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TEORIA GERAL DO DIREITO CIVIL 1ºSEMESTRE
Bibliografia Do 1º Semestre: Capelo de Sousa Do 2º Semestre: C.A. Mota Pinto

O conceito de direito civil: o direito divide-se em dois grandes grupos, direito público e direito privado, sendo que o direito civil se integra no direito privado. A distinção entre direito público e direito privado: Critérios de distinção: o I – Um primeiro critério assenta na natureza do interesse protegido pelas normas, a chamada teoria dos interesses (interessentheorie). A norma seria de direito público quando o fim da mesma fosse a tutela de um interesse público, ou seja, um interesse da colectividade. A norma seria de direito privado quando visasse tutelar um mero interesse particular.  Críticas: a maior parte das normas jurídicas tanto de direito privado como de direito público visam proteger simultaneamente interesses públicos e interesses dos particulares. Assim, por exemplo, as normas que regulam o funcionamento e actuação do Estado, embora tutelando interesses gerais da comunidade, visam o bem dos homens concretos dessa comunidade. Por outro lado as normas de direito privado não se dirigem apenas à realização do interesse dos particulares, visando quase sempre interesses públicos (exemplo, art.875º cc.) que sujeita as vendas de imóveis a escritura pública, para além de defender as partes contra a sua precipitação realiza o interesse público de segurança do comércio. Só seria aceitável se exprimisse uma cota tendencial: o direito público tutelaria predominantemente interesses da colectividade e o direito privado tutelaria predominantemente interesses dos particulares (Marcelo Caetano): natureza do interesse prioritariamente tutelado; Ainda assim não seria aceitável porque em muitos casos não se sabe qual o interesse predominante (ex.registo predial). Há normas pacificamente classificadas como de direito privado e que visam predominantemente interesses públicos (normas imperativas).

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II – Um outro critério é o da posição relativa dos sujeitos da relação jurídica (subjektions theorie), o direito público regularia relações entre sujeitos que estão numa posição de supra-ordenação ou supremacia e outros de infra-ordenação ou de subordinação. O direito privado disciplinaria relações entre sujeitos numa posição relativa de igualdade ou coordenação.  Críticas: no direito público pode-nos surgir posições de igualdade ou coordenação (exemplo: relações entre dois municípios membros de uma associação de municípios);  No direito privado encontramos algumas relações jurídicas hierarquizadas (relação no poder paternal entre pai e filho (art. 1878º cc.) ou contrato de trabalho entre entidade patronal e trabalhador (art. 1152º); o III-Um outro critério é o da teoria dos sujeitos (subjektheorie) que assenta na identidade dos sujeitos. Seriam normas de direito público aquelas em que interviesse como sujeito activo ou passivo o Estado ou qualquer ente público. Seria de direito privado as que apenas interviessem particulares.  Críticas: os entes públicos podem intervir como particulares em muitos negócios jurídicos (ex. o Estado compra a um particular uma casa para lá instalar um serviço);  Os particulares podem relacionar-se entre si no âmbito do direito público (ex. concurso de acesso à função pública); o IV – O critério mais aceite é o da qualidade dos sujeitos, que é a versão moderna da teoria dos sujeitos. São normas de direito privado, as que regulam relações jurídicas entre particulares, ou entre particulares e o Estado ou outros entes públicos, ou entre entes públicos sempre que estes ajam despidos de poder de autoridade pública. São normas de direito público as que regulam relações jurídicas do Estado e outros entes públicos entre si, ou com os particulares quando os primeiros ajam munidos de poderes de autoridade pública, de soberania ou de império ius imperi.  Críticas: não dá base de sustentação para a integração no direito público das normas que regulam a organização e funcionamento das pessoas colectivas públicas e que são consideradas pacificamente normas de direito público; Deixa em aberto o que se entende por poder de autoridade pública. Existindo hoje várias funções do Estado, nomeadamente no campo da assistência social que não

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envolvem meios de autoridade, mas que também não mostram o Estado na veste de um particular (ex. rendimento mínimo garantido). O nosso ordenamento jurídico não estabeleceu um critério geral para determinar quais as normas de direito público e quais as de direito privado. Trata-se mais de um produto histórico, em que o ordenamento ao longo dos tempos foi fixando critérios diversos para determinadas relações jurídicas que foi integrando num ou noutro ramo. Noutros casos optou por interpolações mistas de direito público e de direito privado. No entanto há certas normas que nos permitem avançar na definição do critério: art. 501º cc: submete o Estado e demais entes públicos em matéria de responsabilidade civil decorrente do exercício de actividade de gestão privada ao regime do direito privado diferentemente do que acontece com actividade de gestão pública (critério da qualidade dos sujeitos). Artigo 1304º cc, que sujeita o domínio das coisas pertencentes ao Estado ou a outras pessoas colectivas públicas ás regras do código civil, só pertencendo ao domínio público do Estado os bens definidos e regidos por lei excepcional (art.84ºCRP) (critério da qualidade dos sujeitos). Em suma a nossa lei assume o critério da qualidade dos sujeitos da relação jurídica, embora hajam regimes mistos.  Alcance prático da distinção: 1. Satisfaz um interesse de ordem científica na sistematização e agrupamento das normas jurídicas; 2. Serve para determinar as vias judiciais competentes para a solução dos diferentes conflitos. Em casos de conflito de direito privado são competentes os tribunais judiciais e dentro destes os tribunais comuns em matéria civil, salvo quando houver matéria civil especializada (ex. tribunal de trabalho, tribunais de família e menores, tribunais marítimos). Em casos de conflito de direito público são competentes os tribunais administrativos e fiscais (arts. 211º e 212º CRP); 3. Responsabilidade civil, ou seja, a obrigação de indemnizar decorrente de uma actividade de órgãos ou agentes estaduais está sujeita a um regime diverso consoante os danos sejam causados no exercício de uma actividade de gestão pública ou privada. Ora, a actividade de gestão pública é a disciplinada pelo direito público e a de gestão privada pelo direito privado, daí a necessidade prática da distinção. Temos, assim efeitos legais próprios para o direito público distintos do direito privado.  Características do direito público e do direito privado: 1. Direito privado: vigora o princípio da liberdade em que é lícito tudo quanto não é proibido pela lei; Direito público: vigora o principio da competência ou da legalidade, onde só é lícito o que é permitido pela lei;

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se deveria aplicar as leis das nações civilizadas. Os bens do Estado pertencem. 6. Direito público: regula um sector mais determinado de relações jurídicas.1304º cc). assim. Com o evoluir da sociedade foram surgindo direitos especiais (subconjuntos unitários e sistematizados de normas jurídicas aplicáveis a determinados e delimitados sectores da vida humana.html 2.http://apontamentosdireito. Mas a incerteza que daí advinha levou à publicação em 1883 do primeiro código comercial: o código de Ferreira Borges que era de pendor subjectivista. em regra.com/index. só se aplicando o direito público quando a relação é dominada pela ideia de ius imperi. regulados pelo direito privado. cuja jurisprudência muito contribuiu para a autonomização do direito comercial. este regulava um direito dos comerciantes. Muitas vezes o direito privado é de aplicação subsidiária face ao direito público. no direito privado. 4. embora admitindo actos praticados apenas por comerciantes. Direito público: predominância de normas imperativas (não podem ser afastadas pela vontade das partes). de pendor objectivista: regula os actos de comércio. Encontramos. Mas ser o núcleo fundamental não é ser todo o direito privado. Assim. aplicável o direito privado.atspace. 5.  O direito civil como direito privado geral comum: O direito civil é o núcleo fundamental do direito privado. Os contratos do Estado com os particulares são. 7. sejam eles praticados ou não por comerciantes. Direito privado: predominância de normas supletivas (regras jurídicas que podem ser afastadas pela vontade das partes em sentido contrário). as que estão previstas na lei e se especializaram do tronco comum do direito que aparece ligado ao direito privado. A lei da boa razão (1769) e os estatutos da Universidade de Coimbra (1772) distinguiam já o direito comercial do direito civil. o código de Veiga Beirão. em princípio. só se aplicando o direito público quando a lei o determine. Os direitos privados especiais: 1. ao domínio privado (art. o direito civil é o direito – mãe (“Mutterrech”). mas tendo-o como direito subsidiário. Em 1888 vamos ter um novo código. Ás relações entre o Estado e os particulares é. prevendo um regime jurídico diverso do regime regra que é o direito civil. Mas a autonomia 4 . regras gerais no direito civil que se aplicam a esses ramos especiais do direito privado (ex. em regra. nos casos omissos. Direito privado: é de certo modo um direito geral face ao direito público porque regula a generalidade das relações jurídicas. 3. dizendo que em matéria comercial. menoridade art.122º). que ainda se encontra em vigor. O direito comercial: desde cedo surgiram tribunais comerciais para os mercadores.

http://apontamentosdireito. c. 3. b. em que é conciliador. O comerciante precisa também do reforço das suas garantias. etc. exemplo o aval comercial em que se responsabiliza a pessoa que o dá ao mesmo tempo e ao mesmo nível do devedor podendo o credor executar o património de um ou outro. onde há uma contrapartida económica. ao contrario da fiança civil em que há o beneficio da excussão. livranças e cheques). Apenas nos indica qual a legislação 5 . Especialidade ainda de processo com mecanismos processuais próprios com o código de processo do trabalho. 2.com/index. d. O direito do trabalho: com o avanço civilizacional os trabalhadores começaram a deixar de ser vistos como “criados”. ou seja. mas pessoas com direitos e deveres. Direito internacional privado: o DIP não regula directamente as questões que dividem as partes. b.etc. em que os conflitos laborais são resolvidos pelos tribunais de trabalho. O nosso código civil declara no artigo 1153º que o contrato de trabalho está sujeito a legislação especial – DL nº 49. c. o fiador é o ultimo a responder pela dívida. higiene e segurança.html do direito comercial justifica-se pelas necessidades próprias do comércio moderno. Há uma grande intervenção do Estado na relação laboral. igualdade entre homens e mulheres. regra geral.48 de 24 novembro de 1969 que estabelece o regime jurídico do contrato individual de trabalho. trabalho de menores. simplicidade e rapidez na conclusão das transacções. daí ter nascido grande regulamentação que levou à autonomização deste ramo do direito privado. daí prevalecerem as normas que estabeleçam tratamento mais favorável para o trabalhador. sobretudo nas relações colectivas de trabalho. Necessidade de facilidade. Tratamento e tutela do trabalhador. bastante alterado depois do 25 de Abril que veio estabelecer modificações na duração do trabalho. daí o direito comercial ser menos exigente no que respeita à forma negocial. intervindo nos conflitos entre as entidades patronais e os trabalhadores com armas como a requisição civil. Os actos jurídicos comerciais são.atspace. Há uma necessidade de maior regulamentação unitária de carácter internacional no direito comercial com a globalização da economia (ex. no direito de greve. leis uniformes para letras. Este ramo tem ainda especialidades de jurisdição. como parte económica mais débil. de natureza onerosa. O direito do trabalho compreende sobretudo as seguintes características: a. ao contrário do direito civil onde coabitam os actos onerosos e gratuitos. senão vejamos: a. como credor. sobretudo nos principais centros urbanos. Intervêm ainda ao nível da previdência social.

(c) decretos lei do governo. princípios fundamentais de direito. Temos assim. decretos-leis e decretos legislativos regionais. abarcando apenas as leis. Noutros casos há normas programáticas na Constituição que necessitam de desenvolvimento legislativo. mas não há ainda um corpo legislativo unitário. normas relativas à estrutura e actividade da agricultura. Sobretudo por força do artigo 18º CRP são de aplicabilidade directa os arts. (a) Leis constitucionais. a. (4) equidade.html estadual aplicável para regular um caso concreto em que os elementos da relação jurídica estão em contacto. mas um direito de natureza e fonte interna. Daí que haja diversas normas constitucionais com aplicação no âmbito de direito civil. (b) leis ordinárias (da AR).com/index. sendo o direito civil direito subsidiário destes ramos. Outros ramos especiais do direito privado: constituirão também direitos privados especiais o direito de autor e direitos conexos bem como o direito de propriedade industrial como é patente pelo artigo 1303º. emanação do contrato social de Rousseau. 4. por 6 . com estrutura e espírito próprios. Leis constitucionais: a Constituição é o quadro básico das relações jurídicas da sociedade. cada Estado tem o seu próprio DIP. Nesta matéria concorrem normas de direito privado e também normas de direito público com o Estado a visar finalidades de justiça social e também com normas provenientes da União Europeia. 1. No entanto. daí a sua unidade e autonomia face ao direito civil.http://apontamentosdireito. Controversa será essa qualificação para o direito agrário. as leis são tomadas numa concepção lata “todas as disposições genéricas provindas dos órgãos estaduais competentes (acepção latíssima: lei significa direito. (d) decretos legislativos regionais e os vários regulamentos. 24º a 47º da CRP que incorporam maioritariamente direitos fundamentais civis  aplicabilidade imediata da Constituição.  Fontes mediatas (legitimidade depende de outras fontes): (3) usos. É claramente direito privado porque diz respeito às relações jurídicas privadas ao contrário do direito internacional público que regula fundamentalmente relações entre Estados. Essas normas estão a tender para a autonomização. 14º a 65º cc  é um direito instrumental de “normas sobre normas”. acepção intermédia: lei contrapõe-se a regulamento. As fontes de direito civil: Fontes imediatas (operam sem intermediários): (1) leis. acepção restrita: designa os actos legislativos da AR). Simultaneamente com várias ordens jurídicas estaduais. (2) normas corporativas. o DIP não é um verdadeiro direito internacional. As leis: de acordo com o artigo 1º/2 cc. Consta sobretudo dos ars.atspace.

Regulamentos: no direito civil há ainda zonas periféricas de carácter regulamentar. Daí defender a revogação tácita ou uma interpretação ab-rogante face a estas normas. que depende das capacidades do Estado para promover esse direito. Por exemplo.112º/4 da CRP bem como o próprio 227º). Temos uma competência exclusiva (art. uma reserva absoluta em que cabe exclusivamente à AR não podendo delegar no Governo essas tarefas (art. pois apesar da extinção do regime corporativo. 2. donde sobressai o princípio da liberdade de associação que gera fontes de direito em matéria de estatutos e regulamentos internos. adaptando o código à CRP de 1976 e não ter sido feita uma revisão geral do mesmo. estas normas deixaram de ser fonte de direito e o facto destas terem permanecido no artigo 1ºcc deve-se ao facto da reforma deste código em 1977 ter tido um carácter meramente parcial. d. As normas corporativas: uma parte da doutrina (Doutor Mota Pinto) entende que com a abolição do regime corporativo com o 25 de Abril. Esta tem uma competência geral. c) estão subordinadas às leis gerais (art. esse código deontológico não poderá conter normas que violem direitos liberdades e garantias. Mas parece que estas continuam a existir. exemplo o artigo 64º da CRP. e. b) não estejam reservados à competência própria dos órgão de soberania.atspace. Veja-se o exemplo das portarias que estabelecem os coeficientes de actualização dos arrendamentos urbanos para habitação. Decretos – lei do governo: têm o mesmo valor das leis ordinárias.com/index.http://apontamentosdireito. que está presente no artigo 161º da CRP e uma competência reservada. em que ela pode delegar ao governo essas competências (art. Tornando-se muito mais fácil essa actualização assim do que se a mesma fosse feita por decreto – lei. Leis ordinárias: as leis ordinárias são as leis da AR.html b. Usos: o artigo 3º considera os usos como fonte de direito mas conferelhes importantes limitações: 7 . a representatividade profissional mantém-se.165º CRP). 3. c.198º/2 CRP). Se o Estado não desenvolver politicas nesse sentido poderá haver lugar à inconstitucionalidade por omissão  aplicabilidade mediata da Constituição. Exemplo disso é o código deontológico da ordem dos médicos. uma competência própria (198º1/a) CRP) e uma competência autorizada (198º/1/b) CRP): foi o que se passou aquando da reforma do código civil em 1978 que o adaptou à CRP de 1976. Decretos legislativos regionais: atente-se ao artigo 227º da CRP e às limitações aí presentes: a) matéria de interesse especifico.164º CRP) e uma competência relativa. Há dois tipos de reserva. Mas salvaguardando a unidade do sistema o artigo 1º/3 afirma que essas normas não podem contrariar disposições legais de carácter imperativo. ainda que noutros moldes.

com/index. Só tem lugar quando haja disposição legal que o permita (exemplo art. Quando as partes tenham previamente convencionado nos termos da cláusula compromissória (esta diz respeito à fixação da resolução de litígios através de tribunais arbitrais. algo que acontece nos países da “common law”). Começou por ser fonte imediata de direito. 4. ou seja. Actualmente o costume não é fonte de direito civil.  As fontes internacionais: a CRP no artigo 8º abre a nossa ordem jurídica a fontes de direito internacional.http://apontamentosdireito.  A jurisprudência: a jurisprudência  o conjunto de decisões em que se exprime a orientação seguida pelos tribunais na decisão dos casos concretos. presentes no art. b. outra fonte mediata do direito civil já que: a.  Não confundir os usos com o costume (prática social reiterada com a convicção da sua obrigatoriedade jurídica). Só são juridicamente atendíveis quando a lei o determine. devido ao princípio da independência doas magistrados judiciais que julgam apenas segundo a Constituição e a lei (exemplo. Não estarem em oposição com as normas corporativas. Quando haja acordo das partes e a relação jurídica não seja indisponível. não ser contrário à lei (100 anos de existência) sendo que o código de 1867 o excluiu das fontes de direito (o chamado código de Seabra).atspace. b. um comportamento honesto. A única excepção que existia até 1995 era a dos assentos do STJ. sendo que aqui não são competentes os tribunais comuns. como tal são fonte mediata de direito já que para se aplicarem necessitam da remissão de uma norma jurídica (ex. c. honroso e leal. Equidade: o artigo 4º.  É a chamada justiça do caso concreto ou solução ex aequo et bono . Essas decisões não vinculam os mesmos ou outros tribunais no futuro (julgamento do mesmo tipo. A lei da Boa razão colocou-lhe enormes restrições: conforme à boa razão.218º). mas foi decrescendo de valor devido à sua incerteza e à rapidez das mutações sociais. não é fonte de direito na nossa ordem jurídica.2º e hoje 8 . sobretudo no seu nº3 em que assumem especial relevo os regulamentos dos órgãos da EU que vigoram directamente na nossa ordem jurídica interna ao contrário das directivas que necessitam de acto de transposição para o direito nacional.art.html a. Não podem ser contrários aos princípios da boa fé. exemplo caso entre a EDP e a TELECOM que pode implicar grande conhecimento tecnológico  elas estabelecem que o processo é resolvido por tribunal arbitral). aqui tomada numa acepção objectiva. c. 494º). se um juiz de 1ª instancia tem uma interpretação diferente de certa norma da do Supremo deve seguir a sua própria interpretação).

Cada vez menos o direito recorre a uma jurisprudência de conceitos. por parte destes de normas jurídicas com força obrigatória geral.334º). No entanto é necessário que haja razões fortes para esse tribunal contrariar tal acórdão. ou seja. Mas de acordo com o artigo 8º nº3 não são apenas objecto de ponderação por parte do juiz os acórdãos do Supremo em julgamento ampliado de revista. Em termos gerais vale como mera jurisprudência uniformizada. Daí que se fale no desenvolvimento normativo do direito pelo juiz ou mesmo do chamado Richterrrech (direito jurisprudencial). Para isso. Isto é ainda mais visível no preenchimento das lacunas da lei com os artigos 10º nº1 e 2. cabendolhe uma ponderação na aplicação concreta de muitos comandos legais.111º da CRP. mesmo que com carácter interpretativo.http://apontamentosdireito. Daí ser inaceitável a criação. Quando existiam dois acórdãos do Supremo e excepcionalmente da relação. limita-se a formular um juízo de valor. positivista e dedutiva. valendo como preceito geral para o futuro. acórdão que é publicado no DR. Esta revogação baseou-se sobretudo no princípio da separação dos poderes.com/index. Existe aqui uma forte dose de valoração apresentando a intervenção judicial um verdadeiro carácter constitutivo (exemplo art. a nomeação de um Ministro no DR-I-A tem também força obrigatória geral e não é uma norma jurídica. assentes sob soluções opostas e sejam produzidas no domínio da mesma legislação se recorria para o plenário do Supremo que tiraria um assento que solucionaria o caso concreto. Tem um mero valor indicativo. No entanto o art. mas a uma jurisprudência atenta aos interesses das partes. Quanto aos assentos proferidos antes da data da sua revogação (13/12/1995) deixaram de ter força obrigatória geral e têm o valor dos acórdãos de recurso ampliado de revista. Cada vez o juiz é menos a “boca da lei”. das relações e até sentenças de 1ª instância. mas também outros acórdãos do Supremo. por exemplo. relativamente à mesma questão fundamental de direito. até porque se o caso tiver valor para subir até ao Supremo o normal é o acórdão ser reafirmado. em que a função legislativa é atribuída à AR e ao Governo e a função jurisdicional é atribuída aos tribunais. têm um mero valor indicativo. foi criado. Só que esse acórdão não tem força obrigatória geral nem mesmo para os tribunais superiores. capaz de valorações jurídicas.atspace. para os casos concretos o recurso intentado até essa data vale para a resolução do conflito concreto. no plano processual o acórdão em julgamento ampliado de recurso de revista. O facto dos acórdãos serem publicados no DRI série A e terem força obrigatória geral não é significativo pois.8º nº3 mostra claramente o desejo de uma certa uniformização na aplicação do direito para garantir a segurança e a previsibilidade do direito. – problema de aplicação de leis no tempo. presente no art. Oliveira Ascensão diz que os acórdãos com força obrigatória geral do TC são fonte de direito. em que o plenário das secções cíveis emite um acórdão de forma a assegurar a uniformidade da jurisprudência.html revogados. Não parece que o sejam:  O TC não cria nenhuma norma. é o caso das clausulas gerais e de conceitos indeterminados. 9 . sobretudo com o 10º nº3 em que o juiz elabora uma norma adhoc dentro do espírito do sistema  aqui há uma clara indução do direito.

14.com/index. 7. Principio da tutela geral da personalidade. 8. Ao seu aprofundamento: 1. Face a esta dignidade Larenz diz que todo o ser humano tem. Principio da autonomia da vontade privada. modelam o conteúdo do direito civil. Principio da personificação jurídica e da capacidade jurídica funcional das pessoas colectivas privadas. Principio da dignidade da pessoa humana.70º) Este princípio implica: a. Mas há também princípios gerais emergentes da lei ordinária civil. sendo obrigado a respeitar a outra de modo análogo  princípio do respeito mútuo é fundamental e é a base da convivência numa comunidade jurídica e de toda a relação jurídica e está na origem do próprio direito geral de personalidade (art. Principio da igualdade. 13. Tais princípios são desenvolvidos pelas normas civis e alimentando o espírito do sistema civil a eles se recorrendo na integração de lacunas praeter legem conforme o artigo 10º/3. Principio da boa-fé. Principio da plenitude da capacidade jurídica humana. de se autopropor objectivos e limites para a sua actuação. Principio do equilíbrio das prestações. Principio da não violação da esfera jurídica alheia. Principio da liberdade declarativa.282º. 2. Vamos proceder à sua enumeração: 1. Numa fórmula de Kant. resultando da natureza do homem deste configurar livre e reciprocamente a sua existência e a sua inserção social. o homem é “fim em si mesmo”. 3. 11. 10 . 10. Principio da proibição de negócios usuários: art.atspace. não podendo ser empregado simplesmente como meio. face a qualquer outro. dão coerência e unidade ao conjunto do direito civil. 12. Principio da nulidade de actos e negócios jurídicos violadores de regras imperativas. Principio do reconhecimento da personalidade jurídica humana. um direito a ser respeitado por ele como pessoa. 9.http://apontamentosdireito. Principio da proibição do abuso de direito. Por isso ele é pessoa. 6. tem um incondicionável valor em si mesmo. Estes princípios podem ter carácter fundamental ou Constitucional se resultam de normas ou princípios Constitucionais. Principio da dignidade da pessoa humana: resulta do artigo nº1 da CRP. 4. Principio da proibição de auto-defesa dos direitos próprios. São a sua ossatura. 5.html  Os princípios gerais de direito civil: são princípios de ordenação material ou substancial das normas jurídicas civis que estruturam.

se é baseada em fundamentos materiais suficientes e assenta em considerações razoáveis. pois este regime apenas visa favorecer o filho já que biologicamente e sociologicamente tem uma maior ligação à mãe e à família desta do que ao pai. como é o caso do decreto – lei acerca das cláusulas contratuais gerais. segundo Castanheira Neves à intenção material especifica do direito.13º CRP que implica que se tratem igualmente situações de interesses iguais e que se tratem diferentemente situações de interesses diversos.36º/4 CRP. Principio do reconhecimento da personalidade jurídica humana: do princípio da dignidade da pessoa humana decorre que todo e qualquer ser humano tem personalidade jurídica  aptidão para ser centro autónomo de relações jurídicas (art. 4. Como exemplo de uma norma razoavelmente discriminatória: temos o artigo 1911 nº2. uma qualidade que pertence a todos os homens sem distinção. atendendo à sua particularidade.html b. 67º). existe no cerne da natureza humana uma base comum a todos. Exemplo de excepção é um menor com menos de 16 anos. independente do conteúdo (por exemplo promoções de uma real igualização através de diferenciações legais compensatórias). Principio da igualdade: este princípio decorre do art. 2.atspace.  O direito é ainda concebido tendo como destinatários essa comunidade de pessoas livres e iguais. Qualidade que está na base da personalidade físico-moral presente no art. 3. assim.http://apontamentosdireito.66º nº1). Vigência de certos institutos de favorecimento da parte contraente mais fraca. O artigo 13º da CRP diznos que apesar das nossas diferenças especificas. A excepção à regra geral de que todos os homens têm capacidade jurídica é a incapacidade. que não viola o principio da igualdade do homem e da mulher. uma razão arbitrária que não é materialmente fundada e não assenta em objectivos razoáveis violará este principio de igualdade. Principio da plenitude da capacidade jurídica humana: a dignidade da pessoa humana postula ainda uma plenitude da capacidade jurídica de qualquer homem: aptidão para ser titular de um circulo maior ou menor de relações jurídicas (art. não pode casar. vendo. Mas qual o critério a adoptar para sabermos quando estamos perante uma situação de igualdade ou desigualdade? Deve-se atender. um conjunto de 11 . violando assim directamente o art. Só não o será face a disposição legal em contrário como decorre do artigo 67º.com/index. já seria uma norma que violaria o principio da igualdade a que permitisse um quota hereditária maior para os filhos nascidos dentro do casamento dos que os fora do mesmo.70º. Fala-se cada vez mais de igualdade jurídicomaterial e não de igualdade jurídico-formal.

72º a 80º. Principio da personificação jurídica e da capacidade jurídica funcional das pessoas colectivas privadas: ao lado da personalidade jurídica reconhecida a todas as pessoas singulares o nosso direito civil no artigo 158º atribui.66º) mas sim de personalidade humana tomada como objecto jurídico. aptidão para se ser centro autónomo de relações jurídicas (regulada no art. 81º nº1 (pelo consentimento ser contra a ordem pública devido aos prejuízos irremediáveis que resultariam para a pessoa são ilícitos a mutilação ou a eutanásia). liberdade. honra. Esses direitos especiais encontram-se nos arts. etc. na medida em que todo o homem tem um direito sobre si mesmo. espírito (sentimentos inteligência). Relação do homem consigo mesmo: a vida.70º nº2. Segundo o artigo 157º as pessoas colectivas privadas são: 12 .com/index. mediante certos pressupostos personalidade jurídica às pessoas colectivas. b. Relação do homem com o seu ambiente físico e social: a identidade. Esta cláusula geral da tutela da personalidade protege os bens da personalidade ligados: a. a qualidade de também elas serem centros autónomos de relações jurídicas. A violação destes mesmos direitos pode implicar: Responsabilidade civil (art.atspace. sobre a sua própria personalidade humana nos seus elementos físicos e espirituais. Pessoas colectivas: são colectividades de pessoas ou complexos patrimoniais / organizados em vista a um fim comum / a que o ordenamento jurídico atribui a qualidade de sujeitos de direitos. 5. não se trata de personalidade jurídica. o seu corpo.http://apontamentosdireito. Certas providências judiciais adequadas às circunstâncias do caso para evitar a consumação da ameaça ou atentar os efeitos da ofensa já cometida – art. Principio da tutela geral da personalidade: quando o artigo 70º nos fala de personalidade física ou moral. Esta igualdade que se quer material impõe obrigações legais de diferenciação para compensar a desigualdade de oportunidades que se verificam na prática. ou seja. 6. ou seja. Os direitos de personalidade são irrenunciáveis: podendo todavia ser objecto de limitações voluntárias que não sejam contrárias aos princípios da ordem pública – art. bem como a capacidade criadora do homem e as respectivas criações.html direitos absolutos que se impõe ao respeito de todos os outros. segurança.  Junto desta estrutura normativa existem diversos direitos especiais de personalidade que tutelam aspectos particulares da personalidade aos quais se aplica subsidiariamente o regime do DGP. 70º nº2).

c. Mas qual a natureza desta personalidade colectiva? Autores como Savigny defendem a teoria da ficção segundo a qual a lei estaria a proceder como se as pessoas colectivas fossem pessoas singulares. num claro antropomorfismo. Fundações: massa de bens afecta pelo seu instituidor a finalidades de interesse social. sendo que os seus órgãos devem actuar de acordo com a vontade declarada pelo fundador. No nº2 do artigo 160º é ainda excepcionado da capacidade jurídica: a) Direitos e obrigações vedados por lei (ex. mas outros fins comuns (recreativos. a capacidade jurídica das pessoas colectivas não é de carácter geral.etc). como nos refere o artigo 160º nº1. já que ela é uma criação do direito  Ela é assim uma criação do direito e não uma ficção legal ou organismo natural. em que as pessoas colectivas seriam uma realidade idêntica à das pessoas singulares. Por outro lado a teoria organicista é também de rejeitar porque não precisamos de um organismo antropomórfico para justificar a personalidade jurídica.atspace.html a. Tudo porque vivemos em 13 . ela não é nenhuma ficção legal porque tem a sua natureza e fundamentação na realidade social e na estruturação de interesses humanos.http://apontamentosdireito. como nos diz Manuel de Andrade “ é a tradução jurídica de um fenómeno empírico”. Por um lado. culturais. com cada um fazer aquilo que bem entende. capacidade testamentaria) b) Direitos e obrigações que seja inseparável da personalidade singular (os direitos derivados da vida como o casamento ou a filiação) Assim. Autores como Otto Van Gierke defendem a teoria organicista. e . Associações: colectividade de pessoas que não têm por fim o lucro económico dos seus associados. Assim.com/index. Principio da autonomia da vontade privada: este principio resulta do poder de auto-determinação de cada homem e cresce limitado pelos quadros normativos da ordem jurídica que assentam na vontade popular. a capacidade jurídica das pessoas colectivas é menor e inferior à das pessoas singulares como resulta da comparação dos artigos 67º e 160º. este principio não se confunde com livre arbítrio. Não podemos aceitar nenhuma das duas teorias expostas. Ao contrário da capacidade jurídica das pessoas singulares. resultam da natureza das coisas. 7. Ela é sim de natureza funcional ou especifica em razão dos fins de cada uma delas. b. apesar de ser uma criação do direito. Sociedades: organização de duas ou mais pessoas / que contribuem com bens ou serviços para o exercício de uma actividade económica / dirigida à obtenção de lucros e à sua distribuição pelos sócios.

etc. segundo a sua vontade e dentro dos limites estabelecidos pela ordem jurídica. Tutela da liberdade positiva: permite a cada um praticar ou não praticar qualquer facto que não seja proibido ou prejudique superiores interesses jurídicos de outrem. O principio da livre realização de actos reais. Mas estão também tipificados os diferentes objectos de sucessão – art. etc.atspace. por exemplo (334º). criação de obras literárias).html sociedade e as relações jurídicas não visam apenas o bem individual mas também o bem comum. não podendo constituir direitos reais os que não estejam previstos na lei. Vigoram também diversos regimes imperativos como é o exemplo da matéria de dividas dos conjugues – arts. Tutela da liberdade negativa: proíbe que qualquer pessoa possa ser constrangida por outrém a praticar ou não praticar qualquer facto – nemo postest presise coagi ad factum. as formas de testamento. 1576 e ss. ou seja. as fontes de vocação sucessória. também aqui há o principio da tipicidade das figuras familiares e dos seus efeitos – arts. Principio que contém restrições de direito público  expropriações por utilidade pública (62ºnº2 CRP) e de direito privado. actos que se traduzem num certo resultado material (ex. No entanto é uma área com grande incidência de normas imperativas ex. b) No direito da família: liberdade de celebração de casamento. b. 1698º. pela ordem pública e o próprio fim do exercício da liberdade (334º).62º CRP. O nosso direito civil protege o poder de auto-determinação do homem em duas vertentes: a. c) No direito das sucessões: liberdade de transmissão sucessória – artigo 62º nº1 CRP. pela boa fé. Artigo 1306º em que se fixa os modos de aquisição do direito de propriedade. de celebração de testamento e de fixação do seu conteúdo. pelos bons costumes.fixação do regime de bens do casamento – art. 14 .com/index.No entanto. 2030º. 36º CRP.http://apontamentosdireito. 1690º ss. Principio da autonomia privada: traduz-se no estabelecimento. de constituir família e de requerer divórcio – art. o abuso de direito. domínio onde imperam as normas imperativas. conformação e extinção autónomos da relações jurídicas privadas por parte de cada homem. Vejamos as varias expressões da autonomia privada: a) Nos direitos reais: principio da livre aquisição e transmissão entre vivos e por morte das coisas dominiais privadas – art. 1306º que se traduz na regra do numerous clausus ou da tipicidade das figuras reais e dos seus elementos característicos.

457º.sujeição do contrato a autorização de outrém (ex. Isto implica:  1-a possibilidade das partes realizarem os contratos previstos no código civil (exemplo a compra e venda) ou em outras leis (exemplo locação financeira) chamados contratos típicos nominados em que as partes aceitam todo o conteúdo e indicam apenas os pressupostos factuais para a sua produção.  Negócios jurídicos bilaterais ou contratos: com duas ou mais declarações de vontade convergentes. 2. Nos negócios jurídicos bilaterais ou contratos. extinguindoas e determinando o seu conteúdo. Ninguém pode ser obrigado a contratar contra a sua vontade – nemo potest precise coagi ad factum ou a ninguém podem ser aplicadas sanções pela recusa de contratar. 3.constituindo-as.http://apontamentosdireito.proibição de celebração de contratos com determinadas pessoas (ex. nestes negócios vigora o principio da liberdade contratual  artigo 405º. b) Liberdade de modelação do conteúdo contratual: faculdade conferida aos contraentes de fixarem livremente o conteúdo dos contratos. ii. 877º).  2.dever jurídico de contratar no que respeita ao seguro de responsabilidade civil automóvel. Do artigo 405º emerge: a) Liberdade de celebração de contratos: faculdade de livremente realizar contratos ou recusar a sua celebração.atspace. A ninguém pode ser imposta a abstenção de contratar: excepcionalmente o nosso ordenamento apresenta algumas restrições à liberdade de celebração de contratos: 1. Esta liberdade subdivide-se em dois predicados: i.com/index. Há que distinguir entre:  Negócios jurídicos unilaterais: tem apenas uma declaração de vontade (exemplo o testamento). Daí que nos negócios jurídicos unilaterais vigore o principio da tipicidade ou do numerous clausus.realizar contratos típicos nominados aos quais concertam as 15 . Nos negócios jurídicos unilaterais é de olhar com reserva a produção de efeitos na esfera jurídica (conjunto de relações jurídicas de que uma pessoa é titular) alheia (por vontade unilateral de outra pessoa). emissão de acções destinadas a subscrição pública). tendentes à produção de um resultado jurídico unitário (ex. compra e venda). os pressupostos e os seus efeitos estão também imperativamente fixados na lei.html d) No direito das obrigações: É neste domínio que mais se afirma o princípio da autonomia privada como grande meio de actuação da autonomia privada temos o negócio jurídico: acto pelos quais os particulares ditam a regulamentação das suas relações. sendo que só são juridicamente admitidos os que estiverem especificamente previstos na lei – art. modificando-as. art. Sendo que a forma.

