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TEORIA GERAL DO DIREITO CIVIL 1ºSEMESTRE
Bibliografia Do 1º Semestre: Capelo de Sousa Do 2º Semestre: C.A. Mota Pinto

O conceito de direito civil: o direito divide-se em dois grandes grupos, direito público e direito privado, sendo que o direito civil se integra no direito privado. A distinção entre direito público e direito privado: Critérios de distinção: o I – Um primeiro critério assenta na natureza do interesse protegido pelas normas, a chamada teoria dos interesses (interessentheorie). A norma seria de direito público quando o fim da mesma fosse a tutela de um interesse público, ou seja, um interesse da colectividade. A norma seria de direito privado quando visasse tutelar um mero interesse particular.  Críticas: a maior parte das normas jurídicas tanto de direito privado como de direito público visam proteger simultaneamente interesses públicos e interesses dos particulares. Assim, por exemplo, as normas que regulam o funcionamento e actuação do Estado, embora tutelando interesses gerais da comunidade, visam o bem dos homens concretos dessa comunidade. Por outro lado as normas de direito privado não se dirigem apenas à realização do interesse dos particulares, visando quase sempre interesses públicos (exemplo, art.875º cc.) que sujeita as vendas de imóveis a escritura pública, para além de defender as partes contra a sua precipitação realiza o interesse público de segurança do comércio. Só seria aceitável se exprimisse uma cota tendencial: o direito público tutelaria predominantemente interesses da colectividade e o direito privado tutelaria predominantemente interesses dos particulares (Marcelo Caetano): natureza do interesse prioritariamente tutelado; Ainda assim não seria aceitável porque em muitos casos não se sabe qual o interesse predominante (ex.registo predial). Há normas pacificamente classificadas como de direito privado e que visam predominantemente interesses públicos (normas imperativas).

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II – Um outro critério é o da posição relativa dos sujeitos da relação jurídica (subjektions theorie), o direito público regularia relações entre sujeitos que estão numa posição de supra-ordenação ou supremacia e outros de infra-ordenação ou de subordinação. O direito privado disciplinaria relações entre sujeitos numa posição relativa de igualdade ou coordenação.  Críticas: no direito público pode-nos surgir posições de igualdade ou coordenação (exemplo: relações entre dois municípios membros de uma associação de municípios);  No direito privado encontramos algumas relações jurídicas hierarquizadas (relação no poder paternal entre pai e filho (art. 1878º cc.) ou contrato de trabalho entre entidade patronal e trabalhador (art. 1152º); o III-Um outro critério é o da teoria dos sujeitos (subjektheorie) que assenta na identidade dos sujeitos. Seriam normas de direito público aquelas em que interviesse como sujeito activo ou passivo o Estado ou qualquer ente público. Seria de direito privado as que apenas interviessem particulares.  Críticas: os entes públicos podem intervir como particulares em muitos negócios jurídicos (ex. o Estado compra a um particular uma casa para lá instalar um serviço);  Os particulares podem relacionar-se entre si no âmbito do direito público (ex. concurso de acesso à função pública); o IV – O critério mais aceite é o da qualidade dos sujeitos, que é a versão moderna da teoria dos sujeitos. São normas de direito privado, as que regulam relações jurídicas entre particulares, ou entre particulares e o Estado ou outros entes públicos, ou entre entes públicos sempre que estes ajam despidos de poder de autoridade pública. São normas de direito público as que regulam relações jurídicas do Estado e outros entes públicos entre si, ou com os particulares quando os primeiros ajam munidos de poderes de autoridade pública, de soberania ou de império ius imperi.  Críticas: não dá base de sustentação para a integração no direito público das normas que regulam a organização e funcionamento das pessoas colectivas públicas e que são consideradas pacificamente normas de direito público; Deixa em aberto o que se entende por poder de autoridade pública. Existindo hoje várias funções do Estado, nomeadamente no campo da assistência social que não

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envolvem meios de autoridade, mas que também não mostram o Estado na veste de um particular (ex. rendimento mínimo garantido). O nosso ordenamento jurídico não estabeleceu um critério geral para determinar quais as normas de direito público e quais as de direito privado. Trata-se mais de um produto histórico, em que o ordenamento ao longo dos tempos foi fixando critérios diversos para determinadas relações jurídicas que foi integrando num ou noutro ramo. Noutros casos optou por interpolações mistas de direito público e de direito privado. No entanto há certas normas que nos permitem avançar na definição do critério: art. 501º cc: submete o Estado e demais entes públicos em matéria de responsabilidade civil decorrente do exercício de actividade de gestão privada ao regime do direito privado diferentemente do que acontece com actividade de gestão pública (critério da qualidade dos sujeitos). Artigo 1304º cc, que sujeita o domínio das coisas pertencentes ao Estado ou a outras pessoas colectivas públicas ás regras do código civil, só pertencendo ao domínio público do Estado os bens definidos e regidos por lei excepcional (art.84ºCRP) (critério da qualidade dos sujeitos). Em suma a nossa lei assume o critério da qualidade dos sujeitos da relação jurídica, embora hajam regimes mistos.  Alcance prático da distinção: 1. Satisfaz um interesse de ordem científica na sistematização e agrupamento das normas jurídicas; 2. Serve para determinar as vias judiciais competentes para a solução dos diferentes conflitos. Em casos de conflito de direito privado são competentes os tribunais judiciais e dentro destes os tribunais comuns em matéria civil, salvo quando houver matéria civil especializada (ex. tribunal de trabalho, tribunais de família e menores, tribunais marítimos). Em casos de conflito de direito público são competentes os tribunais administrativos e fiscais (arts. 211º e 212º CRP); 3. Responsabilidade civil, ou seja, a obrigação de indemnizar decorrente de uma actividade de órgãos ou agentes estaduais está sujeita a um regime diverso consoante os danos sejam causados no exercício de uma actividade de gestão pública ou privada. Ora, a actividade de gestão pública é a disciplinada pelo direito público e a de gestão privada pelo direito privado, daí a necessidade prática da distinção. Temos, assim efeitos legais próprios para o direito público distintos do direito privado.  Características do direito público e do direito privado: 1. Direito privado: vigora o princípio da liberdade em que é lícito tudo quanto não é proibido pela lei; Direito público: vigora o principio da competência ou da legalidade, onde só é lícito o que é permitido pela lei;

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Com o evoluir da sociedade foram surgindo direitos especiais (subconjuntos unitários e sistematizados de normas jurídicas aplicáveis a determinados e delimitados sectores da vida humana.com/index. no direito privado. 4. em regra. Mas a incerteza que daí advinha levou à publicação em 1883 do primeiro código comercial: o código de Ferreira Borges que era de pendor subjectivista. regras gerais no direito civil que se aplicam a esses ramos especiais do direito privado (ex. Direito público: regula um sector mais determinado de relações jurídicas.atspace. em regra. Ás relações entre o Estado e os particulares é.1304º cc). sejam eles praticados ou não por comerciantes. se deveria aplicar as leis das nações civilizadas. só se aplicando o direito público quando a lei o determine. menoridade art. 7. 3.html 2. as que estão previstas na lei e se especializaram do tronco comum do direito que aparece ligado ao direito privado. prevendo um regime jurídico diverso do regime regra que é o direito civil. que ainda se encontra em vigor. em princípio. este regulava um direito dos comerciantes. A lei da boa razão (1769) e os estatutos da Universidade de Coimbra (1772) distinguiam já o direito comercial do direito civil. Direito público: predominância de normas imperativas (não podem ser afastadas pela vontade das partes). Direito privado: predominância de normas supletivas (regras jurídicas que podem ser afastadas pela vontade das partes em sentido contrário). mas tendo-o como direito subsidiário. Mas a autonomia 4 . Direito privado: é de certo modo um direito geral face ao direito público porque regula a generalidade das relações jurídicas. Encontramos. Muitas vezes o direito privado é de aplicação subsidiária face ao direito público. Em 1888 vamos ter um novo código. aplicável o direito privado. Os contratos do Estado com os particulares são. o código de Veiga Beirão. 6. Mas ser o núcleo fundamental não é ser todo o direito privado.122º). nos casos omissos. O direito comercial: desde cedo surgiram tribunais comerciais para os mercadores. 5. embora admitindo actos praticados apenas por comerciantes. cuja jurisprudência muito contribuiu para a autonomização do direito comercial. ao domínio privado (art. só se aplicando o direito público quando a relação é dominada pela ideia de ius imperi.  O direito civil como direito privado geral comum: O direito civil é o núcleo fundamental do direito privado. regulados pelo direito privado. Assim. de pendor objectivista: regula os actos de comércio. o direito civil é o direito – mãe (“Mutterrech”).http://apontamentosdireito. assim. Os direitos privados especiais: 1. dizendo que em matéria comercial. Os bens do Estado pertencem.

daí prevalecerem as normas que estabeleçam tratamento mais favorável para o trabalhador. O direito do trabalho: com o avanço civilizacional os trabalhadores começaram a deixar de ser vistos como “criados”. sobretudo nas relações colectivas de trabalho. em que os conflitos laborais são resolvidos pelos tribunais de trabalho. leis uniformes para letras. daí ter nascido grande regulamentação que levou à autonomização deste ramo do direito privado. c. Este ramo tem ainda especialidades de jurisdição. simplicidade e rapidez na conclusão das transacções. mas pessoas com direitos e deveres. no direito de greve.html do direito comercial justifica-se pelas necessidades próprias do comércio moderno. O nosso código civil declara no artigo 1153º que o contrato de trabalho está sujeito a legislação especial – DL nº 49. ou seja. Tratamento e tutela do trabalhador. regra geral. em que é conciliador. Os actos jurídicos comerciais são. 3. trabalho de menores. ao contrário do direito civil onde coabitam os actos onerosos e gratuitos. intervindo nos conflitos entre as entidades patronais e os trabalhadores com armas como a requisição civil. igualdade entre homens e mulheres. O comerciante precisa também do reforço das suas garantias. d. senão vejamos: a. Especialidade ainda de processo com mecanismos processuais próprios com o código de processo do trabalho. c.etc.48 de 24 novembro de 1969 que estabelece o regime jurídico do contrato individual de trabalho.http://apontamentosdireito. Há uma necessidade de maior regulamentação unitária de carácter internacional no direito comercial com a globalização da economia (ex. daí o direito comercial ser menos exigente no que respeita à forma negocial. b. de natureza onerosa. etc. Necessidade de facilidade. O direito do trabalho compreende sobretudo as seguintes características: a. como parte económica mais débil. Há uma grande intervenção do Estado na relação laboral. onde há uma contrapartida económica. como credor. bastante alterado depois do 25 de Abril que veio estabelecer modificações na duração do trabalho. Apenas nos indica qual a legislação 5 . livranças e cheques). Intervêm ainda ao nível da previdência social. sobretudo nos principais centros urbanos. o fiador é o ultimo a responder pela dívida.com/index. exemplo o aval comercial em que se responsabiliza a pessoa que o dá ao mesmo tempo e ao mesmo nível do devedor podendo o credor executar o património de um ou outro. 2. Direito internacional privado: o DIP não regula directamente as questões que dividem as partes.atspace. ao contrario da fiança civil em que há o beneficio da excussão. b. higiene e segurança.

As leis: de acordo com o artigo 1º/2 cc. decretos-leis e decretos legislativos regionais. É claramente direito privado porque diz respeito às relações jurídicas privadas ao contrário do direito internacional público que regula fundamentalmente relações entre Estados. abarcando apenas as leis. Sobretudo por força do artigo 18º CRP são de aplicabilidade directa os arts. a. Simultaneamente com várias ordens jurídicas estaduais. Daí que haja diversas normas constitucionais com aplicação no âmbito de direito civil. Nesta matéria concorrem normas de direito privado e também normas de direito público com o Estado a visar finalidades de justiça social e também com normas provenientes da União Europeia.  Fontes mediatas (legitimidade depende de outras fontes): (3) usos. daí a sua unidade e autonomia face ao direito civil. (2) normas corporativas. Essas normas estão a tender para a autonomização. Consta sobretudo dos ars. emanação do contrato social de Rousseau. (d) decretos legislativos regionais e os vários regulamentos. princípios fundamentais de direito. (b) leis ordinárias (da AR). acepção restrita: designa os actos legislativos da AR). mas não há ainda um corpo legislativo unitário.com/index. Controversa será essa qualificação para o direito agrário. com estrutura e espírito próprios. Leis constitucionais: a Constituição é o quadro básico das relações jurídicas da sociedade. acepção intermédia: lei contrapõe-se a regulamento. sendo o direito civil direito subsidiário destes ramos. 1. Noutros casos há normas programáticas na Constituição que necessitam de desenvolvimento legislativo. 4. 24º a 47º da CRP que incorporam maioritariamente direitos fundamentais civis  aplicabilidade imediata da Constituição. por 6 . mas um direito de natureza e fonte interna. cada Estado tem o seu próprio DIP. 14º a 65º cc  é um direito instrumental de “normas sobre normas”. As fontes de direito civil: Fontes imediatas (operam sem intermediários): (1) leis.http://apontamentosdireito. (c) decretos lei do governo.html estadual aplicável para regular um caso concreto em que os elementos da relação jurídica estão em contacto.atspace. o DIP não é um verdadeiro direito internacional. as leis são tomadas numa concepção lata “todas as disposições genéricas provindas dos órgãos estaduais competentes (acepção latíssima: lei significa direito. (a) Leis constitucionais. Temos assim. normas relativas à estrutura e actividade da agricultura. No entanto. (4) equidade. Outros ramos especiais do direito privado: constituirão também direitos privados especiais o direito de autor e direitos conexos bem como o direito de propriedade industrial como é patente pelo artigo 1303º.

Decretos – lei do governo: têm o mesmo valor das leis ordinárias. Mas salvaguardando a unidade do sistema o artigo 1º/3 afirma que essas normas não podem contrariar disposições legais de carácter imperativo. Leis ordinárias: as leis ordinárias são as leis da AR. em que ela pode delegar ao governo essas competências (art. b) não estejam reservados à competência própria dos órgão de soberania.atspace. uma reserva absoluta em que cabe exclusivamente à AR não podendo delegar no Governo essas tarefas (art. a representatividade profissional mantém-se. adaptando o código à CRP de 1976 e não ter sido feita uma revisão geral do mesmo.164º CRP) e uma competência relativa.198º/2 CRP). pois apesar da extinção do regime corporativo. donde sobressai o princípio da liberdade de associação que gera fontes de direito em matéria de estatutos e regulamentos internos. Temos uma competência exclusiva (art. d. Se o Estado não desenvolver politicas nesse sentido poderá haver lugar à inconstitucionalidade por omissão  aplicabilidade mediata da Constituição. Decretos legislativos regionais: atente-se ao artigo 227º da CRP e às limitações aí presentes: a) matéria de interesse especifico. Usos: o artigo 3º considera os usos como fonte de direito mas conferelhes importantes limitações: 7 . uma competência própria (198º1/a) CRP) e uma competência autorizada (198º/1/b) CRP): foi o que se passou aquando da reforma do código civil em 1978 que o adaptou à CRP de 1976. esse código deontológico não poderá conter normas que violem direitos liberdades e garantias. Daí defender a revogação tácita ou uma interpretação ab-rogante face a estas normas. Regulamentos: no direito civil há ainda zonas periféricas de carácter regulamentar. exemplo o artigo 64º da CRP. que depende das capacidades do Estado para promover esse direito.165º CRP). Tornando-se muito mais fácil essa actualização assim do que se a mesma fosse feita por decreto – lei. Exemplo disso é o código deontológico da ordem dos médicos. e.112º/4 da CRP bem como o próprio 227º). Esta tem uma competência geral.html b. Mas parece que estas continuam a existir. 3. Há dois tipos de reserva. 2. que está presente no artigo 161º da CRP e uma competência reservada. estas normas deixaram de ser fonte de direito e o facto destas terem permanecido no artigo 1ºcc deve-se ao facto da reforma deste código em 1977 ter tido um carácter meramente parcial. c.http://apontamentosdireito. Por exemplo. ainda que noutros moldes.com/index. Veja-se o exemplo das portarias que estabelecem os coeficientes de actualização dos arrendamentos urbanos para habitação. As normas corporativas: uma parte da doutrina (Doutor Mota Pinto) entende que com a abolição do regime corporativo com o 25 de Abril. c) estão subordinadas às leis gerais (art.

exemplo caso entre a EDP e a TELECOM que pode implicar grande conhecimento tecnológico  elas estabelecem que o processo é resolvido por tribunal arbitral). Só são juridicamente atendíveis quando a lei o determine. b. outra fonte mediata do direito civil já que: a.  As fontes internacionais: a CRP no artigo 8º abre a nossa ordem jurídica a fontes de direito internacional.218º).  Não confundir os usos com o costume (prática social reiterada com a convicção da sua obrigatoriedade jurídica).html a. 4. Só tem lugar quando haja disposição legal que o permita (exemplo art. Começou por ser fonte imediata de direito. aqui tomada numa acepção objectiva.atspace. algo que acontece nos países da “common law”). como tal são fonte mediata de direito já que para se aplicarem necessitam da remissão de uma norma jurídica (ex. b. não é fonte de direito na nossa ordem jurídica. A lei da Boa razão colocou-lhe enormes restrições: conforme à boa razão. Equidade: o artigo 4º. A única excepção que existia até 1995 era a dos assentos do STJ.2º e hoje 8 . honroso e leal.art. Quando haja acordo das partes e a relação jurídica não seja indisponível.  A jurisprudência: a jurisprudência  o conjunto de decisões em que se exprime a orientação seguida pelos tribunais na decisão dos casos concretos.com/index. c.  É a chamada justiça do caso concreto ou solução ex aequo et bono . Actualmente o costume não é fonte de direito civil. ou seja. sendo que aqui não são competentes os tribunais comuns. presentes no art. mas foi decrescendo de valor devido à sua incerteza e à rapidez das mutações sociais. c.http://apontamentosdireito. devido ao princípio da independência doas magistrados judiciais que julgam apenas segundo a Constituição e a lei (exemplo. Quando as partes tenham previamente convencionado nos termos da cláusula compromissória (esta diz respeito à fixação da resolução de litígios através de tribunais arbitrais. Não estarem em oposição com as normas corporativas. não ser contrário à lei (100 anos de existência) sendo que o código de 1867 o excluiu das fontes de direito (o chamado código de Seabra). Não podem ser contrários aos princípios da boa fé. 494º). Essas decisões não vinculam os mesmos ou outros tribunais no futuro (julgamento do mesmo tipo. um comportamento honesto. se um juiz de 1ª instancia tem uma interpretação diferente de certa norma da do Supremo deve seguir a sua própria interpretação). sobretudo no seu nº3 em que assumem especial relevo os regulamentos dos órgãos da EU que vigoram directamente na nossa ordem jurídica interna ao contrário das directivas que necessitam de acto de transposição para o direito nacional.

No entanto o art. foi criado. mas também outros acórdãos do Supremo. presente no art. das relações e até sentenças de 1ª instância. em que a função legislativa é atribuída à AR e ao Governo e a função jurisdicional é atribuída aos tribunais. capaz de valorações jurídicas. têm um mero valor indicativo. no plano processual o acórdão em julgamento ampliado de recurso de revista. limita-se a formular um juízo de valor. ou seja. mesmo que com carácter interpretativo. Só que esse acórdão não tem força obrigatória geral nem mesmo para os tribunais superiores. Daí ser inaceitável a criação. 9 . cabendolhe uma ponderação na aplicação concreta de muitos comandos legais. valendo como preceito geral para o futuro. em que o plenário das secções cíveis emite um acórdão de forma a assegurar a uniformidade da jurisprudência. é o caso das clausulas gerais e de conceitos indeterminados. relativamente à mesma questão fundamental de direito.com/index.html revogados.334º). Oliveira Ascensão diz que os acórdãos com força obrigatória geral do TC são fonte de direito. a nomeação de um Ministro no DR-I-A tem também força obrigatória geral e não é uma norma jurídica. Quando existiam dois acórdãos do Supremo e excepcionalmente da relação. Mas de acordo com o artigo 8º nº3 não são apenas objecto de ponderação por parte do juiz os acórdãos do Supremo em julgamento ampliado de revista. por exemplo. até porque se o caso tiver valor para subir até ao Supremo o normal é o acórdão ser reafirmado. sobretudo com o 10º nº3 em que o juiz elabora uma norma adhoc dentro do espírito do sistema  aqui há uma clara indução do direito. Não parece que o sejam:  O TC não cria nenhuma norma. Cada vez o juiz é menos a “boca da lei”. positivista e dedutiva. Quanto aos assentos proferidos antes da data da sua revogação (13/12/1995) deixaram de ter força obrigatória geral e têm o valor dos acórdãos de recurso ampliado de revista.111º da CRP. Cada vez menos o direito recorre a uma jurisprudência de conceitos.atspace. assentes sob soluções opostas e sejam produzidas no domínio da mesma legislação se recorria para o plenário do Supremo que tiraria um assento que solucionaria o caso concreto. por parte destes de normas jurídicas com força obrigatória geral.8º nº3 mostra claramente o desejo de uma certa uniformização na aplicação do direito para garantir a segurança e a previsibilidade do direito. No entanto é necessário que haja razões fortes para esse tribunal contrariar tal acórdão. Isto é ainda mais visível no preenchimento das lacunas da lei com os artigos 10º nº1 e 2. Em termos gerais vale como mera jurisprudência uniformizada. Tem um mero valor indicativo. Esta revogação baseou-se sobretudo no princípio da separação dos poderes. Daí que se fale no desenvolvimento normativo do direito pelo juiz ou mesmo do chamado Richterrrech (direito jurisprudencial). mas a uma jurisprudência atenta aos interesses das partes. – problema de aplicação de leis no tempo. acórdão que é publicado no DR. para os casos concretos o recurso intentado até essa data vale para a resolução do conflito concreto. Para isso. Existe aqui uma forte dose de valoração apresentando a intervenção judicial um verdadeiro carácter constitutivo (exemplo art.http://apontamentosdireito. O facto dos acórdãos serem publicados no DRI série A e terem força obrigatória geral não é significativo pois.

9. um direito a ser respeitado por ele como pessoa.http://apontamentosdireito. 12. Mas há também princípios gerais emergentes da lei ordinária civil. 11. tem um incondicionável valor em si mesmo. 13. Principio da tutela geral da personalidade. dão coerência e unidade ao conjunto do direito civil. 4. 8. Principio do reconhecimento da personalidade jurídica humana. Principio da dignidade da pessoa humana: resulta do artigo nº1 da CRP. o homem é “fim em si mesmo”. Principio da não violação da esfera jurídica alheia. Principio do equilíbrio das prestações. de se autopropor objectivos e limites para a sua actuação. 5.com/index. Principio da autonomia da vontade privada. Principio da boa-fé. resultando da natureza do homem deste configurar livre e reciprocamente a sua existência e a sua inserção social. Principio da proibição de negócios usuários: art. 3. Principio da proibição do abuso de direito. Principio da nulidade de actos e negócios jurídicos violadores de regras imperativas. 10 . 2.html  Os princípios gerais de direito civil: são princípios de ordenação material ou substancial das normas jurídicas civis que estruturam. face a qualquer outro.atspace.282º.70º) Este princípio implica: a. 7. São a sua ossatura. Principio da liberdade declarativa. Principio da personificação jurídica e da capacidade jurídica funcional das pessoas colectivas privadas. Tais princípios são desenvolvidos pelas normas civis e alimentando o espírito do sistema civil a eles se recorrendo na integração de lacunas praeter legem conforme o artigo 10º/3. Face a esta dignidade Larenz diz que todo o ser humano tem. Numa fórmula de Kant. modelam o conteúdo do direito civil. 6. Principio da igualdade. 10. Principio da proibição de auto-defesa dos direitos próprios. Por isso ele é pessoa. Ao seu aprofundamento: 1. Principio da dignidade da pessoa humana. 14. Estes princípios podem ter carácter fundamental ou Constitucional se resultam de normas ou princípios Constitucionais. Principio da plenitude da capacidade jurídica humana. Vamos proceder à sua enumeração: 1. não podendo ser empregado simplesmente como meio. sendo obrigado a respeitar a outra de modo análogo  princípio do respeito mútuo é fundamental e é a base da convivência numa comunidade jurídica e de toda a relação jurídica e está na origem do próprio direito geral de personalidade (art.

se é baseada em fundamentos materiais suficientes e assenta em considerações razoáveis. Só não o será face a disposição legal em contrário como decorre do artigo 67º.  O direito é ainda concebido tendo como destinatários essa comunidade de pessoas livres e iguais. Mas qual o critério a adoptar para sabermos quando estamos perante uma situação de igualdade ou desigualdade? Deve-se atender. como é o caso do decreto – lei acerca das cláusulas contratuais gerais. pois este regime apenas visa favorecer o filho já que biologicamente e sociologicamente tem uma maior ligação à mãe e à família desta do que ao pai. Fala-se cada vez mais de igualdade jurídicomaterial e não de igualdade jurídico-formal. Como exemplo de uma norma razoavelmente discriminatória: temos o artigo 1911 nº2. vendo. O artigo 13º da CRP diznos que apesar das nossas diferenças especificas.com/index. segundo Castanheira Neves à intenção material especifica do direito.66º nº1).36º/4 CRP.atspace. não pode casar. 4. existe no cerne da natureza humana uma base comum a todos. um conjunto de 11 .http://apontamentosdireito. A excepção à regra geral de que todos os homens têm capacidade jurídica é a incapacidade. 2.html b. 3. Principio da igualdade: este princípio decorre do art. que não viola o principio da igualdade do homem e da mulher. já seria uma norma que violaria o principio da igualdade a que permitisse um quota hereditária maior para os filhos nascidos dentro do casamento dos que os fora do mesmo. Vigência de certos institutos de favorecimento da parte contraente mais fraca. Principio do reconhecimento da personalidade jurídica humana: do princípio da dignidade da pessoa humana decorre que todo e qualquer ser humano tem personalidade jurídica  aptidão para ser centro autónomo de relações jurídicas (art. Principio da plenitude da capacidade jurídica humana: a dignidade da pessoa humana postula ainda uma plenitude da capacidade jurídica de qualquer homem: aptidão para ser titular de um circulo maior ou menor de relações jurídicas (art. 67º).13º CRP que implica que se tratem igualmente situações de interesses iguais e que se tratem diferentemente situações de interesses diversos. independente do conteúdo (por exemplo promoções de uma real igualização através de diferenciações legais compensatórias). assim. Exemplo de excepção é um menor com menos de 16 anos. violando assim directamente o art. uma razão arbitrária que não é materialmente fundada e não assenta em objectivos razoáveis violará este principio de igualdade. atendendo à sua particularidade.70º. Qualidade que está na base da personalidade físico-moral presente no art. uma qualidade que pertence a todos os homens sem distinção.

a qualidade de também elas serem centros autónomos de relações jurídicas. 5. Certas providências judiciais adequadas às circunstâncias do caso para evitar a consumação da ameaça ou atentar os efeitos da ofensa já cometida – art. espírito (sentimentos inteligência). Esta cláusula geral da tutela da personalidade protege os bens da personalidade ligados: a.com/index. sobre a sua própria personalidade humana nos seus elementos físicos e espirituais.  Junto desta estrutura normativa existem diversos direitos especiais de personalidade que tutelam aspectos particulares da personalidade aos quais se aplica subsidiariamente o regime do DGP.70º nº2. 70º nº2). bem como a capacidade criadora do homem e as respectivas criações. Relação do homem consigo mesmo: a vida.atspace. Segundo o artigo 157º as pessoas colectivas privadas são: 12 . ou seja. Os direitos de personalidade são irrenunciáveis: podendo todavia ser objecto de limitações voluntárias que não sejam contrárias aos princípios da ordem pública – art. não se trata de personalidade jurídica. Relação do homem com o seu ambiente físico e social: a identidade. 72º a 80º. Esta igualdade que se quer material impõe obrigações legais de diferenciação para compensar a desigualdade de oportunidades que se verificam na prática. 6. o seu corpo. na medida em que todo o homem tem um direito sobre si mesmo. Principio da personificação jurídica e da capacidade jurídica funcional das pessoas colectivas privadas: ao lado da personalidade jurídica reconhecida a todas as pessoas singulares o nosso direito civil no artigo 158º atribui. Pessoas colectivas: são colectividades de pessoas ou complexos patrimoniais / organizados em vista a um fim comum / a que o ordenamento jurídico atribui a qualidade de sujeitos de direitos. ou seja. Esses direitos especiais encontram-se nos arts. Principio da tutela geral da personalidade: quando o artigo 70º nos fala de personalidade física ou moral. segurança.html direitos absolutos que se impõe ao respeito de todos os outros. honra.66º) mas sim de personalidade humana tomada como objecto jurídico.http://apontamentosdireito. etc. mediante certos pressupostos personalidade jurídica às pessoas colectivas. 81º nº1 (pelo consentimento ser contra a ordem pública devido aos prejuízos irremediáveis que resultariam para a pessoa são ilícitos a mutilação ou a eutanásia). aptidão para se ser centro autónomo de relações jurídicas (regulada no art. A violação destes mesmos direitos pode implicar: Responsabilidade civil (art. liberdade. b.

http://apontamentosdireito. mas outros fins comuns (recreativos. Ao contrário da capacidade jurídica das pessoas singulares. Por um lado. Tudo porque vivemos em 13 . c. Por outro lado a teoria organicista é também de rejeitar porque não precisamos de um organismo antropomórfico para justificar a personalidade jurídica. como nos diz Manuel de Andrade “ é a tradução jurídica de um fenómeno empírico”. em que as pessoas colectivas seriam uma realidade idêntica à das pessoas singulares. Mas qual a natureza desta personalidade colectiva? Autores como Savigny defendem a teoria da ficção segundo a qual a lei estaria a proceder como se as pessoas colectivas fossem pessoas singulares.com/index. b. apesar de ser uma criação do direito. como nos refere o artigo 160º nº1. resultam da natureza das coisas. com cada um fazer aquilo que bem entende. Ela é sim de natureza funcional ou especifica em razão dos fins de cada uma delas. No nº2 do artigo 160º é ainda excepcionado da capacidade jurídica: a) Direitos e obrigações vedados por lei (ex. Não podemos aceitar nenhuma das duas teorias expostas. Associações: colectividade de pessoas que não têm por fim o lucro económico dos seus associados. ela não é nenhuma ficção legal porque tem a sua natureza e fundamentação na realidade social e na estruturação de interesses humanos. Sociedades: organização de duas ou mais pessoas / que contribuem com bens ou serviços para o exercício de uma actividade económica / dirigida à obtenção de lucros e à sua distribuição pelos sócios. Assim.etc). a capacidade jurídica das pessoas colectivas é menor e inferior à das pessoas singulares como resulta da comparação dos artigos 67º e 160º. num claro antropomorfismo.atspace. culturais. 7. Autores como Otto Van Gierke defendem a teoria organicista. capacidade testamentaria) b) Direitos e obrigações que seja inseparável da personalidade singular (os direitos derivados da vida como o casamento ou a filiação) Assim. este principio não se confunde com livre arbítrio. e .html a. sendo que os seus órgãos devem actuar de acordo com a vontade declarada pelo fundador. a capacidade jurídica das pessoas colectivas não é de carácter geral. já que ela é uma criação do direito  Ela é assim uma criação do direito e não uma ficção legal ou organismo natural. Principio da autonomia da vontade privada: este principio resulta do poder de auto-determinação de cada homem e cresce limitado pelos quadros normativos da ordem jurídica que assentam na vontade popular. Fundações: massa de bens afecta pelo seu instituidor a finalidades de interesse social.

fixação do regime de bens do casamento – art. ou seja.html sociedade e as relações jurídicas não visam apenas o bem individual mas também o bem comum. etc. não podendo constituir direitos reais os que não estejam previstos na lei. pela ordem pública e o próprio fim do exercício da liberdade (334º). também aqui há o principio da tipicidade das figuras familiares e dos seus efeitos – arts.62º CRP. 1690º ss. segundo a sua vontade e dentro dos limites estabelecidos pela ordem jurídica. criação de obras literárias).http://apontamentosdireito. por exemplo (334º). 36º CRP. O principio da livre realização de actos reais. actos que se traduzem num certo resultado material (ex.atspace. Mas estão também tipificados os diferentes objectos de sucessão – art. conformação e extinção autónomos da relações jurídicas privadas por parte de cada homem. Tutela da liberdade negativa: proíbe que qualquer pessoa possa ser constrangida por outrém a praticar ou não praticar qualquer facto – nemo postest presise coagi ad factum.No entanto. b. domínio onde imperam as normas imperativas. Tutela da liberdade positiva: permite a cada um praticar ou não praticar qualquer facto que não seja proibido ou prejudique superiores interesses jurídicos de outrem. pela boa fé. etc. 1306º que se traduz na regra do numerous clausus ou da tipicidade das figuras reais e dos seus elementos característicos. as fontes de vocação sucessória. Principio que contém restrições de direito público  expropriações por utilidade pública (62ºnº2 CRP) e de direito privado. No entanto é uma área com grande incidência de normas imperativas ex. pelos bons costumes. Principio da autonomia privada: traduz-se no estabelecimento. 14 . de celebração de testamento e de fixação do seu conteúdo. Artigo 1306º em que se fixa os modos de aquisição do direito de propriedade. b) No direito da família: liberdade de celebração de casamento. 1576 e ss. Vigoram também diversos regimes imperativos como é o exemplo da matéria de dividas dos conjugues – arts. 1698º. de constituir família e de requerer divórcio – art. c) No direito das sucessões: liberdade de transmissão sucessória – artigo 62º nº1 CRP. O nosso direito civil protege o poder de auto-determinação do homem em duas vertentes: a. as formas de testamento. o abuso de direito. 2030º. Vejamos as varias expressões da autonomia privada: a) Nos direitos reais: principio da livre aquisição e transmissão entre vivos e por morte das coisas dominiais privadas – art.com/index.

tendentes à produção de um resultado jurídico unitário (ex.atspace. Esta liberdade subdivide-se em dois predicados: i. Isto implica:  1-a possibilidade das partes realizarem os contratos previstos no código civil (exemplo a compra e venda) ou em outras leis (exemplo locação financeira) chamados contratos típicos nominados em que as partes aceitam todo o conteúdo e indicam apenas os pressupostos factuais para a sua produção.realizar contratos típicos nominados aos quais concertam as 15 .http://apontamentosdireito. nestes negócios vigora o principio da liberdade contratual  artigo 405º.  Negócios jurídicos bilaterais ou contratos: com duas ou mais declarações de vontade convergentes. Do artigo 405º emerge: a) Liberdade de celebração de contratos: faculdade de livremente realizar contratos ou recusar a sua celebração. Nos negócios jurídicos bilaterais ou contratos.html d) No direito das obrigações: É neste domínio que mais se afirma o princípio da autonomia privada como grande meio de actuação da autonomia privada temos o negócio jurídico: acto pelos quais os particulares ditam a regulamentação das suas relações. A ninguém pode ser imposta a abstenção de contratar: excepcionalmente o nosso ordenamento apresenta algumas restrições à liberdade de celebração de contratos: 1. Ninguém pode ser obrigado a contratar contra a sua vontade – nemo potest precise coagi ad factum ou a ninguém podem ser aplicadas sanções pela recusa de contratar. Sendo que a forma. art. ii. b) Liberdade de modelação do conteúdo contratual: faculdade conferida aos contraentes de fixarem livremente o conteúdo dos contratos.proibição de celebração de contratos com determinadas pessoas (ex. Nos negócios jurídicos unilaterais é de olhar com reserva a produção de efeitos na esfera jurídica (conjunto de relações jurídicas de que uma pessoa é titular) alheia (por vontade unilateral de outra pessoa). emissão de acções destinadas a subscrição pública). 2.dever jurídico de contratar no que respeita ao seguro de responsabilidade civil automóvel. 457º. 3. extinguindoas e determinando o seu conteúdo.com/index. compra e venda). Há que distinguir entre:  Negócios jurídicos unilaterais: tem apenas uma declaração de vontade (exemplo o testamento). Daí que nos negócios jurídicos unilaterais vigore o principio da tipicidade ou do numerous clausus. 877º). os pressupostos e os seus efeitos estão também imperativamente fixados na lei.sujeição do contrato a autorização de outrém (ex. modificando-as. sendo que só são juridicamente admitidos os que estiverem especificamente previstos na lei – art.  2.constituindo-as.

muitas delas. 405º nº2. Daí que o consumidor impedido pela necessidade é forçado a aceitar o contrato e todas as cláusulas constantes no mesmo. compra e venda). temos mais recentemente o regime das cláusulas contratuais gerais – Decreto Lei 446/85. electricidade) e rejeitar o contrato é não satisfazer uma necessidade fundamental. a nulidade do negócio contrário à ordem pública – artigo 280º nº2. pelos seus direitos e interesses juridicamente protegidos. Mas. a quem causa prejuízos a outrém. Mas há também poderosas restrições fácticas a este princípio sobretudo nos chamados contratos de adesão (contratos entre produtores ou distribuidores de bens ou serviços em larga escala e consumidores aderentes que são múltiplos e indeterminados. de colocar o ofendido na situação em que estava sem essa lesão. propondo os primeiros todas as cláusulas do contrato. desde logo as aludidas no artigo 405º “dentro dos limites da lei”. só que na prática não é bem assim. Principio da não violação da esfera jurídica alheia: cada pessoa tem uma esfera jurídica própria que é composta pelo conjunto de relações jurídicas de que uma pessoa é titular. 8. Vem regulada fundamentalmente nos artigos 798º ss e implica a falta culposa do devedor ao cumprimento da obrigação. os direitos de personalidade). b. Na vida social.com/index. os direitos de crédito). Quando isto acontece a pessoa constitui-se. 16 . o consumidor é livre de rejeitar o contrato. Patrimonial: definido pela sua avaliabilidade em dinheiro e onde se enquadram os direitos patrimoniais (exemplo. Pessoal: caracterizado pela sua não avaliabilidade em dinheiro e onde se inserem os direitos pessoais ou não patrimoniais (exemplo. Essa obrigação de reparar ou compensar os danos causados é a chamada responsabilidade civil : necessidade imposta pela lei. injustas. Teoricamente não há restrições à liberdade contratual. esta liberdade contratual conhece algumas restrições legais.http://apontamentosdireito. em princípio.html cláusulas que lhes aprouver.atspace. Para combater isto podemos recorrer às regras da boa fé – artigo 762º. limitando-se os segundos a aderir ou não a tal contrato). sejam eles acções ou omissões violam muitas vezes deveres de abstenção ou de acção. chamados contratos atípicos inominados. emergente de um negócio ou directamente da lei (exemplo. Negocial: resulta da violação de um direito de crédito ou obrigação em sentido técnico. pois muitas das vezes o fornecedor está numa posição de monopólio (ex.  3–a possibilidade das partes celebrarem contratos diferentes dos previstos no código. Há duas espécies de responsabilidade civil: a. na obrigação de reparar ou compensar os danos causados. (eventualmente conjugando dois ou mais contratos – contratos mistos – art. os comportamentos das pessoas. Em tal esfera podemos considerar dois hemisférios: a. alterado pelo Decreto Lei 220/95 por si alterado pelo Decreto Lei 249/99 de 7 de Julho.

