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O que é a tuberculose

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TUBERCULOSE

O que é a tuberculose? A tuberculose é uma doença infecciosa causada por um micróbio chamado “bacilo de Koch”. É uma doença contagiosa, que se transmite de pessoa para pessoa e que atinge sobretudo os pulmões. Pode também atingir outros órgãos e outras partes do nosso corpo, como os gânglios, os rins, os ossos, os intestinos e as meninges. Quais são os sintomas mais evidentes? De início, uma pessoa infectada pode simplesmente não se sentir bem ou ter uma tosse que é atribuída ao tabaco ou a um episódio recente de gripe. A tosse pode produzir uma pequena quantidade de expectoração verde ou amarela pela manhã. A quantidade de expectoração aumenta habitualmente à medida que a doença progride. Finalmente, a expectoração pode surgir raiada de sangue, embora não seja frequente encontrá-lo em grandes quantidades. Um dos sintomas mais frequentes é o facto de se acordar durante a noite empapado num suor frio que obriga a pessoa a mudar de roupa ou mesmo a trocar de lençóis. Este suor é devido à descida da ligeira febre de que o doente se não apercebe.

     

Tosse crónica; Febre; Existência e persistência de suores nocturnos (dos que ensopam o lençol); Dores no tórax; Perda de peso, lenta e progressiva; Falta de apetite, anorexia, apatia completa para com quase tudo o que está à volta.

Como se transmite?

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por vezes as bactérias não são destruídas. Através da tosse. Um doente com SIDA que aparece infectado com tuberculose tem 50 % de probabilidades de desenvolver uma doença activa antes de dois meses. cerca de 90 % a 95 % de todas as infecções por tuberculose saram sem que a pessoa sequer o note. Todavia. dependendo de diversos factores. espalha no ar pequenas gotas que contêm o bacilo de Koch. antes permanecendo inactivas dentro de determinados glóbulos brancos (chamados macrófagos) durante muitos anos. que o faz penetrar no nosso organismo.5 mil partículas são igualmente projectadas para a atmosfera. Se as bactérias que causam a infecção tuberculosa se tornam resistentes aos antibióticos. o índice de progressão depende. através da respiração. Note-se que um espirro de um doente com tuberculose projecta no ar cerca de dois milhões de bacilos. Todas as pessoas que entram em contacto com doentes tuberculosos podem ser contagiadas? 2 . da força do sistema imunológico do indivíduo. como a origem étnica. Por exemplo. Contudo. em particular. uma pessoa com SIDA e tuberculose tem 50 % de probabilidades de morrer num lapso de tempo de dois meses. Uma pessoa saudável que respire o ar de determinado ambiente onde permaneceu um tuberculoso pode infectar-se. A eclosão da tuberculose varia em grande medida de pessoa para pessoa. Aproximadamente 80 % das infecções tuberculosas são causadas pela activação de bactérias inactivas.A transmissão do micróbio da tuberculose processa-se pelo ar. De facto. do uso de corticosteróides ou da idade avançada). caso em que a afecção pode pôr a sua vida em perigo. Quando um doente com tuberculose tosse. As bactérias que vivem nas cicatrizes que a infecção inicial deixa (localizadas geralmente na parte superior de um ou de ambos os pulmões) podem começar a multiplicarse. cerca de 3. em virtude da SIDA. fala ou espirra. Geralmente uma pessoa infectada com tuberculose tem uns 5 % de probabilidades de vir a desenvolver uma infecção activa num período de um a dois anos. A activação de bactérias inactivas pode ter lugar quando o sistema imunitário do indivíduo não funciona bem (por exemplo. a progressão de uma infecção activa é muito mais provável e rápida nos doentes com SIDA. O sistema imunitário de uma pessoa afectada com tuberculose destrói habitualmente as bactérias ou então encerra-as no local da infecção.

