http://apontamentosdireito.atspace.com/index.

html

TEORIA GERAL DO DIREITO CIVIL 1ºSEMESTRE
Bibliografia Do 1º Semestre: Capelo de Sousa Do 2º Semestre: C.A. Mota Pinto

O conceito de direito civil: o direito divide-se em dois grandes grupos, direito público e direito privado, sendo que o direito civil se integra no direito privado. A distinção entre direito público e direito privado: Critérios de distinção: o I – Um primeiro critério assenta na natureza do interesse protegido pelas normas, a chamada teoria dos interesses (interessentheorie). A norma seria de direito público quando o fim da mesma fosse a tutela de um interesse público, ou seja, um interesse da colectividade. A norma seria de direito privado quando visasse tutelar um mero interesse particular.  Críticas: a maior parte das normas jurídicas tanto de direito privado como de direito público visam proteger simultaneamente interesses públicos e interesses dos particulares. Assim, por exemplo, as normas que regulam o funcionamento e actuação do Estado, embora tutelando interesses gerais da comunidade, visam o bem dos homens concretos dessa comunidade. Por outro lado as normas de direito privado não se dirigem apenas à realização do interesse dos particulares, visando quase sempre interesses públicos (exemplo, art.875º cc.) que sujeita as vendas de imóveis a escritura pública, para além de defender as partes contra a sua precipitação realiza o interesse público de segurança do comércio. Só seria aceitável se exprimisse uma cota tendencial: o direito público tutelaria predominantemente interesses da colectividade e o direito privado tutelaria predominantemente interesses dos particulares (Marcelo Caetano): natureza do interesse prioritariamente tutelado; Ainda assim não seria aceitável porque em muitos casos não se sabe qual o interesse predominante (ex.registo predial). Há normas pacificamente classificadas como de direito privado e que visam predominantemente interesses públicos (normas imperativas).

1

http://apontamentosdireito.atspace.com/index.html

o

II – Um outro critério é o da posição relativa dos sujeitos da relação jurídica (subjektions theorie), o direito público regularia relações entre sujeitos que estão numa posição de supra-ordenação ou supremacia e outros de infra-ordenação ou de subordinação. O direito privado disciplinaria relações entre sujeitos numa posição relativa de igualdade ou coordenação.  Críticas: no direito público pode-nos surgir posições de igualdade ou coordenação (exemplo: relações entre dois municípios membros de uma associação de municípios);  No direito privado encontramos algumas relações jurídicas hierarquizadas (relação no poder paternal entre pai e filho (art. 1878º cc.) ou contrato de trabalho entre entidade patronal e trabalhador (art. 1152º); o III-Um outro critério é o da teoria dos sujeitos (subjektheorie) que assenta na identidade dos sujeitos. Seriam normas de direito público aquelas em que interviesse como sujeito activo ou passivo o Estado ou qualquer ente público. Seria de direito privado as que apenas interviessem particulares.  Críticas: os entes públicos podem intervir como particulares em muitos negócios jurídicos (ex. o Estado compra a um particular uma casa para lá instalar um serviço);  Os particulares podem relacionar-se entre si no âmbito do direito público (ex. concurso de acesso à função pública); o IV – O critério mais aceite é o da qualidade dos sujeitos, que é a versão moderna da teoria dos sujeitos. São normas de direito privado, as que regulam relações jurídicas entre particulares, ou entre particulares e o Estado ou outros entes públicos, ou entre entes públicos sempre que estes ajam despidos de poder de autoridade pública. São normas de direito público as que regulam relações jurídicas do Estado e outros entes públicos entre si, ou com os particulares quando os primeiros ajam munidos de poderes de autoridade pública, de soberania ou de império ius imperi.  Críticas: não dá base de sustentação para a integração no direito público das normas que regulam a organização e funcionamento das pessoas colectivas públicas e que são consideradas pacificamente normas de direito público; Deixa em aberto o que se entende por poder de autoridade pública. Existindo hoje várias funções do Estado, nomeadamente no campo da assistência social que não

2

http://apontamentosdireito.atspace.com/index.html

envolvem meios de autoridade, mas que também não mostram o Estado na veste de um particular (ex. rendimento mínimo garantido). O nosso ordenamento jurídico não estabeleceu um critério geral para determinar quais as normas de direito público e quais as de direito privado. Trata-se mais de um produto histórico, em que o ordenamento ao longo dos tempos foi fixando critérios diversos para determinadas relações jurídicas que foi integrando num ou noutro ramo. Noutros casos optou por interpolações mistas de direito público e de direito privado. No entanto há certas normas que nos permitem avançar na definição do critério: art. 501º cc: submete o Estado e demais entes públicos em matéria de responsabilidade civil decorrente do exercício de actividade de gestão privada ao regime do direito privado diferentemente do que acontece com actividade de gestão pública (critério da qualidade dos sujeitos). Artigo 1304º cc, que sujeita o domínio das coisas pertencentes ao Estado ou a outras pessoas colectivas públicas ás regras do código civil, só pertencendo ao domínio público do Estado os bens definidos e regidos por lei excepcional (art.84ºCRP) (critério da qualidade dos sujeitos). Em suma a nossa lei assume o critério da qualidade dos sujeitos da relação jurídica, embora hajam regimes mistos.  Alcance prático da distinção: 1. Satisfaz um interesse de ordem científica na sistematização e agrupamento das normas jurídicas; 2. Serve para determinar as vias judiciais competentes para a solução dos diferentes conflitos. Em casos de conflito de direito privado são competentes os tribunais judiciais e dentro destes os tribunais comuns em matéria civil, salvo quando houver matéria civil especializada (ex. tribunal de trabalho, tribunais de família e menores, tribunais marítimos). Em casos de conflito de direito público são competentes os tribunais administrativos e fiscais (arts. 211º e 212º CRP); 3. Responsabilidade civil, ou seja, a obrigação de indemnizar decorrente de uma actividade de órgãos ou agentes estaduais está sujeita a um regime diverso consoante os danos sejam causados no exercício de uma actividade de gestão pública ou privada. Ora, a actividade de gestão pública é a disciplinada pelo direito público e a de gestão privada pelo direito privado, daí a necessidade prática da distinção. Temos, assim efeitos legais próprios para o direito público distintos do direito privado.  Características do direito público e do direito privado: 1. Direito privado: vigora o princípio da liberdade em que é lícito tudo quanto não é proibido pela lei; Direito público: vigora o principio da competência ou da legalidade, onde só é lícito o que é permitido pela lei;

3

embora admitindo actos praticados apenas por comerciantes. sejam eles praticados ou não por comerciantes.http://apontamentosdireito.  O direito civil como direito privado geral comum: O direito civil é o núcleo fundamental do direito privado. de pendor objectivista: regula os actos de comércio. prevendo um regime jurídico diverso do regime regra que é o direito civil. no direito privado. mas tendo-o como direito subsidiário.atspace. 6. que ainda se encontra em vigor.com/index. este regulava um direito dos comerciantes. aplicável o direito privado. Muitas vezes o direito privado é de aplicação subsidiária face ao direito público.html 2. Em 1888 vamos ter um novo código. Ás relações entre o Estado e os particulares é. cuja jurisprudência muito contribuiu para a autonomização do direito comercial.122º). se deveria aplicar as leis das nações civilizadas. O direito comercial: desde cedo surgiram tribunais comerciais para os mercadores. 7. 3. Mas ser o núcleo fundamental não é ser todo o direito privado. em regra. regulados pelo direito privado.1304º cc). Direito público: predominância de normas imperativas (não podem ser afastadas pela vontade das partes). Direito público: regula um sector mais determinado de relações jurídicas. Os bens do Estado pertencem. Os contratos do Estado com os particulares são. o código de Veiga Beirão. Direito privado: é de certo modo um direito geral face ao direito público porque regula a generalidade das relações jurídicas. em regra. assim. ao domínio privado (art. 4. em princípio. Mas a autonomia 4 . Encontramos. dizendo que em matéria comercial. Mas a incerteza que daí advinha levou à publicação em 1883 do primeiro código comercial: o código de Ferreira Borges que era de pendor subjectivista. regras gerais no direito civil que se aplicam a esses ramos especiais do direito privado (ex. Assim. 5. Os direitos privados especiais: 1. só se aplicando o direito público quando a lei o determine. A lei da boa razão (1769) e os estatutos da Universidade de Coimbra (1772) distinguiam já o direito comercial do direito civil. só se aplicando o direito público quando a relação é dominada pela ideia de ius imperi. nos casos omissos. Com o evoluir da sociedade foram surgindo direitos especiais (subconjuntos unitários e sistematizados de normas jurídicas aplicáveis a determinados e delimitados sectores da vida humana. as que estão previstas na lei e se especializaram do tronco comum do direito que aparece ligado ao direito privado. menoridade art. Direito privado: predominância de normas supletivas (regras jurídicas que podem ser afastadas pela vontade das partes em sentido contrário). o direito civil é o direito – mãe (“Mutterrech”).

senão vejamos: a. ao contrario da fiança civil em que há o beneficio da excussão. c. Direito internacional privado: o DIP não regula directamente as questões que dividem as partes. 3. b. Há uma grande intervenção do Estado na relação laboral. sobretudo nas relações colectivas de trabalho. Este ramo tem ainda especialidades de jurisdição. c. d. como parte económica mais débil. em que é conciliador. mas pessoas com direitos e deveres. o fiador é o ultimo a responder pela dívida.etc. Há uma necessidade de maior regulamentação unitária de carácter internacional no direito comercial com a globalização da economia (ex. ou seja. daí ter nascido grande regulamentação que levou à autonomização deste ramo do direito privado. em que os conflitos laborais são resolvidos pelos tribunais de trabalho. livranças e cheques).com/index. sobretudo nos principais centros urbanos. como credor. simplicidade e rapidez na conclusão das transacções. trabalho de menores. b. O comerciante precisa também do reforço das suas garantias. Apenas nos indica qual a legislação 5 . bastante alterado depois do 25 de Abril que veio estabelecer modificações na duração do trabalho. Especialidade ainda de processo com mecanismos processuais próprios com o código de processo do trabalho. daí prevalecerem as normas que estabeleçam tratamento mais favorável para o trabalhador. de natureza onerosa. no direito de greve. ao contrário do direito civil onde coabitam os actos onerosos e gratuitos. intervindo nos conflitos entre as entidades patronais e os trabalhadores com armas como a requisição civil. Os actos jurídicos comerciais são.html do direito comercial justifica-se pelas necessidades próprias do comércio moderno. O direito do trabalho: com o avanço civilizacional os trabalhadores começaram a deixar de ser vistos como “criados”. O direito do trabalho compreende sobretudo as seguintes características: a. 2. daí o direito comercial ser menos exigente no que respeita à forma negocial. onde há uma contrapartida económica.48 de 24 novembro de 1969 que estabelece o regime jurídico do contrato individual de trabalho. Necessidade de facilidade.atspace. regra geral. O nosso código civil declara no artigo 1153º que o contrato de trabalho está sujeito a legislação especial – DL nº 49. leis uniformes para letras. higiene e segurança. igualdade entre homens e mulheres. etc. Intervêm ainda ao nível da previdência social. Tratamento e tutela do trabalhador.http://apontamentosdireito. exemplo o aval comercial em que se responsabiliza a pessoa que o dá ao mesmo tempo e ao mesmo nível do devedor podendo o credor executar o património de um ou outro.

Noutros casos há normas programáticas na Constituição que necessitam de desenvolvimento legislativo. Simultaneamente com várias ordens jurídicas estaduais. Daí que haja diversas normas constitucionais com aplicação no âmbito de direito civil. Essas normas estão a tender para a autonomização. 1. Leis constitucionais: a Constituição é o quadro básico das relações jurídicas da sociedade. Temos assim. mas um direito de natureza e fonte interna. 24º a 47º da CRP que incorporam maioritariamente direitos fundamentais civis  aplicabilidade imediata da Constituição. o DIP não é um verdadeiro direito internacional. Consta sobretudo dos ars. acepção restrita: designa os actos legislativos da AR). (a) Leis constitucionais.com/index. por 6 . No entanto. com estrutura e espírito próprios. normas relativas à estrutura e actividade da agricultura. as leis são tomadas numa concepção lata “todas as disposições genéricas provindas dos órgãos estaduais competentes (acepção latíssima: lei significa direito. daí a sua unidade e autonomia face ao direito civil. Controversa será essa qualificação para o direito agrário. sendo o direito civil direito subsidiário destes ramos. Nesta matéria concorrem normas de direito privado e também normas de direito público com o Estado a visar finalidades de justiça social e também com normas provenientes da União Europeia. acepção intermédia: lei contrapõe-se a regulamento. Sobretudo por força do artigo 18º CRP são de aplicabilidade directa os arts.html estadual aplicável para regular um caso concreto em que os elementos da relação jurídica estão em contacto.atspace.  Fontes mediatas (legitimidade depende de outras fontes): (3) usos. Outros ramos especiais do direito privado: constituirão também direitos privados especiais o direito de autor e direitos conexos bem como o direito de propriedade industrial como é patente pelo artigo 1303º.http://apontamentosdireito. abarcando apenas as leis. 4. 14º a 65º cc  é um direito instrumental de “normas sobre normas”. decretos-leis e decretos legislativos regionais. princípios fundamentais de direito. a. (4) equidade. As leis: de acordo com o artigo 1º/2 cc. (d) decretos legislativos regionais e os vários regulamentos. É claramente direito privado porque diz respeito às relações jurídicas privadas ao contrário do direito internacional público que regula fundamentalmente relações entre Estados. cada Estado tem o seu próprio DIP. (c) decretos lei do governo. emanação do contrato social de Rousseau. mas não há ainda um corpo legislativo unitário. (2) normas corporativas. (b) leis ordinárias (da AR). As fontes de direito civil: Fontes imediatas (operam sem intermediários): (1) leis.

Tornando-se muito mais fácil essa actualização assim do que se a mesma fosse feita por decreto – lei. em que ela pode delegar ao governo essas competências (art. As normas corporativas: uma parte da doutrina (Doutor Mota Pinto) entende que com a abolição do regime corporativo com o 25 de Abril. Temos uma competência exclusiva (art. d. Regulamentos: no direito civil há ainda zonas periféricas de carácter regulamentar.198º/2 CRP). 3. donde sobressai o princípio da liberdade de associação que gera fontes de direito em matéria de estatutos e regulamentos internos.atspace. c. estas normas deixaram de ser fonte de direito e o facto destas terem permanecido no artigo 1ºcc deve-se ao facto da reforma deste código em 1977 ter tido um carácter meramente parcial. exemplo o artigo 64º da CRP. pois apesar da extinção do regime corporativo.165º CRP). Mas parece que estas continuam a existir. 2.http://apontamentosdireito. ainda que noutros moldes. b) não estejam reservados à competência própria dos órgão de soberania.html b. Exemplo disso é o código deontológico da ordem dos médicos. Veja-se o exemplo das portarias que estabelecem os coeficientes de actualização dos arrendamentos urbanos para habitação. Há dois tipos de reserva. uma competência própria (198º1/a) CRP) e uma competência autorizada (198º/1/b) CRP): foi o que se passou aquando da reforma do código civil em 1978 que o adaptou à CRP de 1976. Mas salvaguardando a unidade do sistema o artigo 1º/3 afirma que essas normas não podem contrariar disposições legais de carácter imperativo.com/index. a representatividade profissional mantém-se. adaptando o código à CRP de 1976 e não ter sido feita uma revisão geral do mesmo. c) estão subordinadas às leis gerais (art. e. Se o Estado não desenvolver politicas nesse sentido poderá haver lugar à inconstitucionalidade por omissão  aplicabilidade mediata da Constituição. esse código deontológico não poderá conter normas que violem direitos liberdades e garantias. que depende das capacidades do Estado para promover esse direito.164º CRP) e uma competência relativa. Daí defender a revogação tácita ou uma interpretação ab-rogante face a estas normas. Por exemplo. Leis ordinárias: as leis ordinárias são as leis da AR. Decretos – lei do governo: têm o mesmo valor das leis ordinárias.112º/4 da CRP bem como o próprio 227º). que está presente no artigo 161º da CRP e uma competência reservada. Usos: o artigo 3º considera os usos como fonte de direito mas conferelhes importantes limitações: 7 . Esta tem uma competência geral. uma reserva absoluta em que cabe exclusivamente à AR não podendo delegar no Governo essas tarefas (art. Decretos legislativos regionais: atente-se ao artigo 227º da CRP e às limitações aí presentes: a) matéria de interesse especifico.

ou seja. Só são juridicamente atendíveis quando a lei o determine. mas foi decrescendo de valor devido à sua incerteza e à rapidez das mutações sociais. presentes no art. b.  A jurisprudência: a jurisprudência  o conjunto de decisões em que se exprime a orientação seguida pelos tribunais na decisão dos casos concretos.  É a chamada justiça do caso concreto ou solução ex aequo et bono . algo que acontece nos países da “common law”).http://apontamentosdireito. um comportamento honesto. outra fonte mediata do direito civil já que: a. como tal são fonte mediata de direito já que para se aplicarem necessitam da remissão de uma norma jurídica (ex. exemplo caso entre a EDP e a TELECOM que pode implicar grande conhecimento tecnológico  elas estabelecem que o processo é resolvido por tribunal arbitral). sobretudo no seu nº3 em que assumem especial relevo os regulamentos dos órgãos da EU que vigoram directamente na nossa ordem jurídica interna ao contrário das directivas que necessitam de acto de transposição para o direito nacional. Começou por ser fonte imediata de direito. não ser contrário à lei (100 anos de existência) sendo que o código de 1867 o excluiu das fontes de direito (o chamado código de Seabra). Não estarem em oposição com as normas corporativas. Essas decisões não vinculam os mesmos ou outros tribunais no futuro (julgamento do mesmo tipo. Quando as partes tenham previamente convencionado nos termos da cláusula compromissória (esta diz respeito à fixação da resolução de litígios através de tribunais arbitrais.html a. devido ao princípio da independência doas magistrados judiciais que julgam apenas segundo a Constituição e a lei (exemplo.com/index. c. Só tem lugar quando haja disposição legal que o permita (exemplo art. aqui tomada numa acepção objectiva. honroso e leal.atspace. b.218º). sendo que aqui não são competentes os tribunais comuns. Actualmente o costume não é fonte de direito civil.  As fontes internacionais: a CRP no artigo 8º abre a nossa ordem jurídica a fontes de direito internacional. Não podem ser contrários aos princípios da boa fé. Quando haja acordo das partes e a relação jurídica não seja indisponível. A única excepção que existia até 1995 era a dos assentos do STJ. se um juiz de 1ª instancia tem uma interpretação diferente de certa norma da do Supremo deve seguir a sua própria interpretação).art. não é fonte de direito na nossa ordem jurídica. c. Equidade: o artigo 4º.  Não confundir os usos com o costume (prática social reiterada com a convicção da sua obrigatoriedade jurídica). 4.2º e hoje 8 . A lei da Boa razão colocou-lhe enormes restrições: conforme à boa razão. 494º).

positivista e dedutiva. em que o plenário das secções cíveis emite um acórdão de forma a assegurar a uniformidade da jurisprudência. – problema de aplicação de leis no tempo. relativamente à mesma questão fundamental de direito. Daí ser inaceitável a criação. O facto dos acórdãos serem publicados no DRI série A e terem força obrigatória geral não é significativo pois.334º). limita-se a formular um juízo de valor. por parte destes de normas jurídicas com força obrigatória geral. acórdão que é publicado no DR. Isto é ainda mais visível no preenchimento das lacunas da lei com os artigos 10º nº1 e 2. a nomeação de um Ministro no DR-I-A tem também força obrigatória geral e não é uma norma jurídica.111º da CRP. valendo como preceito geral para o futuro. No entanto é necessário que haja razões fortes para esse tribunal contrariar tal acórdão. sobretudo com o 10º nº3 em que o juiz elabora uma norma adhoc dentro do espírito do sistema  aqui há uma clara indução do direito. Cada vez menos o direito recorre a uma jurisprudência de conceitos. Só que esse acórdão não tem força obrigatória geral nem mesmo para os tribunais superiores. das relações e até sentenças de 1ª instância. Quanto aos assentos proferidos antes da data da sua revogação (13/12/1995) deixaram de ter força obrigatória geral e têm o valor dos acórdãos de recurso ampliado de revista.http://apontamentosdireito. mas a uma jurisprudência atenta aos interesses das partes. foi criado.8º nº3 mostra claramente o desejo de uma certa uniformização na aplicação do direito para garantir a segurança e a previsibilidade do direito. Em termos gerais vale como mera jurisprudência uniformizada. Esta revogação baseou-se sobretudo no princípio da separação dos poderes. No entanto o art.com/index.html revogados. 9 . mesmo que com carácter interpretativo. Daí que se fale no desenvolvimento normativo do direito pelo juiz ou mesmo do chamado Richterrrech (direito jurisprudencial). Para isso. assentes sob soluções opostas e sejam produzidas no domínio da mesma legislação se recorria para o plenário do Supremo que tiraria um assento que solucionaria o caso concreto. Tem um mero valor indicativo. Quando existiam dois acórdãos do Supremo e excepcionalmente da relação. capaz de valorações jurídicas. Existe aqui uma forte dose de valoração apresentando a intervenção judicial um verdadeiro carácter constitutivo (exemplo art. Oliveira Ascensão diz que os acórdãos com força obrigatória geral do TC são fonte de direito. cabendolhe uma ponderação na aplicação concreta de muitos comandos legais. é o caso das clausulas gerais e de conceitos indeterminados.atspace. Cada vez o juiz é menos a “boca da lei”. por exemplo. mas também outros acórdãos do Supremo. em que a função legislativa é atribuída à AR e ao Governo e a função jurisdicional é atribuída aos tribunais. ou seja. têm um mero valor indicativo. Não parece que o sejam:  O TC não cria nenhuma norma. para os casos concretos o recurso intentado até essa data vale para a resolução do conflito concreto. Mas de acordo com o artigo 8º nº3 não são apenas objecto de ponderação por parte do juiz os acórdãos do Supremo em julgamento ampliado de revista. presente no art. no plano processual o acórdão em julgamento ampliado de recurso de revista. até porque se o caso tiver valor para subir até ao Supremo o normal é o acórdão ser reafirmado.

12. 2. Principio da boa-fé. 10. Principio da dignidade da pessoa humana. Principio da tutela geral da personalidade.http://apontamentosdireito. 3. Principio da dignidade da pessoa humana: resulta do artigo nº1 da CRP. 7. Principio da igualdade. Principio da não violação da esfera jurídica alheia. Principio da proibição de auto-defesa dos direitos próprios. Principio da autonomia da vontade privada. 6.com/index. Principio da proibição do abuso de direito. não podendo ser empregado simplesmente como meio.html  Os princípios gerais de direito civil: são princípios de ordenação material ou substancial das normas jurídicas civis que estruturam. modelam o conteúdo do direito civil.70º) Este princípio implica: a. Principio da liberdade declarativa. um direito a ser respeitado por ele como pessoa. São a sua ossatura. Tais princípios são desenvolvidos pelas normas civis e alimentando o espírito do sistema civil a eles se recorrendo na integração de lacunas praeter legem conforme o artigo 10º/3. sendo obrigado a respeitar a outra de modo análogo  princípio do respeito mútuo é fundamental e é a base da convivência numa comunidade jurídica e de toda a relação jurídica e está na origem do próprio direito geral de personalidade (art. tem um incondicionável valor em si mesmo. 4. 11. 8. Principio do reconhecimento da personalidade jurídica humana. 13. 10 . Numa fórmula de Kant. Principio da proibição de negócios usuários: art. Principio da personificação jurídica e da capacidade jurídica funcional das pessoas colectivas privadas. 14. Principio da nulidade de actos e negócios jurídicos violadores de regras imperativas. de se autopropor objectivos e limites para a sua actuação. Por isso ele é pessoa. Vamos proceder à sua enumeração: 1. Principio do equilíbrio das prestações. face a qualquer outro. Estes princípios podem ter carácter fundamental ou Constitucional se resultam de normas ou princípios Constitucionais. Face a esta dignidade Larenz diz que todo o ser humano tem. Ao seu aprofundamento: 1. o homem é “fim em si mesmo”. 5. 9.atspace. Principio da plenitude da capacidade jurídica humana. Mas há também princípios gerais emergentes da lei ordinária civil.282º. dão coerência e unidade ao conjunto do direito civil. resultando da natureza do homem deste configurar livre e reciprocamente a sua existência e a sua inserção social.

67º).atspace. 2. Qualidade que está na base da personalidade físico-moral presente no art.  O direito é ainda concebido tendo como destinatários essa comunidade de pessoas livres e iguais. que não viola o principio da igualdade do homem e da mulher.70º. Principio da plenitude da capacidade jurídica humana: a dignidade da pessoa humana postula ainda uma plenitude da capacidade jurídica de qualquer homem: aptidão para ser titular de um circulo maior ou menor de relações jurídicas (art. se é baseada em fundamentos materiais suficientes e assenta em considerações razoáveis. vendo. Mas qual o critério a adoptar para sabermos quando estamos perante uma situação de igualdade ou desigualdade? Deve-se atender. Fala-se cada vez mais de igualdade jurídicomaterial e não de igualdade jurídico-formal. Exemplo de excepção é um menor com menos de 16 anos.36º/4 CRP. pois este regime apenas visa favorecer o filho já que biologicamente e sociologicamente tem uma maior ligação à mãe e à família desta do que ao pai. uma qualidade que pertence a todos os homens sem distinção. já seria uma norma que violaria o principio da igualdade a que permitisse um quota hereditária maior para os filhos nascidos dentro do casamento dos que os fora do mesmo. A excepção à regra geral de que todos os homens têm capacidade jurídica é a incapacidade.html b. Só não o será face a disposição legal em contrário como decorre do artigo 67º. Vigência de certos institutos de favorecimento da parte contraente mais fraca. violando assim directamente o art. O artigo 13º da CRP diznos que apesar das nossas diferenças especificas.13º CRP que implica que se tratem igualmente situações de interesses iguais e que se tratem diferentemente situações de interesses diversos. Como exemplo de uma norma razoavelmente discriminatória: temos o artigo 1911 nº2. não pode casar.http://apontamentosdireito. Principio da igualdade: este princípio decorre do art.66º nº1). segundo Castanheira Neves à intenção material especifica do direito. um conjunto de 11 . como é o caso do decreto – lei acerca das cláusulas contratuais gerais. atendendo à sua particularidade. Principio do reconhecimento da personalidade jurídica humana: do princípio da dignidade da pessoa humana decorre que todo e qualquer ser humano tem personalidade jurídica  aptidão para ser centro autónomo de relações jurídicas (art. uma razão arbitrária que não é materialmente fundada e não assenta em objectivos razoáveis violará este principio de igualdade. independente do conteúdo (por exemplo promoções de uma real igualização através de diferenciações legais compensatórias). 3.com/index. existe no cerne da natureza humana uma base comum a todos. assim. 4.

b. a qualidade de também elas serem centros autónomos de relações jurídicas. 6. 5.  Junto desta estrutura normativa existem diversos direitos especiais de personalidade que tutelam aspectos particulares da personalidade aos quais se aplica subsidiariamente o regime do DGP.html direitos absolutos que se impõe ao respeito de todos os outros. 72º a 80º. sobre a sua própria personalidade humana nos seus elementos físicos e espirituais.66º) mas sim de personalidade humana tomada como objecto jurídico. segurança. Pessoas colectivas: são colectividades de pessoas ou complexos patrimoniais / organizados em vista a um fim comum / a que o ordenamento jurídico atribui a qualidade de sujeitos de direitos. etc.atspace. Principio da personificação jurídica e da capacidade jurídica funcional das pessoas colectivas privadas: ao lado da personalidade jurídica reconhecida a todas as pessoas singulares o nosso direito civil no artigo 158º atribui. ou seja. 70º nº2). 81º nº1 (pelo consentimento ser contra a ordem pública devido aos prejuízos irremediáveis que resultariam para a pessoa são ilícitos a mutilação ou a eutanásia). Os direitos de personalidade são irrenunciáveis: podendo todavia ser objecto de limitações voluntárias que não sejam contrárias aos princípios da ordem pública – art. Esses direitos especiais encontram-se nos arts.http://apontamentosdireito.70º nº2. honra. Certas providências judiciais adequadas às circunstâncias do caso para evitar a consumação da ameaça ou atentar os efeitos da ofensa já cometida – art. Esta cláusula geral da tutela da personalidade protege os bens da personalidade ligados: a. Relação do homem consigo mesmo: a vida. na medida em que todo o homem tem um direito sobre si mesmo. A violação destes mesmos direitos pode implicar: Responsabilidade civil (art. Principio da tutela geral da personalidade: quando o artigo 70º nos fala de personalidade física ou moral. o seu corpo.com/index. liberdade. mediante certos pressupostos personalidade jurídica às pessoas colectivas. Relação do homem com o seu ambiente físico e social: a identidade. ou seja. bem como a capacidade criadora do homem e as respectivas criações. aptidão para se ser centro autónomo de relações jurídicas (regulada no art. não se trata de personalidade jurídica. Esta igualdade que se quer material impõe obrigações legais de diferenciação para compensar a desigualdade de oportunidades que se verificam na prática. espírito (sentimentos inteligência). Segundo o artigo 157º as pessoas colectivas privadas são: 12 .

com cada um fazer aquilo que bem entende. capacidade testamentaria) b) Direitos e obrigações que seja inseparável da personalidade singular (os direitos derivados da vida como o casamento ou a filiação) Assim. este principio não se confunde com livre arbítrio. a capacidade jurídica das pessoas colectivas não é de carácter geral. Mas qual a natureza desta personalidade colectiva? Autores como Savigny defendem a teoria da ficção segundo a qual a lei estaria a proceder como se as pessoas colectivas fossem pessoas singulares.etc). a capacidade jurídica das pessoas colectivas é menor e inferior à das pessoas singulares como resulta da comparação dos artigos 67º e 160º.com/index. mas outros fins comuns (recreativos. e . já que ela é uma criação do direito  Ela é assim uma criação do direito e não uma ficção legal ou organismo natural. No nº2 do artigo 160º é ainda excepcionado da capacidade jurídica: a) Direitos e obrigações vedados por lei (ex. Sociedades: organização de duas ou mais pessoas / que contribuem com bens ou serviços para o exercício de uma actividade económica / dirigida à obtenção de lucros e à sua distribuição pelos sócios. Ela é sim de natureza funcional ou especifica em razão dos fins de cada uma delas. Por um lado. Associações: colectividade de pessoas que não têm por fim o lucro económico dos seus associados. Tudo porque vivemos em 13 . Ao contrário da capacidade jurídica das pessoas singulares.html a. Autores como Otto Van Gierke defendem a teoria organicista. Fundações: massa de bens afecta pelo seu instituidor a finalidades de interesse social. 7. b. em que as pessoas colectivas seriam uma realidade idêntica à das pessoas singulares. Principio da autonomia da vontade privada: este principio resulta do poder de auto-determinação de cada homem e cresce limitado pelos quadros normativos da ordem jurídica que assentam na vontade popular. sendo que os seus órgãos devem actuar de acordo com a vontade declarada pelo fundador.http://apontamentosdireito. ela não é nenhuma ficção legal porque tem a sua natureza e fundamentação na realidade social e na estruturação de interesses humanos.atspace. Não podemos aceitar nenhuma das duas teorias expostas. como nos diz Manuel de Andrade “ é a tradução jurídica de um fenómeno empírico”. culturais. resultam da natureza das coisas. Assim. apesar de ser uma criação do direito. como nos refere o artigo 160º nº1. c. num claro antropomorfismo. Por outro lado a teoria organicista é também de rejeitar porque não precisamos de um organismo antropomórfico para justificar a personalidade jurídica.

etc. pela boa fé. actos que se traduzem num certo resultado material (ex. 1306º que se traduz na regra do numerous clausus ou da tipicidade das figuras reais e dos seus elementos característicos.html sociedade e as relações jurídicas não visam apenas o bem individual mas também o bem comum. Tutela da liberdade negativa: proíbe que qualquer pessoa possa ser constrangida por outrém a praticar ou não praticar qualquer facto – nemo postest presise coagi ad factum. o abuso de direito. pela ordem pública e o próprio fim do exercício da liberdade (334º). O nosso direito civil protege o poder de auto-determinação do homem em duas vertentes: a. Artigo 1306º em que se fixa os modos de aquisição do direito de propriedade. também aqui há o principio da tipicidade das figuras familiares e dos seus efeitos – arts.fixação do regime de bens do casamento – art. Tutela da liberdade positiva: permite a cada um praticar ou não praticar qualquer facto que não seja proibido ou prejudique superiores interesses jurídicos de outrem. 2030º. O principio da livre realização de actos reais. 1690º ss. b) No direito da família: liberdade de celebração de casamento. 1698º. etc.http://apontamentosdireito.62º CRP. por exemplo (334º). de celebração de testamento e de fixação do seu conteúdo.com/index. 36º CRP. criação de obras literárias). Mas estão também tipificados os diferentes objectos de sucessão – art. 1576 e ss.atspace. domínio onde imperam as normas imperativas. pelos bons costumes. c) No direito das sucessões: liberdade de transmissão sucessória – artigo 62º nº1 CRP. segundo a sua vontade e dentro dos limites estabelecidos pela ordem jurídica. as fontes de vocação sucessória. conformação e extinção autónomos da relações jurídicas privadas por parte de cada homem. as formas de testamento. No entanto é uma área com grande incidência de normas imperativas ex. de constituir família e de requerer divórcio – art. Principio que contém restrições de direito público  expropriações por utilidade pública (62ºnº2 CRP) e de direito privado. b.No entanto. ou seja. Principio da autonomia privada: traduz-se no estabelecimento. Vejamos as varias expressões da autonomia privada: a) Nos direitos reais: principio da livre aquisição e transmissão entre vivos e por morte das coisas dominiais privadas – art. não podendo constituir direitos reais os que não estejam previstos na lei. Vigoram também diversos regimes imperativos como é o exemplo da matéria de dividas dos conjugues – arts. 14 .

modificando-as.html d) No direito das obrigações: É neste domínio que mais se afirma o princípio da autonomia privada como grande meio de actuação da autonomia privada temos o negócio jurídico: acto pelos quais os particulares ditam a regulamentação das suas relações.http://apontamentosdireito. os pressupostos e os seus efeitos estão também imperativamente fixados na lei. nestes negócios vigora o principio da liberdade contratual  artigo 405º. ii.sujeição do contrato a autorização de outrém (ex. extinguindoas e determinando o seu conteúdo. compra e venda). emissão de acções destinadas a subscrição pública).proibição de celebração de contratos com determinadas pessoas (ex. 3.atspace. Do artigo 405º emerge: a) Liberdade de celebração de contratos: faculdade de livremente realizar contratos ou recusar a sua celebração.dever jurídico de contratar no que respeita ao seguro de responsabilidade civil automóvel.  Negócios jurídicos bilaterais ou contratos: com duas ou mais declarações de vontade convergentes. Nos negócios jurídicos unilaterais é de olhar com reserva a produção de efeitos na esfera jurídica (conjunto de relações jurídicas de que uma pessoa é titular) alheia (por vontade unilateral de outra pessoa). 2. Sendo que a forma.realizar contratos típicos nominados aos quais concertam as 15 . Daí que nos negócios jurídicos unilaterais vigore o principio da tipicidade ou do numerous clausus. sendo que só são juridicamente admitidos os que estiverem especificamente previstos na lei – art. Há que distinguir entre:  Negócios jurídicos unilaterais: tem apenas uma declaração de vontade (exemplo o testamento).  2. Nos negócios jurídicos bilaterais ou contratos. tendentes à produção de um resultado jurídico unitário (ex. Esta liberdade subdivide-se em dois predicados: i.com/index. 457º. b) Liberdade de modelação do conteúdo contratual: faculdade conferida aos contraentes de fixarem livremente o conteúdo dos contratos. 877º). A ninguém pode ser imposta a abstenção de contratar: excepcionalmente o nosso ordenamento apresenta algumas restrições à liberdade de celebração de contratos: 1. Ninguém pode ser obrigado a contratar contra a sua vontade – nemo potest precise coagi ad factum ou a ninguém podem ser aplicadas sanções pela recusa de contratar.constituindo-as. Isto implica:  1-a possibilidade das partes realizarem os contratos previstos no código civil (exemplo a compra e venda) ou em outras leis (exemplo locação financeira) chamados contratos típicos nominados em que as partes aceitam todo o conteúdo e indicam apenas os pressupostos factuais para a sua produção. art.

