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TIPOS DE ENXERTIA

São vários os tipos de enxertia, como por exemplo: borbulhia, garfagem, encostia, sobreenxertia.

BORBULHIA

A época de enxertia. de modo a formar um T. Difere apenas na posição normal do ramo para retirada da borbulha e no modo de introduzir e amarrar. bem como a amarração. O escudo ou gema é retirado segurando-se o ramo em posição invertida. para esse tipo de multiplicação. levanta-se a casca com o dorso da lâmina e introduz-se a borbulha.  Em janela aberta ou escudo São feitas no porta-enxerto duas incisões transversais e duas longitudinais. (Figura 3). é feita de baixo para cima (Simão. quando os vegetais se encontram em plena atividade vegetativa (Simão. . depois. 1998). Prende-se o escudo lateralmente ou pelo pecíolo. O T invertido é usado para casos em que o cavalo tenha grande circulação de seiva.  T invertido Procede-se de modo semelhante ao tipo anterior. de modo a liberar a região a ser ocupada pela borbulha. é de primavera-verão. O amarrilho é feito de baixo para cima. Corta-se o excesso e amarra-se de cima para baixo (Simão. Tipos de borbulhia:  T normal Fende-se o cavalo com o canivete. Este processo é o preferido pela maioria dos operadores (Pádua.É o processo que consiste na justaposição de uma única gema sobre um porta-enxerto enraizado. por evitar a penetração de água e também por ser mais fácil manejo. Esse tipo apresenta vantagem sobre o anterior. no sentido transversal e. A colocação da borbulha. no sentido perpendicular. 1983). 1998). 1998).

A borbulha é retirada do garfo praticando-se também duas incisões transversais e duas longitudinais no ramo. Pode-se também forçar o desenvolvimento do enxerto com incisões ou anelamentos. comunicandolhe grande vigor. A seiva. procede-se do mesmo modo. para que haja contato entre as camadas cambiais. ou duas incisões circulares e uma vertical quando é no meio da haste. de modo a obter um escudo idêntico à parte retirada do cavalo (Simão. introduz-se o escudo e a seguir recobre-se com a casca do cavalo. e a superfície deve ser idêntica à do cavalo. Para assentá-la.  Anelar. O enxerto é completado fixando-se com o amarrilho (Simão. 1998).  Em janela fechada O porta-enxerto recebe duas incisões transversais e uma vertical no centro. canutilho ou flauta Para esse tipo de enxertia. Forçamento do enxerto Para ativar o desenvolvimento do enxerto. 1998). uma vez constado o seu pegamento. normalmente. GARFAGEM É um processo que consiste em soldar um pedaço de ramo destacado (garfo) sobre outro vegetal (cavalo). levanta-se a casca com o convite. A seguir. Com isso. tende a reduzir a sua velocidade e acumular-se na região do enxerto. de modo a retirar um anel (Simão. 1998). em algumas espécies. amarra-se. A seguir o enxerto é amarrado. 1998). A borbulha é a seguir embutida no retângulo vazio e deve ficar inteiramente em contato com os tecidos do cavalo. faz-se uma incisão circular quando o enxerto é no topo. devido à curvatura. A borbulha é obtida de maneira semelhante ao tipo anterior. praticados na região abaixo dele (Simão. A garfagem difere da borbulhia por possuir. consegue-se adiantar o desenvolvimento de dois a três meses. de maneira a permitir o seu desenvolvimento. faz-se a torção da haste um pouco acima do local da enxertia e curva-se o ramo para o solo. mais de uma gema e também porque o porta-enxerto tem a sua . No garfo.

e nas folhas persistentes. 1998). na região do coleto. fenda cheia ou fenda completa Podado o cavalo. na primavera. O garfo. de topo. no verão e no outono (Simão.parte superior decapitada. é preparado na forma de cunha e introduzido na fenda (Simão. Tipos de garfagem:  Em fenda. que deve ter o mesmo diâmetro do cavalo.  Em meia-fenda esvaziada . O garfo é preparado na forma de bisel e introduzido na incisão. no sentido do diâmetro. no sentido do comprimento do cavalo. 1998). até atingir a medula. O bisel deve ter aproximadamente o mesmo comprimento da incisão lateral (Simão. O enxerto de garfagem é feito aproximadamente a 20 cm acima do nível do solo ou abaixo dele. A região do ramo podada com a tesoura é a seguir alisada com o canivete. alisado o corte. cada um introduzido em uma das extremidades. A época normal de garfagem. Usam-se dois garfos. dependendo da espécie. até aprofundar-se 2 a 3 cm. na raiz. 1998). A fenda estende-se por 2 ou 3 cm.  Em meia-fenda cheia Faz-se no cavalo uma fenda. é essencial que a região cambial do garfo seja colocada em contato íntimo com a do cavalo (Simão. O método é igual ao de fenda completa (Simão. Para o sucesso da enxertia. se dá no período de repouso vegetativo (inverno). para as plantas de folhas caducas. no sentido do raio.  Em fenda dupla ou dupla garfagem É utilizado quando o garfo é de diâmetro inferior ao raio do cavalo. A fenda completa pode ser cheia ou esvaziada. 1998). 1998). faz-se com o canivete uma fenda perpendicular.

