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Livro - A Moacyr Uchoa - Mergulho_no_Hiperespaco

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Este Livro do General A. Moacyr Uchoa, contatado por extraterrrestres, contém informações muito importantes para a humanidade e principalmente para os pesquisadores
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A. Moacyr Uchôa

mergulho

no

hiperespaço

Dimensões Esotéricas na
Pesquisa dos Discos Voadores

2

A. Moacyr Uchôa – Mergulho no Hiperespaço

ÍNDICE

MERGULHO NO HIPERESPAÇO

“DIMENSÕES ESOTÉRICAS NA PESQUISA DOS DVs”

Prefácio ........................................................................................................ 5
Preâmbulo ................................................................................................... 9
1ª PARTE
DIMENSÕES CIENTÍFICAS DA PESQUISA
UFOLÓGICA ........................................................................................... 19

Capítulo I – DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO ................................................ 21

1.1 Ciência Acadêmico - Universitária ....................................................................................... 21
1.2 Ciência Esotérico - Espiritual ............................................................................................... 24

Capítulo II – DOS VÁRIOS NÍVEIS DA PESQUISA
CIENTÍFICA/METODOLOGIA ............................................................................. 30

2.1 Clássico – Acadêmico - Universitário .................................................................................. 32
2.2 Avançado – Acadêmico - Universitário ............................................................................... 32
2.3 Esotérico - Espiritual ............................................................................................................ 32

Capítulo III – DAS PERSPECTIVAS E REALIDADES DA PESQUISA
UFOLÓGICA ........................................................................................................... 35

3.1 Em nível científico normal ................................................................................................... 38
3.2 Em nível científico avançado ............................................................................................... 44
3.3 Em nível Esotérico-Espiritual ............................................................................................... 47

2ª PARTE DA CIÊNCIA HIPERESPACIAL .................................... 53

Capítulo IV – HISTÓRICO/EVOLUÇÃO PARA UMA PERCEPÇÃO
DIFERENTE ............................................................................................................ 55

4.1 Telepatia Extra-humana ........................................................................................................ 56
4.2 Da Visão Hiperespacial ........................................................................................................ 67

Capítulo V – O HIPERESPAÇO FÍSICO SUTIL – COEXISTÊNCIA DOS
ÉTERES ................................................................................................................... 71

5.1 Da Natureza do Hiperespaço ................................................................................................ 71
5.2 Do Relacionamento Espaço-Hiperespaço ............................................................................ 75
5.3 Uma Dissertação Telepática ................................................................................................. 79

3ª PARTE MERGULHO NO HIPERESPAÇO ................................ 83

PALAVRAS NECESSÁRIAS .......................................................... 85

Capítulo VI – Um Transporte? Uma percepção apenas? Uma Base Operacional
Hiperfísica? .............................................................................................................. 91

Capítulo VII – Uma Nova Visita à Superbase Hiperespacial. Seu Comandante ..... 95

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A. Moacyr Uchôa – Mergulho no Hiperespaço

Capítulo VIII – Visita inesperada a Ambientes Hiperespaciais. Ampliam-se
contatos ................................................................................................................... 101

Capítulo IX – Visita a uma nave de rara beleza. Encontro com ZYASH .............. 107

Capítulo X – Uma viagem extra-solar. Uma estranha vivência hiperespacial ...... 115

Capítulo XI – Um diálogo, uma palavra, uma instrução ....................................... 125

Capítulo XII – Outra Experiência Extra-Solar ou Extraplanetária. Novas Instruções!
................................................................................................................................ 133

CONCLUSÃO ........................................................................................ 145
INDICAÇÃO BIBLIOGRÁFICA ........................................................ 151

PREFÁCIO

A publicação deste novo livro do Coronel Uchôa enseja-me a
oportunidade de transcrever neste Prefácio, inicialmente, a título de
documentação histórica, alguns trechos do Relatório que apresentei, em 1975,
ao IBACE (Instituto Brasileiro de Astronáutica e Ciências Espaciais), como
presidente da CBPCOANI (Comissão Brasileira de Pesquisa Confidencial dos
Objetos Aéreos Não-Identificados). Ei-los:

O permanente problema dos Discos Voadores. (Relatório 1975). Em Maio
de 1958 teve lugar em São Paulo o Primeiro Colóquio Brasileiro Confidencial
sobre os Objetos Aéreos Não-Identificados, convocado, organizado e presidido
pelo Prof. Flávio Pereira, dentro do programa da então florescente Sociedade
Interplanetária Brasileira. O certame reuniu cerca de quinze estudiosos e
investigadores categorizados – do Rio, Belo Horizonte, Porto Alegre e São
Paulo, e seu fruto imediato foi a constituição da CBPCOANI, órgão naquela
época ligado à SIB, e que, desde sua fundação, contou com a vice-presidência
do Dr. Olavo Fontes, do Rio de Janeiro, encarregado da ligação com as Forças
Armadas e os grupos do Exterior e tendo como presidente em São Paulo o Prof.
Flavio Pereira. A Comissão passou a centralizar a análise dos dados captados
nas mais diversas fontes informativas, não excluindo de sua tarefa a apreciação
crítica da própria atitude das elites militares ou das Forças Armadas e dos
investigadores filosoficamente não-alinhados. Em 1961, fundado o IBACE
(Instituto Brasileiro de Astronáutica e Ciências Espaciais), a Comissão passou a
figurar no quadro jurídico desse Instituto. Entre 1961 e 1966, teve a comissão
destacada atuação, dentro e fora do País, participando de decisivas conferências
sigilosas na França, Espanha e Estados Unidos, com pesquisadores dependentes
ou não de órgãos governamentais, merecendo destaque os encontros do Dr.
Olavo Fontes com o Prof. Allen Hynek, então consultor da Força Aérea dos

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A. Moacyr Uchôa – Mergulho no Hiperespaço

EUA em matéria de Ufologia. Entre 1960 e 1974, realizaram-se mais cinco
Colóquios Brasileiros, aglutinando um elenco crescente de novos
investigadores, cumprindo mencionar os nomes do médico Max Berezovsky, do
professor Guilherme Wirtz e do arquiteto Methodius Kalkaslief, que passaram a
abrilhantar o grupo de estudiosos patrícios.

A CBPCOANI não se descuidou do setor bibliográfico, tão rico em títulos
no estrangeiro mas tão pobre aqui... Assim, já em 1958 havia a Comissão
patrocinado dois livros: “Os Discos Voadores” (Com. Auriphebo B. Simões) e
“Discos Voadores – Contatos com seres de outros planetas” (Dr. José Escobar
Faria). Fez também com que se editasse a tradução portuguesa do “Reporto n
Unidentified Flying Objects” (Cap. Edward Ruppelt, antigo chefe do Projeto

Blue Book).

Em 1966, procedeu-se à publicação do tratado “O Livro Vermelho dos
Discos Voadores” (Prof. Flávio Pereira), visando à correta doutrinação da
opinião pública a respeito da difícil problemática (provocou, de fato,
significativo impacto nos altos círculos militares nacionais e nas elites culturais
aficionadas). Outra obra também editada sob os auspícios da CBPCOANI – “A
Parapsicologia e os Discos Voadores”, do General Uchôa – veio trazer a
público, em 1973, a magna crise de há muito latente, agora galopante, no seio
da Ufologia internacional, já com reflexos distantes e alguns bastante
acabrunhadores... O livro trata da paciente e interessante investigação que seu
autor havia empreendido no setor ufo-parapsicológico, nos arredores de
Brasília, em pleno campo e serviu como preâmbulo ao Primeiro Simpósio
Nacional sobre as Dimensões Esotéricas da Ufologia, realizado durante o Sexto
Colóquio Brasileiro sobre os Objetos Aéreos Não-Identificados (São Paulo,
1974), colóquio esse preparatório ao Primeiro Simpósio Interamericano de
Ufologia, efetivamente realizado em 1975, sob a dupla presidência do Prof.
Allen Hynek e do General Moacyr Uchôa e durante o qual aquele cientista
norte-americano proferiu marcantes conferências públicas em Brasília (Câmara

dos Deputados), Curitiba (Universidade Federal) e São Paulo (APEX). “Ao

ensejo deste Relatório, elaborado em Dezembro de 1975, convém enfatizar o
caráter disciplinar de que já se reveste a Ufologia, paralelamente a uma
conjuntura crítica, derivada tanto da natureza do fenômeno aqui estudado,
quanto da condição inerente à percepção do mesmo. Assinado: Prof. Flávio
Pereira.

Este novo livro do General Uchôa vem enriquecer as letras ufológicas, em
linha com suas duas obras anteriores, principalmente a mencionada no texto
oficial do Relatório Brasileiro de 1975. Agora, porém, eis que o ilustre
intelectual e militar, revelando coragem inusitada, alça voo de vertiginosas

A. Moacyr Uchôa – Mergulho no Hiperespaço

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consequências, mas sem dúvida necessária à correta doutrinação nacional neste
campo. Basta correr os olhos pelos títulos das Partes e Capítulos. O autor
propôs-se uma tarefa hercúlea e delicada: estabelecer as correlações científicas
entre a pesquisa objetiva, empírica da Ufologia e a Filosofia Esotérica,
espiritualista. Sem perder, jamais, o senso das Ciências Físicas – das quais foi,
durante longos anos, mestre na Academia Militar de Agulhas Negras – o
General Uchôa faz-se eco da grande abertura, espécie de guinada de 180 graus
que se vem observando na Pesquisa Internacional.

A decantada crise comprovada na Ufologia, e exposta, cruamente, pelo

Dr. Jacques Vallée em seu livro “Le Collège Invisible”, de 1975, vinha

afetando a Física Teórica, inclusive a Nucleônica, desde os idos de 1926. É a

“paranormalização” da Física, fenômeno fácil de detectar nos congressos e nos

últimos livros envolvendo as maiores celebridades na matéria. Pois essa
“paranormalização” da Física já chegou à Ufologia.

Quando se diz que um fenômeno comporta dois “modelos de realidade”,
convergentes ou paralelos, mas “dimensionalmente diferentes”, fala-se em
“paranormalização” desse fenômeno ou da respectiva disciplina. Estamos em
plena “paranormalização” da Ufologia, fato que, em si mesmo, denota a eclosão
de uma crise de largas consequências. Hynek e Valée, as duas autoridades

máximas em Ufologia, começam a falar em discos voadores “paraterrestres”,
distinguindo-os dos “extraterrestres”.

Dezenas de cientistas, em meia dúzia de países, aglutinados em torno de
um “Colégio Invisível” – invisível porque não-oficial e completamente
desligado de compromissos filosóficos com a Ciência estabelecida – começam
agora a reconhecer que a realidade suscitada pela existência ou presença dos
discos voadores é muito, muito mais complexa e estranha do que supunham

muitos em 1948, em 1958, em 1968, ou em 1972... Eis os “discos
paraterrestres” assombrando, com sua fenomenologia insólita – contudo,
semelhante à dos discos extraterrestres – as noites indormidas dos
aficcionados... Eis os membros do “Colégio Invisível” sobraçando lunetas,
microscópios eletrônicos e espectrógrafos de massa, buscando surpreender,
entre aflitos e angustiados, a causalidade da nova (?) categoria de objetos não-
identificados. Mas tudo em vão!

Desloca-se o centro de gravidade da Ufologia. Vai ao encontro não só da
chamada Parapsicologia (Psicobiofísica, Psicotrônica, Bio-Informática, ou que
outro nome tenha), como também se entrega de braços abertos às Filosofias
Esotéricas.

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A. Moacyr Uchôa – Mergulho no Hiperespaço

Tenho acompanhado, como presidente nacional do CBPCOANI IBACE,
desde 1958, a própria evolução metodológica e epistemológica dos meus
preclaros colegas e companheiros de Ufologia, tanto daqui como do estrangeiro.
Pude deduzir a trajetória intelectual do grande Hynek, bem como do
surpreendente J. Valée, matemático e ciberneticista alto nível. Pois ei-los
falando linguagem inusitada para os que se haviam acostumado a considerar a
Ufologia enquadrada nos padrões de 1955...

Por isso tudo, este livro do General Uchôa vem de publicar-se na hora
exata. Oxalá que as elites de fala inglesa ou francesa possam rapidamente
merecer a honra das respectivas traduções, pois o nosso Português é pequeno
demais para tão marcante e soberana mensagem.

Entretanto, busquemos, nestas páginas, não o sumo das profundas
filosofias espiritualistas, mas novos paradigmas científicos, consentâneos com a
Ufologia que está brotando neste derradeiro quartel do século XX, ante manhã
do Terceiro Milênio.