a nulidade do negócio contrário à ordem pública – artigo 280º nº2. Essa obrigação de reparar ou compensar os danos causados é a chamada responsabilidade civil : necessidade imposta pela lei. b. Mas. os direitos de crédito). limitando-se os segundos a aderir ou não a tal contrato). injustas. Negocial: resulta da violação de um direito de crédito ou obrigação em sentido técnico. esta liberdade contratual conhece algumas restrições legais.atspace.http://apontamentosdireito. muitas delas. em princípio. na obrigação de reparar ou compensar os danos causados. Em tal esfera podemos considerar dois hemisférios: a. Principio da não violação da esfera jurídica alheia: cada pessoa tem uma esfera jurídica própria que é composta pelo conjunto de relações jurídicas de que uma pessoa é titular. 405º nº2. Quando isto acontece a pessoa constitui-se. (eventualmente conjugando dois ou mais contratos – contratos mistos – art. propondo os primeiros todas as cláusulas do contrato. 16 .com/index. os direitos de personalidade). Patrimonial: definido pela sua avaliabilidade em dinheiro e onde se enquadram os direitos patrimoniais (exemplo. 8. Na vida social. alterado pelo Decreto Lei 220/95 por si alterado pelo Decreto Lei 249/99 de 7 de Julho. Há duas espécies de responsabilidade civil: a. sejam eles acções ou omissões violam muitas vezes deveres de abstenção ou de acção. Pessoal: caracterizado pela sua não avaliabilidade em dinheiro e onde se inserem os direitos pessoais ou não patrimoniais (exemplo. só que na prática não é bem assim. os comportamentos das pessoas. compra e venda). Daí que o consumidor impedido pela necessidade é forçado a aceitar o contrato e todas as cláusulas constantes no mesmo. pois muitas das vezes o fornecedor está numa posição de monopólio (ex. chamados contratos atípicos inominados. o consumidor é livre de rejeitar o contrato. Vem regulada fundamentalmente nos artigos 798º ss e implica a falta culposa do devedor ao cumprimento da obrigação. a quem causa prejuízos a outrém. Mas há também poderosas restrições fácticas a este princípio sobretudo nos chamados contratos de adesão (contratos entre produtores ou distribuidores de bens ou serviços em larga escala e consumidores aderentes que são múltiplos e indeterminados. temos mais recentemente o regime das cláusulas contratuais gerais – Decreto Lei 446/85. desde logo as aludidas no artigo 405º “dentro dos limites da lei”.  3–a possibilidade das partes celebrarem contratos diferentes dos previstos no código. Para combater isto podemos recorrer às regras da boa fé – artigo 762º. emergente de um negócio ou directamente da lei (exemplo. Teoricamente não há restrições à liberdade contratual. pelos seus direitos e interesses juridicamente protegidos. de colocar o ofendido na situação em que estava sem essa lesão. electricidade) e rejeitar o contrato é não satisfazer uma necessidade fundamental.html cláusulas que lhes aprouver.

b. Nexo de imputação de tal acção ou omissão ao agente. Voluntário – quer dizer que é dominável ou controlável pela vontade do lesante. ii. A culpa. passiva ou activa. Impossibilidade de cumprimento: o incumprimento decorre de uma causa imputável ao devedor. do não cumprir de um dever geral de abstenção ou acção contraposto a um direito absoluto. mas necessária de uma conduta (exemplo: A quer transportar produtos de um prédio para o outro.com/index. iii. que assume as seguintes modalidades: o Dolo: que pode ser:  Dolo directo: o agente quis directa e especificamente realizar o facto ilícito violador do direito de outrém (exemplo. sabendo que os empregados têm que passar por prédio alheio e destruir 17 .  Dolo necessário: quando o agente realizou tal facto ilícito prevendo-o como uma consequência reflexa. não quer dizer que seja um facto querido por este. não efectua a prestação no tempo devido. ilícito porque é contrário aos comandos que lhe são impostos pela ordem jurídica. extra-contratual ou aquiliana: resulta da violação de uma obrigação. voluntária e ilícita que viole um direito subjectivo absoluto ou qualquer disposição legal destinada a proteger interesses alheios. Mora: o devedor. Responsabilidade civil por actos ilícitos ou culposos: regulada no artigo 483º nº1 e pressupõe: 1.html sendo a culpa apreciada nos termos aplicáveis à responsabilidade civil extranegocial como decorre do 799º/2. Extra-negocial.atspace.http://apontamentosdireito. Ela desdobra-se em três modalidades: i. Cumprimento defeituoso: por causa imputável ao devedor. Ela conhece três tipos: i. Vem regulado essencialmente nos artigos 483º a 510º. este realiza a prestação mas com vícios ou deficiências que ocasionam prejuízos específicos ao credor – artigo 799º. a prestação já não ser possível de se efectuar no todo ou em parte – 801º e 802º. no entanto a prestação é ainda possível – artigo 804º. universal. que envolve uma censura ético-jurídica e que se desdobra em dois elementos: A imputabilidade (ver 488º). A existência de uma acção ou omissão. por causa que lhe seja imputável. 2. ou seja. A utiliza o nome profissional e B para se fazer passar por ele).

um homem médio.  Inconsciente: o agente por imprudência. embora este objectivamente fosse previsível se o agente usasse de diligência. 3. Esta pode ser:  Consciente: quando o agente previu como possível o resultado ilícito mas por precipitação ou desleixo cré na sua não verificação. vendo pessoas e veículos não abranda a sua velocidade excessiva.  Dolo eventual: quando o agente praticou tal facto ilícito prevendo-o como um efeito apenas possível ou eventual. pois o artigo 494º admite a possibilidade de diminuição equitativa da indemnização. Aqui o agente procede sem os elementos volitivos do dolo. São bens estranhos ao património do lesado. não se preocupando com o atropelar alguém ou embater com outro veiculo o que acaba por acontecer em qualquer dos casos o lesante conhece as circunstâncias de facto que integra a violação do direito e tem consciência da ilicitude do facto. resultante de uma hospitalização por agressão física). ou seja. perícia e diligência exigíveis para evitar a violação do direito ou interesses alheios. +  Indirectos: vantagens que deixaram de entrar no Lucro cessante património do lesado em virtude do acto ilícito (exemplo. o condutor ao aproximar-se de um cruzamento. com a sua inteligência e perspicácia colocado nas circunstancias e contexto em que o lesante agiu – artigo 487º nº2. Verificam-se 18 .  A culpa em sentido amplo (abrangendo dolo e negligência) deve ser apreciada em abstracto pelo modelo de um bom pai de família (o velho bónus pater famílias romano).html nele certas culturas.com/index. o Negligência ou mera culpa: é muito importante a diferenciação entre mera culpa e dolo. desleixo. A existência de danos: estes podem ser: o Patrimoniais: traduzem-se numa diminuição ou não aumento do património  Directos: prejuízo imediato sofrido pelo lesado no Dano emergente seu património (exemplo.http://apontamentosdireito. imperícia. perda de salários.atspace. apesar disso. mas com a omissão de deveres de cuidado. dá ordens nesse sentido. o Danos não patrimoniais ou morais: consagrados no artigo 496º. destruir uma coisa). mas teria persistido na sua conduta se previsse o facto ilícito como efeito necessário da sua conduta (exemplo. distracção ou inaptidão não teve consciência de que o acto poderia decorrer o resultado ilícito.

html quando há sofrimentos físicos ou morais. Concluindo: esta responsabilidade civil por actos ilícitos é substancialmente culposa ou subjectiva. Responsabilidade civil pelo risco ou objectiva: só tem lugar nos casos tipificados na lei como decorre do artigo 483º nº2. Só que aqui estamos perante factos não culposos. Pressupõe: a) Violação de um direito absoluto. é como nos diz Mota Pinto. como nos diz o artigo 566º nº1 ( “sempre que a reconstituição natural não seja possível”): é a reconstituição da situação em que o lesado estaria sem a infracção. daí que segundo o artigo 483º nº1 só são indemnizáveis os danos resultantes da violação. o mesmo é dizer que o autor só está obrigado a reparar aqueles danos que não se teriam verificado sem essa violação. ibi incomoda (onde estão as coisas cómodas estão as incomodas). No caso dos danos não patrimoniais não podemos falar de uma indemnização porque não são avaliáveis em dinheiro. O artigo 496º nº1 fala de danos que pela sua gravidade mereçam tutela do direito. com base no facto desta ter posto em acção.com/index. desgostos ou contrariedades embora emergentes de actos ilícitos imputáveis a outrem (exemplo. segundo o princípio ubi commoda.http://apontamentosdireito. Existem teorias acerca disto. ser uma reconstituição natural. A verificação de um NEXO DE CAUSALIDADE ADEQUADO: entre os danos produzidos e o acto em causa.atspace. visto raramente o lesado ficar completamente indemnizado com a reconstituição natural. O mesmo artigo 566º nº1 diz-nos que quando tal não seja possível pelas razões indicadas. um empurrão no autocarro). em principio. terá lugar uma indemnização em dinheiro ou restituição por equivalente. apenas materialmente imputáveis à pessoa. certas forças que são fontes de riscos e potenciais danos para os outros. perda de consideração social. assim não serão indemnizáveis os pequenos incómodos. estimulando – se desta forma zelos e cuidados em impedir esses danos. que é uma hipótese maioritária. d) Nexo causalidade entre facto e dano. fazer apelo à liberdade moral do homem e apresentar os danos como consequências evitáveis .  A reconstituição a que obriga a responsabilidade civil pelos artigos 483º e 562º deve. temos assim uma compensação. A matéria referida encontra-se nos artigos 500º a 510º. consultar. b) Nexo de imputação objectivo entre esse facto e responsável. Necessidades sociais de segurança impõem que quem crie uma fonte de riscos em seu proveito suporte os efeitos prejudiciais do seu emprego. Para além de 19 . para seu benefício. etc. 4. que não é um “preço de dor” mas uma compensação mediante satisfações derivadas da utilização do dinheiro. c) A existência de prejuízos.

Aqui não está em causa a realidade psicológica da pessoa. com sacrifício de uma seu direito ou interesse. que leva a lei a dispensar um tratamento de favor a quem actua com este estado de espírito. é sim um pressuposto para a aplicação ou não de uma norma. Exemplos: 227º nº1 e 762 nº2. 10. Responsabilidade civil por acto licito: emergente de fontes que constituem uma intervenção licita na esfera jurídica de outrém. uma perturbação ao seu direito possa obter uma indemnização. Neste caso ela não é um princípio geral de direito. Não existindo uma unificação legal que preveja um regime jurídico semelhante ao da responsabilidade pelo risco. Contar as quatro características das demais responsabilidades civis extra-contratuais. a lei exige uma equivalência medida por parâmetros objectivos. ou seja. a quem tem a convicção de proceder rectamente seu prejudicar direitos alheios. Boa fé em sentido subjectivo: ignorância não culposa de vícios ou irregularidades do respectivo acto. como decorre do artigo 237º. Expoente máximo desta responsabilidade é o artigo 1367º. envolve uma cláusula geral e como tal a mediação do juiz na sua aplicação aos casos concretos. como decorre do artigo 483º nº2.html prescindir da culpa não pressupõe normalmente um acto ilícito. leal e fiel das partes. Boa fé objectiva: aqui trata-se de uma conduta ou comportamento honesto. no interesse de outrem. Temos a: a. mas o cumprimento dessas mesmas regras. onde cada uma das partes deve obter pela sua própria prestação uma contraprestação adequada de valor equilibrado. É assim. Só acontece nas circunstâncias e hipóteses especificadas na lei. podendo dimanar de um facto natural. 9. Responde a um princípio de compensação de vantagens em que aquele que tem de suportar.http://apontamentosdireito.com/index. b. Tem um carácter obviamente objectivo pois relaciona-se com regras de conduta. como por exemplo os negócios usurários – artigo 282º. Exemplo máximo: 1647º e 1648º que dizem respeito aos efeitos do casamento declarado nulo ou anulado quando celebrado por ambos ou apenas por um dos cônjuges de boa-fé.atspace. Principio da boa fé: a convivência sócio – jurídica tem de ser alicerçada na confiança recíproca e no recto comportamento e intenção de uns relativamente aos outros. uma convicção de se estar a actuar em conformidade com o direito. correcto. de um acto de terceiros ou de um acto do próprio lesado. algo de psicológico. Principio do equilíbrio das prestações: esta questão coloca-se sobretudo nos contratos onerosos. só que aqui o acto praticado é licito. Mas normalmente o 20 . Em casos especiais. factos imputáveis ao lesante que deles tira proveito. Aqui é um princípio geral de direito.

13. ou proíbem determinada conduta – 21 . Negócios contra a lei: ofendem frontalmente uma proibição ou uma actuação legalmente determinada. limitando-se aqui o direito a assegurar que não houve dolo. O artigo 294º abrange: a. celebrados contra disposição legal de carácter imperativo são nulos. Impedir a invalidade.  Normas imperativas: são aquelas que impõem um certo comportamento – preceptivas. É aos tribunais que compete o assegurar de direitos e interesses protegidos pela lei e o dirimir dos conflitos. o que não põe em causa as funções das forças de segurança pública como garante imediato dos direitos dos cidadãos cuja violação constitua crime – artigo 272º da CRP. Principio da liberdade declarativa: resulta do artigo 219º e alertanos para o facto de os negócios jurídicos poderem. proibindo-se assim a auto-defesa. por força do artigo 295º. 11. Facilitar e abreviar uma conclusão válida dos negócios jurídicos. ou seja. erro ou mesmo coacção.html ordenamento contenta-se com a equivalência subjectiva. Negócios em fraude à lei: contornam proibições ou actuação. Principio da proibição de auto-defesa dos direitos próprios: este princípio decorre da estatuição a contrario dos artigos 336º e 339º. 12. Exemplo disso é o artigo 796º. c. Principio da nulidade de actos e negócios jurídicos violadores de regras imperativas: o artigo 294º estabelece o principio pelo qual os negócios jurídicos e também os actos jurídicos. em princípio. por falta de forma legal devido a ignorância ou mesmo dificuldades económicas.com/index. Mas tal principio ultrapassa o âmbito dos contratos. Este principio leva à consideração de uma distribuição justa dos encargos e dos riscos do contrato. por palavras ou gestos sem sujeição a forma escrita. Tutelar a confiança existente entre as partes. atingindo o mesmo resultado por outros meios diferentes dos previstos pela lei. b. se realizar de um modo consensual.atspace.http://apontamentosdireito. Com isto visa-se: a. estendendo-se até ao direito da família (deveres de respeito e fidelidade recíprocas – 1672º) ou às sucessões (cada herdeiro só responde pelos encargos na proporcionalidade da quota que lhe tenha cabido – artigo 2098º nº1. de negócios queridos pelas partes onde não há grande relevância de interesse público a existência de forma. como é estabelecido no artigo 202º CRP. que ambas as partes considerem as prestações equilibradas. b.

clareza. as Afonsinas. algo que resulta do contrato.  Livro II – dos bens e das diferentes modificações da propriedade. Era composto por:  Um titulo preliminar sobre a publicação. em princípio. que obedece a critérios sistemático – científicos. 14. terá de se analisar a ratio dessa mesma norma. bastando para que se cumpra esse objectivo que o lojista pague uma coima. também chamado de Napoleão que com várias alterações ainda hoje continua em vigor. Sendo que aqui o excesso tenha de ser evitado porque se trata de uma limitação ao direito. se o legislador visa atacar as acções ou omissões em si ou situações que decorrem das mesmas.atspace. Sobretudo a partir da criação das primeiras cidades multiplicam-se as leis e com elas a necessidade de se saber quais as que se mantinham em vigora e as que seriam revogadas. não sendo necessária a nulidade do contrato).  Livro I – das pessoas. que regula todo um importante sector ou ramo do direito.http://apontamentosdireito. duradouramente. mas um contrato de compra e venda feito fora do horário de funcionamento do estabelecimento já é válido pois a proibição legal visa sobretudo não o contrato em si mas uma concorrência leal no comércio. No direito civil assume especial importância o código civil Francês de 1804. um código. sendo ele a fonte inicial de todo o direito. exemplo Lei das XII tábuas que continha grande parte do ius civile romano da época arcaica.html proibitivas e cuja violação implica. uma limitação à autonomia da vontade. será um diploma legislativo. nascem. Quando a norma imperativa não é acompanhada de nenhuma sanção. A Codificação do direito civil:  Generalidades: o As colectâneas legais: inicialmente o direito civil estava inteiramente ligado ao costume. caso também das nossas ordenações. efeitos e aplicação das leis. a nulidade dos actos ou negócios que colidam com a mesma. saber (quais os interesses tutelados pela norma. Assim. assim as primeiras compilações de certas fontes diversas abarcando diversas matérias e que conferiam maior certeza. estabilidade e conhecimento das mesmas a todos. 22 . o posterior Corpus Iuris Civilis mandado elaborar por Justiniano. ex – um contrato de trabalho que não respeita o horário legal é nulo porque a proibição que resulta da lei visa o próprio conteúdo do contrato. Manuelinas e Filipinas.com/index. o Os códigos modernos: a codificação num sentido moderno só aparece a partir dos finais do século XVIII. ordem. Principio da proibição do abuso de direito: decorre do 334º. Tratava-se de um comportamento adoptado pela comunidade com a convicção da sua obrigatoriedade.

http://apontamentosdireito.atspace.com/index.html

 Livro III – diferentes maneiras pelas quais se adquire a propriedade. Plano muito similar às Institutiones de Gaio e Justiniano, tem um carácter antropocêntrico, tem um baixo grau de abstracção, há separação entre o direito pessoal e o patrimonial, há ausência de uma parte geral  plano de GAIO ou ROMANO – FRANCES. Diferentemente o BGB, ou seja, o código civil Alemão de 1896 utiliza a classificação germânica, pandectistica ou plano de Savigny, tem uma parte geral e 4 partes especiais (obrigações, coisas, família, sucessões). o A questão da Parte Geral do Código Civil: a existência de uma parte geral no BGB foi um problema muito discutido. O argumento principal invocado contra a parte geral é a de que ela não passaria de um mero exercício teorético tornado lei já que a elaboração de uma verdadeira parte geral seria uma tarefa da ciência do direito. Este argumento é falacioso, já que a parte geral tem autonomia própria, tem – se sim, feito trabalho teorético sobre essa parte, algo que é legitimo. Além disso, a parte geral dos códigos e as disposições gerais de títulos, capítulos, etc, resultam de uma exigência técnica jurídica: de evitar repetições, fixando desde logo um conjunto de disposições gerais que teriam de ser repetidas em moldes idênticos em diferentes partes da lei, diz respeito a um catálogo de questões preliminares cuja solução afecta todas as regulamentações particulares que a lei estabeleceu. Acresce ainda o facto destes artigos da parte geral poderem e deverem ser modificados, introduzidos ou removidos pelas transformações da sociedade ou pela evolução do direito, ou seja, não são normas imutáveis. Pelo contrário devem-se adequar à realidade histórico-concreta. A parte geral pode, desta forma, ser mesmo lacunosa, sendo que a aplicação das normas desse parte geral não vale para todos os casos que não estejam comtemplados nas partes especiais, mas apenas para uma casos que caibam na letra e espírito das disposições da parte geral. No entanto, existindo essa parte geral permite enquadrar um numero maior de hipóteses do que um código sem parte geral. Não concordamos pois com Meneses Cordeiro ou Orlando de Carvalho que dizem que a parte geral apenas introduz uma grande abstracção no código e que afasta o código da pessoa humana, que dever ser seu objecto, estes autores não consideram que a própria norma jurídica para o ser verdadeiramente tem que revestir carácter geral e abstracto. Temos, no entanto, que ter um enorme cuidado na coordenação da parte geral com as partes especiais, já que as normas não se dispõem segundo um mero alinhamento ou continuidade, mas segundo uma ordenação (elemento sistemático da interpertaçao). Atendemos à seguinte classificação das normas: a) Gerais: as que correspondem a princípios fundamentais do sistema jurídico e estabelecem o regime regra das relações que disciplinam; b) Especiais: consagram uma disciplina nova para um conjunto de casos mas que não está em directa oposição com a disciplina geral;

23

http://apontamentosdireito.atspace.com/index.html

c) Excepcionais: regulam um sector restrito de relações com uma configuração particular, consagram uma disciplina oposta à que vigora para o comum das relações do mesmo tipo. Temos que conjugar as partes gerais com partes e normas especiais e ainda com normas excepcionais , exemplo: em matéria de negócios jurídicos em geral vale o 253º, mas para o casamento encontramos o 1636º, que só tem relevo no contexto do casamento. Ainda como argumento a favor de uma parte geral é o facto de os códigos que a tenham serem susceptíveis de adaptação às diversas mutações Constitucionais radicais, exemplo disto é o nosso código civil face à Constituição de 1976. Ver no livro do doutor Capelo (parte geral do CC) o O Código civil Português de 1867 e as reformas de 1930 e 1940: depois da Restauração foi apresentada ao Rei a ideia de se fazer um código que afastasse as ordenações Filipinas. No entanto, o Rei não acha necessário e as ordenações continuaram a vigorar, sendo o diploma que mais tempo vigorou no nosso País, 200 anos, até ao código de 1867. Com a revolução liberal de 1820 e com a exigência de novos princípios da ordem jurídica que respondessem aos valores nascidos da Revolução, há de novo a necessidade de se elaborar um código civil que possibilite esses valores do liberalismo. Só que à Revolução liberal seguira-se várias guerras civis com mudanças a nível Constitucional que não conferiam a estabilidade e condições para a elaboração de um código civil. Só a partir de 1850 se começa a pensar mais seriamente na elaboração de um código civil, com a participação na 1ª comissão elaboradora, de Coelho da Rocha, jurisconsulto da nossa faculdade, que utilizando o estilo Pandectistico Alemão (uma parte geral e 4 especiais) sistematizou as ideias liberais de Mello Freire. Mas o código de 1867 fica-se a dever a António Luís de Seabra, mais tarde Visconde de Seabra, que chamou a sai redacção do projecto como presidente da comissão. Tal foi o seu contributo para este código que o mesmo é conhecido pelo código de Seabra. Seabra, ao contrário de Coelho da Rocha, vai apresentar um modelo antropocêntrico com grande influência da Revolução Francesa mas também com um carácter original. Esta base antropocêntrica é claramente visível na sistematização: I- capacidade civil; II-aquisiçao de direitos; III- direito de propriedade; IV- ofensa de direitos e sua reparação. O código mostra também claramente a sua influência liberal com a sua visão ampla da liberdade contratual. O código vai posteriormente sofrer as mudanças que se identificam com a passagem a um Estado Republicano, sobretudo no que respeita ao direito da Família e sucessões, sobretudo, numa clara separação entre Estado e Igreja que se manifesta na instituição do casamento civil e também na permissão de divórcio. Estas mudanças não foram, porém, imediatamente integradas no código civil, numa clara preocupação de

24

http://apontamentosdireito.atspace.com/index.html

harmonização e sistematização vieram a ser integradas apenas em 1930 com a primeira reforma do código civil. Em 1940, já com o Estado Novo e com Salazar na sua máxima força, realiza-se a concordata entre Portugal e a Santa Sé, que imprimiu grandes mudanças sobretudo no direito da Família, com a admissão do casamento católico com valor jurídico-civil, não havendo necessidade também de se efectuar o casamento civil para que o mesmo tivesse valor jurídico civil. Aboliu-se ainda o divórcio para os casamentos católicos a partir de 1940, cabendo apenas aos tribunais canónicos declarar a anulação ou não de um casamento católico. A única possibilidade era o regime de separação de pessoas e bens, mas sem a possibilidade da pessoa se poder casar novamente. o O Código Civil de 1966: a reforma de 1977 e principais alterações: o primeiro passo tomado em 1944 com a nomeação de uma comissão à qual presidiu o professor Vaz Serra, jurisconsulto da nossa faculdade de direito. Esta elaboração de um novo código justificava-se por: a) Existência de enorme legislação avulsa; b) Inadequação das concepções do código às doutrinas e valores afirmados pelo Estado Novo. Os trabalhos estenderam-se por 22 anos até que o Ministro da Justiça Antunes Varela, o projecto do código civil, sendo o mesmo a ser aprovado em 15 de Novembro de 1966. Como grandes exemplos da modificação em relação ao código anterior no que respeita ao conteúdo, temos por exemplo a exigência das sociedades constituídas serem reconhecidas por uma entidade pública (forma de o Estado Novo controlar a sociedade e impedir a liberdade de expressão), a posição do homem como chefe de família, a posição mais favorável ao filhos nascidos dentro do casamento em relação aos nascidos fora deste. Em termos de estrutura temos a adopção do plano de Savigny ou sistematização Germânica (uma parte geral e 4 partes especiais). Vamos depois ter uma reforma em 1977 com a necessidade de adaptar o código civil à Constituição de 1976, exemplo disto é o da igualdade de direitos entre filhos nascidos dentro e fora do casamento, o princípio da igualdade entre homens e mulheres. No entanto a reforma de 1977 teve também algumas inovações como é o caso: a) Melhoria da posição sucessória do conjugue sobrevivo; b) Extinção da enfiteuse; c) Alterações ao nível do arrendamento, o que fez com que o mesmo saísse do código devido à profundidade do mesmo e também à frequência da sua mudança o que não conferiria estabilidade a esta disciplina, daí a sua remoção do código; d) A maior idade dos 21 anos para os 18 anos; e) Outras mudanças de menor vulto se seguiram visto que o código , embora vise a estabilização das normas não é imutável às transformações sociais, económicas e politicas e às novas descobertas.

25

o O Estilo e a classificação das normas civis: Vejamos os três tipos e formulações legais: a) Casuístico: emissão de normas jurídicas prevendo o maior numero possível de situações da vida real. através de uma hipótese concretizada em casos reais e através de uma estatuição extremamente minuciosa. 297º/1 Se estabelecer um prazo mais curto aplica-se aos prazos em curso mas só se começa a contar a partir da entrada em vigor da nova lei. rege o artigo 297º. mas aqui começa-se a contar desde o momento inicial.html o Legislação complementar do código civil: quando à legislação complementar há que distinguir dois tipos: as de leis civis e de leis não civis. Rápida desactualização destas leis por efeitos como a inflação ou a evolução tecnológica. embora bem definidos e determinados por força de um grande trabalho da doutrina e da jurisprudência.com/index.http://apontamentosdireito. que é regulado pelo artigo 12º do nosso código. O principio geral (a lei só dispõe para o futuro artigo 12º nº1 e nº2 1ª parte). desta forma. Tudo porque as normas se vão sucedendo no tempo. Esta formulação era típica do direito romano. b) Legal abstracto – generalizador: traduz-se na elaboração de tipos de situação da vida. o Aplicação das leis civis no tempo: é muito importante saber quais as normas que se vão aplicar para as diversas situações. Temos depois vários códigos que complementam o código civil. o RAU ou mesmo o direito real de habitação periódica. através de conceitos gerais e abstractos. Tem na sua base a crença optimista da capacidade de prever todas as situações e assim subtrair ao arbítrio do julgador a decisão do conflito em causa. Em relação às alterações de prazos através da lei. No entanto so notórias as desvantagens deste estilo: a.  A lei interpretativa é integrada na interpretada – artigo 13º. A tarefa do julgador é a de subsumir as situações da vida concreta à hipótese legal. 297º/2 Se estabelecer um prazo mais longo também se aplica aos prazos em curso. Com excepção de se de acordo com a lei antiga faltar menos tempo. Na lei civil temos as partes numa posição de paridade. tais como. No caso de leis civis temos vários diplomas que complementam o código civil. surge. No entanto se a lei dispuser directamente sobre o conteúdo de certas relações jurídicas ela vai abranger as relações já constituídas e que subsistam aquando da sua entrada em vigor – artigo 12º nº2 – 2ª parte.atspace. aparecendo entre nós com as ordenações do Reino. não há portanto ius imperi. b. o problema da aplicação das leis no tempo. Impossibilidade de regular casuisticamente todos os casos relevantes. Temos como exemplos o código de registo civil ou o código do notariado. Estilo típico da jurisprudência dos 26 . podendo hoje uma norma ser substituída por outra.

de acordo com a jurisprudência dos valores.com/index. Normas gerais. Este estilo assenta na consciência da impossibilidade de prever todas as hipóteses geradas na vida e na necessidade de atribuir algum carácter valorativo na intervenção do decidente aquando da sua aplicação da lei. b. Para atenuar isto mesmo foram introduzidas clausulas gerais e mesmo conceitos indeterminados. grande exemplo de uma cláusula geral é a da boa fé presente no artigo 762º nº2 (temos aqui a boa fé em sentido objectivo. de situações juridicamente relevantes que não encontram na lei uma solução expressa. levar o Juiz a decisões menos rectas para o caso concreto.html conceitos. doseando a necessidade de certeza e segurança com uma preocupação de justiça para todos os casos concretos. O juiz no acto de aplicação da lei tem uma grande margem de discricionariedade. ou seja. especiais e excepcionais (já analisamos ver atrás) 27 . c. este estilo apresenta uma falta de maleabilidade face à multiplicidade e complexidade da vida real por mais que os seus conceitos sejam gerais e abstractos. conceito que deriva do principio bónus pater famílias romano que caracteriza um homem cujas capacidades são medianas. c) Linhas de orientação: aqui o legislador limita-se a estabelecer módulos de apreciação. Aqui a hipótese e a estatuição não estão definidas por caracteres limitados.  O nosso código civil adopta fundamentalmente o tipo de formulação mediante conceitos gerais e abstractos. mas saber se o sujeito agiu honesta e honradamente depende de várias situações e o juiz tem grande margem discricionária. Este método possibilita um maior grau de segurança e razoabilidade das soluções. É o problema das lacunas. mas sem uma zona nuclear segura e uma certa indeterminação da sua área e dos seus limites legais. No entanto poderá levar. o Classificação das normas civis:  Existem várias classificações de normas civis: a. Cláusulas gerais: recorremos a critérios valorativos de apreciação. dotando o nosso código de uma adaptação às várias situações da vida. Aqui não há subsunção ou dedução mas indução. Como exemplo de um conceito indeterminado temos o artigo 487º nº2 – a diligência de um bom pai de família. em razão de variedade da vida. Normas imperativas: não podem ser afastadas pela vontade das partes. Como grande exemplo deste estilo temos o código civil Suíço de 1907. b. Existem dois tipos de linhas de orientação: a.atspace. Conceitos indeterminados: são conceitos imprecisos e maleáveis com características dos pressupostos de facto de uma norma. No entanto. Normas supletivas: podem ser afastadas pela vontade das partes.http://apontamentosdireito. É um conceito muito indeterminado que faz apelo a critérios valorativos face a cada caso concreto.

disciplinado e garantido pelo direito civil que une entre si sujeitos de direito. Aqui se o devedor. o A relação jurídica civil: a. por exemplo. Há aqui uma dicotomia entre o poder de exigir e o de pretender: Poder de exigir: na quase totalidade das hipóteses o titular do direito subjectivo. pode recorrer aos tribunais para deles obter as providencias necessárias coercivas aptas a satisfazer o seu interesse. no entanto. de uma divida de jogo ilícito – artigo 1245º.  Conteúdo da relação jurídica: o Direitos subjectivos propriamente ditos ou stricto sensu: é o poder jurídico reconhecido pela ordem jurídica a uma pessoa de livremente exigir ou pretender de outrém um comportamento positivo (acção) ou negativo (omissão). aí estamos perante uma relação jurídica concreta (ex. o senhor A pode exigir do inquilino B a renda de 150 euros pelo arrendamento do quarto x). Poder de pretender: há um círculo restrito de hipóteses.com/index. de um direito potestativo ou de um poder – dever e imposição a outra pessoa de um dever jurídico ou uma sujeição correspondente. 402º e 403º. cumprir espontaneamente. que estabelecem vários princípios acerca das normas jurídicas. a necessidade de realizar o comportamento a que tem direito o titular activo da acção. na posição passiva. aplicação do direito em relação com a realidade social que é também objecto de normas jurídicas. sobre um objecto determinado e de um facto jurídico determinado. São. contrapõe-se-lhe.http://apontamentosdireito. É o caso das obrigações naturais reguladas nos arts. Podemos considerar a expressão relação jurídica com referência a um modelo. que não podia 28 . Por outro lado a teoria geral da relação jurídica civil. concentradas nos artigos 1º a 13º cc. Conceito e conteúdo: Relação jurídica: é o vínculo normativo. em que o titular do direito não pode reagir contra o adversário se este não adoptar o comportamento que lhe é prescrito. deveres jurídicos. o dever jurídico. porque se o sujeito passivo cumprir voluntariamente. no caso da contraparte não cumprir o dever jurídico a que está adstrita. relação pela qual o inquilino deve pagar a renda ao senhorio). mediante a atribuição a uma pessoa de um direito subjectivo propriamente dito. temos a teoria geral do ordenamento jurídico civil: diz respeito às normas gerais do código civil. a lei trata a situação como se o comportamento lhe tivesse podido ser exigido.atspace. Podemos considerar a expressão relação jurídica com referência a uma relação existente na realidade entre pessoas determinadas. aí estamos perante uma relação jurídica abstracta (ex. ou seja. o credor. paradigma ou esquema contido na lei.html o O âmbito da Teoria geral do direito civil: por um lado.

