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TEORIA GERAL DO DIREITO CIVIL 1ºSEMESTRE
Bibliografia Do 1º Semestre: Capelo de Sousa Do 2º Semestre: C.A. Mota Pinto

O conceito de direito civil: o direito divide-se em dois grandes grupos, direito público e direito privado, sendo que o direito civil se integra no direito privado. A distinção entre direito público e direito privado: Critérios de distinção: o I – Um primeiro critério assenta na natureza do interesse protegido pelas normas, a chamada teoria dos interesses (interessentheorie). A norma seria de direito público quando o fim da mesma fosse a tutela de um interesse público, ou seja, um interesse da colectividade. A norma seria de direito privado quando visasse tutelar um mero interesse particular.  Críticas: a maior parte das normas jurídicas tanto de direito privado como de direito público visam proteger simultaneamente interesses públicos e interesses dos particulares. Assim, por exemplo, as normas que regulam o funcionamento e actuação do Estado, embora tutelando interesses gerais da comunidade, visam o bem dos homens concretos dessa comunidade. Por outro lado as normas de direito privado não se dirigem apenas à realização do interesse dos particulares, visando quase sempre interesses públicos (exemplo, art.875º cc.) que sujeita as vendas de imóveis a escritura pública, para além de defender as partes contra a sua precipitação realiza o interesse público de segurança do comércio. Só seria aceitável se exprimisse uma cota tendencial: o direito público tutelaria predominantemente interesses da colectividade e o direito privado tutelaria predominantemente interesses dos particulares (Marcelo Caetano): natureza do interesse prioritariamente tutelado; Ainda assim não seria aceitável porque em muitos casos não se sabe qual o interesse predominante (ex.registo predial). Há normas pacificamente classificadas como de direito privado e que visam predominantemente interesses públicos (normas imperativas).

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II – Um outro critério é o da posição relativa dos sujeitos da relação jurídica (subjektions theorie), o direito público regularia relações entre sujeitos que estão numa posição de supra-ordenação ou supremacia e outros de infra-ordenação ou de subordinação. O direito privado disciplinaria relações entre sujeitos numa posição relativa de igualdade ou coordenação.  Críticas: no direito público pode-nos surgir posições de igualdade ou coordenação (exemplo: relações entre dois municípios membros de uma associação de municípios);  No direito privado encontramos algumas relações jurídicas hierarquizadas (relação no poder paternal entre pai e filho (art. 1878º cc.) ou contrato de trabalho entre entidade patronal e trabalhador (art. 1152º); o III-Um outro critério é o da teoria dos sujeitos (subjektheorie) que assenta na identidade dos sujeitos. Seriam normas de direito público aquelas em que interviesse como sujeito activo ou passivo o Estado ou qualquer ente público. Seria de direito privado as que apenas interviessem particulares.  Críticas: os entes públicos podem intervir como particulares em muitos negócios jurídicos (ex. o Estado compra a um particular uma casa para lá instalar um serviço);  Os particulares podem relacionar-se entre si no âmbito do direito público (ex. concurso de acesso à função pública); o IV – O critério mais aceite é o da qualidade dos sujeitos, que é a versão moderna da teoria dos sujeitos. São normas de direito privado, as que regulam relações jurídicas entre particulares, ou entre particulares e o Estado ou outros entes públicos, ou entre entes públicos sempre que estes ajam despidos de poder de autoridade pública. São normas de direito público as que regulam relações jurídicas do Estado e outros entes públicos entre si, ou com os particulares quando os primeiros ajam munidos de poderes de autoridade pública, de soberania ou de império ius imperi.  Críticas: não dá base de sustentação para a integração no direito público das normas que regulam a organização e funcionamento das pessoas colectivas públicas e que são consideradas pacificamente normas de direito público; Deixa em aberto o que se entende por poder de autoridade pública. Existindo hoje várias funções do Estado, nomeadamente no campo da assistência social que não

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envolvem meios de autoridade, mas que também não mostram o Estado na veste de um particular (ex. rendimento mínimo garantido). O nosso ordenamento jurídico não estabeleceu um critério geral para determinar quais as normas de direito público e quais as de direito privado. Trata-se mais de um produto histórico, em que o ordenamento ao longo dos tempos foi fixando critérios diversos para determinadas relações jurídicas que foi integrando num ou noutro ramo. Noutros casos optou por interpolações mistas de direito público e de direito privado. No entanto há certas normas que nos permitem avançar na definição do critério: art. 501º cc: submete o Estado e demais entes públicos em matéria de responsabilidade civil decorrente do exercício de actividade de gestão privada ao regime do direito privado diferentemente do que acontece com actividade de gestão pública (critério da qualidade dos sujeitos). Artigo 1304º cc, que sujeita o domínio das coisas pertencentes ao Estado ou a outras pessoas colectivas públicas ás regras do código civil, só pertencendo ao domínio público do Estado os bens definidos e regidos por lei excepcional (art.84ºCRP) (critério da qualidade dos sujeitos). Em suma a nossa lei assume o critério da qualidade dos sujeitos da relação jurídica, embora hajam regimes mistos.  Alcance prático da distinção: 1. Satisfaz um interesse de ordem científica na sistematização e agrupamento das normas jurídicas; 2. Serve para determinar as vias judiciais competentes para a solução dos diferentes conflitos. Em casos de conflito de direito privado são competentes os tribunais judiciais e dentro destes os tribunais comuns em matéria civil, salvo quando houver matéria civil especializada (ex. tribunal de trabalho, tribunais de família e menores, tribunais marítimos). Em casos de conflito de direito público são competentes os tribunais administrativos e fiscais (arts. 211º e 212º CRP); 3. Responsabilidade civil, ou seja, a obrigação de indemnizar decorrente de uma actividade de órgãos ou agentes estaduais está sujeita a um regime diverso consoante os danos sejam causados no exercício de uma actividade de gestão pública ou privada. Ora, a actividade de gestão pública é a disciplinada pelo direito público e a de gestão privada pelo direito privado, daí a necessidade prática da distinção. Temos, assim efeitos legais próprios para o direito público distintos do direito privado.  Características do direito público e do direito privado: 1. Direito privado: vigora o princípio da liberdade em que é lícito tudo quanto não é proibido pela lei; Direito público: vigora o principio da competência ou da legalidade, onde só é lícito o que é permitido pela lei;

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1304º cc). O direito comercial: desde cedo surgiram tribunais comerciais para os mercadores.atspace. 6. prevendo um regime jurídico diverso do regime regra que é o direito civil. Os bens do Estado pertencem. Mas a incerteza que daí advinha levou à publicação em 1883 do primeiro código comercial: o código de Ferreira Borges que era de pendor subjectivista. nos casos omissos. cuja jurisprudência muito contribuiu para a autonomização do direito comercial. dizendo que em matéria comercial. Mas a autonomia 4 .html 2. 7. Ás relações entre o Estado e os particulares é. menoridade art. Direito privado: é de certo modo um direito geral face ao direito público porque regula a generalidade das relações jurídicas. em regra. Direito público: predominância de normas imperativas (não podem ser afastadas pela vontade das partes). se deveria aplicar as leis das nações civilizadas. Os direitos privados especiais: 1. mas tendo-o como direito subsidiário. no direito privado. regulados pelo direito privado. só se aplicando o direito público quando a lei o determine. Com o evoluir da sociedade foram surgindo direitos especiais (subconjuntos unitários e sistematizados de normas jurídicas aplicáveis a determinados e delimitados sectores da vida humana. Direito privado: predominância de normas supletivas (regras jurídicas que podem ser afastadas pela vontade das partes em sentido contrário). Muitas vezes o direito privado é de aplicação subsidiária face ao direito público. 3. este regulava um direito dos comerciantes. só se aplicando o direito público quando a relação é dominada pela ideia de ius imperi. Em 1888 vamos ter um novo código. aplicável o direito privado. em regra. assim.http://apontamentosdireito. sejam eles praticados ou não por comerciantes. Mas ser o núcleo fundamental não é ser todo o direito privado. embora admitindo actos praticados apenas por comerciantes. em princípio. que ainda se encontra em vigor. A lei da boa razão (1769) e os estatutos da Universidade de Coimbra (1772) distinguiam já o direito comercial do direito civil. o direito civil é o direito – mãe (“Mutterrech”). Direito público: regula um sector mais determinado de relações jurídicas. Os contratos do Estado com os particulares são.  O direito civil como direito privado geral comum: O direito civil é o núcleo fundamental do direito privado. Encontramos.com/index. ao domínio privado (art. de pendor objectivista: regula os actos de comércio. Assim.122º). as que estão previstas na lei e se especializaram do tronco comum do direito que aparece ligado ao direito privado. 4. 5. o código de Veiga Beirão. regras gerais no direito civil que se aplicam a esses ramos especiais do direito privado (ex.

higiene e segurança. Apenas nos indica qual a legislação 5 . intervindo nos conflitos entre as entidades patronais e os trabalhadores com armas como a requisição civil. onde há uma contrapartida económica.com/index. regra geral. como parte económica mais débil. o fiador é o ultimo a responder pela dívida. sobretudo nos principais centros urbanos. Há uma grande intervenção do Estado na relação laboral.html do direito comercial justifica-se pelas necessidades próprias do comércio moderno. b. O direito do trabalho: com o avanço civilizacional os trabalhadores começaram a deixar de ser vistos como “criados”. como credor. bastante alterado depois do 25 de Abril que veio estabelecer modificações na duração do trabalho. c. ao contrario da fiança civil em que há o beneficio da excussão. igualdade entre homens e mulheres. exemplo o aval comercial em que se responsabiliza a pessoa que o dá ao mesmo tempo e ao mesmo nível do devedor podendo o credor executar o património de um ou outro. no direito de greve.atspace. daí ter nascido grande regulamentação que levou à autonomização deste ramo do direito privado. trabalho de menores. Os actos jurídicos comerciais são. Necessidade de facilidade. 3. O comerciante precisa também do reforço das suas garantias. em que é conciliador. livranças e cheques). O direito do trabalho compreende sobretudo as seguintes características: a. etc. Especialidade ainda de processo com mecanismos processuais próprios com o código de processo do trabalho. daí o direito comercial ser menos exigente no que respeita à forma negocial. em que os conflitos laborais são resolvidos pelos tribunais de trabalho. sobretudo nas relações colectivas de trabalho. leis uniformes para letras. Tratamento e tutela do trabalhador.etc. mas pessoas com direitos e deveres.http://apontamentosdireito. Direito internacional privado: o DIP não regula directamente as questões que dividem as partes. ao contrário do direito civil onde coabitam os actos onerosos e gratuitos. Há uma necessidade de maior regulamentação unitária de carácter internacional no direito comercial com a globalização da economia (ex. Intervêm ainda ao nível da previdência social. ou seja. O nosso código civil declara no artigo 1153º que o contrato de trabalho está sujeito a legislação especial – DL nº 49. b. c. d. de natureza onerosa.48 de 24 novembro de 1969 que estabelece o regime jurídico do contrato individual de trabalho. Este ramo tem ainda especialidades de jurisdição. 2. daí prevalecerem as normas que estabeleçam tratamento mais favorável para o trabalhador. simplicidade e rapidez na conclusão das transacções. senão vejamos: a.

http://apontamentosdireito. (d) decretos legislativos regionais e os vários regulamentos.atspace. daí a sua unidade e autonomia face ao direito civil. Simultaneamente com várias ordens jurídicas estaduais. As leis: de acordo com o artigo 1º/2 cc. As fontes de direito civil: Fontes imediatas (operam sem intermediários): (1) leis. acepção intermédia: lei contrapõe-se a regulamento. por 6 . emanação do contrato social de Rousseau. abarcando apenas as leis. Daí que haja diversas normas constitucionais com aplicação no âmbito de direito civil. Consta sobretudo dos ars. 24º a 47º da CRP que incorporam maioritariamente direitos fundamentais civis  aplicabilidade imediata da Constituição. (c) decretos lei do governo. o DIP não é um verdadeiro direito internacional. as leis são tomadas numa concepção lata “todas as disposições genéricas provindas dos órgãos estaduais competentes (acepção latíssima: lei significa direito. 4. (a) Leis constitucionais. mas um direito de natureza e fonte interna. acepção restrita: designa os actos legislativos da AR). cada Estado tem o seu próprio DIP. Outros ramos especiais do direito privado: constituirão também direitos privados especiais o direito de autor e direitos conexos bem como o direito de propriedade industrial como é patente pelo artigo 1303º. a. Noutros casos há normas programáticas na Constituição que necessitam de desenvolvimento legislativo.html estadual aplicável para regular um caso concreto em que os elementos da relação jurídica estão em contacto. É claramente direito privado porque diz respeito às relações jurídicas privadas ao contrário do direito internacional público que regula fundamentalmente relações entre Estados. Sobretudo por força do artigo 18º CRP são de aplicabilidade directa os arts. (4) equidade. Controversa será essa qualificação para o direito agrário. princípios fundamentais de direito. Nesta matéria concorrem normas de direito privado e também normas de direito público com o Estado a visar finalidades de justiça social e também com normas provenientes da União Europeia. 14º a 65º cc  é um direito instrumental de “normas sobre normas”.com/index. decretos-leis e decretos legislativos regionais. com estrutura e espírito próprios. 1. No entanto. (b) leis ordinárias (da AR).  Fontes mediatas (legitimidade depende de outras fontes): (3) usos. Leis constitucionais: a Constituição é o quadro básico das relações jurídicas da sociedade. (2) normas corporativas. normas relativas à estrutura e actividade da agricultura. sendo o direito civil direito subsidiário destes ramos. mas não há ainda um corpo legislativo unitário. Temos assim. Essas normas estão a tender para a autonomização.

Decretos legislativos regionais: atente-se ao artigo 227º da CRP e às limitações aí presentes: a) matéria de interesse especifico. esse código deontológico não poderá conter normas que violem direitos liberdades e garantias. Temos uma competência exclusiva (art. ainda que noutros moldes.http://apontamentosdireito. uma reserva absoluta em que cabe exclusivamente à AR não podendo delegar no Governo essas tarefas (art. donde sobressai o princípio da liberdade de associação que gera fontes de direito em matéria de estatutos e regulamentos internos. Mas parece que estas continuam a existir. Por exemplo. As normas corporativas: uma parte da doutrina (Doutor Mota Pinto) entende que com a abolição do regime corporativo com o 25 de Abril. exemplo o artigo 64º da CRP. pois apesar da extinção do regime corporativo. 2. Veja-se o exemplo das portarias que estabelecem os coeficientes de actualização dos arrendamentos urbanos para habitação. c. e.html b. Esta tem uma competência geral. adaptando o código à CRP de 1976 e não ter sido feita uma revisão geral do mesmo.164º CRP) e uma competência relativa.com/index. Usos: o artigo 3º considera os usos como fonte de direito mas conferelhes importantes limitações: 7 .198º/2 CRP). Daí defender a revogação tácita ou uma interpretação ab-rogante face a estas normas. Há dois tipos de reserva. em que ela pode delegar ao governo essas competências (art. c) estão subordinadas às leis gerais (art. que está presente no artigo 161º da CRP e uma competência reservada. b) não estejam reservados à competência própria dos órgão de soberania.112º/4 da CRP bem como o próprio 227º).atspace. Regulamentos: no direito civil há ainda zonas periféricas de carácter regulamentar. Leis ordinárias: as leis ordinárias são as leis da AR. Se o Estado não desenvolver politicas nesse sentido poderá haver lugar à inconstitucionalidade por omissão  aplicabilidade mediata da Constituição. uma competência própria (198º1/a) CRP) e uma competência autorizada (198º/1/b) CRP): foi o que se passou aquando da reforma do código civil em 1978 que o adaptou à CRP de 1976. Tornando-se muito mais fácil essa actualização assim do que se a mesma fosse feita por decreto – lei. que depende das capacidades do Estado para promover esse direito. Exemplo disso é o código deontológico da ordem dos médicos. d. 3. Mas salvaguardando a unidade do sistema o artigo 1º/3 afirma que essas normas não podem contrariar disposições legais de carácter imperativo. estas normas deixaram de ser fonte de direito e o facto destas terem permanecido no artigo 1ºcc deve-se ao facto da reforma deste código em 1977 ter tido um carácter meramente parcial.165º CRP). a representatividade profissional mantém-se. Decretos – lei do governo: têm o mesmo valor das leis ordinárias.

b. Actualmente o costume não é fonte de direito civil. se um juiz de 1ª instancia tem uma interpretação diferente de certa norma da do Supremo deve seguir a sua própria interpretação). b.http://apontamentosdireito. Começou por ser fonte imediata de direito. 494º). mas foi decrescendo de valor devido à sua incerteza e à rapidez das mutações sociais. 4. sendo que aqui não são competentes os tribunais comuns. honroso e leal. c. não é fonte de direito na nossa ordem jurídica. ou seja.atspace. Equidade: o artigo 4º.art. devido ao princípio da independência doas magistrados judiciais que julgam apenas segundo a Constituição e a lei (exemplo. aqui tomada numa acepção objectiva. sobretudo no seu nº3 em que assumem especial relevo os regulamentos dos órgãos da EU que vigoram directamente na nossa ordem jurídica interna ao contrário das directivas que necessitam de acto de transposição para o direito nacional. Essas decisões não vinculam os mesmos ou outros tribunais no futuro (julgamento do mesmo tipo.  É a chamada justiça do caso concreto ou solução ex aequo et bono . como tal são fonte mediata de direito já que para se aplicarem necessitam da remissão de uma norma jurídica (ex. Não estarem em oposição com as normas corporativas. outra fonte mediata do direito civil já que: a. A lei da Boa razão colocou-lhe enormes restrições: conforme à boa razão.com/index. Quando haja acordo das partes e a relação jurídica não seja indisponível.html a. Só são juridicamente atendíveis quando a lei o determine. presentes no art.218º). c. um comportamento honesto. Só tem lugar quando haja disposição legal que o permita (exemplo art. A única excepção que existia até 1995 era a dos assentos do STJ. exemplo caso entre a EDP e a TELECOM que pode implicar grande conhecimento tecnológico  elas estabelecem que o processo é resolvido por tribunal arbitral).2º e hoje 8 .  Não confundir os usos com o costume (prática social reiterada com a convicção da sua obrigatoriedade jurídica). não ser contrário à lei (100 anos de existência) sendo que o código de 1867 o excluiu das fontes de direito (o chamado código de Seabra).  As fontes internacionais: a CRP no artigo 8º abre a nossa ordem jurídica a fontes de direito internacional. algo que acontece nos países da “common law”). Não podem ser contrários aos princípios da boa fé. Quando as partes tenham previamente convencionado nos termos da cláusula compromissória (esta diz respeito à fixação da resolução de litígios através de tribunais arbitrais.  A jurisprudência: a jurisprudência  o conjunto de decisões em que se exprime a orientação seguida pelos tribunais na decisão dos casos concretos.

sobretudo com o 10º nº3 em que o juiz elabora uma norma adhoc dentro do espírito do sistema  aqui há uma clara indução do direito. Quando existiam dois acórdãos do Supremo e excepcionalmente da relação.334º). capaz de valorações jurídicas. valendo como preceito geral para o futuro. Existe aqui uma forte dose de valoração apresentando a intervenção judicial um verdadeiro carácter constitutivo (exemplo art. 9 . a nomeação de um Ministro no DR-I-A tem também força obrigatória geral e não é uma norma jurídica. foi criado. Cada vez o juiz é menos a “boca da lei”. em que o plenário das secções cíveis emite um acórdão de forma a assegurar a uniformidade da jurisprudência. têm um mero valor indicativo.8º nº3 mostra claramente o desejo de uma certa uniformização na aplicação do direito para garantir a segurança e a previsibilidade do direito.com/index.html revogados. mas a uma jurisprudência atenta aos interesses das partes. Em termos gerais vale como mera jurisprudência uniformizada. por parte destes de normas jurídicas com força obrigatória geral. Tem um mero valor indicativo. ou seja.atspace. mas também outros acórdãos do Supremo. assentes sob soluções opostas e sejam produzidas no domínio da mesma legislação se recorria para o plenário do Supremo que tiraria um assento que solucionaria o caso concreto. no plano processual o acórdão em julgamento ampliado de recurso de revista. Cada vez menos o direito recorre a uma jurisprudência de conceitos. Quanto aos assentos proferidos antes da data da sua revogação (13/12/1995) deixaram de ter força obrigatória geral e têm o valor dos acórdãos de recurso ampliado de revista. O facto dos acórdãos serem publicados no DRI série A e terem força obrigatória geral não é significativo pois. Não parece que o sejam:  O TC não cria nenhuma norma. por exemplo. das relações e até sentenças de 1ª instância. para os casos concretos o recurso intentado até essa data vale para a resolução do conflito concreto. Só que esse acórdão não tem força obrigatória geral nem mesmo para os tribunais superiores. é o caso das clausulas gerais e de conceitos indeterminados. Esta revogação baseou-se sobretudo no princípio da separação dos poderes. Daí que se fale no desenvolvimento normativo do direito pelo juiz ou mesmo do chamado Richterrrech (direito jurisprudencial).111º da CRP. Daí ser inaceitável a criação. acórdão que é publicado no DR. No entanto é necessário que haja razões fortes para esse tribunal contrariar tal acórdão. Mas de acordo com o artigo 8º nº3 não são apenas objecto de ponderação por parte do juiz os acórdãos do Supremo em julgamento ampliado de revista.http://apontamentosdireito. Isto é ainda mais visível no preenchimento das lacunas da lei com os artigos 10º nº1 e 2. mesmo que com carácter interpretativo. Para isso. limita-se a formular um juízo de valor. em que a função legislativa é atribuída à AR e ao Governo e a função jurisdicional é atribuída aos tribunais. presente no art. Oliveira Ascensão diz que os acórdãos com força obrigatória geral do TC são fonte de direito. No entanto o art. positivista e dedutiva. até porque se o caso tiver valor para subir até ao Supremo o normal é o acórdão ser reafirmado. relativamente à mesma questão fundamental de direito. – problema de aplicação de leis no tempo. cabendolhe uma ponderação na aplicação concreta de muitos comandos legais.

70º) Este princípio implica: a.html  Os princípios gerais de direito civil: são princípios de ordenação material ou substancial das normas jurídicas civis que estruturam. 13. 6. não podendo ser empregado simplesmente como meio. Principio da autonomia da vontade privada. Principio da tutela geral da personalidade. dão coerência e unidade ao conjunto do direito civil. 12. Tais princípios são desenvolvidos pelas normas civis e alimentando o espírito do sistema civil a eles se recorrendo na integração de lacunas praeter legem conforme o artigo 10º/3. 4. Por isso ele é pessoa. Principio da liberdade declarativa. 9.282º. 8. Estes princípios podem ter carácter fundamental ou Constitucional se resultam de normas ou princípios Constitucionais. 7. de se autopropor objectivos e limites para a sua actuação. Principio da igualdade. Principio da boa-fé. 11. tem um incondicionável valor em si mesmo. Principio da proibição do abuso de direito. Principio da não violação da esfera jurídica alheia. Mas há também princípios gerais emergentes da lei ordinária civil. Numa fórmula de Kant.http://apontamentosdireito. 10. face a qualquer outro. 10 . São a sua ossatura. Principio da dignidade da pessoa humana. um direito a ser respeitado por ele como pessoa. 5. Principio da nulidade de actos e negócios jurídicos violadores de regras imperativas. Vamos proceder à sua enumeração: 1. Face a esta dignidade Larenz diz que todo o ser humano tem. Principio da proibição de auto-defesa dos direitos próprios. Principio da plenitude da capacidade jurídica humana. Ao seu aprofundamento: 1. Principio do equilíbrio das prestações. modelam o conteúdo do direito civil. Principio da dignidade da pessoa humana: resulta do artigo nº1 da CRP.com/index. sendo obrigado a respeitar a outra de modo análogo  princípio do respeito mútuo é fundamental e é a base da convivência numa comunidade jurídica e de toda a relação jurídica e está na origem do próprio direito geral de personalidade (art. o homem é “fim em si mesmo”. 14. Principio da proibição de negócios usuários: art. 3.atspace. 2. Principio do reconhecimento da personalidade jurídica humana. Principio da personificação jurídica e da capacidade jurídica funcional das pessoas colectivas privadas. resultando da natureza do homem deste configurar livre e reciprocamente a sua existência e a sua inserção social.

Qualidade que está na base da personalidade físico-moral presente no art.70º. Principio do reconhecimento da personalidade jurídica humana: do princípio da dignidade da pessoa humana decorre que todo e qualquer ser humano tem personalidade jurídica  aptidão para ser centro autónomo de relações jurídicas (art. Fala-se cada vez mais de igualdade jurídicomaterial e não de igualdade jurídico-formal. vendo.13º CRP que implica que se tratem igualmente situações de interesses iguais e que se tratem diferentemente situações de interesses diversos.com/index. Vigência de certos institutos de favorecimento da parte contraente mais fraca.atspace. A excepção à regra geral de que todos os homens têm capacidade jurídica é a incapacidade. Exemplo de excepção é um menor com menos de 16 anos. existe no cerne da natureza humana uma base comum a todos. pois este regime apenas visa favorecer o filho já que biologicamente e sociologicamente tem uma maior ligação à mãe e à família desta do que ao pai. independente do conteúdo (por exemplo promoções de uma real igualização através de diferenciações legais compensatórias). já seria uma norma que violaria o principio da igualdade a que permitisse um quota hereditária maior para os filhos nascidos dentro do casamento dos que os fora do mesmo. O artigo 13º da CRP diznos que apesar das nossas diferenças especificas. Principio da igualdade: este princípio decorre do art.html b. 67º).  O direito é ainda concebido tendo como destinatários essa comunidade de pessoas livres e iguais. uma qualidade que pertence a todos os homens sem distinção. se é baseada em fundamentos materiais suficientes e assenta em considerações razoáveis. Mas qual o critério a adoptar para sabermos quando estamos perante uma situação de igualdade ou desigualdade? Deve-se atender. segundo Castanheira Neves à intenção material especifica do direito. Só não o será face a disposição legal em contrário como decorre do artigo 67º.http://apontamentosdireito. 2.36º/4 CRP. atendendo à sua particularidade. 3. como é o caso do decreto – lei acerca das cláusulas contratuais gerais. uma razão arbitrária que não é materialmente fundada e não assenta em objectivos razoáveis violará este principio de igualdade. Principio da plenitude da capacidade jurídica humana: a dignidade da pessoa humana postula ainda uma plenitude da capacidade jurídica de qualquer homem: aptidão para ser titular de um circulo maior ou menor de relações jurídicas (art. não pode casar. violando assim directamente o art.66º nº1). assim. que não viola o principio da igualdade do homem e da mulher. um conjunto de 11 . Como exemplo de uma norma razoavelmente discriminatória: temos o artigo 1911 nº2. 4.

atspace. a qualidade de também elas serem centros autónomos de relações jurídicas. honra. 6. Segundo o artigo 157º as pessoas colectivas privadas são: 12 . não se trata de personalidade jurídica. Esta cláusula geral da tutela da personalidade protege os bens da personalidade ligados: a. Esta igualdade que se quer material impõe obrigações legais de diferenciação para compensar a desigualdade de oportunidades que se verificam na prática. b. na medida em que todo o homem tem um direito sobre si mesmo. aptidão para se ser centro autónomo de relações jurídicas (regulada no art. espírito (sentimentos inteligência). liberdade. segurança. Principio da tutela geral da personalidade: quando o artigo 70º nos fala de personalidade física ou moral. Esses direitos especiais encontram-se nos arts. Relação do homem com o seu ambiente físico e social: a identidade. ou seja. A violação destes mesmos direitos pode implicar: Responsabilidade civil (art.http://apontamentosdireito. o seu corpo.  Junto desta estrutura normativa existem diversos direitos especiais de personalidade que tutelam aspectos particulares da personalidade aos quais se aplica subsidiariamente o regime do DGP. sobre a sua própria personalidade humana nos seus elementos físicos e espirituais. bem como a capacidade criadora do homem e as respectivas criações. 5. ou seja.html direitos absolutos que se impõe ao respeito de todos os outros.70º nº2. 81º nº1 (pelo consentimento ser contra a ordem pública devido aos prejuízos irremediáveis que resultariam para a pessoa são ilícitos a mutilação ou a eutanásia). Pessoas colectivas: são colectividades de pessoas ou complexos patrimoniais / organizados em vista a um fim comum / a que o ordenamento jurídico atribui a qualidade de sujeitos de direitos. Relação do homem consigo mesmo: a vida.com/index. 72º a 80º. mediante certos pressupostos personalidade jurídica às pessoas colectivas. etc. Principio da personificação jurídica e da capacidade jurídica funcional das pessoas colectivas privadas: ao lado da personalidade jurídica reconhecida a todas as pessoas singulares o nosso direito civil no artigo 158º atribui.66º) mas sim de personalidade humana tomada como objecto jurídico. Os direitos de personalidade são irrenunciáveis: podendo todavia ser objecto de limitações voluntárias que não sejam contrárias aos princípios da ordem pública – art. 70º nº2). Certas providências judiciais adequadas às circunstâncias do caso para evitar a consumação da ameaça ou atentar os efeitos da ofensa já cometida – art.

Autores como Otto Van Gierke defendem a teoria organicista. já que ela é uma criação do direito  Ela é assim uma criação do direito e não uma ficção legal ou organismo natural. Associações: colectividade de pessoas que não têm por fim o lucro económico dos seus associados. apesar de ser uma criação do direito.html a. resultam da natureza das coisas. Ao contrário da capacidade jurídica das pessoas singulares.http://apontamentosdireito. No nº2 do artigo 160º é ainda excepcionado da capacidade jurídica: a) Direitos e obrigações vedados por lei (ex. a capacidade jurídica das pessoas colectivas é menor e inferior à das pessoas singulares como resulta da comparação dos artigos 67º e 160º.etc). Ela é sim de natureza funcional ou especifica em razão dos fins de cada uma delas. a capacidade jurídica das pessoas colectivas não é de carácter geral. este principio não se confunde com livre arbítrio. c. sendo que os seus órgãos devem actuar de acordo com a vontade declarada pelo fundador. Sociedades: organização de duas ou mais pessoas / que contribuem com bens ou serviços para o exercício de uma actividade económica / dirigida à obtenção de lucros e à sua distribuição pelos sócios. num claro antropomorfismo. com cada um fazer aquilo que bem entende. Fundações: massa de bens afecta pelo seu instituidor a finalidades de interesse social. como nos refere o artigo 160º nº1. capacidade testamentaria) b) Direitos e obrigações que seja inseparável da personalidade singular (os direitos derivados da vida como o casamento ou a filiação) Assim. e . Assim. mas outros fins comuns (recreativos. b. ela não é nenhuma ficção legal porque tem a sua natureza e fundamentação na realidade social e na estruturação de interesses humanos. 7. Por um lado.com/index. Principio da autonomia da vontade privada: este principio resulta do poder de auto-determinação de cada homem e cresce limitado pelos quadros normativos da ordem jurídica que assentam na vontade popular. Tudo porque vivemos em 13 . Mas qual a natureza desta personalidade colectiva? Autores como Savigny defendem a teoria da ficção segundo a qual a lei estaria a proceder como se as pessoas colectivas fossem pessoas singulares. culturais. em que as pessoas colectivas seriam uma realidade idêntica à das pessoas singulares.atspace. como nos diz Manuel de Andrade “ é a tradução jurídica de um fenómeno empírico”. Por outro lado a teoria organicista é também de rejeitar porque não precisamos de um organismo antropomórfico para justificar a personalidade jurídica. Não podemos aceitar nenhuma das duas teorias expostas.

pela boa fé. Mas estão também tipificados os diferentes objectos de sucessão – art. as formas de testamento.http://apontamentosdireito. No entanto é uma área com grande incidência de normas imperativas ex. actos que se traduzem num certo resultado material (ex. Tutela da liberdade positiva: permite a cada um praticar ou não praticar qualquer facto que não seja proibido ou prejudique superiores interesses jurídicos de outrem.com/index. pelos bons costumes. Vigoram também diversos regimes imperativos como é o exemplo da matéria de dividas dos conjugues – arts.atspace. conformação e extinção autónomos da relações jurídicas privadas por parte de cada homem.html sociedade e as relações jurídicas não visam apenas o bem individual mas também o bem comum. pela ordem pública e o próprio fim do exercício da liberdade (334º). c) No direito das sucessões: liberdade de transmissão sucessória – artigo 62º nº1 CRP. b) No direito da família: liberdade de celebração de casamento. também aqui há o principio da tipicidade das figuras familiares e dos seus efeitos – arts. Vejamos as varias expressões da autonomia privada: a) Nos direitos reais: principio da livre aquisição e transmissão entre vivos e por morte das coisas dominiais privadas – art. segundo a sua vontade e dentro dos limites estabelecidos pela ordem jurídica. por exemplo (334º). criação de obras literárias). 1576 e ss. de celebração de testamento e de fixação do seu conteúdo. Principio da autonomia privada: traduz-se no estabelecimento. as fontes de vocação sucessória.fixação do regime de bens do casamento – art.No entanto. 2030º. Artigo 1306º em que se fixa os modos de aquisição do direito de propriedade. 14 . etc. b. ou seja. Tutela da liberdade negativa: proíbe que qualquer pessoa possa ser constrangida por outrém a praticar ou não praticar qualquer facto – nemo postest presise coagi ad factum. 1690º ss. domínio onde imperam as normas imperativas. 1306º que se traduz na regra do numerous clausus ou da tipicidade das figuras reais e dos seus elementos característicos. Principio que contém restrições de direito público  expropriações por utilidade pública (62ºnº2 CRP) e de direito privado. o abuso de direito. O nosso direito civil protege o poder de auto-determinação do homem em duas vertentes: a. O principio da livre realização de actos reais. de constituir família e de requerer divórcio – art. etc. não podendo constituir direitos reais os que não estejam previstos na lei. 1698º.62º CRP. 36º CRP.

A ninguém pode ser imposta a abstenção de contratar: excepcionalmente o nosso ordenamento apresenta algumas restrições à liberdade de celebração de contratos: 1. Esta liberdade subdivide-se em dois predicados: i.com/index. emissão de acções destinadas a subscrição pública). 2. nestes negócios vigora o principio da liberdade contratual  artigo 405º. Nos negócios jurídicos unilaterais é de olhar com reserva a produção de efeitos na esfera jurídica (conjunto de relações jurídicas de que uma pessoa é titular) alheia (por vontade unilateral de outra pessoa). b) Liberdade de modelação do conteúdo contratual: faculdade conferida aos contraentes de fixarem livremente o conteúdo dos contratos.  Negócios jurídicos bilaterais ou contratos: com duas ou mais declarações de vontade convergentes. sendo que só são juridicamente admitidos os que estiverem especificamente previstos na lei – art. modificando-as. Nos negócios jurídicos bilaterais ou contratos. os pressupostos e os seus efeitos estão também imperativamente fixados na lei.constituindo-as. extinguindoas e determinando o seu conteúdo.  2.atspace.http://apontamentosdireito. 3. tendentes à produção de um resultado jurídico unitário (ex. 457º.dever jurídico de contratar no que respeita ao seguro de responsabilidade civil automóvel. 877º). Isto implica:  1-a possibilidade das partes realizarem os contratos previstos no código civil (exemplo a compra e venda) ou em outras leis (exemplo locação financeira) chamados contratos típicos nominados em que as partes aceitam todo o conteúdo e indicam apenas os pressupostos factuais para a sua produção. Ninguém pode ser obrigado a contratar contra a sua vontade – nemo potest precise coagi ad factum ou a ninguém podem ser aplicadas sanções pela recusa de contratar. compra e venda). art.proibição de celebração de contratos com determinadas pessoas (ex. Daí que nos negócios jurídicos unilaterais vigore o principio da tipicidade ou do numerous clausus. Sendo que a forma.sujeição do contrato a autorização de outrém (ex. ii. Há que distinguir entre:  Negócios jurídicos unilaterais: tem apenas uma declaração de vontade (exemplo o testamento).html d) No direito das obrigações: É neste domínio que mais se afirma o princípio da autonomia privada como grande meio de actuação da autonomia privada temos o negócio jurídico: acto pelos quais os particulares ditam a regulamentação das suas relações.realizar contratos típicos nominados aos quais concertam as 15 . Do artigo 405º emerge: a) Liberdade de celebração de contratos: faculdade de livremente realizar contratos ou recusar a sua celebração.