consiste em decepar o porta-enxerto. 2001). 1998). A operação é bastante fácil e consiste tão-somente no corte em bisel no cavalo e no cavaleiro. a seguir . O cavalo e o garfo são preparados à semelhança da meia-fenda esvaziada (Simão.  Em fenda incrustada Difere da anterior por não atingir a medula. de modo a retirar uma cunha de madeira. 2001). 1998). O garfo é preparado do mesmo modo que o anterior.  Inglês complicado .A incisão no cavalo é semelhante ao tipo anterior. o enxerto é cortado e nele é feita uma fenda. fazendo com que ele tome forma de uma cunha. É um tipo mais aconselhável para as espécies de lenho duro (Simão. É o contrário da garfagem em fenda (Paiva e Gomes. permitindo que haja contato entre eles (Paiva e Gomes.  Em fenda lateral Também denominada garfagem lateral. Unem-se as partes e. dele diferindo por se praticar duas incisões convergentes. amarram-se (Simão. a certa altura do solo.  Em fenda a cavalo Também denominada garfagem no enxerto. esvaziando a incisão. é necessário que o cavalo e o cavaleiro apresentem o mesmo diâmetro. É utilizada quando os garfos são de pequeno diâmetro. 1998). consiste em remover um segmento do caule do portaenxerto e do enxerto ( 5 a 6 cm). fazer a junção das partes e amarrar o fitilho e o saco plástico.  Inglês simples Para a prática desse tipo de enxerto.

mas. Complementação da garfagem Após a justaposição do cavaleiro ao cavalo. na região abaixo do solo e naquela acima dele. Tipos de encostia  Lateral simples e inglesa . O mastique tem por finalidade proteger a madeira exposta do ataque de fungos e da penetração de umidade. 1998). o mastique vem sendo substituído por material plástico. a região será amarrada e a seguir recoberta com uma pasta ou massa. 1998). O mastique é utilizado para todos os tipos de garfagem executada no colo da planta. para que haja perfeito encaixe entre as fendas. ENCOSTIA É o método utilizado para unir duas plantas que continuam vivendo sobre seus próprios sistemas radiculares. O inglês complicado dá ao enxerto maior penetração de uma parte sobre a outra e. 1998). que confere proteção. fenda esvaziada e dupla fenda (Simão. que deixam parte do corte exposto. 1998). como ocorre nos enxertos de meia-fenda. A esse material plástico de fácil moldagem dá-se o nome de mastique (Simão. Atualmente. portanto.A operação é semelhante ao inglês simples. neste tipo. se a do cavalo for feita no terço superior. maior fixação (Simão. até que a soldadura entre ambas se complete e possibilite a separação do ramo (cavaleiro) de suas próprias raízes. A encostia somente é utilizada quando falham os demais processos de propagação. preserva a região da enxertia e o enxerto da dessecação. A incisão será feita no terço inferior do garfo. faz-se uma incisão longitudinal em ambas as partes a unir. pela formação de uma câmara úmida (Simão. isto é. 1998). dadas as dificuldades naturais de obter número elevado de mudas (Simão.

no caso da lateral simples. Para proceder à sobreenxertia. Aproximamse as duas partes. no ápice da muda. com o canivete. O processo consiste em plantar. No tronco. Ajusta-se a região e fixa-se com um prego ou cravo de madeira. Na lateral inglesa. procede-se da mesma maneira. retirando-se parte do alburno. 1998). para que haja maior fixação (Simão. sobre as quais se fará a enxertia da variedade desejada (Simão. 1998). Seu emprego é indicado nos pomares de idade média e sadios. Apenas recebe uma incisão a mais tanto no cavalo como no cavaleiro. Abre-se o entalhe. poda-se a copa e deixem-se de 4 a 5 pernadas. SOBREENXERTIA É a operação que tem por finalidade o aproveitamento de plantas já formadas. A inglesa é preparada do mesmo modo. e as produções se tornam mais precoces. Fixam-se as partes com amarrilhos. O ramo-enxerto sofre uma incisão oblíqua até o lenho. uma muda que será ligada a ela. ganha-se tempo. pois o porta-enxerto se encontra perfeitamente estabelecido. 1998). porém sobre o entalhe do cavalo e do cavaleiro.  Inarching ou subenxertia É um tipo de encostia que é usado para revigorar uma planta em decadência. faz-se uma incisão e. com alteração da variedade copa. ao lado do tronco da árvore. poda-se o cavalo a determinada altura e.Pratica-se no cavalo e no ramo-enxerto um entalhe. devido à incompatibilidade entre cavalo e cavaleiro (Simão. unindo-se as partes. Fazendo a sobreenxertia. um bisel. A seguir amarrase (Simão. VANTAGENS DA ENXERTIA . faz-se um bisel de ambos os lados. faz-se uma incisão oblíqua. Encaixa-se sobre o bisel do cavalo e amarra-se. 1998). ajustando as superfícies.  De topo simples e inglesa Na encostia simples no topo.

