Apostila Planejamento Fisico Hositalar

PLANEJAMENTO FÍSICO HOSPITALAR

INSTITUTO TOCANTINENSE DE EDUCAÇÃO SUPERIOR E PESQUISA LTDA– FACULDADE ITOP
“Construindo competências que agregam valor profissional”

PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU EM GESTÃO EM SAÚDE E ADMINISTRAÇÃO HOSPITALAR

Módulo: Planejamento Físico Hospitalar

PALMAS/ TO PLANO DA DISCIPLINA EMENTA: Conceitos básicos para a compreensão do processo de planejamento do espaço físico dos estabelecimentos assistenciais de saúde. Análise histórica da anatomia dos edifícios hospitalares. Identificação de parâmetros e normas que assegurem a qualidade dos serviços de planejamento físico e construção em saúde. Análise de modelos gerenciais e administrativos e a influência da arquitetura na lucratividade da empresa hospitalar. Contextualização do edifício hospitalar na atualidade.
OBJETIVO GERAL: A proposta tem por finalidade trabalhar os aspectos conceituais e evidenciar a realidade deste mercado, as oportunidades, as ameaças e os pontos críticos para o sucesso. Além de preparar os alunos para o gerenciamento da estrutura hospitalar com a visão estratégica de Marketing. OBJETIVOS ESPECÍFICOS: • Compreender os conceitos técnicos de administração hospitalar e suas utilizações; • Compreender as principais aplicações da administração hospitalar e suas relações com a estrutura e suas aplicações empresariais nos processos operacionais, gerenciais em busca da vantagem competitiva. JUSTIFICATIVA: O módulo justifica-se na necessidade que os profissionais da área da saúde e administrativas devem ter no que se refere ao uso intensivo dos espaços da organização e de técnicas de gestão, devendo ser realizado de modo eficiente e inteligente. Outra questão que justifica o módulo centra-se na valorização no cotidiano dos profissionais e em suas atividades diárias nas unidades de saúde. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO: • Compreensão do processo de planejamento do espaço físico dos estabelecimentos assistenciais de saúde. Análise histórica da anatomia dos edifícios hospitalares; • Identificação de parâmetros e normas que assegurem a qualidade dos serviços de planejamento físico e construção em saúde; • Análise de modelos gerenciais e administrativos e a influência da arquitetura na lucratividade da empresa hospitalar; Contextualização do edifício hospitalar na atualidade. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS: • Exposição conceitual com projeção de slides em Power Point; • Projeções de vídeos; • Dinâmicas; • Trabalhos em grupo e individual studos de casos na área de saúde; AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM: Avaliação de trabalhos escritos e apresentados (grupo e individual), sendo a nota dividida em 3,0 participação e 7,0 desenvolvimento do trabalho. BIBLIOGRAFIA: KOTLER, Philip. Administração de Marketing. 10 a ed. São Paulo: Prentice Hall, 2000.

¬ Estudo geopolítico: determina condições sob todos os aspectos. e verificar o acesso de usuários. ¬ Terá que preencher os requisitos para a função que vai desempenhar. de 21 de fevereiro de 2002. ¬ Funcionários do hospital: representa uma população numerosa.GUSTAVO. 2ª ed. Malagón-Londoño. recomenda-se um terreno com barreiras natural(arvore. GABRIEL Pontón Laverde. 2008. quando o hospital tiver uma estrutura verticalizada. ¬ Estudo econômico: passa a determinar o custo do projeto para atender as necessidades planejadas. Resolução – RDC nº 50. ¬ Estudo epidemiológico: quantifica a população que necessita do serviço. ESTRUTURA FÍSICA HOSPITALAR ¬ Sede permanente do hospital. entre outros. ladeira ou colina) ¬ Deve ser verificado o projeto para que o terreno possa atender as necessidades da construção. Elevador. etc. REQUISITOS DO TERRENO PARA A CONSTRUÇÃO DO HOSPITAL ¬ Não deve ter ruídos. 3. para uma permanência média de três dias. deve estar fora da ação direta do vento. RICARDO Galán Moreira.5 pessoas por leito. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. Rampas para cadeirantes e para as macas.    Deverá ter espaços adequados para o transito de macas. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. sendo observado em países subdesenvolvidos 2 a 2. investiga as condições básicas de vida dessas pessoas. .Administração Hospitalar. odores e se possível. do terreno escolhido.5. com base nos padrões internacionais. ¬ Visitantes: calculam-se seis visitantes por paciente. e as conveniências de sua localização.

   Serviços básicos: andares inferiores Segundo andar: setor administrativo. em relação às suas características. exames. UTI. ¬ Os pacientes cirúrgicos deverão ser internados em unidades próximas do centro cirúrgico. ÁREAS DE CONSULTAS EXTERNAS Ambulatório ¬ Instalados no andar térreo ou no primeiro andar para evitar inconvenientes. farmácia. enfermarias e quartos dos pacientes hospitalizados. ENFERMARIA E QUARTOS ¬ Constituem o centro de maior atenção do hospital.EXECUÇÃO DO PROGRAMA ¬ Deve ser adotado uma estrutura funcional. diagnósticos e farmácia. Terceiro andar: centro cirúrgico. disposição e localização. instalações sanitárias CENTRO CIRÚRGICO . ¬ Postos de coletas de exames de laboratórios. e acima destes.

de preferência isoladas para que evite incômodos. ¬ Boa ventilação e especialmente o fornecimento de ar puro são aspectos de vital importância. SERVIÇOS DE APOIO ¬ A cozinha e a lavanderia devem ser localizadas em um local acessível. e o mais importante. para evitar risco de contaminação ambiental. iluminação exigida e um acesso funcional. de preferência próximo da área de internação. ¬ Proximidade com a área de esterilização de materiais cirúrgicos e a central de distribuição de equipamentos e instrumental. . SERVIÇOS DE DIAGNÓSTICO ¬ Acesso fácil e a prestação de serviços de modo confiável.¬ Isolamento da área. par facilitar o acesso de pessoas estranhas a instituição. O DEPARTAMENTO ADMINISTRATIVO ¬ Deverá ser localizado no andar térreo.

inclusive normas de concessionárias de serviços públicos. decretos. ELABORAÇÃO DE PROJETOS FÍSICOS Nos casos não descritos nesta resolução. o autor ou o avaliador do projeto deverá considerar a prescrição mais exigente.PROJETOS DE ESTABELECIMENTOS ASSISTENCIAIS DE SAÚDE 1. leis. Devem ser sempre consideradas as últimas edições ou substitutivas de todas as legislações ou normas utilizadas ou citadas neste documento. são adotadas como complementares as seguintes normas: . Embora exista uma hierarquia entre as três esferas. que eventualmente poderá não ser a do órgão de hierarquia superior.PROJETO DE ESTABELECIMENTOS ASSISTENCIAIS DE SAÚDE 1 . PROGRAMAÇÃO. estaduais e municipais.ELABORAÇÃO DE PROJETOS FÍSICOS REGULAMENTO TÉCNICO PARA PLANEJAMENTO. Devem ainda atender a todas outras prescrições pertinentes ao objeto desta norma estabelecidas em códigos. ELABORAÇÃO E AVALIAÇÃO DE PROJETOS FÍSICOS DE ESTABELECIMENTOS ASSISTENCIAIS DE SAÚDE Todos os projetos de estabelecimentos assistenciais de saúde-EAS deverão obrigatoriamente ser elaborados em conformidade com as disposições desta norma. PARTE I . portarias e normas federais.

elaborado com base no Estudo Preliminar.Execução de desenhos para obras de concreto simples ou armado. .NBR 14611 – Desenho técnico – Representação simplificada em estruturas metálicas. .1.1. Estudo Preliminar Estudo efetuado para assegurar a viabilidade técnica a partir dos dados levantados no Programa de Necessidades.NBR 5261 – Símbolos gráficos de eletricidade – Princípios gerais para desenho de símbolos gráficos.NBR 7191 . . 1. 1.1. Programa de Necessidades Conjunto desenvolvimento de das características atividades dos e condições usuários da necessárias edificação ao que.NBR 13532 . equipamentos e serviços relativos ao empreendimento. e .1. Projeto Básico Conjunto de informações técnicas necessárias e suficientes para caracterizar os serviços e obras.NBR 14100 – Proteção contra incêndio – Símbolos gráficos para projetos.Símbolos gráficos para projetos de estruturas.1.2..NBR 7808 .NBR 6492 – Representação de projetos de arquitetura. Deve conter a listagem de todos os ambientes necessários ao desenvolvimento dessas atividades. adequadamente consideradas.3.4. 1. definem e originam a proposição para o empreendimento a ser realizado.1. e que apresente o detalhamento necessário para a definição e quantificação dos materiais. . . bem como de eventuais condicionantes do contratante. Projeto Executivo .Elaboração de projetos de edificações – Arquitetura. são adotadas as seguintes definições: 1. 1. TERMINOLOGIA Para os estritos efeitos desta norma.

projeto básico e projeto executivo.2. Obra Nova Construção de uma nova edificação desvinculada funcionalmente ou fisicamente de algum estabelecimento já existente.8.6. não restando qualquer atividade no canteiro de obras. podendo incluir as vedações e/ou as instalações existentes. contendo de forma clara.5.1. reforma ou ampliação de uma edificação ou conjunto de edificações serão desenvolvidos. 1.1.1.1. O desenvolvimento consecutivo dessas etapas terá. Obra de Recuperação Substituição ou recuperação de materiais de acabamento ou instalações existentes.Conjunto de informações técnicas necessárias e suficientes para realização do empreendimento. 1. basicamente. em três etapas: estudo preliminar. como ponto de partida.9. o programa de necessidades (físico-funcional) do EAS onde deverão . Obra de Reforma Alteração em ambientes sem acréscimo de área. 1. 1.7.1. montagem e execução dos serviços e obras. sem acréscimo de área ou modificação da disposição dos ambientes existentes. ou mesmo construção de uma nova edificação para ser agregada funcionalmente (fisicamente ou não) a um estabelecimento já existente. Obra de Ampliação Acréscimo de área a uma edificação existente. complementação. 1. Obra Inacabada Obra cujos serviços de engenharia foram suspensos. precisa e completa todas as indicações e detalhes construtivos para a perfeita instalação. ETAPAS DE PROJETO Os projetos para a construção. 1.

um relatório que contenha memorial justificativo do partido adotado e da solução escolhida.os esquemas de zoneamento do conjunto de atividades.1. cortes e fachadas (opcional) em escala livre e que contenham graficamente: .1. . sua descrição e características principais.estar definidas as características dos ambientes necessários ao desenvolvimento das atividades previstas na edificação.1 Arquitetura Consiste na definição gráfica do partido arquitetônico. caracterizando os espaços. atividades e equipamentos básicos (médico-hospitalares e de infra-estrutura) e do atendimento às normas e leis de uso e ocupação do solo.2. Além dos desenhos específicos que demonstrem a viabilidade da alternativa proposta. estacionamentos e outros .o número de edificações.acessos. O estudo deverá ser desenvolvido a partir da análise e consolidação do programa denecessidades. será parte integrante do estudo preliminar. . Estudo preliminar Visa a análise e escolha da solução que melhor responda ao Programa de Necessidades. as demandas que serão atendidas e o prédimensionamento da edificação. suas destinações e locações aproximadas. . as circulações e organizaçãovolumétrica.a implantação da edificação ou conjunto de edificações e seu relacionamento com o local escolhido.o atendimento às normas e índices de ocupação do solo. . através de plantas. .2. . econômicos e ambiental do empreendimento. .a explicitação do sistema construtivo que serão empregados. sob os aspectos legais. técnicos.e expansões possíveis. .o número de pavimentos. 1. Deverão ser consideradas as interferências entre os diversos sistemas da edificação.os esquemas de infra-estrutura de serviços. 1.

Elétrica e Eletrônica A.Descrição básica do sistema de alarme contra incêndios.Localização e característica da rede pública de fornecimento de energia elétrica.1. transformação. . contendo quando aplicáveis: . medição e distribuição. . .Descrição básica do sistema de radiologia. . . . .P.S. .Descrição básica do sistema de fornecimento de energia elétrica: entrada.2. deverá ser apresentada estimativa de custos da obra.2.Descrição básica do sistema de proteção contra descargas atmosféricas.1.Descrição básica do sistema de aterramento das salas cirúrgicas (quando houver). Instalações 1. . . .1.2. central privada de comutação e L.2.Quando solicitado pelo contratante e previamente previsto em contrato.A.Descrição básica do sistema de busca-pessoa.Determinação básica dos espaços necessários para as centrais de energia elétrica e centrais de comutação telefônica.Descrição básica do sistema telefônico: entrada..Descrição básica do sistema de sonorização. . .Descrição básica do sistema de sinalização de enfermagem. destinado a compatibilizar o projeto arquitetônico com as diretrizes básicas a serem adotadas no desenvolvimento do projeto.Descrição básica do sistema de computadores.Localização e características da rede pública de telefonia.Tensão local de fornecimento de energia elétrica (primária e secundária).Descrição básica do sistema de intercomunicação. . .Descrição básica do sistema de geração da energia de emergência (baterias ou grupo gerador).'s.Descrição básica do sistema de televisão e rádio. . . 1. Escopo Deverá ser desenvolvido um programa básico das instalações elétricas e especiais do E.

.Localização da rede pública de esgoto e/ou quando necessário a indicação de sistema de tratamento (fossa séptica. B.Apresentar memória de cálculo. . .Descrição básica do sistema de proteção e combate a incêndio.2. . Hidráulica e Fluido-Mecânica A.Documentos gráficos para elucidar as proposições técnicas.2. câmaras de decantação para esgoto radioativo.1.Descritivo básico. 1.Localização de galeria para drenagem de águas pluviais e/ou quando necessário a indicação de despejo livre.Descrição básica do sistema de aquecimento. .Determinação básica das áreas destinadas ao encaminhamento horizontal e vertical do sistema elétrico (prumadas). . outros). . destinado a compatibilizar o projeto arquitetônico com as diretrizes básicas a serem adotadas no desenvolvimento do projeto.Efetuar consulta prévia às concessionárias de energia elétrica e telefonia. ..Localização da rede pública de fornecimento de água ou quando necessária a indicação de poço artesiano.Previsão de consumo de água quente. . . reservação (enterrada e elevada) e casa de bombas.2. . Produtos . contendo quando aplicáveis: ..Previsões do consumo de água.Localização da rede pública de fornecimento de gás combustível e/ou quando necessário de gás engarrafado. .Previsão de consumo de gás combustível. Escopo Deverá ser desenvolvido um programa básico das instalações hidráulicas e especiais do estabelecimento. com indicação das alternativas e recomendações de ordem técnica para adequação do projeto básico de arquitetura.Descrição básica do sistema de abastecimento de água: entrada. .Previsão do volume de escoamento de águas pluviais. . com justificativa dos sistemas propostos.