Há duas espécies de responsabilidade civil: a. compra e venda). injustas. limitando-se os segundos a aderir ou não a tal contrato). os comportamentos das pessoas. esta liberdade contratual conhece algumas restrições legais. Patrimonial: definido pela sua avaliabilidade em dinheiro e onde se enquadram os direitos patrimoniais (exemplo. a nulidade do negócio contrário à ordem pública – artigo 280º nº2. muitas delas. alterado pelo Decreto Lei 220/95 por si alterado pelo Decreto Lei 249/99 de 7 de Julho. 8.html cláusulas que lhes aprouver. os direitos de crédito). chamados contratos atípicos inominados. Essa obrigação de reparar ou compensar os danos causados é a chamada responsabilidade civil : necessidade imposta pela lei. propondo os primeiros todas as cláusulas do contrato. Pessoal: caracterizado pela sua não avaliabilidade em dinheiro e onde se inserem os direitos pessoais ou não patrimoniais (exemplo.http://apontamentosdireito. emergente de um negócio ou directamente da lei (exemplo. Daí que o consumidor impedido pela necessidade é forçado a aceitar o contrato e todas as cláusulas constantes no mesmo. Em tal esfera podemos considerar dois hemisférios: a. pois muitas das vezes o fornecedor está numa posição de monopólio (ex. (eventualmente conjugando dois ou mais contratos – contratos mistos – art. só que na prática não é bem assim. Na vida social. Principio da não violação da esfera jurídica alheia: cada pessoa tem uma esfera jurídica própria que é composta pelo conjunto de relações jurídicas de que uma pessoa é titular.  3–a possibilidade das partes celebrarem contratos diferentes dos previstos no código. na obrigação de reparar ou compensar os danos causados. desde logo as aludidas no artigo 405º “dentro dos limites da lei”. o consumidor é livre de rejeitar o contrato. electricidade) e rejeitar o contrato é não satisfazer uma necessidade fundamental. Mas. a quem causa prejuízos a outrém. em princípio. b. pelos seus direitos e interesses juridicamente protegidos. 405º nº2. Quando isto acontece a pessoa constitui-se.com/index. Teoricamente não há restrições à liberdade contratual. os direitos de personalidade). Mas há também poderosas restrições fácticas a este princípio sobretudo nos chamados contratos de adesão (contratos entre produtores ou distribuidores de bens ou serviços em larga escala e consumidores aderentes que são múltiplos e indeterminados. 16 .atspace. temos mais recentemente o regime das cláusulas contratuais gerais – Decreto Lei 446/85. Vem regulada fundamentalmente nos artigos 798º ss e implica a falta culposa do devedor ao cumprimento da obrigação. Para combater isto podemos recorrer às regras da boa fé – artigo 762º. Negocial: resulta da violação de um direito de crédito ou obrigação em sentido técnico. sejam eles acções ou omissões violam muitas vezes deveres de abstenção ou de acção. de colocar o ofendido na situação em que estava sem essa lesão.

2. do não cumprir de um dever geral de abstenção ou acção contraposto a um direito absoluto.html sendo a culpa apreciada nos termos aplicáveis à responsabilidade civil extranegocial como decorre do 799º/2. ii. não quer dizer que seja um facto querido por este. a prestação já não ser possível de se efectuar no todo ou em parte – 801º e 802º. passiva ou activa.http://apontamentosdireito. Voluntário – quer dizer que é dominável ou controlável pela vontade do lesante.atspace. A existência de uma acção ou omissão. Extra-negocial. Nexo de imputação de tal acção ou omissão ao agente. Mora: o devedor. extra-contratual ou aquiliana: resulta da violação de uma obrigação. por causa que lhe seja imputável. este realiza a prestação mas com vícios ou deficiências que ocasionam prejuízos específicos ao credor – artigo 799º. mas necessária de uma conduta (exemplo: A quer transportar produtos de um prédio para o outro. Cumprimento defeituoso: por causa imputável ao devedor.  Dolo necessário: quando o agente realizou tal facto ilícito prevendo-o como uma consequência reflexa. A utiliza o nome profissional e B para se fazer passar por ele). Vem regulado essencialmente nos artigos 483º a 510º. Ela desdobra-se em três modalidades: i. iii. Ela conhece três tipos: i. sabendo que os empregados têm que passar por prédio alheio e destruir 17 . voluntária e ilícita que viole um direito subjectivo absoluto ou qualquer disposição legal destinada a proteger interesses alheios. no entanto a prestação é ainda possível – artigo 804º. que assume as seguintes modalidades: o Dolo: que pode ser:  Dolo directo: o agente quis directa e especificamente realizar o facto ilícito violador do direito de outrém (exemplo. universal. A culpa.com/index. Impossibilidade de cumprimento: o incumprimento decorre de uma causa imputável ao devedor. não efectua a prestação no tempo devido. b. ou seja. Responsabilidade civil por actos ilícitos ou culposos: regulada no artigo 483º nº1 e pressupõe: 1. ilícito porque é contrário aos comandos que lhe são impostos pela ordem jurídica. que envolve uma censura ético-jurídica e que se desdobra em dois elementos: A imputabilidade (ver 488º).

perda de salários. Esta pode ser:  Consciente: quando o agente previu como possível o resultado ilícito mas por precipitação ou desleixo cré na sua não verificação.com/index. imperícia. desleixo. A existência de danos: estes podem ser: o Patrimoniais: traduzem-se numa diminuição ou não aumento do património  Directos: prejuízo imediato sofrido pelo lesado no Dano emergente seu património (exemplo. distracção ou inaptidão não teve consciência de que o acto poderia decorrer o resultado ilícito.http://apontamentosdireito. dá ordens nesse sentido. perícia e diligência exigíveis para evitar a violação do direito ou interesses alheios. com a sua inteligência e perspicácia colocado nas circunstancias e contexto em que o lesante agiu – artigo 487º nº2.  Dolo eventual: quando o agente praticou tal facto ilícito prevendo-o como um efeito apenas possível ou eventual.atspace. vendo pessoas e veículos não abranda a sua velocidade excessiva. São bens estranhos ao património do lesado.  A culpa em sentido amplo (abrangendo dolo e negligência) deve ser apreciada em abstracto pelo modelo de um bom pai de família (o velho bónus pater famílias romano). destruir uma coisa). Verificam-se 18 . embora este objectivamente fosse previsível se o agente usasse de diligência. 3. o Negligência ou mera culpa: é muito importante a diferenciação entre mera culpa e dolo. apesar disso.  Inconsciente: o agente por imprudência. Aqui o agente procede sem os elementos volitivos do dolo. um homem médio. ou seja. pois o artigo 494º admite a possibilidade de diminuição equitativa da indemnização. o Danos não patrimoniais ou morais: consagrados no artigo 496º. mas teria persistido na sua conduta se previsse o facto ilícito como efeito necessário da sua conduta (exemplo.html nele certas culturas. não se preocupando com o atropelar alguém ou embater com outro veiculo o que acaba por acontecer em qualquer dos casos o lesante conhece as circunstâncias de facto que integra a violação do direito e tem consciência da ilicitude do facto. mas com a omissão de deveres de cuidado. +  Indirectos: vantagens que deixaram de entrar no Lucro cessante património do lesado em virtude do acto ilícito (exemplo. o condutor ao aproximar-se de um cruzamento. resultante de uma hospitalização por agressão física).

Concluindo: esta responsabilidade civil por actos ilícitos é substancialmente culposa ou subjectiva. um empurrão no autocarro).http://apontamentosdireito. visto raramente o lesado ficar completamente indemnizado com a reconstituição natural.html quando há sofrimentos físicos ou morais. consultar. desgostos ou contrariedades embora emergentes de actos ilícitos imputáveis a outrem (exemplo. como nos diz o artigo 566º nº1 ( “sempre que a reconstituição natural não seja possível”): é a reconstituição da situação em que o lesado estaria sem a infracção. 4. Existem teorias acerca disto. ser uma reconstituição natural. Para além de 19 . que não é um “preço de dor” mas uma compensação mediante satisfações derivadas da utilização do dinheiro. temos assim uma compensação. Pressupõe: a) Violação de um direito absoluto. o mesmo é dizer que o autor só está obrigado a reparar aqueles danos que não se teriam verificado sem essa violação. No caso dos danos não patrimoniais não podemos falar de uma indemnização porque não são avaliáveis em dinheiro. d) Nexo causalidade entre facto e dano. apenas materialmente imputáveis à pessoa. A verificação de um NEXO DE CAUSALIDADE ADEQUADO: entre os danos produzidos e o acto em causa. daí que segundo o artigo 483º nº1 só são indemnizáveis os danos resultantes da violação. Responsabilidade civil pelo risco ou objectiva: só tem lugar nos casos tipificados na lei como decorre do artigo 483º nº2.com/index. A matéria referida encontra-se nos artigos 500º a 510º. é como nos diz Mota Pinto. O artigo 496º nº1 fala de danos que pela sua gravidade mereçam tutela do direito. assim não serão indemnizáveis os pequenos incómodos. terá lugar uma indemnização em dinheiro ou restituição por equivalente. com base no facto desta ter posto em acção. que é uma hipótese maioritária. em principio.atspace. segundo o princípio ubi commoda. etc. certas forças que são fontes de riscos e potenciais danos para os outros.  A reconstituição a que obriga a responsabilidade civil pelos artigos 483º e 562º deve. Só que aqui estamos perante factos não culposos. c) A existência de prejuízos. fazer apelo à liberdade moral do homem e apresentar os danos como consequências evitáveis . estimulando – se desta forma zelos e cuidados em impedir esses danos. ibi incomoda (onde estão as coisas cómodas estão as incomodas). Necessidades sociais de segurança impõem que quem crie uma fonte de riscos em seu proveito suporte os efeitos prejudiciais do seu emprego. para seu benefício. b) Nexo de imputação objectivo entre esse facto e responsável. perda de consideração social. O mesmo artigo 566º nº1 diz-nos que quando tal não seja possível pelas razões indicadas.

Mas normalmente o 20 . Exemplo máximo: 1647º e 1648º que dizem respeito aos efeitos do casamento declarado nulo ou anulado quando celebrado por ambos ou apenas por um dos cônjuges de boa-fé. Tem um carácter obviamente objectivo pois relaciona-se com regras de conduta. Não existindo uma unificação legal que preveja um regime jurídico semelhante ao da responsabilidade pelo risco. 10.http://apontamentosdireito. uma convicção de se estar a actuar em conformidade com o direito. podendo dimanar de um facto natural. Neste caso ela não é um princípio geral de direito. Boa fé objectiva: aqui trata-se de uma conduta ou comportamento honesto. de um acto de terceiros ou de um acto do próprio lesado. a lei exige uma equivalência medida por parâmetros objectivos. como decorre do artigo 237º. Responde a um princípio de compensação de vantagens em que aquele que tem de suportar. envolve uma cláusula geral e como tal a mediação do juiz na sua aplicação aos casos concretos. Principio da boa fé: a convivência sócio – jurídica tem de ser alicerçada na confiança recíproca e no recto comportamento e intenção de uns relativamente aos outros. Exemplos: 227º nº1 e 762 nº2. Principio do equilíbrio das prestações: esta questão coloca-se sobretudo nos contratos onerosos. onde cada uma das partes deve obter pela sua própria prestação uma contraprestação adequada de valor equilibrado.com/index. Boa fé em sentido subjectivo: ignorância não culposa de vícios ou irregularidades do respectivo acto. no interesse de outrem. leal e fiel das partes.html prescindir da culpa não pressupõe normalmente um acto ilícito. Temos a: a. 9. com sacrifício de uma seu direito ou interesse. Expoente máximo desta responsabilidade é o artigo 1367º. a quem tem a convicção de proceder rectamente seu prejudicar direitos alheios. Contar as quatro características das demais responsabilidades civis extra-contratuais. algo de psicológico. como por exemplo os negócios usurários – artigo 282º. Aqui é um princípio geral de direito. Só acontece nas circunstâncias e hipóteses especificadas na lei. É assim. como decorre do artigo 483º nº2. é sim um pressuposto para a aplicação ou não de uma norma. Responsabilidade civil por acto licito: emergente de fontes que constituem uma intervenção licita na esfera jurídica de outrém. que leva a lei a dispensar um tratamento de favor a quem actua com este estado de espírito. Em casos especiais. Aqui não está em causa a realidade psicológica da pessoa. correcto. b. mas o cumprimento dessas mesmas regras. uma perturbação ao seu direito possa obter uma indemnização. factos imputáveis ao lesante que deles tira proveito. ou seja.atspace. só que aqui o acto praticado é licito.

13. por falta de forma legal devido a ignorância ou mesmo dificuldades económicas. por palavras ou gestos sem sujeição a forma escrita. Principio da proibição de auto-defesa dos direitos próprios: este princípio decorre da estatuição a contrario dos artigos 336º e 339º.  Normas imperativas: são aquelas que impõem um certo comportamento – preceptivas. se realizar de um modo consensual. Negócios contra a lei: ofendem frontalmente uma proibição ou uma actuação legalmente determinada. b. celebrados contra disposição legal de carácter imperativo são nulos.atspace.http://apontamentosdireito. Com isto visa-se: a.html ordenamento contenta-se com a equivalência subjectiva. limitando-se aqui o direito a assegurar que não houve dolo. Mas tal principio ultrapassa o âmbito dos contratos. de negócios queridos pelas partes onde não há grande relevância de interesse público a existência de forma. Tutelar a confiança existente entre as partes. O artigo 294º abrange: a. Impedir a invalidade. como é estabelecido no artigo 202º CRP. Exemplo disso é o artigo 796º.com/index. É aos tribunais que compete o assegurar de direitos e interesses protegidos pela lei e o dirimir dos conflitos. atingindo o mesmo resultado por outros meios diferentes dos previstos pela lei. erro ou mesmo coacção. estendendo-se até ao direito da família (deveres de respeito e fidelidade recíprocas – 1672º) ou às sucessões (cada herdeiro só responde pelos encargos na proporcionalidade da quota que lhe tenha cabido – artigo 2098º nº1. b. que ambas as partes considerem as prestações equilibradas. em princípio. Facilitar e abreviar uma conclusão válida dos negócios jurídicos. ou proíbem determinada conduta – 21 . Principio da nulidade de actos e negócios jurídicos violadores de regras imperativas: o artigo 294º estabelece o principio pelo qual os negócios jurídicos e também os actos jurídicos. por força do artigo 295º. ou seja. 11. Este principio leva à consideração de uma distribuição justa dos encargos e dos riscos do contrato. proibindo-se assim a auto-defesa. Negócios em fraude à lei: contornam proibições ou actuação. Principio da liberdade declarativa: resulta do artigo 219º e alertanos para o facto de os negócios jurídicos poderem. o que não põe em causa as funções das forças de segurança pública como garante imediato dos direitos dos cidadãos cuja violação constitua crime – artigo 272º da CRP. 12. c.

duradouramente. estabilidade e conhecimento das mesmas a todos. se o legislador visa atacar as acções ou omissões em si ou situações que decorrem das mesmas.  Livro II – dos bens e das diferentes modificações da propriedade.atspace. que obedece a critérios sistemático – científicos. não sendo necessária a nulidade do contrato).com/index. ex – um contrato de trabalho que não respeita o horário legal é nulo porque a proibição que resulta da lei visa o próprio conteúdo do contrato. ordem. algo que resulta do contrato. as Afonsinas. Manuelinas e Filipinas. mas um contrato de compra e venda feito fora do horário de funcionamento do estabelecimento já é válido pois a proibição legal visa sobretudo não o contrato em si mas uma concorrência leal no comércio. terá de se analisar a ratio dessa mesma norma. Era composto por:  Um titulo preliminar sobre a publicação. em princípio. Quando a norma imperativa não é acompanhada de nenhuma sanção. o Os códigos modernos: a codificação num sentido moderno só aparece a partir dos finais do século XVIII. A Codificação do direito civil:  Generalidades: o As colectâneas legais: inicialmente o direito civil estava inteiramente ligado ao costume. a nulidade dos actos ou negócios que colidam com a mesma. efeitos e aplicação das leis. nascem. uma limitação à autonomia da vontade. exemplo Lei das XII tábuas que continha grande parte do ius civile romano da época arcaica. clareza. bastando para que se cumpra esse objectivo que o lojista pague uma coima. sendo ele a fonte inicial de todo o direito. caso também das nossas ordenações. será um diploma legislativo.html proibitivas e cuja violação implica.http://apontamentosdireito. saber (quais os interesses tutelados pela norma. que regula todo um importante sector ou ramo do direito. Sendo que aqui o excesso tenha de ser evitado porque se trata de uma limitação ao direito. o posterior Corpus Iuris Civilis mandado elaborar por Justiniano. assim as primeiras compilações de certas fontes diversas abarcando diversas matérias e que conferiam maior certeza. 14. Principio da proibição do abuso de direito: decorre do 334º. Sobretudo a partir da criação das primeiras cidades multiplicam-se as leis e com elas a necessidade de se saber quais as que se mantinham em vigora e as que seriam revogadas. Tratava-se de um comportamento adoptado pela comunidade com a convicção da sua obrigatoriedade. também chamado de Napoleão que com várias alterações ainda hoje continua em vigor. 22 . um código. Assim.  Livro I – das pessoas. No direito civil assume especial importância o código civil Francês de 1804.

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 Livro III – diferentes maneiras pelas quais se adquire a propriedade. Plano muito similar às Institutiones de Gaio e Justiniano, tem um carácter antropocêntrico, tem um baixo grau de abstracção, há separação entre o direito pessoal e o patrimonial, há ausência de uma parte geral  plano de GAIO ou ROMANO – FRANCES. Diferentemente o BGB, ou seja, o código civil Alemão de 1896 utiliza a classificação germânica, pandectistica ou plano de Savigny, tem uma parte geral e 4 partes especiais (obrigações, coisas, família, sucessões). o A questão da Parte Geral do Código Civil: a existência de uma parte geral no BGB foi um problema muito discutido. O argumento principal invocado contra a parte geral é a de que ela não passaria de um mero exercício teorético tornado lei já que a elaboração de uma verdadeira parte geral seria uma tarefa da ciência do direito. Este argumento é falacioso, já que a parte geral tem autonomia própria, tem – se sim, feito trabalho teorético sobre essa parte, algo que é legitimo. Além disso, a parte geral dos códigos e as disposições gerais de títulos, capítulos, etc, resultam de uma exigência técnica jurídica: de evitar repetições, fixando desde logo um conjunto de disposições gerais que teriam de ser repetidas em moldes idênticos em diferentes partes da lei, diz respeito a um catálogo de questões preliminares cuja solução afecta todas as regulamentações particulares que a lei estabeleceu. Acresce ainda o facto destes artigos da parte geral poderem e deverem ser modificados, introduzidos ou removidos pelas transformações da sociedade ou pela evolução do direito, ou seja, não são normas imutáveis. Pelo contrário devem-se adequar à realidade histórico-concreta. A parte geral pode, desta forma, ser mesmo lacunosa, sendo que a aplicação das normas desse parte geral não vale para todos os casos que não estejam comtemplados nas partes especiais, mas apenas para uma casos que caibam na letra e espírito das disposições da parte geral. No entanto, existindo essa parte geral permite enquadrar um numero maior de hipóteses do que um código sem parte geral. Não concordamos pois com Meneses Cordeiro ou Orlando de Carvalho que dizem que a parte geral apenas introduz uma grande abstracção no código e que afasta o código da pessoa humana, que dever ser seu objecto, estes autores não consideram que a própria norma jurídica para o ser verdadeiramente tem que revestir carácter geral e abstracto. Temos, no entanto, que ter um enorme cuidado na coordenação da parte geral com as partes especiais, já que as normas não se dispõem segundo um mero alinhamento ou continuidade, mas segundo uma ordenação (elemento sistemático da interpertaçao). Atendemos à seguinte classificação das normas: a) Gerais: as que correspondem a princípios fundamentais do sistema jurídico e estabelecem o regime regra das relações que disciplinam; b) Especiais: consagram uma disciplina nova para um conjunto de casos mas que não está em directa oposição com a disciplina geral;

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c) Excepcionais: regulam um sector restrito de relações com uma configuração particular, consagram uma disciplina oposta à que vigora para o comum das relações do mesmo tipo. Temos que conjugar as partes gerais com partes e normas especiais e ainda com normas excepcionais , exemplo: em matéria de negócios jurídicos em geral vale o 253º, mas para o casamento encontramos o 1636º, que só tem relevo no contexto do casamento. Ainda como argumento a favor de uma parte geral é o facto de os códigos que a tenham serem susceptíveis de adaptação às diversas mutações Constitucionais radicais, exemplo disto é o nosso código civil face à Constituição de 1976. Ver no livro do doutor Capelo (parte geral do CC) o O Código civil Português de 1867 e as reformas de 1930 e 1940: depois da Restauração foi apresentada ao Rei a ideia de se fazer um código que afastasse as ordenações Filipinas. No entanto, o Rei não acha necessário e as ordenações continuaram a vigorar, sendo o diploma que mais tempo vigorou no nosso País, 200 anos, até ao código de 1867. Com a revolução liberal de 1820 e com a exigência de novos princípios da ordem jurídica que respondessem aos valores nascidos da Revolução, há de novo a necessidade de se elaborar um código civil que possibilite esses valores do liberalismo. Só que à Revolução liberal seguira-se várias guerras civis com mudanças a nível Constitucional que não conferiam a estabilidade e condições para a elaboração de um código civil. Só a partir de 1850 se começa a pensar mais seriamente na elaboração de um código civil, com a participação na 1ª comissão elaboradora, de Coelho da Rocha, jurisconsulto da nossa faculdade, que utilizando o estilo Pandectistico Alemão (uma parte geral e 4 especiais) sistematizou as ideias liberais de Mello Freire. Mas o código de 1867 fica-se a dever a António Luís de Seabra, mais tarde Visconde de Seabra, que chamou a sai redacção do projecto como presidente da comissão. Tal foi o seu contributo para este código que o mesmo é conhecido pelo código de Seabra. Seabra, ao contrário de Coelho da Rocha, vai apresentar um modelo antropocêntrico com grande influência da Revolução Francesa mas também com um carácter original. Esta base antropocêntrica é claramente visível na sistematização: I- capacidade civil; II-aquisiçao de direitos; III- direito de propriedade; IV- ofensa de direitos e sua reparação. O código mostra também claramente a sua influência liberal com a sua visão ampla da liberdade contratual. O código vai posteriormente sofrer as mudanças que se identificam com a passagem a um Estado Republicano, sobretudo no que respeita ao direito da Família e sucessões, sobretudo, numa clara separação entre Estado e Igreja que se manifesta na instituição do casamento civil e também na permissão de divórcio. Estas mudanças não foram, porém, imediatamente integradas no código civil, numa clara preocupação de

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harmonização e sistematização vieram a ser integradas apenas em 1930 com a primeira reforma do código civil. Em 1940, já com o Estado Novo e com Salazar na sua máxima força, realiza-se a concordata entre Portugal e a Santa Sé, que imprimiu grandes mudanças sobretudo no direito da Família, com a admissão do casamento católico com valor jurídico-civil, não havendo necessidade também de se efectuar o casamento civil para que o mesmo tivesse valor jurídico civil. Aboliu-se ainda o divórcio para os casamentos católicos a partir de 1940, cabendo apenas aos tribunais canónicos declarar a anulação ou não de um casamento católico. A única possibilidade era o regime de separação de pessoas e bens, mas sem a possibilidade da pessoa se poder casar novamente. o O Código Civil de 1966: a reforma de 1977 e principais alterações: o primeiro passo tomado em 1944 com a nomeação de uma comissão à qual presidiu o professor Vaz Serra, jurisconsulto da nossa faculdade de direito. Esta elaboração de um novo código justificava-se por: a) Existência de enorme legislação avulsa; b) Inadequação das concepções do código às doutrinas e valores afirmados pelo Estado Novo. Os trabalhos estenderam-se por 22 anos até que o Ministro da Justiça Antunes Varela, o projecto do código civil, sendo o mesmo a ser aprovado em 15 de Novembro de 1966. Como grandes exemplos da modificação em relação ao código anterior no que respeita ao conteúdo, temos por exemplo a exigência das sociedades constituídas serem reconhecidas por uma entidade pública (forma de o Estado Novo controlar a sociedade e impedir a liberdade de expressão), a posição do homem como chefe de família, a posição mais favorável ao filhos nascidos dentro do casamento em relação aos nascidos fora deste. Em termos de estrutura temos a adopção do plano de Savigny ou sistematização Germânica (uma parte geral e 4 partes especiais). Vamos depois ter uma reforma em 1977 com a necessidade de adaptar o código civil à Constituição de 1976, exemplo disto é o da igualdade de direitos entre filhos nascidos dentro e fora do casamento, o princípio da igualdade entre homens e mulheres. No entanto a reforma de 1977 teve também algumas inovações como é o caso: a) Melhoria da posição sucessória do conjugue sobrevivo; b) Extinção da enfiteuse; c) Alterações ao nível do arrendamento, o que fez com que o mesmo saísse do código devido à profundidade do mesmo e também à frequência da sua mudança o que não conferiria estabilidade a esta disciplina, daí a sua remoção do código; d) A maior idade dos 21 anos para os 18 anos; e) Outras mudanças de menor vulto se seguiram visto que o código , embora vise a estabilização das normas não é imutável às transformações sociais, económicas e politicas e às novas descobertas.

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através de conceitos gerais e abstractos. tais como. 297º/1 Se estabelecer um prazo mais curto aplica-se aos prazos em curso mas só se começa a contar a partir da entrada em vigor da nova lei. embora bem definidos e determinados por força de um grande trabalho da doutrina e da jurisprudência. o O Estilo e a classificação das normas civis: Vejamos os três tipos e formulações legais: a) Casuístico: emissão de normas jurídicas prevendo o maior numero possível de situações da vida real. o RAU ou mesmo o direito real de habitação periódica. Tem na sua base a crença optimista da capacidade de prever todas as situações e assim subtrair ao arbítrio do julgador a decisão do conflito em causa. Temos como exemplos o código de registo civil ou o código do notariado. No entanto se a lei dispuser directamente sobre o conteúdo de certas relações jurídicas ela vai abranger as relações já constituídas e que subsistam aquando da sua entrada em vigor – artigo 12º nº2 – 2ª parte. Impossibilidade de regular casuisticamente todos os casos relevantes. Em relação às alterações de prazos através da lei. não há portanto ius imperi. O principio geral (a lei só dispõe para o futuro artigo 12º nº1 e nº2 1ª parte). Esta formulação era típica do direito romano. A tarefa do julgador é a de subsumir as situações da vida concreta à hipótese legal. Com excepção de se de acordo com a lei antiga faltar menos tempo. Tudo porque as normas se vão sucedendo no tempo. b. Temos depois vários códigos que complementam o código civil. rege o artigo 297º. b) Legal abstracto – generalizador: traduz-se na elaboração de tipos de situação da vida. Na lei civil temos as partes numa posição de paridade.atspace. podendo hoje uma norma ser substituída por outra. através de uma hipótese concretizada em casos reais e através de uma estatuição extremamente minuciosa. que é regulado pelo artigo 12º do nosso código.html o Legislação complementar do código civil: quando à legislação complementar há que distinguir dois tipos: as de leis civis e de leis não civis.com/index. Rápida desactualização destas leis por efeitos como a inflação ou a evolução tecnológica. surge. 297º/2 Se estabelecer um prazo mais longo também se aplica aos prazos em curso. No caso de leis civis temos vários diplomas que complementam o código civil. o problema da aplicação das leis no tempo. aparecendo entre nós com as ordenações do Reino.  A lei interpretativa é integrada na interpretada – artigo 13º. o Aplicação das leis civis no tempo: é muito importante saber quais as normas que se vão aplicar para as diversas situações. mas aqui começa-se a contar desde o momento inicial. No entanto so notórias as desvantagens deste estilo: a.http://apontamentosdireito. Estilo típico da jurisprudência dos 26 . desta forma.

o Classificação das normas civis:  Existem várias classificações de normas civis: a. c. Normas supletivas: podem ser afastadas pela vontade das partes. mas saber se o sujeito agiu honesta e honradamente depende de várias situações e o juiz tem grande margem discricionária. ou seja. dotando o nosso código de uma adaptação às várias situações da vida. Para atenuar isto mesmo foram introduzidas clausulas gerais e mesmo conceitos indeterminados. Normas imperativas: não podem ser afastadas pela vontade das partes.atspace. Existem dois tipos de linhas de orientação: a.html conceitos. conceito que deriva do principio bónus pater famílias romano que caracteriza um homem cujas capacidades são medianas. Este estilo assenta na consciência da impossibilidade de prever todas as hipóteses geradas na vida e na necessidade de atribuir algum carácter valorativo na intervenção do decidente aquando da sua aplicação da lei. mas sem uma zona nuclear segura e uma certa indeterminação da sua área e dos seus limites legais. este estilo apresenta uma falta de maleabilidade face à multiplicidade e complexidade da vida real por mais que os seus conceitos sejam gerais e abstractos.com/index. No entanto poderá levar. em razão de variedade da vida. levar o Juiz a decisões menos rectas para o caso concreto.  O nosso código civil adopta fundamentalmente o tipo de formulação mediante conceitos gerais e abstractos. c) Linhas de orientação: aqui o legislador limita-se a estabelecer módulos de apreciação. Como exemplo de um conceito indeterminado temos o artigo 487º nº2 – a diligência de um bom pai de família. Este método possibilita um maior grau de segurança e razoabilidade das soluções. doseando a necessidade de certeza e segurança com uma preocupação de justiça para todos os casos concretos. Aqui a hipótese e a estatuição não estão definidas por caracteres limitados. Conceitos indeterminados: são conceitos imprecisos e maleáveis com características dos pressupostos de facto de uma norma. b. b. Aqui não há subsunção ou dedução mas indução. de acordo com a jurisprudência dos valores.http://apontamentosdireito. É o problema das lacunas. Cláusulas gerais: recorremos a critérios valorativos de apreciação. O juiz no acto de aplicação da lei tem uma grande margem de discricionariedade. É um conceito muito indeterminado que faz apelo a critérios valorativos face a cada caso concreto. No entanto. Normas gerais. grande exemplo de uma cláusula geral é a da boa fé presente no artigo 762º nº2 (temos aqui a boa fé em sentido objectivo. especiais e excepcionais (já analisamos ver atrás) 27 . Como grande exemplo deste estilo temos o código civil Suíço de 1907. de situações juridicamente relevantes que não encontram na lei uma solução expressa.

contrapõe-se-lhe. Aqui se o devedor. o credor. no caso da contraparte não cumprir o dever jurídico a que está adstrita. em que o titular do direito não pode reagir contra o adversário se este não adoptar o comportamento que lhe é prescrito. a lei trata a situação como se o comportamento lhe tivesse podido ser exigido. temos a teoria geral do ordenamento jurídico civil: diz respeito às normas gerais do código civil. o A relação jurídica civil: a. na posição passiva. ou seja.  Conteúdo da relação jurídica: o Direitos subjectivos propriamente ditos ou stricto sensu: é o poder jurídico reconhecido pela ordem jurídica a uma pessoa de livremente exigir ou pretender de outrém um comportamento positivo (acção) ou negativo (omissão). no entanto. de uma divida de jogo ilícito – artigo 1245º.http://apontamentosdireito. Há aqui uma dicotomia entre o poder de exigir e o de pretender: Poder de exigir: na quase totalidade das hipóteses o titular do direito subjectivo. cumprir espontaneamente. o dever jurídico. concentradas nos artigos 1º a 13º cc. paradigma ou esquema contido na lei. Por outro lado a teoria geral da relação jurídica civil. Podemos considerar a expressão relação jurídica com referência a uma relação existente na realidade entre pessoas determinadas. São. Podemos considerar a expressão relação jurídica com referência a um modelo. a necessidade de realizar o comportamento a que tem direito o titular activo da acção. relação pela qual o inquilino deve pagar a renda ao senhorio).atspace. aí estamos perante uma relação jurídica concreta (ex. Conceito e conteúdo: Relação jurídica: é o vínculo normativo. de um direito potestativo ou de um poder – dever e imposição a outra pessoa de um dever jurídico ou uma sujeição correspondente. porque se o sujeito passivo cumprir voluntariamente. disciplinado e garantido pelo direito civil que une entre si sujeitos de direito. É o caso das obrigações naturais reguladas nos arts.com/index. pode recorrer aos tribunais para deles obter as providencias necessárias coercivas aptas a satisfazer o seu interesse. 402º e 403º. aí estamos perante uma relação jurídica abstracta (ex. aplicação do direito em relação com a realidade social que é também objecto de normas jurídicas. o senhor A pode exigir do inquilino B a renda de 150 euros pelo arrendamento do quarto x). que estabelecem vários princípios acerca das normas jurídicas. sobre um objecto determinado e de um facto jurídico determinado. Poder de pretender: há um círculo restrito de hipóteses. por exemplo. que não podia 28 . deveres jurídicos.html o O âmbito da Teoria geral do direito civil: por um lado. mediante a atribuição a uma pessoa de um direito subjectivo propriamente dito.

 Podem ser: 1.http://apontamentosdireito. Modificativos: produzem uma simples modificação numa relação jurídica existente e que continuará a existir apesar de modificada (exemplo. contrapõe – se – lhe. Contraposto aos direitos potestativos temos a sujeição.atspace. diversamente do dever jurídico. ou integrado por um acto de uma autoridade pública. Constitutivos: produzem a constituição de uma relação jurídica por acto unilateral do seu titular (exemplo – constituição de servidão de passagem em beneficio de prédio encravado – artº 1550º). na posição passiva. Os deveres jurídicos podem ser: 1Pendentes sobre uma ou mais pessoas determinadas e. o direito de obter o divorcio – art. a sujeição. 1773º). então falamos de direitos absolutos – erga omnes.Mota Pinto. falamos de direitos relativos. reconhecido pela ordem jurídica. o Direitos potestativos: é o poder jurídico. Lado passivo dos direitos subjectivos strictu sensu e dos direitos potestativos: Contraposto aos direitos subjectivos propriamente ditos temos o dever jurídico. trata-se de uma necessidade inelutável. não podendo o sujeitado violar ou infringir essa situação mesmo que esta vá contra a sua vontade. separação judicial de pessoas e bens – art 1795º-A). Aqui. Há uma colaboração do sujeito do dever para que e cumpra esse direito. 3. goza da soluti retentio. 2No caso de alguns deveres jurídicos de abstenção pendentes sobre todas as pessoas. 2. Aqui o sujeito do dever. um poder que é da vontade e que o seu titular poderá usar livremente e impor aos outros  é a posição defendida por Savigny e pelo Dr. pode conservar a prestação recebida.com/index. Enquanto que o devedor não tem a possibilidade de repetir. a uma pessoa de por um acto de livre vontade. produzir determinados efeitos jurídicos que inevitavelmente se impõe ao sujeito passivo. Teoria da vontade e teoria do interesse: ao definirmos direito subjectivo propriamente dito ou direito potestativo definimo-lo como um poder jurídico. então. só de per si. tem a possibilidade prática de não cumprir. Extintivos: produzem a extinção de uma relação jurídica existente (exemplo. a situação de necessidade em que se encontra o sujeito passivo de ver produzir – se forçosamente uma consequência na sua esfera jurídica por efeito do exercício do direito pelo seu titular. embora se expondo a sanções. ou seja. 29 . não tem a condictio indebiti.html exigir judicialmente um pagamento.

o poder paternal).  Elementos da relação: Sujeito: são as pessoas entre quem se estabelece o vínculo respectivo: os titulares do direito subjectivo stricto sensu ou do direito potestativo e das posições passivas correspondentes. extingue-se por confusão como nos refere o artigo 868º. Orlando de Carvalho dizem que se trata da expressão de interesses juridicamente protegidos. São pessoas já que a personalidade jurídica é a susceptibilidade de ser titular de direitos e obrigações. Há que dizer que só em casos extremos de clamorosa e manifesta contrariedade entre o exercício do direito e o seu fim social ou económico.atspace. Podem ser objecto de relações jurídicas: a) outras pessoas. Não é o conjunto formado pelo direito subjectivo e o correspondente dever jurídico. Se existir apenas uma não há relação jurídica. 2Objecto: aquilo sobre que incidem os poderes do titular activo da relação jurídica. Os poderes-deveres visam sobretudo a defesa dos interesses do sujeito passivo. É aquilo sobre que incidem os poderes do titular desse direito subjectivo. b) coisas corpóreas. Estes poderes não podem ser exercidos se o seu titular quiser e como quiser. ou seja. o dever jurídico e a sujeição. característica que não pode ser imputada ao nosso sistema jurídico. Algo com o qual não concordamos devido à estrita funcionalização que faz dos direitos. c) coisas incorpóreas. e) outros direitos. de ser titular de relações jurídicas. É condição ou pressuposto da sua existência. Assim.com/index. mas do modo exigido pela função do direito (exemplo. fixando o objecto dos direitos das partes e o conteúdo dos mesmos. d) modos de ser da própria pessoa. podendo essas pessoas ser singulares ou colectivas. o Poderes – deveres: só há direitos subjectivos quando o exercício do poder jurídico está dependente da vontade do seu titular. Se não forem exercidos quando deviam sê-lo ou forem exercidos de outro modo o seu titular infringe um dever jurídico que é passível de sanções (exemplo. por falta dessa liberdade de actuação é que os poderes-deveres não são direitos subjectivos. Como se desencadeia a energia jurídica contida na lei. estes formam o conteúdo da RJ. o exercício desse direito é ilegítimo por força do artigo 334º que consagra a doutrina do abuso do direito.html Diversamente Iherny e entre nós o Dr. Tem um papel condicionante no surgimento da relação jurídica. Para além de condicionar a relação jurídica vai modelar o conteúdo da relação jurídica. ou seja. Facto jurídico: é todo o facto produtivo de efeitos jurídicos. 1- 3- 30 . públicas ou privadas. inibição do poder paternal).http://apontamentosdireito. para haver uma relação jurídica civil é preciso existir mais do que uma pessoa.