3 . Quinze dias depois de iniciado o tratamento. ou seja. isto é. as crianças e as pessoas muito debilitadas por outras doenças. acaba por não resistir. por vezes. Como se previne? A prevenção é a arma mais poderosa e genericamente usada em todo o mundo. É feita através da vacina BCG (Bacilo de Calmette e Guérin). obrigatória e tomada por milhões de crianças em todo o mundo. motivo pelo qual quando fragilizado por alguma outra doença. Que factores facilitam o contágio?  Estar na presença de um doente bacilífero (aquele que elimina muitos bacilos através da tosse. A maior parte das vezes o organismo resiste e a pessoa não adoece. a diabetes ou o alcoolismo. Os idosos têm também mais possibilidades de adoecer logo após estarem em contacto com um tuberculoso. que eliminem o bacilo no ar. com o ar que este respira. é provável que o paciente já não elimine os bacilos de Koch. através da tosse. como a sida.  Permanecer vários dias em contacto com doentes tuberculosos. dos espirros.Não. por isso. da fala). que é aplicada nos primeiros 30 dias de vida e capaz de proteger contra as formas mais graves de tuberculose. mas continua a albergar o micróbio. espirro ou fala. o organismo resiste no momento. Entre as pessoas que mais probabilidades têm de contrair esta infecção. Todos os pacientes com tuberculose podem transmitir a doença? Não. contam-se os idosos. Quem tem tuberculose noutras partes do corpo não transmite a doença a ninguém porque não elimina o bacilo de Koch através da tosse.  Respirar em ambientes pouco arejados e nos quais há predominância de pessoas fragilizadas pela doença. apenas os doentes com o bacilo de Koch no pulmão e que sejam bacilíferos. Contudo. Os doentes com tuberculose que já estão a ser tratados não oferecem perigo de contágio porque a partir do início do tratamento este risco vai diminuindo dia após dia. É. o cancro.

uma vez que possibilita o aparecimento de 4 . Se o doente seguir a prescrição do médico e as suas indicações. feito em casa e acompanhado no centro de saúde ou no hospital da área de residência do doente. Este tratamento dura cerca de seis meses e deve ser sempre acompanhado pelo médico de família do seu centro de saúde. No caso de um doente com tuberculose noutras partes do corpo. A tuberculose tem cura? Sim. inclusive originando outras complicações. Porém. Quando um doente abandona ou interrompe o tratamento que lhe foi prescrito.Deve ainda tratar-se. nem mesmo se os sintomas desaparecerem. as pessoas ficam muito fragilizadas e precisam de muito apoio. o tratamento deve ser ambulatório. A tuberculose mata? Sim. ou seja. isoniazida e pirazinamida. aumenta também a probabilidade de vir a morrer da doença. Nestas circunstâncias. e procurar não respirar em ambientes saturados. as oportunidades de cura atingem os 95 por cento. o tratamento consiste na combinação de três medicamentos: rifampicina. se o diagnóstico não for feito no início da doença e os pulmões do doente ficarem gravemente afectados. é fundamental não interromper o tratamento em hipótese alguma. para que o contágio não prolifere. Como se trata? Quando alguém adoece por causa do micróbio da tuberculose e fica tuberculoso. a probabilidade de vir a morrer na sequência da tuberculose é muito elevada. Em que situações é preciso internar um doente com tuberculose? Na maior parte dos casos. Quando o doente contrai uma meningite tuberculosa tem forçosamente de ser internado. Se uma pessoa com tuberculose não recorrer aos serviços médicos competentes e se não for tratada atempada e convenientemente. pouco arejados e pouco limpos. o médico tem que observar o paciente e decidir se precisa do internamento. Mas para que assim seja. o mais breve possível. cabe ao médico tomar a decisão. os doentes com tuberculose.