Patrimonial: definido pela sua avaliabilidade em dinheiro e onde se enquadram os direitos patrimoniais (exemplo. os comportamentos das pessoas. esta liberdade contratual conhece algumas restrições legais. temos mais recentemente o regime das cláusulas contratuais gerais – Decreto Lei 446/85. pois muitas das vezes o fornecedor está numa posição de monopólio (ex. muitas delas. Teoricamente não há restrições à liberdade contratual. chamados contratos atípicos inominados. injustas. limitando-se os segundos a aderir ou não a tal contrato). os direitos de crédito). na obrigação de reparar ou compensar os danos causados. 405º nº2.http://apontamentosdireito. electricidade) e rejeitar o contrato é não satisfazer uma necessidade fundamental. Em tal esfera podemos considerar dois hemisférios: a. pelos seus direitos e interesses juridicamente protegidos. Pessoal: caracterizado pela sua não avaliabilidade em dinheiro e onde se inserem os direitos pessoais ou não patrimoniais (exemplo.  3–a possibilidade das partes celebrarem contratos diferentes dos previstos no código. 16 . Mas. em princípio. Há duas espécies de responsabilidade civil: a. Mas há também poderosas restrições fácticas a este princípio sobretudo nos chamados contratos de adesão (contratos entre produtores ou distribuidores de bens ou serviços em larga escala e consumidores aderentes que são múltiplos e indeterminados. a nulidade do negócio contrário à ordem pública – artigo 280º nº2. desde logo as aludidas no artigo 405º “dentro dos limites da lei”. Vem regulada fundamentalmente nos artigos 798º ss e implica a falta culposa do devedor ao cumprimento da obrigação. Quando isto acontece a pessoa constitui-se.atspace. emergente de um negócio ou directamente da lei (exemplo. o consumidor é livre de rejeitar o contrato. Para combater isto podemos recorrer às regras da boa fé – artigo 762º. só que na prática não é bem assim. sejam eles acções ou omissões violam muitas vezes deveres de abstenção ou de acção. propondo os primeiros todas as cláusulas do contrato. Negocial: resulta da violação de um direito de crédito ou obrigação em sentido técnico. a quem causa prejuízos a outrém. de colocar o ofendido na situação em que estava sem essa lesão. b. compra e venda). Essa obrigação de reparar ou compensar os danos causados é a chamada responsabilidade civil : necessidade imposta pela lei.html cláusulas que lhes aprouver. (eventualmente conjugando dois ou mais contratos – contratos mistos – art. 8. Na vida social. alterado pelo Decreto Lei 220/95 por si alterado pelo Decreto Lei 249/99 de 7 de Julho. os direitos de personalidade). Daí que o consumidor impedido pela necessidade é forçado a aceitar o contrato e todas as cláusulas constantes no mesmo.com/index. Principio da não violação da esfera jurídica alheia: cada pessoa tem uma esfera jurídica própria que é composta pelo conjunto de relações jurídicas de que uma pessoa é titular.

b. Impossibilidade de cumprimento: o incumprimento decorre de uma causa imputável ao devedor. Responsabilidade civil por actos ilícitos ou culposos: regulada no artigo 483º nº1 e pressupõe: 1.http://apontamentosdireito. que assume as seguintes modalidades: o Dolo: que pode ser:  Dolo directo: o agente quis directa e especificamente realizar o facto ilícito violador do direito de outrém (exemplo. ii. a prestação já não ser possível de se efectuar no todo ou em parte – 801º e 802º.html sendo a culpa apreciada nos termos aplicáveis à responsabilidade civil extranegocial como decorre do 799º/2. extra-contratual ou aquiliana: resulta da violação de uma obrigação. iii. ou seja. passiva ou activa. A utiliza o nome profissional e B para se fazer passar por ele). ilícito porque é contrário aos comandos que lhe são impostos pela ordem jurídica.atspace. 2.com/index. voluntária e ilícita que viole um direito subjectivo absoluto ou qualquer disposição legal destinada a proteger interesses alheios. A culpa. que envolve uma censura ético-jurídica e que se desdobra em dois elementos: A imputabilidade (ver 488º). Ela conhece três tipos: i. no entanto a prestação é ainda possível – artigo 804º. mas necessária de uma conduta (exemplo: A quer transportar produtos de um prédio para o outro. Vem regulado essencialmente nos artigos 483º a 510º. Mora: o devedor. Voluntário – quer dizer que é dominável ou controlável pela vontade do lesante. Nexo de imputação de tal acção ou omissão ao agente. universal. este realiza a prestação mas com vícios ou deficiências que ocasionam prejuízos específicos ao credor – artigo 799º. sabendo que os empregados têm que passar por prédio alheio e destruir 17 . por causa que lhe seja imputável. não quer dizer que seja um facto querido por este. Cumprimento defeituoso: por causa imputável ao devedor. Ela desdobra-se em três modalidades: i. não efectua a prestação no tempo devido. A existência de uma acção ou omissão. do não cumprir de um dever geral de abstenção ou acção contraposto a um direito absoluto. Extra-negocial.  Dolo necessário: quando o agente realizou tal facto ilícito prevendo-o como uma consequência reflexa.

pois o artigo 494º admite a possibilidade de diminuição equitativa da indemnização. o Danos não patrimoniais ou morais: consagrados no artigo 496º. apesar disso. o condutor ao aproximar-se de um cruzamento. Aqui o agente procede sem os elementos volitivos do dolo. destruir uma coisa).http://apontamentosdireito. Verificam-se 18 . mas teria persistido na sua conduta se previsse o facto ilícito como efeito necessário da sua conduta (exemplo. desleixo. embora este objectivamente fosse previsível se o agente usasse de diligência.html nele certas culturas. resultante de uma hospitalização por agressão física). dá ordens nesse sentido. vendo pessoas e veículos não abranda a sua velocidade excessiva. imperícia. 3. perda de salários.  Inconsciente: o agente por imprudência. ou seja. não se preocupando com o atropelar alguém ou embater com outro veiculo o que acaba por acontecer em qualquer dos casos o lesante conhece as circunstâncias de facto que integra a violação do direito e tem consciência da ilicitude do facto. Esta pode ser:  Consciente: quando o agente previu como possível o resultado ilícito mas por precipitação ou desleixo cré na sua não verificação.atspace.com/index. São bens estranhos ao património do lesado. perícia e diligência exigíveis para evitar a violação do direito ou interesses alheios. distracção ou inaptidão não teve consciência de que o acto poderia decorrer o resultado ilícito. +  Indirectos: vantagens que deixaram de entrar no Lucro cessante património do lesado em virtude do acto ilícito (exemplo. A existência de danos: estes podem ser: o Patrimoniais: traduzem-se numa diminuição ou não aumento do património  Directos: prejuízo imediato sofrido pelo lesado no Dano emergente seu património (exemplo.  A culpa em sentido amplo (abrangendo dolo e negligência) deve ser apreciada em abstracto pelo modelo de um bom pai de família (o velho bónus pater famílias romano).  Dolo eventual: quando o agente praticou tal facto ilícito prevendo-o como um efeito apenas possível ou eventual. mas com a omissão de deveres de cuidado. com a sua inteligência e perspicácia colocado nas circunstancias e contexto em que o lesante agiu – artigo 487º nº2. um homem médio. o Negligência ou mera culpa: é muito importante a diferenciação entre mera culpa e dolo.

que não é um “preço de dor” mas uma compensação mediante satisfações derivadas da utilização do dinheiro. 4. visto raramente o lesado ficar completamente indemnizado com a reconstituição natural. o mesmo é dizer que o autor só está obrigado a reparar aqueles danos que não se teriam verificado sem essa violação. Existem teorias acerca disto. com base no facto desta ter posto em acção. Pressupõe: a) Violação de um direito absoluto. um empurrão no autocarro). para seu benefício. assim não serão indemnizáveis os pequenos incómodos. Só que aqui estamos perante factos não culposos.  A reconstituição a que obriga a responsabilidade civil pelos artigos 483º e 562º deve. consultar. A verificação de um NEXO DE CAUSALIDADE ADEQUADO: entre os danos produzidos e o acto em causa. Para além de 19 . estimulando – se desta forma zelos e cuidados em impedir esses danos. perda de consideração social. daí que segundo o artigo 483º nº1 só são indemnizáveis os danos resultantes da violação. certas forças que são fontes de riscos e potenciais danos para os outros. Concluindo: esta responsabilidade civil por actos ilícitos é substancialmente culposa ou subjectiva. ser uma reconstituição natural. desgostos ou contrariedades embora emergentes de actos ilícitos imputáveis a outrem (exemplo.atspace. c) A existência de prejuízos. Necessidades sociais de segurança impõem que quem crie uma fonte de riscos em seu proveito suporte os efeitos prejudiciais do seu emprego. Responsabilidade civil pelo risco ou objectiva: só tem lugar nos casos tipificados na lei como decorre do artigo 483º nº2. O artigo 496º nº1 fala de danos que pela sua gravidade mereçam tutela do direito. fazer apelo à liberdade moral do homem e apresentar os danos como consequências evitáveis . etc.com/index. como nos diz o artigo 566º nº1 ( “sempre que a reconstituição natural não seja possível”): é a reconstituição da situação em que o lesado estaria sem a infracção. terá lugar uma indemnização em dinheiro ou restituição por equivalente. No caso dos danos não patrimoniais não podemos falar de uma indemnização porque não são avaliáveis em dinheiro. b) Nexo de imputação objectivo entre esse facto e responsável. apenas materialmente imputáveis à pessoa. ibi incomoda (onde estão as coisas cómodas estão as incomodas). A matéria referida encontra-se nos artigos 500º a 510º.http://apontamentosdireito. O mesmo artigo 566º nº1 diz-nos que quando tal não seja possível pelas razões indicadas. que é uma hipótese maioritária. segundo o princípio ubi commoda. temos assim uma compensação. d) Nexo causalidade entre facto e dano.html quando há sofrimentos físicos ou morais. é como nos diz Mota Pinto. em principio.

html prescindir da culpa não pressupõe normalmente um acto ilícito. Mas normalmente o 20 . só que aqui o acto praticado é licito. envolve uma cláusula geral e como tal a mediação do juiz na sua aplicação aos casos concretos. Responde a um princípio de compensação de vantagens em que aquele que tem de suportar. leal e fiel das partes. Principio do equilíbrio das prestações: esta questão coloca-se sobretudo nos contratos onerosos. a quem tem a convicção de proceder rectamente seu prejudicar direitos alheios. com sacrifício de uma seu direito ou interesse. mas o cumprimento dessas mesmas regras. Contar as quatro características das demais responsabilidades civis extra-contratuais. Boa fé em sentido subjectivo: ignorância não culposa de vícios ou irregularidades do respectivo acto. Exemplo máximo: 1647º e 1648º que dizem respeito aos efeitos do casamento declarado nulo ou anulado quando celebrado por ambos ou apenas por um dos cônjuges de boa-fé.http://apontamentosdireito. é sim um pressuposto para a aplicação ou não de uma norma. Exemplos: 227º nº1 e 762 nº2. podendo dimanar de um facto natural. correcto. factos imputáveis ao lesante que deles tira proveito. a lei exige uma equivalência medida por parâmetros objectivos. Aqui não está em causa a realidade psicológica da pessoa. que leva a lei a dispensar um tratamento de favor a quem actua com este estado de espírito. Responsabilidade civil por acto licito: emergente de fontes que constituem uma intervenção licita na esfera jurídica de outrém. 10. como decorre do artigo 237º. como por exemplo os negócios usurários – artigo 282º. uma perturbação ao seu direito possa obter uma indemnização. onde cada uma das partes deve obter pela sua própria prestação uma contraprestação adequada de valor equilibrado. b. Principio da boa fé: a convivência sócio – jurídica tem de ser alicerçada na confiança recíproca e no recto comportamento e intenção de uns relativamente aos outros.com/index. no interesse de outrem. Tem um carácter obviamente objectivo pois relaciona-se com regras de conduta. ou seja. Não existindo uma unificação legal que preveja um regime jurídico semelhante ao da responsabilidade pelo risco. É assim. Em casos especiais. Neste caso ela não é um princípio geral de direito. Boa fé objectiva: aqui trata-se de uma conduta ou comportamento honesto. Só acontece nas circunstâncias e hipóteses especificadas na lei. como decorre do artigo 483º nº2. algo de psicológico. Expoente máximo desta responsabilidade é o artigo 1367º.atspace. Temos a: a. 9. Aqui é um princípio geral de direito. uma convicção de se estar a actuar em conformidade com o direito. de um acto de terceiros ou de um acto do próprio lesado.

como é estabelecido no artigo 202º CRP. estendendo-se até ao direito da família (deveres de respeito e fidelidade recíprocas – 1672º) ou às sucessões (cada herdeiro só responde pelos encargos na proporcionalidade da quota que lhe tenha cabido – artigo 2098º nº1. Com isto visa-se: a. Principio da nulidade de actos e negócios jurídicos violadores de regras imperativas: o artigo 294º estabelece o principio pelo qual os negócios jurídicos e também os actos jurídicos. 12. limitando-se aqui o direito a assegurar que não houve dolo. ou seja. b. b.html ordenamento contenta-se com a equivalência subjectiva. se realizar de um modo consensual. Exemplo disso é o artigo 796º. por falta de forma legal devido a ignorância ou mesmo dificuldades económicas. Principio da proibição de auto-defesa dos direitos próprios: este princípio decorre da estatuição a contrario dos artigos 336º e 339º. c. de negócios queridos pelas partes onde não há grande relevância de interesse público a existência de forma. É aos tribunais que compete o assegurar de direitos e interesses protegidos pela lei e o dirimir dos conflitos. Este principio leva à consideração de uma distribuição justa dos encargos e dos riscos do contrato. ou proíbem determinada conduta – 21 . 13. erro ou mesmo coacção. atingindo o mesmo resultado por outros meios diferentes dos previstos pela lei. Principio da liberdade declarativa: resulta do artigo 219º e alertanos para o facto de os negócios jurídicos poderem. 11. que ambas as partes considerem as prestações equilibradas. Mas tal principio ultrapassa o âmbito dos contratos. Facilitar e abreviar uma conclusão válida dos negócios jurídicos. o que não põe em causa as funções das forças de segurança pública como garante imediato dos direitos dos cidadãos cuja violação constitua crime – artigo 272º da CRP. por força do artigo 295º. Impedir a invalidade. Negócios contra a lei: ofendem frontalmente uma proibição ou uma actuação legalmente determinada. por palavras ou gestos sem sujeição a forma escrita. em princípio.http://apontamentosdireito.atspace.com/index.  Normas imperativas: são aquelas que impõem um certo comportamento – preceptivas. O artigo 294º abrange: a. proibindo-se assim a auto-defesa. Negócios em fraude à lei: contornam proibições ou actuação. celebrados contra disposição legal de carácter imperativo são nulos. Tutelar a confiança existente entre as partes.

que obedece a critérios sistemático – científicos. No direito civil assume especial importância o código civil Francês de 1804. assim as primeiras compilações de certas fontes diversas abarcando diversas matérias e que conferiam maior certeza.atspace. em princípio. caso também das nossas ordenações. estabilidade e conhecimento das mesmas a todos. que regula todo um importante sector ou ramo do direito. terá de se analisar a ratio dessa mesma norma. será um diploma legislativo. clareza. exemplo Lei das XII tábuas que continha grande parte do ius civile romano da época arcaica. 14. nascem.  Livro II – dos bens e das diferentes modificações da propriedade. Era composto por:  Um titulo preliminar sobre a publicação. Sendo que aqui o excesso tenha de ser evitado porque se trata de uma limitação ao direito.  Livro I – das pessoas. o Os códigos modernos: a codificação num sentido moderno só aparece a partir dos finais do século XVIII.html proibitivas e cuja violação implica. não sendo necessária a nulidade do contrato). bastando para que se cumpra esse objectivo que o lojista pague uma coima. uma limitação à autonomia da vontade. A Codificação do direito civil:  Generalidades: o As colectâneas legais: inicialmente o direito civil estava inteiramente ligado ao costume. Sobretudo a partir da criação das primeiras cidades multiplicam-se as leis e com elas a necessidade de se saber quais as que se mantinham em vigora e as que seriam revogadas. mas um contrato de compra e venda feito fora do horário de funcionamento do estabelecimento já é válido pois a proibição legal visa sobretudo não o contrato em si mas uma concorrência leal no comércio. saber (quais os interesses tutelados pela norma. Principio da proibição do abuso de direito: decorre do 334º. o posterior Corpus Iuris Civilis mandado elaborar por Justiniano. também chamado de Napoleão que com várias alterações ainda hoje continua em vigor. se o legislador visa atacar as acções ou omissões em si ou situações que decorrem das mesmas. Assim. um código. sendo ele a fonte inicial de todo o direito. ex – um contrato de trabalho que não respeita o horário legal é nulo porque a proibição que resulta da lei visa o próprio conteúdo do contrato. algo que resulta do contrato. Manuelinas e Filipinas. Tratava-se de um comportamento adoptado pela comunidade com a convicção da sua obrigatoriedade. as Afonsinas. 22 . duradouramente.com/index. Quando a norma imperativa não é acompanhada de nenhuma sanção.http://apontamentosdireito. a nulidade dos actos ou negócios que colidam com a mesma. ordem. efeitos e aplicação das leis.

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 Livro III – diferentes maneiras pelas quais se adquire a propriedade. Plano muito similar às Institutiones de Gaio e Justiniano, tem um carácter antropocêntrico, tem um baixo grau de abstracção, há separação entre o direito pessoal e o patrimonial, há ausência de uma parte geral  plano de GAIO ou ROMANO – FRANCES. Diferentemente o BGB, ou seja, o código civil Alemão de 1896 utiliza a classificação germânica, pandectistica ou plano de Savigny, tem uma parte geral e 4 partes especiais (obrigações, coisas, família, sucessões). o A questão da Parte Geral do Código Civil: a existência de uma parte geral no BGB foi um problema muito discutido. O argumento principal invocado contra a parte geral é a de que ela não passaria de um mero exercício teorético tornado lei já que a elaboração de uma verdadeira parte geral seria uma tarefa da ciência do direito. Este argumento é falacioso, já que a parte geral tem autonomia própria, tem – se sim, feito trabalho teorético sobre essa parte, algo que é legitimo. Além disso, a parte geral dos códigos e as disposições gerais de títulos, capítulos, etc, resultam de uma exigência técnica jurídica: de evitar repetições, fixando desde logo um conjunto de disposições gerais que teriam de ser repetidas em moldes idênticos em diferentes partes da lei, diz respeito a um catálogo de questões preliminares cuja solução afecta todas as regulamentações particulares que a lei estabeleceu. Acresce ainda o facto destes artigos da parte geral poderem e deverem ser modificados, introduzidos ou removidos pelas transformações da sociedade ou pela evolução do direito, ou seja, não são normas imutáveis. Pelo contrário devem-se adequar à realidade histórico-concreta. A parte geral pode, desta forma, ser mesmo lacunosa, sendo que a aplicação das normas desse parte geral não vale para todos os casos que não estejam comtemplados nas partes especiais, mas apenas para uma casos que caibam na letra e espírito das disposições da parte geral. No entanto, existindo essa parte geral permite enquadrar um numero maior de hipóteses do que um código sem parte geral. Não concordamos pois com Meneses Cordeiro ou Orlando de Carvalho que dizem que a parte geral apenas introduz uma grande abstracção no código e que afasta o código da pessoa humana, que dever ser seu objecto, estes autores não consideram que a própria norma jurídica para o ser verdadeiramente tem que revestir carácter geral e abstracto. Temos, no entanto, que ter um enorme cuidado na coordenação da parte geral com as partes especiais, já que as normas não se dispõem segundo um mero alinhamento ou continuidade, mas segundo uma ordenação (elemento sistemático da interpertaçao). Atendemos à seguinte classificação das normas: a) Gerais: as que correspondem a princípios fundamentais do sistema jurídico e estabelecem o regime regra das relações que disciplinam; b) Especiais: consagram uma disciplina nova para um conjunto de casos mas que não está em directa oposição com a disciplina geral;

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c) Excepcionais: regulam um sector restrito de relações com uma configuração particular, consagram uma disciplina oposta à que vigora para o comum das relações do mesmo tipo. Temos que conjugar as partes gerais com partes e normas especiais e ainda com normas excepcionais , exemplo: em matéria de negócios jurídicos em geral vale o 253º, mas para o casamento encontramos o 1636º, que só tem relevo no contexto do casamento. Ainda como argumento a favor de uma parte geral é o facto de os códigos que a tenham serem susceptíveis de adaptação às diversas mutações Constitucionais radicais, exemplo disto é o nosso código civil face à Constituição de 1976. Ver no livro do doutor Capelo (parte geral do CC) o O Código civil Português de 1867 e as reformas de 1930 e 1940: depois da Restauração foi apresentada ao Rei a ideia de se fazer um código que afastasse as ordenações Filipinas. No entanto, o Rei não acha necessário e as ordenações continuaram a vigorar, sendo o diploma que mais tempo vigorou no nosso País, 200 anos, até ao código de 1867. Com a revolução liberal de 1820 e com a exigência de novos princípios da ordem jurídica que respondessem aos valores nascidos da Revolução, há de novo a necessidade de se elaborar um código civil que possibilite esses valores do liberalismo. Só que à Revolução liberal seguira-se várias guerras civis com mudanças a nível Constitucional que não conferiam a estabilidade e condições para a elaboração de um código civil. Só a partir de 1850 se começa a pensar mais seriamente na elaboração de um código civil, com a participação na 1ª comissão elaboradora, de Coelho da Rocha, jurisconsulto da nossa faculdade, que utilizando o estilo Pandectistico Alemão (uma parte geral e 4 especiais) sistematizou as ideias liberais de Mello Freire. Mas o código de 1867 fica-se a dever a António Luís de Seabra, mais tarde Visconde de Seabra, que chamou a sai redacção do projecto como presidente da comissão. Tal foi o seu contributo para este código que o mesmo é conhecido pelo código de Seabra. Seabra, ao contrário de Coelho da Rocha, vai apresentar um modelo antropocêntrico com grande influência da Revolução Francesa mas também com um carácter original. Esta base antropocêntrica é claramente visível na sistematização: I- capacidade civil; II-aquisiçao de direitos; III- direito de propriedade; IV- ofensa de direitos e sua reparação. O código mostra também claramente a sua influência liberal com a sua visão ampla da liberdade contratual. O código vai posteriormente sofrer as mudanças que se identificam com a passagem a um Estado Republicano, sobretudo no que respeita ao direito da Família e sucessões, sobretudo, numa clara separação entre Estado e Igreja que se manifesta na instituição do casamento civil e também na permissão de divórcio. Estas mudanças não foram, porém, imediatamente integradas no código civil, numa clara preocupação de

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harmonização e sistematização vieram a ser integradas apenas em 1930 com a primeira reforma do código civil. Em 1940, já com o Estado Novo e com Salazar na sua máxima força, realiza-se a concordata entre Portugal e a Santa Sé, que imprimiu grandes mudanças sobretudo no direito da Família, com a admissão do casamento católico com valor jurídico-civil, não havendo necessidade também de se efectuar o casamento civil para que o mesmo tivesse valor jurídico civil. Aboliu-se ainda o divórcio para os casamentos católicos a partir de 1940, cabendo apenas aos tribunais canónicos declarar a anulação ou não de um casamento católico. A única possibilidade era o regime de separação de pessoas e bens, mas sem a possibilidade da pessoa se poder casar novamente. o O Código Civil de 1966: a reforma de 1977 e principais alterações: o primeiro passo tomado em 1944 com a nomeação de uma comissão à qual presidiu o professor Vaz Serra, jurisconsulto da nossa faculdade de direito. Esta elaboração de um novo código justificava-se por: a) Existência de enorme legislação avulsa; b) Inadequação das concepções do código às doutrinas e valores afirmados pelo Estado Novo. Os trabalhos estenderam-se por 22 anos até que o Ministro da Justiça Antunes Varela, o projecto do código civil, sendo o mesmo a ser aprovado em 15 de Novembro de 1966. Como grandes exemplos da modificação em relação ao código anterior no que respeita ao conteúdo, temos por exemplo a exigência das sociedades constituídas serem reconhecidas por uma entidade pública (forma de o Estado Novo controlar a sociedade e impedir a liberdade de expressão), a posição do homem como chefe de família, a posição mais favorável ao filhos nascidos dentro do casamento em relação aos nascidos fora deste. Em termos de estrutura temos a adopção do plano de Savigny ou sistematização Germânica (uma parte geral e 4 partes especiais). Vamos depois ter uma reforma em 1977 com a necessidade de adaptar o código civil à Constituição de 1976, exemplo disto é o da igualdade de direitos entre filhos nascidos dentro e fora do casamento, o princípio da igualdade entre homens e mulheres. No entanto a reforma de 1977 teve também algumas inovações como é o caso: a) Melhoria da posição sucessória do conjugue sobrevivo; b) Extinção da enfiteuse; c) Alterações ao nível do arrendamento, o que fez com que o mesmo saísse do código devido à profundidade do mesmo e também à frequência da sua mudança o que não conferiria estabilidade a esta disciplina, daí a sua remoção do código; d) A maior idade dos 21 anos para os 18 anos; e) Outras mudanças de menor vulto se seguiram visto que o código , embora vise a estabilização das normas não é imutável às transformações sociais, económicas e politicas e às novas descobertas.

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O principio geral (a lei só dispõe para o futuro artigo 12º nº1 e nº2 1ª parte). Rápida desactualização destas leis por efeitos como a inflação ou a evolução tecnológica.html o Legislação complementar do código civil: quando à legislação complementar há que distinguir dois tipos: as de leis civis e de leis não civis. Temos como exemplos o código de registo civil ou o código do notariado. Temos depois vários códigos que complementam o código civil.  A lei interpretativa é integrada na interpretada – artigo 13º. tais como. b) Legal abstracto – generalizador: traduz-se na elaboração de tipos de situação da vida. Com excepção de se de acordo com a lei antiga faltar menos tempo.com/index. embora bem definidos e determinados por força de um grande trabalho da doutrina e da jurisprudência. o O Estilo e a classificação das normas civis: Vejamos os três tipos e formulações legais: a) Casuístico: emissão de normas jurídicas prevendo o maior numero possível de situações da vida real. No entanto se a lei dispuser directamente sobre o conteúdo de certas relações jurídicas ela vai abranger as relações já constituídas e que subsistam aquando da sua entrada em vigor – artigo 12º nº2 – 2ª parte. podendo hoje uma norma ser substituída por outra. através de uma hipótese concretizada em casos reais e através de uma estatuição extremamente minuciosa. No entanto so notórias as desvantagens deste estilo: a. Em relação às alterações de prazos através da lei. surge. aparecendo entre nós com as ordenações do Reino. o RAU ou mesmo o direito real de habitação periódica. No caso de leis civis temos vários diplomas que complementam o código civil. Estilo típico da jurisprudência dos 26 .atspace. 297º/2 Se estabelecer um prazo mais longo também se aplica aos prazos em curso. o problema da aplicação das leis no tempo. mas aqui começa-se a contar desde o momento inicial. que é regulado pelo artigo 12º do nosso código. desta forma. Na lei civil temos as partes numa posição de paridade. Tem na sua base a crença optimista da capacidade de prever todas as situações e assim subtrair ao arbítrio do julgador a decisão do conflito em causa.http://apontamentosdireito. Impossibilidade de regular casuisticamente todos os casos relevantes. A tarefa do julgador é a de subsumir as situações da vida concreta à hipótese legal. o Aplicação das leis civis no tempo: é muito importante saber quais as normas que se vão aplicar para as diversas situações. b. Esta formulação era típica do direito romano. não há portanto ius imperi. 297º/1 Se estabelecer um prazo mais curto aplica-se aos prazos em curso mas só se começa a contar a partir da entrada em vigor da nova lei. através de conceitos gerais e abstractos. Tudo porque as normas se vão sucedendo no tempo. rege o artigo 297º.

No entanto poderá levar. de situações juridicamente relevantes que não encontram na lei uma solução expressa. ou seja. c) Linhas de orientação: aqui o legislador limita-se a estabelecer módulos de apreciação. em razão de variedade da vida. Como exemplo de um conceito indeterminado temos o artigo 487º nº2 – a diligência de um bom pai de família. No entanto.http://apontamentosdireito. grande exemplo de uma cláusula geral é a da boa fé presente no artigo 762º nº2 (temos aqui a boa fé em sentido objectivo. Aqui não há subsunção ou dedução mas indução. conceito que deriva do principio bónus pater famílias romano que caracteriza um homem cujas capacidades são medianas. Como grande exemplo deste estilo temos o código civil Suíço de 1907. É o problema das lacunas. Normas imperativas: não podem ser afastadas pela vontade das partes. b. Cláusulas gerais: recorremos a critérios valorativos de apreciação. b. mas sem uma zona nuclear segura e uma certa indeterminação da sua área e dos seus limites legais. Conceitos indeterminados: são conceitos imprecisos e maleáveis com características dos pressupostos de facto de uma norma. c. Este método possibilita um maior grau de segurança e razoabilidade das soluções. mas saber se o sujeito agiu honesta e honradamente depende de várias situações e o juiz tem grande margem discricionária. É um conceito muito indeterminado que faz apelo a critérios valorativos face a cada caso concreto. de acordo com a jurisprudência dos valores.atspace. Aqui a hipótese e a estatuição não estão definidas por caracteres limitados. Normas gerais. Existem dois tipos de linhas de orientação: a. especiais e excepcionais (já analisamos ver atrás) 27 . o Classificação das normas civis:  Existem várias classificações de normas civis: a. levar o Juiz a decisões menos rectas para o caso concreto. doseando a necessidade de certeza e segurança com uma preocupação de justiça para todos os casos concretos.  O nosso código civil adopta fundamentalmente o tipo de formulação mediante conceitos gerais e abstractos. Para atenuar isto mesmo foram introduzidas clausulas gerais e mesmo conceitos indeterminados.html conceitos. Normas supletivas: podem ser afastadas pela vontade das partes.com/index. O juiz no acto de aplicação da lei tem uma grande margem de discricionariedade. este estilo apresenta uma falta de maleabilidade face à multiplicidade e complexidade da vida real por mais que os seus conceitos sejam gerais e abstractos. dotando o nosso código de uma adaptação às várias situações da vida. Este estilo assenta na consciência da impossibilidade de prever todas as hipóteses geradas na vida e na necessidade de atribuir algum carácter valorativo na intervenção do decidente aquando da sua aplicação da lei.

temos a teoria geral do ordenamento jurídico civil: diz respeito às normas gerais do código civil. Aqui se o devedor. no caso da contraparte não cumprir o dever jurídico a que está adstrita. relação pela qual o inquilino deve pagar a renda ao senhorio). a lei trata a situação como se o comportamento lhe tivesse podido ser exigido. Podemos considerar a expressão relação jurídica com referência a uma relação existente na realidade entre pessoas determinadas. mediante a atribuição a uma pessoa de um direito subjectivo propriamente dito.http://apontamentosdireito. ou seja.html o O âmbito da Teoria geral do direito civil: por um lado. o senhor A pode exigir do inquilino B a renda de 150 euros pelo arrendamento do quarto x). aí estamos perante uma relação jurídica concreta (ex. disciplinado e garantido pelo direito civil que une entre si sujeitos de direito. que não podia 28 .atspace. por exemplo. Poder de pretender: há um círculo restrito de hipóteses.  Conteúdo da relação jurídica: o Direitos subjectivos propriamente ditos ou stricto sensu: é o poder jurídico reconhecido pela ordem jurídica a uma pessoa de livremente exigir ou pretender de outrém um comportamento positivo (acção) ou negativo (omissão). Por outro lado a teoria geral da relação jurídica civil. a necessidade de realizar o comportamento a que tem direito o titular activo da acção. cumprir espontaneamente. Há aqui uma dicotomia entre o poder de exigir e o de pretender: Poder de exigir: na quase totalidade das hipóteses o titular do direito subjectivo. concentradas nos artigos 1º a 13º cc. paradigma ou esquema contido na lei. São. que estabelecem vários princípios acerca das normas jurídicas. de uma divida de jogo ilícito – artigo 1245º. sobre um objecto determinado e de um facto jurídico determinado. pode recorrer aos tribunais para deles obter as providencias necessárias coercivas aptas a satisfazer o seu interesse. o credor. Conceito e conteúdo: Relação jurídica: é o vínculo normativo. É o caso das obrigações naturais reguladas nos arts. Podemos considerar a expressão relação jurídica com referência a um modelo. o A relação jurídica civil: a. porque se o sujeito passivo cumprir voluntariamente. na posição passiva. em que o titular do direito não pode reagir contra o adversário se este não adoptar o comportamento que lhe é prescrito. contrapõe-se-lhe. no entanto. 402º e 403º. aí estamos perante uma relação jurídica abstracta (ex. de um direito potestativo ou de um poder – dever e imposição a outra pessoa de um dever jurídico ou uma sujeição correspondente. deveres jurídicos. o dever jurídico.com/index. aplicação do direito em relação com a realidade social que é também objecto de normas jurídicas.

 Podem ser: 1. Lado passivo dos direitos subjectivos strictu sensu e dos direitos potestativos: Contraposto aos direitos subjectivos propriamente ditos temos o dever jurídico. pode conservar a prestação recebida.html exigir judicialmente um pagamento. Os deveres jurídicos podem ser: 1Pendentes sobre uma ou mais pessoas determinadas e. 29 . então falamos de direitos absolutos – erga omnes. separação judicial de pessoas e bens – art 1795º-A). Aqui.http://apontamentosdireito. não podendo o sujeitado violar ou infringir essa situação mesmo que esta vá contra a sua vontade. então. reconhecido pela ordem jurídica. embora se expondo a sanções.Mota Pinto. contrapõe – se – lhe. a situação de necessidade em que se encontra o sujeito passivo de ver produzir – se forçosamente uma consequência na sua esfera jurídica por efeito do exercício do direito pelo seu titular. o Direitos potestativos: é o poder jurídico. só de per si. o direito de obter o divorcio – art.atspace. ou seja. ou integrado por um acto de uma autoridade pública.com/index. Extintivos: produzem a extinção de uma relação jurídica existente (exemplo. falamos de direitos relativos. Modificativos: produzem uma simples modificação numa relação jurídica existente e que continuará a existir apesar de modificada (exemplo. Teoria da vontade e teoria do interesse: ao definirmos direito subjectivo propriamente dito ou direito potestativo definimo-lo como um poder jurídico. 1773º). Há uma colaboração do sujeito do dever para que e cumpra esse direito. Constitutivos: produzem a constituição de uma relação jurídica por acto unilateral do seu titular (exemplo – constituição de servidão de passagem em beneficio de prédio encravado – artº 1550º). Contraposto aos direitos potestativos temos a sujeição. um poder que é da vontade e que o seu titular poderá usar livremente e impor aos outros  é a posição defendida por Savigny e pelo Dr. Enquanto que o devedor não tem a possibilidade de repetir. diversamente do dever jurídico. 2No caso de alguns deveres jurídicos de abstenção pendentes sobre todas as pessoas. 2. goza da soluti retentio. Aqui o sujeito do dever. na posição passiva. a uma pessoa de por um acto de livre vontade. produzir determinados efeitos jurídicos que inevitavelmente se impõe ao sujeito passivo. não tem a condictio indebiti. trata-se de uma necessidade inelutável. tem a possibilidade prática de não cumprir. a sujeição. 3.