A justiça privada. a legitima defesa é um meio preventivo dirigido a afastar a agressão iminente em inicio de execução mas ainda não consumada. nos termos do artigo 619º. A prisão por dívidas foi suprimida em 77. ao contrário da acção directa. Diferentemente é a legitima defesa presente no 337º. sendo que nesta última.com/index. O facto ilícito civil. Nos direitos potestativos podemos dizer que há uma garantia mais forte do que nos direitos subjectivos stricto sensu. ilícita. ou seja. b) Relação jurídica complexa: trata-se de uma série de relações jurídicas singulares. é.http://apontamentosdireito. não desencadeia a aplicação de uma pena. intentará uma acção. Há que referir que a garantia não protege o titular do direito apenas no caso de violação do seu direito. normalmente. como é o caso do arresto de bens. ou seja. uma série de direitos subjectivos propriamente ditos ou direitos potestativos e deveres jurídicos ou sujeições correspondentes. A sua forma mais frequente é a indemnização dos danos causados ao titular do direito. ao sujeito passivo do dever jurídico ou sujeição correspondentes. mediante atribuição ao sujeito activo de um direito subjectivo propriamente dito ou de um direito potestativo. em movimento sob o impulso do titular do direito subjectivo violado ou ameaçado. em que a outra parte não pode infringir esse direito. no entanto. o que está excluído será o recurso à força própria para obter satisfação. o titular não pode reagir e obter ressarcimento pelas vias de facto. Excepcionalmente a auto-defesa dos direitos pode ser lícita. desde que respeite os pressupostos aí presentes. como tal. porque enquanto a acção directa supõe uma acção já consumada e é um meio repressivo. este não poder o obrigado repetir o que haja prestado. que esta supressão fosse acompanhada de medidas sucedâneas de tutela.atspace. de forma a obter a satisfação do seu direito. sendo que sempre que possível se procederá à reconstituição natural. assim. Em princípio. e. Dando-lhe mesmo a possibilidade através de acções de simples apreciação por termo em juízo à situação de dúvida sobre a existência do seu direito. Procurou-se. A garantia da Relação jurídico privada só entra. Falamos da solutio redentio. Nas obrigações naturais existe igualmente o elemento garantia. Para a tutela de um direito o seu titular deve requerer perante os tribunais a providência adequada. conexionadas ou unificadas por um qualquer aspecto (exemplo. como é patente pelo artigo 336º (acção directa).html Garantia: é o conjunto de providências coercitivas postas à disposição do titular activo de uma RJ. o defendente pode lesar interesses superiores aos interesses ameaçados. A relação entre o comprador e o vendedor de uma máquina não contém só o dever 4- 31 . já que é uma garantia infalível.  Classificação das relações jurídicas: a) Relação jurídica simples ou singular: relação existente entre dois sujeitos. Protege-o ainda contra ameaças ou receios legítimos de infracção do dever jurídico como é visível no artigo 619º. lesado por um obrigado que o infringiu ou ameaça infringir.

O ordenamento no caso do ónus não desaprova o seu não acatamento.com/index. mas se não o praticar não realizará certo interesse. etc)  Outras figuras jurídicas: a) Ónus: necessidade de observância de determinados comportamentos para a realização de um interesse próprio. ele pode praticar ou não um certo acto. ou outros vínculos. correspondente a um estádio de um processo complexo de formação sucessiva de um direito. 32 . Embora nestas relações possa haver lugar a uma indemnização a título de compensação. d) Relações jurídicas acessórias: estão dependentes da relação jurídica principal. h) Relações jurídicas não dominiais: não há poder do titular activo dispor livremente do objecto. É uma situação em que se verifica a possibilidade juridicamente tutelada de aquisição futura de um direito.atspace. e) Relações jurídicas patrimoniais: são susceptíveis de avaliação pecuniária. exemplo as obrigações naturais. estando já parcialmente verificado o facto jurídico constitutivo desse direito. juridicamente tutelada. de serem titulares autónomos de relações jurídicas. o onerado ao não acatar o ónus não infringe nenhum dever nem a sua conduta é ilícita. como deveres acessórios de o vendedor guardar a máquina ou deveres laterais do vendedor informar o comprador do modo de funcionamento da máquina. exemplo a fiança. g) Relações jurídicas dominiais: há poder do titular activo dispor livremente do objecto jurídico. b) Relações jurídicas imperfeitas: têm apenas um embrião de garantia jurídica. c) Relações jurídicas principais: são autónomas. exemplo no caso do suicídio. f) Relações jurídicas não patrimoniais ou pessoais ou extrapatrimoniais: não são susceptíveis de uma avaliação pecuniária. Aqui o onerado não deve. o ónus da prova. Trata-se de uma verdadeira expectativa jurídica e não de uma expectativa de facto pois a lei protege a sua posição. ao contrário do que acontece com o dever jurídico em que há nítida desaprovação. é desta forma diferente do dever jurídico.html de pagar o preço e o direito ao preço. mas torna o devedor credor da entrega da máquina. mas perde ou deixa de obter uma vantagem. b) Expectativa jurídica: situação activa. não estando dependentes de outras relações jurídicas.  Outras classificações: a) Relações jurídicas perfeitas: têm plena garantia jurídica.http://apontamentosdireito. Exemplo.  Pessoas singulares e pessoas colectivas: personalidade e capacidade: Sujeitos de direito: são os entes susceptíveis de serem titulares autónomos de direitos e obrigações.

Todo o sujeito para além de um círculo mínimo de direitos patrimoniais que só teoricamente poderão faltar. a capacidade jurídica para o exercício de direitos pode faltar a uma pessoa singular. exercendo direitos ou cumprindo deveres. A incapacidade pode ser genérica (refere-se a actos jurídicos em geral) ou específica (refere-se a actos jurídicos em especial). adquirindo direitos ou assumindo obrigações. nem anterior. com mais ou menos restrições de relações jurídicas. A capacidade para o exercício de direitos é reconhecida aos indivíduos que atinjam a maioridade – artigo 130º.http://apontamentosdireito. Aptidão que vem regulada no artigo 66º. Há outras incapacidades como a dos interditos – artigo 138º e a dos inabilitados – artigo 152º. ou seja. A pessoa dotada de capacidade de exercício actua pessoalmente. À personalidade jurídica é inerente a capacidade jurídica ou capacidade de gozo de direitos: é essa aptidão para ser titular de um circulo. Actua autonomamente já que também não carece de consentimento de ninguém. As pessoas singulares têm uma capacidade jurídica mais ampla do que as pessoas colectivas como facilmente se depreende da comparação dos artigos 67º e 160º. Esta aptidão é própria das pessoas singulares. A diferença é que essa capacidade pode ser mais ou menos restrita. Mas também as pessoas colectivas têm personalidade jurídica como resulta do artigo 158º. devem estar desprovidas de capacidade de exercício as pessoas que por várias razões não possam determinar com normal esclarecimento ou liberdade interior os seus interesses. Nem só os menores são incapazes para o exercício de direitos – artigo 123º. não carece de ser substituída na prática de actos que põem em movimento a sua esfera jurídica. que deriva de uma exigência do direito em respeitar a dignidade que deve reconhecer a todos os seres humanos. nem posterior ao acto.com/index. ele é necessariamente titular de um círculo de direitos de personalidade. por qualquer representante designado na lei ou em conformidade com ela.atspace. Ao contrário da capacidade de gozo de direitos. Faltando essa aptidão para actuar pessoal e autonomamente teremos uma incapacidade de exercício de direitos que pode ser suprida pela representação legal ou pela assistência. um representante escolhido pelo próprio representado. 33 .  Capacidade jurídica para o exercício de direitos: Capacidade para o exercício de direitos: é a idoneidade para actuar juridicamente. sendo-se sempre pessoa. ou seja. por acto próprio e exclusivo ou mediante um representante voluntário ou procurador. Assim.html A personalidade jurídica é essa aptidão para ser titular autónomo de relações jurídicas. Tudo porque esta capacidade para agir supõe uma capacidade de querer e entender.

sobretudo activo mas também passivo. No entanto certas situações parecem só poder ser juridicamente enquadradas numa categoria de direitos sem sujeito. PROBLEMA DA EXISTENCIA DE DIREITOS SEM SUJEITO – LIVRO: Há situações jurídicas em que. a inexistência de direitos sem sujeito. já que o poder pressupõe um titular e o (dever) a vinculação um suporte. já que todo o poder implica necessariamente um titular e todo dever um suporte. de doação ou sucessão a favor de nascituro não concebido ou concepturo (952º e 1 Herança jacente: herança aberta pela morte de uma pessoa singular mas ainda não aceite pelos seus herdeiros familiares nem declarada vaga para o Estado – 2046º. está confuso. de direitos sem sujeito. Assim.com/index. As situações anteriormente descritas seriam estados de vinculação de certos bens em vista do surgimento futuro de uma pessoa. falta um dos sujeitos jurídicos. no caso da herança jacente (2046º) até tal aceitação ou declaração (2050º e 2155º). 34 .atspace. Outros autores falam de relações jurídicas imperfeitas já que é um caso de provisória inexistência do sujeito. assim. consideram que o direito subjectivo se traduz num poder e como tal tem de pertencer a alguém e o mesmo para a obrigação. Windscheid afirmava a existência. já que defendendo a teoria da vontade. Lehmann.http://apontamentosdireito. pelo menos aparentemente. Além disso. É o caso de atribuição de bens por doação ou sucessão “mortis causa” a um nascituro (aquele que já foi gerado mas ainda não nasceu) ou até a um concepturo (aquele que ainda será gerado) em que parece não haver titular activo entre o momento da doação ou morte e do nascimento do beneficiário que fará surgir a pessoa jurídica. Pode também haver situações de aparência da falta do sujeito passivo. sendo que apenas a herança responde por esta dívida e não os bens pessoais dos herdeiros. admitindo.html (Nota: nesta parte está problema dos direitos sem sujeito segundo uns apontamentos. O mesmo acontece com a situação de direitos que integram a herança entre a morte do cuius e aceitação da herança  período de herança jacente1. o caso da herança jacente constitui um património autónomo em que os credores têm possibilidade processual de executar estes bens. a seguir está a transcrição do livro do doutor Capelo)  O problema dos direitos sem sujeito: (segundo apontamentos) (passar á frente está confuso. Manuel de Andrade e Mota Pinto negam a possibilidade lógica da existência de direitos sem sujeito. ver em baixo segundo o livro) Toda a relação jurídica tem de estar conexionada com um sujeito. é o caso das obrigações do de cuius incluídas na herança jacente. Conferir os artigos 952º e 2033º. Com um direito sobre eles esse objecto não estaria integrado em nenhuma relação jurídica mas também não seria livre já que estava a ser objecto de uma tutela jurídica que o reservaria para um provável direito futuro. nestes casos. sendo um absurdo essa possibilidade.

em termos de o respectivo poder jurídico.Há que ter muita prudência na analise de outras eventuais eventualmente semelhantes. Trata-se de um problema teorético. Doutrina divide-se quanto à existência ou não de direitos sem sujeito: Manuel de Andrade e Mota Pinto entendem que estamos perante «meros estados de vinculação de bens em vista da possível superveniência de titulares para eles» uma vez que o direito subjectivo pressuporia sempre a ligação do direito a uma determinada pessoa. a partir dos dados do nosso sistema legal.http://apontamentosdireito.a )enquanto este não nascer o não houver posibilidade de nascer. a resolver. faltará ou ainda faltará o sujeito passivo de uma obrigação contraída por uma pessoa entretanto falecida e cuja herança se encontra jacente. excepcionalmente. Castro Mendes e Oliveira Ascensão consideram haver nestes casos direitos subjectivos sem sujeito. mecanismos jurídicos cuja melhor construção doutrinaria será a de direitos subjectivos sem sujeito. Entende-se por nascimento a separação do filho do corpo materno. quando a ordem jurídica face a especiais interesses em jogo. Por outro lado. a) Inicio: começo da personalidade jurídica vem estabelecida no artigo 66º nº1. Algo que nas pessoas singulares corresponde a uma exigência do direito. O nascimento completo dá-se com a separação total do filho relativamente à mãe e 35 . Diferente. quase clássicas acima referidas. bem como os correlativos deveres ou sujeições jurídicos.html 2033º nº2 al.Na linha de Orlando de Carvalho « o núcleo de poderes sobre os bens se encontre definido» ou como cremos melhor. O sistema pode admitir para certos casos. por razoes muito especiais. permite manter ou organizar antecipadamente tal estrutura.atspace. de construção doutrinal. bem como no caso de abandono de um titulo ao portador (acção de uma sociedade anónima ou bilhete cinema. na sua exacta configuração. Parecem ser essas as situações jurídicas.com/index. Orlando Carvalho. PESSOAS SINGULARES  Personalidade jurídica: aptidão para ser titular autónomo de relações jurídicas. até ser encontrado ou ter caducado). respeitar a dignidade que se tem de reconhecer a todos os seres humanos. que se encontrem já estruturados o conteúdo e o objecto de determinados poderes jurídicos de exigir ou pretender o comportamento de outra(s) pessoa(s) ou de intervir inelutavelmente na esfera jurídica de outra pessoa. A personalidade jurídica vai adquirir-se no momento em que a separação se dá com vida e de modo completo. sendo certo que os sucessíveis aceitantes virão a responder por tal obrigação. A concepção que perfilhámos de direito subjectivo consubstancia-se em um poder jurídico distinto do poder material efectivo pelo que não nos parece inseparável da titularidade sempre actual de uma determinada pessoa. ficar predisposto a ser adquirido por um ser dotado de personalidade jurídica ou a extinguir-se.

Sendo que essa morte pode ser natural ou presumida – 36 . ainda que a sua sobrevivência não seja viável. Se no entanto. Assim. fora do útero materno. por exemplo. o feto agredido no ventre da mãe não chega a nascer com vida. mesmo que pouco tempo à mãe ele é herdeiro desta e se ele morrer de seguida o herdeiro é o pai. A nossa lei não exige: o nascimento com figura humana. nos termos do artigo 66º nº1. já que estão dependentes do seu nascimento. Morte: nos termos do artigo 68º nº1 a personalidade cessa com a morte. Assim. por exemplo este não se enrole à volta do pescoço da criança. Ver melhor o livro do doutor Capelo de Sousa pagina 265 e ss.atspace. Esse direito não pressupõe uma atribuição de personalidade jurídica ao nascituro. um filho pode pedir indemnização pelas deformações físicas ou psíquicas que sofra no ventre da mãe causados. c) Termo da Personalidade jurídica: a. Assim. basta que a criança nasça completamente e com vida. Até ao nascimento estaremos perante a problemática dos direitos sem sujeito. por um medicamento. Nascimento com vida: quando há respiração do nascido fora do corpo da mãe. Há hoje processos médico – legais para determinar se o recém nascido respirou ou não após o parto. que no entanto estão dependentes do seu nascimento completo e com vida.com/index. O artigo 66º nº2 diz-nos que os direitos reconhecidos por lei aos nascituros dependem do seu nascimento. Este corte pode ter lugar antes da separação total do corpo materno para que. os herdeiros desta são o marido e também os seus pais. prazo de viabilidade de sobrevivência. Algo que é bastante importante em matéria sucessória. se a criança pelo contrário nasce morta ou morre antes da mãe. apesar de não terem ainda PJ e não serem como tal sujeitos de direito.html ao seu corpo com o corte do cordão umbilical. já que só no momento do seu nascimento (completo e com vida) é que o dano se consuma. apesar da agressão que o desencadeia seja anterior. Para este caso a melhor doutrina será a que nos refere que os nascituros têm uma personalidade jurídica parcial. Por exemplo se a mãe morre no parto e o filho nasce vivo e sobrevive. algo que era exigido pelo código de Seabra com o fundamento lendário de que uma mulher poderia gerar monstros.http://apontamentosdireito. Neste caso não há ainda separação completa. não terá direito a essa indemnização (Capelo de Sousa diz que os pais têm pois não faria sentido premiar o melhor assassino) (???). b) Condição jurídica dos nascituros: a lei permite que se façam doações aos nascituros concebidos ou não concebidos (concepturos) – artigo 952º e se definam sucessões quanto aos concebidos – artigo 2033º nº1 e apenas testamentária ou contratual quanto aos não concebidos – artigo 2033º nº2. a nossa lei reconhece aos nascituros direitos.

b. por exemplo no direito Inglês presume-se a premoniencia do mais velho. já que se trata de uma protecção de interesses e direitos de pessoas vivas que sejam afectados por actos ofensivos da memória do falecido. sobretudo no que respeita a efeitos sucessórios. então.http://apontamentosdireito. ou seja. Sendo julgada a justificação. vem determinar regras que permitam concluir a verificação do óbito para efeitos de recolha de tecidos ou órgãos quando há lesão irreversível do sistema nervoso central.  A capacidade jurídica: 37 . Desaparecimento da pessoa: este desaparecimento vem regulado no artigo 68º nº3. Presunção de conivência: no artigo 68º/2 consagra-se uma presunção de comonivencia. Esta presunção tem grande importância prática. não se verificando fenómenos de transição entre os comonientes. No momento da morte a pessoa perde os direitos e deveres da sua esfera jurídica. Outras ordens jurídicas consagram a presunção de premoniencia. extinguindo-se os de natureza pessoal e transmitindo-se para os sucessores os de natureza patrimonial. passando a quota do filho que veio a morrer para os seus herdeiros.com/index. c. a herança é dividida pelos dois filhos. No que diz respeito à morte biológica hoje as modernas técnicas de reanimação levam a pôr em causa o critério tradicional do momento da morte: paragem cardíaca. o conservador lavrará o assento do óbito com base na sentença.atspace. já que essa recolha e operações de transplante exigem a colheita antes da paragem circulatória e respiratória. No caso. Sendo que o artigo 71º nº1 não é um desvio à cessação da personalidade com a morte. requerer-se-á a invalidação ou rectificação desse assento. por prova em contrário. (questão abordada no capitulo dos direitos de personalidade). Aplicando-se a esses casos as regras da morte presumida (artigos 114º ss). dando-se hoje relevo à morte cerebral. circulatória e respiratória.html artigo 114º. de morte simultânea. Exemplo. de não se encontrar ou não ser possível identificar o cadáver é aberto o processo de justificação judicial do óbito a cargo do MP. Concorda com esta posição o Dr Mota Pinto tendo uma posição contrária os Drs Pires de Lima e Antunes Varela que vêm nesse artigo uma protecção aos direitos de personalidade depois da morte do seu titular. mas se provar que o filho morreu algumas horas depois. casal que tem dois filhos e num acidente morre o casal e um dos filhos. Se as mortes são simultâneas o outro filho sucede na totalidade da herança. se mais tarde se verificar que terá havido engano. Tratando-se de uma presunção elidível. Uma portaria de 71 embora não venha a definir legalmente o momento da morte.

é assim que o código se refere a estas situações no artigo 953º  as pessoas abrangidas nestas proibições têm plena capacidade para a pratica de quaisquer actos.http://apontamentosdireito.  A incapacidade de gozo provoca.com/index. 38 . No código de 1867 a incapacidade dos interditos por prodigalidade / já que não existia a inabilitação era vista pela doutrina como instituída no interesse de outras pessoas. como a contida no artigo 877º ou 261º.Capacidade jurídica de exercício: a regra geral é a de que todas as pessoas singulares maiores e emancipadas têm plena capacidade de exercício de direitos. E é insuprível. Estabelece também a nulidade de certas doações quando feitas a determinadas pessoas. b) Não existem prazos para a sua invocação. não pela sua categoria genérica mas em razão de uma certa relação com o objecto do negócio e com a outra parte. os negócios não podem ser concluídos por outra pessoa em nome do incapaz. II. sendo-lhes simplesmente vedada a prática de certos negócios . Temos as seguintes incapacidade de gozo: a) Incapacidades nupciais: impedimentos dirimentes absolutos e relativos  artigo 1601º e 1602º. A incapacidade de exercício provoca a anulabilidade dos negócios jurídicos respectivos: a) Só pode ser invocada por aquelas pessoas no interesse das quais a lei estabelece a anulabilidade. Trata-se de uma indisponibilidade relativa pois há só uma restrição do poder de disposição em certa direcção. Estas situações não são de absoluta incapacidade .Capacidade jurídica de gozo: a regra geral é a da capacidade jurídica. embora por reflexo servisse também o interesse do pródigo. c) Pode ser declarada pelo tribunal ex officio. regra geral a nulidade dos negócios jurídicos respectivos: a) Pode ser invocada por qualquer interessado. como nos refere o artigo 67º. Neste sentido Santono Passanelli e Manuel de Andrade. nem por este com autorização (……) O nosso código civil estabelece certas proibições no domínio da compra e venda em razão dos sujeitos. Sendo que o mesmo artigo nos alerta para algumas restrições: incapacidades de gozo que são excepções a esta regra geral. isto é. definidos. Hoje o instituto da inabilitação é visto como algo do interesse do próprio inabilitado. As incapacidades de exercício são excepcionais e são estabelecidas expressamente pela lei. de interditos por anomalia psíquica e dos notoriamente dementes no momento da perfilhação  artigo 1850º.atspace.html I. c) Incapacidade para perfilhar dos menores de 16 anos. como a que força do artigo 953º e é estabelecida no artigo 2192º. O interesse determinante das incapacidades é o interesse do próprio incapaz. b) Incapacidade de testar dos menores não emancipados e dos interditos por anomalia psíquica  artigo 2189º. algo que resulta dos artigos 130º e 133º.

 Podem contrair validamente casamento. em vez dele.  Podem fazer testamento se emancipados (2189º). nº1 al. As pessoas com legitimidade para requerer a anulabilidade são: 2 Esses prazos só funcionam se o negócio estiver cumprido. nº1 al. se tiver sido operada a modificação da situação factual.com/index. salvo se estiver pendente contra o menor ao atingir a maioridade uma acção de interdição ou inabilitação (artigo 131º).  Negócios relativos à profissão e ao seu exercício (127º.Incapacidades de exercício: a) Menoridade: 1. 132º e 133º). Os menores sofrem de uma incapacidade genérica já que abrange negócios de natureza pessoal ou patrimonial. b CC). portanto. com autorização dos pais podem trabalhar. não é portanto um representante voluntário no sentido em que não é escolhido pelo representado. 2. III.http://apontamentosdireito. c) Para o negócio ser anulado tem de haver uma acção intentada não se procedendo ex officio .Efeitos: os negócios jurídicos praticados pelo menor contrariamente à proibição em que se cifra a incapacidade estão feridos de anulabilidade (125º). Não actua. impliquem apenas despesas ou disposições de bens de pequena importância (127º. 39 . e é suprível não podendo os negócios ser realizados pelo incapaz ou por um seu procurador . pois é designada pela lei ou em conformidade com esta. desde que tenham idade superior a 16 anos (1601º). Aqui há uma autonomização ao incapaz a agir pertencendo a iniciativa ao próprio incapaz. b) Assistência: a lei admite o incapaz a agir. mas exige o consentimento de certa pessoa ou entidade.Amplitude: esta incapacidade cessa com:  Maioridade (130º. (ver melhor). 129º.  Podem perfilhar se tiverem mais de 16 anos (1850º).  Negócios próprios da vida corrente do menor.html b) Existem prazos para a sua invocação2. Por exemplo a compra de uma caneta. c CC). a CC). a pessoa é denominada representante legal.  Emancipação que hoje apenas resulta do casamento (arts. ou seja. que estando ao alcance da sua capacidade natural. a anulabilidade pode ser requerida sem dependência de prazo – artigo 287º nº2. no entanto excepções à incapacidade:  Actos de administração ou disposição de bens que o menor adquiriu pelo seu trabalho (127º. mas podendo sê-lo através de meios destinados ao suprimento da incapacidade que cito: a) Representação: é admitida a agir outra pessoa em nome e no interesse do incapaz.atspace. daí que terão capacidade para administrar os bens que adquirem pelo seu trabalho (salário) e os que adquirem através do salário. a oposição dos pais ou do tutor constitui um impedimento impediente e como tal não implica a nulidade do acto (1604º). Existem. caso contrário. mas dá lugar à aplicação de sanções especiais (1649º). nº1 al. Tudo porque os maiores de 14 anos.

al. à aplicação do princípio da proibição do venire contra factum proprium. nº1. visto que estes são meros continuadores da esfera jurídica do de cuius. No entanto.Suprimento: a incapacidade do menor é suprida pelo instituto da representação sendo os meios de suprimento os seguintes:  a) Poder Paternal: o seu conteúdo está regulado no artigo 1878º. como facilmente se depreende do 125º. este domínio reflecte-se relativamente à pessoa dos filhos  1885º e ss e relativamente aos bens do filho 1888º e ss.b). As suas limitações estão presentes nos 40 .atspace. O tutor tem poderes de representação. abrangendo.com/index. o menor não é o único com legitimidade para requerer a anulabilidade. O direito de invocar a anulabilidade é precludido pelo comportamento malicioso do menor no caso de este ter usado de dolo (253º) a fim de ser fazer passar por maior ou emancipado (126º). Comuns ao poder paternal pessoal e patrimonial são o poder de representação (1878º e 1881º) e o poder de autoridade que os filhos devem obediência (1878º nº2). al. tal como os do pai.  c) Qualquer herdeiro num ano a contar da morte sem que ultrapasse um ano da sua maioridade ou emancipação (125º. pois aqui o que merece relevo é a tutela do interessa da contra-parte que não pode ser prejudicada. As reacções aos artigos referidos geram a anulabilidade dos respectivos actos nos termos do artigo 1893º. donde resulta imediatamente o facto do poder paternal pertencer aos pais não atribuindo poderes especiais ao pai ou à mãe. 3. No entanto. o artigo 1889º refere-nos actos cuja validade depende de autorização do tribunal. o poder tutelar é menos amplo que o poder paternal. mas nunca depois do menor atingir a maioridade ou seja emancipado (125º. a generalidade da esfera jurídica do menor. o artigo 1892º estabelece outra proibição.  b) O próprio menor no prazo de um ano após a maioridade ou emancipação (125º.  b) Tutela: é o meio normal de suprimento do poder paternal.nº1. Assiste-se aqui. deve ser instaurada sempre que se verifique alguma das situações previstas no artigo 1921º.  Orlando de Carvalho e Antunes Varela: dizem que os representantes poderão requerer essa anulabilidade porque o relevante é a tutela dos interesses do incapaz que são tutelados pelo exercício do poder paternal.http://apontamentosdireito. visando a lei proteger essas expectativas. A doutrina vai divergir em relação aos representantes:  Mota Pinto: diz que os representantes também não podem.a). Aqui a doutrina converge na aceitação de que os herdeiros também não poderão requerer essa anulação.c). nº1. al. Estão excluídos da administração dos pais certos bens mencionados no artigo 1888º. O exercício do poder paternal vem previsto nos artigos 1901º e ss.html  a) Representante do menor dentro de um ano a contar do conhecimento do acto impugnado. em princípio. O poder paternal pode ser alvo de inibições como se depreende dos artigos 1913º e seguintes.

 Cegeira. equiparando os sujeitos nestas situações aos menores pelas seguintes razões: 1. durante esse curto espaço de tempo. daqui retiramos que o administrador é o representante legal do menor nos actos relativos aos bens cuja administração lhes pertença. Torna-se necessária uma sentença judicial que no termo de um processo judicial declare a incapacidade.A lei diz que se aplica o regime paternal ou tutorial. O protutor será um dos vogais do conselho de família a quem cabe fiscalizar a acção do tutor de forma permanente.  Quando pela sua gravidade tornem o interditando incapaz de reger a sua pessoa e bens 138º nº1 (quando essas anomalias não excluem totalmente a aptidão do sujeito para gerir os seus interesses o incapaz será inabilitado – 152º).  A incapacidade do artigo 131º: é possível requerer-se uma interdição no ano anterior à maioridade. 41 . só aí existirá interdição.  c) Administração de bens: ela terá lugar. o requerimento e decretamento da interdição dentro de um ano anterior à maioridade  138º nº2.atspace. o mesmo acontece com a inabilitação por força do artigo 156º.No artigo 125º. nos termos do 1954º cabe vigiar o modo como são desempenhadas as funções do tutor.Não faz sentido tratar uma pessoa como maior quando é elevada a possibilidade de vir a ser declarado incapaz. nos termos do artigo 1922º. O tutor pode também ser afastado  1948 e ss. a existência de “deficiências”. b) Interdição: quem pode ser interdito: a interdição é apenas aplicável a maiores. não havendo lógica de se aplicar a um maior o regime da representação legal.com/index. Os direitos e deveres do administrador estão consagrados no artigo 1971º. não basta. Ao conselho de família. A lei permite. no entanto. coexistindo com a tutela ou com o poder paternal. 3. Aqui existirá um administrador dos bens ao lado dos pais ou do tutor. Quando o menor prefizer 18 anos e correr uma acção de interdição ou inabilitação contra ele o artigo 131º diz-nos que se mantém o poder paternal ou a tutela. A designação do administrador de bens é regulada nos artigos 1967º e 1968º.html artigos 1937º e 1938º. As sanções para a infracção das proibições impostas ao tutor constam dos artigos 1939º e 1940º.http://apontamentosdireito. os seus poderes são idênticos aos do tutor. O artigo 139º manda aplicar as disposições que regulam a incapacidade por menoridade e fixam os meios de suprir o poder paternal. para que esta produza efeitos quando o menor se torne maior – 138º nº2. São fundamentos de interdição:  Situações de anomalia psíquica. o disposto no 131º. no entanto. 2.  Surdez – mudez. pois os menores estão sempre protegidos pela incapacidade de menoridade. nº1/a a lei ressalva no prazo do requerimento da anulabilidade. Estas “deficiências” devem ser habituais ou duradouras e actuais. O Dr Carvalho Fernandes diz-nos que se trata de uma incapacidade de exercício autónoma.

já que se estabelece uma tutela regulada pelas mesmas normas que regulam a dos menores. As razoes que nos levam a afirmar isto são: a) o elemento gramatical de interpretação “causou”. utilização do pretérito perfeito. são sempre anuláveis  148º. A interdição venha a ser definitivamente decretada. O negócio deu prejuízo ao interdito: a apreciação deste prejuízo reporta-se ao momento da prática do acto não se tomando em conta eventualidades ulteriores que poderão vir a tornar desvantajoso para o interdito aquele negócio. são anuláveis os actos caso: a.http://apontamentosdireito.  2.Na pendência de processo de interdição: artigo 149º. 2. falta de prejudicabilidade do acto ou desconhecimento pela contra – parte da interdição.atspace. c) qualquer herdeiro do interdito no prazo de um ano a contar da morte deste (quando a morte ocorreu ainda era ele interdito ou a interdição tinha sido levantada há menos de um ano antes da morte). Quanto ao prazo para a sua invocação é as pessoas com legitimidade para arguir é aplicável ex vi do artigo 138º com as necessárias adaptações o artigo 125º. A sentença de interdição definitiva deve ser registada sob pena de não poder ser invocada contra terceiro de boa-fé – 147º.Valor dos actos praticados: a lei considera três períodos:  1. neste ultimo caso os negócios não são anuláveis. Não há qualquer lugar para o instituto da assistência no suprimento de uma incapacidade por interdição. b) elemento racional ? – pois evita uma quarentena a que os interditos seriam votados por outros indivíduos .Depois do registo da sentença definitiva: o artigo 148º mostra-nos que os negócios jurídicos realizados neste período estão feridos de anulabilidade – artigo 148º. eventualmente. Quanto ao casamento não há possibilidade de suprimento da incapacidade dos interditos por anomalia psíquica – artigo 1601/b. que se recusariam a contratar com eles já que sobre eles penderia a ameaça de uma 42 .Suprimento: a incapacidade é suprida mediante o instituto da representação legal.html 1. no prazo de um ano a contar do conhecimento do negócio. b) o próprio interdito no prazo de um ano a contar do levantamento da interdição. Poderá ter lugar. A competência atribuída ao tribunal de menores no funcionamento da representação legal dos menores é deferida no que refere à capacidade dos interditos ao tribunal comum – artigo 140º. A anulação não pode ser excluída mediante a alegação de intervalo lúcido do demente. que estabelece a excepção do artigo 144º (pais exercem o poder paternal como se ele fosse menor). b.com/index. Podem assim requerer a anulação: a) representante do interdito durante a vigência da interdição. a administração de bens. o mesmo acontece para a capacidade de testar – artigo 2189º e para perfilhação – artigo 1850º.

