonial. Podem ocorrer. Ocorrem quando o produto não apresenta a segurança que dele legitimamente se espera. não se pode mais dizer que a responsabilidade jurídica está "essencialmente ligada à retribuição. Em um conceito sintético e geral. por sua vez. De outro lado. é verdadeira a premissa de que." [11] O elemento central passa a ser a reparação ou prevenção do dano ou prejuízo. do qual exsurge o dever de reparação.078/90.

Em primeiro lugar. ainda que o consumidor seja diligente. e não do contrato. Responsabilidade contratual é aquela que decorre diretamente e em função de um contrato. encontra-se que a responsabilidade civil pode ser classificada em contratual e extracontratual. base de uma responsabilidade sem culpa. na sistemática do direito do consumidor. ultrapassa as fronteiras da culpa. [17] Com efeito. [16] Esse novo modelo de responsabilidade não se centra mais em apenas punir o autor de uma conduta antijurídica. corolário da violação do primeiro. paulatinamente. A responsabilidade extracontratual. A responsabilidade civil é tema de permanente atualidade e vem ganhando importância e mutação à medida que a evolução industrial produz novas tecnologias. em relação à matéria de proteção do consumidor. senão no interesse em restabelecer o equilíbrio econômico-jurídico alternado pelo dano. deriva. a quem cabe controlar a qualidade e a segurança dos produtos. em vista de situações que demandam regulamentação jurídica específica. porque oferece maiores garantias de proteção às vítimas. de um ato ilícito. de uma obrigação jurídica que decorre de uma norma legal. desafiando soluções jurídicas inéditas. por fim. geralmente. o que determinou um redirecionamento dos princípios que regiam a matéria. na necessidade de reparação ou prevenção do dano. de modo que será responsabilizado civilmente aquele que inadimplir essa obrigação. o fornecedor tem melhores condições de suportar o risco do produto. Em face das transformações sociais ocorridas pela constante evolução industrial e dos riscos gerados aos consumidores. mediante. também chamada de aquiliana. resta superada. vale dizer. [14] A responsabilidade civil. O fundamento social da reparação do dano está arraigado nas noções de assistência. previdência e garantia. Essa distinção. patrimonial ou extrapatrimonial. além disso. porque. cujo valor do prêmio se incorporará ao preço de venda. [15] de modo que o prejuízo causado a um consumidor seja suportado por toda a sociedade. causado ao consumidor pela existência de vícios de inadequação e de insegurança do produto. seguro de responsabilidade. à consciência da necessidade de proteção das vítimas e das partes mais fracas nas relações sociais. de uma obrigação contratual originária. deu-se entrada. encontrando supedâneo na solidariedade social. porque os custos de ressarcimento devem recair sobre o fabricante e o fornecedor. a responsabilidade civil objetiva do fornecedor é o sistema de reparação de danos mais adequado aos tempos modernos. entretanto. [13] Na dogmática.132 responsabilidade é um dever jurídico sucessivo. O verdadeiro escopo dessa evolução é a preocupação de assegurar melhor justiça distributiva. por exemplo. distribuindo-se o custo entre os próprios . ou seja.

todo aquele que exerce atividade no mercado de consumo tem o dever de responder pelos eventuais vícios ou defeitos dos bens e serviços fornecidos. acabavam por dificultar a imputação do fato lesivo ao seu autor. no entanto. o que . todavia. "al no exigirse la prueba diabólica de la culpa. Assim. a responsabilidade civil não deriva do contrato ou de um dano que alguém gera a outrem fora do contrato. abrangendo nesse conceito tanto a responsabilidade do fornecedor que celebra o contrato com o consumidor. no Brasil.133 consumidores. A responsabilidade decorre do simples fato de realizar a atividade de produzir. a ser uma relação entre a atividade empresarial e um sujeito. por influência das grandes empresas. segundo a qual a lei imporia a toda a cadeia de fornecedores um dever de qualidade dos produtos que são colocados no mercado e dos serviços que são prestados. distribuir e comercializar produtos ou executar determinado serviço. decorrentes principalmente do desconhecimento do processo industrial e da crescente automação. como a daquele fornecedor que tem vínculo contratual apenas com a cadeia de fornecedores. de uma imputação que decorre estritamente da lei. [21] Se o fornecedor introduz um risco para a sociedade. [22] Com efeito. [23] De outro lado. Alguns países. mas. na chamada responsabilidade por risco da empresa. independentemente de culpa. [18] Acrescente-se que o fornecedor está em melhores condições de produzir a prova sobre o ocorrido." [19] Efetivamente. Essa responsabilidade legal dos fornecedores tem como fundamento a Teoria da Qualidade. a doutrina brasileira tem chamado esse novo modelo de responsabilidade civil de responsabilidade legal. O acolhimento da teoria do risco e da responsabilidade objetiva é a tendência moderna nos países que possuem legislação específica sobre direito do consumidor. por motivos de política-econômica. a imputação de responsabilidade conjunta entre os fornecedores vinculados ou não por laços contratuais com o consumidor. razão pela qual lhe é transferido o ônus de provar uma das causas excludentes de sua responsabilidade para que se exima de reparar o dano ou os prejuízos. foi além. prescindindo da existência de culpa. e que a responsabilidade civil não deriva do contrato ou de ato ilícito. criando uma nova modalidade de responsabilidade civil. [20] A responsabilidade civil passa. então. as dificuldades que tinham os consumidores na busca da prova. De acordo com a Teoria do Risco. e também. há. deve responder pelos prejuízos que causar. mantém-se fiéis ao dogma da responsabilidade civil baseada na culpa. muitas vezes. se facilita a la víctima el acceso a la reparación. estocar. Tendo em vista que a imputação decorre estritamente da lei. A doutrina brasileira. sim.

Por ser o comerciante com quem contratou o responsável mais próximo. ocorrendo o vício de inadequação na qualidade do produto. dispõe sobre os vícios de inadequação na quantidade. Com base nesses delineamentos. com os demais integrantes da cadeia de fornecedores. Prevê.1. no direito consumerista brasileiro.134 demonstra a tendência moderna de ir além da responsabilidade contratual e extracontratual. pode-se conceituar a responsabilidade civil. Nesse caso. 19. que cause um dano efetivo ao patrimônio. 18 e seguintes. portanto. o vício (ou defeito) no produto. o dano ou prejuízo ao consumidor e o nexo de causalidade. b) a restituição imediata da quantia paga. como o dever jurídico que surge para o fornecedor em conseqüência de um vício de inadequação ou de insegurança do produto ou serviço. 3. De acordo com a lei consumerista brasileira. geralmente ele será o demandado. Nos §§ 1. no art. Para obter a indenização. uma solidariedade [24] entre todos os fornecedores da cadeia de produção em relação à reparação dos prejuízos causados ao consumidor em razão da inadequação do produto ao fim que se destinava. Os elementos identificadores e que geram a responsabilidade civil do fornecedor são. constata-se que a responsabilidade civil é extracontratual. incumbindo ao fornecedor a prova de alguma das excludentes de sua responsabilidade. pois não há relação contratual. enquanto. à integridade física ou à vida do consumidor. caput. em perfeitas condições de uso. Destarte. Com isso. 18. no art. surgirá a responsabilidade civil do fornecedor por vícios de inadequação. centrando o dever de reparar na solidariedade social e na Teoria do Risco.º ao 6. O Código Brasileiro de Defesa do Consumidor trata da responsabilidade civil por vícios de inadequação do produto em seus arts. já que a relação contratual se estabelece somente entre o consumidor e o fornecedor direto. ao menos direta.º do art. 18. o consumidor somente precisa demonstrar a verossimilhança da existência desses três elementos. monetariamente atualizada. surgem para o consumidor as seguintes alternativas: a) a substituição do produto por outro da mesma espécie. a responsabilidade está in re ipsa. e não sendo sanado esse vício num prazo máximo de 30 (trinta) dias. pois a reparação diz respeito ao produto. sem prejuízo de . trata da responsabilidade civil por vícios de inadequação na qualidade. poderá o consumidor demandar qualquer um dos integrantes da cadeia de fornecedores. A responsabilidade civil por vícios de inadequação dos produtos Quando o produto não proporcionar a utilização que dele legitimamente se esperava.

º). sem prejuízo da eventual complementação ou restituição de valores (§ 1. O fornecedor imediato será responsabilizado quando fizer a pesagem ou medição e o instrumento utilizado não estiver regulado segundo os padrões oficiais (§ 2.º). Esse prazo para o conserto do produto pode ser ampliado ou reduzido pelas partes. como referido. a substituição das partes viciadas puder comprometer a qualidade ou as características do produto.135 eventuais perdas e danos. b) complementação do peso ou medida. surge para a cadeia de fornecedores o dever de reparar.2. Caso o consumidor tenha optado pela substituição do produto por outro de mesma espécie e isso não seja possível. sendo que. por sua vez. ou d) restituição imediata da quantia paga. 19 do Código Brasileiro de Defesa do Consumidor.º). incs. mediante eventual restituição de valores ou complementação da diferença de preços (§ 4. no art. atenue ou exonere o fornecedor da responsabilidade de indenizar em face da ocorrência de vícios de inadequação ou de insegurança.º). poderá o consumidor optar por uma das seguintes alternativas: a) abatimento proporcional do preço. é vedada a pactuação de cláusula que impossibilite. A responsabilidade civil por vícios de insegurança dos produtos A responsabilidade civil do fabricante por vícios de insegurança é efeito lógico de um acidente de consumo. não podendo. Se. I a IV). sendo que a garantia legal do produto independe de termo expresso (arts. antes mencionadas. 18. pode o consumidor. ser inferior a 7 (sete) nem superior a 120 (cento e vinte) dias. estão previstos. essa cláusula deve ser convencionada em separado (§ 2. 24 e 25). Os efeitos da responsabilidade civil por vícios de inadequação na quantidade do produto. poderá optar pela substituição por outro de espécie. em qualquer contrato de consumo. que ocorre quando o produto não apresenta a . sem prejuízo de ressarcimento por eventuais perdas e danos (art. 18. Constatados os vícios de inadequação na quantidade do produto. marca ou modelo diversos. diminuir-lhe o valor ou no caso de se tratar de produto essencial. em face da extensão do vício. caput e § 1. 19. Cabe ressalvar que. sem os aludidos vícios. sem precisar obedecer a qualquer prazo. 3. Do mesmo modo do que ocorre na responsabilidade civil por vício de inadequação na qualidade. no caso de contrato de adesão. monetariamente atualizada. o consumidor poderá imediatamente se utilizar das alternativas referidas no § 1.º do art. marca ou modelo. marca ou modelo diversos. quando optar pela substituição do produto por outro de mesma espécie e esta não for possível.º). contudo. c) substituição do produto por outro da mesma espécie. requerer a troca do produto por outro de espécie. e c) o abatimento proporcional do preço (art. Assim.

que. contudo. respondendo subsidiariamente quando não puderem ser identificados os demais sujeitos da cadeia de produção ou quando o produto fornecido não apresentar identificação clara daqueles. como fora referido. 12 a 17 do Código Brasileiro de Defesa do Consumidor da responsabilidade civil por fato do produto. o que facilita ao consumidor a busca por uma justa indenização. o CBDC prevê uma solidariedade entre fabricante. o produto é fabricado por um terceiro oculto. 12. 12. De outro lado. [26] Levando em conta a sistemática moderna de proteção ao consumidor. aquele que celebrou o contrato com o fornecedor. sendo necessária a sua colocação no mercado. ou seja. capaz de causar lesões aos consumidores. na verdade. "independe da existência de culpa". quando. b) a colocação do produto no mercado. 12). Falta. que possui um defeito capaz de. por si só. e d) a relação de causalidade (ou nexo causal). controle sobre a segurança e qualidade das mercadorias. são pressupostos para a responsabilidade civil do fabricante por defeitos nos produto: a) falha na segurança do produto. Como se observa. quando não conservar adequadamente os produtos. como se fabricantes fossem. na forma do art. produtor. lesionar o consumidor. no rol de responsáveis estabelecido no art. a responsabilidade civil legal. acompanhando o produto por onde ele estiver durante a sua existência útil. todavia. terá o comerciante responsabilidade direta.136 segurança que dele legitimamente se espera e acaba por causar dano ao consumidor. [27] de modo que a garantia inerente ao produto obriga o fornecedor em relação ao último consumidor e a todos aqueles que tenham alguma . menção expressa ao fabricante aparente. [25] Para melhor defender os interesses do consumidor. regra geral. Essa distinção em benefício do comerciante se faz necessária porque ele não tem. àquelas redes de varejo que oferecem diversificada linha de produtos com sua própria marca. essa responsabilidade não beneficia somente o consumidor imediato. a simples fabricação de um produto com um defeito não enseja. construtor e importador (art. Assim. o comerciante é excluído em via principal. pela sua utilização. Por produto inseguro. c) o dano. deve-se entender aquele que é potencialmente danoso. é introduzido no Código Brasileiro de Defesa do Consumidor. a pedido da rede varejista. ou seja. Tratam os arts. Segundo a lei consumerista brasileira. a responsabilidade civil. nas relações de consumo em massa. ou seja. A colocação do produto no mercado é ato humano de fazer ingressar em circulação um produto potencialmente danoso. O dever de segurança tem natureza ambulatorial. um novo conceito de responsabilidade civil.

é imperioso fazer a distinção. o caso fortuito e a força maior não devem funcionar como . 12 do CBDC que o fornecedor não será responsabilizado se provar: a) que não colocou o produto no mercado. como. b) que. na hipótese de ser o infrator quem colocou o produto em circulação. que as vítimas sejam parte da cadeia de circulação jurídica do produto. De outro lado. O que distingue basicamente os dois institutos é que a força maior resulta de situações independentes da vontade do homem. embora tenha colocado o produto no mercado. todavia. mas proveniente de fatos humanos. ou que simplesmente tenham se exposto aos efeitos do seu campo de periculosidade.137 relação de fato com o produto. ou. ou c) a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro. A prova de que o vício de insegurança inexiste incumbe ao fornecedor. excluirá a responsabilidade do fornecedor a sabotagem. É irrelevante. o que gera indagações a respeito. A excludente não beneficia o fornecedor. o furto e o roubo. Nesses casos. ainda. Assim. que importam no rompimento do nexo de causalidade e acabam afastando a responsabilidade civil. [30] Para verificar se o caso fortuito e a força maior atuarão como excludentes de responsabilidade do fornecedor. [29] Embora surtam idênticos efeitos jurídicos. como uma greve. malgrado se trate de responsabilidade objetiva.º do art. O caso fortuito e a força maior constituem-se em um fato necessário. Caso ocorram na concepção ou na produção. por exemplo. como um ciclone. cabe salientar que o CBDC não prevê como causas de exclusão de responsabilidade o caso fortuito e a força maior. um terremoto. cabe tão-somente demonstrar a verossimilhança do que alega. deve ser analisado o momento de sua ocorrência. o defeito inexiste. caberá ao fornecedor a prova de tal fato. dispõe o § 3. uma guerra. Ao lesado. nos casos em que o produto é posto no mercado por ato de preposto ou em decorrência da falta de diligência na guarda do produto. que mantenham com este mera relação de fato decorrente de uso ou consumo. A não colocação do produto no mercado pressupõe que o fornecedor-produtor prove que não é sua a autoria da fabricação do produto ou que o fornecedor não foi responsável pela sua circulação. uma tempestade. São as causas de exoneração. a demonstração de que já ocorreu outro acidente de consumo em relação a idêntico produto. para a configuração de responsabilidade. permitindo um juízo de probabilidade ao julgador. sendo que a própria lei admite excludentes de responsabilidade do fornecedor. cujos efeitos não se pode evitar ou impedir. essa regra não é absoluta. À guisa de exemplo. um incêndio criminoso provocado por terceiros. [28] De outro lado. quando o produto está sob a guarda do comerciante. enquanto o caso fortuito é uma situação que decorre de fato alheio à vontade da parte.

sobretudo nos países mais desenvolvidos.138 eximentes de responsabilidade do fornecedor. Esses dois elementos atuam como fatores de ruptura do nexo causal entre o defeito e o dano. O modelo ideal de produção. que tem como característica principal a produção em série. principalmente. tendo sido produzido após o consumidor ter adquirido o produto. dentre os quais o da responsabilidade civil e o dos vícios dos produtos. calcados. pois. Os produtos defeituosos acabam sendo um resultado marginal e inexorável da produção industrial. decorre da violação do dever de colocar no mercado produtos isentos de vícios de insegurança. mormente em relação à responsabilidade civil do fornecedor por vícios dos produtos. O Brasil codificou a matéria na Lei n. e que decorre estritamente da lei. no direito brasileiro. Impõe. não terão os fornecedores qualquer responsabilidade.º 8. então. assim. Considerações finais Com o surgimento e alargamento do processo de industrialização. A par disso. a chamada responsabilidade legal. . na efetiva reparação do consumidor. que prescinde de elemento contratual ou da ocorrência de ilícito. se o defeito não está relacionado ao fornecedor. houve uma preocupação mundial em reduzir ao máximo os acidentes de consumo e os vícios dos produtos. culminando em modificar o tratamento jurídico de vários institutos. baseado na inexistência de produtos com avarias. assim. Dessume-se. na solidariedade social e na responsabilidade civil objetiva. Além disso. cria um novo conceito de responsabilidade civil. cresceu a incidência de vícios e defeitos nos produtos. que imponha a toda a classe de fornecedores normas imperativas no processo de produção e a obrigação de reparar eventuais danos decorrentes dos acidentes de consumo. o que pode é possível com uma legislação rigorosa.078/90. Entretanto. Criou-se novos modelos de reparação de danos que sobrepujaram a clássica teoria da responsabilidade civil. à medida que não há um controle individual da adequação e segurança de cada unidade que é lançada no mercado. não haverá responsabilidade civil daquele. que a responsabilidade do fornecedor. Surgiu. 4. portanto. um dever de qualidade dos produtos colocados no mercado. é utópico. se o caso fortuito e a força maior sobrevierem depois da tradição (entrega) do produto ao consumidor. microssistemas protetivos ao consumidor. dando tratamento jurídico bastante proguessista em relação à efetiva reparação dos danos ao consumidor.

São Paulo. A responsabilidade do fabricante pelo fato do produto. e ampl. 1. v. ed. Carlos Alberto. In: Comentários ao Código de Proteção ao Consumidor. ed. Código brasileiro de defesa do consumidor. (trad. Carlos. Revista de Direito do Consumidor. 5. DIAS. CAVALIERI FILHO. atual. SP.). Sergio. BENJAMIN. n. Revista de Direito do Consumidor. p. ano 1. RS. maio 1997. 5.-dez. 5. ed. Gustavo Ordoqui. São Paulo : Martins Fontes. Teoria pura do direito. aum. servindo de modelo e paradigma para vários outros países. Da responsabilidade civil. Programa de responsabilidade civil. rev. 1992. 127-197. out. DENARI. CASTILHA. Revista Jurídica da Associação dos Defensores Públicos do Estado do Rio Grande do Sul. Buenos Aires : Astrea. 19-24. n. aum. In: GRINOVER. 1997. KELSEN. Luiz Gastão Paes de Barros. São Paulo : Saraiva. p. A proteção do consumidor e o MERCOSUL. GHERSI. 6. 124-136. Zelmo Da qualidade de produtos e serviços. da prevenção e da reparação dos danos. 2. Da qualidade de produtos e serviços. rev. ed. Newton. 1987. 1. 1998. 12. José de Aguiar. Rio de Janeiro : Forense Universitária. rev. Ada Pellegrini et. 4. Derechos del consumidor em el marco de la legislación nacional y la integración regional. DE LUCCA. ed. Hans. n. p. 1998. São Paulo : Malheiros. O Direito do Consumidor no Mercosul. p. 1999. 2. Porto Alegre. Antônio Herman de Vasconcellos e. . São Paulo. e atual. 1994. João Baptista Machado). (coord. al. Rio de Janeiro : Forense. Jean Michel. o Código Brasileiro de Defesa do Consumidor é considerado uma das legislações consumeristas mais protetivas do mundo. 29-36. atual. La protección de los consumidores y el MERCOSUR. da prevenção e reparação de danos. LEÃES. ampl.139 Por essa principiologia inovadora e moderna. 1991. 2003. SP. São Paulo : Saraiva. Montevidéu : Ingranusi. 2000. Teoría general de la reparación de daños. GARAY. Referências Bibliográficas ARRIGHI.

Protección jurídica del consumidor.140 LORENZETTI. 09-31. 7. 49-85. São Paulo. A proteção jurídica do consumidor contra vícios dos produtos no âmbito dos países do MERCOSUL. QUEIROZ. MONTEIRO. rev. São Paulo : Atlas. 364-365. PASQUALOTTO. atual. Proteção contra produtos defeituosos: das origens ao Mercosul. José Fernando. 2002. Cláudia Lima. Ricardo. In: MARQUES. São Paulo : Revista dos Tribunais. ano 11. jan. La relación de consumo: conceptualización dogmática en base al Derecho del MERCOSUR. NORRIS. RS. SP. PEREIRA. ed.-mar. São Paulo : Revista dos Tribunais. Santa Maria. p. 42. 1971. Buenos Aires : . Universidade Federal de Santa Maria. 21. MARQUES. RIZZARDO. 1998. São Paulo.1990. n. 1996. (Org. 2002. 110 p. aum. 2000. Estudos sobre a proteção do consumidor no Brasil e no MERCOSUL. Porto Alegre : Livraria do Advogado. Rio de Janeiro : Forense. Monografia (Graduação em Direito) – Curso de Direito. Revista de Direito do Consumidor. Arnaldo. ed. 1997. SP. A responsabilidade civil do fabricante e os riscos do desenvolvimento. São Paulo : Saraiva. Paulo de Tarso. 2004. e ampl. 1994. 2002. Vícios do Produto no Novo Código Civil e no Código de Defesa do Consumidor. Gabriel. SANSEVERINO. Direito das Obrigações. abr. Odete Novais Carneiro. 2004. SIMÃO. Responsabilidade civil no código do consumidor e a defesa do fornecedor. p. p. Curso de direito civil: direito das obrigações: 1. STIGLITZ.-jun. de 11. Revista de Direito do Consumidor. rev. 2003. Contratos no Código de Defesa do Consumidor: o novo regime das relações contratuais. Da responsabilidade por vício do produto e do serviço: Código de Defesa do Consumidor Lei 8. São Paulo : Saraiva. 2003. Cláudia Lima. Agostinho Oli Koppe. Fabrício Castagna. p. Rio de Janeiro : Forense. Responsabilidade civil por danos ao consumidor causados por defeitos dos produtos: a teoria da ação social e o direito do consumidor.09.ª parte.). 73-94. Roberto.078. n. Porto Alegre : Livraria do Advogado. 4. Responsabilidade civil do fabricante pelo fato do produto. ______. Adalberto de Souza. Washington de Barros. LUNARDI.

p. Direito Civil: responsabilidade civil. 1994. VENOSA. Responsabilidade civil no código do . Ley 27.999: responsabilidad de los sujetos y/o empresas que intervienen em la cadena de fabricación. 2. Sílvio de Salvo. 42. Graciela. 689) ou com herdeiro excluído da sucessão (art. 74. p. Consumidores: análisis exegético de la Ley 17. Adalberto de Souza Pasqualotto. 49-85. que se encontra no Código Civil brasileiro. Notas As normas do CDC brasileiro são imperativas no sentido de proteger a confiança que o consumidor depositou no produto que adquiriu. "O fabricante deve assegurar para o consumidor que o produto. conforme as instruções por ele mesmo expedidas e dando atenção às advertências cabíveis que também por ele devem ser feitas. Montevidéu : Fundación de Cultura Universitaria. 73-94. LOVECE. n. Op. A responsabilidade civil do fabricante e os riscos do desenvolvimento. 3. São Paulo. distribuición y comercialización de bienes y servicios. atual.-jun." (Adalberto de Souza Pasqualotto. São Paulo : Atlas. ed. WEINGARTEN. vulnerando sua integridade física ou de qualquer modo colocando em risco a sua segurança ou a dos circunstantes. 49. SP. adequadamente utilizado.250. ed. Montevidéu : Fundación de Cultura Universitaria. 1999. p. p. 07 06 05 04 03 02 01 Paulo de Tarso Sanseverino.250. jul. Dora. ed. atual. n. 135. não será um instrumento maligno nas mãos dos usuários desprevenidos. 2002. ano 11. 31. Consumidores: análisis exegético de la Ley 17.141 Depalma. cit. Exemplo disso é a proteção aos contratantes de boa-fé quando celebram negócio jurídico com mandatário aparente (art.817). In: MARQUES. Célia. 1. p. Estudos sobre a proteção do consumidor no Brasil e no MERCOSUL. SZAFIR. 2002. abr. 75).). Revista de Direito do Consumidor. 115-128. 2003. 2. A responsabilidade civil do fabricante e os riscos do desenvolvimento.-set. 1986. (Org. 2002. p. São Paulo. p. Adalberto de Souza Pasqualotto. Porto Alegre : Livraria do Advogado. Cláudia Lima. SP. Proteção contra produtos defeituosos: das origens ao Mercosul. Revista de Direito do Consumidor. Dora Szafir. O princípio da confiança está intimamente ligado ao princípio da boa-fé subjetiva. circulacón.

De acordo com o bem jurídico tutelado e a gravidade da lesão. aum. 12. cit. atual. . 2003. Embora seja prevista a responsabilidade penal dos fornecedores. cit. 5. 77. Op. Agotinho Oli Koppe Pereira. de productos elaborados. ed. surgirá a responsabilidade civil ou penal. 1998. Direito Civil: responsabilidade civil. p. Rio de Janeiro : Forense. 1." (CAVALIERI FILHO. 15. ampl. 242. São Paulo : Atlas. Responsabilidade civil por danos ao consumidor causados por defeitos dos produtos: a teoria da ação social e o direito do consumidor. ed. 24. etc. e atual. ha revelado la insuficiencia e injusticia del principio tradicional e atribuición subjetiva basado en la culpa del autor del daño. v. Programa de Responsabilidade Civil. p. p. 2. A responsabilidade civil do fabricante e os riscos do desenvolvimento. Sergio Cavalieri Filho. em determinados casos. 4. 157) José de Aguiar Dias. Porto Alegre : Livraria do Advogado. Teoria pura do direito. 1999. o Código do Consumidor engendrou um novo sistema de responsabilidade civil para as relações de consumo. p. 158. tal questão não será tratada no presente trabalho. aum. 1997. Sergio. porquanto a responsabilidade civil tradicional revelara-se insuficiente para proteger o consumidor. p. de utilización de cosas." (Carlos Alberto Ghersi. Teoría general de la reparación de daños. 13 14 12 11 10 09 08 Ibidem. 2003. p. com fundamentos e princípios novos. Hans Kelsen. João Baptista Machado. 473) Adalberto de Souza Pasqualotto. p. 24. 6. Sílvio de Salvo Venosa. 19 18 Carlos Alberto Ghersi. São Paulo : Martins Fontes. Op. ed. ed. 3. rev. "El aumento de las causas de dañosidad producidas por el industrialismo (accidentes de trabajo. 16 17 15 Ibidem.). Op. 103. 134. rev. p. São Paulo : Malheiros. riesgos derivados de actviades. p. 2003. 16. 2002. p. "Para enfrentar a nova realidade decorrente da Revolução Industrial e do desenvolvimento tecnológico e científico. p. ed. São Paulo : Saraiva. Trad. cit. que exponen a la persona humana a mayores riesgos.142 consumidor e a defesa do fornecedor. Da Responsabilidade Civil. p. Buenos Aires : Astrea.

é sempre a atividade humana. 478. São Paulo : Saraiva. Direito das Obrigações.09. p. podendo a vítima reclamar face a quem com ela certamente não contratou. o CBDC impõe aos fornecedores a obrigação de colocar no mercado somente produtos isentos de vícios ou defeitos. p. por exemplo." (Cláudia Lima Marques. tanto daquele que possui um vínculo contratual com o consumidor. 475. cit. contudo. de 11. 43-44. de forma direta ou indireta. ed. 80. cit. 205) Tal expressão.078.. cit. p. São Paulo : Revista dos Tribunais. p. e ampl. Op. 27 28 26 25 24 23 Sergio Cavalieri Filho. p. Rio de Janeiro : Forense. Melhor teria sido. In: Comentários ao Código de Proteção ao Consumidor. 50. da prevenção e da reparação dos danos. Op. "Assim. 1998. p. p. Luiz Gastão Paes de Barros Leães." (Arnaldo Rizzardo. A responsabilidade do fabricante pelo . 2000. e. 111) Pragmaticamente. o dever de qualidade é um dever anexo à atividade dos fornecedores. p. no caso dos vícios de insegurança. Assim. sendo alvo de severas críticas pela doutrina. São Paulo : Revista dos Tribunais. Portanto. 21 22 20 Sergio Cavalieri Filho. 2002.. Proteção contra produtos defeituosos: das origens ao Mercosul. Também nesse sentido. O novo regime de vícios no CDC caracteriza-se como um regime de responsabilidade legal do fornecedor. 984). tem-se um dano decorrente da atividade de produção ou de comercialização. como refere Antônio Herman de Vasconcellos e Benjamin (In: Da qualidade de produtos e serviços. Odete Novais Carneiro Queiroz: "Não se faz necessária uma efetiva relação contratual. portanto. Op. no sistema do CDC.) Adalberto de Souza Pasqualotto. atual. Isso porque "fato" é acontecimento alheio à ação humana. Contratos no Código de Defesa do Consumidor: o novo regime das relações contratuais.1990. que o legislador tivesse se utilizado. Por solidariedade deve-se entender "um vínculo que conduz a impor o cumprimento de uma obrigação a várias pessoas. cit.)" (In: Da responsabilidade por vício do produto e do serviço: Código de Defesa do Consumidor Lei 8. 4. que é gerenciada pelo homem. o intermediário e o comerciante (distribuidor) (. rev. mesmo porque existe uma responsabilidade solidária entre o fabricante. não goza de um tecnicismo apurado. quanto daquele cujo vínculo contratual é apenas com a cadeia de fornecedores. que causa o dano. 1991. Proteção contra produtos defeituosos: das origens ao Mercosul.143 Adalberto de Souza Pasqualotto. da tradicional responsabilidade assente na culpa passa-se a presunção geral desta e conclui-se com a imposição de uma responsabilidade legal. da expressão "responsabilidade pelos acidentes de consumo". Op.

. aum. 1987. Curso de direito civil: direito das obrigações: 1. rev. 7. O Código Civil brasileiro. São Paulo : Saraiva.144 fato do produto. O caso fortuito ou de força maior verifica-se no fato necessário. 30 29 .ª parte." Washington de Barros Monteiro. São Paulo : Saraiva. parágrafo único. ed. em seu art. p. 1971. cujos efeitos não era possível evitar ou impedir. 393. 393.) Parágrafo único. equipara o caso fortuito à força maior: "Art.. 364-365. 3. p. (.

26 e 27 da Lei 8. a análise dos institutos jurídicos da prescrição e da decadência no que se refere ao Direito do Consumidor. tendo por base a previsão normativa do art. o presente trabalho. o Código de Proteção e Defesa do Consumidor. .078/90.145 A prescrição e a decadência no Código de Defesa do Consumidor Autor: Osmir Antonio Globekner Visa.

que deve ser transmitida de forma inequívoca. Iniciemos com a transcrição dos artigos sob estudo. Introdução As normas referentes à prescrição e decadência.Obstam a decadência: I .O direito de reclamar pelos vícios aparentes ou de fácil constatação caduca em: I .a reclamação comprovadamente formulada pelo consumidor perante o fornecedor de produtos e serviços até a resposta negativa correspondente. iniciando-se a contagem do prazo a partir do conhecimento do dano e de sua autoria. comportam regras específicas. tratando-se de fornecimento de serviço e de produto duráveis.) 2. Tais institutos. §2º .a instauração de inquérito civil. arts.(Vetado. 26 . 161 a 179.30 (trinta) dias. Parágrafo único . possuem sua disciplina geral disposta no Código Civil. tratando-se de fornecimento de serviço e de produto não duráveis. até seu encerramento.146 1. no entanto. 27 .Tratando-se de vício oculto. §1º . a depender do campo específico do Direito em que se pretende sejam aplicadas. §3º . Assim ocorre que no Código de Proteção e Defesa do Consumidor. Art. o prazo decadencial inicia-se no momento em que ficar evidenciado o defeito.90 (noventa) dias.(Vetado. II .Inicia-se a contagem do prazo decadencial a partir da entrega efetiva do produto ou do término da execução dos serviços. A Relevância Jurídica do Decurso do Tempo: . II .) III .Prescreve em 5 (cinco) anos a pretensão à reparação pelos danos causados por fato do produto ou do serviço prevista na Seção II deste Capítulo. temos a disciplina dos mesmos no que tange à relação de consumo. SEÇÃO DA DECADÊNCIA E DA PRESCRIÇÃO IV Art.

O fluir do tempo. é abundante. Decadência e Prescrição Poderíamos citar um diverso número de características peculiares a cada instituto. de maior interesse no que adiante vamos discutir. . No caso específico do CDC. Convém salientar que os prazos decadenciais e prescricionais do CDC são de ordem pública e. 26 ("O direito . já que a doutrina. uma vez que a prescrição atinge a ação e não o direito.147 O Fluir do tempo gera efeitos jurídicos relevantes para o direito. Rio de Janeiro. constitui causa aquisitiva ou extintiva de direitos. 27 ("Prescreve . Editora Forense.. temos a "pretensão liberatória" no dizer de Orlando Gomes ("Introdução ao Direito Civil"12ª ed. neste particular. e atual. e também inúmeras distinções entre um e outro. teremos a base da decadência e prescrição. a prescrição requer um direito já exercido pelo titular. dando origem à violação daquele direito. A decadência afeta o direito de reclamar. rev.. Ed. inalteráveis pela vontade das partes. Prazos para Reclamar e Pretender a Reparação de Danos Prazo é o lapso de tempo. quanto ao defeito do produto ou serviço.. cujo implemento vem a constituir o fato jurídico..") e da prescrição no art. "o que se perde com a prescrição é o direito subjetivo de deduzir a pretensão em juízo. 1. período fixado na lei entre o termo inicial (dies a quo) e o termo final (dies ad quem).. a decadência atinge o direito de reclamar. O Direito caduca. a pretensão prescreve. Rio de Janeiro. a prescrição afeta a pretensão à reparação pelos danos causados pelo fato do produto ou do serviço. in casu. portanto.. ao passo que a prescrição atinge a pretensão de deduzir em juízo o direito de ressarcir-se dos prejuízos oriundos do fato do produto ou do serviço. caduca. 1996). extintivo de direito. No entanto. A decadência supõe um direito em potência. A prescrição não fere o direito em si mesmo. Neste sentido. 7ª ed. mas que tenha sofrido algum obstáculo. No aspecto extintivo.. a pretensão") 4. 3." O CDC separou as duas realidades. Constitui fato jurídico ordinário. os principais institutos dessa esta forma extintiva de operar o decurso temporal. mas sim a pretensão à reparação. ante o fornecedor.. 1989). Freitas Bastos. Tratou da decadência no art. vol. Segundo Serpa Lopes (Curso de Direito Civil. aliado a inatividade do seu titular constitui fato jurisformizado pelo direito com vistas à estabilidade e segurança das relações jurídicas. fiquemos com algumas. decadencial ou prescricional.

. 5. 15 dias art. 178. e pelo Código Comercial. Ao passo que duráveis são aqueles produtos. 5. 178. Aqui durável guarda certa analogia com consumível (art. 211. § 2º. Serviço não durável é aquele que se extingue com sua própria execução (Ex. . 26. imóvel 6 meses. cujo consumo não importa destruição. serviço de limpeza). também adiante. 26. CC). Vejamos: O início da contagem do prazo decadencial se dá com a entrega efetiva do produto. Entrega Efetiva A tradição efetiva se opera no momento em que o consumidor tenha recebido o produto e tenha condições de verificar a ocorrência do possível vício. § 2º. 178. O tratamento também é diverso no que se refere ao dies a quo. II) Aqui. Não durável é aquele cujo uso ou consumo importa imediata destruição da sua própria substância. junto ao fornecedor ou ao Poder Judiciário. ocorre uma sensível ampliação em relação ao prazo para reclamar dos vícios redibitórios na forma como disciplinado pelo CC. A Classificação difere da do CC. art. Analisaremos adiante o conceito de "entrega efetiva".2.148 Há prazos gerais fixados no Código Civil e prazos especiais fixados nesse mesmo Código e na legislação extravagante em relação a ele. ao passo que no Código Civil e Comercial o prazo se inicia com a mera tradição. Prazos Decadenciais no CDC.1. como. objetivando seja sanado o vício. ou término da execução dos serviços. (art. § 5º. como: •30 dias: para reclamar de vícios aparentes e de fácil constatação no fornecimento de serviços e produtos não duráveis. como é o caso do CDC. veremos. (art. 51. Suas Especificidades O CDC nos apresenta alguns prazos. bens (produto ou serviço) se exaurem no primeiro uso ou em pouco tempo. 5. 10 dias. o qual estabelece o prazo de 15 dias no art. art. serviços que persistem após sua execução. I) •90 dias: na mesma hipótese para serviços e produtos duráveis.. IV). Produtos e Serviços Duráveis e Não Duráveis: O critério aqui utilizado para assinalar diferentes prazos decadenciais é mais consentâneo com o Direito do Consumidor do que o critério da mobilidade utilizado pelo CC (móvel. O prazo decadencial que estudamos é o prazo para que o consumidor reclame.

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Pode ainda restar dubiedade neste termo, no caso, por exemplo, do preposto receber na residência do consumidor impossibilitado de fazê-lo pessoalmente e só posteriormente ao decurso do prazo decadencial venha efetivamente receber o produto. São entretanto, casos para que a doutrina e a jurisprudência no caso concreto, possa deslindar. Para nós importa compreender a mens legis, do dispositivo legal, ao utilizar a expressão "entrega efetiva", a qual parece-nos ser a de fornecer o contraponto entre a possibilidade do consumidor constatar o vício eventualmente existente versus a passividade do consumidor, sua inércia frente à constatação do vício. Uma ou outra hipótese só fica perfeitamente delineada, na prática, analisando-se o caso concreto. 5.3 Vício Vícios de qualidade são aquelas características que tornam o produto ou serviço impróprios ou inadequados ao consumo a que se destinam, ou lhes diminuem o valor. Também constitui vício a disparidade entre produto e as indicações do recipiente, embalagem, mensagem publicitária ou do que deles normalmente se espera. Não esqueçamos que o vício de quantidade, via de regra mais facilmente constatável, também enseja a reclamação. 5.4. Vício Aparente É o vício visível, perceptível sem maior dificuldade, assimilável pela percepção exterior do produto ou serviço, aquele em que o consumidor não encontra obstáculos em reconhecer. Não requer teste. Deve se ter em conta no caso concreto o grau de conhecimento do consumidor, ou da possibilidade de verificação de que o mesmo dispõe. 5.5. Vício Oculto É o vício que não oferece facilidade de constatação. Pode ser o defeito que está, quando da aquisição do produto ou execução do serviço, em germe, em potência, e vem a se manifestar posteriormente. Não basta ser de fácil evidenciação o efeito do vício, mas sim o vício em si, isto é, é necessário ser fácil a identificação do vício como a causa sensível de seus efeitos. Por exemplo, não basta que seja fácil a identificação de um odor estranho de dado produto, é necessário que seja facilmente assimilável a relação de causa e efeito, isto é, o odor, como o fato do produto encontrar-se estragado. O prazo decadencial se inicia quando da evidenciação do defeito. Defeito aparentemente sanado pelo fornecedor, equivale a ter o vício ficado novamente oculto, "sustando" o prazo decadencial até o momento em que venha novamente a se

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manifestar. Para operacionalizar o acima exposto há a necessidade de se estabelecer uma presunção da anterioridade do vício nos produtos ou serviços novos. Nesse caso, a probalidade física favorece a presunção, um produto novo implica em menor oportunidade de que o defeito decorra de sua utilização anormal. Esta presunção funciona "a moda" de uma específica inversão do ônus da prova. Cabe ao fornecedor provar que o vício não estava presente ou ínsito ao produto ou serviço, quando do fornecimento ao consumidor. A reclamação efetuada quanto a um dos fornecedores é plenamente válida para os demais responsáveis. Este é um dos efeitos da solidariedade de acordo com o art. 176, § 1º, CC, solidariedade esta, legal, por decorrer do art. 25, § 1º, CDC. 5.6. Óbices à Decadência De acordo com o CDC, obstam a decadência: A reclamação comprovadamente formulada. (da qual se tenha prova), até resposta negativa correspondente, a ser transmitida de forma inequívoca. Instauração de Inquérito Civil até seu encerramento. Caso 1: A decadência é obstada, no primeiro caso, desde a data da entrega da reclamação, comprovada mediante recibo, cartório de títulos e documentos, ou mesmo judicialmente. Volta a seguir desde o dia seguinte ao da entrega da resposta negativa transmitida de forma inequívoca. Negado o vício, resta ao consumidor, no prazo decadencial, ir a juízo propor a ação condenatória para que o fornecedor satisfaça as obrigações decorrentes do vício (art. 18), podendo ser o pedido cumulado com o de indenização, se houve dano. "O prazo é de trinta dias para reclamar e não para ajuizar a ação. Isto é, não se exige que o consumidor, impreterivelmente, proponha a ação cabível em trinta dias ..." (Antônio Herman de Vasconcelos e Benjamin in Comentário ao Código de Proteção do Consumidor, coordenação de Juarez de Oliveira, Ed. Saraiva, 1991) No caso da reclamação judicial, passam a concorrer as regras processuais que disciplinam a matéria. Proposta a ação, o despacho que ordenar a citação impede que se consume a decadência, sendo a citação realizada no prazo estabelecido no art. 219 do CPC, que se refere à prescrição, mas é válido para a decadência à luz do art. 220. A decadência,

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em regra, não se interrompe, nem se suspende, portanto, extinto o processo, sem julgamento de mérito e já tendo escoado o prazo legal de decadência, o consumidor não poderá se valer da reclamação ou de ação que lhe seja correspondente. Este é, ao menos, um dos entendimentos sobre o assunto. Note que, se a resposta do fornecedor não negou o vício, a decadência continua obstada, de forma que se não houver sanação, o consumidor continuará com direito de recorrer a outras instâncias, sem que haja perecimento do mesmo pela decadência. Caso 2: Instauração de Inquérito Civil até seu encerramento: A decadência fica obstada a contar do dia da instauração do inquérito e persiste assim até o dia do seu encerramento, inclusive, voltando a contar do dia seguinte ao mesmo. O objetivo do Inquérito Civil, como de qualquer inquérito, é o de servir como instrumento legal para obtenção de dados, clarear um fato, determinar se um direito foi ofendido e em que grau ou extensão, qual o ofensor, etc. Natural, portanto, que suspenda a decadência, pois que os resultados advindos do inquérito, poderão servir ao consumidor subsídios para deduzir sua pretensão específica, em juízo. 6. O Debate Doutrinário sobre a Interrupção ou Suspensão da Decadência O Brasil, de acordo com Serpa Lopes (Curso de Direito Civil, vol. 1, 7ª ed. rev. e atual., Ed. Freitas Bastos, Rio de Janeiro, 1989), seguindo tradicionalmente a orientação francesa e italiana, só admitia a interrupção aos prazos prescricionais, negando-a aos prazos decadenciais. O que podemos entender, então, pela expressão "obsta a decadência" inserta no art. 26 § 2º ? Interrupção, suspensão, Impedimento ao fluir... ? Vejamos algumas posições na doutrina: Luiz Edson Fachin (Da prescrição e da decadência no Código do Consumidor, Revista da Procuradoria Geral do Estado- RPGE, Fortaleza, 10(12): 2940, 1993) apesar de admitir que a "obstação", possa constituir uma realidade apartada do Código Civil, e que, sendo especial, sui generis, não requer mais explicações, defende, no entanto, a tese de que se trata de causa interruptiva da decadência, ainda que em descompasso com a sistemática geralmente aceita. Assim postula observando que as hipótese dos incisos I e III sob análise não se fundam no status da pessoa nem na situação especial dos sujeitos envolvidos. "... a reclamação comprovadamente formulada e a instauração do inquérito civil paralisam temporariamente o curso da decadência. Superado o fato interruptivo, quer pela resposta negativa, quer pelo

