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Resumo e Resenha a Era Dos Direitos

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UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA

Resumo e Resenha da Obra “A Era dos Direitos”, Norberto Bobbio

Disciplina: Ciência Política e TGE – Norte da Ilha Alunos: Luiz H. Cauper, Sérgio Medina, Samuel *****

característica na formação do estado moderno ocorrida na relação entre estado e cidadão. Para compreensão da sociedade. são direitos históricos. de Norberto Bobbio • Resumo por capítulos Introdução Por sugestão de Luigi Bonanate e Michelangelo Bovero. passando o direito do cidadão algo que o estado deve conservar. é preciso partir de baixo. “Novos carecimentos nascem em função da mudança das condições sociais e quando o desenvolvimento técnico permite satisfazê-los” É orientado pelo autor. terceira e quarta geração.Florianópolis – Novembro de 2010 Resumo e resenha da obra “A era dos direitos”. não todos de uma vez e nem de uma vez por todas” O autor menciona os direitos de primeira. “Os direitos dos homens. . segunda. o critério é o fundamento. o autor reúne alguns de seus artigos considerado por ele principais. É explicado também a forma de explicação dos problemas Históricas e Teóricas.Na distinção entre “moral rights” e ”legal rights”. dos indivíduos que a compõem. foi resultado de uma pesquisa filosífico-histórico apartir da inversão. por mais fundamentais que sejam. A democracia protege e reconhece os direitos dos homens. São apresentadas aqui os artigos que fazem parte da obra. Na distinção entre”direitos naturais” e “direitos positivos”. em oposição à concepção orgânica tradicional. e entre “direito legal” e “direito positivo”por parte do leitor. É destacado aqui a importância da Democracia. ou seja. a temática de seus trabalhos é “direitos dos homens”. e nascidos de modo gradual. A paz é um pressuposto necessário para o reconhecimento e proteção dos direitos dos homens em cada estado e sistema internacional. E o direito do homem dever ser sobreposto a qualquer estado. Onde a os deveres do súdito deixa de ser prioridade do estado. caracterizadas por lutas em defesa de novas liberdades contra velhos poderes. nascido em circunstancias . paz e diretos do homen. segundo a qual a sociedade como um todo vem antes dos indivíduos. a comparação entre “direito moral” e “direito natural” . é a origem. O autor afirma que a coletânea “A era dos direitos”.

8 – Além destas 4 dificuldades mencionadas anteriormente. b) Se um fundamento é possível. 2 – O problema do fundamento de direito apresenta-se quando discutidos um direito que se tem ou de um direito que se gostaria de ter. mas sim defendê-los buscando vários fundamentos possíveis devido a crise de fundamentos. mais um problemática surge devido à dogmática ético: Os valores não só podem ser demonstrados como teoremas. Essa questão não é uma problemática de direito positivo.Sobre os Fundamentos dos Direitos do Homem 1 – Temas abordados: a) Qual é o sentido do problema que nos pusemos acerca do fundamento absoluto dos direitos do homem. caso seja possível. 3) Fato de ser inexeqüível. é também desejável. . torná-los em certo sentido inquestionáveis e irresistíveis) parq que seja assegurada sua realização. 3 – A idéia de encontrar um fundamento irresistível torna-se uma ilusão devido ao fato da própria natureza humana revelar-se frágil e carente de uma definição universalmente válida e imutável. a problemática dos direitos fundamentais perdeu seu interesse. mas de que basta demonstrá-los (ou seja. c) Se. 2 ) Após os governos aderirem à Declaração Universal dos Direitos Humanos. 3) Heterogeneidade do direito. 4) Contraste entre o direito fundamental de uma categoria de pessoas e o direito igualmente fundamental de uma outra categoria de pessoas. 9 – O maior interesse hoje não é encontrar um conceito do direito fundamental do homem. Esse segundo dogma do racionalismo ético é desmentido pela experiência histórica. 2) O relativismo do direito criado pela alteração em sua semântica no decorrer da história. 4 – A busca do fundamento absoluto de direito do homem é infundada. mas de direito racional ou crítica (direito natural). Há 4 dificuldades que comprovam essa afirmação: 1) A definição imprecisa e genérica de “direito do homem”. Será exposto 3 argumentos: 1) Não se pode dizer que os direitos do homem tenham sido respeitados nas épocas em que os eruditos afirmavam ter encontrado seu fundamento absoluto.