Cumprimento defeituoso: por causa imputável ao devedor. no entanto a prestação é ainda possível – artigo 804º. Vem regulado essencialmente nos artigos 483º a 510º.com/index. passiva ou activa. Responsabilidade civil por actos ilícitos ou culposos: regulada no artigo 483º nº1 e pressupõe: 1. Voluntário – quer dizer que é dominável ou controlável pela vontade do lesante. do não cumprir de um dever geral de abstenção ou acção contraposto a um direito absoluto. Ela conhece três tipos: i. mas necessária de uma conduta (exemplo: A quer transportar produtos de um prédio para o outro. A utiliza o nome profissional e B para se fazer passar por ele).atspace. não efectua a prestação no tempo devido. ii. iii. ou seja. voluntária e ilícita que viole um direito subjectivo absoluto ou qualquer disposição legal destinada a proteger interesses alheios. que assume as seguintes modalidades: o Dolo: que pode ser:  Dolo directo: o agente quis directa e especificamente realizar o facto ilícito violador do direito de outrém (exemplo. Ela desdobra-se em três modalidades: i. que envolve uma censura ético-jurídica e que se desdobra em dois elementos: A imputabilidade (ver 488º). por causa que lhe seja imputável. não quer dizer que seja um facto querido por este. Extra-negocial. Impossibilidade de cumprimento: o incumprimento decorre de uma causa imputável ao devedor. Nexo de imputação de tal acção ou omissão ao agente. 2. a prestação já não ser possível de se efectuar no todo ou em parte – 801º e 802º.  Dolo necessário: quando o agente realizou tal facto ilícito prevendo-o como uma consequência reflexa.html sendo a culpa apreciada nos termos aplicáveis à responsabilidade civil extranegocial como decorre do 799º/2. Mora: o devedor. b. sabendo que os empregados têm que passar por prédio alheio e destruir 17 . este realiza a prestação mas com vícios ou deficiências que ocasionam prejuízos específicos ao credor – artigo 799º. A existência de uma acção ou omissão. universal.http://apontamentosdireito. ilícito porque é contrário aos comandos que lhe são impostos pela ordem jurídica. A culpa. extra-contratual ou aquiliana: resulta da violação de uma obrigação.

mas com a omissão de deveres de cuidado. ou seja.  Inconsciente: o agente por imprudência. desleixo. A existência de danos: estes podem ser: o Patrimoniais: traduzem-se numa diminuição ou não aumento do património  Directos: prejuízo imediato sofrido pelo lesado no Dano emergente seu património (exemplo. perícia e diligência exigíveis para evitar a violação do direito ou interesses alheios. distracção ou inaptidão não teve consciência de que o acto poderia decorrer o resultado ilícito. resultante de uma hospitalização por agressão física). perda de salários. embora este objectivamente fosse previsível se o agente usasse de diligência. o Negligência ou mera culpa: é muito importante a diferenciação entre mera culpa e dolo. imperícia. um homem médio. 3.atspace. Verificam-se 18 .http://apontamentosdireito. vendo pessoas e veículos não abranda a sua velocidade excessiva. pois o artigo 494º admite a possibilidade de diminuição equitativa da indemnização.com/index. destruir uma coisa). com a sua inteligência e perspicácia colocado nas circunstancias e contexto em que o lesante agiu – artigo 487º nº2. o Danos não patrimoniais ou morais: consagrados no artigo 496º. apesar disso. dá ordens nesse sentido.  A culpa em sentido amplo (abrangendo dolo e negligência) deve ser apreciada em abstracto pelo modelo de um bom pai de família (o velho bónus pater famílias romano). São bens estranhos ao património do lesado.  Dolo eventual: quando o agente praticou tal facto ilícito prevendo-o como um efeito apenas possível ou eventual. não se preocupando com o atropelar alguém ou embater com outro veiculo o que acaba por acontecer em qualquer dos casos o lesante conhece as circunstâncias de facto que integra a violação do direito e tem consciência da ilicitude do facto. Aqui o agente procede sem os elementos volitivos do dolo. mas teria persistido na sua conduta se previsse o facto ilícito como efeito necessário da sua conduta (exemplo. Esta pode ser:  Consciente: quando o agente previu como possível o resultado ilícito mas por precipitação ou desleixo cré na sua não verificação. o condutor ao aproximar-se de um cruzamento. +  Indirectos: vantagens que deixaram de entrar no Lucro cessante património do lesado em virtude do acto ilícito (exemplo.html nele certas culturas.

Concluindo: esta responsabilidade civil por actos ilícitos é substancialmente culposa ou subjectiva. Só que aqui estamos perante factos não culposos. perda de consideração social. um empurrão no autocarro). etc. ser uma reconstituição natural. c) A existência de prejuízos. que é uma hipótese maioritária.atspace. apenas materialmente imputáveis à pessoa. como nos diz o artigo 566º nº1 ( “sempre que a reconstituição natural não seja possível”): é a reconstituição da situação em que o lesado estaria sem a infracção. é como nos diz Mota Pinto. assim não serão indemnizáveis os pequenos incómodos. que não é um “preço de dor” mas uma compensação mediante satisfações derivadas da utilização do dinheiro. visto raramente o lesado ficar completamente indemnizado com a reconstituição natural. em principio.html quando há sofrimentos físicos ou morais. Existem teorias acerca disto. Responsabilidade civil pelo risco ou objectiva: só tem lugar nos casos tipificados na lei como decorre do artigo 483º nº2. No caso dos danos não patrimoniais não podemos falar de uma indemnização porque não são avaliáveis em dinheiro. para seu benefício. consultar. desgostos ou contrariedades embora emergentes de actos ilícitos imputáveis a outrem (exemplo. estimulando – se desta forma zelos e cuidados em impedir esses danos. ibi incomoda (onde estão as coisas cómodas estão as incomodas). certas forças que são fontes de riscos e potenciais danos para os outros. d) Nexo causalidade entre facto e dano. b) Nexo de imputação objectivo entre esse facto e responsável. fazer apelo à liberdade moral do homem e apresentar os danos como consequências evitáveis . A verificação de um NEXO DE CAUSALIDADE ADEQUADO: entre os danos produzidos e o acto em causa.com/index. O mesmo artigo 566º nº1 diz-nos que quando tal não seja possível pelas razões indicadas. segundo o princípio ubi commoda.http://apontamentosdireito. Pressupõe: a) Violação de um direito absoluto. Para além de 19 . com base no facto desta ter posto em acção. A matéria referida encontra-se nos artigos 500º a 510º. O artigo 496º nº1 fala de danos que pela sua gravidade mereçam tutela do direito.  A reconstituição a que obriga a responsabilidade civil pelos artigos 483º e 562º deve. Necessidades sociais de segurança impõem que quem crie uma fonte de riscos em seu proveito suporte os efeitos prejudiciais do seu emprego. daí que segundo o artigo 483º nº1 só são indemnizáveis os danos resultantes da violação. terá lugar uma indemnização em dinheiro ou restituição por equivalente. o mesmo é dizer que o autor só está obrigado a reparar aqueles danos que não se teriam verificado sem essa violação. temos assim uma compensação. 4.

leal e fiel das partes. Boa fé em sentido subjectivo: ignorância não culposa de vícios ou irregularidades do respectivo acto. onde cada uma das partes deve obter pela sua própria prestação uma contraprestação adequada de valor equilibrado. a quem tem a convicção de proceder rectamente seu prejudicar direitos alheios. Boa fé objectiva: aqui trata-se de uma conduta ou comportamento honesto. factos imputáveis ao lesante que deles tira proveito. Exemplo máximo: 1647º e 1648º que dizem respeito aos efeitos do casamento declarado nulo ou anulado quando celebrado por ambos ou apenas por um dos cônjuges de boa-fé. ou seja. Expoente máximo desta responsabilidade é o artigo 1367º. como por exemplo os negócios usurários – artigo 282º. b. 9. Em casos especiais. mas o cumprimento dessas mesmas regras. 10. como decorre do artigo 237º. Neste caso ela não é um princípio geral de direito. com sacrifício de uma seu direito ou interesse. Temos a: a. Aqui não está em causa a realidade psicológica da pessoa. uma convicção de se estar a actuar em conformidade com o direito. Responsabilidade civil por acto licito: emergente de fontes que constituem uma intervenção licita na esfera jurídica de outrém. no interesse de outrem. como decorre do artigo 483º nº2. Principio da boa fé: a convivência sócio – jurídica tem de ser alicerçada na confiança recíproca e no recto comportamento e intenção de uns relativamente aos outros. Responde a um princípio de compensação de vantagens em que aquele que tem de suportar. envolve uma cláusula geral e como tal a mediação do juiz na sua aplicação aos casos concretos. de um acto de terceiros ou de um acto do próprio lesado. correcto. Contar as quatro características das demais responsabilidades civis extra-contratuais. algo de psicológico. Só acontece nas circunstâncias e hipóteses especificadas na lei.html prescindir da culpa não pressupõe normalmente um acto ilícito. Mas normalmente o 20 . Tem um carácter obviamente objectivo pois relaciona-se com regras de conduta. uma perturbação ao seu direito possa obter uma indemnização. Não existindo uma unificação legal que preveja um regime jurídico semelhante ao da responsabilidade pelo risco.atspace. é sim um pressuposto para a aplicação ou não de uma norma. Aqui é um princípio geral de direito. só que aqui o acto praticado é licito. a lei exige uma equivalência medida por parâmetros objectivos.http://apontamentosdireito.com/index. Principio do equilíbrio das prestações: esta questão coloca-se sobretudo nos contratos onerosos. que leva a lei a dispensar um tratamento de favor a quem actua com este estado de espírito. podendo dimanar de um facto natural. Exemplos: 227º nº1 e 762 nº2. É assim.

ou seja. o que não põe em causa as funções das forças de segurança pública como garante imediato dos direitos dos cidadãos cuja violação constitua crime – artigo 272º da CRP. por palavras ou gestos sem sujeição a forma escrita. ou proíbem determinada conduta – 21 .http://apontamentosdireito. c. se realizar de um modo consensual. Negócios em fraude à lei: contornam proibições ou actuação. 11. em princípio. Principio da proibição de auto-defesa dos direitos próprios: este princípio decorre da estatuição a contrario dos artigos 336º e 339º. b.html ordenamento contenta-se com a equivalência subjectiva. Facilitar e abreviar uma conclusão válida dos negócios jurídicos. O artigo 294º abrange: a. celebrados contra disposição legal de carácter imperativo são nulos. b. Com isto visa-se: a. como é estabelecido no artigo 202º CRP. de negócios queridos pelas partes onde não há grande relevância de interesse público a existência de forma. Principio da nulidade de actos e negócios jurídicos violadores de regras imperativas: o artigo 294º estabelece o principio pelo qual os negócios jurídicos e também os actos jurídicos. limitando-se aqui o direito a assegurar que não houve dolo. 13. Tutelar a confiança existente entre as partes. estendendo-se até ao direito da família (deveres de respeito e fidelidade recíprocas – 1672º) ou às sucessões (cada herdeiro só responde pelos encargos na proporcionalidade da quota que lhe tenha cabido – artigo 2098º nº1. É aos tribunais que compete o assegurar de direitos e interesses protegidos pela lei e o dirimir dos conflitos. que ambas as partes considerem as prestações equilibradas. Mas tal principio ultrapassa o âmbito dos contratos. proibindo-se assim a auto-defesa. 12.atspace. Principio da liberdade declarativa: resulta do artigo 219º e alertanos para o facto de os negócios jurídicos poderem.  Normas imperativas: são aquelas que impõem um certo comportamento – preceptivas. Impedir a invalidade. erro ou mesmo coacção. Este principio leva à consideração de uma distribuição justa dos encargos e dos riscos do contrato. por força do artigo 295º. Negócios contra a lei: ofendem frontalmente uma proibição ou uma actuação legalmente determinada. por falta de forma legal devido a ignorância ou mesmo dificuldades económicas. atingindo o mesmo resultado por outros meios diferentes dos previstos pela lei. Exemplo disso é o artigo 796º.com/index.

com/index. saber (quais os interesses tutelados pela norma. exemplo Lei das XII tábuas que continha grande parte do ius civile romano da época arcaica. No direito civil assume especial importância o código civil Francês de 1804. algo que resulta do contrato. Manuelinas e Filipinas. clareza. efeitos e aplicação das leis. o posterior Corpus Iuris Civilis mandado elaborar por Justiniano. Sendo que aqui o excesso tenha de ser evitado porque se trata de uma limitação ao direito. nascem. não sendo necessária a nulidade do contrato). 14. bastando para que se cumpra esse objectivo que o lojista pague uma coima.atspace. mas um contrato de compra e venda feito fora do horário de funcionamento do estabelecimento já é válido pois a proibição legal visa sobretudo não o contrato em si mas uma concorrência leal no comércio. a nulidade dos actos ou negócios que colidam com a mesma. ex – um contrato de trabalho que não respeita o horário legal é nulo porque a proibição que resulta da lei visa o próprio conteúdo do contrato. um código. sendo ele a fonte inicial de todo o direito. 22 . o Os códigos modernos: a codificação num sentido moderno só aparece a partir dos finais do século XVIII.http://apontamentosdireito. em princípio.  Livro II – dos bens e das diferentes modificações da propriedade. Assim. Quando a norma imperativa não é acompanhada de nenhuma sanção. ordem. será um diploma legislativo.  Livro I – das pessoas. que regula todo um importante sector ou ramo do direito. Tratava-se de um comportamento adoptado pela comunidade com a convicção da sua obrigatoriedade. também chamado de Napoleão que com várias alterações ainda hoje continua em vigor. as Afonsinas. assim as primeiras compilações de certas fontes diversas abarcando diversas matérias e que conferiam maior certeza. A Codificação do direito civil:  Generalidades: o As colectâneas legais: inicialmente o direito civil estava inteiramente ligado ao costume. se o legislador visa atacar as acções ou omissões em si ou situações que decorrem das mesmas. caso também das nossas ordenações. estabilidade e conhecimento das mesmas a todos. que obedece a critérios sistemático – científicos. uma limitação à autonomia da vontade. Era composto por:  Um titulo preliminar sobre a publicação. terá de se analisar a ratio dessa mesma norma. Principio da proibição do abuso de direito: decorre do 334º.html proibitivas e cuja violação implica. duradouramente. Sobretudo a partir da criação das primeiras cidades multiplicam-se as leis e com elas a necessidade de se saber quais as que se mantinham em vigora e as que seriam revogadas.

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 Livro III – diferentes maneiras pelas quais se adquire a propriedade. Plano muito similar às Institutiones de Gaio e Justiniano, tem um carácter antropocêntrico, tem um baixo grau de abstracção, há separação entre o direito pessoal e o patrimonial, há ausência de uma parte geral  plano de GAIO ou ROMANO – FRANCES. Diferentemente o BGB, ou seja, o código civil Alemão de 1896 utiliza a classificação germânica, pandectistica ou plano de Savigny, tem uma parte geral e 4 partes especiais (obrigações, coisas, família, sucessões). o A questão da Parte Geral do Código Civil: a existência de uma parte geral no BGB foi um problema muito discutido. O argumento principal invocado contra a parte geral é a de que ela não passaria de um mero exercício teorético tornado lei já que a elaboração de uma verdadeira parte geral seria uma tarefa da ciência do direito. Este argumento é falacioso, já que a parte geral tem autonomia própria, tem – se sim, feito trabalho teorético sobre essa parte, algo que é legitimo. Além disso, a parte geral dos códigos e as disposições gerais de títulos, capítulos, etc, resultam de uma exigência técnica jurídica: de evitar repetições, fixando desde logo um conjunto de disposições gerais que teriam de ser repetidas em moldes idênticos em diferentes partes da lei, diz respeito a um catálogo de questões preliminares cuja solução afecta todas as regulamentações particulares que a lei estabeleceu. Acresce ainda o facto destes artigos da parte geral poderem e deverem ser modificados, introduzidos ou removidos pelas transformações da sociedade ou pela evolução do direito, ou seja, não são normas imutáveis. Pelo contrário devem-se adequar à realidade histórico-concreta. A parte geral pode, desta forma, ser mesmo lacunosa, sendo que a aplicação das normas desse parte geral não vale para todos os casos que não estejam comtemplados nas partes especiais, mas apenas para uma casos que caibam na letra e espírito das disposições da parte geral. No entanto, existindo essa parte geral permite enquadrar um numero maior de hipóteses do que um código sem parte geral. Não concordamos pois com Meneses Cordeiro ou Orlando de Carvalho que dizem que a parte geral apenas introduz uma grande abstracção no código e que afasta o código da pessoa humana, que dever ser seu objecto, estes autores não consideram que a própria norma jurídica para o ser verdadeiramente tem que revestir carácter geral e abstracto. Temos, no entanto, que ter um enorme cuidado na coordenação da parte geral com as partes especiais, já que as normas não se dispõem segundo um mero alinhamento ou continuidade, mas segundo uma ordenação (elemento sistemático da interpertaçao). Atendemos à seguinte classificação das normas: a) Gerais: as que correspondem a princípios fundamentais do sistema jurídico e estabelecem o regime regra das relações que disciplinam; b) Especiais: consagram uma disciplina nova para um conjunto de casos mas que não está em directa oposição com a disciplina geral;

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c) Excepcionais: regulam um sector restrito de relações com uma configuração particular, consagram uma disciplina oposta à que vigora para o comum das relações do mesmo tipo. Temos que conjugar as partes gerais com partes e normas especiais e ainda com normas excepcionais , exemplo: em matéria de negócios jurídicos em geral vale o 253º, mas para o casamento encontramos o 1636º, que só tem relevo no contexto do casamento. Ainda como argumento a favor de uma parte geral é o facto de os códigos que a tenham serem susceptíveis de adaptação às diversas mutações Constitucionais radicais, exemplo disto é o nosso código civil face à Constituição de 1976. Ver no livro do doutor Capelo (parte geral do CC) o O Código civil Português de 1867 e as reformas de 1930 e 1940: depois da Restauração foi apresentada ao Rei a ideia de se fazer um código que afastasse as ordenações Filipinas. No entanto, o Rei não acha necessário e as ordenações continuaram a vigorar, sendo o diploma que mais tempo vigorou no nosso País, 200 anos, até ao código de 1867. Com a revolução liberal de 1820 e com a exigência de novos princípios da ordem jurídica que respondessem aos valores nascidos da Revolução, há de novo a necessidade de se elaborar um código civil que possibilite esses valores do liberalismo. Só que à Revolução liberal seguira-se várias guerras civis com mudanças a nível Constitucional que não conferiam a estabilidade e condições para a elaboração de um código civil. Só a partir de 1850 se começa a pensar mais seriamente na elaboração de um código civil, com a participação na 1ª comissão elaboradora, de Coelho da Rocha, jurisconsulto da nossa faculdade, que utilizando o estilo Pandectistico Alemão (uma parte geral e 4 especiais) sistematizou as ideias liberais de Mello Freire. Mas o código de 1867 fica-se a dever a António Luís de Seabra, mais tarde Visconde de Seabra, que chamou a sai redacção do projecto como presidente da comissão. Tal foi o seu contributo para este código que o mesmo é conhecido pelo código de Seabra. Seabra, ao contrário de Coelho da Rocha, vai apresentar um modelo antropocêntrico com grande influência da Revolução Francesa mas também com um carácter original. Esta base antropocêntrica é claramente visível na sistematização: I- capacidade civil; II-aquisiçao de direitos; III- direito de propriedade; IV- ofensa de direitos e sua reparação. O código mostra também claramente a sua influência liberal com a sua visão ampla da liberdade contratual. O código vai posteriormente sofrer as mudanças que se identificam com a passagem a um Estado Republicano, sobretudo no que respeita ao direito da Família e sucessões, sobretudo, numa clara separação entre Estado e Igreja que se manifesta na instituição do casamento civil e também na permissão de divórcio. Estas mudanças não foram, porém, imediatamente integradas no código civil, numa clara preocupação de

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harmonização e sistematização vieram a ser integradas apenas em 1930 com a primeira reforma do código civil. Em 1940, já com o Estado Novo e com Salazar na sua máxima força, realiza-se a concordata entre Portugal e a Santa Sé, que imprimiu grandes mudanças sobretudo no direito da Família, com a admissão do casamento católico com valor jurídico-civil, não havendo necessidade também de se efectuar o casamento civil para que o mesmo tivesse valor jurídico civil. Aboliu-se ainda o divórcio para os casamentos católicos a partir de 1940, cabendo apenas aos tribunais canónicos declarar a anulação ou não de um casamento católico. A única possibilidade era o regime de separação de pessoas e bens, mas sem a possibilidade da pessoa se poder casar novamente. o O Código Civil de 1966: a reforma de 1977 e principais alterações: o primeiro passo tomado em 1944 com a nomeação de uma comissão à qual presidiu o professor Vaz Serra, jurisconsulto da nossa faculdade de direito. Esta elaboração de um novo código justificava-se por: a) Existência de enorme legislação avulsa; b) Inadequação das concepções do código às doutrinas e valores afirmados pelo Estado Novo. Os trabalhos estenderam-se por 22 anos até que o Ministro da Justiça Antunes Varela, o projecto do código civil, sendo o mesmo a ser aprovado em 15 de Novembro de 1966. Como grandes exemplos da modificação em relação ao código anterior no que respeita ao conteúdo, temos por exemplo a exigência das sociedades constituídas serem reconhecidas por uma entidade pública (forma de o Estado Novo controlar a sociedade e impedir a liberdade de expressão), a posição do homem como chefe de família, a posição mais favorável ao filhos nascidos dentro do casamento em relação aos nascidos fora deste. Em termos de estrutura temos a adopção do plano de Savigny ou sistematização Germânica (uma parte geral e 4 partes especiais). Vamos depois ter uma reforma em 1977 com a necessidade de adaptar o código civil à Constituição de 1976, exemplo disto é o da igualdade de direitos entre filhos nascidos dentro e fora do casamento, o princípio da igualdade entre homens e mulheres. No entanto a reforma de 1977 teve também algumas inovações como é o caso: a) Melhoria da posição sucessória do conjugue sobrevivo; b) Extinção da enfiteuse; c) Alterações ao nível do arrendamento, o que fez com que o mesmo saísse do código devido à profundidade do mesmo e também à frequência da sua mudança o que não conferiria estabilidade a esta disciplina, daí a sua remoção do código; d) A maior idade dos 21 anos para os 18 anos; e) Outras mudanças de menor vulto se seguiram visto que o código , embora vise a estabilização das normas não é imutável às transformações sociais, económicas e politicas e às novas descobertas.

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 A lei interpretativa é integrada na interpretada – artigo 13º. 297º/2 Se estabelecer um prazo mais longo também se aplica aos prazos em curso. mas aqui começa-se a contar desde o momento inicial. o problema da aplicação das leis no tempo. embora bem definidos e determinados por força de um grande trabalho da doutrina e da jurisprudência. Esta formulação era típica do direito romano. surge. podendo hoje uma norma ser substituída por outra. A tarefa do julgador é a de subsumir as situações da vida concreta à hipótese legal.com/index. No entanto se a lei dispuser directamente sobre o conteúdo de certas relações jurídicas ela vai abranger as relações já constituídas e que subsistam aquando da sua entrada em vigor – artigo 12º nº2 – 2ª parte. Em relação às alterações de prazos através da lei. rege o artigo 297º. desta forma. Temos depois vários códigos que complementam o código civil. através de uma hipótese concretizada em casos reais e através de uma estatuição extremamente minuciosa. o Aplicação das leis civis no tempo: é muito importante saber quais as normas que se vão aplicar para as diversas situações. Na lei civil temos as partes numa posição de paridade. Com excepção de se de acordo com a lei antiga faltar menos tempo. através de conceitos gerais e abstractos. Tudo porque as normas se vão sucedendo no tempo. o O Estilo e a classificação das normas civis: Vejamos os três tipos e formulações legais: a) Casuístico: emissão de normas jurídicas prevendo o maior numero possível de situações da vida real.atspace. Impossibilidade de regular casuisticamente todos os casos relevantes. O principio geral (a lei só dispõe para o futuro artigo 12º nº1 e nº2 1ª parte). b. Rápida desactualização destas leis por efeitos como a inflação ou a evolução tecnológica. tais como. Tem na sua base a crença optimista da capacidade de prever todas as situações e assim subtrair ao arbítrio do julgador a decisão do conflito em causa. não há portanto ius imperi. aparecendo entre nós com as ordenações do Reino. No caso de leis civis temos vários diplomas que complementam o código civil. o RAU ou mesmo o direito real de habitação periódica. 297º/1 Se estabelecer um prazo mais curto aplica-se aos prazos em curso mas só se começa a contar a partir da entrada em vigor da nova lei. que é regulado pelo artigo 12º do nosso código. b) Legal abstracto – generalizador: traduz-se na elaboração de tipos de situação da vida. No entanto so notórias as desvantagens deste estilo: a. Temos como exemplos o código de registo civil ou o código do notariado.html o Legislação complementar do código civil: quando à legislação complementar há que distinguir dois tipos: as de leis civis e de leis não civis. Estilo típico da jurisprudência dos 26 .http://apontamentosdireito.

este estilo apresenta uma falta de maleabilidade face à multiplicidade e complexidade da vida real por mais que os seus conceitos sejam gerais e abstractos. mas saber se o sujeito agiu honesta e honradamente depende de várias situações e o juiz tem grande margem discricionária. Normas supletivas: podem ser afastadas pela vontade das partes. Existem dois tipos de linhas de orientação: a. ou seja. No entanto poderá levar. No entanto. Aqui a hipótese e a estatuição não estão definidas por caracteres limitados. Como exemplo de um conceito indeterminado temos o artigo 487º nº2 – a diligência de um bom pai de família. Este estilo assenta na consciência da impossibilidade de prever todas as hipóteses geradas na vida e na necessidade de atribuir algum carácter valorativo na intervenção do decidente aquando da sua aplicação da lei.http://apontamentosdireito.com/index. em razão de variedade da vida. de situações juridicamente relevantes que não encontram na lei uma solução expressa. Normas gerais. Como grande exemplo deste estilo temos o código civil Suíço de 1907. c. Cláusulas gerais: recorremos a critérios valorativos de apreciação. especiais e excepcionais (já analisamos ver atrás) 27 . c) Linhas de orientação: aqui o legislador limita-se a estabelecer módulos de apreciação. Para atenuar isto mesmo foram introduzidas clausulas gerais e mesmo conceitos indeterminados.html conceitos. É o problema das lacunas. grande exemplo de uma cláusula geral é a da boa fé presente no artigo 762º nº2 (temos aqui a boa fé em sentido objectivo. O juiz no acto de aplicação da lei tem uma grande margem de discricionariedade.atspace. de acordo com a jurisprudência dos valores. doseando a necessidade de certeza e segurança com uma preocupação de justiça para todos os casos concretos. Aqui não há subsunção ou dedução mas indução.  O nosso código civil adopta fundamentalmente o tipo de formulação mediante conceitos gerais e abstractos. mas sem uma zona nuclear segura e uma certa indeterminação da sua área e dos seus limites legais. levar o Juiz a decisões menos rectas para o caso concreto. dotando o nosso código de uma adaptação às várias situações da vida. Este método possibilita um maior grau de segurança e razoabilidade das soluções. o Classificação das normas civis:  Existem várias classificações de normas civis: a. b. b. É um conceito muito indeterminado que faz apelo a critérios valorativos face a cada caso concreto. Normas imperativas: não podem ser afastadas pela vontade das partes. Conceitos indeterminados: são conceitos imprecisos e maleáveis com características dos pressupostos de facto de uma norma. conceito que deriva do principio bónus pater famílias romano que caracteriza um homem cujas capacidades são medianas.

no entanto. concentradas nos artigos 1º a 13º cc. de uma divida de jogo ilícito – artigo 1245º. de um direito potestativo ou de um poder – dever e imposição a outra pessoa de um dever jurídico ou uma sujeição correspondente. o credor. aplicação do direito em relação com a realidade social que é também objecto de normas jurídicas. a lei trata a situação como se o comportamento lhe tivesse podido ser exigido. disciplinado e garantido pelo direito civil que une entre si sujeitos de direito. relação pela qual o inquilino deve pagar a renda ao senhorio). na posição passiva. 402º e 403º. por exemplo. Poder de pretender: há um círculo restrito de hipóteses.com/index. Podemos considerar a expressão relação jurídica com referência a uma relação existente na realidade entre pessoas determinadas. deveres jurídicos.atspace. ou seja. sobre um objecto determinado e de um facto jurídico determinado. aí estamos perante uma relação jurídica abstracta (ex. Podemos considerar a expressão relação jurídica com referência a um modelo. É o caso das obrigações naturais reguladas nos arts. o A relação jurídica civil: a. a necessidade de realizar o comportamento a que tem direito o titular activo da acção. mediante a atribuição a uma pessoa de um direito subjectivo propriamente dito.  Conteúdo da relação jurídica: o Direitos subjectivos propriamente ditos ou stricto sensu: é o poder jurídico reconhecido pela ordem jurídica a uma pessoa de livremente exigir ou pretender de outrém um comportamento positivo (acção) ou negativo (omissão). o senhor A pode exigir do inquilino B a renda de 150 euros pelo arrendamento do quarto x). Por outro lado a teoria geral da relação jurídica civil. Há aqui uma dicotomia entre o poder de exigir e o de pretender: Poder de exigir: na quase totalidade das hipóteses o titular do direito subjectivo.html o O âmbito da Teoria geral do direito civil: por um lado. que estabelecem vários princípios acerca das normas jurídicas. temos a teoria geral do ordenamento jurídico civil: diz respeito às normas gerais do código civil. paradigma ou esquema contido na lei. o dever jurídico. pode recorrer aos tribunais para deles obter as providencias necessárias coercivas aptas a satisfazer o seu interesse. cumprir espontaneamente. São. contrapõe-se-lhe. Aqui se o devedor. Conceito e conteúdo: Relação jurídica: é o vínculo normativo.http://apontamentosdireito. que não podia 28 . em que o titular do direito não pode reagir contra o adversário se este não adoptar o comportamento que lhe é prescrito. porque se o sujeito passivo cumprir voluntariamente. aí estamos perante uma relação jurídica concreta (ex. no caso da contraparte não cumprir o dever jurídico a que está adstrita.

então. Constitutivos: produzem a constituição de uma relação jurídica por acto unilateral do seu titular (exemplo – constituição de servidão de passagem em beneficio de prédio encravado – artº 1550º). trata-se de uma necessidade inelutável. então falamos de direitos absolutos – erga omnes.html exigir judicialmente um pagamento. tem a possibilidade prática de não cumprir.com/index. Teoria da vontade e teoria do interesse: ao definirmos direito subjectivo propriamente dito ou direito potestativo definimo-lo como um poder jurídico. diversamente do dever jurídico. um poder que é da vontade e que o seu titular poderá usar livremente e impor aos outros  é a posição defendida por Savigny e pelo Dr. a sujeição. reconhecido pela ordem jurídica. Aqui.Mota Pinto.http://apontamentosdireito. produzir determinados efeitos jurídicos que inevitavelmente se impõe ao sujeito passivo. Modificativos: produzem uma simples modificação numa relação jurídica existente e que continuará a existir apesar de modificada (exemplo. goza da soluti retentio. Há uma colaboração do sujeito do dever para que e cumpra esse direito. embora se expondo a sanções. pode conservar a prestação recebida. o direito de obter o divorcio – art. 2No caso de alguns deveres jurídicos de abstenção pendentes sobre todas as pessoas.  Podem ser: 1. Aqui o sujeito do dever. a uma pessoa de por um acto de livre vontade. o Direitos potestativos: é o poder jurídico. na posição passiva. separação judicial de pessoas e bens – art 1795º-A). ou seja. Os deveres jurídicos podem ser: 1Pendentes sobre uma ou mais pessoas determinadas e. 3. só de per si. não podendo o sujeitado violar ou infringir essa situação mesmo que esta vá contra a sua vontade. não tem a condictio indebiti. Extintivos: produzem a extinção de uma relação jurídica existente (exemplo. 29 . 2. Lado passivo dos direitos subjectivos strictu sensu e dos direitos potestativos: Contraposto aos direitos subjectivos propriamente ditos temos o dever jurídico.atspace. Enquanto que o devedor não tem a possibilidade de repetir. falamos de direitos relativos. 1773º). contrapõe – se – lhe. ou integrado por um acto de uma autoridade pública. a situação de necessidade em que se encontra o sujeito passivo de ver produzir – se forçosamente uma consequência na sua esfera jurídica por efeito do exercício do direito pelo seu titular. Contraposto aos direitos potestativos temos a sujeição.