Neste momento não é exigível a prova de qualquer prejuízo para o incapaz.http://apontamentosdireito.Anteriormente à publicidade da acção: o artigo 150º remete-nos para o disposto da incapacidade acidental que está prevista no artigo 257º. Em relação ao artigo 149º nº2 há quem diga que o momento do registo da sentença a partir da qual começa a contar o prazo é uma salvaguarda para quem conhece antes. 43 .html anulação.com/index.  b) Que a incapacidade natural existente seja notória ou conhecida do declaratário. No caso da perfilhação há incapacidade desde que haja demência notória.atspace. As sanções para a realização destes negócios pelo incapaz são: a) Anulabilidade – no casamento – 1631º. No entanto no caso de faltar a interdição o acto poderá ser anulado desde que se verifiquem os pressupostos da incapacidade acidental (2199º). Manuel de Andrade sustentou com êxito a opinião segundo a qual as doações se devem considerar sempre prejudiciais ao interdito mesmo que as circunstancias concretas tornem razoável a sua prática por uma pessoa normal. ao contrário do que acontece na pendência do processo. Perigo ainda maior porque estas pessoas podem até acabar por ser reconhecidos como “normais”. No entanto se o conhecimento é posterior o prazo só começa a correr a partir daí. algo que é muito difícil de se provar. A notoriedade da sua denuncia não é no mesmo sentido da do artigo 257º.  3. casamento e testamento) o que é que acontece se existir anomalia e o demente não estiver interdito? No caso do casamento: há incapacidade desde que haja uma demência notória e mesmo que o acto seja praticado durante intervalos lúcidos (1601/b). A anulabilidade tem como condições necessárias e cumulativas:  a) Que no momento do acto haja uma incapacidade de entender o sentido da declaração negocial ou falte o livre exercício da vontade. não se colocando o caso de intervalo lúcido (1850º nº1). Quanto aos negócios onerosos haverá prejuízo sempre que um contratante sensato prudente na gestão dos seus bens não teria celebrado o negócio naqueles termos (bónus pater família). Não basta demonstrar um estado de habitual insanidade de espírito na época do negócio é necessário provar a existência de uma perturbação psíquica no momento em que a declaração de vontade foi proferida. porque aqui a tutela do incapaz deve primar sobre a protecção das expectativas do declaratário. Tudo porque uma doação importa sempre. No caso de testamento só os interditos são incapazes. na perfilhação – 1861º. qualquer que seja a sua justificação um empobrecimento imediato do doador podendo eventualmente no futuro causar-lhe grave dano. Quanto aos negócios gratuitos como as doações. Quanto a alguns autores em especial em que a incapacidade jurídica é insuprível para os interditos com anomalia psíquica (perfilhação. Exige-se também para tutela da boa – fé do declaratario e da segurança jurídica a prova da cognoscibilidade da incapacidade. O artigo 257º nº2 esclarece o requisito da notoriedade. no testamento em caso de incapacidade acidental – 2199º. mesmo que este não a conheça.

3. É necessário uma sentença de inabilitação tal como acontece com as interdições. o testamento.com/index.http://apontamentosdireito. causas e instituição: são incapacidades de exercício que impedem a pessoa sujeita de praticar actos jurídicos patrimoniais (quando não autorizados pelo seu representante legal). b. Nos três casos basta que se prove a existência de um perigo actual de actos prejudiciais ao património mesmo que ainda não haja um dano concreto. administração de bens (1970º) São insupríveis.Noção. excluindo-se assim. No entanto 44 . b) Inabilitados por prodigalidade: no que se refere à tutela (1933º nº2). Abuso de bebidas alcoólicas ou estupefacientes que provoquem uma alteração de carácter. 4. Habitual prodigalidade – o pródigo será aquele que habitualmente pratica actos de delapidação patrimonial que não se pode confundir com uma administração infeliz ou pouco inteligente. poder paternal (1913º). Trata-se de despesas desproporcionadas aos rendimentos improdutivas e injustificáveis – aqui atenta-se à finalidade das despesas. c. O artigo 152º revela-nos as causas de inabilitação.Cessação: a incapacidade dos interditos não termina com a cessação da incapacidade natural. no entanto o Juiz na sentença pode especificar alguns ou todos os esses actos para o grupo de actos em que o inabilitado tem incapacidade de exercício  ver melhor o artigo 154 nº1. Ainda todos os que forem especificados na sentença. não sendo pródigo o que pratica actos ruinosos mas com um fim digno ou nobre. Existem três categorias: a. Anomalia psíquica . Existem algumas incapacidades de gozo para: a) Inabilitados por anomalia psíquica: casamento (1601º). A incapacidade dos inabilitados não existe só por existirem as circunstâncias previstas no artigo 152º.atspace. Torna-se necessário o levantamento da interdição. c) Inabilitação: 1. surdez mudez ou cegueira que provocam fraqueza de espírito mas não uma total inaptidão. Podem requerer esse levantamento os indicados no artigo 151º. 2.Extensão: a inabilitação abrangerá os actos de disposição de bens inter vivos: 153º. Normalmente os inabilitados têm capacidade de exercício no que respeita ao actos de mera administração.Suprimento: as incapacidades de exercício por inabilitação são supridas pelo instituto da assistência através de um curador (artigo 153º).html b) Nulidade – no testamento em caso de interdição – 2190º.

A Posição Familiar: Com o 25 de Abril. 149º e 150º. carecem de consentimento de ambos os conjugues em qualquer regime de bens o disposto no artigo 1682º.com/index.Valor dos actos praticados pelo inabilitado: por força do artigo 156º são aplicáveis as disposições que vigoram para os interditos. 5. por exemplo e apenas nos regimes de comunhão (geral e adquiridos)o disposto no artigo 1682. do artigo 13º da CRP e do artigo 36º o princípio da igualdade entre os conjugues.html a administração do seu património pode ser entregue pelo tribunal ao curador e neste caso a forma de suprimento é o instituto da representação. Deriva hoje. Com isto pretende-se sujeitar o inabilitado a uma espécie de período de prova para evitar o risco de dissimulação ou fingimento – Mota Pinto. continua a ser 3fonte de ilegitimidades conjugais (restrições à livre actuação jurídica derivados do casamento) só que agora em condições de plena igualdade entre marido e mulher. A ilegitimidade conjugal supre-se pelo consentimento do outro cônjuge. Mota Pinto e também Manuel de Andrade falam em ilegitimidades tal como vem referido no código (trata-se de uma relação entre o sujeito e o conteúdo do acto. O casamento.A nº1 e no 1683 nº2. Por força do artigo 156º é aplicado o regime da interdição presente no artigo 151º. Assim. 45 .http://apontamentosdireito. que deve ser especial para cada acto: artigo 1684º nº1.atspace. a forma é a exigida para a procuração (no mesmo artigo) podendo ser judicialmente suprido (no mesmo artigo). sendo a mulher incapaz em várias situações. As sanções da ilegitimidade conjugal são as previstas no artigo 1687º. Insuficiência patrimonial: 3 Anteriormente vistas como incapacidades. Por força do artigo 156º e da remissão para o artigo 139º as características da anulabilidade são as do artigo 125º com as necessárias adaptações. no entanto. Tendo que se aplicar os artigos 148º.Cessação: A incapacidade deixa de existir quando for levantada a inabilitação. Existem outras para alem das conjugais exemplo a venda de coisa alheia 892º). como chefe de família. exige-se um prazo de 5 anos sobre o trânsito em julgado da sentença. 4. temos por exemplo o artigo 1933º nº1/c (…).  Incapacidade de facto: existem situações com carácter real que provocam consequências jurídicas. a CRP de 1976 e a reforma do código civil em 1977 se pôs fim a um regime que colocava o marido em posição de supremacia. A pessoa a quem essa administração é entregue chama-se também curador. No entanto. o artigo 155º tem um regime particular para o caso de inabilitação por prodigalidade ou abuso de bebidas alcoólicas ou de estupefacientes.

podendo produzir os seus efeitos. Pois. Falência: impossibilidade de o comerciante cumprir as suas obrigações. Pode ter lugar através: a. Por pedido ao tribunal feito pelos credores ou do Ministério Público atendendo a certas manifestações: 1. Efeitos da falência e da insolvência: A falência e a insolvência implicam uma apreensão judicial dos bens do falido e do insolvente a que se chama massa falida ou insolvente e se destina a satisfazer os credores. mas para a salvaguarda dos credores. A inibição do falido e do insolvente não é imposta no seu interesse ao contrário da dos incapazes. mediante apresentação ao tribunal competente com o pedido de convocação de credores. Se praticar algum acto. b. 4. mas não dispor de dinheiro líquido para as pagar. pois se os comerciantes pagam aos credores com o dinheiro dos devedores se um comerciante cessa o pagamento pode alastrar esse não pagamento aos seus credores. ele não é nulo ou anulável mas ineficaz em relação à massa falida – artigo 155º do código das falências – os negócios conservam-se válidos.html Falência e insolvência continuação da página 1. 3. quando e onde não prejudiquem a massa falida.cessação de pagamentos. sob o ponto de vista do exercício de direitos as pessoas que se encontram nessas situações. Também pode acontecer o comerciante ter um activo inferior ao passivo mas cumprir pontualmente as suas dívidas com o recurso ao crédito. Insolvência: insuficiência do activo patrimonial para cobrir o passivo.ausência do estabelecimento sem ter provido à sua representação na gerência empresarial.com/index. conservando legitimidade para os negócios pessoais e para os patrimoniais relativos a bens não apreendidos na massa falida. tratando-se de uma situação privativa dos não comerciantes.dissipação e extravio de bens . Interessa é a pontualidade dos pagamentos. 2. 5 – outro qualquer procedimento abusivo tendente a colocar-se na situação de não poder cumprir as suas obrigações. Essa situação só se verifica após uma declaração judicial de falência ou insolvência. A sua administração é entregue a um administrador.http://apontamentosdireito. O falido não pode praticar actos patrimoniais que possam prejudicar a massa falida – artigo 147º código das falências. A impossibilidade de cumprimento das obrigações é distinta de uma situação patrimonial deficitária (activo de valor inferior ao passivo). Do reconhecimento do comerciante. Consequência sobre os actos: 46 .Falência e insolvência: anterior … O estado do falido ou insolvente civil afecta. A cessação de pagamentos é que dará lugar à falência – artigo 8º do código de falências.fuga de comerciante.atspace. pode haver a hipótese de o comerciante ter bens de valor superior às suas dívidas.

Domicilio voluntário geral: lugar da residência habitual – artigo 82º.html No período anterior à declaração de falência há propensão para o devedor tomar medidas altamente prejudiciais para a massa dos credores. O artigo 14 do cc vem equiparar os estrangeiros aos nacionais quanto ao direito civil. Noção: a. já que supõe uma relação entre o sujeito e o conteúdo do acto.atspace. salvo disposição legal em contrário. Vamos encontrar excepções quanto à capacidade de gozo no artigo 33º da CRP que prevê a extradição que não é admitida em relação aos portugueses. 3. é um modo de ser para com os outros. nos casos de: 1. 2. Tal como o faz o artigo 15º da CRP. 4ai deverão ser praticadas diligências ou efectuadas comunicações dirigidas a dar conhecimento a uma pessoa de um facto. já que não é a qualidade do sujeito em si mesmo que está em causa. quando esse conhecimento é pressuposto de produção de efeitos jurídicos. Essa equiparação não obsta a aplicação no direito civil das regras de direito internacional privado. Aqui não se trata de uma verdadeira incapacidade. Também as quotas de 40% de trabalhadores nacionais vem limitar a capacidade dos estrangeiros. salvo disposição especial é o do domicilio do réu.http://apontamentosdireito. delapidar o seu activo ou beneficiando uns credores em detrimento de outros. já que se tem que proteger os interesses de terceiros de boa fé.o tribunal competente para quaisquer acções. Domicilio: a) Importância da noção: trata-se de uma noção relevante de forma a fazer o ponto de conexão entre a pessoa e um determinado lugar. Assim são resolúveis em benefício da massa: a) Actos celebrados por titulo gratuito que diminuam o património do devedor nos dois anos anteriores à sentença declaratória de falência. Nacionalidade: Definição: é um vínculo jurídico político que liga certas pessoas ao Estado Português por oposição aos estrangeiros e apátridas.com/index. b) Quanto aos negócios onerosos é aplicada a impugnação pauliana – artigo 610º.a sucessão por morte abre-se no lugar do ultimo domicilio do seu auto.as obrigações pecuniárias deverão ser efectuadas no domicilio do credor. Trata-se de um ilegitimidade. b) 47 .

desaparecimento de alguém sem noticias 2necessidade de prover acerca da administração dos seus bens 3falta de representante legal ou procurador artigo 89º/1. pelo facto de aí se residir habitualmente ou de aí se exercer uma profissão. 2. ou seja. mas um simples acto jurídico: os efeitos jurídicos realizam-se por força da lei mesmo que as pessoas os não quisessem. ou seja. Mas se uma pessoa passar algumas semanas numa casa arrendada não passa a ter aí um segundo domicilio. embora.com/index. A lei prevê ainda um domicílio profissional que se localiza onde a profissão é exercida – artigo 83º e um domicílio electivo que é estipulado por escrito para determinados negócios – artigo 84º (reveste-se de um negocio jurídico). Uma pessoa pode ter dois ou mais domicílios se tiver duas ou mais residências habituais. Ausência: Noção: desaparecimento sem notícias.http://apontamentosdireito. ou seja. funcione como seu equivalente – artigo 82º/2. c. podendo-se desde logo recorrer à morte presumida independentemente de antes se ter instaurado a curadoria definitiva. 48 . Residência ocasional: lugar onde a pessoa vive temporariamente ou acidentalmente. O nosso direito conhece alguns casos de domicilio legal. na falta do mesmo.empregados públicos – artigo 87º.domicilio dos menores e interditos – artigo 85º (embora não refira inabilitados. um negócio jurídico. Ela não faz surgir um domicílio. 3. no entanto.html b. Pressupostos: 1. Nenhuma delas está dependente das anteriores para a sua instauração judicial. O estabelecimento do domicílio resulta de um acto voluntário. sujeito ao instituto da representação aplicar-se-á este artigo ex vi – artigo 156º). Não é. Visam sobretudo evitar os prejuízos decorrentes da falta de administração dos bens da pessoa ausente. Paradeiro: local onde a pessoa se encontra em cada momento – artigo 225º. por exemplo alguém que passa alternadamente uma semana na sua casa da Régua e uma semana na sua casa em Vila do Conde).atspace. As medidas que se poderão tomar: a) Curadoria provisória.agentes diplomáticos portugueses – artigo 88º. Estas têm a ver com a maior ou menor probabilidade de regresso do ausente. sem que da pessoa se saiba parte – artigo 89º/1. c) Morte presumida. quando estes têm todo o seu património entregue à administração do curador. b) Curadoria definitiva. Medidas Legais: a) Curadoria provisória: a. independentemente da vontade: 1.

considera-se o primeiro casamento dissolvido por divórcio. a curadoria provisória será estabelecida se este não exercer as suas funções. c) Morte presumida: a. por não poder. à partilha e entrega dos bens aos legatários e herdeiros que são arguidos como curadores definitivos – artigo 104º.com/index. como é alta a probabilidade de morte física do ausente.http://apontamentosdireito. Caso o ausente regresse aplica-se o artigo 119º. o artigo 115º estatui que a sua declaração produz os mesmos efeitos do que a morte. se a pessoa for menor são necessários cinco anos sobre a data em que completaria a maioridade se fosse vivo  artigo 114º/2. Os direitos de Personalidade: GENERALIDADES: A personalidade humana surge como objecto de direitos e deveres. e como a bigamia é proibida. Aqui. Aqui a probabilidade do não regresso é maior daí que a legitimidade para a requerer seja mais reduzida como se denota pelos artigos 99º e 100º. Os direitos de Personalidade tratam-se de direitos absolutos que incidem sobre os vários modos de ser físicos ou morais da sua personalidade. No entanto há atenuantes. Como é visível pelo artigo 94º o curador funciona como simples administrador – o artigo 98º estabelece os casos do termo da curadoria. b) Curadoria definitiva: a. os interessados para o efeito do requerimento da curadoria definitiva têm legitimidade para pedirem a declaração de morte presumida  artigo 114º. procedese à abertura de testamentos  artigo 101º. Após a justificação da ausência. b) Subjectivos: dizem respeito à pessoa humana.atspace. Pressupostos: dez anos sobre a data das últimas noticias ou cinco anos se o ausente tiver completado 80 anos de idade. no entanto o cônjuge do ausente pode contrair novo casamento sem necessidade de recorrer ao divórcio  artigos 115º e 116º. Mas. Se o ausente regressar.html Mesmo que haja representantes. Tratam-se de direitos: a) Gerais: todas as pessoas deles gozam. Pressupostos: dois anos sem se saber do ausente ou cinco anos se ele tiver deixado representante legal ou procurador  artigo 99º. 49 . quer por não querer  artigo 89º/2. A curadoria definitiva termina nos casos previstos no artigo 118º. Dos bens será prestada caução artigo 93º. Aqui a presunção é a de possível regresso do ausente daí que o Ministério Público ou qualquer interessado tenha legitimidade para a requerer artigo 91º. O casamento não cessa ipso facto. O artigo 92 mostra quem deverá ser escolhido para curador.

apenas implicam a vertente passiva. sem. ou seja. estes não se encontram nessa categoria. um lutador de boxe que abandona um combate terá que indemnizar o empresário dos prejuízos causados à razoável confiança que este tenha depositado na continuação do consentimento. alienação. g) Extra-patrimoniais: se concluir-mos que os direitos patrimoniais são todos aqueles que são possíveis de serem avaliados em dinheiro. tal não impede que na esfera pessoal do indivíduo se verifiquem mutações juridicamente tuteladas que derivam do seu poder de auto-determinação. f) Perenidade e imprescritibilidade: não são vitalícios mas perpétuos já que gozam de protecção mesmo depois da morte – artigo 71º/1. Diferentemente dos direitos reais. não sendo necessário um pressuposto ulterior para a sua existência. Sendo que o critério utilizado para aferir dessas legítimas expectativas seja o do bónus pater famílias (exemplo. se bem com a obrigação de indemnizar os prejuízos causados às legítimas expectativas da outra parte – artigo 81º/2. são oponíveis erga omnes em duas vertentes: a.html c) Absolutos: impõe-se a todos. ou seja. Trata-se de um non facere. não contrária aos princípios da ordem pública. No entanto. b. 50 . e) Relativamente indisponíveis: eles estão fora do comércio jurídico. oneração. No que diz respeito à sua sucessão mortis causa esta só parece existir para os direitos especiais de personalidade com um regime muito especial. Qualquer negócio de cedência. Mas mesmo lícitos são sempre revogáveis.http://apontamentosdireito. de uma abstenção por parte dos demais sujeitos (dever geral de abstenção). no entanto.com/index. utilizar meios que vão ferir a personalidade física da pessoa em risco ou lesem a sua dignidade humana. será contrária à ordem pública. Poderão ainda haver limitações lícitas ao exercício dos direitos de personalidade como estipula o artigo 81º. h) Carácter originário ou inato: decorrem do mero reconhecimento da personalidade jurídica. d) Intransmissíveis: estes direitos dizem respeito ao ser do seu titular. sendo necessário que esta limitação seja: voluntária. um facere. Vertente activa: poder de exigir em certas circunstâncias um comportamento positivo dos demais sujeitos. A questão doutrinal que se coloca é a de saber se o nosso sistema jurídico (constante nos artigos 70º e ss) tem apenas um direito geral de personalidade. ou seja. a obrigação da prática de certos actos que salvaguardam a personalidade desse sujeito. Também não se extinguem pelo facto de não serem utilizados. Vertente passiva: poder de exigir aos demais sujeitos o respeito pelos seus direitos de personalidade.atspace. que embora absolutos. etc. Sobretudo no que diz respeito ao direito à vida quando esta está em perigo.

b) Individualidade: algo que torna cada ser humano único e irrepetível com características próprias que particularizam o ser do ponto de vista genético e de adequação ao meio. numa obra artística em que o autor espelha a sua concepção da vida. caso da legítima defesa. neste caso os titulares de direitos deverão ceder na medida do necessário para que 3- 51 . no artigo 70º fala-se de uma tutela geral da personalidade contraposta aos artigos 72º a 80º que consagram bens especiais da personalidade. Ele é constituído pelos DGP das outras pessoas. apenas a personalidade humana juscivilisticamente tutelada. onde encontramos causas de justificação da ilicitude. em última análise.html apenas direitos especiais de personalidade. O direito Geral de Personalidade: de facto. Ainda no que diz respeito à colisão de direitos. dignidade da pessoa humana). Assim desse DGP se desentranham diversos direitos especiais de personalidade. físico. tornando-o capaz de ser identificado e não confundido com quaisquer outro seres (exemplo. como objecto da relação jurídica. ao arbítrio do próprio interprete. Isto porque vivemos em comunidade onde há uma limitação de recursos. isto é. Temos. aquela personalidade que pode ser considerada como bem jurídico. Assim. consagrada no artigo 335º. No entanto. c) Pessoalidade: traduz a relação de cada homem com aspectos do mundo exterior nos quais é projectada a personalidade (exemplo. então. ou expressa o seu estilo a ponto dessa obra ser identificada – daí a existência de um direito material e moral de autor).http://apontamentosdireito. que considerar três aspectos: a) Essencialidade: aquilo que é comum a todos os homens (ex. 2O direito geral de personalidade de determinada pessoa “acaba quando começa o de outra”.atspace. impressões digitais. do mundo. Estes ficariam. intelecto). não se compreenderia como é que do artigo 70º se retirariam direitos especiais de personalidade (exemplo. Se não se defendesse a existência deste DGP. Capelo de Sousa) que nos parece ser também a posição do nosso código consagrando no artigo 70º uma tutela geral da personalidade contraposta à dos artigos 72º a 80º que consagram bens especiais da personalidade. ou existirão conjuntamente um direito geral de personalidade a par de direitos especiais de personalidade (posição adoptada por R. Ainda a palavra “qualquer” do artigo 70º/1 numa interpretação literal implica a defesa desse direito geral de personalidade (DGP). A ponderação de bens. direito à integridade física ou mesmo direito à vida). encontramos limites ao DGP que fazem com que este mesmo não seja determinado: 1A própria natureza do bem da personalidade: cada pessoa tem a sua própria personalidade. nem todos os aspectos da personalidade humana são protegidos.com/index. características de inteligência.

estaríamos a premiar o assassino mais eficaz.Vida humana: sem dúvida que está abrangida pelo artigo 70º e deve ser tomada na sua plenitude não havendo quaisquer direito do titular eliminar a sua própria vida (o suicídio é proibido em Portugal). O artigo 496º vem dar direito à requisição da indemnização por parte dos legitimados no artigo. No entanto.com/index. Algo que deve ser sistematizado: A) Relação do homem consigo próprio: 1.  Antunes Varela:a indemnização cabe por direito próprio aos familiares referidos no artigo 496º/2. o No artigo 496º/2 emprega-se o termo “cabe” que dá a ideia de uma devolução imediata. de uma 52 .  Galvão Teles: transmite-se por sucessão mas aos sucessores em geral do falecido de acordo com o artigo 2133º.atspace. não só a nível Constitucional mas também a nível civil o nascituro será para todos os efeitos um indivíduo nos termos do artigo 70º/1. sendo também irrelevante o consentimento do ofendido a esse respeito (a eutanásia também é proibida). Conteúdo do DGP: ele abrange a unidade e a globalidade da personalidade. daí que não seja licito o sacrifício de uma vida humana para salvar outras. Coloca-se. Sendo ilícito e indemnizável o aniquilamento da sua vida. Com base no artigo 24º da CRP parece inegável a existência de vida humana no nascituro. muito estranho só atribuir essa indemnização caso ele nascesse com vida pois. No caso do DGP colidir com um direito desigual deverá prevalecer aquele que se considere superior (335º/2).http://apontamentosdireito. o Enquadramento sistemático do artigo 496º que cabe ao regime da responsabilidade e não da sucessão.html todos produzam os seus efeitos sem detrimento para qualquer das partes (335º/1). A vida humana não pode ser comparada ou ponderada com a vida de outrem e nem mesmo com uma pluralidade de vidas humanas. Parece-nos a melhor solução sobretudo: o Aos trabalhos preparatórios que são da responsabilidade de Vaz Serra em que esteve prevista a aquisição por direito sucessório. Uma vida humana tem o mesmo valor que 5 ou 10. 4- Haverá apenas responsabilidade civil nos casos de danos não patrimoniais gravosos (496º/1). A única excepção admitida é a da legítima defesa. devido à proximidade efectiva que existe relativamente a estes familiares. que foi abandonada no texto definitivo. Seria aliás. então a questão: a que titulo se transmite a indemnização?  Vaz Serra: diz que se transmite por sucessão aos previstos no artigo 496º/2.

sem autorização do próprio e com a devida informação acerca dos riscos). ( a indemnizabilidade dos danos não patrimoniais resulta do artigo 496º/1. já que a venda vai contra os bons costumes e a ordem pública. O médico deverá elucidar acerca das consequências da intervenção e dos seus riscos.No que diz respeito às intervenções médicas temos que distinguir entre diferentes tipos de intervenção: a.Corpo: 4 elementos: a) Somático: conjunto organizado e lógico que incorpora várias funções do homem e a sua constituição. Durante algum tempo pensava-se que o dano da perda da vida.html transferência por direito próprio. 4 5 São indemnizáveis quer os danos presentes. Feitas em beneficio do próprio titular: há a obrigatoriedade de consentimento que tem que ser pedido pelo médico. tendo estes que ser graves (algo medido por padrões objectivos em face das circunstancias entre os quais figura o dano da morte4) 2. algumas limitações: 1. O que seria indemnizável seriam os danos patrimoniais e pessoais sofridos pelos familiares do falecido. Quando se trata de uma situação de urgência: numa intervenção em benefício do próprio titular. Atente-se que estes também são indemnizáveis – 483º. O consentimento não será válido no caso de grande desproporção entre o benefício e os riscos da intervenção. não deveria ser indemnizável. Quando a transferência é feita em vida terá de ser gratuita. d) Autodeterminação corporal: capacidade de qualquer ser humano ser livre em relação ao seu próprio corpo. 53 . nos termos do artigo 340º. sendo esta não patrimonial. Dever de esclarecimento que é maior nas intervenções estéticas. b) Psique: mecanismos neuro-psíquicos.atspace. quer os futuros. Nesse caso haverá ofensa aos bons costumes  340º/2.elementos que sejam regeneráveis e não insubstituíveis poderão ser alvo de doação5 mortis causa. b. Se a aquisição se desse por direito sucessório essa indemnização juntar-se-ia a à herança e também ela às dividas deixadas pela herança. Esta teoria tem a grande vantagem de não haver uma subtracção do montante da indemnização à responsabilidade por dívidas de herança.com/index. daí serem ilícitos testes com novos fármacos não aprovados pelo INFARMED. Sémen. etc. leite materno. no entanto.http://apontamentosdireito. Existem. sangue. 2. c) Saúde: estado de equilíbrio entre estes dois elementos (exterior e interior). Feitas em beneficio alheio ou em beneficio geral: nestes casos a presunção de consentimento não é aplicada. presume-se que o consentimento é dado nos termos do artigo 340º/3. quer os emergentes quer os cessantes. Na sucessão estas expressões não se empregam. c. Terá de haver sempre consentimento do lesado (exemplo.

Podemos afirmar que há um direito geral de liberdade. c) Estrutura da vontade: esta pode também ser violentada através de coacção grave.f. bons costumes ou pela ordem pública. bem como as próprias criações são protegidas pelo DGP. algo que não seria juridicamente tutelado.html 3. 54 . 6 Redoma: s. sequestro violento e continuado. quer num sentido positivo (direito a fazer empreender tudo o que não é vedado pela lei. uma liberdade sexual. à determinação da aparência externa e também à história penal. casos de violação deste direito poderão ser o da coincineradora em Souselas ou do Urânio empobrecido nos Balcãs. 1. como se vivesse numa redoma6. Daí que haja um conjunto de relações de personalidade na relação do “eu” com o Mundo.com/index. mas toda a estrutura sentimental. 5. 4.A capacidade criadora e as respectivas criações: formada por todos os aspectos referentes ao espírito e ainda capacidades físicas (exemplo. uma igualdade natural. a violação pode ser feita por excesso ou por defeito.http://apontamentosdireito. resguardo de vidro. 4. Ele está em relação directa com o seu meio e com as outras pessoas que fazem parte desse meio. pela sua experiência humana em sociedade. que tem a ver com o facto de sermos homens. Na identidade há ainda um direito à imagem.Liberdade: quer num sentido negativo (ninguém ser obrigado por outrem a adoptar ou não determinado comportamento). Ela pode ser alterada através de uma situação externa (tortura. Esse poder de criação.O espírito e os seus sistemas fundamentais: a) Estrutura sentimental: ela é criada pelo próprio homem. Não só uma segurança física (que pode ser garantida pelas forças estaduais) como psicológica (ninguém pode ser vitima de assédio sexual). ou seja. isolado. cada ser humano tem o direito a escolher os seus próprios fins e a escolher os meios para os alcançar.Identidade: a cada ser humano deve-se atribuir os factos que praticou e não suprimir factos praticados ou atribuir-lhe acções que não praticou. b) Inteligência: faz parte da nossa personalidade e poderão existir ataques a ela (através de uma composição química) que alteraria a própria estrutura da nossa inteligência. as mãos de um escultor). 2.Existência: inserção do ser humano na realidade físico e ambiental do Mundo (exemplo.Segurança: bem necessário ao ser humano para viver.atspace.Nestes casos não se viola apenas os sentimentos. B) Relação do homem com o mundo: o ser humano não subsiste por si próprio. 3. etc).Igualdade: há uma dignidade humana que é igual para todas as pessoas. É possível encarar a liberdade sob varias perspectivas: Física: uma liberdade de movimentos.

de reunião e de escolha de profissão ou actividade.atspace. Trata-se de projecção social das qualidades morais do indivíduo. financeira (exemplo. 9. desenvolvimento biológico. religioso. 02Bom-nome: prestigio da pessoa no plano profissional.Honra: aparece referida. como se espelho se tratasse. e dentro destes solteiro ou casado. Esta é formada por quatro elementos: 01Dignidade humana: é a honra propriamente dita. sigilo bancário). que não varia com o estatuto da pessoa. da integridade física e da honra.html  Moral: entre as quais se inclui a liberdade de estado civil. 55 . prudência e diligência que geram a confiança financeira. em algumas disposições do código civil  artigos 79º/3 e 484º. 04Decoro: adequação do comportamento pessoal aos padrões de comportamento social (ex. 6. nudismo). Também a liberdade de expressão . Engloba ainda o direito de estar sozinho. 8. económica. Trata-se sim da imagem que adquirimos pelos nossos méritos e desméritos.Reserva do ser pessoal: algo que a pessoa deseja manter para si (ex. de forma expressa.com/index. É diferente do sentimento de honra próprio que não tem na comunidade grande expressão. 03Crédito: prestigio económico de uma pessoa. de negar quaisquer auxílios. qualidades de honestidade. não podendo ser revelados). de associação.Desenvolvimento da Personalidade: implica a auto-determinação cognitiva. ferimentos e manchas que a pessoa não quer exibir.http://apontamentosdireito. Tutela da Personalidade dos concebidos e das pessoas falecidas: Esta tem lugar com fundamento na protecção da vida. exemplo: honestidade. liberdade de escolha de vários tipos. pois está ligada directamente à dignidade humana .Reserva da vida privada: engloba os aspectos gerais da vida familiar doméstica. 7. Juridica: liberdade de celebrar ou não actos jurídicos. rectidão. de consciência. de opção religiosa. Social: a liberdade de imprensa. Os meios de tutela do direito geral de personalidade: segundo o artigo 70º/2 dá lugar: a) Responsabilidade civil  que tem um carácter indemnizatório (podendo ser uma restituição natural ou uma indemnização em dinheiro) b) Medidas preventivas  com vista a evitar a consumação da ameaça ou atenuar os efeitos da ofensa já cometida.

aqui a reserva não é tão grande. Estipula que é necessário o consentimento da pessoa para que o seu retracto possa ser publicado (79º/1 e 2) desse mesmo artigo consagra as excepções à necessidade de consentimento da pessoa. consagradas no artigo 78º que dizem respeito apenas ás que têm um destinatário concreto (não se aplicando às cartas abertas. A sua protecção depende da notoriedade que tenha.no que respeita à sua publicação esta está sujeita ao consentimento do seu autor – 76º. que não têm um destinatário concreto). defende uma articulação com o 68º que estatui que a personalidade cessa com a morte. Os direitos especiais de Personalidade: a) Direito ao nome: previsto no artigo 72º. do nome artístico. e)Direito à reserva sobre a intimidade da vida privada: consagrada no artigo 80º. a extensão de reserva é definida de acordo com o caso 56 .http://apontamentosdireito. o nº3 por seu lado é encarado como uma excepção à excepção: o retrato não poderá ser publicitado se do facto resultar prejuízo para a honra. É garantida ainda a confidencialidade das memórias familiares e de outros escritos confidenciais 77º.html O artigo 71º mostra-nos que os direitos de personalidade são protegidos para além da morte do seu titular. Morto o destinatário pode ser ordenada a restituição ou destruição da carta  artigo 75º/2 . do nome próprio completo ou abreviado .atspace. mas o que se quer tutelar são os direitos de personalidade do falecido. o seu titular não pode usa-lo com o propósito de prejudicar os interesses de outro. Todos os mencionados no artigo 71/2 têm legitimidade visto que existe uma sucessão de direitos pessoais. deve-se apenas respeitar o autor da carta. O doutor Mota Pinto defende que o artigo 71/1 tem uma formulação infeliz pois é da opinião que a tutela incide sob os direitos ou interesses mencionados no 71/2 e não sobre os direitos do defunto. Estatui o artigo 72/2 que nestes casos o tribunal decretará as providencias que melhor concilem os interesses em conflito de acordo com os juízos de equidade. d)Direito à imagem: está no artigo 79º. O doutor Capelo de Sousa discorda desta posição já que defende que uma coisa é a ofensa às pessoas mencionadas no 71/2 e outra coisa é a ofensa à própria pessoa falecida. É diferente da alcunha atribuída por terceiros. o conteúdo e a natureza da carta. c) Reserva e resguardo de escritos: no que diz respeito a cartas – missivas confidenciais o destinatário deverá guardar reserva no que respeita ao conteúdo das mesmas artigo 75º/1. reputação ou decoro da pessoa retratada. No entanto. No que concerne a cartas missivas não confidenciais. Até porque esta poderá não ter quaisquer herdeiros. b) Direito ao pseudónimo: é também garantido por meio do artigo 74º.com/index. etc. No caso de duas pessoas terem o nome total ou parcialmente idêntico. iniciais.

mas sim um acto de amor (…). utilizando-se o conceito do bónus pater famílias (exemplo. Assim. No entanto. embora é sempre uma renuncia a uma esfera tão extensa como de outros cidadãos. o prejuízo é apenas imputável ao empresário. se antes do combate o lutador tem dores reumáticas. no entanto. Articulações entre o direito geral de personalidade e os direitos especiais de personalidade: Eles estão numa relação de lei geral (DGP) que prevê um conjunto de situações que são o regime regra e lei especial (direitos especiais – vigoram apenas para um numero determinado de casos que não se opõem ao regime regra). neste caso o empresário não pode esperar que ele combata. ou seja. embora. embora não todo). direito a uma esfera de segredo ou na formula Inglesa “right to be alone”. se nos direitos especiais não estiver prevista qualquer sanção se aplica o artigo 70/2. Isto apenas é possível quando estes actos ou negócios não contrariem os princípios da ordem pública (ex. Trata-se de situações em que através de determinados actos (ex. Aqui não são todos os danos. essa limitação é sempre revogável artigo 81º/2. Isto importa algumas consequências: o direito geral de personalidade aplica-se sempre ás relações de personalidade em que haja disposição especial. Há. uma obrigação de indemnizar a outra parte.html concreto e a condição das pessoas7. mesmo quando está de acordo com a ordem pública.http://apontamentosdireito. que deverá comportar uma parte significativa do prejuízo. porém. o regime do DGP aplica-se subsidiariamente. se o lutador pudesse realizar o combate e por falta de coragem não quisesse combater aí já haverá lugar a indemnização.com/index.atspace. caso do direito moral de autor consagrado no código de direitos de autor e conexos. Só que esta indemnização não é igual à de indemnizar em termos gerais (que segundo o artigo 483º/1 prevê a indemnização de todos os danos resultantes da violação). sendo no entanto contrário à ordem pública se um dos lutadores é contratado já para perder. Existem outros direitos especiais de personalidade previstos expressamente na lei. Limitações voluntárias dos direitos de personalidade: Estão previstas no artigo 81º. 57 . como tal se houver menos assistência. ou seja. 7 Mesmo o vedetismo ou celebridade não exclui a discrição. A complacência com a publicidade não significa uma renúncia à esfera de intimidade. esses mesmos direitos são limitados. um contrato de prostituição) não será admissível já que contraria a ordem pública. o direito de fixar os limites do que pode e não pode ser publicado. uma vez que um acto sexual não deve ser vendável. já um contrato de pugilismo desde que siga as regras da modalidade é admissível. Diferentemente as normas respeitantes aos direitos especiais aplicam-se apenas relativamente às relações de personalidade especifica. consentimento) ou determinados negócios jurídicos voluntariamente aceites pelo titular dos direitos. mas apenas os correspondentes às legítimas expectativas da outra parte.