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encerramento do inquérito, o prazo flui novamente, mas é inutilizado por completo o lapso de tempo já iniciado. O prazo recomeça a contar." (grifo nosso) Zelmo Denari (Código de Defesa do Consumidor, comentado pelos autores do Anteprojeto, Forense Universitária, São Paulo, 1991), considerando as expressões "até a resposta negativa", "até seu encerramento", pondera: "Resta saber se esses dois eventos (reclamação e inquérito civil), que o Código qualifica como obstativos da decadência, têm efeitos suspensivos ou interruptivos do seu curso. ... parece intuitivo que o propósito do legislador não foi interromper, mas suspender o curso decadencial. Do contrário, não teria estabelecido um hiato, com previsão de um termo final (dies ad quem) mas, simplesmente, um ato interruptivo." Não obstante, e dada, máxima venia, não conseguimos atinar com a relação de causa e efeito entre o fato de haver previsão de um hiato e a conclusão de ser o prazo suspensivo. O dies ad quem, esta simplesmente a indicar o momento em que volta a correr a decadência anteriormente interrompida ou suspensa, não podendo-se desse fato apenas se concluir por um ou outro caso. A explicação, a nosso entender mais convincente é a de William Santos Ferreira (Prescrição e Decadência no Código de Defesa do Consumidor, Revista de Direito do Consumidor, n 10, p 77 a 96, abril/junho, 1994), para quem efetuada a reclamação, "não há mais que falar em transcurso de prazo (suspensão ou interrupção), não é necessário tratar-se do prazo, o direito foi exercido." Cita Câmara Leal "A decadência tem um curso fatal, não se suspendendo, nem se interrompendo, pelas causas suspensivas ou interruptivas da prescrição, só podendo ser obstada a sua consumação pelo efetivo exercício do direito ou da ação, quando esta constitui o meio pelo qual deve ser exercitado o direito." O que ocorre no CDC (e isso justifica o que Ferreira chama de "dies a quo", "até resposta negativa..." e "até seu encerramento" §2º, I e III), é que o CDC reconheceu duas formas de exercício: extrajudicial e judicial do direito de reclamar. Sendo que a segunda forma de exercê-lo, se não exercido antes, inicia-se nos termos supra-citados. Verificados tais termos, novo prazo decadencial se inicia, agora, através da exteriorização da pretensão por uma ação judicial. Releva a discussão acima exposta, inclusive pelas conseqüências práticas que decorrerão forçosamente de um e outro entendimento. Ao consideramos a suspensão ou interrupção ou ao admitirmos dois direitos sujeitos a distintos prazos decadenciais, resultará, obviamente, em lapso maior ou menor de tempo para que o consumidor exerça seu direito, resultará em maior ou menor oportunidade de fazer respeitar estes mesmos direitos. A última, a de William Santos Ferreira, parece-nos ser a explicação mais consentânea, ainda que não de todo convincente, face aos termos utilizados na redação do dispositivo legal. Além de mais consentânea, vem a ser a que melhor protege o consumidor, portanto, a que mais se afina com o princípio da

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hipossuficiência do consumidor, princípio que norteia todo o código. 7. Prazos Prescricionais no CDC Os prazos prescricionais referem-se à pretensão à reparação pelos danos causados por fato do produto ou do serviço prevista no mesmo CDC. Esclarece Arruda Alvim (Código Do Consumidor Comentado; 2. ED. rev. e ampl.; Revista dos Tribunais; 1995): "O objeto da reclamação é substancialmente diferente do pedido de reparação de danos." A reclamação é exclusiva do vício, a reparação se prende as perdas e danos, fato do produto ou do serviço. Fato do produto é todo e qualquer dano, podendo este ser oriundo de um vício, que, por sua vez traz em si, intrínseco, uma potencialidade para produzir dano. Assim, caso o vício não cause dano, correrá para o consumidor o prazo decadencial, para que proceda a reclamação, vindo a causar dano (hipóteses do art. 12), deve se ter em mente o prazo qüinqüenal, sempre que se quiser pleitear indenização. A posição de alguns doutrinadores estudados é no sentido de que se o consumidor tiver sido prejudicado, poderá haver perdas e danos (além da reclamação pelo vício) e estas, apesar de originadas no próprio vício do produto ou do serviço, não necessitam integrar a reclamação, ficando sujeitas o prazo prescricional fixado, em lei para estas, pois se constituem as perdas e os danos, em sentido lato, o fato do produto ou serviço, abrangendo o que o consumidor perdeu e o que deixou de ganhar em razão do vício Arruda Alvim (Código Do Consumidor Comentado; 2. ED. rev. e ampl.; Revista dos Tribunais; 1995) esclarece, no entanto, que: não há diferença entre os danos advindos de vício do produto e o fato do produto. A interpretação diversa, ainda segundo ele, levaria a entender que a indenização pelo vício, restaria à margem das leis de consumo, e que sua prescrição se regeria pelo direito comum (15 dias CC, 10 dias Ccom havendo rescisão, ou 20 por ação pessoal, no caso de não se dar a rescisão contratual). Continua: "O vício do produto ou do serviço e sua sanação recebe um tratamento jurídico que não é dispensado ao dano; este importa em fato do produto ou do serviço. Nada obsta a que um produto ou serviço seja viciado e que, este vício ocasione prejuízo, devendo este ser considerado como fato." Entendemos a propósito dessa discussão que fazer esta distinção entre fato do produto ou serviço e dano decorrente do vício é supérflua até mesmo para negá-la. Qualquer perda ou dano implica em fato do produto ou do serviço, que vem a ser precisamente o dano resultante do vício. William Santos Ferreira (Prescrição e Decadência no Código de Defesa do Consumidor, Revista de Direito do Consumidor, n 10, p 77 a 96, abril/junho, 1994), faz observação relevante ao observar que quando falamos do direito à incolumidade

8. Nada impede que o consumidor descobrindo demais fornecedores. 12 e ss. saúde nunca deixaram de existir. 7. a partir do momento em que se conheça o dano e possa-se relacioná-lo com o defeito do produto ou do serviço. segurança.154 física-psíquica do consumidor falamos de direito não sujeito à decadência. será diretamente responsável nos casos previstos no art. Inexistindo informação sobre fabricante. Isto é. A propositura de ação contra um não libera os demais. Conhecimento dos efeitos do dano. produtor ou importador. Causas Impeditivas. fonte subsidiária do Direito do Consumidor. Liberação que só ocorre se houver o pagamento integral. construtor. venha ajuizar ação já que só a contar deste conhecimento individualizado terá início o prazo prescricional. Da lesão ou violação de um direito faz nascer a ação. Conclusão Pudemos verificar que o Código De Proteção e Defesa do Consumidor. Quanto à identificação do autor. esta interrupção aproveita ao consumidor individualmente no ajuizamento da ação singular. Danos Reparáveis Os danos aos quais a pretensão se dirige a reparar atém-se a regulação jurídica da responsabilidade objetiva pelo fato do produto ou do serviço. bem como quando o fato se deve exclusivamente ao comerciante. estabelece regras também especiais no que tange aos . matéria disciplinada pelo Código no art. já que tal ilação pode não ser imediata em todos os casos.3. Poderá o consumidor demandar um ou mais dentre os responsáveis (solidariedade legal). 7. necessário que o consumidor tenha consciência de que aquilo que observa é. 172 e ss.2. Suspensivas e Interruptivas O parágrafo único prevendo interrupção foi vetado. 7. Regerá portanto a matéria a disciplina do art. o direito a vida. Temos então que a prescrição tem início com o nascimento da pretensão. ao haver o dano. 13. Termo Inicial A partir do momento do conhecimento do dano ou de sua autoria. Ora. constituindo diploma especial. que correrá novamente apenas da intimação da sentença condenatória. não é conhecimento do dano. este implica em direito resistido. o comerciante é responsável subsidiário. do Código Civil. um dano. No ajuizamento de ações coletivas: a citação válida interrompe a prescrição. de fato.1. enseja ação e enseja também a prescrição decorrente.

27. todo e qualquer dano que decorra do produto ou serviço. No segundo caso. Prescrição e Decadência no Código de Defesa . Todas elas partindo do pressuposto fundamental da hipossuficiência do Consumidor nesta classe de relações. sob este ângulo devem ser interpretadas. a favor da identificação de dois direitos exercitáveis pelo consumidor. etc. judicialmente. BIBLIOGRAFIA ALVIM. Forense Universitária. Primeiro. Cada um. São Paulo. qual seja. considerando todos abraçados em uma mesma hipótese. Pudemos verificar que existe alguma controvérsia doutrinária. hipóteses de interrupção e suspensão. 10(12): 2940. pelo menos em dois pontos principais. nos posicionamos pela não distinção entre um e outro dano. no primeiro caso. 2. mais dilatados. Arruda. versa sobre como deve ser entendido o dano sujeito à disciplina do CDC e por via de conseqüência.. inserta no parágrafo segundo do artigo 26 do CDC. da "obstação" da decadência. Fortaleza. ED. inclusive no que concerne à responsabilidade objetiva. A segunda polêmica. cremos que interpretamos a lei da forma. Código de Defesa do Consumidor. impede se volte a falar em decadência. Em assim fazendo. outro. 1993 FERREIRA. Luiz Edson. pelo tão só fato de ter sido exercitado. resultará em fato do produto ou serviço. quando da ocorrência do vício. e ampl. Um exercitável extrajudicialmente. Da prescrição e da decadência no Código do Consumidor. Revista da Procuradoria Geral do Estado. Zelmo. Prescrição quando aplicados às relações de consumo. 1991.155 institutos da Decadência. Com base nos autores estudados.RPGE. e conforme exposto neste trabalho nos itens 6 e 7. A cada direito corresponde um dies a quo para o prazo decadencial. Portanto. após exercitado. Código Do Consumidor Comentado. sistematicamente mais lógica e teleologicamente mais adequada ao espírito que preside o Código Protetivo. comentado pelos autores do Anteprojeto. oriundo ou não do vício. et al. Tais regras são atinentes aos prazos. quanto a natureza jurídica. sujeito ao prazo prescricional do art. nos posicionamos.. 1995 DENARI. Revista dos Tribunais. sujeitando-se às regras do CDC. William Santos. FACHIN. ao termo inicial e ao termo final. e também jurisprudencial. e conseqüente forma de aplicação. rev. se o derivado do vício ou o derivado do fato do produto ou serviço.

e atual. Rio de Janeiro. Rio de Janeiro. Miguel Maria de Serpa. 1996.. Comentário ao Código de Proteção do Consumidor. Ed. 1994. Ed. 1989. Introdução ao Direito Civil. coordenação de Juarez de Oliveira.156 do Consumidor. Curso de Direito Civil. Editora Forense. Orlando. rev. Freitas Bastos. abril/junho. p 77 a 96. 7ª ed. Revista de Direito do Consumidor. LOPES. 12ª ed. GOMES.. 1991 . VASCONCELOS E BENJAMIN Antônio Herman de. vol. n 10. 1. Saraiva.

INTRODUÇÃO Visa o presente trabalho a discussão do instituto da Desconsideração da .157 Desconsideração da pessoa jurídica no Código de Defesa do Consumidor Autor: Osmir Antonio Globekner 1 .

Por razões de política econômica. A limitação da responsabilidade dos sócios como instrumento de viabilização de empreendimentos. há certas atividades que a lei só autoriza às pessoas jurídicas. Dado que o destaque patrimonial seja a principal característica nas sociedades comerciais. gostaríamos. a exigirem conjugação de esforços. a personalização representa instrumento legítimo de destaque patrimonial para a exploração de certos fins econômicos. tendo por base a previsão legal insculpida no artigo 28 do Código de Proteção e Defesa do Consumidor.158 Pessoa Jurídica no que tange à sua aplicação ao Direito do Consumidor. Cooperação que a ordem jurídica jurisformiza através da personalização. preliminarmente. só se chamando à responsabilidade. os sócios. necessidade de elevados investimentos. a pessoa jurídica somente pode ser entendida sob o prisma de uma instrumentalidade jurídico – formal para a consecução de interesses e fins aceitos e valorizados pela ordem jurídica.. de modo que o patrimônio titulado pela pessoa jurídica responda pelas obrigações sociais. de transforma-la em ente totalmente alheio às pessoas dos sócios. é o caso. etc. fazermos menção ao elemento teleológico do instituto da personalização de entes abstratos. exigindo garantias adicionais. sabe que a responsabilidade dos sócios se limita ao capital subscrito. entretanto. daí poderem se precaver. por exemplo. Situações há em que a constituição de pessoa jurídica é imperativo legal. 2 . por exemplo da atividade financeira. econômico ou ainda patrimonial do tema. Por outro lado. presente trabalho. e se nos ativermos ao aspecto comercial. poderíamos alinhar alguns desses fins colimados e aceitos pela ordem jurídica: Conveniência ou viabilização de empreendimento econômico. de. no entanto. Sob esse prisma. em hipóteses restritas. Consoante tal linha de raciocínio. de seguros. SEU CARÁTER INSTRUMENTAL Abstraindo-nos no. expressão . o condão . No direito moderno. o lado credor que contrata com tais sociedades. do aprofundamento sobre a questão da sua natureza jurídica. além de geralmente impor a espécie societária. a autonomia da pessoa jurídica não tem. Lei 8078/90. Senão vejamos: O patrimônio da pessoa jurídica é através da ação ou quota de capital.A PESSOA JURÍDICA. A necessidade técnica dos grandes empreendimentos..

quanto a proteção dos demais sócios. O problema que então se apresenta em relação à lei é o de integrá-la. Visa tal instituto à suplantação da barreira legal imposta pela instituição da pessoa jurídica. sua autonomia em relação as pessoas dos sócios é relativa.RELATIVIDADE DA AUTONOMIA DA PESSOA JURÍDICA O caráter de instrumentalidade implica em que a validade do instituto fique condicionada ao pressuposto do cumprimento ou do atingimento do fim jurídico a que este se destina. Podemos aqui invocar a construção de Tércio Sampaio Ferraz Junior e Maria Helena Diniz. ocorre. Em síntese. . podemos afirmar: a pessoa jurídica exerce uma função legítima. ao aplicá-la. se visará tanto a proteção da própria pessoa jurídica da ação de seus sócios gerentes. de forma a que. p. Ocorrendo a incompatibilidade entre o comportamento da pessoa jurídica e os valores que informam a ordem jurídica. isto é. defraudando-o. Contudo. que adiante estudaremos. 96). não obstante o balizamento dos estatutos e dos órgãos de administração neles previstos. Quando o reconhecimento da autonomia leva à negação de ideais de justiça ou à frustração de valores por ela albergados. descrita como a situação em que não há propriamente lacuna da lei. Há situações em que a utilização da pessoa jurídica é feita ao arrepio dos fins para o qual o direito albergou o instituto. e sua vontade é. A desconsideração da pessoa jurídica. fortemente direcionada. o reflexo da vontade de seus sócios. é o instituto que se encaixa como uma luva a construção teórica acima mencionada. porém. pela vontade deles.159 também do patrimônio dos sócios. fique condicionada a que não se desvie a pessoa jurídica desse mesmo fim. ou deixar de aplicá-la. a limitação de responsabilidade que propicia. fazê-lo. trata-se da "Lacuna Axiológica". pois indiretamente. no aspecto axiológico. sem que se destrua sua validade. 3 . temos então o desvio de função. terceiros que com ela se relacionem ou que de qualquer forma sofram os efeitos de seu atuar. se possa evitar seja a mesma utilizada para fins abusivos. em grande medida. não representando abuso. citada por Marçal Justen Filho (in "Desconsideração da Personalidade Societária no Direito Brasileiro". Na aplicação da desconsideração da pessoa jurídica. A vontade da pessoa jurídica é. seu patrimônio a eles pertence. que a solução dada fere valores que o sistema jurídico tutela. pois o direito posto fornece a solução em seus estritos termos. contornando-a de forma a manter íntegro os valores que inspiraram sua criação.

.. pois determina a ineficácia episódica de seu ato constitutivo. contempla situações de responsabilidade pessoal. etc. ainda em uma preliminar. Pode o direito limitá-la. excepcioná-la e condiciona-la. ora a responsabilidade subsidiária. em seu art. 233. Vejamos. pode regular seu exercício. veda determinadas operações com seus administradores e pessoas jurídicas de cujo capital estes participem. 2º. ou relativizar a autonomia da pessoa jurídica. dos prejuízos decorrentes da utilização dervirtuadora de seus fins. A Lei do Sistema Financeiro (Lei 4. 115 a 117. 7. § 2º) A Lei das Sociedades Anônimas (Lei 6404/76). temos a responsabilidade solidária das sociedades integrantes de um conglomerado econômico (art. no entanto. como. ora a responsabilidade pessoal de terceiros: Na CLT. dispõe de forma semelhante.595/64. 17. e nisto protegendo o própria existência da pessoa jurídica. a desconsideração destina-se ao aperfeiçoamento do próprio instituto da personalização. ao mercado imobiliário. Também a Lei. preservando a validade e existência de todos os demais atos que não se relacionam com o desvio de finalidade. como o direito posto trata do assunto.MECANISMOS LEGAIS DE CORREÇÃO DOS DESVIOS DE FUNÇÃO DA PESSOA JURÍDICA Assim como o direito reconhece a autonomia da pessoa jurídica e a conseqüente limitação da responsabilidade dos sócios. devemos.137/62). mencionando alguns mecanismos legais.492/86 no art. enfim. art. solidária ou subsidiária de terceiros. responsabiliza civil e criminalmente diretores e gerentes de pessoas jurídicas pelos abusos caracterizados na supradita lei. 6º. 242). Antes de adentrarmos no assunto específico da desconsideração. analisar os instrumentos que o direito posto oferece para limitar. (arts. deixa expresso ora a responsabilidade solidária. sem deixar de reconhecer a autonomia. . para evitar prejuízos aos sócios minoritários.160 E mais do que o acima exposto. restringi-la. 4 . A Lei de Repressão ao Abuso do Poder Econômico (Lei 4. A teoria ou doutrina da desconsideração assegura a finalidade da pessoa jurídica ao tempo em que protege os demais. restringindo a autonomia de um lado e a limitação de outro. o próprio direito pode cercear os possíveis abusos. 34).

. Nas situações acima não se cogita da desconsideração da pessoa jurídica. a doutrina dos atos próprios. 22.. os que tiverem qualidade para representá-la" Além das restrições legais ao princípio da autonomia da pessoa jurídica. a responsabilidade do sócio emerge por força do preceito legal. nem lacuna axiológica. no artigo 13. passemos a conceituação do que podemos entender como Desconsideração da Pessoa Jurídica. A teoria do ultra vires. 133. o objetivo de preservação da boa fé. justa. ou vice-versa. sem necessidade de desconsideração. tenham praticado ou concorrido para a prática da sonegação fiscal. mesmo considerada. há também as limitações oriundas das obrigações convencionais. vedações de não fazer às pessoas contratantes. 134). são teorias que tangenciam o instituto da desconsideração. de modo permanente ou eventual.161 No Código Tributário Nacional o abuso do representante legal induz a responsabilidade pessoal (art.. também trata da responsabilidade penal: "Serão responsáveis como coautores . Não é preciso desconsiderar a pessoa jurídica. Não há que confundir hipóteses legais de responsabilidade dos sócios ou administradores com a desconsideração da personalidade jurídica. Posto isto.729/65) trata da responsabilização penal de "todos os que. fora dos limites impostos à sociedade pela cláusula do objeto social. 135) e a responsabilidade subsidiária (art. parágrafo único. direta ou indiretamente ligados à mesma. cumprindo-se o fim ou valor juridicamente tutelado. 6º da Lei da Sonegação Fiscal (Lei 4. Possuem tais teorias ou doutrinas. vedações à pessoa jurídica. II.. Não há lacuna jurídica. nulos os atos praticados ultra vires. São distintas umas das outras. O Direito fornece o meio legal que previne o abuso ou a fraude. O art. que se estendam a pessoas físicas a ela relacionadas." A Lei de usura (Decreto. Não há nenhuma forma jurídica que deva ser desprezada pelo juiz. isto é. A Desconsideração independe do tipo de estrutura societária e de suas regras particulares de responsabilização patrimonial. em comum. por exemplo. diferentes fundamentos e . axiologicamente adequada corresponde ao ditame do preceito legal ou à convenção das partes. quando estendidas também as pessoas jurídicas de que elas participem. a teoria da aparência. Trata-se que a solução equânime. A lei prevê as conseqüências jurídicas. embora relacionadas no elemento teleológico. porque.626/33). em se tratando de pessoa jurídica.

sistematicamente considerado. Isto porque o problema da personificação." De forma que podemos dizer que o instituto visa. Há situações em que a pessoa jurídica deixou de ser sujeito e passou a ser mero objeto. Trata-se de aplicar em casos concretos.. em tais casos. 74) : ".. por sua especialidade. 75). de construção pretoriana) de solução de desvios de função da pessoa jurídica.". para o caso concreto. mas porque a subsunção do concreto ao abstrato. . Domingos Afonso Kriger Filho (in "Aspectos da Desconsideração da Personalidade Societária na Lei do Consumidor". a obtenção de um regime jurídico distinto do preconizado no direito posto. ficando esta em segundo plano." (Luciano Amaro in "Desconsideração da Pessoa Jurídica no Código de Defesa do Consumidor". manobrado à consecução de fins fraudulentos ou ilegítimos. se não fosse a superação. Desta forma quando o interesse ameaçado é valorado pelo ordenamento jurídico como mais desejável ou menos sacrificável do que o interesse colimado através da personificação societária. Seria injusta.162 5 . não encontra resposta satisfatória no sistema positivo do direito. Através da Desconsideração. a solução decorrente da aplicação do preceito legal expresso.. previsto em lei. p. um certo raciocínio que afasta a incidência das regras gerais aplicáveis a matéria. "Sintomaticamente tal solução se desenvolveu nos países de Direito não escrito (common law). Afasta a regra geral não por inexistir determinação legal. albergado pelo Direito. 21). uma técnica casuística (e. Resulta a aplicação de tal técnica da ocorrência de situações concretas em que prestigiar a autonomia e a limitação de responsabilidade implicaria sacrificar interesse legítimo.A DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA É. sob pena de alteração da escala de valores. atribuindo-se ao sócio ou sociedade condutas que. abre-se a oportunidade para a desconsideração. seriam imputadas à sociedade ou ao sócio respectivamente. e a importância da pessoa do sócio sobressai em relação à da sociedade. p. atos societários são declarados ineficazes. Estados Unidos e Inglaterra.. para a pratica de certos atos. no dizer de Luciano Amaro (in "Desconsideração da pessoa jurídica no Código de Defesa do Consumidor". portanto. resultaria indesejável ou pernicioso aos olhos da sociedade. p. sintetizando a doutrina dominante: "A desconsideração da pessoa jurídica significa tornar ineficaz.. a personificação societária.

podemos sintetizar enumerando os elementos que compõem a figura da desconsideração da pessoa jurídica: Ignorância dos efeitos da personificação. ao menos nos princípios que a informam. Levantamento. teoría de la penatración. superamento della personalitá giuridica. A desconsideração é um conceito ligado ao funcionamento da pessoa jurídica. superação da personalidade jurídica. que ainda podemos conceituar em palavras diversas como: o afastamento momentâneo da personalidade jurídica da sociedade. O instituto. na Argentina. na Alemanha. na Itália. para destacar ou alcançar diretamente a pessoa do sócio. Intenção de evitar o perecimento do interesse legitimo. associados a defeitos tais como simulação. mas que não devem ser confundidos com a mesma. legalidade dos atos. se desenvolveu ao redor do mundo. também. certamente. dentro de uma visão sistemática e fundamentalmente teleológica do Direito. as várias situações em que essa técnica possa ou deva ser aplicada. Ainda nos demais setores. estrutura. A grande dificuldade está em construir um modelo teórico que possa enfeixar. entre eles o Brasil. em relação a um ato concreto e específico. Dificuldade mais séria nos países de direito escrito. Ignorância para o caso concreto e período determinado. se não na letra expressa da lei. de vez que haverá sempre. Nos setores onde vige a reserva absoluta da lei. a implantação da solução encontrou resistência nos países da tradição do direito escrito. Penetração. Desta forma. quando de sua aplicação. fraude. recebendo diferentes designações. onde cabível. Nada correspondendo aos assuntos da validade de constituição. Cabe falar da desconsideração quando não haja uma solução legislada específica para os eventuais desvios de função da pessoa jurídica. não há lugar para a desconsideração. para estes. Manutenção da validade dos demais atos jurídicos praticados. por exemplo. . levantamento do véu corporativo. o direito oferece remédios análogos a desconsideração.163 Sintomaticamente. disregard of legal entity. desconsideração da entidade legal. teoria da penetração. a solução jurisprudencial da desconsideração deve buscar apoio. Superação. nulidade. no direito Norte Americano. durghgriff der juristischen Person. O cabimento da desconsideração envolve sempre algo de ideológico e. algo de axiológico. como: Desconsideração. responsabilizando-o como se a sociedade não existisse. no setor tributário. por muito tempo. lifting the corporate veil. penetração da pessoa jurídica . na Inglaterra. tal fato deixa pouca margem para definições apriorísticas de casos. numa formulação abrangente.

ou mesmo a necessidade. tais sejam as circunstâncias. a dissolução da entidade. desfazer o que de fraudulento houver sido praticado em nome da pessoa jurídica. Parágrafo único. a Desconsideração surge pioneiramente no Código de Defesa do Consumidor (art. até e ainda. responderão. 28). 7 . genericamente. apenas outras medidas são tomadas para corrigir e compensar. tanto do Direito Material. ao Código. não afasta do instituto a possibilidade." Em nosso ordenamento jurídico positivo. a título de melhor ilustrar a natureza do instituto. então. Neste caso. conjuntamente com os da pessoa jurídica. Passemos. "Art. de previsão legal.164 uma opção entre um valor ou um interesse específico. diante de outros valores ou outros interesses específicos.A DESCONSIDERAÇÃO NO CÓDIGO DE PROTEÇÃO E DEFESA DO CONSUMIDOR Vejamos o que diz a redação do art. bem como a possibilidade de sua previsão normativo-positiva. ou. para servir de instrumento ou cobertura à prática de atos ilícitos. 50.DISPOSITIVOS LEGAIS O ser construção pretoriana. ou abusivos. os bens pessoais do administrador ou representante que dela se houver utilizado de maneira fraudulenta ou abusiva. a requerimento de qualquer dos sócios ou do Ministério Público. decretar a exclusão do sócio responsável. ao menos no que tange ao reconhecimento da possibilidade de sua aplicação. 6 . quanto do Direito Processual. salvo se norma especial determinar a responsabilidade solidária de todos os membros da administração. prevendo. ou. 28 do CDC: . Devemos citar a previsão legal inserta no projeto de Código Civil em tramitação no Senado. à outorga aos Órgãos Judiciários da capacidade de praticá-lo. Desconsideração não se confunde nem acarreta a nulidade dos atos que propiciaram a atuação judicial. de resto diploma amplamente inovador. caso em que poderá o juiz. "dis-torcer" as conseqüências do ato praticado. as hipóteses que ensejem sua aplicação. A pessoa jurídica não pode ser desviada dos fins estabelecidos no ato constitutivo. sem prejuízo de outras sanções cabíveis. Os atos praticados não são anulados.

Esta não se faz necessária par o fim de fazer atuar aquela responsabilidade. infração da lei. § 5º .Também poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for. Falência." Podemos. a despeito da rubrica aposta à Seção V. houver abuso de direito. (caput.O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade quando. de alguma forma.As sociedades coligadas só responderão por culpa.As sociedades consorciadas são solidariamente responsáveis pelas obrigações decorrentes deste Código. pois os §§ 2º a 4º. 1ª parte). violação de estatutos ou contrato social. § 4º . que a própria lei determina. 2ª parte). versam sobre a matéria da responsabilidade subsidiária ou solidária. 28 . encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração. para fins de análise. sendo desnecessária intervenção judicial no sentido de proclamar desconsideração. estado de insolvência. excesso de poder.165 "SEÇÃO JURÍDICA V- DA DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE Art. fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. a luz do quanto já acima discutido afirmar categoricamente: a Desconsideração da Pessoa Jurídica é objeto do caput e do § 5º do art. infração da lei. em detrimento do consumidor. excesso de poder. obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados aos consumidores. Vejamos: Abuso de direito. Qualquer hipótese em que a personalidade da pessoa jurídica seja. § 1º . 28 do CDC.As sociedades integrantes dos grupos societários e as sociedades controladas são subsidiariamente responsáveis pelas obrigações decorrentes deste Código. estado de insolvência. encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocadas por má administração. A desconsideração também será efetivada quando houver falência. Podemos. obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados aos consumidores. dividir em três grupos as hipóteses legais de incidência da desconsideração contidas no art. § 3º . fato ou ato ilícito. (caput.(Vetado) § 2º . de alguma forma. 28. (§ 5º) Algumas considerações .

p. Tais fatos... em razão disto. só podem ocorrer se e quando tiver havido desrespeito ao sistema jurídico. prejuízo ao consumidor. portanto. Terceira. como os dos demais sócios. por dolo ou má-fé. Quando tratamos de empresa com capacidade financeira para ressarcir o consumidor. etc. auferir vantagem ilícita ou indevida".. a desconsideração. 12 a 14 do CDC). dos estatutos ou utilização de direitos além de sua órbita. como de resto toda a disciplina de defesa do consumidor abraça as duas fontes da responsabilidade a da responsabilidade objetiva. não há razão para aplicar. fundada na teoria do risco. objetivando. por motivos óbvios na aplicação em defesa de interesses outros. Conforme Arruda Alvim (in "Código do Consumidor Comentado". por responsável e. nas palavras de Domingos Afonso Kriger Filho (in "Aspectos da Desconsideração da Personalidade Societária na Lei do Consumidor". (fato que emerge claramente dos arts. temos a prática de atos que implicam infração da lei. ou os da personalidade societária. prima facie o tratamento excepcional da desconsideração. e a da responsabilidade subjetiva fundada em culpa. Deve haver inafastável nexo de causalidade entre a conduta inadequada e o prejuízo causado ao consumidor. a busca do responsável. A desconsideração visa em tais casos a que os bens dos sócios infratores sejam também garantia do ressarcimento do prejuízo causado ao consumidor. poderão servir de embasamento a desconsideração a fim de alcançar o patrimônio dos sócios. Na realidade é o elemento integrante de todas as hipóteses que requerem.166 Primeira: o pressuposto de todas as hipóteses acima arroladas é o da lesão de interesses do consumidor. 181): "O dano indenizável. Analisemos separadamente cada um dos grupos acima nominados." Caracteriza-se o abuso de direito. Segunda: a desconsideração há de supor a incapacidade da pessoa jurídica para reparar o dano. para sua efetividade. de uso parcimonioso. Grupo 1 No primeiro grupo de hipóteses. p. tratamento excepcional e. 23) ". que a pratica abusiva ou ilícita o seja em virtude da preterição do direito do consumidor. quando por si não acarretem a responsabilidade pessoal do agente. Segundo Pedro Batista Martins (apud Rubens Requião in "Abuso de Direito e Fraude através da Personalidade Jurídica"): . com o uso anormal das prerrogativas conferidas à pessoa pelo ordenamento jurídico. Não caberia.

Aspectos Processuais". puder praticar determinado ato. ato ilícito. então a . fato. ou pelo contrato social. Pag. infração da lei. a lesá-lo (consumidor)". no caso de desconsideração da pessoa jurídica são idênticas? Quer nos parecer que não. p. J. violação dos estatutos ou contrato social. dolosamente contra o estatuto ou contrato. No excesso de poder a pessoa pratica ato ou contrai negócio fora do limite da outorga ou autoridade conferida. de desconsideração da pessoa jurídica. age contra a lei ou. p. Frise-se que determinados autores não consideram. 159. ou por força dos estatutos ou contrato social. representam.. 117 e 158. p. pois aquele que excede o que lhe é permitido por lei. . fato ou ato ilícito ou violação do contrato social. as hipóteses do parágrafo anterior. In " A Dupla crise da Pessoa Jurídica". e art. Vejamos: "No que se refere ao excesso de poder. embora relacionado com a pessoa jurídica. não sendo mais útil para si ou adequado ao espírito da instituição. 610) "Em determinadas circunstâncias. Lei 6404). Infração de lei. 10.167 "sempre que um titular de direito escolhe o que é mais danoso para outrem. art.." (Coelho. Lamartine Corrêa de." (Oliveira. Esta situação decorrente da lei e as conseqüências. Apenas há um ponto comum . diretores. Decreto." (Alberton. sócios. Já há previsão legal: no caso da sociedade de responsabilidade limitada (art. a excepcionalidade. demais casos. Fábio Ulhoa in "Comentários ao Código de Proteção do Consumidor". 115. Genacéia da Silva in "A desconsideração da Pessoa Jurídica no Código de Defesa do Consumidor. por lei ou embasado no sistema jurídico. Qual. 16).. 142) Sobre o assunto. que é a responsabilidade do sócio ou do representante legal da sociedade por ato ilícito próprio. CC. mas o faça de molde a prejudicar terceiro. não há desconsideração. responde por ato próprio. no caso da sociedade anônima (arts. ou gerentes podem responder por dívidas da sociedade. sempre.. o não cumprimento das obrigações impostas às pessoas pela lei. embora não se referindo especificamente ao CDC: "Não podem ser entendidos como verdadeiros casos de desconsideração todos aqueles casos de mera imputação de ato.. fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social dizem respeito a um tema societário diverso. Consideram a teoria inaplicável in casu. 182): "Ocorre abuso de direito quando o fornecedor. 3.. 168 e 169) "Excesso de poder.708. infração da lei. comete um ato abusivo" Arruda Alvim (in "Código do Consumidor Comentado".

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diferença ?.... Quando a lei brasileira ...impõe ao sócio, gerente ou administrador a responsabilidade por dívidas da sociedade, faz porque uma dessas pessoas agiu de maneira contrária à lei ou contrato, mas como pessoa integrante da pessoa jurídica. Não foi a pessoa jurídica que teve a sua finalidade desvirtuada, não foi a pessoa jurídica como ser que foi manipulada mas, sim, o diretor, o gerente ou o sócio que, na sua atividade ligada à empresa, andou mal. Quando se fala, por outro lado, em desconsideração da pessoa jurídica, é porque a própria entidade é que foi desviada da rota traçada pela lei e pelo contrato.... Assim, acreditamos que devemo separar bem estas duas hipóteses por não serem idênticas" (Casillo, João in "Desconsideração da Pessoa Jurídica") Acatando o ponto de vista dos autores citados, restaria apenas a hipótese do abuso de poder, como ensejador da aplicação da doutrina da Desconsideração, ficando as demais hipóteses ainda no campo da previsão legal, externa à doutrina. O abuso do poder, por sua própria natureza, conforme acima referido, se amolda a hipótese de utilização da Desconsideração, vez que constitui, não violação clara da lei, caracterizando um "fato típico", previsto legalmente, mas antes, um uso abusivo da lei. Não havendo tal "tipicidade", impossível prévia previsão legal, imperativa então a atuação criadora judicial, através do instituto sob análise. Parece-nos, entretanto, que há um certo excesso de rigor formal em tal posição. Nem sempre ao ilícito legal ou contratual corresponderá uma expressa cominacão de responsabilidade pessoal, civil ou penal. Ainda que ressalvadas as previsões genéricas da lei, como a do art. 159 do CC, citada por Genacéia, parece-me que o instituto da Desconsideração melhor cobriria esses casos de lacuna da lei no que tange a previsão expressa da responsabilidade, lacuna que poderia ao final acobertar o infrator. A ausência de tal expressa previsão legal, poderia ser agitada com o propósito de elidir a responsabilidade, em sendo o caso, o art. 28, sob comento, forneceria o respaldo legal para a atuação jurisdicional no sentido de alcançá-la. Separar o ato do responsável pela pessoa jurídica do ato da pessoa jurídica, operação mental a que podemos ser induzidos pelo raciocínio de Casillo, pode resultar ser tarefa árdua, considerando as sutilezas que quase sempre cercam a situação concreta. Mais uma vez, o afastamento da figura da Desconsideração, poderia ser utilizada no sentido do acobertamento do infrator. De forma que, a despeito do rigor formal que caracteriza o exposto pelos autores acima citados, considero mais prudente, estender o manto protetor do instituto que ora analisamos também aos fatos aos quais o autores negam sua incidência, como faz o diploma legal protetivo do consumidor. Grupo 2 No segundo grupo o texto legal introduz um elemento não especificamente

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ligado ao interesse do consumidor: a má administração. É questionável esta inserção. Não há que se confundir a má administração com a prática abusiva citada na parte inicial do caput. A má administração poderia, isto sim, ensejar o uso do instituto para responsabilizar a gerência incompetente frente a própria pessoa jurídica ou frente aos demais sócios. É de se questionar, no entanto, a relevância deste fato frente ao direito do consumidor. É de se questionar se alguém administraria mal uma empresa com o fito exclusivo de fraudar os direitos do consumidor. E quanto à empresa bem administrada, que desativada, tenha lesionado consumidores. Ficariam imunes à regra? Concluindo, parece mal posta a hipótese legal no que se refere a má administração, quer pela falta de nexo entre qualidade da administração e eventuais prejuízos ao consumidor, quer pela falta de isonomia entre o tratamento dado ao consumidor da empresa encerrada por má administração e o dado ao cliente de uma empresa bem administrada que encerrou suas atividades. Certo é, em todos os casos, que o consumidor deve ser protegido na hipótese em a pessoa jurídica tenha cessado a atividade ou esteja extinta, e isto independentemente dos motivos que ensejaram tal encerramento de atividade. Grupo 3 Finalmente no terceiro grupo, a hipótese contemplada no §5º, parece inconciliável com o caput. Expressões demasiadamente genéricas ("sempre", "de qualquer forma"), parecem inutilizar as hipóteses do caput. Tão genérico, abrangente e ilimitado é o parágrafo, que aplicado literalmente, dispensaria o caput, tornaria inócua a própria construção teórica do instituto da desconsideração, implicando derrogar a limitação da responsabilidade de toda e qualquer empresa no que diz respeito às relações de consumo. Frente a tal, pelo menos aparente, incongruência, posicionam-se os doutrinadores: Zelmo Denari (in "Código de Defesa do Consumidor, Comentários pelos autores do Anteprojeto", p. 132), com a autoridade de ser um dos autores do anteprojeto da Lei 8.078/90, postula mesmo o "aberratio ictus da caneta presidencial". O parágrafo a ser vetado teria sido o 5º, e não o 1º, como apareceu no diário oficial, que segundo Denari é essencial para a aplicação do artigo. Para que se coteje com o texto do §5 e, à luz da razão do veto, aprecie-se assim a procedência da tese de Zelmo, transcrevemos abaixo o parágrafo vetado e as razões do veto: "§ 1º. A pedido da parte interessada, o juiz determinará que a efetivação da responsabilidade da pessoa jurídica recaia sobre o acionista controlador, o sócio majoritário, os sócios-gerentes, os administradores societários e, no caso de grupo societário, as sociedades que a integram."

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Razão do veto: "O caput do art. 28 já contém todos os elementos necessários à aplicação da desconsideração da personalidade jurídica, que constitui, conforme doutrina amplamente dominante no direito pátrio e alienígena, técnica excepcional de repressão a práticas abusivas." Como claramente se vê, fortíssima pode parecer a evidência do equivocado fato pelo qual, propugna Zelmo Denari, se explicaria a aparente ininteligência do parágrafo que ora analisamos frente ao sistema em que se insere. Entretanto, é também óbvio que, para albergarmos tal tese, teríamos antes que admitir a ininteligência do legislador a exigir atuação da sancionadora caneta presidencial. Esta última parece-nos bem menos provável, dada a qualidade que pautou a produção legislativa do diploma que ora analisamos. Vejamos, entretanto, outros posicionamentos: Fábio Ulhoa Coelho (in "Comentários ao Código de Proteção ao Consumidor", p. 143 e 144): censura o preceito no § 5º, concedendo apenas sua aplicação em matéria de sanções não pecuniárias (proibições de fabricação, suspensão temporária de atividade, etc...), apesar do contrário defluir do texto da lei: "ressarcimento de prejuízo do consumidor". Por fim salienta que no embate entre o caput e o § 5º, se um tiver que ceder será o parágrafo, não o caput. A interpretação meramente literal, no entanto não pode prevalecer e isto por três razões: Em primeiro lugar, porque contraria os fundamentos teóricos da desconsideração. ... Em segundo lugar, porque uma tal exegese tornaria letra morta o caput do art. 28. ... Em terceiro lugar, porque esta interpretação equivaleria à revogação do art. 20 do CC ("As pessoas jurídicas tem existência distinta da dos seus membros") em matéria de defesa do consumidor. E se esta fosse a intenção do legislador, a norma jurídica que a operacionalizasse poderia ser direta, sem apelo à teoria da desconsideração. Rachel Sztajn (in "Desconsideração da Personalidade Jurídica", p. 72): O parágrafo 5º deveria encimar o artigo: "Se o art. 28 tivesse por caput o § 5º, além dos §§ 2º e 3º, o consumidor estaria tutelado (apenas) em face da separação patrimonial utilizada de forma iníqua ou inadequada." A autora condiciona a aplicação do citado parágrafo aos pressupostos da teoria da desconsideração. Américo Führer (in "Resumo de Direito Comercial", p. 74): "A teoria pode ser aplicada diretamente pela lei,...,independentemente de qualquer abuso ou má fé", parece que nestas palavras o autor admite o utilização literal do § 5º. Genacéia da Silva (in "A Desconsideração da Pessoa Jurídica no Código de Defesa do Consumidor): "No que ser refere ao § 5º do art. 28, é necessário interpretá-lo com cautela. A

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mera existência de prejuízo patrimonial do consumidor não é suficiente para a desconsideração. O texto deixou o significado em aberto na medida em que assevera que a pessoa jurídica poderá também ser desconsiderada quando sua personalidade ‘De alguma forma’ for obstáculo ao ressarcimento, ..., leia-se, quando a personalidade jurídica for óbice ao ressarcimento justo do consumidor." (grifo nosso) A interpretação mais consentânea parece ser a de que o § 5º, constitui uma abertura ao rol de hipóteses do caput, sem prejuízo dos pressupostos teóricos da doutrina que o dispositivo visou consagrar. A aplicação do § 5º deve restringir-se às situações em que o fornecedor do produto ou serviço ao consumidor constitui a pessoa jurídica, ou a utiliza, especificamente para livrar-se da responsabilização de prejuízos causados ao consumidor. Aí justamente reside a carga axiológica do instituto, na análise judiciária da forma como a pessoa jurídica foi constituída ou utilizada relativamente à relação de consumo.

8 - A RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E SUBSIDIÁRIA PREVISTA NO ARTIGO 28 DO CDC No presente trabalho pretendemos, no âmbito do Código de Defesa do consumidor, tratar apenas da Desconsideração da Pessoa Jurídica. Não obstante, por se encontrarem enfeixados sob tal rubrica no texto normativo, trataremos também do responsabilidade disciplinada pelos parágrafos 2º a 4º do art. 28 do CDC, que a nosso ver, como já exposto, não compõem o instituto da Desconsideração. Assim tratemos da: Responsabilidade de Grupos societários e sociedade controladas O § 2º, estatui responsabilidade subsidiária das sociedades integrantes de grupos societários e sociedades controladas. Aqui, como já dito, não se cuida de desconsideração, mas de hipótese legal de responsabilização de terceiro. A própria redação indica uma responsabilidade objetiva, não sujeita a análise de elementos outros, presentes no caso concreto. Basta o liame a unir as entidades societárias, para dele decorrer a responsabilização. Tal dispositivo previne que as obrigações sob estudo sejam concentradas na sociedade que tenha menor respaldo patrimonial. Para Genacéia da Silva Alberton (in "A Desconsideração da Pessoa Jurídica no Código de Defesa do Consumidor), em seu trabalho já várias vezes citado, o Código foi tímido em estabelecer apenas responsabilidade subsidiária, concedendo o benefício de ordem e, consequentemente, impedindo que o consumidor ajuíze a ação desde logo contra as demais empresas. Para outros doutrinadores, no entanto, basta a prova da impossibilidade de ressarcimento pela empresa principal obrigada, para, já inicialmente, demandar a sociedade com responsabilidade subsidiária.