. . . Escopo Deverá ser desenvolvido um programa básico das instalações de ar condicionado e ventilação mecânica do EAS. quando for o caso. destinado a compatibilizar o projeto arquitetônico com as diretrizes básicas a serem adotadas no desenvolvimento do projeto..Descritivo básico com indicação das alternativas e recomendações de ordem técnica para adequação ao projeto básico de arquitetura. . vácuo. .Determinação básica dos espaços necessários para as centrais de gases medicinais.Determinação básica dos espaços necessários para as centrais de gases medicinais.Consultas prévias junto às concessionárias públicas de fornecimento de água e gás. B. .Descrição básica do sistema de fornecimento de gases medicinais (oxigênio.2. vapor. Produtos .2. óxido nitroso. gás combustível. Climatização A. gás combustível.Previsão do consumo de vácuo.Descrição do sistema de fornecimento de vácuo. ventilação e câmaras frigoríficas).Descrição do sistema de fornecimento de vapor. vapor. vácuo. 1. pressurização. tratamento de RSS. .Descrição básica do sistema de tratamento de Resíduos de Serviços de Saúde (RSS). . contendo quando aplicáveis: . calefação.1.Previsão do consumo dos gases medicinais. . ar comprimido medicinal e outros) quando for o caso.Apresentação de memórias de cálculo e justificativa dos sistemas propostos. .Documentos gráficos para elucidar as proposições técnicas.Proposição das áreas a serem climatizadas (refrigeração. . . umidificação. quando for o caso.3.Determinação básica das áreas destinadas aos encaminhamentos dos sistemas hidráulicos e especiais (prumadas). .Previsão de consumo de vapor.

Elaboração do estudo comparativo técnico e econômico das alternativas técnicas para o sistema. com indicação das alternativas e recomendações de ordem técnica para adequação do projeto básico de arquitetura.Localização da central de casa de máquinas em função dos sistemas propostos. "self" a ar.Descritivo básico.. água gelada. possibilitar a avaliação do custo dos serviços e obras. projeto básico e projeto executivo e deverão estar em perfeita sintonia com aqueles projetos. estimando as cargas de acordo com os ambientes e equipamentos propostos. 1.2. 1.1 Arquitetura O projeto básico de arquitetura – PBA será composto da representação gráfica + relatório técnico conforme descrito a seguir.1.2. Estrutura e Fundações Assim como os projetos de arquitetura e instalações. 1.2.2 Projeto Básico Deverá demonstrar a viabilidade técnica da edificação a partir do Programa de necessidades e do Estudo preliminar desenvolvidos anteriormente.3. etc.Previsão do consumo de água. . . . . 1.Documentos gráficos para elucidar as proposições técnicas.Produtos . bem como permitir a definição dos métodos construtivos e prazos de execução do empreendimento. Serão solucionadas as interferências entre os sistemas e componentes da edificação. prumadas dos dutos e redes de água em unifilares da alternativa proposta.2. os projetos de estrutura e fundações obedecerão as etapas de estudo preliminar. B .Elaboração do perfil da carga térmica.2.2.Pré-localização do sistema de distribuição.1. Representação Gráfica: .Previsão de consumo de energia elétrica. . mencionando: filtros.1. .Descrição básica do sistema de climatização. .

tratamento de RSS (Resíduos de Serviços de Saúde). equipamentos de climatização. 1. cortes e fachadas. equipamentos de fornecimento ou geração de gases medicinais. h) planta de cobertura com todas as indicações pertinentes. considerações sobre os fluxos internos e externos. equipamentos de fornecimento de energia elétrica regular e alternativa. contendo listagem de atividades que serão executadas na edificação do estabelecimento de saúde. c) resumo da proposta assistencial.2. elevações. caso exista. b) todos os ambientes com nomenclatura conforme listagem contida nesta Resolução e demais normas federais. endereço. dentre outras que a vigilância sanitária local considere pertinente. que poderá ter a escala definida pelo autor do projeto ou pela legislação local pertinente. nome fantasia. c) todas as dimensões (medidas lineares e áreas internas dos compartimentos e espessura das paredes). posição dos leitos (quando houver). d) a locação de louças sanitárias e bancadas. equipamentos de geração de água quente e vapor. área a ser construída e área existente. área total e do pavimento. locais de armazenamento e. data da conclusão do projeto. necessariamente. f) em se tratando de reforma e/ou ampliação e/ou conclusão. exceto asplantas de locação. ampliações e detalhes. i) planta de situação do terreno em relação ao seu entorno urbano. Relatório Técnico: a) dados cadastrais do estabelecimento de saúde. locação dos equipamentos não portáteis médico-hospitalares e de infra-estrutura. de situação e de cobertura. quando houver. CNPJ e número da licença sanitária de funcionamento anterior.a) as plantas baixas. b) memorial do projeto de arquitetura descrevendo as soluções adotadas no mesmo. onde se incluem. j) identificação e endereço completo do estabelecimento.1. assim como de . as plantas devem conter legenda indicando área a ser demolida.2. tais como: razão social. g) locação da edificação ou conjunto de edificações e seus acessos de pedestres e veículos. número seqüencial das pranchas. e) indicações de cortes.2. com escalas não menores que 1:100.

2. . quando houver. do Ministério da Saúde publicada no DOU de 13 de junho de 2002. discriminando: leitos de internação. Escopo A partir das diretrizes estabelecidas no estudo preliminar e com base no projeto arquitetônico e de estrutura. Confirmação do sistema de distribuição contendo redes e prédimensionamento. . . dos equipamentos médicohospitalares não portáteis. leitos de observação e leitos de tratamento intensivo.1.2.Confirmação das entradas de energia elétrica e de telefonia. quadros gerais.Confirmação do sistema de energia elétrica e da central de comutação telefônica. conforme Portaria nº 1101/GM de 12 de junho de 2002. . .Proposição da locação dos quadros de distribuição telefônica. deverá ser elaborado o projeto básico de instalações elétricas e especiais.CNEN NE 6. QL e QF. g) no caso de instalações radioativas. e) especificação básica de materiais de acabamento e equipamentos de infraestrutura (poderá estar indicado nas plantas de arquitetura) e quando solicitado. f) descrição sucinta da solução adotada para o abastecimento de água potável.2.Elétrica e Eletrônica A. o licenciamento de acordo com as normas do Conselho Nacional de Energia Nuclear . 1. coleta e destinação de esgoto. O Projeto Básico de Arquitetura – PBA (representação gráfica + relatório técnico) será a base para o desenvolvimento dos projetos complementares de engenharia (estrutura e instalações). BT. transformação. energia elétrica. contendo quando aplicáveis: . d) quadro de número de leitos.02. geradores) e da central telefônica.2. Instalações 1. resíduos sólidos e águas pluviais da edificação.2.Proposição das dimensões das centrais da energia (medição.Proposição da locação dos quadros gerais de BT.atividades de apoio técnico ou logístico que sejam executadas fora da edificação do estabelecimento em análise .2.

sem escala.2.2.Proposição dos pontos de alimentação de todos os sistemas de suprimento.Proposição dos pontos de alimentação do sistema de ar condicionado. B.. . . Pontos para o sistema de sinalização de enfermagem.2.escala ³ 1:100.2. com soluções adotadas e compatibilizadas com o projeto básico e as soluções adotadas nos projetos das áreas complementares. . intercomunicação e sistemas de computadores.Memorial descritivo e definitivo explicativo do projeto. . quando for o caso. sistema de som.Plantas baixas . 1. . líquidos ou sólidos.Hidráulica e Fluido-Mecânica A.Proposição dos pontos de alimentação. Pontos de luz e seus respectivos interruptores. Pontos de detecção e alarme de incêndio.escala ³ 1:100. Pontos de telefones e interfones.Prumadas esquemáticas .escala ³ 1:500. iluminação e sinalização: Pontos de força para equipamentos e tomadas de uso geral. . elevadores.Documentos Gráficos: . . Escopo A partir das diretrizes estabelecidas no estudo preliminar e baseado no anteprojeto básico arquitetônico. contendo quando aplicáveis: . processamento e tratamento de efluentes.Proposição dos pontos para locação dos captores e para o sistema de proteção contra descargas atmosféricas.Planta de cobertura . Produtos . deverá ser elaborado o projeto básico de instalações hidráulicas e especiais. com seus respectivos acionamentos.Implantação geral .

2.Confirmação do dimensionamento das centrais de tratamento ou suprimento de instalações especiais. .escala ³ 1:100.2.Confirmação das necessidades de abastecimento e captação: .Memorial descritivo definitivo. de água para consumo e combate a incêndios.Confirmação dos tubos de queda para as prumadas devidamente prédimensionadas para a compreensão da solução adotada para águas pluviais.. . .2. com soluções adotadas e compatibilizadas com o projeto básico de arquitetura e as soluções adotadas nos projetos das áreas complementares. incluindo as redes e respectivos pontos de consumo.escala ³ 1:100. plantas baixas . explicativo do projeto. etc. de esgotos pluviais.Confirmação da necessidade de poço artesiano e sistema de tratamento de esgoto. .. . tratamento de RSS. de gás combustível. planta de cobertura . prumadas esquemáticas . de gases medicinais. . . implantação geral . . .Documentos gráficos: . Produtos . da entrada de gás e ligações de esgoto e águas pluviais..escala ³ 1:100. 1.3. de vácuo. vácuo e vapor. como tratamento de água para diálise. gás. . . Escopo .Proposição da entrada de água. de vapor. . Climatização A. tratamento de esgoto. .escala ³ 1:500. . B.Confirmação do dimensionamento das centrais de gases medicinais.

Proposição das redes de dutos unifilares com dimensionamento das linhas tronco de grelhas.escala ³ 1:500.Compatibilização com os projetos básicos de instalações elétrica e hidráulica com o sistema adotado.Confirmação da alternativa do sistema a ser adotado.Localização dos pontos de consumo hidráulico (água e drenagem). Arquitetura O projeto executivo deverá demonstrar graficamente: .1. . difusores.Localização dos pontos de consumo elétrico com determinação de potência. . . detalhando todas as interfaces dos sistemas e seus componentes. 1. . onde constem: . contendo quando aplicáveis: .A partir das diretrizes estabelecidas no programa básico e baseado no projeto básico arquitetônico.Confirmação das áreas a serem climatizadas. tensão e número de fases. . deverá ser elaborado o projeto básico de instalações de ar condicionado e ventilação mecânica. Produtos . B.Documentos gráficos: . plantas baixas . Projeto Executivo Deverá apresentar todos os elementos necessários à realização do empreendimento. . .3.escala ³ 1:100.Confirmação das áreas a serem ventiladas. .Memorial descritivo definitivo.2. implantação geral . .Definição dos pesos e dimensões dos equipamentos para o sistema proposto. . planta da cobertura . explicativo do projeto.3. 1. etc. com soluções adotadas e compatibilizadas com o projeto básico e as soluções adotadas nos projetos das áreas complementares.a implantação do edifício.2.escala ³ 1:100.. .Confirmação dos consumos de água e energia elétrica.

. compreendendo medidas e ângulos dos lados e curvas de nível. cotas de nível do terrapleno das edificações e dos pontos significativos das áreas externas (calçadas. ampliações e detalhes. indicando aberturas e materiais de acabamento. inclusive tipo de impermeabilização. . com as características planialtimétricas. altura de platibandas. construções auxiliares e outros. construídos como estacionamentos. postes. patamares. altura dos peitoris. localização dos elementos externos. e localização de árvores. reservatórios. forros e coberturas. indicando o material. aberturas e equipamentos. cotas de nível de escadas e patamares. domus e demais elementos. as áreas de corte e aterro. plantas de cobertura. elevações. existentes. dimensões e cotas relativas de todas as aberturas. vãos de portas e janelas e sentido de abertura. com a localização e indicação da inclinação de taludes e arrimos.. altura das paredes e barras impermeáveis. representação do terreno. juntas de dilatação. orientação da planta com a indicação do Norte verdadeiro ou magnético e as geratrizes de implantação. com nomenclatura conforme listagem de ambientes contida nessa norma e medidas internas de todos os compartimentos. todas as elevações. hidrantes e outros elementos construídos. onde fique demonstrado o pé direito dos compartimentos. sentido de escoamento das águas. acessos. a posição das calhas. condutores e beirais. compreendendo: . . rampas e outros). e indicações de cortes. . espessura de paredes. . cotas de piso acabado. . . plantas de todos os pavimentos. cotados em relação a referências preestabelecidas e bem identificadas. .o edifício. . a RN do levantamento topográfico. . tudo sempre com indicação clara dos respectivos materiais de execução e acabamento. a inclinação. material e tipo de acabamento. . sempre com indicação de material e demais informações necessárias. . os eixos das paredes externas das edificações. cortes das edificações.

o orçamento analítico da obra e cronograma físico-financeiro. impermeabilização de paredes e outros elementos de proteção contra umidade. escadas. o acabamento e os movimentos das peças. . com posicionamento de aparelhos hidráulicosanitários. equipamentos de segurança e outros fixos e todos os arremates necessários. fechaduras. balcões e outros planos de trabalho. Escopo Após a aprovação do projeto básico pelo órgão competente e/ou cliente. . B. quando se tratar de equipamentos ou projetos especiais. armários.2. incluir legenda indicando o material. divisórias. dobradiças. o projeto executivo será integrado por um cronograma onde estejam demonstradas as etapas lógicas da execução dos serviços e suas interfaces.3. bancadas. todos os detalhes que se fizerem necessários para a perfeita compreensão da obra a executar. se a indicação de materiais e equipamentos for feita por código. .. Também constará do projeto executivo. Instalações 1. Produtos . fechos.2. Elétrica e Eletrônica A. o material componente. atentando para os projetos executivos de arquitetura e formas de estrutura. peças de concreto aparente. bem como um manual de operação e manutenção das instalações. como cobertura.2.2. as esquadrias. 1. Quando for solicitado pelo contratante. Todos os detalhes executivos que interfiram com outros sistemas deverão estar perfeitamente harmonizados. indicando seu tipo e detalhes necessários. o tipo de vidro. sejam verticais ou horizontais. deverá ser elaborado o projeto executivo de instalações elétricas e especiais.1. se solicitado pelo contratante e previsto em contrato. . ampliações. de modo a permitir a completa execução das obras. dimensões de aplicação e demais dados de interesse da execução das obras. de áreas molhadas.3.

sonorização.sem escala. telefonia. . . Plantas baixas . telefone. fator de demanda. .Memorial descritivo. .Memorial descritivo e explicativo das instalações elétricas ou especiais.escala ³ 1:25. . As plantas poderão ser apresentadas agrupando-se os diversos sistemas. sinalização de enfermagem.sem escala. índice iluminotécnico.. contendo: .Documentos Gráficos: . segundo o seguinte critério: agrupamento 1 . Planta de cobertura . Diagramas trifilares dos quadros elétricos . contendo: . Características para sua identificação. . agrupamento 2 alimentadores. . Prumadas esquemáticas . Planta corte e elevação da cabine de medição e transformação . . . etc.Outros documentos solicitados pela concessionária.Memorial descritivo da ordem de serviço a ser executada e recomendações quanto a método e técnicas a serem utilizadas. fator de potência.escala ³ 1:500. Respectivas quantidades. .escala ³ 1:25. . . corrente. . Diagrama unifilar geral .sem escala.Elementos necessários para aprovação junto à companhia de fornecimento de energia elétrica.escala ³ 1:100. . . Detalhes gerais . . .escala ³ 1:100.Relação quantitativa e qualitativa dos materiais e equipamentos a serem utilizados nos diversos sistemas. dados e métodos utilizados nos dimensionamentos: tensão. Legenda das simbologias adotadas . Tabela de carga instalada e demandada. Plantas e detalhes (escala ³ 100 e ³ 1:25). alarme de detecção contra incêndio e relógio.sem escala. Tipo e qualidade.iluminação.. interfone e sistema de computadores. Implantação geral . . . Unidade de comercialização. indicando fórmulas. tomadas. .

