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Revolução Industrial - Várias es

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05/03/2013

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Departamento de Economia - FEA/USP

História Econômica Geral I
Aula 7 - Revolução Industrial: interpretações
Renato Perim Colistete Departamento de Economia FEA-USP 2008

Aula 7 – Revolução Industrial: abordagens
Objetivos

Esta é a primeira aula sobre um tema clássico da história econômica: a Revolução Industrial Britânica. O objetivo é apresentar definições básicas e as principais interpretações e divergências sobre o tema. A discussão trata tanto dos conceitos quanto de evidências apresentadas pelos diferentes autores que investigaram a Revolução Industrial.

Aula 7 – Revolução Industrial: abordagens
Interpretação clássica x gradualista

Até a década de 1980 a visão predominante na historiografia era que a RI havia sido um evento revolucionário. Teria havido grande descontinuidade nas variáveis macro (PIB, produto industrial, produtividade), na tecnologia e nas condições sociais. Porém, a partir de novos dados e estimativas, os historiadores têm revisado esta interpretação clássica.

Aula 7 – Revolução Industrial: abordagens
Toynbee

O termo RI apareceu primeiro nas descrições da sociedade inglesa por viajantes/observadores frances na década de 1830 ou mesmo antes. Primeiro uso acadêmico reconhecido foi por A. Toynbee (1884). Para Toynbee, a RI era um termo que evocava mudanças amplas que transformaram o cenário econômico, social e político da Grã-Bretanha entre os anos 1760 e 1830.

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Os contemporâneos

A amplitude e profundidade das transformações a que se referia o termo utilizado por Toynbee já haviam sido notadas por contemporâneos. Robert Owen (1771-1858), industrial, reformador social e socialista falou em:

“rápido avanço dos arranjos e aperfeiçoamentos científicos, introduzidos (...) em todos os departamentos da indústria produtiva por todo o império”.

Aula 7 – Revolução Industrial: abordagens
Os contemporâneos

James Hole (1820-1895), reformador social e socialista: “[o] princípio da oferta e demanda estendeu-se das mercadorias para os homens. Esses últimos obtiveram mais liberdade, mas menos pão. Eles descobriram que saindo da servidão do Feudalismo entraram na do Capital; que a escravidão terminou em nome mas sobreviveu de fato”.

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Os contemporâneos

Mais conhecido ainda é o livro de Friedrich Engels (1820-1895), A Situação da Classe Operária na Inglaterra, de 1845. Engels descreveu as condições deterioradas de habitação, saúde, alimentação e trabalho da nova classe de trabalhadores industriais em Manchester. Para Engels, tais condições eram um produto direto da máquina a vapor e das inovações na indústria têxtil.

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Visão clássica

A percepção de mudanças econômicas radicais e, para autores como Engels e Toynbee, catastróficas mudanças sociais trazidas pela RI foi transmitida em obras subseqüentes. Sidney e Beatrice Webb são um exemplo. Também reformadores sociais de final do século XIX e início do século XX, produziram obras retratando e condenando as condições sociais da industrialização. Webbs - fundadores da LSE (1895).

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Críticas à visão clássica

A interpretação clássica da RI passou a ser contestada já nos anos 1920, com o uso de pesquisas com forte conteúdo empírico. O principal nome dessa nova tendência historiográfica foi John H. Clapham, em seu Economic History of Modern Britain, publicado entre 1926-1938 em 3 volumes. Clapham, com dados do Censo de 1851, argumentou que as transformações na indústria foram graduais, localizadas e incompletas.

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Críticas à visão clássica

Segundo Clapham, a maior parte das indústrias em meados do século XIX ainda era artesanal, com fontes de energia tradicionais e pequenas unidades produtivas. Ou seja, a imagem de grandes fábricas, com máquinas movidas a energia a vapor, repletas de mulheres e crianças trabalhando como operadoras e auxiliares, seria equivocada como retrato geral da indústria.