d)Torna licito o acto do lesante com excepção do 340º/2 Quando se tratam de intervenções cirúrgicas. 81º/2 (ex. c) Tolerante: este não atribui sequer um poder de agressão. feitas em benefício próprio. Consentimento tolerante: b)Têm um carácter integrativo. que uma revogação. Um dos consentimentos tolerantes é o consentimento presumível  340º/3. sempre possível. Existem três modalidades do consentimento para a limitação voluntária dos direitos de personalidade: a)Vinculante: atribui-se ao lesante um verdadeiro direito de agressão. b)Esclarecimento das consequências imediatas da intervenção cirúrgica. Vejamos sistematicamente: a) Baseiam-se num negócio jurídico lateral ou contrato. b)Autorizante: aqui não há um vínculo jurídico. tendo como consequência a indemnização das legítimas expectativas que foram frustradas – art.atspace.com/index. e desde que não violem a ordem pública.html Assim. todos os direitos podem ser agredidos desde que haja o consentimento do lesado com excepção do direito à vida. b)Têm um carácter constitutivo: com a celebração de um vinculo jurídico (vinculante) ou compromisso jurídico sui generis (autorizante). doação de um rim). combate de boxe). c)Tem de ser prestado antes da lesão. Assim. de tal modo.http://apontamentosdireito. c)Limitados pelo 81º/1. implica o incumprimento do contrato. 58 . há apenas um poder factico de agressão que é revogável a todo tempo. o consentimento vinculante é o resultado de um negócio jurídico e a outra parte fica com um verdadeiro direito de agressão (exemplo. Consentimento vinculante / autorizante: a) Baseiam-se num simples acto jurídico lateral. mas constitui uma simples causa de justificação desta. estes deverão ser os critérios que presidem ao consentimento: a)Esclarecimento do diagnostico da doença.

humanos ou pessoas singulares / agrupadas através de actividades 59 . algo que depende da personalidade do doente. visto existirem outros agrupamentos que realizam determinados fins mas que não têm personalidade jurídica e como tal. Podem ser organizações constituídas por uma colectividade de pessoas Corporações (Associações e Sociedades) ou por uma massa de bens (Fundações). tal não faz com que o acto violador do direito deixe de ser ilícito e como tal não isenta o seu autor da obrigação de indemnizar o lesado pelos danos resultantes da violação.Conceito e elementos constitutivos Noção: são as organizações constituídas por uma colectividade de pessoas ou por uma massa de bens que visam a satisfação de interesses comuns ou colectivos às quais a ordem jurídica atribui a personalidade jurídica. ou patrimonial visto que todas as pc têm uma actividade humana.http://apontamentosdireito. mas detêm também um acervo de bens. Há. Ele é o elemento material. Note-se que quando o consentimento do lesado é nulo ou ilegal. Elementos constitutivos: segundo a análise de Manuel de Andrade a PC tem dois elementos constitutivos: o substrato e o reconhecimento: a) Substrato: é o elemento extra – jurídico. o que por si não exclui a responsabilidade criminal. d)Terá que descrever um possível efeito letal. podemo-nos referir ao predomínio de um dos elementos. Elemento pessoal ou patrimonial: será mais correcto referirmos elemento pessoal e . visto que se existissem riscos quase improváveis estes podiam fazer recuar um paciente mais receoso. No entanto. assim. ↔ 2ºSEMESTRE As pessoas colectivas: 1. elementos pessoais e patrimoniais. não são pessoas colectivas. Todavia poder-se-á muitas vezes invocar o artigo 570º (influencia da culpa do lesado sobre o valor da indemnização. Se estes pressupostos não existirem não haverá lugar à Personalidade Jurídica. Elemento pessoal  verifica-se na corporação e é a colectividade de indivíduos. podendo esta ser diminuída ou mesmo excluída. Visam interesses comuns ou colectivos que digam respeito a uma pluralidade de pessoas e geralmente têm carácter duradouro. vejamos os seus sub-elementos: a.com/index. a materialidade de um conjunto de pressupostos de facto que servem de base ao reconhecimento da qualidade de sujeito jurídico.atspace.html c)Narrar os riscos típicos das intervenções desse tipo. Importa o facto da personalidade jurídica.

composto por um ou mais indivíduos que exprimem a vontade imputável à pessoa colectiva ou a executam. Também nas fundações fiduciárias: liberalidades concedidas a favor de uma: pc já existente para que ela prossiga um certo fim de utilidade publica (exemplo. do fundador ou dos beneficiários  1 – por falta deste elemento não têm personalidade jurídica as chamadas comissões especiais (exemplo.html pessoais e meios materiais para a realização de um fim comum. exemplo operários. para uma viagem de curso) 199º e ss. Esta realidade é notória na nulidade do chamado pacto leonino – artigo 994º. Os órgãos podem ser deliberativos . vão exteriorizar a vontade da pc  são órgãos externos. As mesmas disposições são aplicáveis aos chamados patrimónios de oblação  fundos para fins de beneficência e outros. ou seja. A sua actividade desenvolve-se apenas no seu interior  são órgãos internos: ex. mas que pode em qualquer momento pôr termo a essa afectação de bens. o fim ou causa determinante da formação da colectividade social ou da dotação fundacional. 2 – a finalidade deve ser comum ou colectiva.A. os directores. Elemento teleológico: trata-se da finalidade prosseguida pela pc. O fim visado pela pc tem que satisfazer os seguintes requisitos: 1. por força do 158º . formam a vontade da pc mas não a manifestam. distinta dos associados. As pc podem ainda ter mandatários : realizam um ou mais negócios jurídicos em regime de mandato ou de incumbência dos órgãos. Executivos: executam a vontade da pc. não a projectam para o exterior.atspace. b. assembleia geral de sócios. elemento patrimonial verifica-se nas fundações e é a massa de bens ou dotação que o fundador afectou à realização de determinados fins. d.com/index.http://apontamentosdireito. Elemento intencional: trata-se da vontade de constituir uma nova pessoa jurídica – animus personificandi. também na proibição de fundações dirigidas a fins privatisticos ou egoísticos do fundador ou da sua família como resulta do 188º/1. c. 3. 2 – falta também o elemento intencional nas fundações de facto: massas patrimoniais não destacadas do património do instituidor que mantem uma obra social. exemplo. 60 .pode ter uma finalidade “duradoura ou transitória” (veja – se o caso da sociedades comerciais que podem ter por objecto a pratica de um acto de comércio – artigo 14º CSC. Dos órgãos há que distinguir os simples agentes auxiliares (só executam por incumbência ou sob direcção dos órgãos da pc determinadas operações materiais que interessam à Pc. legado a uma câmara municipal para manter uma biblioteca).deve preencher os requisitos gerais do objecto de qualquer negócio jurídico: artigo 280º. Elemento organizatório: conjunto de preceitos disciplinadores das características e do funcionamento da pessoa colectiva (contidos nos estatutos ou no acto de constituição ou instituição) e existência de órgãos (centros institucionalizados de poderes funcionais).

Características: i. Pode ser incondicionado se a ordem jurídica atribui pj a todo o substrato completo da pc sem mais exigências. São constituídas e governadas por essa colectividade de pessoas (associados). são colectividades de pessoas. a massa de bens ou dotação de um fundador ou de uma pluralidade de fundadores.com/index. b) Reconhecimento: é o elemento de direito que confere personalidade jurídica ao substrato das corporações ou das fundações. advogado constituído para um litigio em que a sociedade seja parte. comum.Corporações (associações e sociedades) e Fundações: a. ou seja.atspace. São susceptíveis de mutação (entra e saída de novos sócios . São governadas pela vontade dos associados. ou seja. regidas por uma vontade própria e imanente (vem de dentro) com órgãos dominantes que podem alterar os próprios estatutos “são auto-organizações para um interesse próprio” – Manuel de Andrade. Visam um fim próprio. aos associados. podendo ser ou não altruístico. Sistema da livre constituição das pessoas colectivas (muito raro): condicionado: o reconhecimento faz-se através do preenchimento de determinados pressupostos ou requisitos jurídicos que respeitam aos elementos caracterizadores do substrato e só quando verificados se adquire automaticamente a personalidade jurídica (o mais usual). alteração de estatutos). b. Normativos: derivado automaticamente da lei ex vi lege – a lei diz que determinados entes materiais caso preencham determinados pressupostos jurídicos obtêm personalidade jurídica. ou da afectação de fundos obtidos por subscrição publica. pelos órgãos a vida e o destino da corporação. Fundações: pessoas colectivas em cujo substrato predomina o elemento patrimonial. que assumem o pacto social através de escritura notarial. Individual ou por concessão: não é de carácter geral e traduz-se num acto individual e discricionário de uma autoridade pública que perante cada caso concreto personificará ou não o substrato. Modalidades: a. Não basta a existência de todos aqueles pressupostos.html Exemplo. Corporações: pessoas colectivas em cujo substrato predomina o elemento pessoal. iv. ii. Características: 61 . 2.http://apontamentosdireito. Eles dominam. b. abrangendo as associações e as sociedades.Classificação das Pessoas Colectivas: 1. tem de haver um reconhecimento por parte da ordem jurídica. iii.

São instituídas por acto unilateral do fundador ou fundadores que afectam uma certa massa uma certa massa de bens a uma determinada finalidade ou interesse social. instrução. Aplicam-se-lhes directamente os artigos 157º a 194º. fim que é definido pelo seu fundador. direito de poder público ou função de autoridade Estadual ou autárquica. que se impõe à vontade dos órgãos servintes da fundação e ao próprio fundador. de natureza social e não egoística. não tendo quaisquer poderes de autoridade. Ao mesmo tempo que o fim visado por o 1 e 2 interessa de modo egoístico aos associados. iii. Pessoas colectivas de fim desinteressado ou altruístico: o interesse a satisfazer é de natureza altruística. regidas fundamentalmente por normas de direito privado e que não disfrutam do ius imperi. Sociedades comerciais: aquelas que têm por objecto a prática de um ou mais actos do comércio. por ex) mas sem uma finalidade lucrativa. pretende conseguir certas vantagens patrimoniais para os seus associados (empréstimos em boas condições. Esse fim pode ser de vária ordem: 1 – de fim ideal: o objectivo egoístico é um interesse de natureza ideal. daí serem de utilidade pública. não económico (ex. ii. b) De utilidade particular: o seu fim é de mero interesse particular e como tal têm um fim lucrativo. mas ao mesmo tempo interessa à comunidade. 2.etc).com/index. iv. pois não se tratam de lucros para repartir pelos associados (ex.de fim económico não lucrativo. ou seja. Visam um fim estranho às pessoas que entram na organização da fundação. promovemse interesses de outras pessoas ou beneficiários. a. Pessoas colectivas de direito público e pessoas colectivas de direito privado:  Pessoas colectivas privadas: corporações ou fundações dotadas de personalidade jurídica. b.html i.atspace.http://apontamentosdireito. portanto das sociedades: a. os bens que lhe são destinados e as normas disciplinadoras da sua vida e destino. Manuel de Andrade chamalhes “hetero-organizações para um interesse alheio”. daí o nome de associações de beneficência. interessa também a colectividade. ou seja. a) De utilidade pública: embora se dirigindo à satisfação de um interesse dos próprios associados ou do fundador o fim a que se propõe é um interesse público. desporto.sindicatos). Falamos. São regidos pela vontade inalterável e transcendente do seu fundador. recreio. Pessoas colectivas de fim interessado ou egoístico: o fim visado interessa de modo egoístico aos próprios associados. Nas sociedades comerciais vigora o principio da tipicidade ou do numerous clausus: 62 . O fundador estabelece no acto de instituição o fim da fundação.

mas apenas pela parte que lhes cabe do capital social. aplicando-se subsidiariamente o regime das sociedades anónimas se houver pelo menos 5 sócios comanditários. Por acções  as participações dos sócios comanditários são representadas por acções. respondendo os sócios solidariamente.http://apontamentosdireito. ii. sociedades de advogados  têm um regime especial. mas sim as referentes ao contrato de sociedade  980º ss. aplicando-se subsidiariamente o regime das sociedades em nome colectivo. cada sócio responde para com a sociedade apenas pelo capital que subscreveu. mas que adoptam um dos tipos de sociedades comerciais para inequivocamente terem personalidade jurídica. Sociedades em comandita: nelas os sócios comanditados assumem responsabilidade ilimitada e os sócios comanditários respondem apenas pela sua entrada no capital social: Simples  não há representação do capital por acções. ex. já que cada um só é responsável até ao montante da sua quota. Sociedades em nome colectivo: há uma responsabilidade pessoal. Sociedades de direito especial: podem ser de tipo comercial. Sociedades anónimas: o capital social é dividido por acções. Sociedades civis sob forma comercial: têm exclusivamente por objecto a prática de actos não comerciais. b. sociedade de locação financeira ou de tipo civil. ex. solidária e ilimitada dos sócios perante os credores depois de executado o património social. Daí conterem o nome de limitada para se saber que a responsabilidade não é total.  Pessoas colectivas públicas: são dotadas de personalidade jurídica. ou seja. respondendo por elas apenas os bens sociais. Sociedades por quotas: só o património social responde perante os credores pelas dívidas da sociedade. iv. regidas fundamentalmente por normas de direito público e que prosseguem 63 .html i. estando os sócios isentos de responsabilidade pessoal pelas dívidas da sociedade. não visando o lucro do conjunto do agrupamento em si próprio mas o lucro de cada uma das empresas associadas.atspace. d. pela sua quota. no artigo 157º e 188º apenas se atribui personalidade jurídica às fundações cujo fim for de interesse social. Às sociedades não se aplicam directamente as disposições do capitulo sobre as pessoas colectivas. Agrupamentos complementares de empresas: associações de pessoas singulares ou colectivas que visam aumentar a rentabilidade das empresas pertencentes às entidades agrupadas.com/index. Daí o cuidado necessário nos negócios feitos com estas sociedades. Fundações e Sociedades. A lei distingue no artigo 157º entre Associações. iii. c.

Têm um regime particular das relações de trabalho. do poder de autoridade pública ou de direitos de poder público. sendo caso disso. ou seja. há que ter em conta: a) acto de constituição – 167º/1 . b) os estatutos – 167º/2.html primariamente fins de interesse público e que por isso mesmo disfrutam em maior ou menor extensão de ius imperi. um controlo administrativo da constituição das associações. I-Formação do substracto e II. Há.  Constituição em concreto das pessoas colectivas privadas: 1. Subordinam-se à jurisdição dos tribunais administrativos. bem como as suas alterações – artigo 168º/2 e 3.atspace.com/index. no entanto. no plano cronológico. Além disso o acto de constituição e os estatutos devem ser publicados no jornal oficial sob pena de ineficácia em relação a terceiros. Quanto à forma – o acto constitutivo. os estatutos e as suas alterações devem constar de escritura pública – art. Regiões autónomas e autarquias locais. c) Empresas públicas e nacionalizadas: são expressamente equiparadas pelo legislador às empresas públicas pelo decreto . 738º e 744º. Quanto ao seu reconhecimento o código de 1966 no seu artigo 158º. é simultâneo. b) Serviços públicos personalizados ou institutos públicos: existem institutos públicos de tipo fundacional como por exemplo: parque natural da Peneda Geres e existem institutos públicos de tipo associativo como por exemplo Universidades públicas. com os estatutos. vejam-se os artigos 705º/a. 168º/1. Têm um regime tributário específico com plenas isenções fiscais. a) Pessoas colectivas de população e território: estão sujeitas ao seu poder toda a população de um certo espaço territorial. embora em alguns dos seus aspectos sejam reguladas pelo direito privado. cujos interesses cabe a ela promover exemplo. uma distinção no plano lógico porque o acto constitutivo tem uma maior importância embora esteja compreendido nos estatutos. primeiro o decretolei 594/74 que afirma o direito à livre associação e estabelece o 64 .Constituição das associações: a.b. assim.lei nº 260/76 de 8 de Abril. contra a vontade dos que se lhe sujeitam. Estado Português.http://apontamentosdireito. havendo. Vão desaparecer. Em caso de inobservância desta exigência a sanção é a nulidade por falta de forma  220º. asseguram actividades que interessam fundamentalmente à defesa nacional ou exercem actividades em regime de monopólio. d) Empresas públicas de regime especial: exploram serviços públicos. O acto de constituição em regra. cabendo oficiosamente ao notário remeter o respectivo extracto para publicação. nomeadamente a possibilidade de por via normativa ou através de autoridade directa emitir comandos vinculativos executáveis pela força. Estas pessoas colectivas detêm privilégios especiais.reconhecimento. bem como à autoridade administrativa e ao MP a constituição e estatutos. na sua redacção primitiva estabelecia o reconhecimento por concessão.

depois a CRP de 1976 a afirmar esse mesmo direito. A autoridade administrativa tem poderes vinculados à lei. b. No caso de instituição por acto inter vivos falamos de um negócio jurídico unilateral de natureza gratuita e não de doação. quando a fundação é instituída por acto inter vivos só se torna irrevogável quando o reconhecimento é requerido ou principia o reconhecimento oficioso (185º/3). Até ao momento em que é requerido o reconhecimento ou principie o processo oficioso o fundador pode revogar a disposição.Constituição das Fundações: diferentemente do que acontece com as associações.atspace. Requisitos a observar para se erigir a fundação: a. c. Ao contrário. Se os bens destinados à fundação consistem na totalidade ou numa quota do património do falecido. Já serão discricionários os poderes no que toca ao reconhecimento das fundações do artigo 188º .html reconhecimento normativo. A sua actuação nada tem de discricionário. incumbindo a sua elaboração à própria autoridade competente para o reconhecimento. é a lei que atribui directamente a personalidade jurídica. compete aos executores do testamento elabora-los ou completa-los. a partir daí 65 . nas fundações o reconhecimento é individual ou por concessão da competência da autoridade administrativa – artigo 158º/2.a) se o fim da fundação não for considerado de interesse social o reconhecimento será negado (188/1). um legado. Através da forma há em primeiro controle da legalidade feito pelo notário (artigo 190º/1/a do código do notariado) devendo este recusar violações dos artigos 167º e 280º evitando a posterior extinção judicial destas associações. ou seja. b) tal como no caso de insuficiência do património afectado à fundação (188º/2 e 3). devendo apenas respeitar os requisitos legais. 2277º. ou seja. Se os estatutos foram formulados pelo testador. Se diversamente se atribuírem à fundação apenas bens ou valores determinados.http://apontamentosdireito. devem os herdeiros ou executores testamentários requerer o reconhecimento que pode ser oficiosamente promovido pela autoridade competente (185º/2). aplicam-se as normas do legado – exemplo. uma herança são aplicadas as normas da instituição de herdeiro exemplo artigo 2068º (responsabilidade pelas dividas do falecido). Este acto quando contido num testamento é livremente revogável até ao momento da morte do testador (2311) mas torna-se irrevogável quando o testador faleça (185º/4). No que diz respeito à formação do substrato as fundações podem ser instituídas por acto intervivos ou por testamento – 185º/1. Hoje o reconhecimento é feito ex lege. Na falta de estatutos lavrados pelo instituidor ou na insuficiência deles. como sejam os da verificação se o seu fim está de acordo com o artigo 280º. 2. se os executores os não lavrarem dentro de um ano posterior à abertura da sucessão (187º). 2301º direito de acrescer entre herdeiros. como resulta da redacção actual do artigo 158.com/index.

Quanto à publicidade é aplicável o regime das associações com o artigo 185º/5 a remeter para a parte final do artigo 168º (esta “parte final” é lapso do legislador já que o artigo antes da sua nova redacção tinha apenas um numero – os aplicáveis são o nº2 e 3º). Associações religiosas: através de acto de registo da participação escrita da sua constituição – lei 4/71.Constituição das pessoas colectivas eclesiásticas: a. Associações não religiosas: é aplicado o regime regra das pessoas colectivas presente no código civil.estão excepcionados do âmbito da capacidade jurídica das pessoas colectivas : a) relações jurídicas vedadas por lei (ex. b) relações jurídicas inseparáveis da personalidade singular (direitos derivados da vida humana como casamento ou filiação. Associações religiosas: têm por fim principal a sustentação do culto. b. 160º/2. capacidade testamentaria activa – 2182º). 66 . concordata lei 4/71. ii. por exemplo).com/index.http://apontamentosdireito. O reconhecimento das sociedades comerciais ou civis em forma comercial é o reconhecimento normativo condicionado através de escritura pública. À primeira vista parecia estarem-lhe negados os direitos de personalidade.html não o poderá fazer. 4. 8 (para não esquecer) Aptidão para ser titular de um circulo. Associações não religiosas: criadas no âmbito de uma confissão religiosa mas têm um fim diferente – para adquirirem personalidade jurídica basta a participação escrita feita pelo Bispo da Diocese onde tiverem a sua sede. com mais ou menos restrições de relações jurídicas. ou por seu legitimo representante ao governador civil competente – 449º e 450º do código administrativo. Capacidade de gozo8 das pessoas colectivas: enquanto a capacidade de gozo das pessoas singulares é de carácter geral.Constituição das sociedades: às sociedades não se lhes aplicam directamente as disposições do capítulo sobre as pessoas colectivas. a das pessoas colectivas é uma capacidade jurídica específica  artigo 160º. mas sim as referentes ao contrato de sociedade  980º seguintes. ii.atspace. caso do direito ao nome  artigo 72º. 160º/1  resulta do argumento a contrario a exclusão dos direitos e obrigações que não sejam necessários ou convenientes à prossecução dos seus fins. 3. o direito à honra que pode-se desentranhar da tutela geral da personalidade  artigo 70º. Da Igreja Católica: i. como resulta do artigo 185º/3. no entanto elas podem ser titulares de pelo menos alguns. Outras confissões: para adquirirem personalidade jurídica: i. Se entretanto o fundador morrer aplicar-se-á o artigo 185º/4.

Devemos seguir o primeiro critério. teremos capacidade para o exercício de direitos. Isto depende da natureza do vínculo entre a pessoa colectiva e as pessoas que procedem em seu nome e no seu interesse. Vemos isso pelo artigo 162º. ainda que essa proibição não seja total. contrario da relação orgânica que é intrasubjectiva). os órgãos superiores (ex. Ora.com/index.  Responsabilidade civil das pessoas colectivas: 67 . agindo o órgão é a própria PC que age. Se for um nexo de mera representação . Isto defendem alguns autores. adequados ou convenientes ao fim que está previsto nos seus estatutos. privadas da capacidade para o exercício de direitos. Ora. o artigo 165º estatui essa responsabilidade civil para as pessoas colectivas.atspace. o de um nexo de verdadeira organicidade. estariam. Ora. pois a relação entre um órgão e o ente em que se integra é de verdadeira identificação. Isto só acontece quando está numa relação de dependência com o representado. os órgãos não são encarregados de nenhuma comissão. não agindo por si mesmas. assembleia geral) não estão numa relação de dependência. as pessoas colectivas só podem agir por intermédio de certas pessoas físicas. Manuel de Andrade. devemos rejeitar a tese da capacidade para o exercício de direitos pois há autonomia entre as personalidades jurídica do representante e do representado (é uma relação intersubjectiva entre 2 sujeitos. assim.html O fim estatutário será a medida do âmbito da capacidade. Isto diz-nos Manuel de Andrade. Se for um vinculo de verdadeira organicidade. Tal restrição não impede que as pessoas colectivas de fim desinteressado ou fim egoístico ideal possam praticar actos de natureza lucrativa. daí que digamos que as pessoas colectivas tenham capacidade para o exercício de direitos. serão os actos necessários. pois ela consiste na aptidão para pôr em movimento a (esfera jurídica) capacidade jurídica por actividade própria sem necessidade de ser representado ou assistido por outrem. Normalmente não há responsabilidade civil extracontratual dos representados pelos actos dos seus representantes  o artigo 500º abrange um sector da representação: casos em que o procurador pode ser considerado um comissário. mas sobretudo pela responsabilidade civil extra – contratual da pessoas colectivas. Outros autores são da opinião contrária. quando está sujeito a um seu poder de direcção. ou seja. deriva ainda do principio da especialidade a incapacidade das sociedades comerciais fazerem doações. Quanto à aceitação de doações podemos aplicar por analogia este mesmo artigo. Capacidade para o exercício de direitos das pessoas colectivas: à primeira vista as pessoas colectivas não têm essa capacidade. mas são eles os formuladores da vontade da pessoa colectiva. em ordem a obter recursos para a prossecução dos seus fins. já que a sociedade pode fazer doações remuneratórias a empregados e clientes – 941º e pode praticar donativos conformes aos usos sociais – 940º/2. As pessoas colectivas têm capacidade testamentária passiva  2033º/2/b.http://apontamentosdireito.

agente ou mandatário no exercício da função que lhe foi confiada – 500º/2. como tal deve suportar os riscos da sua actividade. É preciso que o acto danoso tenha sido praticado pelo órgão. ou seja. é preciso que a pessoa colectiva tenha encarregado outra pessoa de uma qualquer comissão. O artigo 165º remete-nos para a responsabilidade dos comitentes por actos dos seus comissários que consta do artigo 500º.atspace. civil contratual 798º seguintes. Mas a responsabilidade civil mais comum nas pessoas colectivas é a responsabilidade civil objectiva ou pelo risco.http://apontamentosdireito. segundo o principio ubi commoda ibi incommoda (onde estão as coisas cómodas aí estão as coisas incomodas). é preciso que tenha havido culpa da pessoa física que praticou o acto ilícito. a pessoa colectiva emprega determinadas pessoas para vantagem própria. civil contratual das pessoas colectivas é necessário que o contrato donde emerge a obrigação infringida tenha sido celebrado por quem tinha poderes para vincular a pessoa colectiva em causa. Existe responsabilidade civil por facto ilícito culposo: em que os órgãos deliberativos violam direitos ou interesses legalmente protegidos de terceiros provocando-lhes em termos de causalidade adequada danos: exemplo – deliberação de uma empresa descarregar nas aguas de um rio poluentes que vão danificar culturas – a pessoa colectiva tem que indemnizar as pessoas cujos patrimónios danificou nos termos dos artigos 483º seguintes. Pressupostos da responsabilidade civil da pessoa colectiva: a) Precisa de haver uma comissão.com/index. remetendo-nos para o 800º. agentes ou mandatários que produzam a violação de uma obrigação em sentido técnico. Há a necessidade de culpa do órgão ou agente tanto nos casos de falta de cumprimento como nos de cumprimento defeituoso  799º/1.Responsabilidade contratual: resulta da capacidade da pessoa colectiva contrair obrigações. contrato de trabalho)500º/1. sendo prejudicial para a própria pessoa colectiva visto que ninguém queria contratar com ela. As pessoas colectivas respondem pelos actos dos seus órgãos.html 1. Embora entendase que basta um nexo de vinculação jurídica entre a pessoa colectiva e o agente (exemplo. Seria injustificável a exclusão dessa forma de responsabilidade.Responsabilidade extracontratual: danos causados a terceiros fora de uma relação contratual entre o lesante e o lesado. Para existir resp. civil nos termos gerais da resp. Exige-se que o acto tenha causado danos e que os danos estejam em relação de causalidade adequada com o acto – 500º/1. 2. ou seja. Mas b) c) 68 . Vem enunciada no artigo 165º. salvo se se tratarem de matérias em que se responde sem culpa ou ainda no caso excepcional de responsabilidade por intervenções licitas. Precisa que sobre o órgão. agente ou mandatário recaia a obrigação de indemnizar – artigo 500º/1. Há resp.

Actos integrados no quadro geral da competência.atspace. No que respeita a relações internas:  a) A Pessoa Colectiva que tiver satisfeito a indemnização tem direito de regresso contra o órgão. o que acontece é que via da regra o lesado recorre à Pessoa Colectiva. pode haver externamente mas não internamente como no caso do motorista que adormece e atropela outra pessoa.http://apontamentosdireito. ou poderes que lhe foram confiados.  c) No caso de indefinição da culpa no plano interno é aplicada a parte final do artigo 497º/2 em que há presunção de igualdade nas culpas. 500) ou solidária? (em que cada um deve os 1000 e o credor tanto se pode dirigir a um como o outro). agente ou mandatário. Procedimentos levados a cabo pelo agente na qualidade de representante da pessoa colectiva. Comportamentos causados pelas funções que lhe foram atribuídas. Estaremos no não exercício das funções quando se prosseguem exclusivamente interesses e objectivos pessoais do agente  nexo de mera ocasionalidade. 69 .Trata-se de uma obrigação solidária aplicando-se o 497º ex vi do artigo 499º. d. Ainda nos casos em que o agente visa apensa interesses pessoais e integrado formalmente no quadro geral da sua competência se aproveita de uma aparência social que cria um estado de confiança (boa-fé) do lesado na licitude do comportamento do agente  teoria da aparência jurídica. c. mesmo que praticados tendo em vista interesses próprios e / ou com a intenção de lesar um terceiro – 500º/2. Há um nexo de instrumentalidade entre o acto e a função e os poderes que o agente desfruta no exercício da sua competência. agente ou mandatário pode exercer acção de regresso contra a pessoa colectiva se não houve da sua parte qualquer culpa no plano das relações internas  497º/2. órgão ou mandatário fica também obrigado a indemnizar ao lado da pessoa colectiva.com/index. outros. podendo exigir o reembolso de tudo o que haja pago. O agente. mas em que a causa da fadiga se deve às instruções dadas pela entidade patronal para um trabalho sem o necessário repouso) 500º/3 (houve culpa da parte do comitente também!). desde que esses mesmos actos tenham ou objectivos exclusivamente inerentes aos interesses da pessoa colectiva ou prossigam simultaneamente interesses pessoais e da pessoa colectiva. Mas será uma responsabilidade conjunta? ( a pessoa colectiva deve 500 por exemplo e o agente. b.html quando podemos considerar um acto como praticado no exercício de funções? a.  b) Também o órgão. desde que este tenha culpa no plano das relações internas (exemplo.

2. a) Objecto imediato: aquilo que directamente está submetido aos poderes ideais que integram um direito subjectivo. a própria coisa que deve ser entregue.existência autónoma ou separada: exemplo. exemplo é o acto de entrega da coisa – a prestação. através de um elemento mediador está submetido aqueles poderes. Também não acontecerá a legitimação do suicídio ou automutilaçao visto que o artigo 81º diz que toda a limitação voluntária dos direitos de personalidade é nula se for contraria aos princípios da ordem pública. c. não o sendo cada uma das suas paredes. contrário do que antigamente se pensava com a escravatura.atspace. exemplo. não sendo coisas os bens que escapam ao domínio do homem.http://apontamentosdireito. Sentido filosófico: tudo o que pode ser pensado. uma casa é uma coisa. Esta definição será pouco exacta. não de direitos subjectivos mas de poderes-deveres (exemplo. No entanto a lei concretiza alguns direitos sobre certos aspectos da personalidade – arts. isto é. certas manifestações ou modos de ser físicos ou morais da pessoa. Sentido jurídico: tudo aquilo que pode ser objecto de relações jurídicas artigo 202º. como por exemplo os planetas ou então por falta de delimitação ou captura são aproveitados por todos os homens. pelo contrário visando o seu beneficio. Possíveis objectos da relação jurídica: a) A própria pessoa. Sentido físico: tudo o que tem existência corpórea (quad tanji potest) ou pelo menos é susceptível de ser captado pelos sentidos. b.html  O Objecto da Relação Jurídica: Generalidades: o objecto é aquilo sobre que incidem os poderes do titular do direito. como por exemplo a luz. b) Objecto mediato: aquilo que só de uma forma mediata ou indirecta. Autores criticam do ponto de vista lógico (já que levaria a distinguir no homem duas pessoas: uma sujeito e outra objecto dos seus direitos de personalidade) e do ponto de vista moral (legitimaria o suicídio ou a automutilação) este possível objecto. hoje. é o “quid” sobre que incidem os poderes do titular activo da relação jurídica (contrário de conteúdo que é o conjunto de poderes ou faculdades que o direito subjectivo comporta).aptidão para satisfazer 70 . 70º ss. b) A pessoa de outrém – falamos aqui. ou seja. ainda que não tenha existência real e presente. iura in se ipsum – direitos sobre a própria pessoa.possibilidade de apropriação exclusiva por alguém. não ferindo a sua dignidade. c) Coisas: a. ou seja. o poder paternal e o poder tutelar) incidem directamente sobre a pessoa do filho ou do pupilo. 3. não são direitos de domínio ou soberania sobre a pessoa.com/index. o certo é que têm de apresentar as seguintes características: 1.

html interesses ou necessidades humanas daí que uma gota de água ou um grão de areia não sejam coisas.http://apontamentosdireito. É esta a noção que se refere o artigo 2030º/2 . Direitos enquanto objecto de outros direitos: são também coisas incorpóreas. b) são por natureza insusceptíveis de apropriação individual – exemplo ar atmosférico. ii. relações jurídicas susceptíveis de avaliação pecuniária que pode resultar: a) Valor de troca: este é alienável mediante uma contraprestação. podem ser apreendidas pelos sentidos. ou seja. podem ser tocadas. Classificação das coisas: Coisas no comercio e fora do comercio a) o artigo 202º/2 considera fora do comércio as coisas insusceptíveis de serem objecto de direitos privados como: a) as coisas que se encontrem no domínio publico – artigo 84º CRP. b. os activos que não os deveres e obrigações patrimoniais. Incorpóreas: existem dois tipos: i. Bens imateriais: podem ser objecto de propriedade intelectual. (ver a definição de frutos – artigo 212º e de benfeitorias – artigo 216º) Património: Património global: conjunto de relações jurídicas activas e passivas (direitos e obrigações) avaliáveis em dinheiro de que uma pessoa é titular. c) Coisas móveis e imóveis: artigo 204º . o interesse de saber se são corpóreas reside no artigo 1302º. b) Valor de uso: o direito embora não permutável proporciona o gozo de um bem que só se obtém mediante uma despesa (exemplo um bilhete para um espectáculo). É 71 .o código civil enumera um conjunto de coisas que são taxativamente imóveis e no artigo 205º diz que as restantes são móveis. b) Coisas corpóreas e incorpóreas: a.atspace. chamados passivos. # Contrário – esfera jurídica – totalidade das relações jurídicas de que uma pessoa é sujeito – património mais direitos e obrigações não avaliáveis em dinheiro. exemplo direitos de autor e propriedade industrial (marcas. exemplo – penhor de direitos e o trespasse de um estabelecimento comercial ou industrial – artigo 115º do RAU. Corpóreas ou materiais: têm existência física. patentes) ambos sujeitos a legislação especial – 1303º. Património activo: abrange apenas os direitos patrimoniais ou seja.com/index.