Planta de implantação geral do edifício. instalações de gás combustível. Detalhes gerais . . . Plantas baixas dos pavimentos . desenvolvida a partir do projeto arquitetônico.2. Hidráulica e Fluído-Mecânica A. agrupando-se os diversos sistemas.Memorial descritivo e explicativo das instalações hidráulicas ou especiais.Outros documentos solicitados pela concessionária. instalações de redes de proteção e combate a incêndio e instalações da rede de vapor e condensado.escala ³ 1:50. deverá ser elaborado o projeto executivo de instalações hidráulicas e especiais.Elementos necessários para aprovação junto à companhia telefônica. Esquema isométrico . Planta de cobertura . 1. . dados e métodos utilizados nos dimensionamentos e cálculos (volume. vazão. capacidade. Escopo Após a provação do projeto básico pelo órgão competente.escala ³ 1:50.escala ³ 1:25. . .escala ³ 1:25. . contendo: .Documentos gráficos: . de modo a permitir a completa execução das obras. instalações de esgoto e águas pluviais.).Memorial descritivo da ordem de serviço a ser executado e recomendações quanto a método e técnicas a serem utilizadas. . .2. .1. As plantas poderão ser apresentadas. . de acordo com o seguinte critério: instalações de água quente e fria. Produtos .. etc. em escala ³ 1:200. indicando fórmulas. contendo as redes públicas existentes de água. instalações de gases medicinais. B.Memorial descritivo. esgoto sanitário e águas pluviais.3. gás.Plantas e detalhes (escala ³ 1:100 e ³ 1:25). atentando para o projeto executivo de arquitetura.

. 1. . Memorial descritivo. Outros documentos solicitados pela concessionária. contendo: . Escopo Após a aprovação do projeto básico pelo órgão competente. . Plantas e detalhes (escala ³ 1:50 e ³ 1:25). .Relação quantitativa e qualitativa dos materiais e equipamentos a serem utilizados nos diversos sistemas. . . . Legenda das simbologias adotadas . Plantas e detalhes do sistema (escala ³ 1:100 e ³ 1:25..escala ³ 1:50. quando da existência da mesma. junto à concessionária de água e esgoto. Memoriais descritivos. Tipo e qualidade. Memoriais de cálculo. contendo: . Respectivas quantidades.Elementos necessários para o dimensionamento do ramal de entrada de água (hidrômetro) e saída de esgoto sanitário. . atentando para o projeto executivo de arquitetura e de estruturas. contendo: . Plantas e detalhes (escala ³ 1:50 e ³ 1:25). Climatização A.2. Memorial descritivo. respectivamente). Unidade de comercialização.1. .Elementos necessários para aprovação junto à companhia de gás. Outros documentos solicitados pelo órgão. . .sem escala. . Características para sua identificação.3. . segundo padrões convencionais da construção civil. Detalhes de reservatórios de água . . deverá ser elaborado o projeto executivo de instalações de ar condicionado e ventilação mecânica. de modo a permitir a execução das obras das instalações hidráulicas e especiais por terceiros. .2.Elementos necessários para aprovação junto ao Corpo de Bombeiros contendo: .

Respectivas quantidades. . Características para sua identificação. . esquema isométrico . plantas baixas . contendo: . Só serão analisados pelas vigilâncias sanitárias estaduais ou municipais. . . número de troca de ar e filtros de ar. . projetos elaborados por técnicos ou firmas legalmente habilitados pelo Conselho Regional de Engenharia.sem escala. ventilação e exaustão e deverão ser compostas por: . esquema elétrico . . Cabe a cada área técnica o desenvolvimento do projeto executivo respectivo.sem escala.Memorial descritivo e explicativo das instalações de ar condicionado e ventilação mecânica. fluxograma .B. de maneira a considerar todas as suas interferências.Documentos gráficos: . Arquitetura e Agronomia – CREA local. Tipo e qualidade. . detalhes gerais .2.escala ³ 1:100.escala ³ 1:25. implantação geral . 1.escala ³ 1:500.sem escala. . . redes de água gelada.3 RESPONSABILIDADES 1. Escopo . . indicando fórmulas. . legenda das simbologias adotadas . Unidade de comercialização. consumo de água. 1. dados e métodos utilizados nos dimensionamentos de: cargas térmicas. planta de cobertura . . .escala ³ 1:100.3. carga elétrica.escala ³ 1:25.Memorial descritivo da ordem de serviço a ser executada e recomendações quanto ao método e técnicas a serem utilizadas para execução de obra. As plantas poderão ser apresentadas agrupando-se as instalações de ar condicionado. .1. O projeto executivo completo da edificação será constituído por todos os projetos especializados devidamente compatibilizados.3.Relação quantitativa e qualitativa dos materiais e equipamentos a serem utilizados nos diversos sistemas.

O projeto deverá ser encaminhado para aprovação formal nos diversos órgãos de fiscalização e controle. Corpo de Bombeiros e entidades de proteção sanitária e do meio ambiente. ATIVIDADE I DESENVOLVER UMA RESENHA INFORMATIVA – ** ATIVIDADE AVALIATIVA EM GRUPO / ATÉ 4 COMPONENTES ** INFRA-ESTRUTURA HOSPITALAR E INCORPORAÇÃO TECNOLÓGICA A experiência do REFORSUS Healthcare Infra-structure and Technological Incorporation . O autor ou autores dos projetos devem assinar todas as peças gráficas dos projetos respectivos. assim como.1. será de responsabilidade do autor ou autores do projeto a introdução das modificações necessárias àsua aprovação.. A aprovação do projeto não eximirá seus autores das responsabilidades estabelecidas pelas normas.3.2.3.4.3. O autor ou autores do projeto de arquitetura e o responsável técnico pelo estabelecimento de saúde devem assinar o Relatório Técnico descrito no item 1.1. como Prefeitura Municipal. mencionando o número do CREA e providenciar sempre a ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) correspondente e recolhida na jurisdição onde for elaborado o projeto. 1.2.2. regulamentos e legislação pertinentes às atividades profissionais. mencionando o seu número de registro no órgão de classe.

urgência e emergência em grandes áreas urbanas. 2. Bibliografia. Implementação e Supervisão.000 itens. por meio da recuperação física e tecnológica da rede de serviços existente e incremento à gestão do sistema. na categoria equipamentos hospitalares. rede hematológica e hemoterápica e laboratórios de saúde pública. Introdução. bem como demandou das . Conclusões e Recomendações. 6. dentre estes mais de 1000 equipamentos de alta complexidade. foram realizadas 562 obras de reforma. Através do REFORSUS. compreendendo as áreas de assistência ao parto. foram adquiridos. 1. 3. o projeto serviu como campo de experimentação para várias iniciativas. puerpério e período perinatal.CONTEÚDO 1. com financiamento do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento. O projeto teve como objetivo o fortalecimento do SUS. Introdução: O Projeto REFORSUS – Reforço à Reorganização do Sistema Único de Saúde – foi uma iniciativa do Ministério da Saúde do Brasil. Seleção e análise inicial de projetos. Além disso. nos seus diversos níveis de atuação. mais de 120. as quais foram sendo testadas durante a execução dos subprojetos. conclusão e ampliação em todo o território nacional. Introduction. levada a cabo entre os anos de 1997 e 2004. Por esta característica de ampla abrangência e objetivos ambiciosos. 5. configurando um dos maiores aportes de tecnologias já feitos no ambito do SUS. 4.

utilização de materiais mais apropriados. principalmente as municipais. trâmites burocráticos. 2. Introduction: . ambientes mais flexíveis e humanizados. metodológicas que possam ser incorporadas em outras iniciativas deinvestimentos na infraestrutura da Rede Pública de Saúde. na forma de unidades com fluxos melhor estruturados. O presente artigo tem por objetivo analisar como se deu a incorporação de novas tecnologias. especialmente com relação ao nível de capacitação técnica dos profissionais envolvidos na elaboração dos projetos e fiscalização das obras. aonde foram necessárias modificações nas intervenções. propondo alternativas. médicos e profissionais da saúde na elaboração dos projetos hospitalares. O processo descentralizado de seleção das propostas contribuiu para o fortalecimento das diversas instancias descisórias do SUS. principalmente na projetos arquitetonicos. entre outras melhorias. etc. o que ocasionou atrasos e paralisações na execução dos contratos. durante o Projeto também foi possível observar uma série de casos aonde a intervenção resultou em uma melhoria considerável da estrutura física das unidades. exigências referentes a atualizações ou introdução de normas técnicas. além de discutir as dificuldades enfrentadas pelos gestores. Não obstante. posteriores ao início dos trabalhos civis. com prejuízo da efetividade na aplicação dos recursos. O resultado desta situação foi visível em vários casos. devido a mudanças nas especificações de equipamentos. que em grande parte careciam de uma estrutura administrativa com maior capacidade e resolutividade. engenheiros. envolvidos no Projeto REFORSUS. elaboração das propostas 2 e Nestes 07 anos de supervisão da execução do projeto foi possível observar uma série de problemas inerentes à falta de planejamento estratégico e de interdisciplinaridade entre arquitetos.diversas instãncias proponentes uma maior resolutividade administrativa. planejadores e executores.

was an initiative of the Brazilian Health Ministry. This essay aims at analyzing. The project had the main goal of improving the delivery of health care under the Unified Health System (SUS) through the rehabilitation of the infrastructure and technology of the existing SUS network and the introduction of managerial improvements on its various levels. rehabilitation. emergency services in large urban areas. the national blood bank network and the public health laboratory network. engineers. in the form of better structuralized workflows. efficient zoning. the project served as a testing ground for several initiatives. subsequent to the beginning of the works. doctors and health professionals in the elaboration of the hospital projects. where changes in the interventions were necessary. The result of this situation was visible in several cases. etc. causing delays and stoppages in the execution of contracts and thwarting the effectiveness in the application of the public resources. including building completion. use of appropriate materials. aiming at future upgrading of the services. through the use of case studies. funded by the IDB and World Bank and carried out between 1997 and 2004. In the 07 years of project execution it was possible to observe a series of difficulties inherent to the lack of strategic and crossdiscipline planning between architects.REFORSUS. About 562 civil works were executed countrywide through REFORSUS. there were some cases where the intervention resulted in a considerable improvement of the physical structure. and/or expansion. due to modification in the specifications of equipments. which were constantly tried during the execution phase of the subprojects. more flexible and humanized environments. and its ambitious objectives. encompassing maternity and neonatal services. Given its size and complexity. In the same way. requirements pertaining to updates or introduction of norms and bureaucratic proceedings. and the adoption of strategical and managerial planning. how the incorporation of technology occurred in the scope of .The Health Sector Reform Project .

foi admitida a inclusão de propostas de obras novas. 2. As propostas de obras englobaram quatro áreas programáticas. posteriormente. especialmente pela baixa capacidade operacional dos proponentes. do processo de monitoramento e avaliação dos investimentos. porém. apenas nas áreas programáticas III e IV. It will also aim to demonstrate the problems faced by managers. Neste contexto. com prioridade para a conclusão de obras inacabadas. O diagrama abaixo demonstra o processo de incorporação de tecnologias no REFORSUS. and discuss alternative methods which could be incorporated in future initiatives of investment in infrastructure of the public heath sector network. evidenciou algumas dificuldades de operacionalização por parte dos proponentes e de análise dos projetos apresentados por parte das instâncias técnicas. both in the civil works and in the medical equipment fields.the project. . um ciclo aonde se destaca a ênfase dada ao acompanhamento (supervisão) da execução e. Seleção e Análise Inicial dos Projetos do REFORSUS O modelo de elaboração e apresentação de propostas adotadas pelo Projeto Reforsus foi muito importante como fator de homogeneização das informações e de critérios únicos de seleção. sendo que. ampliação e reforma de estabelecimentos de saúde. além de um desconhecimento generalizado a respeito dos tópicos mais relevantes sobre arquitetura hospitalar e incorporação de novas tecnologias. 562 obras foram executadas com recursos do Reforsus. planners and executors.

As modificações porventura solicitadas nos projetos demandavam tempo considerável e eram possíveis somente até antes da realização dos processos licitatorios. podem-se destacar três obstáculos mais evidentes: • Dificuldade de adaptação dos edifícios já existentes à legislação vigente. tanto de projetos como de planilhas orçamentárias. apenas após a contratação das empresas e inicio dos trabalhos. • Necessidade de se minimizar imprevistos durante reformas em prédios antigos. . por parte da Unidade Gerencial do Projeto (UGP). Com relação à elaboração dos projetos de arquitetura apresentados na fase inicial do Projeto. Vários foram os casos aonde. acompanhamento histórico e gerenciamento da execução. os quais foram sendo modificados e aperfeiçoados durante o processo de implementação. 2004. a criação de instrumentos de análise.Arquitetura Hospitalar e Incorporação Tecnológica – A experiência do REFORSUS Marcio Oliveira. eram detectadas falhas ou omissões. O grande número de subprojetos contemplados com recursos nas várias categorias e áreas programáticas exigiu. à medida que novas situações se apresentaram.

