SALTO PARA O FUTURO

Construindo a Escola Cidadã
Projeto político-pedagógico

Brasília, 1998

Presidente da República Federativa do Brasil Fernando Henrique Cardoso Ministro da Educação e do Desporto Paulo Renato Souza Secretário de Educação a Distância Pedro Paulo Poppovic

SERIE DE ESTUDOS / EDUCAÇÃO A DISTANCIA
SALTO PARA O FUTURO / CONSTRUINDO A ESCOLA CIDADÃ PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO

Associação de Comunicação Educativa Roquette-Pinto - Acerp Diretor-Presidente Mauro Garcia Gerente de Educação Yonne Polli Secretaria de Educação a Distância / MEC Coordenação editorial Cícero Silva Júnior

Ministério da Educação e do Desporto

SERIE DE ESTUDOS EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA SALTO PARA O FUTURO Construindo a Escola Cidadã Projeto político-pedagógico MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E DO DESPORTO SECRETARIA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA .

. v. 1998.43 MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E DO DESPORTO SECRETARIA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Esplanada dos Ministérios. Sala 314 Caixa Postal 9 6 5 9 . volumes 1 e 2 .5) 1. Ensino a distância.(Série de Estudos. 1997 • TV e Informática na Educação Educação do olhar.Perspectivas da educação a distância. projeto político-pedagógico/ Secretaria de Educação a Distância. Brasil. ISSN 1516-2079.1178 / e-mail: seed@seed.018. Seminário de Brasília. Bloco L.gov. II. CDU 37. Brasília: Ministério da Educação e do Desporto.Acerp.MEC Direitos cedidos para esta edição pela Associação de Comunicação Educativa Roquette-Pinto . Educação a Distância.mec. I. SEED. Secretaria de Educação a Distância.br Outros títulos da Série de Estudos /Educação a Distância publicados pela Secretaria de Educação a Distância / MEC: TV da Escola • América Latina . Anexo 1. Ministério da Educação e do Desporto.C E P 70001-970-Brasília. Série. 1998 Edição ESTAÇÃO DAS MÍDIAS Edição de texto: Luci Ayala Edição de arte: Rabiscos Ilustração da capa: Sandra Kaffka Revisão: Márcio Guimarães de Araújo Impressão: Coronário Editora Gráfica Tiragem: 110 mil exemplares ISSN 1516-2079 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Salto para o Futuro: Construindo a escola cidadã. DF fax: (061) 321.Copyright © Ministério da Educação e do Desporto . 96 p.

contribuir para a discussão acerca da construção democrática do projeto pedagógico da escola. a lei quis dar realce ao papel da escola e dos educadores na construção de projetos educacionais articulados com as políticas nacionais. cada proposta ou projeto pedagógico retrata a identidade da escola. no programa Salto para o Futuro.Seed veiculou pela TV Escola. Nos artigos 13 e 14. realizada pela Associação de Comunicação Educativa Roquette-Pinto . a Secretaria de Educação a Distância . a LDB diz que a elaboração da proposta pedagógica contará com a participação dos profissionais da Educação. É um amplo trabalho de construção. E espera. nº 9.A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Em outras palavras. ao mesmo tempo. que exige competência técnico-pedagógica e clareza quanto ao compromisso ético-profissional de educar o cidadão deste novo tempo. promulgada em 20 de dezembro de 1996. a Seed publica aqui uma versão resumida dos textos originalmente utilizados como literatura de apoio à série. de levar em consideração a realidade específica de cada instituição de ensino. Atenta ao cenário educacional. prevê que os estabelecimentos de ensino .Acerp.394. Considerando o sucesso da iniciativa e a atualidade do tema. com isso. que deverão ainda definir e cumprir plano de trabalho para concretizá-la. as diretrizes dos Estados e municípios e capazes. o projeto pedagógico é a própria escola cidadã. Pedro Paulo Poppovic Secretário de Educação a Distância . Com tais dispositivos. com a parceria do Instituto Paulo Freire.terão a incumbência de elaborar e executar sua proposta pedagógica (artigo 12). Assim.respeitadas as normas comuns e as de seu sistema de ensino . a série Construindo a escola cidadã: projeto políticopedagógico.

. MUITAS CULTURAS 79 BIBLIOGRAFIA COMENTADA 87 .SUMÁRIO PROPOSTA PEDAGÓGICA 09 PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO DA ESCOLA CIDADÃ 15 ESCOLA CIDADÃ: A HORA DA SOCIEDADE 23 CARTA ESCOLAR: INSTRUMENTO DE PLANEJAMENTO COLETIVO 31 CONSELHOS DE ESCOLA: COLETIVOS INSTITUINTES DA ESCOLA CIDADÃ . 43 PLANEJAMENTO SOCIALIZADO ASCENDENTE DA ESCOLA 53 DIRETORES ESCOLARES E GESTÃO DEMOCRÁTICA DA ESCOLA 67 ESCOLA CIDADÃ: UMA ESCOLA..

E uma das maneiras de fazer funcionar a escola e de organizá-la com vistas à melhoria da qualidade do ensino é justamente a elaboração democrática e coletiva de seu projeto político-pedagógico. pode levar . futuras e futuros docentes. Isso contribui para a democratização das relações de poder no âmbito escolar e. Objetiva-se também incentivá-los ao exercício de uma ação pedagógica condizente com as necessidades e exigências educacionais colocadas por seus contextos específicos. mas principalmente estimulá-los para a pesquisa e a reflexão interativa sobre suas práticas e as práticas de outros. Justificativa Para que a escola possa construir o seu projeto políticopedagógico. E justamente a partir de estudos e pesquisas desenvolvidos em torno dessa temática que o Instituto Paulo Freire pretende contribuir para o aperfeiçoamento dos docentes da educação básica e dos alunos dos cursos de formação de professores. de seus docentes. ela tem condições de compreender melhor o funcionamento da escola e de se organizar para assegurar que os interesses da maioria sejam atendidos. por conseguinte.PROPOSTA PEDAGÓGICA Quando a comunidade escolar . em especial. é condição essencial. a quem se destina este projeto . e que o tempo e a história que construímos nos impõem diariamente. Objetiva-se levar até eles não só o resultado de experiências acumuladas por Estados e municípios brasileiros. a participação de todos e.tem acesso às informações e lhe é garantido o direito de participar das decisões.na qual se incluem professoras e professores.

nesse sentido. Ela pode incorporar milhões de brasileiros à cidadania e para isso deve aprofundar a participação da sociedade civil organizada nas instâncias de poder institucional. que não podem ficar fora da agenda dos atuais e futuros professores: eleição de diretores. à luz.os usuários à intervenção no próprio sistema de ensino. deu um salto para o Primeiro Mundo graças a investimentos massivos na Educação. possam construir conhecimentos. das concepções construtivista-interacionista e histórico-social. em algumas décadas. na formação consistente dos futuros profissionais da Educação. A organização do Conselho de Escola ou Colegiado Escolar torna-se. Assim. Além dos aspectos já mencionados. para que. em novas metodologias de ensino e na formação daqueles que são e serão os educadores das atuais e futuras gerações. não apenas o diretor de escola ou os órgãos superiores da Educação estarão definindo o que é prioritário para a unidade escolar. consideramos que a escola deve formar para a cidadania ativa e para o desenvolvimento. outros bastante polêmicos. da organização do trabalho na escola e da gestão democrática da escola pública. Será preciso preparar os jovens para o trabalho. Sem apostarmos em novos processos educativos. A educação é condição sine qua non para o desenvolvimento autosustentado do País. que. O Instituto Paulo Freire vem desenvolvendo estudos e pesquisas . fator imprescindível: o espaço em que os diferentes segmentos escolares decidirão sobre a organização do trabalho na escola. especialmente. fazem parte da série de temas ligados à questão do projeto político-pedagógico da escola. realizar pesquisas e desenvolver suas práticas pedagógicas a partir de um diálogo sempre aberto às novas metodologias e concepções educacionais. a curto e médio prazos. Hoje é necessário investirmos na formação continuada de professores e. não teremos condições de reverter o processo de deterioração do ensino básico. A educação básica de qualidade para todos é uma das condições fundamentais para acabar com a miséria. autonomia da escola e participação da comunidade na gestão escolar. por exemplo. como ficou demonstrado por países como a Coréia do Sul. Com base em tais perspectivas educacionais e de acordo com o Projeto da Escola Cidadã do Instituto Paulo Freire. Todos os segmentos escolares adquirem papel fundamental no processo decisório. Nossas desigualdades sociais não serão superadas apenas com uma melhor distribuição de renda e com a solidariedade das classes médias.

)..).. de motivações. inserida no mundo da vida. determina que "os estabelecimentos de ensino. de acordo com as suas peculiaridades". Lembramos.. um processo que se constrói constantemente e se orienta com intencionalidade explícita. que a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei n° 9. porque é prática educativa.. • lisura nos processos de definição da gestão democrática e do projeto político-pedagógico da escola. o Instituto Paulo Freire oferece sua contribuição e busca opções para superar o desafio colocado. terão a incumbência. e prestar contas e divulgar informações referentes ao uso de recursos e à qualidade dos serviços prestados".. articular-se com as famílias e a comunidade. sancionada no dia 20 de dezembro de 1996. Objetivos Este projeto surge como um instrumento de construção e de reconstrução permanentes de um projeto de sociedade que . Considera que o projeto político-pedagógico da escola é uma tarefa dela mesma. de formação de convicções.. prevendo a participação dos profissionais da Educação na elaboração do projeto pedagógico da escola e das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes.). de significações. respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino. entre outras.nessa direção. constituir conselhos escolares com representação da comunidade (. de valores e de desejos. Dentre os parâmetros aos quais nos referimos. analisando experiências acumuladas nos diversos municípios e Estados brasileiros. de elaborar e executar sua proposta pedagógica (. • agilização das informações e transparência nas negociações no âmbito da escola e fora dela. A lei da Educação também estabelece que os sistemas de ensino "definirão as normas da gestão democrática do ensino público na educação básica. estão: • capacitação de todos os segmentos escolares. a partir das quais definimos alguns parâmetros para a elaboração do Projeto Político-Pedagógico da Escola e para a Gestão Democrática da Escola Pública. • consulta permanente à comunidade escolar. criando processos de integração da sociedade com a escola (. A partir desses parâmetros. de afetos. • institucionalização da gestão democrática. oportunamente.394/96). Construílo significa ver e assumir a educação como processo de ensinoaprendizagem.

Nesse sentido. Participação e conquista. Ângelo. FONSECA. ser possível a utopia educacional. adaptando-a às exigências da elaboração do projeto político. "planejamento socializado ascendente".acredita. 5. Ângela Antunes. enfatizando a importância da gestão democrática e da organização do trabalho na escola. Organização. Vozes. Pedro. Petrópolis. 3.) CISESKI. 1988. Francisco João. esclarecimentos e troca de experiências dos atuais e dos futuros docentes sobre conselhos de escola.. ed. • estudar a metodologia de diagnóstico educacional e escolar denominada Carta Escolar.. IPF. os objetivos gerais do presente projeto são: • desencadear um movimento para que as escolas construam ou avaliem os seus projetos político-pedagógicos. 1996. João Pedro da. 2. Edições ASA. 1995. nos termos freireanos. • estudar e analisar a situação atual da educação brasileira a partir da aprovação da nova LDB. Planejamento participativo na escola. Cortez. • realizar estudos. • desenvolver estudos integrados para conhecer e analisar os indicadores educacionais com vistas à construção coletiva e democrática do projeto político pedagógico da escola. São Paulo. • identificar os princípios de implementação da gestão escolar democrática. ed. • possibilitar o intercâmbio entre educadores e instituições escolares das diversas regiões do País para a construção de uma escola democrática e de qualidade técnico-política. São Paulo. Portugal. DEMO. . n. NASCIMENTO. Como organizar o Conselho de Escola. BIBLIOGRAFIA ALVES. • identificar o papel dos professores na definição das propostas e das estratégias de intervenção adequadas ao diagnóstico escolar e à elaboração do projeto político-pedagógico da escola. DALMÁS. José Matias. gestão e projecto educativo das escolas. Porto. escolha democrática de dirigentes escolares.pedagógico da escola. 1995 (Colecção Cadernos Pedagógicos. • identificar e analisar terminologias e conceitos específicos que são empregados em relação ao projeto político-pedagógico da escola. no que se refere à construção do projeto pedagógico da escola e à valorização dos profissionais da Educação.

Benno. jan/jun. 1992.. v. 1995. n°. 1996. Cortez. Feusp. Eleição de diretores: a escola pública experimenta a democracia. Maximiliano & SANTANNA. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática pedagógica. São Paulo. 9). Celso dos Santos. ROMÃO. Jair Militão da. Paulo Roberto. São Paulo. 2. José Eustáquio. Moacir. 1994. SANDER. Ilza Martins. Petrópolis. VALE. 2. 1996. Campinas. In: Revista da Faculdade de Educação. Paz e Terra. Portugal. Escola cidadã. 1995 (Cadernos Pedagógicos do Libertad. As escolas e as autonomias. Paulo. Petrópolis. Ana Maria do. Florianópolis. Planejamento educacional e organização do trabalho na escola: concepções do Plano Decenal de Educação para Todos. 21. Jair Militão da. PARO. v. 1991. Projeto da escola cidadã: a hora da sociedade.elementos para elaboração e realização.Área . Democracia e Educação: a alternativa da participação popular na administração escolar. São Paulo. Planejamento: plano de ensino-aprendizagem e projeto educativo . Campinas. Cortez. & GADOTTI. VASCONCELLOS. Mário Osório et ai. IPF. 1989 (Tese de Doutorado). 1992. n° 1. O projeto pedagógico da escola. 1). Cultura midiática no espaço escolar. GADOTTI. . Gestão da Educação na América Latina: construção e reconstrução do conhecimento. Libertad. ed. 79-112. FREIRE.Aula. 1993 (Coleção Questões da Nossa Época: v. 1996. Brasília. ed. MENEGOLLA. São Paulo. Moacir. Manuel Jacinto. SANTOS. Educação popular na escola pública. Edições ASA. PADILHA. Vítor Henrique. pp. Poder local e Educação. Planejamento educacional participativo. MEC-SEF. São Paulo. 24). Papirus. SILVA. São Paulo. 1994. 52 p. Vozes. 1995 (Coleção Educação Contemporânea). UFSC. MARQUES. 1996 (Colecção Cadernos Pedagógicos.. Porto. Por que planejar? Como planejar? Currículo . São Paulo. Feusp. Editora Autores Associados. 1996. SCHAEFER Maria Isabel Orofino. Cortez. São Paulo.SILVA.

Nessa sociedade cresce a reivindicação pela participação. Muito menos à questão do seu projeto. A crise de paradigmas também atinge a escola e ela se pergunta sobre si mesma. A multiculturalidade é a marca mais significativa do nosso tempo.Mas há que tentar o diálogo quando a solidão é vício Carlos Drummond de Andrade Foi bonita a festa. específico de cada escola. autonomia e contra toda forma de uniformização. Essa preocupação tem-se traduzido sobretudo pela reivindicação de um projeto político-pedagógico próprio. pá mas certamente esqueceram uma semente nalgum canto de jardim. cidadania e participação. caracterizada pela globalização da economia. mas não responde a todas as questões atuais da escola.USP e diretor do Instituto Paulo Freire . das comunicações. Já murcharam tua festa. a questão da escola limitava-se a uma escolha entre ser tradicional e ser moderna. É um dos temas mais originais e marcantes do debate educacional brasileiro de hoje. renitente um velho cravo para mim. de cada língua etc. cresce também o desejo de afirmação da singularidade de cada região. Essa tipologia não desapareceu. pá fiquei contente E ainda guardo. sobre seu papel como instituição numa sociedade pós-moderna e pós-industrial. (Tanto mar) Chico Buarque PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO DA ESCOLA CIDADÃ Moacir Gadotti Até muito recentemente. pela emergência do poder local. Neste texto. Nunca nossas escolas discutiram tanto autonomia. gostaríamos de tratar Moacir Gadotti é professor da Universidade de São Paulo . da educação e da cultura. pelo pluralismo político.

Diante disso. a direção é escolhida a partir do reconhecimento da competência e da liderança de alguém capaz de executar um projeto coletivo. pois. todo projeto pedagógico da escola é também político. que é a sua história. . nesse caso. instituir outra coisa. metas e procedimentos não sejam necessários. Um projeto político-pedagógico não nega o instituído da escola. A arrogância do dono da verdade dá lugar à criatividade e ao diálogo. Assim realizada. escolhe primeiro um projeto e depois a pessoa que possa executá-lo. Não existem duas escolas iguais. mas não é todo o seu projeto. bem como as dificuldades.como conjunto de objetivos.deste assunto. o que se está elegendo é um projeto para a escola. Isso não significa que objetivos. De quem é a responsabilidade da constituição do projeto da escola? O projeto da escola não é responsabilidade apenas de sua direção. Tornar-se instituinte. Na escolha do diretor ou da diretora percebe-se já o quanto o seu projeto é político. Eles são insuficientes. Um projeto necessita sempre rever o instituído para. Portanto. assim. O projeto pedagógico da escola é. a partir dele. no cumprimento mais eficaz do instituído. da "qualidade total". metas e procedimentos .faz parte do seu projeto. Certamente o plano diretor da escola . Por isso. em particular. um norte. ao se eleger um diretor de escola. sublinhando a sua importância e seu significado. Ao contrário. Cada escola é resultado de um processo de desenvolvimento de suas próprias contradições. como defende o discurso em torno da "qualidade". a eleição de um diretor. de uma diretora. sempre um processo inconcluso. um rumo. o projeto pedagógico da escola está hoje inserido num cenário marcado pela diversidade. A escola. Como vimos. o plano fica no campo do instituído. o conjunto de seus atores internos e externos e seu modo de vida. Não se constrói um projeto sem uma direção política. uma etapa em direção a uma finalidade que permanece como horizonte da escola. em geral. o conjunto dos seus currículos e dos seus métodos. numa gestão democrática. desaparece aquela arrogante pretensão de saber de antemão quais serão os resultados do projeto para todas as escolas de um sistema educacional. Um projeto sempre confronta esse instituído com o instituinte. A pluralidade de projetos pedagógicos faz parte da história da Educação da nossa época. Freqüentemente se confunde projeto com plano. obstáculos e elementos facilitadores para a elaboração do projeto político-pedagógico. se dá a partir da escolha de um projeto político-pedagógico para a escola. ou melhor.

ela deve dar o exemplo. em conseqüência. uma mudança de mentalidade de todos os membros da comunidade escolar. portanto. Nisso. isto é. A autonomia e a gestão democrática da escola fazem parte da própria natureza do ato pedagógico. pais. Propiciará um contato permanente entre professores e alunos. uma escola sem autonomia . portanto. E para ele se tornar sujeito da sua aprendizagem precisa participar das decisões que dizem respeito ao projeto da escola. e não apenas seus fiscalizadores ou meros receptores dos serviços educacionais. um conhecimento mútuo e. em primeiro lugar. A autonomia e a participação . para isso. Passamos muito tempo na escola para sermos meros clientes dela. professores e funcionários assumem sua parte de responsabilidade pelo projeto da escola. Ela exige. Sua presença precisa ser sentida no . A participação na gestão da escola proporcionará um melhor conhecimento do funcionamento da escola e de todos os seus atores. e não uma conquista da comunidade. A gestão democrática da escola é um passo importante no aprendizado da democracia. A escola não tem um fim em si mesma. O aluno aprende apenas quando se torna sujeito da sua aprendizagem. A gestão democrática da escola implica que a comunidade. • a gestão democrática pode melhorar o que é específico da escola. Não se entende. Não há educação e aprendizagem sem sujeito da educação e da aprendizagem. o seu ensino. uma exigência de seu projeto político-pedagógico. sejam seus dirigentes e gestores. Na gestão democrática.Por isso.autonomia para estabelecer o seu projeto e autonomia para executá-lo e avaliá-lo. os usuários da escola.pressupostos do projeto políticopedagógico da escola . aproximará também as necessidades dos alunos dos conteúdos ensinados pelos professores. a gestão democrática da escola está prestando um serviço também à comunidade que a mantém. A gestão democrática da escola é. A participação pertence à própria natureza do ato pedagógico. alunos. que faz parte também do projeto de sua vida. Ela está a serviço da comunidade. Há pelo menos duas razões que justificam a implantação de um processo de gestão democrática na escola pública: • a escola deve formar para a cidadania e.não se limitam à mera declaração de princípios consignados em algum documento. não deve existir um padrão único que oriente a escolha do projeto de nossas escolas. Mudança que implica deixar de lado o velho preconceito de que a escola pública é apenas um aparelho burocrático do Estado.

• a mentalidade que atribui aos técnicos e apenas a eles a capacidade de planejar e governar e que considera o povo incapaz de exercer o governo ou de participar de um planejamento coletivo em todas as suas fases. o projeto pedagógico da escola pode ser considerado como um momento importante de renovação da . Existem. na circulação das informações. na organização de eventos culturais. portanto. no planejamento do ensino. • na autonomia. certamente. Um projeto político-pedagógico constrói-se de forma interdisciplinar. no estabelecimento do calendário escolar. na capacitação dos recursos humanos etc. • na participação e na cooperação das várias esferas de governo. A gestão democrática é. esportivas e recreativas. um projeto político-pedagógico da escola apóia-se: • no desenvolvimento de uma consciência crítica. na divisão do trabalho. na formação de grupos de trabalho. Enfim. Pelo que foi dito até agora. na distribuição das aulas. partindo da cara que tem. O projeto da escola depende da ousadia de seus agentes e de cada escola em se assumir como tal. atitude e método. isto é. • o autoritarismo que impregnou nossa prática educacional. A atitude democrática é necessária. podemos citar: • nossa pouca experiência democrática. seu cotidiano e seu tempo-espaço. Não basta trocar de teoria como se ela pudesse salvar a escola. de efetivo exercício da democracia. atividades cívicas. A escola que precisa ser salva não merece ser salva. responsabilidade e criatividade como processo e como produto do projeto. • a própria estrutura vertical de nosso sistema educacional. no processo de elaboração ou de criação de novos cursos ou de novas disciplinas. • o tipo de liderança que tradicionalmente domina nossa atividade política no campo educacional. algumas limitações e obstáculos à instauração de um processo democrático como parte do projeto político-pedagógico da escola. mas não é suficiente. demanda tempo. Precisamos de métodos democráticos. • no envolvimento das pessoas: a comunidade interna e externa à escola.conselho de escola ou colegiado e também na escolha do livro didático. A gestão democrática deve estar impregnada por uma certa atmosfera que se respira na escola. o contexto histórico em que ela se insere. Entre eles. atenção e trabalho. A democracia também é um aprendizado. Não basta apenas assistir a reuniões.