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Críticas à visão clássica

Essa seria, para Clapham, mais uma realidade específica de segmentos da indústria (principalmente a indústria têxtil de algodão) do que um fenômeno generalizado da indústria inglesa. Além disso, embora algumas grupos perdessem, o padrão de vida dos trabalhadores em geral teria aumentado ao longo da RI, ao contrário do que afirmara a visão clássica.

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A retomada da visão clássica

A interpretração gradualista de Clapham somente seria desafiada após a II Guerra Mundial, por T.S. Ashton em A Revolução Industrial, 1760-1830, de 1948. Ashton reintroduziu uma concepção clássica da Revolução Industrial, enfatizando as descontinuidades, mudanças e impactos profundos do período. Além disso, Ashton viu a Revolução Industrial como um fenômento abrangente, que não se limitava à indústria.

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A retomada da visão clássica

Outros trabalhos que se tornaram clássicos seguiram a perspectiva de Ashton, como o de Peter Mathias, The First Industrial Revolution (1969). Outro trabalho influente nesta linha foi o do historiador francês, Paul Mantoux, A Revolução Industrial no Século XVIII, publicado em 1928. Trabalhos nessa tradição mantiveram-se dominantes até a década de 1980, quando surgiram novas críticas à interpretação clássica.

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A interpretação revisionista

Os nomes associados a essa nova interpretação revisionista incluem Nick Harley, Jeffrey Williamson, Charles Feinstein e, em especial, Nicholas Crafts. Em sucessivos trabalhos a partir do início dos anos 1980, Crafts reavaliou as estimativas mais aceitas de índices macroeconômicos da Inglaterra nos séculos XVIII e XIX - de Phyllis Deane e W. Cole (1962).

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A interpretação revisionista

Crafts elaborou novos indicadores macro, a partir de amostra de ramos industriais e reestimativas da distribuição do valor adicionado entre setores, crescimento do produto industrial, ocupações, renda e índices de preços. Os resultados de Crafts: crescimento econômico britânico na época da RI teria sido lento, limitado a algumas poucas indústrias dinâmicas (sobretudo têxtil de algodão e ferro) e caracterizado por baixo crescimento da produtividade.

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Deane & Cole x Crafts

Estimativas de Deane & Cole x Crafts:

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Deane & Cole x Crafts

Apesar de aparentemente pequenas, as diferenças entre as estimativas são substanciais. Regra prática: a taxa anual composta de crescimento r de uma série, multiplicada pelo tempo necessário n para que essa série dobre é aproximadamente igual a 70. Ou seja, r . n = 70. Se r é conhecido, então é possível obter n por meio de n = 70/r.

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Deane & Cole x Crafts

Por exemplo, com as taxas de Deane & Cole para 1780-1801, seriam necessários 65 anos (n = 70/1.08) para que o produto per capita da GrãBretanha dobrasse de tamanho. Já pelas estimativas de Crafts, seriam necessários 200 anos (n = 70/0.35) para que o produto per capita britânico dobrasse.

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Críticas ao revisionismo de Crafts

Surgiram dois tipos de críticas à revisão de Crafts e outros:

i) o primeiro tem sido o de reexaminar técnicas e estimativas adotadas, reformular dados originais ou adicionar novas fontes, com objetivo de elaborar novos indicadores; ii) o segundo questiona ou rejeita a possibilidade de abordagem macroeconômica captar o conjunto de mudanças da Revolução Industrial.

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Críticas ao revisionismo de Crafts

Maxine Berg e Pat Hudson (1992) argumentam que problemas com precariedade dos dados compremeteriam irremediavelmente a abordagem macroeconômica como método de análise. Além disso, a existência de aspectos qualitativos e não-mensuráveis fundamentais seria mais um motivo para rejeitar a interpretação gradualista, baseada em dados macroeconômicos. P.ex.: mudança tecnológica x aumento de produtividade.

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Críticas ao revisionismo de Crafts

Efeitos dos erros de classificação das ocupações: a) afeta os cálculos da distribuição setorial (agricultura, manufatura e serviços) da PEA que são utilizados para estimar a estrutura da economia; As margens de erro das estimativas de distribuição setorial da população sob bases tão precárias seriam extremamente significativas – entre - 40% e + 60%.

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