2No caso de alguns deveres jurídicos de abstenção pendentes sobre todas as pessoas. contrapõe – se – lhe. falamos de direitos relativos. a uma pessoa de por um acto de livre vontade. separação judicial de pessoas e bens – art 1795º-A). Extintivos: produzem a extinção de uma relação jurídica existente (exemplo. tem a possibilidade prática de não cumprir. Lado passivo dos direitos subjectivos strictu sensu e dos direitos potestativos: Contraposto aos direitos subjectivos propriamente ditos temos o dever jurídico.Mota Pinto. Modificativos: produzem uma simples modificação numa relação jurídica existente e que continuará a existir apesar de modificada (exemplo. então. um poder que é da vontade e que o seu titular poderá usar livremente e impor aos outros  é a posição defendida por Savigny e pelo Dr.http://apontamentosdireito. então falamos de direitos absolutos – erga omnes. 29 . trata-se de uma necessidade inelutável. diversamente do dever jurídico.  Podem ser: 1. Teoria da vontade e teoria do interesse: ao definirmos direito subjectivo propriamente dito ou direito potestativo definimo-lo como um poder jurídico. Contraposto aos direitos potestativos temos a sujeição.atspace. ou seja. na posição passiva. a sujeição. embora se expondo a sanções. reconhecido pela ordem jurídica. só de per si. Há uma colaboração do sujeito do dever para que e cumpra esse direito. 3. não podendo o sujeitado violar ou infringir essa situação mesmo que esta vá contra a sua vontade. não tem a condictio indebiti. Aqui o sujeito do dever. ou integrado por um acto de uma autoridade pública. goza da soluti retentio. produzir determinados efeitos jurídicos que inevitavelmente se impõe ao sujeito passivo. Constitutivos: produzem a constituição de uma relação jurídica por acto unilateral do seu titular (exemplo – constituição de servidão de passagem em beneficio de prédio encravado – artº 1550º). pode conservar a prestação recebida. Aqui.com/index. Enquanto que o devedor não tem a possibilidade de repetir. o direito de obter o divorcio – art. Os deveres jurídicos podem ser: 1Pendentes sobre uma ou mais pessoas determinadas e. 2. a situação de necessidade em que se encontra o sujeito passivo de ver produzir – se forçosamente uma consequência na sua esfera jurídica por efeito do exercício do direito pelo seu titular. 1773º). o Direitos potestativos: é o poder jurídico.html exigir judicialmente um pagamento.

fixando o objecto dos direitos das partes e o conteúdo dos mesmos. característica que não pode ser imputada ao nosso sistema jurídico. o poder paternal). para haver uma relação jurídica civil é preciso existir mais do que uma pessoa. Para além de condicionar a relação jurídica vai modelar o conteúdo da relação jurídica. ou seja. Estes poderes não podem ser exercidos se o seu titular quiser e como quiser. podendo essas pessoas ser singulares ou colectivas. mas do modo exigido pela função do direito (exemplo.  Elementos da relação: Sujeito: são as pessoas entre quem se estabelece o vínculo respectivo: os titulares do direito subjectivo stricto sensu ou do direito potestativo e das posições passivas correspondentes. b) coisas corpóreas.com/index. extingue-se por confusão como nos refere o artigo 868º. Tem um papel condicionante no surgimento da relação jurídica. de ser titular de relações jurídicas. Como se desencadeia a energia jurídica contida na lei. ou seja. Facto jurídico: é todo o facto produtivo de efeitos jurídicos.html Diversamente Iherny e entre nós o Dr. Não é o conjunto formado pelo direito subjectivo e o correspondente dever jurídico. É condição ou pressuposto da sua existência. Orlando de Carvalho dizem que se trata da expressão de interesses juridicamente protegidos. Se não forem exercidos quando deviam sê-lo ou forem exercidos de outro modo o seu titular infringe um dever jurídico que é passível de sanções (exemplo.http://apontamentosdireito. públicas ou privadas. Podem ser objecto de relações jurídicas: a) outras pessoas. estes formam o conteúdo da RJ. Se existir apenas uma não há relação jurídica. Há que dizer que só em casos extremos de clamorosa e manifesta contrariedade entre o exercício do direito e o seu fim social ou económico. 2Objecto: aquilo sobre que incidem os poderes do titular activo da relação jurídica.atspace. c) coisas incorpóreas. e) outros direitos. o exercício desse direito é ilegítimo por força do artigo 334º que consagra a doutrina do abuso do direito. Algo com o qual não concordamos devido à estrita funcionalização que faz dos direitos. Os poderes-deveres visam sobretudo a defesa dos interesses do sujeito passivo. o Poderes – deveres: só há direitos subjectivos quando o exercício do poder jurídico está dependente da vontade do seu titular. por falta dessa liberdade de actuação é que os poderes-deveres não são direitos subjectivos. o dever jurídico e a sujeição. É aquilo sobre que incidem os poderes do titular desse direito subjectivo. Assim. 1- 3- 30 . São pessoas já que a personalidade jurídica é a susceptibilidade de ser titular de direitos e obrigações. inibição do poder paternal). d) modos de ser da própria pessoa.

Nas obrigações naturais existe igualmente o elemento garantia. é. Procurou-se.atspace. nos termos do artigo 619º. o que está excluído será o recurso à força própria para obter satisfação. ou seja. porque enquanto a acção directa supõe uma acção já consumada e é um meio repressivo. como é patente pelo artigo 336º (acção directa). sendo que nesta última. não desencadeia a aplicação de uma pena. Protege-o ainda contra ameaças ou receios legítimos de infracção do dever jurídico como é visível no artigo 619º. Diferentemente é a legitima defesa presente no 337º. conexionadas ou unificadas por um qualquer aspecto (exemplo. desde que respeite os pressupostos aí presentes. O facto ilícito civil. como é o caso do arresto de bens. normalmente. Nos direitos potestativos podemos dizer que há uma garantia mais forte do que nos direitos subjectivos stricto sensu. Para a tutela de um direito o seu titular deve requerer perante os tribunais a providência adequada. o titular não pode reagir e obter ressarcimento pelas vias de facto. uma série de direitos subjectivos propriamente ditos ou direitos potestativos e deveres jurídicos ou sujeições correspondentes. Falamos da solutio redentio. Em princípio.http://apontamentosdireito. A justiça privada. como tal. em que a outra parte não pode infringir esse direito. de forma a obter a satisfação do seu direito. no entanto.html Garantia: é o conjunto de providências coercitivas postas à disposição do titular activo de uma RJ. que esta supressão fosse acompanhada de medidas sucedâneas de tutela.com/index. mediante atribuição ao sujeito activo de um direito subjectivo propriamente dito ou de um direito potestativo.  Classificação das relações jurídicas: a) Relação jurídica simples ou singular: relação existente entre dois sujeitos. e. a legitima defesa é um meio preventivo dirigido a afastar a agressão iminente em inicio de execução mas ainda não consumada. ao sujeito passivo do dever jurídico ou sujeição correspondentes. Excepcionalmente a auto-defesa dos direitos pode ser lícita. o defendente pode lesar interesses superiores aos interesses ameaçados. intentará uma acção. A prisão por dívidas foi suprimida em 77. sendo que sempre que possível se procederá à reconstituição natural. ilícita. b) Relação jurídica complexa: trata-se de uma série de relações jurídicas singulares. lesado por um obrigado que o infringiu ou ameaça infringir. assim. A sua forma mais frequente é a indemnização dos danos causados ao titular do direito. Há que referir que a garantia não protege o titular do direito apenas no caso de violação do seu direito. este não poder o obrigado repetir o que haja prestado. ou seja. Dando-lhe mesmo a possibilidade através de acções de simples apreciação por termo em juízo à situação de dúvida sobre a existência do seu direito. A garantia da Relação jurídico privada só entra. ao contrário da acção directa. A relação entre o comprador e o vendedor de uma máquina não contém só o dever 4- 31 . já que é uma garantia infalível. em movimento sob o impulso do titular do direito subjectivo violado ou ameaçado.

Trata-se de uma verdadeira expectativa jurídica e não de uma expectativa de facto pois a lei protege a sua posição. estando já parcialmente verificado o facto jurídico constitutivo desse direito. c) Relações jurídicas principais: são autónomas. b) Relações jurídicas imperfeitas: têm apenas um embrião de garantia jurídica. como deveres acessórios de o vendedor guardar a máquina ou deveres laterais do vendedor informar o comprador do modo de funcionamento da máquina. g) Relações jurídicas dominiais: há poder do titular activo dispor livremente do objecto jurídico. mas torna o devedor credor da entrega da máquina. exemplo no caso do suicídio.com/index.atspace. Exemplo.  Outras classificações: a) Relações jurídicas perfeitas: têm plena garantia jurídica. exemplo a fiança. é desta forma diferente do dever jurídico.  Pessoas singulares e pessoas colectivas: personalidade e capacidade: Sujeitos de direito: são os entes susceptíveis de serem titulares autónomos de direitos e obrigações.http://apontamentosdireito. ao contrário do que acontece com o dever jurídico em que há nítida desaprovação. O ordenamento no caso do ónus não desaprova o seu não acatamento. Embora nestas relações possa haver lugar a uma indemnização a título de compensação. f) Relações jurídicas não patrimoniais ou pessoais ou extrapatrimoniais: não são susceptíveis de uma avaliação pecuniária. Aqui o onerado não deve. mas perde ou deixa de obter uma vantagem.html de pagar o preço e o direito ao preço. É uma situação em que se verifica a possibilidade juridicamente tutelada de aquisição futura de um direito. de serem titulares autónomos de relações jurídicas. juridicamente tutelada. mas se não o praticar não realizará certo interesse. exemplo as obrigações naturais. ele pode praticar ou não um certo acto. o onerado ao não acatar o ónus não infringe nenhum dever nem a sua conduta é ilícita. b) Expectativa jurídica: situação activa. não estando dependentes de outras relações jurídicas. 32 . o ónus da prova. ou outros vínculos. h) Relações jurídicas não dominiais: não há poder do titular activo dispor livremente do objecto. correspondente a um estádio de um processo complexo de formação sucessiva de um direito. etc)  Outras figuras jurídicas: a) Ónus: necessidade de observância de determinados comportamentos para a realização de um interesse próprio. d) Relações jurídicas acessórias: estão dependentes da relação jurídica principal. e) Relações jurídicas patrimoniais: são susceptíveis de avaliação pecuniária.

Faltando essa aptidão para actuar pessoal e autonomamente teremos uma incapacidade de exercício de direitos que pode ser suprida pela representação legal ou pela assistência. ou seja. Nem só os menores são incapazes para o exercício de direitos – artigo 123º. ou seja. Ao contrário da capacidade de gozo de direitos. A capacidade para o exercício de direitos é reconhecida aos indivíduos que atinjam a maioridade – artigo 130º. a capacidade jurídica para o exercício de direitos pode faltar a uma pessoa singular. Esta aptidão é própria das pessoas singulares. devem estar desprovidas de capacidade de exercício as pessoas que por várias razões não possam determinar com normal esclarecimento ou liberdade interior os seus interesses. A incapacidade pode ser genérica (refere-se a actos jurídicos em geral) ou específica (refere-se a actos jurídicos em especial).html A personalidade jurídica é essa aptidão para ser titular autónomo de relações jurídicas. Assim.com/index. Tudo porque esta capacidade para agir supõe uma capacidade de querer e entender. que deriva de uma exigência do direito em respeitar a dignidade que deve reconhecer a todos os seres humanos. Actua autonomamente já que também não carece de consentimento de ninguém. nem anterior. não carece de ser substituída na prática de actos que põem em movimento a sua esfera jurídica. As pessoas singulares têm uma capacidade jurídica mais ampla do que as pessoas colectivas como facilmente se depreende da comparação dos artigos 67º e 160º. por qualquer representante designado na lei ou em conformidade com ela. Aptidão que vem regulada no artigo 66º. À personalidade jurídica é inerente a capacidade jurídica ou capacidade de gozo de direitos: é essa aptidão para ser titular de um circulo. por acto próprio e exclusivo ou mediante um representante voluntário ou procurador. adquirindo direitos ou assumindo obrigações. 33 . nem posterior ao acto. A diferença é que essa capacidade pode ser mais ou menos restrita. Há outras incapacidades como a dos interditos – artigo 138º e a dos inabilitados – artigo 152º. um representante escolhido pelo próprio representado.atspace. sendo-se sempre pessoa. Mas também as pessoas colectivas têm personalidade jurídica como resulta do artigo 158º.http://apontamentosdireito. com mais ou menos restrições de relações jurídicas. Todo o sujeito para além de um círculo mínimo de direitos patrimoniais que só teoricamente poderão faltar. ele é necessariamente titular de um círculo de direitos de personalidade.  Capacidade jurídica para o exercício de direitos: Capacidade para o exercício de direitos: é a idoneidade para actuar juridicamente. A pessoa dotada de capacidade de exercício actua pessoalmente. exercendo direitos ou cumprindo deveres.

É o caso de atribuição de bens por doação ou sucessão “mortis causa” a um nascituro (aquele que já foi gerado mas ainda não nasceu) ou até a um concepturo (aquele que ainda será gerado) em que parece não haver titular activo entre o momento da doação ou morte e do nascimento do beneficiário que fará surgir a pessoa jurídica.com/index. Outros autores falam de relações jurídicas imperfeitas já que é um caso de provisória inexistência do sujeito. ver em baixo segundo o livro) Toda a relação jurídica tem de estar conexionada com um sujeito. sendo um absurdo essa possibilidade. PROBLEMA DA EXISTENCIA DE DIREITOS SEM SUJEITO – LIVRO: Há situações jurídicas em que. o caso da herança jacente constitui um património autónomo em que os credores têm possibilidade processual de executar estes bens. falta um dos sujeitos jurídicos. consideram que o direito subjectivo se traduz num poder e como tal tem de pertencer a alguém e o mesmo para a obrigação. sobretudo activo mas também passivo. 34 . a seguir está a transcrição do livro do doutor Capelo)  O problema dos direitos sem sujeito: (segundo apontamentos) (passar á frente está confuso. Pode também haver situações de aparência da falta do sujeito passivo. de doação ou sucessão a favor de nascituro não concebido ou concepturo (952º e 1 Herança jacente: herança aberta pela morte de uma pessoa singular mas ainda não aceite pelos seus herdeiros familiares nem declarada vaga para o Estado – 2046º. a inexistência de direitos sem sujeito.atspace. Assim. pelo menos aparentemente. é o caso das obrigações do de cuius incluídas na herança jacente. nestes casos. já que todo o poder implica necessariamente um titular e todo dever um suporte. Além disso. Manuel de Andrade e Mota Pinto negam a possibilidade lógica da existência de direitos sem sujeito. No entanto certas situações parecem só poder ser juridicamente enquadradas numa categoria de direitos sem sujeito. Com um direito sobre eles esse objecto não estaria integrado em nenhuma relação jurídica mas também não seria livre já que estava a ser objecto de uma tutela jurídica que o reservaria para um provável direito futuro. Conferir os artigos 952º e 2033º. admitindo. Lehmann. Windscheid afirmava a existência.http://apontamentosdireito. de direitos sem sujeito. sendo que apenas a herança responde por esta dívida e não os bens pessoais dos herdeiros. assim.html (Nota: nesta parte está problema dos direitos sem sujeito segundo uns apontamentos. no caso da herança jacente (2046º) até tal aceitação ou declaração (2050º e 2155º). O mesmo acontece com a situação de direitos que integram a herança entre a morte do cuius e aceitação da herança  período de herança jacente1. já que o poder pressupõe um titular e o (dever) a vinculação um suporte. já que defendendo a teoria da vontade. está confuso. As situações anteriormente descritas seriam estados de vinculação de certos bens em vista do surgimento futuro de uma pessoa.

Na linha de Orlando de Carvalho « o núcleo de poderes sobre os bens se encontre definido» ou como cremos melhor. permite manter ou organizar antecipadamente tal estrutura. que se encontrem já estruturados o conteúdo e o objecto de determinados poderes jurídicos de exigir ou pretender o comportamento de outra(s) pessoa(s) ou de intervir inelutavelmente na esfera jurídica de outra pessoa.com/index. quando a ordem jurídica face a especiais interesses em jogo.http://apontamentosdireito. mecanismos jurídicos cuja melhor construção doutrinaria será a de direitos subjectivos sem sujeito. de construção doutrinal. respeitar a dignidade que se tem de reconhecer a todos os seres humanos. na sua exacta configuração. sendo certo que os sucessíveis aceitantes virão a responder por tal obrigação. excepcionalmente. bem como os correlativos deveres ou sujeições jurídicos. Trata-se de um problema teorético. em termos de o respectivo poder jurídico. a) Inicio: começo da personalidade jurídica vem estabelecida no artigo 66º nº1.a )enquanto este não nascer o não houver posibilidade de nascer. ficar predisposto a ser adquirido por um ser dotado de personalidade jurídica ou a extinguir-se. PESSOAS SINGULARES  Personalidade jurídica: aptidão para ser titular autónomo de relações jurídicas. por razoes muito especiais. Por outro lado. faltará ou ainda faltará o sujeito passivo de uma obrigação contraída por uma pessoa entretanto falecida e cuja herança se encontra jacente. Parecem ser essas as situações jurídicas. até ser encontrado ou ter caducado). Entende-se por nascimento a separação do filho do corpo materno. Orlando Carvalho. O nascimento completo dá-se com a separação total do filho relativamente à mãe e 35 . O sistema pode admitir para certos casos. Algo que nas pessoas singulares corresponde a uma exigência do direito. Doutrina divide-se quanto à existência ou não de direitos sem sujeito: Manuel de Andrade e Mota Pinto entendem que estamos perante «meros estados de vinculação de bens em vista da possível superveniência de titulares para eles» uma vez que o direito subjectivo pressuporia sempre a ligação do direito a uma determinada pessoa.html 2033º nº2 al.Há que ter muita prudência na analise de outras eventuais eventualmente semelhantes. a resolver. A personalidade jurídica vai adquirir-se no momento em que a separação se dá com vida e de modo completo. a partir dos dados do nosso sistema legal. Diferente. A concepção que perfilhámos de direito subjectivo consubstancia-se em um poder jurídico distinto do poder material efectivo pelo que não nos parece inseparável da titularidade sempre actual de uma determinada pessoa. bem como no caso de abandono de um titulo ao portador (acção de uma sociedade anónima ou bilhete cinema.atspace. quase clássicas acima referidas. Castro Mendes e Oliveira Ascensão consideram haver nestes casos direitos subjectivos sem sujeito.

Morte: nos termos do artigo 68º nº1 a personalidade cessa com a morte. basta que a criança nasça completamente e com vida. nos termos do artigo 66º nº1. Há hoje processos médico – legais para determinar se o recém nascido respirou ou não após o parto. a nossa lei reconhece aos nascituros direitos. Esse direito não pressupõe uma atribuição de personalidade jurídica ao nascituro. prazo de viabilidade de sobrevivência. que no entanto estão dependentes do seu nascimento completo e com vida. Se no entanto. Este corte pode ter lugar antes da separação total do corpo materno para que. um filho pode pedir indemnização pelas deformações físicas ou psíquicas que sofra no ventre da mãe causados.html ao seu corpo com o corte do cordão umbilical. ainda que a sua sobrevivência não seja viável. algo que era exigido pelo código de Seabra com o fundamento lendário de que uma mulher poderia gerar monstros. por exemplo este não se enrole à volta do pescoço da criança. Nascimento com vida: quando há respiração do nascido fora do corpo da mãe. mesmo que pouco tempo à mãe ele é herdeiro desta e se ele morrer de seguida o herdeiro é o pai. já que só no momento do seu nascimento (completo e com vida) é que o dano se consuma. A nossa lei não exige: o nascimento com figura humana. Assim.http://apontamentosdireito. não terá direito a essa indemnização (Capelo de Sousa diz que os pais têm pois não faria sentido premiar o melhor assassino) (???). Neste caso não há ainda separação completa. por exemplo. apesar de não terem ainda PJ e não serem como tal sujeitos de direito. Até ao nascimento estaremos perante a problemática dos direitos sem sujeito. se a criança pelo contrário nasce morta ou morre antes da mãe. apesar da agressão que o desencadeia seja anterior. Assim. por um medicamento. o feto agredido no ventre da mãe não chega a nascer com vida. Ver melhor o livro do doutor Capelo de Sousa pagina 265 e ss. Para este caso a melhor doutrina será a que nos refere que os nascituros têm uma personalidade jurídica parcial.atspace. c) Termo da Personalidade jurídica: a. já que estão dependentes do seu nascimento. Assim. Algo que é bastante importante em matéria sucessória. fora do útero materno. os herdeiros desta são o marido e também os seus pais.com/index. Por exemplo se a mãe morre no parto e o filho nasce vivo e sobrevive. O artigo 66º nº2 diz-nos que os direitos reconhecidos por lei aos nascituros dependem do seu nascimento. b) Condição jurídica dos nascituros: a lei permite que se façam doações aos nascituros concebidos ou não concebidos (concepturos) – artigo 952º e se definam sucessões quanto aos concebidos – artigo 2033º nº1 e apenas testamentária ou contratual quanto aos não concebidos – artigo 2033º nº2. Sendo que essa morte pode ser natural ou presumida – 36 .

No que diz respeito à morte biológica hoje as modernas técnicas de reanimação levam a pôr em causa o critério tradicional do momento da morte: paragem cardíaca. Exemplo. dando-se hoje relevo à morte cerebral. sobretudo no que respeita a efeitos sucessórios. de morte simultânea. Uma portaria de 71 embora não venha a definir legalmente o momento da morte. Sendo julgada a justificação. Presunção de conivência: no artigo 68º/2 consagra-se uma presunção de comonivencia. mas se provar que o filho morreu algumas horas depois. então. se mais tarde se verificar que terá havido engano. Tratando-se de uma presunção elidível. já que essa recolha e operações de transplante exigem a colheita antes da paragem circulatória e respiratória. por exemplo no direito Inglês presume-se a premoniencia do mais velho.html artigo 114º. a herança é dividida pelos dois filhos. o conservador lavrará o assento do óbito com base na sentença. b. Concorda com esta posição o Dr Mota Pinto tendo uma posição contrária os Drs Pires de Lima e Antunes Varela que vêm nesse artigo uma protecção aos direitos de personalidade depois da morte do seu titular. já que se trata de uma protecção de interesses e direitos de pessoas vivas que sejam afectados por actos ofensivos da memória do falecido.http://apontamentosdireito.  A capacidade jurídica: 37 . requerer-se-á a invalidação ou rectificação desse assento. Outras ordens jurídicas consagram a presunção de premoniencia. vem determinar regras que permitam concluir a verificação do óbito para efeitos de recolha de tecidos ou órgãos quando há lesão irreversível do sistema nervoso central. Esta presunção tem grande importância prática. ou seja. Sendo que o artigo 71º nº1 não é um desvio à cessação da personalidade com a morte. c. (questão abordada no capitulo dos direitos de personalidade). circulatória e respiratória. No caso. passando a quota do filho que veio a morrer para os seus herdeiros. de não se encontrar ou não ser possível identificar o cadáver é aberto o processo de justificação judicial do óbito a cargo do MP. por prova em contrário. Desaparecimento da pessoa: este desaparecimento vem regulado no artigo 68º nº3. extinguindo-se os de natureza pessoal e transmitindo-se para os sucessores os de natureza patrimonial.atspace. No momento da morte a pessoa perde os direitos e deveres da sua esfera jurídica. casal que tem dois filhos e num acidente morre o casal e um dos filhos. Aplicando-se a esses casos as regras da morte presumida (artigos 114º ss). Se as mortes são simultâneas o outro filho sucede na totalidade da herança. não se verificando fenómenos de transição entre os comonientes.com/index.

algo que resulta dos artigos 130º e 133º. os negócios não podem ser concluídos por outra pessoa em nome do incapaz. c) Incapacidade para perfilhar dos menores de 16 anos.Capacidade jurídica de gozo: a regra geral é a da capacidade jurídica. Sendo que o mesmo artigo nos alerta para algumas restrições: incapacidades de gozo que são excepções a esta regra geral. c) Pode ser declarada pelo tribunal ex officio.  A incapacidade de gozo provoca. como a que força do artigo 953º e é estabelecida no artigo 2192º. embora por reflexo servisse também o interesse do pródigo. é assim que o código se refere a estas situações no artigo 953º  as pessoas abrangidas nestas proibições têm plena capacidade para a pratica de quaisquer actos.Capacidade jurídica de exercício: a regra geral é a de que todas as pessoas singulares maiores e emancipadas têm plena capacidade de exercício de direitos. II. de interditos por anomalia psíquica e dos notoriamente dementes no momento da perfilhação  artigo 1850º. Neste sentido Santono Passanelli e Manuel de Andrade. como nos refere o artigo 67º.html I. isto é. b) Não existem prazos para a sua invocação. Estabelece também a nulidade de certas doações quando feitas a determinadas pessoas. As incapacidades de exercício são excepcionais e são estabelecidas expressamente pela lei. Trata-se de uma indisponibilidade relativa pois há só uma restrição do poder de disposição em certa direcção. Hoje o instituto da inabilitação é visto como algo do interesse do próprio inabilitado.http://apontamentosdireito. Estas situações não são de absoluta incapacidade . como a contida no artigo 877º ou 261º.com/index. regra geral a nulidade dos negócios jurídicos respectivos: a) Pode ser invocada por qualquer interessado. A incapacidade de exercício provoca a anulabilidade dos negócios jurídicos respectivos: a) Só pode ser invocada por aquelas pessoas no interesse das quais a lei estabelece a anulabilidade. O interesse determinante das incapacidades é o interesse do próprio incapaz. No código de 1867 a incapacidade dos interditos por prodigalidade / já que não existia a inabilitação era vista pela doutrina como instituída no interesse de outras pessoas. não pela sua categoria genérica mas em razão de uma certa relação com o objecto do negócio e com a outra parte. Temos as seguintes incapacidade de gozo: a) Incapacidades nupciais: impedimentos dirimentes absolutos e relativos  artigo 1601º e 1602º. 38 .atspace. b) Incapacidade de testar dos menores não emancipados e dos interditos por anomalia psíquica  artigo 2189º. sendo-lhes simplesmente vedada a prática de certos negócios . definidos. E é insuprível. nem por este com autorização (……) O nosso código civil estabelece certas proibições no domínio da compra e venda em razão dos sujeitos.

Os menores sofrem de uma incapacidade genérica já que abrange negócios de natureza pessoal ou patrimonial. portanto. caso contrário. mas dá lugar à aplicação de sanções especiais (1649º). ou seja. c) Para o negócio ser anulado tem de haver uma acção intentada não se procedendo ex officio . se tiver sido operada a modificação da situação factual. não é portanto um representante voluntário no sentido em que não é escolhido pelo representado. Não actua.http://apontamentosdireito.atspace.  Podem fazer testamento se emancipados (2189º). As pessoas com legitimidade para requerer a anulabilidade são: 2 Esses prazos só funcionam se o negócio estiver cumprido. b CC). b) Assistência: a lei admite o incapaz a agir.  Podem perfilhar se tiverem mais de 16 anos (1850º). mas podendo sê-lo através de meios destinados ao suprimento da incapacidade que cito: a) Representação: é admitida a agir outra pessoa em nome e no interesse do incapaz.Amplitude: esta incapacidade cessa com:  Maioridade (130º. a oposição dos pais ou do tutor constitui um impedimento impediente e como tal não implica a nulidade do acto (1604º).com/index. nº1 al.  Negócios relativos à profissão e ao seu exercício (127º.  Emancipação que hoje apenas resulta do casamento (arts. no entanto excepções à incapacidade:  Actos de administração ou disposição de bens que o menor adquiriu pelo seu trabalho (127º. c CC). daí que terão capacidade para administrar os bens que adquirem pelo seu trabalho (salário) e os que adquirem através do salário. em vez dele.  Negócios próprios da vida corrente do menor. mas exige o consentimento de certa pessoa ou entidade. Por exemplo a compra de uma caneta. salvo se estiver pendente contra o menor ao atingir a maioridade uma acção de interdição ou inabilitação (artigo 131º). que estando ao alcance da sua capacidade natural.html b) Existem prazos para a sua invocação2. a pessoa é denominada representante legal. (ver melhor).Efeitos: os negócios jurídicos praticados pelo menor contrariamente à proibição em que se cifra a incapacidade estão feridos de anulabilidade (125º). 39 . Existem. e é suprível não podendo os negócios ser realizados pelo incapaz ou por um seu procurador . Aqui há uma autonomização ao incapaz a agir pertencendo a iniciativa ao próprio incapaz. a CC). desde que tenham idade superior a 16 anos (1601º).Incapacidades de exercício: a) Menoridade: 1. 129º. 132º e 133º). impliquem apenas despesas ou disposições de bens de pequena importância (127º. a anulabilidade pode ser requerida sem dependência de prazo – artigo 287º nº2. Tudo porque os maiores de 14 anos. com autorização dos pais podem trabalhar. 2.  Podem contrair validamente casamento. pois é designada pela lei ou em conformidade com esta. nº1 al. III. nº1 al.

com/index.  Orlando de Carvalho e Antunes Varela: dizem que os representantes poderão requerer essa anulabilidade porque o relevante é a tutela dos interesses do incapaz que são tutelados pelo exercício do poder paternal.b). deve ser instaurada sempre que se verifique alguma das situações previstas no artigo 1921º. O tutor tem poderes de representação.  c) Qualquer herdeiro num ano a contar da morte sem que ultrapasse um ano da sua maioridade ou emancipação (125º. visto que estes são meros continuadores da esfera jurídica do de cuius. al. Assiste-se aqui. O poder paternal pode ser alvo de inibições como se depreende dos artigos 1913º e seguintes. al. Comuns ao poder paternal pessoal e patrimonial são o poder de representação (1878º e 1881º) e o poder de autoridade que os filhos devem obediência (1878º nº2). o menor não é o único com legitimidade para requerer a anulabilidade. tal como os do pai. a generalidade da esfera jurídica do menor. pois aqui o que merece relevo é a tutela do interessa da contra-parte que não pode ser prejudicada. 3.  b) O próprio menor no prazo de um ano após a maioridade ou emancipação (125º. visando a lei proteger essas expectativas. Estão excluídos da administração dos pais certos bens mencionados no artigo 1888º. nº1.html  a) Representante do menor dentro de um ano a contar do conhecimento do acto impugnado.c). As suas limitações estão presentes nos 40 . No entanto. mas nunca depois do menor atingir a maioridade ou seja emancipado (125º. como facilmente se depreende do 125º. o artigo 1889º refere-nos actos cuja validade depende de autorização do tribunal. No entanto. este domínio reflecte-se relativamente à pessoa dos filhos  1885º e ss e relativamente aos bens do filho 1888º e ss. à aplicação do princípio da proibição do venire contra factum proprium. A doutrina vai divergir em relação aos representantes:  Mota Pinto: diz que os representantes também não podem. o poder tutelar é menos amplo que o poder paternal. o artigo 1892º estabelece outra proibição.http://apontamentosdireito. As reacções aos artigos referidos geram a anulabilidade dos respectivos actos nos termos do artigo 1893º. abrangendo. O exercício do poder paternal vem previsto nos artigos 1901º e ss.Suprimento: a incapacidade do menor é suprida pelo instituto da representação sendo os meios de suprimento os seguintes:  a) Poder Paternal: o seu conteúdo está regulado no artigo 1878º. donde resulta imediatamente o facto do poder paternal pertencer aos pais não atribuindo poderes especiais ao pai ou à mãe. O direito de invocar a anulabilidade é precludido pelo comportamento malicioso do menor no caso de este ter usado de dolo (253º) a fim de ser fazer passar por maior ou emancipado (126º).a). em princípio. Aqui a doutrina converge na aceitação de que os herdeiros também não poderão requerer essa anulação.  b) Tutela: é o meio normal de suprimento do poder paternal.nº1. al.atspace. nº1.

 Quando pela sua gravidade tornem o interditando incapaz de reger a sua pessoa e bens 138º nº1 (quando essas anomalias não excluem totalmente a aptidão do sujeito para gerir os seus interesses o incapaz será inabilitado – 152º). no entanto. o mesmo acontece com a inabilitação por força do artigo 156º. a existência de “deficiências”. Quando o menor prefizer 18 anos e correr uma acção de interdição ou inabilitação contra ele o artigo 131º diz-nos que se mantém o poder paternal ou a tutela.A lei diz que se aplica o regime paternal ou tutorial.No artigo 125º. O Dr Carvalho Fernandes diz-nos que se trata de uma incapacidade de exercício autónoma. o requerimento e decretamento da interdição dentro de um ano anterior à maioridade  138º nº2. não havendo lógica de se aplicar a um maior o regime da representação legal. Aqui existirá um administrador dos bens ao lado dos pais ou do tutor. pois os menores estão sempre protegidos pela incapacidade de menoridade.  Cegeira.Não faz sentido tratar uma pessoa como maior quando é elevada a possibilidade de vir a ser declarado incapaz. daqui retiramos que o administrador é o representante legal do menor nos actos relativos aos bens cuja administração lhes pertença. O protutor será um dos vogais do conselho de família a quem cabe fiscalizar a acção do tutor de forma permanente. coexistindo com a tutela ou com o poder paternal. 2. durante esse curto espaço de tempo. equiparando os sujeitos nestas situações aos menores pelas seguintes razões: 1. nos termos do artigo 1922º. O tutor pode também ser afastado  1948 e ss. Estas “deficiências” devem ser habituais ou duradouras e actuais.http://apontamentosdireito.atspace.  c) Administração de bens: ela terá lugar. O artigo 139º manda aplicar as disposições que regulam a incapacidade por menoridade e fixam os meios de suprir o poder paternal. b) Interdição: quem pode ser interdito: a interdição é apenas aplicável a maiores. nos termos do 1954º cabe vigiar o modo como são desempenhadas as funções do tutor. São fundamentos de interdição:  Situações de anomalia psíquica. não basta. A lei permite.  A incapacidade do artigo 131º: é possível requerer-se uma interdição no ano anterior à maioridade.html artigos 1937º e 1938º. os seus poderes são idênticos aos do tutor. no entanto.  Surdez – mudez. A designação do administrador de bens é regulada nos artigos 1967º e 1968º. 3. só aí existirá interdição. Ao conselho de família.com/index. As sanções para a infracção das proibições impostas ao tutor constam dos artigos 1939º e 1940º. para que esta produza efeitos quando o menor se torne maior – 138º nº2. o disposto no 131º. nº1/a a lei ressalva no prazo do requerimento da anulabilidade. Os direitos e deveres do administrador estão consagrados no artigo 1971º. Torna-se necessária uma sentença judicial que no termo de um processo judicial declare a incapacidade. 41 .