Através dos resultados destes dois exames estará. a situação é menos favorável nas grandes áreas urbanas de Lisboa. onde se concentra a maior parte dos casos registados no país e onde o ritmo de declínio é mais 5 . resistentes aos medicamentos actualmente usados pelos médicos para o tratamento e controlo da tuberculose. é recomendável que consulte o médico do centro de saúde da sua área de residência. é necessário parar de beber e de fumar? Sim. Caso persistam dúvidas ou alguma impossibilidade por parte do paciente em seguir estas recomendações. As grávidas podem ser tratadas com os medicamentos habituais para a tuberculose? Sim. pois os medicamentos costumam ser seguros. a associação entre medicamentos e bebidas alcoólicas. Contudo. assiste-se a uma redução acentuada do nível endémico da tuberculose. com uma evidente redução da prevalência da resistência aos antibióticos específicos. designadamente as que se relacionem com a saúde da mãe e do bebé. Podem até gerar-se outras complicações. como se sabe. por exemplo. É também desejável e necessário que o paciente pare de fumar. Não é aconselhável. então. Este médico pode pedir-lhe para fazer o exame do escarro ou baciloscopia e também uma radiografia ao tórax. o aparecimento de hepatite. Mas também neste caso se aconselha a consulta e uma conversa com o médico assistente para esclarecimento de dúvidas. como. em condições de avançar com o diagnóstico e encaminhá-lo para os serviços médicos competentes. Porto e Setúbal. directamente associada à melhoria dos índices de desempenho do Plano Nacional de Luta Contra a Tuberculose (PNT). Se for diagnosticada uma tuberculose.novos bacilos de Koch. aconselha-se conversar com o médico ou com o responsável de saúde do centro de saúde da sua área de residência. Como se diagnostica? Se tossir consecutivamente durante cerca de três semanas. Situação em Portugal Em Portugal. até porque isso melhorará a sua saúde como um todo e beneficiará a recuperação dos pulmões.

Em Portugal. por respirar ou engolir líquido amniótico infectado. Em relação à União Europeia. dos serviços dedicados ao tratamento e prevenção da tuberculose. a tuberculose só se transmite inalando ar contaminado com Mycobacterium tuberculosis num ambiente fechado. um feto pode adquirir tuberculose através da mãe. destacam-se os Centros de Diagnóstico Pneumológico Como se desenvolve a infecção Actualmente nos países desenvolvidos. depois de nascer. Nos países em vias de desenvolvimento. as crianças podem infectar-se com outra micobactéria que cause 6 . Para que o ar se contamine. antes ou durante o nascimento. Estando em curso uma profunda reforma do sistema de saúde. Plano de intervenção na co-infecção TB/VIH.lento. uma pessoa com tuberculose activa terá de expelir as bactérias com a tosse e estas poderão permanecer no ar durante várias horas. importa alertar para a necessidade de salvaguardar a operacionalidade dos serviços dedicados à tuberculose. com consequente impacto negativo no sucesso terapêutico e no aumento da resistência aos fármacos. No entanto. ao respirar ar que contenha gotículas infectadas. Implementação dos tratamentos personalizados (estratégia DOTS-plus). de forma a enfrentar com eficiência os quatro principais desafios do Plano Nacional de Luta Contra a Tuberculose:     Implementação da estratégia global DOTS. e um lactente pode contrair a doença. Portugal é um dos países com maior incidência de casos notificados e com maior expressão dos aspectos que lhe conferem o carácter de infecção emergente. Intervenção activa na comunidade para cura e detecção de novos casos. Nestas áreas. incidem com particular intensidade os mais determinantes factores de risco.

