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LEITURA E DIVERSIDADE: UMA JANELA PRA O MUNDO E OS DIFERENTES MEIOS DE COMPREENDÊ-LA - PROF. DR. PAULO GOMES LIMA

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RESUMO
Saber ler e escrever são componentes interligados assim como sua função
social e utilização em diferentes contextos. O domínio da linguagem e da
escrita possibilita um olhar diferenciado em relação a participação social,
onde o homem desenvolve uma visão de mundo e construção do
conhecimento em sua totalidade, considerando os meios possíveis para a
sua materialização. Desta maneira, o aprendizado da leitura e da escrita dáse
por meio de uma compreensão ativa, mediada por intervenções
correspondentes, incluindo as novas tecnologias. Culturalmente a oralidade
é delimitada geograficamente (territórios e regionalismos), assim a escola
tem que responder pelo andamento satisfatório de seus resultados,
considerando as diferenças cultural, histórica e social do aluno, dentre
outras. Muito se falou que o mundo da escrita daria lugar ao mundo da
imagem e, a mídia eletrônica destruiria o mundo cultural da escrita. Com o
avanço tecnológico e a grande influência dos meios de comunicação houve
interferências significativas nas práticas educativas, então, o professor
enquanto mediador precisa estar capacitado para enfrentar um mundo de
mudanças bruscas e incentivar a leitura para desenvolver o espírito crítico,
onde a mídia pode ser um instrumento tanto de libertação quanto de
manipulação. Utilizar as tecnologias e fazeres pedagógicos como maneira
de superação da manipulação é o posicionamento que o educador deve
assumir como possibilidade de contribuir para uma educação inclusiva em
todos os âmbitos.
Palavras-chave: leitura, escrita, diversidade, educação.
RESUMO
Saber ler e escrever são componentes interligados assim como sua função
social e utilização em diferentes contextos. O domínio da linguagem e da
escrita possibilita um olhar diferenciado em relação a participação social,
onde o homem desenvolve uma visão de mundo e construção do
conhecimento em sua totalidade, considerando os meios possíveis para a
sua materialização. Desta maneira, o aprendizado da leitura e da escrita dáse
por meio de uma compreensão ativa, mediada por intervenções
correspondentes, incluindo as novas tecnologias. Culturalmente a oralidade
é delimitada geograficamente (territórios e regionalismos), assim a escola
tem que responder pelo andamento satisfatório de seus resultados,
considerando as diferenças cultural, histórica e social do aluno, dentre
outras. Muito se falou que o mundo da escrita daria lugar ao mundo da
imagem e, a mídia eletrônica destruiria o mundo cultural da escrita. Com o
avanço tecnológico e a grande influência dos meios de comunicação houve
interferências significativas nas práticas educativas, então, o professor
enquanto mediador precisa estar capacitado para enfrentar um mundo de
mudanças bruscas e incentivar a leitura para desenvolver o espírito crítico,
onde a mídia pode ser um instrumento tanto de libertação quanto de
manipulação. Utilizar as tecnologias e fazeres pedagógicos como maneira
de superação da manipulação é o posicionamento que o educador deve
assumir como possibilidade de contribuir para uma educação inclusiva em
todos os âmbitos.
Palavras-chave: leitura, escrita, diversidade, educação.

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05/10/2014

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LEITURA E DIVERSIDADE: UMA JANELA PARA O MUNDO E OS DIFERENTES MEIOS DE COMPREENDÊ-LA

Noêmia de Carvalho Garrido (Diretora Educacional FUMEC/ Professora do CEPROCAMP/Campinas/SP – nogarridoa@yahoo.com.br); Denise Travassos Marques (Professora de EJA/FUMEC – dt.marques@uol.com.br), Mires Luiza Lucisano Botelho Amaral (Professora de Educação Especial da SME/CEPROCAMP – fbamaral@terra.com.br); Inês Olinda Botelho (Professora da CEPROCAMP – iobote@ig.com.br) , Rute de Carvalho Angelini (Professora do EJA e Fundamental /FUMEC/SME – rcarangel@hotmail.com); Cássia Cristiane de Freitas Alves (Professora de Educação Especial da SME/CEPROCAMP – cassia.cristiane1@itelefonica.com.br ; Paulo Gomes Lima (Diretor Educacional FUMEC, Professor Universitário do UNASP-HT – paulogl.lima@gmail.com).