ou seja. pelas dividas da herança e não por outras dividas (2070º) Se um bem desse património autónomo se perde.) Património liquido: trata-se da saldo patrimonial: relações jurídicas activas ou direitos – relações jurídicas passíveis ou obrigações. ou seja.com/index.atspace. Temos então 2 reflexos: a) património autónomo – só responde por certas dividas e não responde por outras. a um conjunto de pessoas sem possibilidade de cada uma dessas pessoas alienar um quota ou fracção desse património ou 72 .. por força da morte de um individuo. O caso mais nítido de património autónomo no direito privado Português é o da herança – é o conjunto das relações jurídicas patrimoniais que. trata-se da mesma massa patrimonial que pertence em bloco. passam da titularidade deste para os herdeiros e legatários. b) A herança só responde. instituição da substituição de uma coisa que se perdeu por força de um acto ou facto jurídico que simultaneamente implicou a aquisição de um valor ou pondo esse novo valor o lugar do anterior como novo objecto da mesma relação jurídica que já existia. Características da plena autonomia patrimonial: a) Tanto no caso de aceitação a beneficio do inventario (2071º/1) como se no caso de aceitação pura e simples (2071º2) o herdeiro não responde pelas dividas da herança para além das forças dos bens herdados. b) por aquelas dívidas só o património autónomo responde não afectando o património geral do seu titular. em principio. Sendo que o ónus da prova de insuficiência do activo hereditário cabe ao herdeiro e não aos credores na aceitação pura e simples (2071º/2) e o ónus da prova da existência de mais bens além dos inventariados cabe aos credores na aceitação a beneficio de inventario (2071º/1)  só a herança responde pelas suas dividas e não os herdeiros.http://apontamentosdireito. (activos – passivos) Património autónomo: conjunto circunscrito de relações patrimoniais sujeito a um regime jurídico particular. isto é só responde e responde só ele por certas dívidas. este valor deve substituir-se ao primeiro bem tomando o seu lugar no património autónomo. não responde ultra vires hereditatis. um mesmo sujeito é titular de um património global e de um património autónomo. Mas qual o critério do reconhecimento da autonomia ou separação de património? O critério preferível é o da responsabilidade por dívidas. Património autónomo ou separado será o que responde por dívidas próprias. fazendo as suas vezes. adquirindo-se outro valor. A isto se chama sub-rogação real .html esta a noção de património a que o artigo 225º?? Alude quando fala de fazenda (:. Patrimónios conjuntos: estamos perante um único património pertencendo a vários sujeitos: A) Património colectivo: figura de raiz Germânica. globalmente.

refira-se que a menção mencionada no 1969º só é possível de execução quando se processa à extinção da comunhão conjugal. quando duas ou mais pessoas são simultaneamente titulares do direito de propriedade sobre a mesma coisa – 1403º/1. em que cada proprietário tem direito a uma quota ideal ou fracção do objecto comum – 1403º/2. Factos jurídicos involuntários ou naturais: são estranhos a qualquer processo volitivo.atspace. com a extinção do casamento ou através da separação de bens entre os cônjuges. o comproprietário possa dispor de toda a sua quota na comunhão ou de parte dela – 1408º. um convite para um passeio). 73 . quer a comunhão de adquiridos).A temos a necessidade de consentimento dos cônjuges na alienação ou oneração de bens móveis e imóveis de forma a garantir a estabilidade no casamento. Classificação dos factos jurídicos: a) Factos jurídicos voluntários e involuntários: factos jurídicos voluntários ou actos jurídicos são os factos jurídicos resultantes da manifestação ou actuação da vontade humana enquanto elemento juridicamente relevante. O BGB chama-lhe “Bruchteilegemeinschaf” (comunhão segundo quotas). A compropriedade ou propriedade comum: figura de raiz Romanística. ou seja. Daí que ao contrário do património colectivo.com/index. produtor de efeitos jurídicos / contrario de factos ajuridicos que são factos da vida real irrelevantes ou indiferentes ao qual a ordem jurídica não liga quaisquer consequências (exemplo. Quanto às dívidas da responsabilidade de ambos os conjugues temos o artigo 1695º. assim.html B) requerer a divisão enquanto não terminar a causa geradora do surgimento do património colectivo. também. O BGB chama-lhe “Gemeirsahaft zur gesanten tand”. quanto à responsabilidade de dívidas de um dos cônjuges temos 1696º. Daí. Trata-se de uma comunhão por quotas ideias. Nos artigos 1682º e 1681º .http://apontamentosdireito. que o comproprietário não seja obrigado a permanecer na indivisão . o património colectivo é. determinado por uma causa ou fim. A forma que se conhece no nosso direito de um património colectivo é o da comunhão conjugal (quer a comunhão geral de bens. morte natural de um animal) ou porque a sua eventual voluntariedade não tem qualquer relevância jurídica (exemplo o nascimento). ou porque resultam de causas de ordem natural (exemplo. exemplo testamento ou contrato. # O facto jurídico: Noção: é todo o acto humano ou acontecimento natural juridicamente relevante. podendo exigir a divisão da coisa comum – 1412º.

exemplo. 74 . Quase – delitos  é praticado com negligência. Factos jurídicos ilícitos: facto contrário à ordem jurídica e por ela reprovados e sancionados. ou seja.http://apontamentosdireito. factos jurídicos lícitos: facto conforme a ordem jurídica e por ela tutelado ou garantido. Exemplo: ocupação de animais bravos (caça e pesca)ou de animais e coisas moveis perdidas – 1318º. visto que o ilícito contratual existe tanto quando não se cumpre uma obrigação resultante de um contrato. como da violação resultante de um negócio unilateral. Também são designados por actos materiais. actos reais (“realakten”) ou actos exteriores. Quase negócios jurídicos e operações jurídicas: distinção feita dentro dos simples actos jurídicos. com omissão de um dever de cuidado ou diligencia.html b) c) d) e) f) Factos jurídicos lícitos e ilícitos: trata-se de uma classificação dos factos jurídicos voluntários ou actos jurídicos. Negócios jurídicos e simples actos jurídicos: estamos no domínio dos factos jurídicos voluntários. com intenção de provocar esse resultado.com/index. Porquê ilícito negocial ou extranegocial e não contratual ou extracontratual? É mais rigoroso desta forma. contratos. ocupação de animais bravios – 1318º. embora muitas vezes haja concordância entre a vontade destes e os referidos efeitos. Delitos e quase-delitos civis: delito é o mesmo que acto ilícito. Ilícito negocial: resulta da violação da parte de um devedor de uma obrigação. Ilícito extranegocial: resulta da violação de um dever geral de abstenção que se impunha perante um direito absoluto. perante um certo credor resultante normalmente de um contrato. Actos jurídicos: são factos voluntários cujos efeitos se produzem mesmo que não tenham sido previstos ou queridos pelos seus autores. Negócios jurídicos: são factos voluntários cujo núcleo essencial é integrado por uma ou mais declarações de vontade tendentes a produzir determinados efeitos jurídicos que coincidem ou tendencialmente coincidem com a vontade das partes os efeitos dos negócios jurídicos produzem-se ex voluntate exemplo. Delito é praticado com dolo. ou seja. interpelação do devedor – 805º/1. Bastante importante saber para efeitos da responsabilidade civil  artigo 494º. estabelecimento do domicilio – 82ºss. interpelação do devedor – 805º/1. Os efeitos dos simples actos jurídicos produzem-se ex lege. Quase-negócios jurídicos ou actos jurídicos quase negociais: traduzem-se na manifestação exterior de uma vontade (exemplo. Factos ilícitos negociais e extranegociais: falamos de ilícitos civis: violam interesses particulares / contrário de ilícitos penais que violam interesses gerais da comunidade.atspace. Operações jurídicas: traduzem-se na efectivação ou realização de um resultado material ou factual a que a lei liga determinados efeitos jurídicos.

exemplo. não dependendo da existência ou da extensão de um direito anterior. que poderá até não existir. o direito que se adquire é menos extenso que o direito anterior. (2) conteúdo (se na compra e venda o vendedor tinha um direito mas apenas o de usufruto este não pode transferir um direito mais amplo que não tem.com/index. por exemplo). Constituição de direitos: é o aparecimento de um direito pela primeira vez na ordem jurídica.html Efeitos dos factos jurídicos: os factos jurídicos desencadeiam determinados efeitos que consistem que consistem fundamentalmente numa aquisição. é a criação de um direito que não existia anteriormente. Exemplo: usucapião  1287º seguintes. quando esse direito se a liga a esse sujeito. Toda a constituição implica a sua aquisição. Mas nem toda a aquisição envolve a constituição de direitos exemplo. o proprietário de um prédio constituir um usufruto a favor de outrem.http://apontamentosdireito.atspace. O direito que se adquire é o mesmo que estava na esfera jurídica do transmitente (compra e venda. b) Aquisição originária e aquisição derivada: Aquisição derivada: aquisição em que o direito que se adquire depende não só do facto aquisitivo mas também do direito anterior. Aquisição de direitos e constituição de direitos são duas coisas diferentes. tendo apenas uma fracção. Constitutiva: o direito que se adquire tem um conteúdo ou extensão inferior ao direito anterior. Aquisição originária: aquisição em que o direito que se adquire depende apenas do facto aquisitivo (facto jurídico que o fez nascer). Diz-se que o sujeito adquire um direito. constitutiva e restitutiva: Translativa: o direito que se adquire tem exactamente o mesmo conteúdo ou extensão do direito anterior. Exemplo. só poderá transferir essa fracção. modificação ou extinção de relações jurídicas. aquisição de propriedade através do contrato de compra e venda. visto não haverem direitos sem sujeito. no caso de caça e pesca 1319º nem sequer há um direito anterior e em todos eles o direito do adquirente não foi adquirido por causa do direito anterior. a) Noçao: é a ligação de um direito a um determinado sujeito. Aquisição de direitos: pensamos no lado activo da relação jurídica. (3) objecto ou área de incidência (imagine-se que o alienante era apenas comproprietário. ocupação de coisas moveis  1318º seguintes. c) Modalidades de aquisição derivada: translativa. 75 . mas apenas dele. aquisição derivada translativa. como tal não pode ter um objecto mais vasto do que o direito anterior). Existe uma tripla dependência  (1) existência (o direito tem de existir).

a destruição de um usufruto. num sentido amplo pode-se utilizar a expressão transmissão de direitos para qualquer forma de aquisição derivada. não podendo este transmitir mais direitos do que os que tem. É esta a regra fundamental da aquisição derivada. na aquisição derivada a extensão do direito do adquirente depende do conteúdo do facto aquisitivo e depende ainda da amplitude do direito do transmitente. Logo se A vende a B uma coisa da qual não era proprietário esse acto é nulo com fundamento legal no artigo 892º e ss  venda de coisa alheia.com/index. segundo a velha máxima nemo pluris iuris in alium transferre potest quam ipse habet (ninguém pode transferir para outrem mais direitos de que o próprio tem). situações em que o adquirente pode obter um direito que não pertencia ao transmitente ou é mais amplo do que aquele que pertencia a esse mesmo transmitente. a) Instituto do registo predial e registos similares: as pessoas devem inscrever. No entanto. passando a ser um direito de propriedade pleno novamente. tal como a sucessão refere-se tanto aos direitos. retoma a dimensão inicial. ou seja.atspace. e) A transmissão de direitos: A transmissão de direitos equivale à aquisição derivada translativa. O nosso registo predial é: 76 . No entanto. exemplo. restituindo-se o direito à sua plenitude inicial. este principio comporta excepções. mas sim assumem-se daí a epigrafe do artigo 595º. coincide apenas com a aquisição derivada translativa. Podemos utilizar sucessão num sentido amplo (tanto mortis causa como intervivos) e aí o titular anterior do direito designa-se por autor. d) Distinção entre aquisição derivada e sucessão: Sucessão: é o subingresso de alguém num direito de outrém. enquanto a aquisição rigorosamente só diz respeito a direitos. f)Importância da distinção entre aquisição derivada e aquisição originária: enquanto que na aquisição originária a extensão do direito adquirido depende apenas do facto ou titulo aquisitivo.html Restitutiva: o titular de um direito real limitado demite-se dele. designando apenas a sucessão mortis causa aí o autor da sucessão é designado por hereditando ou de cuius e os sucessores ou causados por herdeiro ou legatário conforme sucedam na totalidade ou numa quota do património ou em bens ou valores determinados. A transmissão. como às dívidas. As dívidas não se adquirem.http://apontamentosdireito. Mas frequentemente utiliza-se sucessão num sentido estrito. antecessor ou causante e o adquirente por sucessor ou causado. deixando de estar comprimido. Quando falamos em sucessão referimo-nos aos direitos e também às dívidas. com o fim de lhes dar publicidade os diversos actos inerentes a bens imóveis e outros bens indicados.

se B adquire um bem sujeito a registo mas não o regista e C adquire o mesmo bem (sendo C terceiro para efeitos de registo).com/index. Um registo de aquisições (não de pessoas como é o caso do registo civil). já que apenas poderá haver um proprietário. É a chamada estrutura da aquisição triangular. quanto aos bens sujeitos a registo. defendida por Manuel de Andrade. potior in iure.atspace. e não da aquisição do direito sobre o bem. aplica-se a regra da prioridade do registo. Escola de Coimbra. art.http://apontamentosdireito. Algo que permanece até aos nossos dias. É facultativo: a sua inobservância não é uma infracção de um dever. se verifica uma situação de aquisição a non domino (aquisição de um bem que já não era titulado por A) – logo. A--------------B C Assim. estes efeitos não se poderão opôr a terceiros quando não haja tal aquisição sido registada (“os factos sujeitos a registo só produzem efeitos contra terceiros depois da data do registo”). iii. mas que se viu a partir desses mesmos anos (60) bastante conturbada. 5º e 6º do código de registo predial  enquanto não for registado. Do registo decorrem três tipos de efeitos: 1Efeito imediato ou automático do registo: é a presunção de titularidade do direito. 291º) 3Efeito central do registo: artigo 4º. Mas quem são os terceiros para efeitos de registo predial? Trata-se de uma noção que até aos anos 60 era bastante pacifica na nossa jurisprudência e na nossa doutrina. embora A já não seja proprietário do bem. embora a aquisição produza efeitos inter partes. há uma excepção ao princípio do nemo plus iuris. e o regista. ii. só fugindo a isto a constituição de hipoteca em que o registo é constitutivo e como tal condição de validade. Mota Pinto e Orlando de Carvalho diz que terceiros para efeitos de registo são os que do mesmo autor ou transmitente adquirem sobre o mesmo bem direitos total ou parcialmente incompatíveis ou conflituantes. não se aplica a regra da prioridade ou prevalência da transmissão mas a regra da prioridade do registo. é mera condição de eficácia da aquisição e não condição da sua validade como acontece com os registos constitutivos caso do Alemão. de modo que. mas apenas a inobservância de um simples ónus do adquirente. Quem não fosse o proprietário segundo 77 . É declarativo. 2Efeitos laterais do registo: todos os previstos na lei independentemente dos outros dois efeitos (ex.html i. Assim. A aquisição sem registo não deixa de ser válida e enquanto não há registo prevalece inteiramente a primeira aquisição de acordo com a regra prior in tempore.

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a regra do nemus pluris iuris nada podia transmitir e como tal quem com ele contratou nada poderá obter. Pois quem adquiriu a domino, ainda que não tenha registado é sempre preferido a quem adquire a non domino. Pressupõe-se, assim, que o transmitente é o mesmo, segundo este esquema.

A

B (nr)

C (r) Fora isto, nada mais se exige para a inoponibilidade a terceiros, nem se a aquisição é intervivos ou mortis causa, nem se a aquisição é gratuita ou onerosa, nem se o registo é feito com o conhecimento de aquisição conflituante não inscrita ou com o desconhecimento da mesma. A posição da Escola de Lisboa defendida por Oliveira Ascensão e por Meneses Cordeiro é mais restritiva. Para estes, terceiros para efeitos de registo são apenas os que adquirem a título oneroso e de boa fé, ou seja, com o desconhecimento da aquisição conflituante. Doutor Orlando de Carvalho e Doutor Mota Pinto consideram esta restrição inadmissível e subversiva da função do registo e a segurança que o mesmo trás ao tráfego jurídico. No que diz respeito à boa fé e defendido que tal traria o caos à segurança que se pretende no comércio jurídico, trazendo ao adquirente delongas, incertezas e gastos tendentes a provar que desconhecia uma alienação anterior. Má fé psicológica que é algo, muito difícil de provar. No que diz respeito à onerosidade da aquisição o Doutor Orlando de Carvalho diz-nos que não tem aqui qualquer sentido pois não tem qualquer relevo no quadro da oponibilidade dos direitos. No que diz respeito à jurisprudência acerca deste assunto nos tempos mais próximos, o acórdão de fixação de jurisprudência de 15/ 97 de 4 Julho do STJ veio sustentar a posição de Coimbra, no entanto o acórdão de 8/99 de 10 Julho modificou as coisas e consolidou a posição da escola de Lisboa com a exigência da boa-fé.

b)

Regra geral da protecção de terceiros contra qualquer invalidade (nulidades e anulabilidades) artigo 291º  este artigo estabelece um regime de inoponibilidade da nulidade e anulação de negócios jurídicos anteriores com base nos seguintes pressupostos cumulativos: i. Estejam em causa bens imóveis ou bens móveis sujeitos a registo; ii. Onerosidade da aquisição; iii. Ser terceiro, são terceiros aqueles que inseridos numa mesma cadeia de transmissões linear e sucessiva, vêm a sua aquisição afectada por um vício de um negócio precedente (não pode haver invalidade própria);

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c)

iv. Haja boa fé, sendo a boa fé determinada no nº3 do artigo 291º, como ignorância não culposa das causas de invalidade dos actos anteriores à aquisição do direito pelo terceiro, ou seja, tem de haver um desconhecimento efectivo no momento da sua aquisição; v. Ser um negócio nulo ou anulável – só funciona contra causas de invalidade; vi. A aquisição ter de ser registada antes do registo da acção  efeitos laterais do registo; vii. A posição do terceiro só se consolida após 3 anos (espécie de quarentena) do decurso do negócio inválido 291º/2 (se for numa cadeia9 conta o ultimo negocio invalido) Embora no caso da anulabilidade há sanção pelo decurso do tempo 287º/1. Regra especial de protecção de terceiros contra nulidade decorrente de simulação  artigo 243º, como resulta do artigo 240º os negócios simulados são nulos. No entanto o artigo 243º/1 vem estabelecer um regime de inoponibilidade desta nulidade com base numa simulação, desde que se preencham dois requisitos cumulativos: a. Ser terceiro. Inicialmente o Doutor Orlando de Carvalho defendia a mesma definição de terceiros do artigo 291º. Autores da Escola de Coimbra como o Doutor Manuel de Andrade e como Doutor Mota Pinto defendiam que terceiros não seriam apenas os defendidos por Orlando de Carvalho, mas todos os que vissem a sua posição jurídica afectada pela simulação (a que não sejam os próprios simuladores ou os herdeiros após a morte). O Doutor Orlando de Carvalho, nos últimos escritos, antes da sua morte parece ter evoluído para esta concepção de terceiros para efeitos do artigo 241º defendida pelos restantes autores da Escola de Coimbra; b. Esteja de boa fé  o artigo 243º/2 , este só fala em ignorância da simulação e não em desconhecimento sem culpa como vem no artigo 291º/3, ou seja, haverá boa fé, ainda que com culpa do terceiro, ou seja, se houver possibilidade de ele conhecer. Aqui a má fé superveniente não releva pois o momento considerado é o da aquisição dos direitos 243º/2. Embora se considere sempre má fé a aquisição por parte de terceiro após o registo da acção de simulação  243º/3.

ANEXO: Coloca-se o problema de se saber se a simulação é inoponivel só aos terceiros de boa fé prejudicados com a invalidação do negócio, ou seja, aos que
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No caso: A (vicio)  B (vicio)  C D(boa fé) E (má fé). Orlando de Carvalho entende que se na cadeia um dos adquirentes estivesse protegido os seus sucessivos adquirentes também o estavam, beneficiando derivadamente da protecção  protecção intercorrente de terceiros na cadeia. Dr. Pinto Monteiro tem grandes dúvidas, sobretudo quando o ulterior adquirente está de má fé beneficiando de um mecanismo alheio, apesar da sua convicção psicológica contraria à lei.

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com isso sofriam uma perda, ou também aos terceiros que deixam de lucrar com a invalidação do negócio. Corrente mais ampla defendida por Pires de Lima, Antunes Varela, Castro Mendes, Vaz Serra, dizem que terceiros são também os que deixam de lucrar com a invalidação do negócio. Baseiam-se na letra da lei, visto que o artigo 243º/1 nada diz e num elemento histórico visto o anteprojecto conter essa restrição e o texto definitivo nada dizer. Corrente mais restritiva defendida por Mota Pinto, Manuel de Andrade diz que será apenas inoponivel aos terceiros que, com a invalidação do negócio sofram prejuízos. Invocam para isso o elemento racional, atendendo ao fim do artigo 243º (que é de proteger a confiança de terceiros) optam por uma solução mais justa que será a de impedir a invocação da simulação que causa prejuízos e já não a que origina vantagens ou lucros (exemplo, no caso de uma venda por 100 em que se declarou simuladamente 30, não pode invocar a sua qualidade de terceiro de boa fé para preferir pelo preço declarado é-lhe oponível a nulidade ,sendo admitido a preferir pelo preço real. (ver melhor isto) Modificações de direitos: Noção: tem lugar quando alterado ou mudado um elemento de um direito, permanece a identidade do referido direito apesar da alteração ocorrida. Esta perduração significa que o ordenamento jurídico continua a tratar o direito como se não tivesse existido uma alteração  o direito é o mesmo. Modalidades: Modificação subjectiva: 10 - há uma substituição dos sujeitos na titularidade do direito, permanecendo a identidade objectiva do direito. Há uma sucessão no direito. Exemplo, é o que acontece na cessão e na sub-rogação nos créditos – 577º ss e 589º ss; pode ainda resultar de uma multiplicação dos sujeitos por adjunção (um novo devedor assume a obrigação para com o credor mas o devedor anterior permanece vinculado); Modificação objectiva: há uma modificação no conteúdo ou no objecto do direito permanecendo o direito idêntico. Exemplo, modificação do conteúdo: concedido pelo credor uma prorrogação do prazo para o cumprimento. Modificação do objecto: o devedor não cumprindo culposamente a obrigação o seu dever de prestar é substituído por um dever de indemnizar. Extinção de direitos: Noção: tem lugar quando um direito deixa de existir na esfera jurídica de uma pessoa, extinção subjectiva ou perda de direitos: se o direito sobrevive em si,
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Por substituição: quando o sujeito activo se substitui outro; Multiplicação: a um sujeito activo se substituem vários; Concentração: a vários sujeitos activos sucede um único.

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Diferenças entre prescrição extintiva e caducidade: quando um direito deva ser exercido durante certo prazo aplicam-se as regras da caducidade. Prescrição aquisitiva ou usucapião: ao contrario da prescrição extintiva aqui adquirem-se direitos reais. enquanto que se admitem estipulações convencionais acerca da caducidade artigo 330º.http://apontamentosdireito. cujo conteúdo essencial e constituído por uma ou mais declarações de vontade dirigidas a 81 . em princípio. Acontece sempre que tem lugar a uma sucessão. Conceito e elementos dos negócios jurídicos I. b) A caducidade é apreciada oficiosamente pelo tribunal  artigo 333º. 310.com/index. art.atspace. c) A caducidade. o artigo 1786º. o direito extingiu-se para aquele sujeito mas subsiste na esfera jurídica de outrem. prevendo a lei para certas hipóteses uma prescrição de cinco anos  art. exemplo a destruição do objecto do direito. Por seu turno a prescrição se interrompe pela citação ou notificação judicial  323º. Enquanto que na caducidade não vem previstos na lei prazos normais. enquanto que a prescrição tem de ser invocada. e) O prazo ordinário da prescrição 20 anos. a) A prescrição extintiva é inderrogável como resulta do artigo 300º. havendo prazos mais curtos para as chamadas prescrições presuntivas. existem prazos processuais. Tem a ver com objectivos de conveniência ou oportunidade social e mesmo de segurança e exigibilidade. mais do que propriamente com objectivos de justiça.html apenas mudando a pessoa do seu titular. em princípio. a justiça não lhe é estranha já que há a ponderação de uma inércia negligente do titular do direito em exercita-lo o que faz presumir uma renuncia ou pelo menos o torna indigno da certeza e segurança. a)Modalidades particulares da extinção de direitos:  Prescrição extintiva: extinção de um direito que pode não ser acompanhado pela aquisição correspondente. não podendo o tribunal oficiosamente supri-la  artigo 303º. ao contrário da prescrição que se suspende e interrompe nos casos previstos na lei  318º ss e 323º ss. ou seja. pela prática do acto  331. Extinção objectiva: se o direito desaparece. d) A caducidade só é impedida. mas normalmente tem um carácter substantivo com amplitudes muito variáveis  exemplo. Conceito e importância do negocio jurídico: a. embora o reconhecimento do direito contra quem deve ser exigido também impede a caducidade. 319º. Negocio jurídico – facto voluntário. se fundam numa presunção do cumprimento. licito. salvo se a lei se referir expressamente à prescrição – artigo 298º/2. deixando de existir para o seu titular ou para qualquer outra pessoa. não comporta causas de suspensão nem de interrupção artigo 328º. No entanto.

b. não bastando provarse que as partes não consideraram o ponto ou até não teriam querido aquele regime. mas que estão II. um dos princípios fundamentais do nosso direito civil. exemplo um convite para jantar. a. exacta e completa correspondência entre o conteúdo da vontade das partes e os efeitos jurídicos produzidos tais como a lei os determina. Critica: tal como esta doutrina define o negócio jurídico este não se distingue de outros actos que não são negócios jurídicos que se fiam na honorabilidade das partes. A sua importância prende-se com o facto de ser o instrumento principal de realização do princípio da autonomia da vontade. Por falta de intenção de efeitos jurídicos temos de distinguir os negócios jurídicos dos chamados negócios de pura obsequiosidade. As partes dos vários negócios não tem uma ideia completa e exacta de todos os efeitos que o ordenamento jurídico atribui as suas declarações de vontade. 82 . Teoria dos efeitos práticos jurídicos: trata-se do ponto de vista correcto. Por falta de vontade de efeitos jurídicos há ainda que distinguir os negócios jurídicos dos chamados “gentlments agreement´s”  convenções sob matéria que é normalmente objecto de matéria de negócios jurídicos. pratica dos efeitos jurídicos imediatos e fundamentais. Teoria dos efeitos práticos: basta que a declaração se dirija a certos efeitos práticos ou empíricos sem carácter ilícito.html realização de certos efeitos práticos com a intenção de os alcançar sob tutela do direito e em que o ordenamento jurídico atribui efeitos jurídicos correspondentes. Teoria dos efeitos jurídicos: deve haver. empréstimo de honra). Se esta doutrina fosse verdade só os juristas completamente informados sobre o ordenamento poderiam celebrar negócios jurídicos. efeitos jurídicos concordantes. As normas supletivas só deixam de se aplicar quando uma vontade real contaria for manifestada. Criticas: i. Os próprios efeitos derivados de normas supletivas resultariam da tacita vontade das partes. Quem realiza negócios jurídicos visa certos resultados práticos ou materiais e quere-os realizar por via jurídica. Natureza jurídica – diz respeito à relação que deve existir entre a vontade dos seus autores e os efeitos produzidos pela ordem jurídica. também uma vontade de efeitos jurídicos. basta uma representação global.atspace. Tem. Só que aqui não há uma representação completa dos efeitos jurídicos correspondentes aquela vontade de efeitos práticos. c. não se dirigindo apenas a efeitos práticos. determinados.com/index. ii. fazendo a lei corresponder a esses efeitos práticos. em geral em conformidade com a intenção manifestada pelo declarante ou declarantes. como tal. (exemplo.http://apontamentosdireito.

a declaração de vontade sem vícios. sendo apenas admitidos os negócios que estiverem especificamente previstos na lei artigo 457º. Não é necessário que as partes configurem qualquer clausula para a produção destes efeitos.gozo esse que é temporário (diferente de compra e venda) 3. no caso de intenção de efeitos jurídicos.com/index. b) Vigora o princípio da tipicidade ou do numerus clausus. São as características próprias de cada modalidade negocial. exemplo artigo 885º. assim.atspace. Unilaterais: há uma só declaração de vontade (exemplo.obrigação da outra parte pagar a correspondente retribuição (diferente do comodato). Há. procuração feita por duas pessoas a favor de um mesmo advogado). 2.obrigação de proporcionar à outra parte o solo de cada coisa 2. b.Elementos dos negócios jurídicos: 1. Unilaterais e bilaterais: a. uma oferta ou proposta e a aceitação que se concilia num consenso. sem os quais o mesmo não chegaria a ter existência material. falamos da declaração. testamento) ou varias declarações de vontade paralelas formando um só grupo (exemplo. Naturais: são os efeitos negociais derivados de disposições legais supletivas. Ainda. A eficácia do negócio não careceu de concordância de outrem. exemplo locação artigo 1022º ss. segundo a sistematização tradicional. em que temos 1. de conteúdo oposto mas convergente com a pretensão de um resultado jurídico unitário. exemplo cláusula de juros. Classificação dos negócios jurídicos: 1. Falamos da capacidade das partes e da sua legitimidade. Contratos ou negócios jurídicos bilaterais: há duas ou mais declarações de vontade. Acidentais: são as cláusulas acessórias dos negócios jurídicos.html desprovidos. exemplo um empréstimo de honra. que considera essenciais os requisitos ou condições gerais de validade de qualquer negócio. 3. Essenciais: podem ser aqueles relativos à existência do negócio jurídico. Elas não caracterizam o tipo negocial em abstracto mas tornam-se imprescindíveis para que o negócio concreto produza os efeitos a que elas tendem. dos sujeitos e do conteúdo. Características do regime dos negócios unilaterais: a) É desnecessária a anuência da contraparte. III. Podemos falar ainda de elementos essenciais no sentido dos elementos essenciais de cada negócio típico ou inominado. 83 . idoneidade do objecto jurídico  artigo 280º.http://apontamentosdireito.

com/index. responsabilidade essa ainda hoje admitida no artigo 227º. O artigo 224º vai consagrar no nosso direito a doutrina da recepção. doação). ii. embora o proponente que se retractasse incorresse em responsabilidade pré-contratual.atspace. visto que o mesmo é integrado por duas declarações de vontade: i. Doutrina da expedição: o contrato está perfeito quando o destinatário expediu por qualquer meio a sua aceitação. artigo 1055º. Doutrina da aceitação: o contrato está perfeito quando o destinatário da proposta declarou aceitar a oferta que lhe foi feita. Importância: 84 . Negócios jurídicos não recepticios – basta a emissão da declaração sem ser necessária comunica-la a quem quer que seja. exemplo testamento. (É o chamado dano da confiança. já que cada uma das declarações é emitida em vista do acordo. iv. exemplo denuncia do arrendamento. que resulta de lesão do interesse contratual negativo. Dentro dos contratos há que distinguir entre:  Contratos unilaterais: geram obrigações apenas para uma parte (exemplo. Doutrina da percepção: o contrato só está perfeito quando o proponente tomou conhecimento efectivo da aceitação.html c) É importante distinguir entre negócios unilaterais receptícios – a declaração só é eficaz se for e quando for levada ao conhecimento de certa pessoa.http://apontamentosdireito.  Contratos bilaterais ou sinalagmáticos: geram obrigações para ambas as partes. Doutrina da recepção: o contrato está perfeito quando a resposta contendo a aceitação chega à esfera de acção do proponente. c) Coloca-se o problema de saber qual o momento da sua perfeição. iii. devendo-se colocar o lesado na situação em que estaria se não tem chegado a depositar uma confiança que foi frustrada na celebração de um contrato válido e eficaz). obrigações ligadas entre si por um nexo de causalidade ou correspectividade (exemplo. compra e venda). mantendo-se durante os lapsos de tempo referidos no artigo 228º (diferente do código de 1867) em que a proposta era revogável. b) A proposta de contrato é irrevogável depois de chegar ao conhecimento do destinatário artigo 230º. Características do regime dos negócios bilaterais: a) Não se trata de dois negócios unilaterais.

surgindo eventualmente mais tarde obrigações para a outra parte. no entanto há uma restrição de poderes feita ao disponente. 1140º e 1150º.Mortis causa: destinam-se a produzir efeitos depois da morte do declarante ou depois da morte de alguma das partes (exemplo. . 428º. As doações por morte são.O testamento é claramente um negócio mortis causa. Exemplo: mandato e o depósito gratuitos – artigo 1157º e ss e artigos 1185º e ss. em principio nulas – artigo 946º como quaisquer outros pactos ou contratos sucessórios – 2028º/2.atspace. Negócios consensuais ou não solenes e negócios formais ou solenes: Formais ou solenes: aqueles para os quais a lei prescreve a necessidade de observância de determinada forma. testamento). em virtude do cumprimento das primeiras e em dados termos.Nos negócios mortis causa há uma prevalência dos interesses do declarante sobre o interesse na protecção da confiança do declaratário.Inter vivos: destinam-se a produzir efeitos em vida das partes. algo que é típico dos negócios inter vivos – artigo 1701º. Nestes contratos não há excepção de não cumprimento do contrato e também não há condição resolutiva tácita. trata-se da generalidade dos negócios jurídicos. Características: 1. As disposições a favor de terceiros feitas pelos esposados são negócios mortis causa se o terceiro não interveio na convenção antenupcial – artigo 1704º e serão negócios híbridos se ele interveio como aceitante – artigo 1705º.html a) Só nos contratos bilaterais há excepção de não cumprimento do contrato. sem o qual o negócio jurídico é invalido – artigo 220º.http://apontamentosdireito. b) A faculdade de resolução com fundamento em impossibilidade de cumprimento ou mora existe nos contratos bilaterais (condição resolutiva tácita) 801º/2 e pode também ter lugar em alguns contratos unilaterais exemplo arts. ao contrário dos negócios inter vivos em que há uma tutela das expectativas da parte que se encontra em face da declaração negocial. as disposições a favor de um dos esposados feitas pelo outro ou por terceiro são negócios híbridos ou mistos já que têm características de negócio mortis causa já que só se verifica transferência de bens depois da morte. 2. nestes há inicialmente apenas obrigações para uma das partes.com/index. o acatamento de determinados formalismos ou de determinadas solenidades e. Autores falam dos contratos bilaterais imperfeitos. Certos pactos sucessórios contidos em convenções antenupciais são válidos – artigo 1700º. Negócios inter vivos e mortis causa: . Estes são objecto de uma conversão legal em disposições testamentarias – 946º/2. 85 . Em relação a estes.