Não é o conjunto formado pelo direito subjectivo e o correspondente dever jurídico. Estes poderes não podem ser exercidos se o seu titular quiser e como quiser. podendo essas pessoas ser singulares ou colectivas.http://apontamentosdireito. característica que não pode ser imputada ao nosso sistema jurídico.com/index. d) modos de ser da própria pessoa. estes formam o conteúdo da RJ.html Diversamente Iherny e entre nós o Dr. c) coisas incorpóreas. Assim. Algo com o qual não concordamos devido à estrita funcionalização que faz dos direitos. mas do modo exigido pela função do direito (exemplo. Os poderes-deveres visam sobretudo a defesa dos interesses do sujeito passivo. o dever jurídico e a sujeição. São pessoas já que a personalidade jurídica é a susceptibilidade de ser titular de direitos e obrigações. b) coisas corpóreas. É condição ou pressuposto da sua existência. É aquilo sobre que incidem os poderes do titular desse direito subjectivo. Para além de condicionar a relação jurídica vai modelar o conteúdo da relação jurídica. de ser titular de relações jurídicas. públicas ou privadas. ou seja. 2Objecto: aquilo sobre que incidem os poderes do titular activo da relação jurídica. Há que dizer que só em casos extremos de clamorosa e manifesta contrariedade entre o exercício do direito e o seu fim social ou económico. Se não forem exercidos quando deviam sê-lo ou forem exercidos de outro modo o seu titular infringe um dever jurídico que é passível de sanções (exemplo. ou seja. Facto jurídico: é todo o facto produtivo de efeitos jurídicos. 1- 3- 30 .atspace. o Poderes – deveres: só há direitos subjectivos quando o exercício do poder jurídico está dependente da vontade do seu titular. Tem um papel condicionante no surgimento da relação jurídica. e) outros direitos. o poder paternal). extingue-se por confusão como nos refere o artigo 868º. o exercício desse direito é ilegítimo por força do artigo 334º que consagra a doutrina do abuso do direito. Podem ser objecto de relações jurídicas: a) outras pessoas.  Elementos da relação: Sujeito: são as pessoas entre quem se estabelece o vínculo respectivo: os titulares do direito subjectivo stricto sensu ou do direito potestativo e das posições passivas correspondentes. Se existir apenas uma não há relação jurídica. inibição do poder paternal). por falta dessa liberdade de actuação é que os poderes-deveres não são direitos subjectivos. fixando o objecto dos direitos das partes e o conteúdo dos mesmos. Como se desencadeia a energia jurídica contida na lei. para haver uma relação jurídica civil é preciso existir mais do que uma pessoa. Orlando de Carvalho dizem que se trata da expressão de interesses juridicamente protegidos.

nos termos do artigo 619º. ao contrário da acção directa. desde que respeite os pressupostos aí presentes.html Garantia: é o conjunto de providências coercitivas postas à disposição do titular activo de uma RJ.http://apontamentosdireito. como é o caso do arresto de bens. normalmente. Em princípio. sendo que sempre que possível se procederá à reconstituição natural. o titular não pode reagir e obter ressarcimento pelas vias de facto.com/index.  Classificação das relações jurídicas: a) Relação jurídica simples ou singular: relação existente entre dois sujeitos. lesado por um obrigado que o infringiu ou ameaça infringir. como é patente pelo artigo 336º (acção directa). A prisão por dívidas foi suprimida em 77. Procurou-se. A justiça privada. em movimento sob o impulso do titular do direito subjectivo violado ou ameaçado. conexionadas ou unificadas por um qualquer aspecto (exemplo. Diferentemente é a legitima defesa presente no 337º. é. b) Relação jurídica complexa: trata-se de uma série de relações jurídicas singulares. em que a outra parte não pode infringir esse direito. ou seja. Nas obrigações naturais existe igualmente o elemento garantia. ao sujeito passivo do dever jurídico ou sujeição correspondentes. Para a tutela de um direito o seu titular deve requerer perante os tribunais a providência adequada. Protege-o ainda contra ameaças ou receios legítimos de infracção do dever jurídico como é visível no artigo 619º. como tal. já que é uma garantia infalível. no entanto. e.atspace. a legitima defesa é um meio preventivo dirigido a afastar a agressão iminente em inicio de execução mas ainda não consumada. sendo que nesta última. Há que referir que a garantia não protege o titular do direito apenas no caso de violação do seu direito. que esta supressão fosse acompanhada de medidas sucedâneas de tutela. intentará uma acção. uma série de direitos subjectivos propriamente ditos ou direitos potestativos e deveres jurídicos ou sujeições correspondentes. ilícita. o defendente pode lesar interesses superiores aos interesses ameaçados. A garantia da Relação jurídico privada só entra. ou seja. assim. não desencadeia a aplicação de uma pena. o que está excluído será o recurso à força própria para obter satisfação. Falamos da solutio redentio. este não poder o obrigado repetir o que haja prestado. Excepcionalmente a auto-defesa dos direitos pode ser lícita. Dando-lhe mesmo a possibilidade através de acções de simples apreciação por termo em juízo à situação de dúvida sobre a existência do seu direito. Nos direitos potestativos podemos dizer que há uma garantia mais forte do que nos direitos subjectivos stricto sensu. mediante atribuição ao sujeito activo de um direito subjectivo propriamente dito ou de um direito potestativo. porque enquanto a acção directa supõe uma acção já consumada e é um meio repressivo. A relação entre o comprador e o vendedor de uma máquina não contém só o dever 4- 31 . A sua forma mais frequente é a indemnização dos danos causados ao titular do direito. O facto ilícito civil. de forma a obter a satisfação do seu direito.

Aqui o onerado não deve. o onerado ao não acatar o ónus não infringe nenhum dever nem a sua conduta é ilícita. é desta forma diferente do dever jurídico. de serem titulares autónomos de relações jurídicas. não estando dependentes de outras relações jurídicas. Embora nestas relações possa haver lugar a uma indemnização a título de compensação. mas se não o praticar não realizará certo interesse. b) Relações jurídicas imperfeitas: têm apenas um embrião de garantia jurídica. h) Relações jurídicas não dominiais: não há poder do titular activo dispor livremente do objecto. estando já parcialmente verificado o facto jurídico constitutivo desse direito. como deveres acessórios de o vendedor guardar a máquina ou deveres laterais do vendedor informar o comprador do modo de funcionamento da máquina. exemplo as obrigações naturais. 32 .  Outras classificações: a) Relações jurídicas perfeitas: têm plena garantia jurídica. mas perde ou deixa de obter uma vantagem. o ónus da prova. etc)  Outras figuras jurídicas: a) Ónus: necessidade de observância de determinados comportamentos para a realização de um interesse próprio.  Pessoas singulares e pessoas colectivas: personalidade e capacidade: Sujeitos de direito: são os entes susceptíveis de serem titulares autónomos de direitos e obrigações. correspondente a um estádio de um processo complexo de formação sucessiva de um direito. d) Relações jurídicas acessórias: estão dependentes da relação jurídica principal. exemplo no caso do suicídio. exemplo a fiança.atspace. g) Relações jurídicas dominiais: há poder do titular activo dispor livremente do objecto jurídico. ou outros vínculos.http://apontamentosdireito. ao contrário do que acontece com o dever jurídico em que há nítida desaprovação. ele pode praticar ou não um certo acto. Trata-se de uma verdadeira expectativa jurídica e não de uma expectativa de facto pois a lei protege a sua posição.com/index. c) Relações jurídicas principais: são autónomas. e) Relações jurídicas patrimoniais: são susceptíveis de avaliação pecuniária. juridicamente tutelada. É uma situação em que se verifica a possibilidade juridicamente tutelada de aquisição futura de um direito. Exemplo. O ordenamento no caso do ónus não desaprova o seu não acatamento. b) Expectativa jurídica: situação activa. f) Relações jurídicas não patrimoniais ou pessoais ou extrapatrimoniais: não são susceptíveis de uma avaliação pecuniária.html de pagar o preço e o direito ao preço. mas torna o devedor credor da entrega da máquina.

A pessoa dotada de capacidade de exercício actua pessoalmente.atspace. A capacidade para o exercício de direitos é reconhecida aos indivíduos que atinjam a maioridade – artigo 130º. por qualquer representante designado na lei ou em conformidade com ela. Tudo porque esta capacidade para agir supõe uma capacidade de querer e entender. adquirindo direitos ou assumindo obrigações.com/index. ou seja. nem anterior. nem posterior ao acto. por acto próprio e exclusivo ou mediante um representante voluntário ou procurador. Há outras incapacidades como a dos interditos – artigo 138º e a dos inabilitados – artigo 152º. ou seja. que deriva de uma exigência do direito em respeitar a dignidade que deve reconhecer a todos os seres humanos. As pessoas singulares têm uma capacidade jurídica mais ampla do que as pessoas colectivas como facilmente se depreende da comparação dos artigos 67º e 160º. com mais ou menos restrições de relações jurídicas. Aptidão que vem regulada no artigo 66º. Ao contrário da capacidade de gozo de direitos. a capacidade jurídica para o exercício de direitos pode faltar a uma pessoa singular. Mas também as pessoas colectivas têm personalidade jurídica como resulta do artigo 158º. exercendo direitos ou cumprindo deveres. Esta aptidão é própria das pessoas singulares. À personalidade jurídica é inerente a capacidade jurídica ou capacidade de gozo de direitos: é essa aptidão para ser titular de um circulo. não carece de ser substituída na prática de actos que põem em movimento a sua esfera jurídica. A incapacidade pode ser genérica (refere-se a actos jurídicos em geral) ou específica (refere-se a actos jurídicos em especial).html A personalidade jurídica é essa aptidão para ser titular autónomo de relações jurídicas.  Capacidade jurídica para o exercício de direitos: Capacidade para o exercício de direitos: é a idoneidade para actuar juridicamente.http://apontamentosdireito. 33 . ele é necessariamente titular de um círculo de direitos de personalidade. Todo o sujeito para além de um círculo mínimo de direitos patrimoniais que só teoricamente poderão faltar. Actua autonomamente já que também não carece de consentimento de ninguém. um representante escolhido pelo próprio representado. Assim. Nem só os menores são incapazes para o exercício de direitos – artigo 123º. Faltando essa aptidão para actuar pessoal e autonomamente teremos uma incapacidade de exercício de direitos que pode ser suprida pela representação legal ou pela assistência. sendo-se sempre pessoa. devem estar desprovidas de capacidade de exercício as pessoas que por várias razões não possam determinar com normal esclarecimento ou liberdade interior os seus interesses. A diferença é que essa capacidade pode ser mais ou menos restrita.

admitindo. Pode também haver situações de aparência da falta do sujeito passivo. É o caso de atribuição de bens por doação ou sucessão “mortis causa” a um nascituro (aquele que já foi gerado mas ainda não nasceu) ou até a um concepturo (aquele que ainda será gerado) em que parece não haver titular activo entre o momento da doação ou morte e do nascimento do beneficiário que fará surgir a pessoa jurídica. já que defendendo a teoria da vontade.html (Nota: nesta parte está problema dos direitos sem sujeito segundo uns apontamentos.atspace. Conferir os artigos 952º e 2033º. Além disso. de doação ou sucessão a favor de nascituro não concebido ou concepturo (952º e 1 Herança jacente: herança aberta pela morte de uma pessoa singular mas ainda não aceite pelos seus herdeiros familiares nem declarada vaga para o Estado – 2046º. No entanto certas situações parecem só poder ser juridicamente enquadradas numa categoria de direitos sem sujeito. O mesmo acontece com a situação de direitos que integram a herança entre a morte do cuius e aceitação da herança  período de herança jacente1. assim. de direitos sem sujeito. ver em baixo segundo o livro) Toda a relação jurídica tem de estar conexionada com um sujeito. Outros autores falam de relações jurídicas imperfeitas já que é um caso de provisória inexistência do sujeito. Manuel de Andrade e Mota Pinto negam a possibilidade lógica da existência de direitos sem sujeito. está confuso. é o caso das obrigações do de cuius incluídas na herança jacente. pelo menos aparentemente. já que o poder pressupõe um titular e o (dever) a vinculação um suporte. sendo um absurdo essa possibilidade. sendo que apenas a herança responde por esta dívida e não os bens pessoais dos herdeiros. falta um dos sujeitos jurídicos. As situações anteriormente descritas seriam estados de vinculação de certos bens em vista do surgimento futuro de uma pessoa. PROBLEMA DA EXISTENCIA DE DIREITOS SEM SUJEITO – LIVRO: Há situações jurídicas em que. Lehmann. Com um direito sobre eles esse objecto não estaria integrado em nenhuma relação jurídica mas também não seria livre já que estava a ser objecto de uma tutela jurídica que o reservaria para um provável direito futuro.http://apontamentosdireito. no caso da herança jacente (2046º) até tal aceitação ou declaração (2050º e 2155º). já que todo o poder implica necessariamente um titular e todo dever um suporte. 34 . consideram que o direito subjectivo se traduz num poder e como tal tem de pertencer a alguém e o mesmo para a obrigação. o caso da herança jacente constitui um património autónomo em que os credores têm possibilidade processual de executar estes bens. a inexistência de direitos sem sujeito. a seguir está a transcrição do livro do doutor Capelo)  O problema dos direitos sem sujeito: (segundo apontamentos) (passar á frente está confuso. Windscheid afirmava a existência. sobretudo activo mas também passivo. Assim.com/index. nestes casos.

html 2033º nº2 al. Diferente. Entende-se por nascimento a separação do filho do corpo materno. que se encontrem já estruturados o conteúdo e o objecto de determinados poderes jurídicos de exigir ou pretender o comportamento de outra(s) pessoa(s) ou de intervir inelutavelmente na esfera jurídica de outra pessoa. A personalidade jurídica vai adquirir-se no momento em que a separação se dá com vida e de modo completo. ficar predisposto a ser adquirido por um ser dotado de personalidade jurídica ou a extinguir-se. sendo certo que os sucessíveis aceitantes virão a responder por tal obrigação. O nascimento completo dá-se com a separação total do filho relativamente à mãe e 35 . O sistema pode admitir para certos casos. de construção doutrinal. mecanismos jurídicos cuja melhor construção doutrinaria será a de direitos subjectivos sem sujeito.Na linha de Orlando de Carvalho « o núcleo de poderes sobre os bens se encontre definido» ou como cremos melhor. Trata-se de um problema teorético. a) Inicio: começo da personalidade jurídica vem estabelecida no artigo 66º nº1. Doutrina divide-se quanto à existência ou não de direitos sem sujeito: Manuel de Andrade e Mota Pinto entendem que estamos perante «meros estados de vinculação de bens em vista da possível superveniência de titulares para eles» uma vez que o direito subjectivo pressuporia sempre a ligação do direito a uma determinada pessoa. Orlando Carvalho. excepcionalmente. faltará ou ainda faltará o sujeito passivo de uma obrigação contraída por uma pessoa entretanto falecida e cuja herança se encontra jacente. por razoes muito especiais. respeitar a dignidade que se tem de reconhecer a todos os seres humanos.a )enquanto este não nascer o não houver posibilidade de nascer. PESSOAS SINGULARES  Personalidade jurídica: aptidão para ser titular autónomo de relações jurídicas. a partir dos dados do nosso sistema legal. na sua exacta configuração. A concepção que perfilhámos de direito subjectivo consubstancia-se em um poder jurídico distinto do poder material efectivo pelo que não nos parece inseparável da titularidade sempre actual de uma determinada pessoa. Parecem ser essas as situações jurídicas. permite manter ou organizar antecipadamente tal estrutura.http://apontamentosdireito.com/index. bem como no caso de abandono de um titulo ao portador (acção de uma sociedade anónima ou bilhete cinema. Algo que nas pessoas singulares corresponde a uma exigência do direito. Por outro lado. até ser encontrado ou ter caducado).atspace. Castro Mendes e Oliveira Ascensão consideram haver nestes casos direitos subjectivos sem sujeito. a resolver.Há que ter muita prudência na analise de outras eventuais eventualmente semelhantes. em termos de o respectivo poder jurídico. bem como os correlativos deveres ou sujeições jurídicos. quase clássicas acima referidas. quando a ordem jurídica face a especiais interesses em jogo.

http://apontamentosdireito. Por exemplo se a mãe morre no parto e o filho nasce vivo e sobrevive. O artigo 66º nº2 diz-nos que os direitos reconhecidos por lei aos nascituros dependem do seu nascimento. Sendo que essa morte pode ser natural ou presumida – 36 . prazo de viabilidade de sobrevivência. Este corte pode ter lugar antes da separação total do corpo materno para que. basta que a criança nasça completamente e com vida. já que estão dependentes do seu nascimento. Neste caso não há ainda separação completa. fora do útero materno. por exemplo este não se enrole à volta do pescoço da criança. Morte: nos termos do artigo 68º nº1 a personalidade cessa com a morte. algo que era exigido pelo código de Seabra com o fundamento lendário de que uma mulher poderia gerar monstros. por um medicamento. Nascimento com vida: quando há respiração do nascido fora do corpo da mãe. Esse direito não pressupõe uma atribuição de personalidade jurídica ao nascituro. não terá direito a essa indemnização (Capelo de Sousa diz que os pais têm pois não faria sentido premiar o melhor assassino) (???). c) Termo da Personalidade jurídica: a. já que só no momento do seu nascimento (completo e com vida) é que o dano se consuma. os herdeiros desta são o marido e também os seus pais. Assim.atspace. apesar da agressão que o desencadeia seja anterior. mesmo que pouco tempo à mãe ele é herdeiro desta e se ele morrer de seguida o herdeiro é o pai. o feto agredido no ventre da mãe não chega a nascer com vida. por exemplo. um filho pode pedir indemnização pelas deformações físicas ou psíquicas que sofra no ventre da mãe causados. se a criança pelo contrário nasce morta ou morre antes da mãe.html ao seu corpo com o corte do cordão umbilical. Ver melhor o livro do doutor Capelo de Sousa pagina 265 e ss. que no entanto estão dependentes do seu nascimento completo e com vida. Assim. b) Condição jurídica dos nascituros: a lei permite que se façam doações aos nascituros concebidos ou não concebidos (concepturos) – artigo 952º e se definam sucessões quanto aos concebidos – artigo 2033º nº1 e apenas testamentária ou contratual quanto aos não concebidos – artigo 2033º nº2. nos termos do artigo 66º nº1. Há hoje processos médico – legais para determinar se o recém nascido respirou ou não após o parto. Para este caso a melhor doutrina será a que nos refere que os nascituros têm uma personalidade jurídica parcial. A nossa lei não exige: o nascimento com figura humana. ainda que a sua sobrevivência não seja viável. apesar de não terem ainda PJ e não serem como tal sujeitos de direito. a nossa lei reconhece aos nascituros direitos. Algo que é bastante importante em matéria sucessória. Se no entanto.com/index. Assim. Até ao nascimento estaremos perante a problemática dos direitos sem sujeito.

No caso. ou seja. então. por exemplo no direito Inglês presume-se a premoniencia do mais velho. Se as mortes são simultâneas o outro filho sucede na totalidade da herança. c. Presunção de conivência: no artigo 68º/2 consagra-se uma presunção de comonivencia.atspace. sobretudo no que respeita a efeitos sucessórios.com/index.html artigo 114º. de não se encontrar ou não ser possível identificar o cadáver é aberto o processo de justificação judicial do óbito a cargo do MP. Sendo que o artigo 71º nº1 não é um desvio à cessação da personalidade com a morte. b. se mais tarde se verificar que terá havido engano. Outras ordens jurídicas consagram a presunção de premoniencia. Concorda com esta posição o Dr Mota Pinto tendo uma posição contrária os Drs Pires de Lima e Antunes Varela que vêm nesse artigo uma protecção aos direitos de personalidade depois da morte do seu titular. o conservador lavrará o assento do óbito com base na sentença. Esta presunção tem grande importância prática.  A capacidade jurídica: 37 . já que essa recolha e operações de transplante exigem a colheita antes da paragem circulatória e respiratória. casal que tem dois filhos e num acidente morre o casal e um dos filhos. já que se trata de uma protecção de interesses e direitos de pessoas vivas que sejam afectados por actos ofensivos da memória do falecido. requerer-se-á a invalidação ou rectificação desse assento. (questão abordada no capitulo dos direitos de personalidade). Aplicando-se a esses casos as regras da morte presumida (artigos 114º ss). mas se provar que o filho morreu algumas horas depois.http://apontamentosdireito. dando-se hoje relevo à morte cerebral. vem determinar regras que permitam concluir a verificação do óbito para efeitos de recolha de tecidos ou órgãos quando há lesão irreversível do sistema nervoso central. por prova em contrário. Sendo julgada a justificação. Tratando-se de uma presunção elidível. No que diz respeito à morte biológica hoje as modernas técnicas de reanimação levam a pôr em causa o critério tradicional do momento da morte: paragem cardíaca. extinguindo-se os de natureza pessoal e transmitindo-se para os sucessores os de natureza patrimonial. No momento da morte a pessoa perde os direitos e deveres da sua esfera jurídica. Uma portaria de 71 embora não venha a definir legalmente o momento da morte. não se verificando fenómenos de transição entre os comonientes. Desaparecimento da pessoa: este desaparecimento vem regulado no artigo 68º nº3. passando a quota do filho que veio a morrer para os seus herdeiros. de morte simultânea. a herança é dividida pelos dois filhos. circulatória e respiratória. Exemplo.

é assim que o código se refere a estas situações no artigo 953º  as pessoas abrangidas nestas proibições têm plena capacidade para a pratica de quaisquer actos. nem por este com autorização (……) O nosso código civil estabelece certas proibições no domínio da compra e venda em razão dos sujeitos. Estabelece também a nulidade de certas doações quando feitas a determinadas pessoas. II. Hoje o instituto da inabilitação é visto como algo do interesse do próprio inabilitado.  A incapacidade de gozo provoca. como a que força do artigo 953º e é estabelecida no artigo 2192º. Temos as seguintes incapacidade de gozo: a) Incapacidades nupciais: impedimentos dirimentes absolutos e relativos  artigo 1601º e 1602º. Sendo que o mesmo artigo nos alerta para algumas restrições: incapacidades de gozo que são excepções a esta regra geral. regra geral a nulidade dos negócios jurídicos respectivos: a) Pode ser invocada por qualquer interessado.html I. O interesse determinante das incapacidades é o interesse do próprio incapaz. b) Não existem prazos para a sua invocação. como nos refere o artigo 67º. Neste sentido Santono Passanelli e Manuel de Andrade.atspace. embora por reflexo servisse também o interesse do pródigo. A incapacidade de exercício provoca a anulabilidade dos negócios jurídicos respectivos: a) Só pode ser invocada por aquelas pessoas no interesse das quais a lei estabelece a anulabilidade. c) Pode ser declarada pelo tribunal ex officio. definidos. 38 .com/index. As incapacidades de exercício são excepcionais e são estabelecidas expressamente pela lei. os negócios não podem ser concluídos por outra pessoa em nome do incapaz. E é insuprível. sendo-lhes simplesmente vedada a prática de certos negócios . algo que resulta dos artigos 130º e 133º.Capacidade jurídica de exercício: a regra geral é a de que todas as pessoas singulares maiores e emancipadas têm plena capacidade de exercício de direitos. não pela sua categoria genérica mas em razão de uma certa relação com o objecto do negócio e com a outra parte. isto é. Estas situações não são de absoluta incapacidade . de interditos por anomalia psíquica e dos notoriamente dementes no momento da perfilhação  artigo 1850º. Trata-se de uma indisponibilidade relativa pois há só uma restrição do poder de disposição em certa direcção. c) Incapacidade para perfilhar dos menores de 16 anos. b) Incapacidade de testar dos menores não emancipados e dos interditos por anomalia psíquica  artigo 2189º.Capacidade jurídica de gozo: a regra geral é a da capacidade jurídica. No código de 1867 a incapacidade dos interditos por prodigalidade / já que não existia a inabilitação era vista pela doutrina como instituída no interesse de outras pessoas. como a contida no artigo 877º ou 261º.http://apontamentosdireito.

 Podem perfilhar se tiverem mais de 16 anos (1850º). 2. 39 . 132º e 133º). caso contrário. não é portanto um representante voluntário no sentido em que não é escolhido pelo representado.http://apontamentosdireito. nº1 al. Existem. salvo se estiver pendente contra o menor ao atingir a maioridade uma acção de interdição ou inabilitação (artigo 131º). mas podendo sê-lo através de meios destinados ao suprimento da incapacidade que cito: a) Representação: é admitida a agir outra pessoa em nome e no interesse do incapaz.Amplitude: esta incapacidade cessa com:  Maioridade (130º. daí que terão capacidade para administrar os bens que adquirem pelo seu trabalho (salário) e os que adquirem através do salário.  Emancipação que hoje apenas resulta do casamento (arts. mas exige o consentimento de certa pessoa ou entidade. portanto. c) Para o negócio ser anulado tem de haver uma acção intentada não se procedendo ex officio . que estando ao alcance da sua capacidade natural. a oposição dos pais ou do tutor constitui um impedimento impediente e como tal não implica a nulidade do acto (1604º). desde que tenham idade superior a 16 anos (1601º). nº1 al.  Podem fazer testamento se emancipados (2189º). Tudo porque os maiores de 14 anos. a anulabilidade pode ser requerida sem dependência de prazo – artigo 287º nº2. c CC). Por exemplo a compra de uma caneta. Os menores sofrem de uma incapacidade genérica já que abrange negócios de natureza pessoal ou patrimonial. Aqui há uma autonomização ao incapaz a agir pertencendo a iniciativa ao próprio incapaz. com autorização dos pais podem trabalhar.Efeitos: os negócios jurídicos praticados pelo menor contrariamente à proibição em que se cifra a incapacidade estão feridos de anulabilidade (125º).html b) Existem prazos para a sua invocação2.  Podem contrair validamente casamento. b CC). b) Assistência: a lei admite o incapaz a agir.  Negócios relativos à profissão e ao seu exercício (127º. no entanto excepções à incapacidade:  Actos de administração ou disposição de bens que o menor adquiriu pelo seu trabalho (127º. se tiver sido operada a modificação da situação factual.Incapacidades de exercício: a) Menoridade: 1. III. ou seja. a CC). impliquem apenas despesas ou disposições de bens de pequena importância (127º. (ver melhor). a pessoa é denominada representante legal. Não actua.atspace. e é suprível não podendo os negócios ser realizados pelo incapaz ou por um seu procurador . 129º. nº1 al.  Negócios próprios da vida corrente do menor.com/index. pois é designada pela lei ou em conformidade com esta. mas dá lugar à aplicação de sanções especiais (1649º). em vez dele. As pessoas com legitimidade para requerer a anulabilidade são: 2 Esses prazos só funcionam se o negócio estiver cumprido.

em princípio. Estão excluídos da administração dos pais certos bens mencionados no artigo 1888º. abrangendo. No entanto. deve ser instaurada sempre que se verifique alguma das situações previstas no artigo 1921º. visto que estes são meros continuadores da esfera jurídica do de cuius. visando a lei proteger essas expectativas. A doutrina vai divergir em relação aos representantes:  Mota Pinto: diz que os representantes também não podem. Assiste-se aqui. pois aqui o que merece relevo é a tutela do interessa da contra-parte que não pode ser prejudicada.c). As suas limitações estão presentes nos 40 .  c) Qualquer herdeiro num ano a contar da morte sem que ultrapasse um ano da sua maioridade ou emancipação (125º.http://apontamentosdireito. donde resulta imediatamente o facto do poder paternal pertencer aos pais não atribuindo poderes especiais ao pai ou à mãe. Aqui a doutrina converge na aceitação de que os herdeiros também não poderão requerer essa anulação. mas nunca depois do menor atingir a maioridade ou seja emancipado (125º. O exercício do poder paternal vem previsto nos artigos 1901º e ss.atspace. O tutor tem poderes de representação.nº1. à aplicação do princípio da proibição do venire contra factum proprium. al.com/index. o menor não é o único com legitimidade para requerer a anulabilidade.Suprimento: a incapacidade do menor é suprida pelo instituto da representação sendo os meios de suprimento os seguintes:  a) Poder Paternal: o seu conteúdo está regulado no artigo 1878º. o poder tutelar é menos amplo que o poder paternal. o artigo 1892º estabelece outra proibição. o artigo 1889º refere-nos actos cuja validade depende de autorização do tribunal.  b) Tutela: é o meio normal de suprimento do poder paternal.b). este domínio reflecte-se relativamente à pessoa dos filhos  1885º e ss e relativamente aos bens do filho 1888º e ss.html  a) Representante do menor dentro de um ano a contar do conhecimento do acto impugnado.  Orlando de Carvalho e Antunes Varela: dizem que os representantes poderão requerer essa anulabilidade porque o relevante é a tutela dos interesses do incapaz que são tutelados pelo exercício do poder paternal. O direito de invocar a anulabilidade é precludido pelo comportamento malicioso do menor no caso de este ter usado de dolo (253º) a fim de ser fazer passar por maior ou emancipado (126º). al. As reacções aos artigos referidos geram a anulabilidade dos respectivos actos nos termos do artigo 1893º. Comuns ao poder paternal pessoal e patrimonial são o poder de representação (1878º e 1881º) e o poder de autoridade que os filhos devem obediência (1878º nº2). a generalidade da esfera jurídica do menor. No entanto. como facilmente se depreende do 125º. nº1.  b) O próprio menor no prazo de um ano após a maioridade ou emancipação (125º. O poder paternal pode ser alvo de inibições como se depreende dos artigos 1913º e seguintes.a). nº1. al. 3. tal como os do pai.

com/index.  Surdez – mudez. não havendo lógica de se aplicar a um maior o regime da representação legal. durante esse curto espaço de tempo. nos termos do 1954º cabe vigiar o modo como são desempenhadas as funções do tutor. 2. Aqui existirá um administrador dos bens ao lado dos pais ou do tutor. Estas “deficiências” devem ser habituais ou duradouras e actuais. não basta. a existência de “deficiências”. Torna-se necessária uma sentença judicial que no termo de um processo judicial declare a incapacidade. O protutor será um dos vogais do conselho de família a quem cabe fiscalizar a acção do tutor de forma permanente. só aí existirá interdição. daqui retiramos que o administrador é o representante legal do menor nos actos relativos aos bens cuja administração lhes pertença. o disposto no 131º. 41 . no entanto. O artigo 139º manda aplicar as disposições que regulam a incapacidade por menoridade e fixam os meios de suprir o poder paternal. o mesmo acontece com a inabilitação por força do artigo 156º. os seus poderes são idênticos aos do tutor.  c) Administração de bens: ela terá lugar. 3. equiparando os sujeitos nestas situações aos menores pelas seguintes razões: 1. para que esta produza efeitos quando o menor se torne maior – 138º nº2.A lei diz que se aplica o regime paternal ou tutorial. A designação do administrador de bens é regulada nos artigos 1967º e 1968º. no entanto. b) Interdição: quem pode ser interdito: a interdição é apenas aplicável a maiores. nos termos do artigo 1922º.No artigo 125º. coexistindo com a tutela ou com o poder paternal. Quando o menor prefizer 18 anos e correr uma acção de interdição ou inabilitação contra ele o artigo 131º diz-nos que se mantém o poder paternal ou a tutela. Ao conselho de família. As sanções para a infracção das proibições impostas ao tutor constam dos artigos 1939º e 1940º.http://apontamentosdireito.html artigos 1937º e 1938º.  A incapacidade do artigo 131º: é possível requerer-se uma interdição no ano anterior à maioridade. O Dr Carvalho Fernandes diz-nos que se trata de uma incapacidade de exercício autónoma. Os direitos e deveres do administrador estão consagrados no artigo 1971º.Não faz sentido tratar uma pessoa como maior quando é elevada a possibilidade de vir a ser declarado incapaz. A lei permite. o requerimento e decretamento da interdição dentro de um ano anterior à maioridade  138º nº2. pois os menores estão sempre protegidos pela incapacidade de menoridade.  Cegeira. São fundamentos de interdição:  Situações de anomalia psíquica.  Quando pela sua gravidade tornem o interditando incapaz de reger a sua pessoa e bens 138º nº1 (quando essas anomalias não excluem totalmente a aptidão do sujeito para gerir os seus interesses o incapaz será inabilitado – 152º). O tutor pode também ser afastado  1948 e ss. nº1/a a lei ressalva no prazo do requerimento da anulabilidade.atspace.

c) qualquer herdeiro do interdito no prazo de um ano a contar da morte deste (quando a morte ocorreu ainda era ele interdito ou a interdição tinha sido levantada há menos de um ano antes da morte). O negócio deu prejuízo ao interdito: a apreciação deste prejuízo reporta-se ao momento da prática do acto não se tomando em conta eventualidades ulteriores que poderão vir a tornar desvantajoso para o interdito aquele negócio. Quanto ao prazo para a sua invocação é as pessoas com legitimidade para arguir é aplicável ex vi do artigo 138º com as necessárias adaptações o artigo 125º. A anulação não pode ser excluída mediante a alegação de intervalo lúcido do demente.http://apontamentosdireito. A interdição venha a ser definitivamente decretada. utilização do pretérito perfeito. Quanto ao casamento não há possibilidade de suprimento da incapacidade dos interditos por anomalia psíquica – artigo 1601/b.atspace.  2. já que se estabelece uma tutela regulada pelas mesmas normas que regulam a dos menores. A competência atribuída ao tribunal de menores no funcionamento da representação legal dos menores é deferida no que refere à capacidade dos interditos ao tribunal comum – artigo 140º. são anuláveis os actos caso: a. eventualmente. 2.Depois do registo da sentença definitiva: o artigo 148º mostra-nos que os negócios jurídicos realizados neste período estão feridos de anulabilidade – artigo 148º. Não há qualquer lugar para o instituto da assistência no suprimento de uma incapacidade por interdição. b) elemento racional ? – pois evita uma quarentena a que os interditos seriam votados por outros indivíduos . falta de prejudicabilidade do acto ou desconhecimento pela contra – parte da interdição. no prazo de um ano a contar do conhecimento do negócio. b) o próprio interdito no prazo de um ano a contar do levantamento da interdição.Suprimento: a incapacidade é suprida mediante o instituto da representação legal. o mesmo acontece para a capacidade de testar – artigo 2189º e para perfilhação – artigo 1850º. que se recusariam a contratar com eles já que sobre eles penderia a ameaça de uma 42 .html 1. neste ultimo caso os negócios não são anuláveis.Valor dos actos praticados: a lei considera três períodos:  1. Podem assim requerer a anulação: a) representante do interdito durante a vigência da interdição. A sentença de interdição definitiva deve ser registada sob pena de não poder ser invocada contra terceiro de boa-fé – 147º. b. são sempre anuláveis  148º.com/index. que estabelece a excepção do artigo 144º (pais exercem o poder paternal como se ele fosse menor). As razoes que nos levam a afirmar isto são: a) o elemento gramatical de interpretação “causou”.Na pendência de processo de interdição: artigo 149º. a administração de bens. Poderá ter lugar.