Na pendência de processo de interdição: artigo 149º. eventualmente. neste ultimo caso os negócios não são anuláveis. são sempre anuláveis  148º.http://apontamentosdireito. b) elemento racional ? – pois evita uma quarentena a que os interditos seriam votados por outros indivíduos . As razoes que nos levam a afirmar isto são: a) o elemento gramatical de interpretação “causou”. Não há qualquer lugar para o instituto da assistência no suprimento de uma incapacidade por interdição. O negócio deu prejuízo ao interdito: a apreciação deste prejuízo reporta-se ao momento da prática do acto não se tomando em conta eventualidades ulteriores que poderão vir a tornar desvantajoso para o interdito aquele negócio. já que se estabelece uma tutela regulada pelas mesmas normas que regulam a dos menores. Quanto ao casamento não há possibilidade de suprimento da incapacidade dos interditos por anomalia psíquica – artigo 1601/b. A anulação não pode ser excluída mediante a alegação de intervalo lúcido do demente.html 1. que se recusariam a contratar com eles já que sobre eles penderia a ameaça de uma 42 . o mesmo acontece para a capacidade de testar – artigo 2189º e para perfilhação – artigo 1850º. falta de prejudicabilidade do acto ou desconhecimento pela contra – parte da interdição.Depois do registo da sentença definitiva: o artigo 148º mostra-nos que os negócios jurídicos realizados neste período estão feridos de anulabilidade – artigo 148º. Poderá ter lugar.atspace.com/index. b. c) qualquer herdeiro do interdito no prazo de um ano a contar da morte deste (quando a morte ocorreu ainda era ele interdito ou a interdição tinha sido levantada há menos de um ano antes da morte).  2. são anuláveis os actos caso: a. que estabelece a excepção do artigo 144º (pais exercem o poder paternal como se ele fosse menor). a administração de bens. Podem assim requerer a anulação: a) representante do interdito durante a vigência da interdição. A interdição venha a ser definitivamente decretada. utilização do pretérito perfeito.Valor dos actos praticados: a lei considera três períodos:  1. Quanto ao prazo para a sua invocação é as pessoas com legitimidade para arguir é aplicável ex vi do artigo 138º com as necessárias adaptações o artigo 125º. 2. A sentença de interdição definitiva deve ser registada sob pena de não poder ser invocada contra terceiro de boa-fé – 147º. b) o próprio interdito no prazo de um ano a contar do levantamento da interdição.Suprimento: a incapacidade é suprida mediante o instituto da representação legal. no prazo de um ano a contar do conhecimento do negócio. A competência atribuída ao tribunal de menores no funcionamento da representação legal dos menores é deferida no que refere à capacidade dos interditos ao tribunal comum – artigo 140º.

casamento e testamento) o que é que acontece se existir anomalia e o demente não estiver interdito? No caso do casamento: há incapacidade desde que haja uma demência notória e mesmo que o acto seja praticado durante intervalos lúcidos (1601/b). Neste momento não é exigível a prova de qualquer prejuízo para o incapaz. qualquer que seja a sua justificação um empobrecimento imediato do doador podendo eventualmente no futuro causar-lhe grave dano.  b) Que a incapacidade natural existente seja notória ou conhecida do declaratário. No caso da perfilhação há incapacidade desde que haja demência notória. Não basta demonstrar um estado de habitual insanidade de espírito na época do negócio é necessário provar a existência de uma perturbação psíquica no momento em que a declaração de vontade foi proferida. 43 .Anteriormente à publicidade da acção: o artigo 150º remete-nos para o disposto da incapacidade acidental que está prevista no artigo 257º. ao contrário do que acontece na pendência do processo. algo que é muito difícil de se provar. Perigo ainda maior porque estas pessoas podem até acabar por ser reconhecidos como “normais”. Tudo porque uma doação importa sempre.atspace. No entanto se o conhecimento é posterior o prazo só começa a correr a partir daí. Exige-se também para tutela da boa – fé do declaratario e da segurança jurídica a prova da cognoscibilidade da incapacidade. não se colocando o caso de intervalo lúcido (1850º nº1). Quanto aos negócios onerosos haverá prejuízo sempre que um contratante sensato prudente na gestão dos seus bens não teria celebrado o negócio naqueles termos (bónus pater família). Manuel de Andrade sustentou com êxito a opinião segundo a qual as doações se devem considerar sempre prejudiciais ao interdito mesmo que as circunstancias concretas tornem razoável a sua prática por uma pessoa normal.  3. mesmo que este não a conheça. A anulabilidade tem como condições necessárias e cumulativas:  a) Que no momento do acto haja uma incapacidade de entender o sentido da declaração negocial ou falte o livre exercício da vontade. No entanto no caso de faltar a interdição o acto poderá ser anulado desde que se verifiquem os pressupostos da incapacidade acidental (2199º). na perfilhação – 1861º. As sanções para a realização destes negócios pelo incapaz são: a) Anulabilidade – no casamento – 1631º. O artigo 257º nº2 esclarece o requisito da notoriedade. Quanto aos negócios gratuitos como as doações. Em relação ao artigo 149º nº2 há quem diga que o momento do registo da sentença a partir da qual começa a contar o prazo é uma salvaguarda para quem conhece antes. porque aqui a tutela do incapaz deve primar sobre a protecção das expectativas do declaratário.com/index. No caso de testamento só os interditos são incapazes. no testamento em caso de incapacidade acidental – 2199º.html anulação. A notoriedade da sua denuncia não é no mesmo sentido da do artigo 257º.http://apontamentosdireito. Quanto a alguns autores em especial em que a incapacidade jurídica é insuprível para os interditos com anomalia psíquica (perfilhação.

b) Inabilitados por prodigalidade: no que se refere à tutela (1933º nº2).Cessação: a incapacidade dos interditos não termina com a cessação da incapacidade natural. no entanto o Juiz na sentença pode especificar alguns ou todos os esses actos para o grupo de actos em que o inabilitado tem incapacidade de exercício  ver melhor o artigo 154 nº1. c. Abuso de bebidas alcoólicas ou estupefacientes que provoquem uma alteração de carácter. poder paternal (1913º).Suprimento: as incapacidades de exercício por inabilitação são supridas pelo instituto da assistência através de um curador (artigo 153º). Anomalia psíquica . Podem requerer esse levantamento os indicados no artigo 151º. É necessário uma sentença de inabilitação tal como acontece com as interdições. excluindo-se assim. b. A incapacidade dos inabilitados não existe só por existirem as circunstâncias previstas no artigo 152º. Existem três categorias: a. Habitual prodigalidade – o pródigo será aquele que habitualmente pratica actos de delapidação patrimonial que não se pode confundir com uma administração infeliz ou pouco inteligente. não sendo pródigo o que pratica actos ruinosos mas com um fim digno ou nobre. administração de bens (1970º) São insupríveis. Torna-se necessário o levantamento da interdição. 2. causas e instituição: são incapacidades de exercício que impedem a pessoa sujeita de praticar actos jurídicos patrimoniais (quando não autorizados pelo seu representante legal).Noção. Existem algumas incapacidades de gozo para: a) Inabilitados por anomalia psíquica: casamento (1601º). 4.com/index. Normalmente os inabilitados têm capacidade de exercício no que respeita ao actos de mera administração. 3. surdez mudez ou cegueira que provocam fraqueza de espírito mas não uma total inaptidão.atspace.Extensão: a inabilitação abrangerá os actos de disposição de bens inter vivos: 153º. Trata-se de despesas desproporcionadas aos rendimentos improdutivas e injustificáveis – aqui atenta-se à finalidade das despesas. No entanto 44 .http://apontamentosdireito. c) Inabilitação: 1. Ainda todos os que forem especificados na sentença. o testamento.html b) Nulidade – no testamento em caso de interdição – 2190º. Nos três casos basta que se prove a existência de um perigo actual de actos prejudiciais ao património mesmo que ainda não haja um dano concreto. O artigo 152º revela-nos as causas de inabilitação.

http://apontamentosdireito. que deve ser especial para cada acto: artigo 1684º nº1.html a administração do seu património pode ser entregue pelo tribunal ao curador e neste caso a forma de suprimento é o instituto da representação. 4. Com isto pretende-se sujeitar o inabilitado a uma espécie de período de prova para evitar o risco de dissimulação ou fingimento – Mota Pinto.atspace. A pessoa a quem essa administração é entregue chama-se também curador.  Incapacidade de facto: existem situações com carácter real que provocam consequências jurídicas. no entanto. do artigo 13º da CRP e do artigo 36º o princípio da igualdade entre os conjugues. sendo a mulher incapaz em várias situações. Assim. As sanções da ilegitimidade conjugal são as previstas no artigo 1687º. Por força do artigo 156º e da remissão para o artigo 139º as características da anulabilidade são as do artigo 125º com as necessárias adaptações. o artigo 155º tem um regime particular para o caso de inabilitação por prodigalidade ou abuso de bebidas alcoólicas ou de estupefacientes. A Posição Familiar: Com o 25 de Abril. a CRP de 1976 e a reforma do código civil em 1977 se pôs fim a um regime que colocava o marido em posição de supremacia. Por força do artigo 156º é aplicado o regime da interdição presente no artigo 151º. como chefe de família. Mota Pinto e também Manuel de Andrade falam em ilegitimidades tal como vem referido no código (trata-se de uma relação entre o sujeito e o conteúdo do acto. Tendo que se aplicar os artigos 148º.Valor dos actos praticados pelo inabilitado: por força do artigo 156º são aplicáveis as disposições que vigoram para os interditos. No entanto. exige-se um prazo de 5 anos sobre o trânsito em julgado da sentença. Existem outras para alem das conjugais exemplo a venda de coisa alheia 892º).com/index. continua a ser 3fonte de ilegitimidades conjugais (restrições à livre actuação jurídica derivados do casamento) só que agora em condições de plena igualdade entre marido e mulher. O casamento. por exemplo e apenas nos regimes de comunhão (geral e adquiridos)o disposto no artigo 1682. A ilegitimidade conjugal supre-se pelo consentimento do outro cônjuge. 149º e 150º. 45 . 5. a forma é a exigida para a procuração (no mesmo artigo) podendo ser judicialmente suprido (no mesmo artigo).A nº1 e no 1683 nº2.Cessação: A incapacidade deixa de existir quando for levantada a inabilitação. Deriva hoje. carecem de consentimento de ambos os conjugues em qualquer regime de bens o disposto no artigo 1682º. temos por exemplo o artigo 1933º nº1/c (…). Insuficiência patrimonial: 3 Anteriormente vistas como incapacidades.

ausência do estabelecimento sem ter provido à sua representação na gerência empresarial. conservando legitimidade para os negócios pessoais e para os patrimoniais relativos a bens não apreendidos na massa falida. b. 3. Do reconhecimento do comerciante. sob o ponto de vista do exercício de direitos as pessoas que se encontram nessas situações. 5 – outro qualquer procedimento abusivo tendente a colocar-se na situação de não poder cumprir as suas obrigações. ele não é nulo ou anulável mas ineficaz em relação à massa falida – artigo 155º do código das falências – os negócios conservam-se válidos.com/index. pode haver a hipótese de o comerciante ter bens de valor superior às suas dívidas. A sua administração é entregue a um administrador. Também pode acontecer o comerciante ter um activo inferior ao passivo mas cumprir pontualmente as suas dívidas com o recurso ao crédito. Consequência sobre os actos: 46 . quando e onde não prejudiquem a massa falida. podendo produzir os seus efeitos.http://apontamentosdireito.atspace. mas para a salvaguarda dos credores. 2. mas não dispor de dinheiro líquido para as pagar. Insolvência: insuficiência do activo patrimonial para cobrir o passivo. A inibição do falido e do insolvente não é imposta no seu interesse ao contrário da dos incapazes. Interessa é a pontualidade dos pagamentos. A cessação de pagamentos é que dará lugar à falência – artigo 8º do código de falências. 4.html Falência e insolvência continuação da página 1. Pode ter lugar através: a. A impossibilidade de cumprimento das obrigações é distinta de uma situação patrimonial deficitária (activo de valor inferior ao passivo).Falência e insolvência: anterior … O estado do falido ou insolvente civil afecta.fuga de comerciante. mediante apresentação ao tribunal competente com o pedido de convocação de credores. Pois. Por pedido ao tribunal feito pelos credores ou do Ministério Público atendendo a certas manifestações: 1.dissipação e extravio de bens .cessação de pagamentos. Essa situação só se verifica após uma declaração judicial de falência ou insolvência. O falido não pode praticar actos patrimoniais que possam prejudicar a massa falida – artigo 147º código das falências. Se praticar algum acto. Efeitos da falência e da insolvência: A falência e a insolvência implicam uma apreensão judicial dos bens do falido e do insolvente a que se chama massa falida ou insolvente e se destina a satisfazer os credores. tratando-se de uma situação privativa dos não comerciantes. pois se os comerciantes pagam aos credores com o dinheiro dos devedores se um comerciante cessa o pagamento pode alastrar esse não pagamento aos seus credores. Falência: impossibilidade de o comerciante cumprir as suas obrigações.

Vamos encontrar excepções quanto à capacidade de gozo no artigo 33º da CRP que prevê a extradição que não é admitida em relação aos portugueses. Assim são resolúveis em benefício da massa: a) Actos celebrados por titulo gratuito que diminuam o património do devedor nos dois anos anteriores à sentença declaratória de falência. 2. b) 47 . é um modo de ser para com os outros. já que se tem que proteger os interesses de terceiros de boa fé. salvo disposição especial é o do domicilio do réu. 4ai deverão ser praticadas diligências ou efectuadas comunicações dirigidas a dar conhecimento a uma pessoa de um facto. 3. Também as quotas de 40% de trabalhadores nacionais vem limitar a capacidade dos estrangeiros. Tal como o faz o artigo 15º da CRP. salvo disposição legal em contrário. Trata-se de um ilegitimidade. Noção: a. O artigo 14 do cc vem equiparar os estrangeiros aos nacionais quanto ao direito civil. nos casos de: 1. quando esse conhecimento é pressuposto de produção de efeitos jurídicos.http://apontamentosdireito.a sucessão por morte abre-se no lugar do ultimo domicilio do seu auto. Domicilio voluntário geral: lugar da residência habitual – artigo 82º. Domicilio: a) Importância da noção: trata-se de uma noção relevante de forma a fazer o ponto de conexão entre a pessoa e um determinado lugar. b) Quanto aos negócios onerosos é aplicada a impugnação pauliana – artigo 610º.html No período anterior à declaração de falência há propensão para o devedor tomar medidas altamente prejudiciais para a massa dos credores. Aqui não se trata de uma verdadeira incapacidade. já que não é a qualidade do sujeito em si mesmo que está em causa. delapidar o seu activo ou beneficiando uns credores em detrimento de outros.o tribunal competente para quaisquer acções. Nacionalidade: Definição: é um vínculo jurídico político que liga certas pessoas ao Estado Português por oposição aos estrangeiros e apátridas.atspace.com/index. já que supõe uma relação entre o sujeito e o conteúdo do acto. Essa equiparação não obsta a aplicação no direito civil das regras de direito internacional privado.as obrigações pecuniárias deverão ser efectuadas no domicilio do credor.

agentes diplomáticos portugueses – artigo 88º. ou seja. As medidas que se poderão tomar: a) Curadoria provisória.http://apontamentosdireito.domicilio dos menores e interditos – artigo 85º (embora não refira inabilitados. Não é. O nosso direito conhece alguns casos de domicilio legal. c) Morte presumida. Medidas Legais: a) Curadoria provisória: a.com/index. um negócio jurídico. Pressupostos: 1. funcione como seu equivalente – artigo 82º/2. independentemente da vontade: 1. c.atspace. Estas têm a ver com a maior ou menor probabilidade de regresso do ausente. Uma pessoa pode ter dois ou mais domicílios se tiver duas ou mais residências habituais. b) Curadoria definitiva. Visam sobretudo evitar os prejuízos decorrentes da falta de administração dos bens da pessoa ausente. ou seja.empregados públicos – artigo 87º. Nenhuma delas está dependente das anteriores para a sua instauração judicial. 48 . O estabelecimento do domicílio resulta de um acto voluntário. Residência ocasional: lugar onde a pessoa vive temporariamente ou acidentalmente. Paradeiro: local onde a pessoa se encontra em cada momento – artigo 225º. 2. por exemplo alguém que passa alternadamente uma semana na sua casa da Régua e uma semana na sua casa em Vila do Conde). na falta do mesmo. Mas se uma pessoa passar algumas semanas numa casa arrendada não passa a ter aí um segundo domicilio. sujeito ao instituto da representação aplicar-se-á este artigo ex vi – artigo 156º). pelo facto de aí se residir habitualmente ou de aí se exercer uma profissão. Ausência: Noção: desaparecimento sem notícias. no entanto. A lei prevê ainda um domicílio profissional que se localiza onde a profissão é exercida – artigo 83º e um domicílio electivo que é estipulado por escrito para determinados negócios – artigo 84º (reveste-se de um negocio jurídico). sem que da pessoa se saiba parte – artigo 89º/1.html b. quando estes têm todo o seu património entregue à administração do curador. mas um simples acto jurídico: os efeitos jurídicos realizam-se por força da lei mesmo que as pessoas os não quisessem.desaparecimento de alguém sem noticias 2necessidade de prover acerca da administração dos seus bens 3falta de representante legal ou procurador artigo 89º/1. 3. ou seja. embora. podendo-se desde logo recorrer à morte presumida independentemente de antes se ter instaurado a curadoria definitiva. Ela não faz surgir um domicílio.

Caso o ausente regresse aplica-se o artigo 119º. à partilha e entrega dos bens aos legatários e herdeiros que são arguidos como curadores definitivos – artigo 104º. Se o ausente regressar. b) Subjectivos: dizem respeito à pessoa humana. quer por não querer  artigo 89º/2. O casamento não cessa ipso facto. como é alta a probabilidade de morte física do ausente. no entanto o cônjuge do ausente pode contrair novo casamento sem necessidade de recorrer ao divórcio  artigos 115º e 116º. Os direitos de Personalidade tratam-se de direitos absolutos que incidem sobre os vários modos de ser físicos ou morais da sua personalidade.html Mesmo que haja representantes. Os direitos de Personalidade: GENERALIDADES: A personalidade humana surge como objecto de direitos e deveres. Pressupostos: dois anos sem se saber do ausente ou cinco anos se ele tiver deixado representante legal ou procurador  artigo 99º. considera-se o primeiro casamento dissolvido por divórcio. o artigo 115º estatui que a sua declaração produz os mesmos efeitos do que a morte. Aqui a presunção é a de possível regresso do ausente daí que o Ministério Público ou qualquer interessado tenha legitimidade para a requerer artigo 91º. Aqui. Aqui a probabilidade do não regresso é maior daí que a legitimidade para a requerer seja mais reduzida como se denota pelos artigos 99º e 100º. Pressupostos: dez anos sobre a data das últimas noticias ou cinco anos se o ausente tiver completado 80 anos de idade.atspace. Após a justificação da ausência. A curadoria definitiva termina nos casos previstos no artigo 118º.http://apontamentosdireito. a curadoria provisória será estabelecida se este não exercer as suas funções. Tratam-se de direitos: a) Gerais: todas as pessoas deles gozam. Como é visível pelo artigo 94º o curador funciona como simples administrador – o artigo 98º estabelece os casos do termo da curadoria. se a pessoa for menor são necessários cinco anos sobre a data em que completaria a maioridade se fosse vivo  artigo 114º/2. procedese à abertura de testamentos  artigo 101º. os interessados para o efeito do requerimento da curadoria definitiva têm legitimidade para pedirem a declaração de morte presumida  artigo 114º. No entanto há atenuantes. 49 . e como a bigamia é proibida. por não poder. b) Curadoria definitiva: a. Dos bens será prestada caução artigo 93º. Mas.com/index. O artigo 92 mostra quem deverá ser escolhido para curador. c) Morte presumida: a.

Diferentemente dos direitos reais. Também não se extinguem pelo facto de não serem utilizados. ou seja. g) Extra-patrimoniais: se concluir-mos que os direitos patrimoniais são todos aqueles que são possíveis de serem avaliados em dinheiro. Vertente passiva: poder de exigir aos demais sujeitos o respeito pelos seus direitos de personalidade. Poderão ainda haver limitações lícitas ao exercício dos direitos de personalidade como estipula o artigo 81º.atspace. sem. tal não impede que na esfera pessoal do indivíduo se verifiquem mutações juridicamente tuteladas que derivam do seu poder de auto-determinação. e) Relativamente indisponíveis: eles estão fora do comércio jurídico. alienação. A questão doutrinal que se coloca é a de saber se o nosso sistema jurídico (constante nos artigos 70º e ss) tem apenas um direito geral de personalidade. Sendo que o critério utilizado para aferir dessas legítimas expectativas seja o do bónus pater famílias (exemplo. 50 . no entanto. apenas implicam a vertente passiva. ou seja. de uma abstenção por parte dos demais sujeitos (dever geral de abstenção). um facere. Sobretudo no que diz respeito ao direito à vida quando esta está em perigo. se bem com a obrigação de indemnizar os prejuízos causados às legítimas expectativas da outra parte – artigo 81º/2. são oponíveis erga omnes em duas vertentes: a. f) Perenidade e imprescritibilidade: não são vitalícios mas perpétuos já que gozam de protecção mesmo depois da morte – artigo 71º/1. etc. oneração. Vertente activa: poder de exigir em certas circunstâncias um comportamento positivo dos demais sujeitos. b. a obrigação da prática de certos actos que salvaguardam a personalidade desse sujeito. não contrária aos princípios da ordem pública. sendo necessário que esta limitação seja: voluntária. estes não se encontram nessa categoria.html c) Absolutos: impõe-se a todos. Mas mesmo lícitos são sempre revogáveis. Trata-se de um non facere. um lutador de boxe que abandona um combate terá que indemnizar o empresário dos prejuízos causados à razoável confiança que este tenha depositado na continuação do consentimento. ou seja. No que diz respeito à sua sucessão mortis causa esta só parece existir para os direitos especiais de personalidade com um regime muito especial. será contrária à ordem pública. h) Carácter originário ou inato: decorrem do mero reconhecimento da personalidade jurídica. utilizar meios que vão ferir a personalidade física da pessoa em risco ou lesem a sua dignidade humana.com/index. Qualquer negócio de cedência. d) Intransmissíveis: estes direitos dizem respeito ao ser do seu titular. No entanto.http://apontamentosdireito. que embora absolutos. não sendo necessário um pressuposto ulterior para a sua existência.

dignidade da pessoa humana). Ainda a palavra “qualquer” do artigo 70º/1 numa interpretação literal implica a defesa desse direito geral de personalidade (DGP). No entanto. numa obra artística em que o autor espelha a sua concepção da vida. não se compreenderia como é que do artigo 70º se retirariam direitos especiais de personalidade (exemplo.com/index. Ainda no que diz respeito à colisão de direitos. Isto porque vivemos em comunidade onde há uma limitação de recursos. no artigo 70º fala-se de uma tutela geral da personalidade contraposta aos artigos 72º a 80º que consagram bens especiais da personalidade. Assim desse DGP se desentranham diversos direitos especiais de personalidade. que considerar três aspectos: a) Essencialidade: aquilo que é comum a todos os homens (ex. impressões digitais. A ponderação de bens. isto é.atspace. ou expressa o seu estilo a ponto dessa obra ser identificada – daí a existência de um direito material e moral de autor). Assim. direito à integridade física ou mesmo direito à vida). Temos. Se não se defendesse a existência deste DGP. então. físico. ao arbítrio do próprio interprete. caso da legítima defesa. Ele é constituído pelos DGP das outras pessoas. intelecto). aquela personalidade que pode ser considerada como bem jurídico. 2O direito geral de personalidade de determinada pessoa “acaba quando começa o de outra”. apenas a personalidade humana juscivilisticamente tutelada. neste caso os titulares de direitos deverão ceder na medida do necessário para que 3- 51 . em última análise. O direito Geral de Personalidade: de facto. consagrada no artigo 335º. ou existirão conjuntamente um direito geral de personalidade a par de direitos especiais de personalidade (posição adoptada por R. tornando-o capaz de ser identificado e não confundido com quaisquer outro seres (exemplo.http://apontamentosdireito. onde encontramos causas de justificação da ilicitude. b) Individualidade: algo que torna cada ser humano único e irrepetível com características próprias que particularizam o ser do ponto de vista genético e de adequação ao meio. Estes ficariam. do mundo. Capelo de Sousa) que nos parece ser também a posição do nosso código consagrando no artigo 70º uma tutela geral da personalidade contraposta à dos artigos 72º a 80º que consagram bens especiais da personalidade. características de inteligência. como objecto da relação jurídica.html apenas direitos especiais de personalidade. nem todos os aspectos da personalidade humana são protegidos. c) Pessoalidade: traduz a relação de cada homem com aspectos do mundo exterior nos quais é projectada a personalidade (exemplo. encontramos limites ao DGP que fazem com que este mesmo não seja determinado: 1A própria natureza do bem da personalidade: cada pessoa tem a sua própria personalidade.

muito estranho só atribuir essa indemnização caso ele nascesse com vida pois.http://apontamentosdireito. devido à proximidade efectiva que existe relativamente a estes familiares. então a questão: a que titulo se transmite a indemnização?  Vaz Serra: diz que se transmite por sucessão aos previstos no artigo 496º/2. de uma 52 . Seria aliás. No caso do DGP colidir com um direito desigual deverá prevalecer aquele que se considere superior (335º/2). sendo também irrelevante o consentimento do ofendido a esse respeito (a eutanásia também é proibida). que foi abandonada no texto definitivo. No entanto. Sendo ilícito e indemnizável o aniquilamento da sua vida.Vida humana: sem dúvida que está abrangida pelo artigo 70º e deve ser tomada na sua plenitude não havendo quaisquer direito do titular eliminar a sua própria vida (o suicídio é proibido em Portugal). Com base no artigo 24º da CRP parece inegável a existência de vida humana no nascituro.  Galvão Teles: transmite-se por sucessão mas aos sucessores em geral do falecido de acordo com o artigo 2133º. o No artigo 496º/2 emprega-se o termo “cabe” que dá a ideia de uma devolução imediata. daí que não seja licito o sacrifício de uma vida humana para salvar outras. Conteúdo do DGP: ele abrange a unidade e a globalidade da personalidade.atspace. estaríamos a premiar o assassino mais eficaz. A vida humana não pode ser comparada ou ponderada com a vida de outrem e nem mesmo com uma pluralidade de vidas humanas. Algo que deve ser sistematizado: A) Relação do homem consigo próprio: 1. o Enquadramento sistemático do artigo 496º que cabe ao regime da responsabilidade e não da sucessão.html todos produzam os seus efeitos sem detrimento para qualquer das partes (335º/1). O artigo 496º vem dar direito à requisição da indemnização por parte dos legitimados no artigo.  Antunes Varela:a indemnização cabe por direito próprio aos familiares referidos no artigo 496º/2. não só a nível Constitucional mas também a nível civil o nascituro será para todos os efeitos um indivíduo nos termos do artigo 70º/1. 4- Haverá apenas responsabilidade civil nos casos de danos não patrimoniais gravosos (496º/1). Coloca-se.com/index. Uma vida humana tem o mesmo valor que 5 ou 10. A única excepção admitida é a da legítima defesa. Parece-nos a melhor solução sobretudo: o Aos trabalhos preparatórios que são da responsabilidade de Vaz Serra em que esteve prevista a aquisição por direito sucessório.

Feitas em beneficio do próprio titular: há a obrigatoriedade de consentimento que tem que ser pedido pelo médico.html transferência por direito próprio. 2. Na sucessão estas expressões não se empregam. tendo estes que ser graves (algo medido por padrões objectivos em face das circunstancias entre os quais figura o dano da morte4) 2. Terá de haver sempre consentimento do lesado (exemplo. Quando a transferência é feita em vida terá de ser gratuita. Existem. O médico deverá elucidar acerca das consequências da intervenção e dos seus riscos. 53 . etc.No que diz respeito às intervenções médicas temos que distinguir entre diferentes tipos de intervenção: a. sendo esta não patrimonial. quer os futuros. Durante algum tempo pensava-se que o dano da perda da vida. algumas limitações: 1. b) Psique: mecanismos neuro-psíquicos. c. Nesse caso haverá ofensa aos bons costumes  340º/2. daí serem ilícitos testes com novos fármacos não aprovados pelo INFARMED. ( a indemnizabilidade dos danos não patrimoniais resulta do artigo 496º/1. já que a venda vai contra os bons costumes e a ordem pública. Dever de esclarecimento que é maior nas intervenções estéticas. O consentimento não será válido no caso de grande desproporção entre o benefício e os riscos da intervenção. sem autorização do próprio e com a devida informação acerca dos riscos). presume-se que o consentimento é dado nos termos do artigo 340º/3. Esta teoria tem a grande vantagem de não haver uma subtracção do montante da indemnização à responsabilidade por dívidas de herança. Feitas em beneficio alheio ou em beneficio geral: nestes casos a presunção de consentimento não é aplicada.com/index. não deveria ser indemnizável.Corpo: 4 elementos: a) Somático: conjunto organizado e lógico que incorpora várias funções do homem e a sua constituição. quer os emergentes quer os cessantes. 4 5 São indemnizáveis quer os danos presentes. Atente-se que estes também são indemnizáveis – 483º. nos termos do artigo 340º. Se a aquisição se desse por direito sucessório essa indemnização juntar-se-ia a à herança e também ela às dividas deixadas pela herança. Quando se trata de uma situação de urgência: numa intervenção em benefício do próprio titular. c) Saúde: estado de equilíbrio entre estes dois elementos (exterior e interior). O que seria indemnizável seriam os danos patrimoniais e pessoais sofridos pelos familiares do falecido. leite materno. b.atspace.http://apontamentosdireito.elementos que sejam regeneráveis e não insubstituíveis poderão ser alvo de doação5 mortis causa. no entanto. Sémen. sangue. d) Autodeterminação corporal: capacidade de qualquer ser humano ser livre em relação ao seu próprio corpo.

atspace. ou seja. Ele está em relação directa com o seu meio e com as outras pessoas que fazem parte desse meio. 5.com/index. uma igualdade natural.Liberdade: quer num sentido negativo (ninguém ser obrigado por outrem a adoptar ou não determinado comportamento). bons costumes ou pela ordem pública. 3. que tem a ver com o facto de sermos homens. Não só uma segurança física (que pode ser garantida pelas forças estaduais) como psicológica (ninguém pode ser vitima de assédio sexual). É possível encarar a liberdade sob varias perspectivas: Física: uma liberdade de movimentos. a violação pode ser feita por excesso ou por defeito.O espírito e os seus sistemas fundamentais: a) Estrutura sentimental: ela é criada pelo próprio homem. resguardo de vidro. mas toda a estrutura sentimental.Existência: inserção do ser humano na realidade físico e ambiental do Mundo (exemplo. à determinação da aparência externa e também à história penal.html 3.http://apontamentosdireito. c) Estrutura da vontade: esta pode também ser violentada através de coacção grave.Nestes casos não se viola apenas os sentimentos. cada ser humano tem o direito a escolher os seus próprios fins e a escolher os meios para os alcançar. 1. Ela pode ser alterada através de uma situação externa (tortura. 4. etc).Identidade: a cada ser humano deve-se atribuir os factos que praticou e não suprimir factos praticados ou atribuir-lhe acções que não praticou. b) Inteligência: faz parte da nossa personalidade e poderão existir ataques a ela (através de uma composição química) que alteraria a própria estrutura da nossa inteligência. Na identidade há ainda um direito à imagem. 6 Redoma: s. 2.Segurança: bem necessário ao ser humano para viver. 54 .f. bem como as próprias criações são protegidas pelo DGP. Podemos afirmar que há um direito geral de liberdade.A capacidade criadora e as respectivas criações: formada por todos os aspectos referentes ao espírito e ainda capacidades físicas (exemplo. B) Relação do homem com o mundo: o ser humano não subsiste por si próprio. pela sua experiência humana em sociedade. uma liberdade sexual. Esse poder de criação. sequestro violento e continuado. 4. casos de violação deste direito poderão ser o da coincineradora em Souselas ou do Urânio empobrecido nos Balcãs. Daí que haja um conjunto de relações de personalidade na relação do “eu” com o Mundo. algo que não seria juridicamente tutelado. quer num sentido positivo (direito a fazer empreender tudo o que não é vedado pela lei. como se vivesse numa redoma6. as mãos de um escultor). isolado.Igualdade: há uma dignidade humana que é igual para todas as pessoas.

Juridica: liberdade de celebrar ou não actos jurídicos. de associação. de negar quaisquer auxílios. 02Bom-nome: prestigio da pessoa no plano profissional. económica. Engloba ainda o direito de estar sozinho. pois está ligada directamente à dignidade humana . não podendo ser revelados). Esta é formada por quatro elementos: 01Dignidade humana: é a honra propriamente dita. 03Crédito: prestigio económico de uma pessoa. de opção religiosa.Reserva do ser pessoal: algo que a pessoa deseja manter para si (ex. de reunião e de escolha de profissão ou actividade. rectidão. 8. exemplo: honestidade. da integridade física e da honra. que não varia com o estatuto da pessoa. Também a liberdade de expressão .http://apontamentosdireito. religioso.html  Moral: entre as quais se inclui a liberdade de estado civil.atspace. Social: a liberdade de imprensa.Desenvolvimento da Personalidade: implica a auto-determinação cognitiva. 04Decoro: adequação do comportamento pessoal aos padrões de comportamento social (ex. É diferente do sentimento de honra próprio que não tem na comunidade grande expressão. sigilo bancário). Os meios de tutela do direito geral de personalidade: segundo o artigo 70º/2 dá lugar: a) Responsabilidade civil  que tem um carácter indemnizatório (podendo ser uma restituição natural ou uma indemnização em dinheiro) b) Medidas preventivas  com vista a evitar a consumação da ameaça ou atenuar os efeitos da ofensa já cometida. desenvolvimento biológico. liberdade de escolha de vários tipos.com/index. financeira (exemplo. de forma expressa. nudismo). 7.Reserva da vida privada: engloba os aspectos gerais da vida familiar doméstica. 55 . de consciência. prudência e diligência que geram a confiança financeira. Trata-se de projecção social das qualidades morais do indivíduo. Trata-se sim da imagem que adquirimos pelos nossos méritos e desméritos. 6. como se espelho se tratasse. em algumas disposições do código civil  artigos 79º/3 e 484º. ferimentos e manchas que a pessoa não quer exibir. e dentro destes solteiro ou casado. 9.Honra: aparece referida. Tutela da Personalidade dos concebidos e das pessoas falecidas: Esta tem lugar com fundamento na protecção da vida. qualidades de honestidade.

iniciais. defende uma articulação com o 68º que estatui que a personalidade cessa com a morte. o nº3 por seu lado é encarado como uma excepção à excepção: o retrato não poderá ser publicitado se do facto resultar prejuízo para a honra. A sua protecção depende da notoriedade que tenha.no que respeita à sua publicação esta está sujeita ao consentimento do seu autor – 76º.html O artigo 71º mostra-nos que os direitos de personalidade são protegidos para além da morte do seu titular. do nome artístico. b) Direito ao pseudónimo: é também garantido por meio do artigo 74º. É garantida ainda a confidencialidade das memórias familiares e de outros escritos confidenciais 77º.com/index. Morto o destinatário pode ser ordenada a restituição ou destruição da carta  artigo 75º/2 . e)Direito à reserva sobre a intimidade da vida privada: consagrada no artigo 80º. deve-se apenas respeitar o autor da carta. reputação ou decoro da pessoa retratada. etc. que não têm um destinatário concreto). No caso de duas pessoas terem o nome total ou parcialmente idêntico. c) Reserva e resguardo de escritos: no que diz respeito a cartas – missivas confidenciais o destinatário deverá guardar reserva no que respeita ao conteúdo das mesmas artigo 75º/1. o seu titular não pode usa-lo com o propósito de prejudicar os interesses de outro. É diferente da alcunha atribuída por terceiros. do nome próprio completo ou abreviado . aqui a reserva não é tão grande. Até porque esta poderá não ter quaisquer herdeiros. d)Direito à imagem: está no artigo 79º. No entanto. mas o que se quer tutelar são os direitos de personalidade do falecido. o conteúdo e a natureza da carta. Os direitos especiais de Personalidade: a) Direito ao nome: previsto no artigo 72º.atspace. a extensão de reserva é definida de acordo com o caso 56 . Estipula que é necessário o consentimento da pessoa para que o seu retracto possa ser publicado (79º/1 e 2) desse mesmo artigo consagra as excepções à necessidade de consentimento da pessoa. O doutor Capelo de Sousa discorda desta posição já que defende que uma coisa é a ofensa às pessoas mencionadas no 71/2 e outra coisa é a ofensa à própria pessoa falecida. No que concerne a cartas missivas não confidenciais. O doutor Mota Pinto defende que o artigo 71/1 tem uma formulação infeliz pois é da opinião que a tutela incide sob os direitos ou interesses mencionados no 71/2 e não sobre os direitos do defunto.http://apontamentosdireito. Estatui o artigo 72/2 que nestes casos o tribunal decretará as providencias que melhor concilem os interesses em conflito de acordo com os juízos de equidade. consagradas no artigo 78º que dizem respeito apenas ás que têm um destinatário concreto (não se aplicando às cartas abertas. Todos os mencionados no artigo 71/2 têm legitimidade visto que existe uma sucessão de direitos pessoais.

porém. Limitações voluntárias dos direitos de personalidade: Estão previstas no artigo 81º. Aqui não são todos os danos. Diferentemente as normas respeitantes aos direitos especiais aplicam-se apenas relativamente às relações de personalidade especifica. mas apenas os correspondentes às legítimas expectativas da outra parte. mesmo quando está de acordo com a ordem pública. no entanto. uma vez que um acto sexual não deve ser vendável. uma obrigação de indemnizar a outra parte.http://apontamentosdireito. se o lutador pudesse realizar o combate e por falta de coragem não quisesse combater aí já haverá lugar a indemnização. Isto apenas é possível quando estes actos ou negócios não contrariem os princípios da ordem pública (ex.com/index. o direito de fixar os limites do que pode e não pode ser publicado. se antes do combate o lutador tem dores reumáticas. já um contrato de pugilismo desde que siga as regras da modalidade é admissível. se nos direitos especiais não estiver prevista qualquer sanção se aplica o artigo 70/2. No entanto. A complacência com a publicidade não significa uma renúncia à esfera de intimidade. Só que esta indemnização não é igual à de indemnizar em termos gerais (que segundo o artigo 483º/1 prevê a indemnização de todos os danos resultantes da violação). Assim. Há. Articulações entre o direito geral de personalidade e os direitos especiais de personalidade: Eles estão numa relação de lei geral (DGP) que prevê um conjunto de situações que são o regime regra e lei especial (direitos especiais – vigoram apenas para um numero determinado de casos que não se opõem ao regime regra). como tal se houver menos assistência. essa limitação é sempre revogável artigo 81º/2. utilizando-se o conceito do bónus pater famílias (exemplo.atspace. embora não todo). mas sim um acto de amor (…). Existem outros direitos especiais de personalidade previstos expressamente na lei. um contrato de prostituição) não será admissível já que contraria a ordem pública. caso do direito moral de autor consagrado no código de direitos de autor e conexos. consentimento) ou determinados negócios jurídicos voluntariamente aceites pelo titular dos direitos. embora é sempre uma renuncia a uma esfera tão extensa como de outros cidadãos. neste caso o empresário não pode esperar que ele combata. direito a uma esfera de segredo ou na formula Inglesa “right to be alone”. 7 Mesmo o vedetismo ou celebridade não exclui a discrição. ou seja. o prejuízo é apenas imputável ao empresário. ou seja. 57 .html concreto e a condição das pessoas7. Trata-se de situações em que através de determinados actos (ex. o regime do DGP aplica-se subsidiariamente. embora. sendo no entanto contrário à ordem pública se um dos lutadores é contratado já para perder. Isto importa algumas consequências: o direito geral de personalidade aplica-se sempre ás relações de personalidade em que haja disposição especial. que deverá comportar uma parte significativa do prejuízo. esses mesmos direitos são limitados.

o consentimento vinculante é o resultado de um negócio jurídico e a outra parte fica com um verdadeiro direito de agressão (exemplo. implica o incumprimento do contrato. doação de um rim). feitas em benefício próprio. Um dos consentimentos tolerantes é o consentimento presumível  340º/3. que uma revogação. de tal modo.atspace. b)Esclarecimento das consequências imediatas da intervenção cirúrgica. Existem três modalidades do consentimento para a limitação voluntária dos direitos de personalidade: a)Vinculante: atribui-se ao lesante um verdadeiro direito de agressão. tendo como consequência a indemnização das legítimas expectativas que foram frustradas – art.com/index. 58 . b)Têm um carácter constitutivo: com a celebração de um vinculo jurídico (vinculante) ou compromisso jurídico sui generis (autorizante). c)Tem de ser prestado antes da lesão. c)Limitados pelo 81º/1. e desde que não violem a ordem pública. sempre possível.http://apontamentosdireito. Consentimento tolerante: b)Têm um carácter integrativo. estes deverão ser os critérios que presidem ao consentimento: a)Esclarecimento do diagnostico da doença. b)Autorizante: aqui não há um vínculo jurídico. Assim.html Assim. d)Torna licito o acto do lesante com excepção do 340º/2 Quando se tratam de intervenções cirúrgicas. Consentimento vinculante / autorizante: a) Baseiam-se num simples acto jurídico lateral. c) Tolerante: este não atribui sequer um poder de agressão. Vejamos sistematicamente: a) Baseiam-se num negócio jurídico lateral ou contrato. mas constitui uma simples causa de justificação desta. todos os direitos podem ser agredidos desde que haja o consentimento do lesado com excepção do direito à vida. combate de boxe). há apenas um poder factico de agressão que é revogável a todo tempo. 81º/2 (ex.