passando a ser desnecessário a apresentação de um conceito absoluto. dos direitos positivos universais”. são as medidas imaginadas e imagináveis para a efetiva proteção desses direitos. a qual se recusa à qualquer argumentação racional. 2) apelo à evidência. pode ser considerados sob três aspectos: promoção (conjuntos de ações que são orientadas para induzir os Estados que não têm uma disciplina específica para a tutela de direitos do homem a introduzi-la ou induzir os que já têm a aperfeiçoá-la). que começa pela universalidade abstrata dos direitos naturais. Existem 3 modos de fundar os valores: 1) Deduzindo-os a um dado objetivo constante. mas também ela concreta. transfigura-se na particularidade concreta dos direitos positivos. criando não só uma comunidade de estados. Ou seja. como fonte de inspiração e orientação de seu crescimento. Jurídica-política e substancial. levando em consideração à natureza humana. controle ( conjunto de medidas para verificar se e que grau as recomendações foram . As formas de controle social adotada pela comunidade internacional pode ser. “A Declaração Universal contém em germe a síntese de um movimento dialético. Com a Declaração Universal dos Direitos Humanos.Tais problemas podem ser de duas naturezas. e termina na universalidade não mais abstrata. A maior problema ao defender a Declaração.O Presente e Futuro dos Direitos do Homem Hoje o maior interesse dos juristas de dos filósofos não deve ser a procura de uma nova formulação do conceito do direito fundamental do homem. 3) Mostrar valores que são apoiados no consenso. e sim a defesa dos direitos até então identificados e formulados. mas de indivíduos livres e iguais”. As atividades aqui implementadas pelos organismos internacionais tendo em vista a tutela dos direitos do homem. “um sistema de valores universais foram adotados por 48 estados nacionais. “deve-se encorajar e a ampliar o respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais”. a Declara Universal dos Direitos Humanos deixa claro a adoção de certos valores como direitos fundamentais. Pois. a influência e o poder.

O processo de evolução dos direitos do homem.mais do que de seus direitos. ao ser questionado se em meio à tantos problemas surgindo. na qual combate tal método. a secularização da ética cristã”. como principal. substituindo a jurisdição nacional. Infelizmente esse método está “morto” devido a obra de Karl Jasper.acolhidas. não se complementam. a tratadística política fala dos seus deveres. a intensa degradação do meioambiente e o desenvolvimento de armas cada vez mais destrutivas. que é precisamente a obrigação. como o aumento da desenfreado da população.o tema da obrigação política. A Era dos Direitos O Autor. pelo contrário. na qual o indivíduo singular desaparece enquanto sujeito de direitos”. que pode ser considerado. podendo ser os comunicados ou relatórios) e a garantia (criando uma nova jurisdição mais alta. pois com o aumento do poder diminui-se a liberdade. . válidos também contra o poder de governo. São várias as perspectivas que se podem tratar os direitos do homem. Esse método ao utilizado. mas é o povo em sua totalidade. ele simplesmente responde que sim. uma delas é a filosofia da história. no máximo. “A doutrina filosófica que fez do indivíduo. baseada somente em sinais ou fatos significativos na história. pode ser dividido em três fases: conversão em direito positivo. Ao tema do poder de comando. um sujeito passivo. assumindo assim uma importância não mais nacional. são incompatíveis. generalização e internacionalização. Se se reconhece um sujeito ativo nessa relação. não apresenta qualquer prova. de observar as leis. “O indivíduo singular é essencialmente um objeto do poder ou. Poder e liberdade. considerada primária para o cidadão. pois além da temático dos direitos do homem está se tornando cada vez mais freqüente em fóruns e congressos. o de obedecer às leis. entre os quais ressalta. corresponde – do outro lado da relação. ele não é um indivíduo singular com seus direitos originários. o ponto de partida para a construção de um doutrina da moral e do direito foi o jusnaturalismo. por uma internacional). e sim internacional. e não mais a sociedade. sob muitos aspectos ( e o foi certamente nas intenções de seus criadores). Direito e dever são características que definem a ética.