Algo com o qual não concordamos devido à estrita funcionalização que faz dos direitos.com/index. Se existir apenas uma não há relação jurídica. o dever jurídico e a sujeição. públicas ou privadas. o exercício desse direito é ilegítimo por força do artigo 334º que consagra a doutrina do abuso do direito.  Elementos da relação: Sujeito: são as pessoas entre quem se estabelece o vínculo respectivo: os titulares do direito subjectivo stricto sensu ou do direito potestativo e das posições passivas correspondentes. por falta dessa liberdade de actuação é que os poderes-deveres não são direitos subjectivos. Para além de condicionar a relação jurídica vai modelar o conteúdo da relação jurídica. para haver uma relação jurídica civil é preciso existir mais do que uma pessoa. Estes poderes não podem ser exercidos se o seu titular quiser e como quiser.http://apontamentosdireito. mas do modo exigido pela função do direito (exemplo. e) outros direitos. ou seja. característica que não pode ser imputada ao nosso sistema jurídico. c) coisas incorpóreas. ou seja. de ser titular de relações jurídicas.atspace. o poder paternal). Orlando de Carvalho dizem que se trata da expressão de interesses juridicamente protegidos.html Diversamente Iherny e entre nós o Dr. fixando o objecto dos direitos das partes e o conteúdo dos mesmos. Como se desencadeia a energia jurídica contida na lei. inibição do poder paternal). Assim. Há que dizer que só em casos extremos de clamorosa e manifesta contrariedade entre o exercício do direito e o seu fim social ou económico. Facto jurídico: é todo o facto produtivo de efeitos jurídicos. É aquilo sobre que incidem os poderes do titular desse direito subjectivo. extingue-se por confusão como nos refere o artigo 868º. É condição ou pressuposto da sua existência. Os poderes-deveres visam sobretudo a defesa dos interesses do sujeito passivo. b) coisas corpóreas. Podem ser objecto de relações jurídicas: a) outras pessoas. estes formam o conteúdo da RJ. 2Objecto: aquilo sobre que incidem os poderes do titular activo da relação jurídica. Não é o conjunto formado pelo direito subjectivo e o correspondente dever jurídico. 1- 3- 30 . podendo essas pessoas ser singulares ou colectivas. Tem um papel condicionante no surgimento da relação jurídica. São pessoas já que a personalidade jurídica é a susceptibilidade de ser titular de direitos e obrigações. Se não forem exercidos quando deviam sê-lo ou forem exercidos de outro modo o seu titular infringe um dever jurídico que é passível de sanções (exemplo. o Poderes – deveres: só há direitos subjectivos quando o exercício do poder jurídico está dependente da vontade do seu titular. d) modos de ser da própria pessoa.

Procurou-se. Para a tutela de um direito o seu titular deve requerer perante os tribunais a providência adequada. mediante atribuição ao sujeito activo de um direito subjectivo propriamente dito ou de um direito potestativo. A justiça privada. em movimento sob o impulso do titular do direito subjectivo violado ou ameaçado. A sua forma mais frequente é a indemnização dos danos causados ao titular do direito. o defendente pode lesar interesses superiores aos interesses ameaçados. não desencadeia a aplicação de uma pena.  Classificação das relações jurídicas: a) Relação jurídica simples ou singular: relação existente entre dois sujeitos. Há que referir que a garantia não protege o titular do direito apenas no caso de violação do seu direito. Nas obrigações naturais existe igualmente o elemento garantia. como tal. normalmente. este não poder o obrigado repetir o que haja prestado. Dando-lhe mesmo a possibilidade através de acções de simples apreciação por termo em juízo à situação de dúvida sobre a existência do seu direito. assim.atspace. a legitima defesa é um meio preventivo dirigido a afastar a agressão iminente em inicio de execução mas ainda não consumada. intentará uma acção. o titular não pode reagir e obter ressarcimento pelas vias de facto. no entanto. desde que respeite os pressupostos aí presentes. o que está excluído será o recurso à força própria para obter satisfação. Diferentemente é a legitima defesa presente no 337º. Em princípio. A prisão por dívidas foi suprimida em 77. já que é uma garantia infalível. ilícita. A garantia da Relação jurídico privada só entra. é. ou seja. ao contrário da acção directa. como é patente pelo artigo 336º (acção directa). de forma a obter a satisfação do seu direito. b) Relação jurídica complexa: trata-se de uma série de relações jurídicas singulares. Nos direitos potestativos podemos dizer que há uma garantia mais forte do que nos direitos subjectivos stricto sensu. conexionadas ou unificadas por um qualquer aspecto (exemplo.html Garantia: é o conjunto de providências coercitivas postas à disposição do titular activo de uma RJ. que esta supressão fosse acompanhada de medidas sucedâneas de tutela. O facto ilícito civil. nos termos do artigo 619º. como é o caso do arresto de bens. Protege-o ainda contra ameaças ou receios legítimos de infracção do dever jurídico como é visível no artigo 619º. ou seja. em que a outra parte não pode infringir esse direito. Excepcionalmente a auto-defesa dos direitos pode ser lícita. sendo que nesta última. ao sujeito passivo do dever jurídico ou sujeição correspondentes. A relação entre o comprador e o vendedor de uma máquina não contém só o dever 4- 31 . sendo que sempre que possível se procederá à reconstituição natural. uma série de direitos subjectivos propriamente ditos ou direitos potestativos e deveres jurídicos ou sujeições correspondentes. lesado por um obrigado que o infringiu ou ameaça infringir. porque enquanto a acção directa supõe uma acção já consumada e é um meio repressivo. e.http://apontamentosdireito. Falamos da solutio redentio.com/index.

Aqui o onerado não deve. ou outros vínculos. e) Relações jurídicas patrimoniais: são susceptíveis de avaliação pecuniária. Trata-se de uma verdadeira expectativa jurídica e não de uma expectativa de facto pois a lei protege a sua posição. Exemplo. de serem titulares autónomos de relações jurídicas. etc)  Outras figuras jurídicas: a) Ónus: necessidade de observância de determinados comportamentos para a realização de um interesse próprio. exemplo a fiança.  Outras classificações: a) Relações jurídicas perfeitas: têm plena garantia jurídica. correspondente a um estádio de um processo complexo de formação sucessiva de um direito. mas torna o devedor credor da entrega da máquina.http://apontamentosdireito. f) Relações jurídicas não patrimoniais ou pessoais ou extrapatrimoniais: não são susceptíveis de uma avaliação pecuniária. é desta forma diferente do dever jurídico. como deveres acessórios de o vendedor guardar a máquina ou deveres laterais do vendedor informar o comprador do modo de funcionamento da máquina.  Pessoas singulares e pessoas colectivas: personalidade e capacidade: Sujeitos de direito: são os entes susceptíveis de serem titulares autónomos de direitos e obrigações. ao contrário do que acontece com o dever jurídico em que há nítida desaprovação. 32 . exemplo as obrigações naturais. juridicamente tutelada.atspace. b) Expectativa jurídica: situação activa. o onerado ao não acatar o ónus não infringe nenhum dever nem a sua conduta é ilícita.html de pagar o preço e o direito ao preço. exemplo no caso do suicídio. ele pode praticar ou não um certo acto. h) Relações jurídicas não dominiais: não há poder do titular activo dispor livremente do objecto. mas se não o praticar não realizará certo interesse. estando já parcialmente verificado o facto jurídico constitutivo desse direito. O ordenamento no caso do ónus não desaprova o seu não acatamento. É uma situação em que se verifica a possibilidade juridicamente tutelada de aquisição futura de um direito. o ónus da prova. c) Relações jurídicas principais: são autónomas. mas perde ou deixa de obter uma vantagem. Embora nestas relações possa haver lugar a uma indemnização a título de compensação. não estando dependentes de outras relações jurídicas. g) Relações jurídicas dominiais: há poder do titular activo dispor livremente do objecto jurídico. b) Relações jurídicas imperfeitas: têm apenas um embrião de garantia jurídica. d) Relações jurídicas acessórias: estão dependentes da relação jurídica principal.com/index.

 Capacidade jurídica para o exercício de direitos: Capacidade para o exercício de direitos: é a idoneidade para actuar juridicamente. A incapacidade pode ser genérica (refere-se a actos jurídicos em geral) ou específica (refere-se a actos jurídicos em especial). Faltando essa aptidão para actuar pessoal e autonomamente teremos uma incapacidade de exercício de direitos que pode ser suprida pela representação legal ou pela assistência. Actua autonomamente já que também não carece de consentimento de ninguém. ele é necessariamente titular de um círculo de direitos de personalidade. por acto próprio e exclusivo ou mediante um representante voluntário ou procurador. nem anterior. 33 . um representante escolhido pelo próprio representado. A diferença é que essa capacidade pode ser mais ou menos restrita.atspace. Esta aptidão é própria das pessoas singulares. com mais ou menos restrições de relações jurídicas. devem estar desprovidas de capacidade de exercício as pessoas que por várias razões não possam determinar com normal esclarecimento ou liberdade interior os seus interesses.html A personalidade jurídica é essa aptidão para ser titular autónomo de relações jurídicas. ou seja. À personalidade jurídica é inerente a capacidade jurídica ou capacidade de gozo de direitos: é essa aptidão para ser titular de um circulo. adquirindo direitos ou assumindo obrigações. sendo-se sempre pessoa. Mas também as pessoas colectivas têm personalidade jurídica como resulta do artigo 158º. As pessoas singulares têm uma capacidade jurídica mais ampla do que as pessoas colectivas como facilmente se depreende da comparação dos artigos 67º e 160º. Aptidão que vem regulada no artigo 66º. A pessoa dotada de capacidade de exercício actua pessoalmente. Tudo porque esta capacidade para agir supõe uma capacidade de querer e entender. que deriva de uma exigência do direito em respeitar a dignidade que deve reconhecer a todos os seres humanos.http://apontamentosdireito. nem posterior ao acto. Nem só os menores são incapazes para o exercício de direitos – artigo 123º. não carece de ser substituída na prática de actos que põem em movimento a sua esfera jurídica. exercendo direitos ou cumprindo deveres. Todo o sujeito para além de um círculo mínimo de direitos patrimoniais que só teoricamente poderão faltar. por qualquer representante designado na lei ou em conformidade com ela. ou seja. Ao contrário da capacidade de gozo de direitos. a capacidade jurídica para o exercício de direitos pode faltar a uma pessoa singular. Assim. A capacidade para o exercício de direitos é reconhecida aos indivíduos que atinjam a maioridade – artigo 130º. Há outras incapacidades como a dos interditos – artigo 138º e a dos inabilitados – artigo 152º.com/index.

Assim.atspace. nestes casos. de doação ou sucessão a favor de nascituro não concebido ou concepturo (952º e 1 Herança jacente: herança aberta pela morte de uma pessoa singular mas ainda não aceite pelos seus herdeiros familiares nem declarada vaga para o Estado – 2046º. ver em baixo segundo o livro) Toda a relação jurídica tem de estar conexionada com um sujeito. pelo menos aparentemente.html (Nota: nesta parte está problema dos direitos sem sujeito segundo uns apontamentos. As situações anteriormente descritas seriam estados de vinculação de certos bens em vista do surgimento futuro de uma pessoa. admitindo. falta um dos sujeitos jurídicos. 34 . Conferir os artigos 952º e 2033º. Além disso. É o caso de atribuição de bens por doação ou sucessão “mortis causa” a um nascituro (aquele que já foi gerado mas ainda não nasceu) ou até a um concepturo (aquele que ainda será gerado) em que parece não haver titular activo entre o momento da doação ou morte e do nascimento do beneficiário que fará surgir a pessoa jurídica. já que todo o poder implica necessariamente um titular e todo dever um suporte. Manuel de Andrade e Mota Pinto negam a possibilidade lógica da existência de direitos sem sujeito. assim. sobretudo activo mas também passivo. Com um direito sobre eles esse objecto não estaria integrado em nenhuma relação jurídica mas também não seria livre já que estava a ser objecto de uma tutela jurídica que o reservaria para um provável direito futuro. já que defendendo a teoria da vontade.http://apontamentosdireito. está confuso. PROBLEMA DA EXISTENCIA DE DIREITOS SEM SUJEITO – LIVRO: Há situações jurídicas em que. sendo um absurdo essa possibilidade. o caso da herança jacente constitui um património autónomo em que os credores têm possibilidade processual de executar estes bens. O mesmo acontece com a situação de direitos que integram a herança entre a morte do cuius e aceitação da herança  período de herança jacente1. Lehmann. consideram que o direito subjectivo se traduz num poder e como tal tem de pertencer a alguém e o mesmo para a obrigação. já que o poder pressupõe um titular e o (dever) a vinculação um suporte. a inexistência de direitos sem sujeito. Windscheid afirmava a existência. a seguir está a transcrição do livro do doutor Capelo)  O problema dos direitos sem sujeito: (segundo apontamentos) (passar á frente está confuso. Pode também haver situações de aparência da falta do sujeito passivo. sendo que apenas a herança responde por esta dívida e não os bens pessoais dos herdeiros. Outros autores falam de relações jurídicas imperfeitas já que é um caso de provisória inexistência do sujeito.com/index. no caso da herança jacente (2046º) até tal aceitação ou declaração (2050º e 2155º). No entanto certas situações parecem só poder ser juridicamente enquadradas numa categoria de direitos sem sujeito. é o caso das obrigações do de cuius incluídas na herança jacente. de direitos sem sujeito.

até ser encontrado ou ter caducado). Orlando Carvalho. a) Inicio: começo da personalidade jurídica vem estabelecida no artigo 66º nº1. de construção doutrinal. quase clássicas acima referidas. A personalidade jurídica vai adquirir-se no momento em que a separação se dá com vida e de modo completo. sendo certo que os sucessíveis aceitantes virão a responder por tal obrigação. que se encontrem já estruturados o conteúdo e o objecto de determinados poderes jurídicos de exigir ou pretender o comportamento de outra(s) pessoa(s) ou de intervir inelutavelmente na esfera jurídica de outra pessoa. respeitar a dignidade que se tem de reconhecer a todos os seres humanos.http://apontamentosdireito. permite manter ou organizar antecipadamente tal estrutura. excepcionalmente. mecanismos jurídicos cuja melhor construção doutrinaria será a de direitos subjectivos sem sujeito. por razoes muito especiais. ficar predisposto a ser adquirido por um ser dotado de personalidade jurídica ou a extinguir-se. Doutrina divide-se quanto à existência ou não de direitos sem sujeito: Manuel de Andrade e Mota Pinto entendem que estamos perante «meros estados de vinculação de bens em vista da possível superveniência de titulares para eles» uma vez que o direito subjectivo pressuporia sempre a ligação do direito a uma determinada pessoa. bem como no caso de abandono de um titulo ao portador (acção de uma sociedade anónima ou bilhete cinema.a )enquanto este não nascer o não houver posibilidade de nascer. Entende-se por nascimento a separação do filho do corpo materno. Castro Mendes e Oliveira Ascensão consideram haver nestes casos direitos subjectivos sem sujeito.atspace. A concepção que perfilhámos de direito subjectivo consubstancia-se em um poder jurídico distinto do poder material efectivo pelo que não nos parece inseparável da titularidade sempre actual de uma determinada pessoa. bem como os correlativos deveres ou sujeições jurídicos.com/index.html 2033º nº2 al. em termos de o respectivo poder jurídico. na sua exacta configuração. a resolver. Algo que nas pessoas singulares corresponde a uma exigência do direito. Parecem ser essas as situações jurídicas. Diferente. a partir dos dados do nosso sistema legal. Trata-se de um problema teorético. O nascimento completo dá-se com a separação total do filho relativamente à mãe e 35 .Na linha de Orlando de Carvalho « o núcleo de poderes sobre os bens se encontre definido» ou como cremos melhor. Por outro lado. quando a ordem jurídica face a especiais interesses em jogo.Há que ter muita prudência na analise de outras eventuais eventualmente semelhantes. O sistema pode admitir para certos casos. PESSOAS SINGULARES  Personalidade jurídica: aptidão para ser titular autónomo de relações jurídicas. faltará ou ainda faltará o sujeito passivo de uma obrigação contraída por uma pessoa entretanto falecida e cuja herança se encontra jacente.

com/index. por exemplo este não se enrole à volta do pescoço da criança. Esse direito não pressupõe uma atribuição de personalidade jurídica ao nascituro. Por exemplo se a mãe morre no parto e o filho nasce vivo e sobrevive. não terá direito a essa indemnização (Capelo de Sousa diz que os pais têm pois não faria sentido premiar o melhor assassino) (???). Morte: nos termos do artigo 68º nº1 a personalidade cessa com a morte. Para este caso a melhor doutrina será a que nos refere que os nascituros têm uma personalidade jurídica parcial. O artigo 66º nº2 diz-nos que os direitos reconhecidos por lei aos nascituros dependem do seu nascimento. que no entanto estão dependentes do seu nascimento completo e com vida. se a criança pelo contrário nasce morta ou morre antes da mãe. Assim. basta que a criança nasça completamente e com vida. prazo de viabilidade de sobrevivência. A nossa lei não exige: o nascimento com figura humana.atspace. b) Condição jurídica dos nascituros: a lei permite que se façam doações aos nascituros concebidos ou não concebidos (concepturos) – artigo 952º e se definam sucessões quanto aos concebidos – artigo 2033º nº1 e apenas testamentária ou contratual quanto aos não concebidos – artigo 2033º nº2. Assim. nos termos do artigo 66º nº1. por exemplo. Sendo que essa morte pode ser natural ou presumida – 36 . fora do útero materno. Algo que é bastante importante em matéria sucessória. já que estão dependentes do seu nascimento. Nascimento com vida: quando há respiração do nascido fora do corpo da mãe. por um medicamento. o feto agredido no ventre da mãe não chega a nascer com vida. a nossa lei reconhece aos nascituros direitos. Até ao nascimento estaremos perante a problemática dos direitos sem sujeito. Este corte pode ter lugar antes da separação total do corpo materno para que. Ver melhor o livro do doutor Capelo de Sousa pagina 265 e ss. c) Termo da Personalidade jurídica: a.html ao seu corpo com o corte do cordão umbilical. Se no entanto. Assim. ainda que a sua sobrevivência não seja viável. Neste caso não há ainda separação completa. Há hoje processos médico – legais para determinar se o recém nascido respirou ou não após o parto. já que só no momento do seu nascimento (completo e com vida) é que o dano se consuma. apesar da agressão que o desencadeia seja anterior. mesmo que pouco tempo à mãe ele é herdeiro desta e se ele morrer de seguida o herdeiro é o pai. os herdeiros desta são o marido e também os seus pais. apesar de não terem ainda PJ e não serem como tal sujeitos de direito.http://apontamentosdireito. um filho pode pedir indemnização pelas deformações físicas ou psíquicas que sofra no ventre da mãe causados. algo que era exigido pelo código de Seabra com o fundamento lendário de que uma mulher poderia gerar monstros.

sobretudo no que respeita a efeitos sucessórios. por prova em contrário. Presunção de conivência: no artigo 68º/2 consagra-se uma presunção de comonivencia. Sendo que o artigo 71º nº1 não é um desvio à cessação da personalidade com a morte. já que essa recolha e operações de transplante exigem a colheita antes da paragem circulatória e respiratória. Outras ordens jurídicas consagram a presunção de premoniencia. No momento da morte a pessoa perde os direitos e deveres da sua esfera jurídica. mas se provar que o filho morreu algumas horas depois.html artigo 114º. Uma portaria de 71 embora não venha a definir legalmente o momento da morte. Se as mortes são simultâneas o outro filho sucede na totalidade da herança. dando-se hoje relevo à morte cerebral.atspace. extinguindo-se os de natureza pessoal e transmitindo-se para os sucessores os de natureza patrimonial. circulatória e respiratória. Tratando-se de uma presunção elidível. passando a quota do filho que veio a morrer para os seus herdeiros. Concorda com esta posição o Dr Mota Pinto tendo uma posição contrária os Drs Pires de Lima e Antunes Varela que vêm nesse artigo uma protecção aos direitos de personalidade depois da morte do seu titular. a herança é dividida pelos dois filhos.  A capacidade jurídica: 37 . vem determinar regras que permitam concluir a verificação do óbito para efeitos de recolha de tecidos ou órgãos quando há lesão irreversível do sistema nervoso central. b.http://apontamentosdireito. Exemplo. No que diz respeito à morte biológica hoje as modernas técnicas de reanimação levam a pôr em causa o critério tradicional do momento da morte: paragem cardíaca. requerer-se-á a invalidação ou rectificação desse assento. já que se trata de uma protecção de interesses e direitos de pessoas vivas que sejam afectados por actos ofensivos da memória do falecido. por exemplo no direito Inglês presume-se a premoniencia do mais velho.com/index. de morte simultânea. casal que tem dois filhos e num acidente morre o casal e um dos filhos. c. se mais tarde se verificar que terá havido engano. No caso. Aplicando-se a esses casos as regras da morte presumida (artigos 114º ss). então. de não se encontrar ou não ser possível identificar o cadáver é aberto o processo de justificação judicial do óbito a cargo do MP. Desaparecimento da pessoa: este desaparecimento vem regulado no artigo 68º nº3. Sendo julgada a justificação. não se verificando fenómenos de transição entre os comonientes. (questão abordada no capitulo dos direitos de personalidade). ou seja. o conservador lavrará o assento do óbito com base na sentença. Esta presunção tem grande importância prática.

b) Não existem prazos para a sua invocação. embora por reflexo servisse também o interesse do pródigo. não pela sua categoria genérica mas em razão de uma certa relação com o objecto do negócio e com a outra parte. 38 .  A incapacidade de gozo provoca. Sendo que o mesmo artigo nos alerta para algumas restrições: incapacidades de gozo que são excepções a esta regra geral. c) Pode ser declarada pelo tribunal ex officio. como a contida no artigo 877º ou 261º. O interesse determinante das incapacidades é o interesse do próprio incapaz. isto é. Hoje o instituto da inabilitação é visto como algo do interesse do próprio inabilitado. c) Incapacidade para perfilhar dos menores de 16 anos.com/index. E é insuprível. Trata-se de uma indisponibilidade relativa pois há só uma restrição do poder de disposição em certa direcção. os negócios não podem ser concluídos por outra pessoa em nome do incapaz. regra geral a nulidade dos negócios jurídicos respectivos: a) Pode ser invocada por qualquer interessado.Capacidade jurídica de gozo: a regra geral é a da capacidade jurídica. No código de 1867 a incapacidade dos interditos por prodigalidade / já que não existia a inabilitação era vista pela doutrina como instituída no interesse de outras pessoas. Estabelece também a nulidade de certas doações quando feitas a determinadas pessoas. II. de interditos por anomalia psíquica e dos notoriamente dementes no momento da perfilhação  artigo 1850º. Neste sentido Santono Passanelli e Manuel de Andrade.Capacidade jurídica de exercício: a regra geral é a de que todas as pessoas singulares maiores e emancipadas têm plena capacidade de exercício de direitos. As incapacidades de exercício são excepcionais e são estabelecidas expressamente pela lei.http://apontamentosdireito. sendo-lhes simplesmente vedada a prática de certos negócios . como nos refere o artigo 67º.atspace. A incapacidade de exercício provoca a anulabilidade dos negócios jurídicos respectivos: a) Só pode ser invocada por aquelas pessoas no interesse das quais a lei estabelece a anulabilidade. algo que resulta dos artigos 130º e 133º. Estas situações não são de absoluta incapacidade . nem por este com autorização (……) O nosso código civil estabelece certas proibições no domínio da compra e venda em razão dos sujeitos. Temos as seguintes incapacidade de gozo: a) Incapacidades nupciais: impedimentos dirimentes absolutos e relativos  artigo 1601º e 1602º. b) Incapacidade de testar dos menores não emancipados e dos interditos por anomalia psíquica  artigo 2189º. é assim que o código se refere a estas situações no artigo 953º  as pessoas abrangidas nestas proibições têm plena capacidade para a pratica de quaisquer actos. definidos.html I. como a que força do artigo 953º e é estabelecida no artigo 2192º.

com/index. nº1 al. III. Tudo porque os maiores de 14 anos. (ver melhor).http://apontamentosdireito. Por exemplo a compra de uma caneta. e é suprível não podendo os negócios ser realizados pelo incapaz ou por um seu procurador .Amplitude: esta incapacidade cessa com:  Maioridade (130º. nº1 al. portanto. 132º e 133º).  Podem perfilhar se tiverem mais de 16 anos (1850º). em vez dele. 129º. que estando ao alcance da sua capacidade natural.Incapacidades de exercício: a) Menoridade: 1.  Negócios próprios da vida corrente do menor. não é portanto um representante voluntário no sentido em que não é escolhido pelo representado. com autorização dos pais podem trabalhar. caso contrário. ou seja.  Podem fazer testamento se emancipados (2189º). impliquem apenas despesas ou disposições de bens de pequena importância (127º. salvo se estiver pendente contra o menor ao atingir a maioridade uma acção de interdição ou inabilitação (artigo 131º). a anulabilidade pode ser requerida sem dependência de prazo – artigo 287º nº2.Efeitos: os negócios jurídicos praticados pelo menor contrariamente à proibição em que se cifra a incapacidade estão feridos de anulabilidade (125º). a CC). desde que tenham idade superior a 16 anos (1601º). b) Assistência: a lei admite o incapaz a agir. Aqui há uma autonomização ao incapaz a agir pertencendo a iniciativa ao próprio incapaz. no entanto excepções à incapacidade:  Actos de administração ou disposição de bens que o menor adquiriu pelo seu trabalho (127º.  Emancipação que hoje apenas resulta do casamento (arts. 2. mas exige o consentimento de certa pessoa ou entidade. As pessoas com legitimidade para requerer a anulabilidade são: 2 Esses prazos só funcionam se o negócio estiver cumprido. Os menores sofrem de uma incapacidade genérica já que abrange negócios de natureza pessoal ou patrimonial.  Negócios relativos à profissão e ao seu exercício (127º. b CC). daí que terão capacidade para administrar os bens que adquirem pelo seu trabalho (salário) e os que adquirem através do salário. mas podendo sê-lo através de meios destinados ao suprimento da incapacidade que cito: a) Representação: é admitida a agir outra pessoa em nome e no interesse do incapaz.atspace. 39 . a pessoa é denominada representante legal. nº1 al. se tiver sido operada a modificação da situação factual.  Podem contrair validamente casamento. c CC). c) Para o negócio ser anulado tem de haver uma acção intentada não se procedendo ex officio . mas dá lugar à aplicação de sanções especiais (1649º). Não actua. Existem. pois é designada pela lei ou em conformidade com esta.html b) Existem prazos para a sua invocação2. a oposição dos pais ou do tutor constitui um impedimento impediente e como tal não implica a nulidade do acto (1604º).

o menor não é o único com legitimidade para requerer a anulabilidade. Assiste-se aqui.  c) Qualquer herdeiro num ano a contar da morte sem que ultrapasse um ano da sua maioridade ou emancipação (125º. visando a lei proteger essas expectativas. nº1. No entanto. donde resulta imediatamente o facto do poder paternal pertencer aos pais não atribuindo poderes especiais ao pai ou à mãe. As reacções aos artigos referidos geram a anulabilidade dos respectivos actos nos termos do artigo 1893º.http://apontamentosdireito. As suas limitações estão presentes nos 40 . este domínio reflecte-se relativamente à pessoa dos filhos  1885º e ss e relativamente aos bens do filho 1888º e ss.  b) O próprio menor no prazo de um ano após a maioridade ou emancipação (125º. A doutrina vai divergir em relação aos representantes:  Mota Pinto: diz que os representantes também não podem. O poder paternal pode ser alvo de inibições como se depreende dos artigos 1913º e seguintes.  b) Tutela: é o meio normal de suprimento do poder paternal.c). Estão excluídos da administração dos pais certos bens mencionados no artigo 1888º. como facilmente se depreende do 125º. Aqui a doutrina converge na aceitação de que os herdeiros também não poderão requerer essa anulação. O direito de invocar a anulabilidade é precludido pelo comportamento malicioso do menor no caso de este ter usado de dolo (253º) a fim de ser fazer passar por maior ou emancipado (126º). No entanto. o artigo 1889º refere-nos actos cuja validade depende de autorização do tribunal. Comuns ao poder paternal pessoal e patrimonial são o poder de representação (1878º e 1881º) e o poder de autoridade que os filhos devem obediência (1878º nº2). a generalidade da esfera jurídica do menor. O tutor tem poderes de representação.com/index.  Orlando de Carvalho e Antunes Varela: dizem que os representantes poderão requerer essa anulabilidade porque o relevante é a tutela dos interesses do incapaz que são tutelados pelo exercício do poder paternal. al. pois aqui o que merece relevo é a tutela do interessa da contra-parte que não pode ser prejudicada. visto que estes são meros continuadores da esfera jurídica do de cuius. em princípio. mas nunca depois do menor atingir a maioridade ou seja emancipado (125º.html  a) Representante do menor dentro de um ano a contar do conhecimento do acto impugnado. nº1. 3.nº1. à aplicação do princípio da proibição do venire contra factum proprium. tal como os do pai.a).b). al. O exercício do poder paternal vem previsto nos artigos 1901º e ss. o poder tutelar é menos amplo que o poder paternal. deve ser instaurada sempre que se verifique alguma das situações previstas no artigo 1921º. o artigo 1892º estabelece outra proibição.atspace. al. abrangendo.Suprimento: a incapacidade do menor é suprida pelo instituto da representação sendo os meios de suprimento os seguintes:  a) Poder Paternal: o seu conteúdo está regulado no artigo 1878º.

b) Interdição: quem pode ser interdito: a interdição é apenas aplicável a maiores. no entanto. Ao conselho de família. só aí existirá interdição. para que esta produza efeitos quando o menor se torne maior – 138º nº2.  Surdez – mudez. nº1/a a lei ressalva no prazo do requerimento da anulabilidade. coexistindo com a tutela ou com o poder paternal. São fundamentos de interdição:  Situações de anomalia psíquica.  A incapacidade do artigo 131º: é possível requerer-se uma interdição no ano anterior à maioridade. Quando o menor prefizer 18 anos e correr uma acção de interdição ou inabilitação contra ele o artigo 131º diz-nos que se mantém o poder paternal ou a tutela.  c) Administração de bens: ela terá lugar. pois os menores estão sempre protegidos pela incapacidade de menoridade. o mesmo acontece com a inabilitação por força do artigo 156º. O artigo 139º manda aplicar as disposições que regulam a incapacidade por menoridade e fixam os meios de suprir o poder paternal. os seus poderes são idênticos aos do tutor. daqui retiramos que o administrador é o representante legal do menor nos actos relativos aos bens cuja administração lhes pertença. 3. O protutor será um dos vogais do conselho de família a quem cabe fiscalizar a acção do tutor de forma permanente. Aqui existirá um administrador dos bens ao lado dos pais ou do tutor. durante esse curto espaço de tempo. A designação do administrador de bens é regulada nos artigos 1967º e 1968º. equiparando os sujeitos nestas situações aos menores pelas seguintes razões: 1. O Dr Carvalho Fernandes diz-nos que se trata de uma incapacidade de exercício autónoma. O tutor pode também ser afastado  1948 e ss.http://apontamentosdireito.  Quando pela sua gravidade tornem o interditando incapaz de reger a sua pessoa e bens 138º nº1 (quando essas anomalias não excluem totalmente a aptidão do sujeito para gerir os seus interesses o incapaz será inabilitado – 152º).html artigos 1937º e 1938º.A lei diz que se aplica o regime paternal ou tutorial.com/index. 2. Torna-se necessária uma sentença judicial que no termo de um processo judicial declare a incapacidade. o requerimento e decretamento da interdição dentro de um ano anterior à maioridade  138º nº2. 41 .  Cegeira. nos termos do 1954º cabe vigiar o modo como são desempenhadas as funções do tutor. As sanções para a infracção das proibições impostas ao tutor constam dos artigos 1939º e 1940º. não basta. a existência de “deficiências”. A lei permite.atspace. Os direitos e deveres do administrador estão consagrados no artigo 1971º. nos termos do artigo 1922º. não havendo lógica de se aplicar a um maior o regime da representação legal.Não faz sentido tratar uma pessoa como maior quando é elevada a possibilidade de vir a ser declarado incapaz. Estas “deficiências” devem ser habituais ou duradouras e actuais. no entanto.No artigo 125º. o disposto no 131º.

A sentença de interdição definitiva deve ser registada sob pena de não poder ser invocada contra terceiro de boa-fé – 147º.Depois do registo da sentença definitiva: o artigo 148º mostra-nos que os negócios jurídicos realizados neste período estão feridos de anulabilidade – artigo 148º.atspace. c) qualquer herdeiro do interdito no prazo de um ano a contar da morte deste (quando a morte ocorreu ainda era ele interdito ou a interdição tinha sido levantada há menos de um ano antes da morte). são anuláveis os actos caso: a. b) o próprio interdito no prazo de um ano a contar do levantamento da interdição.html 1. utilização do pretérito perfeito. Não há qualquer lugar para o instituto da assistência no suprimento de uma incapacidade por interdição. A competência atribuída ao tribunal de menores no funcionamento da representação legal dos menores é deferida no que refere à capacidade dos interditos ao tribunal comum – artigo 140º. b) elemento racional ? – pois evita uma quarentena a que os interditos seriam votados por outros indivíduos . O negócio deu prejuízo ao interdito: a apreciação deste prejuízo reporta-se ao momento da prática do acto não se tomando em conta eventualidades ulteriores que poderão vir a tornar desvantajoso para o interdito aquele negócio.com/index. Quanto ao casamento não há possibilidade de suprimento da incapacidade dos interditos por anomalia psíquica – artigo 1601/b.Na pendência de processo de interdição: artigo 149º. A anulação não pode ser excluída mediante a alegação de intervalo lúcido do demente. Podem assim requerer a anulação: a) representante do interdito durante a vigência da interdição.  2. já que se estabelece uma tutela regulada pelas mesmas normas que regulam a dos menores. neste ultimo caso os negócios não são anuláveis. eventualmente. Poderá ter lugar. Quanto ao prazo para a sua invocação é as pessoas com legitimidade para arguir é aplicável ex vi do artigo 138º com as necessárias adaptações o artigo 125º. a administração de bens. As razoes que nos levam a afirmar isto são: a) o elemento gramatical de interpretação “causou”. no prazo de um ano a contar do conhecimento do negócio. 2. são sempre anuláveis  148º.Suprimento: a incapacidade é suprida mediante o instituto da representação legal.Valor dos actos praticados: a lei considera três períodos:  1.http://apontamentosdireito. b. falta de prejudicabilidade do acto ou desconhecimento pela contra – parte da interdição. que se recusariam a contratar com eles já que sobre eles penderia a ameaça de uma 42 . A interdição venha a ser definitivamente decretada. que estabelece a excepção do artigo 144º (pais exercem o poder paternal como se ele fosse menor). o mesmo acontece para a capacidade de testar – artigo 2189º e para perfilhação – artigo 1850º.