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No que se refere a sociedades controladas, o preceito parece conter alguma impropriedade. Obviamente a responsabilização subentende-se seja por obrigações da controladora (o texto não é explícito) que incidiria em caráter subsidiário sob o patrimônio da controlada. Temos a considerar que seria lógico que as ações ou quotas representativas do capital da controladora respondessem pelas obrigações da mesma, não o sendo, entretanto, que o patrimônio da controlada, que envolve o de terceiros (que podem deter até cerca de 83% do capital social, totalidade das ações preferenciais + 49% das ordinárias) o fossem, já que nada tem a ver com a conduta da controladora. Só podemos entender o dispositivo legal em sua literalidade, se o considerarmos conseqüência de prevalência especial do interesse de ordem pública da relação de consumo sobre os interesses de ordem privada; ou por outro, que sua aplicação dependa do pressuposto da concorrência da controlada na lesão ao consumidor., ou por outra de sua utilização pela controladora nesse intento. Responsabilidade das Sociedades consorciadas O § 3º, constitui também, em favor do consumidor, uma exceção a regra geral, já que a lei das Sociedades Anônimas, que rege esta esfera da ordem jurídica, não preconiza a solidariedade das sociedades consorciadas (art. 278, § 1º, Lei 6.404/76). Sabemos que a solidariedade não se presume, mas decorre da lei ou do contrato, aqui temos a hipótese legal, a proteger o consumidor. Convém salientar, por ser lógica, a ressalva que faz Fabio Ulhoa: "... a solidariedade existe apenas no tocante as obrigações relativas ao objeto do consórcio. Quanto às demais não há qualquer vínculo dessa natureza..." (Coelho, Fábio Ulhoa, in "Comentários ao Código De Proteção do Consumidor", p. 145) Responsabilidade das Sociedades coligadas O § 4º, estabelece a responsabilidade das coligadas, apenas na hipótese de culpa. Não poderia ser diferente, já que a mera participação da empresa no capital de outra (10% ou mais), sem controlá-la, não induziria, em si mesma, tal responsabilidade. A sociedade coligada é simplesmente sócia de outra e, como sócia, não tem responsabilidade pelos atos dessa outra a não ser que tenha participado do ato, caso em que será solidariamente responsável. Para alguns, supérfluo tal dispositivo, já que a responsabilidade seria deduzida de qualquer forma, sendo suficiente o art. 159 do CC. - CONCLUSÃO O CDC é diploma largamente inovador tanto no que se refere ao Direito Material, quanto no que se refere ao Direito Processual. Insere-se no contexto da evolução do Direito Moderno ao voltar-se à proteção e tutela de direitos

et al. ALVIM. Rio de Janeiro. ED. rev. Código de Defesa do Consumidor. Saraiva. individuais. Ajuris. 1991. Desconsideração da Pessoa Jurídica no Código de Defesa do Consumidor. P 146 A 180. para alcançar aqueles atos que. representam violação do ordenamento jurídico naquilo que possui de mais caro. Ed. JUSTEN FILHO. Malheiros Editores. P 17 A 27. tem relevância a introdução pioneira. conforme discutido neste trabalho. difusos. Arruda. 1991. sob o aspecto dogmático ou doutrinário. Comentários pelos Autores do Anteprojeto. COELHO. seus valores e seus princípios asseguradores da paz. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALBERTON. Fábio Ulhoa. Novembro . Forense Universitária. DENARI. do convívio social harmonioso e da justiça. Resumo de Direito Comercial. Desconsideração da Pessoa Jurídica. N 54. Luciano. 1992. Revista dos Tribunais. São Paulo. Marçal. Domingos Afonso. RT 528/24. 2. Março. Desconsideração da Personalidade Societária no Direito Brasileiro.. do hipossuficiente. KRIGER FILHO. Américo. Nesse contexto inovador. Vol 42. CASILLO. O art. 1993. A despeito de alguma impropriedade da redação. Comentários ao Código de Proteção ao Consumidor. Aspectos da Desconsideração da Personalidade Societária na Lei do Consumidor. 1996. da boa fé. 28 desse Estatuto representa o estendimento da longa manus do Estado. 1987.173 personalísticos. da Doutrina da Desconsideração da Pessoa Jurídica. Ed. Vol 19. . Julho. Ajuris.1994.. 28 do CDC representa um grande avanço não só no campo específico do Direito Tutelar do Consumidor como também de todo o Direito Posto Nacional. coletivos. Genacéia da Silva. Aspectos Processuais.. e ampl. Ed. apesar de conformarem-se ao figurino do estrito modelo legal. São Paulo. Zelmo. Revista dos Tribunais. Revista Jurídica. João. Vol 20. no ordenamento jurídico pátrio. Código Do Consumidor Comentado.. FÜHRER. Porto Alegre. São Paulo. A Desconsideração da Pessoa Jurídica no Código do Consumidor. N 58. o art. N 205. P 69 A 84. 1995 AMARO. Coordenação de Juarez de Oliveira. etc.

174 OLIVEIRA. Editora Saraiva. Desconsideração da Personalidade Jurídica. Abuso de Direito e Fraude através da Personalidade Jurídica. 1992. SZTAJN. REQUIÃO. Revista de Direito do Consumidor. São Paulo. J. Rachel. RT. P 67 A 75. A Dupla Crise da Pessoa Jurídica. . N 2. Rubens. Junho. 1979. 528:16. Lamartine Corrêa.

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Princípios gerais da publicidade no Código de Proteção e Defesa do Consumidor

Autor: João Bosco Pastor Gonçalves

Sumário: 1 – Introdução; 2 – Publicidade: Conceito e elementos essenciais; 3 – Princípios Gerais da Publicidade no CDC; 4 – Princípio da Identificação da Publicidade; 5 – Princípio da Vinculação Contratual da Publicidade; 6 – Princípio da Veracidade da Publicidade; 7 – Princípio da Não Abusividade da Publicidade; 8 – Princípio da Inversão do Ônus da Prova; 9 – Princípio da Transparência da Fundamentação; 10 – Princípio da Correção do Desvio Publicitário; 11 – Conclusão

1. Introdução Com o objetivo de desenvolverem as suas atividades empresariais, o comércio e a industria necessitam divulgar os produtos e serviços por eles produzidos e prestados, a fim de que desperte interesse nos consumidores. Em geral, produtos de primeira necessidade, (feijão, arroz, carne, leite, etc.), dispensam maior divulgação, entretanto, produtos mais caros (de luxo), como automóveis, equipamentos de áudio e vídeo sofisticados, telefones celulares ou uma casa de veraneio, não dispensam uma boa estratégia de marketing, e aí inclui-se a publicidade. As pessoas compram coisas por dois motivos essenciais: necessidades e impulsos. As necessidades nem sempre são reais, elas são criadas pela publicidade, sem a qual não haveria como colocar no mercado cada vez mais produtos que, a rigor, ninguém precisa. 1 As mensagens publicitárias induzem as pessoas a comprarem por impulso. Quem resiste a um anuncio para comprar um presente em um shopping no dia das mães ou no dia dos namorados?. Nosso ordenamento jurídico não obriga a ninguém a anunciar os seus produtos ou serviços, porém, se o fizer, a sua publicidade está sujeita a uma série de deveres impostos pelo Código de Proteção e Defesa do Consumidor, Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990, (CDC). O objetivo do presente trabalho é a análise do conceito de publicidade e dos princípios que a regem, á luz do referido diploma legal.

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2. Publicidade: Conceito e elementos essenciais Antônio Herman de Vasconcelos e Benjamin2, citando o jurista português Carlos Ferreira Almeida, diz que publicidade ‘é toda informação dirigida ao público com o objectivo de promover, directa ou indirectamente, uma actividade económica’. Prossegue afirmando que tal como acontece com o conceito de marketing, não é tarefa fácil definir o que seja publicidade em virtude do caráter complexo de suas múltiplas funções e das relações mútuas entre elas, e fornece a noção do Comitê de Definições da American Association of Advertising Agencies ( AAAA): ‘ publicidade é qualquer forma paga de apresentação impessoal e promoção tanto de idéias, como de bens e serviços, por um patrocinador indentificado’. Trata-se sem dúvida, de uma forma de comunicação social, em toda publicidade há uma mensagem, um emissor que tem como objetivo alcançar um conjunto de receptores, transmitir-lhes uma idéia, incentiva-los a um determinado comportamento – comprar um bem ou, utilizar-se de certo serviço. Porém, nem toda forma de comunicação integra o conceito de publicidade: fora desse campo ficam a informação cientifica, política, didática, lúdica ou humanitária, porque alheia á atividade econômica, mesmo quando seja produzida com a intenção de gerar certa convicção nos seus destinatários 3. Dois elementos são essenciais em qualquer publicidade: a difusão e a informação. Um é o elemento material da publicidade, seu meio de expressão. O outro é o seu elemento finalistico4. Sem difusão não há publicidade, vez que a mesma precisa ser levada ao conhecimento de terceiros, da mesma forma sem um conteúdo mínimo de informação inexiste a publicidade. Convém ainda esclarecer, que embora sejam usados indistintamente no dia-adia, os termos publicidade e propaganda não se confundem. Antônio Herman de Vasconcellos e Benjamin 5 afirma que a publicidade tem objetivo comercial, enquanto que a propaganda visa a um fim ideológico, religioso, político, econômico ou social, e que além de ser paga, na publicidade sempre identifica-se o seu patrocinador, o que nem sempre ocorre com a propaganda. Na propaganda difunde-se uma idéia, ao passo que na publicidade divulga-se uma mercadoria ou serviço. Estabelecidos o conceito de publicidade e seus elementos essenciais, bem como a necessária distinção entre os termos propaganda e publicidade, passamos a análise dos princípios que norteiam a elaboração da mensagem publicitária, á luz do Código Brasileiro de Proteção e Defesa do Consumidor (CDC) e da Constituição

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Federal.

3. Princípios Gerais da Publicidade no CDC Princípio, conforme o excelente ministério do Professor Celso Antônio Bandeira de Mello6 " [...] é por definição, mandamento nuclear de um sistema, verdadeiro alicerce dele, disposição fundamental que se irradia sobre diferentes normas compondo-lhes o espírito e servindo de critério para sua exata compreensão e inteligência exatamente por definir a lógica e a racionalidade do sistema normativo, no que lhe confere a tônica e lhe dá sentido harmônico". [...] Violar um princípio é muito mais grave que transgredir uma norma qualquer. A desatenção ao principio implica ofensa não apenas a um especifico mandamento obrigatório, mas a todo sistema de comandos". Alguns princípios foram adotados pelo CDC para a elaboração da publicidade, com vistas á proteção do consumidor, parte mais fraca nas relações consumeristas. Em função da tutela fornecida aos consumidores eles encontram-se assim distribuídos no Código de Proteção e Defesa do Consumidor: princípio da identificação da publicidade ( art. 36); princípio da vinculação contratual da publicidade ( arts. 30 e 35); princípio da veracidade ( art. 37 § 1º ); princípio da nãoabusividade da publicidade ( art. 37 § 2º); princípio da inversão do ônus da prova ( art. 38); princípio da transparência da fundamentação publicitária ( art. 36, parágrafo único); princípio da correção do desvio publicitário ( art. 56, XII). Observa-se7 que o Código optou por definir publicidade enganosa e publicidade abusiva, sem conceituar o que seja publicidade, preocupando-se com a definição do desvio ( abusividade e enganosidade), mas não com a do padrão. Entretanto, o legislador preocupou-se com a tutela penal da publicidade, considerando crimes contra as relações de consumo a prática de publicidade enganosa ou abusiva, bem como a promoção de publicidade que induza o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa a sua saúde ou segurança, apenando ainda o fornecedor que não mantenha em seu poder os dados fáticos, técnicos e científicos que embasaram a sua mensagem publicitária, cominando pena de detenção e multa (arts. 67, 68 e 69).

4. Princípio da Identificação da Publicidade O artigo 36 do CDC está assim redigido: Art. 36. A publicidade deve ser veiculada de tal forma que o consumidor, fácil

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e imediatamente, a identifique como tal. Parágrafo Único. O fornecedor, na publicidade de seus produtos ou serviços, manterá, em seu poder, para informação dos legítimos interessados, os dados fáticos, técnicos e científicos que dão sustentação á mensagem. Analisando a "cabeça" do artigo, vemos que o fornecedor ao veicular a publicidade de seus produtos e serviços, deve fazer de modo claro, inteligível, o consumidor deve compreender que está diante de um anúncio publicitário. Previne-se8 assim contra as chamadas "publicidades ocultas" e "subliminares", através da técnica do Merchandising, de freqüente utilização em espetáculos, novelas, teatros, ou seja, a aparição dos produtos no vídeo, no áudio ou nos artigos impressos, em sua situação normal de consumo, sem declaração ostensiva da marca. Um bom exemplo de comunicação subliminar é o uso constante de determinada marca de carros em uma novela, ou ainda, as aparições de produto, serviço ou marca, de forma aparentemente casual, em programas de televisão, filme cinematográfico, jogos de futebol televisionados, etc. Pasqualotto9 observa que quando a publicidade não é de fácil e imediata identificação, "não é só o consumidor que pode estar sendo enganado. Também pode haver fraude á lei, pois a falta de identificação possibilita a transgressão de regras como a advertência necessária de restrição ao uso de alguns produtos (cigarros), o horário ou o local de exposição do anúncio (bebidas alcoólicas) ou a proporção de publicidade em relação á programação (rádio e televisão) ou o noticiário e reportagens (jornais e revistas)".

5. Princípio da Vinculação Contratual da Publicidade Tal princípio decorre da inteligência dos arts. 30 e 35 do CDC : Art. 30. Toda informação ou publicidade, suficientemente precisa, veiculada por qualquer forma ou meio de comunicação com relação a produtos e serviços oferecidos ou apresentados, obriga o fornecedor que a fizer veicular ou dela se utilizar e integra o contrato que vier a ser celebrado. Portanto, no plano contratual, o Código consagra o princípio da vinculação da publicidade. O consumidor pode exigir do fornecedor o cumprimento do conteúdo da comunicação publicitária. A publicidade é um verdadeiro negócio jurídico unilateral, na medida em que obriga o fornecedor a cumprir com a promessa, desde a sua difusão. Confira-se a jurisprudência a seguir:

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COMPRA E VENDA – Erro – Entrega recusada sob alegação de erro na especificação do preço, no orçamento – Não pode a teoria do erro escusável favorecer o fornecedor – Negócio perfeito e acabado – análise das disposições do Código Civil e do Código de Defesa do Consumidor – Exame da doutrina – Ação para entrega da coisa – Procedência – Decisão mantida. ( AC. Um. Da 5ª Cam. Esp. Do 1º TAC, Ap. 562.425-3, Rel. Juiz Sílvio Venosa, j.6-7-1994) ( O Código de Defesa do Consumidor e sua Interpretação Jurisprudencial, Luiz Antonio Rizzatto Nunes, Saraiva, 1997, p. 90).

6. Princípio da Veracidade da Publicidade Aqui, (art. 37 § 1º), o legislador preocupou-se em coibir a publicidade enganosa, que pode ser apresentada de duas formas: por comissão ou por omissão. Na publicidade enganosa por comissão, o fornecedor afirma alguma coisa capaz de induzir o consumidor a erro, dizendo alguma coisa que não é verdadeira. Na forma omissiva o patrocinador deixa de afirmar o que é relevante, também induzindo o consumidor a erro. Possível, também, que quanto á sua extensão a publicidade seja parcialmente enganosa, ou seja, contendo algumas informações falsas e outras verdadeiras, o que não a descaracteriza como publicidade enganosa. Quanto ao seu aspecto subjetivo10 não se exige por parte do anunciante a intenção (dolo ou culpa), sendo irrelevante a sua boa ou má-fé. Portanto, sempre que o anúncio for capaz de induzir o consumidor a erro, independentemente da vontade do fornecedor, está caracterizada a enganosidade da publicidade, o que justifica-se porque o objetivo é a proteção do consumidor, e não a repressão do comportamento enganoso do fornecedor.

7. Princípio da Não Abusividade da Publicidade Está consagrado no art. 37, § 2º, do CDC, que proíbe de qualquer forma, dentre outras, a publicidade discriminatória, que incite á violência, que desperte o medo ou a superstição, que se aproveite da deficiência de julgamento e inexperiência da criança, atinja valores ambientais, ou que seja capaz de induzir o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa á sua saúde ou segurança. A locução "dentre outras", deixa transparecer que o elenco da publicidade abusiva é apenas exemplificativo, podendo existir outras formas de abusividade, cabendo aos aplicadores da lei – juízes e administradores adaptarem o texto da lei ás práticas do mercado.

a respeito de bens ou serviços oferecidos. 9.38). pois. bem como do reconhecimento opis legi. da vulnerabilidade do consumidor. a responsabilidade da agência e do próprio veículo de comunicação. 38). Princípio da Transparência da Fundamentação Trata-se de verdadeiro dever. profissão. Princípio da Inversão do Ônus da Prova Tal princípio. realmente os consumidores. Quanto ás crianças. que não admitiu nenhuma veiculação publicitária que fosse contra a proteção e conservação do mesmo. ilegitimamente. como direito fundamental dos seres humanos foi também motivo de proteção pelo legislador. o anunciante ou a quem o anúncio aproveita. anexo ao princípio da boa-fé como norma de conduta. seja entre homens e animais. Quanto à responsabilidade pelo desvio publicitário.180 A publicidade é discriminatória quando distingue entre raça. nacionalidade. razão pela qual o legislador dedicou-lhes especial proteção. seja entre homens. decorre dos princípios da veracidade e da não abusividade da publicidade. bastando que o anuncio faça uso desses recursos para que seja considerado ilegal. não se excluindo. Não se admite a publicidade que mostre a violência. ou até contra bens públicos ou privados. daí por que se desloca para o patrocinador o ônus da prova da veracidade e da correção da informação ou da comunicação publicitária (art. ou. convicções políticas ou religiosas. considerando que qualquer publicidade dirigida a infantes não deixa de ter um grande potencial abusivo. o consumidor. porém. (art. responde em regra. por serem muito jovens não possuem o necessário entendimento para a compreensão do que é ou não verdadeiro nas mensagens publicitárias. nas palavras de Carlos Alberto Bittar12: trata-se. cabendo ao fornecedor demonstrar que sua publicidade foi veiculada dentro dos princípios que estamos expondo. Quanto á publicidade exploradora do medo ou da superstição11. não se exige que a mensagem aterrorize. O meio ambiente. pois a publicidade constitui-se em verdadeira oferta (princípio da vinculação . sexo. de ação tendente a instruir. condicionando o seu comportamento para a respectiva aquisição ou fruição. condição social. 8. Trata-se de princípio básico para a facilitação da defesa do consumidor em juízo. etc.

A publicidade. no que se refere à duração. deve conter informações suficientes para esclarecer ao consumidor os elementos básicos que irão fundamentar a eventual formação segura e satisfatória de um contrato que atenda a seus interesses econômicos.078. claras. 11. Princípio da Correção do Desvio Publicitário Ocorrido o desvio publicitário. entre outros dados. local e horário. de maneira que o consumidor tenha uma idéia precisa do que lhe está sendo oferecido. precisas. É divulgada no mesmo veiculo de comunicação utilizado e com as mesmas características empregadas. Lei nº 8. XII. e vem expresso no art. 10. a realidade dos fatos14. O artigo estabelece os requisitos da oferta. necessário que sejam desfeitos o seu impacto sobre os consumidores. 31. 56. garantia. ostensivas e em língua portuguesa sobre suas características. qualidades. não se limitou apenas ao regramento das . Nada mais é que uma publicidade obrigatória e adequada que se segue a uma publicidade enganosa ou abusiva. às suas expensas. claro. o que se faz através da contrapropaganda. restaurando dessa forma. ostensivo e em língua portuguesa13. do CDC: Art. 31. espaço. prazos de validade e origem. Trata-se de veiculação de outra publicidade para sanar os malefícios causados pela publicidade originária.( melhor seria contrapublicidade). preço. Conclusão O legislador ao elaborar o Código de Proteção e Defesa do Consumidor. informa corretamente ao consumidor. quantidade. acolhida pelo Código em seu art. o fornecedor. composição. desfazendo os erros do anúncio original. A ausência de informação essencial será sempre interpretada contra o fornecedor. de 11 de setembro de 1990. além da sua reparação civil. sic. A oferta e apresentação de produtos ou serviços devem assegurar informações corretas. por esta óptica.181 contratual da publicidade). pois é este que tem o dever legal de informar de modo preciso. e repressão administrativa e penal. bem como sobre os riscos que apresentam à saúde e segurança dos consumidores. de caráter explicativo. tendo como objetivo apagar a informação inadequada da percepção do consumidor. Naquela.

Sônia Maria Vieira de Mello. uma serie de normas e princípios para o controle da publicidade. nº 265. 265. . pp. 2000. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto/ Ada Pellegrini Grinover. acolhendo o princípio da identificação da publicidade. exigiu a transparência da fundamentação da publicidade e determinou a correção do desvio publicitário através da imposição da contrapropaganda. p. novembro de 1999.. Revista Jurídica. para resguardar a boa-fé dos consumidores.. Curso de Direito Administrativo. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto/ Ada Pellegrini Grinover. Cit. Rio de Janeiro: Forense Universitária.. referendou o principio da vinculação contratual que permite ao consumidor exigir do fornecedor o cumprimento do conteúdo da mensagem publicitária. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor. Celso Antônio Bandeira de Mello. 2. 265. 66. 8. 1998. Rio de Janeiro: Forense Universitária. p. 82. O Direito do Consumidor na Era da Globalização: a descoberta da cidadania. Reconheceu que a proteção do consumidor deve iniciar-se mesmo em momento anterior ao da celebração do contrato de consumo – na fase da oferta. que surge através das técnicas de estimulação do consumo – a publicidade. (op. 264. coibindo todas as modalidades de anúncios enganosos ou abusivos. 274.). p.67. 5. Instituiu para tal (proteção do consumidor). 266. 6. Rio de Janeiro: Renovar. Márcio Mello Casado. Proibiu a propaganda clandestina e a subliminar. 4. p. 12ª ed.. Notas 1. Ibidem. Princípios Gerais da Publicidade na Constituição Federal e no Código de Defesa do Consumidor. 6ª ed. 748. São Paulo: Malheiros Editores. 6ª ed.[ et al ]. p. 3.. p.182 relações contratuais de consumo. 747. 7. 2000. inverteu o ônus da prova em favor do consumidor facilitando o seu acesso à Justiça.[ et al ]. Idem. pp.

p. MELLO. p. Carlos Alberto Bittar. Adalberto Pasqualotto. MELLO.. Os Efeitos Obrigacionais da Publicidade. 1997. Noções de Direito do Consumidor. 46.. 12ª ed. 10. 11.. 51. Celso Antonio Bandeira. Noções de Direito do Consumidor. [ et al]. Ada Pellegrini. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor. Cit. 286.. Rio de Janeiro: Forense Universitária. José Luiz Toro da. Rio de Janeiro: Renovar.. 12. pp. . São Paulo : Revista dos Tribunais. Cit. SILVA. op. O Direito do Consumidor na Era da Globalização: a descoberta da cidadania. Márcio Mello. 303. 6ª ed. 1997. São Paulo: Malheiros Editores. 4ª ed.. Rio de Janeiro: Forense Universitária.. 1ª ed.[ et al]. p. José Luiz Toro da Silva. Sônia Maria Vieira de. p. 1999. Forense Universitária. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto/ Ada Pellegrini Grinover.. Porto Alegre: Síntese. p. 298. Direitos do Consumidor. 2000. Revista Jurídica. 82 e 83. novembro de 1999. 1998. 1995. 4ª ed. Referências bibliográficas BITTAR. Porto Alegre: Síntese.. 1999. Princípios Gerais da Publicidade na Constituição Federal e no Código de Defesa do Consumidor. Adalberto. 6ª ed. op. nº 265. Curso de Direito Administrativo. PASQUALOTTO. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto. CASADO. GRINOVER. Carlos Alberto. Rio de Janeiro: Forense Universitária. 2000. São Paulo: Revista dos Tribunais.. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor. Os Efeitos Obrigacionais da Publicidade. 13. Direitos do Consumidor.183 9. 14. 2000..

3.Introdução. 2.2. 7. Anexo. nos quais a predominância exclusiva de uma única vontade. trecho de Raymond Saleilles em De la déclaration de volonté.Contratos de Adesão. recebe essas influências que o tornam apto a regular as novas relações que emergem do desenvolvimento da sociedade.Introdução As relações contratuais em curso na atualidade. 2. cedo ou tarde. poderiam ser chamados. nesse quadro. reflexo do processo de globalização no qual se insere toda a sociedade contemporânea.Efeitos nos contratos. Há supostos contratos que tem do contrato apenas o nome.184 As cláusulas abusivas à luz da doutrina e da jurisprudência Autores: Andrade Carlos Cavalcante Karla Karênina "Sem dúvidas.1.6. há contratos e contratos e estamos longe da realidade desta unidade de tipo contratual que supõe o Direito. Conclusão. agindo como vontade individual.4. 4.2. 2.Da Aplicação das Portarias da SDE aos Contratos Utilizados no Âmbito do Sistema Financeiro Nacional. na ausência de termo melhor.Sentença proferida em sede de ação de rescisão contratual. que dita sua lei não mais a um indivíduo mas a uma coletividade indeterminada. Será necessário. de contratos de adesão.O Controle das Cláusulas abusivas. 2. 6. Cláusulas abusivas. mormente as relações de consumo. as regras de interpretação judicial deveriam se submeter. admitindo-se apenas a adesão daqueles que desejarem aceitar a lei do contrato".Notas. obrigando antecipada e unilateralmente. 1. são fortemente influenciadas pela economia de mercado. A cobrança extrajudicial de honorários advocatícios como cláusula abusiva. sem dúvidas.3. vê-se que economia é uma das maiores influenciadoras no . como o Direito não é subsistema normativo ético isolado dos demais. 5.5. Paris. para os quais em todo caso. 1901 Sumário:1. que o Direito se incline diante das nuanças e divergências que as relações sociais fizeram surgir. 2.A Competência da Secretaria de Direito Econômico.Referências Bibliograficas. a importantes modificações.2.A recepção do princípio da predominância da ordem pública pelo CDC como meio de afastamento das cláusulas abusivas nos contratos de adesão. e cuja construção jurídica esta por fazer.

como Nelson Nery Junior.º da Lei de Introdução ao Código Civil para suprir essa lacuna: decidindo de acordo com a analogia. em um contexto atual de nosso direito. que dispensa a prévia discussão das bases do negócio instrumento. destacando-se os de alienação fiduciária e o arrendamento mercantil. O art.185 desenvolvimento jurídico. Em se reconhecendo a vulnerabilidade do consumidor no mercado de massa. o que significa uma verdadeira negação de acesso à justiça. tão forte e tão profunda. há juristas. que entendem não existir mais. de desequilíbrio entre as partes contratantes. a qual atualmente se admitem restrições. Antes do Código de Defesa do Consumidor. como o pacta sunt servanda. Trata-se de um contrato estandardizado. o instituto da pacta sunt servanda "stricto sensu" não existe mais.nas declarações de vondade se atenderá mais à sua intenção que ao sentido literal da linguagem). o Poder Judiciário recorria às regras gerais contidas nos arts. nem o Estado mesmo. enunciada em conformidade com a lei. fez-se indispensável a criação de aparatos jurídicos capazes de repor equilíbrio entre os pólos contratuais. o princípio da intangibilidade do conteúdo dos contratos significa a impossibilidade de revisão pelo juiz. Outros diplomas . largamente utilizados para a aquisição ou utilização de bens. 85 . com o propósito de mudar o curso de seus efeitos. depois de adquirir vida."(Caio Mário da Silva Pereira) (1) "Essa força obrigatória atribuída pela lei aos contratos é a pedra angular da segurança do comércio jurídico.º e 5. 85 do mesmo diploma legal era também aplicado (Art."(Orlando Gomes) (2) Com a crescente evolução de uma sociedade que prima pelo consumismo. popularmente difundido como leasing. e onde vem sendo a praxe a inserção de cláusula abusiva onde se elege o foro do estipulante em detrimento do foro do domicílio do consumidor. de forma que. o que acabou por franquear o questionamento de institutos outrora inabaláveis. Praticamente. O aumento das relações entre fornecedores e consumidores advindo da nova economia de mercado tornou perceptível uma situação. pode intervir. que não comporta retratação. embora fosse para isso preciso afrontar o posicionamento tradicional dos mestres civilistas a respeito da força obrigatória dos contratos: "O princípio da força obrigatória no contrato contém ínsita uma idéia que reflete o máximo de subjetivismo que a ordem legal oferece: a palavra individual. 4. as cláusulas abusivas eram disciplinadas de maneira esparsa no direito positivo pátrio. valendo-se do direito comparado e atendendo aos fins sociais e às exigências do bem comum. encerra uma centelha de criação. a não ser excepcionalmente. é tão imperiosa que. surgiram os chamados contratos de adesão. ao atrasar qualquer das prestações avençadas é o consumidor surpreendido com ação judicial promovida pelo estipulante no foro deste. não vislumbrada até então.

portanto. Com o advento do CDC (4) foram trazidos avanços ao tratamento da proteção contratual do consumidor. 857/1969.186 legislativos também tratavam do assunto. entre outras. que são aquelas cláusulas contratuais não negociadas individualmente e que. como se pode depreender da observância dos fatos acima expostos. dentro do período de reflexão de sete dias. 115 e o art. frente as exigências da boa-fé. o Decreto-Lei n. 58 do Decreto nº2. 2. e do tratamento dado pela doutrina e jurisprudência a este assunto. é possível a inversão do ônus da prova em favor do consumidor. 24. as cláusulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos e serviços que: . há penalização se o termo de garantia não for adequadamente preenchido e entregue ao consumidor. não é exaustiva.51º "São nulas de pleno direito.181/97 (regula o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor). no caso de o contrato de consumo ter sido concluído fora do estabelecimento comercial. assim como as implicações decorrentes. o Decreto n. causam em detrimento do consumidor um desequilíbrio importante entre os direitos e obrigações das partes. 59. 1. autorizado a editar anualmente um rol exemplificativo do que são tidas por cláusulas abusivas É objetivo do estudo ora encetado a análise da posição doutrinária e jurisprudencial no que concerne às cláusulas abusivas. como regra básica. pelo art.195/1966 e outros. A previsão de cláusulas abusivas pelo CDC.Cláusulas Abusivas Dispõe o artigo 51 do Código de Defesa do Consumidor: "Art. tais como: os contratos que regulam as relações de consumo não obrigarão os consumidores se não lhes foi dada a possibilidade de tomar conhecimento prévio de seu conteúdo ou se os respectivos instrumentos foram redigidos de modo a dificultar a compreensão de seu sentido e alcance. Há apenas dois artigos no Código Civil brasileiro que proíbem o uso das cláusulas leoninas (3): o art. pode o aderente exercer o direito de arrependimento. sendo o Secretário Nacional de Direito Econômico autorizado. posto que. apresenta. em linguagem clara e acessível. é inegável a importância da devida compreensão acerca do que sejam cláusulas abusivas. tendo direito à devolução imediata das quantias que eventualmente pagou. corrigidas monetariamente pelos índices oficiais.372. tais como o Decreto n. todo produto ou serviço deve ser obrigatoriamente acompanhado do manual de instalação e instrução sobre sua adequada utilização. redigido em português.038/1934. no caso de dúvida as cláusulas contratuais gerais devem ser interpretadas em favor do aderente. uma lista exemplificativa das chamadas cláusulas abusivas. e sua conseqüente declaração de nulidade. em seu artigo 51.

. Foro de Eleição. excessivas.699 –MG (97/0088907-6) (Anexo II) "Conflito de Competência. Cláusula de eleição de foro. Cláusula de eleição de foro.. (6) Assim. Competência Territorial. Ruy Rosado de Aguiar. somente a cláusula abusiva é nula: as demais cláusulas permanecem válidas. exceto quando sua ausência acarretar ônus excessivo a qualquer das partes. Contrato de adesão. DJ-24/08/1998) "Competência. em que deve ser facilitada a defesa do direito do consumidor (Art. desde que se averigúe o justo equilíbrio entre as partes. Cláusulas abusivas. com os olhos postos no presente. (5) Segundo Hélio Zagheto Gama: "As cláusulas abusivas são aquelas que. no conceito de Nelson Nery Junior: "são aquelas notoriamente desfavoráveis à parte mais fraca na relação contratual de consumo. há que se entender cláusulas abusivas como sendo aquelas que estabelecem obrigações iníquas. 6º. de que resulta dificuldade para a defesa do réu. cláusulas como essa do instrumento havido entre as partes ostentam-se indisfarçavelmente ineficazes e sequer possível o seu aproveitamento". Conforme disposto no artigo supramencionado. que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada. Órgão: Segunda Seção. VIII.) IV – estabeleçam obrigações consideradas iníquas. Processo N°: 21540. causar uma lesão contratual à parte a quem desfavoreçam". em contrato de adesão. onerosas. (STJ – AG Nº 170. Relator: Min. Prevalência da norma de ordem pública que define o consumidor como hipossuficiente e garante sua defesa em juízo". Cláusula Abusiva O juiz do foro escolhido em contrato de adesão pode declarar de ofício a nulidade da cláusula e declinar da sua competência para o juízo do foro do domicílio do réu. acarretando desequilíbrio contratual entre as partes e ferindo os princípios da boa-fé e da eqüidade. inseridas num contrato.187 (. sendo que a nulidade de qualquer cláusula considerada abusiva não invalida o contrato.". São sinônimas de cláusulas abusivas as expressões cláusulas opressivas. Código de Defesa do Consumidor. Tratando-se de ação derivada de relação de consumo. (STJ. ou sejam incompatíveis com a boa fé ou a equidade. a mais abalizada doutrina e atual jurisprudência.. ainda.". tais cláusulas são nulas de pleno direito.. . assim. e não operam efeitos. têm decidido em casos tais que. abusivas. e subsiste o contrato. "Assim.. possam contaminar o necessário equilíbrio ou possam. se utilizadas. vexatórias ou.

181.181/97. para os comerciantes. mas servem de roteiro para os operadores do Direito (advogados. elenco complementar de cláusulas contratuais consideradas abusivas. Assim. em 13.1. através de um efetivo controle judicial do conteúdo dos contratos.j. assim.J. as portarias publicadas pela Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça. exceção de incompetência.181/97 estabelece que. a previsão de cláusulas abusivas pelo CDC não exaure as hipóteses com o elenco ali exposto. cria novos direitos para o consumidor e deveres para o fornecedor. aplicando-se o disposto no inciso IV do artigo 22 do Decreto 2. uma proteção a posteriori do consumidor. Conflito conhecido.181/97. que não têm força de lei. qualquer que seja a modalidade do contrato de consumo.2ª Seção . fiscalizar e aplicar as sanções administrativas previstas no CDC e solicitar a instauração de inquérito para apuração de delito contra o consumidor. garantindo. O artigo 56 do Decreto 2. impende considerar como absoluta a competência do foro do domicílio do réu. cabendo aplicação de multa ao fornecedor de produtos ou serviços que.98 ) O CDC apresenta dois momentos distintos de proteção contratual ao consumidor: no primeiro momento. 2. O DPDC deverá. direta ou indiretamente.11. DJU de 16.05. através do DPDC. conforme especificado no artigo 3o do Decreto 2. de 20 de março de 1997 e atua por meio de seu Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC).181/97. a SDE divulgará. Compete à SDE. inserir. são editadas em cumprimento ao disposto no citado artigo 56 do Decreto 2. a fim de orientar o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor. anualmente. sendo órgão do Ministério da Justiça. não se exigindo. são criadas normas proibindo expressamente as cláusulas abusivas nesses contratos. Conforme anteriormente exposto. .T. que integra o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor. a coordenação geral da política do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor. pois. elencando as cláusulas abusivas. em caráter exemplificativo. dentre outras atividades. compreendido até a efetiva formação do vínculo contratual (fase pré-contratual). prestar aos consumidores orientação permanente sobre seus direitos. compete ao Secretário Nacional de Direito Econômico editar anualmente um rol exemplificativo de cláusulas abusivas. Juízes) e de advertência." ( S. São atos de natureza administrativa.A Competência da Secretaria de Direito Econômico A Secretaria de Direito Econômico (SDE) foi criada pelo Decreto nº 2. promotores. .1998. no momento posterior. fizer circular ou utilizar-se de cláusula abusiva.188 do Código de Defesa do Consumidor).

ainda que indiretamente. na classe dos atos ilícitos. e. pois o cliente não é destinatário final dos serviços e/ou produtos oferecidos.Meios de Controle das Cláusulas abusivas O fundamento jurídico em que sedimenta a doutrina brasileira o posicionamento acerca das cláusulas abusivas é o abuso de direito.189 2. não se aplicam a determinados tipos de contratos utilizados no Sistema Financeiro Nacional (caso em concreto). ou ainda configurada a excessiva onerosidade das obrigações assumidas livremente pelos clientes. ou vigorar como um princípio subjacente ao ordenamento jurídico. aflorando casuisticamente na construção do caso concreto. em complemento à listagem constante do artigo 51 do CDC.Da Aplicação das Portarias da SDE aos Contratos Utilizados no Âmbito do Sistema Financeiro Nacional Ante o exposto. há instituições financeiras que pretendem questionar a validade/aplicação das portarias da SDE. O princípio da boa fé pode encontrar amparo legal inserindo-se como conceito indeterminado numa cláusula geral. contemplado pelo direito brasileiro de forma genérica. art. 2. se pode concluir que a SDE tem competência e legitimidade para orientar o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor e uma das formas por que se realiza esta orientação é a divulgação anual de cláusulas contratuais consideradas abusivas. quando não considerou como ilícito o uso regular de um direito (Código Civil. de forma inequívoca. a anulação dos referidos contratos ou das cláusulas abusivas contidas no bojo destes. por conseguinte. não há que se discutir a não aplicação do CDC aos contratos bancários. as instituições financeiras não podem ser impedidas de recorrer ao Poder Judiciário para solucionar os conflitos gerados em razão da aplicação ou não de regras referentes às relações de consumo. segunda parte). alegando que determinadas cláusulas tidas como abusivas pela SDE. Do cotejo desta disposição. uma especialização do fenômeno do abuso. pelo uso anormal do direito. duas alegações possíveis de serem articuladas por tais instituições seriam: questionar o conteúdo das portarias editadas pela SDE. Contudo. a existência de cláusulas obscuras ou abusivas. se pode depreender que o abuso estaria incluído. uma vez que a figura do cliente da instituição financeira não pode ser equiparada à figura do consumidor. Não obstante as penalidades administrativas que a SDE ou qualquer outro órgão integrante do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor possam vir a aplicar. Nesta feição é que o princípio da boa . e/ou alegar que o CDC. pré-excluindo-se a contrariedade (Pontes de Miranda). As cláusulas abusivas seriam. 160. portanto. na realidade não o são. e conseqüentemente as portarias da SDE. se pode concluir que o fundamento do repúdio às cláusulas abusivas assenta no princípio da boa fé.3.Destarte. Sendo caracterizada a relação como de consumo ou demonstrada.2. I.

enquanto esta depende sempre da manifestação judicial. O fato de ter o CDC estabelecido a nulidade de pleno direito das cláusulas. prevalece a norma geral do artigo do Código de Processo Civil. que teve como relator o eminente Ministro Ruy Rosado de Aguiar. métodos comerciais coercitivos ou desleais. 51. Sem o comando dessa nova diretriz. e a inovação trazida ao tratamento desta questão pelo CDC.6º São direitos básicos do consumidor: (. Segundo Arruda Alvim. art. ou relativa ou anulabilidade. 128.190 fé se faz largamente presente no sistema brasileiro. o Código de Proteção e Defesa do Consumidor é explícito a respeito da boa fé. Pontes de Miranda discorda dessa terminologia. sobre a inaplicabilidade das regras do Codecon às relações de consumo celebrados antes de sua vigência.. in verbis: "Esta Eg.. era aplicado a inteligência dos artigos 128 e 460 do CPC. não suscitadas.. sejam incompatíveis com a boa-fé e equidade". se de nulidade absoluta.) IV – a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva. que veda ao juiz conhecer de questões a cujo respeito a lei exige (exigia) a iniciativa da parte". aquela é sempre ipso jure. sem necessidade de ação judicial. com ressalva de meu posicionamento.. à luz do disposto no art.IV). o sistema de invalidade no direito civil comum é dúplice: os autores tratam das nulidades absolutas e das relativas. 6º.162-RS. antes e depois da vigência do CDC. É patente a diferença de tratamento por esta turma do STJ. Cumpre destacar por oportuno a questão da decretação judicial de nulidade da cláusula abusiva não suscitadas pelas partes. A proteção contra cláusulas abusivas é direito básico. sendo-lhe defeso conhecer de questões. e III. bem como contra práticas e cláusulas abusivas ou impostas no fornecimento de produtos e serviços. a cujo respeito a lei exige a iniciativa da . Veja-se o RESP nº 90. cuja diferença seria o grau de intensidade do defeito que macula o ato. 4º. caput. O juiz decidirá a lide nos limites em que foi proposta. Tanto que está presente no rol das cláusulas abusivas. dizendo ainda que Código Civil versa a figura da nulidade e da anulabilidade."(grifo que não consta do original) A lei fala em nulidade de pleno direito.. como regra cardeal (arts. para os contratos formulado anteriormente ao CDC. 4ª Turma tem reiteradamente decidido. IV do CDC: "Art. uma cláusula geral que autoriza o repúdio das disposições que ". estabelecendo que o vício é meramente parcial. cujo voto é a seguir transcrito. gera discussões acerca da natureza deste vício. a seguir transcritos: "Art.

as cláusulas consideradas absolutamente nulas. Afastando-se desses limites. por ser de natureza relativa. Proteção Contratual. O juiz constrói. em homenagem ao princípio da congruência. onde o magistrado não somente muda um estado. A causa deve ser julgada como proposta e contestada. Órgão: Segunda Seção. criando uma nova realidade. de natureza diversa da pedida. Constatada a cláusula abusiva. Destinatário. Ele sugere uma nova hipótese de classificação de sentença. a incompetência em razão do lugar. 128 e 460 do CPC. Cív. – Relator Juiz Antonio Janyr Dall’Agnol Junior) "Conflito de competência. participando. Processo n°16253. posto que é decretável de ofício. realizado no hotel Bourbon em Curitiba. a favor do autor. devem ser declaradas nulas. seção. deve a sentença ater-se ao pedido" (TARGS – APC Nº 193051216. criando uma nova relação. . Cláusulas abusivas. independentemente de provocação das partes. o juiz não pode declarar nulidade de cláusulas ex officio. para não ocorrer julgamento extra petita. deve ser suscitada pelo reu (sumula 033). ainda quando se trata de foro de eleição estabelecido em clausula de contrato de adesão.(STJ. bem como condenar o réu em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado".191 parte". Assim também manifestou sua posição Nelson Nery Jr. Objetivando a desconstituição de cláusulas. conflito conhecido e declarada a competencia do juizo suscitado. Sobre o princípio da congruência e o princípio da adstrição do juiz. independentemente de provocação das partes. não podendo a sentença extrapolar os limites da litiscontestatio. 29/10/1996) Contudo. sendo sujeito ativo. admitindo assim a decretação ex officio. impõe-se ao juiz a sua decretação. ressalva da posição do relator. Foro de eleição. Competência territorial. "Art. Para ele. dado o seu cunho de ordem pública. nos limites em que este o formulou. durante o Congresso Paranaense de Direito Processual Civil. É defeso ao juiz proferir sentença. Relator: Min. integrando e construindo as cláusulas no contrato de modo que se possa dar execução ao mesmo. Clausula abusiva. DJ. 460. mas é também sujeito ativo. (7) Conforme esse entendimento. a sentença decide extra ou ultra petita". Ruy Rosado de Aguiar. adequando o contrato. a maior parte da doutrina diverge dessa orientação. ele revê as cláusulas.7ª Câm. Segundo a orientação predominante na 2a. quando observado o vício. ensina Moacyr Amaral Santos: "A sentença deverá ser a resposta jurisdicional ao pedido do autor. violando os dispostos nos arts. Neste sentido: "Código de Defesa do Consumidor. chamada de "Sentença Determinativa".

apesar dos esforços de integração. Destarte.192 assim que o vício é detectado. acarretar ônus excessivo a qualquer das partes. cláusulas como essa do instrumento havido entre as partes ostentam-se indisfarçavelmente ineficazes e sequer possível o seu aproveitamento".4. Além do previsto no artigo 51. e os efeitos dela decorrentes. (STJ – AG Nº 170. a mais abalizada doutrina e atual jurisprudência. A teor do disposto no parágrafo 2º do multicitado artigo 51 do CDC. subsistindo o contrato. o legislador baseou-se na chamada "redução de eficácia" da doutrina alemã. o CDC. institui como um direito do consumidor a possibilidade de modificação de cláusulas contratuais no sentido de restabelecer o equilíbrio da relação com o fornecedor.Contratos de Adesão Os contratos de adesão surgem como forma de proporcionar maior uniformidade. e vice versa. com o fim maior de não se permitir a execução da onerosidade constatada em seu bojo. sem que tenha havido oportunidade de discussão do mesmo. 2. e que é na mais das vezes resultado direto da fragilidade econômica do consumidor. o consumidor poderá solicitar ao juiz de direito que altere o conteúdo negocial de uma cláusula considerada abusiva. que concorda com todos os termos do contrato que lhe é apresentado. Aqui. e sua importância em parte deriva da constatação que os contratos de consumo guardam intrínseca relação com a economia. o CDC adotou o princípio da conservação dos contratos ao determinar que somente a cláusula abusiva é nula. 2.Efeitos nos contratos A definição de cláusulas abusivas. exceto quando sua ausência. Há inúmeros exemplos de jurisprudência que convergem com esta doutrina: "Assim. o consumo depende do desenrolar da economia de mercado. prevendo a norma geral a proibição de cláusulas contra a boa-fé. com os olhos postos no presente.5. não sendo isto defeso ao juiz. a nulidade de qualquer cláusula considerada abusiva não invalida o contrato. eficiência e dinamismo às relações de consumo. prevendo a ineficácia de uma cláusula abusiva e não simplesmente sua nulidade absoluta. têm decidido em casos tais que. permanecendo válidas as demais cláusulas contratuais.699 –MG (97/0088907-6) Resta inconteste que coaduna com a busca de equilíbrio na relação contratual a admissibilidade da intervenção judicial na base do contrato. desde que se averigúe o justo equilíbrio entre as partes. em seu artigo 6º. rapidez. tendo em vista que os contratos são instrumentos de circulação de riquezas. . são aplicáveis tanto aos contratos de adesão quanto aos contratos paritários e são sempre consideradas nulas.