 3. Neste momento não é exigível a prova de qualquer prejuízo para o incapaz. A anulabilidade tem como condições necessárias e cumulativas:  a) Que no momento do acto haja uma incapacidade de entender o sentido da declaração negocial ou falte o livre exercício da vontade. casamento e testamento) o que é que acontece se existir anomalia e o demente não estiver interdito? No caso do casamento: há incapacidade desde que haja uma demência notória e mesmo que o acto seja praticado durante intervalos lúcidos (1601/b).Anteriormente à publicidade da acção: o artigo 150º remete-nos para o disposto da incapacidade acidental que está prevista no artigo 257º.http://apontamentosdireito. algo que é muito difícil de se provar. ao contrário do que acontece na pendência do processo. No entanto se o conhecimento é posterior o prazo só começa a correr a partir daí. Não basta demonstrar um estado de habitual insanidade de espírito na época do negócio é necessário provar a existência de uma perturbação psíquica no momento em que a declaração de vontade foi proferida. Quanto aos negócios onerosos haverá prejuízo sempre que um contratante sensato prudente na gestão dos seus bens não teria celebrado o negócio naqueles termos (bónus pater família). qualquer que seja a sua justificação um empobrecimento imediato do doador podendo eventualmente no futuro causar-lhe grave dano. No caso de testamento só os interditos são incapazes. No entanto no caso de faltar a interdição o acto poderá ser anulado desde que se verifiquem os pressupostos da incapacidade acidental (2199º). mesmo que este não a conheça.html anulação. Exige-se também para tutela da boa – fé do declaratario e da segurança jurídica a prova da cognoscibilidade da incapacidade. Quanto a alguns autores em especial em que a incapacidade jurídica é insuprível para os interditos com anomalia psíquica (perfilhação. não se colocando o caso de intervalo lúcido (1850º nº1).  b) Que a incapacidade natural existente seja notória ou conhecida do declaratário. O artigo 257º nº2 esclarece o requisito da notoriedade. na perfilhação – 1861º. Manuel de Andrade sustentou com êxito a opinião segundo a qual as doações se devem considerar sempre prejudiciais ao interdito mesmo que as circunstancias concretas tornem razoável a sua prática por uma pessoa normal. Quanto aos negócios gratuitos como as doações. Perigo ainda maior porque estas pessoas podem até acabar por ser reconhecidos como “normais”. No caso da perfilhação há incapacidade desde que haja demência notória. porque aqui a tutela do incapaz deve primar sobre a protecção das expectativas do declaratário.com/index. no testamento em caso de incapacidade acidental – 2199º. A notoriedade da sua denuncia não é no mesmo sentido da do artigo 257º.atspace. Em relação ao artigo 149º nº2 há quem diga que o momento do registo da sentença a partir da qual começa a contar o prazo é uma salvaguarda para quem conhece antes. As sanções para a realização destes negócios pelo incapaz são: a) Anulabilidade – no casamento – 1631º. 43 . Tudo porque uma doação importa sempre.

causas e instituição: são incapacidades de exercício que impedem a pessoa sujeita de praticar actos jurídicos patrimoniais (quando não autorizados pelo seu representante legal).com/index. b. poder paternal (1913º). c) Inabilitação: 1. Habitual prodigalidade – o pródigo será aquele que habitualmente pratica actos de delapidação patrimonial que não se pode confundir com uma administração infeliz ou pouco inteligente. c. 4.Extensão: a inabilitação abrangerá os actos de disposição de bens inter vivos: 153º. Podem requerer esse levantamento os indicados no artigo 151º. Existem três categorias: a. Existem algumas incapacidades de gozo para: a) Inabilitados por anomalia psíquica: casamento (1601º).html b) Nulidade – no testamento em caso de interdição – 2190º. Torna-se necessário o levantamento da interdição. 3.atspace. Ainda todos os que forem especificados na sentença. O artigo 152º revela-nos as causas de inabilitação.http://apontamentosdireito.Cessação: a incapacidade dos interditos não termina com a cessação da incapacidade natural.Suprimento: as incapacidades de exercício por inabilitação são supridas pelo instituto da assistência através de um curador (artigo 153º). b) Inabilitados por prodigalidade: no que se refere à tutela (1933º nº2). surdez mudez ou cegueira que provocam fraqueza de espírito mas não uma total inaptidão. Trata-se de despesas desproporcionadas aos rendimentos improdutivas e injustificáveis – aqui atenta-se à finalidade das despesas.Noção. É necessário uma sentença de inabilitação tal como acontece com as interdições. 2. no entanto o Juiz na sentença pode especificar alguns ou todos os esses actos para o grupo de actos em que o inabilitado tem incapacidade de exercício  ver melhor o artigo 154 nº1. excluindo-se assim. Nos três casos basta que se prove a existência de um perigo actual de actos prejudiciais ao património mesmo que ainda não haja um dano concreto. Anomalia psíquica . o testamento. A incapacidade dos inabilitados não existe só por existirem as circunstâncias previstas no artigo 152º. não sendo pródigo o que pratica actos ruinosos mas com um fim digno ou nobre. No entanto 44 . Abuso de bebidas alcoólicas ou estupefacientes que provoquem uma alteração de carácter. Normalmente os inabilitados têm capacidade de exercício no que respeita ao actos de mera administração. administração de bens (1970º) São insupríveis.

exige-se um prazo de 5 anos sobre o trânsito em julgado da sentença. a forma é a exigida para a procuração (no mesmo artigo) podendo ser judicialmente suprido (no mesmo artigo).atspace. Por força do artigo 156º e da remissão para o artigo 139º as características da anulabilidade são as do artigo 125º com as necessárias adaptações.Valor dos actos praticados pelo inabilitado: por força do artigo 156º são aplicáveis as disposições que vigoram para os interditos. 149º e 150º. O casamento. Mota Pinto e também Manuel de Andrade falam em ilegitimidades tal como vem referido no código (trata-se de uma relação entre o sujeito e o conteúdo do acto. 45 . por exemplo e apenas nos regimes de comunhão (geral e adquiridos)o disposto no artigo 1682.A nº1 e no 1683 nº2. a CRP de 1976 e a reforma do código civil em 1977 se pôs fim a um regime que colocava o marido em posição de supremacia. o artigo 155º tem um regime particular para o caso de inabilitação por prodigalidade ou abuso de bebidas alcoólicas ou de estupefacientes. As sanções da ilegitimidade conjugal são as previstas no artigo 1687º. no entanto. Deriva hoje.Cessação: A incapacidade deixa de existir quando for levantada a inabilitação. Por força do artigo 156º é aplicado o regime da interdição presente no artigo 151º. 5. 4. Existem outras para alem das conjugais exemplo a venda de coisa alheia 892º). que deve ser especial para cada acto: artigo 1684º nº1. continua a ser 3fonte de ilegitimidades conjugais (restrições à livre actuação jurídica derivados do casamento) só que agora em condições de plena igualdade entre marido e mulher.html a administração do seu património pode ser entregue pelo tribunal ao curador e neste caso a forma de suprimento é o instituto da representação. Assim. sendo a mulher incapaz em várias situações. Com isto pretende-se sujeitar o inabilitado a uma espécie de período de prova para evitar o risco de dissimulação ou fingimento – Mota Pinto. A pessoa a quem essa administração é entregue chama-se também curador.http://apontamentosdireito. temos por exemplo o artigo 1933º nº1/c (…). A ilegitimidade conjugal supre-se pelo consentimento do outro cônjuge. carecem de consentimento de ambos os conjugues em qualquer regime de bens o disposto no artigo 1682º. Insuficiência patrimonial: 3 Anteriormente vistas como incapacidades. Tendo que se aplicar os artigos 148º.com/index. No entanto. como chefe de família. A Posição Familiar: Com o 25 de Abril. do artigo 13º da CRP e do artigo 36º o princípio da igualdade entre os conjugues.  Incapacidade de facto: existem situações com carácter real que provocam consequências jurídicas.

2. Do reconhecimento do comerciante.http://apontamentosdireito. Pois. tratando-se de uma situação privativa dos não comerciantes. mediante apresentação ao tribunal competente com o pedido de convocação de credores. Também pode acontecer o comerciante ter um activo inferior ao passivo mas cumprir pontualmente as suas dívidas com o recurso ao crédito. Por pedido ao tribunal feito pelos credores ou do Ministério Público atendendo a certas manifestações: 1. b. podendo produzir os seus efeitos.com/index. O falido não pode praticar actos patrimoniais que possam prejudicar a massa falida – artigo 147º código das falências. A cessação de pagamentos é que dará lugar à falência – artigo 8º do código de falências.cessação de pagamentos. ele não é nulo ou anulável mas ineficaz em relação à massa falida – artigo 155º do código das falências – os negócios conservam-se válidos. mas para a salvaguarda dos credores. 3. Efeitos da falência e da insolvência: A falência e a insolvência implicam uma apreensão judicial dos bens do falido e do insolvente a que se chama massa falida ou insolvente e se destina a satisfazer os credores. Pode ter lugar através: a. 4. Se praticar algum acto.dissipação e extravio de bens . Essa situação só se verifica após uma declaração judicial de falência ou insolvência.ausência do estabelecimento sem ter provido à sua representação na gerência empresarial. pois se os comerciantes pagam aos credores com o dinheiro dos devedores se um comerciante cessa o pagamento pode alastrar esse não pagamento aos seus credores. sob o ponto de vista do exercício de direitos as pessoas que se encontram nessas situações.atspace. quando e onde não prejudiquem a massa falida. conservando legitimidade para os negócios pessoais e para os patrimoniais relativos a bens não apreendidos na massa falida. A inibição do falido e do insolvente não é imposta no seu interesse ao contrário da dos incapazes. mas não dispor de dinheiro líquido para as pagar. Insolvência: insuficiência do activo patrimonial para cobrir o passivo.html Falência e insolvência continuação da página 1. Consequência sobre os actos: 46 . 5 – outro qualquer procedimento abusivo tendente a colocar-se na situação de não poder cumprir as suas obrigações. A sua administração é entregue a um administrador. pode haver a hipótese de o comerciante ter bens de valor superior às suas dívidas. Interessa é a pontualidade dos pagamentos. A impossibilidade de cumprimento das obrigações é distinta de uma situação patrimonial deficitária (activo de valor inferior ao passivo).fuga de comerciante.Falência e insolvência: anterior … O estado do falido ou insolvente civil afecta. Falência: impossibilidade de o comerciante cumprir as suas obrigações.

delapidar o seu activo ou beneficiando uns credores em detrimento de outros.a sucessão por morte abre-se no lugar do ultimo domicilio do seu auto. O artigo 14 do cc vem equiparar os estrangeiros aos nacionais quanto ao direito civil. b) Quanto aos negócios onerosos é aplicada a impugnação pauliana – artigo 610º. nos casos de: 1.com/index. já que supõe uma relação entre o sujeito e o conteúdo do acto. 2.http://apontamentosdireito. já que se tem que proteger os interesses de terceiros de boa fé. Domicilio voluntário geral: lugar da residência habitual – artigo 82º. salvo disposição legal em contrário. 3. Vamos encontrar excepções quanto à capacidade de gozo no artigo 33º da CRP que prevê a extradição que não é admitida em relação aos portugueses. Nacionalidade: Definição: é um vínculo jurídico político que liga certas pessoas ao Estado Português por oposição aos estrangeiros e apátridas.as obrigações pecuniárias deverão ser efectuadas no domicilio do credor.atspace.html No período anterior à declaração de falência há propensão para o devedor tomar medidas altamente prejudiciais para a massa dos credores. 4ai deverão ser praticadas diligências ou efectuadas comunicações dirigidas a dar conhecimento a uma pessoa de um facto. já que não é a qualidade do sujeito em si mesmo que está em causa. Essa equiparação não obsta a aplicação no direito civil das regras de direito internacional privado. Trata-se de um ilegitimidade. Assim são resolúveis em benefício da massa: a) Actos celebrados por titulo gratuito que diminuam o património do devedor nos dois anos anteriores à sentença declaratória de falência. Também as quotas de 40% de trabalhadores nacionais vem limitar a capacidade dos estrangeiros. salvo disposição especial é o do domicilio do réu. b) 47 . quando esse conhecimento é pressuposto de produção de efeitos jurídicos. Tal como o faz o artigo 15º da CRP.o tribunal competente para quaisquer acções. é um modo de ser para com os outros. Noção: a. Aqui não se trata de uma verdadeira incapacidade. Domicilio: a) Importância da noção: trata-se de uma noção relevante de forma a fazer o ponto de conexão entre a pessoa e um determinado lugar.

independentemente da vontade: 1.agentes diplomáticos portugueses – artigo 88º. Ausência: Noção: desaparecimento sem notícias. c) Morte presumida. quando estes têm todo o seu património entregue à administração do curador. O nosso direito conhece alguns casos de domicilio legal. 48 . funcione como seu equivalente – artigo 82º/2.desaparecimento de alguém sem noticias 2necessidade de prover acerca da administração dos seus bens 3falta de representante legal ou procurador artigo 89º/1. podendo-se desde logo recorrer à morte presumida independentemente de antes se ter instaurado a curadoria definitiva.domicilio dos menores e interditos – artigo 85º (embora não refira inabilitados. por exemplo alguém que passa alternadamente uma semana na sua casa da Régua e uma semana na sua casa em Vila do Conde). A lei prevê ainda um domicílio profissional que se localiza onde a profissão é exercida – artigo 83º e um domicílio electivo que é estipulado por escrito para determinados negócios – artigo 84º (reveste-se de um negocio jurídico).http://apontamentosdireito. no entanto. Residência ocasional: lugar onde a pessoa vive temporariamente ou acidentalmente. Uma pessoa pode ter dois ou mais domicílios se tiver duas ou mais residências habituais.empregados públicos – artigo 87º. 2. Pressupostos: 1. mas um simples acto jurídico: os efeitos jurídicos realizam-se por força da lei mesmo que as pessoas os não quisessem. sem que da pessoa se saiba parte – artigo 89º/1. 3. Mas se uma pessoa passar algumas semanas numa casa arrendada não passa a ter aí um segundo domicilio. c. Não é.atspace. ou seja. sujeito ao instituto da representação aplicar-se-á este artigo ex vi – artigo 156º). na falta do mesmo. ou seja. O estabelecimento do domicílio resulta de um acto voluntário. Paradeiro: local onde a pessoa se encontra em cada momento – artigo 225º.com/index. embora. b) Curadoria definitiva. pelo facto de aí se residir habitualmente ou de aí se exercer uma profissão. Nenhuma delas está dependente das anteriores para a sua instauração judicial. As medidas que se poderão tomar: a) Curadoria provisória.html b. ou seja. Estas têm a ver com a maior ou menor probabilidade de regresso do ausente. Ela não faz surgir um domicílio. Visam sobretudo evitar os prejuízos decorrentes da falta de administração dos bens da pessoa ausente. Medidas Legais: a) Curadoria provisória: a. um negócio jurídico.

Tratam-se de direitos: a) Gerais: todas as pessoas deles gozam. procedese à abertura de testamentos  artigo 101º. a curadoria provisória será estabelecida se este não exercer as suas funções. Após a justificação da ausência. O artigo 92 mostra quem deverá ser escolhido para curador. Se o ausente regressar. quer por não querer  artigo 89º/2. os interessados para o efeito do requerimento da curadoria definitiva têm legitimidade para pedirem a declaração de morte presumida  artigo 114º. Pressupostos: dez anos sobre a data das últimas noticias ou cinco anos se o ausente tiver completado 80 anos de idade. e como a bigamia é proibida. o artigo 115º estatui que a sua declaração produz os mesmos efeitos do que a morte. Como é visível pelo artigo 94º o curador funciona como simples administrador – o artigo 98º estabelece os casos do termo da curadoria. Pressupostos: dois anos sem se saber do ausente ou cinco anos se ele tiver deixado representante legal ou procurador  artigo 99º. No entanto há atenuantes. Caso o ausente regresse aplica-se o artigo 119º. c) Morte presumida: a. b) Curadoria definitiva: a. se a pessoa for menor são necessários cinco anos sobre a data em que completaria a maioridade se fosse vivo  artigo 114º/2.atspace. Mas. Aqui. Os direitos de Personalidade tratam-se de direitos absolutos que incidem sobre os vários modos de ser físicos ou morais da sua personalidade.html Mesmo que haja representantes. Dos bens será prestada caução artigo 93º. à partilha e entrega dos bens aos legatários e herdeiros que são arguidos como curadores definitivos – artigo 104º. A curadoria definitiva termina nos casos previstos no artigo 118º.http://apontamentosdireito. 49 . b) Subjectivos: dizem respeito à pessoa humana. Aqui a presunção é a de possível regresso do ausente daí que o Ministério Público ou qualquer interessado tenha legitimidade para a requerer artigo 91º. considera-se o primeiro casamento dissolvido por divórcio. Aqui a probabilidade do não regresso é maior daí que a legitimidade para a requerer seja mais reduzida como se denota pelos artigos 99º e 100º. no entanto o cônjuge do ausente pode contrair novo casamento sem necessidade de recorrer ao divórcio  artigos 115º e 116º. Os direitos de Personalidade: GENERALIDADES: A personalidade humana surge como objecto de direitos e deveres. O casamento não cessa ipso facto.com/index. como é alta a probabilidade de morte física do ausente. por não poder.

etc. Diferentemente dos direitos reais.http://apontamentosdireito. oneração. se bem com a obrigação de indemnizar os prejuízos causados às legítimas expectativas da outra parte – artigo 81º/2. e) Relativamente indisponíveis: eles estão fora do comércio jurídico. b.com/index. não contrária aos princípios da ordem pública. estes não se encontram nessa categoria. Sendo que o critério utilizado para aferir dessas legítimas expectativas seja o do bónus pater famílias (exemplo. alienação. h) Carácter originário ou inato: decorrem do mero reconhecimento da personalidade jurídica. ou seja. sem. Vertente activa: poder de exigir em certas circunstâncias um comportamento positivo dos demais sujeitos. ou seja. apenas implicam a vertente passiva. d) Intransmissíveis: estes direitos dizem respeito ao ser do seu titular. Poderão ainda haver limitações lícitas ao exercício dos direitos de personalidade como estipula o artigo 81º. g) Extra-patrimoniais: se concluir-mos que os direitos patrimoniais são todos aqueles que são possíveis de serem avaliados em dinheiro. Também não se extinguem pelo facto de não serem utilizados.html c) Absolutos: impõe-se a todos. a obrigação da prática de certos actos que salvaguardam a personalidade desse sujeito. de uma abstenção por parte dos demais sujeitos (dever geral de abstenção). tal não impede que na esfera pessoal do indivíduo se verifiquem mutações juridicamente tuteladas que derivam do seu poder de auto-determinação. são oponíveis erga omnes em duas vertentes: a. será contrária à ordem pública. f) Perenidade e imprescritibilidade: não são vitalícios mas perpétuos já que gozam de protecção mesmo depois da morte – artigo 71º/1. sendo necessário que esta limitação seja: voluntária. Qualquer negócio de cedência. No que diz respeito à sua sucessão mortis causa esta só parece existir para os direitos especiais de personalidade com um regime muito especial. A questão doutrinal que se coloca é a de saber se o nosso sistema jurídico (constante nos artigos 70º e ss) tem apenas um direito geral de personalidade. um lutador de boxe que abandona um combate terá que indemnizar o empresário dos prejuízos causados à razoável confiança que este tenha depositado na continuação do consentimento. no entanto. não sendo necessário um pressuposto ulterior para a sua existência. um facere. Trata-se de um non facere. utilizar meios que vão ferir a personalidade física da pessoa em risco ou lesem a sua dignidade humana. Vertente passiva: poder de exigir aos demais sujeitos o respeito pelos seus direitos de personalidade. Sobretudo no que diz respeito ao direito à vida quando esta está em perigo.atspace. Mas mesmo lícitos são sempre revogáveis. No entanto. que embora absolutos. ou seja. 50 .

Capelo de Sousa) que nos parece ser também a posição do nosso código consagrando no artigo 70º uma tutela geral da personalidade contraposta à dos artigos 72º a 80º que consagram bens especiais da personalidade. ao arbítrio do próprio interprete. ou existirão conjuntamente um direito geral de personalidade a par de direitos especiais de personalidade (posição adoptada por R. aquela personalidade que pode ser considerada como bem jurídico. que considerar três aspectos: a) Essencialidade: aquilo que é comum a todos os homens (ex. 2O direito geral de personalidade de determinada pessoa “acaba quando começa o de outra”. não se compreenderia como é que do artigo 70º se retirariam direitos especiais de personalidade (exemplo. Ainda no que diz respeito à colisão de direitos. direito à integridade física ou mesmo direito à vida).http://apontamentosdireito. então. em última análise. neste caso os titulares de direitos deverão ceder na medida do necessário para que 3- 51 . Isto porque vivemos em comunidade onde há uma limitação de recursos. nem todos os aspectos da personalidade humana são protegidos. intelecto). Ainda a palavra “qualquer” do artigo 70º/1 numa interpretação literal implica a defesa desse direito geral de personalidade (DGP). impressões digitais. físico. caso da legítima defesa. dignidade da pessoa humana). Assim desse DGP se desentranham diversos direitos especiais de personalidade.atspace. numa obra artística em que o autor espelha a sua concepção da vida. consagrada no artigo 335º.com/index. características de inteligência. Se não se defendesse a existência deste DGP. tornando-o capaz de ser identificado e não confundido com quaisquer outro seres (exemplo. c) Pessoalidade: traduz a relação de cada homem com aspectos do mundo exterior nos quais é projectada a personalidade (exemplo. no artigo 70º fala-se de uma tutela geral da personalidade contraposta aos artigos 72º a 80º que consagram bens especiais da personalidade. Assim. b) Individualidade: algo que torna cada ser humano único e irrepetível com características próprias que particularizam o ser do ponto de vista genético e de adequação ao meio. No entanto. Ele é constituído pelos DGP das outras pessoas. A ponderação de bens. do mundo. como objecto da relação jurídica. Temos. isto é. apenas a personalidade humana juscivilisticamente tutelada. onde encontramos causas de justificação da ilicitude. O direito Geral de Personalidade: de facto. ou expressa o seu estilo a ponto dessa obra ser identificada – daí a existência de um direito material e moral de autor). Estes ficariam.html apenas direitos especiais de personalidade. encontramos limites ao DGP que fazem com que este mesmo não seja determinado: 1A própria natureza do bem da personalidade: cada pessoa tem a sua própria personalidade.

Algo que deve ser sistematizado: A) Relação do homem consigo próprio: 1. Seria aliás. A vida humana não pode ser comparada ou ponderada com a vida de outrem e nem mesmo com uma pluralidade de vidas humanas. No caso do DGP colidir com um direito desigual deverá prevalecer aquele que se considere superior (335º/2). muito estranho só atribuir essa indemnização caso ele nascesse com vida pois. O artigo 496º vem dar direito à requisição da indemnização por parte dos legitimados no artigo. 4- Haverá apenas responsabilidade civil nos casos de danos não patrimoniais gravosos (496º/1). não só a nível Constitucional mas também a nível civil o nascituro será para todos os efeitos um indivíduo nos termos do artigo 70º/1. Sendo ilícito e indemnizável o aniquilamento da sua vida. de uma 52 . sendo também irrelevante o consentimento do ofendido a esse respeito (a eutanásia também é proibida). devido à proximidade efectiva que existe relativamente a estes familiares. Conteúdo do DGP: ele abrange a unidade e a globalidade da personalidade.http://apontamentosdireito. Uma vida humana tem o mesmo valor que 5 ou 10.html todos produzam os seus efeitos sem detrimento para qualquer das partes (335º/1). Parece-nos a melhor solução sobretudo: o Aos trabalhos preparatórios que são da responsabilidade de Vaz Serra em que esteve prevista a aquisição por direito sucessório. o No artigo 496º/2 emprega-se o termo “cabe” que dá a ideia de uma devolução imediata. então a questão: a que titulo se transmite a indemnização?  Vaz Serra: diz que se transmite por sucessão aos previstos no artigo 496º/2. A única excepção admitida é a da legítima defesa.com/index.  Antunes Varela:a indemnização cabe por direito próprio aos familiares referidos no artigo 496º/2.Vida humana: sem dúvida que está abrangida pelo artigo 70º e deve ser tomada na sua plenitude não havendo quaisquer direito do titular eliminar a sua própria vida (o suicídio é proibido em Portugal). o Enquadramento sistemático do artigo 496º que cabe ao regime da responsabilidade e não da sucessão. No entanto. estaríamos a premiar o assassino mais eficaz.  Galvão Teles: transmite-se por sucessão mas aos sucessores em geral do falecido de acordo com o artigo 2133º.atspace. daí que não seja licito o sacrifício de uma vida humana para salvar outras. que foi abandonada no texto definitivo. Coloca-se. Com base no artigo 24º da CRP parece inegável a existência de vida humana no nascituro.

No que diz respeito às intervenções médicas temos que distinguir entre diferentes tipos de intervenção: a. presume-se que o consentimento é dado nos termos do artigo 340º/3. sem autorização do próprio e com a devida informação acerca dos riscos).atspace. sangue. Dever de esclarecimento que é maior nas intervenções estéticas. O médico deverá elucidar acerca das consequências da intervenção e dos seus riscos. Nesse caso haverá ofensa aos bons costumes  340º/2. nos termos do artigo 340º. etc. Feitas em beneficio alheio ou em beneficio geral: nestes casos a presunção de consentimento não é aplicada. Atente-se que estes também são indemnizáveis – 483º. quer os futuros. Existem. já que a venda vai contra os bons costumes e a ordem pública. leite materno. b) Psique: mecanismos neuro-psíquicos.elementos que sejam regeneráveis e não insubstituíveis poderão ser alvo de doação5 mortis causa. Sémen.com/index.Corpo: 4 elementos: a) Somático: conjunto organizado e lógico que incorpora várias funções do homem e a sua constituição. d) Autodeterminação corporal: capacidade de qualquer ser humano ser livre em relação ao seu próprio corpo. no entanto. O que seria indemnizável seriam os danos patrimoniais e pessoais sofridos pelos familiares do falecido. 53 . Durante algum tempo pensava-se que o dano da perda da vida. ( a indemnizabilidade dos danos não patrimoniais resulta do artigo 496º/1. Quando se trata de uma situação de urgência: numa intervenção em benefício do próprio titular. Na sucessão estas expressões não se empregam. Feitas em beneficio do próprio titular: há a obrigatoriedade de consentimento que tem que ser pedido pelo médico. algumas limitações: 1. Se a aquisição se desse por direito sucessório essa indemnização juntar-se-ia a à herança e também ela às dividas deixadas pela herança. 2.html transferência por direito próprio. 4 5 São indemnizáveis quer os danos presentes. não deveria ser indemnizável. c. b. O consentimento não será válido no caso de grande desproporção entre o benefício e os riscos da intervenção. quer os emergentes quer os cessantes. Esta teoria tem a grande vantagem de não haver uma subtracção do montante da indemnização à responsabilidade por dívidas de herança. Terá de haver sempre consentimento do lesado (exemplo. daí serem ilícitos testes com novos fármacos não aprovados pelo INFARMED. tendo estes que ser graves (algo medido por padrões objectivos em face das circunstancias entre os quais figura o dano da morte4) 2. c) Saúde: estado de equilíbrio entre estes dois elementos (exterior e interior). sendo esta não patrimonial. Quando a transferência é feita em vida terá de ser gratuita.http://apontamentosdireito.

1. 4.Identidade: a cada ser humano deve-se atribuir os factos que praticou e não suprimir factos praticados ou atribuir-lhe acções que não praticou.Liberdade: quer num sentido negativo (ninguém ser obrigado por outrem a adoptar ou não determinado comportamento). Não só uma segurança física (que pode ser garantida pelas forças estaduais) como psicológica (ninguém pode ser vitima de assédio sexual). como se vivesse numa redoma6. Podemos afirmar que há um direito geral de liberdade. Esse poder de criação. 5. mas toda a estrutura sentimental. etc). isolado.http://apontamentosdireito.html 3. 6 Redoma: s.O espírito e os seus sistemas fundamentais: a) Estrutura sentimental: ela é criada pelo próprio homem. 3. algo que não seria juridicamente tutelado.A capacidade criadora e as respectivas criações: formada por todos os aspectos referentes ao espírito e ainda capacidades físicas (exemplo. 4. sequestro violento e continuado. É possível encarar a liberdade sob varias perspectivas: Física: uma liberdade de movimentos. ou seja. a violação pode ser feita por excesso ou por defeito. B) Relação do homem com o mundo: o ser humano não subsiste por si próprio.Igualdade: há uma dignidade humana que é igual para todas as pessoas. Daí que haja um conjunto de relações de personalidade na relação do “eu” com o Mundo. pela sua experiência humana em sociedade. Ela pode ser alterada através de uma situação externa (tortura. que tem a ver com o facto de sermos homens. bons costumes ou pela ordem pública. 2.f. cada ser humano tem o direito a escolher os seus próprios fins e a escolher os meios para os alcançar. Ele está em relação directa com o seu meio e com as outras pessoas que fazem parte desse meio.atspace. à determinação da aparência externa e também à história penal. casos de violação deste direito poderão ser o da coincineradora em Souselas ou do Urânio empobrecido nos Balcãs. uma liberdade sexual.Nestes casos não se viola apenas os sentimentos. 54 . uma igualdade natural. c) Estrutura da vontade: esta pode também ser violentada através de coacção grave.com/index. resguardo de vidro. quer num sentido positivo (direito a fazer empreender tudo o que não é vedado pela lei.Segurança: bem necessário ao ser humano para viver. Na identidade há ainda um direito à imagem. bem como as próprias criações são protegidas pelo DGP. as mãos de um escultor).Existência: inserção do ser humano na realidade físico e ambiental do Mundo (exemplo. b) Inteligência: faz parte da nossa personalidade e poderão existir ataques a ela (através de uma composição química) que alteraria a própria estrutura da nossa inteligência.

Desenvolvimento da Personalidade: implica a auto-determinação cognitiva. em algumas disposições do código civil  artigos 79º/3 e 484º. e dentro destes solteiro ou casado. Juridica: liberdade de celebrar ou não actos jurídicos. Tutela da Personalidade dos concebidos e das pessoas falecidas: Esta tem lugar com fundamento na protecção da vida. pois está ligada directamente à dignidade humana . financeira (exemplo.html  Moral: entre as quais se inclui a liberdade de estado civil. como se espelho se tratasse. de forma expressa. liberdade de escolha de vários tipos. de opção religiosa. prudência e diligência que geram a confiança financeira. É diferente do sentimento de honra próprio que não tem na comunidade grande expressão. 6.Reserva da vida privada: engloba os aspectos gerais da vida familiar doméstica. da integridade física e da honra. Trata-se sim da imagem que adquirimos pelos nossos méritos e desméritos. exemplo: honestidade. 04Decoro: adequação do comportamento pessoal aos padrões de comportamento social (ex. Os meios de tutela do direito geral de personalidade: segundo o artigo 70º/2 dá lugar: a) Responsabilidade civil  que tem um carácter indemnizatório (podendo ser uma restituição natural ou uma indemnização em dinheiro) b) Medidas preventivas  com vista a evitar a consumação da ameaça ou atenuar os efeitos da ofensa já cometida. 7. religioso. 02Bom-nome: prestigio da pessoa no plano profissional. Também a liberdade de expressão .http://apontamentosdireito. rectidão. Esta é formada por quatro elementos: 01Dignidade humana: é a honra propriamente dita.Honra: aparece referida. Engloba ainda o direito de estar sozinho. 55 .atspace. qualidades de honestidade. de negar quaisquer auxílios. sigilo bancário). ferimentos e manchas que a pessoa não quer exibir. Social: a liberdade de imprensa. 03Crédito: prestigio económico de uma pessoa. económica. nudismo). 9. Trata-se de projecção social das qualidades morais do indivíduo. que não varia com o estatuto da pessoa. de reunião e de escolha de profissão ou actividade.Reserva do ser pessoal: algo que a pessoa deseja manter para si (ex. de associação.com/index. não podendo ser revelados). desenvolvimento biológico. de consciência. 8.

defende uma articulação com o 68º que estatui que a personalidade cessa com a morte. d)Direito à imagem: está no artigo 79º. Estatui o artigo 72/2 que nestes casos o tribunal decretará as providencias que melhor concilem os interesses em conflito de acordo com os juízos de equidade. iniciais. Morto o destinatário pode ser ordenada a restituição ou destruição da carta  artigo 75º/2 . etc. Até porque esta poderá não ter quaisquer herdeiros. Todos os mencionados no artigo 71/2 têm legitimidade visto que existe uma sucessão de direitos pessoais. No caso de duas pessoas terem o nome total ou parcialmente idêntico. b) Direito ao pseudónimo: é também garantido por meio do artigo 74º. Estipula que é necessário o consentimento da pessoa para que o seu retracto possa ser publicado (79º/1 e 2) desse mesmo artigo consagra as excepções à necessidade de consentimento da pessoa.atspace. reputação ou decoro da pessoa retratada. e)Direito à reserva sobre a intimidade da vida privada: consagrada no artigo 80º. consagradas no artigo 78º que dizem respeito apenas ás que têm um destinatário concreto (não se aplicando às cartas abertas. a extensão de reserva é definida de acordo com o caso 56 . mas o que se quer tutelar são os direitos de personalidade do falecido. do nome próprio completo ou abreviado . No entanto. c) Reserva e resguardo de escritos: no que diz respeito a cartas – missivas confidenciais o destinatário deverá guardar reserva no que respeita ao conteúdo das mesmas artigo 75º/1. aqui a reserva não é tão grande. o seu titular não pode usa-lo com o propósito de prejudicar os interesses de outro. A sua protecção depende da notoriedade que tenha. No que concerne a cartas missivas não confidenciais. O doutor Mota Pinto defende que o artigo 71/1 tem uma formulação infeliz pois é da opinião que a tutela incide sob os direitos ou interesses mencionados no 71/2 e não sobre os direitos do defunto. É diferente da alcunha atribuída por terceiros. o nº3 por seu lado é encarado como uma excepção à excepção: o retrato não poderá ser publicitado se do facto resultar prejuízo para a honra. É garantida ainda a confidencialidade das memórias familiares e de outros escritos confidenciais 77º. do nome artístico. deve-se apenas respeitar o autor da carta.http://apontamentosdireito. o conteúdo e a natureza da carta.html O artigo 71º mostra-nos que os direitos de personalidade são protegidos para além da morte do seu titular. Os direitos especiais de Personalidade: a) Direito ao nome: previsto no artigo 72º. O doutor Capelo de Sousa discorda desta posição já que defende que uma coisa é a ofensa às pessoas mencionadas no 71/2 e outra coisa é a ofensa à própria pessoa falecida.com/index. que não têm um destinatário concreto).no que respeita à sua publicação esta está sujeita ao consentimento do seu autor – 76º.

No entanto. Diferentemente as normas respeitantes aos direitos especiais aplicam-se apenas relativamente às relações de personalidade especifica. utilizando-se o conceito do bónus pater famílias (exemplo. Isto apenas é possível quando estes actos ou negócios não contrariem os princípios da ordem pública (ex. já um contrato de pugilismo desde que siga as regras da modalidade é admissível. se antes do combate o lutador tem dores reumáticas. embora não todo).http://apontamentosdireito. o prejuízo é apenas imputável ao empresário. uma obrigação de indemnizar a outra parte. ou seja. esses mesmos direitos são limitados.atspace. direito a uma esfera de segredo ou na formula Inglesa “right to be alone”. o regime do DGP aplica-se subsidiariamente. mas sim um acto de amor (…). porém. Limitações voluntárias dos direitos de personalidade: Estão previstas no artigo 81º. 7 Mesmo o vedetismo ou celebridade não exclui a discrição. um contrato de prostituição) não será admissível já que contraria a ordem pública. uma vez que um acto sexual não deve ser vendável. Existem outros direitos especiais de personalidade previstos expressamente na lei. ou seja. Isto importa algumas consequências: o direito geral de personalidade aplica-se sempre ás relações de personalidade em que haja disposição especial. mas apenas os correspondentes às legítimas expectativas da outra parte. essa limitação é sempre revogável artigo 81º/2.com/index. Só que esta indemnização não é igual à de indemnizar em termos gerais (que segundo o artigo 483º/1 prevê a indemnização de todos os danos resultantes da violação). Trata-se de situações em que através de determinados actos (ex. que deverá comportar uma parte significativa do prejuízo. se o lutador pudesse realizar o combate e por falta de coragem não quisesse combater aí já haverá lugar a indemnização. 57 . neste caso o empresário não pode esperar que ele combata. mesmo quando está de acordo com a ordem pública. consentimento) ou determinados negócios jurídicos voluntariamente aceites pelo titular dos direitos.html concreto e a condição das pessoas7. Articulações entre o direito geral de personalidade e os direitos especiais de personalidade: Eles estão numa relação de lei geral (DGP) que prevê um conjunto de situações que são o regime regra e lei especial (direitos especiais – vigoram apenas para um numero determinado de casos que não se opõem ao regime regra). Aqui não são todos os danos. Assim. caso do direito moral de autor consagrado no código de direitos de autor e conexos. o direito de fixar os limites do que pode e não pode ser publicado. no entanto. se nos direitos especiais não estiver prevista qualquer sanção se aplica o artigo 70/2. como tal se houver menos assistência. A complacência com a publicidade não significa uma renúncia à esfera de intimidade. Há. sendo no entanto contrário à ordem pública se um dos lutadores é contratado já para perder. embora. embora é sempre uma renuncia a uma esfera tão extensa como de outros cidadãos.