• o momento da institucionalização e implementação do projeto. antever um faturo diferente do presente. A co-responsabilidade é um fator decisivo no êxito de um projeto. por isso. Há um tempo para sedimentar idéias. o período no qual o projeto é elaborado. Um projeto precisa ser discutido e isso leva tempo. pleno conhecimento de todos . Projetar significa "lançar-se para a frente". ambiente favorável: não se deve desprezar um certo componente mágico-simbólico para o êxito de um . sobre o que se quer inovar. • tempo institucional: cada escola encontra-se num determinado tempo de sua história.principalmente dos dirigentes . • atmosfera. Projetar significa tentar quebrar um estado confortável para arriscarse. • tempo para amadurecer as idéias: só os projetos burocráticos são impostos e. Um projeto educativo pode ser tomado como promessa ante determinadas rupturas. podemos destacar: • comunicação eficiente: um projeto deve ser factível e seu enunciado facilmente compreendido. • tempo escolar: o calendário da escola. explícito. revelam-se ineficientes a médio prazo. que significa: vontade política.escola. atravessar um período de instabilidade e buscar uma nova estabilidade em função da promessa que cada projeto contém de estado melhor do que o do presente. O projeto que pode ser inovador para uma escola pode não ser para outra. Nesse processo podem-se distinguir dois momentos: • o momento da concepção do projeto. Todo projeto supõe rupturas com o presente e promessas para o futuro. A noção de projeto implica sobretudo tempo: • tempo político: define a oportunidade política de um determinado projeto. As promessas tornam visíveis os campos de ação possíveis. • adesão voluntária e consciente ao projeto: todos precisam estar envolvidos. Projeto pressupõe uma ação intencionada com um sentido definido. • suporte institucional e financeiro. Como elementos facilitadores do êxito de um projeto.e recursos financeiros claramente definidos. acompanhamento e avaliação do projeto: um projeto que não pressupõe constante avaliação não consegue saber se seus objetivos estão sendo atingidos. é também decisivo para seu sucesso. • controle. comprometendo seus atores e autores.

salário justo. O que é educar para a cidadania? A resposta a essa pergunta depende da resposta à outra pergunta: "o que é cidadania?" Pode-se dizer que cidadania é essencialmente consciência de direitos e deveres no exercício da democracia. A implantação de um novo projeto político-pedagógico enfrentará sempre a descrença generalizada dos que pensam que de nada adianta projetar uma boa escola enquanto não houver vontade política dos "de cima". • direitos políticos. no entanto. de voto. Deve ser um processo de recuperação da importância e da necessidade do planejamento na Educação. Em 1789. • credibilidade: as idéias podem ser boas. Existe hoje uma concepção consumista de cidadania (não ser enganado na compra de um bem de consumo) e uma concepção oposta. é um conceito ambíguo. diversas concepções de cidadania: a liberal. a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão estabelecia as primeiras normas para assegurar a liberdade individual e a propriedade. Um projeto político-pedagógico da escola deve constituir-se num verdadeiro processo de conscientização e de formação cívica. uma certa mística que cimente a todos os que se envolvem no design de um projeto. se os que as defendem não têm prestígio. • referencial teórico que facilite encontrar os principais conceitos e a estrutura do projeto. habitação etc. Não há cidadania sem democracia. O conceito de cidadania. Tudo isso exige certamente uma educação para a cidadania. que é uma concepção plena de cidadania. mas. A falta desses elementos dificulta a elaboração e a implantação de um projeto novo para a escola. como liberdade de expressão. de participação em partidos políticos e sindicatos etc. Contudo. Existem. o projeto pode ficar limitado. como segurança e locomoção. educação. como trabalho. • direitos sociais.projeto. o pensamento e a prática dos "de cima" não se modificarão enquanto não existir pressão dos "de baixo". que consiste na mobilização da sociedade para a conquista dos direitos anteriormente . a neoliberal. A democracia fundamenta-se em três direitos: • direitos civis. saúde. comprovada competência e legitimidade. contudo. a progressista ou socialista democrática (o socialismo autoritário e burocrático não admite a democracia como valor universal e despreza a cidadania como valor progressista).

além da interação e da reciprocidade existentes entre as ciências. nas últimas duas décadas. Movimentos semelhantes já ocorreram em outros países. ambas dependentes do Estado paternalista. a democratização das relações de poder dentro da escola. Aprendemos também nos fins de semana. . tão desejada. escola e comunidade (educação multicultural e comunitária). apresentei um decálogo no livro Escola cidadã. baseado nessa crença. e ainda tão longínqua em razão do arraigado individualismo tanto das nossas elites quanto das fortes corporações emergentes. Concretamente. indo. A interdisciplinaridade refere-se à estreita relação que as disciplinas mantêm entre si.mencionados. cujos princípios venho defendendo. Para finalizar. como diz Emilia Ferreiro. posso tirar algumas lições que me levam a acreditar nessa concepção/realização da educação. Cidadania e autonomia são hoje duas categorias estratégicas de construção de uma sociedade melhor em torno das quais há freqüentemente consenso. De minha experiência vivida nesses últimos anos. o enfrentamento da questão da repetência e da avaliação. Ela vem surgindo em numerosos municípios e já se mostra nas preocupações dos dirigentes educacionais em diversos Estados brasileiros. ao lado de Paulo Freire. dessa experiência vivida pude tirar algumas lições. Para mim. Essas categorias se constituem na base da nossa identidade nacional. gostaria de mencionar pelo menos quatro: • a escola não é o único local de aquisição do saber elaborado. que surgiram nos Estados Unidos nos anos 50. foram a origem do importante movimento pelos direitos civis no País. E é justamente nesse contexto histórico que vêm se desenhando o projeto e a realização prática da escola cidadã em diversas partes do país. portanto. O movimento atual da chamada escola cidadã está inserido nesse novo contexto histórico de busca de identidade nacional. a escola cidadã surge como uma realização concreta dos ideais da escola pública popular. A cidadania implica instituições e regras justas. de 1992. como uma alternativa nova e emergente. que devem ser garantidos pelo Estado. Por isso. Do movimento histórico-cultural a que nos referimos estão surgindo alguns eixos norteadores da escola cidadã: a integração entre educação e cultura. As Citizenship Schools. tentando entender esse movimento. a transdisciplinaridade refere-se à superação das fronteiras existentes entre as disciplinas. a visão interdisciplinar e transdisciplinar e a formação permanente dos educadores. colocando dentro das escolas americanas a educação para a cidadania e o respeito aos direitos sociais e humanos.

Cada escola é fruto de suas próprias contradições.não se interessarem por ela. Não é preciso mais esperar para mudar. Hoje. exigência premente e concreta de uma mudança estrutural provocada pela inevitável globalização da economia e das comunicações. Questões para debate • Que mudanças caracterizam a sociedade pós-moderna e pósindustrial? • Como essas mudanças se refletem na educação e na escola? • Como a escola pode formar para a cidadania? • Quais são os obstáculos e os elementos facilitadores para a implantação do projeto político-pedagógico da escola cidadã? . mas por uma transformação radical. até para a aquisição do saber elaborado. Por isso. no dia-a-dia. Por isso. E o caminho que pode ser válido numa determinada conjuntura. num determinado local ou contexto. não devemos renunciar ao nosso sonho da "grande" mudança. Estou convencido. podemos operar a grande mudança. a qual poderá acontecer como resultado de um esforço contínuo. que a educação deve passar não apenas por uma melhoria da qualidade do ensino que está aí. A educação para todos supõe todos pela educação. com pequenas mudanças numa certa direção. Estado e sociedade civil . Existem muitos caminhos. • a educação não será acessível a todos enquanto todos trabalhadores e não-trabalhadores em Educação. pela revolução da informática a ela associada e pelos novos valores que estão refundando as instituições e a convivência social na emergente sociedade pós-moderna. é preciso incentivar a experimentação pedagógica e. minha certeza é outra: penso que. as pequenas mudanças deveriam ser evitadas e todo o investimento deveria ser feito numa mudança radical e ampla. no meu entender. solidário e paciente. • houve uma época em que eu pensava que as pequenas mudanças impediam a realização de uma grande mudança. acima de tudo. sobretudo. Mesmo assim. mudando passo a passo. E o mais importante: isso pode ser feito já. ter uma mentalidade aberta ao novo e não atirar pedras no caminho de ninguém que queira inovar em educação. pode não o ser em outra conjuntura ou contexto.• não existe um único modelo capaz de tornar exitosa a ação educativa da escola.

MG .USP e diretor do Instituto Paulo Freire José Eustáquio Romão é diretor do Instituto Paulo Freire e secretário de Governo do município de Juiz de Fora. toda escola pode ser cidadã enquanto realizar uma certa concepção de educação orientada para: • a formação para a cidadania ativa: acreditamos que a escola pode incorporar milhões de brasileiros à cidadania e deve aprofundar a participação da sociedade civil organizada nas instâncias de poder institucional.. Isso exige uma reorientação dos investimentos públicos em educação Moacir Gadotti é professor da Universidade de São Paulo . Mário Quintana Quero a utopia. O que mata um jardim [é esse olhar vazio De quem por ele passa indiferente. (Coração civil) Milton Nascimento ESCOLA CIDADÃ: A HORA DA SOCIEDADE Moacir Gadotti José Eustáquio Romão Em princípio. A educação básica é o bem muito precioso e de maior valor para o desenvolvimento.. Nosso appartheid social não será superado apenas com uma melhor distribuição de renda e com a solidariedade das classes médias. • a educação para o desenvolvimento: entendemos que a educação é condição sine qua non para o desenvolvimento auto-sustentado do País. mais do que as suas riquezas naturais. Será preciso preparar os jovens para o trabalho. Só a educação básica de qualidade para todos pode acabar com a miséria.O que mata um jardim não [é o abandono. quero tudo e mais Quero a felicidade dos olhos de um pai Quero a alegria muita gente feliz Quero que a justiça reine em meu país Quero a liberdade. quero o vinho e o pão Quero a amizade. quero amor prazer Quero nossa cidade sempre ensolarada Os meninos e o povo no poder.

que conseguiu expandir as oportunidades educacionais.) é muito menos um dado a constatar do que uma conquista a realizar" (Escola. da ruptura com esquemas centralizadores e. Investir mais em educação hoje no Brasil. mas sem oferecer qualidade e eficiência.. a Constituição de 1988 estabelece como princípios básicos o "pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas" e a "gestão democrática do ensino público" (Art.e uma compreensão nova do público e do estatal. por uma forte intervenção do Estado. A autonomia é "real". A escola precisa preparar o indivíduo para a autonomia pessoal. Snyders insiste que essa "autonomia relativa" tem de ser mantida pela luta e "só pode tornar-se realidade se participar no conjunto das lutas das classes exploradas" (idem). Estamos vivendo hoje um momento diferente. Passou. o seu conceito encontra-se na obra de diversos clássicos da educação. classe e luta de classes. que institui a "democracia participativa" e cria instrumentos que possibilitam ao povo exercer o poder "diretamente" (Art. 1°). diz Georges Snyders.sem comprometer os outros níveis de ensino . recentemente. John Locke concebe-a como "autogoverno" (selfgovernment). . Por isso. 206). Os educadores soviéticos Makarenko e Pistrak a entendiam como "autoorganização dos alunos". 1977). No Brasil. em seguida. O educador inglês Alexander S. mas também para a inserção na comunidade e para a emancipação social..básica . a autonomia sempre foi associada aos temas da liberdade individual e social. Pode-se dizer que a autonomia faz parte da própria natureza da educação. Esses princípios podem ser considerados como fundamentos constitucionais da autonomia da escola. que ofereceu uma escola de qualidade. no sentido moral de "autodomínio individual". sem rever o modelo de gestão da escola pública. um momento de busca de síntese entre qualidade e quantidade. o tema da autonomia da escola encontra suporte na própria Constituição promulgada em 1988. É a vez da sociedade. Neill organizou uma escola (Summerhill) controlada autônomamente pelos alunos. "mas a conquistar incessantemente (. No que se refere à educação. não é suficiente para reverter o processo de deterioração do ensino básico. Na história das idéias pedagógicas. mas para poucos. Adolph Ferriere e Jean Piaget entendiam que ela exercia um papel importante no processo de "socialização" gradual das crianças. da transformação social. O Brasil passou por um primeiro momento em que a educação estava entregue unicamente nas mãos da iniciativa confessional e privada.

Para ele. Nas teorias da educação. pois participar significa engajar-se numa atividade já existente com sua própria estrutura e finalidade. pois os dirigentes de uma cooperativa são remunerados pelos próprios trabalhadores. podem confundir-se com muitas coisas. Autogestão também não se confunde com a co-gestão. existem muitas instituições de trabalho cooperativo. Portanto. 1982). ambas estão fundadas na ética. sobrepujando parcialmente o antagonismo entre capital e trabalho. A divisão social do trabalho na escola é agravada pelo fato de ela ser justificada pela "competência". principalmente. pressupõe o fato de que uma das formas fundamentais de exercício da opressão é a divisão social do trabalho entre dirigentes e executantes. Podem significar muitas coisas e. em que o inconsciente é o "discurso do outro". A teoria pedagógica não é nada sem a ética. fora da escola. nos meios intelectuais da esquerda francesa. Há uma visão progressista de autonomia e uma visão conservadora. opõe autonomia à alienação. para compreender melhor a organização do trabalho na escola cidadã. O sentido que aqui nos interessa. Autonomia e autogestão não são conceitos neutros. Por isso. A autogestão visa a transformação. enquanto todos os demais simplesmente executam tarefas cujo sentido lhes escapa quase inteiramente. Autonomia não pode ser confundida com autogestão. em particular o soviético. A alienação se dá quando "um discurso estranho que está em mim me domina. por isso.Cornelius Castoriadis. separando "especialistas" de . "a autonomia seria o domínio do consciente sobre o inconsciente" (A instituição imaginária da sociedade. A palavra "autogestão" aparece no início dos anos 60. insatisfeita com as realizações concretas do socialismo burocrático. filósofo grego contemporâneo. a educação. e não a participação. mantendose a mesma estrutura hierárquica. A cooperativa já é um caso mais próximo da autogestão. fala por mim" (idem). na linguagem política e. pois esta significa direção conjunta de uma instituição. detêm o poder de decisão e o controle. mais ou menos solidário. a autogestão pedagógica sempre foi considerada como alavanca da autogestão social. enquanto processo de conscientização (desalienação). que se reflete diretamente na administração do ensino: uns poucos. Evidentemente. tem tudo a ver com a autonomia. Autogestão não se confunde com participação. Autonomia e autogestão constituem-se em horizonte de construção de relações humanas e sociais civilizadas e justas.

sustentadas freqüentemente por uma concepção centralizadora da educação . Esses elementos estão sustentados por um pressuposto mais amplo: o da maior autonomia das escolas. quando não o impossibilita. Outra objeção que costuma ser feita aos "autonomistas" é a de que autonomia da escola leva à pulverização. à dispersão e à preservação do localismo. Em alguns casos. das habilitações técnico-administrativas do curso de Pedagogia. Muitas delas são fruto de iniciativa de alguns educadores e foram interrompidas quando estes deixaram a escola. podemos destacar nesses projetos e reformas alguns traços comuns: • ampliação da jornada escolar. Todavia. O que chamamos de escola cidadã se constitui no resultado de um processo histórico de renovação na educação. • participação comunitária e gestão democrática. No caso da administração escolar. na medida em que o pluralismo é defendido como valor universal e fundamental para o exercício da cidadania. Cidadão é aquele que participa do governo. mas não tiveram um impacto maior sobre os sistemas de ensino. Os relatos dessas experiências nos dão conta de muitas dificuldades e resistências. são experiências muito polêmicas. O papel pedagógico do professor foi esvaziado. e só pode . pelo regime militar. experiências isoladas de gestão colegiada de escolas sempre existiram. A idéia de autonomia é intrínseca à idéia de democracia e cidadania. Podemos encontrá-los também nas reformas empreendidas hoje por outros países. Esse movimento encontra-se não apenas na educação brasileira. o que dificultaria ações reformistas ou revolucionárias mais profundas e globais.professores. É verdade que é mais fácil lidar com programas unificados de reformas. sobretudo depois da criação. o problema está sendo sanado por meio da eleição para o cargo de diretor. essas objeções . Ele pode ser encontrado.são cada vez mais frágeis. No Brasil. em uma mesma escola. não tiveram continuidade. A heterogeneidade dificulta o controle. • atendimento integral à criança e ao adolescente. Contudo. Existem ainda críticos da autonomia escolar que temem que iniciativas desse tipo levem à privatização e desobriguem o Estado de sua função de oferecer uma escola pública gratuita de qualidade para todos. com maior ou menor intensidade. na história recente das transformações dos sistemas educacionais em diversas partes do mundo. tanto para os alunos quanto para os professores.

A autonomia admite a diferença e. tentativas e confrontos políticos entre teses diferentes e até opostas. mas em constante intercâmbio com a sociedade. Só a igualdade na diferença e a parceria são capazes de criar o novo. Mas eles fracassam quando instituídos como uma medida isolada e burocrática. contra o instituído. supõe a parceria. Eles só são eficazes em um conjunto de medidas políticas. abertura de canais de participação pela administração. A criação dos conselhos de escola representa uma parte desse processo. é uma luta dentro do instituído. Portanto. A participação e a democratização num sistema público de ensino são um meio prático de formação para a cidadania. apropriar-se das informações para poder participar. em um plano estratégico de participação que vise a democratização das decisões. democratização das informações. por isso. A população precisa. A autonomia se refere à criação de novas relações sociais que se opõem às relações autoritárias existentes. Deve-se pensar o sistema de ensino como uma unidade descentralizada.na capacidade de ela resolver seus problemas por si mesma e de autogovernar-se. escola autônoma não significa escola isolada. A ampliação da autonomia da escola não pode opor-se à unidade do sistema. A luta pela autonomia da escola insere-se numa luta maior pela autonomia no seio da própria sociedade. A eficácia dessa luta depende muito da ousadia de cada escola em experimentar o novo. O que a Itália está experimentando é resultado de um longo caminho percorrido. Descentralização e autonomia caminham juntas. é preciso percorrer um longo caminho de construção da (auto)confiança na escola . e não apenas pensá-lo. Esse plano supõe: autonomia dos movimentos sociais e de suas organizações em relação à administração pública. Essa formação se adquire na participação do processo de tomada de decisões. Por isso. Não se pode fazer uma mudança profunda no sistema de ensino sem um projeto social. Mas para que . para instituir outra coisa. transparência administrativa.participar do governo (participar da tomada de decisões) quem tiver poder e tiver liberdade e autonomia para exercê-lo. efetivamente. precisa compreender o funcionamento da administração particularmente do orçamento . O conselho de escola é o órgão mais importante de uma escola autônoma. com muitos encontros. Autonomia é o oposto da uniformização. isto é. base da democratização da gestão escolar. debates. para isso.e as leis que regem a administração pública e limitam a ação transformadora. Mas.

idéia tão cara à teoria da educação popular. mas integrá-la no processo de desenvolvimento humano e social. precisa trabalhar com uma concepção aberta de sistema educacional. unificada -.não se sentem responsáveis. aquele que se torna um "mestiço". no seu livro Filosofia mestiça.para todos. Esta é uma das principais razões da não-participação. a ordem. sem nenhum cuidado prévio. o conflito e a autonomia. predomina o ecletismo. étnica. respeitar a diversidade local. de sistema único e descentralizado. ao mesmo tempo. dinâmica. uma outra cultura. cada vez mais. a adaptação. se constitua numa estratégia explícita da administração. Enfim. apesar da resistência . a multiculturalidade. A escola cidadã é certamente um projeto de criação histórica. o locus fundamental da educação é a escola e a sala de aula. dentro e fora da escola. Certamente. Adquirir uma nova cultura não é negar a cultura primeira. os usuários .e os prestadores dos serviços . trata-se de construir uma escola pública universal . para facilitar a participação é preciso oferecer todas as condições. mas que respeite as diferenças locais e regionais. a hierarquia e uma visão dinâmica que valoriza a contradição. além da sua cultura. como diz o filósofo francês Michel Serres. Num sistema aberto.os conselhos de escola sejam implantados de maneira eficaz é necessário que a participação popular.pais e alunos . Além disso. O grande desafio da escola pública está em garantir um padrão de qualidade (para todos) e. A dialética entre as culturas faz parte da própria natureza da educação. a mudança. Na prática. Como vimos. em locais desconfortáveis ou de dificil acesso etc. A população precisa sentir-se respeitada e ter prazer de exercer os seus direitos e de participar. a descentralização é a tendência atual mais forte dos sistemas de ensino e das últimas reformas.professores e funcionários . Num sistema fechado. Nesse confronto de concepções e práticas. Para uma administração pública construir essa escola. o que temos chamado. Costumase convocar a população para participar em horários inadequados. social e cultural. Existe uma visão sistêmica estreita que procura acentuar os aspectos estáticos .como o consenso. esses dois paradigmas contrários de sistema de ensino não se encontram em "estado puro". Portanto. o confronto entre uma visão funcionalista e estática da educação e uma visão dialética. o sistema tende a uma síntese superadora. o nosso desafio educacional continua sendo educar e ser educado. Mas educado é só aquele que domina.

ela deve tornar-se o pólo irradiador da cultura. de Planejamento Socializado Ascendente . visando à democratização do acesso e da gestão e à construção de uma nova qualidade de ensino. Escola não significa um prédio. mas para construir e elaborar a cultura. como no caso do modelo hierárquico e vertical de poder. um único espaço ou local. seja a cultura geral. iniciativas deslocadas para a administração dos sistemas durante o regime militar. muitas vezes associados na luta contra a inovação educacional. • avaliação permanente do desempenho escolar: a avaliação. no Instituto Paulo Freire. Seu corolário é a comunicação entre as escolas e a população. A escola precisa ser o local privilegiado da inovação e da experimentação político-pedagógica. • comunicação direta com as escolas: se a escola é o locus central da educação. A administração de um sistema único e descentralizado de ensino poderia apoiar-se em quatro grandes princípios: • gestão democrática: um sistema único e descentralizado supõe objetivos e metas educacionais claramente estabelecidos entre escolas e governo.oferecida pelo corporativismo das organizações de educadores e pela burocracia instalada nos aparelhos de Estado. Deve envolver a comunidade interna. Não pode ser um ato formal e executado por técnicos externos à escola apenas. seja a cultura popular. a comunida-de externa e o poder público. por meio do que chamamos. • autonomia da escola: cada escola deveria poder escolher e construir seu próprio projeto político-pedagógico .de forma que as deliberações escolares tivessem influência e peso sobre as políticas públicas educacionais. sem que seja necessário passar por incontáveis instâncias de poder intermediário. Enfim. E a qualidade está . para que tenha um sentido emancipatório. Escola significa projeto em torno do qual poderiam associar-se várias unidades escolares. precisa ser incluída como parte essencial do projeto da escola.por exemplo. não apenas para reproduzi-la ou executar planos elaborados fora dela. Escola e governo elaborariam em parceria as políticas educacionais. superando o temido problema da atomização do sistema de educação. pois existe uma só cultura como obra humana (unidade humana na pluralidade dos homens). a questão essencial da nossa escola hoje refere-se à sua qualidade e a uma nova abordagem da qualidade.