Em termos de valores. normativos e de prevenção de infecções. o baixo nível de customização do suporte 4 prestado pelos fabricantes de equipamentos. a existência de uma série de projetos incompletos. mas também no bem estar físico e mental dos pacientes e seus acompanhantes. os aditivos corresponderam. Que envolviam tecnologias mais complexas. materiais e cores apropriadas. Na tentativa de transpor estes obstáculos. etc. principalmente com relação à humanização3 destes espaços. em particular nos casos Humanização na arquitetura hospitalar é aqui definida como a adoção de uma visão holística na concepção dos projetos. que dizem respeito tanto à disponibilização de uma infraestrutura flexível. 3. Implementação e Supervisão: Ao analisarmos os dados relativos aos 632 contratos de obras celebrados. observamos que foram celebrados aditivos de valor em 419 contratos. como à qualidade dos espaços arquitetônicos. as melhores soluções observadas eram invariavelmente aquelas que atendiam às mesmas palavras-chave: FLEXIBILIDADE e QUALIDADE. prevendo as evoluções tecnológicas. . incluindo a dificuldade de aprovação dos projetos junto à vigilância sanitária. resultou no quadro de baixa qualidade de boa parte dos projetos apresentados. desta forma. evitando focalizar somente nos aspectos puramente técnicos. a aproximadamente a 12% do valor inicial dos contratos. Da mesma forma.• Dificuldade de promover alterações e adições satisfatórias à incorporação de novas tecnologias. a falta de aprovação nas instancias locais e nacionais. Observou-se. através da utilização de espaços bem iluminados. demonstrando pouco domínio sobre o tema hospitalar. que equivalem a 66% do total. em média.

elevadores. quando não incompletos. pode-se observar que as obras que tiveram aditivo de valor atrasaram aproximadamente 26% a mais do que as obras que concluíram sem aditivo de valor. trâmites burocráticos. etc. dos quais podemos destacar: • Projetos mal elaborados. enquanto o BID estabeleceu limites diferenciados: até 25% para o valor referente a obras de ampliação e até 50% para obras de reforma.). sistemas de ar-condicionado. ocasionando imprevistos e atrasos na execução. Com relação aos prazos de execução. A maioria das intervenções do REFORSUS em hospitais consistiu em . etc). devido à falta de preparo dos proponentes e empresas executoras em lidar com conceitos e detalhes dos quais possuíam pouco domínio e experiência prévia. sendo estabelecido pelo BIRD o limite de até 15% do valor total do contrato. etc). execução de reforços estruturais. estes foram bem variados. Observou-se que alguns projetos auxiliares (site preparation) apresentados pelos fabricantes de equipamentos eram demasiadamente genéricos. • Imprevistos de ordem técnica (necessidade de troca do tipo de fundações. etc). falências de empreiteiras. Quanto aos motivos que levaram à efetivação dos aditivos. deficientes ou incompletos (licitados sem os projetos complementares ou com projetos incompatíveis. A média de atraso encontrada foi de cento e noventa e sete dias 5.Cabe observar que os limites estabelecidos pelos Bancos Financiadores para aditamento dos contratos de obras foram bastante distintos. • Complementação do escopo com adição de serviços (inclusão de geradores e subestações. ocasionando aditivos de reajustes contratuais. planilhas de licitação com erros de quantitativos ou com omissões de itens. • Atrasos na execução advindos de problemas não diretamente ligados à execução física (demora no depósito da contrapartida.

visto que aproximadamente 1. RS. foram supervisionados mais de 600 subprojetos executados com recursos do REFORSUS. e 06 aparelhos de ressonância magnética. Qualquer que seja o motivo. em Porto Alegre. devido à complexidade e morosidade inevitável. a estratégia de se readequar prédios hospitalares traz à tona problemas inerentes à dificuldade de se modificar sistemas de infraestrutura e circulação. 62 Arcos-C. a saber: • 48 subprojetos apresentavam equipamentos armazenados. A decisão de se readequar um destes edifícios é sempre baseada na disponibilidade financeira. no ambito de um projeto de financiamento como o REFORSUS.080 subprojetos foram contemplados com investimentos em equipamentos de alta. além das obvias questões políticas envolvidas. 38 tomógrafos computadorizados. entre outros (vide tabela abaixo). cada vez mais escassa. em prédios com características distantes das exigidas pelas normas e padrões aceitáveis. Na categoria equipamentos. Dentre eles. Ao todo foram adquiridos aproximadamente 700 equipamentos de alta complexidade. devido a motivos variados. Até 2003. Um exemplo claro desta dificuldade foi o projeto de reforma do setor de emergência do HPS – Hospital de Pronto Socorro. Esta obra consumiu 3 vezes mais tempo do que o estimado. restaram sérias dúvidas quanto à viabilidade de se incluir este tipo de reforma. como por exemplo: 09 aceleradores lineares. . a situação foi ainda mais complexa. devido à grande dificuldade em se organizar a logistica dos trabalhos enquanto a unidade se mantinha funcionando. principalmente em situações aonde não é possível a interrupção dos serviços. média e baixa complexidade.readequações de serviços existentes. Não obstante o sucesso final da intervenção no HPS. aproximadamente 110 apresentaram problemas de natureza mais complexa.

que apresentam desempenho insatisfatório e alto custo de manutenção de equipamentos e da infraestrutura de suporte. Arquitetura Hospitalar e Incorporação Tecnológica – A experiência do REFORSUS Marcio Oliveira. a capacidade de aprimoramento técnico na esfera local não tem conseguido acompanhar este desenvolvimento. Conclusões: O setor da saúde vem incorporando. 2004. tem elevado a complexidade do funcionamento dos serviços e. que por muitas vezes oneram e até inviabilizam a provisão de alguns serviços. 4. . novas tecnologias na prestação de serviços de assistência médica. tais como a utilização de equipamentos médicos obsoletos. A modernização tecnológica. os hospitais defrontam-se com situações indesejáveis. Freqüentemente. por si só.• 34 subprojetos apresentavam equipamentos que não podiam ser instalados por necessidade de execução de obras complementares. na maioria dos casos. além de elevado índice de reparos. a cada dia.

levando a uma situação na qual a incorporação de tecnologias torna-se quase um contra-senso. na fase inicial do . No entanto. não obstante a dificuldade técnica observada nos projetos apresentados. Observa-se que os Hospitais Públicos. Esta deficiência é claramente predominante nas edificações mais antigas. Com hospitais a constante evolução tecnológica. bem como dos serviços de apoio técnico. tornam-se insustentáveis do ponto de vista econômico. observasse uma dificuldade em transpor uma concepção de arquitetura humanizada que englobe todas as exigências das novas tecnologias. é fundamental que. maior efetividade poderia ter sido alcançada se mais tempo e recursos tivessem sido destinados ao processo de capacitação e acompanhamento. seja na o contínuo forma de aperfeiçoamento assistencial e a conseqüente necessidade dos sofrerem constantes mudanças. que são incorporados aos serviços. em geral aquelas construídas nas décadas de 50 a 70. mas. Porém mesmo nos projetos de ampliação e de obras novas. é extremamente limitada. reservada para gastos com investimentos em recursos físicos e infraestrutura. que apresentam infraestrutura ultrapassada e espaços mais rígidos. No caso do Projeto REFORSUS. especialmente com relação aos equipamentos de alto custo e tecnologia. devido à maior afinidade dos técnicos envolvidos com a realidade local. a descentralização na elaboração das propostas e na contratação das empresas para execução das obras ou serviços demonstrou ser mais eficiente do que se fosse adotado algum outro método centralizador. na maior parte das vezes apresentam deficiências básicas em termos da qualidade e flexibilidade dos seus espaços arquitetônicos.É notório que a receita da maioria dos Hospitais Públicos. por falta de suporte da infraestrutura e solução de manutenção. um luxo inviável. readequações ou ampliações. ainda na fase de planejamento das propostas. dificultando a atualização. mesmo aqueles dotados da mais alta tecnologia.

vivatranquilo. que. que era físico e astrólogo. sadio e quando adoecia era atendido pelo pajé.br/seguro/seguro_saude/mat1. foram criados estabelecimentos hospitalares à semelhança dos que existiam em Portugal. O povo indígena era. Tempos depois foi a vez do negro trazer novas doenças como a filariose e a febre amarela.1500. a apesar de todo o conhecimento. com consequente melhoria no desempenho e resultado final.05. considerados verdadeiros depósitos de doentes. Com a colonização. Desta forma.com. em 1808. em geral.seu planejamento. não era suficiente para certas ocorrências.htm as primeiras manifestações de prática da medicina no Brasil datam de 01. Esses hospitais. além da precária técnica que predominava nos hospitais. O primeiro médico a atuar em terras brasileiras fazia parte da frota de Pedro Álvares Cabral sendo conhecido como "Mestre João". Esta situação só começa a modificar-se a partir da chegada da família real ao Brasil. haja a adoção de um planejamento estratégico multidisciplinar. sendo aperfeiçoados os métodos e ferramentas. contaminando os indígenas. HISTÓRICO DA SAÚDE NO BRASIL Segundo informações publicadas no site http://www. que conhecia as propriedades da flora nativa. retratando a medicina da época. criados pelos Senhores chamados "homens bons". O período colonial foi marcado pela a deficiência de medicamentos e profissionais médicos. especialmente através da varíola e do sarampo. torna-se claro que o planejamento estratégico deve ser prioridade na organização de um novo Projeto de Investimentos em Infra-estrutura da Saúde. Com o avançar da colonização. os brancos trouxeram consigo os germes de suas doenças. foram associados às .

incluindo entre seus encargos. entre outras funções. atribuindo-se às Câmaras Municipais a responsabilidade de fixar as normas sanitárias. criam-se as Caixas de Aposentadorias e Pensões para trabalhadores das ferrovias. católicas e que se propunham a realizar determinadas obras sociais. Posteriormente é criada a Inspetoria Geral de Saúde dos Portos. Em 1923. constituídas por pessoas de posses. A época de maior crescimento da Saúde no Brasil ocorre durante a era Vargas.Irmandades da Misericórdia. com a finalidade de controlar e bloquear a entrada de doentes no país. fiscalizar o exercício da profissão bem como o comércio de medicamentos. mediante cobrança de uma taxa. sociedades civis. Anteriormente. posteriormente. atuar no combate a febre amarela. confiscados após a expulsão da Companhia de Jesus. as enfermarias jesuítas e. As Caixas de Aposentadoria e Pensões foram as precursoras dos Institutos de Aposentadoria e Pensões que. especialmente. O cargo é extinto em 1828. o governo internava os soldados nas Santas Casas. tendo sido criados vários hospitais e centros médicos. os hospitais militares passaram a receber civis. Em 1808. as Santas Casas de Misericórdia eram as únicas formas de assistência hospitalar de que a dispunha a população brasileira. a assistência médica aos filiados. surgem os primeiros hospitais militares destinados à tropa. posteriormente resultariam no Instituto Nacional de Previdência Social (INPS). é criada a Junta Central de Higiene Pública. ocorre a substituição da Junta pela Inspetoria Geral de Saúde e Higiene Pública. A partir do século XVIII. A revolução de . iniciando-se. mediante pagamento de pequena remuneração. das quarentenas dos escravos e das medidas de higiene geral. Nos três primeiros séculos. ao qual. competia cuidar do controle sanitário dos portos. desta forma. com a incumbência de coordenar as Juntas Municipais e. ocorrendo à descentralização das atividades. uma nova fase na medicina do Brasil. Em 1850. No período de 1881 até o final do século XIX. através da Lei Elói Chaves. e sustentados pela família real. Em contrapartida. localizados no edifício dos antigos colégios jesuítas. é criado o cargo de Provedor Mór da Saúde.

da cota devida ao INPS. não é suficiente para o atendimento da população. Indústria e Comércio. a rede hospitalar privada é credenciada e as internações passam a ser autorizadas através das GIH Guias de Internação Hospitalar. são criados os Ministérios da Educação e Saúde e do Trabalho. Posteriormente. por categoria profissional (IAPI. realizada pelo extinto IAPI. IAPC. etc. A primeira empresa de Medicina de Grupo. envolvendo os Estados e Municípios. Em 1980. inclusive assistência médica e hospitalar em geral. . em 1960. o Ministério da Saúde esteve voltado para ações de prevenção e pesquisa. Nessa época. Em 1964. de hospitais e ambulatórios. podiam deduzir. as Caixas de Aposentadoria e Pensão dos ferroviários e de funcionários públicos. a cargo do INAMPS. IAPTEC. Entre 1933 e 1939. com a unificação dos institutos. Posteriormente. porém não abrangeram a totalidade da população. 2% da folha de pagamento. ainda está subordinado ao Ministério da Previdência e Assistência Social é responsável pela assistência médica individualizada. mediante a celebração dos primeiros convênios com empresas.). o governo Vargas unifica as diversas Caixas de Aposentadoria e Institutos de Aposentadoria. Como a rede governamental. Durante o ano de 1953. surge a primeira tentativa de se dividir o pesado encargo do Estado com a saúde. em virtude de só atenderem aos respectivos afiliados das categorias e seus dependentes. Por estes convênios. Todas estas alterações criaram grandes inovações na assistência médica do Brasil. a Policlínica Central. surge em São Paulo. a cargos dos Institutos de Aposentadoria e Pensões (IAPs). Naquele ano. as empresas que contratavam assistência médica privada.1930 trás novos conceitos sociais. o INAMPS. especialmente no tocante à assistência previdenciária e médica aos trabalhadores. em 1954. passaram para a responsabilidade do Ministério da Previdência e Assistência Social. As atividades de medicina curativa a nível individual. o Ministério da Saúde começa o programa de ações integradas de saúde. ficaram na área do Ministério do Trabalho e Previdência Social.

O Ministério da Saúde é responsável pela normatização e coordenação das ações. Com a promulgação da nova Constituição. devido ao aumento da utilização do sistema pela população. Os programas de Assistência MédicoHospitalar Privado. contribuindo para a proliferação das diversas formas de Seguro Saúde. .Sistema Unificado e Descentralizado de Saúde substituído em 1988 pelo SUS . incluindo o Seguro Saúde. aumentam significativamente a sua participação no modelo de assistência à saúde. em seu artigo 196. desmotivação do pessoal. devido à queda da qualidade e das condições de assistência à saúde no setor público. As Secretarias Estaduais de Saúde são responsáveis pela coordenação das ações dos respectivos Estados e os Municípios pela execução das atividades de assistência médica preventiva e curativa.Em 1986. empresas de Medicina de Grupo e Cooperativas percebem a formação desse mercado e iniciam investimentos crescentes na área. não existem recursos suficientes para viabilizar esse preceito.Sistema Único de Saúde. como conseqüência da crise econômica que diminuiu os recursos destinados ao setor e. que "a saúde é direito de todos e dever do Estado". o Ministério da Saúde cria o SUDS . As seguradoras. Nos últimos anos. falta de medicamentos e materiais e ao aumento da demanda devido à expansão da população urbana e do atendimento aos contingentes rurais antes desassistidos. estaduais e municipais vem sendo submetida a um processo de deterioração acelerada por motivos diversos. a rede pública de hospitais federais. é oficializada a abertura da assistência saúde à iniciativa privada. tem início um processo de valorização do sistema privado. entre eles: escassos recursos orçamentários para custeio das operações e novos investimentos. bem como pela liberação dos recursos para pagamento da rede hospitalar privada que mantém convênio com o SUS. Apesar da Constituição Federal estabelecer. notadamente durante a década de 80. com a procura de modalidades alternativas. Durante aquela década. sendo os mais comuns os de Medicinas de Grupo e Cooperativas Médicas. em sua área territorial. por motivos estruturais.

o consumidor compra xampu devido às seguintes necessidades. realizado pela Terra Brasilis. Hábito de uso e Atitudes . 4) perfumar os cabelos. A quantidade de espuma é um elemento importante. 2. alto e constante padrão de qualidade. Desejos e Necessidades do Consumidor De acordo com o programa de pesquisa do mercado de produtos para os cabelos. preço justo. Quadro de Evolução Histórica: Década 60 IAPs MS Medicina de Grupo Cooperativa Médica de Década de 70 INPS Década de 80 INAMPS MIS Medicina de Grupo Cooperativa Médica Década de 90 SUS Medicina de Grupo Cooperativa Médica Seguro Saúde 1. por ordem de importância: 1) limpar os cabelos. 3) fazer os cabelos ficaram macios e desembaraçados. pois sinaliza a eficácia do produto. 2) ficar com cabelos sedosos. seu poder de limpeza. atuando de forma a contribuir para a desoneração do Estado.Neste cenário é que se insere o papel dos Planos Privados de Saúde e Seguro Saúde. O consumidor vem demonstrando constante preocupação com os seguintes aspectos: • • • • agressividade das fórmulas. com o compromisso de atendimento eficiente a seus associados e segurados. o consumidor de xampu costuma planejar a compra em casa ao fazer a lista de compras do supermercado.