Consentimento vinculante / autorizante: a) Baseiam-se num simples acto jurídico lateral. Vejamos sistematicamente: a) Baseiam-se num negócio jurídico lateral ou contrato. d)Torna licito o acto do lesante com excepção do 340º/2 Quando se tratam de intervenções cirúrgicas. c)Tem de ser prestado antes da lesão. 81º/2 (ex.http://apontamentosdireito. b)Têm um carácter constitutivo: com a celebração de um vinculo jurídico (vinculante) ou compromisso jurídico sui generis (autorizante). c)Limitados pelo 81º/1. b)Autorizante: aqui não há um vínculo jurídico. que uma revogação.html Assim. tendo como consequência a indemnização das legítimas expectativas que foram frustradas – art. mas constitui uma simples causa de justificação desta. c) Tolerante: este não atribui sequer um poder de agressão. o consentimento vinculante é o resultado de um negócio jurídico e a outra parte fica com um verdadeiro direito de agressão (exemplo. 58 . de tal modo.atspace. feitas em benefício próprio. Um dos consentimentos tolerantes é o consentimento presumível  340º/3. há apenas um poder factico de agressão que é revogável a todo tempo.com/index. combate de boxe). b)Esclarecimento das consequências imediatas da intervenção cirúrgica. sempre possível. e desde que não violem a ordem pública. doação de um rim). todos os direitos podem ser agredidos desde que haja o consentimento do lesado com excepção do direito à vida. estes deverão ser os critérios que presidem ao consentimento: a)Esclarecimento do diagnostico da doença. Consentimento tolerante: b)Têm um carácter integrativo. implica o incumprimento do contrato. Existem três modalidades do consentimento para a limitação voluntária dos direitos de personalidade: a)Vinculante: atribui-se ao lesante um verdadeiro direito de agressão. Assim.

atspace. algo que depende da personalidade do doente. Se estes pressupostos não existirem não haverá lugar à Personalidade Jurídica. ↔ 2ºSEMESTRE As pessoas colectivas: 1. Ele é o elemento material. podendo esta ser diminuída ou mesmo excluída. visto que se existissem riscos quase improváveis estes podiam fazer recuar um paciente mais receoso. Note-se que quando o consentimento do lesado é nulo ou ilegal. Elementos constitutivos: segundo a análise de Manuel de Andrade a PC tem dois elementos constitutivos: o substrato e o reconhecimento: a) Substrato: é o elemento extra – jurídico. Elemento pessoal  verifica-se na corporação e é a colectividade de indivíduos. a materialidade de um conjunto de pressupostos de facto que servem de base ao reconhecimento da qualidade de sujeito jurídico. Há. ou patrimonial visto que todas as pc têm uma actividade humana. podemo-nos referir ao predomínio de um dos elementos.html c)Narrar os riscos típicos das intervenções desse tipo. mas detêm também um acervo de bens. vejamos os seus sub-elementos: a. assim. humanos ou pessoas singulares / agrupadas através de actividades 59 . tal não faz com que o acto violador do direito deixe de ser ilícito e como tal não isenta o seu autor da obrigação de indemnizar o lesado pelos danos resultantes da violação. Visam interesses comuns ou colectivos que digam respeito a uma pluralidade de pessoas e geralmente têm carácter duradouro.http://apontamentosdireito. Podem ser organizações constituídas por uma colectividade de pessoas Corporações (Associações e Sociedades) ou por uma massa de bens (Fundações). elementos pessoais e patrimoniais. visto existirem outros agrupamentos que realizam determinados fins mas que não têm personalidade jurídica e como tal. No entanto. Importa o facto da personalidade jurídica. Elemento pessoal ou patrimonial: será mais correcto referirmos elemento pessoal e . o que por si não exclui a responsabilidade criminal. d)Terá que descrever um possível efeito letal. não são pessoas colectivas.Conceito e elementos constitutivos Noção: são as organizações constituídas por uma colectividade de pessoas ou por uma massa de bens que visam a satisfação de interesses comuns ou colectivos às quais a ordem jurídica atribui a personalidade jurídica. Todavia poder-se-á muitas vezes invocar o artigo 570º (influencia da culpa do lesado sobre o valor da indemnização.com/index.

do fundador ou dos beneficiários  1 – por falta deste elemento não têm personalidade jurídica as chamadas comissões especiais (exemplo. 2 – falta também o elemento intencional nas fundações de facto: massas patrimoniais não destacadas do património do instituidor que mantem uma obra social.atspace. 2 – a finalidade deve ser comum ou colectiva. Também nas fundações fiduciárias: liberalidades concedidas a favor de uma: pc já existente para que ela prossiga um certo fim de utilidade publica (exemplo. o fim ou causa determinante da formação da colectividade social ou da dotação fundacional. distinta dos associados. composto por um ou mais indivíduos que exprimem a vontade imputável à pessoa colectiva ou a executam. exemplo operários. As mesmas disposições são aplicáveis aos chamados patrimónios de oblação  fundos para fins de beneficência e outros. vão exteriorizar a vontade da pc  são órgãos externos.html pessoais e meios materiais para a realização de um fim comum.deve preencher os requisitos gerais do objecto de qualquer negócio jurídico: artigo 280º. ou seja. b. c. formam a vontade da pc mas não a manifestam. também na proibição de fundações dirigidas a fins privatisticos ou egoísticos do fundador ou da sua família como resulta do 188º/1. legado a uma câmara municipal para manter uma biblioteca). Elemento organizatório: conjunto de preceitos disciplinadores das características e do funcionamento da pessoa colectiva (contidos nos estatutos ou no acto de constituição ou instituição) e existência de órgãos (centros institucionalizados de poderes funcionais). O fim visado pela pc tem que satisfazer os seguintes requisitos: 1. não a projectam para o exterior.com/index. Os órgãos podem ser deliberativos . As pc podem ainda ter mandatários : realizam um ou mais negócios jurídicos em regime de mandato ou de incumbência dos órgãos. Elemento intencional: trata-se da vontade de constituir uma nova pessoa jurídica – animus personificandi. elemento patrimonial verifica-se nas fundações e é a massa de bens ou dotação que o fundador afectou à realização de determinados fins. por força do 158º . Dos órgãos há que distinguir os simples agentes auxiliares (só executam por incumbência ou sob direcção dos órgãos da pc determinadas operações materiais que interessam à Pc. Esta realidade é notória na nulidade do chamado pacto leonino – artigo 994º. exemplo.http://apontamentosdireito. para uma viagem de curso) 199º e ss. assembleia geral de sócios. 60 . Elemento teleológico: trata-se da finalidade prosseguida pela pc.pode ter uma finalidade “duradoura ou transitória” (veja – se o caso da sociedades comerciais que podem ter por objecto a pratica de um acto de comércio – artigo 14º CSC. 3. d.A. mas que pode em qualquer momento pôr termo a essa afectação de bens. A sua actividade desenvolve-se apenas no seu interior  são órgãos internos: ex. os directores. Executivos: executam a vontade da pc.

São governadas pela vontade dos associados. b. ou seja. tem de haver um reconhecimento por parte da ordem jurídica. podendo ser ou não altruístico.Classificação das Pessoas Colectivas: 1. Eles dominam. Fundações: pessoas colectivas em cujo substrato predomina o elemento patrimonial. Não basta a existência de todos aqueles pressupostos. 2. b. Corporações: pessoas colectivas em cujo substrato predomina o elemento pessoal.http://apontamentosdireito. a massa de bens ou dotação de um fundador ou de uma pluralidade de fundadores. Sistema da livre constituição das pessoas colectivas (muito raro): condicionado: o reconhecimento faz-se através do preenchimento de determinados pressupostos ou requisitos jurídicos que respeitam aos elementos caracterizadores do substrato e só quando verificados se adquire automaticamente a personalidade jurídica (o mais usual). advogado constituído para um litigio em que a sociedade seja parte. abrangendo as associações e as sociedades. b) Reconhecimento: é o elemento de direito que confere personalidade jurídica ao substrato das corporações ou das fundações. são colectividades de pessoas.atspace. São constituídas e governadas por essa colectividade de pessoas (associados). ou da afectação de fundos obtidos por subscrição publica. que assumem o pacto social através de escritura notarial. Individual ou por concessão: não é de carácter geral e traduz-se num acto individual e discricionário de uma autoridade pública que perante cada caso concreto personificará ou não o substrato. comum. São susceptíveis de mutação (entra e saída de novos sócios . aos associados. alteração de estatutos). Normativos: derivado automaticamente da lei ex vi lege – a lei diz que determinados entes materiais caso preencham determinados pressupostos jurídicos obtêm personalidade jurídica. ii. iii.Corporações (associações e sociedades) e Fundações: a.html Exemplo. Características: 61 . Visam um fim próprio.com/index. ou seja. pelos órgãos a vida e o destino da corporação. Modalidades: a. Pode ser incondicionado se a ordem jurídica atribui pj a todo o substrato completo da pc sem mais exigências. Características: i. regidas por uma vontade própria e imanente (vem de dentro) com órgãos dominantes que podem alterar os próprios estatutos “são auto-organizações para um interesse próprio” – Manuel de Andrade. iv.

portanto das sociedades: a. instrução. por ex) mas sem uma finalidade lucrativa. promovemse interesses de outras pessoas ou beneficiários. os bens que lhe são destinados e as normas disciplinadoras da sua vida e destino. Nas sociedades comerciais vigora o principio da tipicidade ou do numerous clausus: 62 . ou seja.atspace. Manuel de Andrade chamalhes “hetero-organizações para um interesse alheio”. regidas fundamentalmente por normas de direito privado e que não disfrutam do ius imperi. mas ao mesmo tempo interessa à comunidade. ou seja. iv. desporto. interessa também a colectividade. ii. pois não se tratam de lucros para repartir pelos associados (ex. daí serem de utilidade pública. Ao mesmo tempo que o fim visado por o 1 e 2 interessa de modo egoístico aos associados. a) De utilidade pública: embora se dirigindo à satisfação de um interesse dos próprios associados ou do fundador o fim a que se propõe é um interesse público.com/index. direito de poder público ou função de autoridade Estadual ou autárquica. daí o nome de associações de beneficência. Esse fim pode ser de vária ordem: 1 – de fim ideal: o objectivo egoístico é um interesse de natureza ideal. São regidos pela vontade inalterável e transcendente do seu fundador.etc).http://apontamentosdireito. pretende conseguir certas vantagens patrimoniais para os seus associados (empréstimos em boas condições. b. iii. Visam um fim estranho às pessoas que entram na organização da fundação.de fim económico não lucrativo. Pessoas colectivas de fim desinteressado ou altruístico: o interesse a satisfazer é de natureza altruística. Pessoas colectivas de fim interessado ou egoístico: o fim visado interessa de modo egoístico aos próprios associados. b) De utilidade particular: o seu fim é de mero interesse particular e como tal têm um fim lucrativo. recreio. Falamos. São instituídas por acto unilateral do fundador ou fundadores que afectam uma certa massa uma certa massa de bens a uma determinada finalidade ou interesse social.sindicatos). a. Pessoas colectivas de direito público e pessoas colectivas de direito privado:  Pessoas colectivas privadas: corporações ou fundações dotadas de personalidade jurídica. O fundador estabelece no acto de instituição o fim da fundação. de natureza social e não egoística. 2. não tendo quaisquer poderes de autoridade. Aplicam-se-lhes directamente os artigos 157º a 194º. fim que é definido pelo seu fundador.html i. Sociedades comerciais: aquelas que têm por objecto a prática de um ou mais actos do comércio. que se impõe à vontade dos órgãos servintes da fundação e ao próprio fundador. não económico (ex.

estando os sócios isentos de responsabilidade pessoal pelas dívidas da sociedade. aplicando-se subsidiariamente o regime das sociedades em nome colectivo. cada sócio responde para com a sociedade apenas pelo capital que subscreveu. ou seja. solidária e ilimitada dos sócios perante os credores depois de executado o património social. ex. A lei distingue no artigo 157º entre Associações. b. Daí conterem o nome de limitada para se saber que a responsabilidade não é total. d. Daí o cuidado necessário nos negócios feitos com estas sociedades. ii. Por acções  as participações dos sócios comanditários são representadas por acções. respondendo os sócios solidariamente. regidas fundamentalmente por normas de direito público e que prosseguem 63 . Sociedades em comandita: nelas os sócios comanditados assumem responsabilidade ilimitada e os sócios comanditários respondem apenas pela sua entrada no capital social: Simples  não há representação do capital por acções. mas que adoptam um dos tipos de sociedades comerciais para inequivocamente terem personalidade jurídica. iv. ex.atspace. Às sociedades não se aplicam directamente as disposições do capitulo sobre as pessoas colectivas. pela sua quota. iii. Sociedades anónimas: o capital social é dividido por acções. respondendo por elas apenas os bens sociais.http://apontamentosdireito. Fundações e Sociedades. Sociedades em nome colectivo: há uma responsabilidade pessoal.html i. mas apenas pela parte que lhes cabe do capital social. sociedade de locação financeira ou de tipo civil. Agrupamentos complementares de empresas: associações de pessoas singulares ou colectivas que visam aumentar a rentabilidade das empresas pertencentes às entidades agrupadas.  Pessoas colectivas públicas: são dotadas de personalidade jurídica. não visando o lucro do conjunto do agrupamento em si próprio mas o lucro de cada uma das empresas associadas. já que cada um só é responsável até ao montante da sua quota. Sociedades por quotas: só o património social responde perante os credores pelas dívidas da sociedade. c. aplicando-se subsidiariamente o regime das sociedades anónimas se houver pelo menos 5 sócios comanditários. sociedades de advogados  têm um regime especial. Sociedades civis sob forma comercial: têm exclusivamente por objecto a prática de actos não comerciais. mas sim as referentes ao contrato de sociedade  980º ss.com/index. no artigo 157º e 188º apenas se atribui personalidade jurídica às fundações cujo fim for de interesse social. Sociedades de direito especial: podem ser de tipo comercial.

no plano cronológico.html primariamente fins de interesse público e que por isso mesmo disfrutam em maior ou menor extensão de ius imperi. assim.com/index. há que ter em conta: a) acto de constituição – 167º/1 . b) os estatutos – 167º/2.atspace.lei nº 260/76 de 8 de Abril. Quanto à forma – o acto constitutivo. Em caso de inobservância desta exigência a sanção é a nulidade por falta de forma  220º. Além disso o acto de constituição e os estatutos devem ser publicados no jornal oficial sob pena de ineficácia em relação a terceiros. embora em alguns dos seus aspectos sejam reguladas pelo direito privado. I-Formação do substracto e II. Há. asseguram actividades que interessam fundamentalmente à defesa nacional ou exercem actividades em regime de monopólio. Regiões autónomas e autarquias locais. Quanto ao seu reconhecimento o código de 1966 no seu artigo 158º. a) Pessoas colectivas de população e território: estão sujeitas ao seu poder toda a população de um certo espaço territorial.Constituição das associações: a. c) Empresas públicas e nacionalizadas: são expressamente equiparadas pelo legislador às empresas públicas pelo decreto . Vão desaparecer. vejam-se os artigos 705º/a.  Constituição em concreto das pessoas colectivas privadas: 1. O acto de constituição em regra. bem como as suas alterações – artigo 168º/2 e 3. sendo caso disso. ou seja.b.http://apontamentosdireito. 738º e 744º. no entanto. cujos interesses cabe a ela promover exemplo. do poder de autoridade pública ou de direitos de poder público. d) Empresas públicas de regime especial: exploram serviços públicos. cabendo oficiosamente ao notário remeter o respectivo extracto para publicação. havendo. Estas pessoas colectivas detêm privilégios especiais. Têm um regime particular das relações de trabalho. é simultâneo. um controlo administrativo da constituição das associações. b) Serviços públicos personalizados ou institutos públicos: existem institutos públicos de tipo fundacional como por exemplo: parque natural da Peneda Geres e existem institutos públicos de tipo associativo como por exemplo Universidades públicas. na sua redacção primitiva estabelecia o reconhecimento por concessão. Subordinam-se à jurisdição dos tribunais administrativos. os estatutos e as suas alterações devem constar de escritura pública – art. com os estatutos. Têm um regime tributário específico com plenas isenções fiscais. primeiro o decretolei 594/74 que afirma o direito à livre associação e estabelece o 64 . nomeadamente a possibilidade de por via normativa ou através de autoridade directa emitir comandos vinculativos executáveis pela força. Estado Português. uma distinção no plano lógico porque o acto constitutivo tem uma maior importância embora esteja compreendido nos estatutos. contra a vontade dos que se lhe sujeitam.reconhecimento. bem como à autoridade administrativa e ao MP a constituição e estatutos. 168º/1.

se os executores os não lavrarem dentro de um ano posterior à abertura da sucessão (187º).http://apontamentosdireito. 2301º direito de acrescer entre herdeiros. A sua actuação nada tem de discricionário. como resulta da redacção actual do artigo 158. devendo apenas respeitar os requisitos legais. Ao contrário. quando a fundação é instituída por acto inter vivos só se torna irrevogável quando o reconhecimento é requerido ou principia o reconhecimento oficioso (185º/3). Até ao momento em que é requerido o reconhecimento ou principie o processo oficioso o fundador pode revogar a disposição. Já serão discricionários os poderes no que toca ao reconhecimento das fundações do artigo 188º . Requisitos a observar para se erigir a fundação: a. Este acto quando contido num testamento é livremente revogável até ao momento da morte do testador (2311) mas torna-se irrevogável quando o testador faleça (185º/4). No que diz respeito à formação do substrato as fundações podem ser instituídas por acto intervivos ou por testamento – 185º/1.atspace. c. aplicam-se as normas do legado – exemplo.html reconhecimento normativo. uma herança são aplicadas as normas da instituição de herdeiro exemplo artigo 2068º (responsabilidade pelas dividas do falecido). No caso de instituição por acto inter vivos falamos de um negócio jurídico unilateral de natureza gratuita e não de doação. Na falta de estatutos lavrados pelo instituidor ou na insuficiência deles.com/index. Se diversamente se atribuírem à fundação apenas bens ou valores determinados. 2. b) tal como no caso de insuficiência do património afectado à fundação (188º/2 e 3). incumbindo a sua elaboração à própria autoridade competente para o reconhecimento. um legado. 2277º. Hoje o reconhecimento é feito ex lege. Se os bens destinados à fundação consistem na totalidade ou numa quota do património do falecido. a partir daí 65 . como sejam os da verificação se o seu fim está de acordo com o artigo 280º. devem os herdeiros ou executores testamentários requerer o reconhecimento que pode ser oficiosamente promovido pela autoridade competente (185º/2). depois a CRP de 1976 a afirmar esse mesmo direito. Se os estatutos foram formulados pelo testador. ou seja. Através da forma há em primeiro controle da legalidade feito pelo notário (artigo 190º/1/a do código do notariado) devendo este recusar violações dos artigos 167º e 280º evitando a posterior extinção judicial destas associações. nas fundações o reconhecimento é individual ou por concessão da competência da autoridade administrativa – artigo 158º/2. ou seja.Constituição das Fundações: diferentemente do que acontece com as associações. é a lei que atribui directamente a personalidade jurídica. b. A autoridade administrativa tem poderes vinculados à lei.a) se o fim da fundação não for considerado de interesse social o reconhecimento será negado (188/1). compete aos executores do testamento elabora-los ou completa-los.

Capacidade de gozo8 das pessoas colectivas: enquanto a capacidade de gozo das pessoas singulares é de carácter geral. b) relações jurídicas inseparáveis da personalidade singular (direitos derivados da vida humana como casamento ou filiação.com/index. concordata lei 4/71. Associações religiosas: através de acto de registo da participação escrita da sua constituição – lei 4/71. À primeira vista parecia estarem-lhe negados os direitos de personalidade. 160º/1  resulta do argumento a contrario a exclusão dos direitos e obrigações que não sejam necessários ou convenientes à prossecução dos seus fins. por exemplo). capacidade testamentaria activa – 2182º). 66 . ii.Constituição das pessoas colectivas eclesiásticas: a.atspace. no entanto elas podem ser titulares de pelo menos alguns.Constituição das sociedades: às sociedades não se lhes aplicam directamente as disposições do capítulo sobre as pessoas colectivas. mas sim as referentes ao contrato de sociedade  980º seguintes. ii. o direito à honra que pode-se desentranhar da tutela geral da personalidade  artigo 70º. Outras confissões: para adquirirem personalidade jurídica: i. Associações não religiosas: é aplicado o regime regra das pessoas colectivas presente no código civil. 8 (para não esquecer) Aptidão para ser titular de um circulo. 3. Da Igreja Católica: i.html não o poderá fazer. Associações religiosas: têm por fim principal a sustentação do culto. a das pessoas colectivas é uma capacidade jurídica específica  artigo 160º. ou por seu legitimo representante ao governador civil competente – 449º e 450º do código administrativo. Se entretanto o fundador morrer aplicar-se-á o artigo 185º/4. 160º/2.http://apontamentosdireito. caso do direito ao nome  artigo 72º. Quanto à publicidade é aplicável o regime das associações com o artigo 185º/5 a remeter para a parte final do artigo 168º (esta “parte final” é lapso do legislador já que o artigo antes da sua nova redacção tinha apenas um numero – os aplicáveis são o nº2 e 3º).estão excepcionados do âmbito da capacidade jurídica das pessoas colectivas : a) relações jurídicas vedadas por lei (ex. Associações não religiosas: criadas no âmbito de uma confissão religiosa mas têm um fim diferente – para adquirirem personalidade jurídica basta a participação escrita feita pelo Bispo da Diocese onde tiverem a sua sede. como resulta do artigo 185º/3. b. O reconhecimento das sociedades comerciais ou civis em forma comercial é o reconhecimento normativo condicionado através de escritura pública. 4. com mais ou menos restrições de relações jurídicas.

Normalmente não há responsabilidade civil extracontratual dos representados pelos actos dos seus representantes  o artigo 500º abrange um sector da representação: casos em que o procurador pode ser considerado um comissário. assim. os órgãos não são encarregados de nenhuma comissão. ou seja. contrario da relação orgânica que é intrasubjectiva). Se for um nexo de mera representação . privadas da capacidade para o exercício de direitos. ainda que essa proibição não seja total. Ora. Isto diz-nos Manuel de Andrade. Tal restrição não impede que as pessoas colectivas de fim desinteressado ou fim egoístico ideal possam praticar actos de natureza lucrativa. quando está sujeito a um seu poder de direcção. o artigo 165º estatui essa responsabilidade civil para as pessoas colectivas. Ora.com/index. estariam. mas são eles os formuladores da vontade da pessoa colectiva. já que a sociedade pode fazer doações remuneratórias a empregados e clientes – 941º e pode praticar donativos conformes aos usos sociais – 940º/2. Devemos seguir o primeiro critério. agindo o órgão é a própria PC que age. Ora. adequados ou convenientes ao fim que está previsto nos seus estatutos.atspace. Capacidade para o exercício de direitos das pessoas colectivas: à primeira vista as pessoas colectivas não têm essa capacidade. Se for um vinculo de verdadeira organicidade. Isto depende da natureza do vínculo entre a pessoa colectiva e as pessoas que procedem em seu nome e no seu interesse. o de um nexo de verdadeira organicidade. Outros autores são da opinião contrária. As pessoas colectivas têm capacidade testamentária passiva  2033º/2/b. os órgãos superiores (ex. Vemos isso pelo artigo 162º. não agindo por si mesmas.http://apontamentosdireito. devemos rejeitar a tese da capacidade para o exercício de direitos pois há autonomia entre as personalidades jurídica do representante e do representado (é uma relação intersubjectiva entre 2 sujeitos.  Responsabilidade civil das pessoas colectivas: 67 . daí que digamos que as pessoas colectivas tenham capacidade para o exercício de direitos. pois a relação entre um órgão e o ente em que se integra é de verdadeira identificação. teremos capacidade para o exercício de direitos. serão os actos necessários. Manuel de Andrade. pois ela consiste na aptidão para pôr em movimento a (esfera jurídica) capacidade jurídica por actividade própria sem necessidade de ser representado ou assistido por outrem. mas sobretudo pela responsabilidade civil extra – contratual da pessoas colectivas. as pessoas colectivas só podem agir por intermédio de certas pessoas físicas. Quanto à aceitação de doações podemos aplicar por analogia este mesmo artigo. em ordem a obter recursos para a prossecução dos seus fins. deriva ainda do principio da especialidade a incapacidade das sociedades comerciais fazerem doações. Isto defendem alguns autores.html O fim estatutário será a medida do âmbito da capacidade. assembleia geral) não estão numa relação de dependência. Isto só acontece quando está numa relação de dependência com o representado.

como tal deve suportar os riscos da sua actividade.atspace. é preciso que tenha havido culpa da pessoa física que praticou o acto ilícito.com/index. civil contratual das pessoas colectivas é necessário que o contrato donde emerge a obrigação infringida tenha sido celebrado por quem tinha poderes para vincular a pessoa colectiva em causa. Precisa que sobre o órgão. Vem enunciada no artigo 165º.Responsabilidade contratual: resulta da capacidade da pessoa colectiva contrair obrigações.Responsabilidade extracontratual: danos causados a terceiros fora de uma relação contratual entre o lesante e o lesado. Há resp. é preciso que a pessoa colectiva tenha encarregado outra pessoa de uma qualquer comissão. ou seja. Mas a responsabilidade civil mais comum nas pessoas colectivas é a responsabilidade civil objectiva ou pelo risco. segundo o principio ubi commoda ibi incommoda (onde estão as coisas cómodas aí estão as coisas incomodas). civil contratual 798º seguintes. remetendo-nos para o 800º. Para existir resp. ou seja.http://apontamentosdireito. 2. agentes ou mandatários que produzam a violação de uma obrigação em sentido técnico. contrato de trabalho)500º/1.html 1. Exige-se que o acto tenha causado danos e que os danos estejam em relação de causalidade adequada com o acto – 500º/1. Há a necessidade de culpa do órgão ou agente tanto nos casos de falta de cumprimento como nos de cumprimento defeituoso  799º/1. As pessoas colectivas respondem pelos actos dos seus órgãos. Mas b) c) 68 . Pressupostos da responsabilidade civil da pessoa colectiva: a) Precisa de haver uma comissão. agente ou mandatário no exercício da função que lhe foi confiada – 500º/2. Existe responsabilidade civil por facto ilícito culposo: em que os órgãos deliberativos violam direitos ou interesses legalmente protegidos de terceiros provocando-lhes em termos de causalidade adequada danos: exemplo – deliberação de uma empresa descarregar nas aguas de um rio poluentes que vão danificar culturas – a pessoa colectiva tem que indemnizar as pessoas cujos patrimónios danificou nos termos dos artigos 483º seguintes. Seria injustificável a exclusão dessa forma de responsabilidade. Embora entendase que basta um nexo de vinculação jurídica entre a pessoa colectiva e o agente (exemplo. O artigo 165º remete-nos para a responsabilidade dos comitentes por actos dos seus comissários que consta do artigo 500º. salvo se se tratarem de matérias em que se responde sem culpa ou ainda no caso excepcional de responsabilidade por intervenções licitas. civil nos termos gerais da resp. a pessoa colectiva emprega determinadas pessoas para vantagem própria. É preciso que o acto danoso tenha sido praticado pelo órgão. agente ou mandatário recaia a obrigação de indemnizar – artigo 500º/1. sendo prejudicial para a própria pessoa colectiva visto que ninguém queria contratar com ela.

desde que este tenha culpa no plano das relações internas (exemplo.http://apontamentosdireito. ou poderes que lhe foram confiados. Actos integrados no quadro geral da competência.com/index. b. podendo exigir o reembolso de tudo o que haja pago. o que acontece é que via da regra o lesado recorre à Pessoa Colectiva. mas em que a causa da fadiga se deve às instruções dadas pela entidade patronal para um trabalho sem o necessário repouso) 500º/3 (houve culpa da parte do comitente também!).  c) No caso de indefinição da culpa no plano interno é aplicada a parte final do artigo 497º/2 em que há presunção de igualdade nas culpas. outros. órgão ou mandatário fica também obrigado a indemnizar ao lado da pessoa colectiva. 69 . agente ou mandatário pode exercer acção de regresso contra a pessoa colectiva se não houve da sua parte qualquer culpa no plano das relações internas  497º/2.atspace. pode haver externamente mas não internamente como no caso do motorista que adormece e atropela outra pessoa. agente ou mandatário. mesmo que praticados tendo em vista interesses próprios e / ou com a intenção de lesar um terceiro – 500º/2. c. desde que esses mesmos actos tenham ou objectivos exclusivamente inerentes aos interesses da pessoa colectiva ou prossigam simultaneamente interesses pessoais e da pessoa colectiva. 500) ou solidária? (em que cada um deve os 1000 e o credor tanto se pode dirigir a um como o outro). Comportamentos causados pelas funções que lhe foram atribuídas. Mas será uma responsabilidade conjunta? ( a pessoa colectiva deve 500 por exemplo e o agente.html quando podemos considerar um acto como praticado no exercício de funções? a.  b) Também o órgão. Há um nexo de instrumentalidade entre o acto e a função e os poderes que o agente desfruta no exercício da sua competência. d. Estaremos no não exercício das funções quando se prosseguem exclusivamente interesses e objectivos pessoais do agente  nexo de mera ocasionalidade. Ainda nos casos em que o agente visa apensa interesses pessoais e integrado formalmente no quadro geral da sua competência se aproveita de uma aparência social que cria um estado de confiança (boa-fé) do lesado na licitude do comportamento do agente  teoria da aparência jurídica. Procedimentos levados a cabo pelo agente na qualidade de representante da pessoa colectiva. No que respeita a relações internas:  a) A Pessoa Colectiva que tiver satisfeito a indemnização tem direito de regresso contra o órgão. O agente.Trata-se de uma obrigação solidária aplicando-se o 497º ex vi do artigo 499º.

Sentido jurídico: tudo aquilo que pode ser objecto de relações jurídicas artigo 202º. uma casa é uma coisa. a) Objecto imediato: aquilo que directamente está submetido aos poderes ideais que integram um direito subjectivo. contrário do que antigamente se pensava com a escravatura. Possíveis objectos da relação jurídica: a) A própria pessoa.aptidão para satisfazer 70 . b) Objecto mediato: aquilo que só de uma forma mediata ou indirecta. ainda que não tenha existência real e presente. 2. Também não acontecerá a legitimação do suicídio ou automutilaçao visto que o artigo 81º diz que toda a limitação voluntária dos direitos de personalidade é nula se for contraria aos princípios da ordem pública. a própria coisa que deve ser entregue.possibilidade de apropriação exclusiva por alguém. exemplo é o acto de entrega da coisa – a prestação.existência autónoma ou separada: exemplo. através de um elemento mediador está submetido aqueles poderes.http://apontamentosdireito. como por exemplo os planetas ou então por falta de delimitação ou captura são aproveitados por todos os homens. No entanto a lei concretiza alguns direitos sobre certos aspectos da personalidade – arts. 70º ss.com/index. 3. b. não ferindo a sua dignidade. hoje. exemplo. ou seja. não são direitos de domínio ou soberania sobre a pessoa. Sentido físico: tudo o que tem existência corpórea (quad tanji potest) ou pelo menos é susceptível de ser captado pelos sentidos. como por exemplo a luz. ou seja. é o “quid” sobre que incidem os poderes do titular activo da relação jurídica (contrário de conteúdo que é o conjunto de poderes ou faculdades que o direito subjectivo comporta). o poder paternal e o poder tutelar) incidem directamente sobre a pessoa do filho ou do pupilo.html  O Objecto da Relação Jurídica: Generalidades: o objecto é aquilo sobre que incidem os poderes do titular do direito. não sendo coisas os bens que escapam ao domínio do homem. b) A pessoa de outrém – falamos aqui. não de direitos subjectivos mas de poderes-deveres (exemplo. c) Coisas: a. pelo contrário visando o seu beneficio. Sentido filosófico: tudo o que pode ser pensado.atspace. c. certas manifestações ou modos de ser físicos ou morais da pessoa. o certo é que têm de apresentar as seguintes características: 1. iura in se ipsum – direitos sobre a própria pessoa. isto é. Esta definição será pouco exacta. não o sendo cada uma das suas paredes. Autores criticam do ponto de vista lógico (já que levaria a distinguir no homem duas pessoas: uma sujeito e outra objecto dos seus direitos de personalidade) e do ponto de vista moral (legitimaria o suicídio ou a automutilação) este possível objecto.

c) Coisas móveis e imóveis: artigo 204º . exemplo direitos de autor e propriedade industrial (marcas. podem ser tocadas.atspace. É esta a noção que se refere o artigo 2030º/2 . ou seja. Bens imateriais: podem ser objecto de propriedade intelectual. b. chamados passivos.http://apontamentosdireito. relações jurídicas susceptíveis de avaliação pecuniária que pode resultar: a) Valor de troca: este é alienável mediante uma contraprestação.com/index. Direitos enquanto objecto de outros direitos: são também coisas incorpóreas. (ver a definição de frutos – artigo 212º e de benfeitorias – artigo 216º) Património: Património global: conjunto de relações jurídicas activas e passivas (direitos e obrigações) avaliáveis em dinheiro de que uma pessoa é titular. Classificação das coisas: Coisas no comercio e fora do comercio a) o artigo 202º/2 considera fora do comércio as coisas insusceptíveis de serem objecto de direitos privados como: a) as coisas que se encontrem no domínio publico – artigo 84º CRP. É 71 . o interesse de saber se são corpóreas reside no artigo 1302º. Incorpóreas: existem dois tipos: i. b) são por natureza insusceptíveis de apropriação individual – exemplo ar atmosférico.o código civil enumera um conjunto de coisas que são taxativamente imóveis e no artigo 205º diz que as restantes são móveis.html interesses ou necessidades humanas daí que uma gota de água ou um grão de areia não sejam coisas. Património activo: abrange apenas os direitos patrimoniais ou seja. exemplo – penhor de direitos e o trespasse de um estabelecimento comercial ou industrial – artigo 115º do RAU. b) Coisas corpóreas e incorpóreas: a. Corpóreas ou materiais: têm existência física. patentes) ambos sujeitos a legislação especial – 1303º. b) Valor de uso: o direito embora não permutável proporciona o gozo de um bem que só se obtém mediante uma despesa (exemplo um bilhete para um espectáculo). # Contrário – esfera jurídica – totalidade das relações jurídicas de que uma pessoa é sujeito – património mais direitos e obrigações não avaliáveis em dinheiro. podem ser apreendidas pelos sentidos. ii. os activos que não os deveres e obrigações patrimoniais.