Visam interesses comuns ou colectivos que digam respeito a uma pluralidade de pessoas e geralmente têm carácter duradouro.atspace. assim.html c)Narrar os riscos típicos das intervenções desse tipo. Note-se que quando o consentimento do lesado é nulo ou ilegal.com/index. mas detêm também um acervo de bens. ↔ 2ºSEMESTRE As pessoas colectivas: 1. Elemento pessoal ou patrimonial: será mais correcto referirmos elemento pessoal e . podemo-nos referir ao predomínio de um dos elementos. vejamos os seus sub-elementos: a. não são pessoas colectivas. Ele é o elemento material. a materialidade de um conjunto de pressupostos de facto que servem de base ao reconhecimento da qualidade de sujeito jurídico. Podem ser organizações constituídas por uma colectividade de pessoas Corporações (Associações e Sociedades) ou por uma massa de bens (Fundações). humanos ou pessoas singulares / agrupadas através de actividades 59 . algo que depende da personalidade do doente. Se estes pressupostos não existirem não haverá lugar à Personalidade Jurídica. Elementos constitutivos: segundo a análise de Manuel de Andrade a PC tem dois elementos constitutivos: o substrato e o reconhecimento: a) Substrato: é o elemento extra – jurídico. visto que se existissem riscos quase improváveis estes podiam fazer recuar um paciente mais receoso. Elemento pessoal  verifica-se na corporação e é a colectividade de indivíduos.Conceito e elementos constitutivos Noção: são as organizações constituídas por uma colectividade de pessoas ou por uma massa de bens que visam a satisfação de interesses comuns ou colectivos às quais a ordem jurídica atribui a personalidade jurídica. Há. ou patrimonial visto que todas as pc têm uma actividade humana. o que por si não exclui a responsabilidade criminal. visto existirem outros agrupamentos que realizam determinados fins mas que não têm personalidade jurídica e como tal. tal não faz com que o acto violador do direito deixe de ser ilícito e como tal não isenta o seu autor da obrigação de indemnizar o lesado pelos danos resultantes da violação.http://apontamentosdireito. d)Terá que descrever um possível efeito letal. Importa o facto da personalidade jurídica. No entanto. podendo esta ser diminuída ou mesmo excluída. elementos pessoais e patrimoniais. Todavia poder-se-á muitas vezes invocar o artigo 570º (influencia da culpa do lesado sobre o valor da indemnização.

Esta realidade é notória na nulidade do chamado pacto leonino – artigo 994º. legado a uma câmara municipal para manter uma biblioteca). ou seja. o fim ou causa determinante da formação da colectividade social ou da dotação fundacional. composto por um ou mais indivíduos que exprimem a vontade imputável à pessoa colectiva ou a executam. Também nas fundações fiduciárias: liberalidades concedidas a favor de uma: pc já existente para que ela prossiga um certo fim de utilidade publica (exemplo. por força do 158º . A sua actividade desenvolve-se apenas no seu interior  são órgãos internos: ex. As mesmas disposições são aplicáveis aos chamados patrimónios de oblação  fundos para fins de beneficência e outros. assembleia geral de sócios.deve preencher os requisitos gerais do objecto de qualquer negócio jurídico: artigo 280º. Elemento intencional: trata-se da vontade de constituir uma nova pessoa jurídica – animus personificandi. 2 – falta também o elemento intencional nas fundações de facto: massas patrimoniais não destacadas do património do instituidor que mantem uma obra social. Os órgãos podem ser deliberativos . O fim visado pela pc tem que satisfazer os seguintes requisitos: 1. distinta dos associados. também na proibição de fundações dirigidas a fins privatisticos ou egoísticos do fundador ou da sua família como resulta do 188º/1. mas que pode em qualquer momento pôr termo a essa afectação de bens. As pc podem ainda ter mandatários : realizam um ou mais negócios jurídicos em regime de mandato ou de incumbência dos órgãos. b. elemento patrimonial verifica-se nas fundações e é a massa de bens ou dotação que o fundador afectou à realização de determinados fins.pode ter uma finalidade “duradoura ou transitória” (veja – se o caso da sociedades comerciais que podem ter por objecto a pratica de um acto de comércio – artigo 14º CSC. exemplo. d. Elemento teleológico: trata-se da finalidade prosseguida pela pc.atspace. os directores. 2 – a finalidade deve ser comum ou colectiva. formam a vontade da pc mas não a manifestam. 3. exemplo operários. Dos órgãos há que distinguir os simples agentes auxiliares (só executam por incumbência ou sob direcção dos órgãos da pc determinadas operações materiais que interessam à Pc. para uma viagem de curso) 199º e ss. vão exteriorizar a vontade da pc  são órgãos externos.http://apontamentosdireito. Executivos: executam a vontade da pc.com/index.A. não a projectam para o exterior.html pessoais e meios materiais para a realização de um fim comum. Elemento organizatório: conjunto de preceitos disciplinadores das características e do funcionamento da pessoa colectiva (contidos nos estatutos ou no acto de constituição ou instituição) e existência de órgãos (centros institucionalizados de poderes funcionais). do fundador ou dos beneficiários  1 – por falta deste elemento não têm personalidade jurídica as chamadas comissões especiais (exemplo. c. 60 .

regidas por uma vontade própria e imanente (vem de dentro) com órgãos dominantes que podem alterar os próprios estatutos “são auto-organizações para um interesse próprio” – Manuel de Andrade. advogado constituído para um litigio em que a sociedade seja parte. tem de haver um reconhecimento por parte da ordem jurídica. alteração de estatutos). comum. Eles dominam. Não basta a existência de todos aqueles pressupostos. Individual ou por concessão: não é de carácter geral e traduz-se num acto individual e discricionário de uma autoridade pública que perante cada caso concreto personificará ou não o substrato. a massa de bens ou dotação de um fundador ou de uma pluralidade de fundadores. abrangendo as associações e as sociedades. Modalidades: a. b) Reconhecimento: é o elemento de direito que confere personalidade jurídica ao substrato das corporações ou das fundações.atspace. 2. aos associados. ou seja. São governadas pela vontade dos associados. Características: i. Corporações: pessoas colectivas em cujo substrato predomina o elemento pessoal.Classificação das Pessoas Colectivas: 1. podendo ser ou não altruístico. ii. Normativos: derivado automaticamente da lei ex vi lege – a lei diz que determinados entes materiais caso preencham determinados pressupostos jurídicos obtêm personalidade jurídica. que assumem o pacto social através de escritura notarial.Corporações (associações e sociedades) e Fundações: a. Visam um fim próprio. iv.http://apontamentosdireito. são colectividades de pessoas. b. Fundações: pessoas colectivas em cujo substrato predomina o elemento patrimonial. pelos órgãos a vida e o destino da corporação. São constituídas e governadas por essa colectividade de pessoas (associados). ou seja. b.com/index. ou da afectação de fundos obtidos por subscrição publica. iii.html Exemplo. São susceptíveis de mutação (entra e saída de novos sócios . Sistema da livre constituição das pessoas colectivas (muito raro): condicionado: o reconhecimento faz-se através do preenchimento de determinados pressupostos ou requisitos jurídicos que respeitam aos elementos caracterizadores do substrato e só quando verificados se adquire automaticamente a personalidade jurídica (o mais usual). Características: 61 . Pode ser incondicionado se a ordem jurídica atribui pj a todo o substrato completo da pc sem mais exigências.

por ex) mas sem uma finalidade lucrativa.etc).http://apontamentosdireito. fim que é definido pelo seu fundador.html i. interessa também a colectividade. Esse fim pode ser de vária ordem: 1 – de fim ideal: o objectivo egoístico é um interesse de natureza ideal. iv. direito de poder público ou função de autoridade Estadual ou autárquica.sindicatos). portanto das sociedades: a. b) De utilidade particular: o seu fim é de mero interesse particular e como tal têm um fim lucrativo. ii. Visam um fim estranho às pessoas que entram na organização da fundação. pois não se tratam de lucros para repartir pelos associados (ex. que se impõe à vontade dos órgãos servintes da fundação e ao próprio fundador. não económico (ex. pretende conseguir certas vantagens patrimoniais para os seus associados (empréstimos em boas condições. ou seja. Pessoas colectivas de direito público e pessoas colectivas de direito privado:  Pessoas colectivas privadas: corporações ou fundações dotadas de personalidade jurídica. instrução. São regidos pela vontade inalterável e transcendente do seu fundador. iii. os bens que lhe são destinados e as normas disciplinadoras da sua vida e destino. Falamos. promovemse interesses de outras pessoas ou beneficiários. recreio. de natureza social e não egoística. Manuel de Andrade chamalhes “hetero-organizações para um interesse alheio”. regidas fundamentalmente por normas de direito privado e que não disfrutam do ius imperi. Ao mesmo tempo que o fim visado por o 1 e 2 interessa de modo egoístico aos associados. Nas sociedades comerciais vigora o principio da tipicidade ou do numerous clausus: 62 . Aplicam-se-lhes directamente os artigos 157º a 194º. Pessoas colectivas de fim desinteressado ou altruístico: o interesse a satisfazer é de natureza altruística. 2. a) De utilidade pública: embora se dirigindo à satisfação de um interesse dos próprios associados ou do fundador o fim a que se propõe é um interesse público. São instituídas por acto unilateral do fundador ou fundadores que afectam uma certa massa uma certa massa de bens a uma determinada finalidade ou interesse social. O fundador estabelece no acto de instituição o fim da fundação.com/index. daí serem de utilidade pública. não tendo quaisquer poderes de autoridade. ou seja. b. a.atspace. desporto.de fim económico não lucrativo. daí o nome de associações de beneficência. Sociedades comerciais: aquelas que têm por objecto a prática de um ou mais actos do comércio. Pessoas colectivas de fim interessado ou egoístico: o fim visado interessa de modo egoístico aos próprios associados. mas ao mesmo tempo interessa à comunidade.

regidas fundamentalmente por normas de direito público e que prosseguem 63 . sociedade de locação financeira ou de tipo civil. A lei distingue no artigo 157º entre Associações. aplicando-se subsidiariamente o regime das sociedades em nome colectivo. ex. Daí o cuidado necessário nos negócios feitos com estas sociedades.com/index. já que cada um só é responsável até ao montante da sua quota. não visando o lucro do conjunto do agrupamento em si próprio mas o lucro de cada uma das empresas associadas. Sociedades em nome colectivo: há uma responsabilidade pessoal.  Pessoas colectivas públicas: são dotadas de personalidade jurídica. respondendo os sócios solidariamente. b. cada sócio responde para com a sociedade apenas pelo capital que subscreveu. Sociedades de direito especial: podem ser de tipo comercial. mas que adoptam um dos tipos de sociedades comerciais para inequivocamente terem personalidade jurídica. ou seja. solidária e ilimitada dos sócios perante os credores depois de executado o património social. Às sociedades não se aplicam directamente as disposições do capitulo sobre as pessoas colectivas. Sociedades por quotas: só o património social responde perante os credores pelas dívidas da sociedade. respondendo por elas apenas os bens sociais. iv. iii. no artigo 157º e 188º apenas se atribui personalidade jurídica às fundações cujo fim for de interesse social. Daí conterem o nome de limitada para se saber que a responsabilidade não é total. Por acções  as participações dos sócios comanditários são representadas por acções. c. Sociedades em comandita: nelas os sócios comanditados assumem responsabilidade ilimitada e os sócios comanditários respondem apenas pela sua entrada no capital social: Simples  não há representação do capital por acções. Fundações e Sociedades. Sociedades civis sob forma comercial: têm exclusivamente por objecto a prática de actos não comerciais. ex. d. estando os sócios isentos de responsabilidade pessoal pelas dívidas da sociedade. sociedades de advogados  têm um regime especial. mas sim as referentes ao contrato de sociedade  980º ss. pela sua quota. Sociedades anónimas: o capital social é dividido por acções.html i. ii.http://apontamentosdireito. mas apenas pela parte que lhes cabe do capital social.atspace. aplicando-se subsidiariamente o regime das sociedades anónimas se houver pelo menos 5 sócios comanditários. Agrupamentos complementares de empresas: associações de pessoas singulares ou colectivas que visam aumentar a rentabilidade das empresas pertencentes às entidades agrupadas.

no entanto. Em caso de inobservância desta exigência a sanção é a nulidade por falta de forma  220º.reconhecimento. O acto de constituição em regra. b) os estatutos – 167º/2. Subordinam-se à jurisdição dos tribunais administrativos. vejam-se os artigos 705º/a. Há. asseguram actividades que interessam fundamentalmente à defesa nacional ou exercem actividades em regime de monopólio. Têm um regime tributário específico com plenas isenções fiscais. c) Empresas públicas e nacionalizadas: são expressamente equiparadas pelo legislador às empresas públicas pelo decreto .Constituição das associações: a. embora em alguns dos seus aspectos sejam reguladas pelo direito privado. há que ter em conta: a) acto de constituição – 167º/1 . I-Formação do substracto e II. Regiões autónomas e autarquias locais. a) Pessoas colectivas de população e território: estão sujeitas ao seu poder toda a população de um certo espaço territorial. uma distinção no plano lógico porque o acto constitutivo tem uma maior importância embora esteja compreendido nos estatutos. um controlo administrativo da constituição das associações. cabendo oficiosamente ao notário remeter o respectivo extracto para publicação. sendo caso disso. b) Serviços públicos personalizados ou institutos públicos: existem institutos públicos de tipo fundacional como por exemplo: parque natural da Peneda Geres e existem institutos públicos de tipo associativo como por exemplo Universidades públicas. na sua redacção primitiva estabelecia o reconhecimento por concessão. contra a vontade dos que se lhe sujeitam. bem como à autoridade administrativa e ao MP a constituição e estatutos.lei nº 260/76 de 8 de Abril. Vão desaparecer. ou seja.  Constituição em concreto das pessoas colectivas privadas: 1.html primariamente fins de interesse público e que por isso mesmo disfrutam em maior ou menor extensão de ius imperi. primeiro o decretolei 594/74 que afirma o direito à livre associação e estabelece o 64 . 738º e 744º. nomeadamente a possibilidade de por via normativa ou através de autoridade directa emitir comandos vinculativos executáveis pela força. os estatutos e as suas alterações devem constar de escritura pública – art. Quanto à forma – o acto constitutivo. é simultâneo. Quanto ao seu reconhecimento o código de 1966 no seu artigo 158º. Além disso o acto de constituição e os estatutos devem ser publicados no jornal oficial sob pena de ineficácia em relação a terceiros. Têm um regime particular das relações de trabalho. do poder de autoridade pública ou de direitos de poder público.atspace. com os estatutos.b. havendo. bem como as suas alterações – artigo 168º/2 e 3. 168º/1. Estado Português. cujos interesses cabe a ela promover exemplo. assim. no plano cronológico. Estas pessoas colectivas detêm privilégios especiais. d) Empresas públicas de regime especial: exploram serviços públicos.http://apontamentosdireito.com/index.

aplicam-se as normas do legado – exemplo. No que diz respeito à formação do substrato as fundações podem ser instituídas por acto intervivos ou por testamento – 185º/1. nas fundações o reconhecimento é individual ou por concessão da competência da autoridade administrativa – artigo 158º/2. 2. 2277º. é a lei que atribui directamente a personalidade jurídica. A sua actuação nada tem de discricionário. compete aos executores do testamento elabora-los ou completa-los. 2301º direito de acrescer entre herdeiros.a) se o fim da fundação não for considerado de interesse social o reconhecimento será negado (188/1). quando a fundação é instituída por acto inter vivos só se torna irrevogável quando o reconhecimento é requerido ou principia o reconhecimento oficioso (185º/3). Através da forma há em primeiro controle da legalidade feito pelo notário (artigo 190º/1/a do código do notariado) devendo este recusar violações dos artigos 167º e 280º evitando a posterior extinção judicial destas associações. Já serão discricionários os poderes no que toca ao reconhecimento das fundações do artigo 188º . se os executores os não lavrarem dentro de um ano posterior à abertura da sucessão (187º). depois a CRP de 1976 a afirmar esse mesmo direito. ou seja. Ao contrário. A autoridade administrativa tem poderes vinculados à lei. No caso de instituição por acto inter vivos falamos de um negócio jurídico unilateral de natureza gratuita e não de doação. devendo apenas respeitar os requisitos legais. Na falta de estatutos lavrados pelo instituidor ou na insuficiência deles. incumbindo a sua elaboração à própria autoridade competente para o reconhecimento.Constituição das Fundações: diferentemente do que acontece com as associações. como sejam os da verificação se o seu fim está de acordo com o artigo 280º. a partir daí 65 . Este acto quando contido num testamento é livremente revogável até ao momento da morte do testador (2311) mas torna-se irrevogável quando o testador faleça (185º/4).atspace. ou seja. Até ao momento em que é requerido o reconhecimento ou principie o processo oficioso o fundador pode revogar a disposição. b. c. b) tal como no caso de insuficiência do património afectado à fundação (188º/2 e 3). Hoje o reconhecimento é feito ex lege.http://apontamentosdireito.html reconhecimento normativo. devem os herdeiros ou executores testamentários requerer o reconhecimento que pode ser oficiosamente promovido pela autoridade competente (185º/2). um legado. Se os estatutos foram formulados pelo testador.com/index. Se diversamente se atribuírem à fundação apenas bens ou valores determinados. uma herança são aplicadas as normas da instituição de herdeiro exemplo artigo 2068º (responsabilidade pelas dividas do falecido). como resulta da redacção actual do artigo 158. Requisitos a observar para se erigir a fundação: a. Se os bens destinados à fundação consistem na totalidade ou numa quota do património do falecido.

ii. Capacidade de gozo8 das pessoas colectivas: enquanto a capacidade de gozo das pessoas singulares é de carácter geral. Quanto à publicidade é aplicável o regime das associações com o artigo 185º/5 a remeter para a parte final do artigo 168º (esta “parte final” é lapso do legislador já que o artigo antes da sua nova redacção tinha apenas um numero – os aplicáveis são o nº2 e 3º). 4. com mais ou menos restrições de relações jurídicas. b.estão excepcionados do âmbito da capacidade jurídica das pessoas colectivas : a) relações jurídicas vedadas por lei (ex. concordata lei 4/71. Associações não religiosas: criadas no âmbito de uma confissão religiosa mas têm um fim diferente – para adquirirem personalidade jurídica basta a participação escrita feita pelo Bispo da Diocese onde tiverem a sua sede. ou por seu legitimo representante ao governador civil competente – 449º e 450º do código administrativo. Outras confissões: para adquirirem personalidade jurídica: i. o direito à honra que pode-se desentranhar da tutela geral da personalidade  artigo 70º.com/index.atspace. caso do direito ao nome  artigo 72º. Associações religiosas: têm por fim principal a sustentação do culto. Se entretanto o fundador morrer aplicar-se-á o artigo 185º/4. À primeira vista parecia estarem-lhe negados os direitos de personalidade. O reconhecimento das sociedades comerciais ou civis em forma comercial é o reconhecimento normativo condicionado através de escritura pública.http://apontamentosdireito. 3.Constituição das sociedades: às sociedades não se lhes aplicam directamente as disposições do capítulo sobre as pessoas colectivas. capacidade testamentaria activa – 2182º). no entanto elas podem ser titulares de pelo menos alguns. Da Igreja Católica: i. 160º/1  resulta do argumento a contrario a exclusão dos direitos e obrigações que não sejam necessários ou convenientes à prossecução dos seus fins. a das pessoas colectivas é uma capacidade jurídica específica  artigo 160º.html não o poderá fazer. como resulta do artigo 185º/3. ii.Constituição das pessoas colectivas eclesiásticas: a. por exemplo). mas sim as referentes ao contrato de sociedade  980º seguintes. Associações não religiosas: é aplicado o regime regra das pessoas colectivas presente no código civil. 160º/2. Associações religiosas: através de acto de registo da participação escrita da sua constituição – lei 4/71. b) relações jurídicas inseparáveis da personalidade singular (direitos derivados da vida humana como casamento ou filiação. 66 . 8 (para não esquecer) Aptidão para ser titular de um circulo.

teremos capacidade para o exercício de direitos. ainda que essa proibição não seja total. pois ela consiste na aptidão para pôr em movimento a (esfera jurídica) capacidade jurídica por actividade própria sem necessidade de ser representado ou assistido por outrem. Isto defendem alguns autores.html O fim estatutário será a medida do âmbito da capacidade. adequados ou convenientes ao fim que está previsto nos seus estatutos.  Responsabilidade civil das pessoas colectivas: 67 . deriva ainda do principio da especialidade a incapacidade das sociedades comerciais fazerem doações. mas sobretudo pela responsabilidade civil extra – contratual da pessoas colectivas. Manuel de Andrade. As pessoas colectivas têm capacidade testamentária passiva  2033º/2/b. os órgãos não são encarregados de nenhuma comissão. contrario da relação orgânica que é intrasubjectiva). em ordem a obter recursos para a prossecução dos seus fins. mas são eles os formuladores da vontade da pessoa colectiva. estariam. privadas da capacidade para o exercício de direitos. Quanto à aceitação de doações podemos aplicar por analogia este mesmo artigo. o artigo 165º estatui essa responsabilidade civil para as pessoas colectivas. o de um nexo de verdadeira organicidade. Normalmente não há responsabilidade civil extracontratual dos representados pelos actos dos seus representantes  o artigo 500º abrange um sector da representação: casos em que o procurador pode ser considerado um comissário.http://apontamentosdireito. Ora. os órgãos superiores (ex. Ora. Ora. assembleia geral) não estão numa relação de dependência. daí que digamos que as pessoas colectivas tenham capacidade para o exercício de direitos. Se for um vinculo de verdadeira organicidade.atspace. serão os actos necessários.com/index. assim. Se for um nexo de mera representação . Capacidade para o exercício de direitos das pessoas colectivas: à primeira vista as pessoas colectivas não têm essa capacidade. agindo o órgão é a própria PC que age. não agindo por si mesmas. ou seja. devemos rejeitar a tese da capacidade para o exercício de direitos pois há autonomia entre as personalidades jurídica do representante e do representado (é uma relação intersubjectiva entre 2 sujeitos. Outros autores são da opinião contrária. Vemos isso pelo artigo 162º. as pessoas colectivas só podem agir por intermédio de certas pessoas físicas. Devemos seguir o primeiro critério. Isto depende da natureza do vínculo entre a pessoa colectiva e as pessoas que procedem em seu nome e no seu interesse. quando está sujeito a um seu poder de direcção. Isto diz-nos Manuel de Andrade. já que a sociedade pode fazer doações remuneratórias a empregados e clientes – 941º e pode praticar donativos conformes aos usos sociais – 940º/2. pois a relação entre um órgão e o ente em que se integra é de verdadeira identificação. Isto só acontece quando está numa relação de dependência com o representado. Tal restrição não impede que as pessoas colectivas de fim desinteressado ou fim egoístico ideal possam praticar actos de natureza lucrativa.

civil contratual das pessoas colectivas é necessário que o contrato donde emerge a obrigação infringida tenha sido celebrado por quem tinha poderes para vincular a pessoa colectiva em causa. Seria injustificável a exclusão dessa forma de responsabilidade. é preciso que a pessoa colectiva tenha encarregado outra pessoa de uma qualquer comissão.Responsabilidade extracontratual: danos causados a terceiros fora de uma relação contratual entre o lesante e o lesado. Embora entendase que basta um nexo de vinculação jurídica entre a pessoa colectiva e o agente (exemplo. Exige-se que o acto tenha causado danos e que os danos estejam em relação de causalidade adequada com o acto – 500º/1.html 1. ou seja. ou seja. Pressupostos da responsabilidade civil da pessoa colectiva: a) Precisa de haver uma comissão. Há a necessidade de culpa do órgão ou agente tanto nos casos de falta de cumprimento como nos de cumprimento defeituoso  799º/1. O artigo 165º remete-nos para a responsabilidade dos comitentes por actos dos seus comissários que consta do artigo 500º. é preciso que tenha havido culpa da pessoa física que praticou o acto ilícito. Existe responsabilidade civil por facto ilícito culposo: em que os órgãos deliberativos violam direitos ou interesses legalmente protegidos de terceiros provocando-lhes em termos de causalidade adequada danos: exemplo – deliberação de uma empresa descarregar nas aguas de um rio poluentes que vão danificar culturas – a pessoa colectiva tem que indemnizar as pessoas cujos patrimónios danificou nos termos dos artigos 483º seguintes. salvo se se tratarem de matérias em que se responde sem culpa ou ainda no caso excepcional de responsabilidade por intervenções licitas. As pessoas colectivas respondem pelos actos dos seus órgãos.http://apontamentosdireito. civil nos termos gerais da resp. É preciso que o acto danoso tenha sido praticado pelo órgão. contrato de trabalho)500º/1.com/index. Há resp. como tal deve suportar os riscos da sua actividade. Vem enunciada no artigo 165º. Para existir resp. agente ou mandatário no exercício da função que lhe foi confiada – 500º/2. agente ou mandatário recaia a obrigação de indemnizar – artigo 500º/1. Mas b) c) 68 . remetendo-nos para o 800º. segundo o principio ubi commoda ibi incommoda (onde estão as coisas cómodas aí estão as coisas incomodas). Mas a responsabilidade civil mais comum nas pessoas colectivas é a responsabilidade civil objectiva ou pelo risco.atspace. Precisa que sobre o órgão.Responsabilidade contratual: resulta da capacidade da pessoa colectiva contrair obrigações. agentes ou mandatários que produzam a violação de uma obrigação em sentido técnico. 2. civil contratual 798º seguintes. sendo prejudicial para a própria pessoa colectiva visto que ninguém queria contratar com ela. a pessoa colectiva emprega determinadas pessoas para vantagem própria.

desde que esses mesmos actos tenham ou objectivos exclusivamente inerentes aos interesses da pessoa colectiva ou prossigam simultaneamente interesses pessoais e da pessoa colectiva. o que acontece é que via da regra o lesado recorre à Pessoa Colectiva. agente ou mandatário. agente ou mandatário pode exercer acção de regresso contra a pessoa colectiva se não houve da sua parte qualquer culpa no plano das relações internas  497º/2. outros. pode haver externamente mas não internamente como no caso do motorista que adormece e atropela outra pessoa. O agente. ou poderes que lhe foram confiados.com/index.html quando podemos considerar um acto como praticado no exercício de funções? a. 500) ou solidária? (em que cada um deve os 1000 e o credor tanto se pode dirigir a um como o outro). desde que este tenha culpa no plano das relações internas (exemplo. Estaremos no não exercício das funções quando se prosseguem exclusivamente interesses e objectivos pessoais do agente  nexo de mera ocasionalidade. mesmo que praticados tendo em vista interesses próprios e / ou com a intenção de lesar um terceiro – 500º/2.Trata-se de uma obrigação solidária aplicando-se o 497º ex vi do artigo 499º. Há um nexo de instrumentalidade entre o acto e a função e os poderes que o agente desfruta no exercício da sua competência. podendo exigir o reembolso de tudo o que haja pago. b. mas em que a causa da fadiga se deve às instruções dadas pela entidade patronal para um trabalho sem o necessário repouso) 500º/3 (houve culpa da parte do comitente também!). No que respeita a relações internas:  a) A Pessoa Colectiva que tiver satisfeito a indemnização tem direito de regresso contra o órgão. Mas será uma responsabilidade conjunta? ( a pessoa colectiva deve 500 por exemplo e o agente. Actos integrados no quadro geral da competência. órgão ou mandatário fica também obrigado a indemnizar ao lado da pessoa colectiva.atspace. 69 . d. Procedimentos levados a cabo pelo agente na qualidade de representante da pessoa colectiva. Comportamentos causados pelas funções que lhe foram atribuídas.  b) Também o órgão.  c) No caso de indefinição da culpa no plano interno é aplicada a parte final do artigo 497º/2 em que há presunção de igualdade nas culpas.http://apontamentosdireito. Ainda nos casos em que o agente visa apensa interesses pessoais e integrado formalmente no quadro geral da sua competência se aproveita de uma aparência social que cria um estado de confiança (boa-fé) do lesado na licitude do comportamento do agente  teoria da aparência jurídica. c.

uma casa é uma coisa. iura in se ipsum – direitos sobre a própria pessoa. ou seja. o poder paternal e o poder tutelar) incidem directamente sobre a pessoa do filho ou do pupilo. Esta definição será pouco exacta.possibilidade de apropriação exclusiva por alguém. Sentido filosófico: tudo o que pode ser pensado. exemplo é o acto de entrega da coisa – a prestação. Sentido jurídico: tudo aquilo que pode ser objecto de relações jurídicas artigo 202º. através de um elemento mediador está submetido aqueles poderes. b. a) Objecto imediato: aquilo que directamente está submetido aos poderes ideais que integram um direito subjectivo. Possíveis objectos da relação jurídica: a) A própria pessoa. 70º ss. 3. não ferindo a sua dignidade. como por exemplo a luz. exemplo. 2.aptidão para satisfazer 70 . c. contrário do que antigamente se pensava com a escravatura.atspace. é o “quid” sobre que incidem os poderes do titular activo da relação jurídica (contrário de conteúdo que é o conjunto de poderes ou faculdades que o direito subjectivo comporta). b) A pessoa de outrém – falamos aqui. Sentido físico: tudo o que tem existência corpórea (quad tanji potest) ou pelo menos é susceptível de ser captado pelos sentidos. b) Objecto mediato: aquilo que só de uma forma mediata ou indirecta. não de direitos subjectivos mas de poderes-deveres (exemplo. Também não acontecerá a legitimação do suicídio ou automutilaçao visto que o artigo 81º diz que toda a limitação voluntária dos direitos de personalidade é nula se for contraria aos princípios da ordem pública. a própria coisa que deve ser entregue. não são direitos de domínio ou soberania sobre a pessoa. c) Coisas: a. como por exemplo os planetas ou então por falta de delimitação ou captura são aproveitados por todos os homens. ou seja. isto é. certas manifestações ou modos de ser físicos ou morais da pessoa. Autores criticam do ponto de vista lógico (já que levaria a distinguir no homem duas pessoas: uma sujeito e outra objecto dos seus direitos de personalidade) e do ponto de vista moral (legitimaria o suicídio ou a automutilação) este possível objecto. hoje.http://apontamentosdireito. pelo contrário visando o seu beneficio. ainda que não tenha existência real e presente. o certo é que têm de apresentar as seguintes características: 1.html  O Objecto da Relação Jurídica: Generalidades: o objecto é aquilo sobre que incidem os poderes do titular do direito.com/index. No entanto a lei concretiza alguns direitos sobre certos aspectos da personalidade – arts.existência autónoma ou separada: exemplo. não sendo coisas os bens que escapam ao domínio do homem. não o sendo cada uma das suas paredes.

Incorpóreas: existem dois tipos: i.atspace. o interesse de saber se são corpóreas reside no artigo 1302º.o código civil enumera um conjunto de coisas que são taxativamente imóveis e no artigo 205º diz que as restantes são móveis. podem ser apreendidas pelos sentidos. Classificação das coisas: Coisas no comercio e fora do comercio a) o artigo 202º/2 considera fora do comércio as coisas insusceptíveis de serem objecto de direitos privados como: a) as coisas que se encontrem no domínio publico – artigo 84º CRP. Bens imateriais: podem ser objecto de propriedade intelectual. b) Valor de uso: o direito embora não permutável proporciona o gozo de um bem que só se obtém mediante uma despesa (exemplo um bilhete para um espectáculo). # Contrário – esfera jurídica – totalidade das relações jurídicas de que uma pessoa é sujeito – património mais direitos e obrigações não avaliáveis em dinheiro. É esta a noção que se refere o artigo 2030º/2 . (ver a definição de frutos – artigo 212º e de benfeitorias – artigo 216º) Património: Património global: conjunto de relações jurídicas activas e passivas (direitos e obrigações) avaliáveis em dinheiro de que uma pessoa é titular. exemplo direitos de autor e propriedade industrial (marcas. patentes) ambos sujeitos a legislação especial – 1303º. Direitos enquanto objecto de outros direitos: são também coisas incorpóreas. exemplo – penhor de direitos e o trespasse de um estabelecimento comercial ou industrial – artigo 115º do RAU. É 71 . b) Coisas corpóreas e incorpóreas: a. ii. os activos que não os deveres e obrigações patrimoniais. Património activo: abrange apenas os direitos patrimoniais ou seja. relações jurídicas susceptíveis de avaliação pecuniária que pode resultar: a) Valor de troca: este é alienável mediante uma contraprestação. Corpóreas ou materiais: têm existência física.com/index.http://apontamentosdireito. chamados passivos. c) Coisas móveis e imóveis: artigo 204º . b.html interesses ou necessidades humanas daí que uma gota de água ou um grão de areia não sejam coisas. b) são por natureza insusceptíveis de apropriação individual – exemplo ar atmosférico. ou seja. podem ser tocadas.