RESUMO Saber ler e escrever são componentes interligados assim como sua função social e utilização em diferentes contextos. O domínio da linguagem e da escrita possibilita um olhar diferenciado em relação a participação social, onde o homem desenvolve uma visão de mundo e construção do conhecimento em sua totalidade, considerando os meios possíveis para a sua materialização. Desta maneira, o aprendizado da leitura e da escrita dáse por meio de uma compreensão ativa, mediada por intervenções correspondentes, incluindo as novas tecnologias. Culturalmente a oralidade é delimitada geograficamente (territórios e regionalismos), assim a escola tem que responder pelo andamento satisfatório de seus resultados, considerando as diferenças cultural, histórica e social do aluno, dentre outras. Muito se falou que o mundo da escrita daria lugar ao mundo da imagem e, a mídia eletrônica destruiria o mundo cultural da escrita. Com o avanço tecnológico e a grande influência dos meios de comunicação houve interferências significativas nas práticas educativas, então, o professor enquanto mediador precisa estar capacitado para enfrentar um mundo de mudanças bruscas e incentivar a leitura para desenvolver o espírito crítico, onde a mídia pode ser um instrumento tanto de libertação quanto de manipulação. Utilizar as tecnologias e fazeres pedagógicos como maneira de superação da manipulação é o posicionamento que o educador deve assumir como possibilidade de contribuir para uma educação inclusiva em todos os âmbitos. Palavras-chave: leitura, escrita, diversidade, educação.

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INTRODUÇÃO O domínio da linguagem e da escrita possibilita ao homem muito mais do que a participação social em seu processo de construção do conhecimento, uma vez que, também como ator cultural mobilizado pela transformação da natureza em direção e para além de suas necessidades – conceituando o trabalho – conscientiza-se de seu papel interativo no desdobramento histórico do conhecimento, das culturas e, portanto, das produções que constituem a si, o outro e a sua realidade. A importância da sistematização de distintas possibilidades de leitura e escrita, bem como sua ênfase na escola formal, considerando como recorte a Educação de Jovens e Adultos (EJA), materializou-se em nossa inquietação, na qual tomamos como fio condutor o caráter multidimensional, permanente e necessário ao trabalho pedagógico que, mediado uma contextualização sensibilizada amplia distintas formas de intervenção e atendimento às necessidades tanto de ensino como de aprendizagem. Nossa ênfase pela sensibilização da distintas formas de leitura e escrita não se reduz à dimensão metodológica, como se esta fosse se constituir na receita para todas as insuficiências da qualidade do ensino brasileiro, mas ao contrário, como um ponto de partida possível de transformação da realidade por meio de um trabalho intencionalizado e inclusivo, que faça diferença tanto para o professor, como para o aluno no processo interativo da vivência pedagógica, neste sentido em maior ou menor ênfase os veículos midiáticos devem ser considerados também como alternativas. Como observava Freire (2006) a leitura do mundo revela, evidentemente, a inteligência do mundo que vem cultural e socialmente se constituindo. Revela também o trabalho individual de cada sujeito no próprio processo de assimilação da inteligência do mundo. Uma das tarefas essenciais da escola, como centro de produção sistemática de conhecimento, é trabalhar criticamente a inteligibilidade das coisas e dos fatos e a sua comunicabilidade. È imprescindível portanto que a escola instigue constantemente a curiosidade do educando em vez de ‘amaciá-la’ou ‘domesticá-la’. Assim, este trabalho foi organizado em cinco seções, destacando algumas sensibilizações dentro de um universo possível de intervenções sobre a temática, a saber: a) leitura e escrita: a mediação pedagógica por meio da poesia, b) A leitura do mundo e da palavra: possibilidades de uma educação transformadora; c) Leitura de ação sensibilizada: “bulas” como geradoras de interesse discente, d) Tecnologia assistiva e letramento: possibilidades de acesso a informação, comunicação e conhecimento e e) Leitura e escrita numa perspectiva em rede: a transversalidade a partir de uma intervenção pedagógica multidimensional.