• Em que medida a Constituição Federal de 1988 e a política educacional do seu município ou Estado favorecem ou dificultam a construção da escola cidadã? • Quais são os fundamentos. que são muito mais eficazes na conquista dessa qualidade do que grandes projetos anônimos e distantes do dia-a-dia escolar. podem respeitar as peculiaridades étnicas. Isso porque só as escolas que conhecem de perto a comunidade e seus projetos podem dar respostas concretas a problemas concretos de cada uma delas. sociais e culturais de cada região. princípios e elementos que caracterizam a escola que chamamos de cidadã? • O que falta à sua escola para que ela seja cidadã? Como construí-la? . Questões para debate • Identifícar na história das idéias pedagógicas os fundamentos da escola autônoma (cidadã). E a própria comunidade pode avaliar de perto os resultados.diretamente relacionada com os pequenos projetos das próprias escolas. podem diminuir os gastos com a burocracia.

A escola em que se pensa. convenções. de objetivos... Aí percebemos a necessidade do prévio estabelecimento de finalidades. para seguir em frente. em que se fala. no caso específico da educação.. para nos relacionarmos e também para participar e interferir naquele ambiente ou naquela situação.. da Motta é professor da Universidade Federal de Juiz de Fora. Do que adiantam? Letras impressas das canções. e diretor do Instituto Paulo Freire. que marcha. Paulo Padilha é professor da Universidade Camilo Castelo Branco. . Do que adiantam? Gestos educados. por isso que recusa o imobilismo. Do que adiantam? Emendas. de metas a serem atingidas. de avaliações a serem Custódio Gouvea L. bulas. Paulo Freire CARTA ESCOLAR: INSTRUMENTO DE PLANEJAMENTO COLETIVO Custódio Gouvea L. em que se ama. em que se cria. Esse processo se amplia se nos entregamos a ações intencionais e. enfim.instruções. em que se atua. com qualquer nova atividade ou situação. deparamos com novos ambientes. quando pretendemos desenvolver quaisquer atividades no âmbito do sistema ou da unidade escolar. em nossa vida cotidiana. constituições se o teto da escola caiu se a parede da escola sumiu (Mobral) Herbert Vianna Precisamos contribuir para criar a escola que é aventura. MG. De qualquer maneira. A partir daí passamos a ter maior segurança para caminhar. MG. com novas pessoas.Do que adiantam? Placas.. com um novo trabalho. a escola que apaixonadamente diz sim à vida. que não tem medo do risco.. SP. realizamos espontaneamente uma sondagem inicial acerca de tudo o que nos cerca e naturalmente interpretamos as condições encontradas. da Motta José Eustáquio Romão Paulo Padilha Quando. podemos ter a sensação inicial de insegurança. José Eustáquio Romão é diretor do Instituto Paulo Freire e secretário de Governo do município de Juiz de Fora. se adivinha.

Diante de circunstâncias e de ações intencionais e deliberadas. por conseguinte. Inicialmente. O Instituto Paulo Freire resgatou-a. o ensino e a aprendizagem. Elas estão à disposição para consulta nas sedes do Instituto. A partir dessa analogia. conscientemente. de resultados a serem quantificados e qualificados para que correções de rumos possam melhorar a nossa atuação e. Nessas condições. . apresentamos a metodologia denominada Carta Escolar. O que é a Carta Escolar? Desenvolvida no Brasil na década de 70. a estaremos estudando em sua concepção original. a sondagem e a interpretação dos dados observados por nossos sentidos. no sentido do atendimento das demandas O Instituto Paulo Freire de Juiz de Fora elaborou em 1996 as Cartas Escolares das prefeituras municipais de Bicas. de forma que professores e demais segmentos escolares e comunitários possam utilizá-la como referencial para seus diagnósticos no âmbito estrito de suas escolas e de suas comunidades. estudou seus resultados nesses países.com muito sucesso em outros países. abordaremos a Carta Escolar adaptada à unidade escolar. demográficas. econômicas.realizadas. a metodologia da Carta Escolar foi aperfeiçoada e melhor aplicada . de Minas Gerais. que nos permite desenvolver ações com vistas à construção coletiva e democrática do projeto político-pedagógico da escola. agir e buscar resultados positivos em nossas atividades. destinada a subsidiar ações educacionais de âmbito municipal e de sistema de ensino. Ela é um instrumento de planejamento do sistema ou subsistema educacional que permite o estudo das condições sociais. Mercês e Oliveira Fortes. ela indica as ações que permitirão a organicidade da rede física escolar. sondagem e interpretação de dados acabam se constituindo em etapas essenciais para que possamos. resultados de mecanismos inconscientes de captação de informações. culturais. fisiográficas. transformam-se em função obrigatória. Depois. recuperou suas aplicações de sucesso no Brasil e a atualizou'. urbanísticas e arquitetônicas de comunidades que abrigam sistemas escolares. instrumento de sondagem. de interpretação e de análise de dados dos indicadores educacionais. Além disso.

aspectos . a Carta Escolar é um instrumento operacional cujo suporte físico é um mapa topográfico. na medida em que indica os locais a serem implantadas as novas unidades escolares com vistas ao atendimento de áreas já densamente povoadas ou de indução de adensamento. com escala que permite uma representação suficientemente precisa e detalhada da rede escolar. com suas características específicas e com os elementos que influenciarão na escolarização. caracterizadas em seus estratos sociais a partir de dados fornecidos por um Censo Escolar. Essa Carta possibilita. É realizado também um levantamento exaustivo da capacidade instalada da rede escolar do município. e da demanda real e potencial. com seu perfil profissional. para garantir facilidades de acesso. a racionalização da expansão da rede física escolar. segurança e conforto compatíveis com as faixas etárias dos usuários. O Censo Escolar. é inserida uma descrição do seu cenário geográfico. por amostragem. Todos os dados coletados são tabulados por meio de sistemas computacionais que fornecem uma série de indicadores para as projeções de expansão ou contração da rede. Ademais. são coletadas informações sobre outros indicadores sociais que interferem no desempenho do sistema educativo. tanto em termos de recursos físicos (instalações. a partir da delimitação de setores censitários. é aplicado um questionário em todas as residências (urbanas e rurais) e coletadas informações referentes à renda. que devem ser profundamente estudadas para verificar suas influências no planejamento educacional do município. que utiliza uma metodologia criada pelo Instituto Paulo Freire. quanto de recursos humanos (docentes e não-docentes). idade. Para tanto. malha viária. Entre os elementos externos que interferem no processo de escolarização. barreiras urbanísticas. equipamentos. Os mesmos dados são lançados em mapas municipais para que se tenha uma visão mais clara das deficiências ou duplicações existentes em função dos adensamentos populacionais e das barreiras físicas ou urbanas que influenciam no dimensionamento da rede física escolar. infra-estrutura e atividades econômicas. hidrografia. bem como para a definição das áreas de jurisdição das escolas. com sua localização. sexo e escolaridade por setor censitário. demografia. destacam-se a topografia. faz um levantamento real e efetivo de toda a população do município. material didático). assim. Para se ter uma visão da realidade de cada município.específicas de cada nível.

uma análise detalhada da sua evolução demográfica e econômica e uma reconstituição de seu quadro histórico-social. minuciosamente. partindo de uma série de "retratos" tirados ao longo dos anos e revelados coletivamente. indicar o estabelecimento de áreas de jurisdição de escolas. a Carta levanta. assessorar os municípios na elaboração e implementação de planos educacionais. sua capacidade instalada. Como vimos. situação legal e histórico de sua evolução ao longo dos anos. é possível uma intervenção precisa no sistema educacional dos municípios. a Carta Escolar tem por finalidade promover um amplo diagnóstico da educação no município. enquanto diagnóstico da capacidade e demanda educacionais da escola. com a participação dos próprios agentes escolares. já que a finalidade precípua da Carta Escolar é o arrolamento analíticocrítico dos principais componentes de seus serviços. . o processo decisório da comunidade local. A partir da identificação dos problemas a serem atacados. área de abrangência. passando por sua evolução político-administrativa. para alimentar. hidrografia. Observe-se que a Carta Escolar. quantitativa e qualitativamente. das lacunas a serem preenchidas e das prioridades educacionais a serem estabelecidas e implementadas. Todos esses elementos contribuem para a caracterização da educação no município. jurisdição e manutenção.relevo. e. finalmente. clima e vegetação -. seus recursos humanos. considerando todos os elementos que possam influenciar o processo educativo. desde as origens. A Carta Escolar tem como objetivos fornecer vários subsídios para o conhecimento efetivo da real situação da educação municipal.físicos . torna-se instrumento indispensável para a elaboração dos projetos político-pedagógicos em todos os níveis educacionais. características sócioeconômicas predominantes de sua clientela. do município ou do Estado. até o contexto contemporâneo. levantar os dados sobre os limites e potencialidades do setor educacional do município para o atendimento das demandas que sejam resultantes de levantamentos e de pesquisas cientificamente consolidados. prever o desenvolvimento do sistema escolar em função da demanda social por matrículas. maximizar a utilização da capacidade física instalada. dos avanços a serem continuados e estimulados. Sua análise constitui o cerne do trabalho. suas demandas e das respectivas projeções futuras. No caso específico de uma escola. otimizar a aplicação de recursos destinados à educação.

também oferece aos professores subsídios para o desenvolvimento da integração social com seus alunos. ainda. com informações sumárias sobre a flora e a fauna.e. de curto. o Instituto Paulo Freire propõe algumas recomendações à administração municipal. relativamente independente. aspectos físicos . os lotados na Secretaria Municipal de Educação . De sua elaboração participa uma equipe responsável do Instituto Paulo Freire. • caracterização educacional do município: esta parte. com a colaboração da população em geral. já que os componentes municipais constituem conteúdos curriculares importantes na escolarização dos discentes do ensino fundamental. com vistas à compatibilização entre as disponibilidades potenciais e às necessidades educacionais projetadas e decorrentes do direito de todos a uma educação básica de qualidade. • conclusões e recomendações: à luz dos dados analisados.servidores municipais. Ao final do trabalho elabora-se um minucioso relatório com as seguintes informações: • cenário geográfico do município: descrição da localização. sua criação e evolução político-administrativa. formada por professores coordenadores. • reconstituição da trama das relações histórico-sociais: procurase fazer a reconstituição dessa trama. além de inserir os problemas educacionais do município em um universo mais amplo. os vereadores do município -. e uma análise dos aspectos demográficos. será o cerne do trabalho. técnicos em informática e recenseadores. geógrafos. fundamentalmente. já que sua principal finalidade é o arrolamento analítico-crítico dos principais componentes de seus serviços e demandas educacionais e de suas projeções para o futuro.relevo. Além dessa equipe. que oferece os dados coletados aos pesquisadores. desde as origens. Observamos que a Carta Escolar. a mesma conta. hidrografia e clima -. com o envolvimento de toda comunidade municipal . O resultado da Carta Escolar deve servir como indicação.e em especial com os professores e supervisores de ensino.Estrutura da Carta Escolar A Carta Escolar é um trabalho coletivo. médio e longo prazos. independentemente das facções políticas a que pertençam . apontamento de rumos e recomendações a serem submetidas ao .

ainda. por faixa etária e série. A Carta Escolar. a formulação e implementação de políticas de outros setores da administração pública. faixa etária. Todas essas informações podem ser mantidas em arquivo: dados coletados. além de outras informações que possibilitem a realização de projeções máximas de atendimento de alunos por faixa etária e por série para o ano seguinte à pesquisa. por meio de suas legítimas representações e lideranças. aqui apresentada sinteticamente. em conjunto com os órgãos de representação democrática dos diversos segmentos sociais. e resumo com os totais daquelas projeções para o ano seguinte à pesquisa.processo político decisório da comunidade local. à renda por estratos sociais e ao grau de escolarização de sua população. fora da escola. . por idade. pode servir também para a obtenção de outras informações. como projeções e busca de indicadores de qualidade do município. tabulados e analisados. de forma a servir de subsídio para estudos e como instrumento técnico de atualização fatura da Carta Escolar ou de outras pesquisas que se fizerem necessárias no município. O relatório final da Carta Escolar apresenta. aos administradores municipais mapas de localização dos setores censitários e das escolas. subsidiando. com a distribuição da população por sexo. assim. A CARTA ESCOLAR ADAPTADA À UNIDADE ESCOLAR A Carta Escolar. e relatórios com dados sobre os alunos que estão freqüentando a escola. oferece ao diretor da escola. adaptada a cada estabelecimento de ensino. portanto. e sobre aqueles que não a freqüentam. objetos de estudo mais profundo sobre cada aspecto específico e submetidas ao crivo das decisões políticas do município. e setor. alfabetizando. embora se dedique ao levantamento da realidade educacional. O relatório traz ainda informações sobre a escolaridade e a condição de escolaridade por faixa etária (analfabeto. acompanhados das respectivas totalizações numéricas e estatísticas. evadido. sobre a escolaridade e a condição de escolaridade por setor. aos seus professores e a todos os segmentos escolares uma "fotografia" das reais condições da escola. entre outras inúmeras combinações que podem ser realizadas. tabelas e gráficos com os dados relativos aos aspectos demográficos em geral. total e universo). Tais recomendações e conclusões devem ser.

Ela pressupõe divisão de poder e de responsabilidades. como também muitos são os sujeitos que deles farão uso e a partir deles tomarão decisões. Caixa Escolar. Conselho Educacional e Comunitário. Não temos a intenção de padronizar ações nem de oferecer receitas metodológicas prontas para o consumo. todas as atividades. ela servirá inicialmente como pólo aglutinador de intenções.termo usado no Estado de São Paulo. ao apresentarmos alguns parâmetros para a realização da Carta Escolar. também. incluindo necessariamente o Conselho de Escola. Fórum de Gestão Participativa. as mães e os pais de alunas e alunos e os representantes da comunidade escolar e extra-escolar. Os recursos necessários para a execução do trabalho e suas fontes precisam igualmente ser definidos. As Associações de Pais e Mestres (APMs) também são chamadas de Associação de Apoio à Escola (AAE). Em outras unidades da Federação o mesmo organismo pode ser chamado de Conselho Escolar. todo o corpo docente. por mais bem-vindas que possam ser algumas receitas em certas situações.que subsidiará a elaboração de seu projeto político-pedagógico e de seu planejamento participativo ascendente. uma vez que os dados a serem coletados e levantados são muitos. Assim. metodologias de ação e distribuição de tarefas. Assim. . de interações e de forças que caminham juntas para a concretização das finalidades e objetivos educacionais estabelecidos democraticamente por toda a equipe escolar. o discente. como também o serão os eventuais assessores que estarão subsidiando. A avaliação de cada etapa do processo faz parte. Como a Carta é um instrumento elaborado coletivamente. O Censo Escolar tem início tão logo se realize a articulação de todos os segmentos escolares. Círculo de Pais. a APM e representações dos segmentos extra-escolares . ainda. o estabelecimento de Os Conselhos de Escola . os mesmos não devem ser entendidos como "camisa-de-força". Mestres e Comunidade (APMC) etc. do conjunto de itens desse plano de trabalho. Associação de Pais. no aspecto técnico e científico. Colegiado Escolar. o Grêmio Estudantil. metas. Com isso queremos dizer que. Deve ser elaborado um plano de trabalho para o Censo Escolar que estabeleça objetivos. Conselho Deliberativo Escolar. Nesse documento devem ser previstas. As presentes recomendações são uma possível base para a realização de um diagnóstico escolar. as equipes responsáveis pelo recenseamento e suas respectivas coordenações. de sua elaboração participam organizadamente a equipe diretiva da escola.

de sanitários para alunos e professores. os questionários para a coleta de dados podem ser divididos. de salas de professores. o que servirá também aos professores quando da elaboração coletiva e individual de seus planejamentos e de seus planos (de curso. de cozinha. por exemplo. departamento em que está lotado. a visibilidade e. quantidade. de bibliotecas. Dessa forma.ensino poderá dispor de informações e de estatísticas confiáveis para decidir seus futuros passos e elaborar seu projeto político-pedagógico. Podem ser incluídos também neste item os tipos de serviços disponíveis na escola. de ensino. estado de . de horta escolar. endereço completo. existência e condições de salas da diretoria. área que a escola ocupa. do forro. suas dimensões. de laboratórios. rede de esgoto ou de tratamento de água. esfera administrativa a que pertence. de aulas etc). linhas telefônicas. Quando esses dados são colocados em quadros. salas de aula . região. equipamentos e recursos materiais: especificação. de depósitos. hortas comunitárias. contendo o tipo e a quantidade de dependências. propriedade do prédio. são incluídas informações sobre: terreno. do piso. com acréscimos de séries ou graus. localização/zona. com suas respectivas dimensões. de áreas de lazer. de refeitórios. estado de conservação e adequação das instalações escolares. espaços para áreas esportivas. de áreas esportivas. que organizarão o levantamento das seguintes informações: • identificação da escola: nome. • estrutura física: discriminação minuciosa da estrutura física da escola. atos de autorização de reconhecimento. do acabamento. do cercamento. de salas de vídeo. da secretaria. Além desses dados. CGC etc. por que razões etc. em treze itens.) e a reconstituição da história da escola: como nasceu a idéia de sua instalação. se sofreu alteração ao longo dos anos. energia elétrica etc. de salas-ambiente. quando foi criada e quando começaram suas atividades. tais como água. distrito. conseqüentemente. áreas livres. tipo da escola. situação da construção. situação institucional (mantenedor. a análise ficam mais fáceis: EXEMPLO: INSTALAÇÕES ESCOLARES Dependências/Quantidade Dimensões (m2) Estado de conservação Adequada/Inadequada Observações • mobiliária.

tempo de serviço na escola e no serviço público. antenas parabólicas. quais estão em garantia. Devese relacionar o nome completo do servidor. mobiliários para os alunos. A escola pode criar e levantar seus próprios quadros para relacionar as informações de que necessita. • matrícula e evolução da demanda: aqui se devem criar quadros ou utilizar os já existentes na escola para informar a distribuição da matrícula segundo sexo. a distribuição de alunos por turnos e séries e em relação à merenda escolar. dedicação exclusiva ou não. série. de jardinagem. filmadoras. Neste item cabem ser anotadas. das transferências expedidas. além de informações sobre o tipo de organização dos arquivos da escola. as características sócio-econômicas predominantes entre os alunos. gravadores. função. cadernos. levantar balanços da APM. cursos realizados etc. a evolução da demanda. os valores em caixa. lápis. de limpeza. as pendências administrativas ou das condições atuais dos serviços de secretaria. grau de escolaridade. o número de alunos em cada turno e tipo de fornecimento . da Caixa Escolar etc. projetores de slides. especificando o número de vezes em que é servida por turno.conservação relativo a carteiras e cadeiras escolares. máquina de xerox. • recursos financeiros: relacionar as receitas da escola. considerando-se também as turmas e as séries. giz. do número de alunos evadidos. quais estão no seguro. os aprovados e os reprovados. ainda. a distribuição dos alunos segundo a distância a que residem da escola e o tempo que levam para chegar até ela. fitas de vídeo. ano de admissão na escola e número de repetências. quais precisam de consertos. • recursos humanos: todos os recursos humanos de que a escola dispõe devem ser relacionados: docentes e não-docentes. microcomputadores etc. fax. levantamento contábil completo e nível de autonomia financeira da escola. identificando as fontes e sua destinação (despesas). aparelhos de televisão. as condições de manutenção dos equipamentos. separada por séries e graus (ou níveis) de ensino e com dados da matrícula inicial. carga horária semanal. de vídeo. livros na biblioteca. Pode-se levantar. . equipamentos de cozinha. retroprojetores. em contas bancárias. disciplina que ministra (no caso de docentes). textos. armários.se sistemático ou não. por exemplo. das transferências recebidas. lousas. Nesse sentido.