ou seja. Características da plena autonomia patrimonial: a) Tanto no caso de aceitação a beneficio do inventario (2071º/1) como se no caso de aceitação pura e simples (2071º2) o herdeiro não responde pelas dividas da herança para além das forças dos bens herdados. não responde ultra vires hereditatis. Patrimónios conjuntos: estamos perante um único património pertencendo a vários sujeitos: A) Património colectivo: figura de raiz Germânica. Mas qual o critério do reconhecimento da autonomia ou separação de património? O critério preferível é o da responsabilidade por dívidas.html esta a noção de património a que o artigo 225º?? Alude quando fala de fazenda (:. globalmente. Património autónomo ou separado será o que responde por dívidas próprias. este valor deve substituir-se ao primeiro bem tomando o seu lugar no património autónomo.atspace. trata-se da mesma massa patrimonial que pertence em bloco.) Património liquido: trata-se da saldo patrimonial: relações jurídicas activas ou direitos – relações jurídicas passíveis ou obrigações. adquirindo-se outro valor. (activos – passivos) Património autónomo: conjunto circunscrito de relações patrimoniais sujeito a um regime jurídico particular. Temos então 2 reflexos: a) património autónomo – só responde por certas dividas e não responde por outras. instituição da substituição de uma coisa que se perdeu por força de um acto ou facto jurídico que simultaneamente implicou a aquisição de um valor ou pondo esse novo valor o lugar do anterior como novo objecto da mesma relação jurídica que já existia.com/index. fazendo as suas vezes.. O caso mais nítido de património autónomo no direito privado Português é o da herança – é o conjunto das relações jurídicas patrimoniais que. Sendo que o ónus da prova de insuficiência do activo hereditário cabe ao herdeiro e não aos credores na aceitação pura e simples (2071º/2) e o ónus da prova da existência de mais bens além dos inventariados cabe aos credores na aceitação a beneficio de inventario (2071º/1)  só a herança responde pelas suas dividas e não os herdeiros. pelas dividas da herança e não por outras dividas (2070º) Se um bem desse património autónomo se perde. a um conjunto de pessoas sem possibilidade de cada uma dessas pessoas alienar um quota ou fracção desse património ou 72 . um mesmo sujeito é titular de um património global e de um património autónomo. por força da morte de um individuo. b) por aquelas dívidas só o património autónomo responde não afectando o património geral do seu titular. ou seja.http://apontamentosdireito. passam da titularidade deste para os herdeiros e legatários. em principio. isto é só responde e responde só ele por certas dívidas. A isto se chama sub-rogação real . b) A herança só responde.

que o comproprietário não seja obrigado a permanecer na indivisão . em que cada proprietário tem direito a uma quota ideal ou fracção do objecto comum – 1403º/2. exemplo testamento ou contrato. um convite para um passeio). A compropriedade ou propriedade comum: figura de raiz Romanística. com a extinção do casamento ou através da separação de bens entre os cônjuges. produtor de efeitos jurídicos / contrario de factos ajuridicos que são factos da vida real irrelevantes ou indiferentes ao qual a ordem jurídica não liga quaisquer consequências (exemplo. Daí. refira-se que a menção mencionada no 1969º só é possível de execução quando se processa à extinção da comunhão conjugal. Trata-se de uma comunhão por quotas ideias.html B) requerer a divisão enquanto não terminar a causa geradora do surgimento do património colectivo. Quanto às dívidas da responsabilidade de ambos os conjugues temos o artigo 1695º. ou porque resultam de causas de ordem natural (exemplo. # O facto jurídico: Noção: é todo o acto humano ou acontecimento natural juridicamente relevante.atspace. 73 . O BGB chama-lhe “Bruchteilegemeinschaf” (comunhão segundo quotas). podendo exigir a divisão da coisa comum – 1412º.com/index. também. O BGB chama-lhe “Gemeirsahaft zur gesanten tand”. Nos artigos 1682º e 1681º . morte natural de um animal) ou porque a sua eventual voluntariedade não tem qualquer relevância jurídica (exemplo o nascimento). Daí que ao contrário do património colectivo. quer a comunhão de adquiridos). quanto à responsabilidade de dívidas de um dos cônjuges temos 1696º. o património colectivo é. determinado por uma causa ou fim. Factos jurídicos involuntários ou naturais: são estranhos a qualquer processo volitivo.A temos a necessidade de consentimento dos cônjuges na alienação ou oneração de bens móveis e imóveis de forma a garantir a estabilidade no casamento. o comproprietário possa dispor de toda a sua quota na comunhão ou de parte dela – 1408º. A forma que se conhece no nosso direito de um património colectivo é o da comunhão conjugal (quer a comunhão geral de bens. ou seja. quando duas ou mais pessoas são simultaneamente titulares do direito de propriedade sobre a mesma coisa – 1403º/1. assim. Classificação dos factos jurídicos: a) Factos jurídicos voluntários e involuntários: factos jurídicos voluntários ou actos jurídicos são os factos jurídicos resultantes da manifestação ou actuação da vontade humana enquanto elemento juridicamente relevante.http://apontamentosdireito.

atspace. visto que o ilícito contratual existe tanto quando não se cumpre uma obrigação resultante de um contrato. 74 . Negócios jurídicos: são factos voluntários cujo núcleo essencial é integrado por uma ou mais declarações de vontade tendentes a produzir determinados efeitos jurídicos que coincidem ou tendencialmente coincidem com a vontade das partes os efeitos dos negócios jurídicos produzem-se ex voluntate exemplo. Os efeitos dos simples actos jurídicos produzem-se ex lege. Também são designados por actos materiais. contratos. Quase – delitos  é praticado com negligência.http://apontamentosdireito. estabelecimento do domicilio – 82ºss. Exemplo: ocupação de animais bravos (caça e pesca)ou de animais e coisas moveis perdidas – 1318º. com intenção de provocar esse resultado. Ilícito negocial: resulta da violação da parte de um devedor de uma obrigação. Porquê ilícito negocial ou extranegocial e não contratual ou extracontratual? É mais rigoroso desta forma. Operações jurídicas: traduzem-se na efectivação ou realização de um resultado material ou factual a que a lei liga determinados efeitos jurídicos. embora muitas vezes haja concordância entre a vontade destes e os referidos efeitos. Delito é praticado com dolo. com omissão de um dever de cuidado ou diligencia. interpelação do devedor – 805º/1. Factos ilícitos negociais e extranegociais: falamos de ilícitos civis: violam interesses particulares / contrário de ilícitos penais que violam interesses gerais da comunidade. como da violação resultante de um negócio unilateral. Factos jurídicos ilícitos: facto contrário à ordem jurídica e por ela reprovados e sancionados. Quase-negócios jurídicos ou actos jurídicos quase negociais: traduzem-se na manifestação exterior de uma vontade (exemplo. interpelação do devedor – 805º/1. Quase negócios jurídicos e operações jurídicas: distinção feita dentro dos simples actos jurídicos. Actos jurídicos: são factos voluntários cujos efeitos se produzem mesmo que não tenham sido previstos ou queridos pelos seus autores.com/index. Bastante importante saber para efeitos da responsabilidade civil  artigo 494º.html b) c) d) e) f) Factos jurídicos lícitos e ilícitos: trata-se de uma classificação dos factos jurídicos voluntários ou actos jurídicos. Ilícito extranegocial: resulta da violação de um dever geral de abstenção que se impunha perante um direito absoluto. factos jurídicos lícitos: facto conforme a ordem jurídica e por ela tutelado ou garantido. ou seja. exemplo. ocupação de animais bravios – 1318º. Negócios jurídicos e simples actos jurídicos: estamos no domínio dos factos jurídicos voluntários. ou seja. Delitos e quase-delitos civis: delito é o mesmo que acto ilícito. actos reais (“realakten”) ou actos exteriores. perante um certo credor resultante normalmente de um contrato.

Exemplo: usucapião  1287º seguintes. aquisição derivada translativa. mas apenas dele. o direito que se adquire é menos extenso que o direito anterior. (3) objecto ou área de incidência (imagine-se que o alienante era apenas comproprietário. não dependendo da existência ou da extensão de um direito anterior.html Efeitos dos factos jurídicos: os factos jurídicos desencadeiam determinados efeitos que consistem que consistem fundamentalmente numa aquisição. Aquisição de direitos: pensamos no lado activo da relação jurídica. quando esse direito se a liga a esse sujeito. O direito que se adquire é o mesmo que estava na esfera jurídica do transmitente (compra e venda. Aquisição de direitos e constituição de direitos são duas coisas diferentes. exemplo. constitutiva e restitutiva: Translativa: o direito que se adquire tem exactamente o mesmo conteúdo ou extensão do direito anterior. c) Modalidades de aquisição derivada: translativa. Constitutiva: o direito que se adquire tem um conteúdo ou extensão inferior ao direito anterior. 75 . que poderá até não existir. o proprietário de um prédio constituir um usufruto a favor de outrem.atspace. visto não haverem direitos sem sujeito.http://apontamentosdireito. Aquisição originária: aquisição em que o direito que se adquire depende apenas do facto aquisitivo (facto jurídico que o fez nascer). Mas nem toda a aquisição envolve a constituição de direitos exemplo. no caso de caça e pesca 1319º nem sequer há um direito anterior e em todos eles o direito do adquirente não foi adquirido por causa do direito anterior. só poderá transferir essa fracção. Constituição de direitos: é o aparecimento de um direito pela primeira vez na ordem jurídica.com/index. como tal não pode ter um objecto mais vasto do que o direito anterior). tendo apenas uma fracção. é a criação de um direito que não existia anteriormente. (2) conteúdo (se na compra e venda o vendedor tinha um direito mas apenas o de usufruto este não pode transferir um direito mais amplo que não tem. b) Aquisição originária e aquisição derivada: Aquisição derivada: aquisição em que o direito que se adquire depende não só do facto aquisitivo mas também do direito anterior. por exemplo). Toda a constituição implica a sua aquisição. Diz-se que o sujeito adquire um direito. Existe uma tripla dependência  (1) existência (o direito tem de existir). Exemplo. aquisição de propriedade através do contrato de compra e venda. a) Noçao: é a ligação de um direito a um determinado sujeito. modificação ou extinção de relações jurídicas. ocupação de coisas moveis  1318º seguintes.

com/index. Logo se A vende a B uma coisa da qual não era proprietário esse acto é nulo com fundamento legal no artigo 892º e ss  venda de coisa alheia. enquanto a aquisição rigorosamente só diz respeito a direitos. É esta a regra fundamental da aquisição derivada. As dívidas não se adquirem. Podemos utilizar sucessão num sentido amplo (tanto mortis causa como intervivos) e aí o titular anterior do direito designa-se por autor. situações em que o adquirente pode obter um direito que não pertencia ao transmitente ou é mais amplo do que aquele que pertencia a esse mesmo transmitente. No entanto. este principio comporta excepções. f)Importância da distinção entre aquisição derivada e aquisição originária: enquanto que na aquisição originária a extensão do direito adquirido depende apenas do facto ou titulo aquisitivo. antecessor ou causante e o adquirente por sucessor ou causado. como às dívidas.html Restitutiva: o titular de um direito real limitado demite-se dele. num sentido amplo pode-se utilizar a expressão transmissão de direitos para qualquer forma de aquisição derivada. mas sim assumem-se daí a epigrafe do artigo 595º.atspace. coincide apenas com a aquisição derivada translativa. exemplo. No entanto. a destruição de um usufruto. O nosso registo predial é: 76 . e) A transmissão de direitos: A transmissão de direitos equivale à aquisição derivada translativa. a) Instituto do registo predial e registos similares: as pessoas devem inscrever. restituindo-se o direito à sua plenitude inicial. A transmissão. tal como a sucessão refere-se tanto aos direitos. não podendo este transmitir mais direitos do que os que tem. com o fim de lhes dar publicidade os diversos actos inerentes a bens imóveis e outros bens indicados. na aquisição derivada a extensão do direito do adquirente depende do conteúdo do facto aquisitivo e depende ainda da amplitude do direito do transmitente. deixando de estar comprimido. d) Distinção entre aquisição derivada e sucessão: Sucessão: é o subingresso de alguém num direito de outrém. retoma a dimensão inicial. segundo a velha máxima nemo pluris iuris in alium transferre potest quam ipse habet (ninguém pode transferir para outrem mais direitos de que o próprio tem). designando apenas a sucessão mortis causa aí o autor da sucessão é designado por hereditando ou de cuius e os sucessores ou causados por herdeiro ou legatário conforme sucedam na totalidade ou numa quota do património ou em bens ou valores determinados. passando a ser um direito de propriedade pleno novamente. ou seja.http://apontamentosdireito. Mas frequentemente utiliza-se sucessão num sentido estrito. Quando falamos em sucessão referimo-nos aos direitos e também às dívidas.

2Efeitos laterais do registo: todos os previstos na lei independentemente dos outros dois efeitos (ex.html i. A aquisição sem registo não deixa de ser válida e enquanto não há registo prevalece inteiramente a primeira aquisição de acordo com a regra prior in tempore. É a chamada estrutura da aquisição triangular. Algo que permanece até aos nossos dias. Mas quem são os terceiros para efeitos de registo predial? Trata-se de uma noção que até aos anos 60 era bastante pacifica na nossa jurisprudência e na nossa doutrina. É facultativo: a sua inobservância não é uma infracção de um dever.http://apontamentosdireito. Quem não fosse o proprietário segundo 77 . e não da aquisição do direito sobre o bem. ii. há uma excepção ao princípio do nemo plus iuris. e o regista. É declarativo. A--------------B C Assim. mas que se viu a partir desses mesmos anos (60) bastante conturbada. Um registo de aquisições (não de pessoas como é o caso do registo civil). já que apenas poderá haver um proprietário.com/index. iii. estes efeitos não se poderão opôr a terceiros quando não haja tal aquisição sido registada (“os factos sujeitos a registo só produzem efeitos contra terceiros depois da data do registo”). Assim. Escola de Coimbra. defendida por Manuel de Andrade. aplica-se a regra da prioridade do registo. Do registo decorrem três tipos de efeitos: 1Efeito imediato ou automático do registo: é a presunção de titularidade do direito. potior in iure. embora a aquisição produza efeitos inter partes. embora A já não seja proprietário do bem. é mera condição de eficácia da aquisição e não condição da sua validade como acontece com os registos constitutivos caso do Alemão. se verifica uma situação de aquisição a non domino (aquisição de um bem que já não era titulado por A) – logo. não se aplica a regra da prioridade ou prevalência da transmissão mas a regra da prioridade do registo. 291º) 3Efeito central do registo: artigo 4º. art.atspace. Mota Pinto e Orlando de Carvalho diz que terceiros para efeitos de registo são os que do mesmo autor ou transmitente adquirem sobre o mesmo bem direitos total ou parcialmente incompatíveis ou conflituantes. se B adquire um bem sujeito a registo mas não o regista e C adquire o mesmo bem (sendo C terceiro para efeitos de registo). mas apenas a inobservância de um simples ónus do adquirente. só fugindo a isto a constituição de hipoteca em que o registo é constitutivo e como tal condição de validade. quanto aos bens sujeitos a registo. de modo que. 5º e 6º do código de registo predial  enquanto não for registado.

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a regra do nemus pluris iuris nada podia transmitir e como tal quem com ele contratou nada poderá obter. Pois quem adquiriu a domino, ainda que não tenha registado é sempre preferido a quem adquire a non domino. Pressupõe-se, assim, que o transmitente é o mesmo, segundo este esquema.

A

B (nr)

C (r) Fora isto, nada mais se exige para a inoponibilidade a terceiros, nem se a aquisição é intervivos ou mortis causa, nem se a aquisição é gratuita ou onerosa, nem se o registo é feito com o conhecimento de aquisição conflituante não inscrita ou com o desconhecimento da mesma. A posição da Escola de Lisboa defendida por Oliveira Ascensão e por Meneses Cordeiro é mais restritiva. Para estes, terceiros para efeitos de registo são apenas os que adquirem a título oneroso e de boa fé, ou seja, com o desconhecimento da aquisição conflituante. Doutor Orlando de Carvalho e Doutor Mota Pinto consideram esta restrição inadmissível e subversiva da função do registo e a segurança que o mesmo trás ao tráfego jurídico. No que diz respeito à boa fé e defendido que tal traria o caos à segurança que se pretende no comércio jurídico, trazendo ao adquirente delongas, incertezas e gastos tendentes a provar que desconhecia uma alienação anterior. Má fé psicológica que é algo, muito difícil de provar. No que diz respeito à onerosidade da aquisição o Doutor Orlando de Carvalho diz-nos que não tem aqui qualquer sentido pois não tem qualquer relevo no quadro da oponibilidade dos direitos. No que diz respeito à jurisprudência acerca deste assunto nos tempos mais próximos, o acórdão de fixação de jurisprudência de 15/ 97 de 4 Julho do STJ veio sustentar a posição de Coimbra, no entanto o acórdão de 8/99 de 10 Julho modificou as coisas e consolidou a posição da escola de Lisboa com a exigência da boa-fé.

b)

Regra geral da protecção de terceiros contra qualquer invalidade (nulidades e anulabilidades) artigo 291º  este artigo estabelece um regime de inoponibilidade da nulidade e anulação de negócios jurídicos anteriores com base nos seguintes pressupostos cumulativos: i. Estejam em causa bens imóveis ou bens móveis sujeitos a registo; ii. Onerosidade da aquisição; iii. Ser terceiro, são terceiros aqueles que inseridos numa mesma cadeia de transmissões linear e sucessiva, vêm a sua aquisição afectada por um vício de um negócio precedente (não pode haver invalidade própria);

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c)

iv. Haja boa fé, sendo a boa fé determinada no nº3 do artigo 291º, como ignorância não culposa das causas de invalidade dos actos anteriores à aquisição do direito pelo terceiro, ou seja, tem de haver um desconhecimento efectivo no momento da sua aquisição; v. Ser um negócio nulo ou anulável – só funciona contra causas de invalidade; vi. A aquisição ter de ser registada antes do registo da acção  efeitos laterais do registo; vii. A posição do terceiro só se consolida após 3 anos (espécie de quarentena) do decurso do negócio inválido 291º/2 (se for numa cadeia9 conta o ultimo negocio invalido) Embora no caso da anulabilidade há sanção pelo decurso do tempo 287º/1. Regra especial de protecção de terceiros contra nulidade decorrente de simulação  artigo 243º, como resulta do artigo 240º os negócios simulados são nulos. No entanto o artigo 243º/1 vem estabelecer um regime de inoponibilidade desta nulidade com base numa simulação, desde que se preencham dois requisitos cumulativos: a. Ser terceiro. Inicialmente o Doutor Orlando de Carvalho defendia a mesma definição de terceiros do artigo 291º. Autores da Escola de Coimbra como o Doutor Manuel de Andrade e como Doutor Mota Pinto defendiam que terceiros não seriam apenas os defendidos por Orlando de Carvalho, mas todos os que vissem a sua posição jurídica afectada pela simulação (a que não sejam os próprios simuladores ou os herdeiros após a morte). O Doutor Orlando de Carvalho, nos últimos escritos, antes da sua morte parece ter evoluído para esta concepção de terceiros para efeitos do artigo 241º defendida pelos restantes autores da Escola de Coimbra; b. Esteja de boa fé  o artigo 243º/2 , este só fala em ignorância da simulação e não em desconhecimento sem culpa como vem no artigo 291º/3, ou seja, haverá boa fé, ainda que com culpa do terceiro, ou seja, se houver possibilidade de ele conhecer. Aqui a má fé superveniente não releva pois o momento considerado é o da aquisição dos direitos 243º/2. Embora se considere sempre má fé a aquisição por parte de terceiro após o registo da acção de simulação  243º/3.

ANEXO: Coloca-se o problema de se saber se a simulação é inoponivel só aos terceiros de boa fé prejudicados com a invalidação do negócio, ou seja, aos que
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No caso: A (vicio)  B (vicio)  C D(boa fé) E (má fé). Orlando de Carvalho entende que se na cadeia um dos adquirentes estivesse protegido os seus sucessivos adquirentes também o estavam, beneficiando derivadamente da protecção  protecção intercorrente de terceiros na cadeia. Dr. Pinto Monteiro tem grandes dúvidas, sobretudo quando o ulterior adquirente está de má fé beneficiando de um mecanismo alheio, apesar da sua convicção psicológica contraria à lei.

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com isso sofriam uma perda, ou também aos terceiros que deixam de lucrar com a invalidação do negócio. Corrente mais ampla defendida por Pires de Lima, Antunes Varela, Castro Mendes, Vaz Serra, dizem que terceiros são também os que deixam de lucrar com a invalidação do negócio. Baseiam-se na letra da lei, visto que o artigo 243º/1 nada diz e num elemento histórico visto o anteprojecto conter essa restrição e o texto definitivo nada dizer. Corrente mais restritiva defendida por Mota Pinto, Manuel de Andrade diz que será apenas inoponivel aos terceiros que, com a invalidação do negócio sofram prejuízos. Invocam para isso o elemento racional, atendendo ao fim do artigo 243º (que é de proteger a confiança de terceiros) optam por uma solução mais justa que será a de impedir a invocação da simulação que causa prejuízos e já não a que origina vantagens ou lucros (exemplo, no caso de uma venda por 100 em que se declarou simuladamente 30, não pode invocar a sua qualidade de terceiro de boa fé para preferir pelo preço declarado é-lhe oponível a nulidade ,sendo admitido a preferir pelo preço real. (ver melhor isto) Modificações de direitos: Noção: tem lugar quando alterado ou mudado um elemento de um direito, permanece a identidade do referido direito apesar da alteração ocorrida. Esta perduração significa que o ordenamento jurídico continua a tratar o direito como se não tivesse existido uma alteração  o direito é o mesmo. Modalidades: Modificação subjectiva: 10 - há uma substituição dos sujeitos na titularidade do direito, permanecendo a identidade objectiva do direito. Há uma sucessão no direito. Exemplo, é o que acontece na cessão e na sub-rogação nos créditos – 577º ss e 589º ss; pode ainda resultar de uma multiplicação dos sujeitos por adjunção (um novo devedor assume a obrigação para com o credor mas o devedor anterior permanece vinculado); Modificação objectiva: há uma modificação no conteúdo ou no objecto do direito permanecendo o direito idêntico. Exemplo, modificação do conteúdo: concedido pelo credor uma prorrogação do prazo para o cumprimento. Modificação do objecto: o devedor não cumprindo culposamente a obrigação o seu dever de prestar é substituído por um dever de indemnizar. Extinção de direitos: Noção: tem lugar quando um direito deixa de existir na esfera jurídica de uma pessoa, extinção subjectiva ou perda de direitos: se o direito sobrevive em si,
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Por substituição: quando o sujeito activo se substitui outro; Multiplicação: a um sujeito activo se substituem vários; Concentração: a vários sujeitos activos sucede um único.

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Por seu turno a prescrição se interrompe pela citação ou notificação judicial  323º. embora o reconhecimento do direito contra quem deve ser exigido também impede a caducidade. Conceito e importância do negocio jurídico: a. Diferenças entre prescrição extintiva e caducidade: quando um direito deva ser exercido durante certo prazo aplicam-se as regras da caducidade. b) A caducidade é apreciada oficiosamente pelo tribunal  artigo 333º.atspace. enquanto que se admitem estipulações convencionais acerca da caducidade artigo 330º. em princípio. Enquanto que na caducidade não vem previstos na lei prazos normais. No entanto. prevendo a lei para certas hipóteses uma prescrição de cinco anos  art. d) A caducidade só é impedida. havendo prazos mais curtos para as chamadas prescrições presuntivas. existem prazos processuais. ou seja. não comporta causas de suspensão nem de interrupção artigo 328º. 319º. não podendo o tribunal oficiosamente supri-la  artigo 303º. Prescrição aquisitiva ou usucapião: ao contrario da prescrição extintiva aqui adquirem-se direitos reais.http://apontamentosdireito.html apenas mudando a pessoa do seu titular.com/index. a) A prescrição extintiva é inderrogável como resulta do artigo 300º. Conceito e elementos dos negócios jurídicos I. deixando de existir para o seu titular ou para qualquer outra pessoa. o direito extingiu-se para aquele sujeito mas subsiste na esfera jurídica de outrem. ao contrário da prescrição que se suspende e interrompe nos casos previstos na lei  318º ss e 323º ss. Negocio jurídico – facto voluntário. c) A caducidade. mas normalmente tem um carácter substantivo com amplitudes muito variáveis  exemplo. a justiça não lhe é estranha já que há a ponderação de uma inércia negligente do titular do direito em exercita-lo o que faz presumir uma renuncia ou pelo menos o torna indigno da certeza e segurança. em princípio. Tem a ver com objectivos de conveniência ou oportunidade social e mesmo de segurança e exigibilidade. licito. pela prática do acto  331. Acontece sempre que tem lugar a uma sucessão. art. enquanto que a prescrição tem de ser invocada. Extinção objectiva: se o direito desaparece. salvo se a lei se referir expressamente à prescrição – artigo 298º/2. a)Modalidades particulares da extinção de direitos:  Prescrição extintiva: extinção de um direito que pode não ser acompanhado pela aquisição correspondente. o artigo 1786º. exemplo a destruição do objecto do direito. 310. se fundam numa presunção do cumprimento. mais do que propriamente com objectivos de justiça. cujo conteúdo essencial e constituído por uma ou mais declarações de vontade dirigidas a 81 . e) O prazo ordinário da prescrição 20 anos.

empréstimo de honra). Quem realiza negócios jurídicos visa certos resultados práticos ou materiais e quere-os realizar por via jurídica. determinados.com/index. Critica: tal como esta doutrina define o negócio jurídico este não se distingue de outros actos que não são negócios jurídicos que se fiam na honorabilidade das partes. Só que aqui não há uma representação completa dos efeitos jurídicos correspondentes aquela vontade de efeitos práticos. ii. exemplo um convite para jantar. não bastando provarse que as partes não consideraram o ponto ou até não teriam querido aquele regime.atspace. A sua importância prende-se com o facto de ser o instrumento principal de realização do princípio da autonomia da vontade. Por falta de vontade de efeitos jurídicos há ainda que distinguir os negócios jurídicos dos chamados “gentlments agreement´s”  convenções sob matéria que é normalmente objecto de matéria de negócios jurídicos. Por falta de intenção de efeitos jurídicos temos de distinguir os negócios jurídicos dos chamados negócios de pura obsequiosidade. c. As normas supletivas só deixam de se aplicar quando uma vontade real contaria for manifestada. Teoria dos efeitos práticos: basta que a declaração se dirija a certos efeitos práticos ou empíricos sem carácter ilícito. Os próprios efeitos derivados de normas supletivas resultariam da tacita vontade das partes. pratica dos efeitos jurídicos imediatos e fundamentais. Se esta doutrina fosse verdade só os juristas completamente informados sobre o ordenamento poderiam celebrar negócios jurídicos. também uma vontade de efeitos jurídicos. Natureza jurídica – diz respeito à relação que deve existir entre a vontade dos seus autores e os efeitos produzidos pela ordem jurídica. Criticas: i. efeitos jurídicos concordantes. um dos princípios fundamentais do nosso direito civil. exacta e completa correspondência entre o conteúdo da vontade das partes e os efeitos jurídicos produzidos tais como a lei os determina. em geral em conformidade com a intenção manifestada pelo declarante ou declarantes.http://apontamentosdireito. Teoria dos efeitos jurídicos: deve haver. como tal. 82 . b. (exemplo. fazendo a lei corresponder a esses efeitos práticos. basta uma representação global. As partes dos vários negócios não tem uma ideia completa e exacta de todos os efeitos que o ordenamento jurídico atribui as suas declarações de vontade. não se dirigindo apenas a efeitos práticos. a. Teoria dos efeitos práticos jurídicos: trata-se do ponto de vista correcto.html realização de certos efeitos práticos com a intenção de os alcançar sob tutela do direito e em que o ordenamento jurídico atribui efeitos jurídicos correspondentes. Tem. mas que estão II.

exemplo um empréstimo de honra. exemplo locação artigo 1022º ss. dos sujeitos e do conteúdo. b) Vigora o princípio da tipicidade ou do numerus clausus.obrigação de proporcionar à outra parte o solo de cada coisa 2.Elementos dos negócios jurídicos: 1. Não é necessário que as partes configurem qualquer clausula para a produção destes efeitos. Falamos da capacidade das partes e da sua legitimidade. Unilaterais: há uma só declaração de vontade (exemplo. Características do regime dos negócios unilaterais: a) É desnecessária a anuência da contraparte. b.obrigação da outra parte pagar a correspondente retribuição (diferente do comodato). Elas não caracterizam o tipo negocial em abstracto mas tornam-se imprescindíveis para que o negócio concreto produza os efeitos a que elas tendem. Classificação dos negócios jurídicos: 1. no caso de intenção de efeitos jurídicos. Essenciais: podem ser aqueles relativos à existência do negócio jurídico. que considera essenciais os requisitos ou condições gerais de validade de qualquer negócio. procuração feita por duas pessoas a favor de um mesmo advogado). exemplo cláusula de juros. de conteúdo oposto mas convergente com a pretensão de um resultado jurídico unitário. Contratos ou negócios jurídicos bilaterais: há duas ou mais declarações de vontade. Há. testamento) ou varias declarações de vontade paralelas formando um só grupo (exemplo.http://apontamentosdireito. 2. 3. sendo apenas admitidos os negócios que estiverem especificamente previstos na lei artigo 457º. em que temos 1. Unilaterais e bilaterais: a. falamos da declaração.gozo esse que é temporário (diferente de compra e venda) 3. III. assim.atspace.com/index. a declaração de vontade sem vícios. sem os quais o mesmo não chegaria a ter existência material. Ainda. Podemos falar ainda de elementos essenciais no sentido dos elementos essenciais de cada negócio típico ou inominado. segundo a sistematização tradicional. A eficácia do negócio não careceu de concordância de outrem. Naturais: são os efeitos negociais derivados de disposições legais supletivas. 83 . Acidentais: são as cláusulas acessórias dos negócios jurídicos. exemplo artigo 885º. idoneidade do objecto jurídico  artigo 280º.html desprovidos. uma oferta ou proposta e a aceitação que se concilia num consenso. São as características próprias de cada modalidade negocial.

Dentro dos contratos há que distinguir entre:  Contratos unilaterais: geram obrigações apenas para uma parte (exemplo. mantendo-se durante os lapsos de tempo referidos no artigo 228º (diferente do código de 1867) em que a proposta era revogável. iii. Doutrina da recepção: o contrato está perfeito quando a resposta contendo a aceitação chega à esfera de acção do proponente. já que cada uma das declarações é emitida em vista do acordo.  Contratos bilaterais ou sinalagmáticos: geram obrigações para ambas as partes. embora o proponente que se retractasse incorresse em responsabilidade pré-contratual. iv. obrigações ligadas entre si por um nexo de causalidade ou correspectividade (exemplo.atspace. visto que o mesmo é integrado por duas declarações de vontade: i. Negócios jurídicos não recepticios – basta a emissão da declaração sem ser necessária comunica-la a quem quer que seja. b) A proposta de contrato é irrevogável depois de chegar ao conhecimento do destinatário artigo 230º. exemplo testamento. compra e venda).http://apontamentosdireito. c) Coloca-se o problema de saber qual o momento da sua perfeição. que resulta de lesão do interesse contratual negativo. responsabilidade essa ainda hoje admitida no artigo 227º. O artigo 224º vai consagrar no nosso direito a doutrina da recepção. Características do regime dos negócios bilaterais: a) Não se trata de dois negócios unilaterais. Doutrina da expedição: o contrato está perfeito quando o destinatário expediu por qualquer meio a sua aceitação. Doutrina da percepção: o contrato só está perfeito quando o proponente tomou conhecimento efectivo da aceitação. Doutrina da aceitação: o contrato está perfeito quando o destinatário da proposta declarou aceitar a oferta que lhe foi feita. ii. exemplo denuncia do arrendamento. doação). Importância: 84 . devendo-se colocar o lesado na situação em que estaria se não tem chegado a depositar uma confiança que foi frustrada na celebração de um contrato válido e eficaz). (É o chamado dano da confiança.html c) É importante distinguir entre negócios unilaterais receptícios – a declaração só é eficaz se for e quando for levada ao conhecimento de certa pessoa. artigo 1055º.com/index.

428º. . Nestes contratos não há excepção de não cumprimento do contrato e também não há condição resolutiva tácita. b) A faculdade de resolução com fundamento em impossibilidade de cumprimento ou mora existe nos contratos bilaterais (condição resolutiva tácita) 801º/2 e pode também ter lugar em alguns contratos unilaterais exemplo arts. surgindo eventualmente mais tarde obrigações para a outra parte. em virtude do cumprimento das primeiras e em dados termos. 85 . no entanto há uma restrição de poderes feita ao disponente.Inter vivos: destinam-se a produzir efeitos em vida das partes. as disposições a favor de um dos esposados feitas pelo outro ou por terceiro são negócios híbridos ou mistos já que têm características de negócio mortis causa já que só se verifica transferência de bens depois da morte.Nos negócios mortis causa há uma prevalência dos interesses do declarante sobre o interesse na protecção da confiança do declaratário. Negócios consensuais ou não solenes e negócios formais ou solenes: Formais ou solenes: aqueles para os quais a lei prescreve a necessidade de observância de determinada forma.http://apontamentosdireito. 1140º e 1150º.atspace. 2. sem o qual o negócio jurídico é invalido – artigo 220º. em principio nulas – artigo 946º como quaisquer outros pactos ou contratos sucessórios – 2028º/2. As disposições a favor de terceiros feitas pelos esposados são negócios mortis causa se o terceiro não interveio na convenção antenupcial – artigo 1704º e serão negócios híbridos se ele interveio como aceitante – artigo 1705º. trata-se da generalidade dos negócios jurídicos. Exemplo: mandato e o depósito gratuitos – artigo 1157º e ss e artigos 1185º e ss. Em relação a estes.com/index.html a) Só nos contratos bilaterais há excepção de não cumprimento do contrato.Mortis causa: destinam-se a produzir efeitos depois da morte do declarante ou depois da morte de alguma das partes (exemplo. nestes há inicialmente apenas obrigações para uma das partes. o acatamento de determinados formalismos ou de determinadas solenidades e. Negócios inter vivos e mortis causa: . algo que é típico dos negócios inter vivos – artigo 1701º. ao contrário dos negócios inter vivos em que há uma tutela das expectativas da parte que se encontra em face da declaração negocial. Estes são objecto de uma conversão legal em disposições testamentarias – 946º/2. As doações por morte são.O testamento é claramente um negócio mortis causa. Certos pactos sucessórios contidos em convenções antenupciais são válidos – artigo 1700º. Características: 1. testamento). Autores falam dos contratos bilaterais imperfeitos.

podendo ser realizado por qualquer comportamento (…). Negócios obrigacionais. 86 . modificada ou extinta pelo negócio jurídico. podendo os interessados celebrar ou não o negócio mas não podendo fixar-lhe livremente o conteúdo ou celebrar contratos diferentes dos previstos na lei: principio da tipicidade ou do numerous clausus (casamento.html Não solenes: aqueles em que a validade do negócio jurídico não está dependente de qualquer requisito formal. Nos negócios familiares pessoais: a liberdade contratual está praticamente excluída.http://apontamentosdireito. Forma: determinada figuração exterior permitida pela lei ou pela vontade comum das partes para a respectiva declaração de vontade. Nos negócios obrigacionais: é neste domínio em que mais se afirma o princípio da liberdade negocial quanto aos contratos. Nos negócios familiares patrimoniais: existe em maior escala a liberdade de convenção. Quanto nos casos excepcionais em que a lei prescrever uma certa forma e esta não for observada a declaração negocial é nula  artigo 220º.com/index. O principio geral do nosso código em matéria de formalismo negocial é o da liberdade declarativa ou liberdade de forma (artigo 219º). adopção). testamento). além das declarações de vontade das partes a prática anterior ou simultânea de um certo acto material de entrega de uma coisa como elemento da estrutura do negócio jurídico e não como efeito do contrato. exemplo o depósito ou o mútuo. Nos negócios reais o princípio da liberdade contratual sofre considerável limitação derivada do principio da tipicidade ou do numerous clausus – artigo 1306º. embora com algumas restrições (exemplo.atspace. Nos negócios sucessórios o princípio da liberdade contratual sofre importantes restrições resultantes de algumas normas imperativas (exemplo. reais. no que respeita aos negócios unilaterais vigora o princípio da tipicidade 457º. familiares e sucessórios: o critério desta classificação diz respeito à natureza da relação jurídica constituída. Modalidades: a) Documento autêntico – artigo 363º/2: exemplo venda de imóveis (875º) b) Documento autenticado – artigo 363º/3: em que há confirmação de determinado negócio jurídico através do notário c) Documento particular – artigo 363º/2 (2ª parte) : exemplo contrato promessa (artigo 410º/2) Negócios Reais quanto à constituição e quanto aos efeitos: São aqueles negócios em que se exige. convenções antenupciais).

ou seja.  Existem certas figuras negociais que se podem apresentar como onerosas ou gratuitas. É possível a existência de contratos unilaterais onerosos (exemplo. a doação e depósitos gratuitos. assim. mas entre uma prestação contemporânea (entrega do dinheiro para ser utilizado) e uma obrigação (a de restituir o capital e pagar os juros). 87 . Há também um predomínio da vontade real. exemplo – compra e venda. também para a protecção do terceiro adquirente de boa fé contra qualquer invalidade de negócio jurídico anterior. Patrimoniais: resulta a constituição. o chamado animus donandi ou animus beneficiandi exemplo. assim. é. cessão de créditos – 577º. com a intenção de proporcionar uma vantagem à outra parte. uma atribuição patrimonial que considera retribuída ou contrabalançada pela atribuição da contraparte. Neste domínio há o predomínio de normas imperativas. A outra parte age com a consciência e vontade de receber essa vantagem sem proporcionar um sacrifício correspondente. Não é necessário um equilíbrio das atribuições patrimoniais consideradas pelo seu valor objectivo. sem a pretensão de nenhum equivalente económico. Cada uma das partes faz. uma avaliação subjectiva. Actua-se. é que aqui a correspectividade não se estabelece entre duas obrigações.com/index.html Negócios patrimoniais e negócios pessoais: o critério desta classificação é também o da natureza da relação jurídica a que o negócio se refere. exemplo. Cada uma das atribuições é a contrapartida da outra. adopção. existindo. modificação ou extinção de relações jurídicas de carácter pessoal. exemplo. o que releva é a vontade ou intenção das partes. modificação ou extinção de relações jurídicas de carácter patrimonial. um nexo ou relação de correspectividade entre as atribuições patrimoniais. Pessoais: resulta a constituição. Aqui há o predomínio da vontade declarada sobre a vontade real. Negócios gratuitos ou a titulo gratuito: uma das partes tem a intenção de efectuar uma atribuição patrimonial a favor de outra sem contrapartida ou correspectivo. psicológica do declarante sobre a vontade declarada.atspace. avaliáveis em dinheiro. assim.etc) A distinção tem como critério o conteúdo e finalidade do negócio Negócios onerosos ou a titulo oneroso: pressupõe atribuições patrimoniais de ambas as partes. Há o predomínio do princípio da liberdade contratual. Negócios onerosos e negócios gratuitos: Importância da distinção: manifesta-se. mutuo oneroso – artigo 1145º. (artigo 291º.http://apontamentosdireito. de forma a tutelar a confiança do declaratário e também os interesses do trafico jurídico – artigo 236º/1. segundo a perspectiva destas. já que objectivamente elas podem não ser equivalentes por várias razões. casamento. por exemplo em matéria de impugnação pauliana (artigo 612º). como por exemplo o valor afectivo de um objecto ex: arrendamento : aluguer .