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A) Leitura e escrita: a mediação pedagógica por meio da poesia Por meio da leitura e compreensão de textos poéticos, a linguagem poética pode se constituir num significativo instrumento de despertamento para o mundo da leitura e da escrita no cotidiano escolar, segundo Barbosa (1990, p.122) esta se caracteriza como “...aquela em que o leitor, além de visar o conteúdo veiculado pelo texto, busca se deleitar com a sonoridade das palavras. É por exemplo, a leitura da poesia cujo prazer está ligado também ao prazer da forma, dimensão musical das palavras ou do texto” que nos indica uma maneira de expressar as múltiplas dimensões de mundo que percebemos e vivemos, assim como suas críticas pertinentes. A poesia é uma janela que se abre, deixando entrar os nossos mais variados sentimentos. Também é um elemento que traz uma leitura do mundo, com ela podemos nos inteirar dos acontecimentos presentes, passados ou previsão do futuro, possibilitando uma interdisciplinaridade no campo pedagógico escolar. Ela pode ser simples em suas palavras ou complexa independentemente do tamanho ou arranjo selecionado, depende muito do olhar que o professor junto com sua turma poderá explorar. O trabalho pedagógico com a linguagem poética pode se caracterizar como uma busca de novos conhecimentos, uma vez que muitas das palavras ou expressões utilizadas instigam a curiosidade fornecendo pistas para a pesquisa, desta maneira, evidencia-se uma íntima relação da leitura do/com o mundo e da palavra como possibilidade de sistematizar as suas descobertas. Na atualidade, onde a escola pública é palco de tantos conflitos sociais, o educador que se predispõe a trabalhar com poesia em sala de aula, estará oportunizando possibilidades para que seu aluno desenvolva uma sensibilidade mais acurada e possa expressar suas emoções. Conforme Severino (2002, p.94) isto contribuirá para “...despertar e desenvolver a inteligência adormecida, a sensibilidade adormecida, a imaginação adormecida, é preciso poesia”. Uma relação poética e amorosa com o conhecer, o ensinar, o aprender. E com aqueles a quem ensinamos e com quem também aprendemos”. A linguagem poética também pode ser explorada como música, visto que esta dimensão desperta muito o repertório criativo do aluno. Assim, na identificação de expressões, de metáforas, de pensamentos e realidades, alunos e professores poderão escrever e ler outras possibilidades de aprendizagem, referenciando-se a um universo semântico repleto de cores, sons, melodias-denúncias ou regionais, escritos românticos ou paródias; enfim, há que se buscar distintas formas de intervenções no universo de aprendizagem discente-docente, nas quais a linguagem poética é uma possibilidade.