Em geral torna-se difícil estabelecer o diagnóstico. A tuberculose activa começa habitualmente nos pulmões (tuberculose pulmonar). Ocasionalmente as bactérias disseminam-se pelos canais linfáticos até formar um grupo compacto (massa) de gânglios no pescoço. pode ser transmitido através do leite não pasteurizado. Como no caso dos pulmões.tuberculose. os gânglios linfáticos podem aumentar de volume e comprimir os brônquios. Os rins e os ossos são provavelmente os locais onde 7 . possivelmente. chamado Mycobacterium bovis. A tuberculose que afecta outras partes do organismo (tuberculose extrapulmonar) costuma provir de uma infecção tuberculosa pulmonar que se disseminou através do sangue. esta não prossegue o seu avanço e as bactérias são inactivadas. Contudo. Numa primoinfecção tuberculosa as bactérias transferem-se da lesão do pulmão para os gânglios linfáticos que drenam esse órgão. Aproximadamente 95 % dos derrames pleurais que afectam os adultos jovens são causados por uma infecção recente por Mycobacterium tuberculosis. dado que as bactérias podem permanecer inactivas acantonadas numa pequena cicatriz. nas crianças. Se as defesas naturais do organismo puderem controlar a infecção. Cerca de um terço das infecções que se declaram fazem-no sob a forma de derrame pleural. Este organismo. numa doença denominada tuberculose extrapulmonar. causando uma tosse metálica e até. cerca de metade das infecções acabariam por se converter numa verdadeira tuberculose do pulmão ou de outro órgão. Estes gânglios linfáticos podem rebentar. romper a pele e deixar sair o pus através dessa abertura. A tuberculose pode afectar outros órgãos do corpo além dos pulmões. Sintomas e complicações A dificuldade em respirar pode indicar a presença de ar (pneumotórax) ou líquido (derrame pleural) no espaço da pleura. um colapso pulmonar. caso contrário. mas os médicos experientes sabem que a referida situação deve ser tratada como tuberculose porque. a infecção pode não causar doença.

Quando a tuberculose se propaga ao pericárdio (o saco membranoso que rodeia o coração). causando artrite tuberculosa. mais probabilidades há de que ocorram danos cerebrais irreparáveis. os intestinos e as glândulas supra-renais. Uma infecção tuberculosa localizada na base do cérebro (meningite tuberculosa) é extremamente perigosa. a tuberculose pode propagar-se para a bexiga. a meningite tuberculosa é. formando uma tumefacção no escroto. chamada peritonite tuberculosa. causando a sua ruptura. A partir daí. mas a infecção é capaz de destruir parte desses órgãos. Quanto mais se atrasar o tratamento. A articulação fica inflamada e dói. às vesículas seminais e ao epidídimo. mas os ossos do pulso. actualmente. Os sintomas desta doença. desde a nascença até aos 5 anos. enquanto a pessoa afectada de meningite tuberculosa melhora. Este pode provocar sintomas como fraqueza muscular. dilatação das veias do pescoço e dificuldade em respirar. mais frequente entre as pessoas de idade avançada. este dilata-se em virtude da presença de líquido. podem variar desde a fadiga e queixas de estômago ligeiras com alguma dor à palpação até uma dor intensa parecida com a da apendicite. Este líquido pode afectar o bombear de sangue por parte do coração. da mão e do cotovelo também podem ser lesados. uma doença conhecida como pericardite tuberculosa. A nuca costuma estar tão rígida que o queixo não consegue tocar no peito. pode não provocar muitos sintomas. A tuberculose pode infectar a pele. a infecção também se pode propagar à próstata. Nos países em vias de desenvolvimento. náuseas e sonolência que pode acabar em coma. a infecção pode propagar-se ao peritoneu (a membrana que reveste a cavidade abdominal). pode ter-se formado no cérebro uma massa semelhante a um tumor chamada tuberculoma. Os sintomas são febre. As mais frequentemente afectadas são as que suportam mais peso (as ancas e os joelhos). diferentemente de outras infecções vesicais. Por vezes. Nos homens. Os sintomas da meningite tuberculosa são febre. A tuberculose dos rins pode determinar poucos sintomas. dor de cabeça constante. Registaram-se mesmo casos em que a infecção se localizou na parede da aorta (a principal artéria do corpo). a tuberculose pode cicatrizar os ovários e as trompas de Falópio. mas. A partir dos ovários. Nas mulheres. provocando esterilidade. Em alguns países desenvolvidos. é mais frequente entre as crianças. A infecção pode propagar-se até uma articulação.mais frequentemente se desenvolve a tuberculose extrapulmonar. semelhante à causada 8 .