que justificam um tratamento não igual. “Como a efetivação dos direitos do homem ocorreu depois da segunda guerra. b) extensão da tutela de alguns direitos típicos a diversos sujeitos do homem. onde os direitos dos homens são poucos e essenciais: o direito à . Essa universalidade (ou distinção. mais sujeitos. mais status do indivíduo”. c) O homem não é mais considerado como ente genérico. existem diferenças de indivíduo para indivíduo. em relação ao soberano. No Estado absoluto. ou não-distinção) na atribuição e no eventual gozo dos direitos de liberdade não vale para os direitos sociais.Com relação aos direitos políticos e sociais.Porém será dado importância a sua multiplicação ( ou sua “proliferação”). a qual – para justificar a existência de direitos pertencentes ao home enquanto tal. Em síntese. a universalização do direito e sua multiplicação. direitos privados. e nem mesmo para os direitos políticos. independentemente do Estado – partiria da hipótese de um estado de natureza . A doutrina dos direitos do home nasceu da filosofia jusnaturalista.No Estado de direito. mas é visto em sua especificidade ou na concreticidade. em face do Estado. mais bens.Tal multiplicação ocorreu em três modos: a) Aumento da quantidade de bens considerados merecedores de tutela. diferenças que são até agora ( e o são intrinsecamente) relevantes. não se podem deixar de levar em conta determinadas diferenças. diante dos quais os indivíduos são iguais só genericamente. ou melhor. Pois muito se discute sobre tais direitos. na afirmação e no reconhecimento dos direitos políticos. mas não especificamente. o indivíduo tem. a prática e a teoria dos direitos do homem andam em velocidades desiguais. Direitos do Homem e da Sociedade Infelizmente. Isso quer dizer que.No estado despótico. não só direitos privados. há muitos aspectos inerentes ao direito que devem ser abordados em duas direções. pouco se pões em prática ou defende-se os direitos. de grupos de indivíduos para grupos de indivíduos. ou homem abstrato. O Estado de direito é o Estados dos cidadãos. os indivíduos singulares só têm deveres e não direito. os indivíduos possuem. mas também direitos públicos.

tão evidente que agora já não pode ser negligenciada. ao que é puramente moral”. em 26 de Agosto de 1789. e também todos os direitos de agir como indivíduo para o próprio bem-estar e para a própria felicidade que não sejam lesivos aos direitos naturais dos outros”. Para Kant. o entusiasmo como a “participação no bem com paixão”. que compreende algumas liberdades essenciais e negativas. o nascimento dos direitos sociais apenas tornou essa conexão mais evidente. que assinalam o fim de uma época e o início de outra. e que a causa moral desse entusiasmo era “o direito que tem um povo de não ser impedido por outras forças de dar a si mesmo uma constituição civil que ele crê boa”. Distinguia três formas de governo: o fundado na superstição. pelo menos simbolicamente. A conexão entre mudança social e mudança na teoria e na pratica dos direitos fundamentais sempre existiu. e sempre ao que é ideal. ou direitos da mente. se baseando no processo da Revolução Francesa. A esse gênero pertencem todos os direitos intelectuais. afirma que “São direitos naturais os que cabem ao homem em virtude de sua existência.vida e a sobrevivência. o fundado na força e um terceiro. explicava logo após o “verdadeiro entusiasmo se refere só. A Revolução Francesa e os Direitos do Homem A declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão foi aprovada pela Assembléia Nacional. . e o direito à liberdade. que inclui também o direito à propriedade. fundado no interesse comum. Kant considera que “a liberdade jurídica é a faculdade de só obedecer as leis externas às quais pude dar meu consentimento”. Para Burke. Os testemunhos da época e os historiadores estão de acordo em considerar que esse ato representou um daqueles momentos decisivos. que ele chamava de governo da razão.