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B) A leitura do mundo e da palavra: possibilidades de uma educação transformadora Paulo Freire foi um dos mais importantes representantes da educação popular do século XX. Para ele um dos pontos importantes da educação popular é a percepção de que não existe ninguém mais culto que o outro. Não acredita numa pedagogia, nem em nenhuma transformação revolucionária feita para as massas populares, mas sim com elas. Diz que é necessária uma postura humilde do educador, mas não humildade de fazer favor, de pura tática, uma vez que é fundamental respeitar o princípio de que a dimensão educativa é um processo coletivo, no qual o educador tem que apropriar-se dos mecanismos pedagógicos de expressão e explicitação das lutas, das dúvidas, das incertezas, com senso crítico para a problematizarão da realidade. Um destes mecanismos são os veículos midiáticos disponibilizados na contemporaneidade. Os saberes dominante e dominado à luz dos meios de comunicação, interagem e se confrontam,desta forma, os atores sociais vão identificando as variáveis desveladoras da realidade e os condicionantes que a mobiliza do ponto de vista ideológico. A grande missão da educação popular portanto é a de uma educação democrática que permita a concretização dos objetivos para o aprender a pensar, a fazer, a ser e viver em coletividade na busca/superação das desigualdades sociais. Neste sentido, a Fundação Municipal de Educação Comunitária de Campinas, uma fundação de direito publico, criada em 1987 pela lei municipal nº 5380 de Campinas/SP, tem entre seus objetivos o desenvolvimento de programas de alfabetização, letramento e de programas de Educação Profissional baseados nos princípios de Paulo Freire, da educação popular e da comunitária, esta última materializada no CEPROCAMP (Centro Profissionalizante de Campinas), com o tripé: capacitar e qualificar técnica e profissionalmente, recuperar a escolaridade(especialmente a leitura, a escrita, a interpretação crítica e a produção de textos) e construir a cidadania destes sujeitos incluindo o empreendedorismo, o emponderamento e a empregabilidade. Busca-se a excelência em nível de intervenção pedagógica, pelo despertamento de ações e discussões docente-discente, equipe pedagógica e na caracterização do papel do professor no CEPROCAMP, que deve ser o mediador, o facilitador da aprendizagem, proporcionando meios de interação entre os temas e as experiências de vida de todos, além de possibilitar momentos para que o aluno construa seu pensamento, e aprenda a questionar, argumentar, sintetizar, organizar,comparar, pesquisar, experimenta, modificar tudo a sua volta em função de melhor sua qualidade de vida. Neste sentido são os meios de comunicações escritos, jornais e revistas os seus maiores instrumentais.

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Muito importante também neste cenário é o desenvolvimento de habilidades de relacionamento, de comunicação interpessoal, de negociar suas expectativas e melhorar seu padrão de conduta para permitir a maximização da aprendizagem ao longo dos cursos. Nesta diretriz, a utilização de tecnologias no processo ensino-aprendizagem atualiza discente e docente, fortalece a sua atualidade nas mudanças bruscas de mundo e situa-os historicamente, possibilitando-lhes leitura crítica pontuadas pela orientação para a inserção cidadã mediada por veículos midiáticos. C) Leitura de ação sensibilizada: “bulas” como geradoras de interesse discente Por meio da bula de remédio, muito mais do que decodificação, o aprendizado da leitura e da escrita está na compreensão ativa e sua utilização adequada para os atores sociais. A escrita tem diversos usos e está presente na maior parte de nossas atividades do cotidiano, dela utilizamos para dar conta de grande parte de nossas ações, podemos chamá-la de escrita social. A leitura proporciona informações variadas em diferentes textos, levando o homem a compreensão/transformação e apreensão do mundo moderno através da flexibilidade do ato de ler. A leitura que desenvolvemos depende do conhecimento ou do grau de curiosidade que temos sobre o assunto a ser conhecido (lido). Os alunos de Educação de Jovens e Adultos (EJA), buscam o sentido das palavras em seu mundo, em sua vivência, extraindo de uma realidade concreta os elementos para a transformação de sua leitura que antes se caracterizara como assistemática, agora como intencional e sistemática. Por exemplo, ao se deparar com a bula de remédio, prescrito através de um médico ou através da mídia ou indicação de algum conhecido, o aluno é impulsionado por um sentimento de ver atingida a sua necessidade de compreensão, por conta de uma pontuação concreta para a vida. Há uma necessidade real, pois a compreensão da leitura é fundamental para a sua ação, tendo ele que buscar informação como: o nome da medicação, sua composição e a posologia. Através de atividades em sala de aula, os alunos de EJA tem contato com diversas bulas, estabelecendo a regra do processo da aprendizagem de leitura, assimilando que a leitura não é um saber, mas sim uma prática. A leitura e escrita nas distintas atividades não são trabalhadas simplesmente como dimensão técnica, mas por meio da localização histórica e social dos sujeitos que constróem suas realidades, primando pela superação de condições ideológicas que tolhem a criatividade, análise crítica e consecução do exercício cidadão.