Quanto aos negócios gratuitos como as doações. A anulabilidade tem como condições necessárias e cumulativas:  a) Que no momento do acto haja uma incapacidade de entender o sentido da declaração negocial ou falte o livre exercício da vontade. casamento e testamento) o que é que acontece se existir anomalia e o demente não estiver interdito? No caso do casamento: há incapacidade desde que haja uma demência notória e mesmo que o acto seja praticado durante intervalos lúcidos (1601/b). Quanto a alguns autores em especial em que a incapacidade jurídica é insuprível para os interditos com anomalia psíquica (perfilhação.html anulação.com/index. mesmo que este não a conheça. algo que é muito difícil de se provar. No caso de testamento só os interditos são incapazes. Tudo porque uma doação importa sempre.  b) Que a incapacidade natural existente seja notória ou conhecida do declaratário. 43 . A notoriedade da sua denuncia não é no mesmo sentido da do artigo 257º. Quanto aos negócios onerosos haverá prejuízo sempre que um contratante sensato prudente na gestão dos seus bens não teria celebrado o negócio naqueles termos (bónus pater família). na perfilhação – 1861º. O artigo 257º nº2 esclarece o requisito da notoriedade. No entanto se o conhecimento é posterior o prazo só começa a correr a partir daí.atspace. Neste momento não é exigível a prova de qualquer prejuízo para o incapaz.Anteriormente à publicidade da acção: o artigo 150º remete-nos para o disposto da incapacidade acidental que está prevista no artigo 257º. porque aqui a tutela do incapaz deve primar sobre a protecção das expectativas do declaratário. Manuel de Andrade sustentou com êxito a opinião segundo a qual as doações se devem considerar sempre prejudiciais ao interdito mesmo que as circunstancias concretas tornem razoável a sua prática por uma pessoa normal. As sanções para a realização destes negócios pelo incapaz são: a) Anulabilidade – no casamento – 1631º. Exige-se também para tutela da boa – fé do declaratario e da segurança jurídica a prova da cognoscibilidade da incapacidade. qualquer que seja a sua justificação um empobrecimento imediato do doador podendo eventualmente no futuro causar-lhe grave dano. No entanto no caso de faltar a interdição o acto poderá ser anulado desde que se verifiquem os pressupostos da incapacidade acidental (2199º).http://apontamentosdireito. no testamento em caso de incapacidade acidental – 2199º. Em relação ao artigo 149º nº2 há quem diga que o momento do registo da sentença a partir da qual começa a contar o prazo é uma salvaguarda para quem conhece antes. No caso da perfilhação há incapacidade desde que haja demência notória. Perigo ainda maior porque estas pessoas podem até acabar por ser reconhecidos como “normais”. Não basta demonstrar um estado de habitual insanidade de espírito na época do negócio é necessário provar a existência de uma perturbação psíquica no momento em que a declaração de vontade foi proferida. ao contrário do que acontece na pendência do processo.  3. não se colocando o caso de intervalo lúcido (1850º nº1).

O artigo 152º revela-nos as causas de inabilitação.Extensão: a inabilitação abrangerá os actos de disposição de bens inter vivos: 153º.html b) Nulidade – no testamento em caso de interdição – 2190º. Normalmente os inabilitados têm capacidade de exercício no que respeita ao actos de mera administração. c. Existem algumas incapacidades de gozo para: a) Inabilitados por anomalia psíquica: casamento (1601º). b. 2. Nos três casos basta que se prove a existência de um perigo actual de actos prejudiciais ao património mesmo que ainda não haja um dano concreto.Noção. Existem três categorias: a. administração de bens (1970º) São insupríveis. Abuso de bebidas alcoólicas ou estupefacientes que provoquem uma alteração de carácter. Habitual prodigalidade – o pródigo será aquele que habitualmente pratica actos de delapidação patrimonial que não se pode confundir com uma administração infeliz ou pouco inteligente. surdez mudez ou cegueira que provocam fraqueza de espírito mas não uma total inaptidão. excluindo-se assim. o testamento. c) Inabilitação: 1. não sendo pródigo o que pratica actos ruinosos mas com um fim digno ou nobre. Ainda todos os que forem especificados na sentença. Torna-se necessário o levantamento da interdição. No entanto 44 . Anomalia psíquica . É necessário uma sentença de inabilitação tal como acontece com as interdições. poder paternal (1913º). 4. no entanto o Juiz na sentença pode especificar alguns ou todos os esses actos para o grupo de actos em que o inabilitado tem incapacidade de exercício  ver melhor o artigo 154 nº1.com/index.atspace.http://apontamentosdireito. A incapacidade dos inabilitados não existe só por existirem as circunstâncias previstas no artigo 152º. 3. causas e instituição: são incapacidades de exercício que impedem a pessoa sujeita de praticar actos jurídicos patrimoniais (quando não autorizados pelo seu representante legal).Suprimento: as incapacidades de exercício por inabilitação são supridas pelo instituto da assistência através de um curador (artigo 153º). b) Inabilitados por prodigalidade: no que se refere à tutela (1933º nº2).Cessação: a incapacidade dos interditos não termina com a cessação da incapacidade natural. Podem requerer esse levantamento os indicados no artigo 151º. Trata-se de despesas desproporcionadas aos rendimentos improdutivas e injustificáveis – aqui atenta-se à finalidade das despesas.

Mota Pinto e também Manuel de Andrade falam em ilegitimidades tal como vem referido no código (trata-se de uma relação entre o sujeito e o conteúdo do acto.Valor dos actos praticados pelo inabilitado: por força do artigo 156º são aplicáveis as disposições que vigoram para os interditos.html a administração do seu património pode ser entregue pelo tribunal ao curador e neste caso a forma de suprimento é o instituto da representação. 149º e 150º. O casamento. exige-se um prazo de 5 anos sobre o trânsito em julgado da sentença.com/index. 45 . Deriva hoje. como chefe de família. Por força do artigo 156º é aplicado o regime da interdição presente no artigo 151º. No entanto.A nº1 e no 1683 nº2.http://apontamentosdireito. A Posição Familiar: Com o 25 de Abril. no entanto. 5. a forma é a exigida para a procuração (no mesmo artigo) podendo ser judicialmente suprido (no mesmo artigo). continua a ser 3fonte de ilegitimidades conjugais (restrições à livre actuação jurídica derivados do casamento) só que agora em condições de plena igualdade entre marido e mulher. sendo a mulher incapaz em várias situações. temos por exemplo o artigo 1933º nº1/c (…). Insuficiência patrimonial: 3 Anteriormente vistas como incapacidades. A pessoa a quem essa administração é entregue chama-se também curador. Com isto pretende-se sujeitar o inabilitado a uma espécie de período de prova para evitar o risco de dissimulação ou fingimento – Mota Pinto. Assim. As sanções da ilegitimidade conjugal são as previstas no artigo 1687º. 4. por exemplo e apenas nos regimes de comunhão (geral e adquiridos)o disposto no artigo 1682.atspace. que deve ser especial para cada acto: artigo 1684º nº1.  Incapacidade de facto: existem situações com carácter real que provocam consequências jurídicas.Cessação: A incapacidade deixa de existir quando for levantada a inabilitação. Existem outras para alem das conjugais exemplo a venda de coisa alheia 892º). a CRP de 1976 e a reforma do código civil em 1977 se pôs fim a um regime que colocava o marido em posição de supremacia. do artigo 13º da CRP e do artigo 36º o princípio da igualdade entre os conjugues. carecem de consentimento de ambos os conjugues em qualquer regime de bens o disposto no artigo 1682º. Tendo que se aplicar os artigos 148º. Por força do artigo 156º e da remissão para o artigo 139º as características da anulabilidade são as do artigo 125º com as necessárias adaptações. A ilegitimidade conjugal supre-se pelo consentimento do outro cônjuge. o artigo 155º tem um regime particular para o caso de inabilitação por prodigalidade ou abuso de bebidas alcoólicas ou de estupefacientes.

atspace. Consequência sobre os actos: 46 . podendo produzir os seus efeitos. mediante apresentação ao tribunal competente com o pedido de convocação de credores.html Falência e insolvência continuação da página 1. Também pode acontecer o comerciante ter um activo inferior ao passivo mas cumprir pontualmente as suas dívidas com o recurso ao crédito. A cessação de pagamentos é que dará lugar à falência – artigo 8º do código de falências. Por pedido ao tribunal feito pelos credores ou do Ministério Público atendendo a certas manifestações: 1. mas não dispor de dinheiro líquido para as pagar.com/index. pois se os comerciantes pagam aos credores com o dinheiro dos devedores se um comerciante cessa o pagamento pode alastrar esse não pagamento aos seus credores. pode haver a hipótese de o comerciante ter bens de valor superior às suas dívidas. b. A inibição do falido e do insolvente não é imposta no seu interesse ao contrário da dos incapazes. Efeitos da falência e da insolvência: A falência e a insolvência implicam uma apreensão judicial dos bens do falido e do insolvente a que se chama massa falida ou insolvente e se destina a satisfazer os credores. mas para a salvaguarda dos credores. 2.Falência e insolvência: anterior … O estado do falido ou insolvente civil afecta.http://apontamentosdireito. A impossibilidade de cumprimento das obrigações é distinta de uma situação patrimonial deficitária (activo de valor inferior ao passivo). Essa situação só se verifica após uma declaração judicial de falência ou insolvência. A sua administração é entregue a um administrador. 4. O falido não pode praticar actos patrimoniais que possam prejudicar a massa falida – artigo 147º código das falências.fuga de comerciante. Insolvência: insuficiência do activo patrimonial para cobrir o passivo. Pois. Interessa é a pontualidade dos pagamentos. conservando legitimidade para os negócios pessoais e para os patrimoniais relativos a bens não apreendidos na massa falida. tratando-se de uma situação privativa dos não comerciantes. sob o ponto de vista do exercício de direitos as pessoas que se encontram nessas situações.cessação de pagamentos. Pode ter lugar através: a. Do reconhecimento do comerciante. ele não é nulo ou anulável mas ineficaz em relação à massa falida – artigo 155º do código das falências – os negócios conservam-se válidos. quando e onde não prejudiquem a massa falida.ausência do estabelecimento sem ter provido à sua representação na gerência empresarial. 3.dissipação e extravio de bens . Se praticar algum acto. Falência: impossibilidade de o comerciante cumprir as suas obrigações. 5 – outro qualquer procedimento abusivo tendente a colocar-se na situação de não poder cumprir as suas obrigações.

Essa equiparação não obsta a aplicação no direito civil das regras de direito internacional privado. 3. b) 47 . Também as quotas de 40% de trabalhadores nacionais vem limitar a capacidade dos estrangeiros. Nacionalidade: Definição: é um vínculo jurídico político que liga certas pessoas ao Estado Português por oposição aos estrangeiros e apátridas. já que não é a qualidade do sujeito em si mesmo que está em causa. Assim são resolúveis em benefício da massa: a) Actos celebrados por titulo gratuito que diminuam o património do devedor nos dois anos anteriores à sentença declaratória de falência. Vamos encontrar excepções quanto à capacidade de gozo no artigo 33º da CRP que prevê a extradição que não é admitida em relação aos portugueses. já que se tem que proteger os interesses de terceiros de boa fé.atspace.html No período anterior à declaração de falência há propensão para o devedor tomar medidas altamente prejudiciais para a massa dos credores. salvo disposição especial é o do domicilio do réu. delapidar o seu activo ou beneficiando uns credores em detrimento de outros.http://apontamentosdireito. O artigo 14 do cc vem equiparar os estrangeiros aos nacionais quanto ao direito civil.o tribunal competente para quaisquer acções. Domicilio voluntário geral: lugar da residência habitual – artigo 82º. Domicilio: a) Importância da noção: trata-se de uma noção relevante de forma a fazer o ponto de conexão entre a pessoa e um determinado lugar. Tal como o faz o artigo 15º da CRP. Aqui não se trata de uma verdadeira incapacidade. nos casos de: 1. Noção: a. 2. Trata-se de um ilegitimidade. quando esse conhecimento é pressuposto de produção de efeitos jurídicos.as obrigações pecuniárias deverão ser efectuadas no domicilio do credor.a sucessão por morte abre-se no lugar do ultimo domicilio do seu auto. salvo disposição legal em contrário.com/index. b) Quanto aos negócios onerosos é aplicada a impugnação pauliana – artigo 610º. já que supõe uma relação entre o sujeito e o conteúdo do acto. é um modo de ser para com os outros. 4ai deverão ser praticadas diligências ou efectuadas comunicações dirigidas a dar conhecimento a uma pessoa de um facto.

desaparecimento de alguém sem noticias 2necessidade de prover acerca da administração dos seus bens 3falta de representante legal ou procurador artigo 89º/1. Estas têm a ver com a maior ou menor probabilidade de regresso do ausente.http://apontamentosdireito. Medidas Legais: a) Curadoria provisória: a. funcione como seu equivalente – artigo 82º/2. 48 . 3.atspace.empregados públicos – artigo 87º. no entanto. podendo-se desde logo recorrer à morte presumida independentemente de antes se ter instaurado a curadoria definitiva. Nenhuma delas está dependente das anteriores para a sua instauração judicial. Mas se uma pessoa passar algumas semanas numa casa arrendada não passa a ter aí um segundo domicilio. Paradeiro: local onde a pessoa se encontra em cada momento – artigo 225º.domicilio dos menores e interditos – artigo 85º (embora não refira inabilitados.com/index. Ausência: Noção: desaparecimento sem notícias. sem que da pessoa se saiba parte – artigo 89º/1. por exemplo alguém que passa alternadamente uma semana na sua casa da Régua e uma semana na sua casa em Vila do Conde). Pressupostos: 1. Residência ocasional: lugar onde a pessoa vive temporariamente ou acidentalmente.html b. Ela não faz surgir um domicílio. quando estes têm todo o seu património entregue à administração do curador. Uma pessoa pode ter dois ou mais domicílios se tiver duas ou mais residências habituais. ou seja. ou seja. As medidas que se poderão tomar: a) Curadoria provisória. embora. Visam sobretudo evitar os prejuízos decorrentes da falta de administração dos bens da pessoa ausente. Não é. pelo facto de aí se residir habitualmente ou de aí se exercer uma profissão. b) Curadoria definitiva.agentes diplomáticos portugueses – artigo 88º. c) Morte presumida. sujeito ao instituto da representação aplicar-se-á este artigo ex vi – artigo 156º). mas um simples acto jurídico: os efeitos jurídicos realizam-se por força da lei mesmo que as pessoas os não quisessem. c. independentemente da vontade: 1. 2. ou seja. O estabelecimento do domicílio resulta de um acto voluntário. um negócio jurídico. na falta do mesmo. A lei prevê ainda um domicílio profissional que se localiza onde a profissão é exercida – artigo 83º e um domicílio electivo que é estipulado por escrito para determinados negócios – artigo 84º (reveste-se de um negocio jurídico). O nosso direito conhece alguns casos de domicilio legal.

se a pessoa for menor são necessários cinco anos sobre a data em que completaria a maioridade se fosse vivo  artigo 114º/2. c) Morte presumida: a. Pressupostos: dois anos sem se saber do ausente ou cinco anos se ele tiver deixado representante legal ou procurador  artigo 99º. Aqui a probabilidade do não regresso é maior daí que a legitimidade para a requerer seja mais reduzida como se denota pelos artigos 99º e 100º. b) Subjectivos: dizem respeito à pessoa humana. Os direitos de Personalidade: GENERALIDADES: A personalidade humana surge como objecto de direitos e deveres.http://apontamentosdireito. por não poder. O artigo 92 mostra quem deverá ser escolhido para curador. O casamento não cessa ipso facto. os interessados para o efeito do requerimento da curadoria definitiva têm legitimidade para pedirem a declaração de morte presumida  artigo 114º.html Mesmo que haja representantes. considera-se o primeiro casamento dissolvido por divórcio. Se o ausente regressar. b) Curadoria definitiva: a.com/index. e como a bigamia é proibida. Pressupostos: dez anos sobre a data das últimas noticias ou cinco anos se o ausente tiver completado 80 anos de idade. A curadoria definitiva termina nos casos previstos no artigo 118º. à partilha e entrega dos bens aos legatários e herdeiros que são arguidos como curadores definitivos – artigo 104º. o artigo 115º estatui que a sua declaração produz os mesmos efeitos do que a morte. Como é visível pelo artigo 94º o curador funciona como simples administrador – o artigo 98º estabelece os casos do termo da curadoria. 49 . Os direitos de Personalidade tratam-se de direitos absolutos que incidem sobre os vários modos de ser físicos ou morais da sua personalidade.atspace. No entanto há atenuantes. Dos bens será prestada caução artigo 93º. Após a justificação da ausência. Tratam-se de direitos: a) Gerais: todas as pessoas deles gozam. Caso o ausente regresse aplica-se o artigo 119º. como é alta a probabilidade de morte física do ausente. no entanto o cônjuge do ausente pode contrair novo casamento sem necessidade de recorrer ao divórcio  artigos 115º e 116º. quer por não querer  artigo 89º/2. procedese à abertura de testamentos  artigo 101º. Aqui. Aqui a presunção é a de possível regresso do ausente daí que o Ministério Público ou qualquer interessado tenha legitimidade para a requerer artigo 91º. Mas. a curadoria provisória será estabelecida se este não exercer as suas funções.

No entanto. alienação. A questão doutrinal que se coloca é a de saber se o nosso sistema jurídico (constante nos artigos 70º e ss) tem apenas um direito geral de personalidade. a obrigação da prática de certos actos que salvaguardam a personalidade desse sujeito. 50 . Sobretudo no que diz respeito ao direito à vida quando esta está em perigo. Vertente passiva: poder de exigir aos demais sujeitos o respeito pelos seus direitos de personalidade. se bem com a obrigação de indemnizar os prejuízos causados às legítimas expectativas da outra parte – artigo 81º/2. será contrária à ordem pública. utilizar meios que vão ferir a personalidade física da pessoa em risco ou lesem a sua dignidade humana. oneração. sendo necessário que esta limitação seja: voluntária. Também não se extinguem pelo facto de não serem utilizados. e) Relativamente indisponíveis: eles estão fora do comércio jurídico. que embora absolutos. no entanto. tal não impede que na esfera pessoal do indivíduo se verifiquem mutações juridicamente tuteladas que derivam do seu poder de auto-determinação. estes não se encontram nessa categoria. Vertente activa: poder de exigir em certas circunstâncias um comportamento positivo dos demais sujeitos. No que diz respeito à sua sucessão mortis causa esta só parece existir para os direitos especiais de personalidade com um regime muito especial. não sendo necessário um pressuposto ulterior para a sua existência. Qualquer negócio de cedência. ou seja. ou seja.http://apontamentosdireito.html c) Absolutos: impõe-se a todos.atspace. não contrária aos princípios da ordem pública. Diferentemente dos direitos reais. de uma abstenção por parte dos demais sujeitos (dever geral de abstenção). um lutador de boxe que abandona um combate terá que indemnizar o empresário dos prejuízos causados à razoável confiança que este tenha depositado na continuação do consentimento. Poderão ainda haver limitações lícitas ao exercício dos direitos de personalidade como estipula o artigo 81º. Mas mesmo lícitos são sempre revogáveis. f) Perenidade e imprescritibilidade: não são vitalícios mas perpétuos já que gozam de protecção mesmo depois da morte – artigo 71º/1. h) Carácter originário ou inato: decorrem do mero reconhecimento da personalidade jurídica. etc. b. são oponíveis erga omnes em duas vertentes: a. ou seja. Trata-se de um non facere. g) Extra-patrimoniais: se concluir-mos que os direitos patrimoniais são todos aqueles que são possíveis de serem avaliados em dinheiro. um facere. sem. d) Intransmissíveis: estes direitos dizem respeito ao ser do seu titular.com/index. Sendo que o critério utilizado para aferir dessas legítimas expectativas seja o do bónus pater famílias (exemplo. apenas implicam a vertente passiva.

encontramos limites ao DGP que fazem com que este mesmo não seja determinado: 1A própria natureza do bem da personalidade: cada pessoa tem a sua própria personalidade. isto é. físico. numa obra artística em que o autor espelha a sua concepção da vida. impressões digitais. intelecto). Isto porque vivemos em comunidade onde há uma limitação de recursos. como objecto da relação jurídica. ou existirão conjuntamente um direito geral de personalidade a par de direitos especiais de personalidade (posição adoptada por R. Assim. No entanto. tornando-o capaz de ser identificado e não confundido com quaisquer outro seres (exemplo. Ainda a palavra “qualquer” do artigo 70º/1 numa interpretação literal implica a defesa desse direito geral de personalidade (DGP). 2O direito geral de personalidade de determinada pessoa “acaba quando começa o de outra”. neste caso os titulares de direitos deverão ceder na medida do necessário para que 3- 51 . no artigo 70º fala-se de uma tutela geral da personalidade contraposta aos artigos 72º a 80º que consagram bens especiais da personalidade. Ainda no que diz respeito à colisão de direitos. Temos. dignidade da pessoa humana). O direito Geral de Personalidade: de facto. c) Pessoalidade: traduz a relação de cada homem com aspectos do mundo exterior nos quais é projectada a personalidade (exemplo. Ele é constituído pelos DGP das outras pessoas. Se não se defendesse a existência deste DGP. apenas a personalidade humana juscivilisticamente tutelada. Capelo de Sousa) que nos parece ser também a posição do nosso código consagrando no artigo 70º uma tutela geral da personalidade contraposta à dos artigos 72º a 80º que consagram bens especiais da personalidade. Assim desse DGP se desentranham diversos direitos especiais de personalidade. características de inteligência. direito à integridade física ou mesmo direito à vida). b) Individualidade: algo que torna cada ser humano único e irrepetível com características próprias que particularizam o ser do ponto de vista genético e de adequação ao meio. Estes ficariam. consagrada no artigo 335º.html apenas direitos especiais de personalidade. ou expressa o seu estilo a ponto dessa obra ser identificada – daí a existência de um direito material e moral de autor). ao arbítrio do próprio interprete. nem todos os aspectos da personalidade humana são protegidos.com/index. onde encontramos causas de justificação da ilicitude. em última análise. A ponderação de bens. que considerar três aspectos: a) Essencialidade: aquilo que é comum a todos os homens (ex.atspace. do mundo.http://apontamentosdireito. aquela personalidade que pode ser considerada como bem jurídico. não se compreenderia como é que do artigo 70º se retirariam direitos especiais de personalidade (exemplo. então. caso da legítima defesa.

Seria aliás. Uma vida humana tem o mesmo valor que 5 ou 10. de uma 52 .html todos produzam os seus efeitos sem detrimento para qualquer das partes (335º/1).  Galvão Teles: transmite-se por sucessão mas aos sucessores em geral do falecido de acordo com o artigo 2133º. Algo que deve ser sistematizado: A) Relação do homem consigo próprio: 1.  Antunes Varela:a indemnização cabe por direito próprio aos familiares referidos no artigo 496º/2.http://apontamentosdireito. daí que não seja licito o sacrifício de uma vida humana para salvar outras. Conteúdo do DGP: ele abrange a unidade e a globalidade da personalidade. então a questão: a que titulo se transmite a indemnização?  Vaz Serra: diz que se transmite por sucessão aos previstos no artigo 496º/2. O artigo 496º vem dar direito à requisição da indemnização por parte dos legitimados no artigo. sendo também irrelevante o consentimento do ofendido a esse respeito (a eutanásia também é proibida). o No artigo 496º/2 emprega-se o termo “cabe” que dá a ideia de uma devolução imediata. que foi abandonada no texto definitivo. estaríamos a premiar o assassino mais eficaz. No caso do DGP colidir com um direito desigual deverá prevalecer aquele que se considere superior (335º/2). No entanto. muito estranho só atribuir essa indemnização caso ele nascesse com vida pois. devido à proximidade efectiva que existe relativamente a estes familiares. Parece-nos a melhor solução sobretudo: o Aos trabalhos preparatórios que são da responsabilidade de Vaz Serra em que esteve prevista a aquisição por direito sucessório.com/index.Vida humana: sem dúvida que está abrangida pelo artigo 70º e deve ser tomada na sua plenitude não havendo quaisquer direito do titular eliminar a sua própria vida (o suicídio é proibido em Portugal). A vida humana não pode ser comparada ou ponderada com a vida de outrem e nem mesmo com uma pluralidade de vidas humanas. o Enquadramento sistemático do artigo 496º que cabe ao regime da responsabilidade e não da sucessão. 4- Haverá apenas responsabilidade civil nos casos de danos não patrimoniais gravosos (496º/1). Coloca-se. Com base no artigo 24º da CRP parece inegável a existência de vida humana no nascituro. Sendo ilícito e indemnizável o aniquilamento da sua vida.atspace. A única excepção admitida é a da legítima defesa. não só a nível Constitucional mas também a nível civil o nascituro será para todos os efeitos um indivíduo nos termos do artigo 70º/1.

Sémen. sendo esta não patrimonial.Corpo: 4 elementos: a) Somático: conjunto organizado e lógico que incorpora várias funções do homem e a sua constituição. daí serem ilícitos testes com novos fármacos não aprovados pelo INFARMED. d) Autodeterminação corporal: capacidade de qualquer ser humano ser livre em relação ao seu próprio corpo. quer os futuros. O médico deverá elucidar acerca das consequências da intervenção e dos seus riscos. tendo estes que ser graves (algo medido por padrões objectivos em face das circunstancias entre os quais figura o dano da morte4) 2. 4 5 São indemnizáveis quer os danos presentes. Existem. Atente-se que estes também são indemnizáveis – 483º. Se a aquisição se desse por direito sucessório essa indemnização juntar-se-ia a à herança e também ela às dividas deixadas pela herança. algumas limitações: 1. Nesse caso haverá ofensa aos bons costumes  340º/2. já que a venda vai contra os bons costumes e a ordem pública. ( a indemnizabilidade dos danos não patrimoniais resulta do artigo 496º/1.atspace. sem autorização do próprio e com a devida informação acerca dos riscos). 2. c. não deveria ser indemnizável.com/index.http://apontamentosdireito. sangue. nos termos do artigo 340º. etc. Feitas em beneficio do próprio titular: há a obrigatoriedade de consentimento que tem que ser pedido pelo médico. Dever de esclarecimento que é maior nas intervenções estéticas. no entanto. quer os emergentes quer os cessantes. O que seria indemnizável seriam os danos patrimoniais e pessoais sofridos pelos familiares do falecido. b) Psique: mecanismos neuro-psíquicos.html transferência por direito próprio. O consentimento não será válido no caso de grande desproporção entre o benefício e os riscos da intervenção. Esta teoria tem a grande vantagem de não haver uma subtracção do montante da indemnização à responsabilidade por dívidas de herança. Quando a transferência é feita em vida terá de ser gratuita. presume-se que o consentimento é dado nos termos do artigo 340º/3. 53 . Terá de haver sempre consentimento do lesado (exemplo.elementos que sejam regeneráveis e não insubstituíveis poderão ser alvo de doação5 mortis causa. Na sucessão estas expressões não se empregam. Durante algum tempo pensava-se que o dano da perda da vida. b. leite materno. c) Saúde: estado de equilíbrio entre estes dois elementos (exterior e interior). Quando se trata de uma situação de urgência: numa intervenção em benefício do próprio titular.No que diz respeito às intervenções médicas temos que distinguir entre diferentes tipos de intervenção: a. Feitas em beneficio alheio ou em beneficio geral: nestes casos a presunção de consentimento não é aplicada.

bons costumes ou pela ordem pública. 3.A capacidade criadora e as respectivas criações: formada por todos os aspectos referentes ao espírito e ainda capacidades físicas (exemplo. b) Inteligência: faz parte da nossa personalidade e poderão existir ataques a ela (através de uma composição química) que alteraria a própria estrutura da nossa inteligência. 4. mas toda a estrutura sentimental. à determinação da aparência externa e também à história penal. resguardo de vidro. etc). Na identidade há ainda um direito à imagem. as mãos de um escultor). B) Relação do homem com o mundo: o ser humano não subsiste por si próprio. bem como as próprias criações são protegidas pelo DGP. a violação pode ser feita por excesso ou por defeito. Daí que haja um conjunto de relações de personalidade na relação do “eu” com o Mundo. sequestro violento e continuado. uma liberdade sexual. É possível encarar a liberdade sob varias perspectivas: Física: uma liberdade de movimentos.f. algo que não seria juridicamente tutelado. como se vivesse numa redoma6. Podemos afirmar que há um direito geral de liberdade. 4. 2.Existência: inserção do ser humano na realidade físico e ambiental do Mundo (exemplo. casos de violação deste direito poderão ser o da coincineradora em Souselas ou do Urânio empobrecido nos Balcãs. Ela pode ser alterada através de uma situação externa (tortura.Identidade: a cada ser humano deve-se atribuir os factos que praticou e não suprimir factos praticados ou atribuir-lhe acções que não praticou.html 3. Não só uma segurança física (que pode ser garantida pelas forças estaduais) como psicológica (ninguém pode ser vitima de assédio sexual). 1. Esse poder de criação. ou seja.Segurança: bem necessário ao ser humano para viver.Liberdade: quer num sentido negativo (ninguém ser obrigado por outrem a adoptar ou não determinado comportamento).Igualdade: há uma dignidade humana que é igual para todas as pessoas.Nestes casos não se viola apenas os sentimentos. 5. quer num sentido positivo (direito a fazer empreender tudo o que não é vedado pela lei. pela sua experiência humana em sociedade. 54 .atspace. cada ser humano tem o direito a escolher os seus próprios fins e a escolher os meios para os alcançar. isolado. uma igualdade natural.http://apontamentosdireito.O espírito e os seus sistemas fundamentais: a) Estrutura sentimental: ela é criada pelo próprio homem. c) Estrutura da vontade: esta pode também ser violentada através de coacção grave.com/index. 6 Redoma: s. Ele está em relação directa com o seu meio e com as outras pessoas que fazem parte desse meio. que tem a ver com o facto de sermos homens.

Honra: aparece referida.html  Moral: entre as quais se inclui a liberdade de estado civil. não podendo ser revelados). Os meios de tutela do direito geral de personalidade: segundo o artigo 70º/2 dá lugar: a) Responsabilidade civil  que tem um carácter indemnizatório (podendo ser uma restituição natural ou uma indemnização em dinheiro) b) Medidas preventivas  com vista a evitar a consumação da ameaça ou atenuar os efeitos da ofensa já cometida. Trata-se sim da imagem que adquirimos pelos nossos méritos e desméritos. qualidades de honestidade. de negar quaisquer auxílios. nudismo).Reserva do ser pessoal: algo que a pessoa deseja manter para si (ex. rectidão. Engloba ainda o direito de estar sozinho. 55 . pois está ligada directamente à dignidade humana . 7. económica. da integridade física e da honra. de reunião e de escolha de profissão ou actividade. de forma expressa. 03Crédito: prestigio económico de uma pessoa. sigilo bancário).http://apontamentosdireito. 6. financeira (exemplo. de consciência. que não varia com o estatuto da pessoa. liberdade de escolha de vários tipos. Tutela da Personalidade dos concebidos e das pessoas falecidas: Esta tem lugar com fundamento na protecção da vida. prudência e diligência que geram a confiança financeira. de opção religiosa. Também a liberdade de expressão . como se espelho se tratasse. ferimentos e manchas que a pessoa não quer exibir. Social: a liberdade de imprensa. e dentro destes solteiro ou casado. Esta é formada por quatro elementos: 01Dignidade humana: é a honra propriamente dita. desenvolvimento biológico.Reserva da vida privada: engloba os aspectos gerais da vida familiar doméstica. É diferente do sentimento de honra próprio que não tem na comunidade grande expressão.Desenvolvimento da Personalidade: implica a auto-determinação cognitiva. 9. Trata-se de projecção social das qualidades morais do indivíduo. 8. 04Decoro: adequação do comportamento pessoal aos padrões de comportamento social (ex. Juridica: liberdade de celebrar ou não actos jurídicos. exemplo: honestidade. religioso. de associação. em algumas disposições do código civil  artigos 79º/3 e 484º. 02Bom-nome: prestigio da pessoa no plano profissional.atspace.com/index.

deve-se apenas respeitar o autor da carta. a extensão de reserva é definida de acordo com o caso 56 . O doutor Capelo de Sousa discorda desta posição já que defende que uma coisa é a ofensa às pessoas mencionadas no 71/2 e outra coisa é a ofensa à própria pessoa falecida. o conteúdo e a natureza da carta.html O artigo 71º mostra-nos que os direitos de personalidade são protegidos para além da morte do seu titular. No entanto. No que concerne a cartas missivas não confidenciais. Os direitos especiais de Personalidade: a) Direito ao nome: previsto no artigo 72º. Todos os mencionados no artigo 71/2 têm legitimidade visto que existe uma sucessão de direitos pessoais. Estipula que é necessário o consentimento da pessoa para que o seu retracto possa ser publicado (79º/1 e 2) desse mesmo artigo consagra as excepções à necessidade de consentimento da pessoa. b) Direito ao pseudónimo: é também garantido por meio do artigo 74º.no que respeita à sua publicação esta está sujeita ao consentimento do seu autor – 76º. do nome próprio completo ou abreviado . consagradas no artigo 78º que dizem respeito apenas ás que têm um destinatário concreto (não se aplicando às cartas abertas.com/index. iniciais. o seu titular não pode usa-lo com o propósito de prejudicar os interesses de outro. etc.http://apontamentosdireito. mas o que se quer tutelar são os direitos de personalidade do falecido. Estatui o artigo 72/2 que nestes casos o tribunal decretará as providencias que melhor concilem os interesses em conflito de acordo com os juízos de equidade.atspace. c) Reserva e resguardo de escritos: no que diz respeito a cartas – missivas confidenciais o destinatário deverá guardar reserva no que respeita ao conteúdo das mesmas artigo 75º/1. Morto o destinatário pode ser ordenada a restituição ou destruição da carta  artigo 75º/2 . reputação ou decoro da pessoa retratada. É garantida ainda a confidencialidade das memórias familiares e de outros escritos confidenciais 77º. O doutor Mota Pinto defende que o artigo 71/1 tem uma formulação infeliz pois é da opinião que a tutela incide sob os direitos ou interesses mencionados no 71/2 e não sobre os direitos do defunto. do nome artístico. que não têm um destinatário concreto). Até porque esta poderá não ter quaisquer herdeiros. defende uma articulação com o 68º que estatui que a personalidade cessa com a morte. o nº3 por seu lado é encarado como uma excepção à excepção: o retrato não poderá ser publicitado se do facto resultar prejuízo para a honra. A sua protecção depende da notoriedade que tenha. d)Direito à imagem: está no artigo 79º. É diferente da alcunha atribuída por terceiros. aqui a reserva não é tão grande. No caso de duas pessoas terem o nome total ou parcialmente idêntico. e)Direito à reserva sobre a intimidade da vida privada: consagrada no artigo 80º.

o direito de fixar os limites do que pode e não pode ser publicado. se antes do combate o lutador tem dores reumáticas. mas apenas os correspondentes às legítimas expectativas da outra parte. como tal se houver menos assistência. no entanto. Aqui não são todos os danos. utilizando-se o conceito do bónus pater famílias (exemplo. Isto importa algumas consequências: o direito geral de personalidade aplica-se sempre ás relações de personalidade em que haja disposição especial. mesmo quando está de acordo com a ordem pública. porém. se nos direitos especiais não estiver prevista qualquer sanção se aplica o artigo 70/2. embora é sempre uma renuncia a uma esfera tão extensa como de outros cidadãos. embora. o prejuízo é apenas imputável ao empresário.com/index. mas sim um acto de amor (…). A complacência com a publicidade não significa uma renúncia à esfera de intimidade. direito a uma esfera de segredo ou na formula Inglesa “right to be alone”. Isto apenas é possível quando estes actos ou negócios não contrariem os princípios da ordem pública (ex.html concreto e a condição das pessoas7. 57 . Existem outros direitos especiais de personalidade previstos expressamente na lei. sendo no entanto contrário à ordem pública se um dos lutadores é contratado já para perder. caso do direito moral de autor consagrado no código de direitos de autor e conexos. No entanto. ou seja. Trata-se de situações em que através de determinados actos (ex. uma vez que um acto sexual não deve ser vendável. ou seja. Limitações voluntárias dos direitos de personalidade: Estão previstas no artigo 81º. esses mesmos direitos são limitados. essa limitação é sempre revogável artigo 81º/2. neste caso o empresário não pode esperar que ele combata. embora não todo). o regime do DGP aplica-se subsidiariamente. Só que esta indemnização não é igual à de indemnizar em termos gerais (que segundo o artigo 483º/1 prevê a indemnização de todos os danos resultantes da violação). que deverá comportar uma parte significativa do prejuízo. Há. consentimento) ou determinados negócios jurídicos voluntariamente aceites pelo titular dos direitos. já um contrato de pugilismo desde que siga as regras da modalidade é admissível. Articulações entre o direito geral de personalidade e os direitos especiais de personalidade: Eles estão numa relação de lei geral (DGP) que prevê um conjunto de situações que são o regime regra e lei especial (direitos especiais – vigoram apenas para um numero determinado de casos que não se opõem ao regime regra). uma obrigação de indemnizar a outra parte.atspace. se o lutador pudesse realizar o combate e por falta de coragem não quisesse combater aí já haverá lugar a indemnização. Diferentemente as normas respeitantes aos direitos especiais aplicam-se apenas relativamente às relações de personalidade especifica. 7 Mesmo o vedetismo ou celebridade não exclui a discrição. Assim.http://apontamentosdireito. um contrato de prostituição) não será admissível já que contraria a ordem pública.