o terceiro. O núcleo doutrinário da Declaração está contido nos três artigos iniciais: o primeiro refere-se à condição natural dos indivíduos que precede a formação da sociedade civil.o direito natural. um povo como o francês. Alguns anos antes. Forma os princípios de 1789 que constituíram. “Duas diferenças básicas entre as constituições Francesa e Americana. o segundo. o governo fundado no contrato social. quanto um juízo de valor sobre a superioridade moral e política de um em relação ao outro”. que os torna independentes. bem como seu fundamento. ao princípio de legitimidade do poder que cabe à nação. à finalidade da sociedade política. princípios invocados pelos primeiros e execrados pelos segundos. que vem depois (não cronologicamente. o modelo ideal para todos os que combateram pela própria emancipação e pela libertação do próprio povo. A comparação entre as duas revoluções e as respectivas enunciações de direitos é um tema ritual. do que a liberdade”. a democracia como governo de todos. a república como governo que rechaça para sempre a lei da hereditariedade. pelos Bill of Rights. idêntico era o desfecho. passando a se tornar uma entidade que deve apenas “defender” e dar condições mínimas de igualdade e liberdade para que os súditos alcancem a felicidade. A Herança da Grande Revolução “Com a Revolução Francesa. criou-se uma imagem de um evento político extraordinário que. Mas alguns pesquisadores contrários a esta nova tese. Apesar da influência até mesmo imediata que a revolução das treze colônias teve na Europa.Paine.estava disposto a receber “a liberdade em toda a sua energia”. de algumas colônias norteamericanas em luta contra a metrópole. composto por uma multidão imensa de súditos sem propriedade. . dói feita a declaração de direitos. “enquanto um povo novo ( como o americano). que teria participado da Revolução Americana e da Revolução Francesa. 2) A declaração Francesa é mais individualista que a Americana”. 1) O dever do estado na constituição America é prover a felicidade aos súditos. pelo menos axiologicamente) do estado de natureza.Estudos recentes afirmam que a Revolução Francesa foi influenciada pela revolução francesa. o fato é que foi a Revolução Francesa que constituiu. afirmam dizendo que.Não se pode deixar de reconhecer que ambos têm sua origem comum na tradição do direito natural. por cerca de dois séculos. que compreende tanto um juízo de fato sobre a relação entre os dois eventos. rompendo a continuidade do curso histórico assinala o fim ultimo de uma época e o princípio de uma outra. esperava do governo “mais a segurança do trabalho. um ponto de referência obrigatório para os amigos e para os inimigos da liberdade. no bem como no mal. enquanto a Francesa. com isso ele pode notar que tinha princípios parecidos. não deixa claro essa função do estado. bem como da rápida formação no Velho Continente do mito americano.