Temos então 2 reflexos: a) património autónomo – só responde por certas dividas e não responde por outras. Características da plena autonomia patrimonial: a) Tanto no caso de aceitação a beneficio do inventario (2071º/1) como se no caso de aceitação pura e simples (2071º2) o herdeiro não responde pelas dividas da herança para além das forças dos bens herdados.atspace.. O caso mais nítido de património autónomo no direito privado Português é o da herança – é o conjunto das relações jurídicas patrimoniais que.) Património liquido: trata-se da saldo patrimonial: relações jurídicas activas ou direitos – relações jurídicas passíveis ou obrigações. adquirindo-se outro valor. fazendo as suas vezes. b) por aquelas dívidas só o património autónomo responde não afectando o património geral do seu titular. não responde ultra vires hereditatis. ou seja. trata-se da mesma massa patrimonial que pertence em bloco. por força da morte de um individuo. Sendo que o ónus da prova de insuficiência do activo hereditário cabe ao herdeiro e não aos credores na aceitação pura e simples (2071º/2) e o ónus da prova da existência de mais bens além dos inventariados cabe aos credores na aceitação a beneficio de inventario (2071º/1)  só a herança responde pelas suas dividas e não os herdeiros. um mesmo sujeito é titular de um património global e de um património autónomo. a um conjunto de pessoas sem possibilidade de cada uma dessas pessoas alienar um quota ou fracção desse património ou 72 . A isto se chama sub-rogação real . Patrimónios conjuntos: estamos perante um único património pertencendo a vários sujeitos: A) Património colectivo: figura de raiz Germânica. Mas qual o critério do reconhecimento da autonomia ou separação de património? O critério preferível é o da responsabilidade por dívidas. pelas dividas da herança e não por outras dividas (2070º) Se um bem desse património autónomo se perde.html esta a noção de património a que o artigo 225º?? Alude quando fala de fazenda (:. em principio. Património autónomo ou separado será o que responde por dívidas próprias. instituição da substituição de uma coisa que se perdeu por força de um acto ou facto jurídico que simultaneamente implicou a aquisição de um valor ou pondo esse novo valor o lugar do anterior como novo objecto da mesma relação jurídica que já existia. (activos – passivos) Património autónomo: conjunto circunscrito de relações patrimoniais sujeito a um regime jurídico particular. isto é só responde e responde só ele por certas dívidas.http://apontamentosdireito. b) A herança só responde. este valor deve substituir-se ao primeiro bem tomando o seu lugar no património autónomo.com/index. passam da titularidade deste para os herdeiros e legatários. ou seja. globalmente.

o património colectivo é. Daí. exemplo testamento ou contrato. em que cada proprietário tem direito a uma quota ideal ou fracção do objecto comum – 1403º/2. Trata-se de uma comunhão por quotas ideias. A forma que se conhece no nosso direito de um património colectivo é o da comunhão conjugal (quer a comunhão geral de bens. quando duas ou mais pessoas são simultaneamente titulares do direito de propriedade sobre a mesma coisa – 1403º/1. 73 . assim. A compropriedade ou propriedade comum: figura de raiz Romanística. # O facto jurídico: Noção: é todo o acto humano ou acontecimento natural juridicamente relevante. refira-se que a menção mencionada no 1969º só é possível de execução quando se processa à extinção da comunhão conjugal. O BGB chama-lhe “Bruchteilegemeinschaf” (comunhão segundo quotas). o comproprietário possa dispor de toda a sua quota na comunhão ou de parte dela – 1408º. ou seja. Daí que ao contrário do património colectivo. determinado por uma causa ou fim. morte natural de um animal) ou porque a sua eventual voluntariedade não tem qualquer relevância jurídica (exemplo o nascimento). que o comproprietário não seja obrigado a permanecer na indivisão . podendo exigir a divisão da coisa comum – 1412º. com a extinção do casamento ou através da separação de bens entre os cônjuges. produtor de efeitos jurídicos / contrario de factos ajuridicos que são factos da vida real irrelevantes ou indiferentes ao qual a ordem jurídica não liga quaisquer consequências (exemplo. ou porque resultam de causas de ordem natural (exemplo. O BGB chama-lhe “Gemeirsahaft zur gesanten tand”. um convite para um passeio).atspace. quer a comunhão de adquiridos). Quanto às dívidas da responsabilidade de ambos os conjugues temos o artigo 1695º. também.A temos a necessidade de consentimento dos cônjuges na alienação ou oneração de bens móveis e imóveis de forma a garantir a estabilidade no casamento. Nos artigos 1682º e 1681º .http://apontamentosdireito. Factos jurídicos involuntários ou naturais: são estranhos a qualquer processo volitivo.com/index.html B) requerer a divisão enquanto não terminar a causa geradora do surgimento do património colectivo. Classificação dos factos jurídicos: a) Factos jurídicos voluntários e involuntários: factos jurídicos voluntários ou actos jurídicos são os factos jurídicos resultantes da manifestação ou actuação da vontade humana enquanto elemento juridicamente relevante. quanto à responsabilidade de dívidas de um dos cônjuges temos 1696º.

Negócios jurídicos: são factos voluntários cujo núcleo essencial é integrado por uma ou mais declarações de vontade tendentes a produzir determinados efeitos jurídicos que coincidem ou tendencialmente coincidem com a vontade das partes os efeitos dos negócios jurídicos produzem-se ex voluntate exemplo. Porquê ilícito negocial ou extranegocial e não contratual ou extracontratual? É mais rigoroso desta forma. ocupação de animais bravios – 1318º. Negócios jurídicos e simples actos jurídicos: estamos no domínio dos factos jurídicos voluntários. Quase negócios jurídicos e operações jurídicas: distinção feita dentro dos simples actos jurídicos. ou seja. Operações jurídicas: traduzem-se na efectivação ou realização de um resultado material ou factual a que a lei liga determinados efeitos jurídicos. perante um certo credor resultante normalmente de um contrato. Exemplo: ocupação de animais bravos (caça e pesca)ou de animais e coisas moveis perdidas – 1318º.html b) c) d) e) f) Factos jurídicos lícitos e ilícitos: trata-se de uma classificação dos factos jurídicos voluntários ou actos jurídicos. Ilícito extranegocial: resulta da violação de um dever geral de abstenção que se impunha perante um direito absoluto. ou seja.atspace. Factos ilícitos negociais e extranegociais: falamos de ilícitos civis: violam interesses particulares / contrário de ilícitos penais que violam interesses gerais da comunidade. com intenção de provocar esse resultado. Delitos e quase-delitos civis: delito é o mesmo que acto ilícito. 74 . Actos jurídicos: são factos voluntários cujos efeitos se produzem mesmo que não tenham sido previstos ou queridos pelos seus autores. actos reais (“realakten”) ou actos exteriores.http://apontamentosdireito. interpelação do devedor – 805º/1. Delito é praticado com dolo. visto que o ilícito contratual existe tanto quando não se cumpre uma obrigação resultante de um contrato.com/index. Quase-negócios jurídicos ou actos jurídicos quase negociais: traduzem-se na manifestação exterior de uma vontade (exemplo. estabelecimento do domicilio – 82ºss. Também são designados por actos materiais. factos jurídicos lícitos: facto conforme a ordem jurídica e por ela tutelado ou garantido. contratos. Bastante importante saber para efeitos da responsabilidade civil  artigo 494º. exemplo. como da violação resultante de um negócio unilateral. interpelação do devedor – 805º/1. Quase – delitos  é praticado com negligência. com omissão de um dever de cuidado ou diligencia. Os efeitos dos simples actos jurídicos produzem-se ex lege. embora muitas vezes haja concordância entre a vontade destes e os referidos efeitos. Ilícito negocial: resulta da violação da parte de um devedor de uma obrigação. Factos jurídicos ilícitos: facto contrário à ordem jurídica e por ela reprovados e sancionados.

que poderá até não existir. Aquisição originária: aquisição em que o direito que se adquire depende apenas do facto aquisitivo (facto jurídico que o fez nascer). Aquisição de direitos: pensamos no lado activo da relação jurídica. Aquisição de direitos e constituição de direitos são duas coisas diferentes. aquisição derivada translativa. Exemplo: usucapião  1287º seguintes. ocupação de coisas moveis  1318º seguintes.http://apontamentosdireito. como tal não pode ter um objecto mais vasto do que o direito anterior).html Efeitos dos factos jurídicos: os factos jurídicos desencadeiam determinados efeitos que consistem que consistem fundamentalmente numa aquisição. b) Aquisição originária e aquisição derivada: Aquisição derivada: aquisição em que o direito que se adquire depende não só do facto aquisitivo mas também do direito anterior. quando esse direito se a liga a esse sujeito. c) Modalidades de aquisição derivada: translativa. tendo apenas uma fracção. o proprietário de um prédio constituir um usufruto a favor de outrem. por exemplo).com/index. Constitutiva: o direito que se adquire tem um conteúdo ou extensão inferior ao direito anterior. não dependendo da existência ou da extensão de um direito anterior. (3) objecto ou área de incidência (imagine-se que o alienante era apenas comproprietário. Existe uma tripla dependência  (1) existência (o direito tem de existir).atspace. aquisição de propriedade através do contrato de compra e venda. o direito que se adquire é menos extenso que o direito anterior. é a criação de um direito que não existia anteriormente. Mas nem toda a aquisição envolve a constituição de direitos exemplo. constitutiva e restitutiva: Translativa: o direito que se adquire tem exactamente o mesmo conteúdo ou extensão do direito anterior. no caso de caça e pesca 1319º nem sequer há um direito anterior e em todos eles o direito do adquirente não foi adquirido por causa do direito anterior. a) Noçao: é a ligação de um direito a um determinado sujeito. visto não haverem direitos sem sujeito. (2) conteúdo (se na compra e venda o vendedor tinha um direito mas apenas o de usufruto este não pode transferir um direito mais amplo que não tem. Toda a constituição implica a sua aquisição. Constituição de direitos: é o aparecimento de um direito pela primeira vez na ordem jurídica. modificação ou extinção de relações jurídicas. mas apenas dele. 75 . Exemplo. O direito que se adquire é o mesmo que estava na esfera jurídica do transmitente (compra e venda. Diz-se que o sujeito adquire um direito. só poderá transferir essa fracção. exemplo.

Quando falamos em sucessão referimo-nos aos direitos e também às dívidas. com o fim de lhes dar publicidade os diversos actos inerentes a bens imóveis e outros bens indicados. f)Importância da distinção entre aquisição derivada e aquisição originária: enquanto que na aquisição originária a extensão do direito adquirido depende apenas do facto ou titulo aquisitivo. exemplo. O nosso registo predial é: 76 . É esta a regra fundamental da aquisição derivada. Podemos utilizar sucessão num sentido amplo (tanto mortis causa como intervivos) e aí o titular anterior do direito designa-se por autor. mas sim assumem-se daí a epigrafe do artigo 595º.com/index. como às dívidas. a) Instituto do registo predial e registos similares: as pessoas devem inscrever. segundo a velha máxima nemo pluris iuris in alium transferre potest quam ipse habet (ninguém pode transferir para outrem mais direitos de que o próprio tem). num sentido amplo pode-se utilizar a expressão transmissão de direitos para qualquer forma de aquisição derivada.http://apontamentosdireito. No entanto. deixando de estar comprimido. Logo se A vende a B uma coisa da qual não era proprietário esse acto é nulo com fundamento legal no artigo 892º e ss  venda de coisa alheia. passando a ser um direito de propriedade pleno novamente. este principio comporta excepções. coincide apenas com a aquisição derivada translativa. Mas frequentemente utiliza-se sucessão num sentido estrito. antecessor ou causante e o adquirente por sucessor ou causado. retoma a dimensão inicial. No entanto. tal como a sucessão refere-se tanto aos direitos. designando apenas a sucessão mortis causa aí o autor da sucessão é designado por hereditando ou de cuius e os sucessores ou causados por herdeiro ou legatário conforme sucedam na totalidade ou numa quota do património ou em bens ou valores determinados. a destruição de um usufruto. restituindo-se o direito à sua plenitude inicial.atspace. enquanto a aquisição rigorosamente só diz respeito a direitos. na aquisição derivada a extensão do direito do adquirente depende do conteúdo do facto aquisitivo e depende ainda da amplitude do direito do transmitente.html Restitutiva: o titular de um direito real limitado demite-se dele. não podendo este transmitir mais direitos do que os que tem. ou seja. situações em que o adquirente pode obter um direito que não pertencia ao transmitente ou é mais amplo do que aquele que pertencia a esse mesmo transmitente. d) Distinção entre aquisição derivada e sucessão: Sucessão: é o subingresso de alguém num direito de outrém. e) A transmissão de direitos: A transmissão de direitos equivale à aquisição derivada translativa. A transmissão. As dívidas não se adquirem.

mas apenas a inobservância de um simples ónus do adquirente. já que apenas poderá haver um proprietário. se verifica uma situação de aquisição a non domino (aquisição de um bem que já não era titulado por A) – logo. 5º e 6º do código de registo predial  enquanto não for registado. art. há uma excepção ao princípio do nemo plus iuris. embora A já não seja proprietário do bem. só fugindo a isto a constituição de hipoteca em que o registo é constitutivo e como tal condição de validade. É declarativo. Mota Pinto e Orlando de Carvalho diz que terceiros para efeitos de registo são os que do mesmo autor ou transmitente adquirem sobre o mesmo bem direitos total ou parcialmente incompatíveis ou conflituantes. Algo que permanece até aos nossos dias.html i. se B adquire um bem sujeito a registo mas não o regista e C adquire o mesmo bem (sendo C terceiro para efeitos de registo).com/index. Escola de Coimbra. A aquisição sem registo não deixa de ser válida e enquanto não há registo prevalece inteiramente a primeira aquisição de acordo com a regra prior in tempore.atspace. É a chamada estrutura da aquisição triangular. embora a aquisição produza efeitos inter partes. potior in iure. Quem não fosse o proprietário segundo 77 . é mera condição de eficácia da aquisição e não condição da sua validade como acontece com os registos constitutivos caso do Alemão. não se aplica a regra da prioridade ou prevalência da transmissão mas a regra da prioridade do registo. Mas quem são os terceiros para efeitos de registo predial? Trata-se de uma noção que até aos anos 60 era bastante pacifica na nossa jurisprudência e na nossa doutrina. Do registo decorrem três tipos de efeitos: 1Efeito imediato ou automático do registo: é a presunção de titularidade do direito. de modo que. Assim. Um registo de aquisições (não de pessoas como é o caso do registo civil). 291º) 3Efeito central do registo: artigo 4º.http://apontamentosdireito. quanto aos bens sujeitos a registo. defendida por Manuel de Andrade. ii. e o regista. 2Efeitos laterais do registo: todos os previstos na lei independentemente dos outros dois efeitos (ex. aplica-se a regra da prioridade do registo. estes efeitos não se poderão opôr a terceiros quando não haja tal aquisição sido registada (“os factos sujeitos a registo só produzem efeitos contra terceiros depois da data do registo”). mas que se viu a partir desses mesmos anos (60) bastante conturbada. iii. É facultativo: a sua inobservância não é uma infracção de um dever. A--------------B C Assim. e não da aquisição do direito sobre o bem.

http://apontamentosdireito.atspace.com/index.html

a regra do nemus pluris iuris nada podia transmitir e como tal quem com ele contratou nada poderá obter. Pois quem adquiriu a domino, ainda que não tenha registado é sempre preferido a quem adquire a non domino. Pressupõe-se, assim, que o transmitente é o mesmo, segundo este esquema.

A

B (nr)

C (r) Fora isto, nada mais se exige para a inoponibilidade a terceiros, nem se a aquisição é intervivos ou mortis causa, nem se a aquisição é gratuita ou onerosa, nem se o registo é feito com o conhecimento de aquisição conflituante não inscrita ou com o desconhecimento da mesma. A posição da Escola de Lisboa defendida por Oliveira Ascensão e por Meneses Cordeiro é mais restritiva. Para estes, terceiros para efeitos de registo são apenas os que adquirem a título oneroso e de boa fé, ou seja, com o desconhecimento da aquisição conflituante. Doutor Orlando de Carvalho e Doutor Mota Pinto consideram esta restrição inadmissível e subversiva da função do registo e a segurança que o mesmo trás ao tráfego jurídico. No que diz respeito à boa fé e defendido que tal traria o caos à segurança que se pretende no comércio jurídico, trazendo ao adquirente delongas, incertezas e gastos tendentes a provar que desconhecia uma alienação anterior. Má fé psicológica que é algo, muito difícil de provar. No que diz respeito à onerosidade da aquisição o Doutor Orlando de Carvalho diz-nos que não tem aqui qualquer sentido pois não tem qualquer relevo no quadro da oponibilidade dos direitos. No que diz respeito à jurisprudência acerca deste assunto nos tempos mais próximos, o acórdão de fixação de jurisprudência de 15/ 97 de 4 Julho do STJ veio sustentar a posição de Coimbra, no entanto o acórdão de 8/99 de 10 Julho modificou as coisas e consolidou a posição da escola de Lisboa com a exigência da boa-fé.

b)

Regra geral da protecção de terceiros contra qualquer invalidade (nulidades e anulabilidades) artigo 291º  este artigo estabelece um regime de inoponibilidade da nulidade e anulação de negócios jurídicos anteriores com base nos seguintes pressupostos cumulativos: i. Estejam em causa bens imóveis ou bens móveis sujeitos a registo; ii. Onerosidade da aquisição; iii. Ser terceiro, são terceiros aqueles que inseridos numa mesma cadeia de transmissões linear e sucessiva, vêm a sua aquisição afectada por um vício de um negócio precedente (não pode haver invalidade própria);

78

http://apontamentosdireito.atspace.com/index.html

c)

iv. Haja boa fé, sendo a boa fé determinada no nº3 do artigo 291º, como ignorância não culposa das causas de invalidade dos actos anteriores à aquisição do direito pelo terceiro, ou seja, tem de haver um desconhecimento efectivo no momento da sua aquisição; v. Ser um negócio nulo ou anulável – só funciona contra causas de invalidade; vi. A aquisição ter de ser registada antes do registo da acção  efeitos laterais do registo; vii. A posição do terceiro só se consolida após 3 anos (espécie de quarentena) do decurso do negócio inválido 291º/2 (se for numa cadeia9 conta o ultimo negocio invalido) Embora no caso da anulabilidade há sanção pelo decurso do tempo 287º/1. Regra especial de protecção de terceiros contra nulidade decorrente de simulação  artigo 243º, como resulta do artigo 240º os negócios simulados são nulos. No entanto o artigo 243º/1 vem estabelecer um regime de inoponibilidade desta nulidade com base numa simulação, desde que se preencham dois requisitos cumulativos: a. Ser terceiro. Inicialmente o Doutor Orlando de Carvalho defendia a mesma definição de terceiros do artigo 291º. Autores da Escola de Coimbra como o Doutor Manuel de Andrade e como Doutor Mota Pinto defendiam que terceiros não seriam apenas os defendidos por Orlando de Carvalho, mas todos os que vissem a sua posição jurídica afectada pela simulação (a que não sejam os próprios simuladores ou os herdeiros após a morte). O Doutor Orlando de Carvalho, nos últimos escritos, antes da sua morte parece ter evoluído para esta concepção de terceiros para efeitos do artigo 241º defendida pelos restantes autores da Escola de Coimbra; b. Esteja de boa fé  o artigo 243º/2 , este só fala em ignorância da simulação e não em desconhecimento sem culpa como vem no artigo 291º/3, ou seja, haverá boa fé, ainda que com culpa do terceiro, ou seja, se houver possibilidade de ele conhecer. Aqui a má fé superveniente não releva pois o momento considerado é o da aquisição dos direitos 243º/2. Embora se considere sempre má fé a aquisição por parte de terceiro após o registo da acção de simulação  243º/3.

ANEXO: Coloca-se o problema de se saber se a simulação é inoponivel só aos terceiros de boa fé prejudicados com a invalidação do negócio, ou seja, aos que
9

No caso: A (vicio)  B (vicio)  C D(boa fé) E (má fé). Orlando de Carvalho entende que se na cadeia um dos adquirentes estivesse protegido os seus sucessivos adquirentes também o estavam, beneficiando derivadamente da protecção  protecção intercorrente de terceiros na cadeia. Dr. Pinto Monteiro tem grandes dúvidas, sobretudo quando o ulterior adquirente está de má fé beneficiando de um mecanismo alheio, apesar da sua convicção psicológica contraria à lei.

79

http://apontamentosdireito.atspace.com/index.html

com isso sofriam uma perda, ou também aos terceiros que deixam de lucrar com a invalidação do negócio. Corrente mais ampla defendida por Pires de Lima, Antunes Varela, Castro Mendes, Vaz Serra, dizem que terceiros são também os que deixam de lucrar com a invalidação do negócio. Baseiam-se na letra da lei, visto que o artigo 243º/1 nada diz e num elemento histórico visto o anteprojecto conter essa restrição e o texto definitivo nada dizer. Corrente mais restritiva defendida por Mota Pinto, Manuel de Andrade diz que será apenas inoponivel aos terceiros que, com a invalidação do negócio sofram prejuízos. Invocam para isso o elemento racional, atendendo ao fim do artigo 243º (que é de proteger a confiança de terceiros) optam por uma solução mais justa que será a de impedir a invocação da simulação que causa prejuízos e já não a que origina vantagens ou lucros (exemplo, no caso de uma venda por 100 em que se declarou simuladamente 30, não pode invocar a sua qualidade de terceiro de boa fé para preferir pelo preço declarado é-lhe oponível a nulidade ,sendo admitido a preferir pelo preço real. (ver melhor isto) Modificações de direitos: Noção: tem lugar quando alterado ou mudado um elemento de um direito, permanece a identidade do referido direito apesar da alteração ocorrida. Esta perduração significa que o ordenamento jurídico continua a tratar o direito como se não tivesse existido uma alteração  o direito é o mesmo. Modalidades: Modificação subjectiva: 10 - há uma substituição dos sujeitos na titularidade do direito, permanecendo a identidade objectiva do direito. Há uma sucessão no direito. Exemplo, é o que acontece na cessão e na sub-rogação nos créditos – 577º ss e 589º ss; pode ainda resultar de uma multiplicação dos sujeitos por adjunção (um novo devedor assume a obrigação para com o credor mas o devedor anterior permanece vinculado); Modificação objectiva: há uma modificação no conteúdo ou no objecto do direito permanecendo o direito idêntico. Exemplo, modificação do conteúdo: concedido pelo credor uma prorrogação do prazo para o cumprimento. Modificação do objecto: o devedor não cumprindo culposamente a obrigação o seu dever de prestar é substituído por um dever de indemnizar. Extinção de direitos: Noção: tem lugar quando um direito deixa de existir na esfera jurídica de uma pessoa, extinção subjectiva ou perda de direitos: se o direito sobrevive em si,
10

Por substituição: quando o sujeito activo se substitui outro; Multiplicação: a um sujeito activo se substituem vários; Concentração: a vários sujeitos activos sucede um único.

80

enquanto que a prescrição tem de ser invocada. Enquanto que na caducidade não vem previstos na lei prazos normais. Prescrição aquisitiva ou usucapião: ao contrario da prescrição extintiva aqui adquirem-se direitos reais. a)Modalidades particulares da extinção de direitos:  Prescrição extintiva: extinção de um direito que pode não ser acompanhado pela aquisição correspondente. c) A caducidade. o direito extingiu-se para aquele sujeito mas subsiste na esfera jurídica de outrem. a justiça não lhe é estranha já que há a ponderação de uma inércia negligente do titular do direito em exercita-lo o que faz presumir uma renuncia ou pelo menos o torna indigno da certeza e segurança. d) A caducidade só é impedida. b) A caducidade é apreciada oficiosamente pelo tribunal  artigo 333º. o artigo 1786º. Negocio jurídico – facto voluntário. não podendo o tribunal oficiosamente supri-la  artigo 303º. pela prática do acto  331. licito. Conceito e importância do negocio jurídico: a. havendo prazos mais curtos para as chamadas prescrições presuntivas. prevendo a lei para certas hipóteses uma prescrição de cinco anos  art. Tem a ver com objectivos de conveniência ou oportunidade social e mesmo de segurança e exigibilidade. deixando de existir para o seu titular ou para qualquer outra pessoa.html apenas mudando a pessoa do seu titular. cujo conteúdo essencial e constituído por uma ou mais declarações de vontade dirigidas a 81 . não comporta causas de suspensão nem de interrupção artigo 328º. mas normalmente tem um carácter substantivo com amplitudes muito variáveis  exemplo. existem prazos processuais. Conceito e elementos dos negócios jurídicos I. exemplo a destruição do objecto do direito. se fundam numa presunção do cumprimento. Extinção objectiva: se o direito desaparece. Por seu turno a prescrição se interrompe pela citação ou notificação judicial  323º. enquanto que se admitem estipulações convencionais acerca da caducidade artigo 330º. embora o reconhecimento do direito contra quem deve ser exigido também impede a caducidade.atspace. No entanto. Acontece sempre que tem lugar a uma sucessão. salvo se a lei se referir expressamente à prescrição – artigo 298º/2.http://apontamentosdireito. 310. 319º. a) A prescrição extintiva é inderrogável como resulta do artigo 300º. ao contrário da prescrição que se suspende e interrompe nos casos previstos na lei  318º ss e 323º ss. mais do que propriamente com objectivos de justiça. e) O prazo ordinário da prescrição 20 anos. ou seja. em princípio. art. Diferenças entre prescrição extintiva e caducidade: quando um direito deva ser exercido durante certo prazo aplicam-se as regras da caducidade. em princípio.com/index.

atspace. não bastando provarse que as partes não consideraram o ponto ou até não teriam querido aquele regime. Natureza jurídica – diz respeito à relação que deve existir entre a vontade dos seus autores e os efeitos produzidos pela ordem jurídica. Os próprios efeitos derivados de normas supletivas resultariam da tacita vontade das partes. determinados. efeitos jurídicos concordantes. exemplo um convite para jantar. Teoria dos efeitos jurídicos: deve haver. exacta e completa correspondência entre o conteúdo da vontade das partes e os efeitos jurídicos produzidos tais como a lei os determina. também uma vontade de efeitos jurídicos. um dos princípios fundamentais do nosso direito civil. Se esta doutrina fosse verdade só os juristas completamente informados sobre o ordenamento poderiam celebrar negócios jurídicos. c. Tem. Teoria dos efeitos práticos: basta que a declaração se dirija a certos efeitos práticos ou empíricos sem carácter ilícito. A sua importância prende-se com o facto de ser o instrumento principal de realização do princípio da autonomia da vontade. mas que estão II. Só que aqui não há uma representação completa dos efeitos jurídicos correspondentes aquela vontade de efeitos práticos. b.html realização de certos efeitos práticos com a intenção de os alcançar sob tutela do direito e em que o ordenamento jurídico atribui efeitos jurídicos correspondentes. 82 . Teoria dos efeitos práticos jurídicos: trata-se do ponto de vista correcto. (exemplo. não se dirigindo apenas a efeitos práticos. As normas supletivas só deixam de se aplicar quando uma vontade real contaria for manifestada. Por falta de intenção de efeitos jurídicos temos de distinguir os negócios jurídicos dos chamados negócios de pura obsequiosidade. fazendo a lei corresponder a esses efeitos práticos.com/index. As partes dos vários negócios não tem uma ideia completa e exacta de todos os efeitos que o ordenamento jurídico atribui as suas declarações de vontade. em geral em conformidade com a intenção manifestada pelo declarante ou declarantes. pratica dos efeitos jurídicos imediatos e fundamentais. Quem realiza negócios jurídicos visa certos resultados práticos ou materiais e quere-os realizar por via jurídica.http://apontamentosdireito. Critica: tal como esta doutrina define o negócio jurídico este não se distingue de outros actos que não são negócios jurídicos que se fiam na honorabilidade das partes. Criticas: i. ii. empréstimo de honra). a. Por falta de vontade de efeitos jurídicos há ainda que distinguir os negócios jurídicos dos chamados “gentlments agreement´s”  convenções sob matéria que é normalmente objecto de matéria de negócios jurídicos. basta uma representação global. como tal.

b. Unilaterais e bilaterais: a. sendo apenas admitidos os negócios que estiverem especificamente previstos na lei artigo 457º. exemplo artigo 885º. exemplo cláusula de juros. Essenciais: podem ser aqueles relativos à existência do negócio jurídico.Elementos dos negócios jurídicos: 1. segundo a sistematização tradicional. Características do regime dos negócios unilaterais: a) É desnecessária a anuência da contraparte. dos sujeitos e do conteúdo. III. Elas não caracterizam o tipo negocial em abstracto mas tornam-se imprescindíveis para que o negócio concreto produza os efeitos a que elas tendem. testamento) ou varias declarações de vontade paralelas formando um só grupo (exemplo. falamos da declaração. 83 . Ainda. 3.obrigação da outra parte pagar a correspondente retribuição (diferente do comodato). a declaração de vontade sem vícios.html desprovidos. Acidentais: são as cláusulas acessórias dos negócios jurídicos. uma oferta ou proposta e a aceitação que se concilia num consenso. São as características próprias de cada modalidade negocial. Unilaterais: há uma só declaração de vontade (exemplo. Podemos falar ainda de elementos essenciais no sentido dos elementos essenciais de cada negócio típico ou inominado. que considera essenciais os requisitos ou condições gerais de validade de qualquer negócio. Falamos da capacidade das partes e da sua legitimidade. procuração feita por duas pessoas a favor de um mesmo advogado). b) Vigora o princípio da tipicidade ou do numerus clausus. sem os quais o mesmo não chegaria a ter existência material.atspace. 2. Não é necessário que as partes configurem qualquer clausula para a produção destes efeitos. em que temos 1. A eficácia do negócio não careceu de concordância de outrem. Há. Classificação dos negócios jurídicos: 1. idoneidade do objecto jurídico  artigo 280º. de conteúdo oposto mas convergente com a pretensão de um resultado jurídico unitário.obrigação de proporcionar à outra parte o solo de cada coisa 2. assim. Contratos ou negócios jurídicos bilaterais: há duas ou mais declarações de vontade. exemplo locação artigo 1022º ss.gozo esse que é temporário (diferente de compra e venda) 3.http://apontamentosdireito.com/index. no caso de intenção de efeitos jurídicos. exemplo um empréstimo de honra. Naturais: são os efeitos negociais derivados de disposições legais supletivas.

Importância: 84 . b) A proposta de contrato é irrevogável depois de chegar ao conhecimento do destinatário artigo 230º. c) Coloca-se o problema de saber qual o momento da sua perfeição. Doutrina da recepção: o contrato está perfeito quando a resposta contendo a aceitação chega à esfera de acção do proponente.atspace. iv. Negócios jurídicos não recepticios – basta a emissão da declaração sem ser necessária comunica-la a quem quer que seja. iii.http://apontamentosdireito. ii. mantendo-se durante os lapsos de tempo referidos no artigo 228º (diferente do código de 1867) em que a proposta era revogável. obrigações ligadas entre si por um nexo de causalidade ou correspectividade (exemplo.com/index. Doutrina da percepção: o contrato só está perfeito quando o proponente tomou conhecimento efectivo da aceitação. já que cada uma das declarações é emitida em vista do acordo. visto que o mesmo é integrado por duas declarações de vontade: i. (É o chamado dano da confiança. responsabilidade essa ainda hoje admitida no artigo 227º. Características do regime dos negócios bilaterais: a) Não se trata de dois negócios unilaterais. Doutrina da expedição: o contrato está perfeito quando o destinatário expediu por qualquer meio a sua aceitação. Dentro dos contratos há que distinguir entre:  Contratos unilaterais: geram obrigações apenas para uma parte (exemplo. devendo-se colocar o lesado na situação em que estaria se não tem chegado a depositar uma confiança que foi frustrada na celebração de um contrato válido e eficaz). exemplo denuncia do arrendamento.  Contratos bilaterais ou sinalagmáticos: geram obrigações para ambas as partes. Doutrina da aceitação: o contrato está perfeito quando o destinatário da proposta declarou aceitar a oferta que lhe foi feita. exemplo testamento. doação). artigo 1055º. compra e venda). que resulta de lesão do interesse contratual negativo. O artigo 224º vai consagrar no nosso direito a doutrina da recepção.html c) É importante distinguir entre negócios unilaterais receptícios – a declaração só é eficaz se for e quando for levada ao conhecimento de certa pessoa. embora o proponente que se retractasse incorresse em responsabilidade pré-contratual.