(CBPCOANI/IBACE Escola Superior de Ciências)

Professor Flávio Pereira

São Paulo, Fevereiro de 1976.

PREÂMBULO

Hoje, 13 de Junho de 1974, retomamos o trabalho iniciado no calmo e
tranquilo crepúsculo de 27 de Abril do ano passado, aceitando uma grave
responsabilidade.

Grave responsabilidade, dizemos, pelo que pode representar e significar
em relação a toda nossa atividade em Brasília, que desejamos de nítida
expressão na conjuntura educacional de nível superior.

É que lidaremos com um verdadeiro depoimento atípico, versando sobre
uma estranha fenomenologia, da qual participamos como pesquisador e como
pesquisado, conduzindo a uma perspectiva talvez demasiado ampla para a
expansão futura da pesquisa científica nos vários campos da ciência atual.

O nosso depoimento, a nossa análise, as nossas sugestões, amparados ou
inspirados por seres de outras dimensões, poderão, pensamos, criar para nós um
clima interrogativo no que diz respeito a nós próprios, no que tange ao aspecto
psicológico do nosso proceder, podendo projetar-se negativamente em relação
àquele grande objetivo educacional que sempre temos em mira.

Na verdade, esse objetivo educacional já é por si amplo, pois, nos moldes
em que se coloca, já transcende a vulgaridade que, nesse plano de educação de
nível universitário, se limita à preparação instrumental técnica, conjuntural,
dando ao educando apenas uma formação adequada às atividades a que aspire
no complexo social a que pertence.

Não ficamos aí, porém. Projetamos criar um Centro Universitário, com
faculdades e institutos que propiciem, de futuro, a constituição de uma

verdadeira Universidade em cujo seio se encontre a “ASSOCIAÇÃO
UNIVERSAL MORYA”, podendo esta oferecer àqueles educandos, além de

ambiente para pesquisas científicas avançadas, ainda não de todo patrocinadas
pelas academias ou universidades, posicionamento filosófico eminentemente
universalista, com a possibilidade, ainda, do aluno caminhar rumo à
culminância de sua educação espiritual como criatura humana. Poderá realizar-

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A. Moacyr Uchôa – Mergulho no Hiperespaço

se crísticamente, isto é, no seu Cristo Interno, no CRISTO MÍSTICO, no Cristo
Cósmico, Divino, vivendo então esse sentido da ETERNA E IMENSA
GRANDEZA ESPIRITUAL DO SER HUMANO.

Temos e alimentamos, com desvelo e acendrado amor, esse Ideal ao qual
procuramos sempre servir com tenacidade, confiança e convicção de que não
estamos sós nesse fascinante caminho.

Daí referimos, de início, o risco que corremos face à incompreensão
humana, à comum estreiteza de horizonte que se nota, se verifica, até em
pessoas de alto nível de responsabilidade no campo da educação, e mesmo de
mui alto padrão intelectual, mas que, às mais das vezes, se obliteram
lamentavelmente, se limitam, se encerram em círculos fechados de tristes
deformações dogmáticas, a serviço de credos filosóficos ou religiosos de
implicações sociais já incompatíveis com o avanço do homem deste fim de
século, deste dealbar do futuro milênio. Esses, porém, infelizmente, ainda
representam obstáculos e dificuldades para aquela expansão maior, sob a
inspiração universalista do DIVINO AMOR DO SENHOR JESUS – CRISTO
MAYTREYA, que se contrapõe a esse sectarismo tão atual de dezenas e
centenas de religiões e igrejas. É que essas consideram, cada uma delas, possuir
aquela Verdade de cuja essência o próprio Jesus silenciou, deixando-a entregue
ao coração, à intimidade essencialmente espiritual de cada um.

A nós, porém, falou ou fala bem mais alto uma voz que não é tímida,
fraca ou indecisa. É corajosa, forte e plena de decisões. Por isso, somos levados
a esse trabalho, sem grandes preocupações sobre precipitados ou tendenciosos
juízos que possam suscitar, correndo o risco consciente de quaisquer
consequências, em relação às tarefas que achamos por bem levar a termo.

Tudo entregaremos, em reverência e homenagem Àquele que nos inspira
e nos Sustenta, não só na fascinante pesquisa que este trabalho revela, como
também em nosso anseio de servir à criatura humana, servindo, por outro lado,
dentro da tônica dominante do pensamento espiritual e crístico, à conjuntura
educacional do nosso país.

Ao longo desse livro, está escrito muita coisa em que jamais teríamos
pensado, há perto de sete anos atrás, quando iniciamos a nossa pesquisa
ufológica. Os fatos se sucederam conduzindo-nos por fascinantes, mas também
perigosos caminhos.

Não há, porém, necessidade de sermos alertados por possíveis leitores
deste trabalho, competentes psicólogos e psiquiatras, ou mesmo pessoas de
elevada formação cultural e justo critério, no sentido de, em tempo, nos

A. Moacyr Uchôa – Mergulho no Hiperespaço

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cuidarmos para não irmos demasiado à frente, tomados de um extremo fascínio
que a fantasia soe promover, tornando mórbida a própria personalidade.

Desde o início acordamos, parece, lucidamente, para ver esse perigo e tê-
lo em conta, precatando-nos em equilíbrio e sobriedade. Todavia, não
nascemos, vivemos, estudamos e trabalhamos para amar e cultivar a rotina
medida pela repetição monótona do já vivido e indefinidamente repetido, que
traça norma de conduta inexorável, sempre a mesma, à maioria das pessoas
desprovidas de um sentido maior face ao próprio fato de existir.

Para tais grupos muito dificilmente interessará o novo, ainda não
configurado no âmbito do conhecimento normal, vigente, principalmente
quando essa novidade de um novo conceito abala os alicerces de seu próprio
conhecimento. Conforme sua natureza, especialmente quando atinge os dogmas
dominantes, triunfantes, religiosos, filosóficos e científicos, espanta a sua
pesquisa e dela foge, como regra, a maioria absoluta dos próprios filósofos e
cientistas de toda ordem. Com isso, a história da ciência diz, muitas vezes tem
sido sobremodo retardado o evolver do próprio conhecimento.

Ocorre, também, que esses preconceitos religiosos, filosóficos e
científicos levam à deformação da própria pesquisa e, mui particularmente, a
passionalismos que passam a permear a análise dos elementos colhidos,

subvertendo conclusões por uma “lógica” cheia de saltos, sem racionalidade.

É o que vem acontecendo, flagrantemente, no que diz respeito à
parapsicologia. Vemos supostos pesquisadores, inteligentes e passionais,
particularmente religiosos, como que predeterminarem o que deverão ou terão
que concluir.

E o espírito dogmático exacerbado lhes confere até muita audácia e
coragem em afirmações já agora primárias, sensivelmente superadas. Isto,
ressalte-se, quase sempre, quando insistem em suas “verdades eternas”, não
conformados com os horizontes e perspectivas novas que se abrem.

Assim é, também, e mais perigosamente até, pelo mui justo prestígio de
que goza a ciência, para os extremados cientistas materialistas tão plenos de
convicção de seu alto saber, que sumariamente decidem e marcam os limites do

“possível” e do “impossível”. Dessa forma, particularmente no campo
ufológico, dos discos voadores, passa à categoria do “impossível” a existência
da vida inteligente em alto nível nos planetas do nosso sistema solar. As razões
são muitas e quem sabe (?) corretas... A essa mesma categoria de absurdo e
impossibilidade passa a interrogativa viagem até nosso planeta de seres que
seriam mais que extraterrestres, extra-solares, devido a categóricas afirmações

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A. Moacyr Uchôa – Mergulho no Hiperespaço

científicas no campo da Mecânica e da Física, concernentes a velocidades
alcançáveis no meio espacial em que a nós se revela o nosso Universo.
Qualquer viagem exigiria anos e séculos de duração.

Conclui-se então que, para o fenômeno disco voador, deveria encontrar-se
a solução de seu mistério na própria conjuntura técnico-científica planetária,
isso é, terrestre! Ora, sendo já insofismável a presença dos discos voadores,
face a um verdadeiro mundo de observações selecionadas e catalogadas por
organizações particulares e oficiais de países líderes da civilização atual, entre
os quais se destacam os Estados Unidos da América do Norte, a França e mais,
indicando essas observações, em seu todo, a excepcionalidade de determinadas
provas de demonstrações mecânicas e físicas, sem qualquer condição de
explicação pela ciência e técnicas humanas, é de dado o sentido de domínio das
grandes nações, em que, praticamente, se dividem as influências sobre os
demais povos à base do poder, qual delas ficaria inativa e sem ambições, se
dispusesse de tais meios, como, por exemplo, aquele que permitiu a um só disco
voador cortar a energia de uma usina elétrica que abastecia oito Estados dos
Estados Unidos da América do Norte, às sete horas, do dia 9 de Novembro de
1965, interessando a uma população superior a quarenta milhões de habitantes?

E a capacidade do disco voador de invisibilizar-se, podendo atuar à
absoluta revelia de qualquer controle humano? Como se apresentaria qualquer
defesa face a essa realidade que, de quando em vez, surge dos espaços, se ela
fosse definitivamente hostil?

Não sendo da Terra, nem de qualquer planeta solar e não podendo vir de
outros sistemas estelares, a conclusão é óbvia: absurdo! Não existe!

A nossa perplexidade advém de pretensiosamente querermos marcar
limites à realidade, vendo-a deformada pela limitação dos nossos sentidos e da
estreiteza relativa da nossa consciência espaço-temporal, em que a ciência quer
restringir toda a possibilidade do conhecimento humano.

Aqui, então, situa-se, não há como negar, algo que esse livro pretende
enfatizar: é essa ampliação do cosmo no sentido de sua profundidade maior,
ainda não devassada pelo espírito científico humano, preconceituoso e
orgulhosamente rebelde a tal evolução conceitual, conduncente a dimensões
superiores, a qual ofereceria, é evidente, à sua vista, um universo muito, muito
mais rico de formas, energia e vida, conferindo ao homem um sentido bem
novo da imensa dimensão da sua própria grandeza!

Isso, afinal, é o que pretende oferecer este trabalho: estímulo para esse
despertar, para essa intuição da realidade maior que está à vista daqueles que,

A. Moacyr Uchôa – Mergulho no Hiperespaço

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rompendo as limitações sensoriais normais, podem observar e analisar
fenômenos de nível mais alto, plenificando-se da certeza de que nos
encontramos no dealbar de uma nova vivência e cósmica aprendizagem.

O Autor

DEDICATÓRIA

A todos aqueles cientistas ou não,
filósofos ou não, que, tomados

permanentemente de uma “dúvida
inteligente”, buscam sinceramente a
“verdade” e já intuem, pressentem uma
“realidade maior” permeando o universo
em que nos sentimos existir, com
humildade e esperança.

OFERECEMOS ESTE LIVRO

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A. Moacyr Uchôa – Mergulho no Hiperespaço

A. Moacyr Uchôa – Mergulho no Hiperespaço

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“Para atingir a verdade, é preciso

uma vez na vida se desfazer de todas as
opiniões aceitas e reconstruir, de novo,
desde o fundamento, todos os sistemas do
próprio conhecimento.”

RENÉ DESCARTES

“Se, até agora, a Ciência tem sido

conduzida pela experiência externa e pela
razão, d´ora em diante, além desse
processo, há que progredir e completar-se
pela experiência interna, decorrente de
percepções superiores, evidenciadas em
níveis mais profundos do próprio ser, em
cuja interioridade se encontra a
consciência humana em contínuo

enriquecimento e expansão.”

Y.A.

PRIMEIRA PARTE

DIMENSÕES CIENTÍFICAS DA PESQUISA UFOLÓGICA

- Pelo próprio evoluir da Ciência, da
antiguidade aos nossos dias, percebe-se
claramente o caráter asintótico do
conhecimento

humano,

sempre
avançando, avançando como ao longo e

em busca de um “infinito” a realizar.

M.

- A Doutrina da Relatividade
constitui uma síntese do Universo mais
vasta,

mais

homogênea,

mais
compreensiva e mais fecunda de que a
Ciência Clássica. Todavia é de ver-se que,
em seus próprios fundamentos, ela
conserva algo de infinitamente
perturbador e passível de necessariamente
aperfeiçoar-se...

CHARLES NORDMAN

(Astrônomo do Observatório de Paris)

CAPÍTULO I

DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO

Devemos tornar bem claro, de início, que não pretendemos enveredar
por exposições filosóficas, visando à apresentação e análise de conceitos
que interessem fundamentalmente à fixação de rumos a uma pesquisa
científica. O campo ufológico, ambiente e objeto de nosso estudo, ainda é
bastante novo, um tanto fluido, pouco controlável e pouco passível de ser
sujeito a uma rigorosa metodologia científica.