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D) Tecnologia assistiva e letramento: possibilidades de acesso a informação, comunicação e conhecimento Tecnologia assistiva é toda e qualquer ferramenta, recurso ou processo utilizado com a finalidade de proporcionar uma maior independência e autonomia à pessoa com deficiência (Galvão Filho & Damasceno, 2006). O Ministério da Ciência e Tecnologia definiu tecnologias assistivas como recursos e serviços que reduzem ou eliminem as limitações decorrentes das deficiências: físicas, mental, auditiva, visual, a fim de colaborar com a inclusão das pessoas com deficiência (Brasil, 2005). Na área da deficiência visual podem-se destacar como tecnologia assistiva os recursos ópticos, não-ópticos, Sistema Braille e o recurso da informática. Nesse trabalho será enfatizado o Sistema Braille e o recurso da informática por meio de computadores com sintetizadores de voz e ampliadores de tela. O Sistema Braille é o principal meio de comunicação e escrita da pessoa com deficiência visual. Esse sistema de leitura e escrita por meio de pontos em relevo é usado, atualmente, em todo o mundo. Trata-se de um sistema que se adapta a todas as necessidades dos usuários cegos. Foi inventado por Louis Braille, jovem francês, em 1825. O Sistema Braille é composto por seis pontos, que são agrupados em duas filas verticais com três pontos em cada fila (cela Braille). A combinação desses pontos forma 63 caracteres que simbolizam as letras do alfabeto convencional e suas variações como os acentos, a pontuação, os números, os símbolos matemáticos e químicos e até as notas musicais. Veja a disposição iconográfica a seguir:

A leitura por meio dos pontos em relevo permite as pessoas cegas constatar os que as pessoas sabem e pensam, ou seja, permite conhecimentos. Por meio da escrita em relevo a pessoa cega pode expressar seus conhecimentos e pensamentos. O Sistema Braille abre janelas e portas para a comunicação, educação e cultura das pessoas cegas. A informática por meio de computadores com sintetizadores de voz ou ampliadores de tela facilitou a vida das pessoas com deficiência visual,

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trazendo-lhe independência e autonomia no meio familiar, social, educacional e profissional. Podemos citar como sintetizadores de voz: Dosvox, Virtual Vision e Jaws. Esses programas permitem identificar e interpretar para o deficiente visual por meio de voz o que está na tela do computador. Como ampliadores de telas podemos citar: Zoom Text, Magic, Lupa digital e Acessibilidade do Windows. Esses programas ampliam os caracteres exibidos na tela do computador. Na área da surdez as dificuldades de leitura e escrita apresentadas por grande parte das pessoas surdas, têm preocupado profissionais envolvidos na educação de crianças, jovens e adultos surdos há muito tempo. Um projeto educacional de qualidade para surdos deve enfocar como premissas básicas: uma educação bilíngüe para surdos que vê a língua de sinais como primeira língua e o português escrito como segunda língua, dando direito do leitor utilizar duas línguas sem detrimento, mas com respeito a sua diferença e dando lhe oportunidade de poder escolher que língua irá utilizar e em que situação; e a atuação de educadores bilíngües (surdos e ouvintes), como interlocutores no processo de aquisição da linguagem. Estes pressupostos oportunizarão o avanço acadêmico dos alunos surdos, em condições de igualdade com os demais alunos do sistema educacional. Existem várias razões para o fracasso de leitores surdos: a falta do domínio da língua oral, os processos a que são submetidos no ensino do português através de práticas estruturadas repetitivas, sem contexto com uma lista de palavras a serem copiados obedecendo a regras de formação de palavras através de silabas, vocábulos ,sem clareza, e coesão de produção de enunciados; toda compreensão do processo de leitura fica prejudicado. É necessário que haja um bom desenvolvimento e aperfeiçoamento da LIBRAS, introduzida precocemente, para que este aprendizado possa auxiliar o Surdo na aprendizagem da língua portuguesa sua 2ª língua. Um dos maiores problemas que envolvem a educação dos surdos é a de não poder se expressar-se através da escrita de sua própria língua , fazendo o uso da língua oral para escrever, sendo que esta não é sua língua natural, pois o código escrito de uma língua oral se fundamenta na fonética na grafia dos sons, dificultando sue aprendizado A língua de sinais escrita (sign write) foi desenvolvida de maneira a demonstrar movimentos no espaço, e a representação de sua escrita deve estar correlacionada a escrita destes sinais.Esta capta as relações que a criança estabelece naturalmente com a língua de sinais. Se as crianças surda tivessem acesso a essa forma escrita para construir suas hipóteses a respeito da escrita, a alfabetização seria uma conseqüência do processo . É necessário que o Surdo compreenda que a língua escrita dos sinais não tem nada a ver com o português, pois são duas línguas separadas, cada uma com seu sistema de escrita.