entre eles figuram a perda de peso. A tuberculose intestinal pode não causar nenhum sintoma. Nas crianças as bactérias podem infectar a coluna (as vértebras) e as extremidades dos ossos conmpridos dos braços e das pernas. arrepios. Dado que a membrana mucosa do tubo digestivo é resistente às bactérias. Nos países em vias de desenvolvimento. Esta infecção recebe o nome de tuberculose miliar devido aos milhões de pequenas lesões do tamanho de um grão de alpista. as pequenas sementes arredondadas que as aves silvestres comem. é possível que a pessoa tenha uma anemia intensa e outras anomalias do sangue. só se verificará uma infecção se um grande número destas permanecerem no intestino delgado durante muito tempo ou se o sistema imunitário for deficiente. que sugerem a presença de leucemia.por um acidente vascular cerebral. com um enfraquecimento gradual do organismo. Como nestes casos as radiografias da coluna podem ser normais. mas antes provocar um crescimento anormal de Tuberculose miliar 9 . é possível que seja necessário utilizar outras técnicas. febre. as bactérias da tuberculose podem ser transmitidas através de leite contaminado e instalar-se nos gânglios linfáticos do pescoço ou então no intestino delgado. surge dor. como a tomografia axial computadorizada (TAC) ou a ressonância magnética (RM). fraqueza. uma ou duas vértebras podem achatar-se e causar paralisia nas pernas. Se as vértebras forem afectadas. pode produzir-se uma variedade de tuberculose que põe a vida em perigo. mal-estar geral e dificuldade em respirar. Se a medula óssea for afectada. Os sintomas da tuberculose miliar podem ser muito difusos e difíceis de identificar. Se a doença não receber tratamento. A tuberculose miliar Quando um grande número de bactérias se dissemina por todo o corpo através da corrente sanguínea. e é possível que tenha de ser extirpado cirurgicamente. Uma libertação intermitente de bactérias para a corrente sanguínea a partir de uma lesão oculta pode causar febre intermitente.

injecta-se uma substância de controlo noutro ponto. o primeiro indício de tuberculose é uma radiografia do tórax anormal. um resultado negativo de uma prova cutânea da tuberculina poderá ser incorrecto (falso 10 .tecido na zona infectada. Se uma pessoa não reagir à substância de controlo. Nesse caso. Apesar de a prova da tuberculina ser uma das mais úteis no momento de diagnosticar a doença. Na radiografia. Aproximadamente dois dias depois observa-se o local da injecção: o inchaço e a vermelhidão indicam um resultado positivo. a doença manifesta-se como zonas brancas irregulares que contrastam com o fundo normalmente escuro. geralmente no antebraço. Não indica se a infecção se encontra activa na actualidade. Também pode revelar a presença de derrame pleural ou mesmo um aumento da silhueta do coração (pericardite). O diagnóstico depende dos resultados da prova cutânea da tuberculina e do exame da expectoração. Diagnóstico Em geral. é possível que o seu sistema imunitário não esteja a funcionar de forma adequada. efectuada no contexto de uma avaliação para diagnosticar uma doença com sintomas muito vagos. ela só indica que houve uma infecção pela referida bactéria em algum momento do passado. Prova de tuberculina A prova cutânea da tuberculina efectua-se injectando uma pequena quantidade de proteína derivada das bactérias da tuberculose entre as camadas da pele. no qual se pesquisa o Mycobacterium tuberculosis. que assim pode confundir-se com um tumor. nem se em algum local do organismo há bactérias tuberculosas vivas. embora outras infecções e o cancro possam dar as mesmas imagens. que contenha algum elemento perante o qual os indivíduos geralmente reajam. Por vezes. como leveduras ou fungos.