• características do bairro: levantamento de informações gerais sobre o bairro em que a escola está inserida: sua história transformações por que passou e como se deram. • deficiências detectadas na escola: em relação a todos os itens pesquisados. às instalações e aos equipamentos.• projetos desenvolvidos na escola: levantamento sobre os projetos pedagógicos. escola. administrativos ou financeiros desenvolvidos pela escola nos anos anteriores.. bem como informações sobre os projetos em andamento. às condições administrativas. grau de instrução. Anotar nesse item. • Conselho de Escola. bairro. dança. incluindo-se aí os segmentos escolares envolvidos nos mesmos. pedagógicas e financeiras da escola. participação em associações (sindicato. de docentes e de apoio técnico administrativo e operacional. o nível de participação da comunidade escolar. informações que revelem as deficiências da escola em relação à formação dos docentes. clubes. do Conselho de Escola e demais representações de segmentos escolares. procedência. ainda. APM e Grêmio Estudantil: síntese especificando as atividades desenvolvidas por essas instituições escolares.. • características da gestão e das relações humanas na escola: definir tipo e características da gestão escolar. se tem serviços . anotar. igreja.. Os fatores que impactaram negativamente o desempenho escolar deverão ser usados como referência para a construção de estratégias para sua superação. os programas de formação dos quais participam ou já participaram os membros dos segmentos escolares. incluindo os espaços que utilizam. escreve. se possível com todas as suas características e com os resultados efetivamente obtidos. Caixa Escolar. pinta. ao interesse dos alunos.. ao número de funcionários. no ato mesmo do levantamento. seus membros e representantes e o tipo de atuação que desempenham na escola. habilidades artísticas (se canta. toca. profissão. aos recursos materiais.). ao prédio escolar. distribuição do tempo de trabalho pedagógico da equipe docente etc.). • características da comunidade: levantamento de dados sobre os moradores do bairro em que a escola está inserida: nome. à participação dos segmentos na instituição escolar e às diferentes instâncias administrativas. a atuação da equipe de direção.

especialmente pelos docentes da escola. habilidades artísticas. de que tipo e com que freqüência etc. sexo. com quantas pessoas vive. uma ampla vivência da prática democrática no âmbito escolar. desde o início. deverá ser acompanhada e assessorada pelas instâncias superiores da administração escolar. desde cedo. de biblioteca. a construção coletiva tende a aumentar a probabilidade de se obterem resultados satisfatórios a curto prazo. É importante ressaltar que esse levantamento pode e deve. local de moradia. a atribuição de responsabilidades e a elaboração do plano de trabalho. número de transferências. de hospitais. como as demais. a sua cidadania. contudo. água encanada. se são realizados eventos culturais. de forma plena. em uma aprendizagem para todos os que atuam direta ou indiretamente na escola. construindo e exercendo. que estarão assim se formando enquanto sujeitos ativos. incluir também os alunos que não são atendidos pela escola. outros cursos. procedência. No entanto. em especial aos professores e aos alunos. pois a escola não pode ficar à deriva. Esta experiência possibilitará a todos os sujeitos que dela participarem. se tem movimentos sociais organizados. rede de esgoto. Esse processo se constituirá. segundo. áreas de interesse. e. porque as ações a serem . na seqüência. asfalto.porque contará com a participação e o envolvimento de todos . A primeira vista. participarão dessa outra etapa que. pode parecer muito dificil e complexo realizar um diagnóstico escolar com tal amplitude. deixada à sua sorte. o número de habitantes. Sua concretização. coleta seletiva de lixo. o que garantirá. um trabalho pedagógico coerente com as características e com as necessidades dos discentes. o mesmo não só é possível . condições de moradia. de livrarias. local de trabalho etc. primeiro. ao contrário. qual é o seu lazer preferido. de igrejas. o diagnóstico ficaria incompleto. Para tabular e interpretar qualitativa e quantitativamente os dados do Censo. certamente. número de repetências. pois. equipes formadas por representantes de todos os segmentos escolares. iniciando-se a fase propriamente de diagnóstico ou interpretativa. a descentralização das funções.como luz elétrica. porque prevê o envolvimento. • caracterização dos alunos: idade.como é absolutamente necessário à construção coletiva de um projeto político-pedagógico. exige a organização das tarefas. de áreas de lazer. de farmácias. Além disso.

implementadas na escola considerarão o diagnóstico feito a partir dos dados levantados e da análise crítica da realidade constatada. Questões para debate • O que é e em que medida a Carta Escolar contribui na construção do projeto político-pedagógico da escola? • Que informações essenciais a Carta Escolar pode oferecer para a construção do projeto político-pedagógico da escola? • Como organizar a escola para a realização do Censo Escolar? • Qual é o papel pedagógico que a elaboração da Carta Escolar pode ter? .

dificilmente aprenderá a pensar e decidir coletivamente. Se a aluna só ouve. como qualquer sonho. de maneira consciente ou não..) A gente vai contra a corrente Até não poder resistir Na volta do barco é que sente O quanto deixou de cumprir Faz tempo que a gente cultiva A mais linda roseira que há Mas eis que chega a roda viva E carrega a roseira pra lá. se fala no momento que bem entende.. não aprenderá a avaliar. estende a mão para pegar o prato de merenda.É que a democracia. fará o quê? Conseguirá inserir-se no mercado de trabalho? Será uma cidadã ativa} Conhecerá seus direitos? Saberá exigir e lutar por eles? A escola convive com as alunas e com os alunos diariamente e. Ângeh Antunes Ciseki é professora da rede de ensino municipal de São Paulo e diretora técnica do Instituto Paulo Freire . (Roda viva) Chico Buarque CONSELHOS DE ESCOLA: COLETIVOS INSTITUINTES DA ESCOLA CIDADÃ Ângela Antunes Ciseki Observemos uma aluna.. três. Há quanto tempo ela está ali? Um ano. não se faz com palavras desencarnadas. se só realizar tarefas individuais.. se só é avaliada. conversa no pátio com os amigos.. dificilmente aprenderá a falar. ensina não só por meio do conteúdo com o qual trabalha em sala de aula. mas também pelas relações que estabelece com eles no dia-a-dia. dois anos. brinca afoitamente para aproveitar cada segundo do recreio. apresentará dificuldade para ouvir o outro. segue atentamente as explicações na sala de aula.. recolhe o material para voltar para casa. Paulo Freire (.? Quantas horas diárias ela passa na escola? Quando concluir o ensino fundamental. Ela chega à escola. mas com reflexão e prática.

proporcionando o exercício da cidadania. diretor. como diz Carlos Drummond de Andrade: "As leis não bastam. Querendo ou não. a formação de cidadãos ativos.pode ser esse espaço de construção do projeto de escola voltado aos interesses da comunidade que dela se serve. Não há educação e aprendizagem sem sujeito da educação e da aprendizagem. distribuição das carteiras etc. se suas tarefas forem sempre dirigidas. ou seja. do tempo reservado a cada área do conhecimento. O conteúdo com o qual a escola trabalha e a prática que adota estão contribuindo para formar que tipo de ser humano? Para viver em que sociedade? "O aluno aprende quando ele se torna sujeito de sua aprendizagem.se só cumprir ordens. Nesse sentido. o aprendizado de relações sociais mais democráticas. projeto esse inserido no projeto de vida do próprio aluno. que seja incorporada ao cotidiano e se torne . Os lírios não nascem das leis".definição do calendário. não aprenderá a estabelecer seus limites. para ele se tornar sujeito de sua aprendizagem. professores. é necessário que a gestão democrática seja vivenciada no dia-a-dia das escolas. ele precisa participar das decisões que dizem respeito ao projeto da escola. pessoal administrativo e operacional para gerir coletivamente a escola ." (Gadotti) Mas de que forma os alunos podem participar da definição do projeto da escola? Como os pais. a escola não educa só quando educadoras e educadores escrevem ou falam. não aprenderá a ser criativa etc. . ao contato com os pais . E. Mas.um colegiado formado por pais. os professores e outros representantes da comunidade interna e externa à escola podem participar da construção da escola que desejam? O Conselho de Escola .salas de aula. É necessário que os educadores tenham consciência de sua prática e saibam a serviço de que projeto de sociedade ela está. a população poderá controlar a qualidade de um serviço prestado pelo Estado. Por meio do Conselho. A forma como a escola organiza seu tempo .e a forma como a escola organiza seu espaço . A participação pertence à própria natureza do ato pedagógico. salas de reunião. dos dias de prova. alunos. distribuição das aulas. Por isso. ao recreio.também ensinam algo às alunas e aos alunos. poderá definir e acompanhar a educação que lhe é oferecida. O Conselho de Escola já é realidade em muitas escolas de Estados e municípios de todas as regiões do país. a prática cotidiana contribui para reforçar ou superar determinadas formas de agir e pensar.

tão essencial à vida escolar quanto é a presença de professores e alunos para que a escola exista. transparência administrativa. a redefinição de tempos e espaços escolares que sejam adequados à participação. •o órgão de gestão da Educação: plano estratégico de participação. o debate se intensificou e alguns Estados já sancionaram suas leis que dispõem sobre o tema. aperfeiçoando seus aspectos positivos e criando novas propostas para os problemas que persistem. de 20 de dezembro de 1996. política salarial. a gestão democrática vem exercendo influência positiva sobre: • a estrutura e o funcionamento dos sistemas: . inciso VI). outro fato contribuiu para acelerar as mudanças nessa área: a promulgação da Constituição Federal de 1988. Nos municípios e Estados que já acumularam experiência em relação à prática da democratização. a construção cotidiana e permanente de atores sociopolíticos capazes de atuar de acordo com as necessidades desse novo que fazer pedagógico-político. canais de participação (ampliação do acesso à informação) e. Além das práticas exitosas no campo da gestão democrática do ensino público que Estados e municípios vêm desenvolvendo. • a definição e acompanhamento da política educacional: o aumento da ca-pacidade de fiscalização da sociedade civil sobre a execução da política educacional. tomemos conhecimento de seus limites e avanços e. n2 9. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB)."colaboração" entre os sistemas e comunicação direta da Secretaria da Educação com as escolas.394. num processo c o n t í n u o de p r á t i c a e r e f l e x ã o . pelo menos tem diminuído os lobbies corporativistas. condições legais de encaminhar e colocar em prática propostas inovadoras. É necessário ainda que conheçamos as experiências já vividas. • a qualidade do ensino: formação para a cidadania (cria possibilidades de participar da gestão pública). por isso. respeito aos direitos elementares dos profissionais da área de ensino (plano de carreira. também estabelece como princípio a "gestão democrática do ensino público. capacitação profissional). s u p e r e m o s suas falhas. que requer. há de se criar as condições concretas para o seu exercício. entre outras providências. Para isso. 206. na forma desta Lei e das legislações . se não tem extinguido. mesmo antes de uma regulamentação nacional. C o m a instituição da "gestão democrática do ensino público" (Art.

conseqüentemente.. com presença ativa e decisória. assembléias. debates. se considerados. comprometer-se com esta capacitação.) II .que é o nosso caso . As secretarias da Educação devem. devem ser promovidos para esclarecer a população e contar com sua participação. Nesse sentido. seja na vivência delas na prática cotidiana. Para o efetivo exercício da gestão democrática da escola é necessário capacitar todos os seus segmentos.participação das comunidades escolar e local em Conselhos de Escola ou equivalentes". CONSULTAR A COMUNIDADE ESCOLAR Se desejamos que a população se incorpore à vida social. seminários.. Pressupostos da gestão democrática As experiências já vivenciadas em relação à democratização da gestão escolar apontam alguns pressupostos que. encontros etc. principalmente quando se trata de uma população .que historicamente tem sido alijada dos processos decisórios de seu País. E no Artigo 15. portanto. não podemos conceber a definição da política educacional e a gestão escolar com caráter centralizador e autoritário. As experiências revelam que tanto a comunidade externa quanto a comunidade interna à escola apresentam limites à participação. da escola de melhor qualidade: CAPACITAR TODOS OS SEGMENTOS A participação exige aprendizado. de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios: (. principalmente pais e alunos. tendem a garantir maior sucesso na conquista dessa democratização e. 39). INSTITUCIONALIZAR A GESTÃO DEMOCRÁTICA A consulta e a participação das comunidades escolares possibilitam aos governos estaduais e municipais respaldo democrático para . seja na definição das políticas educacionais.dos sistemas de ensino" (Inciso VIII. define um dos princípios da gestão democrática: "Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público na educação básica. respondendo às exigências dessa prática. inciso II. O processo de consulta e intervenção por parte dos usuários junto aos órgãos governamentais deve ser prática constante. Art.

• elaborar. acompanhar e avaliar o projeto políticoadministrativo-pedagógico. Informação necessária não apenas no início do processo administrativo. as instâncias administrativas não podem prescindir de canais que possibilitem agilidade e eficiência na comunicação entre elas e a população. ATRIBUIÇÕES FUNDAMENTAIS • elaborar seu regimento interno. mas durante todo o movimento de interação entre Estado e cidadãos usuários dos serviços públicos. implantação dos Conselhos de Escola e gestão da instituição educativa -.escolha dos dirigentes escolares. .encaminhar ao Poder Legislativo projetos de lei mais consistentes. fixar democraticamente as normas e mecanismos de fiscalização etc. aprovar. a prática vivenciada pelos diferentes municípios e Estados que já contam com Conselhos de Escola em funcionamento aponta alguns parâmetros a serem considerados para a sua constituição: NATUREZA DO CONSELHO DE ESCOLA • deliberativa. GARANTIR LISURA NOS PROCESSOS DE DEFINIÇÃO DA GESTÃO Para que se garantam transparência e respeito aos princípios éticos nas ações relacionadas à gestão democrática . que atendam às reais necessidades educacionais da população. consultiva. normativa e fiscalizadora. Nesse sentido. todos os cuidados devem ser tomados pela comunidade escolar e pelas instituições e pessoas envolvidas nesse processo. DAR AGILIDADE ÀS INFORMAÇÕES E TRANSPARÊNCIA ÃS NEGOCIAÇÕES A descentralização implica o acesso de todos os cidadãos à informação. É preciso garantir a todos o acesso às informações. Parâmetros para a constituição do Conselho de Escola Além dos pressupostos destacados para a institucionalização e implantação da gestão democrática.

como conselhos regional. • membros do magistério e demais servidores que possuam filhos regularmente matriculados na escola poderão concorrer só como membros do magistério ou servidores. COMPOSIÇÃO • todos os segmentos existentes na comunidade escolar deverão estar representados no Conselho de Escola. • serão válidas as deliberações do Conselho de Escola tomadas por metade mais um dos votos dos presentes à reunião. • a função de membro do Conselho de Escola não será remunerada. por votação direta. pedagógicos e financeiros da escola. para encaminhar e dar continuidade aos trabalhos a que se propôs. para definir. • participar de outras instâncias democráticas. bem como a dos respectivos suplentes. PROCESSO DE ESCOLHA DOS MEMBROS • a eleição dos representantes dos segmentos da comunidade escolar que integrarão o Conselho de Escola. • constituir comissões especiais para estudos de assuntos relacionados aos aspectos administrativos. conforme necessidade da escola. se realizará na unidade escolar. assegurada a paridade (número igual de representantes por segmento) e proporcionalidade de 50% para pais e alunos e 50% para membros do magistério e servidores. NORMAS DE FUNCIONAMENTO • o Conselho de Escola deverá reunir-se periodicamente (com encontros mensais ou bimestrais). municipal e estadual da estrutura educacional. • definir e aprovar o plano de aplicação financeira da escola. desde que esteja em pleno gozo de sua capacidade civil. acompanhar e fiscalizar políticas educacionais. . secreta e facultativa. • ninguém poderá votar mais de uma vez no mesmo estabelecimento. respectivamente. A PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE ESCOLA • qualquer membro efetivo do Conselho de Escola poderá ser eleito seu presidente.• criar e garantir mecanismos de participação efetiva e democrática da comunidade escolar.

elegem por voto direto os professores que os representarão no Conselho. alunos. no caso da cidade de São Paulo.os professores da escola. é sempre garantido o mesmo número de representantes por segmento. salvo nos assuntos que. mas também um instrumento de gestão da própria escola. financeiros e pedagógicos. por exemplo. A sua configuração varia entre os municípios e os Estados que já o implantaram. direção e demais funcionários. Podem . quatro professores. ele pode ter de 16 a 40 pessoas. • poderão participar das reuniões do Conselho com direito a voz e voto todos os membros eleitos por seus pares. No município de São Paulo. membros da comunidade. representantes de entidades conveniadas. por sua vez. sejam restritivos aos que estiverem no gozo da capacidade civil. Grêmio Estudantil. Conselho de Escola: estrutura e funcionamento O Conselho de Escola é um colegiado formado por todos os segmentos da comunidade escolar: pais. que é membro nato. Mesmo variando o número de membros. professores. Todos os alunos. também escolhem os alunos que os representarão e assim por diante. todas as pessoas ligadas à escola podem se fazer representar e decidir sobre aspectos administrativos. ou seja. Com exceção do diretor. a composição é sempre paritária. dependendo do número de classes que a escola possuir.CRITÉRIOS DE PARTICIPAÇÃO • os representantes dos alunos a partir da 4a série ou com mais de 10 anos terão sempre direito a voz e voto. todos os outros membros do Conselho são eleitos por seus pares . quatro alunos e quatro representantes da equipe administrativa. com direito a recondução. Se houver. movimentos populares organizados e entidades sindicais. por exemplo. haverá também quatro pais. O MANDATO • Um ano. com direito a voz e não a voto. por exemplo. Por meio do Conselho. os profissionais de outras secretarias que atendam às escolas. por força legal. tornando esse colegiado não só um canal de participação. • poderão participar das reuniões do Conselho de Escola.

pode não ser suficientemente esclarecedora para mostrar o que significa. se considerarmos algumas atribuições específicas dos Conselhos de Escola. ainda. garantir. elaborar. Mas. a descrição de suas atribuições geralmente vem marcada por verbos como acompanhar. arbitrar. avaliar. Observe-se. apenas é consultado em relação aos problemas da escola. todos os que trabalham. trabalhar com um Conselho deliberativo ou com um Conselho consultivo. Participam com direito a voz e voto somente os membros eleitos. deliberar etc. eleger. que poderão ou não ser encaminhadas pela direção. na prática. ao horário em que elas serão realizadas. que a elaboração do regimento interno deve sempre estar em consonância com a legislação em vigor e observar as normas dos respectivos conselhos e secretarias municipais e estaduais da Educação. decidir. Já nos documentos sobre Conselhos de natureza deliberativa. opinar e propor. possuem maior força de atuação e de poder na escola. a título de ilustração e de elucidação de nossa preocupação. outros verbos. discutir. A afirmação acima. estudam. à tomada de decisões (por votação secreta ou aberta). estabelecendo normas em relação à convocação das reuniões ordinárias e extraordinárias. analisar. aprovar. Outro aspecto a ser mencionado refere-se às funções que os Conselhos de Escola podem desempenhar: consultiva. não toma decisões. ao tempo de duração das reuniões. indicar. Sua função é sugerir soluções. O Conselho de natureza consultiva. assessorar. As mais freqüentes são as atribuições de natureza consultiva e deliberativa. os deliberativos. à dinâmica das reuniões. como definir (diretrizes). analisada isoladamente pelo prisma semântico. se os membros formarão chapas ou apresentarão candidaturas individuais). que mostram como esses Conselhos. à eleição de seus membros (se será através de assembléia ou votação de urna. com direito a voz. As atribuições dos Conselhos de Escola. além daqueles. à substituição de algum membro que deixe de comparecer às reuniões etc. se achar necessário. teremos um . apreciar. elaborar um regimento interno. Cada Conselho de Escola pode. têm filhos na escola ou fazem parte de movimentos organizados da região em que a escola está inserida. deliberativa.participar das reuniões do Conselho. dentre outras coisas. Nos próprios documentos. a redação de suas atribuições apresenta. como o próprio nome diz. normativa e fiscal. o seu funcionamento e a sua composição. são determinadas pelo regimento comum de cada rede de ensino.

pais. garantir que. enfim. mais efetiva ou mais formal. guardados o graus de autonomia e consideradas as diretrizes gerais da administração. discutir e arbitrar critérios e procedimentos de avaliação relativos ao processo educativo e à atuação dos diferentes segmentos da comunidade escolar. O Conselho é a instância em que os problemas da gestão escolar serão discutidos e as reivindicações educativas serão analisadas para. discutir suas diretrizes e metas de ação.dependendo dos encaminhamentos e da votação em plenária -. na prática. podemos fazer uma breve analogia entre ele e os poderes Legislativo e Judiciário. o Conselho. analisar e definir prioridades. uma diferença fundamental entre decidir ou simplesmente opinar sobre procedimentos relativos à priorização de aplicação de verbas. criando normas. ele decide.quadro mais nítido acerca das diferenças que. do que quando se opina ou se assessora a direção da escola no mesmo sentido. julgando e garantindo para que elas sejam cumpridas. do que somente discutir sobre essa questão. serem aprovadas e remetidas para o corpo diretivo da escola. discutir e deliberar sobre os critérios de avaliação da instituição escolar como um todo. Não podemos considerar a natureza dos Conselhos como uma questão menor. "leis" que regerão o funcionamento da escola ("poder legislativo") e acompanhar a sua execução pela direção ("poder judiciário"). ele determina onde e como aplicar tais verbas. também. democraticamente. Suas funções são sempre revestidas de grande importância e relevância: definir o regimento interno. os membros da . A responsabilidade é ainda maior quando se delibera quanto à organização e ao funcionamento geral da escola. Há. tomar decisões em relação à vida escolar. É mais enfático. Assim como criam leis (Poder Legislativo) e acompanham sua execução (Poder Judiciário). no trabalho cotidiano do Conselho. se for o caso . professores. funcionários e comunidade escolar como um todo poderá ser maior ou menor. os verbos citados podem significar. também pode. No primeiro caso. Dependendo da natureza do Conselho de Escola. instância executiva ("poder executivo") que se encarregará de colocar em prática as decisões ou sugestões do Conselho de Escola. o Conselho vai muito além de apresentar propostas. Tentando esclarecer um pouco mais a importância do colegiado deliberativo. é possível afirmar que a participação de alunos. que conta com a representatividade de atores educacionais e comunitários.

ativa e efetivamente. para que a democratização e a autonomia da escola sejam alcançadas. opinem e proponham ações que contribuam para a solução dos problemas de natureza pedagógica.escola e da comunidade apreciem. que representa grande avanço na direção do exercício permanente da democracia e da cidadania na escola e na sociedade em geral. administrativa ou financeira da escola. objetivos marcantes do Projeto da Escola Cidadã do Instituto Paulo Freire. Fica claro que o Conselho de natureza deliberativa é aquele que melhor pode contribuir. Questões para debate • Por que democracia na escola? • De que forma o Conselho de Escola pode ser um espaço de exercício da cidadania? • Como garantir a participação e o envolvimento de todos os segmentos escolares? • Qual a relação entre Conselho de Escola e melhoria da qualidade do ensino? .