Assim.com/index. mas constitui uma simples causa de justificação desta. e desde que não violem a ordem pública.html Assim. feitas em benefício próprio. b)Esclarecimento das consequências imediatas da intervenção cirúrgica. Vejamos sistematicamente: a) Baseiam-se num negócio jurídico lateral ou contrato. 81º/2 (ex. Consentimento tolerante: b)Têm um carácter integrativo. doação de um rim).http://apontamentosdireito. Existem três modalidades do consentimento para a limitação voluntária dos direitos de personalidade: a)Vinculante: atribui-se ao lesante um verdadeiro direito de agressão. combate de boxe). b)Têm um carácter constitutivo: com a celebração de um vinculo jurídico (vinculante) ou compromisso jurídico sui generis (autorizante).atspace. há apenas um poder factico de agressão que é revogável a todo tempo. 58 . que uma revogação. todos os direitos podem ser agredidos desde que haja o consentimento do lesado com excepção do direito à vida. implica o incumprimento do contrato. d)Torna licito o acto do lesante com excepção do 340º/2 Quando se tratam de intervenções cirúrgicas. Consentimento vinculante / autorizante: a) Baseiam-se num simples acto jurídico lateral. c)Limitados pelo 81º/1. c) Tolerante: este não atribui sequer um poder de agressão. tendo como consequência a indemnização das legítimas expectativas que foram frustradas – art. o consentimento vinculante é o resultado de um negócio jurídico e a outra parte fica com um verdadeiro direito de agressão (exemplo. Um dos consentimentos tolerantes é o consentimento presumível  340º/3. sempre possível. b)Autorizante: aqui não há um vínculo jurídico. c)Tem de ser prestado antes da lesão. de tal modo. estes deverão ser os critérios que presidem ao consentimento: a)Esclarecimento do diagnostico da doença.

visto existirem outros agrupamentos que realizam determinados fins mas que não têm personalidade jurídica e como tal. humanos ou pessoas singulares / agrupadas através de actividades 59 . Há. Visam interesses comuns ou colectivos que digam respeito a uma pluralidade de pessoas e geralmente têm carácter duradouro. tal não faz com que o acto violador do direito deixe de ser ilícito e como tal não isenta o seu autor da obrigação de indemnizar o lesado pelos danos resultantes da violação. o que por si não exclui a responsabilidade criminal. Todavia poder-se-á muitas vezes invocar o artigo 570º (influencia da culpa do lesado sobre o valor da indemnização.Conceito e elementos constitutivos Noção: são as organizações constituídas por uma colectividade de pessoas ou por uma massa de bens que visam a satisfação de interesses comuns ou colectivos às quais a ordem jurídica atribui a personalidade jurídica.html c)Narrar os riscos típicos das intervenções desse tipo. Elementos constitutivos: segundo a análise de Manuel de Andrade a PC tem dois elementos constitutivos: o substrato e o reconhecimento: a) Substrato: é o elemento extra – jurídico. elementos pessoais e patrimoniais. Elemento pessoal  verifica-se na corporação e é a colectividade de indivíduos. mas detêm também um acervo de bens. ou patrimonial visto que todas as pc têm uma actividade humana.atspace. podendo esta ser diminuída ou mesmo excluída. podemo-nos referir ao predomínio de um dos elementos. No entanto. Importa o facto da personalidade jurídica.com/index. vejamos os seus sub-elementos: a. assim. ↔ 2ºSEMESTRE As pessoas colectivas: 1. Elemento pessoal ou patrimonial: será mais correcto referirmos elemento pessoal e . Podem ser organizações constituídas por uma colectividade de pessoas Corporações (Associações e Sociedades) ou por uma massa de bens (Fundações). Note-se que quando o consentimento do lesado é nulo ou ilegal. d)Terá que descrever um possível efeito letal. Se estes pressupostos não existirem não haverá lugar à Personalidade Jurídica. Ele é o elemento material. não são pessoas colectivas.http://apontamentosdireito. algo que depende da personalidade do doente. visto que se existissem riscos quase improváveis estes podiam fazer recuar um paciente mais receoso. a materialidade de um conjunto de pressupostos de facto que servem de base ao reconhecimento da qualidade de sujeito jurídico.

deve preencher os requisitos gerais do objecto de qualquer negócio jurídico: artigo 280º. 2 – falta também o elemento intencional nas fundações de facto: massas patrimoniais não destacadas do património do instituidor que mantem uma obra social. composto por um ou mais indivíduos que exprimem a vontade imputável à pessoa colectiva ou a executam. 3. 60 . Elemento intencional: trata-se da vontade de constituir uma nova pessoa jurídica – animus personificandi. d. por força do 158º .A.com/index. Executivos: executam a vontade da pc. também na proibição de fundações dirigidas a fins privatisticos ou egoísticos do fundador ou da sua família como resulta do 188º/1. não a projectam para o exterior. os directores. exemplo operários. exemplo. distinta dos associados.atspace. mas que pode em qualquer momento pôr termo a essa afectação de bens. elemento patrimonial verifica-se nas fundações e é a massa de bens ou dotação que o fundador afectou à realização de determinados fins. assembleia geral de sócios. As mesmas disposições são aplicáveis aos chamados patrimónios de oblação  fundos para fins de beneficência e outros. vão exteriorizar a vontade da pc  são órgãos externos. 2 – a finalidade deve ser comum ou colectiva. para uma viagem de curso) 199º e ss. o fim ou causa determinante da formação da colectividade social ou da dotação fundacional. Os órgãos podem ser deliberativos .html pessoais e meios materiais para a realização de um fim comum. formam a vontade da pc mas não a manifestam. Dos órgãos há que distinguir os simples agentes auxiliares (só executam por incumbência ou sob direcção dos órgãos da pc determinadas operações materiais que interessam à Pc. O fim visado pela pc tem que satisfazer os seguintes requisitos: 1. c.http://apontamentosdireito. b. A sua actividade desenvolve-se apenas no seu interior  são órgãos internos: ex. ou seja. Elemento teleológico: trata-se da finalidade prosseguida pela pc. Também nas fundações fiduciárias: liberalidades concedidas a favor de uma: pc já existente para que ela prossiga um certo fim de utilidade publica (exemplo. Esta realidade é notória na nulidade do chamado pacto leonino – artigo 994º.pode ter uma finalidade “duradoura ou transitória” (veja – se o caso da sociedades comerciais que podem ter por objecto a pratica de um acto de comércio – artigo 14º CSC. legado a uma câmara municipal para manter uma biblioteca). Elemento organizatório: conjunto de preceitos disciplinadores das características e do funcionamento da pessoa colectiva (contidos nos estatutos ou no acto de constituição ou instituição) e existência de órgãos (centros institucionalizados de poderes funcionais). do fundador ou dos beneficiários  1 – por falta deste elemento não têm personalidade jurídica as chamadas comissões especiais (exemplo. As pc podem ainda ter mandatários : realizam um ou mais negócios jurídicos em regime de mandato ou de incumbência dos órgãos.

Sistema da livre constituição das pessoas colectivas (muito raro): condicionado: o reconhecimento faz-se através do preenchimento de determinados pressupostos ou requisitos jurídicos que respeitam aos elementos caracterizadores do substrato e só quando verificados se adquire automaticamente a personalidade jurídica (o mais usual). ou seja. São governadas pela vontade dos associados. iii. a massa de bens ou dotação de um fundador ou de uma pluralidade de fundadores. b. pelos órgãos a vida e o destino da corporação. são colectividades de pessoas. alteração de estatutos). b) Reconhecimento: é o elemento de direito que confere personalidade jurídica ao substrato das corporações ou das fundações.http://apontamentosdireito. Visam um fim próprio. Individual ou por concessão: não é de carácter geral e traduz-se num acto individual e discricionário de uma autoridade pública que perante cada caso concreto personificará ou não o substrato. Normativos: derivado automaticamente da lei ex vi lege – a lei diz que determinados entes materiais caso preencham determinados pressupostos jurídicos obtêm personalidade jurídica. aos associados. que assumem o pacto social através de escritura notarial. advogado constituído para um litigio em que a sociedade seja parte.com/index.html Exemplo. São susceptíveis de mutação (entra e saída de novos sócios . ou seja. Não basta a existência de todos aqueles pressupostos. tem de haver um reconhecimento por parte da ordem jurídica. Características: i. Pode ser incondicionado se a ordem jurídica atribui pj a todo o substrato completo da pc sem mais exigências. ii. abrangendo as associações e as sociedades. Eles dominam.Classificação das Pessoas Colectivas: 1. podendo ser ou não altruístico. Modalidades: a. Corporações: pessoas colectivas em cujo substrato predomina o elemento pessoal.Corporações (associações e sociedades) e Fundações: a.atspace. São constituídas e governadas por essa colectividade de pessoas (associados). Características: 61 . iv. Fundações: pessoas colectivas em cujo substrato predomina o elemento patrimonial. b. ou da afectação de fundos obtidos por subscrição publica. comum. 2. regidas por uma vontade própria e imanente (vem de dentro) com órgãos dominantes que podem alterar os próprios estatutos “são auto-organizações para um interesse próprio” – Manuel de Andrade.

pois não se tratam de lucros para repartir pelos associados (ex. Esse fim pode ser de vária ordem: 1 – de fim ideal: o objectivo egoístico é um interesse de natureza ideal. não económico (ex. b. que se impõe à vontade dos órgãos servintes da fundação e ao próprio fundador. ou seja.etc). 2.de fim económico não lucrativo. ii. ou seja. interessa também a colectividade. regidas fundamentalmente por normas de direito privado e que não disfrutam do ius imperi. mas ao mesmo tempo interessa à comunidade. pretende conseguir certas vantagens patrimoniais para os seus associados (empréstimos em boas condições. Pessoas colectivas de fim interessado ou egoístico: o fim visado interessa de modo egoístico aos próprios associados. não tendo quaisquer poderes de autoridade. fim que é definido pelo seu fundador. de natureza social e não egoística. São regidos pela vontade inalterável e transcendente do seu fundador. O fundador estabelece no acto de instituição o fim da fundação. Sociedades comerciais: aquelas que têm por objecto a prática de um ou mais actos do comércio. instrução. Manuel de Andrade chamalhes “hetero-organizações para um interesse alheio”. iii. a.com/index. portanto das sociedades: a. Nas sociedades comerciais vigora o principio da tipicidade ou do numerous clausus: 62 . Aplicam-se-lhes directamente os artigos 157º a 194º. os bens que lhe são destinados e as normas disciplinadoras da sua vida e destino. iv. desporto.atspace. b) De utilidade particular: o seu fim é de mero interesse particular e como tal têm um fim lucrativo. daí serem de utilidade pública. Pessoas colectivas de fim desinteressado ou altruístico: o interesse a satisfazer é de natureza altruística.sindicatos).html i. promovemse interesses de outras pessoas ou beneficiários. recreio. a) De utilidade pública: embora se dirigindo à satisfação de um interesse dos próprios associados ou do fundador o fim a que se propõe é um interesse público. Pessoas colectivas de direito público e pessoas colectivas de direito privado:  Pessoas colectivas privadas: corporações ou fundações dotadas de personalidade jurídica. Falamos. direito de poder público ou função de autoridade Estadual ou autárquica. São instituídas por acto unilateral do fundador ou fundadores que afectam uma certa massa uma certa massa de bens a uma determinada finalidade ou interesse social. por ex) mas sem uma finalidade lucrativa. Visam um fim estranho às pessoas que entram na organização da fundação. Ao mesmo tempo que o fim visado por o 1 e 2 interessa de modo egoístico aos associados. daí o nome de associações de beneficência.http://apontamentosdireito.

Daí conterem o nome de limitada para se saber que a responsabilidade não é total. iii.com/index. Sociedades anónimas: o capital social é dividido por acções. ii. Sociedades por quotas: só o património social responde perante os credores pelas dívidas da sociedade.atspace. ex. Sociedades em comandita: nelas os sócios comanditados assumem responsabilidade ilimitada e os sócios comanditários respondem apenas pela sua entrada no capital social: Simples  não há representação do capital por acções. ex. mas sim as referentes ao contrato de sociedade  980º ss. respondendo os sócios solidariamente. Fundações e Sociedades. pela sua quota. c. sociedade de locação financeira ou de tipo civil. respondendo por elas apenas os bens sociais.  Pessoas colectivas públicas: são dotadas de personalidade jurídica. Às sociedades não se aplicam directamente as disposições do capitulo sobre as pessoas colectivas. no artigo 157º e 188º apenas se atribui personalidade jurídica às fundações cujo fim for de interesse social. cada sócio responde para com a sociedade apenas pelo capital que subscreveu. Agrupamentos complementares de empresas: associações de pessoas singulares ou colectivas que visam aumentar a rentabilidade das empresas pertencentes às entidades agrupadas. aplicando-se subsidiariamente o regime das sociedades em nome colectivo. solidária e ilimitada dos sócios perante os credores depois de executado o património social. já que cada um só é responsável até ao montante da sua quota. estando os sócios isentos de responsabilidade pessoal pelas dívidas da sociedade. iv. regidas fundamentalmente por normas de direito público e que prosseguem 63 . mas que adoptam um dos tipos de sociedades comerciais para inequivocamente terem personalidade jurídica. não visando o lucro do conjunto do agrupamento em si próprio mas o lucro de cada uma das empresas associadas. Daí o cuidado necessário nos negócios feitos com estas sociedades. A lei distingue no artigo 157º entre Associações. Sociedades de direito especial: podem ser de tipo comercial. sociedades de advogados  têm um regime especial. mas apenas pela parte que lhes cabe do capital social. Sociedades em nome colectivo: há uma responsabilidade pessoal. ou seja. d. b. Sociedades civis sob forma comercial: têm exclusivamente por objecto a prática de actos não comerciais.html i. aplicando-se subsidiariamente o regime das sociedades anónimas se houver pelo menos 5 sócios comanditários. Por acções  as participações dos sócios comanditários são representadas por acções.http://apontamentosdireito.

Têm um regime tributário específico com plenas isenções fiscais. c) Empresas públicas e nacionalizadas: são expressamente equiparadas pelo legislador às empresas públicas pelo decreto . Subordinam-se à jurisdição dos tribunais administrativos. b) os estatutos – 167º/2. havendo. um controlo administrativo da constituição das associações. vejam-se os artigos 705º/a. com os estatutos. Há. ou seja.http://apontamentosdireito. Regiões autónomas e autarquias locais. d) Empresas públicas de regime especial: exploram serviços públicos. a) Pessoas colectivas de população e território: estão sujeitas ao seu poder toda a população de um certo espaço territorial. assim. Em caso de inobservância desta exigência a sanção é a nulidade por falta de forma  220º. Estado Português.  Constituição em concreto das pessoas colectivas privadas: 1.Constituição das associações: a. Têm um regime particular das relações de trabalho.lei nº 260/76 de 8 de Abril. 168º/1. Vão desaparecer. bem como à autoridade administrativa e ao MP a constituição e estatutos. há que ter em conta: a) acto de constituição – 167º/1 . I-Formação do substracto e II. b) Serviços públicos personalizados ou institutos públicos: existem institutos públicos de tipo fundacional como por exemplo: parque natural da Peneda Geres e existem institutos públicos de tipo associativo como por exemplo Universidades públicas. primeiro o decretolei 594/74 que afirma o direito à livre associação e estabelece o 64 . é simultâneo. cujos interesses cabe a ela promover exemplo. contra a vontade dos que se lhe sujeitam. do poder de autoridade pública ou de direitos de poder público. 738º e 744º. os estatutos e as suas alterações devem constar de escritura pública – art. O acto de constituição em regra. asseguram actividades que interessam fundamentalmente à defesa nacional ou exercem actividades em regime de monopólio. cabendo oficiosamente ao notário remeter o respectivo extracto para publicação. no plano cronológico. no entanto. embora em alguns dos seus aspectos sejam reguladas pelo direito privado. Quanto ao seu reconhecimento o código de 1966 no seu artigo 158º.atspace. nomeadamente a possibilidade de por via normativa ou através de autoridade directa emitir comandos vinculativos executáveis pela força.com/index. sendo caso disso. bem como as suas alterações – artigo 168º/2 e 3.b. uma distinção no plano lógico porque o acto constitutivo tem uma maior importância embora esteja compreendido nos estatutos. Estas pessoas colectivas detêm privilégios especiais.html primariamente fins de interesse público e que por isso mesmo disfrutam em maior ou menor extensão de ius imperi. Quanto à forma – o acto constitutivo. na sua redacção primitiva estabelecia o reconhecimento por concessão. Além disso o acto de constituição e os estatutos devem ser publicados no jornal oficial sob pena de ineficácia em relação a terceiros.reconhecimento.

a) se o fim da fundação não for considerado de interesse social o reconhecimento será negado (188/1). devendo apenas respeitar os requisitos legais. b) tal como no caso de insuficiência do património afectado à fundação (188º/2 e 3). b. quando a fundação é instituída por acto inter vivos só se torna irrevogável quando o reconhecimento é requerido ou principia o reconhecimento oficioso (185º/3). Na falta de estatutos lavrados pelo instituidor ou na insuficiência deles. como sejam os da verificação se o seu fim está de acordo com o artigo 280º. a partir daí 65 . nas fundações o reconhecimento é individual ou por concessão da competência da autoridade administrativa – artigo 158º/2. 2. uma herança são aplicadas as normas da instituição de herdeiro exemplo artigo 2068º (responsabilidade pelas dividas do falecido). ou seja. um legado. devem os herdeiros ou executores testamentários requerer o reconhecimento que pode ser oficiosamente promovido pela autoridade competente (185º/2). 2301º direito de acrescer entre herdeiros. Até ao momento em que é requerido o reconhecimento ou principie o processo oficioso o fundador pode revogar a disposição. Se os bens destinados à fundação consistem na totalidade ou numa quota do património do falecido. incumbindo a sua elaboração à própria autoridade competente para o reconhecimento. Ao contrário.http://apontamentosdireito. Hoje o reconhecimento é feito ex lege. é a lei que atribui directamente a personalidade jurídica.com/index.atspace. depois a CRP de 1976 a afirmar esse mesmo direito. Se os estatutos foram formulados pelo testador. Requisitos a observar para se erigir a fundação: a. compete aos executores do testamento elabora-los ou completa-los. Este acto quando contido num testamento é livremente revogável até ao momento da morte do testador (2311) mas torna-se irrevogável quando o testador faleça (185º/4). aplicam-se as normas do legado – exemplo. Se diversamente se atribuírem à fundação apenas bens ou valores determinados. ou seja. A autoridade administrativa tem poderes vinculados à lei. como resulta da redacção actual do artigo 158. c. se os executores os não lavrarem dentro de um ano posterior à abertura da sucessão (187º). A sua actuação nada tem de discricionário.html reconhecimento normativo. 2277º. No que diz respeito à formação do substrato as fundações podem ser instituídas por acto intervivos ou por testamento – 185º/1. Através da forma há em primeiro controle da legalidade feito pelo notário (artigo 190º/1/a do código do notariado) devendo este recusar violações dos artigos 167º e 280º evitando a posterior extinção judicial destas associações. Já serão discricionários os poderes no que toca ao reconhecimento das fundações do artigo 188º . No caso de instituição por acto inter vivos falamos de um negócio jurídico unilateral de natureza gratuita e não de doação.Constituição das Fundações: diferentemente do que acontece com as associações.

no entanto elas podem ser titulares de pelo menos alguns. Se entretanto o fundador morrer aplicar-se-á o artigo 185º/4.atspace. 8 (para não esquecer) Aptidão para ser titular de um circulo. Associações não religiosas: é aplicado o regime regra das pessoas colectivas presente no código civil. Associações religiosas: têm por fim principal a sustentação do culto. Da Igreja Católica: i. Outras confissões: para adquirirem personalidade jurídica: i. Associações não religiosas: criadas no âmbito de uma confissão religiosa mas têm um fim diferente – para adquirirem personalidade jurídica basta a participação escrita feita pelo Bispo da Diocese onde tiverem a sua sede. Quanto à publicidade é aplicável o regime das associações com o artigo 185º/5 a remeter para a parte final do artigo 168º (esta “parte final” é lapso do legislador já que o artigo antes da sua nova redacção tinha apenas um numero – os aplicáveis são o nº2 e 3º). capacidade testamentaria activa – 2182º).Constituição das sociedades: às sociedades não se lhes aplicam directamente as disposições do capítulo sobre as pessoas colectivas. 3. concordata lei 4/71. por exemplo). b. 66 .com/index. Associações religiosas: através de acto de registo da participação escrita da sua constituição – lei 4/71. caso do direito ao nome  artigo 72º. ii. 160º/2. ii. como resulta do artigo 185º/3.estão excepcionados do âmbito da capacidade jurídica das pessoas colectivas : a) relações jurídicas vedadas por lei (ex. b) relações jurídicas inseparáveis da personalidade singular (direitos derivados da vida humana como casamento ou filiação. ou por seu legitimo representante ao governador civil competente – 449º e 450º do código administrativo. com mais ou menos restrições de relações jurídicas. Capacidade de gozo8 das pessoas colectivas: enquanto a capacidade de gozo das pessoas singulares é de carácter geral. 4.Constituição das pessoas colectivas eclesiásticas: a. À primeira vista parecia estarem-lhe negados os direitos de personalidade. mas sim as referentes ao contrato de sociedade  980º seguintes. 160º/1  resulta do argumento a contrario a exclusão dos direitos e obrigações que não sejam necessários ou convenientes à prossecução dos seus fins. a das pessoas colectivas é uma capacidade jurídica específica  artigo 160º. O reconhecimento das sociedades comerciais ou civis em forma comercial é o reconhecimento normativo condicionado através de escritura pública.html não o poderá fazer. o direito à honra que pode-se desentranhar da tutela geral da personalidade  artigo 70º.http://apontamentosdireito.

quando está sujeito a um seu poder de direcção. mas são eles os formuladores da vontade da pessoa colectiva. Vemos isso pelo artigo 162º.http://apontamentosdireito. Se for um nexo de mera representação . deriva ainda do principio da especialidade a incapacidade das sociedades comerciais fazerem doações. assim. serão os actos necessários. o de um nexo de verdadeira organicidade. Devemos seguir o primeiro critério. devemos rejeitar a tese da capacidade para o exercício de direitos pois há autonomia entre as personalidades jurídica do representante e do representado (é uma relação intersubjectiva entre 2 sujeitos. Isto defendem alguns autores. Se for um vinculo de verdadeira organicidade. Tal restrição não impede que as pessoas colectivas de fim desinteressado ou fim egoístico ideal possam praticar actos de natureza lucrativa. agindo o órgão é a própria PC que age. teremos capacidade para o exercício de direitos. Manuel de Andrade. Isto depende da natureza do vínculo entre a pessoa colectiva e as pessoas que procedem em seu nome e no seu interesse.com/index. privadas da capacidade para o exercício de direitos. Isto só acontece quando está numa relação de dependência com o representado. o artigo 165º estatui essa responsabilidade civil para as pessoas colectivas. os órgãos não são encarregados de nenhuma comissão. estariam. Ora.atspace. Ora. daí que digamos que as pessoas colectivas tenham capacidade para o exercício de direitos. Capacidade para o exercício de direitos das pessoas colectivas: à primeira vista as pessoas colectivas não têm essa capacidade. pois ela consiste na aptidão para pôr em movimento a (esfera jurídica) capacidade jurídica por actividade própria sem necessidade de ser representado ou assistido por outrem. assembleia geral) não estão numa relação de dependência. adequados ou convenientes ao fim que está previsto nos seus estatutos. não agindo por si mesmas. As pessoas colectivas têm capacidade testamentária passiva  2033º/2/b. Normalmente não há responsabilidade civil extracontratual dos representados pelos actos dos seus representantes  o artigo 500º abrange um sector da representação: casos em que o procurador pode ser considerado um comissário. contrario da relação orgânica que é intrasubjectiva). Quanto à aceitação de doações podemos aplicar por analogia este mesmo artigo. os órgãos superiores (ex.  Responsabilidade civil das pessoas colectivas: 67 . em ordem a obter recursos para a prossecução dos seus fins.html O fim estatutário será a medida do âmbito da capacidade. ou seja. Outros autores são da opinião contrária. mas sobretudo pela responsabilidade civil extra – contratual da pessoas colectivas. ainda que essa proibição não seja total. Ora. as pessoas colectivas só podem agir por intermédio de certas pessoas físicas. pois a relação entre um órgão e o ente em que se integra é de verdadeira identificação. já que a sociedade pode fazer doações remuneratórias a empregados e clientes – 941º e pode praticar donativos conformes aos usos sociais – 940º/2. Isto diz-nos Manuel de Andrade.

com/index. remetendo-nos para o 800º.http://apontamentosdireito.Responsabilidade extracontratual: danos causados a terceiros fora de uma relação contratual entre o lesante e o lesado. sendo prejudicial para a própria pessoa colectiva visto que ninguém queria contratar com ela. Mas b) c) 68 . é preciso que tenha havido culpa da pessoa física que praticou o acto ilícito. contrato de trabalho)500º/1. agente ou mandatário recaia a obrigação de indemnizar – artigo 500º/1. segundo o principio ubi commoda ibi incommoda (onde estão as coisas cómodas aí estão as coisas incomodas). Mas a responsabilidade civil mais comum nas pessoas colectivas é a responsabilidade civil objectiva ou pelo risco. 2.Responsabilidade contratual: resulta da capacidade da pessoa colectiva contrair obrigações. ou seja. ou seja. Embora entendase que basta um nexo de vinculação jurídica entre a pessoa colectiva e o agente (exemplo. civil contratual das pessoas colectivas é necessário que o contrato donde emerge a obrigação infringida tenha sido celebrado por quem tinha poderes para vincular a pessoa colectiva em causa. É preciso que o acto danoso tenha sido praticado pelo órgão. a pessoa colectiva emprega determinadas pessoas para vantagem própria. Há a necessidade de culpa do órgão ou agente tanto nos casos de falta de cumprimento como nos de cumprimento defeituoso  799º/1. salvo se se tratarem de matérias em que se responde sem culpa ou ainda no caso excepcional de responsabilidade por intervenções licitas. Existe responsabilidade civil por facto ilícito culposo: em que os órgãos deliberativos violam direitos ou interesses legalmente protegidos de terceiros provocando-lhes em termos de causalidade adequada danos: exemplo – deliberação de uma empresa descarregar nas aguas de um rio poluentes que vão danificar culturas – a pessoa colectiva tem que indemnizar as pessoas cujos patrimónios danificou nos termos dos artigos 483º seguintes. civil contratual 798º seguintes. civil nos termos gerais da resp. Precisa que sobre o órgão. As pessoas colectivas respondem pelos actos dos seus órgãos. O artigo 165º remete-nos para a responsabilidade dos comitentes por actos dos seus comissários que consta do artigo 500º. Exige-se que o acto tenha causado danos e que os danos estejam em relação de causalidade adequada com o acto – 500º/1. Para existir resp. agente ou mandatário no exercício da função que lhe foi confiada – 500º/2. Há resp. agentes ou mandatários que produzam a violação de uma obrigação em sentido técnico. é preciso que a pessoa colectiva tenha encarregado outra pessoa de uma qualquer comissão.html 1. Pressupostos da responsabilidade civil da pessoa colectiva: a) Precisa de haver uma comissão. Vem enunciada no artigo 165º. Seria injustificável a exclusão dessa forma de responsabilidade.atspace. como tal deve suportar os riscos da sua actividade.

pode haver externamente mas não internamente como no caso do motorista que adormece e atropela outra pessoa. Comportamentos causados pelas funções que lhe foram atribuídas.http://apontamentosdireito. agente ou mandatário pode exercer acção de regresso contra a pessoa colectiva se não houve da sua parte qualquer culpa no plano das relações internas  497º/2. órgão ou mandatário fica também obrigado a indemnizar ao lado da pessoa colectiva. desde que este tenha culpa no plano das relações internas (exemplo. podendo exigir o reembolso de tudo o que haja pago. mas em que a causa da fadiga se deve às instruções dadas pela entidade patronal para um trabalho sem o necessário repouso) 500º/3 (houve culpa da parte do comitente também!). Actos integrados no quadro geral da competência.com/index. 69 . b.  b) Também o órgão. c. agente ou mandatário. Procedimentos levados a cabo pelo agente na qualidade de representante da pessoa colectiva.  c) No caso de indefinição da culpa no plano interno é aplicada a parte final do artigo 497º/2 em que há presunção de igualdade nas culpas. ou poderes que lhe foram confiados. desde que esses mesmos actos tenham ou objectivos exclusivamente inerentes aos interesses da pessoa colectiva ou prossigam simultaneamente interesses pessoais e da pessoa colectiva. mesmo que praticados tendo em vista interesses próprios e / ou com a intenção de lesar um terceiro – 500º/2.html quando podemos considerar um acto como praticado no exercício de funções? a. O agente. 500) ou solidária? (em que cada um deve os 1000 e o credor tanto se pode dirigir a um como o outro). Estaremos no não exercício das funções quando se prosseguem exclusivamente interesses e objectivos pessoais do agente  nexo de mera ocasionalidade.Trata-se de uma obrigação solidária aplicando-se o 497º ex vi do artigo 499º. Mas será uma responsabilidade conjunta? ( a pessoa colectiva deve 500 por exemplo e o agente. o que acontece é que via da regra o lesado recorre à Pessoa Colectiva. No que respeita a relações internas:  a) A Pessoa Colectiva que tiver satisfeito a indemnização tem direito de regresso contra o órgão. outros. Ainda nos casos em que o agente visa apensa interesses pessoais e integrado formalmente no quadro geral da sua competência se aproveita de uma aparência social que cria um estado de confiança (boa-fé) do lesado na licitude do comportamento do agente  teoria da aparência jurídica. d.atspace. Há um nexo de instrumentalidade entre o acto e a função e os poderes que o agente desfruta no exercício da sua competência.

ainda que não tenha existência real e presente. b. 2. Esta definição será pouco exacta. não o sendo cada uma das suas paredes. No entanto a lei concretiza alguns direitos sobre certos aspectos da personalidade – arts. a) Objecto imediato: aquilo que directamente está submetido aos poderes ideais que integram um direito subjectivo.html  O Objecto da Relação Jurídica: Generalidades: o objecto é aquilo sobre que incidem os poderes do titular do direito. Sentido filosófico: tudo o que pode ser pensado.aptidão para satisfazer 70 . o certo é que têm de apresentar as seguintes características: 1. uma casa é uma coisa. exemplo. pelo contrário visando o seu beneficio. como por exemplo a luz. 3. Sentido jurídico: tudo aquilo que pode ser objecto de relações jurídicas artigo 202º. certas manifestações ou modos de ser físicos ou morais da pessoa. Sentido físico: tudo o que tem existência corpórea (quad tanji potest) ou pelo menos é susceptível de ser captado pelos sentidos.http://apontamentosdireito. b) A pessoa de outrém – falamos aqui. através de um elemento mediador está submetido aqueles poderes. hoje. b) Objecto mediato: aquilo que só de uma forma mediata ou indirecta. Autores criticam do ponto de vista lógico (já que levaria a distinguir no homem duas pessoas: uma sujeito e outra objecto dos seus direitos de personalidade) e do ponto de vista moral (legitimaria o suicídio ou a automutilação) este possível objecto. não são direitos de domínio ou soberania sobre a pessoa. isto é. iura in se ipsum – direitos sobre a própria pessoa. como por exemplo os planetas ou então por falta de delimitação ou captura são aproveitados por todos os homens.atspace. Também não acontecerá a legitimação do suicídio ou automutilaçao visto que o artigo 81º diz que toda a limitação voluntária dos direitos de personalidade é nula se for contraria aos princípios da ordem pública.existência autónoma ou separada: exemplo.com/index. não de direitos subjectivos mas de poderes-deveres (exemplo. ou seja. não sendo coisas os bens que escapam ao domínio do homem. c) Coisas: a. a própria coisa que deve ser entregue. exemplo é o acto de entrega da coisa – a prestação. é o “quid” sobre que incidem os poderes do titular activo da relação jurídica (contrário de conteúdo que é o conjunto de poderes ou faculdades que o direito subjectivo comporta). não ferindo a sua dignidade. contrário do que antigamente se pensava com a escravatura. 70º ss. o poder paternal e o poder tutelar) incidem directamente sobre a pessoa do filho ou do pupilo.possibilidade de apropriação exclusiva por alguém. Possíveis objectos da relação jurídica: a) A própria pessoa. ou seja. c.

b) Coisas corpóreas e incorpóreas: a.http://apontamentosdireito. exemplo – penhor de direitos e o trespasse de um estabelecimento comercial ou industrial – artigo 115º do RAU. # Contrário – esfera jurídica – totalidade das relações jurídicas de que uma pessoa é sujeito – património mais direitos e obrigações não avaliáveis em dinheiro. Corpóreas ou materiais: têm existência física. É 71 . b) Valor de uso: o direito embora não permutável proporciona o gozo de um bem que só se obtém mediante uma despesa (exemplo um bilhete para um espectáculo). Classificação das coisas: Coisas no comercio e fora do comercio a) o artigo 202º/2 considera fora do comércio as coisas insusceptíveis de serem objecto de direitos privados como: a) as coisas que se encontrem no domínio publico – artigo 84º CRP.atspace. relações jurídicas susceptíveis de avaliação pecuniária que pode resultar: a) Valor de troca: este é alienável mediante uma contraprestação. (ver a definição de frutos – artigo 212º e de benfeitorias – artigo 216º) Património: Património global: conjunto de relações jurídicas activas e passivas (direitos e obrigações) avaliáveis em dinheiro de que uma pessoa é titular.o código civil enumera um conjunto de coisas que são taxativamente imóveis e no artigo 205º diz que as restantes são móveis. os activos que não os deveres e obrigações patrimoniais. c) Coisas móveis e imóveis: artigo 204º . b) são por natureza insusceptíveis de apropriação individual – exemplo ar atmosférico. Incorpóreas: existem dois tipos: i. Direitos enquanto objecto de outros direitos: são também coisas incorpóreas.html interesses ou necessidades humanas daí que uma gota de água ou um grão de areia não sejam coisas. podem ser tocadas. chamados passivos. ou seja. b. Património activo: abrange apenas os direitos patrimoniais ou seja. patentes) ambos sujeitos a legislação especial – 1303º. Bens imateriais: podem ser objecto de propriedade intelectual. podem ser apreendidas pelos sentidos. exemplo direitos de autor e propriedade industrial (marcas.com/index. É esta a noção que se refere o artigo 2030º/2 . o interesse de saber se são corpóreas reside no artigo 1302º. ii.

isto é só responde e responde só ele por certas dívidas. instituição da substituição de uma coisa que se perdeu por força de um acto ou facto jurídico que simultaneamente implicou a aquisição de um valor ou pondo esse novo valor o lugar do anterior como novo objecto da mesma relação jurídica que já existia. (activos – passivos) Património autónomo: conjunto circunscrito de relações patrimoniais sujeito a um regime jurídico particular. um mesmo sujeito é titular de um património global e de um património autónomo. a um conjunto de pessoas sem possibilidade de cada uma dessas pessoas alienar um quota ou fracção desse património ou 72 . Temos então 2 reflexos: a) património autónomo – só responde por certas dividas e não responde por outras.atspace. fazendo as suas vezes.) Património liquido: trata-se da saldo patrimonial: relações jurídicas activas ou direitos – relações jurídicas passíveis ou obrigações. Sendo que o ónus da prova de insuficiência do activo hereditário cabe ao herdeiro e não aos credores na aceitação pura e simples (2071º/2) e o ónus da prova da existência de mais bens além dos inventariados cabe aos credores na aceitação a beneficio de inventario (2071º/1)  só a herança responde pelas suas dividas e não os herdeiros.http://apontamentosdireito. Características da plena autonomia patrimonial: a) Tanto no caso de aceitação a beneficio do inventario (2071º/1) como se no caso de aceitação pura e simples (2071º2) o herdeiro não responde pelas dividas da herança para além das forças dos bens herdados. ou seja. O caso mais nítido de património autónomo no direito privado Português é o da herança – é o conjunto das relações jurídicas patrimoniais que. adquirindo-se outro valor. este valor deve substituir-se ao primeiro bem tomando o seu lugar no património autónomo. trata-se da mesma massa patrimonial que pertence em bloco. globalmente. Património autónomo ou separado será o que responde por dívidas próprias.com/index. pelas dividas da herança e não por outras dividas (2070º) Se um bem desse património autónomo se perde. passam da titularidade deste para os herdeiros e legatários. b) por aquelas dívidas só o património autónomo responde não afectando o património geral do seu titular. Mas qual o critério do reconhecimento da autonomia ou separação de património? O critério preferível é o da responsabilidade por dívidas. A isto se chama sub-rogação real . b) A herança só responde. ou seja. não responde ultra vires hereditatis. Patrimónios conjuntos: estamos perante um único património pertencendo a vários sujeitos: A) Património colectivo: figura de raiz Germânica..html esta a noção de património a que o artigo 225º?? Alude quando fala de fazenda (:. por força da morte de um individuo. em principio.