do abdómen. uma infecção das membranas que cobrem o cérebro e a espinal medula. o médico pode examinar a pelve com um tubo que possui uma lâmpada numa das suas extremidades (laparoscópio). a doença pode ser descoberta através de um exame ao microscópio de amostras colhidas na parte interna do útero. costuma-se administrar antibióticos face à mais leve suspeita de meningite tuberculosa. 11 . Para a análise de PCR pode utilizar-se uma amostra de urina. Para obter uma pequena porção de tecido infectado. O exame dos rins à procura de tuberculose é consideravelmente mais difícil do que no sector pulmonar. o médico utiliza uma agulha para obter uma amostra do tecido de uma massa. A amostra é examinada ao microscópio para distinguir se se trata de um tumor ou de tuberculose. As pessoas afectadas de tuberculose grave e cujo sistema imunitário seja deficiente também poderão fornecer falsos resultados negativos ao serem submetidas a esta prova. Provavelmente será necessário efectuar uma punção da coluna vertebral para obter uma amostra de líquido da espinal medula (líquido cefalorraquidiano). de uma articulação ou do saco que rodeia o coração. o médico pode utilizar um instrumento chamado broncoscópio para inspeccionar os canais brônquicos e obter amostras de muco ou de tecido pulmonar. O referido contraste delimita o contorno dos rins na radiografia e revela qualquer massa ou cavidade anormal que possa ser causada pela tuberculose.negativo). o médico tem de obter uma amostra de expectoração. Para confirmar a tuberculose dos órgãos reprodutores femininos. com o objectivo de procurar confirmação de uma meningite tuberculosa. o médico pode usar uma técnica radiológica na qual se injecta um contraste. com a finalidade de evitar a morte do doente e reduzir ao mínimo o dano cerebral. É possível utilizar uma agulha para se obter uma amostra de líquido do peito. A amostra de líquido é enviada a um laboratório que disponha do equipamento necessário para efectuar uma análise chamada «reacção em cadeia da polimerase» (PCR). Em certos casos. líquido infectado ou tecido para a analisar no laboratório. Para se certificar do diagnóstico. mas é possível que sejam necessários outros exames para determinar qual o dano que a doença já causou. A expectoração pode constituir uma amostra pulmonar adequada. Por exemplo. provavelmente será necessário recorrer a um procedimento de pequena cirurgia denominado biopsia. Por vezes. Apesar de o médico poder contar com os resultados das análises rapidamente. caso contrário.

porém. Se os resultados mostrarem uma reacção apenas a um deles. com o fim de evitar efeitos colaterais prejudiciais para os olhos. qualquer fármaco que se administrasse isoladamente deixaria mil microrganismos totalmente resistentes à sua acção. ser administrada por injecção. necessita-se de uma amostra de tecido do fígado. a estreptomicina e o etambutol. Os antibióticos que se podem utilizar são cinco e a sua eficácia é tal que uma só bactéria em cada milhão escapa ao seu efeito. O tratamento deve continuar inclusivamente muito depois de o doente se sentir completamente bem. possam destruir virtualmente todas as bactérias. porque leva muito tempo até conseguir eliminar aquelas bactérias de crescimento lento e reduzir a possibilidade de recaída quase a zero. Tratamento Em quase todas as situações os antibióticos curam mesmo os casos mais avançados de tuberculose. de um gânglio linfático ou da medula óssea. Isso reduz o número de comprimidos que o doente tem de tomar diariamente e assegura o cumprimento adequado da terapêutica. A estreptomicina foi o primeiro fármaco considerado eficaz contra a tuberculose. rifampicina e pirazinamida podem causar náuseas e vómitos como resultado do seu efeito sobre o fígado.Em alguns casos. a rifampicina. é necessário administrar pelo menos dois fármacos com mecanismos de acção diferentes que. O etambutol começa a ser aplicado numa dose relativamente elevada para ajudar a reduzir rapidamente o número de bactérias. os medicamentos devem deixar de ser administrados até que se possam fazer análises da função hepática. pode afectar o sentido do equilíbrio e a audição se for administrado em grandes doses ou durante mais de três meses. Como uma infecção de tuberculose pulmonar activa costuma conter 1000 milhões de bactérias ou mais. a pirazinamida. ser possível obter essas amostras mediante uma agulha. Os antibióticos isoniazida. em regra costuma encontrar-se um substituto satisfatório para poder completar o tratamento. Nos casos em que se verifiquem efectivamente náuseas e vómitos. pode ser às vezes necessário recorrer à cirurgia. Os antibióticos mais frequentemente utilizados são: a isoniazida. Actualmente quase nunca é necessário extrair cirurgicamente uma parte do pulmão. A dose é reduzida ao cabo de dois meses. Apesar de. desde 12 . deve. Os três primeiros fármacos podem estar contidos no mesmo comprimido. Como consequência. associados. Apesar de continuar a ser um medicamento muito eficaz contra as infecções avançadas. em geral.