Vai começar a primeira reunião de um novo trabalho educativo. Georges Snyders Uma semente atirada Num solo tão fértil Não pode morrer É sempre uma nova esperança Que a gen te alimenta De sobreviver (Amor à natureza) Paulinho da Viola PLANEJAMENTO SOCIALIZADO ASCENDENTE DA ESCOLA José Eustáquio Romão Paulo Roberto Padilha Início do ano letivo. Uma professora chega atrasada na ponta dos pés. antigos companheiros de trabalho. de qualquer maneira. que logo em seguida declara abertos os trabalhos. Por todo lado. Paulo Roberto Padilha é professor da Universidade Camilo Castelo Branco. é sempre um novo recomeçar. Todos ocupam seus lugares e as boas-vindas são oferecidas pela diretora. um clima de alegria. também participam da confraternização. José Eustáquio Romão é diretor do Instituto Paulo Freire e secretário de Governo do município de Juiz de Fora. cautelosos. A diretora da escola exercita sua pontualidade. Educar é uma luta constante. todos concordam. Uma atmosfera cor-de-rosa entre docentes e equipe diretiva. recémingressantes. SP. olhares curiosos. alguma aproximação. O tema da reunião administrativa e pedagógica é planejamento e organização do trabalho na escola. alguma retração. e diretor do Instituto Paulo Freire. O coordenador pedagógico convida os presentes. Dia de reencontros explosivos. observada carinhosamente por seus colegas. MG. com sua voz grave. a se encaminharem para uma sala de aula onde a reunião se realizará. Professoras e professores. mas. .A autonomia é muito menos um dado a constatar do que uma conquista a realizar. de abraços meteóricos.

Solicita a formação de equipes. foram elaborados pelos especialistas da escola dentro dos padrões científicos e técnicos exigidos pela Secretaria da Educação e estão perfeitamente de acordo com os Planos Nacional e Estadual de Educação. Acrescenta que estes. cada representante de grupo lê os objetivos específicos aos quais chegara sua equipe. por meio da qual orienta cada grupo para que se reúna por meia hora e em seguida apresente aos demais grupos alguns objetivos específicos de suas disciplinas para o ano letivo. sobre as próximas tarefas. o que não consegue provocar reações nos companheiros. crachás para as primeiras séries. Informa que os planos de ensino deverão ser providenciados pela equipe docente e entregues ao final dos três dias de reuniões. dedicando-se mais à "parte administrativa". elaboração do horário de aulas. passa a palavra à senhora diretora. como informa a diretora.O coordenador pedagógico passa a falar. estão agora ilhados em suas definições. pontualidade dos professores na entrada e na saída. com os itens que estarão sendo "discutidos": entrega de documentos. após o que. por sua vez. novo código disciplinar para os alunos. "planejamentos". calmamente. definido pela equipe diretiva durante as férias dos professores. tal o silêncio que toma conta do ambiente. os professores . o coordenador pedagógico dá início a uma dinâmica de grupo. novas regras para a utilização da cantina. ela distribui uma pauta mimeografada. como deveria ser. O tempo acaba não sendo suficiente. Professoras e professores. Distribui uma papeleta para cada uma delas. de acordo com suas disciplinas. que já se mostravam confusos e aparentemente desanimados diante das palavras "planos". que fala um pouco sobre a organização da escola. Notase no recinto um amargo sentimento. Para tanto. transfere-se para o período da tarde o início da elaboração do planejamento. Após quase uma hora. imediatamente. novos horários de intervalos. como se o encantamento inicial tivesse se evaporado subitamente e dado lugar a um ar de constrangimento. Agora. lista de alunos das novas turmas. "normas" e "prazos". Lembra que os mesmos deverão ser elaborados em fina consonância com o Plano Diretor da Escola e com os Planos de Cursos já definidos nos anos anteriores. Em seguida. entre outros. Sem escolha. as aulas terão início. o coordenador pedagógico anuncia o início das exposições orais. Terminada a dinâmica e estourado o tempo da reunião na parte da manhã.

Planejamento educacional e organização do trabalho na perspectiva da escola cidadã Devemos esclarecer que quando pensamos no planejamento educacional e na organização do trabalho na escola em uma .disporão de novos livros didáticos enviados pelas editoras. Os temas em questão. Trata-se. de fragmentos de experiências verificadas em muitas escolas há alguns anos e mesmo hoje em dia. Elas estão muito distantes das que. não é mera coincidência. muitas vezes. exigem-nos um tratamento praxiológico. São exatamente estas questões que estaremos analisando no decorrer do estudo do tema planejamento socializado ascendente e organização do trabalho na escola. A situação descrita. Mas se há o risco de a ficção confundir-se com a realidade. devemos estar refletindo sobre essa realidade. Assim começava a tarefa de planejar naquela escola e naquele ano. teoria e prática estão sempre imbricadas. Preocupa-nos a possibilidade da ocorrência de situações parecidas com a aqui ilustrada nas escolas atuais. deveriam ocorrer nessas situações. Nesse sentido. Poderíamos iniciar a reflexão discutindo o significado de alguns termos relacionados ao tema em questão. a partir dos quais poderão adaptar seus planos de ensino dos anos anteriores. que pretendemos aqui realizar. mas pode ser um primeiro passo para uma reflexão mais profunda sobre o planejamento participativo ascendente e a organização do trabalho na escola. ou seja. Seria pois impossível tratar de planejar as atividades da escola e da educação sem considerar essa característica. E é nesse contexto que se realizam. as chamadas "semanas de planejamento" ou "reuniões administrativas e pedagógicas". que a todos lembrava experiências burocráticas de anos anteriores nada compensadoras. efetivamente. gerando resultados negativos no espaço escolar. mas os equívocos das atividades propostas e realizadas na reunião anteriormente relatada. Não que definir este ou aquele termo possa resolver o problema. se alguma semelhança tiver com a realidade. em si. Não questionamos aqui a necessidade dessas reuniões na escola. que cuidemos da prática atravessada pela teoria e pensemos na teoria enquanto reflexão sobre a prática. na verdade.

interpessoais e profissionais neles presentes. visando atingir objetivos antes previstos. um projeto político-pedagógico nos estabelecimentos de ensino. por parte da sociedade. sobretudo. enquanto entidade que tem por principal missão propiciar aprendizagens e formar cidadãos. Pensar em planejar a educação é parte essencial da reflexão sobre como realizar e organizar o trabalho escolar. assumindo a escola como instância social de contradições que propiciam o debate construtivo e. com quem e para quem se planeja. que não é possível dissociar a idéia de planejamento educacional e escolar da necessidade de se desenvolver. o porquê. compreendendo as relações institucionais. temporariamente. pela prática do planejamento coletivo. O resultado desse processo será influenciar e provocar transformações nas instâncias educacionais que historicamente têm ditado o como. avaliando e ampliando a participação de diferentes atores em sua administração e em sua gestão. Dessa forma. culturais e políticos de quem. é responder a um problema. para que esta atinja os fins que justificam sua existência. entendida aqui como o exercício pleno e democrático. O nosso objetivo é inverter a relação vertical. mas sem desconsiderar as condições do presente e as experiências do passado. científica. intencional. Por outro lado. portanto. significa exercer uma atividade engajada. linear e hierarquizada que tem caracterizado a prática do planejamento no sistema educacional. Planejar a educação é tema de extrema relevância para contribuir na direção da melhor organização do trabalho na escola. Isso significa que. Realizar os diversos planos e planejamentos educacionais e escolares. o para quê. organizando a educação. a implantação progressiva do Conselho de Escola e a elaboração de um projeto político-pedagógico. Isso significa encarar de frente os problemas dessa instituição e do sistema educacional como um todo. entendemos que a inexistência de um Conselho atuante e de um projeto político-pedagógico pode ser compensada. em sentido amplo.perspectiva cidadã faz-se necessário explicar o significado da palavra cidadania. no desenvolvimento do próprio ato dinâmico de planejar. pensando e prevendo necessariamente o futuro. de seus direitos e deveres. de caráter político e ideológico e isento de neutralidade. o quando e o onde planejar. por meio de uma prática democrática . Observe-se. planejar. levando-se em conta o contexto e os pressupostos filosóficos. Isso exigirá. por meio do Conselho de Escola. É estabelecer fins e meios que apontem para a sua superação.

pela ação. bem como da demanda real e potencial. identificando todas as suas características. metas. O Planejamento Socializado Ascendente Não é demais lembrar que estamos diante da possibilidade de utilização de um instrumento que contribui para a construção da .porque científica . como tem ocorrido no país nos últimos 25 anos. Em se tratando do diagnóstico. seus problemas e necessidades em relação à demanda de recursos físicos. pode-se utilizar a metodologia da Carta Escolar. técnicas. tem um objeto de estudo bem definido. Dessa forma. essencial para a elaboração do Planejamento Socializado Ascendente. estaremos quebrando e desfazendo. pedagógicos ou financeiros. material didático etc). pois. equipamentos. possui um padrão. Ao contrário: por ser científica. Se pensarmos na formulação de um planejamento educacional conforme descrito acima. a atividade de planejar é sistemática. precisamos inicialmente fazer um diagnóstico da escola e/ou do município no qual ela se insere. a crença de que planejar é atividade muito complexa . com seu perfil profissional. Com tal compreensão e prática estaremos desvelando o mito do planejamento e enxergando o seu caráter político e ideológico.e para a qual apenas os especialistas estão devidamente preparados. ao definir objetivos. e viabiliza a execução e a avaliação do que foi planejado. um verdadeiro exercício de cidadania.e de um planejamento interativo e participativo. quanto de recursos humanos (docentes e nãodocentes). tanto em termos de recursos físicos (instalações. Será. tanto para o municipal quanto para a unidade escolar. o planejamento educacional e a organização do trabalho escolar pensados e acompanhados por todos e para todos não serão atividades meramente burocráticas. especialmente se isso é realizado coletivamente. humanos. estamos atribuindo às nossas ações educativas caráter transformador ou conservador. o que facilita o trabalho de quem planeja. porque envolverá a participação e a tomada de decisões da população em relação a um serviço prestado pelo Estado. é um levantamento exaustivo da capacidade instalada. apresenta uma metodologia. estamos fazendo opções. sim. formas de avaliação do trabalho na escola etc. metodologias de ação. Esse diagnóstico. A interpretação dos dados coletados indicará as prioridades a serem consideradas no ato do planejamento político-pedagógico da escola.

Planejar socializadamente pressupõe a prestação de um serviço à comunidade. entendendo esse processo participativo em seu dinamismo. no momento do planejamento. comunidade escolar e extra-escolar. que apresenta duas características fundamentais explícitas na sua própria denominação. professores. 21. jan/jun. v. a organização da ação e a avaliação de resultados. funcionários da escola) já tenha sido iniciado.como a dos pais. desde o princípio do planejamento escolar. Outro pressuposto fundamental do Planejamento Socializado é a não separação estanque dos diferentes momentos da atividade de planejar. No entanto. Feusp. fica garantida a participação de todos os segmentos. São Paulo. segmentos ou grupos comunitários e sociais que direta ou indiretamente atuam e se relacionam com a escola e com os demais níveis educacionais . sem exceção. mães e pais de alunos e de alunas. 1995. a partir da integração das forças de todos os sujeitos. 4). como diz João Pedro da Fonseca (Revista da Faculdade de Educação. a dos alunos. Outra característica de um planejamento socializado que podemos registrar é o fato de ele prever que a participação de certos segmentos escolares e comunitários . dividindo com eles o poder de decisão. Dessa forma. que envolve a reflexão. Quando nos referimos ao Planejamento Socializado Ascendente. que valoriza todos os níveis de participação da escola.não ocorra apenas quando o planejamento com outros segmentos (direção escolar. funcionárias e funcionários da escola. tem-se. n. do qual ela participa diretamente. professores. direção. "dotado de tensões que precisam ser vividas e administradas". estadual e federal. ou depois de definidos alguns critérios básicos que deverão ser cumpridos. 79-112. é mister a participação efetiva de todos: alunas e alunos.municipal. 1. Assim sendo."educação para a cidadania". com suas representações nos diferentes momentos do processo educativo. a tomada de decisão. estamos também diante de um tipo de planejamento participativo. pp. A primeira característica é o fato de ser um planejamento socializado. Não se trata de adesão a um processo já iniciado. professoras. a visão de totalidade desse processo coletivo. ou seja. a de associações escolares e comunitárias . o planejamento socializado é extremamente relevante e. isso não significa dizer que todos os segmentos estarão participando o tempo todo de todas as tarefas e de todos os tipos de planejamento a serem realizados na escola ou na . para que a escola funcione bem. Ao contrário. p.

a partir das bases (todos os segmentos envolvidos no processo de planejamento). tudo o que ficar consolidado terá de ser aprovado pela maioria. Apesar disso. Ou seja. com outras experiências. a divisão de tarefas. Esse processo revela a importância do Conselho de Escola dos Conselhos Municipais e Estaduais de Educação de elevar aos níveis superiores da administração educacional as deliberações tiradas na base do sistema de ensino. tudo o que estiver acontecendo na escola será também socializado com outras escolas. operacionalizam-se a ação e todas as etapas do planejamento escolar. ainda. a segunda característica desse tipo de planejamento que chamamos de estratégia ascendente. deflagrado o processo. que os temas que não forem objeto de consensos básicos retornarão a todo o grupo e serão rediscutidos. . pois. intermunicipais) para a troca de experiências e para a adoção de propostas educacionais mais amplas. escolher representantes dos segmentos escolares e das equipes multissegmentárias para que se organizem consensos básicos. poderão estar trocando experiências a todo o momento e repassando-as aos grupos mais específicos. em outros níveis. interferindo assim na definição das políticas públicas municipais. Ordenar a participação é. poderá haver atividades que envolvam equipes multissegmentárias que. viabilizando a consolidação de decisões e deliberações dos grupos participantes. todos os segmentos terão suas tarefas bem definidas. outras instâncias representativas intermediárias podem ser criadas em nível local ou regional (conselhos regionais. que poderão influenciar os demais níveis da administração e do planejamento educacional.educação. Ao pensarmos no Planejamento Socializado Ascendente estamos viabilizando o projeto político-pedagógico da escola. assim. estaduais e federais de educação. Nesse sentido. Mas. definir a coordenação de grupos. Além disso. observando-se. Representantes da escola deverão ser também definidos pelo grupo para que as consolidações do Planejamento Socializado Ascendente não fiquem restritas aos muros escolares. interescolares. tais representantes estarão veiculando as experiências de suas escolas em outras instâncias e níveis educacionais. Dessa maneira. Esta estratégia implica combinar. Isso não só seria inviável em termos operacionais como excluiria diferenças inegáveis em termos de maior capacitação de determinados segmentos para a coordenação e a participação em certos componentes do planejamento. Além dessas.

das organizações locais. sem sentido. das demais instituições da sociedade civil e. na própria sociedade. desde que se concebe a democracia como o efetivo poder dos cidadãos no mundo de suas vidas. 10-11). de cima para baixo.Série Atualidades Pedagógicas. em especial. pela ação do poder político organizado no Estado com seus níveis de município. . por conseguinte. embora articuladas fora da escola. de caráter tecnicista e com objetivos apenas formais. porém. MEC/SEF. Lida ela com interesses relevantes para a sociedade toda. em movimento ascendente. mas também em relação às questões administrativas e financeiras da escola e da própria sociedade em que ela se insere. seja em que nível for. já que implica tomada de decisões. "Dão-se as relações entre a escola e a sociedade pela mediação da família e dos grupos de iguais. envolvimento com as ações do cotidiano escolar e avaliação dos serviços prestados à população. 9. a organização e a condução da escola de intenções políticas em interação dinâmica e conflitiva.Como explica Mário Osório Marques. Metodologia de elaboração do Planejamento Socializado Ascendente Consideramos que planejar a educação de forma socializada é exercitar a cidadania. dos movimentos sociais. o planejamento deve começar pela inserção de toda a sociedade no debate democrático. invertendo a relação de poder na educação e. Estará também contribuindo para superar a resistência à participação no âmbito escolar. que considera (com razão) o planejamento atualmente praticado uma atividade meramente burocrática. que. a penetram. "a comunidade argumentativa dos interessados no projeto político-pedagógico da escola não se limita. modelam e controlam. e desde que os recursos públicos são gerados nos processos do trabalho" (O projeto pedagógico da Escola. de estados-membros e da Federação. Brasília. Dependem a concepção. que perpassam as demais instituições sociais e os grupamentos humanos em articulações múltiplas e complexas. O Planejamento Socializado Ascendente pretende quebrar a coluna dorsal do planejamento educacional autoritário. sobre questões relativas não só ao processo de ensino e aprendizagem. ao interior e ao entorno imediato dela. Sendo assim. pp. 1994 .

nessa fase. É necessário também que se contextualizem os objetivos. a escola terá diante de si as informações que lhe permitirão definir prioridades. devemos. as metas. a história e a cultura local dos cidadãos pesquisados. partir de um diagnóstico detalhado da escola e da educação em nível local. para tanto. É importante evitar. A Carta. Definidas as ações. Se confiará na capacidade reflexiva de todos os segmentos escolares e comunitários e em suas potencialidades de ação. sobretudo. Essas devem ser escolhidas por ordem de prioridade. as estratégias de ação. Como só é possível planejar a partir de um contexto bem específico e conhecido. desenvolvida pelo Instituto Paulo Freire. as tarefas e as equipes responsáveis pelas mesmas. Cuidados com o democratismo e com o risco do populismo devem ser tomados. pois o amplo levantamento de informações torna-se inviável sem que todos estejam envolvidos. Concluída essa etapa. co-responsabilizando-se com a busca de soluções e superação dos problemas. por exemplo. se presentes. A Carta Escolar. ao contar com as comunidades intra e extra-escolar e ao ouvi-las. estará buscando as possíveis alternativas de solução aos problemas encontrados. devem ser escolhidos os representantes da escola que atuarão junto aos colegiados intermediários e conselhos municipais e/ou estaduais de Educação. após verificar-se a disponibilidade de meios para a sua superação. Portanto. a ser realizado mediante a aplicação de metodologias inovadoras de pesquisa. por meio da metodologia da Carta Escolar. o cronograma de atividades. elaboradas cientificamente e baseadas numa nova ética que considere e respeite. pois. num horizonte de tempo predeterminado. levando a eles as prioridades definidas pela unidade escolar. o tipo de avaliação que se fará do processo e que se estabeleçam as intervenções a serem realizadas na escola. podem inviabilizar o . a participação de todos os segmentos. desde o início do planejamento. municipal e estadual. já garante. a tentação de se querer resolver de uma só vez e de modo idealista todos os problemas detectados no diagnóstico realizado. enquanto estudo inicial de dados da realidade escolar e de diagnóstico (ou interpretação daqueles dados).considerando sempre os condicionantes socioculturais e políticos que influenciam e afetam diretamente o cotidiano escolar. Isso pode ser feito. o primeiro passo do Planejamento Socializado Ascendente na unidade escolar é a Carta Escolar.

. o projeto político pedagógico da escola. determinam os destinos da unidade escolar ou da educação como um todo. definindo datas e espaços para que os segmentos escolares se reúnam em separado para eleger representantes. a tarefa de cumprir à risca o que fora por eles planejado. cabendo aos educadores. A escola e cada um dos possíveis níveis intermediários de representação existentes deverão estar sendo permanentemente informados sobre as deliberações. baseados numa suposta neutralidade política e científica. aos educandos. as possíveis etapas desse processo podem ser as seguintes: • o Conselho de Escola convocará uma Assembléia Geral para discussão do Planejamento Socializado Ascendente. • amplo movimento de sensibilização da comunidade para compreender a importância da Carta Escolar e de sua realização. • T o d o s os segmentos escola res deverão estar representados paritariamente nessa reunião. Grêmio Estudantil). Assim. ETAPAS ESCOLARES: POSSÍVEIS PARÂMETROS O Planejamento Socializado Ascendente na escola pretende superar a prática de atribuir a competência de planejar apenas a uma minoria de especialistas. que estarão envolvidos na elaboração do planejamento. Estes.processo democrático necessário ao Planejamento Socializado ascendente em quaisquer de suas fases. • elaboração do Plano de Trabalho para a efetivação da Carta Escolar. • na reunião. a todos os segmentos escolares e à comunidade educacional em geral. Associações comunitárias deverão t a m b é m estar r e p r e s e n t a d a s . explicar detalhadamente no que consiste esse tipo de planejamento. Caixa Escolar. Caso não exista um colegiado. b e m c o m o os representantes de todas as instituições escolares (APM. Superar tal exclusão e tal limitação é característica inerente a esta proposta. as conquistas e os entraves verificados em todo o processo. na escola. os e n c a m i n h a m e n t o s . nos níveis seguintes. a escola poderá organizar uma comissão responsável pelos e n c a m i n h a m e n t o s relacionados ao Planejamento Socializado Ascendente. as consolidações. a gestão democrática.