• outro hábito do consumidor é alternar marcas dentre um grupo se três ou quatro que ele comumente usa. Reichmann & Affonso Editores. amigos. parentes Decisor O próprio usuário Comprador Mãe Usuário Todos os membros da família Fonte: AMBRÓSIO. mas também compra em lojas de variedades. em farmácias e drogarias.83.• ele prefere comprar o produto no supermercado onde faz as suas compras mensais. SERVIÇO E QUALIDADE A Qualidade Total em Serviços pode ser definida como a Ausência de Defeitos na Qualidade Percebida. Alguns itens de avaliação: . Papel Agente Iniciador Todos os membros da família Influenciador Propaganda. p. 1999. • • comumente compra um frasco por vez. “Plano de Marketing passo a passo”. Vicente. Papéis de compra No quadro que se segue estão relacionados os papéis de compra e os respectivos agentes: Papéis de compra e agentes no segmento de xampus. essa troca se dá de acordo com a estação do ano ou variações de humor. 3. de acordo com as características do seu cabelo. de modo geral cada membro da família prefere uma marca ou tipo diferente.

o crédito. Cortesia: envolve tratar com boas maneiras. - Segurança: significa não deixar dúvidas quanto ao que vai ser “servido”. - Consistência: conformidade com experiências anteriores. Tangíveis: procura tangibilizar os serviços por meio de evidências físicas que a qualificam o serviço desejado. dispostos a manterem contato. Acesso: envolve a facilidade de estar sempre disponível. - Credibilidade: envolve a confiança necessária. . não oferecer qualquer tipo de perigo ou risco. - Comunicação: significa manter constantemente os clientes informados em linguagem compreensível por eles. - Confiabilidade: envolve tratar com coerência o desempenho e procurar ao longo do tempo manter constância de proposta e atitude. a honestidade e o envolvimento concreto como os interesses. Além disto. pronto para serem abordados. demonstrar claramente que está sempre disposto a ouvir sobre as necessidades dos clientes. do cliente.- Competência: significa possuir as habilidades necessárias para o bem servir e o conhecimento necessário para a sua execução. respeito. acessáveis. consideração e contato amigável do pessoal com o mercado como um todo. - Rapidez de resposta: diz respeito à disposição e à rapidez dos empregados para fornecerem o serviço esperado. - Compreender e Conhecer o Cliente: envolve fazer um efetivo esforço para compreender todas as necessidades do cliente e demonstrar isto aplicando no dia-a-dia do atendimento. antes de tudo.

enviou o VicePresidente de Marketing para resolver o problema. com o objetivo de tentar vender sapatos. ** ATIVIDADE EM GRUPO DE 4 ALUNOS ** CASE DA INDÚSTRIA DE SAPATOS NA ÁFRICA Uma empresa americana de sapatos enviou um Gerente Financeiro para a África. mas há um mercado excelente. o Vice-Presidente de Marketing enviou um e-mail. o gerente enviou um e-mail dizendo: “O povo daqui não usa sapatos. DESENVOLVA UMA SÍNTESE ARGUMENTATIVA. não satisfeito.” O Presidente da Empresa para certificar-se. dizendo: . Depois de duas semanas.” O Presidente da Empresa. Depois de duas semanas. Depois de uma semana. o Gerente de Vendas enviou o seguinte e-mail: “O povo aqui não usa sapatos. a fim de checar de perto este Mercado. portanto. enviou seus melhores vendedores e a resposta era sempre a mesma. Ainda incoformado.ATIVIDADE II APÓS A INTERPRETAÇÃO DO CONTEÚDO QUE SEGUE ABAIXO. APRESENTANDO OS ASPECTOS RELEVANTES DESTACADOS NO ESTUDO DE CASO. não há Mercado para isso. o Presidente resolveu enviar o seu melhor Gerente de Vendas à África.

. aos fatores internos. e concluo que teremos até 20% de retorno sobre o nosso investimento. Precisaríamos ganhar confiança e cooperação do chefe da tribo.Componentes da análise de equilíbrio Pontos fortes Referem-se à organização. imagem da empresa e/ou da marca quanto à qualidade (Tem . porque eles têm os pés muito pequenos.. O povo não tem dinheiro. isto é. variáveis controláveis pela direção da organização. mas planta abacaxi de muito boa qualidade. ou ativos (prédios. antes de começar. • quais • quais equipamentos. Teríamos que investir na educação do povo sobre os benefícios de usar sapatos. porém eles têm os pés horríveis e poderiam beneficiar-se usando sapatos. Teríamos que redesenhar nossa linha de produção. Já estimei o potencial de vendas para o período de 02 anos e todos os custos. Nunca experimentei um tão doce. incluindo a venda do abacaxi. As questões básicas são: • o que fazemos bem feito? são nossas propriedades.” SWOT . Acredito que devemos iniciar as negociações. ambulâncias.“O povo aqui não usa sapatos.)? são nossas forças. em termos de organização (expertises)? • que forças temos em produtos (nosso portfólio)? E em marcas (ex. a uma rede européia de supermercados que pode pagar-nos em dólar.:somos reconhecidos pela excelência em Cardiologia?)? • quais são nossas forças em distribuição ( atendemos a um raio de quantos km? Temos heliporto? Ambulâncias que fazem o resgaste? Como é o acesso da população aos nossos serviços?)? Exemplos específicos a serem considerados: • • nível de conhecimento que o mercado tem da empresa ou da marca.

Pontos fracos Também relacinados com a organização.ISO? Tem Acreditação? O mercado sabe disso?). • • realização de pesquisas de mercado com resultados muito positivos. capacidade/incapacidade satisfatoriamente. • qualidade da organização de vendas (relacionamento com os convênios? Qual é a inclinação da seta? Funcionários são bem treinados? São conscientes de seu papel? E os médicos?). ou terceriza aquilo que não é core business?). • • • localização do hospital. ou na publicidade disso). produto inovador. imagem quanto à qualidade de produtos e serviços. • produto com vários elementos diferenciais ( seja no preço. existência do certificado de qualidade ISO e/ou Acreditação. devem ser questionados da seguinte forma: • • • • o que nos falta? onde devemos melhorar? em quais áreas temos de concentrar nossos esforços? se fôssemos concorrentes. • amplitude e fidelidade da rede de distribuição (laboratórios que atendem a terceirizado). necessidade de substituição de gerentes. adequação da estrutura interna (funcionários administrativos e clínicos). no acesso. onde atacaríamos nossa empresa? Exemplos específicos a serem considerados: • • • • • tamanho da organização em comparação com os concorrentes. • flexibilidade operacional (é verticalizado. de recrutar pessoas . nível de entusiasmo dos funcionários.

fatores externos à organização. rapidez no atendimento. • taxa de câmbio favorável (ex. pelo governo. eficiência do hospital. condições da concorrência em termos de distribuição. é possível melhorar a comunicação sobre o produto? existem condições de reduzir os custos? existe espaço para aumentar o lucro? Exemplos de aspectos a serem considerados: • • • compra de controle acionário de outra empresa.• • • • • adequação da rede de distribuidores. equipe de vendas. taxas de juros em queda. investimentos recentes gerando vantagem competitiva sobre concorrentes. independentes da empresa. importação de equipamentos). correlacionadas com fatores externos. Devemos . de novas linhas de financiamento para importação. são variáveis incontroláveis. oferecendo maior potencial de vendas. Ameaças As ameaças também se referem ao mercado. adequação da rede de serviços. • • criação. Basicamente o que devemos nos perguntar ao elaborar esta parte do plano é: • • • • • • onde existe espaço para o crescimento do consumo? onde existe espaço para o crescimento na participação de mercado? é possível melhorar a distribuição. fusão recente com outra empresa. permitindo custos favoráveis para financiamento de novas compras. criando economias de escala. Oportunidades As oportunidades são dependentes do mercado. procedimentos de qualidade.

656/98. estabilidade). • possível alteração de leis que regem o nosso negócio ( Lei 9. condições de garantias de fornecimento de matérias-primas para produção. que pode afetar importações.questionar: • que elementos podem interferir no processo de alcance dos nossos objetivos? • que fatores externos podem ameaçar os nossos objetivos de lucro. Portaria 2.225/02). • • nível de atividade econômica internacional (recessão. . crescimento. volume de investimentos dos concorrentes estrangeiros. de participação de mercado e de segmentação? Exemplos a serem considerados: • • relação dos nossos principais clientes com os nossos concorrentes.

Saúde Pública v.6 São Paulo dez. 2006 Epub 27-Out-2006 doi: 10. ** ATIVIDADE EM GRUPO DE 4 ALUNOS ** Rev.40 n.1590/S0034-89102006005000010 ARTIGOS ORIGINAIS Hospitais gerais filantrópicos: novo espaço para a internação psiquiátrica Philanthropic general hospitals: a new setting for psychiatric admissions . APRESENTANDO OS ASPECTOS RELEVANTES DESTACADOS NO ESTUDO DE CASO.ATIVIDADE III APÓS A INTERPRETAÇÃO DO CONTEÚDO QUE SEGUE ABAIXO. DESENVOLVA UMA SÍNTESE ARGUMENTATIVA.

Apesar do evidente empenho e flexibilidade dos profissionais. quando da internação psiquiátrica. Na falta de recursos e de planejamento terapêutico. organização e administração. Hospitalização. ABSTRACT OBJECTIVE: To understand the process that led Brazilian philanthropic general hospitals to implement psychiatric units and to . Campinas. Pacientes internados. As entrevistas foram gravadas em áudio. São Paulo e Santa Catarina. Falta intercâmbio entre autoridades e direções dessas instituições. Descritores: Serviços de saúde mental. Faculdade de Ciências Médicas. Em seis instituições. Ocupação de leitos. a proposta terapêutica centra-se numa abordagem farmacológica. Hospitais gerais. obrigadas a exceder quotas de internação devido à demanda de cidades vizinhas. Realizaram-se 43 entrevistas semi-estruturadas. CONCLUSÕES: Na instalação das enfermarias de psiquiatria em hospitais gerais filantrópicos houve a confluência de demanda local com vontades individuais. Neury José Botega Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria. no mínimo três em cada instituição. capacitação profissional deficitária e ausência de um modelo terapêutico que vá além da abordagem farmacológica. a internação de pacientes mais agitados aumenta a resistência da comunidade hospitalar. recursos humanos. modelo terapêutico e situação atual. transcritas e submetidas a análise de conteúdo. Administração hospitalar. Brasil RESUMO OBJETIVO: Estudar o processo de instalação de enfermarias de psiquiatria em hospitais gerais filantrópicos e descrever suas características e práticas terapêuticas. ainda não se pode falar em consolidação desses serviços diante das várias dificuldades a serem superadas: resistência local à internação psiquiátrica. no ano de 2002. Cinco hospitais reservam leitos para pacientes psiquiátricos em enfermarias de clínica médica. baseadas nos seguintes eixos temáticos: processo de instalação do serviço. Serviços de saúde mental. constituem outra barreira a ser superada. com profissionais de saúde.Cristina Larrobla. As restrições relativas à realização de exames complementares. restrições econômicas. SP. MÉTODOS: Foram selecionadas 10 instituições em cidades dos Estados de Minas Gerais. Universidade Estadual de Campinas. Hospitais filantrópicos. RESULTADOS: As instituições localizam-se em cidades onde não havia hospitais psiquiátricos.

In spite of the efforts and flexibility of health professional working in these institutions. Mental health services. voluntary. limited professional training in mental health and the lack of a therapeutic approach that goes beyond psychopharmacological treatment alone. Inpatients. Keywords: Mental health services. Hospitals. Forty-three semi-structured interviews were carried out with health professionals who worked at the hospitals to collect data on service implementation process. RESULTS: There was no mental hospital in the cities where the institutions were located. São Paulo e Santa Catarina) were assessed in 2002. Hospitals. The therapeutic approach in six hospitals was based on psychopharmacological treatment. there are some obstacles to be overcome: resistance of hospital community against psychiatric admissions. the admission of patients presenting psychomotor agitation increases resistance against psychiatric patients in general hospitals. dentre as quais destacam-se as enfermarias de psiquiatria em hospitais gerais. general. Due to lack of resources and more appropriate therapeutic planning. CONCLUSIONS: The need for mental health care to local populations combined with individual requests of local authorities and psychiatrists made possible the implementation of psychiatric units in these localities. therapeutic approaches and current situation. METHODS: Ten institutions in three Brazilian states (Minas Gerais. Hospital administration. surgindo assim uma série de alternativas assistenciais. Financial constraints regarding laboratory testing is still a challenge. organization & administration. INTRODUÇÃO A assistência psiquiátrica adentrou o século XX sob a influência de um modelo assistencial marcado pela segregação. financial constraints. manpower. 1 Destacam-se entre os principais condicionantes do desenvolvimento das enfermarias de psiquiatria em hospitais gerais. esse modelo começou a ser fortemente criticado. Notadamente após a II Guerra. In five hospitals. The interviews were audio-recorded and their content was analyzed. Bed occupancy. Hospitalization. psychiatric patients were admitted to general medical wards because there was no psychiatric unit. There is no exchange between local authorities and hospital administrators of these institutions that are compelled to exceed the allowed number of admissions to meet the demand of neighboring cities. 1 a adoção de uma .describe the main characteristics and therapeutic approaches of these services.