A forma que se conhece no nosso direito de um património colectivo é o da comunhão conjugal (quer a comunhão geral de bens. Factos jurídicos involuntários ou naturais: são estranhos a qualquer processo volitivo. Daí. quanto à responsabilidade de dívidas de um dos cônjuges temos 1696º.http://apontamentosdireito.com/index. morte natural de um animal) ou porque a sua eventual voluntariedade não tem qualquer relevância jurídica (exemplo o nascimento). ou porque resultam de causas de ordem natural (exemplo. podendo exigir a divisão da coisa comum – 1412º. Daí que ao contrário do património colectivo. Quanto às dívidas da responsabilidade de ambos os conjugues temos o artigo 1695º.html B) requerer a divisão enquanto não terminar a causa geradora do surgimento do património colectivo. # O facto jurídico: Noção: é todo o acto humano ou acontecimento natural juridicamente relevante. com a extinção do casamento ou através da separação de bens entre os cônjuges. o comproprietário possa dispor de toda a sua quota na comunhão ou de parte dela – 1408º. em que cada proprietário tem direito a uma quota ideal ou fracção do objecto comum – 1403º/2. A compropriedade ou propriedade comum: figura de raiz Romanística.A temos a necessidade de consentimento dos cônjuges na alienação ou oneração de bens móveis e imóveis de forma a garantir a estabilidade no casamento. Trata-se de uma comunhão por quotas ideias.atspace. O BGB chama-lhe “Gemeirsahaft zur gesanten tand”. o património colectivo é. Classificação dos factos jurídicos: a) Factos jurídicos voluntários e involuntários: factos jurídicos voluntários ou actos jurídicos são os factos jurídicos resultantes da manifestação ou actuação da vontade humana enquanto elemento juridicamente relevante. exemplo testamento ou contrato. um convite para um passeio). Nos artigos 1682º e 1681º . O BGB chama-lhe “Bruchteilegemeinschaf” (comunhão segundo quotas). produtor de efeitos jurídicos / contrario de factos ajuridicos que são factos da vida real irrelevantes ou indiferentes ao qual a ordem jurídica não liga quaisquer consequências (exemplo. também. que o comproprietário não seja obrigado a permanecer na indivisão . refira-se que a menção mencionada no 1969º só é possível de execução quando se processa à extinção da comunhão conjugal. ou seja. quer a comunhão de adquiridos). 73 . determinado por uma causa ou fim. assim. quando duas ou mais pessoas são simultaneamente titulares do direito de propriedade sobre a mesma coisa – 1403º/1.

Factos ilícitos negociais e extranegociais: falamos de ilícitos civis: violam interesses particulares / contrário de ilícitos penais que violam interesses gerais da comunidade. factos jurídicos lícitos: facto conforme a ordem jurídica e por ela tutelado ou garantido. Ilícito extranegocial: resulta da violação de um dever geral de abstenção que se impunha perante um direito absoluto. com omissão de um dever de cuidado ou diligencia. Negócios jurídicos: são factos voluntários cujo núcleo essencial é integrado por uma ou mais declarações de vontade tendentes a produzir determinados efeitos jurídicos que coincidem ou tendencialmente coincidem com a vontade das partes os efeitos dos negócios jurídicos produzem-se ex voluntate exemplo. visto que o ilícito contratual existe tanto quando não se cumpre uma obrigação resultante de um contrato. Delito é praticado com dolo. ou seja. Actos jurídicos: são factos voluntários cujos efeitos se produzem mesmo que não tenham sido previstos ou queridos pelos seus autores. exemplo. Quase-negócios jurídicos ou actos jurídicos quase negociais: traduzem-se na manifestação exterior de uma vontade (exemplo. ocupação de animais bravios – 1318º. Os efeitos dos simples actos jurídicos produzem-se ex lege. Operações jurídicas: traduzem-se na efectivação ou realização de um resultado material ou factual a que a lei liga determinados efeitos jurídicos. embora muitas vezes haja concordância entre a vontade destes e os referidos efeitos. Também são designados por actos materiais. actos reais (“realakten”) ou actos exteriores.atspace. interpelação do devedor – 805º/1. ou seja. estabelecimento do domicilio – 82ºss.html b) c) d) e) f) Factos jurídicos lícitos e ilícitos: trata-se de uma classificação dos factos jurídicos voluntários ou actos jurídicos. Bastante importante saber para efeitos da responsabilidade civil  artigo 494º. Porquê ilícito negocial ou extranegocial e não contratual ou extracontratual? É mais rigoroso desta forma. Delitos e quase-delitos civis: delito é o mesmo que acto ilícito.http://apontamentosdireito. 74 . Negócios jurídicos e simples actos jurídicos: estamos no domínio dos factos jurídicos voluntários. como da violação resultante de um negócio unilateral. Quase – delitos  é praticado com negligência. Exemplo: ocupação de animais bravos (caça e pesca)ou de animais e coisas moveis perdidas – 1318º. contratos. Factos jurídicos ilícitos: facto contrário à ordem jurídica e por ela reprovados e sancionados. perante um certo credor resultante normalmente de um contrato. interpelação do devedor – 805º/1.com/index. Ilícito negocial: resulta da violação da parte de um devedor de uma obrigação. Quase negócios jurídicos e operações jurídicas: distinção feita dentro dos simples actos jurídicos. com intenção de provocar esse resultado.

aquisição derivada translativa. só poderá transferir essa fracção. que poderá até não existir. modificação ou extinção de relações jurídicas. Existe uma tripla dependência  (1) existência (o direito tem de existir). Exemplo. aquisição de propriedade através do contrato de compra e venda.http://apontamentosdireito. c) Modalidades de aquisição derivada: translativa. Aquisição de direitos e constituição de direitos são duas coisas diferentes. Exemplo: usucapião  1287º seguintes. mas apenas dele. 75 . o proprietário de um prédio constituir um usufruto a favor de outrem. b) Aquisição originária e aquisição derivada: Aquisição derivada: aquisição em que o direito que se adquire depende não só do facto aquisitivo mas também do direito anterior. como tal não pode ter um objecto mais vasto do que o direito anterior). exemplo. é a criação de um direito que não existia anteriormente. ocupação de coisas moveis  1318º seguintes. (3) objecto ou área de incidência (imagine-se que o alienante era apenas comproprietário. Aquisição de direitos: pensamos no lado activo da relação jurídica. Constitutiva: o direito que se adquire tem um conteúdo ou extensão inferior ao direito anterior.atspace. Mas nem toda a aquisição envolve a constituição de direitos exemplo. Diz-se que o sujeito adquire um direito. Constituição de direitos: é o aparecimento de um direito pela primeira vez na ordem jurídica. quando esse direito se a liga a esse sujeito. no caso de caça e pesca 1319º nem sequer há um direito anterior e em todos eles o direito do adquirente não foi adquirido por causa do direito anterior. O direito que se adquire é o mesmo que estava na esfera jurídica do transmitente (compra e venda.com/index. a) Noçao: é a ligação de um direito a um determinado sujeito. visto não haverem direitos sem sujeito. Aquisição originária: aquisição em que o direito que se adquire depende apenas do facto aquisitivo (facto jurídico que o fez nascer). tendo apenas uma fracção. não dependendo da existência ou da extensão de um direito anterior. (2) conteúdo (se na compra e venda o vendedor tinha um direito mas apenas o de usufruto este não pode transferir um direito mais amplo que não tem. o direito que se adquire é menos extenso que o direito anterior. constitutiva e restitutiva: Translativa: o direito que se adquire tem exactamente o mesmo conteúdo ou extensão do direito anterior.html Efeitos dos factos jurídicos: os factos jurídicos desencadeiam determinados efeitos que consistem que consistem fundamentalmente numa aquisição. por exemplo). Toda a constituição implica a sua aquisição.

exemplo. designando apenas a sucessão mortis causa aí o autor da sucessão é designado por hereditando ou de cuius e os sucessores ou causados por herdeiro ou legatário conforme sucedam na totalidade ou numa quota do património ou em bens ou valores determinados. f)Importância da distinção entre aquisição derivada e aquisição originária: enquanto que na aquisição originária a extensão do direito adquirido depende apenas do facto ou titulo aquisitivo.com/index. Logo se A vende a B uma coisa da qual não era proprietário esse acto é nulo com fundamento legal no artigo 892º e ss  venda de coisa alheia. coincide apenas com a aquisição derivada translativa. tal como a sucessão refere-se tanto aos direitos. a destruição de um usufruto. a) Instituto do registo predial e registos similares: as pessoas devem inscrever.http://apontamentosdireito. com o fim de lhes dar publicidade os diversos actos inerentes a bens imóveis e outros bens indicados. não podendo este transmitir mais direitos do que os que tem. passando a ser um direito de propriedade pleno novamente. No entanto. retoma a dimensão inicial. É esta a regra fundamental da aquisição derivada. situações em que o adquirente pode obter um direito que não pertencia ao transmitente ou é mais amplo do que aquele que pertencia a esse mesmo transmitente. d) Distinção entre aquisição derivada e sucessão: Sucessão: é o subingresso de alguém num direito de outrém. enquanto a aquisição rigorosamente só diz respeito a direitos. As dívidas não se adquirem. Quando falamos em sucessão referimo-nos aos direitos e também às dívidas. Podemos utilizar sucessão num sentido amplo (tanto mortis causa como intervivos) e aí o titular anterior do direito designa-se por autor. A transmissão.html Restitutiva: o titular de um direito real limitado demite-se dele.atspace. na aquisição derivada a extensão do direito do adquirente depende do conteúdo do facto aquisitivo e depende ainda da amplitude do direito do transmitente. segundo a velha máxima nemo pluris iuris in alium transferre potest quam ipse habet (ninguém pode transferir para outrem mais direitos de que o próprio tem). restituindo-se o direito à sua plenitude inicial. como às dívidas. mas sim assumem-se daí a epigrafe do artigo 595º. No entanto. antecessor ou causante e o adquirente por sucessor ou causado. Mas frequentemente utiliza-se sucessão num sentido estrito. e) A transmissão de direitos: A transmissão de direitos equivale à aquisição derivada translativa. ou seja. O nosso registo predial é: 76 . deixando de estar comprimido. num sentido amplo pode-se utilizar a expressão transmissão de direitos para qualquer forma de aquisição derivada. este principio comporta excepções.

Escola de Coimbra. Algo que permanece até aos nossos dias. Mota Pinto e Orlando de Carvalho diz que terceiros para efeitos de registo são os que do mesmo autor ou transmitente adquirem sobre o mesmo bem direitos total ou parcialmente incompatíveis ou conflituantes. se B adquire um bem sujeito a registo mas não o regista e C adquire o mesmo bem (sendo C terceiro para efeitos de registo). É facultativo: a sua inobservância não é uma infracção de um dever. A aquisição sem registo não deixa de ser válida e enquanto não há registo prevalece inteiramente a primeira aquisição de acordo com a regra prior in tempore. Quem não fosse o proprietário segundo 77 . aplica-se a regra da prioridade do registo. se verifica uma situação de aquisição a non domino (aquisição de um bem que já não era titulado por A) – logo. quanto aos bens sujeitos a registo. É a chamada estrutura da aquisição triangular. há uma excepção ao princípio do nemo plus iuris.http://apontamentosdireito. estes efeitos não se poderão opôr a terceiros quando não haja tal aquisição sido registada (“os factos sujeitos a registo só produzem efeitos contra terceiros depois da data do registo”). art. É declarativo. 5º e 6º do código de registo predial  enquanto não for registado. de modo que. defendida por Manuel de Andrade. só fugindo a isto a constituição de hipoteca em que o registo é constitutivo e como tal condição de validade. embora A já não seja proprietário do bem. ii. mas que se viu a partir desses mesmos anos (60) bastante conturbada. Assim. embora a aquisição produza efeitos inter partes. não se aplica a regra da prioridade ou prevalência da transmissão mas a regra da prioridade do registo. e o regista. é mera condição de eficácia da aquisição e não condição da sua validade como acontece com os registos constitutivos caso do Alemão.atspace.com/index. Mas quem são os terceiros para efeitos de registo predial? Trata-se de uma noção que até aos anos 60 era bastante pacifica na nossa jurisprudência e na nossa doutrina. potior in iure. A--------------B C Assim. 291º) 3Efeito central do registo: artigo 4º. 2Efeitos laterais do registo: todos os previstos na lei independentemente dos outros dois efeitos (ex.html i. e não da aquisição do direito sobre o bem. já que apenas poderá haver um proprietário. iii. Um registo de aquisições (não de pessoas como é o caso do registo civil). mas apenas a inobservância de um simples ónus do adquirente. Do registo decorrem três tipos de efeitos: 1Efeito imediato ou automático do registo: é a presunção de titularidade do direito.

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a regra do nemus pluris iuris nada podia transmitir e como tal quem com ele contratou nada poderá obter. Pois quem adquiriu a domino, ainda que não tenha registado é sempre preferido a quem adquire a non domino. Pressupõe-se, assim, que o transmitente é o mesmo, segundo este esquema.

A

B (nr)

C (r) Fora isto, nada mais se exige para a inoponibilidade a terceiros, nem se a aquisição é intervivos ou mortis causa, nem se a aquisição é gratuita ou onerosa, nem se o registo é feito com o conhecimento de aquisição conflituante não inscrita ou com o desconhecimento da mesma. A posição da Escola de Lisboa defendida por Oliveira Ascensão e por Meneses Cordeiro é mais restritiva. Para estes, terceiros para efeitos de registo são apenas os que adquirem a título oneroso e de boa fé, ou seja, com o desconhecimento da aquisição conflituante. Doutor Orlando de Carvalho e Doutor Mota Pinto consideram esta restrição inadmissível e subversiva da função do registo e a segurança que o mesmo trás ao tráfego jurídico. No que diz respeito à boa fé e defendido que tal traria o caos à segurança que se pretende no comércio jurídico, trazendo ao adquirente delongas, incertezas e gastos tendentes a provar que desconhecia uma alienação anterior. Má fé psicológica que é algo, muito difícil de provar. No que diz respeito à onerosidade da aquisição o Doutor Orlando de Carvalho diz-nos que não tem aqui qualquer sentido pois não tem qualquer relevo no quadro da oponibilidade dos direitos. No que diz respeito à jurisprudência acerca deste assunto nos tempos mais próximos, o acórdão de fixação de jurisprudência de 15/ 97 de 4 Julho do STJ veio sustentar a posição de Coimbra, no entanto o acórdão de 8/99 de 10 Julho modificou as coisas e consolidou a posição da escola de Lisboa com a exigência da boa-fé.

b)

Regra geral da protecção de terceiros contra qualquer invalidade (nulidades e anulabilidades) artigo 291º  este artigo estabelece um regime de inoponibilidade da nulidade e anulação de negócios jurídicos anteriores com base nos seguintes pressupostos cumulativos: i. Estejam em causa bens imóveis ou bens móveis sujeitos a registo; ii. Onerosidade da aquisição; iii. Ser terceiro, são terceiros aqueles que inseridos numa mesma cadeia de transmissões linear e sucessiva, vêm a sua aquisição afectada por um vício de um negócio precedente (não pode haver invalidade própria);

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c)

iv. Haja boa fé, sendo a boa fé determinada no nº3 do artigo 291º, como ignorância não culposa das causas de invalidade dos actos anteriores à aquisição do direito pelo terceiro, ou seja, tem de haver um desconhecimento efectivo no momento da sua aquisição; v. Ser um negócio nulo ou anulável – só funciona contra causas de invalidade; vi. A aquisição ter de ser registada antes do registo da acção  efeitos laterais do registo; vii. A posição do terceiro só se consolida após 3 anos (espécie de quarentena) do decurso do negócio inválido 291º/2 (se for numa cadeia9 conta o ultimo negocio invalido) Embora no caso da anulabilidade há sanção pelo decurso do tempo 287º/1. Regra especial de protecção de terceiros contra nulidade decorrente de simulação  artigo 243º, como resulta do artigo 240º os negócios simulados são nulos. No entanto o artigo 243º/1 vem estabelecer um regime de inoponibilidade desta nulidade com base numa simulação, desde que se preencham dois requisitos cumulativos: a. Ser terceiro. Inicialmente o Doutor Orlando de Carvalho defendia a mesma definição de terceiros do artigo 291º. Autores da Escola de Coimbra como o Doutor Manuel de Andrade e como Doutor Mota Pinto defendiam que terceiros não seriam apenas os defendidos por Orlando de Carvalho, mas todos os que vissem a sua posição jurídica afectada pela simulação (a que não sejam os próprios simuladores ou os herdeiros após a morte). O Doutor Orlando de Carvalho, nos últimos escritos, antes da sua morte parece ter evoluído para esta concepção de terceiros para efeitos do artigo 241º defendida pelos restantes autores da Escola de Coimbra; b. Esteja de boa fé  o artigo 243º/2 , este só fala em ignorância da simulação e não em desconhecimento sem culpa como vem no artigo 291º/3, ou seja, haverá boa fé, ainda que com culpa do terceiro, ou seja, se houver possibilidade de ele conhecer. Aqui a má fé superveniente não releva pois o momento considerado é o da aquisição dos direitos 243º/2. Embora se considere sempre má fé a aquisição por parte de terceiro após o registo da acção de simulação  243º/3.

ANEXO: Coloca-se o problema de se saber se a simulação é inoponivel só aos terceiros de boa fé prejudicados com a invalidação do negócio, ou seja, aos que
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No caso: A (vicio)  B (vicio)  C D(boa fé) E (má fé). Orlando de Carvalho entende que se na cadeia um dos adquirentes estivesse protegido os seus sucessivos adquirentes também o estavam, beneficiando derivadamente da protecção  protecção intercorrente de terceiros na cadeia. Dr. Pinto Monteiro tem grandes dúvidas, sobretudo quando o ulterior adquirente está de má fé beneficiando de um mecanismo alheio, apesar da sua convicção psicológica contraria à lei.

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com isso sofriam uma perda, ou também aos terceiros que deixam de lucrar com a invalidação do negócio. Corrente mais ampla defendida por Pires de Lima, Antunes Varela, Castro Mendes, Vaz Serra, dizem que terceiros são também os que deixam de lucrar com a invalidação do negócio. Baseiam-se na letra da lei, visto que o artigo 243º/1 nada diz e num elemento histórico visto o anteprojecto conter essa restrição e o texto definitivo nada dizer. Corrente mais restritiva defendida por Mota Pinto, Manuel de Andrade diz que será apenas inoponivel aos terceiros que, com a invalidação do negócio sofram prejuízos. Invocam para isso o elemento racional, atendendo ao fim do artigo 243º (que é de proteger a confiança de terceiros) optam por uma solução mais justa que será a de impedir a invocação da simulação que causa prejuízos e já não a que origina vantagens ou lucros (exemplo, no caso de uma venda por 100 em que se declarou simuladamente 30, não pode invocar a sua qualidade de terceiro de boa fé para preferir pelo preço declarado é-lhe oponível a nulidade ,sendo admitido a preferir pelo preço real. (ver melhor isto) Modificações de direitos: Noção: tem lugar quando alterado ou mudado um elemento de um direito, permanece a identidade do referido direito apesar da alteração ocorrida. Esta perduração significa que o ordenamento jurídico continua a tratar o direito como se não tivesse existido uma alteração  o direito é o mesmo. Modalidades: Modificação subjectiva: 10 - há uma substituição dos sujeitos na titularidade do direito, permanecendo a identidade objectiva do direito. Há uma sucessão no direito. Exemplo, é o que acontece na cessão e na sub-rogação nos créditos – 577º ss e 589º ss; pode ainda resultar de uma multiplicação dos sujeitos por adjunção (um novo devedor assume a obrigação para com o credor mas o devedor anterior permanece vinculado); Modificação objectiva: há uma modificação no conteúdo ou no objecto do direito permanecendo o direito idêntico. Exemplo, modificação do conteúdo: concedido pelo credor uma prorrogação do prazo para o cumprimento. Modificação do objecto: o devedor não cumprindo culposamente a obrigação o seu dever de prestar é substituído por um dever de indemnizar. Extinção de direitos: Noção: tem lugar quando um direito deixa de existir na esfera jurídica de uma pessoa, extinção subjectiva ou perda de direitos: se o direito sobrevive em si,
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Por substituição: quando o sujeito activo se substitui outro; Multiplicação: a um sujeito activo se substituem vários; Concentração: a vários sujeitos activos sucede um único.

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html apenas mudando a pessoa do seu titular. Acontece sempre que tem lugar a uma sucessão. pela prática do acto  331. mais do que propriamente com objectivos de justiça. ou seja. se fundam numa presunção do cumprimento. Enquanto que na caducidade não vem previstos na lei prazos normais. 310. Diferenças entre prescrição extintiva e caducidade: quando um direito deva ser exercido durante certo prazo aplicam-se as regras da caducidade. licito. art. 319º. a justiça não lhe é estranha já que há a ponderação de uma inércia negligente do titular do direito em exercita-lo o que faz presumir uma renuncia ou pelo menos o torna indigno da certeza e segurança. e) O prazo ordinário da prescrição 20 anos. não comporta causas de suspensão nem de interrupção artigo 328º. a) A prescrição extintiva é inderrogável como resulta do artigo 300º. No entanto.com/index. b) A caducidade é apreciada oficiosamente pelo tribunal  artigo 333º. Conceito e importância do negocio jurídico: a.http://apontamentosdireito. enquanto que se admitem estipulações convencionais acerca da caducidade artigo 330º. Tem a ver com objectivos de conveniência ou oportunidade social e mesmo de segurança e exigibilidade. exemplo a destruição do objecto do direito. existem prazos processuais. a)Modalidades particulares da extinção de direitos:  Prescrição extintiva: extinção de um direito que pode não ser acompanhado pela aquisição correspondente. d) A caducidade só é impedida. havendo prazos mais curtos para as chamadas prescrições presuntivas. o artigo 1786º. o direito extingiu-se para aquele sujeito mas subsiste na esfera jurídica de outrem. Conceito e elementos dos negócios jurídicos I. Negocio jurídico – facto voluntário.atspace. c) A caducidade. em princípio. ao contrário da prescrição que se suspende e interrompe nos casos previstos na lei  318º ss e 323º ss. enquanto que a prescrição tem de ser invocada. em princípio. Por seu turno a prescrição se interrompe pela citação ou notificação judicial  323º. embora o reconhecimento do direito contra quem deve ser exigido também impede a caducidade. cujo conteúdo essencial e constituído por uma ou mais declarações de vontade dirigidas a 81 . Extinção objectiva: se o direito desaparece. salvo se a lei se referir expressamente à prescrição – artigo 298º/2. deixando de existir para o seu titular ou para qualquer outra pessoa. Prescrição aquisitiva ou usucapião: ao contrario da prescrição extintiva aqui adquirem-se direitos reais. mas normalmente tem um carácter substantivo com amplitudes muito variáveis  exemplo. prevendo a lei para certas hipóteses uma prescrição de cinco anos  art. não podendo o tribunal oficiosamente supri-la  artigo 303º.

pratica dos efeitos jurídicos imediatos e fundamentais. exacta e completa correspondência entre o conteúdo da vontade das partes e os efeitos jurídicos produzidos tais como a lei os determina. Só que aqui não há uma representação completa dos efeitos jurídicos correspondentes aquela vontade de efeitos práticos. também uma vontade de efeitos jurídicos. efeitos jurídicos concordantes. Critica: tal como esta doutrina define o negócio jurídico este não se distingue de outros actos que não são negócios jurídicos que se fiam na honorabilidade das partes. c. Teoria dos efeitos práticos: basta que a declaração se dirija a certos efeitos práticos ou empíricos sem carácter ilícito. mas que estão II. um dos princípios fundamentais do nosso direito civil. Os próprios efeitos derivados de normas supletivas resultariam da tacita vontade das partes. b. (exemplo. Tem. 82 . fazendo a lei corresponder a esses efeitos práticos. basta uma representação global. A sua importância prende-se com o facto de ser o instrumento principal de realização do princípio da autonomia da vontade. As normas supletivas só deixam de se aplicar quando uma vontade real contaria for manifestada. exemplo um convite para jantar. Por falta de intenção de efeitos jurídicos temos de distinguir os negócios jurídicos dos chamados negócios de pura obsequiosidade. Se esta doutrina fosse verdade só os juristas completamente informados sobre o ordenamento poderiam celebrar negócios jurídicos. Criticas: i. Por falta de vontade de efeitos jurídicos há ainda que distinguir os negócios jurídicos dos chamados “gentlments agreement´s”  convenções sob matéria que é normalmente objecto de matéria de negócios jurídicos. não bastando provarse que as partes não consideraram o ponto ou até não teriam querido aquele regime. determinados. As partes dos vários negócios não tem uma ideia completa e exacta de todos os efeitos que o ordenamento jurídico atribui as suas declarações de vontade. não se dirigindo apenas a efeitos práticos. como tal.com/index.http://apontamentosdireito. Teoria dos efeitos jurídicos: deve haver.atspace. Teoria dos efeitos práticos jurídicos: trata-se do ponto de vista correcto. Quem realiza negócios jurídicos visa certos resultados práticos ou materiais e quere-os realizar por via jurídica. em geral em conformidade com a intenção manifestada pelo declarante ou declarantes.html realização de certos efeitos práticos com a intenção de os alcançar sob tutela do direito e em que o ordenamento jurídico atribui efeitos jurídicos correspondentes. ii. a. Natureza jurídica – diz respeito à relação que deve existir entre a vontade dos seus autores e os efeitos produzidos pela ordem jurídica. empréstimo de honra).

uma oferta ou proposta e a aceitação que se concilia num consenso. sendo apenas admitidos os negócios que estiverem especificamente previstos na lei artigo 457º. Há. Não é necessário que as partes configurem qualquer clausula para a produção destes efeitos. Elas não caracterizam o tipo negocial em abstracto mas tornam-se imprescindíveis para que o negócio concreto produza os efeitos a que elas tendem. exemplo locação artigo 1022º ss. b. falamos da declaração. exemplo cláusula de juros. Características do regime dos negócios unilaterais: a) É desnecessária a anuência da contraparte. exemplo um empréstimo de honra.http://apontamentosdireito. III. Contratos ou negócios jurídicos bilaterais: há duas ou mais declarações de vontade. 2. Acidentais: são as cláusulas acessórias dos negócios jurídicos.Elementos dos negócios jurídicos: 1.obrigação da outra parte pagar a correspondente retribuição (diferente do comodato). São as características próprias de cada modalidade negocial. Unilaterais: há uma só declaração de vontade (exemplo. Podemos falar ainda de elementos essenciais no sentido dos elementos essenciais de cada negócio típico ou inominado. 83 . A eficácia do negócio não careceu de concordância de outrem. no caso de intenção de efeitos jurídicos.atspace. Unilaterais e bilaterais: a. Essenciais: podem ser aqueles relativos à existência do negócio jurídico.html desprovidos. 3. a declaração de vontade sem vícios. procuração feita por duas pessoas a favor de um mesmo advogado). em que temos 1. assim. de conteúdo oposto mas convergente com a pretensão de um resultado jurídico unitário. Falamos da capacidade das partes e da sua legitimidade. Classificação dos negócios jurídicos: 1. que considera essenciais os requisitos ou condições gerais de validade de qualquer negócio. segundo a sistematização tradicional. b) Vigora o princípio da tipicidade ou do numerus clausus. sem os quais o mesmo não chegaria a ter existência material.obrigação de proporcionar à outra parte o solo de cada coisa 2. dos sujeitos e do conteúdo.gozo esse que é temporário (diferente de compra e venda) 3. idoneidade do objecto jurídico  artigo 280º. Naturais: são os efeitos negociais derivados de disposições legais supletivas.com/index. exemplo artigo 885º. Ainda. testamento) ou varias declarações de vontade paralelas formando um só grupo (exemplo.

visto que o mesmo é integrado por duas declarações de vontade: i. compra e venda).html c) É importante distinguir entre negócios unilaterais receptícios – a declaração só é eficaz se for e quando for levada ao conhecimento de certa pessoa. Dentro dos contratos há que distinguir entre:  Contratos unilaterais: geram obrigações apenas para uma parte (exemplo. Características do regime dos negócios bilaterais: a) Não se trata de dois negócios unilaterais. Doutrina da percepção: o contrato só está perfeito quando o proponente tomou conhecimento efectivo da aceitação. devendo-se colocar o lesado na situação em que estaria se não tem chegado a depositar uma confiança que foi frustrada na celebração de um contrato válido e eficaz). Doutrina da expedição: o contrato está perfeito quando o destinatário expediu por qualquer meio a sua aceitação. mantendo-se durante os lapsos de tempo referidos no artigo 228º (diferente do código de 1867) em que a proposta era revogável. c) Coloca-se o problema de saber qual o momento da sua perfeição. iv. (É o chamado dano da confiança. ii. exemplo denuncia do arrendamento.com/index.atspace.  Contratos bilaterais ou sinalagmáticos: geram obrigações para ambas as partes. embora o proponente que se retractasse incorresse em responsabilidade pré-contratual. doação). iii. Doutrina da aceitação: o contrato está perfeito quando o destinatário da proposta declarou aceitar a oferta que lhe foi feita. que resulta de lesão do interesse contratual negativo. já que cada uma das declarações é emitida em vista do acordo. artigo 1055º. b) A proposta de contrato é irrevogável depois de chegar ao conhecimento do destinatário artigo 230º. Importância: 84 . O artigo 224º vai consagrar no nosso direito a doutrina da recepção. obrigações ligadas entre si por um nexo de causalidade ou correspectividade (exemplo. exemplo testamento.http://apontamentosdireito. Doutrina da recepção: o contrato está perfeito quando a resposta contendo a aceitação chega à esfera de acção do proponente. Negócios jurídicos não recepticios – basta a emissão da declaração sem ser necessária comunica-la a quem quer que seja. responsabilidade essa ainda hoje admitida no artigo 227º.