. que não constituem um limite ao poder do estado. Ao se considerar um movimento histórico. é uma conquista posterior à proteção da liberdade pessoal. até chegarem a englobar os direitos sociais e a fragmentar o homem abstrato em todas as possíveis especificações. ao mesmo tempo. pela insólita magnitude das ameaças que pesam sobre nós. mas são uma conseqüência da limitação que o estado impõe a si mesmo. para não falar da liberdade política. primeiro sujeito ao segundo ou. Para o positivismo jurídico. Diante de tantos problemas. é necessário buscar um projeto preestabelecido. A ambigüidade tem se tornado um grande problema para a ciência. dando lugar a uma proliferação de cartas de direito que fazem parecer estreita e inteiramente inadequada a afirmação dos quatro direitos da Declaração de 1789”. segundo sujeito ao primeiro. criança e velho.A relação política pode ser dividida em direções: relação de poder recíproco. sadio e doente. anterior ao nascimento do próprio Estado. Kant e a Revolução Francesa “À medida que nossos conhecimentos se ampliaram (e continuam a se ampliar) com velocidade vertiginosa. essa compreensão é cada vez mais necessária”. a ser atribuído a um sujeito coletivo. de homem e mulher. pode-se dizer que a proteção da liberdade pessoal veio depois do direito de propriedade. a crescente dificuldade de encontrarmos soluções para nossos problemas de forma pacífica e feliz. “direitos reflexos” do poder do Estado. como ainda continuaram a se enriquecer com exigências sempre novas. mesmo na era do positivismo jurídico.sendo que duas interpretações opostas tomaram dominaram o século passado: Interpretação hegeliana e nietzchiana. “O reconhecimento gradual da liberdades civis. as proclamações dos direitos do homem e do cidadão não só não desaparecem. o espírito universal.Contudo. “Apesar da crítica antijusnaturalista. acaba se tornando um paradoxo do nosso tempo. os supostos direitos naturais não mais do que direitos públicos subjetivos. a razão. A esfera da propriedade foi sempre mais protegida do que a esfera da pessoa”. a compreensão de quem somos e para onde vamos tornou-se cada vez mais difícil. a natureza. Seja ele a providência. Quando muito.

no direito à resistência ( ou à revolução). O Importante é que se podem verificar os dois casos-limites. uma constituição cuja bondade consiste em ser ela a única capaz de evitar por princípio a guerra. o de uma resistência sem contestação (a ocupação de terras por camponeses famintos) e o de uma contestação que não se faz acompanhar por ato .Todavia compreendera que existe um limite para além do qual o antagonismo se faz demasiadamente destrutivo. Estas relações são bases para obtenção da paz. Somente a história profética (ou filosófica). tornando-se necessário um autodisciplinamento do conflito. ou seja. derivada inteiramente de indícios e não de fatos comprovados. Kant também considera a relação indíduo-estado (não sendo o dele). pode desafiar a ambigüidade do movimento histórico. como é exercido. do que ocorre com a história conjetural”. no dever da obediência. como os segundos. mas não tem a menor pretensão de verdade. como os primeiros. “o direito cosmopolita”. Hoje 1 – O problema da teoria política é o poder: como o poder é adquirido.“Mas fazer uma história completamente conjetural.Para Kant. julga necessário considerar mais um elemento em sua filosofia. A Resistência à Opressão. essa constituição só pode ser republicana. a história profética. mas o conflito. “Kant sabia muito bem que a mola do progresso não é a calmaria. ou.Diversa da história conjetural é. não a história empírica (mesmo que enriquecida pela história conjetural). que tem talvez um fim mais ambicioso ( o de descobrir a tendência de desenvolvimento da história humana) . além de considerar as relações. como é defendido e como é possível defender-se contra ele. para Kant. equivaleria a traçar a trama de um romance ou de um simples jogo de imaginação. como é conservado e perdido. indivíduoestado e estado-estado. que possa chegar até a constituição de um ordenamento civil universal. Kant. ao contrário. ou seja. O ponto central da tese Kantiana para o qual eu gostaria de chamar a atenção é que tal disposição moral se manifesta na afirmação do direito (direito natural) que tem um povo a não ser impedido por outras forças de se dar a constituição civil creia ser boa.Toda a história do pensamento político pode ser distinguida conforme se tenha posto o acento. dando uma resposta à questão de se a humanidade está ou não em constante progresso para o melhor.

