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MARX, Karl. a Chamada Acumulação Primitiva

MARX, Karl. a Chamada Acumulação Primitiva

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Published by: História Econômica on Jan 24, 2009
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07/01/2013

MARX, Karl. A chamada acumulação primitiva.

- Foi visto como o dinheiro se transforma em capital e como se produz mais-valia com o capital. “Mas a acumulação do capital PRESSUPÕE a mais valia, a mais valia a produção capitalista, e esta a existência de grandes quantidades de capital e de força de trabalho nas mãos dos produtores de mercadorias. Todo esse movimento tem assim a aparência de um círculo vicioso do qual só poderemos escapar admitindo uma acumulação primitiva, anterior à acumulação capitalista, uma acumulação que não decorre do MODO CAPITALISTA DE PRODUÇÃO, mas é seu ponto de partida”. “Essa acumulação desempenha na economia o mesmo papel do PECADO ORIGINAL na teologia [...] por causa dele, a grande massa é pobre e só tem a força de trabalho para vender”. “Desde o início da humanidade, o direito e o trabalho são os únicos meios de enriquecimento”. “Os métodos da acumulação primitiva nada têm de idílicos”. - Mercadoria e dinheiro não são em si capital, deve ocorrer uma transformação nelas. “O sistema capitalista pressupõe a dissociação entre os trabalhadores e a propriedade dos meios pelos quais realizam o trabalho” “O processo que cria o SISTEMA CAPITALISTA consiste apenas no processo que retira ao trabalhador a propriedade de seus meios de trabalho, um processo que transforma em capital os meios sociais de subsistência e os de produção e converte em assalariados os produtores diretos. A chamada ACUMULAÇÃO PRIMITIVA é apenas o processo histórico que dissocia o trabalhador dos meios de produção. É considerada primitiva porque constitui a pré-história do capital e do modo de produção capitalista”. • TRANSIÇÃO: “A estrutura econômica da sociedade capitalista nasceu da estrutura econômica da sociedade feudal. A decomposição dessa liberou elementos para a formação daquela” “Os que se emanciparam só se tornaram vendedores de si mesmos depois que lhes roubaram todos os seus meios de produção e os privaram de todas as garantias que as velhas instituições feudais asseguravam à sua existência. E a história da expropriação que sofreram foi inscrita A SANGUE E FOGO nos anais da humanidade”. - Os capitalistas industriais tiveram que tirar o domínio que os mestres das corporações e os próprios senhores tinham “dos mananciais das riquezas”. - A ascensão do capitalista representa uma vitória contra os mestres e senhores, contra as corporações e os feudos. - O homem agora poderia ser LIVREMENTE explorado. “O processo que produz o assalariado e o capitalista tem suas raízes na sujeição do trabalhador... Embora os prenúncios da produção capitalista já apareçam nos séculos XVI e XV, em algumas cidades mediterrâneas, a era capitalista data do século XVI. Onde ela surge a servidão já está abolida há muito tempo”. “A expropriação do produtor rural, do camponês, que fica assim privado de suas terras, constitui a base de todo o processo”. “Nos fins do século XIV, a servidão tinha desaparecido praticamente da Inglaterra”. “Em todos os países da Europa, a produção feudal se caracteriza pela repartição da terra pelo maior número de camponeses”. - O poder do senhor não está na sua renda, mas na quantidade de seus súditos. “O prelúdio da revolução que criou a base do modo capitalista de produção ocorreu no último terço do século XV e nas primeiras décadas do século XVI”. - Rompida os laços de vassalagens feudais, é lançado ao mercado de trabalho mão-de-obra livre. - O florescimento da manufatura de lã e a elevação dos preços dele aumentaram também a violência na Inglaterra. “A velha nobreza fora devorada pelas guerras feudais”. - Na Inglaterra, pelos idos dos séculos XV e XVI os pastos para as ovelhas substituíram as terras das lavouras. REVOLUÇÃO AGRÍCOLA? “O processo violento de expropriação do povo recebeu um terrível impulso, no século XVI, com a Reforma e imenso saque dos bens da Igreja que a acompanhou”. “A propriedade da Igreja constituía o baluarte religioso das antigas relações de propriedade. Ao cair aquela, estas não poderiam mais se manter”.