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O uso do computador e ambientes telemáticos Outro grande recurso que vem sendo utilizado como prática discursiva são as possibilidades de uso de meios telemáticos, particularmente o correio eletrônico e o orkut, No processo de comunicação e interação entre crianças e jovens surdos estes recursos além de provocar o uso significativo do português escrito constitui espaço importante para a função organizadora e reguladora da linguagem em exercício. Tendo o computador como ferramenta educacional que auxilia no processo de ensino e de aprendizagem, possibilitando vivências e situações que facilitam o desenvolvimento das potencialidades dos Surdos através da interação entre o sujeito e o objeto podemos citar que ambientes interativos podem ser vistos como sistemas abertos, condizentes com a abordagem construtivista/interacionista, e propiciam facilidades de pesquisa, vasta quantidade de informações e meios de interação com outros usuários, favorecendo a aquisição e construção de novos conhecimentos de maneira crítica e criativa. O uso de imagens e jogos Segundo Gesueli & Moura (2006) a imagem tem um papel importante na educação de surdos mas é ainda pouco reconhecido entre os educadores, enfatiza que dada a característica visual da língua de sinais essa discussão deve estar presente no campo da surdez e propõe uma reflexão maior sobre o papel da imagem no processo de escolarização dos surdos Portanto, torna-se necessário que o surdo tenha acesso às diversas fontes de conhecimento, através de vários recursos semióticos na construção do conhecimento. e na apropriação do português como segunda língua. Além disso, pessoas e profissionais (professores, fonoaudiólogos...) interessados em conhecer, entender e lidar melhor com o surdo, podem encontrar referências muito boas na rede WWW. O que se percebe é o grande potencial pedagógico e integrador desta nova realidade. Várias pesquisas estão em curso, e muitas outras ainda são necessárias para, de fato, poder-se fazer uso da potencialidades que as novas tecnologias parecem oferecer. E) Leitura e escrita numa perspectiva em rede: a transversalidade a partir de uma intervenção pedagógica multidimensional. Cumpre ao professor, a ampliação de sua visão acerca do conhecimento, dos saberes pedagógicos necessários ao desenvolvimento de sua atribuição, das possibilidades de sua própria formação profissional continuada e acerca dos princípios que prezam pela dignidade, eticidade