" Nos contratos de adesão. deve o juiz reconhecer de ofício a . Define-se o contrato de adesão como o negócio jurídico no qual a participação de um dos sujeitos da relação sucede pela aceitação em bloco de uma série de cláusulas formuladas antecipadamente. próprias dos contratos paritários. uma das cláusulas mais comuns é a de eleição do foro do estipulante em detrimento do foro do domicílio do consumidor. esse tipo de contrato apresenta-se como a adesão alternativa de uma das partes ao esquema contratual traçado pela outra. de modo geral e abstrato. Caracteriza-se por ser um negócio jurídico bilateral. Entretanto. para constituir o conteúdo normativo e obrigacional de futuras relações concretas. O Código do Consumidor em seu art. o contrato de adesão. mormente na Itália. (10) Os contratos de adesão são unilaterais. 54 – Contrato de Adesão é aquele cujas cláusulas tenham sido aprovadas pela autoridade competente ou estabelecidas unilateralmente pelo fornecedor de produtos ou serviços. sem que o consumidor possa discutir ou modificar substancialmente seu conteúdo. Uma das mais comuns cláusulas abusivas em contratos de adesão é a de eleição do foro do estipulante em detrimento do foro do domicílio do consumidor. o que gera grande desigualdade nas relações de consumo entre as partes contratantes. isto é. Segundo Ana Maria Zauhy Garms. e devido à necessidade de adquirir o bem ou o serviço o indivíduo acaba por aceitar as condições que lhe são impostas. não obstante existam antes do processo de globalização. conforme exposto. pela outra parte. via de regra. traz. e que na maioria das vezes não são esclarecidas ou informadas pelo funcionário da instituição responsável pela realização do contrato". cláusulas abusivas. aquele que está propondo a aderência a toda a proposta. (8) Segundo Orlando Gomes: "O contrato de adesão caracteriza-se por permitir que seu conteúdo seja preconstruído por uma das partes. inexistindo as negociações preliminares e modificação de cláusulas. por suprimir a prévia discussão do conteúdo entre fornecedor e consumidor. "As grandes instituições utilizam-se dos contratos de adesão para praticarem abusos contra os consumidores. formado pelo concurso de vontades (embora restrito). sai beneficiado em relação ao aderente. os contratos de adesão podem ser tidos como uma necessidade do mundo globalizado. 54 definiu o contrato de adesão: "Art. nas quais apenas uma das partes. isto por que neste tipo de contrato não há oportunidade de negociações. como anteriormente salientado. e segundo corrente dominante na doutrina.193 Assim. (9) Em sua formação. eliminada a livre discussão que precede normalmente à formação dos contratos".

pág. Dispõe o art. as partes não podem escolher livremente o foro onde querem propor a ação. enquanto que a exigência de que a parte suscite a incompetência do foro está inviabilizada pelas mesmas circunstância que levaram ao reconhecimento da abusividade da eleição do foro. ou simplesmente decididas. porque representa insurgência contra todo o sistema. nos limites de sua competência. § 3º "in fine" do CPC: "Quando o réu não tiver domicílio nem residência no Brasil. contido no comando do artigo 5º. subversão de seus valores fundamentais. ressalvadas às partes a faculdade de instituírem juízo arbitral". e conseqüente afastamento desta.194 nulidade da cláusula abusiva. torna o juízo absolutamente incompetente ante à flagrante violação ao "princípio do juiz natural". porque a nulidade da cláusula faz desaparecer a razão pela qual a ação foi proposta no juízo que se dá por incompetente. (In NORMA CONSTITUCIONAL E SEUS EFEITOS. a propositura da ação no foro do domicílio do estipulante ou em qualquer outro que não seja a do domicílio do consumidor. pelos órgãos jurisdicionais. Essa decisão não conflita com a Súmula 33 do STJ.São . visto que devem submeter-se aos mandamentos insertos no Código de Processo Civil e nas leis de organização judiciária dos Estados. in casu. da Constituição Federal: "Ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente". mas a todo o sistema de comando. É a mais grave forma de ilegalidade ou inconstitucionalidade. Cumpre salientar a lição do Professor Celso Antônio Bandeira de Mello. 1989. o consumidor. Se este também residir fora do Brasil. a ação será proposta em qualquer o foro". A única hipótese em que a ação pode ser proposta em qualquer foro do Brasil está estandardizada no artigo 94. 86 do aludido diploma legal: "As causas cíveis serão processadas e decididas. À luz desse dispositivo. como imperativo de ordem pública. citado por Maria Helena Diniz: "Violar um princípio é muito mais grave do que transgredir uma norma. a ação será proposta no foro do domicílio do autor. 116. A desatenção ao princípio implica ofensa não apenas a um específico mandamento obrigatório. O Código de Processo Civil e as normas de organização judiciária dos Estados estipulam as diretrizes básicas para a definição dos limites da competência a serem observadas na prestação jurisdicional. contumácia irremissível a seu arcabouço lógico e corrosão de sua estrutura mestra". Saraiva . LIII. assim como declinar da competência para o juízo do domicílio do réu.(grifo que não consta do original) Isto posto. conforme o escalão do princípio violado.

)" "COMPETÊNCIA .1995. ganhando por isso contornos de competência absoluta.Foro de Eleição .Consórcio . COMPETÊNCIA.(Embargos de declaração nº 98. Embargante: Suy Mey C. A decisão objurgada. Inaplicabilidade da súmula 33/STJ. porquanto. ambos do Código de Processo Civil vigente. dentro da cidade de São Paulo. 122. é nula de pleno direito por Ter sido editada por Juízo agora tido como absolutamente incompetente. a teor do estabelecido no art. rel. ADMISSIBILIDADE. CONTRATO DE ADESÃO. por essa razão. confere a cada um parcela de competência funcional dentro do foro de São Paulo. especialmente quando há possibilidade de deferimento de medida liminar.M. Decisão unânime. Ao receber a petição inicial ao juiz cumpre examinar a validade e eficácia de tal cláusula e impedir que.Hipótese que não se trata de declinação de ofício de incompetência relativa. determinou e ocasionou a apreensão do veículo pertencente a agravante e. combinado com o art. Nigro Conceição.Contrato de Adesão _ Prevalecimento do Código de Defesa do Consumidor para que o devedor tenha acesso aos órgãos judiciários e facilitação de sua defesa .195 Paulo). DECLINAÇÃO. à luz do que fora exposto.Artigo 6º. prejudicial à defesa do consumidor. declinável ex officio (TJSP. que se destaca pela superioridade da vontade do estipulante e reduzido âmbito de escolha do aderente. Nesse sentido: "Foro Regional e Declaração ex officio de incompetência. Des. Assim. A divisão da competência estabelecida por lei de organização judiciária. em determinada área da cidade. j. "EX OFFICIO".u. v.078/90 . Julgado em 23 de abril de 1998) "CONSUMIDOR. Esp. Ccomp 24495-0. a validade da cláusula de foro de eleição deve ser de logo examinada. não se pode afirmar tratar-se o caso de competência territorial relativa.000181-3. sem sombra de qualquer dúvida tem cunho decisório. Câm. 113. o que impõe sua revogação". 265. a propositura da demanda perante foro diverso do domicílio do consorciado dificulta . através de seu cumprimento. Ainda que se reconheça que na divisão do foro de São Paulo em diversos Juízos há forte componente territorial que marca a delimitação da competência de cada um entre si. para que não sirva de invencível acesso à justiça. m vista todo o exposto. Abusividade da cláusula de eleição de foro. incisos VII e VIII da Lei nº 8. nula de pleno direito a decisão objurgada. em se tratando de ação que tenha por objeto contrato de adesão. mas sim de reconhecimento de normas de ordem pública a exigir a remessa dos autos à Comarca do domicílio do consumidor. esteja sendo sobremaneira dificultada a defesa do réu. emerge dos autos ser completamente incompetente o Juízo "a quo" e. 1ª Câmara Cível.10. Gonçalves. Com o devido respeito àqueles que se filiam a outro entendimento.. Embargado: Banco Fiat S/A. Rel. Marcos Antônio Souto Maior.

mormente quando não impõe ao réu maiores dificuldades para o pleno. Julg. XXXV).078/90 (CDC). precipuamente aos desígnos constitucionais e não. todas elas. 29240. estabelecida em contrato de adesão. art. 32959-4." Os princípios constitucionais do juiz natural. Ag de Inst. nem jurídica. É caso de nulidade de pleno direito. quando desde logo evidenciado que o demandando terá extrema dificuldade para exercitar sua defesa. abstraídos outros aspectos processuais (de menor ou nenhuma importância em confronto com ditas garantias).. em 30/10/96).: Des. das circunstâncias que envolvem o contrato. Também no mesmo sentido o voto do magistrado Antônio Carlos Marcato. sejam quais forem. decretável de ofício. (TJSP. seria suficiente. é justa e razoável a conclusão de que o reconhecimento e a proclamação afronta a preceitos constitucionais demandam exame. nem estabelece obrigação que possa ser considerada iníqua ou abusiva. Julg. a pura e simples generalização de que toda e qualquer cláusula eletiva do foro seja. Juiz Cesar. o que configura a abusividade da cláusula e a sua nulidade de pleno direito. colocando-o em desvantagem exagerada. CONTRATO DE ADESÃO. impor ônus e gravames indevidos a um dos sujeitos processuais. VIII". por si só. A eleição de foro é tão somente a mais comum dentre as cláusulas abusivas comumente contidas nos contratos de adesão. de acesso à justiça. Itú. Linbs. Lei 8. 5º. e essa afronta. em Agravo de Instrumento nº 477. incumbe ao juiz impedir que ela tenha eficácia. atender. de Inst. Ag. em 30/10/96). É essa a posição que vem prevalecendo na melhor jurisprudência. Competência absoluta. art. (TJSP. à evidência. Direito do consumidor em ser demandado em seu domicílio. à luz do CDC (Lei nº 8078/90). da ampla defesa e da supremacia do interesse público hão de ser preservados e aplicados em todas as situações processuais. caso a caso. Rel. Daí porque. revela-se abusiva se e quando impuser.406-2. em se tratando de foro de eleição favorável ao estipulante de contrato de adesão. quando não o impossibilita. para justificar a pronta remessa dos autos ao foro do domicílio da parte hipossuficiente. No entanto. Júlio Vidal.196 seu acesso à Justiça. COMPETÊNCIA. pela parte economicamente mais forte. não sendo lícita. da 79 Câmara do Segundo Tribunal de Alçada Civil de São Paulo: "A cláusula eletiva de foro. exercício de seu direito de resposta. na medida em que a existência e o exercício da técnica processual têm por objetivo. não obstante esse direito seja garantido constitucionalmente (CF/88. podem . Rel. e assim caracterizada a abusividade da cláusula. "CONSÓRCIO. ao contratante mais fraco sérios (e por vezes insuperáveis) óbices ao pleno acesso à jurisdição e à sua defesa no processo. 6º. assim afrontando as correspondentes garantias constitucionais. declinando da sua competência para o foro de domicilio do réu. ainda quando está a decidir sobre a competência de foro.

6. cabendo ao julgador verificar a abusividade ou não das cláusulas pré-elaboradas. o juiz deve ainda de ofício reconhecer a nulidade de cláusula abusiva. na sede da empresa estipulante.197 ser questionadas. que variam de 10 a 20% do valor devido. em razão de débitos em atraso com o fornecedor. em contrato de adesão. "No que tange aos contratos de adesão o Código de Defesa do Consumidor é bem claro ao especificar que todos os contratos devem ser revistos quando tornarem-se excessivamente onerosos. De início cumpre . que as cláusulas abusivas devem ser desconsideradas pelo consumidor". A decisão judicial que reconhece a nulidade de cláusula abusiva e declara a incompetência de ofício. uma vez que se amoldem ao disposto no art. (11) Por fim. e ainda. 51 do CDC.A recepção do princípio da predominância da ordem pública pelo CDC como meio de afastamento das cláusulas abusivas nos contratos de adesão Os princípios do juiz natural. 3.A cobrança extrajudicial de honorários advocatícios como cláusula abusiva A questão ora analisada concerne à cobrança de honorários advocatícios por escritórios de advocacia do consumidor. são amplamente aplicados aos contratos de adesão. se o consumidor ou o fornecedor contratante. derrogando as cláusulas abusivas. quando o seu cumprimento significar verdadeira negação de acesso à justiça. o foro do domicílio do estipulante. ou outra qualquer. cumpre salientar que nem toda regulamentação contratual préformulada pode ser entendida como abusiva. dificultará sobremaneira a defesa do réu em juízo. conforme exposto no presente estudo. pelo que pode e deve o juiz declarar de ofício sua competência para processar as ações de busca e apreensão. por força dos dispositivos pertinentes à espécie contidos no CDC. As cláusulas negociadas destes contratos deverão subordinar-se à interpretação comum dos contratos. quando a propositura da ação no foro de eleição. O cerne da questão é a quem cabe arcar com o pagamento dos honorários devidos ao advogado. não ofende a Súmula 33 do STJ. enquanto a exigência de que a parte suscite a incompetência do foro está inviabilizada pelas mesmas circunstâncias que levaram ao reconhecimento da abusividade da eleição de foro. sob o argumento de que o escritório que faz a cobrança só recebe o pagamento se houver o acréscimo dos encargos (juros de mora e multa) além de honorários advocatícios. da supremacia da ordem pública e da magnitude da defesa do consumidor. Assim. reintegração de posse decorrente de contrato de leasing. porque a nulidade da cláusula faz desaparecer a razão pela qual a ação foi proposta no juízo que se dá por incompetente. tal como a que elege. (12) 2.

22 do Estatuto da advocacia (convenção entre as partes). entretanto. o que corrobora a tese da abusividade da cobrança. sem que igual direito lhe seja conferido contra o fornecedor". 51 da lei 8. Além disso. um ônus imputado ao consumidor em desvantagem exagerada. outras cláusulas abusivas. ao recorrer aos préstimos do advogado.98. 22 do Decreto 2. O STJ já pronunciou a respeito da nulidade de cláusula contratual no caso da denominada cláusula mandato. em conformidade com a decisão unânime extraída da 19ª Reunião do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor. expressou nota explicativa a respeito dos motivos da edição da Portaria nº 04 de 13. se nos reportarmos à definição de cláusula abusiva. de 12/05/98 (13). sem ajuizamento de ação. realizada em Brasília. objetivando declarar a nulidade absoluta da cláusula.198 observar que o consumidor não celebrou nenhum contrato com o escritório de advocacia. estatui o art. Ora. como é o caso do consumidor. O Despacho nº 132 do Secretário de Direito Econômico. deverá ele. pelo que resta óbvio que quem deve pagar os honorários é o fornecedor. E caso haja o consumidor assinado contrato que contenha cláusula prevendo que. ver-se-á que o caso em tela enseja a aplicação da Teoria da Abusividade na Relação de Consumo em prol do consumidor. a qual deve então ser paga diretamente ao advogado contratado. que autoriza a emissão de título cambial por procurador.906/94) dispõe que há três possibilidades de cobrança dos honorários advocatícios: "quando há convenção entre as partes. acima transcrito que "O consumidor não está obrigado ao pagamento de honorários ao advogado do fornecedor. (item 9 da Portaria nº 4/98). Arcar com os honorários de advogado para agir contrário aos seus próprios direitos/interesses é. . 51. deixa de aceitar receber a parcela vencida.078/90 e do art. prescrevendo a Súmula nº 60 do STJ: "É nula a obrigação cambial assumida por procurador do mutuário vinculado ao mutuante no exclusivo interesse deste". cumpre perguntar se seria cabível aplicar-se o art.181/97. esclarecendo em relação ao item 9. XII do CDC que é nula a cláusula contratual que "obriguem o consumidor a ressarcir os custos de cobrança de sua obrigação. indubitavelmente. arcar com o pagamento dos honorários advocatícios. A Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça editou a Portaria nº4/98 que tipificou como abusiva a cláusula contratual que obriga o consumidor ao pagamento de honorários advocatícios. arbitramento judicial ou sucumbência" Vê-se que nenhuma destas hipóteses legitima a cobrança de honorários da parte que não contratou. que. prescrevendo como nula de pleno direito a cláusula contratual que obriguem o consumidor ao pagamento de honorários advocatícios sem que haja ajuizamento de ação correspondente.03. esta Portaria adita ao elenco do art. Os serviços jurídicos contratados diretamente entre o advogado e o consumidor não se enquadram neste item". em caso de inadimplemento. O artigo 22 do Estatuto da Advocacia (lei 8. consumidor.

Arruda. 5. Maria Helena. Assim. cumpre ao Estado tutelar a parte hipossuficiente da relação contratual.199 4. Revista de Direito do Consumidor nº 20. independentemente da posição ou condição de cada parte envolvida".V. por meio de leis específicas de proteção. pelo que passou o Direito do Consumidor a ser um dos principais elementos de afirmação da cidadania. as cláusulas abusivas merecem um tratamento metodológico como tentativa de conter tais procedimentos.Conclusão Do presente estudo se pôde com propriedade depreender que atualmente é grande. assim como a compreensão e percepção desse instituo pelos juristas. Da preocupação do Estado com os problemas da defesa do consumidor advieram grandes mudanças na elaboração dos contratos. Curso de Direito do Consumidor. tutela esta que é feita no plano administrativo. Hélio Zaghetto. Cláusulas Abusivas nos Contratos de Adesão à do Código de Defesa do Consumidor. legislativo. a presença dos contratos de adesão nas relações de consumo. já não se aplica mais indistintamente o pacta sunt servanda. a crise do liberalismo refletiu no declínio do individualismo característico daquela realidade sócio-econômico. e judicial. e igualmente quando se igualam. ditando o tom do regime jurídico e legal das condições gerais dos contratos. ou seja. tratar de forma desigual os desiguais a fim de que se tornem iguais. Curso de Direito Civil Brasileiro. É objetivo do Código de Defesa do Consumidor assegurar ao consumidor igualdade em face do fornecedor. Cláusulas Abusivas e seu Controle no Direito Brasileiro. com a instituição de órgãos próprios estatais. dentro da proteção contratual estabelecida com o advento do Código de Defesa do Consumidor. 2001 luz GARMS. 12 Ed. (24/70) DINIZ.Teoria das obrigações contratuais e extracontratuais. 1997 GAMA. Em virtude da importância conferida assim às relações de consumo. por vezes maciça. Rio de Janeiro: Forense. diante da configuração contratual. fls.. o que denota o reflexo no âmbito jurídico do processo de evolução por que passou a economia. como bem pontifica Ana Maria Zauhy Garms (14): "A proteção do consumidor surge pela determinação de se cumprir a igualdade contratual. com a fixação de jurisprudência. Referências bibliográficas ALVIM. 3. Ana Maria Zauhy. São Paulo: Saraiva. É o tratar de forma desigual as partes no momento em que elas se desigualam. Retirado de .

br/doutrina/clabusi. no dia 03. para comparecerem no dia seguinte. 16.São Paulo: Revista dos Tribunais. Ed.Engenharia e Construções Ltda.0795.br/doutrina/texto.infojus. 47. Instituições de Direito Civil. Nelson.v.Engenharia e Construções Ltda.. Contratos..2º Juizado Comarca de Porto Alegre Autores: Luís Fernando Klippert Ré: Goettert .nov. 1966 RODRIGUES. Vistos. Código de Processo Civil Comentado. Plínio Lacerda.200 www. V. São Paulo: Saraiva. n.. Direito Civil.com. Anexo Sentença proferida em sede de ação de rescisão contratual Processo nº0119539789 8ª Vara Cível .jus.br/area7/rosana2. n. A questão das cláusulas abusivas nos planos de saúde.nov. na Rua Luzitana nº597.jus. pelo telefone. 26a ed. 1997 PEIXOTO. Cobrança extrajudicial de honorários advocatícios: cláusula abusiva.jus. Comentários ao Código de Processo Civil.br/doutrina/texto. Luís Fernando Klippert e S/M. às 21h. Caio Mário da Silva. Michelline Oliveira Klippert ingressaram com ação de rescisão contratual contra Goettert . Orlando. Rosana.3 – Dos Contratos e das Declarações Unilaterais de Vontade. III. tendo em vista um projeto turístico. GRINBERG. Marco Aurélio Ventura. Silvio. In: Jus Navigandi.asp?id=788 em 24. 1995. In: Jus Navigandi. Retirado de http://www1.. IV 6. etc.2001 MARTINS. Cláusulas abusivas nos contratos de adesão.nov. narrando que. 49. Lá comparecendo. Retirado de http://www1. Código do Consumidor. Rio de Janeiro: Forense. foram convidados.2001 GOMES.2001 NERY JUNIOR. Vol. Rio de Janeiro: Forense. Ed. participaram de um coquetel e tiveram conhecimento de um . Moacyr Amaral.1999 SANTOS.com.nov. Retirado de www.com.. 2a.2001 PEREIRA.com.asp?id=708 em 24.htm em 20.htm em 24.

pois o contrato não foi firmado fora do estabelecimento comercial. proferindo-se os debates orais. 49 do CDC não se aplica. as únicas pessoas presentes na ocasião eram os autores e funcionários da ré. na preparação de armadilhas. decido. impondo-se a firme atuação dos órgãos encarregados de defender o consumidor. Não havia. Os autores não concordaram e enviaram correspondência. sendo condenada a ré no pagamento dos encargos de sucumbência. uma vez paga a multa estipulada. Sustenta ter agido corretamente. desrespeitosa e inaceitável de comércio. firmaram o contrato. É possível rescindir o contrato. eis que firmado de forma livre pelos autores. prestando todas as informações a respeito do empreendimento. a possibilidade de ser feita a cumulação de semanas não aproveitadas em um ano para o ano seguinte. aproveitando-se de menor reflexão. Assim. O comércio não pode estar baseado no aliciamento. sendo que a requerente é advogada. a fim de atrair o consumidor e.201 projeto de construção com vendas de cotas para serem utilizadas em condomínio por diversos proprietários. Contesta a ré. Foi informado que o preço estava em promoção e que o contrato deveria ser assinado naquela mesma noite. Realizada audiência. Versam os presentes autos a respeito de uma forma totalmente abusiva. o qual foi analisado pelos requerentes. ou arapucas. Os autores responderam. Aduz que o contrato deve ser respeitado. Não ficou demonstrada esta alegação dos requerentes. verificaram divergências entre o que foi dito na ocasião e o que constava no contrato. Requer a condenação dos autores no pagamento das despesas relacionadas com o contrato. deveriam pagar multa no valor de 35% do valor do imóvel. manifestando o interesse em desfazer a avença. ocasião em que foram informados de que. para coibir tais práticas. que corresponde ao ressarcimento de despesas. invocando normas do Código de Defesa do Consumidor. Retornaram no dia seguinte. por exemplo. O art. Relatados. para tanto. . foram ouvidas as partes e testemunhas. Preocuparam-se os autores em demonstrar que o contrato e o regulamento para uso do empreendimento turístico estava em desacordo com o que havia sido dito na exposição da ré. bem como as parcelas vencidas. para rescindir o contrato. fechar um negócio que não era de interesse do comprador. Pretendem os requerentes a rescisão do contrato. seduzidos pelo "marketing" da requerida. analisando melhor o negócio. Ao retornarem para casa. até porque seria muito difícil.

Primeiro. a necessidade de processar todas essas informações acaba reduzindo a capacidade de raciocinar. é de referir o procedimento já aludido. Conforme relataram as pessoas ouvidas. restaurantes. ou qualquer outra forma de obter os dados pessoais e informações quanto ao patrimônio do comprador em potencial. apresentando solução para todas as eventuais objeções. sabe-se que os vendedores ou recepcionistas. que. para ler e refletir. portanto. Do início ao fim da exposição o casal é acompanhado de pessoa encarregada de afogar os incautos em informações excelentes sobre o empreendimento. existindo todo um cenário montado. Não é difícil perceber que. É do conhecimento de todos que existem equipes de "recepcionistas" atacando as pessoas em lugares públicos. Conforme restou perfeitamente esclarecido pelos documentos e testemunhas ouvidas. primeiro. Ao fim de duas horas de aranzel monocórdio sobre as maravilhas do prédio. Ao cliente não é permitido levar o contrato para casa. Além disto. termina enredado em uma enfadonha reunião comercial. À exposição oral soma-se o cenário cuidadosamente montado. que nem existe. no qual o consumidor será convencido a comprar tal empreendimento. vem o convite para o coquetel. O fundamental é que toda a atuação da ré é inaceitável. ou pesquisa. naquela noite. para ajudar a distrair e criar . apartamento decorado. nem é apresentado o regulamento. Por outro lado.202 Tenho. onde lhes é dito que. Identificado um cliente em potencial. os clientes são encaminhados para as mesas dos vendedores. e também os salgadinhos e bebidas servidos aos participantes. etc. de aliciar clientes sem que estes tenham pleno conhecimento da finalidade para a qual estão fornecendo os seus dados. sub-reptícia. são cuidadosamente treinado para falar continuamente e não deixar qualquer dúvida no espírito do cliente. As irregularidades são tantas que o contrato não tem como subsistir. com todos os sentidos ocupados em transmitir ao cérebro informações novas. existe uma promoção "imperdível". com as mesmas "promoções". Conforme ficou claro pela prova colhida. a ré faz os tais coquetéis todas as noites. em tais empreendimentos. maquete. O que parece um inocente coquetel. no entanto. avaliar criticamente o que está sendo dito. acreditando que vai para uma festa. antes de ser assinado o contrato. para servir de atrativo para o cliente. o convite para um coquetel configura nova forma de seduzir o comprador por via indireta. com apresentação de filme. o cliente fica totalmente incapacitado de refletir sobre o que está comprando. como absolutamente irrelevante eventual divergência entre o que foi tratado inicialmente e o contrato firmado. acaba tendo várias funções. depois. o aliciamento do consumidor começa com uma pretensa entrevista.

o desrespeito de impedir o cliente de levar o contrato para ler na sua casa. que o preço está em promoção "só naquela noite". Se o que foi referido não bastasse. Segundo. ao efetuar a compra. independentemente das maravilhas de determinado produto ou serviço. Não creio que algum comprador pare para ler uma por uma das cláusulas. Ora. tendo mais um vendedor à frente. na obtenção da vontade do consumidor. a cláusula que estabelece a multa de 35% é . a coação"moderna". depois de duas horas de agradável explanação. Mas isto a ré não aceita que seus clientes façam. Muitas superproduções de Hollywood fracassam por não conseguirem manter a atenção do público por duas horas. fazer uma avaliação crítica e decidir pela aceitação da mesma. duvido firmemente que. aliados às técnicas de vendas. Fica evidenciado que todo o esquema está montado para induzir as pessoas a efetuarem o negócio sem a devida reflexão. velada. Primeiro. No caso em tela. sustentando a inexistência desta no presente caso. o cliente é encaminhado ao vendedor. não se admite a coação. se os autores tivessem levado o contrato para casa e. de ameaça. Por outro lado. teve gastos com o coquetel oferecido aos autores. a coação existiu. que causa dificuldade para qualquer pessoa de visão normal ler na totalidade.. Ao final deste bombardeio arrasador. O negócio teria sido livremente estabelecido. uma mentira. Agora imagina-se ao fim de um dia de trabalho. a explanação de duas horas apresenta-se como um exagero com o visível intuito de cansar os clientes e vencer suas últimas resistências. para decidir. sociologia. Mas de forma sutil. quando é instado a fechar o negócio. como a ré fez questão de lembrar. um débito do convidado. portanto. convencendo sobre o insuperável empreendimento. por parte do comprador. Não na forma de violência. utilizando a empresa ré de dois artifícios. tendo em vista tudo o que já foi referido. ao fim de toda a maratona. devolvido assinado. o contrato está impresso em letras minúsculas. preparada por profissionais de marketing com aprofundados conhecimentos de psicologia. Acontece que. Ademais. pode até ser bom o empreendimento oferecido pela ré. não há dúvida quanto à falta de capacidade. Na verdade. todo um esquema montado para induzir o comprador a fazer um negócio que pode até não ser ruim. o comprador consiga atentar para o sentido de cada cláusula. Discorreu eruditamente a ré a respeito dos contratos e da coação. Não se discute este aspecto. mesmo lendo o contrato. Resulta em um aparato de procedimentos mercadológicos que impõe sérias dúvidas a respeito da vontade livre e espontânea do consumidor. após algum tempo. por leve que seja. Tem-se. ou a capacidade reduzida.203 um vínculo. etc. daí ser "norma" da empresa que o contrato seja assinadona mesma noite.

"em qualquer tempo. de forma que estaria ela buscando enriquecimento sem causa. No entanto. para declarar nulas as cláusulas 4ª. obtido de forma coercitiva. pois tinha conhecimento da pretendida rescisão. pois se trata de contrato abusivo. acrescentando-se. do contrato." Quanto à aplicação do art. e o contrato aqui ter sido firmado. pois o consumidor teve reduzida a sua capacidade de decisão livre e conscientemente. a ré irá embolsar este valor. a começar ela aludida semana na Praia dos Ingleses. e 12ª. mas a cláusula 4ª. 49. julgo procedente a ação. pois os autores. as taxas de associação ao tal de RCI. que diz: "São direitos básicos do consumidor: IV) a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva. § 5º. pois não está redigida em destaque. XI: "autorizem o fornecedor a cancelar o contrato unilateralmente. o presente compromisso". o contrato é um amontoado de ilegalidades. art. tenho como razoável. que "elege" o foro de Florianópolis para conhecer o contrato. a desistência dos autores foi comunicada de imediato. mesmo que fosse afastado o art. não permanecendo no empreendimento. mesmo que eventualmente a situação concreta não se amolde perfeitamente à previsão legal. Alega a ré que a venda não ocorreu fora do estabelecimento comercial. não serão associados da RCI. na medida em que o espírito que norteia o citado diploma legal deve ser preservado. que esta mesma cláusula estabelece que o contrato é irrevogável e irretratável. sem que igual direito seja conferido ao consumidor. Quem aproveitou esta semana. logo. não foram comprovadamente pagas pela ré. Isto posto. 49 do CDC. quanto às despesas alegadas pela ré. decretando a rescisão contratual. permite à vendedora. 6º. além de o contrato ser abusivo." Por fim. bem como outras despesas. considerar rescindido. De qualquer forma. . 51. como nos casos referidos nos casos referidos no aludido dispositivo. de pleno direito. de foma que nenhuma despesa poderia ter efetuado a ré para prejudicar os autores. do Código do Consumidor. como determina o art. § 4º. bem como contra práticas e cláusulas abusivas ou impostas no fornecimento de produtos ou serviços. ainda. caracteriza-se a necessidade de uma especial proteção. Trata-se de cláusula abusiva. que estabelece mandato cambial em favor da vendedora.204 totalmente nula. § 6º. conforme previsão do CDC. por todas as circunstâncias que envolveram o negócio. e também a cláusula 12ª. facilitando a sua compreensão. pois nenhum comprovante trouxe de que tenha realmente pago os valores referidos. nenhum direito tem ao ressarcimento. § 6º. para 4 pessoas. métodos comerciais coercitivos ou desleais. de execução obrigatória. já que os autores não foram até a referida praia? Além disto. Publique-se e intimem-se. 54. a requerida beira a má-fé. Arcará a vencida com as custas processuais e honorários advocatícios de cinco salários mínimos. Aliás. Ademais. teria aplicação o rt. apesar de as partes serem domiciliadas nesta Capital. como a cláusula 4ª. De qualquer forma.

108 4. Orlando Gomes. IV. 11 2. Publicado no Diário Oficial da União. Cláusulas abusivas nos contratos de adesão à luz do Código do Consumidor 11. antes de servir à ufania dos legisladores. Curso de Direito do Consumidor. mesmo que moralmente condenável. idem. p. 5. Nelson Nery Junior. Cláusulas abusivas nos contratos de adesão à luz do Código do Consumidor. o que não é vedado em lei. "São elas chamadas de leoninas porque são impostas nos contratos com o objetivo de prejudicar as partes mais fracas. p. aqui. Hélio Zaghetto Gama. Caio Mário da Silva Pereira. passa a ser automaticamente permitido. Ana Maria Zauhy Garms.Notas 1.Vol. Orlando Gomes. em 18/0598 14. Marco Aurélio Ventura Peixoto.205 Porto Alegre.379 6. 15 de abril de 1996. que ficam sujeitas ao bote do leão quando de suas aplicações". p. deve provocar reflexão: é tão avançado talvez porque. Ana Maria Zauhy Garms. 37/38 3.109 10. Bayard de Freitas Barcellos Juiz de Direito 7.Hélio Zaghetto Gama. 13. p. Cláusulas abusivas nos contratos de adesão à luz do Código do Consumidor 12. III. Comentários ao Código de Processo Civil . p. . Essa constatação. p.078/90) é dos mais avançados sistemas legais dessa natureza. Moacyr Amaral Santos. 441. 1. idem. Cláusulas abusivas nos contratos de adesão 9. Código de Processo Civil Comentado. Contratos. 8. Diz-se que a Lei de Defesa do Consumidor (Lei n° 8. p. Ana Maria Zauhy Garms. Ana Maria Zauhy Garms.108 7.Vol. Contratos. Instituições de Direito Civil .

(2) O próprio Código de Processo Civil Brasileiro induz a essa conceituação à medida que coloca a prova como instrumento de obtenção da verdade dos fatos. ao revés da prova puramente lógica e científica. sobre a limitação na necessidade social de que o processo tenha um termo. ativa ou passivamente pelas partes. o direito não cogita mais da correspondência dos fatos apurados pelo juiz à realidade das coisas. e por isso.1 – Conceito de Prova O conceito tradicional de prova adotado. Para COUTURE. sem que influência nenhuma exerça sobre o seu valor o elemento lógico de que se extraiu. considerada em seu sentido processual. da prova. Os fatos aceitos. em que se funda a ação ou a defesa. e sobre os quais concluirá sua atividade cognitiva. Por si mesma. a prova seria o instrumento pelo qual o juiz se utilizaria para definir a verdade dos fatos que efetivamente ensejaram a lide. Observe-se que esses fatos somente dependem do procedimento probatório na exata medida em que sejam tidos como controversos. O texto legal determina que as provas têm a finalidade de obter a verdade dos fatos. ou. pelo menos repetido. portanto. Resta saber o que significa a palavra "verdade" sobretudo tendo em vista a finalidade e limitações do processo civil enquanto manifestação humana e cultural.NOÇÕES PRELIMINARES 1. a tem. a prova é. a partir desse momento. um meio de controle das proposições que os litigantes formulam em juízo (1). . provar significa formar a convicção do juiz sobre a existência ou não de fatos relevantes no processo. mas a prova no processo. reconhecido como o meio de obtenção da verdade dos fatos no processo. transitado em julgado a sentença. por boa parte da doutrina jurídica.206 Inversão do ônus da prova no CDC e no CPC Autor: Ranieri Eich 1. a prova em geral da verdade dos fatos não pode ter limites. e a sentença permanece como afirmação da vontade do Estado. Nesse sentido. estão aptos a receber a avaliação judicial como suportes de sua decisão. não dependem. Conforme os ensinamentos de CHIOVENDA. a investigação dos fatos da causa preclude-se definitivamente e. com algumas variáveis. pois.

propostos pelos litigantes.2 – Princípios da Teoria da Prova Dentre os princípios que informam a Teoria da Prova. fatos que não foram alegados pelas partes. OVÍDIO BAPTISTA DA SILVA ressalta que. para introduzir o problema. o juiz não pode levar em conta.2. na sua apreciação do feito. se é possível formular um conceito que explicite o que realmente contém o conceito da prova. parágrafo único. 1. Para além da definição legal que parte do pressuposto de ser possível o alcance da verdade fática no processo. necessariamente. o princípio da oralidade e o princípio da prova livre. um teste de coerência entre a formulação e o provável suporte fático da demanda. nem formar sua convicção com os meios que. 132. a qualquer momento. O princípio do ônus da prova será estudado posteriormente com maior ênfase. ambos do Código de Processo Civil. nem sempre a prova de um fato demonstrará. A prova pode ser conceituada como o meio de representação dos fatos que geraram a lide no processo. conceituamos essencialmente a prova como a tentativa de demonstração objetiva dos fatos controvertidos com a intenção de facultar ao juiz a formação de uma hipótese razoável que possa ser adotada como suporte fático para a formulação de uma decisão. Sendo. é preciso verificar a priori se a verdade pode ser obtida pelo processo em si e mais. por isso. A prova também pode ser conceituada como todos meio de confirmação ou não de uma hipótese ou de um juízo produzido no curso do processo. Nesse sentido. 130 e art. caso entender necessário. 1. tendendo essa representação a equivalência limitada e não à perfeita identificação entre o objeto representado e o objeto representante. Conforme o art. as provas já produzidas. foi atribuído ao juiz determinar as provas necessárias à instrução do processo e ao mandar repetir.207 Exatamente. assim. observa-se que a prova não é apresentada como meio de obtenção da verdade (e veremos que não há como pensar diferente) e sim como instrumento de formação de um raciocínio jurídico dotado de força em decorrência de seu proferimento por uma autoridade judiciária. Em qualquer dos conceitos por nós antes apontados. o princípio dispositivo. podemos destacar dentre eles. não se produziram com observância das regras legais (4). a veracidade de sua existência (3). . no ramo da ciência jurídica. é preciso tentar sistematizar uma resignificação que efetivamente reconheça a complexidade do instituto.1 – Princípio dispositivo Para PONTES DE MIRANDA.

208 1. bem como os moralmente legítimos. E complementa. pelo uso de meios moralmente ilegítimos. o meio tido como hábil para o encaminhamento da verdade real e processual. concentração.2. (6) 1. O que se busca e dar celeridade ao processo e produzir. quando necessário. X a XII (inviolabilidade da intimidade. ainda que não especificados no Código. as provas necessárias na audiência de instrução e julgamento. da imagem. uma vez que essas situações seriam incompatíveis com a seriedade e segurança da justiça. imediatidade e autoridade judicial. prevê que todos os meios legais. tratando da oralidade do processo civil austríaco. as provas devem ser produzidas em audiência. O que se vê na transição dos estados intelectuais do Juiz no processo é que ele parte de uma ignorância completa acerca dos fatos e à medida que o trâmite vai se desenvolvendo ele passa a forma juízos provisórios. da vida privada. reflete que a justiça rápida e barata só pode ser conseguida pelos princípios da oralidade.2. da correspondência.3 – Destinatário da prova e motivação Pois bem. e das comunicações telegráficas e telefônicas). em que se funda a ação ou defesa. 1. do domicílio. existindo legalidade e moralidade. Em vista disso. o princípio da oralidade conduz à predominância da palavra. permanecendo em momentos culminantes do processo como em quando da produção da prova oral. Complementam esta disposição legal e o referido princípio. (5) No sistema brasileiro.2 – Princípio da oralidade Pela determinação do art. da honra. salvo disposição em contrário. os incisos LVI (inadmissibilidade de provas obtidas por meios ilícitos).3 – Princípio da prova livre O disposto no art. são hábeis para provar a verdade dos fatos. 336 do Código de Processo Civil. pondo termo aos abusos e rodeios do processo escrito. dizendo que o processo oral influi inclusive na moral processual. 332 do Código de Processo Civil. porém sem excluir a escrita. Desses juízos provisórios será extraído o mais conforme com o que foi . mas lhe basta firmar um juízo de probabilidade que permita afastar as dúvidas razoáveis. vimos que o Juiz não precisa formular uma certeza acerca dos fatos controvertidos. não permitindo a utilização da ilicitude. SIEGMUND HEELMANN. principalmente por causa da disparidade entre as despesas do processo rápido e o proveito eventual oriundo da morosidade processual.

em dúvida. Com isto. um meio de permitir o Juiz o cumprimento de seu dever legal de decidir a lide. o raciocínio judicial está sob avaliação conforme o exposto na sua motivação. isto é. assim. A motivação atende a necessidade das partes de entenderem os motivos pelos quais o Juiz foi levado a concluir desta ou daquela maneira. mas. isto é. . da decisão e formar o refluxo no senso comum do que é e o que não é justo. A motivação permite aos indivíduos avaliar o conteúdo moral. caberá a este formar uma decisão que adote a hipótese mais provável como suporte fático. após a instrução probatória. sempre. e principalmente. Pode ocorrer. isto é. expor o seu raciocínio. econômico. É a partir da motivação que se pode avaliar em termos extrajurídicos se a sociedade concorda com o conteúdo axiológico da decisão. É de se observar que a exigência de motivação é outro dos conceitos cujo reducionismo tem levado a um grave efeito social. impõe-se ao juiz não somente que exponha suas razões para julgar do modo como julgou. ético. determinar porque selecionou racionalmente sua hipótese como a mais provável. entre outros aspectos. Sem essa argumentação não se pode ter como cumprida a exigência constitucional e legal de motivação. caberá a ele motivar racionalmente a sua decisão. A atribuição do ônus da prova se constitui como instrumento de exteriorização de dois valores: o de facilitar a atividade jurisdicional e o da eqüidade. Isso porque a motivação da decisão expõe o raciocínio judicial à validação social. Isto é. se posta como efetivo meio de controle jurisdicional e social. que aponte a coerência de suas conclusões com os dados que foram obtidos no processo. que. Em todo o caso. mas também. em se tratando de sistema processual regido pelo princípio do convencimento racional do juiz. o juiz deverá julgar conforme a desincumbência de cada parte de seu ônus. o juiz deverá motivar sua escolha. É. Determinar o ônus probatório a cada uma das partes assegura ao juiz um modo de decidir quando enfrentando uma dúvida consistente. em última instância deve seguir um procedimento de coerência racional. inclusive. de o juiz não ter condições objetivas de formular sequer uma hipótese que considere razoavelmente provável. É evidente que.209 produzido em termos probatórios. diante do que foi demonstrado pelas partes e pela própria ação instrutória autônoma do Juiz. e nesse caso surge a importância da atribuição do ônus da prova. Como estamos no campo das probabilidades.

para ele. ou em outros termos. assim. o que não ocorre no que tange ao ônus". coerente e justificável de raciocínio que adentra ao campo da argumentação jurídica. mas aos efeitos que a passividade e a inércia resultarão. (8) Com precisão CARNELUTTI estabeleceu a distinção entre ônus e direito de provar. E complementa "o ônus da prova é objetivo. ser convertida em pecúnia. 1. no aspecto de necessidade de provar. o juiz constrói um raciocínio que deve se apresentar correto sob o ponto de vista dos meios de avaliação do pensamento jurídico. Leia-se encargo no sentido de interesse de fornecer a prova destinada à formação da convicção do magistrado. O ônus da prova. 1. valorar a prova.4 – Ônus da Prova: Etimologia da Palavra Ônus deriva do latim ônus. (9) Para PONTES DE MIRANDA. Como partes. um vínculo de vontade imposto pela subordinação de um interesse". há relação entre dois sujeitos. ainda que seja em sociedade. a satisfação é do interesse do sujeito ativo. Ônus probandi tem como tradução o encargo de provar. inclusive quanto a negações. "obrigação é o lado passivo a que corresponde do lado ativo um direito subjetivo. "a diferença entre dever e ônus está em que (a) o dever é em relação a alguém. que "é a circunstância de esta última ter um valor e poder. É a obrigação um interesse subordinado mediante um vínculo. onde. satisfazer é do interesse do próprio onerado". Já o ônus é uma faculdade que a parte tem. significando carga.5 – Distinção entre Ônus e Obrigação É imprescindível a distinção entre ônus e obrigação. ARRUDA ALVIM coloca outra distinção importante entre o ônus e obrigação. peso. ao passo que (b) o ônus é em relação a si mesmo. todos os figurantes hão de prova. tema que passamos a melhor analisar no item seguinte. sujeitos da relação jurídica processual. Uma vez que todos têm de provar não há discriminação subjetiva do ônus da prova. Obtém-se a noção de obrigação invertendo simplesmente a de direito subjetivo. Pode dizer-se que o direito subjetivo é um interesse protegido mediante um poder de vontade ou um poder da vontade concedido para a tutela de um interesse.210 Isso significa que a motivação judicial mais que tudo exige uma forma ordenada. e. regula conseqüência de se não haver . Ao decidir. no que tange aos fatos alegados (7). não subjetivo. assim. onde requer uma conduta de adimplemento ou cumprimento. um dos quais é o que deve. não há relação entre sujeitos. não sujeitando-se à coerção. objetiva. Em regra a obrigação está ligada ao direito material. certo que a omissão do devedor poderá resultar na sua coerção para que cumpra a obrigação.