- A Gloriosa Revolução de Guilherme de Orange “Inauguraram a nova era em que expandiram em escala colossal os roubos às terras do Estado até então praticados em dimensões mais modestas”. “Essa usurpação das terras da Coroa e o saque aos bens da Igreja constituem a origem dos grandes domínios atuais da oligarquia inglesa”. - Os capitalistas ajudaram a transformar a terra em artigo de comércio. “A violência que se assenhoreia das terras comuns (da época feudal), seguida em regra pela transformação das lavouras em pastagens começa no fim do século XV e prossegue no século XVI” “O progresso do século XVIII consiste em ter tornado a própria lei o veículo do roubo das terras pertencentes ao povo [...] O roubo assume a forma parlamentar que lhe dão as leis relativas ao CERCAMENTO DAS TERRAS COMUNS [...] decretos de expropriação do povo”. - Foi necessário um golpe parlamentar para tornar as terras comuns em propriedades privadas. “Demais, o roubo sistemático das terras comuns, aliado ao furto das terras da coroa, contribuiu para aumentar aqueles grandes arrendamentos, chamados, no século XVIII, de fazendas de capital ou fazendas comerciais”. - As trabalhadores eram expulsos de suas terras e obrigados a procurar empregos nas cidades. “No século XIX, perdeu-se naturalmente a lembrança da conexão que existia entre agricultura e terra comunal”. “O último grande processo de expropriação dos camponeses é finalmente a chamada LIMPEZA DAS PROPRIEDADES, a qual consiste em varrer destas os seres humanos. Todos os métodos ingleses culminaram nessa limpeza”. - A terra antes povoada por trabalhadores agora era pasto para ovelhas. “O ser humano vale menos que uma pele de carneiro”. - A limpeza das propriedades foi um mal que se alastrou por toda Europa. “Roubo dos bens da igreja, a alienação fraudulenta dos domínios do estado, a ladroeira das terras comuns e a transformação da propriedade feudal e do clã em propriedade privada moderna, levada a cabo com terrorismo implacável, figuram entre OS MÉTODOS IDÍLICOS da acumulação primitiva”. - Incorporaram as terras ao capital e proporcionaram à indústria das cidades a oferta necessária de proletários sem direitos. - Aqueles que foram expulsos das terras com a dissolução das vassalagens feudais não foram absorvidos na mesma proporção pelo trabalho industrial ou comercial. Houve mudança de estilo de vida, é normal que não houvesse adaptação da noite para o dia. “Muitos se transformaram em mendigos, ladrões, vagabundos, em parte por inclinação, mas na maioria dos casos por força das circunstâncias. Daí ter surgido em toda a Europa Ocidental, no fim do século XV e no decurso do XVI uma legislação sanguinária contra a VADIAGEM”. “Os ancestrais da classe trabalhadora atual foram punidos inicialmente por se transformarem em vagabundos e indigentes, transformação que lhes erra imposta”. “Quem perambule e mendigue será declarado vadio e vagabundo”. “Assim, a população rural, expropriada e expulsa de suas terras, compelida à vagabundagem, foi enquadrada na 'disciplina exigida pelo sistema de trabalho assalariado, por meio de um grotesco terrorismo legalizado que empregava o açoite, o ferro em brasa e a tortura”. - O prolongamento da jornada de trabalho foi outro fator fundamental da chamada acumulação primitiva de capital. - Era proibido pagar salário acima do tabelado. “Em 1813, foram abolidas finalmente as leis que regulavam os salários”. - A associação de trabalhadores foi, durante muito tempo, proibida. - A expropriação da população rural cria imediatamente as grandes propriedades de terras. - GÊNESE DO CAPITALISTA INDUSTRIAL: a) alguns mestres de corporação; “A idade média fornecera duas formas de capital que amadurecem nas mais diferentes formações econômico-sociais e foram as que emergiram como capital antes de despontar a ERA CAPITALISTA, a saber, o capital usuário e o capital mercantil”. “O CAPITAL DINHEIRO formado por meio da usura e do comércio era impedido de se transformar em CAPITAL INDUSTRIAL pelo sistema feudal no campo, e pela organização corporativa na cidade. Esses entraves caíram com a dissolução das vassalagens feudais; com a expropriação e a expulsão parcial das populações rurais”. “As descobertas de ouro e de prata na América, o extermínio, a escravidão das populações indígenas, forçadas a trabalhar no interior das minas, o início da conquista e pilhagem das Índias Orientais e a transformação da África num vasto campo de caçada lucrativa são os acontecimentos que marcam a aurora da era da produção capitalista. Esses processos idílicos são fatores fundamentais da acumulação primitiva”.

- Houve diferentes estimuladores da acumulação primitiva. O sistema colonial foi um. “Todos eles utilizavam o poder do estado, a força concentrada e organizada da sociedade para ativar artificialmente o processo de transformação do modo feudal de produção no modo capitalista, abreviando assim as etapas de transição. A força é o parteiro de toda sociedade velha que traz uma nova em suas entranhas”. “O sistema colonial fez prosperar o comércio e a navegação”. “No período manufatureiro, ao contrário, é a supremacia comercial que proporciona o predomínio industrial” - A dívida pública, cujas origens está em Gênova e Veneza, “apoderou-se de toda a Europa durante o período manufatureiro”. “O crédito público torna-se o credo do capital. “A DÍVIDA PÚBLICA converte-se numa das alavancas mais poderosas da acumulação primitiva... criou uma classe de capitalistas ociosos, enriqueceu, de improviso, os agentes financeiros que servem de intermediários entre o governo e a nação”. - A dívida pública deu origem ao sistema internacional de crédito. “O sistema colonial, a dívida pública, os impostos pesados, o protecionismo, as guerras comerciais, etc., esses rebentos do período manufatureiro desenvolvem-se extraordinariamente no período infantil da indústria moderna”. “OCAPITAL AO SURGIR ESCORREM-LHE SANUE E SUJEIRA POR TODOS OS POROS, DA CABEÇA AOS PÉS”. “O que tem de ser expropriado agora não é mais aquele trabalhador independente e sim o capitalista que explora muitos trabalhadores”. “A centralização dos meios de produção e a socialização do trabalho alcançam um ponto em que se tornam incompatíveis com o envoltório capitalista. O invólucro rompe-se. Soa a hora final da propriedade particular capitalista. Os expropriadores são expropriados”. “A produção capitalista gera sua própria negação, com a fatalidade de um processo natural. É a negação da negação” “Antes houve a expropriação da massa do povo por poucos usurpadores, hoje, trata-se da expropriação de poucos usurpadores pela massa do povo”.

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