Negócios obrigacionais. podendo os interessados celebrar ou não o negócio mas não podendo fixar-lhe livremente o conteúdo ou celebrar contratos diferentes dos previstos na lei: principio da tipicidade ou do numerous clausus (casamento. modificada ou extinta pelo negócio jurídico. Quanto nos casos excepcionais em que a lei prescrever uma certa forma e esta não for observada a declaração negocial é nula  artigo 220º. reais. Nos negócios familiares patrimoniais: existe em maior escala a liberdade de convenção. familiares e sucessórios: o critério desta classificação diz respeito à natureza da relação jurídica constituída.html Não solenes: aqueles em que a validade do negócio jurídico não está dependente de qualquer requisito formal. Forma: determinada figuração exterior permitida pela lei ou pela vontade comum das partes para a respectiva declaração de vontade. Nos negócios obrigacionais: é neste domínio em que mais se afirma o princípio da liberdade negocial quanto aos contratos. exemplo o depósito ou o mútuo. Nos negócios sucessórios o princípio da liberdade contratual sofre importantes restrições resultantes de algumas normas imperativas (exemplo.http://apontamentosdireito.atspace. podendo ser realizado por qualquer comportamento (…). Nos negócios familiares pessoais: a liberdade contratual está praticamente excluída. embora com algumas restrições (exemplo. Nos negócios reais o princípio da liberdade contratual sofre considerável limitação derivada do principio da tipicidade ou do numerous clausus – artigo 1306º. no que respeita aos negócios unilaterais vigora o princípio da tipicidade 457º. além das declarações de vontade das partes a prática anterior ou simultânea de um certo acto material de entrega de uma coisa como elemento da estrutura do negócio jurídico e não como efeito do contrato. O principio geral do nosso código em matéria de formalismo negocial é o da liberdade declarativa ou liberdade de forma (artigo 219º). Modalidades: a) Documento autêntico – artigo 363º/2: exemplo venda de imóveis (875º) b) Documento autenticado – artigo 363º/3: em que há confirmação de determinado negócio jurídico através do notário c) Documento particular – artigo 363º/2 (2ª parte) : exemplo contrato promessa (artigo 410º/2) Negócios Reais quanto à constituição e quanto aos efeitos: São aqueles negócios em que se exige. 86 .com/index. testamento). adopção). convenções antenupciais).

a doação e depósitos gratuitos. A outra parte age com a consciência e vontade de receber essa vantagem sem proporcionar um sacrifício correspondente. Cada uma das atribuições é a contrapartida da outra. é. o chamado animus donandi ou animus beneficiandi exemplo.com/index. exemplo. também para a protecção do terceiro adquirente de boa fé contra qualquer invalidade de negócio jurídico anterior. Pessoais: resulta a constituição. sem a pretensão de nenhum equivalente económico. com a intenção de proporcionar uma vantagem à outra parte. por exemplo em matéria de impugnação pauliana (artigo 612º). Actua-se.http://apontamentosdireito. um nexo ou relação de correspectividade entre as atribuições patrimoniais. modificação ou extinção de relações jurídicas de carácter patrimonial. é que aqui a correspectividade não se estabelece entre duas obrigações. Negócios onerosos e negócios gratuitos: Importância da distinção: manifesta-se. adopção. Cada uma das partes faz. psicológica do declarante sobre a vontade declarada. Há o predomínio do princípio da liberdade contratual. assim. exemplo. Negócios gratuitos ou a titulo gratuito: uma das partes tem a intenção de efectuar uma atribuição patrimonial a favor de outra sem contrapartida ou correspectivo. Não é necessário um equilíbrio das atribuições patrimoniais consideradas pelo seu valor objectivo. exemplo – compra e venda. Patrimoniais: resulta a constituição. já que objectivamente elas podem não ser equivalentes por várias razões. avaliáveis em dinheiro. assim. casamento. de forma a tutelar a confiança do declaratário e também os interesses do trafico jurídico – artigo 236º/1. Neste domínio há o predomínio de normas imperativas. o que releva é a vontade ou intenção das partes.  Existem certas figuras negociais que se podem apresentar como onerosas ou gratuitas.html Negócios patrimoniais e negócios pessoais: o critério desta classificação é também o da natureza da relação jurídica a que o negócio se refere. mas entre uma prestação contemporânea (entrega do dinheiro para ser utilizado) e uma obrigação (a de restituir o capital e pagar os juros). ou seja. modificação ou extinção de relações jurídicas de carácter pessoal. (artigo 291º. mutuo oneroso – artigo 1145º. uma avaliação subjectiva. Há também um predomínio da vontade real. uma atribuição patrimonial que considera retribuída ou contrabalançada pela atribuição da contraparte.atspace. 87 . como por exemplo o valor afectivo de um objecto ex: arrendamento : aluguer . segundo a perspectiva destas. Aqui há o predomínio da vontade declarada sobre a vontade real. É possível a existência de contratos unilaterais onerosos (exemplo. cessão de créditos – 577º. assim. existindo.etc) A distinção tem como critério o conteúdo e finalidade do negócio Negócios onerosos ou a titulo oneroso: pressupõe atribuições patrimoniais de ambas as partes.

no caso de administradores de bens alheios a lei atende à falta de interesse pessoal do administrador que o pode induzir a correr riscos que não correria se os bens fossem seus. a determinação de quem a realizará (exemplo.com/index. de maior montante do que aquele (ex. a uma sorte. seguro de vida). Inabilitações – artigo 153º e 154º.http://apontamentosdireito. b) Pode haver uma prestação certa e outra incerta. 11 Assim. parceria pecuária – 1121º. Quando a lei não esclarece através de uma definição ou de uma enumeração quais os actos que integram uma dada categoria teremos de nos guiar pelos interesses que estão em jogo e o sentido das normas que espelham esses mesmos interesses11. Negócios de mera administração e negócios de disposição Utilidade desta distinção: há uma restrição. no entanto quando lícitos são fonte de obrigações naturais – artigo 1245º. mas uma delas incerta quanto ao momento da sua verificação e ao seu montante (ex. ou até de bens próprios (ex. Comutativos: cada uma das partes sabe que esperar do efeito do contrato.html Contratos comutativos e contratos aleatórios: trata-se de uma subdivisão dentro dos contratos onerosos. nem constituem fontes de obrigações civis. por força da lei ou de sentença. a um risco. Os contratos de jogo e aposta não são contratos válidos. 1967º e ss. aos actos de mera administração ou de ordinária administração ex.atspace. a lei muitas vezes restringe os poderes de certas pessoas a actos de ordinária administração sem qualquer especificações. c) Pode haver duas prestações certas na sua existência. ou de bens próprios e alheios. Veja-se o caso do artigo 1024º em que a lei qualifica como acto de administração ordinária a locação num prazo inferior a 6 anos. Por vezes a lei qualifica ela própria certos negócios jurídicos como actos de administração ordinária ou então de disposição. inabilitações). Pode haver: a) Uma só prestação dependendo de um facto incerto. dar e recebe (…) Aleatórios: as partes submetem-se a uma álea. Outras vezes a lei concretiza. No caso de limitação de poderes de alguém sobre o seu próprio património a lei considera deficiências físicas e 88 . 1937º e 1938º. dos poderes de gestão patrimonial dos administradores de bens alheios. aposta). Exemplo. exceptuando-se as competições desportivas com relação às pessoas que nelas tomarem parte – 1246º e outras excepções previstas em legislação especial – artigo 1247º. administração de bens – artigos 1922º. artigos 1889º. a uma possibilidade de ganhar ou perder. Negócios parciários: são uma subespécie dos negócios onerosos. fazendo uma enumeração de certos actos que são permitidos ou vedados ao administrador – exemplo. No entanto. seguro de incêndio). Contrato pelo qual uma pessoa promete uma certa prestação em troca de uma participação nos proventos que a contraparte obtenha por força daquela prestação.

desde que não sejam feitos com os rendimentos existentes da administração: como é o caso da abertura de um poço ou cercar o muro a um prédio rústico sem qualquer necessidade disso. Gera. b) Actos tendentes a prover à frutificação normal: essa frutificação é a pelo modo habitual para os bens administrados (ex. Constitui a regra geral e contrapõe-se-lhe a incapacidade negocial de gozo – proibição absoluta de titularidade de tais relações. São. constituição de uma servidão de passagem). actos de disposição: a)Actos de frutificação anormal: como é o caso da transformação de um Pinhal em Vinha. assim. actos de mera administração: a) Actos de conservação dos bens administrados: actos destinados a fazer quaisquer reparações necessárias nesses bens tentendes a evitar a sua deterioração ou destruição.com/index. e) Doações: tratam-se de liberalidades de alienação sem contrapartida. São. dirigida a certas pessoas – os incapazes. No entanto. 89 . assim. Capacidade negocial de gozo: susceptibilidade de um sujeito jurídico ser titular de direitos e obrigações derivados de negócios jurídicos.atspace. nem todas as alienações onerosas são actos de disposição.http://apontamentosdireito. Actos de disposição são os actos que afectam a substância da património administrado. Só o são as que afectam a substância dos bens (ex. # Elementos essenciais do negócio jurídico: I. troca). d) Onerações: trata-se da imposição de um ónus real sobre um determinado prédio (ex. não é acto de disposição o corte e venda de 20 pinheiros secos que nada estavam a fazer no pinhal). com exclusão dos actos arriscados (que podem originar grandes lucros e também prejuízos elevados) que afectam a substancia dos bens.Capacidade e legitimidade: são requisitos gerais de validade dos negócios jurídicos. utrapassando os parâmetros de uma actuação prudente e comedida. que assim se vêm impedidos de realizar determinados negócios jurídicos. actos de mera administração são os correspondentes a uma gestão concedida e limitada. b) Actos tendentes a prover ao melhoramento do património administrado. assim.html Assim. São. dirigida a manter o património e a aproveitar as suas virtualidades normais de desenvolvimento. actos destinados a prover ao cultivo de uma terra nos termos usuais ao seu arrendamento). mentais que implicam alta probabilidade de a pessoa concluir negócios muito prejudiciais para os seus próprios interesses. c) As alienações onerosas: actos que envolvem a transferência da propriedade para outrem (compra e venda. que alteram a forma ou a composição desse capital administrado. os actos que correspondem a uma actuação prudente. que atingem a raiz dos bens.

Dá-se aqui claramente um conceito objectivista de declaração negocial. conduzindo a sua falta à inexistência material do negócio. O código civil regula a declaração negocial nos artigos 217º e ss. consiste no comportamento declarativo.atspace. A função da declaração negocial consiste em exteriorizar a vontade psicológica do declarante e torná-la cognoscível para o declaratário. na realidade volitiva que normalmente existirá e coincidirá com o sentido objectivo da declaração. em regra. convenção dos interessados ou até de disposição legal apareça como destinado a exteriorizar um certo conteúdo de vontade negocial. Capacidade negocial de exercício: aptidão para celebrar. uma nulidade e é insuprível pela representação legal ou pela assistência. sendo a sua nota principal não um elemento interior como a vontade efectiva ou psicológica.Declaração negocial: A) Noções gerais: é um elemento integrante do negócio jurídico.  Elementos constitutivos: a) A declaração propriamente dita: elemento externo. b) A vontade – elemento interno. por actividade própria ou através de um representante voluntário. de tal forma que o sujeito não pode afectar esse direito ou obrigação. daí que a nossa lei dê prioridade ao elemento objectivo – ao comportamento exteriorizado pelo declarante do que a sua vontade psicológica.com/index. o revela e traduz sendo a vontade negocial: a intenção de realizar certos efeitos práticos com ânimo de que sejam juridicamente tutelados e vinculantes pela ordem jurídica. Neste sentido claramente o Doutor Mota Pinto. Legitimidade: relação existente entre o sujeito e o objecto do negócio que justifica que o primeiro se ocupe juridicamente do objecto. em geral por ser titular dos interesses cuja modelação é visada pelo negócio.  Declaração negocial: é o comportamento de uma pessoa (por palavras escritas ou faladas ou até sinais) que segundo os usos da vida. A regra geral é a de que um maior de 18 anos tem capacidade de exercício. ou em todo o caso. Esta vontade real pode decompor-se em três subelementos: 90 .html em regra.http://apontamentosdireito. Gera. uma anulabilidade e é suprível pelos institutos da representação ou assistência. contrapõe-se-lhe a incapacidade negocial de exercício: impedimento ou proibição não absoluto de realizar determinados negócios jurídicos. hoje o direito civil coloca na sua primeira linha de protecção as expectativas dos declaratários e a segurança do comércio jurídico. II. mas num elemento exterior no comportamento declarativo. consiste no querer concreto. modificar ou extinguir negócios jurídicos. Ora. cujo interesse a lei protege. Haverá ilegitimidade negocial: quando falta essa relação face ao objecto que é detida por terceiro. o Doutor Manuel Andrade e o Doutor Capelo de Sousa.

html 1. Trata-se de uma dedução de facto que com toda a probabilidade revela essa declaração negocial (217º/1). exemplo: pode faltar vontade da declaração se uma pessoa julgando assinar uma simples ficha para o arquivo de um banco assina uma declaração negocial. É uma vontade efectiva correspondente ao negócio concreto que aparece exteriormente declarada.  Declaração negocial expressa e declaração negocial tácita: o principio da liberdade declarativa envolve a possibilidade de se realizarem validamente declarações negociais não só expressas. ou prédio é o nº20 e por lapso enagana-se a escrever ou falar e sai-lhe quinta da regaleira nº30. 957º e 1737º. 3.A vontade da declaração: (Erklanvnjswille) ou vontade da relevância negocial da acção (Geltunjswille): consiste em o declarante atribuir ao comportamento querido o significado de uma declaração negocial. É necessário que os factos sejam inequívocos. sem que a pessoa se aperceba disso. Tácita: quando do seu conteúdo directo se infere? um outro. Exemplo: pode haver desvio na vontade negocial quando uma pessoa atribui aos termos da declaração um sentido diverso do que é exteriormente captado . exemplo uma pessoa quando quer comprar a quinta da regaleira e erradamente declara que quer comprar a quinta da gusteira pensando erradamente ser este o seu nome (erro no nome).http://apontamentosdireito. Se um individuo num leilão faz um gesto de saudação a um amigo e isso é entendido como oferta de uma certa importância. ou quando uma pessoa é coagida a realizar um negócio. 2. São estes os casos de divergência entre a vontade e a declaração.A vontade de acção (Handlugswille) – consiste na consciência e intenção livre de realizar um comportamento declarativo. Trata-se de um meio indirecto ou lateral de afirmação de uma determinada vontade. 91 . Vimos que pode haver uma falta de vontade de acção. exemplo a pessoa quer escrever quinta da regaleira. por vezes a lei exige que a declaração negocial seja expressa caso dos artigos 731º.atspace. Essa divergência pode ainda resultar de um desvio da vontade de acção: um lapsus lingual ou lapsus calami.com/index. trata-se de uma probabilidade. como também tácitas – artigo 217º/1. escrito ou qualquer outro meio directo de expressão da vontade (217º/1 – 1ª parte). uma falta de vontade da declaração e um desvio na vontade negocial. a declaração negocial destina-se a um certo fim mas implica e torna cognoscível um regulamento sobre outro ponto. ou seja. Este subelemento só está presente se o declarante tiver a consciência e a vontade de que o seu comportamento tenha significado negocial vinculativo. Exemplo: não existe vontade de acção quando uma pessoa por acto reflexo ou distraidamente faz um gesto e este aparece como uma declaração negocial. A distinção consagrada na lei no artigo 217º é a proposta pela teoria subjectiva expressa: quando feita por palavras. mas de uma probabilidade total. No entanto.Vontade negocial: vontade do conteúdo da declaração ou intenção do resultado (Geschftswille): consiste na vontade de celebrar um negócio jurídico de conteúdo coincidente com o significado exterior da declaração.

O artigo 218º dá-nos essa resposta – só vale quando esse valor lhe seja atribuído por lei. para se captarem aceitações negociais. há legislação que protege o destinatário. A declaração tácita é compatível com a existência de um negócio formal  artigo 217º/2 . estando na sua conservação apenas obrigado a abster-se de as deteoriar por dolo ou negligencia. por diversas razões. mas por uma declaração de vontade do testador chega-se a essa conclusão. não se deve concluir do silêncio uma certa declaração. convenção negocial ou o uso lho atribuam. O silêncio como meio declarativo: a questão é a de saber se o silêncio entendido não apenas como um nada dizer. devendo apenas restitui-las se o proponente as mandar buscar. Só tem valor como declaração quando a lei. dando-lhes sempre o ónus de responder a qualquer proposta de contrato. paga dívidas da herança  são factos que com toda a probabilidade fazem com que haja uma declaração de vontade no sentido de aceitação da herança. Em princípio. que não é obrigado a recambia-las. tal não exige a consciência subjectiva por parte do autor desse significado implícito (bastando) que objectivamente ele possa ser deduzido do comportamento do declarante. Poder-se-ia também aproveitar a impossibilidade de responder das pessoas. paga o imposto sucessivo. então. Também é afastada a ideia de que o silêncio vale como declaração quando o silenciante podia e devia falar – qui tacet consentire vidatem ubi loqui potuit ao debuit. mas como um nada fazer pode considerar-se uma declaração tácita no sentido de aceitação de propostas negociais. mas apenas a verificação de um incumprimento do dever de falar susceptível de incorrer o silenciante na obrigação de reparar os danos causados a outrém pela frustração da sua confiança em receber uma resposta – dano da confiança ou interesse contratual negativo. aceitação tácita: a pessoa toma conta dos bens.atspace. Repudia-se o velho princípio do Direito Canónico: qui tacet consentire videtur (quem cala consente)  isto seria inaceitável visto que violaria a autonomia das pessoas. quando remetidas com a proposta. Em conformidade com o critério de interpretação dos negócios jurídicos consagrado no artigo 236º conclui-mos que no que respeita a uma declaração tácita em que dum comportamento se pode concluir um certo sentido negocial.com/index. caso do artigo 923º/2.html Exemplo: aceitação expressa da herança feita por palavras ou por escrito. Declarações negociais presumidas e declarações negociais fictas: 92 . exemplo – testamento em que não há declaração expressa de atribuição de um determinado legado. uso ou convenção. No que respeita às mercadorias recebidas pelas pessoas. o saber se devia ou não falar não é claro e mesmo se houvesse o dever de falar. o silêncio não vale como declaração negocial.http://apontamentosdireito.

atspace. da negociação. apesar de essa mesma parte ter querido o acto negocial. e) Dá publicidade ao acto o que é importante para terceiros. só assim não sendo quando a lei proibir – 350º/2. por recear que lhe seja imputado.http://apontamentosdireito. A forma da declaração negocial: Vantagens do formalismo negocial: a) Assegura uma maior reflexão das partes. Reserva: modalidade de protesto em que se especifica que um certo comportamento não significa renúncia a um direito próprio ou reconhecimento de um direito alheio – exemplo. É no fundo uma contradeclaração. livrando as partes da precipitação e da ligeireza.com/index. Principio da liberdade formal: No nosso direito civil vale o princípio da liberdade de forma consagrada no artigo 219º. b) Embaraça a conclusão válida dos negócios. mas declara que isso não significa renuncia a receber o montante total dos danos. c) Permite uma formulação mais precisa e completa da vontade das partes. Temos como exemplos: os artigos 923º/2 e 1054º. d) Dá um maior grau de certeza sobre a celebração do negócio e os seus termos evitando-se a falibilidade da prova por testemunhas. b) Separa os termos definitivos do negócio da fase pré – contratual . 93 . a vitima de um acidente recebe do causador uma soma em dinheiro. incómodos e despesas. no entanto. por interpretação. um certo sentido vai afirmar-se abertamente não ser esse o seu intuito. Protesto e reserva: Protesto: o autor de um certo comportamento declarativo. Nos negócios formais o tempo que vai desde a decisão de concluir o negócio e a sua celebração permite repensar o negócio. c) Pode levar a eventuais injustiças devido a uma desvinculação de uma das partes do negócio com fundamento em nulidade por vício de forma.html Declaração negocial presumida: quando a lei liga a determinado comportamento o significado de exprimir uma determinada vontade negocial. ou seja. Inconvenientes do formalismo negocial: a) Redução da fluência e celeridade do comércio jurídico. podendo ilidir-se tal presunção mediante prova em contrário – artigo 350º/2 – 1ª parte (presunção tantum iuris). Existem. com demoras. importantes excepções a este principio consagradas no nosso código como regulamentação especial. O regime regra é o das presunções legais poderem ser ilididas por prova em contrário. caso do 875º em que se estabelece a obrigação de celebrar escritura pública. I – Modalidades da forma negocial.

Há. II – Âmbito da forma exigida: a) Na forma legal: abrange as cláusulas essenciais do negócio jurídico. Quanto às estipulações posteriores ao documento estão dispensadas de forma legal prescrita para a declaração se as razões da exigência especial da lei não lhes forem aplicáveis – artigo 221º/2.Que se prove que as cláusulas acessórias correspondem à vontade das partes. c) Na forma convencional: está prevista no artigo 223º. em princípio. no entanto. Assim. que devem completar o documento indo para além do seu conteúdo mas nunca o contradizendo.Não sejam abrangidos pela razão de ser da exigência de documento.http://apontamentosdireito. bem como as cláusulas acessórias anteriores ou contemporâneas. as partes poderão utilizar a forma convencional em negócios que a lei não exige forma ou exige uma solenidade menos forte. b) Na forma voluntária: não abrange.Que se trate de cláusulas acessórias. anteriores ou contemporâneas só produzirão efeitos se houver lugar a confissão ou forem provadas por documento. pelo que. carta.atspace. Forma convencional: quando o formalismo exigível resulta de uma estipulação ou negócio jurídico das partes. tal não significa que os mesmos possam afastar. não devendo ser estipulações essenciais. 94 . as estipulações não formalizadas.com/index. por acordo. O facto de os particulares verem as suas estipulações reconhecidas acerca da forma do negócio. (há uma presunção do documento formal ser completo. 2. Assim. na dúvida sobre a existência de uma estipulação acessória é de decidir pela sua não existência. sob pena de nulidade artigo 221º/1. algo que deriva do principio da liberdade contratual – artigo 405º.html Forma legal: quando o formalismo exigível para certo negócio é imposto pela lei. normas legais que exigem para certos actos requisitos formais já que são normas imperativas. as estipulações acessórias anteriores ou contemporâneas ao escrito. mesmo que menos solene : exemplo. 3. tal como acontece para as estipulações posteriores ao documento – artigo 222º. É também inadmissível a prova por testemunhas se tiver por objecto convenções contrárias ou adicionais ao conteúdo de documentos autênticos e particulares – artigo 394º. Forma voluntária: forma adoptada pelas partes sem que a lei ou convenção anterior a isso as obrigasse. uma excepção na segunda parte deste artigo reconhecendo-se a validade de estipulações verbais. anteriores ou contemporâneas ao documento exigido desde que se verifiquem cumulativamente as seguintes condições: 1.

Formalidades ad probationem: são meramente probatórias. Essas presunções são duas: 1. compensando a injustiça com a obrigação de indemnizar por parte do autor do abuso. Poderá parecer injusto a nulidade de uma compra em que o comprador já pagou o preço e o vendedor já o recebeu. Larenz por seu lado. A doutrina tem colocado o problema de saber se a possibilidade de invocação da nulidade por vicio de forma não pode ser excluída por aplicação da cláusula geral de boa-fé ou do abuso de direito – artigo 334º.http://apontamentosdireito. Aquando da sua inobservância Mota Pinto diz que o negócio é ineficaz enquanto que Vaz Serra diz que o negócio não está concluído entre as partes – artigo 223º/1.com/index.Se a convenção foi estipulada antes da conclusão do negócio. arguição da nulidade. 2.Se a convenção é contemporânea ou posterior ao negócio. consagra-se uma presunção de essencialidade. Nos casos em que a lei determine outra consequência. em que as partes apenas se querem vincular através da forma convencionada. pois uma vez declarado nulo o negócio deverá ser restituído tudo o que tiver sido prestado em virtude do negócio viciado – artigo 289º. em que este não seria obrigado a restituir a importância recebida ou o primeiro não seria obrigado a restituir a coisa vendida. mas tal não se verifica. presume-se que as partes não quiseram substituir o negócio mas apenas facilitar a prova consolidando o acto ou tornando o conteúdo do 95 . Manuel de Andrade defende a improcedência da arguição de nulidade nos casos de manifesto abuso de direito. afirmando a nulidade dos negócios afectados por vício de forma. b) Inobservância da forma convencional: a este respeito rege o artigo 223º que se limita a estabelecer presunções que podem ser ilididas mediante prova em contrário – artigo 350º. sendo que na primeira hipótese haja fundamento para admitir que as partes se quiseram vincular desde logo. com fundamento em vicio de forma por um contraente que a provocou ou que criou na contraparte a expectativa de que a nulidade jamais seria arguida. a) Inobservância da forma legal: o código civil liga à inobservância da forma legal a nulidade – artigo 220º. Mota Pinto coloca o valor social da segurança jurídica acima de um critério de justiça de cada caso. a nulidade deixará de ser a sanção para a inobservância da forma legal – artigo 220º. acha que as normas imperativas não podem ser postas em causa.html Inobservância de forma legal: Formalidades ad substantiam: exigidas para a validade do negócio. quando essa invocação por uma das partes constitua um abuso de direito? Exemplo. deverá admitir-se a invocação de nulidade com fundamento em vicio de forma. gerando a sua falta a nulidade do negócio – artigo 364º/1. sendo que haverá lugar a indemnização ex vi artigo 227º (…).atspace. ou seja. a sua falta pode ser suprida por outros meios de prova mais difíceis de conseguir – ex: confissão – artigo 364º/2. são insubstituíveis por outro género de prova. Ela tem carácter constitutivo.

Trata-se de uma interpretação normativa e não de uma interpretação psicológica. Trata-se da posição mais justa. deve ser pautada por regras ou critérios cuja sua formulação é o objecto da teoria da interpretação que tem critérios convertidos em verdadeiras normas jurídicas – 236º ss. vai-se considerar o real declaratário nas condições concretas em que se encontra e com os elementos que conhece. acto determinante ou conteúdo da vontade real – fonte geradora de efeitos jurídicos. Ela não pode ser abandonada ao senso empírico. teria conhecido e figura-se em raciocínios sobre essas circunstancias. é também a mais fácil. com o sentido querido pelo autor da declaração. já que tutela a legitima confiança do declaratário. zelosa e sagaz – o bónus pater famílias. Posições objectivistas: o intérprete não procura a vontade real do declarante. trata-se de determinar o sentido e o alcance do conteúdo das declarações de vontade e consequentemente dos efeitos que o negócio visa produzir. o intérprete deve investigar através de todos os meios adequados a vontade real do declarante.atspace. Para haver declaração a interpretar temos de estar no domínio da autonomia da vontade privada das partes que tem: a) Elemento subjectivo: acto de vontade. 96 . sendo que o negócio valerá com o sentido subjectivo. pautam a sua conduta. aquele a quem a declaração negocial se destina ou a conhece.com/index. Como tal a sua inobservância não têm quaisquer consequências sobre o negócio. colocado na posição concreta do real destinatário lhe atribuiria. mas procura um sentido exteriorizado ou cognoscível através de certos elementos objectivos. pela qual. c) Inobservância de forma voluntária: a sua inobservância não tem quaisquer consequências.html negócio mais claro ou outro qualquer efeito – artigo 223º/2. como o teria feito um declaratario razoável. Dentre as doutrinas objectivistas merece referência a teoria da impressão do destinatário: declaração deve valer com o sentido que 1 destinatário razoável. O negócio jurídico contem uma ordem normativa. as partes. # I – Interpretação dos negócios jurídicos: (não confundir com interpretação das leis artigo 9º). segundo as respectivas declarações de vontade.http://apontamentosdireito. Posição adoptada pelo nosso código no artigo 236º/1. rápida e confere maior segurança ao comercio juridico. ou seja. através das declarações de vontade. ou seja. Interpretação: actividade dirigida a fixar o sentido e o alcance dos negócios. mais os que uma pessoa razoável (normalmente esclarecida. Isto dá origem a posições subjectivistas. b) Elemento objectivo: acto social de comunicação.

com/index. A doutrina tradicional sofre certos desvios que se traduzem: a) Maior objectivismo: é o que sucede nos negócios formais. as limitações para os negócios formais previstos no artigo 238º/2.html Este sentido que corresponde à impressão do destinatário sofre. a duvida for insanável devemos aplicar por analogia o artigo 224º/3. é de acordo com o ultimo que vale a declaração. Nos contratos de adesão.http://apontamentosdireito. Outra excepção é a consagrada no artigo 236º/2. que um sentido não traduzido no documento possa valer desde que: Corresponder à vontade real e concordante das partes. Este deve escolher os meios convenientes para exprimir um sentido que não seja reconhecido ou cognoscível pelo declaratario. Assim. pois o que temos é um problema de vício de forma (o sentido não está formalizado) cuja sanção correspondente é a nulidade – artigo 220º. 97 . Admite-se. é a falsa demonstrato non nocet – artigo 238º/2. Esta teoria da impressão do destinatário envolve um ónus da adequada manifestação da vontade por parte do declarante. A consequência. mesmo no caso de impropriedade das expressões utilizadas. sendo a declaração ineficaz. no entanto. Assim. torna-se necessário que seja possível a sua imputação ao declarante.atspace. de acordo com a máxima julsa demostratio non nocet estabelece que sempre que o declaratario conheça a vontade real do declarante. deveremos atender ao artigo 237º. Considera-se que só seja justificado fazer responder o declarante por um sentido que não deu à declaração. no entanto. defende Manuel de Andrade é a nulidade em sede interpretativa. Se. o sentido querido pelo declarante releva mesmo quando a declaração é ambígua ou inexacta se o declaratario conhecer o seu sentido. se este sentido lhe era imputável  limitação subjectivista. Quando a interpretação leve a um resultado duvidoso. não pode valer se não tiver um mínimo de correspondência. prevalecendo nos negócios gratuitos o sentido menos gravoso para o disponente e nos onerosos o que conduzir ao maior equilíbrio das prestações. Não haverá declaração negocial se faltar a vontade de acção – artigo 246º. isto é. Tendo em atenção. no entanto. no entanto uma limitação (defendida por Larenz e Ferrer Correia): para que tal sentido possa relevar. embora imperfeita. se o declarante se move em circunstâncias especiais deve tomar a iniciativa de se expressar convenientemente para o sentido ser correctamente apreendido. defende-se o princípio de que na dúvida deve intrepertar-se contra o emitente das condições gerais pré-ordenadas. Nestes o sentido objectivo corresponde à impressão do destinatário. no texto do documento – artigo 238º/1. que este pudesse razoavelmente contar com ele – artigo 236º/1 parte final.

mas exigida pela resolução do litigio entre as partes e que estas deveriam ter previsto aquando do ordenamento negocial das suas relações. Podemos retirar deste artigo as seguintes conclusões: 1.O testador pode utilizar no testamento um termo numa acepção pessoal.html  Não oposição a essa validade das razões determinantes da forma do negócio (certeza e segurança ou interesses de terceiros) – artigo 238º/2 (parte final). se se provar que A não tinha biblioteca e que utilizava essa expressão para significar garrafeira é valido esse legado  há aqui um mínimo de correspondência no testamento.Admissibilidade das disposições testamentárias tácitas –artigo 217º/2. ou incorreu em erro na declaração. em que vale a vontade real do testador. Na sua interpretação consagra-se o sentido subjectivo. 2. Esta integração deve ser determinada para cada negócio e não para os vários tipos de negócios. anotações pessoais. ainda que alicerçado noutros meios probatórios. Na pesquisa desta vontade do testador é admitido o recurso à prova complementar. fundadas em qualquer dos meios de prova geralmente admitidos (esclarecimentos orais ou escritos. no entanto. que a vontade assim reconstituída tenha um mínimo de correspondência. ou seja. ainda que imperfeita no contexto. o juiz dever-seá afastar da vontade hipotética quando a solução que as partes teriam estipulado contrarie os ditames da boa fé. inteiramente fora dos usos gerais da língua. foi ele quem a educou durante 15 anos escreveu “ se se apurar que a única pessoa que A educou foi Clara é patente que A queria referir-se a Clara e aí já surgirá efeitos) (o exemplo está meio confuso. 3. No entanto. Nestes casos o artigo 239º remete em primeiro lugar para a vontade hipotética das partes.http://apontamentosdireito. Limitação dada pelo teor do documento que manifesta o carácter solene do negócio testamentário – artigo 2187º/2. mas dá para perceber).Invalidade de um sentido contrário ao texto do testamento. nem resultantes de disposição legal imperativa ou supletiva. b) Maior subjectivismo: é o caso das disposições testamentárias. ou seja. Já haverá nulidade do testamento se o testador usou termos numa acepção extravagante que estava fora dos seus próprios hábitos de linguagem. estando esta condicionada pelo contexto do testamento – artigo 2187º o significado decisivo é o que o testador quis dizer. a vontade que teriam tido caso tivessem previsto o ponto omisso. Exige-se. elementos ou circunstâncias estranhas aos termos do testamento. etc). Neste caso a declaração deve ser integrada de acordo com as exigências da boa fé (entenda-se boa fé objectiva) –regras de 98 . Integração dos negócios jurídicos: o problema é o de saber qual a regulamentação das questões não previstas pelas partes. Com a excepção de no testamento constarem outras referencias que levem a considerar (clarificar) patente o significado extravagante ou o erro (na ultima hipótese rege o artigo 2203º) exemplo: A quis deixar os seus bens a Clara e escreveu (a quem eduquei).com/index. mas desde que dê a entender por qualquer forma no testamento (com essa expressão entre aspas ou seguida de reticências) ou que se prove que a significação anómala era utilizada habitualmente pelo testador – exemplo: A diz que deixa a sua biblioteca a B.atspace.

Assim.html honradez e honestidade que as partes devem pôr na celebração e conclusão dos negócios. A integração não pode conduzir a uma ampliação do objecto negocial que foi pretendido pelas partes.5 toneladas. se a questão tem sido abordada. exemplo: A vende a B uma tonelada de açúcar pelo preço de x. não se aplicar por contrariarem o comando da boa – fé – artigo 334º. mesmo que seja evidente a prova da vontade hipotética das partes não podem ser equacionadas e resolvidos em sede de integração. há uma divergência entre a vontade hipotética e a vontade real. daí o artigo 239º referir “na falta de disposição legal”. As próprias normas supletivas poderão. Certos problemas.atspace. não pode ir contra o que está expressamente no contrato. (…) Falta consciência do dec Coação física 99 .Noções gerais: normalmente há coincidência entre a vontade (elemento interno) e a declaração negocial (elemento externo). ou seja. havendo norma supletiva não há verdadeiramente uma lacuna. No entanto. não pode agora pretender-se a entrega de uma tonelada e meia pelo mesmo preço. pode haver dois tipos de vícios: a) Na formulação da vontade (divergência entre a vontade real e a declaração – entre o querido e aquilo que foi declarado.http://apontamentosdireito. Divergência entre a vontade real e a declaração pode ser: a) Intencional: quando o declarante emite. Intencional Simulação Reserva mental Declarações não sérias Não intencional Erro. mesmo que se prove que no momento do contrato A teria vendido e B teria comprado mais esses 0. em casos excepcionais. b) Na formação da vontade: a vontade não foi formada livre e esclarecidamente. consciente e livremente uma declaração com um sentido objectivo diverso da sua vontade real b) Não intencional: quando o declarante não se apercebe da divergência ou porque é forçado irresistivelmente a emitir uma declaração diferente da sua vontade real.com/index. tudo porque o direito supletivo obedece à resolução de interesses gerais e porque esta vontade hipotética não é verdadeiramente manifestada por qualquer das partes. # Divergência entre a vontade e a declaração: I. É de referir que há prioridade da aplicação do direito supletivo sobre o problema da integração negocial.

para as legitimas expectativas do declaratario.A chamada doutrina da confiança. Releva ainda o interesse geral do comércio jurídico que aponta para a segurança e celeridade no tráfego e. Tal como para a auto – responsabilidade do declarante. O interesse do declaratário aponta para a tutela da confiança e para a irrelevância da divergência. Começa o declarante a responder pela aparência exterior da sua vontade. ao que foi exteriormente manifestado.http://apontamentosdireito. como tal. I – A simulação:  Noção e elementos: trata-se da principal divergência entre a vontade real e a declaração negocial. no entanto.A mais extrema em que há uma adesão rígida à expressão literal. apontando para a invalidade do negócio. 100 . limita a doutrina da confiança apenas aos casos em que o declaratario confiou efectivamente nesse sentido (exclui-se os casos em que ele confiou num terceiro sentido) Não há.html Analisemos o aspecto teleológico dos interesses em jogo: O Interesse do declarante reclamando o principio da autonomia da vontade aponta para a sua não vinculação ao sentido objectivo da declaração que não coincide com a sua vontade real. como se de facto a tivesse querido. com as seguintes modalidades: 1. d) Teoria da declaração: dá relevo fundamental à declaração. quer do declaratário. mas no caso de dolo ou culpa do declarante . estando o declaratário de boa – fé o negócio é válido. a divergência só produz a invalidade se for conhecida ou cognoscível do declaratário. 3. Ihering. Interesses fundamentais para a validade e produção dos efeitos da declaração. Teorias que visam resolver o problema: a) Teoria da vontade: defende a invalidade do negócio logo que haja uma divergência entre a vontade e a declaração sem necessidade de mais requisitos – Savigny. O interesse de terceiros também concorre aqui.com/index. 2. c) Teoria da responsabilidade: assenta na teoria anterior. uma teoria que se possa aplicar às várias modalidades de divergência. terceiros aos quais podem derivar direitos ou que podem ter adquirido direitos quer do declarante.A doutrina da aparência eficaz. b) Teoria da culpa in contrahendo: acrescenta à teoria anterior a obrigação de indemnizar por parte do declarante se houve ou dolo deste e boa fé do declaratario. Há a pretensão da protecção das legítimas expectativas. repondo o declaratario lesado na situação em que estaria se não tivesse concluído o negócio. Não são idênticas as soluções mais razoáveis específicas de cada uma das várias divergências entre o “querido” e o “declarado”. Cobre o interesse contratual negativo ou interesse da confiança.atspace.