“Extinta a eficácia da literatura política suscitada pela Revolução Francesa. C) as idéias libertárias continuam a alimentar pequenos grupos de utopistas sócias. b) Inversão radical da fórmula de Hobbes (para Hobbes. em relação tanto ao sujeito ativo quanto ao sujeito passivo do ato ou atos de resistências. uma ideológica (falta de crença no fenecimento natural do estado). C) Motivações e consequentes argumentações”. b) nos países onde ocorreu a revolução social. não se transformando num real movimento político.subversivo que possa ser chamado de resistência ( a ocupação de salas de aula na universidade. como acreditavam os liberais que juravam sobre a validade absoluta das leis da evolução. É importante ressaltar que: a) o desenvolvimento da sociedade industrial não diminuiu as funções do Estado. Haviam se iniciado dois processos paralelos de desconcentração do poder. com a conseqüente desmonopolização do poder ideológico-religioso. ainda que por enquanto apenas com algumas anotações. . Contra a Pena de Morte O tema de pena de morte é recente. “Entre as velhas teorias sobre o direito de resistência e as novas.Podem se indicar duas razões para esse declínio. que é certamente um ato de resistência. a idéia do desaparecimento do Estado foi por enquanto posta de lado. que encontraria sua garantia jurídica na proclamação da liberdade religiosa e liberdade de pensamento”. durante séculos. nem sempre caracterizou necessariamente a contestação do movimento estudantil). que deveriam ser aprofundadas: a) O problema da resistência é visto hoje como fenômeno coletivo e não individual. mas se o delinqüente se mostrar incurável. mas aumentou-as desmesuradamente. o problema de se era ou não justo condenar um culpado à morte sequer foi colocado. Platão reconhece a pena de morte quando afirma que “a pena deve ter a finalidade de tornar melhor. foi caracterizado por um processo de acolhimento e regulamentação das várias exigências da burguesia em ascensão. a morte será para ele o menor dos males”. que se instaurou progressivamente ao longo de todo o arco do século passado. no sentido de conter e delimitar o poder tradicional. outra institucional. todos os estados são bons). o problema do direito de resistência perdeu grande parte do seu interesse. O Estado liberal e democrático. há diferenças que merecem ser destacadas.

“A finalidade da pena não é senão impedir o réu de causar novos danos aos seus concidadãos e demover os demais de fazerem o mesmo”. da pena de morte. o mesmo que iria passar à história. fundado na relação meio-fim. Os dois maiores filósofos da época da Revolução Francesa. mas tornar a a pena de morte o indolor possível. o argumento fundamental dos abolicionistas foi o da força de intimidação. ainda que o eco de uma execução capital na imprensa substitua a antiga presença do público na praça. que o ponto de partida usado por Beccaria em sua argumentação é a função exclusivamente intimidatória da pena. Mas a afirmação de que a pena de morte teria menos força intimidatória do que a pena de trabalhos forçados era. desde já. uma afirmação fundada em opiniões pessoais.Kant afirma que o dever da pena de morte cabe ao Estado e é um imperativo categórico. a execução não se realiza a vista do público.De qualquer modo. por sua vez de avaliação psicológica do estado de espírito do criminoso. diante do patíbulo. do ponto de vista da argumentação. pelo assassinato indiscriminado . A contraposição entre abolicionistas e antibolicionistas é demasiadamente simplista e não representa exatemente a realidade. não um imperativo hipotético. um dos maiores defensores de sua abolição tivesse sido . não sufragada por nenhuma comprovação factual. não se pode dizer que o debate sobre a pena de morte. Enquanto os maiores filósofos da época continuavam a defender a legitimidade da pena de morte. a partir de Beccao da força. Apesar da persistência e da predominância das teorias antibolicionistas. Não há dúvida de que.É preciso dizer. . defendem uma rigorosa teoria retributiva da pena e chegam à conclusão de que a pena de morte é até mesmo um dever. como o maior responsável pelo terror revolucionário. tenha deixado de produzir efeitos. levantado por Beccaria. num famoso discurso à constituinte de maio de 1701.Robespierre. Kant e Hegel. na época. derivadas. Esse discurso de Robespierre deve ser recordado porque contém uma das condenações mais convincentes. Muitos estados não abolicionistas buscaram não apenas eliminar suplícios.

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