excepto quando a reacção é o resultado provável de uma infecção recente. As pessoas infectadas com o VIH que não reajam à prova cutânea da tuberculina. como consequência. se infecte com o vírus da imunodeficiência humana (VIH. O benefício do tratamento preventivo em adultos com mais de 25 anos é difícil de demonstrar. para evitar o desenvolvimento da tuberculose. o vírus causador da SIDA) corre um risco muito elevado de desenvolver uma infecção activa. por exemplo. devem também receber isoniazida. como. pelo seu poder germicida. como nos hospitais ou nas salas de espera dos serviços de urgência. Estudos recentes demonstraram que cerca de 10 % das pessoas com infecções recentes desenvolvem tuberculose se não for aplicado tratamento. Prevenção Existem várias formas de prevenir a tuberculose. os trabalhadores da saúde cujas provas cutâneas à tuberculina se tenham tornado positivas (quando antes eram negativas) e cujas radiografias não revelem nenhuma doença. O risco de toxicidade pelos antibióticos pode ser maior do que o risco de desenvolver tuberculose. naqueles sítios onde pessoas diversas com afecções distintas possam ter de estar sentadas juntas durante várias horas. pode utilizar-se a luz ultravioleta. Entre eles encontram-se aqueles que tenham estado em contacto íntimo com alguém afectado pela doença. além disso. mas que tenham um risco considerável de entrar em contacto com pessoas com tuberculose activa. Aquela luz destrói as bactérias que se encontrem no ar. é preciso recorrer à cirurgia para drenar o pus de onde ele se tiver acumulado e ocasionalmente para corrigir uma deformação da coluna causada pela tuberculose. Por exemplo. O fármaco isoniazida é muito eficaz quando se aplica a indivíduos com elevado risco de desenvolver tuberculose. No entanto. Isso significa que existe uma infecção recente que ainda se não desenvolveu por completo. Este tratamento preventivo revela-se eficaz para 13 . administrase-lhe isoniazida durante o maior tempo possível. ela pode ser curada tomando isoniazida diariamente durante 6 a 9 meses. qualquer que seja a sua idade.que o doente siga rigorosamente o esquema de tratamento. em certos casos. Um indivíduo que tenha tido um resultado positivo na prova cutânea da tuberculina e. dado que existe a possibilidade de que aquela infecção seja recente e possa ser curada facilmente antes que progrida. O benefício da terapêutica preventiva é evidente nas pessoas com menos de 25 anos que reajam face à prova cutânea da tuberculina.

o médico pode necessitar de repetir as análises de uma amostra de expectoração para determinar quando já não existe perigo de transmissão da infecção. se uma pessoa trabalha com outras muito expostas à doença. os indivíduos que tossem e não tomam a sua medicação correctamente podem necessitar de um isolamento mais prolongado para que não transmitam a doença. porque os fármacos reduzem rapidamente a capacidade infectante das bactérias. Algumas são semelhantes às que causam a tuberculose. As pessoas com tuberculose pulmonar que estejam a receber tratamento não precisam de estar isoladas durante mais do que alguns dias. incluindo os utilizados para tratar a tuberculose. As bactérias infectam principalmente os pulmões. de facto. Um doente costuma deixar de ser contagioso ao fim de 10 a 14 dias de tratamento farmacológico. Apesar de estas micobactérias serem comuns. os ossos. As infecções causadas por estas bactérias não são contagiosas. uma 14 . A infecção pulmonar causada pelo complexo Mycobacterium avium ocorre nas pessoas de meia-idade cujos pulmões tenham sido danificados por um tabagismo prolongado. Estas micobactérias são muito resistentes à maioria dos antibióticos. em geral só causam infecção nas pessoas com um sistema imunitário debilitado. A sua eficácia é duvidosa e só se utiliza nos países em que a probabilidade de contrair tuberculose é muito elevada. As mais habituais são um grupo de micobactérias conhecidas como o complexo Mycobacterium avium. Doenças semelhantes à tuberculose Existem vários tipos de micobactérias. Nos países em vias de desenvolvimento aplica-se uma vacina chamada BCG para evitar a infecção pelo Mycobacterium tuberculosis. como os pacientes com SIDA ou as crianças pequenas. podem provocar infecções com muitos dos sintomas da doença em questão. De qualquer modo. mas também podem atacar os gânglios linfáticos. Contudo. a pele e outros tecidos.eliminar as bactérias tuberculosas.