Apenas os interesses de terceiros de boa fé que tenham confiado na validade do negócio exigem ponderação. que A é muito rico)  é rara. Modalidades da simulação relativa: 101 . Efeitos da simulação absoluta: a simulação importa a nulidade do negócio simulado – artigo 240º/2. Simulação fraudulenta: há não só o intuito de enganar terceiros. de forma a enganar os seus credores. usucapião. etc. A doa a B um faqueiro de prata havendo entre eles acordo de devolução. pode ser arguida a todo tempo quer o negócio esteja ou não cumprido. Modalidades e seu regime: Simulação inocente: há apenas um mero intuito de enganar terceiros. b) Acordo entre declarante e declaratario. como também o de os prejudicar ou de contornar uma norma legal imperativa (animus nocendi). Simulação relativa: as partes fingem celebrar um certo negócio jurídico e na realidade querem um outro negócio jurídico de tipo ou conteúdo diverso.atspace. Temos três elementos: a) Intencionalidade da divergência. tudo para crer a C e D. não poderá haver. Simulação absoluta: as partes fingem celebrar um negócio jurídico e na realidade não querem celebrar nenhum negócio jurídico. c)Intuito de enganar terceiros.html Simulação: é a divergência intencional entre a vontade real do declarante e a declaração negocial. sem os prejudicar (animus decipiendi). regra geral. pois o adquirente é um possuidor precário – artigo 1253º/c – com a excepção do artigo 1290º. Realizada sobretudo por razões sociais (ex. Há apenas o negócio simulado e por detrás dele nada mais.http://apontamentosdireito. Por detrás do negócio simulado há um negócio dissimulado ou oculto. Nulidade que pode ser invocada por qualquer interessado. até pelos próprios simuladores. pode ser deduzida tanto por via de acção como por via de excepção artigo 287º/2. exemplo: venda efectuada por um devedor a um comprador fictício. exemplo 2 – venda de imóvel simulado um preço inferior ao real para prejudicar a fazenda nacional ou simulando um preço superior para prejudicar um preferente. Divergência procedente de acordo entre o declarante e o declaratario e determinada pelo intuito de enganar terceiros – artigo 240º/1. No caso da simulação. ainda que a simulação seja fraudulenta como resulta do artigo 242º/1. de acordo com o artigo 286º. seus vizinhos. Aqui não há que defender as expectativas do declaratário já que este tem conhecimento e intervém no acordo simulatório. chamado acordo simulatório.com/index.

Efeitos da simulação quanto aos negócios formais: A lei estabelece um regime especial para os negócios formais no artigo 241º/2. vai acordar com C no sentido deste comprar o bem a A e depois lhos vender) – não havendo concluio entre os três sujeitos.http://apontamentosdireito. por força de um acordo entre ele e só um dos sujeitos (ex. Objectiva: é simulado o conteúdo do negócio e pode ser: Sobre a natureza do negócio: o negócio simulado é de um tipo jurídico diverso ao negócio dissimulado (ex. o negócio simulado está ferido de nulidade – artigo 240º/2. Assim. mas também a coisa da sua transmissão. mas para pagar uma só SISA os três sujeitos concordam em documentar numa só escritura uma só venda de A a C. mesmo que a outra parte saiba que o interposto não actua em nome próprio – artigo 1180º. Não confundir com a interposição real: o interposto actua em nome próprio mas no interesse e por conta de outrem. A está interessado num bem que B não lhe vende. fingiu – se um preço superior ou inferior ao preço real. não há simulação mas um mandato sem representação . havendo concluio entre os três. Nesta questão a doutrina divide-se. Sobre o valor do negócio: há divergência relativa ao quantuum da venda.atspace. Quanto ao negócio dissimulado aplica-se o artigo 241º e este será objecto do tratamento jurídico que lhe caberia se tivesse sido concluído sem dissimulação. é o que acontece com a interposição fictícia de pessoas: A quer dar um prédio a B. Admite-se uma excepção para o caso de as partes fazerem constar das declarações uma contradeclaração – um escrito de reserva com os requisitos formais exigidos para 102 . o negócio dissimulado poderá ser válido e eficaz como poderá ser inválido consoante que aconteceria se o negócio tivesse sido abertamente concluído. Pode-se fazer isto para fugir aos artigos 953º e 2196º (o interposto aqui é um simples “testa de ferro”)?????? Supressão de um sujeito real: faz – se uma venda de A a B e outra de B a C. Baseia-se no argumento literal da lei “só é válido se tiver sido observada a forma exigida por lei” nada dizendo para o caso de as razões de formalismo do negócio dissimulado se acharem satisfeitas com a observância de solenidades do negócio simulado e no argumento racional de que a forma legal não visa dar só a conhecer a trasmissao dos bens. quando o negócio dissimulado é de carácter formal: Doutor Mota Pinto defende que o negócio dissimulado será nulo por vicio de forma se este não respeitar o formalismo exigido. mesmo que a sua forma fique satisfeita com as solenidades próprias do negócio simulado. finge-se uma venda e quer-se uma doação).com/index. Efeitos da simulação relativa: tal como a simulação absoluta.html Subjectiva: são simulados os próprios sujeitos do negócio jurídico. mas finge doar a C para este posteriormente doar a B.

sofre uma apreciável restrição indirecta por força do artigo 394º/2 onde se estatui a inadmissibilidade da prova testemunhal no acordo simulatório e do negócio dissimulado. por exemplo numa escritura pública tal traria a descoberto o negócio simulado e o notário não celebraria o negócio). não bastando que provoque graves prejuízos. testemunhas. Vejamos algumas hipóteses: 1. Pires de Lima. Só que intervêm como sucessores do simulador e não como terceiros. no entanto. 103 . 3. A prova é quase restringida à prova documental e à confissão. tal como todas as nulidades. como quaisquer outros herdeiros podem arguir a nulidade dos actos simulados praticados pelo de cuiuis. Conflitos entre terceiros de boa fé: são possíveis conflitos entre terceiros que pretendem arguir a nulidade do negócio e terceiros cujos interesses exigem que o negócio seja considerado como válido.Conflito entre credores comuns do alienante simulado e credores comuns do simulado adquirente : Manuel de Andrade defende que se deve dar preferência aos últimos.atspace.Conflito entre credores comuns do simulado alienante e subadquirentes do simulado adquirente : devem prevalecer os interesses dos últimos diz Manuel de Andrade. defendendo que o negócio dissimulado não deveria ser nulo se as razões que estão na base da exigência da sua forma ficarem satisfeitas com a observância das solenidades próprias do negócio simulado.com/index.html esse negócio (algo que nos parece absurdo porque ao fazer isso. podem ser invocadas por qualquer interessado e declarada ex officio pelo tribunal – artigo 286º. Legitimidade da invocação da simulação: o artigo 242º/1 atribui legitimidade aos próprios simuladores para a arguição da nulidade mesmo sendo a simulação fraudulenta. Há como que um aproveitar da forma do negócio simulado sempre que esta coincidir com a forma do negócio dissimulado. Prova da simulação: a prova do acordo simulatório e do negócio dissimulado por terceiros é livre. documentos. trata-se de um problema de incompatibilidades entre direitos reais adquiridos do mesmo transmitente . São terceiros interessados na nulidade: a) fazenda nacional. 2. podendo ser feita por qualquer um dos meios admitidos na lei: confissão. c) os credores (mesmo que não haja insolvência – artigo 605º/1. estando inadmissíveis a prova testemunhal e a prova por presunções em virtude do artigo 351º (julgo). Em vida do hereditando o artigo 242º/2 permite aos herdeiros agir em vida do autor da sucessão contra os negócios por ele simuladamente feitos com intenção de os prejudicar. Algo que. etc.Conflito entre subadquirentes do simulado alienante e subadquirentes do simulado adquirente: sendo aquisições tidas como válidas. Após a morte do de cuius os herdeiros legitimários. b) os preferentes.http://apontamentosdireito. presunções.prevalece a venda mais antiga ou a que primeiro foi registada. A nulidade do negócio simulado. Antunes Varela e Manuel de Andrade defendem uma outra posição. Doutor Orlando de Carvalho. O código não tem normas explícitas sobre estes conflitos.

atspace. nulo se o declaratário teve conhecimento da reserva. b) Intuito de enganar o declaratário. Os efeitos desta figura são determinados pelo artigo 244º/2. Aqui não há confiança a proteger. tendo feito a declaração por julgar erradamente que a lei exige escritura pública para a venda do automóvel e que depois podia arguir a nulidade). Em principio carece de qualquer efeito – artigo 245º/1. há ainda intenção de prejudicar (ex.html Reserva Mental: o declarante emite uma declaração não coincidente com a sua vontade real. pois visa apenas dissuadir B do suicídio pela sua grave situação económica. Existe uma excepção colocada pela doutrina. salvaguardando. O negócio será. condições de justiça e de segurança do comércio jurídico e da confiança da contraparte. São duas as notas que a definem: a) Emissão de uma declaração contrária à vontade real. se o declaratário conhecia a falta de seriedade ou pelo menos esta era exteriormente perceptível. publicitárias. no caso de ser nulo. porque não chega a haver uma verdadeira declaração. sem que na realidade tenha essa intenção. didácticas.  Apenas com intuito de enganar: ex.http://apontamentosdireito. procedendo-se na expectativa de que a falta de seriedade não passe despercebida. Podem ser declarações jocosas. Aqui aplicar-se-á a cláusula geral do abuso de direito – artigo 334º. sendo necessário o seu efectivo conhecimento. não tendo intenção de fazer qualquer compra. os efeitos da simulação. A declaração negocial emitida com a reserva ocultada ao declaratario é. sem o intuito de enganar qualquer pessoa. em principio válida. visando enganar este. Na chamada graça malévola apesar de ter uma finalidade também jocosa ela é reserva mental e não declaração não seria porque se espera que a outra parte caia no engano. sem qualquer concluio com o declaratário. Terá. por exemplo nos casos em que se tenta dissuadir de um suicídio ou de um acto patrimonialmente ruinoso. Não bastará para a relevância da reserva a sua cognoscibilidade. A declara comprar a B um automóvel para o enganar. cómicas. etc. no entanto. assim. A declara a B fazer-lhe uma doação. neste sentido Mota Pinto e Orlando de Carvalho. O artigo 245º/2 estabelece um regime especial no caso da declaração ser feita em circunstâncias que induzem o declaratário a aceitar justificadamente a sua seriedade. Fraudulenta: para além do intuito de enganar.com/index. Está prevista no artigo 244º/1. Neste caso a declaração também não tem qualquer efeito. visto que excede os limites da boa fé e dos bons costumes a pretensão do declaratario no sentido da validade dessa declaração. 104 . no entanto há responsabilidade do declarante pelo interesse negativo ou confiança – responsabilidade pré-negocial. Declaração não séria: o declarante emite uma declaração não coincidente com a sua vontade real.

no caso do leilão se o amigo que ele quer cumprimentar nem sequer estiver virado para ele.html Divergências não intencionais entre a vontade e a declaração: I. o declaratario tem o direito a ser indemnizado pela chamada responsabilidade pré-negocial.atspace. mas sim involuntário e mesmo reflexo. sacrificando-se em demasia os interesses do 105 . Mota Pinto critica este requisito dizendo que facilita os interesses do declarante para anular o negócio. Algo que a doutrina Alemã não aceita calmamente. Distingue-se da coação relativa. comporta. não através de uma mera ameaça. O artigo 246º estatui que o negócio não produz quaisquer efeitos. no fim do artigo 246º que se o declarante tiver culpa na falta de consciência da declaração. o negócio será no entanto eficaz relativamente ao declarante aparente se este o aprovar – falsa demonstratio non nocet. esta não produz quaisquer efeitos. Estabelece-se. ex. nos termos do artigo 246º a ineficácia da declaração negocial.Erro na declaração ou erro-obstáculo: o declarante emite a declaração divergente da vontade real. porque nesta a liberdade está cercada. sendo forçado a dizer ou a escrever o que não quer. exigindose para a anulação que o declaratário conhecesse ou não devesse ignorar a essencialidade para o declarante do elemento sobre que incidiu o erro. II.http://apontamentosdireito. torcer o braço de alguém para o obrigar a assinar um papel). mas ele acena com a mão à mesma e isso é tomado como um lance pelo leiloeiro). ao contrário do erro – obstáculo não há qualquer comportamento por parte do sujeito a quem a declaração é atribuída (A faz-se passar por B fazendo um negocio e falsificando a sua assinatura) – esta hipótese estará sob o artigo 246º através de uma aplicação analógica . ao contrário da coação absoluta em que o coagido não pode combater esse mal. um indivíduo que entra num leilão e faz um gesto para cumprimentar alguém que é tomado como um lance sem que a pessoa se aperceba disso. Não havendo dever de indemnização a cargo do declarante. No caso de erro – obstáculo o princípio geral consta do artigo 247º. podendo até faltar completamente a vontade de agir) – ex. III. mas não completamente excluída. A coação física. sem ter consciencia dessa falta de coincidência – caso do lapsus lingual ou lapsus calami ou pelo chamado erro in predicando – atribuição às palavras de um significado diverso do seu sentido objectivo. no entanto.com/index.Falta de consciência na declaração: o declarante emite uma declaração sem sequer ter a consciência (a vontade de fazer uma declaração negocial. negócio em estado de sonambulismo. mas pelo emprego de uma força física irresistível que o instrumentaliza e o leva a adoptar o comportamento (ex. É diferente das chamadas declarações sob o nome de outrem – nestas. Algo que Larenz e Canaris chamam de responsabilidade por uma aparência jurídica (ex. porque não há um comportamento humano consciente e voluntário.Coação física ou coacção absoluta: o declarante é transformado num autómata.

atspace. No artigo 248º consagra-se uma excepção no caso do declaratario aceitar o negócio como o declarante queria a anulabilidade fundada em erro não procede. Pode. No entanto. haver acordo dos sentidos objectivos mas desacordo entre as vontades reais: a) Uma só das partes atribuiu à sua declaração um sentido diverso do que tem objectivamente – aplica-se a doutrina do erro – obstáculo. no entanto. ou seja. com dolo uma declaração diversa da vontade do declarante. Erro na transmissão da declaração: hipótese prevista no artigo 250º que o regulamenta o seu nº1 nos mesmos termos do erro – obstáculo. dizendo que se deveria ir mais além exigindo o conhecimento ou a cognoscibilidade do erro. Mota Pinto defende que a declaração é anulável sem a exigência dos requisitos do artigo 247º.http://apontamentosdireito. Mota Pinto defende que nalguns casos. b) Cada uma das partes atribui ao negócio um sentido diverso não coincidente com o seu teor objectivo – hipótese acima transcrita. Se o erro é apenas cognoscível o caso será resolvido em sede de erro – obstáculo se for relevante o que tornará o negócio inválido e será resolvido em sede interpretativa se o erro é irrelevante. O dissenso pode resultar de uma falta de acordo dos sentidos objectivos (ex. (ver o artigo 248º). Oliveira Ascensão e Carvalho Fernandes. ou seja. Aqui o dissenso tem interesse autónomo. o problema não se resolveria em sede de erro – obstáculo. No entanto. Falamos neste caso de dissenso. deixando uma área de invalidade do artigo 247º. Deslocar-se-ia para uma área de validade. c) Que ele não foi concluído porque não houve acordo nos termos do artigo 232º. b) Que é nulo – Castro Mendes. se o erro fosse conhecido. é anulável se o declaratario conhecesse ou não devesse ignorar a essencialidade para o declarante do elemento sobre que incidiu o erro. o declarante deve 106 .com/index. Mota Pinto transporta as suas críticas face ao erro – obstáculo nos mesmo termos para este regime. mas em sede interpretativa – artigo 236º/2. Pode haver o caso em que o declaratário compreendeu um terceiro sentido que não coincide com o querido pelo declarante nem com o sentido declarado. em que a aplicação do artigo 247º lese com extrema injustiça os interesses do declaratario. poder-se-ia obstar à anulação com base em abuso de direito – 334º.html declaratario e os do comércio jurídico. Segundo o artigo 249º o erro de cálculo ou escrita revelados no contexto da declaração ou nas circunstâncias que a acompanham não dão lugar à anulabilidade mas apenas à rectificação do negócio. Existe uma excepção estabelecida no artigo 250º/2 – admitindo-se a anulação sempre que o intermediário emite intencionalmente. A declara vender x e B declara comprar y) como consequência há quem defenda que: a) O negócio é inexistente – Mota Pinto.

face à pequena diferença o negócio deve-se considerar válido e o declarante deve suportar esse risco). O erro obstáculo é um erro na formação da vontade – há divergência entre vontade real e a declaração. A contrata com B julgando que o contrato tem os efeitos de locação quando afinal tem os efeitos de uma venda a prestações). É o que os Alemães chamam de erro – motivo “Motivirnt” (ta mal a palavra em alemão!). Pressuposição: convicção por parte do declarante de que certa circunstância se verificará no futuro ou de que se manterá um certo estado de coisas. de tal forma.http://apontamentosdireito. # Vícios da vontade: Generalidades: trata-se de perturbações do processo formativo da vontade negocial. Distinção entre erro – vício / e erro obstáculo e / pressuposição: O erro – vicio é um erro na formação da vontade e diz respeito a circunstâncias anteriores ou contemporâneas à conclusão do negócio. o declarante diz o que queria dizer mas isso está inquinado por uma má formação da vontade. A alteração anormal das circunstâncias constitui fundamento de resolução ou modificação do contrato previstos os pressupostos / 437º (não é erro). embora concorde com a declaração é determinada por motivos considerados como ilegítimos.html suportar o risco de uma transmissão defeituosa ou de uma deturpação ocorrida enquanto a declaração não chega à esfera do declaratario. Há divergência entre a vontade real e a vontade hipotética. A compra um terreno julgando erradamente que ele tem água). que esta. (…) Modalidades: a) Erro sobre a pessoa do declaratario: erro sobre a identidade e erro sobre as qualidades (exs. Assim.atspace. (ex. A contrata com B porque pensa erradamente que este é filho de um seu amigo) – artigo 251º b) Erro sobre o objecto do negócio: pode incidir sobre o objecto mediato sobre a identidade ou sobre as qualidades (ex. A contrata com B julgando que este é C. a compra de 18.  O erro como vicio da vontade: Ignorância ou representação inexacta por parte do declarante de uma qualquer circunstancia de facto ou de direito que foi determinante na formação da sua vontade negocial de tal modo que se ele estivesse esclarecido acerca dessa circunstancia não teria realizado o negócio ou não o teria realizado nos precisos termos em que o concluiu. objecto imediato – sobre a natureza do negócio (ex. telegrafista transmite em vez da compra de 20 cavalos.com/index. 251º 107 . Se ele conhecesse os termos e circunstâncias do negócio jurídico não tomaria essa decisão mas uma outra ou então nem tomaria decisão nenhuma.

não obstante a anulação. capacidade do errante. segundo Cabral de Moncada e outros.responsabilidade pré – negocial.com/index. Este erro não releva tal como não releva o erro indiferente em que mesmo sem ele o negócio teria sido concluído nos mesmos termos em que foi. embora houvesse doutrina (Manuel Andrade e Ferrer Correia) que defendesse que a anulabilidade ocorreria mesmo no caso de erro culposo. O Doutor Mota Pinto e também Carvalho Fernandes prevêm a redução do negócio segundo os termos da norma geral – artigo 292º. Aqui o fundamento da invalidade não é o erro mas o requisito legal cuja deficiência vicia o negócio. O erro tem de ser causa da celebração do negócio e não apenas dos seus termos – o erro é essencial se sem ele não se celebraria o negócio ou se celebraria um negócio com outro objecto ou de outro tipo ou com outra pessoa. Na vigência do Código de Seabra a doutrina considerava ainda: a) Escusabilidade: necessidade de ausência de culpa da parte do errante. ou seja. trata-se de um erro que recaia nos motivos determinantes da vontade. Ele só é próprio quando incide sobre uma circunstância que não seja a verificação de qualquer elemento legal da validade do negócio.html c) Erro sobre os motivos do negócio: é uma noção residual. Face ao novo código este requisito é dispensável. no caso de erro culposo.atspace.http://apontamentosdireito. b) Propriedade: o erro tem de ser próprio. embora noutras condições. tem que ter motivado a conclusão do negócio em si mesmo e não apenas nos termos em que foi concluído. b)Individualidade ou singularidade: quando fosse exclusivamente do errante e não de toda a gente em geral (Manuel de Andrade) afirmava o absurdo deste critério. mas que não se refira à pessoa do declaratário nem ao objecto do negócio. já que quando o erro é comum a uma generalidade de pessoas é que mais 108 . não anularia o negócio. Nele podemos integrar o erro sobre pessoa de terceiros e o erro sobre os fins ou objectivos de natureza subjectiva que motivam o declarante – artigo 252º. sempre. Condições gerais de relevância do erro – vicio como motivo de anulabilidade: a) Essencialidade: o erro tem de ser essencial. O erro será impróprio quando versa sobre os requisitos legais da forma negocial. O erro indesculpável ou grosseiro. incapacidade do declaratario. No entanto. os interesses da outra parte estão protegidos pelo artigo 227º .etc ( no entanto o erro sobre as qualidades da pessoa do declaratario é já erro sobre a pessoa do negócio – ex. Caso contrário o erro é incidental – influiu apenas nos termos do negócio pois o errante contrataria. Para o caso do erro incidental Mota Pinto defende a aplicação analógica do 911º sendo o negócio válido nos termos em que teria sido concluído sem o erro. pois a situação do contraente não enganado já é tomada em conta ao permitir-se a anulação apenas quando se verifiquem certos requisitos especiais.

Erro sobre o objecto do negócio: o artigo 251º prevê que o negócio será anulável nos termos do artigo 247º. representação mental de uma das partes. erro normalmente bilateral sobre as condições fundamentais do negócio jurídico que determinam ambas as partes. (invocavam o artigo 664º do código de Seabra. com base no qual as partes fixaram os pressupostos da contratação. como acontece nos demais erros vicio? Ou haverá lugar à resolução ou modificação do contrato nos termos da alteração superveniente das circunstancias do artigo 437º? .html justificado se torna que o errante o possa invocar para a anulação do negócio.ou seja. se é de ouro ou de prata). ou seja. para o declarante do elemento sobre que incidiu o erro. ou determina uma das partes e em que a outra não poderia deixar de aceitar o condicionamento do negócio sem violação dos ditames da boa fé. desde que o declaratário conhecesse ou não devesse ignorar a essencialidade. sendo a sanção a da anulabilidade pois no caso de erro sobre a base negocial. b) 109 . no sentido de a validade ficar dependente da existência da circunstância sobre que versou o erro. O artigo 252º/2 estabelece um regime especial para certos casos de erro sobre os motivos. já que remete para o 437º. Não se faz qualquer delimitação das qualidades do objecto no artigo.http://apontamentosdireito. Mota Pinto mantém as suas críticas para este regime.com/index. até porque as pessoas contratam pelos mais diversos motivos. esta remissão é para os pressupostos ou para os pressupostos e para a sanção? Mota Pinto defende que será só para os pressupostos. O erro sobre a base negocial é um vício na formação da vontade e não algo posterior. não é uma vicissitude surgida depois do negócio como acontece com a alteração superveniente das circunstâncias. Não basta ou conhecimento ou cognoscibilidade do erro pois tal daria lugar a bastantes litígios que se repercutirão na celeridade e segurança jurídicas. Nestes casos haverá lugar á anulabilidade nos termos dos artigos 437º a 439º. coloca-se a questão: terá lugar a anulabilidade. interpretavam à letra). que anteriormente fizera para o erro na declaração. então qualidades do objecto: a) a constituição material do objecto (ex. erro relativamente ao qual se forma a base do negócio. está na génese do negócio. reconhecida pela outra. Não sendo o artigo autónomo. se o erro incidir sobre as circunstancias que constituem a base negocial. ou seja.  Condições especiais de relevância do erro – vicio como motivo de anulabilidade Erro sobre os motivos: o artigo 252º/1 permite a anulação desde que haja uma cláusula verbal ou escrita. por exemplo anular o negócio com fundamento no desconhecimento de um preço mais barato noutro local. Serão. no entanto. Em face do nosso código essa exigência é ainda mais indefensável. é necessário uma delimitação. pois seria absurdo. expressa ou tácita.atspace. o estado de coisas erradamente figurado é anterior ou contemporâneo do negócio. ou a representação comum de vários interessados acerca da existência ou ocorrência de determinadas circunstancias. sobre a base das quais se funda a vontade do agente.

no entanto se o negócio não estiver cumprido pode ser invocada a todo tempo. de estipulação negocial das partes ou das concepções dominantes do comercio jurídico e o declaratario ou terceiro não o fazer – dolo negativo ou omissivo. Não há dolo no caso de erro provocado por informações inexactas sem intenção ou consciência de enganar. quem provocou o erro poderá incorrer em responsabilidade civil. embora com negligência. Não será. coacto ou incapaz. A diz a B que o lote de acções vai subir proximamente – é algo que qualquer vendedor diz e se o comprador cai é porque é ingénuo). c) pode ser sanada por confirmação (…) Artigos 287º e 288º # O Dolo: A noção de dolo consta do artigo 253º/1. ou quando tenha lugar a dissimulação pelo declaratario ou por terceiro do erro do declarante. Modalidades: Dolus bonus: sugestões ou artifícios usuais e toleráveis (considerados legítimos). portanto dolo. estipulação negocial ou das concepções dominantes do comércio jurídico. de estipulação negocial ou das concepções dominantes no comércio jurídico. Anulabilidade de todos eles: a) só pode ser invocada pelo errante. Só é relevante como fundamento de anulabilidade e de responsabilidade o dolus malus. No entanto. Erro sobre a pessoa do declaratario: está igualmente previsto no artigo 251º. Dolus malus: sugestões ou artifícios que alguém emprega com a intenção ou a consciência de conduzir ou manter em erro. Segundo o artigo 253º/2 só haverá dolo quando exista dever de elucidar por força da lei. se o objecto é usado ou não). que não são usuais. 110 . remetendo a sua anulabilidade para os termos do artigo 247º.com/index. bem como a dissimulação quando o dever de elucidar o declarante resulta de lei.http://apontamentosdireito.html as condições factuais ou jurídicas que pela sua natureza e duração evoluem no valor ou no préstimo desse objecto (ex. Existirá dolo quando se verifique o emprego de qualquer sugestão ou artificio com a intenção ou consciência de induzir ou manter em erro o autor da declaração – dolo positivo ou comissivo. b) só pode ser invocada no ano subsequente à cessão do vicio. concepções imperantes no comércio jurídico – artigo 253º/2. segundo o mesmo artigo as sugestões ou artifícios usuais considerados legítimos segundo as concepções dominantes no comércio jurídico (exemplo. na mesma maneira que o erro sobre o objecto do negócio acima analisado.atspace. Trata-se de um erro determinado por um certo comportamento da outra parte. há um dever de elucidar por força da lei. enganado.

nem devia conhecer o dolo de terceiro o dolo só releva se ao terceiro adveio.  Efeitos: o principal efeito do dolo é a anulabilidade do negócio – artigo 254º/1. Vaz Serra. 1. Não é necessário que o dolo seja unilateral. b) Tem de ser essencial ou determinante (o erro é que tem que ser essencial) c) Ser dolo positivo ou negativo (tanto faz) d) Intenção de enganar o declarante de forma a induzi-lo ou a mante-lo na situação de erro – artigo 253º/1.Se o declaratário não conheceu.http://apontamentosdireito.Se o declaratario conhece ou lhe foi cognoscível o dolo de terceiro o negócio será totalmente anulável – artigo 254º/2 (1ª parte) . o negócio é anulável dando lugar também a responsabilidade prénegocial. Pires de Lima. 111 . mas noutras condições. mas acresce a responsabilidade pré-negocial do autor do dolo por ter dado origem à invalidade. com o seu comportamento contrário as regras da boa – fé. neste sentido Mota Pinto.Dolo do declaratário: a) Tem de ser dolus malus – artigo 255º/2 a contrario sensu. .atspace. Dolo fraudulento: há intuito ou consciência de prejudicar. ele contrataria sempre. durante os preliminares e a formação do negócio – artigo 227º responsabilidade pelo dano da confiança. o próprio dolo bilateral pode ser invocado como fundamento de anulação – artigo 254º/1 (parte final). . neste sentido12 Castro Mendes e Carvalho Fernandes. Não conduzirá este dolo necessariamente a anulação como defendeu Mota Pinto anteriormente para o erro – vício. Dolo essencial: o enganado foi induzido pelo dolo a concluir o negócio em si mesmo e não apenas nos termos em que foi concluído. Dolo incidental: o enganado apenas foi influenciado quanto aos termos do negócio. Antunes Varela.html Dolo inocente: não há intuito enganatório.Dolo de terceiro – artigo 254º/2: Aplicam-se todos os outros requisitos e ainda: . por força do negócio directamente algum direito (clausula a seu favor).com/index. 2 – se o terceiro beneficiário não foi o autor do dolo o negócio é anulável em relação a ele se ele conhecia ou não devia ignorar o dolo.se o terceiro beneficiário foi o autor do dolo o negócio é anulável em relação a esse sujeito mas não é anulável face ao declaratario – invalidade parcial. Outros autores falam de responsabilidade extra negocial por factos ilícitos – artigo 483º ss. sem dolo não se teria concluído qualquer negócio. Neste caso. 12 Se o dolo é exercido por um representante do declaratario ou por seus agentes a situação será tratada como dolo do declaratário.

receio de desagradar a certa pessoa a quem se deve respeito ou de quem se é dependente. receio de um mal de que o declarante foi ilicitamente ameaçado com o fim de obter dele a declaração. o seu conceito.com/index. Só cairemos no âmbito da coacção física ou absoluta quando a liberdade exterior do coagido é totalmente excluída e ele é utilizado como verdadeiro autómato – exemplo assinatura de um documento com a mão a ser conduzida por outrem com força irresistível). esta pode resultar: c1) Ilegitimidade dos meios empregues (ex. A ameaça pode dizer respeito à pessoa. para conseguir vantagens indevidas. ameaça de agressão. Coação exercida por terceiro: Provoca a anulabilidade do negócio e põe a cargo do coactor uma obrigação de indemnizar o declarante e o declaratário se este não for cúmplice do terceiro. embora a submissão à ameaça fosse a única escolha possível. segundo Mota Pinto a responsabilidade pré – negocial do coactor – artigo 227º Coação exercida pelo declaratário.http://apontamentosdireito.atspace. a lei no artigo 255º/1 exclui o chamado temor reverencial . penhora. mesmo que o autor da ameaça não pretenda senão a satisfação do seu direito) c2) Ilegitimidade dos fins (ameaça de recurso às vias de direito como participação criminosa. etc. É. Só há vicio quando a liberdade do coagido não foi totalmente excluída. Não há coacção se há apenas a ameaça de um direito para conseguir a satisfação ou garantia de um direito existente – artigo 255º/3.html  A coacção moral: consta do artigo 255º/1. só será anulável se: a) Que se trate de uma coação essencial ou principal. também duma ameaça de exercício abusivo extrajudicial de um direito exemplo: doação por um paralítico a quem ameaça abandona-lo). Assim. mesmo no caso de ameaça com arma de fogo ou no caso de emprego da violência física como começo para compelir o negócio estaremos face a coação moral ou relativa. Não basta o simples medo ou receio. havendo lugar. b) Intenção de extorquir a declaração – artigo 255º/1 e que a declaração tenha sido efectivamente extorquida – 256º/1 (1ª parte) c) Ilicitude da ameaça – artigo 255º/1. São exigidos para esta coação os requisitos da coacção do declaratario e ainda: 112 . de morte. a perturbação da vontade traduzida no medo resultante de ameaça ilícita de um mal com o intuito de extorquir a declaração negocial. quando lhe foram deixadas possibilidades de escolha. então. honra ou à fazenda do declarante ou de terceiro – artigo 255º/2 A coacção moral origina a anulabilidade do negócio – artigo 256º.

com/index. estará nesse caso a ameaçar daí ser considerado também coacção moral. Há aqui um aproveitar-se da situação. Requisitos objectivos:  benefícios excessivos ou injustificados. Neste caso parte da doutrina diz que ao faze-lo ele está a contribuir para a situação de perigo prolongando-a. inexperiência . ligeireza. médico. O facto que lhe dá origem pode ser natural ou humano.html a) (d)Ameaça de um mal grave. dependência. alguém que tinha o dever jurídico ex. se este não poder ser invocado. que confere à outra parte benefícios excessivos ou injustificados. só o prestando depois de exigir uma retribuição a que não tinha direito). b) – conhecimento da situação de inferioridade e aproveitamento consciente para dela tirar benefícios. algo que é apreciado objectivamente. No caso de ameaça de recorrer a vias judiciais (Capelo de Sousa defende que a ameaça termina a partir da sentença da 1ª instancia). Requisitos subjectivos:  a) . deve-se atender à viabilidade da sua execução. 113 . enquanto que no dolo. desproporção manifesta entre as prestações que ultrapasse o que pode ter alguma justificação. #  O Estado de Necessidade: situação de receio ou temor gerada por um grave perigo que determina o necessitado a celebrar um negócio para superar o perigo em que se encontra.  Efeitos: o estado de necessidade deve subsumir-se ao artigo 282º onde se estatui a anulabilidade dos negócios usurários.http://apontamentosdireito. há sempre possibilidade de invocar o erro simples. mas a partir do momento em que cessa a ameaça. sendo que quem se aproveite não provoca essa situação. mas em relação aos vários tipos de indivíduos. Na anulabilidade começa a contar o prazo não a partir do momento em que é feita a ameaça. Trata-se de um regime “menos apertado” que o dolo. estado mental ou fraqueza de carácter. Confronto com a coação: pode gerar confusão quando o estado de necessidade for ocasionado por um facto humano (ex. No caso da pessoa que se aproveita conscientemente da situação de necessidade ter o dever de auxiliar o necessitado (ex. à capacidade de resistência do tipo médio de indivíduo com as condições pessoais do declarante. ao contrário da coacção em que a situação é criada pelo coactor. b) (e)Justificado receio da consumação do mal. ou um imperativo moral de auxilio. isto porque se o coagido não poder invocar a coacção não poderá invocar outro vício da vontade. médico que o é obrigado pelo seu código deontológico).situação de necessidade.atspace.

desta forma. Essa notoriedade é avaliada nos termos do artigo 257º/2 pelo princípio do bónus pater famílias. Termo resolutivo: os efeitos produzem-se desde logo. pela qual nas doações e liberalidades testamentárias. tutelando-se. b) O termo: subordinação pelas partes do negócio jurídico a um acontecimento futuro de verificação certa.com/index.atspace. Saber se uma condição é suspensiva ou resolutiva é um problema de interpretação do negócio jurídico. a confiança do declaratário. o disponente impõe ao beneficiário a obrigação de adoptar um certo comportamento. mas cessam a partir de certo tempo. abrangendo o conjunto de regras éticas aceites pelas pessoas honestas. correctas. Noção variável ao longo dos tempos. Existem duas modalidades: termo suspensivo: neste caso fica subordinada a própria produção dos efeitos do negócio jurídico nos termos do 278º. Elementos acidentais dos negócios jurídicos: a) A condição – artigo 270º : subordinação pelas partes do negócio jurídico a um acontecimento futuro de verificação incerta. c) O modo: cláusula acidental. Prevê-se a anulabilidade desde que se verifique um requisito: a notoriedade ou o conhecimento da perturbação psíquica. # Incapacidade acidental: o artigo 257º prevê duas modalidades: a) Incapacidade de entendimento. Bons costumes – variam com os tempos e lugares. no interesse do disponente. Ordem pública – conjunto de princípios fundamentais subjacentes ao sistema jurídico que o Estado e a sociedade estão interessados em que prevaleçam. de terceiro ou do próprio beneficiário – artigos 963º e 2244º. ↔ 114 . Existem duas modalidades: condições suspensivas: à verificação da condição fica subordinada a produção dos efeitos do negócio. de boa – fé num dado ambiente e num dado momento.http://apontamentosdireito.html Mota Pinto defende ainda que tais negócios deverão ser nulos com fundamento em contrariedade à lei ou ofensa aos bons costumes – artigo 280º. Condições resolutivas: a verificação da condição importa a destruição dos efeitos negociais. b) Falta de livre exercício da vontade.

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