Todavia, se nos propomos um estudo nesse campo, ao nível
científico, devemos indicar e justificar a nossa posição, à altura desse nível,
ante esse desafio do século que é o problema dos discos voadores.

1.1 CIÊNCIA ACADÊMICO-UNIVERSITÁRIA

Fazer ciência é caminhar para além do empirismo, que oferece um
conhecimento esparso, paradoxalmente positivo e fugidio, porque leva a
conceitos sem qualquer abrangência, por isso mesmo transitórios e
mutáveis ao sabor da própria experiência.

Fazer ciência é buscar, nos fenômenos que presenciamos, sejam estes
naturais, oferecidos pela própria vida e as manifestações energéticas que
nos impressionam e atingem, ou aqueles promovidos em laboratórios,
como também registrados em observatórios, o estabelecimento de lei ou
leis que os aglutinem em relação de simultaniedade de ações e reações no
espaço em que se contém, ou em relação de dependência no decorrer do
tempo em que se ajustem e sucedem. Essa busca, em termos do racional,
contingência ou faculdade que, de tão nobre, impulsiona o homem ao

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A. Moacyr Uchôa – Mergulho no Hiperespaço

domínio da natureza e da sua própria vida. Em consequência, há que partir-
se dos fatos, das ocorrências objetivas que, dessa ou daquela forma, nos
impressionam, através dos nossos próprios sentidos.

Estabelecidas as leis, é do espírito científico afirmar a sempre
possível repetição do fenômeno desde que já conhecidos todos os
pressupostos dos fatores de causalidade nele implicados e a Lei das
operações que o determinam e promovem.

Enquanto não for possível o governo objetivo do fenômeno, ainda
não está ele aclarado e incorporado a um verdadeiro conhecimento
científico. Fenômenos e fenômenos de natureza ainda não plenamente

desvelada constituirão apenas, “um campo de investigação científica”.

Jamais, nessas condições, poderão constituir uma Ciência em termos de um
justo critério acadêmico-universitário.

Daí a razão pela qual os âmbitos das pesquisas parapsicológicas e
ufológicas constituírem apenas campos de pesquisa científica, ainda sem
condição de se fazerem impor como Ciência: quer a Parapsicologia, quer a
Ufologia.

Por outro lado, não há como deixar-se de considerar um fator novo,
que a ciência formal, acadêmica, ortodoxa a que nos estamos referindo,
insiste em não apreciar ou aceitar. Esse fator é claramente manifesto aos
que pesquisam naqueles campos, parapsicológico ou ufológico, sem
extremos de uma ortodoxia metodológica calcada em pressupostos de fé, a
qual por si própria acaba destruindo toda possibilidade de um verdadeiro
sucesso: esse fator novo é a existência de uma consciência, tendo a seu
serviço uma inteligência e uma capacidade de fazer, tudo fora da estrutura
física ou psíquica humana, isto PE, um ser não humano com essas virtudes.
É bem evidente, porém, que uma extraordinária gama de fenômenos
parapsicológicos não implica esse fator novo, isto é, aquele ser não
humano podendo, por isso mesmo, submeter-se rigorosamente à pesquisa
científica de laboratório sem qualquer dificuldade essencial. Devemos
aduzir que, na realidade, um grande surto de desenvolvimento se operou na
parapsicologia, à revelia desse fator, e muito maior progresso ainda poderá
ser feito, mesmo mantendo as pesquisas suas vistas limitadas aos ainda não
revelados ou devassados arcanos da personalidade, isto é, do ser humano,
pois, tudo indica, há um infinito a ser descoberto no próprio mundo do seu
psiquismo e, até no das ações e reações, até agora não apreciadas e
controladas, do sutil ainda físico de sua própria estrutura material.

A. Moacyr Uchôa – Mergulho no Hiperespaço

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Todavia, a história da Metapsíquica, onde pontificaram tão ilustres
nomes da ciência, como W. Crookes, C. Richet, Zolner, Alfred Wallace, o
Prof. Morselli, o Barão Schrenck-Notzing, Camille Flammarion e tantos
outros, está aí para mostrar que horizontes haverão ainda de abrir-se à
investigação parapsicológica. Fará ela despontar incisivamente uma
fenomenologia ainda mais agressiva e contundente, em relação ao
classicismo científico operante nos Institutos e Universidades. É que essa
pesquisa, nesse nível metapsíquico, conduz à evidência daquele fator, que
desejamos enfatizar, quantas e quantas vezes influente nas experiências
daqueles eminentes sábios. Algo que depende de uma consciência, de uma
vontade não humana, extra-humana, não se enquadra na exigência normal
do pesquisador científico. Reconhecendo a possibilidade daquele fator,
com ele se afinando na pesquisa, como fez Crookes, poder-se-á, aí, sim,
exigir e conseguir a reprodução do próprio fenômeno.

Passando à ufologia, o problema ostensivamente se agrava, ao nível
dessa orientação científica: “o fenômeno disco voador jamais poderá ser
reproduzido, à vontade do pesquisador, nos laboratórios.”

Então, o que fazer? Abandonar qualquer pesquisa científica nesse
campo? Não. Há, ainda, o recurso de estabelecer uma metodologia que
enquadre essa pesquisa à forma de uma ciência de observação, como, por
exemplo, a astronomia, ao nível da mecânica celeste. Obter-se-á uma
coletânea de fatos, de observações, com todos os rigores de uma adequada
credenciação, seguindo-se-lhes críticas, análises estatísticas e conclusões.
No caso ufológico, contudo, sobrevém aquele fator eminentemente
perturbador: uma inteligência que decide e opera na intimidade da própria
fenomenologia. Entretanto, esse método clássico tem sido até aqui o único
caminho.

Tudo o que acabamos de ver se põe nitidamente ao nível da ciência,
como a conceituamos, aquela que permeia o espírito universitário de todas
as instituições de ensino e pesquisa dos mais avançados centros da cultura
mundial, com profunda repercussão no campo da tecnologia, que vem
promovendo a produção acelerada da riqueza, com todas as suas
implicações, em relação ao viver humano.

Perguntaremos: essa ciência acadêmico-universitária, eminentemente
racional, tão provada no âmbito da tecnologia, resultando em tantos passos
avançados na construção do poder das Nações e na inaudita capacidade do
homem de até já se projetar na busca de outros planetas do nosso sistema,

essa ciência confessadamente materialista ou, pelo menos, “fisicista”,

24

A. Moacyr Uchôa – Mergulho no Hiperespaço

objetiva, constituirá a “última palavra”, ou melhor, o único caminho, a

única via de conhecimento? Se, até agora, com todos os seus avanços e
realizações, só levou a nossa civilização ao estado de perplexidade, em que
ela própria se interroga, plena de temor, ameaçada, até agora, de destruir-se
ao impacto de seu próprio poder?

Parece-nos, felizmente, que a resposta é “não”. Que há formas de
conhecer que, aceitando e até consagrando toda essa ciência que vimos
considerando, poderá levar o homem a um conhecimento mais amplo, mais
profundo da realidade em que nos contemos, impulsionando-o para um
nível mais elevado do seu próprio autoconhecimento, com funda
repercussão no campo filosófico-espiritual. Seria, assim, capaz de mostrar
o homem em uma dimensão maior de poder mental, espiritual, levando-o
com uma sensibilidade bem mais sutil às polarizações do amor. Essa nova
ciência, assim entrevista, poderia oferecer à criatura humana aquilo que
tanto lhe falta: solidariedade fraternal intrínseca entre os indivíduos, as
criaturas desse nosso viver aproximadas, então, por esse amor amplo,
compreensivo, crístico, que poderá promover a felicidade do homem do
amanhã. É dessa ciência, da sua realidade, de suas características e dos
seus métodos, que iremos tratar a seguir. A esse conhecimento assim mais
rico de humanismo e bondade, de nítidas intuições rumo à verdade, a par
de uma abrangência cósmica, que vai do empirismo científico, através da
sistematização racional, até à justificativa intuicional dos postulados do
amor e do espiritual, denominaremos ciência esotérico-espiritual. Dela
trataremos no capítulo que se segue.

1.2 CIÊNCIA ESOTÉRICO-ESPIRITUAL

Propomo-nos, nessa altura, tratar desse assunto de forma muito
objetiva, surpreendendo, certamente, o leitor que chegasse a supor
viéssemos a enveredar por caminhos escusos de crença ou fantasia. A
nossa palavra será exposição tranquila, posto que argumentada com dados
seguramente científicos.

Da ciência acadêmico-universitária à ciência esotérico-espiritual
passaremos, com segurança, através da sólida ponte da investigação
parapsicológica, considerando, sobretudo, a implicação da liberação dos
condicionamentos de tempo e espaço.

Ora, é da rigorosa posição científica vigente, tranquila e indiscutível,
o fato de os fenômenos que, até aqui, têm interessado à pesquisa humana,

A. Moacyr Uchôa – Mergulho no Hiperespaço

25

se passarem no contínuo espaço-tempo, alçado o tempo assim à condição
de dimensão imposta pela Física Relativista. Esse tempo como dimensão
ajusta-se, aliás, à conclusão da experiência psicológica, que afirma o
imperativo do tempo na gênese e no mecanismo da própria percepção e,
em consequência, na configuração das ideias, estruturação e formação dos
conceitos.

Antes de prosseguirmos, face mesmo ao interesse decorrente do
próprio título deste trabalho, devemos fixar critério quanto à consideração

do que chamaremos “dimensão” ou “dimensões”.

Na verdade, urge que indiquemos não ficarmos numa conceituação

vaga ou indefinida, na qual “dimensão” aparece como conjunção global de

fatores materiais e energéticos, psíquicos ou mentais, sob cujo ângulo se
consideram ou se situam os fenômenos de qualquer natureza que
porventura nos interessem. Não. Em nosso estudo, agora, sobre ciência
esotérica, deveremos ser mais precisos, objetivos, relacionando
“dimensão” a critérios e conceitos de Direção e de Medida, decorrentes de
nossa percepção e da nossa própria capacidade conceitual em relação a
formas, objetos ou seres do espaço em que nos situamos e nos sentimos
viver.

É verdade, porém, que aquela visão global, altamente subjetiva para

o conceito de “dimensão” a que nos referimos, tem amplo sentido e até

mesmo certa objetividade, difícil de aprender e aceitar nesse plano, como
decorrência natural que advirá de nossa possível capacidade de perceber e,

em consequência, conceituar os termos “dimensão ou dimensões
superiores” na estrita e rigorosa tônica conceitual, que exporemos a seguir.

Senão, vejamos: orientemo-nos no espaço, fazendo convenção sobre
sentido positivo (+) ou negativo (-) eleitos sobre um eixo, ao qual nos
justapomos de forma que o sentido positivo nos penetre pelos pés e fuja
pela cabeça. Acrescentaremos que, observando rotação nesse espaço, será
ela positiva, da esquerda para a direita (+), e negativa (-) da direita para a
esquerda. Essa orientação permite o estudo do movimento. A Geometria e
a Mecânica nos ensinam que essa orientação, suficiente para estudo de
qualquer deslocamento do objeto, se substitui, com excepcional vantagem
prática para a forma (Geometria) e para movimentos quaisquer (Mecânica),
por três eixos, ortogonais ou não, concorrentes em um ponto, sobre cada
um dos quais se escolhem, também, os sentidos positivo e negativo. Firma-
se a preferência de eixos ortogonais, marcando, para representação da
forma, direta ou indiretamente, ao longo de cada uma das direções desses
eixos, cada uma das dimensões do objeto: comprimento, largura e altura. A

26

A. Moacyr Uchôa – Mergulho no Hiperespaço

medida, segundo essas direções, completaria as informações sobre esse
objeto ou a coisa do espaço então configurada. Dizemos, então, que a
nossa conceituação do espaço é tridimensional. Em outras palavras: nós
realizamos o objeto no espaço, estático ou dinâmico, em termos de três
dimensões e isso satisfaz ao nosso psiquismo, quando verificamos que,
sem essas três dimensões, jamais teremos um ser desse espaço. Se
acrescentarmos a exigência psicológica do tempo, que advém da mutação
nesse espaço ou de uma transformação que lhe seja analógica, teremos a

tetradimensão conceitual do contínuo espaço-tempo de nosso ser
científico. Então, quando falamos em dimensões outras, estamos
considerando um processo de enriquecimento conceitual daquele contínuo
tetradimensional, mantendo implícito, subjacente, o condicionamento
desse conceito realizado in abstratum, intuindo agora e percebendo uma
realidade paradoxalmente mais sutil e mais profunda. Posto isso, tomemos
o assunto deste capítulo: a ciência esotérico-espiritual.

A ciência se faz utilizando recursos e virtudes dos cinco (5) sentidos,
postos a serviço de nossa inteligência e de nossa capacidade de apreciar,
relacionar, julgar e, afinal, conceituar.

Em resumo, de uma associação de ideias nasce e se desenvolve o
raciocínio. Daí, a emissão de um juízo, formando um conceito. Um ser
bidimensional não objetivaria ou materializaria ser da monodimensão; para
ele essa monodimensão seria uma abstração. Dir-se-ia o mesmo de nós,
tridimensionais, seres para os quais a existência objetiva da bidimensão
seria apenas uma abstração. Na verdade, qualquer entidade, ser ou coisa
física de nosso espaço, se nos impõe nessa tridimensão, que já aceitamos.
A área da superfície em que se projeta passa a ser uma simples abstração
necessária à conceituação daquela coisa ou daquele ser.

Iremos falar em dimensões superiores, a começar pelo hiperespaço –
uma quarta dimensão do espaço, vivendo a qual viveríamos (?),
analogamente, a nossa suposta realidade tridimensional como simples
abstração, subjacente ao nosso psiquismo, para ficarmos integrados
naquele conceito dimensional mais rico que o hiperespaço, concomitante
com uma dimensão outra também superior de tempo, hipertempo, poderia
oferecer.

Ora, essas hiperdimensões – hiperespaço e hipertempo – brinda-nos
com elas a fascinante fenomenologia parapsicológica.

Surge, então, no âmbito da própria ciência clássica, esse campo de

A. Moacyr Uchôa – Mergulho no Hiperespaço

27

pesquisa avançada, tendendo a romper a aparente monolítica infra-
estrutura da Ciência atual.

Como já vimos, é o Professor Joseph Bank Rhine, grande eminência
na matéria, quem afirma ser o fenômeno parapsicológico independente do
espaço e do tempo. A Ciência, então, passou a ter um campo avançado de
pesquisa em Institutos e Universidades, tanto na América como na Europa.
Essa pesquisa, com apoio da estatística matemática, consolidou a certeza
da existência da telepatia e da clarividência, da psicocinésia, da retro e da
pré-cognição, esta última, aliás, o maior desafio à Lei da Causalidade
jamais apresentado.

Sim, é possível antecipar-se o conhecimento de um fenômeno, antes
e mesmo muito antes do advento de qualquer indício de sua possível
ocorrência. Sim, também seria possível comunicação de mente a mente.
Sim, seria também possível ver com clareza, através de espaços, marcando
enormes distâncias, praticamente sem limites, através de corpos densos,
opacos! Seria também possível à mente humana, ao pensamento, agir,
atuar, promovendo efeitos físicos de deslocamentos e levitações sobre
objetos efetivamente materiais.

Tudo isso provado, eis que a ciência se lança ao estudo e à pesquisa
das leis desses fenômenos, seus condicionamentos operacionais. Assim,
desenvolvem-se os estudos em centros e instituições universitárias e tantas
e tantas outras do campo técnico-industrial.

Sabemos, porém, pelo legado da metapsíquica, que essa pesquisa
breve há de ir – se é que já não está indo – bem à frente, com pesquisa de
materializações de seres não humanos, de transporte de objetos materiais
através de obstáculos também densos, formações nervosas e luminosas,
sem quaisquer fontes aparentes de energia. E daí por diante...

Tudo isso, afinal, um mundo de atípicos fenômenos, apontando
aquelas outras dimensões superiores da realidade, que já apresentamos,
perspectivas hiperdimensionais essas que nos permitem criar uma teoria
explicativa de tão insólita fenomenologia, como o fizemos em nosso livro

“Além da Parapsicologia”.

Face ao que vem sendo exposto, nada há de anticientífico em
afirmar-se que o homem, conseguindo o exercício pleno dessas faculdades,
que lhe deem uma percepção mais profunda e ao mesmo tempo mais sutil
da realidade ambiente, possa construir um conhecimento mais perfeito, isto
é, uma ciência mais avançada. Sabe-se que é possível, mediante dedicado

28

A. Moacyr Uchôa – Mergulho no Hiperespaço

treinamento, certas pessoas atingirem a esse nível de percepção, bem
superior às percepções comuns do homem vulgar. Constituem uma ínfima
minoria, pois, além de disposições orgânicas natas, resultando em
facilidades de abertura a essas percepções ainda não bastante estudadas,
faz-se necessário um elan particular de estímulo, de ideal, para esse
desenvolvimento, exigindo espírito de sacrifício e amor à busca desse tipo
superior de conhecimento ainda esotérico.

Uma equipe de investigadores de nível mais alto disporia, para a
pesquisa, da faculdade de ver claro, muito claro, onde tudo é opaco e
fechado para a visão comum, da faculdade de ouvir, como clariaudiente,
onde o homem vulgar só colhe silêncio, silêncio..., da faculdade de se
antecipar ao tempo, sobrepondo-se à sucessão dos determinismos
aparentes que criam as cadeias de causalidade que tanto impressionam ao
pesquisador comum, da faculdade de focalizar a sua própria consciência,
mercê dessas próprias percepções, mais amplamente, elevando-se acima do
espaço, que vimos tridimensional, encontrando-se, então, plena, naquele
hiperespaço entrevisto, ou melhor, imposto pela fenomenologia
parapsicológica...

Uma minoria, é evidente, poderia, pois, perquirir em nível mais alto,
sem jamais, porém, desprezar ou subestimar todas as informações, técnicas
e conclusões de seguro teor científico, que a ciência acadêmico-
universitária oferece. Pouco a pouco, iria construindo uma ciência, um
conhecimento de nível mais elevado, ainda velado ao pesquisador vulgar,
que só acredita nos seus próprios cinco (5) sentidos e na sua capacidade
racional intelectiva a exercer-se no âmbito das limitações que aqueles
sentidos, ao natural ou armados de instrumental já criado com real esforço
e mérito, traçam, definem e, de certa forma, circunscrevem.

A essa ciência chamaremos no momento, mesmo que
provisoriamente, ciência esotérica.

Será ela, então, uma decorrência do exercício normal de faculdades
atualmente latentes em todo ser humano, como diz a parapsicologia,
passíveis de se firmarem em algumas pessoas (e as há) como instrumento
normal de pesquisa, através do qual poderão olhar, perscrutar a realidade
mais profunda do mundo em que vivem.

Já existe, aliás, muito desse conhecimento: informações, exposições
claras, que o homem de ciência atual, sumariamente despreza e sempre faz
por não conhecer!

A. Moacyr Uchôa – Mergulho no Hiperespaço

29

Resumiremos o que acabamos de expor, dizendo que esse nível
esotérico do conhecimento não seria mais do que resultado decorrente da
utilização sistemática daquelas faculdades superiores apontadas pelo
campo parapsicológico.

Temos assim razão para considerá-lo de credenciais científicas,
enfatizando todavia, a meridiana verdade de que o homem é mais rico do
que supunha quanto às suas capacidades, suas possibilidades de conhecer.

Quando acrescentamos ainda o espiritual ao esotérico e dizemos
ciência esotérico-espiritual, é que aquelas mesmas faculdades superiores,
que conduzem a tal mais alto nível de conhecimento, trazem consigo, em
regra, como resultante delas próprias, uma tônica acentuadamente
intuicional que passa a permear o pensamento científico, racional. Chega
então a configurar-se, por sua vez, como uma nítida faculdade ainda o ser
humano – a intuição – misto indefinível de um súbito eclodir do racional,
penetrado de um sutil sentimento ou pressentimento da realidade, que leva
a mais convicção no juízo, no conceito que se afirma e depois se prova na
sequência do desdobramento dos critérios racionais do conhecimento, da
ciência. Pode o homem, assim, tornar-se um intuicional pleno e, em regra,
por essa via, abre-se-lhe a perspectiva do espiritual, aquele conceito que se
afina com as mais nobres aspirações do ser humano no sentido do amor,
subjacente à personalidade, envolvente e radiante, resultando, daí, a nítida
visão do universo moral, cujos valores tanto dignificam a criatura humana.

Chegando a esse ponto, refinam-se as aludidas faculdades
parapsicológicas, promovendo uma penetração mais profunda na realidade,
agora já não mais vista em um nível físico, hiperfísico, do espaço e do
hiperespaço, que vimos considerando, mas, sim, plenamente mental,
intuicional, com a tônica do espiritual – moral que define no homem e no
universo que o contém, a sua natureza essencialmente crística, divina. Por
isso, temos coragem bastante para, em um livro que pretendemos seja de
tranquilo caráter científico, afirmar a evidência de uma ciência esotérico-
espiritual.

Só desejamos que o leitor tenha podido acompanhar até aqui e que,
antes de rejeitar essa evidência, para nós cristalina, medite um pouco mais
sobre a dinâmica da vida que ascende ao impulso do Poder Criador, para
plenificar-se na beleza, justificar-se no amor e conduzir o ser em marcha à
verdade, à suprema verdade de sua essencialidade divina em expressão, na
busca de um grande destino.

30

A. Moacyr Uchôa – Mergulho no Hiperespaço

CAPÍTULO II

DOS VÁRIOS NÍVEIS DA PESQUISA CIENTÍFICA -
METODOLOGIA

No capítulo precedente, pretendemos ter deixado claramente
apresentada a nossa posição a respeito do conhecimento científico como
um todo. Estamos plenamente cônscios de que nos pomos em uma atitude
atípica, pouco provável de ser aceita em tudo o que dissemos sobre alterar-
se o campo rigorosamente científico ao nível esotérico-espiritual. Não nos
afetará, de forma alguma, qualquer crítica nesse campo conceitual do que
deva ou não ser considerado ciência. Mais de que posições superficiais,
reconhecemos que aceitar o que aqui propomos significa pleno ato de fé,
não obstante os motivos racionais apresentados. Até certo ponto, essa fé já
denotaria algo daquela intuição que afirmamos acabar informando o
interesse pelo conhecimento científico. Tudo isso configura uma realidade
psicológica que o investigador científico-clássico há que analisar,
cuidando-se para, ele próprio, não se deixar conduzir por suspeitos
caminhos eivados de irracionalidade. Estamos conformados em apresentar
uma perspectiva científica de difícil aceitação, por parte da ortodoxia
vigente, mesmo porque nos falece autoridade ou projeção qualquer que
adviessem de responsabilidades científico-universitárias. Vivemos uma
verdadeira plenitude de liberdade psicológica, até para falar ou depor sobre
o considerado “absurdo” e o “impossível”. A história da própria ciência
nos estimula, pois muitos “impossíveis” e “absurdos” pontilham a

evolução científica, já agora inseridos nas realidades tranquilas do
conhecimento humano.

É de interesse, agora, considerar mesmo sucintamente o aspecto
metodológico da pesquisa científica considerada em vários níveis, de

A. Moacyr Uchôa – Mergulho no Hiperespaço

31

acordo com o exposto no capítulo anterior.

Qualquer que seja o campo da investigação científica, assim fica ela

disposta:

PESQUISA
CIENTÍFICA

a) coleta de dados

históricos

informativos, conjunturais

de observação

de experiência

b) sistemática de
registros

de acordo com a natureza dos
dados

c)

análise

sistemática

das

ocorrências

pelo controle da reprodução,
pela crítica e busca da
harmonia

lógica

da

interpretação

pelo

trato

estatístico,

matemático, quando próprio.

d) Inferência da lei
ou comprovação da
teoria,

dos

princípios,

do

modelo adotado

Posta a investigação científica sob a sistemática da orientação
esquematizada, ela própria e esse esquema poderão ser tratados,
conduzidos, aí sim, em níveis de posições mais ou menos avançadas,
conforme:

1º - o próprio campo de investigação e

32

A. Moacyr Uchôa – Mergulho no Hiperespaço

2º - a filosofia de pesquisa inspiradora do próprio investigador.

Daí, então, compreenderem-se os vários níveis dessa pesquisa

apresentados a seguir:

2.1 NÍVEL CLÁSSICO-ACADÊMICO-UNIVERSITÁRIO

Toda aquela sistemática, em que se contam fenômenos históricos-
descritivos-mecânicos-físicos-químicos-biológicos-psicológicos do âmbito
do comportamento individual, fisiológico, social etc.

Essa sistemática considerada, aplicada em termos de psicologia
normal, vista a realidade do homem e do universo como um todo, em
termos do contínuo espaço-tempo.

2.2 NÍVEL AVANÇADO-ACADÊMICO-UNIVERSITÁRIO

Utilização do mesmo esquema, decorrendo o nível avançado das
características do próprio campo ainda interrogativo, pleno de surpresas e
perplexidades face à ciência-clássica. Esse nível avançado se põe
manifesto na investigação, quer parapsicológica, quer ufológica,
utilizando-se faculdades superiores controladas. Aquelas surpresas e
perplexidades já impuseram considerar-se que esses fenômenos se
passariam fora do contínuo espaço-tempo, passíveis de serem estudados e
sistematizados por seus efeitos ou projeções em nosso espaço.

Por outro lado, exige essa pesquisa um élan investigador que escapa
a monotonia de uma sistemática rotineira já conhecida e demasiadamente
repetida. Requer investigador de vista larga e amplas aspirações ao
conhecimento do ainda não revelado! É o caso dos verdadeiros
missionários da parapsicologia e, agora, alguns outros extremamente
dedicados à ufologia.

2.3 NÍVEL ESOTÉRICO-ESPIRITUAL

Quem quer que considere válida a pesquisa em nível esotérico, há
que atentar em que mister se faz considerá-lo em condição complementar
de enriquecimento maior no âmbito da busca da informação, como
exercício sistemático das faculdades superiores apontadas. Acentue-se o
imperativo de jamais perder de vista os procedimentos dos níveis
anteriores em que se coletam dados, se procedem a análises e críticas, com

A. Moacyr Uchôa – Mergulho no Hiperespaço

33

vista à busca de comprovações, verificações e descobertas, utilizando
métodos próprios aos fins objetivados.

Sendo assim, é de firmar-se o caráter abrangente desse nível de
pesquisa, no que se refere à aceitação do consagrado procedimento nos
níveis anteriormente vistos. Não há como deixar de reconhecer, no
momento atual, a tônica atípica de possível pesquisa no campo
estritamente esotérico, em que condições muito próprias, eminentemente
pessoais, são inexoravelmente imprescindíveis. Essa a razão pela qual
sabemos ser até agora praticamente inexistente o citado critério de pesquisa
e, em decorrência, pouco conhecido.

Não há razão, porém, para que se o desconheça, num trabalho como
este, mormente pelo fato que vem sendo aplicado na coleta de informações
de natureza vária, à medida em que se sente a possibilidade de demonstrar
a existência de níveis dimensionais bem mais altos e quando, dessa forma,
se pode originar um novo modelo científico-filosófico para o próprio
universo.

É bem evidente que o pesquisador, nos termos em que vive, há de
exigir comprovações objetivas, segundo a básica caracterização dos outros
níveis de pesquisa, limitadores, posto que dentro da configuração exígua
das virtudes menores dos nossos cinco sentidos.

Terminando essas breves considerações sobre o nível esotérico da
pesquisa, voltamos a um ponto já referido, quando tratamos da ciência
esotérico-espiritual. Desejamos enfatizá-lo: é aquele que assinala a
passagem ou transição do esotérico para o espiritual.

Indicamos, então, a possível abertura, para o espiritual, no homem
que se integra nos valores do que chamamos de universo moral. São os
valores que dizem da beleza, da bondade, do amor, do culto da verdade,
numa plena escalada de divina ascese para o reconhecimento do Poder
Criador, imanente e transcendente ao universo em que todos nos
contemos.

Queremos dar ênfase apenas a essa abertura que se traduz num
verdadeiro anseio pela busca e realização de todos os valores internos e
que vai conduzir, a experiência assim o demonstra, ao desenvolvimento
maior das próprias faculdades básicas para pesquisa desse nível, podendo
levá-las a alturas até agora nem suspeitadas pelo próprio investigador. É
como se dimensões mais altas, mais ricas de expressões da essencialidade
cósmico-divina do universo, progressivamente se revelassem, conferindo

34

A. Moacyr Uchôa – Mergulho no Hiperespaço

ao ser o prêmio ao valor da dedicação e, às vezes, até do sacrifício de si
próprio, tributo que, na verdade, bem poucos se decidem a pagar.

Queremos indicar, com o que acabamos de escrever, o justo fascínio
construtivo e operante de toda uma experiência nesse campo, deixando a
quem quer esteja lendo estas páginas, e prossiga até o fim, o juízo que
puder fazer. Que lhe seja benéfico e feliz, se acreditar colher bons frutos
destas perspectivas maiores!... Caso não seja assim, caso veja tudo isso
segundo sua vista preconcebidamente fechada, apesar da sinceridade de
sua própria vivência moral, não lhe conferindo qualquer conotação de
valor, estaremos nós, mesmo assim, seguros de que, para esses leitores, não
perdemos o esforço, nossa palavra e coragem de confessar tal experiência.

A. Moacyr Uchôa – Mergulho no Hiperespaço

35

CAPÍTULO III

PERSPECTIVAS E REALIDADES DA PESQUISA UFOLÓGICA

O campo da presente pesquisa, envolvendo “objetos voadores não
identificados”, é realmente ingrato no sentido de sua patente inadequação a

qualquer esquema rigoroso de investigação em nível científico. Na
verdade, afastadas hipóteses de fenômenos naturais aplicáveis a uma
enorme quantidade de aparições de objetos, desde refrações, satélites,
balões, estrelas etc., há fraudes conscientes de fotografias, mistificações ou
fantasias inconsequentes. Todavia, há aquele número de outros fenômenos
inexplicáveis, segundo critério naturalista e fisicista, resistindo mesmo a
deturpações da verdade em críticas a relatos testemunhados largamente.
Constantes outros ainda de documentos credenciados, registrados em
autênticas fotografias, demonstrados os objetos em radares de bases aéreas
supercontroladas, por outro lado, outros tantos de realidade psicológica.
Tudo isso, leva à tranquila e segura hipótese de “objetos” sob controle de
inteligências ou seres que visam a um fim! Humanos, extra ou super-
humanos? Eis uma pergunta com segura resposta: não são inteligências,
nem seres humanos, nem frutos da mesma onda de vida criadora, cujo
poder de expressar-se à base de uma genética, que já estamos começando a
conhecer bem, fez vir à existência a nossa humanidade. Por que essa
segura resposta a uma pergunta de tal importância, podendo resultar em
atitudes bem diferentes perante tão surpreendente fenomenologia, capaz
de, um dia, constituir-se em novo e brilhante marco histórico da vida e do
progresso humanos?

Não nos cabe aqui demasiada minúcia na demosntração da segurança
dessa resposta positiva, em relação à condição não humana dos operadores
desses objetos. Vamos apenas sucintamente mencionar:

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A. Moacyr Uchôa – Mergulho no Hiperespaço

1º - O extraordinário avanço técnico na construção e governo desses
aparelhos, cujas manobras e fenômenos de várias ordens, que acompanham
suas aparições, transcendem de muito ao que a nossa técnica humana
poderia realizar.

2º - A ciência maior, demonstrando o pleno conhecimento de tipos
energéticos precisamente utilizados e controlados, fazendo ressaltar um
avanço imenso em relação à nossa ciência e técnica, quando se observam
velocidades extremas, domínio da inércia, supercontrole da luz, que
chegam até a adensar, submetendo-as a formas nitidamente dimensionadas;
encurvamento de feixes luminosos já concentrados à forma dos que
emitem os nossos holofotes; rápido aparecer e desaparecer no radar ou a
olho nu, sugerindo a criação de campos interferenciais, visando à
invisibilização ou, então, capacidade de desmaterialização, à forma das
ocorrentes em precisas observações já há muito realizadas nas experiências
metapsíquicas, agora, sério âmbito de pesquisa da parapsicologia. Nesse
último caso, talvez, uma autêntica mudança de dimensão.

3º - O grande argumento, de ordem bem diferente, de muito peso,

quando se diz: “a nação que possuísse tal capacidade de fazer a atuar,

transformando esses objetos em armas de poder, jamais esperaria, pacífica,
que outra se lhe igualasse. Antes, rápido, dominaria o mundo, ditando-lhe
as leis que houvesse por bem impor, apoiada nesse avanço, nesse poder
técnico-científico tão extraordinário. Na verdade, desde há muito sabe-se
que esse problema é um grande problema, considerado até agora em sigilo
pelas maiores potências mundiais. Só mui recentemente, de público, houve
por bem manifestar-se o governo da França.

Nenhuma delas poderia opor qualquer poder a esse poder já
entrevisto como certo, nas mãos extra-humanas desses insólitos visitantes,
que não se deixam perfeitamente definir...

Por outro lado, posto o problema nos termos dessa superioridade
técnico-científica em relação a nós humanos, o que dizer das ilações
científicas no que respeita à habitabilidade de outros planetas do nosso
sistema solar, ou de tantos e tantos milhares e milhares, milhões e milhões
de outras estrelas, outros sóis da nossa própria galáxia? E se pensarmos em
constelações extragaláticas ou, até, em outras galáxias? E se chegarmos a
pensar em outro ou em outros universos? E lembrando que essa última
pergunta se fundamenta no gênio de Einstein, quando estatuiu o “não
infinito”, do nosso universo, sendo pois, finito, de espaço curvo, apenas

indefinido, sem limites fixáveis? Sim, há mais... É a palavra de otimismo e

A. Moacyr Uchôa – Mergulho no Hiperespaço

37

estímulo, quanto à possibilidade de serem esses visitantes extraplanetários
ou extra-solares, no estudo dos progressos realizados nos campos das
investigações cosmológicas, astrofísicas e bioquímicas, que tornaram certa,
mais que verossímil, a presença multíplice da vida extraterrestre. Incluiria
até a vida sob forma de níveis intelectuais superiores aos alcançados pelo

homem na Terra, conforme acentua Orcar Uriondo em seu livro “El
problema científico de lós OVNIs”, em que trata com seriedade esse
problema dos objetos voadores não identificados! Esse livro, aliás, foi bem
definido, quando se diz constituir, sobre o problema ufológico em enfoque
ordenado e preciso, concreto e verídico, de fatos e critérios de julgamentos
de testemunhos reais, técnicos e, portanto, científicos. Diz o citado autor,
referindo-se ao suporte científico, decorrente de suas investigações sobre
vidas extraterrestres, em relação à condição extraplanetária ou solar desses
operadores de OVNIs.

“De aproximadamente dez anos, aquele suporte vem-se consolidando
de modo vertiginoso. Hoje, há poucos homens de ciência que põem em
dúvida que não estamos sós no universo e as especulações estatísticas
fundamentais acerca do número de comunidades inteligentes que poderiam
habitar a galáxia e ainda sobre a possibilidade de visitas extraterrestres (por
exemplo, os trabalhos de Sagan Shklowsky, Oedwuy e Valée) se hão

convertido, segundo a interessante expressão de Isaac Asimov, no “esporte
favorito” de muitos astrônomos.”

A respeito, afigura-se-nos de muita oportunidade transcrever
pequeno trecho da conferência pronunciada pelo eminente Professor

Herman Oberth, durante o IV Congresso Internacional sobre “OBJETOS
VOADORES NÃO IDENTIFICADOS”, realizado em Wiesbaden,

Alemanha, em outubro de 1960, a qual se acha transcrita em sua tradução

pelo Sr. Ruper Kiener, no “Livro Vermelho dos Discos Voadores”, de

Flávio Pereira:

“De minha parte, coloco-me em posição oposta ao Dr. Wilhelm
Martin (que procurou provar a possibilidade de vida em todos os planetas
do Sistema Solar). Ouso duvidar dessa possibilidade, pelo menos, na maior
parte dos planetas do nosso Sistema Solar. Contudo, apenas nas Via Láctea
existem 50 bilhões de sistemas solares como o nosso. Em sua maior parte,
são sistemas planetários. Além disso, existem, pelo menos, 500 bilhões de
galáxias semelhantes à nossa. Por isso, é mais do que provável que, fora
dessa Terra, ainda existam seres inteligentes, se admitirmos que possam

existir outros seres inteligentes...”

38

A. Moacyr Uchôa – Mergulho no Hiperespaço

E mais ainda:

“Passando aos discos voadores, sou de opinião que é imprudente
fechar os olhos ou ignorar um fato a respeito do qual existem até aqui mais
de 70 mil relatórios de observações visuais. A suposição de que, nesses
casos relatados, podia tratar-se de naves espaciais vindas de outros
planetas, não está, de forma alguma, em contradição com as observações
realizadas. Por isso, aceito essa suposição como servindo perfeitamente de

base ou hipótese de trabalho, para estudos mais aprofundados.”

Ficamos, então, em que nada há de justo concluirmos ser impossível
que esses objetos estranhos provenham do espaço exterior, ou melhor,
extraplanetário ou extra-solar.

Além disso, forma-se um tal conjunto de circunstâncias que nos
fazem afirmar, dentro de uma sensata linha de maior probabilidade, e
quase inexorável certeza de que esses seres são, de fato, visitantes que nos
chegam de espaços distantes, não obstante a dificuldade científica para
explicar as suas viagens e seu advento. Veremos como deverão passar-se
esses ainda incompreensíveis deslocamentos, essas viagens cósmicas cujo
mistério é realmente fascinante! Mas, já dizia Albert Einstein, sobre
aqueles que buscam o conhecimento: quem não se entusiasma pelo
mistério já está praticamente morto.

Seja ele, o mistério, estímulo à pesquisa, anseio pelo conhecimento a
renovar-se no dia-a-dia da pesquisa que jamais poderá parar. Seria a morte
da própria ciência.

Feita essa exposição sobre a natureza do campo ufológico com suas
bem fundamentadas implicações extraterrestres, voltemo-nos para a
especificidade da pesquisa em todos os níveis, verificando o que poderá ser
feito, coordenado e estimulado, visando a um conhecimento de alto teor
nesse campo, mesmo que não estrita e rigorosamente científico, segundo o
exigente critério do homem de ciência atual.

3.1 NÍVEL CIENTÍFICO NORMAL

Pela própria natureza do campo, tudo indica que, em nível de ciência,
não há como deixar de nos confrontarmos com o fato de que estamos longe
de podermos aplicar à investigação dos UFOs aquele esquema
metodológico apontado, em sua integralidade, no seu íntimo conteúdo de
senso racional, plenamente científico, em nível acadêmico normal. Foge-

A. Moacyr Uchôa – Mergulho no Hiperespaço

39

nos toda possibilidade de experiência no sentido científico rigoroso, toda
esperança de reprodução do fenômeno. Todavia, muito nos sobra daquele
esquema:

Informações ou dados históricos descritivos;

Observações com documentação orientada e própria a essa pesquisa,
inclusive registros fotográficos, filmatográficos e em radares;

A possibilidade de métodos estatístico-matemáticos, não obstante a
dificuldade de homogeneização dos elementos básicos apropriados para
serem submetidos a esse instrumento;

O exercício rigoroso da análise e da crítica.

Sobra-nos ainda o direito a inferências lógicas de natureza vária,
fundamentada nesses elementos colhidos, ficando, pelo menos, tendência a
determinar certas invariâncias, caminho, quem sabe, para de futuro
estabelecerem-se leis, princípios e afinal, a teoria.

Assim é que vem sendo conduzida normalmente a pesquisa
ufológica, à forma de uma rotina informativa, que se origina no
testemunho. Ela vê o objeto em terra ou no espaço; contata, diretamente ou
não, com seus operadores. O investigador, operando por si próprio ou por
delegação de centro ou associação qualquer de pesquisa, aparece e procede
ao inquérito ou investigação. Registram-se dados. Após um juízo
cuidadoso sobre a testemunha, exaustivamente examinada nas suas
características de personalidade por psicólogos e psiquiatras, preparam-se
registros em fichas próprias mais ou menos minuciosas, conforme o
critério adotado.

Já há um imenso acervo de dados colhidos por organizações
particulares de pesquisa, algumas de grande relevo nos Estados Unidos,
como a APRO, por órgãos governamentais, entre os quais se destacou uma
“Comissão Especial da Força Aérea Norte-americana”, através de vários
projetos a seu cargo, os quais se desenvolveram sussecivamente como

“Projeto Sign”, “Projeto Grudge”, “Projeto Blue Book”. Os resultados

dessas pesquisas foram apresentados pelo Capitão-Engenheiro da
Aeronáutica, Edward J. Ruppelt, que chefiou aquela comissão desde 1951

até Agosto de 1953, em seu livro “The Reporto n Unindentified Flying
Objects”. Esses dados foram também amplamente apreciados e analisados

pelo Major Donald E. Keihoe, atualmente diretor da NICAP (National
Investigations Committee Aerial Phenomena), uma das mais credenciadas

40

A. Moacyr Uchôa – Mergulho no Hiperespaço

organizações mundiais no campo dessa pesquisa. Cumpre não esquecer
aqui o GEPA (Groupe d´Etude de Phénoménes Aero-spatiaux), da França,
organização particular de alto relevo, e muitos outros organismos
europeus.

Aliás saliente-se a verdade de não haver qualquer critério
rigorosamente científico na maioria, se não totalidade, de todos esses
trabalhos sobre discos voadores. Isso no sentido de aplicação de uma
metodologia científica integral.

Há de ciência, já dissemos, apenas coleta de dados informativos, ora
de caráter psicológico, ora físico, tais como efeitos magnéticos, ondas de
calor, avistamentos, ruídos e outros, acrescentando-se-lhes registros
fotográficos, ocorrências de projeções em radar, tudo isso nas mais
diferentes circunstâncias, algumas muito próprias. Sobre dados assim
incidentalmente colhidos, exerce-se a seleção, a crítica e, daí, seguem-se
conclusões.

Nessas condições, há de considerar-se que situar o fenômeno discos
voadores nesse nível científico é porfiar por ter bem sistematizadas e
aproximadas, pelas analogias que a análise demonstre, ocorrências
similares, procurando nelas descobrir qualquer invariância que denote uma
indiscutível tônica.

Na realidade é tal a imensa documentação informativa credenciada,
ao alcance de quem a queira examinar, que causa pasmo a facilidade, a
sem-cerimônia com que homens de alta responsabilidade científica,
consultados como ocorreu recentemente em programa de televisão de
âmbito nacional em São Paulo, ainda demonstrem estar ausentes desse
fascinante problema, limitando-se a um “não acredito”, ou, então, “queria
que alguém me demonstrasse a existência de discos voadores” e coisas
parecidas. Cientistas de responsabilidade, a nosso ver, devem estar bem
melhor informados sobre assuntos de tão intensas implicações nos seus
próprios campos, como físico e astrofísico. Já bem disse o Professor Flávio
Pereira, emérito pesquisador e estudioso dos discos voadores: “para saber
que a Austrália existe, não preciso ver ou ir à Austrália”.

Valha, nessa altura, concluir que se esse proceder, visando à
documentação plenamente sadia, ainda não conduz a uma ciência tranquila
sobre os discos voadores, pelo menos põe o problema às claras, como um
verdadeiro desafio à inteligência científica mundial. Em alguns casos
existem, mesmo, observações anotadas e bem credenciadas, de deixar o

A. Moacyr Uchôa – Mergulho no Hiperespaço

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pesquisador perplexo, mesmo porque não se sente em condições de emitir
qualquer tentativa de hipótese explicativa, em termos de ciência ou técnica
atuais.

Por isso mesmo, vimos desde algum tempo apresentando hipótese
explicativa não gratuita, mas sim fundamentada na fenomenologia
parapsicológica aplicável a uma ampla gama de fatos. Essa hipótese será
exposta mais à frente, no decorrer deste trabalho. Procurará ela explicar o
aparentemente inexplicável de casos realmente extraordinários.

Vejamos um caso como esse, por exemplo:

Em 5 de Agosto de 1952, sobre a base norte-americana próxima a
Tóquio (Oneida), alguns operadores avistaram no céu uma luz circular
muito brilhante que ora se aproximava, ora se afastava lentamente da base.
Ao binóculo, essa luz se mostrava como sobre um fundo formado por um
objeto escuro, parecendo bem mais amplo que a própria luz. Esse objeto
trazia na sua parte inferior uma pequena luz. O radar da estação mais
próxima captou o objeto, que foi dessa forma observado por bastante
tempo.

Enviado um F-94 para um reconhecimento, o radar do avião captou o
objeto a cinco mil metros de altura e a dez graus abaixo do avião,
mantendo o registro por quase dois minutos. O objeto parecia afastar-se
lentamente do avião. Todos os seus movimentos e os do avião foram
acompanhados pelos radares de terra. O objeto, afinal, desapareceu e o
avião ainda se manteve em patrulha. Logo, porém, que o avião se afastou,
eis que o objeto voltou a ser observado pelos radares de terra e pelos
operadores da base. Ocorreu, então o extraordinário. Pouco depois
observou-se no radar que o objeto havia se dividido em três partes: duas
delas, que se dirigiam para o nordeste, guardavam entre si uma distância
aproximada de quatrocentos metros! Esse fato acha-se descrito no livro do
Capitão Edward Ruppelt, diretor do Projeto Bluebook, controlado pela
Força Aérea Norte-Americana.

Apenas outro caso muito estranho com súbito desdobramento do

objeto:

A 28 de Janeiro de 1953, foi visto de bordo de um F-96 que voava
sobre o Estado da Geórgia, nas proximidades de Albany, uma luz branca,
muito brilhante. Para observá-la melhor, inclusive curioso de saber se
pertencia a outro avião, o piloto subiu a nove mil metros, pondo-se acima
da tal luz. Tinha esta a forma circular e sua cor começou a mudar,

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A. Moacyr Uchôa – Mergulho no Hiperespaço

passando do branco ao vermelho, para logo após voltar ao branco. Essa
alternância deu-se duas ou três vezes. Logo após, tornou-se tringular e, em
seguida, se subdividiu em dois triângulos menores, situados um acima do
outro. Finalmente, tudo desapareceu bruscamente.

O fato descrito foi acompanhado por operadores de radar de terra,
deixando-lhes a certeza de que aquele objeto não poderia ser um avião, vez
que, de início, com velocidade muito reduzida, a seguir desaparecera com
rapidez fantástica. Relato, também, da documentação do “Projeto
Bluebook”, de responsabilidade do Capitão Ruppelt.

Necessitaríamos ainda acrescentar algo com respeito a esse tipo de
pesquisa a que se tem dedicado tanto esforço e acendrado espírito de
interesse? Como encarar cientificamente casos como esses? “Se há dúvidas
sobre os juízos, apreciações e depoimentos de testemunhos, se há realidade
na falha do testemunho humano, por outro lado, não seria sensato fazer
tabula rasa das qualidades, das capacidades e do sentido moral daquele

que depõe”. E, demais, continua: “o investigador se premune de técnicas

de confronto, buscando coerências e incoerências nos testemunhos, dá
valor ao sentido global a que conduz o conjunto de investigação, aceitando
ou não a sua substância, o seu básico conteúdo ao término das críticas e

análises minuciosas. Afinal, apresenta suas conclusões!”

Como bem diz a experiência nos vários campos da investigação ou
das elaborações mentais da condição humano-psicológica, na apreciação
rigorosa da análise crítica integral de um caso, de um depoimento, é
possível concluir do que tenha real valor, visando à certeza, ou do que,
incerto, seja indicado ser posto de lado. Eis o trabalho delicado e de alto
valor: a crítica dos dados testemunhais e documentais de qualquer ordem,
TAREFA ESSA DE GRANDE RESPONSABILIDADE, que exige
daquele que opina e oferece a tônica maior do critério para juízos de valor,
alta competência e a suma honestidade de um verdadeiro cientista.
Voltamos a perguntar: seria necessário acrescentar algo às considerações já
feitas sobre esse nível científico de pesquisa? Parece-nos que não. Todavia,
se nos afigura imperativo, dadas as circunstâncias e os já vários anos da
nossa pesquisa em Alexânia – Goiás -, dizer sobre essas nossas
observações, face os critério até aqui exposto. Além disso, chegaremos a
tratar de assuntos em níveis tão atípicos, que sentimos a necessidade de nos
situarmos com plena objetividade no âmbito dessa pesquisa. Seremos,
tanto quanto possível, sucintos, objetivos.

Em largo período dessa pesquisa em Alexânia, os fenômenos

A. Moacyr Uchôa – Mergulho no Hiperespaço

43

deixaram de ser periódicos, aparentemente casuais. Como regra, reunido o
grupo, ocorriam “coisas”:

Luzes pequenas ou grandes mais ou menos brilhantes, que surgiam
ora alto, acima do campo, das baixadas e das encostas, como acima da
crista das elevações circundantes, deslocando-se ora lenta, ora
rapidamente, em quaisquer direções, e às vezes até desdobrando-se;

Formações esféricas de luz difusa sobre os montes em torno, de cujo
centro, progressivamente mais denso de luz de cor variada, partiam

“flashes” belíssimos, iluminando todo o ambiente, chegando até o grupo,

distante às vezes, no mínimo, 3 a 4 Km em linha reta;

Luzes ainda em “flashes” intensos, que vinham do alto, acima, muito

acima da linha das montanhas, como de estrelas que se houvessem
aproximado, muitas vezes mudando de posição, atendendo à sugestão
indicada pelo então proprietário da fazenda, Sr. Wilson, acionando
poderosa lanterna;

Formações nevosas densas, que pouco a pouco tomavam forma de
objeto de configuração variada, como observamos, certa vez, conforme

depoimento testemunhado, constante do nosso precedente trabalho “A
Parapsicologia e os Discos Voadores”, a 20 ou 30 metros no máximo de

nós, quando, então, afastada na parte central aquela névoa densa, nos foi
exibida a parte metálica, brilhando, de cor castanho-rosa;

O próprio objeto que, certa vez, passou vagarosamente sobre nós, de
forma lenticular, bastante inclinado, oferecendo assim ótima observação de
sua forma, com contorno muito nítido;

Objeto plainando sobre floresta próxima, onde aparece nítido, depois
de mostrar uma luz, depois outra, depois outra, como vigias de bordo de
uma nave, sucedendo-se até a sua vista total, quando então emitiu “flashes”
verticais de luz ouro, condensada em forma dimensionada como de postes
quadrangulares, nos quais se acharia ligada uma estrela de 5 pontas
também dimensionada naquela mesma luz;

Luz curva, como um “flash” concentrado de holofote que, por

insuspeitadas virtudes de uma capacidade técnica ainda não conhecida por
nós, toma no céu a forma de um U invertido em abertura de no mínimo 800
m e uma altura presumível de mais de 1.500 m;

Contato objetivo com um dos operadores daqueles objetos, por parte

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A. Moacyr Uchôa – Mergulho no Hiperespaço

de um elemento do nosso grupo, realizado no dia 31 de Janeiro de 1969, o
qual foi testemunhado por sete pessoas e fotografado sob nossas vistas, a
uma distância de pouco mais de cem metros, pelo Sr. Luís de Albuquerque,
então da assessoria de publicidade do Ministério do Interior...

Parando aqui essa discriminação, acrescentaremos que, desde esse
tempo, dominou na pesquisa a preocupação de anotar minuciosamente os
fatos, nos termos em que até agora vimos expondo.

Nessas anotações, fundamentamos o trabalho que demos à

publicidade sob o título “A Parapsicologia e os Discos Voadores. O Caso
Alexânia”, resumindo aí o que de melhor valia supomos haver colhido.

Demonstra o que acabamos de referir à aplicação desse nível de
pesquisa de que ora tratamos. Traduz, outrossim, em certos pontos, que
serão mais à frente indicados, o fato de apresentarem aqueles eventos um
apelo à pesquisa de nível mais avançado, tendendo ao parapsicológico e ao
esotérico-espiritual, conforme veremos.

3.2 NÍVEL CIENTÍFICO AVANÇADO

Evidentemente, bem poder-se-ia arguir haver sentido para esse
destaque, em relação ao que temos considerado e exposto com respeito ao
nível acadêmico normal de pesquisa. Todavia assim o fazemos por
considerarmos, na conjuntura da pesquisa científica mundial, em institutos
e universidades, como avançada aquela que se faz no campo da
parapsicologia. Isso, principalmente, porque a pesquisa em questão se acha
plenamente libertada da psicologia, constituindo o seu próprio âmbito,
criado pela manifestação já provada de faculdades latentes e, às vezes,
operantes no ser humano, que, em definitivo, ainda não cabe, quer na
experiência, quer nas concepções e teorias psicológicas. Demais, como já
dissemos anteriormente, essa fenomenologia parapsicológica – herdeira da
maravilhosa herança da metapsíquica de Charles Richet e de tantos outros
sábios, consequente às pesquisas desses mesmos sábios, e mormente por
suas realizações que vem da década de 30/40 até o momento atual – está
prestigiada pela segurança do instrumento estatístico-matemático e vem
subvertendo os conceitos inseridos em uma realidade que se confinaria no
contínuo espaço-tempo, tão caro à teoria relativista, primordial condição
do físico, segundo conceituamos.

A. Moacyr Uchôa – Mergulho no Hiperespaço

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Daí reações, em universidades e centros de nível superior, a essa
pesquisa flagrantemente perigosa para as ortodoxias científicas, quase
sempre pontificantes nesses ambientes, em preconceitos esdrúxulo, talvez
até mais nocivos ao evolver das sociedades humanas que os ditados pelas
posições religiosas, sempre também medrosas, apavoradas com eventuais
modificações de seus princípios. Na realidade, essas modificações se
imporiam face à abertura de novas perspectivas e aos enunciados de novas
teorias, princípios ou postulados científicos.

Campo análogo, com perspectivas de avanço, constitui a
fenomenologia ufológica, por si mesma contundente, agressiva ao “status”
científico do homem atual... Quando então esses dois campos,
parapsicológico e ufológico, se encontram e apresentam, em um imenso

número de casos e circunstâncias, um “denominador comum” capaz de até

certo ponto aproximá-los, não há como negar estar-se à frente de uma
sugestão nova de pesquisa, ainda não explorada e aceita no normal da
investigação científica. Por isso, justificamos considerar à parte esse nível
científico acadêmico avançado de pesquisa.

Na verdade, dedicando-nos, desde há muitos e muitos anos, à
pesquisa metapsíquica, hoje chamada parapsicológica, publicamos o
pequeno livro “Além da Parapsicologia” – Quinta e Sexta Dimensões da
Realidade, integrando-nos intimamente com essa fenomenologia,
manifesta em ambiente fechado. Ela se resume, afinal, na maioria dos
fenômenos que já apontamos e nos habituamos a ver, tendo-os também
observado repetidamente em Alexânia, sendo apenas, nesse caso, em
ambiente de campo, baixadas e alturas, de uma fazenda. Luzes de variada
natureza, formações nevosas, sentido inteligente dos deslocamentos
realizados, estranhos transportes de objetos, que chegam através de
obstáculos densos, materializações de seres de dimensões diferentes, etc.,
esses fenômenos, geralmente observados em ambientes fechados, fomos
encontrar em ambiente aberto. Verificamos também a dominância absoluta
dos fenômenos à noite, na fazenda, quando em recinto fechado se exige
também obscuridade, operando-se às vezes, é verdade, em luz tênue, de
preferência vermelha ou verde.

Esses fenômenos nos levaram a sentir, revigorada no âmbito
parapsicológico, a hipótese da dimensão hiperespacial – chamada
hiperespaço – uma espécie de ambiente espacial mais sutil, em que se
abriria a perspectiva do estudo da hiperfísica, ambiente esse em que, de
início, supomos pudessem passar-se os fenômenos parapsicológicos, que o
Prof. Rhine afirmou serem de origem extrafísica, independentes do tempo

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A. Moacyr Uchôa – Mergulho no Hiperespaço

e do espaço.

Ora, essa natural e patente analogia fenomenológica nos conduziu à
ilação científica de que seria possível o esclarecimento de muitas
“incógnitas ufológicas”, á luz desse modelo hiperespacial do Universo.
Isso não significa que necessariamente todo fenômeno ufológico seja dessa
natureza. A teoria hiperespacial só se imporia inexoravelmente para
veículos e seres não solares, provindos de outros sóis de nossa galáxia, de
constelações além dela e, até mesmo, de outras tantas galáxias que o
astrônomo já conhece. Sim, porque nesse caso, qual de nós já conheceria
bastante ou poderia dizer algo sobre as condições de vivência e
deslocamento nesse hiperespaço? Poderia nele desaparecer o conceito de
distância que temos e estar esses mundos bem mais juntos de nós do que
supomos em nossa consciência basicamente espacial, tri ou
tetradimensional do espaço-tempo.

Dispondo, desde o início, o nosso grupo de pesquisa de sensitivos
capazes, é de ver-se como então a telepatia e a precognição se fizeram
marcantemente presentes, muito bem e objetivamente demonstradas, como
veremos mais adiante. Por outro lado, fenômenos de evolução da luz ao
nosso redor, às vezes tão próximo – à base de cinco a dez metros de
distância do grupo – que supúnhamos “sondas” operadas à distância, súbita
formação nevosa com idêntico aspecto das formações ectoplásmicas de
ambientes fechados, configurando formas de objetos, tudo isso
presenciamos largamente e se acha em depoimentos constantes de nosso

livro já citado (“A Parapsicologia e os Discos Voadores”).

Dessa forma, é de concluir-se ter sentido haver razão bem
fundamentada para a preparação de um grupo de pesquisa em que haja
realmente sensitivos desenvolvidos e capazes, podendo conseguir, uma vez
provada a telepatia com aqueles operadores e caso eles queiram e/ou
concordem, transmitir orientação nessa pesquisa, instruções de natureza
vária, conferindo, afinal, a essa investigação, uma outra dimensão, que não
a de sujeição permanente a aparições esporádicas, fotografias, projeções no
radar etc. Nem por isso, estas últimas seriam de menor valia para esses
pesquisadores de nível avançado, pois informam substancialmente e ainda
muito comprovariam ao perplexo investigador, tão ávido de interesse em
relação a qualquer manifestação objetiva desse campo, a realidade da
investigação feita. Não há dúvida, pois, que o exercício seguro, em um
grupo de pesquisa, em local próprio, de faculdades dessa natureza
paranormal, parece indicado a oferecer perspectivas novas no campo da
ufologia.

A. Moacyr Uchôa – Mergulho no Hiperespaço

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A experiência de alguns casos próximos a nós, de amigos que se
dedicam a esse mister, vem mostrando que se pode afirmar ser bem
possível, bem provável mesmo que, organizado um grupo, reunido com
persistência em local tranquilo, um tanto afastado do bulício das
proximidades habitadas, fenômenos de interesse real passem a ocorrer. Em
um deles, esta persistência levou a um contato com seres objetivos de um
sol bem distante, altamente técnicos, que se disseram encarregados, já há
muito, de estudarem os povos da Terra. Por que, então, deixar de estimular
esses esforços em favor de, em futuro breve, conseguir-se melhor
esclarecimento de tão fascinante problema?

O que se faria necessário seriam recursos de toda ordem, até mesmo
apoio governamental e orientação científica, para a preparação de equipes
de pesquisa que procurassem com dedicação, mas também por obrigação
funcional e com a natural sobriedade que o problema exige, contatar com
esses operadores, despertando neles interesse de aproximar-se e de ajudar-
nos a fazer, então, a ciência de verdade desse surpreendente campo.

Será isso fantasia? É evidente que não. A fenomenologia que nos tem
envolvido, durante já bastante tempo, nos proporciona a certeza de que,
afinal será esse um dia, pelo menos, um dos caminhos sérios da pesquisa
ufológica. Poder-se-ia, portanto, organizar uma investigação em nível mais
avançado, sem jamais abdicar da metodologia rigorosamente científica já
apresentada e comentada ao longo deste trabalho.

3.3 NÍVEL ESOTÉRICO -ESPIRITUAL

É de se achar estranho o título deste subcapítulo. Como, perguntar-
se-ia, tratando o problema ufológico em nível científico, haveria razão
qualquer e, em consequência, coragem para defender ou sugerir a hipótese
de se poder conduzir uma pesquisa dessa natureza em termos do esotérico,
com implicações espirituais? É evidente que isso não teria sentido aqui se,
em capítulo anterior, no lugar próprio, não houvéssemos mostrado como o
campo científico parapsicológico poderia levar para além do âmbito do
espaço tridimensional a sua própria pesquisa, isto é, a intimidade e as
condições da fenomenologia parapsicológica. Se, também, não
houvéssemos justificado a inexorável existência de uma ciência esotérico-
espiritual, ciência decorrente não de precisas demonstrações de faculdades
humanas superiores latentes na criatura vulgar e manifestas nitidamente em
uma minoria apenas, mas, sim a ciência esotérico-espiritual, decorrente do
cultivo e exercício normal dessas faculdades, as quais se transformariam

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A. Moacyr Uchôa – Mergulho no Hiperespaço

então em definidos instrumentos da própria pesquisa! Dissemos que, dessa
forma, o hábito da utilização de tais instrumentos, sentidos mais perfeitos,
permitiria perceber uma realidade mais sutil velada pelas limitações dos
cinco sentidos normais ao ser humano e levaria, a experiência o demonstra,
a uma correspondente expansão da consciência, benéfica para a apreensão
e consequente juízo, em nível mais alto, sobre o jogo de ações e reações
que se passam nos planos energéticos e de matéria em estados mais sutis,
ainda não acessíveis ao instrumental de pesquisa disponível pela ciência
clássica, acadêmico-universitária, atual.