alto risco de rejeição em algumas espécies. transmissão de caracteres genéticos entre espécies incompatíveis. regenerando plantas com a finalidade de aumentar a produtividade e auxiliar em soluções fundamentais. obtenção de plantas transgênicas após a inserção do DNA em células e protoplastos. (1991) citados por Simão (1998) é uma aplicação da engenharia celular a qual manipula os genomas das células vegetais. modifica o porte das plantas. obtenção de novas variedades. BIOTECNOLOGIA A biotecnologia de plantas. assegura a criação de novas variedades. . influi na qualidade do fruto. segundo Crocomo et al. pode restaurar plantas. substituindo a copa. DESVANTAGENS DA ENXERTIA    possibilidade de transmissão de viroses. tais como:     produção de plantas sadias. permite a utilização de porta-enxertos resistentes a certas enfermidades e pragas.       assegura as características da planta que se quer multiplicar. propicia floração e frutificação mais precoces. pequena longevidade da planta. caso de borbulhas de clones velhos.

célula. sempre que sejam células capazes de se dividir. protoplastos). 1998). . raízes) e embriões em cultura asséptica tem sido base para a propagação. A maior aplicação da cultura de tecidos se dá provavelmente na multiplicação clonal de espécies que dificilmente se propagam pelos métodos tradicionais. 1985). o conceito de que cada célula tem o potencial genético de se reproduzir identicamente (Simão. livre de microorganismos e transferido para um meio de cultura. A cultura de tecido inicia-se pela retirada de um tecido da planta (explant = estaca miniaturizada). (Figura 4). e se baseia no princípio da totipotência. desde que lhe sejam fornecidas condições apropriadas (Pasqual. A habilidade de regeneração e crescimento dos tecidos da planta (calos. órgãos isolados (haste. independentemente das limitações de natureza sazonal.Pode-se utilizar:  Cultura de tecidos ou micropropagação É a expressão usada para indicar cultura asséptica in vitro de uma porção de parte extraída da planta. flores. Caminhos seguidos para a multiplicação e regeneração de plantas a partir de cultura de tecidos. Esta propagação pode ser feita em qualquer época do ano. isto é. Figura 4.

com 1 mm de comprimento (Simão. com três folhas primordiais. O seedling é removido. Esse sistema de propagação consiste basicamente em obter uma planta livre de vírus. Pode-se também enxertar por borbulha. Quanto menor o explant. 1998). utilizam-se suas sementes como cavalo. Elas são esterilizadas e semeadas em meio inorgânico. decapitado a 1 ou 1. 1998). maior a segurança em obter uma planta livre de patógeno (Simão.18 mm. a planta pode ser transplantada para outro meio.  Cultura de embrião É obtido separando-se o embrião da semente na fase de desenvolvimento e colocando para germinar em um meio especial. ou hipoclorito de cálcio ou sódio (Simão. com solução de ágar.Fonte: Abbott (1977).14 a 0. citado por Pasqual (1985). os cotilédones e as gemas laterais são removidos com uma lâmina.  Cultura meristemática Trata-se da extração do meristema apical ou dos primórdios foliares. Quando 2 folhas expandidas aparecerem no enxerto. . é utilizado como enxerto. A planta enxertada é colocada em meio líquido. em duas semanas. Um meristema apical com 0. ou álcool. em T invertido. Outra opção de se obter plantas livres de vírus seria a utilização da microenxertia. Processo semelhante é utilizado para maçã e ameixa e outras espécies de Prunus (Simão. Uma das vantagens desse processo é a obtenção de plantas de cruzamentos interespecíficos. 1998).5 cm de comprimento.  Microgarfagem Em citros. mantida sob iluminação por 3 a 5 semanas. até que haja o pegamento do enxerto. A desinfecção do material pode ser feita utilizando-se ácido carbônico a 5% por cinco minutos. O embrião germina no escuro. 1998).