b) ou o réu. De acordo com esse sistema. Se falta a prova é que se tem de pensar em determinar a quem se carrega a prova. no dizer de ECHANDIA é o poder ou faculdade de executar livremente certos atos ou adotar certa conduta prevista na norma. cada parte tem a faculdade de produzir prova favorável às suas alegações. Em sede de responsabilidade civil. o autor). sempre se levando em consideração as possibilidades que as partes possuem para produzir tais provas.) somente quando o autor trouxe provas idôneas para demonstrar a existência do fato constitutivo de seu direito. pode ocorrer em dois propósitos: a) ou o réu tende. na demanda. a prova da exceção". atual Código de Defesa do . na demanda. mas cuja inobservância acarreta conseqüências desfavoráveis. a estabelecer quais os fatos considerados existentes pelo juiz devem bastar para induzi-lo a acolher a demanda (constitutivos)" (11). isto. o réu" (10). de modo direto ou indireto (e dizem-se motivos) e temos daí a simples prova contrária ou contraprova. e aí temos a verdadeira prova do réu. (12) O princípio distributivo atinente ao ônus da prova tem base legal no Código de Processo Civil. necessidade de esclarecimento para decidir a demanda. ou. da exceção. A questão do ônus da prova reduz-se. Em verdade. tem o réu de diligenciar. afirma e prova a inexistência do fato que lhe elide os efeitos jurídicos. a Lei 8.6 – Inversão do ônus da prova O ônus da prova. somente como já foi dito. a seu turno.078/90. sem sujeição nem coerção e sem que exista outro sujeito que tenha o direito de exigir seu cumprimento. ficando o tema restrito à seara da prova negativa quanto ao fato constitutivo. no caso concreto. o de determinar a quem vão as conseqüências de se não provado. algum fato ou prova que foi apresentado pelo autor ou pelo réu. ou a quem contraafirmou (= negou ou afirmou algo que exclui a validade ou eficácia do ato jurídico afirmado). para seu convencimento.211 produzido prova. portanto. de seu lado. independentemente de quem vai produzi-lo. seja o outro interessado. para benefício e interesse próprios. sem excluir o fato provado pelo autor.. Resulta óbvio que nenhuma das partes será obrigada a (ou terá interesse em) fazer prova contrária às suas alegações. Conclui-se que a inversão do ônus da prova deve ser deferido pelo juiz sempre que houver. Mas. Já GIUSEPPE CHIOVENDA ensina que "(. a provar fatos que provam a inexistência do fato provado pelo autor. o denominado ônus da afirmação.. De modo mais simples. portanto. ao que afirmou a existência do fato jurídico (e foi. a sua prova. incumbe ao Autor a prova da ação e ao réu. 1. O problema da carga ou ônus da prova é. as regras sobre conseqüência da falta dd prova exaurem a teoria do ônus da prova. a favor do demandante adverso.

os quais autorizam o juiz. ordena o processo. se e quanto o julgador estiver em dúvida. convém ressaltar que. logo depois da contestação à ação. Cada parte deverá nortear sua atividade . na decisão saneadora que. de per se não respaldaria uma atitude tão drástica como a inversão do ônus da prova. A hipossuficiência do consumidor. determinar as diligências necessárias à instrução do processo. ao contrário da opinião de alguns doutrinadores. cumpre ao juiz. conforme segue: "Na sistemática do Código. do Código de Processo Civil. 294. É dispensável caso forme sua convicção. nos artigos 117 e 294. todavia. a simples condição de hipossuficiência não autoriza. de ofício. essa modificação. há o despacho saneador. IV). de maneira a prosseguir isento de vícios ou de questões que possam obstar ao conhecimento do mérito da causa.VIII). (1968.6. (14) A inversão do ônus da prova é direito de facilitação da defesa e não pode ser determinada senão após o oferecimento e valoração da prova. por então já ter conhecimento dos fatos alegados na inicial e na defesa. págs. (13) 1. no qual o juiz. no despacho saneador – escreve Pedro Batista Martins – para evitar o cerceamento da defesa daquele a quem os mesmos fatos se opõem. Conhecidos os fatos alegados e havendo-os como verossímeis. Será neste despacho. uma vez considere algum ou alguns fatos provados prima facie. art. por provados prima facie. nada impedindo que o juiz alerte. saneando o processo." O emérito doutrinador complementa: "Tal deliberação se escora não só nos princípios que governam a prova prima facie como também nos que regem o sistema processual brasileiro. tendo-os dada a sua natureza.1 – Momento processual da inversão do ônus da prova O doutrinador Moacyr Amaral Santos assinala qual o momento processual que considera o mais adequado para a aplicação da inversão do ônus da prova. pois a total ausência de evidências do indispensável nexo de causalidade redundaria em esdrúxulas situações. uma vez em dúvida. art. se o fato afirmado é destituído de um mínimo de racionalidade. ANTONIO GIDI a respeito adverte que verossímel a alegação sempre tem que ser. determinando providências de natureza probatória (Código Processo Civil. utilizar-se-á das regras de experiência a favor do consumidor. desde que verificadas a verossimilhança do direito e a condição de hipossuficiência do demandante. 515 e 516)". o momento próprio para decretar a inversão do ônus probatório. 112)". contém dispositivo que permite a inversão do ônus da prova. vale dizer. cit. ´anulando-lhe pela surpresa a possibilidade de produção de prova contrária’.212 Consumidor (artigo 6º. à regra que lhe impõe não sacrificar a defesa dos interessados (Cód. decretar a inversão do ônus probatório. devendo atentar-se que o doutrinador refere-se ao velho Código de 1939. por si só. A respeito. sempre atento.

explicitar quais serão objeto de inversão. mudando a regra até então vigente. a inversão no momento do julgamento. não existia antes da adoção da medida -. Se não agir assim. regras de comportamento dirigidas aos litigantes. Logicamente. a inversão do ônus da prova igualmente pode ser prevista. assegurada a qualquer custo. Por isso. com a incidência das regras de experiência a favor do consumidor. Se lhe foi transferido um ônus – que. do Código de Defesa do Consumidor. (17) A jurisprudência vem entendendo que o momento da inversão do ônus da prova deve ser antes de prolatada a sentença. tendo como relator o Juiz Alvimar de Ávila. ao final.RESPEITO AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA . por força da inversão determinada na sentença.078/90). conforme segue: INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA . 5º. Contudo. decidiram por unanimidade. LV). (18) Também em julgamento da Quarta Câmara Cível do Tribunal de Alçada de Minas Gerais. também. assumirá o risco de sofrer a desvantagem de sua própria inércia. este pode merecer incidência. citando inclusive KAZUO WATANABE é de que "a garantia do devido processo legal deve ser. parece mais justa e condizente com as garantias do devido processo legal a orientação segundo a qual o juiz deva. atentaria contra os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa (CF. A partir do conteúdo da petição inicial – com a exposição de causa de pedir e do pedido – às partes envolvidas no processo é perfeitamente possível avaliar se há a possibilidade de aplicação das normas do Código do Consumidor ao caso concreto. protagonizada por consumidor e fornecedor. não implicando surpresa ou afronta aos citados princípios. Se a pretensão estiver fundada em relação de consumo.º 0301800-0 Apelação Cível de 01/03/2000. caso efetivada". art. expressamente conceituados pelo Código (artigos 2º e 3º da Lei 8. estaria a seu cargo.RELAÇÃO DE CONSUMO OPORTUNIDADE .Inteligência do artigo 6º. com um provimento desfavorável decorrente da inexistência ou da insuficiência da prova que. (16) A posição de LUIZ EDUARDO BOAVENTURA PACÍFICO. prolatada no Acórdão n. conforme jurisprudência a seguir: INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA . ao avaliar a necessidade de provas e deferir a produção daquelas que entenda pertinentes.213 probatória de acordo com o interesse em oferecer as provas que embasam seu direito. não nos parece constituir ofensa aos cânones constitucionais a inversão no momento da decisão. obviamente deve o órgão jurisdicional assegurarlhe a efetiva oportunidade de dele se desimcumbir. VIII. Considerando que as partes não podem ser surpreendidas. sem dúvida. (15) CARLOS ROBERTO BARBOSA MOREIRA argumenta que as normas sobre a repartição do ônus probatório consubstanciam. para ele.

na audiência de conciliação ou em qualquer momento que se fizer necessária.MATÉRIA VENTILADA NAS RAZÕES RECURSAIS IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO PELO TRIBUNAL. Surge daí a questão: invertido o ônus da prova nas lides de consumo. não há qualquer exceção às regras gerais estabelecidas no Código de Processo Civil. 333 do Código de Processo Civil. é que sua aplicação deve submeter-se ao poder discricionário do juiz. .078/90. cujo descumprimento implicará em não ser realizado o ato requerido. levando-se em conta a doutrina e a jurisprudência. após especificação das provas. que trata do ônus subjetivo da prova.2 – Inversão do ônus da prova e despesas processuais Conforme imposição legal do art. desde que assegurados os princípios do contraditório e ampla defesa. Desta forma. sob pena de não poder ser adotada na sentença. 6º. pois. em regra. o que incorreria em cerceio de defesa. de preferência. As normas consumeristas. A aplicação do art.214 AMPLA DEFESA .º 8. 333. resta impossibilitado examinarse em grau de recurso matéria sobre a qual não houve manifestação da primeira instância. cabe às partes. pois a sua finalidade é formar a convicção do julgador. depende de decisão fundamentada do magistrado antes do término da instrução processual. podendo. o magistrado escolherá a o momento para determinar a inversão do ônus da prova. antecipando os pagamentos durante o curso processual. do CPC. pelo simples fato de não se poder identificar o ônus de provar com o ônus financeiro de realização dos atos probatórios. que tratam do ônus financeiro da produção dos atos processuais. A inversão do ônus da prova. Conforme ensinam doutrina e jurisprudência.6. ser decretada no despacho inicial. da Lei n. constituem exceção ao art. podendo advir daí possíveis conseqüências desagradáveis para quem o requereu e não adiantou as despesas. devendo ser decidida. todavia. Podemos classificar essa imposição legal como um verdadeiro ônus processual. suportar as despesas dos atos que realizem ou requerem dentro do processo. sob pena de supressão desta. 19 do Código de Processo Civil (19). e não das normas do art. no momento do saneador. Recurso a que se nega provimento. como exceção à regra geral do art. VIII. determinadas de ofício pelo juiz ou requeridas por ambas as partes? Nestas hipóteses. a quem cabe o ônus de antecipação de despesas nos casos de atos probatórios requeridos pelo consumidor. 19 e seguintes. 1.

19.6. bem como a anormalidade e especificidade da exigência pessoal decorrente da imposição administrativa. à parte incumbe o ônus da prova a respeito da ilicitude do ato. (20) Também não se pode modificar o regime de apuração quando se discuta a responsabilidade do Estado com base em relação protegida pelo Código de Defesa do Consumidor. cabe ao consumidor arcar com os ônus financeiros de atos probatórios por ele requeridos. que o Estado tem presunção de legitimidade. sendo de todo irrelevante qualquer exigência de prova a respeito.3 – Responsabilidade do Estado e o ônus da prova Quanto ao ônus probatório. Incumbe ainda ao demandante provar o dano e sua extensão.060/50.CPC) ou com as despesas de perícia requerida por si ou por ambos os litigantes (art. Mas há julgado em sentido diferente como o que abaixo descreve-se: . É que a culpa. a regra de inversão do ônus da prova a favor do consumidor não implica na revogação do sistema probatório do Código de Processo Civil. não se revela como pressuposto do reconhecimento da responsabilidade do Estado. seja porque esse tenha sido o móvel da demanda. A jurisprudência vem entendendo. também como fatos constitutivos do direito reclamado. na sua grande maioria. dispõe o mesmo da possibilidade de requerer a assistência judiciária prevista em nosso ordenamento pela já mencionada Lei 1. porque. cabendo a quem alegar contra o Estado. Resta todavia. §2o. garantidoras do interesse público.215 Assim. como antes demonstrado. seja porque a natureza do ato não guarde equivalência com o risco da atividade pública. muito menos das regras atinentes ao Estado em juízo. a teoria do risco administrativo não submete o Estado a nenhum tipo de inversão apenas porque a vítima é dispensada da prova de culpa da Administração Pública. provar o que alegou. com as despesas prévias de atos ordenados de ofício pelo juiz ou pelo Ministério Público (art. Caso seja o consumidor economicamente hipossuficiente. ao Autor. 33 CPC). além do nexo de causalidade e do dano verificado. especialmente o nexo de causalidade entre a atuação estatal e o resultado apontado. Em se tratando de atos administrativos a respeito dos quais o reconhecimento da indenizabilidade tenha como pressuposto a culpa indireta da Administração. seja na hipótese de culpa. devendo arcar ainda. seja na de risco. nesse caso. se for o autor da demanda. como nos casos de conduta omissiva e de atos praticados sem caráter administrativo. 1. o ônus da prova quanto ao fato constitutivo de seu direito.

1ª parte. o pedido formulado pelo autor". Juiz Jamil Rosa de Jesus . quanto à existência de fato impeditivo. por exemplo. II – ao réu. II – tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito.01. 333 do Código de Processo Civil. temos a prova da culpa nas ações de ressarcimento dos danos contratuais e extracontratuais. IV .09.. Relatora Juíza Eliana Calmon). expondo-se conseqüentemente à nulidade.Rel. positiva ou negativamente. a fim de que a prova da notificação. pois "o juiz proferirá a sentença.01. 459.AC 95. acolhendo ou rejeitando.PA . seja produzida e os embargos decididos como de direito. desprezou o fundamento do pedido de nulidade da execução. inverteu-se. 333 – O ônus da prova incumbe: I – ao autor.NULIDADE DA SENTENÇA . A distribuição do ônus da prova é casuística.ALEGAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO DO CONTRIBUINTE POR OCASIÃO DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA .. Precedentes deste Tribunal: ausência de notificação alegada pela embargante e não desmentida pela Fazenda. do Código de Processo Civil. . nesse ponto.PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL .Unânime . o ônus da prova. quanto ao fato constitutivo de seu direito. modificativo ou extintivo do direito do autor. ao julgar improcedentes os embargos sem a produção dessa prova.216 TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL . (. 29)(Grifo nosso) 2.afastamento da presunção juris tantum de certeza e liquidez do título executório'' (Apelação Cível 96.11165-2 . É nula a convenção que distribui de maneira diversa o ônus da prova quando: I – recair sobre direito indisponível da parte.I . no todo ou em parte.A sentença. . como segue: Art. Parágrafo único. p.Apelação provida. ficando a Fazenda Nacional com o encargo da prova de ter realizado a notificação. estando sempre em estreita correlação com o que se alega.) Como fato extintivo temos a alegação de prescrição do direito . nos termos do art.DJU 17.1999.3ª T. III . (TRF 1ª R. através da prova .15745-0 /AP.Tendo os embargos se fundamentado na inexistência de notificação do contribuinte por ocasião da lavratura do auto de infração.INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA NO PROCESSO CIVIL O núcleo da regulamentação do ônus da prova está inserido no art.Anulação do processo. II . Como fato constitutivo da pretensão do autor.

que conseqüentemente deve ser provada pelo réu. o réu admite.) Desse modo. Quando uma questão de fato se apresenta como irredutivelmente incerta dentro do processo. passível de discussão e de dúvidas. ou em decidi-la de maneira tal que não exigisse a resolução daquela questão de fato (de que seriam exemplos o julgamento por sorteio e o julgamento salomônico). distinção de figuras afins. Num sistema que admitisse a pesquisa de ofício da veracidade dos fatos. necessariamente decisório (como o duelo e o juramento). para a busca da verdade. (23) As regras sobre o ônus da prova e sua distribuição constituem uma inerência do princípio dispositivo. não teria significação a repartição do ônus da prova.217 do autor. da iniciativa e dos acordos entre elas (25). e. A primeira opção importaria ao juiz de decidir a causa.. b) ou insiste em resolve-la. ou não o provando. sua conceituação. enfim. c) ou. abre-se tecnicamente para o juiz o seguinte leque de alternativas: a) ou ele prescinde de resolver aquela questão de fato. pronunciando o non liquet (que não é admissível no direito moderno). (21) CÂNDIDO RANGEL DINAMARCO nos ensina que "a teoria dos ônus processuais. A segunda opção implica: a) o adiamento do problema através da prolação de uma decisão provisória (no estado do processo). outro lhe opõem. b) ou o uso de um meio mecânico de prova. se o autor alega. desde que especificamente contestados. (26) A intensidade do ônus da prova é problema relacionado com o modo como o . de prova complementar. nem das conseqüências de seu descumprimento. (24) No processo civil inquisitório. se o autor alegar o fato e o réu contestar. dependerão. de sua certeza definitiva. o fato se presume verídico. (22) Para SÉRGIO SAHIONE FADEL. se forem os atos constitutivos produzidos com prova insuficiente. constitui uma das mais lúcidas e preciosas contribuições que se aportaram à sua ciência no século XX. modificativo ou extintivo do direito do autor. o ônus probatório é do réu. se ele mesmo alega e o réu não contesta. o emprego das regras da distribuição do ônus da prova. e prova. admitindo o fato. o juiz mesmo tendo diante de si duas partes. servindo para esclarecer muitos pontos de dúvida e ditar o correto direcionamento e justa medida das conseqüências dos possíveis comportamentos comissivos ou omissivos das partes". não se cogitaria em ônus probandi.. está desvinculado. simplesmente por que ao juiz incumbiria a busca da verdade dos fatos e a cooperação das partes seria pelo menos dispensável e sequer haveria como sanciona-las pela omissão de provar. Onde se tivesse um processo puramente inquisitivo. inserção no sistema do processo. impeditivo. o ônus da prova é do autor. (.

por exemplo. Para SANDRA APARECIDA SÁ DOS SANTOS. contudo. (29) Na colisão de um fato negativo e de um fato positivo. Aqui.1 – Da prova negativa Para analisarmos este aspecto. Objetivamente. pois seria tolhida ao juiz a liberdade na avaliação da prova. é preciso dispor a técnica processual (em sede legislativa ou na prática da jurisdição) de modo a não figurar como impedimento à fruição ou defesa de direitos. uma vez produzida a prova. sendo importante apenas verificar se os fatos relevantes foram cumpridamente provados (princípio da aquisição). O ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do ato.218 processo se insere na vida dos direitos e no modo de ser da vida em sociedade. é possível fazer prova dos chamados fatos negativos. O princípio da liberação do ônus da prova levaria (a) ou a uma direta oposição a textos legais ou (b) à conseqüência absurda de um julgamento sem prova". III). modificativo ou extintivo do direito do autor. a racionalidade dos critérios de julgamentos pela aceitação da probabilidade suficiente em vez da certeza absoluta nem se coloca em termos da tensão entre os princípios que apontam para soluções diferentes. quanto à existência de fato impeditivo. 710. (28) 2. Seja para a pacificação dos conflitos com justiça. (27) Quanto à distribuição do ônus da prova se admitir que as partes convencionem. "O princípio dos poderes instrutórios do juiz prevalece obre a faculdade dispositiva dos contratantes. torna-se irrelevante indagar quem a produziu. 946). quem afirma um fato positivo tem de o provar. com preferência a quem afirma um fato negativo. prova do não-uso. seja para a fidelidade na declaração e atuação da lei. E continua: "Quanto à primeira conclusão. O ônus da prova consiste na necessidade de provar. prova de omissão culposa para a indenização por ato ilícito (art. por 10 anos. basta lembrar que o Código Civil exige. Assim. Quanto segunda absurda conseqüência. o juiz pode determinar a produção da prova (art. não pode ser aceito. 333 do Código de Processo Civil. para possivelmente vencer a causa. o ônus da prova incumbe ao autor. que o ônus da prova é sempre de quem afirma. da servidão. prova de inexistência da dívida para a repetição de indébito (art. segundo o disposto no art. vale dizer. vale dizer. O fato . porque há duas negativas na primeira proposição". é importante ressaltar os ensinamentos de JONATAS MILHOMENS. ver-se-á que não é impossível. para que se considere extinto esse direito real (art. 130 do CPC) ainda que as partes tenham pactuado de maneira diversa". Note-se: não é impossível equivale à é possível. que afirma que "Não é exato afirmar que a negativa não é prova. quanto ao fato constitutivo do seu direito. em que se encontra cada uma das partes. ao réu. 159).

6º . (32) A igualdade formal entre as partes é regra básica do processo civil. etc. segundo as regras ordinárias de experiência.219 negativo pode ser provado através de provas indiretas. JOÃO BATISTA LOPES afirma que "a admissão do princípio dispositivo não significa." (30) 3. Constatando-se a presença de verossimilhança das alegações ou a hipossuficiência do consumidor. à evidência. não sendo este obrigado. O emprego da conjunção alternativa e não da aditiva ‘e’. constante e seu art. ou seja. inclusive com a inversão do ônus da prova. se assim não o fosse. (31) DOS SANTOS "a norma estabelecida no necessária a presença de apenas um dos o legislador. Art. porém. porque. que as partes possam orientar o processo a seu talante. que afirma que "o ato judicial. bastando que ocorra a primeira ou a segunda". VIII. significa que o juiz não haverá de exigir a configuração simultânea de ambas as situações. inc. a seu favor. se às partes se conferem certos poderes de disposição (indicar os meios de prova. for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente. A facilitação de defesa não pode ser entendida como interpretação das regras . quando. Para SANDRA APARECIDA SÁ inciso III do art. ou b) o consumidor é hipossuficiente.. fixar o objeto da demanda. Fica clara e evidente a regra processual.) VIII – a facilitação da defesa de seus direitos. O ÔNUS DA PROVA E O CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR O Código de Proteção e Defesa do Consumidor tem norma expressa a respeito da inversão do ônus da prova.).São direitos básicos do consumidor: (. o juiz deverá inverter o ônus da prova. no processo civil. é requisitos. é necessária a presença de um dos requisitos ali encontrados e não a presença de ambos. teria utilizado a do direito que onde o legislador restringe. 6º. aceitar a convenção das partes. Esse mesmo posicionamento é corroborado por CARLOS ROBERTO BARBOSA MOREIRA. na formação das bases da sentença. 6º é clara. tal se compreende fora da atividade própria do juiz.. É princípio basilar não é permitido ao intérprete ampliar". Dono do processo (dominus processi) é o juiz e. conjunção aditiva ‘e’. indicará a ocorrência de um dentre essas duas situações: a) a alegação do consumidor é verossímil. Para tanto. devidamente motivado. a critério do juiz.

dos modos especiais de controle. fundamentando para tal que os dispositivos sobre o ônus da prova constituem regras de julgamento. ao contrário. nestas incluídas as relativas às perícias e à obtenção de certidões. Importante frisar que o simples fato da inversão não tem o condão de pré-julgamento de mérito desfavorável ao demandado. tem sentido de desconhecimento técnico e informativo do produto e do serviço. estabelece: "Salvo disposições concernentes à justiça gratuita cabe às partes prover as despesas dos atos que realizam ou requerem no processo. entendo que tal preceito "transferiu" a obrigação do Estado de assistir aos necessitados para as empresas. desde o início até a sentença final". reside na circunstância do consumidor ser hipossuficiente.220 processuais em favor do consumidor. cuida-se. para fins da possibilidade da inversão do ônus da prova. despesas processuais. O hipossuficiente tem dificuldade ou impossibilidade na produção da prova. em virtude do reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor. Para FRANCISCO CAVALCANTI. juntamente com o jurista CÂNDIDO RANGEL DINAMARCO. (36) A inversão do ônus da prova poderá ser requerida pela parte. a critério do juiz. No entender de ARRUDA ALVIM. Contra . aquela só pode decorrer de expressa previsão legal. somente de um ônus processual. procurar equilibrar a posição das partes. em seu artigo 19. alega-se que esta não poderia servir de base para a alegação de inversão do ônus da prova. pois este princípio é de direito "material". defendido pelos autores do anteprojeto do Código de Brasileiro de Defesa ao Consumidor. afastaria a hipossuficiência econômica como autorizadora da inversão do ônus da prova. de seu funcionamento vital ou intrínseco. pois a parte poderia pedir assistência judiciária gratuita. das características do vício. Não pode haver "facilitação" por interpretação. atendendo critérios da existência da verossimilhança do alegado pelo consumidor. o que de certa forma. O Código de Processo Civil. etc (34). no tocante à inversão do ônus da prova em função de hipossuficiência do consumidor. é outra norma de natureza processual civil com o fito de. é o da sentença. no que pode ser atendida ou determinada ex officio pelo juiz. O momento da inversão do ônus da prova. com isenção de custas. de suas propriedades. seja porque não é acessível à parte ou estas informações estão em mãos da outra parte. antecipando-lhe o pagamento. Para LUIZ ANTONIO RIZZATTO NUNES ensina que a hipossuficiência. (33) Quanto à segunda hipótese onde é possível a inversão do ônus da prova. dos aspectos que podem ter gerado o acidente de consumo e o dano. uma vez que o diploma afeto ao consumidor é composto de normas de ordem pública. (35) Quanto à insuficiência econômica. Entenda-se por hipossuficiência os aspectos que abrangem o aspecto técnico e o aspecto econômico.

planilhas. a critério do juiz. Para HUMBERTO THEODORO JUNIOR a verossimilhança é juízo de probabilidade extraída de material probatório de feitio indiciário. de distribuição do ônus da prova são de procedimento. O consumidor não está obrigado a comprovar antecipadamente o seu direito. por força de obrigações impostas pelas normas protetoras do consumidor. etc. sendo necessário a presença de pelo menos uma delas. declara. usam-se dois motivos para caracterizar o equívoco: a) ofende. fórmulas.. cálculos. pois este princípio é de direito material. necessariamente. 6º do Código de Defesa do Consumidor em seu inciso VIII. qual seria um direito básico do consumidor: Art. 6º. no processo civil. entre outros. Nos ensina FRANCISCO CAVALCANTI que a igualdade formal entre as partes é regra básica do processo civil. a seu favor. deverá ele proceder no sentido de .) VIII – a facilitação da defesa de seus direitos. 3. b) as regras. Assim. 6º do Código de Defesa do Consumidor. do qual se consegue formar opinião de ser provavelmente verdadeira a versão do consumidor. a finalidade do instituto do ônus da prova é de facilitar a defesa dos direitos do consumidor. E complementa: o fornecedor. inclusive com a inversão do ônus da prova.1 – Aplicação do art. Tudo dependerá do procedimento adotado. (37) Para tanto. cada rito.221 este entendimento. em respeito às características estabelecidas pela lei. (38) Parecendo ao Magistrado presentes os requisitos constantes do inciso VIII do art. são necessários os requisitos normativos da verossimilhança das alegações feitas pelo consumidor e a sua hipossuficiência. aquela só pode decorrer de expressa previsão legal. sobretudo quando se tratar de hipossuficiente. o art. 6º: São direitos básicos do consumidor: (. Não é necessário para tanto que ambas atuem juntas. sendo bem mais fácil a comprovação de fatos referentes a esses bens e serviços pelo fornecedor que pelo consumidor. É forçoso reconhecer que alguns sistemas jurídicos não admitem essa inversão do ônus da prova. informações. acerca de seus produtos e serviços. segundo as regras ordinárias de experiências. isto é. de maneira absoluta. for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente. tem obrigação de manter em seu poder todos os dados.. VIII do Código de Defesa do Consumidor Como já vimos. A facilitação de defesa não pode ser entendida como interpretação das regras processuais a favor do consumidor. Não pode haver facilitação por interpretação. deve ter um tratamento diferenciado. os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. quando.

13. estão submetidos as disposições do código de defesa do consumidor.2002)(Grifo nosso).Rel. e licita a inversão do ônus da prova. por força do contido na Súmula 424 do STF (39) e a jurisprudência a seguir: AGRAVO DE INSTRUMENTO. 1.08. 38 do Código de Defesa do Consumidor O art. 3. Sidney Mora . entretanto.2002)(Grifo nosso). para que se proceda no contexto da facilitação da defesa dos direitos do consumidor e subordinado ao critério de prudente arbitrio do juiz.Rel. 2.(TJDF . Seu silêncio remeterá à preclusão a matéria impedindo novo pronunciamento. SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA MANTIDA.Cível . Embora incidentes as regras do CDC. 38 do Código de Proteção e Defesa do Consumidor trata da inversão do ônus da prova frente à publicidade enganosa. para que possa ser invertido o ônus da prova a seu favor.AC Nº 20020710013023 . quando sua versão é por demais insubsistente. que a aplicação da inversão do ônus da prova no despacho saneador poderá ser objeto de agravo de instrumento por parte do fornecedor. É importante observar. É importante e imprescindível que o Autor prove através de fatos e alegações subsistentes o seu direito. PROVA DO PAGAMENTO INEXISTENTE.2ª C. conforme segue: Art. AUSÊNCIA DE VEROSIMILHANÇA NA VERSÃO AUTORAL.PRESSUPOSTOS PRESENTES . CDC. mantendo-se íntegra a r. Os estabelecimentos bancários como prestadores de serviços. inaplica-se a inversão do ônus da prova em favor do consumidor. REPETIÇÃO DE INDÉBITO.AÇÃO REVISIONAL DE CONTRTO BANCÁRIO. bem como a verossímilhanca de suas alegações. Improvimento do Agravo de Instrumento (TJPR .Julg. incrível e desprovida de qualquer prova a lhe dar algum suporte. 3. Recurso conhecido. o que justifica a improcedência da postulação inicial. Benito Augusto Tiezzi DJU 14.AGRAVO DESPROVIDO. inadmindo-se unicamente a mera assertiva verbal.2 – Aplicação do art. Des. A prova do pagamento se faz consoante previsto nos arts.AC 18947500 .INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA . CONTRATO DE ABERTURA DE CRÉDITO . sentença recorrida. Apenas alegações desprovidas de qualquer prova não são o suficiente para que seja concedido a inversão do ônus da prova em favor do consumidor.Des. Neste sentido o aresto que segue: CIVIL. 939 e seguintes do Código Civil. assim evidênciada a hipossuficiência do agravado em virtude do poderio técnico-econômico do banco agravante.222 inverter o ônus da prova ao fornecedor. 38: O ônus da prova da veracidade e correção da informação ou .2ª T .03. com o seu improvimento.

como no caso da propaganda enganosa. em inversão do princípio previsto no Código de Processo Civil (art.º 8. 333) quanto ao ônus da prova. (40) Participa da mesma opinião FRANCISCO CAVALCANTI que afirma que a previsão resulta. e justifica-se como meio para alcançar a verdade real. SEM NADA COMPROVAR. a inversão do ônus da prova opera-se automaticamente. na hipótese contemplada no art.078/90. deve-se levar em conta que a forma de aplicação do art. (43) o julgado do Tribunal de Justiça do Paraná abaixo transcrito: CIVIL PROCESSO CIVIL. FORNECEDOR QUE APENAS ALEGA.m está o fornecedor obrigado a provar a obrigação contida no art. pelo fato de ser. deverá verificar a verossimilhança das alegações e/ou a hipossuficiência do mesmo. por norma legal cogente. Como nos ensina STEPHAN KLAUS RADLOFF o ônus da veracidade e correção da informação ou comunicação publicitária cabe a quem as patrocina. PROCEDÊNCIA DO PEDIDO INICIAL. dados. (41) O fornecedor de serviços. 6º do CDC. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. referentes ao produto e serviço objeto da comunicação ou da informação publicitária o mais habilitado para comprovar. Portanto. CDC. 38 da Lei n. REVELIA. onde a facilitação da defesa do direito do consumidor com a inversão do ônus da prova depende do exclusivo critério do magistrado que. caberá ao fornecedor a obrigação de comprovar que a informação publicitária de seu produto chegou ao consumidor. know-know. detentor de fórmulas. atende pela teoria do risco onde deverá responder por ato ilícito independentemente da apuração de culpa. na prática. OFERTA EM ANÚNCIO DE JORNAL INTEGRA AS CONDIÇÕES DO CONTRATO. 38. segundo as regras de experiência.223 comunicação publicitária cabe a quem as patrocina. 6º. O Tribunal de Justiça de São Paulo tem julgado no sentido de que ao contrário do previsto no inciso VII do art. 38 do CDC difere daquela ínsita no art. No aspecto processual propriamente dito. tem intenção de auferir lucro. VEROSSIMILHANÇA DAS ALEGAÇÕES. antecipadamente e independentemente de qualquer pronunciamento jurisdicional interlocutório ou definitivo. (42) Esse mesmo raciocínio utiliza-se STEPHAN KLAUS RADLOFF que nos ensina que seria desnecessária a declaração taxativa no despacho saneador de que caberá ao fornecedor o ônus da prova da veracidade e correção da informação ou comunicação publicitária. 1. podendo para tanto distribuir tal responsabilidade. aquele. . DEFEITO DE REPRESENTAÇÃO NÃO SANADO. Nesse mister. sem que haja necessidade de uma fase pré-cognitiva de critério subjetivo por parte do juiz. antes de tudo. pois havendo estabelecimento da lide processual. do mesmo pergaminho legal. sem qualquer vício de origem ou distorção nas características apresentadas.

Pinto Código de Processo Civil Comentado – Volume 2 São . Cândido Rangel Teoria Geral do Processo12ª Edição. FADEL. recurso conhecido e provido.2002)(Grifo nosso). inverte-se o ônus da prova. Sérgio Sahione Código de Processo Civil Comentado. 1977. em seu art. onde prevê que as condições da oferta integram o contrato a ser celebrado. Francisco Comentários ao Código de Proteção e Defesa do Consumidor Belo Horizonte: Del Rey. 1996.e. julgando procedente o pedido inicial. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGUIAR. São Paulo: Malheiros. 1977. .09. GRINOVER. Giuseppe Campinas/SP: Bookseller.. condições de venda de determinado automóvel. 30. tratar-se-á em hipótese de cláusula absolutamente nula. CHIOVENDA. I. está obrigada a vender o bem nas condições do anúncio.DJU 06. por sua própria natureza. para sanar este defeito de representação. Ada Pellegrini.(TJDF .o que passou desapercebido ao juiz sentenciante . declarável de ofício pelo magistrado. não produz qualquer efeito no campo jurídico. Sendo nula. São Paulo: Revista dos Tribunais. Vol. VI do Código de Defesa do Consumidor. constatada a verossimilhança das alegações do consumidor. para reformar a sentença monocrática. sem nada comprovar. Instituições de Direito Processual Civil CINTRA. 1991. empresa fornecedora de produtos e serviços. não o faz. que anuncia. 51. novos e usados. Cândido Rangel A Instrumentalidade do Processo 4ª Edição. aplicando-se-lhe os seus efeitos para que sejam presumidos como verdadeiros os fatos alegados pelo autor em sua inicial. VI do Código de Defesa do Consumidor A inversão do ônus da prova nos moldes estabelecidos no art. DINAMARCO. 1988. 4. 51. FERREIRA.3 – Aplicação do art. CAVALCANTI. limitando-se a alegar. do ramo de compra e venda de automóveis. torna-se revel. nos classificados de jornal. mormente quando a fornecedora não contesta articuladamente os fatos da inicial.ACJ nº 20010111219733 . Des. 1988. Art. Benito Augusto Tiezzi . segundo impõe a lei consumerista. que quem firmou a contestação foi outro advogado e não aquele constituído nos autos .2ª T. A. Rio de Janeiro: Forense. João Carlos Pestana de Comentários ao Código de Processo Civil 2ª Edição. 3. São Paulo: Revista dos Tribunais. 1º a 443 7ª Edição. como se jamais tivesse existido. 2. DINAMARCO.Rel. no grau recursal. 3. Antônio C.224 constatado. intimada a ré.

2002. Stephan Klaus A Inversão do Ônus da Prova no Código de Defesa do Consumidor Rio de Janeiro: Forense. FURASTÉ. Pedro Augusto Normas Técnicas para Trabalhos Científicos 11ª Edição. 15. SILVA. 2002. São Paulo: Saraiva. CHIOVENDA. Apreciação Probatória no Processo Civil. I 3ª Edição. 2001. THEODORO JUNIOR. DA SILVA. 2002. Sandra Aparecida Sá dos A Inversão do Ônus da Prova como Garantia do Devido Processo Legal São Paulo. Anelise Coelho. 1996. SANTOS.. Ovídio Baptista apud NUNES. RADLOFF. 1998. MOREIRA. Juarez de Código de Proteção e Defesa do Consumidor 9ª Edição. NEGRÃO.225 Paulo: Saraiva. 14. 2001. Ovídio Araújo Baptista da Curso de Processo Civil . 4 3 2 1 PONTES DE MIRANDA apud NUNES. Revista dos Tribunais. Instituições de Direito Processual Civil. 2002. pág. OLIVEIRA. Apreciação Probatória no Processo Civil. Apreciação . Porto Alegre/RS: Verbo Jurídico. Porto Alegre: Fabris. José Carlos Barbosa Temas de Direito Processual: Sétima Série São Paulo: Saraiva. I 27ª Edição. 1986. Notas COUTURE apud NUNES. 1999. Jônatas A Prova no Processo Rio de Janeiro: Forense.Vol. Anelise Coelho. s. Rio de Janeiro: Forense. Anelise Coelho Apreciação Probatória no Processo Civil Porto Alegre. 1996. 1996.Vol. Porto Alegre. 109. MILHOMENS. Giuseppe. Porto Alegre/RS: Verbo Jurídico. NUNES. pág. Anelise Coelho. 2001. Theotônio Código de Processo Civil e Legislação Processual em Vigor 33ª Edição. 2001. Verbo Jurídico. n. Humberto Curso de Direito Processual Civil . São Paulo: Saraiva. pág. Campinas/SP: Bookseller.

correta e atual. <http://www1. Vol. Mirna. a. A inversão do ônus da prova: como garantia constitucional do devido processo legal. 2000. 5. SIEGMUND HELLMANN apud NUNES. pág. pág. 16. Francesco. apud FERRAZ. Porto Alegre/RS: Verbo Jurídico.br/doutrina/texto. 2001. p. 15 14 13 12 11 10 9 . CARNELUTTI. Jus Navigandi. 5. <http://www1. Disponível em: <http://www1. 3ª ed. p.. 449. Artigo in Justitia.br/doutrina/texto. (REPETIR NOME DO AUTOR). 2001. n. Mirna. MATOS./jun. 8 7 6 5 ALVIM. Anelise Coelho. Instituições de Direito Processual Civil. Arruda. <http://www1.jus.asp?id=2160>. Jus Navigandi. 1995. Porto Alegre/RS: Verbo Jurídico. a. Luiz Carlos.br/doutrina/texto. Vol V. Manual de Direito Processual Civil. São Paulo. 1954. 18. 2001. 2001.com. O ônus da prova no Código de Defesa do Consumidor. n.com. Tratado de Direito Privado.226 Probatória no Processo Civil. Porto Alegre/RS: Verbo Jurídico. 476. Sandra Aparecida Sá dos. 2002. Hernando Devis apud CIANCI. Prova judiciária no civil e comercial. 66. Teresina. a. Moacyr Amaral. 51. 57 (170). Momento processual da inversão do ônus da prova. Teresina. Hernando Devis apud CIANCI. 17. pág. 51. out. out. Diritto e Processo.asp?id=2159> SANTOS. 2ª Ed. NUNES. 2001. Anelise Coelho. Teresina.com. São Paulo: Max Limonad. n. Jus Navigandi. Luiz Carlos. Apreciação Probatória no Processo Civil. Teresina. SANTOS. 5.jus. III. n. 5. MIRANDA. ECHANDIA. São Paulo: Revista dos Tribunais. 2002. 1968. Momento processual da inversão do ônus da prova.jus. 65. 1929 Apud A inversão do ônus da prova: como garantia constitucional do devido processo legal. A responsabilidade do Estado e o ônus da prova no Código de Defesa do Consumidor sob o enfoque da teoria do risco administrativo. Apreciação Probatória no Processo Civil. 2001. A responsabilidade do Estado e o ônus da prova no Código de Defesa do Consumidor sob o enfoque da teoria do risco administrativo. Pontes de. out. Vol. p. p.asp?id=2159> ECHANDIA. Págs. 51. Jus Navigandi. a. 501 a 521 apud FERRAZ. Cecília. 51. 2001. Padova. out.br/doutrina/texto.com. Rio de Janeiro.jus. São Paulo: Revista dos Tribunais. II.asp?id=2160>. São Paulo: RT. abr.

rev. 4ª edição rev. n. Teoria Geral do Processo. 19. Forense. a. Cândido Rangel. cabe às partes prover as despesas dos atos que realizam ou requerem no processo. p. na execução. 26 25 24 23 22 21 20 19 18 17 16 . 201 FADEL.07. 86 e 87. 1994. 2ª Edição. 1988. CALAMANDREI apud DINAMARCO. 12ª Edição. CINTRA. e bem ainda. 5. PACÍFICO. out. 354. 7ª Edição. § 1º O pagamento de que trata este artigo será feito por ocasião de cada ato processual. e atual. São Paulo: Revista dos Tribunais. A instrumentalidade do processo. AGUIAR. São Paulo: Malheiros. p. Agravo de Instrumento n. Luiz Eduardo Boaventura. João Carlos Pestana de. até a plena satisfação do direito declarado pela sentença. Rio de Janeiro: Ed. U. A responsabilidade do Estado e o ônus da prova no Código de Defesa do Consumidor sob o enfoque da teoria do risco administrativo. 1977. (Tribunal de Justiça de São Paulo.br/doutrina/texto. A instrumentalidade do processo.) Art. São Paulo: Malheiros. e atual. 2000. p. O ônus da prova no Direito Processual Civil.979-4 Itápolis .. p. 248. 4ª edição rev. p. Código de Processo Civil Comentado. cuja realização o juiz determinar de ofício ou a requerimento do Ministério Público. 248. 1994.. antecipando-lhe o pagamento desde o início até a sentença final. GRINOVER.V.10. O ônus da prova no Direito Processual Civil. 2000. 4ª edição rev. Teresina.99 . BUZAID apud DINAMARCO. São Paulo: Revista dos Tribunais. 1994. 121.. Comentários ao Código de Processo Civil. Ada Pellegrini. e atual. São Paulo: Malheiros.Relator: Antonio Carlos Marcato . São Paulo: Revista dos Tribunais.jus. 51. Cândido Rangel.com. São Paulo: Malheiros. Antônio Carlos de Araújo. Jus Navigandi. 1996. e atual. Disponível em: <http://www1. Luiz Eduardo Boaventura. Mirna. Sergio Sahione. 562. A instrumentalidade do processo.asp?id=2159>.227 Apud PACÍFICO. p. Cândido Rangel. 2001. DINAMARCO. CPC: Salvo as disposições concernentes à justiça gratuita. DINAMARCO. CIANCI.6ª Câmara de Direito Privado . § 2º Compete ao autor adiantar as despesas relativas a atos. Cândido Rangel.

São Paulo: Malheiros. para a sentença. Comentários ao Código de Defesa do Consumidor apud SANTOS. Belo Horizonte: 1991. A prova no processo. p. "Dicionário Aurélio Eletrônico – V. p. Comentário ao Código de Proteção e Defesa do Consumidor. 2002. Jonatas. MILHOMENS. p. Comentários ao Código de Proteção e Defesa do Consumidor. CAVALCANTI. p. Francisco. p. 1986. THEODORO JUNIOR. junho: 1996. p. Notas sobre a inversão do ônus da prova em benefício do consumidor. A prova no direito processual civil. DINAMARCO. 39. São Paulo: Revista dos Tribunais. CAVALCANTI. GRINOVER." 39 38 37 36 35 34 33 32 31 30 29 28 27 . 2002. São Paulo: Revista dos Tribunais. Sandra Aparecida Sá dos. Rio de Janeiro: Forense. Francisco. 37. 42. p. explícitas ou implicitamente. A inversão do ônus da prova: como garantia constitucional do devido processo legal. Teoria Geral do Processo. Liv. apud SANTOS.0". A inversão do ônus da prova: como garantia constitucional do devido processo legal. São Paulo: Revista dos Tribunais. 2002. 12ª Edição. 80. 1991. Antônio Carlos de Araújo. 32 apud SANTOS. 1996. 123. Código do Consumidor Comentado. A inversão do ônus da prova: como garantia constitucional do devido processo legal. p.º 86. p. 71. Sandra Aparecida Sá dos. 31-38. Francisco. RePro. Sandra Aparecida Sá dos. 2. 355. Ed. Sandra Aparecida Sá dos. 2002. Direitos do Consumidor. 2002. São Paulo: Revista dos Tribunais. 1991. Ada Pellegrini. Cândido Rangel. Nova Fronteira. 71. 71.228 CINTRA. p. SANTOS. A inversão do ônus da prova: como garantia constitucional do devido processo legal. Belo Horizonte: Livraria Del Rey. Humberto. BARBOSA MOREIRA. Súmula 424 do STF: "Transitada em julgado o despacho saneador de que não houve recurso. CAVALCANTI. n. 75. SANTOS. Carlos Roberto. 2ª Edição. Comentário ao Código de Proteção e Defesa do Consumidor. Del Rey. p. A inversão do ônus da prova: como garantia constitucional do devido processo legal. Sandra Aparecida Sá dos. excluídas as questões deixadas. p. Belo Horizonte: Livraria Del Rey. São Paulo: RT.