Dessa m a n e i r a . toda a sociedade brasileira cobra. a c o m p a n h a r e avaliar p e r m a n e n t e m e n t e as ações implementadas na escola. Podemos concluir que o planejamento. os obstáculos a serem enfrentados e o grau de realização das metas e objetivos estabelecidos no Planejamento PolíticoPedagógico da Escola. um i n s t r u m e n t o eficaz para c o n t r i b u i r com a melhoria da qualidade do serviço educativo oferecido pela i n s t i t u i ç ã o escolar. por sua vez. Hoje. definindo subcomissões para todas as tarefas necessárias à organização e funcionamento da escola nos seus aspectos administrativos. coletivamente. política e social que certamente aparecerá no d i a g n ó s t i c o p r o p o s t o . sem perder de vista a multiplicidade cultural. pedagógicos e financeiros. metodologias e formas de avaliação das atividades educacionais que favoreçam a ação de todos para superarem. nessa nova perspectiva. os projetos desenvolvidos. O Planejamento Socializado Ascendente representa. • o Conselho deverá se reunir periodicamente a fim de renovar. cotidianamente. • Após a Carta Escolar. A escola continuará contando com a devida orientação por parte das secretarias municipais e estaduais da Educação que. • ampla mobilização da comunidade para a realização da Carta Escolar do estabelecimento de ensino. poderá propor ações com base no estabelecimento de finalidades e de objetivos educacionais claramente definidos. viabiliza-se o estabelecimento de metas. a definição de metodologias educacionais apropriadas . os problemas e as demandas educacionais verificados a cada momento. assim.• definição de equipes e tarefas relativas à primeira atividade do p l a n e j a m e n t o e organização da Carta Escolar no estabelecimento de ensino. • escolha de membros do Conselho para representar a escola nos demais níveis de planejamento educacional (local/ municipal/estadual). elaborar o Projeto Político-Pedagógico da Escola. serão também influenciadas e fiscalizadas em sua própria atuação. a superação do nível insatisfatório da qualidade de ensino. o fim das práticas inadequadas de avaliação do desempenho educacional do aluno. • reuniões para organização das equipes que participarão da Carta Escolar (ver Carta escolar: instrumento de planejamento coletivo).

diminui consideravelmente a possibilidade de depararmos com experiências como a que apresentamos no início desta exposição. normas e prazos autoritariamente. Encontramo-nos diante de desafios que podem ser melhor enfrentados a partir de ações efetivamente democráticas. que entendia o planejamento como uma atividade meramente formal. justa e solidária. que não garantia a participação dos segmentos escolares sequer no planejamento da escola e do ensino. os seus objetivos e o próprio papel da escola na sociedade atual. o que prevê a Constituição Federal de 1988 em seu Artigo 205: "A educação. de acordo com as necessidades do mundo moderno e as exigências das comunidades escolares locais. a existência da gestão democrática na escola. a luta por uma educação de qualidade para todos estará. por isso tem lutado por maior participação para cumprir. visando ao pleno desenvolvimento da pessoa. de fato. Garantida a voz e a capacidade de ação aos que sempre se viram alijados de participar do destino da educação no País. contribuirá decisivamente para a redefinição das próprias políticas educacionais do País e influenciará em que se revejam as finalidades da educação. principalmente. será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade. se não elimina de vez.e contextualizadas. seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho". O Planejamento Socializado Ascendente. que entendia a organização do trabalho na escola como um rol de atividades burocráticas e puramente administrativas. que aplicava dinâmicas sem critérios e sem explicar os objetivos de quaisquer atividades. ao propor uma nova orientação participativa no âmbito escolar e educacional. a sociedade quer ser ouvida e quer colaborar. além de tudo. que obedecia cegamente às ordens vindas "de cima". Além de reclamar. . voltada para a construção de uma sociedade verdadeiramente democrática. inclusive. e que. Reclama da inexistência de uma política devidamente comprometida com as suas necessidades educativas e com os problemas enfrentados pelo magistério que favoreça. ética. O Planejamento Socializado Ascendente. direito de todos e dever do Estado e da família. que não permitia aos docentes o uso da palavra. que definia pautas. apenas se referia ao aluno para discipliná-lo ainda mais e para lhe fechar os quase inexistentes espaços escolares de participação.

Questões para debate
• O que significa planejar de forma socializada e com estratégia ascendente? • Qual a relação que existe entre esse tipo de planejamento com a organização do trabalho na escola? • Em que sentido o Planejamento Socializado Ascendente inverte a relação de poder na definição da política pública em educação? • Que parâmetros você acrescentaria ao processo de Planejamento Socializado Ascendente?

É possível formar cidadãs e cidadãos autônomos numa escola onde a autonomia não seja discutida, mas intimamente vivenciada por seus diferentes segmentos. Sônia Couto, Instituto Paulo Freire, SP

Enquanto os homens exercem seus podres poderes Morrer e matar de fome de raiva e de sede São tantas vezes gestos naturais Eu quero aproximar o meu cantar vagabundo Daqueles que velam pela alegria do mundo Indo mais fundo tins e bens e tais. (Podres poderes) Caetano Veloso

DIRETORES ESCOLARES E GESTÃO DEMOCRÁTICA DA ESCOLA
Paulo Roberto Padilha Como afirma o professor Moacir Gadotti em seu livro Pedagogia da praxis (São Paulo, Cortez/IPF, 1995), "se é verdade que a educação não pode fazer sozinha a transformação social, também é verdade que a transformação não se efetivará e não se consolidará sem a educação". No mesmo sentido, não podemos pensar que a gestão democrática da escola possa resolver todos os problemas de um estabelecimento de ensino ou da educação. No entanto, sua implementação é, hoje, uma exigência da própria sociedade, que a vê como um dos possíveis caminhos para a democratização do poder na escola e na própria sociedade, conforme pudemos verificar em pesquisa recentemente realizada pelo Instituto Paulo Freire, em nível nacional. Outro aspecto que merece destaque neste trabalho é o fato de que a atual prática gestionária nas escolas acaba exigindo dos diretores uma dedicação maior, e às vezes plena, às questões adrninistrativas. Isso os obriga a secundarizar o aspecto mais importante de sua atuação, ou seja, sua responsabilidade em relação às questões pedagógicas e propriamente educativas, que se reportam à sociedade como um todo e especificamente à sua comunidade escolar. Com essa análise geralmente concordam professores, diretores, "especialistas" e "teóricos" da administração escolar.
Paulo Roberto Padilha é professor da Universidade Camilo Castelo Branco (SP) e diretor do Instituto Paulo Freire

A afirmação freqüente de que "é dificil administrar sozinho a escola" denuncia o isolamento do dirigente escolar enquanto responsável único e último pela instituição educativa, o que muitas vezes independe de sua vontade, mas não de seu cargo. A administração autocrática, isto é, a que centraliza todas as decisões e todo o poder nas mãos da diretora ou do diretor, acaba gerando uma sobrecarga de trabalho e, por conseguinte, estabelecendo relações conflituosas no âmbito escolar, o que se reflete no insucesso dos alunos. Por outro lado, é importante observarmos que a atuação do diretor, suas atribuições e seu vínculo com a escola se alteram dependendo da forma com ele foi escolhido e de acordo com o tipo de gestão que é implementada na unidade escolar. Uma reflexão sobre a gestão democrática da escola, a partir da compreensão por parte dos professores e dos demais sujeitos com ela envolvidos e, neste caso, especificamente relacionada à escolha e à atuação do dirigente escolar, pode contribuir para a superação de conflitos com vistas à melhoria do trabalho, das relações estabelecidas na instituição educativa e, fundamentalmente, da qualidade do ensino. Deparamos, pois, com um problema que nos exige soluções. Para chegarmos a elas, estaremos analisando algumas formas de escolha do diretor de escola e definindo parâmetros para a escolha de dirigentes escolares e também para a gestão democrática da escola pública. Pretendemos com isso identificar alguns princípios da implementação de uma gestão escolar democrática e também localizar algumas atribuições fundamentais dos diretores na definição de propostas de implementação daquele tipo de gestão, que devem ser compreendidas também pelos docentes e demais sujeitos educacionais. A forma predominante de escolha e de designação de dirigentes escolares no sistema escolar público brasileiro tem sido aquela decorrente do arbítrio do chefe do Poder Executivo, tanto na esfera estadual quanto na municipal, por se tratar, em sua grande maioria, de cargos comissionados, normalmente denominados "cargos de confiança". O processo de escolha democrática de dirigentes escolares tem seu início na década de 60. Em 1966, os colégios estaduais do Rio Grande do Sul realizaram votação para diretores de escola com base em listas tríplices. A partir da década de 80 e principalmente nos dias atuais, tem havido grande preocupação em relação aos processos de escolha de diretores escolares nos municípios e

No entanto. quais sejam: nomeação. 1992). de caráter conteudista. o que vem estimulando um permanente questionamento sobre o papel do dirigente escolar na construção de uma gestão democrática da escola pública. assume um cargo de confiança e torna-se o representante do Poder Executivo na escola. se aprovado. eleição e esquema misto. Um argumento favorável à escolha por concurso é que ele defende a moralidade pública e evita o apadrinhamento político. Dessa maneira. ao se acentuar a adoção de critérios considerados objetivos e técnicos na definição dos concursos públicos e. como afirma o professor Vitor Henrique Paro no artigo Participação da comunidade na gestão democrática da escola pública (Série Idéias. Nesse processo. ou seja. Se assim acontece. FDE. NOMEAÇÃO O diretor é escolhido pela vontade do agente que o indica. dissertativas ou não. CONCURSO Realizado por meio de provas ou de provas e títulos. o diretor pode acabar não tendo grandes compromissos com os objetivos educacionais articulados com . As provas são geralmente escritas. "o diretor escolhe a escola mas nem a escola nem a comunidade podem escolher o diretor". Isso significa que o concurso acaba sendo democrático para o candidato. 12. não se confere a liderança do diretor diante do pessoal escolar e dos usuários da escola pública e não se avalia o desempenho dele. Por isso mesmo pode ser substituído a qualquer momento. n. concurso.Estados brasileiros. nesse tipo de escolha. mas é antidemocrático em relação à vontade da comunidade escolar. na seleção dos candidatos. pode escolher a escola onde irá atuar. pelo governador do Estado ou pelo prefeito do município. e a prova de títulos é a comprovação da formação específica que habilita o candidato ao cargo. uma vez que apenas as provas escritas e a titulação apresentada bastam para a aprovação ou a reprovação dos candidatos. portanto. de acordo com os interesses políticos e com as conveniências daqueles que o escolheram. que. para fins desta análise. quatro categorias de escolha de diretores escolares. São Paulo. o que mais pesa são critérios político-clientelistas. Podemos estabelecer. que é obrigada a aceitar a escolha daquele. A experiência nacional mostra que.

por exemplo. tal escolha favorece a gestão democrática e colegiada na escola. Por conseguinte. duas ou mais fases no processo de escolha. provas que avaliem a competência técnica e a formação acadêmica do candidato. é oportuno observar que a partir da aprovação da Constituição de 1988 muitos administradores abriram mão da prerrogativa constitucional de nomear o diretor de escola.requisito indispensável para o diretoreducador. na maioria das vezes. não podemos mais . No esquema misto.este. As experiências com esse tipo de escolha têm mostrado que tal critério favorece a discussão democrática na escola e acaba implicando maior distribuição do poder para as instâncias da base da pirâmide estatal. incluindo. ainda. ainda que isso não possa ser considerado uma regra. Prevê. a comunidade escolar geralmente participa de uma ou mais fases do processo de seleção. Consideradas essas formas de escolha aqui analisadas. representativo. por escolha por meio de listas tríplices ou plurinominais. capacidade de liderança etc. como a história da eleição de diretores de escola no Brasil é marcada por avanços e retrocessos. se eleito. colocado antes de ser resolvida a questão do provimento do cargo . iniciando o processo de implantação da gestão democrática no ensino antes mesmo de sua regulamentação e permitindo a eleição dos dirigentes escolares. o que gera muitas vezes a negligência em relação às formas democráticas de gestão. ELEIÇÃO Baseada na manifestação da vontade da comunidade escolar. A partir do momento em que se exige do candidato à função de diretor de escola equilíbrio entre competência técnico-acadêmica e sensibilidade política . geralmente com direito a uma reeleição.os interesses dos usuários. Quando é esse o caso. o diretor acaba tendo também maior vínculo e compromisso com aqueles que o escolheram ou indicaram. ESQUEMA MISTO Combina diferentes formas de escolha do diretor. além da sua experiência administrativa. deve assumir responsabilidade política junto à comunidade escolar que o elegeu para um mandato por tempo determinado. No entanto. a eleição se caracteriza pelo voto direto. por escolha uninominal ou.

acrescido dos adjetivos corporativo ou cultural. (.depender da vontade política das constituições estaduais e das leis orgânicas municipais. previsto no Artigo 206. em sua tese de doutoramento na Feusp.de modo a assumir a responsabilidade consciente pela própria vida. estarão norteando a construção de uma futura Lei da gestão democrática. por sua vez. inciso VI. torna-se necessário aproveitar a experiência democrática acumulada no País e a partir daí procurar regulamentar o princípio da "gestão democrática do ensino público.ou manutenção . Ser sujeito é ser capaz de julgar a realidade. "Há uma percepção de um nós ético que constitui tais pessoas numa unidade. cumpre-nos discutir na escola. responsável. de tal modo que se reconhecem como mutuamente pertencentes a uma mesma história e possuindo um mesmo destino como horizonte. Resta-nos observar que a eleição de dirigentes escolares aqui defendida é apenas um dos componentes da gestão democrática do ensino público e só terá efeito prático eficaz se associada a um conjunto de medidas que garantam. empenhando-se pela sua transformação . da Constituição Federal. II). intitulada Democracia e Educação: a alternativa da participação popular na administração escola (São Paulo. que procuremos entender as características dos sujeitos aos quais estamos nos referindo.. a capacitação para a participação efetiva dos representantes dos segmentos escolares e da comunidade nos destinos da escola pública. O sentimento de pertencer cria e mantém a comum identidade.) Os adjetivos corporativo e cultural visam a apontar a ênfase maior ou menor que tenham os objetivos dominantes no grupo em relação à obtenção de benefícios para o próprio grupo ou para os demais . "o termo sujeito. Segundo o professor Jair Militão. numa projeção extensiva do que dispõe a Constituição Federal sobre as prerrogativas do presidente da República (Arts. que têm consignado aos governadores e prefeitos a competência privativa para a nomeação de agentes para o exercício de cargos públicos comissionados.. A noção de sujeito é aqui tomada em sua forma substantiva e quer significar um ser ativo. por sua vez. Para tanto. refere a um grupo de pessoas que agem na sociedade conforme um critério comum que as identifica. que. 36 e 61. titular de direitos e deveres. Assim sendo. na comunidade e em toda a sociedade os parâmetros da gestão democrática da escola pública. Essa participação efetiva exige. por exemplo. 1989). na forma da lei".

mediante programas duradouros de capacitação custeados pelo Estado e pela articulação dos diferentes sujeitos escolares em torno dos problemas.) sujeitos corporativos são aqueles cuja ênfase se dá na busca de benefícios limitados ao próprio grupo. Isso significa que o mesmo se constituirá numa ação. De qualquer maneira. de prazo interminável. Nesse sentido. A gestão democrática não é processo simples de curtíssimo prazo. dos interesses.. fazendo uso de sua autonomia financeira. por exemplo. associada à elaboração do projeto político-pedagógico da escola e à implantação de Conselhos de Escola que efetivamente influenciem na gestão escolar como um todo e de medidas que garantam a autonomia administrativa.grupos existentes. sem eximir o Estado de suas obrigações com o ensino público. pedagógica e financeira da escola. que é estatal quanto ao financiamento. às ações do sujeito cultural poder-se-ia aplicar um princípio de universalidade: o que é de direito e dever para o grupo é defendido igualmente para qualquer outro grupo. estabelecer parcerias com outras instâncias da sociedade civil. Ela acontecerá. (. pois o Estado deve repassar os recursos diretamente à escola para que o dirigente escolar possa executar o que o coletivo escolar deliberou e aprovou em seu projeto político-pedagógico. enquanto sujeitos culturais visam objetivos de caráter mais geral cuja consecução tende a favorecer a um número maior de pessoas e grupos. possam vivenciar um processo de capacitação para essa participação. ou seja. preferencialmente os culturais. A gestão democrática à qual nos referimos faz parte de uma desejada escola cidadã. A rigor. mas também não é processo tão complexo ou irrealizável. para subsidiar projetos voltados para a melhoria da qualidade do ensino. Observe-se ainda que a escola. numa prática a ser construída na escola. passo inicial importante terá sido dado na direção da gestão democrática que ora estamos analisando. poderá. se quiser. que numa mesma comunidade podem existir vários sujeitos além dos que acima acentuou. Se esta estiver aberta à participação. o sujeito cultural é necessariamente pluralista". tais recursos devem ter caráter . O professor Militão observa. desde que as decisões relacionadas com a gestão dos recursos públicos e da verba originária de parcerias sejam administradas pelo coletivo democrático que vai gerir a unidade escolar. estamos aqui particularmente interessados em que esses sujeitos.. No segundo caso. ainda. o que se realiza formalmente ou informalmente. das expectativas e das atividades cotidianas da escola.

estabelecemos o primeiro parâmetro para a escolha democrática de dirigentes escolares. de acordo com as diretrizes definidas coletiva e democraticamente com a participação de todos os segmentos educacionais e das respectivas comissões eleitorais. apresentando e defendendo publicamente seus programas de trabalho. em nenhuma hipótese. definir e deliberar de forma socializada sobre as suas diretrizes e prioridades. de forma a garantir a participação de todos os membros da comunidade escolar. isto é. pois todos os segmentos escolares e comunitários devem eleger o dirigente escolar. pública quanto à sua destinação. sob a coordenação do órgão gestor do respectivo sistema educacional. Os candidatos serão escolhidos pelos membros da comunidade escolar mediante processo que verifique competência profissional e liderança. Parâmetros para a escolha democrática A partir desses pressupostos. ainda. de arcar com o financiamento da educação. A escola cidadã à qual nos referimos é também comunitária quanto à gestão. sem exceções. Os candidatos aprovados na etapa anterior submeter-se-ão ao processo de verificação de liderança. de acordo com as normas previstas democraticamente conforme acima especificado.excepcional e complementar. em que se verifique a competência profissional do candidato. no ato da inscrição dos candidatos. Essa escola é. O processo de escolha pode obedecer às seguintes etapas: • verificação. . A forma de escolha do diretor deve prever a sua nomeação pela autoridade competente em chapas constituídas e formadas por candidatos a diretor e a vice-diretor de escola. em chapa formada por candidatos a diretor e vice-diretor. acompanhar. sem distinções. se estes atendem às exigências quanto ao tempo mínimo de serviço público e à formação escolar mínima exigida para o cargo. e não eximem o Estado. • processo seletivo prévio ao processo eleitoral. Após tal defesa. avaliar e fiscalizar a execução de seu planejamento político-pedagógico. seguir-se-á a eleição por voto direto. respeitada a paridade de votos dos diversos segmentos que a compõem e a legislação em vigor. secreto e facultativo. destina-se igualmente a toda a sociedade. participar do Conselho de Escola.

Um segundo parâmetro se refere às comissões eleitorais. na data da convocação da eleição. fiscalizar. os candidatos deverão ter cursado Pedagogia. tais comissões deverão coibir qualquer processo eleitoral "viciado" ou ações que possam partidarizar as eleições na escola. desde que completa. em virtude das características locais onde se situam as unidades escolares e especificamente para as escolas de ensino fundamental. sejam servidores públicos concursados ou estáveis com efetivo exercício há pelo menos três anos na rede ou dois anos na escola onde se candidatam. defendemos . serão admitidos candidatos com habilitação específica para o magistério (ensino médio). Elas devem ser criadas nas unidades de ensino para planejar. dependendo da resolução de cada localidade. concluída ou em andamento. municipais ou estaduais. de acordo com as normas e prazos fixados pela comissão eleitoral local ou através de instrumentos legais do poder executivo. que terão funções normativa e fiscalizadora no processo eletivo em pauta. Deverão ser constituídas. a serem indicados em assembléias de seus pares. acompanhar o processo de votação e de apuração dos votos e zelar pela lisura do processo eleitoral. Quando e onde for necessário. Esta comissão deverá atuar em consonância com a legislação em vigor bem como com as normas fixadas para o pleito pelas secretarias estaduais ou municipais de Educação e respectivos Conselhos de Educação. A comissão de cada escola deve ser composta paritariamente por representantes de todos os segmentos escolares. poderão ser admitidos como candidatos aos cargos em questão servidores concursados ou estáveis com licenciatura em qualquer área ligada à Educação. Para garantir que o processo eletivo seja plenamente democrático e para que se constitua num exercício pleno de cidadania. dependendo das condições locais. Além do tempo de serviço mínimo acima especificado. Podem ser aceitas inscrições de chapas com candidatos a diretor e a vice-diretor. municipais e estaduais. organizar. O quarto parâmetro que apresentamos diz respeito aos eleitores. Um terceiro parâmetro se refere aos candidatos e às inscrições. Poderão se candidatar os professores e especialistas em educação desde que. Nesse sentido. Contudo. Nenhum professor ou especialista educacional poderá candidatar-se simultaneamente em dois estabelecimentos de ensino. com licenciatura plena em Administração Escolar. comissões eleitorais regionais. devidamente adaptados às condições reais da unidade escolar.

envolvendo as duas chapas mais votadas. com o direito a uma reeleição consecutiva. realizar-se-á um segundo turno. aos alunos regularmente matriculados na escola que estejam cursando a 4ª série do ensino fundamental em diante. Verificamos. em recente pesquisa. No segundo turno. Votam também os pais. Quanto ao parâmetro da divulgação durante o processo eleitoral. Será considerada eleita a chapa que obtiver maioria absoluta dos votos válidos (cinqüenta por cento mais um). entendemos que a opção da reeleição consecutiva por mais uma gestão de igual período garante a possibilidade da continuidade de um trabalho que tenha .a garantia do voto a todos os servidores em exercício no estabelecimento de ensino. Para tanto. na promoção de discussões e debates com a mesma e na divulgação de material que torne conhecidas. será eleita a chapa que obtiver maioria simples de votos válidos. Tal divulgação consiste na defesa pública dos programas de trabalho junto à comunidade. Em relação à reeleição consecutiva por mais uma gestão de igual período. Se nenhuma chapa alcançar tal número de votos. médio e longo prazos. pelo voto direto. a predominância do mandato de diretores com a duração de dois ou três anos. segundo critérios das comissões eleitorais. as comissões eleitorais deverão fixar prazos e normas que garantam a manutenção dos princípios éticos durante a campanha. secreto e facultativo. Considerando que um projeto político-pedagógico deva contemplar propostas e avanços de curto. ou que tenham completado 10 anos até a data da eleição. as propostas de gestão das chapas. ficaria garantida aos candidatos a realização de campanha e de propaganda eleitoral nas dependências da unidade escolar. observamos aspectos positivos e negativos. Esta deverá adequar-se às especificidades locais da comunidade escolar. as mães de alunos ou os representantes legais dos alunos regularmente matriculados na escola que estejam abaixo dos limites de idade e série acima previstos. impugnando as candidaturas que promoverem a "partidarização" das eleições dos dirigentes escolares. os segmentos escolares credenciados escolherão. ao máximo. os seus candidatos. Um sexto e último parâmetro que ora apresentamos diz respeito à duração do mandato do diretor e de seu vice. previstos e divulgados antes do período de inscrição das chapas. Encerrada a campanha. que respeitem o pleno desenvolvimento das aulas durante o período em que a propaganda poderá acontecer e que garantam a discussão política inerente ao pleito eleitoral.