e atualmente.4 Faltam informações na literatura científica nacional sobre as condições e características do processo de instalação.política de bem-estar social por diversos países do hemisfério norte.1. particularmente a convulsoterapia. tendo que superar muitas resistências até os dias atuais. e a psicofarmacoterapia na década de 50. vigoroso na década de 80. a idéia de que a internação psiquiátrica não deveria mais ser vista como centro da assistência psiquiátrica.5 No hospital geral. o processo de integração entre a psiquiatria e outras especialidades foi realizado gradualmente de três maneiras: deslocamento de pacientes psiquiátricos para enfermarias de psiquiatria. consolidação e incorporação das enfermarias de psiquiatria em hospitais gerais à cultura médica local. No entanto. Verificou-se que essas enfermarias mais recentemente instaladas. em vários países. em hospitais não vinculados ao ensino universitário.5 Na América do Sul. a proporção de hospitais gerais com enfermarias de psiquiatria em hospitais gerais é pequena. estigmatizante e produtora de anomia dos grandes hospitais psiquiátricos ou de qualquer macroinstituição para desadaptados sociais. o conhecimento sobre o processo de .7 Um estudo censitário3 salientou que as enfermarias de psiquiatria em hospitais gerais concentravam-se no Sul e no Sudeste. a partir da qual o Estado passou a ter papel fundamental na regulação social. bem como de abordagens socioterapêuticas (terapia ocupacional. a maioria das internações psiquiátricas ocorre em enfermarias de psiquiatria em hospitais gerais. 7 No Brasil. a experiência de pequenas enfermarias psiquiátricas em hospitais militares gerais. localizadas geralmente nas capitais. em instituições públicas vinculadas ao ensino universitário. laborterapia. e maior participação dos psiquiatras em comissões hospitalares. ocorreram em hospitais filantrópicos de cidades com até 200 mil habitantes. Apenas 1. o desenvolvimento de abordagens psicoterapêuticas aplicáveis ao contexto institucional. bem como a reserva de leitos psiquiátricos em enfermarias de clínica médica. incluindo-se a área de assistência e proteção aos doentes. realização de interconsultas.1. praticamente interrompeu-se em meados da década de 90. entre outras). nos Estados de Minas Gerais.3% dos hospitais gerais do Sistema Único de Saúde (SUS) contam com uma enfermaria de psiquiatria. como técnicas grupais e breves de psicoterapia. Esse processo não foi simples nem fácil. o processo de instalação dessas enfermarias. a crítica à dimensão segregadora. A chamada psiquiatria de hospital geral desenvolveu-se principalmente no hemisfério norte. devendo ser integrada a estruturas assistenciais extra-murais. São Paulo e Santa Catarina. nas décadas de 40 e 50. o desenvolvimento de abordagens terapêuticas que viabilizaram e agilizaram o tratamento de quadros psiquiátricos graves.

As entrevistas procuraram contemplar diversos atores vinculados direta e indiretamente à área da psiquiatria: presidente da mantenedora (2).instalação e da situação dessas enfermarias é fundamental. tendo em vista o importante papel estratégico desses serviços na rede de cuidados ao doente mental.10 Realizou-se estudo-piloto em uma instituição hospitalar em cidade de pequeno porte do interior paulista para treinamento do entrevistador e adaptação dos instrumentos de pesquisa. A entrevista e o formulário descritivo basearam-se em estudos prévios realizados no Brasil e na América do Sul. situação atual. e descrever suas características e as práticas terapêuticas adotadas. foi preenchido pela entrevistadora um formulário descritivo. Numa primeira etapa. Além da entrevista. . As instituições selecionadas concordaram em participar. As entrevistas foram gravadas em áudio e transcritas. modelo terapêutico. outros profissionais (20). São Paulo e Santa Catarina. Foram realizadas por uma das autoras (C. A pesquisa foi realizada no ano de 2002. descrevendo a pesquisa e o interesse de marcar entrevistas com alguns profissionais que lá trabalhavam. chefe da enfermaria de psiquiatria (8). com base nos seguintes eixos temáticos: processo de instalação.L. foram selecionadas cinco instituições com enfermaria de psiquiatria e outras cinco com leitos reservados para internações por causas psiquiátricas em suas enfermarias de clínica médica. A seleção contemplou todas as instituições que preencheram os seguintes critérios de inclusão: hospitais gerais localizados em cidades com até 200 mil habitantes. entre os quais. que tivessem efetuado no mínimo cinco internações mensais por causas psiquiátricas.7 desenvolvidos a partir de recomendações da Organização Mundial de Saúde. diretor clínico do hospital (6). recursos humanos e materiais e estratégias terapêuticas adotadas nas enfermarias de psiquiatria.) 43 entrevistas semiestruturadas. contendo informações sobre as instalações hospitalares.3. enviou-se carta à diretoria clínica das instituições. O objetivo do presente trabalho foi estudar o processo de instalação de enfermarias de psiquiatria em hospitais gerais em alguns hospitais gerais filantrópicos. assistente social e terapeuta ocupacional. Estabeleceu-se o mínimo de três entrevistas por instituição. MÉTODOS A partir de listas do Datasus e das Secretarias de Saúde Mental dos Estados de Minas Gerais. membros mais antigos da equipe de enfermagem (7). psicólogos.

Os diagnósticos mais freqüentes eram. Este tipo de análise recorta uma totalidade em partes a serem apreendidas na seqüência apresentada em sua naturalidade. . ser considerado disponível para suprimento de foi considerado Seis hospitais contavam apenas com o recurso farmacológico para o tratamento dos pacientes psiquiátricos (Pouso Alegre. 8 Adotou-se um referencial fenomenológico para a compreensão. essas partes são reorganizadas. Outras cinco reservavam até cinco leitos para pacientes psiquiátricos em enfermarias de clínica médica. Apenas dois hospitais (São Francisco do Sul e Joinville) contavam com terapeuta ocupacional. Carangola. Joinville. Com exceção de uma instituição. Também não há espaço suficiente ou guardar objetos pessoais dos pacientes. ou seja. As 10 instituições visitadas localizam-se em cidades onde não há hospitais psiquiátricos. Lages. sempre visando a uma compreensão mais aprofundada dos sentidos dos relatos. Lages e Lençóis Paulista). O medicamentos.Os dados das entrevistas foram submetidos à análise de conteúdo. Formiga. Cinco contavam com enfermarias de psiquiatria (Pouso Alegre. Curitibanos). Todas as enfermarias de psiquiatria e três das enfermarias de clínica médica trabalhavam com admissões involuntárias. b) situação atual da área de saúde mental e dos serviços avaliados e. segundo os relatos: esquizofrenia. com 24 a 38 leitos. e com o que se apresenta como significativo ou relevante para o indivíduo no contexto no qual a percepção e a manifestação ocorrem. Os outros quatro tinham recursos de psicoterapia individual ou grupal. Araguari. 9 Trabalhou-se com o fenômeno percebido e manifesto pela linguagem. tanto básicos quanto psiquiátricos. O espaço para os pacientes psiquiátricos não pode suficiente. Três grandes temas foram estabelecidos a fim de abarcar o conteúdo dos depoimentos colhidos: a) fatores que desencadearam a instalação de leitos psiquiátricos. dependência de álcool e depressão. c) perspectivas em relação ao futuro. RESULTADOS A Tabela sumariza algumas características dos serviços avaliados. principal atenção ao modo como os entrevistados apreendem e reportam aspectos de certos problemas de saúde (fenômenos). pelos entrevistados como parcialmente adequado. Em seguida. 2 O protocolo desta pesquisa foi aprovado pela Comissão de Ética em Pesquisa da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. tais leitos não tinham um espaço restrito da enfermaria.

as pessoas chegam até o prefeito.Foram identificados vários fatores desencadeantes. (. a existência de importação/exportação . Observou-se. muitos deles produto de uma conjunção local... se a internação fosse superior a 15 dias. vira tumulto. para poder ter acesso.. dificuldades com os recursos humanos. ela não brigou diretamente. só que de forma não oficializada. em particular. Na maioria dos casos existiu uma pessoa-chave.) Mas essa pressão existe. o papel corporativo facilitou a internação de pacientes psiquiátricos. mas com a garantia de que o paciente em surto. diferentes subeixos temáticos puderam ser identificados. apresentando-se como elementos comuns as comparações entre as culturas da cidade grande e da cidade pequena. a chegada da família com um drogadito.) Então eles colocam outro procedimento." (psiquiatra) Apesar das dificuldades. para poderem realmente internar [o paciente psiquiátrico]. destaca-se a preocupação notória. Os médicos. na medida em que colegas de outras especialidades ajudavam para que os doentes mentais tivessem oportunidades iguais na assistência: "A Secretaria [Estadual de Saúde] só está autorizando mesmo casos extremos. então aquela pressão fica.) A população não teve participação direta. preconceitos entre outros. o filho do provedor da Santa Casa era um paciente que sofria de esquizofrenia e estava internado em cidade próxima. político." (chefe da psiquiatria) As relações entre cidades e Estados são de competitividade e rivalidade. conforme os depoimentos: "(…) Na época em que eu entrei no hospital. (. até os vereadores. Da psiquiatria não pode ser cobrado exame. um profissional.(…) Nas cidades pequenas funciona assim. pessoa influente na sociedade ou na instituição que procurou atender a demanda de pacientes e familiares. (." (presidente da mantenedora) Em relação à situação atual da área da saúde em geral e dos serviços avaliados. ela foi montada com limite no credenciamento federal.. as relações entre cidades e Estados. tais como: a política. (…) A unidade psiquiátrica. alguém que tentou suicídio. Em relação às dificuldades com o financiamento. em grande parte dos entrevistados. pelo menos nos meios adequados. não podemos ultrapassar determinado valor financeiro imposto pelo gestor municipal do SUS. eu acho. ele seria transferido para Curitiba. ainda.e... e às vezes o paciente precisa. a economia. eles colocam outro procedimento para poder ser autorizado. i. 10 % dos leitos do hospital geral. com o baixo valor do pagamento efetuado pelo SUS e com o número fixo de autorizações de internação hospitalar (AIH): "Nós não podemos ultrapassar 520 AIH.

. (…) Mas. não escuto mais aquelas queixas. Isso se devia basicamente. eles comentavam 'Ah.. e aqui a demanda não é essa. e não há como comprovar isso. mas também geradora de problemas e transtornos. por que é que ele não vai trabalhar!'. mas se conseguiu fazer uma reunião uma vez por mês. Na maioria das vezes. não há como sair dessa. é de 150 mil. o que deu resultados positivos: "A gente reconhece que tem falhas. à dificuldade de lidar com pacientes agressivos. Como é que eu vou explicar para os computadores de Brasília que aqui é mais bonito. para onde vamos mandar os alcoolistas? Ninguém quer um paciente alcoolista. Apesar disso. consegue uma pressão danada na Secretaria.. as carências foram supridas pelo "bom senso". e assim a gente discute as coisas que acontecem aqui dentro. Alguns discursos são extremados. O fato de o dependente de álcool ser identificado como agressivo. à longa permanência. com clara expressão segregadora e preconceituosa: "A gente percebia que o funcionário tinha certa birra do paciente psiquiátrico. todo mundo. por isso mandam [os pacientes] para cá! Eles não vão entender isso. Eles mandam verbas para 33 mil [habitantes]. toda a clínica de psiquiatria desde a limpeza até o auxiliar. Mas eu observei que isso melhorou." (terapeuta ocupacional) A dependência do álcool foi destacada como um fator determinante de internação psiquiátrica.de doentes entre cidades." (psiquiatra) O desconforto em relação à presença de doentes mentais nos hospitais foi um elemento comum a quase todas as entrevistas. e responsabilidade que o hospital tem com os demais pacientes internados. os funcionários passaram a ter mais carinho pelos pacientes com as palestras que o psiquiatra organizou. ou cidades que "não querem" os doentes mentais e cidades que "atraem" esses pacientes: "Os municípios pequenos mandam para cá as pessoas para serem atendidas. já vem aquele paciente de novo!' ou 'Ah. vem e volta. para todos os lados. havia falta de formação específica para trabalhar com pacientes psiquiátricos. seja o que for." (enfermeiro) Observaram-se várias adaptações frente a carências no modelo terapêutico e na formação dos recursos humanos. o que está precisando é de serviço. então a gente chega a um consenso de como deve ser. sujeito a reinternações e abandono da família pode contribuir para a estigmatização dos doentes mentais internados: "Esse tipo de paciente [dependente de álcool] vem e volta.." (psiquiatra) Diferentes relatos vincularam-se às expectativas quanto ao futuro: . e o dinheiro não dá. freqüentemente. tem um déficit de 40% permanentemente.

1. em três localidades. a uma demanda local. Por outro lado. não existe um trabalho preventivo. Além disso. costurar o que já foi rasgado... isso levou à busca de outras pessoas-chave ligadas à instituição ou à equipe de saúde mental.. 4 As entrevistas face-aface podem tanto facilitar a expressão do entrevistado. a gente vai mudando isso passo a passo e vai consolidando isso.3 Períodos mais breves. e décadas. A proposta terapêutica em cinco instituições seguia a uma abordagem farmacológica. foi resolvido fora (. em sua maioria. a chegada de um profissional da área da psiquiatria estimulou a procura espontânea de tratamento.) Agora. nem que esse tipo de assistência esteja consolidada e incorporada à cultura médica local. A gente é muito intervencionista. 9 Não foi possível entrevistar alguns chefes dos serviços e presidentes das mantenedoras.) Não havia essa confiança de que pudesse ser resolvida na comunidade." (psiquiatra) "A referência anteriormente era a capital e outras cidades. falta mais um entendimento preventivo. como diagnósticos mais freqüentes..."Geralmente a gente entra quando a bomba já estourou. As internações desses pacientes respondem. não existe uma orientação para não rasgar. catalisados por vontades individuais. não permite afirmar que as forças sociais estejam hoje mais organizadas. corresponde ao universo de instituições de cidades pequenas e médias dos três Estados onde se observou o aumento do número de leitos psiquiátricos em hospitais gerais filantrópicos. sem o adequado acompanhamento dos pacientes em serviços ambulatoriais. excedendo o número mínimo de entrevistas planejadas.. afastados por serem candidatos a eleição de funções de responsabilidade pública. porém. porque anos e anos. Algumas limitações do presente estudo estão indicadas a seguir. (. seja ela de caráter individual ou coletivo. uma vez que não há anonimato nas opiniões emitidas. Várias instituições não contavam com dados precisos. para cuidar. embora restrito.. têm sido apontados como desencadeadores . O número de instituições visitadas. Nesses casos as respostas corresponderam a estimativas. O tempo de internação se encontra dentro dos parâmetros aceitos internacionalmente. como dificultála. Essa conjunção de fatores e atores." (psiquiatra) DISCUSSÃO A internação de doentes psiquiátricos no âmbito dos hospitais gerais visitados pode ser compreendida a partir da confluência de distintos fatores impulsionadores. entre 15 e 28 dias.

de reinternações, comunitários.5,6

ou

de

sobrecarga

em

outros

serviços

As condições materiais (limitação e inadequação do espaço físico) e de recursos humanos tornam-se menos apropriadas quando se considera a internação involuntária de pacientes agitados, agressivos ou que tentem fugir. O tratamento dos transtornos mentais decorrentes do alcoolismo geralmente cursa com outras complicações clínicas, que requerem internação em um hospital geral. De fato, a internação de pacientes dependentes do álcool é uma das situações que exigem conhecimento psiquiátrico,5 seja na busca de tratamento emergencial de quadros agudos, ou visando a uma abordagem que motive o paciente para o tratamento. Observou-se que a internação desses pacientes, na falta de recursos e de planejamento terapêutico, parece aumentar a resistência em relação à presença de pacientes psiquiátricos na instituição. As restrições relativas à realização de exames complementares, quando se trata de internação psiquiátrica, constituem outra barreira a ser superada. É no hospital geral que podem ser feitos, mais eficientemente, diagnósticos diferenciais e tratamentos de comorbidades. Embora os resultados obtidos no presente trabalho mostrem a vontade e a preocupação de iniciar ou de dar continuidade à assistência psiquiátrica sob uma nova concepção, a situação observada evidencia a necessidade de se instrumentalizar um sistema de comunicação e intercâmbio de informação entre as autoridades e os trabalhadores da saúde mentalno hospital geral. Esse fenômeno confirma a idéia de que o processo de mudança de modelos assistenciais em psiquiatria foi determinado por políticas vindas, basicamente, de decisões governamentais que deixaram a disciplina num lugar mais reativo do que pro-ativo. 1,5 Deve-se reconhecer, também, que várias das experiências aqui documentadas foram desenvolvidas sem planejamento e/ou sem o apoio de rede de serviços extra-murais, o que dificulta sua consolidação. Em síntese, a instalação de serviços de internação psiquiátrica e o modelo terapêutico adotado nos hospitais filantrópicos estudados diferem dos padrões internacionais de implantação de enfermarias de psiquiatria, pelo fato de os serviços terem sido instalados em cidades médias e pequenas, em hospitais não vinculados ao ensino universitário. Ainda não se pode falar em consolidação, mas conquistas importantes que refletem a vontade de vários profissionais vinculados direta ou indiretamente à área da saúde mental. Apesar do evidente empenho e flexibilidade dos profissionais, há, ainda, várias dificuldades a serem superadas: resistência local à internação psiquiátrica, restrições econômicas, capacitação profissional deficitária e ausência de um modelo terapêutico que vá além da abordagem farmacológica.