Comentários ao Código de Proteção e Defesa do Consumidor. Stephan Klaus. Del Rey. Belo Horizonte: 1991. CAVALCANTI. RADLOFF.461-2. A Inversão do Ônus da Prova no Código de Defesa do Consumidor. 70. Stephan Klaus. 2002. p. 43 42 41 40 Alguns aspectos da dogmática processual para a defesa dos direitos do consumidor Autora: Viviane Mandato Teixeira Ribeiro da Silva . Rio de Janeiro: Forense.04.1995 – Rel. Liv. 90 Tribunal de Justiça de São Paulo – Ap. Cível n. Rio de Janeiro: Forense.229 RADLOFF. Francisco. p. Aldo Magalhães. de 06. 2002. A Inversão do Ônus da Prova no Código de Defesa do Consumidor. 75. p.º 255.

Não havia mais espaço para a produção artesanal. Na comercialização. partindo da necessidade de atender a um mercado cada mais pujante e abrangente em sua feição quantitativa. A perfeita intelecção da linha principiológica norteadora das normas processuais para a tutela de interesses categorizados como direitos metaindividuais demanda considerar alguns aspectos. como. Adveio daí. ante o imenso contingente de utentes. O parceiro comercial transforma-se em um ente. tais peculiaridades.Introdução. um número. no mais das vezes.Da legitimação ad causam. como o da liberdade para fixar o conteúdo contratual. por titulares não-identificáveis. Essa nova forma de produção e comercialização gerou desequilíbrio nas relações jurídicas de consumo. Contudo. como é o de consumo. . Por tal razão. Nesse contexto. 7 . 6 . As relações jurídicas de consumo. 4 . o do regime da responsabilização civil. Impunha-se um sistema mecanizado e seriado para fomentar o consumo em massa. traduzidos na impossibilidade de exercer algum controle sobre a qualidade. com extrema clareza.A adoção do non liquet e do efeito secundum eventum litis. inferiu-se que seria mister criar um arcabouço legislativo a fim de preservar a esfera jurídica dos consumidores.Da imposição de multa coercitiva ex officio.230 Sumário: 1 – Introdução. a difusão e a vulnerabilidade de seus titulares. espécie dessa categoria de interesses. colocando o consumidor numa posição de franca vulnerabilidade e hipossuficiência. por exemplo.Do regime jurídico da coisa julgada para as ações coletivas. Impendia criar instrumentos apropriados. são as que patenteiam. segurança e quantidade dos produtos e serviços disponibilizados pelo fornecedor no mercado de consumo. 8 Bibliografia 1. 3 – Da inversão do onus probandi. pois os cristalizados no Código de Processo Civil evidenciavam-se inoperantes para a tutela eficaz de direitos designados. exsurgiu a necessidade de uma mudança drástica nos meios de produção e comercialização de produtos e serviços. revelou-se inviável o contato personalizado e individualizado entre os agentes da cadeia consumerista.A sentença genérica como regra nas ações coletivas. 2 .5 . analisaremos a sistemática processual considerando-se tais relações. o rompimento com vários dogmas de direito substancial. Com efeito. a reformulação de institutos de direito substancial não se mostrava suficiente. só para citar alguns.

A sistemática sufragada pelo Código de Processo Civil.231 Nessa esteira. Encerra verdadeira fonte normativa processual geral que. e. alguns aspectos da sistemática procedimental introduzida pela Lei 8078/90. a qual. de modo sucinto. é regra na Lei 8078/90. do texto constitucional. por via transversa. reside na feição do Estado social. o regramento da legitimação para agir experimentou uma importante mudança. A primeira. em conjunto com a Lei 7347/85. a lei processual civil admite. alguns institutos processuais foram adaptados para imprimir à tutela jurisdicional a adequação. É a denominada legitimação extraordinária. cujo substrato era o de . nos casos por ela enunciados. de uma só vez e por intermédio de uma só lide. funcionando. A legitimação extraordinária [01]. abordaremos. a qual. 2. segundo a qual. A terceira. idealizada sob a filosofia liberal. todo o grupo do qual o indivíduo integra. em seu artigo 82. a esfera jurídica do indivíduo. Excepcionando essa regra. A opção legislativa em não investir o indivíduo da legitimação ad causam pode ser analisada sob três vertentes. tornou despiciendo legitimá-lo. é a de que o fato de o resultado benéfico da lide coletiva atingir. Da legitimação ad causam A legitimação ad causam é a autorização legal para defender em juízo um direito material lesado ou ameaçado de lesão. subtraindo do indivíduo a possibilidade de defender em juízo interesses titularizados pela coletividade. legitimou entes públicos e privados. Assim. é o de evitar a proliferação de ações individuais com pretensões idênticas. como determina o inciso XXXII. Situação essa que certamente induziria ao desestímulo na busca da tutela jurisdicional. a presteza e a eficácia necessárias para a solução de conflitos em massa. A segunda. No presente trabalho. inobstante a denominação . regulamenta a tutela de todo e qualquer direito metaindividual. e o risco de soluções judiciais antagônicas para o mesmo conflito. que alguém defenda em juízo em nome próprio um interesse alheio. como salvaguarda para a produção sistemática de lesão a direito. é a da legitimação ordinária.não se adstringe apenas às relações jurídicas de consumo.Código de Defesa do Consumidor . do artigo 5º. ao mesmo tempo e do mesmo modo. Na Lei 8078/90. dessarte. solucionar-se-iam conflitos que envolvessem. defender o consumidor. Não mais se prestigia a visão liberal. apenas o titular do direito material lesado ou ameaçado de lesão está autorizado a defendê-lo em juízo. por via oblíqua. exceção no Código de Processo. cujo desiderato é a busca do bem-estar social.

Cappelletti. [02] Se considerarmos as relações de consumo sob o aspecto pecuniário. E este. A partir da Carta de 1988.. o indivíduo tem sua esfera jurídica tutelada contra a prepotência do poder econômico.) são interesses fragmentados ou coletivos (. é melhor defendido em juízo por associações ou órgãos do próprio Estado. evitando-se a perpetuação da lesão.. repise-se. . Pois. detentor de forte poder político e/ou econômico. Diga-se a propósito. pode litigar com causador do dano com igual força política. o legislador infraconstitucional concretizou dois princípios constitucionais: o acesso à justiça e a isonomia...) Essa situação cria barreiras ao acesso". seja para cominar ao fornecedor a sanção cabível. Daí o entrelaçamento da efetividade com o princípio constitucional do acesso à justiça e deste com o da legitimação ad causam. Concretiza-se. encetando estudo acerca da defesa efetiva dos direitos coletivos. que ao legitimar entes coletivos. Sob a ótica do princípio constitucional da isonomia. (. Seja para reprimir condutas nocivas em nível difuso. que a possibilidade de a produção massificada gerar lesão em escala difusa é expressiva. com o Prof. ou o prêmio para qualquer indivíduo buscar essa correção é pequeno demais para induzilo a tentar uma ação. elucida que essa gama de direitos "(.) O problema básico que eles apresentam – a razão de sua natureza difusa – é que. podemos considerar que o fato de o consumidor ser vulnerável e hipossuficiente frente ao fornecedor. sufraga-se a ideologia da preservação do interesse coletivo. o dano pode ser inexpressivo. ainda que incipiente sob o ponto de vista individual.. entretanto não o será numa perspectiva global. concluiremos. legitimar entes públicos e civis para a defesa judicial dos interesses transindividuais. resulta em franca desigualdade no campo processual. segundo o entendimento doutrinário. no mais das vezes. e aproveita.. no mundo empírico. destarte. notadamente para o Ministério Público que. o dano pecuniário de inexpressiva monta funciona como elemento desestimulante para o indivíduo ajuizar qualquer demanda. a tutela jurisdicional obtida por meio do processo coletivo. De fato. dentre as quais.232 atender aos interesses individuais. é que o legislador introduziu tantas inovações no sistema processual. Por meio da ação coletiva. O Prof. Cappelletti. Sob a perspectiva do consumidor individualmente considerado. pelo dever constitucional de defender os interesses da sociedade. a ideologia do Estado social protetor dos mais fracos. Essa situação não se repete para os entes públicos. e reprimindo-se a conduta lesiva do fornecedor. ou ninguém tem direito a corrigir a lesão a um interesse coletivo. como é o caso do Ministério Público. E tal circunstância denota a relevância e a imperiosidade do sistema processual coletivo introduzido pela Lei 8078/90. mas não para os entes privados ou públicos ao defenderem todo o grupo.

a lei 8078/90 erigiu no inciso VIII. deve o julgador inverter os ônus da prova. o consumidor dificilmente obteria qualquer ressarcimento em razão de sua hipossuficiência em obter os elementos necessários para provar o nexo de causalidade. . qual seja. que a pecúnia. porquanto se o consumidor tivesse a desincumbência de fazer prova do nexo causal. Malgrado a adoção do regime objetivo. a inversão do onus probandi [03] como um direito básico. em que o ônus da prova do fato constitutivo do direito cabe ao autor da demanda. não sufragou a tônica civilista. impõe ao inadimplente o dever de arcar com as perdas e danos. por conseguinte. em que é prescindível o exame da conduta do fornecedor para imputar-lhe o dever de reparar o dano. logo só ele tem a possibilidade de produzir a prova necessária a fim de demonstrar se o produto é ou não defeituoso. no mais das vezes. em seu artigo 389. aliás.Da inversão do onus probandi Desdobramento dos princípios constitucionais da isonomia e da dignidade da pessoa humana. por exemplo. do acesso à justiça. do artigo 6º. 4 . Isto porque é o fornecedor quem detém a mais completa informação acerca do produto. carreando-o ao fornecedor. No tema das obrigações. ao tratar do direito material das relações de consumo. como o da isonomia. Se fosse mantida a sistemática preconizada pelo artigo 333. do Código de Processo Civil. inciso VIII. A lei consumerista. não tem o condão de reparar a atividade nociva do fornecedor nem o de atender aos interesses econômicos do consumidor. dentre outros.233 3 . Depreende-se. a Lei Civil em vigor. o reconhecimento da hipossuficiência ou da verossimilhança da alegação do consumidor. a inversão do ônus probatório revela-se prestante. corretamente. e como consectário lógico do reconhecimento da vulnerabilidade e da hipossuficiência do consumidor. certamente sucumbiria. O legislador entendeu. Vislumbramos o aspecto pragmático dessa regra no campo da responsabilidade civil.Da imposição de multa coercitiva ex officio Vários institutos materiais e processuais foram matizados na construção da nova sistemática a fim de conferir efetividade à tutela jurisdicional na defesa dos direitos transindividuais e dar concretude a vários princípios constitucionais. que presente um dos requisitos elencados no artigo 6º.

darse-ia à parte o direito in natura. consagrado no artigo 128 combinado com o 293. de seu artigo 84. o consumidor obtém o objeto da prestação e satisfaz a expectativa gerada por conta do negócio jurídico firmado. Isto porque a multa. consistente em cominar ao devedor recalcitrante uma penalidade pelo descumprimento da obrigação. Seu objetivo é o de constranger. Para essa indagação. consubstanciada no artigo 460 combinado com os artigos 128 e 293. àquilo que fora determinado na sentença. da Lei 8078/90. Para concretizar essa ideologia. e a regra do parágrafo 4º.234 Nesse diapasão e partindo da premissa de que o processo desempenha um papel instrumental para conferir à tutela jurisdicional efetividade. ensejou o questionamento em face do princípio da adstrição. aquém ou diferente do que foi pedido. ou. as quais impõem ao juiz dar interpretação restritiva ao pedido. a Lei 8078/90 preconiza que se deva envidar todos os esforços para realizar concretamente o que fora contratado pelos litigantes. em que o julgador está autorizado a cominar de ofício a multa coercitiva e outras medidas que se fizerem necessárias à execução da obrigação. se o Estado-juiz não pode conceder à parte além. a melhor doutrina sustenta inexistir conflito normativo e esclarece que a imposição da multa coercitiva em nada ofende o princípio da adstrição. ambos do Estatuto Procedimental. dependia de provocação do interessado. se o órgão julgador só pode conhecer ex officio matéria de ordem pública. Sob o prisma da efetividade. tem natureza jurídica de medida de coerção e não de ressarcimento. indaga-se se haveria conflito entre a norma geral. evitando-se remeter à parte inocente o recebimento de indenização. autorizando-o a cominação da multa ex oficio. e. de sorte que não repugna às normas procedimentais outorgar ao Estado-juiz o poder de impor a multa sem provocação do interessado. o de esmaecer a resistência devedor em cumprir espontaneamente o contrato ou o comando emergente da sentença. quando da promulgação da lei consumerista. outorgou ao Estado-juiz maior campo de discricionariedade. todos do Estatuto Procedimental. pois influindo no aspecto anímico do fornecedor. Melhor explicitando. em que tal matéria era dispositiva. forçando o fornecedor cumprir o pactuado. A adoção da astreinte mostra-se consentânea com a realidade social e com o objetivo legal de prevenir a lesão à esfera jurídica do consumidor. do artigo 84. vale dizer. segundo os quais os limites da atuação jurisdicional vêm traçados no pedido formulado pela parte. uma inovação legislativa por romper com o sistema processual tradicional. . Tal prescrição representou. a Lei 8078/90. Desse modo. a Lei 8078/90 incorporou a multa coercitiva. egressa do direito francês denominada astreinte. ao incorporar a multa coercitiva no parágrafo 4º.

Com efeito. em dadas circunstâncias. ao mesmo tempo. forçoso é concluir que a imposição da multa coercitiva é simples reflexo da coadunação da atuação jurisdicional aos reclamos da sociedade moderna. por intermédio do método dialético. como o prefixo grego indica. Nesse diapasão. Entretanto. meio ambiente saudável. em seu artigo 461. em última análise. olvidar os princípios da imparcialidade e da preservação dos direitos fundamentais. concomitantemente. Conferindo ao juiz o poder de fixar a multa coercitiva de ofício. também prevê a multa coercitiva. embora seja eminentemente jurisdicional. pois ao interpretar e dar corpo à vontade abstrata da lei estará. Por derradeiro. mas também para o desempenho da função política. São direitos titularizados. do Código de Processo.235 Neste ponto cabe uma observação.a 8078/90 -. Essa nova categoria de direitos é classificada pela Lei 8078/90 em três . por titulares indetermináveis. sem. 5. o legislador partiu de um enfoque publicista do processo. cabe destacar que o Código de Processo Civil. a função do juiz também resvala para o aspecto político. são direitos que transcendem a esfera individual. matérias de primeira plana para a manutenção do próprio Estado. por grupos. ou. a tutela dos direitos metaindividuais. envolvendo ou não relações jurídicas de consumo. da Lei 8078/90 e não a do artigo 461. São interesses incindíveis por pertencerem. O exercício da função jurisdicional nos tempos modernos exige. fruto da democracia. etc. fazendo valer a vontade popular. é normada pela lei especial . Dessa forma. se é a própria lei quem permite ao julgador abandonar o papel passivo de "boca da lei" para desempenhar um papel mais ativo. Portanto.Adoção do non liquet e o do efeito secundum eventum litis Antes de adentramos à abordagem da possibilidade do non liquet e da extensão subjetiva dos efeitos da coisa julgada com o temperamento do secundum eventum litis albergados pela Lei 8078/90. classes ou categorias de pessoas. não só para melhor análise dos fatos que formarão o convencimento do julgador acerca da verdade. insta trazer à colação a definição dos direitos metaindividuais e de suas espécies para melhor intelecção do tema. evidentemente. como o direito à educação. a aplicação da multa coercitiva deve observar o regramento instituído pelo parágrafo 4º. à saúde. a função jurisdicional de pôr termo à controvérsia não interessa apenas a pacificação dos litigantes. Direitos metaindividuais. a toda coletividade. a participação do julgador na dinâmica processual. do que resulta que a aplicação do Código só tem lugar em caráter subsidiário e naquilo que não contrariar a lei especial. do artigo 84. Representa também a manutenção da paz social e da própria ordem jurídica.

todas as pessoas que aderiram àquele contrato experimentarão idêntica lesão.236 espécies: difusos. vejamos a mudança legislativa no que tange aos efeitos da sentença. mas tratados coletivamente. Se a sentença ser meramente formal. o legislador consumerista introduziu um sistema totalmente diferenciado do vigente no Código de Processo Civil no que tange aos efeitos da sentença. A vinculação com a parte contrária decorre do fato de todos terem sofrido a mesma lesão. define os direitos individuais homogêneos como direitos individuais na essência. Pela dicção da lei. e é por isso que os titulares podem ser identificáveis. vale dizer. porquanto tanto o meio ambiente como a saúde são direito de todos os integrantes da sociedade. São direitos individuais. quando o processo for extinto sem julgamento do mérito. ao mesmo tempo. Ainda. do artigo 81. Cite-se à título de exemplo. não há entre os prejudicados qualquer relação jurídica que os una.que é a possibilidade de o julgador rejeitar a pretensão ante a insuficiência probatória sem que tal sentença produza a coisa julgada material . Com efeito. incisos I a III. Todos os adquirentes daquele produto sofrerão a mesma lesão.e do julgado secundum eventum litis . os titulares são identificáveis por haver uma relação jurídica base preexistente à lesão. O inciso I. Para exemplificar. produtos defeituosos. nada obstante inexistir entre eles qualquer relação jurídica. pelo grupo ou classe de pessoas determináveis. Exemplo notório é o contrato de adesão. nota-se que o traço distintivo entre os direitos difusos e os coletivos consiste no fato de que nos direitos coletivos a relação jurídica foi a deflagradora da lesão. Nesta espécie. do artigo 81. porque é possível identificar cada titular. o inciso III. do direito litigioso e do resultado da lide coletiva. unindo determinado grupo de pessoas entre si ou com a parte causadora do dano. da Lei 8078/90. adotou a possibilidade do non liquet . O inciso II. Finalmente. Visto o conceito e a classificação dos direitos metaindividuais. ao mesmo tempo. conceitua como difuso o direito indivisível por pertencer. do artigo 81. a saúde. a titulares indetermináveis. podemos mencionar o meio ambiente. conceitua como coletivo o direito incindível por ser titularizado. Se houver alguma cláusula nula.é a possibilidade de estender subjetivamente os efeitos da sentença -. anotando-se que a incidência desses regramentos dependem da natureza da sentença. Partindo da premissa de que os interesses e as dimensões dos danos derivativos do consumo não se restringem apenas a consumidores perfeitamente determinados e identificados. toda coletividade sujeita-se aos efeitos prejudiciais. ao tratar da matéria. ou seja. os efeitos são idênticos ao adotado pelo Código de . coletivos e individuais homogêneos. são direitos titularizados por todos e por ninguém em particular. o artigo 103. Quando estes interesses são afetados.

Com efeito. ao revés do que ocorre nas lides difusas e coletivas stricto sensu. que toda a diligência probatória foi realizada e que. aos olhos do juiz. não existiu a lesão ao bem jurídico que se pretendia proteger". Se. apesar disso. porquanto tal julgamento não beneficia os titulares individuais. se não houver prova bastante da lesão. alcançando todos os partícipes da ação. ressalvando-se a possibilidade de ajuizarem suas ações individuais arrimados na mesma causa de pedir veiculada na coletiva que fora julgada improcedente. entretanto. Nesta hipótese. com o temperamento do chamado efeito secundum eventum litis do julgado. impedidos de ajuizarem ações individuais para renovar a mesma pretensão. a sentença que acolher a pretensão produzirá a coisa julgada material e seus efeitos benéficos alcançarão a todos os titulares individualmente considerados. dependendo da natureza do direito litigioso e do resultado da lide coletiva. em razão de terem integrado o pólo ativo da lide coletiva na qualidade de litisconsortes. formar-se-á a coisa julgada material. Em vista do que prescreve a lei 8078/90. Incidirá. Destarte. Idêntico efeito se produzirá se o julgador entender que não houve lesão ao direito individual homogêneo. permanecendo a controvérsia incólume à apreciação judicial.237 Processo Civil. não haverá extensão dos limites subjetivos da coisa julgada. o juiz entender que não houve lesão. ou seja. Isto por serem direitos essencialmente individuais. os efeitos da decisão interditam os legitimados coletivos de ajuizarem nova demanda coletiva. mas não impedem o ajuizamento de lides individuais. Assim. Elucida o prof. Forma-se a coisa julgada formal e seus efeitos ficam adstritos ao processo extinto. o órgão julgador rejeitará a pretensão e a sentença produzirá coisa julgada material. Se a sentença for definitiva. porém. Quer isto significar que os efeitos da coisa julgada material oriunda da sentença que julgou improcedente a ação em razão da ausência de lesão. por corolário. se a natureza do objeto da lide for direito difuso ou coletivo. se o conflito versar sobre direitos individuais homogêneos não será aplicado o non liquet e só incidirá o secundum eventum litis se a lide for acolhida. mas que pela gravidade e repercussão social da lesão foram inseridos na categoria de direitos transindividuais. infere-se que o tratamento . os efeitos da sentença ficam submetidos ao tratamento estabelecido pela Lei 8078/90. ficando. o regramento da extensão subjetiva dos limites da coisa julgada material secundum eventum litis. o que faculta à parte interessada o ajuizamento de nova ação. Todavia. infere-se que o resultado negativo da ação individual homogênea só não prejudicará quem dela não houver participado. cujo objeto seja direito difuso ou coletivo. não alcançarão os titulares individualmente considerados. ainda que não tenham participado do processo. Neste caso. Arruda Alvim [04] que "se ficar claro. quando o processo for extinto com julgamento do mérito. rejeitará o pedido. portanto.

Admite-se a repropositura da ação coletiva e o ajuizamento da ação individual b) Ausência de lesão = Opera coisa julgada material apenas entre os legitimados coletivos. vigorariam os mesmos efeitos produzidos para as hipóteses de formação litisconsorcial ativa facultativa unitária. sinopticamente. Para melhor visualização do que dissemos. Quer nos parecer que a razão de a Lei 8078/90 ter repetido o tratamento trazido pelo Código de Processo reside no fato de o direito controvertido ter natureza individual e. Não há extensão subjetiva. nesse passo. temos: DIREITO DIFUSO: Procedência: Faz coisa julgada material. Admite-se a repropositura da ação coletiva e nada interfere no ajuizamento da ação individual b) Ausência de lesão = Produz coisa julgada material apenas entre os legitimados coletivos. Não há extensão subjetiva. Vale dizer. não produzindo a coisa julgada material. Admite-se a propositura da ação individual Direito INDIVIDUAL HOMOGÊNEO Procedência: Faz coisa julgada material e seus efeitos são extensíveis a todos os titulares individuais (erga omnes) Improcedência: . mas não produz a coisa julgada material. Seus efeitos são extensíveis a todos titulares individuais (erga omnes) Improcedência: a) Por falta de provas = Incide o non liquet. seja pela insuficiência de prova. admitindo-se a propositura da ação individual Direito COLETIVO Procedência: Faz coisa julgada material e seus efeitos são extensíveis aos titulares determináveis do grupo ou classe (ultra partes) Improcedência: a) Por falta de provas = Incide o non liquet. seja pela inexistência de lesão. a sentença proferida produzirá coisa julgada material inter alios.238 dispensado para as ações de direito individual homogêneo é idêntico ao constante do Código de 73.

cujo traço característico é a difusão dos titulares.) No pedido se contém a suscitação de uma provisão jurisdicional (pedido imediato). Não há extensão subjetiva. b) Ausência de lesão = Produz coisa julgada material vedando-se a repropositura da lide coletiva. vedando-se a repropositura da ação coletiva. É oportuno destacar. 6. a mens legis foi o de obter. Faz coisa julgada material. sob pena de viciar a sentença de nulidade e dar azo à rescisória. Nesse sentido. para encerrarmos esse tópico. à lume do que preceitua o inciso V. sobretudo. Já analisamos a legitimação para agir. É o que se pede em juízo. pelo fato de o legislador ter subtraído do titular individual a legitimação para agir. neste tópico. a inversão do ônus da prova. segundo a qual o pedido deve ser certo e determinado. se a sistemática do Código de Processo fosse repetida pela Lei 8078/90 redundaria em flagrante inconstitucionalidade ante a negativa de acesso à justiça. É a dedução da pretensão em juízo (. 485. o tratamento dispensado pela Lei 8078/90 para os efeitos do julgado tinha que diferir da sistemática sufragada pelo Código de Processo Civil.A sentença genérica como regra nas ações coletivas Destacamos que alguns princípios e regras processuais tradicionais foram moldados de modo a garantir a tutela eficaz dos direitos transindividuais.239 a) Por falta de provas = Não incide o non liquet. [05] O pedido de prestação da tutela jurisdicional. do art. Não apenas. Há que se ter presente que ao conferir tratamento coletivo às ações que tenham por objeto o direito individual homogêneo. a flexibilização da regra constante do artigo 286. mas. ante a determinação constitucional de proteger essa nova categoria de direitos.. deve receber interpretação restritiva à luz do princípio albergado no . a solução de um conflito de grave e expressiva repercussão social. Verificaremos. os efeitos da sentença judicial à luz de seu resultado. na tutela de um bem jurídico (pedido mediato)". da Lei de Rito. Pedido "é a expressão da pretensão. que a possibilidade do non liquet impõe ao julgador a necessidade de explicitar que a improcedência se deu em razão da insuficiência probatória. economizando tempo e recursos financeiros. da lei procedimental. Em linhas gerais e pelas especificidades dos direitos metaindividuais. mediante uma única relação processual. Não há extensão subjetiva. por encerrar uma manifestação da vontade.. Só quem não participou da lide coletiva poderá ajuizar a ação individual. Quem não participou da lide coletiva poderá ajuizar ação individual.

por meio das ações coletivas. para viabilizar aos lesados individuais a identificação e a apuração do quantum indenizativo. máxime em razão de a decisão proferida nas ações coletivas tutelar um bem jurídico ainda indivisível. tendo o autor. o direito em conflito pertence a titulares determinados (direito coletivo stricto sensu) ou indetermináveis (direito difuso). entendendo-se por esta locução: delimitado quanto aos direitos e extensão quantitativa. Daí o porquê de a exceção no Código de 73 ser a regra na Lei 8078/90. Nas ações coletivas. Por essa regra. da lei do Rito. De fato. da Lei Procedimental Civil. é excepcionada por seus incisos. é que a sentença deva ser certa quanto ao tipo de provimento jurisdicional pretendido. a sentença deve ser genérica.causador do dano . da Lei 8078/90. Desde o início da lide as partes são perfeitamente identificadas. artigo 459. para a tutela dos direitos coletivos. a condenação se dá pelo prejuízo provocado e não pelo dano experimentado pelos titulares individualmente considerados. Nessa linha. ou seja. ao enunciar hipóteses em que o pedido possa ser genericamente formulado. mas genérica ou ilíquida quanto à extensão quantitativa da pretensão. Vê-se a completa distinção entre a ação coletiva e a que envolve direitos individuais regidos pelo Código de Processo e o porquê de o legislador. E assim é. Ada Pellegrini Grinover [06] assevera que o aspecto teleológico da sistemática processual traçada pela Lei 8078/90 para a tutela dos direitos transindividuais é obter. A regra consubstanciada no artigo 95.240 artigo 293. A profa. Na lide individual. o ônus de demonstrar o dano e o nexo causal. nem conferir ao autor citra. ter rompido com a tradição. ultra ou extra petita. do CPC). em linha de princípio. vale dizer. o juiz fica vinculado àquilo que foi pedido. Não por outra razão. Já no caso das lides metaindividuais. Por essa razão. sob pena de nulidade da sentença (parágrafo único. do Código de Processo. se pensarmos que os legitimados ativos estão defendendo os . de acordo com a extensão do dano individualmente experimentado.e o consumidor lesado. a controvérsia fica adstrita entre o fornecedor . é exigência legal que o pedido deva ser certo e determinado. por absoluta incompatibilidade com os objetivos da Lei 8078/90. não podendo proferir sentença ilíquida quando o pedido for certo. Pensemos na relação jurídica de consumo. o reconhecimento judicial do dever reparatório e da condenação do agente causador do dano ao ressarcimento pelos prejuízos produzidos. admite-se que o autor decline o que quer sem deduzir o quantum quer. não seria possível repetir a regra prescrita no artigo 286. no entanto. A regra constante do caput do artigo 286.

mas ilíquido por não precisar o quantum. e.Do regime jurídico da coisa julgada nas ações coletivas Fizemos remissão às alterações legislativas que influíram nos efeitos emanados da sentença. restaria impossível a indenização dos lesados. recebeu tratamento especial. exceto se a ação for julgada improcedente por deficiência de provas. em segundo. Falar de efeitos da sentença remete à coisa julgada. Há certeza quanto ao dever de reparar o dano. da lição trazida pela doutrina. Pelo teor do dispositivo legal supra colacionado combinado com o artigo 103. Colhemos. porque será na fase liquidatória que será aferida a extensão do dano causado por determinado produto ou serviço. o que faria cair por terra todo o arcabouço da lei 8078/90. 16 . in verbis: "Art. O legislador infraconstitucional. porquanto as regras do Código de Processo se revelaram inaptas para equacionar satisfatoriamente as exigências da nova ordem social. O artigo 16. da Lei 8078/90. que o fato de a condenação ser genérica não significa dizer que a sentença seja incerta. porque os lesados só serão identificados no momento da liquidação de sentença. Em primeiro. A extensão dos limites subjetivos da coisa julgada. da Lei 7347/85 assim dispunha. dentre outras medidas. se fosse aplicada a regra do Código de 73. sofreram tantas inovações. portanto o decisum é certo por definir o direito. fácil é intuir que a sentença não poderia ser especificar o quantum debeatur. hipótese em que qualquer legitimado poderá intentar outra ação com idêntico fundamento. neste tema. tema que nos interessa neste tópico. concebeu a Lei 8078/90 e aperfeiçoou a Lei 7347/85. prescrevendo que a sentença deva ser certa e determinada. Não foi por outra razão que as regras da legitimação para agir.A sentença civil fará coisa julgada erga omnes.241 interesses daqueles que efetivamente experimentaram o dano e que não participam da relação processual. as inovações foram substanciais. 7 . Esses dois diplomas cristalizam normas que destoam da processualística tradicional. observa-se que todos os titulares individuais do interesse coletivo . valendo-se de nova prova". cumprindo o ditame constitucional de elaborar mecanismos instrumentais que garantissem a defesa efetiva dos direitos metaindividuais. Como se nota. ainda.

limitou os efeitos subjetivos da coisa julgada ao determinar que. encampamos a corrente que propugna pela inconstitucionalidade da alteração legislativa. nos limites da competência territorial do órgão prolator. Destarte. as Leis 7347/85 e 8078/90 prescrevem que o titular individual do direito. podendo. daí ter sido criado um mecanismo que garantisse a todos os titulares do direito controvertido os benefícios decorrentes do acolhimento da pretensão. Isto porque as ações coletivas buscam tutelar direitos fundamentais expressamente reconhecidos em nosso ordenamento jurídico. Como se nota. é que a doutrina assevera que os efeitos erga omnes da autoridade da coisa julgada se opera somente em relação ao legitimados ativos para a ação coletiva. inclusive. alterando a redação do artigo 16. hipótese em que qualquer legitimado poderá intentar outra ação com idêntico fundamento. ou. in verbis: "Art. o titular individual nenhum prejuízo jurídico experimentaria. E o fato de a Constituição ter tutelado os direitos metaindividuais quer significar que se tornou inadmissível ao legislador infraconstitucional restringir ou alterar. O fundamento jurídico para que o legislador tenha adotado o efeito secundum eventus litis reside no fato de ter conferido legitimação a quem não seja o titular exclusivo do direito lesado. Disso resultou a implementação de uma série de inovações por meio das Leis 8078/90 e 7347/85. exceto se o pedido for julgado improcedente por insuficiência de provas. porque do conjunto probatório existente nos autos não se demonstrou a lesão. a razão de ser das mudanças introduzidas no sistema . Subsumindo o dispositivo legal supra às disposições constitucionais que determinam a efetiva proteção aos direitos transindividuais. a autoridade da coisa julgada não poderia cingir-se aos litigantes. só sofrerá influência do julgado em sua esfera jurídica se a decisão for benéfica. Caso a sentença rejeite a pretensão por entender que não houve lesão. à natureza dessa categoria de direitos e à posição doutrinária. contudo.A sentença civil fará coisa julgada ‘erga omnes’. por não ter recebido legitimação para agir em juízo. da Lei 7347/85. (grifo nosso). valendo-se de nova prova". A Lei 9494/97. Por tal razão. diferentemente do que sucede perante o Código de Processo. demandar individualmente o agente ofensor para obter a reparação da lesão.242 (lato sensu) seriam alcançados pelo resultado benéfico do julgado. Com efeito. uma vez que a improcedência da demanda em face da inexistência da lesão a direito impedirá tão-somente o ajuizamento de outra lide coletiva. criando-se um sistema legislativo material e processual próprio e adaptado para concretizar a proteção constitucional. Em última análise. 16 . no âmbito dos direitos coletivos a sentença produz efeitos para além dos litigantes. direta ou indiretamente. essa proteção.

As ações que têm objeto idêntico devem ser reunidas. v.g a ação popular. mas a reunião deve observar o limite da competência territorial da jurisdição do magistrado que proferiu a sentença.494/97.243 jurídico prendeu-se à natureza dos direitos e da repercussão social dos conflitos em massa. Hipótese em que se nega a litispendência porque a primeira . Hugo Nigro Mazzilli. logo não pode ficar adstrito à competência jurisdicional do órgão prolator da decisão.LIMITES DA COISA JULGADA. têm conferido à lei interpretação literal. Nesse diapasão. alterando-se a redação do artigo 16. destaca que pelo fato de a restrição ter sido imposta apenas na Lei 7347/85. Não obstante o repúdio doutrinário à alteração do artigo 16. embasando seu entendimento no fato de que os efeitos da decisão estão vinculados aos limites ínsitos ao pedido. Ada Pellegrini Grinover segue a mesma linha quanto à ineficácia da restrição territorial dos efeitos da decisão. de modo que seria mister alterar a ambos. como se verifica das ementas infra colacionadas. qualquer outra ação. por exemplo. relegando a um plano secundário não apenas a linha teleológica do sistema protetivo sufragado pela Lei 8078/90. 3. nos limites da competência territorial do órgão prolator". os tribunais. Ainda. da Lei 7347/85. o direito coletivo stricto sensu tem eficácia ultra partes e não erga omnes. mormente porque é a Lei 8078/90 que cuida do regime da coisa julgada. de modo que as ações que versarem sobre tais direitos estariam fora do alcance da Lei 9494/97. quer nos parecer. ainda que não uniformemente. 2. " PROCESSO CIVIL – AÇÃO CIVIL LITISPENDÊNCIA . A verificação da existência de litispendência enseja indagação antecedente e que diz respeito ao alcance da coisa julgada. como o acesso à justiça. acaba por desnaturar a tutela efetiva do direito coletivo e ferir outros mandamentos constitucionais. da Lei 7347/85. inclusive quando houver uma demanda coletiva e diversas ações individuais.as Leis 8078/90 e 7347/85 -. Conforme os ditames da Lei 9. "a sentença civil fará coisa julgada erga omnes. a isonomia. dentre outros. que busque a tutela a direito coletivo estará fora do alcance restritivo trazido pela Lei 9494/97. A doutrina mais autorizada vem repudiando essa alteração legislativa sustentando sua inoperância. como também as prescrições constitucionais. PÚBLICA – 1. porque as ações coletivas são reguladas por dois subsistemas que atuam em conjunto . que restringir a eficácia da coisa julgada nos moldes traçados pela Lei 9494/97.

São Paulo: RT. 2ª TURMA. ILEGITIMIDADE DAS PARTES EXEQÜENTES. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. Revista do Advogado da AASP. Notas Sobre A Coisa Julgada Coletiva. 642462/PR. ARRUDA ALVIM.288/86). n. Tutela Jurisdicional do Meio Ambiente. São Paulo: . EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO DE COMBUSTÍVEIS (DL 2. A abrangência da ação de execução se restringe a pessoas domiciliadas no Estado do Paraná. e nesse ponto.. 08/03/2005) "PROCESSUAL CIVIL. 2. 2º-A da Lei nº 9. EXECUÇÃO DE SENTENÇA. Celso. 37. Revista de Processo n. 665. APADECO. Impossibilidade de ajuizamento de ação de execução em outros estados da Federação com base na sentença prolatada pelo Juízo Federal do Paraná nos autos da Ação Civil Pública nº 93.947-SC. BASTOS.0013933-9 pleiteando a restituição de valores recolhidos a título de empréstimo compulsório cobrado sobre a aquisição de álcool e gasolina no período de jul/87 a out/88. Recurso especial parcialmente conhecido.494/97. EFICÁCIA DA SENTENÇA DELIMITADA AO ESTADO DO PARANÁ.494/97. 3. VIOLAÇÃO DO ART. José Manuel. na data da propositura da ação.2004) BIBLIOGRAFIA Armelim. abrangerá apenas os substituídos que tenham. em razão de que em seu dispositivo se encontra expressa a delimitação territorial adrede mencionada. j. Donaldo. 1. 2º-A DA LEI Nº 9. desprovido. caso contrário geraria violação ao art. ambos no Estado do Paraná." (REsp n. 88.244 ação está limitada ao Município de Londrina e a segunda ao Município de Cascavel. Manual de Direito Processual Civil." (REsp n. 22ª ed. litteris : "A sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade associativa.12. 1ª TURMA. domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator". Curso de Direito Constitucional. ____________. na defesa dos interesses e direitos dos seus associados. 02. j.

Código Brasileiro de Defesa do Consumidor comentado pelo autores do anteprojeto. Mauro. ____________. SILVA. Comentários ao Código de Defesa do Consumidor. Ovídio Araújo Baptista da. Editora Martins Fontes.. 6ª ed. Nigro Mazzilli. Forense. 3 ed. Silva.. Editora Forense. São Paulo: Saraiva.245 Saraiva. 6ª ed. Caio Mário. Editora Forense. Hans. Vol. José Joaquim. São Paulo: Saraiva. Instituições de Direito Civil. Rizzatto Nunes. Princípios do Processo Civil na Constituição Federal. Cappelletti.. Instituições de Direito Civil. Humberto. 2º Vol.. Moacyr Amaral. I. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor Comentado pelo autores do Anteprojeto. Nelson. Gomes Canotilho. 10ª ed. Editora Malheiros. SANTOS. O Princípio Constitucional da Dignidade da Pessoa Humana... Luiz Antonio. ____________. 13ª ed. 3ª ed. 23ª ed. A defesa dos interesses difusos em juízo. III. 2002. Silva Pereira. 2003. 2001. Sergio Antonio Fabris Editor. Vol II. Coimbra: Almedina. II. Direito Constitucional e Teoria da Constituição. Editora Forense. Curso de Direito Processual Civil. ____________. ____________. Curso de Direito Constitucional Positivo. Acesso à Justiça. São Paulo: Saraiva. Primeiras Linhas de Direito Processual Civil. O problema da Justiça. 2001. 6ª ed. ª .Forense.. Editora Forense. São Paulo: Saraiva. 2000. Forense. Nery Junior. 5ª ed. Editora: Forense. 1991. Editora: Forense. Grinover. Do Processo Cautelar. Ada Pellegrini. Instituições de Direito Civil.. Vol. Hugo. THEODORO JUNIOR. Vol.. José Afonso. Kelsen. São Paulo: RT.

cit. A segunda. . portanto. os interesses do consumidor. o contraditório e ampla defesa desdobramentos do princípio do devido processo legal. Isto porque. Editora: Forense. 2º vol. Acesso à Justiça. propugna pela inversão no momento do julgamento da causa. p. Ada Pellegrini Grinover. sustenta que a inversão deve ocorrer na petição inicial. E a terceira. e que. perfilha o argumento de que o momento da inversão deve ocorrer no saneador ou durante a fase probatória. Primeiras Linhas de Direito Processual Civil. a inversão dar-se-ia quando do sentenciamento. porquanto quem figura como autor da demanda. p..784. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor Comentado pelo autores do Anteprojeto. que a legitimação é extraordinária. 05. Notas Há dissenso doutrinário acerca da natureza da legitimação para a defesa de interesses coletivos. de algum modo. Outra corrente perfilha a tese de que a legitimação não é extraordinária. 06. o que deu azo a três exegeses doutrinárias. Entendemos que a terceira corrente é a mais compatível com o regramento constitucional do direito de defesa e as diretrizes protetivas da lei 8078/90. não é o titular do interesse.p. op.150. A Lei 8078/90 não estabelece o momento processual da inversão. Passim. A primeira. ao mesmo tempo. Kazuo. 31.. a fim de não cercear. Há quem sustente. e. a defesa do réu. O fundamento seria o de que as regras de distribuição do ônus da prova são regras de juízo. Moacyr Amaral dos Santos. porque não dizer.246 Watanabe. mas autônoma para conduzir o processo. pensamos que o julgador deva prevenir as partes sobre a possibilidade da inversão na fase instrutória. 6ª ed. pois os interesses defendidos pertencem. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor (Comentado pelo autores do Anteprojeto). 03 . à coletividade e ao autor da ação. 02. Mauro Cappelletti e Bryan Garth. 04 01 José Manuel de Arruda Alvim.

isto é. II – os direitos e obrigações derivarem do mesmo fundamento de fato ou de direito.1. 1.Pressupostos para a formação do litisconsórcio O litisconsórcio não se forma livremente. São pressupostos estabelecidos pelo artigo 46 do Código de Processo Civil: I – entre elas houver comunhão de direitos e obrigações relativamente à lide. assistência e intervenção de terceiros nas ações coletivas para tutela do consumidor Autora: Gláucia Kohlhase Marques 1. apenas com a vontade das partes.tanto no pólo ativo (autores).247 Litisconsórcio. quanto no pólo passivo (réus). III – entre as causas houver conexão pelo objeto ou pela causa de pedir. IV – ocorrer afinidade de questões por um ponto comum de fato ou de direito. 1. É necessário que haja uma ligação que os una para sua formação válida. Gabriel de Rezende Filho define litisconsórcio como "o laço que prende no processo dois ou mais litigantes. quando houver a cumulação de vários sujeitos . na posição de autores ou de réus" [01].2.Definição Litisconsórcio é a pluralidade de partes litigando no processo.3 Espécies . Litisconsórcio 1.

ação pauliana. em que marido e mulher terão que se litisconsorciar como autores (art. Para isso. Se aquele que poderia ser litisconsórcio facultativo não integrar a relação jurídica inicialmente e deixa para ingressar no processo posteriormente. Alguns exemplos podem ser citados como ações que versem sobre direitos reais imobiliários. 10. por fim. bem como a dos confinantes do imóvel (art. proposta pelo Ministério Público. § 1º. em muitos casos. passivo quando existirem vários réus ou misto quando no processo litigarem vários autores e vários réus. O litisconsórcio será necessário sempre que a lei assim exigir ou. De acordo com o artigo 47 do Código de Processo Civil. ação de usucapião. condicionando-se aos pressupostos elencados no artigo 46 do Código de Processo Civil já mencionados alhures. ações em que marido e mulher deverão ser citados como réus (art. neste caso. ações de divisão de terras. 10. será assistente litisconsorcial. Entretanto. ação de nulidade de casamento. em que todos os condôminos deverão ser citados (art. Entretanto. o litisconsórcio pode ser ativo quando existirem vários autores. CPC). CPC). a maioria dos casos não é expressamente prevista pela lei processual. ação de demarcação promovida por um dos condôminos. em que serão citados ambos os cônjuges. 952. este pode ser necessário ou facultativo. a vontade das partes não é arbitrária. Em todas as hipóteses relacionadas. o direito material deve ser analisado para que se possa identificar a necessidade da formação do litisconsórcio. em que serão citados todos os sócios e. a lei determina a formação do litisconsórcio tendo em vista a relação jurídica material existente. Por outro lado. CPC). Quanto à obrigatoriedade de formação do litisconsórcio. pela natureza da relação jurídica. mas sua formação também é necessária sempre que a comunhão de direitos e obrigações for una e incindível. A lei. o juiz tiver que decidir a lide de modo uniforme para todas as partes. 942. sendo necessário que os demais condôminos sejam citados como litisconsortes (art. II e 949.248 Quanto à pluralidade de partes. ação de dissolução de sociedade. em que serão citadas as partes do contrato. em que o autor deverá pedir a citação dos interessados certos ou incertos. será facultativo quando a existência do litisconsórcio ficar a critério das partes. Alguns exemplos podem ser mencionados como nas ações de partilha. CPC). em que todos os quinhoeiros deverão ser citados. impõe a formação de litisconsórcio. sua formação é obrigatória. 946. O litisconsórcio facultativo pode ser limitado pelo juiz sempre que houver um número excessivo podendo acarretar o comprometimento da rápida solução do litígio . devendo ser formado no momento da propositura da ação. CPC). figura que será examinada mais adiante.