Autores falam dos contratos bilaterais imperfeitos. Negócios consensuais ou não solenes e negócios formais ou solenes: Formais ou solenes: aqueles para os quais a lei prescreve a necessidade de observância de determinada forma.Nos negócios mortis causa há uma prevalência dos interesses do declarante sobre o interesse na protecção da confiança do declaratário. b) A faculdade de resolução com fundamento em impossibilidade de cumprimento ou mora existe nos contratos bilaterais (condição resolutiva tácita) 801º/2 e pode também ter lugar em alguns contratos unilaterais exemplo arts. Exemplo: mandato e o depósito gratuitos – artigo 1157º e ss e artigos 1185º e ss. Nestes contratos não há excepção de não cumprimento do contrato e também não há condição resolutiva tácita. . Estes são objecto de uma conversão legal em disposições testamentarias – 946º/2. As doações por morte são. testamento). as disposições a favor de um dos esposados feitas pelo outro ou por terceiro são negócios híbridos ou mistos já que têm características de negócio mortis causa já que só se verifica transferência de bens depois da morte. Certos pactos sucessórios contidos em convenções antenupciais são válidos – artigo 1700º.Inter vivos: destinam-se a produzir efeitos em vida das partes. em virtude do cumprimento das primeiras e em dados termos. trata-se da generalidade dos negócios jurídicos. As disposições a favor de terceiros feitas pelos esposados são negócios mortis causa se o terceiro não interveio na convenção antenupcial – artigo 1704º e serão negócios híbridos se ele interveio como aceitante – artigo 1705º.Mortis causa: destinam-se a produzir efeitos depois da morte do declarante ou depois da morte de alguma das partes (exemplo.atspace. 2. sem o qual o negócio jurídico é invalido – artigo 220º. 428º. Características: 1. surgindo eventualmente mais tarde obrigações para a outra parte. nestes há inicialmente apenas obrigações para uma das partes. algo que é típico dos negócios inter vivos – artigo 1701º. em principio nulas – artigo 946º como quaisquer outros pactos ou contratos sucessórios – 2028º/2. o acatamento de determinados formalismos ou de determinadas solenidades e. ao contrário dos negócios inter vivos em que há uma tutela das expectativas da parte que se encontra em face da declaração negocial. Negócios inter vivos e mortis causa: . 85 .com/index. 1140º e 1150º.http://apontamentosdireito. no entanto há uma restrição de poderes feita ao disponente.html a) Só nos contratos bilaterais há excepção de não cumprimento do contrato.O testamento é claramente um negócio mortis causa. Em relação a estes.

http://apontamentosdireito. adopção). familiares e sucessórios: o critério desta classificação diz respeito à natureza da relação jurídica constituída. Nos negócios sucessórios o princípio da liberdade contratual sofre importantes restrições resultantes de algumas normas imperativas (exemplo. exemplo o depósito ou o mútuo. Nos negócios familiares patrimoniais: existe em maior escala a liberdade de convenção. modificada ou extinta pelo negócio jurídico. O principio geral do nosso código em matéria de formalismo negocial é o da liberdade declarativa ou liberdade de forma (artigo 219º). reais. Quanto nos casos excepcionais em que a lei prescrever uma certa forma e esta não for observada a declaração negocial é nula  artigo 220º. 86 . embora com algumas restrições (exemplo.atspace. Nos negócios reais o princípio da liberdade contratual sofre considerável limitação derivada do principio da tipicidade ou do numerous clausus – artigo 1306º. além das declarações de vontade das partes a prática anterior ou simultânea de um certo acto material de entrega de uma coisa como elemento da estrutura do negócio jurídico e não como efeito do contrato. testamento). convenções antenupciais). no que respeita aos negócios unilaterais vigora o princípio da tipicidade 457º. Modalidades: a) Documento autêntico – artigo 363º/2: exemplo venda de imóveis (875º) b) Documento autenticado – artigo 363º/3: em que há confirmação de determinado negócio jurídico através do notário c) Documento particular – artigo 363º/2 (2ª parte) : exemplo contrato promessa (artigo 410º/2) Negócios Reais quanto à constituição e quanto aos efeitos: São aqueles negócios em que se exige. Nos negócios obrigacionais: é neste domínio em que mais se afirma o princípio da liberdade negocial quanto aos contratos. podendo os interessados celebrar ou não o negócio mas não podendo fixar-lhe livremente o conteúdo ou celebrar contratos diferentes dos previstos na lei: principio da tipicidade ou do numerous clausus (casamento.html Não solenes: aqueles em que a validade do negócio jurídico não está dependente de qualquer requisito formal.com/index. Nos negócios familiares pessoais: a liberdade contratual está praticamente excluída. Forma: determinada figuração exterior permitida pela lei ou pela vontade comum das partes para a respectiva declaração de vontade. podendo ser realizado por qualquer comportamento (…). Negócios obrigacionais.

casamento.etc) A distinção tem como critério o conteúdo e finalidade do negócio Negócios onerosos ou a titulo oneroso: pressupõe atribuições patrimoniais de ambas as partes. Negócios gratuitos ou a titulo gratuito: uma das partes tem a intenção de efectuar uma atribuição patrimonial a favor de outra sem contrapartida ou correspectivo. Neste domínio há o predomínio de normas imperativas. É possível a existência de contratos unilaterais onerosos (exemplo.http://apontamentosdireito. ou seja. Pessoais: resulta a constituição. modificação ou extinção de relações jurídicas de carácter patrimonial. modificação ou extinção de relações jurídicas de carácter pessoal. o chamado animus donandi ou animus beneficiandi exemplo. mas entre uma prestação contemporânea (entrega do dinheiro para ser utilizado) e uma obrigação (a de restituir o capital e pagar os juros). segundo a perspectiva destas. 87 . o que releva é a vontade ou intenção das partes. psicológica do declarante sobre a vontade declarada. sem a pretensão de nenhum equivalente económico. assim. um nexo ou relação de correspectividade entre as atribuições patrimoniais. Actua-se. Patrimoniais: resulta a constituição.html Negócios patrimoniais e negócios pessoais: o critério desta classificação é também o da natureza da relação jurídica a que o negócio se refere. uma atribuição patrimonial que considera retribuída ou contrabalançada pela atribuição da contraparte.com/index. adopção. Cada uma das partes faz. também para a protecção do terceiro adquirente de boa fé contra qualquer invalidade de negócio jurídico anterior.  Existem certas figuras negociais que se podem apresentar como onerosas ou gratuitas. como por exemplo o valor afectivo de um objecto ex: arrendamento : aluguer . exemplo – compra e venda. assim. Não é necessário um equilíbrio das atribuições patrimoniais consideradas pelo seu valor objectivo. é que aqui a correspectividade não se estabelece entre duas obrigações. (artigo 291º. assim. já que objectivamente elas podem não ser equivalentes por várias razões. Há também um predomínio da vontade real. existindo. Negócios onerosos e negócios gratuitos: Importância da distinção: manifesta-se. mutuo oneroso – artigo 1145º. A outra parte age com a consciência e vontade de receber essa vantagem sem proporcionar um sacrifício correspondente. Cada uma das atribuições é a contrapartida da outra.atspace. é. a doação e depósitos gratuitos. por exemplo em matéria de impugnação pauliana (artigo 612º). exemplo. com a intenção de proporcionar uma vantagem à outra parte. de forma a tutelar a confiança do declaratário e também os interesses do trafico jurídico – artigo 236º/1. uma avaliação subjectiva. Há o predomínio do princípio da liberdade contratual. exemplo. cessão de créditos – 577º. Aqui há o predomínio da vontade declarada sobre a vontade real. avaliáveis em dinheiro.

html Contratos comutativos e contratos aleatórios: trata-se de uma subdivisão dentro dos contratos onerosos.http://apontamentosdireito. Por vezes a lei qualifica ela própria certos negócios jurídicos como actos de administração ordinária ou então de disposição. 11 Assim. a um risco. Contrato pelo qual uma pessoa promete uma certa prestação em troca de uma participação nos proventos que a contraparte obtenha por força daquela prestação.com/index. artigos 1889º. Os contratos de jogo e aposta não são contratos válidos. Veja-se o caso do artigo 1024º em que a lei qualifica como acto de administração ordinária a locação num prazo inferior a 6 anos. no caso de administradores de bens alheios a lei atende à falta de interesse pessoal do administrador que o pode induzir a correr riscos que não correria se os bens fossem seus. a determinação de quem a realizará (exemplo. no entanto quando lícitos são fonte de obrigações naturais – artigo 1245º. No caso de limitação de poderes de alguém sobre o seu próprio património a lei considera deficiências físicas e 88 . por força da lei ou de sentença. Negócios parciários: são uma subespécie dos negócios onerosos. dar e recebe (…) Aleatórios: as partes submetem-se a uma álea. de maior montante do que aquele (ex. No entanto. exceptuando-se as competições desportivas com relação às pessoas que nelas tomarem parte – 1246º e outras excepções previstas em legislação especial – artigo 1247º. Inabilitações – artigo 153º e 154º. b) Pode haver uma prestação certa e outra incerta. inabilitações).atspace. seguro de incêndio). Exemplo. aposta). mas uma delas incerta quanto ao momento da sua verificação e ao seu montante (ex. ou até de bens próprios (ex. a uma sorte. Pode haver: a) Uma só prestação dependendo de um facto incerto. dos poderes de gestão patrimonial dos administradores de bens alheios. 1967º e ss. seguro de vida). fazendo uma enumeração de certos actos que são permitidos ou vedados ao administrador – exemplo. 1937º e 1938º. Quando a lei não esclarece através de uma definição ou de uma enumeração quais os actos que integram uma dada categoria teremos de nos guiar pelos interesses que estão em jogo e o sentido das normas que espelham esses mesmos interesses11. parceria pecuária – 1121º. aos actos de mera administração ou de ordinária administração ex. Outras vezes a lei concretiza. ou de bens próprios e alheios. nem constituem fontes de obrigações civis. c) Pode haver duas prestações certas na sua existência. a uma possibilidade de ganhar ou perder. a lei muitas vezes restringe os poderes de certas pessoas a actos de ordinária administração sem qualquer especificações. Comutativos: cada uma das partes sabe que esperar do efeito do contrato. administração de bens – artigos 1922º. Negócios de mera administração e negócios de disposição Utilidade desta distinção: há uma restrição.

que atingem a raiz dos bens. dirigida a manter o património e a aproveitar as suas virtualidades normais de desenvolvimento. actos de disposição: a)Actos de frutificação anormal: como é o caso da transformação de um Pinhal em Vinha. 89 . não é acto de disposição o corte e venda de 20 pinheiros secos que nada estavam a fazer no pinhal). d) Onerações: trata-se da imposição de um ónus real sobre um determinado prédio (ex. dirigida a certas pessoas – os incapazes. Constitui a regra geral e contrapõe-se-lhe a incapacidade negocial de gozo – proibição absoluta de titularidade de tais relações. constituição de uma servidão de passagem). c) As alienações onerosas: actos que envolvem a transferência da propriedade para outrem (compra e venda. troca). e) Doações: tratam-se de liberalidades de alienação sem contrapartida. assim. Actos de disposição são os actos que afectam a substância da património administrado. No entanto. os actos que correspondem a uma actuação prudente. desde que não sejam feitos com os rendimentos existentes da administração: como é o caso da abertura de um poço ou cercar o muro a um prédio rústico sem qualquer necessidade disso. com exclusão dos actos arriscados (que podem originar grandes lucros e também prejuízos elevados) que afectam a substancia dos bens.Capacidade e legitimidade: são requisitos gerais de validade dos negócios jurídicos. assim.html Assim. b) Actos tendentes a prover à frutificação normal: essa frutificação é a pelo modo habitual para os bens administrados (ex. actos destinados a prover ao cultivo de uma terra nos termos usuais ao seu arrendamento). São. São. nem todas as alienações onerosas são actos de disposição. assim. que assim se vêm impedidos de realizar determinados negócios jurídicos. que alteram a forma ou a composição desse capital administrado. mentais que implicam alta probabilidade de a pessoa concluir negócios muito prejudiciais para os seus próprios interesses. Gera.http://apontamentosdireito. utrapassando os parâmetros de uma actuação prudente e comedida. Capacidade negocial de gozo: susceptibilidade de um sujeito jurídico ser titular de direitos e obrigações derivados de negócios jurídicos. b) Actos tendentes a prover ao melhoramento do património administrado. Só o são as que afectam a substância dos bens (ex.com/index. # Elementos essenciais do negócio jurídico: I. actos de mera administração são os correspondentes a uma gestão concedida e limitada. São.atspace. actos de mera administração: a) Actos de conservação dos bens administrados: actos destinados a fazer quaisquer reparações necessárias nesses bens tentendes a evitar a sua deterioração ou destruição.

 Declaração negocial: é o comportamento de uma pessoa (por palavras escritas ou faladas ou até sinais) que segundo os usos da vida. em geral por ser titular dos interesses cuja modelação é visada pelo negócio. hoje o direito civil coloca na sua primeira linha de protecção as expectativas dos declaratários e a segurança do comércio jurídico. A função da declaração negocial consiste em exteriorizar a vontade psicológica do declarante e torná-la cognoscível para o declaratário. convenção dos interessados ou até de disposição legal apareça como destinado a exteriorizar um certo conteúdo de vontade negocial. Gera. Haverá ilegitimidade negocial: quando falta essa relação face ao objecto que é detida por terceiro.html em regra. Neste sentido claramente o Doutor Mota Pinto. mas num elemento exterior no comportamento declarativo. Dá-se aqui claramente um conceito objectivista de declaração negocial. ou em todo o caso. II. consiste no comportamento declarativo. Ora. por actividade própria ou através de um representante voluntário. Esta vontade real pode decompor-se em três subelementos: 90 . cujo interesse a lei protege. sendo a sua nota principal não um elemento interior como a vontade efectiva ou psicológica. consiste no querer concreto. uma anulabilidade e é suprível pelos institutos da representação ou assistência. o Doutor Manuel Andrade e o Doutor Capelo de Sousa. Capacidade negocial de exercício: aptidão para celebrar. na realidade volitiva que normalmente existirá e coincidirá com o sentido objectivo da declaração.com/index. uma nulidade e é insuprível pela representação legal ou pela assistência.atspace. O código civil regula a declaração negocial nos artigos 217º e ss. daí que a nossa lei dê prioridade ao elemento objectivo – ao comportamento exteriorizado pelo declarante do que a sua vontade psicológica. modificar ou extinguir negócios jurídicos. contrapõe-se-lhe a incapacidade negocial de exercício: impedimento ou proibição não absoluto de realizar determinados negócios jurídicos.Declaração negocial: A) Noções gerais: é um elemento integrante do negócio jurídico. de tal forma que o sujeito não pode afectar esse direito ou obrigação. b) A vontade – elemento interno.  Elementos constitutivos: a) A declaração propriamente dita: elemento externo. o revela e traduz sendo a vontade negocial: a intenção de realizar certos efeitos práticos com ânimo de que sejam juridicamente tutelados e vinculantes pela ordem jurídica.http://apontamentosdireito. A regra geral é a de que um maior de 18 anos tem capacidade de exercício. Legitimidade: relação existente entre o sujeito e o objecto do negócio que justifica que o primeiro se ocupe juridicamente do objecto. em regra. conduzindo a sua falta à inexistência material do negócio.

É necessário que os factos sejam inequívocos. Exemplo: não existe vontade de acção quando uma pessoa por acto reflexo ou distraidamente faz um gesto e este aparece como uma declaração negocial. como também tácitas – artigo 217º/1. Vimos que pode haver uma falta de vontade de acção.Vontade negocial: vontade do conteúdo da declaração ou intenção do resultado (Geschftswille): consiste na vontade de celebrar um negócio jurídico de conteúdo coincidente com o significado exterior da declaração.A vontade de acção (Handlugswille) – consiste na consciência e intenção livre de realizar um comportamento declarativo. Tácita: quando do seu conteúdo directo se infere? um outro. No entanto.com/index. mas de uma probabilidade total.A vontade da declaração: (Erklanvnjswille) ou vontade da relevância negocial da acção (Geltunjswille): consiste em o declarante atribuir ao comportamento querido o significado de uma declaração negocial. exemplo a pessoa quer escrever quinta da regaleira. Este subelemento só está presente se o declarante tiver a consciência e a vontade de que o seu comportamento tenha significado negocial vinculativo. trata-se de uma probabilidade. sem que a pessoa se aperceba disso. 3. exemplo: pode faltar vontade da declaração se uma pessoa julgando assinar uma simples ficha para o arquivo de um banco assina uma declaração negocial. Trata-se de uma dedução de facto que com toda a probabilidade revela essa declaração negocial (217º/1). Trata-se de um meio indirecto ou lateral de afirmação de uma determinada vontade. Exemplo: pode haver desvio na vontade negocial quando uma pessoa atribui aos termos da declaração um sentido diverso do que é exteriormente captado . uma falta de vontade da declaração e um desvio na vontade negocial. Essa divergência pode ainda resultar de um desvio da vontade de acção: um lapsus lingual ou lapsus calami. exemplo uma pessoa quando quer comprar a quinta da regaleira e erradamente declara que quer comprar a quinta da gusteira pensando erradamente ser este o seu nome (erro no nome). A distinção consagrada na lei no artigo 217º é a proposta pela teoria subjectiva expressa: quando feita por palavras.atspace. por vezes a lei exige que a declaração negocial seja expressa caso dos artigos 731º. Se um individuo num leilão faz um gesto de saudação a um amigo e isso é entendido como oferta de uma certa importância. ou seja. É uma vontade efectiva correspondente ao negócio concreto que aparece exteriormente declarada.http://apontamentosdireito. a declaração negocial destina-se a um certo fim mas implica e torna cognoscível um regulamento sobre outro ponto. 957º e 1737º.  Declaração negocial expressa e declaração negocial tácita: o principio da liberdade declarativa envolve a possibilidade de se realizarem validamente declarações negociais não só expressas.html 1. escrito ou qualquer outro meio directo de expressão da vontade (217º/1 – 1ª parte). ou quando uma pessoa é coagida a realizar um negócio. ou prédio é o nº20 e por lapso enagana-se a escrever ou falar e sai-lhe quinta da regaleira nº30. 2. São estes os casos de divergência entre a vontade e a declaração. 91 .

mas por uma declaração de vontade do testador chega-se a essa conclusão. mas apenas a verificação de um incumprimento do dever de falar susceptível de incorrer o silenciante na obrigação de reparar os danos causados a outrém pela frustração da sua confiança em receber uma resposta – dano da confiança ou interesse contratual negativo. convenção negocial ou o uso lho atribuam. exemplo – testamento em que não há declaração expressa de atribuição de um determinado legado. não se deve concluir do silêncio uma certa declaração. estando na sua conservação apenas obrigado a abster-se de as deteoriar por dolo ou negligencia. para se captarem aceitações negociais. paga dívidas da herança  são factos que com toda a probabilidade fazem com que haja uma declaração de vontade no sentido de aceitação da herança.html Exemplo: aceitação expressa da herança feita por palavras ou por escrito. por diversas razões. O silêncio como meio declarativo: a questão é a de saber se o silêncio entendido não apenas como um nada dizer. Só tem valor como declaração quando a lei. O artigo 218º dá-nos essa resposta – só vale quando esse valor lhe seja atribuído por lei.http://apontamentosdireito. paga o imposto sucessivo. caso do artigo 923º/2. quando remetidas com a proposta. Poder-se-ia também aproveitar a impossibilidade de responder das pessoas. que não é obrigado a recambia-las. há legislação que protege o destinatário. o saber se devia ou não falar não é claro e mesmo se houvesse o dever de falar.atspace. A declaração tácita é compatível com a existência de um negócio formal  artigo 217º/2 . então.com/index. Em conformidade com o critério de interpretação dos negócios jurídicos consagrado no artigo 236º conclui-mos que no que respeita a uma declaração tácita em que dum comportamento se pode concluir um certo sentido negocial. Declarações negociais presumidas e declarações negociais fictas: 92 . mas como um nada fazer pode considerar-se uma declaração tácita no sentido de aceitação de propostas negociais. Também é afastada a ideia de que o silêncio vale como declaração quando o silenciante podia e devia falar – qui tacet consentire vidatem ubi loqui potuit ao debuit. Em princípio. uso ou convenção. tal não exige a consciência subjectiva por parte do autor desse significado implícito (bastando) que objectivamente ele possa ser deduzido do comportamento do declarante. o silêncio não vale como declaração negocial. No que respeita às mercadorias recebidas pelas pessoas. Repudia-se o velho princípio do Direito Canónico: qui tacet consentire videtur (quem cala consente)  isto seria inaceitável visto que violaria a autonomia das pessoas. dando-lhes sempre o ónus de responder a qualquer proposta de contrato. devendo apenas restitui-las se o proponente as mandar buscar. aceitação tácita: a pessoa toma conta dos bens.

Temos como exemplos: os artigos 923º/2 e 1054º. 93 . no entanto. podendo ilidir-se tal presunção mediante prova em contrário – artigo 350º/2 – 1ª parte (presunção tantum iuris). e) Dá publicidade ao acto o que é importante para terceiros. É no fundo uma contradeclaração. Existem.com/index. I – Modalidades da forma negocial. c) Pode levar a eventuais injustiças devido a uma desvinculação de uma das partes do negócio com fundamento em nulidade por vício de forma. por recear que lhe seja imputado. ou seja. O regime regra é o das presunções legais poderem ser ilididas por prova em contrário. apesar de essa mesma parte ter querido o acto negocial. Nos negócios formais o tempo que vai desde a decisão de concluir o negócio e a sua celebração permite repensar o negócio.html Declaração negocial presumida: quando a lei liga a determinado comportamento o significado de exprimir uma determinada vontade negocial. b) Embaraça a conclusão válida dos negócios. mas declara que isso não significa renuncia a receber o montante total dos danos.http://apontamentosdireito. por interpretação. um certo sentido vai afirmar-se abertamente não ser esse o seu intuito. com demoras. a vitima de um acidente recebe do causador uma soma em dinheiro. incómodos e despesas. importantes excepções a este principio consagradas no nosso código como regulamentação especial.atspace. caso do 875º em que se estabelece a obrigação de celebrar escritura pública. Reserva: modalidade de protesto em que se especifica que um certo comportamento não significa renúncia a um direito próprio ou reconhecimento de um direito alheio – exemplo. da negociação. Inconvenientes do formalismo negocial: a) Redução da fluência e celeridade do comércio jurídico. d) Dá um maior grau de certeza sobre a celebração do negócio e os seus termos evitando-se a falibilidade da prova por testemunhas. c) Permite uma formulação mais precisa e completa da vontade das partes. Protesto e reserva: Protesto: o autor de um certo comportamento declarativo. b) Separa os termos definitivos do negócio da fase pré – contratual . A forma da declaração negocial: Vantagens do formalismo negocial: a) Assegura uma maior reflexão das partes. livrando as partes da precipitação e da ligeireza. só assim não sendo quando a lei proibir – 350º/2. Principio da liberdade formal: No nosso direito civil vale o princípio da liberdade de forma consagrada no artigo 219º.

O facto de os particulares verem as suas estipulações reconhecidas acerca da forma do negócio. pelo que. tal não significa que os mesmos possam afastar.atspace. anteriores ou contemporâneas só produzirão efeitos se houver lugar a confissão ou forem provadas por documento. não devendo ser estipulações essenciais. Assim. É também inadmissível a prova por testemunhas se tiver por objecto convenções contrárias ou adicionais ao conteúdo de documentos autênticos e particulares – artigo 394º. Forma voluntária: forma adoptada pelas partes sem que a lei ou convenção anterior a isso as obrigasse. mesmo que menos solene : exemplo. as partes poderão utilizar a forma convencional em negócios que a lei não exige forma ou exige uma solenidade menos forte. as estipulações acessórias anteriores ou contemporâneas ao escrito. 94 . algo que deriva do principio da liberdade contratual – artigo 405º.html Forma legal: quando o formalismo exigível para certo negócio é imposto pela lei.Não sejam abrangidos pela razão de ser da exigência de documento. na dúvida sobre a existência de uma estipulação acessória é de decidir pela sua não existência. 2. carta. 3. Quanto às estipulações posteriores ao documento estão dispensadas de forma legal prescrita para a declaração se as razões da exigência especial da lei não lhes forem aplicáveis – artigo 221º/2.Que se prove que as cláusulas acessórias correspondem à vontade das partes. em princípio. tal como acontece para as estipulações posteriores ao documento – artigo 222º.http://apontamentosdireito.com/index.Que se trate de cláusulas acessórias. sob pena de nulidade artigo 221º/1. por acordo. no entanto. Forma convencional: quando o formalismo exigível resulta de uma estipulação ou negócio jurídico das partes. (há uma presunção do documento formal ser completo. anteriores ou contemporâneas ao documento exigido desde que se verifiquem cumulativamente as seguintes condições: 1. as estipulações não formalizadas. uma excepção na segunda parte deste artigo reconhecendo-se a validade de estipulações verbais. II – Âmbito da forma exigida: a) Na forma legal: abrange as cláusulas essenciais do negócio jurídico. bem como as cláusulas acessórias anteriores ou contemporâneas. Há. que devem completar o documento indo para além do seu conteúdo mas nunca o contradizendo. b) Na forma voluntária: não abrange. c) Na forma convencional: está prevista no artigo 223º. Assim. normas legais que exigem para certos actos requisitos formais já que são normas imperativas.

atspace. consagra-se uma presunção de essencialidade. Formalidades ad probationem: são meramente probatórias. deverá admitir-se a invocação de nulidade com fundamento em vicio de forma.html Inobservância de forma legal: Formalidades ad substantiam: exigidas para a validade do negócio. quando essa invocação por uma das partes constitua um abuso de direito? Exemplo. Nos casos em que a lei determine outra consequência. compensando a injustiça com a obrigação de indemnizar por parte do autor do abuso. acha que as normas imperativas não podem ser postas em causa.Se a convenção foi estipulada antes da conclusão do negócio. sendo que haverá lugar a indemnização ex vi artigo 227º (…). afirmando a nulidade dos negócios afectados por vício de forma. mas tal não se verifica. b) Inobservância da forma convencional: a este respeito rege o artigo 223º que se limita a estabelecer presunções que podem ser ilididas mediante prova em contrário – artigo 350º. A doutrina tem colocado o problema de saber se a possibilidade de invocação da nulidade por vicio de forma não pode ser excluída por aplicação da cláusula geral de boa-fé ou do abuso de direito – artigo 334º. a) Inobservância da forma legal: o código civil liga à inobservância da forma legal a nulidade – artigo 220º. gerando a sua falta a nulidade do negócio – artigo 364º/1. Poderá parecer injusto a nulidade de uma compra em que o comprador já pagou o preço e o vendedor já o recebeu. 2. a sua falta pode ser suprida por outros meios de prova mais difíceis de conseguir – ex: confissão – artigo 364º/2. pois uma vez declarado nulo o negócio deverá ser restituído tudo o que tiver sido prestado em virtude do negócio viciado – artigo 289º. com fundamento em vicio de forma por um contraente que a provocou ou que criou na contraparte a expectativa de que a nulidade jamais seria arguida. Mota Pinto coloca o valor social da segurança jurídica acima de um critério de justiça de cada caso. em que este não seria obrigado a restituir a importância recebida ou o primeiro não seria obrigado a restituir a coisa vendida. sendo que na primeira hipótese haja fundamento para admitir que as partes se quiseram vincular desde logo. em que as partes apenas se querem vincular através da forma convencionada. ou seja. Larenz por seu lado. a nulidade deixará de ser a sanção para a inobservância da forma legal – artigo 220º. presume-se que as partes não quiseram substituir o negócio mas apenas facilitar a prova consolidando o acto ou tornando o conteúdo do 95 . Manuel de Andrade defende a improcedência da arguição de nulidade nos casos de manifesto abuso de direito. Ela tem carácter constitutivo. arguição da nulidade.com/index. são insubstituíveis por outro género de prova. Aquando da sua inobservância Mota Pinto diz que o negócio é ineficaz enquanto que Vaz Serra diz que o negócio não está concluído entre as partes – artigo 223º/1.http://apontamentosdireito.Se a convenção é contemporânea ou posterior ao negócio. Essas presunções são duas: 1.

http://apontamentosdireito. Trata-se da posição mais justa. vai-se considerar o real declaratário nas condições concretas em que se encontra e com os elementos que conhece. Para haver declaração a interpretar temos de estar no domínio da autonomia da vontade privada das partes que tem: a) Elemento subjectivo: acto de vontade. teria conhecido e figura-se em raciocínios sobre essas circunstancias. ou seja. Trata-se de uma interpretação normativa e não de uma interpretação psicológica.html negócio mais claro ou outro qualquer efeito – artigo 223º/2. c) Inobservância de forma voluntária: a sua inobservância não tem quaisquer consequências. segundo as respectivas declarações de vontade. deve ser pautada por regras ou critérios cuja sua formulação é o objecto da teoria da interpretação que tem critérios convertidos em verdadeiras normas jurídicas – 236º ss. mas procura um sentido exteriorizado ou cognoscível através de certos elementos objectivos. O negócio jurídico contem uma ordem normativa. através das declarações de vontade. b) Elemento objectivo: acto social de comunicação. mais os que uma pessoa razoável (normalmente esclarecida. pautam a sua conduta. aquele a quem a declaração negocial se destina ou a conhece. rápida e confere maior segurança ao comercio juridico. Posições objectivistas: o intérprete não procura a vontade real do declarante. trata-se de determinar o sentido e o alcance do conteúdo das declarações de vontade e consequentemente dos efeitos que o negócio visa produzir. sendo que o negócio valerá com o sentido subjectivo. 96 . Como tal a sua inobservância não têm quaisquer consequências sobre o negócio. como o teria feito um declaratario razoável. o intérprete deve investigar através de todos os meios adequados a vontade real do declarante. Interpretação: actividade dirigida a fixar o sentido e o alcance dos negócios. acto determinante ou conteúdo da vontade real – fonte geradora de efeitos jurídicos. é também a mais fácil. já que tutela a legitima confiança do declaratário. zelosa e sagaz – o bónus pater famílias. com o sentido querido pelo autor da declaração. # I – Interpretação dos negócios jurídicos: (não confundir com interpretação das leis artigo 9º).com/index. as partes. Isto dá origem a posições subjectivistas. ou seja. Dentre as doutrinas objectivistas merece referência a teoria da impressão do destinatário: declaração deve valer com o sentido que 1 destinatário razoável. Posição adoptada pelo nosso código no artigo 236º/1. Ela não pode ser abandonada ao senso empírico. pela qual.atspace. colocado na posição concreta do real destinatário lhe atribuiria.

97 . Nestes o sentido objectivo corresponde à impressão do destinatário. que um sentido não traduzido no documento possa valer desde que: Corresponder à vontade real e concordante das partes. Esta teoria da impressão do destinatário envolve um ónus da adequada manifestação da vontade por parte do declarante. no entanto. Considera-se que só seja justificado fazer responder o declarante por um sentido que não deu à declaração. Não haverá declaração negocial se faltar a vontade de acção – artigo 246º. mesmo no caso de impropriedade das expressões utilizadas. se o declarante se move em circunstâncias especiais deve tomar a iniciativa de se expressar convenientemente para o sentido ser correctamente apreendido. pois o que temos é um problema de vício de forma (o sentido não está formalizado) cuja sanção correspondente é a nulidade – artigo 220º. é a falsa demonstrato non nocet – artigo 238º/2. se este sentido lhe era imputável  limitação subjectivista. Nos contratos de adesão. as limitações para os negócios formais previstos no artigo 238º/2.com/index. no entanto. no entanto uma limitação (defendida por Larenz e Ferrer Correia): para que tal sentido possa relevar. no entanto. Quando a interpretação leve a um resultado duvidoso. Se. que este pudesse razoavelmente contar com ele – artigo 236º/1 parte final. Admite-se. torna-se necessário que seja possível a sua imputação ao declarante.atspace. deveremos atender ao artigo 237º. não pode valer se não tiver um mínimo de correspondência. defende-se o princípio de que na dúvida deve intrepertar-se contra o emitente das condições gerais pré-ordenadas. a duvida for insanável devemos aplicar por analogia o artigo 224º/3. Tendo em atenção.http://apontamentosdireito. Este deve escolher os meios convenientes para exprimir um sentido que não seja reconhecido ou cognoscível pelo declaratario. isto é. A doutrina tradicional sofre certos desvios que se traduzem: a) Maior objectivismo: é o que sucede nos negócios formais. Outra excepção é a consagrada no artigo 236º/2. embora imperfeita. Assim. o sentido querido pelo declarante releva mesmo quando a declaração é ambígua ou inexacta se o declaratario conhecer o seu sentido. é de acordo com o ultimo que vale a declaração. Assim. no texto do documento – artigo 238º/1. prevalecendo nos negócios gratuitos o sentido menos gravoso para o disponente e nos onerosos o que conduzir ao maior equilíbrio das prestações. defende Manuel de Andrade é a nulidade em sede interpretativa. de acordo com a máxima julsa demostratio non nocet estabelece que sempre que o declaratario conheça a vontade real do declarante.html Este sentido que corresponde à impressão do destinatário sofre. sendo a declaração ineficaz. A consequência.

a vontade que teriam tido caso tivessem previsto o ponto omisso. estando esta condicionada pelo contexto do testamento – artigo 2187º o significado decisivo é o que o testador quis dizer. que a vontade assim reconstituída tenha um mínimo de correspondência. 3.html  Não oposição a essa validade das razões determinantes da forma do negócio (certeza e segurança ou interesses de terceiros) – artigo 238º/2 (parte final). No entanto. etc). Esta integração deve ser determinada para cada negócio e não para os vários tipos de negócios. mas desde que dê a entender por qualquer forma no testamento (com essa expressão entre aspas ou seguida de reticências) ou que se prove que a significação anómala era utilizada habitualmente pelo testador – exemplo: A diz que deixa a sua biblioteca a B. Podemos retirar deste artigo as seguintes conclusões: 1. ainda que alicerçado noutros meios probatórios. nem resultantes de disposição legal imperativa ou supletiva. Exige-se. ou seja.atspace. em que vale a vontade real do testador. se se provar que A não tinha biblioteca e que utilizava essa expressão para significar garrafeira é valido esse legado  há aqui um mínimo de correspondência no testamento. 2. Na pesquisa desta vontade do testador é admitido o recurso à prova complementar. Nestes casos o artigo 239º remete em primeiro lugar para a vontade hipotética das partes. foi ele quem a educou durante 15 anos escreveu “ se se apurar que a única pessoa que A educou foi Clara é patente que A queria referir-se a Clara e aí já surgirá efeitos) (o exemplo está meio confuso. anotações pessoais. Já haverá nulidade do testamento se o testador usou termos numa acepção extravagante que estava fora dos seus próprios hábitos de linguagem. mas exigida pela resolução do litigio entre as partes e que estas deveriam ter previsto aquando do ordenamento negocial das suas relações. Na sua interpretação consagra-se o sentido subjectivo. Neste caso a declaração deve ser integrada de acordo com as exigências da boa fé (entenda-se boa fé objectiva) –regras de 98 . fundadas em qualquer dos meios de prova geralmente admitidos (esclarecimentos orais ou escritos. Com a excepção de no testamento constarem outras referencias que levem a considerar (clarificar) patente o significado extravagante ou o erro (na ultima hipótese rege o artigo 2203º) exemplo: A quis deixar os seus bens a Clara e escreveu (a quem eduquei). o juiz dever-seá afastar da vontade hipotética quando a solução que as partes teriam estipulado contrarie os ditames da boa fé. elementos ou circunstâncias estranhas aos termos do testamento. ou seja. b) Maior subjectivismo: é o caso das disposições testamentárias. Limitação dada pelo teor do documento que manifesta o carácter solene do negócio testamentário – artigo 2187º/2.com/index.Invalidade de um sentido contrário ao texto do testamento. mas dá para perceber).Admissibilidade das disposições testamentárias tácitas –artigo 217º/2. ainda que imperfeita no contexto. inteiramente fora dos usos gerais da língua. no entanto. Integração dos negócios jurídicos: o problema é o de saber qual a regulamentação das questões não previstas pelas partes. ou incorreu em erro na declaração.http://apontamentosdireito.O testador pode utilizar no testamento um termo numa acepção pessoal.

atspace. Certos problemas. b) Na formação da vontade: a vontade não foi formada livre e esclarecidamente. não pode ir contra o que está expressamente no contrato. daí o artigo 239º referir “na falta de disposição legal”. exemplo: A vende a B uma tonelada de açúcar pelo preço de x. Assim. tudo porque o direito supletivo obedece à resolução de interesses gerais e porque esta vontade hipotética não é verdadeiramente manifestada por qualquer das partes. As próprias normas supletivas poderão. consciente e livremente uma declaração com um sentido objectivo diverso da sua vontade real b) Não intencional: quando o declarante não se apercebe da divergência ou porque é forçado irresistivelmente a emitir uma declaração diferente da sua vontade real. Intencional Simulação Reserva mental Declarações não sérias Não intencional Erro. Divergência entre a vontade real e a declaração pode ser: a) Intencional: quando o declarante emite.http://apontamentosdireito. (…) Falta consciência do dec Coação física 99 . # Divergência entre a vontade e a declaração: I. mesmo que seja evidente a prova da vontade hipotética das partes não podem ser equacionadas e resolvidos em sede de integração. ou seja. A integração não pode conduzir a uma ampliação do objecto negocial que foi pretendido pelas partes. se a questão tem sido abordada. há uma divergência entre a vontade hipotética e a vontade real. mesmo que se prove que no momento do contrato A teria vendido e B teria comprado mais esses 0. No entanto. pode haver dois tipos de vícios: a) Na formulação da vontade (divergência entre a vontade real e a declaração – entre o querido e aquilo que foi declarado. não se aplicar por contrariarem o comando da boa – fé – artigo 334º.html honradez e honestidade que as partes devem pôr na celebração e conclusão dos negócios. havendo norma supletiva não há verdadeiramente uma lacuna. É de referir que há prioridade da aplicação do direito supletivo sobre o problema da integração negocial.com/index.Noções gerais: normalmente há coincidência entre a vontade (elemento interno) e a declaração negocial (elemento externo). em casos excepcionais. não pode agora pretender-se a entrega de uma tonelada e meia pelo mesmo preço.5 toneladas.

atspace.com/index. ao que foi exteriormente manifestado. para as legitimas expectativas do declaratario. repondo o declaratario lesado na situação em que estaria se não tivesse concluído o negócio. limita a doutrina da confiança apenas aos casos em que o declaratario confiou efectivamente nesse sentido (exclui-se os casos em que ele confiou num terceiro sentido) Não há. estando o declaratário de boa – fé o negócio é válido. b) Teoria da culpa in contrahendo: acrescenta à teoria anterior a obrigação de indemnizar por parte do declarante se houve ou dolo deste e boa fé do declaratario.html Analisemos o aspecto teleológico dos interesses em jogo: O Interesse do declarante reclamando o principio da autonomia da vontade aponta para a sua não vinculação ao sentido objectivo da declaração que não coincide com a sua vontade real. Cobre o interesse contratual negativo ou interesse da confiança. como tal.A mais extrema em que há uma adesão rígida à expressão literal. no entanto. 100 . Tal como para a auto – responsabilidade do declarante. Há a pretensão da protecção das legítimas expectativas. mas no caso de dolo ou culpa do declarante . Não são idênticas as soluções mais razoáveis específicas de cada uma das várias divergências entre o “querido” e o “declarado”.http://apontamentosdireito.A chamada doutrina da confiança. c) Teoria da responsabilidade: assenta na teoria anterior. Interesses fundamentais para a validade e produção dos efeitos da declaração. Teorias que visam resolver o problema: a) Teoria da vontade: defende a invalidade do negócio logo que haja uma divergência entre a vontade e a declaração sem necessidade de mais requisitos – Savigny. Começa o declarante a responder pela aparência exterior da sua vontade. a divergência só produz a invalidade se for conhecida ou cognoscível do declaratário. 2. d) Teoria da declaração: dá relevo fundamental à declaração. 3. I – A simulação:  Noção e elementos: trata-se da principal divergência entre a vontade real e a declaração negocial. uma teoria que se possa aplicar às várias modalidades de divergência. Releva ainda o interesse geral do comércio jurídico que aponta para a segurança e celeridade no tráfego e. apontando para a invalidade do negócio.A doutrina da aparência eficaz. com as seguintes modalidades: 1. O interesse de terceiros também concorre aqui. como se de facto a tivesse querido. terceiros aos quais podem derivar direitos ou que podem ter adquirido direitos quer do declarante. Ihering. quer do declaratário. O interesse do declaratário aponta para a tutela da confiança e para a irrelevância da divergência.

que A é muito rico)  é rara. regra geral.com/index. exemplo: venda efectuada por um devedor a um comprador fictício. não poderá haver. pode ser arguida a todo tempo quer o negócio esteja ou não cumprido. Simulação relativa: as partes fingem celebrar um certo negócio jurídico e na realidade querem um outro negócio jurídico de tipo ou conteúdo diverso. Simulação absoluta: as partes fingem celebrar um negócio jurídico e na realidade não querem celebrar nenhum negócio jurídico. Efeitos da simulação absoluta: a simulação importa a nulidade do negócio simulado – artigo 240º/2. Aqui não há que defender as expectativas do declaratário já que este tem conhecimento e intervém no acordo simulatório. Por detrás do negócio simulado há um negócio dissimulado ou oculto. usucapião. etc. tudo para crer a C e D. Divergência procedente de acordo entre o declarante e o declaratario e determinada pelo intuito de enganar terceiros – artigo 240º/1. de forma a enganar os seus credores. Realizada sobretudo por razões sociais (ex. Apenas os interesses de terceiros de boa fé que tenham confiado na validade do negócio exigem ponderação.http://apontamentosdireito. No caso da simulação. Modalidades e seu regime: Simulação inocente: há apenas um mero intuito de enganar terceiros. Temos três elementos: a) Intencionalidade da divergência. como também o de os prejudicar ou de contornar uma norma legal imperativa (animus nocendi). exemplo 2 – venda de imóvel simulado um preço inferior ao real para prejudicar a fazenda nacional ou simulando um preço superior para prejudicar um preferente. até pelos próprios simuladores. pois o adquirente é um possuidor precário – artigo 1253º/c – com a excepção do artigo 1290º. sem os prejudicar (animus decipiendi). Há apenas o negócio simulado e por detrás dele nada mais. de acordo com o artigo 286º.atspace. ainda que a simulação seja fraudulenta como resulta do artigo 242º/1. b) Acordo entre declarante e declaratario. c)Intuito de enganar terceiros. seus vizinhos. Nulidade que pode ser invocada por qualquer interessado. A doa a B um faqueiro de prata havendo entre eles acordo de devolução. chamado acordo simulatório. Simulação fraudulenta: há não só o intuito de enganar terceiros. Modalidades da simulação relativa: 101 .html Simulação: é a divergência intencional entre a vontade real do declarante e a declaração negocial. pode ser deduzida tanto por via de acção como por via de excepção artigo 287º/2.