A infecção dos gânglios linfáticos causada pelo complexo Mycobacterium avium pode verificar-se nas crianças. geralmente entre 0 e 5 anos de idade. bronquite. nem mesmo quando se associam vários fármacos. mas os gânglios linfáticos infectados devem ser extirpados mediante cirurgia. Os antibióticos não curam normalmente a infecção. tais como uma válvula cardíaca mecânica ou um implante mamário. Os casos ligeiros em pessoas que não estejam doentes com SIDA podem curar-se sem tratamento. a infecção costuma ser mortal. dentro de muito pouco tempo disporemos de novos medicamentos capazes de atrasar a progressão destas infecções nas pessoas de idade avançada. Tuberculose: uma doença de vários órgãos Localização da infecção Sintomas ou complicações 15 . Ela ocorre habitualmente por se comer terra ou beber água contaminadas pelas micobactérias. Os antibióticos e a excisão cirúrgica das áreas infectadas curam habitualmente a infecção. enfisema ou outras doenças. A infecção costuma desenvolver-se lentamente. Nos doentes com SIDA ou outras afecções que debilitam o sistema imunológico. Os primeiros sintomas são tosse e expectoração com muco. No entanto. Apesar de os antibióticos poderem aliviar temporariamente os sintomas. o complexo Mycobacterium avium pode disseminar-se por todo o corpo.infecção tuberculosa antiga. Estas infecções podem desaparecer sem tratamento. a menos que a resposta imunológica do organismo melhore. Uma radiografia do tórax pode revelar a infecção. O tratamento com antibióticos não costuma ser eficaz. Os sintomas são febre. diarreia e dor de estômago. Todavia a infecção por esta micobactéria é particularmente comum entre os doentes com SIDA. o indivíduo pode cuspir sangue regularmente e ter dificuldade em respirar. é necessário analisar no laboratório uma amostra de expectoração do indivíduo afectado para poder distinguir esta infecção da tuberculose. À medida que a infecção avança. pode infectar as feridas e as partes artificiais do corpo humano. perturbações sanguíneas. Outras micobactérias crescem nas piscinas e até mesmo nos aquários domésticos e podem originar perturbações cutâneas. No entanto. Outra variedade de micobactéria. anemia. as pessoas com infecções crónicas costumam necessitar de tratamento com tetraciclinas ou outro antibiótico durante 3 a 6 meses. De qualquer modo. o Mycobacterium fortuitum.

Cavidade abdominal Fadiga. respiratória Sintomas semelhantes à artrite. dor de cabeça. Febre. sonolência. náuseas. Bexiga Cérebro compromisso cerebral que degenera em coma. ligeira dor ao tacto. dilatação das veias do pescoço. Volume Esterilidade. Compromisso renal. infecção em torno do rim. Micção dolorosa. possível ruptura de vértebras e paralisia das pernas. dor semelhante à da apendicite. dificuldade envolve o coração) Articulações Rim Órgãos reprodutores: Homens Mulheres Dor. no escroto. Coluna 16 . Pericárdio (saco membranoso que Febre.

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