à questão de como superar o veto governamental em relação à eleição direta de dirigentes escolares. mesmo tendo realizado uma ótima gestão. da ação. bem como a possibilidade da destituição dos mandatos dos dirigentes escolares. Por outro lado. Outras situações ficam também em aberto. quando um dirigente escolar. essas situações referem-se à definição da idade mínima do voto do aluno.sido aprovado pela comunidade escolar. atribuindo-se responsabilidades às comunidades escolares. Dessa forma. Entendemos que a discussão em torno desses parâmetros e de outras questões relativas ao tema aqui tratado já é. aprofundar o mais possível a discussão dos anteprojetos de leis que institucionalizem as propostas de governo dos poderes executivos. . se desenvolverá a cultura da participação. do envolvimento. é obrigado a afastar-se do cargo. se for o caso. realizar seminários e assembléias e. seja prevista em normas a serem definidas democraticamente em cada um dos sistemas de ensino em que for implantada a escolha democrática de dirigentes escolares. um processo educativo que possibilita aprendizagens cidadãs e colabora para a determinação dos seguintes pressupostos da gestão democrática: • capacitação de todos os segmentos escolares para que se busquem respostas à prática educativa. • consulta à comunidade escolar para que esta se cientifique da legislação pertinente às diferentes instâncias da gestão democrática e possa debater. a não reeleição consecutiva promove uma renovação constante dos dirigentes escolares. portanto. entre outras. Preferimos deixar a questão do tempo do mandato do diretor escolar em aberto. mas que é ruim no caso inverso. mesmo no que se refere ao número de reeleições possíveis. Sugerimos que esta problemática. à importância que deve ser atribuída à prova escrita como pré-requisito para a seleção dos candidatos ao cargo de diretor de escola. à proporcionalidade na apuração dos votos. A definição dos parâmetros acima encontra uma série de limites que só poderão ser superados na ação concreta e no contexto em que o processo eleitoral acontece. pois dependem de uma ampla discussão e de consulta a ser realizada com a comunidade escolar. alterando-os. por si mesma. No geral. Isso é bom quando impede que um diretor que não cumpriu o seu programa de trabalho em consonância com o projeto político-pedagógico da escola continue no cargo.

• lisura nos processos de definição da gestão. mas uma liderança democrática que seja capaz de dividir o poder de decisão e de deliberação sobre os assuntos escolares com . Portanto. deve ser um articulador dos diferentes segmentos escolares em torno do projeto políticopedagógico da escola. A descentralização implica acesso de todos os cidadãos à informação. uma breve análise sobre a função do diretor enquanto articulador da gestão democrática na instituição escolar. ainda. a partir da garantia do processo de participação das comunidades escolares. projetos de lei mais consistentes. política e pedagógica. que lhe exige o desenvolvimento de competência técnica.• institucionalização da gestão democrática. possui uma função primordialmente pedagógica e social. seja em relação à responsabilidade social daquela com sua comunidade. faz-se necessária a criação desses canais: jornais-murais. para atingirmos os fins aos quais nos propusemos no início desta discussão. Enquanto tal. painéis. melhor poderão ser desempenhadas as suas próprias tarefas. • agilização das informações e transparência nas negociações. Todos os cuidados devem ser tomados pela comunidade escolar e pelas instituições e pessoas envolvidas nesse processo. os governos estaduais e municipais tenham o respaldo democrático para encaminhar ao Poder Legislativo. Dessa forma. O diretor de escola é e deve ser antes de tudo um educador. Isso é necessário não só no início do processo administrativo. Nesse sentido. Quanto maior for essa articulação. para que. Em sua gestão. Definidos alguns parâmetros da escolha democrática de dirigentes escolares e alguns pressupostos da gestão democrática da escola. é importante. que atendam às reais necessidades educacionais da população. para que se garanta total transparência na escolha democrática dos dirigentes escolares. a falta de canais de disseminação das informações por parte das administrações para todas as esferas da estrutura administrativa e para todos os segmentos da sociedade tem se manifestado como um sério entrave à participação. seja no aspecto organizacional da escola. boletins. mas durante todo o movimento de interação entre Estado e cidadãos usuários dos serviços públicos. na implantação dos Conselhos de Escola e na gestão da instituição educativa rumo à autonomia escolar. encontros etc. o diretor-articulador deve exercer sempre uma liderança na escola.

exercendo direitos e praticando a cidadania ativa na escola. nas associações de alunos etc. Questões para debate • A escolha democrática de dirigentes escolares garante maior envolvimento da comunidade com a escola? Quais as implicações dessa escolha na formulação do projeto político-pedagógico da escola? • Ao se eleger uma pessoa. criando e estimulando a participação de todos nas instâncias próprias da escola como no Conselho de Escola. o professor estará participando e. De todo esse processo. a função da gestão administrativa. poderá interferir e influenciar na gestão da unidade escolar em que atuam. 1996. a função de liderança eficaz.professores. funcionários da escola. pp. Isso não significa abrir mão de responsabilidades ou das funções inerentes ao seu cargo. como os professores e demais segmentos da comunidade escolar podem alterar essa forma de escolha? • Aponte vantagens e possíveis desvantagens da eleição direta para a escolha de diretores escolares. ao lado do diretor da escola. A partir dessa praxis. conforme as palavras de Mariano Herrera (In: Colóquio: La dirección de Ia escuela. poderá automaticamente melhorar a qualidade do seu próprio trabalho docente. entre outras. alunos e comunidade escolar. entre as quais podemos citar a função educativa. uma vez que estará assumindo responsabilidades. . a função de mobilizador da equipe docente. Como a escola pode tornar o processo de escolha do diretor um processo educativo? • No município em que o diretor é nomeado. escolhe-se também um projeto de escola. pais de alunos.175-176).

Não haverá um papel cristalizado tanto para a escola quanto para o educador. o professor deverá ser mais criativo e aprender com o aluno e com o mundo. capaz de ouvir. Paulo Freire Quando eu te encarei frente a [frente não vi o meu rosto Chamei de mau gosto o que vi. época do ressurgimento do racismo e de certo triunfo do individualismo. Em vez da arrogância de quem se julga dono do saber. necessitam de uma ética da diversidade e de uma cultura da diversidade. Uma sociedade multicultural deve educar o ser humano multicultural. mau gosto É que Narciso acha feio o que não é espelho E a mente apavora o que ainda não é mesmo velho Nada do que não era antes quando [não somos mutantes (Sampa) Caetano Veloso ESCOLA CIDADÃ: UMA ESCOLA. educadores: que tipo de educação necessitam os homens e as mulheres dos próximos vinte anos para viver este mundo tão diverso? Certamente eles e elas necessitam de uma educação para a diversidade. MUITAS CULTURAS Moacir Gadotti Vivemos na era da globalização da economia e das comunicações. mas também numa época de acirramento das contradições inter e intra povos e nações. um cenário que coloca novos desafios para nós. Moacir Gadotti é professor titular da Universidade de São Paulo e diretor do Instituto Paulo Freire . Numa época de violência. de prestar atenção no diferente.O diferente de nós não é inferior. Neste novo cenário da educação será preciso reconstruir o saber da escola e a formação do educador. A intolerância é isso: é o gosto irresistível de se opor às diferenças. [de mau gosto. de respeitá-lo. É dentro desse cenário da pós-modernidade que a escola precisa atuar.

o professor deverá promover o entendimento com os diferentes e a escola deverá ser um espaço de convivência. parecem contemplar essas duas dimensões: • pela investigação temática aluno e professor buscam. Diante do problema do desinteresse de muitos de nossos alunos pelos conteúdos curriculares do ensino. e não camuflados. que é a de adequar o tratamento dos conteúdos. vivência. ambos buscam o seu significado social. meio ambiente etc. redimensionandoa na relação com outras culturas. Nesse contexto global há duas dimensões que podem ser logo destacadas: • dimensão interdisciplinar: o objetivo fundamental da interdisciplinaridade é experimentar a vivência de uma realidade global que se inscreve nas experiências cotidianas do aluno. é o objetivo da interdisciplinaridade. • dimensão internacional: para viver esse tempo presente. A escola precisa formar o cidadão para participar de uma sociedade planetária. Os três momentos do método de Paulo Freire. o professor precisa preparar as crianças para o mundo da diferença e da solidariedade entre diferentes. Mas há outra visão do problema. Articular saber. A escola deve ser local. tomando assim consciência do mundo vivido. comunidade. as palavras e temas centrais de sua biografia. Na prática. isto é. ao rompimento com a estrutura disciplinar do conhecimento. do professor e do povo que. na escola conservadora. ela se traduz por um trabalho escolar coletivo e solidário. substituindo-a por uma visão crítica. por exemplo. conhecimento. no universo vocabular do aluno e da sociedade onde ele vive. é compartimentada e fragmentada. isto é.de agressividade. partindo para a transformação do contexto vivido. como ponto de partida. • pela tematização: codificando e decodificando esses temas. deve valorizar a cultura local . onde os conflitos são trabalhados. Este exercício leva à transdisciplinaridade. problematizando-os e equacionando a relação entre a transmissão da cultura e o itinerário educativo dos . • pela problematização: buscam superar uma primeira visão mágica (ingênua). mas tem de ser internacional e intercultural como ponto de chegada. costuma-se responder com métodos mais apropriados ou aumentando o tempo de freqüência à escola. escola.a cultura primeira do aluno -.

ele pôde assumila com mais confiança. uma estratégia de alfabetização numa concepção multicultural deveria partir da biografia dos próprios educandos. compreendê-las na totalidade de sua cultura e de sua visão de mundo.alunos. Se aprender lhe possibilitava "viver melhor". tentando. Se a escola era isso. Ao contrário. no momento em que perceberam a importância que o professor dava à vida deles. Só uma educação multicultural pode dar conta dessa tarefa. Para cumprir sua tarefa humanista. Sentia-se feliz em estar na escola. A educação multicultural se propõe a analisar criticamente os "currículos" monoculturais atuais. Procura formar criticamente os professores para que mudem suas atitudes diante dos alunos mais pobres e elaborem estratégias próprias para a educação das camadas populares.que levam em conta a cultura do aluno . durante a gestão de Paulo Freire (1989-1991) à frente da Secretaria da Educação do município. A diversidade cultural é a riqueza da humanidade. antes de mais nada. buscar as razões para uma "vida melhor". Ao "contar" o que "fez na vida". Atribuía a si mesmo esse fracasso e não a uma estrutura social e econômica iníqua. já que em tantos lugares de trabalho ele sempre era "envergonhado". compreendê-la melhor. daria tudo de si para continuar aprendendo. era tudo o que ele procurava. Paulo Freire chama essa cultura do aluno de "cultura popular". a chama de cultura primeira. os resultados obtidos com currículos multiculturais . a escola precisa mostrar aos alunos que existem outras . Equacionar adequadamente ou não a relação entre identidade cultural e itinerário educativo. Os jovens e adultos sentiram-se mais envolvidos no processo de alfabetização. do relato de experiências de trabalho e de suas relações com o mundo. por exemplo. pode representar a grande diferença na extensão ou não da educação para todos e de qualidade nos próximos anos. um grande obstáculo a ser superado. Outros educadores que também estudaram esse tema. como o educador francês Georges Snyders. Um desses jovens dizia que tinha "vergonha" de contar sua vida porque a considerava um "fracasso". Na educação de jovens e adultos trabalhadores. nesse aspecto.são mais eficazes para despertar o interesse. O currículo monocultural oficial representa.Movimento de Alfabetização e de Pós-Alfabetização da Cidade de São Paulo (Mova-SP) -. Essa estratégia foi aplicada com sucesso em um programa de alfabetização na cidade de São Paulo . sobretudo para as camadas populares.

precisa reeducar o seu olhar para a interculturalidade. Pluralismo significa sobretudo diálogo com todas as culturas. precisa descobrir elementos culturais externos que revitalizem a sua própria cultura. Mas isso já não é tão problemático hoje. enfim. é preciso saber trabalhar com as diferenças: é preciso reconhecê-las. numa visão em que o conhecer e o intervir no real se encontrem. fechamento numa cultura particular. As conseqüências desse enfoque para o ensino são enormes. promover a autonomia da escola na elaboração de seus currículos. • pode-se recuperar os códigos lingüísticos das próprias comunidades desde o processo de alfabetização. ouvir. Escola autônoma significa escola curiosa. educação ambiental. que articule a diversidade cultural dos alunos com seus próprios itinerários educativos: • pode-se fortalecer grupos que trabalham com currículos multiculturais. A autonomia da escola não significa isolamento. portanto. incluindo temas como: direitos humanos. Pluralismo não significa ecletismo.culturas além da sua. ousada. discriminação racial e cultura popular. . Tudo isso é factível desde já. preciso conhecer o outro. É possível e necessário. A escola não deve apenas transmitir conhecimentos. Tratase de estabelecer metodologias que permitam converter as contribuições étnico-culturais em conteúdos educativos. educação para a paz. fazer parte da proposta educativa global de cada escola. como meio de fortalecer a auto-estima. buscando dialogar com todas as culturas e concepções de mundo. Evidentemente. a partir de uma cultura que se abre às demais. • pode-se incentivar as escolas para que façam mudanças nos seus currículos. escutar. O mundo está se percebendo mestiço. O professor. para isso. Mas. não camuflá-las. mas também preocupar-se com a formação global dos alunos. impulsionando o movimento emergente de valorização das diferentes culturas. portanto. Partindo desse princípio antropológico. um conjunto amorfo de retalhos culturais. para conhecer a mim mesmo. aceitando que. pois só com autonomia a escola pode fazer as mudanças desejadas. • pode-se. o professor de qualquer disciplina precisa ter conhecimentos antropológicos e culturais mínimos e ter um olhar educado para perceber as diferenças étnico-culturais. Basta abrir os olhos para a realidade. muitas ações práticas podem ser desenvolvidas desde já para a construção de uma escola pluralista e competente.

Hoje é quase impossível reconhecer uma cultura que não esteja em íntima interdependência com outras.É no contexto deste mundo mestiço que devemos colocar a questão da identidade: o que é identidade e. a pluralidade e o dinamismo da identidade cultural. e não em "identidade cultural". diferente. em particular. deveríamos falar de identidade étnico-cultural. identidade é a resposta que damos à pergunta: quem somos nós? Em nosso caso.e da igualdade. pois ao falarmos de identidade de uma cultura temos que localizála em um determinado tempo e espaço e no interior de um grupo étnico. desde logo. A identidade supõe uma relação de igualdade e diferença. a identidade sociocultural seria um conceito inócuo se tendesse a fixar padrões culturais para apenas "preserválos". é preferível falar-se em "identidades culturais". uma diferença. Só há diálogo e parceria quando a diferença não é antagônica. que pode ser antagônica ou não. Mas só isso? O poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade dizia que "nenhum Brasil existe" e se perguntava: "e acaso existem os brasileiros?" O que é genuinamente nosso? O que pode constituir-se numa identidade nossa? Por outro lado.que coloca a questão do resgate da identidade. de brasileiros. culturais. determinada também historicamente. A cultura é dinâmica e no contato com outras culturas ela se transforma. Por sua vez. Vivemos hoje uma explosão das diferenças . para evidenciar. . somos uma mistura de afroamericanos (negros).étnicas. Como podemos articular a diversidade cultural com itinerários educativos que se direcionem para a eqüidade? Suponho que não existe condição de reconhecer a diferença se não se parte da aceitação da alteridade . Por isso. essa identidade estaria articulada a uma identidade nacional. Idêntico é aquele que é perfeitamente igual. nacionais etc . igualdade válida para todos os que a ele pertencem. para me conhecer. uma semelhança. Entre antagônicos só pode haver o conflito. Na identidade existe uma relação de igualdade que cimenta um grupo. e. índios e brancos. o que é identidade sociocultural? Primeiramente. Afirmar uma identidade étnico-cultural é afirmar uma certa originalidade. necessito conhecer o outro como parceiro. O diálogo é uma relação de unidade de contrários não-antagônicos. a identidade se define em relação a algo que lhe é exterior. porque. ao mesmo tempo.consciência do outro . Na verdade. Porém. sexuais.

A cultura primeira promete . A pedagogia de Georges Snyders pretende operar uma ruptura e uma continuidade entre a cultura primeira. pensavam que se devia criar no Brasil uma "nova Europa" ou uma "nova América". o seu fim e inaugurando. da "dependência" e da "consciência alienada". ou seja. Snyders não desvaloriza a cultura de massa. própria da escola. de tomada de consciência da realidade nacional para transformála e criar novas formas de relações sociais e políticas. passando pela formação da consciência crítica.num itinerário que vai da cultura popular à cultura erudita e letrada. É interessante notar as semelhanças e diferenças na visão do mesmo problema por esses dois eminentes educadores. O pensamento de Paulo Freire tem suas raízes mais profundas no debate político-cultural brasileiro do final dos anos 50. por Georges Snyders. comprometendo-se com os ideais de uma democracia radical. Cultura popular. cuja modalidade mais evidente é a cultura de massa. entendida como o lugar do sistemático e do progressivo. Enfim. na França. Um projeto de emancipação e construção de uma nova nação brasileira passava pela assunção de suas características de nação latino-americana e terceiromundista . segundo ele. Significa consciência de direitos. e a cultura elaborada.o seu "método". como é conhecido . ao contrário. cultura popular significa cultura da cidadania. passava pela tomada de consciência da realidade nacional. Tratava-se do debate em torno da construção de uma identidade nacional baseada no desenvolvimento político. Como Paulo Freire. Denunciando essa "realidade nacional". articulando a primeira com a segunda. mas mostra o quanto ela é insuficiente. Daí Paulo Freire insistir na questão da "invasão cultural". entre nós. Cada um a seu modo aponta para uma pedagogia com base no respeito à identidade cultural do educando. segundo ele. é sinônimo de "conscientização". social e econômico que. Esse processo não poderia dar-se sem uma transformação na estrutura do ensino e da extensão da educação para todos. um vigoroso movimento em torno de um pensamento pedagógico autônomo. a violência e o arbítrio. dialeticamente.O tema da relação entre a diversidade cultural e os itinerários educativos já foi tratado por educadores como Paulo Freire e.as elites dominantes. possibilidade de criar novos direitos e capacidade de defendêlos contra o autoritarismo. mas também o lugar da alegria. Paulo Freire constrói a sua pedagogia . para Paulo Freire. Paulo Freire reintroduziu a reflexão sobre o social no pensamento educacional brasileiro. Freire estava anunciando.

nem ocidentais. embora de forma fugaz. A escola que tira a criança desse ambiente de bombardeamento constante dos meios de comunicação de massa e a transporta para um local enfadonho . Elas têm por objetivo preservar e fortalecer a organização social. os costumes. Acabam não sendo nem índios nem brancos.fracassa na sua tarefa primeira que é despertar o desejo de aprender e desenvolver a capacidade de continuar aprendendo. atingir a satisfação prometida pela cultura primeira. A escola precisa fazer a síntese entre continuidade e ruptura em relação à cultura de massa.é criar escolas bilíngües. se quiser respeitar a identidade cultural das crianças populares. Cornelius Castoriadis. Depende do contexto histórico em que eles vivem. O imediato. . o "discurso do outro". na cultura popular e a devolve ao povo sob a forma de receitas e preceitos. as línguas. retira o que há de melhor. A cultura elaborada pode. É o caso. deve ser um apelo em direção ao elaborado. no livro A instituição imaginária da sociedade (1982). Por isso. Porém. Ela pode representar a alienação pura. na expressão do filósofo grego.muito. naturalizado francês. de original. Ela necessita de um prolongamento na cultura elaborada. a cultura primeira. a cultura.como fizemos em São Paulo na única aldeia guarani existente na capital . A cultura do nosso tempo é a cultura de massa. do drama que hoje enfrentam algumas comunidades indígenas no Brasil. como diz Georges Snyders no livro A alegria na escola (1988). as crenças e as tradições das comunidades indígenas. Hospedado dentro de mim. mas não mostra o processo. na forma como é veiculada. a escola que negasse a cultura de massa estaria contribuindo para o fracasso escolar das crianças das camadas populares em face das crianças das elites. Sendo o contato com o branco inevitável. o que estamos fazendo hoje . é uma cultura de consumo. É uma cultura que apresenta o produto. Pode até destruir sua identidade por uma espécie de "esquecimento" ou rejeição da cultura primeira.que não utiliza a sua linguagem e não satisfaz os seus desejos . A cultura elaborada não necessariamente representa algo superior para as necessidades vitais de todos os indivíduos. A escola dos brancos pode destruir a identidade indígena. Já existem 600 dessas escolas no Brasil. mas cumpre pouco. Apesar disso. a cultura de massa. o como se chegou a esse produto. A sua grande força está no fato de ela nos unir instantaneamente a todo o mundo. melhor que a cultura primeira. nem brasileiros. o outro acaba falando por mim. por exemplo.

por exemplo. Os anos 90 caracterizam-se por um pensamento pós-marxista e pós-moderno. É sobretudo um saber "em ato". culturais. na maioria das vezes. como se costuma dizer na França. a tematização e a problematização no seu trabalho pedagógico? • O que se quer dizer quando se afirma que o professor perdeu a sua identidade? • Como você vê a influência da cultura de massa na escola? . • Qual a diferença entre pluralismo e ecletismo? • Como o professor pode. se reduz à esfera da pura execução do trabalho. aplicar a investigação temática. • Descubra na sua prática dificuldades para o exercício de uma ética da diversidade. para nós. nas diversas disciplinas. isto é. num ato pedagógico essencial na construção da educação do futuro. isto é. extremamente elaborado.Mas os meios de comunicação de massa não são a única fonte do saber dos "menos qualificados". É um saber primeiro. que uma educação não autoritária deveria respeitar o aluno. no ato de produção. o questionamento das teses socialistas ortodoxas e burocráticas e a afirmação da subjetividade que se expressa por meio de movimentos sociais de índole distinta. Hoje temos mais clareza desse princípio quando as teorias da educação multicultural enfatizam ainda mais a necessidade de os educadores atentarem para as diferenças étnicas. Nós dizíamos. que se exprime pela oralidade e. Hoje percebemos com mais clareza que a diferença não deve ser apenas respeitada. Questões para debate • Localize no texto as propostas práticas para a construção de uma escola cidadã. Ela é uma riqueza da humanidade e base de uma filosofia do diálogo. mais preocupados com questões imediatas do que com uma utopia distante. Por isso os trabalhadores não têm interesse em desenvolver o seu saber se ele não for reconhecido como poder. se o seu saber não puder interferir na concepção e na tomada de decisão. como pensávamos nos anos 60. de classe e de gênero. Dizíamos que o respeito à diferença era uma idéia muito cara à educação popular. Afirmá-la novamente se constitui. Há uma outra fonte "mais qualificada": o saber do trabalhador se constrói e se desenvolve no trabalho. muitas vezes. mas é também.