Pode-se fazer isto para fugir aos artigos 953º e 2196º (o interposto aqui é um simples “testa de ferro”)?????? Supressão de um sujeito real: faz – se uma venda de A a B e outra de B a C. Admite-se uma excepção para o caso de as partes fazerem constar das declarações uma contradeclaração – um escrito de reserva com os requisitos formais exigidos para 102 . mas finge doar a C para este posteriormente doar a B. Baseia-se no argumento literal da lei “só é válido se tiver sido observada a forma exigida por lei” nada dizendo para o caso de as razões de formalismo do negócio dissimulado se acharem satisfeitas com a observância de solenidades do negócio simulado e no argumento racional de que a forma legal não visa dar só a conhecer a trasmissao dos bens. quando o negócio dissimulado é de carácter formal: Doutor Mota Pinto defende que o negócio dissimulado será nulo por vicio de forma se este não respeitar o formalismo exigido. Quanto ao negócio dissimulado aplica-se o artigo 241º e este será objecto do tratamento jurídico que lhe caberia se tivesse sido concluído sem dissimulação. por força de um acordo entre ele e só um dos sujeitos (ex. mas também a coisa da sua transmissão. Nesta questão a doutrina divide-se. fingiu – se um preço superior ou inferior ao preço real. Objectiva: é simulado o conteúdo do negócio e pode ser: Sobre a natureza do negócio: o negócio simulado é de um tipo jurídico diverso ao negócio dissimulado (ex.com/index.atspace. Não confundir com a interposição real: o interposto actua em nome próprio mas no interesse e por conta de outrem. Efeitos da simulação quanto aos negócios formais: A lei estabelece um regime especial para os negócios formais no artigo 241º/2.http://apontamentosdireito. mesmo que a outra parte saiba que o interposto não actua em nome próprio – artigo 1180º. mesmo que a sua forma fique satisfeita com as solenidades próprias do negócio simulado. finge-se uma venda e quer-se uma doação). A está interessado num bem que B não lhe vende. vai acordar com C no sentido deste comprar o bem a A e depois lhos vender) – não havendo concluio entre os três sujeitos. Assim. Efeitos da simulação relativa: tal como a simulação absoluta. é o que acontece com a interposição fictícia de pessoas: A quer dar um prédio a B.html Subjectiva: são simulados os próprios sujeitos do negócio jurídico. o negócio dissimulado poderá ser válido e eficaz como poderá ser inválido consoante que aconteceria se o negócio tivesse sido abertamente concluído. havendo concluio entre os três. o negócio simulado está ferido de nulidade – artigo 240º/2. mas para pagar uma só SISA os três sujeitos concordam em documentar numa só escritura uma só venda de A a C. Sobre o valor do negócio: há divergência relativa ao quantuum da venda. não há simulação mas um mandato sem representação .

São terceiros interessados na nulidade: a) fazenda nacional. sofre uma apreciável restrição indirecta por força do artigo 394º/2 onde se estatui a inadmissibilidade da prova testemunhal no acordo simulatório e do negócio dissimulado. Só que intervêm como sucessores do simulador e não como terceiros. Conflitos entre terceiros de boa fé: são possíveis conflitos entre terceiros que pretendem arguir a nulidade do negócio e terceiros cujos interesses exigem que o negócio seja considerado como válido.atspace.http://apontamentosdireito. Há como que um aproveitar da forma do negócio simulado sempre que esta coincidir com a forma do negócio dissimulado. Pires de Lima. O código não tem normas explícitas sobre estes conflitos.Conflito entre credores comuns do simulado alienante e subadquirentes do simulado adquirente : devem prevalecer os interesses dos últimos diz Manuel de Andrade. presunções. b) os preferentes. como quaisquer outros herdeiros podem arguir a nulidade dos actos simulados praticados pelo de cuiuis. não bastando que provoque graves prejuízos. c) os credores (mesmo que não haja insolvência – artigo 605º/1. Prova da simulação: a prova do acordo simulatório e do negócio dissimulado por terceiros é livre. por exemplo numa escritura pública tal traria a descoberto o negócio simulado e o notário não celebraria o negócio). testemunhas.html esse negócio (algo que nos parece absurdo porque ao fazer isso.prevalece a venda mais antiga ou a que primeiro foi registada. etc. 3. Algo que. 103 . trata-se de um problema de incompatibilidades entre direitos reais adquiridos do mesmo transmitente .Conflito entre credores comuns do alienante simulado e credores comuns do simulado adquirente : Manuel de Andrade defende que se deve dar preferência aos últimos. documentos. Legitimidade da invocação da simulação: o artigo 242º/1 atribui legitimidade aos próprios simuladores para a arguição da nulidade mesmo sendo a simulação fraudulenta. Vejamos algumas hipóteses: 1.com/index. 2. Após a morte do de cuius os herdeiros legitimários. podendo ser feita por qualquer um dos meios admitidos na lei: confissão. defendendo que o negócio dissimulado não deveria ser nulo se as razões que estão na base da exigência da sua forma ficarem satisfeitas com a observância das solenidades próprias do negócio simulado. A nulidade do negócio simulado. Em vida do hereditando o artigo 242º/2 permite aos herdeiros agir em vida do autor da sucessão contra os negócios por ele simuladamente feitos com intenção de os prejudicar. Doutor Orlando de Carvalho. Antunes Varela e Manuel de Andrade defendem uma outra posição.Conflito entre subadquirentes do simulado alienante e subadquirentes do simulado adquirente: sendo aquisições tidas como válidas. podem ser invocadas por qualquer interessado e declarada ex officio pelo tribunal – artigo 286º. no entanto. tal como todas as nulidades. A prova é quase restringida à prova documental e à confissão. estando inadmissíveis a prova testemunhal e a prova por presunções em virtude do artigo 351º (julgo).

104 .  Apenas com intuito de enganar: ex. visando enganar este. se o declaratário conhecia a falta de seriedade ou pelo menos esta era exteriormente perceptível. São duas as notas que a definem: a) Emissão de uma declaração contrária à vontade real. nulo se o declaratário teve conhecimento da reserva. em principio válida.html Reserva Mental: o declarante emite uma declaração não coincidente com a sua vontade real. A declaração negocial emitida com a reserva ocultada ao declaratario é. Fraudulenta: para além do intuito de enganar. Declaração não séria: o declarante emite uma declaração não coincidente com a sua vontade real.atspace. sem que na realidade tenha essa intenção. no entanto há responsabilidade do declarante pelo interesse negativo ou confiança – responsabilidade pré-negocial. Existe uma excepção colocada pela doutrina. salvaguardando. Podem ser declarações jocosas. publicitárias. por exemplo nos casos em que se tenta dissuadir de um suicídio ou de um acto patrimonialmente ruinoso. Os efeitos desta figura são determinados pelo artigo 244º/2. assim. sem qualquer concluio com o declaratário. no caso de ser nulo. Terá. Aqui aplicar-se-á a cláusula geral do abuso de direito – artigo 334º. A declara comprar a B um automóvel para o enganar. pois visa apenas dissuadir B do suicídio pela sua grave situação económica. Na chamada graça malévola apesar de ter uma finalidade também jocosa ela é reserva mental e não declaração não seria porque se espera que a outra parte caia no engano. há ainda intenção de prejudicar (ex.http://apontamentosdireito. sendo necessário o seu efectivo conhecimento. Não bastará para a relevância da reserva a sua cognoscibilidade. b) Intuito de enganar o declaratário. sem o intuito de enganar qualquer pessoa. os efeitos da simulação. didácticas. Está prevista no artigo 244º/1. cómicas. Em principio carece de qualquer efeito – artigo 245º/1. no entanto. procedendo-se na expectativa de que a falta de seriedade não passe despercebida. O artigo 245º/2 estabelece um regime especial no caso da declaração ser feita em circunstâncias que induzem o declaratário a aceitar justificadamente a sua seriedade. Neste caso a declaração também não tem qualquer efeito. neste sentido Mota Pinto e Orlando de Carvalho. Aqui não há confiança a proteger. visto que excede os limites da boa fé e dos bons costumes a pretensão do declaratario no sentido da validade dessa declaração. não tendo intenção de fazer qualquer compra. condições de justiça e de segurança do comércio jurídico e da confiança da contraparte. etc. A declara a B fazer-lhe uma doação.com/index. O negócio será. tendo feito a declaração por julgar erradamente que a lei exige escritura pública para a venda do automóvel e que depois podia arguir a nulidade). porque não chega a haver uma verdadeira declaração.

II. Distingue-se da coação relativa. No caso de erro – obstáculo o princípio geral consta do artigo 247º. o negócio será no entanto eficaz relativamente ao declarante aparente se este o aprovar – falsa demonstratio non nocet.atspace. no fim do artigo 246º que se o declarante tiver culpa na falta de consciência da declaração. porque nesta a liberdade está cercada. torcer o braço de alguém para o obrigar a assinar um papel). Estabelece-se. III. mas não completamente excluída. sacrificando-se em demasia os interesses do 105 . esta não produz quaisquer efeitos.html Divergências não intencionais entre a vontade e a declaração: I. ao contrário do erro – obstáculo não há qualquer comportamento por parte do sujeito a quem a declaração é atribuída (A faz-se passar por B fazendo um negocio e falsificando a sua assinatura) – esta hipótese estará sob o artigo 246º através de uma aplicação analógica . sendo forçado a dizer ou a escrever o que não quer. ex. Não havendo dever de indemnização a cargo do declarante. sem ter consciencia dessa falta de coincidência – caso do lapsus lingual ou lapsus calami ou pelo chamado erro in predicando – atribuição às palavras de um significado diverso do seu sentido objectivo. O artigo 246º estatui que o negócio não produz quaisquer efeitos. Algo que Larenz e Canaris chamam de responsabilidade por uma aparência jurídica (ex. mas ele acena com a mão à mesma e isso é tomado como um lance pelo leiloeiro). negócio em estado de sonambulismo.Falta de consciência na declaração: o declarante emite uma declaração sem sequer ter a consciência (a vontade de fazer uma declaração negocial. o declaratario tem o direito a ser indemnizado pela chamada responsabilidade pré-negocial. A coação física. mas sim involuntário e mesmo reflexo. nos termos do artigo 246º a ineficácia da declaração negocial.Coação física ou coacção absoluta: o declarante é transformado num autómata. não através de uma mera ameaça.Erro na declaração ou erro-obstáculo: o declarante emite a declaração divergente da vontade real. exigindose para a anulação que o declaratário conhecesse ou não devesse ignorar a essencialidade para o declarante do elemento sobre que incidiu o erro. podendo até faltar completamente a vontade de agir) – ex. Mota Pinto critica este requisito dizendo que facilita os interesses do declarante para anular o negócio. no caso do leilão se o amigo que ele quer cumprimentar nem sequer estiver virado para ele. mas pelo emprego de uma força física irresistível que o instrumentaliza e o leva a adoptar o comportamento (ex. porque não há um comportamento humano consciente e voluntário. ao contrário da coação absoluta em que o coagido não pode combater esse mal. comporta.com/index.http://apontamentosdireito. um indivíduo que entra num leilão e faz um gesto para cumprimentar alguém que é tomado como um lance sem que a pessoa se aperceba disso. Algo que a doutrina Alemã não aceita calmamente. É diferente das chamadas declarações sob o nome de outrem – nestas. no entanto.

Existe uma excepção estabelecida no artigo 250º/2 – admitindo-se a anulação sempre que o intermediário emite intencionalmente. Segundo o artigo 249º o erro de cálculo ou escrita revelados no contexto da declaração ou nas circunstâncias que a acompanham não dão lugar à anulabilidade mas apenas à rectificação do negócio. No artigo 248º consagra-se uma excepção no caso do declaratario aceitar o negócio como o declarante queria a anulabilidade fundada em erro não procede. Pode haver o caso em que o declaratário compreendeu um terceiro sentido que não coincide com o querido pelo declarante nem com o sentido declarado. dizendo que se deveria ir mais além exigindo o conhecimento ou a cognoscibilidade do erro. No entanto. O dissenso pode resultar de uma falta de acordo dos sentidos objectivos (ex. Oliveira Ascensão e Carvalho Fernandes.http://apontamentosdireito. haver acordo dos sentidos objectivos mas desacordo entre as vontades reais: a) Uma só das partes atribuiu à sua declaração um sentido diverso do que tem objectivamente – aplica-se a doutrina do erro – obstáculo. ou seja. deixando uma área de invalidade do artigo 247º. Aqui o dissenso tem interesse autónomo. no entanto. o problema não se resolveria em sede de erro – obstáculo. ou seja. Mota Pinto transporta as suas críticas face ao erro – obstáculo nos mesmo termos para este regime. o declarante deve 106 . se o erro fosse conhecido. c) Que ele não foi concluído porque não houve acordo nos termos do artigo 232º. Mota Pinto defende que a declaração é anulável sem a exigência dos requisitos do artigo 247º.com/index. b) Cada uma das partes atribui ao negócio um sentido diverso não coincidente com o seu teor objectivo – hipótese acima transcrita. poder-se-ia obstar à anulação com base em abuso de direito – 334º. mas em sede interpretativa – artigo 236º/2. Deslocar-se-ia para uma área de validade. é anulável se o declaratario conhecesse ou não devesse ignorar a essencialidade para o declarante do elemento sobre que incidiu o erro. A declara vender x e B declara comprar y) como consequência há quem defenda que: a) O negócio é inexistente – Mota Pinto. b) Que é nulo – Castro Mendes.atspace. Se o erro é apenas cognoscível o caso será resolvido em sede de erro – obstáculo se for relevante o que tornará o negócio inválido e será resolvido em sede interpretativa se o erro é irrelevante. (ver o artigo 248º). Falamos neste caso de dissenso.html declaratario e os do comércio jurídico. com dolo uma declaração diversa da vontade do declarante. em que a aplicação do artigo 247º lese com extrema injustiça os interesses do declaratario. Pode. Erro na transmissão da declaração: hipótese prevista no artigo 250º que o regulamenta o seu nº1 nos mesmos termos do erro – obstáculo. No entanto. Mota Pinto defende que nalguns casos.

# Vícios da vontade: Generalidades: trata-se de perturbações do processo formativo da vontade negocial.atspace. Há divergência entre a vontade real e a vontade hipotética. face à pequena diferença o negócio deve-se considerar válido e o declarante deve suportar esse risco). O erro obstáculo é um erro na formação da vontade – há divergência entre vontade real e a declaração. de tal forma. A contrata com B julgando que o contrato tem os efeitos de locação quando afinal tem os efeitos de uma venda a prestações). o declarante diz o que queria dizer mas isso está inquinado por uma má formação da vontade. objecto imediato – sobre a natureza do negócio (ex. É o que os Alemães chamam de erro – motivo “Motivirnt” (ta mal a palavra em alemão!). telegrafista transmite em vez da compra de 20 cavalos. A alteração anormal das circunstâncias constitui fundamento de resolução ou modificação do contrato previstos os pressupostos / 437º (não é erro).com/index. Assim. 251º 107 . Se ele conhecesse os termos e circunstâncias do negócio jurídico não tomaria essa decisão mas uma outra ou então nem tomaria decisão nenhuma. A contrata com B julgando que este é C. Pressuposição: convicção por parte do declarante de que certa circunstância se verificará no futuro ou de que se manterá um certo estado de coisas.  O erro como vicio da vontade: Ignorância ou representação inexacta por parte do declarante de uma qualquer circunstancia de facto ou de direito que foi determinante na formação da sua vontade negocial de tal modo que se ele estivesse esclarecido acerca dessa circunstancia não teria realizado o negócio ou não o teria realizado nos precisos termos em que o concluiu. A compra um terreno julgando erradamente que ele tem água). A contrata com B porque pensa erradamente que este é filho de um seu amigo) – artigo 251º b) Erro sobre o objecto do negócio: pode incidir sobre o objecto mediato sobre a identidade ou sobre as qualidades (ex. (…) Modalidades: a) Erro sobre a pessoa do declaratario: erro sobre a identidade e erro sobre as qualidades (exs. (ex.http://apontamentosdireito. Distinção entre erro – vício / e erro obstáculo e / pressuposição: O erro – vicio é um erro na formação da vontade e diz respeito a circunstâncias anteriores ou contemporâneas à conclusão do negócio. embora concorde com a declaração é determinada por motivos considerados como ilegítimos.html suportar o risco de uma transmissão defeituosa ou de uma deturpação ocorrida enquanto a declaração não chega à esfera do declaratario. a compra de 18. que esta.

Aqui o fundamento da invalidade não é o erro mas o requisito legal cuja deficiência vicia o negócio.etc ( no entanto o erro sobre as qualidades da pessoa do declaratario é já erro sobre a pessoa do negócio – ex. b)Individualidade ou singularidade: quando fosse exclusivamente do errante e não de toda a gente em geral (Manuel de Andrade) afirmava o absurdo deste critério. sempre. pois a situação do contraente não enganado já é tomada em conta ao permitir-se a anulação apenas quando se verifiquem certos requisitos especiais.responsabilidade pré – negocial. incapacidade do declaratario. segundo Cabral de Moncada e outros. não anularia o negócio. trata-se de um erro que recaia nos motivos determinantes da vontade. Na vigência do Código de Seabra a doutrina considerava ainda: a) Escusabilidade: necessidade de ausência de culpa da parte do errante. O erro tem de ser causa da celebração do negócio e não apenas dos seus termos – o erro é essencial se sem ele não se celebraria o negócio ou se celebraria um negócio com outro objecto ou de outro tipo ou com outra pessoa. Condições gerais de relevância do erro – vicio como motivo de anulabilidade: a) Essencialidade: o erro tem de ser essencial. Face ao novo código este requisito é dispensável. não obstante a anulação. embora houvesse doutrina (Manuel Andrade e Ferrer Correia) que defendesse que a anulabilidade ocorreria mesmo no caso de erro culposo. capacidade do errante. Nele podemos integrar o erro sobre pessoa de terceiros e o erro sobre os fins ou objectivos de natureza subjectiva que motivam o declarante – artigo 252º.atspace.http://apontamentosdireito. já que quando o erro é comum a uma generalidade de pessoas é que mais 108 . Ele só é próprio quando incide sobre uma circunstância que não seja a verificação de qualquer elemento legal da validade do negócio. No entanto. mas que não se refira à pessoa do declaratário nem ao objecto do negócio.html c) Erro sobre os motivos do negócio: é uma noção residual. b) Propriedade: o erro tem de ser próprio. tem que ter motivado a conclusão do negócio em si mesmo e não apenas nos termos em que foi concluído. O erro será impróprio quando versa sobre os requisitos legais da forma negocial.com/index. Este erro não releva tal como não releva o erro indiferente em que mesmo sem ele o negócio teria sido concluído nos mesmos termos em que foi. O Doutor Mota Pinto e também Carvalho Fernandes prevêm a redução do negócio segundo os termos da norma geral – artigo 292º. os interesses da outra parte estão protegidos pelo artigo 227º . embora noutras condições. Caso contrário o erro é incidental – influiu apenas nos termos do negócio pois o errante contrataria. O erro indesculpável ou grosseiro. Para o caso do erro incidental Mota Pinto defende a aplicação analógica do 911º sendo o negócio válido nos termos em que teria sido concluído sem o erro. ou seja. no caso de erro culposo.

Erro sobre o objecto do negócio: o artigo 251º prevê que o negócio será anulável nos termos do artigo 247º. no sentido de a validade ficar dependente da existência da circunstância sobre que versou o erro.atspace. Não sendo o artigo autónomo. se é de ouro ou de prata). erro relativamente ao qual se forma a base do negócio.ou seja. por exemplo anular o negócio com fundamento no desconhecimento de um preço mais barato noutro local.com/index. O erro sobre a base negocial é um vício na formação da vontade e não algo posterior. Serão. pois seria absurdo. interpretavam à letra). está na génese do negócio. reconhecida pela outra. b) 109 . o estado de coisas erradamente figurado é anterior ou contemporâneo do negócio. se o erro incidir sobre as circunstancias que constituem a base negocial. que anteriormente fizera para o erro na declaração.http://apontamentosdireito. Não basta ou conhecimento ou cognoscibilidade do erro pois tal daria lugar a bastantes litígios que se repercutirão na celeridade e segurança jurídicas. expressa ou tácita.  Condições especiais de relevância do erro – vicio como motivo de anulabilidade Erro sobre os motivos: o artigo 252º/1 permite a anulação desde que haja uma cláusula verbal ou escrita. representação mental de uma das partes. coloca-se a questão: terá lugar a anulabilidade.html justificado se torna que o errante o possa invocar para a anulação do negócio. então qualidades do objecto: a) a constituição material do objecto (ex. já que remete para o 437º. ou determina uma das partes e em que a outra não poderia deixar de aceitar o condicionamento do negócio sem violação dos ditames da boa fé. Não se faz qualquer delimitação das qualidades do objecto no artigo. (invocavam o artigo 664º do código de Seabra. esta remissão é para os pressupostos ou para os pressupostos e para a sanção? Mota Pinto defende que será só para os pressupostos. Mota Pinto mantém as suas críticas para este regime. com base no qual as partes fixaram os pressupostos da contratação. para o declarante do elemento sobre que incidiu o erro. ou seja. não é uma vicissitude surgida depois do negócio como acontece com a alteração superveniente das circunstâncias. ou seja. no entanto. até porque as pessoas contratam pelos mais diversos motivos. O artigo 252º/2 estabelece um regime especial para certos casos de erro sobre os motivos. Nestes casos haverá lugar á anulabilidade nos termos dos artigos 437º a 439º. sobre a base das quais se funda a vontade do agente. desde que o declaratário conhecesse ou não devesse ignorar a essencialidade. ou a representação comum de vários interessados acerca da existência ou ocorrência de determinadas circunstancias. é necessário uma delimitação. erro normalmente bilateral sobre as condições fundamentais do negócio jurídico que determinam ambas as partes. sendo a sanção a da anulabilidade pois no caso de erro sobre a base negocial. Em face do nosso código essa exigência é ainda mais indefensável. como acontece nos demais erros vicio? Ou haverá lugar à resolução ou modificação do contrato nos termos da alteração superveniente das circunstancias do artigo 437º? .

quem provocou o erro poderá incorrer em responsabilidade civil. concepções imperantes no comércio jurídico – artigo 253º/2. 110 . se o objecto é usado ou não). Modalidades: Dolus bonus: sugestões ou artifícios usuais e toleráveis (considerados legítimos). Só é relevante como fundamento de anulabilidade e de responsabilidade o dolus malus. Existirá dolo quando se verifique o emprego de qualquer sugestão ou artificio com a intenção ou consciência de induzir ou manter em erro o autor da declaração – dolo positivo ou comissivo. Anulabilidade de todos eles: a) só pode ser invocada pelo errante. remetendo a sua anulabilidade para os termos do artigo 247º. Dolus malus: sugestões ou artifícios que alguém emprega com a intenção ou a consciência de conduzir ou manter em erro. c) pode ser sanada por confirmação (…) Artigos 287º e 288º # O Dolo: A noção de dolo consta do artigo 253º/1. de estipulação negocial ou das concepções dominantes no comércio jurídico. bem como a dissimulação quando o dever de elucidar o declarante resulta de lei.http://apontamentosdireito. Trata-se de um erro determinado por um certo comportamento da outra parte. na mesma maneira que o erro sobre o objecto do negócio acima analisado. ou quando tenha lugar a dissimulação pelo declaratario ou por terceiro do erro do declarante. Não há dolo no caso de erro provocado por informações inexactas sem intenção ou consciência de enganar. segundo o mesmo artigo as sugestões ou artifícios usuais considerados legítimos segundo as concepções dominantes no comércio jurídico (exemplo. Segundo o artigo 253º/2 só haverá dolo quando exista dever de elucidar por força da lei. b) só pode ser invocada no ano subsequente à cessão do vicio.com/index. que não são usuais. coacto ou incapaz. embora com negligência.atspace. Não será. de estipulação negocial das partes ou das concepções dominantes do comercio jurídico e o declaratario ou terceiro não o fazer – dolo negativo ou omissivo. estipulação negocial ou das concepções dominantes do comércio jurídico. há um dever de elucidar por força da lei. enganado. no entanto se o negócio não estiver cumprido pode ser invocada a todo tempo. No entanto. Erro sobre a pessoa do declaratario: está igualmente previsto no artigo 251º.html as condições factuais ou jurídicas que pela sua natureza e duração evoluem no valor ou no préstimo desse objecto (ex. A diz a B que o lote de acções vai subir proximamente – é algo que qualquer vendedor diz e se o comprador cai é porque é ingénuo). portanto dolo.

html Dolo inocente: não há intuito enganatório. Dolo incidental: o enganado apenas foi influenciado quanto aos termos do negócio. o negócio é anulável dando lugar também a responsabilidade prénegocial.http://apontamentosdireito. . Dolo essencial: o enganado foi induzido pelo dolo a concluir o negócio em si mesmo e não apenas nos termos em que foi concluído.  Efeitos: o principal efeito do dolo é a anulabilidade do negócio – artigo 254º/1.com/index. 1. durante os preliminares e a formação do negócio – artigo 227º responsabilidade pelo dano da confiança. . Não conduzirá este dolo necessariamente a anulação como defendeu Mota Pinto anteriormente para o erro – vício. Outros autores falam de responsabilidade extra negocial por factos ilícitos – artigo 483º ss.se o terceiro beneficiário foi o autor do dolo o negócio é anulável em relação a esse sujeito mas não é anulável face ao declaratario – invalidade parcial. Antunes Varela. b) Tem de ser essencial ou determinante (o erro é que tem que ser essencial) c) Ser dolo positivo ou negativo (tanto faz) d) Intenção de enganar o declarante de forma a induzi-lo ou a mante-lo na situação de erro – artigo 253º/1. por força do negócio directamente algum direito (clausula a seu favor).atspace. nem devia conhecer o dolo de terceiro o dolo só releva se ao terceiro adveio.Dolo do declaratário: a) Tem de ser dolus malus – artigo 255º/2 a contrario sensu. mas acresce a responsabilidade pré-negocial do autor do dolo por ter dado origem à invalidade. Neste caso. sem dolo não se teria concluído qualquer negócio. ele contrataria sempre. Dolo fraudulento: há intuito ou consciência de prejudicar. Pires de Lima.Dolo de terceiro – artigo 254º/2: Aplicam-se todos os outros requisitos e ainda: . Não é necessário que o dolo seja unilateral. Vaz Serra. o próprio dolo bilateral pode ser invocado como fundamento de anulação – artigo 254º/1 (parte final). neste sentido12 Castro Mendes e Carvalho Fernandes. com o seu comportamento contrário as regras da boa – fé. 111 . mas noutras condições. 2 – se o terceiro beneficiário não foi o autor do dolo o negócio é anulável em relação a ele se ele conhecia ou não devia ignorar o dolo. 12 Se o dolo é exercido por um representante do declaratario ou por seus agentes a situação será tratada como dolo do declaratário. neste sentido Mota Pinto.Se o declaratário não conheceu.Se o declaratario conhece ou lhe foi cognoscível o dolo de terceiro o negócio será totalmente anulável – artigo 254º/2 (1ª parte) .

só será anulável se: a) Que se trate de uma coação essencial ou principal. Só cairemos no âmbito da coacção física ou absoluta quando a liberdade exterior do coagido é totalmente excluída e ele é utilizado como verdadeiro autómato – exemplo assinatura de um documento com a mão a ser conduzida por outrem com força irresistível).receio de desagradar a certa pessoa a quem se deve respeito ou de quem se é dependente. A ameaça pode dizer respeito à pessoa. ameaça de agressão. a perturbação da vontade traduzida no medo resultante de ameaça ilícita de um mal com o intuito de extorquir a declaração negocial. havendo lugar.http://apontamentosdireito. de morte. quando lhe foram deixadas possibilidades de escolha. embora a submissão à ameaça fosse a única escolha possível. b) Intenção de extorquir a declaração – artigo 255º/1 e que a declaração tenha sido efectivamente extorquida – 256º/1 (1ª parte) c) Ilicitude da ameaça – artigo 255º/1. Só há vicio quando a liberdade do coagido não foi totalmente excluída. a lei no artigo 255º/1 exclui o chamado temor reverencial .com/index. o seu conceito. também duma ameaça de exercício abusivo extrajudicial de um direito exemplo: doação por um paralítico a quem ameaça abandona-lo). segundo Mota Pinto a responsabilidade pré – negocial do coactor – artigo 227º Coação exercida pelo declaratário. honra ou à fazenda do declarante ou de terceiro – artigo 255º/2 A coacção moral origina a anulabilidade do negócio – artigo 256º. penhora. etc. então. São exigidos para esta coação os requisitos da coacção do declaratario e ainda: 112 . É. Assim. esta pode resultar: c1) Ilegitimidade dos meios empregues (ex. para conseguir vantagens indevidas.html  A coacção moral: consta do artigo 255º/1. mesmo que o autor da ameaça não pretenda senão a satisfação do seu direito) c2) Ilegitimidade dos fins (ameaça de recurso às vias de direito como participação criminosa. Coação exercida por terceiro: Provoca a anulabilidade do negócio e põe a cargo do coactor uma obrigação de indemnizar o declarante e o declaratário se este não for cúmplice do terceiro. receio de um mal de que o declarante foi ilicitamente ameaçado com o fim de obter dele a declaração. mesmo no caso de ameaça com arma de fogo ou no caso de emprego da violência física como começo para compelir o negócio estaremos face a coação moral ou relativa. Não há coacção se há apenas a ameaça de um direito para conseguir a satisfação ou garantia de um direito existente – artigo 255º/3.atspace. Não basta o simples medo ou receio.

situação de necessidade. isto porque se o coagido não poder invocar a coacção não poderá invocar outro vício da vontade. inexperiência .com/index. deve-se atender à viabilidade da sua execução. Trata-se de um regime “menos apertado” que o dolo. No caso da pessoa que se aproveita conscientemente da situação de necessidade ter o dever de auxiliar o necessitado (ex. #  O Estado de Necessidade: situação de receio ou temor gerada por um grave perigo que determina o necessitado a celebrar um negócio para superar o perigo em que se encontra.http://apontamentosdireito. desproporção manifesta entre as prestações que ultrapasse o que pode ter alguma justificação. mas a partir do momento em que cessa a ameaça. algo que é apreciado objectivamente.atspace. médico. b) (e)Justificado receio da consumação do mal. médico que o é obrigado pelo seu código deontológico). à capacidade de resistência do tipo médio de indivíduo com as condições pessoais do declarante. mas em relação aos vários tipos de indivíduos. Requisitos subjectivos:  a) . alguém que tinha o dever jurídico ex. 113 .html a) (d)Ameaça de um mal grave. O facto que lhe dá origem pode ser natural ou humano. ao contrário da coacção em que a situação é criada pelo coactor. enquanto que no dolo. Requisitos objectivos:  benefícios excessivos ou injustificados. Neste caso parte da doutrina diz que ao faze-lo ele está a contribuir para a situação de perigo prolongando-a. há sempre possibilidade de invocar o erro simples. estará nesse caso a ameaçar daí ser considerado também coacção moral. No caso de ameaça de recorrer a vias judiciais (Capelo de Sousa defende que a ameaça termina a partir da sentença da 1ª instancia). Há aqui um aproveitar-se da situação. ligeireza. Confronto com a coação: pode gerar confusão quando o estado de necessidade for ocasionado por um facto humano (ex. dependência. ou um imperativo moral de auxilio. se este não poder ser invocado. Na anulabilidade começa a contar o prazo não a partir do momento em que é feita a ameaça. estado mental ou fraqueza de carácter. b) – conhecimento da situação de inferioridade e aproveitamento consciente para dela tirar benefícios.  Efeitos: o estado de necessidade deve subsumir-se ao artigo 282º onde se estatui a anulabilidade dos negócios usurários. sendo que quem se aproveite não provoca essa situação. que confere à outra parte benefícios excessivos ou injustificados. só o prestando depois de exigir uma retribuição a que não tinha direito).

html Mota Pinto defende ainda que tais negócios deverão ser nulos com fundamento em contrariedade à lei ou ofensa aos bons costumes – artigo 280º. Bons costumes – variam com os tempos e lugares.com/index. correctas. o disponente impõe ao beneficiário a obrigação de adoptar um certo comportamento. # Incapacidade acidental: o artigo 257º prevê duas modalidades: a) Incapacidade de entendimento. pela qual nas doações e liberalidades testamentárias. c) O modo: cláusula acidental. de boa – fé num dado ambiente e num dado momento. abrangendo o conjunto de regras éticas aceites pelas pessoas honestas. Saber se uma condição é suspensiva ou resolutiva é um problema de interpretação do negócio jurídico. no interesse do disponente.http://apontamentosdireito. b) O termo: subordinação pelas partes do negócio jurídico a um acontecimento futuro de verificação certa. Noção variável ao longo dos tempos. desta forma.atspace. de terceiro ou do próprio beneficiário – artigos 963º e 2244º. Termo resolutivo: os efeitos produzem-se desde logo. Essa notoriedade é avaliada nos termos do artigo 257º/2 pelo princípio do bónus pater famílias. Prevê-se a anulabilidade desde que se verifique um requisito: a notoriedade ou o conhecimento da perturbação psíquica. mas cessam a partir de certo tempo. Elementos acidentais dos negócios jurídicos: a) A condição – artigo 270º : subordinação pelas partes do negócio jurídico a um acontecimento futuro de verificação incerta. Existem duas modalidades: condições suspensivas: à verificação da condição fica subordinada a produção dos efeitos do negócio. Condições resolutivas: a verificação da condição importa a destruição dos efeitos negociais. b) Falta de livre exercício da vontade. ↔ 114 . Existem duas modalidades: termo suspensivo: neste caso fica subordinada a própria produção dos efeitos do negócio jurídico nos termos do 278º. Ordem pública – conjunto de princípios fundamentais subjacentes ao sistema jurídico que o Estado e a sociedade estão interessados em que prevaleçam. a confiança do declaratário. tutelando-se.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful