É com grande felicidade no coração e na alma que estamos aqui novamente para publicar a segunda edição da revista eletrônica

Ártemis Poética, um projeto pioneiro e inovador que visa semear cultura no meio virtual através das poesias. A primeira edição teve uma surpreendente aceitação, e esta agora como será? Comente, opine, critique, prezado leitor.
Obrigado.

Bem-te-vi Biônico.

AUTORES DA SEGUNDA EDIÇÃO:
Thiago Stéfano Anne Lieri Anjo Sonhador Brinquedo do Equilíbrio Bem-te-vi Biônico Cachorro louco

Lilica Margarida Centelha Luminosa

Bela infância (Thiago Stéfano)

Ouvi papai falando que eu estou na infância! Vida de criança Ele disse que eu tenho tempo de sobra. vida na infância Pra sonhar papai e mamãe não me deixam ver Fantasiar eles brigando correr, brincar, pular eles chorando andar de bicicleta eles fazendo contas jogar videogame eles desesperados. Sorrir Ouvi o papai falando que eu sou criança cantar e chorar... que eu tenho que ser feliz Papai disse que não é pra me mostrar os problemas. que se depender dele Problemas? eu vou ser Só conheço os de matemática que a tia passou. sempre criança Só a divisão dos times no futebol, dos doces no recreio, feliz das figurinhas que troco para completar o álbum. com infância Conta pra pagar é com o papai também. feliz A carteira do papai tem sempre a solução... sonhando A mamãe ajuda eu pedir. brincando e estudando Papai sempre tem um banco na carteira! disse pra mamãe que só tenho essa obrigação E quando não tem... Ah... Mas assim tá bom Sabe falar com jeitinho. Esse negócio de infância super é legal! Só sai um chorinho mas logo o sorriso volta.

CRIANÇA DE HOJE (Anne Lieri) Ser criança hoje em dia Não é só ter alegria! Tem criança pela rua Ao relento, sob a lua... Tem criança que cresceu Que a infância não viveu! Que faz mil acrobacias Faróis da cidadania... Pequenos maliciosos, Verdadeiros poderosos, Aprendizes de vigaristas, Da sociedade consumista! Usadas por traficantes, Na escola dos farsantes, Cedo tem armas na mão, E atiram sem compaixão! Quisera tudo mudar E a cada uma abrigar: Com lazer, ensinamento, Curar qualquer ferimento! Ter um prato de comida, Dar um ponto de partida, Retomar o encantamento, Com elas voar ao vento!

Pura inocência (Anjo Sonhador)

No final de tarde ...chega a saudade Vem a lembrança...pueril liberdade Tudo era felicidade...um sonhador Corria pelos campinhos... não conhecia a dor Volta a esperança de revivê-lo...jubilosos momentos.... O presente no passado...onde tudo era perfeito Permeia a vontade de ali estar...sem parar de brincar Era meu mundo de paz...não esqueço jamais Tudo isso assenta a minha esperança De voltar a viver sem medos, receios ou fantasmas De voltar a ser criança...pura inocência Tempos idos da minha infância.

É brincadeira!

(Brinquedo do Equilíbrio)

Crianças brincam no parque, com seus pais a vigiar Bola passa pra cá, bola passa pra lá Corre corre, tem que se esconder Pula pula, bate bate até o anoitecer Cada um vai pra casa, e eu a caminhar A vida é diferente pra mim, a bola não passa pra cá Corre corre, tenho que me esconder A chuva vem aí, tenho que arranjar algum lugar pra me proteger
É difícil essa vida, de correr atrás de latinha Vender papelão, comer o resto do lixão Opa! Comida boa veio hoje! Não senhor, seu rato! Essa é pra mim! Cansei disso tudo, tá tudo errado pra mim Ralo o dia inteiro, pra ter uma noite sem fim? Quero ver agora, armado até os dentes Vou roubar essa sociedade, na verdade vou pegar o que é meu por direito E em uma dessas, sou atingido no peito

Não conheci a felicidade Muito menos o amor Mas recebi a liberdade Quando meu corpo desabou

Divina infância (Bem-te-vi Biônico) Divina semente, breve estadia num mar de esperança Pois que ainda sob o calor do ventre espelha a vitória no rosto da gente! Divina inocência, sorriso de criança Faz arte, pinta o sete... Estuda, se diverte... Como deveria ser! Divino desabrochar, sabor juvenil Corpo e mente outorgam crescer Negando a infância que um dia curtiu! Divina maturidade, nos faz sonhar... Quem alegre é a carrega no peito! E quem não... Hum, esse só faz resmungar.

Divina seja a infância, até mesmo nos asilos... Pois aquele que mantêm viva a infância, Aquela criança que todos têm, Renova cada dia o mundo para o bem!

Proteja a infância (Cachorro Louco)
SIM! Eu grito em nome da infância de todas as crianças vilipendiadas no Brasil varonil! Levanto bandeira, denuncio, faço comício, saio do passivo... Chuto o balde, por que não chutar o balde? Elas fariam assim... Sem culpas, sem medo, com o fervor da irreverência Típica da infância.

SIM! Elas tem seus direitos, e enquanto não usufruírem dos mesmos Terão no cachorro o mais potente megafone!
Só sei falar de amor (Lilica Margarida) Só sei falar de amor, Simples assim... Como uma flor no jardim, observada... Mas isto também é infância, já que o cuidado com a planta é similar a criança: Plantar, cuidar, proteger, ensinar, viver... Amar...

Só o amor é capaz (Centelha Luminosa) Era uma vez... Em um Reino de naturais encantos Vicejavam lado a lado o joio e o trigo Festas, carência e pranto Solidariedade e aflição, riqueza e poder Privilégio e exclusão, carência e dor Indiferença e amor... Como uma ventania no entardecer Surge Maria Clara de triste jornada braços nus, os pés no chão Palidez, desnutrição, face contraída Mãos estendidas em agressão No olhar profunda melancolia Estigma da infância abandonada Recusa o abraço... Recua o passo... Expressa desconfiança e desalento A mendigar, amor e alimento! Onde mora a Esperança?

(Continuação) Conhecedor das angústias em profundidade um amigo, veio-me à lembrança fazendo-me a claridade: “- amiga criança mal amada é afrontosa como um botão fechado, esturricado nada tem a oferecer ao mundo senão, espinhos Só o amor é capaz de fazer desabrochar a rosa! Respira a preconceitos, transpira medos O ataque é a sua defesa A carranca é muro de fortaleza Protege-se da frustração, sua reação é notória O outro é ameaça constante A raiva nas atitudes é a dramática forma De contar a sua história... Solidariedade e ideal são nossos Impulsionam ao comprometimento, à ação Estar disponível, único recurso à mão É o amor em movimento! A sua realidade, só o amor podia conhecer.

Pra reeducar em novas experiências Diferentes modos de ver, ouvir, sentir e perceber Quem ama, tem o dom da segunda visão. Faz-se agente de transformação Um sinalizador das belezas da vida Ombreia com o outro, faz-se a própria acolhida Ajuda a acionar a potencialidade da rosa Daquele botão fechado, esturricado...

(continuação)

Quanto tempo se passou?
Certo dia, um raio de sol na negra face despontava Maria Clara sorria! Ensaiava a primeira poesia Início da sua reconstrução Trabalhava com as mãos, mente e coração Traz, ainda, fortalezas, mas não recua ao abraço Não recusa o nosso amor Tem olhos de ver o alvorecer de novos dias Cultiva a vontade de aprender e viver Mas, sua história não termina aqui Prossegue ainda em desafios incessantes Sempre atuante, pois descobriu ainda agora Que é em si mesma que a Esperança mora!

(Continuação) Créditos Frases usadas no poema: “Quem ama, tem o dom da segunda visão” (Maria Montessori, educadora) “Criança mal amada é afrontosa como um botão fechado, esturricado nada tem a oferecer ao mundo senão, espinhos só “o amor é capaz de fazer desabrochar a rosa...” (Prof. José Herculano Pires)

• Todas as imagens contidas nesta edição foram retiradas da internet a título de ilustração e sem fins lucrativos, caso tenha os direitos da mesma e não concorde em vê-la nesta publicação virtual, por favor, entre em contato através do e-mail artemispoetica@gmail.com que retiramos imediatamente! • Este é o segundo passo ousado da revista Ártemis Poética, e certamente novas ideias serão incorporadas ao projeto para a terceira edição do mês de novembro. Caso tenha alguma sugestão, crítica ou dúvida, envie mensagem para artemispoetica@gmail.com que responderemos o mais breve possível e com muita satisfação.

ATÉ A PRÓXIMA EDIÇÃO!

Pois a flecha de Órion representa a dualidade da vida!

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