2.http://apontamentosdireito. Negócios inter vivos e mortis causa: . .atspace. as disposições a favor de um dos esposados feitas pelo outro ou por terceiro são negócios híbridos ou mistos já que têm características de negócio mortis causa já que só se verifica transferência de bens depois da morte. em principio nulas – artigo 946º como quaisquer outros pactos ou contratos sucessórios – 2028º/2. 1140º e 1150º. As disposições a favor de terceiros feitas pelos esposados são negócios mortis causa se o terceiro não interveio na convenção antenupcial – artigo 1704º e serão negócios híbridos se ele interveio como aceitante – artigo 1705º.O testamento é claramente um negócio mortis causa. testamento).Nos negócios mortis causa há uma prevalência dos interesses do declarante sobre o interesse na protecção da confiança do declaratário. Autores falam dos contratos bilaterais imperfeitos. 428º. Nestes contratos não há excepção de não cumprimento do contrato e também não há condição resolutiva tácita. Em relação a estes. Negócios consensuais ou não solenes e negócios formais ou solenes: Formais ou solenes: aqueles para os quais a lei prescreve a necessidade de observância de determinada forma. algo que é típico dos negócios inter vivos – artigo 1701º.Inter vivos: destinam-se a produzir efeitos em vida das partes. Estes são objecto de uma conversão legal em disposições testamentarias – 946º/2.com/index. 85 . em virtude do cumprimento das primeiras e em dados termos. surgindo eventualmente mais tarde obrigações para a outra parte. o acatamento de determinados formalismos ou de determinadas solenidades e. trata-se da generalidade dos negócios jurídicos.html a) Só nos contratos bilaterais há excepção de não cumprimento do contrato. Certos pactos sucessórios contidos em convenções antenupciais são válidos – artigo 1700º. Exemplo: mandato e o depósito gratuitos – artigo 1157º e ss e artigos 1185º e ss. sem o qual o negócio jurídico é invalido – artigo 220º.Mortis causa: destinam-se a produzir efeitos depois da morte do declarante ou depois da morte de alguma das partes (exemplo. ao contrário dos negócios inter vivos em que há uma tutela das expectativas da parte que se encontra em face da declaração negocial. no entanto há uma restrição de poderes feita ao disponente. nestes há inicialmente apenas obrigações para uma das partes. As doações por morte são. b) A faculdade de resolução com fundamento em impossibilidade de cumprimento ou mora existe nos contratos bilaterais (condição resolutiva tácita) 801º/2 e pode também ter lugar em alguns contratos unilaterais exemplo arts. Características: 1.

convenções antenupciais). 86 . Quanto nos casos excepcionais em que a lei prescrever uma certa forma e esta não for observada a declaração negocial é nula  artigo 220º. podendo ser realizado por qualquer comportamento (…). além das declarações de vontade das partes a prática anterior ou simultânea de um certo acto material de entrega de uma coisa como elemento da estrutura do negócio jurídico e não como efeito do contrato. Nos negócios familiares patrimoniais: existe em maior escala a liberdade de convenção. Forma: determinada figuração exterior permitida pela lei ou pela vontade comum das partes para a respectiva declaração de vontade. O principio geral do nosso código em matéria de formalismo negocial é o da liberdade declarativa ou liberdade de forma (artigo 219º). embora com algumas restrições (exemplo. testamento). Nos negócios reais o princípio da liberdade contratual sofre considerável limitação derivada do principio da tipicidade ou do numerous clausus – artigo 1306º. Nos negócios sucessórios o princípio da liberdade contratual sofre importantes restrições resultantes de algumas normas imperativas (exemplo. modificada ou extinta pelo negócio jurídico. Nos negócios familiares pessoais: a liberdade contratual está praticamente excluída. no que respeita aos negócios unilaterais vigora o princípio da tipicidade 457º. adopção).http://apontamentosdireito. reais.atspace.com/index. Modalidades: a) Documento autêntico – artigo 363º/2: exemplo venda de imóveis (875º) b) Documento autenticado – artigo 363º/3: em que há confirmação de determinado negócio jurídico através do notário c) Documento particular – artigo 363º/2 (2ª parte) : exemplo contrato promessa (artigo 410º/2) Negócios Reais quanto à constituição e quanto aos efeitos: São aqueles negócios em que se exige. familiares e sucessórios: o critério desta classificação diz respeito à natureza da relação jurídica constituída. podendo os interessados celebrar ou não o negócio mas não podendo fixar-lhe livremente o conteúdo ou celebrar contratos diferentes dos previstos na lei: principio da tipicidade ou do numerous clausus (casamento. Negócios obrigacionais. Nos negócios obrigacionais: é neste domínio em que mais se afirma o princípio da liberdade negocial quanto aos contratos. exemplo o depósito ou o mútuo.html Não solenes: aqueles em que a validade do negócio jurídico não está dependente de qualquer requisito formal.

psicológica do declarante sobre a vontade declarada. modificação ou extinção de relações jurídicas de carácter pessoal. por exemplo em matéria de impugnação pauliana (artigo 612º). exemplo. Actua-se.etc) A distinção tem como critério o conteúdo e finalidade do negócio Negócios onerosos ou a titulo oneroso: pressupõe atribuições patrimoniais de ambas as partes.http://apontamentosdireito. 87 . Neste domínio há o predomínio de normas imperativas. existindo. Pessoais: resulta a constituição. casamento. já que objectivamente elas podem não ser equivalentes por várias razões. Negócios gratuitos ou a titulo gratuito: uma das partes tem a intenção de efectuar uma atribuição patrimonial a favor de outra sem contrapartida ou correspectivo. cessão de créditos – 577º. A outra parte age com a consciência e vontade de receber essa vantagem sem proporcionar um sacrifício correspondente. mutuo oneroso – artigo 1145º. é que aqui a correspectividade não se estabelece entre duas obrigações. uma atribuição patrimonial que considera retribuída ou contrabalançada pela atribuição da contraparte. (artigo 291º. assim. adopção. com a intenção de proporcionar uma vantagem à outra parte.atspace. como por exemplo o valor afectivo de um objecto ex: arrendamento : aluguer . o chamado animus donandi ou animus beneficiandi exemplo. ou seja. Há também um predomínio da vontade real. a doação e depósitos gratuitos.com/index. segundo a perspectiva destas. Cada uma das partes faz. Cada uma das atribuições é a contrapartida da outra. assim. Negócios onerosos e negócios gratuitos: Importância da distinção: manifesta-se. É possível a existência de contratos unilaterais onerosos (exemplo. uma avaliação subjectiva. sem a pretensão de nenhum equivalente económico. de forma a tutelar a confiança do declaratário e também os interesses do trafico jurídico – artigo 236º/1.html Negócios patrimoniais e negócios pessoais: o critério desta classificação é também o da natureza da relação jurídica a que o negócio se refere. avaliáveis em dinheiro. Aqui há o predomínio da vontade declarada sobre a vontade real. é. Não é necessário um equilíbrio das atribuições patrimoniais consideradas pelo seu valor objectivo. Patrimoniais: resulta a constituição. um nexo ou relação de correspectividade entre as atribuições patrimoniais. também para a protecção do terceiro adquirente de boa fé contra qualquer invalidade de negócio jurídico anterior. Há o predomínio do princípio da liberdade contratual. mas entre uma prestação contemporânea (entrega do dinheiro para ser utilizado) e uma obrigação (a de restituir o capital e pagar os juros).  Existem certas figuras negociais que se podem apresentar como onerosas ou gratuitas. exemplo. assim. exemplo – compra e venda. o que releva é a vontade ou intenção das partes. modificação ou extinção de relações jurídicas de carácter patrimonial.

a uma sorte. Exemplo. b) Pode haver uma prestação certa e outra incerta. fazendo uma enumeração de certos actos que são permitidos ou vedados ao administrador – exemplo. a uma possibilidade de ganhar ou perder. por força da lei ou de sentença.http://apontamentosdireito. ou de bens próprios e alheios. dar e recebe (…) Aleatórios: as partes submetem-se a uma álea.atspace. seguro de vida). dos poderes de gestão patrimonial dos administradores de bens alheios. parceria pecuária – 1121º. de maior montante do que aquele (ex. a determinação de quem a realizará (exemplo. artigos 1889º. administração de bens – artigos 1922º. exceptuando-se as competições desportivas com relação às pessoas que nelas tomarem parte – 1246º e outras excepções previstas em legislação especial – artigo 1247º. no caso de administradores de bens alheios a lei atende à falta de interesse pessoal do administrador que o pode induzir a correr riscos que não correria se os bens fossem seus. No caso de limitação de poderes de alguém sobre o seu próprio património a lei considera deficiências físicas e 88 . Os contratos de jogo e aposta não são contratos válidos. Contrato pelo qual uma pessoa promete uma certa prestação em troca de uma participação nos proventos que a contraparte obtenha por força daquela prestação. Inabilitações – artigo 153º e 154º. nem constituem fontes de obrigações civis. a lei muitas vezes restringe os poderes de certas pessoas a actos de ordinária administração sem qualquer especificações. c) Pode haver duas prestações certas na sua existência. inabilitações). Pode haver: a) Uma só prestação dependendo de um facto incerto. Negócios de mera administração e negócios de disposição Utilidade desta distinção: há uma restrição. Negócios parciários: são uma subespécie dos negócios onerosos. Veja-se o caso do artigo 1024º em que a lei qualifica como acto de administração ordinária a locação num prazo inferior a 6 anos. no entanto quando lícitos são fonte de obrigações naturais – artigo 1245º. a um risco. 1937º e 1938º. 11 Assim.com/index. Comutativos: cada uma das partes sabe que esperar do efeito do contrato. seguro de incêndio). Quando a lei não esclarece através de uma definição ou de uma enumeração quais os actos que integram uma dada categoria teremos de nos guiar pelos interesses que estão em jogo e o sentido das normas que espelham esses mesmos interesses11. Por vezes a lei qualifica ela própria certos negócios jurídicos como actos de administração ordinária ou então de disposição. ou até de bens próprios (ex. mas uma delas incerta quanto ao momento da sua verificação e ao seu montante (ex. Outras vezes a lei concretiza. aos actos de mera administração ou de ordinária administração ex.html Contratos comutativos e contratos aleatórios: trata-se de uma subdivisão dentro dos contratos onerosos. No entanto. aposta). 1967º e ss.

atspace. com exclusão dos actos arriscados (que podem originar grandes lucros e também prejuízos elevados) que afectam a substancia dos bens. No entanto. e) Doações: tratam-se de liberalidades de alienação sem contrapartida. Gera. que assim se vêm impedidos de realizar determinados negócios jurídicos. nem todas as alienações onerosas são actos de disposição. dirigida a manter o património e a aproveitar as suas virtualidades normais de desenvolvimento. Constitui a regra geral e contrapõe-se-lhe a incapacidade negocial de gozo – proibição absoluta de titularidade de tais relações. que alteram a forma ou a composição desse capital administrado. actos de mera administração são os correspondentes a uma gestão concedida e limitada. desde que não sejam feitos com os rendimentos existentes da administração: como é o caso da abertura de um poço ou cercar o muro a um prédio rústico sem qualquer necessidade disso. dirigida a certas pessoas – os incapazes. Só o são as que afectam a substância dos bens (ex. actos de disposição: a)Actos de frutificação anormal: como é o caso da transformação de um Pinhal em Vinha. utrapassando os parâmetros de uma actuação prudente e comedida. Actos de disposição são os actos que afectam a substância da património administrado. 89 . São. actos de mera administração: a) Actos de conservação dos bens administrados: actos destinados a fazer quaisquer reparações necessárias nesses bens tentendes a evitar a sua deterioração ou destruição. que atingem a raiz dos bens. constituição de uma servidão de passagem). assim. Capacidade negocial de gozo: susceptibilidade de um sujeito jurídico ser titular de direitos e obrigações derivados de negócios jurídicos. b) Actos tendentes a prover à frutificação normal: essa frutificação é a pelo modo habitual para os bens administrados (ex. São. # Elementos essenciais do negócio jurídico: I. troca). São. actos destinados a prover ao cultivo de uma terra nos termos usuais ao seu arrendamento). d) Onerações: trata-se da imposição de um ónus real sobre um determinado prédio (ex. assim.http://apontamentosdireito. os actos que correspondem a uma actuação prudente. assim. c) As alienações onerosas: actos que envolvem a transferência da propriedade para outrem (compra e venda. mentais que implicam alta probabilidade de a pessoa concluir negócios muito prejudiciais para os seus próprios interesses.com/index. b) Actos tendentes a prover ao melhoramento do património administrado.html Assim. não é acto de disposição o corte e venda de 20 pinheiros secos que nada estavam a fazer no pinhal).Capacidade e legitimidade: são requisitos gerais de validade dos negócios jurídicos.

modificar ou extinguir negócios jurídicos. em regra. de tal forma que o sujeito não pode afectar esse direito ou obrigação. hoje o direito civil coloca na sua primeira linha de protecção as expectativas dos declaratários e a segurança do comércio jurídico. Esta vontade real pode decompor-se em três subelementos: 90 . na realidade volitiva que normalmente existirá e coincidirá com o sentido objectivo da declaração. convenção dos interessados ou até de disposição legal apareça como destinado a exteriorizar um certo conteúdo de vontade negocial.http://apontamentosdireito. uma anulabilidade e é suprível pelos institutos da representação ou assistência. contrapõe-se-lhe a incapacidade negocial de exercício: impedimento ou proibição não absoluto de realizar determinados negócios jurídicos. Dá-se aqui claramente um conceito objectivista de declaração negocial. cujo interesse a lei protege. o revela e traduz sendo a vontade negocial: a intenção de realizar certos efeitos práticos com ânimo de que sejam juridicamente tutelados e vinculantes pela ordem jurídica. Legitimidade: relação existente entre o sujeito e o objecto do negócio que justifica que o primeiro se ocupe juridicamente do objecto.html em regra. uma nulidade e é insuprível pela representação legal ou pela assistência. O código civil regula a declaração negocial nos artigos 217º e ss. A função da declaração negocial consiste em exteriorizar a vontade psicológica do declarante e torná-la cognoscível para o declaratário. A regra geral é a de que um maior de 18 anos tem capacidade de exercício. Capacidade negocial de exercício: aptidão para celebrar. por actividade própria ou através de um representante voluntário.  Elementos constitutivos: a) A declaração propriamente dita: elemento externo.Declaração negocial: A) Noções gerais: é um elemento integrante do negócio jurídico. ou em todo o caso.  Declaração negocial: é o comportamento de uma pessoa (por palavras escritas ou faladas ou até sinais) que segundo os usos da vida. mas num elemento exterior no comportamento declarativo. conduzindo a sua falta à inexistência material do negócio. consiste no querer concreto. o Doutor Manuel Andrade e o Doutor Capelo de Sousa. sendo a sua nota principal não um elemento interior como a vontade efectiva ou psicológica. em geral por ser titular dos interesses cuja modelação é visada pelo negócio. daí que a nossa lei dê prioridade ao elemento objectivo – ao comportamento exteriorizado pelo declarante do que a sua vontade psicológica.com/index. Ora.atspace. Haverá ilegitimidade negocial: quando falta essa relação face ao objecto que é detida por terceiro. Neste sentido claramente o Doutor Mota Pinto. b) A vontade – elemento interno. II. consiste no comportamento declarativo. Gera.

Essa divergência pode ainda resultar de um desvio da vontade de acção: um lapsus lingual ou lapsus calami. Tácita: quando do seu conteúdo directo se infere? um outro. mas de uma probabilidade total. ou quando uma pessoa é coagida a realizar um negócio. sem que a pessoa se aperceba disso. Trata-se de um meio indirecto ou lateral de afirmação de uma determinada vontade. a declaração negocial destina-se a um certo fim mas implica e torna cognoscível um regulamento sobre outro ponto. A distinção consagrada na lei no artigo 217º é a proposta pela teoria subjectiva expressa: quando feita por palavras. São estes os casos de divergência entre a vontade e a declaração. ou seja. trata-se de uma probabilidade. ou prédio é o nº20 e por lapso enagana-se a escrever ou falar e sai-lhe quinta da regaleira nº30. exemplo uma pessoa quando quer comprar a quinta da regaleira e erradamente declara que quer comprar a quinta da gusteira pensando erradamente ser este o seu nome (erro no nome). como também tácitas – artigo 217º/1. Trata-se de uma dedução de facto que com toda a probabilidade revela essa declaração negocial (217º/1). Exemplo: não existe vontade de acção quando uma pessoa por acto reflexo ou distraidamente faz um gesto e este aparece como uma declaração negocial. 91 . Se um individuo num leilão faz um gesto de saudação a um amigo e isso é entendido como oferta de uma certa importância. por vezes a lei exige que a declaração negocial seja expressa caso dos artigos 731º. 957º e 1737º. 3. Vimos que pode haver uma falta de vontade de acção.A vontade de acção (Handlugswille) – consiste na consciência e intenção livre de realizar um comportamento declarativo.html 1. escrito ou qualquer outro meio directo de expressão da vontade (217º/1 – 1ª parte). exemplo a pessoa quer escrever quinta da regaleira.Vontade negocial: vontade do conteúdo da declaração ou intenção do resultado (Geschftswille): consiste na vontade de celebrar um negócio jurídico de conteúdo coincidente com o significado exterior da declaração. exemplo: pode faltar vontade da declaração se uma pessoa julgando assinar uma simples ficha para o arquivo de um banco assina uma declaração negocial.  Declaração negocial expressa e declaração negocial tácita: o principio da liberdade declarativa envolve a possibilidade de se realizarem validamente declarações negociais não só expressas. Exemplo: pode haver desvio na vontade negocial quando uma pessoa atribui aos termos da declaração um sentido diverso do que é exteriormente captado . É uma vontade efectiva correspondente ao negócio concreto que aparece exteriormente declarada. É necessário que os factos sejam inequívocos. uma falta de vontade da declaração e um desvio na vontade negocial.A vontade da declaração: (Erklanvnjswille) ou vontade da relevância negocial da acção (Geltunjswille): consiste em o declarante atribuir ao comportamento querido o significado de uma declaração negocial.atspace.http://apontamentosdireito. 2. Este subelemento só está presente se o declarante tiver a consciência e a vontade de que o seu comportamento tenha significado negocial vinculativo. No entanto.com/index.

Também é afastada a ideia de que o silêncio vale como declaração quando o silenciante podia e devia falar – qui tacet consentire vidatem ubi loqui potuit ao debuit. há legislação que protege o destinatário. estando na sua conservação apenas obrigado a abster-se de as deteoriar por dolo ou negligencia. Em princípio. por diversas razões. O artigo 218º dá-nos essa resposta – só vale quando esse valor lhe seja atribuído por lei. mas como um nada fazer pode considerar-se uma declaração tácita no sentido de aceitação de propostas negociais.com/index. caso do artigo 923º/2. paga dívidas da herança  são factos que com toda a probabilidade fazem com que haja uma declaração de vontade no sentido de aceitação da herança. O silêncio como meio declarativo: a questão é a de saber se o silêncio entendido não apenas como um nada dizer. mas por uma declaração de vontade do testador chega-se a essa conclusão. quando remetidas com a proposta. o silêncio não vale como declaração negocial. A declaração tácita é compatível com a existência de um negócio formal  artigo 217º/2 . devendo apenas restitui-las se o proponente as mandar buscar. aceitação tácita: a pessoa toma conta dos bens. o saber se devia ou não falar não é claro e mesmo se houvesse o dever de falar. Só tem valor como declaração quando a lei.atspace. Poder-se-ia também aproveitar a impossibilidade de responder das pessoas. para se captarem aceitações negociais. convenção negocial ou o uso lho atribuam. não se deve concluir do silêncio uma certa declaração. exemplo – testamento em que não há declaração expressa de atribuição de um determinado legado. então. mas apenas a verificação de um incumprimento do dever de falar susceptível de incorrer o silenciante na obrigação de reparar os danos causados a outrém pela frustração da sua confiança em receber uma resposta – dano da confiança ou interesse contratual negativo. tal não exige a consciência subjectiva por parte do autor desse significado implícito (bastando) que objectivamente ele possa ser deduzido do comportamento do declarante. Declarações negociais presumidas e declarações negociais fictas: 92 . uso ou convenção.http://apontamentosdireito. paga o imposto sucessivo. No que respeita às mercadorias recebidas pelas pessoas. Repudia-se o velho princípio do Direito Canónico: qui tacet consentire videtur (quem cala consente)  isto seria inaceitável visto que violaria a autonomia das pessoas. dando-lhes sempre o ónus de responder a qualquer proposta de contrato. Em conformidade com o critério de interpretação dos negócios jurídicos consagrado no artigo 236º conclui-mos que no que respeita a uma declaração tácita em que dum comportamento se pode concluir um certo sentido negocial. que não é obrigado a recambia-las.html Exemplo: aceitação expressa da herança feita por palavras ou por escrito.

http://apontamentosdireito. É no fundo uma contradeclaração. ou seja.com/index. importantes excepções a este principio consagradas no nosso código como regulamentação especial. caso do 875º em que se estabelece a obrigação de celebrar escritura pública. 93 . Existem. podendo ilidir-se tal presunção mediante prova em contrário – artigo 350º/2 – 1ª parte (presunção tantum iuris). b) Separa os termos definitivos do negócio da fase pré – contratual . b) Embaraça a conclusão válida dos negócios. c) Pode levar a eventuais injustiças devido a uma desvinculação de uma das partes do negócio com fundamento em nulidade por vício de forma. Principio da liberdade formal: No nosso direito civil vale o princípio da liberdade de forma consagrada no artigo 219º. mas declara que isso não significa renuncia a receber o montante total dos danos. incómodos e despesas. Nos negócios formais o tempo que vai desde a decisão de concluir o negócio e a sua celebração permite repensar o negócio. um certo sentido vai afirmar-se abertamente não ser esse o seu intuito. no entanto. d) Dá um maior grau de certeza sobre a celebração do negócio e os seus termos evitando-se a falibilidade da prova por testemunhas. Reserva: modalidade de protesto em que se especifica que um certo comportamento não significa renúncia a um direito próprio ou reconhecimento de um direito alheio – exemplo. e) Dá publicidade ao acto o que é importante para terceiros. a vitima de um acidente recebe do causador uma soma em dinheiro. só assim não sendo quando a lei proibir – 350º/2. Protesto e reserva: Protesto: o autor de um certo comportamento declarativo. da negociação. apesar de essa mesma parte ter querido o acto negocial. com demoras.html Declaração negocial presumida: quando a lei liga a determinado comportamento o significado de exprimir uma determinada vontade negocial.atspace. livrando as partes da precipitação e da ligeireza. c) Permite uma formulação mais precisa e completa da vontade das partes. I – Modalidades da forma negocial. O regime regra é o das presunções legais poderem ser ilididas por prova em contrário. A forma da declaração negocial: Vantagens do formalismo negocial: a) Assegura uma maior reflexão das partes. Inconvenientes do formalismo negocial: a) Redução da fluência e celeridade do comércio jurídico. Temos como exemplos: os artigos 923º/2 e 1054º. por interpretação. por recear que lhe seja imputado.

no entanto. b) Na forma voluntária: não abrange. tal não significa que os mesmos possam afastar. tal como acontece para as estipulações posteriores ao documento – artigo 222º. II – Âmbito da forma exigida: a) Na forma legal: abrange as cláusulas essenciais do negócio jurídico. que devem completar o documento indo para além do seu conteúdo mas nunca o contradizendo. as estipulações acessórias anteriores ou contemporâneas ao escrito.Não sejam abrangidos pela razão de ser da exigência de documento. as estipulações não formalizadas. por acordo. anteriores ou contemporâneas ao documento exigido desde que se verifiquem cumulativamente as seguintes condições: 1. Quanto às estipulações posteriores ao documento estão dispensadas de forma legal prescrita para a declaração se as razões da exigência especial da lei não lhes forem aplicáveis – artigo 221º/2. anteriores ou contemporâneas só produzirão efeitos se houver lugar a confissão ou forem provadas por documento. (há uma presunção do documento formal ser completo. normas legais que exigem para certos actos requisitos formais já que são normas imperativas. Forma convencional: quando o formalismo exigível resulta de uma estipulação ou negócio jurídico das partes. carta.atspace. uma excepção na segunda parte deste artigo reconhecendo-se a validade de estipulações verbais. mesmo que menos solene : exemplo. algo que deriva do principio da liberdade contratual – artigo 405º.html Forma legal: quando o formalismo exigível para certo negócio é imposto pela lei. sob pena de nulidade artigo 221º/1. 3. Assim. O facto de os particulares verem as suas estipulações reconhecidas acerca da forma do negócio. as partes poderão utilizar a forma convencional em negócios que a lei não exige forma ou exige uma solenidade menos forte. 94 . na dúvida sobre a existência de uma estipulação acessória é de decidir pela sua não existência. É também inadmissível a prova por testemunhas se tiver por objecto convenções contrárias ou adicionais ao conteúdo de documentos autênticos e particulares – artigo 394º.http://apontamentosdireito. em princípio. Forma voluntária: forma adoptada pelas partes sem que a lei ou convenção anterior a isso as obrigasse.Que se prove que as cláusulas acessórias correspondem à vontade das partes.com/index. 2. c) Na forma convencional: está prevista no artigo 223º.Que se trate de cláusulas acessórias. não devendo ser estipulações essenciais. Há. bem como as cláusulas acessórias anteriores ou contemporâneas. Assim. pelo que.

Aquando da sua inobservância Mota Pinto diz que o negócio é ineficaz enquanto que Vaz Serra diz que o negócio não está concluído entre as partes – artigo 223º/1.Se a convenção foi estipulada antes da conclusão do negócio. mas tal não se verifica. quando essa invocação por uma das partes constitua um abuso de direito? Exemplo. Poderá parecer injusto a nulidade de uma compra em que o comprador já pagou o preço e o vendedor já o recebeu. Ela tem carácter constitutivo. consagra-se uma presunção de essencialidade. Manuel de Andrade defende a improcedência da arguição de nulidade nos casos de manifesto abuso de direito. Formalidades ad probationem: são meramente probatórias. pois uma vez declarado nulo o negócio deverá ser restituído tudo o que tiver sido prestado em virtude do negócio viciado – artigo 289º. Essas presunções são duas: 1.html Inobservância de forma legal: Formalidades ad substantiam: exigidas para a validade do negócio. com fundamento em vicio de forma por um contraente que a provocou ou que criou na contraparte a expectativa de que a nulidade jamais seria arguida. presume-se que as partes não quiseram substituir o negócio mas apenas facilitar a prova consolidando o acto ou tornando o conteúdo do 95 . ou seja. compensando a injustiça com a obrigação de indemnizar por parte do autor do abuso. afirmando a nulidade dos negócios afectados por vício de forma. deverá admitir-se a invocação de nulidade com fundamento em vicio de forma.http://apontamentosdireito. sendo que haverá lugar a indemnização ex vi artigo 227º (…). sendo que na primeira hipótese haja fundamento para admitir que as partes se quiseram vincular desde logo. Larenz por seu lado. a) Inobservância da forma legal: o código civil liga à inobservância da forma legal a nulidade – artigo 220º. são insubstituíveis por outro género de prova. arguição da nulidade. b) Inobservância da forma convencional: a este respeito rege o artigo 223º que se limita a estabelecer presunções que podem ser ilididas mediante prova em contrário – artigo 350º.atspace. em que as partes apenas se querem vincular através da forma convencionada. acha que as normas imperativas não podem ser postas em causa. gerando a sua falta a nulidade do negócio – artigo 364º/1. Mota Pinto coloca o valor social da segurança jurídica acima de um critério de justiça de cada caso. 2. a nulidade deixará de ser a sanção para a inobservância da forma legal – artigo 220º. a sua falta pode ser suprida por outros meios de prova mais difíceis de conseguir – ex: confissão – artigo 364º/2. Nos casos em que a lei determine outra consequência. A doutrina tem colocado o problema de saber se a possibilidade de invocação da nulidade por vicio de forma não pode ser excluída por aplicação da cláusula geral de boa-fé ou do abuso de direito – artigo 334º.com/index. em que este não seria obrigado a restituir a importância recebida ou o primeiro não seria obrigado a restituir a coisa vendida.Se a convenção é contemporânea ou posterior ao negócio.

com/index. Isto dá origem a posições subjectivistas. ou seja. zelosa e sagaz – o bónus pater famílias. com o sentido querido pelo autor da declaração. Dentre as doutrinas objectivistas merece referência a teoria da impressão do destinatário: declaração deve valer com o sentido que 1 destinatário razoável. rápida e confere maior segurança ao comercio juridico. já que tutela a legitima confiança do declaratário. deve ser pautada por regras ou critérios cuja sua formulação é o objecto da teoria da interpretação que tem critérios convertidos em verdadeiras normas jurídicas – 236º ss. pautam a sua conduta. através das declarações de vontade. mais os que uma pessoa razoável (normalmente esclarecida. Como tal a sua inobservância não têm quaisquer consequências sobre o negócio. segundo as respectivas declarações de vontade. b) Elemento objectivo: acto social de comunicação. aquele a quem a declaração negocial se destina ou a conhece. mas procura um sentido exteriorizado ou cognoscível através de certos elementos objectivos. trata-se de determinar o sentido e o alcance do conteúdo das declarações de vontade e consequentemente dos efeitos que o negócio visa produzir. sendo que o negócio valerá com o sentido subjectivo. Posição adoptada pelo nosso código no artigo 236º/1. 96 . o intérprete deve investigar através de todos os meios adequados a vontade real do declarante. ou seja. teria conhecido e figura-se em raciocínios sobre essas circunstancias.html negócio mais claro ou outro qualquer efeito – artigo 223º/2. Trata-se da posição mais justa. O negócio jurídico contem uma ordem normativa. acto determinante ou conteúdo da vontade real – fonte geradora de efeitos jurídicos. Posições objectivistas: o intérprete não procura a vontade real do declarante. Interpretação: actividade dirigida a fixar o sentido e o alcance dos negócios. Trata-se de uma interpretação normativa e não de uma interpretação psicológica. como o teria feito um declaratario razoável. colocado na posição concreta do real destinatário lhe atribuiria. Ela não pode ser abandonada ao senso empírico. # I – Interpretação dos negócios jurídicos: (não confundir com interpretação das leis artigo 9º).http://apontamentosdireito. as partes. vai-se considerar o real declaratário nas condições concretas em que se encontra e com os elementos que conhece.atspace. c) Inobservância de forma voluntária: a sua inobservância não tem quaisquer consequências. pela qual. é também a mais fácil. Para haver declaração a interpretar temos de estar no domínio da autonomia da vontade privada das partes que tem: a) Elemento subjectivo: acto de vontade.

defende-se o princípio de que na dúvida deve intrepertar-se contra o emitente das condições gerais pré-ordenadas. Admite-se. 97 . torna-se necessário que seja possível a sua imputação ao declarante.com/index. no entanto. no entanto. A consequência.html Este sentido que corresponde à impressão do destinatário sofre. Este deve escolher os meios convenientes para exprimir um sentido que não seja reconhecido ou cognoscível pelo declaratario. é a falsa demonstrato non nocet – artigo 238º/2.http://apontamentosdireito. que este pudesse razoavelmente contar com ele – artigo 236º/1 parte final. Considera-se que só seja justificado fazer responder o declarante por um sentido que não deu à declaração. Esta teoria da impressão do destinatário envolve um ónus da adequada manifestação da vontade por parte do declarante. prevalecendo nos negócios gratuitos o sentido menos gravoso para o disponente e nos onerosos o que conduzir ao maior equilíbrio das prestações. as limitações para os negócios formais previstos no artigo 238º/2. pois o que temos é um problema de vício de forma (o sentido não está formalizado) cuja sanção correspondente é a nulidade – artigo 220º. o sentido querido pelo declarante releva mesmo quando a declaração é ambígua ou inexacta se o declaratario conhecer o seu sentido. defende Manuel de Andrade é a nulidade em sede interpretativa. Outra excepção é a consagrada no artigo 236º/2. sendo a declaração ineficaz.atspace. Quando a interpretação leve a um resultado duvidoso. se este sentido lhe era imputável  limitação subjectivista. de acordo com a máxima julsa demostratio non nocet estabelece que sempre que o declaratario conheça a vontade real do declarante. se o declarante se move em circunstâncias especiais deve tomar a iniciativa de se expressar convenientemente para o sentido ser correctamente apreendido. não pode valer se não tiver um mínimo de correspondência. mesmo no caso de impropriedade das expressões utilizadas. no entanto uma limitação (defendida por Larenz e Ferrer Correia): para que tal sentido possa relevar. Assim. Não haverá declaração negocial se faltar a vontade de acção – artigo 246º. Nos contratos de adesão. A doutrina tradicional sofre certos desvios que se traduzem: a) Maior objectivismo: é o que sucede nos negócios formais. deveremos atender ao artigo 237º. Se. Assim. Nestes o sentido objectivo corresponde à impressão do destinatário. que um sentido não traduzido no documento possa valer desde que: Corresponder à vontade real e concordante das partes. no entanto. a duvida for insanável devemos aplicar por analogia o artigo 224º/3. no texto do documento – artigo 238º/1. embora imperfeita. Tendo em atenção. isto é. é de acordo com o ultimo que vale a declaração.

que a vontade assim reconstituída tenha um mínimo de correspondência. elementos ou circunstâncias estranhas aos termos do testamento. nem resultantes de disposição legal imperativa ou supletiva. Já haverá nulidade do testamento se o testador usou termos numa acepção extravagante que estava fora dos seus próprios hábitos de linguagem.html  Não oposição a essa validade das razões determinantes da forma do negócio (certeza e segurança ou interesses de terceiros) – artigo 238º/2 (parte final). ainda que alicerçado noutros meios probatórios.atspace. anotações pessoais. ou seja.http://apontamentosdireito. etc). mas exigida pela resolução do litigio entre as partes e que estas deveriam ter previsto aquando do ordenamento negocial das suas relações. 3. 2.Admissibilidade das disposições testamentárias tácitas –artigo 217º/2. se se provar que A não tinha biblioteca e que utilizava essa expressão para significar garrafeira é valido esse legado  há aqui um mínimo de correspondência no testamento.com/index. Limitação dada pelo teor do documento que manifesta o carácter solene do negócio testamentário – artigo 2187º/2. mas dá para perceber). no entanto. inteiramente fora dos usos gerais da língua. Com a excepção de no testamento constarem outras referencias que levem a considerar (clarificar) patente o significado extravagante ou o erro (na ultima hipótese rege o artigo 2203º) exemplo: A quis deixar os seus bens a Clara e escreveu (a quem eduquei). o juiz dever-seá afastar da vontade hipotética quando a solução que as partes teriam estipulado contrarie os ditames da boa fé. b) Maior subjectivismo: é o caso das disposições testamentárias. ainda que imperfeita no contexto. Podemos retirar deste artigo as seguintes conclusões: 1.O testador pode utilizar no testamento um termo numa acepção pessoal. Na pesquisa desta vontade do testador é admitido o recurso à prova complementar. ou incorreu em erro na declaração. No entanto. fundadas em qualquer dos meios de prova geralmente admitidos (esclarecimentos orais ou escritos. a vontade que teriam tido caso tivessem previsto o ponto omisso. Na sua interpretação consagra-se o sentido subjectivo. estando esta condicionada pelo contexto do testamento – artigo 2187º o significado decisivo é o que o testador quis dizer. em que vale a vontade real do testador.Invalidade de um sentido contrário ao texto do testamento. Esta integração deve ser determinada para cada negócio e não para os vários tipos de negócios. ou seja. mas desde que dê a entender por qualquer forma no testamento (com essa expressão entre aspas ou seguida de reticências) ou que se prove que a significação anómala era utilizada habitualmente pelo testador – exemplo: A diz que deixa a sua biblioteca a B. Integração dos negócios jurídicos: o problema é o de saber qual a regulamentação das questões não previstas pelas partes. Neste caso a declaração deve ser integrada de acordo com as exigências da boa fé (entenda-se boa fé objectiva) –regras de 98 . Exige-se. Nestes casos o artigo 239º remete em primeiro lugar para a vontade hipotética das partes. foi ele quem a educou durante 15 anos escreveu “ se se apurar que a única pessoa que A educou foi Clara é patente que A queria referir-se a Clara e aí já surgirá efeitos) (o exemplo está meio confuso.

As próprias normas supletivas poderão.com/index. daí o artigo 239º referir “na falta de disposição legal”. No entanto.Noções gerais: normalmente há coincidência entre a vontade (elemento interno) e a declaração negocial (elemento externo). ou seja. há uma divergência entre a vontade hipotética e a vontade real. mesmo que se prove que no momento do contrato A teria vendido e B teria comprado mais esses 0.html honradez e honestidade que as partes devem pôr na celebração e conclusão dos negócios. Certos problemas. não pode ir contra o que está expressamente no contrato. se a questão tem sido abordada. não pode agora pretender-se a entrega de uma tonelada e meia pelo mesmo preço. # Divergência entre a vontade e a declaração: I.5 toneladas. b) Na formação da vontade: a vontade não foi formada livre e esclarecidamente. em casos excepcionais. havendo norma supletiva não há verdadeiramente uma lacuna. não se aplicar por contrariarem o comando da boa – fé – artigo 334º. mesmo que seja evidente a prova da vontade hipotética das partes não podem ser equacionadas e resolvidos em sede de integração. Assim.atspace. pode haver dois tipos de vícios: a) Na formulação da vontade (divergência entre a vontade real e a declaração – entre o querido e aquilo que foi declarado. Intencional Simulação Reserva mental Declarações não sérias Não intencional Erro. Divergência entre a vontade real e a declaração pode ser: a) Intencional: quando o declarante emite. (…) Falta consciência do dec Coação física 99 .http://apontamentosdireito. exemplo: A vende a B uma tonelada de açúcar pelo preço de x. A integração não pode conduzir a uma ampliação do objecto negocial que foi pretendido pelas partes. tudo porque o direito supletivo obedece à resolução de interesses gerais e porque esta vontade hipotética não é verdadeiramente manifestada por qualquer das partes. consciente e livremente uma declaração com um sentido objectivo diverso da sua vontade real b) Não intencional: quando o declarante não se apercebe da divergência ou porque é forçado irresistivelmente a emitir uma declaração diferente da sua vontade real. É de referir que há prioridade da aplicação do direito supletivo sobre o problema da integração negocial.

Cobre o interesse contratual negativo ou interesse da confiança. repondo o declaratario lesado na situação em que estaria se não tivesse concluído o negócio.atspace. como tal. Começa o declarante a responder pela aparência exterior da sua vontade. Releva ainda o interesse geral do comércio jurídico que aponta para a segurança e celeridade no tráfego e. Não são idênticas as soluções mais razoáveis específicas de cada uma das várias divergências entre o “querido” e o “declarado”. I – A simulação:  Noção e elementos: trata-se da principal divergência entre a vontade real e a declaração negocial. ao que foi exteriormente manifestado. d) Teoria da declaração: dá relevo fundamental à declaração. mas no caso de dolo ou culpa do declarante . 100 . b) Teoria da culpa in contrahendo: acrescenta à teoria anterior a obrigação de indemnizar por parte do declarante se houve ou dolo deste e boa fé do declaratario. no entanto. c) Teoria da responsabilidade: assenta na teoria anterior. estando o declaratário de boa – fé o negócio é válido. limita a doutrina da confiança apenas aos casos em que o declaratario confiou efectivamente nesse sentido (exclui-se os casos em que ele confiou num terceiro sentido) Não há. apontando para a invalidade do negócio. terceiros aos quais podem derivar direitos ou que podem ter adquirido direitos quer do declarante. Interesses fundamentais para a validade e produção dos efeitos da declaração. como se de facto a tivesse querido. Há a pretensão da protecção das legítimas expectativas. Teorias que visam resolver o problema: a) Teoria da vontade: defende a invalidade do negócio logo que haja uma divergência entre a vontade e a declaração sem necessidade de mais requisitos – Savigny. 3. para as legitimas expectativas do declaratario.A mais extrema em que há uma adesão rígida à expressão literal.html Analisemos o aspecto teleológico dos interesses em jogo: O Interesse do declarante reclamando o principio da autonomia da vontade aponta para a sua não vinculação ao sentido objectivo da declaração que não coincide com a sua vontade real. a divergência só produz a invalidade se for conhecida ou cognoscível do declaratário.com/index. 2.A doutrina da aparência eficaz. Ihering.http://apontamentosdireito. com as seguintes modalidades: 1. O interesse de terceiros também concorre aqui. quer do declaratário. uma teoria que se possa aplicar às várias modalidades de divergência.A chamada doutrina da confiança. Tal como para a auto – responsabilidade do declarante. O interesse do declaratário aponta para a tutela da confiança e para a irrelevância da divergência.