BIBLIOGRAFIA COMENTADA ALVES. 1995 (Colecção Cadernos Pedagógicos). Quanto ao projeto político da escola.. Vitória . 65-73. liderança. clima escolar. n.(. Dom Inocêncio (PI). CARVALHO. Edições Asam. Marília Pinto de. In: Cadernos de Pesquisa. ago 1989. a quem transmite e a favor de quem será apropriado e aplicado. São José da Varginha (MG). da vida dos alunos e da história de lutas que precede a conquista da escola. 1993. estuda as suas finalidades. Aborda as dificuldades e impedimentos à participação popular na escola. Um invisível cordão de isolamento: escola e participação popular. às expectativas e mesmo à vida cotidiana da população à qual atende. e analisa. caminharia em direção ao conflito aberto expresso em movimentos coletivos e em violência individual contra o prédio escolar e profissionais da escola. Jaboatão (PE). São Raimundo Nonato (PI). MEC/Unicef/Cenpec. Registra experiências educacionais de 15 municípios de pequeno. Organização. José Matias. O autor chama a atenção para a necessidade da construção crítica e pessoal de um saber que pensa a escola enquanto realidade organizacional socialmente construída. sinteticamente. 55 p. Iguatu (CE). relações da escola pública com os contextos com o Estado. gestão e projecto educativo das escolas. Belo Horizonte (MG).) A participação popular pressuporia e impulsionaria a quebra da divisão rígida entre quem é educador e quem aprende. funções. Brasília. os movimentos populares deveriam forçar o questionamento do conhecimento que a escola transmite. os atores escolares e. A ignorância a respeito do bairro. A democratização do ensino em quinze municípios brasileiros: documento síntese. tais como: participação. São Paulo. pp. finalmente. algumas questões ligadas à gestão escolar.. O livro apresenta a escola como uma organização específica de educação formal. estruturas. tecnologia e educação.. Jaguaré (ES). Lisboa. 70. ed. CENPEC. projeto educativo. 3. médio e grande porte localizados em nove Estados brasileiros: Icapuí (CE). junto com seu isolamento. Aponta o isolamento como o principal impedimento do sistema público de ensino em relação aos movimentos organizados.

Esses municípios possuíam modelos diferenciados de gestão do sistema escolar. Brasiliense. O Conselho garante decisões coletivas. São Paulo. 1988. (Thereza Pegoraro) COVRE. interação com o meio social. ora a comunidade influencia os destinos da escola. porque os representantes escolhidos podem defender interesses parciais e posições autoritárias. que decide. moradia. . Resende (RJ). São Paulo. Muitas administrações municipais e estaduais já implantaram conselhos ou órgãos colegiados de gestão e sua estrutura tem variado nos diferentes municípios e Estados. Maringá (PR). tanto na luta pelo atendimento de necessidades básicas (alimentação. estabelecer relações mais flexíveis e menos autoritárias entre educadores e clientela escolar. saúde. Relacionada ao surgimento da vida em cidades. capacidade de organização escolar e gestão pedagógica voltadas para a melhoria da qualidade de ensino. São Paulo. Caderno elaborado pelo CENPEC. Ijuí (RS). v. A maneira mais comum de assegurar a participação de todos os interessados é a instalação de um Conselho Escolar. Conclui que a construção de uma escola democrática e de uma sociedade democrática são processos que se desenrolariam ao mesmo tempo e que a gestão democrática possibilitaria desmontar relações de mando e submissão. que envolve a discussão sobre o papel do próprio homem no Universo. o direito à vida no sentido pleno. Pedro. Conchas (SP). traz as principais conclusões a respeito da gestão democrática nas experiências analisadas nesta coletânea.(ES). A realização da gestão democrática significaria encontrar caminhos para atender às expectativas da sociedade a respeito da atuação da escola. dentro da coleção Qualidade para todos: o caminho de cada escola. Cortez. estabelecem-se situações de aprendizagem de mão dupla: ora a escola estende sua função pedagógica para fora. O que é cidadania. Participação é conquista: noções de política social participante. 1994. Compromisso de todos. educação) quanto num plano mais abrangente. Este livro mostra como esse direito precisa ser construído coletivamente. Marechal Cândido Rondon (PR). . Gestão. Além de abordar historicamente o tema da participação. Maria de Lourdes Manzini. o livro sistematiza algumas idéias em torno dele: canais de participação. Ao longo do processo de participação. age e pode atuar na transformação social. em última instância. Porto Alegre (RS). fazendo surgir o sujeito coletivo. 32 p. 250). a cidadania significa. D E M O . 1991 (Coleção Primeiros Passos. mas sua mera instalação não garante decisões democráticas.

cultura participativa e seus principais objetivos (autopromoção, realização da cidadania, controle de poder, controle da burocracia, negociação e cultura democrática). Apresenta ainda seus principais riscos, obstáculos e desafios e questões relacionadas à representação, à identidade cultural e ao assistencialismo. FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo, Paz e Terra, 1997. Utilizando uma linguagem acessível e didática, o autor reflete sobre os saberes necessários à prática educativo-crítica, fundamentados n u m a ética pedagógica e numa visão de m u n d o alicerçadas na rigorosidade, pesquisa, criticidade, risco, humildade, bom senso, t o l e r â n c i a , alegria, c u r i o s i d a d e , c o m p e t ê n c i a , g e n e r o s i d a d e , disponibilidade... "molhadas" pela esperança. A autonomia faz parte da própria natureza educativa. Sem ela não há educação, não há ensino, nem aprendizagem. G A D O T T I , Moacir. Diversidade cultural e educação para todos. Rio de Janeiro, Graal, 1992. Este livro aborda a relação entre identidade cultural e itinerário educativo, a concepção multicultural e monocultural do currículo e o papel da escola. Discute ainda a retomada da luta pela descentralização da educação e o papel crescente das Organizações Não-Governamentais (ONGs) no redirecionamento das políticas públicas em educação. Escola cidadã. São Paulo: C o r t e z , 1993. 78 p. Trata da questão da autonomia da escola pública. Nos três primeiros capítulos, faz uma análise conceituai geral de autonomia e relata uma experiência vivida pelo autor. Estabelece, então, um quadro da situação da educação brasileira relativo à problemática da autonomia da escola pública, fazendo um paralelo com as recentes reformas educacionais européias. Acredita que a transformação da escola pública em unidade de despesa, proporcionando-lhe recursos orçamentários, poderia melhorar sua situação desde que estivesse vinculada à participação e à democratização do sistema de ensino. G A R C I A , Walter. Administração educacional em crise. São Paulo, Cortez: Autores Associados, 1991 (Coleção Polêmicas do N o s s o T e m p o ; v. 46). A temática dos textos reunidos neste livro é a crise educacional que vem se agravando ao longo dos últimos anos. A crise está alicerçada em causas estruturais profundas, em que avultam a dívida externa e a insensibilidade histórica das elites nacionais, pouco preocupadas com o que se passa além de seus interesses meramente imediatistas.

MARÉS, Carlos. Eleição de diretores e democracia na escola. Revista ANDE, São Paulo, v. 3, n. 6, pp. 49-50, 1983.
Acreditando que a discussão da democracia na sociedade remete ao tema da democracia na escola, o autor afirma que, ao descer à prática, o tema perdeu a magnitude de sua essência, restando apenas os aspectos de sua forma. Para o autor, essa discussão deveria perceber o local social da escola na sociedade pluralista e heterogênea, sem buscar uma homogeneidade castradora e impositiva. A escola precisaria ser democrática, mas a implementação dessa política democrática deveria ser assumida pelo Estado com base na realidade escolar. Segundo o autor, atualmente diretores servem apenas como intermediários na implantação de uma política que não ajudaram a elaborar. A escolha da direção faz-se apenas com relação ao plano administrativo. Podem ser encontrados quatro tipos de escolha para a direção: a) diretor de carreira; b) concurso público; c) livre indicação; d) eleições. A defesa da eleição como forma de escolha dos diretores das escolas pressupõe a criação de uma regulamentação, além do que deve servir como meio para que o povo participe da gestão da coisa pública.

MIRANDA, Glaura Vasques de. A questão da autonomia da escola. Educação em Revista, Belo Horizonte, n. 9, pp. 59-61, jul. 1989.
Aponta, como uma das questões de importância para o desenvolvimento de um projeto pedagógico de melhor qualidade, a relação deste com a questão da autonomia da escola. Um maior grau de autonomia possibilitaria qualidade com gestão democrática. A esse projeto liga-se a idéia de recuperação da dignidade da escola pública, perdida em razão de práticas excessivamente centralizadoras do Estado. A autora enumera e analisa as condições básicas para que se garanta a realização de um projeto de gestão democrática na escola.

NOGUEIRA, Madza Julita. Todos pela educação no município: um desafio para cidadãos. Brasília, Unicef/Cecip, 1993. 133 p.
Aborda de maneira didática os direitos educacionais consagrados nas leis e destaca a participação popular como elemento fundamental para a expansão do ensino público ocorrida até os dias de hoje. Ressalta a importância dessa participação como instrumento de intervenção nas políticas educacionais dos municípios, na tomada de decisões. O livro conta com a colaboração de pessoas que estão envolvidas com esses mecanismos de gestão e participação popular, tornando mais acessíveis informações como a maneira de participar, quem pode fazê-lo, através de quais mecanismos. Mostra a possibilidade de participar da direção e gestão da unidade escolar, bem como do governo municipal, onde a população será

co-responsável pelas decisões sobre as políticas públicas para a educação, exigindo que estas se cumpram. Prossegue, dessa forma, esclarecendo como os cidadãos podem controlar e fiscalizar a aplicação de recursos públicos.

PARO, Vítor Henrique. Eleição de diretores - a escola básica experimenta a democracia. Campinas, Papirus, 1996.
Hoje, a eleição de diretor de escola é uma realidade em várias redes de ensino público no Brasil. Este livro analisa as características e os problemas da institucionalização e da implementação dessa experiência, bem como capta seus efeitos sobre a democratização da gestão escolar e sobre a qualidade e a quantidade da oferta de ensino.

. Gestão da escola pública: a participação da comunidade. In: Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, Brasília, n. 174, pp. 255-290, maio-ago. 1992.
Baseado em estudo de caso de cunho etnográfico realizado em escola estadual de ensino fundamental na cidade de São Paulo, com o objetivo de identificar os obstáculos e as potencialidades da participação do usuário na gestão da escola pública. Discute os determinantes imediatos dessa participação, presentes tanto no interior da escola quanto na comunidade por ela servida. Entre os primeiros destacam-se os condicionantes materiais, os institucionais, os político-sociais e os ideológicos. Entre os últimos encontram-se as condições objetivas de vida, bem como os condicionantes culturais e institucionais.

RIBEIRO, Vera Masagão (Org.). Participação popular e escola pública. São Paulo, Cedi, 1989. O novo conselho de escola, pp. 25-34 (Cadernos do Cedi, 19).
Avalia as contribuições que a implantação dos Conselhos de Escola deliberativos trouxe para uma efetiva participação popular na escola. O desconhecimento da maioria sobre as atribuições do Conselho é, segundo a autora, o principal índice de sua quase nenhuma efetividade. A autora apresenta uma síntese sobre as modificações das funções dos Conselhos de Escola e as respectivas leis que regulamentaram a passagem do caráter consultivo para deliberativo e da ampliação da representação dos segmentos escolares no decorrer do tempo. O artigo polemiza algumas questões como a natureza paritária do Conselho. Para a autora, normalmente o diretor aparece para a população como o grande obstáculo à sua participação na escola. R O M Ã O , J o s é E u s t á q u i o . Poder local e educação. São P a u l o , C o r t e z , 1992. Este livro aborda as diversas concepções de descentralização e a questão da municipalização do ensino no Brasil. Apresenta o poder político local,

Campinas. moradores. 15. Dessa forma. C a m p i n a s . examinada no contexto internacional. A gestão democrática no âmbito escolar apresentaria incompatibilidade entre os modelos burocráticos existentes no sistema escolar e as práticas democráticas pretendidas. SANDER. SPOSITO. E d u c a ç ã o e Realidade. Sander analisa quatro construções de administração da educação. p p . 1990. que tipo de relações devem ser estabelecidas entre uma escola autônoma e o sistema escolar. Jair Militão da. descompromisso com o aluno. os textos constituem uma referência da produção intelectual do autor e um registro seletivo do debate político-pedagógico dos anos 80 e 90 na América Latina. é sugerida com insistência a autonomia da escola. v. 1995 (Coleção E d u c a ç ã o C o n t e m p o r â n e a ) . ainda. No seu conjunto. Benno. Além de passar pelo curso da história do pensamento administrativo na educação latino-americana. A construção do conhecimento no campo da gestão da educação na América Latina é o tema central dos cinco ensaios deste livro. Faz um balanço da participação dos municípios na educação brasileira. Gestão da educação na América Latina: construção e reconstrução do conhecimento. Este livro procura discuti-la. o autor alerta para o que chama de esquecimento do sujeito e apresenta uma proposta de pedagogia do sujeito coletivo como fator de re-humanização da escola pública. movimentos populares e sindicais. 1. Nele. Para superar tal situação. o leitor encontrará: como uma escola pode conquistar sua autonomia. Já são bastante conhecidas as críticas dirigidas à escola pública: repetência. 52-56. Papirus. gestão democrática e participação popular. relaciona gestão da educação com qualidade de vida e trata. q u e s t i o n a n d o a democratização de sua gestão com a participação dos pais. jan. burocracia. Educação. n. mostra o papel dos conselhos municipais de educação e apresenta um estudo de caso de resistência comunitária à nucleação de escolas unidocentes no meio rural. que condições deve apresentar um sistema escolar que busque a autonomia de suas escolas. Autores Associados./jun. única possibilidade real de autonomia da escola. SILVA. evasão.subdividindo-o em poder popular e poder elitista. Analisa a democratização do ensino público. Após examinar estudos preexistentes. Porto Alegre. não há gestão democrática ao lado de estruturas administrativas . A autonomia da escola pública. Marília Pontes. 1996. da gestão democrática e qualidade de educação de acordo com os novos desafios da administração pública e da gestão da educação para todos.

pois não há canal democrático de gestão que possa ser viabilizado sem uma profunda alteração administrativa das estruturas de organismos ligados à educação. centralizadas e verticalizadas. porém não isoladamente.burocratizadas. uma enraizada mentalidade privatista da coisa pública. Trata da questão da autonomia das escolas e das implicações dessa transferência . 1990. 170 p. In: Cadernos do Cedi. Gestão democrática. In Tempo e Presença. famílias e moradores na gestão escolar e conclui que a gestão democrática poderia oferecer uma alternativa concreta de melhoria da educação brasileira. enfim. pelo caráter clientelista da burocracia escolar. a nomeação dos cargos de confiança nas instâncias intermediárias ou superiores apoiada em relações tacanhas de clientelismo político. formas tradicionais de dominação política e concepções privadas de uma atividade que deveria ser essencialmente pública". possibilitando aos setores tradicionalmente marginalizados acesso aos serviços educacionais e a melhoria da qualidade do ensino oferecido. 251. Jean. A professora da Universidade de São Paulo Marília Sposito afirma neste artigo que "apesar de gerida e mantida pelo aparato estatal. São Paulo. n. dando subsídios para ajudá-lo a administrar bem em um ambiente democrático sem. a escola brasileira não é necessariamente pública. A estrutura administrativa da escola. jan. deixar de perceber os outros elementos constituintes e participar deste universo escolar. São Paulo. VALERIEN. Pelo contrário. Rio de Janeiro. 12. . que dela toma posse. Analisa o problema da gestão da escola fundamental centrado na figura do diretor. determinada e articulada em grande parte a partir das orientações do diretor. Redefinindo a participação popular na escola. A autora defende que não haveria possibilidade de democratização sem a transformação da prática profissional do educador. esse conjunto de fatores acaba por transformar a educação mantida pelo Estado num grande terreno onde prevalecem interesses pessoais. vol. Gestão da escola fundamental: subsídios para análise e sugestão de aperfeiçoamento. n. sem a real participação dos pais. Trata da luta pela gestão democrática na escola como uma das maneiras de nortear procedimentos do sistema educativo. mai/jun. 1993. 1989. . pp. pp. a falta de autonomia para a elaboração e execução de projetos pedagógicos no âmbito da unidade escolar. é no sistema de ensino que encontramos com maior profundidade. 19. 18-20. 64. a obtenção do consenso pelo servilismo ou pela troca de favores. Unesco/MEC/ Cortez. contudo.

ago. constituído de mães de alunos e professores das escolas estaduais de São .elementos metodológicos para elaboração e realização. pp. 1). mas não antagonismos: mães e professoras das escolas públicas. (Thereza Pegoraro) VASCONCELLOS. Os autores desta coletânea buscam a organização do trabalho pedagógico por meio da constituição de um projeto político e pedagógico.. Apresenta e analisa os vários níveis de um planejamento. Divergências. oferecendo instrumentos e elementos metodológicos e processuais que poderão favorecer uma ação pedagógica que leve em conta os fundamentos históricos. VEIGA.). São Paulo. cujo fio condutor é a defesa do fortalecimento das relações entre escola e sistema de ensino. 1993. organização dos educadores e o debate fundamental sobre as questões referentes à qualidade de ensino para todos. rompendo com a rotina burocrática no interior da escola. gestão na escola. Libertad. Cláudia Pereira. explica que o diretor não deve ser o único a decidir. dirigentes educacionais e demais profissionais da educação. 39-47. São Paulo. 2. ed. princípios básicos de planejamento participativo. n. a saber. 1996. relações de poder. Uma Passos (Org. mas sim que deve propor e solicitar a colaboração dos outros envolvidos no projeto da escola. Cadernos de Pesquisa. Através de um processo permanente de reflexão e de discussão dos problemas da escola. O autor escreve para professores. São Paulo. v. VIANNA. Papirus. relações ensino-aprendizagem. 1995 (Cadernos Pedagógicos do Libertad. 86. antropológicos e epistemológicos da educação e os contextos em que é realizada. Planejamento: plano de ensinoaprendizagem e projeto educativo . o texto traça paralelo com as "vantagens" da centralização das decisões. Quanto à gestão da escola. Celso dos S. Este é um livro sobre o planejamento da educação. procuram alternativas viáveis à efetivação de seu objetivo. Os textos estão organizados em torno de temas como: construção coletiva. a construção de um processo democrático de decisões que vise eliminar as relações competitivas. Projeto Político da Escola: uma construção possível. de um plano de ensino-aprendizagem e de um projeto educativo. autonomia. corporativas e autoritárias. Trata da relação entre o Movimento Estadual Pró-Educação (Mepe). contribuindo para a realização de diagnósticos escolares e para a compreensão do planejamento como instrumento da praxis pedagógica. Ao mesmo tempo em que apresenta pontos de reflexão importantes para a conceituação e análise da gestão democrática autônoma da escola.de responsabilidades no contexto da democratização da gestão escolar.

Fundamenta. gerador de mudanças em todos os aspectos. sintetiza e relata o trabalho pedagógico efetivado em uma escola de ensino fundamental do Estado de São Paulo que se propôs a desenvolver o trabalho pedagógico a partir de um planejamento participativo. Procurou transformar a escola em centro polivalente. SOBRINHO. 1986. Planejamento participativo na escola: um desafio ao educador. Entre esses riscos.). Gestão educacional . 147). comunitário e político. em que a comunidade participe não só de execuções de ações.Paulo. família e comunidade um verdadeiro trabalho integrado. a ingerência da hierarquia burocrática do sistema. MELLO. A condição de mulher foi um primeiro fator de aproximação de mães e professoras. Brasília (Série Ipea. (Thereza Pegoraro) VIANNA. além do imediatismo que caracteriza o povo brasileiro. figura a manipulação do trabalho pela assessoria especializada e a pseudoparticipação da comunidade. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) vem acompanhando as inovações na gestão do sistema educacional e escolar. bem como as perspectivas que se abrem para a melhoria da qualidade do ensino. pois algumas professoras eram também mães de alunos. José Amaral (Orgs. Conclui que a luta pela melhoria da qualidade de ensino adquirirá força quando professoras e mães explicitarem os valores e critérios que as distinguem. estabelecendo entre professores. EPU. O volume nº 147 apresenta doze experiências de novas formas de organização e gestão educacional em diferentes regiões . Rose Neubauer da. A autora analisa o apoio das mães às reivindicações do professorado e mostra as tensões que ocorreram no processo. 1995. acompanhamento e controle. convivendo com as diferenças e conflitos que isso implica. envolvendo atividade conjunta da escola. tem desenvolvido estudos e pesquisas com o objetivo de identificar as mudanças ocorridas nos últimos anos na concepção e gestão das unidades escolares. Guiomar Namo de.experiências inovadoras. São Paulo. SILVA. n. um ambiente de idéias inovadoras e veículo de dignificação do homem. segundo a autora. a dificuldade de integração com os demais níveis e grupos da própria comunidade. Essa proposta é desafiadora. que se efetive como uma tarefa contínua e política. mas de suas decisões. Antônio Carlos da Ressurreição. Ilca Oliveira Almeida. Tem a preocupação com um processo educativo centrado no aluno e sua realidade pessoal e contextual. na medida em que tem de vencer entraves como a descrença das pessoas para sua efetivação. Nesse sentido. geralmente direcionada pelos poderes públicos. família e comunidade. (Thereza Pegoraro) XAVIER.

n. 145). . Analisa as inovações que estão ocorrendo na gestão da Educação em Estados e municípios selecionados. 1994. Duas delas têm como objeto sistemas estaduais e dez se voltam para sistemas de ensino no nível municipal. analisa as experiências de avaliação do contexto da melhoria dos processos e da qualidade do ensino. as experiências que vêm sendo realizadas no País. Brasília (Série Ipea. Fátima e SOBRINHO. e. Este volume discute os novos desafios impostos à gestão escolar num mundo caracterizado por rupturas contínuas e aceleradas de paradigmas.). José Amaral. (Orgs. por fim. . as mudanças que a ampliação do processo de decisão da escola trouxe para seu perfil e funcionamento.do país. com a "gestão da qualidade total". em escolas públicas e privadas. Gestão escolar: desafios e tendências. MARRA. bem como identifica o que qualifica a escola.

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