Os achados do presente trabalho aproximam as enfermarias de psiquiatria em hospitais gerais dessas instituições filantrópicas das unidades de psiquiatria de hospitais gerais universitários, onde se encontram mais recursos materiais, humanos e terapêuticos. 3,5 De um lado, essas enfermarias representam inegável avanço ao evitarem internações em grandes hospitais psiquiátricos localizados nas capitais. De outro, ainda lutam com dificuldade contra a cultura local, ou enfrentam dificuldades de gerenciamento do sistema público, principalmente no que diz respeito ao financiamento. Seriam necessárias iniciativas governamentais, unidas às de centros universitários, que fomentassem o desenvolvimento desses serviços. Tais esforços deveriam pautar-se em um plano de metas, em orçamento adequado e na monitoração dos progressos obtidos.

ATIVIDADE IV DEVERÁ SER CRIADA UMA PROPOSTA DE UMA ESTRUTURA HOSPITALAR HUMANIZADA NA NOSSA REGIÃO ( Estrutura essa que deverá englobar tanto a estrutura física como a estrutura organizacional)

O programa de humanização da saúde: dilemas entre o relacional e o técnico

Humanization in health program: dilemmas between the relational and the technical

Jaqueline Ferreira Doutora em Antropologia Social Universidade Federal Fluminense E-mail: jaquetf@yahoo.com.br

RESUMO Este trabalho tem por objetivo propor uma reflexão sobre o: Programa da Humanização da Saúde proposto pelo Ministério da Saúde como eixo norteador das práticas de atenção e gestão em todas as instâncias do Sistema Único de Saúde. Segundo os documentos do Programa "Humanizar" é: "ofertar atendimento de qualidade articulando os avanços tecnológicos com acolhimento, com melhoria nos ambientes de cuidado e das condições de trabalho dos profissionais". No entanto, se observa como os vários sentidos que assume o termo "humanizar" e a diversidade de pessoas envolvidas neste processo implicam em diferentes desdobramentos no processo de trabalho e nas relações profissional /usuário dos serviços de saúde. A análise busca resgatar como esta proposta demanda dos profissionais de saúde a conversão de uma dimensão técnica de seu trabalho a uma dimensão relacional. Palavras-chave: Humanização; Relacional; Técnico; Assistência hospitalar

ABSTRACT This article aims to reflect upon the Humanization in Health Program proposed by the Ministry of Health as a guideline for care and management practices in all instances of the Unified Health System. According to the documents of the program, "to humanize" is: "to provide qualified care by the articulation of technological advances with welcoming, improving both care settings and working conditions of the providers". However, several meanings for the expression "to humanize" are observed, as well as a diversity of people involved in this process, implying in different developments of the working process and of the provider/user relationship at the care services. The analysis tries to recover how this proposal demands the conversion of a technical dimension of the work of health providers to a relational dimension. Keywords: Humanization, Relational, Technical, Hospital Assistance

a abordagem antropológica se faz aqui pertinente. no fundo. 2004. No entanto..MS. assim. O objetivo deste artigo é fazer uma reflexão sobre a proposta atual de "Humanização da Saúde" como eixo norteador das práticas de atenção e gestão em todas as instâncias do Sistema Único de Saúde. Gostaria de iniciar este debate problematizando a noção de "humanização". reafirmando a definição genérica do humanismo clássico entendido como qualquer atitude ou teoria que afirme que a dignidade humana é o valor supremo e deve. um movimento de parcela de profissionais e gestores. questões fundamentais que podem orientar a construção de políticas de saúde. p. ofertar atendimento de qualidade articulando os avanços tecnológicos com acolhimento. Segundo Deslandes.. portanto. trabalham com concepções de mundo muito diferentes. Puccini e Cecílio mostram igualmente outras polêmicas que o tema suscita: "A primeira tentação é dar por resolvida essa insuficiência. remete-nos sempre à questão de valores: o que é ser humano? Como se constrói e se destrói a qualidade de humanidade dos sujeitos? O fato é que . 2004. a dificuldade de conceituação propicia uma "avalanche de intenções que. p. resultando em distintas propostas de humanização que.8). onde se observam duas formas específicas de engajamentos: o técnico e o relacional. o Ministério da Saúde regulamenta o Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar (PNHAH) e o tema também é incluído na pauta da XI Conferência Nacional de Saúde realizada no mesmo ano. uma vez que a disciplina sempre se confrontou com a diversidade de formas humanas imaginadas por diferentes sociedades. econômicos e religiosos" (Puccini e Cecílio.mais como uma diretriz de trabalho. 2004. então. E a autora conclui que o programa se caracteriza ". 2004. longe de ser única. uma das provocações feitas em torno do termo questiona se " a prática em saúde era (des)humanizada ou não era feita por e para humanos?". Nessa trajetória. p. só coincidem enquanto slogan de propaganda" (Puccini e Cecílio. Humanizar é.1347). O objetivo fundamental do Programa é aprimorar as relações entre profissionais e usuários.No ano de 2000.1347). Humanizar: fronteiras e indeterminações Alguns autores nos mostram como a noção de "Humanização da Saúde" é vaga e incerta. Segundo esses autores. ser tão favorecida quanto defendida dos ataques precedentes dos poderes políticos. do que [como] um aporte teórico-prático" (Deslandes. situadas no campo dos justos e politicamente corretos.5). entre os profissionais e hospital e a comunidade: "Tematizar a humanização da assistência abre. observa-se como os vários sentidos que assume o termo "humanizar" e a diversidade de pessoas envolvidas nesse processo implicam diferentes desdobramentos no trabalho e nas relações profissional/usuário dos serviços de saúde. p. sabe-se que a noção de "humanidade". Partindo dessas premissas. com melhoria dos ambientes de cuidado e das condições de trabalho dos profissionais" (Brasil .

No entanto. 2004). De fato. Na medida em que o termo "humanizar" e todo o seu léxico correspondente se tornam recorrentes na fala dos diferentes atores do processo. seus adeptos e destinatários (Fassin. a criação de ouvidorias e "balcões de acolhimento". convém nos questionarmos quais os valores que procura transmitir a idéia de "humanização" enquanto política proposta pelo Estado e como ela repercute nas práticas de assistência. até a melhoria das estruturas do espaço físico. Enfim. Neste caso. A viabilização dessas práticas pelos gestores também difere. o que preconizam os seus idealizadores e a realidade das instituições e o quotidiano dos atores locais. a autora nos mostra como a abrangência e a aplicabilidade do programa não estão intimamente demarcadas: "Considerando a organização e estrutura física das instituições de saúde da rede pública. para enunciar as soluções e os métodos de avaliação. uma vez enunciadas. tal programa constitui uma política ministerial bastante singular. uma vez que busca introduzir "uma nova cultura de atendimento à saúde" tendo como foco a sensibilização de seus profissionais (Brasil . a reorganização dos processos de trabalho (que facilite o acesso aos serviços). Como bem observa Deslandes (2004). 2004). das relações com as atividades e das dinâmicas das relações sociais estabelecidas. entre o texto do programa. para qualificar os problemas com a finalidade de medi-los. haveria espaço para mudanças estruturais e para a implementação de novos conceitos e práticas. as palavras. Assim. as várias formas de degradação da medicina de mercado e a burocratização excessiva das . ela aparece como a necessária redefinição das relações humanas na assistência e mesmo da compreensão da condição humana e dos direitos humanos. as palavras servem para designar os indivíduos ou grupos. Assim. 1999). O fato de existir indeterminação em relação às práticas e percepções relativas à humanização não ocorre por acaso. O fato é que as políticas não são feitas unicamente de atos. 2003. observa-se que os diferentes sentidos dados ao termo originam uma diversidade de práticas. voltados para a humanização da assistência?" (Deslandes. para pensar a ação pública. indo de uma ênfase na formação e sensibilização dos profissionais com o auxílio de assessorias especializadas (psicólogos. uma boa relação médico-paciente. a formação biomédica. por exemplo. "humanizar" pode ser concebido desde como uma escuta atentiva. melhor dizendo. em suma. 2000). há uma interpretação e aplicabilidade desses termos que dependem das motivações.MS. as relações de trabalho e sua lógica de produção. a tendência coorporativa das profissões de saúde. mas igualmente de palavras. a distância pode ser considerável. pedagogos) até a gratificação remunerada dos serviços que apresentem melhora da satisfação dos usuários (ver. Caprara e Franco. Torniquist. tornamse atos que produzem efeitos sociais. No que diz respeito ao Programa de Humanização da Saúde. De forma geral. ou.é impossível construir uma definição de humanidade isenta de concepções políticas e ideológicas. Portanto. muitos sentidos podem ser dados a "humanização". Cada um dos sujeitos dessas relações tem a sua própria convicção. segundo o entendimento de que os usuários têm o direito de conhecer e decidir sobre os seus diagnósticos e tratamentos.

Portanto. O Nascimento da Medicina Hospitalar O nascimento da medicina hospitalar passa pelo deslocamento da atenção do doente à doença. velhos e peregrinos que não tinham onde passar a noite. A medicina não fazia parte do hospital e os médicos eram somente tolerados no local e chamados em casos pontuais. Do Doente à Doença. o que implicava que aqueles eram um mal necessário. A partir da Idade Média (séculos XII e XIII. a relação entre médicos e religiosos era conflituosa e competitiva e assim se manteria até o século XVIII. fizeram com que no século XVI houvesse uma reorganização da assistência. o que aumentava a indigência nos grandes centros. cuja visão era a de que os pobres e doentes estavam simbolicamente associados a Cristo. O hospital. o hospital configurava a tradição institucional da caridade. seguida por uma crise social e espiritual. ignorantes das leis cristãs) de ajuda. fracos) e os não merecedores (vagabundos. Inicia-se aí a proibição de esmolas e instaura-se o princípio do trabalho obrigatório. os pobres "devem existir para que os ricos paguem seus pecados". as alterações demográficas e econômicas provocadas pela peste. na qual administração pública se viu obrigada a intervir. órfãos. para compreendermos as origens de sua atual estrutura organizativa e suas relações com a assistência. ajudá-los revelava uma grande espiritualidade e acima de tudo um meio de obter perdão dos pecados. Isto resultou em uma classificação dos pobres: os merecedores (doentes. Seu objetivo consistia em recolher os pobres necessitados de cuidados tanto físicos quanto morais e materiais. eram excluídos do sistema e deveriam ficar reclusos nos hospitais. velhos. os "maus pobres".organizações estatais limitam a capacidade resolutiva dos serviços de saúde. Aliadas a isto. isto é. Assim. O caráter assistencial do hospital incentivava o êxodo rural. Na maior parte das situações. A ênfase demasiada na técnica é a regra da maioria desses serviços. de maneira que aos princípios cristãos se aliam medidas repressivas e coercitivas (Herzlich e Pierret. . o que culmina na fragilização de suas práticas de atenção. uma vez que a população do campo afluía à cidade procurando alimentos e esmolas. por sua vez. Além de asilo. mais precisamente). Gostaria de realizar uma pequena digressão sobre a história da missão do hospital e a inserção de voluntários e profissionais nele. era também o local onde se distribuíam esmolas e mantimentos a todos os carentes não necessariamente internados. tal como o concebemos hoje. 1991). Sua administração estava a cargo dos religiosos. Os médicos eram desacreditados pela igreja e as terapêuticas eram aleatórias e pouco eficazes. Seu público eram tanto os doentes como também os indigentes. é próprio do ocidente cristão. os profissionais de saúde não estão preparados para lidar com as questões sociais e subjetivas dos usuários. uma vez que o remédio consistia acima de tudo em alimentar o contingente de internados cuja "doença" era a fome. na medida em que os hospitais não conseguiam responder à amplitude das necessidades da população. Os religiosos lhes prestavam conforto moral: era imperativo assistir os moribundos e fazer com que se arrependessem de suas culpas. perigosos para a sociedade. Assim.