1937º e 1938º. c) Pode haver duas prestações certas na sua existência. No caso de limitação de poderes de alguém sobre o seu próprio património a lei considera deficiências físicas e 88 . no entanto quando lícitos são fonte de obrigações naturais – artigo 1245º.atspace. inabilitações). Por vezes a lei qualifica ela própria certos negócios jurídicos como actos de administração ordinária ou então de disposição. Exemplo. Outras vezes a lei concretiza. aos actos de mera administração ou de ordinária administração ex. mas uma delas incerta quanto ao momento da sua verificação e ao seu montante (ex. 1967º e ss. Negócios parciários: são uma subespécie dos negócios onerosos. Comutativos: cada uma das partes sabe que esperar do efeito do contrato. parceria pecuária – 1121º. ou de bens próprios e alheios. a um risco. No entanto. a uma sorte. nem constituem fontes de obrigações civis. 11 Assim. exceptuando-se as competições desportivas com relação às pessoas que nelas tomarem parte – 1246º e outras excepções previstas em legislação especial – artigo 1247º. artigos 1889º. no caso de administradores de bens alheios a lei atende à falta de interesse pessoal do administrador que o pode induzir a correr riscos que não correria se os bens fossem seus.http://apontamentosdireito. a determinação de quem a realizará (exemplo. de maior montante do que aquele (ex. Quando a lei não esclarece através de uma definição ou de uma enumeração quais os actos que integram uma dada categoria teremos de nos guiar pelos interesses que estão em jogo e o sentido das normas que espelham esses mesmos interesses11. Veja-se o caso do artigo 1024º em que a lei qualifica como acto de administração ordinária a locação num prazo inferior a 6 anos.com/index. fazendo uma enumeração de certos actos que são permitidos ou vedados ao administrador – exemplo. a lei muitas vezes restringe os poderes de certas pessoas a actos de ordinária administração sem qualquer especificações. aposta). Pode haver: a) Uma só prestação dependendo de um facto incerto.html Contratos comutativos e contratos aleatórios: trata-se de uma subdivisão dentro dos contratos onerosos. dar e recebe (…) Aleatórios: as partes submetem-se a uma álea. administração de bens – artigos 1922º. Os contratos de jogo e aposta não são contratos válidos. Negócios de mera administração e negócios de disposição Utilidade desta distinção: há uma restrição. Inabilitações – artigo 153º e 154º. b) Pode haver uma prestação certa e outra incerta. a uma possibilidade de ganhar ou perder. ou até de bens próprios (ex. por força da lei ou de sentença. seguro de vida). seguro de incêndio). Contrato pelo qual uma pessoa promete uma certa prestação em troca de uma participação nos proventos que a contraparte obtenha por força daquela prestação. dos poderes de gestão patrimonial dos administradores de bens alheios.

São. # Elementos essenciais do negócio jurídico: I.atspace. dirigida a manter o património e a aproveitar as suas virtualidades normais de desenvolvimento. São. actos de mera administração são os correspondentes a uma gestão concedida e limitada. Capacidade negocial de gozo: susceptibilidade de um sujeito jurídico ser titular de direitos e obrigações derivados de negócios jurídicos.com/index. desde que não sejam feitos com os rendimentos existentes da administração: como é o caso da abertura de um poço ou cercar o muro a um prédio rústico sem qualquer necessidade disso. não é acto de disposição o corte e venda de 20 pinheiros secos que nada estavam a fazer no pinhal). assim. actos de mera administração: a) Actos de conservação dos bens administrados: actos destinados a fazer quaisquer reparações necessárias nesses bens tentendes a evitar a sua deterioração ou destruição. Só o são as que afectam a substância dos bens (ex. 89 . mentais que implicam alta probabilidade de a pessoa concluir negócios muito prejudiciais para os seus próprios interesses. e) Doações: tratam-se de liberalidades de alienação sem contrapartida. que alteram a forma ou a composição desse capital administrado. No entanto. d) Onerações: trata-se da imposição de um ónus real sobre um determinado prédio (ex. actos destinados a prover ao cultivo de uma terra nos termos usuais ao seu arrendamento). São. nem todas as alienações onerosas são actos de disposição.http://apontamentosdireito.html Assim.Capacidade e legitimidade: são requisitos gerais de validade dos negócios jurídicos. com exclusão dos actos arriscados (que podem originar grandes lucros e também prejuízos elevados) que afectam a substancia dos bens. Constitui a regra geral e contrapõe-se-lhe a incapacidade negocial de gozo – proibição absoluta de titularidade de tais relações. constituição de uma servidão de passagem). que atingem a raiz dos bens. actos de disposição: a)Actos de frutificação anormal: como é o caso da transformação de um Pinhal em Vinha. assim. b) Actos tendentes a prover à frutificação normal: essa frutificação é a pelo modo habitual para os bens administrados (ex. assim. dirigida a certas pessoas – os incapazes. os actos que correspondem a uma actuação prudente. Actos de disposição são os actos que afectam a substância da património administrado. Gera. que assim se vêm impedidos de realizar determinados negócios jurídicos. b) Actos tendentes a prover ao melhoramento do património administrado. c) As alienações onerosas: actos que envolvem a transferência da propriedade para outrem (compra e venda. utrapassando os parâmetros de uma actuação prudente e comedida. troca).

Capacidade negocial de exercício: aptidão para celebrar. Neste sentido claramente o Doutor Mota Pinto.  Declaração negocial: é o comportamento de uma pessoa (por palavras escritas ou faladas ou até sinais) que segundo os usos da vida. de tal forma que o sujeito não pode afectar esse direito ou obrigação. daí que a nossa lei dê prioridade ao elemento objectivo – ao comportamento exteriorizado pelo declarante do que a sua vontade psicológica. conduzindo a sua falta à inexistência material do negócio. b) A vontade – elemento interno. O código civil regula a declaração negocial nos artigos 217º e ss. uma nulidade e é insuprível pela representação legal ou pela assistência. na realidade volitiva que normalmente existirá e coincidirá com o sentido objectivo da declaração.atspace. Gera.  Elementos constitutivos: a) A declaração propriamente dita: elemento externo. o revela e traduz sendo a vontade negocial: a intenção de realizar certos efeitos práticos com ânimo de que sejam juridicamente tutelados e vinculantes pela ordem jurídica. modificar ou extinguir negócios jurídicos. II. A função da declaração negocial consiste em exteriorizar a vontade psicológica do declarante e torná-la cognoscível para o declaratário. consiste no comportamento declarativo. mas num elemento exterior no comportamento declarativo.com/index. o Doutor Manuel Andrade e o Doutor Capelo de Sousa. por actividade própria ou através de um representante voluntário. A regra geral é a de que um maior de 18 anos tem capacidade de exercício. Esta vontade real pode decompor-se em três subelementos: 90 . Legitimidade: relação existente entre o sujeito e o objecto do negócio que justifica que o primeiro se ocupe juridicamente do objecto.html em regra. Dá-se aqui claramente um conceito objectivista de declaração negocial.Declaração negocial: A) Noções gerais: é um elemento integrante do negócio jurídico. cujo interesse a lei protege. em geral por ser titular dos interesses cuja modelação é visada pelo negócio. convenção dos interessados ou até de disposição legal apareça como destinado a exteriorizar um certo conteúdo de vontade negocial. uma anulabilidade e é suprível pelos institutos da representação ou assistência. Haverá ilegitimidade negocial: quando falta essa relação face ao objecto que é detida por terceiro. Ora. ou em todo o caso. consiste no querer concreto. hoje o direito civil coloca na sua primeira linha de protecção as expectativas dos declaratários e a segurança do comércio jurídico. contrapõe-se-lhe a incapacidade negocial de exercício: impedimento ou proibição não absoluto de realizar determinados negócios jurídicos. em regra. sendo a sua nota principal não um elemento interior como a vontade efectiva ou psicológica.http://apontamentosdireito.

Exemplo: não existe vontade de acção quando uma pessoa por acto reflexo ou distraidamente faz um gesto e este aparece como uma declaração negocial. Se um individuo num leilão faz um gesto de saudação a um amigo e isso é entendido como oferta de uma certa importância. Trata-se de uma dedução de facto que com toda a probabilidade revela essa declaração negocial (217º/1). escrito ou qualquer outro meio directo de expressão da vontade (217º/1 – 1ª parte). Tácita: quando do seu conteúdo directo se infere? um outro. É uma vontade efectiva correspondente ao negócio concreto que aparece exteriormente declarada. ou prédio é o nº20 e por lapso enagana-se a escrever ou falar e sai-lhe quinta da regaleira nº30. Essa divergência pode ainda resultar de um desvio da vontade de acção: um lapsus lingual ou lapsus calami. uma falta de vontade da declaração e um desvio na vontade negocial.Vontade negocial: vontade do conteúdo da declaração ou intenção do resultado (Geschftswille): consiste na vontade de celebrar um negócio jurídico de conteúdo coincidente com o significado exterior da declaração. exemplo a pessoa quer escrever quinta da regaleira. Trata-se de um meio indirecto ou lateral de afirmação de uma determinada vontade. mas de uma probabilidade total. exemplo uma pessoa quando quer comprar a quinta da regaleira e erradamente declara que quer comprar a quinta da gusteira pensando erradamente ser este o seu nome (erro no nome). ou seja. A distinção consagrada na lei no artigo 217º é a proposta pela teoria subjectiva expressa: quando feita por palavras.atspace. Este subelemento só está presente se o declarante tiver a consciência e a vontade de que o seu comportamento tenha significado negocial vinculativo.http://apontamentosdireito. Exemplo: pode haver desvio na vontade negocial quando uma pessoa atribui aos termos da declaração um sentido diverso do que é exteriormente captado . No entanto. ou quando uma pessoa é coagida a realizar um negócio. 2. Vimos que pode haver uma falta de vontade de acção.  Declaração negocial expressa e declaração negocial tácita: o principio da liberdade declarativa envolve a possibilidade de se realizarem validamente declarações negociais não só expressas. sem que a pessoa se aperceba disso. exemplo: pode faltar vontade da declaração se uma pessoa julgando assinar uma simples ficha para o arquivo de um banco assina uma declaração negocial. 957º e 1737º. 91 . a declaração negocial destina-se a um certo fim mas implica e torna cognoscível um regulamento sobre outro ponto. trata-se de uma probabilidade.html 1.A vontade de acção (Handlugswille) – consiste na consciência e intenção livre de realizar um comportamento declarativo. por vezes a lei exige que a declaração negocial seja expressa caso dos artigos 731º.com/index. É necessário que os factos sejam inequívocos. 3. como também tácitas – artigo 217º/1. São estes os casos de divergência entre a vontade e a declaração.A vontade da declaração: (Erklanvnjswille) ou vontade da relevância negocial da acção (Geltunjswille): consiste em o declarante atribuir ao comportamento querido o significado de uma declaração negocial.

há legislação que protege o destinatário. paga o imposto sucessivo. Declarações negociais presumidas e declarações negociais fictas: 92 . caso do artigo 923º/2. que não é obrigado a recambia-las. mas como um nada fazer pode considerar-se uma declaração tácita no sentido de aceitação de propostas negociais.http://apontamentosdireito.html Exemplo: aceitação expressa da herança feita por palavras ou por escrito. o silêncio não vale como declaração negocial. A declaração tácita é compatível com a existência de um negócio formal  artigo 217º/2 . não se deve concluir do silêncio uma certa declaração. O silêncio como meio declarativo: a questão é a de saber se o silêncio entendido não apenas como um nada dizer.com/index. Poder-se-ia também aproveitar a impossibilidade de responder das pessoas. quando remetidas com a proposta. Em conformidade com o critério de interpretação dos negócios jurídicos consagrado no artigo 236º conclui-mos que no que respeita a uma declaração tácita em que dum comportamento se pode concluir um certo sentido negocial. Só tem valor como declaração quando a lei.atspace. dando-lhes sempre o ónus de responder a qualquer proposta de contrato. então. No que respeita às mercadorias recebidas pelas pessoas. Em princípio. Também é afastada a ideia de que o silêncio vale como declaração quando o silenciante podia e devia falar – qui tacet consentire vidatem ubi loqui potuit ao debuit. devendo apenas restitui-las se o proponente as mandar buscar. mas apenas a verificação de um incumprimento do dever de falar susceptível de incorrer o silenciante na obrigação de reparar os danos causados a outrém pela frustração da sua confiança em receber uma resposta – dano da confiança ou interesse contratual negativo. Repudia-se o velho princípio do Direito Canónico: qui tacet consentire videtur (quem cala consente)  isto seria inaceitável visto que violaria a autonomia das pessoas. por diversas razões. mas por uma declaração de vontade do testador chega-se a essa conclusão. O artigo 218º dá-nos essa resposta – só vale quando esse valor lhe seja atribuído por lei. estando na sua conservação apenas obrigado a abster-se de as deteoriar por dolo ou negligencia. uso ou convenção. para se captarem aceitações negociais. tal não exige a consciência subjectiva por parte do autor desse significado implícito (bastando) que objectivamente ele possa ser deduzido do comportamento do declarante. exemplo – testamento em que não há declaração expressa de atribuição de um determinado legado. paga dívidas da herança  são factos que com toda a probabilidade fazem com que haja uma declaração de vontade no sentido de aceitação da herança. o saber se devia ou não falar não é claro e mesmo se houvesse o dever de falar. convenção negocial ou o uso lho atribuam. aceitação tácita: a pessoa toma conta dos bens.

http://apontamentosdireito. e) Dá publicidade ao acto o que é importante para terceiros. podendo ilidir-se tal presunção mediante prova em contrário – artigo 350º/2 – 1ª parte (presunção tantum iuris). importantes excepções a este principio consagradas no nosso código como regulamentação especial. b) Embaraça a conclusão válida dos negócios. por recear que lhe seja imputado. Principio da liberdade formal: No nosso direito civil vale o princípio da liberdade de forma consagrada no artigo 219º. Inconvenientes do formalismo negocial: a) Redução da fluência e celeridade do comércio jurídico. só assim não sendo quando a lei proibir – 350º/2. c) Permite uma formulação mais precisa e completa da vontade das partes. no entanto. incómodos e despesas.com/index.html Declaração negocial presumida: quando a lei liga a determinado comportamento o significado de exprimir uma determinada vontade negocial. por interpretação. b) Separa os termos definitivos do negócio da fase pré – contratual . Nos negócios formais o tempo que vai desde a decisão de concluir o negócio e a sua celebração permite repensar o negócio. um certo sentido vai afirmar-se abertamente não ser esse o seu intuito.atspace. A forma da declaração negocial: Vantagens do formalismo negocial: a) Assegura uma maior reflexão das partes. c) Pode levar a eventuais injustiças devido a uma desvinculação de uma das partes do negócio com fundamento em nulidade por vício de forma. Temos como exemplos: os artigos 923º/2 e 1054º. 93 . da negociação. O regime regra é o das presunções legais poderem ser ilididas por prova em contrário. caso do 875º em que se estabelece a obrigação de celebrar escritura pública. Reserva: modalidade de protesto em que se especifica que um certo comportamento não significa renúncia a um direito próprio ou reconhecimento de um direito alheio – exemplo. apesar de essa mesma parte ter querido o acto negocial. livrando as partes da precipitação e da ligeireza. d) Dá um maior grau de certeza sobre a celebração do negócio e os seus termos evitando-se a falibilidade da prova por testemunhas. ou seja. Existem. I – Modalidades da forma negocial. a vitima de um acidente recebe do causador uma soma em dinheiro. É no fundo uma contradeclaração. com demoras. Protesto e reserva: Protesto: o autor de um certo comportamento declarativo. mas declara que isso não significa renuncia a receber o montante total dos danos.

que devem completar o documento indo para além do seu conteúdo mas nunca o contradizendo. no entanto. Forma convencional: quando o formalismo exigível resulta de uma estipulação ou negócio jurídico das partes. as partes poderão utilizar a forma convencional em negócios que a lei não exige forma ou exige uma solenidade menos forte. É também inadmissível a prova por testemunhas se tiver por objecto convenções contrárias ou adicionais ao conteúdo de documentos autênticos e particulares – artigo 394º. algo que deriva do principio da liberdade contratual – artigo 405º. 2. Quanto às estipulações posteriores ao documento estão dispensadas de forma legal prescrita para a declaração se as razões da exigência especial da lei não lhes forem aplicáveis – artigo 221º/2. não devendo ser estipulações essenciais. (há uma presunção do documento formal ser completo. c) Na forma convencional: está prevista no artigo 223º.html Forma legal: quando o formalismo exigível para certo negócio é imposto pela lei. carta. as estipulações não formalizadas.atspace. O facto de os particulares verem as suas estipulações reconhecidas acerca da forma do negócio.Que se trate de cláusulas acessórias. normas legais que exigem para certos actos requisitos formais já que são normas imperativas. Assim. tal como acontece para as estipulações posteriores ao documento – artigo 222º. na dúvida sobre a existência de uma estipulação acessória é de decidir pela sua não existência. 3. uma excepção na segunda parte deste artigo reconhecendo-se a validade de estipulações verbais. II – Âmbito da forma exigida: a) Na forma legal: abrange as cláusulas essenciais do negócio jurídico.Não sejam abrangidos pela razão de ser da exigência de documento. 94 .http://apontamentosdireito. tal não significa que os mesmos possam afastar. Há.com/index. Assim. pelo que. anteriores ou contemporâneas ao documento exigido desde que se verifiquem cumulativamente as seguintes condições: 1. por acordo.Que se prove que as cláusulas acessórias correspondem à vontade das partes. as estipulações acessórias anteriores ou contemporâneas ao escrito. bem como as cláusulas acessórias anteriores ou contemporâneas. Forma voluntária: forma adoptada pelas partes sem que a lei ou convenção anterior a isso as obrigasse. sob pena de nulidade artigo 221º/1. em princípio. b) Na forma voluntária: não abrange. anteriores ou contemporâneas só produzirão efeitos se houver lugar a confissão ou forem provadas por documento. mesmo que menos solene : exemplo.

presume-se que as partes não quiseram substituir o negócio mas apenas facilitar a prova consolidando o acto ou tornando o conteúdo do 95 . Essas presunções são duas: 1. com fundamento em vicio de forma por um contraente que a provocou ou que criou na contraparte a expectativa de que a nulidade jamais seria arguida.html Inobservância de forma legal: Formalidades ad substantiam: exigidas para a validade do negócio. são insubstituíveis por outro género de prova. deverá admitir-se a invocação de nulidade com fundamento em vicio de forma. ou seja. gerando a sua falta a nulidade do negócio – artigo 364º/1. acha que as normas imperativas não podem ser postas em causa.Se a convenção foi estipulada antes da conclusão do negócio. Larenz por seu lado. em que este não seria obrigado a restituir a importância recebida ou o primeiro não seria obrigado a restituir a coisa vendida. Mota Pinto coloca o valor social da segurança jurídica acima de um critério de justiça de cada caso. compensando a injustiça com a obrigação de indemnizar por parte do autor do abuso. Poderá parecer injusto a nulidade de uma compra em que o comprador já pagou o preço e o vendedor já o recebeu. Aquando da sua inobservância Mota Pinto diz que o negócio é ineficaz enquanto que Vaz Serra diz que o negócio não está concluído entre as partes – artigo 223º/1.com/index. a) Inobservância da forma legal: o código civil liga à inobservância da forma legal a nulidade – artigo 220º. quando essa invocação por uma das partes constitua um abuso de direito? Exemplo. sendo que haverá lugar a indemnização ex vi artigo 227º (…). afirmando a nulidade dos negócios afectados por vício de forma. Manuel de Andrade defende a improcedência da arguição de nulidade nos casos de manifesto abuso de direito. A doutrina tem colocado o problema de saber se a possibilidade de invocação da nulidade por vicio de forma não pode ser excluída por aplicação da cláusula geral de boa-fé ou do abuso de direito – artigo 334º. a sua falta pode ser suprida por outros meios de prova mais difíceis de conseguir – ex: confissão – artigo 364º/2. Ela tem carácter constitutivo. Nos casos em que a lei determine outra consequência.Se a convenção é contemporânea ou posterior ao negócio. Formalidades ad probationem: são meramente probatórias. 2. sendo que na primeira hipótese haja fundamento para admitir que as partes se quiseram vincular desde logo.http://apontamentosdireito. em que as partes apenas se querem vincular através da forma convencionada. arguição da nulidade. pois uma vez declarado nulo o negócio deverá ser restituído tudo o que tiver sido prestado em virtude do negócio viciado – artigo 289º. mas tal não se verifica. b) Inobservância da forma convencional: a este respeito rege o artigo 223º que se limita a estabelecer presunções que podem ser ilididas mediante prova em contrário – artigo 350º. consagra-se uma presunção de essencialidade.atspace. a nulidade deixará de ser a sanção para a inobservância da forma legal – artigo 220º.

segundo as respectivas declarações de vontade. Trata-se da posição mais justa. as partes. como o teria feito um declaratario razoável. colocado na posição concreta do real destinatário lhe atribuiria. rápida e confere maior segurança ao comercio juridico.http://apontamentosdireito. O negócio jurídico contem uma ordem normativa. ou seja. ou seja. acto determinante ou conteúdo da vontade real – fonte geradora de efeitos jurídicos. 96 . pela qual. Como tal a sua inobservância não têm quaisquer consequências sobre o negócio. # I – Interpretação dos negócios jurídicos: (não confundir com interpretação das leis artigo 9º). pautam a sua conduta. Posições objectivistas: o intérprete não procura a vontade real do declarante. trata-se de determinar o sentido e o alcance do conteúdo das declarações de vontade e consequentemente dos efeitos que o negócio visa produzir. vai-se considerar o real declaratário nas condições concretas em que se encontra e com os elementos que conhece.atspace. mas procura um sentido exteriorizado ou cognoscível através de certos elementos objectivos. aquele a quem a declaração negocial se destina ou a conhece.com/index. mais os que uma pessoa razoável (normalmente esclarecida. com o sentido querido pelo autor da declaração. Dentre as doutrinas objectivistas merece referência a teoria da impressão do destinatário: declaração deve valer com o sentido que 1 destinatário razoável. Para haver declaração a interpretar temos de estar no domínio da autonomia da vontade privada das partes que tem: a) Elemento subjectivo: acto de vontade. já que tutela a legitima confiança do declaratário. sendo que o negócio valerá com o sentido subjectivo. é também a mais fácil. Isto dá origem a posições subjectivistas. Interpretação: actividade dirigida a fixar o sentido e o alcance dos negócios. através das declarações de vontade. c) Inobservância de forma voluntária: a sua inobservância não tem quaisquer consequências. o intérprete deve investigar através de todos os meios adequados a vontade real do declarante. Ela não pode ser abandonada ao senso empírico. teria conhecido e figura-se em raciocínios sobre essas circunstancias.html negócio mais claro ou outro qualquer efeito – artigo 223º/2. deve ser pautada por regras ou critérios cuja sua formulação é o objecto da teoria da interpretação que tem critérios convertidos em verdadeiras normas jurídicas – 236º ss. zelosa e sagaz – o bónus pater famílias. b) Elemento objectivo: acto social de comunicação. Trata-se de uma interpretação normativa e não de uma interpretação psicológica. Posição adoptada pelo nosso código no artigo 236º/1.

que um sentido não traduzido no documento possa valer desde que: Corresponder à vontade real e concordante das partes.com/index. mesmo no caso de impropriedade das expressões utilizadas. A doutrina tradicional sofre certos desvios que se traduzem: a) Maior objectivismo: é o que sucede nos negócios formais. Não haverá declaração negocial se faltar a vontade de acção – artigo 246º. se o declarante se move em circunstâncias especiais deve tomar a iniciativa de se expressar convenientemente para o sentido ser correctamente apreendido. sendo a declaração ineficaz. se este sentido lhe era imputável  limitação subjectivista. Assim.html Este sentido que corresponde à impressão do destinatário sofre. A consequência. que este pudesse razoavelmente contar com ele – artigo 236º/1 parte final. defende Manuel de Andrade é a nulidade em sede interpretativa. de acordo com a máxima julsa demostratio non nocet estabelece que sempre que o declaratario conheça a vontade real do declarante. Admite-se. deveremos atender ao artigo 237º.atspace. prevalecendo nos negócios gratuitos o sentido menos gravoso para o disponente e nos onerosos o que conduzir ao maior equilíbrio das prestações. embora imperfeita. a duvida for insanável devemos aplicar por analogia o artigo 224º/3. não pode valer se não tiver um mínimo de correspondência. no texto do documento – artigo 238º/1. Se. o sentido querido pelo declarante releva mesmo quando a declaração é ambígua ou inexacta se o declaratario conhecer o seu sentido. Nestes o sentido objectivo corresponde à impressão do destinatário. pois o que temos é um problema de vício de forma (o sentido não está formalizado) cuja sanção correspondente é a nulidade – artigo 220º. é de acordo com o ultimo que vale a declaração. Quando a interpretação leve a um resultado duvidoso. no entanto. no entanto. Considera-se que só seja justificado fazer responder o declarante por um sentido que não deu à declaração. Esta teoria da impressão do destinatário envolve um ónus da adequada manifestação da vontade por parte do declarante. Tendo em atenção. Nos contratos de adesão. defende-se o princípio de que na dúvida deve intrepertar-se contra o emitente das condições gerais pré-ordenadas. torna-se necessário que seja possível a sua imputação ao declarante. no entanto uma limitação (defendida por Larenz e Ferrer Correia): para que tal sentido possa relevar. Outra excepção é a consagrada no artigo 236º/2. é a falsa demonstrato non nocet – artigo 238º/2. Assim. no entanto. as limitações para os negócios formais previstos no artigo 238º/2.http://apontamentosdireito. 97 . isto é. Este deve escolher os meios convenientes para exprimir um sentido que não seja reconhecido ou cognoscível pelo declaratario.

mas exigida pela resolução do litigio entre as partes e que estas deveriam ter previsto aquando do ordenamento negocial das suas relações. Integração dos negócios jurídicos: o problema é o de saber qual a regulamentação das questões não previstas pelas partes. ou incorreu em erro na declaração. 3.html  Não oposição a essa validade das razões determinantes da forma do negócio (certeza e segurança ou interesses de terceiros) – artigo 238º/2 (parte final). foi ele quem a educou durante 15 anos escreveu “ se se apurar que a única pessoa que A educou foi Clara é patente que A queria referir-se a Clara e aí já surgirá efeitos) (o exemplo está meio confuso. Esta integração deve ser determinada para cada negócio e não para os vários tipos de negócios. b) Maior subjectivismo: é o caso das disposições testamentárias. Neste caso a declaração deve ser integrada de acordo com as exigências da boa fé (entenda-se boa fé objectiva) –regras de 98 .O testador pode utilizar no testamento um termo numa acepção pessoal. se se provar que A não tinha biblioteca e que utilizava essa expressão para significar garrafeira é valido esse legado  há aqui um mínimo de correspondência no testamento. mas dá para perceber). nem resultantes de disposição legal imperativa ou supletiva.com/index. Limitação dada pelo teor do documento que manifesta o carácter solene do negócio testamentário – artigo 2187º/2. anotações pessoais. elementos ou circunstâncias estranhas aos termos do testamento.Invalidade de um sentido contrário ao texto do testamento. ainda que imperfeita no contexto.Admissibilidade das disposições testamentárias tácitas –artigo 217º/2. inteiramente fora dos usos gerais da língua. Exige-se. No entanto.http://apontamentosdireito. etc). 2. que a vontade assim reconstituída tenha um mínimo de correspondência. ou seja. Podemos retirar deste artigo as seguintes conclusões: 1. Nestes casos o artigo 239º remete em primeiro lugar para a vontade hipotética das partes. a vontade que teriam tido caso tivessem previsto o ponto omisso. ainda que alicerçado noutros meios probatórios. Com a excepção de no testamento constarem outras referencias que levem a considerar (clarificar) patente o significado extravagante ou o erro (na ultima hipótese rege o artigo 2203º) exemplo: A quis deixar os seus bens a Clara e escreveu (a quem eduquei). mas desde que dê a entender por qualquer forma no testamento (com essa expressão entre aspas ou seguida de reticências) ou que se prove que a significação anómala era utilizada habitualmente pelo testador – exemplo: A diz que deixa a sua biblioteca a B. Já haverá nulidade do testamento se o testador usou termos numa acepção extravagante que estava fora dos seus próprios hábitos de linguagem. em que vale a vontade real do testador.atspace. o juiz dever-seá afastar da vontade hipotética quando a solução que as partes teriam estipulado contrarie os ditames da boa fé. fundadas em qualquer dos meios de prova geralmente admitidos (esclarecimentos orais ou escritos. no entanto. Na sua interpretação consagra-se o sentido subjectivo. ou seja. estando esta condicionada pelo contexto do testamento – artigo 2187º o significado decisivo é o que o testador quis dizer. Na pesquisa desta vontade do testador é admitido o recurso à prova complementar.

5 toneladas. pode haver dois tipos de vícios: a) Na formulação da vontade (divergência entre a vontade real e a declaração – entre o querido e aquilo que foi declarado. daí o artigo 239º referir “na falta de disposição legal”. se a questão tem sido abordada.Noções gerais: normalmente há coincidência entre a vontade (elemento interno) e a declaração negocial (elemento externo). havendo norma supletiva não há verdadeiramente uma lacuna. A integração não pode conduzir a uma ampliação do objecto negocial que foi pretendido pelas partes. não se aplicar por contrariarem o comando da boa – fé – artigo 334º.com/index. Assim. exemplo: A vende a B uma tonelada de açúcar pelo preço de x. Divergência entre a vontade real e a declaração pode ser: a) Intencional: quando o declarante emite. tudo porque o direito supletivo obedece à resolução de interesses gerais e porque esta vontade hipotética não é verdadeiramente manifestada por qualquer das partes. mesmo que se prove que no momento do contrato A teria vendido e B teria comprado mais esses 0. Intencional Simulação Reserva mental Declarações não sérias Não intencional Erro. há uma divergência entre a vontade hipotética e a vontade real. não pode agora pretender-se a entrega de uma tonelada e meia pelo mesmo preço.atspace. consciente e livremente uma declaração com um sentido objectivo diverso da sua vontade real b) Não intencional: quando o declarante não se apercebe da divergência ou porque é forçado irresistivelmente a emitir uma declaração diferente da sua vontade real. As próprias normas supletivas poderão. b) Na formação da vontade: a vontade não foi formada livre e esclarecidamente. em casos excepcionais. Certos problemas. ou seja. # Divergência entre a vontade e a declaração: I. mesmo que seja evidente a prova da vontade hipotética das partes não podem ser equacionadas e resolvidos em sede de integração.http://apontamentosdireito. É de referir que há prioridade da aplicação do direito supletivo sobre o problema da integração negocial. não pode ir contra o que está expressamente no contrato.html honradez e honestidade que as partes devem pôr na celebração e conclusão dos negócios. (…) Falta consciência do dec Coação física 99 . No entanto.

Tal como para a auto – responsabilidade do declarante. Ihering.A mais extrema em que há uma adesão rígida à expressão literal.http://apontamentosdireito. 2. mas no caso de dolo ou culpa do declarante . O interesse de terceiros também concorre aqui. Cobre o interesse contratual negativo ou interesse da confiança. Há a pretensão da protecção das legítimas expectativas. d) Teoria da declaração: dá relevo fundamental à declaração. uma teoria que se possa aplicar às várias modalidades de divergência. repondo o declaratario lesado na situação em que estaria se não tivesse concluído o negócio. Interesses fundamentais para a validade e produção dos efeitos da declaração.html Analisemos o aspecto teleológico dos interesses em jogo: O Interesse do declarante reclamando o principio da autonomia da vontade aponta para a sua não vinculação ao sentido objectivo da declaração que não coincide com a sua vontade real. 100 . b) Teoria da culpa in contrahendo: acrescenta à teoria anterior a obrigação de indemnizar por parte do declarante se houve ou dolo deste e boa fé do declaratario. Começa o declarante a responder pela aparência exterior da sua vontade. Releva ainda o interesse geral do comércio jurídico que aponta para a segurança e celeridade no tráfego e. estando o declaratário de boa – fé o negócio é válido.A doutrina da aparência eficaz. limita a doutrina da confiança apenas aos casos em que o declaratario confiou efectivamente nesse sentido (exclui-se os casos em que ele confiou num terceiro sentido) Não há. como tal. O interesse do declaratário aponta para a tutela da confiança e para a irrelevância da divergência. c) Teoria da responsabilidade: assenta na teoria anterior.A chamada doutrina da confiança. ao que foi exteriormente manifestado. terceiros aos quais podem derivar direitos ou que podem ter adquirido direitos quer do declarante.com/index. Teorias que visam resolver o problema: a) Teoria da vontade: defende a invalidade do negócio logo que haja uma divergência entre a vontade e a declaração sem necessidade de mais requisitos – Savigny. apontando para a invalidade do negócio. com as seguintes modalidades: 1. 3. a divergência só produz a invalidade se for conhecida ou cognoscível do declaratário. como se de facto a tivesse querido. no entanto. Não são idênticas as soluções mais razoáveis específicas de cada uma das várias divergências entre o “querido” e o “declarado”. para as legitimas expectativas do declaratario. I – A simulação:  Noção e elementos: trata-se da principal divergência entre a vontade real e a declaração negocial.atspace. quer do declaratário.