Dissemos, na verdade, como o treinamento de tais faculdades
visando ao conhecimento, como resultado de uma pesquisa tocada de amor
e dedicação maior à descoberta do ainda não revelado, promoveria, pouco
a pouco, condições para que o pensamento racional se tornasse permeado
por fluxos inspirativos intuicionais, resultando, afinal, com o
amadurecimento interno, uma verdadeira, nítida e comprovada nova
faculdade do ser humano, a INTUIÇÃO. Sim, essa intuição que,
espontânea, intrínseca, natural, acabou construindo a glória filosófica de
um Bergson e que tanto inspirou as geniais aberturas físico-matemáticas de
Albert Einstein, se transformaria numa condição, numa virtude, numa
faculdade buscada, desenvolvida e passível de ser aplicada ao
conhecimento científico-objetivo, servindo a uma consciência mais ampla,
bem mais desperta e capaz de melhor conceituar a realidade.

Face ao que fica exposto, deixa de ser teórica, fora da realidade, de
conteúdo místico, de fantasias ou primárias crendices, a afirmação de que
tem sentido e validade uma pesquisa em tão alto nível.

É óbvio que jamais se poderá afirmar, ser fácil reunir condições
próprias para esse fim, particularmente se se pensar em termos de grupo,
pois o desenvolvimento pessoal à base de dedicação à causa, em princípio,
só levará à condição de pesquisa em tão elevado estágio, a pessoa dotada
de sensibilidade supranormal bem definida, passível de, mediante algumas
práticas adequadas, realizar estados de percepção superior, mantida a
condição de pleniconsciência, sem a qual não se constituiria ela própria em
um investigador. Dotado das qualidades perceptivas, mas sem conservar a
pleniconsciência, e sem a possibilidade de expandi-la, poderá constituir-se
em um instrumento de pesquisa no âmbito parapsicológico avançado,
como aliás já definimos, porém não alcançará o nível esotérico-espiritual
de que tratamos.

Já indicamos, outrossim, como através do esotérico pode despontar e

A. Moacyr Uchôa – Mergulho no Hiperespaço

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se realizar, se revigorar e ampliar o espiritual, como um processo evolutivo
se desdobrando basicamente através da vivência, por ventura ocorrente,
dos valores que constituem o universo moral, cujo substrato de realidade se
encontra, como anteriormente dissemos, no sentido da beleza, do amor e da
verdade imanente ao ser humano já desperto, conferindo-lhe então uma
alta responsabilidade.

Nas experiências de Alexânia, inesperadamente, sentimo-nos
penetrando nesse campo esotérico espiritual. Todavia, a bem da verdade,
devemos dizer que o caminho seguido foi diferente do que ora indicamos,
através da sistemática do desenvolvimento das faculdades
parapsicológicas, não obstante a presença destas. É que essas faculdades,
em nós já um tanto desenvolvidas, estavam prévia e realmente afastadas
das pesquisas, pois, ao tempo, só nos interessava a documentação objetiva,
material, que íamos colhendo. O que observávamos com vários sensitivos,
ficava registrado, normalmente, como fatos incidentais, dignos da melhor
consideração e justa apreciação naquele conjunto de marcantes eventos da
fase áurea da pesquisa, de Julho de 1968 a Fevereiro de 1969. Àurea, no
sentido da quantidade, sendo de notar que extraordinários acontecimentos
ainda se deram após aquela data.

Falamos em caminho diferente, levando ao esotérico, ou melhor,
esotérico-espiritual, nos termos que já definimos. Vejamos, pois, o atípico
e extraordinário que nos conduziu a essa tônica espiritual.

No primeiro dia de visita à Fazenda de Alexânia, criaram-se
circunstâncias tais que nos levaram a estar a 1h30m da manhã, sem
qualquer companhia, na maciça escuridão de uma noite sem lua e com
poucas estrelas, em certo ponto não muito distante da casa residencial.
Junto a nós surge, de repente, estranho ser e nos diz nitidamente:

- “Sou YOGARIM. Você tem aqui u’a missão: observar, pesquisar,
escrever um livro e divulgar. Será protegido por mim.”

Olhar brilhante, incisivo, vestimenta à forma oriental, usando
turbante, sereno em sua fisionomia de olhos verdes e olhar penetrante,
aquele contato deixou-nos a mais viva impressão. Alucinação que seja,
segundo o natural, mas, às vezes, não tão sábio julgamento dos

psicólogos/psiquiatras, essa “alucinação” se mostrou, podemos dizer,

extraordinariamente influente, decisiva mesmo com respeito a essas
observações e pesquisas de Alexânia. É que nos deu ela substância de
estímulo para, pacientemente, perseverar, sem nada absolutamente ali ver

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A. Moacyr Uchôa – Mergulho no Hiperespaço

ou verificar, durante mais de quatro meses de comparecimento àquele
local, semanalmente, ficando todos nós ao relento naquelas alturas ou
encostas, longas horas, até quase o amanhecer, algumas vezes com
temperatura inferior a 0 (zero) grau... Assim se deu de Março a fim de
Julho de 1968, conforme depomos em nosso livro dedicado aos fenômenos
de Alexânia.

Aquele Ser, como dissemos, tinha o nítido aspecto de um oriental e
se parecia flagrantemente com o conhecido retrato do Mestre Morya da
FRATERNIDADE BRANCA dos Himalayas1

Então, a partir do referido Julho de 1968, com os fenômenos se
sucedendo de forma objetiva e extraordinária, fixamo-nos em nossos
métodos e critérios, que julgávamos e ainda julgamos de caráter científico;
observações por parte de muitos, anotadas as testemunhas e as
circunstâncias do fenômeno em que quase sempre se mostrava flagrante
uma inteligência, uma vontade em operação. Sucedeu haver uma retração
sensível. Os fenômenos praticamente desapareceram, possivelmente para
desencorajar os que não o valorizavam devidamente. Isso a partir de Março
de 1969. Em fins de Maio, porém, reunidos quatro casais no local da
pesquisa habitual, isso sem nenhuma deliberação prévia, por sugestão
insistente de um dos presentes, o funcionário da Caixa Econômica Federal
Roberto Beck, lembramos aquele extraordinário encontro da nossa
primeira noite com YOGARIN, como foi dito. Passamos então todos a
conversar sobre a Augusta Fraternidade Espiritual à qual pertence o Mestre
que naquele momento achamos tão parecido com esse Ser. E finalizamos
invocando o poder de Amor Universal do Seu Supremo Hierarca
conhecido como Senhor Cristo no Ocidente. Acendeu-se, de repente, uma
bela luz branco-azulada, bem próxima ao grupo (sessenta a setenta metros
de distância, no máximo). Esse depoimento, aliás, já o fizemos no livro
precedente. Contudo, podemos acrescentar que ficou dessa experiência, na
verdade, a impressão de uma extraordinária e bela vivência esotérico-

espiritual, advindo naturalmente uma pergunta que era de todos: “Por que
tal invocação haveria provocado tal resposta?”

Novas experiências repetidamente conduzidas confirmaram tão
extraordinário e objetivo fenômeno, com a diferença apenas de que,
daquela feita, a luz se manteve perto de nós, bem observada, durante mais
de trinta minutos. Desci até me postar a dez/quinze metros dela, em

1

NOTA: este mestre e seu irmão, Kut-Humi, depois de se haverem relacionado com o
eminente jornalista inglês, A. P. Sinnet que publicou livros a respeito, prepararam a russo-
polonesa Helena Petrovna Blavatsky para lançar a Teosofia no mundo ocidental.

A. Moacyr Uchôa – Mergulho no Hiperespaço

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entendimentos por sinais de lanterna e “flashes” de luz de ambos os lados,
característicos sinais de assentimento tácito.

Vemos assim como o esotérico-espiritual se insinuou ostensivamente

em nossa pesquisa!

Aqui, agora, cabe a indagação: por que isso ocorreu? Que relação
existirá entre esse fenômeno e os Excelsos Seres daquela Fraternidade? Os
fatos foram então evoluindo até que, certa vez, por intermédio de um
sensitivo de comprovadíssimas qualidades parapsicológicas, capaz de
marcar dia, hora e minuto para certas ocorrências, Adelino Rosa, nos foi
dito:

“Essas coisas ocorrem porque muitos dos vossos Mestres são

também nossos Mestres.”

Pouco a pouco, uma série de fatos da mesma natureza se foi
repetindo, quando procedíamos da mesma forma... Então conduzidos a
pessoalmente aceitar, participamos nós próprios da pesquisa nesse nível,
constituindo-se assim o seguinte quadro: nós, ao mesmo tempo,
pesquisador e pesquisado.

A forma relativamente segura, com que fomos nos desenvolvendo e
adequando a esse tipo de pesquisa, constituirá o assunto da segunda parte
desse trabalho, já então complementada pelo trato do problema do
hiperespaço, seus conceitos básicos, como também um breve ensaio sobre
a natureza de sua estrutura física ou hiperfísica.

Essa segunda parte terminará com uma dissertação telepática,
cabendo-nos julgar que, a partir daí, nós e o leitor estaremos em condições
de efetuar “in abstratum” o mergulho no hiperespaço, assunto realmente
inacreditável pelo racional científico do cientista atual. Seremos coerentes
face à nossa experiência, particularmente frente à inarredável decisão de
nos conservarmos autênticos até o fim, quaisquer que sejam as opiniões e
julgamentos dos que tiverem a paciência ou intuição maior de lerem com
tranquilo respeito sobre coisas em que não acreditam.

O esotérico-espiritual sempre presente, constantemente evidenciado
nesse “Mergulho no Hiperespaço”, revela também extraordinário fascínio
no âmbito de tão transcendental pesquisa.

SEGUNDA PARTE

DA CIÊNCIA HIPERESPACIAL

“Sabemos agora que existem campos absolutamente imateriais –
as interações mecânicas dos quanta de campos físicos psi são
totalmente imateriais, embora descritas pelas equações mais
fundamentais da mecânica dos quanta. Essas equações nada
dizem sobre massa em movimento; apenas regulam o
comportamento de campos muito abstratos, em muitos casos
imateriais, frequentemente tão sutis como a raiz quadrada de uma

probabilidade.”

Henry Margenau
Professor de Física
da Universidade de Yale

“Assim, quando uma mensagem de percepção extra-sensorial,
sobre a forma de mindons, de psitrons ou outras formas colide

com um nêutron em “equilíbrio instável”, opera ao nível da
incerteza quântica e, por assim dizer, pode fazer maravilhas.”

Arthur Koestler
Do Centro de Estudos Avançados
de Stanford

CAPÍTULO IV

HISTÓRICO

EVOLUÇÃO PARA UMA PERCEPÇÃO DIFERENTE

Desde nossa chegada a Brasília, em Fevereiro de 1968, sabíamos de

estranhos fenômenos que estariam ocorrendo na “Fazenda Vale do Rio
Ouro”, próximo a Alexânia (Goiás).

Relacionamo-nos no ambiente do então “Instituto de Parapsicologia
de Brasília”, com o proprietário da fazenda, Wilson Gusmão, passando a

constituir, com vários amigos, um verdadeiro grupo de pesquisa,
deslocando-nos semanalmente, para aquele local.

Os resultados dessas pesquisas se estenderam por vários anos e se
encontram em nosso livro já editado, no qual minuciamos descrição de
uma fenomenologia realmente atípica, contundente, face aos conceitos
científicos atuais.

Acontece que, com a nossa formação de engenheiro civil e ex
professor de Mecânica Racional, sempre nos situamos no campo do
racional, repudiando in limine outra orientação de pesquisa que não a
plenamente objetiva, sem fantasias ou crendices.

Como apontamos no livro a que nos referimos (“A Parapsicologia e
os Discos Voadores” – O Caso Alexânia), limitavamo-nos a observar e a
anotar as ocorrências, suas circunstâncias, bem assim relacionar
testemunhas. Verificamos, desde o início, uma série de fatos, em que
presente se mostrava, sem dúvida, a ocorrência do fenômeno

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A. Moacyr Uchôa – Mergulho no Hiperespaço

parapsicológico, o que bem justificou a escolha daquele título para nosso
trabalho.

É evidente, posto isso, que havia “sensitivos” em nosso grupo, entre

os quais destacamos Adelino Rosa e Wilson Gusmão, assim como o Dr.
Ivanir Geraldo Viana. Os três, particularmente os dois primeiros se acham
citados em nossa obra.

Ora, aconteceu que, declinando o surto daqueles fenômenos, a
maioria do grupo foi se afastando e nós fomos permanecendo, insistindo
em perseverança, dado que intuímos do valor daquela fenomenologia,
valorizando-a sobremodo, bem mais que qualquer outros integrantes do
primeiro grupo organizado.

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