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(dentre outros) humanas: sua, dos seu alunos, de sua comunidade e do homem em todo o universo de sua produção. Em obra anterior (Lima, 2003) sinalizamos que esta ampliação necessária se caracteriza pelo “desarmarse” acerca de concepções acabadas sobre o conhecimento historicamente produzido, isto é, cabe ao educador assumir que através dos tempos o conhecimento do homem se amplia e se refaz, se corrige e possibilita novas leituras de um mundo que precisa ser redescoberto a cada encontro e a cada achado científico que se quer, por sua vez, deve ser estudado e entendido à luz de suas teias relacionais intrínseca e extrinsecamente dada a amplitude de “totalidade”. O fenômeno educacional no contexto escolar e a formação do professor são elementos que não devem ser tomados como relações polarizadas e distantes, uma vez que no processo de aprender-ensinaraprender existem leituras que não se limitam a um ou a outro pólo e muito menos somente a bipolarização enfatizada, pois são solicitações de encaminhamentos que estão difusas na totalidade social e que demandam uma transpenetração dos saberes (todos), trazendo à luz a explicitação de sua realidade concreta. Portanto, os saberes pedagógicos estão intrinsecamente articulados como elementos de conscientização do professor e sua atuação numa sociedade conflituosa contribuindo para uma intervenção política de reflexão-na-ação sobre a realidade vivida. O olhar de unidade na diversidade de leituras sobre o contexto escolar é um dos principais instrumentos dos saberes pedagógicos da educação contemporânea, pois assim como o próprio o homem que se redescobre em cada etapa de sua existência, também o conhecimento de si e do mundo vai se desdobrando sobre distintas perspectivas, construindo-se e reconstruindo-se numa ação comunicativa dinâmica. Exatamente por esta via que na formação do professor um primeiro pilar se fundamenta na aprendizagem contínua e na ênfase de “aprender a conhecer”, isto é, tornando possível a escola e aos seus pares a reivindicação da educação de qualidade que de fato desejam como desvelamento do homem como cidadão no mundo e das concepções profissionais necessárias às intervenções no processo ensino-aprendizagem, na escola e seu entorno. Se sua formação deve contemplar uma rede multidimensional de conhecimento o seu fazer pedagógico deve, necessariamente estar articulado com o processo de aquisição transversal da cultura, no caso da Educação de Jovens e Adultos, a leitura e escrita ressignificadas. Assim, não vale somente uma prática pedagógica centrada em fazeres linearistas, perdendo-se de vista os fins e objetivos educacionais, mas aquela que modifica tanto o universo do educador quanto do educando em mútuos intercâmbios, resultando no crescimento de todos e no alcance da função social da escola: preparação para o exercício da cidadania.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS É no processo de formação de uma perspectiva transdisciplinar que o educador ressignifica as suas intervenções no cotidiano escolar. Neste caso, vale ressaltar a importância da utilização de todos os meios necessários (como destacado os recursos midiáticos) para a consecução das finalidades educacionais. Contribuirá para isso a tomada de consciência sensibilizada para a contemporaneidade, onde não se admite um discurso desprovido encaminhamentos concretos na resolução de conflitos intra-escola e nem mesmo uma ausência de comprometimento político nas reivindicações legítimas da escola e sociedade que se deseja materializada. Este artigo procurou enfocar algumas das multidiversidades interventivas dos docentes, como uma provocação recorrente, consequentemente, geradora de posicionamentos transformadores de uma sociedade em mudança. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARBOSA, José J. A leitura da escrita hoje. In: Alfabetização e leitura. São Paulo: Cortez, 1990. GESUELI Z.M., MOURA L.letramento se surdez: Visualização das Palavras. In Educação temática digital, campinas,v 7 nº. 2 p 110-122 ,junho 2006 KYLE, JG. Compreendendo o desenvolvimento dos sinais: uma base para o Bilingüismo. In Moura MC, ABC, Lodi e Pereira, MCC (org.): Língua sinais e educação do surdo. Sao Paulo, Tec Art, 1993. LIMA, Paulo Gomes. Fundamentos teóricos e práticas pedagógicas. Engenheiro Coelho/SP: Centro Universitário Adventista de São Paulo, 2007. _______________. Saberes pedagógicos da educação contemporânea.. Engenheiro Coelho/SP: Centro Universitário Adventista de São Paulo, 2007. _______________. Tendências paradigmáticas na pesquisa educacional. Artur Nogueira/SP: Amilpress, 2003. LODI, A. B. C. Leitura e escrita em crianças surdas: um estudo das estratégias utilizadas durante o período de aprendizagem. Tese de mestrado, PUCSP, 1996. SEVERINO, A. J.. Educação e transdisciplinaridade: crise e reencantamento da aprendizagem. Rio de Janeiro, Lucena, 2002. SKLIAR, C. (Org.). Atualidade da educação bilíngüe para surdos. Porto Alegre: mediação,1999 TECNOLOGIA assistiva. Brasília: BRASIL, Ministério da Ciência e Tecnologia, 2005.

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