Simulação fraudulenta: há não só o intuito de enganar terceiros. ainda que a simulação seja fraudulenta como resulta do artigo 242º/1. até pelos próprios simuladores. sem os prejudicar (animus decipiendi). exemplo 2 – venda de imóvel simulado um preço inferior ao real para prejudicar a fazenda nacional ou simulando um preço superior para prejudicar um preferente. chamado acordo simulatório.com/index. pode ser deduzida tanto por via de acção como por via de excepção artigo 287º/2. usucapião. Por detrás do negócio simulado há um negócio dissimulado ou oculto. pode ser arguida a todo tempo quer o negócio esteja ou não cumprido. exemplo: venda efectuada por um devedor a um comprador fictício. tudo para crer a C e D. c)Intuito de enganar terceiros. No caso da simulação. Nulidade que pode ser invocada por qualquer interessado. seus vizinhos. Efeitos da simulação absoluta: a simulação importa a nulidade do negócio simulado – artigo 240º/2. A doa a B um faqueiro de prata havendo entre eles acordo de devolução.http://apontamentosdireito. Simulação relativa: as partes fingem celebrar um certo negócio jurídico e na realidade querem um outro negócio jurídico de tipo ou conteúdo diverso. Simulação absoluta: as partes fingem celebrar um negócio jurídico e na realidade não querem celebrar nenhum negócio jurídico. não poderá haver. de forma a enganar os seus credores. pois o adquirente é um possuidor precário – artigo 1253º/c – com a excepção do artigo 1290º. Divergência procedente de acordo entre o declarante e o declaratario e determinada pelo intuito de enganar terceiros – artigo 240º/1. Temos três elementos: a) Intencionalidade da divergência.html Simulação: é a divergência intencional entre a vontade real do declarante e a declaração negocial. Há apenas o negócio simulado e por detrás dele nada mais. regra geral. Modalidades e seu regime: Simulação inocente: há apenas um mero intuito de enganar terceiros. como também o de os prejudicar ou de contornar uma norma legal imperativa (animus nocendi). Modalidades da simulação relativa: 101 . Realizada sobretudo por razões sociais (ex. Apenas os interesses de terceiros de boa fé que tenham confiado na validade do negócio exigem ponderação. de acordo com o artigo 286º.atspace. que A é muito rico)  é rara. Aqui não há que defender as expectativas do declaratário já que este tem conhecimento e intervém no acordo simulatório. b) Acordo entre declarante e declaratario. etc.

Assim. A está interessado num bem que B não lhe vende. Objectiva: é simulado o conteúdo do negócio e pode ser: Sobre a natureza do negócio: o negócio simulado é de um tipo jurídico diverso ao negócio dissimulado (ex. Admite-se uma excepção para o caso de as partes fazerem constar das declarações uma contradeclaração – um escrito de reserva com os requisitos formais exigidos para 102 .html Subjectiva: são simulados os próprios sujeitos do negócio jurídico. não há simulação mas um mandato sem representação . Quanto ao negócio dissimulado aplica-se o artigo 241º e este será objecto do tratamento jurídico que lhe caberia se tivesse sido concluído sem dissimulação. Sobre o valor do negócio: há divergência relativa ao quantuum da venda. finge-se uma venda e quer-se uma doação). mesmo que a outra parte saiba que o interposto não actua em nome próprio – artigo 1180º. Baseia-se no argumento literal da lei “só é válido se tiver sido observada a forma exigida por lei” nada dizendo para o caso de as razões de formalismo do negócio dissimulado se acharem satisfeitas com a observância de solenidades do negócio simulado e no argumento racional de que a forma legal não visa dar só a conhecer a trasmissao dos bens.com/index. fingiu – se um preço superior ou inferior ao preço real.atspace. vai acordar com C no sentido deste comprar o bem a A e depois lhos vender) – não havendo concluio entre os três sujeitos. mas para pagar uma só SISA os três sujeitos concordam em documentar numa só escritura uma só venda de A a C.http://apontamentosdireito. havendo concluio entre os três. mesmo que a sua forma fique satisfeita com as solenidades próprias do negócio simulado. é o que acontece com a interposição fictícia de pessoas: A quer dar um prédio a B. por força de um acordo entre ele e só um dos sujeitos (ex. mas finge doar a C para este posteriormente doar a B. Efeitos da simulação relativa: tal como a simulação absoluta. Não confundir com a interposição real: o interposto actua em nome próprio mas no interesse e por conta de outrem. o negócio simulado está ferido de nulidade – artigo 240º/2. Nesta questão a doutrina divide-se. quando o negócio dissimulado é de carácter formal: Doutor Mota Pinto defende que o negócio dissimulado será nulo por vicio de forma se este não respeitar o formalismo exigido. Efeitos da simulação quanto aos negócios formais: A lei estabelece um regime especial para os negócios formais no artigo 241º/2. o negócio dissimulado poderá ser válido e eficaz como poderá ser inválido consoante que aconteceria se o negócio tivesse sido abertamente concluído. mas também a coisa da sua transmissão. Pode-se fazer isto para fugir aos artigos 953º e 2196º (o interposto aqui é um simples “testa de ferro”)?????? Supressão de um sujeito real: faz – se uma venda de A a B e outra de B a C.

sofre uma apreciável restrição indirecta por força do artigo 394º/2 onde se estatui a inadmissibilidade da prova testemunhal no acordo simulatório e do negócio dissimulado. no entanto. Há como que um aproveitar da forma do negócio simulado sempre que esta coincidir com a forma do negócio dissimulado. b) os preferentes. Antunes Varela e Manuel de Andrade defendem uma outra posição.com/index. Algo que. c) os credores (mesmo que não haja insolvência – artigo 605º/1. Doutor Orlando de Carvalho.Conflito entre credores comuns do alienante simulado e credores comuns do simulado adquirente : Manuel de Andrade defende que se deve dar preferência aos últimos. O código não tem normas explícitas sobre estes conflitos.Conflito entre credores comuns do simulado alienante e subadquirentes do simulado adquirente : devem prevalecer os interesses dos últimos diz Manuel de Andrade.atspace. A nulidade do negócio simulado. por exemplo numa escritura pública tal traria a descoberto o negócio simulado e o notário não celebraria o negócio). estando inadmissíveis a prova testemunhal e a prova por presunções em virtude do artigo 351º (julgo). testemunhas.html esse negócio (algo que nos parece absurdo porque ao fazer isso. como quaisquer outros herdeiros podem arguir a nulidade dos actos simulados praticados pelo de cuiuis. Em vida do hereditando o artigo 242º/2 permite aos herdeiros agir em vida do autor da sucessão contra os negócios por ele simuladamente feitos com intenção de os prejudicar. Vejamos algumas hipóteses: 1. etc. A prova é quase restringida à prova documental e à confissão.Conflito entre subadquirentes do simulado alienante e subadquirentes do simulado adquirente: sendo aquisições tidas como válidas. presunções. Só que intervêm como sucessores do simulador e não como terceiros. São terceiros interessados na nulidade: a) fazenda nacional. Pires de Lima. não bastando que provoque graves prejuízos.http://apontamentosdireito. defendendo que o negócio dissimulado não deveria ser nulo se as razões que estão na base da exigência da sua forma ficarem satisfeitas com a observância das solenidades próprias do negócio simulado. podem ser invocadas por qualquer interessado e declarada ex officio pelo tribunal – artigo 286º. Prova da simulação: a prova do acordo simulatório e do negócio dissimulado por terceiros é livre. 103 . Após a morte do de cuius os herdeiros legitimários. Conflitos entre terceiros de boa fé: são possíveis conflitos entre terceiros que pretendem arguir a nulidade do negócio e terceiros cujos interesses exigem que o negócio seja considerado como válido. Legitimidade da invocação da simulação: o artigo 242º/1 atribui legitimidade aos próprios simuladores para a arguição da nulidade mesmo sendo a simulação fraudulenta.prevalece a venda mais antiga ou a que primeiro foi registada. 3. documentos. tal como todas as nulidades. trata-se de um problema de incompatibilidades entre direitos reais adquiridos do mesmo transmitente . 2. podendo ser feita por qualquer um dos meios admitidos na lei: confissão.

por exemplo nos casos em que se tenta dissuadir de um suicídio ou de um acto patrimonialmente ruinoso. Aqui aplicar-se-á a cláusula geral do abuso de direito – artigo 334º.  Apenas com intuito de enganar: ex. O negócio será. A declara a B fazer-lhe uma doação. O artigo 245º/2 estabelece um regime especial no caso da declaração ser feita em circunstâncias que induzem o declaratário a aceitar justificadamente a sua seriedade. São duas as notas que a definem: a) Emissão de uma declaração contrária à vontade real. no caso de ser nulo. b) Intuito de enganar o declaratário. didácticas. 104 . Na chamada graça malévola apesar de ter uma finalidade também jocosa ela é reserva mental e não declaração não seria porque se espera que a outra parte caia no engano. Terá. visto que excede os limites da boa fé e dos bons costumes a pretensão do declaratario no sentido da validade dessa declaração. salvaguardando. Aqui não há confiança a proteger.html Reserva Mental: o declarante emite uma declaração não coincidente com a sua vontade real. sem qualquer concluio com o declaratário. Fraudulenta: para além do intuito de enganar. os efeitos da simulação. tendo feito a declaração por julgar erradamente que a lei exige escritura pública para a venda do automóvel e que depois podia arguir a nulidade). A declaração negocial emitida com a reserva ocultada ao declaratario é. nulo se o declaratário teve conhecimento da reserva. visando enganar este. Neste caso a declaração também não tem qualquer efeito.http://apontamentosdireito. Não bastará para a relevância da reserva a sua cognoscibilidade. Existe uma excepção colocada pela doutrina. em principio válida. sem que na realidade tenha essa intenção. Declaração não séria: o declarante emite uma declaração não coincidente com a sua vontade real. sem o intuito de enganar qualquer pessoa. A declara comprar a B um automóvel para o enganar. Em principio carece de qualquer efeito – artigo 245º/1. Os efeitos desta figura são determinados pelo artigo 244º/2. Está prevista no artigo 244º/1. neste sentido Mota Pinto e Orlando de Carvalho. no entanto há responsabilidade do declarante pelo interesse negativo ou confiança – responsabilidade pré-negocial. no entanto. procedendo-se na expectativa de que a falta de seriedade não passe despercebida. cómicas. há ainda intenção de prejudicar (ex. Podem ser declarações jocosas.atspace. sendo necessário o seu efectivo conhecimento. publicitárias. não tendo intenção de fazer qualquer compra.com/index. etc. se o declaratário conhecia a falta de seriedade ou pelo menos esta era exteriormente perceptível. pois visa apenas dissuadir B do suicídio pela sua grave situação económica. porque não chega a haver uma verdadeira declaração. condições de justiça e de segurança do comércio jurídico e da confiança da contraparte. assim.

O artigo 246º estatui que o negócio não produz quaisquer efeitos. torcer o braço de alguém para o obrigar a assinar um papel). esta não produz quaisquer efeitos. Não havendo dever de indemnização a cargo do declarante. um indivíduo que entra num leilão e faz um gesto para cumprimentar alguém que é tomado como um lance sem que a pessoa se aperceba disso. porque não há um comportamento humano consciente e voluntário. não através de uma mera ameaça. III. II. sem ter consciencia dessa falta de coincidência – caso do lapsus lingual ou lapsus calami ou pelo chamado erro in predicando – atribuição às palavras de um significado diverso do seu sentido objectivo. no entanto.Erro na declaração ou erro-obstáculo: o declarante emite a declaração divergente da vontade real. ao contrário da coação absoluta em que o coagido não pode combater esse mal. exigindose para a anulação que o declaratário conhecesse ou não devesse ignorar a essencialidade para o declarante do elemento sobre que incidiu o erro. mas não completamente excluída. mas pelo emprego de uma força física irresistível que o instrumentaliza e o leva a adoptar o comportamento (ex. No caso de erro – obstáculo o princípio geral consta do artigo 247º. A coação física. ex.http://apontamentosdireito. o declaratario tem o direito a ser indemnizado pela chamada responsabilidade pré-negocial. comporta. mas ele acena com a mão à mesma e isso é tomado como um lance pelo leiloeiro). ao contrário do erro – obstáculo não há qualquer comportamento por parte do sujeito a quem a declaração é atribuída (A faz-se passar por B fazendo um negocio e falsificando a sua assinatura) – esta hipótese estará sob o artigo 246º através de uma aplicação analógica . Distingue-se da coação relativa.atspace. sendo forçado a dizer ou a escrever o que não quer. no caso do leilão se o amigo que ele quer cumprimentar nem sequer estiver virado para ele. o negócio será no entanto eficaz relativamente ao declarante aparente se este o aprovar – falsa demonstratio non nocet. É diferente das chamadas declarações sob o nome de outrem – nestas. nos termos do artigo 246º a ineficácia da declaração negocial.Coação física ou coacção absoluta: o declarante é transformado num autómata.Falta de consciência na declaração: o declarante emite uma declaração sem sequer ter a consciência (a vontade de fazer uma declaração negocial. mas sim involuntário e mesmo reflexo.com/index. Algo que Larenz e Canaris chamam de responsabilidade por uma aparência jurídica (ex. no fim do artigo 246º que se o declarante tiver culpa na falta de consciência da declaração.html Divergências não intencionais entre a vontade e a declaração: I. Mota Pinto critica este requisito dizendo que facilita os interesses do declarante para anular o negócio. podendo até faltar completamente a vontade de agir) – ex. Algo que a doutrina Alemã não aceita calmamente. sacrificando-se em demasia os interesses do 105 . Estabelece-se. porque nesta a liberdade está cercada. negócio em estado de sonambulismo.

Erro na transmissão da declaração: hipótese prevista no artigo 250º que o regulamenta o seu nº1 nos mesmos termos do erro – obstáculo. o declarante deve 106 . No entanto. Mota Pinto transporta as suas críticas face ao erro – obstáculo nos mesmo termos para este regime. ou seja. Existe uma excepção estabelecida no artigo 250º/2 – admitindo-se a anulação sempre que o intermediário emite intencionalmente. Falamos neste caso de dissenso. Mota Pinto defende que nalguns casos. O dissenso pode resultar de uma falta de acordo dos sentidos objectivos (ex. No artigo 248º consagra-se uma excepção no caso do declaratario aceitar o negócio como o declarante queria a anulabilidade fundada em erro não procede. No entanto. b) Que é nulo – Castro Mendes. dizendo que se deveria ir mais além exigindo o conhecimento ou a cognoscibilidade do erro.http://apontamentosdireito. o problema não se resolveria em sede de erro – obstáculo. Se o erro é apenas cognoscível o caso será resolvido em sede de erro – obstáculo se for relevante o que tornará o negócio inválido e será resolvido em sede interpretativa se o erro é irrelevante. em que a aplicação do artigo 247º lese com extrema injustiça os interesses do declaratario. Deslocar-se-ia para uma área de validade. é anulável se o declaratario conhecesse ou não devesse ignorar a essencialidade para o declarante do elemento sobre que incidiu o erro. poder-se-ia obstar à anulação com base em abuso de direito – 334º. no entanto. haver acordo dos sentidos objectivos mas desacordo entre as vontades reais: a) Uma só das partes atribuiu à sua declaração um sentido diverso do que tem objectivamente – aplica-se a doutrina do erro – obstáculo. c) Que ele não foi concluído porque não houve acordo nos termos do artigo 232º. mas em sede interpretativa – artigo 236º/2. Oliveira Ascensão e Carvalho Fernandes. com dolo uma declaração diversa da vontade do declarante. A declara vender x e B declara comprar y) como consequência há quem defenda que: a) O negócio é inexistente – Mota Pinto.html declaratario e os do comércio jurídico.com/index. Aqui o dissenso tem interesse autónomo. ou seja. deixando uma área de invalidade do artigo 247º. se o erro fosse conhecido. (ver o artigo 248º). b) Cada uma das partes atribui ao negócio um sentido diverso não coincidente com o seu teor objectivo – hipótese acima transcrita. Mota Pinto defende que a declaração é anulável sem a exigência dos requisitos do artigo 247º.atspace. Pode. Pode haver o caso em que o declaratário compreendeu um terceiro sentido que não coincide com o querido pelo declarante nem com o sentido declarado. Segundo o artigo 249º o erro de cálculo ou escrita revelados no contexto da declaração ou nas circunstâncias que a acompanham não dão lugar à anulabilidade mas apenas à rectificação do negócio.

com/index. 251º 107 . # Vícios da vontade: Generalidades: trata-se de perturbações do processo formativo da vontade negocial. de tal forma.html suportar o risco de uma transmissão defeituosa ou de uma deturpação ocorrida enquanto a declaração não chega à esfera do declaratario. A contrata com B julgando que este é C. Há divergência entre a vontade real e a vontade hipotética. face à pequena diferença o negócio deve-se considerar válido e o declarante deve suportar esse risco). A contrata com B julgando que o contrato tem os efeitos de locação quando afinal tem os efeitos de uma venda a prestações). a compra de 18. A alteração anormal das circunstâncias constitui fundamento de resolução ou modificação do contrato previstos os pressupostos / 437º (não é erro). É o que os Alemães chamam de erro – motivo “Motivirnt” (ta mal a palavra em alemão!).http://apontamentosdireito. A compra um terreno julgando erradamente que ele tem água). que esta. (…) Modalidades: a) Erro sobre a pessoa do declaratario: erro sobre a identidade e erro sobre as qualidades (exs. o declarante diz o que queria dizer mas isso está inquinado por uma má formação da vontade. embora concorde com a declaração é determinada por motivos considerados como ilegítimos. Se ele conhecesse os termos e circunstâncias do negócio jurídico não tomaria essa decisão mas uma outra ou então nem tomaria decisão nenhuma. A contrata com B porque pensa erradamente que este é filho de um seu amigo) – artigo 251º b) Erro sobre o objecto do negócio: pode incidir sobre o objecto mediato sobre a identidade ou sobre as qualidades (ex.  O erro como vicio da vontade: Ignorância ou representação inexacta por parte do declarante de uma qualquer circunstancia de facto ou de direito que foi determinante na formação da sua vontade negocial de tal modo que se ele estivesse esclarecido acerca dessa circunstancia não teria realizado o negócio ou não o teria realizado nos precisos termos em que o concluiu. telegrafista transmite em vez da compra de 20 cavalos. objecto imediato – sobre a natureza do negócio (ex. Distinção entre erro – vício / e erro obstáculo e / pressuposição: O erro – vicio é um erro na formação da vontade e diz respeito a circunstâncias anteriores ou contemporâneas à conclusão do negócio. O erro obstáculo é um erro na formação da vontade – há divergência entre vontade real e a declaração. Assim.atspace. (ex. Pressuposição: convicção por parte do declarante de que certa circunstância se verificará no futuro ou de que se manterá um certo estado de coisas.

Ele só é próprio quando incide sobre uma circunstância que não seja a verificação de qualquer elemento legal da validade do negócio. embora noutras condições. Na vigência do Código de Seabra a doutrina considerava ainda: a) Escusabilidade: necessidade de ausência de culpa da parte do errante. não obstante a anulação. Caso contrário o erro é incidental – influiu apenas nos termos do negócio pois o errante contrataria.html c) Erro sobre os motivos do negócio: é uma noção residual. segundo Cabral de Moncada e outros. Aqui o fundamento da invalidade não é o erro mas o requisito legal cuja deficiência vicia o negócio. Nele podemos integrar o erro sobre pessoa de terceiros e o erro sobre os fins ou objectivos de natureza subjectiva que motivam o declarante – artigo 252º. O erro será impróprio quando versa sobre os requisitos legais da forma negocial. Este erro não releva tal como não releva o erro indiferente em que mesmo sem ele o negócio teria sido concluído nos mesmos termos em que foi.etc ( no entanto o erro sobre as qualidades da pessoa do declaratario é já erro sobre a pessoa do negócio – ex. pois a situação do contraente não enganado já é tomada em conta ao permitir-se a anulação apenas quando se verifiquem certos requisitos especiais. sempre. b)Individualidade ou singularidade: quando fosse exclusivamente do errante e não de toda a gente em geral (Manuel de Andrade) afirmava o absurdo deste critério. incapacidade do declaratario.responsabilidade pré – negocial. mas que não se refira à pessoa do declaratário nem ao objecto do negócio. Face ao novo código este requisito é dispensável. O erro indesculpável ou grosseiro. os interesses da outra parte estão protegidos pelo artigo 227º . O erro tem de ser causa da celebração do negócio e não apenas dos seus termos – o erro é essencial se sem ele não se celebraria o negócio ou se celebraria um negócio com outro objecto ou de outro tipo ou com outra pessoa. tem que ter motivado a conclusão do negócio em si mesmo e não apenas nos termos em que foi concluído.atspace. não anularia o negócio. O Doutor Mota Pinto e também Carvalho Fernandes prevêm a redução do negócio segundo os termos da norma geral – artigo 292º. embora houvesse doutrina (Manuel Andrade e Ferrer Correia) que defendesse que a anulabilidade ocorreria mesmo no caso de erro culposo.http://apontamentosdireito. no caso de erro culposo. ou seja. capacidade do errante. Para o caso do erro incidental Mota Pinto defende a aplicação analógica do 911º sendo o negócio válido nos termos em que teria sido concluído sem o erro. b) Propriedade: o erro tem de ser próprio. já que quando o erro é comum a uma generalidade de pessoas é que mais 108 . Condições gerais de relevância do erro – vicio como motivo de anulabilidade: a) Essencialidade: o erro tem de ser essencial. No entanto. trata-se de um erro que recaia nos motivos determinantes da vontade.com/index.

com base no qual as partes fixaram os pressupostos da contratação. que anteriormente fizera para o erro na declaração. ou determina uma das partes e em que a outra não poderia deixar de aceitar o condicionamento do negócio sem violação dos ditames da boa fé. para o declarante do elemento sobre que incidiu o erro. Não sendo o artigo autónomo. sendo a sanção a da anulabilidade pois no caso de erro sobre a base negocial. como acontece nos demais erros vicio? Ou haverá lugar à resolução ou modificação do contrato nos termos da alteração superveniente das circunstancias do artigo 437º? . já que remete para o 437º. O erro sobre a base negocial é um vício na formação da vontade e não algo posterior. ou seja. representação mental de uma das partes. não é uma vicissitude surgida depois do negócio como acontece com a alteração superveniente das circunstâncias.atspace. no entanto. Não se faz qualquer delimitação das qualidades do objecto no artigo. desde que o declaratário conhecesse ou não devesse ignorar a essencialidade. reconhecida pela outra. o estado de coisas erradamente figurado é anterior ou contemporâneo do negócio. Nestes casos haverá lugar á anulabilidade nos termos dos artigos 437º a 439º.com/index. é necessário uma delimitação. b) 109 .ou seja. se o erro incidir sobre as circunstancias que constituem a base negocial.  Condições especiais de relevância do erro – vicio como motivo de anulabilidade Erro sobre os motivos: o artigo 252º/1 permite a anulação desde que haja uma cláusula verbal ou escrita. está na génese do negócio.http://apontamentosdireito. expressa ou tácita. se é de ouro ou de prata). Serão. esta remissão é para os pressupostos ou para os pressupostos e para a sanção? Mota Pinto defende que será só para os pressupostos. Em face do nosso código essa exigência é ainda mais indefensável. sobre a base das quais se funda a vontade do agente. até porque as pessoas contratam pelos mais diversos motivos. Mota Pinto mantém as suas críticas para este regime. Não basta ou conhecimento ou cognoscibilidade do erro pois tal daria lugar a bastantes litígios que se repercutirão na celeridade e segurança jurídicas. ou a representação comum de vários interessados acerca da existência ou ocorrência de determinadas circunstancias. Erro sobre o objecto do negócio: o artigo 251º prevê que o negócio será anulável nos termos do artigo 247º. por exemplo anular o negócio com fundamento no desconhecimento de um preço mais barato noutro local. pois seria absurdo. então qualidades do objecto: a) a constituição material do objecto (ex. erro relativamente ao qual se forma a base do negócio. coloca-se a questão: terá lugar a anulabilidade. no sentido de a validade ficar dependente da existência da circunstância sobre que versou o erro. O artigo 252º/2 estabelece um regime especial para certos casos de erro sobre os motivos. interpretavam à letra).html justificado se torna que o errante o possa invocar para a anulação do negócio. ou seja. erro normalmente bilateral sobre as condições fundamentais do negócio jurídico que determinam ambas as partes. (invocavam o artigo 664º do código de Seabra.

ou quando tenha lugar a dissimulação pelo declaratario ou por terceiro do erro do declarante. quem provocou o erro poderá incorrer em responsabilidade civil. no entanto se o negócio não estiver cumprido pode ser invocada a todo tempo. há um dever de elucidar por força da lei. Não será. bem como a dissimulação quando o dever de elucidar o declarante resulta de lei. No entanto. Não há dolo no caso de erro provocado por informações inexactas sem intenção ou consciência de enganar. Só é relevante como fundamento de anulabilidade e de responsabilidade o dolus malus. remetendo a sua anulabilidade para os termos do artigo 247º. de estipulação negocial ou das concepções dominantes no comércio jurídico. 110 . se o objecto é usado ou não). estipulação negocial ou das concepções dominantes do comércio jurídico.atspace. segundo o mesmo artigo as sugestões ou artifícios usuais considerados legítimos segundo as concepções dominantes no comércio jurídico (exemplo. A diz a B que o lote de acções vai subir proximamente – é algo que qualquer vendedor diz e se o comprador cai é porque é ingénuo). c) pode ser sanada por confirmação (…) Artigos 287º e 288º # O Dolo: A noção de dolo consta do artigo 253º/1. Existirá dolo quando se verifique o emprego de qualquer sugestão ou artificio com a intenção ou consciência de induzir ou manter em erro o autor da declaração – dolo positivo ou comissivo. embora com negligência.com/index. portanto dolo.html as condições factuais ou jurídicas que pela sua natureza e duração evoluem no valor ou no préstimo desse objecto (ex. Trata-se de um erro determinado por um certo comportamento da outra parte. na mesma maneira que o erro sobre o objecto do negócio acima analisado. Erro sobre a pessoa do declaratario: está igualmente previsto no artigo 251º. Anulabilidade de todos eles: a) só pode ser invocada pelo errante. Dolus malus: sugestões ou artifícios que alguém emprega com a intenção ou a consciência de conduzir ou manter em erro. que não são usuais.http://apontamentosdireito. concepções imperantes no comércio jurídico – artigo 253º/2. enganado. b) só pode ser invocada no ano subsequente à cessão do vicio. Modalidades: Dolus bonus: sugestões ou artifícios usuais e toleráveis (considerados legítimos). de estipulação negocial das partes ou das concepções dominantes do comercio jurídico e o declaratario ou terceiro não o fazer – dolo negativo ou omissivo. Segundo o artigo 253º/2 só haverá dolo quando exista dever de elucidar por força da lei. coacto ou incapaz.

Não é necessário que o dolo seja unilateral. por força do negócio directamente algum direito (clausula a seu favor). Não conduzirá este dolo necessariamente a anulação como defendeu Mota Pinto anteriormente para o erro – vício. mas noutras condições. sem dolo não se teria concluído qualquer negócio. 111 . Antunes Varela. 2 – se o terceiro beneficiário não foi o autor do dolo o negócio é anulável em relação a ele se ele conhecia ou não devia ignorar o dolo. b) Tem de ser essencial ou determinante (o erro é que tem que ser essencial) c) Ser dolo positivo ou negativo (tanto faz) d) Intenção de enganar o declarante de forma a induzi-lo ou a mante-lo na situação de erro – artigo 253º/1. 12 Se o dolo é exercido por um representante do declaratario ou por seus agentes a situação será tratada como dolo do declaratário. Neste caso.  Efeitos: o principal efeito do dolo é a anulabilidade do negócio – artigo 254º/1. neste sentido Mota Pinto. . 1.Se o declaratario conhece ou lhe foi cognoscível o dolo de terceiro o negócio será totalmente anulável – artigo 254º/2 (1ª parte) .Dolo de terceiro – artigo 254º/2: Aplicam-se todos os outros requisitos e ainda: . neste sentido12 Castro Mendes e Carvalho Fernandes. com o seu comportamento contrário as regras da boa – fé.Se o declaratário não conheceu. o negócio é anulável dando lugar também a responsabilidade prénegocial. durante os preliminares e a formação do negócio – artigo 227º responsabilidade pelo dano da confiança.Dolo do declaratário: a) Tem de ser dolus malus – artigo 255º/2 a contrario sensu. Dolo essencial: o enganado foi induzido pelo dolo a concluir o negócio em si mesmo e não apenas nos termos em que foi concluído.atspace.com/index. Outros autores falam de responsabilidade extra negocial por factos ilícitos – artigo 483º ss. Dolo incidental: o enganado apenas foi influenciado quanto aos termos do negócio. ele contrataria sempre.http://apontamentosdireito. Vaz Serra. Dolo fraudulento: há intuito ou consciência de prejudicar. mas acresce a responsabilidade pré-negocial do autor do dolo por ter dado origem à invalidade. . Pires de Lima. o próprio dolo bilateral pode ser invocado como fundamento de anulação – artigo 254º/1 (parte final).se o terceiro beneficiário foi o autor do dolo o negócio é anulável em relação a esse sujeito mas não é anulável face ao declaratario – invalidade parcial.html Dolo inocente: não há intuito enganatório. nem devia conhecer o dolo de terceiro o dolo só releva se ao terceiro adveio.

esta pode resultar: c1) Ilegitimidade dos meios empregues (ex. quando lhe foram deixadas possibilidades de escolha. É. Não há coacção se há apenas a ameaça de um direito para conseguir a satisfação ou garantia de um direito existente – artigo 255º/3. etc. havendo lugar. Só cairemos no âmbito da coacção física ou absoluta quando a liberdade exterior do coagido é totalmente excluída e ele é utilizado como verdadeiro autómato – exemplo assinatura de um documento com a mão a ser conduzida por outrem com força irresistível). então. embora a submissão à ameaça fosse a única escolha possível. Coação exercida por terceiro: Provoca a anulabilidade do negócio e põe a cargo do coactor uma obrigação de indemnizar o declarante e o declaratário se este não for cúmplice do terceiro. honra ou à fazenda do declarante ou de terceiro – artigo 255º/2 A coacção moral origina a anulabilidade do negócio – artigo 256º. só será anulável se: a) Que se trate de uma coação essencial ou principal. receio de um mal de que o declarante foi ilicitamente ameaçado com o fim de obter dele a declaração.http://apontamentosdireito. para conseguir vantagens indevidas. a lei no artigo 255º/1 exclui o chamado temor reverencial . também duma ameaça de exercício abusivo extrajudicial de um direito exemplo: doação por um paralítico a quem ameaça abandona-lo). penhora.com/index. a perturbação da vontade traduzida no medo resultante de ameaça ilícita de um mal com o intuito de extorquir a declaração negocial. Só há vicio quando a liberdade do coagido não foi totalmente excluída. ameaça de agressão.html  A coacção moral: consta do artigo 255º/1.receio de desagradar a certa pessoa a quem se deve respeito ou de quem se é dependente.atspace. mesmo que o autor da ameaça não pretenda senão a satisfação do seu direito) c2) Ilegitimidade dos fins (ameaça de recurso às vias de direito como participação criminosa. mesmo no caso de ameaça com arma de fogo ou no caso de emprego da violência física como começo para compelir o negócio estaremos face a coação moral ou relativa. São exigidos para esta coação os requisitos da coacção do declaratario e ainda: 112 . b) Intenção de extorquir a declaração – artigo 255º/1 e que a declaração tenha sido efectivamente extorquida – 256º/1 (1ª parte) c) Ilicitude da ameaça – artigo 255º/1. de morte. A ameaça pode dizer respeito à pessoa. Não basta o simples medo ou receio. o seu conceito. Assim. segundo Mota Pinto a responsabilidade pré – negocial do coactor – artigo 227º Coação exercida pelo declaratário.

Requisitos subjectivos:  a) . algo que é apreciado objectivamente. Na anulabilidade começa a contar o prazo não a partir do momento em que é feita a ameaça.  Efeitos: o estado de necessidade deve subsumir-se ao artigo 282º onde se estatui a anulabilidade dos negócios usurários. ligeireza.atspace. que confere à outra parte benefícios excessivos ou injustificados. à capacidade de resistência do tipo médio de indivíduo com as condições pessoais do declarante. Neste caso parte da doutrina diz que ao faze-lo ele está a contribuir para a situação de perigo prolongando-a. médico que o é obrigado pelo seu código deontológico).http://apontamentosdireito. mas em relação aos vários tipos de indivíduos. estará nesse caso a ameaçar daí ser considerado também coacção moral. ou um imperativo moral de auxilio. No caso da pessoa que se aproveita conscientemente da situação de necessidade ter o dever de auxiliar o necessitado (ex. só o prestando depois de exigir uma retribuição a que não tinha direito). desproporção manifesta entre as prestações que ultrapasse o que pode ter alguma justificação. mas a partir do momento em que cessa a ameaça. Trata-se de um regime “menos apertado” que o dolo. isto porque se o coagido não poder invocar a coacção não poderá invocar outro vício da vontade. se este não poder ser invocado. Confronto com a coação: pode gerar confusão quando o estado de necessidade for ocasionado por um facto humano (ex. Requisitos objectivos:  benefícios excessivos ou injustificados. No caso de ameaça de recorrer a vias judiciais (Capelo de Sousa defende que a ameaça termina a partir da sentença da 1ª instancia). dependência. 113 . estado mental ou fraqueza de carácter. ao contrário da coacção em que a situação é criada pelo coactor.situação de necessidade. médico. inexperiência . enquanto que no dolo. Há aqui um aproveitar-se da situação. sendo que quem se aproveite não provoca essa situação. deve-se atender à viabilidade da sua execução. #  O Estado de Necessidade: situação de receio ou temor gerada por um grave perigo que determina o necessitado a celebrar um negócio para superar o perigo em que se encontra. b) (e)Justificado receio da consumação do mal. alguém que tinha o dever jurídico ex.com/index. O facto que lhe dá origem pode ser natural ou humano. b) – conhecimento da situação de inferioridade e aproveitamento consciente para dela tirar benefícios.html a) (d)Ameaça de um mal grave. há sempre possibilidade de invocar o erro simples.

Prevê-se a anulabilidade desde que se verifique um requisito: a notoriedade ou o conhecimento da perturbação psíquica. c) O modo: cláusula acidental.atspace. o disponente impõe ao beneficiário a obrigação de adoptar um certo comportamento. Saber se uma condição é suspensiva ou resolutiva é um problema de interpretação do negócio jurídico.html Mota Pinto defende ainda que tais negócios deverão ser nulos com fundamento em contrariedade à lei ou ofensa aos bons costumes – artigo 280º. b) O termo: subordinação pelas partes do negócio jurídico a um acontecimento futuro de verificação certa. a confiança do declaratário.http://apontamentosdireito. no interesse do disponente.com/index. desta forma. b) Falta de livre exercício da vontade. mas cessam a partir de certo tempo. Termo resolutivo: os efeitos produzem-se desde logo. Existem duas modalidades: condições suspensivas: à verificação da condição fica subordinada a produção dos efeitos do negócio. tutelando-se. Elementos acidentais dos negócios jurídicos: a) A condição – artigo 270º : subordinação pelas partes do negócio jurídico a um acontecimento futuro de verificação incerta. # Incapacidade acidental: o artigo 257º prevê duas modalidades: a) Incapacidade de entendimento. Ordem pública – conjunto de princípios fundamentais subjacentes ao sistema jurídico que o Estado e a sociedade estão interessados em que prevaleçam. Essa notoriedade é avaliada nos termos do artigo 257º/2 pelo princípio do bónus pater famílias. de boa – fé num dado ambiente e num dado momento. abrangendo o conjunto de regras éticas aceites pelas pessoas honestas. Condições resolutivas: a verificação da condição importa a destruição dos efeitos negociais. pela qual nas doações e liberalidades testamentárias. Bons costumes – variam com os tempos e lugares. ↔ 114 . Existem duas modalidades: termo suspensivo: neste caso fica subordinada a própria produção dos efeitos do negócio jurídico nos termos do 278º. correctas. Noção variável ao longo dos tempos. de terceiro ou do próprio beneficiário – artigos 963º e 2244º.