1. A confissão e o reconhecimento são possíveis sem que prejudiquem os demais litisconsortes. Já o litisconsórcio simples se dá quando a lide puder ser decidida de forma diversa para cada litisconsorte. isto é. parágrafo único. a situação jurídica litigiosa deve receber tratamento uniforme. Da mesma forma poderá ser feita a transação e a conciliação. Neste caso. tornando-se revel. a autonomia dos litigantes não é absoluta. em consonância com a regra instada no artigo 191 do Código de Processo Civil. não sendo possível que a decisão da lide seja de forma diferenciada para cada um dos colitigantes. sim. O litisconsórcio será ulterior quando surgir no curso do processo. não constitui caso de litisconsórcio ulterior e. 46 do Código de Processo Civil. o juiz deverá ordenar ao autor que promova a citação de todos os litisconsórcios sob pena de extinção do processo. Assim. deve ser formado no início da relação processual.249 ou dificultar a defesa. do Código de Processo Civil. tiver que ser decidida de maneira uniforme para todos os litisconsortes. podendo praticar todos os atos processuais. não conteste a ação. Neste caso. o litisconsórcio deve sempre ser inicial. conforme determina o artigo 47. basta que um dos litisconsortes conteste para que a revelia não acarrete o efeito . regra esta consubstanciada no parágrafo único do art. os litisconsortes podem constituir procuradores diferentes.O litisconsórcio unitário ocorre sempre que a lide. A única hipótese de litisconsórcio ulterior ocorre no caso de litisconsórcio necessário que não se formou no início da relação processual de forma que. assistência litisconsorcial que será examinada mais adiante. os prazos para contestar. o litisconsórcio pode ser inicial ou ulterior. obrigatoriamente. comporta algumas exceções. Neste caso. Como regra. depois de constituída a relação processual ou pela junção de duas ou mais distintas relações processuais.4. Entretanto. trata-se não só de citação para formação do pólo passivo como também do ativo. Quanto à eficácia da sentença. na posição de réu. Nas demais hipóteses em que aquele que poderia formar litisconsórcio inicialmente não o fez e ingressa posteriormente. sendo os fatos alegados pelo autor comuns a todos. recorrer e falar nos autos serão contados em dobro. cada litisconsorte tem autonomia dentro do processo. Pode ocorrer que um dos litisconsortes. Os atos e omissões não prejudicam os demais litisconsortes. Autonomia dos colitigantes Conforme se depreende do artigo 48 do Código de Processo Civil. Embora a disposição legal não deixe claro. Quanto ao momento de formação. sendo considerado como parte distinta. o litisconsórcio poderá ser unitário ou simples.

De acordo com o que disciplina o artigo 509 do Código de Processo Civil. Hugo Nigro Mazzilli entende que a regra do artigo acima citado é caso de litisconsórcio ulterior. É o que ocorre nos casos de litisconsórcio unitário. mesmo esta redação não se livrou da incorreção de mencionar assistentes litisconsorciais em vez de litisconsortes" [02]. independentemente dos demais. Nesse passo. em decorrência do princípio da comunhão da prova e do artigo 131 do Código de Processo Civil. e isso provocaria a reunião de processos. e então ambos os co-legitimados acabariam sendo tratados como litisconsortes. pois o nosso ordenamento não admite a constituição superveniente de litisconsórcio facultativo. E ainda. O recurso também poderá ser interposto pelo litisconsorte.5 Litisconsórcio nas ações coletivas A legitimação nas ações coletivas. bastaria que o segundo co-legitimado propusesse em separado outra ação civil pública ou coletiva. o recurso interposto por um dos litisconsortes aproveitará aos demais quando os interesses não forem distintos ou opostos. o litisconsórcio será unitário. 319 incide: eles serão reputados verdadeiros pelo juiz. tem que ser entendido como restrito à impugnação de fatos comum a todos os litisconsortes. da Lei da Ação Civil Pública traz a possibilidade de o Poder Público e outras associações legitimadas habilitarem-se como litisconsortes. o art. § 2º. ao tratar do mesmo problema: "Fica facultado aos demais legitimados ativos habilitarem-se como litisconsortes nas ações propostas por qualquer deles". ou comum ao réu atuante e ao revel litisconsorte. com pedido mais abrangente ou conexo. pois a . § 2º. caso se entendesse que inexista possibilidade de litisconsórcio ulterior. 1.853/89. Com relação à eficácia da sentença. 320. menos imperfeita foi a redação dada na Lei n. a sanção do art. Relativamente aos demais fatos. 5º. eliminada a possibilidade de prova contrária do réu quanto aos mesmos". "por absurdo. portanto. formando litisconsórcio inicial no pólo ativo. Mas.250 previsto no artigo 319 do Código de Processo Civil. conforme se depreende do artigo 82 do Código de Defesa do Consumidor. "procurando disciplinar o chamado litisconsórcio ulterior. Segundo ele. é concorrente e disjuntiva. Em decorrência disso os legitimados podem propor a ação coletiva conjuntamente. Neste sentido leciona Calmon de Passos : " O art. A prova produzida por um dos litisconsortes também poderá aproveitar ou prejudicar os demais. Trata-se não de litisconsórcio. 7. I. da LACP admite que "o Poder Público e outras associações legitimadas" se habilitem como litisconsortes em ação já proposta". O artigo 5º. e sim de assistência.

5. O indivíduo lesado. questiona-se se existiria limites com relação à quantidade de indivíduos que queiram ingressar na ação coletiva como assistente litisconsorcial. surgiu a idéia do litisconsórcio entre Ministérios Públicos que acabou se concretizando no artigo 113 do CDC. Face o artigo 5º. Tanto o CDC quanto a LACP não trazem regras processuais específicas quanto ao assunto do litisconsórcio. beneficiando.5. Com o veto ao § 2º do artigo 82 do CDC. surgiu a discussão se teria ou não havido veto ao litisconsórcio inserido no CDC. inciso LXXIII da Constituição Federal. Neste caso. é possível a limitação pelo juiz quando houver excessivo número de litisconsortes podendo acarretar o comprometimento da rápida solução do litígio ou dificultar a defesa. conforme já exposto. Assim. embora não possa ser autor. 1. Para que alguém figure como litisconsórcio é necessário que tenha a legitimidade para ser autor. poderá habilitar-se como assistente litisconsorcial na ação civil pública na defesa de interesses individuais homogêneos. seja de forma isolada ou em litisconsórcio unitário facultativo. Pelo sistema vigente na legislação brasileira. o indivíduo não pode ser autor de ação que tutele interesses transindividuais.2 Litisconsórcio entre Ministérios Públicos Em decorrência de melhor defesa do meio ambiente. após requerer a suspensão. há uma exceção que ocorre no caso de ação popular. a ação popular pode ser proposta pelo cidadão para anular ato ilegal ou ilegítimo lesivo ao patrimônio público. somos pelo entendimento de que se deve fazer a aplicação subsidiária do Código de Processo Civil.251 decisão deverá ser idêntica para todos os litisconsortes. todo o grupo de pessoas lesadas. Isto ocorre para que a prestação jurisdicional seja prestada de uma só vez.1 O indivíduo na posição de litisconsorte A legitimação extraordinária tem como escopo possibilitar que os indivíduos lesados pela violação de seus direitos sejam substituídos no pólo ativo. assim. tendo processo individual em andamento com pedido idêntico ou conexo. tendo em vista que os legitimados para a propositura da ação estão expressamente determinados pela lei. 1. pelos legitimados ativos elencados no artigo 5º da Lei da Ação Civil Pública e do artigo 82 do Código de Defesa do Consumidor. de acordo com a previsão do artigo 94 do Código de Defesa do Consumidor. O seu § 5º incluiu o § 5º ao artigo 5º da LACP. De acordo com o parágrafo único do artigo 46 do referido diploma legal. O entendimento majoritário da . Entretanto. inclusive ao meio ambiente. em um único processo coletivo.

No que se refere à instituição. fez com que. Tecnicamente.252 doutrina é que o veto foi ineficaz. o Ministério Público pode atuar em qualquer das justiças e até em conjunto com outro órgão do Ministério Público quando a defesa dos interesses e direitos difusos e coletivos esteja dentro das atribuições que a lei lhe confere. O Código de Processo Civil italiano conceitua a assistência simples como sendo a intervenção de terceiro no processo entre as partes visando sustentar as razões de uma delas contra a outra. as quais serão examinadas adiante. 2. Ocorre que a própria necessidade de divisão do trabalho que levou à criação de vários órgãos do Ministério Público. O Ministério Público é uma instituição informada pelos princípios da unidade. Esta autonomia é apenas administrativa. falar-se em representação da instituição. A doutrina classifica a assistências em duas espécies: simples. o Ministério Público do Estado de São Paulo tem agido com a indicação da unidade da federação a que pertence. assim. Assim. com atribuição específica de tarefas diferenciadas a cada um deles. indivisibilidade e independência funcional estabelecidos pelo § 1º do artigo 127 da Constituição Federal. Suas regras estão disciplinadas nos artigos 50 a 55 do Código de Processo Civil. prevalecendo a possibilidade do litisconsórcio entre Ministérios Públicos por força do artigo 113 do CDC. o órgão Ministerial é uno. o Ministério Público do Trabalho. mais apropriado seria. Para Kazuo Watanabe " haveria. A doutrina insere a assistência nas modalidades de intervenção de terceiros apesar de o Código de Processo Civil vigente a tratar separadamente. de âmbito nacional. 2. Entretanto. ASSISTÊNCIA A assistência é uma forma de intervenção espontânea que ocorre com o ingresso do terceiro na relação processual já existente. com a menção à área que lhe toca. do Distrito Federal e dos Estados atuem em conjunto.1 Assistência simples ou adesiva A assistência simples tem origem no processo extraordinário romano. certa improbidade técnica em se falar em litisconsórcio entre os vários órgão de uma mesma instituição. as argumentações invocadas para o veto não procedem já que o artigo 128 da Constituição Federal não impede que os Ministérios Públicos da União. seja por razão de matéria. Outra polêmica diz respeito à constitucionalidade do dispositivo em questão. certamente. e assim por diante" [03]. seja por razão territorial. tradicionalmente. esses órgãos atuassem com a indicação do setor que lhe compete. ou adesiva e a litisconsorcial ou autônoma. Assim. .

Mas não poderá praticar atos relativos à disposição de direitos. Segundo Nelson Nery Júnior. exercendo os mesmos poderes. Segundo Liebman. ao intervir no processo. lhe é vedado formular pedido próprio. podendo formular pedido. com a conduta que esta assume no processo" [04]. ex vi artigo 53 do CPC. O assistente não estará vinculado à justiça da decisão se alegar e provar que. ou reconvir. se necessário. quando o assistido haja desistido do recurso ou a ele renunciado. não formula pedido em prol de direito próprio. há interesse jurídico do terceiro "quando a relação jurídica da qual seja titular possa ser reflexamente atingida pela sentença que vier a ser proferida entre assistido e a parte contrária" [05]. Assim. desistir da ação ou transigir sobre direitos controvertidos. intervém no processo. com interesse jurídico em que a sentença seja favorável à parte por ele assistida. Atua com a finalidade de auxiliar o assistido tendo em vista ter interesse em que a sentença seja favorável ao litigante a quem assiste.253 O assistente. defender a posição da parte assistida. Vincula-se aos efeitos da imutabilidade da justiça da decisão. e permanecendo nesse caráter. alterar. ele pode. recorrer. a assistência ocorre quando o terceiro. A última hipótese somente se aplica ao assistente litisconsorcial. isto é. reconhecer pedido ou transigir. contudo. o artigo 55 do CPC traz algumas exceções. o terceiro "não se torna parte. o assistente aturará como gestor de negócios. pois a lide discutida não lhe pertence. o assistente encontra-se subordinado ao assistido que poderá reconhecer a procedência do pedido. A assistência pode se dar a qualquer tempo e graus de jurisdição. sua relação jurídica não é deduzida em juízo e a sentença não pode decidi-la nem conter disposições que lhes sejam diretamente pertinentes (exceto quanto às custas da intervenção). não se converte em litisconsorte. restringir ou ampliar o objeto da causa. reconvir. de modo que se torna sujeito no processo e não parte. conforme dispõe o artigo 50 do Código de Processo Civil. como confessar. Entretanto. recebendo o processo no estado em que se encontra. Entretanto. como terceiro. sempre em benefício do assistido. o assistente não poderá discutir os fundamentos de fato e de direito em que se assentou aquela decisão em outro processo que venha a ser autor ou réu. O assistente age como auxiliar da parte. Como regra. Também estará sujeito aos mesmos ônus processuais. a coisa julgada não atinge o assistente simples. Por outro lado. atuando com maior liberdade no processo. podendo produzir provas e praticar atos processuais desde que sejam benéficos ao assistido. Sendo o assistido revel. mesmo em contradição. pelo estado em que recebera o . impugnar perito aceito pelo assistido ou testemunha por este apresentada etc.

isto é. tendo sido deixado fora da relação processual.3 Assistência nas ações coletivas Caso os demais legitimados queiram participar do processo posteriormente à propositura da ação. fora impedido de produzir provas suscetíveis de influir na sentença ou desconhecia a existência de alegações ou de provas. já que o indivíduo sempre conserva o direito de acionar . na assistência litisconsorcial são extraídos do artigo 54 do CPC dois requisitos necessários para a sua formação: a) relação jurídica entre o interveniente e a parte contrária ao assistido. pois a sentença não influirá necessariamente na relação jurídica entre ele e o adversário do assistido. podendo agir com total independência e autonomia relativamente à parte assistida. atuando como parte distinta deste em suas relações com a parte adversa. Os atos e omissões do assistido não prejudicarão nem beneficiarão o assistente bem como os atos e omissões deste não influirão naquele. Diversamente da assistência simples. compreendido no pedido coletivo. em benefício do qual se move a ação coletiva. por dolo ou culpa. poderão ingressar na qualidade de assistente litisconsorcial tendo em vista que o litisconsórcio inicial é facultativo. faz coisa julgada material.2 Assistência litisconsorcial ou autônoma A assistência litisconsorcial ou autônoma ocorre sempre que o terceiro for titular de uma relação jurídica idêntica ou dependente da deduzida em juízo que será atingida diretamente pela sentença. de que o assistido. É o caso daquele que poderia ter sido litisconsórcio facultativo mas não o foi. poderá ingressar como assistente litisconsorcial na ação coletiva. pois o lesado. nos casos de danos a interesses transindividuais. O particular lesado que tenha processo individual em andamento com pedido idêntico ou conexo. a intervenção do lesado a título de assistência processual não se parece adequar perfeitamente às figuras processuais conhecidas: a) não seria caso de assistência simples. Para Hugo Nigro Mazzilli. Em consonância com o art. ou pelas declarações e atos do assistido. não se valeu. o assistente não se subordina aos atos do assistido. após ter requerido a suspensão. se tem direito próprio a ser zelado. b) não seria a rigor nem mesmo caso de assistência litisconsorcial em sentido estrito. 48 do CPC. Seus poderes são de verdadeiro litisconsorte. 2. b) essa relação ser normada pela sentença.254 processo. não poderia ser terceiro. 2.

o assistente não poderá assumir a ação. recebendo o processo no estado em que se encontra. há divergência na doutrina. esta seria a melhor opção [06]. em ação individual. Entendemos no sentido de que. É o que chamamos de "extensão subjetiva da sentença". tornando-se imutável e fazendo lei entre as partes. pois lhe falta legitimação autônoma. ou seja. assim. Parte dela entende que o lesado poderá ingressar na ação coletiva a qualquer tempo. é possível que os efeitos da sentença recaia indiretamente sobre terceiros. Entretanto. não restando prejudicado pela decisão da ação coletiva. parágrafo único. uma vez não disciplinada a questão no CDC nem na LACP. em caso de desistência ou abandono pelo assistido. . São sujeitos de uma outra relação de direito material que se liga intimamente àquela já constituída. para que possam fazer a defesa de seus direitos. Entretanto. exercendo os mesmos poderes e sujeitando-se aos mesmos ônus processuais. pois o indivíduo na poderia ter participado de um litisconsórcio ativo unitário facultativo para propor ação coletiva. produz coisa julgada. são os que não são partes no processo pendente [07]. 50. Os terceiros que intervêm não são partes na relação processual originária. Dessa forma. É a chamada intervenção de terceiros. Como regra. o direito admite que terceiras pessoas. seria problemático admitir sua intervenção a título de assistência litisconsorcial qualificada. sujeitando-se. Embora o assistente atue como auxiliar da parte. Assim. em razão do interesse que tenham na lide. não pode assumir diretamente a promoção da ação. do CPC. em tese. Outra parte defende o ingresso do assistente até o saneamento para que não cause tumulto processual. o assistente poderá ingressar a qualquer momento. c) também. face o art. Com o objetivo de reduzir os perigos da extensão dos efeitos da sentença a terceiros não participantes da relação processual. tendo em vista a complexidade da relação jurídica. nela intervenham em determinados casos. a sentença atinge aos que foram partes na demanda e não terceiros. INTERVENÇÃO DE TERCEIROS Transitando em julgado a sentença. à sentença proferida. 3. deve-se aplicar as regras processuais contidas no CPC. Com relação ao limite temporal para que o lesado habilite-se como assistente litisconsorcial nas ações coletivas.255 diretamente o causador do dano. São pessoas estranhas à relação processual de direito material deduzida em juízo e estranhas à relação processual já constituída.

que terceiro formula na demanda entre as partes. salvo a assistência e o recurso de terceiro prejudicado por se tratar de um rito mais célere. a nomeação à autoria. Ou. os litígios eram decididos pela assembléia do povo. Em razão desse procedimento é que se dizia que a sentença produzia efeitos em relação a todos que dela participavam e conheciam. São disciplinadas pelo CPC nos artigos 56 a 80. o juízo era universal. no processo germano barbárico. deduzindo pretensão própria excludente. Com esta roupagem a oposição foi adotada pelo direito brasileiro. a conciliação ou transação. a oposição acabou se tornando ação autônoma. Moacyr Amaral Santos conceitua oposição "como a ação intentada por terceiro que se julgar. das dos demais litigante" [08]. senhor do direito ou da coisa disputada entre as partes numa demanda pendente. deveria intervir no processo para exclui-las. Como conseqüência disto. Pela influência do direito canônico. total ou parcialmente. português e alemão. nos Juizados Especiais (Lei n. economia processual e celeridade. a oposição pode ser conceituada como sendo a intervenção de terceiro que pretende. 10. Entretanto. Se terceira pessoa pretendesse a coisa ou o direito sobre a qual litigavam as partes. no todo ou em parte. pois o procedimento adotado orienta-se pelos critérios da oralidade. a denunciação da lide e o chamamento ao processo.1 Conceito A oposição tem origem germânica. face o disposto no art. não se admite a intervenção de terceiros e a assistência. A França e a Itália seguem o modelo germânico primitivo. 9. e não só entre as partes. ou ação. total ou parcialmente. total ou parcialmente.1.256 São modalidades de intervenção de terceiros a oposição. Dessa forma. formulando pretensão excludente. simplicidade. Diversamente do direito romano. informalidade.1 Oposição 3.099/95). a coisa ou o direito sobre que controvertem autor e réu. no qual a intervenção se dá no processo principal. 3. as sanções impostas pelo Código de Processo Civil para os casos em que a parte se omita no dever de provocar a intervenção de terceiro no processo não se aplicam nesta hipótese. Da mesma forma o procedimento comum sumário não autoriza a intervenção de terceiro. O instituto acabou sendo incorporado pelo direito canônico e pelo direito italiano medieval com a denominação de intervenção no processo das partes. em que a sentença produzia efeitos apenas entre as partes. das de ambas. . buscando sempre que possível. em praça pública. o pedido de tutela jurisdicional. ainda.

se o processo principal correr à revelia do réu.257 3. contra o outro prosseguirá o opoente.2 Procedimento O procedimento da oposição encontra-se previsto nos artigos 56 a 61 do CPC. Diversamente. pode ser proposta entre dois termos: desde já iniciada a audiência . sendo ambas julgadas pela mesma sentença. 191 do referido diploma legal. Entretanto.1. correrá em apenso aos autos principais ou em apartado como demanda autônoma. este será citado por edital. Após a audiência de instrução e julgamento da lide pendente. seguindo o procedimento ordinário. Trata-se de uma exceção à regra de que a citação deve ser pessoal [10] [11]. o interessado no objeto da lide entre o autor e o réu. esta será apensada aos autos principais. O limite temporal para o oferecimento da oposição é até a prolação da sentença (juízo de 1º grau) por ser uma questão prejudicial à ação principal. A oposição em processo autônomo será julgada sem prejuízo da causa principal. Serão réus em litisconsórcio necessário autor e o réu da ação principal [09]. deverá ajuizar demanda que entender necessária contra o autor ou o réu. não se esquecendo que a oposição deve ser apreciada antes da principal. Os opostos serão citados na pessoa dos seus respectivos advogados para oferecer contestação no prazo comum de quinze dias. e correrá simultaneamente com a ação. o prazo será contado em dobro. Mas se o juiz entender necessário o sobrestamento do processo principal a fim de julgá-los conjuntamente. Sendo advogados diferentes. 213 a 233 do CPC. nos termos do art. na forma dos arts. poderá fazê-lo por prazo nunca superior a noventa dias para que não retarde demasiadamente a marcha do processo principal. somos pelo entendimento de que a citação deve ser pessoal. Nesta modalidade de intervenção de terceiros forma-se uma outra relação processual. Se a sentença já foi proferida não é mais cabível a oposição. embora o Código de Processo Civil não faça referência à questão. no mesmo juízo da causa principal. Neste caso. Moacyr Amaral Santos entende que "a oposição. a oposição somente poderá ser proposta em ação autônoma. com prazo de quinze dias para contestar. ou ambos. O opoente apresentará a petição inicial observando sempre os requisitos exigidos pelos artigos 282 e 283 do CPC. Se a oposição for oferecida antes da audiência de instrução e julgamento. como demanda autônoma. De acordo com o momento em que ocorrer sua propositura. Se um dos opostos reconhecer o pedido.

ainda nesse caso. for demandado em nome próprio. mas antes do seu trânsito em julgado [13]. É. No mesmo sentido. A sentença que julgar procedente a oposição será declaratória com relação ao autor da ação principal. Duas são as situações em que deverá ocorrer a nomeação à autoria: a) quando aquele que detiver a coisa em nome alheio. b) na ação de indenização. 3. nenhum óbice existe ao seu ajuizamento depois de proferida a sentença de primeiro grau de jurisdição. e possa ser julgada "sem prejuízo da causa principal". Mas. não mais se admite a oposição. ato exclusivo do réu. Transitada em julgado a sentença proferida na ação. Da sentença que julgar a oposição. devendo entregá-la ao opoente ou responder perante ele.2 Procedimento O procedimento da nomeação à autoria encontra-se disciplinado nos arts. ou . ou seja. em grau de recurso. 3.2.2 Nomeação à autoria 3. visando livrar-se de demanda que lhe foi intentada. sujeita às normas que disciplinam o duplo grau de jurisdição" [12] . o recurso oponível será o de apelação. Assim.258 de instrução e julgamento da lide pendente (termo a quo). nos Juizados Especiais e nas demandas sob procedimento sumário [14]. como depois dela e da prolação da sentença. deverá proceder a nomeação à autoria o proprietário ou o possuidor. pois declara não ter ele direito ao objeto da causa. e será condenatória com relação ao réu que possui a coisa.2. Pontes de Miranda entende que a oposição pode ser ajuizada tanto antes da audiência.1 Conceito A nomeação à autoria consiste na correção da legitimação passiva. intentada pelo proprietário ou pelo titular de um direito sobre a coisa. portanto. nos termos do art. isto é. a oposição pode ser proposta mesmo quando a causa entre autor e réu estiver em segunda instância. 62 a 69 do Código de Processo Civil. A oposição não será cabível em processo de execução. substitui-se o réu parte ilegítima para a causa por um réu parte legítima. a oposição deverá ser oferecida e processada em primeira instância. até o momento em que essa lide tiver sido decidida definitivamente (termo ad quem). até o momento em que a sentença nessa lide se torne irrecorrível. toda vez que o responsável pelos prejuízos alegar que praticou o ato por ordem. Se o Código permite expressamente que a oposição tenha curso autônomo. 513 do CPC.

posteriormente. o juiz suspenderá o processo e mandará ouvir o autor no prazo de cinco dias. o processo continuará contra o nomeante. O reconhecimento tácito se dá por presunção. se o juiz não estipular o prazo. 3. Da mesma forma. Neste caso. Aceita a nomeação pelo autor. É neste último sentido que foi usada a palavra autoria. É tanto aquele que propõe ação quanto o antecessor na sucessão da coisa.1 Conceito No direito romano. em relação ao adquirente do direito. ou se compareceu. 185 do CPC. 267. o autor terá duas opções: assumir o risco de continuar litigando com o nomeante.3. O nomeante poderá continuar na relação processual como assistente caso tenha interesse em que a sentença seja favorável ao nomeado. ou se este negar a qualidade que lhe é atribuída. deverá aplicar o prazo de cinco dias. o transmitente do direito (o causam dans. nada alegou. para. . presumir-se-á aceita a nomeação [15]. mas sim um dever. Dessa forma. propor nova demanda contra o terceiro indicado pelo nomeante. havendo recusa do autor com relação ao nomeado. a ele incumbirá a citação. no chamamento à autoria instituído pelo Código de Processo Civil de 1939.259 em cumprimento de instruções de terceiro. § 4º. que se afirma parte ilegítima. A nomeação à autoria não é uma mera faculdade do réu. o nomeante terá novo prazo para contestar [16]. A nomeação deve ser requerida no prazo para a defesa. e uma vez deferido o pedido. O Código nada fala de qual será o prazo para o nomeado falar sobre a nomeação. se nomear pessoa diversa daquela em cujo nome detém a coisa demandada. observando a regra contida no art. Citado o nomeado. a palavra auctor assume várias acepções. A sua inobservância resulta na responsabilidade por perdas e danos. pois estará dando prosseguimento a um processo inútil ao fim visado. Se o nomeado negar a condição. Deixando o autor de se manifestar no prazo que lhe foi conferido. ficará sem efeito a nomeação. este poderá reconhecer a qualidade que lhe é atribuída. Assim. conforme preceitua o art.3 Denunciação da lide 3. o causam habens). correndo a demanda contra ele. se a recusar. expressa ou tacitamente. ou desistir da ação contra o nomeante. acarretando dano ao autor e para a Justiça. tendo em vista que o nomeado não compareceu.

Haverá duas lides que serão processadas simultaneamente. que seja garante do seu direito. a fim de que esta possa exercer o direito que da evicção lhe resulta. sendo citado como denunciado o terceiro contra quem o denunciante terá pretensão indenizatória caso seja sucumbente na ação principal. Quando o titular da eventual pretensão regressiva for o autor. 3. pois se não fizer a denunciação perderá o direito de regresso contra aquele que é o garante do seu direito discutido em juízo. o prejuízo do que perder a demanda [19]. por força de obrigação ou direito. 70. art.2 Procedimento Como já foi dito alhures. 70 os casos em que tem cabimento a denunciação da lide. mas não perde a pretensão de direito material. em ação regressiva. Denunciação da lide é o instituto pelo qual autor ou réu chamam a juízo terceira pessoa. II – ao proprietário ou ao possuidor indireto quando. em casos como o do usufrutuário. utilizando-se do vocábulo latino. denominando o instituto de exception de garantie. O CPC traz em seu art. podendo ajuizar a ação regressiva em processo autônomo.3. acompanhando o direito tradicional português. a fim de resguardá-lo no caso de ser vencido na demanda em que se encontram. regressiva.260 O direito brasileiro. no mesmo processo. a ser chamado de denunciação da lide. cujo domínio foi transferido à parte. Já na hipótese dos incisos II e III. do credor pignoratício. a indenizar. adotou a denominação "chamamento à autoria". citado em nome próprio. pela lei ou pelo contrato. o conceito de denunciação à autoria foi alargada. São os seguintes: I – ao alienante. III – àquele que estiver obrigado. na ação em que terceiro reivindica a coisa. Mais tarde. o réu. julgadas pela mesma sentença [17] [18]. do locatário. passando. Trata-se de ato obrigatório [20] [21] apenas nos casos de evicção e transmissão de direitos. este deve . chiamata in garantia. É uma ação secundária. então. Já o direito francês e o italiano preferiram o vocábulo de origem germânica. a parte que não promover a denunciação da lide perderá apenas as vantagens processuais dela decorrentes. a denunciação da lide pode ser feita tanto pelo autor quanto pelo réu. No direito alemão e austríaco tem como correspondente a litisdenunciação. exerça a posse direita da coisa demandada.

297). Se o denunciado confessar os fatos alegados pelo autor. suspende-se o processo. depois de reiniciado o andamento da ação principal ? Isso não nos parece correto. Citado o denunciado. 241 c/c art. e de trinta para o residente em outra Comarca. Entretanto. não pode argüir fato novo. deixando de contestar o pedido do autor. Ordenada a citação. a qual será feito primeiro. podendo o denunciante prosseguir na defesa. a ação prosseguirá unicamente em relação ao denunciante [22]. A decisão de rejeição liminar da denunciação é decisão interlocutória. podendo aditar a petição inicial no prazo de quinze dias (art. Neste caso. este poderá aceitar e contestar o pedido. sendo o denunciado citado dentro do prazo para a contestação. A denunciação da lide feita pelo réu deve ser oferecida no mesmo prazo para a contestação da ação principal. A revelia do denunciado não desobriga o réu de sua defesa sob pena de perder o direito de regresso. Da mesma forma se dará se o denunciado for revel. poderá o denunciante prosseguir ou não na defesa. como acima explicitado. cumprindo ao denunciante prosseguir na defesa até o final. O prazo e as regras para a citação do denunciado serão as mesmas da denunciação feita pelo autor. a demanda prosseguirá entre autor e réu. poderá o réu e denunciante apresentar contestação. Neste caso. comparecer apenas para negar a qualidade que lhe foi atribuída. sendo. Uma vez citado o denunciado. ficando suspenso o processo. pedindo a citação do denunciado. Questão que surge é se o réu. não há dúvidas quanto a essa possibilidade já que a lei é expressa. Se a citação não ocorrer dentro do prazo estipulado pela lei. . A diligência para a citação do denunciado deve ser feita no prazo de dez dias para o residente na Comarca. Embora haja na doutrina divergência quanto ao aditamento da petição inicial pelo denunciado. Cabe ao denunciado coadjuvar o autor uma vez que tem interesse na procedência da ação. uma vez citado. considerado revel. sendo sua impugnação feita por meio do recurso de agravo. contrariando a defesa do autor [23]. apresenta apenas a denunciação. prosseguindo o processo contra o denunciante e denunciado em litisconsórcio. ou confessar os fatos alegados pelo autor. O denunciado também poderá aceitar a denunciação e assumir a posição de litisconsorte. ou lugar incerto.261 requerer a denunciação juntamente com a petição inicial. e do réu. pois o denunciado precisa conhecer o posicionamento do réu com a inicial para poder apresentar sua defesa [24]. este poderá defender-se da denunciação negando a qualidade que lhe é atribuída.

72 e 73) e "responsabilidade por perdas e danos" (art. observando-se. No mesmo sentido. 73 : " Para os fins do disposto no art. ou seja. assim abreviando o processo e melhor se assegurando o êxito da demanda indenizatória de regresso. Todas essas discussões ocorrem principalmente no temor de que as denunciações sucessivas se eternizem no processo. intimará do litígio o alienante. poderão ser feitas ‘coletivamente’. já prevendo tal situação. realizado em Curitiba. Isto ocorre quando o denunciado tem com relação a outrem a mesma posição jurídica do denunciante perante ele. previstas no artigo 73 do CPC. o efeito da sentença é condenatório.I) [29] [30]. Moniz de Aragão sustenta a possibilidade de denunciação da lide não somente ao alienante mas também de todos os antecessores na cadeia dominial. não haveria possibilidade de considerá-la como título executivo (584. Dessa forma. pois. determina a "intimação" e não a "citação". no caso de insolvência ou ausência de algum dos anteriores proprietários na cadeia dominial" [28]. sucessivamente. As hipóteses de intervenção são excepcionais face o princípio da singularidade da jurisdição e da ação. o denunciado está obrigado a garantir o resultado da demanda. esta assertiva não coaduna com a parte final do artigo que diz "valendo como título executivo". . Entretanto. o disposto no artigo antecedente". 75) [25]. acarretando a perda da ação [26]. em tese apresentada no Ciclo de Estudos de Processo Civil. de modo que a denunciação somente será possível quando. Na verdade. 70). Assim. 70. requeridas ‘em conjunto’ pelo denunciante. Outra parte posiciona-se no sentido de que a interpretação dos dispositivos deve ser restritiva. "responsável pela indenização" (art. o procedimento servirá apenas como forma de cientificar os eventuais denunciados. 76 do CPC. É o que dispõe o art. se assim não fosse. Parte da doutrina tem entendido que a denunciação da lide sucessiva é cabível em todos os casos de ação regressiva. não se tornando réus na ação. por força de lei ou contrato. pondo fim à suspensão preconizada pelo art. esta será declaratória. o proprietário. conforme o art. 70. o denunciado. (em agosto de 1983) : "As denunciações sucessivas. No que tange aos efeitos da sentença que julga a denunciação da lide. por sua vez.262 O Código de Processo Civil também permite a chamada denunciação "sucessiva". posiciona-se Athos Gusmão Carneiro. somente após a última denunciação é que o processo retornará ao seu curso. assim. ou o responsável pela indenização e. Mas o próprio Código. Isto porque constam do próprio texto legal as expressões "obrigação de indenizar em ação regressiva" (art. o possuidor indireto. na mesma oportunidade [27]. quanto aos prazos.

se a sentença fosse tão somente declaratória. 9.4. com as últimas palavras da própria norma em exame: valendo como título executivo. denominada de chamamento à demanda. título executivo judicial para cobrar deles aquilo que pagar" [36].1 Conceito O chamamento ao processo é uma das modalidades de intervenção de terceiro no processo pelo qual o devedor demandado chama os demais coobrigados pela dívida para integrar o mesmo processo daquele que o autor poderia ter trazido como litisconsorte. aliás. dado que o art. reconhecer. possibilitando-lhes. diretamente no processo em que um ou alguns deles forem demandados. A denunciação da lide não é cabível no procedimento sumário bem como nos Juizados Especiais por força da vedação do art. pois o texto legal diz que "é admissível". porque amplia a demanda. resolverem-se.099/95 respectivamente. em um só processo. A denunciação acabaria introduzindo fundamentos novos na relação processual acabando por procrastinar o feito [34]. Arruda Alvim leciona : "Outra observação que cabe fazer é a de que. Tem como finalidade alargar o campo de defesa dos fiadores e dos devedores solidários. 3. em definitivo. Também não é cabível no processo de execução [35]. tendo em vista ser um procedimento mais célere. A palavra declarar no texto foi usada em seu sentido estrito de definir. I. Por outro lado. possibilitando duplo título executivo" [31]. todavia. 10. duas lides conexas. É uma faculdade do réu em fazer o chamamento ao processo do terceiro e não uma obrigação. pareceria que a segunda decisão do juiz seria meramente declaratória. a vantagem do instituto. Aquele que chama terceiro ao processo não tem pretensão a fazer valer em . com força de coisa julgada material. no mesmo processo. A possibilidade de execução é. 280 do CPC e art. chamar o responsável principal.263 Da mesma forma. sem uma maior análise. para permitir a condenação também dos demais devedores. O chamamento ao processo foi trazido ao Código de Processo Civil por influência do Código de Processo Civil de Portugal que possui essa forma de intervenção de terceiros. e quer dizer condenar. o que não é coerente. além de lhe fornecer. não ensejaria execução. Lei n. ou os co-responsáveis ou coobrigados. a virem responder pelas suas respectivas obrigações de modo a "favorecer o devedor que está sendo acionado. 584.4 Chamamento ao processo 3. coloca como título judicial apenas a sentença condenatória. A sentença que julga a denunciação da lide pode ser atacada por meio da apelação [32] [33].

nos termos do art. o afiançado chamado ao processo será abrangido pelos efeitos da decisão. tendo satisfeito o credor. tendo sido demandado apenas um deles. face o art.2 Procedimento O procedimento do chamamento ao processo encontra-se disciplinado nos arts. II – dos outros fiadores. poderá exigi-la do afiançado. facultando ao demandado trazer os demais fiadores ao processo. sendo o caso. 568. serão trazidos ao processo os demais devedores solidários passando a figurar como litisconsortes no pólo passivo. a dívida comum – esta é a hipótese de solidariedade passiva em que o credor esteja exigindo apenas de um dos devedores solidários a dívida comum. O réu deverá requerer o chamamento ao processo na mesma oportunidade da contestação. será condenado da mesma forma que o fiador. decorrente de não pagamento de dívida pelo afiançado. na ação em que o fiador for réu – visa garantir a possibilidade de o fiador utilizar-se do chamado benefício de ordem consubstanciado no art. chamante e chamado. Sendo a sentença procedente. Isto porque. parcial ou totalmente. solidários. poderá valer-se do já referido benefício de ordem. somente poderá ser executado o devedor reconhecido como tal no título executivo. Mesmo que o fiador não tenha benefício de ordem a seu favor.I do CPC. 595 do CPC. quando para a ação for citado apenas um deles – consiste na hipótese de haver vários fiadores garantes da dívida. torna-se litisconsórcio. 3. E. 827 do Código Civil [37]. O fiador chamado ao processo. como responsável pela dívida. até que exausto o patrimônio deste. uma vez citado. poderá chamar ao processo o afiançado. III – de todos os devedores. O chamamento ao processo é admitido nos seguintes casos: I – do devedor. o fiador também será principal devedor e. Confere-se ao fiador o direito de não sofrer execução. quando o credor exigir de um ou de alguns deles. nos termos do art. . isto é.4. 77 a 80 do Código de Processo Civil. Apenas entende que este tem a mesma obrigação de responder perante o autor.264 relação ao chamado. 80 do CPC [38]. Neste caso. Dessa forma. Ambos. ocupam a posição de litisconsórcio facultativo no pólo passivo. instaurado o processo de execução.

o processo será suspenso. O indeferimento do chamamento somente poderá ocorrer se o juiz verificar que o requerimento não se enquadra nas hipóteses elencadas pelo art. Os sujeitos são. O chamamento ao processo é cabível tanto em processo de conhecimento quanto no cautelar. 72 e 74. Já no processo de execução não é possível o réu lançar mão do chamamento ao processo já que inexiste sentença sobre a pretensão executiva. No procedimento sumário (art.º 7. A positivação dos direitos difusos e coletivos. ocorreu com a promulgação da Constituição Federal de 1988. consumando-se com o advento do Código de Defesa do Consumidor. Após a citação do chamado. Os interesses metaindividuias têm sua origem em regras previstas como garantias do tecido social. na proporção que lhes tocar. para exigi-la por inteiro. CPC) e nos Juizados Especiais (art.513/77 e com a Lei da Ação Civil Pública. Os direitos metaindividuais têm a primeira referência na Lei da Ação Popular.º 8. Com a alteração dada pela Lei n.347/85 houve uma sistematização na defesa dos direitos difusos e coletivos ao meio ambiente e ao consumidor. este terá prazo para resposta. Assim. coletivos e individuais homogêneos. A sentença de procedência proferida no processo de conhecimento condenará os devedores e valerá como título executivo.5 Intervenção de terceiros nas ações coletivas As ações coletivas são aquelas destinadas a defesa dos interesses difusos. O perfil histórico do processo civil romano menciona as actiones populares como instrumento de proteção a esses interesses. 10. tornando-se litisconsorte do chamante. 77. ou de cada um dos co-devedores a sua cota. Dessa decisão cabe agravo. 3. Lei n.099/95) não é cabível o chamamento do processo por se tratar de procedimentos mais céleres. Lei n. 280. O termo difuso tem sua origem doutrinária romanística tendo como titular cada um dos integrantes da comunidade. em geral. indeterminados. quanto à citação e aos prazos [39]. A construção doutrinária em torno da noção conceitual é recente em nossa legislação pátria. do devedor principal. para que o fiador se utilize do benefício de ordem é necessário que tenha requerido o chamamento ao processo do afiançado no processo de conhecimento. em favor daquele que satisfizer a dívida. observando as regras contidas nos arts.265 Deferido o pedido do devedor e ordenada a citação. Lei n.º 6. 9. chamados de direitos fundamentais de terceira geração. ainda que .078/90.

Daí se conclui que em lides de consumo as figuras de intervenção de terceiros serão possíveis desde que não traga dificuldades na defesa e procrastinação no feito. Desse modo. Com esses princípios em mente é que o legislador trouxe a vedação da .266 determináveis. e o seu objeto e a forma de tutela possuem uma mutabilidade no tempo e espaço como característica. entre outros. A relação jurídica que nasce da lesão é individualizada na pessoa de cada prejudicado. 103. sempre à luz da vulnerabilidade do consumidor. Não há entre eles relação jurídica base. A efetiva identificação se dá no momento em que o prejudicado exerce o seu direito. Neste aspecto é que os institutos processuais devem ser analisados. A tutela jurisdicional dos interesses difusos deve ser feita em benefício de todos os consumidores atingidos. O Código de Defesa do Consumidor deixou de tratar muitas questões processuais. coletivos e individuais homogêneos. sendo suficiente uma única demanda. mas determináveis. cuja sentença fará coisa julgada erga omnes face o disposto no art. parágrafo único e seus incisos. que acabou por deixar o consumidor em situação de vulnerabilidade e hipossuficiência. ligados entre si. seja por meio de habilitação por ocasião da liquidação da sentença na demanda coletiva. buscando o equilíbrio processual entre as partes. buscando a facilitação e a rápida entrega da prestação jurisdicional. É caracterizado pela sua origem comum podendo ser defendidos coletivamente. ampla defesa. em noção tripartite dos interesses metaindividuais. Seu objeto também é indivisível. acarretando ofensa diferente na esfera jurídica de cada um de modo a permitir a identificação das pessoas atingidas. o Código de Defesa do Consumidor trouxe uma sistemática peculiar. São coletivos quando os titulares são indeterminados. I do CDC. o legislador se deparou com a necessidade de criar regras de proteção para que os princípios constitucionais de igualdade. há necessidade de se fazer uma interpretação sistemática entre o CDC. Essa relação jurídica é diversa daquela que se origina da lesão. A ligação entre os titulares se dá por circunstâncias de fato e o objeto é indivisível. seja através de demanda individual. Não é necessário que exista entre as pessoas uma relação jurídica base anterior. Foi a Lei n. 81. ou com a parte contrária. por relação jurídica base preexistente à lesão ou ameaça de lesão.078/90 que trouxe o conceito. Assim. Os individuais homogêneos são aqueles direitos individuais cujo titular é identificável e o objeto é divisível. consubstanciado no art. o CPC e a LACP.º 8. de forma que. São difusos os direitos cujos titulares são indetermináveis. em decorrência do desequilíbrio das forças econômicas e negocias nas relações de consumo. fossem garantidos. Dividem-se em interesses difusos.