Nulidade que pode ser invocada por qualquer interessado. A doa a B um faqueiro de prata havendo entre eles acordo de devolução. Simulação fraudulenta: há não só o intuito de enganar terceiros. Por detrás do negócio simulado há um negócio dissimulado ou oculto. exemplo 2 – venda de imóvel simulado um preço inferior ao real para prejudicar a fazenda nacional ou simulando um preço superior para prejudicar um preferente. Efeitos da simulação absoluta: a simulação importa a nulidade do negócio simulado – artigo 240º/2. ainda que a simulação seja fraudulenta como resulta do artigo 242º/1. não poderá haver. chamado acordo simulatório. regra geral. Modalidades da simulação relativa: 101 . sem os prejudicar (animus decipiendi). exemplo: venda efectuada por um devedor a um comprador fictício. tudo para crer a C e D. de acordo com o artigo 286º. de forma a enganar os seus credores. usucapião. Temos três elementos: a) Intencionalidade da divergência.com/index.http://apontamentosdireito. Modalidades e seu regime: Simulação inocente: há apenas um mero intuito de enganar terceiros.html Simulação: é a divergência intencional entre a vontade real do declarante e a declaração negocial. seus vizinhos. como também o de os prejudicar ou de contornar uma norma legal imperativa (animus nocendi). Simulação relativa: as partes fingem celebrar um certo negócio jurídico e na realidade querem um outro negócio jurídico de tipo ou conteúdo diverso. que A é muito rico)  é rara. No caso da simulação. até pelos próprios simuladores. Apenas os interesses de terceiros de boa fé que tenham confiado na validade do negócio exigem ponderação. Realizada sobretudo por razões sociais (ex. c)Intuito de enganar terceiros. Há apenas o negócio simulado e por detrás dele nada mais. pois o adquirente é um possuidor precário – artigo 1253º/c – com a excepção do artigo 1290º. Simulação absoluta: as partes fingem celebrar um negócio jurídico e na realidade não querem celebrar nenhum negócio jurídico. b) Acordo entre declarante e declaratario. pode ser deduzida tanto por via de acção como por via de excepção artigo 287º/2. pode ser arguida a todo tempo quer o negócio esteja ou não cumprido. Aqui não há que defender as expectativas do declaratário já que este tem conhecimento e intervém no acordo simulatório.atspace. Divergência procedente de acordo entre o declarante e o declaratario e determinada pelo intuito de enganar terceiros – artigo 240º/1. etc.

quando o negócio dissimulado é de carácter formal: Doutor Mota Pinto defende que o negócio dissimulado será nulo por vicio de forma se este não respeitar o formalismo exigido. Objectiva: é simulado o conteúdo do negócio e pode ser: Sobre a natureza do negócio: o negócio simulado é de um tipo jurídico diverso ao negócio dissimulado (ex. Quanto ao negócio dissimulado aplica-se o artigo 241º e este será objecto do tratamento jurídico que lhe caberia se tivesse sido concluído sem dissimulação. mas para pagar uma só SISA os três sujeitos concordam em documentar numa só escritura uma só venda de A a C. por força de um acordo entre ele e só um dos sujeitos (ex.com/index.html Subjectiva: são simulados os próprios sujeitos do negócio jurídico. o negócio simulado está ferido de nulidade – artigo 240º/2. mas finge doar a C para este posteriormente doar a B. Não confundir com a interposição real: o interposto actua em nome próprio mas no interesse e por conta de outrem. mesmo que a outra parte saiba que o interposto não actua em nome próprio – artigo 1180º.atspace. Assim. Admite-se uma excepção para o caso de as partes fazerem constar das declarações uma contradeclaração – um escrito de reserva com os requisitos formais exigidos para 102 . havendo concluio entre os três. vai acordar com C no sentido deste comprar o bem a A e depois lhos vender) – não havendo concluio entre os três sujeitos. finge-se uma venda e quer-se uma doação). Efeitos da simulação relativa: tal como a simulação absoluta. o negócio dissimulado poderá ser válido e eficaz como poderá ser inválido consoante que aconteceria se o negócio tivesse sido abertamente concluído. Baseia-se no argumento literal da lei “só é válido se tiver sido observada a forma exigida por lei” nada dizendo para o caso de as razões de formalismo do negócio dissimulado se acharem satisfeitas com a observância de solenidades do negócio simulado e no argumento racional de que a forma legal não visa dar só a conhecer a trasmissao dos bens. A está interessado num bem que B não lhe vende. mesmo que a sua forma fique satisfeita com as solenidades próprias do negócio simulado. mas também a coisa da sua transmissão. é o que acontece com a interposição fictícia de pessoas: A quer dar um prédio a B. Efeitos da simulação quanto aos negócios formais: A lei estabelece um regime especial para os negócios formais no artigo 241º/2. Nesta questão a doutrina divide-se. fingiu – se um preço superior ou inferior ao preço real.http://apontamentosdireito. Sobre o valor do negócio: há divergência relativa ao quantuum da venda. não há simulação mas um mandato sem representação . Pode-se fazer isto para fugir aos artigos 953º e 2196º (o interposto aqui é um simples “testa de ferro”)?????? Supressão de um sujeito real: faz – se uma venda de A a B e outra de B a C.

Conflito entre credores comuns do simulado alienante e subadquirentes do simulado adquirente : devem prevalecer os interesses dos últimos diz Manuel de Andrade. A prova é quase restringida à prova documental e à confissão. Há como que um aproveitar da forma do negócio simulado sempre que esta coincidir com a forma do negócio dissimulado. Antunes Varela e Manuel de Andrade defendem uma outra posição. Em vida do hereditando o artigo 242º/2 permite aos herdeiros agir em vida do autor da sucessão contra os negócios por ele simuladamente feitos com intenção de os prejudicar. estando inadmissíveis a prova testemunhal e a prova por presunções em virtude do artigo 351º (julgo). como quaisquer outros herdeiros podem arguir a nulidade dos actos simulados praticados pelo de cuiuis. Prova da simulação: a prova do acordo simulatório e do negócio dissimulado por terceiros é livre. podendo ser feita por qualquer um dos meios admitidos na lei: confissão.Conflito entre credores comuns do alienante simulado e credores comuns do simulado adquirente : Manuel de Andrade defende que se deve dar preferência aos últimos. Conflitos entre terceiros de boa fé: são possíveis conflitos entre terceiros que pretendem arguir a nulidade do negócio e terceiros cujos interesses exigem que o negócio seja considerado como válido. Vejamos algumas hipóteses: 1. 3. por exemplo numa escritura pública tal traria a descoberto o negócio simulado e o notário não celebraria o negócio). Algo que.atspace. 2.http://apontamentosdireito. tal como todas as nulidades. Após a morte do de cuius os herdeiros legitimários. b) os preferentes. c) os credores (mesmo que não haja insolvência – artigo 605º/1. sofre uma apreciável restrição indirecta por força do artigo 394º/2 onde se estatui a inadmissibilidade da prova testemunhal no acordo simulatório e do negócio dissimulado. presunções. testemunhas.Conflito entre subadquirentes do simulado alienante e subadquirentes do simulado adquirente: sendo aquisições tidas como válidas. podem ser invocadas por qualquer interessado e declarada ex officio pelo tribunal – artigo 286º. Doutor Orlando de Carvalho. São terceiros interessados na nulidade: a) fazenda nacional. 103 .prevalece a venda mais antiga ou a que primeiro foi registada. Pires de Lima. defendendo que o negócio dissimulado não deveria ser nulo se as razões que estão na base da exigência da sua forma ficarem satisfeitas com a observância das solenidades próprias do negócio simulado.html esse negócio (algo que nos parece absurdo porque ao fazer isso. etc. no entanto.com/index. O código não tem normas explícitas sobre estes conflitos. trata-se de um problema de incompatibilidades entre direitos reais adquiridos do mesmo transmitente . Legitimidade da invocação da simulação: o artigo 242º/1 atribui legitimidade aos próprios simuladores para a arguição da nulidade mesmo sendo a simulação fraudulenta. documentos. Só que intervêm como sucessores do simulador e não como terceiros. A nulidade do negócio simulado. não bastando que provoque graves prejuízos.

didácticas. nulo se o declaratário teve conhecimento da reserva. não tendo intenção de fazer qualquer compra. em principio válida. Os efeitos desta figura são determinados pelo artigo 244º/2. Em principio carece de qualquer efeito – artigo 245º/1. os efeitos da simulação.com/index. b) Intuito de enganar o declaratário. Existe uma excepção colocada pela doutrina. A declara comprar a B um automóvel para o enganar. Na chamada graça malévola apesar de ter uma finalidade também jocosa ela é reserva mental e não declaração não seria porque se espera que a outra parte caia no engano. O negócio será. Aqui aplicar-se-á a cláusula geral do abuso de direito – artigo 334º. Está prevista no artigo 244º/1. publicitárias. Terá. São duas as notas que a definem: a) Emissão de uma declaração contrária à vontade real. visto que excede os limites da boa fé e dos bons costumes a pretensão do declaratario no sentido da validade dessa declaração. sem qualquer concluio com o declaratário. Neste caso a declaração também não tem qualquer efeito.  Apenas com intuito de enganar: ex.atspace. se o declaratário conhecia a falta de seriedade ou pelo menos esta era exteriormente perceptível. por exemplo nos casos em que se tenta dissuadir de um suicídio ou de um acto patrimonialmente ruinoso. etc. no caso de ser nulo.html Reserva Mental: o declarante emite uma declaração não coincidente com a sua vontade real. procedendo-se na expectativa de que a falta de seriedade não passe despercebida. Declaração não séria: o declarante emite uma declaração não coincidente com a sua vontade real. Não bastará para a relevância da reserva a sua cognoscibilidade. no entanto. cómicas. porque não chega a haver uma verdadeira declaração. pois visa apenas dissuadir B do suicídio pela sua grave situação económica. sendo necessário o seu efectivo conhecimento. há ainda intenção de prejudicar (ex. sem o intuito de enganar qualquer pessoa.http://apontamentosdireito. condições de justiça e de segurança do comércio jurídico e da confiança da contraparte. A declara a B fazer-lhe uma doação. Podem ser declarações jocosas. visando enganar este. salvaguardando. no entanto há responsabilidade do declarante pelo interesse negativo ou confiança – responsabilidade pré-negocial. Fraudulenta: para além do intuito de enganar. assim. tendo feito a declaração por julgar erradamente que a lei exige escritura pública para a venda do automóvel e que depois podia arguir a nulidade). 104 . A declaração negocial emitida com a reserva ocultada ao declaratario é. sem que na realidade tenha essa intenção. Aqui não há confiança a proteger. neste sentido Mota Pinto e Orlando de Carvalho. O artigo 245º/2 estabelece um regime especial no caso da declaração ser feita em circunstâncias que induzem o declaratário a aceitar justificadamente a sua seriedade.

no fim do artigo 246º que se o declarante tiver culpa na falta de consciência da declaração. um indivíduo que entra num leilão e faz um gesto para cumprimentar alguém que é tomado como um lance sem que a pessoa se aperceba disso. o negócio será no entanto eficaz relativamente ao declarante aparente se este o aprovar – falsa demonstratio non nocet. mas não completamente excluída. podendo até faltar completamente a vontade de agir) – ex. mas ele acena com a mão à mesma e isso é tomado como um lance pelo leiloeiro). III. A coação física. sem ter consciencia dessa falta de coincidência – caso do lapsus lingual ou lapsus calami ou pelo chamado erro in predicando – atribuição às palavras de um significado diverso do seu sentido objectivo. exigindose para a anulação que o declaratário conhecesse ou não devesse ignorar a essencialidade para o declarante do elemento sobre que incidiu o erro. porque não há um comportamento humano consciente e voluntário.http://apontamentosdireito. Distingue-se da coação relativa. sendo forçado a dizer ou a escrever o que não quer. porque nesta a liberdade está cercada.Falta de consciência na declaração: o declarante emite uma declaração sem sequer ter a consciência (a vontade de fazer uma declaração negocial. É diferente das chamadas declarações sob o nome de outrem – nestas. negócio em estado de sonambulismo. comporta.Erro na declaração ou erro-obstáculo: o declarante emite a declaração divergente da vontade real. ao contrário da coação absoluta em que o coagido não pode combater esse mal. No caso de erro – obstáculo o princípio geral consta do artigo 247º. Algo que a doutrina Alemã não aceita calmamente. torcer o braço de alguém para o obrigar a assinar um papel). no entanto. Mota Pinto critica este requisito dizendo que facilita os interesses do declarante para anular o negócio.Coação física ou coacção absoluta: o declarante é transformado num autómata. ao contrário do erro – obstáculo não há qualquer comportamento por parte do sujeito a quem a declaração é atribuída (A faz-se passar por B fazendo um negocio e falsificando a sua assinatura) – esta hipótese estará sob o artigo 246º através de uma aplicação analógica . sacrificando-se em demasia os interesses do 105 . O artigo 246º estatui que o negócio não produz quaisquer efeitos. no caso do leilão se o amigo que ele quer cumprimentar nem sequer estiver virado para ele. ex.html Divergências não intencionais entre a vontade e a declaração: I. Não havendo dever de indemnização a cargo do declarante.com/index. o declaratario tem o direito a ser indemnizado pela chamada responsabilidade pré-negocial. não através de uma mera ameaça. II. nos termos do artigo 246º a ineficácia da declaração negocial. Estabelece-se. mas sim involuntário e mesmo reflexo. esta não produz quaisquer efeitos. Algo que Larenz e Canaris chamam de responsabilidade por uma aparência jurídica (ex. mas pelo emprego de uma força física irresistível que o instrumentaliza e o leva a adoptar o comportamento (ex.atspace.

b) Que é nulo – Castro Mendes.html declaratario e os do comércio jurídico. dizendo que se deveria ir mais além exigindo o conhecimento ou a cognoscibilidade do erro. (ver o artigo 248º). o declarante deve 106 . ou seja.com/index. se o erro fosse conhecido.http://apontamentosdireito. deixando uma área de invalidade do artigo 247º. Aqui o dissenso tem interesse autónomo. No artigo 248º consagra-se uma excepção no caso do declaratario aceitar o negócio como o declarante queria a anulabilidade fundada em erro não procede. Mota Pinto defende que nalguns casos. Mota Pinto transporta as suas críticas face ao erro – obstáculo nos mesmo termos para este regime. Pode. b) Cada uma das partes atribui ao negócio um sentido diverso não coincidente com o seu teor objectivo – hipótese acima transcrita. c) Que ele não foi concluído porque não houve acordo nos termos do artigo 232º. é anulável se o declaratario conhecesse ou não devesse ignorar a essencialidade para o declarante do elemento sobre que incidiu o erro. Deslocar-se-ia para uma área de validade. Se o erro é apenas cognoscível o caso será resolvido em sede de erro – obstáculo se for relevante o que tornará o negócio inválido e será resolvido em sede interpretativa se o erro é irrelevante. poder-se-ia obstar à anulação com base em abuso de direito – 334º. no entanto. O dissenso pode resultar de uma falta de acordo dos sentidos objectivos (ex. No entanto. Existe uma excepção estabelecida no artigo 250º/2 – admitindo-se a anulação sempre que o intermediário emite intencionalmente. ou seja. No entanto. Segundo o artigo 249º o erro de cálculo ou escrita revelados no contexto da declaração ou nas circunstâncias que a acompanham não dão lugar à anulabilidade mas apenas à rectificação do negócio. Pode haver o caso em que o declaratário compreendeu um terceiro sentido que não coincide com o querido pelo declarante nem com o sentido declarado. haver acordo dos sentidos objectivos mas desacordo entre as vontades reais: a) Uma só das partes atribuiu à sua declaração um sentido diverso do que tem objectivamente – aplica-se a doutrina do erro – obstáculo. A declara vender x e B declara comprar y) como consequência há quem defenda que: a) O negócio é inexistente – Mota Pinto. Falamos neste caso de dissenso. com dolo uma declaração diversa da vontade do declarante. em que a aplicação do artigo 247º lese com extrema injustiça os interesses do declaratario. Erro na transmissão da declaração: hipótese prevista no artigo 250º que o regulamenta o seu nº1 nos mesmos termos do erro – obstáculo. mas em sede interpretativa – artigo 236º/2.atspace. Oliveira Ascensão e Carvalho Fernandes. o problema não se resolveria em sede de erro – obstáculo. Mota Pinto defende que a declaração é anulável sem a exigência dos requisitos do artigo 247º.

de tal forma. A contrata com B julgando que o contrato tem os efeitos de locação quando afinal tem os efeitos de uma venda a prestações). A compra um terreno julgando erradamente que ele tem água). o declarante diz o que queria dizer mas isso está inquinado por uma má formação da vontade. 251º 107 . (…) Modalidades: a) Erro sobre a pessoa do declaratario: erro sobre a identidade e erro sobre as qualidades (exs. # Vícios da vontade: Generalidades: trata-se de perturbações do processo formativo da vontade negocial. A contrata com B porque pensa erradamente que este é filho de um seu amigo) – artigo 251º b) Erro sobre o objecto do negócio: pode incidir sobre o objecto mediato sobre a identidade ou sobre as qualidades (ex. Distinção entre erro – vício / e erro obstáculo e / pressuposição: O erro – vicio é um erro na formação da vontade e diz respeito a circunstâncias anteriores ou contemporâneas à conclusão do negócio.  O erro como vicio da vontade: Ignorância ou representação inexacta por parte do declarante de uma qualquer circunstancia de facto ou de direito que foi determinante na formação da sua vontade negocial de tal modo que se ele estivesse esclarecido acerca dessa circunstancia não teria realizado o negócio ou não o teria realizado nos precisos termos em que o concluiu. a compra de 18. O erro obstáculo é um erro na formação da vontade – há divergência entre vontade real e a declaração. A alteração anormal das circunstâncias constitui fundamento de resolução ou modificação do contrato previstos os pressupostos / 437º (não é erro). Há divergência entre a vontade real e a vontade hipotética. Se ele conhecesse os termos e circunstâncias do negócio jurídico não tomaria essa decisão mas uma outra ou então nem tomaria decisão nenhuma. face à pequena diferença o negócio deve-se considerar válido e o declarante deve suportar esse risco). Assim. telegrafista transmite em vez da compra de 20 cavalos.html suportar o risco de uma transmissão defeituosa ou de uma deturpação ocorrida enquanto a declaração não chega à esfera do declaratario. Pressuposição: convicção por parte do declarante de que certa circunstância se verificará no futuro ou de que se manterá um certo estado de coisas.com/index. (ex. É o que os Alemães chamam de erro – motivo “Motivirnt” (ta mal a palavra em alemão!). embora concorde com a declaração é determinada por motivos considerados como ilegítimos. objecto imediato – sobre a natureza do negócio (ex.http://apontamentosdireito. A contrata com B julgando que este é C. que esta.atspace.

com/index. no caso de erro culposo. pois a situação do contraente não enganado já é tomada em conta ao permitir-se a anulação apenas quando se verifiquem certos requisitos especiais. trata-se de um erro que recaia nos motivos determinantes da vontade. já que quando o erro é comum a uma generalidade de pessoas é que mais 108 . b)Individualidade ou singularidade: quando fosse exclusivamente do errante e não de toda a gente em geral (Manuel de Andrade) afirmava o absurdo deste critério. No entanto. Este erro não releva tal como não releva o erro indiferente em que mesmo sem ele o negócio teria sido concluído nos mesmos termos em que foi. b) Propriedade: o erro tem de ser próprio. Ele só é próprio quando incide sobre uma circunstância que não seja a verificação de qualquer elemento legal da validade do negócio. Na vigência do Código de Seabra a doutrina considerava ainda: a) Escusabilidade: necessidade de ausência de culpa da parte do errante.atspace.http://apontamentosdireito. capacidade do errante. incapacidade do declaratario. ou seja. não obstante a anulação. tem que ter motivado a conclusão do negócio em si mesmo e não apenas nos termos em que foi concluído.etc ( no entanto o erro sobre as qualidades da pessoa do declaratario é já erro sobre a pessoa do negócio – ex. Face ao novo código este requisito é dispensável. os interesses da outra parte estão protegidos pelo artigo 227º . Aqui o fundamento da invalidade não é o erro mas o requisito legal cuja deficiência vicia o negócio. Para o caso do erro incidental Mota Pinto defende a aplicação analógica do 911º sendo o negócio válido nos termos em que teria sido concluído sem o erro. mas que não se refira à pessoa do declaratário nem ao objecto do negócio. O erro indesculpável ou grosseiro. segundo Cabral de Moncada e outros. O Doutor Mota Pinto e também Carvalho Fernandes prevêm a redução do negócio segundo os termos da norma geral – artigo 292º.html c) Erro sobre os motivos do negócio: é uma noção residual. O erro tem de ser causa da celebração do negócio e não apenas dos seus termos – o erro é essencial se sem ele não se celebraria o negócio ou se celebraria um negócio com outro objecto ou de outro tipo ou com outra pessoa. Nele podemos integrar o erro sobre pessoa de terceiros e o erro sobre os fins ou objectivos de natureza subjectiva que motivam o declarante – artigo 252º. sempre. embora houvesse doutrina (Manuel Andrade e Ferrer Correia) que defendesse que a anulabilidade ocorreria mesmo no caso de erro culposo. Condições gerais de relevância do erro – vicio como motivo de anulabilidade: a) Essencialidade: o erro tem de ser essencial. embora noutras condições.responsabilidade pré – negocial. O erro será impróprio quando versa sobre os requisitos legais da forma negocial. não anularia o negócio. Caso contrário o erro é incidental – influiu apenas nos termos do negócio pois o errante contrataria.

 Condições especiais de relevância do erro – vicio como motivo de anulabilidade Erro sobre os motivos: o artigo 252º/1 permite a anulação desde que haja uma cláusula verbal ou escrita. esta remissão é para os pressupostos ou para os pressupostos e para a sanção? Mota Pinto defende que será só para os pressupostos. ou determina uma das partes e em que a outra não poderia deixar de aceitar o condicionamento do negócio sem violação dos ditames da boa fé. por exemplo anular o negócio com fundamento no desconhecimento de um preço mais barato noutro local. erro relativamente ao qual se forma a base do negócio. interpretavam à letra). até porque as pessoas contratam pelos mais diversos motivos. é necessário uma delimitação. Não sendo o artigo autónomo. Serão. O artigo 252º/2 estabelece um regime especial para certos casos de erro sobre os motivos. Nestes casos haverá lugar á anulabilidade nos termos dos artigos 437º a 439º. Erro sobre o objecto do negócio: o artigo 251º prevê que o negócio será anulável nos termos do artigo 247º.ou seja. Em face do nosso código essa exigência é ainda mais indefensável. Mota Pinto mantém as suas críticas para este regime. erro normalmente bilateral sobre as condições fundamentais do negócio jurídico que determinam ambas as partes. desde que o declaratário conhecesse ou não devesse ignorar a essencialidade. no entanto. que anteriormente fizera para o erro na declaração.atspace. sendo a sanção a da anulabilidade pois no caso de erro sobre a base negocial. ou a representação comum de vários interessados acerca da existência ou ocorrência de determinadas circunstancias. já que remete para o 437º. sobre a base das quais se funda a vontade do agente.html justificado se torna que o errante o possa invocar para a anulação do negócio. coloca-se a questão: terá lugar a anulabilidade. ou seja. representação mental de uma das partes. (invocavam o artigo 664º do código de Seabra. Não basta ou conhecimento ou cognoscibilidade do erro pois tal daria lugar a bastantes litígios que se repercutirão na celeridade e segurança jurídicas. não é uma vicissitude surgida depois do negócio como acontece com a alteração superveniente das circunstâncias. pois seria absurdo. com base no qual as partes fixaram os pressupostos da contratação. então qualidades do objecto: a) a constituição material do objecto (ex. para o declarante do elemento sobre que incidiu o erro. se o erro incidir sobre as circunstancias que constituem a base negocial. O erro sobre a base negocial é um vício na formação da vontade e não algo posterior. como acontece nos demais erros vicio? Ou haverá lugar à resolução ou modificação do contrato nos termos da alteração superveniente das circunstancias do artigo 437º? .http://apontamentosdireito. está na génese do negócio. reconhecida pela outra. o estado de coisas erradamente figurado é anterior ou contemporâneo do negócio. se é de ouro ou de prata). no sentido de a validade ficar dependente da existência da circunstância sobre que versou o erro. b) 109 . ou seja. expressa ou tácita. Não se faz qualquer delimitação das qualidades do objecto no artigo.com/index.

Erro sobre a pessoa do declaratario: está igualmente previsto no artigo 251º. Não será. concepções imperantes no comércio jurídico – artigo 253º/2. segundo o mesmo artigo as sugestões ou artifícios usuais considerados legítimos segundo as concepções dominantes no comércio jurídico (exemplo. de estipulação negocial das partes ou das concepções dominantes do comercio jurídico e o declaratario ou terceiro não o fazer – dolo negativo ou omissivo. quem provocou o erro poderá incorrer em responsabilidade civil. na mesma maneira que o erro sobre o objecto do negócio acima analisado. c) pode ser sanada por confirmação (…) Artigos 287º e 288º # O Dolo: A noção de dolo consta do artigo 253º/1.http://apontamentosdireito. Existirá dolo quando se verifique o emprego de qualquer sugestão ou artificio com a intenção ou consciência de induzir ou manter em erro o autor da declaração – dolo positivo ou comissivo. coacto ou incapaz.atspace. A diz a B que o lote de acções vai subir proximamente – é algo que qualquer vendedor diz e se o comprador cai é porque é ingénuo). ou quando tenha lugar a dissimulação pelo declaratario ou por terceiro do erro do declarante. Só é relevante como fundamento de anulabilidade e de responsabilidade o dolus malus. enganado. b) só pode ser invocada no ano subsequente à cessão do vicio.html as condições factuais ou jurídicas que pela sua natureza e duração evoluem no valor ou no préstimo desse objecto (ex. embora com negligência. No entanto. se o objecto é usado ou não). de estipulação negocial ou das concepções dominantes no comércio jurídico. Modalidades: Dolus bonus: sugestões ou artifícios usuais e toleráveis (considerados legítimos). Não há dolo no caso de erro provocado por informações inexactas sem intenção ou consciência de enganar. Trata-se de um erro determinado por um certo comportamento da outra parte. Anulabilidade de todos eles: a) só pode ser invocada pelo errante. bem como a dissimulação quando o dever de elucidar o declarante resulta de lei. que não são usuais. Dolus malus: sugestões ou artifícios que alguém emprega com a intenção ou a consciência de conduzir ou manter em erro. Segundo o artigo 253º/2 só haverá dolo quando exista dever de elucidar por força da lei. há um dever de elucidar por força da lei. 110 . portanto dolo. estipulação negocial ou das concepções dominantes do comércio jurídico. no entanto se o negócio não estiver cumprido pode ser invocada a todo tempo. remetendo a sua anulabilidade para os termos do artigo 247º.com/index.

Se o declaratario conhece ou lhe foi cognoscível o dolo de terceiro o negócio será totalmente anulável – artigo 254º/2 (1ª parte) . Não é necessário que o dolo seja unilateral. .com/index.atspace. Outros autores falam de responsabilidade extra negocial por factos ilícitos – artigo 483º ss. Pires de Lima. . b) Tem de ser essencial ou determinante (o erro é que tem que ser essencial) c) Ser dolo positivo ou negativo (tanto faz) d) Intenção de enganar o declarante de forma a induzi-lo ou a mante-lo na situação de erro – artigo 253º/1. Neste caso. nem devia conhecer o dolo de terceiro o dolo só releva se ao terceiro adveio. durante os preliminares e a formação do negócio – artigo 227º responsabilidade pelo dano da confiança. mas acresce a responsabilidade pré-negocial do autor do dolo por ter dado origem à invalidade. neste sentido Mota Pinto.Dolo do declaratário: a) Tem de ser dolus malus – artigo 255º/2 a contrario sensu. Dolo essencial: o enganado foi induzido pelo dolo a concluir o negócio em si mesmo e não apenas nos termos em que foi concluído. Dolo fraudulento: há intuito ou consciência de prejudicar.se o terceiro beneficiário foi o autor do dolo o negócio é anulável em relação a esse sujeito mas não é anulável face ao declaratario – invalidade parcial.Se o declaratário não conheceu.Dolo de terceiro – artigo 254º/2: Aplicam-se todos os outros requisitos e ainda: . com o seu comportamento contrário as regras da boa – fé. o negócio é anulável dando lugar também a responsabilidade prénegocial. sem dolo não se teria concluído qualquer negócio. Não conduzirá este dolo necessariamente a anulação como defendeu Mota Pinto anteriormente para o erro – vício. por força do negócio directamente algum direito (clausula a seu favor).html Dolo inocente: não há intuito enganatório.http://apontamentosdireito. Antunes Varela. o próprio dolo bilateral pode ser invocado como fundamento de anulação – artigo 254º/1 (parte final). 1. ele contrataria sempre. Vaz Serra. 111 .  Efeitos: o principal efeito do dolo é a anulabilidade do negócio – artigo 254º/1. 12 Se o dolo é exercido por um representante do declaratario ou por seus agentes a situação será tratada como dolo do declaratário. Dolo incidental: o enganado apenas foi influenciado quanto aos termos do negócio. neste sentido12 Castro Mendes e Carvalho Fernandes. 2 – se o terceiro beneficiário não foi o autor do dolo o negócio é anulável em relação a ele se ele conhecia ou não devia ignorar o dolo. mas noutras condições.

Só cairemos no âmbito da coacção física ou absoluta quando a liberdade exterior do coagido é totalmente excluída e ele é utilizado como verdadeiro autómato – exemplo assinatura de um documento com a mão a ser conduzida por outrem com força irresistível). mesmo no caso de ameaça com arma de fogo ou no caso de emprego da violência física como começo para compelir o negócio estaremos face a coação moral ou relativa. honra ou à fazenda do declarante ou de terceiro – artigo 255º/2 A coacção moral origina a anulabilidade do negócio – artigo 256º.com/index. receio de um mal de que o declarante foi ilicitamente ameaçado com o fim de obter dele a declaração.atspace. A ameaça pode dizer respeito à pessoa. segundo Mota Pinto a responsabilidade pré – negocial do coactor – artigo 227º Coação exercida pelo declaratário. então. só será anulável se: a) Que se trate de uma coação essencial ou principal. o seu conceito. quando lhe foram deixadas possibilidades de escolha. Coação exercida por terceiro: Provoca a anulabilidade do negócio e põe a cargo do coactor uma obrigação de indemnizar o declarante e o declaratário se este não for cúmplice do terceiro. a perturbação da vontade traduzida no medo resultante de ameaça ilícita de um mal com o intuito de extorquir a declaração negocial. embora a submissão à ameaça fosse a única escolha possível. penhora.html  A coacção moral: consta do artigo 255º/1. ameaça de agressão. É.http://apontamentosdireito. Só há vicio quando a liberdade do coagido não foi totalmente excluída. Não basta o simples medo ou receio. etc. b) Intenção de extorquir a declaração – artigo 255º/1 e que a declaração tenha sido efectivamente extorquida – 256º/1 (1ª parte) c) Ilicitude da ameaça – artigo 255º/1. também duma ameaça de exercício abusivo extrajudicial de um direito exemplo: doação por um paralítico a quem ameaça abandona-lo). de morte. mesmo que o autor da ameaça não pretenda senão a satisfação do seu direito) c2) Ilegitimidade dos fins (ameaça de recurso às vias de direito como participação criminosa. para conseguir vantagens indevidas.receio de desagradar a certa pessoa a quem se deve respeito ou de quem se é dependente. São exigidos para esta coação os requisitos da coacção do declaratario e ainda: 112 . Assim. Não há coacção se há apenas a ameaça de um direito para conseguir a satisfação ou garantia de um direito existente – artigo 255º/3. a lei no artigo 255º/1 exclui o chamado temor reverencial . esta pode resultar: c1) Ilegitimidade dos meios empregues (ex. havendo lugar.

desproporção manifesta entre as prestações que ultrapasse o que pode ter alguma justificação. Confronto com a coação: pode gerar confusão quando o estado de necessidade for ocasionado por um facto humano (ex. Requisitos subjectivos:  a) . mas em relação aos vários tipos de indivíduos. ou um imperativo moral de auxilio. isto porque se o coagido não poder invocar a coacção não poderá invocar outro vício da vontade. enquanto que no dolo.com/index. deve-se atender à viabilidade da sua execução. à capacidade de resistência do tipo médio de indivíduo com as condições pessoais do declarante. b) (e)Justificado receio da consumação do mal. No caso de ameaça de recorrer a vias judiciais (Capelo de Sousa defende que a ameaça termina a partir da sentença da 1ª instancia). só o prestando depois de exigir uma retribuição a que não tinha direito). há sempre possibilidade de invocar o erro simples. alguém que tinha o dever jurídico ex. Requisitos objectivos:  benefícios excessivos ou injustificados. #  O Estado de Necessidade: situação de receio ou temor gerada por um grave perigo que determina o necessitado a celebrar um negócio para superar o perigo em que se encontra. que confere à outra parte benefícios excessivos ou injustificados. mas a partir do momento em que cessa a ameaça.http://apontamentosdireito. se este não poder ser invocado.situação de necessidade. Na anulabilidade começa a contar o prazo não a partir do momento em que é feita a ameaça.  Efeitos: o estado de necessidade deve subsumir-se ao artigo 282º onde se estatui a anulabilidade dos negócios usurários. Neste caso parte da doutrina diz que ao faze-lo ele está a contribuir para a situação de perigo prolongando-a. ao contrário da coacção em que a situação é criada pelo coactor. algo que é apreciado objectivamente. dependência. estado mental ou fraqueza de carácter. Há aqui um aproveitar-se da situação. ligeireza. médico.html a) (d)Ameaça de um mal grave. sendo que quem se aproveite não provoca essa situação. inexperiência .atspace. No caso da pessoa que se aproveita conscientemente da situação de necessidade ter o dever de auxiliar o necessitado (ex. O facto que lhe dá origem pode ser natural ou humano. estará nesse caso a ameaçar daí ser considerado também coacção moral. 113 . Trata-se de um regime “menos apertado” que o dolo. médico que o é obrigado pelo seu código deontológico). b) – conhecimento da situação de inferioridade e aproveitamento consciente para dela tirar benefícios.

com/index. pela qual nas doações e liberalidades testamentárias. Prevê-se a anulabilidade desde que se verifique um requisito: a notoriedade ou o conhecimento da perturbação psíquica. b) O termo: subordinação pelas partes do negócio jurídico a um acontecimento futuro de verificação certa. Termo resolutivo: os efeitos produzem-se desde logo. no interesse do disponente. mas cessam a partir de certo tempo. ↔ 114 . desta forma. c) O modo: cláusula acidental. Condições resolutivas: a verificação da condição importa a destruição dos efeitos negociais. # Incapacidade acidental: o artigo 257º prevê duas modalidades: a) Incapacidade de entendimento. tutelando-se. Saber se uma condição é suspensiva ou resolutiva é um problema de interpretação do negócio jurídico. o disponente impõe ao beneficiário a obrigação de adoptar um certo comportamento. Bons costumes – variam com os tempos e lugares. Noção variável ao longo dos tempos. de boa – fé num dado ambiente e num dado momento. Essa notoriedade é avaliada nos termos do artigo 257º/2 pelo princípio do bónus pater famílias. Existem duas modalidades: condições suspensivas: à verificação da condição fica subordinada a produção dos efeitos do negócio. abrangendo o conjunto de regras éticas aceites pelas pessoas honestas.http://apontamentosdireito. Elementos acidentais dos negócios jurídicos: a) A condição – artigo 270º : subordinação pelas partes do negócio jurídico a um acontecimento futuro de verificação incerta. a confiança do declaratário.atspace. Existem duas modalidades: termo suspensivo: neste caso fica subordinada a própria produção dos efeitos do negócio jurídico nos termos do 278º. Ordem pública – conjunto de princípios fundamentais subjacentes ao sistema jurídico que o Estado e a sociedade estão interessados em que prevaleçam. correctas. de terceiro ou do próprio beneficiário – artigos 963º e 2244º.html Mota Pinto defende ainda que tais negócios deverão ser nulos com fundamento em contrariedade à lei ou ofensa aos bons costumes – artigo 280º. b) Falta de livre exercício da vontade.

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