ocupando o lugar dos religiosos e voluntários. Mas foi no fim do século XVIII e início do século XIX que houve uma verdadeira transformação no caráter assistencial do hospital. A sua missão de ensino e pesquisa faz com que a profissionalização se polarize em patologias que suscitam interesse científico. O trabalho assalariado se introduziu tardiamente no contexto da assistência hospitalar. Doença e pobreza passam a ser entidades separadas. e os pobres são encaminhados aos hospícios. mais personalizada. ou seja. os pensadores iluministas começaram a criticar esse caráter de depósito de indigentes. ou seja. Aliado a esses aspectos. cujo poder já fora bastante diminuído pela realeza (Foucault. a construção e renovação dos edifícios melhoram a imagem de acolhimento e estadia. Essa não remuneração em hospitais se explica pela dificuldade de transformar os valores morais ligados às atividades de cuidados com saúde em valor de troca. pois a prática médica era considerada o "exercício da caridade" e da filantropia. antes entidades invisíveis. Assim. mesmo não recebendo honorários. distinguindo-se daquela antiga – de instituição como depósito de pobres. o trabalho hospitalar conferia prestígio moral e social ao profissional. local de pesquisa e ensino médico. graças à grande concentração de doentes e pela possibilidade de realizar autópsias. é legitimada como saber e ciência. uma vez que as representações dessas atividades sempre estiveram vinculadas à esfera do privado (antes de se concretizar na esfera pública). e isso aconteceu em virtude de uma mudança radical na epistemologia médica. de um olhar de superfície para um olhar de profundidade. em salário efetivo. e os recursos humanos vão ficando mais numerosos e melhor formados. passa a ser o centro do saber. do invisível para o visível. Por outro lado. A permissão da autópsia de cadáveres e as descobertas simultâneas dos microorganismos e do bacilo da tuberculose por Pasteur e Koch. o que deu origem à idéia do "sacerdócio" da medicina. 1980). O quadro técnico se profissionalizava cada vez mais. passassem a ser concretas e bem definidas. se a medicina clássica hipocrática baseava-se somente nos sintomas descritos pelo paciente para tratar a doença. sobretudo os clérigos. Os médicos. os cuidados de higiene. na medicina moderna há uma transição do ideal para o real.No século XVIII. corporal. o benefício da assistência gratuita obrigava-os a se submeterem "pacientes" à observação científica. A medicina. então. trabalhavam no hospital. também para diferenciarem-se do cuidado caritativo religioso. O hospital é lugar dos doentes necessitando cuidados médicos. respectivamente. alimentação e conforto dos enfermos vão se tornando tarefas subalternas. pois este era um local que lhes proporcionava aquisição de conhecimentos que eles poderiam aplicar na clínica privada. Defendiam eles uma assistência em domicílio. Com a nova configuração. fizeram com que as doenças. Os usuários com problemas sociais são encaminhados para outras . enquanto na clínica privada os cuidados médicos já eram pagos desde o século XVIII. e isso assegurava aos médicos primazia em relação aos outros inúmeros curadores. Os doentes deviam permanecer dóceis. e que se apresentasse como fator de inclusão social. locais de assistência social. As repercussões desse novo status na assistência foram imediatas: o hospital. dando lugar a uma especialização crescente. loucos e vagabundos dos hospitais.

No contexto das práticas de saúde. espaços (deslocamentos.instituições. afetivo. Essas questões são delegadas ao pessoal mais abaixo da escala hierárquica: enfermeiros e auxiliares de enfermagem. o seu caráter de universalidade – são requeridos e valorizados mais os critérios técnicos médicos do que os morais. formulários) e execução dos atos propriamente ditos (protocolos). rotatividade de pessoal). Logo se cria um conflito entre os médicos interessados no progresso da ciência e a administração pública. A partir da Segunda Guerra Mundial. Esses aspectos demonstram como se construiu uma cultura institucional que se impôs na organização das práticas de saúde. demarcando papéis e distâncias sociais (Bourdieu. as leis visando a assistência social e a evolução sem precedentes das tecnologias médicas – que requerem importantes investimentos financeiros. 1972). respectivamente. Isto aparece nitidamente quando os enfermeiros. interesse. As mutações da sociedade. dependência hierárquica (graus variáveis de autonomia). reivindicam a prática mais "relacional" com os pacientes. os quais só podem ser proporcionados ao hospital pelo aporte de fundos públicos – acabam por atrair a classe média e alta. to care implica tradicionalmente certos valores e sentimentos: cuidado. promiscuidade). com pessoal competente e adaptado. esse tipo de ajuste é perceptível em dois níveis: o relacional e o técnico. que deseja que o hospital seja também um local de assistência aos pobres. que impõem normas em relação ao tempo (horários. Cabe aqui relembrar a escala hierárquica existente no sistema hospitalar ocidental: os recém-formados a serviço dos experts. as modalidades de acompanhamento hospitalar e o público assistido mudam enormemente. ou seja. Enquanto o to cure se restringe aos aspectos formais e técnicos do tratamento. respeito e atenção. A posição social e o capital de poder que cada um possui antecedem em um certo sentido a relação propriamente entre os indivíduos. Nessa perspectiva. como forma de legitimação da profissão. Eles manifestam uma grande ambivalência em relação a tudo o que é ligado ao "social" de seus pacientes. A efetivação deste é um verdadeiro desafio nas instituições hospitalares. As diversas missões que o hospital desempenhou no curso da história (inclusive no curso da história de suas relações com voluntários e profissionais) obedecem a lógicas culturais mais amplas. confinamento. e aqui o aspecto técnico é um critério de valorização da profissão. o que reforça a posição e missão do hospital de servir a toda a coletividade. circulação de informação (registros escritos. dos aspectos técnicos. a fim de que o hospital possa exercer sua função específica: atender patologias. as enfermeiras a serviço dos médicos. as relações sociais aí criadas tendem a reproduzir a distribuição desigual de poder. O Relacional e o Técnico: duas lógicas de engajamentos A língua inglesa possui dois termos para diferenciar os aspectos relacional. engajamento. são elas: to care e to cure. e procuram definir um território específico de . Aos médicos compete a parte diagnóstica e a prescrição de tratamentos. com precedência em uma suposta racionalidade científica e com ênfase na técnica. mais ampla – da sociedade.

mesmo que se interesse somente pela doença (para a realização de uma intervenção). Ao aspecto curativo se fixa acima de tudo o prestígio do saber científico. No entanto. observamos que as tarefas ligadas à escuta das necessidades do doente e aos contatos físicos são destinadas ao nível mais baixo da hierarquia médica. essa oposição não é tão antagônica quanto parece. legitimado pelo saber científico. por exemplo (Arborio. mais especificamente. Assim os auxiliares. Segundo Paicheler . O médico. do vivido. to cure. To cure supõe. Assim. e do relacional. O médico. procuram tirar um proveito valorizante de suas tarefas.outros técnicos. enquanto os experts se dedicam ao diagnóstico e às decisões relativas ao tratamento. Cicourel observa os mesmos aspectos na divisão de tarefas entre médicos recém-formados e experts. 2002). 1995). é justamente essa reivindicação que os aproxima dos auxiliares de enfermagem (situados mais abaixo ainda na hierarquia profissional hospitalar). uma vez que os seus limites são indeterminados: "Não se vai muito além das distinções entre cure e care para falar de uma 'técnica demasiada' e de 'pouco humano'. ou. Assim. em algum momento deverá lembrar (e mesmo que isto não lhe agrade) que a doença diz respeito a um ser humano singular e que toda a ação será personalizada em um dado momento. Essa dicotomia é um elemento não negligenciável da profissionalização da medicina. versus saber do expert. no quotidiano das práticas de saúde os aspectos relacionais e técnicos não são facilmente distinguíveis. enquanto o cuidado está mais relacionado à simplicidade do saber empírico. to care. os profissionais mais próximos das práticas de cuidado também deverão se informar sobre o processo de adoecimento do doente. Por outro lado. ou as repassam para outros .e sobre a doença em questão. Como se não existissem técnica . cujas tarefas (íntimas e quotidianas) os aproximam (mais que os outros) do doente (Paicheler. dessa forma. o trabalho em saúde depende de uma combinação de variáveis no domínio do técnico. Enfim. o outro solidariza e singulariza. naquele indivíduo que pode apresentar desordens mais abrangentes que a simples perturbação física. auxiliares de limpeza. Já to care é uma ação que se desenvolve na Quotidianidade. Essa atmosfera resulta das situações de competição e avaliação constantes nas competências médicas (Cicourel. os dois têm como objetivo o ser humano doente – os caminhos é que são inversos.intervenção a fim de adquirir sua autonomia em tudo o que se situa fora das atividades realizadas sob o controle médico. ou seja. Na verdade. De fato. A oposição entre médicos e demais profissionais nos faz pensar em uma oposição entre dois tipos de saberes: saber da experiência. Saillant e Gagnon referem a existência de uma divisão artificial entre cure/care. por sua vez. 1995). Um dissocia e objetiva. supõe intuição e proximidade. tanto uma ciência quanto uma prática. Mas uma mesma condição é necessária para a obtenção da cura ou do bem-estar do atendido: que os profissionais estejam centrados na situação específica daquele ser humano doente. do especialista. deve fazer a distinção entre o seu trabalho e aqueles que têm conotação "doméstica". essas abordagens (no trato hospitalar) são (ao menos teoricamente) mais complementares que contraditórias. Os recém-formados passam mais tempo a examinar os doentes. Sobre esse aspecto.

ou seja.. já que as iniciativas se apresentam. Assim. Ajuda e Intervenção: dissonâncias e convergências Em certos campos da ação social e sanitária os debates em torno das questões da "ajuda" e "intervenção" são objeto de numerosas análises. Como bem refere Gastaldo: ". Quais as qualidades de um agente do Cuidado? Podemos perceber que não se tratam de qualidades dadas naturalmente. A ajuda sempre se dirige ao singular. Esses debates geralmente opõem uma rede estatal a uma rede comunitária e uma rede de solidariedade a uma rede profissional.no humano e como se a técnica se definisse excluindo o humano e a humanidade" (Saillant e Gagnon.. Nesse sentido podemos encontrar duas formas clássicas de prestação de serviços em saúde: a ajuda e a intervenção. ou seja. Tratam-se de uma atualização das virtudes morais defendidas pelos ideais filantrópicos do século XIX onde estas qualidades seriam de uma segunda natureza. de um sexo (feminino) e de um tipo de personalidade (altruísta). voluntárias e reveladoras de bondade. trata-se um bem construído socialmente e de uma aquisição estável e regulada. de caráter filantrópico. de pressões e constrangimentos das instituições ou da sociedade de maneira mais geral. e tal situação poderia dar origem a posturas caridosas. nada ilegítima em termos de ação pública. ou pela socialização através das relações familiares.5). das obrigações de trocas (dom e contradom)1. Além disso. A resposta proposta pelo Estado através do PNHAH revela uma preocupação de reparação. p. produzida em muitos casos por uma prática religiosa como a caridade. como a distribuição eqüitativa de renda. adquiridas na vida pessoal ou profissional. um "favor". em geral.MS. mas que nada muda em termos de justiça social. 2004). sem procurar desenvolver a capacidade de generalização. portanto. de modo vago e associadas a atitudes humanitárias. ou ainda uma resposta à vocação ou a um chamado transcendente. condições de trabalho e de educação. Podemos admitir que essas representações são decorrentes da história de cada um. os serviços de saúde são responsáveis por apenas 10 a 15% de . os profissionais se vêem obrigados a recorrer às suas qualidades individuais. inclusão social. e não um direito à saúde" (Brasil . Dentro das práticas de saúde. Observa-se o predomínio de uma faixa etária (terceira idade). Esse risco é tão evidente que o próprio texto do Ministério da Saúde alerta: "Devemos tomar cuidado para não banalizar o que a proposição de uma política de humanização traz ao campo da saúde. demanda muitas vezes imprecisa.o acesso aos serviços de saúde de qualidade é apenas um entre mais de uma dezena de determinantes sociais de saúde. podemos vislumbrar a dimensão da "ajuda". Observa-se nos serviços em saúde a existência de padrões mais ou menos fixos de representações que os profissionais possuem de seus usuários. 2003. uma ação na qual alguém presta auxílio à um outro em resposta à uma demanda dessa ajuda.

a idéia de "humanização da saúde" demanda do profissional que converta a dimensão econômica e técnica de seu trabalho em dimensão relacional. p. hoje esses limites foram transpostos. Não é por acaso que um grande número de clérigos se torna psicanalista. em alguns discursos e práticas dos profissionais. o programa pretende que o trabalho nos "serviços humanos" não consista simplesmente em exercer a atividade. sociólogo. em que o corpo passou a ser domínio dos médicos e a alma. há doravante uma transposição do mesmo. mas sobretudo na passagem de competências. utilizando. Falar de humanização não significa dizer que ela não existia anteriormente. A busca desse equilíbrio supõe uma redefinição de competências que possa superar a dicotomia alma/corpo. a intervenção designa principalmente a ação do Estado sobre a sociedade civil entrando no quadro jurídico dos direitos civis complementados por legislação específica para esse fim. A citação seguinte é esclarecedora: "Assim. e seus agentes se questionavam sobre isso mesmo antes que se instituísse a humanização como modo de intervenção. mostra como hoje os limites desse são imprecisos.187). recursos são alocados. e cada indivíduo sentirá seus efeitos na sua vida pessoal. Medidas são tomadas. pode-se vislumbrar a percepção de que o humano só pode ser resgatado se houver bondade ou doação. dos clérigos. 1987. onde havia um campo religioso distinto. Enfim.todos os cuidados de saúde que ocorrem nas sociedades de países ditos desenvolvidos. Minha abordagem partilha dessa análise. O Programa de Humanização envolve tanto aspectos técnicos quanto relacionais. e é aí que reside o seu interesse. Por outro lado. há muitos profissionais que. A dicotomia alma/corpo foi reconstruída de tal forma que. A história da intervenção é longa. Eu gostaria de lembrar aqui os limites de campo de competência propostos por Pierre Bourdieu. É por isso que. o campo de competência proposto por Max Weber. e o exemplo do hospital o confirma. exercendo novas formas de cura com um estatuto laico" (Bourdieu. praticam a "humanização" em seu quotidiano. ou mesmo sem utilizar o termo. Assim. limites são impostos.. 2005. nas suas relações sociais. estando a cargo da sociedade a maior parte dos cuidados" (Gastaldo. . dos religiosos. O que se reivindica na humanização da saúde nada mais é do que a visibilidade de uma prática que permeia o cotidiano de muitos profissionais dessa área. superando assim os limites da divisão do trabalho em relação ao tratar e o cuidar.:405). p. razão pela qual os limites impostos pelo monopólio da cura da alma ou do corpo estão sendo transformados. O autor. por sua vez. mesmo sem uma formulação teórica da proposta. Os hospitais sempre encontraram condições difíceis de trabalho que culminavam com uma deterioração da relação com os usuários. Da mesma forma.. por entender que a proposta dos profissionais do Programa de Humanização da Saúde e toda a idéia corrente de "humanização da saúde" se inscrevem nesses campos de competência. se originalmente o corpo era domínio médico e a alma. trabalhador social etc. seja qual for a profissão.

um estado de espírito. uma vez que ela envolve um saber.Nesse sentido. . a Saúde Pública articula valores de ordem simbólica e material ao mundo social. uma tecnologia e um campo social estruturado e relativamente autônomo no qual os atores sociais ocupam uma posição definida pelo volume e capital social condizente. um método. Dessa forma. a abordagem antropológica dos programas de intervenção em saúde torna-se pertinente na medida em que é necessário reconhecer que a Saúde Pública é uma cultura (mesmo que ela não se reconheça como tal).

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