2. 328. cap. v. 04 05 06 07 Libman. trad. tendo em vista que o segurador foi chamado como responsável em face do consumidor. 80 do CPC. Neste sentido. todavia. Notas 01 02 03 Rezende Filho. a sentença condenará o réu nos termos do art. Hugo Nigro Mazzilli. em seguida ao pagamento da indenização. 763. 79 do CPC. 101. 256. Nestes casos deve ser proposta ação autônoma para a discussão da questão. Código de Processo Civil Comentado. Nota às Instituições de Chiovenda. XXIX. em caso de procedência da ação. Kazuo Watanabe. A defesa dos interesses difusos em juízo. 226. port. Neste caso. ed è negativa: terzo di um . do Código. P. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor Comentado pelos Autores do Anteprojeto. parágrafo único. 13. 88 do CDC. Curso de Direito Processual. não ficará prejudicado o comerciante. P. propor ação autônoma de regresso nos mesmos autos da ação originária" [40]. Esse chamamento deverá ocorrer no prazo para contestação. O art. Com isso. 78 do CPC. v.267 denunciação da lide no art. para evitar que a tutela jurídica processual dos consumidores pudesse ser retardada e também porque. GIOVANNI NENCIO NI (L´intervento voluntário litisconsorziale nel processo civile) refere que " única è la definizione di terzo. por via de regra. não há violação aos princípios básicos do microssistema do CDC já que o chamamento da segurado só amplia as garantias para o consumidor [41]. o juiz poderá julgá-la não só contra o réu. 1. Por se tratar de ação condenatória em que se discute dolo e culpa acaba por afrontar o direito do consumidor de ser indenizado em face da responsabilidade objetiva. II do CDC traz expressamente a possibilidade do chamamento ao processo da seguradora quando existir relação de seguro. A defesa dos interesses difusos em juízo. Hugo Nigro Mazzilli. face o art. Kzauo Watanabe entende que "a denunciação da lide. Outra questão polêmica é quanto ao cabimento do chamamento ao processo em sede de lide de consumo. p. Uma vez julgada procedente a demanda. entretanto. face o disposto no art. foi vedada para o direito de regresso de que trata o art. Nelson Nery Júnior. como também contra o seu segurador. Nesta hipótese. que poderá. a dedução dessa lide incidental será feita com a invocação de uma causa de pedir distinta. p.

p. neste caso.08. v. Des. 49. 57 do CPC manda citar os advogados dos opostos para apresentação de defesa. p. devendo os nomeados serem citados para manifestar-se sobre o pedido.. v.u. rel.099/95. não pode ser feita mediante simples publicação na imprensa oficial. " A citação. RP. mas no Código de Processo Civil vigente. 10 e CPC. AC 83. Min. v. Pluralidade de partes e intervenção de terceiros. Primeiras Linhas de Direito Processual Civil.. rel. mas obedecerá ao disposto nos arts. ed. 27.433-MS. "A oposição não pode ter objeto mais amplo que a coisa ou o direito controvertidos entre autor e réu.96.268 giudizio è colui Che non è parte". AC. Rev. REsp 104. DJU 9. Do TJPA. isto é. 1974. ". Revista dos Tribunais.São Paulo: Saraiva. V. 74. de 7. embora na pessoa dos advogados. 549/75. Rel.96. 213 e 233" (RJTJSP. 2. 15. "Ante o silêncio do autor sobre o pedido de nomeação à autoria feito pelo réu.. Turim. 2. tem o réu 15 dias para responder à ação" (TRPR – Apel. DJU 29. RT 486/160).II. Sálvio de Figueiredo.12. 3.u. 14 15 13 12 11 10 Lei 9. 12. 34:50). deve o interessado propor ação autônoma" (TRF . art. presume-se aceita aquela. GOMES DA CRUZ. Comentários ao Código de Processo Civil. Moacyr Amaral Santos.2ª Turma. Do TJPA. 08 09 Moacyr Amaral Santos. podendo. ac. deram provimento. 1953). para a eventualidade da sucumbência do denunciante" (BARBOSA 18 17 16 . art.10. mas é perfeitamente válida a citação feita na pessoa dos referidos interessados" (1ª Câm. "O prazo começa a correr novamente. Assim também SÉRGIO COSTA: " Il concetto di terzo può essei determinato solo per esclusione: è terzo chi non è parte" (L’ intervento in causa.295). v.598. Min.206-SP. 107:247 e 115:168).285). além de impugnar a nomeação propriamente dita.06. Belém. 95 (nº 2) e 100 (nº 1).77. 18. v. do TRF n. Lídia Dias Fernandes. Sidney Sanches alude que a expressão "denunciação à lide" dá a idéia de simples notícia de existência do litígio. 280. Primeiras linhas do direito processual civil. Costa Lima. 1991. Pontes de Miranda. p. 15:137).85.. da Jur.11. consubstancia uma ação incidental com pretensão de garantia e/ou indenização. "apud" Em. "O art. j.se converte na verdadeira propositura de uma ação de regresso antecipada. 1997. em 1. do denunciante em face do denunciado (Denunciação da lide.75. discutir sobre possível ilegitimidade passiva ‘ad causam’" (STJ – 4ª Turma.

o denunciado argüir a intempestividade como motivo para exonerar-se da responsabilidade de garantia ou do direito regressivo do denunciante. Por isso sendo ultrapassado. Mas não pode o denunciado. Líber Juris. nem teria interesse algum nisso. V. Se. 72 deve ser interpretado em harmonia com o respectivo caput. em acrescentar o denunciado. onde se estipula a suspensão do processo. p.367-SP. em prejuízo das partes do processo principal. ou em trazer mais elementos e argumentos de fato ou de direito à petição inicial. por exemplo. por via de regresso. "Em face de preceito expresso de lei. a denunciação da lide é obrigatória a todo aquele que estiver forçado pela lei ou por cláusula contratual a indenizar. Sálvio de Figueiredo. rel.321-PR – STJ – 1ª Turma.06. I. in casu. Curso de Direito Processual Civil. ou cumular pedidos outros. para evitar seu prejuízo de ficar com o processo suspenso indefinidamente. O § 2º. cap. Não poderá. Estudos sobre o novo Código de Processo Civil. ed. do CPC) e na afronta ao princípio da economia processual" (REsp 196.761). Min. REsp 43. Rio de Janeiro.96. "A denunciação da lide. 87-8). porém. e não do terceiro denunciado" (THEODORO JÚNIOR. 70. somente nos casos de evicção e transmissão de direitos (garantia própria) é que a denunciação da lide se faz obrigatória" (STJ – 4ª Turma. somente deve ser admitida quando o denunciante logre comprovar de plano. serão de qualquer modo produzidas. a denunciação. uma nova causa petendi. sem a consumação da diligência. v. 87). não haverá motivo para negarlhe efeito. os casos de denunciação obrigatória. DJU 24. não haja necessidade de dilação probatória pertinente exclusiva e especificamente à denunciação" (Max Guerra Kopper. uma vez que o eventual direito regressivo do autor contra o denunciado exercer-se-á nos 23 22 21 20 19 . já agora como "litisconsorte" do autor. Da denunciação da lide. em outras palavras. Humberto. Demócrito Reinaldo. 23. "Pode consistir. quando. rel. "Segundo entendimento doutrinário predominante. porque não é o dominus litis. p.269 MOREIRA. o seu direito de regresso ou quando tal comprovação dependa unicamente da realização de provas que. do art. mas ainda com o processo paralisado. p. Ed. "Esse prazo é estipulado em favor da parte contrária à que requereu. ou quiçá em expungi-la de irregularidades que poderiam torná-la inepta. 1974. poderá logo pedir a retomada do curso do processo. documentalmente. Rio de Janeiro: Editora Forense. 61). III.04.99. DJU 26. a citação for realizada além do prazo. alterar substancialmente o próprio pedido formulado pelo denunciante.Tornar facultativa a denunciação da lide importa no descumprimento explícito da lei (art. 22. p. Del Rey. Min. insista-se. por exemplo.02.99. ressalvados. 1997). j. por força da própria necessidade instrutória do feito principal. 21. o prejuízo do que perder a demanda.

1979. Athos Gusmão Carneiro. t. 87). 92. antes da sentença. litisdenunciado é agravável de instrumento. Barbosa Moreira. 1978. inciso I. Moniz Aragão. porque o processo continua" (RT574/150). com redação da Lei 9. 76). ante o disposto no art. cit. p. "A sentença que julga procedente a denunciação da lide vale como título executivo (CPC. "O art. 1996). Estudos sobre o novo Código de Processo Civil. Athos Gusmão. "Decisão que exclui. artigo cit. ed. São Paulo: Saraiva. 1. ed. certamente pautado em preocupação maior com a concentração de atos 34 33 32 31 30 29 28 27 26 25 24 . Ajuris. p. 121. o aparelhamento deste independe do andamento da execução da sentença proferida na ação principal. 7. 8. podendo o denunciado à lide ser obrigado a cumprir sua obrigação. 1996.245/95. 08/02/00). 280. Todavia. Justitia 94/13.270 limites da sucumbência. Intervenção de Terceiros. Sobre chamamento à autoria. n. do Código de Processo Civil" (Intervenção de Terceiros. Ao limitar-se ao pedido de intervenção do terceiro. Manual de Direito Processual Civil. Na opinião de Athos Gusmão Carneiro " O denunciado. I. ed. Intervenção de Terceiros. Min. 2. Denunciação da Lide no Processo Civil Brasileiro. Sidney Sanches. 25:22. Ari Pargendler. Vicente Greco Filho. na ação principal (pois nesta torna-se litisconsorte passivo). o réu implicitamente aceitou os fatos postos na inicial e permitiu a preclusão de seu direito de contestar. necessita conhecer a posição de denunciante relativamente aos fatos e pretensões apresentados na petição inicial. art. para habilitar-se à sua própria defesa. 1984. "Pode ser rescindida a sentença que deixa de julgar a lide secundária objeto da denunciação" (RT 724/408). do Código de Processo Civil. 8.. p. se o denunciado vier a contestar não só a ação regressiva. rel. como também o pedido formulado. 85/86. p. I.v. então não se produzirá o efeito da revelia. São Paulo: Saraiva. "A expressão "valendo como título executivo" evidencia o conteúdo condenatório da sentença que julga procedente a denunciação da lide" ( RSTJ 85/197). antes que o réu o faça" (STJ – 3ª Turma. 320. Artigo publicado na Revista do Instituto dos Advogados do Paraná. 2001. Arruda Alvim.761-DF-AgRg. São Paulo: Revista dos Tribunais. que não pode ultrapassar o pedido" (CARNEIRO. Ag 247..

1º A citação do alienante. sitos no mesmo município. P.922 – Rel. 7. até a contestação da lide. procedendo-se em seguida à citação do réu". 38 39 37 36 35 "Não se admite chamamento ao processo em execução" (JTA 103/354). que sejam primeiro executados os bens do devedor. I. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor Comentado pelos Autores do Anteprojeto. t. ficará suspenso o processo. 827 – O fiador demandado pelo pagamento da dívida tem o direito a exigir. deve nomear bens do devedor. dentro de trinta (30) dias. RT 504/173. ou em lugar incerto. 2º Não se procedendo à citação no prazo marcado. ed. do proprietário. ed. p. 72. do possuidor indireto ou do responsável pela indenização far-se-á: a) quando residir na mesma comarca.. "Art. Como no sistema do Código de Processo Civil. pela literalidade de seu texto. 782/783. com o advento deste dispositivo restou. livres e desembargados. dispõe que "não será admissível ação declaratória incidental. a ação prosseguirá unicamente em relação ao denunciante.. Ordenada a citação. a que se refere este artigo. 521/197 e 562/112. Feita a denunciação pelo autor. " Art. O fiador que alegar o benefício de ordem. b) quando residir em outra comarca. reflexamente. quantos bastem para solver a dívida". p. 41 40 . 1. Parágrafo único. Comentários ao Código de Processo Civil. certamente dará ensejo a profundas controvérsias" (Arruda Alvim. "Vedação da denunciação da lide. vedada a denunciação da lide no procedimento sumário. Arruda Alvim. 197). assumirá a posição de litisconsorte do denunciante e poderá aditar a petição inicial. Celso Barbi. O sistema do CDC veda a utilização da denunciação da lide e do chamamento ao processo. cit. v. II. n. 74. ambas ações condenatórias. dentro de dez (10) dias. a denunciação é forma de intervenção de terceiro (o Capítulo VI em que o instituto está inserido tem esta denunciação). O tema. o denunciado. 359. 1º TACSP – 3ª Câm – Ap. comparecendo. nem a intervenção de terceiro. 262. com a economia processual. entretanto. Art. 434.271 processuais e. salvo assistência e recurso de terceiro prejudicado".

isto é. ún.. a conduta do fornecedor ou de terceiro (dolo ou culpa). . Seria injusto discutir-se. 1402). sem que se discuta dolo ou culpa" (Código de Processo Civil Comentado. Embora esteja mencionada como vedada apenas a denunciação da lide na hipótese do CDC 13 par. na verdade o sistema do CDC não admite a denunciação da lide na s ações versando lides de consumo. que é elemento de responsabilidade subjetiva.272 porque o direito de indenização do consumidor é fundado na responsabilidade objetiva. em detrimento do consumidor que tem o direito de ser ressarcido em face da responsabilidade objetiva do fornecedor. p. por denunciação da lide ou chamamento ao processo.

273 A competência nas ações coletivas do CDC Autores: Renato Franco de Almeida Paulo Calmon Nogueira da Gama Aline Bayerl Coelho SUMÁRIO: 1. Ação Civil Pública e Ação Coletiva – 3. . Introdução – 2.

347/85 – que instituiu a Ação Civil Pública – e 8. em razão. mormente após o advento da Medida Provisória nº 2. possui semelhanças com aquela tratada pela Lei nº 7. III do CDC.180. há bem pouco tempo. . como se tentará demonstrar na seqüência. da natureza dos novos interesses/direitos perseguidos no bojo da relação jurídica processual. foram editadas algumas leis. 1. portanto. na maioria das vezes. do Tít.274 Competência na Ação Civil Pública – 4. que.347/85. II. Neste sentido. que previram a defesa de alguns direitos coletivos lato sensu. Conclusão – 9. acertada da jurisprudência na defesa de interesses que. obviamente. além dos aspectos materiais. é fecunda a doutrina pátria. Bibliografia. bem como a resposta firme e. seja da jurisprudência. Competência na Ação Coletiva – 5. fez-se mister o surgimento de novas formas de proteção. Atualmente. Não obstante a inegável importância que esses diplomas legais possuem hoje no cenário jurídico nacional – como verdadeiras concretizações do Estado Democrático de Direito no aspecto processual – muita celeuma foi criada durante os anos das respectivas aplicações. o presente trabalho tem por escopo precípuo a análise da competência instituída para as chamadas ações coletivas para a defesa de interesses individuais homogêneos. a competência para apreciação e julgamento das demandas propostas pelo rito processual instituído no Cap. a nosso sentir e apesar da dicção legal. Dentre as muitas divergências que ainda causam os textos legislativos mencionados. INTRODUÇÃO A defesa dos interesses/direitos transindividuais ou metaindividuais (1). Para tanto. de seu turno. ganhou foros de cidadania. com a chegada – verdadeira necessidade – do Estado Democrático de Direito. mormente no tocante ao redimensionamento de velhos institutos processuais que tiveram que ser readaptados à nova realidade das demandas coletivas.078/90 – que instituiu o Código de Defesa do Consumidor – que. Com a aparição de novos interesses/direitos. Porém. sendo incumbência da Ciência Processual adequar os institutos do Direito processual clássico – inspirado ainda em princípios e institutos surgidos no século XVIII – para a defesa desses direitos coletivos. é de se colocar em evidência a aparição das Leis nº 7. era impensável no Direito brasileiro. seja da doutrina. ao longo dos anos. deu maior desenvolvimento à defesa dos interesses coletivos em sentido amplo. entendemos. merece melhor reflexão.

Por outro lado. Ao contrário do que ocorre na Lei de Ação Civil Pública (LACP) – art. Mesmo que perfunctoriamente. ao passo que a ACP. também.275 2. somente por este ponto. cabalmente. Tem-se. 21 LACP. pois. diferenças intrínsecas entre uma e outra. com o procedimento previsto no Cap. à defesa dos interesses individuais homogêneos. à de qualquer interesse difuso. é cediço que os procedimentos são criados ante a necessidade de concretização dos direitos materiais. 117 do CDC). 91 e 95 CDC). 91 usque 100) que prevê as ações coletivas para a defesa de interesses individuais homogêneos. antes do Código consumerista. porém e ainda. Ademais. a denominação dada às ações é reminiscência do período imanentista da teoria do processo. por corolário. no momento em que aquela serve como instrumento à satisfação não só de condenação à determinada quantia. as ações sob comento – civil pública e coletiva – possuem particularidades que as distinguem. III do CDC (arts. 3º – a ação coletiva prevista no CDC tem por objeto imediato do pedido tão-somente a condenação do Réu – única providência jurisdicional admitida nesta seara – ao pagamento de quantia – objeto mediato – que deverá ser apurada em seu quantum no respectivo processo de liquidação (arts. à condenação referente a obrigações de fazer ou não fazer. processo é meio de realização material da função jurisdicional do Estado. ensejará diverso tratamento interpretativo. (2) Não obstante o acerto da afirmação. parece ser entendimento sedimentado doutrinariamente o fato de que a Ação Coletiva somente poderá servir de instrumento à defesa de interesses consumeristas. coletivo ou individual homogêneo. posteriormente alterado pelo art. a Ação Civil Pública tornou-se instrumento eficaz. o que. Consoante melhor doutrina. II do Tít. É o que ocorre. (3) . o que. consistia clara impossibilidade jurídica da demanda (cf. a nosso aviso. daí a aparição de diversos ritos processuais especiais que instrumentalizam a efetivação dos direitos de fundo. AÇÃO CIVIL PÚBLICA E AÇÃO COLETIVA Sem embargo da ocorrência de semelhança no que toca à competência. segundo o qual para cada direito existe uma ação específica (legis actiones). no particular. afinal. que o âmbito de abrangência da primeira (ACP) é maior que o da segunda. vislumbram-se. que dão ensejo a tratamento diverso. somente após o advento do Código de Defesa do Consumidor. art.

(7) . sobrepujam os meramente individuais. 2º da LACP. traduzir-se-á em ponto de aproximação. que os objetivos da norma jurídica. diferenças ontológicas entre as ações em cotejo. surgentes da conduta delitiva. a nosso ver. absoluta. de indivíduo para indivíduo (p. cujo juízo terá competência funcional. danos emergentes e lucros cessantes). de interesses que não dizem respeito ao indivíduo. mas como membro de uma sociedade. são claros: a prevalência da importância da res iudicium deducta sobre as partes em lide. as diferenças sumariamente comentadas ensejam. ou sua substituição ou a respectiva indenização).276 "A condenação em ação civil pública ou coletiva por lesão ao consumidor só poderá ter como objeto o dano global e diretamente considerado (p. o que. o dano decorrente da aquisição em si do produto defeituoso ou impróprio para os fins a que se destina. Ocorre o primeiro em razão de se cogitar. 3. Já em seu parágrafo único – introduzido pela MP 2. nos processos coletivos. qual seja.. para o conhecimento e julgamento da demanda.180 – dispõe a lei que a propositura da ação prevenirá a jurisdição (rectius: competência) do juízo para as demais demandas que sejam idênticas. visto que o Juiz estará mais perto – e por conseqüência terá maior facilidade na sua captação e entendimento – dos indícios oriundos da probabilidade da ocorrência do dano e dos vestígios deixados pelo dano efetivamente causado. a facilidade na colheita de provas. as Ações Civis Públicas serão proposta no foro onde ocorrer ou deva ocorrer o dano. assim. Temos. como ser atomizado (6). a facilitação na colheita de provas. portanto. cujos interesses – interesses sociais – em um Estado Democrático de Direito. ex. a definição do local do dano como determinação da competência do juízo tem por fim. no concernente à competência do juízo. ex. o fattispecie que ensejou o surgimento do objeto litigioso: o dano. COMPETÊNCIA NA AÇÃO CIVIL PÚBLICA Consoante dispõe o art. A tutela coletiva não poderá alcançar danos individuais diferenciados e variáveis caso a caso. desde que se dê interpretação consentânea aos seus objetivos." (4) À guisa de ilustração. sob o aspecto prático. Por outro lado. (5) Da assertiva pode-se inferir que definir-se-á o juízo competente para o conhecimento e julgamento das Ações Civis Públicas não pelos elementos subjetivos da demanda – domicílio do autor ou do réu – todavia por seu elemento objetivo. em regra. ao determinar a competência do juízo do local do dano..

em hipótese alguma. Frise-se que. caso não esteja envolvida pelos efeitos do dano. pensamos que tal raciocínio não possui supedâneo legal. em seu art. Desta forma. ao contrário do que ocorre com o CDC. simplesmente por inexistir norma jurídica que de forma diversa o preveja. afirma Hugo Nigro Mazzilli que: "Se os danos se estenderem a mais de um foro mas não chegarem a ter caráter estadual ou nacional. ao lançar escólios sobre a matéria. se os danos se estenderem ao território estadual.347/85. se demonstrará. também. mormente após a inserção do parágrafo único ao art. que primeiro realizar citação válida.n.) Com a vênia devida ao ilustrado Mestre. independentemente do Estado a que pertença tal comarca. repise-se – aquele juízo onde ocorrer a primeira citação válida.277 Daí que. onde resta clara a determinação legal da competência do foro da Capital do Estado ou do Distrito Federal em casos de dano cujo âmbito seja regional ou nacional. haver comando legal que assim o determine. será competente o foro da Capital do Estado ou o Distrito Federal. Ademais. ou nacional. um dano ambiental que envolva os Estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro – como recentemente de fato ocorreu – competente será o juízo da comarca que primeiro realizou a citação válida para o conhecimento e julgamento da Ação Civil Pública eventualmente proposta. é explícita a determinação da competência pela prevenção – que deverá subsidiar-se nas normas processuais gerais previstas no CPC sobre tal instituto – entre as comarcas envolvidas no evento danoso." (8) (g. 219). acolhendo a assertiva do jurista paulistano. não pode ser interpretado. não havendo que se falar em competência da Comarca da Capital de uma das entidades federadas. e sim. não existe texto legal expresso que determine a competência de outro juízo – que não o prevento – em casos de dano cujo âmbito seja regional ou nacional (nem mesmo há previsão de dano de âmbito regional ou nacional). Entretanto. 93. como dito. o inquérito civil deverá ser instaurado e a ação civil pública proposta na respectiva Capital. competente será – nas Ações Civis Públicas. em se tratando de Ação Civil Pública. não importando a dimensão que os efeitos do dano possam alcançar. se os efeitos do dano (potencial ou efetivo) transbordarem dos limites de uma comarca. na lei (LACP) não há norma jurídica que franqueie tal entendimento. ou até mesmo de um Estado-membro. o que. e. Isto porque. ao revés. 2º pela MP 2. dentre somente as comarcas envolvidas. de forma estritamente literal. respectivamente. o juízo. De efeito.180. o inquérito civil deverá ser instaurado e a ação civil pública proposta seguindo os critérios da prevenção. segundo as regras insertas no Código de Processo Civil sobre prevenção (art. 2º da Lei nº 7. E mesmo neste caso – de ser a Comarca da Capital de um dos Estados ou de ambos atingida pelos efeitos danosos – esta somente será sede do juízo competente se . com a introdução do parágrafo único ao art.

fazendo uma pequena digressão. pensamos que aquela derrogou esta no que diz respeito à defesa dos interesses difusos. . Isto porquanto. De qualquer forma. sendo o Código de Defesa do Consumidor lei posterior e especial no cotejo com a norma que instituiu a Ação Civil Pública. lei posterior – acrescentamos. aí sim. inapropriada a utilização de Ação Civil Pública quando se tratar de violação a direito consumerista. determinação daquela em razão do âmbito alcançado pelos efeitos do dano. devidamente subsidiado pela LACP e pelo CPC – nesta ordem – naquilo em que for omisso. em se tratando de relações jurídicas de consumo cujo objeto imediato do pedido seja a condenação ao pagamento de determinada quantia. entretanto. não sendo lícito argumentar. 93 do Codex consumerista somente poderá ser aplicado em se tratando de relações jurídicas materiais de consumo. com o artigo 21 da mesma LACP. Desta forma. A contrario sensu. aplicável.278 citação válida foi realizada antes de qualquer outro. quando o pedido imediato da demanda for a condenação em obrigação de fazer ou não fazer será perfeitamente viável a utilização da Ação Civil Pública. o que a tornará preventa. consoante determina o artigo 83 do CDC. segundo os ditames do parágrafo 1º do art. Assim. determinar-se-á aquela pela prevenção em quaisquer casos. tratando-se de relação jurídica material de consumo. ficando afastada a incidência da Lei de Ação Civil Pública. porquanto o disposto no art. de mesma ou superior hierarquia – derrogará anterior quando regule inteiramente a matéria de que tratava esta. o CDC. pois. Em suma. não havendo de se cogitar da amplitude dos efeitos do dano perpetrado. coletivos e individuais homogêneos nas relações jurídicas de consumo. em razão do princípio da especialidade. em se tratando de Ação Civil Pública. como visto. nos casos de competência concorrente entre dois ou mais juízos. a uma. De efeito. portanto. como dissemos. não há na LACP. que a inaplicabilidade da LACP somente ocorrerá quando se pleitear a condenação do Réu ao pagamento de determinada quantia. forçoso admitir que. Tal raciocínio ficará mais patente no que diz respeito à competência. haja vista que a incidência deste somente ocorrerá no que for cabível. que trata expressamente da competência nestas ações. 93 no que concerne à competência. ao contrário do que ocorre no CDC. a duas. como afirmado. Insta frisar. aplicável sempre o CDC. 2º da Lei de Introdução ao Código Civil (LICC). Não calha a argumentação segundo a qual a norma aplicável à espécie seria o CDC. mais especificamente o seu art. porque na LACP há norma. ressalvado o que dissemos supra.

como em jurisprudência. Ada Pellegrini Grinover: "Quando de âmbito local. para os danos de âmbito nacional ou regional. será competente para o conhecimento e julgamento da Ação Coletiva a Justiça local do foro do lugar onde ocorreu ou deva ocorrer o dano. a interpretação literal do preceptivo insculpido no inciso I do art. competente será o foro da Capital do Estado. I do art. 4. 93)." (9) Sem embargo. mesmo nos casos de dano em âmbito local. 93 do CDC poderá levar o intérprete à conclusão de que. em razão da circulação limitada de produtos ou da prestação de serviços circunscritos. nas Ações Coletivas previstas no CDC.1. ressalvada a competência da Justiça Federal.279 4. quando de âmbito local. repete o legislador ser o dano causado o critério legitimador da competência do juízo. com vistas ao melhor tratamento hermenêutico que. 93 do CDC. o dispositivo exige. 93 – Ressalvada a competência da Justiça Federal. De efeito. COMPETÊNCIA NAS AÇÕES COLETIVAS Sem embargo. os quais atingirão pessoas residentes num determinado local. nos parece que. a nosso sentir. aplicando-se as regras do Código de Processo Civil aos casos de competência concorrente Divergindo do entendimento amplamente majoritário. Tecendo comentários ao inciso I do art. Não obstante. assevera a Profª. tendo em vista que a eleição pela lei do local da ocorrência ou . transbordando os efeitos do dano dos limites de determinada comarca e alcançando outra. II – no foro da Capital do Estado ou no do Distrito Federal. tanto em doutrina. algumas ressalvas se impõem. a competência territorial é do lugar onde ocorreu ou deva ocorrer o dano (inc. porém com algumas nuanças. Será o caso de danos mais restritos. é competente para a causa a justiça local: I – no foro do lugar onde ocorreu ou deva ocorrer o dano. verbis: Art. COMPETÊNCIA EM CASO DE DANO EM ÂMBITO LOCAL Consoante o dispositivo transcrito. algumas observações buscaremos fazer sobre o preceito legal transcrito.

competente será o juízo que primeiro realizar citação válida no processo (art. nas ações civis públicas ou coletivas. 2º da LACP. Em outras palavras. duas ou três comarcas não caracterizará tal aspecto. 4. parágrafo único) combinada com Código de Processo Civil (art. ou seja. em compêndio. a prevenção será o critério de determinação da competência. na linha do raciocínio acima exposto. poderemos imaginar um dano consumerista cujos efeitos restrinjam-se a duas comarcas contíguas. "Assim. a norma insculpida no parágrafo único do art. com acerto no tocante à Ação Coletiva. maior aproximação do Juiz aos vestígios do dano causado. a determinação da competência será realizada pela prevenção. quando o dano ou a ameaça de dano ocorra ou deva ocorrer em mais de uma comarca. com a subsidiariedade da LACP e do CPC.2. não estamos tratando de dano onde os respectivos efeitos ganharam foros de regionalidade ou nacionalidade. Em um caso concreto. por subsidiariedade." (10) Com efeito. Assim. quais sejam. cuja localização diste quilômetros da Capital do Estado. Hugo Nigro Mazzilli asseverar que não será qualquer dano que ultrapasse os limites da comarca que ensejará a competência do juízo da Capital do Estado para conhecer e julgar ações coletivas. COMPETÊNCIA EM CASO DE DANO EM ÂMBITO REGIONAL OU NACIONAL . competente será o juízo que primeiro realizou a citação válida para o processamento e julgamento da demanda. Daí. para que seja determinada a competência da Capital do Estado. alcançando outra ou outras. mas sem que tenha o caráter estadual ou nacional. evidentemente. que. dentre outros. transbordaram dos limites de uma única comarca. o dano deverá ganhar foro de regionalidade e. ocorrido o dano consumerista cujos efeitos ultrapassem as fronteiras de determinada comarca. 219 CPC). o fato de serem atingidas uma. Consequentemente. Urge ressaltar. a determinação da competência restará condicionada à prevenção do juízo que primeiro realizou a citação válida no processo. bem como a facilidade na colheita de sua prova. pelas regras da Lei de Ação Civil Pública (art. resolvendo-se. pensamos. hipóteses expressamente previstas no inciso II do artigo sob comento. as regras que prevêem a prevenção. não obstante. neste caso. alcançando outras. 219) a competência concorrente. entretanto. aqui. estamos tratando de dano de âmbito local cujos efeitos. sem que possuam dimensão de regionalidade. Assim. 2º. para o dano de âmbito local cujos efeitos atinjam mais de uma localidade (comarca).280 da possibilidade de ocorrência do dano tem por escopo. seguindo o disposto no inciso I do art. que. pensamos que será aplicável. 93 do CDC.

reconhecendo. sendo de âmbito regional o dano. não tendo sentido que seja ele obrigado a litigar na Capital de um Estado. As regras de competência devem ser interpretadas de modo a não vulnerar a plenitude da defesa e o devido processo legal. De seu turno. ousando divergir do entendimento majoritário. os danos de âmbito nacional ou regional em matéria de interesses difusos. daí tentarmos nos deter mais profundamente neste particular. a par das observações que fizemos quanto ao inciso I do art. Com efeito. aplicando-se as regras do Código de Processo Civil nos casos de competência concorrente. tratando-se de dano cujos efeitos sejam de âmbito regional. se nacionais. se os danos forem regionais.2. COMPETÊNCIA EM REGIONAL CASO DE DANO EM ÂMBITO No particular. competente será o foro da Capital do Estado ou do Distrito Federal. estamos que. e ressalvada a competência da Justiça Federal. uma observação: o dispositivo tem que ser entendido no sentido de que. pela mera opção do autor coletivo. a existência de alguns arestos em divergência às suas lições doutrinárias. Mas. Hugo Nigro Mazzilli adere à posição majoritária quando ensina que: "Nos termos dessa disciplina. longínquo talvez de sua sede. sendo o dano de âmbito nacional." (11) Na 7ª edição da referida obra. independentemente se a comarca da Capital do Estado sofreu ou não tais efeitos. deve ser dispensado tratamento diverso quanto ao dano de âmbito regional e o de âmbito nacional. sobre o inciso ora estudado: "Cabe. nesta hipótese. Com efeito. ante o número . a ilustre Professora paulistana ratifica seu posicionamento. aqui. no foro da Capital do Estado. aplicável o que foi dito quanto ao dano de âmbito local. visto que. porém. portanto. somente será competente para conhecimento e julgamento da demanda coletiva a Capital do Estado quando os efeitos produzidos pelo dano consumerista ganharem foros de regionalidade. em ação proposta no foro do local do dano. a competência territorial será sempre do Distrito Federal: isso para facilitar o acesso à Justiça e o próprio exercício do direito de defesa por parte do réu. 4.1. no foro do Distrito Federal. 93 do CDC – competência em caso de dano em âmbito local – a grande celeuma reside efetivamente no inciso II do mesmo preceptivo consumerista.281 Em verdade. assevera Ada Pellegrini Grinover na 4ª edição do Código Brasileiro de Defesa do Consumidor." (12) Sem embargo. a despeito de sua mais alta autoridade. coletivos ou individuais homogêneos serão apurados perante a Justiça estadual. primeiramente.

cujos efeitos ficaram restritos aos limites dos mesmos. não tenha sido atingido pelos efeitos do dano –. COMPETÊNCIA EM NACIONAL CASO DE DANO EM ÂMBITO Em se tratando de dano cujos efeitos sejam de âmbito nacional. à competência do foro do Distrito Federal para o conhecimento e julgamento da demanda coletiva. (13) Com este raciocínio. independe o número de localidades atingidas – desde que o dano não ganhe interesse estadual – a competência será definida pela prevenção. cremos que resta evidente que o Juiz da Capital – em caso de interesse regional – não terá dificuldades na colheita de provas – mesmo que o Município. sendo que. contíguos ou não. Assim. in casu. Dessa forma. mister se faz que o dano (rectius: os seus efeitos) seja de tal grandeza que interesse à maioria significativa da população do Estado-membro. Inexiste.2. explanada no tópico anterior. com tal exegese. para o conhecimento e julgamento de eventual demanda coletiva. consoante as lições doutrinárias acima transcritas. De efeito. havendo juízos concorrentes. 93 do CDC. lícito afirmar que a grandeza do dano fará a distinção entre a incidência do inciso I ou do II (âmbito regional) do art.282 razoável de comarcas atingidas por aqueles efeitos. Capital do Estado. em um segundo exemplo: b) os mesmos produtos ou serviços foram comercializados ou prestados em todo território nacional. o fato de efeitos danosos ultrapassarem os limites territoriais de um Estado-membro alcançando outro ou outros. não dará ensejo. o escopo legal de facilitação naquela colheita não restará prejudicado. a solução para a concorrência de competências não será a mesma das hipóteses de dano de dimensão regional. . a nosso sentir. importando que a Capital seja sede da demanda face à relevância configurada pelo vulto do dano. a simetria vislumbrada pela maioria dos autores. sendo que. é possível forjarmos exemplos para melhor elucidação: a) determinados produtos comercializados ou serviços prestados no chamado eixo RioSão Paulo que venham causar danos às populações destes Estados. 4.2. Nem mesmo quando os efeitos do dano tiverem amplitude tal que atinja todos ou quase todos os Estados da Federação – incluindo o Distrito Federal – a competência será deste. para que ocorra a primeira hipótese (dano de âmbito local). traduzir-se-á em interesse da sociedade do Estado a resolução do conflito. já para que ocorra a hipótese do inciso II (dano de âmbito regional). como Capital da República. E mais.

mesmo que tal amplitude seja alcançada por tais efeitos (exemplo "b"). por exclusão. Distrito Federal e Municípios (art. 109 CF/88). comum ou especializada (art. apta(o) a conhecer e julgar a causa. deterá competência para as causas não previstas na Constituição Federal como de competência da Justiça federal. 219 CPC). havendo dano de âmbito nacional. definir-se-á a competência . A competência nas Ações Coletivas será. haja vista não ocorrer relação hierárquica entre as Justiças locais dos Estados e a do Distrito Federal. caberá à Justiça local do foro da Capital de cada Estado ou do Distrito Federal que tenha sido atingido pelo evento danoso o processamento e julgamento da demanda coletiva. Por tal expressão entende-se a justiça estadual comum que. Para o desate da questão. Na hipótese extraordinária de dano nacional. Pois bem. da Justiça local. qual seja. III da CF/88). também neste caso. a própria lei determina a utilização das regras do Código de Processo Civil aos casos de competência concorrente. ressalvada a da Justiça Federal. personae. para não dificultar a defesa do Réu. Explicamos. Ou seja. em igualdade de condições. determina o CDC – havendo diversas demandas coletivas propostas – a concentração em um. e. Em ambas hipóteses. e tão-somente um. 1º e 19. os critérios de determinação de competência (ratione materiae. a solução para a concorrência entre juízos competentes será a mesma: definir-se-á o juízo competente pelo critério da prevenção. o primeiro a realizar citação válida no processo coletivo (art.) dos Juízos Estaduais são de mesma equivalência aos do Juízo Distrital. tem seu âmbito ordinário de incidência coincidente com os seus próprios limites territoriais. qualquer capital de Estado ou o Distrito Federal estará. não atingindo os efeitos do dano âmbito nacional (exemplo "a"). etc. ou.283 causando os mesmos danos antes mencionados. existindo diversas demandas já propostas. entendemos que. que poderá ser o da Capital estadual ou o do Distrito Federal. não sendo hipótese prevista dentro na competência da Justiça federal. cada qual. cuja decisão proferida terá efeitos em todo território nacional. foro. sendo que. Tal raciocínio tem por fundamento a inexistência de hierarquia entre as entidades federadas – Estados. loci. Ora. qual seja. Em conseqüência. de competência da Justiça local. agora por todo país. a prevenção. Daí que.

sendo sua assessoria jurídica situada na sede da empresa. de poder reciprocamente. ao Distrito Federal." (14) Dessarte. Lado outro. sendo a federação uma associação de Estados. ademais. ensejará maior facilidade na colheita de prova pelo Juiz. pois que em regra acontece do Réu não ter representação jurídica na Capital da República. o objetivo precípuo da lei quando determina ser competente para a demanda o foro do local do dano. 219 CPC).. sendo a concorrência de competências definida pela prevenção. seja de que espécie for. não há que se falar em relação de súdito para soberano. malferindo-o. Em comentário ao referido inciso. dando preferência. não poderá criar distinções entre as entidades federadas. mesmos naqueles em que a Capital da República não tenha sofrido os efeitos da conduta danosa? Em últimas conseqüências. sob o aspecto prático. eis que sua comarca – da Capital – estará sofrendo os efeitos da conduta danosa. a tese majoritária pode nos levar a determinados absurdos como aquele em que haja demandas propostas em todos ou quase todos . impõe-se uma exegese da norma infraconstitucional que não implique violação do texto maior. v. Alexandre de Moraes assevera que: "Criar preferências entre si – como corolário desse princípio. sendo dever do exegeta optar por uma interpretação que mais aproveite o texto da lei.. se este for atingido pelos efeitos do dano e houver demanda coletiva aí proposta – em que tenha havido a primeira citação válida (art. pois. [. eis que a sua concordância com as cláusulas constitucionais deve ser presumida. g. Raciocínio diverso – como o esposado pela doutrina majoritária – levará à uma hierarquia entre as entidades federadas inexistente no texto constitucional. não convence o argumento segundo o qual a competência será sempre do foro do Distrito Federal em casos de dano de âmbito nacional para facilitar a plenitude de defesa. aos Estados.284 da Justiça local no foro da Capital do Estado – ou no do Distrito Federal. concretizando.. dispõe o inciso III do art. 19 da Constituição Federal ser vedado à União. ao Distrito Federal e aos Municípios criar preferências entre si. fosse definida a competência do Distrito Federal em quaisquer casos.]. Como seria possível facilitar a colheita de prova pelo Magistrado se. a lei federal (CDC). como produto da competência legislativa da União. Com efeito. que se encontram no mesmo plano. A outro giro. Via de conseqüência. assim.

a norma legal quis tão-somente discriminar. bem como pela necessidade de se adequar os princípios e normas do processo civil liberal-burguês às demandas coletivas lato sensu – verdadeiras ações sociais dirimentes de desigualdades – devemos. em todas as suas dimensões. para uma interpretação consentânea com os princípios da Nova Hermenêutica. na satisfação dos interesses sociais postos em litígios nas demandas coletivas. as entidades federadas que possuem Justiça local – o que não ocorre com os Municípios que. à exceção do Distrito Federal. pois que somente assim poderemos almejar a realização efetiva de uma democracia material com o preenchimento. sobrepor o interesse social como primeiro critério definidor da competência em litígios desse jaez. não possuem Poder Judiciário – como. pela primeira citação válida realizada. que necessita ser constante. porém. Ademais. CONCLUSÃO À guisa de conclusão ousamos asseverar que. traduzir-se-á em concretização do Estado Democrático de Direito sob o aspecto processual a preocupação. ocorre no texto constitucional e em leis infraconstitucionais. Com efeito. 5. posto concorrerem. este – o foro do Distrito Federal – seria o competente para a apreciação e julgamento da demanda. e não hierarquizar. seja sob o prático da facilitação na colheita de prova – seria aquela segundo a qual. Destarte. exsurgindo como critério técnico definidor a prevenção. bem como da parte final do inciso II do artigo 93 do CDC. III CF/88). entendemos. 19. portanto. ao se referir aos Estados e ao Distrito Federal. aquelas entidades federadas pela competência para conhecimento e julgamento das demandas coletivas. (15) Somente assim. poder-se-á chegar ao equilíbrio exigido pelo texto legal. sobrepuja a importância dos interesses sociais em detrimento . direcionadas pelos valores predominantes à época de sua produção. a interpretação mais viável – seja sob o aspecto teórico da inconstitucionalidade. ademais. assim como de sua interpretação. 18 CF/88). do princípio do acesso à Justiça. em tom de igualdade. a se seguir o raciocínio da maioria. não obstante entidades federadas (art. amiúde. A nosso aviso. o que lhes poderá cambiar o comando. onde a determinação da competência do foro da Capital do Estado e do Distrito Federal não ficará em divergência com a aplicabilidade de dispositivo constitucional (art.285 Estados. viceja a necessidade de preenchimento axiológico da expressão Estado Democrático de Direito no sentido de que as normas legais produzidas deverão ter como limite os fatos que lhes ensejam a existência. muito mais que uma defesa plena – que na realidade em nada será prejudicada –.

240p. 576p. Alexandre de. s/ed. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto. Manual do Processo Coletivo. s/ed. São Paulo: Revista dos Tribunais. 2002. João Ferreira] 4ª ed. 1999.462p. CALAMANDREI. 330p. [trad. 4ª ed. NOTAS 01.347/85 – 15 anos.) s/ed. São Paulo: Revista dos Tribunais. Ricardo de Barros. Hugo Nigro. MIAILLE. s/ed. 6. GRINOVER. 1109p. São Paulo: Revista dos Tribunais. NUNES. 13ª ed. Para o presente estudo utilizar-se-á as expressões transindividuais e metaindividuais em sentidos distintos. BOBBIO. MARQUES. significando aquela a que ultrapassa os interesses dos indivíduos. 1994. Comentários ao Código de Defesa do Consumidor: direito material (arts. São Paulo: Saraiva. Luiz Antonio Rizzatto. Cláudia Lima. As Ideologias e o Poder em Crise.286 daqueles individuais ou públicos hodiernamente. [trad. Assim. Ada Pellegrini et al. 730p. 1 v. BIBLIOGRAFIA Ação Civil Pública: lei 7. Introdução Crítica ao Direito. Direito Constitucional. 2000. assim entendemos que as normas jurídicas devem ser interpretadas. Luiz Abezia e Sandra Drina Fernandez Barbiery]. Campinas: Bookseller. 1º a 54). 1999. seriam transindividuais os interesses individuais homogêneos. 2001. 2ª ed. 2003. Norberto. São Paulo: Saraiva. Michel. Brasília: Editora Universidade de Brasília. e. 846 p. Piero. [trad. Édis (org. Ana Prata]. Rio de Janeiro: Forense Universitária. 4ª ed. 2002. 1995. . 1 v. Direito Processual Civil. 13ª ed. MAZZILI. LEONEL. Contratos no Código de Defesa do Consumidor: o novo regime das relações contratuais. 2001. Lisboa: Editorial Estampa. São Paulo: Atlas. MILARÉ. e esta a que representa interesses fora dos individualmente considerados. 836p. MORAES. A Defesa dos Interesses Difusos em Juízo.

p. nas ações previstas nos arts. In Ação Civil Pública: Lei 7.347/85 – 15 anos. p. coord. 220. A identidade das ações coletivas lato sensu sofre mitigação nos seus elementos. p.: Ricardo de Barros LEONEL. 91 e seguintes. 02. do inciso IV do art. III. 551-2. No particular. Hugo Nigro MAZZILLI. 150. ou pela relevância do bem jurídico a ser protegido. 09. 808. ob. XXXV. Introdução Crítica ao Direito. que amputou a expressão "a qualquer outro interesse difuso ou coletivo".. p. . cit. Ob.. Ada Pellegrini GRINOVER. pois a proximidade do juízo com relação à prova milita em favor de sua elaboração. 1º da Lei 7.180. Hugo Nigro MAZZILLI. 211-2. entendemos que a MP 2. Cf. Cit. 10. p.. 221. passim 07. 03. Ada Pellegrini GRINOVER. A Defesa dos Interesses Difusos em Juízo. visto que não há de se falar em identidade de partes. 82 do CDC: § 1º .: José Marcelo Menezes VIGLIAR. 5º. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto. Édis Milaré. 04. 211 11. Cit. p. é inconstitucional por malferir o art. 400/416. quando haja manifesto interesse social evidenciado pela dimensão ou característica do dano. p. todos da CF/88. 211. Manual do Processo Coletivo. A fixação da competência no local do dano tem por escopo facilitar a instrução. 14. bem como o art. 12. 129. 286. 06. Direito Constitucional.347/85. 05.287 enquanto metaindividuais. "As peculiaridades dos interesses metaindividuais dificultam a produção de provas no curso da demanda judicial. Michel MIAILLE. em razão de sua indivisibilidade. Hugo Nigro MAZZILLI. No mesmo sentido: Ricardo de Barros LEONEL." 08. Cit. Cf.O requisito da préconstituição pode ser dispensado pelo juiz. Ob. Op. 13. Alexandre de MORAES. os difusos e coletivos. em outro estudo. Para a definição do que seja dano cujos efeitos possuam âmbito regional poderá ser aplicada a norma do § 1º do art. Trata-se de um redimensionamento da matéria para adaptação à Teoria Geral do Processo Coletivo que. falaremos. Hugo Nigro MAZZILLI. Cit. p. p. p. diferentemente do que ocorre com as ações individuais. op.

p.: Norberto BOBBIO. que não foi retomada a referência que fiz à sociedade policrática. Entretanto. Cf.288 15. 33: "Constato. As Ideologias e o Poder em Crise." ************************************************************** ****************** . ou seja. não podemos esquecer o efeito contrário. mas na prepotência do grupo sobre o indivíduo. ao aspecto negativo do pluralismo que consiste não na impotência do Estado. entretanto.

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